Antes de tudo, é importante dizer que aqui não tem música de Carl Orff!!! Esta é a música medieval do século XIII extraída do Codex ” Buranus ” , aka ” Codex Latinus Monacensis ” mantido na Biblioteca Nacional da Baviera , em Munique. Carmina Burana (latim; em português: “Canções da Beuern” , sendo “Beuern” uma abreviação de Benediktbeuern) é o nome dado a poemas e textos dramáticos manuscritos do século XIII. As peças são em sua maioria picantes, irreverentes e satíricas e foram escritas principalmente em latim medieval, algumas partes em médio-alto-alemão e alguns com traços de Francês antigo ou provençal. Há também partes macarrônicas, uma mistura de latim vernáculo, alemão ou francês. Os manuscritos refletem um movimento europeu “internacional”, com canções originária de Ocitânia (atual sudoeste da França), França, Inglaterra, Escócia, Aragão, Castela e do Sacro Império.
Wellington Mendes complementa: estas canções contidas no Codex de Burano são o legado de uma curiosa classe musical da Idade Média, os Goliardos. Monges, intelectuais, poetas e cancioneiros, que itineravam entre as escolas e universidades europeias. Se diziam seguidores de um lendário Bispo Golias, que levara na juventude uma vida errante. Suas canções, como já bem diz o texto, são picarescas, satirizando os costumes, desmandos do poder, hipocrisia da Igreja, fracasso das cruzadas – nem o Papa escapava; canções hedonistas de louvor ao vinho e à vida desregrada, lamentações de clérigos destituídos de seus privilégios e de estudantes pobres; algumas delas francamente licenciosas. Enfim, sofreram a repreensão da igreja, sendo proibidos de dizerem missas, de cantarem suas sátiras, sendo decretado que os clérigos não deveriam ser bufões nem goliardos.
Carmina Burana Sacri Sarcasmi
1 Bonum Est Confidere 4:33
2 Adtende Lector! 0:42
3 Dic Christi Veritas 2:37
4 Dic Christi Veritas 6:17
5 Heu Nostris Temporibus 1:36
6 Flete Pehorrete 4:33
7 Ad Cor Tuum Reverte 5:53
8 Curritur Ad Vocem 2:13
9 Omittamus Studia 7:15
10 Carmen Ante Litteram [D.D. Sherwin] 3:34
11 Fas Et Nefas 2:49
12 Procurans Odium 2:32
13 Ave Nobilis Venerabilis 3:24
14 La Quarte Estampie Royal 2:15
15 Tempus Transit Gelidum 4:47
16 Olim Sudor Herculis 7:38
17 Eunt Ambe Virgines 1:52
18 Frigus Hinc Est Horridum 3:32
La Reverdie:
Voice – Matteo Zenatti
Voice, Arp, Teutonic Zithar – Ella De Mircovich
Voice, Flute, Vielle – Livia Caffagni
Voice, Lute, Psaltery – Claudia Caffagni
Voice, Mute Cornet, Percussion – Doron David Sherwin
Voice, Vielle, Symphonia, Bells – Elisabetta De Mircovich
Voice, Voice Actor – Andrea Favari
Não pretendo mentir para vocês. Eu tenho problemas com o Melos. Acho que lhes falta sangue, pulso. É claro que eles são ótimos, mas estou falando nas melhores versões dos últimos quartetos de Beethoven, estou falando de música de ordem superior, de Beethoven falando para o futuro, decidindo que o que devia ser, seria. A gravação é boa? Sem dúvida! Tanto que a ouvi inteirinha ontem sem grande sofrimento, mas não me venham compará-la com as versões do Alban Berg, do Emerson e do Kodály String Quartet, por exemplo.
Por que comecei a postar a integral dos quartetos de Beethoven pelo final? Ora, porque gosto mais dos últimos, simples assim. Ah, tenho que terminar a postagem das 75 cantatas de Bach gravadas pelo Richter e os CDs que restam da Hewitt, não? Bem, acho que posso ir alternando. Ninguém vai morrer por isso.
Enquanto isso, em Porto Alegre, aguardamos o fim do verão e o retorno das temperaturas CIVILIZADAS.
Ludwig van Beethoven (1770-1827): The Late String Quartets
Disc: 1
1. String Quartet No. 12 in E flat major, Op. 127: 1. Maestoso – Allegro
2. String Quartet No. 12 in E flat major, Op. 127: 2. Adagio, ma non troppo e molto cantabile – Andante con moto – Adagio molto espressi
3. String Quartet No. 12 in E flat major, Op. 127: 3. Scherzando vivace – Presto
4. String Quartet No. 12 in E flat major, Op. 127: 4. Finale
5. String Quartet No. 14 in C sharp minor, Op. 131: 1. Adagio, ma non troppo e molto espressivo – attacca:
6. String Quartet No. 14 in C sharp minor, Op. 131: 2. Allegro molto vivace – attacca:
7. String Quartet No. 14 in C sharp minor, Op. 131: 3. Allegro moderato – attacca:
8. String Quartet No. 14 in C sharp minor, Op. 131: 4. Andante, ma non troppo e molto cantabile –
9. String Quartet No. 14 in C sharp minor, Op. 131: Andante moderato e lusinghiero
10. String Quartet No. 14 in C sharp minor, Op. 131: Adagio –
11. String Quartet No. 14 in C sharp minor, Op. 131: Allegretto –
12. String Quartet No. 14 in C sharp minor, Op. 131: Adagio, ma non troppo e semplice –
13. String Quartet No. 14 in C sharp minor, Op. 131: Allegretto
14. String Quartet No. 14 in C sharp minor, Op. 131: 5. Presto –
15. String Quartet No. 14 in C sharp minor, Op. 131: Molto poco adagio – attacca:
16. String Quartet No. 14 in C sharp minor, Op. 131: 6. Adagio quasi un poco andante – attacca:
17. String Quartet No. 14 in C sharp minor, Op. 131: 7. Allegro
Disc: 2
1. String Quartet No. 13 in B flat major, Op. 130: 1. Adagio ma non troppo – Allegro
2. String Quartet No. 13 in B flat major, Op. 130: 2. Presto
3. String Quartet No. 13 in B flat major, Op. 130: 3. Andante con moto, ma non troppo
4. String Quartet No. 13 in B flat major, Op. 130: 4. Alla danza tedesca. Allegro assai
5. String Quartet No. 13 in B flat major, Op. 130: 5. Cavatina. Adagio molto espressivo – attacca:
6. String Quartet No. 13 in B flat major, Op. 130: 6. Finale. Allegro
7. Fugue for string quartet in B flat major (‘Grosse Fuge’), Op. 133: Overtura. Allegro – Fuga:
8. Fugue for string quartet in B flat major (‘Grosse Fuge’), Op. 133: Meno mosso e moderato
9. Fugue for string quartet in B flat major (‘Grosse Fuge’), Op. 133: Allegro molto e con brio
10. Fugue for string quartet in B flat major (‘Grosse Fuge’), Op. 133: Meno mosso e moderato
11. Fugue for string quartet in B flat major (‘Grosse Fuge’), Op. 133: Allegro molto e con brio
12. Fugue for string quartet in B flat major (‘Grosse Fuge’), Op. 133: Allegro
Disc: 3
1. String Quartet No. 15 in A minor (‘Heiliger Dankgesang’), Op. 132: 1. Assai sostenuto – Allegro
2. String Quartet No. 15 in A minor (‘Heiliger Dankgesang’), Op. 132: 2. Allegro ma non tanto
3. String Quartet No. 15 in A minor (‘Heiliger Dankgesang’), Op. 132: 3. Molto Adagio — Andante — Heiliger Dankgesang eines Genesenen an die Gottheit, in der lydischen Tonart. Molto adagio — Neue Kraft fühlend. Andante — Molto adagio — Andante–Molto adagio. Mit innigster Empfindung
4. String Quartet No. 15 in A minor (‘Heiliger Dankgesang’), Op. 132: 4. Alla marcia, assai vivace – Più allegro – attacca:
5. String Quartet No. 15 in A minor (‘Heiliger Dankgesang’), Op. 132: 5. Allegro appassionato
6. String Quartet No. 16 in F major, Op. 135: 1. Allegretto
7. String Quartet No. 16 in F major, Op. 135: 2. vivace
8. String Quartet No. 16 in F major, Op. 135: 3. Lento assai e cantante tranquillo
9. String Quartet No. 16 in F major, Op. 135: 4. “Der schwer gefaßte Entschluß (The difficult decision).” Grave, ma non troppo tratto (Muss es sein?/Must it be?) — Allegro (Es muss sein!/It must be!) — Grave, ma non troppo tratto — Allegro
Eu tenho lá minhas restrições a Herbert von Karajan, mas ele deu acesso a vários jovens que hoje são monstros sagrados. Ao foto do disco ao lado têm Yo-Yo Ma e Anne-Sophie Mutter adolescentes, solando com a Filarmônica de Berlim. Esta gravação do Concerto Triplo não chega a ser uma maravilha, só que ela sempre será utilizada como referência e vendeu como água em seu tempo. Bem, o Concerto para violino, violoncelo e piano (Triplo) em Dó Maior, Opus 56, foi escrito por Ludwig van Beethoven entre 1803 e 1805, sendo publicado em 1807 e estreado em Viena e, 1808. Trata-se do único concerto de Beethoven para mais de um instrumento solista. Já as aberturas são first choices nos inícios de concertos no mundo inteiro.
Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)
Concerto for Piano, Violin, and Cello in C, Op.56
1) 1. Allegro [17:48]
2) 2. Largo – attacca [5:50]
3) 3. Rondo alla Polacca [12:32]
Anne-Sophie Mutter
Mark Zeltser
Yo-Yo Ma
Berliner Philharmoniker
Herbert von Karajan
4) Music to Goethe’s Tragedy “Egmont” op.84 [8:21]
5) Overture “Coriolan”, Op.62 [9:00]
6) Overture “Fidelio”, Op.72c [6:55]
Este disco polonês consiste em uma agradável mistura de cantatas e peças instrumentais francesas que podem ser apreciadas como um concerto. Elas datam das três primeiras décadas do século XVIII, período entre a morte de Lully e a ascensão de Rameau, enorme compositor ainda subestimado. Esta combinação de compositores e a escolha do repertório oferecem um programa muito colorido e divertido. Com Clérambault, Montéclair e Rameau, a Cantata francesa atingiu uma espécie de apogeu, empurrando os limites de sua teatralidade e tornando-se cada vez mais operística. É como se estivéssemos num salão da Paris do século XVIII, numa tranquila tarde de verão, com a porta da sala de estar entreaberta e chegasse até nós um cheiro de perfume acompanhado do riso abafado das cortesãs e de sons de um violino virtuoso. Delícia.
Destaque para a faixa 22, a absurdamente linda e “ostinata” Sonnerie de Sainte Genevieve du Mont de Paris, de Marin Marais.
Cantates et Petits Macarons
1
Le Retour de la Paix: I. Vivement “Dans les maux qu’une afreuse guerre”
De Michel Pignolet de Monteclair
1:36
2
Le Retour de la Paix: II. Air “Pourquoi de la Parque inflèxible”
De Michel Pignolet de Monteclair
5:21
3
Le Retour de la Paix: III. Legèrement “O ciel! La fureur qui les guide”
De Michel Pignolet de Monteclair
1:20
4
Le Retour de la Paix: IV. Récitatif “Ah! quelle est mon erreur?”
De Michel Pignolet de Monteclair
0:25
5
Le Retour de la Paix: V. Lent et dètaché “Fille du ciel!”
De Michel Pignolet de Monteclair
3:14
6
Le Retour de la Paix: VI. Leger et doux “Mais quel èclat soudain!”
De Michel Pignolet de Monteclair
1:15
7
Le Retour de la Paix: VII. Récitatif “Discorde tes èforts”
De Michel Pignolet de Monteclair
1:32
8
Le Retour de la Paix: VIII. Air de Trompètes et de Musètes “Que les guerrieres trompètes”
De Michel Pignolet de Monteclair
2:05
9
L’Apothéose de Corelli in B Minor: I. Corelli au piéd du Parnasse prie les Muses de le Recevoir parmi elles
De François Couperin
2:06
10
L’Apothéose de Corelli in B Minor: II. Corelli charmé de la bonne réception qu’on lui fait au Parnasse, en marque Sa joye. Il continuë avec ceux qui L’accompagnen
De François Couperin
2:12
11
L’Apothéose de Corelli in B Minor: III. Corelli buvant à la Source D’hypocrêne. Sa Troupe Continuë
De François Couperin
1:55
12
L’Apothéose de Corelli in B Minor: IV. Enthouziasme de Corelli Causé par les eaux D’hypocrêne
De François Couperin
0:59
13
L’Apothéose de Corelli in B Minor: V. Corelli après son enthouziasme S’endort; et sa Troupe jouë le Sommeil suivant
De François Couperin
1:54
14
L’Apothéose de Corelli in B Minor: VI. Les Muses reveillent Corelli, Et le placent auprês d’Apollon
De François Couperin
0:43
15
L’Apothéose de Corelli in B Minor: VII. Remerciment de Corelli
De François Couperin
2:22
16
Le berger fidèle, RCT 24: “Prêt à voir immoler l’objet de sa tendresse” (Récitatif)
De Jean-Philippe Rameau
0:42
17
Le berger fidèle, RCT 24: “Diane , appaise ton courroux!” (Air plaintif)
De Jean-Philippe Rameau
4:31
18
Le berger fidèle, RCT 24: “Mais c’est trop me livrer à ma douleur mortelle” (Récitatif)
De Jean-Philippe Rameau
0:21
19
Le berger fidèle, RCT 24: “L’amour qui règne dans votre âme” (Air gai)
De Jean-Philippe Rameau
4:03
20
Le berger fidèle, RCT 24: “Cependant à l’autel le Berger se présente” (Récitatif)
De Jean-Philippe Rameau
0:58
21
Le berger fidèle, RCT 24: “Air vif et gracieux Charmant Amour, sous ta puissance”
De Jean-Philippe Rameau
4:14
22
Sonnerie de Sainte Genevieve du Mont de Paris
De Marin Marais
7:40
23
La Muse de l’Opera ou les caracteres lyriques: I. “Fort gravement” (Prelude)
De Louis-Nicolas Clerambault
0:41
24
La Muse de l’Opera ou les caracteres lyriques: II. “Mortels, pour contenter vos desirs curieux” (Récitatif)
De Louis-Nicolas Clerambault
0:30
25
La Muse de l’Opera ou les caracteres lyriques: III. “Au son des trompettes bruiantes” (Air gai)
De Louis-Nicolas Clerambault
4:26
26
La Muse de l’Opera ou les caracteres lyriques: IV. “Mais quel bruit interrompt ces doux amusements” (Tempeste)
De Louis-Nicolas Clerambault
2:03
27
La Muse de l’Opera ou les caracteres lyriques: V. “Non, les Dieux attendris” (Récitatif)
De Louis-Nicolas Clerambault
0:25
28
La Muse de l’Opera ou les caracteres lyriques: VI. “Oyseaux, qui sous ces feüillages” (Air fort tendrement)
De Louis-Nicolas Clerambault
2:44
29
La Muse de l’Opera ou les caracteres lyriques: VII. “Vos concerts heureux Oyseaux” (Sommeil)
De Louis-Nicolas Clerambault
2:03
30
La Muse de l’Opera ou les caracteres lyriques: VIII. “Mais quels novueaux accords dont l’horreur est extréme?” (Prelude infernal)
De Louis-Nicolas Clerambault
2:09
31
La Muse de l’Opera ou les caracteres lyriques: IX. “Ne craignons rien, un changement heureux” (Récitatif)
De Louis-Nicolas Clerambault
0:27
32
La Muse de l’Opera ou les caracteres lyriques: X. “Ce n’est qu’une belle chimere” (Air gay et piqué)
De Louis-Nicolas Clerambault
2:39
Natalia Kawalek, soprano
Il Giardino d’Amore
Stefan Plewniak
Não deixo por menos, estamos tratando de um dos maiores discos de jazz de todos os tempos. Aqui, o quarteto escandinavo de Jarrett dá uma notável demonstração de musicalidade e tesão, atacando diversas vertentes, desde o jazz tradicional até o free. O pianista domina a música, mas as intervenções de Garbarek são sempre preciosas, assim como o acompanhamento de Danielsson e Christensen também são notáveis. O álbum é muito convincente, uma ilustração do trabalho refinado de Jarrett com influências europeias da música clássica e folclórica .
Keith Jarrett: Nude Ants (Live At The Village Vanguard)
1 Chant Of The Soil 17:12
2 Innocence 8:15
3 Processional 20:33
4 Oasis 30:34
5 New Dance 12:57
6 Sunshine Song 12:03
Bass – Palle Danielsson
Drums, Percussion – Jon Christensen
Piano, Timbales, Percussion, Music By – Keith Jarrett
Tenor Saxophone, Soprano Saxophone – Jan Garbarek
Recorded May 1979 at the Village Vanguard, New York.
Originally released as double LP in 1980.
Atendendo a pedidos, nosso Serviço de Atendimento ao Chororô (SAC) disponibiliza links fresquíssimos para um belo álbum repleto da magistral Chaconne da Partita em Ré menor do Grande Pai Bach, em transcrições para piano (aquela célebre de Busoni, uma contemporânea de Lutz e a de Brahms para mão esquerda) e no original para violino solo. É daquelas obras que, na iminência do final do mundo, a gente desejaria colocar numa cápsula espacial para que se salve deste vale de lágrimas – e que muitos de nós outros, melômanos, certamente gostaríamos de ter nos ouvidos ao dele nos despedirmos. Uma tremenda gravação, acompanhada de uma das melhores resenhas jamais feitas pelo patrão PQP.
Vassily
POSTAGEM ORIGINAL DE PQP BACH EM 10/5/2012
Numa noite fria do século XVIII, Bach escrevia a Chacona da Partita Nº 2 para violino solo. A música partia de sua imaginação (1) para o papel (2), alternando-se com o violino (3), no qual era testada. Anos depois, foi copiada (4) e publicada (5). Hoje, o violinista lê a Chacona (6) e de seus olhos passa o que está escrito ao violino (9) utilizando para isso seu controverso cérebro (7) e sua instável, ou não, técnica (8). Do violino, a música passa a um engenheiro de som (10) que a grava em um equipamento (11), para só então chegar ao ouvinte (12), que se desmilingúi àquilo.
Na variação entre todas essas passagens e comunicações, está a infindável diversidade das interpretações. Mas ainda faltam elos, como a qualidade do violino – e se seu som for divino ou de lata, e se ele for um instrumento original ou moderno? E o calibre do violinista? E seu senso de estilo e vivências? E o ouvinte? E… as verdadeiras intenções de Bach? Desejava ele que o pequeno violino tomasse as proporções gigantescas e polifônicas do órgão? Mesmo?
E depois tem gente que acha chata a música erudita…
-=-=-=-=-
Este CD faz ainda pior. É um disco onde há três diferentes transcrições (13, 13 e 13) que foram para o papel (14), para o pianista, etc. As transcrições são muito boas.
E apenas uma certeza. Tudo muito bom, tudo muito bonito, mas a Chaconne foi mesmo escrita o VIOLINO. Quando Beyer entra, o sol aparece. É algo absurdamente luminoso, apesar de, ao que tudo indica, Bach tê-la escrito durante o luto pela morte de sua primeira esposa Maria Barbara e em honra a ela.
Bach – Busoni – Lutz – Brahms: Chaconne
1. Chaconne After Bach’s Partita for Violin Solo No. 2 in D Minor, BWV 1004 (Transcribed for Piano By Busoni) 15:47
2. Chaconne After Bach’s Partita for Violin Solo No. 2 in D Minor, BWV 1004 (Transcribed for Piano By Lutz) 15:18
3. Chaconne After Bach’s Partita for Violin Solo No. 2 in D Minor, BWV 1004 (Transcribed for Piano By Brahms) 15:28
4. Partita for Violin Solo No. 2 in D Minor, BWV 1004: V. Chaconne 13:58
Ludwig van Beethoven (Bonn, batizado em 17 de dezembro de 1770 — Viena, 26 de março de 1827).
Não há jeito, você vai ter de baixar esses cinco CDs e depois vai comprá-los. Eu pensei que a grande versão de Abbado fosse uma balela, mas não é não. Tenho de explicar umas coisinhas.
Claudio Abbado (1933-2014 — note que este post é, originalmente, de 2010) registrara um ciclo completo das Sinfonias de Beethoven com a Filarmônica de Berlim no ano de 2000. Não se saiu nada bem. Era uma versão opaca e desapaixonada, pecado mortal em Beethoven. Tinha coisas boas nas Sinfonias 1, 2, 4 e 9, mas, no geral, era um registro decepcionante, abaixo do esperado. Para surpresa geral, Abbado e a Filarmônica gravaram tudo de novo um ano mais tarde. A gravação foi feita em 2001 a partir de performances ao vivo em Roma (ah, as gravações ao vivo, sempre melhores…), mas com a Nona Sinfonia da versão de 2000.
Céus, como Abbado conseguiu evoluir em tão curto espaço de tempo! A música respira e vive como nunca. É um TRIUNFO ESPETACULAR. No encarte, o maestro fala sobre o desenvolvimento de uma visão compartilhada com a orquestra. Isso é facilmente perceptível. Onde havia uma orquestra tocando notas, um ano depois havia sentido, direção e uma emoção arrasadora.
O que distingue esse conjunto de quase todos os outros ciclos completos é sua notável coerência. Não há falhas ou partes em que o ouvinte tenha de ser indulgente. O estilo está em consonância com o mainstream de nossos dias — tocada por instrumentos modernos, mas com texturas transparentes e tempos animados, Abbado revela detalhes expressivos com pertinência e permite que a música se desdobre esplendidamente.
Há muitos concorrentes — quem não sabe? — , mas se você estiver procurando por um ciclo completo das Sinfonias de Beethoven, fique sabendo que Abbado não é somente uma das principais recomendações, como uma first choice. Em minha opinião, nunca estas obras soaram tão espontâneas. Não seja besta de não ouvir.
Oh, sim. Histórias e mais histórias: Abbado sofreu um boicote aberto dos músicos da Filarmônica de Berlim. Sua forma de trabalho não lhes agradava. Abateu-se muito e ficou doente (verdade, quase morreu). O auge da crise foi entre 1998 e 2000. A lenda conta que os músicos, sentindo-se culpados, quiseram dar-lhe o maior Beethoven possível, pois, além de mal de saúde, ele estava deprimido, em vias de ser substituiído por Simon Rattle, por exigência dos músicos amotinados. Esta é a lenda. Acredite se quiser. Só sei de uma coisa, o resultado foi verdadeiramente ESPANTOSO. O lançamento da versão romana de 2001 ocorreu em 2008. É este o registro que PQP Bach apresenta a seus amados e detestáveis leitores-ouvintes.
Beethoven: Integral das Sinfonias
Disc: 1
1. Symphony No. 1 in C major, Op. 21: 1. Adagio molto – Allegro con brio
2. Symphony No. 1 in C major, Op. 21: 2. Andante cantabile con moto
3. Symphony No. 1 in C major, Op. 21: 3. Menuetto. Allegro molto e vivace – Trio
4. Symphony No. 1 in C major, Op. 21: 4. Finale. Adagio – Allegro molto e vivace
5. Symphony No. 3 in E flat major (‘Eroica’), Op. 55: 1. Allegro con brio
6. Symphony No. 3 in E flat major (‘Eroica’), Op. 55: 2. Marcia funebre. Adagio assai
7. Symphony No. 3 in E flat major (‘Eroica’), Op. 55: 3. Scherzo. Allegro vivace – Trio
8. Symphony No. 3 in E flat major (‘Eroica’), Op. 55: 4. Finale. Allegro molto – Poco Andante – Presto
Disc: 2
1. Symphony No. 2 in D major, Op. 36: 1. Adagio – Allegro con brio
2. Symphony No. 2 in D major, Op. 36: 2. Larghetto
3. Symphony No. 2 in D major, Op. 36: 3. Scherzo. Allegro – Trio
4. Symphony No. 2 in D major, Op. 36: 4. Allegro molto
5. Symphony No. 4 in B flat major, Op. 60: 1. Adagio – Allegro vivace
6. Symphony No. 4 in B flat major, Op. 60: 2. Adagio
7. Symphony No. 4 in B flat major, Op. 60: 3. Allegro molto e vivace – Trio. Un poco meno allegro
8. Symphony No. 4 in B flat major, Op. 60: 4. Allegro ma non troppo
Disc: 3
1. Symphony No. 5 in C minor (‘Fate’), Op. 67: 1. Allegro con brio
2. Symphony No. 5 in C minor (‘Fate’), Op. 67: 2. Andante con moto
3. Symphony No. 5 in C minor (‘Fate’), Op. 67: 3. Allegro
4. Symphony No. 5 in C minor (‘Fate’), Op. 67: 4. Allegro – Presto
5. Symphony No. 6 in F major (‘Pastoral’), Op. 68: 1. Angenehme, heitere Empfindungen, welche bei der Ankunft auf dem Lande im Menschen
6. Symphony No. 6 in F major (‘Pastoral’), Op. 68: 2. Szene am Bach. Andante molto moto
7. Symphony No. 6 in F major (‘Pastoral’), Op. 68: 3. Lustiges Zusammensein der Landleute. Allegro
8. Symphony No. 6 in F major (‘Pastoral’), Op. 68: 4. Donner. Sturm. Allegro
9. Symphony No. 6 in F major (‘Pastoral’), Op. 68: 5. Hirtengesang. Wohltätige, mit Dank an die Gottheit verbundene Gefühle nach dem Stu
Disc: 4
1. Symphony No. 7 in A major, Op. 92: 1. Poco sostenuto – Vivace
2. Symphony No. 7 in A major, Op. 92: 2. Allegretto
3. Symphony No. 7 in A major, Op. 92: 3. Presto
4. Symphony No. 7 in A major, Op. 92: 4. Allegro con brio
5. Symphony No. 8 in F major, Op. 93: 1. Allegro vivace e con brio
6. Symphony No. 8 in F major, Op. 93: 2. Allegretto scherzando
7. Symphony No. 8 in F major, Op. 93: 3. Tempo di Menuetto
8. Symphony No. 8 in F major, Op. 93: 4. Allegro vivace
Disc: 5
1. Symphony No. 9 in D minor (‘Choral’), Op. 125: 1. Allegro ma non troppo e un poco maestoso
2. Symphony No. 9 in D minor (‘Choral’), Op. 125: 2. Scherzo: Molto vivace – Presto
3. Symphony No. 9 in D minor (‘Choral’), Op. 125: 3. Adagio molto e cantabile – Andante moderato
4. Symphony No. 9 in D minor (‘Choral’), Op. 125: 4. Presto – Allegro assai
5. Symphony No. 9 in D minor (‘Choral’), Op. 125: 4. Presto – O Freunde, nicht diese Töne! – Allegro assai – Allegro assai vivace
Claude-Achille Debussy (Saint-Germain-en-Laye, 22 de Agosto de 1862 — Paris, 25 de Março de 1918)
IM-PER-DÍ-VEL !!!
Eu sei quem estou envolvendo quando digo isso, mas é minha opinião: Maurizio Pollini é o melhor pianista de toda a era das gravações. Dito isto, completo o post explicando que o legendário pianista comemora na DG o ano do centenário de morte de Debussy com o álbum que inclui os Préludes II e En blanc et noir, o último gravado em duo com seu filho Danielle. Há vinte anos, Maurizio Pollini gravou o primeiro livro dos Préludes, investindo anos de experiência em suas dúzias de peças. É o estilo de Pollini. Ele passou 40 anos até gravar todas as Sonatas de Beethoven, até dar a cada uma delas maturidade sob suas mãos. Préludes II deve ficar entre as homenagens mais significativos a Debussy, um século após sua morte.
Claude Debussy (1862-1918): Préludes II (2018)
01. Debussy: Préludes-Book 2, L.123-1. Brouillards
02. Debussy: Préludes-Book 2, L.123-2. Feuilles mortes
03. Debussy: Préludes-Book 2, L.123-3. La puerta del vino
04. Debussy: Préludes-Book 2, L.123-4. Les fées sont d’exquises danseuses
05. Debussy: Préludes-Book 2, L.123-5. Bruyères
06. Debussy: Préludes-Book 2, L.123-6. General Lavine-eccentric
07. Debussy: Préludes-Book 2, L.123-7. La terrasse des audiences du clair de lune
08. Debussy: Préludes-Book 2, L.123-8. Ondine
09. Debussy: Préludes-Book 2, L.123-9. Hommage à S. Pickwick, Esq., P.P.M.P.C.
10. Debussy: Préludes-Book 2, L.123-10. Canope
11. Debussy: Préludes-Book 2, L.123-11. Les tierces alternées
12. Debussy: Préludes-Book 2, L.123-12. Feux d’artifice
13. Debussy: En blanc et noir, L.134-1. Avec emportement
14. Debussy: En blanc et noir, L.134-2. Lent. Sombre
15. Debussy: En blanc et noir, L.134-3. Scherzando
Personnel:
Maurizio Pollini, piano
Daniele Pollini, piano
Este disco é chamado de “Silêncio dos Balcãs”, mas na verdade é o registro dos sons e do ritmo dos Bálcãs e da Geórgia. O álbum foi gravado ao vivo em Tessalônica, Grécia, em 30 de dezembro de 1997. Foi o espetáculo final da cidade como Capital Europeia da Cultura de 1997. Na apresentação da última música, 3 crianças (uma da Sérvia, uma muçulmana e uma do Croata) de um orfanato em Sarajevo, pedem paz. Funções ao vivo de: Orquestra Municipal de Tessalônica (47 membros), o Coro de Tessalônica (50), 4 cantoras búlgaros que trabalham com Bregović em todas as suas apresentações, o conjunto de dança búlgaro ‘Filip Kutev’), 45 dançarinas da Grécia, uma grupo polifônico da Albânia, o cantor da ex-Iugoslávia Zdravko Čolić, o grupo de Aristidis Moshos, etc. Ou seja, foi um super show que não conseguiu sufocar a bela música deste artista filho de um croata e de uma sérvia, casado com uma muçulmana, que teve sua casa destruída durante a guerra. Ele só lamenta o incêndio de sua biblioteca:
Com a guerra perdi tudo e também minha biblioteca. Podes começar tua vida duas vezes, mas não podes começar duas vezes uma biblioteca.
9 Babylon 6:08
Choir – Choir Of Thessaloniki
Orchestra – Symphonic Orchestra Of The Municipality Of Thessaloniki
Orchestrated By – Ana Mihailovic*
Vocals – Projekt Jon
10 Green Thought 6:48
Lyrics By – Andrew Marvell
Performer – Aristidis Moschos & His Orchestra
Vocals – Lena Jinnegren, Kostas Mantzopoulos*
Este é o segundo álbum que Towner fez para a ECM. É de 1973 e eu lhe daria 3 estrelas em 5. Não chega ao nível de outros posteriores, mas é bom. Insere-se naquela tendência de vanguarda de certos trabalhos da gravadora de Manfred Eicher. Ainda é muito free jazz — talvez seja ainda mais ECM style –, com Towner revezando-se nos instrumentos em temas muitas vezes desprogramados. Não é o seu melhor trabalho, mas é o início de uma série de registros fantásticos que Towner continuaria a liberar através da ECM ao longo das décadas e até os dias de hoje. Altamente recomendado para fãs de música instrumental. O cara toca mesmo.
Geminiani é um compositor curioso. Sempre o achei o menos italiano dos italianos. Assim como Vivaldi, Corelli e tantos outros barrocos, é um compositor de alta categoria, mas não é tão luminoso, mais parece um francês, talvez alemão. Ou… Quem sabe? Bem, o fato é que Geminiani mudou-se de mala e cuia para Londres em 1715 e lá ficou até morrer, ou seja, residiu em Londres por 47 anos. Será este o segredo? Bem, o que eu posso dizer é que gosto muito de sua música e o Ensemble 415, sob a direção de Chiara Banchini, dá tratamento de luxo a ela. É um excelente álbum duplo. Dá gosto de ouvir.
Francesco Geminiani (1687-1762): 12 Concerti Grossi composti sull’opera V d’Arcangelo Corelli
Concerto No. 1 En Ré Majeur / D Major / D Dur
Soloist – Chiara Banchini, Stéphanie Pfister*
(9:24)
1-1 Allegro (Grave, Allegro, Adagio, Grave, Allegro, Adagio)
1-2 Allegro
1-3 Largo
1-4 Allegro
Concerto No. 2 En Si Bémol Majeur / B-flat Major / B Dur
Soloist – Helena Zemanová, Odile Édouard*
(9:33)
1-5 Grave
1-6 Allegro
1-7 Vivace
1-8 Adagio
1-9 Vivace
Concerto No. 3 En Do Majeur / C Major / C Dur
Soloist – David Plantier, Odile Édouard*
(9:33)
1-10 Adagio
1-11 Allegro
1-12 Adagio
1-13 Allegro
Concerto No. 4 En Fa Majeur / F Major / F Dur
Soloist – Olivia Centurioni, Stéphanie Pfister*
(10:21)
1-14 Adagio
1-15 Allegro
1-16 Vivace
1-17 Adagio
1-18 Allegro
Concerto No. 5 En Sol Mineur / G-minor / G Dur
Soloist – Chiara Banchini, David Plantier
(8:40)
1-19 Adagio
1-20 Vivace
1-21 Adagio
1-22 Allegro
Concerto No. 6 En La Majeur / A Major / A Dur
Soloist – David Plantier, Olivia Centurioni
(8:40)
1-23 Adagio
1-24 Allegro
1-25 Adagio
1-26 Allegro
Concerto No. 7 En Ré Mineur / D Minor / D Dur
Soloist – David Plantier, Olivia Centurioni
(8:23)
2-1 Preludio
2-2 Corrente (Allegro)
2-3 Sarabanda (Largo)
2-4 Giga (Allegro)
Concerto No. 8 En Mi Mineur / E Minor / E Moll
Soloist – Chiara Banchini, Stéphanie Pfister*
(10:30)
2-5 Preludio (Largo)
2-6 Allemanda (Allegro)
2-7 Srabanda (Largo)
2-8 Giga (Allegro)
Concerto No. 9 En La Majeur / A Major / A Dur
Soloist – David Plantier, Olivia Centurioni
(9:58)
2-9 Preludio (Largo)
2-10 Giga (Allegro)
2-11 Adagio
2-12 Gavotta (Allegro)
Concerto No. 10 En Fa Majeur / F Major / F Dur
Soloist – David Plantier, Olivia Centurioni
(9:55)
2-13 Preludio (Adagio)
2-14 Allemanda (Allegro)
2-15 Sarabanda (Largo)
2-16 Gavotta (Allegro)
2-17 Giga (Allegro)
Concerto No. 11 En Mi Majeur / E Major E Dur
Soloist – David Plantier, Olivia Centurioni
(7:42)
2-18 Preludio
2-19 Allegro
2-20 Adagio
2-21 Vivace
2-22 Gavotta (Allegro)
2-23 Concerto No. 12 En Ré Mineur / D Minor / D Dur “Follia”
Soloist – Chiara Banchini, Stéphanie Pfister*
11:33
Ensemble 415
Cello – Hendrike Ter Brugge
Cello [Concertino] – Gaetano Nasillo
Contrabass – Michaël Chanu
Harpsichord, Organ – Andrea Marchiol
heorbo, Guitar – Evangelina Mascardi
Viola – Martine Schnorhk
Viola [Concertino] – Andreas Torgersen
Violin – David Plantier, Helena Zemanová, Odile Edouard, Olivia Centurioni, Stéphanie Pfister*
Violin, Viola – Birgit Goris
Violin, Directed By – Chiara Banchini
Gravado a partir de um concerto realizado em Londres do ano passado (2017), este disco entrelaça o Partita Nº 2 para Violino Solo de Bach com uma seleção de corais funerários de nosso Pai, seguido de uma performance do Réquiem de Fauré. A colocação da Partita e de sua Chaconne é inspirada pela teoria acadêmica atual de que esta peça seria um memorial escondido para sua falecida primeira esposa, Maria Barbara. A obra que representaria o luto de Bach. O coral e o solista, o spalla da LSO, Gordan Nikolitch, se reúnem na grande Chaconne, com um efeito desafiador e atraente. O experimento é fascinante. O Réquiem de Fauré, acompanhado sensivelmente pelo LSO Chamber Ensemble, é executado calorosamente, de forma uma só vez urgente e serena. Um disco excelente.
Johann Sebastian Bach (1685-1750)
1 Ach Herr, lass dein lieb Engelein (Part 2 No 40, Chorale of St John Passion, BWV245)[2’09]
2 Allemanda (Movement 1 of Partita No 2 in D minor, BWV1004)[3’29]
3 Corrente (Movement 2 of Partita No 2 in D minor, BWV1004)[2’10]
4 Christ lag in Todesbanden (Versus 1 of Christ lag in Todesbanden, BWV4)[1’19]
5 Sarabanda (Movement 3 of Partita No 2 in D minor, BWV1004)[3’32]
6 Den Tod niemand zwingen kunnt (Versus 2 of Christ lag in Todesbanden, BWV4)[1’22]
7 Giga (Movement 4 of Partita No 2 in D minor, BWV1004)[3’03]
8 Wenn ich einmal soll scheiden (No 62, Chorale of St Matthew Passion, BWV244) [1’23]
Tenebrae, Nigel Short (conductor)
9 Ciaccona (Movement 5 of Partita No 2 in D minor, BWV1004)[13’08]
Gordan Nikolitch (violin)
Tenebrae, Nigel Short (conductor)
Gabriel Fauré (1845-1924) Requiem Op 48 [36’40]
10 Introït et Kyrie Requiem aeternam dona eis, Domine [6’35]
11 Offertoire O Domine Jesu Christe [8’15]
William Gaunt (bass)
12 Sanctus [3’33]
13 Pie Jesu [3’32]
Grace Davidson (soprano)
14 Agnus Dei [6’17]
15 Libera me [4’53]
William Gaunt (bass)
16 In paradisum [3’35]
Tenebrae
London Symphony Orchestra Chamber Ensemble
Nigel Short (conductor)
Uma gravação de referência. Uma first choice indiscutível. Bem, os nomes dizem tudo. É a soma de Martha Argerich + Claudio Abbado + Orquestra Filarmônica de Berlim. Quer mais? E, para completar, além do Concerto Nº 1 para Piano e Orq de Tchai, ainda temos uma versão matadora da Quebra-Nozes para dois pianos. É impossível fazer isso, mas se você esquecer de Martha e tentar ouvir apenas a orquestra, notará o super envolvimento de Abbado para criar as melhores respostas à pianista. Sem dúvida, o casal conseguiu um dos principais registros do mais importante dos concertos para piano do velho Tchai. Eles quiseram e sabiam que podiam fazer isso, é óbvio. E fizeram.
Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840-1893): Piano Concerto No. 1 / The Nutcracker Suite for two pianos
Piano Concerto No.1 In B Flat Minor, Op.23
1 1. Allegro Non Troppo E Molto Maestoso – Allegro Con Spirito
2 2. Andantino Semplice – Prestissimo – Tempo I
3 3. Allegro Con Fuoco
The Nutcracker Op. 71a
4 Andante Giusto
5 Marche: Tempo Di Marcia Viva
6 Danse de la Fée Dragée: Andante Non Troppo
7 Danse Russe Trépak: Tempo di Trepak, Molto Vivace
8 Danse Arabe: Allegretto
9 Danse Chinoise: Allegro Moderato
10 Danse Des Mirlitons: Moderato Assai
11 Tempo Di Valse
Martha Argerich, piano
Nicolas Economou, no segundo piano na Quebra Nozes
Berlin Philharmonic Orchestra
Claudio Abbado
Gente, o Oregon existe até hoje, ainda fazendo grande música. Em 2017, lançou Lantern, seu 30º álbum! Existem desde 1970 e este é seu fenomenal álbum de estreia, de 1973. Numa primeira audição, este trabalho parece um álbum datado, viajante, psicodélico, de jovens jazzistas perturbados pela força daqueles anos. Depois, você ouve novamente e se dá conta que a coisa é mais profunda. Já de cara eles conseguiram um bom equilíbrio entre as tradições musicais do Leste (não esqueçam que a Índia estava ultra na moda) e do Oeste e este transculturalismo podia ficar uma merda, mas aqui funciona bem. O Oregon é inacreditável também por outro motivo: seus membros sempre mantiveram importantes carreiras solo. De certa forma, o Oregon sempre esteva em segundo plano na vida de Towner e Walcott, por exemplo. Mas… Quando se ouve o grupo, parece que não pode dar certo. Oboé, corne inglês? O baixista também toca piano? Só que a coisa sempre rola esplendidamente.
Oregon – Music of Another Present Era (1973)
1. North Star
2. The Rough Places Plain
3. Sail
4. At the Hawk’s Well
5. Children of God
6. Opening
7. Naiads
8. Shard / Spring Is Really Coming
9. Bell Spirit
10. Baku the Dream Eater
11. The Silence of a Candle
12. Land of Heart’s Desire
13. The Swan
14. Touchstone
Oregon:
Ralph Towner – guitar
Collin Walcott – percussion, violin, sitar, tabla
Glen Moore – bass, flute, piano, guitar (bass)
Paul McCandless – horn (English), oboe
Estou renovando esse link por considerar injusto que este magnífico registro ao vivo deste trio não esteja disponível. Talvez seja o CD deles que mais tenha ouvido naquele momento de minha vida que comentei em postagem anterior. Novamente peço para os senhores ouvirem com fone de ouvido para melhorem captar os detalhes e nuances. PQPBach detalhou suas faixas favoritas na postagem, lamento mas gosto tanto deste CD que não consigo encontrar melhores momentos. O considero perfeito demais.
FDPBach
Hoje é sexta-feira e troquei a postagem de um vetusto Buxtehude por esse bom álbum duplo de standards do trio de Jarrett. Dentre os CDs de standards feitos pelo trio, este é o que mais gosto. Tem uma atmosfera alegre e despreocupada de artistas divertindo-se no auge de suas possibilidades. Não há drama e nem se nota sombra da doença que Jarrett já havia contraído na época, a Síndrome de Fadiga Crônica. Gosto de várias faixas: Poinciana, Whisper Not, Groovin’ High, What Is This Thing Called Love?, Prelude To A Kiss e até da muitíssimo gravada ‘Round Midnight, que aqui recebe boa versão. Enjoy!
Keith Jarret – Whisper not (live in Paris 1999)
Disc 1
1. Bouncing With Bud 7:31
2. Whisper Not 8:04
3. Groovin’ High 8:29
4. Chelsea Bridge 9:46
5. Wrap Your Troubles In Dreams 5:46
6. ‘Round Midnight 6:43
7. Sandu 7:26
Disc 2
1. What Is This Thing Called Love? 12:22
2. Conception 8:07
3. Prelude To A Kiss 8:14
4. Hallucinations 6:34
5. All My Tomorrows 6:22
6. Poinciana 9:09
7. When I Fall In Love 8:06
Bem, nem vou falar muito do repertório deste CD — vou logo dizendo que é sublime, fantástico, impecável, irrepreensível. Yo-Yo Ma, seu excelente e constante colaborador Emanuel Ax e o violinista Leonidas Kavakos são grandes estrelas e este álbum duplo seria um campeão não fosse o maravilhoso e redondo registro do Beaux Arts Trio, que insiste em não desgrudar de nossos ouvidos. Por outro lado, sigo achando que, no mundo, há poucas coisas mais belas do que o Trio Nº 1. Gosto tanto dele que chego a esquecer do Beaux Arts por alguns momentos. Imaginem que Brahms o escreveu aos 20 anos… De qualquer forma, trata-se um extraordinário registro, que merece estar ao lado da gravação do Wanderer Trio.
De qualquer forma, vai um IM-PER-DÍ-VEL !!! para o trio.
Johannes Brahms (1833-1897): Os Trios para Piano
Disc 1:
Piano Trio No. 2 in C Major, Opus 87
1 Allegro
2 Andante con moto
3 Scherzo: Presto
4 Finale: Allegro giocoso
Disc: 2
Piano Trio No. 3 in C Minor, Opus 101
1 Allegro energico
2 Presto non assai
3 Andante grazioso
4 Allegro molto
Piano Trio No. 1 in B Major, Opus 8
5 Allegro con brio
6 Scherzo: Allegro molto
7 Adagio
8 Finale: Allegro
Leonidas Kavakos, violino
Emanuel Ax, piano
Yo-Yo Ma, violoncelo
É raríssimo encontrar um disco com 5 compositores jamais postados por nosso seminal, incontornável, fundamental e basilar blog. Afinal, temos 1500 compositores por aqui! Mas aconteceu e o CD é muito bom. Os nomes dos autores são quase desconhecidos, mas isso é porque o repertório de Nápoles, para além da ópera, permanece quase desconhecido em geral. É estranho, mas os musicólogos preferem gastar o dinheiro de suas bolsas em Florença ou Veneza… Nápoles sempre foi um local belíssimo, quente e algo caótico, talvez os estudiosos prefiram locais mais tranquilos, sei lá. O que nós podemos dizer é que a música é tipicamente italiana e é muito boa. O Auser Musici é excelente e o som é aquela coisa gostosamente antiga e historicamente informada.
Mayo / Jommelli / Palella / Rava / Prota: Concertos Napolitanos para Flauta
Giuseppe de Majo (1697-1771)
Flute Concerto In G Major 12:25
1 Allegro 4:10
2 Adagio E Arioso 3:16
3 Allegro 4:58
Gennaro Rava (died 1779)
Flute Concerto In B Minor 11:22
4 Allegro 4:15
5 Largo 4:08
6 Spiritoso 2:58
Tommaso Prota (?1727-after 1768)
Flute Concerto In C Major 7:54
7 Allegro Spiritoso 2:18
8 Largo 3:41
9 Allegro 1:53
Niccolò Jommelli (1714-1774)
Flute Concerto In D Major 13:14
10 Allegro 3:51
11 Largo 4:21
12 Allegro 5:01
Antonio Palella (1692-1761)
Flute Concerto No 2 In G Major 13:54
13 Allegro 3:56
14 Largo 3:53
15 Allegro Stretto 6:04
Este é um LP digitalizado que mostra os primórdios do grande Egberto Gismonti. É seu disco de estreia. Egberto completará 71 anos em 2018 e este disco chegará aos 49. É claro que é um trabalho que apenas interessa a fãs. É o disco de um menino. Sofre de um extravasamento de sinceridade que o torna muito claro para os aficionados e mais obscuro para o público. Aqui está principalmente o violonista e o cantor, ainda oscilando entre o puramente instrumental e o cantado. Há muita coisa boa e, bem, como Gismonti se desenvolveu! É claro que os arranjos são datados, que Gismonti praticamente deixou de cantar, que depois o piano entrou de vez em sua vida para conviver com o violão, que ele ganhou um raro verniz internacional, que fez – aos montes — CDs estupendos, mas tudo isso já está aqui latente, basta ouvir com carinho. Vale a audição, e como!
Egberto Gismonti (1969)
A1 Salvador 3:40
A2 Tributo A Wes Montgomery 3:20
A3 Pr’um Samba 3:05
A4 Computador 3:10
A5 Atento, Alerta 3:17
A6 Lírica II (Pra Mulher Amada) 1:35
B1 O Gato 3:40
B2 Um Dia 3:15
B3 Clama-Claro 2:00
B4 Pr’um Espaço 2:40
B5 O Sonho 4:20
B6 Estudo N.o 5 2:00
Deixarei este CD a cargo do Departamento de Polêmicas. As escolhas tomadas pela notável violinista Patricia Kopatchinskaja (diz-se Copatchínscaiá) foram bem estranhas. No Ravel, a dança cigana não acelera — ou acelera e trava, acelera e trava –, o Bartók é muito pessoal… Não gostei tanto quanto poderia. Mas amo ver Kopatchinskaja no YouTube e fico pensando se sua magnética presença cênica não esconde certo descuido. Quando vemos Janine Jansen é uma coisa esplêndida. Ela é linda e toca demais. Quando apenas a ouvimos, notamos seu grande esmero nos detalhes e ela permanece. E a moldava? Parece que do vídeo para o áudio algo se perdeu. Mas Patricia é uma gênia e mantenho minha enorme admiração por ela. O problema deve ser eu. Ouçam!
Poulenc / Delibes / Bartók / Ravel: Deux (peças para violino e piano)
Francis Poulenc
1 Violin Sonata, FP 119: I. Allegro con fuoco
2 Violin Sonata, FP 119: II. Intermezzo. Très lent et calme
3 Violin Sonata, FP 119: III. Presto tragico
Léo Delibes
4 Coppélia: No. 2, Waltz (Arr. E. Dohnányi for Piano)
Béla Bartók
5 Violin Sonata No. 2, Sz. 76: I. Molto moderato
6 Violin Sonata No. 2, Sz. 76: II. Allegretto
Maurice Ravel
7 Tzigane, M. 76
Patricia Kopatchinskaja, violino
Polina Leschenko, piano
Este disco é extremamente agradável: Barbara Bonney é uma notável cantora e a música de boa qualidade. Franz Xaver Wolfgang Mozart (Viena, 26 de julho de 1791 – Karlsbad, 29 de julho de 1844) nasceu aproximadamente 5 meses antes da morte de seu pai, Wolfgang Amadeus. Foi compositor e maestro, Sua obra seguiu o estilo maduro do mais importante membro da família. Papai Wolfgang Amadeus teve seis filhos com sua esposa Constanze, mas só dois chegaram à adolescência, Franz Xaver Wolfgang e Karl Thomas. Nosso heroi sempre foi chamado de Wolfgang pela família. Ele recebeu excelente instrução musical de Antonio Salieri e Johann Nepomuk Hummel, e estudou composição com Johann Georg Albrechtsberger e Sigismund von Neukomm. Aprendeu a tocar piano e violino. Como seu pai, ele começou a compor em uma idade precoce. Em abril de 1805, Wolfgang Mozart, aos treze anos de idade, estreou em Viena em um concerto no Theatre an der Wien. Vale a pena conhecer o moço.
Franz Xaver Mozart (1791-1844): The Other Mozart – The Songs
Sechs Lieder (?1809)
1 Das liebende Mädchen 1:55
2 An spröde Schönen 1:32
3 Nein! 2:03
4 Der Schmetterling auf einem Vergissmeinnicht 1:11
5 Klage an den Mond 1:33
6 Erntelied 1:19
7 In der Väter Hallen ruht, Op.12 (Romanze) 8:14
Acht Deutsche Lieder (1810)
8 Die Einsamkeit 1:16
9 Das Klavier 1:47
10 Der Vergnügsame 1:00
11 Aus den Griechischen 0:59
12 Todtengräberlied 2:11
13 Mein Mädchen 1:27
14 Maylied 1:43
15 Das Geheimniss 2:20
16 Ständchen 2:18
17 An Emma (Weit in nebelgraue Ferne), Op.24 3:30
Sechs Lieder, Op.21 (1820)
18 Aus dem Französischen des J.J.Rousseau 2:35
19 Seufzer 1:08
20 Die Entzückung 1:18
21 An Sie 2:37
22 An die Bäche 2:33
23 Le Baiser 2:39
Drei Deutsche Lieder, Op.27 (1820)
24 An den Abendstern 4:33
25 Das Finden 2:57
26 Bertha’s Lied in der Nacht 2:29
27 Erinnerung (1829) 1:56
Soprano Vocals – Barbara Bonney
Piano – Malcolm Martineau
Creio que esta seja a segunda abordagem do letão Andris Nelsons às Sinfonias de Bruckner na DG. A primeira foi esta aqui, não? Nelsons é um fenômeno. Aos 39 anos, é diretor artístico da Sinfônica de Boston e da Leipzig Gewandhaus. Já foi chefe da CBSO (City of Birmingham Symphony Orchestra). Vi-o em Londres na Sinfonia Nº 9 de Bruckner e num Concerto de Mozart com Paul Lewis ao piano. O que dizer além do óbvio? A qualidade de seu trabalho é realmente muito alta e ele está destinado ao Olimpo da regência, sem dúvida. Será uma lenda, afirmo-lhes hoje. E, humildemente, digo que temos algo em comum: o amor à Bruckner e Shostakovich. Sua “Romântica” é arrebatadora, a orquestra da Gewandhaus é esplêndida e ainda tem a esposa de meu amigo Guilherme Conte, Julia Lindner, nas violas, o que dá um curioso toque de amizade a tudo. Nunca incomodei Julia, mas poderia lhe perguntar sobre o ambiente da gravação, dos concertos e sobre o clima criado por este grande artista da regência. Bem, esta sinfonia é a composição mais popular de Bruckner. Foi escrita em 1874 e, como sempre no caso de Bruckner, revisada várias vezes. A estreia ocorreu em 1881 com Hans Richter em Viena. Foi muito bem sucedida. A palavra “Romântica” foi usada pelo próprio compositor e não se refere ao amor romântico mas sim ao romance medieval tal como nas óperas Siegfried e Lohengrin de Richard Wagner. Aliás, não é casual que o CD abra com o Prelúdio de Lohengrin.
Richard Wagner (1813 – 1883)
Lohengrin, WWV 75
1. Prelude To Act I 9:17
Anton Bruckner (1824 – 1896) Symphony No.4 In E Flat Major – “Romantic”, WAB 104 Version 1878/1880
2. 1. Bewegt, nicht zu schnell 19:55
3. 2. Andante quasi allegretto 17:17
4. 3. Scherzo (Bewegt) – Trio (Nicht zu schnell. Keinesfalls schleppend) 10:54
5. 4. Finale (Bewegt, doch nicht zu schnell) 22:02
Um belo CD. Se você não é familiarizado com a música de Clara Schumann, esta coleção de obras para piano solo e de câmara fornece uma boa visão geral de quem era a esposa de Robert Schumann e possível amante de Brahms. A pianista Micaela Gelius é muito boa intérprete e enfatiza a poesia da música ao invés de cintilar vaidosamente como costumam fazer os intérpretes de Rachmaninov. Ela parece Arrau tocando Bobby Schumann.
Da mesma forma, Gelius e seus colegas chegam a um desempenho soberbo no Trio. O violinista Sreten Krstic é especialmente bom e isto já se nota nos Romances. É boa música romântica. E honesta.
Clara Wieck Schumann (1819-1896): Piano and Chamber Music
Eu uso muito este CD. Ou usamos muito. Sempre dá certo. Acaba em sexo. É absolutamente matador. Abrace já nas primeiras notas. Se você não conseguir chegar lá é porque é ruim demais. FAÇA A EXPERIÊNCIA E CONTE-NOS O RESULTADO. Os veteranos Jarrett e Haden… Olha, este Jasmine é uma coisa maravilhosa, cheia de charme e musicalidade. São mais de 60 minutos de interpretações sublimes e maduras. Se não serve para trepar, para alguma coisa a idade serve, né? Mas agora o viagra emparelhou tudo, né? Bem, são grandes canções do repertório norte-americano que recebem tratamento luxuoso. Ouçam e usem porque vale a pena.
Keith Jarrett escreveu na contracapa:
Call your wife or husband or lover in late at night and sit down and listen. These are great love songs played by players who are trying, mostly, to keep the message intact. I hope you can hear it the way we did.
Exatamente! É uma maravilha, música pura tocada entre amigos no bom e velho piano do home studio de Keith Jarrett.
Keith Jarrett e Charlie Haden: Jasmine
1. For All We Know 9:46
2. Where Can I Go Without You 9:20
3. No Moon At All 4:40
4. One Day I’ll Fly Away 4:15
5. I’m Gonna Laugh You Right Out Of My Life 12:09
6. Body And Soul 11:09
7. Goodbye 8:01
8. Don’t Ever Leave Me 3:11
Tenho um velho vinil de Glenn Gould interpretando peças para piano de Sibelius. São peças que não gritam pra gente “Me ouça, me ouça!”, mas que são interessantes para quem se dedica a ouvi-las. Creio que gostei mais do disco de Gould, mas Andsnes vai muito bem também. Talvez a seleção do canadense tenho sido melhor do que a do norueguês. Acho que vale a pena ouvir este compositor que quase todo mundo pensa só ter escrito para orquestra. O finlandês bebum e deprimido era bom mesmo e vale a pena conhecê-lo melhor.
Jean Sibelius (1865-1957): Peças para Piano
1 6 Impromptus, Op. 5: Impromptu V 3:51
2 6 Impromptus, Op. 5: Impromptu VI 6:09
3 Kyllikki – Three Lyrical Pieces for Piano, Op. 41: I. Largamente 3:11
4 Kyllikki – Three Lyrical Pieces for Piano, Op. 41: II. Andantino 4:22
5 Kyllikki – Three Lyrical Pieces for Piano, Op. 41: III. Commodo 2:50
6 10 Pieces for Piano, Op. 24: Romance, No. 9 3:52
7 10 Pieces for Piano, Op. 24: Barcarola, No. 10 4:25
8 10 Pieces for Piano, Op. 58: Der Hirt, No. 4 2:23
20 Fünf Skizzen, Op. 114: I. Landschaft 1:48
21 Fünf Skizzen, Op. 114: II. Winterbild 1:48
22 Fünf Skizzen, Op. 114: III. Der Teich 1:39
23 Fünf Skizzen, Op. 114: IV. Lied im Walde 1:48
24 Fünf Skizzen, Op. 114: V. Im Frühling 2:05
Platti tem a honra de estrear no PQP Bach. Não é pouca coisa para um menino nascido em Pádua (Padova) em 1697. Sua música não é de primeira linha, é apenas razoável, motivo pelo qual ele está meio fora do repertório barroco habitual. Mas o que é realmente anormal neste CD é o estupendo desempenho da Akademie für Alte Musik Berlin. A sonoridade da orquestra vale a pena, dá prazer. Ou seja, a verdadeira estrela do show é a banda, que toca essa música com a mesma dedicação, competência e empenho que daria à música da família Bach, Handel, etc. Aliás, um conselho: toda vez que a Akademie für Alte Musik Berlin passar na frente de vocês, peguem.
Giovanni Benedetto Platti (1697-1763): Concerti grossi after Corelli