Francisco António de Almeida (ca.1702-1755) – La Giuditta, Oratorio – Concerto Koln, René Jacobs

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Francisco António de Almeida
ca.1702-1755

Comentários gentilmente enviados por Harry Crowl:

Francisco António de Almeida

Embora esse compositor tenha sido contemporâneo de João Rodrigues Esteves e tenha recebido uma formação bem semelhante, as suas obras encontradas até o momento refletem o gosto napolitano das óperas de Alessandro Scarlatti, Haendel e vários outros. Isso mostra que a convivência de estilo antigos e contemporâneos já era fato corriqueiro naquela época. “La Giuditta” foi composta em Roma, em 1726. É um exemplo bem típico do estilo napolitano de alternâncias em recitativos e árias do gênero “da capo”. A prática de ópera em Roma era vista com muita desconfiança pela Igreja e durante a quaresma, era terminantemente proibido as suas representações. Assim, ao longo do séc. XVII, os oratórios foram surgindo como representações sacras para a ocasião. Havia uma tendência em Portugal de se imitar o que acontecia em Roma, especialmente durante o reinado de D.João V. Os oratórios eram óperas sobre temas bíblicos com representações mais contidas. O compositor Giacomo Carissimi foi quem disseminou essa prática do oratório de maneira mais consistente no séc. XVII. Francisco António de Almeida foi o compositor da primeira ópera portuguesa em italiano, “La Pazienza di Socrate”, em 1733, da qual somente o manuscrito do 3o. ato chegou até os nossos dias.

Há também uma ópera cômica de sua autoria, “La Spinalba”, (alguns trechos nos vídeos do Youtube abaixo) muito próxima do estilo de Pergolesi. Há vários trechos dessa ópera no Youtube. Pode-se ter uma idéia muito clara desse intercâmbio entre Portugal e Itália nessa época, e principalmente, da intensidade e exuberância da música tanto religiosa quanto dramática escrita pelos portugueses ao longo do séc. XVIII.


Francisco António de Almeida (ca.1702-1755)
01. La Giuditta – Introduzione
02. La Giuditta – Recit: Sventurata Giuditta!
03. La Giuditta – Aria: Quella Fiamma
04. La Giuditta – Recit: Qual Mai Gente Superba
05. La Giuditta – Aria: Invitti Miei Guerrieri
06. La Giuditta – Recit: Ove Gli Occhi Raggio/Aria: Tortorella
07. La Giuditta – Recit: Illustre Prence/Aria: Saggio Nocchiero
08. La Giuditta – Recit: Ma Quale Ignoto Duce/Aria: La Dolce Speranza
09. La Giuditta – Recit: Ed Orgogliosa/Aria: Dal Mio Brando Fulminante
10. La Giuditta – Recit: Prence, Gia D’Ogni Intorno/Aria: Pallida E Scolorita
11. La Giuditta – Recit: A Tanto Rio Dolore/Aria: Giusto Dio
12. La Giuditta – Recit: Dunque, Con Alma
13. La Giuditta – Aria: Sento Che Dice Al Cor
14. La Giuditta – Recit: Ma Qual Vano Consiglio/A Due: Vanne, Addio
15. La Giuditta – Recit: Alto Signore/Aria: Dalla Destra Omnipotente
16. La Giuditta – Recit: Oh, Come Lieta/Aria: Un’ Alma Forte
17. La Giuditta – Recit: Quest’ E Il Giorno Fatale/Aria: Date, O Trombe
18. La Giuditta – Recit: Ma Quale Io Veggio/Aria: Lo Splendor
19. La Giuditta – Recit: Illustre Pellegrina
20. La Giuditta – Aria: Cara, Non Paventar
21. La Giuditta – Recit: Giace Dal Sonno Avvinto
22. La Giuditta – Aria: Mi Sento Nel Petto
23. La Giuditta – Recit: Tutta Lieta E Fastosa/Aria: Godete, Si Godete/Recit: Questa, Voi La Mirate
24. La Giuditta – Aria: Vengo A Te
25. La Giuditta – Recit: Ma Come Tant’ Ardire/A Due: Quel Diletto

Almeida, La Giuditta, Oratorio – 1998
Concerto Koln
Director: René Jacobs

Lena Lootens – soprano
Francesca Congiu – soprano
Martyn Hill – tenor
Axel Kohler – countertenor

Esta postagem é mais uma excelente colaboração do maestro, compositor e musicólogo Harry Crowl Jr. Não tem preço!

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
MP3 320 kbps -278,0 MB – 2,0 h (2 CDs)
powered by iTunes 10.1.2

Boa audição.

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Avicenna

6 comments / Add your comment below

  1. Caro Avicenna:

    Bela postagem a em questão, como de costume. Antes de ler o texto do Harry, comecei a ouvir o oratório e percebi uma outra abordagem, secular, uma “alegria” típica das composições de Vivaldi – o qual adoro – , esta impressão revelou-se verdadeira pois o texto indica que as obras do compositor “refletem o gosto napolitano das óperas de Alessandro Scarlatti”.
    Em outro trecho consta “Assim, ao longo do séc. XVII, os oratórios foram surgindo como representações sacras para a ocasião”, estes oratórios seguiram o gosto napolitano, também, ou tornaram-se mais sacros? Os oratórios de Bach não demonstram este gosto napolitano, ao que parece, são mais “formais”.

  2. É verdade. Os oratórios de Bach fogem completamente a essa definição. Além de Bach ter vivido em terras protestantes, suas referências musicais são mais antigas. Há,ainda em sua música, muitas referências ao renascimento, como a polifonia franco-flamenga. É mais fácil entender a musica de Bach se pensarmos em compositores como Schütz e Buxtehude. Há evidências de influências do norte da Itália (Veneza, Monteverdi)na música desses compositores, especialmente Schütz.
    Porém, Bach conhecia a música napolitana. Certamente, não se identificava muito com ela e torcia o nariz para essa música católica e excessivamente teatral. A Cantata n.209 é uma típica cantata napolitana. É cantada em italian, inclusive – “Non sa che sia dolore”.

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