Frédéric Chopin (1810-1849) -Variations, Rondo, Bolero, Cantabile e etc (CD 13 de 13 – final) – REPOSTADO

Eis que surge, finalmente, o último CD de Chopin. Chegamos ao cabo com uma sensação de missão concretizada. Os posts de Chopin me deixaram a certeza de que o polonês é mais popular e apreciado do que eu pensava. O número de downloads foi enorme. Na próxima semana, dia 08, o mundo festejará os 200 anos do nascimento de Schumann. Iniciaremos algo em homenagem ao alemão, também um dos maiores nomes da história do piano. Boa apreciação desse último Chopin com Ashkenazy.

Frédéric Chopin (1810-1849) -Variations, Rondo, Bolero, Cantabile e etc

01 – Variations in A, Op.posth.P1 No.10 (BI 37) (Souvenir de Paganini)
02 – Variations brillantes in B flat on ‘Je vends des Scapulaires’ from Hérold’s Ludóvic , Op.12
03 – Rondo in E flat, Op.16
04 – Bolero in C, A, Op.19
05 – Cantabile in B flat, Op.posth.P2 No.6 (BI 84)
06 – Variation No.6 in E from ‘Hexameron’, Op.posth.S2 No.2 (BI 113)
07 – Largo in E, Op.posth.P2 No.5 (BI 109)
08 – Allegro de Concert in A, Op.46
09 – Trois Nouvelles Études, No.1 in F minor, Op.posthS2 No.3a (BI 130)
10 – Trois Nouvelles Études, No.2 in A flat, Op.posthS2 No.3b (BI 130)
11 – Trois Nouvelles Études, No.3 in D flat, Op.posthS2 No.3c (BI 130)
12 – Tarantelle in A flat, Op.43
13 – Fugue in A minor, Op.posth.P3 No.2 (BI 144)
14 – Feuille d’Album in E, Op.posth.P2 No.12 (BI 151)
15 – Spring (Wiosna) Op.posth.74 No.2 (BI 116)
16 – 2 Bourrées in G & A, Op.posth.D2 No.1 & No.2 (BI 160a)
17 – Galop Marquis in A flat, Op.posth.P2 No.13
18 – Berceuse in D flat, Op.57
19 – Barcarolle in F sharp, Op.60

Vladimir Ashkhenazy, piano

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Carlinus

Anton Bruckner (1824-1896) – Symphony No. 8 in C minor, WAB 108 – REPOSTADO

A fantástica Sinfonia No. 8 de Anton Bruckner foi a última obra sinfônica completada pelo compositor. Há duas versões – a de 1887 e a de 1890. Ela foi dedicada ao imperador Francisco José I da Áustria. Bruckner começou a trabalhar nessa obra no ano de 1884, ou seja, oito anos antes dela ser estreada em 1892 pelo regente Hans Richter. A obra chega a quase uma hora e meia de duração (80 minutos). É um dos daqueles trabalhos sinfonicamente eloquentes típicos do compositor. É uma peça cheia de paisagens reveladoras, de caminhos de tranquilidade. Conseguimos vislumbrar a alma religiosa de Bruckner. O compositor é o homem dos mosteiros, das paisagens frias e alpinas. Um homem de devoção constante, que buscou “exatificar” a sua fé por meio de suas sinfonias. Confesso que mudei de opinião em relação a Bruckner. O trabalho de Bruckner já me foi bastante inamistoso. Todavia, hoje eu mudei de postura em relação ao compositor. Como é bom ouvi-lo. Permitir que a sonoridade densa e maciça nos encha a interioridade. É preciso certa disposição de alma para ouvi-lo. A regência deste fantástico trabalho fica por conta de Karl Böhm, numa gravação que dispensa comentários. Uma boa devoção!

Anton Bruckner (1824-1896) – Symphony No. 8 in C minor, WAB 108

01. I. Allegro moderato
02. II. Scherzo. Allegro moderato
03. III. Adagio. Feierlich langsam_ doch nicht schleppend
04. IV. Finale. Feierlich, nicht schnell

Wiener Philharmoniker
Karl Bohm, regente

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Carlinus

Frédéric Chopin (1810-1849) – Piano Sonatas, Fantaisie, Variations, Rondo etc (CDs 11 e 12 de 13) – REPOSTADO

Apesar do tempo já transcorrido desde que postei o último CD dessa série, sigamos com o emprrendimento. Pretendo terminar ainda esta semana as postagens. Na próximo semana o mundo comemorará 200 anos do nascimento de Robert Schumann, outro romântico chorão, nascido em 1810 – assim como Chopin. É preciso que pensemos no tipo de homenagem que vamos fazer ao alemão. Enquanto não chega, debulhemos mais dois CDs dessa caixa convincente com Ashkenazy. Bom deleite!

Frédéric Chopin (1810-1849) – Piano Sonatas, Fantaisie, Variations, Rondo etc

DISCO 11

Piano Sonata No.2 in B flat minor, Op.35
01. Grave – Doppio movimento
02. Scherzo
03. Marche funèbre – Lento (Funeral march)
04. Finale – Presto

Piano Sonata No.3 in B minor, Op.58
05. Allegro maestoso
06. Scherzo – Molto vivace
07. Largo
08. Finale – Presto non tanto – Agitato

Fantaisie in F minor, Op.49
09. Fantaisie in F minor, Op.49

DISCO 12

Piano Sonata No.1 in C minor, Op.4
01. Allegro maestoso
02. Menuetto – Allegretto
03. Larghetto
04. Finale – Presto

Variations sur un air national allemand in E, Op.posth.P1 No.4 (BI 14)
05. Variations sur un air national allemand in E, Op.posth.P1 No.4 (BI 14)

Rondo in C minor, Op.1
06. Rondo in C minor, Op.1

3 Écossaises in D, G & D flat, Op.posth.72 No.3 (BI 12)
07. 3 Écossaises in D, G & D flat, Op.posth.72 No.3 (BI 12)

Rondo à la Mazur in F, Op.5
08. Rondo à la Mazur in F, Op.5

Marche funebre in C minor, Op.posth.72 No.2 (BI 20)
09. Marche funebre in C minor, Op.posth.72 No.2 (BI 20)

Contredanse in G flat, Op.posth.A1 No.4 (BI 17)
10. Contredanse in G flat, Op.posth.A1 No.4 (BI 17)

Rondo in C, Op.posth.73a (BI 26) (solo version)
11. Rondo in C, Op.posth.73a (BI 26) (solo version)

Variations in D on a Theme by Thomas Moore for four hands, Op.posth.P1 No.6 (BI 12a)
12. Variations in D on a Theme by Thomas Moore for four hands, Op.posth.P1 No.6 (BI 12a)

Vladimir Ashkénazy, piano

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Carlinus

Achille-Claude Debussy (1862-1918) – Complete Piano Works – Jean-Efflam Bavouzet

Aqui estão os outros dois cds da coleção. Já vi no site da amazon que foi lançado o quinto cd, mas por enquanto ainda não o tenho. Então os senhores vão ter de se contentar com “apenas” 4.
O CD 3 traz a “Suite Bergamasque”, que possivelmente é a obra para piano mais conhecida de Debussy. Para os que gostam de comparações, sugiro ouvirem a versão de Alexis Weissenberg que postei aqui mesmo no blog há alguns atrás. Para mim, a versão de Weissenberg soa mais lírica que esta versão de Bavouzet, que entendo mais formal, mais concentrada. Mas essa questão fica a critério de cada um. O pianista também nos brinda com uma belíssima leitura do “Children´s Corner”.
O CD 4, ah, esse é uma outra história. Este CD foi vencedor do conceituado prêmio “Instrumental Award” da conceituada revista Grammophone, que escreveu em seu site:
“The culmination of Jean-Efflam Bavouzet’s complete Debussy piano music cycle is a triumphant success. Dedicated to the Etudes and Images, the recording boasts “ravishing colour shadings and articulations”, according to Jed Distler writing in December 2008, and achieves highs of technical virtuosity while preserving the works’ imaginative qualities in “emotionally generous” performances. Bavouzet was narrowly beaten to the Instrumental Award last year for Volume 2 of his Debussy series by Paul Lewis’s Record of the Year-winning Beethoven piano sonatas. This year, he rightly takes the Award – as much in recognition of the cycle as a whole as of this excellent recording”.

Muito bem, então, vamos ao que interessa.

CD 3

01. Nocturne (1892)
02. Suite bergamasque (1890&1905) 1.Prélude
03. Suite bergamasque (1890&1905) 2.Menuet
04. Suite bergamasque (1890&1905) 3.Clair de Lune
05. Suite bergamasque (1890&1905) 4.Passepied
06. Danse bohémienne (1880)
07. Première Arabesque (1890)
08. Deuxième Arabesque (1891)
09. Rêverie (1890)
10. Mazurka (1890)
11. Children’s Corner (1906-1908)   I Doctor Gradus ad Parnassum
12. Children’s Corner (1906-1908)  II Jumbo’s Lullaby
13. Children’s Corner (1906-1908) III Serenade for the Doll
14. Children’s Corner (1906-1908)  IV The snow is dancing
15. Children’s Corner (1906-1908)   V The little Shepherd
16. Children’s Corner (1906-1908)  VI Golliwogg’s cake walk
17. Hommage à Haydn (1909)
18. Morceau de concours (1904)
19. La plus que lente (1910)
20. The little Nigar (1909)
21. Page d’Album (1915)
22. Berceuse héroïque (1914)
23. Élégie (1915)

CD 4

01.Images, Première Série (1901-1905)- Reflets dans l’eau
02.Images, Première Série (1901-1905)- Hommage a Rameau
03.Images, Première Série (1901-1905)- Mouvement
04.Images, Seconde Série (1907)- Cloches a travers les feuilles
05.Images, Seconde Série (1907)- Et la lune descend sur le temple qui fut
06.Images, Seconde Série (1907)- Poissons d’or
07.Etudes, Livre 1 (1915)- I. pour les ‘cinq doigts’
08.Etudes, Livre 1 (1915)- II. pour les Tierces
09.Etudes, Livre 1 (1915)- III. pour les Quartes
10.Etudes, Livre 1 (1915)- IV. pour les Sixtes
11.Etudes, Livre 1 (1915)- V. pour les Octaves
12.Etudes, Livre 1 (1915)- VI. pour les huit doigts
13.Etudes, Livre 2 (1915)- VII. pour les degrés chromatiques
14.Etudes, Livre 2 (1915)- VIII. pour les agréments
15.Etudes, Livre 2 (1915)- IX. pour les notes répétées
16.Etudes, Livre 2 (1915)- X. pour les Sonorités opposées
17.Etudes, Livre 2 (1915)- Etude retrouvée
18.Etudes, Livre 2 (1915)- XI. pour les Arpeges composés
19.Etudes, Livre 2 (1915)- XII. pour les accords

Jean-Efflam Bavouzet – Piano

CD 3 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
CD 4 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FDPBach

Orquestra Filarmônica da UFPR realiza um concerto inteiramente dedicado a compositores brasileiros

A Orquestra sob regência de Márcio Steuernagel em sua última apresentação do “Arte nos Campi”, em frente ao Painel do Poty no campus do politécnico (Foto: Fábio Marcolino/Proec).

A Orquestra Filarmônica da UFPR realiza um concerto inteiramente dedicado a compositores brasileiros às 20h na sexta-feira desta e da próxima semana, dias 11 e 18 de junho na Capela Santa Maria.

Pela primeira vez em Curitiba, será executada a Suite Antiga, do compositor carioca Leopoldo Miguéz, autor do Hino da República, além de uma releitura contemporânea, para orquestra, do Quarteto de Cordas no.4, escrito em 1917, por Villa-Lobos, realizada por Márcio Steuernagel.

Nesta noite também estréia a obra “Subtrópicos”, de Harry Crowl.

Ambos os trabalhos de M.Steuernagel e H. Crowl foram escritos especialmente para a Orquestra Filarmônica da UFPR.

Serviço
Orquestra Filarmônica da UFPR
REGÊNCIA: Márcio Steuernagel
PROGRAMA: Villa-Lobos, Harry Crowl e Leopoldo Miguéz
DATA: 11 e 18 de junho
HORÁRIO: 20h00
LOCAL: Capela Santa Maria – Rua Conselheiro Laurindo, 273

Programa Orquestra Filarmônica da UFPR

Heitor Villa- Lobos (1887 – 1959)/ Márcio Steuernagel (1982):
Quarteto (1917/2009-10) – estréia mundial –
I.  Allegro con moto/Taleae
II. Andante (tranquillo)/Outros timbres
III.Scherzo: Allegro vivace /Concerto grosso para 25 Quartetos
IV.Allegro/Espectral

O ciclo de 17 quartetos de cordas de Villa-Lobos não é tão conhecido como as “Bachianas Brasileiras”, ou o ciclo dos “Choros”, ou mesmo a sua obra para violão, mas, talvez seja o ciclo de obras que revele as mudanças pelas quais o compositor passou ao longo de carreira. Os primeiros 4 quartetos foram escritos durante a sua primeira fase, anterior à “Semana de Arte Moderna, de 1922”. Apesar de encontrarmos alguns ecos da música francesa de Debussy, esses quartetos já mostram uma originalidade rara dificilmente observada em suas outras obras da época. O Quarteto no. 4, escrito em 1917 e dedicado a Frederico Nascimento, foi o escolhido para este trabalho de releitura. A obra teve que esperar até 1947 para ser estreada pelo Quarteto Borgeth. Não é uma obra muito executada, pois além de sua dificuldade técnica característica, há uma escrita que não nos revela melodias típicas brasileiras tão facilmente. Apesar disso, esse quarteto tem uma estrutura formal simples. Como em todos os quartetos do compositor, com exceção do primeiro, são quatro movimentos à maneira do compositor austríaco Franz Joseph Haydn (1732-1808), considerado o pai dessa formação. Além disso, Villa se mantém dentro de uma estrutura formal simples seguindo, praticamente o formato A-B-A nos movimentos. As melodias utilizadas são variadas e já antecedem as Bachianas e o poema sinfônico “Uirapuru”. O primeiro movimento, “allegro com moto”, tem reminiscências de Debussy e trabalha com ampla variedade harmônica. No segundo movimento, aparece um tema evocativo de Xangô. O terceiro, é bem leve e cria uma atmosfera que nos remete ao mundo de suas obras para crianças. No último movimento, o compositor busca novamente um idioma mais abstrato, sem variar tanto a estrutura harmônica como no primeiro.
No ano passado, quando o mundo lembrava os 50 anos da morte de Villa-Lobos, Márcio Steuernagel, compositor, e regente da nossa orquestra, pensou em fazer homenagem ao mestre através da orquestração de uma de suas obras pouco conhecidas, mas que fosse muito significativa. Foi quando lhe sugeri esse quarteto de cordas no.4. Nesse grande trabalho de orquestração, M.Steuernagel fez uma aprofundada pesquisa de técnicas de instrumentação que foram desenvolvidas ao longo do século passado. O contraste entre as massa sonoras sugeridas pela escrita às vezes densa, por Villa-Lobos, e a textura filigranada da música de câmara foram o ponto de partida para esse trabalho. No primeiro movimento, a orquestração foi usada para revelar as estruturas rítmicas subjacentes ao texto musical. No segundo, foram usadas técnicas expandidas para valorizar as possibilidades timbrísticas. No terceiro, numa brincadeira, como sugere o título do movimento, O quarteto foi multiplicado resultando em 25 quartetos dentro da orquestra que se alternam entre si e com o todo fazendo-nos lembrar de um concerto grosso barroco. E, no quarto e último movimento, a orquestração foi pensada em função de uma análise espectral de uma gravação do quarteto original.
Esta é a primeira execução da obra nesse formato que foi criado especialmente para a Orquestra Filarmônica da UFPR.

Harry Crowl (1958): Subtrópícos (2010)
1. Enquanto uma grande cidade dorme – estréia mundial –

São quase inexistentes as obras musicais que fazem alusão ao universo relativo às paragens ao sul do trópico de capricórnio, no Brasil, com exceção do Rio Grande do Sul. Enquanto a exuberância tropical domina a visão que se tem sobre o país, fica muitas vezes esquecida a percepção da mudança das estações, a diversidade cultural amalgamada num cotidiano discreto e muitas vezes introspectivo desse mundo situado entre São Paulo e as serras gaúcha e catarinense. Não se trata aqui de um retrato noturno de Curitiba, ou das regiões do Paraná e Santa Catarina, mas de um ensaio sonoro sobre os sons misteriosos ouvidos ao longe nas profundezas da noite numa cidade grande. Por aqui, esses sons são enriquecidos muitas vezes pelo uivar do vento e pelos caminhões de limpeza. A região subtropical encontra-se delimitada ao norte, pelo Trópico de capricórnio. Nessa obra orquestral, que é a primeira de um dítico para orquestra, dedicado à Orquestra Filarmônica da UFPR, foram trabalhados muitos aspectos harmônicos e timbrísticos que têm como objetivo uma constante e sutil passagem entre sonoridades diversas como num quadro abstrato onde cores se fundem umas nas outras sem ficar claro onde uma acaba e outra começa. É uma obra que nos remete ao compositor americano Charles Ives (1874-1954), especialmente nas suas “Duas Contemplações para orquestra: The Unanswered Question (A pergunta não respondida), e, Central Park in the Dark (Central Park no escuro) ”.

Leopoldo Miguéz (1850-1902): Suíte à Antiga, opus 25
I.  Prelúdio (moderato)
II. Sarabanda (andante)
III.Gavota (allegro moderato)
IV.Ária
V. Double (andantino)
VI.Giga (allegro vivace)

Exímio violinista e regente de orquestra muito atuante no Rio de Janeiro do final do século XIX, Miguéz tornou-se conhecido pela sua autoria do “Hino à Proclamação da República” e pelo episódio que proporcionou o lançamento do então jovem maestro italiano Arturo Toscanini, no Rio, em 1897, quando se desentendera com o empresário italiano que o havia contratado para reger a ópera “Aída”, de Giuseppe Verdi. O jovem Toscanini era o primeiro violoncelo da orquestra que acompanhava a companhia de ópera, então de passagem pela América do Sul, apresentando essa ópera. No dia da demissão de Miguéz, Toscanini foi convidado a reger o espetáculo e, para surpresa de todos, ao chegar ao pódio, fechou a partitura e conduziu a orquestra por mais de 3 horas inteiramente de memória. Miguéz se sentiu talvez, aliviado, pois ele era um grande admirador de Wagner e Liszt e não se simpatizava com o domínio da ópera italiana, no Brasil daquela época. A sua visão estética ficou muito clara em suas obras sinfônicas, centradas em 3 magníficos poemas sinfônicos: Parisina, Prometeu e Ave Libertas! Miguéz estudara na França com Ambroise Thomas (1811-1896) entre 1882 e 1886, e de lá voltara convertido à música de vanguarda da época, que era justamente a nova música alemã preconizada pelos poemas sinfônicos de Franz Liszt (1811-1886) e pelos gigantescos dramas musicais de Richard Wagner (1813-1883). Miguéz também escreveu dois dramas musicais seguindo o modelo wagneriano, – Pelo Amor! e, Os Saldunes. A Suíte à Antiga, opus 25, segue uma tendência que esteve amplamente na moda no final do séc.XIX e início do séc.XX. Tratava-se de se recriar o ambiente da corte francesa do séc.XVIII através da imitação do estilo dos cravistas do século anterior, especialmente dos Couperin, que viveram entre os séculos XVII e XVIII. No Brasil, além de Miguéz, Alberto Nepomuceno (1860-1920) também escreveu uma Suíte Antiga, em versões tanto para piano quanto para orquestra de cordas. Compositores europeus tão diversos quanto o norueguês Edvard Grieg (1843 -1907), os franceses Claude Debussy (1865-1918) e Maurice Ravel (1875-1937) e, o alemão Richard Strauss (1864-1949), escreveram obras evocando os salões da corte de Versalhes através da recriação do estilo antigo francês. No caso de Miguéz, que era um republicano convicto, encontramos essa obra bem característica de uma nostalgia dos tempos de glória anteriores à Revolução Francesa.

No programa desta noite, a música feita por compositores brasileiros do passado e do presente nos revela o dinamismo e a vitalidade que a música de concerto ainda tem a nos oferecer, seja como entretenimento ou como reflexão.

Harry Crowl

Avicenna

Copa do Mundo: África do Sul 2010 – Hinos dos Países

Faltam apenas dois dias para começar o maior espetáculo da Terra, palpites à parte, o que interessa aqui é a música, e com essa postagem quero revelar o meu interesse pela música marcial e solene das nações. Nesta seleção, feita especialmente para essa copa, temos representados alguns dos mais belos hinos nacionais já compostos. Infelizmente muitos outros não puderam fazer parte desta lista; esses ficarão para uma outra oportunidade. Aqui, tomei a iniciativa de selecionar os hinos de todos os países que farão parte da Copa do Mundo de 2010. Retirados de uma caixa com 8 cds, lançada em 2005, intitulada “The Complete National Anthems of the World”, todos são muito bem interpretados pela Slovak Radio Symphony Orchestra na regência de Peter Breiner. Não vou destacar nenhuma melodia, ouçam e tirem suas próprias conclusões.

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Copa do Mundo: África do Sul 2010 – Hinos dos Países

Grupo A

South Africa
“National anthem of South Africa”
Enoch Sontonga and Reverend ML de Villiers

Mexico
“Himno Nacional Mexicano” (“Mexican National Anthem”)
Jaime Nunó

Uruguay
“Himno Nacional” (“National Anthem”)
Francisco José Debali

France
“La Marseillaise” (“The Song of Marseille”)
Claude Joseph Rouget de Lisle

Grupo B

Argentina
“Himno Nacional Argentino” (“Argentine National Anthem”)
Blas Parera

Nigeria
“Arise O Compatriots, Nigeria’s Call Obey”
Nigerian Police Band, under the directorship of B. E. Odiase

South Korea
“Aegukga” (“The Patriotic Song”) (unofficial)
Ahn Eak-tae

Greece
“Ýmnos eis tīn Eleutherían” (“Hymn to Liberty”)
Nikolaos Mantzaros

Grupo C

England
“God Save the Queen” or King
Unknown

United States
“The Star-Spangled Banner”
John Stafford Smith

Algeria
“Kassaman” (“We Pledge”)
Mohamed Fawzi

Slovenia
“Zdravljica”(7th stanza) (“A Toast”)
Stanko Premrl

Grupo D

Germany
“Das Deutschlandlied” (3rd stanza) (“The Germany Song”)
Joseph Haydn

Australia
“Advance Australia Fair”
Peter Dodds McCormick

Serbia
“Bože pravde” (“God of Justice”)
Davorin Jenko

Ghana
“God Bless Our Homeland Ghana”
Philip Gbeho

Grupo E

Netherlands
“Het Wilhelmus” (“The William”)
Adrianus Valerius

Denmark National
“Der er et yndigt land” (“There is a Lovely Country”)
Hans Ernst Krøyer

Denmark Royal
Kongesangen (“The King’s Anthem”)
Unknown

Japan
“Kimi ga Yo” (“May Your Reign Last Forever”)
Traditional melody of the Meiji period

Cameroon
“O Cameroun, Berceau de nos Ancêtres” (“O Cameroon, Cradle of Our Forefathers”)
René Djam Afame

Grupo F

Italy
“Il Canto degli Italiani” (“The Song of the Italians”)
Michele Novaro

Paraguay
“Paraguayos, República o Muerte” (“Paraguayans, the Republic or Death”)
Françoice Dupuis, and Remberto Giménez

New Zealand
“God Defend New Zealand”
John Joseph Woods

Slovakia
“Nad Tatrou sa blýska” (“Lighting Over the Tatras”)
Folk tune

Grupo G

Brazil
“Hino Nacional Brasileiro” (“Brazilian National Anthem”)
Francisco Manuel da Silva

North Korea
“Aegukka” (“The Patriotic Song”)
Kim Wŏn’gyun

Côte d’Ivoire
“L’Abidjanaise” (“Song of Abidjan”)
Pierre Marie Coty and Pierre Michel Pango

Portugal
“A Portuguesa” (“The Portuguese Song”)
Alfredo Keil

Grupo H

Spain
“La Marcha Real” (“The Royal March”)
Unknown

Switzerland
“Schweizerpsalm” (“Swiss Psalm”)
Alberich Zwyssig

Honduras
“Himno Nacional de Honduras” (“National Anthem of Honduras”)
Carlos Hartling

Chile
“Himno Nacional de Chile” (“National Anthem of Chile”)
Ramón Carnicer

Slovak Radio Symphony Orchestra, Peter Breiner

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Marcelo Stravinsky

Coleção Grandes Compositores 03/33: Beethoven (1770-1827)

Vamos ao terceiro volume da Coleção Grandes Compositores, que está fazendo o maior sucesso, sempre com grandes interpretações, das mais famosas orquestras e dos maiores regentes de todos os tempos.

***

Se passássemos o olhar pelas biografias, comentários, críticas ou estudos sobre músicos e suas obras, veríamos com surpresa como a palavra “gênio” e seus derivados inundam uma boa parte desses escritos, disseminados com uma generosidade completamente injustificada na maior parte dos casos. Adjetivar assim é uma mania utilizada em excesso, chegando às raias do louvor exagerado, fastidioso e, o que é pior, injustificável. A genialidade, infelizmente, é um dom que raramente faz parte da produção humana de ideias, na arte em geral e deveria guardar-se para aqueles escassos seres humanos que realmente a merecem. Se fizéssemos um inventário das personagens que habitam a história da música, veríamos que, dentre os milhares de bons músicos, compositores e intérpretes, muitos realizam um trabalho meritório, de qualidade, de expressão mais ou menos clara das ideias que expõem ou interpretam na escrita ou na leitura, e que por vezes atingem elevadas formas de expressão, mas são muito poucos, dia mesmo raros, os que transmitem uma visão pessoal, um ideal próprio e, na interpretação, uma compreensão que vai além do que está escrito, sendo capazes de revelar o que subsiste diante da quase sempre insuficiente forma de expressão desses sentimentos. Há que considerar que a interpretação da música é uma forma de criação nada fácil, e que, quando é somente leitura e não existe uma personalidade na maneira de pôr em foco, de transmitir, a música que lemos, a criatividade está ausente e não damos à interpretação toda a profundidade que existe em uma ideia musical, pequena ou grande, e porque na criação pura, a composição, também existe maior diversidade de categorias e que nessa diversidade o título de gênio, genial etc. pode e deve aplicar-se com cuidado.

Contudo, a palavra “gênio” pode aplicar-se nesses casos de uma forma indubitável, e Ludwig van Beethoven é indiscutivelmente um deles, não importa que certos literatos, artistas, pensadores, talvez para se fazerem ouvir ou por extravagância, tenham considerado sua música como “sentimentalóide”, insultando-o demonstrando sua estupidez nesse campo e seu desprezo ou desconhecimento de uma obra que ainda pode nos ensinar muito.

Texto de Eduardo Rincón

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Coleção Grandes Compositores Vol. 03: L. van Beethoven

DISCO A
Symphony Nº 5 in C Minor , Op. 67
01. Allegro con brio (7:18)
02. Andante con moto (9:14)
03. Allegro (4:48)
04. Allegro (8:41)

Symphony Nº 6 in F, Op. 68 “Pastoral”
05. Allegro ma non troppo (9:04)
06. Andante molto mosso (10:19)
07. Allegro (3:08)
08. Allegro (3:23)
09. Allegretto (8:25)

Berlin Philharmonic Orchestra, Herbert von Karajan

DISCO B
Leonore Overture Nº 3, Op. 72b
01. Adagio; Allegro (15:03)
Vienna Philharmonic Orchestra, Leonard Bernstein

Piano Concerto Nº 5in E Flat, Op. 73 “Emperor”
02. Allegro (20:15)
03. Adagio un poco mosso (7:36)
04. Rondo: Allegro (10:35)
Wilhelm Kempff, piano
Berin Philharmonic Orchestra, Ferdinand Leitner

Piano Sonata Nº 14 in C Sharp Minor, Op. 27, Nº 2 “Moonlight”
05. Adagio sostenuto (6:01)
06. Allegretto (2:28)
07. Presto (7:05)
Emil Gilels, piano

BAIXE AQUI – DOIS DISCOS / DOWNLOAD HERE – TWO DISCS

Marcelo Stravinsky

Johannes Brahms (1831-1894) – Sinfonias n°2 e 4, Abertura Trágica e Abertura Festival Acadêmico – Bernstein, WPO

Mais duas sinfonias e duas aberturas de Brahms, sempre com o maestro Leonard Bernstein e a Filarmônica de Viena. Não entendi os critérios da DG na distribuição das sinfonias nos cds, mas enfim, foi assim que os recebi.
Se o Megaupload funcionar direitinho, vai tudo hoje ainda, os 7 cds.

CD 2

01 – Symphony No. 4 in E minor 1. Allegro non troppo
02 – Symphony No. 4 in E minor 2. Andante moderato
03 – Symphony No. 4 in E minor 3. Allegro giocoso – Poco meno presto -Tempo I
04 – Symphony No. 4 in E minor 4. Allegro energico e passionato – Piu Allegro
05 – Tragic Overture – Allegro non troppo – Molto piu moderato – Tempo primo

CD 3

01 – Symphony No. 2 in D major 1. Allegro non troppo
02 – Symphony No. 2 in D major 2. Adagio non troppo
03 – Symphony No. 2 in D major 3. Allegretto grazioso Quasi andantino
04 – Symphony No. 2 in D major 4. Allegro con spirito
05 – Academic Festival Overture – Allegro – L’istesso tempo, un poco maestoso – an

Wiener Philharmoniker
Leonard Bernstein – Conductor

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CD 3 BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FDPBach

Johannes Brahms (1831-1894) – 01 – Brahms Concerto for Violin and Orchestra in D major, op.77, 04 – Brahms Concerto for Violin, Cello and Orchestra in A major, op.102 – Kremer, Maisky, Bernstein, WPO

Não, não se trata de um retorno ao PQP, digamos que seja apenas uma recaída, motivada principalmente pelo tédio de umas férias forçadas do serviço, devido à uma cirurgia bem sucedida, mas que pede repouso por 40 dias. Já se passaram 8 dias desde que fiz a tal da cirurgia, e o tédio impera, pois tenho de ficar deitado o tempo todo com as pernas para cima, e caminhar pelo menos 10 minutos a cada hora. Ou seja, haja paciência. Não sei quanto tempo vai durar esta recaída, ainda mais que estarei viajando na próxima semana, e meus contatos com o blog serão apenas esporádicos, pois dependerei apenas do Modem 3G. Enfim, tentarei matar o tempo com algumas postagens, trazendo coisas que já fazem parte de meu acervo, além de algumas novidades adquiridas nos últimos tempos.
Vou começar com Brahms, sim, Brahms novamente, que nunca cansa, ainda mais com estas excepcionais gravações dirigidas pelo Bernstein nos seus últimos anos de vida. Os solistas também não precisam de apresentação. Gidon Kremer, Mischa Maysky e Kristian Zimmermann já são bem conhecidos, portanto, dispensam maiores apresentações.Serão 7 cds ao todo, que vão me dar um trabalho tremendo para subir, principalmente com os problemas que tenho tido com minha internet (para variar um pouco, quem vive na periferia sofre com o descaso das empresas de telefonia).
Mas vamos ao que viemos. Neste primeiro CD, temos os Concertos para Violino, e o Concerto Duplo para Violino e Cello.

01 – Concerto for Violin and Orchestra in D major, op.77 – I. Allegro non troppo
02 – Concerto for Violin and Orchestra in D major, op.77 – II. Adagio
03 – Concerto for Violin and Orchestra in D major, op.77 – III. Allegro gio
04 – Concerto for Violin, Cello and Orchestra in A major, op.102 – I. Allegro
05 – Concerto for Violin, Cello and Orchestra in A major, op.102 – II. Andante
06 – Concerto for Violin, Cello and Orchestra in A major, op.102 – III. Vivace

Gidon Kremer – Violino
Mischa Maisky – Cello
Wiener Philharmoniker
Leonard Bernstein – Direktor

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FDPBach

Modest Mussorgsky (1839-1881) – Quadros em uma Exposição e Maurice Ravel (1875-1937) – Bolero

Há uma tríade maravilhosa nesta postagem: (1) Sergiu Celibidache. O maestro romeno, morto em 1996, era uma figura formidável do mundo da regência. As interpretações do maestro eram absolutamente pessoais e diversas de quaisquer outras que se conheça. É o que podemos testemunhar neste post maravilhosamente imperdível. Há algo de misterioso e fascinante em seus trabalhos. Há uma força que nos chama, que nos convoca à apreciação. É sempre bom ouvir peças regidas pelo velho Sergiu – filósofo, físico e matemático. (2) Mussorgsky. O russo é um dos meus compositores favoritos. Os Seus Quadros em uma exposição são uma das peças mais conhecidas do repertório erudito de todo o mundo. É música genuinamente russa elevada ao cubo. Os Quadros em uma Exposição buscam retratar musicalmente uma visita à exposição das obras de Hartmann, na qual o ouvinte tem como guia o próprio compositor, simbolizando na obra nas diversas Promenades que separam as diferentes seções. (3) Ravel. Aqui temos o Bolero, uma das peças mais conhecidas e aclamadas do século XX. É sempre agradável ouvir o Bolero de Ravel. A melodia do Bolero é simples, repetitiva e envolvente. É uma música que anda em círculos, em volteios, que vão se intensificando e eivando de complexidade. Somos compelidos a acompanhá-lo em sua ciranda agradável. Em suma: este CD deve ser ouvido para ser entendido. Não deixe de ouvir e apreciar. Boa contemplação!

Modest Mussorgsky (1839-1881) – Quadros em uma Exposição

01. Applause
02. Promenade
03. Gnomus
04. Promenade
05. Il vecchio castello
06. Promenade
07. Tuileries
08. Bydlo
09. Promenade
10. Ballet des petits poussins dans leurs coques
11. Samuel Goldenberg und Schmuyle
12. Limoges- le marché
13. Catacombae- Sepulchrum Romanum
14. Cum mortuis in lingua mortua
15. La Cabane de Baba-Yaga sur des pattes de poule
16. La Grande Porte de Kiev
17. Applause

Maurice Ravel (1875-1937) – Bolero

18. Applause
19. Tempo di Bolero moderato assai
20 Applause

Münchner Philharmoniker
Sergiu Celibidache, regente

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Carlinus

Sir Paul McCartney (1942) – Duas canções do Oratório de Liverpool

Quando Paul foi mencionado numa postagem de Karl Jenkins que fiz, lembrei que faltava eu postar mais coisas do ex-Beatle aqui no blog. Ano passado teve a Standing Stone (cujo link deve ter expirado há tempos – não vou renová-lo), agora posto duas canções de sua obra de estreia na música clássica: o indisfarçavelmente autobiográfico Oratório de Liverpool, de 1991, escrito com a ajuda do maestro Carl Davis nas orquestrações. Como os arquivos do oratório completo estão em algum back up recôndito em minhas tralhas, disponibilizo este CD demo com as duas melhores canções da obra – dá pra achar a letra na Internet sem muito esforço.

***

Oratório de Liverpool

1. Save the child
Soprano: Kiri Te Kanawa; meio-soprano: Sally Burgess; tenor: Jerry Hadley

2. The drinking song
Baixo: Willard White

Orchestra: Royal Liverpool Philharmonic Orchestra
Conductor: Carl Davis

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CVL

Alexander Konstantinovich Glazunov (1865-1936) – Sinfonia no. 1 em E maior, Op. 5 e Sinfonia no.2 em F sustenido maior – "para a memória de Liszt" (CD 1 de 4)

Glazunov é um daqueles compositores que provocam sensações glaciais em mim. Explico. Ouvi pouca coisa desse russo que foi professor de Shostakovich, um dos meus compositores favoritos. Por sua vez, Glazunov teve como preceptor o grande Rinsky-Korsakov, que lhe deu um sólida formação. As peças de Glazunov são “vagas” – não em sentido negativo. Cheiram àquelas regiões inóspitas da Ásia Central. Tem o mesmo colorido das tundras da Sibéria ou da Floresta de Taiga. Possui as ressonâncias dos silêncios boreais. Dos mistérios que habitam os raios anêmicos de sol que douram com timidez a sua terra. Gosto de Glazunov. Ele é uma espécie de Elgar russo. Um Vaughan Williams embriagado, mais pesado. Nesta postagem (que não tinha intenção de fazer), encontram-se duas sinfonias do compositor – as de número 1 e 2. Destaco aqui a de número 1, que possui características identificadamente schumannianas. Imagine só! Quando Glazunov a compôs, gozava apenas 16 anos de idade. A peça fez uma sucesso retumbante. Aturdiu os ouvintes que, assustados, mal acreditaram quando viram um jovem com uniforme escolar subir ao palco e pegar o arco do violino para tocar. A sinfonia foi composta em 1881. Não foi para menos, o jovem músico despertou a atenção de Tchaikovsky e Balakirev. Já a sinfonia número 2 (“Em memória de Liszt”), por quem tenho uma relação de afeto, eu já a ouvi muitas vezes em outras ocasiões. Eu costumava escutá-la num programa chamado “Clássicos de Todos os Tempos”, que passa aqui em Brasília todas as noites, na emissora Brasília Super Rádio FM. Páro por aqui. Ouçamos o moço. Permitamos que ele se explique com a sua música “vaga”, mas precisa. Uma boa apreciação!

Alexander Konstantinovich Glazunov (1865-1936) – Sinfonia no. 1 em E maior, Op. 5 e Sinfonia no.2 em F sustenido maior – “para a memória de Liszt”

Sinfonia no. 1 em E maior, Op. 5 – “Sinfonia Eslava”
01. Allegro
02. Scherzo:Allegro
03. Adagio
04. Finale

Sinfonia no.2 em F sustenido maior – “Em memória de Liszt”
05. Andante maestoso – Allegro
06. Andante
07. Allegro vivace
08. Introduction e Finale

Moscow Radio Symphony Orchestra
Vladimir Fedoseyev, regente

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Carlinus

Sir Paul McCartney (1942) – Ecce cor meum

Graças a Händel, o oratório – seja sacro, seja profano – transformou-se em um gênero de composição inglês por excelência, tanto pelas características que adquiriu quanto pela predileção de compositores e público. Por isso mesmo, quando Paul se aventurou pelas searas da música de concerto decidiu seguir o caminho mais previsível, através do Oratório de Liverpool. Não foi lá essas coisas todas, mas rendeu o encorajamento suficiente para não parar. Depois vieram Standing Stone, o CD A garland for Linda e Working Classical, até surgir este segundo oratório, Ecce cor meum (Eis meu coração), que – se não chega a ser Händel (“é, né?”) – ficou muito bem acabado. O álbum acabou rendendo a Paul o Classical British Award de melhor CD em 2007, numa votação em que o segundo lugar foi Canções do Labirinto, de Sting. Tudo bem, foi voto popular, mas eu também daria esse crédito ao ex-Beatle pelo esforço. Vejamos o que vocês dizem.

***

Ecce cor meum

1. I. Spiritus
2. II. Gratia
3. Interlude (Lament)
4. III. Musica
5. IV. Ecce Cor Meum

# Performer: David Theodore, Colm Carey, Mark Law, Kate Royal
# Orchestra: Academy of St. Martin-in-the-Fields
# Conductor: Gavin Greenaway

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CVL

Ralph Vaughan Williams (1872-1958) – Sinfonia No. 3, "Pastoral" e Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sinfonia No. 6 em Fá maior, Op. 68 – "Pastoral"

Duas sinfonias pastorais. Não preciso dizer que estão entre as minhas peças favoritas. Tenho uma paixão incondicional por essas duas peças. São demonstrações de grande sensibilidade e de uma relação de respeito contemplativo para com a natureza. A Sinfonia No. 3 de Williams ou Sinfonia Pastoral como também é conhecida foi composta entre 1921 e 1922. Vaugham Williams teria arranjado motivos para compô-la em homenagem aos mortos e feridos durante a I Guerra Mundial. Ela se constituiria, assim, numa meditação possível sobre os sons da paz. A Sinfonia Pastoral apesar do nome sugestivo não é programática como a Sinfonia Pastoral de Beethoven. Interessante é saber que Vaughan Williams afirmava que essa composição não tinha nada a ver com a paisagem campestre das charnecas inglesas. O compositor a inseria num contexto bélico, afinal ele servira na Primeira Grande Guerra. A peça tem um caráter bucólico. É como se o tempo estivesse parado. Como se as estações se sucedessem. Como se um carro de boi, típico na paisagem do campo, seguisse na distância e nós ficassêmos a olhar na imensidão, parados. A outra peça dispensa comentários. É a conhecida e aclamada Sinfonia Pastoral de Beethoven, peça para a qual não faço qualquer concessão. É uma das minhas favoritas. Não deixe de ouvir este CD, pastoralmente, imperdível. Boa apreciação!

Ralph Vaughan Williams (1872-1958) – Sinfonia No. 3, “Pastoral”*

01. I. Molto moderato
02. II. Lento moderato
03. III. Moderato pesante
04. IV. Lento – Moderato maestoso

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sinfonia No. 6 em Fá maior, Op. 68 – “Pastoral

05. I. Allegro ma no troppo
06. II. Andante molto nosso
07. III. Allegro
08. IV Allegro
05. Allegretto

Royal Concertgebouw Orchestra
Sir Roger Norrington, regente
*Sibylla Rubens, soprano

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Carlinus

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – A Flauta Mágica (Die Zauberflöte) – ópera

Era agosto ou setembro de 2008. O período da estiagem estava atingindo o seu ponto mais crítico no Centro-Oeste. Nestes meses, Brasília se transforma num Saara brasileiro por conta do clima. A umidade do ar atinge níveis muito baixos. O calor é escaldante. Todavia, parece existir uma recompensa por conta desses rigores. Os dias quentes proporcionam fins de tardes fenomenais. Os ocasos são verdadeiros partos piscodélicos. A tintura vermelha do sol derrama-se por todos os lados. As nuvens no céu são como gases ensaguentadas. A vegetação seca. Uma névoa leitosa , empoeirada e espessa envolve todas as coisas. Esse era o cenário aqui em Brasília. Chovera em maio. Ou seja, o Planalto estava há três meses sem sentir o alívio da chuva. Por este tempo fiquei sabendo que a ópera A Flauta Mágica de Mozart seria apresentada no gramado da Esplanada dos Ministérios. Fiquei profundamente entusiasmado com a notícia. A regência seria do memorável maestro Silvio Barbato, morto em maio de 2009, ou seja, há quase 1 ano no vôo da Air France, infelizmente. Tive a oportunidade de ver o Barbato em outros eventos à frente da Sinfônica do Teatro Nacional aqui em Brasília regendo Mozart, Mahler e Brahms. O maestro era um empreendedor nesse sentido. Em 2006, quando da ocasião da comemoração dos 250 anos do nascimento de Mozart, Barbato resolveu homenagear o compositor promovendo 12 horas seguidas de música do gênio austríaco. Em outras ocasiões, quando era o regente titular da Sinfônica do Teatro Nacional, promovia concertos itinerantes pela cidades-satélites – Gama, Sobradinho, Ceilândia, Taguatinga. Isso consituía um ato de excelência no sentido de democratizar a música clássica. Mas voltemos ao evento que teria A Flauta Mágica. Era um sábado à noite. Um palco foi montado e um extraordinário cenário foi erguido para representação da obra. O público eclético estava nas arquiancadas. Barbato que um ano antes regera Carmen de Bizet, fez a devida apresentação da obra mozartiana. A orquestra fazia o seu trabalho, Barbato regia, os cantores no palco misturavam vozes com encenações teatrais; dois telões foram montados, mostrando o que acontecia no palco e ao mesmo tempo a tradução da obra que era cantada em alemão. Fantástico. Estava embasbacado. Uma estupefação tomava conta de mim, pois esta é uma das obras de Mozart que mais ouvi e gosto. Não costumo ouvir óperas, mas esta é diferente. Possui árias belíssimas. Uma temática mística que impressiona. O fato é que quando os cantores entoavam as árias mais suaves de A Flauta Mágica, eu me sentia preso àquela musicalidade. Mas o inusitado aconteceu: após três meses sem chuva, uma garoa fina começou a cair, levantando o cheiro de terra molhada. O maestro foi resistente aos primeiros pingos. Mas como a orquestra estava tocando ao ar livre, Barbato acabou explicando a necessidade de parar o concerto. Fiquei imensamente triste com aquilo. Tentei me refugiar em algum lugar. De repente, um milagre: a chuva parou. Todavia, a maioria do público abandonou o espetáculo. Barbato decidiu dar continuidade à obra. Novas sucessões de cantos extraordinárias. Até que a Rainha da Noite apareceu, cantou e a chuva tornou-se firme e aí Barbato com sua voz peculiar avisou: “Gente, infelizmente não dá para continuar. Temos aqui na orquestra instrumentos delicadíssimos e caros. Expô-los a água é perigoso, pois são imensamente sensíveis”. Aquilo me constenou. Como que fica sem chover por três meses e a chuva reaparece justamente naquela ocasião, quando a beleza estava sendo desvelada? São as ironias da natureza. Os segredos inopinados das horas, dos dias, do tempo. Aquela foi a última ocasião em que vi Silvio Barbato regendo. Que pena! Mas fica aqui a certeza de uma extraordinária peça. A Flauta Mágica é, se não estou enganado, a penúltima ópera de Mozart, posto que a última é A Clemência de Tito, de 1791. Ou seja, o ano da morte do compositor. A ópera acontece em dois atos. Abbado fica engarregado por conduzir esta gravação à frente da Mahler Chamber Orchestra. Foi realizada em 2006 em homenagem aos 250 anos do nascimento de Mozart. Comemoração mais que merecida. Não deixe de ouvir esta gravação e se deliciar com os elementos variados dessa, que é uma das maiores óperas de todos os tempos – alegria, amor, tristeza, ambição, poder, mistérios maçônicos, mitologia. Tudo isso pode ser encontrado nesta obra. Boa apreciação!

Para saber mais sobre a obra AQUI:

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – A Flauta Mágica (Die Zauberflöte)

CD 1

01. Ouverture
02. Nr. 1 Introduktion »Zu Hilfe! Zu Hilfe!« (Tamino, Die drei Damen)
03. Nr. 2 Arie »Der Vogelfanger bin ich ja« (Papageno)
04. »Papageno!« – »Ah! Das geht mich an!« (Die drei Damen, Papageno, Tamino)
05. Nr. 3 Arie »Dies Bildnis ist bezaubernd schon« (Tamino)
06. »Freue dich und fasse Mut, schoner Jungling!« (Die drei Damen, Tamino)
07. Nr. 4 Rezitativ und Arie »O zittre nicht, mein lieber Sohn!« (Königin der Nacht)
08. Nr. 5 Quintett »Hm, hm, hm« (Papageno, Tamino, Die drei Damen)
09. »Ha, ha, ha!« – »Pst, pst!« (Die drei Slaven)
10. Nr. 6 Terzett »Du feines Taubchen, nur herein!« (Monostatos, Pamina, Papageno)
11. »Bin ich nicht ein Narr« (Papageno, Pamina)
12. Nr. 7 Duett »Bei Mannern, welche Liebe fuhlen« (Pamina, Papageno)
13. Nr. 8 Finale »Zum Ziele fuhrt dich diese Bahn« (Die drei Knaben, Tamino, Priester, Sprecher, Chor)
14. »Wie stark ist nicht dein Zauberton« (Tamino)
15. »Schnelle Fube, rascher Mut« (Pamina, Papageno, Monostatos, Sklaven, Chor)
16. »Es lebe Sarastro! Sarastro soll leben!« (Chor, Pamina, Sarastro, Monostatos, Tamino)
17. Nr. 9 Marsch der Priester
18. »Ihr, in dem Weisheitstempel« (Sarastro, Zweiter Priester, Sprecher, Dritter Priester)
19. Nr. 10 Arie mit Chor »O Isis und Osiris« (Sarastro, Chor)
20. »Eine schreckliche Nacht!« (Tamino, Papageno, Sprecher, Zweiter Priester)
21. Nr. 11 Duett »Bewahret euch vor Weibertucken!« (Erster Priester, Zweiter Priester)

CD 2

01. Nr. 12 Quintett »Wie Wie Wie Ihr an diesem Schreckensort« (Die drei Damen, Papageno, Tamino, Priester
02. »Heil dir, Jüngling! Dein standhaft männliches Betragen« (Sprecher, Zweiter Priester, Papageno)
03. Nr. 13 Arie »Alles fühlt der Liebe Freuden« (Monostatos)
04. Nr. 14 Arie »Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen« (Königin der Nacht)
05. »Morden soll ich« (Pamina, Monostatos, Sarastro)
06. Nr. 15 Arie »In diesen heil’gen Hallen« (Sarastro)
07. »Hier seid ihr euch beide alleine überlassen« (Sprecher, Zweiter Priester, Papageno)
08. Nr. 16 Terzett »Seid uns zum zweitenmal willkommen« (Die drei Knaben)
09. »Tamino, wollen wir nicht speisen« (Papageno) – »Tamino! Du hier« (Pamina)
10. Nr. 17 Arie »Ach, ich fühl, es ist verschwunden« (Pamina)
11. »Nicht wahr, Tamino, ich kann auch schweigen« (Papageno)
12. Nr. 18 Chor der Priester »O Isis und Osiris (Chor)
13. »Prinz, dein Betragen war bis hieher männlich und gelassen« (Sarastro, Pamina)
14. Nr. 19 Terzett »Soll ich dich, Teurer, nicht mehr seh’n« (Pamina, Sarastro, Tamino)
15. »Tamino! Tamino! Willst du mich denn gänzlich verlassen« (Papageno, eine Stimme, Die drei Priester)
16. Nr. 20 Arie »Ein Mädchen oder Weibchen wünscht Papageno sich!« (Papageno)
17. »Da bin ich schon, mein Engel!« (Das alte Weib, Papageno)
18. Nr. 21 Finale »Bald prangt, den Morgen zu verkünden« (Die drei Knaben, Pamina)
19. »Der, welcher wandert diese Straße voll Beschwerden« (Die Geharnischten, Tamino, Pamina)
20. »Papagena! Papagena! Papagena! Weibchen! Täubchen!« (Papageno, Die drei Knaben, Papagena)
21. »Nur stille, stille, stille, stille!« (Monostatos, Königin der Nacht, Die drei Damen)

Mahler Chamber Orchestra
Claudio Abbado, regente
Arnold Schoenberg Chor
Sarastro—————René Pape
Rainha da Noite——–Erika Miklósa
Pamina—————-Dorothea Röschmann
Tamino—————-Christoph Strehl
Papageno————–Hanno Müller-Brachmann
Papagena————–Julia Kleiter
Sprecher————–Georg Zeppenfeld
Monostatos————Kurt Azesberger
3 Damen————–Caroline Stein, Heidi Zehder, Anne-Carolyn Schlüter
3 Knaben————-Alexander Lischke, Frederic Jost, Niklas Mallmann

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Carlinus

Jan Dismas Zelenka (1679–1745): Complete Orchestral Works (3 CDs)

Um esplêndido CD !!!

Jan Dismas Zelenka (1679-1745) tocava violone (viola baixo) na orquestra da corte do Eleitor da Saxônia, em Dresden. É difícil imaginar como sua luminosa produção de música instrumental, já que parece claro que a música sacra era muito mais importante para ele do que a secular. Ironicamente, a primeira movimentação para a redecoberta deste grande compositor, fê-lo amado por fagotistas, uma vez que sua obra de trio-sonatas davam imenso destaque ao instrumento. Mesmo nas maiores obras sacras vocais, peças maravilhosas para fagote e oboé abundam.

As obras orquestrais registradas nestes três CDs também utilizam por toda a parte oboés, fagotes, trompas e, ocasionalmente, chalumeaus, o antecessor do clarinete. Zelenka soa incrivelmente “avançado” para 1720. Suas obras orquestrais são enérgicas, cerimoniosas e sonoras (se é que me entendem). São também de estrutra relativamente simples. São, obviamente, para as grandes ocasiões públicas. Não há nada nestes três discos que rivalizem com os concertos ou as suítes de Bach, mas são música de primeira linha.

Se você gosta de um som verdadeiramente barroco, cheio de oboés acrobáticos, trompas saltitantes e fagotes flatulentos, tem que ouvir Zelenka. Ah, a Das Neu-Eröffnete Orchestre é efetivamente uma bela surpresa.

Repito, um baita CD para quem gosta de música barroca! Ouça com o volume bem alto, OK? É para ser altissonante mesmo!

Disc: 1
1. Capriccio for 2 horns, 2 oboes, bassoon, strings & continuo No. 2 in G major, ZWV 183: [Allegro]
2. Capriccio for 2 horns, 2 oboes, bassoon, strings & continuo No. 2 in G major, ZWV 183: Canarie
3. Capriccio for 2 horns, 2 oboes, bassoon, strings & continuo No. 2 in G major, ZWV 183: Aria
4. Capriccio for 2 horns, 2 oboes, bassoon, strings & continuo No. 2 in G major, ZWV 183: Canarie da capo
5. Capriccio for 2 horns, 2 oboes, bassoon, strings & continuo No. 2 in G major, ZWV 183: Gavotte
6. Capriccio for 2 horns, 2 oboes, bassoon, strings & continuo No. 2 in G major, ZWV 183: Rondeau
7. Capriccio for 2 horns, 2 oboes, bassoon, strings & continuo No. 2 in G major, ZWV 183: Menuett – Trio – Menuett da capo

8. Hipocondrie à 7 Concertanti for 2 oboes, bassoon, 2 violins, viola & continuo in A major, ZWV 187: [Lentement]
9. Hipocondrie à 7 Concertanti for 2 oboes, bassoon, 2 violins, viola & continuo in A major, ZWV 187: Fuge. Allegro – Lentement

10. Concerto à 8 Concertanti for oboe, bassoon, 2 violins, viola, cello & continuo in G major, ZWV 186: [Allegro]
11. Concerto à 8 Concertanti for oboe, bassoon, 2 violins, viola, cello & continuo in G major, ZWV 186: Largo
12. Concerto à 8 Concertanti for oboe, bassoon, 2 violins, viola, cello & continuo in G major, ZWV 186: Allegro

13. Capriccio for 2 horns, 2 oboes, bassoon, strings & continuo No. 3 in F major, ZWV 184: [Ouverture] Staccato e forte
14. Capriccio for 2 horns, 2 oboes, bassoon, strings & continuo No. 3 in F major, ZWV 184: Allegro
15. Capriccio for 2 horns, 2 oboes, bassoon, strings & continuo No. 3 in F major, ZWV 184: Allemande
16. Capriccio for 2 horns, 2 oboes, bassoon, strings & continuo No. 3 in F major, ZWV 184: Menuett – [Trio 1] – Menuett da capo [Trio 2]
17. Capriccio for 2 horns, 2 oboes, bassoon, strings & continuo No. 3 in F major, ZWV 184: [Allegro]

Disc: 2
1. Capriccio for 2 horns, 2 oboes, bassoon, strings & continuo No. 5 in G major, ZWV 190: [Allegro]
2. Capriccio for 2 horns, 2 oboes, bassoon, strings & continuo No. 5 in G major, ZWV 190: Menuett 1 – Menuett 2 – Menuett 1 da Capo
3. Capriccio for 2 horns, 2 oboes, bassoon, strings & continuo No. 5 in G major, ZWV 190: Il Contento – Trio – Il Contento da capo
4. Capriccio for 2 horns, 2 oboes, bassoon, strings & continuo No. 5 in G major, ZWV 190: Il Furibundo
5. Capriccio for 2 horns, 2 oboes, bassoon, strings & continuo No. 5 in G major, ZWV 190: Villanella – Trio – Villanella da capo

6. Simphonie à 8 Concertanti for 2 oboes, bassoon, 2 violins, viola, cello & continuo in A minor, ZWV 189: [Allegro]
7. Simphonie à 8 Concertanti for 2 oboes, bassoon, 2 violins, viola, cello & continuo in A minor, ZWV 189: Andante
8. Simphonie à 8 Concertanti for 2 oboes, bassoon, 2 violins, viola, cello & continuo in A minor, ZWV 189: Capriccio. Tempo di Gavotta
9. Simphonie à 8 Concertanti for 2 oboes, bassoon, 2 violins, viola, cello & continuo in A minor, ZWV 189: Aria da Capriccio (Andante –
10. Simphonie à 8 Concertanti for 2 oboes, bassoon, 2 violins, viola, cello & continuo in A minor, ZWV 189: [Menuett 1] – [Menuett 2] – [

11. Capriccio for 2 horns, 2 oboes, bassoon, strings & continuo No. 1 in D major, ZWV 182: Andante – [Allegro]
12. Capriccio for 2 horns, 2 oboes, bassoon, strings & continuo No. 1 in D major, ZWV 182: Paysan
13. Capriccio for 2 horns, 2 oboes, bassoon, strings & continuo No. 1 in D major, ZWV 182: Aria
14. Capriccio for 2 horns, 2 oboes, bassoon, strings & continuo No. 1 in D major, ZWV 182: Bourrée
15. Capriccio for 2 horns, 2 oboes, bassoon, strings & continuo No. 1 in D major, ZWV 182: Menuett 1 – Menuett 2 – Menuett 1 da capo

Disc: 3
1. Overture à 7 Concertanti 2 oboes, bassoon, 2 violins, viola & continuo in F major, ZWV 188: Ouverture. Grave – Allegro – Grave
2. Overture à 7 Concertanti 2 oboes, bassoon, 2 violins, viola & continuo in F major, ZWV 188: Aria
3. Overture à 7 Concertanti 2 oboes, bassoon, 2 violins, viola & continuo in F major, ZWV 188: Menuett 1 – Menuett 2 – Menuett 1 da capo
4. Overture à 7 Concertanti 2 oboes, bassoon, 2 violins, viola & continuo in F major, ZWV 188: [Siciliano]
5. Overture à 7 Concertanti 2 oboes, bassoon, 2 violins, viola & continuo in F major, ZWV 188: Folie

6. Sub olea pacis: Melodrama de Sancto Wenceslao, for soloists, chorus, instruments & continuo, ZWV 175: Symphonia

7. Capriccio for 2 horns, 2 oboes, bassoon, strings & continuo No. 4 in A major, ZWV 185: Allegro assai
8. Capriccio for 2 horns, 2 oboes, bassoon, strings & continuo No. 4 in A major, ZWV 185: Adagio
9. Capriccio for 2 horns, 2 oboes, bassoon, strings & continuo No. 4 in A major, ZWV 185: Aria 1 – Aria 2 – Aria 1 da capo
10. Capriccio for 2 horns, 2 oboes, bassoon, strings & continuo No. 4 in A major, ZWV 185: In tempo di Canarie
11. Capriccio for 2 horns, 2 oboes, bassoon, strings & continuo No. 4 in A major, ZWV 185: Menuett 1 – Menuett 2 – Menuett 1 da capo
12. Capriccio for 2 horns, 2 oboes, bassoon, strings & continuo No. 4 in A major, ZWV 185: Andante
13. Capriccio for 2 horns, 2 oboes, bassoon, strings & continuo No. 4 in A major, ZWV 185: Paysan 1 – Paysan 2 – Paysan 1 da capo

Das Neu-Eröffnete Orchestre
Jurgen Sonnentheil

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PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Trio em Si bémol maior, Op. 11 e Trio em Mi bémol maior, Op. 38

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Quanto mais escuto Beethoven, mais robustece dentro de mim a percepção de que estou diante de uma dádiva, de um evento sacralizante. Beethoven era um homem de personalidade dura, indomável, mas de um gênio, de uma capacidade de fecundar ímpetos de sensibilidade. Não me canso de ouvir o mestre alemão. Minha paixão pela sua música é um acontecimento que me aviva. Faz surgir dentro de mim um contetamento ensolarado. Uma alegria silenciosa e reverente. Não é a alegria que surge de dentes escancarados, cínica, extravagante. É uma alegria que me leva a mim mesmo e me torna mais complacente para com comigo e para com os demais homens. Beethoven depura em mim o “sim”e o “não” da vida e me torna capaz de acreditar de que viver vale a pena. Estes dois deliciosos trios traduz em completa exatidão aquilo que minhas palavras parcas não foram capazes de pintar. Ouça e aprecie!

P.S. Encontrei o CD somente na Amazon francesa.

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Trio em Si bémol maior, Op. 11 e Trio em Mi bémol maior, Op. 38

Trio en Si bémol majeur, Op. 11
01. I. Allegro con brio
02. II. Adagio
03. III. Tema con variazioni ‘Pria ch’io l’impregno’

Trio en Mi bémol majeur, Op. 38
04. I. Adagio- Allegro con brio
05. II. Adagio cantabile
06. III. Tempo di minuetto
07. IV. Tema con variazioni
08. V. Scherzo
09. VI. Andante con moto alla marcia – Presto

Florent Héau, clarinete
Jérome Ducros, piano
Henri Demarquette, violoncelo

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Carlinus

Arnold Schoenberg (1874-1951) – Gurre-lieder

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Gurre-Lieder é uma cantata composta por Arnold Schoenberg a partir de uma obra do escritor dinamarquês Jens Peter Jacobsen (traduzido para o alemão por Robert Franz Arnold). A tradução para o português seria mais ou menos assim: “canções de Gurre”. Gurre é um castelo medieval situado na Dinamarca. O poema trata sobre amor, assassinato e revelações tenebrosas. A obra é dividida em três partes. Schoenberg someçou a composição desse monumental trabalho em 1900 e somente concluiu em 1911. É uma obra gigantesca, de quase 100 minutos, que exige bastante disciplina para ser ouvida. O Mi bemol inicial é sufocante como uma sauna a vapor – uma imitação do Anel de Wagner, já que estamos falando da fase inicial de Schoenberg? A gravação ora apresentada é ao vivo. Mais informações AQUI. As informações das faixas foram extraídas a partir de uma gravação de Simon Rattle encontrada na Amazon.

Arnold Schoenberg (1874-1951) – Gurre-lieder

1. Gurrelieder, Part One: Orchestral Prelude
2. Gurrelieder, Part One: Nun dämfpt die Dämm’rung (Waldemar)
3. Gurrelieder, Part One: O, wenn des Mondes Strahlen (Tove)
4. Gurrelieder, Part One: Ross! Mein Ross! (Waldemar)
5. Gurrelieder, Part One: Sterne jubeln (Tove)
6. Gurrelieder, Part One: So tanzen die Engel vor Gottes Thron nicht (Waldemar)
7. Gurrelieder, Part One: Nun sag ich dir zum ersten mal (Tove)
8. Gurrelieder, Part One: Es ist Mitternachtszeit (Waldemar)
9. Gurrelieder, Part One: Du sendest mir einen Liebesblick (Tove)
10. Gurrelieder, Part One: Du wunderliche Tove! (Waldemar)
11. Gurrelieder, Part One: Orchestral interlude
12. Gurrelieder, Part One: Tauben von Gurre (Waldtaube)
13. Gurrelieder, Part Two: Herrgott, weisst du, was du tatest
14. Gurrelieder, Part Three: Erwacht, König Waldemars Mannen wert! (Waldemar)
15. Gurrelieder, Part Three: Deckel des Sarges klappert (Bauer & Chor)
16. Gurrelieder, Part Three: Gegrüsst, o König (Waldermars Männen)
17. Gurrelieder, Part Three: Mit Toves stimme flüstert der Wald (Waldemar)
18. Gurrelieder, Part Three: ‘Ein seltsamer Vogel ist so’n Aal’ (Klaus-Narr)
19. Gurrelieder, Part Three: Du strenger Richter droben (Waldemar)
20. Gurrelieder, Part Three: Der Hahn erhebt den Kopf zur Kraht
21. Gurrelieder, Des Simmerwindes wilde Jagd: Orchestral Prelude
22. Gurrelieder, Des Simmerwindes wilde Jagd: Herr Gänsefuss, Frau Gänsekraut (Sprecher)
23. Gurrelieder, Des Simmerwindes wilde Jagd: Seht die Sonne (Chor)

 

Bavarian Radio Chorus Bavarian
Radio Symphony Orchestra

Zubin Mehta, regente

Sharon Sweet, Tove
Florence Quivar, Waldtaube
Jon Frederic West, Waldemar
Hans Hotter, Erzähler
Jon Garrison, Klaus Narr
David Wilson-Johnson, Bauer

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Carlinus

D. Shostakovich (1906-1975): Trio para Piano Nº 1, 5 Peças para 2 Violinos e Piano, Quinteto para Piano

Num dos momentos mais cômicos de nosso blog, um de nossos comentaristas habituais chamou Shosta de “covarde” e tratou de dar-lhe um monte de saraivadas que não condizem com sua biografia. Isto ocorreu há algumas semanas e esta postagem, apesar de muito boa e ao vivo — como eu, PQP Bach, prefiro — não é uma resposta.

Muitos compositores descobriram que a combinação de piano, violino e violoncelo é difícil de equilibrar, o problema de dar pleno alcance de cada instrumento, sem afogar o violoncelo em seu registro menor ou deixar o piano dominando o conjunto. é complicado. Shostakovich, que tinha um ouvido perfeito para texturas instrumentais, gostava enfrentar tais desafios e compôs dois trios para piano — um no início, outro no meio da sua carreira, e um trio de piano com soprano (sobre texto de Alexander Blok) no final. Os três não poderiam ser mais diferentes na textura no efeito geral.

O Trio Nº 1 só foi publicado após a morte de Shostakovich. Ele começou a escrevê-lo em agosto de 1923 na Criméia, onde ele estava convalescendo, e terminou logo depois, em Petrogrado. Ele dedicou a peça (que também chamou Poème) à Tatyana Glivenko, um amor adolescente. Foi estreada pelo próprio compositor e dois de seus amigos em dezembro: a irmã mais nova de Shostakovich lembrou que eles a praticaram em suas sessões de cinema para filmes mudos… Podemos apenas imaginar o que o público pensava. Shosta tinha 17 anos, era o mais brilhante aluno do Conservatório de Petrogrado, começava a recolher ideias para a sinfonia que três anos mais tarde iria trazer-lhe a atenção de todos e a fama internacional. Foi um período em que ele estava tentando encontrar uma linguagem diversa dos sons do século XIX.

Na época, Shostakovich era um sincero comunista, um filho da revolução, e desejava queria compor música original para uma sociedade original. O Trio é um trabalho compacto em um único movimento, mas com uma grande variedade de ritmos e espíritos.

O estímulo para escrever seu Quinteto para Piano veio dos músicos do Quarteto de Cordas Beethoven, que lhe pediu um trabalho que todos pudessem tocar juntos. Foi sua primeira composição importante após a Sexta Sinfonia. Escrita durante o verão de 1940, foi estreada com o Quarteto Beethoven em Moscou, em 23 de novembro daquele ano. Shostakovich certamente sabia que o que estava escrevendo apresentava grandes problemas de equilíbrio e textura. A forma como ele os superou não só indica a seriedade com que ele se aproximou da tarefa, mas de forma mais significativa demonstra a originalidade e inventividade da sua imaginação: uma vez que o ouvinte aborde essa música, jamais imaginará outra combinação de instrumentos. O trabalho é muito econômico, o quinteto completo raramente é empregado ao mesmo tempo (além de no Scherzo frenético) e a ampla gama de efeitos instrumentais inclui expedientes como a que frequentemente têm a tocar piano na parte superior ou inferior de seu registro, fazendo uma força musical da sua incapacidade notória para misturar bem com instrumentos de cordas. Glenn Gould amava o Quinteto.

(O texto acima, a partir do segundo parágrafo, foi mal traduzido e adaptado por mim a partir de um comentário de Andrew Huth).

É, aí está todo o Quinteto, mas por três grupos diferentes. Não o encontrei completinho com os mesmos instrumentistas.

Shostakovich: Trio para Piano Nº 1, 5 Peças para 2 Violinos e Piano, Quinteto para Piano

1) Applause [0.20]

2) Piano Trio No.1 in C Minor, op.8 [11.33]

Five Pieces for 2 violins and piano
3) I Prelude [2.44]
4) II Gavotte [1.38]
5) III Elegy [2.49]
6) IV Waltz [1.50]
7) V Polka [1.33]

Piano Quintet in G minor, op.57
8. I Prelude [4.21]
9) II Fugue [10.20]
10) III Scherzo [3.13]
11) IV Intermezzo – [6.52]
12) V Finale [7.19]

13) Applause [0.38]

Julian Rachlin, violin I
Janine Jansen, violin II
Yuri Bashmet, viola
Mischa Maisky, cello
Itamar Golan, piano

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PQP

.: interlúdio – um curso + Coltrane Blues :.

Para os leitores de Porto Alegre e cercanias: a dica é o curso “Análise Musical Histórica e Estética – Análise das obras do século XVIII ao século XXI”, com o compositor e professor Fernando Mattos. Não estou ganhando nada pela divulgação, mas a raridade da empreitada merece algum destaque, ou não? Mais informações no site da Arena, ou clicando na imagem abaixo.

——

E, como de praxe, pra não perder a viagem, deixo aqui uma bolacha bastante especial. Se você não se interessa muito pela historinha, basta o título: “Coltrane Plays the Blues” diz tudo que é preciso dizer.

Por outro lado, se é dos que gosta do contexto (e ouvir jazz sem ele é feito comer goiabada sem queijo), vai achar interessante saber que este disco foi gravado em 24/10/60 — ou seja, durante a segunda sessão do imperdível “My Favorite Things”, que nasceu dos estúdios da Atlantic nos dias 20, 24 e 26. Embora Tyner, Jones e Davis tenham precisão e coesão de estrelas, aqui estão mais coadjuvantes do que de costume; o formato do blues, os temas em sua maioria improvisados, e o amálgama ainda se criando entre o quarteto propiciam que Coltrane esteja sempre no centro das atenções. (Não que alguém esteja reclamando.) Há, inclusive, duas faixas no lado A gravadas em trio, sem piano, algo que raramente aconteceu.

Também é um bom momento para relembrar que Coltrane tinha uma forte ligação com o blues. Tanto nos temas inesquecíveis em sua discografia (Blue Train e Slowtrane me vem a memória) quanto nos shows, como contam as liner notes desse disco: Coltrane iniciava a sessão com suas composições mais conhecidas, o que a maioria do público queria ouvir, e fechava o segundo set com um blues cuja base poderia durar 30 ou 40 minutos de improviso, agradando os fãs mais “hardcore” de jazz. Isso mostra não apenas o envolvimento do músico com o blues, mas também como sua ligação com o free jazz e o avant-garde a que se entregaria, anos depois, não foram acidente ou mera epifania.

O resultado de “Plays the Blues” é um disco agradabilíssimo para quem está acostumado ao jazz — daqueles que se deixa tocando e melhora qualquer ambiente e/ou estado de espírito — e também uma ótima porta de entrada para quem está ainda se avizinhando ao estilo.

Coltrane Plays the Blues /1962 (V2)

download – 63MB /mediafire

John Coltrane (tenor and soprano saxophone); McCoy Tyner (piano); Steve Davis (bass); Elvin Jones (drums). Produzido por Nesuhi Ertegün para a Atlantic

01 Blues To Elvin
02 Blues To Bechet
03 Blues To You
04 Mr. Day
05 Mr. Syms
06 Mr. Knight
07 Untitled Original (“Exotica”) *bonus track da reedição de 1990

Boa audição!
Blue Dog

José Manuel Joly Braga Santos (1924-1988) – Sinfonias n° 1 a 6 (exceto a 4) + Fernando Lopes-Graça (1906-1994) – Sinfonia, Suíte rústica n° 1 e Canto de amor e morte

Os arquivos e comentários deste post foram enviados pelo José Eduardo. Acho que é a primeira postagem do blog sobre música portuguesa do séc. XX – mais uma lacuna aqui preenchida (update: deixou de ser com o post do mano CDF no início do mês). Realmente, como vocês podem ler abaixo e ouvir em seguida, Braga Santos tem pontos de semelhança com Camargo Guarnieri, que pensei ser um compositor sem paralelos. E tanto Braga Santos quanto Lópes-Graça são compositores de mão cheia.

CVL

***

Fernando Lopes-Graça é provavelmente o principal compositor português, junto com Carlos Seixas e João Domingos Bomtempo (cada um de uma época, portanto). Ele se insere claramente na linha bartókiana de um modernismo bastante claro na forma, ritmicamente vigoroso, contrapontisticamente hiperativo e de harmonia com muitos toques modais, relativamente modesta no uso de dissonância e, sobretudo, que se apóia de maneira bastante inteligente no folclore e na cultura popular.

A Sinfonia que mandei, dita “Per orchestra”, é em três movimentos bem delineados, sendo o último uma passacaglia sobre um tema folclórico. É a única sinfonia do autor. Gosto muito da peça. O sabor modal lembra um pouco Vaughan Williams e Ernest Moeran, mas a ênfase rítmica e a limpidez incrível da forma o aproximam muito mais de Camargo Guarnieri.

A “Suíte rústica” no. 1 (ele escreveu mais duas, uma para orquestra de cordas e outra para piano) é uma peça em seis partes, cada uma baseada em um tema popular de uma região de Portugal: Oliveira do Hospital, Foz Côa, Reguengos de Monsaraz, Póvoa do Lanhoso, Pegarinhos e Beira. É uma delícia, os temas folclóricos são facilmente discerníveis e, ao mesmo tempo, são transformados por harmonia e orquestração bastante sofisticadas.

Joly Braga Santos teve uma carreira menos ilustre e foi menos reconhecido em vida. É, digamos, uma redescoberta mais recente, devida principalmente ao trabalho do regente Álvaro Cassuto. É o compositor português da moda nos países anglófonos. O David Hurwitz, do ClassicsToday, adora Braga Santos.

É um compositor praticamente contemporâneo de Lopes-Graça, porém pertencente a uma linha bem diferente, mais conservadora. Braga Santos foi um compositor precoce, e quatro de suas seis sinfonias foram escritas antes de seus 27 anos – são obras de juventude, surpreendemente bem realizadas.

Sua linguagem lembra Sibelius, Respighi e, principalmente, Vaughan Williams. A forma é bem expandida, os desenvolvimentos são alongados e comumente nascem de um estático inicial que vai acumulando tensão até um grande clímax. A harmonia mistura modalismo e cromatismo pós-wagneriano. As melodias são longas e muito bem desenhadas. A cor orquestral é costumeiramente escura, densa.

As duas sinfonias que mandei, a Segunda e a Terceira, são obras em grande escala. São bem parecidas, quase intercambiáveis entre si. Ambas têm quatro movimentos: os externos mais dramáticos, com longas introduções lentas; um segundo movimento adagio reflexivo; e um scherzo mais próximo do intermezzo brahmsiano do que do scherzo bruckneriano.

Elas surpreendem por terem sido escritas, e tão bem, por um compositor tão jovem. Mas, embora repletas de belíssimos momentos, são obras bastante derivativas. Overall, acho que valem sim a curiosidade.

***

Sinfonia no. 2
Orquestra Sinfônica de Bournemouth
Álvaro Cassuto, regente

Sinfonia no. 3
Orquestra Sinfônica Portuguesa
Álvaro Cassuto, regente

BAIXE AQUI

***

A gravação tem um som meio “de lata”, equalização alta – parece de música popular – e pobreza de detalhes. Ela faz parte de uma série de registros de música portuguesa realizada nos anos 90 no Leste Europeu, principalmente Hungria. É bastante curioso. Adoraria ouvir essas peças em som moderno e com intérpretes mais refinados. As sinfonias de Braga Santos tiveram mais sorte e foram magnificamente gravadas pela Marco Polo/Naxos.

Fernando Lopes-Graça (1906-1994)

Sinfonia “per orchestra”, op. 38
Suíte rústica no. 1, sobre temas folclóricos portugueses, op. 64

Orquestra Sinfônica Nacional Húngara
Tamás Pal, regente

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Joly Braga Santos

Sinfonia no. 6
Ana Ester Neves, soprano
Coro do Teatro Nacional de São Carlos
Orquestra Sinfônica Portuguesa
Álvaro Cassuto, regente

“Encruzilhada”, música para balé
Orquestra Sinfônica de Bournemouth
Álvaro Cassuto, regente

É o complemento dos CDs do Braga Santos que enviei antes. Tem a Sinfonia no. 6 e o balé “Encruzilhada”, todos da última fase, “abstrata” (apud CROWL, Harry), do compositor. Em geral, essa fase não me desperta, infelizmente, maior interesse.

A Sexta Sinfonia tem uma estrutura diferente das demais sinfonias de Braga Santos. É estruturada em seis movimentos executados em um só fôlego. A partir da segunda metade surgem as intervenções corais, com soprano solo (há texto, inclusive, de Camões).

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Joly Braga Santos

Sinfonia no. 1
Sinfonia no. 5
Orquestra Sinfônica Portuguesa

A Primeira é a minha sinfonia de Braga Santos favorita. Ela tem a mesma linguagem das quatro primeira sinfonias do autor – pós-romântica de toques modais alla Vaughan Williams – mas tem uma modelagem formal diferente. É em três movimentos, sendo que o último, batante poderoso, ainda não tem o início lento habitual do autor – ele prefere aqui incorporar ao finale um trio mais contemplativo, curiosamente parecido com o trio do scherzo da Segunda Sibelius (aquelas notas repetidas no oboé!). A sinfonia termina com um “apêndice” gradioso em estilo bruckneriano, culminando em fortes acordes espaçados (como na Quinta de Sibelius). As múltiplas influências indicam a relativa pouca maturidade do autor, mas a música é em muitos momentos realmente emocionante.

A Quinta pertence a fase posterior da carreira do Braga Santos. Sua linguagem é mais densa, dissonante, misteriosa. A música de Braga Santos já era densa, sombria. Aqui ela se torna realmente escura. Ao contrário das três sinfonias anteriores, a Quinta coloca o scherzo em segundo lugar, e é justamente ele o destaque da obra. Ele é inspirado em um ritmo moçambicano da região de Zavala. A peça mistura um ritmo constante nas percussões (xilofone, celesta) com uma harmonia fantasmagórica.

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Fernando Lopes-Graça

“Canto de amor e morte”
Orquestra Sinfônica Nacional Húngara
Tamás Pal, regente

É o complemento do álbum da Sinfonia e da Suíte rústica no. 1, que já mandei. É, segundo várias fontes, uma grande obra-prima da música portuguesa. Foi composta em 1961 para piano e quinteto de cordas, e orquestrada no ano seguinte. É uma espécie de longo poema sinfônico, de forma livre, em estilo cromático-extremado-quase-não-tonal. É música grave, seriíssima, sisuda, carrancuda. Talvez seja por essa cara feia e sem humor que eu, mesmo reconhecendo sua potência e relevância, nunca tenha sido frequentador assíduo da obra.

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CVL

J.S. Bach (1685-1750) e Pixinguinha (1897-1973): Sax, Flauta & Cravo – REVALIDADO

Nota: esta postagem, assim como todas as demais com obras de Heitor Villa-Lobos, não contém links para arquivos de áudio, pelos motivos expostos AQUI

 

Quando eu era jovem, era o maior e mais chato dos puristas. Um CD estimulante, inteligente e divertido como este passaria ao largo e eu talvez eu nem desconfiasse de sua existência. Mas a idade, se nos faz perder a maioria das coisas, dá-nos outras às quais não consideramos importantes, mas que, enfim, torna-nos mais tolerantes e sábios. Temos aqui o saxofonista e flautista Mário Sève, membro dos grupos Nó em Pingo d`Água e Aquarela Brasileira e o grande cravista Marcelo Fagerlande. Eles fazem uma curiosa e genial união do mestre da polifonia, meu pai, e do compositor e improvisador que fundou a segunda voz — improvisada ou não — na música popular brasileira.

Este é um trabalho gravado em 1998 e lançado em 2001 que você deveria conhecer. Trata-se de um divertimento na melhor e mais gloriosa acepção do termo.

Imperdível!

Bach e Pixinguinha – Sax, Flauta & Cravo

1 Rosa (Otávio de Souza – Pixinguinha)
2 Ainda me recordo (Benedito Lacerda – Pixinguinha)
3 Invenção a 2 vozes em ré menor (J.S. Bach)
4 Naquele tempo (Benedito Lacerda – Pixinguinha)
5 Ele e eu (Benedito Lacerda – Pixinguinha)
6 Coral da Cantata BWV 140 “Wachet auf” (J.S. Bach)
7 Gargalhada (Pixinguinha)
8 Lamentos (Vinícius de Moraes – Pixinguinha)
9 Allemande do Solo BWV 1013 (J.S. Bach)
10 Ária da Cantata BWV 21 “Ich Hatte Viel Bekümmernis” (J.S. Bach)
11 Urubatã (Benedito Lacerda – Pixinguinha)
12 Sofres porque queres (Benedito Lacerda – Pixinguinha)
13 Invenção a 2 vozes em sib maior (J.S. Bach)
14 Invenção a 3 vozes em fá menor (J.S. Bach)
15 Fantasia em dó menor BWV 906 (J.S. Bach)
16 Um a zero (Benedito Lacerda – Pixinguinha)
17 Carinhoso (Pixinguinha – João de Barro)

Mário Sève, sax e flauta
Marcelo Fagerlande, cravo

[Link revalidado em 17.05.2010, RMA]
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PQP

Heitor Villa-Lobos (1887-1959) – Noneto, Quarteto simbólico e peças para violão

Nota: esta postagem, assim como todas as demais com obras de Heitor Villa-Lobos, não contém links para arquivos de áudio, pelos motivos expostos AQUI

 

Este CD importado traz – não sei por que motivo, mas agradeço – duas interpretações do Noneto e duas do Quarteto Simbólico, sendo completado – também sem razão aparente – por algumas peças para violão. As interpretações das duas obras principais não fazem frente à de Gil Jardim, postada no início do ano aqui no blog, mas valem como preciosidade; até porque as peças para violão estão nas mãos de Bream, Segovia e Laurindo Almeida.

***

Villa-Lobos: Nonetto; Quatuor

1. Noneto, for chorus & orchestra (‘Impressão rápida de todo o Brasil’), A. 191
2. Quartet, for female chorus, flute, alto saxophone, harp & celeste (Quarteto simbólico), A. 181: First Movement – Allegro con moto
3. Quartet, for female chorus, flute, alto saxophone, harp & celeste (Quarteto simbólico), A. 181: Second Movement – Andantino
4. Quartet, for female chorus, flute, alto saxophone, harp & celeste (Quarteto simbólico), A. 181: Third Movement – Allegro deciso
5. Noneto, for chorus & orchestra (‘Impressão rápida de todo o Brasil’), A. 191
6. Quartet, for female chorus, flute, alto saxophone, harp & celeste (Quarteto simbólico), A. 181: First Movement
7. Quartet, for female chorus, flute, alto saxophone, harp & celeste (Quarteto simbólico), A. 181: Second Movement
8. Quartet, for female chorus, flute, alto saxophone, harp & celeste (Quarteto simbólico), A. 181: Third Movement
9. Estudio, for guitar No. 8 in C sharp minor, A. 235/8
10. Prelúdio, for guitar No. 3 in A minor, A. 419/3
11. Estudio, for guitar No. 1 in E minor, A. 235/1
12. Prelúdio, for guitar No. 2 in E major, A. 419/2
13. Prelúdio, for guitar No. 4 in E minor, A. 419/4
14. Prelúdio, for guitar No. 5 in D major, A. 419/5
15. Gavotta-Chôro, for guitar (Suite populaire brésilienne No. 4), A. 020/4

# Performer: Concert Arts Ensemble, Andrés Segovia, Julian Bream, Laurindo Almeida, Elsie Houston
# Orchestra: The Brazilian Festival Orchestra, The Brazilian Festival Quartet
# Conductor: Roger Wagner, Hugh Ross

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CVL

Coleção Grandes Compositores 02/33: W.A. Mozart (1756-1791)

Atendendo a pedidos, estarei continuando a Coleção Grandes Compositores, que teve início com Tchaikóski no primeiro volume.

***

Qual teria sido a inspiração de Mozart para compor suas três últimas sinfonias? Apesar de quase dois séculos de sérias pesquisas e da criação de várias histórias de ficção (inclusive a peça e o filme Amadeus, de grande sucesso), os últimos anos da vida de Mozart permanecem envoltos em mistério. Persistem muitas questões acerca de sua morte, das circunstâncias financeiras e de seu casamento, mas nada disso é mais intrigante do que o aparecimento de sua famosa “trilogia final” – Sinfonia Nº 39, 40 e 41 – após seis semanas de febril criação, no verão de 1788.

Raramente Mozart produzia trabalhos substanciais sem ter em mãos uma encomenda, ou pelo menos uma perspectiva de apresentação; no entanto, ninguém jamais soube de alguma ocasião planejada para a apresentação dessas sinfonias. Simplesmente, não sabemos o que inspirou tal criação extraordinária e nem mesmo se Mozart chegou a ouvir essas composições, que coroaram suas realizações no campo da música orquestral.

A questão causa ainda maior perplexidade se considerarmos a totalidade da obra sinfônica de Mozart. Pois, embora ele já registrasse a autoria de mais de quatro dúzias de sinfonias na ocasião em que passou para o papel a trilogia final, a maioria dessas peças datava de sua juventude. Mozart chegou à sinfonia, assim como a todos os gêneros musicais, em idade muito tenra. Suas primeiras obras sinfônicas datam de 1764 e foram produzidas sob o olhar vigilante de J. C. Bach, filho mais novo de Johann Sebastian, que por amizade auxiliou o compositor de 8 anos de idade durante sua estadia em Londres, em uma de suas famosas tournées de menino prodígio.

Talvez a explicação mais convincente para as sinfonias de 1788 seja que Mozart as escreveu para atender a uma necessidade artística interior – um desejo de dar livre curso a seus poderes de criação e fazer um ” apelo à eternidade”, conforme sugere Alfred Einstein, eminente estudioso de Mozart. A música, com certeza, apoia esse ponto de vista, pois em momento algum Mozart superou essas sinfonias, tanto em beleza formal quanto em profundidade de expressão.

Nenhum compositor se exprimiu em tão múltiplas facetas quanto Mozart. Ele criou música virtualmente em todas as formas a seu alcance – concertos, sonatas, sinfonias, óperas, música de câmara – , infundindo seu gênio em cada nova peça. Uma serenata casual para a festa nos jardins de um nobre, um simples quarteto de cordas ou o acompanhamento de uma missa, podiam ser o estímulo para sua imaginação musical. Conforme observa Alfred Einstein: “Mesmo quando Mozart tem uma tarefa rotineira a realizar, ele a toma para si como se fosse muito mais que uma rotina.”

Fonte: Trechos retirados do encarte do cd

Boa audição!

.oOo.

Coleção Grandes Compositores Vol. 02: W.A. Mozart

DISCO A
Sinfonia Nº 40 em Sol Menor, K. 550

01. I. Molto Allegro (8:29)
02. II. Andante con moto (8:13)
03. III. Menuetto: Allegretto (4:50)
04. IV. Allegro assai (9:13)
Orquestra Filarmônica de Viena, Leonard Bernstein

Sinfonia Nº 41 em Dó, K. 551 “Júpiter”
05. I. Allegro vivace (11:55)
06. II. Andante cantabile (9:07)
07. III. Menuetto: Allegretto (5:14)
08. IV. Molto Allegro (11:38)
Orquestra Filarmônica de Viena, Leonard Bernstein

DISCO B
Abertura, As Bodas de Fígaro, K. 492

01. Presto (4:09)
Academia de St. Martin in the Fields, Sir Neville Marriner

Concerto para Piano Nº 21 em Dó, K. 467
02. I. Allegro (14:49)
03. II. Andante (7:01)
04. III. Allegro vivace assai (6:33)
Mitsuko Uchida, piano
Orquestra de Câmara Inglesa, Jeffrey Tate

Serenata em Sol, “Eine Kleine Nachtmusik”, K. 525
05. I. Allegro (5:47)
06. II. Romance: Andante (5:55)
07. III. Menuetto: Allegretto (2:03)
08. IV. Rondó: Allegro (3:54)
Conjunto de Câmara da Academia St. Martin in the Fields

Sonata para Paino Nº 15 em Dó , K. 545
09. I. Allegro (4:33)
10. II. Andante (7:00)
11. III. Rondó: Allegretto (2:00)
Mitsuko Uchida, piano

BAIXE AQUI – DOIS DISCOS / DOWNLOAD HERE – TWO DISCS

Marcelo Stravinsky