Sergei Prokofiev (1891-1953): Os 2 Concertos para Violino / Sonata For Violin Solo, Op. 115 (Steinbacher, Petrenko)

Sergei Prokofiev (1891-1953): Os 2 Concertos para Violino / Sonata For Violin Solo, Op. 115 (Steinbacher, Petrenko)

Os dois Concertos para Violino de Prokofiev são incontornáveis, autênticas obras-primas da música do século XX. Arabella Steinbacher e Vasily Petrenko dão-lhes tratamento sublime. A violinista é excelente e fez a muito boa escolha de se fazer acompanhada por russos. O resultado ficou como deve ser. Claro que a concorrência é forte, mas Arabella coloca-se bastante bem dentro dela. O primeiro concerto é lindo, mas o segundo sempre foi inquilino de meu ventrículo esquerdo — que é onde o coração bate mais forte. Ambos são esplêndidos!

A Sonata para Violino Solo, Op. 115, foi composta em 1947. Foi encomendada pelo Comitê de Assuntos de Artes da União Soviética como um trabalho pedagógico para estudantes de violino. É uma peça originalmente projetada para ser tocada ou por um solista ou por vários jovens intérpretes em uníssono. Não foi apresentada até 10 de julho de 1959 — seis anos após a morte de Prokofiev — por Ruggiero Ricci no Conservatório de Moscou.

Sergei Prokofiev (1891-1953): Os 2 Concertos para Violino / Sonata For Violin Solo, Op. 115 (Steinbacher, Petrenko)

Violin Concerto No. 1 In D Major Op. 19
1 Andantino 10:22
2 Scherzo – Vivacissimo 3:59
3 Moderato – Allegro Moderato – Più Tranquillo 9:09

Violin Concerto No. 2 In G Minor Op. 63
4 Allegro Moderato 11:20
5 Andante Assai – Alegretto – Andante Assai 10:06
6 Allegro, Ben Marcato 6:12

Sonata For Violin Solo In D Major Op. 115
7 Moderato 5:15
8 Theme – Andante Dolce 0:28
9 Variation 1 0:28
10 Variation 2 – Scherzando 0:26
11 Variation 3 – Andante 0:32
12 Variation 4 0:37
13 Variation 5 0:41
14 Con Brio – Allegro Precipitato 4:07

Violin – Arabella Steinbacher
Orchestra – Russian National Orchestra (tracks: 1 to 6)
Conductor – Vasily Petrenko (tracks: 1 to 6)

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Arabella Steinbacher caminhou por toda a sede de verão da PQP Bach Corp. em Florianópolis. Ela estava procurando Vassily Genrikhovich para ir à praia com ele, mas não teve sucesso.

PQP

Antonio Vivaldi (1678-1741): Concertos para Violoncelo (Busch / Dieltiens)

Antonio Vivaldi (1678-1741): Concertos para Violoncelo (Busch / Dieltiens)

Mais um bonito disco com a música de Vivaldi! Como os concertos para fagote, os concertos para violoncelo de Vivaldi são recompensadores não apenas por sua escrita solo altamente imaginativa — que estende e explora o caráter versátil do instrumento –, mas também pelas ideias ricamente variadas contidas em seus ritornelos. Se há um único movimento enfadonho a ser encontrado entre essas obras cativantes, ainda não o encontrei. Dieltiens e sua parceira no  violino, Christine Busch, mais o Ensemble Explorations trazem vitalidade rítmica e articulação nítida aos movimentos externos, enquanto nos lentos eles prolongam sua poesia — às vezes elegíaca, às vezes puramente lírica — com fraseados eloquentes. Minha única crítica, e é pequena, é que o órgão de câmara é um pouco mais intrusivo do que deveria ser. Mas isso não é nada comparado com o resto.

Antonio Vivaldi (1678-1741): Concertos para Violoncelo (Busch / Dieltiens)

Concerto En la Mineur / A Minor / A-moll RV 420 (F. III/21)
1 Andante 4:20
2 Adagio 3:48
3 Allegro 3:36

Concerto En Mi Bemol Majeur / E Flat Major / Es-dur RV 408 (F. III/5)
4 Allegro Non Molto 3:39
5 Largo 6:28
6 Allegro 2:09

Concerto En Fa Majeur / F Major / F-dur RV 411 (F. III/14)
7 Allegro 2:58
8 Largo 1:22
9 Allegro Molto 1:49

Concerto En Re Mineur / D Minor / D-moll RV 407 (F. III/23)
10 Allegro 3:25
11 Largo 4:13
12 Allegro 2:36

Concerto En Fa Majeur / F Major / F-dur RV 544 (F. IV/5) “Il Proteo O Sia Il Mondo Al Rovescio”
13 Allegro 3:54
14 Largo 3:06
15 Allegro 3:13

Concerto En la Mineur / A Minor / A-moll RV 421 (F. III/13)
16 Allegro Non Troppo 3:24
17 Largo 2:30
18 Allegro 2:17

Concerto En Ut Majeur / C Major / C-dur RV 561 (F. IV/3)
19 Allegro 3:32
20 Largo 3:38
21 Allegro 2:42

Cello [Violoncelle Piccolo] – Roel Dieltiens
Ensemble – Ensemble Explorations
Violin – Christine Busch
Violoncello – Richte van der Meer

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Roel Dieltiens

PQP

W. A. Mozart (1756-1791): Sinfonias Nº 38 e 41 (Jacobs / Freiburger)

W. A. Mozart (1756-1791): Sinfonias Nº 38 e 41 (Jacobs / Freiburger)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um CD lindo, monstruoso, espetacular. A soma da melhor orquestra de instrumentos originais e de um esplêndido regente — além de especialista na música historicamente informada — só poderia resultar num grande disco. A versão da Sinfonia Praga é a melhor que já escutei — o primeiro movimento é uma pauleira digna de nota — e adorei as surpresas da Júpiter. O Andante Cantabile está bastante diferente do habitual e convence, convence muito.

A Sinfonia Nº 38, Praga, foi composta por Mozart no final de 1786 e estreada em Praga, claro, em 19 de janeiro de 1787, durante a primeira visita de Mozart à cidade. O autógrafo do compositor registra o dia 6 de dezembro de 1786 como a data de conclusão da obra. A versão de Jacobs apenas valoriza a Praga. E pasmem, Mozart, durante o verão de 1788, compôs três sinfonias em menos de dois meses: a Sinfonia Nº 39 (K. 543), a Sinfonia Nº 40 (K. 550) e a Sinfonia Nº 41, “Júpiter” (K. 551). Ao que tudo indica, as três não foram encomendadas por ninguém, mas Mozart raramente dava ponto sem nó. Em vista das dificuldades financeiras que passava na época, talvez ele estivesse planejando vendê-las a um editor ou executá-las em algum concerto em Viena. Ou, quem sabe, planejava uma turnê a Londres, como mais tarde fizera Haydn? Desde o início do século XVIII, vários compositores alemães encontraram sucesso artístico e financeiro em Londres. E quando convidado a se apresentar em uma grande cidade, era comum o compositor levar consigo um conjunto de novas obras. A “Júpiter”, como diz seu apelido, é a mais grandiosa de suas sinfonias. Ironicamente, o nome Júpiter parece ter sido criado em Londres pelo empresário Johann Peter Salomon, que levou Haydn à capital inglesa no ano de 1791 e que desejava levar Mozart no ano seguinte.

.oOo.

Uma ilustração

A Elena diz que é uma artesã cansada, que não busca ouvir novas músicas, só as do trabalho. Só que ela casou com PQP Bach e o cara está sempre ouvindo coisas novas.

Hoje, preparei tudo direitinho. Quando ela chegou em casa, coloquei uma gravação das Sinfonias Nros. 38 e 41 de Mozart que sabia ser espetacular, mas não sabia por quê. É isso, eu sei quando é bom, sei que tenho sensibilidade, mas nem imagino os motivos de minhas admirações. E então ela me explica o que tem lá de diferente.

E ela ouviu, pediu pra repetir, ELOGIOU MUITO, destacou e detalhou o último movimento da Júpiter, com suas respirações diferentes, as puxadas de freio do maestro, as variações no andamento, etc.

Quando acabou, eu tirei o CD e coloquei um vinil com um contratenor cantando Purcell. Ela me olhou com estranheza. O que teria a ver? Será que a pequena cirurgia que fiz hoje teria afetado meu cérebro?

Expliquei que o contratenor que cantara Purcell nos anos 70 era o regente do Mozart de agora — um cara que se especializara na regência de óperas barrocas e clássicas.

E vieram considerações e pedidos para que eu ficasse mais tempo em casa. Passamos um bom dia. Eu com alguma dor pelo dente que morreu, mas com o resto ainda bem vivo.

Gravações citadas:
— W. A. Mozart (1756-1791): Sinfonias Nº 38 e 41
Freiburger Barockorchester
Reg.: René Jacobs

— Henry Purcell (1659-1695): “Tis Nature Voice” and other songs and elegies
Contratenor: René Jacobs

W. A. Mozart (1756-1791): Sinfonias Nº 38 e 41 (Jacobs / Freiburger)

W.A. Mozart (1756 – 1791): Symphonie n 38 “Prague”
1 I. Adagio – Allegro 15:59
2 II. Andante 9:53
3 III. Finale. Presto 6:42

W.A. Mozart (1756 – 1791): Symphonie n 41 “Jupiter”
4 I. Allegro vivace 10:38
5 II. Andante cantabile 9:52
6 III. Menuetto. Allegretto – Trio 3:23
7 IV. Molto Allegro 12:01

Freiburger Barockorchester
René Jacobs

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René Jacobs, um monstro

PQP

Evaristo Felice Dall’Abaco (1675-1742): Concerti A Più Instrumenti Opera Sesta

Evaristo Felice Dall’Abaco (1675-1742): Concerti A Più Instrumenti Opera Sesta

Um bom disco de música barroca italiana. Mas Dall’Abaco não é Vivaldi, nem Corelli. Embora se trate de concertos sem instrumentos declaradamente solo ou concertante, o primeiro violino pode ter breves seções concertantes. Os modelos de Vivaldi, ou mais corretamente os modelos italianos da primeira metade do século, são evidentes: escrita extremamente fluente, raro uso de contraponto imitativo, predomínio da melodia. Dall’Abaco é um sujeito bem famoso em Verona. O cara era veronês e dá nome ao conservatório musical da cidade. Está escrito lá: Conservatorio Statale di Musica Evaristo Felice Dall’Abaco, Alta Formazione Artistica e Musicale. Trata-se de uma região muito musical, a gente anda na rua e os cartazes colados nas paredes e bancas, em vez de anunciar a Ivete Sangalo ou o grupo de rock da cidade, anunciam trios de Shostakovich ou a próxima atração da Arena. É outro mundo. Quando conheci a Piazza Bra em 2006, pensei que ali poderia ser o meu lugar se fosse rico; até hoje dou frequentemente uma olhada em como está a minha Piazza com uma webcam que transmite 24 horas sua situação. Estamos de olho!

Mas, não obstante as exigências neuróticas de genialidade de nosso blog, Evaristo foi um grande compositor. Aluno de Torelli, recebeu enorme influência de Corelli e Vivaldi, porém tem voz própria e original. Dall`Abaco acabou como Kammermusicker de Maximiliano Emanuel I. Ficou pouco tempo na Bavária, teve que fugir junto para a Bélgica após uma derrota militar. Viveu anos em Bruxelas e compôs também para cortes francesas e holandesas. Eu querendo ir morar em Verona e o compositor de cidade só fugiu por toda sua vida…

A propósito, eu me apaixonei pelo Concerto V In Sol.

Evaristo Felice Dall’Abaco (1675-1742): Concerti A Più Instrumenti Opera Sesta

CD 1
Concerto XII In Re
1-1 Allegro
1-2 Grave
1-3 Allegro ma Non Troppo
Concerto IV In Si Minore
1-4 Allegro
1-5 Adagio
1-6 Allegro
Concerto II In Mi
1-7 Allegro Ma Non Troppo
1-8 Aria. Cantabile
1-9 Allegro Assai
Concerto III In Fa
1-10 Allegro
1-11 Largo Sempre Piano
1-12 Allegro E Spiritoso
Concerto I In Do
1-13 Allegro
1-14 Largo
1-15 Presto E Spiccato
Concerto VIII In Re
1-16 Allegro
1-17 Largo
1-18 Allegro
CD 2
Concerto VII In La
2-1 Allegro
2-2 Grave
2-3 Presto
Concerto XI In Mi
2-4 Allegro
2-5 Aria. Cantabile
2-6 Allegro E Spiritoso
Concerto X In Do
2-7 Allegro
2-8 Largo
2-9 Allegro
Concerto IX In Sib
2-10 Allegro Ma Non Troppo
2-11 Largo Assai
2-12 Allegro Assai
Concerto V In Sol
2-13 Allegro E Vivace Assai
2-14 Aria. Adagio Cantabile
2-15 Allegro
Concerto VI In Fa
2-16 Allegro
2-17 Adagio
2-18 Allegro Ma Non Troppo
2-19 Allegro Assai

Il Tempio Armonico
Orchestra Barocca Di Verona
Alberto Rasi

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PQP

.: interlúdio :. John Zorn: Spy Vs Spy (The Music of Ornette Coleman)

.: interlúdio :. John Zorn: Spy Vs Spy (The Music of Ornette Coleman)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Meus amigos pequepianos, meus amores, não vou lhes enganar. Este CD de John Zorn é de uma tal pauleira que pulveriza os esforços e torna dietética a imensa maioria dos grupos de heavy metal. O que quero dizer é que a grande música contida em Spy Vs Spy não é para estômagos fracos que iniciam seus domingos ouvindo a primavera de Vivaldi e sim para aqueles que desejam ver os passarinhos vivaldianos perecerem arregalados sob o tremor de baixo, bateria e saxofones alucinantes. O CD começa em altíssima rotação, depois até pisa no freio, reduzindo a velocidade para os 220 Km/h.

Mas assim é a música de Coleman e assim é Zorn, que a acentuou. Sua intensidade é a do rock, mas a dificuldade é absurda. Há fanáticos por este disco e há pessoas que o odeiam mortalmente. Difícil ficar indiferente quando de uma audição. Eu e meu filho estamos no primeiro grupo. Mas nunca o toco perto de outrem que desconheço. Não sou louco.

Volume bem alto, OK? A menos que vocês tenham vizinhos bregas armados. Ou milicianos.

São dois saxofones, duas baterias e um seguríssimo baixo dando o maior chocolate.

John Zorn: Spy Vs Spy (The Music of Ornette Coleman)

1 WRU 2:38
2 Chronology 1:08
3 Word For Bird 1:14
4 Good Old Days 2:44
5 The Disguise 1:18
6 Enfant 2:37
7 Rejoicing 1:38
8 Blues Connotation 1:05
9 C. & D. 3:05
10 Chippie 1:08
11 Peace Warriors 1:20
12 Ecars 2:28
13 Feet Music 4:45
14 Broad Way Blues 3:42
15 Space Church 2:28
16 Zig Zag 2:54
17 Mob Job 4:24

Bass – Mark Dresser
Drums – Joey Baron, Michael Vatcher
Saxophone – Tim Berne
Saxophone, Producer – John Zorn

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Fiorenza / Leo / Porpora / Sabatino: Concertos Napolitanos para Violoncelo

Fiorenza / Leo / Porpora / Sabatino: Concertos Napolitanos para Violoncelo

Um bom disco de um repertório pouco frequentado. Os compositores mais conhecidos do CD são Porpora e Leo. Nem conhecia Fiorenza e Sabatino, isso que sou um perseguidor de barrocos. Como disse tantas vezes, o barroco parece ser interminável, mas estes não são concertos especialmente belos, não são grandes achados. São animados, meridionais, rápidos, atléticos, soam bem, mas não têm magia. A extrema competência e compreensão dos músicos comandados pela extraordinária Chiara Banchini compensa e a gente sai bem convencido de que é grande música, só que depois esquece… É um disco que indico fortemente para as manhãs felizes!

Fiorenza / Leo / Porpora / Sabatino: Concertos Napolitanos para Violoncelo

Nicola Fiorenza (?-1764)
Solo Cello Concerto in F major
01. Presto
02. Allegro
03. Largo
04. Allegro

Nicola Antonio Porpora (1686-1768)
Cello concerto in G major
05. Adagio
06. Allegro
07. Adagio
08. Allegro

Leonardo Leo (1694-1744)
Solo Cello Concerto in A major
09. Andantino gracioso
10. Allegro
11. Larghetto
12. Allegro

Nicola Fiorenza (?-1764)
Cello Concerto in A major
13. Largo
14. Allegro
15. Adagio
16. Allegro

Nicola Sabatino (1708-1796)
Solo di Violoncello con due violini e basso in G major
17. Largo assai
18. Fuga
19. Adagio
20. Allegro mà preso

Gaetano Nasillo, cello
Ensemble 415
Chiara Banchini, direction

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Chiara Banchini

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J. S. Bach, Biber, Montanari, Pisendel & Tartini: Guardian Angel (Rachel Podger)

J. S. Bach, Biber, Montanari, Pisendel & Tartini: Guardian Angel (Rachel Podger)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Chega o dia em que o grande violinista — no caso a grande violinista — acha que tem que roubar repertório de outros instrumentos. E o faz bem, roubando (ou transcrevendo) a belíssima Partita para Flauta Solo, BWV 1013, de Bach. O restante do repertório deste Guardian Angel é original, mas tudo fica opaco perto da Partita de Bach e da Passacaglia de Biber. Eu amo a Passacaglia, uma daquelas peças que não requerem virtuosismo e sim sensibilidade. Em mãos mais duras, ela cai na vala das obras descartáveis, mas quando cai nas mãos de uma Podger, rende loucamente. Um CD aparentemente despretensioso que é uma joia. Confiram!

J. S. Bach, Biber, Montanari, Pisendel & Tartini: Guardian Angel (Rachel Podger)

Johann Sebastian Bach (1685 -1750)
Partita for flute in A minor, BWV 1013:
01. I. Allemande (04:07)
02. II. Corrente (03:41)
03. III. Sarabande (05:26)
04. IV. Bouree Anglaise (02:40)

Nicola Matteis (d. after 1713)
From: Other Ayrs, Preludes, Allmands, Sarabands etc. – The 2nd Part:
05. Passagio rotto (02:34)
06. Fantasia (01:51)
07. Movimento incognito (02:49)

Giuseppe Tartini (1692-1770)
Sonata in A minor, B: a3:
08. I. Cantabile (01:40)
09. II. Allegro (02:15)
10. III. Allegro (03:41)
11. IV. Giga (01:21)
12. V. Theme and variations (12:12)
Sonata in B minor, No.13, B: h1:
13. I. Andante (04:45)
14. II. Allegro assai (02:48)
15. III. Giga. Allegro affettuoso (02:48)

Johann Georg Pisendel (1687-1755)
Sonata per violino solo senza basso:
16. I. (02:45)
17. II. Allegro (05:16)
18. III. Giga (02:49)
19. IV. Varoatione (04:00)

Heinrich Ignaz Franz von Biber (1644-1704)
20. From: Mystery Sonatas: Passacaglia in G minor for solo violin (08:52)

Antonio Montanari (1676-1737)
21. Sonata Camera (Giga) — Bonus Track (02:27)

Rachel Podger, violino

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Quem não ama Rachel Podger?

PQP

Iannis Xenakis (1922-2001): Oresteïa

Iannis Xenakis (1922-2001): Oresteïa

Liturgia selvagem e insolente sob o sol da Grécia de Ésquilo, a cantata Oresteïa é tudo menos música decorativa. Iannis Xenakis fascina e encanta o ouvinte com o alegria e o ritmo de seus movimentos, seus coros masculinos grandiosos [Agamenon] e o clamor opressor de suas vozes femininas [Les Chorephores].

As origens da Oresteïa de Iannis Xenakis são quase tão marcantes quanto a própria música. Em algum momento da década de 1960, a cidade de Ypsilanti, em Michigan (EUA), descobriu que seu nome não era derivado de alguma língua nativa americana, mas sim do grego. Cheia de orgulho por sua recém-descoberta associação étnica, a cidade decidiu realizar um festival grego em um anfiteatro construído no campo de beisebol da universidade local. Eles contrataram um autêntico diretor grego e também concordaram em contratar os serviços de um autêntico compositor grego para escrever a partitura incidental. Xenakis abraçou o projeto, escreveu mais de uma hora e meia de música para a produção, que ao que tudo indica foi um grande sucesso. Com o intuito de resgatar o trabalho para a atuação em concerto, Xenakis posteriormente preparou uma cantata com duração de cerca de 50 minutos, acrescentando em meados da década de 1980 o sensacional — e HILARIANTE, na minha opinião — movimento Kassandra – e aqui temos o resultado.

OK, ouvir Oresteïa não é tão fácil de ouvir quanto Alexander Nevsky de Prokofiev, outra cantata que nasceu de, digamos, raízes históricas e geopolíticas, mas qualquer um que pense que Xenakis seja inacessível pode ouvir Oresteïa e reconsiderar este julgamento precipitado. O que dá a essa música seu estranho fascínio é a combinação de elementos vocais geralmente semelhantes a um canto (apesar de hermeticamente atonal), com interlúdios instrumentais de sonoridade primitiva (mas na verdade muito sofisticados tecnicamente). A esse respeito, não estamos tão longe de A Sagração da Primavera, de Stravinsky, das obras vocais de Varèse ou dos cenários posteriores do drama grego de Carl Orff.

Você pode ouvir isso muito claramente no segundo movimento, Kassandra, com sua escrita delirante para percussão e barítono, bem como no canto do refrão em Les Choephores. A escrita instrumental estilizada, muitas vezes monofônica e permeada por estranhos sons de percussão e extremos de altura, adiciona a impressão de rigidez primordial que se adapta perfeitamente bem ao drama.

Iannis Xenakis – Oresteïa

Oresteïa (49:23)
1 Agamemnon 9:44
2 Kassandra 13:47
Baritone Vocals [Solo] – Spiros Sakkas*
Percussion [Solo] – Sylvio Gualda
3 Agamemnon (Suite Et Fin) 4:50
4 Les Choephores 11:44
5 Les Euménides 9:18

Maîtrise de Colmar
Ensemble Vocal d’Anjou
Ensemble de Basse-Normandie
Spiros Sakkas – baritone
Sylvio Gualda – percussion

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Xenakis, estrela grega de Ypsilanti | Foto: Wikimedia Commons

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Henry Purcell (1659-1695): Música para o Teatro (Hogwood) — Vol. 6 de 6 (mais Scans)

Henry Purcell (1659-1695): Música para o Teatro (Hogwood) — Vol. 6 de 6 (mais Scans)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este conjunto apareceu originalmente como LPs separados nos anos 70 e 80, e passou esgotado por muito tempo. Era um crime, já que Purcell passou boa parte de sua curta e prolífica vida profissional no teatro, seja escrevendo as músicas incidentais contidas nesses CDs, ou a música para suas obras maiores, as semi-óperas (Rei Arthur, The Fairy Queen, etc.). Quase todas essas obras são joias e certamente representam um pináculo da música inglesa do século XVII. Purcell tinha gênio para extrair ouro musical das letras mais pesadas e ele faz o mesmo com os textos das canções nessas peças. Hogwood e o AAM oferecem performances limpas. O som desses discos analógicos antigos foi limpo e melhorado — embora eles já fossem originalmente muito bons. Como acontece com a maioria das coisas que Hogwood gravou, os extremos emocionais são achatados, então a natureza “sobrenatural” da música do final do século 17, tão frequentemente enfatizada em apresentações barrocas mais recentes, não aparece aqui. Mas, nossa, como vale a pena ouvir! O CD recebe o selo de imperdível principalmente pelas lindas peças instrumentais que estão lá no final. São ouro puro!

Henry Purcell (1659-1695): Música para o Teatro (Hogwood) — Vol. 6 de 6 (mais Scans)

CD6:

Love Triumphant, or Nature Will Prevail, incidental music, Z. 582
01. How happy’s the husband

Rule a Wife and Have a Wife, incidental music, Z. 587
02. There’s not a swain

The Female Virtuosos, incidental music, Z. 596
03. Love, thou art best

Epsom Wells, incidental music, Z. 579
04. Leave these useless arts

The Maid’s Last Prayer, or, Any Rather than Fail, incidental music, Z. 601
05. Though you make no return
06. No, resistance is but vain
07. Tell me no more

Aureng-Zebe, or, the Great Mogul, incidental music, Z. 573
08. I see, she flies me

The Canterbury Guests, or, A Bargain Broken, incidental music, Z. 591
09. Good neighbour why?

The Fatal Marriage, or, the Innocent Adultery, incidental music, Z. 595
10. The danger is over
11. I sigh’d and owned my love

Spanish Friar, or, the Double Discovery, incidental music, Z. 610
12. Whilst I with grief

Pausanias, the Betrayer of his Country, incidental music, Z. 585
13. Sweeter than roses
14. My dearest, my fairest

The Mock Marriage, incidental music, Z. 605
15. Oh! how you protest … ‘Twas within a furlong … Man is for the woman made

Oroonoko, incidental music, Z. 584
16. Celemene, pray tell me

17. Pavan for 2 violins & continuo in A major, Z. 748
18. Pavan for 2 violins & continuo in A minor, Z. 749
19. Pavan for 2 violins & continuo in B flat major, Z. 750
20. Pavan for 2 violins & continuo in G minor, Z. 751
21. Pavan for 3 violins & continuo in G minor, Z. 752
22. Sonata for violin & continuo (Trio Sonata) in G minor, Z. 780
23. Chacony, for 4 strings in G minor, Z. 730

Sopranos: Elizabeth Lane, Emma Kirkby, Joy Roberts, Judith Nelson, Prudence Lloyd
Countertenor: James Bowman
Tenors: Alan Byers, Julian Pike, Martyn Hill, Paul Elliott, Peter Bamber, Rogers Covey-Crump
Basses: Christopher Keyte, David Thomas, Geoffrey Shaw, Michael George
The Taverner Choir
Chorus Director: Andrew Parrott
Academy of Ancient Music
Conductor: Christopher Hogwood

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Saudades de Christopher Hogwood (1941-2014)

PQP

Henry Purcell (1659-1695): Música para o Teatro (Hogwood) — Vol. 5 de 6

Henry Purcell (1659-1695): Música para o Teatro (Hogwood) — Vol. 5 de 6

IM-PER-DÍ-VEL !!!

O quinto CD desta série traz uma monte de obras-primas do barroco. Para começar, quem conhece o filme A Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick, logo reconhecerá o Prelúdio, faixa 3. Logo depois, temos a belíssima Music for a while (8) e, como se não bastasse, a faixa 11 é Retir’d from any mortal’s sight, aqui em interpretação linda de morrer de Emma Kirkby. E o que dizer da cômica At the close of the ev’ning?

Imagine os filmes mais estúpidos de Hollywood que você possa imaginar: filmes de ação cafonas, comédias fofinhas e sem graça, grandes épicos xaroposos. Agora imagine que um dos maiores compositores vivos trabalhando para eles, produzindo trilhas musicais surpreendentes, assustadoramente belas e emocionantes para esses filmes descartáveis. É isso que você obtém com este conjunto: música que Henry Purcell compôs para cerca de duas dúzias de peças, muitas vezes totalmente esquecíveis, outras não, pois, ocasionalmente, ele se juntava a um dramaturgo digno de sua estatura como John Dryden, Aphra Behn ou William Congreve. Nestes casos, os resultados são ainda melhores, mas na maioria das vezes você pode — e deve — curtir a música aqui sem saber nada sobre as peças originais…

CD5:

The Libertine, or, the Libertine Destroyed, incidental music, Z. 600
01. Nymphs and shepherds
02. We come
03. Prelude
04. Prepare, prepare, new guests draw near
05. To arms, heroic prince

The Massacre of Paris, incidental music, Z. 604
06. Thy genius, Io (2 settings)

Oedipus, incidental music, Z. 583
07. Hear, ye sullen powers below
08. Music for a while
09. Come away, do not stay … Laius! Hear, hear
10. Overture for 2 violins, viola & continuo in D minor, Z. 771

The History of King Richard II, or, The Sicilian Usurper, incidental music, Z. 581
11. Retir’d from any mortal’s sight

Sir Barnaby Whigg, or, No Wit Like a Woman’s, incidental music, Z. 589
12. Blow, blow, Boreas, blow

Sophonisba, or Hannibal’s Overthrow, incidental music, Z. 590
13. Beneath the poplar’s shadow

The English Lawyer, incidental music, Z. 594
14. My wife has a tongue

A Fool’s Preferment, or, The Three Dukes of Dunstable, incidental music, Z. 571
15. I sigh’d, and I pin’d … There’s nothing so fatal as woman
16. Fled is my love … ‘Tis death alone … I’ll mount to yon blue Coelum
17. I’ll sail upon the Dog-star
18. Jenny, ‘gin you can love
19. If thou wilt give me back my love

The Indian Emperor, or, The Conquest of Mexico, incidental music, Z. 598
20. I look’d, and saw within

The Knight of Malta, incidental music, Z. 599
21. At the close of the ev’ning

Why, my Daphne, why complaining? (A Dialogue between Thirsis and Daphne), song for soprano, bass & continuo, Z. 525
22. Why, my Daphne, shy complaining

The Wives’ Excuse, or, Cuckolds Make Themselves, incidental music, Z. 612
23. Ingrateful love!
24. Hang this whining way of wooing
25. Say, cruel Amoret … Corinna, I excuse thy face

Cleomenes, the Spartan Hero, incidental music, Z. 576
26. No, no, poor suff’ring heart

Regulus, or, the Faction of Carthage, incidental music, Z. 586
27. Ah me! to many deaths

The Marriage-Hater Match’d, incidental music, Z. 602
28. As soon as the chaos … How vile are the sordid intregues

Sopranos: Elizabeth Lane, Emma Kirkby, Joy Roberts, Judith Nelson, Prudence Lloyd
Countertenor: James Bowman
Tenors: Alan Byers, Julian Pike, Martyn Hill, Paul Elliott, Peter Bamber, Rogers Covey-Crump
Basses: Christopher Keyte, David Thomas, Geoffrey Shaw, Michael George
The Taverner Choir
Chorus Director: Andrew Parrott
Academy of Ancient Music
Conductor: Christopher Hogwood

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Henry Purcell (1659-1695): Música para o Teatro (Hogwood) — Vol. 4 de 6

Henry Purcell (1659-1695): Música para o Teatro (Hogwood) — Vol. 4 de 6

Muito bom este CD 4. Muitas árias bonitas e interessantes. Dotado de um sentido melódico muito expressivo, Purcell compôs toda a sua obra encaminhando-se para a modernidade. As suas composições foram escritas, basicamente, para a Igreja, a corte e o entretenimento. O gênio de Purcell como compositor de teatro foi prejudicado pelo fato de não haver ópera pública em Londres durante sua vida. A maior parte de sua música de teatro consiste em música instrumental e canções interpoladas ao drama, embora ocasionalmente houvesse oportunidades para cenas musicais mais extensas. Sua contribuição para o palco foi de fato modesta até 1689, quando escreveu a obra-prima Dido e Aeneas.

Henry Purcell (1659-1695): Música para o Teatro (Hogwood) — Vol. 4 de 6

CD4:

The Double Dealer, incidental music, Z. 592
01. Overture
02. Hornpipe – Minuet – Air – Hornpipe
03. Cynthia frowns
04. Minuet – Minuet – Air – Air

The Richmond Heiress, or, A Woman Once in the Right, incidental music, Z. 608
05. Behold the man

The Rival Sisters, or, the Violence of Love, incidental music, Z. 609
06. Overture
07. Celia has a thousand charms
08. Take not a woman’s anger ill
09. How happy, how happy is she

Henry II, King of England, incidental music, Z. 580
10. In vain, ‘gainst Love, in vain I strove

Tyrannic Love, or, the Royal Martyr, incidental music, Z. 613
11. Hark! my Damilcar!
12. Ah! how sweet it is to love
13. Overture for 2 violins, 2 violas & continuo in G minor, Z. 772

Theodosius, or, the Force of Love, incidental music, Z.606
14. Prepare, prepare, the rites begin
15. Cans’t thou, Marina
16. The gate to bliss
17. Hark! Hark! behold the heav’nly choir
18. Now the fight’s done
19. Sad as death at dead of night
20. Dream no more of pleasures past
21. Hail to the myrtle shade
22. Ah cruel, bloody Fate

Sopranos: Elizabeth Lane, Emma Kirkby, Joy Roberts, Judith Nelson, Prudence Lloyd
Countertenor: James Bowman
Tenors: Alan Byers, Julian Pike, Martyn Hill, Paul Elliott, Peter Bamber, Rogers Covey-Crump
Basses: Christopher Keyte, David Thomas, Geoffrey Shaw, Michael George
The Taverner Choir
Chorus Director: Andrew Parrott
Academy of Ancient Music
Conductor: Christopher Hogwood

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Henry Purcell (1659-1695): Música para o Teatro (Hogwood) — Vol. 3 de 6

Henry Purcell (1659-1695): Música para o Teatro (Hogwood) — Vol. 3 de 6

Este disco não chega ao nível dos dois primeiros, mas mesmo assim é muito bom. São mais árias do que música orquestral, às vezes parece que estamos ouvindo uma ópera barroca. Em sua música vocal, Purcell definiu a língua inglesa com uma sensibilidade que ninguém tinha igualado antes ou depois. Apenas Britten, que amava a música de Purcell, chegou próximo. Em sua música instrumental, Purcell mostrou-se um verdadeiro moderno, sendo um dos primeiros a explorar as possibilidades da cor orquestral. Ele mesclou influências do contraponto antigo às últimas danças francesas e às acrobacias vocais italianas. Ainda assim, o resultado é sempre puro Purcell. E com uma cara inglesa que vou lhes contar.

Henry Purcell (1659-1695): Música para o Teatro (Hogwood) — Vol. 3 de 6

CD3:

01. Overture and Suite for 2 violins, viola & continuo in G major, Z. 770 (inner parts incomplete)

Don Quixote, incidental music, Z. 578
02. Sing all ye Muses
03. When the world first knew creation
04. Let the dreadful engines of eternal will
05. With this sacred charming wand
06. Since times are so bad
07. Genius of England
08. Lads and Lasses, blithe and gay
09. From rosie bow’rs

Amphitryon, or, the Two Sosias, incidental music, Z. 572
10. Overture
11. Saraband
12. Celia, that I once was blest
13. Hornpipe – Scotch tune
14. For Iris I sigh
15. Air – Minuet – Hornpipe
16. Fair Iris and her swain
17. Bourrée

Sopranos: Elizabeth Lane, Emma Kirkby, Joy Roberts, Judith Nelson, Prudence Lloyd
Countertenor: James Bowman
Tenors: Alan Byers, Julian Pike, Martyn Hill, Paul Elliott, Peter Bamber, Rogers Covey-Crump
Basses: Christopher Keyte, David Thomas, Geoffrey Shaw, Michael George
The Taverner Choir
Chorus Director: Andrew Parrott
Academy of Ancient Music
Conductor: Christopher Hogwood

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J. S. Bach (1685-1750): Cantatas para Soprano (BWV 82a, 199, 51, 84, 209 & 202) – Nancy Argenta

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas para Soprano (BWV 82a, 199, 51, 84, 209 & 202) – Nancy Argenta

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Eu amo as Cantatas para soprano solo de Johann Sebastian Bach. Especialmente a BWV 82 e a 202, mas também as outras. E o que dizer delas na voz translúcida de Nancy Argenta? Bem, abaixo coloco um texto de Mark Swed, publicado no L.A. Times em julho deste ano. Swed faz uma curiosa e linda relação entre a Cantata BWV 82 e nossos tempos covideanos. Excluí os dois parágrafos finais pois eles diziam respeito a outra interpretação que não a da canadense Argenta, porém, é claro, o artigo está em sua versão completa no link acima e traduzido aqui.

Bach escreveu a Cantata BWV 82 para transcender a tragédia. É uma canção de ninar para os nossos tempos

Por Mark Swed

Ich habe genug, Cantata BWV 82 de Bach, é comumente traduzida como Estou contente. No centro da cantata, há uma canção de ninar de doçura consoladora e benção sonolenta, cuja melodia é incomparável. Quem está atualmente contente? Quem não está dormindo muito ou pouco, com noites pesadas e angustiadas?

Na verdade, a Cantata 82 fornece um manual de como morrer tranquilamente, mapeando o caminho para o paraíso. E, aparentemente, essa é a última coisa que alguém quer ouvir durante as circunstâncias terríveis que vivemos.

Eu tentei um experimento. Por alguns dias, a Cantata foi a última música que eu escutei antes de ir para a cama e a primeira que eu ouvi de manhã. Não me aliviou a apreensão noturna nem se mostrou eficaz para melhorar o humor diurno. Eu não fiquei mais contente, mas o curioso era que eu esperava ansiosamente aqueles momentos de escuta. Claro, a BWV 82, para usar o sistema de numeração convencional que usamos para Bach, não se tornou sem motivo uma dos mais amadas das cerca de 200 cantatas existentes de Bach. Ela é linda.

As cantatas de Bach são uma conquista da humanidade. Acredita-se que ele tenha composto pelo menos 300 (um terço ou mais foram perdidas). Aos 38 anos, em 1723, ele era o encarregado da música das quatro principais igrejas luteranas de Leipzig, na Alemanha, e era obrigado a fornecer 59 cantatas por ano, uma para o culto de cada domingo e outras para os feriados. A maioria das cantatas era composta por 3 árias, 3 movimentos corais e recitativos. E era interpretada por um ou dois cantores solo, coral e um conjunto instrumental no qual os membros também podiam ter partes solo, o que significava agendamentos frenéticos de ensaios.

As cantatas acabaram se tornando um álbum de respostas emocionais a seu tempo e lugar, às estações do ano, às alegrias e tristezas da vida de Leipzig no século XVIII. Elas eram meditações profundas sobre o significado de tudo, discursos pessoais de sons.

A Cantata (que significa apenas cantada) era, por si só, um gênero vago. Embora principalmente sacras, as elas também poderiam ser seculares, destinadas a casamentos e outras celebrações, funerais ou mesmo, como Bach nos demonstrou deliciosamente, a um café.

Como disse, elas normalmente continham árias para um ou dois cantores, um coro e um pequeno conjunto com solos para instrumentistas virtuosos. Para aborrecimento dos padres, a música de Bach costumava ser a principal atração para os cultos que começavam às 7 da manhã e podiam durar quatro horas. Sabe-se que a congregação da sociedade de Leipzig chegava tarde à missa e saía mais cedo, ou seja, iam mais para assistir Bach do que o sermão.

O BWV 82 foi escrito em 1727 para a Festa da Purificação da Virgem Maria, que aconteceu em 2 de fevereiro. É para um cantor solo e prescinde do coro. Seu libreto anônimo concentra-se em Simeão, que, depois de ver o menino Jesus no templo, não precisa mais da vida terrena.

Em seu brilhante estudo de Bach, Música no Castelo do Céu, o maestro John Eliot Gardiner diz que a teologia da época encarava o mundo como “um hospício povoado por almas doentes cujos pecados apodrecem como furúnculos supurantes e excrementos amarelos”. Mas, no BWV 82, Bach radicalmente nos permite aspirar a sermos anjos. A morte não é transformação ou punição, é missão cumprida, é uma boa noite de sono e uma alegre viagem para casa.

Anjos não somos, mas por 25 minutos sentimos que somos. Os sons das palavras do texto anônimo são transformados em melodias luxuosas, que demonstram um talento operístico indiscutível. Mas a realização mais significativa é a de que a melodia e a instrumentação transcenderem o texto completamente.

O formato da cantata é simples: um cantor — Bach criou versões para soprano, mezzo-soprano e baixo-barítono — e três árias conectadas por dois recitativos curtos. Um pequeno conjunto de cordas o acompanha. Um oboé solo (ou flauta na versão soprano) gira melodias acrobáticas fazendo um sofisticado contraponto à linha vocal. Sobre as cordas suaves, a ária de abertura começa com o oboé ou flauta, introduzindo a frase melódica de cinco notas que carregará as palavras “Ich habe genug”.

Bach não está nos dizendo isso por palavras. Ele não está explicitando nada. Nem está, por mais que pareça, revelando as emoções carregadas no texto. Ele está nos levando pela mão a algum lugar.

A suposta tarefa da ária de canção de ninar “Schlummert ein” era representar a morte como sono. Em vez disso, Bach produz um milagre musical. Para que ele não nos leve a dormir, Bach produz um estado de reverência. O sono, então, torna-se não a morte, mas uma visão fugaz da morte, da qual acordamos revigorados. É por isso que a ária final curta e alegre pode estar escandalosamente viva.

Ich habe genug veio logo depois que Bach se cansou de cantatas para funerais. Aliás, a morte foi sua companheira constante. Seus pais morreram quando ele era menino. Sua primeira esposa morreu jovem. Ele sofreu a morte de seis de seus 20 filhos, incluindo a de um filho de seis meses antes de escrever o BVW 82. A essa altura, Bach havia deixado a tarefa hercúlea de escrever cantatas sem parar, para produzi-las apenas ocasionalmente. Mas o BWV 82 parece ser uma questão pessoal e Bach produziu um total de seis versões, a última em 1748, dois anos antes de sua própria morte.

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas para Soprano (BWV 82a, 199, 51, 84, 209 & 202)

CD 1 (64:47)
1-5 Ich habe genug BWV 82a 21:51
6-13 Mein Herze schwimmt in Blut BWV 199 22:16
14-17 Jauchzet Gott in allen Landen BWV 51 17:30

CD 2 (54:15)
1-5 Ich bin vergnugt mit meinem Glucke BWV 84 13:34
6-10 Non sa che sia dolore BWV 209–Italian Cantata 20:37
11-19 Weichet nur, betrubte Schatten BWV 202–Wedding Cantata 19:46

Soprano Vocals – Nancy Argenta (tracks: CD 1 & CD 2)
Directed By – Monica Huggett (tracks: CD 1 & CD 2)
Ensemble – Sonnerie (tracks: CD 1 & CD 2)
Flute – Lisa Beznosiuk (tracks: BWV 82a & 209 (CD 1: 1-5; CD 2: 6-10))
Oboe – Paul Goodwin (2) (tracks: BWV 84, 199 & 202 (CD 1: 6-13; CD 2: 1-5, 11-19))
Trumpet – Crispian Steele-Perkins (tracks: BWV 51 (CD 1: 14-17))

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A extraordinária soprano canadense Nancy Argenta

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#BTHVN250 – Ludwig van Beethoven (1770-1827): String Quintets Op. 4 & 29 (Nash)

#BTHVN250 – Ludwig van Beethoven (1770-1827): String Quintets Op. 4 & 29 (Nash)

O Nash Ensemble é dos melhores agrupamentos que conheço da cena erudita. Nunca pesquisei a respeito, mas deve ser um grupo de músicos de alto nível que molda sua formação para interpretar as obras cujas necessidades instrumentais estejam fora dos padrões habituais. O Nash gravou o maravilhoso Quinteto de Korsákov, de estranhíssima formação, assim como outras composições raras. É a especialidade dos caras.

Quintetos de Cordas não chegam a ser coisas muito inéditas — basta pegar um quarteto e acrescentar um músico — mas é algo do interesse do Nash. E, como sempre, ele dá um banho de competência. O CD é da Hyperion, o que é garantia de muita qualidade, como a maioria de vocês sabem.

Uma boa noite beethoveniana aos pequepianos!

Ludwig van Beethoven (1770-1827): String Quintets Op. 4 & 29

1. String Quintet In E Flat, Op. 4 – 1. Allegro Con Brio
2. String Quintet In E Flat, Op. 4 – 2. Andante
3. String Quintet In E Flat, Op. 4 – 3. Menuetto Più Allegretto; Trio
4. String Quintet In E Flat, Op. 4 – 4. Presto

5. String Quintet In C, Op. 29 – 1. Allegro Moderato
6. String Quintet In C, Op. 29 – 2. Adagio Molto Espressivo
7. String Quintet In C, Op. 29 – 3. Scherzo: Allegro; Trio
8. String Quintet In C, Op. 29 – 4. Presto; Andante Con Moto & Scherzoso; Tempo I

The Nash Ensemble

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G. F. Händel (1685-1759): Concerti grossi, Op. 3 (Akademie für Alte Musik Berlin)

G. F. Händel (1685-1759): Concerti grossi, Op. 3 (Akademie für Alte Musik Berlin)

Mesmo que a seleção de Concertos deste Op. 3 tenha sido provavelmente compilada pelo editora de Händel e não pelo próprio compositor, a qualidade geral e a natureza colorida da música contida nele o tornam um poderoso opus. Com sua profunda competência e absoluta animação, a Akademie für Alte Musik Berlin e o maestro Georg Kallweit demonstram porque eu os considero um dos melhores conjuntos barrocos da atualidade ao lado da Orquestra Barroca de Freiburg, do Giardino Armonico, Orchestra of the Age of Enlightenment e de outros poucos. Poucas vezes Händel foi tão bem tratado. Imaginem que conheci esses concertos na horrorosa versão romântica de Karl Richter. Que sorte que o mundo girou tantas vezes desde aqueles dias.

Concerto grosso (‘concerto grande’; plural: concerti grossi) é uma forma musical em que um grupo de solistas (concertino) — geralmente dois violinos e um violoncelo — dialoga com o resto da orquestra (ripieno), por vezes fundindo-se com este, resultando no tutti. Trata-se de uma forma estritamente instrumental, típica do período barroco. A denominação concerto grosso surgiu por volta de 1670, na partitura de uma cantata de Alessandro Stradella. Foi praticado principalmente na Itália, na Inglaterra e nos países germânicos. As diferentes partes — concertino, ripieno e tutti — são sustentadas pelo grupo do baixo contínuo (geralmente, feito por uma viola da gamba ou cravo). Alguns compositores utilizaram simplesmente a denominação de concerto, sinfonia ou sonata para designar a forma do concerto grosso.

G. F. Handel (1685-1759): Concerti grossi, Op. 3 (Akademie für Alte Musik Berlin)

Handel, George Frideric (1685-1759) :
Concerto Grosso Op. 3 No. 1 in B flat major, HWV312 7:44
01. I. Allegro 2:25
02. II. Largo 3:53
03. III. Allegro 1:26

Concerto Grosso Op. 3 No. 2 in B flat major, HWV313 10:08
04. I. Vivace 1:37
05. II. Largo 2:34
06. III. Allegro 1:47
07. IV. Menuet 1:18
08. V. Gavotte 2:52

Concerto Grosso Op. 3 No. 3 in G major, HWV314 8:01
09. Ia. Largo e staccato 0:36
10. Ib. Allegro 2:30
11. II. Adagio 1:04
12. III. Allegro 3:51

Concerto Grosso Op. 3 No. 4a in F Major, HWV315 12:03
13. I. Andante – Allegro – Lentement 5:57
14. II. Andante 2:07
15. III. Allegro 1:26
16. IV. Minuetto alternativo 2:33

Concerto Grosso Op. 3 No. 5 in D minor, HWV316 9:32
17. I. Grave 1:27
18. II. Allegro 2:19
19. III. Adagio 1:40
20. IV. Allegro ma non troppo 1:30
21. V. Allegro 2:36

Concerto Grosso Op. 3 No. 6 in D major, HWV317 6:30
22. I. Vivace 3:14
23. II. Allegro 3:16

Akademie für Alte Musik Berlin
Georg Kallweit

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Após muito procurarmos, encontramos a AKAMUS perdida na filial de Niterói da PQP Bach Corp.

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Henry Purcell (1659-1695): Música para o Teatro (Hogwood) — Vol. 2 de 6

Henry Purcell (1659-1695): Música para o Teatro (Hogwood) — Vol. 2 de 6

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Incrível a beleza das melodias e o bom humor das obras contidas neste CD 2. Não sei nada sobre as obras literárias que deram origem às músicas, mas acho que podemos garantir bons momentos de audição à comunidade pequepiana. Henry Purcell morreu aos 36 anos em 21 de novembro de 1695. Seu funeral na Abadia de Westminster, onde trabalhou por 16 anos como organista, foi enorme. Era figura muito importante e ele foi definido na época como “o maior gênio musical que a Inglaterra já teve”. Uma coleção de suas canções, publicada logo após sua morte, foi chamada de “Orpheus Britannicus”- o Orfeu Britânico. Não é um exagero.

Henry Purcell (1659-1695): Música para o Teatro (Hogwood) — Vol. 2 de 6

Bonduca, or, The British Heroine, incidental music, Z. 574
01. Overture
02. Air – Hornpipe – Air
03. Hornpipe – Air – Minuet
04. Jack, thou’rt a toper
05. Hear us great Rugwith
06. Hear, ye Gods of Britain
07. Sing, sing, ye Druids!
08. Divine Andate, president of war
09. To arms
10. Britons strike home!
11. O lead me to some peaceful gloom

Circe, incidental music, Z. 575
12. We must assemble by a sacrifice
13. Their necessary aid you use
14. Come every demon
15. Lovers, who to their first embraces go
16. Magicians’ Dance … Pluto, arise!

The Virtuous Wife, or, Good Luck at Last, incidental music, Z. 611
17. Overture
18. Song tune – Slow Air – Air
19. Preludio – Hornpipe – Minuet – Minuet (1st Act tune)

The Old Bachelor, incidental music, Z. 607
20. Overture
21. Hornpipe
22. Thus to a ripe, consenting maid
23. Slow Air – Hornpipe
24. As Amoret and Thyrsis lay
25. Rondeau – Menuet – Boree – March – Jig

Sopranos: Elizabeth Lane, Emma Kirkby, Joy Roberts, Judith Nelson, Prudence Lloyd
Countertenor: James Bowman
Tenors: Alan Byers, Julian Pike, Martyn Hill, Paul Elliott, Peter Bamber, Rogers Covey-Crump
Basses: Christopher Keyte, David Thomas, Geoffrey Shaw, Michael George
The Taverner Choir
Chorus Director: Andrew Parrott
Academy of Ancient Music
Conductor: Christopher Hogwood

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Henry Purcell (1659-1695): Música para o Teatro (Hogwood) — Vol. 1 de 6

Henry Purcell (1659-1695): Música para o Teatro (Hogwood) — Vol. 1 de 6

IM-PER-DÍ-VEL !!!

O Teatro Elisabetano é o teatro produzido durante o reinado de Elisabeth I da Inglaterra, de 1558 a 1603. Seu grande nome é, na verdade, imenso: William Shakespeare. A tradição de alta qualidade se mantém até hoje e Purcell teve boa fatia nesta aventura, apesar de ser pós-elisabetano. O teatro inglês diferenciava-se da produção do resto do continente europeu por seu alcance social: enquanto na Itália, por exemplo, o teatro estava reservado à elite, na Inglaterra príncipes, nobres, artesãos e camponeses assistiam e deleitavam-se com as montagens, embora cada um ocupasse um lugar específico dentro do teatro. Essa fusão de públicos levou também a uma fusão de estilos. Nesse período surgem as misturas muito particulares entre a tragédia, a comédia e o novelesco. Purcell escreveu música para muitas peças. Elas eram tocadas na abertura, nos intervalos e, às vezes também durante as peças, em momentos especialmente tensos, líricos ou cômicos. É tudo de primeira qualidade e este sexteto de CDs comprova a genialidade envolvida.

Henry Purcell (1659-1695): Música para o Teatro (Hogwood) — Vol. 1 de 6

Abdelazer, or, the Moor’s Revenge, incidental music, Z. 570
01. Overture
02. Rondeau – Air – Air – Minuet
03. Air – Jig – Hornpipe – Air
04. Song: Lucinda is bewitching fair

Distressed Innocence, or, the Princess of Persia, incidental music, Z. 577
05. Overture
06. Air – Slow Air – Air – Hornpipe or Jig
07. Rondeau – Air – Minuet

The Married Beau, or, the Curious Impertinent, incidental music, Z. 603
08. Overture
09. Slow Air – Hornpipe
10. Air – Hornpipe – Jig
11. Trumpet Air – March – Hornpipe on a ground
12. Song: See! where repenting Celia lyes

The Gordian Knot Unty’d, incidental music, Z. 597
13. Overture
14. Air – Rondeau Minuet – Air – Jig
15. Chaconne – Air – Minuet

Sir Anthony Love, or, the Rambling Lady, incidental music, Z. 588
16. Overture
17. Pursuing Beauty
18. No more, Sir, no more
19. In vain Clemene
20. Ground

Sopranos: Elizabeth Lane, Emma Kirkby, Joy Roberts, Judith Nelson, Prudence Lloyd
Countertenor: James Bowman
Tenors: Alan Byers, Julian Pike, Martyn Hill, Paul Elliott, Peter Bamber, Rogers Covey-Crump
Basses: Christopher Keyte, David Thomas, Geoffrey Shaw, Michael George
The Taverner Choir
Chorus Director: Andrew Parrott
Academy of Ancient Music
Conductor: Christopher Hogwood

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Charles Ives (1874-1954): Integral das Sinfonias (Dudamel)

Charles Ives (1874-1954): Integral das Sinfonias (Dudamel)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Antes que a rotina normal de concertos parasse em março, um dos últimos projetos de Gustavo Dudamel com a Filarmônica de Los Angeles foi um ciclo de sinfonias de Charles Ives. São estas excelentes performances de Ives, gravadas ao vivo no Walt Disney Hall de Los Angeles em fevereiro, que estão reunidas neste lançamento.

Por sinfonias “completas”, falamos das quatro obras numeradas. O conjunto não inclui a New England Holiday Symphony, coleção de quatro peças com nomes de feriados dos Estados Unidos que Ives admitiu não ter nenhuma conexão musical entre elas e que poderia ser tocada em concerto como obras orquestrais separadas, ou a Universe Symphony, planejada em 1915 como uma contemplação dos mistérios da criação e que deixou inacabada como uma pilha de esquetes.

Talvez Dudamel acabe gravando essas duas obras também, pois este CD certamente demonstra que ele é um excelente intérprete de Ives, traçando infalivelmente a jornada do quase irrepreensível romantismo tardio da Primeira Sinfonia à complexidade modernista da Quarta.

Mas se a Primeira Sinfonia foi um adeus à tradição europeia (Wagner e Dvořák), então a Segunda está positivamente repleta de referências à música americana, sejam hinos, canções patrióticas ou números de vaudeville. Dudamel e sua orquestra habilmente desvendam os emaranhados contrapontísticos em que Ives tece com a mesma certeza que orienta a Terceiro, mais explicitamente carregada de citações.

Mas em qualquer ciclo dessas sinfonias, é a Quarta que apresenta os maiores desafios de execução e as maiores recompensas musicais. A performance de Dudamel, com Marta Gardolińska como a segunda maestrina e o Los Angeles Master Chorale fornecendo o coro fora do palco, resume magnificamente a complexidade e a ambição transcendental deste trabalho extraordinário.

Charles Ives (1874-1954): Integral das Sinfonias (Dudamel)

1. Symphony No. 1 : I. Allegro con moto (12:10)
2. Symphony No. 1 : II. Adagio molto. Sostenuto (7:23)
3. Symphony No. 1 : III. Scherzo. Vivace (4:27)
4. Symphony No. 1 : IV. Allegro molto (12:27)

5. Symphony No. 2 : I. Andante moderato (5:53)
6. Symphony No. 2 : II. Allegro (9:44)
7. Symphony No. 2 : III. Adagio cantabile (8:38)
8. Symphony No. 2 : IV. Lento maestoso (2:12)
9. Symphony No. 2 : V. Allegro molto vivace (9:26)

10. Symphony No. 3 “The Camp Meeting” : I. Old Folks Gatherin’ – Andante maestoso (7:27)
11. Symphony No. 3 “The Camp Meeting” : II. Children’s Day – Allegro moderato (6:32)
12. Symphony No. 3 “The Camp Meeting” : III. Communion – Largo (7:25)

13. Symphony No. 4 : I. Prelude. Maestoso (3:29)
14. Symphony No. 4 : II. Comedy. Allegretto (11:46)
15. Symphony No. 4 : III. Fugue. Andante moderato (8:12)
16. Symphony No. 4 : IV. Finale. Very slowly – Largo maestoso (7:29)

Los Angeles Philharmonic
Gustavo Dudamel

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Ives: compositor e homem de negócios

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F. J. Haydn (1732-1809): Trios para Piano Nº 39, 43, 44 e 45 (Wanderer)

F. J. Haydn (1732-1809): Trios para Piano Nº 39, 43, 44 e 45 (Wanderer)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Aqui, você encontrará toda a gentileza, elegância, classe e catiguria de Haydn. E a música é de primeira linha. Os quatro trios deste disco são ótimos, mas o destaque vai para o famoso Trio Nº 39, o famoso Gypsy, nome devido a seu último movimento, um sensacional Rondo a l’Ongarese. Quem garante a chega de um Haydn completinho até você é o excelente Trio Wanderer.

“Quão doce é o gosto da liberdade”, escreveu Haydn de Londres para sua amiga Marianne von Genzinger durante sua primeira turnê por lá em 1791. Londres o vinha chamando há vários anos, mas ele não foi à cidade até a morte de seu empregador, o Príncipe Nicolau Esterházy. A “doce liberdade” se tornou uma realidade para o compositor só aos 58 anos. Ele finalmente aceitou o último de muitos convites do promotor de concertos Johann Peter Salomon para compor e conduzir uma série de concertos.

Pouco depois de sua chegada, Haydn recebeu uma carta de Rebecca Schroeter, uma viúva rica de seus 40 anos, procurando seus serviços como professor. O que se seguiu foi um caso clássico de professor e aluna entrando em relação íntima. A Sra. Schroeter escreveu-lhe 22 cartas demonstrando seu amor, enviou-lhe presentes e até copiou músicas para ele. Haydn não estava apenas lisonjeado, mas igualmente apaixonado por sua aluna. Ele fez esta declaração a seu primeiro biógrafo que “embora eu tivesse 60 anos, ela ainda era amorosa e amável, e com toda a probabilidade eu teria me casado com ela se fosse solteiro”. Na sua segunda estada em Londres em 1794, Haydn se hospedou em um aposento perto da casa da Sra. Schroeter… Foi durante esta visita que ele lhe dedicou alguns trios de piano, incluindo o segundo, Nº 39, em Sol maior, o Gypsy.

F. J. Haydn (1732-1809): Trios para Piano Nº 39, 43, 44 e 45 (Wanderer)

Haydn: Piano Sonata No. 43 in E flat major, Hob.XVI:28 17:00
I. Allegro 7:32
II. Andante 4:56
III. Finale – Presto 4:32

Haydn: Piano Trio No. 44 in E Major, Hob.XV:28 14:57
I. Allegro moderato 6:57
II. Allegretto 2:47
III. Finale – Allegro 5:13

Haydn: Piano Trio No. 45 in E flat Major, Hob.XV:29 15:45
I. Poco allegretto 7:30
II. Andantino ed innocentemente 3:04
III. Finale ‘in the German style’ – Presto assai 5:11

Haydn: Piano Trio No. 39 in G major, Hob.XV:25 ‘Gypsy’ 14:05
I. Andante 5:56
II. Poco adagio 5:07
III. Rondo a l’Ongarese: Presto 3:02

Trio Wanderer

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Trio Wanderer: esses caras são bons demais!

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Johann Sebastian Bach (1685-1750): As Sonatas para Violino e Cravo (Holloway / Moroney / Sheppard)

Johann Sebastian Bach (1685-1750): As Sonatas para Violino e Cravo (Holloway / Moroney / Sheppard)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Mais um belo disco deste monstro do violino barroco que é John Holloway. As 6 Sonatas para violino e cravo obbligato, BWV 1014-1019, de Johann Sebastian Bach, foram provavelmente compostas durante os últimos anos de Bach em Köthen entre 1720 e 1723, antes de se mudar para Leipzig. Em Leipzig, ele continuou a fazer alterações nelas. Ela são, na sua maioria, escritas em 4 movimentos, lento-rápido-lento-rápido e foram desenvolvidas como trios, ou seja, há três partes independentes que consistem de duas vozes superiores combinados com uma linha de baixo. Em vez de fazer o papel de um instrumento contínuo, preenchendo as harmonias de um baixo cifrado, o cravo tomou uma das linhas melódicas superiores em igualdade de condições com a violino. Ao mesmo tempo, ele proporciona a linha de baixo (a qual pode ser reforçada ou não por uma viola da gamba, por exemplo). Holloway é toda uma paleta de cores. Seu violino soa às vezes tão grave que parece uma viola. Em outros pontos, como no final do Adagio da Sonata Nº 5, ele parece uma orquestra. Um disco realmente muito bom, que nos dá outra visão de obras fundamentais de Bach.

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Sonatas para Violino e Cravo (Holloway / Moroney / Sheppard)

Tracklist:

CD1:

01. Sonata in G major BWV 1021 – I. Adagio (03:58)
02. Sonata in G major BWV 1021 – II. Vivace (01:07)
03. Sonata in G major BWV 1021 – III. Largo (02:13)
04. Sonata in G major BWV 1021 – IV. Presto (01:24)

05. Sonata in E minor BWV 1023 – [Prelude] – Adagio ma non tanto (04:18)
06. Sonata in E minor BWV 1023 – II. Allemanda (03:45)
07. Sonata in E minor BWV 1023 – III. Gigue (02:58)

08. Sonata No.1 in B minor BWV 1014 – I. Adagio (03:49)
09. Sonata No.1 in B minor BWV 1014 – II. Allegro (03:07)
10. Sonata No.1 in B minor BWV 1014 – III. Andante (03:22)
11. Sonata No.1 in B minor BWV 1014 – IV. Allegro (03:33)

12. Sonata No.2 in A major BWV 1015 – I. Dolce (03:05)
13. Sonata No.2 in A major BWV 1015 – II. Allegro assai (03:25)
14. Sonata No.2 in A major BWV 1015 – III. Andante un poco (02:54)
15. Sonata No.2 in A major BWV 1015 – IV. Presto (04:37)

16. Sonata No.3 in E major BWV 1016 – I. Adagio (03:51)
17. Sonata No.3 in E major BWV 1016 – II. Allegro (03:10)
18. Sonata No.3 in E major BWV 1016 – III. Adagio ma non tanto (04:48)
19. Sonata No.3 in E major BWV 1016 – IV. Allegro (04:01)

CD2:

01. Sonata No.4 in C minor BWV 1017 – I. Largo (03:58)
02. Sonata No.4 in C minor BWV 1017 – II. Allegro (04:43)
03. Sonata No.4 in C minor BWV 1017 – III. Adagio (03:12)
04. Sonata No.4 in C minor BWV 1017 – IV. Allegro (05:01)

05. Sonata No.5 in F minor BWV 1018 – I. Lamento (07:30)
06. Sonata No.5 in F minor BWV 1018 – II. Allegro (04:38)
07. Sonata No.5 in F minor BWV 1018 – III. Adagio (03:03)
08. Sonata No.5 in F minor BWV 1018 – IV. Vivace (02:40)

09. Sonata No.6 in G major BWV 1019 – I. Allegro (03:53)
10. Sonata No.6 in G major BWV 1019 – II. Largo (01:30)
11. Sonata No.6 in G major BWV 1019 – III. Allegro (harpsichord solo) (04:53)
12. Sonata No.6 in G major BWV 1019 – IV. Adagio (02:32)
13. Sonata No.6 in G major BWV 1019 – V. Allegro (03:33)

14. Sonata No.6 (appendix) – I. Adagio (01:38)
15. Sonata No.6 (appendix) – II. Cantabile, ma un poco adagio (06:38)
16. Sonata No.6 (appendix) – III. (harpsichord solo) (05:35)
17. Sonata No.6 (appendix) – IV. Violino solo e basso (02:25)

John Holloway, violin
Davitt Moroney, harpsichord, chamber organ
Susan Sheppard, cello

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Anônimo do século XVII

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Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Missa da Coroação K. 317 / Vesperae solennes de confessore, K. 339 — Coleção Collegium Aureum Vol. 10 de 10

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Missa da Coroação K. 317 / Vesperae solennes de confessore, K. 339 — Coleção Collegium Aureum Vol. 10 de 10

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este é um resumo bastante incompleto do que foi a carreira do extraordinário Collegium Aureum, grupo que teve sua origem na Harmonia Mundi e que foi um dos principais pioneiros das interpretações historicamente informadas. 

E chegamos ao fim desta coleção com mais um grande disco. O som redondo e as crianças cantantes dão o tom deste maravilhoso Mozart. A Krönungsmesse (Missa da Coroação), K. 317, é a 15ª Missa composta por Wolfgang Amadeus Mozart e é uma das mais populares entre as suas missas. Assim como a maioria das missas de Mozart, a da Coroação é uma missa brevis. Ela parenta ter recebido seu apelido na Corte Imperial, em Viena, no início do século XIX, depois de se tornar a música preferida para coroações imperiais e reais. Possivelmente, foi tocada nas coroações de Leopoldo II, em 1790, e de Francisco I, em 1792.

A Vesperae solennes de Confessore, K. 339, é uma composição para coral, solistas, violino I, violino II, 2 trompetes, 3 trombones, 2 tímpanos e baixo contínuo formado por violoncelo, fagote, contrabaixo e órgão. O título de “confessore” não era de Mozart, e foi adicionado depois.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Missa K. 317 / Vesperae solennes de confessore, K. 339 — Coleção Collegium Aureum Vol. 10 de 10

CD10: Mozart – Krönungsmesse, K. 317; Vesperae solennes de confessore, K. 339 (62:44)

Missa, C-dur, K. 317 ‘Krönungsmesse’
01. I. Kyrie
02. II. Gloria
03. III. Credo
04. IV. Sanctus
05. V. Benedictus
06. VI. Agnus Dei

Vesperae solennes de confessore, K. 339
07. I. Dixit
08. II. Confitebor
09. III. Beatus vir
10. IV. Laudate pueri
11. V. Laudate Dominum
12. VI. Magnificat
13. Litaniae Laurentanae, KV 109

Hans Buchheirl, soprano (KV 317, 339)
Ursula Buckel, soprano (KV 109)
Andreas Stein, alto (KV 317, 339)
Maureen Lehane, alto (KV 109)
Theo Altmeyer, tenor (KV 317, 339)
Richard van Vrooman, tenor (KV 109)
Michael Schopper, bass (KV 317, 339)
Eduard Wollitz, bass (KV 109)
Tölzer Knabenchor
Collegium Aureum
Rolf Reinhardt, conductor (KV 109)

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Quem não lembra?

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Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Concerto para Clarinete / Concerto para Oboé — Coleção Collegium Aureum Vol. 9 de 10

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Concerto para Clarinete / Concerto para Oboé — Coleção Collegium Aureum Vol. 9 de 10

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este é um resumo bastante incompleto do que foi a carreira do extraordinário Collegium Aureum, grupo que teve sua origem na Harmonia Mundi e que foi um dos principais pioneiros das interpretações historicamente informadas. 

E aqui temos dois belos concertos de Mozart: um tardio, escrito para o clarinete, e outro nem tanto, escrito para solo de oboé. O Concerto para Clarinete em A maior, K 622, foi composto em Viena em 1791 para o clarinetista Anton Stadler, para clarinete e orquestra. O concerto é também uma das últimas obras completas de Mozart, e seu último trabalho puramente instrumental (ele morreu em dezembro, após a conclusão). O concerto é notável pela delicada interação entre solista e orquestra, e também pela falta de cadenzas na parte do solista. O Concerto para Oboé , K. 314, foi composto na primavera ou verão de 1777, para o oboísta Giuseppe Ferlendis (1755-1802). Em 1778, Mozart o reescreveu como um concerto para flauta. O concerto é uma peça amplamente estudada para ambos os instrumentos e é um dos mais importantes do repertório do oboé.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Concerto para Clarinete / Concerto para Oboé — Coleção Collegium Aureum Vol. 9 de 10

CD09: Mozart – Klarinettenkonzert K. 622, Oboenkonzert K. 314 (47:56)
Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)

Konzert für Klarinette und Orchester, A-Dur, K. 622
01. I. Allegro
02. II. Adagio
03. III. Rondo – Allegro

Konzert für Oboe und Orchester, C-Dur, K. 314
04. I. Allegro aperto
05. II. Adagio non troppo
06. III. Rondo – Allegretto

Hans Deinzer, clarinet
Helmut Hucke, oboe
Collegium Aureum
Franzjosef Maier, direction

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Heinrich Ignaz Franz von Biber (1644-1704): Missa Sancti Henrici e Sonatas — Coleção Collegium Aureum Vol. 8 de 10

Heinrich Ignaz Franz von Biber (1644-1704): Missa Sancti Henrici e Sonatas — Coleção Collegium Aureum Vol. 8 de 10

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este é um resumo bastante incompleto do que foi a carreira do extraordinário Collegium Aureum, grupo que teve sua origem na Harmonia Mundi e que foi um dos principais pioneiros das interpretações historicamente informadas. 

Pois é, Biber foi um grande compositor e o demonstra nesta gravação com crianças canoras e adultos idem. Há a Missa Sancti Henrici e depois uma amostra da notável música instrumental do mestre com duas de suas Sonatas. Não que a música vocal lhe seja inferior. E, bem, como a gravação é de 1983, deve ter sido um marco na ressurreição Biber para as salas de concerto.

Pouco se sabe da biografia de Biber, além de que pode ter estudado num colégio jesuíta em Opava, na Boêmia, e que possivelmente recebeu alguma educação musical de um organista local. Antes de 1668, Biber trabalhou na corte do Príncipe Johann Seyfried von Eggenberg, em Graz, e depois foi empregado pelo príncipe-bispo de Olomouc, Karl II von Liechtenstein-Kastelkorn , em Kroměříž. Aparentemente Biber tinha boa reputação, e suas habilidades no violino eram altamente apreciadas .

No verão de 1670 Karl II enviou Biber a Absam, perto de Innsbruck, para adquirir novos violinos, feitos pelo luthier Jacob Stainer, porém Biber nunca retornou e, em vez disso, começou a trabalhar para o Arcebispo de Salzburg, Maximilian Gandolph von Kuenburg. Como Karl e Maximilian eram amigos, o antigo empregador não tomou nenhuma atitude. Biber permaneceu em Salzburg pelo resto de sua vida.

Em 1684, foi nomeado Kapellmeister (mestre de capela) em Salzburg. Sua vasta produção musical foi recuperada e passou às salas de concertos recentemente. Biber serviu à nobreza com afinco, provavelmente sem participar de turnês por outros países. Foi um inovador, trazendo, para o repertório de violino, inovações técnicas e estéticas. São relevantes as pitorescas e virtuosísticas Sonatas de Biber, com destaque para a Mystery (Rosary) Sonatas, que inclui novas técnicas e tonalidades incomuns.

Heinrich Ignaz Franz von Biber (1644-1704): Missa Sancti Henrici e Sonatas — Coleção Collegium Aureum Vol. 8 de 10

CD08: Biber – Missa Sancti Henrici; Sonatae tam aris quam aulis servientes (46:47)
Heinrich Ignaz Franz Biber (1644-1704)
Missa Sancti Henrici
01. I. Kyrie
02. II. Gloria
03. III. Credo
04. IV. Sanctus et Bendedictus
05. V. Agnus Dei

Sonatae tam aris quam aulis servientes
Sonata I a otto 1676
06. I. (Allegro)
07. II. Adagio – Presto
08. III. Allegro

Sonata XII a otto 1676
09. I. (Allegro)
10. II. Adagio – Allegro
11. III. Adagio – Presto

James Griffett, tenor
Michael Schopper, bass
Regensburger Domspatzen
Collegium Aureum
Georg Ratzinger, conductor

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Ludwig van Beethoven (1770-1827): The Middle String Quartets (Melos) #BTHVN250

Ludwig van Beethoven (1770-1827): The Middle String Quartets (Melos) #BTHVN250

IM-PER-DÍ-VEL !!!

O Melos Quartett de Stuttgart foi fundado em 1965 por quatro jovens, membros de conhecidas orquestras de câmara alemãs. O quarteto existiu até 2005, quando seu primeiro violinista faleceu e o grupo foi extinto. Os caras eram ótimos e gravaram muito. Se fossem bonitos, as capas de seus discos poderiam tapar uma parede da sala de sua casa, mas eles eram apenas notáveis músicos e é melhor ouvi-los apenas. Aqui temos notáveis interpretações dos três Quartetos Rasumovsky e elas são os destaques do trio de CDs. O conde (mais tarde príncipe) Andrey Kirillovich Razumovsky (1752-1836) foi um diplomata russo que passou muitos anos de sua vida em Viena. Ele encomendou a obra pedindo a Beethoven que, em cada dos quartetos, houvesse um movimento de inspiração russa. Os Quartetos Razumovsky refletem um afastamento agudo da música de câmara anterior de Beethoven, que havia sido escrita dentro de um estilo simples, com os conjuntos amadores de Viena em mente. Os Quartetos Razumovsky são riquíssimos e variados, com partes intricadas e desenvolvimentos ambiciosos de temas que impõem pesadas demandas técnicas aos executantes. Existem mudanças emocionais radicais, muitas vezes acompanhadas de justaposições estilísticas, equilibrando-se entre temas cerebrais e danças camponesas russas.

As interpretações do Ébène para este repertório middle de Beethoven, que postamos anteriormente, são melhores, talvez muito melhores, mas o charme do Melos ainda tem seu valor.

Os Early, com o Melos, estão AQUI.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): The Middle String Quartets (Melos)

DISCO 01

String Quartet in F after the Piano Sonata in E, Op.14 no.1
01. I.Allegro
02. II.Allegretto
03. III.Rondo. Allegr0…

String Quartet in F, Op.59 no.1 (Rasumovsky)
04. I.Allegro
05. II.Allegretto vivace e sempre sc…
06. III.Adagio molto e mesto – attacca
07. IV.Theme russe. Allegro

DISCO 02

String Quartet in E, Op.59 no.2 (Razumovsky)
01. I.Allegro
02. II.Molto adagio. Si tratta questo…
03. III.Allegretto
04. IV.Finale. Presto

String Quartet in F, Op.95
05. I.Allegro con brio
06. II. Allegretto ma non troppo – attacca
07. III.Allegro assai vivace ma serioso
08. IV.Larghetto espressivo – Allegretto agitato

DISCO 03

String Quartet in C, Op.59 no.3 (Razumovsky)
01. I.Introduzione. Andante con moto …
02. II.Andante con moto quasi Allegretto
03. III.Menuetto. Grazioso – attacca
04. IV.Allegro molto

String Quartet in E flat, Op.74 (‘Harp’)
05. I.Poco Adagio – Allegro
06. II.Adagio ma non troppo
07. III.Presto – attacca
08. IV.Allegretto con Variazioni

Melos Quartett
Wilhelm Melcher, 1. violino
Gerhard Voss, 2. violino
Hermann Voss, viola (alto)
Peter Buck, Violoncello

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O Melos não parece um grupo envelhecido de rock?

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Giovanni Battista Pergolesi (1710-1736): La Serva Padrona — Coleção Collegium Aureum Vol. 7 de 10

Giovanni Battista Pergolesi (1710-1736): La Serva Padrona — Coleção Collegium Aureum Vol. 7 de 10

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este é um resumo bastante incompleto do que foi a carreira do extraordinário Collegium Aureum, grupo que teve sua origem na Harmonia Mundi e que foi um dos principais pioneiros das interpretações historicamente informadas. 

Uma pequena joia esta interpretação de La Serva Padrona!

(O texto a seguir foi retirado daqui.)

Criada para ser apresentada despretensiosamente nos entreatos de outra peça, La Serva Padrona atraiu desde a estreia um grande público e se converteu numa referência para boa parte das óperas cômicas que se seguiram e que, não raro, aprofundaram e desenvolveram elementos que já estavam nela sugeridos.

O compositor italiano Giovanni Battista Pergolesi (1710 – 1736) faleceu muito precocemente com apenas 26 anos e La Serva Padrona (A criada patroa) é a sua mais importante obra. Com libreto de Gennaro Maria Federico ela subiu ao palco pela primeira vez em 1733 no Teatro di San Bartolomeo, em Nápoles.

Rigorosamente falando La Serva Padrona não é uma ópera. Ela é melhor classificada como um intermezzo, ou seja, um tipo de espetáculo que tinha lugar nos intervalos das óperas sérias. Pergolesi escreveu sua Serva para ser apresentada entre os atos de outra ópera de sua autoria, Il prigioner superbo. O próprio autor parece não se dar conta da originalidade da obra.

O intermezzo é uma forma dramática que se opõe à rigidez formal e à grandiloquência da ópera séria exatamente por sua função de entreter a plateia, adotando por isto enredos leves e uma simplicidade formal notável. A ópera séria, fruto da reforma do libreto proposta na virada dos séculos XVII e XVIII, advogava entre outras coisas uma rígida separação de gêneros e a eliminação das inserções cômicas, então muito comuns, nas peças dramáticas. Nos intermezzos não encontraremos assuntos mitológicos ou da história clássica, nem heróis espetaculares ou mulheres sofredoras. Não estão presentes também os efeitos cênicos surpreendentes produzidos por aparatos cenográficos complexos.

O libreto de La Serva Padrona, cuja execução dura cerca de uma hora, põe em cena uma história doméstica simples e divertida, com um desfecho rápido e, até certo, ponto previsível, tratada com um mínimo de meios musicais: apenas dois cantores, para os papéis de Serpina e Uberto, e ainda um ator mudo, no papel do criado Vespone. A orquestra, por sua vez, é reduzida ao naipe de cordas e ao baixo contínuo. Composta por dois intermezzos se baseia nos personagens da commedia dell’arte e nos assuntos típicos da época: a esperteza das pessoas do povo triunfando sobre a avareza da burguesia. Tudo isso articulado numa divertida sátira social.

A peça foi o estopim de uma polêmica que agitou os meios musicais franceses no período do barroco tardio, muito depois da morte de Pergolesi: a Querela dos Bufões. Em agosto de 1752, uma companhia itinerante de bufões italianos representou em Paris La Serva Padrona, no entreato da ópera Acis & Galatée de Lully. Foi o suficiente para vir à tona a oposição, até então latente, entre os partidários da tradição lírica francesa e os defensores do estilo bufo italiano — tendo de um lado, os aristocratas, com Rameau como símbolo, e do outro, intelectuais e enciclopedistas, como Jean-Jacques Rousseau.

A polêmica ultrapassou o terreno da música e levou a uma discussão de ideias estéticas, culturais, filosóficas, e até políticas. Os partidários de Rameau defendiam a complexidade da harmonia e ornamentação da música francesa e combatiam o que consideravam música de entretenimento, enquanto os de Rousseau atacavam a retórica dos temas mitológicos que pouco diziam ao público burguês emergente e defendiam a simplicidade e naturalidade da ópera italiana. Tudo isso provocado pelo sucesso de La serva padrona.

A gravação veiculada traz a soprano Maddalena Bonifaccio no papel de Serpina e o baixo-barítono Siegmund Niemsgern como Uberto. O conjunto instrumental é o Collegium Aureum, grupo criado em 1962 por solistas e professores do Conservatório de Freiburg, na Alemanha.

Giovanni Battista Pergolesi (1710-1736): La Serva Padrona — Coleção Collegium Aureum Vol. 7 de 10

CD07: Pergolesi – La serva padrona (48:54)
Giovanni Battista Pergolesi (1710-1736)
La serva padrona
Atto primo
01. Aspettare, e non venire (Uberto)
02. Recitativo
03. Sempre in contrasti (Uberto)
04. Recitativo
05. Stizzoso, mio stizzoso (Serpina)
06. Recitativo
07. La conosco a quegl’ occhietti (Serpina, Uberto)

Atto secondo
08. Recitativo
09. A Serpina penserete (Serpina)
10. Recitativo
11. Son imbrogliato io gia (Uberto)
12. Recitativo
13. Per te io ho nel core (Duet)

Maddalena Bonifacio, soprano
Siegmund Nimsgern, bass
Collegium Aureum
Franzjosef Maier, direction

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