Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 13 (Babi Yar), Op. 113 (1962)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 13 (Babi Yar), Op. 113 (1962)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Sinfonia Nº 13 (Babi Yar), Op. 113 (1962)

Após o equívoco da Sinfonia Nº 12 – lembrem que até Beethoven escreveu uma medonha Vitória de Wellington, curiosamente estreada na mesma noite da sublime 7ª Sinfonia, mas este é outro assunto… -, Shostakovich inauguraria sua última fase como compositor começando pela Sinfonia Nº 13, Babi Yar. Iniciava-se aqui a produção de uma sequência de obras-primas que só terminaria com sua morte, em 1975. Esta sinfonia tem seus pés firmemente apoiados na história da União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial. É uma sinfonia cantada, quase uma cantata em seu formato, que conta com a nada desprezível colaboração do grande poeta russo Evgeny Evtuchenko (conforme alguns, como a Ed. Brasilinense, porém pode-se encontrar a grafia Ievtuchenko, Yevtuchenko ou Yevtushenko, enfim!).

Shosta51

O que é, afinal, Babi Yar? Babi Yar é o nome de uma pequena localidade situada perto de Kiev, na atual Ucrânia, cuja tradução poderia ser Barranco das Vovós. Ali, em 29 e 30 de setembro de 1941, teve lugar o assassinato de 34 mil judeus pelos nazistas. Eles foram mortos com tiros na cabeça e a participação comprovada de colaboradores ucranianos no massacre permanece até hoje tema de doloroso debate público naquele país. Nos dois anos seguintes, o número de mortos em Babi Yar subiu para 200 mil, em sua maioria judeus. Perto do fim da guerra, os nazistas ordenaram que os corpos fossem desenterrados e queimados, mas não conseguiram destruir todos os indícios. Ievtuchenko criticou a maneira que o governo soviético tratara o local. O monumento em homenagem aos mortos referia-se às vítimas como ucranianas e russas, o que também eram, apesar de se saber que o fato determinante de suas mortes era o de serem judeus. O motivo? Ora, Babi Yar deveria parecer mais uma prova do heroísmo e sofrimento do povo soviético e não de uma fatia dele, logo dele, que seria uma sociedade sem classes nem religiões… O jovem poeta Ievtushenko considerou isso uma hipocrisia e escreveu o poema em homenagem aos judeus mortos. O que parece ser uma crítica de importância relativa para nós, era digna de censura, na época. O poema — o qual tem extraordinários méritos literários — foi publicado na revista Literatournaia Gazetta e causou problemas a seu autor e depois, também a Shostakovich, ao qual foram pedidas alterações que nunca foram feitas na sinfonia. No Ocidente, Babi Yar foi considerado prova da violência antissemita na União Soviética, mas o próprio Ievtuchenko declara candidamente em sua Autobiografia Precoce (Ed. Brasiliense, 1987) que a tentativa de censura ao poema não teve nada a ver com este gênero de discussão e que, das trinta mil cartas que recebeu falando em Babi Yar, menos de trinta provinham de antissemitas…

O massacre de Babi Yar é tão lembrado que não serviu apenas a Ievtuchenko e a Shostakovich, tornando-se também tema de filmes e documentários recentes, assim como do romance Babi Yar de Anatoly Kuznetsov. Não é assunto morto, ainda.

O tratamento que Shostakovich dá ao poema é fortemente catalisador. Como se fosse uma cantata em cinco movimentos, os versos de Ievtuchenko são levados por um baixo solista, acompanhado de coral masculino (formado apenas por baixos) e orquestra. É música de impressionante gravidade e luto; a belíssima linha melódica ora assemelha-se a um serviço religioso, ora aum dos grandes modelos de Shostakovich, Mussorgski; mesmo assim, fiel a seu estilo, Shostakovich encontra espaço para o sarcasmo.

Tranquila crueldade: soldados alemães examinam as roupas dos mortos em Babi Yar.

“Babi Yar” é como ficou conhecida a sinfonia para coro masculino, baixo e orquestra.  A partir do texto de dura indignação de Ievgueni Evtuchenko e apesar dos problemas que ele geraria na União Soviética pós-stalinista, Shostakovich construiu um painel de extraordinária força em torno de mazelas típicas de seu tempo: o medo e a opressão, o conformismo e o carreirismo, o massacre cotidiano num Estado policial e a possibilidade de superação através do humor e da intransigência.

Em linguagem quase descritiva, combinando a severidade da orquestra com a impostação épica das vozes, “Babi Yar” tem um poder de evocação cinematográfico: raramente se ouviu música tão plástica. O realismo e a imagens dos poemas são admiravelmente apoiados pelo estilo alternadamente sombrio e agressivo da música de Shostakovich. Não obstante o grande efetivo orquestral e a tensão dos clímaxes, as texturas são rarefeitas e o coro, declamando ou murmurando, canta quase sempre em uníssono ou em oitavas — mais um elemento dessa estrutura preparada para expressar a desolação e o nervosismo.

O primeiro movimento alterna estrofes que exploram o horror e a culpa de Babi Yar com relatos de dois outros episódios — o de Anne Frank e o de um menino massacrado em Bielostok. No segundo movimento, ritmado de forma tipicamente shostakovichiana, o tom enfático das vozes falam da resistência que o “Humor” jamais deixará de oferecer à tirania. “Na loja”, o Adagio que se segue, descreve quase fisicamente as filas das humilhadas donas-de-casa numa linha sinuosa à espera de um pouco de comida. Quando chegam ao balcão, o poema diz: “Elas nos honram e nos julgam”, enquanto percussão e castanholas simulam panelas e garrafas se entrechocando. É em clima que estupefação que o movimento se encerra: “Nada está fora de seu alcance”.

A linha sinuosa torna-se reta ao prosseguir sem interrupção para o episódio seguinte, um ameaçador ‘sostenuto’ das cordas graves sob solo da tuba: é o “Medo”, componente constante da vida soviética. Contrapondo-se às sombras que até aqui dominam a sinfonia, Shostakovich a conclui com uma satírica reflexão sobre o que é seguir uma “Carreira”. Em ritmo de valsa lenta, ficamos sabendo que a verdadeira carreira não é a dos que se submetem, mas a de Galileu, Shakespeare ou Pasteur, Newton ou Tolstói: “Seguirei minha carreira de tal forma que não a esteja seguindo”, conclui o baixo, com o eco do sino que abrira pesadamente a sinfonia, agora aliviado pela celesta.

Shostakovich (esquerda), com o poeta Evgeni Ievtuchenko (direita) e o regente Kirill Kondrashin na estreia da 13ª Sinfonia.

A história da primeira execução de Babi Yar foi terrível. Houve protestos e ameaças por parte das autoridades soviéticas. Se até 1962, Shostakovich dava preferência a estrear suas obras sinfônicas com Evgeny Mravinsky (1903-1988), Babi Yar causou um surdo rompimento na parceria entre ambos. O lendário regente da Sinfônica de Leningrado amedrontou-se (teve razões para tanto) e desistiu da obra pouco antes de começarem os ensaios. Porém, como na União Soviética e a Rússia os talentos brotam por todo lado, Mravinsky foi substituído por Kirill Kondrashin (1914-1981) que teve uma performance inacreditável e cujo registro em disco é das coisas mais espetaculares que se possa ouvir.

P.S.- Por uma dessas coisas inexplicáveis, encontrei o disco soviético com o registro da estreia num sebo de Porto Alegre em 1975. Comprei, claro.

Obs.: A descrição da música foi adaptada de um texto que Clovis Marques escreveu para um concerto no Municipal do Rio de Janeiro.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 13 (Babi Yar), Op. 113 (1962)

1 – Babi Yar. Adagio
2 – Humour. Allegretto
3 – At the Store. Adagio
4 – Fears. Largo
5 – Career. Allegretto

Alexander Vinogradov, baixo
Royal Liverpool Philharmonic Choir
Royal Liverpool Philharmonic Orchestra
Vasily Petrenko

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Esta é uma foto tirada em 1944 de uma parte Babi Yar. 14 mil judeus foram mortos.
Esta é uma foto tirada em 1944 de uma parte Babi Yar. 200 mil judeus foram mortos.

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G.P. Telemann (1681-1767): Sinfonia, Abertura e Concertos

G.P. Telemann (1681-1767): Sinfonia, Abertura e Concertos

Deutsche Bachsolisten Telemann BM30SL1203 1Este vinil foi digitalizado pelo extraordinário blog holandês 33 toeren klassiek, ao qual agradecemos muitíssimo. Trata-se de um blog que divulga apenas raridades lançadas em vinil há décadas. Nada de obviedades, só os bons cantinhos do repertório que ficaram esquecidos pelas gravadoras. Telemann morreu há 250 anos atrás e merece ser lembrado neste ano. A orquestra de câmara Deutsche Bachsolisten foi fundada em 1960 pelo oboísta Helmut Winschermann. Neste belo LP ouvimos quatro composições deste compositor prolífico, que era mais famoso em seu tempo do que Johann Sebastian Bach. 

G.P. Telemann (1681-1767): Sinfonia, Abertura e Concertos

1 Sinfonia in F voor blokfluit, viola da gamba, orkest en b.c. 9:19
alla breve – andante – vivace

2 Ouverture in C voor 3 hobo’s, strijkers en b.c. 18:41
ouverture – harlequinade – espagniole – bourée en trompette – someille –
rondeau – menuett 1+2 – gigue

3 Concert voor 3 hobo’s, 3 violen en b.c. in Bes 8:27
allegro – largo – allegro

4 Tripelconcert voor fluit, hobo d’amore, viola d’amore. strijkers
en b.c. in E 16:56
andante – allegro – siciliane – vivace

Helmut Schneidewind: trompet
Willi Walther, Josef Feck, Lothar Zinke: trombones
Günther Höller: blokfluit
Hans Jürgen Möhring: dwarsfluit
Helmut Winschermann: hobo d’amore
Günther Lemmen: Viola d’amore
Heinrich Haferland: Viola da gamba
Deutsche Bachsolisten
Helmut Winschermann, dirigent (1, 2 en 3)
Carl Gorvin, dirigent (4)

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O Concerto, de Gerard van Honthorst, 1623
O Concerto, de Gerard van Honthorst, 1623

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W. A. Mozart (1756-1791): Così fan tutte

W. A. Mozart (1756-1791): Così fan tutte

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Assim fazem todas. As feministas amantes do Politicamente Correto — algumas o amam — matariam Mozart e da Ponte em razão deste título… Mas aqui somos mais razoáveis, somos feministas que desprezam as Mênades de nossos dias.

Bem, esse CD triplo vocês devem ouvir de joelhos, OK? Considerada uma obra um pouquinho por demais erótica do libretista Lorenzo da Ponte, a história obteve a rejeição de Salieri e a aceitação de Mozart. O espírito da ópera rivaliza com as comédias agridoces de Shakespeare. Na regência, René Jacobs traz-nos interpretação MA-RA-VI-LHO-SA e muito bem humorada, com instrumentos de época.

Così fan tutte, ossia La scuola degli amanti (“Assim fazem todas, ou A escola dos amantes”, em italiano) é a antepenúltima ópera de Mozart. Sua estréia ocorreu no Burgtheater no dia 26 de Janeiro de 1790 (tá de níver amanhã!). Così Fan Tutte é a terceira e última ópera de Mozart cujo libreto foi escrito por da Ponte (as outras duas colaborações haviam sido As bodas de Fígaro e Don Giovanni). A composição de ópera foi sugerida pelo imperador austríaco José II.

W. A. Mozart (1756-1791): Così fan tutte

Disc 1
1 Overture See All 4
2 Terzetto
3 Recitativo
4 Terzetto
5 Da soldati d’onore / Terzetto
6 Duetto
7 Recitativo
8 Quintetto
9 Recitativo
10 Coro
11 Abbraciami, idol mio / Quintetto
12 Faccia che al campo giunga / Terzettino
13 Recitativo
14 Recitativo
15 Aria
16 Recitativo
17 Aria
18 Recitativo
19 Sestetto
20 O ciel! Mirate
21 Aria
22 Recitativo

Disc 2
1 Aria
2 Cosa serve? / Aria
3 Recitativo
4 Finale, Atto Primo
5 Eccovi Il Medico
6 Dove Son?
7 Dammi un bacio
8 Atto Secondo, Recitativo
9 Aria
10 Recitativo
11 Duetto
12 Duetto con coro
13 Quartetto
14 Recitativo
15 Duetto
16 Recitativo
17 Aria
18 Ei parte … senti … ah no!

Disc 3
1 Rondo See All 7
2 Recitativo
3 Abbi di me pieta, dammi consiglio / Aria
4 Recitativo
5 Cavatina
6 Aria
7 Recitativo
8 Duetto
9 Recitativo
10 Tutti accusan le donne / Recitativo
11 Finale, Atto Secondo
12 Coro
13 E nel tuo, nel mio bicchiero / Miei Signori, tutto e fatto
14 Coro
15 Sani E Salvi Gli Amplessi Amorosi
16 Giusto ciel!
17 Tutti

Veronique Gens, Fiordiligi
Bernarda Fink, Dorabella
Werner Gura, Ferrando
Marcel Boone, Guglielmo
Pietro Spagnolo, Don Alfonso
Graciela Oddone, Despina

Concerto Koln
Kolner Kammerchor
dir. René Jacobs

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Olha só, pequepiano!
Olha só, pequepiano!

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Ernest Bloch (1880-1959), Luigi Dallapiccola (1904-1975) e & György Ligeti (1923-2006): Suites for solo cello

Ernest Bloch (1880-1959), Luigi Dallapiccola (1904-1975) e & György Ligeti (1923-2006): Suites for solo cello

Um violoncelo solitário é a porta de entrada para a alma de muitos compositores. Bach e Britten são os mais famosos. Ernest Bloch escreveu suas três suítes solo de violoncelo na década de 1950, perto do final de sua vida, e elas são fugazes e estranhas, como se tratasse de lembranças problemáticas. A notável Natalie Clein completa seu programa com duas outras peças do pós-guerra: a Ciaccona, Intermezzo e Adagio (1945) de Dallapiccola, peça bem perturbada e forte, e a Sonata em dois movimentos de Ligeti (1948-53), que contém uma das melodias mais desprotegidamente bonitas que conheço. Com razão, Clein toca cheia de convicção e não recua em alternar ataques destemidos e passagens sublimes, tranquilas e assustadoras. Este disco é 2017 e a violoncelista recém completou 40 anos. Uma menina! Parabéns, Natalie!

Bloch, Ligeti & Dallapiccola: Suites for solo cello

Suite for solo cello No 1 [10’11] Ernest Bloch (1880-1959)
1 Prelude[2’35]
2 Allegro[1’56]
3 Canzona[3’00]
4 Allegro[2’40]

Suite for solo cello No 2 [18’12] Ernest Bloch (1880-1959)
5 Prelude[2’52]
6 Allegro[5’20]
7 Andante tranquillo[5’04]
8 Allegro[4’56]

Suite for solo cello No 3 [11’15] Ernest Bloch (1880-1959)
9 Allegro deciso[1’24]
10 Andante[2’35]
11 Allegro[2’34]
12 Andante[2’30]
13 Allegro giocoso[2’12]

Ciaccona, Intermezzo e Adagio [16’18] Luigi Dallapiccola (1904-1975)
14 Ciaccona: Con larghezza[8’00]
15 Intermezzo: Allegro, con espressione drastica[2’44]
16 Adagio[5’34]

Sonata for solo cello [8’33] György Ligeti (1923-2006)
17 Dialogo: Adagio, rubato, cantabile[3’57]
18 Capriccio: Presto con slancio[4’36]

Natalie Clein, violoncelo

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Bom dia, Natalie.
Bom dia, Natalie.

PQP

 

J. S. Bach (1685-1750): B-A-C-H: Ich ruf zu Dir (Franz Liszt / Ferruccio Busoni)

J. S. Bach (1685-1750): B-A-C-H: Ich ruf zu Dir (Franz Liszt / Ferruccio Busoni)

Aurelia Shimkus nasceu em Riga, na Letônia, em 1997. É jovem demais e meio mão pesada e sem sutileza para sair interpretando Bach por aí. Tem bom desempenho na porrada lisztiana que abre o CD, mas depois deixa transparecer certas ânsias heavy metal, principalmente, na linda e delicadíssima Ich ruf’ zu dir, Herr Jesu Christ, onde trata de enfiar a mão em momentos em que esta ficaria melhor no bolso.  Também detestei a transcrição de Busoni para a Toccata and Fugue. E não seria natural que a pianista enfrentasse a maior peça de Bach transcrita para o piano por Busoni? Por que ela fugiu disso aqui? Ah, Aurelia…

J. S. Bach (1685-1750): B-A-C-H: Ich ruf zu Dir

1 Fantasia and Fugue on the Theme B-A-C-H, S529/R22 12:43, de Liszt
2 Capriccio sopra la lontananza del fratello dilettissmo in B-Flat Major, BWV 992 10:37
3 10 Chorale Preludes, BV B 27: Ich ruf’ zu dir, Herr Jesu Christ, BWV 639 (arr. F. Busoni for piano) 3:57
4 10 Chorale Preludes, BV B 27: Komm, Gott Schopfer, BWV 667 (arr. F. Busoni for piano) 1:58
5 10 Chorale Preludes, BV B 27: Durch Adams Fall ist ganz verderbt, BWV 705 (arr. F. Busoni for piano) 7:04
6 Toccata and Fugue in D Minor, BWV 565 (arr. F. Busoni for piano) 9:05
7 Die Kunst der Fuge, BWV 1080: Fuga a 3 Soggetti (Contrapunctus XIV) 8:39

Aurelia Shimkus, piano

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Aurelia, em foto Liszt-free
Aurelia, em foto Liszt-free

PQP

J.S.Bach (1685-1750): Sinfonia da Cantata BVW 42, Concerto para 2 violinos, Concerto de Brandenburgo Nº 1 / Felix Mendelssohn (1809-1847): Sinfonia Nº 5 “Reforma”

J.S.Bach (1685-1750): Sinfonia da Cantata BVW 42, Concerto para 2 violinos, Concerto de Brandenburgo Nº 1 / Felix Mendelssohn (1809-1847): Sinfonia Nº 5 “Reforma”
Koopman exalta os músicos finlandeses. Justo.
Koopman exalta os músicos finlandeses. Justo.

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Certamente, este não é um CD regular, desses que você encontra na loja e compra. É um pirata da mais alta qualidade. É o registro de um concerto ao vivo no qual o grande Ton Koopman rege um repertório extraordinariamente bem bolado. O som — excelente, se considerarmos a situação — deve ter sido capturado através da Rádio Estatal Finlandesa, uma das mais ouvidas por PQP Bach em seu micro. Uma joia. Ao lado de obras de Bach, Koopman programou a Sinfonia Nº 5 de Mendelssohn, composta para as comemorações dos 300 anos da Reforma Protestante (1832).

Assim como Bach fazia em suas Cantatas, a Sinfonia de Mendelssohn está cheia de citações a hinos luteranos. Por exemplo, no primeiro movimento, a introdução lenta e solene, que alterna metais e cordas em pianíssimo, apresenta o Amen de Dresden, tema retirado da liturgia luterana do século XVIII da região da Saxônia. É contrastado por um vigoroso Allegro con fuoco e ao final é reapresentado o Amen de Dresden, que termina em grande agitação com um acorde menor se transformando em maior. E o último movimento é uma fantasia sobre o coral de Lutero Ein’ feste Burg ist unser Gott, o chamado Hino da Reforma, utilizado por Bach em sua maior Cantata, a BWV 80.

Minha opinião diverge cordialmente da de meu colega Carlinus: esta é a maior e mais importante Sinfonia de Mendelssohn e não a preferida dele, a de Nº 4, “Italiana”. Mas não vamos brigar por isso, de modo algum. É questão de gosto. Também não brigaremos sobre a competência de Ton Koopman, notável cravista, organista e regente.

J.S.Bach (1685-1750): Sinfonia da Cantata BVW 42, Concerto para 2 violinos, Concerto de Brandenburgo Nº 1 / Felix Mendelssohn (1809-1847): Sinfonia Nº 5 “Reforma”

Johann Sebastian Bach (1685-1750)
1. Sinfonia from Cantata BWV 42

2. Concerto in D Minor for Two Violins, BWV 1060
Allegro
Adagio
Allegro

3. Brandenburg concerto No. 1 in F major, BWV 1046
(Without tempo indication)
Adagio
Allegro
Menuetto – Trio I – Polacca – Trio II

Felix Mendelssohn Bartholdy (1809-1847)
4. Sinfonia No. 5 em Ré maior, Op. 107 – “Da Reforma”
Andante – Allegro com fuoco
Allegro vivace
Andante
Andante com moto – Allegro vivace – Allegro maestoso

Finnish Radio Symphony Orchestra
Ton Koopman, regente
Taija Kilpiö, violino
Emma Vähälä, violino

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Koopman calando a boca de todos.
Koopman calando a boca de todos.

PQP

C.P.E. Bach, Graf, M. Haydn, Hasse: Concertos para Violoncelo

C.P.E. Bach, Graf, M. Haydn, Hasse: Concertos para Violoncelo

Uma coleção de Concertos para Violoncelo de compositores do século XVIII. Não é uma coisa de louco. Vogler grava três concertos inéditos em gravações e os faz acompanhar do famoso Concerto Nº 3 de CPE Bach. O desempenho de Vogler — esta é a primeira versão que eu ouvi do concerto do mano CPE em violoncelo moderno — tem pouco do drama de outras gravações, mas canta com alma no Largo e dança atleticamente através dos movimentos rápidos. Os “novos” trabalhos são bons, com destaque para o Concerto de Friedrich Hartmann Graf, colocado estrategicamente em segundo lugar no CD.

C.P.E. Bach, Graf, M. Haydn, Hasse: Concertos para Violoncelo

Concerto for Cello no 3 in A major, Wq 172/H 439 by Carl Philipp Emmanuel Bach
1. Concerto for cello, strings & continuo (‘No. 3’) in A major, H. 439, Wq. 172: Allegro
2. Concerto for cello, strings & continuo (‘No. 3’) in A major, H. 439, Wq. 172: Largo mesto
3. Concerto for cello, strings & continuo (‘No. 3’) in A major, H. 439, Wq. 172: Allegro assai

Concerto for Cello and Orchestra in D by Friedrich Hartmann Graf
4. Cello Concerto in D major : Allegro
5. Cello Concerto in D major : Romance. Andante
6. Cello Concerto in D major : Rondo. Allegro

Concerto for Cello in D major by Johann Adolf Hasse
7. Cello Concerto in D major: Andante moderato – Fuga
8. Cello Concerto in D major: Largo
9. Cello Concerto in D major: Allegro

Concerto for Cello and Orchestra in B flat by Michael Haydn
10. Cello Concerto in B flat major, MH deeest (spurious): Moderato
11. Cello Concerto in B flat major, MH deeest (spurious): Romanze. Andante un poco agitato
12. Cello Concerto in B flat major, MH deeest (spurious): Finale. Rondo

Jan Vogler, Cello
Reinhard Goebel
Munich Chamber Orchestra

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Philip Mercier (1689-1760), The Sense
Philip Mercier (1689-1760), The Sense

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano

Beethoven Foldes

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Andor Foldes (1913-1992) foi um daqueles húngaros notáveis do início do século passado. Fricsay, Reiner, Dorati, Solti, Ormandy, Kodály, Bartók, Anda, Cziffra… Quem mais, dentro os pequenos países, teve uma geração como essa? E ela seguiu com brilho na segunda metade do século XX. Aqui, direto dos tesouros da Deutsche Grammophon, temos Foldes esmerilhando algumas Sonatas de Beethoven. Raramente pude ouvir gravações melhores, principalmente das primeiras Sonatas. Foldes esteve sempre muito próximo à música de seu contemporâneo Béla Bartók, então achei que ia gostar mais das Sonatas mais modernas de Beethoven. Mas não, admirei as primeiras. É que depois de ouvir Pollini nas últimas Sonatas não tem mais jeito. Mas Foldes foi um monstro!

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano

CD 1
1 Piano Sonata No.8 in C minor, Op.13 -“Pathétique”: 1. Grave – Allegro di molto e con brio
2 Piano Sonata No.8 in C minor, Op.13 -“Pathétique”: 2. Adagio cantabile
3 Piano Sonata No.8 in C minor, Op.13 -“Pathétique”: 3. Rondo (Allegro)

4 Piano Sonata No.15 In D, Op.28 -“Pastorale”: 1. Allegro
5 Piano Sonata No.15 In D, Op.28 -“Pastorale”: 2. Andante
6 Piano Sonata No.15 In D, Op.28 -“Pastorale”: 3. Scherzo. Allegro vivace
7 Piano Sonata No.15 In D, Op.28 -“Pastorale”: 4. Rondo. Allegro ma non troppo

8 Piano Sonata No.17 In D Minor, Op.31 No.2 -“Tempest”: 1. Largo – Allegro
9 Piano Sonata No.17 In D Minor, Op.31 No.2 -“Tempest”: 2. Adagio
10 Piano Sonata No.17 In D Minor, Op.31 No.2 -“Tempest”: 3. Allegretto

11 Piano Sonata No.21 in C, Op.53 -“Waldstein”: 1. Allegro con brio
12 Piano Sonata No.21 in C, Op.53 -“Waldstein”: 2. Introduzione (Adagio molto)
13 Piano Sonata No.21 in C, Op.53 -“Waldstein”: 3. Rondo (Allegretto moderato – Prestissimo)

CD2
1 Piano Sonata No.23 in F minor, Op.57 -“Appassionata”: 1. Allegro assai
2 Piano Sonata No.23 in F minor, Op.57 -“Appassionata”: 2. Andante con moto
3 Piano Sonata No.23 in F minor, Op.57 -“Appassionata”: 3. Allegro ma non troppo

4 Piano Sonata No.26 In E Flat, Op.81a -“Les adieux”: 1. Das Lebewohl (Adagio – Allegro)
5 Piano Sonata No.26 In E Flat, Op.81a -“Les adieux”: 2. Abwesenheit (Andante espressivo)
6 Piano Sonata No.26 In E Flat, Op.81a -“Les adieux”: 3. Das Wiedersehen (Vivacissimamente)

7 Piano Sonata No.28 in A, Op.101: 1. Etwas lebhaft und mit der innigsten Empfindung (Allegretto ma non troppo)
8 Piano Sonata No.28 in A, Op.101: 2. Lebhaft, marschmäßig (Vivace alla marcia)
9 Piano Sonata No.28 in A, Op.101: 3. Langsam und sehnsuchtsvoll (Adagio ma non troppo, con affetto)
10 Piano Sonata No.28 in A, Op.101: 4. Geschwind, doch nicht zu sehr und mit Entschlossen- heit (Allegro)

11 Piano Sonata No.30 in E, Op.109: 1. Vivace, ma non troppo – Adagio espressivo – Tempo I
12 Piano Sonata No.30 in E, Op.109: 2. Prestissimo
13 Piano Sonata No.30 in E, Op.109: 3. Gesangvoll, mit innigster Empfindung (Andante molto cantabile ed espressivo)

Andor Foldes, piano

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Grande Foldes!!!
Grande Foldes!!!

PQP

Shostakovich (1906-1975): Symphony No. 10 / Wagner (1813-1883): Prelude & Liebestod from Tristan und Isolde

Shostakovich (1906-1975): Symphony No. 10 / Wagner (1813-1883): Prelude & Liebestod from Tristan und Isolde

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IM-PER-DÍ-VEL !!!

Eu tinha 16 anos e simplesmente precisava ouvir a Sinfonia Nº 10 de Shostakovich. Era o inverno de 1973. Como o PQP Bach não existia, escrevi uma carta — sim, papel, correio, envelope — para a Rádio da Universidade, dirigida ao programa Atendendo o Ouvinte. Duas semanas depois, pude ouvir esta maravilha. E ouvi exatamente esta legendária gravação de Mravinsky com a espetacular orquestra de Leningrado. Mrava e Shosta foram grandes colaboradores até a 13ª Sinfonia, quando o primeiro teve medo de regê-la. Sim, vá pesquisar!

Eu não sabia que o Allegro da décima era “dedicado” a Stalin, que morrera um ano antes após torturar minuciosamente Shostakovich e nem da sequência de notas D-S-C-H, apresentadas pela primeira vez no Allegretto e que eram uma afirmação do compositor: eu ainda estou aqui. A décima é uma obra genial e pessoalíssima, que todos devem conhecer.

O Wagner é uma bela sobremesa com espresso.

Symphony No. 10 in E minor, Op. 93
1 Moderato 22:03
2 Allegro 3:59
3 Allegretto 10:56
4 Andante – Allegro 11:07

Tristan und Isolde, opera, WWV 90
5 Prelude & Liebestod

Leningrad Philharmonic Orchestra
Evgeny Mravinsky

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Mravinsky: fera
Mravinsky: fera

PQP

.: interlúdio :. Chick Corea ‎– My Spanish Heart

.: interlúdio :. Chick Corea ‎– My Spanish Heart

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este disco me foi apresentado por um amigo no início dos anos 80. Adorei, curti, ouvi muito, nossa, mas acho que fazia uns 20 anos que não o fazia. Peguei o vinil hoje e vi quão anos 70 ele é. Uma confusão de gêneros e uma instrumentação que jamais Corea utilizaria se fossem outros os tempos, só que há um talento e uma juventude embutidos nele que o torna uma obra-prima daquelas indiscutíveis. O pianista, compositor e arranjador Chick Corea é mais conhecido por seus grupos de fusion Return to Forever e Chick Corea’s Elektrik Band, mas tem um pé na salsa que tocava com Mongo Santamaria no início de carreira. Se o jazz norte-americano é óbvio e principal ao longo de sua carreira, seu interesse pelo derramamento lírico espanhol também é. Este ambicioso trabalho — disco do ano de 1976 em quase todas as publicações — traz boa parte da herança cultural de sua família. além de ser uma reminiscência da colaboração entre Miles Davis e Gil Evans em Sketches of Spain e da pesquisa de Charles Mingus em Tijuana Moods. Já postamos estas duas outras obras-primas?

Chick Corea ‎– My Spanish Heart

1 Love Castle 4:46
2 The Gardens 3:12
3 Day Danse 4:27
4 My Spanish Heart 1:38
5 Night Streets 6:02
6 The Hilltop 6:16
7 The Sky 4:58
8 Wind Danse 4:55
9 Armando’s Rhumba 5:19
10 Prelude To El Bozo 1:34
11 El Bozo, Part I 2:52
12 El Bozo, Part II 2:04
13 El Bozo, Part III 4:59
14 Spanish Fantasy, Part I 6:06
15 Spanish Fantasy, Part II 5:15
16 Spanish Fantasy, Part III 3:06
17 Spanish Fantasy, Part IV 5:06
18 The Clouds 4:33

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O meu vinil fazendo pose para vocês
O meu vinil fazendo pose para vocês

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concerto para Violino Nº 1 / Alexander Glazunov (1865-1936): Concerto para Violino, Op.82

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concerto para Violino Nº 1 / Alexander Glazunov (1865-1936): Concerto para Violino, Op.82

A escocesa Nicola Benedetti (sim, escocesa) faz parte daquele time de instrumentistas que aposta na beleza. Mas nem precisaria. Ela é muito boa violinista. Antes, ela tinha gravado o difícil Concerto de Szymanowski e agora demonstra novamente que não tem medo de desafios. Sua gravação do ultra-exigente Concerto para Violino Nº 1 de Shosta, aqui junto do Concerto para Violino de Glazunov, maravilhosamente outonal, é boa. Ela tem técnica soberba, mas faltou-lhe maturidade para encarar Shostakovich. Este Concerto alterna momentos de profunda melancolia com episódios rápidos que trazem a marca única da ironia do compositor. Ainda ficamos com clássica gravação dos deuses David Oistrakh, com regência de Dmitri Mitropoulos e a Filarmônica de Nova Iorque, ou com a dupla Mullova-Previn. Mas quem não conhece o Concerto de Shosta deve ouvir esta gravação. Benedetti não tem culpa por Oistrakh e Mullova. A menina de 29 anos é ótima!

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concerto para Violino Nº 1 / Alexander Glazunov (1865-1936): Concerto para Violino, Op.82

Shostakovich Violin Concerto No.1 In A Minor, Op.99 (Formerly Op.77)
01. 1. Nocturne (Moderato)
02. 2. Scherzo (Allegro)
03. 3. Passacaglia (Andante)
04. 3a Cadenza
05. 4. Burlesque (Allegro con brio – Presto)

Glazunov Violin Concerto In A Minor, Op.82
06. 1. Moderato
07. 2. Andante
08. 3. Allegro

Nicola Benedetti, violino
Bournemouth Symphony Orchestra
Kirill Karabits

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Nicola Benedetti
Nicola Benedetti

PQP

Camille Saint-Säens (1835-1921): Sinfonia nº 3 “do Órgão” / Symphony in A major / Le rouet d’Omphale

Camille Saint-Säens (1835-1921): Sinfonia nº 3 “do Órgão” / Symphony in A major /  Le rouet d’Omphale

Não dá para falar mal do altamente erudito e grande viajante tiozão que CS-S foi. Imaginem que ele tinha impulsos súbitos de viajar (wanderlust) e ia para os lugares mais malucos de um dia para outro, isso numa época em que fazê-lo era complicado. Ele conheceu o Sri Lanka, a Indochina, o Egito e lugares tão exóticos e bisonhos quanto Rio de Janeiro e São Paulo! E isso em 1899! Pior, vocês não acreditar, mas ele foi aos Estados Unidos! Morreu em Argel numa dessas viagens. A Sinfonia do Órgão é sensacional — o tema final é o de Babe, o porquinho atrapalhado, lembram? –, a interpretação dos suecos é notável, mas o mesmo não se pode dizer do restante do CD, que é apenas mais ou menos em razão de Saint-Saens estar pensando em seu próximo destino..

Camille Saint-Säens (1835-1921): Sinfonia nº 3 “do Órgão” / Symphony in A major / Le rouet d’Omphale

Sinfonia nº 3 “do Órgão”
01. I. Adagio – Allegro moderato
02. I. Poco adagio
03. II. Allegro moderato – Presto –
04. II. Maestoso – Allegro

Symphony in A major
05. I. Poco adagio – Allegro vivace
06. II. Larghetto
07. III. Scherzo Allegro vivace
08. IV. Allegro molto – Presto

Le rouet d’Omphale, Op. 31
09. Le rouet d’Omphale, Op. 31

Carl Adam Landström, órgão
Malmo Symphony Orchestra
Marc Soustrot

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Camille Saint-Saens: "Me convidem que estou com o pé que é um leque"
Camille Saint-Saens: “Me convidem que estou com o pé que é um leque”

PQP

Vários compositores: Piano Rarities · Vol. 1 Transcriptions

Vários compositores: Piano Rarities · Vol. 1 Transcriptions

Um disco gentil e agradável. Nada demais, mas também nada indigno. Chama a atenção, é claro, as transcrições para piano do lied An Sylvia, de Schubert, e do Adagietto da Quinta Sinfonia de Mahler. Cyprien Katsaris é um virtuose daqueles que fazem uma brilhatura e sorriem. Ele ama transcrições, tanto que já gravou a integral das Sinfonias de Beethoven transcritas por Liszt. Mas sua maior aventura foi ter gravado uma rara versão para piano de A Canção da Terra, de Gustav Mahler com Brigitte Fassbaender e Thomas Moser. Em registros mais sérios, está gravando todos os Concertos para Piano de Mozart. Olha, com o espírito que ambos têm, Mozart e Katsaris, acho que deve ser uma boa ouvir. É um sujeito peculiar esse pianista.

Vários compositores: Piano Rarities · Vol. 1 Transcriptions

1 Fritz Kreisler (1875-1962) · Praeludium and Allegro in the style of Pugnani
2 Robert Schumann (1810-1856) · MondNacht, op. 39 no. 5
3 Franz Schubert (1797-1828) · Gesang (An Sylvia), op. 106 no. 4, D. 891
4 Richard Wagner (1813-1883) · Der Engel (no. 1 from Wesendonck-Lieder)
5 Richard Strauss (1864-1949) · Zueignung, op. 10 no. 1
6 Gustav Mahler (1860-1911) · Adagietto (from Symphony no. 5)
7 Federico Mompou (1893-1987) · Damunt de tu només les flors
8 Francisco Táregga (1852-1909) · Recuerdos de la Alhambra
9 Agustín Barrios Mangoré (1885-1944) · Chôro Da Saudade
10 Georges Bizet (1838-1875) · Adieux de l’Hôtesse arabe
11 Gabriel Fauré (1845-1924) · Nell, op. 18 no. 1
12 Léo Delibes (1836-1891) · Valse (from Coppélia ou la Fille aux yeux d’émail)
13 Stanislaw Moniuszko (1819-1872) · Gwiazdka
14 Sergei Rachmaninov (1873-1943) · Vocalise
15 Reinhold Glière (1875-1956) · Valse (from The Bronze Horseman)

Cyprien Katsaris, piano

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Cyprien Katsaris: a cara deste CD
Cyprien Katsaris: a cara deste CD

PQP

J. S. Bach (1685-1750): Variações Goldberg / Keith Jarrett

J. S. Bach (1685-1750): Variações Goldberg / Keith Jarrett

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Esta é 13ª gravação das Variações Goldberg que postamos aqui no PQP Bach. E aqui não há nenhuma derrapada (ver post anterior). Temos uma grande Goldberg! O registro de Jarrett pode estar abaixo do Grande Campeão Pierre Hantaï, de Gustav Leonhardt e das célebres gravações de Glenn Gould, mas está à frente de muita gente boa. Alguém com a técnica, a inteligência musical e sensibilidade de Jarrett não decepcionaria numa obra tão fundamental do repertório barroco. Com ornamentações contidas e algumas surpresas que remetem à gravação de Karl Richter, que não tenho em CD, só em vinil, Jarrett enfrenta as Goldberg com grande categoria. E no cravo.

Nosso fiel ouvinte-leitor FM, o número 7, completa:

Tem uma claridade sonora muito interessante, é super-preciso e com uns ornamentos bem colocados. Cadências fortes, bem fluidas, bem marcadas.

Acho que a principal marca que o KJ leva do piano jazz para o Bach é a consistência do andamento.

J. S. Bach (1685-1750): Variações Goldberg

1. Goldberg-Variationen – Aria 2:36
2. Goldberg-Variationen – Variatio 1 a 1 Clav. 1:17
3. Goldberg-Variationen – Variatio 2 a 1 Clav. 2:17
4. Goldberg-Variationen – Variatio 3 Canone all’Unisono. a 1 Clav. 2:43
5. Goldberg-Variationen – Variatio 4 a 1 Clav. 1:19
6. Goldberg-Variationen – Variatio 5 a 1 ovvero 2 Clav. 1:05
7. Goldberg-Variationen – Variatio 6 Canone alla Seconda. a 1 Clav. 1:42
8. Goldberg-Variationen – Variatio 7 a 1 ovvero 2 Clav. Al tempo di Giga 1:11
9. Goldberg-Variationen – Variatio 8 a 2 Clav. 1:12
10. Goldberg-Variationen – Variatio 9 Canone alla Terza. a 1 Clav. 2:23
11. Goldberg-Variationen – Variatio 10 Fughetta. a 1 Clav. 1:05
12. Goldberg-Variationen – Variatio 11 a 2 Clav. 1:24
13. Goldberg-Variationen – Variatio 12 Canone alla Quarta. (a 1 Clav.) 1:47
14. Goldberg-Variationen – Variatio 13 a 2 Clav. 2:57
15. Goldberg-Variationen – Variatio 14 a 2 Clav. 1:19
16. Goldberg-Variationen – Variatio 15 Canone alla Quinta. a 1 Clav. Andante 2:07
17. Goldberg-Variationen – Variatio 16 Ouverture. a 1 Clav. 3:10
18. Goldberg-Variationen – Variatio 17 a 2 Clav. 1:16
19. Goldberg-Variationen – Variatio 18 Canone alla Sesta. a 1 Clav. 0:55
20. Goldberg-Variationen – Variatio 19 a 1 Clav. 0:49
21. Goldberg-Variationen – Variatio 20 a 2 Clav. 1:14
22. Goldberg-Variationen – Variatio 21 Canone alla Settima. (a 1 Clav.) 2:58
23. Goldberg-Variationen – Variatio 22 a 1 Clav. Alla breve 0:53
24. Goldberg-Variationen – Variatio 23 a 2 Clav. 1:15
25. Goldberg-Variationen – Variatio 24 Canone all’Ottava. a 1 Clav. 1:44
26. Goldberg-Variationen – Variatio 25 a 2 Clav. Adagio 7:20
27. Goldberg-Variationen – Variatio 26 a 2 Clav. 1:18
28. Goldberg-Variationen – Variatio 27 Canone alla Nona. a 2 Clav. 1:22
29. Goldberg-Variationen – Variatio 28 a 2 Clav. 1:23
30. Goldberg-Variationen – Variatio 29 a 1 ovvero 2 Clav. 2:35
31. Goldberg-Variationen – Variatio 30 Quodlibet. a 1 Clav. 2:09
32. Goldberg-Variationen – Aria 2:34

Keith Jarrett, cravo

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Keith Jarrett à vontade no cravo
Keith Jarrett à vontade no cravo

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Robert Schumann (1810-1856): The Violin Sonatas

Robert Schumann (1810-1856): The Violin Sonatas

Um excelente disco! Nestas sonatas, parece que Schumann esqueceu um pouco do piano e escreveu música para um instrumento de cordas, não para algo próximo do piano. Explico: suas sinfonias têm fraseados e estilos pianísticos, coisa inadequada e desconfortável para a orquestra. Nas sinfonias, ele escrevia para orquestra, mas ouvia um piano… A violinista alemã Widmann e o pianista húngaro Varjon demonstram notável entendimento e musicalidade. Para meu gosto, a Sonata Nº 2 fica muito acima das outras, com um primeiro e terceiro movimentos de arrancar nosso coração. É puro romantismo na veia, véio.

Robert Schumann (1810-1856): The Violin Sonatas

Sonata no.1 for Violin and Piano in A minor, Op.105
1. Mit leidenschaftlichem Ausdruck 8:03
2. Allegretto 3:54
3. 3. Lebhaft 5:37

Sonata for Violin and Pianoforte in A Minor, WoO 2
4. I. Ziemlich langsam – (Lebhaft) 7:15
5. II. Intermezzo. Bewegt, doch nicht zu schnell 3:14
6. III. Lebhaft 3:14
7. IV. Finale. Markiertes, ziemlich lebhaftes Tempo 6:31

Sonata no.2 for Violin and Piano in D minor, op.121
8. I. Ziemlich langsam – Lebhaft 13:43
9. II. Sehr lebhaft 4:08
10. III. Leise, einfach 6:32
11. IV. Bewegt 9:31

Carolin Widmann, violino
Dénes Varjon, piano

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A excelente Carolin Widmann
A excelente Carolin Widmann

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Shostakovich / Prokofiev: Concertos para Violino

Shostakovich / Prokofiev: Concertos para Violino

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um CD espetacular. O dilacerante Concerto Nº 1 para Violino e Orquestra de Shosta e o belíssimo Concerto Nº 2 de Prokofiev com solos de Viktoria Mullova. Ou seja, é uma espécie de The best of the best gravada em 1989. Três russos da gema, por assim dizer. Shostakovich e Prokofiev viveram durante o auge da União Soviética, que era tão paranoica que controlava compositores e sua música. Shostakovich foi criticado na imprensa nacional e formalmente censurado várias vezes na União Soviética, o que significava que suas obras não poderiam ser tocadas em público, seus baixos rendimentos foram reduzidos, e ele foi forçado a pedir desculpas publicamente. Serge Prokofiev deixou a Rússia antes de se tornar URSS e viveu nos EUA e na Europa, mas voltou para o seu país natal justo quando a URSS estava reprimindo os artistas, exigindo obediência e fidelidade. Viktoria Mullova, por outro lado, nasceu perto de Moscou, e como um jovem violinista globetrotter, já teve outra vida. E quanto talento havia e há nesses três! Disco sensacional!

Shostakovich / Prokofiev: Concertos para Violino

Dmitri Shostakovich – Violin Concerto No. 1 In A Minor, Op. 99
1 Nocturne (Moderato) 10:50
2 Scherzo (Allegro) 6:25
3 Passacaglia (Andante) 11:47
4 Burlesque (Allegro Con Brio – Presto) 4:43

Serge Prokofiev – Violin Concerto No. 2 In G Minor, Op. 63
5 Allegro Moderato 10:39
6 Andante Assai 9:43
7 Allegro, Ben Marcato 6:18

Viktoria Mullova, violino
Royal Philharmonic Orchestra
André Previn

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Na boa, com Mullova, são diminutas as chances de Previn sair na foto.
Na boa, com Mullova, são diminutas as chances de Previn sair na foto.

PQP

Brahms / Schubert: Sonatas para Violoncelo

Brahms / Schubert: Sonatas para Violoncelo

A violoncelista não é um Lynn Harrel e nem o pianista é um Ashkenazy, também não são Rostropovich e Serkin (nas Sonatas de Brahms, lembram?), nem Rostropovich e Britten (na Arpeggione), mas vá lá, porque o repertório é absolutamente esplêndido. Estas são Sonatas que estão no centro do repertório camarístico do violoncelo. Trazem extraordinária beleza, romantismo, lirismo, danças, agressividade, tudo. As duas Sonatas de Brahms são extraordinárias em seus temas e estruturas. Já a Arpeggione é o Schubert que canta, canta e canta. A violoncelista Chiesa parece saiu-se melhor no Schubert, mais italiano, mas não decepciona no Brahms, não.

Brahms / Schubert: Sonatas para Violoncelo

Johannes Brahms
Sonata for Cello and Piano No.1 in E minor, Op.38
1. I – Allegro non troppo
2. II – Allegretto quasi Menuetto
3. III – Allegro

Sonata for Cello and Piano No.2 in F, Op.99
4. I. Allegro vivace
5. II. Adagio affettuoso
6. III. Allegro passionato
7. IV. Allegro molto

Franz Schubert
Sonata for Arpeggione and Piano in A minor, D.821
5. I. Allegro moderato 11:42
6. II. Adagio – 4:10
7. III. Allegretto 8:45

Silvia Chiesa, cello
Maurizio Baglini, piano

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Brahms

PQP

J. S. Bach (1685-1750): Variações Goldberg

J. S. Bach (1685-1750): Variações Goldberg

Já postei mais de dez versões das Goldberg nos últimos anos e não me canso de fazê-lo. Simone Dinnerstein (1972) é uma pianista norte-americana. Ele se tornou célebre, tanto crítica  quanto comercialmente, com esta gravação autofinanciada das Variações Goldberg, de 2007. Esta versão, poética e pessoal demais, talvez não seja a melhor porta de entrada para a obra, mas é um biscoito fino para conhecedores e bom assunto para brigas intermináveis. O grande problema está justamente no coração das Goldberg, a Variação 25, que Dinnerstein transforma numa pavana sem maior significado ou profundidade. É uma redução chocante que tem de ser compensada pela delicadeza do conjunto. Ouçam e julguem!

J. S. Bach (1685-1750): Variações Goldberg

1. Goldberg Variations: Aria – Goldberg Variations: Aria 5:39
2. Goldberg Variations: Variation 1 – Goldberg Variations: Variation 1 1:47
3. Goldberg Variations: Variation 2 – Goldberg Variations: Variation 2 2:35
4. Goldberg Variations: Variation 3 (Canone all’Unisono) – Goldberg Variations: Variation 3 (Canone all’Unisono) 3:24
5. Goldberg Variations: Variation 4 – Goldberg Variations: Variation 4 1:10
6. Goldberg Variations: Variation 5 – Goldberg Variations: Variation 5 1:23
7. Goldberg Variations: Variation 6 (Canone alla Seconda) – Goldberg Variations: Variation 6 (Canone alla Seconda) 1:22
8. Goldberg Variations: Variation 7 – Goldberg Variations: Variation 7 2:32
9. Goldberg Variations: Variation 8 – Goldberg Variations: Variation 8 1:53
10. Goldberg Variations: Variation 9 (Canone alla Terza) – Goldberg Variations: Variation 9 (Canone alla Terza) 1:53
11. Goldberg Variations: Variation 10 (Fughetta) – Goldberg Variations: Variation 10 (Fughetta) 1:31
12. Goldberg Variations: Variation 11 – Goldberg Variations: Variation 11 1:58
13. Goldberg Variations: Variation 12 (Canone alla Quarta) – Goldberg Variations: Variation 12 (Canone alla Quarta) 2:59
14. Goldberg Variations: Variation 13 – Goldberg Variations: Variation 13 5:15
15. Goldberg Variations: Variation 14 – Goldberg Variations: Variation 14 2:02
16. Goldberg Variations: Variation 15 (Canone alla Quinta) – Goldberg Variations: Variation 15 (Canone alla Quinta) 2:54
17. Goldberg Variations: Variation 16 – Goldberg Variations: Variation 16 1:59
18. Goldberg Variations: Variation 17 – Goldberg Variations: Variation 17 1:36
19. Goldberg Variations: Variation 18 (Canone alla Sesta) – Goldberg Variations: Variation 18 (Canone alla Sesta) 1:36
20. Goldberg Variations: Variation 19 – Goldberg Variations: Variation 19 1:49
21. Variation 20 – Goldberg Variations: Variation 20 1:48
22. Goldberg Variations: Variation 21 (Canone alla Settima) – Goldberg Variations: Variation 21 (Canone alla Settima) 4:20
23. Goldberg Variations: Variation 22 – Goldberg Variations: Variation 22 2:26
24. Goldberg Variations: Variation 23 – Goldberg Variations: Variation 23 1:58
25. Goldberg Variations: Variation 24 (Canone all’Ottava) – Goldberg Variations: Variation 24 (Canone all’Ottava) 2:15
26. Goldberg Variations: Variation 25 – Goldberg Variations: Variation 25 4:38
27. Goldberg Variations: Variation 26 – Goldberg Variations: Variation 26 1:44
28. Goldberg Variations: Variation 27 (Canone alla Nona) – Goldberg Variations: Variation 27 (Canone alla Nona) 2:05
29. Goldberg Variations: Variation 28 – Goldberg Variations: Variation 28 1:45
30. Goldberg Variations: Variation 29 – Goldberg Variations: Variation 29 2:17
31. Goldberg Variations: Variation 30 (Quodlibet) – Goldberg Variations: Variation 30 (Quodlibet) 2:00
32. Goldberg Variations: Aria – Goldberg Variations: Aria 3:29

Simone Dinnerstein, piano

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Simone Dinnerstein: grave acidente no Km 25
Simone Dinnerstein: grave acidente no Km 25

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Béla Bartók, Peter Eötvös e György Ligeti: Concertos para Violino e Orquestra

Béla Bartók, Peter Eötvös e György Ligeti: Concertos para Violino e Orquestra

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este CD duplo recebeu o Prêmio de Gravação do Ano de 2013 da Revista Gramophone. E, olha, é bom demais mesmo.

Patricia Kopatchinskaja nasceu em 1977 na Moldávia. Aqui, ela executa três concertos de primeira linha de compositores nascidos ali do lado, na Hungria, mais exatamente na Transilvânia, com um brio e um elã que vou lhes contar. Ou não, melhor vocês ouvirem. Não nego a importância da orquestra regida por Peter Eötvös, mas o destaque é o desempenho de — diga rápido! — Kopatchinskaja. Ela tem fantasia e fluidez ímpares. E mais não escrevo.

E o Concerto de Bartók? Uma obra-prima indiscutível, né?

Bela Bartók, Peter Eötvös e György Ligeti: Concertos para Violino e Orquestra

Bartók: Violin Concerto No. 2, Sz 112
1 Violin Concerto N°2: I. (Allegro non troppo) 16:57
2 Violin Concerto N°2: II. (Andante tranquillo) 10:01
3 Violin Concerto N°2: III. (Allegro molto) 12:07

Peter Eötvös: Seven
4 Seven: I. (First Cadenza) 1:29
5 Seven: II. (Second Cadenza) 0:47
6 Seven: III. (Third Cadenza) 2:55
7 Seven: IV. (Fourth Cadenza) 5:44
8 Seven: V. (Part II) 12:02

Ligeti: Violin Concerto
1 Violin concerto: I. (Praeludium: Vivacissimo luminoso) 3:57
2 Violin concerto: II. (Aria – Hoquetus – Choral: Andante con moto) 7:13
3 Violin concerto: III. (Intermezzo: Presto fluido) 2:24
4 Violin concerto: IV. (Passacaglia: Lento intenso) 7:06
5 Violin concerto: V. (Appassionato: Agitato molto) 7:05

Patricia Kopatchinskaja, violino
Frankfurt Radio Symphony Orchestra
Ensemble Modern (no Ligeti)
Peter Eötvös

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Patricia Kopatchinskaja: gênia total
Patricia Kopatchinskaja: gênia total

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Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para Violino, Op. 61 / Romances

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para Violino, Op. 61 / Romances

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Posso ser polêmico? Pois, para mim, esta gravação ao vivo é a melhor deste célebre concerto. Mas talvez não deva ser a primeira versão a ser ouvida por um jovem ouvinte. A interpretação pessoalíssima vem de uma Mutter madura e ousada, que tem desagradado os conservadores em função da “jazzificação” de seus solos. Sim, sua interpretação desta grande obra-prima está a léguas da ortodoxia. Eu entendo essas pessoas em seu desconforto. Elas querem mais do mesmo e cada vez mais perfeito, tudo bem longe de quaisquer riscos. Aí aparece Mutter e vira tudo de cabeça para baixo. E tais ouvintes parecem não captar a diferença entre uma improvisação altamente artística e a vulgaridade. Beethoven era uma alma romântica presa em uma moldura clássica e, se voltasse hoje, acho que adoraria ouvir as improvisações da genial Mutter. O que Mutter fez foi projetar uma peça de música celestial para a paisagem onde nós, mortais, vivemos. Sou muito grato.

Beethoven: Violin Concerto In D, Op.61
1 Allegro ma non troppo – Cadenza: Fritz Kreisler 27:08
2 Larghetto 10:58
3 Rondo. Allegro (Cadenza: Fritz Kreisler) 10:10

4 Beethoven: Violin Romance No.1 In G Major, Op.40 7:10
5 Beethoven: Violin Romance No.2 In F Major, Op.50 8:22

Anne-Sophie Mutter
New York Philharmonic
Kurt Masur

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Anne Sophie Mutter, muito obrigado.
Anne Sophie Mutter, muito obrigado.

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Dmitri Shostakovich (1906-1975): Piano Concertos Nos. 1 & 2, Cello Concerto No. 1

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Piano Concertos Nos. 1 & 2, Cello Concerto No. 1

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um disco de gravações antigas e muito boas. Shostakovich escreveu o seu segundo concerto para piano para seu filho Maximilian em meio a uma enorme sensação de alívio com a morte de Stalin. O movimento lento é sem dúvida um dos mais belos já escritos para o piano — maravilhosamente romântico, nada sentimental. Os primeiro e terceiro movimentos são de pura alegria para o solista e a orquestra. Difícil ficar parado com eles. Bernstein sola e rege. Um espanto.

O concerto primeiro para piano é um Shosta absolutamente sarcástico. Já vimos tanta gente sofrendo com ele em Porto Alegre que é uma alegria ver Previn tirando um sarro. Para ser irônico e debochado na música há que saber ser deste modo na vida, creio. Os últimos fiascos deste concerto em Porto Alegre foram constrangedores. Não me refiro à boa versão de Catarina Domenici, mas àqueles meninos simples que o tocaram no Theatro São Pedro nos últimos anos. Um deles foi este ano. O outro suava horrivelmente e errava mais e mais. Eu, que amo Shosta e penso que a tortura seja crime hediondo, fiquei nervosíssimo. E o maestro ainda chamou um bis do movimento final!

O concerto para violoncelo é uma das grandes obras para esse instrumento. É a única gravação digital do CD. Yo-Yo Ma está soberbo. Sua cadenza são dez sessões psiquiátricas a menos para pagar, chega a ser uma perversão. É uma versão de absurda beleza e fidelidade ao espírito do russo. Destaque para o sensacional trompista.

Um disco deslumbrante.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Piano Concertos Nos. 1 & 2, Cello Concerto No. 1

Concerto No. 1 for Piano and Orchestra, Op. 35
1 I – Allegretto – Allegro Vivace 5:54
2 II – Lento 7:45
3 III – Moderato 1:57
4 IV – Allegro Con Brio 6:26

Conductor – Leonard Bernstein
Orchestra – The New York Philharmonic Orchestra
Piano – André Previn
Trumpet – William Vacchiano

Concerto No. 2 for Piano and Orchestra No. 2, Op. 102
5 I – Allegro 7:08
6 II – Andante 6:36
7 III – Allegro 5:24

Orchestra – The New York Philharmonic Orchestra
Piano, Conductor – Leonard Bernstein

Concerto No. 1 in E-flat Major for Cello and Orchestra, Op. 107
8 I Allegretto 6:17
9 II – Moderato 11:06
10 III – Cadenza 5:24
11 IV – Allegro Con Moto 4:40

Cello – Yo-Yo Ma
Conductor – Eugene Ormandy
Orchestra – The Philadelphia Orchestra

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Yo-Yo Ma: economia no psiquiatra
Yo-Yo Ma: economia no psiquiatra

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Tchaikovsky (1840-1893): Concerto para Violino, Op. 35 / Sibelius (1865-1957): Concerto para Violino, Op. 47

Tchaikovsky (1840-1893): Concerto para Violino, Op. 35 / Sibelius (1865-1957): Concerto para Violino, Op. 47

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Primeiro: estes concertos fazem parte daquilo que é imprescindível conhecer em música erudita. Os Concertos para Violino e Orquestra de Tchai e Sibelius fazem parte do repertório básico e ponto. São obras de primeiríssima linha. Segundo: Viktoria Mullova e Seiji Ozawa sempre serão referência. Então…

O disco é realmente um primor. Mullova e Ozawa estavam em seus auges e é ocioso encher este disco de elogios. Ouçam e fim. Beijos.

(O pequepiano RN completa nos comentários: “Uma curiosidade:este disco de 1985 foi o primeiro que a violinista gravou após a sua fuga da Rússia em 1983”.)

Tchaikovsky (1840-1893): Concerto para Violino, Op. 35 / Sibelius (1865-1957): Concerto para Violino, Op. 47

Tchaikovsky – Violin Concerto in D, Op. 35
01. I Allegro moderato
02. II Canzonetta
03. III Finale

Sibelius – Violin Concerto in D minor, Op. 47
04. I Allegro moderato
05. II Adagio di molto
06. III Allegro ma non tanto

Victoria Mullova, violino
Boston Symphony Orchestra
Seiji Ozawa

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Mullova, que não gosta?
Mullova, quem não gosta?

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Béla Bartók (1881-1945): Concerto para Orquestra + Suíte de Danças + Música para Cordas, Percussão e Celesta (com Solti)

Béla Bartók (1881-1945): Concerto para Orquestra + Suíte de Danças + Música para Cordas, Percussão e Celesta (com Solti)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Para mim, mais do que a variedade, a grande qualidade deste blog (entre tantas!) é nos dar a possibilidade de comparar diferentes interpretações, diferentes olhares sobre as mesmas obras.

Do ouvinte-leitor Martini

Obrigado, Martini.

Afinal, peguemos como exemplo a Chacona de Bach: a música partiu da imaginação de meu pai para o violino (1), no qual foi “testada”, e daí para o papel (2). Anos depois, foi copiada (3) e publicada (4). Hoje, o violinista lê a Chacona (5) e de seus olhos passa aquela música para o violino (6). Do violino a música chega ao ouvinte (7). Quando colocamos um CD, temos de acrescentar ainda um engenheiro de som (7) para só então podermos nos desminliguir com a música (8). Na variação entre estas passagens, leituras, comunicações, etc. está o que tanto nos compraz: a infindável diversidade das interpretações. Há mais: E a qualidade do violino? E se ele for um instrumento original barroco? E se for moderno? E o calibre do violinista? E seu senso de estilo e vivência? Não acaba mais!

É nesta série de diálogos e comunicações que está uma infindável fonte de diversão e reflexão. Mas voltemos a nosso amigo Bartók.

Como vocês viram, nós demos uma chance àquele menino Celibache. Quem pensou que a gravação de Celi não poderia ser superada talvez tome um susto com este petardo desferido por Sir Georg Solti (1912-1997), nascido em Budapeste, aliás. Para melhorar a coisa, a DG ainda acrescentou ao CD a Suíte de Danças e a Música para Cordas, Percussão e Celesta. A orquestra de Chicago tem tão bons instrumentistas em seu naipe de metais que… Olha, não vou dar a bunda praqueles negões (até por não ser meu estilo), mas que eles são bons pra caralho, são.

Ah, virão mais Concertos para Orquestra por aí…

Vamos a mais um pouco da vida de Bartók? Roubei daqui, ó.

A partir de 1907, Bartók assumiu a cadeira de professor de piano da Real Academia de Música de Budapest, onde lecionaria por trinta anos. Além de compositor, foi um magnífico pianista, sendo considerado um virtuose.

O legado musical de Béla Bártok é bastante diversificado, bem como seu estilo. A partir de 1905 ele começou a exorcizar as influências românticas de Wagner, Brahms, Liszt e Strauss e mergulhou no mundo dos sons das músicas folclóricas. Em 1911 ele escreveu sua única ópera em um ato, o Castelo do duque Barba Azul, seguida de dois balés, O príncipe de madeira e O mandarim miraculoso. Sua concepção de música nacionalista húngara está presente na ópera Barba Azul; esta e Pelléas et Mélisande de Debussy são consideradas as mais impressionantes óperas escritas no início do século XX.

No outono de 1940, Bartók e sua esposa migraram para os Estados Unidos, fugindo do regime nazista. Sua fama já era internacional, e entre suas várias obras, se destacavam os Seis quartetos para cordas, os dois primeiros Concertos para piano, o Concerto nº2 para violino e orquestra, além de várias bagatelas, suítes, e estudos para piano, com destaque para as improvisações sobre Canções Húngaras de Camponeses.

Assim que chegou aos Estados Unidos, Bartók sentiu-se só e abandonado, vivendo em um país de sociedade e língua diferente. Foram anos difíceis de penúria, quando ele e sua família sobreviveram graças às aulas de piano e à regência de alguns concertos. Em fevereiro de 1943, Bartók enfrentou seu pior momento: sofreu um colapso e foi hospitalizado, sendo diagnosticada uma leucemia.

Béla Bartók (1881-1945): Concerto para Orquestra + Suíte de Danças + Música para Cordas, Percussão e Celesta

1. Concerto for Orchestra, Sz. 116 – 1. Introduzione (Andante non troppo – Allegro vivace 9:06
2. Concerto for Orchestra, Sz. 116 – 2. Giuoco della coppie (Allegretto scherzando) 6:11
3. Concerto for Orchestra, Sz. 116 – 3. Elegia (Andante, non troppo) 6:33
4. Concerto for Orchestra, Sz. 116 – 4. Intermezzo interrotto (Allegretto) 4:03
5. Concerto for Orchestra, Sz. 116 – 5. Finale (Pesante – Presto) 9:32

6. Dance Suite, Sz. 77 – 1. Moderato 3:30
7. Dance Suite, Sz. 77 – 2. Allegro molto 2:12
8. Dance Suite, Sz. 77 – 3. Allegro vivace 2:43
9. Dance Suite, Sz. 77 – 4. Molto tranquillo 2:35
10. Dance Suite, Sz. 77 – 5. Comodo 0:58
11. Dance Suite, Sz. 77 – 6. Finale (Allegro) 3:55

12. Music for Strings, Percussion and Celesta, Sz. 106 – 1. Andante tranquillo 6:34
13. Music for Strings, Percussion and Celesta, Sz. 106 – 2. Allegro 7:23
14. Music for Strings, Percussion and Celesta, Sz. 106 – 3. Adagio 6:51
15. Music for Strings, Percussion and Celesta, Sz. 106 – 4. Allegro molto 6:35

Chicago Symphony Orchestra
Georg Solti

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Uma rara foto de Bartók sorrindo
Uma rara foto de Bartók sorrindo

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Georg Friedrich Händel (1685-1759): Opera Arias & Cantatas

Georg Friedrich Händel (1685-1759): Opera Arias & Cantatas

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Esta é uma notável seleção de árias esplendidamente interpretadas pelo soprano espanhol María Bayo. Tais seleções montadas por cantores podem ser lamentáveis ou excelentes. Emma Kirkby, por exemplo, montou duas coletâneas de árias de Handel cheias de raridades sem graça. Aqui, Bayo equilibra peças conhecidas com outras desconhecidas e atira-se a elas com grande musicalidade e compreensão do autor. A turma que a acompanha — Skip Sempe e seu Capriccio Stravagante — leva a coisa com grande categoria. Se alguém ainda acha as óperas de Handel algo de segunda linha, melhor rever seus conceitos.

Handel (1685-1759): Opera Arias & Cantatas

1. Giulio Cesare: Da Tempeste
2. Giulio Cesare: V’adoro, Pupille
3. Rinaldo: Lascia Ch’io Pianga
4. Cantate HWV 170: Aria & Recitativo: ‘Tra Le Fiamme…’
5. Cantate HWV 170: Aria & Recitativo: ‘Pien Di Nuovo…’
6. Cantate HWV 170: Aria & Recitativo: ‘Voli Per L’aria…’
7. Giulio Cesare: Che Sento? Oh Dio!
8. Giulio Cesare: Se Pieta
9. Cantate HWV 140: Aria & Recitativo: ‘No Se Emendara Jamas…’
10. Cantate HWV 140: Aria: ‘Dicente Mis Ojos…’
11. Alcina: Torna Mi A Vagheggiar
12. Alcina: Si, Son Quella!
13. Alcina: Mi Restano Le Lagrime

María Bayo, soprano
Capriccio Stravagante
Skip Sempe

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Que linda gravação, María Bayo!
Que linda gravação, María Bayo!

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Krzysztof Penderecki (1933): Concerto for Violin & Orchestra No. 2 “Metamorphosen” / Béla Bartók (1881-1945): Sonata for Violin & Piano No. 2

Krzysztof Penderecki (1933): Concerto for Violin & Orchestra No. 2 “Metamorphosen” / Béla Bartók (1881-1945): Sonata for Violin & Piano No. 2

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Penderecki dedicou seu Concerto Nº 2 para violino e orquestra para Anne-Sophie Mutter. Fez mais: regeu esta gravação. Sem exageros, é uma das melhores peças escritas no século XX. É um concerto em seis movimentos, com um tema de abertura bem definido que é repetido no movimento final. É tudo muito intenso e belo. Mutter escreve no encarte que a peça termina “com uma cena de enterro”. É verdade, mas há um Scherzando engraçadíssimo bem no coração do concerto. O violino de Mutter é intimista e frágil. A orquestra é dialógica, nunca esmagando o solista. Uma composição notável que ganha vida por meio de um desempenho incrível. A Sonata pata Violino e Piano de Béla Bartók é tonal, mas altamente dissonante, utilizando o piano de forma percussiva. Suas melodias são folclóricas, o meio escolhido por Bartók para dar vazão a seu avançado pensamento musical. A Sonata foi escrita no “Ano do Piano” de Bartók, 1926.

Mutter é a deusa do violino da música moderna.

(Esqueçam a mancada no nome do arquivo. O Penderecki é a principal peça deste CD.)

Krzysztof Penderecki: Concerto for Violin & Orchestra No. 2 “Metamorphosen” (1992-95) / Béla Bartók: Sonata for Violin & Piano No. 2, Sz 76 (1922)

1. Penderecki: Metamorphosen, Konzert für Violine und Orchester Nr. 2 – 1. Allegro ma non troppo 14:22
2. Penderecki: Metamorphosen, Konzert für Violine und Orchester Nr. 2 – 2. Allegretto 3:21
3. Penderecki: Metamorphosen, Konzert für Violine und Orchester Nr. 2 – 3. Molto 4:32
4. Penderecki: Metamorphosen, Konzert für Violine und Orchester Nr. 2 – 4. Vivace 2:06
5. Penderecki: Metamorphosen, Konzert für Violine und Orchester Nr. 2 – 5. Scherzando 5:07
6. Penderecki: Metamorphosen, Konzert für Violine und Orchester Nr. 2 – 6. Andante con moto 8:34

7. Bartók: Sonata No.2 for violin & piano, Sz.76 – 1. Molto moderato 8:03
8. Bartók: Sonata No.2 for violin & piano, Sz.76 – 2. Allegretto 11:43

Anne-Sophie Mutter, violino
London Symphony Orchestra
Krzysztof Penderecki, regente
Lambert Orkis, piano

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Não sou mais aquela menininha, mas ouve só como eu toco.
Não sou mais aquela menininha, mas ouve só como eu toco.

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