A Obra Completa de Béla Bartók (1881-1945) – Quarteto de cordas Nº 5 [Bartók – 6 String Quartets – Belcea Quartet] #BRTK140

A Obra Completa de Béla Bartók (1881-1945) – Quarteto de cordas Nº 5 [Bartók – 6 String Quartets – Belcea Quartet] #BRTK140

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Erico Verissimo amava esses quartetos, porém, durante a Guerra do Vietnam, disse que não conseguia mais ouvi-los pois eles lhe evocavam um mundo rumando para a destruição. Imaginem se ele estivesse vivo, vendo o descaso de algumas pessoas em relação às mudanças climáticas e à ciência. Imaginem Erico e Bolsonaro…

Bem, não nos deprimamos. Os seis quartetos de Bartók podem ser misteriosos, íntimos, inovadores, transcendentes, francos ou terrenos e suas infinitas sutilezas mereces estudos e louvores de uma vida bem aproveitada. O Belcea Quartet tocou todos os quartetos de Bartók no Wigmore Hall. Lá, a primeiro violino Corina Belcea-Fisher comentou: “Quanto mais nos envolvemos nessas obras, mais beleza e riqueza descobrimos nelas e esperamos que esse apelo ainda aumente no futuro. porque definitivamente consideramos esses quartetos as maiores obras-primas do século passado”. Concordo.

O 1º Quarteto é o mais romântico em espírito e na verdade abriga uma história de amor. Ele marca uma retirada afetuosa de um fin-de-siécle romântico tardio. O 2º (1915-1917) leva-nos de alguma maneira em direção ao Bartók corajoso e contundente do meio da década de 1920. O 3º Quarteto de Bartók parece imitar uma rapsódia húngara (a alternância de música rápida e lenta), enquanto vai montando pequenas células temáticas, transformando-as em locais de fervilhante de atividade musical. Os próximos dois quartetos de Bartók são escritos de maneira não convencional em cinco movimentos e em desenho simétrico. O 4º (1928) tem em seu centro um exemplo evocativo, embora austero, da “música noturna” de Bartók que se abre com um solo de violoncelo, que imita o canto dos pássaros. O 2º e 4º movimentos deste quarteto são scherzi. O 5º Quarteto (1934) é construído em uma escala muito maior. Bartók modifica a forma do arco colocando um scherzo no centro, um movimento de dança que parece algo nordestino, cercado de dois movimentos lentos (2º e 4º) usando sequências de acordes semelhantes. O ar de tristeza infindável que paira sobre o último quarteto de Bartók (1938) reflete não apenas uma Europa doente, mas também uma tragédia pessoal: a jornada de sua mãe rumo à morte terminaria em dezembro de 1939. Todos os quatro movimentos se abrem com um mesto. Nunca um ciclo de quartetos terminou tão inequivocamente ou fez soou um aviso mais verdadeiro. Era o ano de 1938.

O Belcea, liderado pela romena Corina Belcea-Fisher, calibra muito bem os momentos de lirismo e selvageria destes quartetos. Gosto demais da versão deles dos quartetos. Mas nosso foco agora é o quinto.

O penúltimo quarteto de Bartók foi composto em 1934 por encomenda de Elizabeth Sprague Coolidge, na época a patrona musical mais proeminente dos EUA. Ele representa uma leve suavização do idioma de Bartók, os sons são menos dissonantes do que em seus quartetos anteriores, apesar da aspereza presente aqui e ali. Como gostava de fazer, Bartók usa uma forma de “arco” em 5 movimentos, há um scherzo central cercado por dois movimentos lentos, que por sua vez são limitados dois por movimentos rápidos e enérgicos. Ou seja, o Quarteto de Cordas nº 5 de Bartók é composto por cinco movimentos em uma grande estrutura na forma de um palíndromo.

O movimento de abertura inicia freneticamente com um tema todo quebrado. A coisa é vigorosa. Com seus motivos rítmicos batendo fortemente, há uma muito clara ideia de espelho. O primeiro movimento já em si é um palíndromo, pois os três temas da exposição são reafirmados na recapitulação na ordem inversa e, bem, de cabeça para baixo! Essas técnicas são mais aparentes no papel do que para o ouvinte. Para nós, fica a ideia de um belíssimo, complexo e robusto movimento de abertura, algo quase impossível de ser reproduzido por nossa imaginação.

Depois vem um delicado segundo movimento, cheios de frases curtas e hesitantes sobre harmonias suaves. É como se estivéssemos no Adágio do Quintetão de Schubert. É um exemplo hipnótico da música noturna de Bartok. Aqui e no quarto movimento, aparecem sons realmente da noite, tais como insetos, pássaros e talvez sapos.

E então chegamos a um Scherzo dito em “estilo búlgaro”, mas que parece nordestino. Muito nordestino. Eu me transporto para o sertão ali depois de 1min45 de música. Mas desde o começo também. Confiram!

O quarto movimento, como o segundo, apresenta harmonias quase amorosas quando os violinos tocam acordes delicados com intervenções da viola.

O final é furioso, com momentos zombeteiros e atrevidos. Perto do final, onde esperaríamos um clímax, a música parece ser um carrossel fora de sintonia. Entra uma melodia evidentemente bobinha, com o quarteto sendo orientados a tocar “com indiferença”. Uma obra-prima!

O Belcea Quartet

Béla Bartók (1881-1945): Os Quartetos de Cordas 1-6

CD1:
1. String Quartet No. 1 in A minor, Sz. 40, BB 52 (Op. 7): 1. Lento
2. String Quartet No. 1 in A minor, Sz. 40, BB 52 (Op. 7): 2. Allegretto
3. String Quartet No. 1 in A minor, Sz. 40, BB 52 (Op. 7): 3. Introduzione (Allegro) – Allegro vivace

4. String Quartet No. 3 in C sharp major, Sz. 85, BB 93: 1. Prima parte: Moderato
5. String Quartet No. 3 in C sharp major, Sz. 85, BB 93: 2. Seconda parte: Allegro
6. String Quartet No. 3 in C sharp major, Sz. 85, BB 93: 3. Ricapitolazione dell prima parte: Moderato – Coda: Allegro molto

7. String Quartet No. 5 in B flat major, Sz. 102, BB 110: 1. Allegro
8. String Quartet No. 5 in B flat major, Sz. 102, BB 110: 2. Adagio molto
9. String Quartet No. 5 in B flat major, Sz. 102, BB 110: 3. Scherzo (Alla bulgarese) – Trio
10. String Quartet No. 5 in B flat major, Sz. 102, BB 110: 4. Andante
11. String Quartet No. 5 in B flat major, Sz. 102, BB 110: 5. Finale (Allegro vivace)

CD2:
1. String Quartet No. 2 in A minor, Sz. 67, BB 75 (Op. 17): 1. Moderato
2. String Quartet No. 2 in A minor, Sz. 67, BB 75 (Op. 17): 2. Allegro molto capriccioso
3. String Quartet No. 2 in A minor, Sz. 67, BB 75 (Op. 17): 3. Lento

4. String Quartet No. 4 in C major, Sz. 91, BB 95: 1. Allegro
5. String Quartet No. 4 in C major, Sz. 91, BB 95: 2. Prestissimo, con sordino
6. String Quartet No. 4 in C major, Sz. 91, BB 95: 3. Non troppo lento
7. String Quartet No. 4 in C major, Sz. 91, BB 95: 4. Allegretto pizzicato
8. String Quartet No. 4 in C major, Sz. 91, BB 95: 5. Allegro molto

9. String Quartet No. 6 in D major, Sz. 114, BB 119: 1. Mesto – Vivace
10. String Quartet No. 6 in D major, Sz. 114, BB 119: 2. Mesto – Marcia
11. String Quartet No. 6 in D major, Sz. 114, BB 119: 3. Mesto – Burletta (Moderato)
12. String Quartet No. 6 in D major, Sz. 114, BB 119: 4. Mesto

Belcea Quartet:
Corina Belcea-Fisher, violino
Laura Samuel, violino
Krzysztof Chorzelski, viola
Antoine Lederlin, violoncelo

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Quem seria?

PQP

.: interlúdio :. Thelonious Monk – Live At The Jazz Workshop

.: interlúdio :. Thelonious Monk – Live At The Jazz Workshop

IM-PER-DÍ-VEL !!!

As fitas desses dois shows ficaram guardadas no cofre da Columbia Records por quase 20 anos, até que a gravadora lançou um LP duplo com elas logo após a morte de Monk. Seguiu-se o lançamento em CD duplo em 2001, sob o nome de “Live at the Jazz Workshop – Complete”, apresentando uma série de faixas bônus, quase dobrando a duração do álbum. No entanto, este é o lançamento original de 1982. Thelonious Monk (1917-1982) foi um pianista único no estilo de improvisar e tocar. Era famoso por seus improvisos de poucas e acertadas notas. Preciso, fazia com duas ou três notas o que outros pianistas faziam com nove ou dez. Cada nota adentrava perfeitamente no contexto da música, numa mistura melódica e rítmica. Sentado ao piano, tocava-o encurvado, com péssima postura, além de ter um dedilhado com os dedos rígidos, que ficavam perfeitamente retos e batiam nas teclas tal qual uma baqueta faria em um tambor. Thelonious não era muito bem visto pela crítica de sua época, porém era uma unanimidade entre os jazzistas. Compunha melodias e criava ritmos nada usuais. Compôs vários temas que hoje são considerados standards, como Epistrophy, ‘Round Midnight, Blue Monk, Misterioso, Well You Needn’t, etc. Apesar de ser lembrado como um dos fundadores do bebop, seu estilo, com o passar do tempo, evoluiu para algo muito próprio, de composições com harmonias dissonantes e guinadas melódicas, além do uso de silêncios e hesitações.

Thelonious Monk – Live At The Jazz Workshop

Disc 1

1 – Don’t Blame Me – 7:01
2 – Well You Needn’t – 7:20
3 – Evidence/Rhythm-A-Ning – 5:54
4 – ‘Round Midnight – 9:15
5 – I’m Getting Sentimental Over You – 7:41

Disc 2

1 – Bemsha Swing – 4:14
2 – Memories Of You – 9:15
3 – Blue Monk – 5:05
4 – Misterioso – 3:48
5 – Hackensack – 6:17
6 – Bright Mississippi – 6:08
7 – Epistrophy – 5:29

Thelonious Monk – piano
Charlie Rouse – tenor sax
Larry Gales – bass
Ben Riley – drums

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Thelonious Monk

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concertos para Piano Nº 4 e 5 (Schoonderwoerd, Cristofori)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concertos para Piano Nº 4 e 5 (Schoonderwoerd, Cristofori)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Não me matem. Eu sou a outra pessoa no mundo que acha o Concerto Nº 5, Imperador, um modelo de breguice. Mas não confesso isso com meu nome civil, só com o de PQP. Tenho medo. A outra pessoa é a grande Karen Blixen, antigamente conhecida por Isak Dinesen. Quando o piano começa aquelas ornamentações no começo do Imperador, sempre tenho vontade de rir. Perdoem-me, por favor. Falo do primeiro movimento, é claro. Ele é bombástico e prolixo. EXAGERADO. O Imperador vale pelo movimento lento, uma das coisas mais maravilhosas já inventadas pelo homem, mas que não tem muita relação — nem tonal! — com o que o precede. Aquele primeiro movimento, olha…

Mas este é um disco fascinante, que por várias razões funciona de uma forma complementar. A leitura visa trazer autenticidade para estas partituras conhecidas, presumivelmente com a intenção de serem ouvidas sob uma nova luz. Esta abordagem certamente revela detalhes de uma forma raramente ouvidos. As notas que acompanham o CD são muito detalhadas, abrangendo, entre outros títulos, “Viena sob o feitiço de Napoleão”, “A influência de Erard na fabricação de piano vienense”, “Beethoven e o arquiduque Rudolph” e “Pesquisa de prática de desempenho”. Há também um longo ensaio analisando a pintura da capa (uma boa ideia). Ah, claro, Schoonderwoerd toca um pianoforte vienense de Johann Fritz por volta de 1807–1810. 

Interessante que na seção intitulada “Pesquisa de Prática de Performance”, muito espaço é dedicado ao fato de que o volume que as orquestras da época criavam era muito maior do que ouvimos hoje, apesar de seu tamanho consideravelmente menor — isso por causa das dimensões severamente reduzidas das salas onde as obras eram executadas. Isso, possivelmente, explicaria a proximidade da gravação exibida por este disco. Um choque e tanto no primeiro encontro, leva algum tempo para se acostumar, pois certamente há uma contradição entre as forças de câmara e a experiência sonora direta que resulta disso. Uma vez que o ouvido esteja ajustado, a performance pode ser avaliada de forma mais completa. O Quarto Concerto inicialmente tem problemas para estabelecer uma intimidade, mesmo com o ajuste de ouvido mencionado acima — mas o tutti que se segue realmente soa bem alegre e nos aquece. A presença do contínuo no teclado é talvez outra surpresa.

Bem, este disco não tem nenhuma chance de destituir qualquer versão que você prefira — há tantas para escolher, há Pollini / Bohm no Nº 4 — mas é bom conhecê-lo. Divirta-se.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concertos para Piano Nº 4 e 5 (Schoonderwoerd, Cristofori)

Concerto Pour Pianoforte En Sol Majeur, Nº4 Op.58 (1806)
1 Allegro Moderato 16:18
2 Andante Con Moto 3:56
3 Rondo. Vivace 10:41

Concerto Pour Pianoforte En Mi Bémol Majeur, Nº5 Op.73, “Empereur” (1810)
4 Allegro 21:12
5 Adagio Un Poco Moto 6:42
6 Rondo. Allegro, Ma Non Troppo 10:46

Bassoon [1st] – Javier Zafra
Bassoon [2nd] – Eyal Streett
Clarinet [1st] – Eric Hoeprich
Clarinet [2nd] – Toni Salar Verdu*
Contrabass – David Sinclair (9)
Ensemble, Orchestra – Cristofori*
Flute [Traverso Flute] [1st] – Wilbert Hazelzet
Flute [Traverso Flute] [2nd] – Marion Moonen
Fortepiano [Johann Fritz] – Arthur Schoonderwoerd
Horn [1st] – Erwin Wieringa
Horn [2nd] – Karen Libischewski
Oboe [1st] – Peter Frankenberg
Oboe [2nd] – Anna Starr
Timbales – Maarten Van Der Valk
Trumpet [1st] – Will Wroth
Trumpet [2nd] – Geerten Rooze
Viola [1st] – Anfisa Kalininia*
Viola [2nd] – Martin Boeken*
Violin [1st] – Corrado Bolsi
Violin [2nd] – Atilio Motzo*
Violoncello [1st] – Clare Tunney
Violoncello [2nd] – Thomas Luks

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O autor da pintura da capa deste CD da Alpha, Jacques-Louis David, era admirador de Napô. Ou era pago para sê-lo.

PQP

A Obra Completa de Béla Bartók (1881-1945) – Quarteto de cordas Nº 3 [Bartók – 6 String Quartets – Jerusalem Quartet] #BRTK140

A Obra Completa de Béla Bartók (1881-1945) – Quarteto de cordas Nº 3 [Bartók – 6 String Quartets – Jerusalem Quartet] #BRTK140

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Bartók num piquenique de merda na Turquia.
Bartók não parece muito feliz, não.

Nosso século registra o aparecimento de quartetos de cordas verdadeiramente fantásticos. Creio que os melhores sejam o francês Ébène, o multinacional Belcea e israelense Jerusalem, que protagoniza este CD. Todos tem mais pouco mais de 20 anos e discografias do melhor nível. O Jerusalem parece ter a característica da delicadeza e da transparência, o Ébène é tecnicamente arrebatador e o Belcea pode tornar-se feroz. A primeira violinista é romena e gosto muito deles tocando Bartók. O ciclo deles aparecerá quando da postagem do Quarteto Nº 5.

O Quarteto Nº 3 de Béla Bartók foi escrito em 1927, em Budapeste. Ele não tem interrupções, mas o compositor divide a partitura dividida em quatro partes. Neste ponto de sua vida, Bartók já era reconhecido internacionalmente, tanto por sua música como por seu trabalho como etnomusicólogo. O terceiro é seu Quarteto mais curto, o que não significa que seja o mais simples, de modo nenhum. O clima da primeira parte é bastante sombrio, contrastando com a segunda parte, que é mais viva, com melodias dançantes. O primeiro movimento parece ser o de um compositor que observa o que juntou, tentando dar alguma organização e ritmo ao que tem disponível. Bartók parece voltar ao Beethoven dos quartetos tardios, escrevendo música que parece nos convidar para a oficina com o compositor. Claro que, no início, tudo parece fragmentário e desorientador, mas logo Bartók expressa uma gama deslumbrante de texturas, cores e intensidades em que tudo acaba totalmente transformado. Ainda na primeira parte há uma canção sustentada pelo segundo violino e viola, com acompanhamento suave e monótono das vozes externas — uma primeira tentativa de sair das sombras e fragmentos. Então somos catapultados para a segunda parte, que é rápida em vez de contida, contínua em vez de fragmentada. Esta segunda parte também soa, pelo menos superficialmente, mais próxima das raízes folclóricas, principalmente em seu ritmo e na evocação de uma dança. Começando com acordes dedilhados no violoncelo e viola, a música aos poucos vai ganhando força, passando para uma melodia concisa, passada entre os instrumentos, e que depois é repetida com mais força, finalmente explodindo numa melodia fortemente rítmica. Depois há um retorno à Primeira Parte. Nesta “Recapitulação”, a lenta Primeira Parte retorna quase irreconhecível. O material é o mesmo, mas a energia e o ritmo são bem diferentes. No início, a música era contemplativa, e agora volta desolada, cansada. A música realmente parece olhar para trás, mas exausta. Quando estamos num ponto de absoluta quietude, somos levados pela energia da música fantasmagórica da coda. Esta seção final e breve é ​​um retorno à vitalidade da segunda parte, uma nova e ainda mais violenta recapitulação, pontuada por temas ásperos, que finaliza num uníssono brusco, como se afirmasse peremptoriamente algo. O trabalho é ainda mais harmonicamente aventureiro e complexo em contraponto do que os dois quartetos de cordas anteriores de Bartók e explora uma série de técnicas instrumentais, incluindo sul ponticello (tocar o arco o mais próximo possível do cavalete), col legno (tocar com a madeira, não com a crina do arco) e glissandi (deslizar de uma nota para outra). A peça costuma ser considerada a mais rigorosa e radical dentre os seis quartetos de cordas de Bartók. São poucos temas, mas são muito bem tratados e variados.

Béla Bartók (1881-1945): Quartetos de Cordas Nos. 1, 3 & 5

String Quartet No. 1, Op. 7, Sz. 40, BB 52
1. I. Lento
2. II. Allegretto
3. III. Allegro vivace

String Quartet No. 3, Sz. 85, BB 93
4. I. Prima parte. Moderato
5. II. Seconda parte. Allegro
6. III. Ricapitulazione della prima parte. Moderato
7. IV. Coda. Allegro molto

String Quartet No. 5, Sz. 102, BB 110
8. I. Allegro
9. II. Adagio molto
10. III. Scherzo. Alla bulgarese
11. IV. Andante
12. V. Finale. Allegro vivace – Presto

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Béla Bartók (1881-1945): Quartetos de Cordas Nos. 2, 4 & 6

String Quartet no. 2 op. 17 Sz.67 in A minor
1 Moderato 10:04
2 Allegro molto capriccioso 8:01
3 Lento 8:22

String Quartet no. 4 Sz. 91 in C major
4 Allegro 6:06
5 Prestissimo, con sordino 3:10
6 Non troppo lento 5:58
7 Allegretto pizzicato 2:48
8 Allegro molto 5:51

String Quartet no. 6 Sz. 114 in D major
9 Mesto – Più mosso, pesente – Vivace 7:29
10 Mesto – Marcia 7:38
11 Mesto – Burletta. Moderato 7:08
12 Mesto 6:09

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Jerusalem Quartet

PQP

.: interlúdio :. Umo Jazz Orchestra (1997)

.: interlúdio :. Umo Jazz Orchestra (1997)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Não sou um grande especialista, mas tenho a impressão de que a cena do jazz europeu é hoje mais interessante do que  norte-americana. Estes finlandeses são bons demais e formam uma extraordinária orquestra com os pés firmados no campo do jazz. Confira a faixa de abertura enganosamente chamada, Frozen Petals com seus saxofonistas tenor ao estilo Brecker com uma verdadeira “tempestade perfeita” acontecendo atrás dele. Os caras amam muitas vozes, contrapontos, etc.

Financiado pela cidade de Helsinque, pela Finnish Broadcasting Company e pelo Ministério da Educação, a UMO é algo como a orquestra nacional de jazz da Finlândia. A big band foi fundada por músicos que tocavam na Radio Dance Orchestra do país, que existe desde 1957. A UMO fez turnês por todo o mundo e se apresentou com músicos de jazz como Thad Jones, Dizzy Gillespie, Larry Coryell, Joe Williams, McCoy Tyner e Muhal Richard Abrams, entre outros.

Umo Jazz Orchestra (1997)

1 Frozen Petals
Composed By – Kari Heinilä
Soloist [Tenor Saxophone] – Manuel Dunkel
5:47

2 All Blues
Arranged By – Eero Koivistoinen
Composed By – Miles Davis
Soloist [Flugelhorn] – Anders Bergcrantz
Vocals – Bina Nkwazi
5:01

3 Aldebaran
Composed By – Kari Komppa
Soloist [Tenor Saxophone] – Manuel Dunkel
9:32

4 What Is This?
Composed By – Eero Koivistoinen
Soloist [Drums] – Markus Ketola
Soloist [Piano] – Seppo Kantonen
Soloist [Trumpet] – Anders Bergcrantz
7:48

5 Bermuda
Composed By – Jukka Linkola
Soloist [Tenor Saxophone] – Manuel Dunkel
5:29
6 Blue In Distance
Composed By – Kari Heinilä
Soloist [Trombone] – Markku Veijonsuo
4:49

7 Cuckoo’s Nest
Composed By – Eero Koivistoinen
Soloist [Drums] – Markus Ketola
Soloist [Piano] – Seppo Kantonen
Soloist [Trumpet] – Anders Bergcrantz
7:28

8 Equinox
Arranged By – Eero Koivistoinen
Composed By – John Coltrane
Soloist [Baritone Saxophone] – Pertti Päivinen*
Soloist [Tenor Saxophone] – Eero Koivistoinen
6:28

9 Life Is A Cobra
Composed By – Jarmo Savolainen
Soloist [Soprano Saxophone] – Jouni Järvelä
7:08

10 Tarkovski
Composed By – Kirmo Lintinen
Soloist [Guitar] – Jarmo Saari
8:43

Umo Jazz Orchestra:
Alto Saxophone, Soprano Saxophone, Clarinet – Jouni Järvelä
Alto Saxophone, Soprano Saxophone, Flute – Pentti Lahti
Baritone Saxophone, Bass Clarinet, Flute – Pertti Päivinen*
Bass Trombone – Mikael Långbacka
Conductor – Kari Heinilä (tracks: 1, 2, 4, 6 to 8), Kirmo Lintinen (tracks: 3, 5, 9, 10)
Double Bass – Pekka Sarmanto
Drums – Markus Ketola
Electric Bass – Hannu Rantanen (tracks: 2, 5, 9)
Guitar – Jarmo Saari (tracks: 2, 4, 9, 10), Markku Kanerva (tracks: 5)
Percussion – Mongo Aaltonen
Piano – Seppo Kantonen
Synthesizer – Kirmo Lintinen (tracks: 5)
Tenor Saxophone, Bass Clarinet, Clarinet, Flute – Teemu Salminen
Tenor Saxophone, Flute – Manuel Dunkel
Trombone – Markku Veijonsuo
Trombone, Euphonium – Mikko Mustonen
Trombone, Tuba – Pekka Laukkanen
Trumpet, Flugelhorn – Esko Heikkinen, Mikko Pettinen, Teemu Mattsson, Timo Paasonen
Vocals [Additional Vocals] – Jarmo Saari (tracks: 9)

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A UMO apresentou-se em várias salas da PQP Bach Corp. Este concerto foi em nosso Salão Nobre de Arapiraca (AL).

PQP

Bach / Brahms / Duruflé / Fauré / Messiaen / Parry / Poulenc / Purcell / Schütz / Stanford / Victoria / Walton: Glorious Trinity

Bach / Brahms / Duruflé / Fauré / Messiaen / Parry / Poulenc / Purcell / Schütz / Stanford / Victoria / Walton: Glorious Trinity

Um bonito disco de gatinhos. Ou seja, são peças juntadas de vários compositores segundo critérios que um ateu não entende bem, mas que deve ser a tal Trindade, — Pai, Filho e Espírito Santo –, sem mulheres envolvidas. Mas são elas, sopranos e contraltos, as estrelas de um disco que inclui algumas joias extraordinárias como a faixa 6 de Duruflé, a 11 e a 22 de Fauré e a 18 de Brahms. As duas últimas quase me levaram às lágrimas e isto é raro neste coração seco de tanta irreligião. (Brincadeira, é um alívio ser assim em nosso país fundamentalista). O disco me deu enorme saudade da música praticada nas igrejas da Inglaterra e da Alemanha, que tanto ouvi em meus turismos-sinfônicos por aqueles países. É o esplendor, mas agora não dá pra viajar.

O Coral do Trinity College de Cambridge é misto e sua função principal é a de cantar serviços corais na capela Tudor do Trinity College, Cambridge. Em janeiro de 2011, a revista Gramophone nomeou-o como o quinto melhor coro do mundo.

Bach / Brahms / Duruflé / Fauré / Parry / Poulenc / Purcell / Schütz / Stanford / Victoria / Walton: Glorious Trinity

1 Magnificat
Composed By – Walton*
3:57

2 Never Weather-Beaten Sail
Composed By – Parry*
3:22

Psalms Of David
Composed By – Schütz*
3 Der Herr Sprach Zu Meinem, Herren 3:21

4 I Was Glad
Composed By – Purcell*
4:08

5 Ubi Caritas
Composed By – Duruflé*
2:30

6 Tota Pulchra Es
Composed By – Duruflé*
2:24

Lobet Den Herrn
Composed By – Bach*
7 I Lobet Den Herrn BWV.320 4:56
8 II Hallelujah! 1:18

9 Seigneur, Je Vous En Prie
Composed By – Poulenc*
1:23

10 Exultate Deo
Composed By – Poulenc*
2:47

11 Requiem – In Paradisum
Composed By – Fauré*
3:37

Der Geist Hilft Unsrer Schwachheit Auf, BWV.226
Composed By – J.S. Bach*
12.1 I Der Geist Hilft Unsrer Schwachheit Auf 3:25
12.2 II Der Aber Die Herzen 2:12
12.3 III Du Heilige Brunst 1:45

13 Hear My Prayer
Composed By – Purcell*
2:57

14 Judas Mercator
Composed By – Victoria*
2:12

15 Unus Ex Discipulis
Composed By – Victoria*
2:31

16 O Sacrum Convivium!
Composed By – Messiaen*
4:34

17 Eternal Father
Composed By – Stanford*
6:28

18 Geistliches Lied
Composed By – Brahms*
4:50

19 There Is No Rose
Composed By – Anon*
2:18

20 Of The Father’s Heart
Composed By – Anon*
2:29

21 Sweet Was The Song
Composed By – Anon*
2:19

22 Requiem – Sanctus
Composed By – Fauré*
3:26

The Choir Of Trinity College Of Cambridge
Richard Marlow ‎

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Isso foi o que encontrei no Google ao digitar Glorious Trinity. A gloriosa Троицкий собор fica em Pskov.

PQP

Béla Bartók (1881-1945): Concerto for 2 Pianos, Percussion, and Orchestra, Violin Concerto No.1, Concerto for Viola and Orchestra (Boulez) #BRTK140

Béla Bartók (1881-1945): Concerto for 2 Pianos, Percussion, and Orchestra, Violin Concerto No.1, Concerto for Viola and Orchestra (Boulez) #BRTK140

Em 1940, por sugestão de seu editor e agente, Bartók orquestrou a Sonata para Dois Pianos e Percussão como um Concerto para Dois Pianos, Percussão e Orquestra. As partes para os quatro solistas permaneceram praticamente inalteradas. A estreia mundial foi dada no Royal Albert Hall, em Londres, em um concerto da Royal Philharmonic Society no dia 14 de novembro de 1942, com os percussionistas Ernest Gillegin e Frederick Bradshaw, os pianistas Louis Kentner e Ilona Kabos e a Orquestra Filarmônica de Londres, dirigida por Sir Adrian Boult. O compositor e sua esposa Ditta Pásztory-Bartók foram solistas ao piano em uma apresentação em Nova York em janeiro de 1943, com a Filarmônica de Nova York sob Fritz Reiner. Esta foi a última aparição pública de Bartók como artista. Ele morreu de leucemia em 1945.

Bem, eu acho a Sonata melhor. E ela certamente será postada nesta série.

Os outros dois concertos são opus póstumos. O Concerto Nº 1 para Violino e Orquestra foi escrito entre 1907-08. Ou seja, foi abandonado por Bartók. Tudo isso ocorreu após ele ter uma desilusão amorosa com a violinista para a qual o Concerto seria dedicado…

Já o Concerto para Viola foi uma das últimas peças escritas por ele. Ele começou a compor o concerto enquanto vivia em Saranac Lake, Nova York, em julho de 1945. A peça foi encomendada por William Primrose, respeitado violista que sabia que Bartók poderia fornecer uma peça desafiadora para ele executar. Disse que Bartók não deveria “se sentir de forma alguma amarrado pelas aparentes limitações técnicas do instrumento…”. Bartók, porém, estava sofrendo os estágios terminais da leucemia que o matou. A peça foi concluída por seu amigo Tibor Serly em 1949, a partir de esboços deixados por Bartók.

É muito complicado falar em “obras menores” de Bartók. Ele acertava sempre! Mas digamos que neste disco Boulez tentou.

Béla Bartók (1881-1945): Concerto for 2 Pianos, Percussion, and Orchestra, Violin Concerto No.1, Concerto for Viola and Orchestra (Boulez) #BRTK140

1. Concerto for 2 Pianos, Percussion, and Orchestra, Sz.115 – Assai lento – Allegro molto 12:49
2. Concerto for 2 Pianos, Percussion, and Orchestra, Sz.115 – Lento ma non troppo 6:29
3. Concerto for 2 Pianos, Percussion, and Orchestra, Sz.115 – Allegro ma non troppo 6:17

Tamara Stefanovich, piano I
Pierre-Laurent Aimard, piano II
Nigel Thomas, percussion
Neil Percy, percussion II
London Symphony Orchestra

4. Violin Concerto No.1 (Op.posth), Sz36 – 1. Andante sostenuto 9:33
5. Violin Concerto No.1 (Op.posth), Sz36 – 2. Allegro giocoso 11:47

Gidon Kremer, violin
Berliner Philharmoniker

6. Concerto for Viola and Orchestra, op.post. – Version: Tibor Serly – 1. Moderato – Lento parlando 14:32
7. Concerto for Viola and Orchestra, op.post. – Version: Tibor Serly – 2. Adagio religioso – Allegretto 4:37
8. Concerto for Viola and Orchestra, op.post. – Version: Tibor Serly – 3. Allegro vivace 4:16

Yuri Bashmet, viola
Berliner Philharmoniker

Pierre Boulez

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Béla Bartók e sia segunda esposa Ditta Pásztory no Concerto para Dois Pianos
Béla Bartók e sua segunda esposa Ditta Pásztory no Concerto para Dois Pianos

PQP

Monteverdi / Du Prez / Ortiz / Mainerio / Le Jeune: Alchemist (Philip Pickett)

Monteverdi / Du Prez / Ortiz / Mainerio / Le Jeune: Alchemist (Philip Pickett)

Eu não conhecia o CD Alchemist e nem Philip Pickett. Pela capa achei que se tratasse de um CD de jazz ou crossover. OK, há instrumentos antigos voando ali, mas sei lá. Jamais esperei um álbum de música medieval, renascentista e barroca. O disco é médio. Aí fui guglar por Pickett e bem… Philip Pickett (1950) é um músico inglês que foi diretor de conjuntos musicais antigos, incluindo o New London Consort, lecionou na Guildhall School of Music and Drama e, em fevereiro de 2015, foi condenado a 11 anos de prisão por dois estupros e agressão sexual a alunos da escola. As agressões foram cometidas em salas à prova de som na Guildhall School. Pickett tocou na Academy of St. Martin-in-the-Fields, no The English Concert, na English Chamber Orchestra e nos London Mozart Players. Tocava trompete e flauta, mas teve que abandonar o primeiro depois de levar um chute na boca em uma briga no metrô de Londres.

Sentenciando Pickett, o juiz Charles Wide disse que suas vítimas o admiravam como professor, e que ele tinha como alvo especificamente aqueles que “seriam relutantes em reclamar ou muito improváveis ​​de reclamar”.

“Este é o local da ofensa nas salas de prática da escola de música Guildhall — à prova de som, escuro, você apagava as luzes”, disse ele mostrando uma foto da sala.

“Mesmo que gritassem, as vítimas não podiam ser ouvidas, como você bem sabe, tendo-os pegado sozinhos e fechado a porta. O impacto dessas ofensas sexuais muito graves deve ter sido muito grande”.

Monteverdi / Du Prez / Ortiz / Mainerio / Le Jeune: Alchemist (Philip Pickett)

1 Vespers (Introit & Hymn)
Composed By – Claudio Monteverdi
6:17

2 Bacchanalia
Composed By – John Du Prez
2:26

3 The King Is Dead 3:27

4 Resaissance Rip
Composed By – Diego Ortiz
3:12

5 Balkan Trilogy
Composed By – Giorgio Mainerio
4:16

6 Harmony Of The Spheres 3:01

7 Dodo Brasserie Sextet
Composed By – Giorgio Mainerio
4:36

8 Pandora’s Music Box
Composed By – Claude Le Jeune
2:47

9 Orfeo
Composed By – Claudio Monteverdi
7:07

10 Ruff Music
Composed By – Giorgio Mainerio
10:06

11 Celtic Dawn
Composed By – John Du Prez
5:20

12 Adoremus Dominum
Composed By – John Du Prez
3:45

Cello – Anthony Pleeth
Fiddle, Violin, Viola – Pavlo Beznosiuk
Flute – Tom Finucane
Organ, Harpsichord – David Roblou
Percussion, Xylophone, Bells – Stephen Henreson
Recorder, Panpipes, Organ, Crumhorn – Philip Pickett
Vocals – Catherine Bott

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Pickett: o que dizer de você?

PQP

A Obra Completa de Béla Bartók (1881-1945): Quarteto de cordas Nº 1 [Bartók – 6 String Quartets – Végh Quartet] #BRTK140

A Obra Completa de Béla Bartók (1881-1945): Quarteto de cordas Nº 1 [Bartók – 6 String Quartets – Végh Quartet] #BRTK140

Oh, céus, dia desses liguei o rádio — sim, às vezes ainda faço isso — e estava tocando uma das músicas que mais amo: Contrastes, de Béla Bartók, para clarinete, violino e piano. A obra é baseada em melodias de danças húngaras e romenas e foi escrita em resposta a uma encomendada do genial clarinetista de jazz Benny Goodman em 1938, nos EUA, quando Bartók tinha se afastado do nazismo contra sua vontade — pois preferia enfrentá-lo e talvez ser morto. Contrastes é daquelas coisas que fecham levemente a garganta da gente e nos elevam alguns centímetros. Mesmo sendo considerada uma obra leve, ela nos mostra alguns abismos. E até o final mais agitado e quase-Poulenc me deixa emocionado.

Ouvindo o rádio, lembrei de que este ano tínhamos acertado de fazer o #BRTK140 aqui no PQP Bach. Ou seja, vamos postar a obra completa do húngaro no ano em que ele completa 140 anos de nascimento. Rale-se que são 140 e não um número divisível por 50.

Bartók merece. Em uma edição húngara, sua obra completa preenche apenas 29 CDs — o que, grosso modo, corresponderia a 29 horas de música — , mas são 29 CDs sem erros ou momentos fracos. E, além do mais, ele tem uma biografia espetacular, foi o fundador da etnomusicologia, viajou do interior da Turquia, Anatólia, Romênia e Bulgária até o norte da África coletando e aprendendo a real música do povo e não o que se pensava que ela fosse. Tem importância e profundidade em mais de um campo.

A música clássica nunca viveu em uma bolha. Sempre houve um fluxo livre de ideias cruzando a linha da chamada música artística e a música folclórica. Quando esta bolha estava ficando dura e impermeável no início do século passado, quando os autores passaram a virar as costas para a “baixa cultura”, ele foi lá e os fez ver o que estavam perdendo.

Na foto abaixo, em 1907, Bartók está gravando uma camponesa que canta suas músicas. Vejam que beleza.

Não há muito interesse genuíno em qualquer lugar do mundo por este ramo da ciência musical ”,

escreveu Béla Bartók em 1921, enquanto refletia desanimado sobre seus extensos estudos de música folclórica do Leste Europeu.

Quem sabe, talvez nem seja tão importante quanto acreditam seus fanáticos!

Bartók pode não ter sido muito apreciado em sua vida (1881–1945), porém, quase um século depois de escrever este lamento, o mundo alcançou o compositor e o etnomusicólogo pioneiro. Suas composições, incluindo os seis quartetos de cordas que compôs entre 1909 e 1939, são repletas de inovações inspiradas na música folclórica rústica que colecionou no interior do Leste Europeu com seu amigo e colega, o compositor e pedagogo Zoltán Kodály.

Enquanto Brahms usava motivos folclóricos estilizados em suas Danças Húngaras, Bartók explorou as técnicas que aprendeu com canções folclóricas autênticas. Essa abordagem atingiu seu apogeu em seus quartetos de cordas, que são um monumento do cânone erudito do século XX. Essas significativas obras de câmara continuam a desafiar os músicos. “Além do desafio técnico absoluto de executar partituras terrivelmente difíceis, as principais questões interpretativas têm a ver com encontrar um equilíbrio viável entre os extremos: complexidade e clareza, austeridade polifônica e influência folclórica”, escreveu o crítico musical Philip Kennicott em 2014. 

Béla Bartók na Anatólia (atual Turquia)

Nesta série, postaremos um monte de gravações dos quartetos de Bartók. Elas estarão divididas em 6 posts e cada texto focará em um dos dos quartetos.

Quarteto Nº 1 de Béla Bartók (1909)

É uma experiência interessante ouvir os últimos quartetos de Beethoven passando imediatamente para os primeiros de Bartók. Parece que a obra revolucionária de LvB recebe uma digna continuidade por parte do húngaro. Mais: este Quarteto Nº 1 parece um opus seguinte de Beethoven, talvez não pela música, mas pelo espírito das obras.

Mas foquemos nossa lente no húngaro. Para o jovem Bartók, o período de 1906-1909 marcou uma época de grandes mudanças e turbulências. No início deste período, ele pode ser razoavelmente descrito como um discípulo e admirador de Beethoven, Richard Strauss e Debussy, ao mesmo que iniciava seu caminho pioneiro na etnomusicologia, coletando e gravando música folclórica em seus cadernos e no cilindro de cera de Thomas Edison.

O Bartók de 1909 é recordado pela primeira mulher, Márta Ziegler, com quem era então recém-casado: “Ele compunha principalmente à noite. Durante o dia, estava ocupado a transcrever e a organizar as suas coleções de canções folclóricas gravadas em cilindros de cera para publicação ”.

Então, ao lado das influências eruditas, a música popular também estava se tornando uma força central nas próprias composições de Bartók, seja na forma de citações, seja de forma incorporada, integrada. Claro, nos anos seguintes, o ideal de BB como compositor seria o de absorver o espírito da música folclórica de tal forma que suas composições carregassem sua essência, em vez de apenas aludi-la. Ele esperava construir o edifício de sua própria música com base nas verdades expressivas que percebia nessas melodias.

Em 1907, Bartók estava passando por algumas, digamos, convulsões em sua vida pessoal. Ele tinha rejeitado o catolicismo romano de sua educação e se proclamado ateu, postura que manteve até o fim. Ao mesmo tempo, ele estava apaixonado pela jovem violinista Stefi Geyer. Contudo, acabou rejeitado pela moça e o Concerto para Violino que ele havia escrito para ela foi fechado em uma gaveta e só publicado post mortem. Mas a juventude é rápida e em 1908, um ano depois do breve e marcante caso com Geyer, Bartók casou-se com Márta Ziegler.

Foi neste ambiente que surgiu o primeiro Quarteto de Cordas. É sua primeira obra-prima, que retrata vividamente os impulsos desta época de sua vida. É formado por 3 movimentos longos tocados em sequência, de uns dez minutos cada. Em uma carta a Geyer, Bartók descreveu o primeiro movimento como um “canto fúnebre”. O motivo de abertura, levado pelos dois violinos, é uma melodia do Concerto que ele escrevera para ela e, portanto, esse movimento pode simbolizar a morte dessa paixão. É um movimento dramático que, conhecendo a biografia de Bartók, ouço como que impregnado de desejo e perda. Há nela algo do romantismo germânico, principalmente nos dois clímax. No final do movimento, ele já esqueceu Geyer e há evidências de uma nova vida.

No segundo movimento, a música se acelera de uma forma que somos levados para bem longe do pesado fardo anterior. Não faz muito sentido dizer que a música desse movimento se parece mais com Bartók, mas creio que serei entendido… Diante de nós, um compositor está encontrando sua voz. O segundo movimento atinge um final etéreo e tranquilo.

O terceiro movimento é uma música enérgica, evocando a sensação de uma dança camponesa. Embora haja tensão e urgência no ar, o clima predominante é de bom humor. Ouvimos, também, a influência da música folclórica que Bartók começava a catalogar: as duas passagens culminantes do movimento apresentam uma melodia muito parecida com as canções folclóricas magiares que colecionava naquele ano. O compositor ainda estava a alguns anos de distância do período em que aspiraria a incluir o idioma folclórico em sua corrente sanguínea. Esta ainda é a música de um homem em visita o campo, fascinado pela alteridade exótica das melodias folclóricas que encontra. Mas, ao mesmo tempo, podemos sentir que ele está fisgado. A verdade é que Bartók apenas começava a arranhar a superfície delas e para cavar cada vez mais fundo em trabalhos futuros.

O estudioso e biógrafo de Bartók, Halsey Stevens, observa que “a liberdade contrapontística característica do tratamento de Bartók do quarteto de cordas, a extrema plasticidade com que as linhas individuais giram, mudam, combinam e se opõem já são perceptíveis no Primeiro Quarteto”. Além disso, “cada instrumentista é considerado um indivíduo, com o seu próprio fio de tecido; esta autonomia traz uma riqueza de texturas comparável a dos últimos quartetos de Beethoven”.

Deixo abaixo uma interpretação ao vivo do Quarteto Nº 1 não porque este seja um registro especial ou porque o vídeo realce especialmente a beleza da obra — apesar de ser muito bom! –, mas porque desta forma, com os músicos em ação, fica ainda mais clara sua dificuldade.

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O Quarteto Végh gravou duas vezes a integral dos quartetos de Bartók, a primeira entre os anos de 1954 e 56 e a segunda em 1972. Se a qualidade artística de ambos é astronômica, o som da gravação de 1972 é bem melhor. Aqui estão elas:

Béla Bartók (1881-1945): Os Quartetos de Cordas (Vègh) — Gravação de 1972

1 String Quartet No. 1, Op. 7, Sz. 40 29:59

2 String Quartet No. 2, Op. 17, Sz. 67: I. Moderato 10:25
3 String Quartet No. 2, Op. 17, Sz. 67: II. Allegro molto capriccioso 7:56
4 String Quartet No. 2, Op. 17, Sz. 67: III. Lento 8:40

5 String Quartet No. 3, Sz. 85 15:12

6 String Quartet No. 4, Sz. 91: I. Allegro 5:58
7 String Quartet No. 4, Sz. 91: II. Prestissimo, con sordino 2:59
8 String Quartet No. 4, Sz. 91: III. Non troppo lento 5:05
9 String Quartet No. 4, Sz. 91: IV. Allegretto, pizzicato 2:43
10 String Quartet No. 4, Sz. 91: V. Allegro molto 5:14

11 String Quartet No. 5, Sz. 102: I. Allegro 7:16
12 String Quartet No. 5, Sz. 102: II. Adagio molto 6:15
13 String Quartet No. 5, Sz. 102: III. Scherzo: alla bulgarese 5:02
14 String Quartet No. 5, Sz. 102: IV. Andante 5:10
15 String Quartet No. 5, Sz. 102: V. Finale: allegro

16 String Quartet No. 6, Sz. 114: I. Mesto – Più mosso, pesante – Vivace 7:18
17 String Quartet No. 6, Sz. 114: II. Mesto – Marcia 8:06
18 String Quartet No. 6, Sz. 114: III. Mesto – Burletta 7:23
19 String Quartet No. 6, Sz. 114: IV. Moderato, mesto 6:05

Quatuor Végh

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Béla Bartók (1881-1945): Os Quartetos de Cordas (Vègh) — Gravação de 1954–1956

Streichquartett • String Quartet • Quatuor à Cordes Nr. 1, Op. 7, Sz. 40 (1908) (29:53)
A1 1. Lento
A2 2. (Allegretto) Introduktion
A3 3. Allegro Vivace

Streichquartett • String Quartet • Quatuor à Cordes Nr. 2, Op. 17, Sz. 67 (1915-1917)
B1 1. Moderato 10:19
B2 2. Allegro Molto Capriccioso 7:50
B3 3. Lento 8:33

Streichquartett • String Quarte • Quatuor à Cordes Nr. 3, Sz. 85 (1927) (15:05)
C1 1. Prima Parte: Moderato
C2 2. Secunda Parte: Allegro
C3 3. Ricapitulazione Della Prima Parte: Moderato
C4 4. Coda. Allegro Molto

Streichquartett • String Quartet • Quatuor à Cordes Nr. 4, Sz. 91 (1928)
D1 1. Allegro 5:54
D2 2. Prestíssimo, Con Sordino 2:54
D3 3. Non Troppo Lento 5:02
D4 4. Allegretto Pizzicato 2:38
D5 5. Allegro Molto 5:11

Streichquartett • String Quartet • Quatuor à Cordes Nr. 5, Sz. 102 (1934)
E1 1. Allegro 7:10
E2 2. Adagio Molto 6:08
E3 3. Scherzo 4:56
E4 4. Andante 5:04
E5 5. Finale 7:02

Streichquartett • String Quartet • \Quatuor à Cordes Nr. 6, Sz. 114 (1939)
F1 1. Mesto – Più Mosso, Pesante 7:14
F2 2. Mesto – Marcia 8:02
F3 3. Mesto – Burletta 7:17
F4 4. Mesto 6:06

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Végh Quartet:
Sándor Végh (violin)
Sándor Zöldy (violin)
Georges Janzer (viola)
Paul Szabo (cello)

Etnomusicologia não é só ficar sentado no escritório…

PQP

.: interlúdio :. Mike Longo and the New York State of the Art Jazz Ensemble: Oasis

.: interlúdio :. Mike Longo and the New York State of the Art Jazz Ensemble: Oasis

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Mike Longo morreu em 22 de março de 2020 de complicações associadas à gripezinha. Nossa, quanto talento se perdeu! Oasis é um álbum de big band, mas completamente diferente dos sons tradicionalmente associados ao termo. Oasis é o que Longo chama de ‘música contrapontística com uma força melódica impulsionadora usando um conceito de grupo be-bop pequeno e moderno com uma seção de metais de 13 instrumentos’. A cada nova gravação, o pianista Mike Longo praticamente dá uma Master Class, mostrando como preencher a lacuna entre o be-bop e a era contemporânea, trazendo as melhores tradições à frente e adicionando inovações de ritmo e estrutura. Em Oasis, do selo CAP (Consolidated Artists Productions), ele exemplifica essa mistura de antigo com o novo.

Longo traz credenciais impecáveis ​​ao projeto — ele começou sua carreira com Cannonball Adderly, estudou com Oscar Peterson, tornou-se o pianista e diretor musical da banda de Dizzy Gillespie (tocou regularmente com Dizzy por 22 anos), escreveu nove livros sobre música e tocou no palco com incontáveis ​​músicos de jazz ao longo dos anos — Miles Davis, Milt Jackson, Coleman Hawkins, Gene Krupa, Jimmy Witherspoon, Lee Konitz, Roy Eldridge, James Moody, Buddy Rich e muitos outros. Oasis, o 18º álbum de Longo com seu próprio nome na capa, contém seus arranjos de 13 músicas — sete são composições originais — para uma big band de 17 integrantes — mais uma vocalista em três canções — que sempre incluem piano, guitarra, baixo, bateria, quatro trompetes , quatro trombones e cinco saxofones (dois contraltos, dois tenores e um barítono) embora os saxofonistas ocasionalmente toquem flauta ou clarinete e um trompetista faça um solo de flugelhorn.

.: interlúdio :. Mike Longo and the New York State of the Art Jazz Ensemble: Oasis

1. Bag of Bones (5:43)
2. Chanson (6:25)
3. Mike’s Lament (4:57)
4. Love Walked In (1:50)
5. Alone Together (6:18)
6. Infusion (5:29)
7. The Godfather (6:21)
8. Lazy Afternoon (7:17)
9. Covenant City (4:20)
10. Nocturnal Sea Voyage (7:33)
11. The Night We Called It a Day (6:21)
12. No More Blues (5:10)
13. Song of My Dream (for Duke) (5:54)

Mike Longo &
The New York State of the Art Jazz Ensemble:
Mike Longo–piano,
Adam Rafferty–guitar,
Santi Debriano–bass,
Darryll Pellegrini–drums,
Bob Magnuson–alto sax,
Lee Greene–alto sax,
Frank Perowsky–tenor sax,
Gerry Neiwood–tenor sax,
Matt Snyder–baritone sax,
Clarire Daly–baritone sax,
Gary Guzio–trumpet,
Joe Magnarelli–trumpet,
Nubate Isles–trumpet,
Freddie Hendrix–trumpet,
Waldron Ricks–trumpet,
Seneca Black–trumpet,
Bob Suttman–trombone,
Sam Burtis–trombone,
Eric Goletz–trombone,
Jonathan Greenberg–trombone,
Curtis Fowlkes–trombone,
Don Mikkelsen–trombone,
Special Guest: Hilary Gardner–vocals.

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Mike Longo observando do além os negacionistas.

PQP

Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia Nº 9 (Abbado / VPO)

Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia Nº 9 (Abbado / VPO)

Como o próprio Abbado demonstrou anos depois, interpretando esta mesma Nona com a Orquestra do Festival de Lucerna, ele é capaz de um Bruckner muito mais dramático e sublime do que esta performance ao vivo de 1996. Ficou sem graça, os clímax vêm e vão sem causar um efeito cumulativo. A Wiener Philharmoniker toca lindamente, embora os músicos sejam mantidos dentro dos limites. Suponho que, na época, Abbado ouvisse esta peça em sua cabeça como uma sucessão de pequenos eventos ao invés de um concepção unitária. Abbado, que às vezes faz um trabalho tão bonito com Bruckner, é dolorosamente metronômico aqui, fazendo esta bela e emocionante sinfonia soar como se fosse uma máquina. A orquestra toca lindamente, mas jamais alcança a transcendência de um Wand, Haitink, Nelsons, Celibidache, Nézet-Séguin, etc.

Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia Nº 9 (Abbado)

Symphonie Nr. 9 D-moll
1 Feierlich, Misterioso 25:05
2 Scherzo: Bewegt, Lebhaft – Trio. Schnell 10:06
3 Adagio: Langsam, Feierlich 25:13

Conductor – Claudio Abbado
Orchestra – Wiener Philharmoniker

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Bruckner perplexo ao ouvir o discurso ateu de PQP Bach.

PQP

Georg Friedrich Händel (1685-1759): Cantatas e Peças Avulsas (Mields, Perl, La Folia, Santana)

Georg Friedrich Händel (1685-1759): Cantatas e Peças Avulsas (Mields, Perl, La Folia, Santana)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um disco maravilhoso, daqueles impossíveis de se ouvir menos do que 3 vezes — no mesmo dia. Como sempre acontece quando Perl está envolvida, o calor e o afeto abundam, condizentes não apenas com os temas delicadamente amorosos das Cantatas, mas também com o ar ameno que a música do período italiano de Händel respira com tanta facilidade. Mas também há muita espontaneidade, uma sensação tangível de que os músicos estão gostando da companhia um do outro e das combinações um pouco incomuns que encontram. Ouvir Mields é sempre um prazer. Sua voz — clara, precisa e controlada — ilumina a música. Pena que esteja um tantinho submersa pelo conjunto relativamente grande da bela Tra le fiamme. Temos sonatas, outras peças avulsas, temos Tra le fiamme, mas também a esplêndida, deliciosa e sinuosa Cantata Spagnuola, cujas árias soam quase como baladas pop — resultado, talvez, da tendência de Handel de ignorar o lado lírico da gamba e de fazer uso do violão e do alaúde. Um lançamento incomum, cheio de musicalidade contagiante, um verdadeiro prazer de ouvir.

Georg Friedrich Händel (1685-1759): Cantatas e Peças Avulsas (Mields, Perl, La Folia, Santana)

Tra Le Flamme, HWV 170
1 I. Tra Le Flamme (Aria)
2 II. Dedalo Gia Le Fortunate Penne (Recitativo)
3 III. Pien Di Nuovo E Bel Diletto (Aria)
4 IV. Si, Si Purtroppo E Vero (Recitativo)
5 V. Voli Per L’aria (Aria)
6 VI. L’umo Che Nacque Per Salire Al Cielo (Recitativo)
7 VII. Tra Le Fiamme (Aria)

8 Chaconne In G Major, HWV 435

9 Nascermi Sento Al Core (From HWV 160b)

Sonata In G Minor, HWV 364b
10 I. Andante Larghetto
11 II. Allegro
12 III. Adagio
13 IV. Allegro

Cantata Spagnuola, HWV 461
14 I. No Se Emendara Jamas (Aria)
15 II. Si Del Quereros Es Causa (Recitativo)
16 III. Dimete Mix Oxos (Aria)

17 Hornpipe, HWV 461

La Blanca Rosa, HWV 160c
18 I. Sei Pur Bella, Pur Vezzosa (Aria)
19 II. Se Vien L’ape Ingeniosa (Recitativo)
20 III. E Certo Allor Sei La Regina D’ogni Altro Fior (Aria)

21 Col Partir La Bella Ciori (From HWV 77)
22 Chaconne In G Major, G228

Classical Guitar, Lute – Lee Santana
Orchestra – La Folia Barockorchester
Soprano Vocals – Dorothee Mields
Viola da Gamba – Hille Perl

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Flagrante de Händel após ouvir o disco acima.

PQP

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Réquiem / Maurerische Trauermusik (Savall)

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Réquiem / Maurerische Trauermusik (Savall)

Não faltam gravações de primeira linha do Réquiem de Mozart. Esta é uma delas. É uma abordagem bastante íntima e relaxada e, para meus ouvidos, de atmosfera não muito devocional, o que é ótimo. O canto é tranquilo e os ritmos às vezes parecem um pouco alegres demais para um Réquiem. A gravação é 1991 e, no início dos anos 90, ainda havia um sentimento persistente de seriedade acadêmica sobre a maior parte do desempenho de instrumentos de época, mas Jordi Savall demonstra o valor de um toque leve, que desde então se tornou mais ou menos a convenção. No contexto do Réquiem de Mozart, isso não se coaduna com a gravidade do tema, embora sirva para destacar a elegância clássica que nunca está longe da superfície de Mozart. Não há andamentos super-rápidos aqui, pelo menos para os padrões de desempenho da época. No geral, a orquestra é mais impressionante do que o coro, e colocar a música fúnebre maçônica no início do disco dá a eles uma excelente chance de mostrar suas qualidades. Savall dá grande importância ao fato de que corni di bassetto de época são usadas. Eles são proeminentes na abertura e adicionam um maravilhoso colorido ao registro do meio dos instrumentos de sopro. Os metais são tocados de maneira rouca e agradável e os tímpanos soam adequadamente arcaicos. Este disco vai agradar mais aos fãs de Jordi Savall do que aos fãs de Mozart, penso eu.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Réquiem / Maurerische Trauermusik (Savall)

1 Maurerische Trauermusik, K 477 5:21

Requiem, K 626
2 Requiem 6:48
3 Dies Irae 1:41
4 Tuba Mirum 2:53
5 Rex Tremendae 1:37
6 Recordare 5:11
7 Confutatis 2:10
8 Lacrimosa 3:00
9 Domine Jesu 3:21
10 Hostias 3:32
11 Sanctus 1:14
12 Benedictus 4:55
13 Agnus Dei 8:33

Bass Vocals – Stephan Schreckenberger
Chorus – La Capella Reial De Catalunya
Conductor – Jordi Savall
Mezzo-soprano Vocals – Claudia Schubert
Orchestra – Le Concert Des nations
Soprano Vocals – Montserrat Figueras
Tenor Vocals – Gerd Türk

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Jordi Savall completará 80 anos em 1º de agosto e tem mais cabelo do que PQP Bach.

PQP

W. A. Mozart (1756-1791): Quintetos K. 515 e 516 (Griller)

W. A. Mozart (1756-1791): Quintetos K. 515 e 516 (Griller)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este foi um LP que ouvi quase até furar quando adolescente. Era apaixonado por estas obras e pelo Griller. Voltando a ele após décadas, digo que a paixão não foi a mesma, mas que gostei bastante. Claro, a gravação de 1964 sentiu o peso dos anos e do estilo pouco usual atualmente, quando se toca Mozart de uma forma muito mais leve. Mas deu pra se divertir bastante, principalmente pela ausência dos espocares dos vinis. Meu LP — tenho-o até hoje, assim como todos o que comprei — é exatamente ao da capa ao lado, da série Historical Anthology Of Music, do selo The Bach Guild. Porém, sem dúvida, esta é uma das maiores gravações de música de câmara já feitas. Os ingleses do Griller String Quartet continua a ser uma lenda entre os entusiastas e é fácil entender os motivos. Junto com o violista convidado William Primrose, eles tocam com uma combinação de vitalidade rítmica, equilíbrio perfeito do conjunto e pura beleza tonal que incomoda. O líder Sidney Griller, com sua atenção escrupulosa ao fraseado e à dinâmica, arranca cada gota de humanidade de seus solos. Uma joia fora de moda, mas uma joia!

W. A. Mozart (1756-1791): Quintetos K. 515 e 516 (Griller)

String Quintet In G Minor, K. 516 (31:34)
A1 Allegro
A2 Menuetto (Allegretto)
A3 Adagio Ma Non Troppo
A4 Adagio-Allegro

Quintet For Strings In C Major, K.515 (30:54)
B1 Allegro
B2 Menuetto (Allegretto)
B3 Andante
B4 Allegro

The Griller String Quartet with William Primrose:
Cello – Colin Hampton
Viola – Philip Burton, William Primrose
Violin – Sidney Griller, Jack O’Brien

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A cara dos ingleses do Griller quando a garçonete da PQP Bach Corp., sempre em trajes sumários, lhes ofereceu chá de carqueja para combater os gases.

PQP

.: interlúdio :. John Scofield: A Moment’s Peace

.: interlúdio :. John Scofield: A Moment’s Peace

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Neste álbum, todas as canções são muito melódicas. (Acabei de ouvir a penúltima música, mas não consigo imaginar que a última não se encaixe no padrão). A Moment’s Peace traz o brilho da guitarra de Scofield em seu melhor. Algumas das músicas têm alguns bons riffs de jazz e a maioria delas têm belos solos. O órgão e o piano de Larry Goldings dão excelente contribuição para o belo resultado. É um trabalho introspectivo e uma alegria de se ouvir, independentemente do humor. É um disco para dias nublados, é um trabalho para se ouvir enquanto viajamos ou quando queremos seduzir aquela pessoa, é um brilhante encontro de músicos, é rico, sensual e atemporal. A faixa de abertura, Simply Put, é impressionante. Assim como a versão sobre o clássico de 1968 dos Beatles, I Will. Scofield tem um I Want To Talk About You parece destilar tudo pelo qual Scofield é conhecido – belo tom, fraseado adequado, corridas emocionantes, melodia perfeita. E o que dizer da sensacional Gee, Baby, Ain’t I Good to You e de I Loves You Porgy?

Não há um fracasso neste álbum. Eu amo isso! Altamente recomendado!

John Scofield: A Moment’s Peace

1 “Simply Put” – 5:30
2 “I Will” (Lennon–McCartney) – 3:16
3 “Lawns” (Carla Bley) – 6:32
4 “Throw It Away” (Abbey Lincoln) – 6:05
5 “I Want to Talk About You” (Billy Eckstein) – 7:56
6 “Gee, Baby, Ain’t I Good to You” (Andy Razaf, Don Redman) – 5:01
7 “Johan” – 5:11
8 “Mood Returns” – 4:27
9 “Already September” – 5:33
10 “You Don’t Know What Love Is” (Gene De Paul, Don Raye) – 6:00
11 “Plain Song” – 5:01
12 “I Loves You Porgy” (George & Ira Gershwin) – 3:59

John Scofield – guitar
Larry Goldings – piano and organ
Scott Colley – bass
Brian Blade – drums

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Scofield agradecendo-nos por sua estreia do PQP Bach

PQP

Serguei Prokofiev (1891-1953): Todas as peças para Violoncelo e Piano (Ivaskin, Lazareva)

Serguei Prokofiev (1891-1953): Todas as peças para Violoncelo e Piano (Ivaskin, Lazareva)

Não me apaixonei por este disco, mas é surpreendente encontrar num lugar só representados tantos aspectos do estilo do compositor. Desde o romantismo da balada, passando pelas dissonâncias pontiagudas de Chout até a elegíaca e inacabada Sonata Solo. Porém, mesmo que auxiliado por uma boa pianista, Tatyana Lazareva, o recital de Ivashkin não me seduziu muito. Começa com a familiar Sonata para violoncelo e piano, tocada de forma altamente sentida, com Lazareva fornecendo um acompanhamento pesado e autenticamente russo. A Ballade é certamente uma das melhores versões para esta obra cada vez mais popular. O tratamento lúdico de Ivashkin para a seção central semelhante a uma gavota nos lembra que Prokofiev sabe fazer humor. Ou seja, duas boas peças logo de cara e depois o repertório cai de qualidade, não obstante a categoria de Ivashkin e Lazareva.

Serguei Prokofiev (1891-1953): Todas as peças para Violoncelo e Piano (Ivaskin, Lazareva)

Sonata For Cello And Piano, Op. 119 (23:58)
1 I Andante Grave 11:24
2 II Moderato 4:37
3 III Allegro Ma Non Troppo 7:57

4 Ballade, Op. 15 13:12

5 Adagio From The Ballet Cinderella, Op 97 Bis 4:31

6 Andante – Second Movement From The Unfinished Cello Concertino, Op. 132 5:57

Fragments From The Ballet ‘Chout’, Op. 21
Arranged By – Roman Sapozhnikov
(7:23)
7 Chout And Choutika (The Buffoon And Buffooness) 1:40
8 The Merchant Is Dreaming 1:44
9 Choutika 0:50
10 The Merchant In Despair 2:04
11 Dance Of The Buffoons’ Daughters 1:02

12 Sonata For Solo Cello, Op. 134 (Unfinished)
Score Editor [Completed By] – Vladimir Blok*
12:23

Cello – Alexander Ivashkin
Piano – Tatyana Lazareva

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Prokofiev nos advertiu que não aceitaria brincadeiras na legenda da foto.

PQP

J. S. Bach (1685-1750): Clavierfantasien (Staier)

J. S. Bach (1685-1750): Clavierfantasien (Staier)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Sem muito medo de errar, posso dizer que um dos principais campos de experimentação de meu pai eram suas composições para órgão e as Fantasias. Se vocês querem ouvir um Bach diferente, é aí que ele está. Aliás, o nome “fantasia” diz tudo, não? O termo foi aplicado pela primeira vez em música durante o século XVI, para se referir a uma ideia musical imaginativa e não a um gênero de composição específico. Desde o início, a fantasia teve o sentido de “invenção”, particularmente em composições para alaúde. Algumas composições do barroco trazem esse nome e reafirmam a ideia do gênero como uma obra livre, sem laços estreitos com as formas estabelecidas, como Fantasia Cromática e Fuga BWV 903 para cravo, aqui presente (faixa 8), Fantasia e Fuga em Sol menor BWV 542 e a Fantasia e Fuga em Dó menor BWV 537 para órgão. Este disco é uma joia. Staier está tão à vontade quando na foto abaixo. Um disco sensacional.

J. S. Bach (1685-1750): Clavierfantasien (Staier)

1 Fantasia In A Minor BWV 922 6:38
2 Fantasia And Fugue In A Minor BWV 904 8:56
3 Fantasia In C Minor BWV 921 3:10
4 Fantasia In C Minor BWV 919 1:28
5 Prelude And Fugue In A Minor BWV 894 9:37
6 Prelude And Fughetta In G BWV 902 9:20
7 Prelude Anf Fugue In F BWV 901 2:20
8 Chromatic Fantasia And Fugue In D Minor BWV 903 11:58
9 Fantasia “Duobus Subiectis” in G Minor BWV 917 2:12
10 Fantasia And Unfinished Fugue In C Minor BWV 906 7:02

Andreas Staier, cravo

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O sorriso de Staier ao adentrar o Museu Histórico Instrumental J.S. Bach da PQP Bach Corp.

PQP

J. S. Bach: As Seis Suítes para Violoncelo Solo + As Três Sonatas para Viola da Gamba e Cravo (W. Kuijken/ P. Kuijken)

J. S. Bach: As Seis Suítes para Violoncelo Solo + As Três Sonatas para Viola da Gamba e Cravo (W. Kuijken/ P. Kuijken)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Difícil imaginar uma versão das Suítes para Violoncelo melhor do que esta. O Olimpo é completado por Bruno Cocset e Paolo Pandolfo. Dia desses, liguei a TV e lá estava Yo-Yo Ma tocando as Suítes de Bach. Meu deus, que coisa mais sem graça! Não dá para comparar a interpretação de grandes celistas românticos e modernos — mas que são meros diletantes em Bach, como também era Rostropovich –, com a de caras que vivem e comem diariamente o barroco. Estes têm uma abordagem muito mais profunda, compreendem muito melhor o que pretendia Bach. Kuijken, nesta reedição da gravação feita em 2001-02, faz uma interpretação muito pessoal, relaxada e reflexiva dessas obras. Allemandes e sarabandes são especialmente calmas, embora os courantes e outros movimentos subsequentes mantenham seu espírito de dança.  Uma joia que merece ser ouvida.

J. S. Bach: As Seis Suítes para Violoncelo Solo + As Três Sonatas para Viola da Gamba e Cravo (W. Kuijken/ P. Kuijken)

CD1:
Suite No. 1 in G major, BWV 1007
1. 1. Prelude
2. 2. Allemande
3. 3. Courante
4. 4. Sarabande
5. 5. Menuet 1re – Menuet 2re
6. 6. Gigue

Suite No. 2 in D minor, BWV 1008
7. 1. Prelude
8. 2. Allemande
9. 3. Courante
10. 4. Sarabande
11. 5. Menuet 1re – Menuet 2re
12. 6. Gigue

Suite No. 3 in C major, BWV 1009
13. 1. Prelude
14. 2. Allemande
15. 3. Courante
16. 4. Sarabande
17. 5. Bouree 1re – Bouree 2de
18. 6. Gigue

CD2:
Suite No. 4 in E flat major, BWV 1010
1. 1. Preludium
2. 2. Allemande
3. 3. Courante
4. 4. Sarabande
5. 5. Bouree 1re – Bouree 2de
6. 6. Gigue

Suite No. 6 in D major, BWV 1012
7. 1. Prelude
8. 2. Allemande
9. 3. Courante
10. 4. Sarabande
11. 5. Gavotte 1re – Gavotte 2re
12. 6. Gigue

CD3:
Suite No. 5 in C minor “Discordable accord”, BWV 1011
1. 1. Prelude
2. 2. Allemande
3. 3. Courante
4. 4. Sarabande
5. 5. Gavotte 1re – Gavotte 2re
6. 6. Gigue

Sonata No. 1 in G major, BWV 1027
7. 1. Adagio
8. 2. Allegro ma non tanto
9. 3. Andante
10. 4. Allegro moderato

Sonata No. 2 in D major, BWV 1028
11. 1. Adagio
12. 2. Allegro
13. 3. Andante
14. 4. Allegro

Sonata No. 3 in G minor, BWV 1029
15. 1. Vivace
16. 2. Adagio
17. 3. Allegro

Wieland Kuijken, violoncelo, viola da gamba
Piet Kuijken, cravo

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Wieland Kuijken após bebedeira com PQP Bach, ou Bar.

PQP

Arvo Pärt (1935) / Philip Glass (1937) / Vladimir Martynov (1946): Silencio (Kremer)

Arvo Pärt (1935) / Philip Glass (1937) / Vladimir Martynov (1946): Silencio (Kremer)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um disco muito bom. Se já conhecíamos as outras obras — as duas de Pärt (ambas excelentes!) e a de Glass –, desconhecíamos a que nos causou a maior das surpresas. Com minuciosa insistência, Martynov acaba por nos atingir mortalmente o coração. Come in! é uma obra para violino e cordas de 1988, que é maravilhosamente solada pela esposa do compositor, Tatiana Grindenko.

Vários dos meus amigos pensam que eu tenho algo contra Glass. Mas, pô, ouçam este disco. Há um abismo qualitativo entre as peças de Pärt e Martynov e a de Glass. OK, eu permito que ele engraxe os sapatos do estoniano e do russo. Mas que deixe tudo brilhando. E limpo! Vai ter lobby poderoso assim no PQP!

Arvo Pärt (1935) / Philip Glass (1937) / Vladimir Martynov (1946): Silencio (Kremer)

Arvo Pärt (1935) – Tabula Rasa
1. Tabula Rasa: I. Ludus – Con Moto
2. Tabula Rasa: II. Silentium – Senza Moto

Philip Glass (1937) – Company for String Orchestra
3. Company: Movt I – Kremerata Baltica
4. Company: Movt II – Kremerata Baltica
5. Company: Movt III – Kremerata Baltica
6. Company: Movt IV – Kremerata Baltica

Vladimir Martynov (1946) – “Come in!”
7. Come In!: Movt I
8. Come In!: Movt II
9. Come In!: Movt III
10. Come In!: Movt IV
11. Come In!: Movt V
12. Come In!: Movt VI

Arvo Pärt (1935) – Darf Ich…
13. Darf Ich…

Tatiana Grindenko, violino
Kremerata Baltica
Gidon Kremer

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Martynov, quando soube que ia aparecer no PQP Bach

PQP

.: interlúdio :. National Youth Jazz Orchestra (NYJO): Cookin’ With Gas

.: interlúdio :. National Youth Jazz Orchestra (NYJO): Cookin’ With Gas

Um bom disco, tecnicamente perfeito, impecável mesmo, mas ninguém vai roubar ou matar por ele. É uma big band jovem muito competente e só.

A National Youth Jazz Orchestra (NYJO) é uma orquestra de jazz britânica fundada em 1965 por Bill Ashton. Em 2010, Mark Armstrong assumiu o cargo de Diretor Musical da principal banda de atuação e Diretor Artístico da organização. Assim sendo, o fundador Bill Ashton tornou-se presidente vitalício.

Com sede em Westminster, Londres, a NYJO começou como London Schools’ Jazz Orchestra e evoluiu para se tornar uma orquestra nacional. Seu objetivo é o de oferecer uma oportunidade para jovens músicos talentosos do Reino Unido. Eles se apresentam nas principais salas de concerto, teatros, rádio e televisão, fazem gravações, encomendam novas obras a compositores e arranjadores britânicos e apresentam seu o amor pelo jazz para um considerável público. Enfim, coisa de primeiro mundo.

A NYJO é selecionada por audição e convite e tem idade máxima de 25 anos. Ela realiza cerca de 40 shows por ano, a grande maioria envolvendo oficinas educacionais para crianças em idade escolar. Ela ensaia todos os sábados no London Centre of Contemporary Music, perto da London Bridge, em Londres.

.: interlúdio :. National Youth Jazz Orchestra (NYJO) – Cookin’ With Gas

1.Beyond the Hatfield Tunnel 6:37
2.Hot Gospel 6:57
3.Step on the Gas 2:54
4.Mr. B. G. 4:07
5.Be Gentle 4:44
6.Behind the Gasworks 6:06
7.Cookin’ with Gas 5:57
8.S’wonderfuel 7:18
9.We Care for You 5:28
10.Big Girl Now 3:54
11.Gasanova 4:05
12.Afterburner 3:36
13.The Water Babies 9:02
14.The Heat of the Moment 3:29

Total time 70:40

Trumpets: Ian Wood, Mark Cumberland, Olly Preece, Gerard Presencer, Fred Maxwell, Neil Yates, Paul Cooper, Martin Shaw, Graham Russell, Mark White.
Trombones: Dennis Rollins, Pat Hartley, Winston Rollins, Tracy Holloway, Richard Henry, Mark Nightingale, Brian Archer.
Saxophones: Michael Smith, Howard, McGill, Scott Garland, Adrian Revell, Pete Long, Melanie Bush, Richard Williams, Nigel Crane.
Horn: Clare Lintott
Flute: Julie Davis
Piano: Steve Hill, Clive Dunstall.
Guitar: Paul Hudson, James Longworth.
Bass: Mark Ong
Drums: Chris Dagley
Percussion: Steve smith and John Robinson.
Vocals: Jacqui Hick.

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Às vezes fica difícil de ilustrar

PQP

Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840-1893): Placido Domingo sings and conducts Tchaikovsky

Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840-1893): Placido Domingo sings and conducts Tchaikovsky

Dei algumas risadas lendo as avaliações deste velho disco de 1993 de Domingo regendo Tchaikovsky. Como eram textos escritos no século passado e no início do XXI, não creio que já houvesse problemas em relação às acusações de assédio que o cantor-regente colecionou, mas puro preconceito contra alguém que rege e canta. Parecia ser proibido, sei lá… As pessoas escreviam só procurando defeitos, é cômico. Eu ouvi atentamente o CD e achei bem acima da média. É bem produzido, bem dirigido por Domingo, a orquestra é ótima e o repertório é bom. Está tudo a little bit mais lento? Sim, mas tal postura revela outras belezas das obras que não a pura energia. Os russos sempre reclamam dos ocidentais que tratam Tchai como naïve, como alguém pouco sofisticado… Bem, tudo o que o Domingo faz é respeitar profundamente o gajo russo.

Mesmo sem saber quem está empunhando a batuta, você não pode deixar de se surpreender com a forma operística da primeira melodia do Capricho Italiano (logo após as fanfarras de abertura). A peça se desenvolve com inúmeros toques afetuosos que garantem nosso sorriso e não tapas na mesa ou saltos da sacada, como acontece ao ouvirmos Karajan. A Abertura 1812 vem ousadamente ampla. A gente percebe os motivos pelos quais o hino de abertura retorna quase em câmera lenta, acrescido de sinos de igreja, cordas, metais e órgão para uma cena de clamor épico e cerimonial sem precedentes, na minha opinião.

Mas é em Romeu e Julieta que Domingo dá um show. Sejam quais forem as reservas que o povo manifestou, o calor, o caráter e a força de Domingo prevalecem. A nota do libreto declara a intenção de Domingo de reger em tempo integral quando seus dias de canto acabarem, mas as duas árias que ele canta no disco são a prova de que ele, em 1993, estava longe de ter que virar as costas para o seu público. A não ser que este lhe tenha virado pelos motivos conhecidos. Eu é que não vou me meter nesse assunto, deusolivre. Eu respeito as mina e a música.

Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840-1893): Placido Domingo Sings And Conducts Tchaikovsky

1 Fantasy Overture: Romeo And Juliet 22:06
2 None But The Lonely Heart 3:18
3 Capriccio Italien, Op. 45 16:35
4 Lensky’s Aria 6:17
5 Cerimonial Overture: 1812, Op. 49 17:47

Placido Domingo, tenor e regência
Ofra Harnoy, violoncelo
The Philharmonia
Randall Behr, regência nas canções (faixas 2 e 4)

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Apesar da falta do sotaque russo, acho que o véio Tchai aprovaria as ousadias do Domingão.

PQP

J. S. Bach (1685-1750): Concertos para Oboé (Hommel / Cologne)

J. S. Bach (1685-1750): Concertos para Oboé (Hommel / Cologne)

Um bom disco de concertos originais, transcritos ou reconstruídos de Bach para oboé e orquestra. Bach certamente amava o som do oboé. São inúmeras as árias de Cantatas e outras obras vocais cujos temas são introduzidos pelo instrumento. Não chega a ser um abuso transcrever alguns de seus concertos para o instrumento. Christian Hommel não nega suas origens. Ele estudou oboé em Freiburg com Heinz Holliger e este parece ser mesmo seu modelo. Tem pedigree, portanto. Helmut Muller-Bruhl rege de uma maneira muito direta todos os cinco concertos. Ele fica na mesma linha Gardiner e Herreweghe: é genuinamente barroco do começo ao fim. O som claro e distinto, a execução boa e cheia de espírito bachiano me causaram uma boa dose de felicidade em meio a esta pandemia — a qual é tão apreciada por nosso governo.

J. S. Bach (1685-1750): Concertos para Oboé (Hommel/Cologne)

Concerto In A Major, BWV 1055, For Oboe D’amore, Strings And Basso Continuo (Reconstruction) (14:00)
1 Allegro 4:22
2 Larghetto 5:14
3 Allegro Ma Non Tanto 4:24

Concerto In G Minor, BWV 1056, For Oboe, Strings And Basso Continuo (Reconstruction) (9:26)
4 Allegro 3:10
5 Largo 2:48
6 Presto 3:29

Concerto In D Minor, BWV 1059, For Oboe, Strings And Basso Continuo (Reconstruction) (13:20)
7 Allegro 5:52
8 Adagio 4:10
9 Presto 3:18

Concerto In D Major, BWV 1053, For Oboe D’amore, Strings And Basso Continuo (Reconstruction) (18:34)
10 Allegro 7:54
11 Siciliano 4:15
12 Allegro 6:25

Concerto In C Minor, BWV 1060, For Oboe, Violin, Strings And Basso Continuo (Reconstructed) (12:52)
13 Allegro 4:40
14 Adagio 4:52
15 Allegro 3:20

Conductor – Helmut Müller-Brühl
Oboe, Oboe d’Amore – Christian Hommel
Orchestra – Cologne Chamber Orchestra*
Violin – Lisa Stewart

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Christian Hommel praticando na sala de espera da PQP Bach Corp. de Niterói (RJ). Após duas horas, ele conseguiu seu objetivo: o de beber uma cerveja com René Denon.

PQP

Conrad Steinmann (1951): Música da Grécia Antiga (Melpomen)

Conrad Steinmann (1951): Música da Grécia Antiga (Melpomen)

Pela primeira vez, tenta-se fazer reviver a música da era clássica grega, através de pesquisas e reconstruções do período (5 e 6 AC). Com o uso dos instrumentos e suas técnicas originais de execução, além da língua grega antiga, o cotidiano musical da Grécia Antiga volta a ser audível, embora a música original daquela época tenha se perdido. Por quase vinte anos, o músico e arqueólogo musical Conrad Steinmann e o fabricante de instrumentos Paul J. Reichlin trabalharam juntos na reconstrução de instrumentos musicais e músicas do período clássico da Grécia Antiga. O estudo meticuloso de instrumentos antigos originais nos museus de Londres, Paestum, Copenhague, Atenas, Korinth, Vravróna, Polýgyros e Thessaloniki formam a base para a reconstrução dos instrumentos. Também pinturas em vasos da época por volta de 500 AC fornecem uma quantidade significativa de material ilustrado para a análise desses instrumentos. Outra fonte importante na porta de entrada para os sons é a língua grega. Suas características com acentos e rítmos nos permitem tirar conclusões sobre como deve ter sido a forma e moldagem da música. Esses elementos são alinhados com as possibilidades e tonalidades dos instrumentos utilizados. Embora a música tenha sido criada por Conrad Steinmann, seus elementos se alinham tanto quanto possível aos fatos históricos.

Conrad Steinmann (1951): Música da Grécia Antiga (Melpomen)

1 Akoésate / Argos 3:44
2 Mélomai 2:25
3 Sáppho 2:34
4 Eros 0:45
5 Máter 3:07
6 Nomos M 1:14
7 Tenge pleúmonas Oino 3:10
8 Dithyrambos 4:54
9 Gaia 3:21
10 Dáktylos Améra 2:39
11 Makrótatos 2:57
12 Anakreon 2:07
13 Perikleitos 1:42
14 Agallís 2:31
15 Dialogos 1:21
16 Mona 2:02
17 Prótos 2:55
18 Ekleipsis 4:50
19 Próteron 1:04
20 Hypne Anax 3:40
21 Kretikos 2:43

Ensemble Melpomen
Arianna Savall
Luiz Alves da Silva
Massimo Cialfi
Conrad Steinmann

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Os gregos e…
…o Conrad.

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W. A. Mozart (1756-1791): Os Quintetos de Cordas Completos + Divertimento para Trio K. 563 (Grumiaux)

W. A. Mozart (1756-1791): Os Quintetos de Cordas Completos + Divertimento para Trio K. 563 (Grumiaux)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Estas gravações de Arthur Grumiaux são consideradas referências para os Quintetos de Cordas de Mozart. E não é para menos! Se gosto mais de um detalhe deste ou daquele outro registro, a gravação do belga sempre paira acima ou ao lado. Sinto nos meus ouvidos a atenção especial que Mozart dava a estes Quintetos com duas violas. O musicólogo Charles Rosen chamou a atenção para o fato de que os quintetos sempre surgiram logo após a conclusão de uma série de quartetos, como se o meio representasse uma realização mais ideal e final do pensamento musical do compositor. É curioso. Mesmo o K. 174 inicial possui uma complexidade marcante. Os quintetos empregam uma grande variedade de texturas: diálogos entre dois instrumentos com acompanhamento dos outros, a alternância de dois trios de cordas (dois violinos e viola ou duas violas e violoncelo), ou duetos de violino, ao lado de duetos de viola, acompanhados pelo violoncelo. É tudo muito bonito. As performances dessas intrincadas obras-primas de Mozart aqui recebem tratamento de luxo.

Então, temos um álbum triplo todo bom — os Quintetos K. 515, 516  e 614 são obras-primas — e que ainda tem de bônus o extraordinário Trio K. 563.

W. A. Mozart (1756-1791): Os Quintetos de Cordas Completos (Grumiaux)

CD1
String Quintet No. 1 In B Flat, K. 174
1. Allegro Moderato 8:47
2. Adagio 5:31
3. Menuetto Ma Allegretto 3:52
4. Allegro 5:44

String Quintet No. 4 In C Minor, K. 406 (516b)
5. Allegro 8:05
6. Andante 4:11
7. Menuetto In Canone 4:39
8.  Allegro 6:23

String Quintet No. 5 In D, K. 593
9. Larghetto – Allegro 10:15
10. Adagio 7:21
11. Menuetto. Allegretto 5:20
12. Allegro 5:15

CD2
String Quintet No. 2 In C, K. 515
1. Allegro 14:26
2. Andante 8:25
3. Menuetto. Allegretto 5:58
4. Allegro 7:35

String Quintet No. 3 In G Minor, K. 516
5. Allegro 10:44
6. Menuetto. Allegretto 5:09
7. Adagio Ma Non Troppo 7:20
8. Adagio – Allegro 9:44

CD3
String Quintet No. 6 In E Flat, K. 614
1. Allegro Di Molto 7:13
2. Andante 7:10
3. Menuetto. Allegretto 4:20
4. Allegro 5:30

Divertimento In E Flat For Violin, Viola And Cello, K.563
5. Allegro
6. Adagio
7. Menuetto (Allegretto) Trio
8. Andante
9. Menuetto (Allegretto) Trio I-II
10. Allegro

Violin [I] – Arthur Grumiaux
Violin [Il] – Arpad Gérecz
Viola [I] – Georges Janzer
Viola [Il] – Max Lesueur
Cello – Eva Czako

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Arthur Grumiaux (1921-1986)

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Richard Strauss (1864-1949): Romance, Cello Sonata / Max Reger (1873-1916): Cello Sonata, Kleine Romanze

Richard Strauss (1864-1949): Romance, Cello Sonata / Max Reger (1873-1916): Cello Sonata, Kleine Romanze

Uma joia inesperada! Estas são sonatas do início da carreira de Strauss e Reger. Claramente influenciadas por Brahms e Mendelssohn, estas duas sonatas cujas primeiras performances estão separadas por vinte e três anos, demonstram milagrosa criatividade e equilíbrio. O estranho é todas as composições presentes no CD foram repudiadas por seus respectivos compositores e agora são picos incontestáveis de seus repertórios. Emmanuelle Bertrand é um tremendo violoncelista. É membro do Carpe Diem. A competência do pianista Amoyal já é nossa velha conhecida. Sugestão: aumente o volume para ouvir o cello como se este estivesse na sua frente.

Richard Strauss (1864-1949): Romance, Cello Sonata /
Max Reger (1873-1916): Cello Sonata, Kleine Romanze

1 Richard Strauss: Romance for cello & orchestra in F major, o.Op. 75 (TrV 118, AV 75) 10:30

Richard Strauss: Sonata for cello & piano in F major, Op. 6 (TrV 115)
2 Allegro con brio 9:28
3 Andante ma non troppo 9:16
4 Finale. Allegro vivo 8:42

Max Reger: Sonata for cello & piano No. 2 in G minor, Op. 28
5 Agitato 9:28
6 Prestissimo assai 3:20
7 Intermezzo. Poco sostenuto 5:23
8 Allegretto con grazia 7:06

9 Max Reger: Kleine Romanze for cello & piano, Op. 79e/2 2:09

Emmanuelle Bertrand, violoncelo
Pascal Amoyel, piano

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Max Reger prende as mãos, enquanto Richard Strauss pensa em soltar as suas sobre o piano
Max Reger prende as mãos, enquanto Richard Strauss pensa em soltar as suas sobre o piano

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