BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sonatas para piano Opp. 7, 10 no. 3 & 57 – Hewitt

Se havia quaisquer dúvidas de que Ludwig van Beethoven – pianista virtuoso de fama consolidada em Viena, professor de piano requisitado e compositor crescentemente reconhecido – pretendia romper com tradições para fazer ouvir sua voz altamente individual, elas dissiparam-se quando, aos 26 anos, ele publicou a Sonata em Op. 7. Composta durante uma visita a Pressburg (hoje Bratislava, Eslováquia), estava entre as obras preferidas de Beethoven, que quis deixar isso claro ao dar-lhe um número próprio de opus, lançando-a separadamente, e não em dupla ou trinca, que era a praxe da época. De lambujem, chamou-a de “Grande Sonata”, título que lhe é muito apropriado, tanto pela duração – a segunda mais longa entre suas sonatas, menor somente que a transcendental “Hammerklavier” – quanto pelo escopo grandioso da obra, especialmente se a comparamos às sonatas anteriores do Op. 2. Ainda que nela haja muito pouco que fizesse imaginar o que viria com as vinte e oito sonatas seguintes, o abismo que a separa das Op. 2 só não é menor que aquele entre ela e a três sonatas do Op. 10  – a terceira das quais abre esta gravação, e que serão objeto de uma postagem específica.

Para encerrar, uma “Appassionata” sem-cerimoniosa e atenta à partitura, carregando as marcas registradas da canadense Angela Hewitt, que, depois levar ao disco e às salas de concerto de todo mundo interpretações de Bach que já nasceram clássicas, voltou-se para as sonatas do renano com toda bagagem de clareza, respeito às intenções do compositor e rejeição ao bravado amealhados na larga experiência de interpretação das obras do Maior de Todos. Apesar de nunca ter prometido a integral das trinta e duas sonatas, Hewitt já está há mais de década e no oitavo volume deste afã e, através do bonito som de seus queridos pianos Fazioli, propõe-nos uma refrescante maneira de ouvir Beethoven.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Três Sonatas para piano, Op. 10
No. 3 em Ré maior
Composta entre 1797-8
Publicada em 1798
Dedicada à condessa Anna Margaret von Browne

1 – Presto
2 – Largo e mesto
3 – Menuetto. Allegro
4 – Rondo: Allegro

Grande Sonata para piano em Mi bemol maior, Op. 7
Composta entre 1797-8
Publicada em 1798
Dedicada à condessa Babette von Keglevics

5 – Allegro molto e con brio
6 – Largo, con gran espressione
7 – Allegro
8 – Rondo: Poco allegretto e grazioso

Sonata para piano em Fá menor, Op. 57, “Appassionata”
Composta entre 1804-5
Publicada em 1807
Dedicada ao conde Franz von Brunsvik

9 – Allegro assai
10 – Andante con moto
11 – Allegro ma non troppo – Presto

Angela Hewitt, piano

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Angela e seu Fazioli
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Vassily

BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sonata para piano a quatro mãos, Op. 6 – Marchas, Op. 45 – Grande Fuga para piano a quatro mãos, Op. 134 – Variações, WoO 67 & 74 – Demus – Shetler

Diferentemente da postagem anterior, com obras e performances eletrizantes, chego a um capítulo da obra do mestre renano que não me desperta muito entusiasmo. Suas peças para duo pianístico, que cabem todas num só disco, já foram postadas anteriormente no PQP Bach e mereceram, na ocasião, um meu comentário modorrento. Admito que talvez não esteja sendo justo com criações despretensiosas que não foram destinadas a causar estupor nos palcos, nas mãos de virtuoses, nem a estimular impulsos mecenáticos entre nobres endinheirados, e sim aos amadores em suas residências. Instrumentos de teclado eram crescentemente mais comuns nos lares, e a música para piano a quatro mãos – fosse ela original, ou arranjada para duo a partir de obras para conjuntos maiores – era um veículo importante de divulgação de composições naquela época em que o acesso a concertos ainda era mormente um privilégio e as gravações não estavam sequer na ficção científica, porque, talvez, nem ficção científica existisse.

A singela sonata Op. 6, uma das mais curtas entre as sonatas de Beethoven, com suas figurações simples que se dividem e repetem entre as quatro mãos, foi certamente dedicada ao estudo e à prática de conjunto. As  simpáticas, despreocupadas Marchas, Op. 45, são de interesse um pouco maior, e ficam mesmo intrigantes quando se sabe que foram compostas em torno do período de desespero em Heiligenstadt, que culminou com o famoso testamento que algum dia abordaremos nesta série. Completam a gravação obras de fases contrastantes da carreira do compositor: aquela sobre um tema do Conde Waldstein (WoO 67), seu patrono em Bonn, datam, naturalmente, de seus últimos anos na cidade natal, e são interessantes pelas sugestões de colorido orquestral; as variações sobre sua canção “Ich denke dein” (WoO 74) foram dedicadas em Viena às condessas Therese e Josephine von Brunsvik, quase que certamente para o uso das moças (e, provavelmente, para impressioná-las); e a transcrição da Grande Fuga (Op. 134; originalmente o finale do quarteto de cordas, Op. 130, e editada em separado como Op. 133), que foi a última obra pianística que publicou. Muito me intrigam os motivos que levaram a este arranjo da mais radical e visionária das obras de Beethoven, recebida com reações que variavam entre a estranheza e as conjecturas de que o compositor enlouquecera, para um meio tão burguesmente doméstico como o do piano a quatro mãos. Enquanto o escutava, a preparar este texto, percebi pela primeira vez que a falta dos ataques furiosos às cordas, tão essenciais ao impacto da versão original, permitia uma percepção mais clara das vozes e da magistral transfiguração delas dentro do modo beethoveniano de tratar as leis da fuga. A obra futurística e iracunda para quarteto de cordas fica mais transparente e, voilà – 1 x 0 para você, velho Ludwig!

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Sonata em Ré maior para piano a quatro mãos, Op. 6
1 – Allegro molto
2 – Rondo. Moderato

Três Marchas para piano a quatro mãos, Op. 45
3 – No. 1 em Dó maior
4 – No. 2 em Mi bemol maior
5 – No. 3 em Dó maior

Oito Variações em Dó maior para piano a quatro mãos sobre um tema do Conde Waldstein, WoO 67
6 – Thema. Andante con moto – Variationen I-VIII

Seis Variações em Ré maior sobre a canção “Ich denke Dein”, de Beethoven, WoO 74
7 – Thema. Variationen I-VI

Grande Fuga em Si bemol maior para piano a quatro mãos, Op. 134
8 –  Overtura. Allegro –  Fuga. Allegro – Meno mosso e moderato – Allegro – Allegro molto e con brio – Allegro molto e con brio

Jörg Demus e Norman Shetler, piano

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Meus desimportantes resmungos quanto à obra de Beethoven para duo pianístico não me permitiram a gentileza de apresentar os intérpretes da gravação no corpo do texto. Acredito que o ilustre Jörg Demus (1928-2019) recentemente falecido, dispense apresentações. Norman Shetler (1931) nasceu nos Estados Unidos, vive na Áustria há décadas, é recitalista, requisitado acompanhante de cantores e instrumentistas, e famoso marionetista. Ei-lo, com um amigo, nesta última função

 

 

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Vassily

BTHVN250- Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sonatas para Piano – CDs 1-3 de 10 – Claudio Arrau

“Claudio Arrau nasceu em Chillán, Chile, filho de Carlos Arrau, oftalmologista que morreu quando Cláudio tinha apenas um ano de idade, e Lucrecia León Bravo de Villalba, professora de piano. Ele pertencia a uma antiga e proeminente família do sul do Chile. Seu ancestral Lorenzo de Arrau, um engenheiro espanhol, foi enviado ao Chile pelo rei Carlos III da Espanha. Através de sua bisavó, Maria del Carmen Daroch del Solar, Arrau era um descendente dos Campbells de Glenorchy, uma família nobre escocesa. Arrau foi criado como católico, mas desistiu no final da adolescência.
Arrau era uma criança prodígio e sabia ler música antes de ler palavras, mas, ao contrário de muitos virtuosos, não havia um músico profissional em sua família. Sua mãe era uma pianista amadora e o apresentou ao instrumento. Aos 4 anos de idade, ele estava lendo as sonatas de Beethoven e fez seu primeiro concerto um ano depois.Quando Arrau completou 6 anos, fez um teste na frente de vários congressistas e do Presidente Pedro Montt, que ficou tão impressionado que começou a providenciar a educação futura de Arrau. Aos 8 anos, Arrau recebeu uma concessão de dez anos do governo chileno para estudar na Alemanha, viajando com sua mãe e irmã Lucrecia. Ele foi admitido no Conservatório Stern de Berlim, onde acabou se tornando aluno de Martin Krause, que estudara com Franz Liszt. Aos 11 anos, Arrau tocou o “Transcendental Etudes” de Liszt, uma das obras mais difíceis para piano, bem como as Variações Paganini de Brahms. As primeiras gravações de Arrau foram feitas em rolos de música para piano de jogadores eólios da Duo-Art. Krause morreu em seu quinto ano de ensino a Arrau, deixando o estudante de 15 anos arrasado pela perda de seu mentor; Arrau não continuou o estudo formal depois desse ponto.

Em 1935, Arrau rendeu-se à obra para teclado de Johann Sebastian Bach ao interpretá-la em 12 recitais. Em 1936, Arrau interpretou toda a obra pianística de Mozart em cinco recitais e seguiu com os ciclos completos de Schubert e Weber. Em 1938, pela primeira vez, foi a vez de Beehoven, vindo a apresentar toda a sua obra na Cidade do México. Arrau repetiu isso várias vezes em sua vida, inclusive em Nova York e Londres. Ele se tornou uma das principais autoridades de Beethoven no século 20.
Em 1937, Arrau casou-se com a mezzo-soprano alemã Ruth Schneider (1908–1989). Eles tiveram três filhos: Carmen (1938–2006), Mario (1940–1988) e Christopher (1959). Em 1941, a família Arrau emigrou da Alemanha para os Estados Unidos, estabelecendo-se em Douglaston, Queens, Nova York, onde Arrau passou os anos restantes. Ele se tornou um cidadão norte-americano em 1979.

Arrau morreu em 9 de junho de 1991, aos 88 anos de idade, em Mürzzuschlag, na Áustria, devido a complicações de uma cirurgia de emergência realizada em 8 de junho para corrigir um bloqueio intestinal.  Seus restos mortais foram enterrados em sua cidade natal, Chillán, Chile.”

Com esta pequena biografia, livremente traduzida e adaptada da WIKIPEDIA, do grande pianista chileno Claudio Arrau dou por iniciada as minhas postagens dedicadas aos 250 anos do nascimento de Beethoven. Esta integral  das Sonatas para Piano que ora vos trago foi gravada em 1964.

Piano Sonata No. 1 In F Minor, Op. 2, No. 1
1.1. Allegro
2.2. Adagio
3.3. Menuetto (Allegretto)
4.4. Prestissimo
Piano Sonata No. 2 In A Major, Op. 2, No. 2
5.1. Allegro vivace
6.2. Largo appassionato
7.3. Scherzo (Allegretto)
8.4. Rondo (Grazioso)
Piano Sonata No. 3 In C Major, Op. 2, No. 3
9.1. Allegro con brio
10.2. Adagio
11.3. Scherzo (Allegro)
12.4. Allegro assai

CD 2

Piano Sonata No. 4 In E Flat Major, Op. 7
1.1. Allegro molto e con brio
2.2. Largo, con gran espressione
3.3. Allegro
4.4. Rondo (Poco allegretto e grazioso)
Piano Sonata No. 5 In C Minor, Op. 10, No. 1
5.1. Allegro molto e con brio
6.2. Adagio molto
7.3. Finale (Prestissimo)

CD 3

Piano Sonata No. 6 In F Major, Op. 10, No. 2
1.1. Allegro
2.2. Allegretto
3.3. Presto
Piano Sonata No. 7 in D Major, Op.10, No.3
4.1. Presto
5.2. Largo e mesto
6.3. Menuetto (Allegro)
7.4. Rondo (Allegro)
Piano Sonata No. 8 in C Minor, Op. 13 “Pathétique”
8.1. Grave – Allegro di molto e con brio9:04
9.2. Adagio cantabile
10.3. Rondo (Allegro)
Piano Sonata No. 9 In E Major, Op. 14, No. 1
11.1. Allegro
12.2. Allegretto
13.3. Rondo (Allegro comodo)

Claudio Arrau – Piano

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FDP (2020), links revalidados em 2025

BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sonatas para violoncelo e piano, Op. 5 – Variações – Wispelwey – Lazić

Nas sonatas para violoncelo de quase todo o barroco até aquelas de Boccherini, o teclado limitava-se ao acompanhamento em baixo-contínuo de um solista que, normalmente, tentava aprontar algo no registro agudo do instrumento, sem que houvesse nelas, praticamente, uma parte para teclado independente. Os grandes Mozart e Haydn, modelos mais importantes para o jovem Beethoven, deram completamente de ombros ao violoncelo como solista em música de câmara, muito por conta das limitações dos instrumentos de antanho, cujo som tendia a ser abafado pelos pianos nos registros graves, o que desestimulava quaisquer intenções virtuosísticas. No entanto, os luthiers do final do século XVIII fizeram o violoncelo evoluir enormemente, de modo que, quando da visita de Beethoven à corte de Berlim em 1796, havia já um bom número de solistas de renome no instrumento outrora tido somente como um grave e modesto acompanhante. E, assim como aconteceria depois com o violinista Bridgetower e a sonata “Kreutzer”, foi um encontro de virtuoses a centelha para a criação intempestiva de uma obra revolucionária – no caso, de Beethoven com os irmãos Jean-Pierre e Jean-Louis Duport, primeiro e segundo violoncelistas da corte da Prússia, encabeçada ela própria por um violoncelista amador, o rei Friedrich Wilhelm II. Entusiasmado com o que ouviu dos irmãos, Ludwig escreveu com rapidez este par de sonatas, no que certamente contou com a consultoria dos virtuoses franceses, e estreou-as ainda na corte, tocando ele próprio a elaborada, independente parte do piano, inventando assim,  praticamente sozinho, a sonata clássica para violoncelo e piano.

Se as sonatas têm tantos nomes e sobrenomes ilustres envolvidos em sua gênese, há bastante mistério sobre quem inspirou as três séries de variações para violoncelo e piano compostas por Beethoven, duas das quais estão incluídas neste disco. As exigências técnicas, bem menores que aquelas das sonatas, deixam-nas ao alcance de competentes amadores, e é bastante provável que tenham sido escritas por encomenda para alguns deles, inda mais por conta dos populares temas que lhes servem de base. A série mais interessante, aquela sobre o tema de “Judas Maccabaeus” de Händel, atesta o vivo interesse de Beethoven na música do saxão, que descobrira através de um de seus patronos, o barão von Swieten, e que o inspiraria ainda por muito tempo, como atesta a citação bastante conspícua e literal dum tema do “Messiah” na Missa Solemnis, já no final de sua carreira.

Cresci ouvindo essas sonatas com tantos ótimos duos (Rostropovich/Richter, Fournier/Gulda, Maisky/Argerich) que ficou difícil escolher um só deles para compartilhar com os leitores-ouvintes. Optei pelo que talvez é o menos conhecido entre os de excelência, o do violoncelista neerlandês Pieter Wispelwey e do pianista croata Dejan Lazić. Li em algum lugar que Wispelwey é um dos precursores da geração de generalistas-especialistas, por estar à vontade tanto com as cordas de tripa e a música antiga quanto com aquelas de aço na música moderna. Aqui, com um violoncelo Guadagnini e cordas de aço, ele dialoga maravilhosamente com o ótimo Lazić, que não nos deixa esquecer o apreço com que Beethoven, então mais conhecido como pianista do que como compositor, escrevia para brilhar nas partes destinadas a ele mesmo. Mesmo para quem já as conhece bem, as sonatas soam como novidades excitantes e equilibradas – e as variações, que mesmo sob arcos e mãos ilustres tendem a aborrecer um tanto, cintilam à altura de quem as escreveu.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Duas Sonatas para violoncelo e piano, Op. 5

No. 1 em Fá maior
1 – Adagio sostenuto
2 – Allegro
3 – Rondo: Allegro vivace

Doze Variações em Fá maior sobre “Ein Mädchen oder Weibchen”, de “Die Zauberflöte” de Mozart, para violoncelo e piano, Op. 66
4 – Thema
5-16 – Variationen 1-12

Duas Sonatas para violoncelo e piano, Op. 5

No. 2 em Sol menor
17 – Adagio sostenuto ed espressivo
18 – Allegro molto più tosto presto
19 – Rondo: Allegro

Doze Variações em Sol maior sobre “See the conqu’ring hero comes”, do Oratório “Judas Maccabaeus” de Händel, para violoncelo e piano, WoO 45
20 – Thema
21-32 – Variationen 1-12

Pieter Wispelwey, violoncelo
Dejan Lazić, piano

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Uma ótima interpretação do Op. 5 com instrumentos antigos: a de Alberto Kanji e Liliane Kans, uma produção independente lançada pela Tratore. Para acessar links para a compra, clique na imagem

 

Vassily

 

BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Quintetos para cordas, Opp. 4 & 104 – Zürcher Streichquintett

 

 

 

Diferentemente dos trios para piano e quartetos para cordas, aos quais Beethoven dedicou-se ao longo de toda a vida, e ao breve surto de produção de trios para cordas no início da carreira, o quinteto para cordas não despertou muito o interesse do mestre. De suas três composições no gênero, todas com duas violas, apenas aquela do Op. 29 foi originalmente composta para a formação. As outras duas, que hoje apresentamos, são versões de obras anteriores – muito embora o número de opus do quinteto em si bemol maior, op. 4, publicado em 1796, não nos faça imaginar que ele seja uma adaptação bastante retrabalhada do octeto na mesma tonalidade, op. 103, editado somente em 1834, sete anos após a morte do compositor. Apesar da atraente variedade tímbrica da obra póstuma, o Op. 4 é melhor acabado que o original, especialmente nas transições de temas dos movimentos inicial e final. Com o Op. 104, ocorre o contrário: trata-se de uma transcrição mormente literal de um dos trios com piano do Op. 1, que foi uma das primeiras obras publicadas pelo compositor, e com bastante êxito, depois de chegar a Viena, e justamente aquele que foi mais criticado por Haydn, então seu professor. No final da carreira, Beethoven recorreu frequentemente ao expediente de publicar arranjos de obras antigas, contando com a boa acolhida por conta de sua já estabelecida fama como maior compositor vivo, especialmente nas épocas de vacas magras e de tormentas pessoais: em 1819, ano em que publicou o Op. 104, estava envolvido com a interminável composição da Missa Solemnis e, muito dolorosamente, com a disputa pela custódia do sobrinho Karl com a odiada cunhada Johanna, aquela mesma que foi designada como a incógnita “Amada Imortal” do compositor na película homônima de 1994, uma conclusão tão bizarra que só poderia ser produto do tubo digestivo de alguém – no caso, de um atochador como Anton Schindler, o factotum de Beethoven que faz as vezes de investigador no filme.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Schindler, o atochador

Quinteto para dois violinos, duas violas e violoncelo em Mi bemol maior, Op. 4 (adaptação do octeto para sopros, Op. 103)

1 – Allegro con brio
2 – Andante
3 – Menuetto: Allegretto – Trio I & II
4 – Finale: Presto

Quinteto para dois violinos, duas violas e violoncelo em Dó menor, Op. 104 (adaptação do trio para piano, violino e violoncelo, Op. 1 no. 3)

5 – Allegro con brio
6 – Andante cantabile con Variazioni
7 – Minuetto. Quasi allegro
8 – Finale. Prestissimo

Zürcher Streichquintett (Quinteto de cordas de Zurique)

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#BTHVN250, por René Denon

Vassily

 

 

 

BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Três sonatas para piano, Op. 2 – Perahia

 

 

 

 

A reação de Haydn aos Trios Op. 1 certamente emputeceu e muito Ludwig – conhecido pelos colegas da corte de Bonn como “espanhol louco”, pela cor negra dos cabelos, pelo temperamento irascível e, plausivelmente, pelas reações sanguinolentas ao bullying inerente à posição de violista -, mas não o impediu de dedicar seu Op. 2 em italiano ao “signore Giuseppe Haydn”. Também, pudera: desentender-se com o maior compositor vivo, inda mais na cidade que era a um só tempo seu quartel-general, uma capital imperial e, ainda mais importante, a Meca da Música Ocidental, não era uma opção ao compositor aspirante que já adquirira alguma fama como virtuose ao piano. Não por acaso, compôs para seu instrumento favorito essas sonatas que, embora calcadas na forma e estrutura (quatro movimentos, um scherzo no terceiro) das sonatas de Mozart e Haydn, já extrapolam em alguns aspectos seus modelos, especialmente na segunda, cheia de ousadias, e na terceira, bastante virtuosística.

Para interpretá-las neste longo festival Beethoven, para o qual prometi gravações inéditas aqui no PQP Bach, preferi não me fiar a uma série integral das 32 sonatas, algumas das quais pretendo publicar por aqui. Isso, inevitavelmente, inda mais num antro de melômanos com vastas discotecas beethovenianas como é este blogue, levar-me-á a recorrer a alguns intérpretes que, embora muito queridos a mim, são malditos neste recinto (sim, Glenn e Vladimir: estou olhando para vocês). Por ora, relaxem, pois quem lhes trago é o maravilhoso Murray Perahia, que gravou o Op. 2 bem na época em que enfrentava um grave problema numa mão que quase lhe encerrou a carreira. Quem o ouve nessas gravações, as minhas preferidas para essas sonatas, nem imagina as dores por que ele passava, e só consegue desejar o melhor em saúde para o mestre do Bronx, a fim de que, quem sabe, algum dia ele nos legue uma integral das míticas trinta e duas.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Três Sonatas para piano, Op. 2
Compostas entre 1793-1795
Publicadas em 1796
Dedicadas a Joseph Haydn

No. 1 em Fá menor
1 – Allegro
2 – Adagio
3 – Menuetto and Trio (Allegretto)
4 – Prestissimo

No. 2 em Lá maior
5 – Allegro vivace
6 – Largo appassionato
7 – Scherzo: Allegretto
8 – Rondo: Grazioso

No. 3 em Dó maior
9 – Allegro con brio
10 – Adagio
11 – Scherzo: Allegro
12 – Allegro assai

Murray Perahia, piano

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We wish you smilier days, Mr. Perahia!

#BTHVN250, por René Denon

Vassily

 

Beethoven (1770-1827): (Algumas) Sonatas para Piano – Stephen Kovacevich, piano #BTHVN250

Beethoven (1770-1827): (Algumas) Sonatas para Piano – Stephen Kovacevich, piano #BTHVN250

Stephen KOVACEVICH

Great Pianists of the 20th Century – No. 60

 

Como sempre acontece nesta época do ano (estamos nos tórridos dias de dezembro), volto os meus olhos para meus incontáveis CDs em suas prateleiras e trato de passá-los em revista. É quase um ritual, considero que vou me livrar da metade deles. É fácil, a cada dois, decida: este fica, este vai. Começo a construção de pilhas, este sim, este não, bom… talvez não, quem sabe?

Não tentem isto em casa sem os devidos equipamentos de segurança. As fotos são meramente ilustrativas…

Vocês já adivinharam, todos eles voltam para os seus lugares e eu deixo o grande projeto de reduzir todos os meus pertences a o que couber em um metro cúbico para o próximo ano.

No entanto, uma nova componente se meteu nesta arrumação de fim de ano:  vaga ideia de postar sistematicamente meus discos ‘mais queridos’. Sei, vaga pois o critério é subjetivo e, desde que comecei fazer as postagens aqui no PQP Bach, tenho usado deste critério – os discos mais queridos.

É claro, os maledicentes de plantão vão dizer – desculpas esfarrapadas para ouvir novamente estes velhos amigos a contar mais uma vez as antigas e adoráveis histórias…

Não importa, o que detonou de vez esta iniciativa foram os primeiros acordes da Sonata para Piano em mi bemol maior, Op. 31, 3, do Ludovico, interpretada pelo (jovem) Stephen Kovacevich. Não a segunda gravação, para a EMI, que também é ótima, mas a primeira, para a Philips, feita em dezembro de 1971, no Town Hall, Wembley, Londres.

A Philips bobeou feio em não ter conseguido que ele gravasse todas as sonatas, mas não sou de ficar olhando para a metade vazia do copo.

Quem adivinhar o nome destas cinco pessoas ganha uma cocada…

Assim, aqui vai esta postagem de um dos meus discos mais queridos, o Volume 60 da série ‘Great Pianists of the 20th Cetntury’, featuring Stephen KOVACEVICH, tocando algumas sonatas para piano de Beethoven. Entre elas, amigos, as três (maravilhosas) últimas.

Provavelmente este álbum já foi postado por algum de meus ‘parças’ aqui do PQP Bach, pode estar enterrado em uma destas caixas com muitos discos, pois que o lançamento de caixas com ‘todas’ as gravações de ‘fulano’ pelo selo ‘beltrano’ tornou-se prática corrente com as modernas estratégias de marketing… Mas, alguma repetição pode até ser benéfica, especialmente quando a música é tão espetacular.

As sete sonatas do disco são bem representativas, tanto da arte de Beethoven quanto da arte do intérprete, o então jovem Stephen Kovacevich. No primeiro CD a ‘Pathétique’ com seu maravilhoso movimento lento ‘Adagio cantabile’ e seu último movimento virtuosístico. Duas sonatas das três que formam o opus 31, entre elas a ‘Tempest’, com seu perpetuum mobile no final. A já mencionada Sonata em lá maior, op. 101, que é uma prova dos poderes mágicos que o Ludovico tinha de criar uma obra prima assim que vontade surgisse. Como se não bastasse tudo isto, as três últimas sonatas, reinvenção de tudo, a forma sonata levada ao limite.

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

CD1

Sonata para piano No. 8 em dó menor, Op. 13 – ‘Pathétique’
  1. Grave – Allegro di molto e com brio
  2. Adagio cantábile
  3. Allegro
Sonata para piano No. 17 em ré menor, Op. 31, 2 – ‘Tempest’
  1. Largo – Allegro
  2. Adagio
  3. Allegretto
Sonata para piano No. 18 em mi bemol maior, Op. 31, 3 – ‘Hunt’
  1. Allegro
  2. Allegretto vivace
  3. Moderato e grazioso
  4. Presto con fuoco
Sonata para piano No. 28 em lá maior, Op. 101
  1. Etwas lebhaft und mit der innigsten Empfindung. Allegretto ma non troppo
  2. Lebhaft, marschmässig. Vivace alla marcia
  3. Langsam und sehnsuchtsvoll. Adagio ma non troppo, com affetto
  4. Geschwind, doch nicht zu sehr und mit Entschlossenheit. Allegro

CD2

Sonata para piano No. 30 em mi maior, Op. 109
  1. Vivace ma non troppo – Adagio expressivo – Tempo I
  2. Prestissimo
  3. Gesangvoll, mit innigster Empfindung. Andante cantabile ed expressivo
Sonata para piano No. 31 em lá bemol maior, Op. 110
  1. Moderato cantabile molto expressivo
  2. Allegro molto
  3. Adagio ma non troppo – Fuga. Allegro ma non troppo
Sonata para piano em dó menor, Op. 111
  1. Maestoso – Allegro com brio ed appassionato
  2. Adagio molto semplice e cantabile

Stephen Kovacevich, piano

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FLAC | 576 MB

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MP3 | 320 KBPS | 352 MB

Uma palavra sobre os arquivos. No álbum original, com dois CDs, uma das sonatas com quatro movimentos ficou dividida, dois movimentos no primeiro, os outros dois no segundo CD. Aproveitei o espaço de CD virtual dos arquivos para colocar esta sonata completa no primeiro CD-arquivo, evitando assim a sua divisão. Além disso, os dois últimos movimentos foram ‘unidos’ em uma única faixa, para evitar a desagradável interrupção, uma vez que eles são tocados em seguida, quando ouvimos os CDs diretamente do CD player. Ao fazer isto, renomeei a faixa, mas subtrai as indicações em alemão (que podem ser lidas aqui, no texto). Desculpe-me, Ludovico, por esta ousadia, mas se o nome do arquivo ficar muito longo, certos leitores de arquivos flac ou mp3 ficam confusos e não conseguem decidir qual é o formato.

Então, quem já tem, aproveite para ouvir de novo, e quem ainda não tem, não perca tempo, aproveite, pois é difícil ficar melhor do que isto.

René Denon

BTHVN250 -A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Trios para piano, violino e violoncelo, Opp. 1 & 11, WoO 38 & 39 – The Castle Trio

 

 

Quando da publicação destes trios para piano, violino e violoncelo, em 1795, o jovem Beethoven, que deixáramos na publicação anterior de malas prontas para sair de sua Bonn natal e não mais voltar, já se encontra estabelecido em Viena e confiante o bastante para, mesmo tendo outrora publicado obras diversas, atribuir à trinca de trios o título de primeira obra – seu Opus 1. A estreia aconteceria na casa do dedicatário, o príncipe Lichnowsky, e na presença de Haydn, que voltara à cidade após sua temporada com os Esterházy e suas bem-sucedidas viagens a Londres e gozava da reputação inconteste de maior compositor vivo. Beethoven, que estudara brevemente com ele ao chegar de Bonn, ficara decepcionado com o pouco interesse que percebia em seu professor, muito ocupado com seus projetos londrinos. Não obstante, aguardava com muita expectativa sua impressão acerca dos trios. Haydn, que chegaria havia pouco de viagem, estava exausto e, aparentemente, não teve muita paciência para com as obras. Criticou-as  muito, principalmente a terceira – justamente o preferido de Beethoven, a que melhor repercutiria e aquela na tonalidade que lhe seria tão típica em Dó menor -, e recomendou que Beethoven não a publicasse. O jovem renano, no que lhe era bem típico, deu de ombros e, talvez mordido pela crítica, insistiu na publicação, que foi um sucesso.

Na interpretação que lhes alcanço, do excelente Castle Trio, foram utilizados instrumentos originais do acervo do Smithsoniam Museum. Mesmo aqueles que entre vós outros torçam o nariz para o uso de instrumentos de época provavelmente apreciarão o trabalho do trio, que inclui o pianista Lambert Orkis, conhecido por sua longa parceria com a divíssima violinista Anne-Sophie Mutter, que não o troca por ninguém mais. Completando a gravação, estão a versão com violino do trio op. 11, alcunhado “Gassenhauer”, que é mais conhecido em sua roupagem com clarinete, que também postaremos em breve; o trio WoO 38, publicado postumamente e escrito provavelmente nos últimos meses em Bonn, e o Allegretto WoO 39, composto em 1812 e dedicado como presente a Maximiliane Brentano, filha de sua grande amiga Antonie.

A foto ruim, trio ótimo

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

CD 1
Três Trios para piano, violino e violoncelo, Op. 1
Publicados e estreados em 1795
Dedicados ao príncipe Karl von Lichnowsky

No. 1 em Mi bemol maior

1 – Allegro
2 – Adagio cantabile
3 – Scherzo. Allegro assai
4 – Finale. Presto

No. 2 em Sol maior
5 – Adagio – Allegro vivace
6 – Largo con espressione
7 – Scherzo. Allegro
8 – Finale. Presto

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CD2

Três Trios para piano, violino e violoncelo, Op. 1

No. 3 em Dó menor

1 – Allegro con brio
2 – Andante cantabile con variazioni
3 – Minuetto. Quasi allegro
4 – Finale. Prestissimo

Trio em Si bemol maior para clarinete, piano e violoncelo, Op. 11, “Gassenhauer”
Composto em 1797
Publicado em 1798
Dedicado a
Maria Wilhelmine von Thun

5 – Allegro con brio
6 – Adagio
7 – Tema con variazioni (“Pria ch’io l’impegno”: Allegretto)

Trio para piano, violino e violoncelo em Mi bemol maior, WoO 38 (?1791)
8 – Allegro moderato
9 – Scherzo: Allegro ma non troppo
10 – Rondo: Allegretto

Allegretto para piano, violino e violoncelo em Si bemol maior, WoO 39 (1812)
11 – Allegretto

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The Castle Trio
Lambert Orkis, piano
Marilyn McDonald, violino
Kenneth Slowik, violoncelo

Aqui, uma foto melhorzinha

 

#BTHVN250, por René Denon

Vassily

BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Variações para piano sobre uma marcha de Dressler, WoO 63 – Variações para piano, WoO 64-68 – Buchbinder

BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Variações para piano sobre uma marcha de Dressler, WoO 63 – Variações para piano, WoO 64-68 – Buchbinder

Inauguramos, com esta postagem, uma série que ocupará quase todo este ano da graça do ducentésimo quinquagésimo aniversário do nascimento de Ludwig van Beethoven. Se o colapso não bater antes à minha porta, ou se a marota artéria cerebral obliterada que me levou a esta proposta não desentupir em desespero, deverei alcançar-lhes toda a obra conhecida e publicada do genial renano já posta em disco, em gravações inéditas aqui no PQP Bach, até a data magna dos ludwigomaníacos, em dezembro.

Será, claro, um trabalho mastodôntico e doidivano, mas nenhum sofrimento para mim, ludwigomaníaco desde moleque. Não exagero: meu primeiro contato com Beethoven (descontando a musiquinha de espera do telefone lá de casa, que era “Pour Elise”) foi aos seis para sete anos, quando me chegou às mãos uma revista da Disney sobre, bem, Beethoven.

Sim, não lhes minto

Naturalmente, pouco se poderia esperar de beethoveniano de um cachorro antropomórfico esmerilhando, de pernas cruzadas, um piano. Lembro-me, no entanto, de não ter compreendido como um músico podia ser surdo. Tampei minhas pequenas orelhas e tentei me imaginar ouvindo e fazendo música daquele jeito, e não consegui. Acudi-me com meu pai:

– Pai, Beethoven é surdo?
– Sim, ele era surdo.
– Era?
– Sim, ele já morreu há muito tempo.
– Mas como é que ele era músico se ele era surdo?
– Ele imaginava a música e colocava no papel, filho.
– Ele não ouvia música?
– Não, a música estava na cabeça dele.
– Mas como ele não escuta se ele tem as orelhas do Pateta?
– Isso é só uma historinha. Ele era uma pessoa como a gente. Vem cá que vou te mostrar o Beethoven.

E aí abriu um espesso volume da enciclopédia para apontar-me uma gravura de um tio sério e descabelado. Meu diagnóstico sumário:

– Ele deve estar bem brabo por ser surdo, né?

ooOoo

Pano rápido. Passam-se cinco anos e o velho piano de minha avó, desamparado desde a venda e demolição da abandonada casa no interior, chega até a minha. Sobre o tampo empoeirado, e sem muita cerimônia, o rapaz do caminhão de mudanças coloca um busto.

– Quem é, Pai?
– É Beethoven, filho.

Claro que era Beethoven! Um pouco mais de ordem nos cabelos, sim, mas a mesma seriedade no semblante, por demais apropriado ao longo dos muitos anos em que eu maltrataria o pobre teclado subjacente tentando tocar alguma coisa. Sempre que errava (o que era, bem, quase sempre), pedia desculpas ao sisudo busto branco, enquanto quase comemorava o fato dele, por ser uma escultura – inda mais de Beethoven -, nada poder ouvir.

Junto com o piano, muita poeira e artrópodes sortidos, veio um punhado de discos bem prejudicadinhos. Um deles, imediatamente, chamou-me a atenção, por estampar na capa exatamente o retrato descabelado e seriíssimo que meu pai me mostrara anos antes: Beethoven, sempre ele.
Soprando para longe uns bons nacos de poeira, coloquei o disco na vitrola e o que ouvi, e que me marcou a ferro pelo resto da vida, foi isso:

Escutei, extático, os dois lados do compacto, enquanto a janta esfriava. Lembro de minha mãe chamando-me, furibunda. Veio à sala e, ao me ver daquela maneira, tão absorto, deixou-me lá. Eu, o mesmerizado garoto que perderia o sorteio do bife, só tinha sentidos para aquela música. Então era isso que ele ele tinha na cabeça! Afinal, fora isso que ele colocara sobre o papel! E foi assim, na miudeza de meus onze anos, que Ludwig van Beethoven estreou na minha vida para nunca mais deixá-la.

ooOoo

Frontispício da primeira edição das Variações sobre uma Marcha de Dressler, publicada em Mannheim em 1782. Notem tanto a grafia errada do sobrenome do jovem “Louis van Betthoven” quanto a idade inexata do “jovem amador de dez anos”. Johann van Beethoven, desde cedo determinado a explorar o filho como criança-prodígio, sonegava-lhe um ano de idade desde seu primeiro concerto público, aos sete anos, para que pensassem que fosse ainda mais jovem. Ludwig, então com onze anos, completaria doze em dezembro.

Nem sequer suspeitaria que, duzentos e três anos antes, um outro menino de onze anos, na distante Bonn, capital do Eleitorado de Colônia – curiosamente muito próxima da cidade de meu avô, o proprietário daquele soturno busto de Beethoven que tanto sofreu com minha precária desenvoltura ao piano -, tinha sua primeira obra publicada em Mannheim. Filho de uma família de músicos com raízes flamengas pela parte do pai, e de cozinheiros do lado da mãe, Ludwig tinha dois irmãos mais jovens e já perdera outros tantos em tenra idade. Seu talento musical era tão evidente que, versado já em piano, viola e violino, fizera seu primeiro concerto público aos sete anos. Seu pai, um tenor na corte do arcebispo de Colônia,  via no filho mais velho um potencial filão de fortuna, se ele viesse a ser um novo Mozart e, ele próprio, seu Leopold. Johann, no entanto, era um alcoolista violento que espancava Ludwig com frequência e o deixou sob a tutela de professores abusivos, incluindo um que, insone, arrastava o menino para fora da cama a fim de lhe ensinar de madrugada. As coisas melhorariam um pouco quando, aos nove anos, iniciou seus estudos de piano e composição com Christian Neefe, o organista da corte de Bonn, que providenciou a publicação das Nove Variações sobre uma Marcha de Dressler, que vocês ouvirão a seguir.

Ludwig aos treze anos, já com os malares vermelhos que o acompanhariam por toda vida.

A obra, que provavelmente teve colaboração de Neefe, segue as convenções das variações figurativas da época e não deixa de impressionar, fruto que foi da pena de um menino de onze anos. Embora nada que se ouça nelas dê pistas de um criador genial, é curioso notar que nessa diminuta peça já estão presentes três  elementos cruciais na futura obra de Beethoven: a tonalidade de Dó menor, a forma da variação e o ritmo de marcha. Outras séries de variações, também inclusas nesta gravação, surgiriam ainda nos anos de Bonn – e é notável a evolução do jovem compositor quando comparamos as Variações Dressler com, por exemplo, aquelas sobre uma ária de Righini, compostas alguns anos depois. Ludwig, então, já tinha feito sua primeira viagem a Viena para tentar estudar com Mozart, mas teve que voltar a Bonn por conta da doença que mataria a mãe e o levaria a assumir a tutela dos irmãos mais novos, posto que o pai se afundava cada vez mais em seus charcos de etanol. A despeito de algumas anedotas, não se sabe ao certo se chegou a se encontrar com o célebre colega – e Mozart, já doente e endividado, provavelmente não tinha tempo nem recursos de assumi-lo como pupilo. De qualquer maneira, enquanto tocava viola na corte do Eleitor e cuidava dos irmãos, o rapazote já sabia que seu norte era Viena (a sudeste). Aos vinte e dois anos, deixaria a provinciana Bonn para estudar com Haydn na capital austríaca. Entre as recomendações, estava uma nota de seu patrono, o conde Waldstein, que escrevera:


Durch ununterbrochenen Fleiß erhalten SieMozarts Geist aus Haydns Händen”
(“Através da diligência ininterrupta, obterá o espírito de Mozart pelas mãos de Haydn”)


Mozart morrera, e Haydn mostrar-se-ia um professor pouco dedicado. Não faltaria a Ludwig, no entanto, a diligência ininterrupta, nem a implacável autocrítica que o levariam, através de enormes dificuldades, à mais impressionante e bem documentada evolução artística entre os grandes compositores. E será esta trajetória magnífica – das Variações Dressler até os últimos retoques nos derradeiros, visionários quartetos de cordas do final de sua vida – que reconstruiremos ao longo do ano do jubileu dum dos mais geniais filhos da Humanidade.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1882)

1 – Nove Variações sobre uma Marcha de Dressler, WoO 63
2 – Seis Variações sobre uma Canção Suíça, WoO 64
3 – Vinte e quatro Variações sobre “Venni Amore” de Righini, WoO 65
4 – Treze Variações sobre “Es war einmal ein alter Mann” de “Das rote Käppchen” de Dittersdorf, WoO 66
5 – Doze Variações sobre “Menuett à la Viganò” de Haibel, WoO 68

Rudolf Buchbinder, piano

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#BTHVN250, por René Denon

Vassily

Beethoven (1770-1827) & Schubert (1797-1828) – Últimas Sonatas para Piano – Zhu Xiao-Mei #BTHVN250

Beethoven (1770-1827) & Schubert (1797-1828) – Últimas Sonatas para Piano – Zhu Xiao-Mei #BTHVN250

Beethoven 

Sonata No. 32 em dó maior, Op. 111

Schubert

Sonata No. 23 em si bemol maior, D. 960

 

A primeira vez que ouvi falar da pianista chinesa Zhu Xiao-Mei (Zhu é o nome de família e Xiao-Mei é seu nome) foi ao assistir um documentário sobre a vida dela, seu retorno para uma turnê na China após uma ausência de trinta anos e sua relação com a peça musical que tornou-se sua pièce de résistence – as Variações Goldberg, de Bach.

Há também um livro autobiográfico – O Rio e Seu Segredo (La rivière et son secret) que pretendo ler em breve.

Fiquei muito impressionado com essa artista, mesmo sem nunca haver ouvido um de seus álbuns. Ela teve que enfrentar tantas dificuldades e apesar disto (e talvez por isto) alcançou um nível de profundidade artística que transcende a música, a arte, e transborda em direção ao que, na falta de palavras mais adequadas (ao aqui tosco redator) chamo de filosofia e espiritualidade.

Mas o disco desta postagem não trata das Variações Goldberg ou mesmo outra música de Bach, e sim das duas últimas sonatas para piano de dois geniais compositores que viveram em Viena, sob condições muito diferentes, um deles morrendo perto de um ano depois do outro.

O que faz uma pianista reunir em um disco as sonatas destes dois compositores tão próximos mas tão distintos em um só álbum? Ela escolheu de cada um deles a última sonata: de Beethoven a Sonata No. 32 em dó maior, Op. 111 e de Schubert, a Sonata em si bemol maior, D. 960. Ela explica isto no livreto que acompanha os arquivos de música, pois em ambas as sonatas os compositores abordam o tema de completar, terminar os ciclos. Pois é, uso de rodeios mas é dela mesmo que estamos falando, a indesejada das gentes. Inevitabilidade é a palavra. A inevitabilidade vem com um consolo, que é a ausência de seu conhecimento, digamos assim, pleno. Ah, sábio e bondoso é o Senhor. Mas há momentos, se você ainda não os experimentou é por que é jovem ou sortudo, nos quais mergulhamos mais na consciência desta inevitabilidade. Leiam o livreto, a Xiao-Mei (ouso chama-la pelo primeiro nome) explica de maneira mais simples e direta do que eu.

A ideia é que estes compositores, ao trabalharem nestas obras já estavam neste estágio avançado de sabedoria. É verdade, Beethoven compôs a sonata em 1822 e ainda viveria um bom tempo, enquanto Schubert tinha apenas dois meses ainda de vida. De qualquer forma, essas condições certamente tornaram o momento criativo de cada um deles muito especial.

A sonata de Beethoven com apenas dois movimentos, inicia com um movimento que, segundo Xiao-Mei, simboliza luta, combate. ‘É a mensagem de Beethoven – você deve lutar pela vida’. Enquanto o primeiro movimento trata de gerar constantemente tensão, o segundo movimento se resolve em um ciclo de variações, que como as Goldberg, termina voltando a apresentar o tema inicial, fechando o ciclo, e depois dissolvendo-se, com uma nota de aceitação, de entrega. Xiao-Mei usa a palavra délivrance, na entrevista em francês.

A Sonata de Schubert apresenta outra abordagem do tema. Enquanto Beethoven resolve sua sonata e a termina com uma certa aceitação, Schubert é bem mais relutante. Isto fica aparente nos dois dolorosos e hesitantes primeiros movimentos da sua sonata. A morte deve ser bem mais assustadora para alguém de 32 anos, mesmo que seja alguém com tantos problemas quantos os que Schubert enfrentava.

No entanto, os dois últimos movimentos trazem mais luminosidade e uma certa leveza, mesmo que ainda haja momentos de silêncio e hesitação.

A entrevista que você poderá ler no livreto do disco foi feita por Michel Mollard, o produtor do documentário que mencionei no início e que também aparece neste vídeo, ao lado de Zhu Xiao-Mei.

Mesmo que você não se impressione tanto com este papo, baixe os arquivos e ouça a música. São duas obras primas interpretadas por uma artista que fica longe da superficialidade e do brilho fácil. Alguém que realmente conviveu longos períodos com as peças e as reverencia de maneira profunda.

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Sonata para piano No. 32 em dó maior, Op. 111

  1. Maestoso – Allegro con brio e appassionato
  2. Arietta – Adagio molto, semplicie e cantábile

Franz Schubert (1797 – 1828)

Sonata para piano No. 23 em si bemol maior, D. 960

  1. Molto moderato
  2. Andante sostenuto
  3. Scherzo – Allegro vivace com delicateza
  4. Allegro, ma non troppo

Zhu Xiao-Mei, piano

Gravação realizada na Igreja Saint Pierre, Paris, em 2004

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FLAC | 196 MB

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MP3 | 320 KBPS | 153 MB

Disco para ouvir e refletir! Aproveitem!

René Denon

Arturo Benedetti Michelangeli, 100 anos: Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Concerto para piano e orquestra no. 5 – Sergiu Celibidache #BTHVN250

O último dia 5 teria sido o centésimo aniversário daquele gélido e sensacional colosso do piano que atendia pelo nome lapidar de Arturo Benedetti Michelangeli. Notoriamente recluso e pouco afeito a manifestar-se de maneiras diferentes de música (e olhe lá!), ele provavelmente não estaria nem aí para seu centenário, e sequer nos abriria a porta de sua amada propriedade às margens do lago de Lugano para lhe alcançarmos os parabéns, de modo que sobraria para algum de nós outros celebrar a data. É isso o que fazemos, trazendo-lhes um LP em que o Concerto no. 5 de Beethoven soa nobre, mas sem pompa imperial, dentro daquela precisão elegante e sem arroubos responsável por boa parte do mito de ABM, muitas vezes criticado pela estreiteza do diminuto repertório, que burilava à perfeição. No pódio, o também mítico Sergiu Celibidache rege a orquestra do ORTF num acompanhamento impecavelmente talhado ao feitio do solista. O extraordinário regente romeno, notório pela abordagem sui generis da interpretação musical, avesso a gravações e um dos últimos condutores que eu imaginaria lidando com um virtuoso, tinha Michelangeli, com quem colaborava frequentemente, na mais alta consideração. Espero que a qualidade do som, infelizmente bastante abaixo do ideal, não os afaste da oportunidade de apreciar essa peso-pesadíssima parceria.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Concerto no. 5 para piano e orquestra em Mi bemol maior, Op. 73, “Imperador”
1 – Allegro
2 – Adagio un poco mosso
3 – Rondo: Allegro

Arturo Benedetti Michelangeli, piano
Orchestre national de l’Office de Radiodiffusion-Télévision Française (ORTF)
Sergiu Celibidache, regente

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Benedetti osculando Michelangeli

 

 

#BTHVN250

Vassily

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Friedrich Gulda spielt Beethoven – Sämtliche Klaviersonaten (9/9) #BTHVN250

Gulda arremata a integral das sonatas para piano de Beethoven com excelentes interpretações para as três derradeiras. Gosto especialmente da Op. 110, e admiradores de sua versão antológica para o “Cravo bem Temperado” ouvirão seus ecos na incrível fuga final. Já quem esperava que o também jazzista Fritschi fosse botar as manguinhas de fora nos trechos do assim chamado “proto-jazz” nas sublimes variações que concluem a Op. 111 vai se surpreender com o pulso que ele mantém ao longo de todo movimento, coroando sem arrebatamentos a série que é um dos pináculos da literatura pianística. E espero que quem conhece Gulda somente como o tiozão excêntrico de barrete na cabeça, imagem que ele consolidou na maturidade e velhice, possa admirar o consumado mestre que ele era e, em que pese a má qualidade de som de suas gravações de juventude (pois Gulda é, disparadamente, o mais mal gravado dos grandes pianistas), explorar um pouco mais sua vasta e muito variada discografia.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

1 – Sonata para piano no. 30 em Mi maior, Op. 109 (1820)
– Vivace ma non troppo – Adagio espressivo – Prestissimo
– Andante – molto cantabile ed espressivo
– Moderato cantabile – Molto espressivo

2 – Sonata para piano no. 31 em Lá bemol maior, Op. 110 (1821)
– Allegro molto
– Adagio ma non tropo – Fuga – Allegro ma non troppo

3 – Sonata para piano no. 32 em Dó menor, Op. 111 (1821-2)
– Maestoso – Allegro con brio ed appassionato
– Arietta – Adagio molto semplice e cantabile

Friedrich Gulda, piano

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Vassily

– Wie geht’s?

 

#BTHVN250

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Friedrich Gulda spielt Beethoven – Sämtliche Klaviersonaten (8/9) #BTHVN250

Cada vez que, numa integral das sonatas para piano de Beethoven, se chega à tiranossáurica “Hammerklavier”, eu falto com educação para com as pobres sonatas que dividem o disco com a avantajada Op. 106. Não será o caso nesta série de Gulda, pois a peça que abre o CD é uma obra-prima consumada, a Op. 101, normalmente considerada a primeira obra do visionário período final da produção do compositor, e que termina, assim como sua vizinha de disco, com um magistral movimento contrapontístico.

Falando em contraponto… Bem, eu lhes falei que me é muito difícil não falar da Op. 106 – e talvez melhor seja chamá-la assim, pois a denominação “Hammerklavier” que a consagrou também foi aplicada por Beethoven à Op. 101. O que mais me intriga nela nada tem a ver com o movimento de abertura, que chega-chegando, mostrando que o que vem em seguida é algo sem precedentes na história da música, nem com o lilliputiano Scherzo que antede do transcendental Adagio, o mais longo e sentido movimento de uma sonata para piano até então. O que me faz sempre voltar a ela é o complicadíssimo finale, uma fuga colossal que abre com longuíssimo e bizarro tema, toma várias liberdades em relação às regras canônicas, e que impõe dificuldades nababescas ao executante, e de tal maneira que mesmo grandes pianistas deixam nele transparecer suas humanas limitações e, não raro, seu alívio ao martelar aquele acorde de Si bemol final (aos que duvidam de mim, sugiro procurarem o vídeo de Brendel tocando esse acorde para verem que não exagero). Talvez não exista uma interpretação totalmente satisfatória deste Leviatã, mas o fato é que Gulda é dos poucos que conheço que conclui a travessia sem aparentar dificuldades técnicas, e despacha os compassos finais com uma secura de quem, sem se impressionar com tantos trinados e semicolcheias, parece já estar pensando na Op. 110.

FRIEDRICH GULDA SPIELT BEETHOVEN – SÄMTILCHE KLAVIERSONATEN (8/9)

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

1 – Sonata para piano no. 28 em Lá maior, Op. 101 (1816)
– Allegretto ma non troppo
– Vivace alla Marcia
– Adagio ma non troppo – Con affetto – Presto – Allegro

2 – Sonata para piano no. 29 em Si bemol maior, Op. 106, “Hammerklavier” (1817-8)
– Allegro
– Scherzo – Assai vivace – Presto
– Adagio sostenuto
– Largo – Allegro risoluto –  Fuga a tre voci con alcune licenze

Friedrich Gulda, piano

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Vassily

PROFESSOR DE MARTHA ARGERICH. Sem mais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

#BTHVN250

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Friedrich Gulda spielt Beethoven – Sämtliche Klaviersonaten (7/9) #BTHVN250

gulda_beethoven_32sonatasPUBLICADO POR FDP BACH EM 21/7/2013, RESTAURADO POR VASSILY EM 22/1/2020, DENTRO DAS CELEBRAÇÕES DOS 250 ANOS DE LUDWIG VAN BEETHOVEN – o #BTHVN250

NOTA DE VASSILY: o colega FDP Bach publicou os três últimos discos da integral das sonatas para piano de Beethoven com Gulda numa só postagem. Tomei a liberdade de dividi-la em três partes, uma para cada disco – e, quando vocês ouvirem a “Appassionata” de Gulda, talvez me deem razão, querendo algum sossego para os ouvidos inquietos. Ainda assim, guardem um pouquinho de tímpanos para a Op. 78 – uma das melhores de toda a série, e das preferidas do próprio Beethoven – e para uma Op. 81a com uma constrição e expressividade que refutam alguns dos estereótipos que atribuíam à consumada arte do doidão vienense.

POSTAGEM ORIGINAL DE FDP BACH ACERCA DOS TRÊS ÚLTIMOS DISCOS:

Muito bem, vamos acabar com esta coleção. Nem preciso dizer que são imperdíveis, e Gulda se consolida definitivamente como um grande intérprete de Beethoven.
O sétimo cd começa apenas com a “Apassionata“, um marco da linguagem pianística, e também uma prova de fogo para qualquer pianista. Começa  a 150 km/h e termina a 300 km/h, com uma das mais sensacionais páginas do piano. Simplesmente fantástico o que Ludwig conseguiu fazer aqui. Eis o que meu biógrafo favorito de Beethoven, Maynard Solomon, escreveu esta sonata e sobre a Waldstein:

“Com as Sonatas Waldstein e Appassionata op. 53 e 57, compostas principalmente em 1804-1805, Beethoven transpôs irrevogavelmente as fronteiras do estilo pianístico clássico, criando sonoridades e tessituras que nunca haviam sido antes obtidas. Ele deixou de limitar as dificuldades técnicas de suas sonatas para permitir a execução por amadores competentes mas, pelo contrário, dilatou as potencialidades do instrumento e da técnica até os seus limites exteriores. As dinâmicas foram grandemente ampliadas; as cores são fantásticas e luxuriantes, aproximando-se de sonoridades quase orquestrais. Por esta razão, Lens chamou Waldstein “uma sinfonia heróica para piano“. A Apassionata – a qual a par de op. 78 foi a sonata favorita de Beethoven até o seu op. 106 – suscitou comparações com o Inferno de Dante, com o Rei Lear e Macbeth, e com as tragédias de Corneille, Cada uma das sonatas é em três movimentos, mas em ambos os casos _especialmente no op. 53 – os movimentos lentos estão organicamente ligados aos finales, de modo a dar a impressão de obras em dois movimentos ampliados. Enquanto a Waldstein fecha sobre a típica nota beethoveniana de jubilosa transcendência, a Apassionata mantém do começo ao fim uma incomum atmosfera trágica. (…)” Este mesmo sétimo cd ainda traz outra pintura, a Sonata Les Adieux . 

Alguém talvez possa estranhar a leitura de Gulda, que explora outras possibilidades em sua interpretação, principalmente aqueles que, como eu, são absolutamente viciados na Apassionata e que conhecem diversas outras versões, como os clássicos Kempff, Brendel e Gilels, falando dos antigos, ou mais recentemente, Paul Lewis. Mas basta prestarem atenção que os senhores entenderão a proposta deste grande pianista, Friedrich Gulda.
A partir do oitavo cd o bicho pega, e aí definitivamente é coisa de gente grande. Hammerklavier”, op. 106, nas palavras de Solomon citadas acima a favorita do próprio Beethoven,  e as últimas três, de op. 109, op. 110 e op. 111.

Sem temer ser redundante, tratam-se de três cds absolutamente “IM-PER-DÍ-VEIS” !!!

CD 7
1 Sonata No.23 in F minor Op.57 ”Appassionata” (1804-05) – 1. Allegro assai
2 Sonata No.23 in F minor Op.57 ”Appassionata” (1804-05) – 2. Andante con moto
3 Sonata No.23 in F minor Op.57 ”Appassionata” (1804-05) – 3. Allegro ma non troppo – Presto
4 Sonata No.24 in F-sharp major Op.78 ”A Thérèse” (1809) – 1. Adagio cantabile – Allegro ma non troppo
5 Sonata No.24 in F-sharp major Op.78 ”A Thérèse” (1809) – 2. Allegro vivace
6 Sonata No.25 in G major Op.79 (1809) – 1. Presto alla tedesca
7 Sonata No.25 in G major Op.79 (1809) – 2. Andante
8 Sonata No.25 in G major Op.79 (1809) – 3. Vivace
9 Sonata No.26 in E-flat major Op.81a ”Les Adieux” (1809-10) – 1. Adagio – Allegro
10 Sonata No.26 in E-flat major Op.81a ”Les Adieux” (1809-10) – 2. Andante Espressivo
11 Sonata No.26 in E-flat major Op.81a ”Les Adieux” (1809-10) – 3. Vivacissimamente – Poco andante
12 Sonata No.27 in E minor Op.90 (1814) – 1. ”mit Lebhaftigkeit und majorchaus mit Empfindung und Ausdruck”
13 Sonata No.27 in E minor Op.90 (1814) – 2. ”nicht zu geschwind und sehr singbar vorzutragen”

Friedrich Gulda – Piano

CD 7 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FDPBach

Friedrich Gulda
Friedrich Gulda
#BTHVN250

BTHVN250 – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Violin Concerto in D, Op.61, Violin Romance Nos.1 & 2 – Shlomo Mintz, Sinopoli, Philharmonia Orchestra

Trago hoje uma das melhores gravações do Concerto para Violino de Beethoven que já tive a oportunidade de ouvir. Não foi a primeira gravação que tive desta obra, mas provavelmente a segunda ou terceira. Sei lá, já faz bastante tempo.
Por algum motivo inexplicável, Shlomo Mintz pouco apareceu aqui no PQPBach. Nasceu em Moscou em 1957 mas com apenas dois anos de idade seus pais se mudaram para Israel. Violinista virtuose, teve Isaac Stern como mentor. E foi com a Filarmônica de Israel que estreou como solista, com apenas 11 anos de idade. Atualmente se apresenta tanto como solista quanto como como maestro aclamado. É com certeza um dos grandes violinistas que surgiram a partir do último quarto do século XX.
Este registro que ora vos trago é histórico. Ele está ao lado de Giuseppe Sinopoli, que aqui dirige a Philharmonia Orchestra. Vale e muito sua audição.
Para completar o CD, temos também os dois Romances para Violino.
Mais um CD que leva o registro de qualidade PQPBach de IM-PER-DÍ-VEL !!!

01. Violin Concerto In D, Op.61 – 1. Allegro ma non troppo – Cadenza Fritz Kreisler
02. Violin Concerto In D, Op.61 – 2. Larghetto – Cadenza Fritz Kreisler
03. Violin Concerto In D, Op.61 – 3. Rondo. Allegro – Cadenza Fritz Kreisler
04. Violin Romance No.1 in G major, Op.40
05. Violin Romance No.2 in F major, Op.50

Shlomo Mintz – Violin
Philharmonia Orchestra
Giuseppe Sinopoli – Conductor

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#BTHVN250, por René Denon

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Friedrich Gulda spielt Beethoven – Sämtliche Klaviersonaten (6/9) #BTHVN250

gulda_beethoven_32sonatasPUBLICADO POR FDP BACH EM 11/7/2013, RESTAURADO POR VASSILY EM 21/1/2020, DENTRO DAS CELEBRAÇÕES DOS 250 ANOS DE LUDWIG VAN BEETHOVEN – o #BTHVN250

NOTA DE VASSILY: a trinca do Op. 31 é aqui concluída com a sonata em Mi bemol maior, em cuja pujança Gulda se esbalda. Segue o minipar de sonatas do Op. 49, das quais a de no. 2 é tão fácil que até eu a conseguia tocar, que mal e mal servem como um modesto prelúdio para a genial “Waldstein”, que deveria terminar o disco, mas só não o faz porque a Amadeo resolveu nele atochar também a concisa, enigmática Op. 54.

POSTAGEM ORIGINAL DE FDP BACH:

Hoje é dia de Greve Geral, convocada pelas centrais sindicais, e resolvi ficar em casa, claro que com a autorização do chefe, ouvindo Friedrich Gulda, sempre impecável, encarando o repertório beethoveniano, e dar uma geral na minha bagunça.
Aliás, quando contei para minha esposa, que está viajando, que ia receber a visita do Carlinus, ela se exasperou: você está recebendo seu amigo no meio daquela bagunça? O Carlinus, educado e diplomático como só ele consegue ser, apenas sorriu quando falei do comentário dela, e mais tarde elogiou como organizo meus arquivos nos trocentos terabytes que tenho de material, até já perdi a conta. Mas é curioso como a cabeça da gente funciona: não sei tudo o que tenho, mas sei o que não tenho. Vai entender…
Mas vamos ao que interessa…

Sonata No.18 in E-flat major Op.31-3 (1801-02) – 1. Allegro
Sonata No.18 in E-flat major Op.31-3 (1801-02) – 2. Scherzo – Allegretto vivace
Sonata No.18 in E-flat major Op.31-3 (1801-02) – 3. Menuetto – Moderato e grazioso
Sonata No.18 in E-flat major Op.31-3 (1801-02) – 4. Presto con fuoco
Sonata No.19 in G minor Op.49-1 (1795-1798) – 1. Andante
Sonata No.19 in G minor Op.49-1 (1795-1798) – 2. Rondo – allegro
Sonata No.20 in G major Op.49-2 (1705-1798) – 1. Allegro ma non troppo
Sonata No.20 in G major Op.49-2 (1705-1798) – 2. Tempo di Menuetto
Sonata No.21 in C major Op.53 ”Waldstein” (1803-04) – 1. Allegro con brio
Sonata No.21 in C major Op.53 ”Waldstein” (1803-04) – 2. Introduzione – Adagio molto
Sonata No.21 in C major Op.53 ”Waldstein” (1803-04) – 3. Rondo – Allegro moderato – Prestissimo
Sonata No.22 in F major Op.54 (1804) – 1. In tempo d’un Menuetto
Sonata No.22 in F major Op.54 (1804) – 2. Allegretto

Friedrich Gulda – Piano

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FDP Bach

#BTHVN250

 

Haydn (1732-1809) & Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Olivier Cavé #BTHVN250

Haydn (1732-1809) & Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Olivier Cavé #BTHVN250

 

Haydn ֍ Beethoven

Sonatas para Piano

 

O pianista suíço Olivier Cavé chamou a minha atenção com um ótimo álbum – três lindos concertos para piano de Mozart, de períodos diferentes. O disco foi postado aqui mesmo no PQP Bach…

Assim, quando me deparei com este álbum, mais do que depressa, apanhei-o! E não é que gostei deste também? E então, os senhores sabem, se eu gosto, eu posto.

Você poderia achar estranho, reunir em um disco duas sonatas de Haydn com três de Beethoven. Mas, pensando um pouco, a ideia é boa. Permite que tenhamos uma perspectiva de quanto o compositor mais velho influenciou o voluntarioso Ludovico, mesmo que este não o admitisse.

Papa Haydn

As sonatas de Haydn são de períodos diferentes na carreira do compositor. A Sonata em si menor é do período em que Haydn trabalhava para a família Esterházy e não podia negociar diretamente com os editores. Assim, a sonata é, por assim dizer, para consumo interno. Já a outra sonata, em dó maior, foi composta sob comissão do editor Breitkopf, de Leipzig, e visava público mais amplo.

As três sonatas de Beethoven são de seu primeiro período de composição, nos seus primeiros anos em Viena. As duas primeiras do Opus 2, dedicadas a Haydn, e a segunda sonata do Opus 10.

O jovem Ludovico

Estas sonatas são obras típicas do período clássico, cheias de ótimas ideias e muito bom humor. Especialmente bonito é o movimento lento da Sonata Op. 2, 2 – Largo appassionato. E veja que todos os movimentos finais das sonatas do disco são grazioso, presto e prestíssimo!

A seguir, uma tradução livre do texto da página do disco.

Ludwig van Beethoven havia acabado de fazer vinte anos quando encontrou-se com Joseph Haydn pela primeira vez, em 1790. Dois anos depois, o jovem compositor reuniu-se aos muitos alunos do mestre vienense. Mas, cansado das constantes faltas do professor e incomodado por suas críticas, ele logo deixou as aulas, afirmando anos depois, de maneira amarga, não ter aprendido qualquer coisa com Haydn. É esta distância, esta diferença de estilos e de aspirações entre Beethoven e seu antigo professor que está para ser ouvida neste novo álbum de Olivier Cavé […]. A Sonata Hob. XVI: 32 (1776) de Haydn aponta para um estilo clássico mas vigoroso, Hob. XVI: 48, composta apenas quatro anos depois, é mais moderada e acadêmica. Beethoven almejou quebrar com este classicismo, permitindo-se um escopo expressivo maior e trocando o tradicional terceiro movimento – minueto – por um scherzo, na sua segunda sonata, um claro sinal de seu espírito revolucionário.

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Sonata para piano No. 1 em fá menor, Op. 2, 1
  1. Allegro
  2. Adagio
  3. Allegretto
  4. Prestissimo

Franz Joseph Haydn (1732 – 1809)

Sonata para piano em si menor, Hob. XVI: 32
  1. Allegro moderato
  2. Minuet – Trio
  3. Presto

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Sonata para piano No. 2 em lá maior, Op. 2, 2
  1. Allegro vivace
  2. Largo appassionato
  3. Scherzo: Allegretto
  4. Rondo: Grazioso

Franz Joseph Haydn (1732 – 1809)

Sonata para piano em dó maior, Hob. XVI: 48
  1. Andante con espressione
  2. Presto

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Sonata para piano No. 6 em fá maior, Op. 10, 2
  1. Allegro
  2. Allegretto
  3. Presto

Olivier Cavé, piano

Gravação feita em setembro de 2017 – Studio TELDEX, Berlim
Produção: Johannes Kammann

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FLAC | 400 MB

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MP3 | 320 KBPS | 181 MB

Olivier dando um rolé em Veneza, após um almoço com a turma do PQP Bach…

Esta postagem é parte de nossas homenagens ao grande Ludovico: Vivat, vivat Beethoven! – 2020

Aproveitem!

René Denon

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Friedrich Gulda spielt Beethoven – Sämtliche Klaviersonaten (5/9) #BTHVN250

gulda_beethoven_32sonatasPUBLICADO POR FDP BACH EM 2/7/2013, RESTAURADO POR VASSILY EM 20/1/2020, DENTRO DAS CELEBRAÇÕES DOS 250 ANOS DE LUDWIG VAN BEETHOVEN – o #BTHVN250

NOTA DE VASSILY: neste disco, a ordenação das sonatas por parte da Amadeo acaba sendo, mais por coincidência do que por juízo, bastante feliz. Gulda abre os trabalhos com a ótima “Pastoral”, numa das melhores interpretações do ciclo, e prossegue com as duas primeiras da trinca do essencial Op. 31, talvez as primeiras sonatas com a linguagem beethoveniana, inconfundível, altamente pessoal com que Lud Van nos presentearia em suas melhores obras: a no. 1, em Sol maior, repleta de senso de humor, com seu Adagio grazioso altamente ornamentado e prolixo, e a obra-prima em Ré menor, a no. 2, apelidada de “Tempestade”, como o toró que caía sobre o telhado de FDP Bach enquanto ele preparava a postagem original, e não pouco afim a esta que ora encharca minhas redondezas.

POSTAGEM ORIGINAL DE FDP BACH:

Pois bem, eis o quinto cd desta excelente integral de Gulda, e que traz outras duas peças fundamentais do repertório pianístico, a de op 28, “Pastorale”, e a de op. 31-2, intitulada “Der Sturm”. Pois foi uma legítima “Sturm” que me impediu de preparar essa postagem antes. Caiu uma tempestade violenta durante a madrugada e durante boa parte da manhã aqui em minha cidade. Com direito a raios e trovões.

Enfim, espero que gostem deste cd. Eu gosto, e muito. Como diria nosso colega Carlinus, uma boa apreciação. Com ou sem “Sturm”. Por aqui, ela voltou… e com toda a força.

Sonata No.15 in D major Op.28 ”Pastorale” (1801) – 1. Allegro
Sonata No.15 in D major Op.28 ”Pastorale” (1801) – 2. Andante
Sonata No.15 in D major Op.28 ”Pastorale” (1801) – 3. Scherzo – Allegro vivace
Sonata No.15 in D major Op.28 ”Pastorale” (1801) – 4. Rondo – Allegro ma non troppo
Sonata No.16 in G major Op.31-1 (1801-02) – 1. Allegro vivace
Sonata No.16 in G major Op.31-1 (1801-02) – 2. Adagio grazioso
Sonata No.16 in G major Op.31-1 (1801-02) – 3. Rondo – Allegretto – Adagio – Presto
Sonata No.17 in D minor Op.31-2 ”Der Sturm” (1801-02) – 1. Largo – Allegro
Sonata No.17 in D minor Op.31-2 ”Der Sturm” (1801-02) – 2. Adagio
Sonata No.17 in D minor Op.31-2 ”Der Sturm” (1801-02) – 3. Allegretto

Friedrich Gulda – Piano

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FDP Bach

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Friedrich Gulda spielt Beethoven – Sämtliche Klaviersonaten (4/9) #BTHVN250

gulda_beethoven_32sonatas

PUBLICADO POR FDP BACH EM 26/6/2013, RESTAURADO POR VASSILY EM 19/1/2020, DENTRO DAS CELEBRAÇÕES DOS 250 ANOS DE LUDWIG VAN BEETHOVEN – o #BTHVN250

NOTA DE VASSILY: prometêramos parar de reclamar do selo Amadeo, não? Pois nos calamos em boa hora, já que o empenho da gravadora de organizar as sonatas em ordem cronológica de publicação funciona muito bem por aqui. O CD abre com a boa sonata op. 22, uma das preferidas de Beethoven, que talvez só não seja conhecida como merece porque não lhe deram um apelido como, por exemplo, “Appassionata”. Em seguida, uma de minhas sonatas favoritas, a Op. 26, que abre com belíssimas variações, às quais Gulda atribui uma gravidade tão grande quanto o cerne da obra, a marcha fúnebre que, muitas vezes, apelida a obra. Concluindo, o ótimo duo do Op. 27, das quais a mais conhecida é a no. 2, a de epíteto famoso. Gulda adere ao Adagio sostenuto prescrito pelo compositor e encerra o disco com um Presto realmente feérico. Minha favorita, no entanto, ainda é a no. 1, que assim como seu par foi alcunhada por Beethoven de “quasi una fantasia”, mas injustamente eclipsada, também suponho, pela falta de um apelido famoso.

POSTAGEM ORIGINAL DE FDP BACH:

Ah, a “Sonata ao Luar”… quantos romances já se iniciaram após os casais ouvirem tal peça… sublime, uma das maiores criações humanas, sem dúvida. E Gulda, ao tocar um pouco mais lentamente, transforma esse verdadeiro poema musical em algo ainda mais leve, mais apaixonado, mais introspectivo. Um gigante esse pianista.

Ideal para ouvir ao lado da amada, ainda mais com essa lua cheia maravilhosa que tivemos nos últimos dias. acompanhados, é claro, de um bom vinho.

Sonata No.11 in B-flat major Op.22 (1799-1800) – 1. Allegro con brio
Sonata No.11 in B-flat major Op.22 (1799-1800) – 2. Adagio con molto espressione
Sonata No.11 in B-flat major Op.22 (1799-1800) – 3. Menuetto
Sonata No.11 in B-flat major Op.22 (1799-1800) – 4. Rondo – Allegretto
Sonata No.12 in A-flat major Op.26 (1800-01) – 1. Andante con Variazioni
Sonata No.12 in A-flat major Op.26 (1800-01) – 2. Scherzo – Allegro molto
Sonata No.12 in A-flat major Op.26 (1800-01) – 3. Marcia funebre
Sonata No.12 in A-flat major Op.26 (1800-01) – 4. Allegro
Sonata No.13 in E-flat major Op.27-1 (1800-01) – 1. Andante – Allegro
Sonata No.13 in E-flat major Op.27-1 (1800-01) – 2. Allegro molte e vivace
Sonata No.13 in E-flat major Op.27-1 (1800-01) – 3. Adagio con espressione
Sonata No.13 in E-flat major Op.27-1 (1800-01) – 4. Allegro vivace – Presto
Sonata No.14 in C-sharp minor Op.27-2 ”Mondscheinsonate” (1801) – 1. Adagio sostenuto
Sonata No.14 in C-sharp minor Op.27-2 ”Mondscheinsonate” (1801) – 2. Allegretto – Trio
Sonata No.14 in C-sharp minor Op.27-2 ”Mondscheinsonate” (1801) – 3. Presto agitato

Freidrich Gulda – Piano

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Friedrich+Gulda+gulda
Friedrich Gulda pensando em como tornar o belo ainda mais sublime…!

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Friedrich Gulda spielt Beethoven – Sämtliche Klaviersonaten (3/9) #BTHVN250

gulda_beethoven_32sonatas

PUBLICADO POR FDP BACH EM 23/6/2013, RESTAURADO POR VASSILY EM 18/1/2020, DENTRO DAS CELEBRAÇÕES DOS 250 ANOS DE LUDWIG VAN BEETHOVEN – o #BTHVN250

NOTA DE VASSILY: Gulda segue sua série, e a Amadeo segue com seu expediente de encaixar as sonatas de Beethoven nos discos, do jeito que couberem, como melancias numeradas talhadas a facão, na ordem de publicação. Prometo que reclamarei menos do selo, até porque há muito aqui o que elogiar, mas não sem antes, entre resmungos, dizer que acho estranho abrir um recital com algo da estirpe da Op. 10 no. 3 e encerrá-lo com algo levinho como a quase-sonatina Op. 14 no. 2. Gulda, sempre meio alheio a todos e a tudo, exceto ao teclado, encerra a tríade das Op. 10 com brilho e nos entrega uma “Patética”  sensacional.

POSTAGEM ORIGINAL DE FDP BACH:

Mais um cd da série que traz o grande pianista austríaco Friedrich Gulda tocando as sonatas para piano de Beethoven. E este cd traz pelo menos dois monumentos da literatura pianística, as sonatas de n° 7 e 8. Creio que depois da sonata ao luar, que conheço desde que me conheço por gente, a sonata de n° 8 também me é conhecida há incontáveis eras, graças a um velho Lp do grande Alfred Brendel que trazia algumas destas sonatas. Coisa finíssima. E curiosamente ainda devo ter o LP, em uma edição da Philips alemã.
Mas aqui temos Gulda, outro mito do piano. E se preparem pois ele não deixa pedra sobre pedra, já desde o Presto inicial da Sonata de n°7.

Sonata No.07 in D major Op.10-3 (1796-98) – 1. Presto
Sonata No.07 in D major Op.10-3 (1796-98) – 2. Largo e maesto
Sonata No.07 in D major Op.10-3 (1796-98) – 3. Menuetto – Allegro
Sonata No.07 in D major Op.10-3 (1796-98) – 4. Rondo – Allegro
Sonata No.08 in C minor Op.13 ”Pathétique” (1798-1799) – 1. Grave – Allegro di molto e con brio
Sonata No.08 in C minor Op.13 ”Pathétique” (1798-1799) – 2. Adagio cantabile
Sonata No.08 in C minor Op.13 ”Pathétique” (1798-1799) – 3. Rondo – Allegro
Sonata No.09 in E major Op.14-1 (1798-99) – 1. Allegro
Sonata No.09 in E major Op.14-1 (1798-99) – 2. Allegretto
Sonata No.09 in E major Op.14-1 (1798-99) – 3. Rondo – Allegro commondo
Sonata No.10 in G major Op.14-2 (1798-99) – 1. Allegro
Sonata No.10 in G major Op.14-2 (1798-99) – 2. Andante
Sonata No.10 in G major Op.14-2 (1798-99) – 3. Scherzo – Allegro assai

Friedrich Gulda – Piano

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#BTHVN250, por René Denon

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Friedrich Gulda spielt Beethoven – Sämtliche Klaviersonaten (2/9) #BTHVN250

gulda_beethoven_32sonatas

PUBLICADO POR FDP BACH EM 15/6/2013, RESTAURADO POR VASSILY EM 17/1/2020, DENTRO DAS CELEBRAÇÕES DOS 250 ANOS DE LUDWIG VAN BEETHOVEN – o #BTHVN250

NOTA DE VASSILY: segue a série do genial bicho-grilo Gulda tocando a integral das sonatas de Lud Van. O selo Amadeo, cujo dístico em alemão só pode ser “Fick dich, lausige Zuhörer“, atocha de maneira que lhe é muito típica as sonatas, todas em faixa única, e em ordem crescente de numeração, sem qualquer consideração ao pútrido ouvinte. Assim, a peculiar Sonata Op. 7 abre o disco só porque veio antes das Op. 10, e deixa o coeso trio das Op. 10 incompleta, por ficar de fora justamente a melhor delas, a Op. 10 no. 3, a primeira das grandes sonatas de Beethoven. Gulda, que não estava nem aí para isso (porque “Fick dich” também era decerto seu lema), dá-nos a ótima leitura que poderíamos esperar dele.

POSTAGEM ORIGINAL DE FDP BACH:

Fiquei contente com a repercussão que essa postagem do Gulda tocando Beethoven trouxe. Realmente trata-se de um excelente pianista, com muitos recursos, e sua leitura destas sonatas são muito conceituadas. Pena que não a postei antes, mas antes tarde que nunca, não é mesmo?

Lembro que já foram postados outros cds dele aqui no PQPBach, mas não sei se os links estão ativos. E não lembro se em algum destes cds ele incursiona pelo jazz, outro terreno em que também se notabilizou. Seria a praia do velho cão sarnento, bluedog, mas ele ainda está escondido em algum canto, sem nos dar o prazer de seu retorno, curtindo seu acervo …

Sonata No.04 in E-flat major Op.7 (1796-97) – 1. Allegro molto e con brio
Sonata No.04 in E-flat major Op.7 (1796-97) – 2. Largo- con gran espressione
Sonata No.04 in E-flat major Op.7 (1796-97) – 3. Allegro
Sonata No.04 in E-flat major Op.7 (1796-97) – 4. Rondo – Poco allegretto e grazioso

Sonata No.05 in C minor Op.10-1 (1796-98) – 1. Allegro molto e con brio
Sonata No.05 in C minor Op.10-1 (1796-98) – 2. Adagio molto
Sonata No.05 in C minor Op.10-1 (1796-98) – 3. Finale – Prestissimo

Sonata No.06 in F major Op.10-2 (1796-98) – 1. Allegro
Sonata No.06 in F major Op.10-2 (1796-98) – 2. Allegretto
Sonata No.06 in F major Op.10-2 (1796-98) – 3. Presto

Friedrich Gulda – Piano

CD 2 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Friedrich Gulda
Friedrich Gulda
#BTHVN250, por René Denon

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Friedrich Gulda spielt Beethoven – Sämtliche Klaviersonaten (1/9) #BTHVN250

gulda_beethoven_32sonatas

PUBLICADO POR FDP BACH EM 12/6/2013, RESTAURADO POR VASSILY EM 16/1/2020, DENTRO DAS CELEBRAÇÕES DOS 250 ANOS DE LUDWIG VAN BEETHOVEN – o #BTHVN250

NOTA DE VASSILY: Lud Van merece, e por isso celebraremos seu jubileu de maneira que, até o dia de seu 250° aniversário, a integral de suas obras esteja disponível em nosso acervo – das obras de infância até os sublimes, derradeiros quartetos de cordas -, alcançando-lhes novas interpretações, particularmente do ciclo das sonatas para piano, bem como restaurando gravações importantes de suas obras que se perderam no “internéter”. Começamos por esta leitura do notável maluco-beleza vienense, repleta do inconfundível “toque Gulda”, talvez por demais frenética para alguns ouvidos, mas sem dúvidas indispensável a qualquer acervo fonográfico. A qualidade do som não é o forte do selo Amadeo, que também não se dá ao trabalho de separar os movimentos entre faixas, atochando-nos obras inteiras em faixas simples. Ainda assim, e particularmente nestas sonatas da juventude do compositor, Gulda faz a amolação valer a pena.

POSTAGEM ORIGINAL DE FDP BACH:

Em um primeiro momento pensei em postar a coleção toda de uma só vez, mas pensei melhor e decidir postar um por um, para ser melhor degustado, afinal trata-se de Friedrich Gulda tocando Beethoven, e isso definitivamente não é pouca coisa. Tenho essa coleção há algum tempo e a ouço também de vez em quando. Como se tratam-se de gravações da década de 60, esta caixa fica numa pasta chamada gravações históricas, à qual volto de vez em quando. Ultimamente tenho ouvindo os pianistas mais novos, como Lewis e Brautigam, ou Angela Hewitt, mas de vez em quando preciso ouvir esses caras da velha, pero non mucho, guarda.

Este primeiro cd traz, é claro, as três primeiras sonatas, de op. 2. Deleitem-se.

Sonata No.01 in F minor Op.2-1 (1795) – 1. Allegro
Sonata No.01 in F minor Op.2-1 (1795) – 2. Adagio
Sonata No.01 in F minor Op.2-1 (1795) – 3. Menuetto – Allegretto
Sonata No.01 in F minor Op.2-1 (1795) – 4. Prestissimo
Sonata No.02 in A major Op.2-2 (1795) – 1. Allegro vivace
Sonata No.02 in A major Op.2-2 (1795) – 2. Largo apassionato
Sonata No.02 in A major Op.2-2 (1795) – 3. Scherzo – Allegretto
Sonata No.02 in A major Op.2-2 (1795) – 4. Rondo – Grazioso
Sonata No.03 in C major Op.2-3 (1795) – 1. Allegreo con brio
Sonata No.03 in C major Op.2-3 (1795) – 2. Adagio
Sonata No.03 in C major Op.2-3 (1795) – 3. Scherzo – Allegro
Sonata No.03 in C major Op.2-3 (1795) – 4. Allegro assai

Friedrich Gulda – Piano

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FDPBach

#BTVHN250, por René Denon

Beethoven (1770-1827): Sinfonia nº 3, “Eroica” – Monteux/Concertgebouw #BTHVN250

Este ano, vocês sabem, as orquestras por todo o mundo vão homenagear os 250 anos de Beethoven. No Brasil, teremos sinfonias em todas as grandes cidades (se as salas e teatros não fecharem até lá), além de grandes solistas tocando os cinco concertos para piano até cansar: Arnaldo Cohen, Linda Bustani e convidados estrangeiros como Paul Lewis e Alexander Melnikov.

Aqui no P.Q.P.Bach também teremos grandes homenagens com integrais de peso. Mas vamos com calma! Afinal, ainda faltam muitos meses para o aniversário do sagitariano Ludwig… Vamos começar o ano com algumas pérolas do passado: dias atrás foi o trio Michelangeli/Giulini/Filarmônica de Viena. Hoje, uma dupla igualmente notável: Monteux/Concertgebouw de Amsterdam.

Pierre Benjamin Monteux (1875-1964) foi um dos grandes nome da regências no século XX. Ele forma, com o suíço Ansermet (amigo de Debussy) e o alemão Klemperer (discípulo de Mahler), uma tríade de maestros que conheceram a tradição sinfônica europeia pré-primeira-guerra e, como viveram mais de 80 anos, deixaram gravações em stereo com qualidade de som muito superior à dos registros deixados por Furtwängler ou Mengelberg.

O currículo de Monteux é extenso: tocou viola em formações de câmara com Saint-Saëns e Fauré ao piano, foi membro de um quarteto de cordas até 1911, com o qual tocou para Brahms em Viena. Segundo Monteux, o compositor teria dito: “Os franceses tocam minha música corretamente. Os alemães a tocam de forma muito pesada.”

Mas a parte mais famosa da biografia de Monteux foi quando estreou, como maestro dos Ballets Russes em Paris, os Jeux de Debussy e em seguida a Sagração da Primavera de Stravinsky, ambos na mesma primavera de 1913.

A primeira reação, ao ler a partitura com Stravinsky ao piano, foi de espanto: “Eu decidi que as sinfonias de Beethoven e Brahms eram a minha música, não a música daquele russo maluco… Meu desejo era fugir daquela sala e achar um canto para ver se passava minha dor de cabeça. Então [o coreógrafo Diaghilev] virou para mim e disse: Essa é uma obra-prima, Monteux, que vai revolucionar a música e torná-lo famoso, porque você vai regê-la. E, claro, eu regi”. Apesar da reação inicial, Monteux trabalhou longos meses com Stravinsky, dando sugestões sobre a orquestração. Para fazer a orquestra dos Champs-Élysées tocar aquela música difícil e diferente, foram nada menos que dezessete ensaios.

Depois, em sua longa carreira, Monteux se associou a orquestras em Nova York, Boston, Amsterdam, Paris, San Francisco e Londres – peregrinação comum naquelas décadas com duas grandes guerras e uma crise do capitalismo global. Cavalheiro à moda antiga, ele não gostava de gravações em estúdio, mas deixou como legado uma parte razoável do seu repertório, especialmente Beethoven, Schubert, Brahms, Debussy e Stravinsky.

Gravada em 1962, em stereo, com os naipes da orquestra divididos como nos mais clássicos discos dos anos 60 (me vem à cabeça: Argerich/Abbado e Lennon/McCartney), esta Heróica tem como bônus a gravação do ensaio da Marcha Fúnebre. Em um francês de senhor idoso, Monteux trabalha cuidadosamente o som da orquestra de Amsterdam: “O difícil são as duas primeiras notas: PAN-pan-pan…”, corrige o maestro, com o mesmo cuidado meticuloso que ele tinha com a inovadora orquestração de Stravinsky. Ese ensaio nos mostra que não bastam os nomes famosos do maestro, da orquestra e do compositor: é preciso muito esforço e muita autocrítica para se fazer uma gravação histórica de Beethoven.

Ludwig van Beethoven – Symphony No. 3 In E Flat major, Op. 55 “Eroica”
1. Allegro con Brio
2. Marcia Funebre (Adagio Assai)
3. Scherzo (Allegro Vivace)
4. Finale (Allegro Molto)

5. Rehearsal: Marcia Funebre
Pierre Monteux, Concertgebouworkest
Recorded in Amsterdam 7/1962

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Pleyel

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Richter – The Authorized Recordings – Beethoven I – Sviatoslav Richter #BTHVN250

Muito falamos em Sviatoslav Richter mas temos poucas gravações suas postadas aqui no PQPBach, o que no mínimo, é esquisito. Digo isso pois só eu, FDPBach, devo ter mais de 200 cds seus.

Mas a grandiosidade e genialidade de Sviatoslav Richter só pode ser conhecida se for ouvida. Não é por acaso que ele é considerado um dos principais pianistas do Século XX, ao lado de Arthur Rubinstein, de seu amigo Emil Gilels, de Wladimir Horowitz, Wilhelm Kempff, Arthur Schnabel, dentre tantos outros. Para nossa sorte, provavelmente ele deve ser o pianista com maior número de discos lançados anualmente, gravações realizadas desde a juventude ainda na União Soviética, até o final de sua vida. Podemos acompanhar assim a evolução de sua técnica, e  principalmente, de sua maturidade musical. Dizem que na própria Rússia ainda existe muito material seu para ser lançado, ele gravava muito.

Estes CDs que trarei para os senhores nos próximos dias foram gravados ao vivo, já no final de sua vida, quando o músico já estava com 77 anos.  Hoje teremos o primeiro CD duplo dedicado a Beethoven.

CD 1

01. Sonata No.19 in G minor, op. 49 No. 1 – Andante
02. Sonata No.19 in G minor, op. 49 No. 1 – Rond. Allegro
03. Sonata No.20 in G, op. 49 No. 2 – Allegro ma non troppo
04. Sonata No.20 in G, op. 49 No. 2 – Tempo di Menuetto
05. Sonata No.22 in F, op. 54 – In tempo d’un menuetto
06. Sonata No.22 in F, op. 54 – Allegretto
07. Sonata No.23 in F minor, op. 57 ‘Appassionata’ – Allegro assai
08. Sonata No.23 in F minor, op. 57 ‘Appassionata’ – Andante con moto
09. Sonata No.23 in F minor, op. 57 ‘Appassionata’ – Allegro ma non troppo

CD 2

01. Sonata No. 30 in E, op. 109 Vivace, ma non troppo – Adagio espressivo – Tempo I
02. Sonata No. 30 in E, op. 109 Prestissimo
03. Sonata No. 30 in E, op. 109 Gesangvoll, mit innigster Empfindung. Andante molto cantabile ed espressivo
04. Sonata No. 31 in A flat, op. 110 Moderato cantabile molto espressivo
05. Sonata No. 31 in A flat, op. 110 Allegro molto
06. Sonata No. 31 in A flat, op. 110 Adagio ma non troppo
07. Sonata No. 31 in A flat, op. 110 Fuga. Allegro ma non troppo
08. Sonata No. 32 in C minor, op. 111 Maestoso
09. Sonata No. 32 in C minor, op. 111 Allegro con brio ed appassionato
10. Sonata No. 32 in C minor, op. 111 Arietta. Adagio molto semplice e cantabile

Sviatoslav Richter – Piano

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Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para Piano Nº 3 #BTHVN250

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para Piano Nº 3 #BTHVN250

Ontem, ao procurar por Mendelssohn no micro, encontrei este concerto assim dando sopa, avulso. Gosto demais desta gravação ao vivo onde Michelangeli dá um banho de interpretação no belíssimo terceiro concerto. Esta gravação do terceiro concerto é tão arrebatadora que agora desejaria ouvi-lo. Não adianta, cada vez que ouço uma gravação ao vivo como esta, mais me convenço de que a música vive mais no palco do que em estúdios. Se Bakhtin demonstrou que a ideia tinha natureza dialógica — pois seu habitat seria a expressão e o confronto com outras idéias –, digo que o habitat da música é a interação com os ouvintes. Ali, ganha sentido e magia, como aliás Emma Kirkby confirmou nesta entrevista.

Imperdível!

Beethoven: Concerto para Piano Nº 3

1. Piano Concerto No.3 in C minor, Op.37 – 1. Allegro con brio – Cadenza 17:24
2. Piano Concerto No.3 in C minor, Op.37 – 2. Largo 11:15
3. Piano Concerto No.3 in C minor, Op.37 – 3. Rondo (Allegro) 9:35

Arturo Benedetti Michelangeli, piano
Vienna Symphony Orchestra (Sinfônica de Viena)
Carlo Maria Giulini

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Michelangeli foi profe de Pollini, só por isso tem que respeitar!

PQP