Béla Bartók (1881-1945): Os 6 Quartetos de Cordas (Tokyo)

Digamos que eu seja conhecido aqui no blog por algumas declarações bombásticas. Pois, desta vez, não creio que vá ser muito discutida a afirmativa de que os Quartetos de Béla Bártok sejam a mais importante obra do século XX, até porque esta frase é meio consenso, meio convenção. Ora próximo ao Stravinsky da “fase russa”, ora próximo ao Beethoven dos últimos quartetos de Beethoven, Bartók casualmente distribuiu a composição dos mesmos de forma a traduzir as etapas de sua evolução artística — 1908, 1917, 1927, 1928, 1934 e 1939. O calhamaço História da Música Ocidental, de Jean e Brigitte Massin (1255 páginas), propõe que se ouça os último quartetos de Beethoven, emendando-os imediatamente com os de Bartók. A mesma força, a mesma nobreza, o mesmo espírito no tratamento das massas sonoras. Não que Bartók tenha imitado o mestre — ao contrário, Bartók não apenas tinha voz própria como bebeu nas mais diversas fontes: música folclórica, Debussy, Brahms, russos, Bach, etc.

Curiosa mistura de profunda erudição e absoluto “visceralismo”, os quartetos me chamaram a atenção durante a adolescência, por serem citados por todos os grandes escritores que gostavam de música: Erico Verissimo fala no Nº 3 e vários romancistas do pós-guerra citam o Nº 5 como uma obra inigualável, produzida pelo ódio ao nazismo que o fez exilar-se em 1940 nos EUA, já minado pela leucemia.

A interpretação desta integral pelo Tokyo String Quartet é muito boa, mas inferior a esta aqui.

Não há como falar dos quartetos de Bartók de forma não apaixonada. É a maior música de nossa época e este é talvez o segundo ou terceiro CD que posto e que estão naquela categoria dos “dez mais” de minha discoteca/cedeteca.

Béla Bartók (1881-1945): Os 6 Quartetos de Cordas

CD1

1. String Quartet No.1, Sz. 40 (Op.7) – 1. Lento
2. String Quartet No.1, Sz. 40 (Op.7) – 2. Allegretto
3. String Quartet No.1, Sz. 40 (Op.7) – 3. Introduzione. Allegro – Allegro vivace

4. String Quartet No.3, Sz. 85 – 1. Prima parte (Moderato)
5. String Quartet No.3, Sz. 85 – 2. Seconda parte (Allegro)
6. String Quartet No.3, Sz. 85 – 3. Ricapitolazione della prima parte (Moderato)

BAIXE O CD1 AQUI – DOWNLOAD CD1 HERE

CD2

1. String Quartet No.4, Sz. 91 – 1. Allegro
2. String Quartet No.4, Sz. 91 – 2. Prestissimo, con sordino
3. String Quartet No.4, Sz. 91 – 3. Non troppo lento
4. String Quartet No.4, Sz. 91 – 4. Allegretto pizzicato
5. String Quartet No.4, Sz. 91 – 5. Allegro molto

6. String Quartet No.5, Sz. 102 – 1. Allegro
7. String Quartet No.5, Sz. 102 – 2. Adagio molto
8. String Quartet No.5, Sz. 102 – 3. Scherzo
9. String Quartet No.5, Sz. 102 – 4. Andante
10. String Quartet No.5, Sz. 102 – 5. Finale

BAIXE O CD2 AQUI – DOWNLOAD CD2 HERE

CD3

1. String Quartet No.2, Sz. 67 (Op.17) – 1. Moderato
2. String Quartet No.2, Sz. 67 (Op.17) – 2. Allegro molto capriccioso
3. String Quartet No.2, Sz. 67 (Op.17) – 3. Lento

4. String Quartet No.6, Sz. 114 – 1. Mesto – Vivace
5. String Quartet No.6, Sz. 114 – 2. Mesto – Marcia
6. String Quartet No.6, Sz. 114 – 3. Mesto – Burletta (Moderato)
7. String Quartet No.6, Sz. 114 – 4. Mesto

BAIXE O CD3 AQUI – DOWNLOAD CD3 HERE

Tokyo String Quartet:
Kikuei Ikeda (Violin)
Koichiro Harada (Violin)
Kazuhide Isomura (Viola)
Sadao Harada (Cello)

Bartók brinca com um hurdy gurdy.
Bartók brinca com um hurdy gurdy.

PQP

41 comments / Add your comment below

        1. Segundo o link no nick do digníssimo pentelho, ele é maestro (confesso que nunca vi mais gordo).

          Se ele confunde leste (ponto cardeal) com leste (pret. perf. do verbo ler, na seg. pessoa do sing.), então estamos diante de um caso de dislexia mitigado pela musicoterapia. Temos de relevar.

          ***

          (Penso aqui: muito bonito pagar mico perante o pessoal do mainstream que visita o blog).

  1. Boa, PQP! Estes quartetos são imprescindíveis para qualquer amante da boa música. Aprendi a venerá-los. É música “grande”, das maiores que já foram compostas!

    Obrigado por esta versão do Tokyo String Quartet.

    Abraços!

  2. Discordo em absoluto, Villa-Lobos compos 17 quartetos de cordas, nem Bártok, Stravinsky ou qualquer outro compositor do século XX chega sequer próximo disso, e a beleza de vários quartetos do Villa são muito superiores a esses de Bártok , portanto, em se tratando dessa forma de conjunto no século XX, os melhores quartetos de cordas tem uma dono, Villa-Lobos!

    1. Shostakovich compôs 15 (e belíssimos) quartetos. Até que 15 não é um número muito distante de 17, não?
      Aliás, se você não conhece os quartetos do mestre Dmitri, sugiro que ouça pelo menos o oitavo. É o retrato perfeito de um artista.
      Abraços!

  3. Eu acho que esses de Bartók são os mais perfeitos do século XX, embora que em termos de originalidade, possui caracteristicas regionais marcantes em sua estrutura e muita qualidade sem dúvida alguma, enfim, bela postagem, é música sublime, bravo, Bartók!

  4. Eu sei que é uma pergunta um tanto imbecil, mas o que, objetivamente (em termos de harmonia, estrutura, aspectos técnicos da música) torna os quartetos de Bartók uma das melhores obras da história da música?
    Não estou questionando nada, eu gosto muito de ouvi-los, mas eu, com meu conhecimento medíocre sobre música teórica, não saberia dizer porque são abismalmente mais importantes que os de, por exemplo, Ligeti (no máximo poderia dizer que gosto de ouvir mais os de Bartók, mas objetivamente não significa nada). Ou também não entenderia porque os quartetos de Bartók são mais importantes que sua Música para Cordas, Percussão e Celesta, ou que uma grande sinfonia de Shostakovich, ou a Sagração da Primavera etc.
    Não sei nem porque estou escrevendo isso aqui mas enfim…
    No mais, não tem como não agradecer pelo post 🙂

  5. Comparar os Quartetos de Bartok com os de Schoenberg, Janacek, Berg, Webern , tudo bem. Mas com os de Villa Lobos, sinto muito, a comparação é de resultado quase nulo

  6. Quando há variação no estilo, o que vale é o conjunto instrumental; desses quartetos que vai à rua com seus instrumentos de cordas.
    Valeu pela postagem!

  7. Colarusso, o senhor é um imbecil, os quartos do Villa são dos mais bem elaborados e estruturados da história da música mundial, chega de asneiras!

  8. Colarusso, o senhor é um imbecil, os quartetos do Villa são dos mais bem elaborados e estruturados da história da música mundial, isso é fato e sabido por todos, portanto, chega de asneiras!

  9. Olha, juro que gostaria que alguém pudesse iluminar esses aspectos levantados pelo violinistaruim para que, pelo menos, fosse possível responder com propriedade a chatos como esse Calarusso.

  10. A pergunta do violinistaruim é pertinentíssima e ele está certo em lembrar os critérios válidos para se julgar as peças basilares de determinado período histórico. Por esse motivo, corroboro sempre o consenso em torno da Sagração da Primavera como divisor de águas da história da música, do pós-romantismo e impressionismo para o modernismo.

    Quanto aos melhores quartetos de cordas do século passado, não entro no mérito de quem foi o melhor, mas temos de enumerar quem não pode ficar de fora considerando não só os quartetos de um compositor isoladamente, mas o conjunto deles: Schoenberg, Bartók, Villa-Lobos, Shosta, Martinu e Ligeti.

    Nenhum desses seis pode ser vilipendiado.

  11. Os últimos 3 ou 4 quartetos de Villa-Lobos são realmente fantásticos, mas, sem entrar na análise da técnica composicional (creio que não seja o objetivo do blog), prefiro os de Bartók, sem dúvida.

    Pra dar uma justificativa bem simplista, eu diria que os quartetos de Bartók são mais arrojados (forma, linguagem, harmonia), e ao mesmo tempo mais variados e interessantes musicalmente. Os ufanistas podem discordar à vontade, continuo apreciando Villa-Lobos também.

    Só lamento que a obra estritamente pianística de Bartók, pelo menos do que eu conheço, não tenha a mesma estatura que seus quartetos. Aceito dicas, PQP.

    Nem sempre concordo com “unanimidades”, mas, do que já ouvi de música do século XX, creio que, de fato, esses quartetos superam praticamente tudo. Os de Schoenberg, que conheci por meio desse blog, certamente também têm seu valor.

  12. Caro pqpbach

    Sendo os Quartetos de Béla Bártok a mais importante obra do século XX. Pergunto.
    Se vc fosse para uma ilha deserta e só podesse levar uma obra do século xx para escutar, levaria estes quartetos ?

  13. Toco cello profissionalmente há 30 anos, posso dar minha opinião como músico, primeiramente, os quartetos de Villa-Lobos, jamais podem ser considerados em hipótese nenhuma de forma tão depreciativa como o internauta Colarusso expos, tal cometário sim, é nulo, as obras compostas pelo Villa são de uma beleza sem igual, é difícil até escolher um deles, é um repertórioo muito bonito, e as de Bartók, podem sim ser consideradas como as melhores do século XX, pelas harmonias, pela forma, técnica, nobreza, além de tudo, é o principal repertório desse tipo de conjunto, Bartók é sensacional!

  14. Estou ouvindo, pela primeiríssima vez, o quarteto de cordas nº 1 e, confesso, já estou impressionado.

    Abraços

    P.s: Não olvidemo-nos do pacifismo…

  15. O que se tem falado de MARTINU neste blog nos últimos dias! E, se não estou enganado, é um autor praticamente inincontrável por aí… Só conheço o Concerto da Camara cordas, piano e percussão (acho que é isso), com um grupo argentino, num vinil que comprei lá e duvido que tenha sido lançado fora do país – e a curiosidade aumenta cada dia mais!

  16. Ranulfus, um maluco andou postando lá no avaxhome uns 10 cds do Martinu. Como ando com aquele problema básico na minha internet, não baixei nada, mas assim que possível quero conhecer melhor esse cara.

  17. Estou à total disposição para ajudar no que for com relação a Martinu. Sou fã. Tenho gravações praticamente de todas as obras importantes dele.

    1. Ótimo, José Eduardo!

      Mas aí a pergunta é: você já as tem subidas (mesmo se não divulgadas) para algum centro de compartilhamento? (P.ex. Rapidshare, Megaupload, 4Shared, Avaxhome – acho esses os menos problemáticos). Pois a forma mais prática de fazer o material chegar nas nossas mãos é essa: você “uploada” e manda o link. Ou então manda direto o link de onde sabe que já tem.

      Em todos os casos, a gente precisa baixar, analisar e se for o caso reorganizar o arquivo ao nosso modo, antes de subir pra um novo endereço e postar aqui.

      Aí eu realmente peço que essas operacionalizações sejam feitas por email (no meu caso ranulfus@bol.com.br ; aí eu compartilho com os outros da equipe pela nossa lista interna). Esse cuidado é pra gente não irritar os demais leitores, que quando vêm que há novos comentários entram na página pensando que são de fato comentários às obras, e não meras operacionalizações.

      A propósito, não foi você que ficou de disponibilizar o Trittico Botticelliano de Respighi? Fiquei realmente muito interessado! Se ainda puder, a mecânica do compartilhamento seria a mesma. OBRIGADO!!

      1. Fiquei sim, mas estou fora da minha cidade há alguns dias, usando a internet do hotel e sem os meus arquivos.

        Volto pra casa na segunda. Já faço os uploads e te mando por e-mail.

        (Creio que o Concerto Duplo de Martinu, mencionado por você, já tenha sido postado neste blog.)

        1. Tranqüilo, Jose Eduardo. Já achamos o “como”, e por outro lado hoje viajo eu, só vou voltar aos downloads na quarta 12.

          Obrigado pelo toque sobre as peças de Martinu que já estão aqui (acho que a estas alturas o blog está como a cidade de São Paulo: quem disser que conhece tudo está mentindo…) – mas a que tenho é outra: Concerto da Camera para violino, cordas, piano e percussão. A capa do disco argentino de 1975 diz “é curioso assinalar que o Concerto da Camera, escrito nos EUA logo que Martinu se radicou nesse país, não figura atualmente em nenhum dos nutridos catálogos fonográficos norteamericanos”.

          Por outro lado, seu toque me revelou a peça Afrescos de Piero de la Francesca, em três movimentos, que sugere uma interessante comparação justo com… o Tríptico Botticelliano! Valeu!

        2. E a obra “pictórica” de Martinu está muito, muito à frente da similar de Respighi…!

          Ah, você refere ao “Concerto da camera”, para violino. Não conheço essa peça. Das peças para instrumento de cordas solista e orquestra, gosto muito do Concerto para violino no. 1 e, principalmente, do Concerto para violoncelo no. 2. Há também uma Fantasia para viola que é uma maravilha.

  18. Atenção, que os Tokyo String Quartet gravaram para a RCA Red Seal a integral dos quartetos de Bartok e os Quartetos de Janacek, em 1996. Considero esta interpretação ligeiramente superior à primeira… Os quartetos de Bartok são, efectivamente, grandes obras do reportório do sec. XX, mas compará-los aos de Beethoven já é um exagero. Aja tino, Sr. e Sra. Massin. E vocês que tem uma excelente biografia do compositor de Bona… Mas eles disseram mesmo isso? Custa a acreditar!

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