Guia de Gravações Comparadas P.Q.P. – J.S.Bach: 4 Orchestral Suites BWV1066-1069

As 4 Suítes (ou Aberturas) para orquestra de Bach são suas únicas obras escritas exclusivamente para conjunto orquestral, sendo todas as demais obras sacras, concertantes, sonatas e árias de câmara ou para instrumentos solo (cravo, órgão, lute, violino e cello). A origem do gênero é obscura, o Guia da Música Sinfônica aponta Johann Jakob Froberger (1616-1667) como seu criador, ao passo que Gudrun Becker cita Agostino Steffani (1654-1728) como sendo o primeiro a compilar trechos de danças de suas óperas em uma “Suíte”, fazendo-as preceder de uma “Overture”, que acabou consagrando o nome.

O fato é que a “Overture” se tornou extremamente apreciada, provavelmente por ter sido um dos primeiros gêneros a combinar danças folclóricas populares com o gosto erudito das cortes e da aristocracia, e logo surgiram inúmeras composições deste gênero por toda a Europa. Telemann gabava-se de ter escrito 200 delas, e Mattheson (rival de Haendel) escreveu longamente sobre ela em seu livro “Nova Orquestra”.

Johann Sebastian Bach, por sua vez, não quis ficar de fora e também presenteou o mundo com exemplos do gênero. Bach, sendo Bach, evocou suas características mais elementares: primou pela qualidade e não pela quantidade, e fez de suas únicas 4 Aberturas as mais famosas Suítes orquestrais barrocas da história da música ocidental.

A composição delas também é algo obscura: não foram escritas juntas, havendo indícios de que a primeira e a última datam da época de Köthen, ao passo que as intermediárias datam da época de Leipzig. Mas são dados controversos, e que os autores também não chegam a uma conclusão. Há quem a acredite, por análise da partitura autógrafa (sem datação), que todas foram escritas em intervalos de tempo grandes, mas já em Leipzig. De qualquer forma, o consenso é que elas não formam um conjunto fechado, pois foram escritas para ocasiões diversas (como comprovam as diferenças na instrumentação e nas danças), e Bach já estava bastante ocupado para ficar pensando em ciclos de obras. Mesmo assim, a unidade estilística de todas é marcante, como não poderia deixar de ser neste caso.

As aberturas seguem o padrão francês lento-rápido-lento, sendo, a nível de Bach, o andamento rápido sempre uma fuga. Elas são seguidas de uma série de danças, tradicionalmente partes formais da suíte que Bach também usou em diversas outras obras, como as Suites Francesas, Inglesas e as Suites para Cello.

Aqui apresento 4 gravações que considero fundamentais para a apreciação desta obra:

1.Karl Richter, Münchener Bach-Orchester DG (ARCHIV) 1960-62

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Essa é a versão mais clássica das Suítes: foram gravadas no início da década de 60, numa época em que as versões “autênticas” não estavam em moda, e Richter clamava para si o monopólio da interpretação “correta” de Bach. Com isso, ele se tornou uma espécie de Karajan para Bach: suas leituras são lineares, ao ponto de se tornarem insípidas, quase assépticas, mas também bastante convincentes pela limpidez dos contornos. Neste caso, entretanto, as Suítes soam como uma obra clássica. Os contrastes entre a introdução lenta e a fuga rápida das aberturas não chega a comover, aliás, quase não se nota diferença. Igualmente se pode dizer das dinâmicas, em que ele explora muito pouco o chiaroscuro barroco, e ficam com certa aparência mais clássica que barroca. A Ária da Suite 3 pelas mãos de Richter fica quase romântica. Entretanto, é uma leitura vigorosa e com a potência sonora de uma orquestra aumentada, típica das adaptações feitas nos anos 60. Se quiserem uma leitura sem surpresas, bem-comportada, estilo genérico de um fast-food, fiquem com esta.

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2.Karl Münchinger, Stuttgart Kammerorchester, DECCA 1985

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Karl Münchinger é um maestro enigmático: especialista também em música barroca, principalmente em Bach, insiste em leituras híbridas que mesclam, de certa forma, um barroquismo que se diz “autêntico” (instrumentação, andamentos), mas por outro lado abusa do classicismo, ao estilo de Richter, nas dinâmicas, por exemplo. Suas leituras são também “corretas” no mesmo sentido de “assépticas”, optando sempre por uma média confortável que não chega a chocar o ouvinte, mas também não empolga. É uma leitura correta e até menos afetada que a de Richter, mas ele não faz os ritornellos das aberturas, diminuindo assim o tempo e fazendo caber tudo num único CD. Inclusive há quem ache chato o excesso de repetições dos andamentos lentos e prefere esta versão. Eu não. Apesar de tudo isso, gosto dela genericamente.

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3.Frans Brüggen, Orchestra of the Age of Enlightenment, PHILIPS 1994

bach_4_orchestral_suites_bruggen_coverBrüggen faz a interpretação autêntica mais exagerada que conheço, quase datada a Carbono-14. As dinâmicas barrocas ficam extremamente evidenciadas e a instrumentação é quase uma viagem ao tempo de Bach. Os contornos melódicos se mesclam com os timbres de forma quase orgânica, e os ritmos parecem germinar espontaneamente sabe-se lá de onde. Se você quiser uma versão chocante, diferente de tudo o que já ouviu, fique com esta. Nunca imaginei um barroco tão barroco, e nem sei se era mesmo assim. Mas é uma leitura extraordinária, vívida e de sonoridade vigorosa, que se contrapõe diretamente às leituras clássicas de Richter e Münchinger. Coisa fina.

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4.Trevor Pinnock, The English Concert, DG (ARCHIV) 1979-80

front coverEntre o ultra-romantismo de Richter e o mega barroco de Brüggen, Pinnock se revela de um equilíbrio estupendo. Não é um barroco autêntico exagerado, mas também não é uma leitura clássica. É a versão que considero mais equilibrada, e a mais convincente do ponto de vista estilístico. Seu conjunto The English Concert é um dos melhores grupos instrumentais de época do mundo, tendo gravado uma enorme quantidade de títulos barrocos com um apuro técnico e estético altamente elaborados. A versão dele para os Concertos de Brandenburgo é uma das mais precisas e bem gravadas da história da música. As suítes não ficam para trás. Poderão estranhar, se ouvirem primeiro a versão de Richter ou Münchinger, os andamentos mais rápidos das introduções das Aberturas. Mas é aí que ele mostra a que veio, contrapondo o tom solene à animação irresistível das fugas no desenvolvimento, revelando um barroco talvez até mais autêntico que o de Brüggen. Para todos os efeitos, esta é a escolha do Chucruten.

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CHUCRUTEN

Guia de Gravações Comparadas P.Q.P. – Mahler Symphony no.1 in D major ‘Titan’

A Primeira Sinfonia, dita Titan, é uma das obras mais executadas de Mahler, não apenas por sua beleza intrínseca (que aliás não é exclusividade dela), mas basicamente porque é uma das mais curtas, além de ser extremamente otimista, escrita numa linguagem acessível ainda do romantismo pós-wagneriano, e sem necessidade de solistas vocais e grandes coros. Como Otto Maria Carpeaux assinalou, todas as orquestras que querem mostrar certo virtuosismo mas tem dificuldades de produzir as exigências sonoras das demais sinfonias, optam pela Primeira.

Mas além disso, é também uma sinfonia muito interessante no contexto da vida e da obra de Mahler: ela funciona como um prefácio literário ao universo mahleriano, pois há nela ecos resumidos de basicamente tudo o que se ouvirá, melodica e harmonicamente, nas sinfonias posteriores. O termo prefácio literário não é força de expressão; do ponto de vista narrativo, ela trabalha com a ideia de um personagem heróico, descrito musicalmente através de seus temas e resoluções harmônicas tipicamente mahlerianas. É a expressão psíquica de seu autor, em que sua obra, permeada por este alter-ego heróico, apresenta uma ideia-fixa (ou um leitmotif) cujo objetivo é uma expressão de um universo ideal. É patente, através desta narrativa, sua busca incessante pela redenção, uma vez reconhecida a natureza imperfeita e efêmera do ser humano. E assim, passa por todos os conflitos filosóficos da humanidade (as angústias da sociedade, o amor, a morte, a religião), temas estes presentes em todas as suas obras, e, muito a propósito, já expresso nesta sinfonia, que termina numa espécie de cantus firmus de júbilo e alegria, até então único na história da música ocidental, informando ao público a que vem este tal Gustav.

Mahler é uma das mais contundentes respostas musicais às transformações científicas e filosóficas da virada do século XX, absorvendo, ainda que inconscientemente, as ideias da recente revolução psicológica de Freud (tendo ele mesmo sido seu paciente) e, claro, das não menos revolucionárias ideias postuladas por Planck e Einstein que abalaram os pilares da ciência física.

Escrita entre 1887 e 1888, teve diferentes versões apresentadas, começando por estrear como um poema sinfônico em duas partes, donde vem seu subtítulo, Titan, por conta da inspiração literária da obra de Jean Paul. Uma revisão de 1893 a colocou na forma sinfônica tradicional com um movimento a mais, o Blumine, depois suprimido. Após as revisões feitas até a publicação tardia em 1898, a Sinfonia finalmente adquiriu a forma como hoje a conhecemos, e nunca mais foi chamada por Mahler pelo subtítulo. Mas apesar disso, a despeito da imponência do nome, este acabou sendo incorporado como recurso de marketing.

O site gustavmahler.net.free (uma dádiva para os mahlerianos) cita nada menos que 274 gravações diferentes para a Primeira Sinfonia, nem todas, claro, disponíveis no mercado. E, no que diz respeito à possibilidade de ouvir alguma delas na internet, considerando os sites de streaming, o You Tube, a Amazon e os downloads genéricos, é possível achar pelo menos 40 versões. Para que os ouvintes tenham alguma orientação, trago algumas opções que gosto bastante:

1.Bernard Haitink, Concertgebouw PHILIPS 1972

61S7jofvU6L._SL500_SX300_Esta é uma gravação clássica, já está fora do catálogo e de vez em quando é relançada em algum compêndio, como a caixa da integral da sinfonias ou, neste caso, na coleção Abril de Grandes Compositores. Esta gravação, dos anos 70, faz parte do primeiro e único ciclo completo de Haitink, pois o segundo, na década de 90, não foi completado por conta do desmonte da indústria fonográfica, em especial o da música clássica, que foi o que sofreu a maior bancarrota (ver Norman Lebrecht, “Maestros, obras-primas e loucura”). Haitink na verdade gravou esta Sinfonia várias vezes de forma isolada, entre 1962 e 2007, mas esta de 72 desponta como uma de suas mais respeitáveis leituras.
É sem dúvida uma leitura inspirada, sendo tratada de forma muito mais solene que jocosa, e por isso tem um ar bruckneriano que permeia toda a execução. O frenesi dos finais do primeiro e último movimentos, expressões legítimas de uma Mahler jovem e apaixonado, são executados como se fossem reflexões profundas e conflitantes de um Mahler tardio, como o da Sétima ou Oitava Sinfonias. Apesar disso, é um registro que prima pela pureza de timbres e contornos melódicos, deixando, não obstante a maior lentidão rítmica, uma impressão bastante singular. Haitink, sempre distinto, não deixa a peteca cair. Os trompetes desafinam nas fanfarras do finale, mas este é um detalhe menor neste conjunto. A gravação desta edição acompanha o Lieder eines fahrenden gesellen, na voz imponente de Hermann Prey. Assim como em outras gravações, este lieder é sempre bem-vindo por ter sido uma das inspirações originais para temas da Primeira Sinfonia.

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2. Kurt Masur, New York Philharmonic TELDEC 1992

mahler_symph1_masur_smallEsta foi uma das gravações que marcaram a chegada de Kurt Masur na Filarmônica de Nova York em 1991. A gravação é do ano seguinte, mas evoca o mesmo sentimento de frescor recém-casado. A escolha de Masur, pelos músicos de Nova York, se deu para tentar fazer da Filarmônica novamente uma experiência mais “requintada”, uma vez que seus antecessores, Zubin Mehta e Leonard Bernstein eram dados a concertos populares, e Pierre Boulez, muito moderno. Naquela época o público patrono se incomodou com isso. Trazendo a sobriedade do alemão especialista em Beethoven, a ideia era fazer a Filarmônica deixar de parecer uma orquestra crossover, e escolheu a 7a. de Bruckner para estrear com toda a pompa. Hoje este fato soa um pouco anacrônico, mas fazia sentido naquele contexto. De qualquer modo, é um registro primoroso, de quem sabe o que está fazendo. A firmeza rítmica se impõe como um rolo compressor, e acaba deixando a obra mais fria que o desejado. Talvez Masur estivesse tentando causar boa impressão aos americanos, e se manteve cauteloso nas escolhas das dinâmicas. De qualquer forma é uma performance das mais eloquentes, e merece ser visitada, até porque também vem com as Canções do Viandante, na voz do barítono sueco Håkan Hagegård.

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Entretanto, um pequeno parênteses para a questão da performance fria. Kurt Masur também é o responsável pela performance mais quente que conheço da Primeira Sinfonia de Mahler. Aconteceu em 2005 no Festival de Inverno de Campos do Jordão, em que Masur foi o maestro convidado, tendo ao seu lado Roberto Minczuk. Os bolsistas do festival, todos ainda amadores em fase de profissionalização, tinham pouca experiência com prática de orquestra, principalmente em se tratando de orquestras do tamanho exigido pela Primeira. Entretanto, ao invés de uma performance morna para cumprir exigências acadêmicas e agradar aos pais dos bolsistas, o que se ouviu foi uma performance das mais contundentes, que num nível de percepção sensível, transbordava a emoção e o entusiasmo daqueles músicos em tocar pela primeira vez uma obra daquela envergadura. Percebe-se, ao mesmo tempo, tanto a inexperiência e a ingenuidade quanto uma vontade sobre-humana de se superarem, coisa que acabam conseguindo com força descomunal, fazendo do finale desta gravação um dos mais emocionantes da história. Kurt Masur chorou nos aplausos, consciente do esforço que cada músico empreendeu. Esta gravação vale a pena porque é possível sentir toda essa carga emotiva no registro, coisa que muitas orquestras profissionais não conseguem. Infelizmente é um disco que está esgotado, então disponibilizo aqui também. Ele vem com outras obras executadas no mesmo festival (incluindo uma estréia de Almeida Prado), mas eu diria que a Titan é que interessa.

DOWNLOAD HERE – XXXVI Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão
CD Duplo – Arquivo FLAC 661Mb

3. Leonard Slatkin, St.Louis Symphony Orchestra TELARC 1981

mahler1slatkinEsta é a pior de todas: Slatkin é um bom regente, tenta dar um ar sóbrio e distinto ao frenético finale, mas no fim, não consegue. Boa parte do problema é a orquestra, St.Louis tem metais com uma sonoridade bem fraca, e Slatkin ainda puxa o freio de mão. Aí não dá mesmo. As fanfarras não empolgam, e parecem contidas como se precisassem fazer pouco barulho para não atrapalhar os vizinhos. Mas a gravação tem méritos: a Telarc é um selo americano que foi o absoluto pioneiro na gravação digital, sendo deles o primeiro LP lançado comercialmente que teve sua matriz gravada digitalmente, em 1978. Este know-how fez de suas gravações verdadeiras referências para o desenvolvimento de uma metodologia de gravação na era digital, e a clareza de seus registros é até hoje apreciada. Mas a recomendação é clara: só para fãs.

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4.Rafael Kubelik, Symphonie-Orchester des Bayerischen Rundfunks DG 1968

mahler_symphony1_titan_kubelik_coverHá um certo consenso sobre a superioridade desta gravação, que foi inclusive indicada, recentemente, pela revista Gramophone, como a melhor Titan de todos os tempos. Mas toda a classificação é relativa, e acredito ser impossível uma unanimidade. Claro, a gravação tem méritos indiscutíveis, mas acho um pouco de exagero tanto crédito. Kubelik é um maestro dos mais competentes, um dos grandes “monstros sagrados” (expressão que na minha época era corriqueira) da regência do século XX. De origem tcheca, tem todos os requisitos para entender esta música até o último fio de cabelo. E ele realmente a entende como poucos, fazendo principalmente do scherzo e da paródica marcha fúnebre momentos de rara e fina ironia. Mas venhamos e convenhamos, a sonoridade da tecnologia de gravação de 1968 fica um pouco a desejar, principalmente deixando evidente certa estridência dos trompetes, uma limitação que nem toda gravação desta época possui ou incomoda, mas esta possui – e incomoda. Outra: Kubelik é famoso por seu rubato, ele costuma diminuir o andamento com algum exagero antes dos clímax ou das repetições dos temas essenciais. Em alguns casos, funciona que é uma maravilha, em outros, considero o resultado cafona. Não posso dizer que achei ruim seu rallentando na retomada do tema no primeiro movimento, mas também não vou dizer que não estranhei. Confesso que não tenho opinião definitiva, mas no fim das contas não é minha gravação dos sonhos. Mas se vale a pena? puxa, se vale! E a gravação também tem o Lieder eines fahrenden gesellen, mas na voz de ninguém menos que Dietrich Fischer-Dieskau. Aí fica covardia não ouvir.

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5.Zubin Mehta, New York Philharmonic CBS 1982

mahler_symphony1_mehtaA grande zebra é esta gravação de Zubin Mehta, feita pela CBS em 1982. Uma verdadeira jóia. Outras leituras de Mehta, como a da DECCA com Israel, não chegam aos pés dessa. É uma leitura precisa, clara, entusiasmada e empolgante. Os trompetes de Nova York estão em ótima forma – melhor que na gravação de Masur – e executam as fanfarras com convicção ímpar, em que ouvem todas as notas com clareza e limpidez. O registro deixa aflorar o Mahler sonhador da juventude como poucos, coisa até rara em se tratando de Zubin Mehta, mas é preciso admitir: neste caso é quase impossível não se deixar contaminar pela empolgação da sonoridade desta gravação. Mehta, apesar de não ser um mahleriano convicto, é responsável por várias leituras memoráveis, e esta é uma delas. Não há meio termo, é uma leitura brilhante, ou se adora ou se ignora. Os puristas podem objetar que Mehta não faz o ritornello do primeiro movimento, mas devo dizer que também é um detalhe menor. Compensa todo o crime.

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6.Klaus Tennstedt, London Philharmonic Orchestra EMI 1977

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Esta gravação é primorosa. Klaus Tennstedt era um mahleriano não apenas convicto, mas devoto e praticante. Norman Lebrecht explica bem esta relação meio doentia: “após um sério colapso nervoso, encontrou apoio na música de Mahler, que se tornou o leitmotiv de sua ansiosa vida”. Com efeito, o Mahler de Tennstedt é altamente intuitivo, sempre inesperado e avassalador, tirando das profundezas da alma os mais insondáveis sentimentos. Por algum motivo alheio à minha percepção (talvez pela própria personalidade trôpega de Tennstedt), ele nunca foi muito festejado do grande público, tendo sempre um time restrito de admiradores fiéis mas recatados, e normalmente suas performances escapam de uma análise pública mais abrangente. Mas devo dizer, poucas Titans tem a força desta: a impressão é de um vulcão prestes a explodir, e que efetivamente explode nos clímax adequados. Apesar de carismática, é uma interpretação bastante pessoal, em que há o perigo do ouvinte não interagir com a espontaneidade proposta. Neste caso, será uma leitura esquisita. Mas garanto: soltem-se e deixem-se levar pelos delírios do sr. Tennstedt, e estarão diante de uma performance única na história.
Obs.: A edição da Primeira que disponibilizo aqui faz parte da caixa com as 10 Sinfonias, então não estranhem o bônus do primeiro movimento da Segunda, obra que comentarei em outra ocasião.

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7.Sir Georg Solti, Chicago Symphony DECCA 1983

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Considero esta, ao lado da de Bernstein (1974) com a Wiener Philharmoniker (que infelizmente – ou felizmente – só tenho em DVD), a gravação que combina o melhor de todos os mundos: tem a sonoridade dos áureos tempos dos míticos engenheiros da DECCA, tem o equilíbrio preciso entre a espontaneidade e a fidelidade à partitura, tem o encanto do frescor juvenil do Mahler apaixonado, e tem a sobriedade de um registro convicto. Se eu fosse escolher a gravação mais equilibrada, e que satisfaz a maioria dos requisitos mahlerianos com louvor, ficaria com esta, com a possível alternativa de Bernstein. Mas para mim esta tem um trunfo a mais: as pratadas de Chicago são mais eficazes que as de Viena, e a eloquência da juvenília mahleriana fica em plena ebulição. Esta é, portanto, a escolha do Chucruten.
Bom divertimento!

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CHUCRUTEN

Sibelius & Khachaturian: Concertos para Violino

Sibelius & Khachaturian: Concertos para Violino

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um excelente CD com o espetacular violinista armênio Sergey Khachatryan e a Sinfonia Varsóvia. É claro que, quando se emociona, Khachatryan torna seu Sibelius como se fosse música folclórica armênia, mas isso é um pequeno detalhe dentro de uma montanha de acertos. Grande musicalidade, linda sonoridade e incrível facilidade técnica, algo que não se ouve todo o dia. Vi um concerto seu ao vivo e o homem simplesmente não erra. E é entusiasmado, cheio de alegria e tesão. Depois, tocando seu conterrâneo e quase homônimo Khachaturian, está tudo em casa e Khachatryan dá um banho. Para ouvir e fazer a festa.

Sibelius & Khachaturian: Concertos para Violino

Jean Sibelius Violin Concerto In D Minor Opus 47
1 – Allegro Moderato 16:27
2 – Adagio Di Molto 8:12
3 – Finale (Allegro Ma Non Tanto) 7:48

Aram Khachaturian* Violin Concerto In D Minor 1940
4 – Allegro Moderato 15:05
5 – Andante Sostenuto 12:33
6 – Allegro A Battuta 9:47

Violin – Sergey Khachatryan
Orchestra – Sinfonia Varsovia
Conductor – Emmanuel Krivine

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Khachatryan: fenômeno
Khachatryan: fenômeno

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Lorenzo Gaetano Zavateri (1690-1764): Concerti Da Chiesa e Da Camara

Lorenzo Gaetano Zavateri (1690-1764): Concerti Da Chiesa e Da Camara

PQP Bach considera a Freiburger Barockorchester a melhor orquestra de câmara do mundo. Aqui, eles demonstram toda sua notável competência ao interpretar este sub-Vivaldi chamado Zavateri. A música é bonita, mas sem a genialidade do veneziano. Não pensem que é um disco ruim, pelo contrário, a coisa é linda, só não é genial. E a sonoridade da orquestra… Zavateri nasceu e trabalhou em Bologna, viveu para ver surgir o estilo galante, mas permaneceu barroco. Estes concertos são bem variados e coloridos. A gente ouve o CD duplo sem cansar. Eu estou na praia, numa manhã de sol e Zavateri me deixou ainda mais feliz.

Lorenzo Gaetano Zavateri (1690-1764): Concerti Da Chiesa e Da Camara

CD1:
Concerto primo Introducione in G major for strings and b.c.
01. Largo Spico – Allegro Assai – Allegro [00:04:18]

Concerto secondo in D major for violino obligato, strings and b.c.
02. Allegro [00:05:35]
03. Adagio [00:03:10]
04. Spirituoso [00:02:28]

Concerto terzo in C major for strings and b.c.
05. Allegro [00:02:25]
06. Andante [00:02:31]
07. Allegro assai [00:01:45]

Concerto quarto in C minor for violino obligato, strings and b.c.
08. Allegro [00:05:45]
09. Andante ma Largetto [00:03:31]
10. Allegro [00:03:00]

Concerto quinto in E major for strings and b.c.
11. Largo – Allegro ma Aperto [00:03:39]
12. Andante e Spico – Allegro [00:02:47]

Concerto sesto in A major for violino obligato, strings and b.c.
13. Allegro [00:04:20]
14. Adagio [00:02:37]
15. Vivace [00:04:08]

CD2:
Concerto settimo Teatrale in B flat major for strings and b.c.
01. Vivace [00:02:40]
02. Andante [00:03:26]
03. Allegro [00:03:00]

Concerto ottavo in E flat major for violino obligato, strings and b.c.
04. Allegro [00:03:48]
05. Adagio [00:02:30]
06. Allegro [00:03:35]

Concerto nono Teatrale in F major for strings and b.c.
07. Alleggro a Spico [00:02:10]
08. Largetto alla francese [00:01:35]
09. Presto [00:01:42]

Concerto decimo a Pastorale in D major for 2 violini obligati, strings and b.c.
10. Grave – Allegro [00:04:33]
11. Largo – Pastorale [00:05:27]

Concerto undecimo in G minor for strings and b.c.
12. Spirituoso [00:02:01]
13. Andantino – Allegro [00:02:19]

Concerto duodecimo a Tempesta di Mare in G major for violino obligato and b.c.
14. Allegro [00:04:50]
15. Adagio [00:02:37]
16. Allegro [00:04:55]

Freiburger Barockorchester, Gottfried von der Goltz
Recorded: August 29-September 1, 1995
November 16-19, 1995, Festsaal des Maximilian-Parks Hamm

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A Orquestra Barroca de Freiburg. Quem o chefão? O primeiro loirinho cabeludo sentado à direita,
A Orquestra Barroca de Freiburg. Quem é o chefão? O primeiro loirinho cabeludo sentado à direita.

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Johann David Heinichen (1683-1729): Lamentationes, Passionsmusik

Johann David Heinichen (1683-1729): Lamentationes, Passionsmusik

Biber, Fasch e Heinichen, Biber, Fasch e Heinichen. Talvez estes sejam os compositores barrocos que mais subiram no conceito deste que vos escreve nos últimos anos. A música vocal de Heinichen não me pareceu tão boa quanto a instrumental, mas mesmo assim estes discos deste desconhecido são digníssimos de serem conhecidos pelos pequepianos. Heinichen foi não só um contemporâneo de Bach, como também ambos circulavam no mesmo ambiente. O principal interesse deste CD duplo, é o oratório Nicht das Band, das dich bestricket, que foi estreada em Dresden no domingo mesmo de 1724 em que Bach estreava sua Paixão de São João, em Leipzig. Um grande dia, sem dúvida. O oratório é tão bom quanto alguns de Telemann ou até mesmo quanto algumas obras sacras menores de Bach.

Johann David Heinichen (1683-1729): Lamentationes, Passionsmusik

Disc: 1
1. Lamentationes Jeremiae prophetae: Lamentatio I: Incipit lamentatio Jeremiae (Seibel 71)
2. Lamentationes Jeremiae prophetae: Lamentatio II: Vau. Et egressus est (Seibel 72)
3. Lamentationes Jeremiae prophetae: Lamentatio III: Jod. Manum suam misit hostis (Seibel 73)

4. Beatus Vir: Beatus vir (Seibel 26)

5. Alma mater redemptoris: Alma mater redemptoris (Seibel 22: 1726)

6. Nisi Dominus aedificaverit: Nisi Dominus aedificaverit (Seibel 99: 1723)

7. De Profundis: De profundis (Seibel 35)

Disc: 2
1. Nicht das Band, das dich bestricket (Oratorio tedesco al sepolcro santo): 1. Aria : Nicht das Band, das dich bestricket
2. Nicht das Band, das dich bestricket: 2. Recitativo : So schleppt man dich zum richthaus fort
3. Nicht das Band, das dich bestricket: 3. Coro : Kommt, Schauet Petrus’ Tranen an
4. Nicht das Band, das dich bestricket: 4. Recitativo : Ruchloser Geist. verraterischer Sinn
5. Nicht das Band, das dich bestricket: 5. Aria : Ach mein Mund, ach meine Zunge
6. Nicht das Band, das dich bestricket: 6. Recitativo Was nutzt mir’s nun , dass ich so rein an fussen
7. Nicht das Band, das dich bestricket: 7. Aria Mein Herze, quille Blut
8. Nicht das Band, das dich bestricket: 8. Recitativo : O weh! Die ganze Schar schnaubt voller Grimm
9. Nicht das Band, das dich bestricket: 9. Aria : Die Sporne, die meinen Erloser durchstechen
10. Nicht das Band, das dich bestricket: 10. Recitativo : Jetzt lozen sie dich auf
11. Nicht das Band, das dich bestricket: 11. Aria : Der Abgrund muss erzittern
12. Nicht das Band, das dich bestricket: 12. Recitativo : So leidet selbst die Unschuld so viel Qualen
13. Nicht das Band, das dich bestricket: 13. Coro : Ich wunsche mir, Jesu, dir einzig zum ruhme

14. Warum toben die Heiden: Warum toben die Heiden (Seibel 39: 1715)

15. Pastorale A-dur In A Major: Pastorale A-dur (Seibel 242)

Musica Antiqua Koln
Reinhard Goebel

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Heinichen: eu simpatizei
Heinichen: eu simpatizei

PQP

Georg Friedrich Händel (1685-1759): Integral das Suítes para Teclado (Ragna Schirmer)

Georg Friedrich Händel (1685-1759): Integral das Suítes para Teclado (Ragna Schirmer)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

333 anos de Händel!

Georg Friedrich Händel (Halle an der Saale, 23 de fevereiro de 1685 — Londres, 14 de abril de 1759)

Vamos começar falando GROSSO: este CD triplo é IM-PER-DÍ-VEL !!!!. Ouvir este CD da talentosíssima pianista alemã Ragna Schirmer (1972) é como pegar uma pedra do chão e atirá-la contra o muro onde está escrito que Händel era um compositor estritamente vocal. Apesar do muro permanecer sólido, vemos cair boa parte do reboco.

As obras de Handel para teclado solo receberam a enorme sombra da inatingível produção de meu pai e são raramente ouvidas. É uma pena, porque há muita música do caralho nestas obras. Frau Schirmer interpreta-as num piano moderno e produz, aparentemente sem esforço, performances da maior elegancia e sensibilidade. São três horas e meia de uma música onde não se encontra um momento chato. A clareza da pianista é algo de deixar encantado o mais exigente dos pequepianos.

Altamente recomendado aos numerosos amantes do barroco de nosso blog!

(Comparar esta versão com a interpretação medíocre de Scott Ross é proibido, tá?)

Georg Friedrich Händel (1685 – 1759): Integral das Suítes para Teclado

CD 1:
Suite for keyboard, Vol.2, No.1 in B flat major, HWV 434
1) Prélude
2) Sonata. Allegro
3) Aria con variazioni

Suite for keyboard, Vol.2, No.3 in D minor, HWV 436
4) Allemande
5) Allegro
6) Air. Lentement
7) Gigue
8. Menuett

Suite for keyboard, Vol.2, No.8 in G major, HWV 441
9) Allemande Listen
10) Allegro
11) Courante
12) Aria. Presto
13) Menuett
14) Gavotte – Double
15) Gigue

Suite for keyboard, Vol.1, No.3 in D minor, HWV 428
16) Prélude
17) Allegro
18) Allemande
19) Courante
20) Air
21) Double
22) Presto

23) Chaconne for harpsichord in G major, HWV 435

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CD 2:
Suite for keyboard, Vol.1, No.2 in F major, HWV 427
1) Adagio
2) Allegro
3) Adagio
4) Allegro

Suite for keyboard, Vol.2, No.4 in D minor, HWV 437
5) Prélude
6) Allemande
7) Courante
8. Sarabande
9) Gigue

Suite for keyboard, Vol.2, No.6 in G minor, HWV 439
10) Allemande
11) Courante
12) Menuett (HWV 434/4)
13) Gigue

Suite for keyboard, Vol.2, No.5 in E minor, HWV 438
14) Allemande
15) Sarabande
16) Gigue

Suite for keyboard, Vol.1, No.5 in E major (‘The Harmonious Blacksmith’), HWV 430
17) Prélude
18) Allemande
19) Courante
20) Air – Double

Suite for keyboard, Vol.1, No.8 in F minor, HWV 433
21) Prélude. Adagio Listen
22) Allegro
23) Allemande
24) Courante
25) Gigue

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CD 3:
1. Suite for keyboard, Vol.1, No.1 in A major, HWV 426
1) Prélude
2) Allemande
3) Courante
4) Gigue

Suite for keyboard, Vol.1, No.6 in F sharp minor, HWV 431
5) Prélude
6) Largo
7) Allegro
8. Gigue. Presto

Suite for keyboard, Vol.1, No.4 in E minor, HWV 429
9) Allegro
10) Allemande
11) Courante
12) Sarabande
13) Gigue

Suite for keyboard, Vol.2, No.7 in B flat major, HWV 440
14) Allemande
15) Courante
16) Sarabande
17) Gigue

Suite for keyboard, Vol.1, No.7 in G minor, HWV 432
18) Ouverture. Largo
19) Andante
20) Allegro
21) Sarabande
22) Gigue
23) Passacaille

Ragna Schirmer, piano

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Ragna Schirmer: aula de Händel
Ragna Schirmer: aula de Händel

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Giovanni Battista Sammartini (1700-1775) e Giuseppe Sammartini (1695-1750): Concerti & Sinfonie

Giovanni Battista Sammartini (1700-1775) e Giuseppe Sammartini (1695-1750): Concerti & Sinfonie

Giovanni Battista e Giuseppe Sammartini não foram uma dupla caipira, nem algo como Simon e Garfunkel. Mas eram irmãos como Sandi e Junior — passei quase uma década pensando que S & J eram uma só pessoa chamada Sandy Junior, acho que até hoje nunca os ouvi, vi apenas fotos. Bem, Giovanni Battista Sammartini foi um violinista e compositor italiano do maravilhoso período de entre o barroco e o clássico. Não deve ser confundido com seu irmão Giuseppe, oboísta e igualmente compositor. GB foi professor de Gluck e era muito considerado pelos compositores mais jovens, incluindo Johann Christian Bach. Também pode ser observado que muitas estilizações em composições de Haydn e Mozart são semelhantes às dos Sammartini, embora não se possa falar em influência. A dupla milanesa era muito menor. GB viajou muito mas nunca se afastou muito de Milão. Já seu irmão foi muito mais longe, ao menos geograficamente. Mudou-se para Londres com seu irmão Giovanni Battista Sammartini, mas este voltou logo para Milão. Já Giuseppe ficou em Londres ocupando o cargo de oboísta na Orquestra da Ópera a partir de 1727. Ele morreu em Londres em 1750. Seu irmão morreu na Itália. O bom do disco é a orquestra. Que maravilha é o Ensemble 415 de Chiara Banchini!

G.B. Sammartini & G. Sammartini – Concerti & Sinfonie

1 G.B. Sammartini– Sinfonia En Sol Majeur 9:54
2 G. Sammartini — Concerto Pour Flûte À Bec En Fa Majeur 12:20
3 G.B. Sammartini — Sinfonia En Ré Majeur 6:00

4 G. Sammartini — Concerto Grosso Nº 6 En Mi Mineur 8:01
5 G.B. Sammartini — Quintetto Nº 3 En Sol Majeur 15:43
6 G. Sammartini — Concerto Grosso Nº8 En Sol Mineur 10:30

Soloist [flúte á bec] – Conrad Steinmann
Ensemble 415
Chiara Banchini

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Chiara Banchini: competência num repertório raro
Chiara Banchini: competência num repertório raro

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Johannes Brahms (1833-1897): Sonata Op. 5 / Intermezzo / Capriccio / 5 Danças Húngaras

Johannes Brahms (1833-1897): Sonata Op. 5 / Intermezzo / Capriccio / 5 Danças Húngaras

Não se pode dizer que Brahms tenha sido um compositor precoce como Mendelssohn, mas, quando apareceu, chegou pronto. Sua Sonata Op. 5 é algo como escrever Os Buddenbrook aos 25 anos. Ela é a peça central deste CD, composta quando Johannes tinha 20 anos de idade. Tem 38 minutos, é um grande trabalho em cinco movimentos, sinfônico em complexidade e formato. O virtuosismo de Kissin é enorme, mas acho que ele perde para a velha versão de Radu Lupu. Kissin exagera nos sussurros românticos em nossos ouvidos. As duas peças da Op. 76 –compostas 22 anos após a sonata — expressam sabor popular e um anseios sentimentais, respectivamente. Já as cinco breves Danças Húngaras todo mundo conhece.

Johannes Brahms (1833-1897): Sonata Op. 5 / Intermezzo / Capriccio / 5 Danças Húngaras

Sonata, Op. 5 In F Minor
1 I Allegro Maestro 9:53
2 II Andante Espressivo 12:29
3 III Scherzo: Allegro Energico 4:30
3 IV Intermezzo: Andante molto 3:48
5 V Finale: Allegro Moderato Ma Rubato 6:47

6 Intermezzo, Op.76 No.7, In A Minor 3:25

7 Capriccio, Op. 76 No.2, In B Minor 3:10

Five Hungarian Dances
8 No. 1 In G Minor 2:36
9 No. 3 In F 2:02
10 No. 2 In D Minor 2:39
11 No. 7 In F 1:32
12 No. 6 In D-flat 2:50

Piano – Yevgeny Kissin

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Kissin olhando o som do seu piano.
Kissin olhando o som do seu piano.

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Heinrich Schütz (1585-1672): Geistliche Chormusik – Motets

Heinrich Schütz (1585-1672): Geistliche Chormusik – Motets

IM-PER-DÍ-VEL !!!

(Principalmente para quem deseja conhecer o barroco). Philippe Herreweghe e seu Collegium Vocale fazem um belíssimo trabalho neste CD. Jamais dê importância a uma História da Música que não diga que os mais maiores compositores que morreram antes de Bach não foram Monteverdi e Schütz. É o que penso. A música de Schütz — o compositor tinha uma bela voz e tal fato lhe deu a porta de entrada para a música — é de principalmente de caráter religioso (era inevitável na época) e de grande capacidade de expressão emocional. Escrevia para grandes grupos tão bem quanto para os reduzidos, e suas Paixões, para pequenos conjuntos, talvez estejam entre suas obras mais impressionantes. A influência da arte musical italiana está em toda sua obra, embora a tenha adaptado de uma forma altamente pessoal. Foi um mestre no estilo concertato, no contraponto e na oratório musical, com uma maravilhosa capacidade de interpretação expressiva dos textos num ritmo coerente com a prosódia e ao mesmo tempo desenhando as linhas vocais em melodias da mais alta musicalidade. Foi um dos primeiros grandes compositores alemães a se dedicar ao oratório, destacando-se História da RessurreiçãoSete Palavras de Jesus na Cruz, e História do nascimento de Jesus Cristo Nosso Senhor (oratório de Natal). Os Salmos de David, as Symphoniae Sacrae e as Cantiones Sacrae também são obras-primas do gênero. Embora sua imensa produção — a maioria sacra — fosse fortemente influenciada pelos estilos italianos, suas obras dramáticas corais, inspiradas pelos ideais de Lutero, puseram a música alemã no mapa. Schütz gozou de vida longa e frutífera, apesar da morte precoce de sua mulher e filho.

Heinrich Schütz (1585-1672): Geistliche Chormusik – Motets

1 Herr, Auf Dich Traue Ich 3:12
2 O Lieber Herre Gott 3:13
3 Schaffe In Mir, Gott, Eine Reines Herz 2:52
4 Die Mit Tränen Säen 3:56
5 Der Herr Schauet von Himmel 2:33
6 Wann Unsre Augen Schlafen Ein 2:47
7 Eile, Mich, Gott, Zu Erretten 3:39
8 So Fahr Ich Hin Zu Jesu Christ 3:09
9 Die Himmel Erzählen Die Ehre Gottes 4:03
10 Unser Wandel Ist Im Himmel 3:34
11 Ich Bin Eine Rufende Stimme 4:03
12 O Süsser, O Freundlicher 4:23
13 Herzlich Lieb Und Schlafe 5:56
14 Ich Liege Und Schlafe 3:06
15 Selig Sind Die Toten 4:33
16 Das Ist Je Gewisslich Wahr 4:21

Bass Vocals – Peter Kooij
Soprano Vocals – Agnès Mellon
Tenor Vocals – Mark Padmore
Collegium Vocale
Philippe Herreweghe

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Heinrich Schütz: essa cara...
Heinrich Schütz: essa cara… Não sei vocês, mas eu receitaria um antidepressivo.

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Aram Khachaturian (1903-1978): Sinfonia Nº 2 / 4 Danças de Gayaneh

Aram Khachaturian (1903-1978): Sinfonia Nº 2 / 4 Danças de Gayaneh

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Aram Khachaturian não era dono de uma arte discreta. Sua música é esparramada e barulhenta, mas não pensem que não possa ser boa e sutil. Contemporâneo de Shostakovich e Prokofiev, ele, porém, é muito mais “étnico” do que os outros dois. Sua música nunca deixou a região onde nasceu. Os compositores têm uma capacidade única de refletir a história, as tradições, as dores e os momentos alegres de seus povos em sua música. No entanto, apenas alguns deles ganham reconhecimento mundial. Khachaturian foi um destes. A Sinfonia Nº 2 talvez seja a menos luminosa — tanto em humor como em colorido orquestral — de suas sinfonias. Não é para menos: ela foi escrita em 1943, no meio da Segunda Guerra Mundial. É música para ser ouvida com o som bem alto. Neeme Järvi é um mestre neste tipo de repertório. E dá um show na agitação das quatro peças do balé Gayaneh. É para tirar o fôlego. O Ministério da Saúde adverte: se você inventar de dançar Gayaneh em casa, antes afaste tudo de seu caminho. Senão, pode acabar em despesa.

Aram Khachaturian (1903-1978): Sinfonia Nº 2 / Gayaneh

1. Symphony No. 2 (Original Version): I Andante Maestoso
2. Symphony No. 2 (Original Version): II Allegro Risoluto
3. Symphony No. 2 (Original Version): III Andante Sostenuto
4. Symphony No. 2 (Original Version): IV Andante mosso – Allegro Sostenuto

5. Gayaneh: Four Movements From Ballet Suite No. 1: 1 Sabre Dance
6. Gayaneh: Four Movements From Ballet Suite No. 1: 3 Dance Of The Rose Maidens
7. Gayaneh: Four Movements From Ballet Suite No. 1: 5 Lullaby
8. Gayaneh: Four Movements From Ballet Suite No. 1: 8 Lezghinka

Royal Scottish National Orchestra
Neeme Järvi

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Khachaturian: o campeão da Armênia é o Nº 3 da URSS
Khachaturian vendo o Jornal Nacional sem entender nada

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G. F. Händel (1685-1759) : Opera Seria (Árias)

G. F. Händel (1685-1759) : Opera Seria (Árias)

O que existe de CDs com árias de Händel poderia pavimentar o chão de todo o andar onde me encontro e ainda sobraria alguma coisa para as reformas. Cada bom cantor ou cantora lírica tem o seu, quase sempre acompanhado de excelentes orquestras historicamente informadas. E, caramba, é o caso deste! Só que as escolhas da francesa Piau e de Christophe Rousset estão muito acima do normal. É claro que as interpretações de ambos também. Fugindo das óbvias árias habituais, Piau dá um banho de talento. É uma especialista em música barroca que colaborou com Koopman na integral de Cantatas e Paixões de Bach. Imaginem que entrou no Conservatório de Paris para tocar harpa… Então, por puro acaso, William Christie ouviu-a cantarolando e…

G. F. Händel (1685-1759) : Opera Seria (Árias)

01. Scoglio d’immota fronte (Scipione), 4:57.69
02. Verdi piante (Orlando), 6:19.44
03. Che sento..Oh Dio! (Giulio Cesare), 1:07.02
04. Se pieta (Giulio Cesare), 7:43.25
05. L’amor ed il destin (Partenope), 2:59.43
06. Ah spietato (Amadigi), 5:25.25
07. Brilla nell’alma (Alessandro), 5:20.14
08. Ombre piante (Rodelinda), 5:45.51
09. Combattuta da due venti (Faramondo), 5:54.74
10. Cor di padre (Tamerlano), 8:16.41
11. M’ai resa infelice (Deidamia), 3:52.28
12. Son qual stanco (Arianna in Creta), 9:24.73

Sandrine Piau, soprano
Les Talens Lyriques
Christophe Rousset

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Piau: cabelos curtos, Handel muito acima da média
Piau: cabelos curtos, Händel muito acima da média

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Alessandro Marcello (1668-1747): Concertos e Cantatas

Alessandro Marcello (1668-1747): Concertos e Cantatas

Digo para quem gostou ou não da postagem de ontem que este disco é ainda melhor. Além de novos e bons concertos — dentre eles está a mais famosa peça de Marcello, o Concerto para Oboé, Cordas e Contínuo em Ré Menor que abre os trabalhos, com seu belo Adágio — há duas curiosas e excelentes cantatas: La Lontananza e Irene Sdegnata. A Orquestra Barroca de Veneza (que saudades!) e Andrea Marcon tem senso de estilo e matam a pau. Gosta de barrocos? Então pode baixar de olhos fechados.

Alessandro Marcello (1668-1747) : Concertos and Cantatas

1. Concerto Per Oboe, Archi E Continuo In Re Minore: I. Andante Spiccato 3:11
2. Concerto Per Oboe, Archi E Continuo In Re Minore: II. Adagio 3:14
3. Concerto Per Oboe, Archi E Continuo In Re Minore: III. Presto 3:26

4. Concerto Decimo Con L’Eco, B Dur: I Andante 3:06
5. Concerto Decimo Con L’Eco, B Dur: II. Larghetto 3:32
6. Concerto Decimo Con L’Eco, B Dur: III. Spiritoso 1:36

7. Concerto XVI In Fa Maggiore, Per Due Oboi, Archi E Continuo: I. Allegro 2:16
8. Concerto XVI In Fa Maggiore, Per Due Oboi, Archi E Continuo: II. Larghetto 2:13
9. Concerto XVI In Fa Maggiore, Per Due Oboi, Archi E Continuo: III. Andante Ma Non Presto 2:48

10. La Lontananza: Aria: Lontananza Crudel 9:05
11. La Lontananza: Recitativo: Poiche Chi Troppo Tempo 0:27
12. La Lontananza: Aria: Chi Troppo Tempo 1:36

13. Concerto XIV In La Maggiore, Per Due Oboi, Archi E Continuo: I. Andante Spiritoso-Adagio 2:18
14. Concerto XIV In La Maggiore, Per Due Oboi, Archi E Continuo: II. Allegro 1:42
15. Concerto XIV In La Maggiore, Per Due Oboi, Archi E Continuo: III. Presto 2:13

16. Irene Sdegnata: Ouverture: Allegro 1:11
17. Irene Sdegnata: Lento Spiritoso 3:02
18. Irene Sdegnata: Adagio 0:22
19. Irene Sdegnata: Recitativo: Contra L’Empio Fileno – Andante 1:35
20. Irene Sdegnata: Aria: Ingrato. Spietato – Moderato 4:54
21. Irene Sdegnata: Recitativo: Va Tiranno – Andante 0:45
22. Irene Sdegnata: Aria: Si, Va Pur – Allegro 3:28

Sylva Pozzer
Roberto Balconi
Paolo Grazzi
Venice Baroque Orchestra
Andrea Marcon

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Ele não melhorou de ontem para hoje.
Ele não adquiriu beleza física de ontem para hoje.

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Bach, Ysaÿe, Bartók: Partita Nº 2 e Sonatas para Violino Solo

Bach, Ysaÿe, Bartók: Partita Nº 2 e Sonatas para Violino Solo

Um bom disco. Este foi o primeiro de Baiba Skride. É de 2004. O folheto proclama que essas três obras seriam “manifestos solo”, não só para Skride mostrar suas credenciais ao mundo, mas também para os próprios compositores. Mais ou menos, né? Na verdade, há uma conexão que liga as três obras, sendo Bach o suporte tanto para Ysaÿe quanto Bartók. Baiba gravou este CD quando tinha apenas 23 anos. Suas abordagens são ótimas, mas ainda ficam longe de Beyer e Podger. Sobra técnica, falta emoção, tanto no Bach quanto no Ysaÿe. Ela não chega ao coração, fica só rondando. Maturidade vem com o tempo, né? Ela vai melhor no Bartók, talvez mais próximo da origem eslava (Riga, Letônia) da violinista. Por exemplo, Skride toca a Sonata de Bartók melhor do que David Grimal, postado ontem. Mas perde fácil para Frang. Confiram! Baiba toca um Stradivarius “Wilhelmj” de 1725.

Bach, Ysaÿe, Bartók: Partita Nº 2 e Sonatas para Violino Solo

Johann Sebastian Bach
1. Allemanda – Partita No. 2 in D minor For Violin Solo, BWV 1004 (5:15)
2. Corrente – Partita No. 2 in D minor For Violin Solo, BWV 1004 (2:47)
3. Sarabanda – Partita No. 2 in D minor For Violin Solo, BWV 1004 (4:21)
4. Giga – Partita No. 2 in D minor For Violin Solo, BWV 1004 (4:07)
5. Ciaconna – Partita No. 2 in D minor For Violin Solo, BWV 1004 (16:30)

Eugène Ysaÿe
6. Grave – Sonata No. 1 In G minor For Violin Solo, Op. 27\1 (5:39)
7. Fugato – Sonata No. 1 In G minor For Violin Solo, Op. 27\1 (4:37)
8. Allegretto poco scherzoso – Sonata No. 1 In G minor For Violin Solo, Op. 27\1 (4:29)
9. Finale con brio – Sonata No. 1 In G minor For Violin Solo, Op. 27\1 (2:36)

Béla Bartók
10. Tempo di ciaconna – Sonata For Violin Solo (1944) (10:05)
11. Fuga – Sonata For Violin Solo (1944) (4:49)
12. Melodia – Sonata For Violin Solo (1944) (7:30)
13. Presto – Sonata For Violin Solo (1944) (5:12)

Baiba Skride, violino

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Baiba Skride
Baiba Skride

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Debussy, Ravel: Sonatas para Violino e Piano / Bartók: Sonata para Violino Solo

Debussy, Ravel: Sonatas para Violino e Piano / Bartók: Sonata para Violino Solo

O recital de David Grimal e Georges Pludermacher começa com a Sonata de Debussy. Não sou apaixonado por ela, mas Grimal me convenceu, o que acontece raramente em um ouvinte como eu, que tem dificuldades com este compositor. Mas Debussy teve grande influência no início da carreira de um dos caras que mais amo, Bartók. A Sonata Para Violino Solo do húngaro é uma obra-prima que foi escrita de encomenda para Yehudi Menuhin. Acho que Grimal poderia ter sido mais agressivo, mas OK. (Creio que Vilde Frang tenha se saído melhor do que Grimal na obra. Aliás, amanhã postaremos uma versão também superior a de David, mas inferior à de Frang). E realmente gostei muito, muito mesmo, de sua interpretação da Sonata de Ravel, que me pareceu, secundado por Bartók, os filés do CD.

Debussy, Ravel: Sonatas para Violino e Piano / Bartók: Sonata para Violino Solo

Claude Debussy
Sonate Pour Violon Et Piano

1 Allegro Vivo 5:00
2 Intermède. Fantasque Et Leger 4:10
3 Finale Très Animé 4:09

Béla Bartok
Sonata For Solo Violin SZ 117

4 Tempo Di Ciaccona 9:53
5 Fuga 4:18
6 Melodia 6:14
7 Presto 5:00

Maurice Ravel
Sonate Nº2 Pour Violon Et Piano

8 Allegreto. Andante 7:45
9 Blues, Moderato 5:04
10 Perpetuum Mobile 3:31

Violin – David Grimal
Piano – Georges Pludermacher

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David Grimal felizinho
David Grimal todo felizinho

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Grieg (1843-1907), Bartók (1881-1945), R. Strauss (1864-1949): Sonatas para Violino

Grieg (1843-1907), Bartók (1881-1945), R. Strauss (1864-1949): Sonatas para Violino

IM-PER-DÍ-VEL !!!

De todas essas belas violinistas de menos de 40 anos que surgiram nos últimos anos, creio que apenas a norueguesa Vilde Frang possa ficar tranquilamente, sem sentimentos de inferioridade, junto às hoje veteranas Mullova e Mutter. Dona de extraordinária musicalidade, talvez ela exagere no perfume jogado sobre Strauss, mas não creio ter ouvido melhores versões do que as que Frang comete nas sonatas de Grieg (violino e piano) e na TREMENDA OBRA-PRIMA DE BARTÓK (para violino solo).

Esta Sonata foi composta a pedido Yehudi Menuhin em 1943. Bartók era um compositor totalmente sem dinheiro, exilado nos EUA e extremamente doente. Tinha já diagnosticada a leucemia que iria matá-lo. A situação era realmente difícil. Menuhin pediu-lhe a Sonata não apenas porque considerava Bartók um compositor genial, mas também para lhe dar um trabalho e meios. Também, foi, aparentemente, um caso de bondade. Desde o primeiro momento, Menuhin e os primeiros ouvintes deram-se conta que tratava-se de uma obra-prima. Com a pretensão de homenagear as sonatas e partitas para violino solo de Bach, Bartók alcançou um equivalente moderno em termos de paixão, rigor e contínua invenção. E, nela, Frang consegue o milagre de enfatizar o parentesco com Bach. No Grieg, é importante ressaltar que é uma norueguesa interpretando um norueguês, o que é uma raridade em termos de sotaque e compreensão. Seu Allegretto quasi andantino é quasi de sair dançando pela sala.

Para terminar, revelo que Vilde Frang nasceu num 19 de agosto. É, sem dúvida alguma, a melhor, a mais perfeita e mais distinta data para alguém nascer!

Grieg (1843-1907), Bartók (1881-1945), R. Strauss (1864-1949): Sonatas para Violino

Grieg: Violin Sonata No. 1, Op. 8
1 Sonata in F major, Op.8: I – Allegro con brio 9:24
2 Sonata in F major, Op.8: II – Allegretto quasi andantino 5:24
3 Sonata in F major, Op.8: III – Allegro molto vivace 7:14

Bartók: Sonata for Solo Violin, Sz. 117
4 Sonata for solo violin: I. Tempo di ciaccona 9:26
5 Sonata for solo violin: II. Fuga – Risoluto, non troppo vivo 5:01
6 Sonata for solo violin: III. Melodia – Adagio 7:15
7 Sonata for solo violin: IV. Presto 5:35

Strauss: Violin Sonata, Op. 18
8 Sonata in E Flat major, Op. 18: Allegro, ma non troppo 11:41
9 Sonata in E Flat major, Op. 18: Improvisation (Andante cantabile) 8:12
10 Sonata in E Flat major, Op. 18: Finale (Andante – Allegro) 9:32

Vilde Frang, violino
Michail Lifits

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Vilde Frang nasceu na melhor das datas | Foto: Marco Borggreve
Vilde Frang nasceu na melhor das datas | Foto: Marco Borggreve

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Johannes Brahms (1833-1897): Quarteto de Cordas Nº 1 e Quinteto para Piano, Op. 34

Johannes Brahms (1833-1897): Quarteto de Cordas Nº 1 e Quinteto para Piano, Op. 34

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Esqueça a capa brega, pois o conteúdo é sofisticadíssimo. Gostei muito desta gravação do Quarteto Brodsky, principalmente na abordagem menos histérica que o habitual ao Quinteto para Piano, Op. 34. Talvez por estarem acostumados a Bartók e Shostakovich — eles também têm gravações como Paul McCartney, Elvis Costello e Björk –, o Brodsky teve a capacidade de retirar o Brahms, falo mais especificamente do Quinteto, da área do romantismo descabelado, trazendo-o para o local onde ele deve estar, aquele onde Schoenberg o colocou. Afinal foi o velho Arnold quem disse que Brahms, o classicista, o acadêmico, era na verdade um grande inovador no domínio da linguagem musical, um grande progressista (progressive). Os elogios também vão para a interpretação madura Quarteto de Cordas Nº 1. Tudo de bom aqui.

Johannes Brahms (1833-1897): Quarteto de Cordas Nº 1 e Quinteto para Piano

01. String Quartet in C minor, Op.51 No.1 – I. Allegro
02. String Quartet in C minor, Op.51 No.1 – II. Romanze. Poco adagio
03. String Quartet in C minor, Op.51 No.1 – III. Allegretto molto moderato e comodo
04. String Quartet in C minor, Op.51 No.1 – IV. Allegro

05. Piano Quintet in F minor, Op.34 – I. Allegro non troppo
06. Piano Quintet in F minor, Op.34 – II. Andante, un poco Adagio
07. Piano Quintet in F minor, Op.34 – III. Scherzo. Allegro – Trio
08. Piano Quintet in F minor, Op.34 – IV. Finale. Poco sostenuto – Allegro non troppo

Brodsky Quartet
Natacha Kudritskaya, piano

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O ótimo Brodsky Quartet
O ótimo Brodsky Quartet

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Krzysztof Penderecki (1933): Peças para Violino e Piano

Krzysztof Penderecki (1933): Peças para Violino e Piano

Penderecki tem carreira longuíssima e variada. Começou como um moderno ultra radical e depois fez até música tonal e melodiosa. É um enorme talento que começou como Pollock e depois fez retratos e paisagens. Ou seja, suas primeiras obras eram enquadradas na chamada música de vanguarda. Tempos depois, contudo, Penderecki passou a escrever obras com uma estética mais conservadora, retornando ao sistema tonal, eventualmente utilizando alguns elementos atonais. Sua música se enquadra no período denominado classicismo pós-moderno. É um dos poucos compositores contemporâneos que trânsito entre o grande público. De uma forma bastante rarefeita, este disco demonstra tal evolução. É um grande compositor e, se você não conhece, deveria. Este disco é uma joia que serve bem de porta de entrada para um compositor fascinante.

Krzysztof Penderecki (1933): Peças para Violino e Piano

01. Violin Sonata No. 1 – I. Allegro
02. Violin Sonata No. 1 – II. Andante
03. Violin Sonata No. 1 – III. Allegro vivace

04. 3 Miniatures for Violin and Piano – No. 1. Allegro
05. 3 Miniatures for Violin and Piano – No. 2. Andante cantabile
06. 3 Miniatures for Violin and Piano – No. 3. Allegro ma non troppo

07. Cadenza (arr. C. Edinger for solo violin)

08. Violin Sonata No. 2 – I. Larghetto
09. Violin Sonata No. 2 – II. Allegretto scherzando
10. Violin Sonata No. 2 – III. Notturno
11. Violin Sonata No. 2 – IV. Allegro
12. Violin Sonata No. 2 – V. Andante

Beata Bilinska, piano
Patrycja Piekutowska, violino

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Penderecki adverte: "Eu sou um dos melhores compositores contemporâneos".
Penderecki adverte: “Eu sou um dos melhores compositores contemporâneos”.

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Dmitri Shostakovich / Leoš Janáček: Concertos para Violino

Dmitri Shostakovich / Leoš Janáček: Concertos para Violino

Baiba Skride (1981) é uma violinista letã, vencedora do Concurso de violino da rainha Elisabeth em 2001. Este CD oferece uma mistura muito particular, mas absolutamente coerente, onde ela usa em seu favor a atmosfera de concerto. O CD foi gravado ao vivo em Munique, capturando uma Skride explosiva. As águas escuras do primeiro movimento do Concerto de Shostakovich recebe uma sequência fulminante, enquanto os suspiros entristecidos da “Passacaglia” se dissolvem em um solo frio. Pois é. Não chega a ser tudo aquilo. Porém, ambos os movimentos rápidos de Shosta estão ótimos. Os lentos nem tanto. Monumental e maciço, como um totem musical, o concerto de Janáček é igualmente intenso, oferecendo melodias folclóricas ingênuas, movimentos nervosos, quase mínimos, assim como erupções ardentes. Bom disco!

Dmitri Shostakovich / Leoš Janáček: Concertos para Violino

1. Dmitri Shostakovich – Violin Concerto Nr. 1 A-moll, Op. 77: I. Nocturne. Moderato (13:10)
2. Dmitri Shostakovich – Violin Concerto Nr. 1 A-moll, Op. 77: II. Scherzo. Allegro (6:41)
3. Dmitri Shostakovich – Violin Concerto Nr. 1 A-moll, Op. 77: III. Passacaglia. Andante — Cadenza (14:50)
4. Dmitri Shostakovich – Violin Concerto Nr. 1 A-moll, Op. 77: IV. Burlesque. Allegro con brio (6:15)

5. Leoš Janáček – Violin Concerto “Wanderung einer Seele” (11:41)

Munich Philharmonic Orchestra
Mikko Franck
(Shostakovich)

Radio Symphony Orchestra
Marek Janowski
(Janácek)

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Baiba Skride lança seu Olhar 43 para os pequepianos.
Baiba Skride lança seu Olhar 43 para os pequepianos.

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J.S. Bach (1685-1750): Suites para Violoncelo Solo

J.S. Bach (1685-1750): Suites para Violoncelo Solo

O violoncelista suíço Thomas Demenga retorna às Suítes Solo de Bach. “Para mim, Bach é o maior gênio musical que já viveu. Sua música é pura, sublime. Possui algo divino e cada músico tem uma vida para descobrir novas maneiras de interpretá-la”. Demenga gravou anteriormente as suítes de cello para ECM entre 1986 e 2002, justapondo-as com a participação em álbuns que são marcos na história inicial da ECM New Series. Este novo CD duplo, no entanto, é dedicado inteiramente a Bach e às 6 Suítes para Violoncelo Solo. Sua gravação é muito boa, sem chegar ao nível de um Cocset, de GastinelQueyras ou Bylsma. Esta nova gravação foi realizada no Hans Huber Saal em Basel.

J.S. Bach (1685-1750): Suites para Violoncelo Solo

1. Cello Suite No. 1 in G Major, BWV 1007: I. Prélude (02:17)
2. Cello Suite No. 1 in G Major, BWV 1007: II. Allemande (04:06)
3. Cello Suite No. 1 in G Major, BWV 1007: III. Courante (02:23)
4. Cello Suite No. 1 in G Major, BWV 1007: IV. Sarabande (02:26)
5. Cello Suite No. 1 in G Major, BWV 1007: V. Menuet 1 – VI. Menuet 2 (03:18)
6. Cello Suite No. 1 in G Major, BWV 1007: VII. Gigue (01:38)

7. Cello Suite No. 2 in D Minor, BWV 1008: I. Prélude (03:55)
8. Cello Suite No. 2 in D Minor, BWV 1008: II. Allemande (03:42)
9. Cello Suite No. 2 in D Minor, BWV 1008: III. Courante (01:58)
10. Cello Suite No. 2 in D Minor, BWV 1008: IV. Sarabande (03:49)
11. Cello Suite No. 2 in D Minor, BWV 1008: V. Menuet 1 – VI. Menuet 2 (03:00)
12. Cello Suite No. 2 in D Minor, BWV 1008: VII. Gigue (02:44)

13. Cello Suite No. 3 in C Major, BWV 1009: I. Prélude (03:07)
14. Cello Suite No. 3 in C Major, BWV 1009: II. Allemande (03:48)
15. Cello Suite No. 3 in C Major, BWV 1009: III. Courante (02:55)
16. Cello Suite No. 3 in C Major, BWV 1009: IV. Sarabande (03:29)
17. Cello Suite No. 3 in C Major, BWV 1009: V. Bourrée 1 – VI. Bourrée 2 (03:35)
18. Cello Suite No. 3 in C Major, BWV 1009: VII. Gigue (03:13)

19. Cello Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 1010: I. Prélude (03:50)
20. Cello Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 1010: II. Allemande (04:10)
21. Cello Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 1010: III. Courante (03:17)
22. Cello Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 1010: IV. Sarabande (03:07)
23. Cello Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 1010: V. Bourrée 1 – VI. Bourrée 2 (04:25)
24. Cello Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 1010: VII. Gigue (02:58)

25. Cello Suite No. 5 in C Minor, BWV 1011: I. Prélude (05:37)
26. Cello Suite No. 5 in C Minor, BWV 1011: II. Allemande (04:39)
27. Cello Suite No. 5 in C Minor, BWV 1011: III. Courante (02:11)
28. Cello Suite No. 5 in C Minor, BWV 1011: IV. Sarabande (03:13)
29. Cello Suite No. 5 in C Minor, BWV 1011: V. Gavotte 1 – VI. Gavotte 2 (04:45)
30. Cello Suite No. 5 in C Minor, BWV 1011: VII. Gigue (02:32)

31. Cello Suite No. 6 in D Major, BWV 1012: I. Prélude (04:34)
32. Cello Suite No. 6 in D Major, BWV 1012: II. Allemande (08:12)
33. Cello Suite No. 6 in D Major, BWV 1012: III. Courante (03:31)
34. Cello Suite No. 6 in D Major, BWV 1012: IV. Sarabande (04:52)
35. Cello Suite No. 6 in D Major, BWV 1012: V. Gavotte 1 – VI. Gavotte 2 (03:09)
36. Cello Suite No. 6 in D Major, BWV 1012: VII. Gigue (04:14)

Thomas Demenga, violoncelo

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Thomas Demenga: uma bonita gravação que chegou quase ao Olimpo.
Thomas Demenga: uma bonita gravação que chegou quase ao Olimpo.

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Gustav Mahler (1860-1911): Quarteto para Piano (1876)

Gustav Mahler (1860-1911): Quarteto para Piano (1876)

Mahler Piano kwartet 110min32. Este é o menor disco já postado aqui, mas vale a pena. Explico: é um disco de vinil de apenas um lado produzido em 1973. Acontece que a associação de amigos da Concertgebouw Orchestra tinha o costume — talvez tenha ainda — de presentear anualmente seus sócios. Um agradecimento aos doadores e aos associados que estivessem em dia com suas mensalidades. Os méritos do trabalho são grandes. Este é o primeiro registro gravado do primeiro movimento de um quarteto de piano inacabado, composto em 1876 por Gustav Mahler. Ele foi admitido no conservatório em 1875 e ganhou um prêmio por ele. A estreia da peça ocorreu em 1876 no Conservatório de Viena com o próprio Mahler no piano. Aqui, temos uma visão das habilidades de composição de um jovem Gustav Mahler. A Sra. Anna Mahler deu permissão ao Concertgebouw para gravar este trabalho juvenil e, em 1972, o disco foi gravado e, em 1973, enviado aos doadores da Concertgebouw Orchestra. O quarteto é formado por membros da orquestra. Mas vocês jamais ouviriam isso não fosse o notável blog holandês 33 toeren klassiek, ao qual somos gratos.

Gustav Mahler (1860-1911): Quarteto para Piano (1876)
1º Movimento: Nicht zu schnell, mit Leidenschaft (1876)    10:32

Ina Overkamp, piano
Nobuyuki Shioda, violino
Klaas Boon, viola
Saskia Boon, violoncelo

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Mahler aos 11 anos.
Mahler aos 11 anos.

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Tchaikovsky / Liszt: First Piano Concertos

Tchaikovsky / Liszt: First Piano Concertos

Pouca coisa deu certo aqui… A pianista Ott nasceu em Munique, na Alemanha, em 1988. Sua mãe é japonesa e estudou piano em Tóquio. Seu pai era um engenheiro civil alemão. Ela gravou esse álbum parcialmente ao vivo (Tchaikovsky) em sua cidade natal, com a soberba Orquestra Filarmônica de Munique sob a batuta de Thomas Hengelbrock, conhecido como um intérprete moderno com ideias fortes. Tão fortes quanto estranhas, na minha opinião. Os dois concertos são trabalhos que acompanharam Alice desde a juventude. Ela tocou o de Liszt pela primeira vez quando tinha 14 anos e o de Tchaikovsky aos 17. Eu acho que estas peças devem ser tocadas com absoluta paixão e é o que falta nesta gravação. O tempo no primeiro movimento do Tchai, por exemplo, é muito lento, o que tira seu efeito dramático, tão necessário neste concerto. Mais: há pouca conexão entre a orquestra e a solista. Um não responde ao outro. A orquestra deixa de ser suporte e passa a ser um devaneio meio perdido. No Tchai, fique com Gilels / Reiner, Richter / Mravinsky ou Rudy / Jansons. No Liszt, com Arrau / Ormandy, Richter / Kondrashin, ou Hough / Litton para citar uns poucos. Esqueça esta gravação.

Tchaikovsky / Liszt: First Piano Concertos

Tchaikovsky
Piano Concerto No.1 In B Flat Minor, Op.23

1. Allegro Non Troppo E Molto Maestoso – Allegro Con Spirito 20:57
2. Andantino Semplice – Prestissimo – Tempo I 7:00
3. Allegro Con Fuoco 7:01

Liszt:
Piano Concerto No.1 In E Flat, S.124

4 Allegro Maestoso 5:53
5 Quasi Adagio – Allegretto Vivace – Allegro Animato 9:30
6 Allegro Marziale Animato – Presto 4:22

Alice Sara Ott, piano
Munich Philharmonic Orchestra
Thomas Hengelbrock

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Alice Sara Ott: um passo em falso, talvez causado pelo regente de ideias equivocadas
Alice Sara Ott: um passo em falso, talvez causado pelo regente de ideias equivocadas

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Chopin / Franck / Debussy: Sonatas para Violoncelo

Chopin / Franck / Debussy: Sonatas para Violoncelo

Fazer o quê? Durante uma época da minha vida, eu pensava que não gostava de Chopin. Na verdade, apenas não o entendo. Minha mulher acha o mesmo de Bartók, que eu adoro. Ela o acha sem lógica… Já eu penso isso de Chopin e Rachmaninov. Desta forma, melhor deixar para o FDP postá-lo. Também não amo a Sonata de Franck, aqui transcrita para o violoncelo. O conteúdo de Maisky é o romantismo. Ele toca para ser mais e mais romântico. Na minha opinião, é o romantismo pelo romantismo, sem conteúdo. Mas sei que a maioria gosta do romantismo, para mim descabelado, dos compositores e do violoncelista citado e não vou deixar de postar este CD. Mas sou fã da Sonata de Debussy. Os dois músicos com grande liberdade, apesar de Maisky tentar tornar Debby um romanticão. É uma Sonata que enfatiza a diversidade de timbres e efeitos. Este CD é a gravação de um concerto ao vivo feito pela dupla em Kyoto, no Japão, no ano 2000. Embriaguem-se! E só me chamem para o Debussy e olhe lá porque esse Mischa… Vá ser chato assim no inferno!

Chopin / Franck / Debussy: Sonatas para Violoncelo

1. Applause (0:21)

2. Chopin – Cello Sonata in g – 1 (15:03)
3. Chopin – Cello Sonata in g – 2 (5:03)
4. Chopin – Cello Sonata in g – 3 (3:55)
5. Chopin – Cello Sonata in g – 4 (6:07)

6. Franck – Violin (Cello) Sonata in A – 1 (6:27)
7. Franck – Violin (Cello) Sonata in A – 2 (8:12)
8. Franck – Violin (Cello) Sonata in A – 3 (7:21)
9. Franck – Violin (Cello) Sonata in A – 4 (6:02)

10. Debussy – Cello Sonata in d – 1 (4:54)
11. Debussy – Cello Sonata in d – 2 (3:38)
12. Debussy – Cello Sonata in d – 3 (3:45)

13. Chopin – Polonaise brillante Op.3 – 1 (3:02)
14. Chopin – Polonaise brillante Op.3 – 2 (5:55)

Mischa Maisky, violoncelo
Martha Argerich, piano

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Óinnnnnnn!
Óinnnnnnn!

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Georg Philipp Telemann (1681-1767): Sonates Corellisantes / Canonic Duos

Georg Philipp Telemann (1681-1767): Sonates Corellisantes / Canonic Duos

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um disco de alta qualidade artística. Às excelentes composições de Telemann, temos uma bela resposta de Simon Standage e de seu Collegium Musicum 90. As Sonatas Corellisantes e os Duos Canônicos estão dentre as mais sublimes obras do compositor. É claro que Telemann conhecia Corelli e todo o panorama musical de sua época. E ele não brinca ao chamar suas Sonatas de corellisantes… Telemann foi o principal compositor da Alemanha em seu tempo — naquele tempo, Bach era mais respeitado pelos outros músicos. Telemann compôs em todas as formas existentes em sua época. Em qualquer estilo, sua música tem um caráter inconfundível, sendo sempre clara e fluída. Apesar de ser quatro anos mais velho do que seus contemporâneos Bach e Handel, utilizou formas musicais já quase fora do barroco, podendo ser considerado um precursor do clássico.

Georg Philipp Telemann (1681-1767): Sonates Corellisantes / Canonic Duos

Sonate Corellisante No. 1 In F Major (7:43)
1 I Largo 2:38
2 II Presto 1:17
3 III Dolce 1:55
4 IV Grave 0:39
5 V Allegro 1:10

Sonate Corellisante No. 2 In A Major (8:33)
6 I Largo 1:51
7 II Allemanda. Presto 2:17
8 III Sarabanda. Grave 2:11
9 IV Corrente. Vivace 2:12

Canonic Duo No. 1 In G Major (4:20)
10 I Vivace 1:31
11 II Adagio 1:25
12 III Allegro 1:24

Sonate Corellisante No. 3 In B Minor (8:26)
13 I Grave 1:53
14 II Vivace 1:26
15 III Adagio E Staccato 0:41
16 IV Allegro Assai 1:13
17 V Soave 1:30
18 VI Presto 1:40

Canonic Duo No. 2 In G Minor (3:33)
19 I Presto 1:16
20 II Largo 1:09
21 III Vivace 1:07

Sonate Corellisante No. 4 In E Major (9:07)
22 I Andante 1:44
23 II Allemanda. Allegro 3:06
24 III Largo 1:19
25 IV Giga. Allegro 2:56

Canonic Duo No. 3 In D Major (4:43)
26 I. Spirituoso 1:33
27 II Larghetto 1:26
28 III Allegro Assai 1:42

Sonate Corellisante No. 5 In G Minor (8:08)
29 I Grave 2:36
30 II Vivace 1:58
31 III Presto 1:25
32 IV Grave 0:34
33 V Vivace 1:31

Canonic Duo No. 4 In D Minor (5:04)
34 I Vivace Ma Moderato 1:46
35 II Piacevole, Non Largo 2:07
36 III Presto 1:08

Sonate Correlisante No. 6 In D Major (10:07)
37 I Pastorale. Moderato 2:34
38 II Corrente. Vivace 3:05
39 III Gavotta. Allegro 1:54
40 IV Grave 0:48
41 V Vivace 1:45

Cello – Jane Coe
Violin – Micaela Comberti
Harpsichord – Nicholas Parle
Directed By, Violin – Simon Standage
Orchestra – Collegium Musicum 90

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Simon Standage, um dos ídolos de PQP Bach
Simon Standage, um dos ídolos de PQP Bach

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Henryk Wieniawski (1835-1880) / Pablo de Sarasate (1844-1908): Concertos Nº 1 e 2 / Zigeunerweisen, Op. 20

Henryk Wieniawski (1835-1880) / Pablo de Sarasate (1844-1908): Concertos Nº 1 e 2 / Zigeunerweisen, Op. 20

Wieniawski foi um tremendo violinista polonês. Podia tocar tudo com sua técnica diabólica. Foi famosíssimo, especialmente na Rússia. Excursionou a vida inteira, cruzou o mundo sempre encantando plateias. Foi quem tornou a Chaconne de Bach conhecida. Era um romântico, tanto que escreveu Legénde para conquistar sua amada junto à família da moça. Foi professor de violino em São Petersburgo. Foi um gordo cardíaco que sofria terrivelmente com as excursões para concertos e morreu aos 44 anos. Sua arte o matou. Foi um violinista-compositor de respeito. Gil Shaham dá uma boa visão da arte de Wieniawski para os pequepianos.

Henryk Wieniawski (1835-1880) / Pablo de Sarasate (1844-1908): Concertos Nº 1 e 2 / Zigeunerweisen, Op. 20

Konzert Für Violine Und Orchester No. 1 Fis-moll Op. 14
1 Allegro Moderato 15:13
2 Preghiera. Larghetto 4:58
3 Rondo. Allegro Giocoso 7:17

Konzert Für Violine Und Orchester No. 2 D-moll Op. 2
4 Allegro Moderato 12:13
5 Romance. Andante Non Troppo 5:05
6 Allegro Con Fuocco – Allegro Moderato (A La Zingara) 6:32

Legénde G-moll Op. 17
7 Andante – Allegro Moderato – Tempo I 7:34

Zigeunerweisen Op. 20
8 Moderato – Lento – Un Peu Plus Lent – Allegro Molto Vivace 8:59

Gil Shaham, violino
London Symphony Orchestra
Lawrence Foster

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Wieniawski: bom garfo
Wieniawski: bom garfo

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Georg Friedrich Händel (1685-1759): Apollo e Dafne & Silete Venti

Georg Friedrich Händel (1685-1759): Apollo e Dafne & Silete Venti

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um baita CD, maravilhosamente bem interpretado. Apollo e Dafne é uma cantata secular de Georg Friedrich Händel, composta entre 1709 e 1710. Händel iniciou sua composição em Veneza e a terminou em Hanover. É uma das mais ambiciosas cantatas do autor. Seu libreto narra a história mítica do amor entre Apolo e Dafne. Meu pai tinha esta obra em vinil, cantada por Fischer-Dieskau… Onde andará? Mas Silete Venti também é algo extraordinário. Então, ouça porque vale a pena.

Georg Friedrich Händel (1685-1759): Apollo e Dafne & Silete Venti

Silete Venti (Motet For Soprano & Orchestra, Hwv 242)
1 Symphonia: Silete venti 5:51
2 Aria: Dulcis Amor, Jesu Care 6:46
3 Accompagnato: O Fortunata Anima 0:37
4 Date Serta, Date Flores 9:13
5 Presto: Alleluia 3:05

Apollo e Dafne (Cantata For Soprano, Baritone, & Orchestra, Hwv 122)
6 Recitativo: La Terra E Liberata! 0:46
7 Aria: Pende Il Ben Dell’ Universo Da Quest’ Arco Salutar 3:48
8 Recitativo: Ch’ Il Superbetto Amore Delle Saette Mie Ceda A la Forza (Apollo) 0:32
9 Aria: Spezza L’arco E Getta L’armi (Apollo) 2:58
10 Aria: Felicissima Quest’alma, Ch’ama Sol la Liberta (Dafne) 6:31
11 Recitativo: Che Voce! Che Belta! (Apollo E Dafne) 1:00
12 Aria: Ardi, Adori, E Preghi In Vano (Dafne) 3:27
13 Recitativo: Che Crudel! (Apollo E Dafne) 0:14
14 Duetto: Una Guerra Ho Dentro Il Seno (Dafne Ed Apollo) 1:54
15 Recitativo: Placati Al Fin, O Cara (Apollo) 0:21
16 Aria: Come Rosa In Su la Spina (Apollo) 3:21
17 Recitativo: Ah! Ch’un Dio Non Dovrebbe (Dafne) 0:21
18 Aria: Come In Ciel Benigna Stella (Dafne) 3:46
19 Recitativo: Odi la Mia Ragion! (Apollo E Dafne) 0:24
20 Duetto: Deh! Lascia Addolcire (Apollo E Dafne) 2:36
21 Recitativo: Sempre T’adorero! (Apollo E Dafne) 0:22
22 Scena: Mie Piante Correte (Apollo) 3:16
23 Aria: Cara Pianta, Co’miei Pianti (Apollo) 6:49

Baritone Vocals – Russell Braun
Soprano Vocals – Karina Gauvin
Orchestra – Les Violons du Roy
Conductor – Bernard Labadie

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Apolo e Dafne: Escultura de Gian Lorenzo Bernini
Apolo e Dafne: Escultura de Gian Lorenzo Bernini

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