Johann Sebastian Bach (1685-1750): Weltliche Kantaten, BWV 30a e 207

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Weltliche Kantaten, BWV 30a e 207

Um CD luxuoso. Regidos todos  pelo lendário Gustav Leonhardt, o extraordinário Café Zimmermann, conjunto francês chefiado pelo argentino Pablo Valetti, e mais solistas e coro dos Chantres du Centre de Musique Baroque de Versailles, tudo para interpretar duas Cantatas Profanas (ou Seculares) de papai Bach. A coisa é fina, mas as Cantatas não estão entre as melhores de Bach. Mas há momentos maravilhosos como, por exemplo, a ária Was die Seele kann ergötzen (faixa 5), o coral de abertura da Cantata 207 e todas as partes desta Cantata retiradas do Concerto de Brandenburgo Nº 1.

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Weltliche Kantaten, BWV 30a e 207

01. BWV 30a – 1. Coro_ Angenhmes Wiederau
02. BWV 30a – 2. Recitativo_ So ziehen wir
03. BWV 30a – 3. Aria (B)_ Willkommen im Heil
04. BWV 30a – 4. Recitativo_ Da heute dir
05. BWV 30a – 5. Aria (A)_ Was die Seele kann ergötzen
06. BWV 30a – 6. Recitativo_ Und wie ich jederzeit bedacht
07. BWV 30a – 7. Aria (B)_ Ich will dich halten
08. BWV 30a – 8. Recitativo_ Und obwohl sonst der Unbestand
09. BWV 30a – 9. Aria (S)_ Eilt, ihr Stunden, wie ihr wollt
10. BWV 30a – 10. Recitativo_ So recht! ihr seid mir werte Gäste 11. BWV 30a –
11. Aria (T)_ So, wie ich die Tropfen zolle 12. BWV 30a –
12. Recitativo_ Drum, angenehmes Wiederau
13. BWV 30a – 13. Coro_ Angenehmes Wiederau

14. BWV 207 – 1. Coro_ Vereinigte Zwietracht der wechselnden Saiten
15. BWV 207 – 2. Recitativo_ Wen treibt ein edler Trieb zu dem, was Ehre heißt
16. BWV 207 – 3. Aria (T)_ Zieht euren Fuß nur nicht zurücke
17. BWV 207 – 4. Recitativo_ Dem nur allein
18. BWV 207 – 5. Aria Duetto (B S)_ Den soll mein Lorbeer schützend decken
19. BWV 207 – 6. Ritornello
20. BWV 207 – 7. Recitativo_ Es ist kein leeres Wort
21. BWV 207 – 8. Aria (A)_ Ätzet dieses Angedenken
22. BWV 207 – 9. Recitativo_ Ihr Schläfrigen, herbei!
23. BWV 207 – 10. Coro_ Kortte lebe, Kortte blühe!

Monika Frimmer, soprano
Robin Blaze, contralto
Markus Schäfer, tenor
Stephan MacLeod, baixo

Les Chantres du Centre de Musique Baroque de Versailles:
Sophie Landy, Béatrice Gobin, Sarah Szlakmann, sopranos
Bruno Le Levreur, Julien Freymuth, Arnaud Raffarin, contraltos
Romain Champion, Benoît Porcherot, Dominique Bonnetain, tenores
Arnaud Richard, David Witczak, Louis-Pierre Patron, baixos
Olivier Schneebelt, direção

Café Zimmermann:
Pablo Valetti, violino & Konzertmeister
Nicholas Robinson, Mauro Lopes, Cecile Mille, David Plantier, Pedro Martin Gandia, violinos
Patricia Gagnon, José Manuel Navarro, violas
Petr Skalka, Etienne Mangot, violoncelos
Ludek Brany, contrabaixo
Céline Frisch, clavecin Emmanuel Alemany, René Maze, Guy Ferber, trompetes naturais (só nos lábios!)
Diana Baroni, Sarah Van Cornewal, flauta transversa
Patrick Beaugiraud, Henri Michel, Clémentine Humeau, oboé
Laurent Le Chenadec, fagote
David Vateville, tímpanos

Gustav Leonhardt, regência

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Me dá um café, por favor?
Me dá um café, por favor?

PQP

Poulenc, Roussel, Françaix, Ibert para quinteto de sopros (com ou sem piano)

20th Century Wind Music http://i49.tinypic.com/33kc1sh.jpgPostado originalmente em junho 2010

Sempre achei este um dos discos mais malucamente, esquisitamente encantadores entre os mais de mil vinis que cheguei a ter – tanto que foi logo o segundo vinil a que apliquei as artes de ripagem ensinadas pelo mestre Avicenna.

Infelizmente boa parte dele está também entre o pior do que tenho em matéria de ruídos indevidos, e nem mesmo com essas artes consegui eliminar um ruído grave, surdo, regular, que atravessa a primeira faixa do Quinteto de Françaix e avança um pouco pela segunda. Aliás: consegui eliminá-lo totalmente em várias tentativas, mas sempre ao custo de fazer dos timbres da trompa e do fagote uma caricatura irreconhecível.

Ora, direis, a peça de Françaix já é mesmo toda caricatural – antes de conhecê-la nunca imaginei que uma trompa podia produzir semelhantes gargalhadas roucas e zombeteiras… Mas é uma caricatura encorpada, consistente, e com o ruído eliminado tinha virado uma espécie de trilha de game japonês… Não, senhores, desculpem, mas aposto que é melhor agüentar um ruído estranho a mais, de entremeio aos arrulhos fantasmagóricos iniciais daquela trompa, do que ainda ouvir tal timbre se decompondo como uma lesma em que se jogou sal!

Enfim: mesmo em seus momentos mais meditativos ou sentimentais, este disco inteiro me parece pura alegria – o verdadeiro sentido da palavra divertimento, como o PQP disse há algum tempo de outro disco. Portanto, me apresso a deixar vocês com a música!

20th Century Wind Music for Wind Instruments
The Vienna Symphony Woodwinds

Kamillo Wanausek (flauta), Friedrich Wächter (oboé), Richard Schönhofer (clarinete), Ernest Mühlbacher (trompa), Leo Cermak (fagote) – com Hans Graf, piano

Francis Poulenc (1899-1963): SEXTUOR
A1  Allegro vivace
A2 Divertissement: Andantino
A3 Prestissimo

Albert Roussel (1869-1937):
A4 DIVERTISSEMENT op.6

Jean Françaix (1912-1997): QUINTET
B1 Andante tranquillo
B2 Presto
B3 Tema (andante) – variations
B4 Marcia francese

Jacques Ibert (1890-1962):TROIS PIECES BREVES
B5  Allegro
B6  Andante
B7  Assez lent – Allegro scherzando

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Ranulfus

Zoltán Kodály (1882-1967): Música para Violoncelo

Zoltán Kodály (1882-1967): Música para Violoncelo

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Kodály é mais conhecido como co-fundador – junto com seu amigo Bartók – da etnomusicologia. Trabalharam anos pesquisando a música de Hungria e da Romênia, mormente a dos ciganos. Kodály também foi grande compositor e, sem dúvida, o grande destaque deste notável CD é a espetacular Sonata para Violoncelo Solo, um monumento de mais de 30 minutos que, além de tour de force, é música da melhor qualidade. Mas o disco abre com uma curiosidade: arranjos para violoncelo e piano de três prelúdios corais de meu pai (BWV 743, 762 e 747).

Three Chorale Preludes
1. Ach was ist doch unser Leben 04:47
2. Vater unser im Himmelreich 04:00
3. Christus der uns selig macht 05:04
Maria Kliegel, cello
Jeno Jando, piano

Sonata for Solo Cello, Op. 8
4. Allegro maestro ma appassionato 08:18
5. Adagio (con grand’ espressiono) 11:31
6. Allegro molto vivace 11:10
Maria Kliegel, cello

Cello Sonata, Op. 4
7. Fantasia: Adagio di molto 09:22
8. Allegro con spirito – Molto adagio 10:14

Maria Kliegel, cello
Jeno Jando, piano

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Maria Kliegel: a ex-aluna de Rostrô dá um banho neste CD da Naxos
Maria Kliegel: a ex-aluna de Rostrô dá um banho neste CD da Naxos

PQP

Orquestra Sinfônica do Recife – dois CDs com premières mundiais

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Originalmente postado por CVL, e repostado pelo Avicenna.

Essas duas pérolas ora postadas nunca foram comercializadas, ficaram apenas como registro formal e institucional de duas iniciativas louváveis da Orquestra Sinfônica do Recife acontecidas há dez anos: a gravação das três primeiras colocadas em um concurso de composição em função dos 500 anos do Descobrimento, o único promovido por conta da data, e o resgate de uma obra ignorada do catálogo de Francisco Mignone, o balé Quincas Berro d’Água, sobre o livro quase homônimo de Jorge Amado.

No primeiro CD, destaco a consistência da peça do cearense Liduíno Pitombeira, que ganhou merecidamente o primeiro lugar: bem orquestrada, bem estruturada, bem encadeada.. enfim, houve justiça. No segundo, não esperem mais do que uma partitura naïf, embora muito agradável, de Mignone – o Lamento e Dança Brasileira, de Clóvis Pereira, vem de brinde mas não tem nenhum grande atrativo.

***

500-anosSinfonia dos 500 anos

1. Uma lenda indígena brasileira – Liduíno Pitombeira
2. Sinfonia brasileira em três movimentos – Rodrigo Celso Vitta
3. A sinfonia dos 500 anos – Ronaldo Cadeu de Oliveira

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berro1. Quincas Berro d’Água – Francisco Mignone
2. Lamento e Dança Brasileira – Clóvis Pereira

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Em ambos os CDs: Orquestra Sinfônica do Recife, regida por Carlos Veiga

CVL

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Piano Concerto No. 16 in D Major, K. 451, 04 – Piano Concerto No. 15 in B-Flat Major, K. 450 – Brautigam,

51IAOtlTz3LSe fosse para usar um clichê para descrever a música de Mozart poderia dizer que os céus conspiraram para ele nascer genial como nasceu. E a sequência de cds que irei postar com obras dele serve apenas para constatar o óbvio.
Hoje retomo o projeto de Ronald Brautigam tocando os concertos para piano, se utlizando de um pianoforte, e amanhã começo outra coleção, com as sonatas para piano, também interpretadas com um pianoforte, porém com outro instrumentista.
Alguém comentou, ou li em algum lugar que estes concertos de número quinze e dezesseis são obras menores, mas não penso assim não. E nas mãos de um músico do quilate de Brautigam elas se tornam ainda mais preciosas. Sugiro colocarem um fone de ouvido para melhor apreciar os detalhes, as ornamentações, a sutiliza de certas passagens, enfim, assim os senhores poderão apreciar melhor estas obras, e principalmente, o talento do solista.
Se der tudo certo, semana que vem volto com outro CD desta série.

01 – Piano Concerto No. 16 in D Major, K. 451; I. Allegro assai
02 – Piano Concerto No. 16 in D Major, K. 451; II. Andante
03 – Piano Concerto No. 16 in D Major, K. 451; III. Allegro di molto
04 – Piano Concerto No. 15 in B-Flat Major, K. 450; I. Allegro
05 – Piano Concerto No. 15 in B-Flat Major, K. 450; II. Andante
06 – Piano Concerto No. 15 in B-Flat Major, K. 450; III. Allegro
07 – Rondo in D Major, K. 382

Ronald Brautigam – Pianoforte
Die Kölner Akademie
Michael Alexander Willens

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Mussorgsky (1839-1881): Quadros de uma Exposição / Ravel (1875-1937): Bolero (Celibidache)

Mussorgsky (1839-1881): Quadros de uma Exposição / Ravel (1875-1937): Bolero (Celibidache)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

O romeno naturalizado alemão Sergiu Celibidache (1912-1996) talvez tenha sido o último gênio da regência orquestral a pisar em nosso planeta. Grande ensaiador, estudioso, atento a cada detalhe, teve sua antítese na vulgaridade de seu vizinho HvK. Alguns músicos dizem que nunca houve uma dupla mais perfeita do que a que ele fazia com a Filarmônica de Munique. E aqui ele perfaz, ao vivo, o mesmo itinerário de percorrido por Karajan em uma gravação de estúdio. Quanta diferença! Aqui, nesta gravação ao vivo, cada detalhe é desnudado, sendo resolvido com precisão e clareza. Se vocês desejam ouvir todo o notável talento de arranjador de Ravel, aqui vocês estarão muito bem servidos. Ah, explico: a versão orquestral de Quadros de uma Exposição, peça escrita originalmente para piano solo, é de autoria de Ravel. Abaixo, coloco também um vídeo sobre Celi. Como muitos gênios, ele também tinha certa loucura instalada em seu cérebro. E muito, mas muito humanismo e talento.

https://youtu.be/hG-biP9kwjo

Mussorgsky (1839-1881): Pictures at an Exhibition / Ravel (1875-1937): Bolero

1. Applause – Ravel/Mussorgsky
2. Pictures At An Exhibition: Promenade: Allegro Giusto, Nel Modo Russico; Senza Allegrezza, Ma Poco…
3. Pictures At An Exhibition: I. Gnomus: Vivo
4. Pictures At An Exhibition: Promenade: Moderato Comodo E Con Delicatezza
5. Pictures At An Exhibition: II. Il Vecchio Castello: Andante
6. Pictures At An Exhibition: Promenade: Moderato Non Tanto, Pesante
7. Pictures At An Exhibition: III. Tuileries: Allegretto Non Troppo, Capriccioso
8. Pictures At An Exhibition: IV. Bydlo: Sempro Moderato, Pesante
9. Pictures At An Exhibition: Promenade: Tranquillo
10. Pictures At An Exhibition: V. Ballet Des Petits Poussins Dans Leurs Coques: Scherzino: Vivo Leggiero
11. Pictures At An Exhibition: VI. Samuel Goldenberg Un Schmuyle: Andante
12. Pictures At An Exhibition: VII. Limoges: Le Marche: Allegretto Vivo, Sempre Scherzando
13. Pictures At An Exhibition: VIII. Catacombae: Sepulchrum Romanum: Largo
14. Pictures At An Exhibition: Cum Mortuis In Lingua Mortua: Andante Non Troppo, Con Lamento
15. Pictures At An Exhibition: IX. La Cabane De Baba-Yaga Sure Des Pattes De Poule: Allegro Con Brio…
16. Pictures At An Exhibition: X. La Grande Porte De Kiev: Allegro Alla Breve. Maestoso. Con Grandezza
17. Applause
18. Applause
19. Bolero: Tempo Di Bolero Moderato Assai
20. Applause – Ravel/Mussorgsky

Münchner Philharmoniker
Sergiu Celibidache

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Celibidache: atenção aos detalhes
Celibidache: atenção aos detalhes e loucura instalada

PQP

Astor Piazzolla (1921-1992): Buenos Aires 8 – Buenos Aires Hora 8

Astor Piazzolla (1921-1992): Buenos Aires 8 – Buenos Aires Hora 8

buenos aires 8O consultor também tem seus dias de fúria:

— Diga aos queridos ouvintes do teu blog que comprem o María de Buenos Aires. É um LP duplo e sinceramente eu não gosto. Portanto, fora de cogitação.

Mas ele mandou este pá-pá-pá do Buenos Aires 8 para os saudosos dos joelhos dos anos 60.

Hoje vai sem texto explicativo.

Astor Piazzolla (1921-1992): Buenos Aires 8 – Buenos Aires Hora 8 (1970)

01. FUGA Y MISTERIO
02. ADIOS NONINO
03. LO QUE VENDRA
04. BUENOS AIRES HORA CERO
05. VERANO PORTEÑO
06. DECARISSIMO
07. MILONGA DEL ANGEL
08. LA MUERTE DEL ANGEL
09. RESURRECCION DEL ANGEL
10. CALAMBRE

Buenos Aires 8

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PQP

Música e sociedade: um novo pensar e agir

Música e sociedade
Um site único
Pensar a arte musical
Relações históricas
Desafios

Vale a pena conferir!

Música e Sociedade é um projeto que tem como objetivo pensar a arte musical nas suas profundas relações históricas com a sociedade e como superar os desafios que esta relação propõe nos dias de hoje.

Rebello Alvarenga é o idealizador, criador e proprietário do Música e Sociedade, resultado de uma ampla e densa pesquisa acerca do universo musical pelo prisma da sociedade. Estudou licenciatura em música no Instituto de Artes da UNESP. É também professor nas áreas de composição, piano, história da música e trilha sonora, ministrando uma série de cursos e palestras nestas áreas. É autor de dezenas de trilhas sonoras para as mais diversas mídias, tais como teatro, cinema e dança, além de compositor de música de concerto em uma extensa variedade de gêneros.

Contato: [email protected]

Artigos recentes:
• A música popular das grandes cidades no século XIX, segundo Derek B. Scott – AQUI
• Os concertos de música antiga no século XVIII – AQUI
• A distinção dos gostos musicais e o surgimento da música popular na visão de William Weber – AQUI
• Quem cria o criador? Uma introdução às instâncias de consagração artísticas – AQUI
• As batalhas pelo significado dos conceitos musicais – AQUI
• O comércio de partituras no século XIX – AQUI

www.musicaesociedade.com.br

Visite o siite: AQUI
Facebook: AQUI  – menos de um mes de vida e já possui mais de 10.000 seguidores!

O PQPBach sente-se honrado em ser parceiro do Música e sociedade.

Vida longa ao site Música e sociedade !!!

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Avicenna

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Violin Concerto in D Major, op. 61, Jean Sibelius (1865-1957) – Violin Concerto in D Minor, op. 47 – Haendel, Ancerl, CPO

41l0Vve0J3LDia destes encontrei nosso sumido colaborador Vassily Grienrikovich para trocarmos algumas palavras, entre goles de cerveja e xícaras de café. E como um encontro destes nunca demora menos de três horas, conseguimos trocar muitas palavras, em sua maoria, sobre música. O cara é uma enciclopédia musical ambulante, por isso quando falei em Ida Haendel ele não se fez de rogado e me perguntou se eu já tinha ouvido seu Sibelius. Neguei, envergonhado, dizendo que conhecia mais a fama de Ida Haendel.

Voltei para a minha cidade e procurei em meu acervo este CD e resolvi ouvi-lo com atenção. Senhores, só posso dizer que os céus conspiraram neste encontro histórico entre Ida Haendel e o célebre maestro Karel Ancerl. Claro que não posso omitir deste comentário o talento destes dois excepcionais músicos. Se o Beethoven já é espetacular, o Sibelius com certeza vai deixá-los loucos de pedra. Em minha modesta opinião, esta é gravação definitiva do concerto de Sibelius. Ouçam e depois me digam se não tenho razão.

E vamos ao que viemos.

1 Concerto for Violin and Orchestra in D major, Op. 61: I. Allegro ma non troppo
2 Concerto for Violin and Orchestra in D major, Op. 61: II. Larghetto (Attaca)
3 Concerto for Violin and Orchestra in D major, Op. 61: III. Rundo, Allegro (Attaca)
4 Concerto for Violin and Orchestra in D minor, Op. 47: I. Allegro moderato
5 Concerto for Violin and Orchestra in D minor, Op. 47: II. Adagio di molto
6 Concerto for Violin and Orchestra in D minor, Op. 47: III. Allegro ma non troppo

Ida Haendel – Violin
Czech Philharmonic Orchestra
Karel Ancerl – Conductor

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ida-haendel-polska-vii-nagroda
Ida Haendel – Absoluta @!@@#

Johannes Brahms (1833-1897) – Violin Concerto in D Major, op. 77, Robert Schumann (1810-1856) – Violin Concerto in D Minor – Bell, Cleveland Orchestra, von Dohnányi

frontUm grande, mas grande CD. Nunca prestei muita atenção nesse garoto até ouvir essa sua gravação do meu amado concerto para violino de Brahms. Que delicadeza e que sensibilidade, e diria mais, que maturidade para um jovem de 29 anos, idade que Joshua Bell tinha quando encarou esse desafio. Sempre digo que o meu parâmetro de comparação para este concerto é a gravação de David Oistrack lá em meados da década de 50. E esta gravação de Bell pode facilmente ser colocada nesta minha lista dos Top Ten deste concerto. Claro, ele ainda vai gravar esta obra outras vezes, e tenho certeza de que vai se superar. Infelizmente talvez não tenha a presença deste excepcional maestro, Cristoph von Dohnányi e sua Cleveland Orchestra, um dos melhores conjuntos orquestrais norte americanos desde que George Szell o dirigiu. Aliás,não por acaso, é com Szell que Oistrakh gravou a gravação definitiva deste concerto,. e com esta mesma orquestra. Antes que eu fale do concerto de Schumann, preciso lembrar que o próprio Bell escreveu a cadenza… que grande músico. Prestem atenção no segundo movimento, senhores, uma das mais belas páginas da obra de Brahms, e me digam se não se emocionaram. Poucas vezes ouvi este movimento tocado com tanta paixão.

Mas enfim, não considero o concerto de Schumann no mesmo nível do de Brahms, não sei, algo nele não me convence. Mas ele tem seus defensores, e os respeito. Mas não gosto… falta aquele algo que Schumann conseguiu colocar em seu magnífico concerto para Violoncelo, ou até mesmo no Concerto para Piano. Falta uma identidade, sei lá… Porém, Bell o toca com propriedade e conhecimento de causa, como um grande músico o faria.

01. Brahms – Violin Concerto In D Major, Op. 77 I. Allegro non Troppo
02. Brahms – Violin Concerto In D Major, Op. 77 II. Adagio
03. Brahms – Violin Concerto In D Major, Op. 77 III. Allegro Giocoso Ma Non Trop
04. Schumann – Violin Concerto In D Minor I. In kraeftigem, nicht zu schnellem Tempo
05. Schumann – Violin Concerto In D Minor II. Langsam
06. Schumann – Violin Concerto In D Minor III. Lebhaft, doch nicht schnell

Joshua Bell – Violin
Cleveland Orchestra
Christoph von Dohnányi – Conductor

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Christopher Rouse (1949): Symphony No. 2 / Flute Concerto / Phaethon

Christopher Rouse (1949): Symphony No. 2 / Flute Concerto / Phaethon

Christopher Rouse é um compositor que tem o que dizer e diz com controle absoluto das cores orquestrais. Os dois discos que o PQP divulga — o de ontem e o de hoje — representam o núcleo principal de sua obra e de seu estilo. A Sinfonia No.2, depois de ter superado seu receio de escrever adágios, volta a sua maneira mais agitada de escrever. Obra muito empolgante, sensacional. O concerto para flauta é que me deixou ressabiado, abre com uma melodia pouco inspirada e melosa. Não fui com a cara dela.

Christopher Rouse (1949): Symphony No. 2 / Flute Concerto / Phaethon

1. Symphony No. 2: 1. Allegro
2. Symphony No. 2: 2. Adagio (In memoriam Stephen Albert)
3. Symphony No. 2: 3. Allegro
4. Flute Concerto: 1. Ànhran
5. Flute Concerto: 2. Alla marcia
6. Flute Concerto: 3. Elegia
7. Flute Concerto: 4. Scherzo
8. Flute Concerto: 5. Ànhran
9. Phaethon, for orchestra with augmented percussion

Performed by Houston Symphony Orchestra
Flute Carol Wincenc
Conducted by Christoph Eschenbach

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Rouse: de mau só tem a cara. Baita compositor!
Rouse: de mau só tem a cara. Baita compositor!

CDF

Joseph Haydn (1732-1809) – Violin Concerto in G major, H. 7a/4, . Violin Concerto No. 1 in C major, H. 7a/1, Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Sinfonia concertante for violin, viola & orchestra in E flat major, K. 364 (K. 320d)

51CNw8AxWdLMozart fez aniversário dia 27, 260 anos para ser mais exato, e na correria do dia a dia acabei esquecendo de postar alguma coisa em homenagem. Mas nunca é tarde.

Resolvi trazer então um CDzaço da Rachel Podger tocando a Sinfonia Concertante com o violista Pavlo Beznoziuk, e dois concertos para violino de Haydn. Falar que Rachel Podger é uma excepcional violinista já é chover no molhado, então deixarei de lado estes comentários mais que óbvios. A moça já está mais que consolidada como a grande musicista que sabemos que é.

Ah, Feliz Aniversário ao nosso querido Mozart, que tanta alegria ainda nos proporciona.

1. Violin Concerto in G major, H. 7a/4: Allegro moderato
2. Violin Concerto in G major, H. 7a/4: Adagio
3. Violin Concerto in G major, H. 7a/4: Allegro
4. Sinfonia concertante for violin, viola & orchestra in E flat major, K. 364 (K. 320d): Allegro maestoso
5. Sinfonia concertante for violin, viola & orchestra in E flat major, K. 364 (K. 320d): Andante
6. Sinfonia concertante for violin, viola & orchestra in E flat major, K. 364 (K. 320d): Presto
7. Violin Concerto No. 1 in C major, H. 7a/1: Allegro moderato
8. Violin Concerto No. 1 in C major, H. 7a/1: Adagio
9. Violin Concerto No. 1 in C major, H. 7a/1: Presto

Rachel Podger – Violin & Conductor
Pavlo Beznosiuk – Viola
Orchestra of the Age of Enlightenment

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Curso Básico de Formação de Organistas no Museu da Música de Mariana!

cbf

O Museu da Música de Mariana abre novas inscrições para o Curso Básico de Formação de Organistas, a ser ministrado no Órgão Tubular do Museu pela organista Josinéia Godinho, graduada pela Hochschule für Musik und Theater Hamburg e mestre pela Universidade Federal de Minas Gerais.

Podem se inscrever:

• Pessoas com boa base de piano ou teclado (leitura musical nas duas claves e certa desenvoltura com repertório. Repertório mínimo: Invenções a duas vozes de J. S. Bach).
• Pessoas com formação prévia (leitura de partitura em claves de sol e de fá. Repertório mínimo: obras do Pequeno Livro de Anna Magdalena Bach).
• Iniciantes (sem leitura musical e/ou com experiência em teclado somente com o uso de cifras).

Início das aulas: 10 de fevereiro de 2016.
Aulas e horários de estudo: quartas, quintas e sextas-feiras.
Local: Museu da Música de Mariana – Rua Cônego Amando, 161, Chácara (São José), Mariana – MG.

Inscrições: baixe e preencha este formulário para inscrições e envie para [email protected]

Mais informações pelo telefone (31) 3557-2778 e pelo e-mail [email protected]

https://www.facebook.com/MuseuDaMusicaDeMariana/videos/1030915043633518/

Avicenna

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Missa K. 427, ‘A Grande’ / Kyrie K. 341

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Missa K. 427, ‘A Grande’ / Kyrie K. 341

Ontem, ouvi esta grande Missa de Mozart. É muito complicado aparecer algum sentimento religioso neste ateu, mas a beleza e a grandiosidade da música me embalaram de forma maravilhosa por uma hora. Há duas grandes peças religiosas na obra do homem de Salzburgo: esta Missa e o Réquiem. Quando digo “grandes”, falo em larga escala de solistas, coro e orquestra. Assim como o Réquiem, a Missa chegou incompleta até nós, mas menos. Mozart deixou-a assim. Falta todo o Credo após o “Et incarnatus est” (a orquestração do Credo também é incompleta) e todo o Agnus Dei. O Sanctus foi parcialmente perdido, mas reconstruído. Há uma boa dose de especulações a respeito das causas que levaram a obra a ser deixada inacabada. 

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Missa K. 427, ‘A Grande’ / Kyrie K. 341

Mass No. 18 in C Minor, K. 427, “Great”
1. Kyrie 00:06:50
2. Gloria: Gloria 00:02:31
3. Gloria: Laudamus te 00:04:46
4. Gloria: Gratias 00:01:18
5. Gloria: Domine 00:03:02
6. Gloria: Qui tollis 00:04:54
7. Gloria: Quoniam 00:03:54
8. Gloria: Jesu Christe 00:00:40
9. Gloria: Cum Sancto Spiritu 00:03:37
10. Credo: Credo in unum Deum 00:03:20
11. Credo: Et incarnatus est 00:07:41
12. Sanctus 00:03:33
13. Benedictus 00:05:55

Kyrie in D Minor, K. 341
14. Kyrie in D Minor, K. 341 00:06:42

Norine Burgess
Robert Holzer
Herbert Lippert
Viktoria Loukianetz
Kalman Strausz
Hungarian Radio Chorus
Nicolaus Esterhazy Sinfonia
Michael Halász

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Michael Halász, grande mozartiano
Michael Halász, grande mozartiano

PQP

Ottorino Respighi (1879-1936) – Dorati conducts Respighi – The Birds, Brazilian Impressions, The Fountains of Rome, The Pines of Rome – Dorati, LSO, MSO

CD02frontDando sequência ao trabalho de divulgar um pouco mais o compositor Ottorino Respighi, trago agora sua obra mais conhecida, ‘The Pines of Rome’. Já muito se discutiu aqui mesmo no PQPBach sobre a qualidade da obra de Respighi. Confesso que não me faz a cabeça, mas sei que existem defensores, e os respeito. Por isso trago estes cds para quem nunca teve a oportunidade de ouvir uma obra do italiano.
Dorati agora se cerca da sua querida Sinfônica de Londres e da Sinfônica de Minneapolis para nos mostrar estas obras. Trata-se de outro ótimo CD com a qualidade Mercury, e com a competência  habitual de Dorati e de seus músicos. Vale a pena conhecer.

01. The Birds – 1. Prelude
02. The Birds – 2. The Dove
03. The Birds – 3. The Hen
04. The Birds – 4. The Nightengale
05. The Birds – 5. The Cuckoo
06. Brazillian Impressions – 1. Tropical Night
07. Brazillian Impressions – 2. Butantan
08. Brazillian Impressions – 3. Song and Dance

London Symphony Orchestra
Antal Dorati – Conductor

09. The Fountains of Rome – 1. The Fountain of Valle Giulia
10. The Fountains of Rome – 2. The Triton Fountain
11. The Fountains of Rome – 3. The Fountain of Trevi at Mid-day
12. The Fountains of Rome – 4. The Villa Medici Fountain
13. The Pines of Rome – 1. The Pines of the Villa Borghese
14. The Pines of Rome – 2. The Pines Near a Catacomb
15. The Pines of Rome – 3. The Pines of the Janiculum
16. The Pines of Rome – 4. The Pines of the Appian Way

Minneapolis Symphony Orchestra
Antal Dorati – Conductor

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A ‘jam session’ de Beethoven com o violinista negro Bridgetower (Op.47) e seu ‘jazz 120 anos antes’ (Op.111)

Publicado originalmente em 02.07.2010

Juro que tentei fazer mais curto, isto que o Grão-Mestre PQP, o Filho de Bach, chamou de ‘post-tese’… mas acho que a história a seguir é saborosa demais pra ser escondida, e outra chance não haverá. Só espero que vocês concordem! Trata-se do encontro entre Beethoven e o outro violinista negro com George no nome, mencionado de passagem na nossa primeira postagem sobre o Cavaleiro de Jorge francês (Chevalier de Saint-George).

John Frederick Bridgetower era um valete negro numa residência polonesa dos príncipes Esterházy do Império Austro-Húngaro. Lê-se que provavelmente havia fugido da escravidão em Barbados (novamente o Caribe), mas também que alegava ser um príncipe de seu próprio povo.

Sabemos por outros casos que isso não seria impossível, e, verdade ou não, John parece ter vivido nas cortes como um peixe n’água. Ainda na Polônia casou-se com Marianna Ursula – que uns creem suábia, outros polonesa – e aí mesmo, em 1778, nasceu-lhes George Augustus Polgreen Bridgetower – o que definitivamente não parece nome de filho de alguém que se considerasse servo.

George Bridgetower jovem http://i47.tinypic.com/112a0ic.jpg

Quanto a ‘George’, de certa forma também presente no nome daquele outro mestiço, Joseph Bologne, Chevalier de Saint-George – será mera coincidência? Pode ser, mas… um ano antes Mozart havia encontrado a vida musical de Paris dominada pela figura do violinista mestiço. Os Bridgetower viviam dentro da corte austríaca – e muito, muito cedo o pequeno Geoge Bridgetower também estava com o violino nas mãos. Nunca encontrei uma linha sobre isso, mas acho difícil não especular uma relação!

Mesmo se com o nome não houve mais que coincidência, é de fato improvável que não tenham sabido um do outro mais tarde: logo a família passou a servir no próprio Castelo Esterházy, onde atuava ninguém menos que Haydn – tão empregado dos Esterházy quanto os pais de George – e segundo algumas fontes, este logo teve o privilégio de aulas com o gigante.

Ora, se é verdade que Saint-George foi pessoalmente à Áustria encomendar as seis Sinfonias Parisienses (oferecendo por elas um valor que o pobre Haydn jamais havia sonhado), pode ter encontrado aí o pequeno George com 6 ou 7 anos. E mesmo se não foi pessoalmente, não deixou de haver correspondência entre o compositor de Paris e o austríaco que ele evidentemente admirava – pois empenhou-se em promovê-lo numa Paris que ainda não se havia dado conta da sua importância, como se vê no surpreso encantamento registrado nos jornais após essa estréia sêxtupla regida por Saint-George.

Para completar, aos 11 anos George Bridgetower faz seu début como virtuose do violino justamente no Concert Spirituel de Paris – do qual Saint-George havia sido diretor, se é que já havia deixado de ser.

A esta altura o pai aparentemente já não servia aos Esterházy, pois pelas cortes da Europa se comentava da finesse e desenvoltura em cinco idiomas com que empresariava os concertos do filho-prodígio – e este aos 13 anos cai nas graças de mais um George: o Príncipe de Gales, futuro George IV da Inglaterra e Hannover. Este lhe banca estudos de violino, teclado e composição com os maiores mestres da Londres da época – em troca, obviamente, do “passe” do menino.

Aos 25 anos, em licença, George chega a Viena, onde Beethoven, com 33, já pontificava. A amizade parece ter sido imediata, informal e entusiástica: Beethoven retoma alguns esboços, e em uma semana conclui a nona e mais importante das suas sonatas para violino e piano. Vão estreá-la juntos em 25/05/1803, com Bridgetower – acreditem ou não – tocando boa parte à primeira vista, e ainda lendo por sobre o ombro do compositor, pois nem tinha havido tempo para copiar a parte do violino.

Mas o melhor da história vem no segundo movimento, quando o piano reapresentava sozinho uma idéia exposta antes pelo violino – e Bridgetower ousou improvisar comentários uma oitava acima em vez de aguardar. Beethoven teria saltado do piano e… ao contrário do que se poderia esperar do seu gênio, teria abraçado o violinista com palavras que se traduzem perfeitamente por “Mais, camaradinha, mais!” – o que me faz perguntar: terá sido essa a primeira jam session da história?

Que o clima era de divertimento, atesta-o também o título que aparece no manuscrito original: nada menos que “Sonata mulattica, composta per il mulatto Brischdauer [grafia jocosa do nome], gran pazzo [grande maluco] e conpositore mulattico” – havendo referência ainda à anotação “Sonata per un mulattico lunatico”.

Tão informal, porém… que segundo um relato da época os dois teriam comemorado a estréia com uma bebedeira homérica, no meio da qual Beethoven teria se dado por ofendido por uma observação de Bridgetower sobre determinada mulher… A amizade teria terminado aí, e seria por isso que pouco tempo depois Beethoven enviou a sonata com dedicatória ao francês Rodolphe Kreutzer, violinista mais famoso da época.

Outros veem uma razão mais pragmática: com brigas ou não, Beethoven planejava uma temporada em Paris e pensou que dedicar a sonata a Kreutzer podia ajudar no projeto. O fato é que a viagem não se concretizou, e Kreutzer, por sua vez, apenas passou os olhos e disse que a obra era um nonsense inexecutável, e que de resto não lhe interessava porque ‘nem era virgem’ (a expressão é minha)… Nunca tocou a peça que imortalizou seu nome injustamente, enquanto o de Bridgetower só recentemente vem sendo recuperado.

Mas não pensem que para este a briga com Beethoven – se é que houve – tenha sido o fim: em 1811 bacharelou-se em Música em Cambridge ‘defendendo’ um anthem para coro e orquestra (e eu fiquei extremamente surpreso de saber que já existia isso em música na época); deixou ainda peças para piano, canções, suítes de arranjos de danças, e ao que parece dois concertos e uma sinfonia desaparecidos (nunca encontrei referência a nenhuma gravação de suas peças, infelizmente). Foi membro das associações profissionais mais importantes, e parece ter tido considerável papel como professor, do que é documento uma carta de Vincent Novello, pioneiro do revival de Bach na Inglaterra, assinada como “seu antigo aluno e admirador profissional sempre”. Bridgetower viveu ainda alguns períodos em Roma e fez diversas viagens pela Europa, até morrer em Londres com 82 anos, em 1860.

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Quanto à música, é de notar que esta Sonata op.47 tenha sido composta no mesmo ano que a Eroica, tida por um marco no estabelecimento do romantismo em música. As duas têm praticamente o dobro da duração das obras anteriores do mesmo gênero, e são saltos definitivos no sentido da pessoalidade da linguagem. (Quanto ao fato de anteriormente Beethoven já ter publicado 8 sonatas para violino e só 2 sinfonias, me faz pensar numa imensa preparação interior para revolucionar esta forma antes de poder adotá-la como seu campo privilegiado de expressão pessoal).

Este blog já tem outra gravação da Sonata “a Kreutzer” (argh!), e com ninguém menos que Yehudi Menuhin – mas fui ouvi-la e achei um tanto fria, e sobretudo daquela solenidade pedante que se costumava atribuir a Beethoven, mas que – como vimos – não tem nada a ver com o clima da criação da obra. Preferi esta gravação recente do austro-canadense Corey Cerovsek com o finlandês Paavali Jumppanen – apesar de a qualidade de som deixar a desejar, nesta versão ao vivo (que não é a mesma do CD acima).

Mas a postagem ainda me parecia incompleta, e aí lembrei daquela outra obra de Beethoven, onde, incompreensivelmente, sua experimentação resultou em cinco minutos que soam literalmente como o mais legítimo jazz pianístico de 120-150 anos depois: sua última sonata para piano, a famosa Opus 111. Para isso escolhi mais uma gravação ao vivo recente, a do inglês Paul Lewis (e, mais uma vez, o selo da Amazon se refere à versão de estúdio. Lewis, a propósito, já fez a integral das sonatas).

Beethoven muitas vezes abriu mão do processo clássico de desenvolvimento de idéias musicais em favor da forma tema-e-variações, tida pela musicologia como de origem espanhola. Uma das vezes foi no 2.º movimento da sonata estreada com Bridgetower. Outra, no 2.º e (de modo incomum) último movimento da op. 111, o que lá pelas tantas ‘vira jazz’.

Também em muito de Saint-Georges parecemos encontrar uma opção pela apresentação de um tema e sua variação, em lugar de um desenvolvimento propriamente dito.

Haverá algo de uma ‘sensibilidade negra’ nessa opção pela variação – que, afinal, é o próprio processo estrutural do jazz? E teria Beethoven sido tocado de algum modo por essa sensibilidade negra através do seu encontro com Bridgetower, ou mesmo de um nada impossível contato com obras de Saint-George?

Talvez não – mas também não seria impossível. E se é certo que nunca teremos certeza, também me parece extremamente estimulante mantê-lo como hipótese em aberto, ‘talvez não, talvez sim…’ Afinal, não se tratando de questões de sobrevivência, a certeza é tanto desnecessária quanto empobrecedora – e sobretudo anti-poética, incompatível com a natureza da arte!

Faixa 1
Sonata para violino e piano n.º 9, op. 47 – ‘Mullatica’, ‘Kreutzer’ (1803)
. . 00:00 Adagio sostenuto – Presto
. . 13:40 Andante con variazioni
. . 28:50 Presto
Corey Cerovsek, violino – Paavali Jumppanen, piano
Gravação ao vivo disponibilizada na internet.
Gravação de estúdio pelos mesmos artistas: Claves Records, 2007

Faixa 2
Sonata para piano n.º 32, op. 111 (1822)
. . 00:00 Maestoso – Allegro con brio ed appassionato
. . 08:45 Arietta – Adagio molto semplice e cantabile
. . . . (‘jazz’ de 13:59 a 17:40)
Paul Lewis (Inglaterra), piano
Gravação ao vivo disponibilizada na internet.
Gravação de estúdio pelo mesmo artista: Harmonia Mundi, 2008

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Ranulfus

Ottorino Respighi (1879-1936) – Ancient Arias & Dances – Philharmonia Hungarica, Antal Dorati

CD04frontNão sei o que dizer a respeito de Ottorino Respighi. Não conheço detalhes de sua biografia, nem tenho nenhuma familiaridade com sua obra. Só sei dizer que o incansável Antal Dorati fez um belíssimo trabalho ao reunir estas obras e gravar este disco. Não sei qual a fonte de inspiração para um compositor italiano que viveu entre os séculos XIX e XX compor tão belas e delicadas peças baseadas em danças antigas. Só sei que elas são belas e delicadas.
A Philharmonia Hungarica foi uma excelente orquestra que existiu entre 1956 e 2001, quando realizou sua última apresentação. Ela reuniu músicos fugidos da Hungria após a invasão soviética. Antal Doráti foi o seu presidente honorário e principal regente, e com eles realizou dezenas de gravações pelo gravadora DECCA, entre elas a primeira integral das sinfonias de Haydn.

Espero que gostem. Eu gostei bastante.

01. Suite No.1 for Orchestra – Balleto Detto ‘Il Conte Orlando’
02. Suite No.1 for Orchestra – Gagliarda
03. Suite No.1 for Orchestra – Villanella
04. Suite No.1 for Orchestra – Passo Mezzo e Mascherada
05. Suite No.2 for Orchestra – Laura Soave – Balletto con Gagliarda, Saltarello e
06. Suite No.2 for Orchestra – Danza Rustica
07. Suite No.2 for Orchestra – Campanae Parisienses – Aria
08. Suite No.2 for Orchestra – Bergamasca
09. Suite No.3 for Strings – Italiana
10. Suite No.3 for Strings – Arie di Corte – Andante Cantabile
11. Suite No.3 for Strings – Arie di Corte – Allegretto
12. Suite No.3 for Strings – Arie di Corte – Vivace
13. Suite No.3 for Strings – Arie di Corte – Lento con Grande Espressione
14. Suite No.3 for Strings – Arie di Corte – Allegro Vivace
15. Suite No.3 for Strings – Arie di Corte – Vivacissimo
16. Suite No.3 for Strings – Arie di Corte – Andante Cantabile
17. Suite No.3 for Strings – Siciliana
18. Suite No.3 for Strings – Passacaglia

Philharmonia Hungarica
Antal Dorati – Conductor

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Mais do violinista-espadachim negro que influenciou Mozart: Joseph Bologne, Chevalier de Saint-George (1745?-1799) – CDs AVENIRA 1 e 2 de 5

Publicado originalmente em 23.06.2010

Emil F. Smidak parece ter sido um sujeito inquieto e versátil: escreveu de teoria política a poesia e a biografias de músicos. Vivia na Suíça, mas ao que parece era tcheco – infelizmente não consegui dados biográficos diretos. Em algum momento apaixonou-se pela história do Chevalier de Saint-George, saiu pesquisando arquivos Europa afora, e escreveu uma das suas principais biografias. Em 1986 a publicou em francês e em inglês pela Avenira Foundation, sediada em Lucerna – também criação sua, ao que parece – e para ilustrar a biografia produziu nada menos que cinco CDs com artistas da cidade tcheca de Plzeň, ou Pilsen (adivinhões – foi lá que inventaram aquela variedade daquela coisa de beber, sim…).

Esses 5 CDs de 1996-97 contêm 12 dos 25 concertos para violino conhecidos, 6 “sinfonias concertantes” de dois movimentos, e uma “sinfonia” em três movimentos que corresponde à abertura do balé L’Amant Anonyme.

Mais recentemente (2006?) a Avenira utilizou parte desse material numa integral dos concertos, mas o material que começo a postar aqui é o dos anos 90, não o mais recente.

Devo avisar que a realização não tem a mesma energia incisiva das de Jean-Jacques Kantorow (do meu post anterior), nem das estupendas realizações do grupo canadense The Tafelmusik Baroque Orchestra, que se vêem e ouvem no documentário Le Mozart Noir (disponível em 5 partes no YouTube, em inglês sem legendas). Soam um pouco mais sinfônicas e convencionais – mas ainda assim convencem, impõem respeito, e são capazes de emocionar profundamente.

Acho importante mencionar logo a existência de um sujeito controverso: Alain Guédé. Gaba-se de ter sido o primeiro a dar visibilidade a Saint-George com sua biografia de 1999 (bicentenário da morte). No seu site apresenta uma discografia de 18 CDs sem sequer mencionar a existência dos da Avenira. Bem, deve ter suas razões: tem sido acusado de ter copiado extensamente da biografia de Smidak sem dar-lhe nenhum crédito. Em tudo, soa superficial e sensacionalista – mas tem a virtude de haver criado, finalmente, um catálogo das obras identificadas de Saint-George, qua agora são numeradas de G 1 a G 215 (adivinhem de onde vem o G?).

Você ficou pensando “puxa, eu gostaria tanto de ver esse catálogo”? Ora, Pai Ranulfus previu que você ia pensar assim e já tomou as providências: você acessa o catálogo em PDF AQUI!

Quero terminar contando que o CD 2 foi o que me chamou mais atenção, por diversas razões, mas acima de todas pela faixa 05, o Adágio do Concerto op. 4: me pareceu absolutamente espantoso, quase inconcebível que tenha sido composto em 1774 (Smidak) ou 75 (Guédé). Mandei sem identificação a um amigo com bastante noção das coisas, e ele, além de ficar encantado, me disse: “é um romântico; um romântico anacrônico, pode ser, mas certamente romântico; sem maiores análises, me lembrou Mendelssohn…”

Eu disse que meu amigo tem noção das coisas em música… e tem. Não falou bobagem nenhuma, pelo que se ouve. E, sabendo da história do compositor, eu ousei ainda um pouco mais na minha tentativa de análise. Mas não quero influenciar a audição de vocês: nada melhor que ouvir de ouvidos limpos, sem expectativa nenhuma, e só ler comentários depois – e por isso incluí essa tentativa num arquivo .DOC junto com o CD 2. Se tiverem vontade, dêem seu feedback aqui: comentem, aprovem, malhem… mas só quem tiver ouvido a peça antes de ler, combinado?

Joseph Bologne, Chevalier de Saint-Georges
Concertos para violino e orquestra e “sinfonias”

Orquestra Sinfônica da Rádio de Plzeň
Regência: František Preisler Jr. (1996-97)
Violino solo e cadências: Miroslav Vilímec

CD 1/5
01-03 Sinfonia op. 11 nº 2 em Ré, “L’Amant Anonyme” – G 074
04-06 Concerto para violino op. 3 nº 1 em Ré – G 027
07-09 Concerto para violino op. 1 nº 1 em Ré – G 010
10-12 Concerto para violino op. 2 nº 2 em Ré – G 026

CD 2/5
10-03 Concerto para violino op. 8 em Sol – G 050
04-06 Concerto para violino op. 4 em Ré – G 029
07-09 Concerto para violino op. 2 nº 1 em Sol – G 025
. . . . . BAIXE ESTES 2 CDs AQUI – download here

Ranulfus

Mais do compositor negro que influenciou Mozart: 6 concertos e 6 sinfonias concertantes do ‘Cavaleiro de Jorge’ Joseph Boulogne (CDs AVENIRA 3+4+5)

Publicado originalmente em 29.06.2010

 

Landais nos contou de St-George, de Paris, um mulato. St-George é o n.º 1 na Europa em equitação, corrida, tiro, esgrima, dança, música. Atinge [com a espada] o botão – qualquer botão – da capa ou do colete dos maiores mestres. Acerta com a pistola uma moeda de 1 coroa no ar. (Do diário de John Adams, 2.º presidente dos Estados Unidos, em 17/05/1779)

Além de uma característica atenção às capacidades bélicas e não às artísticas, pelo que se lê em outras fontes faltou a esse presidente dos EUA mencionar a natação, a patinação no gelo e – se me permitem chamá-lo de esporte – o arrebatamento de paixões femininas.

Já se falou de Liszt como o primeiro pop star, mas considerando as datas e a variedade das frentes de destaque, duvido que surja um candidato mais forte que Joseph Bologne de Saint-George. Nem estranho certa irritação no que alguns têm escrito sobre ele: faz pensar no ‘moleque indigesto’ de Lamartine Babo, que ‘pisca o olho e cai no samba’, ‘faz o footing lá no Leblon’, ‘toca trombone na banda’, ‘já foi vaqueiro numa fazenda’ mas ‘tem um defeito: come demais; come, come, não deixa resto – ó que moleque indigesto’.

Mas a figura de Saint-George parece ser imensamente mais complexa que isso. Mereciam tradução integral os sensíveis textos de Emil Smidak para os encartes desta série de CDs (de onde vêm a citação de John Adams acima). Além disso, as contradições no conjunto de dados que se encontram na net em inglês e francês mostram o quanto ainda falta descobrir, mas sobretudo deixam evidente que nem tudo nessa vida foram flores.

Houve a carta de duas cantoras e uma bailarina à rainha declarando que sua honra e consciência (!) jamais lhes permitiriam trabalhar sob as ordens de um mulato, o que terminou por impedir que ele assumisse a direção da Academia Real de Música. Houve traições e agressões públicas tanto em sua vida civil como na militar. Havia sobretudo a lei (o ‘Code Noir’) pela qual o filho de uma escrava jamais seria herdeiro natural dos títulos e das posses do pai aristocrata; se era chamado de Chevalier, era pelo papel que ocupava de fato na sociedade: legalmente não lhe cabia nenhum título, apesar de sua meio-irmã branca-inteira ser Marquesa de Clairfontaine.

Não é de estranhar, então, ter-se engajado de corpo e mente na causa da Revolução – para também aí se ver traído depois de algum tempo, aguardando a guilhotina preso por cerca de um ano, sendo liberto por um triz em um mundo onde muitos de seus melhores amigos haviam sido executados.

Há controvérsia sobre ele ainda ter estado no Caribe depois disso, envolvido nos processos que levaram à independência do Haiti; os defensores dessa tese dizem que teria voltado profundamente abalado – com certeza por ter visto que a barbaridade do mundo ia ainda bem mais longe que o pior que tivesse conhecido em Paris.

Como a data de nascimento continua controversa, não sabemos a idade exata com que morreu – na faixa dos 51 aos 59 – porém talvez tenha sido uma felicidade ter escapado, por três anos, de ver Napoleão restaurando a escravidão.

Não sei quando encontrarei mais gravações de Saint-Georges para postar, e então quero encerrar esta série de três com algumas das palavras finais do texto de Smidak – depois das quais virão os links de download dos CDs e ainda os do documentário canadense O Mozart Negro no YouTube (em inglês sem legendas – infelizmente não incorporável a partir do endereço atual):

“Na Europa do século 18 houve musicistas maiores que Saint-Georges pelo ponto de vista musicológico. Mas terá havido algum maior pelo ponto de vista humano? […] Como conclusão poderíamos nos perguntar: a quem Saint-George realmente pertence? À África, à América negra ou à Europa? Não pretendemos perpetuar o conflito que dilacerou Saint-George no final da sua vida, dando uma dessas respostas em prejuízo das outras. Antes, responderemos: pertence a cada uma dessas e a todos os povos, pois a grande epopeia humana da qual sua vida foi parte não conhece fronteiras nacionais nem raciais.”
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Emil F. Smidak

Joseph Bologne, Chevalier de Saint-Georges
Concertos para violino e orquestra e ‘sinfonias’

Orquestra Sinfônica da Rádio de Plzeň
Regência: František Preisler Jr. (1996-97)
Violino solo e cadências: Miroslav Vilímec

CD 3/5
Sinfonia Concertante Op. 9 No.2 em lá maior – G 066
Concerto para violino Op. 5 No.1 em dó maior – G 031
Sinfonia Concertante em ré bemol maior – G 023
Concerto para violino Op. 7 No.2 em si bemolmaior – G 040

CD 4/5
Sinfonia Concertante Op. 10 No.1 em fá maior – G 064
Concerto para violino Op. 5 No.2 em lá maior – G 032
Sinfonia Concertante em sol maior – G 024
Concerto para violino Op. 1 No.10 em ré maior – G 021

CD 5/5
Sinfonia Concertante Op. 9 No.1 em dó maior – G 065
Concerto para violino Op. 3 No.2 em lá menor – G 028
Sinfonia Concertante Op. 10 No.2 em lá maior – G 049
Concerto para violino Op. 1 No.11 em sol maior – G 022

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Brinde: DOCUMENTÁRIO CANADENSE “LE MOZART NOIR”
com The Tafelmusik Baroque Orchestra – em inglês, sem legendas.
(Antes em cinco partes, agora consolidado, ~48 min. Recomendo!)

Ranulfus

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sonaten – Baremboim

frontTrês pilares da leitura pianística em uma interpretação muito pessoal de Daniel Baremboim. Trata-se de um CD que não consideraria imperdível, mas interessante de se ouvir. O ritmo lento que ele imprime na Sonata ao Luar talvez aborreça alguns que preferem um andamento um pouco mais rápido, mas trata-se de gosto pessoal. Eu particularmente prefiro Kempff e Rubinstein neste repertório, mas cada um é cada um. De qualquer forma trata-se de Beethoven com suas magníficas sonatas. Ainda mais em se tratando destas três aqui gravadas.

01 – Piano Sonata No.14 in C sharp minor, Op.27 No.2 -”Moonlight” – 1. Adagio sostenuto
02 – Piano Sonata No.14 in C sharp minor, Op.27 No.2 -”Moonlight” – 2. Allegretto
03 – Piano Sonata No.14 in C sharp minor, Op.27 No.2 -”Moonlight” – 3. Presto agitato
04 – Piano Sonata No.8 in C minor, Op.13 -”Pathétique” – 1. Grave – Allegro di molto e con brio
05 – Piano Sonata No.8 in C minor, Op.13 -”Pathétique” – 2. Adagio cantabile
06 – Piano Sonata No.8 in C minor, Op.13 -”Pathétique” – 3. Rondo (Allegro)
07 – Piano Sonata No.23 in F minor, Op.57 -”Appassionata” – 1. Allegro assai
08 – Piano Sonata No.23 in F minor, Op.57 -”Appassionata” – 2. Andante con moto
09 – Piano Sonata No.23 in F minor, Op.57 -”Appassionata” – 3. Allegro ma non troppo

Daniel Baremboim – Piano

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Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Piano Concertos nº 14 e 21 – Brautigam, Die Kölne Academie, Willens

6183-02qd7LO excelente pianista holandês Ronald Brautigam já compareceu por estas plagas pequepianas com uma excelente integral das sonatas para piano de Beethoven. Agora ele  vem de Mozart, e que Mozart, senhores. Apesar de utilizar-se de um pianoforte construído em 2012 baseado em um modelo de 1805, Brautigam nos traz um Mozart bem moderno, sem adornos, puro, belo e simples. E nada mais além disso. Espero que os senhores apreciem, pois pretendo trazer outros dois cds dele, também gravados neste ciclo de Concertos de Mozart.
Não acredito que alguém não possa gostar do Concerto nº 21, em  minha modesta opinião, o mais belo dos concertos que Mozart compôs. Mas precisamos deixar um pouco de lado aquele seu lado romântico, explorado à exaustão por alguns instrumentistas. Brautigam tem uma leitura não diria desapaixonada, mas mais realista.
Independente de qualquer bobagem que possa ter escrito acima, baixem esse CD e vejam como o século XXI entende Mozart, através de um dos grandes pianistas deste início de século.

01 – Piano Concerto No.21 in C Major K.467 I. Allegro maestoso
02 – Piano Concerto No.21 in C Major K.467 II. Andante
03 – Piano Concerto No.21 in C Major K.467 III. Allegro vivace assai
04 – Ch’io mi scordi di te K.505
05 – Piano Concerto No.14 in E-Flat Major K.449 I. Allegro vivace
06 – Piano Concerto No.14 in E-Flat Major K.449 II. Andantino
07 – Piano Concerto No.14 in E-Flat Major K.449 III. Allegro ma non troppo

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RonaldBrautigam
Ronald Brautigam e suas longas madeixas – Mozart para o século XXI

Georges Bizet (1838-1875) – Carmen – Berganza, Domingo, Milnes, Cotrubas, Abbado, LSO

71MVp+X+Y3L._SL1295_Sei que essa é a ópera favorita de muita gente, inclusive a minha favorita. Seus famosos temas, desde a abertura, me emocionaram desde a primeira vez que a ouvi, e já se vão mais de quarenta anos. No meio da bagunça que continua minha vida, com direito a doença na família, a obra de Bizet me inspira e muito, mesmo tendo o final trágico que tem.
Tenho umas três ou quatro versões, mas resolvi trazer essa versão do Abbado por algum motivo que não saberia explicar. Temos Placido Domingo no apogeu de sua carreira, o Abbado em um de melhores momentos de sua carreira, quando dirigia a Sinfônica de Londres, Tereza Berganza poderosíssima no papel principal, enfim, os céus conspiraram a favor dessa gravação.
Existem diversos locais em que os senhores podem encontrar o libreto dessa obra, por isso não irei me estender muito no texto.

CD 1

1 – Overture
2-20 – Act I
21-26 – Act II

CD 2

1-6 Act II (conclusion)
7-23 – Act III

Carmen – Tereza Berganza
Don Jose – Placido DOmingo
Escamilo – Sherril Mines
Micaela – Ileana Cotrubas
Frasquita – Yvonne Kenny
Mercedes – Alicia Nafé
Zuniga – Robert Lloyd
Morales – Stuart Harling
Dancairo – Gordon Sandinson
Remendado – Geoffrey Pogson

The Ambrosian Singers
George´s Watson College Boys´Chorus
London Symphony Orchestra
Claudio Abbado – Conductor

CD 1 – DOWNLOAD HERE – BAIXE AQUI
CD 2 – DOWNLOAD HERE – BAIXE AQUI

Édouard Lalo (1823-1892): Symphony espagnole, op. 21 / Camile Saint-Säens (1835-1921): Violin Concerto n°3, op 61 / Maurice Ravel (1875-1937): Tzigane, rapsodie de concert

frontChamaria este CD de temático, se fosse o caso, afinal são três obras primas do repertório violinístico compostos por franceses, mas não sei se caberia o rótulo. Trata-se de um CD que beira a perfeição, eu diria, sem medo de errar. Maxim Vengerov vem da tradição russa dos grandes violinistas, como Oistrakh, Kogan, entre diversos outros, e com certeza deixaria orgulhoso aqueles grandes mestres do passado.
Adoro essa Symphony espagnole, ainda mais que os concertos para violino que Lalo compôs. A criatividade da obra se encontra exatamente na exploração de temas que tem origem na música espanhola, é claro e óbvio, mas Lalo dá-lhe uma roupagem diferente, sem perder o sangue francês. Até conhecer essa gravação, para mim Itzah Perlman reinava absoluto na interpretação dessa obra, mas Vengerov balançou os alicerces de minhas crenças. Igualmente genial, sem medo de errar, e com um tremendo senso de responsabilidade e de certeza de estar fazendo história quando realizava a gravação.
Ah, para completar esse excelente CD, temos ainda “apenas” o Concerto n°3 de Saint-Säens e a “Tzigane” de Ravel, para fechar com chave de ouro esse cd com certeza IM-PER-DÍ-VEL !!!”

01. Lalo – Symphonie espagnole, Op.21 – I. Allegro non troppo
02. Symphonie espagnole, Op.21 – II. Scherzando Allegro molto
03. Symphonie espagnole, Op.21 – III. Intermezzo Allegretto non troppo
04. Symphonie espagnole, Op.21 – IV. Andante
05. Symphonie espagnole, Op.21 – V. Rondo Allegro – Poco più lento – Tempo 1
06. Saint-Saens – Violin Concerto No.3, Op.61 – I. Allegro non troppo
07. Violin Concerto No.3, Op.61 – II. Andantino, quasi allegretto
08. Violin Concerto No.3, Op.61 – III. Molto moderato – Allegro non troppo
09. Ravel – Tzigane, rapsodie de concert

Maxim Vengerov – Violin
Philharmonia Orchestra
Antonio Pappano – Conductor

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Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): A Flauta Mágica – Abbado

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): A Flauta Mágica – Abbado


Morreu Claudio Abbado, um dos grandes nomes da regência do século XX e deste começo de século XXI. Conheci esse grande maestro ainda nos ano 80, graças a um amigo, descendente de italianos, que era fã dele, e que me presenteou com um LP que trazia ´O Pássaro de Fogo´ de Stravinsky, já nos tempos em que esteve à frente da Sinfônica de Londres. Adorei aquele LP, que me abriu as portas para a música do século XX. Virei seu fá, e claro, fui atrás de suas outras gravações, principalmente de compositores do século XX. Desde então acompanho sua carreira.

Seu período frente à Filarmônica de Berlim não me agradou muito, mas quando saiu e montou a Orchestra Mozart, voltei a ser seu fã. Não sei se tenho todas as gravações que ele realizou com essa orquestra, mas o que tenho adoro. Desde os Concertos para Violino com o Carmignola, que devo repostar, passando pelas sinfonias de Mozart, que postei ano passado, seus Pergolesi, que também pretendo repostar, além é claro, de suas gravações com a Maria João Pires. Infelizmente ainda não tenho um de seus últimos cds, gravado com sua amiga de longa data, Martha Argerich, onde, para variar, tocam Mozart, a grande paixão do maestro em seus últimos anos de vida.

Vou realizar estas postagens de acordo com minhas possibilidades.

E começo com um primor de gravação da minha ópera favorita, “A Flauta Mágica”, que realizou em 2006. Os solistas não me são conhecidos, com exceção, é claro, de René Pape. Ah, já falei que é gravado ao vivo?

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – A Flauta Mágica – Abbado

01. Ouverture
02. Nr. 1 Introduktion »Zu Hilfe! Zu Hilfe!« (Tamino, Die drei Damen)
03. Nr. 2 Arie »Der Vogelfanger bin ich ja« (Papageno)
04. »Papageno!« – »Ah! Das geht mich an!« (Die drei Damen, Papageno, Tamino)
05. Nr. 3 Arie »Dies Bildnis ist bezaubernd schon« (Tamino)
06. »Freue dich und fasse Mut, schoner Jungling!« (Die drei Damen, Tamino)
07. Nr. 4 Rezitativ und Arie »O zittre nicht, mein lieber Sohn!« (Königin der Nacht)
08. Nr. 5 Quintett »Hm, hm, hm« (Papageno, Tamino, Die drei Damen)
09. »Ha, ha, ha!« – »Pst, pst!« (Die drei Slaven)
10. Nr. 6 Terzett »Du feines Taubchen, nur herein!« (Monostatos, Pamina, Papageno)
11. »Bin ich nicht ein Narr« (Papageno, Pamina)
12. Nr. 7 Duett »Bei Mannern, welche Liebe fuhlen« (Pamina, Papageno)
13. Nr. 8 Finale »Zum Ziele fuhrt dich diese Bahn« (Die drei Knaben, Tamino, Priester, Sprecher, Chor)
14. »Wie stark ist nicht dein Zauberton« (Tamino)
15. »Schnelle Fube, rascher Mut« (Pamina, Papageno, Monostatos, Sklaven, Chor)
16. »Es lebe Sarastro! Sarastro soll leben!« (Chor, Pamina, Sarastro, Monostatos, Tamino)
17. Nr. 9 Marsch der Priester
18. »Ihr, in dem Weisheitstempel« (Sarastro, Zweiter Priester, Sprecher, Dritter Priester)
19. Nr. 10 Arie mit Chor »O Isis und Osiris« (Sarastro, Chor)
20. »Eine schreckliche Nacht!« (Tamino, Papageno, Sprecher, Zweiter Priester)
21. Nr. 11 Duett »Bewahret euch vor Weibertucken!« (Erster Priester, Zweiter Priester)

CD 2

01. Nr. 12 Quintett »Wie Wie Wie Ihr an diesem Schreckensort« (Die drei Damen, Papageno, Tamino, Priester
02. »Heil dir, Jüngling! Dein standhaft männliches Betragen« (Sprecher, Zweiter Priester, Papageno)
03. Nr. 13 Arie »Alles fühlt der Liebe Freuden« (Monostatos)
04. Nr. 14 Arie »Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen« (Königin der Nacht)
05. »Morden soll ich« (Pamina, Monostatos, Sarastro)
06. Nr. 15 Arie »In diesen heil’gen Hallen« (Sarastro)
07. »Hier seid ihr euch beide alleine überlassen« (Sprecher, Zweiter Priester, Papageno)
08. Nr. 16 Terzett »Seid uns zum zweitenmal willkommen« (Die drei Knaben)
09. »Tamino, wollen wir nicht speisen« (Papageno) – »Tamino! Du hier« (Pamina)
10. Nr. 17 Arie »Ach, ich fühl, es ist verschwunden« (Pamina)
11. »Nicht wahr, Tamino, ich kann auch schweigen« (Papageno)
12. Nr. 18 Chor der Priester »O Isis und Osiris (Chor)
13. »Prinz, dein Betragen war bis hieher männlich und gelassen« (Sarastro, Pamina)
14. Nr. 19 Terzett »Soll ich dich, Teurer, nicht mehr seh’n« (Pamina, Sarastro, Tamino)
15. »Tamino! Tamino! Willst du mich denn gänzlich verlassen« (Papageno, eine Stimme, Die drei Priester)
16. Nr. 20 Arie »Ein Mädchen oder Weibchen wünscht Papageno sich!« (Papageno)
17. »Da bin ich schon, mein Engel!« (Das alte Weib, Papageno)
18. Nr. 21 Finale »Bald prangt, den Morgen zu verkünden« (Die drei Knaben, Pamina)
19. »Der, welcher wandert diese Straße voll Beschwerden« (Die Geharnischten, Tamino, Pamina)
20. »Papagena! Papagena! Papagena! Weibchen! Täubchen!« (Papageno, Die drei Knaben, Papagena)
21. »Nur stille, stille, stille, stille!« (Monostatos, Königin der Nacht, Die drei Damen)

Rene Pape – Sarastro
Königin der Nächt – Erika Miklosa
Dorothea Röschmann – Tamina
Christoph Strehl – Pamino
Hano Müller-Brachman – Papageno
Julia Kleiter – Papagena
Mahler Chamber Orchestra
Claudio Abbado – Director

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O grande Ingmar Bergman montou e ainda fez um filme de sua versão cênica de A Flauta Mágica.
O grande Ingmar Bergman montou e ainda fez um filme de sua versão de A Flauta Mágica.

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Edvard Hagerup Grieg (1843-1907): Violin Sonatas, Op. 8, 13 e 45

Edvard Hagerup Grieg (1843-1907): Violin Sonatas, Op. 8, 13 e 45

IM-PER-DÍ-VEL !!!

A música de Grieg sempre me cativou principalmente por seu lirismo. Já havia postado logo que iniciamos o Blog seu “Peer Gynt”. Por algum motivo desconhecido, desde então ele ficou relegado a um segundo plano. Volto à ele, portanto, com este belíssimo cd com suas sonatas para violino.

Frederic Chu e Pierre Amoyal conseguem em sua parceria estabelecer uma cumplicidade única.

Como bem frisou o resenhista da amazon,

Pierre Amoyal and Frederic Chiu have developed a partnership (apparent in their acclaimed recording of Prokofiev sonatas) that is ingratiatingly balanced and blissfully spontaneous in expression–just savor how Chiu plays the piano’s harmonies off violinist Amoyal’s sweetly focused but uncloying tone. In these passages of heightened lyricism, Amoyal readily mimics the human voice on which Grieg lavished such tenderness in his songs. Recorded at the Skywalker Sound studios, the CD is warmly enveloping and has a fantastic clarity. –Thomas May

Um CD, portanto, para ser degustado sem pressa, acompanhado de um bom vinho, num sábado chuvoso como o de hoje.

Edvard Hagerup Grieg – (1843 – 1907) – Violin Sonatas, op. 8, 13 e 45

1. Sonata in C Minor, Op. 45: Allegro molto ed appassionato
2. Sonata in C Minor, Op. 45: Allegretto espressivo alla Romanza
3. Sonata in C Minor, Op. 45: Allegro animato
4. Sonata in G Major, Op. 13: Lento doloroso – Allegro vivace
5. Sonata in G Major, Op. 13: Allegretto tranquillo
6. Sonata in G Major, Op. 13: Allegro animato
7. Sonata in F Major, Op. 8: Allegro con brio – Andante
8. Sonata in F Major, Op. 8: Allegretto quasi Andantino
9. Sonata in F Major, Op. 8: Allegro molto vivace

Pierre Amoyal – Violin
Frederic Chiu – Piano

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Aposto que você não sabe que eu sou tio-avô de Glenn Gould
Aposto que você não sabe que eu sou tio-avô de Glenn Gould

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