Como este CD de Peyroux parece ter tocado profundamente o coração dos pequepianos, postamos outro da cantora norte-americana de voz tão parecida com a de Billie Holiday, interpretando suas canções. Peyroux nasceu no sul dos Estados Unidos. Seu pai era um eterno aspirante a ator que ouvia música a toda a hora, sua mãe era professora de francês. Peyroux diz que eram, na verdade, dois hippies e “educadores excêntricos”. Ela conta que a música era a forma de juntar a família num local “especial e escondido” da casa. Bare Bones é todo composto por originais, nada de entremear clássicos às próprias composições e às de seus músicos.
Madeleine Peyroux: Bare Bones
1 Instead 5:12
Percussion, Organ [Estey] – Larry Klein
Written-By – J. Coryell*, M. Peyroux*
2 Bare Bones 3:26
Written-By – L. Klein*, M. Peyroux*, W. Becker*
3 Damn The Circumstances 4:36
Written-By – D. Batteau*, L. Klein*, M. Peyroux*
4 River Of Tears 5:20
Written-By – L. Klein*, M. Peyroux*
5 You Can’t Do Me 5:03
Backing Vocals – Luciana Souza, Rebecca Pidgeon
Written-By – L. Klein*, M. Peyroux*, W. Becker*
6 Love And Treachery 4:19
Written-By – J. Henry*, L. Klein*, M. Peyroux*
7 Our Lady Of Pigalle 4:19
Trumpet, Fiddle [Nyckelharpa] – Carla Kihlstedt
Written-By – D. Batteau*, L. Klein*, M. Peyroux*
8 Homeless Happiness 3:58
Written-By – J. Coryell*, M. Peyroux*
9 To Love You All Over Again 3:58
Written-By – D. Batteau*, M. Peyroux*
10 I Must Be Saved 4:44
Written-By – M. Peyroux*
11 Somethin’ Grand 3:44
Written-By – L. Klein*, M. Peyroux*, S. Wayland*
Eu adorei este CD, mas deixo um aviso aos desatentos: se você não gosta de música moderna, fuja! Larcher é um excelente compositor austríaco e este disco da ECM é uma joia encontrada numa de nossas navegações. O programa do CD é formado por três obras inéditas. Abrindo e fechando o disco, há dois substanciais quartetos de cordas: Ixxu e Cold Farmer. O Rosamunde dá um banho. My Illness Is the Medicine I Need marca a estreia fonográfica do espetacular soprano americano Andrea Lauren Brown, assim como do violinista Christoph Poppen. Podem baixar porque a coisa é do caralho, a não ser que você seja um passadista empedernido.
Thomas Larcher (1963): Ixxu
Ixxu
1. Flüchtig, nervös
2. Sehr schnell, präzise
3. Ruhig
My Illness Is the Medicine I Need
4. My illness is the medicine I need
5. I think I’ll stay here until I die, I’m tired of life. …
6. Eat and sleep. Eat and sleep. The monotony here kills you.
7. I like it when people ask me the time. It’s almost a conversation. …
8. I don’t know why I’m here. I’ve no idea. …
9. Once they give you an injection you instantly stop hearing voices.
Mumien
10. Tempo giusto
11. Schneller
12. Langsam
Cold Farmer
13. : Mit Groove
14. : Ruhige Halbe
15. : Sehr schnell
16. : Ganz langsam
Rosamunde Quartett
Andrea Lauren Brown: soprano
Christoph Poppen: violin
Thomas Demenga: violoncello
Thomas Larcher: piano
Eu gosto muito do blog holandês 33 toeren klassiek. Ele se dedica a divulgar apenas discos de música erudita em vinil. E, para completar, não divulga aquilo que foi passado para CD, mas sim as raridades mesmo, todas digitalizadas. Fala sério, é muito gáudio. O nível do blog é altíssimo e eles são finos como o PQP Bach, pois possuem também uma espécie de pqpshare. Isto é, para baixar seus discos, não se precisa sofrer com a superfetação de abas, telas e propagandas, propagandas, propagandas!
Este O Livro de Ouro do Bandolim é uma ultra raridade. Tem obras para bandolim solo, bandolim e piano, dois lieder de Mozart para o instrumento, alaúde e voz e ainda música moderna para bandolim de Norbert Sprongl. Por isso, fizemos questão de copiar o arquivo para vocês. Fala sério, é muito júbilo.
R. Calace, H. Gal, W. A. Mozart, N. Sprongl: Le Livre D`or De La Mandoline
O som não é lá essas coisas mas a qualidade das obras e a interpretação com sotacão russo vale a audição. Como é bom ouvir um grande regente do mesmo país e da mesma cultura do autor da obra! E como eu gosto da Sinfonia Nº 5! Ela me deixa feliz desde o Andante, passando pelo Marcato até chegar ao Jocoso. Me dá vontade de sorrir a eté esqueço que o pré-sal vai me aquecer, sufocar e que ninguém vai nem quer sequer pensar em fontes renováveis. Também gosto da Sexta, mas esta não tem a alegria e a inventividade da que a precede.
Sergei Prokofiev (1891-1953): Sinfonia Nº 5, Op.100, e Sinfonia Nº 6, Op.111
Symphony No.5,Op.100
1. I. Andante
2. II. Allegro marcato
3. III. Adagio
4. IV. Allegro giocoso
Symphony No.6,Op.111
5. I. Allegro moderato
6. II. Largo
7. III. Vivace
Este francês é mesmo da pesada, uma de minhas preferências e não poderia ficar de fora deste pequeno Festival do Barroco Francês que ora promovo sem… bem, sem tê-lo planejado. Leclair estudou dança e violino em Turim. Em 1716 casou com Marie-Rose Casthanie, uma dançarina, que morreu em 1728. Em 1730, Leclair casou-se pela segunda vez. Sua nova esposa era a gravadora Louise Roussel, que preparou a impressão de todas as suas obras a partir do Opus 2.
Leclair foi ESFAQUEADO E MORTO em 1764. Apesar do homicídio permanecer um mistério, existe a possibilidade de que sua ex-mulher possa ter sido a instigadora, ainda que a mais forte suspeita recaia sobre o seu sobrinho, Guillaume-François Vial.
Jean-Marie Leclair (1697–1764): Triosonatas, Op. 4
Sonate I en ré mineur
Sonate II en si bémol majeur
Sonate III en ré mineur
Sonate IV en fa majeur
Sonate V en sol mineur
Sonate VI en la majeur
Após os excelentes álbuns Duo e Credo, ambos postados no PQP Bach, Hélène Grimaud nos chega com um disco onde aparece claramente a sua militância pelas causas ecológicas. Water é um trabalho incomum. Aqui, Grimaud executa peças de vários períodos — clássicas, românticas e contemporâneas — cuja temática é a água. Além do fascínio pela água, além das evocações tradicionais de rios, lagos, mares, flocos de neve, e gotas de chuva, o álbum também reflete uma perspectiva contemporânea sobre a água e a falta dela. As peças de diferentes compositores são amarradas através das Transitions, sons de água e de instrumentos musicais compostos, gravados e produzidos por Nitin Sawhney, um celebrado compositor de World Music. Ele também é DJ, produtor, multi-instrumentista, compositor orquestral e pioneiro cultural. Reafirmando sua posição como uma das artistas mais interessantes da música erudita, Grimaud combina a cultura com seu compromisso com os desafios ecológicos, ambientais e humanitários de nossos dias. Então, Water é um projeto com três níveis distintos de aspiração criativa: artístico, inventivo e ativista. Além disso é bom pacas de ouvir.
Albéniz / Berio / Debussy / Fauré / Janáček / Liszt / Ravel / Sawhney / Takemitsu: Water
1 Wasserklavier (No.3 From 6 Encores – Per Antonio Ballista) (Luciano Berio) 2:11
2 Water – Transition 1 (Nitin Sawhney) 1:18
3 Rain Tree Sketch II (In Memoriam Oliver Messiaen) (Toru Takemitsu) 5:25
4 Water – Transition 2 (Nitin Sawhney) 1:41
5 Barcarolle No.5 In F Sharp Minor (op.66) (fis-moll En Fa Diese Mineur Allegretto Moderato) (Gabriel Fauré) 6:39
6 Water – Transition 3 (Nitin Sawhney) 1:33
7 Jeux D’eau (Music Note=144) (Tres Doux) (Maurice Ravel) 5:10
8 Water – Transition 4 (Nitin Sawhney) 1:27
9 Almeria (No.2 From Iberia II Allegretto Moderato) (Isaac Albéniz) 10:06
10 Water – Transition 5 (Nitin Sawhney) 0:55
11 Les Jeux D’eaux A La Villa D’Este (No.4 From Annees De Pelerinage III S 163 Allegretto) (Franz Liszt) 7:38
12 Water – Transition 6 (Nitin Sawhney) 1:34
13 In The Mists: No.1 (Andante) (Leoš Janáček) 4:33
14 Water – Transition 7 (Nitin Sawhney) 1:16
15 La Cathedrale Engloutie (No.10 From Preludes I Profondement Calme) (Claude Debussy) 6:03
16 Water Reflections (Helene Grimaud’s Thoughts On The Permutations Of Water) 10:49
Nos anos 80, quando a Rádio da UFRGS começou a divulgar a obra de Hans Werner Henze, eu passei a gostar de sua obra algo provocadora e surpreendente. Não sabia nada a respeito dele. Minha primeira pesquisa indicou uma coisa que jamais imaginaria. OK, era um compositor alemão residente na Itália, blá-blá-blá, mas era conhecido pelas opiniões políticas marxistas que influenciaram na sua obra. Também trocara a Alemanha pela Itália em 1953, em razão da intolerância em relação as suas posições políticas e a sua homossexualidade. Membro do PCI (Partido Comunista Italiano), Henze produziu composições em homenagem a Ho Chi Min e a Che Guevara — o Réquiem intitulado Das Floss der Medusa (A balsa da Medusa), cuja estreia foi vetada em Hamburgo, em 1968.
Henze compôs em vários estilos, tendo sido influenciado pela música atonal, Stravinsky, pela técnica dodecafônica, pelo estruturalismo e por alguns elementos da música popular, do rock e do jazz.
Num escrito de 1975, Henze define assim sua arte: “O teatro foi e é o meu território, tenho sempre que voltar a ele. Minha música anseia pelo gesto, a corporalidade e a plasticidade. Ela se entende como drama, algo que pertence intimamente à vida, e que não poderia existir na abstinência higiênica ou no particular, no doméstico”. Mas Henze escreveu de tudo um pouco. Uma das habilidades mais admiráveis do compositor era a de combinar técnicas e elementos musicais os mais díspares, da melodia lírica (e tonal) ao complexo sonoro eletroacústico, do leitmotiv wagneriano ao serialismo estrito e os dispositivos aleatórios.
Hans Werner Henze (1926 – 2012): Sinfonias Nos. 7 & 9 / Barcarola / Three Auden Songs
Disc 1:
1 Barcarola 21:30
Symphony No. 7:
2 I. Tanz – Lebhaft und beseelt 10:58
3 II. Ruhig bewegt 12:42
4 III. Unablässig in Bewegung 5:12
5 IV. Ruhig, verhalten 9:28
City of Birmingham Symphony Orchestra
Sir Simon Rattle
Disc 2
Symphony No. 9:
1 I. Die Flucht 5:28
2 II. Bei Den Toten 6:31
3 III. Bericht Der Verfolger 1:45
4 IV. Die Platane Spricht 7:33
5 V. Der Sturz 7:25
6 VI. Nachts Im Dom 17:07
7 VII. Die Rettung 7:47
Berliner Philharmoniker
Rundfunkchor Berlin
Ingo Metzmacher
Three Auden Songs:
8 I. In Memoriam L.K.A. 1950-1952 2:10
9 II. Rimbaud 2:46
10 III. Lay Your Sleeping Head, My Love 5:32
Vou escrever um ou dois parágrafos de puro chute. Minha linda e brilhante amiga Asli Berktay, que creio ter nascido em Istambul, poderá dar boas risadas do que vou escrever sobre a música — que desconheço inteiramente — de seu país. Mas é música, pô, e alguma coisa do que vou escrever deve fazer um pouco de sentido.
Evrim Demirel é um compositor e pianista turco. Acaba aqui a parte objetiva do texto. Vocês sabem o quanto é raro ouvir a música daquela região meio fora de um mapa musical que parece ir para o leste até a Hungria e subir bruscamente em direção ao Báltico, entrando na Rússia pela Polônia, Finlândia, Lituânia, Letônia, etc. A música de Demirel deve alguma coisa a Alfred Schnittke, ao menos na forma poli-estilística, porém, de resto, digo que este turco tem voz própria e padrões distintos. Apesar de alguns instrumentos típicos e do peculiar sotaque oriental — jamais tinha ouvido a música erudita turca –, às vezes Demirel adquire ares meio jazzistas, principalmente na forma com que trata os sopros. Mas ele também parece estar bem ciente de sua própria herança cultural na forma como concebe seus trabalhos.
Makamsiz é seu primeiro CD gravado e todas as cinco peças aqui apresentadas são registros ao vivo de excelentes grupos holandeses.
Pesquisa rápida entremeada de nossa obtusa curadoria: Four Folk Songs from Anatólia é baseado em canções tradicionais daquela região da Turquia (ufa, essa foi fácil). Zeybek parece ser uma de dança popular tocada por duas zurnas (instrumento de sopro) e um davul (percussão tocada dos dois lados por duas baquetas totalmente diferentes). Makamsiz desenvolve-se livremente sobre tema nenhum. É a melhor peça do CD. As recorrentes passagens em uníssono dão-lhe um sabor muito particular que deve ser turco… Saz Semaisi No 1 e Quotations fazem certamente referência ao passado — talvez século XIX. São de inspiração mais antiga, quem sabe otomana.
A música tem dessas coisas. A gente põe os fones nos ouvidos e caminha até o trabalho em outro mundo, tudo no espaço de uma hora. Gosta muito do que ouve, sente a intenção do compositor, mas fica sem o contexto. Chega ao trabalho, escreve rapidamente o post e quer terminar logo para não passar mais vergonha com sua ignorância.
Evrim Demirel (1977): Makamsiz
01- Four Folksongs From Anatolia (Atlas Ensemble)
02- Zeybek (Asko Ensemble)
03- Makamsiz (Ziggurat Ensemble)
04- Saz Semaisi No 1 (Schoenberg Ensemble)
05- Quotations (Doelen Ensemble)
A fotografia abaixo não faz justiça ao excelente Jenő Jandó. Mas vamos a um pouco de curadoria. O Cravo Bem Temperado (no original alemão: Das wohltemperierte Klavier) é uma coleção de música para teclado solo, composta por Johann Sebastian Bach. Ele inicialmente escreveu 24 prelúdios e fugas tendo por base os 24 tons (12 maiores mais 12 menores) em 1722, “para o proveito e uso dos jovens músicos desejosos de aprender e, especialmente, para o entretenimento daqueles já experientes com esse estudo”. Mais tarde, em 1744, Bach escreveu compilou um segundo livro com mais 24 de prelúdios e fugas (seguindo o mesmo esquema de composição tonal do primeiro). Desta vez, chamou-os de “Vinte e quatro Prelúdios e Fugas”. Atualmente, os dois volumes são conhecidos e citados como Livro I e Livro II do “O Cravo Bem Temperado”.
O primeiro livro foi compilado durante o período de Bach em Köthen; o segundo livro veio 22 anos depois, quando já em Leipzig. Ambos foram amplamente divulgados na forma manuscrita, mas cópias impressas não foram feitas senão em 1801. O estilo barroco de Bach caiu em desuso por parte do grande público e passou de moda por volta da data da sua morte (1750), dando lugar à música do início do período clássico (que não possuía nem a complexidade contrapontística, nem a variedade de tonalidades e harmonias aplicadas por Bach). Contudo, entre os compositores e músicos, nunca deixou de servir como uma obra paradigmática e de estudo obrigatório. No auge do estilo Clássico (cerca de 1770) O Cravo Bem Temperado foi estudado detalhadamente por compositores como Haydn e Mozart, influenciando, assim, as suas formas de composição, e, consequentemente, toda a história da música. Segundo Howard Goodall, “a publicação de O Cravo bem Temperado de Bach, em 1722, é um dos marcos da história da música europeia. Mesmo durante a vida de Bach, a sua influência foi rápida e dramática, mais tarde, tanto Mozart como Beethoven pagaram tributo ao brilhantismo e à importância da coleção”.
J. S. Bach (1685-1750): O Cravo Bem Temperado, Livro II
Disc 1
1. No. 1 in C Major, BWV 870 00:04:10
2. No. 2 in C Minor, BWV 871 00:04:13
3. No. 3 in C – Sharp Major, BWV 872 00:03:46
4. No. 4 in C – Sharp Minor, BWV 873 00:06:25
5. No. 5 in D Major, BWV 874 00:07:52
6. No. 6 in D Minor, BWV 875 00:03:36
7. No. 7 in E – Flat Major, BWV 876 00:04:28
8. No. 8 in D – Sharp Minor, BWV 877 00:07:17
9. No. 9 in E Major, BWV 878 00:07:18
10. No. 10 in E Minor, BWV 879 00:07:23
11. No. 11 in F Major, BWV 880 00:04:43
12. No. 12 in F Minor, BWV 881 00:05:47
Nada como caminhar para o trabalho tendo O Cravo Bem Temperado nos fones de ouvidos. O mundo fica mais equilibrado, adquire novo ritmo, as bundas das mulheres ficam com formatos interessantes, os seios balouçantes nos chegam em novos ritmos e fica fácil imaginá-los em câmera lenta, vindo em ondas. O sol brilha mais, o trânsito passa a ser mais um jogo e nossa alma se enche de tranquilidade e beleza. Nada de nervosismo, estresse ou ansiedade, mesmo que se saiba das necessidades do dia. A gravação do húngaro Jenő Jandó é realmente muito clara e boa. Como aquela loira de calça jeans e blusa gloriosamente justa. Adorei.
J. S. Bach (1685-1750): O Cravo Bem Temperado, Livro I
Disc 1
1. No. 1 in C Major, BWV 846 00:04:22
2. No. 2 in C Minor, BWV 847 00:02:57
3. No. 3 in C – Sharp Major, BWV 848 00:03:31
4. No. 4 in C – Sharp Minor, BWV 849 00:07:29
5. No. 5 in D Major, BWV 850 00:02:59
6. No. 6 in D Minor, BWV 851 00:03:14
7. No. 7 in E – Flat Major, BWV 852 00:06:26
8. No. 8 in E – Flat Minor / D – Sharp Minor, BWV 853 00:08:25
9. No. 9 in E Major, BWV 854 00:02:35
10. No. 10 in E Minor, BWV 855 00:03:42
11. No. 11 in F Major, BWV 856 00:02:12
12. No. 12 in F Minor, BWV 857 00:07:07
Aniversário do papai Bach (21/03/1685), grande farol da humanidade, encanto e desafio, fonte inexaurível, pai e professor grandioso, pesquisador e trabalhador infatigável, forma máxima da inteligência musical, amigo do telúrico e do inefável, entre nosso corpo e as estrelas.
De todos os retratos que conheço, prefiro estes de Johannes Heisig (2004/5), que estão na Bach Haus, em Eisenach. Eles revelam um pouco melhor o Bach dionisíaco, antídoto para as imagens tradicionais, demasiado austeras. Bach era muito divertido, e notável cervejeiro. Sua música contém também muito humor e espírito lúdico.
E a nota de Milton Ribeiro pode ser acessada aqui.
Vou pegando os discos totalmente sem ordem ou programação. Então, é pura coincidência esse monte de Músicas Aquáticas nas quais estou afogando vocês. E esta é mais uma bela gravação de uma das principais obras de GFH. Com instrumentos modernos e linda concepção, a Orpheus marca seu território com competência e categoria. A Orpheus Chamber Orchestra é um tremendo conjunto baseado na cidade de Nova Iorque. Fundada em 1972, é das melhores coisas que há em termos de orquestra de câmara. Se eles passarem perto de você, trate de ouvi-los. O grupo é bastante conhecido por se apresentar sem regente e por suas interpretações de compositores do século XIX. Todo mundo fica de olho na ponta do arco do spalla Guillermo Figueroa, que teve passagem rápida pelo Emerson String Quartet nos anos 70. Tudo coisa fina.
Georg Friedrich Händel (1685-1759): Música para Fogos de Artifício / Música Aquática
Feuerwerkmusik HWV 351
1 Ouverture (Adagio) – Allegro – Lentement – Allegro Da Capo 7:22
2 Bourrée 1:15
3 La Paix. Largo Alla Siciliana 2:55
4 La Réjouissance. Allegro 3:06
5 Menuet I 1:34
6 Menuet II 2:22
Wassermusik Suite In F-dur HWV 348
7 Ouverture 3:12
8 Adagio E Staccato 1:49
9 Allegro 2:23
10 Andante 2:11
11 Da Capo 2:25
12 Presto 3:22
13 Air. Presto 3:26
14 Minuet 2:33
15 Bourrée. Presto 1:38
16 Hornpipe 2:17
17 (Without Indication) 2:53
Suite In G-dur HWV 350
18 (Without Indication) 2:50
19 Rigaudon. – (Without Indication) – Presto Da Capo 2:28
20 Menuet – (Without Indication) – Da Capo 3:34
21 (Without Indication) – (Without Indication) – Da Capo 1:22
Suite In D-dur HWV 349
22 Allegro 1:52
23 Alla Hornpipe 2:42
24 Minuet 1:01
25 Lentement 1:37
26 Bourrée 1:10
Meu pai amava os Concerto para Piano de Mozart. Era difícil passar uma semana sem uma longa sessão deles em nossa casa. Então, conheço todos os movimentos de todos, mas confundo a ordem deles e fico meio maluco tentando reconhecer cada um deles. Ele certamente adoraria este CD onde Gulda e Harnoncourt dão um banho de competência.
Herbert von Karajan fez de tudo para prejudicar a carreira de Harnoncourt. E o motivo foi Mozart. Harnoncourt foi violoncelista da orquestra de Viena entre 1952 e 1969 e frequentemente dirigido por Karajan. Quando saíram as primeiras gravações de Harnoncourt dirigindo Bach, HvK ficou puto em razão das boas críticas recebidas, coisa anormal para ele, que era apenas um sucesso de público. HvK falava mal de NH e o perseguia. E Mozart foi decisivo. O primeiro concerto de NH na Áustria como chefe de orquestra aconteceu graças à Semana Mozart organizada pela Fundação Mozarteum de Salzburgo. Ele liderou o Concertgebouw de Amsterdam em 1980. Aquilo foi demais para Karajan. No dia 11 de março deste ano, a direção do Festival de Salzburgo fez uma revelação surpreendente. Disse que a vergonhosa ausência de NH de seu Festival dera-se por uma exigência de Herbert von Karajan. Ele não queria ver Harnoncourt por lá. E o mau caráter venceu a briga, fato que envergonha até hoje a entidade. Hoje, Karajan está esquecido e Harnoncourt é considerado um dos três mais importantes chefes de orquestra modernos, ao lado de Furtwangler e Mahler.
W. A. Mozart (1756-1791): Concertos para Piano Nros. 26 e 23
Konzert Für Klavier Und Orchester Nr.26 D-Dur KV 537 Krönungskonzert
1 Allegro 15:14
2 (Larghetto) 6:28
3 (Allegretto) 11:16
Konzert Für Klavier Und Orchester Nr.23 A-Dur KV 488
4 Allegro 11:38
5 Adagio 6:24
6 Allegro Assai 7:56
Friedrich Gulda, piano
Concertgebouw Orchestra
Nikolaus Harnoncourt
Bom disco para quem gosta do sacro barroco. Nada excepcional, pero cumpridor. A confusão entre os Legrenzi é grande, mas no disco diz que a obra é de Giovanni Maria e não de Giovanni Battista. A Wikipedia só serve para confundir…
Giovanni Maria Legrenzi (1626-1690), compositor e maestro de San Marco, em Veneza, foi elogiado por seus contemporâneos como “verdadeira fonte de música e oráculo vivo de harmonia”. Ele se atrevia a ignorar as leis de composição em favor da graça e do charme. Ele compôs óperas e oratórios, além de obras instrumentais. Dos oito oratórios conhecidos Legrenzi apenas três obras completas foram preservados. La Morte del cor penitente foi provavelmente escrito em 1671 para a igreja de Veneza Santa Maria della Consolazione, onde Legrenzi foi maestro entre os anos de 1670 e 1690. No período da Contra-Reforma, havia um tema recorrente naquelas almas perturbadas: a do caminho espiritual do pecador que, através do arrependimento, poderia e deveria corrigir seus erros perante Deus na tentativa de recuperar a honra perdida. O autor do texto evoca esta viagem em muitas imagens poéticas para as quais Legrenzi compôs uma sucessão de árias, duetos e recitativos.
Giovanni Legrenzi (1626-1690): La Morte Del Cor Penitente
1. La morte del cor penitente: Part I: Sinfonia 1:54
2. La morte del cor penitente: Part I: Lumi dolenti lumi aprite il varco al pianto (Sinner) 2:27
3. La morte del cor penitente: Part I: Sommergete dell’Alma l’orgoglio (Sinner) 1:02
4. La morte del cor penitente: Part I: Care amate pupille versate, stillate (Sinner) 4:03
5. La morte del cor penitente: Part I: E pur non piangi, o core? (Sinner) 2:50
6. La morte del cor penitente: Part I: Pianga si, si, che del fallir passato (Penitence, Sinner) 2:48
7. La morte del cor penitente: Part I: Clementissimo Cielo, ancor si sebra la su pieta verso un indegno? (Sinner, Penitence) 2:57
8. La morte del cor penitente: Part I: Dillo tu, Cor delirante, dillo tu chi t’inganno? (Sinner, Penitence) 2:56
9. La morte del cor penitente: Part I: Deh senti Misero quanto sei fragile (Penitence, Sinner)0:59
10. La morte del cor penitente: Part I: Piacer ti rifiuto t’abborro, ti fuggo (Sinner)0:46
11. La morte del cor penitente: Part I: Su spiriti pentiti pensieri contriti (Penitence) 1:12
12. La morte del cor penitente: Part I: Non si pensi, ch’a languir, ch’a morir (Sinner) 1:14
13. La morte del cor penitente: Part I: No no tempra il furor, al Ciel clemente basta il voto del Cor, pago e del zelo (Hope, Sinner) 2:42
14. La morte del cor penitente: Part I: Se sperar’il Cor non sa (Hope, Sinner) 1:03
15. La morte del cor penitente: Part I: Se la speme, ch’e stella constante (Hope, Sinner) 1:41
16. La morte del cor penitente: Part I: Vogli pur’ altrove il passo dolce speme (Sinner, Hope) 2:14
17. La morte del cor penitente: Part I: Se del duol, e non d’amore (Sinner, Hope) 1:09
18. La morte del cor penitente: Part I: Vanne pur senza amor, e senza speme (Hope, Sinner, Penitence) 1:07
19. La morte del cor penitente: Part I: Se dal duol non resti preso vano Cor, e non t’affretti (Penitence, Sinner) 1:18
20. La morte del cor penitente: Part I: Parta pur la speranza, e resti il duolo (Sinner) 1:26
21. La morte del cor penitente: Part I: Or va, Figlio constante (Penitence, Sinner) 3:59
22. La morte del cor penitente: Part I: Non si pensi ch’a penar s’apra scola nel mio petto (Sinner) 1:13
23. La morte del cor penitente: Part I: Porta ancor nel ferire (Madrigale a 5) 2:07
24. La morte del cor penitente: Part II: Sinfonia 1:02
25. La morte del cor penitente: Part II: Coltello di dolore su traffiggimi il core (Sinner)0:49
26. La morte del cor penitente: Part II: Care pene, dolci affanni siete amabili tiranni (Sinner) 5:03
27. La morte del cor penitente: Part II: Siam qui pronte (Chorus of Retribution, Sinner) 1:31
28. La morte del cor penitente: Part II: Su su si mandino sospiri, e gemiti (1 Punishment, Sin)0:48
29. La morte del cor penitente: Part II: Si si dal dolore l’indegno arrogante (Chorus of Retribution)0:28
30. La morte del cor penitente: Part II: Su su si destino angoscie orribili (1 Punishment, Sinner)0:57
31. La morte del cor penitente: Part II: Non piu s’accendano faci al goder (1 Punishment, Sinner) 1:11
32. La morte del cor penitente: Part II: Si si dal dolore l’indegno arrogante (Chorus of Retribution)0:29
33. La morte del cor penitente: Part II: Gia gia da un’improviso turbine procelloso (Sinner) 1:39
34. La morte del cor penitente: Part II: Venite Alme dolenti, venite a lagrimar (Sinner) 3:34
35. La morte del cor penitente: Part II: Cara morte di dolore che uccidento porgi vita (Sinner) 1:48
36. La morte del cor penitente: Part II: Hor non ti vantar piu Divino Amore (All) 1:45
Mario Cecchetti, tenore
Roberta Invernizzi, soprano
Elisabetta de Mircovich, soprano
Paolo Costa, alto
Marco Beasley, tenore
Sergio Foresti, basso
Poucas vezes eu fico triste quando um sujeito muito produtivo morre aos 86 anos. Teve longa vida, fez muito, foi reconhecido, morreu. Foi assim com Eco. Mas lamentei muitíssimo a morte de Nikolaus Harnoncourt (1929 – 2016) no último sábado. Conheci-o de forma contrária à maioria. Primeiro, li seus livros O Discurso dos Sons e O Diálogo Musical, depois fui ouvir seus discos, como por exemplo, a integral de Cantatas de Bach que ele gravou em parceria com Gustav Leonhardt. O incrível é que o músico era ainda maior do que o autor que me ensinara tanta coisa. A leitura de seus livros abriu minha cabeça para muita música que desprezava por limitação ou preconceito. Ele mudou totalmente minha forma de ouvir música, deu sentido a muita coisa que me parecia arbitrária. Suas explicações sobre a grandeza da Bach são absolutamente convincentes e brilhantes.
https://youtu.be/Vr5cKdC3v3E
Antes de se tornar maestro, foi excelente violoncelista. As gravações demonstram. Sua integral das Suítes para Violoncelo Solo de Bach são magníficas. Foi pioneiro na música historicamente informada, mas não era intolerante como alguns que não aceitam que cada época dê sua versão de um autor. Só que ele, Harnoncourt, preferia a recriação rigorosa daquilo que o compositor compôs e fora ouvido pelo próprio. Ele também trouxe à tona um repertório riquíssimo de compositores negligenciados, talvez pela preguiça dos intérpretes. Investiu sobre o classicismo e o romantismo, dirigindo orquestras como a Filarmônica de Berlim e a de Viena, a Ópera de Viena, a Orquestra de Câmara da Europa, o Concertgebouw de Amsterdã, entre muitos outros. Mas sua existência sempre ficará associada à orquestra que fundou em 1953 e com quem mais gravou: o Concentus Musicus Wien.
Alguns engoliam com dificuldade suas interpretações históricas, outros não suportavam suas decisões estilísticas. Mas a abordagem histórica de Harnoncourt às sinfonias de Beethoven abriu os ouvidos e corações do grande público. Sua influência foi sentida em toda a Europa. Na área da música de concerto, foi o mais importante músico dos últimos 50 anos.
Os depoimentos são inequívocos. Todos amavam Harnoncourt no invejoso e complicado mundo musical. Norman Lebrecht diz que poucas vezes conheceu uma pessoa mais benigna. Quando se conheceram, Harnoncourt apontou um pequeno erro no livro de Lebracht The Maestro Myth. Segundo Lebrecht, aquilo foi dito com tal simplicidade e interesse que não parecia vir de um músico. E o maestro respondia a seus próprios triunfos com humildade e indiferença. Apenas encolhia os ombros e sorria. Achava estranho que o chamassem de maestro. Nos ensaios, era muito sério, focado, recusando-se a deixar passar um trecho antes de ficar satisfeito com ele.
Foi um idealista e como concordo com ele! Queria e queria que as pessoas tivessem acesso à música. Não dar acesso à música era um erro completo de educação. E, como brasileiro consciente de nosso IDH rasante, falo simplesmente em dar acesso, em dar contato. Já faria uma enorme diferença na vida de muita gente. Ninguém vai descobrir na primeira audição todo o ódio de Shostakovich por Stalin contido em sua 10ª Sinfonia, mas, tocado de alguma forma, poderia adquirir vivência com uma das formas mais sofisticadas e inteligentes de arte. Dar acesso, simples assim. Como diz Harnoncourt no vídeo abaixo:
Muito obrigado pela de lições, Nikolaus Harnoncourt. Foste um enorme e compreensivo mestre!
.oOo.
Es ist vollbracht significa Está consumado. A regência é de Nikolaus Harnoncourt, a orquestra é o Concentus Musicus Wien, o solista de gamba é Christophe Coin, o coro — que se ergue mais não canta… — é o Tölzer Knabenchor e o menino é o desconhecido, genial e efêmero (refiro-me à voz, claro) Panito Iconomou. Ah, quem me apresentou a gravação foi o Gilberto Agostinho. É inacreditável.
Sempre ouvindo seus fãs, perscrutando seus desejos e mais profundas aspirações, descobrimos que grande parte dos pequepianos acordavam diariamente e iam pressurosos ao blog na expectativa de encontrar nele alguma obra de Herzogenberg. Hoje, atendemos a seus muitos e mudos pedidos. O grande Herzogenberg foi aluno de Brahms e casou-se com Elisabet von Stockhausen, avó do célebre compositor alemão do século XX, fato que não conseguimos confirmar até o fechamento desta edição.
Ele é considerado um epígono de Brahms, mas estas peças não têm nada a ver com o amante de Clara Schumann e sim como uma religiosidade bisonha, quiçá bovina. Não que a música seja ruim, é que ela nos remete ao luteranismo de Bach e não ao de alguém que viveu até 1900. O deus de Herzogenberg era um amigo imaginário muito antigo e suas peças se dobram a esta concepção infantil. Mas dá para ouvir, claro. Eu curti.
Heinrich von Herzogenberg (1843-1900): Organ Works
01. Choral: Ach Gott vom Himmel sieh darein Op.67 5:30
02. Choral: Meinen Jesum lass ich nicht Op.67 2:54
03. Choral: Es ist genug Op.67 1:58
04. Choralfantasie: Nun komm der Heiden Heiland Op.39 12:40
05. Choral: Aus tiefer Not schrei ich zu dir Op.67 4:01
06. Choral: Erschienen ist der herrlich Tag Op.67 1:56
07. Choral: Komm her zu mir, spricht Gottes Sohn Op.67 3:36
08. Choralfantasie: Nun danket alle Gott Op.46 13:39
Lothar Knappe, plays the Oberlinger organ Dominikanerkirche
St. Paulus, Berlin
Este CD é uma coletânea de peças transcritas para uma inusitada dupla de violoncelo e órgão, Se o violoncelista fosse outro que não Rostropovich, daria para cravar que seria uma porcaria, mas o russo toca tanto que a gente vai engolindo gatinho por gatinho (*). Rostrô não é um especialista em barroco e, por exemplo, sua versão das Suítes de Bach é bem insatisfatória. Creio que o repertório deste CD — cheio de barrocos — não o favorece em nada, mas ele dá conta do recado, mesmo que a gente tenha vontade de rir em alguns momentos de abordagem por demais russorromântica. Recomendo usar com moderação.
(*) Lembram aquelas seleções de clássicos dos anos 70 e 80 que tinham gatinhos na capa? Ali, o Aleluia de Handel podia vir antes de Rhapsody in Blue, a qual era seguida da Abertura 1812, por exemplo. Salada semelhante é a deste CD. Aqui só têm gatinhos, óin… O apelido “Disco de Gatinhos” ou “Concerto de Gatinhos” é de autoria do Júlio e da D. Cristina lá da King`s Discos, esplêndida loja que ficava na Galeria Chaves. Eles não gostavam muito daquelas seleções… Nem eu.
Frescobaldi, Marcello, Bach, Handel, D’Hervelois, Rheinberger, Saint-Saëns: Peças para Violoncelo e Órgão
1 –Girolamo Frescobaldi Toccata
Arranged By – Gaspar Cassadó
Composed By – Girolamo Frescobaldi
Organ – Herbert Tachezi 4:44
2 –Alessandro Marcello Adagio, BWV 974
Arranged By – Johann Sebastian Bach
Composed By – Alessandro Marcello
Organ – Herbert Tachezi 5:05
–Johann Sebastian Bach 3 Chorale Preludes
Arranged By – Zoltán Kodály
Composed By – Johann Sebastian Bach
Organ – Herbert Tachezi
3 – I. Ach, Was Ist Doch Unser Leben, BWV 743 5:14
4 – II. Vater Unser Im Himmelreich, BWV 762 4:12
5 – III. Christus, Der Uns Selig Macht, BWV 747 5:12
–
6 –Georg Friedrich Händel Aria
Arranged By – Grigori Pekker
Composed By – Georg Friedrich Händel
Organ – Herbert Tachezi 3:41
7 –Johann Sebastian Bach Toccata, Adagio & Fugue In C Major, BWV 564: Adagio
Arranged By – Alexander Siloti
Composed By – Johann Sebastian Bach
Organ – Herbert Tachezi 4:00
–Louis De Caix D’Hervelois Portraits De Jeunes Filles De La France D’Autrefois / Portraits Of Young Ladies From Old France
Arranged By – Folkmar Längin
Composed By – Louis De Caix D’Hervelois
Harpsichord – Herbert Tachezi
8 – I. La Florentine 4:40
9 – II. La Provençale 2:04
10 – III. La Lionnoise 2:24
11 – IV. La Bavaroise 1:35
12 – V. La Russienne 1:37
13 – VI. La Siciliene 1:55
14 – VII. La Milaneze 2:05
–Joseph Rheinberger* 3 Pieces (arr. From 6 Stucke Für Violine Und Orgel, Op.150)
Composed By – Joseph Rheinberger*
Organ – Herbert Tachezi
15 – I Abendlied 4:13
16 – II Pastorale 3:42
17 – III Elegie 4:07
18 –Camille Saint-Saëns Prière, Op.158
Composed By – Camille Saint-Saëns
Organ – Herbert Tachezi 5:29
Um CD pirata da melhor qualidade, certamente gravado a partir de uma transmissão radiofônica. São obras agitadas da conturbada primeira metade do século XX — e como Liszt coube bem nelas! O Concerto para Mão Esquerda é a comprovação do contato de Ravel com uma época terrível para a Europa. Ele foi composto, quase como um desafio, para o eminente pianista austríaco Paul Wittgenstein, que tinha perdido o braço direito num combate da Primeira Guerra Mundial e cuja carreira parecia terminada. Contudo, Wittgenstein, com enorme coragem, recusou conformar-se com o fato, e escreveu a vários compositores, pedindo-lhes que escrevessem músicas que ele pudesse tocar apenas com a mão esquerda. Ravel achava-se ocupado com a composição de o Concerto para piano em sol maior. Contudo, movido, pelo apelo, e cedendo ao seu amor inato pela experimentação e pelo incomum, Ravel enfrentou a prova técnica. Sem suspender a composição do outro concerto, atirou-se ao trabalho a fim de escrever algo que pudesse atender às necessidades do pianista tão gravemente sacrificado. O resultado foi excelente e muitos pianistas até hoje deixam o braço direito descansar para interpretar a admirável obra.
Mas o restante da gravação também é extraordinária.
A dupla Dutoit e Thibaudet esmerilham neste CD pirata.
Ravel (1875-1937): Concerto para piano e orquestra para mão esquerda e La Valse, Liszt (1811-1886): Totentanz para piano e Orchestra e Rachmaninov (1873-1943): Danças Sinfônicas, Op. 45
Maurice Ravel (1875-1937) – Concerto para piano e orquestra em D (para “mão esquerda”)
01. Lento
02. Allegro
03. Tempo I
Franz Liszt (1811-1886) – Totentanz para piano e Orchestra
04. Totentanz para piano e Orchestra
Sergei Rachmaninov (1873-1943) – Danças Sinfônicas, Op. 45
05. Non allegro
06. Andante con moto (Tempo di valse)
07. Lento assai – Allegro vivace
Maurice Ravel (1875-1937) –La Valse 08. La Valse
Chicago Symphony Orchestra
Charles Dutoit, regente
Jean-Yves Thibaudet, piano
Um CD que tem a Cantata BWV 95 deve ser sempre ouvido! A ária Ach, Schlage Doch Bald é obrigatória conhecer. Igualmente as árias Ich Bin Vergnügt Mit Meinem Glücke e Ich Esse Mit Freuden Mein Weniges Brot da Cantata BWV 84. O trabalho de Herreweghe com seu Collegium Vocale Gent impressiona como sempre. Difícil imaginar uma abordagem melhor para este grupo de Cantatas.
As cantatas constituem o grosso da produção de Bach, mas apenas nas últimas décadas sua importância vem sendo reconhecida. Esquecidas quase por completo no século XIX, até meados do século XX somente um pequeno número delas havia sido estudado em detalhe, situação que vem mudando diante do rápido crescimento dos estudos bachianos. A maior parte delas é sacra, compostas em Weimar e principalmente Leipzig, mas ele cultivou o gênero ao longo de quase toda a sua carreira. Muitas foram perdidas. De acordo com o obituário do mano Carl Philipp, ele compôs cinco ciclos completos para o ano eclesiástico, fora as cantatas profanas, o que representaria mais de 350 obras. Ainda sobrevivem 194 composições neste gênero, somando um total de mais de 1.200 movimentos individuais. As de sua fase inicial são compostas segundo o modelo alemão do século XVII, sem recitativos ou árias da capo, elementos de origem operística italiana que só aparecem em suas obras maduras. Mais tarde se consolidou um formato italianizado, com uma abertura mais elaborada com coro, seguida de uma alternância de cinco ou seis árias da capo e recitativos para voz solo, encerrando com uma harmonização coral simples homofônica a quatro vozes, quando a congregação possivelmente se unia ao coro, mas mesmo aqui são encontradas muitas outras soluções técnicas e formais, incluindo fugas, cânones, variações sobre um ostinato, formas concertantes, influência da abertura francesa e do antigo moteto, além de se valerem de uma ampla gama de forças instrumentais.
J. S. Bach (1685-1750): Christus, Der Ist Mein Leben — Cantatas BWV 27, 84, 95 & 161
Wer Weiß, Wie Nahe Mir Mein Ende; BWV 27
1 1. Choral + Recitiativo Sopran, Alto, Tenor: Wer Weiß, Wie Nahe Mir Mein Ende 4:03
2 2. Recititativo, Tenor: Mein Leben Hat Kein Ander Ziel 0:55
3 3. Aria, Alto: Willkommen! Will Ich Sagen 3:46
4 4. Rezitativo, Sopran: Ach, Wer Doch Schon Im Himmel Wär! 0:42
5 5. Aria, Bass: Gute Nacht, Du Weltgetümmel! 3:03
6 6. Choral: Welt, Ade! Ich Bin Dein Müde 0:57
Ich Bin Vegnügt Mit Meinem Glücke; BWV 84
7 1. Aria, Soprano: Ich Bin Vergnügt Mit Meinem Glücke 5:29
8 2. Rezitativo, Soprano: Gott Ist Mir Ja Nichts Schuldig 1:22
9 3. Aria, Soprano: Ich Esse Mit Freuden Mein Weniges Brot 4:44
10 4. Rezitativo, Soprano: Im Schweisse Meines Angesicht 0:57
11 5. Choral: Ich Leb Indes In Dir Vergnüget 0:49
Christus, Der Ist Mein Leben; BWV 95
12 1. Choral + Recitativo, Tenor: Christus Der Ist Mein Leben 4:58
13 2. Recitativo, Sopran: Nun, Falsche Welt! 3. Chorale, Sopran: Valet Will Ich Dir Geben 2:56
14 4. Recitativo, Tenor: Ach Könnte Mir Doch Bald So Wohl Geschehen 0:36
15 5. Aria, Tenor: Ach, Schlage Doch Bald, Selge Stunde 6:59
16 6. Recitativo, Bass: Denn Ich Weiß Dies 1:21
17 7.Choral: Weil Du Vom Tod Erstanden Bist 1:04
Komm Du Süße Todesstunde; BWV 161
18 1. Aria, Alto: Komm, Du Süße Todessstunde 4:41
19 2. Recitativo, Tenor: Welt! Deine Lust Ist Last! 1:48
20 3. Aria, Tenor: Mein Verlangen 4:40
21 4. Recitativo, Alto: Der Schluß Ist Schon Gemacht 2:01
22 5. Chor: Wenn Es Meines Gottes Wille 2:56
23 6. Choral: Der Leib Zwar In Der Erden 1:19
Mais motetos da família. Este segundo disco é também levado por belgas, estes mais do sul do país e ligados a Festivais de música do Vale do Meuse. O moteto é um gênero musical polifônico surgido no século XIII, onde, inicialmente, usavam-se textos distintos para cada voz. Dessa característica vem a origem do termo, derivado de mot, palavra, em francês. O moteto se tornará uma das grandes formas da música polifônica, sendo o apogeu de seu uso no contraponto modal do século XVI, apesar de sua importância para a música barroca e da recorrência a ele até por compositores românticos.
Johann Michael Bach
Halt was du hast. Motette für Doppelchor zu 8 Stimmen und Basso continuo
1. Jesu meine Freude / Halt, was du hast
Johann Christoph Bach
Sei getreu bis in den Tod. Motette für 5-stimmigen Chor und Basso continuo
2. Sei getreu bis in den Tod
Johann Christoph Bach
Der Mensch, vom Weibe geboren. Motette für 5-stimmigen Chor und Basso continuo
3. Der Mensch, vom Weibe geboren
Johann Michael Bach
Fürchtet euch nicht. Motette für Chor und Basso continuo
4. Fürchtet euch nicht
Hieronymus Praetorius
Missa super “Angelus ad Pastores”, für Doppelchor zu 8 Stimmen und Basso continuo
5. 1. Kyrie
6. 2. Gloria
7. 3. Credo
8. 4. Sanctus
9. 5. Agnus Dei
Johann Michael Bach
Sei, lieber Tag willkommen. Motette für 6-stimmigen Chor und Basso continuo
10. Sei, lieber Tag willkommen
Johann Michael Bach
Ich weiss, dass mein Erlöser lebt. Motette für 5-stimmigen Chor und Basso continuo
11. Ich weiss, dass mein Erlöser lebt
Johann Michael Bach
Herr, ich warte auf dein Heil. Motette für Doppelchor und Basso continuo
12. Herr, ich warte auf dein Heil
Johann Michael Bach
Herr, wenn ich nur dich habe. Motette für 5-stimmigen Chor und Basso continuo
13. Herr, wenn ich nur dich habe
Johann Michael Bach
Unser Leben währet siebenzig Jahr. Motette für 5-stimmigen Chor und Basso continuo
14. Unser Leben währet siebenzig Jahr
Capella Sancti Michaelis
Ricercar Consort
Erik van Nevel
A Família Bach foi de grande importância na história da música por cerca de duzentos e cinquenta anos, com mais de 50 músicos e vários compositores notáveis. Seu membro mais proeminente e mais notável compositor da história da música foi Johann Sebastian Bach (1685-1750). A dinastia musical começou com o trisavô de Johann Sebastian, Veit Bach (nascido antes de 1545 e morto por volta de 1576), e se extinguiu com seu neto Wilhelm Friedrich Ernst Bach (1759-1845). Neste CD, temos obras sacras de ascendentes de papai. O trabalho de Herreweghe e sua turma de Gent é impecável, como sempre.
Motetos da Família Bach (I)
Johann Bach
1. Sey nun wieder zufrieden
2. Unser Leben ist ein Schatten Johann Michael Bach
3. Das Blut Jesu Christi Johann Christoph Bach
5. Ich lasse dich nicht
6. Der Gerachte
7. Lieber Herr Gott
8. Herr, nun lassest du dienen Diener in Friede fahren
9. Unsers Herzens Freude
Collegium Vocale Gent
Johan Huys, Organ
Philippe Pierlot, Bass Viole
Ricercar Consort
Philippe Herreweghe
Este CD é muito bom, primoroso, de um nível difícil de encontrar por aí, mas… Falta sangue e sujeira nos pianos de Los Tangueros. O pessoal não entende que é preciso dar porrada. O que eles fizeram está bonito, mas o mestre Piazzolla, para citar um exemplo candente, tinha uma melhor leitura de si mesmo. O legal seria gravar estes pianistas no meio do mercado de San Telmo com um ouvindo o outro bem mal, errando bastante e com o público fungando e aplaudindo. Não adianta, lugar de cachorro e de tango é na rua. Eu sou um grande admirador do erro ao vivo, do erro por tesão. Isso aqui, apesar de lindo, está perfeito demais. Há que sujar. É minha opinião.
Astor Piazzolla (1921-1992) — Los Tangueros
1. Revirado 3:17
2. Fuga y misterio (Instrumental) 4:34
3. Milonga del Angel 6:18
4. Decarissimo (Instrumental) 2:35
5. Soledad (Instrumental) 8:03
6. La muerte del angel (Instrumental) 3:25
7. Adiós Nonino (Instrumental) 5:49
8. Libertango (Instrumental) 4:12
9. Verano Porteqo (Instrumental) 6:35
10. Michelangelo ’70 (Instrumental) 3:14
11. Buenos Aires Hora cero (Instrumental) 4:09
12. Tangata (Instrumental) 7:40
Este repertório é magnífico, trata-se de expressões artísticas da maior qualidade, verdadeiros tesouros humanistas. Por isto, é uma temeridade enfrentá-los. A música parece crescer e crescer a cada audição, tantos são os detalhes. O grupo ao lado realiza um trabalho de excelente nível, mas não alcança as alturas a que chegaram o Beaux Arts e o somatório Amadeus + Gilels. Mas estamos falando de semideuses. É óbvio que há poucos programas em todo o universo do que ouvir este álbum duplo da Erato. Se você tiver alguma dúvida disso, vou ficar muito desconfiado de você, seu tolinho.
Johannes Brahms (1833-1897): Integral dos Quartetos para Piano
Um CD luxuoso. Regidos todos pelo lendário Gustav Leonhardt, o extraordinário Café Zimmermann, conjunto francês chefiado pelo argentino Pablo Valetti, e mais solistas e coro dos Chantres du Centre de Musique Baroque de Versailles, tudo para interpretar duas Cantatas Profanas (ou Seculares) de papai Bach. A coisa é fina, mas as Cantatas não estão entre as melhores de Bach. Mas há momentos maravilhosos como, por exemplo, a ária Was die Seele kann ergötzen (faixa 5), o coral de abertura da Cantata 207 e todas as partes desta Cantata retiradas do Concerto de Brandenburgo Nº 1.
Johann Sebastian Bach (1685-1750): Weltliche Kantaten, BWV 30a e 207
01. BWV 30a – 1. Coro_ Angenhmes Wiederau
02. BWV 30a – 2. Recitativo_ So ziehen wir
03. BWV 30a – 3. Aria (B)_ Willkommen im Heil
04. BWV 30a – 4. Recitativo_ Da heute dir
05. BWV 30a – 5. Aria (A)_ Was die Seele kann ergötzen
06. BWV 30a – 6. Recitativo_ Und wie ich jederzeit bedacht
07. BWV 30a – 7. Aria (B)_ Ich will dich halten
08. BWV 30a – 8. Recitativo_ Und obwohl sonst der Unbestand
09. BWV 30a – 9. Aria (S)_ Eilt, ihr Stunden, wie ihr wollt
10. BWV 30a – 10. Recitativo_ So recht! ihr seid mir werte Gäste 11. BWV 30a –
11. Aria (T)_ So, wie ich die Tropfen zolle 12. BWV 30a –
12. Recitativo_ Drum, angenehmes Wiederau
13. BWV 30a – 13. Coro_ Angenehmes Wiederau
14. BWV 207 – 1. Coro_ Vereinigte Zwietracht der wechselnden Saiten
15. BWV 207 – 2. Recitativo_ Wen treibt ein edler Trieb zu dem, was Ehre heißt
16. BWV 207 – 3. Aria (T)_ Zieht euren Fuß nur nicht zurücke
17. BWV 207 – 4. Recitativo_ Dem nur allein
18. BWV 207 – 5. Aria Duetto (B S)_ Den soll mein Lorbeer schützend decken
19. BWV 207 – 6. Ritornello
20. BWV 207 – 7. Recitativo_ Es ist kein leeres Wort
21. BWV 207 – 8. Aria (A)_ Ätzet dieses Angedenken
22. BWV 207 – 9. Recitativo_ Ihr Schläfrigen, herbei!
23. BWV 207 – 10. Coro_ Kortte lebe, Kortte blühe!
Monika Frimmer, soprano
Robin Blaze, contralto
Markus Schäfer, tenor
Stephan MacLeod, baixo
Les Chantres du Centre de Musique Baroque de Versailles:
Sophie Landy, Béatrice Gobin, Sarah Szlakmann, sopranos
Bruno Le Levreur, Julien Freymuth, Arnaud Raffarin, contraltos
Romain Champion, Benoît Porcherot, Dominique Bonnetain, tenores
Arnaud Richard, David Witczak, Louis-Pierre Patron, baixos
Olivier Schneebelt, direção
Café Zimmermann:
Pablo Valetti, violino & Konzertmeister
Nicholas Robinson, Mauro Lopes, Cecile Mille, David Plantier, Pedro Martin Gandia, violinos
Patricia Gagnon, José Manuel Navarro, violas
Petr Skalka, Etienne Mangot, violoncelos
Ludek Brany, contrabaixo
Céline Frisch, clavecin Emmanuel Alemany, René Maze, Guy Ferber, trompetes naturais (só nos lábios!)
Diana Baroni, Sarah Van Cornewal, flauta transversa
Patrick Beaugiraud, Henri Michel, Clémentine Humeau, oboé
Laurent Le Chenadec, fagote
David Vateville, tímpanos
Kodály é mais conhecido como co-fundador – junto com seu amigo Bartók – da etnomusicologia. Trabalharam anos pesquisando a música de Hungria e da Romênia, mormente a dos ciganos. Kodály também foi grande compositor e, sem dúvida, o grande destaque deste notável CD é a espetacular Sonata para Violoncelo Solo, um monumento de mais de 30 minutos que, além de tour de force, é música da melhor qualidade. Mas o disco abre com uma curiosidade: arranjos para violoncelo e piano de três prelúdios corais de meu pai (BWV 743, 762 e 747).
Three Chorale Preludes
1. Ach was ist doch unser Leben 04:47
2. Vater unser im Himmelreich 04:00
3. Christus der uns selig macht 05:04
Maria Kliegel, cello
Jeno Jando, piano
Sonata for Solo Cello, Op. 8
4. Allegro maestro ma appassionato 08:18
5. Adagio (con grand’ espressiono) 11:31
6. Allegro molto vivace 11:10
Maria Kliegel, cello
Cello Sonata, Op. 4
7. Fantasia: Adagio di molto 09:22
8. Allegro con spirito – Molto adagio 10:14