Max Bruch (1838-1920): Concerto Nº 1 para Violino e Orq. / Johannes Brahms (1833-1897): Concerto para Violino e Orq. (Little, Handley, RLPO)

Max Bruch (1838-1920): Concerto Nº 1 para Violino e Orq. / Johannes Brahms (1833-1897): Concerto para Violino e Orq. (Little, Handley, RLPO)

“Em 50 anos, serei lembrado apenas pelo meu concerto para violino em sol menor… Brahms foi um compositor muito maior do que eu porque assumiu riscos”. OK, então, neste CD, temos Bruch representado por sua melhor música e ela não parece uma obra complementar — é muito bonita. Claro que Brahms é Brahms , mas Bruch não faz feio, de modo algum. Talvez a comparação direta mais conhecida entre os concertos para violino de Brahms e Bruch venha de Hans von Bülow, que comentou que, enquanto Bruch havia escrito um concerto para violino, Brahms havia composto um contra ele. E embora isso seja talvez um pouco duro com Brahms, pode-se entender o ponto de von Bülow: Bruch usa a orquestra para apoiar seu solista, enquanto Brahms tenta tratar tanto o solista quanto a orquestra como iguais. Comparações à parte, ambos são exemplos imponentes do gênero e permanecerão estabelecidos como pedras fundamentais do repertório de concertos. Aqui, os dois concertos são tocados com raro brilho.

Tasmin Little toca num Stradivarius de 1,3 milhão de libras e ainda faz essas caras

Max Bruch (1838-1920): Concerto Nº 1 para Violino e Orq. / Johannes Brahms (1833-1897): Concerto para Violino e Orq. (Little, Handley, RLPO)

Violin Concerto No. 1 In G Minor, Op. 26
Composed By – Max Bruch
1 I Vorspiel: Allegro Moderato 8:51
2 II Adagio 9:09
3 III Finale: Allegro Energico 7:34

Violin Concerto In D, Op. 77
Composed By – Johannes Brahms
4 Allegro Non Troppo 22:15
5 Adagio 8:47
6 Allegro Giocoso, Ma Non Troppo Vivace 7:44

Conductor – Vernon Handley
Orchestra – Royal Liverpool Philharmonic Orchestra
Violin – Tasmin Little

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O Bruch tem cara de boa pessoa, né? Tomaria um chope com ele.

PQP

Brahms (1833 – 1897): As Quatro Sinfonias – Wiener Philharmoniker – James Levine ֎

Brahms (1833 – 1897): As Quatro Sinfonias – Wiener Philharmoniker – James Levine ֎

BRAHMS

4 Sinfonias

Abertura Trágica

Rapsódia para Contralto

Wiener Philharmoniker

James Levine

 

Capa de um dos CDs lançado avulso

Esta coleção de obras de Brahms contendo principalmente as quatro sinfonias é excelente! A orquestra não poderia ser mais qualificada, a produção é impecável, com exceção da Abertura, tudo foi gravado ao vivo, a capa é sensacional – Art Noveau.

A Rapsódia para Contralto, interpretada pela ótima Anne Soffie von Otter, com acompanhamento do Arnold Schoenberg Chor é muito tocante.

O regente é James Levine, um tipo Dr. Jekyll e Mr. Hyde da batuta. Ele foi um maestro americano que chegou muito cedo a posições de destaque e dirigiu as melhores orquestras – Philadelphia, Chicago, Boston, Berlin e Wiener Philharmoniker. Sua mais longa ligação foi a frente do Metropolitan Opera de Nova York. Foi nomeado maestro em 1976 e viveu um rico período de realizações. No entanto, essa relação terminou de maneira tumultuada. Ele foi afastado em 2017, acusado de abuso sexual de vários músicos. Essas denúncias vieram à tona na ocasião do movimento #Me Too.

J Levine e sua toalhinha…

No que tange a música, Levine foi músico completo – regente de obras sinfônicas, grandes obras corais e ópera. Foi excelente acompanhante de solistas, tanto como regente (Kissin, Volodos, Mutter) quanto como pianista (Kathleen Battle, Christa Ludwig, Jessie Norman). Também atuou como músico de câmara junto a ótimos conjuntos. Seu legado de gravações é imenso e de muito bom nível. Esse ciclo de Brahms, gravado ao vivo, é o seu segundo. Há um ciclo gravado para RCA, com a Chicago Symphony Orchestra, que é também excelente. Você perceberá, desde as primeiras notas da Primeira Sinfonia, passando pelo seu exuberante último movimento. Não deixe de ouvir. Não é por nada que ele foi estagiário de George Szell.

Johannes Brahms (1833 – 1897)

Symphony No. 1 In C Minor, Op. 68

  1. Un poco sostenuto – allegro
  2. Andante sostenuto
  3. Un poco allegretto e grazioso
  4. Adagio – più andante – allegro non troppo, ma con brio

Alto-Rapsody op.53

  1. Adagio- poco andante- adagio

Symphony No. 2 In D Major, Op. 73

  1. Allegro non troppo
  2. Adagio non troppo
  3. Allegretto grazioso (quasi andantino) – presto ma non assai
  4. Allegro con spirito

Tragische Ouvertüre Op. 81

  1. Allegro non troppo

Symphony No. 3 In F Major, Op. 90

  1. Allegro con brio
  2. Andante
  3. Poco allegretto
  4. Allegro

Symphony No. 4 In E Minor, Op. 98

  1. Allegro non troppo
  2. Andante moderato
  3. Allegro giocoso
  4. Allegro energico e passionato

Anne Sofie von Otter, contralto

Arnold Schoenberg Chor

Wiener Philharmoniker

James Levine

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MP3 | 320 KBPS | 184 MB

 

Onde está o Pateta?

Alguns críticos diziam que faltava ao seu trabalho uma marca distintiva, lembra o principal crítico de música clássica do New York Times, mas, quando dirigia, as suas apresentações eram “lúcidas, ritmicamente incisivas sem serem obstinadas, e estruturadas de forma convincente, dando ainda às linhas melódicas espaço para respirarem”.

Acima de tudo, acrescenta Anthony Tommasini, Levine “valorizava a naturalidade, sem que nada soasse forçado, fosse uma explosão tempestuosa de uma ópera de Wagner ou uma passagem reflexiva de uma sinfonia de Mahler”.

[…] faltava ao seu trabalho uma marca distintiva […] Rigorosos, não acham? Eu sou bem mais fácil de agradar e gostei muito de ouvir essas gravações. Depois você me conta.

Aproveite!

René Denon

Brahms (1833 – 1897): Ballades & Fantasies – Denis Kozhukhin (piano) ֍

Brahms (1833 – 1897): Ballades & Fantasies – Denis Kozhukhin (piano) ֍

Johannes Brahms

Baladas e Fantasias

Denis Kozhukhin, piano

 

O jovem pianista de olhos azuis e cabelos louros se deu conta que o piano estava afinado um bemol abaixo assim que, com o violinista cigano que acompanhava, atacaram a sonata de Beethoven…  Mas, não perdeu a pose, transpôs tranquilamente, de memória, a parte correspondente para um semitom acima. Estamos falando dos dias de juventude de um dos três ‘B’s da música. Hannes, como era chamado pelos íntimos, além de compositor aspirante, um pianista exímio e extremamente experiente.

A dupla Eduard Reményi e Johannes Brahms não poderia ser mais contrastante, mas como geralmente acontece nessa sorte de associação, complementavam-se de certa forma. Eles não permaneceram juntos por muito tempo, mas o gosto pelas melodias ciganas ficou. Em breve Hannes conheceria outro violinista húngaro, travando uma amizade longa com Joseph Joachim.

O disco da postagem traz uma linda coleção de peças da obra para piano de Brahms, interpretada pelo jovem pianista Denis Kozhukhin. O Tema e Variações é uma transcrição do segundo movimento do Sexteto de Cordas, op. 18, e tem uma dessas melodias ‘chiclete’, que gruda na memória da gente… Em seguida as 4 Baladas, pois que o compositor da postagem, mesmo acusado de ‘clássico’, quando isso era démodé, tinha alma romântica. Para finalizar, uma das coleções de peças curtas, produzidas no final da vida, as Fantasias op. 116. Veja como as perspectivas podem elevar ou detrair, dependendo do caso. (Por isso, devemos ter cuidado com as palavras.) Sobre essas peças, Eduard Hanslick, que era da turma do Wagner, as descreveu como um ‘breviário do pessimismo’ (ele talvez preferisse as valsas), enquanto Rüger menciona ‘gentil melancolia’. Eu sempre gostei dessas peças, desde o filme ‘Chuvas de Verão’. Espero que o disco sirva de estímulo para maiores explorações pelas diferentes interpretações dessas peças e do resto da obra para piano de Brahms.

Johannes Brahms (1833 – 1897)

Theme & Variations in D Minor, Op. 18b

  1. Tema e Variações

4 Ballades, Op. 10

  1. 1 in D Minor “Edward”
  2. 2 in D Major
  3. 3 in B Minor
  4. 4 in B Major

Fantasies (7 piano pieces), Op. 116

  1. 1, Capriccio in D Minor
  2. 2, Intermezzo in A Minor
  3. 3, Capriccio in G Minor
  4. 4 in E Major, Intermezzo
  5. 5, Intermezzo in E Minor
  6. 6, Intermezzo in E Major
  7. 7, Capriccio in D Minor

Denis Kozhukhin, piano

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MP3 | 154 MB

Denis Kozhukhin

Seção ‘The book is on the table’:  “These works by Brahms reflect the many aspects of the life of a great man; the intellect of an exceptional mind and the emotions of a profoundly sensitive human being. From the Ballades with their resonance of a young man wondering about an uncertain future, to the Phantasies, with their sickening contrasts, which move from the despair of a man who suffered great loss to the powerful resilient strength of a human being who refuses to accept the approaching end.”  –  D. Kozhukhin

Russian pianist Denis Kozhukhin studied in Spain, Italy, and Germany. This fine recital of Brahms piano music consists of short pieces drawn from the beginning and end of the composer’s career. […] This is an immensely satisfying disc, raising a thirst for more Brahms from Kozhukhin. Bring on the Handel variations and the Third Piano Sonata!   –   Richard Kraus

The Ballades confirm his mastery of sonority, balance and deportment. Kozhukhin takes care to articulate each note, where the majority of pianists phrase by the bar…this is worth pursuing.  –  Diapason April 2017

Aproveite!

René Denon

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Johannes Brahms (1833-1897): Piano Pieces – Arcadi Volodos

Johannes Brahms (1833-1897): Complete Chamber Music (CD 5 de 11) – Clarinet Quintet in B minor, Op 115, String Quintet No. 2 in G major, Op. 111 (Berlin Philarmonic Octet / Herbert Stahr)

Johannes Brahms (1833-1897): Complete Chamber Music (CD 5 de 11) – Clarinet Quintet in B minor, Op 115, String Quintet No. 2 in G major, Op. 111 (Berlin Philarmonic Octet / Herbert Stahr)

Dando continuidade à obra de câmara integral de Brahms, e ainda com os quintetos, vamos agora ao CD 5.

Eu tinha na cabeça, como uma idéia fixa, frases do quinteto para clarineta e cordas de Brahms, que para mim sugere a cor, o som, a fragrância, o espírito, enfim, do outono. Depois de despedir docemente uma rapariga americana que chorou no meu ombro as dores dum amor mal correspondido (o noivo tinha fugido para a Índia), liguei o telefone para a minha secretária e disse: “Mary, faça passar o próximo paciente”.

Erico Verissimo, Solo de Clarineta, Vol. 1

Johannes Brahms (1833-1897): Complete Chamber Music (CD 5 de 11) – Clarinet Quintet in B minor, Op 115, String Quintet No. 2 in G major, Op. 111 (Berlin Philarmonic Octet / Herbert Stahr)

Clarinet Quintet in B minor, Op 115
1 – Allegro
2 – Adagio
3 – Andantino – Presto non assai – ma con assentimento
4 – Com moto

String Quintet No. 2 in G major, Op. 111
5 – Allegro non troppo, ma con brio
6 – Adagio
7 – Un poco allegretto
8 – Vivace ma non troppo presto

Berlin Philarmonic Octet
Herbert Stahr – Clarinet

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Brahms: esse era um mal-humorado, nossa!

FDP

Johannes Brahms (1833-1897): Quartetos de Cordas (completo) e Quinteto para Piano (Emerson / Fleisher)

Johannes Brahms (1833-1897): Quartetos de Cordas (completo) e Quinteto para Piano (Emerson / Fleisher)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Dizer o quê? Não era um dos grandes admiradores dos quartetos de Brahms, mas este CD duplo mudou tudo. Este é um daqueles CDs perfeitos e meu único esforço seria o de desfilar os mais severos elogios. O Emerson comemora seus 30 anos de existência com Brahms e convida o grande Leon Fleisher para fazer o Quinteto Op. 34. Uma notável interpretação que me mostrou qualidades que nunca antes tinha suspeitado nos Quartetos de Cordas de um de meus três B`s (que são quatro). É notável como Brahms é beethoveniano no primeiro quarteto e como vai desprendendo-se rapidamente do mestre para adquirir sua voz. Para ouvir de joelhos.

Johannes Brahms (1833-1897): Quartetos de Cordas (completo) e Quinteto para Piano (Emerson / Fleisher)

1. String Quartet No.1 in C minor, Op.51 No.1 – 1. Allegro 10:27
2. String Quartet No.1 in C minor, Op.51 No.1 – 2. Romanze (Poco adagio) 6:29
3. String Quartet No.1 in C minor, Op.51 No.1 – 3. Allegretto molto moderato e comodo – Un poco più animato 8:20
4. String Quartet No.1 in C minor, Op.51 No.1 – 4. Allegro 5:35

5. String Quartet No.2 in A minor, Op.51 No.2 – 1. Allegro non troppo 12:19
6. String Quartet No.2 in A minor, Op.51 No.2 – 2. Andante moderato 8:54
7. String Quartet No.2 in A minor, Op.51 No.2 – 3. Quasi minuetto, moderato – Allegretto vivace 4:48
8. String Quartet No.2 in A minor, Op.51 No.2 – 4. Finale (Allegro non assai – Più vivace) 6:39

Disc 2

1. String Quartet No.3 in B flat, Op.67 – 1. Vivace 9:29
2. String Quartet No.3 in B flat, Op.67 – 2. Andante 6:54
3. String Quartet No.3 in B flat, Op.67 – 3. Agitato (Allegretto non troppo) 7:42
4. String Quartet No.3 in B flat, Op.67 – 4. Poco allegretto con variazioni – Doppio movimento 9:29

5. Piano Quintet in F minor, Op.34 – 1. Allegro non troppo 16:31
6. Piano Quintet in F minor, Op.34 – 2. Andante, un poco adagio 8:59
7. Piano Quintet in F minor, Op.34 – 3. Scherzo (Allegro) 8:01
8. Piano Quintet in F minor, Op.34 – 4. Finale (poco sostenuto – Allegro non troppo) 11:05

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Emerson String Quartet
Leon Fleisher, piano

PQP

Brahms: 4 Baladas, 3 Intermezzi, 2 Rapsódias, 1 Capriccio para piano e Quarteto com piano nº 3 / Schumann: Quinteto com piano (Rubinstein, piano)

Nos meus anos de juventude, tive a honra de ser um discípulo de Joseph Joachim, o lendário violinista e amigo de Brahms, e por meio dele a música de Brahms sempre esteve comigo. Deve-se lembrar que Brahms estava vivo até os meus 10 anos de idade, então para mim ele era um compositor contemporâneo, não um “velho mestre”. Eu até hoje me relaciono com sua música dessa maneira, e tento apresentar a essência do Brahms que eu aprendi a amar nessas anos de aprendizado.

Nessa gravação, você ouvirá música de todos os períodos da vida de Brahms. Aos 21 anos, o compositor das quatro Baladas op. 10 (1854) era cheio de vigor e de um dom quase schubertiano para a canção. (…) As duas Rapsódias op. 79, escritas 25 anos depois, são peças de concerto grandiosas e heroicas.

É em suas últimas peças para piano, opus 116 a 119, que chegamos à música mais íntima de Brahms para o instrumento que ele tocava. Respeitado em vida como quase nenhum compositor o foi, Brahms produziu nos seus últimos anos peças serenas e nostálgicas, cada vez mais introspectivas. (…) Como as anotações nas partituras indicam, elas são tão intensamente íntimas que não é possível trazer sua substância em uma enorme sala de concerto. Elas devem ser ouvidas calmamente, em uma pequena sala, pois são obras de câmara para o piano. (…) Nessa atmosfera – ouvindo em silêncio, sozinho ou com uma pessoa querida – elas capturam o seu coração.
(Arthur Rubinstein – texto na contracapa do LP The Brahms I Love)

Arthur Rubinstein (1887 – 1982) estudou na Alemanha, tendo certamente conhecido várias outras pessoas que conviveram pessoalmente com o compositor. Após a 2ª Guerra ele nunca mais pisaria na Alemanha e nem faria muita questão de falar sobre seus anos naquele país, mas o fato é que a formação do pianista polonês se deu sobretudo em Berlim: quando se mudou para Paris em 1904, já estava mais ou menos pronto. Isso ajuda a entender a seguinte anedota contada por Arthur Rubinstein em sua autobiografia My Young Years (1973):

O compositor russo Scriabin, cujas peças para piano eu conhecia bem, chegou em Paris para um concerto das suas obras. (…) “Vamos tomar um chá”, ele disse com simpatia, e fomos para o Café de la Paix e pedimos chá e doces.

“Quem é o teu compositor favorito?”, perguntou ele com o sorriso de um grande mestre que sabe a resposta correta. Quando eu respondi sem hesitação – “Brahms” – ele socou a mesa com o punho. “O que?” ele gritou. “Como você pode gostar desse compositor horrível e de mim ao mesmo tempo?” E, com raiva, ele colocou o chapéu e saiu do café, me deixando com a conta para pagar.

Ao longo de sua vida, Brahms continuou tendo um lugar especial no coração de Rubinstein: seus concertos, sonatas para violino e piano, quinteto e quartetos com piano fizeram parte do seu repertório e foram gravados, em alguns casos mais de uma vez. A gravação do Quarteto nº 3 em dó menor que aparece aqui é da década de 1960. Pouco depois, em 1971, ele lançaria um dos seus últimos discos de piano solo, com uma seleção de obras de Brahms que, como o título diz, ele amava: quatro baladas, duas rapsódias, três intermezzos e um capriccio. São interpretações muito especiais, construídas ao longo de uma longa vida.

O meu preferido aqui, porém, é o quinteto com piano de Schumann, compositor que se expressava mais ou menos no mesmo idioma de Brahms, com algumas pitadas a mais de sentimentalismo. A excelente gravação em stereo (também nos anos 1960) captura muito bem o Quarteto Guarnieri e o piano de Rubinstein. Juntos, eles abordam esse quinteto com uma espontaneidade nos rubatos que é preciso ouvir para crer. Eu realmente tenho uma adoração profunda por essa gravação, uma das que capturaram com maior precisão o inimitável presença de espírito de Rubinstein, um velhinho sempre bem-humorado e em um entendimento profundo com os jovens músicos norte-americanos do Quarteto Guarnieri.

O disco solo com Rubinstein tocando Brahms não tem um lugar tão especial no meu coração, por uma questão de gosto: não amo tanto Brahms quanto Rubinstein o amava. É verdade, porém, que ele defende muito bem as curtas peças dos opus 116 a 118 (de quando o compositor tinha cerca de 60 anos) e sobretudo as mais complexas Baladas opus 10. Essas quatro baladas são menos tocadas do que as quatro de Chopin, e entre os que as tocam, como E. Gilels, K. Zimerman e G. Sokolov, não faltam interpretações densas e sérias. Rubinstein – que, repito, viveu quando jovem na Alemanha e sempre teve essa música no seu repertório – se distancia um pouco do estereótipo do Brahms severo e intelectual: suas Baladas de Brahms são cheias de sorrisos sutis e de leveza.

Arthur Rubinstein, Guarnieri Quartet:
1-4. Johannes Brahms (1833-1897): Quarteto para piano, violino, viola, violoncelo nº 3 em Dó menor, Op. 60
5-8. Robert Schumann (1810-1855): Quinteto para piano, dois violinos, viola, violoncelo em Mi bemol maior Op. 44

Recorded in 1966 (Schumann) & 1967 (Brahms)

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – Brahms Quartet, Schumann Quintet

.:.
Arthur Rubinstein: The Brahms I Love
A1 Ballade in D Minor, Op. 10, n0.1 (“Edward”)
A2 Ballade in D, Op. 10, no. 2
A3 Ballade in B Minor, Op. 10, no 3
A4 Ballade in B, Op. 10, no. 4
A5 Rhapsody in G Minor, Op. 79 no. 2
B1 Intermezzo in B-Flat Minor, Op. 117, No.2
B2 Capriccio in B Minor, Op. 76, No. 2
B3 Intermezzo in E Minor, Op. 116, No. 5
B4 Intermezzo in E-Flat Minor, Op. 118, No. 6
B5 Rhapsody in B Minor, Op. 79 no. 1

Recorded in 1970/1971

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – The Brahms I love

Johannes Brahms (sentado) e Joseph Joachim (em pé)

Pleyel

Johannes Brahms (1833-1897): Concertos para Piano Nº 1 e 2 (Freire / Chailly)

Johannes Brahms (1833-1897): Concertos para Piano Nº 1 e 2 (Freire / Chailly)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Nossa leitora/ouvinte Lais Vogel gentilmente nos enviou o texto que segue abaixo. Achei interessante postá-lo. O texto sintetiza muito bem o que deve ser dito a respeito desta gravação.

“Gente, olha que noticia boa e interessante:

“O Brahms que todos aguardavam”, diz a Gramophone.

“Saiu hoje no site da revista inglesa Gramophone a resenha do CD com os dois concertos de Brahms tocados pelo Nelson. O (temido) crítico Jed Distler inicia a avaliação dizendo: “Esta é a gravação dos concertos para piano de Brahms que todos nós esperávamos”.

“O álbum duplo (lançado este ano pela Decca, no Brasil inclusive) já tinha sido muito elogiado pelo site americano Classics Today (www.classicstoday.com) e por jornais brasileiros. Agora foi coroado com a crítica da Gramophone. Vale a pena adquiri-lo, e não por motivos patrióticos. As interpretações de ambos os concertos são realmente primorosas. Eu as comparei com o registro clássico de Gilels/Jochum (que considero a ‘versão padrão’ dessas obras) e, para minha própria surpresa, gostei mais da do Freire com o maestro Chailly. Os tempi são mais fluentes que os de Jochum e, ainda assim, a clareza orquestral não é sacrificada. Ao contrário: Chailly (e os técnicos da Decca) nos faz(em) ouvir coisas que passam despercebidas em outras gravações. Freire está endiabrado e prova que é um pianista de primeira linha, pois dá conta do recado sem fazer a orquestra pisar no freio e sem embolar as notas. Ele usa, sim, mais pedal do que Gilels, tendo assim mais legato no seu som. Mas não usa esse recurso para esconder imperfeições técnicas. É questão de estilo… e Brahms permite isso (muito mais que Mozart ou Bach). Enfim, quem for fã do Nelson ou desses concerti de Brahms, pode comprar o CD sem medo. Ah, eu não sou funcionária da Decca, nem vendedora de CDs. Sou apenas uma admiradora do Nelson e de Brahms.”

Confesso que estou ouvindo a gravação pela primeira vez, e já fazem umas duas semanas que baixei esse material. Já postei anteriormente estes mesmos concertos com o Pollini, e futuramente, a pedidos de nossa querida Clara Schumann irei postá-los com o seu Brendelzinho (Brendelzão, eu diria). E também confesso que estou adorando. A Orquestra do Gewandhaus de Leipzig é fantástica, e o Freire está no apogeu de sua forma.

Também volto a reiterar que sou apaixonado por estes concertos, principalmente pelo segundo, o qual embalou minhas paixões adolescentes, como já salientei.

Mas vamos ao que interessa…

Johannes Brahms (1833-1897): Concertos para Piano Nº 1 e 2 (Freire / Chailly)

Piano Concerto No.1 In D Minor / D-moll / En Ré Mineur, Op. 15 (46:34)
I Maestoso
II Adagio
III Rondo: Allegro Non Troppo

Piano Concerto No.2 In B-Flat Major / B-dur / En Sí Bémol Major, Op. 83 (48:53)
I Allegro Non Troppo
II Allegro Appassionato
III Andante
IV Allegretto Grazioso

Nelson Freire – Piano
Gewandhausorchester
Riccardo Chailly – Director

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Quem seriam, né?

FDP

Johannes Brahms (1833-1897): Piano Quartet, Op. 25 (Orq. Schoenberg) / Variations And Fugue On A Theme By Handel, Op. 24 (Orq. Rubbra) (LSO, Neeme Järvi)

Johannes Brahms (1833-1897): Piano Quartet, Op. 25 (Orq. Schoenberg) / Variations And Fugue On A Theme By Handel, Op. 24 (Orq. Rubbra) (LSO, Neeme Järvi)

A orquestração de Arnold Schoenberg do Quarteto para Piano Nº 1 de Johannes Brahms estreou em 1937. Numa série de palestras de 1947 intituladas “Brahms, o Progressista”, Arnold Schoenberg relata um exemplo de Brahms lidando com um de seus fãs. “Os contemporâneos encontraram várias maneiras de irritá-lo”, escreve Schoenberg sobre Brahms. “Um músico ou um amante da música pode tentar demonstrar sua grande compreensão, bom julgamento musical e conhecimento de Brahms ousando dizer havia observado que a Primeira Sonata para Piano era muito semelhante à Sonata ‘Hammerklavier’ de Beethoven. Não admira que Brahms, com sua maneira direta, tivesse respondido: ‘Todo idiota percebe isso!’”

Você não precisa conhecer nenhum dos compositores ou suas obras para entender por que Brahms ficava irritado com tal comentário. Ele passou grande parte de sua vida tendo seu lugar na história da música alemã ocupado por outros. Sua Primeira Sinfonia foi chamada de “Décima de Beethoven”. Para os detratores de Wagner, Brahms representava tudo o que havia de bom na música alemã e para os fãs de Wagner, tudo o que havia de ruim nela. É fácil apontar os pontos em comum entre Brahms e as gerações que o precederam; Encontrar o que faz dele uma força única na música alemã exige um pouco mais de esforço, e esse foi o objetivo das palestras de Schoenberg e, em certo sentido, da sua orquestração de uma das obras-primas de câmara de Brahms.

O Quarteto de Brahms estreou em Hamburgo em 1861; Schoenberg orquestrou a obra em 1937, e ela foi estreada pela Filarmônica de Los Angeles sob a batuta do então Diretor Musical Otto Klemperer em um dos Concertos de Sábado à Noite da Orquestra. Schoenberg explicou a lógica por trás de sua orquestração em uma carta a Alfred Frankenstein, o crítico musical do San Francisco Chronicle, quase um ano após a estreia:

“1. Gosto da peça;
2. Raramente é tocada;
3. É sempre muito mal tocado, porque quanto melhor o pianista, mais alto ele toca e não se ouve nada nas cordas. Queria uma vez ouvir tudo e consegui.”

Schoenberg gostou da peça como um grande exemplo de “desenvolvimento de variação”, uma inovação de Brahms que ele discutiu em suas palestras sobre “Brahms, o Progressista”. A ideia é realmente muito simples: Brahms submeteria seu material temático a variações e transformações assim que as introduzisse, em vez de esperar até a seção de desenvolvimento de um movimento em forma de sonata. Isso lhe permitiu criar estruturas maiores a partir desses materiais em constante desenvolvimento.

Johannes Brahms (1833-1897): Piano Quartet, Op. 25 (Orch. Schoenberg) / Variations And Fugue On A Theme By Handel, Op. 24 (Orch. Rubbra) (LSO, Neeme Järvi)

Piano Quartet In G Minor Op. 25
Orchestrated By – Arnold Schoenberg
(45:41)
1 I Allegro 15:10
2 II Intermezzo: Allegro Ma Non Troppo 9:11
3 III Andante Con Moto 11:54
4 IV Rondo Alla Zingarese: Presto 9:25

Variations And Fugue On A Theme By Handel Op. 24
Orchestrated By – Edmund Rubbra
(25:35)
5 Aria 0:55
6 Variations I 0:52
7 II Animato 0:45
8 III L’istesso Tempo 0:42
9 IV 0:45
10 V 0:57
11 VI 0:51
12 VII Con Vivacità 0:30
13 VIII 0:33
14 IX Poco Sostenuto 0:50
15 X Energico (Vivace) 0:36
16 XI Con Moto 0:55
17 XII 0:51
18 XIII Largamente, Ma Non Troppo 1:03
19 XIV Impetuoso 0:37
20 XV 0:35
21 XVI 0:30
22 XVII Più Mosso 0:31
23 XVIII 1:04
24 XIX Leggiero Vivace 0:50
25 XX 0:53
26 XXL 1:03
27 XXII 0:45
28 XXIII Vivace 0:37
29 XXIV 0:40
30 XXV 0:46
31 Finale 5:40

Composed By – Johannes Brahms
Conductor – Neeme Järvi
Orchestra – London Symphony Orchestra

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PQP

Johannes Brahms (1833-1897): Um Réquiem Alemão, Op. 45 (Gardiner)

Johannes Brahms (1833-1897): Um Réquiem Alemão, Op. 45 (Gardiner)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Não preciso falar da paixão que nutrem os irmãos PQP e FDP pela obra desse gênio alemão. Temos postado muita coisa dele. Mas não resistimos a compartilhar nossas emoções com os caros leitores/ouvintes do blog.

Pois bem, a obra escolhida de Brahms foi simplesmente “Ein Deutsches Requiem”. Escolhi esta peça pois o final de semana se aproxima, e todos terão tempo de aprecia-la com atenção. Não é uma obra fácil, ao contrário, é extremamente complexa, e considerada sua maior e mais ousada obra. Composta para grande orquestra, coro misto e dois solistas, barítono e soprano, mostra uma faceta um tanto quanto diferente de Brahms, mas coerente com seus ideais estético-musicais. Cito um pequeno trecho do filósofo alemão Ernst Bloch, colhido da biografia de Brahms escrita por Malcolm McDonald:

“à música do Requiem não falta contenção e o que lhe equivale em Brahms: uma preciosa profundidade que evita a apoteose (…) Esta música nos está dizendo que existe um broto – não mais porém não menos – que poderia florescer em alegria perpétua e que sobreviverá às trevas, que na realidade ele aprisiona dentro de si (…) Nas trevas desta música estão cintilando aqueles tesouros que estão livres da ferrugem e das traças. Referimo-nos àqueles tesouros permanentes em que a vontade e o objetivo, a esperança e sua satisfação, a virtude e a felicidade possam ser unidos, em um mundo sem decepção e de supremo bem – o réquiem circunda a região secreta do supremo bem”.

Após essa belíssima descrição, que mais podemos dizer? Ah, sim, talvez uma idéia geral da obra.

Possivelmente foi escrita entre 1865-1866, logo após a morte da mãe do compositor. Com certeza ela já vinha sendo pensada já a alguns anos. Está intimamente enraizada na Bíblia Luterana, ao contrário de outros Requiems, baseados na liturgia romana. O texto foi retirado de diversas passagens do Antigo e do Novo Testamento, e para McDonald, “se dirige essencialmente aos sentimentos dos desolados pela perda de uma pessoa querida, em uma meditação consoladora sobre o destino comum dos mortos e dos vivos. (…) Não é o primeiro Réquiem em alemão (…) mas foi o primeiro em que um compositor escolhera e moldara seu texto, para ressonâncias essencialmente pessoais, a fim de falar a um público contemporâneo numa linguagem compartilhada, transcendendo as coerções do ritual: um sermão profético a partir da experiência particular e com aplicação universal”.

A obra é dividida em sete partes:

Johannes Brahms (1833-1897): Um Réquiem Alemão, Op. 45 (Gardiner)

1 – Chor: Selig sind, die da Lied tragen
2 – Chor: Denn alles Fleisch, es ist wie Grãs
3 – Solo (Bariton) und Chor: Herr, lehre doch mich
4 – Chor: Wie liebich sind Deine Wohnungen
5 – Solo (Sopran) und Chor: Ihr habt nun Traurigkeit
6 – Solo (Bariton) und Chor: Denn wir haben hie keine bleibende Statt
7 – Chor: Selig sind die Toten, die in dem Herrn sterben

A gravação é a premiada e elogiadíssima versão de Sir John Eliot Gardiner. Maiores detalhes abaixo:

Rodney Gilfry (Baritone)
Charlotte Margiono (Soprano)
Monteverdi Choir e Orchestre Révolutionnaire et Romantique
Conducted by: Sir John Eliot Gardiner

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Dãããããã… O que será que tem aqui? Um soco inglês?

FDP / PQP Bach

Brahms / Liszt: Concertos para Piano Nº 1 (Lizzio * / Nanut / Goldmann / Tomsic)

Brahms / Liszt:  Concertos para Piano Nº 1 (Lizzio * / Nanut / Goldmann / Tomsic)

* Alberto Lizzio foi um pseudônimo inventado pelo produtor musical e maestro Alfred Scholz e associado a gravações antigas, muitas vezes dirigidas por Milan Horvat, Carl Melles ou pelo próprio Scholz. Essas gravações foram usadas para lançar gravações clássicas baratas para o mercado de massa ou para produção musical. Scholz escreveu uma biografia fictícia de Lizzio, alegando que ele nasceu em Merano , Tirol do Sul , em 30 de maio de 1926, estudou violino, composição e regência em Milão , Lombardia , e que sua segunda esposa, com quem teve um filho, morreu em 1980 em um acidente de carro em que Lizzio ficou gravemente ferido. A biografia fictícia termina com a sua morte em 22 de outubro de 1999, em Dresden.

Já Anton Nanut (13 de setembro de 1932 – 13 de janeiro de 2017) existiu de fato e foi um famoso maestro esloveno. De 1981 a 1999 atuou como maestro titular da Orquestra Sinfônica da RTV Eslovênia. Foi professor de regência na Academia de Música de Liubliana e líder artístico do Octeto Esloveno nos seus anos mais produtivos. Nanut colaborou com mais de 200 orquestras e fez mais de 200 gravações com diversas gravadoras. Sua gravação do Concerto de Brahms neste CD é fantástica! A pianista solista, a eslovena Dubravka Tomšič também existiu. Aliás, ainda está viva aos 84 anos e é realmente baita!

Brahms / Liszt: Concertos para Piano Nº 1 (Lizzio * / Nanut * / Goldmann / Tomsic)

Concerto For Piano No. 1 In D Minor Op. 15
Composed By – J. Brahms*
1 Maestoso 22:58
2 Adagio 13:12
3 Rondo: Allegro Ma Non Troppo 11:57

Concerto For Piano And Orchestra No. 1 In E Flat Major G124
Composed By – F. Liszt*
4 Allegro Maestoso 5:23
5 Quasi Adagio – Allegretto Vivace – Allegro Animato 9:11
6 Allegro Marziale Animato 4:05

Conductor – Alberto Lizzio (tracks: 4, 5, 6), Anton Nanut (tracks: 1, 2, 3)
Orchestra – Philharmonia Slavonica (tracks: 4, 5, 6), Simfonični Orkester RTV Ljubljana (tracks: 1, 2, 3)
Piano – Dieter Goldmann (tracks: 4, 5, 6), Dubravka Tomsic (tracks: 1, 2, 3)

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Dubravka Tomšič Srebotnjak, pianista eslovena | Foto: Tamino Petelinsek / STA

PQP

Johannes Brahms (1833-1897): Symphony No.1, Op. 68 & Tragic Overture, Op. 81 (Böhm / Wiener)

Johannes Brahms (1833-1897): Symphony No.1, Op. 68 & Tragic Overture, Op. 81 (Böhm / Wiener)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Eu amo apaixonadamente as Sinfonias de Brahms, mas tenho uma queda especial por esta Nº 1. Você conhece a história: Brahms levou décadas para escrever esta obra. Os primeiros esboços foram feitos em meados dos anos 1850, a versão inicial do Allegro veio em 1862 – ainda sem a impactante introdução lenta –, e só em novembro de 1876 ele a concluiu. Boa parte dessa demora se deve ao peso que Brahms sentia em relação ao legado de Beethoven: “você não sabe o que é sempre escutar um gigante marchando atrás de você”, escreveu a um amigo. “Mas você consegue imaginar?”. Brahms queria compor uma sinfonia, todos esperavam por isso, mas ele ficava compondo outras peças: concerto para piano, música para cordas… Até que, finalmente, quando todos haviam desistido de insistir, com ele já aos 43 anos, veio a monumental Primeira Sinfonia. Ele começa sem nenhuma hesitação, no início temos um ‘bum, bum, bum, bum’ que é como nossos corações acelerados. O finale quase me mata a cada vez que o ouço. Aquelas trompas que o anunciam, nossa! A gravação é jurássica, mas em ótimo estado…

Johannes Brahms (1833-1897): Symphony No.1, Op. 68 – Tragic Overture, Op. 81 (Böhm / Wiener)

Symphony No. 1 in C minor, Op. 68 (Johannes Brahms)

1 1. Un poco sostenuto – Allegro – Meno allegro 00:13:54
2 2. Andante sostenuto 00:10:34
3 3. Un poco allegretto e grazioso 00:04:54
4 4. Adagio – Piu andante – Allegro non troppo, ma con brio – Piu allegro 00:17:49

Tragic Overture, Op. 81 (Johannes Brahms)
5 Tragic Overture, Op.81 00:13:36

Wiener Philharmoniker
Karl Böhm

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Brahms vindo com tudo pra cima de nós

PQP

Johannes Brahms (1833-1897): Trios para Piano (Trio Fontenay)

Pretendo com esta postagem voltar a me dedicar a meu compositor favorito, o bom e velho Johannes Brahms, e trago seus trios para piano, obras primas incontestes desse repertório.

Já trouxe essas mesmas obras em outras ocasiões, principalmente a versão do Beaux Arts Trio, talvez o melhor registro já realizado, mas existem outras gravações de excelente qualidade, como essa que trago hoje, com os alemães do “Trio Fontenay“, em dois cds lançados entre 1988 e 1990.

Já encontramos o DNA de Brahms presente no op. 8, obra de juventude, mas que foi revisada pelo compositor já no final de sua vida. Talvez a melhor maneira de entendermos e conhecermos esse compositor tão especial seja exatamente por essas obras com menor número de instrumentos. Nelas, Brahms consegue se expressar com muita propriedade, nos fascinando com suas escolhas e principalmente, com uma perfeita interação entre os instrumentos, não deixando nenhum deles se sobressair muito, em perfeita harmonia.

Para quem não conhece a obra de Brahms, ou a teme por algum motivo (já comentaram comigo que a achavam por demais hermética), creio que os Trios sejam a melhor apresentação. Líricas e muito expressivas, revelam a alma de um compositor que viveu sua vida em função da música.

Espero que apreciem.

Johannes Brahms (1833-1897): Trios para Piano (Trio Fontenay)

CD 1

01. Piano Trio No. 1 in B major, op. 8 (revised 1889) – I. Allegro con brio
02. Piano Trio No. 1 in B major, op. 8 (revised 1889) – II. Scherzo Allegro molt
03. Piano Trio No. 1 in B major, op. 8 (revised 1889) – III. Adagio
04. Piano Trio No. 1 in B major, op. 8 (revised 1889) – IV. Finale Allegro
05. Piano Trio No. 2 in C major, op. 87 – I. Allegro
06. Piano Trio No. 2 in C major, op. 87 – II. Tema con variazioni Andante con moto
07. Piano Trio No. 2 in C major, op. 87 – III. Scherzo Presto – Trio Poco meno
08. Piano Trio No. 2 in C major, op. 87 – IV. Finale Allegro giocoso

CD 2

01. Piano Trio No. 3 in C minor, op. 101 – I. Allegro energico
02. Piano Trio No. 3 in C minor, op. 101 – II. Presto non assai
03. Piano Trio No. 3 in C minor, op. 101 – III. Andante grazioso
04. Piano Trio No. 3 in C minor, op. 101 – IV. Finale Allegro molto
05. Piano Trio in A major, op. posth. (1853) – I. Moderato
06. Piano Trio in A major, op. posth. (1853) – II. Vivace – Trio
07. Piano Trio in A major, op. posth. (1853) – III. Lento
08. Piano Trio in A major, op. posth. (1853) – IV. Presto

Trio Fontenay:
Wolf Harden – Piano
Michael Mücke – Violin
Niklas Schimdt – Cello

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FDP

Viva Pollini (1942-2024): Johannes Brahms – Concerto para Piano Nº 1 – Pollini, Böhm, Wiener Philharmoniker

Morre o homem, vive o Mito. Acho que é essa a expressão que se usa quando um grande pessoa morre, daquelas pessoas que realmente contribuíram de alguma forma para tornar este nosso triste planeta mais agradável de se viver.

Maurizio Pollini nos deixou mas ficou sua obra e seu talento, imortalizado em diversos discos, que irão nos acompanhar no resto da jornada de nossas vidas. E é um destes discos, talvez uma das melhores gravações já realizadas deste imortal concerto, que trago para os senhores, para entenderem a dimensão e o tamanho do artista que nos deixou. Tivemos o privilégio de ter acesso a essas gravações.

Karl Böhm nos deixou há muito tempo, quarenta e três anos, para ser mais exato, e um pouco antes de vir a falecer entrou no estúdio com o jovem Pollini e gravou o Concerto para Piano nº 1, de Brahms, um dos concertos mais emblemáticos já escritos para o instrumento. E tinha de ser com a maior das orquestras, a Filarmônica de Viena, orquestra que dirigiu por décadas. Essa gravação me foi apresentada há não muitos anos, mas desde o primeiro momento entendi que era muito especial. Gilels, Richter, Rubinstein, Kovacevich, todos estes gigantes do piano deixaram registradas suas interpretações desse concerto, todas com seus méritos, com certeza, e Pollini sem dúvida, com essa gravação, escreveu seu nome no panteão dos grandes intérpretes dessa obra.

Alguns anos mais tarde ele gravou os dois concertos de Brahms com seu grande amigo, Claudio Abbado, e mais recentemente, com Christian Thielemann. Ouvi essa última gravação hoje de tarde, também excelente, mas a presença de Böhm aqui é o grande diferencial. O velho maestro conduz os filarmônicos austríacos com sabedoria, como não poderia deixar de ser, tantas as vezes em que ele dirigiu não apenas essa orquestra, mas também esse concerto. Grande músico que já era, Pollini entendeu que tinha um grande parceiro ao seu lado, e se portou de forma digna, nos apresentando uma interpretação muito expressiva, porém sem cair em sentimentalismos exagerados.

Escrevi esse texto no calor do momento, em tempo recorde,  a pedidos do nosso mentor PQPBach. Meu acervo é muito grande, e é complicado encontrar certas gravações que não ouvimos há muito tempo. Consegui esse arquivo com o colega Rene Denon, também um fã de Pollini. No correr da semana vou tentar atualizar os links de minhas postagens antigas com o grande pianista.

Descanse em Paz, maestro Maurizio.

01. Piano Concerto No. 1 Op. 15- I. Maestoso
02. Piano Concerto No. 1 Op. 15- II. Adagio
03. Piano Concerto No. 1 Op. 15- III. Rondo. Allegro non troppo

Maurizio Pollini – Piano
Wiener Philharmoniker
Karl Böhm – Conductor

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FDP

Brahms & Schumann – Works for Cello & Piano – Bruno Philippe, Tanguy de Williencourt

Essa excelente dupla de músicos franceses já apareceu cá pelas bandas do PQPBach em outra ocasião, em postagem do colega René Denon. Hoje trago os dois encarando aquela que considero a mais bela Sonata para Violoncelo e Piano já composta, o op. 38 de Brahms. Uma obra prima como esta precisa antes de tudo de parceria entre os músicos, e aqui temos Philippe e Williencourt em perfeita sintonia.

Nesta primeira Sonata, composta quando o compositor ainda andava entrando nos seus trinta anos, temos uma novidade: Brahms omite o movimento lento, ficando estruturada da seguinte forma: Allegro non troppo, Allegretto quasi minuetto and Allegro. Trata-se de uma obra leve, solta, porém já com aquela densidade tipicamente brahmsiana, ou seja, nada é tão simples assim. Bruno Phillipe é jovem, ainda tem uma carreira longa pela frente, e não se intimida com as armadilhas de obras tão expressivas. Expõe contidamente toda sua carga dramática, mostrando que é um músico em pleno desenvolvimento, apesar da precocidade.

Malcolm McDonald, em sua excelente e fundamental biografia de Brahms, assim descreve essa primeira Sonata:

Contudo, o resultado é característicamente brahmsiano, acima de tudo no primeiro movimento, cujo caráter cismático e meditativo é reforçado pela concentração de Brahms sobre o registro mais baixo do violoncelo e o tom vivo e sombrio das cordas inferiores. O Piano, porém, nunca é limitado a um papel só de acompanhamento. Brahms de fato seguiu a praxe clássica de denominar a obra uma ‘Sonata para Piano com Violoncelo’, enfatizando a paridade dos dois instrumentos e na co-projeção do material temático as tessituras são minuciosamente entretecidas, às vezes a beira da obscuridade.

Espremida entre a Primeira e a Segunda Sonata, dois petardos peso pesadíssimos, Phillipe e Williencourt nos proporcionam mais momentos prazerosos e mais leves, quando interpretam as “Fantasiestücke for cello and piano”, de Robert Schumann, pequenas peças compostas originalmente para Clarinete, mas podendo ser arranjadas para violoncelo, de acordo com as próprias notas do compositor.

A Segunda Sonata para Violoncelo e Piano, de 0p. 99,  já foi composta por um compositor maduro, totalmente ciente de seu talento e fama. Uma pequena curiosidade: Brahms compôs esta e outras duas de suas obras primas, a Sonata para Violino op. 100 e o Trio com Piano op. 101, enquanto passava suas férias de verão na estação suíça de Hofstetten. Ou seja, este foi um período altamente produtivo. MCDonald considera esta Segunda Sonata ‘de forma relativamente expansiva e de caráter extrovertido.’

Como salientei acima, Bruno Phillipe é um músico jovem (estes registros foram realizados em 2014, quando o músico tinha meros vinte anos de idade), e muito talentoso e tem um grande futuro pela frente, e sua parceria com o pianista Tanguy de Williencourt já proporcionou excelentes CDs, que em algum momento no futuro trarei para os senhores.

Brahms & Schumann – Works for Cello & Piano – Bruno Philippe, Tanguy de Williencourt

Johannes Brahms (1833-1897)

Sonata for cello and piano n°1 in E minor, op. 38

1. Allegro non troppo
2. Allegro quasi Menuetto
3. Allegro

Robert Schumann (1810-1856)

Fantasiestücke for cello and piano, op. 73
4. Zart und mit Ausdruck
5. Lebhaft, leicht
6. Rasch und mit Feuer

Johannes Brahms (1833-1897)

Sonata for cello and piano n°2 in F major, op. 99
7. Allegro vivace
8. Adagio affetuoso
9. Allegro passionato
10. Allegro molto

Bruno Philippe – Cello
Tanguy de Williencourt – Piano

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FDP

Brahms (1833 – 1897): The Schönberg Effect – Quartetos com Piano – Notos Quartett ֎

Brahms (1833 – 1897): The Schönberg Effect – Quartetos com Piano – Notos Quartett ֎

Johannes Brahms

Quarteto No. 1 Op. 25

Sinfonia No. 3 Op. 90

(Arr. A.N. Tarkmann)

Notos Quartett

 

Neste surpreendente disco é percorrido o caminho inverso do que vimos recentemente por aqui – uma orquestração do Quarteto para Piano e Cordas No. 1, com o festivo e impetuoso Presto alla zingarese final. Apresentados aqui, temos o tal Quarteto em sol menor op. 25, na sua versão original, e ao seu lado, um arranjo da Sinfonia No. 3 para a mesma formação – piano e cordas – feito pelo arranjador e compositor Andreas N. Tarkmann (nascido em 1956).

Andreas N Tarkmann

Arranjos de obras escritas originalmente para orquestra adaptadas para conjuntos menores ou mesmo para piano eram comuns na época anterior à música gravada, pois permitia que a música fosse apreciada ou por amadores ou mais facilmente executada. Há uma versão para trio com piano da Sinfonia No. 2 de Beethoven. Arnold Schoenberg arranjou a Canção da Terra, de Mahler, para um conjunto bem menor de instrumentos e, como você já deve saber, orquestrou o Quarteto No. 1.

Notos Quartett fotografado pela equipe de mídia do PQP Bach que é especializada em grupos de música pop…

A novidade aqui deve-se ao fato de que este arranjo da sinfonia de Brahms foi feito recentemente para o Notos Quartett pelo versátil e prolífico Andreas Tarkmann. A crítica do disco no The Guardian começa com a retórica pergunta: por que ouvir uma versão para um conjunto de câmara se há tantas gravações excelentes da versão para orquestra? Ao final chega-se à conclusão que é necessário realmente ouvir o disco para crer que o quarteto arranjado é tão bom quanto o escrito por Brahms. Como eu sempre gostei do Quarteto Cigano, ouvi o disco muitas vezes… e adorei. Vamos, dê uma chance ao jovem grupo musical e seu arranjador. Aposto uma cocada como você vai gostar. Depois me conte…

Johannes Brahms (1833 – 1897)

Quarteto com Piano No. 1 em sol menor, Op. 25

  1. Allegro
  2. Intermezzo. Allegro man non troppo
  3. Andante con moto
  4. Rondo alla Zingarese. Presto

Sinfonia No. 3 em fá maior, Op. 90

(Arranjo para Quarteto com Piano – A.N. Tarkmann)

  1. Allegro con brio
  2. Andante
  3. Poco allegretto
  4. Allegro

Notos Quartett

Sindri Ledere, violino

Andrea Burger, viola

Philip Graham, violoncelo

Antonia Köster, piano

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FLAC | 275 MB

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MP3 | 320 KBPS | 167 MB

Deu a maior trabalheira levar esses espelhos todos até o bosque do PQP Bach…

Parte da crítica que pode ser lida na íntegra aqui: […] listen to what the Notos players do with the Piano Quartet No. 1. This is a stupendous performance, which entirely gets the point of Brahms’s youthful energy and ambition. Antonia Köster’s piano playing is suitably aristocratic without being overwhelming, the ensemble between her and the three string players is clean, detailed, delicate as required, and miraculously, elastically organic; Sindri Lederer’s violin tone is opulent and beautifully voiced; Andrea Burger’s viola playing is ideal for this sort of repertoire; and Philip Graham endows the cello part with rich lyricism. Together they have worked out the work’s accumulative strengths, and the result is breathtaking. I’m still reeling from the sheer power of the Andante’s middle section. Highly recommended.

[…] ouça o que os músicos do Notos fazem com o Quarteto de Piano No. 1. Esta é uma performance estupenda, que atinge inteiramente a energia e a ambição juvenil de Brahms. O piano de Antonia Köster é adequadamente aristocrático sem ser avassalador, o conjunto entre ela e os três tocadores de cordas é limpo, detalhado, delicado conforme necessário e, milagrosamente, elasticamente orgânico; O tom de violino de Sindri Lederer é opulento e lindamente dublado; A viola de Andrea Burger é ideal para esse tipo de repertório; e Philip Graham dota a parte do violoncelo de rico lirismo. Juntos, eles trabalharam os pontos fortes acumulados do trabalho e o resultado é de tirar o fôlego. Ainda estou me recuperando do poder absoluto da seção central do Andante. Altamente recomendado.

Aproveite!

René Denon

Beethoven (Arr. Mahler): Quarteto de Cordas, Op. 95 & Brahms (Orq. Schoenberg): Quarteto com Piano, Op. 25 – Wiener Philharmoniker & Christoph von Dohnányi ֍

Brahms / Schoenberg: Quarteto para Piano, Op. 25 (Arranjo para Orquestra de Arnold Schoenberg) (Comissiona)

Brahms / Schoenberg: Quarteto para Piano, Op. 25 (Arranjo para Orquestra de Arnold Schoenberg) (Comissiona)

Brahms / Schoenberg: Quarteto para Piano, Op. 25 (Arranjo para Orquestra de Arnold Schoenberg) (Comissiona)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Na minha opinião, trata-se do melhor Quarteto para Piano já escrito. E Schoenberg arranjou-o para orquestra, assim como fez com prelúdios e fugas para órgão de Bach e muitas outras obras. Afora o luxuoso tratamento que lhe dá Schoenberg, a música de Brahms é de primeiríssima linha, coisa de louco mesmo. Não deixem de ouvir. Só não se apavorem, todos os 4 movimentos do Quarteto estão em uma só faixa. O Quarteto de Brahms foi estreado em Hamburgo no ano de 1861. Schoenberg orquestrou a obra em 1937, e ela foi estreada pela Filarmônica de Los Angeles sob a batuta do então diretor musical Otto Klemperer.

Schoenberg explicou a motivo da orquestração quase um ano após a estreia. Ele escreveu:

1. Eu gosto da peça,

2. Ela raramente é tocada,

3. E é sempre muito mal tocada, porque quanto melhor o pianista, mais alto ele toca e não se ouve nada das cordas. Queria uma vez ouvir tudo e consegui. (*)

(*) Pobrezinho, ele não viveu para conhecer as gravações do Beaux Arts, Amadeus e vários outros de nossa época…

Brahms / Schoenberg: Quarteto para Piano, Op. 25 (Arranjo para Orquestra de Arnold Schoenberg)

1. Piano Quartet in G Minor, Op. 25 – Allegro 13:42
2. Piano Quartet in G Minor, Op. 25 – Intermezzo (Allegro, ma non troppo) 8:40
3. Piano Quartet in G Minor, Op. 25 – Andante con moto 10:18
4. Piano Quartet in G Minor, Op. 25 – Rondo alla zingarese 8:53

Baltimore Symphony Orchestra
Sergiu Comissiona

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Ele diz que Comissiona, mas até agora não vi a cor do dinheiro

PQP

Johannes Brahms (1833-1897): Os 2 Concertos para Piano, Scherzo, 4 Baladas, Klavierstucke (Kovacevich / Davis)

Johannes Brahms (1833-1897): Os 2 Concertos para Piano, Scherzo, 4 Baladas, Klavierstucke (Kovacevich / Davis)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Quantas vezes FDP Bach postou estas gravações? Muitas, ele as ama. Porém, como há pouco tempo saiu com nova capa, juntos e tals, vamos repostar. Mas o texto é de FDP! Vai que é tua, meu rapaz.

Aqui, sobre o CD1:

A obra pianística de Brahms apareceu com pouca frequência aqui no PQPBach. Lembro de um cd de Kristian Zimerman, cujo link já desapareceu há muito tempo, e só. Claro que falo das obras para piano solo, não de seus monumentais concertos para piano.

Resolvi então trazer este repertório com meu pianista favorito nele, Stephen Kovacevich, gravações estas realizadas entre o final dos anos 60 e início dos anos 80.

Tenho uma relação muito particular com este pianista, foi ele quem me apresentou o Concerto nº2, e sua leitura me cativou imediatamente, e desde então cultivo um carinho muito especial por esta gravação. Infelizmente Kovacevich meio que sumiu dos palcos durante alguns anos, se não me engano por problemas de saúde, mas pelas últimas notícias que li, ele está novamente ativo, realizando performances pelos palcos do mundo inteiro.

O primeiro cd dessa caixa traz o monumental Concerto nº1, em uma versão mais “light”, eu diria, não tão soturna, mais romântica do que e as que estamos acostumados a ouvir. É deslumbrante acompanhar o embate entre piano e orquestra, em um duelo sem vencedores.

Stephen Kovacevich, Colin Davis e a Sinfônica de Londres estão impecáveis, no apogeu de suas carreiras.

E aqui sobre o CD2:

Se Stephen Kovacevich tivesse realizado apenas essa gravação do Concerto nº 2 para Piano e Orquestra de Brahms, junto com Colin Davis e a Sinfônica de Londres, lá nos idos dos anos 70, já poderia ser colocado no Hall of Fame dos grandes pianistas do século XX. Já comentei anteriormente que tenho uma relação muito pessoal com essa gravação, desde que a comprei, lá em 1987 ou 88. Brahms para mim ainda era um compositor um tanto quanto obscuro. Sua obra ainda era uma incógnita para mim. Ainda era o tempo do LP. Lembro que comprei em uma promoção, dois pelo preço de um, junto dele veio um LP com as Danças Eslavas de Dvorák, na versão de Antal Dorati, outro primor da indústria fonográfica. Bendita a hora em que o gerente daquela loja de discos no centro de Florianópolis resolveu dar uma geral no setor de clássicos, e tirar aqueles álbuns encalhados, que não vendiam.

Já colocamos em discussão por aqui diversas vezes, e não canso de afirmar que considero este Concerto nº 2 para Piano e Orquestra de Brahms o melhor Concerto já escrito pelo ser humano, uma obra que faz parte do cânone cultural ocidental. Um diamante lapidado com cuidado e esmero por este gigante alemão, Johannes Brahms.

E o californiano Stephan Kovacevich, filho de pai croata e mãe norte-americana, junto com Colin Davis e a Sinfônica de Londres, naqueles inspiradores anos 70, conseguiram extrair a essência da obra, aquilo que ela tem de mais profundo. Impossível ouvir essa gravação e ficar imune à sua beleza.

Deliciem-se, então, mortais.

Johannes Brahms (1833-1897): Os 2 Concertos para Piano, Scherzo, 4 Baladas, Klavierstucke (Kovacevich / Davis)

Concerto para piano nº 1 em ré menor, op. 15
1-1 Maestoso – Poco Più Moderato 21:29
1-2 Adágio 15:19
1-3 Rondo Allegro Non Troppo 10:59

1-4 Scherzo em mi bemol menor, op. 4 9:46

4 Baladas, op. 10
1-5 Nº 1 em Ré Menor 3:52
1-6 Nº 2 em D 5:12
1-7 Nº 3 em si menor 3:41
1-8 Nº 4 em B 5:59

Concerto para piano nº 2 em si bemol, op. 83
2-1 Allegro Non Troppo 17:55
2-2 Allegro Appassionato 8h30
2-3 Andante – Più Adagio 14:32
2-4 Allegretto Grazioso – Un Poco Più Presto 9:06

Klavierstucke Op. 76
2-5 Nº 1 Capricho em Fá Sustenido Menor 2:35
2-6 Nº 2 Capricho em Si Menor 2:54
2-7 Nº 3 Intermezzo em apartamento 2:24
2-8 Nº 4 Intermezzo em Si bemol 2:16
2-9 Nº 5 Capricho em dó sustenido menor 2:49
2-10 Nº 6 Intermezzo em A 2:52
2-11 Nº 7 Intermezzo em Lá Menor 2:33
2-12 Nº 8 Capricho em C 2:53

Steven Kovacevich
London Symphony Orchestra
Sir Colin Davis

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Argerich, Kovacevich e suas duas filhas.

PQP

 

European Choral Music: Eric Ericson, Coro da Rádio de Estocolmo & Coro de Câmara de Estocolmo (6 cds)

European Choral Music: Eric Ericson, Coro da Rádio de Estocolmo & Coro de Câmara de Estocolmo (6 cds)

Admiradores do canto coral, o post de hoje é para vocês. Nada mais, nada menos que uma caixa com 6 cds trazendo o crème de la crème do trabalho que o regente Eric Ericson desenvolveu ao longo de décadas à frente de dois coros na capital sueca: o Coro da Rádio de Estocolmo (hoje Coro da Rádio Sueca) e o Coro de Câmara de Estocolmo, fundado por ele.

Correndo o risco de soar exagerado, essa caixinha é o tipo de coisa que eu botaria na sonda Voyager para que os habitantes extraterrestres do cosmos soubessem que, apesar de ter dado um tanto errado como espécie, a humanidade teve seus momentos de extrema beleza, de uma verdade essencial. Um troço assim como aquele gol do Maradona contra os ingleses em 86, a Annunziata de Antonello da Messina ou o filé à francesa do Degrau.

Não sei bem explicar o porquê, tem alguma coisa na música coral que me pega fundo na alma. Talvez seja algo verdadeiramente animal, instintivo – nos sentimos tocados quando ouvimos nossos semelhantes emitindo sons em conjunto. As Paixões de Bach, a Nona de Beethoven, o Réquiem de Mozart, para ficar só em algumas das mais consagradas páginas do repertório de concerto, todas têm aquele(s) momento(s) em que o coro descortina sua avalanche sonora e a gente se agarra na cadeira, como que soterrado por tamanha beleza, tamanho feito humano. A voz humana tem esse poder, mexe com a gente, sei lá, em nível celular…

Pois esta caixinha de seis discos faz um voo panorâmico amplo, percorrendo mais de cinco séculos de música coral europeia: de Thomas Tallis (1505?-1585) a Krzystof Penderecki (1933-2020). Os seis discos são divididos em dois trios: os três primeiros levam o nome de Cinco Séculos de Música Coral Europeia e trazem obras de: Badings, Bartók, Brahms, Britten, Byrd, Castiglioni, Debussy, Dowland, Edlund, Gastoldi, Gesualdo, Ligeti, Martin, Monteverdi, Morley, Petrassi, Pizzetti, Poulenc, Ravel, Reger, Rossini, Schönberg, R. Strauss e Tallis. Os três restantes, por sua vez, são agrupados como Música Coral Virtuosa e o repertório consiste em Jolivet, Martin, Messiaen, Monteverdi, Dallapiccola, Penderecki, Pizzeti, Poulenc, Reger, R. Strauss e Werle.

Eric Ericson e György Ligeti

O texto de Michael Struck-Schloen sobre o repertório que integra o encarte é bem bom e vale a extensa transcrição, em livre tradução deste blogueiro:

Cinco séculos  de música coral europeia (cds 1 – 3)
A seleção estritamente pessoal de Ericson do vasto repertório de música coral europeia dos séculos XVI a XX para a lendária produção de 1978 da Electrola pode surpreender, a princípio, pelas muitas lacunas que contém. Não há nada da audaciosamente complexa música coral do Barroco Protestante, de Schütz a Bach, nem obras do início do período Romântico, quando grandes mestres como Schubert e Mendelssohn contribuíram para a era dourada da tradição coral burguesa. As obras desses discos não foram selecionadas tendo em mente uma completude enciclopédica, mas por sua flexibilidade e brilhantismo, por sua mistura de cores e suas características tonais gerais.

A riqueza e o desenvolvimento da tradição coral europeia são melhor iluminadas quando agrupamos as obras de acordo com sua procedência ao invés de seu período de composição. A música coral europeia foi profundamente influenciada desde o início pelo som e expressão específicos do idioma utilizado; e, no século XIX, as harmonias e ritmos típicos da música tradicional folclórica também começaram a desempenhar um papel importante. As Quatro Canções Folclóricas Eslovacas (1917) e as Canções Folclóricas Húngaras (1930), de Béla Bartók, demonstram bem essa tendência rumo a uma identificação nacional, bem como os primeiros coros Manhã Noite, de György Ligeti, escritos em 1955, um ano antes de ele escapar do regime comunista de sua Hungria natal.

Os quatro exemplos de música sacra a capella alemã incluídos aqui merecem o título dado por Brahms de Quatro Canções Séries já somente pela escolha do texto. Em uma de inflação tanto da intensidade expressiva como dos recursos musicais utilizados – como demonstrado por Paz na Terra (1907) de Schönberg e o Moteto Alemão (1913) de Richard Strauss para quatro solistas e coral de 16 vozes –, havia também um claro renascimento no interesse por antigos ideais composicionais e estilísticos. Assim, a esparsa ttécnica coral praticada por Schütz e seus contemporâneos foi a principal fonte de inspiração para os Motetos, op. 110 de Max Reger, trabalhando com textos biblicos (1909), ou para Fest-Gedenksprüche com que um Brahms de 56 anos de idade reconheceu a liberdade que a sua Hamburgo natal o concedeu.

A mais importante revolução na história da música vocal entre a Renascença e Schönberg foi a introdução na Itália, por volta de 1600, do canto solo dramático. Esse novo estilo, que atendia pelo despretensioso nome de “monodia”, pavimentou o caminho para o gênero inteiramente novo da ópera, e também diminuiu gradativamente a importância do coral de múltiplas vozes ao norte dos Alpes. Dessa forma, os madrigais de Gesualdo e Monteverdi, com suas harmonias distintas, são na verdade música solo em conjunto, fazendo deles terreno fértil para grupos vocais ágeis e esguios como o Coro de Câmara de Estocolmo. Enquanto as extravagantes Péchés de ma vieillesse de Rossini foram escritas para quarteto e octeto vocais, o quarteto desacompanhado teve que esperar até o século XX para ser redescoberto como um meio expressivo em si mesmo. Ildebrando Pizzeti faz uma referência deliberada ao contraponto renascentista em suas duas canções Sappho, de 1964, enquanto seu conterrâneo Goffredo Petrassi explora uma ampla gama de técnicas corais modernas, de glissandi ilustrativos ao caos dissonante, em seus corais Nonsense (publicados em 1952) baseados em versos de Edward Lear.

Em uma época em que uma carga expansiva e sobrecarregada de som era a ordem do dia no trabalho coral alemão, compositores franceses ofereceram narrativas caprichosas e a poesia colorida da natureza. As Trois Chansons (1915) de Maurice Ravel, com textos dele mesmo, são uma mistura cativante de atrevida sabedoria popular e engenhosa simplicidade, enquanto Debussy incorpora antigos textos franceses em uma linearidade arcaica em suas Trois Chansons de Charles d´Orléans (1904). As Chansons bretonnes do compositor holandês Henk Badings são brilhantes estudos vocais no idioma francês, enquanto os coros Ariel do grande compositor suíço Frank Martin são importantes estudos preliminares para sua ópera A Tempestade. Não bastassem esses belos trabalhos, é a cantata para 12 vozes A Figura Humana (1943), de Francis Poulenc, a obra-prima do grupo francês: oito complexos movimentos corais a partir de textos do poeta comunista francês Paul Eluards que são o grito pessoal de protesto do compositor contra a ocupação nazista na França.

A Itália não foi o único reduto da música vocal no limiar do Barroco: a Inglaterra também manteve um alto nível em seus diversos esplendorosos corais de catedrais e na exclusiva Capela Real em Londres. O grande Thomas Tallis e seu pupilo William Byrd foram ambos membros da Capela Real, e Tallis serviu sob nada menos que quatro monarcas: Henrique VIII, Eduardo VI, Maria I e Elizabeth I. Enquanto a fama de Tallis reside em sua música coral de ingenuidade contrapuntística e grande destreza técnica, Byrd e seu pupilo Thomas Morley possuíam um alcance mais amplo, escrevendo refinadas séries de madrigais em estilo italiano. Esses, ao lado das canções usualmente melancólicas de John Dowland (“Semper Dowland, semper dolens“), representam o florescer supremo da música vocal elizabetana. Após a música vocal inglesa atingir seu pico barroco com as obras de Henry Purcell, o “sceptrd` Isle” teve que esperar até o século XX com o compositor Benjamin Britten para renovar a bela tradição coral do país com peças como seu Hino para Santa Cecília (1942).

As obras do pós-guerra incluídas nessa seleção não se prestam a serem rotuladas em nenhum escaninho nacional. Elegi, do compositor e professor sueco Lars Edlund, a intrincada Lux aeterna (1966) para 16 vozes de György Ligeti e Gyro de Niccolò Castiglione representam a vanguarda internacional no período posterior à Segunda Guerra Mundial, em que estilos individuais contavam mais que escolas locais.

Música coral virtuosa (cds 4 – 6)
Música coral virtuosa: o título da lendária produção da Electrola lançada em 1978 não foi escolhido apenas para ressaltar a perfeição técnica de tirar o fôlego do Coro da Rádio de Estocolmo e de seu irmão, o Coro de Câmara de Estocolmo. O termo “virtuoso” também se aplica ao repertório gravado: as peças corais italianas do cd 4 são ampla evidência dos tesouros aguardando descoberta por alguém com ouvidos tão sensíveis como Eric Ericson.

A abertura aqui fica por conta de Claudio Monteverdi, cuja Sestina, de 1614, sobre a morte de uma soprano da corte de Mantua ergue o sarrafo no que se refere ao estilo vocal italiano e à riqueza harmônica. Como muitos compositores italianos do século XX, de Gian Francesco Malipiero a Luca Lombardi, Luigi Dallapiccola sentiu-se em dívida para com o novo e expressivo estilo vocal introduzido por Monteverdi. Os dois primeiros corais de seus Sei cori di Michelangelo il Giovane (1933-36) apresentam, em sagaz antítese, os coros das esposas infelizes (malmaritate) e o dos maridos infelizes (malammogliati). Mais heterogêneos em estilo são os três coros que Ildebrando Pizzetti dedicaram ao Papa Pio DII em 1943, para marcar seu 25º jubileu como sumo pontífice. O noturno no poema Cade la sera de D´Annunzio se desdobra em largos arcos que preenchem o espaço tonal, enquanto os textos bíblicos inspiram Pizzetti a um estilo mais arcaico e austero.

Lars Johan Werle, que chefiou por muitos anos o departamento de música de câmara da Rádio Sueca, apresentou um cartão de visitas em nome da música coral sueca contemporânea – que somente desenvolveu uma tradição autônoma sob a influência de Ericson e seus corais – com seus Prelúdios Náuticos de 1970. O compositor adorna a combinação do tratamento experimental das vozes com idéias precisas sobre articulação e a transformação do texto em música com expressões marítimas. Em contraste com este virtuoso estudo, Krzystof Penderecki escreveu seu Stabat Mater em 1962, no antigo estilo de música sacra funeral. O gênio altamente individual com que Penderecki procede da abertura com sinos em uníssono, atravessando uma intrincada polifonia tecida por três corais de 16 vozes, até o casto, luminoso acorde em puro ré maior do Gloria lhe renderam o status de um dos principais compositores jovens da Polônia na estreia de sua Paixão de São Lucas, em 1966, da qual o Stabat Mater faz parte.

Um dos focos das atividades dos dois corais, ao lado da música italiana de Gabrieli a Dallapiccola, sempre foi o repertório alemão a capella do Romantismo tardio, cujos antípodas característicos foram Max Reger e Richard Srauss. Enquanto Reger trabalhou para promover uma renovação da música litúrgica protestante no espírito de Bach, como fica evidente em seus Acht Gesänge (“Oito hinos”) de 1914, Strauss enxergava no coral de múltiplas vozes um equivalente vocal do grandioso entrelaçamento de seu estilo instrumental. Essa tendência da música coral de Strauss está documentada nessas duas peças, separadas por quase quatro décadas: sua adaptação para o poema Der Abend (“A noite”, de 1897), de Friedrich Schiller, e a caprichosamente ocasional Die Göttin im Putzzimmer (“A deusa no quarto de limpeza”), de 1935, com seus ecos da bucólica ópera Daphne, de Strauss.

Nessa jornada de descoberta ao longo da música coral europeia do século XX, é  sobre as obras-primas francesas de Poulanc e Jolivet, e particularmente de Messiaen e Martin, que os dois corais de Estocolmo lançaram uma nova luz. O espectro expressivo dos ciclos apresentados aqui é inegavelmente impressionante. Enquanto em 1936 – muito após o Grupo dos Seis ter rompido – Poulenc voltou mais uma vez à poesia de Apollinaire e Eluard em suas Sept chansons, André Jolivet combinou textos sacros egípcios, indianos, chineses, hebreus e gregos em seu Epithalame, escrito em 1953 para celebrar seu vigésimo aniversário de casamento de uma forma mística. Naquele mesmo 1936, Olivier Messiaen, então com 28 anos, juntou-se a Jolivet e Daniel Lesur para criar o grupo Jeune France (“França jovem”), mas logo partiria novamente em seu idiossincrático caminho, alternando entre catolicismo, técnicas avant-garde e uma filosofia totalizante da natureza. Em termos de conteúdo, os Cinq Rechants de Messiaen, ligados entre si por refrões (rechants), representam um homólogo vocal de sua Sinfonia Turangalîla, que parte da história de Tristão e Isolda para criar uma mitologia de amor, natureza e morte. Frank Martin, nascido em Genebra, por sua vez, considerou sua Missa (1922-6) como algo “que diz respeito apenas a mim e Deus”. É música de pureza espiritual e arcaica, cuja estreia Martin autorizou apenas quarenta anos depois de sua composição.”

 

Ericson em ação

Obs.: para não deixar esse post ainda mais comprido, a lista completa de movimentos, intérpretes e afins está fotografada, dentro do arquivo de download.

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Five centuries of European choral music

Disco 1
Johannes Brahms (1833-1897)
Fest. und Gedenksprüche, op. 109

Max Reger (1873-1916)
O Tod, wie bitter bist du, op 110/3

Arnold Schönberg (1874-1951)
Friede auf Erden, op. 13

Richard Strauss (1864-1949)
Deutsche Motette, op. 62

Lars Edlund (1922-2013)
Elegi

Béla Bartók (1881-1945)
Vier slowakische Volkslieder

Disco 2
Béla Bartók (1881-1945)
Ungarische Volkslieder

György Ligeti (1923-2006)
Morgen
Nacht
Lux aeterna

Carlo Gesualdo (1560?-1613)
Itene ò miei sospiri

Giovanni Gastoldi (ca. 1556-1622)
Amor vittorioso

Claudio Monteverdi (1567-1643)
Ecco mormorar l´onde

Gioachino Rossini (1792-1868)
I Gondolieri
Toast pour le nouvel an
La Passegiata

Goffredo Petrassi (1904-2003)
Nonsense

Ildebrando Pizzetti (1880-1968)
Due composizioni corali (Sappho)

Niccolò Castiglioni (1932-1996)
Gyro

Disco 3
Claude Debussy (1862-1918)
Trois Chansons de Charles d´Orléans

Henk Badings (1907-1987)
Trois Chansons brettones

Maurice Ravel (1875-1937)
Trois Chansons

Francis Poulenc (1899-1963)
Figure humaine

Frank Martin (1890-1974)
Ariel choirs from Shakespeare´s The Tempest

William Byrd (1543-1623)
This sweet and merry month

John Dowland (1563-1626)
What if I never speed

Thomas Morley (1557-1602)
Fire! Fire!

Thomas Tallis (1505?-1585)
Spem in alium

Benjamin Britten (1913-1976)
Hymn to St. Cecilia, op. 27

Virtuoso Choral Music

Disco 4

Claudio Monteverdi (1567-1643)
Sestina “Lagrime d´amante al sepolcro dell´amata”

Luigi Dallapiccola (1904-1975)
Sei cori di Michelangelo il Giovane

Ildebrando Pizzetti (1880-1968)
Tre composizioni corali

Lars Johan Werle (1926-2001)
Nautical Preludes

Krzysztof Penderecki (1933-2020)
Stabat Mater

Disco 5
Max Reger (1873-1916)
Acht geistliche Gesänge, op. 138
Ach, Herr, strafe mich nicht, op. 110 Nr. 2

Richard Strauss (1864-1949)
Die Göttin im Putzzimmer
Der Abend

Francis Poulenc (1899-1963)
Sept Chansons

Disco 6
André Jolivet (1905-1974)
Epithalame

Olivier Messiaen (1908-1993)
Cinq Rechants

Frank Martin (1890-1974)
Messe

Rundfunkchor Stockholm
Stockholmer Kammerchor
Eric Ericson, regência

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O Coro da Rádio Sueca: alguém aí sabe pra que lado é a saída?

Karlheinz

Johannes Brahms (1833-1897): Quinteto para Piano, Op. 34 / Quinteto para Clarinete, Op. 115 (Bartók Quartet / Ránki / Kovács)

Johannes Brahms (1833-1897): Quinteto para Piano, Op. 34 / Quinteto para Clarinete, Op. 115 (Bartók Quartet / Ránki / Kovács)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Sem dúvida, um baita disco desta lendária gravadora húngara! Acho que o CD é de 1994. Aqui temos duas peças fundamentais da música de câmara de Brahms que raramente aparecem juntas, apesar de serem muito conhecidas. O Quinteto para Piano é de 1864 e o para Clarinete é de 1891. É curioso compará-los. A gente sempre pensa que o estilo de Brahms mudou pouco através dos anos, mas não é o que se nota nestes dois esplêndidos quintetos. O humor é muito semelhante em ambos, mas a fluência que o compositor ganhou naqueles 27 anos é notável. OK, talvez seja a lembrança da peça análoga de Mozart, mas o que o Quinteto para Piano tem de lírico, o para Clarinete tem de natural, trazendo em si aquela tranquila audácia mozartiana. Um CD para ser ouvido e reouvido muitas vezes.

Johannes Brahms (1833-1897): Quinteto para Piano, Op. 34 / Quinteto para Clarinete, Op. 115 (Bartók Quartet / Ránki / Kovács)

Quinteto em fá menor para piano, dois violinos, viola e violoncelo Op.34
I. Allegro non troppo 11:03
II. Andante un poco adagio 8:54
III. Scherzo. Alegro 7:15
IV. Final. Poco sostenuto – Allegro non troppo 10:13

Quinteto em si menor para clarinete, dois violinos, viola e violoncelo Op.115
I. Allegro 9:36
II. Adagio 10:33
III. Andantino 4:09
IV. Com moto 8:24

Dezső Ránki, piano
Béla Kovács, clarinete
Bartók Quartet

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Ignoro se o Bartók Quartet ainda existe. Esta foto é de 2009.

PQP

Johannes Brahms (1833-1897): Sonatas & Trio – Sharon Kam, Martin Helmchen, Gustav Rivinius

Johannes Brahms (1833-1897): Sonatas & Trio – Sharon Kam, Martin Helmchen, Gustav Rivinius

Por algum motivo inexplicável, talvez apenas pela satisfação de ouvir clarinete, novamente volto a ele, desta vez com obras de Brahms dedicadas a ele. Volta e meia estas obras, principalmente as Sonatas, op. 120, uma das maiores obras compostas para o instrumento, aparecem por aqui.

Os solistas também são velhos conhecidos daqui do PQPBach, a clarinetista Sharon Kam e o pianista Martin Helmchen, que se juntam ao violoncelista Gustav Rivinius para tocarem o Trio, op. 114.

Creio que já me utilizei da citação abaixo, retirada da biografia de Brahms escrita por Malcolm McDonald, mas a considero fundamental para situar as Sonatas dentro do repertório para clarinete:

“À sua maneira elas eram, como o Concerto Duplo, pioneiras: como não havia modelos clássicos para tal combinação, ele estava constituindo um novo gênero com peças que desde então tem permanecido pedras angulares do repertório para clarineta”.

Sharon Kam é uma experiente clarinetista, com vasta discografia mas confesso que já ouvi versões mais emocionantes destas obras. Claro que é uma questão de perspectiva, e de ponto de vista. Já ouço estas obras há bastante tempo, e a cada audição novas possibilidades me aparecem. Karl Leister sempre será minha referência em se tratando das obras para clarinete de Brahms, inclusive minha próxima postagem será dedicada a ele.

Johannes Brahms (1833-1897) – Sonatas & Trio – Sharon Kam, Martin Helmchen, Gustav Rivinius

Sonata For Clarinet And Piano In F Minor / F-Moll, Op. 120 No. 1
1 Allegro Appassionato 7:40
2 Andante Un Poco Adagio 4:54
3 Allegretto Grazioso 4:07
4 Vivace 5:01

Sonata For Clarinet And Piano In E Flat Major / Es-Dur, Op. 120 No. 2
5 Allegro Amabile 7:49
6 Allegro Appassionato 5:16
7 Andante Con Moto – Allegro 6:47

Trio For Piano, Clarinet And Violoncello In A Minor / A-Moll, Op. 114
8 Allegro 7:42
9 Adagio 7:32
10 Andantino Grazioso 4:34
11 Allegro 4:26

Sharon Kam – Clarinet
Martin Helmchen – Piano
Gustav Rivinius – Cello

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FDP

Jenő Jandó (1952 – 2023): Uma Pequena Antologia ֎

Jenő Jandó (1952 – 2023): Uma Pequena Antologia ֎

“De muitas maneiras, Jenő Jandó definiu a abordagem que a Naxos tem para o seu catálogo: inovação, completude, qualidade, abrangência e disponibilidade. A isso pode-se acrescentar talvez a supremacia da obra sobre o ego do intérprete.”

Em 4 de julho de 2023 o mundo da música gravada perdeu um de seus mais prolíficos artistas – Jenő Jandó, pianista húngaro. Nascido em Pécs, em 1º de fevereiro de 1952, começou a carreira como a maioria dos pianistas, ganhando concursos e visibilidade. Atuou também como professor da Academia Franz Liszt de Budapest. O acervo de gravações deixado por Jenő Jandó merece as características listadas na página da Naxos – inovação, completude, qualidade, abrangência e disponibilidade.

Gravou para o selo Hungaroton, mas sua carreira de artista de disco se confunde com a do selo Naxos, para o qual deixou um enorme legado.

Para reverenciar tudo o que ele fez pelos amantes da música, especialmente os menos abastados, reuni nesta postagem quatro de seus discos, tentando dar alguma representatividade à sua extensa e bela obra.

Piano e Orquestra: Neste gênero Jenő Jandó deixou muitas gravações memoráveis, como a Integral dos Concertos para Piano de Mozart, que você encontrará aqui no PQP Bach. Há uma gravação da dobradinha com os concertos de Grieg e Schumann e outro disco espetacular com os Concertos de Bartók. Esse último também está aqui no blog. Como neste ano também reverenciamos o último dos românticos, decidi postar o Concerto No. 2 de Rachmaninov, que vem acompanhado da Rapsódia sobre um tema de Paganini. Música para milhões! Veja os louvores do Penguin Guide sobre esse disco, pela tradução feita pelo Chat PQP: As performances dessas obras por Jenő Jandó são muito recomendáveis. Ele tem a completa medida das idas e vindas, a fluência da fraseologia rachmaninoviana e o movimento lento é romanticamente expansivo, a reprise particularmente bela, assim como o final tem bastante energia e um sentimento lírico maduro. A Rapsódia é interpretada brilhantemente, tão boa quanto qualquer performance no catálogo.

Sergei Rachmaninov (1873 – 1943)

Concerto para Piano No. 2 em dó menor, Op. 18

  1. Moderato
  2. Adagio sostenuto
  3. Allegro scherzando

Rapsódia sobre um tema de Paganini, Op. 43

  1. Rapsódia

Jenő Jandó, piano

Budapest Symphony Orchestra

Giőrgy Lehel, regência

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FLAC | 191 MB

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MP3 | 320 KBPS | 133 MB

 

Piano Solo: Aqui a lista de gravações é imensa. Nomes como Beethoven, Mozart, Bach, Schubert, Haydn, Schumann, Liszt, Scarlatti estão por lá. De Beethoven, Mozart, Haydn e Schubert gravou as integrais das sonatas para piano e outras cositas… De Bach há gravações do Cravo Bem Temperado e das Variações Goldberg. De qualquer forma, para mim, a Integral das Sonatas para Piano de Beethoven merece uma referência, mesmo tendo seus montes e vales, como disse o Conde Vassily. Desta coleção escolhi o disco que foi lançado como o Volume 2, com três sonatas que têm apelidos: Waldstein, Tempest e Les Adieux. Mais uma vez, o Penguin Guide: Jenő Jandó oferece aqui três das famosas sonatas, interpretadas com muito prazer, e elas soam bem agradáveis devido à sua abordagem direta.

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Sonata para Piano No. 21 em dó maior, Op. 53 “Waldstein”

  1. Allegro con brio
  2. Introduzione: Molto Adagio
  3. Rondo: Allegretto Moderato

Sonata para Piano No. 17 em ré menor Op. 31 No. 2 “Tempest”

  1. Largo – Allegro
  2. Adagio
  3. Allegretto

Sonata para Piano No. 26 em mi bemol maior Op. 81a “Les Adieux”

  1. Adagio – Allegro (Les Adieux)
  2. Andante Espressivo (L’Absence)
  3. Vivacissimamente (Le Retour)

Jenő Jandó, piano

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FLAC | 187 MB

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MP3 | 320 KBPS | 146 MB

Alguns dias após está postagem ter ido ao ar, recebemos alguns comentários singelos. Entre eles, uma menção a esse disco, que decidi acrescentar à pequena antologia. Vale!

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Sonata para Piano No. 8 em dó menor, Op. 13 ‘Pathetique’

  1. Grave – Allegro di molto e con brio
  2. Adagio cantabile
  3. Rondo: Allegro

Sonata para Piano No. No. 14 em dó sustenido menor, Op. 27 No. 2 ‘Ao Luar’

  1. Adagio sostenuto
  2. Allegretto
  3. Presto agitato

Sonata para Piano No. No. 23 em fá menor, Op. 57 ‘Appassionata’

  1. Allegro assai
  2. Andante con moto
  3. Allegro ma non troppo – Presto

Jenő Jandó, piano

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MP3 | 320 KBPS | 128 MB

Música de Câmara: Jenő era ótimo músico camarístico e há vários discos primorosos nesse gênero. Sonatas para Violino e Piano com Takako Nishizaki, música para violoncelo e piano, de Kodaly, por exemplo, com a violoncelista Maria Kliegel, música para clarinete e piano com o clarinetista Kálmán Berkes. Para essa postagem escolhi uma gravação na qual ele faz parceria com o ótimo Quarteto Kodály, outra instituição da Naxos. Veja os comentários sobre a gravação dos Quintetos com Piano de Schumann e Brahms por esses titulares absolutos do time Naxos. Sobre o Quinteto de Brahms: “Essa ótima gravação da Naxos tem muito a oferecer, mesmo que não inclua a repetição da exposição do primeiro movimento. A execução é ousadamente espontânea e possui muita energia e sentimento expressivo. A abertura do final também possui um certo mistério e, de maneira geral, com uma gravação cheia de corpo e muita presença, isso causa uma forte impressão. Certamente, é uma pechincha.” Sobre o Quinteto de Schumann: “Uma performance fortemente caracterizada do belo Quinteto de Schumann, interpretado por Jenő Jandó e o Quarteto Kodály. Esta é uma interpretação vigorosa, romântica em espírito, e sua espontaneidade é bem transmitida por uma gravação vívida, feita em uma acústica atraente e ressonante.”

Robert Schumann (1810 – 1856)

Quinteto com Piano em mi bemol maior, Op. 44

  1. Allegro Brillante
  2. In Modo D’una Marcia. Un Poco Largamente
  3. Scherzo: Molto Vivace – Trio I – Trio II – L’istesso Tempo
  4. Allegro, Ma Non Troppo

Johannes Brahms (1833 – 1897)

Quinteto com Piano em fá menor, Op. 34

  1. Allegro Non Troppo
  2. Andante, Un Poco Adagio
  3. Scherzo: Allegro – Trio
  4. Finale: Poco Sostenuto – Allegro Non Troppo – Presto, Non Troppo

Jenő Jandó, piano

Kodaly Quartet

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FLAC | 245 MB

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MP3 | 320 KBPS | 152 MB

 

Música Ligeira: Num outro aspecto da música gravada, decidi trazer esse disco com selo Hungaroton, com música mais leve e despretensiosa – típica do período austro-húngaro, que revela outro aspecto da produção deste verdadeiro maratonista do piano que foi Jenő Jandó. O disco contém peças de Rossini e Schubert arranjadas para piano por Liszt. Rossini era frequentador das soirées nas casas dos abastados Aguado e Rothschild, onde ele geralmente acompanhava trechos mais famosos de suas óperas ao piano. Eventualmente ele acabou compondo novas peças para essas ocasiões. Isso deu surgimento a árias e duetos que foram posteriormente publicadas em ciclos, com o nome Soirées musicales. Liszt gostava bastante dessas peças e acabou fazendo arranjos delas para piano, que é o que ouvimos aqui. Já as Soirées de Vienne foram feitas sobre melodias de Schubert e buscam entreter e encantar.

Arranjos de Ferenc Liszt (1811 – 1886)

Composições de Franz Schubert (1797 – 1828)

Soirées De Vienne

  1. 2 Poco Allegro

Arranjos de Ferenc Liszt

Composições de Gioacchino Rossini (1792 – 1868)

Soirées Musicales R.236: Part One

  1. 1 La Promessa (The Promise) – Canzonetta
  2. 5 Il Rimprovero (Reproach) – Canzonetta
  3. 7 La Partenza (Depart) – Canzonetta
  4. 11 L’Orgia (The Orgy) – Arietta
  5. 3 L’Invito (Invitation) – Bolero
  6. 6 La Pastorella Dell’Alpi (The Shepherdess Of The Alps) – Tirolese
  7. 7 La Gita In Gondola (By Gondola) – Barcarola
  8. 8 La Danza (Dance) – Tarantella Napoletana

Arranjos de Ferenc Liszt

Composições de Franz Schubert

Soirées De Vienne

  1. 7 Allegro Spiritoso

Arranjos de Ferenc Liszt

Composições de Gioacchino Rossini

Soirées Musicales R.236: Part Two

  1. 2 La Regata Veneziana (The Venice Regatta) – Notturno
  2. 8 La Pesca (Fishing) – Notturno
  3. 10 Serenata (Serenade) – Notturno
  4. 12 Li Marinari (The Sailors) – Duetto

Arranjos de Ferenc Liszt

Composições de Franz Schubert

Soirées De Vienne

  1. 8 Allegro Con Brio

Jenő Jandó, piano

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Aproveite e celebre a obra desse grande artista!

René Denon

Brahms (1833 – 1897): Sinfonia No. 4 em mi menor, Op. 98 – Abertura ‘Trágica’, Op. 81 – Wiener Philharmoniker & Leonard Bernstein ֍

Brahms (1833 – 1897): Sinfonia No. 4 em mi menor, Op. 98 – Abertura ‘Trágica’, Op. 81 – Wiener Philharmoniker & Leonard Bernstein ֍

Brahms

Sinfonia No. 4

Abertura ‘Trágica’

Wiener Philharmoniker

Leonard Bernstein

 

Eu amo as gravações que Lenny Bernstein fez com a Wiener Philharmoniker para a Deutsche Grammophon, sempre ao vivo – registrazione dal vivo. Tenho revirado meus guardados, acabei chegando aos discos das Sinfonias de Brahms e como gosto especialmente da Quarta, inclui esta gravação nas minhas audições. É um pouco difícil apontar o que a torna especial, mas há um que de cada coisa em diferentes momentos – melancolia, saudades talvez de coisas que passaram, mas também aquilo que os ingleses chamam wit – bom humor, certas acentuações… Em certos trechos é quase impossível não cantarolar junto. Ah, e as maravilhosas cordas da Wiener Philharmoniker tocando Brahms, isso não é algo que se consegue em poucos anos. Finalmente, há humanidade que acredito se deve a Bernstein, assim como grandeur.

Levei o disco para caminhar e só não chamei mais a atenção da vizinhança porque o pessoal já está habituado – sorrisos e gestos de regência afloraram um pouco mais do que o costume.

Comprei os CDs dessas gravações a peso de metal precioso há décadas e a cada audição minha estima por eles se renova e permanece intacta, suspensa no ar!

Johannes Brahms (1833 – 1897)

Sinfonia No. 4 em mi menor, Op. 94

  1. Alegro non troppo
  2. Andante moderato
  3. Allegro giocoso – Poco meno presto – Tempo I
  4. Allegro energico e passionato – Più Allegro

Abertura Trágica, Op. 81

  1. Allegro non troppo – Molto più moderato – Tempo primo

Wiener Philharmoniker

Leonard Bernstein

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Lenny Bernstein assistindo ao último lançamento da Netflix…

But the finest of the set is undoubtedly the Fourth: the very opening is simple and songful, yet there is plenty of vitality too, the third movement is rhythmically exhilarating and the great passacaglia has weight and momentum nicely in fulcrum: there is real Brahmsian gravitas here. Throughout this symphony there is a fine resonance to the lower strings and the orchestral playing is first class. [Gramophone]

Bernstein estava feliz com o som das cordas da PQP Bach Philharmoniker

Robert Schumann (1810 – 1856), Clara Schumann (1819 – 1896), Johannes Brahms (1833 – 1897): Peças para Piano – Benjamin Grosvenor ֎

Schumann & Brahms

Kreisleriana, Op. 16

Variações, Op. 20

Intermezzi, Op. 117

Outras Peças

Benjamin Grosvenor

 

É interessante poder acompanhar o desenvolvimento de um artista, como é o caso do pianista Benjamin Grosvenor, mesmo que seja sob a perspectiva de seus discos.

Ele sempre fica assim quando isso é mencionado…

Nascido em 1992, foi o mais jovem pianista britânico a assinar contrato com o selo DECCA em 2011. Fazia quase 60 anos que o selo não contratava qualquer pianista britânico.

Já postei dois álbuns dele aqui no blog – o primeiro a ser lançado pela DECCA, no qual ele exibe um repertório de pérolas para o piano, compostas por campeões do teclado: Chopin, Liszt e Ravel. O outro, um álbum temático, Dances, onde o pianista nos brinda com uma coleção de peças de vários compositores inspirados por diferentes tipos de danças.

No álbum desta postagem, lançado há bem pouco tempo, temos uma coleção de peças de três compositores que foram muito, muito próximos. Robert e Clara Schumann, que acolheram o jovem Brahms no início de sua carreira como compositor. Havia muita afinidade musical entre eles, assim como grande admiração pelos seus talentos musicais. Com o agravamento das condições de saúde de Robert, Johannes e Clara conviveram com muita proximidade. Certamente havia amor além de amizade entre eles, mas essa relação não foi avante, após a morte de Robert.

Além da admiração de cada um deles pela obra dos outros, a atuação de Clara, que era uma renomada pianista, na divulgação da obra de ambos, foi importante para a divulgação de suas composições. Ela fez muito para estabelecer o reconhecimento das obras de seus dois compositores preferidos.

No programa, obras de Robert Schumann ocupam o maior espaço, começando com uma primorosa interpretação da coleção de peças inspiradas pela novela de E.T.A. Hoffmann, que tem por personagem um violinista maníaco-depressivo chamado Kreisler. Essa obra é bem típica de Schumann, com contrastes entre o impulsivo Florestan e o sonhador Eusebius.

Mais algumas peças de Robert, entre elas um movimento da Sonata No. 3 para piano, umas quasi variazoni, provavelmente para fazer eco às Variações sobre um tema de Robert Schumann, compostas por Clara, que além de pianista foi ótima compositora. Provavelmente sua obra não é maior devido à sua atividade como intérprete, sem esquecer seu casamento com Robert, com oito filhos (!?!), dos quais quatro sobreviveram a ela.

Nos últimos 15 minutos do disco, 3 Intermezzi da coleção de peças publicadas como o Opus 117, já bem no fim da vida de Johannes Brahms, quase quarenta anos após a morte de Robert.

Robert Schumann (1810 – 1856)

[1-8] – Kreisleriana, Op. 16

[9] – Romance em fá sustenido maior, Op. 28 No. 2

[10] – Blumenstück, Op. 19

[11-15] – Piano Sonata No. 3 in F minor, Op. 14: Quasi variazoni

[16] – Abendlied (arr. Grosvenor)

Clara Schumann (1819 – 1896)

[17-24] – Variações sobre um tema de Robert Schumann, Op. 20

Johannes Brahms (1833 – 1897)

[25-27] – Intermezzi (3), Op. 117

Bejamin Grosvenor, piano

Data da gravação: 24/04/2022

Local da gravação: Potton Hall, Suffolk

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Trecho final da resenha sobre o disco na Gramophone: The engineering brings out all the colour and nuance of the playing. All in all, this is an album that reaffirms Grosvenor’s status as one of the most accomplished pianists around.

Benjamin Grosvenor impressionado com a última aquisição para a coleção de grand pianos para o acervo do PQP Bach…

Outras gravações de Kreisleriana, de Robert Schumann, podem ser encontradas nas postagens indicadas:

Schumann (1810-1856): Peças para Piano – Radu Lupu

R. Schumann (1810–1856): Kreisleriana ; F. Chopin (1810-1849): 2 Noturnos, Scherzo nº 3, Fantasia (Linda Bustani)

Robert Schumann (1810-1856): Einsam – Peças para Piano – Nino Gvetadze ֎

Aproveite!

René Denon

Johannes Brahms (1833-1897): Concerto Duplo e Quinteto para Clarinete (Capuçons)

Johannes Brahms (1833-1897): Concerto Duplo e Quinteto para Clarinete (Capuçons)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Talvez o Quinteto para Clarinete seja a obra de Brahms que mais amo. Brahms já tinha parado de compor quando ouviu Richard Mühlfeld, um clarinetista virtuoso, tocar. Gostou. Curioso notar que Mozart também se interessou pelo clarinete ao ouvir o famoso Anton Stadler. Mozart dedicou a Stadler várias obras, incluindo o Quinteto para Clarinete e Cordas e o Concerto para Clarinete, que estão entre suas maiores realizações. A história de Brahms com Richard Mühlfeld é a mesma. Ele viria a dedicar ao instrumentista seu Quinteto para Clarineta e Cordas, Op. 115, e outras obras para clarinete, como as duas Sonatas. Além disso, há outra relação entre os dois compositores: Brahms usou em sua peça a mesma estrutura do Quinteto de Mozart. O Quinteto de Brahms é geralmente considerado outonal, até mesmo nostálgico, mas há aspectos mais sombrios e mais vigorosos.

O belíssimo Concerto Duplo para Violino e Violoncelo de Brahms tem origem curiosa. Será verdade que “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”? Pois este polêmico ditado não foi seguido por Brahms. Em 1884, o célebre violinista Joseph Joachim e sua mulher se separaram depois que ele se convenceu de que ela mantinha uma relação com o editor de Brahms, Fritz Simrock. Brahms, certo de que as suposições do violinista eram infundadas, escreveu uma carta de apoio à Amalie, a esposa, que mais adiante seria utilizada como prova no processo de divórcio que Joseph moveu contra ela. Este fato motivou um resfriamento das relações de amizade entre Joachim e Brahms, que depois foram restabelecidas quando Brahms escreveu o Concerto para Violino e Violoncelo e o enviou a Joachim para fazer as pazes. Acontece. Mas por que o violoncelo? Ora, a combinação inusitada — este é o primeiro concerto escrito para esta dupla de instrumentos — surgiu porque o violoncelista Robert Hausmann, amigo comum de Brahms e Joachim, pedira um concerto ao compositor. Então, o compositor encontrou uma forma de satisfazer ao violoncelista , ao mesmo tempo que reconquistava a amizade do violinista. Clara Schumann escreveu em seu diário: “O Concerto é uma obra de reconciliação. Joachim e Brahms falaram um com o outro novamente.”

Joseph Joachim (1831-1907) e Amalie Weiss (1839-1899)
Fritz Simrock (1837-1901)

Após completar sua Sinfonia Nº 4 em 1885 e embora tenha vivido mais doze anos depois de completá-la, Brahms produziu apenas mais uma obra orquestral, e esta não foi uma sinfonia, mas este concerto. E não era um concerto solo comum, mas sim uma composição que uniu pela primeira vez a forma de violino e violoncelo. Mozart fez os não tão díspares solistas de violino e viola quase se enfrentarem em sua Sinfonia Concertante. Beethoven fez o mesmo em seu Concerto Triplo Concerto, juntando piano, violino e violoncelo. Mas aqui nós temos realmente um casamento. O violoncelo introduz a maioria dos temas, mas há muitos trechos onde um acompanha o outro. Há menos exploração de contrastes  violino-violoncelo de Brahms, que se baseia menos na exploração das individualidades contrastantes do casal solista, mas em sua capacidade de viverem felizes juntos. O Concerto possui uma enorme riqueza de ideias que são trabalhadas com a extrema habilidade.

Robert Hausmann (1852-1909)

Brahms fez o violoncelo e o violino se fundirem em vez de projetar identidades separadas e talvez conflitantes. Há muitos uníssonos e trechos onde um instrumento acompanha o outro.  Exigências artísticas como essas são feitas ao longo do Concerto Duplo. Durante o período de testes do Concerto, tanto Joachim quanto Hausmann aconselharam o compositor sobre algumas questões técnicas de seus respectivos instrumentos.

Johannes Brahms (1833-1897): Concerto Duplo e Quinteto para Clarinete (Capuçons)

Double Concerto For Violin, Cello And Orchestra In A Minor (En La Mineur . A-Moll) Op.102
1 I Allegro 18:05
2 II Andante 7:48
3 III Vivace Non Troppo 8:32

Clarinet Quintet In B Minor (En Si Mineur . H-Moll) Op.115
4 I Allegro 12:41
5 II Adagio 11:05
6 III Andantino 4:37
7 IV Finale, Con Moto 8:47

Cello – Gautier Capuçon
Clarinet – Paul Meyer (tracks: 4-7)
Directed By – Myung-Whun Chung (tracks: 1- 3)
Ensemble – Capuçon Quartet (tracks: 4-7)
Orchestra – Gustav Mahler Jugendorchester (tracks: 1- 3)
Viola – Béatrice Muthelet (tracks: 4-7)
Violin – Aki Saulière (tracks: 4-7), Renaud Capuçon

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Johannes Brahms (1833-1897) meteu a colher em briga de marido e mulher

PQP

J. S. Bach / Brahms / Chopin / Rachmaninov / Domenico Scarlatti / Schubert / Schumann: Yara Bernette – Encores – Semana do Dia Internacional da Mulher

Nota: esta postagem, assim como todas as demais com obras de Heitor Villa-Lobos, não contém links para arquivos de áudio com obras do gênio brasileiro, pelos motivos expostos AQUI


Uma semana de celebrações por conta do Dia da Mulher não poderia deixar de prestar reverência a um território específico de excelência no nosso panorama musical: o piano. A galeria de pianistas brasileiras é uma verdadeira constelação que atravessa gerações: Guiomar Novaes, Magda Tagliaferro, Cristina Ortiz, Eliane Rodrigues, Erika Ribeiro, Diana Kacso, Linda Bustani, Clara Sverner, Menininha Lobo, Mariinha Fleury, Anna Stella Chic, Eudóxia de Barros, Felicja Blumental (nascida na Polônia, naturalizada brasileira), Rosana Martins…

Entre elas, uma estrela brilha com particular intensidade, por conta de sua sonoridade singular: estamos falando de Yara Bernette (1920-2002), uma artista de carreira tão impecável quanto longeva: foram mais de 4.000 concertos e recitais, ao longo de quase sete décadas. Uma vida inteira dedicada ao instrumento.

O verbete dedicado a ela na Enciclopédia do Instituto do Piano Brasileiro, escrito por Marcia Pozzani, está bem completo e rico em informações – vale a leitura. Para atiçar um pouco a curiosidade, no entanto, deixo um trecho de uma crônica escrita por Tarsila do Amaral (recolhida no livro Tarsila Cronista, organizado por Aracy Amaral e publicado pela Edusp em 2001). Ela relata uma história contada para ela pela própria Yara, quando se vira em apuros ao estar sem uma partitura para um concerto no Canadá. É um delicioso relato do frisson causado pela pianista, que a levaria inclusive até a glória de ter o selo dourado da Deutsche Grammophon estampado na capa de seus discos:

       ” (…) Nisso bate alguém na porta. Aparece um velhinho simpático – o maior crítico musical do Canadá – com uma música na mão e diz: “Miss Bernette, desculpe incomodá-la justamente agora, mas estou curioso por saber se a ‘Chaconne’ que a senhora vai tocar é desta edição”. Yara Bernette diz ao anjo que os céus lhe enviaram: “Peço-lhe deixar aqui a música. No primeiro intervalo conversaremos”. Deu-se o milagre. E o mais interessante é que o crítico não costumava levar música aos concertos. Apenas abriu a primeira página, foi chamada para o palco. Nunca tocou tão bem como naquela noite. O crítico musical, A. A. Alldrick, que a salvara sem o saber, dedicou-lhe excepcionalmente dois artigos ao invés de um, como de costume, afirmando no Winnipeg Free Press: “O recital de Yara Bernette foi um acontecimento fascinante… Yara Bernette é obviamente uma artista do calibre de ‘uma entre mil’. 
       Ao terminar a narrativa a grande pianista me diz: “Desde então, sinto que existe na minha carreira artística uma proteção divina”.
       Mais tarde num de seus inúmeros concertos, dizia o crítico Irving Kolodin no New York Sun: “Miss Bernette, prendendo a atenção dos ouvintes, fez com que a versão da ‘Chaconne’ de Bach  por Busoni valesse a pena de ser ouvida. Isso acontece uma vez por temporada e essa vez coube a Miss Bernette na sua execução definitiva”.
       Na sua tournée pelo México, disse o crítico musical do Excelsior: “Há muito não ouvíamos uma pianista do seu calibre, e também há muito tempo nenhum outro pianista havia interessado tanto os críticos nem obtido tantos elogios”.
       O New York Post exclama: “Tirem os chapéus, senhores! Miss Bernette é a última e irresistível palavra”, enquanto o New York Sun comenta: “Talentos pianísticos deste calibre têm raros similares”. (…)”

Flavio de Carvalho, “Retrato de Yara Bernette”, óleo sobre tela, 1951

O disco que apresento nesse post – gravado em 1995, já nos últimos anos de vida de Yara, no auge de sua maturidade – evoca essas antigas turnês, já que reúne uma série de peças que ela costumava tocar como bis (ou encore, em francês) em seus concertos e recitais. São peças emblemáticas do repertório pianístico, que refletem as preferências da artista. As interpretações são puro deleite; é um disco a que retorno, de tempos em tempos, há muitos anos.

Lançado em comemoração pelos 75 anos da pianista, o álbum foi gravado em fevereiro de 1995 no Teatro Cultura Artística, no centro de São Paulo, em um dos Steinways que faziam parte do acervo da casa. Tragicamente, o piano queimou junto com o teatro no dantesco incêndio que o consumiu em 17 de agosto de 2008. São, portanto, memórias fonográficas de um tempo que um universo que já nos deixou.

Áudio da apresentação de Yara Bernette na TV Excelsior, em 1961, tocando Debussy e Chopin. Créditos, como de praxe, para o espetacular Instituto Piano Brasileiro

Viva Yara Bernette!

Karlheinz

 

1. Domenico Scarlatti (transcr. Carl Tausig) – Pastorale
2. Domenico Paradies – Sonata em Lá – Tocata
3. J. S. Bach (transcr. W. Kempff) – Sonata BWV 1.031 – Siciliano
4. Felix Mendelssohn – Rondó Capriccioso, op. 14
5. Felix Mendelssohn – Scherzo, op. 16 no. 2
6. Robert Schumann – Cenas Infantis, op. 15 no. 7 – Rêverie
7. Robert Schumann – Cenas da Floresta, op. 82 no. 7 – O pássaro profeta
8. Johannes Brahms – Intermezzo, op. 117 no. 2
9. Frederic Chopin – Mazurka, op. 7 no. 3
10. Frederic Chopin – Mazurka, op. 17 no. 4
11. Frederic Chopin – Mazurka, op. 24 no. 4
12. Frederic Chopin – Estudo póstumo no. 1
13. Frederic Chopin – Noturno, op. 48 no. 1
14. Frederic Chopin (transcr. Franz Liszt) – Canção polonesa, op. 74 no. 5 – Minhas alegrias
15. Claude Debussy – Segundo Caderno – Prelúdio no. 7 – La Terrasse des Audiences du Clair de Lune
16. Sergei Rachmaninoff – Prelúdio, op. 32 no. 5
17. Sergei Rachmaninoff – Prelúdio, op. 32 no. 10
18. Sergei Rachmaninoff – Prelúdio, op. 32 no. 12
19. Heitor Villa-Lobos – Suíte Prole do Bebê no. 1 – O Polichinelo

Yara Bernette, piano

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