.: interlúdio :. Bassekou Kouyaté: Segu Blue (ou: sutis sinais malineses da ancestralidade africana do jazz)

.: interlúdio :. Bassekou Kouyaté: Segu Blue (ou: sutis sinais malineses da ancestralidade africana do jazz)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Cada vez que penso no Máli não consigo deixar de lembrar que a primeira caracterização desse país que uma enciclopédia me ofereceu começava dizendo: “um dos países mais pobres do mundo” – afirmação seguida, naturalmente, de uma série de números que, pela mentalidade ocidental dominante, resumem tudo o que existe de relevante no real.

Por isso vocês hão de imaginar meu espanto quando mais tarde descobri que há não tantos séculos assim esse era o nome de um nos impérios mais extensos e poderosos do mundo. Ao ver fotos de crianças lindas e evidentemente bem nutridas às margens do Rio Níger. Ao saber da imensa diversidade étnica e cultural que a região contém, e que se mostra exuberantemente todos os anos no Festival sur le Niger, na cidade de Segu ou Ségou. Diante da espantosa arquitetura em adobe de Djenné ou de Mopti, e dos 600 mil manuscritos remanescentes da universidade medieval de Tombúktu – etc. etc. E, talvez mais que tudo, diante da sutil e refinada tradição de música instrumental que se expressa, por exemplo, em Toumani Diabaté, de que já fiz uma postagem aqui.

O som que trago hoje parecerá menos “clássico” – quem sabe já por envolver palavra cantada em vozes não impostadas -, e não estranharei se alguém disser que “parece tudo igual”. Caso isso aconteça, pedirei antes de mais nada que o ouvinte lembre de conceitos como “minimalismo” antes de descambar pra palavras como “primarismo”; e em segundo lugar que microscopize um pouco mais sua atenção e seus ouvidos, lembrando que, segundo dizem, não apenas o diabo mas também Deus mora nos detalhes (hora em que cabe invocar o desafio de não lembro qual compositor dos anos 60-70 que o Padre Penalva lançava sempre aos seus alunos: “quando estiver achando uma música monótona, desconfie de si mesmo”).

Bassekou Kouyaté já trabalhou com Toumani Diabaté mas não toca a espécie de harpa que é a kora, toca ngoni, instrumento de cordas com braço. Seu conjunto de ngonis, percussão e voz se chama Ngoni Ba, e conta com a participação vocal da sua mulher Ami Sacko. O CD, premiado como o melhor de “world music” em 2007 pela BBC3, tem “blue” no nome. Um disco de blues?

Não. Ou… quem sabe talvez. Ou talvez de certa forma sim… Querem saber? Ouçam! Mas sugiro que também “ouvejam” o primeiro dos vídeos abaixo: no calor da interpretação ao vivo diante da multidão, parece gritante um caráter de blues – e na quietude “cool” da gravação de estúdio onde é que ele foi parar? É a mesma música… Minha impressão é que o tal caráter não está ausente, mas como que “virado para dentro”; ou em estado latente, potencial.

Algum bluesman que tocou com Bassekou (não lembro qual, desculpem, li faz anos) saiu declarando que havia descoberto a região de origem do blues. Suspeito que seja exagero. Quando falo de “ancestralidade” no título não quero dizer que essa música do Máli seja avó do blues ou do jazz ou algo assim, e sim que têm ancestralidade em comum. Afinal, Bassekou Kouyaté vive hoje, nasceu quando Muddy Waters e Howlin’ Wolf já tinham mais de 50 anos (cada!), e as vias que unem a África ao resto do mundo não são de mão única. Bassekou é um cultor atual da música de raiz de sua terra, mas nesse cultivo não deixa de levar em conta o aroma dos frutos que a mesma árvore produziu quando transplantada a outros continentes. E muito mais que um avô, eu o veria como um primo dos jazzmen e bluesmen desse mundo.

Bom, essa a minha impressão – e agora é com vocês.

Bassekou Kouyate & Ngoni Ba: SEGU BLUE (2007)
01 Tabeli te
02 Bassekou
03 Jonkoloni
04 Juru nani
05 Mbowdi
06 The River Tune
07 Andra’s Song
08 Ngoni fola
09 Banani
10 Bala
11 Segu tonjon
12 Sinsani
13- Lament For Ali Farka
14- Segu Blue (Poyi)

. . . . . . . BAIXE AQUI – download here

Ranulfus

.: interlúdio :. Tigran Hamasyan + Areni Agbabian

Não gosto de começar uma resenha de música pelas credenciais do protagonista; parece um apelo à autoridade, um canetaço ineficaz (adianta carteirinha de virtuose se a obra não fala por si?), e um habeas corpus preventivo da resenhista em questão. Mas vejam bem, por favor me permitam notar, que o pequeno Tigran tocou piano em um palco pela primeira vez aos TRÊS ANOS de idade. Não, não sei qual palco, nem de que tamanho, nem se tocou Mozart ou a versão local de Atirei o pau no gato; não especificaram. De toda forma, em 2006 ele conquistou o 1º lugar no prêmio do Thelonious Monk Institute of Jazz, então taí a prova de que aquele talento infantil floresceu e se concretizou. (Se é que prêmio prova alguma coisa. Não, não sei se o instituto de jazz é quente, mas sob o nome do Monk, vale botar fé; ainda que confusamente tenha sido renomeado pra Herbie Hancock Institute of Jazz em 2019. Achei deselegante. Nada contra o Hancock, mas… enfim, essa é outra conversa.)

Hamasyan foi pra escola de jazz aos 9, e continuou os estudos de música na adolescência, quando sua família se mudou para a Califórnia. Mais tarde, retornou à Armênia, e fixou residência em Yerevan. Esse movimento é claro em sua música, que não somente tem influência do jazz west coast americano (e do prog rock), mas também da tradição do folk armênio, incorporando suas escalas e tonalidades. Da mais de dezena de álbuns lançados desde 2006, Shadow Theater, seu segundo para a Verve, é o que mais permanece comigo; em especial pela faixa abaixo, “The Poet”, uma deliciosa e sensível jornada de sofisticado jazz-pop que gruda no ouvido e narra melancolicamente noites tristes e solitárias.

Mas não fica por isso; Tigran demonstra um vocabulário bastante variado, que vai de momentos jazz-trio tradicional e baladas neoclássicas a composições sincopadas que remetem ao zeuhl, como “Alternative Universe”, também nesse álbum. Mas é só dar uma pesquisada no youtube pra perceber que, enquanto bom jazzista, o bicho brilha mesmo é ao vivo — como nessa versão de solos empolgantes da faixa acima, e que bate nos 20 minutos. Outro ponto forte desse álbum é a banda que lhe acompanha, e chama a atenção imediatamente o etéreo canto feminino que divide os vocais.

Não fui só eu que notei; depois de gravar e fazer tournées com Hamasyan, e lançar um disco independente, a sempre antenada ECM foi lá e pescou Areni Agbabian. A americana, que segue a carreira de seu pai, um folclorista armênio, desenvolve sua música calcada na linguagem musical de seus ancestrais, também tomando o piano como instrumento principal, complementando sua voz. O resultado surgiu em Bloom, de 2019; um álbum de canções leves, esparsas, de qualidade quase espectral. “Sereno e surreal na mesma medida“, como bem definiu a AllAboutJazz. Tendo a seu lado um percussionista, que se mantém respeitosamente tímido e, de forma brilhante, se contenta em meramente pontuar e acentuar os devaneios sonoros de Areni, o disco se revela frágil, intimista, e definitivamente belo. Mas não apenas; entre as canções, pequenas vinhetas visitam o avant-garde e trazem experimentações cinemáticas e desconcertantes, demonstrando a curiosidade e as pretensões da jovem artista.

Tigran Hamasyan – Shadow Theater (2013). Aqui.
Areni Agbabian – Bloom (2019). Aqui.

— Blue Dog
bjinos pro Caxo pela dica do Tigran~

.: interlúdio :. Kaori Muraji

.: interlúdio :. Kaori Muraji

Considere o vídeo abaixo:

Seguindo o caminho do interlúdio anterior, continuamos ouvindo violões, por que não. E sobre Kaori, bem; é jovem, linda, e toca de olhos fechados. Que dizer mais? Era daquelas crianças-prodígio, aprendeu a tocar violão com o pai aos três anos, e dali em diante foi conquistando competições e prêmios internacionais — até ser a primeira artista japonesa a assinar um contrato internacional com a Decca.

Credenciais à parte, os ouvidos notam que Kaori leva tudo muito a sério. Tem uma técnica impecável, e suas escolhas nos arranjos não costumam ser bem comportadas. Dos quatro álbuns desde post — talvez 1/5 de sua discografia — , três são de repertório erudito, e se o próprio Joaquín Rodrigo, pouco antes de sua morte, elegeu-a como sua voz no século XXI, a resenha do AMG para “Plays Bach” é bem menos elogiosa. (Este cão, que sabidamente não entende lhufas de música erudita, gostou bastante da segunda parte do cd, em que ela toca sozinha.) O último disco do post é de repertório popular, bem ao estilo balaio de gatos, misturando West Side Story à International Socialista — e se eu prefiro mastigar vidro a ouvir Tears in Heaven outra vez nesta ou em qualquer outra vida, há momentos realmente sublimes, como Jongo, Sunburst e até Merry Christmas Mr. Lawrence (no vídeo abaixo, numa parceria muito bem concatenada com o próprio Saka).

Dito isto, aos álbuns? Blue Dog recomenda a ordem cronológia/de postagem mesmo; Lumières é fabuloso.

P.S.: Atendendo a pedidos, e não tão longe do contexto, participamos que o post de Wes Montgomery para “Full House” foi atualizado com um rip em V0. E no mesmo post foi adicionado um outro álbum — que você também deveria ouvir. Ctrl+clique o link acima pra não esquecer.


Kaori Muraji – Lumières /2005 [V0]
Kaori Muraji: guitar
download / 107MB

01 Gymnopedie No. 1 (Satie)
02 Gymnopedie No. 3 (Satie)
03 La fille aux cheveux de lin (Debussy)
04 Pavane Pour Une Infante Defunte (Ravel)
05 Saudade No. 3 (From Trois Saudades): I Rituel (Dyens)
06 Saudade No. 3 (From Trois Saudades): II Danse (Dyens)
07 Saudade No. 3 (From Trois Saudades): III Fete Et Final (Dyens)
08 2 Barcarolles, Op.60: I Lent, Calme, Dans Une Quietude Expressive (Kleynjans)
09 2 Barcarolles, Op.60: II Allegro (Kleynjans)
10 Fantasie Pour Guitare: I Resolu (De Breville)
11 Fantasie Pour Guitare: II Lent (De Breville)
12 Fantasie Pour Guitare: III Trés Vite (De Breville)
13 Gnossienne No 1 (Satie)
14 Water Color Scalor: I Prelude (Yoshimatsu)
15 Water Color Scalor: II Intermezzo A (Yoshimatsu)
16 Water Color Scalor: III Dance (Yoshimatsu)
17 Water Color Scalor: IV Intermezzo B (Yoshimatsu)
18 Water Color Scalor: V Rondo (Yoshimatsu)
19 Claire de Lune from Suite Bergamasque (Debussy)
20 Summer Knows Theme from “The Summer of ’42” (Legrand)


Kaori Muraji – Viva! Rodrigo /2007 [V0]
Kaori Muraji, guitar; Orquesta Sinfónica de Galícia, reg. Viktor Pablo Pérez. Música de Joaquín Rodrigo
download / 97MB

01 Concierto de Aranjuez – Allegro con spirito
02 Concierto de Aranjuez – Adagio
03 Concierto de Aranjuez – Allegro gentile
04 Sones en la Giralda
05 Concierto para una fiesta – Allegro deciso
06 Concierto para una fiesta – Andante calmo
07 Concierto para una fiesta – Allegro moderato


Kaori Muraji – Plays Bach /2008 [V0]
Kaori Muraji, guitar; Leipzig Bachorchester, reg. Christian Funke
download / 113MB

01 Cembalo Concerto No.2 in E major, BWV 1053 – I. Allegro
02 Cembalo Concerto No.2 in E major, BWV 1053 – II. Siciliano
03 Cembalo Concerto No.2 in E major, BWV 1053 – III. Allegro
04 BWV 1068 Air on the G string
05 Cembalo Concerto No.5 in F minor, BWV 1056 – I. Allegro
06 Cembalo Concerto No.5 in F minor, BWV 1056 – II. Largo
07 Cembalo Concerto No.5 in F minor, BWV 1056 – III. Presto
08 BWV 147 Choral Jesus bleibet meine Freude
09 Partita No.2 in D minor, BWV 1004 – I. Allmanda
10 Partita No.2 in D minor, BWV 1004 – II. Corrente
11 Partita No.2 in D minor, BWV 1004 – III. Sarabanda
12 Partita No.2 in D minor, BWV 1004 – IV. Giga
13 Partita No.2 in D minor, BWV 1004 – V. Ciaconna
14 Menuet, BWV Anh. 114 & 115


Kaori Muraji – Portraits /2009 [320]
Kaori Muraji, guitar
download / 156MB

01 Merry Christmas Mr. Lawrence (Sakamoto)
02 Tango en Skai (Dyens)
03 Tears In Heaven (Clapton)
04 Jongo for guitar(Bellinatti)
05 Energy Flow (Sakamoto)
06 What a Friend We Have in Jesus(Converse)
07 Internationale (De Geyter)
08 Amours Perdues (Kosma)
09 Secret Love (Fain)
10 Porgy and Bess – Summertime (Gershwin)
11 West Side Story – I Feel Pretty (Bernstein)
12 West Side Story – Maria (Bernstein)
13 West Side Story – America (Bernstein)
14 Nocturne No.2 in E flat, Op.9 No.2 (Chopin)
15 Thousands of Prayers (Tanikawa)
16 Träumerei (Schumann)
17 Love Waltz (Neumann)
18 Introduction To Sunburst/Sunburst (York)
19 In My Life (Lennon / McCartney)

Boa audição!
Blue Dog

.: interlúdio :. Human Feel: Galore / John Zorn & Masada String Trio: Haborym — The Book Of Angels Vol 16 / Trio of Doom: Trio of Doom

.: interlúdio :. Human Feel: Galore / John Zorn & Masada String Trio: Haborym — The Book Of Angels Vol 16 / Trio of Doom: Trio of Doom

Bem mais Blue do que Dog, este seu Blue Dog foi acometido por uma belíssima crise de tendinite nos últimos tempos. Parcialmente imobilizado, venho mantendo distância do computador; por sorte ainda sobrou a mão esquerda para apertar o botão de play, o que me tem garantido a sanidade. Mas nada temam, que já vou quase novo. Como ainda me recupero, que tal um post papo curto, com alguns dos discos que eu pretendia ter trazido nesse meio tempo?

Human Feel – Galore /2007 [V0]

Comigo, esse foi um daqueles álbuns que a gente pega sem qualquer pretensão, e meia hora depois se pergunta “mas como é que eu não conhecia isso?” Quarteto sem baixo, com dois sax, guitarra e bateria, nesse disco não começa promissor, até que entra a deliciosamente modal Fuss; a hermepascalínica Cat Heaven; a jazz-metálica Improve. Pra além dessas três, que valem o disco, há muita beleza, inclusive cacofônica, pra ser encontrada.
download – 90MB

01 Tap Master
02 After the Fact
03 Fuss
04 Cat Heaven
05 Improve
06 Fuck the Development of You
07 Serenade
08 Apch Ro Ha
09 Allegiance

John Zorn / Masada String Trio – Haborym: The Book Of Angels Vol 16 /2010 [V0]

Quem sabe, já clicou no link; quem não sabe, que se aventure pelos sabores judaicos do jazz. Como de praxe, os arranjos de Zorn são fabulosos, e a mixagem é fantástica.
download – 78MB

01 Turel
02 Tychagara
03 Carniel
04 Bat Qol
05 Gamrial
06 Elimiel
07 Techial
08 Umikol
09 Malkiel
10 Raamiel
11 Gergot

Trio of Doom – Trio of Doom /2007 [V0]

John McLaughlin na guitarra, Jaco Pastorius no bass, e Tony Williams na bateria. Faixas 1 a 5 gravadas em 3 de março de 1979, no Teatro Karl Marx de Havana, Cuba. Faixas 6 a 10 gravadas cinco dias depois, em Nova Iorque. Edição de 2007 da Legacy. Grande abraço.
download – 75MB

01 Drum Improvisation (Williams)
02 Dark Prince (McLaughlin)
03 Continuum (Pastorius)
04 Para Oriente (Williams)
05 Are You the One, Are You the One? (McLaughlin)
06 Dark Prince
07 Continuum
08 Para Oriente [alt take one]
09 Para Oriente [alt take two]
10 Para Oriente

Boa audição!
Blue Dog

.oOo.

PQP acaba de ouvir os 3 CDs e vai meter sua colher torta: o primeiro é bom, o segundo é esplêndido e o terceiro são três craques com o mesmo resultado de Edmundo, Romário e Sávio no ataque do Flamengo. Ou seja, achei fraquíssimo. Mas é apenas a minha opinião, não vá atrás.

.: interlúdio :. Cannonball & Coltrane

Ainda esses tempos falávamos dos álbuns memoráveis do finalzinho da década de 50. Venho engrossar a lista: gravado em Chicago no dia 3 de fevereiro de 1959, Cannonball & Coltrane é uma sessão do Miles Davis Sextet – sem o líder, claro. Com o chefe longe, Julian Adderley comandou uma bela e descontraída (no feeling, jamais na execução) tarde/noite de perfeito hard bop. Não que tenha deixado Trane em segundo plano; pelo contrário, deu espaços e valorizou, inclusive, suas composições. O trio Kelly / Cobb / Chambers dá o show usual. Talvez quem se sobressaia na cozinha seja este último, que galga incansavelmente o braço de seu baixo durante toda a gravação.

Nos saxofones sincopados em estéreo (Adderley está na esquerda, Trane na direita) de Limehouse Blues, no riff épico e pré-sessentista de Stars Fell On Alabama (belíssimo solo de Coltrane) ou na altíssima velocidade de Grand Central, nota-se um disco tão polido, tão bem executado, que se entende porque o bop estava sumindo do cenário. O que fazer depois de um disco como esse, por exemplo? Qualquer coisa, menos hard bop. Se nada é definitivo, esse álbum é, ao menos, verbete de enciclopédia. Aproveitem a remasterização cristalina – mixagem sutil e inteligente para todos os instrumentos soarem como que captados na semana passada.

Cannonball & Coltrane (320)

Cannonball Adderley: alto sax
John Coltrane: tenor sax
Wynton Kelly: piano
Jimmy Cobb: drums
Paul Chambers: bass
produzido por Jack Tracy para a Mercury

01 Limehouse Blues (Braham, Furber) 4’39
02 Stars Fell on Alabama (Parish, Perkins) 6’15
03 Wabash (Adderley) 5’44
04 Grand Central (Coltrane) 4’33
05 You’re a Weaver of Dreams (Young, Elliott) 5’31
06 The Sleeper (Coltrane) 7’15

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Boa audição!

.: interlúdio :. Max Roach – Jazz In 3/4 Time + Contemporary Noise Quartet – Theatre Play Music

Embora não tenha sido a primeira vez em que valsas foram vertidas para o jazz, Jazz in 3/4 Time talvez tenha sido o obelisco que a ideia necessitava para ser visitada e revisitada com mais frequencia. A proposta do álbum não foi de Max Roach; na verdade, ele ficou bem pouco entusiasmado com o pedido da EmArcy. Mas a partir do resultado, é possível afirmar que um Max Roach de má vontade continua valendo por uns doze virtuoses modernos da bateria, todos altamente motivados e encharcados de energético. E no fim, a gravadora tinha razão — quem melhor poderia comandar as sessões deste disco?

E não fica por aí, porque logo à frente está o saxofone de Sonny Rollins, e um nada tímido Kenny Dorham assume com personalidade o lugar de Clifford Brown, morto um ano antes, no quinteto de Roach. Das sessões originais (15 a 18 de março de 1957, em Nova Iorque) saíram quatro faixas, sendo “Valse Hot”, composição de Rollins, o grande momento do disco. É uma longa jam de 14 minutos — bem mais do que as valsas costumam ser permitidas, mesmo no jazz. O solo do pianista Billy Wallace é delicioso. Na reedição de 2005 que vem nesse post, há ainda outras duas músicas, gravadas um pouco mais tarde, dentro do mesmo conceito. Leve, com andamento e clima transparecendo certa qualidade cinemática, Jazz in 3/4 Time tanto é um estudo de possibilidades quanto um disco de audição extremamente agradável, e pela doçura que geralmente acompanha as valsas, é recomendado para todos os públicos.

Falava em qualidade cinemática? Ano passado descobri um álbum que me remeteu imediatamente a este Jazz in 3/4 Time. Theatre Play Music, como o próprio nome indica, brinca ser trilha incidental; e executa em valsas e tangos um leitmotif menor, tristonho, mas determinadamente belo. O Contemporary Noise Quintet — nome que em nada remete a um grupo de jazz da crescente cena polonesa — tem diversas encarnações (como -Quartet ou -Sextet) e é destas bandas que estão fazendo a ponte entre o jazz tradicional e o século XXI, mundo onde a guitarra ganhou o centro e o rock foi revirando em si até esgotar o post-rock e virar chamber music (há mais elos em Rachel’s do que o ouvido facilmente demonstra). Álbum curto e preciso, Theatre Play Music proporciona pequenas viagens e não nega ter saído do leste europeu; não é ambicioso, mas complementa certeiro, e em belo contraste, o legado valsístico (?) registrado por Roach, 50 anos antes.


Max Roach – Jazz In 3/4 Time /1957 [320]
Max Roach (drums), Sonny Rollins (tenor sax), Kenny Dorham (trumpet), George Morrow (bass), Billy Wallace (piano)
download – 98MB

01 Blues Waltz (Roach)
02 Valse Hot (Rollins)
03 I’ll Take Romance (Oakland)
04 Little Folks (Roach)
05 Lover (Rodgers)
06 Most Beautiful Girl in the World (Rodgers)


Contemporary Noise Quartet – Theatre Play Music /2008 [192]
Kuba Kapsa (piano), Bartek Kapsa (drums), Kamil Pater (guitar), Patryk Węcławek (double bass)
download – 40MB

01 Main Tune
02 Bitches Tune
03 Tango Lesson
04 Main Tune II
05 Gramophone
06 Chinese Customer
07 Chilly Tango
08 Bitches Tune II
09 Main Tune (Waltz version)

Boa audição!
Blue Dog

.: interlúdio :. Elina Duni

Atenção: este post pode levá-lo pra dentro da toca do coelho.

Fosse pressionada a apontar minha maior descoberta nesses anos afastada do PQP Bach, hesitaria pouco antes de apontar Elina Duni. Não apenas por seu estilo único de jazz contemporâneo, mas por ter me arrastado a uma jornada inesquecível e pela qual sou imensamente grata.

Elina nasceu na Albânia em 1981, e aos cinco de idade já estreava em cima de um palco. Mudou-se aos 11, levada pela mãe para a Suíça, fugindo da instabilidade pós-queda do regime comunista. Provinda de uma família artística, não encontrou obstáculos à decisão de estudar jazz, canto e composição. Depois de emprestar seus vocais para a banda de rock kosovar Retrovizorja em 2004, estreou propriamente em 2008, com o belíssimo Baresha, e estabeleceu seu quarteto a partir de 2010, com Lume Lume. Foi o suficiente para que fosse absorvida no elenco da prestigiosa ECM, para quem gravou quatro álbuns desde então.

Se deixou geograficamente a Albânia, não se livrou da paixão que tornou-se sua maior influência e estilo: as canções folclóricas dos Bálcãs. Em seus discos, Elina registra as músicas, muitas vezes anônimas e arraigadas na cultura local, e as traduz para a linguagem do jazz, incorporando elementos como o andamento “irregular” e as danças percussivas, e dando-lhes uma inefável sofisticação que jamais soa esnobe ou distante. Poderia ser uma ponte entre os mundos, mas seu talento não se basta: é também a correnteza desse rio imaginário que separa as Europas — a ocidental, rica e desenvolvida, e a oriental, combalida e de sofrências, mas cujos enclaves repletos de história recusam calar-se.

Elina canta em albanês, búlgaro, grego, romeno, francês; e essa é uma lista resumida. Em quarteto, com piano, baixo e bateria, em dupla com guitarra, ou solo com seu violão, vai construindo uma carreira brilhante, mas cujas peculiaridades — rítmicas, linguísticas — a mantêm um pouco abaixo dos radares. Prefiro assim. O underground faz bem à criatividade, e torna as descobertas ainda mais saborosas.

“Kaval Sviri”, a canção do vídeo acima, é um excelente exemplo do que Elina é capaz. Forte o suficiente para iniciar a canção com um scat de três minutos e meio, mas generosa com seus instrumentistas — o solo do pianista Colin Vallon é excepcional. Sua versão dessa canção tradicional búlgara paga tributo e revive com energia a inventividade e a tensão emocional dessas músicas, potencializando seus efeitos. Minha paixão me levou a cavar e decorar a letra da faixa; a descobrir que o kaval é uma flauta tradicional da região, junto à gaita de foles kaba gaida, e a gadulka, prima da rabeca. Me arremessou a investigar a música ethno búlgara; encontrar o trabalho dos musifolcloristas no pós-Segunda Guerra, que viajavam pelo interior recolhendo as canções e dando-lhes arranjos e memória; compreender o papel fundamental da Balkanton, gravadora estatal que registrava tais trabalhos; embasbacar com a vocalização conversada e rebelde dos corais típicos; decifrar blogs-repositórios cujo cirílico me confunde tanto quanto fascina; cair de quatro pelo alcance e pelas modulações de musas secretas como Olga Borisova e Kalinka Valcheva; descobrir novos grupos de jazz urbano que também valorizam a herança musical da região. (E nem vou começar a falar da Albânia, porque senão esse post não termina.) Há artistas envolventes, e há Elina, que não pede licença para provocar esses afetos e transtornar qualquer trajetória linear. Kaval sviri, mamo, gore dole. Gore dole, mamo, pod seloto. Ja shte ida, mamo, da go vidja. Da go vidya, mamo, da go chuja. Eu concordo: ouço o kaval sendo tocado na cidade, mamãe, e estou indo dançar.

Escolher um dos álbuns de Elina para compartilhar foi terrivelmente difícil, mas optei por Lume Lume por ser composto de 90% versões dos Bálcãs, e especialmente cativante. O encarte incluso no pacote informa as origens e reconta as letras — quase sempre pungentes e doloridas. Acredito desnecessário sugerir que, em caso de curiosidade e qualquer pequeno encantamento, se vá atrás de seus outros álbuns. Intimistas, de difícil tradução, mas de imediato carisma, provocam uma audição altamente gratificante — e cheia de pequenas surpresas e apaixonamentos. Ou, ocasionalmente, a tradução é fácil mesmo: antes do link, deixo vocês com essa versão cortante de Amália Rodrigues, registrada no disco solo Partir, de 2018.

Elina Duni Quartet – Lume Lume (2010). Aqui.

E se eu não for expulsa de vez do PQP por furar a fila de postagens e ainda cometer um duplo interlúdio, logo mais eu volto.

—Blue Dog

.: interlúdio :. Wes Montgomery: Smokin’ at the Half Note

.: interlúdio :. Wes Montgomery: Smokin’ at the Half Note

Sim, é verdade: Blue Dog esteve numa jornada ao centro da Terra e voltou pra contar a história. No entanto, foi constatado mais uma vez que ninguém presta atenção no que diz um cachorro — principalmente quando ele trata de si na terceira pessoa — , e como PQP encerrou o assunto com um peremptório “passa já pra dentro!”, o melhor que ele faz é retomar logo suas antigas atribuições.

Antes de trazer à tona novidades e avantgardismos resultantes das escavações, este post não precisa fazer qualquer esforço para agradar: chega logo propondo um disco de fácil consenso e clara influência. Trata-se de Wes Montgomery e a seção rítmica clássica de Miles Davis. Wes é gentil, faz jazz com aquele acento de blues, pode ser servido à mesa. O ouvinte se pega várias vezes prestando mais atenção na bateria do que no instrumento principal. Estamos todos em casa, felizes? Então bueno, que bueno.


Wes Montgomery – Smokin’ at the Half Note /1965 [V0]
—-> download – 68MB
Wes Montgomery (guitar),
Wynton Kelly (piano),
Paul Chambers (bass),
Jimmy Cobb (drums)
.

Faixas 1 e 2 gravadas ao vivo em junho de 1965. Faixas 3 a 5 gravadas em estúdio, em 22/07/1965. Produzido por Creed Taylor para a Verve

01 No Blues (Davis) 13′
02 If You Could See Me Now (Dameron, Sigman) 6’45
03 Unit 7 (Jones) 7’30
04 Four on Six (Montgomery) 6’45
05 What’s New? (Haggart, Burke) 6’00

Boa audição!
Blue Dog

.: interlúdio :. Joni Mitchell: Mingus

.: interlúdio :. Joni Mitchell: Mingus

(PQP garante: este é um dos melhores discos que ele já ouviu).

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Tropeçava em latas de lixo quando encontrei a capa abaixo, e imediatamente me vi cheio de interrogações.

Joni Mitchell? Mingus? Que diabos. Ou, que diabos Mitchell está fazendo com Mingus? Por aí já podem notar minha desconfiança em relação à cantora. Mas eu prefiro ficar surdo a desistir antes de tentar. E lá fui, farejando, descobrir que Joni foi criticadíssima à época do disco, 1979; apontaram-na como decadente, esnobe por tentar dar verve ao pop, tentando pegar uma carona na então recente morte do underdog.

Mas quando se cava mais um pouco, se descobre que Mingus havia chamado Joni para ajudá-lo a musicar o Four Quartets de T. S. Eliot alguns meses antes, o baixista já imobilizado pela doença que o mataria em seguida. E que, fruto disso, cresceu a amizade – e mesmo Joni pôde sair de um bloqueio criativo que a consumia durante longo tempo. Donde o disco-homenagem, que ela não imaginava que seria póstumo. Tanto que Mingus só não chegou a escutar uma das faixas, a primeira, composição totalmente dela – ao invés das outras, versões de Mingus, com letras por Joni escritas, e abençoadas pelo mestre.

Não apenas na aura criada pelo duo; Joni, que não era boba, cercou-se de um pequeno grupo de pilares do jazz para gravar o álbum. Em Mingus, a base é a do Weather Report – confira a nominata logo abaixo. (Ame ou odeie o fusion, todos sabemos dos pedigrees.) Aqui só adianto que é um dos mais brilhantes, e por vezes experimental, trabalhos de Jaco Pastorius. Seu baixo é o condutor dessas faixas de um jazz relaxante, espaçado, cheio de respiros – e sim, sob bela e macia voz, bem colocada, discreta. Os detratores estavam errados. Ou com ciúmes. Ainda: um atrativo a mais são os “raps” que entremeiam as canções – vinhetas com gravações de Mingus em conversas, cenas cotidianas, até um scat em duo com Joni. (O que, inclusive, faz deste um disco curto, de apenas seis músicas.)

Joni Mitchell – Mingus (1979)
Joni Mitchell: guitar, vocals
Jaco Pastorius: bass
Wayne Shorter: soprano saxophone
Herbie Hancock: electric piano
Peter Erskine: drums
Don Alias: congas
Emil Richards: percussion

produzido por Joni Mitchell para a Asylum

01 Happy Birthday 1975 (Rap) 0’57
02 God Must Be A Boogie Man (Mitchell) 4’35
03 Funeral (Rap) 1’07
04 A Chair in the Sky (Mingus) 6’42
05 The Wolf That Lives in Lindsey (Mingus) 6’35
06 I’s a Muggin’ (Rap) 0’07
07 Sweet Sucker Dance (Mingus) 8’04
08 Coin in the Pocket (Rap) 0’11
09 The Dry Cleaner from Des Moines (Mingus) 3’21
10 Lucky (Rap) 0’04
11 Goodbye Pork Pie Hat (Mingus) 5’37

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Joni & Mingus em linda foto
Joni & Mingus em linda foto 2
Vejam só quem está no disco. Erskine, Mitchell, Pastorius e Hancock. Poderia dar errado?

Boa audição!
Blue Dog

.: interlúdio :. Louis Armstrong & Ella Fitzgerald: Porgy & Bess

.: interlúdio :. Louis Armstrong & Ella Fitzgerald: Porgy & Bess

IM-PER-DÍ-VEL !!!

O JAZZ RELÊ A RELEITURA QUE GERSHWIN FEZ DO JAZZ…

Louis Armstrong + Ella Fitzgerald + Porgy & Bess = Clássico Absoluto. Reunir dois mestres em seus respectivos “intrumentos” tocando o maior clássico da música americana do século XX só poderia dar um resultado: absolutamente fantástico.

Louis e Ella, Ella & Louis, Porgy & Bess… este CD nem precisa ser comentado. Na verdade, tem de ser ouvido, e ouvido novamente, e novamente ouvido… garanto que nunca vão se cansar.. desde o arranjo inicial da abertura, a famosa dupla mostra o porquê de serem considerados ícones do Jazz do século XX. Não dá para não se emocionar com Ella & Louis cantando Sumertime, Ou Ella lamentando em “My man´s gone now”, Louis solando em “I Got plenty of Nuttin”… Não esqueçam de apertar o botão de play novamente quando o CD terminar. Garanto que nunca irão se cansar.

louis-and-ella

Louis Armstrong & Ella Fitzgerald – Porgy & Bess

1. Porgy And Bess: Overture
2. Summertime
3. I Wants To Stay Here
4. My Man’s Gone Now
5. I Got Plenty O’ Nuttin’
6. Buzzard Song
7. Bess You Is My Woman Now
8. It Ain’t Necessarily So
9. What You Want Wid Bess?
10. A Woman Is A Sometime Thing
11. Oh, Doctor Jesus
12. Porgy And Bess: Medley: Here Come De Honey Man / Crab Man / Oh, Dey’s So Fresh And Fine
13. There’s A Boat Dat’s Leavin’ Soon For New York
14. Bess, Oh Where’s My Bess?
15. Oh Lawd, I’m On My Way

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

A perfeição: Ella Fitzgerald e Louis Armstrong
A perfeição: Ella Fitzgerald e Louis Armstrong

Postado por FDP EM 17.05.2008
Revalidado várias vezes

.: interlúdio :. Hiromi Uehara – Voice (2011)

.: interlúdio :. Hiromi Uehara – Voice (2011)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Quando postei de enfiada 6 CDs de Hiromi Uehara, escrevi que ela melhorava a cada disco que lançava. Então, dando-me razão, o Bluedog me apresentou seu mais recente trabalho, o maravilhoso, puramente instrumental e paradoxal Voice. Olha, meus amigos, que CD! O vídeo de lançamento (abaixo) talvez não demonstre o quanto é sólido, consistente, PAULEIRA e sério este trabalho de Hiromi. É inacreditável tamanha maturidade aos 32 anos, ainda mais com aquela cara de bonequinha japonesa.

Após um CD solo, o esplêndido Place to be Hiromi traz em Voice um formato trio piano-baixa-bateria e dá um banho. Como já disse, ao contrário de muitos outros artistas que se estabelecem numa zona de conforto, ela continua a evoluir e a redefinir seu estilo até o ponto onde se torna quase impossível imitá-la. É uma tempestade perfeita de talento técnico e criatividade musical, misturando elementos díspares da música clássica, bebop, jazz, fusion e rock como ninguém fez antes.

Em Voice, Hiromi usa e abusa dos ostinati como poucas vezes ouvi um pianista de jazz fazer. Se estilo está mais polifônico e variado do que nunca e seus companheiros… e seus companheiros… Vou até abrir um parágrafo para eles.

Este álbum apresenta uma “banda” nova chamado Trio Project. O baixista é o célebre Anthony Jackson, que trabalhou com Al Di Meola no seu trio de álbuns fusion, marcos da década de 70. Ele trabalhou com muita gente boa longo dos anos, inclusive em dois ábuns anteriores de Hiromi: Another Mind e Brain — ambos postados por este que vos escreve. O baterista é o igualmente maravilhoso Simon Phillips, que muitas vezes parece um metaleiro. (Ouçam-no no vídeo abaixo playing very difficult music…). Apesar de mais conhecido por seu trabalho com Chick Corea, Simon já tocou com artistas como Judas Priest, Jeff Beck, Jack Bruce, Brian Eno, Mike Oldfield, Gary Moore e Mick Jagger, além de ter substituído Keith Moon no The Who do disco Join Together.

Hiromi, Jackson e Phillips complementam-se de forma incrível. Se Hiromi é uma orquestra inteira, Jackson traz o mais puro jazz fusion através de seu baixo e Phillips dá uma intensidade de metal drumming ao todo.

Mais uma joia postada por mim nesta semana e ah!

Talvez como uma homenagem a quem melhor utiizava os ostinati e para garantir o caráter macho do disco — OK, e também para que nosso coração volte a seu ritmo normal depois de tanta velocidade, musicalidade e, bem, pauleira — , Voice finaliza calmamente com uma improvisação sobre a Sonata Nº 8 de Beethoven, Patética. Sim, é o máximo da finesse.

Hiromi Uehara – Voice (2011)

1. Voice (9:13)
2. Flashback (8:39)
3. Now or Never (6:16)
4. Temptation (7:54)
5. Labyrinth (7:40)
6. Desire (7:19)
7. Haze (5:54)
8. Delusion (7:47
9. Beethoven’s Piano Sonata No. 8, Pathetique (5:13)

Hiromi Uehara, Piano
Anthony Jackson, Baixo
Simon Phillips, Bateria

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Hoje, aos 38 anos, com a mesma cara, já os cabelos...
Hoje, aos 38 anos, com a mesma cara, já os cabelos…

PQP

.:interlúdio:. A primeira explosão jazzística de uma estudante de piano clássico: Nina Simone, Little Girl Blue (1958)

.:interlúdio:. A primeira explosão jazzística de uma estudante de piano clássico: Nina Simone, Little Girl Blue (1958)

Nina Simone / Little Girl Blue[Postado originalmente em 18.10.2010]

Resolvi fazer minha primeira incursão no jazz neste blog. Como o colega PQP disse de si, não sou nenhum especialista nesse gênero: nem pensem em discutir comigo detalhes de estilos, gravações, nomes – mas, como em quase todos os campos, tenho minhas paixões também no jazz – e esta é provavelmente a maior. Não estranhem, portanto, que se trate de alguém que chegou a esse campo por uma porta lateral ou dos fundos, ou que fez qualquer caminho que não o mais usual em qualquer coisa: quase todas as minhas paixões são assim!

Nina Simone http://i33.tinypic.com/2rgjpsn.jpg

Miss Simone, ou melhor, Eunice Kathleen Waymon (com 36 anos na foto ao lado), começou com o piano aos 3 anos e fez um caminho de aprendizado clássico, como se nota das inflexões chopinianas da faixa 9 e sobretudo nas bachianas por toda parte, em especial na faixa 7.

Acontece que os recursos para bancar os estudos, pra variar um pouquinho, eram escassos, e Miss Waymon começou a levantar uns trocos tocando e cantando na noite – coisa que a senhora sua mãe pastora metodista fundamentalista não podia saber de jeito nenhum, pois apesar de não haver lido Drummond jamais consideraria isso uma solução, apenas uma quase-rima: com DEMON.

Foi assim que nasceu uma nova pessoa: Nina Simone – que levou uma vida tão cheia de aventuras e desventuras (pelo Caribe, África e França, inclusive impedida – acreditem – de voltar aos EUA por razões legais) que vocês deveriam procurar ler sobre ela em algum lugar.

Em 1958 sai então o primeiro disco dessa figura, então com 25 anos: Little Girl Blue. Estou dizendo porque todas as fontes dizem, mas não estranho se vocês duvidarem como eu duvidei: “isso não pode ser um disco de estreia!”

Não ouso dizer que seja um dos melhores discos da história do jazz porque, como já disse, não sou especialista e poderia ser apedrejado. Mas para mim, meu sentir pessoal, é um dos discos mais belos da história, ponto. Sim, yes, ja, oui: outros podem sentir diferente, mas eu sinto isso, digo há tempos e a impressão não parece querer mudar.

Mas como cada um é cada um, sugiro que vão sem nenhuma expectativa – como, aliás, acho que a gente devia ir sempre a qualquer coisa nova, não?

Nina Simone: Little Girl Blue (1958)
01 – Mood indigo [originalmente faixa 02]
02 – Don’t smoke in bed
03 – He needs ne
04 – Little girl blue
05 – Love me or leave me
06 – My baby just cares for me
07 – Good bait
08 – Plain gold ring
09 – You’ll never walk alone
10 – I loves you, Porgy [originalmente faixa 01]
11 – Central Park Blues
[Faixas-bônus – posteriores – incluídas na fonte utilizada]
12 – He’s got the whole world in His hands
13 – For all we know
14 – African mailman
15 – My baby just cares for me (extended version)

. . . . . BAIXE AQUI – download here

LINK ALTERNATIVO

Nina Simone
Nina Simone

Ranulfus

.: interlúdio :. The Necks: Chemist

.: interlúdio :. The Necks: Chemist

“This is apparently the thirteenth release by the Necks, and this reviewer is ashamed to admit that it’s the first one he’s heard, especially when the music is singular enough to satisfy the average iconoclast status to which this reviewer would make no claim, incidentally.”

Faço minha a confissão de Nic Jones, do All About Jazz — até me sinto melhor por ter chegado atrasado. Estou postando este disco de supetão: descobri-o hoje cedo e não pude parar de ouvi-lo desde então, e estou louco pra chegar em casa e escutá-lo com a devida atenção, nas minhas queridas e pesadas caixas de som, ao invés desses fones de ouvido vazando o entrecortado ambiente de trabalho.

O The Necks é um trio australiano cuja exploração se dá num espectro bastante específico, e pouco revisto, do jazz: o minimalismo. “Chemist” evoca os drone blues de La Monte Young, as texturas de Steve Reich e os espaços acústicos dos discos de Miles Davis entre 1969 e 1970; um jazz que evolui muito lentamente, hipnotizando. Não há canções, e os temas desenvolvem-se sem objetivo que não o de observar a própria trajetória — mas, ao contrário do que se poderia esperar, não é enfadonho, nem carece de um melhor arranjo. Inclusive recebe bem ouvintes de jazz de quaisquer vertentes — que não tenham transtorno de déficit de atenção, preferencialmente, para encarar as faixas de mais de 20 minutos — , pois é um disco límpido, suave e bem-articulado.

E já que eu afanei a introdução da resenha do Nic Jones, roubo o fecho também.

“Ultimately, the chasm between being genuinely creative and simply going over the same old ground is arguably as wide as it’s ever been, and this group comes down firmly on the side of the former.

Now, these ears have got some catching up to do.”

The Necks – Chemist /2006 [V0]
Chris Abrahams: piano, keyboards
Lloyd Swanton: bass
Tony Buck: drums, percussion, guitar

download – 98MB

01 Fatal
02 Buoyant
03 Abillera

The Necks
The Necks

Boa audição!
Blue Dog

.: interlúdio :. Art Blakey & Thelonious Monk

.: interlúdio :. Art Blakey & Thelonious Monk

Caminhando uma noite qualquer por Nova York nos anos 40 ou 50, você podia acabar caindo em um clube – digamos, Minton’s ou Five Spot – e dar de cara com músicos como Monk, Coltrane e Dizzy Gillespie cozinhando revoluções no jazz. Rio de Janeiro, começo dos anos 60, se passasse pelo pequeno Beco das Garrafas, a sensação não seria diferente: jovens estudados em discos americanos injetavam novas possibilidades na bossa nova criando o samba-jazz.

São Paulo, 2010, por uma rua do Centro ou Pinheiros, momento parece oferecer efervescência similar. Jovens na faixa dos vinte e algo se juntam em diversas formações e dezenas de grupos, tocam em cada vez mais casas dedicadas ao gênero, para um público cada vez maior e mais interessado e trazem novas idéias ao jazz feito na cidade.

Continuando uma tradição paulistana que já viveu momentos de auge nos bares do Centro como Baiúca e Juão Sebastião Bar na década de 50 e pequenos bares como Supremo Musical nos anos 00, hoje você pode sair em qualquer dia da semana e ouvir música criada no calor do momento.

Saiu matéria sobre a nova cena de jazz paulista na Folha de hoje. Vale mais a pena ler no blog do autor a versão original/expandida, e com vários links, aqui: http://vitrola.blogspot.com/2010/05/jazz-sao-paulo-2010.html

É uma excelente notícia. Fazemos música de tantos estilos, porque não o jazz? Ora bolas. Deveria ser fácil sair à noite para ocupar um bom bar de jazz. Pelo jeito, em SP isso está se tornando possível. No vilarejo onde moro, infelizmente, isso não passa de sonho. Ficarei invejando.

(Os leitores estão convidados a usar os comentários para dar suas dicas locais de jazz, se houver. E eu faço votos que haja.)

——

Sem nenhuma relação aparente, mas pra não fazer um post sem música, deixo um disquinho fantástico. (Que sempre começo ouvindo pelo lado B. Mania.) Quem quiser um review, pode ler aqui, do AMG; quem gosta de efemérides pode viajar na imaginação. O álbum foi gravado em duas sessões, 14 e 15 de maio de 1957, ou seja: praticamente aniversariando. (É uma bobagem, mas acrescenta um certo sabor. Ou sou só eu?)

Art Blakey’s Jazz Messengers with Thelonious Monk /1958 (V2)

A
01 Evidence (Monk)
02 In Walked Bud (Monk)
03 Blue Monk (Monk)
B
04 I Mean You (Monk, Hawkins)
05 Rhythm-A-Ning (Monk)
06 Purple Shades (Griffin)

Bonus tracks (edição de 1999)
07 Evidence [alt take]
08 Blue Monk [alt take]
09 I Mean You [alt take]

Art Blakey: drums
Thelonious Monk: piano
Johnny Griffin: tenor saxophone
Bill Hardman: trumpet
Spanky DeBrest: bass
Produzido por Nesuhi Ertegün para a Atlantic

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Art Blakey e Thelonius Monk pegando aquele bus esperto
Art Blakey e Thelonius Monk pegando aquele bus esperto

Boa audição!
Blue Dog

.: interlúdio – 3x Coltrane :.

.: interlúdio – 3x Coltrane :.

Podem acusar este cão de pouco original. Mas lá vou eu me debater outra vez com uma sensação frequente ao ouvir Coltrane: a de que não posso ouvir outro disco de jazz até escutar, com toda a atenção do mundo, tudo o que ele gravou. Acontece só com ele. Outros artistas (mesmo Miles ou Mingus) são mais generosos e permitem idas e vindas, misturas entre sessões, são até mesmo respiros em playlists. Coltrane, ao contrário, tem um magnetismo que abraça e encerra o ouvinte. Talvez porque, ao contrário de Miles ou Mingus, Trane pareça limitado. Ainda que tenha andado por muitos caminhos em sua carreira, nele há mais unidade. É um universo que soa menor, e disso alcança vastidão tão grande como aqueles com quem o comparo.

Ou ainda, esse texto mostra bem como me sinto escutando alguns de seus solos: girando fascinado à procura de um sentido que parece superior, e que só pode ser compreendido com mais e mais audições, e atenções, e dedicação. Junto com os saxofonistas tenores Coleman Hawkins, Lester Young e Sonny Rollins, Coltrane mudou as perspectivas de seu instrumento. Coltrane recebeu uma citação especial do Prêmio Pulitzer em 2007, por sua “improvisação, musicalidade suprema e por ser um dos ícones centrais na história do jazz.”

(Além disso, não temos a discografia completa de Coltrane no PQP. Adiciono três capítulos, em 320kbps. Se for pegar um só, escolha Crescent. Claro que Giant Steps é ícone do jazz modal e tudo o mais, porém o encanto de Crescent está exatamente no inverso disso. São quatro baladas e um blues, de encantos simples e arrebatadores.)

 


John Coltrane – Giant Steps (1960; 1974 edition)
download – 138MB

John Coltrane: tenor saxophone, band leader
Paul Chambers: double bass
Art Taylor: drums
Tommy Flanagan: piano
Jimmy Cobb: drums (track 6)
Wynton Kelly: piano (track 6)
Lex Humphries: drums (tracks 8/9)
Cedar Walton: piano (tracks 8/9)
Produzido por Nesuhi Ertegun para a Atlantic

01 Giant Steps 4’43
02 Cousin Mary 5’45
03 Countdown 2’21
04 Spiral 5’56
05 Syeeda’s Song Flute 7′
06 Naima 4’21
07 Mr. P.C. 6’57
08 Giant Steps [alt take] 3’40
09 Naima [alt take] 4’27
10.Cousin Mary [alt take] 5’54
11.Countdown [alt take] 4’33
12 Syeeda’s Song Flute [alt take] 7’02

John Coltrane – Coltrane’s Sound (gravado em 1960; lançado em 1964)
download – 114MB

John Coltrane: sax soprano, sax tenor
Steve Davis: Bass
Elvin Jones: Drums
McCoy Tyner: Piano
Produzido por Nesuhi Ertegun para a Atlantic

01 The Night Has a Thousand Eyes 6’42
02 Central Park West 4’12
03 Liberia 6’49
04 Body and Soul 5’35
05 Equinox 8’33
06 Satellite 5’49
07 26-2 6’12
08 Body and Soul [alt take] 5’57

John Coltrane – Crescent (1964)
download – 84MB

John Coltrane: tenor saxophone
Jimmy Garrison: double bass
Elvin Jones: drums
McCoy Tyner: piano
Produzido por Bob Thiele para a Impulse!

01 Crescent 8’41
02 Wise One 9’00
03 Bessie’s Blues 3’22
04 Lonnie’s Lament 11’45
05 The Drum Thing 7’22

PS: O vídeo abaixo vai como brinde, para quem já conhece Giant Steps (a faixa) e quer tocar junto em casa. Guitar Hero é uma ova.

Boa audição!

1000x Coltrane
1000x Coltrane

Blue Dog

.: interlúdio :. Quarteto Novo

Publicado originalmente em 07.09.2012

De vez em quando acontecem esses momentos musicais que são como eclipses. E este é daqueles raros, seculares; talvez o melhor disco de música instrumental feito no Brasil em todos os tempos.

Viveu pouco, porém forte, o Quarteto Novo. Que nasceu Trio Novo em 1966, meio punhado de músicos para acompanhar Geraldo Vandré num programa de tevê patrocinado pela farmacêutica Rhodia. Que no ano seguinte não renovaria seus contratos publicitários, deixando o grupo à sorte. Sorte mesmo: pois que quando um flautista chamado Hermeto Paschoal juntou-se, em 1967, à Theo de Barros, Heraldo do Monte e Airto Moreira, Vandré resolveu bancar do próprio bolso ensaios e turnês do grupo. Que durou apenas mais dois anos, e deixou apenas um disco, que saiu pela Odeon; e que disco é, caros amigos. Tivesse feito mais um ou dois desses e hoje o mundo seria diferente. O brazilian northeastern jazz seria nosso principal produto de exportação e influência musical. Não que tenha passado despercebido, longe disso. Diga “Quarteto Novo” a qualquer expert internacional do jazz e presencie uma cascata de elogios maior do que sou capaz de reproduzir. (Última reedição é da Blue Note, inclusive.)

Patriotismo (que não me pertence) à parte, puxa vida: se fosse sempre possível elevar dessa forma nossas mais brazucas expressões musicais. Como toda junção de estilos bem feita, não se trata de uma soma simples; é um caldo cozido a fogo lento e onde os sabores se entranham uns nos outros. A linguagem do jazz se adapta tanto à marcação de samba quanto ao 2/4 do baião; as linhas de flauta substituem os trompetes tradicionais (e a voz — lembrem que era 1967 e a bossa nova mandava e desmandava); a guitarra vai dar norte a Pat Metheny e, quando sai de lado para a viola ou violão de 12 cordas, se ouve tudo que Duofel vai fazer nos próximos 40 anos. O álbum flutua no mapa e vai do sertão (Algodão) à Nova York (mas) (Vim de Sant’ana) voando numa nuvem. Às vezes é Lampião de terno, batendo triângulo com Dolphy num bar de Chicago; noutras é Wes Montgomery comendo torresmo e tocando com o dedão engraxado. Imaginário à parte, a sofisticação dos arranjos; coisa fina como pouco se vê fazerem aqui, e já há tanto. Também o fato de uma banda que parece saber telepatia musical; Barros usando com a mesma sabedoria tanto contrabaixo elétrico como double bass, Airto Moreira simplesmente assinando um contrato com o futuro, na primeira linha do jazz internacional pro resto da vida. E a flauta-abraço de Hermeto, com sua performance singular e seu toque de Midas na alma: impossível ouvir Hermeto sem brotar um sorriso na cara.

Quarteto Nôvo – 1967: Quarteto Nôvo (320 kbps)
Theo de Barros: violão, contrabaixo
Heraldo do Monte: guitarra, viola caipira
Airto Moreira: bateria, percussão
Hermeto Pascoal: flauta, piano, arranjos.

01 O Ôvo (Vandré/Pascoal)
02 Fica Mal com Deus (Vandré)
03 Canto Geral (Vandré/Pascoal)
04 Algodão (Gonzaga/Dantas)
05 Canta Maria (Vandré)
06 Síntese (Monte)
07 Misturada (Moreira/Vandré)
08 Vim de Sant’Ana (Barros)
Faixas-bônus da reedição de 1993
09 Ponteio (Lobo)
10 O Cantador (Caymmi/Motta)

.  .  .  .  .  .  .  BAIXE AQUI – download here
link alternativo (com senha) nos comentários

Boa audição, e bom feriado!
Blue Dog
(post renovado por Ranulfus, em consequência
do comentário entusiasmado do leitor Sal)

.: interlúdio: billie, ella, sarah, dinah :.

.: interlúdio: billie, ella, sarah, dinah :.

Link revalidado por PQP numa segunda-feira…

Eis uma postagem bastante sabatina: sem nenhum esforço. Essa caixinha com 4 cds — lançada somente aqui no Brasil — traz coletâneas, e embora saibamos que todo “best of” é um abcesso, em certos casos podem ter algum valor de iniciação, descoberta, ou mesmo pela preguiça. É só carregá-los na playlist (rip da casa, altíssima qualidade), apertar o botão de “shuffle” e abrir o vinho.

Ah: e aumentar bastante o volume. (A não ser que o domingo seja enamorado. As divas compreendem.)

Billie Holiday – download (131MB)
01 Summertime 02 What A Little Moonlight Can Do 03 Easy To Love 04 Billies Blues 05 Georgia On My Mind 06 I Cover The Waterfront 07 These Foolish Things 08 Pennies From Heaven 09 Nice Work If You Can Get It 10 Night And Day 11 They Can’t Take That Away From Me 12 The Way You Look Tonight 13 Easy Living 14 God Bless The Child 15 I Must Have That Man 16 You Showed Me The Way 17 My Man 18 I Can’t Believe That You’re In Love With Me 19 All Of Me 20 Body And Soul

Dinah Washington – download (133MB)
01 I Concentrate On You 02 I Won’t Cry Anymore 03 Mad About The Boy 04 Manhattan 05 September in The Rain 06 What Diference A Day Makes 07 All Or Nothing 08 When A Woman Loves a Man 09 Blow Top Blues 10. Embraceable You 11 Evil Gal Blues 12 Homeward Bound 13 I Can’t Get Started 14 Postman Blues 15 Rich Man Blues 16 Wise Woman Blues 17 Mellow Mama Blues 18 I Know How To Do It 19 Salty Papa Blues 20 No Voot, No Boot

Ella Fitzgerald – download (124MB)
01 Undecided 02 Petootie Pie 03 Chew Chew Chew Your Bubble Gum 04 I’m Beginning To See The Light 05 Stone Cold Dead In The Market 06 Into Each Life Some Rain Must Fall 07 Taint What You Do I’ts The Way Do It 08 Five O’ Clock Whistle 09 It’s Only A Paper Moon 10 Cow Cow Boogie 11 Imagination 12 All Or Nothing At All 13 A Tisket, A Tasket 14 Cryin’ Mood 15 How Hogh The Moon 16 If Yoou Should Ever Leave Me 17 Rock It For Me 18 Shine 19 Sing Song Swing 20 Mr. Paganini

Sarah Vaughan – download (92MB)
01 If You Could See Me Now 02 Sweet Affection 03 Are You Certain 04 That Old Black Magic 05 What’s So Bad About It 06 Separate Ways 07 Broken Hearted Melody 08 Friendly Enemies 09 I’ve Got The World On A String 10 Misty 11 Mary Contrary 12 Careless 13 What More Can A Woman Do 14 Perdido 15 The Nearness Of You

Sarah Vaughan manda um beijo pro pessoal do PQP Bach.
Sarah Vaughan manda um beijo pro pessoal do PQP Bach.

Bom sábado!

Blue Dog

Friedrich Gulda (1930-2000): Jazz Works – com J.J.Johnson, Freddie Hubbard, Sahib Shihab e Eurojazz Orchestra

IMG_20160602_080123bNão se enganem: isto não é uma “curiosidade” que “talvez valha a pena baixar”… É Música com M Maiúsculo.

Não se costuma pensar em Gulda como compositor e sim como pianista – e muitas vezes como um pianista questionável por suas ousadias heterodoxas, mesmo tendo sido professor de gente como Marta Argerich e Claudio Abbado – mas aqui Gulda comparece não só como pianista, mas também como band leader e autor das três composições, cuja proposta vamos deixar que ele mesmo explique:

    Music for Four Solists and Band No. 1 é uma nova obra em uma série de composições em que venho tentando abrir para o jazz as formas clássicas maiores (sonata, sinfonia, concerto etc.). Creio que até agora o jazz se confinou em formas muito estritas e esquemáticas – quase só a da canção ou balada de 32 compassos e do blues de 12 compassos. Hoje muitos músicos jovens vêm se dando conta da limitação dessas formas, e tentam libertar-se delas de golpe, abrindo mão de toda e qualquer forma e jogando fora tudo o que foi legado pela tradição (free jazz).

    Eu acredito que há outra saída: não é apenas explodindo as formas que o jazz teve até agora que seus limites podem ser dilatados, mas também mediante o seu enriquecimento através das grandes formas clássicas. Europeu que sou, este último caminho me parece o mais frutífero. Tenho a sensação de que simplesmente ainda não foram percebidas as possibilidades que nossa grande tradição musical oferece ao jazz. Longe de esgotadas, essas possibilidades são novas e vigorosas. Os jazzistas europeus se miram em New Orleans, Harlem ou no South Side de Chicago, mas nem assim conseguem assimilar a tradição do negro americano em sua plenitude. Nunca entendi por que não recorrem mais intensamente à sua própria tradição!

    A Music for Four Solists and Band é uma obra para quatro solistas – trompete, trombone, sax barítono alternado com flauta, e piano – na forma clássica de concerto em três movimentos: 1º: Forma-de-sonata com uma introdução lenta, exposição, desenvolvimento, reexposição e coda. – 2º: Balada com um e meio “choruses” (variações), com introdução e cadência do piano. – 3º: Rondó. […]  (Traduzido por Ranulfus)

Ou seja: a cooperação entre tradição clássica e jazz que Gulda propõe e realiza não é um maneirismo: uma descaracterização de composições clássicas interpretando-as à maneira de jazz, nem uma descaracterização do jazz interpretando-o à maneira clássica (p.ex. em arranjos para orquestra sinfônica): trata-se de “jazz de verdade” – em suas características harmônicas, melódicas, rítmicas, tímbricas, prosódicas, etc. – que apenas faz uso complementar de técnicas composicionais originárias da tradição europeia. E a isso este monge só pode voltar o entusiasmo devido a uma realização intelectual do mais alto nível!

Nas duas outras peças do disco vemos um caminho misto: o “Minueto” não se restringe a um uso de forma: este mescla, sim, materiais melódicos, rítmicos, harmônicos, bem como estilos de interpretação, de origem europeia e jazzística. Que cada um avalie como lhe aprouver; da minha parte, não deixo de achar uma peça encantadora.

Já no “Prelúdio e Fuga”, peça para piano solo que conclui o disco, temos um prelúdio (forma livre) em que predomina a vertente europeia, e uma fuga (forma fortemente regrada) onde predomina o jazz: bem o contrário do que seria de esperar, no que talvez possamos ver mais um exemplo da verve intelectual do Sr Friedrich. (Vale ainda notar que mais tarde esta Fuga foi gravada mais de uma vez pelo recém-falecido Keith Emerson – inclusive no álbum ao vivo Welcome back, my friends, to the show that never ends, postado aqui recentemente pelo colega FDP, onde mesmo um fã de E.L.& P., como eu, tem que reconhecer que Keith não se saiu muito bem).

Digno de nota, ainda, que colaborem com Gulda neste seu projeto cinco dos maiores jazzistas estadunidenses da segunda metade do século XX – quatro deles negros: além dos solistas nomeados logo abaixo, Ron Carter foi o baixista e Mel Lewis o baterista da “Eurojazz Band”, ao lado de nove jazzistas nascidos de fato na Europa.

Finalmente: esta postagem marca a volta do “monge Ranulfus” à arte da digitalização do vinil, que aprendeu em 2010 com o colega Avicenna e chegou a praticar até outubro daquele ano, tendo aí que deixá-la de lado devido a contingências da vida. Restabelecidas agora as condições mínimas, Ranulfus ainda não sabe com que frequência conseguirá praticá-la, mas mesmo assim informa que tem cerca de 50 LPs (ou vinis) à espera. Por essa e por muitas outras razões esta postagem vai carinhosamente dedicada ao “decano do PQP”, nosso querido Avicenna!

Friedrich Gulda:
M
USIC FOR 4 SOLOISTS AND BAND No.1   [M4SB1] 
01 Primeiro movimento  9’38”
02 Segundo movimento  8’25”
03 Terceiro movimento  6’44”

04 MINUET (da suíte Les Hommages) 6’47”

05 PRELUDE AND FUGUE 4’11”

Freddie Hubbard (1938-2008), trompete
J. J. Johnson (1924-2001), trombone
Sahib Shihab (Edmond Gregory) (1925-1989), sax barítono e flauta
Friedrich Gulda (1930-2000): piano, composição e direção
Eurojazz Orchestra
Gravado na Áustria em 1965
Digitalizado em 2016 por Ranulfus, com assistência de Daniel S.,
a partir do LP remasterizado em estéreo lançado na Alemanha nos anos 70.

.  .  .  .  .  .  .  BAIXE AQUI – download here – FLAC: 210 MB

.  .  .  .  .  .  .  BAIXE AQUI – download here – MP3 320 kbps: 80 MB

Ranulfus

.: interlúdio :. Ithamara Koorax: Rio Vermelho (1995)

Senhorxs: sei que este último dia de 2015 já está carregado até não poder mais de postagens tremendas, mas, desculpem, eu não posso deixar virar para 2016 sem registrar o vigésimo ano deste disco que considero um “unicum”, isto é: sem similar.

Ithamara é mais um desses casos de brasileirx vítima do nosso complexo de vira-lata endêmico: indicada não sei quantas vezes pela Downbeat entre as principais cantoras de jazz do mundo, diva absoluta no Japão, e ainda – ai! – “Ithamara quem?” para a maior parte dos brasileiros – isso quando este disco contém nada menos que a última gravação de Tom Jobim (no piano de algumas faixas); solos inacreditáveis de Ron Carter ao baixo; Luiz Bonfá, Marcos Valle, Paulo Malaguti e o próprio Tom entre os arranjadores – etc. etc.

Mas não deixo de compreender que, para brasileiros, ouvir sua própria música dita “popular” interpretada assim tenha que causar alguma estranheza. É realmente incomum – e tanto, que eu mesmo tenho dificuldades em colocar em palavras de que modo é incomum. Minha hipótese principal: por uma lado, Ithamara faz uma leitura instrumental da melodia – quero dizer, usando a voz como um instrumento solista, muitas vezes a-lu-ci-na-da-men-te; por outro, não esquece o texto, mas faz dele uma leitura teatral, de alta dramaticidade. São duas intensidades simultâneas tão altas que o resultado definitivamente não cabe em situação assim como embalar um jantar: ou você embarca e navega junto, ou se sente jogado para lá e para cá pela turbulência; sem paz – o que parece chegar ao extremo nas duas faixas em inglês, Cry me a river e Empty glass.

Quanto às onze faixas em português, admito que algo dificulta a fruição do disco até para mim: seis delas são um revival da chamada “música de fossa”, ou “música de dor de cotovelo” (ou mesmo sete, se incluirmos ‘Retrato em branco e preto’ nessa categoria) – sendo cinco numa sequência só. Ora, justamente com as leituras de La Koorax, isso pode ser uma travessia de efetivo risco para depressivos e bipolares… Se eu avalio que há um erro neste disco, é este excesso – entre tantos outros excessos que resultaram felizes!

‘Rio Vermelho’ foi o terceiro disco de Ithamara. Conheço bem este e o segundo, ‘Ao Vivo’, um pouco menos colorido timbristicamente porém igualmente intenso – mas conheço pouco dos posteriores, pois me passaram a impressão de que os produtores internacionais tenham conseguido domar um tanto o vulcão inventivo da artista – com o que confesso que meu interesse caiu um pouco.

Estarei dizendo que acho que na média Ithamara pode ter ficado sendo uma cantora menor? Não! Não acho que arte comporte esse tipo de cálculo mesquinho. Para mim, uma sílaba pode ser bastante para consagrar um(a) artista. No caso, sugiro que ouçam com atenção o gradualíssimo crescendo de tensão em Retrato em branco e preto, até a sílaba -CA- de “pecado”. Vocês me considerarão completamente maluco se seu disser que dentro dessa sílaba eu vejo se abrir uma paisagem tão ampla quanto as do Planalto Central, ou quem sabe a de algum mirante da Serra do Mar?

Pois bem: a uma cantora que conseguiu fazer isso comigo eu jamais admitirei que alguém venha a chamar de “menor” – seja lá o que houver feito ou deixado de fazer depois!

ITHAMARA KOORAX : RIO VERMELHO
Data de gravação: outubro de 1994
Data de lançamento: abril de 1995

1. Sonho de Um Sonho (Martinho da Vila/R. De Souza/T. Graúna) – 3:50
2. Retrato Em Branco E Preto (Buarque/Jobim) – 5:38
3. Correnteza (Bonfá/Jobim) – 6:41
4. Preciso Aprender a Ser Só (Valle/Valle) – 4:54
5. Tudo Acabado (Martins/Piedade) – 5:26
6. Ternura Antiga (Duran/Ribamar) – 3:48
7. Não Sei (DeOliveira/Gaya) [d’aprés Chopin] – 4:27
8. É Preciso Dizer Adeus (de Moraes/Jobim) – 3:36
9. Cry Me a River (Hamilton) – 6:06
10. Índia (Flores/Fortuna/Guerreiro) – 7:05
11. Rio Vermelho (Bastos/Caymmi/Nascimento) – 3:44
12. Se Queres Saber (Peter Pan) – 8:14
13. Empty Glass (Bonfá/Manning) – 4:02

Ithamara Koorax – Arranger, Vocals, Executive Producer
Antonio Carlos Jobim – Piano, Arranger
Luiz Bonfá – Guitar, Arranger
Ron Carter – Bass
Sadao Watanabe – Sax (Alto)
José Roberto Bertrami – Arranger, Keyboards
Arnaldo DeSouteiro – Arranger, Producer
Jamil Joanes – Bass (Electric)
Carlos Malta – Flute (Bass), Sax (Tenor)
Pascoal Meirelles – Drums
Paulo Sérgio Santos – Clarinet
Marcos Valle – Arranger, Keyboards
Mauricio Carrilho – Guitar (Acoustic), Arranger
Daniel Garcia – Sax (Soprano), Sax (Tenor)
Paulo Malaguti – Piano, Arranger, Keyboards
Sidinho Moreira – Percussion, Conga
Marcos Sabóia – Engineer, Mixing
Otto Dreschler – Engineer
Fabrício de Francesco – Engineer
Rodrigo de Castro Lopes – Engineer, Mastering
Livio Campos – Cover Photo
Hildebrando de Castro – Cover Design, Cover Art
Celso Brando – Liner Photo
Christian Mainhard – Artwork

. . . . . . . BAIXE AQUI – download here

Ranulfus

.: interlúdio :. Miles Davis — Porgy and Bess

.: interlúdio :. Miles Davis — Porgy and Bess

Este interlúdio continua de onde o anterior parou (ou, na verdade, um passo antes): numa colaboração entre Miles Davis e Gil Evans. Gravado em quatro sessões no verão de 1958, a adaptação de Porgy and Bess, ópera de Gerswhin, veio com a publicidade em torno do filme de Otto Preminger. A película não deu certo e desagradou os criadores. Já a versão jazz, que diferença: não apenas um dos maiores best-sellers da história do gênero, também foi aclamado por toda crítica como um marco do jazz orquestral.

Sensível e melódico, Porgy and Bess é um álbum que tem Miles Davis vivendo um momento de redescoberta das harmonias, no já pós-bop:

I think a movement in jazz is beginning, away from the conventional string of chords and a return to emphasis on melodic rather than harmonic variations….When Gil wrote the arrangement of ‘I Loves You, Porgy’, he only wrote a scale for me to play. No chords. And that other passage with just two chords gives you a lot more freedom and space to hear things.

E espaço é o que se ouve. Apesar da formação com muitos músicos, a produção delicada permite a todos seu espaço – seja na orquestração do acompanhamento, seja nos solos de Davis e do genial Cannonball Adderley. Além disso, há um aspecto lúdico – porque não é nada menos do que divertido ver os tons por onde Miles e Evans enxergaram canções populares como Summertime e It Ain’t Necessarily So.

Se aqui temos uma leitura fantástica da obra de Gershwin, ela já havia rendido outra obra-prima: a gravação de Ella Fitzgerald e Louis Armstrong, mais orquestra, um ano antes. Disco este que deve pintar por aqui em breve, prometido por FDP Bach.

Miles Davis – Porgy and Bess (320)

01 The Buzzard Song 4’12
02 Bess, You Is My Woman Now 5’15
03 Gone (Evans) 3’41
04 Gone, Gone, Gone 2’06
05 Summertime 3’22
06 Prayer (Oh Doctor Jesus) 4’44
07 Fisherman, Strawberry and Devil Crab 4’10
08 My Man’s Gone Now 6’14
09 It Ain’t Necessarily So 4’29
10 Here Come de Honey Man 1’26
11 I Wants to Stay Here (a.k.a. I Loves You, Porgy) 3’41
12 There’s a Boat That’s Leaving Soon for New York 3’29
13 I Loves You, Porgy [tk1 2nd version] 4’16
14 Gone [tk 4] 3’41

Composto por George Gershwin, Ira Gershwin e DuBose Heyward
Conduzido e arranjado por Gil Evans
Produzido por Cal Lampley e Teo Macero para a Columbia

Miles Davis (trumpet, flugelhorn); Cannonball Adderley (alto saxophone); Gil Evans (arranger, conductor); Paul Chambers (bass); Jimmy Cobb (drums); Ernie Royal, Bernie Glow, Johnny Coles, Louis Mucci (trumpet), Dick Hixon, Frank Rehak, Jimmy Cleveland, Joe Bennett (trombone), Willie Ruff, Julius Watkins, Gunther Schuller (horn), Bill Barber (tuba), Phil Bodner, Jerome Richardson, Romeo Penque (flute, alto flute, clarinet); Danny Bank (alto flute & bass clarinet); Philly Joe Jones (drums on tracks 3, 4, 15).

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

miles davis

Boa audição!
Bluedog, revalidado por PQP Bach

RESTAURADA – W. A. Mozart (1756-1791): Concerto para dois pianos e orquestra No. 10, K. 365 / Chick Corea (1941-2021): Fantasia para dois pianos / Friedrich Gulda (1930-2000): Ping Pong

RESTAURADA – W. A. Mozart (1756-1791): Concerto para dois pianos e orquestra No. 10, K. 365 / Chick Corea (1941-2021): Fantasia para dois pianos / Friedrich Gulda (1930-2000): Ping Pong


Um CD incrível, diferente, ótimo. Gulda, Chick Corea e Harnoncourt fazem um trio fabuloso nestes concertos de grande magnitude e versatilidade. Clássico e jazzístico se fundem – se é que devemos utilizar esta classificação. Chick Corea é um jazzista americano polivalente. Suas habilidades com o repertório erudito são fato patente desde a mais tenra infância do moço. Dizem que aprendeu a tocar piano aos 4 anos. Suas primeiras lições foram com obras de Bach, Mozart, Chopin, Beethoven, Scarlatti e outros. Cresceu com propensões para as fusões musicais. Tocou com Miles Davis, Gillespie, Hancock, Burton. Chegou a tocar em bandas de jazz-rock. Como se pode ver, o homem é um excursionista musical. Um David Bowie do jazz. Isso apenas realça o grande músico que é. Neste CD, Chick (apelido que ganhou da tia enquanto era menino ainda – “bochechudo”), está ao lado de Gulda, outra figura da versatilidade. Ao final da obra de Mozart, temos duas peças, uma do Chick e outra do Gulda. Um registro imperdível. A regência na obra de Mozart, como antecipei, é do grande Nikolaus Harnoncourt, maestro que ao meu modo de ver, dispensa maiores apresentações pela competência que lhe é peculiar. Uma boa apreciação!

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Concertos para dois pianos e orquestra No. 10 em E bemol maior, KV 365 (316a), Chick Corea (1941 -) – Fantasia para dois pianos, Friedrich Gulda (1930-2000) – Ping Pong

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) –
Concertos para dois pianos e orquestra No. 10 em E bemol maior, KV 365 (316a)
01. Allegro [10:15]
02. Andante [8:00]
03. Rondeaux: Allegro [6:48]

Chick Corea (1941-2021) –
Fantasia para dois pianos

04. Fantasia para dois pianos [11:46]

Friedrich Gulda (1930-2000) –
Ping Pong [9:56]

Concertgebouw Orchestra, Amsterdam
Nikolaus Harnoncourt, regente
Friedrich Gulda, piano
Chick Corea, piano

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Corea e Gulda de mãos dadas. Que coisa mais amada!
Corea e Gulda de mãos dadas. Que coisa mais amada!

Carlinus [restaurado por Vassily em 15.2.2021, em homenagem ao maravilhoso Chick Corea, falecido no dia 9 do mesmo mês]

.: interlúdio :. Trane + Mingus

.: interlúdio :. Trane + Mingus


Links revalidados por PQP.

Duplo interlúdio duplo? Culpa deste cão, que vai acumulando delícias (como quem enterra ossos) e depois tem dificuldades com o tempo para compartilhar tudo.

Embora nem sempre “mais” seja “melhor”, certamente não haverá reclamações com este conjunto: os novatos abaixo, (re)inventando moda, e um par de discos de dois preferidos da maison PQP Bach (para não dizerem que só falei de jovens). Diversão pra mais de metro de orelha comprida.

Live at Birdland precede Crescent e A Love Supreme, com o mesmo line-up e o inequívoco brilhantismo. Escolhido pela All About Jazz como um dos 10 melhores discos de jazz ao vivo de todos os tempos, este registro de John Coltrane possui, na verdade, apenas as três primeiras faixas registradas no clube Birdland. As outras duas são gravações de estúdio — incluindo “Alabama”, peça em homenagem a quatro crianças mortas num atentado da KKK à uma igreja batista. Ao contrário de muitos discos ao vivo de Trane, este não esgota o ouvinte; é um disco mais contido, a torrente frenética de solos freestyle que caracterizaria seu trabalho no final dos 60 ainda estava em gestação. É bem o período onde Coltrane está transicionando para seus trabalhos seminais, que mudariam os rumos do jazz; mais espaço para Tyner e Jones, que parecem ainda mais presentes, embora não se note o amálgama de grupo que atingiriam pouco tempo depois. Entre as composições, está a favorita “Afro-Blue”, do cubano Santamaría, já incluída no repertório ao vivo de Trane há bastante tempo.


De ainda antes na linha do tempo, vem Tonight at Noon, disco de Charles Mingus contendo outtakes dos discos The Clown e Oh Yeah. Apesar de pouco conhecidas, as faixas devem ser vistas não como rejeitos de dois discos seminais de Mingus; ao contrário, parecem terem sido deixadas de lado por serem provocadoras demais. Não bastasse isso, traz a dobradinha Booker Ervin e Roland Kirk nos saxofones; tem “Peggy’s Blue Skylight”, encantadora; e, é claro, é um disco de Mingus, o que por si só já é justificativa o suficiente.

John Coltrane – Live at Birdland /1963 (320)
download – 85MB

John Coltrane: tenor saxophone, soprano saxophone
Jimmy Garrison: bass
McCoy Tyner: piano
Elvin Jones: drums
Tracks 1–3 recorded October 8, 1963 at Birdland/NY
Tracks 4–5 recorded November 18, 1963 at Van Gelder Studios
Produzido por Bob Thiele para a Impulse!

01 Afro-Blue (Mongo Santamaría)
02 I Want to Talk about You (Billy Eckstine)
03 The Promise (Coltrane)
04 Alabama (Coltrane)
05 Your Lady (Coltrane)

Charles Mingus – Tonight at Noon /1961 (320)
download – 84MB

12/03/1957 (tracks 1, 2)
Charles Mingus, double bass; Jimmy Knepper, trombone; Dannie Richmond, drums; Shafi Hadi, alto sax; Wade Legge, piano
06/11/1961 (tracks 3-5)
Charles Mingus, piano; Booker Ervin, tenor sax; Rahsaan Roland Kirk, alto sax; Doug Watkins, bass; Jimmy Knepper, trombone; Dannie Richmond, drums
Todas as músicas de Charles Mingus. Produzido por Alfred Lion/Nesuhi Ertegun para a Atlantic

01 Tonight at Noon
02 Invisible Lady
03 Old’ Blues For Walt’s Torin
04 Peggy’s Blue Skylight
05 Passions of a Woman Loved

Boa audição!

Mingus, o homem, o mito
Mingus, o homem, o mito

Blue Dog

.: interlúdio :. Hiromi Uehara – Discografia de 2003 a 2009 – 6 CDs

.: interlúdio :. Hiromi Uehara – Discografia de 2003 a 2009 – 6 CDs
Hiromi Uehara
Hiromi Uehara

Hiromi Uehara é uma das melhores novidades que o jazz moderno oferece. Pianista de extraordinária qualidade, faz o papel de virtuose para que lhe deem crédito — afinal, mais parece uma menina recém entrada na universidade — , mas quando a bola está no chão, dá um banho de sensibilidade. É jazz e é fusion da melhor qualidade. Seu parentesco maior é com Chick Corea, com quem já gravou dividiu um CD.

Diversão garantida para o povo pequepiano, pus todos os 6 CDs num só arquivo de 320 kbps. Há duas ou três faixas com pequenas falhas, mas como elas também estavam no original… Fazer o quê?

Hiromi Uehara (26 de Março de 1979) é uma pianista e compositora. Sua técnica impressionante, estilo único e energia contagiante a distinguem. As suas composições englobam um variado grupo de estilos musicais como jazz, rock progressivo, jazz fusion e até música clássica. Ela é famosa também por sua contribuição na composição no tema de Tom e Jerry Show. Ela começou a tocar piano clássico com seis anos de idade, e aos 15 anos ela já havia tocado com a Orquestra Filarmônica da República Tcheca. Com oito anos, Hiromi conheceu o jazz e se apaixonou pelo estilo musical. Quando tinha 17 anos, Chick Corea conheceu o som dessa jovem japonesa em Tóquio, e chegou a convidá-la para tocar com ele no mesmo dia. Hiromi foi estudar música nos Estados Unidos com Ahmad Jamal, o pianista favorito de Miles Davis. Antes mesmo de se formar, ela já tinha assinado contrato com o selo independente norte-americano, Telarc.

O primeiro disco em 2003, Another Mind, contava com um trio afinadíssimo, Hiromi no piano, Mitch Cohn no baixo e Dave DiCenso na bateria. Já no segundo trabalho em 2004, Brain, Tony Grey assumiu o baixo e Martin Valihora a bateria. Com essa mesma formação, Hiromi lançou o terceiro disco em 2005, Spiral. Em 2006 o trio adicionou o guitarrista David Fiuczynski e transformou-se em Hiromi’s Sonicbloom. Com esta nova formação, o quarteto lançou o disco Time Control em 2007.

Muita atenção aos dois últimos discos. São extraordinários.

Fontes: PQP Bach, Wikipedia e Apenas Jazz.

2003 – Another Mind

01. XYZ [5:37]
02. Double Personality [11:57]
03. Summer Rain [6:07]
04. Joy [8:29]
05. 010101 (binary system) [8:23]
06. Truth and Lies [7:19]
07. Dancando No Paraiso [7:37]
08. Another Mind [8:43]
09. The Tom and Jerry Show [6:06] bonus track

Total time = 01:10:21

2004 – Brain

01. Kung-Fu World Champion [6:49]
02. If… [7:09]
03. Wind Song [5:40]
04. Brain [8:59]
05. Desert On The Moon [7:04]
06. Green Tea Farm (solo) [4:34]
07. Keytalk [10:02]
08. Legend of the Purple Valley [10:47]
09. Another Mind [11:03] bonus track

Total time = 01:14:41

2006 – Spiral

01. Spiral [9:57]
Music for Three-Piece Orchestra:
02. Open Door – Tuning – Prologue [10:13]
03. Deja vu [7:45]
04. Reverse [5:09]
05. Edge [5:14]
06. Old Castle, by the river, in the middle of the forest [8:16]
07. Love and Laughter [8:57]
08. Return of Kung-Fu World Champion [9:39] bonus track

Total time = 01:05:39

2007 – Time Control

01. Time Difference
02. Time Out
03. Time Travel
04. Deep into the Night
05. Real Clock vs. Body Clock = Jet Lag
06. Time and Space
07. Time Control, or Controlled by Time
08. Time Flies
09. Time’s Up
10. Note from the Past

Total time = 01:13:49

2008 – Beyond Standard

01. Intro – Softly As In A Morning Sunrise
02. Softly As In A Morning Sunrise
03. Clair De Lune
04. Caravan
05. Ue Wo Muite Aruko
06. My Favorite Things
07. Led Boots
08. XYG
09. I’ve Got Rhythm

Total time = 59:36

2009 – Place to Be

01. BQE
02. Choux a la creme
03. Sicilian Blue
04. Bern Baby Bern
05. Somewhere
06. Capecod Chips
07. Islands Azores
08. Pachelbel’s Canon
09. Viva! Vegas: Show City, Show Girl
10. Viva! Vegas: Daytime in Las Vegas
11. Viva! Vegas: The Gambler
12. Place To Be
13. Green Tea Farm bonus track

Total time = 01:09:09

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Bunitinha
Bunitinha

PQP

.: interlúdio: Charlie Parker & Stars of Modern Jazz at Carnegie Hall (Christmas 1949) :.

.: interlúdio: Charlie Parker & Stars of Modern Jazz at Carnegie Hall (Christmas 1949) :.

Link revalidado por PQP

Na Amazon —-> Carnegie Hall: X-Mas ’49 <—-

Este seria um disco obrigatório na coleção de qualquer jazzófilo, não estivesse esgotado há tanto tempo e se perdido no catálogo da Jass Records. Há 60 anos, numa noite de natal, Charlie Parker reuniu os maiores nomes do bebop no Carnegie Hall para um grande concerto. Adequadamente chamado de Charlie Parker & Stars of Modern Jazz, o evento tornou-se uma bela fotografia do estado do jazz no final da década de 40: Parker, Powell e Getz estabelecidos, Davis chegando, Sarah Vaughan com sua classe espontânea, e mais alguns nomes que a história ainda não louvou como deveria — como Lennie Tristano, brilhante pianista de Chicago, cego desde criança e um dos maiores tutores da época, incluindo Mingus; e Kai Winding, trombonista dinamarquês de toque bastante refinado, que fez seu nome na era do swing e, depois de passar pelo antológico Miles Davis Nonet (assim como Lee Konitz), montou um grupo com quatro trombones.

Apesar do clima descontraído, que inclui duas jam sessions, quem inflama a apresentação é mesmo o quinteto de Bird, esbanjando técnica. O trumpetista Red Rodney parece ameaçar Parker constantemente em seus solos; seja em números velozes como “Koko”, ou cadenciados como “Bird of Paradise”, seus improvisos rivalizam com a técnica do band leader e promovem equilíbrio — o que é um feito pra quem toca ao lado de Charlie Parker.

Coberto pela baixa fidelidade e camada de chiados que uma gravação ao vivo de 1949 deve trazer, esse disco é um grande e raro registro histórico. Não deixem passar!

Charlie Parker & Stars of Modern Jazz at Carnegie Hall (Christmas 1949) (256)

01 Bud Powell Trio – All God’s Chillun Got Rhythm (Jurman, Kahn, Kaper)
02 Miles Davis – Move (Best)
03 Jam Session – Hot House (Dameron)
04 Jam Session – Ornithology (Harris, Parker)
05 Stan Getz/Kai Winding – Always (Berlin)
06 Stan Getz/Kai Winding – Sweet Miss (Garren, Winding)
07 Stan Getz Quartet – Long Island Sound (Getz)
08 Sarah Vaughan – Once in a While (Edwards, Green)
09 Sarah Vaughan – Mean to Me (Ahlert, Turk)
10 Lee Konitz Sextet/Lennie Tristano – You Go to My Head (Coots, Gillespie)
11 Lee Konitz Sextet/Lennie Tristano – Sax of a Kind (Tristano)
12 Charlie Parker Quintet – Ornithology (Harris, Parker)
13 Charlie Parker Quintet – Cheryl (Parker)
14 Charlie Parker Quintet – Koko (Parker)
15 Charlie Parker Quintet – Bird of Paradise (Parker)
15 Charlie Parker Quintet – Now’s the Time (Parker)

Charlie Parker Quintet (Charlie Parker, alto sax; Red Rodney, trumpet; Al Haig, piano; Tommy Potter, bass; Roy Haynes, drums). Bud Powell Trio (Bud Powell, piano; Max Roach, drums; Curly Russell, bass). Miles Davis, trumpet; Stan Getz, tenor sax; Kai Winding, trombone; Serge Chaloff, baritone sax; Bennie Green, trombone; Jimmy Jones, piano; Lee Konitz, alto sax; Wayne Marsh, tenor sax; Jeff Morton, drums; Joe Shulman, bass; Sonny Stitt, alto sax; Lennie Tristano, piano; Sarah Vaughan, vocals

download parte1/88MB + parte2/45MB

Boa audição!

Charlie Parker
Charlie Parker

Blue Dog

.: interlúdio – Indigo Jam Unit + Quasimode :.

.: interlúdio – Indigo Jam Unit + Quasimode :.


Apesar de algumas carrancas, fiquei especialmente feliz com o resultado do último interlúdio — o jazz supraenergético do Soil & “Pimp” Sessions. Que uma parte do público deste blog é deveras conservador, já se sabia; o que eu seguidamente me pergunto, ao preparar as postagens para cá, é quão inovadores, permeáveis e, principalmente curiosos outros grupos de leitores podem ser. E ao abraçar o Japão com o groundbreaking jazz do S&PS, as respostas que chegaram pelos comentários foram gratificantes. Como, por exemplo, tangenciou o Juan Carlos Bosco: é preciso louvar as novas iniciativas em torno do jazz. Não se trata exatamente de falar em “renovação” — palavrinha que traz um ranço indesejado, de que o antigo não presta mais —, mas de re-interesse, re-despertar. Mais do que fazer jazz de uma forma leve, arejada, os novos combos que lotam pubs de Nagoya, Tokyo e Osaka estão formando novas gerações de ouvintes de jazz; e estão mostrando que o estilo não serve apenas para ouvir em casa, ou em lounge bars de personalidade molenga.

Não sei o que vocês acham, mas este cão fica sorrindo ao imaginar que, em “botecos” japoneses, tem gente que sai para dançar jazz ao invés de dance music. Curtir ativamente um estilo que parece renegado ao easy listening, pano de fundo, ao menos em nosso país.

Nada mais justo, portanto, que continuar nosso passeio pelo Japão. O post de hoje traz outros dois sensacionais combos — que, ao contrário do S&PS, são menos “barulhentos” e caminham mais próximos ao jazz tradicional, embora sem perder as doses generosas de groove, e os toques de latinidade, que marcam este particular DNA. Aliás, que não fique dúvida: tanto o Indigo Jam Unit quanto o Quasimode tem uma formação básica que inclui bateria e percussão fixas, além de double bass e piano.

O Indigo Jam Unit não precisa de mais nada; suas faixas são calcadas principalmente no baixo, que divide a maior parte da atenção com os belos riffs de piano. Apesar de um toque de nu-jazz, sua base é bop, e com muito a dever ao jazz modal, principalmente o dos anos 60. E boas composições: além de repletas de swing, são faixas que permanecem nos ouvidos e na memória (ouça Rumble, com um solo de piano de tirar o fôlego, e Time, com sua percussão marcante, e concorde comigo). Não só isso; é um álbum bastante cinemático, com muito movimento, e uma trilha sonora grandiosa pra quem se aventura com mp3 portáteis nas ruas da cidade.


Já o Quasimode, apesar de ter a mesma formação de base, utiliza convidados nos metais; no disco presente, um par de trumpetes e um sax alto, se identifiquei bem (impossível achar a listagem completa do cd na internet. Estamos tratando de grupos ainda pouco conhecidos fora do país de origem). Havia dito que o Indigo Jam Unit tem um feeling sessentista? Pois este disco do Quasimode não é apenas o feeling, mas também homenagem. A banda, que neste ano ganhou a chancela Blue Note de qualidade, resolve fazer uma releitura de clássicos daquela década, tocando standards de artistas do catálogo de sua nova gravadora. O resultado é um disco bastante coeso de jazz contemporâneo: das três bandas japonesas apresentadas, esta é a que tem raízes mais expostas — embora as faixas puxadas no soul e nos bongôs e ton-tons deixem claro de que não se trata de um disco antigo.

Para além de um jazz muito bem feito, tenho um particular carinho ao saber que ouço música ao mesmo tempo tradicional e inovadora, gravada do outro lado do mundo, e nos dias de hoje. (Estas duas bandas, inclusive, lançaram novos álbuns no começo deste mês.) Espero que vocês sigam comigo nessa jornada!

Indigo Jam Unit – Pirates /2008 (V2)
download – 65MB

樽栄嘉哉: keyboards
笹井克彦: double bass
和佐野功: percussion
清水勇博: drums

01 Pirates
02 Rumble
03 Giant Baby
04 Arctic Circle
05 Himawari
06 Time
07 Nostalgia
08 Trailer
09 Raindrop

Quasimode – Mode of Blue /2008 [V2]
download – 86MB

Yusuke Hirado: keyboards
Takahiro Matsuoka: percussion
Sohnosuke Imaizumi: drums
Kazuhiro Sunaga: bass

01 mode of blue(新曲/ブルーノート・トリビュート曲)
02 On Children (Jack Wilson)
03 Afrodisia (Kenny Dorham)
04 Little B’s Poem feat. Valerie Etienne (Bobby Hutcherson)
05 The Loner (Donald Byrd)
06 No Room For Squares (Hank Mobley)
07 Congalegre (Horace Parlan)
08 Ghana (Donald Byrd)
09 Sayonara Blues (Horace Silver)
10 African Village (McCoy Tyner)
11 Night Dreamer (Wayne Shorer)

Boa audição!

Os japas do Quasimode
Os japas do Quasimode

Blue Dog