Bach – Busoni – Lutz – Brahms: Chaconne

Bach – Busoni – Lutz – Brahms: Chaconne

IM-PER-DÍ-VEL !!!! 

REVALIDADO POR VASSILY EM 2/8/2015

Atendendo a pedidos, nosso Serviço de Atendimento ao Chororô (SAC) disponibiliza links fresquíssimos para um belo álbum repleto da magistral Chaconne da Partita em Ré menor do Grande Pai Bach, em transcrições para piano (aquela célebre de Busoni, uma contemporânea de Lutz e a de Brahms para mão esquerda) e no original para violino solo. É daquelas obras que, na iminência do final do mundo, a gente desejaria colocar numa cápsula espacial para que se salve deste vale de lágrimas – e que muitos de nós outros, melômanos, certamente gostaríamos de ter nos ouvidos ao dele nos despedirmos. Uma tremenda gravação, acompanhada de uma das melhores resenhas jamais feitas pelo patrão PQP.

Vassily

POSTAGEM ORIGINAL DE PQP BACH EM 10/5/2012

Numa noite fria do século XVIII, Bach escrevia a Chacona da Partita Nº 2 para violino solo. A música partia de sua imaginação (1) para o papel (2), alternando-se com o violino (3), no qual era testada. Anos depois, foi copiada (4) e publicada (5). Hoje, o violinista lê a Chacona (6) e de seus olhos passa o que está escrito ao violino (9) utilizando para isso seu controverso cérebro (7) e sua instável, ou não, técnica (8). Do violino, a música passa a um engenheiro de som (10) que a grava em um equipamento (11), para só então chegar ao ouvinte (12), que se desmilingúi àquilo.

Na variação entre todas essas passagens e comunicações, está a infindável diversidade das interpretações. Mas ainda faltam elos, como a qualidade do violino – e se seu som for divino ou de lata, e se ele for um instrumento original ou moderno? E o calibre do violinista? E seu senso de estilo e vivências? E o ouvinte? E… as verdadeiras intenções de Bach? Desejava ele que o pequeno violino tomasse as proporções gigantescas e polifônicas do órgão? Mesmo?

E depois tem gente que acha chata a música erudita…

-=-=-=-=-

Este CD faz ainda pior. É um disco onde há três diferentes transcrições (13, 13 e 13) que foram para o papel (14), para o pianista, etc. As transcrições são muito boas.

E apenas uma certeza. Tudo muito bom, tudo muito bonito, mas a Chaconne foi mesmo escrita o VIOLINO. Quando Beyer entra, o sol aparece. É algo absurdamente luminoso, apesar de, ao que tudo indica, Bach tê-la escrito durante o luto pela morte de sua primeira esposa Maria Barbara e em honra a ela. 

Bach – Busoni – Lutz – Brahms: Chaconne

1. Chaconne After Bach’s Partita for Violin Solo No. 2 in D Minor, BWV 1004 (Transcribed for Piano By Busoni) 15:47

2. Chaconne After Bach’s Partita for Violin Solo No. 2 in D Minor, BWV 1004 (Transcribed for Piano By Lutz) 15:18

3. Chaconne After Bach’s Partita for Violin Solo No. 2 in D Minor, BWV 1004 (Transcribed for Piano By Brahms) 15:28

4. Partita for Violin Solo No. 2 in D Minor, BWV 1004: V. Chaconne 13:58

Edna Stern, piano
Amandine Beyer, violino

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Chaconne

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Integral das Sinfonias com Claudio Abbado e a Filarmônica de Berlim (2008)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Integral das Sinfonias com Claudio Abbado e a Filarmônica de Berlim (2008)

ABSOLUTAMENTE IM-PER-DÍ-VEL !!!

Ludwig van Beethoven (Bonn, batizado em 17 de dezembro de 1770 — Viena, 26 de março de 1827).

Não há jeito, você vai ter de baixar esses cinco CDs e depois vai comprá-los. Eu pensei que a grande versão de Abbado fosse uma balela, mas não é não. Tenho de explicar umas coisinhas.

Claudio Abbado (1933-2014 — note que este post é, originalmente, de 2010) registrara um ciclo completo das Sinfonias de Beethoven com a Filarmônica de Berlim no ano de 2000. Não se saiu nada bem. Era uma versão opaca e desapaixonada, pecado mortal em Beethoven. Tinha coisas boas nas Sinfonias 1, 2, 4 e 9, mas, no geral, era um registro decepcionante, abaixo do esperado. Para surpresa geral, Abbado e a Filarmônica gravaram tudo de novo um ano mais tarde. A gravação foi feita em 2001 a partir de performances ao vivo em Roma (ah, as gravações ao vivo, sempre melhores…), mas com a Nona Sinfonia da versão de 2000.

Céus, como Abbado conseguiu evoluir em tão curto espaço de tempo! A música respira e vive como nunca. É um TRIUNFO ESPETACULAR. No encarte, o maestro fala sobre o desenvolvimento de uma visão compartilhada com a orquestra. Isso é facilmente perceptível. Onde havia uma orquestra tocando notas, um ano depois havia sentido, direção e uma emoção arrasadora.

O que distingue esse conjunto de quase todos os outros ciclos completos é sua notável coerência. Não há falhas ou partes em que o ouvinte tenha de ser indulgente. O estilo está em consonância com o mainstream de nossos dias — tocada por instrumentos modernos, mas com texturas transparentes e tempos animados, Abbado revela detalhes expressivos com pertinência e permite que a música se desdobre esplendidamente.

Há muitos concorrentes — quem não sabe? — , mas se você estiver procurando por um ciclo completo das Sinfonias de Beethoven, fique sabendo que Abbado não é somente uma das principais recomendações, como uma first choice. Em minha opinião, nunca estas obras soaram tão espontâneas. Não seja besta de não ouvir.

Oh, sim. Histórias e mais histórias: Abbado sofreu um boicote aberto dos músicos da Filarmônica de Berlim. Sua forma de trabalho não lhes agradava. Abateu-se muito e ficou doente (verdade, quase morreu). O auge da crise foi entre 1998 e 2000. A lenda conta que os músicos, sentindo-se culpados, quiseram dar-lhe o maior Beethoven possível, pois, além de mal de saúde, ele estava deprimido, em vias de ser substituiído por Simon Rattle, por exigência dos músicos amotinados. Esta é a lenda. Acredite se quiser. Só sei de uma coisa, o resultado foi verdadeiramente ESPANTOSO. O lançamento da versão romana de 2001 ocorreu em 2008. É este o registro que PQP Bach apresenta a seus amados e detestáveis leitores-ouvintes.

Beethoven: Integral das Sinfonias

Disc: 1
1. Symphony No. 1 in C major, Op. 21: 1. Adagio molto – Allegro con brio
2. Symphony No. 1 in C major, Op. 21: 2. Andante cantabile con moto
3. Symphony No. 1 in C major, Op. 21: 3. Menuetto. Allegro molto e vivace – Trio
4. Symphony No. 1 in C major, Op. 21: 4. Finale. Adagio – Allegro molto e vivace

5. Symphony No. 3 in E flat major (‘Eroica’), Op. 55: 1. Allegro con brio
6. Symphony No. 3 in E flat major (‘Eroica’), Op. 55: 2. Marcia funebre. Adagio assai
7. Symphony No. 3 in E flat major (‘Eroica’), Op. 55: 3. Scherzo. Allegro vivace – Trio
8. Symphony No. 3 in E flat major (‘Eroica’), Op. 55: 4. Finale. Allegro molto – Poco Andante – Presto

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Disc: 2
1. Symphony No. 2 in D major, Op. 36: 1. Adagio – Allegro con brio
2. Symphony No. 2 in D major, Op. 36: 2. Larghetto
3. Symphony No. 2 in D major, Op. 36: 3. Scherzo. Allegro – Trio
4. Symphony No. 2 in D major, Op. 36: 4. Allegro molto

5. Symphony No. 4 in B flat major, Op. 60: 1. Adagio – Allegro vivace
6. Symphony No. 4 in B flat major, Op. 60: 2. Adagio
7. Symphony No. 4 in B flat major, Op. 60: 3. Allegro molto e vivace – Trio. Un poco meno allegro
8. Symphony No. 4 in B flat major, Op. 60: 4. Allegro ma non troppo

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Disc: 3
1. Symphony No. 5 in C minor (‘Fate’), Op. 67: 1. Allegro con brio
2. Symphony No. 5 in C minor (‘Fate’), Op. 67: 2. Andante con moto
3. Symphony No. 5 in C minor (‘Fate’), Op. 67: 3. Allegro
4. Symphony No. 5 in C minor (‘Fate’), Op. 67: 4. Allegro – Presto

5. Symphony No. 6 in F major (‘Pastoral’), Op. 68: 1. Angenehme, heitere Empfindungen, welche bei der Ankunft auf dem Lande im Menschen
6. Symphony No. 6 in F major (‘Pastoral’), Op. 68: 2. Szene am Bach. Andante molto moto
7. Symphony No. 6 in F major (‘Pastoral’), Op. 68: 3. Lustiges Zusammensein der Landleute. Allegro
8. Symphony No. 6 in F major (‘Pastoral’), Op. 68: 4. Donner. Sturm. Allegro
9. Symphony No. 6 in F major (‘Pastoral’), Op. 68: 5. Hirtengesang. Wohltätige, mit Dank an die Gottheit verbundene Gefühle nach dem Stu

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Disc: 4
1. Symphony No. 7 in A major, Op. 92: 1. Poco sostenuto – Vivace
2. Symphony No. 7 in A major, Op. 92: 2. Allegretto
3. Symphony No. 7 in A major, Op. 92: 3. Presto
4. Symphony No. 7 in A major, Op. 92: 4. Allegro con brio

5. Symphony No. 8 in F major, Op. 93: 1. Allegro vivace e con brio
6. Symphony No. 8 in F major, Op. 93: 2. Allegretto scherzando
7. Symphony No. 8 in F major, Op. 93: 3. Tempo di Menuetto
8. Symphony No. 8 in F major, Op. 93: 4. Allegro vivace

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Disc: 5
1. Symphony No. 9 in D minor (‘Choral’), Op. 125: 1. Allegro ma non troppo e un poco maestoso
2. Symphony No. 9 in D minor (‘Choral’), Op. 125: 2. Scherzo: Molto vivace – Presto
3. Symphony No. 9 in D minor (‘Choral’), Op. 125: 3. Adagio molto e cantabile – Andante moderato
4. Symphony No. 9 in D minor (‘Choral’), Op. 125: 4. Presto – Allegro assai
5. Symphony No. 9 in D minor (‘Choral’), Op. 125: 4. Presto – O Freunde, nicht diese Töne! – Allegro assai – Allegro assai vivace

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Karita Mattila
Thomas Moser
Thomas Quasthoff
Violeta Urmana

Claudio Abbado
Berlin Philharmonic Orchestra

Nós é que te agradecemos, Abbado
Nós te agradecemos, Abbado

PQP

Claude Debussy (1862-1918): Préludes II & En blanc et noir (2018)

Claude Debussy (1862-1918): Préludes II & En blanc et noir (2018)

100 anos da morte de Debussy

Claude-Achille Debussy (Saint-Germain-en-Laye, 22 de Agosto de 1862 — Paris, 25 de Março de 1918)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Eu sei quem estou envolvendo quando digo isso, mas é minha opinião: Maurizio Pollini é o melhor pianista de toda a era das gravações. Dito isto, completo o post explicando que o legendário pianista comemora na DG o ano do centenário de morte de Debussy com o álbum que inclui os Préludes II e En blanc et noir, o último gravado em duo com seu filho Danielle. Há vinte anos, Maurizio Pollini gravou o primeiro livro dos Préludes, investindo anos de experiência em suas dúzias de peças. É o estilo de Pollini. Ele passou 40 anos até gravar todas as Sonatas de Beethoven, até dar a cada uma delas maturidade sob suas mãos. Préludes II deve ficar entre as homenagens mais significativos a Debussy, um século após sua morte.

Claude Debussy (1862-1918): Préludes II (2018)

01. Debussy: Préludes-Book 2, L.123-1. Brouillards
02. Debussy: Préludes-Book 2, L.123-2. Feuilles mortes
03. Debussy: Préludes-Book 2, L.123-3. La puerta del vino
04. Debussy: Préludes-Book 2, L.123-4. Les fées sont d’exquises danseuses
05. Debussy: Préludes-Book 2, L.123-5. Bruyères
06. Debussy: Préludes-Book 2, L.123-6. General Lavine-eccentric
07. Debussy: Préludes-Book 2, L.123-7. La terrasse des audiences du clair de lune
08. Debussy: Préludes-Book 2, L.123-8. Ondine
09. Debussy: Préludes-Book 2, L.123-9. Hommage à S. Pickwick, Esq., P.P.M.P.C.
10. Debussy: Préludes-Book 2, L.123-10. Canope
11. Debussy: Préludes-Book 2, L.123-11. Les tierces alternées
12. Debussy: Préludes-Book 2, L.123-12. Feux d’artifice
13. Debussy: En blanc et noir, L.134-1. Avec emportement
14. Debussy: En blanc et noir, L.134-2. Lent. Sombre
15. Debussy: En blanc et noir, L.134-3. Scherzando

Personnel:
Maurizio Pollini, piano
Daniele Pollini, piano

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Pollini não é mais uma criança, mas como toca!
Pollini no Southbank Centre, onde o vi em ação há alguns anos: não é mais uma criança, mas como toca!

PQP

.: interlúdio :. Goran Bregovic – Silence Of The Balkans

.: interlúdio :. Goran Bregovic – Silence Of The Balkans

Este disco é chamado de “Silêncio dos Balcãs”, mas na verdade é o registro dos sons e do ritmo dos Bálcãs e da Geórgia. O álbum foi gravado ao vivo em Tessalônica, Grécia, em 30 de dezembro de 1997. Foi o espetáculo final da cidade como Capital Europeia da Cultura de 1997. Na apresentação da última música, 3 crianças (uma da Sérvia, uma muçulmana e uma do Croata) de um orfanato em Sarajevo, pedem paz. Funções ao vivo de: Orquestra Municipal de Tessalônica (47 membros), o Coro de Tessalônica (50), 4 cantoras búlgaros que trabalham com Bregović em todas as suas apresentações, o conjunto de dança búlgaro ‘Filip Kutev’), 45 dançarinas da Grécia, uma grupo polifônico da Albânia, o cantor da ex-Iugoslávia Zdravko Čolić, o grupo de Aristidis Moshos, etc. Ou seja, foi um super show que não conseguiu sufocar a bela música deste artista filho de um croata e de uma sérvia, casado com uma muçulmana, que teve sua casa destruída durante a guerra. Ele só lamenta o incêndio de sua biblioteca:

Com a guerra perdi tudo e também minha biblioteca. Podes começar tua vida duas vezes, mas não podes começar duas vezes uma biblioteca.

Goran Bregovic – Silence Of The Balkans

1 Silence 1 5:22
Voice [Speech] – Winston Churchill

2 Delicious Solitude 3:58
Lyrics By – Andrew Marvell
Vocals – Lena Jinnegren

3 Train 7:41
Orchestrated By – Ognjan Radivojevic*
Vocals – Zdravko Colic*

4 Silence 2 1:50

5 Wedding 6:38
Lyrics By – Christina Turcu Preda*
Orchestrated By – Slobodan Markovic*
Vocals – Dunja Simic*, Gordana Tomic*, Ileana Okolisan*, Jelena Vlahovic*

6 Ederlezi 4:50
Vocals – Vaska Jankovska

7 Silence 3 3:28
8 Chupchik 3:36
Backing Band – Wedding & Funeral Band
Vocals – Daniela Radkova, Lidia Dakova*, Ludmila Radkova*, Snejanka Borisova

9 Babylon 6:08
Choir – Choir Of Thessaloniki
Orchestra – Symphonic Orchestra Of The Municipality Of Thessaloniki
Orchestrated By – Ana Mihailovic*
Vocals – Projekt Jon

10 Green Thought 6:48
Lyrics By – Andrew Marvell
Performer – Aristidis Moschos & His Orchestra
Vocals – Lena Jinnegren, Kostas Mantzopoulos*

11 Silence 4 1:46

12 Mocking Song 3:04
Vocals – Zdravko Colic*

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Goran Bregovic, nada de silêncio
Goran Bregovic, nada de silêncio

PQP

.: interlúdio :. Ralph Towner: Diary

.: interlúdio :. Ralph Towner: Diary

Este é o segundo álbum que Towner fez para a ECM. É de 1973 e eu lhe daria 3 estrelas em 5. Não chega ao nível de outros posteriores, mas é bom. Insere-se naquela tendência de vanguarda de certos trabalhos da gravadora de Manfred Eicher. Ainda é muito free jazz — talvez seja ainda mais ECM style –, com Towner revezando-se nos instrumentos em temas muitas vezes desprogramados. Não é o seu melhor trabalho, mas é o início de uma série de registros fantásticos que Towner continuaria a liberar através da ECM ao longo das décadas e até os dias de hoje. Altamente recomendado para fãs de música instrumental. O cara toca mesmo.

Ralph Towner: Diary

1 “Dark Spirit” – 7:21
2 “Entry in a Diary” – 3:55
3 “Images Unseen” – 4:14
4 “Icarus” – 6:18
5 “Mon Enfant” (Traditional) – 5:42
6 “Odgen Road Towner 8:02
7 “Erg” – 3:21
8 “Silence of a Candle” – 3:53

Ralph Towner — twelve-string guitar, classical guitar, piano, gong

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Towner lá pelos anos 70
Towner lá pelos anos 70

PQP

Francesco Geminiani (1687-1762): 12 Concerti Grossi composti sull’opera V d’Arcangelo Corelli

Francesco Geminiani (1687-1762): 12 Concerti Grossi composti sull’opera V d’Arcangelo Corelli

Geminiani é um compositor curioso. Sempre o achei o menos italiano dos italianos. Assim como Vivaldi, Corelli e tantos outros barrocos, é um compositor de alta categoria, mas não é tão luminoso, mais parece um francês, talvez alemão. Ou… Quem sabe? Bem, o fato é que Geminiani mudou-se de mala e cuia para Londres em 1715 e lá ficou até morrer, ou seja, residiu em Londres por 47 anos. Será este o segredo? Bem, o que eu posso dizer é que gosto muito de sua música e o Ensemble 415, sob a direção de Chiara Banchini, dá tratamento de luxo a ela. É um excelente álbum duplo. Dá gosto de ouvir.

Francesco Geminiani (1687-1762): 12 Concerti Grossi composti sull’opera V d’Arcangelo Corelli

Concerto No. 1 En Ré Majeur / D Major / D Dur
Soloist – Chiara Banchini, Stéphanie Pfister*
(9:24)
1-1 Allegro (Grave, Allegro, Adagio, Grave, Allegro, Adagio)
1-2 Allegro
1-3 Largo
1-4 Allegro

Concerto No. 2 En Si Bémol Majeur / B-flat Major / B Dur
Soloist – Helena Zemanová, Odile Édouard*
(9:33)
1-5 Grave
1-6 Allegro
1-7 Vivace
1-8 Adagio
1-9 Vivace

Concerto No. 3 En Do Majeur / C Major / C Dur
Soloist – David Plantier, Odile Édouard*
(9:33)
1-10 Adagio
1-11 Allegro
1-12 Adagio
1-13 Allegro

Concerto No. 4 En Fa Majeur / F Major / F Dur
Soloist – Olivia Centurioni, Stéphanie Pfister*
(10:21)
1-14 Adagio
1-15 Allegro
1-16 Vivace
1-17 Adagio
1-18 Allegro

Concerto No. 5 En Sol Mineur / G-minor / G Dur
Soloist – Chiara Banchini, David Plantier
(8:40)
1-19 Adagio
1-20 Vivace
1-21 Adagio
1-22 Allegro

Concerto No. 6 En La Majeur / A Major / A Dur
Soloist – David Plantier, Olivia Centurioni
(8:40)
1-23 Adagio
1-24 Allegro
1-25 Adagio
1-26 Allegro

Concerto No. 7 En Ré Mineur / D Minor / D Dur
Soloist – David Plantier, Olivia Centurioni
(8:23)
2-1 Preludio
2-2 Corrente (Allegro)
2-3 Sarabanda (Largo)
2-4 Giga (Allegro)

Concerto No. 8 En Mi Mineur / E Minor / E Moll
Soloist – Chiara Banchini, Stéphanie Pfister*
(10:30)
2-5 Preludio (Largo)
2-6 Allemanda (Allegro)
2-7 Srabanda (Largo)
2-8 Giga (Allegro)

Concerto No. 9 En La Majeur / A Major / A Dur
Soloist – David Plantier, Olivia Centurioni
(9:58)
2-9 Preludio (Largo)
2-10 Giga (Allegro)
2-11 Adagio
2-12 Gavotta (Allegro)

Concerto No. 10 En Fa Majeur / F Major / F Dur
Soloist – David Plantier, Olivia Centurioni
(9:55)
2-13 Preludio (Adagio)
2-14 Allemanda (Allegro)
2-15 Sarabanda (Largo)
2-16 Gavotta (Allegro)
2-17 Giga (Allegro)

Concerto No. 11 En Mi Majeur / E Major E Dur
Soloist – David Plantier, Olivia Centurioni
(7:42)
2-18 Preludio
2-19 Allegro
2-20 Adagio
2-21 Vivace
2-22 Gavotta (Allegro)

2-23 Concerto No. 12 En Ré Mineur / D Minor / D Dur “Follia”
Soloist – Chiara Banchini, Stéphanie Pfister*
11:33

Ensemble 415
Cello – Hendrike Ter Brugge
Cello [Concertino] – Gaetano Nasillo
Contrabass – Michaël Chanu
Harpsichord, Organ – Andrea Marchiol
heorbo, Guitar – Evangelina Mascardi
Viola – Martine Schnorhk
Viola [Concertino] – Andreas Torgersen
Violin – David Plantier, Helena Zemanová, Odile Edouard, Olivia Centurioni, Stéphanie Pfister*
Violin, Viola – Birgit Goris
Violin, Directed By – Chiara Banchini

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Gemini, gemini, geminiano(i) / Este ano vai ser o seu ano / Ou se não, o destino não quis
Gemini, gemini, geminiano(i) / Este ano vai ser o seu ano / Ou se não, o destino não quis

PQP

Fauré: Requiem / Bach: Partita, Chorales & Ciaccona

Fauré: Requiem / Bach: Partita, Chorales & Ciaccona

Gravado a partir de um concerto realizado em Londres do ano passado (2017), este disco entrelaça o Partita Nº 2 para Violino Solo de Bach com uma seleção de corais funerários de nosso Pai, seguido de uma performance do Réquiem de Fauré. A colocação da Partita e de sua Chaconne é inspirada pela teoria acadêmica atual de que esta peça seria um memorial escondido para sua falecida primeira esposa, Maria Barbara. A obra que representaria o luto de Bach. O coral e o solista, o spalla da LSO, Gordan Nikolitch, se reúnem na grande Chaconne, com um efeito desafiador e atraente. O experimento é fascinante. O Réquiem de Fauré, acompanhado sensivelmente pelo LSO Chamber Ensemble, é executado calorosamente, de forma uma só vez urgente e serena. Um disco excelente.

Johann Sebastian Bach (1685-1750)
1 Ach Herr, lass dein lieb Engelein (Part 2 No 40, Chorale of St John Passion, BWV245)[2’09]
2 Allemanda (Movement 1 of Partita No 2 in D minor, BWV1004)[3’29]
3 Corrente (Movement 2 of Partita No 2 in D minor, BWV1004)[2’10]
4 Christ lag in Todesbanden (Versus 1 of Christ lag in Todesbanden, BWV4)[1’19]
5 Sarabanda (Movement 3 of Partita No 2 in D minor, BWV1004)[3’32]
6 Den Tod niemand zwingen kunnt (Versus 2 of Christ lag in Todesbanden, BWV4)[1’22]
7 Giga (Movement 4 of Partita No 2 in D minor, BWV1004)[3’03]
8 Wenn ich einmal soll scheiden (No 62, Chorale of St Matthew Passion, BWV244) [1’23]
Tenebrae, Nigel Short (conductor)
9 Ciaccona (Movement 5 of Partita No 2 in D minor, BWV1004)[13’08]

Gordan Nikolitch (violin)
Tenebrae, Nigel Short (conductor)

Gabriel Fauré (1845-1924)
Requiem Op 48 [36’40]
10 Introït et Kyrie Requiem aeternam dona eis, Domine [6’35]
11 Offertoire O Domine Jesu Christe [8’15]
William Gaunt (bass)
12 Sanctus [3’33]
13 Pie Jesu [3’32]
Grace Davidson (soprano)
14 Agnus Dei [6’17]
15 Libera me [4’53]
William Gaunt (bass)
16 In paradisum [3’35]

Tenebrae
London Symphony Orchestra Chamber Ensemble
Nigel Short (conductor)

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Esse é o bigodón Gabriel Fauré
Esse é o bigodón Gabriel Fauré

PQP

Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840-1893): Piano Concerto No. 1 / The Nutcracker Suite for two pianos

Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840-1893): Piano Concerto No. 1 / The Nutcracker Suite for two pianos

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Uma gravação de referência. Uma first choice indiscutível. Bem, os nomes dizem tudo. É a soma de Martha Argerich + Claudio Abbado + Orquestra Filarmônica de Berlim. Quer mais? E, para completar, além do Concerto Nº 1 para Piano e Orq de Tchai, ainda temos uma versão matadora da Quebra-Nozes para dois pianos. É impossível fazer isso, mas se você esquecer de Martha e tentar ouvir apenas a orquestra, notará o super envolvimento de Abbado para criar as melhores respostas à pianista. Sem dúvida, o casal conseguiu um dos principais registros do mais importante dos concertos para piano do velho Tchai. Eles quiseram e sabiam que podiam fazer isso, é óbvio. E fizeram.

Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840-1893): Piano Concerto No. 1 / The Nutcracker Suite for two pianos

Piano Concerto No.1 In B Flat Minor, Op.23
1 1. Allegro Non Troppo E Molto Maestoso – Allegro Con Spirito
2 2. Andantino Semplice – Prestissimo – Tempo I
3 3. Allegro Con Fuoco

The Nutcracker Op. 71a
4 Andante Giusto
5 Marche: Tempo Di Marcia Viva
6 Danse de la Fée Dragée: Andante Non Troppo
7 Danse Russe Trépak: Tempo di Trepak, Molto Vivace
8 Danse Arabe: Allegretto
9 Danse Chinoise: Allegro Moderato
10 Danse Des Mirlitons: Moderato Assai
11 Tempo Di Valse

Martha Argerich, piano
Nicolas Economou, no segundo piano na Quebra Nozes
Berlin Philharmonic Orchestra
Claudio Abbado

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Argerich e Abbado: amizade quentíssima, nossa
Argerich e Abbado: amizade quentíssima, nossa

PQP

.: interlúdio :. Oregon – Music of Another Present Era (1973)

.: interlúdio :. Oregon – Music of Another Present Era (1973)

Gente, o Oregon existe até hoje, ainda fazendo grande música. Em 2017, lançou Lantern, seu 30º álbum! Existem desde 1970 e este é seu fenomenal álbum de estreia, de 1973. Numa primeira audição, este trabalho parece um álbum datado, viajante, psicodélico, de jovens jazzistas perturbados pela força daqueles anos. Depois, você ouve novamente e se dá conta que a coisa é mais profunda. Já de cara eles conseguiram um bom equilíbrio entre as tradições musicais do Leste (não esqueçam que a Índia estava ultra na moda) e do Oeste e este transculturalismo podia ficar uma merda, mas aqui funciona bem. O Oregon é inacreditável também por outro motivo: seus membros sempre mantiveram importantes carreiras solo. De certa forma, o Oregon sempre esteva em segundo plano na vida de Towner e Walcott, por exemplo. Mas… Quando se ouve o grupo, parece que não pode dar certo. Oboé, corne inglês? O baixista também toca piano? Só que a coisa sempre rola esplendidamente.

Oregon – Music of Another Present Era (1973)

1. North Star
2. The Rough Places Plain
3. Sail
4. At the Hawk’s Well
5. Children of God
6. Opening
7. Naiads
8. Shard / Spring Is Really Coming
9. Bell Spirit
10. Baku the Dream Eater
11. The Silence of a Candle
12. Land of Heart’s Desire
13. The Swan
14. Touchstone

Oregon:
Ralph Towner – guitar
Collin Walcott – percussion, violin, sitar, tabla
Glen Moore – bass, flute, piano, guitar (bass)
Paul McCandless – horn (English), oboe

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Imaginem que até eu já fui jovem.
Imaginem que até eu já fui jovem.

PQP

.: interlúdio :. Keith Jarrett – Whisper not (live in Paris 1999)

Keith Jarrett - Whisper NotEstou renovando esse link por considerar injusto que este magnífico registro ao vivo deste trio não esteja disponível. Talvez seja o CD deles que mais tenha ouvido naquele momento de minha vida que comentei em postagem anterior. Novamente  peço para os senhores ouvirem com fone de ouvido para melhorem captar os detalhes e nuances. PQPBach detalhou suas faixas favoritas na postagem, lamento mas gosto tanto deste CD que não consigo encontrar melhores momentos. O considero perfeito demais.

FDPBach

Hoje é sexta-feira e troquei a postagem de um vetusto Buxtehude por esse bom álbum duplo de standards do trio de Jarrett. Dentre os CDs de standards feitos pelo trio, este é o que mais gosto. Tem uma atmosfera alegre e despreocupada de artistas divertindo-se no auge de suas possibilidades. Não há drama e nem se nota sombra da doença que Jarrett já havia contraído na época, a Síndrome de Fadiga Crônica. Gosto de várias faixas: Poinciana, Whisper Not, Groovin’ High, What Is This Thing Called Love?, Prelude To A Kiss e até da muitíssimo gravada ‘Round Midnight, que aqui recebe boa versão. Enjoy!

Keith Jarret – Whisper not (live in Paris 1999)

Disc 1

1. Bouncing With Bud 7:31
2. Whisper Not 8:04
3. Groovin’ High 8:29
4. Chelsea Bridge 9:46
5. Wrap Your Troubles In Dreams 5:46
6. ‘Round Midnight 6:43
7. Sandu 7:26

Disc 2

1. What Is This Thing Called Love? 12:22
2. Conception 8:07
3. Prelude To A Kiss 8:14
4. Hallucinations 6:34
5. All My Tomorrows 6:22
6. Poinciana 9:09
7. When I Fall In Love 8:06

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Keith Jarrett, piano
Gary Peacock, baixo acústico
Jack DeJohnette, bateria e percussão

PQP

Johannes Brahms (1833-1897): Os Trios para Piano

Johannes Brahms (1833-1897): Os Trios para Piano

Bem, nem vou falar muito do repertório deste CD — vou logo dizendo que é sublime, fantástico, impecável, irrepreensível. Yo-Yo Ma, seu excelente e constante colaborador Emanuel Ax e o violinista Leonidas Kavakos são grandes estrelas e este álbum duplo seria um campeão não fosse o maravilhoso e redondo registro do Beaux Arts Trio, que insiste em não desgrudar de nossos ouvidos. Por outro lado, sigo achando que, no mundo, há poucas coisas mais belas do que o Trio Nº 1. Gosto tanto dele que chego a esquecer do Beaux Arts por alguns momentos. Imaginem que Brahms o escreveu aos 20 anos…  De qualquer forma, trata-se um extraordinário registro, que merece estar ao lado da gravação do Wanderer Trio.

De qualquer forma, vai um IM-PER-DÍ-VEL !!! para o trio.

Johannes Brahms (1833-1897): Os Trios para Piano

Disc 1:
Piano Trio No. 2 in C Major, Opus 87
1 Allegro
2 Andante con moto
3 Scherzo: Presto
4 Finale: Allegro giocoso

Disc: 2
Piano Trio No. 3 in C Minor, Opus 101
1 Allegro energico
2 Presto non assai
3 Andante grazioso
4 Allegro molto

Piano Trio No. 1 in B Major, Opus 8
5 Allegro con brio
6 Scherzo: Allegro molto
7 Adagio
8 Finale: Allegro

Leonidas Kavakos, violino
Emanuel Ax, piano
Yo-Yo Ma, violoncelo

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O trio no Ozawa Hall, em Tanglewood
O trio no Ozawa Hall, em Tanglewood

PQP

Mayo / Jommelli / Palella / Rava / Prota: Concertos Napolitanos para Flauta

Mayo / Jommelli / Palella / Rava / Prota: Concertos Napolitanos para Flauta

É raríssimo encontrar um disco com 5 compositores jamais postados por nosso seminal, incontornável, fundamental e basilar blog. Afinal, temos 1500 compositores por aqui! Mas aconteceu e o CD é muito bom. Os nomes dos autores são quase desconhecidos, mas isso é porque o repertório de Nápoles, para além da ópera, permanece quase desconhecido em geral. É estranho, mas os musicólogos preferem gastar o dinheiro de suas bolsas em Florença ou Veneza… Nápoles sempre foi um local belíssimo, quente e algo caótico, talvez os estudiosos prefiram locais mais tranquilos, sei lá. O que nós podemos dizer é que a música é tipicamente italiana e é muito boa. O Auser Musici é excelente e o som é aquela coisa gostosamente antiga e historicamente informada.

Mayo / Jommelli / Palella / Rava / Prota: Concertos Napolitanos para Flauta

Giuseppe de Majo (1697-1771)
Flute Concerto In G Major 12:25
1 Allegro 4:10
2 Adagio E Arioso 3:16
3 Allegro 4:58

Gennaro Rava (died 1779)
Flute Concerto In B Minor 11:22
4 Allegro 4:15
5 Largo 4:08
6 Spiritoso 2:58

Tommaso Prota (?1727-after 1768)
Flute Concerto In C Major 7:54
7 Allegro Spiritoso 2:18
8 Largo 3:41
9 Allegro 1:53

Niccolò Jommelli (1714-1774)
Flute Concerto In D Major 13:14
10 Allegro 3:51
11 Largo 4:21
12 Allegro 5:01

Antonio Palella (1692-1761)
Flute Concerto No 2 In G Major 13:54
13 Allegro 3:56
14 Largo 3:53
15 Allegro Stretto 6:04

Carlo Itapa, baroque flute
Auser Musici

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'Menino tocando flauta', de Judith Jans Leyster, também conhecida como Leijster (1609-1660)
‘Menino tocando flauta’, de Judith Jans Leyster, também conhecida como Leijster (1609-1660)

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.: interlúdio :. Egberto Gismonti (1969)

.: interlúdio :. Egberto Gismonti (1969)

Este é um LP digitalizado que mostra os primórdios do grande Egberto Gismonti. É seu disco de estreia. Egberto completará 71 anos em 2018 e este disco chegará aos 49. É claro que é um trabalho que apenas interessa a fãs. É o disco de um menino. Sofre de um extravasamento de sinceridade que o torna muito claro para os aficionados e mais obscuro para o público. Aqui está principalmente o violonista e o cantor, ainda oscilando entre o puramente instrumental e o cantado. Há muita coisa boa e, bem, como Gismonti se desenvolveu! É claro que os arranjos são datados, que Gismonti praticamente deixou de cantar, que depois o piano entrou de vez em sua vida para conviver com o violão, que ele ganhou um raro verniz internacional, que fez – aos montes — CDs estupendos, mas tudo isso já está aqui latente, basta ouvir com carinho. Vale a audição, e como!

Egberto Gismonti (1969)

A1 Salvador 3:40
A2 Tributo A Wes Montgomery 3:20
A3 Pr’um Samba 3:05
A4 Computador 3:10
A5 Atento, Alerta 3:17
A6 Lírica II (Pra Mulher Amada) 1:35
B1 O Gato 3:40
B2 Um Dia 3:15
B3 Clama-Claro 2:00
B4 Pr’um Espaço 2:40
B5 O Sonho 4:20
B6 Estudo N.o 5 2:00

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Egberto Gismonti: surpreendendo desde 1969
Egberto Gismonti: surpreendendo desde 1969

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Poulenc / Delibes / Bartók / Ravel: Deux (peças para violino e piano)

Poulenc / Delibes / Bartók / Ravel: Deux (peças para violino e piano)

Deixarei este CD a cargo do Departamento de Polêmicas. As escolhas tomadas pela notável violinista Patricia Kopatchinskaja (diz-se Copatchínscaiá) foram bem estranhas. No Ravel, a dança cigana não acelera — ou acelera e trava, acelera e trava –, o Bartók é muito pessoal… Não gostei tanto quanto poderia. Mas amo ver Kopatchinskaja no YouTube e fico pensando se sua magnética presença cênica não esconde certo descuido. Quando vemos Janine Jansen é uma coisa esplêndida. Ela é linda e toca demais. Quando apenas a ouvimos, notamos seu grande esmero nos detalhes e ela permanece. E a moldava? Parece que do vídeo para o áudio algo se perdeu. Mas Patricia é uma gênia e mantenho minha enorme admiração por ela. O problema deve ser eu. Ouçam!

Poulenc / Delibes / Bartók / Ravel: Deux (peças para violino e piano)

Francis Poulenc
1 Violin Sonata, FP 119: I. Allegro con fuoco
2 Violin Sonata, FP 119: II. Intermezzo. Très lent et calme
3 Violin Sonata, FP 119: III. Presto tragico

Léo Delibes
4 Coppélia: No. 2, Waltz (Arr. E. Dohnányi for Piano)

Béla Bartók
5 Violin Sonata No. 2, Sz. 76: I. Molto moderato
6 Violin Sonata No. 2, Sz. 76: II. Allegretto

Maurice Ravel
7 Tzigane, M. 76

Patricia Kopatchinskaja, violino
Polina Leschenko, piano

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Patricia Kopatchinskaja e Polina Leschenko
Patricia Kopatchinskaja e Polina Leschenko

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Franz Xaver Wolfgang Mozart (1791-1844): The Other Mozart – The Songs

Franz Xaver Wolfgang Mozart (1791-1844): The Other Mozart – The Songs

Este disco é extremamente agradável: Barbara Bonney é uma notável cantora e a música de boa qualidade. Franz Xaver Wolfgang Mozart (Viena, 26 de julho de 1791 – Karlsbad, 29 de julho de 1844) nasceu aproximadamente 5 meses antes da morte de seu pai, Wolfgang Amadeus. Foi compositor e maestro, Sua obra seguiu o estilo maduro do mais importante membro da família. Papai Wolfgang Amadeus teve seis filhos com sua esposa Constanze, mas só dois chegaram à adolescência, Franz Xaver Wolfgang e Karl Thomas. Nosso heroi sempre  foi chamado de Wolfgang pela família. Ele recebeu excelente instrução musical de Antonio Salieri e Johann Nepomuk Hummel, e estudou composição com Johann Georg Albrechtsberger e Sigismund von Neukomm. Aprendeu a tocar piano e violino. Como seu pai, ele começou a compor em uma idade precoce. Em abril de 1805, Wolfgang Mozart, aos treze anos de idade, estreou em Viena em um concerto no Theatre an der Wien. Vale a pena conhecer o moço.

Franz Xaver Mozart (1791-1844): The Other Mozart – The Songs

Sechs Lieder (?1809)
1 Das liebende Mädchen 1:55
2 An spröde Schönen 1:32
3 Nein! 2:03
4 Der Schmetterling auf einem Vergissmeinnicht 1:11
5 Klage an den Mond 1:33
6 Erntelied 1:19
7 In der Väter Hallen ruht, Op.12 (Romanze) 8:14

Acht Deutsche Lieder (1810)
8 Die Einsamkeit 1:16
9 Das Klavier 1:47
10 Der Vergnügsame 1:00
11 Aus den Griechischen 0:59
12 Todtengräberlied 2:11
13 Mein Mädchen 1:27
14 Maylied 1:43
15 Das Geheimniss 2:20
16 Ständchen 2:18
17 An Emma (Weit in nebelgraue Ferne), Op.24 3:30

Sechs Lieder, Op.21 (1820)
18 Aus dem Französischen des J.J.Rousseau 2:35
19 Seufzer 1:08
20 Die Entzückung 1:18
21 An Sie 2:37
22 An die Bäche 2:33
23 Le Baiser 2:39

Drei Deutsche Lieder, Op.27 (1820)
24 An den Abendstern 4:33
25 Das Finden 2:57
26 Bertha’s Lied in der Nacht 2:29
27 Erinnerung (1829) 1:56

Soprano Vocals – Barbara Bonney
Piano – Malcolm Martineau

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Franz Xaver Mozart: o filho do homem
Franz Xaver Mozart: o filho do homem

PQP

Bruckner (1824-1896): Sinfonia Nº 4, Romântica / Wagner (1813-1883): Prelúdio de Lohengrin (Nelsons, Gewandhausorchester)

Bruckner (1824-1896): Sinfonia Nº 4, Romântica / Wagner (1813-1883): Prelúdio de Lohengrin (Nelsons, Gewandhausorchester)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Creio que esta seja a segunda abordagem do letão Andris Nelsons às Sinfonias de Bruckner na DG. A primeira foi esta aqui, não? Nelsons é um fenômeno. Aos 39 anos, é diretor artístico da Sinfônica de Boston e da Leipzig Gewandhaus. Já foi chefe da CBSO (City of Birmingham Symphony Orchestra). Vi-o em Londres na Sinfonia Nº 9 de Bruckner e num Concerto de Mozart com Paul Lewis ao piano. O que dizer além do óbvio? A qualidade de seu trabalho é realmente muito alta e ele está destinado ao Olimpo da regência, sem dúvida. Será uma lenda, afirmo-lhes hoje. E, humildemente, digo que temos algo em comum: o amor à Bruckner e Shostakovich. Sua “Romântica” é arrebatadora, a orquestra da Gewandhaus é esplêndida e ainda tem a esposa de meu amigo Guilherme Conte, Julia Lindner, nas violas, o que dá um curioso toque de amizade a tudo. Nunca incomodei Julia, mas poderia lhe perguntar sobre o ambiente da gravação, dos concertos e sobre o clima criado por este grande artista da regência. Bem, esta sinfonia é a composição mais popular de Bruckner. Foi escrita em 1874 e, como sempre no caso de Bruckner, revisada várias vezes. A estreia ocorreu em 1881 com Hans Richter em Viena. Foi muito bem sucedida. A palavra “Romântica” foi usada pelo próprio compositor e não se refere ao amor romântico mas sim ao romance medieval tal como nas óperas Siegfried e Lohengrin de Richard Wagner. Aliás, não é casual que o CD abra com o Prelúdio de Lohengrin.

Bruckner (1824-1896): Sinfonia Nº 4, Romântica / Wagner (1813-1883): Prelúdio de Lohengrin

Richard Wagner (1813 – 1883)
Lohengrin, WWV 75

1. Prelude To Act I 9:17

Anton Bruckner (1824 – 1896)
Symphony No.4 In E Flat Major – “Romantic”, WAB 104
Version 1878/1880
2. 1. Bewegt, nicht zu schnell 19:55
3. 2. Andante quasi allegretto 17:17
4. 3. Scherzo (Bewegt) – Trio (Nicht zu schnell. Keinesfalls schleppend) 10:54
5. 4. Finale (Bewegt, doch nicht zu schnell) 22:02

Gewandhausorchester Leipzig
Andris Nelsons

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Anton Bruckner, por Otto Böhler
Anton Bruckner, por Otto Böhler

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Clara Wieck Schumann (1819-1896): Piano and Chamber Music

Clara Wieck Schumann (1819-1896): Piano and Chamber Music

Um belo CD. Se você não é familiarizado com a música de Clara Schumann, esta coleção de obras para piano solo e de câmara fornece uma boa visão geral de quem era a esposa de Robert Schumann e possível amante de Brahms. A pianista Micaela Gelius é muito boa intérprete e enfatiza a poesia da música ao invés de cintilar vaidosamente como costumam fazer os intérpretes de Rachmaninov. Ela parece Arrau tocando Bobby Schumann.

Da mesma forma, Gelius e seus colegas chegam a um desempenho soberbo no Trio. O violinista Sreten Krstic é especialmente bom e isto já se nota nos Romances. É boa música romântica. E honesta.

Clara Wieck Schumann (1819-1896): Piano and Chamber Music

1 Scherzo for piano No. 2 in C minor, Op. 14 4:32

2 Romance for piano in A minor, Op. 21/1 5:16

Soirées Musicales, 6 pieces for piano, Op. 6
3 Toccatina 2:29

Romances for piano, Op. 11
4 Romance No. 1 3:39
5 Romance No. 2 5:48

Variations on a Theme by Robert Schumann, for piano in F sharp minor, Op. 20
6 Variation 1 1:01
7 Variation 2 0:48
8 Variation 3 1:02
9 Variation 4 1:11
10 Variation 5 0:49
11 Variation 6 1:10
12 Variation 7 1:05
13 Variation 8 3:40

Romances for violin & piano, Op. 22
14 Romance No. 1 3:17
15 Romance No. 2 2:40
16 Romance No. 3 3:48

Piano Trio in G minor, Op. 17
17 I 10:33
18 II 4:47
19 III 5:24
20 IV 7:45

Micaela Gelius, piano
Sreten Krstic, violin
Stephan Haack, cello

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My name is Schumann, Clara Schumann
My name is Schumann, Clara Schumann

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.: interlúdio :. Keith Jarrett e Charlie Haden: Jasmine

.: interlúdio :. Keith Jarrett e Charlie Haden: Jasmine

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Eu uso muito este CD. Ou usamos muito. Sempre dá certo. Acaba em sexo. É absolutamente matador. Abrace já nas primeiras notas. Se você não conseguir chegar lá é porque é ruim demais. FAÇA A EXPERIÊNCIA E CONTE-NOS O RESULTADO. Os veteranos Jarrett e Haden… Olha, este Jasmine é uma coisa maravilhosa, cheia de charme e musicalidade. São mais de 60 minutos de interpretações sublimes e maduras. Se não serve para trepar, para alguma coisa a idade serve, né? Mas agora o viagra emparelhou tudo, né? Bem, são grandes canções do repertório norte-americano que recebem tratamento luxuoso. Ouçam e usem porque vale a pena.

Keith Jarrett escreveu na contracapa:

Call your wife or husband or lover in late at night and sit down and listen. These are great love songs played by players who are trying, mostly, to keep the message intact. I hope you can hear it the way we did.

Exatamente! É uma maravilha, música pura tocada entre amigos no bom e velho piano do home studio de Keith Jarrett.

Keith Jarrett e Charlie Haden: Jasmine

1. For All We Know 9:46
2. Where Can I Go Without You 9:20
3. No Moon At All  4:40
4. One Day I’ll Fly Away  4:15
5. I’m Gonna Laugh You Right Out Of My Life  12:09
6. Body And Soul  11:09
7. Goodbye  8:01
8. Don’t Ever Leave Me 3:11

Keith Jarrett, piano
Charlie Haden, baixo

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Essa dupla...
Essa dupla…

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Jean Sibelius (1865-1957): Peças para Piano

Jean Sibelius (1865-1957): Peças para Piano

Tenho um velho vinil de Glenn Gould interpretando peças para piano de Sibelius. São peças que não gritam pra gente “Me ouça, me ouça!”, mas que são interessantes para quem se dedica a ouvi-las. Creio que gostei mais do disco de Gould, mas Andsnes vai muito bem também. Talvez a seleção do canadense tenho sido melhor do que a do norueguês. Acho que vale a pena ouvir este compositor que quase todo mundo pensa só ter escrito para orquestra. O finlandês bebum e deprimido era bom mesmo e vale a pena conhecê-lo melhor.

Jean Sibelius (1865-1957): Peças para Piano

1 6 Impromptus, Op. 5: Impromptu V 3:51
2 6 Impromptus, Op. 5: Impromptu VI 6:09

3 Kyllikki – Three Lyrical Pieces for Piano, Op. 41: I. Largamente 3:11
4 Kyllikki – Three Lyrical Pieces for Piano, Op. 41: II. Andantino 4:22
5 Kyllikki – Three Lyrical Pieces for Piano, Op. 41: III. Commodo 2:50

6 10 Pieces for Piano, Op. 24: Romance, No. 9 3:52
7 10 Pieces for Piano, Op. 24: Barcarola, No. 10 4:25
8 10 Pieces for Piano, Op. 58: Der Hirt, No. 4 2:23

9 Valse triste, Op. 44, No. 1 (Arranged for Piano) 5:07

10 Sonatina No. 1, Op. 67: I. Allegro 2:54
11 Sonatina No. 1, Op. 67: II. Largo 2:11
12 Sonatina No. 1, Op. 67: III. Allegro moderato 1:41

13 Five Pieces for Piano, Op. 75: Björken, No. 4 1:37
14 Five Pieces for Piano, Op. 75: Granen, No. 5 2:49

15 2 Rondinos for Piano, Op. 68: Rondino II 1:47

16 13 Pieces for Piano, Op. 76: Elegiaco, No. 10 1:32

17 6 Bagatelles for Piano, Op. 97: Impromptu, No. 5 1:36
18 6 Bagatelles for Piano, Op. 97: Humoristischer Marsch, No. 4 1:07
19 6 Bagatelles for Piano, Op. 97: Lied, No. 2 2:52

20 Fünf Skizzen, Op. 114: I. Landschaft 1:48
21 Fünf Skizzen, Op. 114: II. Winterbild 1:48
22 Fünf Skizzen, Op. 114: III. Der Teich 1:39
23 Fünf Skizzen, Op. 114: IV. Lied im Walde 1:48
24 Fünf Skizzen, Op. 114: V. Im Frühling 2:05

Leif Ove Andsnes, piano

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Aquela série Batman de 1966 com o Adam West... Lembram que um de seus inimigos era o Cabeça de Ovo?
Aquela série Batman de 1966 com o Adam West… Lembram que um de seus inimigos era o Cabeça de Ovo?

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Giovanni Benedetto Platti (1697-1763): Concerti grossi after Corelli

Giovanni Benedetto Platti (1697-1763): Concerti grossi after Corelli

Platti tem a honra de estrear no PQP Bach. Não é pouca coisa para um menino nascido em Pádua (Padova) em 1697. Sua música não é de primeira linha, é apenas razoável, motivo pelo qual ele está meio fora do repertório barroco habitual. Mas o que é realmente anormal neste CD é o estupendo desempenho da Akademie für Alte Musik Berlin. A sonoridade da orquestra vale a pena, dá prazer. Ou seja, a verdadeira estrela do show é a banda, que toca essa música com a mesma dedicação, competência e empenho que daria à música da família Bach, Handel, etc. Aliás, um conselho: toda vez que a Akademie für Alte Musik Berlin passar na frente de vocês, peguem.

Giovanni Benedetto Platti (1697-1763): Concerti grossi after Corelli

Concerto Grosso n.10 F-Dur, after Corelli’s Sonatas op.5, Kat.-Nr.544
1 1. Preludio 2:24
2 2. Allegro 2:12
3 3. Sarabanda 2:30
4 4. Gavotta 0:29
5 5. Giga 2:09

Concerto for cello, 2 violins, viola & continuo in D major
6 1. Allegro 3:27
7 2. Adagio 3:37
8 3. Allegro 4:32

Concerto grosso No. 4 in F major (after Corelli’s Sonatas, Op. 5)
9 1. Adagio 1:45
10 2. Allegro 2:15
11 3. Vivace 1:02
12 4. Adagio 2:24
13 5. Gavotta 2:28

Concerto for oboe & orchestra in G minor
14 1. Allegro 3:29
15 2. Largo 4:34
16 3. Allegro 3:30

Concerto grosso No. 5 in G minor (after Corelli’s Sonatas, Op. 5)
17 1. Adagio 2:53
18 2. Vivace 1:50
19 3. Adagio 2:28
20 4. Vivace 1:29
21 5. Allegro 1:40

Akademie für Alte Musik Berlin

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A Akademie für Alte Musik em busca e seus instrumentos | Foto: Uwe Arens
A Akademie für Alte Musik em busca e seus instrumentos | Foto: Uwe Arens
A Akademie für Alte Musik com seus instrumentos | Foto: Uwe Arens
A Akademie für Alte Musik com seus instrumentos | Foto: Uwe Arens

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Charles Ives (1874-1954): Sinfonias Nº 1 e 4, 2 e 3 (Litton)

Charles Ives (1874-1954): Sinfonias Nº 1 e 4, 2 e 3 (Litton)
Charles Ives
Charles Ives

IM-PER-DÍ-VEL !!!!

Ives é um compositor que merece ser ouvido e admirado. Profundamente original, ele não parece ter sido muito influenciado por qualquer escola que não fosse sua própria visão musical. Ousado, por vezes extraordinariamente romântico, outras vezes moderníssimo, mas sempre citando melodias folclóricas reais ou imaginárias, apresentadas às vezes em fanfarras, outras vezes em grandiosas fugas bachianas, Ives é Ives. Trata-se de uma música muito envolvente, daquelas que exigem serem ouvidas. Mesmo quando ouvida repetidamente, permanece nova. Ocasionalmente parece Brahms, Hindemith, Wagner e Bach, mas é mais bem-humorado que todos eles. Também pode ser muito comovente. Acho que Charles Ives teria sido uma pessoa fantástica de se conhecer.

Ives teve uma vida extraordinariamente ativa. Após sua formação profissional como organista e compositor, trabalhou durante 30 anos no setor dos seguros, escrevendo apenas em seu tempo livre. Quando morreu, era um compositor reconhecido e muitas de sua obras tinham sido publicadas. Sua reputação continuou a crescer postumamente, e por ocasião do seu centenário, em 1974, foi reconhecido mundialmente como o primeiro compositor a criar uma “música distintamente americana”. Desde então, sua música tem sido mais frequentemente executada e gravada.

As circunstâncias únicas da carreira de Charles Ives criaram alguns mal-entendidos. Seu trabalho no setor dos seguros, combinado com a diversidade da sua produção e do pequeno número de performances durante os seus anos de vida, conduziram-no a uma imagem de amador. No entanto, ele teve 14 anos de carreira como organista profissional e um meticuloso treinamento formal como composição. Porém, o fato de ter-se desenvolvido longe dos olhos do público, viu suas obras maduras — aos olhos de alguns — parecerem radicais ou desconectas do passado. Erro grave.

Grande gravação da sinfônica de Dallas. O CD, pra variar, vem da Hyperion e é mais uma vez

Ives – Symphonies Nos 1 & 4

1. Symphony No. 1 – 1. Allegro (con moto)
2. Symphony No. 1 – 2. Adagio molto (sostenuto)
3. Symphony No. 1 – 3. Scherzo: Vivace
4. Symphony No. 1 – 4. Allegro molto

5. Symphony No. 4 – 1. Prelude: Maestoso
6. Symphony No. 4 – 2. Comedy: Allegretto
7. Symphony No. 4 – 3. Fugue: Andante moderato con moto
8. Symphony No. 4 – 4. Very slowly (Largo maestoso)

9. Central Park in the Dark

Dallas Symphony Orchestra
Andrew Litton

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Ives – Symphonies Nos 2 & 3

1. Symphony No. 2 – 1. Andante moderato
2. Symphony No. 2 – 2. Allegro molto (con spirito)
3. Symphony No. 2 – 3. Adagio cantabile
4. Symphony No. 2 – 4. Lento maestoso
5. Symphony No. 2 – 5. Allegro molto vivace

6. Symphony No. 3 [The Camp Meeting] – 1. Old Folks Gatherin’: Andante maestoso
7. Symphony No. 3 [The Camp Meeting] – 2. Children’s Day: Allegro
8. Symphony No. 3 [The Camp Meeting] – 3. Communion: Largo

9. General Booth enters into Heaven

Dallas Symphony Orchestra
Andrew Litton

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Charles Ives em 1913
Charles Ives em 1913

PQP

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas para Viola da Gamba e Cravo

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas para Viola da Gamba e Cravo

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Apesar da capa horrível, um baita de um disco. Trevor Pinnock, depois de velho não ia dar mancada, né? O engenheiro de som colocou seus microfones de forma destacar o som da viola da gamba, mas isto não chega a estragar a beleza do conjunto. Hoje há certo consenso de que essas sonatas foram escritas em Leipzig em algum momento no final da década de 1730 e no início dos anos 1740 e não em Cöthen, como se pensava antes. É um repertório maravilhoso a cargo de dois grandes artistas, um bem jovem — a gravação é de 2006 — e outro madurão. São obras intensamente expressivas, íntimas e tecnicamente exigentes, elas têm a textura usual das sonatas instrumentais de Bach.

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas para Viola da Gamba e Cravo

Sonata In G Minor, BWV 1029 (14:29)
1-1 I Vivace 5:15
1-2 II Adagio 5:37
1-3 III Allegro 3:37
Sonata In G Major, BWV 1027 (13:02)
1-4 I Adagio 3:47
1-5 II Allegro Ma Non Tanto 3:31
1-6 III Andante 2:42
1-7 IV Allegro Moderato 3:02
Sonata In D Major, BWV 1028 (13:35)
1-8 I Adagio 1:52
1-9 II Allegro 3:40
1-10 III Andante 4:08
1-11 IV Allegro 3:55
Sonata In G Minor, BWV 1030b (17:56)
1-12 I [Andante] 4:11
1-13 II Siciliano 2:53
1-14 III Presto 4:51

Jonathan Manson, viola da gamba
Trevor Pinnock, cravo

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O gambista Jonathan Manson em primeiro plano e Pinnock lá atrás, apenas rindo.
O gambista Jonathan Manson em primeiro plano e Pinnock lá atrás, apenas rindo.

PQP

Guia de Gravações Comparadas P.Q.P – Beethoven: Violin Concerto in D major Op.61

Sobre o Concerto para Violino de Beethoven, a melhor definição que encontrei foi a de Otto Maria Carpeaux: “É a única obra do gênero que Beethoven escreveu, mas ninguém duvida: é o maior Concerto para violino que existe, um dos pontos mais altos da eloquência beethoviana”. Apesar de não se poder tomar esta medida como absoluta, conheço muito pouca gente que discorda, ou que pelo menos não o coloque entre os 3 melhores do planeta.

Ao contrário de muita obras beethovianas, este concerto foi escrito com certa rapidez, e, prodigiosamente, no mesmo ano (1806) em que obras-primas como a Quarta Sinfonia e os Quartetos Rasumovsky. Nos cadernos de esboços onde se encontra a maior parte da gênese deste concerto ainda se encontram anotações para o que seria a Quinta Sinfonia e a Sonata para Violoncello op.69. Sem dúvida, um período de sensibilidade ímpar, em que erupções de inspiração jorraram à terra, através do artista, na forma do néctar dos arquétipos sonoros mais sublimes.

Existem várias lendas sobre sua estréia, feita a 23 de dezembro de 1806 pelo violinista cômico Franz Clement, que, ao que parece, fez pouco caso do Concerto (Há uma versão que diz que ele interrompeu o concerto para tocar uma peça frívola de sua própria autoria, e outra que conta que ele o estreou sem nenhum ensaio), tanto que o Concerto demorou para ser aceito pelo grande público. Apenas em 1844 esta obra-prima começou a ser reconhecida, quando foi tocada por Joseph Joachim, sob a regência de Schumann, num contexto romântico, que se encaixa muito mais no espírito da obra.

Assim, seguem algumas opções para a apreciação desta magnífica obra:

1.Jascha Heifetz, Charles Munch: Boston Symphony Orchestra RCA 1955

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Esta é uma das gravações mais cultuadas deste concerto, um “clássico” da discografia mundial, e também uma das experiências pioneiras na gravação estereofônica. Sem dúvida, para um registro de 1955, a sonoridade espanta, mas, claro, a vedete é Heifetz, uma lenda do violino talvez só comparável a Kreisler. Sua sonoridade é maciça, mas ao mesmo tempo suave e decidida, com articulações acima de qualquer comentário, e um fraseado de precisão rítmica incomparável. Mas seriam estas habilidades inegáveis suficientes para garantir a melhor das performances deste concerto? Bem, há controvérsias. Eu não gosto, por exemplo, dos tempos dos andamentos, muito rápidos e pouco reflexivos, para os requisitos espirituais desta obra. Munch, um maestro que tenho no mais elevado patamar de competência estética, é um mestre do romantismo, mas tenho dúvidas se ele conseguiu aqui traduzir todas as nuances de um compositor apaixonado, que parece ter sido o caso de Beethoven na época desta composição. É uma leitura que evoca muito pouco dos ecos românticos que Beethoven prenuncia, privilegiando o classicismo tardio. E Heifetz, sendo Heifetz, nunca iria dar o braço a torcer e tocar a Cadenza de seu arquirival Kreisler, e escolheu as cadências de Joachim e de Auer com pitadas de sua própria autoria, claro. De qualquer forma, é uma interpretação de referência que merece ser visitada. Vem de brinde o Concerto de Mendelssohn, que eu considero uma interpretação extraordinária e até melhor que a de Beethoven.

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2.Nigel Kennedy, Klaus Tennstedt: Symphonie-Orchester des NDR, EMI 1992

frontO único violinista não-judeu desta lista, é um inglês rebelde que flertava com a música pop e que se recusou a ser taxado de violinista clássico. Mas isso só aconteceu depois de uma gravação afortunada das Quatro Estações alcançar 2 milhões de cópias vendidas, a maior da história para esta obra. Famoso desde então, gravou os concertos de Brahms e de Beethoven (este), que considerou o auge de sua carreira clássica, e resolveu cortar o cabelo moicano e tocar jazz. E é exatamente essa vida atribulada e heterodoxa que acaba marcando esteticamente esta gravação: é a versão rebelde deste concerto (apesar de existir uma com Gidon Kremer tocando a cadência de Schnittke que, dizem, é pior), cheia de altos e baixos, de ritmos irregulares e variações de dinâmicas exageradas. Não deixa de ser uma versão interessante, pois é um Beethoven oposto do de Heifetz, sem a polidez e a elegância, mas com brilho e entusiasmo. Tennstedt, um maestro extraordinário, comprou muito bem o desafio, e ele mesmo tem uma visão bastante ousada dos tempos beethovianos. Apesar de ser uma gravação (ao vivo) que a princípio assusta (a cadência de Kennedy no último movimento é muito estranha), ela deixa o espaço necessário para a reflexão, e o resultado, espantosamente, acaba sendo equilibrado. Acompanha dois fragmentos de Bach no Bis. Versão para quem gosta de aventuras.

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3.Pinchas Zukerman, Daniel Barenboim: Chicago Symphony Orchestra DG 1977

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Zukerman é para mim um grande mistério. É um artista mediano, com uma sonoridade relativa e uma técnica nem sempre apurada. Por que razão ele é tão festejado, eis o mistério. Há muitos outros violinistas, melhores que ele, que não tem a mesma visibilidade. Confesso que gosto dele quando resolve tocar viola, mas ele preferiu a vida mundana e se rendeu à fama que o violino dá.
Zukerman gravou, poucos anos antes, as Sonatas para Violino e Viola de Brahms com Barenboim ao piano, e esta incursão se mostrou extremamente proveitosa, pois ambos estavam absolutamente à vontade, sem a pressão habitual dos produtores, e a música fluiu como néctar. Mas neste concerto, essa mágica não acontece. É bastante notório que ele está tímido e percebe-se o limite de sua técnica nos fraseados embolados, principalmente no final do Rondó. É, portanto, uma versão bem-comportada, mas que falta o brilho do violino em sua plenitude, e que tem ainda o freio de Barenboim para ajudar. Tem o mérito de ser uma versão honesta e sincera, que expõe os limites de Zukerman sem tentar mascarar nada. Vem de bônus as duas Romances para Violino, que Zukerman já consegue resultados bem mais convincentes, o que também ajuda a apreciar a gravação.

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4.Isaac Stern, Leonard Bernstein: New York Philharmonic SONY 1959

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Gosto muito desta versão, que envolve Bernstein e Stern em uma de suas suas fases criativas mais notáveis. Stern já era consagrado, e Bernstein, no auge de seus 34 anos, fazia um excelente trabalho em Nova York, levando música clássica ao público leigo com seus concertos comentados. Nesta fase, um Bernstein cheio de energia, conduz o Concerto com uma segurança incrível, contagiando até mesmo o experiente Stern com seu entusiasmo. Stern, um verdadeiro lorde, deixa espaço para Bernstein sem se anular, e esta gravação se configura como uma das mais harmônicas entre solista e regente que conheço. Não é uma leitura propriamente romântica, mas é brilhante e entusiasmada, e também não deixa de emocionar, pela notória comunhão entre os dois artistas que se reconheceram e se deixam envolver pelas virtudes um do outro. O bônus desta edição são algumas aberturas, sempre uma boa pedida.

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5.Shlomo Mintz, Giuseppe Sinopoli: Philharmonia Orchestra DG 1986

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Esta versão é para mim uma referência de qualidade, além de atestar como este concerto é versátil: nas mãos de Heifetz-Munch, ele é clássico, nas mãos de Mintz-Sinopoli, romântico. Mintz, acima de qualquer crítica, tem uma articulação primorosa, mas o que se destaca é a sustentação precisa das notas, pois Sinopoli imprime nesta gravação andamentos muito mais reflexivos, e os fraseados ficam mais longos. Esta, mais do que qualquer outra, é uma leitura contemplativa, que evoca o Beethoven romântico, cujos ecos que prenunciam a Pastoral são inegáveis. E a grande dificuldade de ir por este caminho, é justamente manter também um considerável domínio nas dinâmicas e nos ritmos, coisa que Sinopoli não desaponta e segura as rédeas com firmeza ímpar. Mintz acompanha em comunhão absoluta, tirando de cada tema uma emoção própria. Uma gravação que considero particularmente das mais bonitas deste concerto, e vem também com as Romances de brinde, sempre agradáveis. Excelente pedida.

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6.Itzhak Perlman, Carlo Maria Giulini: Philharmonia Orchestra EMI, 1981

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Consta nos anais da revista Gramophone que esta é a gravação dos sonhos deste concerto. Não é sempre que concordo com a revista, mas neste caso, devo dar o braço a torcer. Considero esta a versão mais límpida e equilibrada deste concerto. Perlman, como sabemos, é absolutamente irrepreensível, sem ser mecanicamente perfeito como Heifetz, e deixa a emoção dos fraseados à flor da pele. Sua articulação precisa, especialmente no Rondó, chega a arrepiar. É uma gravação que transpira emoção sem exagerar no romantismo, equilibrando como poucas a transição beethoviana entre a fluidez clássica e o devaneio romântico. E, conduzindo o cortejo orquestral, o mestre Giulini, regente de minha mais alta admiração. Consegue ser profundo sem ser afetado, revelar a densidade emocional com sutis variações dinâmicas, traduzir o intraduzível das sensações mais ocultas para a contemplação desta obra de arte. Perlman vibra na mesma frequência, e sentimos violino e orquestra um único corpo. Esta gravação não tem bônus, porque ela já é um.

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CHUCRUTEN

.: interlúdio :. Charlie Haden & Christian Escoude: Gitane

.: interlúdio :. Charlie Haden & Christian Escoude: Gitane

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Eu tinha 22 anos e meus amigos do jazz diziam que Charlie Haden era genial. Eu logo pensei: outro baixista espetacular chamado Charlie, assim como Mingus! Fui na King`s Discos e comprei Gitane — um disco só de violão e baixo — a peso de ouro, um importado recém lançado. Nossa, ele era totalmente diferente de Mingus, mas o disco quase furou, tanto que até hoje lhe conheço cada nota. Talvez tenha sido uma das maiores lições da importância do baixo no jazz e do quanto ele pode ser sofisticado. Até morrer, Haden fez dupla com vários instrumentistas no mesmo formato deste disco e jamais o resultado foi esquecível ou irrelevante. Já o violonista Christian Escoude é um bom devoto de Django Reinhardt. Os dois músicos se sentem em casa com os temas “ciganos” escolhidos. A faixa-título, um baixo solo de Haden, é uma joia especial. Trata-se de uma sessão de jazz calorosa e sem pressa que confundo com minha própria formação como ouvinte.

Charlie Haden & Christian Escoude: Gitane

1 Django
Written-By – John Lewis (2)
8:56
2 Bolero
Written-By – Django Reinhardt
4:20
3 Manoir De Mes Rêves
Written-By – Django Reinhardt
5:55
4 Gitane
Written-By – Charlie Haden
3:34
5 Nuages
Written-By – Django Reinhardt
8:56
6 Dinette
Written-By – Django Reinhardt
6:04
7 Improvisation
Written-By – Christian Escoude*
2:52

Christian Escoude, violão
Charlie Haden, baixo

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A capa do velho vinil de 1979
A capa do velho vinil de 1978

PQP

Guia de Gravações Comparadas P.Q.P. – Tchaikovsky: Symphony no.6 in B minor op.74 ‘Pathétique’

A última Sinfonia de Tchaikovsky é sua obra mais enigmática e também a mais dramática. Escrita entre 1892 e 1893 (estreada em outubro de 1893, uma semana antes de sua morte), é uma de suas derradeiras obras, permeada de histórias e lendas que a confirmam como um testamento autobiográfico musical de seu autor. Extremamente pessoal, é uma das sinfonias que, a despeito dos contrastes temáticos, a situam como uma espécie de canto do cisne do romantismo do século XIX. Apesar de ser um rigoroso crítico com tudo o que compunha, Tchaikovsky teve esta obra especificamente em alta conta, ao ponto de escrever: “Nunca na minha vida fiquei tão satisfeito comigo mesmo, nem tão orgulhoso, consciente de que fizera alguma coisa boa”. Tchaikovsky mesmo escreveu a seu irmão Modest (que, reza a lenda, deu o apelido de “Patética” à Sinfonia), nos seguintes termos: “É um enigma, que as pessoas têm que decifrar”.

Análises psicológicas da vida e da obra de Tchaikovsky apontam para uma obra em que finalmente ele tenha conseguido se expressar verdadeiramente em termos de angústias e tensões psíquicas, sem receios de ter seu orgulho ferido por uma rejeição pública (o que efetivamente aconteceu na estréia). Essa liberdade interior que ele desfrutou em seus últimos dias com certeza contribuíram para este resultado: uma sinfonia que alterna temas ultra-românticos cativantes com outros de dramaticidade épica, em contrastes tão densos que só um mestre da forma e da orquestração poderia transformar em uma obra artística sólida e perene.

Uma das histórias mais interessantes desta sinfonia é uma que conta parte do seu processo criativo, narrado por Robert Littel: “(…) uma noite, em 1892, quando viajava para Paris, ouviu na mente acordes que o fizeram chorar. Eram tão irresistíveis que em quatro dias ele tinha escrito o primeiro movimento de uma sinfonia e o restante, disse ele, estava claramente esboçado em seu espírito”. Esta é uma descrição (também) enigmática de uma inspiração, frequente e abundante na obra de Tchaikovsky, e que expõe sua sensibilidade incomum para estes fenômenos psíquicos.

De qualquer forma, a Sinfonia Patética é uma das grande obras musicais da humanidade, que soube como poucas traduzir a incrível contradição da experiência humana em termos estéticos, talvez como só Beethoven anteriormente tenha conseguido neste grau de sofisticação.

Como é uma obra imensamente gravada, aqui vão algumas leituras que considero icônicas desta Sinfonia:

1.Lorin Maazel, Cleveland Orchestra CBS 1982

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Esta é a versão genérica. Maazel não é propriamente um maestro que extrai densidades relevantes de suas leituras (apesar de haver exceções), e acaba sendo uma interpretação bastante irregular. Maazel já tinha gravado esta sinfonia antes com Viena na década de 60 pela DECCA, mas esta é ligeiramente superior, talvez pelo fato de Maazel estar mais à vontade, com quase 20 anos a mais de experiência desde a primeira gravação. Os andamentos são vigorosos, mas é preciso assinalar que se trata de uma leitura alternativa, com as dinâmicas artificialmente construídas e as passagens líricas ligeiramente forçadas. Lembra-nos o escárnio de Celibidache sobre Maazel: “é um moleque”. Cleveland responde muito bem à sua batuta, e, entre outras coisas, esta gravação se destaca pela simbiose aguçada entre maestro e orquestra. Não é de fato a gravação dos sonhos, mas é honesta em seus propósitos. E vale também pelo bônus, a Marcha Eslava e a 1812 (ótima na versão com coro), com a Filarmônica de Viena.

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Arquivo FLAC – 304Mb

2.Claudio Abbado, Chicago Symphony Orchestra SONY 1986

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Abbado é um menos genérico, mas também não chega a empolgar definitivamente. Apesar de ser uma leitura convincente, tem algumas particularidades que não gosto.As pratadas do 3o. movimento poderiam ser bem melhores, e seus momentos tensos e explosivos são mais contidos, e os momentos mais calmos são mais vigorosos. Essa inversão causa um estranhamento para quem já conhece a sinfonia por mãos mais habilitadas, e os contornos melódicos ficam um pouco prejudicados. Abbado já tinha, a exemplo de Maazel, gravado a Patética com Viena em 1974, pela Deutsche, mas é uma gravação que sofre do mesmo mal que a de Maazel: ele era muito mais jovem, menos experiente, e tentou, também como Maazel, causar boa impressão tentando dar profundidade emocional sem muita segurança. Nesta ele está bem mais desenvolto, e apesar de minhas críticas particulares, no final o resultado é muito convincente. Levando em conta as semelhanças, prefiro esta à de Maazel, apesar do bônus desta ser mais sovina, só com a Marcha Eslava.

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Arquivo FLAC – 207Mb

3.Sergiu Celibidache, Münchner Philharmoniker EMI 1992

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Agora sim estamos falando sério: esta é uma verdadeira interpretação, no melhor sentido do termo. Celibidache, famoso por ser totalmente avesso à indústria fonográfica, nunca deixou que suas gravações (todas ao vivo, algumas feitas sem que ele soubesse) fossem disponibilizadas comercialmente. Esta gravação, feita em 1992, só foi lançada em 1997, após a morte do maestro, numa série que procurava, com aval de seu filho, consagrar a grandeza de Celi.
Com efeito, é possível neste registro, primoroso, entender porque Celibidache é um mito da regência. Seus tempos mais lentos, ou mais reflexivos, abrem uma nova dimensão na escuta desta obra. É uma viagem a um novo universo, um Tchaikovsky desconhecido, transcendental. Sente-se a firmeza e a segurança na condução de toda a obra, revelando sua arquitetura sinfônica como uma grande catedral sonora, algo impensável sem a sensibilidade aguçada de Celi e a perfeita simbiose entre ele e sua querida Filarmônica de Munique. Com os contornos melódicos à flor da pele e uma vigorosidade rítmica ímpar, diria sem pudores que este registro é o melhor já feito, não fosse este também o mais heterodoxo. Apesar de ser altamente recomendável, é uma leitura para degustar com certa moderação, pois nunca se ouviu um Tchaikovsky como este, e pode até ser perigoso.

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Arquivo FLAC – 280Mb

4.Herbert von Karajan, Berliner Philharmoniker EMI 1972

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Agora, neste fórum de melômanos do PQP, tenho que confessar, humildemente, minha heresia (ou talvez blasfêmia) musical: sim, eu gosto de Karajan. Mas todo Karajan? Claro que não. O Karajan da DG é, com raríssimas exceções, pífio, um fast-food musical que desconsidera qualquer profundidade emocional relevante em suas leituras. Entretanto, por algum motivo, talvez místico, que eu realmente não sei explicar, tudo o que Karajan gravou em sua breve passagem pela EMI na década de 70 é incrivelmente superior, de um gosto apurado e de uma leitura realmente inspirada. Isso sem falar da sonoridade. Aparentemente, os engenheiros ingleses eram mais ousados que os alemães, e a Filarmônica de Berlim também se mostra mais espontânea e virtuosa em sua massa sonora do que em qualquer outra época. Não me perguntem por quê. Mas, no frigir dos ovos, por conta disso, esta gravação é uma das minhas preferidas: não apenas Karajan resolveu fazer direito, como a orquestra de Berlim está de tirar o fôlego. Este registro, de 1972, é a melhor Patética que Karajan fez em toda a sua vida.

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Arquivo FLAC – 193Mb

5.Evgeny Mravinsky, Leningrad Philharmonic DG 1960

tchaikovsky_symph456_mravinsky_smallNa década de 50-60, em plena guerra fria, a competição entre URSS e EUA não ficava apenas no plano político e tecnológico. Nas artes, era muito comum uma troca de provocações indiretas (ou mesmo diretas), à superioridade estética de entidades ou artistas de cada um dos lados. E, por conta da dificuldade de acesso ao confronto direto (os artistas não podiam circular livremente na URSS), muitos desses confrontos acabavam ficando no plano imaginativo. Um deles, na música, era a propaganda que se fazia da superioridade sonora da Filarmônica de Leningrado e seu mítico maestro, Evgeny Mravinsky. Foram necessários anos de negociações até que o Kremlin permitisse uma tournée pela Europa. A primeira, em 1956, resultou numa gravação monaural primorosa das Sinfonias 4, 5 e 6 de Tchaikovsky, pela DG, em que toda a emoção do ineditismo (tanto de um lado quanto de outro) fica evidente. Quatro anos depois, Elsa Schiller, produtora da DG, conseguiu, não sem muito esforço, que o grupo voltasse para gravar em estéreo as mesmas obras, já que a primeira vez impressionou profundamente os europeus. E realmente, esta é uma leitura acima de qualquer crítica. Além da intimidade evidente dos músicos com estas obras, a precisão e sensibilidade de Mravinsky, um dos maestros mais elegantes que já subiram ao pódio, torna esta leitura indispensável em todos os sentidos. Soma-se a isso um aspecto levantado por Norman Lebrecht, que a torna ainda mais fascinante: sob pressão política, os registros evidenciam a tragédia do finale da Patética com profundeza ímpar, e a marcha bélica do terceiro movimento com uma esperança aterradora. É ver pra crer.

Se eu tivesse que escolher “a” Patética, mesmo considerando as limitações da gravação dos anos 60, seria esta. O álbum da DG vem com a Quarta e a Quinta Sinfonias, que deixo de bônus porque dá muito trabalho separar os arquivos e subir de novo. Sorte de vocês.

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CHUCRUTEN