Haydn (1732-1809) & Cia: Legacy – Concertos para Violoncelo & outras obras – Christian-Pierre La Marca – Le Concert de la Loge & Julien Chauvin ֍

Haydn (1732-1809) & Cia: Legacy – Concertos para Violoncelo & outras obras – Christian-Pierre La Marca – Le Concert de la Loge & Julien Chauvin ֍

Legacy

Christian-Pierre La Marca

Le Concert de la Loge

Julien Chauvin

 

Christian-Pierre La Marca

Eu sempre imagino Papa Haydn já idoso, compositor renomado, mais velho do que Mozart e Beethoven. Mas é fato que houve um jovem Joseph Haydn – cantor de coro que declinou da castrazione para manter a bela voz e que estudou música com outros mestres até tornar-se um mestre ele mesmo. Um destes músicos de uma geração anterior que a dele foi Nicola Porpora, que além de compositor de óperas foi professor de canto. Teve entre seus alunos famosos castrati, como Farinelli e Caffarelli. Haydn trabalhou como factótum (assessor para assuntos gerais) para Porpora enquanto este viveu em Viena e lembrava-se do mestre com um sorriso nos lábios. Aprendeu muito palavras italianas com ele, tais como asino, coglione e birbante. Havia também boas lembranças de cutucões nas costelas…

Foi também coisa da juventude de Haydn a composição de concertos diversos, nos primeiros anos que passou na Petit Versailles, a Corte de Estérhazy, para brindar os bons músicos que serviam a orquestra que estava a sua disposição.

Foi assim que surgiu, nos primeiros anos da década de 1760 o seu primeiro concerto para violoncelo, composto provavelmente para o violoncelista Joseph Weigl, que trabalhava ali. Aliás, o concerto ficou perdido por muito tempo, até ser redescoberto nos arquivos de um museu em Praga, em 1961. O manuscrito estava ao lado de um outro concerto de Joseph Weigl. De qualquer forma, a primeira frase do concerto havia sido registrada por Haydn em um catálogo de obras que ele começara a fazer em Estérhazy.

Julien Chauvin

O segundo concerto é tecnicamente mais difícil e foi escrito em 1783. Este foi atribuído a Anton Kraft, outro violoncelista que atuou em Estérhazy. Anton foi excelente violoncelista e deve ter dado seus pitacos na parte técnica do concerto, coisa que pode ter ajudado a causar a confusão. Kraft foi o violoncelista para quem Beethoven escreveu a parte de violoncelo de seu Concerto Triplo.

Neste ótimo disco os dois concertos são apresentados pelo violoncelista Christian-Pierre La Marca, acompanhado pela orquestra com prática de instrumentos de época, Le Concert de la Loge, regida por Julien Chauvin. O disco traz ainda obras de outros compositores da época, perfazendo um agradável programa musical. Temos uma ária do Nicola Porpora, cantada aqui pelo ótimo contratenor Philippe Jaroussky, um movimento (largo) de um concerto para violoncelo, também de Porpora, uma Sinfonia Concertante, que fora deixada inacabada por Mozart, numa reconstrução feita por Robert Levin. E também uma transcrição para violoncelo da música de balé de Gluck, danse des ombres heureuses, escrita para a ópera Orphée et Eurydice, feita por Christian-Pierre La Marca.

Joseph Haydn (1732 – 1809)

Concerto para violoncelo No. 1 em dó maior, Hob. VIIb:1

Cadenza: Christian-Pierre La Marca

  1. Moderato
  2. Andante
  3. Allegro molto

Nicola Porpora (1686 – 1768)

Concerto para violoncelo em sol maior
  1. Largo

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)

Reconstrução: Robert Levin

Sinfonia Concertante em lá maior (KV Anhang 104 / 320E)
  1. Fragmento

Christoph Willibald Gluck (1714 – 1787)

Orphée et Euridice
  1. Dança dos Espíritos Abençoados (Transcrição de Christian-Pierre La Marca)

Nicola Porpora (1686 – 1768)

Gli orti esperidi
  1. Ária: Giusto amor tu che m’accendi

Joseph Haydn (1732 – 1809)

Concerto para violoncelo No. 2 em ré maior, Hob. VIIb:2 (Op. 101)

Cadenza: Maurice Gendron

  1. Allegro moderato
  2. Andante
  3. Allegro

Christian-Pierre La Marca, violoncelo

Philippe Jaroussky, contatenor (Gluck)
Julien Chauvin (violino) e Adrien La Marca (viola) (Mozart)

Le Concert de La Loge

Julien Chauvin

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Le Concert de la Loge

Partes da entrevista dada por Christian-Pierre e Julien:

LM: I wanted this program to introduce new ways of listening to Haydn’s concertos. The title of the album Legacy emphasizes more of the aspect of transmition than that of inheritance – the goodwill one generation passes on to the next, the encounters between musicians who hand down a tradition, the development of styles of writing for the instrument.

JC: Haydns’s concertos are often recorded on their own, the fact that they are ‘enveloped’ in other pieces gives them an additional dimension.

I couldn’t agree more!

Aproveite!

René Denon

Antonin Dvorák (1841-1904): Trios para Piano (Beaux Arts Trio)

Estes trios de Dvorak interpretados pelo Beaux Arts Trio já eram para ter sido postados há algum tempo, mas na correria do dia a dia, acabei esquecendo. O que é uma pena, pois trata-se de uma gravação histórica, uma das melhores já realizadas dessas obras tão peculiares. O que temos aqui é um precioso registro, realizado ainda lá no final da década de 1960, e assim se passaram cinquenta e poucos anos, mas quem se importa?

Voltar a estas obras depois de tantos anos me faz bem. Essa gravação me caiu em mãos ainda no começo do novo século, graças a gentileza de um querido amigo que sabia como eu era fã do Beaux Arts Trio, então gravou este CD pra mim. Não conhecia estas obras, Dvorák para mim até então limitava-se ao Concerto para Violoncelo e à Sinfonia nº 9. Desde a primeira audição me encantei com a delicadeza destas obras, e mais ainda com a performance deste conjunto, era um disco tão encantador e envolvente que deixei de lado alguns outros discos para ouvir este CD duplo mais atentamente.  Naquela época estava envolvido com a Universidade, e de certa forma ele foi a trilha sonora daquela período tão importante de minha vida.  Algumas vezes embalou meu sono no ônibus, quando voltava para casa de noite, depois das aulas.

Talvez o mais famoso destes trios, e mais gravado, seja o de op. 90, denominado ‘Dumky’, e assim se denominam as canções ucranianas que possuem um caráter elegíaco e reflexivo. Muito agradáveis de se ouvir em um final de semana sem maiores compromissos a não ser relaxar. E a interpretação do Beaux Arts Trio com certeza é um elemento a mais que tornam estes dois CDs IM-PER-DÍ-VEIS !!!

CD1
Piano Trio In B Flat, Op. 21
1. Allegro Molto
2. Adagio Molto E Mesto
3. Allegretto Scherzando
4. Finale (Allegro Vivace)

Piano Trio In G Minor, Op. 26
1. Allegro Moderato
2. Largo
3. Scherzo (Presto – Poco Meno Mosso)
4. Finale (Allegro Con Tanto)

CD 2
Piano Trio In F Minor, Op. 65
1. Allegro Ma Non Troppo – Poco Più Mosso, Quasi Vivace
2. Allegro Grazioso – Meno Mosso
3. Poco Adagio
4. Finale (Allegro Con Brio – Meno Mosso – Vivace)

Piano Trio In E Minor, Op. 90 “Dumky”
1. Lento Maestoso – Allegro Vivace, Quasi Doppio Movimento – Tempo I – Allegro Molto
2. Poco Adagio – Vivace Non Troppo
3. Andante – Vivace Non Troppo – Andante – Allegretto
4. Andante Moderato (Quasi Tempo Di Marcia) – Allegretto Scherzando – Meno Mosso – Allegro – Moderato 5. Allegro
6. Lento Maestoso – Vivace, Quasi Doppio Movimento – Lento – Vivace

Beaux Arts Trio
Cello – Bernard Greenhouse
Piano – Menahem Pressler
Violin – Isidore Cohen

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FDPBach

Respighi (1879-1936): Três Quadros de Botticelli (2 versões); As Aves; Antigas Danças e Árias suítes 1 e 3

Nossa homenagem ao saudoso Ranulfus continuará, também, através da republicação de suas preciosas contribuições ao nosso blog – como esta, que veio à luz em 21/5/2010.

Não faz muito, o PQP comentou aqui que acha Respighi chato – e eu também acho no que tange suas obras mais conhecidas, os poemas sinfônicos de intenção impressionista ‘Fontes de Roma’ e ‘Pinheiros de Roma’. Já tentei ouvir essas obras com boa-vontade, mas foi em vão.

E no entanto, acreditem: é de Respighi uma das peças que mais me fizeram gosto até hoje – seguramente uma das 10 que eu levaria para o exílio em outro planeta: o Trittico ou Trípico Botticelliano.

Justamente por isso falarei dele por último; só adianto que ‘Three Pictures of Botticelli’ é como se costuma chamar essa obra em inglês, e se usei uma tradução disso no título do post foi apenas pela oportunidade de fazê-lo ‘conversar’ com outro post que está sendo revalidado nesta mesma ocasião: os ‘Três Afrescos de Piero della Francesca’, de Martinu.

Respighi começou o estudo da música pelo violino e por sua irmã mais gorda, a viola, e aos 21 anos foi parar como primeiro violista de orquestra em São Petersburgo, numa temporada de ópera italiana. Já tinha estudado também um pouco de composição, e não perdeu a oportunidade de agarrar 5 meses de aula com Rimsky-Korsakoff, então com 56 anos – mesma idade com que ele, Respighi, morreria na década de 30.

De volta à Itália uma de suas principais frentes de atividade foi a de musicólogo: hoje parece banal conhecer a música da Renascença, mas no começo do século XX isso era atividade de garimpo, e nosso amigo foi um dos pioneiros. Editou e publicou diversas coleções de madrigais e também seu tanto de barroco – e aparentemente amou essa música com tanta intensidade que quis fazê-la sua: ao lado dos referidos poemas sinfônicos, suas obras mais famosas são as 3 suítes Antiche Danze ed Arie per Liuto, formadas por arranjos orquestrais de 4 peças renascentistas cada uma; e o curioso é que esses arranjos do alheio parecem soar mais autênticos, mais como uma voz própria, que aqueles poemas sinfônicos que são propriamente composições.

Já a suíte Gli Ucelli (As Aves) fica numa posição intermediária: aqui são um pouco mais que arranjos de peças barrocas para cravo; o artesanato de texturas, cores, ambiências, chega a momentos de expressividade intensa – ou de deliciosa comédia, como na recriação de ‘La Poule’, a famosa Galinha de Rameau.

E aí chegamos ao que é efetivamente uma composição – o Trittico Botticelliano -, mesmo se também com uso de temas antigos – do que, aliás, só tenho certeza em um caso: a melodia gregoriana Veni veni Emmanuel, que emerge aos 1:10 de ‘A adoração dos Magos’. No resto, não sei dizer se os temas são ou apenas evocam danças e cantos antigos e/ou populares, mas são definitivamente desenvolvidos em um discurso próprio – muito mais do que, digamos, o bem mais famoso Carl Orff consegue desenvolver o que quer que seja.

A palavra ‘discurso’, aliás, é bastante apropriada, pois não temos aqui a menor pretensão de ‘pintar com sons’ como nas ‘Fontane’, ou no Debussy de ‘La Mer’. O que temos são relatos de encenações interiores dos episódios que os quadros evocam.

E, querem saber? Não me importa a mínima se isto não for uma obra-mestra em técnica composicional: eu a vejo como absoluta obra-prima do afeto, da máxima amabilidade ou delicadeza (não ‘frescura’) que o ser humano consegue alcançar. E, com isso, inversão total do estereótipo do italiano como especialista do exagero, vulgaridade e barulheira – no que a comparo com outra obra-prima italiana, lamentavelmente inincontrável: o filme de Franco Brusati ‘Dimenticare Venezia’, de 1979, jamais lançado em vídeo ou DVD.

Quase da mesma época (1977) foi o vinil em que conheci essa obra, com uma realização magnífica da Orquestra de Câmara de Praga. Como prêmio de consolação por não poder postá-lo, nosso amigo José Eduardo me conseguiu duas versões – vejam abaixo de quem – que coloquei uma abrindo, outra fechando o programa.

Comparação com a obra análoga de Martinu? Não, gente, eu ainda a ouvi muito pouco para me atrever. Só digo que não me pareceu impressionista – como o Villalobiano a caracterizou – e sim francamente neo-romântica. E que sua linguagem abertamente sinfônica torna ainda mais difícil a comparação com esta aqui, quase camerística. E agora é com vocês…

Ottorino Respighi (1879-1936), obras para pequena orquestra

Trittico Botticelliano (Three Botticelli Pictures) p. orquestra (1927)
01 La Primavera

 

 

 


 

02 L’Adorazione dei Magi (a adoração dos magos)

 

 

 

 

 


03 La nascita di Venere (o nascimento de Vênus)

 

 

 


 

Gli Uccelli (As Aves) p. pequena orquestra, s. peças barrocas p. cravo (1927)
04 Preludio (Bernardo Pasquini)
05 La Colomba (a pomba) (Jacques de Gallot)
06 La Galina (a galinha) (J.P. Rameau)
07 L’Usignuolo (o rouxinol) (anônimo inglês)
08 Il Cuccù (o cuco) (Bernardo Pasquini)

Antiche Danze ed Arie (antigas danças e árias), suite 1, p. orquestra (1917)
s. peças p. alaúde de S. Molinaro, Vicenzo Galilei (pai de Galileo!) e anônimas
09 Baletto detto ‘Il Conte Orlando’
10 Gagliarda
11 Villanella
12 Passo Mezzo e Mascherada

Antiche Danze ed Arie (antigas danças e canções), suite 3, p. cordas (1932)
s. peças p. alaúde e violão de Besard, L.Roncalli, Santino Garsi da Parma e anônimo
13 Italiana
14 Aria di Corte
15 Siciliana
16 Passacaglia

Orpheus Chamber Orchestra (N.York) (DG 1993)

17 BÔNUS: Trittico Botticelliano I, II e III (1927)
Bournemouth Sinfonietta, reg. Tamás Vásáry (Chandos 1992)

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Ranulfus

Restaurado por Vassily, com gratidão e saudades, em 13/2/2023

Beethoven (1770-1827) & Schubert (1797-1828): Sonatas Kreutzer & Arpeggione – Bruno Philippe, violoncelo & Tanguy de Williencourt, piano ֍

Beethoven (1770-1827) & Schubert (1797-1828): Sonatas Kreutzer & Arpeggione – Bruno Philippe, violoncelo & Tanguy de Williencourt, piano ֍

Beethoven

Sonata Kreutzer

Schubert

Sonata Arpeggione

Bruno Philippe, violoncelo

Tanguy de Williencourt, piano

A Sonata Kreutzer poderia ter sido chamada Sonata Bridgetower, não fosse uma linda tarde de concertos seguido de grandes comemorações regadas ao bom vinho do Reno em uma famosa taverna nos arredores de Viena onde os ânimos voláteis se tornam facilmente incendiáveis. Bastou um comentário menos airoso feito (infelizmente) pelo violinista inglês sobre uma certa senhorinha que andava a fazer suspirar o inspirado compositor e pianista agora já cidadão vienense. Uma amizade que nascera de admiração profissional seguida de certas identificações pessoais foi pelos ares, por um comentário leviano de um, mas imperdoável para o outro.

George Bridgetower

A Sonata havia sido composta por Beethoven tendo em mente o violinista virtuose George Bridgetower que visitava Viena nos idos de 1803, ele que crescera ali por perto, na Corte de Esterházy, fora até aluno de Haydn e agora era famoso e se estabelecera em Londres. Nessa visita andava de boas com o Ludovico, tocando seus quartetos e até dando seus pitacos na parte de violino da sonata que juntos tocaram pela primeira vez.

A história é boa e merece ser mais elucidada. George Bridgetower havia sido criança prodígio, filho de mãe alemã e de pai originário de Barbados. O casal se encontrou na Polônia, mas mudou-se posteriormente para a Corte de Esterházy. A combinação de genes era realmente feliz para a música. O filho Joseph tornou-se violoncelista e George aprendeu a tocar o violino desde a mais tenra idade. Aos dez anos já fazia tours pelas cidades europeias e sua ascendências certamente era explorada para atrair ainda maior audiência. Era apresentado como Príncipe Africano e há notícias de ter sido fantasiado com roupas turcas, que na época era algo muito exótico.

Houve até uma dedicação jocosa feita pelo Ludovico: ‘Sonata mulattica composta per il mulato Brischdauer, gran pazzo e compositore mulattico’. A inscrição mostra como os laços entre Ludovico e George eram estreitos.

Cara de Carl num dia que o Ludovico estava ‘de boas’…

De qualquer forma, o nome Sonata Kreutzer pegou, mesmo que o tal violinista Kreutzer nunca tenha encarado a obra, que é realmente espevitada. Mas o que temos neste disco não exatamente aquela peça que pode ser ouvida nas interpretações intensas de Jascha Heifetz ou de Isabelle Faust, mas sim um transcrição feita para violoncelo e piano, pelo arranjador (oficial) de Luduvico, o fiel Carl Czerny. O jovem violoncelista Bruno Philippe tem todas as credenciais de virtuose para encarar a empreitada você já conhece de outra postagem, com as Suítes para Violoncelo de Bach.

Depois desse embate, piano e violoncelo, as peças de Schubert se sobressaem pelo lirismo e beleza encantadora. Arpeggione é o nome de um instrumento – uma guitarra tocada com arco – criação de um lutier vienense, que caiu rapidamente em esquecimento, mas não sem antes inspirar Schubert a compor a Sonata, em 1824. A Sonata renasceu, publicada em 1871 e caiu nas graças de violoncelistas e violistas de bom gosto. Há inúmeras gravações espetaculares disponíveis: Rostropovich/Britten, Maisky/Argerich e entre as gerações mais novas, Queyras/Tharaud, Capuçon/Braley, sem esquecer a prata da casa: Antonio Meneses…

Para completar esse lindo disco os jovens intrépidos intérpretes Bruno Philippe e Tanguy de Williencourt apresentam as transcrições de três Lieder (canções) de Schubert. Duas delas, Nacht und Träume e Der Jüngling und der Tod fazem a transição entre a Kreutzer e a Arpeggione. Fechando o cortejo a transcrição de uma das mais lindas canções da coleção Schwanengesang, Ständchen (Serenata).

Tanguy R Bruno ‘in action’…

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Sonata para violino e piano No. 9 ‘À Kreutzer’, op. 47, em lá maior

transcrição para violoncelo e piano por Carl Czerny (1791 – 1857)
  1. Adagio sostenuto – Presto
  2. Andante con variazioni
  3. Finale – Presto

Franz Schubert (1797 – 1828)

Nacht und Träume, D. 827

  1. transcrição para violoncelo e piano

Der Jüngling und der Tod, D. 545

  1. transcrição para violoncelo e piano

Sonata para arpeggione e piano, D821, em lá menor

  1. Allegro moderato
  2. Adagio
  3. Allegretto

Ständchen, D. 889

  1. transcrição para violocelo e piano

Bruno Philippe, violoncelo

Tanguy de Williencourt, piano

Faixa extra: Ständchen, D. 889

Roderick Williams, barítono

Iain Burnside, piano

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FLAC | 353 MB

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MP3 | 320 KBPS | 196 MB

Tanguy e Bruno em foto de modelo de confecções em jeans…

O disco já é ‘velho’, de 2017, e Bruno Philippe já apareceu por aqui em produção mais recente, mas aposto que você não vai reclamar, se ouvir atentamente…

Aproveite!
René Denon

In memoriam Ranulfus (1957-2023)

Nós – e o mundo – perdemos Ranulfus no último dia 9, e, após reverente silêncio, retomamos as atividades do PQP Bach.

Nossas homenagens, claro, continuarão – e a caixa de comentários, que tantas e tão significativas mensagens recebeu nos últimos dias, pelas quais muito agradecemos e que encaminhamos aos que lhe eram mais próximos, seguirá aberta às manifestações de seus colegas e leitores-ouvintes.

Giuseppe Verdi (1813-1901): “Il Trovatore” – ópera em quatro atos (Caballé, Arkhipova, Cossutta, Milnes, van Allan, Guadagno)

Giuseppe Verdi (1813-1901): “Il Trovatore” – ópera em quatro atos (Caballé, Arkhipova, Cossutta, Milnes, van Allan, Guadagno)
Cena de “Il Trovatore”, de Verdi – “Arena di Verona”, Itália, 2019.

Se temática e luminosidade se associam em dramaturgia, “Il Trovatore” pode ser considerada uma ópera noturna, pelos elementos sinistros presentes. Especialmente por uma cigana, que teve a mãe condenada à morte, por bruxaria, e criava, como seu, o filho do nobre que perpetrou a condenação…

A vingança da cigana Azucena será tema central. E a progressão do drama remeterá ao entardecer e à noite… Assim, sentimentos de profunda dor, transfigurados em ódio, estarão imersos em sombrias luminosidades… Também aflorará inesperado amor materno, a surpreender Azucena, pelo filho do algoz de sua mãe – a conflituá-la… Além do amor trágico, mas inabalável de Leonora. Tochas e fogueiras serão únicos pontos de luz no entorno dos personagens, típicos de cenário medieval, do interior de castelos e acampamentos…

A música será das mais vigorosas escritas por Verdi. E ao pontuar ambiente violento, o ritmo viril e frenético atravessa a ópera e captura o ouvinte, compensando quaisquer incompreensões do libreto… Por fim, a vigança se efetivará na brutal rivalidade por Leonora, entre irmãos que se desconheciam – na morte de Manrico, “O trovador”, que Azucena criara como filho… “Egl’era tuo fratello!”, sentenciará Azucena ao jovem conde de Luna. E finalizará: “Sei vendicata, o mi madre!”…

E da condenação arbitrária de uma cigana, drama remetia aos conflitos étnicos – às sementes do ódio e da intolerância… Pela primeira vez, Verdi compunha uma ópera sem contrato prévio. Compunha pelo simples desejo de produzir – e segue mistério, como lhe chegou, às mãos, o texto espanhol… Certamente, período de intensa leitura e motivação, após sucessos de “Luisa Miller” e “Rigoletto” – dos novos melodismos e abordagens, que sensibilizavam o público e discutiam o seu tempo…

E apesar da grande música escrita na fase patriótica e seu imenso significado no “Risorgimento”, agora, cada trabalho ganhava individualidade, variedade e encantamento; também cenas e personagens marcantes, que projetavam Verdi entre os maiores operistas!

Motivações

Giuseppe Fortunino Francesco Verdi, músico italiano, 1813-1901, entusiasta do “Risorgimento”.

De volta à Roncole, após sucesso de “Rigoletto”, em Veneza, Verdi planejava nova ópera, então para Nápoles. Para isto, convidou o poeta Salvatori Cammarano, libretista de “Luísa Miller” e “La battaglia di Legnano” – última ópera da fase patriótica…

Verdi tinha carreira consolidada na próspera indústria da ópera – Europa do séc. XIX… E, há vários anos atendendo convites, experimentava processo inverso, primeiro compor e depois definir teatro e elenco adequados. Com amplo domínio da tradição, se permitia novas escolhas e sensação única: integrar a vanguarda e inventar a arte de seu tempo…

À época da composição de “Rigoletto”, pedira à Cammarano interromper esboços de “Rei Lear”, antigo projeto… E propôs novo tema, “El Trovador”, drama espanhol, de Antonio García Gutiérrez – “belo, cheio de imaginação e situações fortes… além de uma cigana com especial caráter”, dizia…

Com provável tradução de Giuseppina, o músico interessou-se pela peça. E Cammarano, por sua vez, estranhou, considerou personagens implausíveis e sugeriu mudanças. Verdi discordou. Com sua intuição teatral, percebia “bons momentos dramáticos e originalidade”…

Cena de “Il Trovatore”, de Verdi – “Operhaus of Zurich”, Suiça.

O músico se impressionara com o ímpeto dos personagens. A cigana dividida entre o amor e a vingança; conde de Luna, propenso à atos de loucura e violência; a vitalidade de Manrico, “o trovador”; e o intransigente amor de Leonora… Para tanto, desejava um libreto com “novas e até bizarras formas”, queria evitar as tradicionais “cavatinas, duetos e finais”… E se possível, escrever algo em “contínuo e único número”… Curiosamente, próximo à concepção do “drama musical”, que Wagner desenvolvia, à época…

Verdi, no entanto, seguia desapontado com Cammarano, concluindo pela desmotivação do libretista… Insistia nas novas características, mas Cammarano resistia… Então, sugeriu outro tema, “simples e comovente”, provavelmente, o romance “Dama das Camélias”, de Alexandre Dumas, filho…

“Chiesa di Santa Maria Annunziata”, Busseto, Italia.

Por fim, decidiram seguir com a peça espanhola… Mas, tristes fatores iriam frear o ímpeto criativo. Os falecimentos de sua mãe, Luisa Utini, e do próprio libretista Cammarano. Afora permanente incômodo: o preconceito dos habitantes de Busseto diante da relação com Giuseppina…

Tradicional comunidade de Busseto

Em meio ao falecimento de sua mãe, Verdi perturbou-se e pediu ao amigo e assistente, Emanuele Muzio, cuidar dos preparativos e funeral. Somava-se ao sofrimento de perda, a relação familiar que se deteriorara com a presença de Giuseppina. Afora as solidariedade e condolências, típicas da comunidade local…

E Verdi afastou-se, viajando à Bologna, onde regeu “Macbeth” e “Luisa Miller”, no “teatro Comunale”… De outro, Verdi e Muzio voltavam a trabalhar juntos. Durante o “Levante de Milão”, 1848, Muzio afastara-se, diante da iminente retomada da cidade pelos austríacos, exilando-se na Suiça…

Emanuele Muzio, maestro assistente e amigo de G. Verdi.

Final de 1851, já instalados em “Villa Sant’Agata”, Giuseppina e Verdi viajariam à Paris, a fim de fugir do inverno e, possivelmente, dos falatórios… Em Paris, assistiram adaptação teatral de “Dama das Camélias”, no “Theatre de Vaudeville”, 1852,  e Verdi receberia carta do ex-sogro e protetor, Antonio Barezzi, praticamente, “cobrando a oficialização da união com Giuseppina”…

Verdi melindrou-se e lembrou Barezzi de antigas mágoas junto à comunidade de Busseto… Mostrava-se irredutível, sobretudo, pela relação com Giuseppina, simples e rotineira; estilo reservado de ambos; e pela intromissão em assuntos pessoais, além da ofensiva exposição pública…

Mas, reiterou à figura paterna de Barezzi todo o afeto e amizade… Em resposta, Barezzi foi discreto e cordial, especialmente, pelo convívio com Giuseppina – “de um aliado que tentava atenuar sofrimentos”…

Antonio Barezzi, amigo, protetor e ex-sogro de Verdi .

“Villa Sant’Agata”

De outro, bem sucedido compositor e atento aos gastos pessoais, Verdi adquiriu propriedade no vilarejo natal, 1844. E quando morava em Paris, decidiu construir uma casa – “Villa Sant’Agata”, 1848, onde planejava fixar residência com Giuseppina Strepponi…

Para ambos, momento delicado da vida pessoal. Giuseppina fora mãe de três crianças, cuja educação do mais velho, Camillo, encaminhara a terceiros. Outras duas, morreram… E a vida afetiva, anterior à união com Verdi, fora conturbada, entre intensa atuação como diva, em óperas de Rossini, Donizetti, Bellini e outros; entremeada por affairs amorosos, que resultaram em gravidezes inesperadas…

E os familiares de Verdi, pessoas simples e de poucos recursos, que ajudavam a cuidar da propriedade. Luisa, a mãe, era tecelã e Carlo Verdi, o pai, comerciante taberneiro. Frequentemente, Carlo mandava notícias ao filho: “quase todas as vacas deram cria e à contento… então, organizei os estábulos”… Portanto, inevitável choque cultural aguardava Verdi e Giuseppina, que chegaram à Bussetto em julho/1849. Inicialmente, moraram no “Palazzo Orlandi”, onde Verdi concluiu “Luisa Miller” e compôs “Stiffelio” e “Rigoletto”…

Villa Sant’Agata”, depois chamada “Villa Verdi”, residência de Verdi em sua terra natal – Busseto, Itália.

E Giuseppina sentiu a tradição religiosa e conservadora presente, sobretudo, diante de uma mulher do teatro, que vivia com o músico, não sendo casados… No entanto, mantinha-se discreta, sem pressionar pela oficialização da união. Talvez, a vida pregressa de Giuseppina trouxesse alguma insegurança à Verdi, se não, simples obstinação… Mas, nada era trivial. Em Busseto, inevitavelmente, tornava-se alvo de ofensas e desprezo… E, enquanto Verdi aparentava indiferença, Giuseppina sofria muito…

Assim, após estreia de “Rigoletto”, em Veneza, mudaram-se para “Villa Sant’Agata”, maio/1851. Familiares de Verdi deixaram o local e, neste ínterim, Verdi iniciava correspondência com Cammarano sobre “Il Trovatore”. Em junho, seria impactado pela morte da mãe, Luisa Verdi Utini…

Clelia Maria Josepha Strepponi, conhecida como Giuseppina Verdi Strepponni, soprano e esposa de Verdi, por cerca de 50 anos.

Por fim, em oito anos, 1859, se casariam, permanecendo juntos até a morte da esposa, 1897 – união de 50 anos e perda muito sofrida… Giuseppina apoiou o jovem compositor, desde a estreia de “Oberto”, sua 1ª ópera. Depois, cantou o desafiante papel de “Abigail”, em “Nabucco”. E em “Villa Sant’Agata”, colaborava com suas vivência artística e de tradutora, além de ver germinarem melodias que sensibilizariam o mundo…

Música em “Il Trovatore”

Com domínio da tradição, em “Il Trovatore”, Verdi cogitou maior continuidade da música, a fim de evitar demasiadas interrupções do fluxo dramático – dos chamados números… O que discutiu com Cammarano, mas não se viabilizou de um todo… Curiosamente, algo original e contemporâneo ao “drama musical” wagneriano…

E Verdi encontrou caminho flexibilizando a forma e buscando concisão. De outro, as interrupções bruscas e mudanças de cena também pareciam adequar-se ao drama espanhol… Assim, admitiu potencial nos esboços de Cammarano: “Basta seguir ‘Il Trovatore’, tal como na introdução e estarei satisfeito”, escreveu ao libretista, junho/1851… E fez uso de leitmotivs na música de Azucena, a pontuar suas dores e reminiscências. Tais adaptações, do libreto e da ópera tradicional, permitiram combinar dramaticidade e incisiva abordagem musical – o progressismo verdiano!…

Cena de “Il Trovatore”, de Verdi – “Operhaus of Zurich”, Suiça.

A música de “Il Trovatore” se caracterizará pela rudeza, pelos acentos e ritmos incisivos, quem sabe, certo caráter espanhol pretendido por Verdi. Também pela intensidade e concisão dos recitativos. E tanto árias e ensembles, quanto cenas e coros tornar-se-iam verdadeiros hits da música de Verdi e universal…

Entretanto, os coros, de grande colorido e vigor, seriam circunstanciais, não mais incorporariam o caráter patriótico ou cantar da liberdade, como em “Nabucco”, “I Lombardi”, “Giovanna D’Arco” e outras – predominando o lirismo, no lugar do épico…

Neste período, então exilado na Suíça, Wagner iniciava composição do ciclo “Anel do Nibelungo”, 1851, e também “Tristão e Isolda”, 1857, explorando os limites da tonalidade e propondo “sprechgesange” (canto declamado), a substituir a ópera por números… A década de 1850, portanto, ensejaria concepções musicais e dramáticas que marcariam final do séc. XIX e início do séc. XX. E ambos, Verdi e Wagner, seriam grandes referenciais…

Morte de Salvatori Cammarano

Por fim, Verdi descobriria os reais motivos da lentidão de Cammarano: a saúde do libretista. Na viagem à Paris, além da carta de Barezzi, receberia más notícias, de Nápoles. Outro fator a atrasar a elaboração de “Il Trovatore”, agora, cessando totalmente… E no retorno à “Sant’Agata”, março/1852, enquanto aguardava recuperação e notícias de Cammarano, recebia novos convites de Milão, Veneza e Bologna… E concordou em compor uma ópera para Veneza, que resultaria em “La Traviata”…

Salvatori Cammarano, poeta e libretista de “Il Trovatore”, “Alzira”, “La Battaglia di legnano” e “Luisa Miller” – óperas de G. Verdi.

Em julho/1852, lamentavelmente, Cammarano morreu. E Verdi escreveu à Cesare de Sanctis, amigo e empresário: “Fui atingido em cheio pela triste notícia… Não tenho palavras para descrever tão profunda dor… Você o amava, tanto quanto eu, e compreenderá sentimentos, para os quais não temos expressão”…

O prestigiado poeta napolitano havia trabalhado com Verdi em “Alzira”, “La battaglia di Legnano”, “Luisa Miller” e “Il Trovatore”… Além de diversos mestres italianos, como Gaetano Donizetti (“Lucia di Lammemoor” e “Roberto Devereux”), Saverio Mercadante (“Orazi e Curiazi”) e outros…

Assim, libreto de “Il Trovatore” estava inacabado. Últimos versos de Cammarano encerravam o 3° Ato, na vibrante cabaletta “Di quella Pira”… Verdi pagou à viúva valor superior ao contratado, cerca de 600 ducados. E contratou jovem poeta napolitano, Leone Emanuele Bardare, para concluir o libreto…

Com intermediação de Cesare de Sanctis, optou por encenar “Il Trovatore” no teatro “Apollo”, de Roma. E solicitou o soprano Rosina Penco, para “Leonora”, importante papel, e outra voz plena para a cigana, além de liberação da censura romana antes de prosseguir na conclusão da ópera. Em dezembro, “Il Trovatore” estava concluída, inclusive, com versos do próprio Verdi, para a 2ª cena – 2° Ato, que Bardare, humilde e cautelosamente, não ousou modificar… Em 20/12/1852, Verdi deixava “Sant’Agata” em direção à Roma, para tratar da estreia da ópera…

“Teatro Apollo”, de Roma, estreia de “Il Trovatore” – 19/01/1853.

“Cavaleiro da Legião de Honra”

Enquanto compunha “Il Trovatore”, agosto/1852, o músico recebeu visita de Léon Escudier, jornalista e editor musical francês, na condição de emissário de governo, que assim descreveu o encontro:

“Encontrei Verdi no momento em que sentavam-se à mesa. E na companhia de um homem de rosto franco e afável – presença magnífica, que teve, sobre mim, efeito de um patriarca! Era o sogro de Verdi, de nome Antônio. E após 15 minutos de conversa, já o tratava como ‘papá’ Antônio”…

Léon Escudier, jornalista e editor musical francês.

“Na sobremesa, retirei-me e voltei com pequena caixa… E colocando-a diante de Verdi, disse: ‘Caro maestro, uma demonstração de afeto do governo francês e, devo acrescentar, do público francês’. Verdi franziu o sobrolho, abriu a caixa e deparou-se com a ‘Cruz de Cavaleiro da Legião de Honra’, enviada pelo imperador Napoleão III”…

“Verdi tentou dissimular a emoção, mas percebia-se grande satisfação, apertando firmemente minha mão. Mas, foi ‘papá Antônio’, quem, de fato, ficou pasmo! Queria falar, mas não articulava as palavras. Então, agitou os braços, ergueu-se e atirou-se no pescoço de Verdi. Apertou-o contra o peito, abraçou-me em seguida e os olhos transbordaram, chorando como criança”…   

A emoção fora imensa para Antônio Barezzi… E a política, por sua vez, feita de gestos. Verdi era fervoroso defensor do “Risorgimento”. E além do reconhecimento artístico, Napoleão III enviava sinais da futura política francesa. Ainda jovem, o sobrinho de Napoleão Bonaparte lutara pela causa republicana, no sul da Itália. E quando sua mãe, Hortênsia de Beauharnais, rainha da Holanda, morou em Roma, sua casa sediou a “carbonara romana”, que reunia Mazzini, a jovem Cristina di Belgiojoso e outros…

Giuseppe Verdi, a 1ª esposa, Margherita (no centro), e ex-sogro, Antonio Barezzi.

Também a “Sardenha-Piemonte” buscava aproximar-se da França, através da política externa de Vítor Emanuelle e Cavour. Além de aguerridas ativistas, como Margaret Fuller e a própria Cristina di Belgiojoso – mulher das “cinco vidas”, que visitou Luís Napoleão na prisão, por duas vezes, pedindo apoio à causa italiana, embora, sem sucesso… Mas, novos cenários se desenhavam, potencialmente, favoráveis ao “Risorgimento”…

Napoleon III, imperador da França, no “2° Império”, 1851–1870.

Delineava-se longo e preparatório processo, que desencadearia a “2ª guerra de independência”, a partir de 1859… E, naturalmente, haviam interesses franceses, como a anexação dos ducados de “Saboia e Nice”, que seriam cedidos pela “Sardenha-Piemonte” em troca da libertação da “Lombardia” – na vitoriosa campanha sardo-piemontesa, comandada por Garibaldi e reforçada por tropas francesas… 

A atuação de Verdi alinhava-se ao ideário de Giuseppe Mazzini: “Divulgar a causa da unificação e semear o sentimento nacional, através da cultura e, especialmente, da ópera”. E o franco engajamento do músico contribuiam para que o “Risorgimento” se popularizasse e ganhasse as ruas, sob o lema: “Viva VERDI” – “Viva Vitor Emanuelle, Re D’Italia!”

Movimentos populares picham “Viva VERDI!”, no “Risorgimento”.

Antonio García Gutiérrez 

Nascido Antonio María de los Dolores García Gutiérrez, no mesmo ano de Verdi, 1813, após formação em medicina – Cádiz, Espanha, o jornalista e escritor se mudaria para Madrid, trabalhando como tradutor de peças francesas… Assim, traduziu obras de Eugène Scribe e Alexandre Dumas, pai. Autor de extensa obra, ganhou projeção com a peça “El Trovador”, de 1836. E, posteriormente, obteria novo sucesso com “Simon Bocanegra”, de 1843…

Verdi encantou-se com os dramas e colocou música nas duas peças… Destacam-se em Gutiérrez, entre os autores espanhóis do sec. XIX, a emoção e caráter de seus personagens femininos; além de preocupações sociais, aliadas à exaltado ideário liberal… 

Antonio Garcia Gutiérrez, dramaturgo
espanhol, autor de “El Trovador”, 1836.

Escreveu também poemas e comédias – inclusive, uma versão comédia de “El Trovador”… E particularmente, nos “dramas em tese”, discutiu costumes e moralidade. Em “Caminhos Opostos”, concluiu que excessivos rigor ou brandura, produziam, igualmente, efeitos desastrosos na educação… Em “Los desposorios de Inés”, condenou o casamento por arranjo, do sec. XIX; em “Eclipse Parcial”, posicionou-se contra o divórcio; em “A Grain of Sand”, “The Millionaires” e “The Industry Knight”, reiterou: “o trapaceiro sempre acaba vítima da própria armadilha, seja nos sentimentos ou no convívio social”…

Apesar do sucesso inicial, dificuldades financeiras levaram Gutierrez atuar como jornalista, viajando à Cuba e México, retornando à Espanha em 1850… E para sua surpresa, em pouco tempo, se tornaria amplamente conhecido, por meio da ópera de Verdi, “Il Trovatore”, de 1853. E, posteriormente, Verdi adaptaria “Simón Bocanegra”, de 1857, com libreto de Francesco Piave…

Coincidência ou não, a partir de então, Gutiérrez recebeu diversas honrarias e cargos: “Comendador da Ordem de Carlos III”, 1856; “Supervisor da Dívida Espanhola em Londres”, 1855 – 1856; membro da “Real Academia Espanhola”, 1862; “Cônsul de Espanha em Bayonne e Génova”, 1870 – 1872; e “Cruz de Isabel II”…

Cena de “Il Trovatore”, de Verdi – “Operhaus of Zurich”, Suiça.

Sem dúvida, o interesse de Verdi projetou Gutiérrez… Sendo também inegável sua extensa produção literária. Posteriormente, ainda publicaria uma zarzuela, “El grumete”, 1853; drama histórico “La Venganza catalana”, 1864; e o drama, ambientado em Valência, “Juan Lorenzo”, 1865. Por fim, dirigiu o “Museu arqueológico de Madrid”, falecendo em 1884…

Sucesso de público e de crítica

Em dezembro de 1852, Verdi viajou à Roma. Giuseppina o acompanhou até Livorno e, depois, seguiu em direção de Florença. Verdi preocupava-se, preferia que Giuseppina não ficasse sozinha em “Sant’Agata”. E a companheira escreveu-lhe:

“Estou encantada por saber que você se vê perdido sem mim. E desejo-lhe tanta chateação, que logo abandone a ideia bárbara de me deixar sozinha! Meu querido mágico, seu coração é de anjo, mas sua cabeça, quando se trata de falatórios e coisas assim, tem crânio tão espesso, que faria Franz Gall, se estivesse vivo, acrescentar estranhas observações ao seu (controverso) “Tratado de Craniologia”…

Roma agitou-se com a nova ópera de Verdi. A estreia teve lugar no teatro “Apollo”, 19/01/1853, com grande sucesso. Nos dias seguintes, milhares de pessoas percorriam as ruas, gritando: “Viva VERDI!”… E, anteriormente, 1849, Roma fora palco de “La Battaglia di Legnano”, com estupenda aclamação e espírito patriótico, durante a breve “República Romana”, proclamada pelas forças de Mazzini e Garibaldi…

Vista urbana da cidade de Roma, sec. XIX.

As melodias de “Il Trovatore” logo foram arranjadas para diversos conjuntos, até simples realejos, e ouvidas na Itália e pelo mundo… Do ponto de vista vocal, “Il Trovatore” tornava-se apoteose do “bel canto”, com imensos desafios de agilidade, extensão e expressividade. Nas cenas, mudanças bruscas exigiam que personagens adentrassem o palco com impetuosidade. O canto alternava brutalidade e melancolia. E a orquestra, ora sombria e lúgubre, ora vigorosa, em torrencial energia!

“Gazzetta Musicale” descreveu a estreia: “Compositor mereceu esplêndido triunfo, pois escreveu música em novo estilo, imbuída de características castelhanas… O público ouviu em silêncio religioso, irrompendo em aplausos apenas nos intervalos e, especialmente, no final do 3° Ato… Por fim, o 4° Ato despertou tanto entusiasmo, que foi bisado”…

E apesar do inexcedível sucesso, Verdi mostrou-se contido, ressaltando que alguns acharam a ópera triste e com excessivas mortes. “Mas, afinal, tudo na vida é morte! O que mais existe?”, escreveu à Clara Maffei… Em meio ao evento, quem sabe, as perdas recentes, da mãe e do amigo Cammarano, o invadiram… Além de outras, quando jovem, da 1ª  esposa e dois filhos… Assim, aparentemente, não se contagiara com a aclamação… E, em poucos dias, regressaria à “Sant’Agata”, para elaboração de “La Traviata”…

“Teatro Lyrico Fluminense”, estreia de “Il Trovatore”, Rio de Janeiro, Brasil, 1854.

O sucesso de “Il Trovatore” foi tamanho, que imediatamente era encenada pelo mundo. E tal como em Paris, no Rio de Janeiro ocorreu em 1854, um ano após estreia em Roma, no “Teatro Provisório”, depois chamado “Teatro Lyrico Fluminense” – em atividade de 1852/75. Antes mesmo, de Londres ou Nova York…

Período em que o público carioca assistiu “Macbeth”, 1852, “Attila” e “Luisa Miller”, 1853; “La Traviata”, 1855, “Rigoletto”, 1856, e “Giovana D’Arco”, 1860… Posteriormente, seria demolido, função de novo planejamento urbano e inauguração do “Teatro D. Pedro II”, abril/1875…

Libreto de “Il Trovatore”

Entre as óperas mais representadas, o libreto de “Il Trovatore” é daqueles que podem levar a certa confusão, senão incompreensão. O que não impediu o sucesso, pelo arrebatamento viril e desenfreado… O enredo, no entanto, requer conhecimento de fatos que antecedem o início da ópera, a serem entendidos pelo ouvinte – risco de confusão, sobejamente, compensado pela verve musical…

E para compreender o drama, deve-se focar, de início, no relato do capitão da guarda, do conde de Luna, “Ferrando”, abrindo a ópera em “Abbietta zingara” (“Abjeta cigana!”), com a seguinte narrativa:

“O velho conde de Luna, falecido, teve dois filhos com idades aproximadas… Certa noite, ainda pequenos, dormiam sob os cuidados de uma serviçal… Ao amanhecer, uma velha cigana foi vista debruçada no berço do mais jovem, chamado Garcia… A cigana foi afastada, mas a saúde da criança se fragilizou e concluiu-se pelo enfeitiçamento… Perseguida e capturada, a cigana foi condenada à morte, na fogueira!”

Cena de “Il Trovatore”, de Verdi – “Operhaus of Zurich”, Suiça.

“Após execução da mulher, filho mais novo do Conde de Luna, Garcia, misteriosamente, desapareceu… E no dia seguinte, uma criança apareceu morta, atirada ao fogo que consumira a cigana…”

Este relato, espécie de prólogo, é essencial para compreensão dos acontecimentos, pois, ao início da ópera, Manrico (Garcia) já é um adulto; Azucena (filha da mulher condenada), uma cigana idosa; velho conde de Luna morrera e seu filho mais velho (irmão de Garcia) se tornara herdeiro, como novo conde de Luna…

“O jovem conde, tal como o pai, nunca acreditou na morte do irmão, mesmo quando lhes apresentaram os restos de uma criança queimada na fogueira”… Assim, começam o libreto e fluxo dos acontecimentos…

Outros relatos

“Rapto de Garcia” (Manrico) por “Azucena”, em “El Trovador”, de Garcia Gutiérrez.

“Azucena, então, jovem cigana com filho pequeno, presenciou a morte da mãe e jurou vingança! Na noite seguinte, sorrateiramente, adentrou o castelo e sequestrou o filho caçula do conde de Luna, chamado Garcia… E levou-o ao local da execução para atirá-lo ao fogo, ainda crepitando… Mas, transtornada pelo horror que presenciara, Azucena, enlouquecida, lança ao fogo o próprio filho, no lugar da criança sequestrada. E decide criá-la – chamando-a Manrico, mais tarde, conhecido como “o trovador”…

“Em sua fantasia delirante, Azucena, obcecada, pretendia vingar-se de alguma forma, quem sabe, futuramente, através do filho do conde… Mas, passou a amar a criança como um filho, ficando dividida”…

A cultura cigana é matriarcal. E questões de afeto e dignidade, entre as mulheres, são determinantes para decisões e ações… O que intensificava a obsessão, frente ao assassinato da mãe, agravada pelo sacrifício do filho. Além do contexto social, marcado pela diversidade cultural e preconceitos. No entanto, contrapunha-se novo sentimento, o amor materno, que aflorava e surpreendia Azucena…

Capa de “El Trovador”, de Garcia Gutiérrez, Edição de 1851, Madrid, Espanha.

Tais circunstâncias, por vezes bizarras, mas que ensejavam situações intensas, despertaram o interesse de Verdi. De modo que, senão por elementos de perturbação psíquica dos personagens, poderia tratar-se de melodrama mal engendrado, como indagava Cammarano, sobretudo, da presença, inexplicável, de uma cigana junto ao berço de uma criança, ou do filho de Azucena, absurdamente, lançado à fogueira… Em contraposição, eram tais emoções e acontecimentos que motivavam Verdi…

De outro, o enredo remetia à conflitos complexos, à oposição entre preconceitos e ressentimentos étnicos – “aos estigmas de subcultura e feitiçaria, capazes de comportamentos bárbaros e hediondos”; quando a brutal violência e a condenação à fogueira, por si mesmas, também configuravam barbárie, a produzir mágoas e despertar ódios; a vitimisar e alimentar sentimentos de revanche…

Ambientação e personagens

Ambientado nas guerras aragonesas, sec. XV – Aragão versus Biscaia, o drama histórico de Gutiérrez trata, sobretudo, de questões sociais, políticas e religiosas, típicas da Espanha de seu tempo – sec. XIX…

E a narrativa, em passado distante, possibilitava abordagem de impulsos elementares, tais como o amor, o ciúme, ódio ou vingança. Impulsos universais, mas evidenciados na sanguínea cultura espanhola, fascinando Verdi pela contundência e obstinação dos personagens – arquétipos, imbricados às suas paixões…

Capa de “Il Trovatore”, de Verdi,
Edição ”Ricordi”, Milão, Itália.

Assim, tal como em “Fedora”, de Giordano, na ária “Amor, ti vieta di non amar” (“Amor, ti é vedado não amar”), à “Leonora” restava amar ou morrer por amor; a cigana “Azucena”, atormentada pelo desejo de vingança, tornava-o motivo único de suas ações; “Manrico”, o virtuoso que recusa a liberdade barganhada por “Leonora”, mas por amá-lo; e, finalmente, Conde de Luna, ignorando parentesco, mataria o próprio irmão, objeto de ciúme e ódio implacáveis…

“Il Trovatore” expressa trágica sucessão de encontros e desencontros, de paixões e obsessões, onde todos perdem. E os espaços do prazer, da esperança e da felicidade, são negados – sucumbem aos conflitos e à violência, aos ressentimentos e ódios extremados…

  • Sinopse

Ação ocorre na Espanha, durante as guerras aragonesas, início do séc. XV.

  • Personagens: Duquesa Leonora, dama de companhia da princesa de Aragão (soprano); Inês, confidente de Leonora (soprano); Azucena, cigana de Biscaia (mezzo-soprano); Conde de Luna, jovem nobre de Aragão (barítono); Ferrando, Capitão da guarda do conde de Luna (baixo); Manrico, “o trovador”, suposto filho de Azucena e chefe de tropas sob comando do príncipe de Biscaia (tenor); Ruiz, soldado a serviço de Manrico (tenor); Velho cigano (barítono);
  • Coros: Integrados por ciganos, pelos séquitos do conde Luna e de Manrico, por prisioneiros e freiras.
  • Ballet: Para a produção francesa, Verdi adicionou cerca de 15 minutos de ballet.
Figurino para “Manrico” – Teatro “Alla Scala”, Milão, Itália, 1883.

A ópera inicia com breve “Introdução” orquestral.

Ato I – “O Duelo”

Cena 1 (Prólogo): “Em Biscaia, Espanha”

Toque de metais, em fanfarra militar, abre a cena. Soldados reunidos, em Biscaia, comentam estranhos acontecimentos, que envolveram uma cigana, condenada à morte na fogueira por bruxaria, injustamente acusada de adoecer um dos filhos do conde, cantado por Ferrando, capitão da guarda do conde de Luna, em “Abbietta zingara” (“Abjeta cigana!”)… E antes de morrer, a condenada teria ordenado à filha, vingar-se…

E conta Fernando, que uma jovem cigana teria sequestrado um dos filhos do conde. E que, no dia seguinte à condenação, em meio às cinzas, foram encontrados ossos de um bebê… Nesta cena, coro de soldados responde em “Ah, sceleratta! Oh donna infame!” (Ah, bandida! Oh, mulher infame!)… O conde, no entanto, nunca acreditou serem os restos do filho raptado. E, passado o tempo, antes de morrer, pediu ao primogênito e futuro conde de Luna, que procurasse uma cigana – de nome Azucena…

Rosina Penco, soprano – “Leonora” na estreia de “Il Trovatore”, Roma, 1853.

Cena 2: “No Palácio de Aljaferia”

Duquesa Leonora, dama de companhia da princesa de Aragão, passeia com sua camareira nos jardins do grande “Palácio de Aljaferia”. E fala de sua afeição por um jovem militar e “trovador”, que encontraria à noite.  Então, canta bela ária “Tacea la notte placida” (“Plácida e silenciosa noite”), depois a vibrante cabaletta “Di tale amor, che dirse”. Antes do encontro, no entanto, surge o Conde de Luna e, fora de cena, ouve-se o “trovador”, anunciando sua chegada, na romance “Deserto sulla terra, col rio destino in guerra, è sola speme un cor” (“Tal como no deserto, um coração está solitário na esperança, diante do destino cruel da guerra”)…

Ansiosa pelo encontro, Leonora mostra seu encantamento – emoção percebida pelo Conde… Então, adentra Manrico, “o trovador”… Ao perceber o interesse de Leonora por outro, o conde, que a ama, se declara rival. Manrico se apresenta como seguidor do prícipe de Biscaia, exilado em Aragão. E a situação fica tensa. Ambos rivalizavam na guerra e, agora, no amor… Se desafiam e iniciam duelo. Cena se desenvolve no agitado terceto “Di geloso amor sprezzato, arde in me tremendo il fuoco!” (“Por amor ciumento e desprezado, arde em mim tremenda revolta!”). Em condições de desferir golpe fatal, Manrico não o faz… Assustada com a violência, Leonora desmaia…

“Duelo”, 2ª cena – Ato 1. Estranho sentimento impede “Manrico” de desferir golpe fatal contra o “conde de Luna”, em “Il Trovatore”, de Verdi – “Ópera de San José”, 2020.

Ato II – “A Cigana”

Cena 1: “Na comunidade de ciganos”, em Biscaia

No sopé de uma montanha, em Biscaia, vive comunidade de ciganos. Homens trabalham como ferreiros e todos cantam o célebre “Vedi! le fosche notturne spoglie” (Vejam! As noites nuas e sombrias!”), conhecido como “coro dos Ferreiros”…

Azucena, mãe de Manrico, conta-lhe do passado em dramático relato. Da morte de uma velha cigana (sua mãe), na ária “Stride la vampa, la folla indomita corre a quel foco lieta in sembianza! Urli di gioja intorno eccheggiano cinta di sgheri…” (“A chama crepitava. A multidão cercava a fogueira. E os gritos de alegria ecoavam no cerco dos bandidos…”)

Cena do relato de “Azucena à Manrico”, Cena 1 – Ato 2, “Il trovatore”, de Verdi.

Manrico lamenta, em “Soli orsiamo! Deh, narra quel la storia funesta!” (“Sozinhos suportamos! Ah, conte essa triste história!”)… Azucena canta “Essa bruciata vene, ov’arde quel foco!” (“Ardem minhas veias, como ardia aquela fogueira”). E expressa sua dor na ária “Condotta ell’era in ceppi al suo destin tremendo, col figlio in sulle braccia, io la seguia piangendo” (“Acorrentada ao terrível destino, eu acompanhava chorando, com o filho nos braços”). E enquanto as chamas ardiam, Azucena ouviu da condenada “Allor, con tronco accento: mi vendica! sclamo” (Com voz truncada, exclamou: Vinga-me!”)…

Manrico indaga “La vendicaste?…” Ao que Azucena responde: para vingar a morte da mãe, a filha raptou um dos filhos do velho conde de Luna, seu algoz, para atirá-lo às chamas, em “Il figlio giunsi a rapir del conte. Lo trascinai qui meco le fiamme ardean già pronte” (“Filho do conde sequestrei. Arrastei comigo e as chamas ainda ardiam…”). “Ei destruggeasi in pianto. Io mi sentiva in core dilaniato, infranto…” (“A criança chorava muito. Senti o coração partido, dilacerado”)…

“Cena do delírio de Azucena”, em “Il Trovatore”, de Verdi – “Operhaus of Zurich”, Suiça.

E segue, “Quand’ecco agl’egri spirti. Come sogno, aparve. La vision ferale di spaventose larve! Gli sgherri! Ed il supplizio! La madre smorta in volto, scalza, discinta! Il grido, il grido, il noto grido ascolto! Mi vendica!” (“Como eco de espíritos, nuvem escura abateu-se sobre mim. E como sonho, a visão selvagem de larvas assustadoras! Os bandidos! A tortura! A mãe pálida, descalça, quieta! E o choro, o conhecido choro que ouvia! Vinga-me!”)…

Então, canta Azucena “La mano convulsa stendo stringo la vittima nel foco la traggo, la sospingo! Cessa el fatal delirio, l’orida scena fugge! La fiamma sol divampa, e la sua preda strugge!” (“Estendi a mão convulsiva, segurei a vítima e empurrei ao fogo! Cessou o delírio fatal, a cena horrível! Uma única chama se acendia e queimava sua presa!”)…

E conclui o relato aterrador, “Pur volgo intorno il guardo e innanzi a me vegg’io dell’empio conte il figlio! Il figlio mio, mio figlio avea bruciato! Quale orror! Ah, quale orror, mio figlio, mio figlio! Sul capo mio le chiome sento drizzarsi ancor!” (“Após, volto o olhar e vejo, diante de mim, o filho do ignóbil conde! Meu filho, meu filho queimara! Que horror! Ah, que horror, meu filho! Em minha cabeça, os cabelos eriçaram!”)…

Cena do relato de “Azucena à Manrico”. Cena 1 – Ato 2, em “Il Trovatore”, de Verdi – “Operhaus of Zurich”, Suiça.

 – Ao contar terríveis fatos, Azucena insinua terceira pessoa e, gradualmente, assume protagonismo. Lembra com dificuldade extrema dos momentos dolorosos e angustiantes, entremeados de alucinações e terror – tremendas culpa e ódio… Além disto, suscita desconfiança de Manrico…

Manrico exclama: “Quale orror!”… E perturbado com a cena, indaga: “Non son tuo figlio. E chi son io? chi dunque?” (“Não sou teu filho.  Quem sou eu? Quem então?”)… Se Azucena não fosse sua mãe, ainda assim o cuidou com amor… “Tu sei mio figlio”, responde Azucena: como cuidaria de teus ferimentos e com tanto cuidado, da “batalha de Petilla”, se não fosse tua mãe…

E iniciam pungente duetto “Mal reggendo all’aspro assalto”. Manrico relata ter derrotado o conde em duelo, mas fora impedido de matá-lo, misteriosamente, por estranha sensação e poder… Ao que Azucena reponde “Ma nell’alma dell’ingrato non parlò del cielo un detto. Oh! se ancor ti spinge il fato a pugnar col maledetto, compi, o figlio, qual d’un dio, compi allora il cenno mio!” (“Mas na alma do ingrato um dito não vinha do céu. Oh! Se o destino te leva a lutar contra os amaldiçoados cumpra, oh! filho, como da divindade, o meu apelo!”)…

Carlo Baucarde, tenor – “Manrico” na estreia de “Il Trovatore”, Roma, 1853.

Em “Il Trovatore” as cenas são pontuadas por intensa expressividade e comoção… Entra Ruiz, mensageiro do príncipe de Biscaia, convocando Manrico para comandar a defesa da fortaleza “Castellor”.  E Azucena apela: “Mi vendica!” (“Me vingue!”)…  Ruiz informa Manrico que, imaginando ter sido morto em “Petilla”, Leonora decidira tornar-se freira. E à caminho de “Castellor”, Manrico decide ir ao convento!…

Cena 2: “No convento”, próximo à fortaleza de Castellor

Também conde de Luna tomara conhecimento da decisão de Leonora e com seus soldados, comandados por Ferrando, dirige-se ao convento, para raptá-la… Conde de Luna canta seu amor na bela ária “Il balen del suo sorriso” (“Brilho de seu sorriso”) – referência do repertório de barítono, seguida da cabaletta “Per me, ora fatale” (Para mim, momento fatal”)…

Giovanni Guicciardi, barítono – “conde de Luna”, estreia de “Il Trovatore”, Roma, 1853.

Vozes femininas entoam canto religioso, enquanto Leonora, acompanhada por Inês e damas, encaminham-se para o convento… Conde de Luna interpõe-se, mas antes de arrastá-la, chegam Manrico, Ruiz e seus soldados…  Conde é repelido!… E Leonora exclama: “E deggio! e posso crederlo?” (“Eu devo! Posso acreditar?”), ao ver seu amado. Iniciam arrebatado quarteto – Leonora, Manrico, conde de Luna e Ferrando, depois, com soldados e freiras, em grandioso concertato… Por fim, Manrico e seus comandados levam Leonora…

Ato III – “O filho da Cigana”

Cena 1: “No acampamento militar do conde de Luna”

Tropas do conde de Luna sitiam castelo de “Castellor”, onde se encontram Manrico e Leonora. As lutas aragonesas dão lugar ao viéz da paixão, entre dois militares rivais. Tal como no 2° Ato, cena abre com célebre coro, então, no acampamento militar, “Or co’ dadi, ma fra poco, giocherem ben altro gioco” (“Agora com dados, mas em breve, em outro e diferente jogo”). Na versão francesa, ocorre um ballet no Ato III…

Cena de “Azucena” capturada pelas tropas de “de Luna”, no acampamento militar, em “Il Trovatore”, de Verdi – “Operhaus of Zurich”, Suiça.

Conde aparece aos soldados e lhe comunicam da captura de uma cigana, que rondava o acampamento… Tratava-se de Azucena, que se apresenta como inofensiva e pobre mulher, na ária “Giorni poveri vivea” (“Dias de miséria, vivia”). No entanto, Ferrando a reconhece, apesar das rugas e cabelos grisalhos… Azucena nega e clama por Manrico, gritando que é seu filho… Ao saber, ser mãe de Manrico, enfurecido, o conde de Luna decide mandá-la à fogueira…

Cena 2: “Salão na fortaleza de Catellor”

Cena do casamento de “Leonotra e Manrico”, interrompido pela captura de “Azucena pelo conde De Luna”, em “Il Trovatore”, de Verdi – Operhaus of Zurich”, Suiça.

Em “Castellor”, prepara-se o casamento de Leonora e Manrico… Num salão próximo à Capela, Manrico expressa sua felicidade em outra belíssima ária: “Ah sì, ben mio, coll’essere io tuo, tu mia consorte” (“Ah! sim, meu bem, eu sendo seu e você minha esposa”)…

No momento das núpcias, Leonora e Manrico dão-se as mãos em direção à Capela, mas Ruiz, escudeiro de Manrico, entra apressadamente… Azucena fora capturada e será levada à fogueira… As chamas são vistas do castelo! Dado urgência e alvoroço, cerimônia é interrompida e Manrico convoca suas tropas na célebre cabaletta “Di quella pira, l’orrendo foco tutte le fibre m’arse” (“Daquela fogueira, horrendo fogo queima minhas fibras”), em vibrante final! 

Cena da cabaletta “Di quella Pira”. “Manrico” convoca soldados para libertarem “Azucena”, capturada pelo “conde De Luna” – Final do Ato 3, em “Il trovatore”, de Verdi.

– Ao final da cabaletta “Di quella pira”, tenores cantam célebre “dó agudo”, não escrito por Verdi, mas incorporado à partitura. Verdi não escrevia “dó agudo” para tenores e, jocosamente, dizia: “cantores se desconcentram do enredo até execução do ‘dó agudo’… E depois de executá-lo, bem ou mal, da mesma forma”…

Ato IV – “O Suplício”

Nas masmorras do “palácio de Aljaferia”, encontravam-se presos Manrico e Azucena. A tentativa de salvar Azucena fracassara… Em noite escura, Leonora entra no castelo, acompanhada de Ruiz, que lhe aponta local da prisão e se retira… Leonora tem em mente um arriscado plano para libertar Manrico. E junto, carrega um veneno. Canta ária “D’Amor sull’ali rosee” (“De amor, em asas róseas”), expressando todo seu amor – referência do repertório de soprano…

Segue um sombrio “Miserere”. E sob fundo de um “coro de prisioneiros”, fora de cena, que entoa um “salmo”, Leonora canta “Quel suon, quelle preci soleni, funeste” (“Estes sons, orações solenes e fatais”); Manrico, também fora de cena e prisioneiro na torre, responde, ao perceber a chegada de Leonora, em “Ah, che la morte agnora” (“Ah, a morte ela ignora”) – dramático duetto, para muitos, grande momento de “Il Trovatore”. Após “Miserere”, segue intensa cabaletta, onde Leonora anuncia “Tu vedrai che amore in terra” (“Você verá que existe amor na terra”), entre o sucesso de seu plano e o veneno que trazia consigo!… 

Cena de “Il Trovatore”, de Verdi – “Operhaus of Zurich”, Suiça.

Entra o conde de Luna, em terrível ordem:”Udiste? Come albeggi, al scure al figlio, ed alla madre il rogo” (Ouçam! Ao amanhecer, o machado para o filho e para a mãe, a estaca!”)… Conde procurava por Leonora e surpreende-se ao vê-la no castelo, em “A che venisti?” (“A que ponto você chegou?”). Leonora responde em “Egli è già presso all’ora estrema; e tu lo chiedi? Ah sì, per esso pietà dimando” (“Se aproxima a hora final e você pergunta? Por isto, peço piedade…”). Conde “Che!… tu deliri! Io del rival sentir pietà?” (“O que? Você está delirando. Sentir pena de um rival?”) e Leonora “Clemente nume a te l’ispiri” (“Clemente deus te inspira”)… Conde responde “È sol vendetta mio nume… Va’!” (“Apenas a vingança é meu Deus… Vá!”)

Cena se desenvolve em intenso duetto. Leonora inicia “Mira, di acerbe lagrime spargo al tuo piede un rio… Non basta il pianto? Svenami, ti bevi il sangue mio… Calpesta il mio cadavere… ma salva il trovator!”  (“Veja, derramei torrente de lágrimas aos seus pés… Chorar não é suficiente? Beba meu sangue. Pise em meu cadáver. Mas salve o trovador!”).

Célebre duetto “Mira, di acerbe lagrime” – Sondra Radvanovsky, “Leonora”, e Dmitri Hvorostovsky “conde de Luna” – MET.

E o conde responde “Più l’ami, e più terribile divampa il mio furor!” (“Quanto maior o seu amor, maior a minha fúria!”). Conde ameaça se retirar e Leonora o agarra. Leonora canta “Uno ve n’ha! sol uno!… Ed io… te l’offro” (“Existe um preço! Apenas um!… E eu… eu ofereço a você”). Conde indaga “Spiegati, qual prezzo? di’!” (Explique-se, que preço? diga!”). Leonora responde “Me stessa” (“Eu mesma”), “Che la vittima fugga, e son tua” (“Deixe a vítima fugir e serei tua”)…

Enquanto o Conde se dirige a um guarda, na torre, Leonora ingere veneno, de um anel, e sussurra “M’avrai, ma fredda, esanime spoglia!” (“Você terá a mim, mas fria, sem vida e nua!”). E o conde confirma “Colui vivrà…” (Ele viverá…). Leonora, entre lágrimas e alegria, canta “Vivrà!… contende il giubilo i detti a me, signore… ma coi frequenti palpiti mercé ti rende il core!” (Viverá!… Contenho o júbilo das palavras que ouço, senhor… Intenso palpitar, pela misericórdia do teu coração!)…

E segue, “Ora il mio fine impavida, piena di gioia attendo… Potrò dirgli morendo: salvo tu sei per me!” (Agora meu destemido fim, cheio de alegria, espero… Poderei dizer a ele, morrendo: você está seguro para mim!”)… Conde responde em “Fra te che parli? Volgimi, mi volgi il detto ancora, o mi parrà delirio quanto ascoltai finora… tu mia!… ripetilo. Il dubbio cor serena…” (“O que, você fala consigo mesma? Volte-se para mim, repita, ou parecerá delirante… tu és minha!… Repita e a dúvida em meu coração se dissipará…”). E Leonora canta, “Andiam” (“Vamos”). Conde responde “Giurasti… pensaci!” (“Você jurou, pense nisso!”). Leonora dissimula em “È sacra la mia fé!” (“Sagrada é minha fé!”)… Ao final deste monumental duetto, Leonora entra na torre, ao encontro de Manrico e Azucena…

Cena na prisão, “Azucena” adormece e “Manrico” permanece ao seu lado, em “Il Trovatore”, de Verdi – “Operhaus of Zurich”, Suiça.

Na prisão, entre janelas gradeados e pouca iluminação, estão Manrico e Azucena… Na solidão e perspectiva de condenação, a velha cigana canta “Sì, la stanchezza m’opprime, o figlio… alla quïete io chiudo il ciglio! Ma se del rogo arder si veda l’orrida fiamma, destami allor!” (“Sim, o cansaço me oprime, meu filho… Fechei as pálpebras, no silêncio! Mas, horrível chama ardia, então despertei!”)… “Difendi la tua madre!”…

Após atormentado recitativo, canto se dilui em belo e esperançoso duetto “Ai nostri monti… ritorneremo!… l’antica pace… ivi godremo!… Tu canterai… sul tuo liuto… in sonno placido… io dormirò!” (“Às nossas montanhas… voltaremos!… à antiga paz… ali desfrutaremos!… Cantarás… no teu alaúde… no tranquilo sono… vou dormir!”). Manrico responde em “Riposa, o madre: io prono e muto la mente al cielo rivolgerò” (“Descanse, minha mãe. Prostrado e mudo, elevo minha mente ao céu”). Azucena adormece e Manrico fica ao seu lado… 

Cena de “Leonora” adentrando a prisão, para tentar libertar “Manrico e Azucena”, em “Il trovatore”, de Verdi.

Porta se abre e entra Leonora, para avisar Manrico e Azucena que fujam. Manrico surpreende-se ao perceber que Leonora ficaria. Leonora trocara a liberdade deles, aceitando casar-se com o conde. No entanto, já estava sob efeito do veneno…

Manrico indigna-se, sente-se humilhado por tal barganha, desconhecendo o efeito do veneno… Amaldiçoa Leonora! Que liberdade seria esta?… O  tempo, no entanto, corria… Precisavam fugir e o veneno fazia seu efeito. Cena desenvolve-se no duetto “Che!… non m’inganna quel fioco lume?” (“O que? Esta luz fraca não me engana”)…

Azucena, que dormia, balbucia algo sobre “Ai nostri monti… ritorneremo!… l’antica pace… ivi godremo!” (“Às nossas montanhas… voltaremos… à antiga paz… então desfrutaremos!”)… Cena transforma-se em terceto, com Leonora e Manrico. Leonora começa a desfalecer e suplica pela fuga… Manrico resiste!…

Adentra o conde e se depara com Leonora morrendo. Percebe a barganha de Leonora, que trocava a liberdade de Manrico pela própria vida! Quanto amor sentia ela!… E Manrico percebe o trágico sacrifício de sua amada. Não havia mais tempo, nem desejava fugir…

Cena de “Leonora”, desfalecendo nos braços de “Manrico”, sendo observados pelo “conde de Luna”, em “Il Trovatore”, de Verdi – “Operhaus of Zurich”, Suiça.

Desenvolve-se o tercetto final, “Prima che d’altri vivere… io… volli tua morir!…” (“Antes que viver para outros… eu… por ti, morrerei!…”). Leonora morre nos braços de Manrico… E o Conde, em extrema revolta e ciúme, ordena execução de Manrico!… 

Manrico dirige-se à Azucena, “Madre… oh, madre, addio!”… Azucena, acordando, “Manrico! Ov’è mio figlio?” (“Manrico! Onde estás, meu filho?”). Conde interpela, “A morte ei corre!” (“Para a morte e rápido!”) e arrasta a cigana até uma janela… Azucena resiste, “Ah ferma! m’odi…” (“Pare! Você me odeia…”)

Cena final – “Leonora” morta e o carrasco com machado e a cabeça de “Manrico”, em “Il Trovatore”, de Verdi – “Operhaus of Zurich”, Suiça.

Azucena presencia a morte de Manrico e, em desespero, grita: “Cielo!… Egli era tuo fratello!”… Mataste teu irmão!… Surpreso e horrorizado, Conde exclama: “Ei!… quale orror!!… Azucena sentencia: “Sei vendicata, o madre!!” (“Estás vingada, minha mãe!!”) e a velha cigana cai prostrada… Com o suicídio de Leonora, o trágico e brutal reencontro com Garcia (Manrico) e mais dolorosa solidão, conde de Luna lamenta: “E vivo ancor!” (“E permaneço vivo…”)

– Cai o pano –

“Il Trovatore” é drama intenso e contundente, onde a música transborda, poderosa e vulcânica – grande momento da produção de Verdi e do romantismo!…  

Giuseppe Fortunino Francesco Verdi, músico italiano, 1813-1901, entusiasta do “Risorgimento”.

Após estreia, foi apresentada no “Théâtre Italien”, Paris, 1854; “Teatro Lyrico Fluminense”, Rio de Janeiro, 1854; “Academy of Music”, Nova York, 1855; “Covent Garden”, Londres, 1855; “Theatre Royal Drury Lane”, Londres, 1856; “Opéra”, de Paris, 1857; “Metropolitan Opera”, Nova York, 1883; e muitas se seguiram… 

  1. Gravações de “Il Trovatore”

Grande sucesso desde a estreia em Roma, 1853, “Il Trovatore” tem sido montada, ininterruptamente, em todo o mundo, tornando-se impossível elencar tantas produções. De modo que apresentaremos lista sucinta de gravações e DVDs:

  • Gravação em áudio, 1947 – CD MYTO

“Orchestra and Chorus of the Metropolitan Opera”, direção Emil Cooper
Solistas: Stella Roman (Leonora) – Margaret Harshaw (Azucena) – Jussi Björling (Manrico) – Leonard Warren (conde de Luna) – Giacomo Vaghi (Ferrando)
“Metropolitan Opera”, Nova York, USA

Obs: Elenco excepcional, onde destacamos as belas vozes e interpretações de Margaret Harshaw (mezzo) e Leonard Warren (barítono).

  • Gravação em áudio, 1962 – CD Melodram

“Orquestra do Teatro alla Scala”, direção Gianandrea Gavazzeni
Solistas: Antonietta Stella (Leonora) – Fiorenza Cossotto (Azucena) – Franco Corelli (Manrico) – Ettore Bastianini (conde de Luna) – Ivo Vinco (Ferrando)
“Coro do Teatro alla Scala”, direção Norberto Mola
Milão, Itália

  • Gravação em áudio CD – “Bella Voce”, 1975

“Orquestra and chorus of the Royal Opera House”, direção Anton Guadagno
Solistas: Montserrat Caballé (Leonora) – Irina Arkhipova (Azucena) – Carlo Cossutta (Manrico) – Sherill Milnes (conde de Luna) – Richard Van Allan (Ferrando)
“Covent Garden”, Londres

    • Gravação em áudio CD – EMI, 1977

“Berliner Philharmoniker”, direção Herbert Von Karajan
Solistas: Leontyne Price (Leonora) – Fiorenza Cossotto (Azucena) – Franco Bonisolli (Manrico) – Piero Capucilli (conde de Luna) – Jose Van Dam (Ferrando)
“Chor der Deutschen Oper Berlin”, Alemanha.

  • Gravação em vídeo – DVD TDK, 1978

“Orchester der Wiener Staatoper”, direção Herbert Von Karajan
Solistas: Raina Kabaivanska (Leonora) – Fiorenza Cossotto (Azucena) – Plácido Domingo (Manrico) – Piero Cappuccilli (conde de Luna) – José van Dam (Ferrando)
“Chor der Wiener Staatoper”, direção Helmuth Frochauer
Viena, Áustria

  • Gravação em vídeo DVD “Deutsche Grammophon“, 1988

“The Metropolitan Opera Chorus and Orchestra”, direção James Levine
Solistas: Eva Marton (Leonora) – Dolora Zajick (Azucena) – Luciano Pavarotti (Manrico) – Sherrill Milnes (conde de Luna) – Jeffrey Wells (Ferrando)
New York, USA

  • Gravação em áudio – CD EMI, 2001

“London Symphony Orchestra”, direção Sir Antonio Pappano
Solistas: Angela Gheorghiu (Leonora) – Larissa Diadkova (Azucena) – Roberto Alagna (Manrico) – Thomas Hampson (conde de Luna) – Ildebrando D’Arcangelo (Ferrando)
“London Voices Chorus Master”, direção Terry Edwards,
London, Inglaterra

  • Gravação em vídeo, 2017

“Orquestra Clásica del Maule”, direção Francisco Rettig
Solistas: Paulina González (Leonora) – Evelyn Ramírez (Azucena) – Giancarlo Monsalve (Manrico) – Omar Carrión (conde de Luna) – David Gaez (Ferrando)
“Coro del Teatro Regional del Maule”, direção Pablo Ortiz
Talca, Chile

Obs: Excelente produção sul-americana, realizada com dedicação, entusiasmo e belas vozes. 

  • Gravação em vídeo – DVD “Fondazione Arena di Verona” – C major, 2020

“Orchestra and Ballet of the Arena di Verona”, direção Pier Giorgio Morandi
Solistas: Anna Netrebko (Leonora) – Dolora Zajick (Azucena) – Yusif Eyvazov (Manrico) – Luca Salsi (conde de Luna) – Riccardo Fassi (Ferrando)
“Chorus of the Arena di Verona”, direção Vito Lombardi
Verona, Itália

  • Download no PQP Bach

Para download e compartilhamento da música de Verdi em “Il Trovatore”, sugerimos gravação em áudio da “Bella Voce”, 1975, ”Orchestra and chorus of the Royal Opera House”, de Londres, direção Anton Guadagno e grandes solistas:

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Vozes solistas e direção

Monserrat Caballé, soprano Catalão, “Leonora” em “Il Trovatore”, de Verdi, no “Covent Garden”, Londres, 1975.

Os solistas desta gravação são de primeira grandeza. E no personagem “Leonora”, a magnífica María de Montserrat Bibiana Concepción Caballé i Folch – Montserrat Caballé, soprano catalão, entre as maiores cantoras líricas de todos os tempos… Formada no “Conservatório Superior de Música”, de Barcelona, sua carreira teve início na Suíça, “Ópera de Basiléia”, com repertório que abrangia Mozart e Johann Strauss…

Após, Caballé tornou-se cantora permanente da “Ópera de Bremen”, Alemanha. E o destaque mundial ocorreu nos USA, no “Carnegie Hall”, 1965, quando substituiu, imprevisivelmente, o mezzo-soprano Marilyn Horne, em “Lucrezia Borgia”, de Donizetti, sendo aplaudida por 25 min. – uma revelação acontecia!… Críticos novaiorquinos, entusiasmados, sintetizaram Caballé na equação “Callas+Tebaldi”…

Irina Arkhipova, mezzo-soprano russo, “Azucena” em “Il Trovatore”, de Verdi, no “Covent Garden”, Londres, 1975.

Em cerca de 130 gravações, o repertório de Caballé é vastíssimo, desde Rossini, Donizetti, Bellini, Verdi e Puccini; até Wagner e Richard Strauss… Por fim, ocasionalmente, incursionou pelo “rock” e “heavy metal”… Morreu em Barcelona, aos 85 anos…

Impecável no papel da cigana “Azucena”, o mezzo-soprano russo, Irina Konstantinovna Arkhipova – Irina Arkhipova. “Técnica irresistível e grande poder expressivo” são características atribuídas à célebre cantora, nascida em Moscou, Rússia…

Inicialmente formada em arquitetura e, mais tarde, no “Conservatório de Moscou”, Arkhipova destacou-se no repertório russo e italiano. E brilhou em “Khovanschina” e “Boris Gudonov”, de Mussorgsky; também em “Eugene Onegin”, de Tchaikovski, atuando nos principais teatros do mundo. Na ex-URSS, recebeu distinções como “Artista do povo”, 1966, e “Herói do trabalho”, 1984…

Carlo Cossutta, tenor dramático – “Manrico” em “Il Trovatore”, de Verdi, “Covent Garden”, Londres, 1975.

Interpretando “Manrico”, o tenor dramático italiano, de ascendência eslovena, Carlo Cossutta. Nascido em Santa Croce del Carso, perto de Trieste, Itália, Cossuta emigrou para Argentina, onde iniciou e terminou sua carreira – no “Teatro Colón”…

Em Buenos Aires, destacou-se em “Don Rodrigo”, de Ginastera, depois na “Royal Opera”, de Londres. As décadas de 70 e 80 marcaram seu apogeu, atuando nos grandes teatros europeus e americanos. Nesta produção, percebe-se a voz poderosa e sólida técnica, típicas de tenores dramáticos. (prudentemente, canta “Di quella Pira” 1/2 tom abaixo, mas em vigorosa performance e bela cor vocal)…

Interpretando “conde de Luna”, o carismático Sherrill Milnes, excelente barítono estadunidense, nascido em Downers Grove, Illinois. Filho de produtores de leite, desde jovem, alternava as lidas da fazenda com os estudos musicais. Posteriormente, entre medicina e música, optou pela carreira musical, na expectativa de tornar-se professor. Assim, de início modesto e poucas pretensões, a voz robusta e presença de palco possibilitaram à Milnes brilhar entre os grandes barítonos de sua geração…

Sherrill Milnes, barítono estadunidense, “conde de Luna”, “Il trovatore”, de Verdi, no “Covent Garden”, Londres, 1975.

Milnes atuou em festejadas casas de ópera e suas qualidades de ator o levaram ao cinema, em “Tosca”, de Puccini…  Junto com as poderosas vozes de Caballé, Arkhipova e Cossutta, além dos solos, integra os belíssimos ensembles, de perfeito equilíbrio e eufonia – qualidades desta excepcional produção…

No papel de “Ferrando”, incisivo personagem do prólogo de “Il Trovatore”, o britânico Richard van Allan. Versátil voz de baixo, destacou-se no “Covent Garden”, na “English National Opera” e, após, realizou extensa carreira internacional. Com elegante presença de palco, suas interpretações sensibilizavam, tanto em pesado repertório de Verdi e Wagner, quanto na leveza de Gilbert e Sullivan. Artigos do “The Times” o elogiaram pelas “virtudes de um grande artista – estilo e dramaticidade, técnica e beleza vocal”…

Richard van Allan, baixo britânico, “Ferrando” em “Il trovatore”, de Verdi, no “Covent Garden”, Londres, 1975.

Em primorosa direção, Anton Guadagno revela sua capacidade de atuar em meio a diversidade sonora – alternando solos, ensembles, coros e orquestra. Mas, sobretudo, nos pequenos conjuntos, entre tercetos e quartetos, atinge níveis de sutileza notáveis, explorando a versatilidade e potencial dos solistas. Equilíbrio, por vezes, comparável a madrigais renascentistas, apesar da robustez vocal dos solistas – final do 4° Ato, Leonora e Manrico em terceto com Azucena, que balbucia “Ai nostri monti… ritorneremo!… l’antica pace… ivi godremo!”… 

Assim, depreende-se que Guadagno coordena de modo a estimular a liberdade, mas semeando coesão; por onde obtém maior concentração e primorosas performances. Sobretudo, no que se revela em qualidade de uma gravação “ao vivo”, sempre sujeita ao inesperado. Assim, percebem-se direções musicalmente sensíveis e proativas…

Anton Guadagno, diretor italiano, na produção de “Il trovatore”, de Verdi, no “Covent Garden”, Londres, 1975.

Nascido em Castellammare del Golfo, Itália, Anton Guadagno formou-se no “Conservatório Vincenzo Bellini”, de Palermo. E após, na “Accademia di Santa Cecilia”, de Roma. Ainda estudante, foi assistente de Herbert von Karajan, no “Mozarteum”, de Salzburgo, Áustria…

Guadagno iniciou carreira na Cidade do México; após, estreou no “Carnegie Hall”, de New York, 1952, e tornou-se diretor assistente da “Metropolitan Opera”, entre 1958-59. Também atuou na “Filadélfia Lyric Opera Company” e, sobretudo, a partir de 1970, maestro residente para o repertório italiano, na “Wiener Staatsoper”, por 30 anos. Em 1984, em paralelo às atividades de Viena, retornou aos USA, como titular da “Palm Beach Opera”, permanecendo até sua morte – Viena, 2002…

Por fim, agradecemos e aplaudimos os coros, ensembles e orquestra desta excelente produção. “Il trovatore” é drama intenso, onde a música de Verdi segue a nos sensibilizar e manter viva a arte da ópera! 

Capa CD “Bella Voce”, de “Il Trovatore”, de Verdi, “Covent Garden”, Londres, 1975

Sugerimos também:

    1. Áudio CD Myto – produção do “Orchestra and Chorus of the Metropolitan Opera”, direção Emil Cooper, com Stella Roman (Leonora) – Margaret Harshaw (Azucena) – Jussi Björling (Manrico) – Leonard Warren (conde de Luna) – Giacomo Vaghi (Ferrando), Nova York, USA, 1947.

    1. DVD TDK – produção em vídeo da “Orchester und Chor der Wiener Staatoper”, direção Herbert Von Karajan, com Raina Kabaivanska (Leonora) – Fiorenza Cossotto (Azucena) – Plácido Domingo (Manrico) – Piero Cappuccilli (conde de Luna) – José van Dam (Ferrando), Viena, Áustria, 1978.

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“PQP Bach and Company: farmers at work!”

Alex DeLarge

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Franz Schubert (1797-1828): Sinfonias Nº 8 (Inacabada) e Nº 9 (A Grande) (Savall)

Franz Schubert (1797-1828): Sinfonias Nº 8 (Inacabada) e Nº 9 (A Grande) (Savall)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Savall tem o toque de Midas. Neste CD, ele lança o seu primeiro álbum de Schubert, na sequência de uma gravação das sinfonias completas de Beethoven que muito contribuiu para renovar a nossa visão do repertório romântico inicial. O maestro catalão apresenta uma gravação liberta do peso das tradições passadas para sublinhar a dinâmica, o equilíbrio de secções e os timbres que se impõem neste repertório. Jordi Savall decidiu intitular este álbum de Transfiguração, porque, como ele explica, sempre nos surpreendemos com a capacidade de Schubert de atingir essa dimensão essencialmente interna e espiritual, esse tipo de Transfiguração, que ele simplesmente resume da seguinte forma em seu diário em 1824: “Minha produção é fruto do meu conhecimento musical e da minha dor” ou, para citar um poema que escreveu um pouco antes: “Quando eu queria cantar o amor, virava dor. Quando eu quis cantar a dor, ela se transformava em amor.”

Franz Schubert (1797-1828): Sinfonias Nº 8 (Inacabada) e Nº 9 (A Grande) (Savall)

1. Symphony No. 8 in B Minor, D. 759 ‘Unfinished’: I. Allegro moderato (14:41)
2. Symphony No. 8 in B Minor, D. 759 ‘Unfinished’: II. Andante con moto (09:57)

3. Symphony No. 9 in C Major D. 944 ‘The Great’: I. Andante · Allegro ma non troppo – Più mosso (15:26)
4. Symphony No. 9 in C Major D. 944 ‘The Great’: II. Andante con moto (13:55)
5. Symphony No. 9 in C Major D. 944 ‘The Great’: III. Allegro vivace – Trio – Scherzo da capo (16:27)
6. Symphony No. 9 in C Major D. 944 ‘The Great’: IV. Allegro vivace (15:27)

Le Concert des Nations
Jordi Savall

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Jordi Midas Savall

PQP

Bach (1685 – 1750): Algumas Partitas; Beethoven (1770 – 1827): Concerto para Piano No. 4 – Claudio Arrau, piano – OSRB & Leonard Bernstein ֎

Bach (1685 – 1750): Algumas Partitas; Beethoven (1770 – 1827): Concerto para Piano No. 4 – Claudio Arrau, piano – OSRB & Leonard Bernstein ֎

Bach: Partitas 

Beethoven: Concerto para Piano No. 4

Claudio Arrau, piano

Orquestra da Rádio Bávara

Leonard Bernstein

Claudio Arrau (1903 – 1991)

(Homenagem pelos 120 Anos de Nascimento)

O olhar que ele me lançou quando cheguei (atrasado) para a entrevista com o pessoal do PQP Bach

Esta postagem é uma homenagem a Claudio Arrau, que nasceu há 120 anos, no dia 7 de fevereiro de 1903. Entre os muitos espetaculares pianistas do século passado, Claudio Arrau destaca-se pela maneira como colocou totalmente à disposição da música toda sua imensa habilidade, todo seu virtuosismo. Era possuidor de uma técnica monumental que nunca usava para exibir-se, uma memória extraordinária, que lhe permitiu apresentar obras completas de grandes mestres em poucos recitais, concentrados em curtos períodos.

Mesmo assim era modesto e preocupava-se constantemente em aprimorar sua arte. Particularmente reveladora é a história contada por Alain Lompech, jornalista e crítico de música francês. Arrau, já com quase 90 anos, visitava Paris e pediu a Lompech que arranjasse um encontro com o pianista Vlado Perlemuter. Arrau deveria gravar a suíte Miroir, de Ravel, e gostaria de tocá-la para Perlemuter e trabalhar um pouco com ele, pois ouvira a sua interpretação dessa obra em Londres e ficara muitíssimo impressionado.

Fantasiado de Mandrake

Claudio Arrau deixou um imenso legado de gravações e para nossa sorte, muitas em excelente qualidade, como as que fez para a Philips. Essa quantidade de opções na verdade tornou minha tarefa de escolher algo representativo, porém não tão óbvio (como as muitas peças de Liszt e Chopin) relativamente difícil.

A minha primeira escolha caiu nos dois primeiros discos de uma coleção lançada pela Philips, chamada ‘The Final Sessions’. Com o advento da tecnologia digital, a gravadora estava fazendo novas gravações com o pianista, escolhendo peças de seu vasto repertório. Essa particular coleção reuniu o que se imagina que foram seus últimos esforços. Nela temos quatro das seis Partitas que Bach escreveu para teclado, mais peças de Beethoven, Schubert e Debussy. Escolhi as peças de Bach por serem as que tenho visto com menos frequência entre as suas gravações disponíveis. Além disso, há notícias de que na década de 1930 ele teria tocado em 12 concertos toda a obra para teclado de Bach.

A cara que ele fez quando tocamos na história do Glenn Gould…

Arrau foi também um intérprete por excelência da obra para piano de Beethoven, com destaque especial para o Concerto para piano No. 4. Há duas gravações em estúdio, para a Philips, de todos os concertos para piano de Beethoven, mas pensando neste momento especial, escolhi uma gravação feita ao vivo, no Deutsches Museum, em Munique, em 1976. Nesta gravação, Arrau foi acompanhado pela Orquestra da Rádio Bávara, regida por Leonard Bernstein. Além do concerto, o disco trás em sua primeira faixa a Abertura Leonora No. 3. Esta gravação já estava comigo há algum tempo, recebida que foi do generoso e sempre solícito Conde Vassily…

Como Claudio Arrau quase se tornou Glenn Gould!

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

CD1

Partita No. 2 em dó menor, BWV826

  1. Sinfonia (Grave adagio – Andante)
  2. Allemande
  3. Courante
  4. Sarabande
  5. Rondeaux
  6. Capriccio

Partita No. 1 em si bemol maior, BWV825

  1. Praeludium
  2. Allemande
  3. Corrente
  4. Sarabande
  5. Menuet I & II
  6. Giga

CD2

Partita No. 5 em sol maior, BWV829

  1. Praeambulum
  2. Allemande
  3. Corrente
  4. Sarabande
  5. Tempo di minuetto
  6. Passepied
  7. Gigue

Partita No. 3 em lá maior, BWV827

  1. Fantasia
  2. Allemande
  3. Corrente
  4. Sarabande
  5. Burlesca
  6. Scherzo
  7. Gigue

Claudio Arrau, piano

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FLAC | 257 MB

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MP3 | 320 KBPS | 211 MB

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Abertura ‘Leonora No. 3’, op. 72a

  1. Abertura

Concerto para Piano No. 4 em sol maior, Op. 58

  1. Allegro moderato – Cadenza: Ludwig van Beethoven
  2. Andante con moto
  3. Rondo (Vivace) – Cadenza: Ludwig van Beethoven

Claudio Arrau, piano

Symphonie-Orchester des Bayerischen Rundfunks

Leonard Bernstein

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FLAC | 200 MB

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MP3 | 320 KBPS | 116 MB

Lenny até deixou a barba crescer para a ocasião

 

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Piano Trios Nos 1 & 2 • Seven Romances Op 127 (The Florestan Trio, Susan Gritton)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Piano Trios Nos 1 & 2 • Seven Romances Op 127 (The Florestan Trio, Susan Gritton)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Após dezesseis anos, as carreiras dos membros do Trio Florestan se tornaram divergentes em 2011. Infelizmente, este disco marca o fim do Trio. Para esta gravação final, eles apresentam um programa 100% Shostakovich composto por seus dois trios para piano e os Sete Romances sobre Poemas de Alexander Blok, para os quais se juntam o soprano Susan Gritton. Escrito em 1923, o primeiro trio foi a obra surpreendente de um estudante de dezessete anos. A segunda, uma das maiores obras-primas do compositor, foi estreada cerca de vinte anos depois. Os romances foram a resposta a um pedido de Mstislav Rostropovich de um repertório que ele e sua esposa Galina Vishnevskaya pudessem apresentar juntos. Como sempre, o Florestan Trio está impecável e pleno de musicalidade. Uma pena que tenham acabado.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Piano Trios Nos 1 & 2 • Seven Romances Op 127 (The Florestan Trio, Susan Gritton)

1 Piano Trio No 1 In C Minor ‘Poème’ Op 8 11:31

Seven Romances On Poems Of Alexander Blok Op 127
Soprano Vocals – Susan Gritton
Words By – Alexander Blok*
(25:16)
2 Ophelia’s Song 3:08
3 Gamayun, The Prophet Bird 3:41
4 We Were Together 2:38
5 The City Sleeps 2:58
6 The Storm 2:08
7 Mysterious Signs 4:57
8 Music 5:42

Piano Trio No 2 In E Minor Op 67 (25:04)
9 Andante 7:19
10 Allegro Non Troppo 3:04
11 Largo 4:53
12 Allegretto 9:45

Cello – Richard Lester
Ensemble – The Florestan Trio
Piano – Susan Tomes
Producer – Andrew Keener
Violin – Anthony Marwood

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Galina e Mstislav no PQP Concert Hall de Londres em 1957

PQP

Alfred Schnittke (1934-1998): Concerti Grossi Nos. 1 & 5 / Quasi una Sonata (Kremer / Schiff / von Dohnányi)

Alfred Schnittke (1934-1998): Concerti Grossi Nos. 1 & 5 / Quasi una Sonata (Kremer / Schiff / von Dohnányi)

A DG montou uma reedição muito inteligente aqui. O Concerto Grosso Nº 1 e a Quasi una sonata para violino e orquestra de câmara foram lançados originalmente em 1989. O Concerto Grosso Nº 5 foi resgatado de seu lançamento original de 1993. Todo o disco é uma vitrine para Gidon Kremer, que era amigo e campeão de Schnittke. E bem, Dohnányi e a Filarmônica de Viena estão espetaculares no Nª 5.

Schnittke chamou o Concerto Grosso Nº 1 de 1977 de um exemplo de “poliestilismo”, e com certeza há elementos do barroco e citações de vários compositores, bem como um breve tango, mas estes são trabalhos decididamente dissonantes. Sim, nele técnicas modernas se combinam com sons barrocos e clássicos de uma forma que, estranhamente, não é incongruente. Entre os compositores cuja obra Schnittke absorveu aqui em paródia estão Vivaldi, Mozart, Beethoven, Webern e Tchaikovsky. A obra é ainda rematada por um tango ao cravo. Um trabalho divertido,

O Concerto Grosso Nº 5 para violino, piano invisível e orquestra (1990-91) é bastante diferente dos trabalhos anteriores de Schnittke. Sua forma é incomum, destacando tanto o violino com cadências elaboradas que poderia até ser chamado de concerto para violino. O piano é “invisível” por ser colocado fora do palco e amplificado. Embora alguns dos motivos rítmicos aqui sejam interessantes, acho que a peça é típica do trabalho tardio de Schnittke, do qual não sou muito fã.

Quasi una sonata para violino e orquestra de câmara foi composta pela primeira vez em 1968, mas definida para orquestra de câmara em 1987. Aqui Kremer rege a Orquestra de Câmara da Europa enquanto simultaneamente sola. No final dos anos 1960, Schnittke estava cansado do serialismo, mas se sentia desconfortável em compor sem as diretrizes dessa técnica, então ele escreveu uma obra que combina o serialismo com o tonalismo tradicional, dando origem ao poliestilo que mais tarde o tornaria famoso. Embora um tanto divertido e claramente importante no desenvolvimento do compositor, empalidece em comparação com suas obras da década seguinte.

Alfred Schnittke (1934-1998): Concerti Grossi Nos. 1 & 5 / Quasi una Sonata (Kremer / Schiff / von Dohnányi)

Concerto Grosso No. 1 (1977)
Conductor – Heinrich Schiff
Harpsichord, Piano [Prepared] – Yuri Smirnov
Orchestra – The Chamber Orchestra Of Europe
Violin – Gidon Kremer, Tatiana Grindenko
(28:13)
1 1. Preludio: Andante 4:59
2 2. Toccata: Allegro 4:26
3 3. Recitativo: Lento 6:55
4 4. Cadenza (Without Tempo Indication) 2:31
5 5. Rondo: Agitato 7:08
6 6. Postludio: Andante-Allegro-Andante 2:14

Concerto Grosso No. 5 (1990-91)
Conductor – Christoph von Dohnányi
Orchestra – Wiener Philharmoniker
Piano – Rainer Keuschnig
Violin – Gidon Kremer
(27:35)
7 1. Allegretto 7:46
8 2. (Without Tempo Indication) 5:18
9 3. Allegro Vivace 6:02
10 4. Lento 8:28

11 Quasi Una Sonata (1987)
Orchestra – The Chamber Orchestra Of Europe
Piano – Yuri Smirnov
Violin, Conductor – Gidon Kremer

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Que foto, hein? A legenda está lá em cima, ó.

PQP

Georg Friedrich Händel (1685-1759): Concerti Grossi Op. 3 – Concerto Doppio (Rovaris, Silete Venti!)

Georg Friedrich Händel (1685-1759): Concerti Grossi Op. 3 – Concerto Doppio (Rovaris, Silete Venti!)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Fazia algum tempo que o rótulo acima não aparecia. Mas este CD torna obrigatório seu retorno. Os Concerti Grossi Opus 3 de Händel são provavelmente o conjunto de peças orquestrais mais famoso e executado do compositor. E embora estas peças sejam tantas vezes apresentadas, o conjunto Silete Venti!, sob a regência de Corrado Rovaris, realizou algo único. Sim, são italianos como o espírito destas peças e tiveram uma compreensão superior delas. O disco é complementado com uma gravação de estreia mundial do Concerto oppio “di Signore Handel”, com os ótimos solistas Simone Toni (oboé) e Laurent Le Chenadec (fagote). Esta obra, cuja autoria não pode ser atribuída com absoluta certeza a Handel, impressiona pelo maravilhoso desenvolvimento de temas que ficam imediatamente na memória do ouvinte.

Georg Friedrich Händel (1685-1759): Concerti Grossi Op. 3 – Concerto Doppio (Rovaris, Silete Venti!)

Concerto Doppio “del Signor Haendel” in G minor
01. I. Adagio
02. II. Allegro
02. III. Adagio (affettuoso)
04. IV. Tempo di minuetto

Concerto Grosso in B flat major Op. 3 No. 1 HWV 312
05. I. Allegro
06. II. Largo
07. III. Allegro

Concerto Grosso in B flat major Op. 3 No. 2 HWV 313
08. I. Vivace
09. II. Largo
10. III. Allegro
11. IV. Moderato (minuetto)
12. V. Allegro (gavotte)

Concerto Grosso in G major Op. 3 No. 3 HWV 314
13. I. Largo e Staccato
14. II. Allegro
15. III. Adagio
16. IV. Allegro

Concerto Grosso in F major Op. 3 No. 4 HWV 315
17. I. Andante – Allegro (Ouverture)
18. II. Andante
19. III. Allegro
20. IV. Minuetto alternativo: Allegro

Concerto Grosso in D minor Op. 3 No. 5 HWV 316
21. I. Largo (Ouverture)
22. II. Fuga: Allegro
23. III. Adagio
24. IV. Allegro ma non troppo
25. V. Allegro

Concerto Grosso in D major Op. 3 No. 6 HWV 317
26. I. Vivace
27. II. Cadenza
28. III. Allegro

Simone Toni, oboe
Laurent Le Chenadec, bassoon
Silete Venti!
Corrado Rovaris, director

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Pro 6, uma parte do Silete Venti! Eles estavam visitando a sede da PQP Bach Corp. em Florença.

PQP

.: interlúdio :. John Coltrane ao vivo, 1961: Village Vanguard (NYC, USA) (“Live” e “Impressions”)

Ao contrário das gravações ao vivo na Europa postadas aqui dias atrás, feitas por rádio ou TV e lançadas postumamente, esses dois discos de hoje foram produzidos com a participação de John Coltrane e sua gravadora, a partir de momentos selecionados em uma temporada de quatro concertos no Village Vanguard, famosa casa em Nova York.

Por um lado, temos o selo de aprovação dos músicos para o lançamento. Por outro lado, há um certo ar de colagem de datas diferentes, sem aquela sensação de um show com início, meio e fim. Só foram selecionados temas inéditos, deixando de fora músicas que eram comuns nos set lists do quinteto de Coltrane à época, como My Favorite Things, do álbum homônimo; Naima, de Giant Steps; e Greensleeves, lançada meses antes em Africa/Brass.

O clarinete baixo de Eric Dolphy soa em complemento ao sax de Coltrane em Spiritual, composição inspirada na música vocal devocional afro-americana, e que traz indícios do que faria Coltrane bem depois a partir de A Love Supreme. Mas se quiserem ouvir Eric Dolphy tocando flauta com o acompanhamento elegante do piano de McCoy Tyner, aí só ouvindo outros shows…

Inamu Baraka, autor de livros sobre jazz, assistiu John Coltrane ao vivo várias vezes e escreveu:
“There is a daringly human quality to John Coltrane’s music that makes itself felt, wherever he records. If you can hear, this music will make you think of a lot of weird and wonderful things. You might even become one of them.”

John Coltrane – Live at the Village Vanguard, 1961
1. Spiritual
2. Softly As In A Morning Sunrise
3. Chasin’ The Trane

John Coltrane — soprano and tenor saxophone
Eric Dolphy — bass clarinet on “Spiritual”
McCoy Tyner — piano on 1, 2
Reggie Workman — bass on 1, 2
Jimmy Garrison — bass on 3
Elvin Jones — drums
Recorded: November 1961, Village Vanguard, NYC, USA

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – Live at the Village Vanguard (mp3 320kbps)

Eric Dolphy & John Coltrane

Impressions não se apresenta na capa como um disco ao vivo, mas as suas duas faixas mais longas – India e Impressions, cada uma por volta dos 15 minutos – foram gravadas ao vivo no Village Vanguard em 1961. As três faixas curtas, porém, foram gravadas em estúdio e na formação de quarteto, sem Dolphy. Apesar desse jeitão de colcha de retalhos, é considerado um dos pontos altos de Coltrane, especialmente devido à parte ao vivo. No início de 1963 o quarteto gravou em estúdio a composição Impressions, mas devem ter preferido a gravação ao vivo de 61, que lançaram em julho de 63. Só em 2018, no álbum “Both Directions at Once” (outra colcha de retalhos supervisionada pelo filho de John Coltrane), foi lançada a Impressions de estúdio. Para uma outra versão dela ao vivo e em vídeo, confiram o quinteto em Baden-Baden, Alemanha, aqui.
Em India, assim como em Olé Coltrane (gravada em estúdio meses antes), temos dois baixistas servindo como chão para os outros músicos se aventurarem por toques exóticos e escalas inspiradas em outros países. As faixas gravadas em estúdio e lançadas nesse disco Impressions (nº 2, 4 e 5) são, ao menos para mim, mais fracas: não sei apontar o motivo ou circunstância, mas naquele período (1962-63) algumas gravações de estúdio do quarteto de Coltrane, embora com extrema competência e bom gosto, parecem mostrar um certo bloqueio de criatividade, que seria definitivamente superado em 1964 com os discos de estúdio Crescent e A Love Supreme.

John Coltrane – Impressions
1. India (Live, November 3 1961, Village Vanguard)
2. Up ‘Gainst the Wall (September 18 1962, Van Gelder Studio)
3. Impressions (Live, November 3 1961, Village Vanguard)
4. After the Rain (April 29 1963, Van Gelder Studio)
5. Dear Old Stockholm (April 29 1963, Van Gelder Studio, CD reissue bonus track)

John Coltrane – soprano and tenor saxophone
Eric Dolphy – bass clarinet (track 1), alto sax (track 3, final chord only)
McCoy Tyner – piano (tracks 1, 3, 4, and 5)
Jimmy Garrison – double bass
Reggie Workman – double bass (track 1)
Elvin Jones – drums (tracks 1, 2, and 3)
Roy Haynes – drums (tracks 4 and 5)

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – Impressions (mp3 320kbps)

Elvin Jones (bateria) e John Coltrane (sax soprano) em Baden-Baden, 1961, um mês após os shows no Village Vanguard

Pleyel

Mahler (1860-1911): Sinfonia No. 6 – Trágica – musicAeterna & Teodor Currentzis ֎

Mahler (1860-1911): Sinfonia No. 6 – Trágica – musicAeterna & Teodor Currentzis ֎

Gustav Mahler

Sinfonia No. 6 – Trágica

musicAeterna

Teodor Currentzis

 

No dia 20 de maio de 1906 Gustav Mahler estava preocupado quando se pôs a caminho de Essen para a preparação da primeira apresentação de sua Sexta Sinfonia. Ele sabia que, apesar de ter composto uma sinfonia sem coro, sem solos vocais e com quatro (clássicos) movimentos, a convencionalidade parava aí e o trabalho seria difícil. Como a orquestração da Sinfonia era enorme, grande parte do efetivo da Orquestra de Utrecht havia sido requisitada para completar o conjunto necessário para a apresentação, que ocorreria como parte do Festival Anual da Allgemeiner Deutscher Musikverein, que prometia um total de 110 membros na orquestra.

Gustav e Alma, que teria sido representada em um dos temas da sinfonia…

Eterno perfeccionista, Mahler não ficou feliz com os ensaios nem com a apresentação. Segundo relatos de seu ciclo mais íntimo, ficou particularmente desolado com um comentário feito pelo desligado e ‘sincero’ amigo músico Richard Strauss, de que a sinfonia toda, especialmente o último movimento, ficara excessivamente instrumentada. Talvez ele estivesse se referindo ao arsenal percussivo empregado por Mahler, incluindo o martelo de Mahler! Ah, pois depois que você conhecer o martelo de Mahler, poderá esquecer até o martelo de Thor!

Martelo de Mahler

Gustav Mahler, sempre em dúvidas e insatisfeito tanto com suas obras como com suas interpretações teria comentado como era diferente de Strauss que sempre conseguia fazer com que suas próprias obras tivessem com alguma facilidade boas apresentações.

Teodor ensaiando a PQP Bach Orquestra de Pomerode

E não foi diferente com a Sexta, Mahler tinha dúvidas em manter o nome – Trágica – e mesmo com a ordem dos movimentos internos. O Scherzo, que vem em segundo lugar, tem um padrão rítmico parecido com o primeiro (lembrando o Lied Revelge). Mahler já imaginava os críticos e a audiência falando que ele estaria já se repetindo. Assim, talvez fosse melhor que o Adagio viesse em segundo, depois o Scherzo. E o número de marteladas? As tais representariam as pancadas do destino na vida do herói (trágico!) e eram inicialmente 5. Depois 3, e depois… Pois bem, bom quizz para o atento ouvinte é contar o número de marteladas no último movimento da gravação da postagem. Pois é, um desafio para a orquestra musicAeterna, com instrumentos de época (de Mahler), sob a direção de Teodor Currentzis. E para você, uma proposta de ouvir uma grande obra numa interpretação muito especial, mesmo que você já tenha uma gravação que considera ideal.

Alguns segundos antes da martelada

Eu ouvi algumas outras gravações para a preparação da postagem, entre elas as duas do Bernstein, a primeira com a New York Philharmonic (CBS-Sony) e a outra com a Wiener Philharmoniker (DG). Ouvi também as duas deixadas pelo Claudio Abbado, a primeira com a Chicago Symphony Orchestra (DG, capa deslumbrante) e a segunda com a Berliner Philharmoniker (DG, Adagio antes do Scherzo). Ouvi outras, mas vamos para por aqui pois vão achar que estou me exibindo. Posso dizer que a gravação do Currentzis me agradou muito e voltarei a ouvi-la outras vezes.

Gustav Mahler (1860 -1911)

Sinfonia No. 6 em lá menor “Trágica”
  1. Allegro energico, ma non troppo. Heftig, aber markig
  2. Scherzo. Wuchtig
  3. Andante moderato
  4. Finale. Sostenuto – Allegro moderato – Allegro energico

musicAeterna

Teodor Currentzis

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MP3 | 320 KBPS | 194 MB

Aqui está a turma da gravação acompanhando o cantor Florian Boesch em uma apresentação do Lied Revelge, para que você compare com o correspondentes movimentos da sinfonia.

Momento ‘the book is on the table…’:  I really enjoyed this performance, a difficult symphony offering clarity and somber beauty.

This is a powerful and compelling performance. Currentziz brings fire and tenderness to this symphony in equal measure.

Aproveite!

René Denon

Thor resolveu soltar o martelo, depois de ouvir a sinfonia de Mahler

Beethoven: Symphonies Nos. 4 & 8 / Méhul: Symphony No. 1 / Cherubini: Lodoïska Overture (AKAMUS)

Beethoven: Symphonies Nos. 4 & 8 / Méhul: Symphony No. 1 / Cherubini: Lodoïska Overture (AKAMUS)

Todas as quatro obras neste CD recebem tratamentos ágeis e enérgicos, muito precisos dentro da escolha geralmente rápida de andamentos, e constituem uma vitrine de alta qualidade para o estado atual da arte de tocar em instrumentos de época. Há momentos em que uma sobrancelha pode ser erguida, como no tema principal do Adágio da Quarta de Beethoven: independentemente de ser o habitual da época do compositor. A Oitava recebe um tratamento particularmente agradável. A 4ª e a 8ª são as Sinfonias menos conhecidas do mestre? Pois é, são sinfonias diferentes. Nestas duas obras somos conduzidos numa viagem cujo destino parece ser desconhecido. São cheias de inovações estruturais sutilmente trazidas nesta interpretação pelos músicos da AKAMUS (Akademie für Alte Musik Berlin). Esta gravação é também uma oportunidade para descobrir quão claramente a música de Cherubini prefigurou a de Beethoven, enquanto a sinfonia de Méhul é uma resposta à la française ao compositor alemão. Desnecessário dizer que Cherubini e Méhul não são Beethoven, mas ouça o Andante da Sinfonia do francês e você notará um brilho especial que… Será apagado pelo Minueto.

Beethoven: Symphonies Nos. 4 & 8 / Méhul: Symphony No. 1 / Cherubini: Lodoïska Overture (AKAMUS)

01. Cherubini: Lodoïska: Overture. Adagio – Allegro vivace – Moderato – Allegro vivace

02. Beethoven: Symphony No. 4 in B-Flat Major, Op. 60: I. Adagio – Allegro vivace
03. Beethoven: Symphony No. 4 in B-Flat Major, Op. 60: II. Adagio
04. Beethoven: Symphony No. 4 in B-Flat Major, Op. 60: III. Allegro molto e vivace – Trio. Un poco meno allegro
05. Beethoven: Symphony No. 4 in B-Flat Major, Op. 60: IV. Allegro ma non troppo

06. Méhul: Symphony No. 1 in G Minor: I. Allegro
07. Méhul: Symphony No. 1 in G Minor: II. Andante
08. Méhul: Symphony No. 1 in G Minor: III. Menuet. Allegro – Trio
09. Méhul: Symphony No. 1 in G Minor: IV. Finale. Allegro agitato

10. Beethoven: Symphony No. 8 in F Major, Op. 93: I. Allegro vivace e con brio
11. Beethoven: Symphony No. 8 in F Major, Op. 93: II. Allegretto scherzando
12. Beethoven: Symphony No. 8 in F Major, Op. 93: III. Tempo di Menuetto
13. Beethoven: Symphony No. 8 in F Major, Op. 93: IV. Allegro vivace

Akademie für Alte Musik Berlin
Bernhard Forck

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Sempre ao lado dos desfavorecidos — mesmo que pelo talento –, PQP Bach publica uma foto de Étienne Méhul.

PQP

Haydn (1732 – 1809): Algumas Sinfonias – (Projeto Haydn 2032) – Il Giardino Armonico ou Kammerorhester Basel & Giovanni Antonini ֎

Haydn (1732 – 1809): Algumas Sinfonias – (Projeto Haydn 2032) – Il Giardino Armonico ou Kammerorhester Basel & Giovanni Antonini ֎

Joseph Haydn

Sinfonias (Algumas)

Il Giardino Armonico

Kammerorchester Basel

Giovanni Antonini

O número 2023 é uma permutação de 2032, ano no qual se completará 3 séculos desde o nascimento de Franz Joseph Haydn. Ora, vocês sabem, o marketing da indústria fonográfica adora estas efemérides. Prepare-se para um tsunami de integrais de trios com piano, quartetos de cordas, sonatas para piano e, é claro, sinfonias. Já vimos algumas destas integrais no passado, como Antal Dorati ou Adam Fischer nas sinfonias, Quatuor Festetics nos quartetos ou Beaux Arts Trio nos trios com piano. Até 2032 veremos várias destas coleções reeditadas e a curiosidade maior é quanto a mídia – streaming, mais certamente. Acho que as gerações dos compradores de LPs, cassetes e CDs estarão se esvaindo até lá, restando apenas alguns highlanders…

No entanto, um projeto que tenho acompanhado com particular interesse atende pelo singelo nome Haydn 2032. A Joseph Haydn Foundation, na Basileia (Basel), está organizando, produzindo e financiando a performance e gravação das 107 sinfonias de Haydn pelo Il Giardino Armonico ou a Kammerorchester Basel, com a direção artística de Giovanni Antonini. Até agora detectei 12 volumes e um 13º chegará em breve.

Talvez devido a (minha) idade e a enorme curiosidade de ouvir música, não consegui ouvir os 12 discos inteiros. Mas não resisti e montei uma playlist com as sinfonias minhas mais conhecidas – todas com apelidos – e gostei tanto que decidi postar. Talvez algum de nossos colaboradores se anime e traga a coleção na integral (que contém também música de alguns contemporâneos do Haydn, para dar uma contextualização) e torne assim esta postagem obsoleta. Mas, até lá, dependendo apenas de minhas energias, aqui vai este pot-pourri.

Joseph Haydn (1732 – 1809)

Sinfonia No. 39 em sol menor – Tempesta di mare
  1. Allegro assai
  2. Andante
  3. Menuet – Trio
  4. Finale (Allegro di molto)
Sinfonia No. 49 em fá menor – La Passione
  1. Adagio
  2. Allegro di molto
  3. Menuet – Trio
  4. Finale (Presto)

Sinfonia No. 22 em mi bemol maior – Der Philosoph
  1. Adagio
  2. Presto
  3. Menuetto & Trio
  4. Finale (Presto)
Sinfonia No. 60 em dó maior – Il distratto
  1. Adagio – Allegro di molto
  2. Andante
  3. Menuetto – Trio
  4. Presto
  5. Adagio – Allegro
  6. Finale (Prestissimo)

Sinfonia No. 26 em ré menor – Lamentatione
  1. Allegro assai con spirito
  2. Adagio
  3. Minuet – Trio
Sinfonia No. 30 em dó maior – Alleluia
  1. Allegro
  2. Andante
  3. Finale

Sinfonia No. 63 em dó maior – La Roxolana
  1. Allegro
  2. La Roxolana – Allegretto piu tosto allegro
  3. Menuet – Trio
  4. Finale
Sinfonia No. 43 em mi bemol maior – Mercury
  1. Allegro
  2. Adagio
  3. Menuet – Trio
  4. Finale (Allegro)

Sinfonia No. 45 em fá sustenido menor – L’addio
  1. Allegro assai
  2. Adagio
  3. Menuet (Allegretto) – Trio
  4. Finale (Presto)
  5. Adagio

Sinfonia No. 82 em dó maior – L’ours
  1. Vivace
  2. Allegretto
  3. Minuet – Trio
  4. Finale (Vivace assai)

Il Giardino Armonico (Nos. 39, 49, 22, 60, 63, 43 e 45)

Kammerorchester Basel (Nos. 26, 30 e 82)

Giovanni Antonini

Antonini no dressing room do PQP Bach Hall de Alegrete

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MP3 | 320 KBPS | 491 MB

É papa fina!

Aproveite!

René Denon

Papa Haydn, para colorir

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Violoncelo e Piano (Alisa Weilerstein, Inon Barnatan)

Como comentei em postagem anterior dedicada a Brahms, que tinha Yuja Wang e Gautier Capuçon envolvidos, sempre é bom ter sangue novo em um repertório tão tradicional e gravado quanto essas Sonatas de Beethoven. Curiosamente, após o hercúleo trabalho de nosso querido Vassily dedicado a Beethoven, não trouxemos outras gravações dessas obras, afinal de contas elas estavam muito bem representadas naquela série. Pretendo, nesta postagem, preencher essa lacuna de dois anos, afinal, foram muitas as gravações realizadas destas sonatas.

Alisa Weilerstein é uma violoncelista norte americana, nascida em 1982 (este que vos escreve já era um fã incondicional de Beethoven naquela época) e que vem se destacando nos palcos do mundo inteiro e também com gravações onde podemos ainda mais admirar seu talento e versatilidade. Recentemente foi capa da revista Gramophone, que destacava exatamente essa gravação que ora vos trago. Assim o CD nos é apresentado pelo resenhista da revista, Andrew Farach-Colton:

For her new Beethoven cello sonatas album, Alisa Weilerstein has characteristically absorbed
other interpretations before throwing it all away to find her own path“.

E são tantas as opções no mercado que até podemos nos perder no meio de tantas opções. Esse sangue novo, representado por Alisa, que recém completou 40 anos de idade, e pelo excelente pianista israelense/americano Inon Barnatan,  nos trouxe um sopro de renovação. Pierre Fournier, Rostropovich, Starker, são muitos os nomes com que nos acostumamos a ouvir quando tratamos destas sonatas. Com certeza todos deram sua contribuição, ajudando a solidificar a importância destas obras. Lembro de Rostropovich / Richter no famoso LP duplo da Philips, que comprei e tenho até hoje, trinta e poucos anos depois. E como ouvi esse disco …

As Sonatas de op. 5 ainda são obras de formação de uma personalidade própria do gênio bethoveeniano, podemos sentir o desapego ao classicismo, apesar de ainda enxergarmos nela as influências de Mozart e de Haydn. Já a partir da Sonata de nº 3, de op. 69, obra da maturidade, conseguimos identificar o Beethoven que aprendemos a amar e admirar. Força, determinação, um diálogo de igual para igual entre os solistas, e os laços com o classicismo já estão rompidos, e a linguagem revolucionária de sua escrita já prevalece. Pertencem ao período chamado de heróico pelos biógrafos de Beethoven.

As Sonatas de op. 102 já nos trazem um compositor consolidado, mais do que nunca ciente de sua importância na história da música.

1. Beethoven Cello Sonata No. 1 in F Major, Op. 5 No. 1 I. Adagio sostenuto – II. Allegro
2. Cello Sonata No. 1 in F Major, Op. 5 No. 1 III. Rondo. Allegro vivace
3. Cello Sonata No. 2 in G Major, Op. 5 No. 2 I. Adagio sostenuto ed espressivo
4. Cello Sonata No. 2 in G Major, Op. 5 No. 2 II. Allegro molto più tosto presto
5. Cello Sonata No. 2 in G Major, Op. 5 No. 2 III. Rondo. Allegro
6. Cello Sonata No. 3 in A Major, Op. 69 I. Allegro ma non tanto
7. Cello Sonata No. 3 in A Major, Op. 69 II. Scherzo. Allegro molto
8. Cello Sonata No. 3 in A Major, Op. 69 III. Adagio cantabile – Allegro vivace
9. Cello Sonata No. 4 in C Major, Op. 102 No. 1 I. Andante – Allegro vivace
10. Cello Sonata No. 4 in C Major, Op. 102 No. 1 II. Adagio – Allegro vivace
11. Cello Sonata No. 5 in D Major, Op. 102 No. 2 I. Allegro con brio
12. Cello Sonata No. 5 in D Major, Op. 102 No. 2 II. Adagio con molto sentimento d’affetto
13. Cello Sonata No. 5 in D Major, Op. 102 No. 2 III. Allegro

Alisa Weilerstein – Cello
Inon Barnatan – Piano

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FDPBach

Adès / J. S. Bach / Barber / Brahms / Couperin / Händel / Ligeti / Rameau / Ravel: Time Traveler’s Suite – Inon Barnatan, piano ֍

Adès / J. S. Bach / Barber / Brahms / Couperin / Händel / Ligeti / Rameau / Ravel: Time Traveler’s Suite – Inon Barnatan, piano ֍

 

Time Traveler’s Suite

Inon Barnatan

 

 

 

Este interessantíssimo disco para piano solo é interpretado pelo estreante aqui no blog (pelo menos como solista) – Inon Barnatan – distingue-se por seu programa não usual.

Sala de gravação do disco…

O título, Time Traveler’s Suite (Suíte do Viajante do Tempo), indica que teremos uma sequência de peças – talvez inspiradas em danças – mas que foram colecionadas ao longo de uma jornada, não linear, no tempo.

Pode parecer estranho, peças de períodos diferentes e compositores diferentes, colocadas uma depois da outra, mas o resultado é surpreendente, gostei de ouvir todo o disco. A viagem começa na geração dos compositores que nasceram em 1685 com uma das Toccatas de Bach, seguida de uma deliciosa Allemande da Quinta Suíte de Handel. A próxima parada da nave-ampulheta de Inon é em Paris, com o ponteiro ainda marcando um passado mais distante. Duas peças dos grandes compositores franceses para teclado – uma Courante de Rameau e de François Couperin a peça chamada Atalanta.

Depois desses mestres do barroco, Barnatan regula seu ponteiro para avançar até o século XX, chegando a uma das composições de Ravel – o Rigaudon da sua suíte Tombeau de Couperin, que ele escreveu durante a Primeira Guerra tanto para reverenciar o seu colega antecessor como para homenagear os amigos cujas vidas foram perdidas na guerra.

Inon avistou de sua escotilha a TARDIS, do Dr. Who…

A viagem segue e a próxima parada é na Londres de nossos dias – composição de Thomas Adès, Blanca Variations, uma espetacular peça para piano de uns seis minutos que é a um tempo inovadora, com sonoridades belíssimas, mas que também tem um olhar voltado para a música do passado. E depois disso, vamos com o pianista até a Hungria da metade do século XX, agora com duas peças de um conjunto composto por György Ligeti, chamado Musica Ricercata. Aqui ouvimos as Décima e Décima Primeira peças, mas em ordem retrógrada. Essa diversidade toda evidencia a técnica e as habilidades ao piano de Inon Barnatan. E como a última peça de Ligeti é compatível com a próxima parada, agora a Fuga composta como último movimento da Sonata para Piano que Samuel Barber compôs para o pedido de Volodya Horowitz, o mais virtuoso dos pianistas.

Para terminar a viagem e o programa, o pianista escolheu a integral das Variações Handel, de Brahms, outro compositor que reverenciava a música do passado.

O disco é recente e a produção é excelente!

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Toccata in E minor, BWV914
  1. Toccata

George Frideric Handel (1685 – 1759)

Suite em mi maior, HWV 430 – ‘The Harmonious Blacksmith’
  1. Allemande

Jean-Philippe Rameau (1683 – 1764)

Suíte em lá menor das “Nouvelles suites de pièces de clavecin (c1729–30)”
  1. Courante

François Couperin (1668 – 1733)

Pièces de clavecin II: Ordre 12ème em mi maior
  1. L’Atalante

Maurice Ravel (1875 – 1937)

Le Tombeau de Couperin
  1. Rigaudon. Assez vif “Piere & Pascal Gaudin”

Thomas Adès (nascido em 1971)

Blanca Variations
  1. Variações

György Ligeti (1923 – 2006)

Musica Ricercata
  1. 11, Andante misurato e tranquillo “Girolamo Frescobaldi”
  2. 10, Vivace. Capriccioso

Samuel Barber (1910 – 1981)

Sonata para Piano, Op. 26
  1. Fuga. Allegro con spirito

Johannes Brahms (1833 – 1897)

Variações e Fuga sobre um tema de Handel, Op. 24
  1. Variações e Fuga

Inon Barnatan, piano

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MP3 | 320 KBPS | 148 MB

Inon Barnatan

On his third PENTATONE album Time Traveler’s Suite, pianist Inon Barnatan redefines our notions of the suite by taking us on a journey through time and space, from Baroque pieces by Bach, Handel, Rameau and Couperin to more recent works by Ravel, Barber, Adès and Ligeti. The program culminates in Brahms’s ingenious Variations and Fugue on a Theme by Handel. Inon Barnatan is one of the most admired pianists of his generation (New York Times). His complete recordings of Beethoven’s piano concertos together with the Academy of St Martin in the Fields and Alan Gilbert were released on PENTATONE in 2019 and 2020.

Barnatan plays with delightful alertness of phrasing and his ornamentation is sublimely executed. Some musical transitions work better than others, and I did wonder whether all of the Baroque works needed to be bunched at the start…Still, I love the concept, and anything that can so effectively and seamlessly bring old and new together is very welcome. BBC Music Magazine

Barnatan is palpably in his element [in the Barber], with a real clarity to his thinking and a whole range of colours and shadings from the most delicate pianissimos to stomping fortissimos…Barnatan is utterly at home in the midst of counterpoint. He’s beautifully recorded too. A winner! Gramophone

Aproveite!

René Denon

Inon chegando para mais uma seção de gravação…

Stravinsky / Milhaud / Khachaturian / Menotti: Música do Século XX para Trio de Clarinete, Violino e Piano

Um disco que poderia ser melhor. O Stravinsky e o Khachaturian poderiam render mais, penso. Não é uma first choice, mas esta é apenas minha opinião, confira você! Conheço muito bem as obras citadas acima e já as ouvi em melhores versões vindas da parte mais oriental da Europa. Juntar violino, clarinete e piano é obter grande variedade timbrística. Fica bonito. São três instrumentos muito diferentes a cooperar entre si, três instrumentos com origens, timbres e técnicas completamente diversas. O violino é o mais antigo dos três, conquistou sua forma definitiva já no período barroco, embora pequenas modificações continuem sendo feitas. Tanto o clarinete quanto o piano, ao contrário, derivam de protótipos extremamente antigos, mas encontraram sua forma definitiva em uma data muito posterior. A verdadeira ascensão desses dois instrumentos ocorreu apenas no século XVIII, e eles atingiram todo o potencial de suas qualidades virtuosas no século XIX. Ouçam e tenham suas próprias opiniões.

Stravinsky / Milhaud / Khachaturian / Menotti: Música do Século XX para Trio de Clarinete, Violino e Piano

Stravinsky
01. Suite from “L’Histoire du Soldat”: I. I. Marche du soldat (For Clarinet, Violin and Piano)
02. Suite from “L’Histoire du Soldat”: II. Le violon du soldat (For Clarinet, Violin and Piano)
03. Suite from “L’Histoire du Soldat”: III. Petit concert (For Clarinet, Violin and Piano)
04. Suite from “L’Histoire du Soldat”: IV. Tango-Valse-Rag (For Clarinet, Violin and Piano)
05. Suite from “L’Histoire du Soldat”: V. Danse du diable (For Clarinet, Violin and Piano)

Milhaud
06. Suite, Op. 157b: I. Ouverture (For Clarinet, Violin and Piano)
07. Suite, Op. 157b: II. Divertissement (For Clarinet, Violin and Piano)
08. Suite, Op. 157b: III. Jeu (For Clarinet, Violin and Piano)
09. Suite, Op. 157b: IV. Introduction et Final (For Clarinet, Violin and Piano)

Khachaturian
10. Trio: I. Andante con dolore, con molto espressione (For Clarinet, Violin and Piano)
11. Trio: II. Allegro (For Clarinet, Violin and Piano)
12. Trio: III. Moderato (For Clarinet, Violin and Piano)

Menotti
13. Trio: I. Capriccio (For Clarinet, Violin and Piano)
14. Trio: II. Romanza (For Clarinet, Violin and Piano)
15. Trio: III. Envoi (For Clarinet, Violin and Piano)

Trio Manfredi

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Fiquem tranquilos, não se joguem!

PQP

Bizet (1838-1875): Carmen (Highlights) – Jessye Norman – Orchestre National de France & Seiji Ozawa ֍

Bizet (1838-1875): Carmen (Highlights) – Jessye Norman – Orchestre National de France & Seiji Ozawa ֍

Georges Bizet

Carmen (Highlights)

Jessye Norman

Neil Schicoff

Simon Estes

ONF & Seiji Ozawa

Georges Bizet morreu sem ver o sucesso de sua obra prima – Carmen – uma ópera que é um marco na história da música. Apesar de ter sido precoce e ter tido seu talento musical reconhecido ainda criança, Georges Bizet demorou toda sua (curta) vida para conquistar a oportunidade de compor sua grande ópera. Ele deixou também as óperas Le pêcheurs de perle (1863), que tem o exotismo do oriente, e La Jolie fille de Perth (1867), que tem as características da opéra-comique e um libreto para lá de ruim.


Opéra-Comique é um teatro de ópera em Paris que abrigava um tipo de ópera leve, com números musicais bem recortados, com diálogos declamados, oriundas de espetáculos que eram apresentados em feiras. Este gênero operístico recebeu assim este nome. Seus principais compositores foram Gluck, Boieldieu, Auber, Grétry. La fille du regimento, de Gaetano Donizetti é um típico exemplo.


As críticas recebidas nesta última ópera deram um último empurrão e ele se propôs a abandonar este estilo que chamou ‘escola de flonflons, trilos e falsidades’.

Em 1869 casou-se com Geneviève Halévy, filha de Jacques Fromental Halévy, professor e compositor de ópera (compôs La juive). Neste período Bizet também andou ocupado com as coisas do mundo. Nasceu seu filho e ele serviu na Guarda Nacional, durante o cerco de Paris, na guerra com a Prússia.

Em 1872 ele compôs a música incidental para a peça L’Arlesienne e compôs a ópera de um ato, Djamileh, baseada em um conto oriental. A música incidental é ótima e marca sua evolução. A ópera não fez grande sucesso, mas a música é mais do que interessante e lhe valeu um contrato com o Opéra-Comique para uma ópera com libreto à sua escolha. Bizet se encantou com um conto de Prosper Mérimée sobre a Carmencita. Mérimée era ele mesmo um digno personagem de romance. Amores e duelos, viagem à Espanha para escrever sobre obras de museus para o jornal do pai, em Paris. Ele preferiu mais o ambiente fora dos museus e conviveu com as pessoas comuns. Sua história sobre Carmen envolve ciganas, soldados, contrabandistas, um toureiro, muita paixão, ciúmes e uma tragédia.

Bizet arranjou que os libretistas fossem Henri Meilhac e Ludovic Halévy (primo de sua mulher) que deram uma abrandada na história original, criaram Micaela, uma mocinha ingênua, que vem em busca de Don José, e cuja inocência faz contraponto à Carmen. Apesar de tudo, a estreia não foi um sucesso. A audiência esperava mais uma opéra-comique e não estava preparada para tantas novidades. Pessoas comuns, uma mulher empoderada escolhendo quem amaria, muito além dos típicos enredos de então. Além disso, Carmen segue a tradição dos diálogos falados entre os números musicais, mas à medida que a trama se aprofunda, os personagens vão se aproximando mais e mais da tragédia final. Assim, Carmen é precursora do verismo, estilo realístico que estava por surgir, como nas óperas Cavalleria rusticana (Mascagni – 1890), Pagliacci (Leoncavallo – 1892), Andrea Chénier (Giordano 1896) e a sublime Tosca (Puccini – 1890).

Um dia antes de morrer, Bizet assinou um contrato para que sua ópera fosse apresentada em Viena. Essa apresentação tornou Carmen conhecida no mundo todo e reconhecida finalmente também em Paris como uma obra prima.

Carmen é uma cigana que trabalha com suas amigas (Frasquita e Mercedes) em uma fábrica de cigarros. Don José é um cabo da Companhia Dragões de Alcalá e acaba seduzido (oh…) pela cigana. Deixa-a fugir (ela vive se metendo em confusões) e vai preso por isso. Micaela é uma jovem que mora na vila natal de Don José e vem trazer-lhe uma carta de sua mãezinha (dele, Don José).

Ao sair da prisão, Don José vai à taberna de Lillas Pastia atrás de Carmen (esse rapaz realmente não tem juízo). É claro, atrás dela também estão o toureiro (toreador…) e o Tenente da Guarda, um tal de Zuninga. Ia-me esquecendo, na taberna também estão os contrabandistas Dancairo e Remendado, que com as ciganas planejam seus atos ilícitos. Carmen espera atrair Don José para que se junte a eles. Uma desavença (ah, Carmen…) entre Zuninga e Don José o coloca definitivamente no mau caminho. Esse Don José está realmente encrencado.

Mais um ato, agora nas montanhas, ambiente dos contrabandistas, mas todos se encontram novamente – as ciganas (que estão lendo a sorte nas cartas… a sina de Carmen é nada boa), os contrabandistas, Don José. Aparece o toureiro, ciúme atiça Don José, mas tem a turma do ‘deixa disso’ e aparece Micaela, que avisa Don José da eminente morte de sua mãezinha. Este vai embora, mas avisa Carmen que voltará.

No último ato descobrimos que Carmen tornou-se amante de Escamilho, que vai enfim trabalhar… pobres touros. A última cena é o encontro dos ex-amantes, Carmen e Don José, que termina de maneira trágica.

Nesta seleção temos uma ótima impressão de tudo: a abertura é uma prova dos muitos dons de Bizet. Você ouvirá um microcosmo da ópera (1). Em seguida temos a Habanera (2), na qual Carmen faz sua declaração de mulher livre e que o amor é um pássaro rebelde! Mais adiante, ela também afirma que é um menino cigano que nunca conheceu lei… Ao final da ária, Carmen lança uma flor para Don José.

No próximo número, Carmen agora seduz definitivamente (como se precisasse) Don José, falando da taberna de Lillas Pastia (3).

Agora as ciganas cantam e dançam na taberna (4). Depois temos a ária do toureador, Escamilho nos conta tudo sobre a dura e saborosa vida do mata-touros (5).

Temos também um número com várias pessoas cantando (6), as ciganas, os contrabandistas…

Don José também é brindado com uma das mais lindas árias da ópera, a Ária da Flor, na qual ele se mostra desesperadamente apaixonado por Carmen (7). Na sequência (8), Carmen usa essa declaração para conseguir que ele se una aos contrabandistas (tsc, tsc, tsc).

Um momento que gosto em particular é quando a ciganas vêm a sorte nas cartas. A insistência da morte aparecendo para Carmen faz contraponto com a frivolidade das outras sinas: amor e fortuna (9).

Antes do número final, temos uma linda ária de Micaela, a meiga jovenzinha que vem em busca de Don José. Essa personagem foi introduzida na ópera pelos libretistas e não é criação do conto original de Mérimée (10).

A última faixa mostra como Bizet se distanciou do gênero leve e realmente inaugura uma nova maneira de compor óperas. São dez minutos que começa com o famoso tema do toureiro, interrompido por um trágico anúncio do que se seguirá. As vozes são levadas aos seus extremos (11). Você precisa ouvir isso tudo…

Georges Bizet (1838 – 1875)

Carmen (Highlights)

  1. Abertura (Prelude)
  2. “Mais nous ne voyons pas la Carmencita” – “L’amour est un oiseau rebelle” (Habanera) – Carmen
  3. “Près des remparts de Séville…Tais-toi” – Carmen
  4. “Les tringles des sistres tintaient” – Carmen, Mercedes e Frasquita
  5. “Votre toast, je peux vous le rendre” – “Toréador, en garde” – Escamilho
  6. “Nous avons en tête une affaire!” – Vários
  7. “La fleur que tu m’avais jetée” – Don José
  8. “Non, tu ne m’aimes pas!” – Carmen e Don José
  9. “Mêlons! Coupons!” – “En vain, pour éviter les répon- ses amères” – Carmen, Mercedes e Frasquita
  10. “Je dis que rien ne m’épouvante” – Micaela
  11. “C’est toi!” “C’est-moi!” – Carmen e Don José

Jessye Norman (Carmen)
Mirella Freni (Micaëla)
Neil Shicoff (Don José)
Simon Estes (Escamillo)
Ghylaine Raphanel (Frasquita)
Jean Rigby (Mercédès)
Gérard Garino (Le Remendado)
François Le Roux (Le Dancaïre)
Choeurs de Radio France
Orchestre National de France
Seiji Ozawa

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Jessye Norman

Aproveite!

René Denon

PS: Se você quiser aprofundar sua experiência, poderá ouvir a gravação integral acessando essa postagem aqui:

In memoriam Jessye Norman (1945-2019) – Georges Bizet (1838-1875) – “Carmen”, ópera em quatro atos

Dieterich Buxtehude (1637-1707): Membra Jesu Nostri (Cantus Cölln, Junghänel) & A filha feia

Dieterich Buxtehude (1637-1707):  Membra Jesu Nostri (Cantus Cölln, Junghänel) & A filha feia

Membra Jesu Nostri, de Dietrich Buxtehude, é uma série de 7 cantatas luteranas, com texto em latim, cada uma endereçada a uma parte do corpo de Jesus: aos pés, aos joelhos, às mãos, aos flancos, ao peito, ao coração e à face. É, na verdade, uma meditação sobre o sofrimento de Cristo durante a contemplação da cruz, olhando Jesus dos pés até a cabeça. Uma meditação barroca, de 1680, baseada no poema medieval Salve mundi salutaris. s cantatas são realmente comoventes, no sentido mais puro da palavra, e alguns momentos (como o Vulnerasti cor meum, da cantata 6) são de arrepiar qualquer um. Ah, e além dessas sete cantatas, o cd inclui também uma cantata alemã, Nimm von uns, Herr, du treuer Gott. No mesmo espírito, é uma súplica pela piedade divina diante das faltas humanas.

A filha feia

O jovem Johann Sebastian Bach era contratado na igreja da rica cidade de Arnstadt como organista. Lá, desfrutou de um novo órgão e de um bom salário. Ansioso por mais, em 1705 pediu uma licença de 4 semanas para ir a Lübeck visitar o velho mestre Buxtehude. Tinha apenas 20 anos de idade e viajou os mais de 320 quilômetros que separavam as duas cidades a pé. Surpreendido com a habilidade do jovem organista, Buxtehude propôs a Bach que ele permanecesse em Lübeck até sua morte e depois ocupasse o seu prestigioso posto. Porém, para ocupar tal posição, havia uma regra: o candidato tinha que casar com a filha mais velha do seu antecessor no cargo. A moça em questão, Ana Margarita, era vários anos mais velha do que Bach e não muito bonita, pelo que Bach recusou a oferta.

Handel passou alguns dias em Lübeck em 1703. Bach ficaria lá durante três meses em 1705. Como ele tinha sudo autorizado a ficar ausente por 4 semanas, provocou a fúria dos seus patrões ao fazê-lo durante meses. Essa longa viagem quase lhe custou seu emprego, mas valeu a pena. Ele aprendeu muito com o velho Buxtehude.

Buxtehude estava perto da aposentadoria e ansiava por um sucessor da mais alta qualidade. Claro, tanto Handel como Bach encheram-lhe de esperanças. Ele lhes ofereceu a sua bem paga posição, esclarecendo a questão com sua adorada filha mais velha. Apesar de solteiros, nenhum dos dois compositores concordou. O trabalho era atraente mas, dizem que a filha não era. Johann Mattheson, que seria um compositor proeminente e um notório teórico da música, também a rejeitou.

Bach, contudo, como passou muito mais do que 4 semanas em Lübeck, talvez estivesse pensando seriamente no caso. Digo talvez, porque acredita-se que o jovem Bach estava muito mais interessado em ficar ao lado de Buxtehude o máximo de tempo possível, para aprender tudo o que ele lhe pudesse ensinar.

Uma prova mais forte dos escassos encantos de Ana Margarita pode ser encontrada em visitas anteriores a de Bach. Em 1703, os consagrados Händel e Mattheson também visitaram Buxtehude, repito. Não quiseram ter aulas, vieram apenas para tentar suceder ao venerável organista na sua posição. Quando tomaram conhecimento das condições e de Ana Margarita, não hesitaram: deixaram Lübeck no dia seguinte.

Buxtehude, que tinha jurado não se aposentar até a sua filha se casar, ocupou o cargo até à morte, em 1707. Não pensem, contudo, que Anna Margareta foi deixada sozinha para o resto dos seus dias. O fiel assistente do seu pai, J.C. Schieferdecker, foi encorajado a desposá-la. Ele não é lembrado por mais nada, este foi seu grande feito. Para alguns foi uma atitude de gratidão, para outros, uma demonstração soberana de interesse monetário.

De fato, quando Buxtehude assumiu a posição de organista da Igreja de Santa Maria (Marienkirche), teve de cumprir uma condição semelhante: com a morte de Franz Tunder em Novembro de 1667, a posição de organista da Marienkirche, uma das mais importantes do norte da Alemanha, foi deixada vaga. Depois de muitos outros organistas tentarem o cargo e serem rejeitados, Buxtehude foi eleito em abril de 1668. Em julho do mesmo ano tornou-se cidadão de Lübeck e em agosto casou com Anna Margarethe Tunder, uma das filhas de seu antecessor. Era uma situação imposta para ser aceito no emprego, prática comum na época.

Dieterich Buxtehude (1637-1707): Membra Jesu Nostri (Cantus Cölln, Junghänel)

Membra Jesu Nostri, BuxWV 75 (Zyklus In 7 Kantaten)
Kantate Nr. 1 Ad Pedes 8:49
Kantate Nr. 2 Ad Genua 8:40
Kantate Nr. 3 Ad Manus 8:20
Kantate Nr. 4 Ad Latus 8:27
Kantate Nr. 5 Ad Pectus 9:45
Kantate Nr. 6 Ad Cor 9:15
Kantata Nr. 7 Ad Faciem 7:13

Nimm Von Uns, Herr, Du Treuer Gott BuxWV 78 13:31

Cantus Cölln
Konrad Junghänel

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Bux véio de guerra

PQP

.: interlúdio :. Dois grandes grupos com Don Cherry (1936-1995)

Este mês de janeiro tem sido de muitos momentos de alívio, alguns de tensão e muitos interlúdios jazzísticos aqui no PQPBach. Não rolou uma combinação nem uma pressão do patrão, apenas um daqueles transmimentos de pensação… Vamos então a mais dois álbuns em que os improvisos vão se construindo de forma horizontal e coletiva, difícil até de imaginar para certas cabeças obcecadas por ordem, dominação e esmagamento de uns por outros… Afinal, como disse meu colega WellBach, é difícil imaginar algo mais democrático que o Jazz.

Uma tendência do jazz dos anos 1970, que já aparece no disco de 1969 abaixo, foram os grupos sem um líder bem marcado. Naquela época se aposentavam ou saíam de cena Duke Ellington and his Orchestra, Thelonious Monk Quartet, John Coltrane Quartet, Miles Davis Quintet e as novidades eram Weather Report (com Joe Zawinul, Wayne Shorter e Jaco Pastorius dividindo holofotes), Return to Forever (Chick Corea, Stanley Clarke, Al Di Meola, Airto Moreira) ou o quarteto europeu de Keith Jarrett com um grande protagonismo de Jan Garbarek…

Don Cherry – supondo que dê pra conhecer a personalidade de alguém pelos seus solos de trompete e de flauta – tem um jeitão tranquilo, com alguns momentos mais intensos, gritos repentinos, mas predominância mesmo dos solos mais suaves (aqui!) e ao mesmo tempo imprevisíveis. Com essa suposta personalidade tranquila, apesar de ser uma das mais amadas figuras no jazz da segunda metade do século XX, ele não é tão lembrado pelos momentos em que organizou uma banda pra chamar de sua e exerceu liderança. Esse floreio é pra dizer que Don Cherry funciona bem em grupos mais democráticos.

O primeiro, lançado por um selo obscuro em 1969, tem uma história misteriosa: aparentemente o jovem James Mtume, de 23 anos, convenceu vários medalhões do jazz a gravarem um disco com suas composições e alguns trechos falados ligados ao movimento negro daquele período politicamente turbulento. O baterista Albert ‘Tootie’ Heath – tio de Mtume – parece ter sido quem conseguiu o contrato de gravação, e por isso ele aparecia na contracapa do LP. Já na reedição de 1975, Herbie Hancock e Don Cherry aparecem em letras maiores, o que não significa que eles tenham liderado as sessões, apenas que eram mais famosos.

Herbie Hancock frequentemente é quem faz a base das composições, junto com as percussões de Mtume, Tootie Heath e Ed Blackwell… sim, é um disco com bastante percussão, como já era de se esperar em um trabalho afrocentrado. Na 2ª faixa do álbum, temos voz muito interessante cantando sem palaras, aquele famoso “la-la-la”, mas na 3ª faixa a voz se intromete mais, supomos que seja a de Mtume, fazendo discurso político… os ouvidos mais apressados podem pular para a metade daquela faixa, quando as duas flautas ficam mais interessantes e a voz, mais discreta. Nos anos seguintes, Mtume tocaria percussão nas bandas de fusion de Miles Davies no início dos anos 1970, além de gravar alguns discos solo e, nos anos 80, lançar alguns hits pop/R&B (mais detalhes nesta resenha aqui).

Mas quando Don Cherry aparece ele quase sempre rouba a cena, ao contrário de Jimmy Heath, grande acompanhante (gravou com Milt Jackson, Freddie Hubbard e muitos outros), mais destinado ao papel de coadjuvante que ao de principal.

Ao contrário dessa breve e improvável constelação de estrelas que seguiriam seus rumos e nunca mais se encontrariam, o segundo disco de hoje é de um grupo que tocou junto por alguns anos, criou uma certa intimidade, o que não significa, claro, que tenham ligado o piloto automático e começado a se repetir, pecado imperdoável no jazz…

No disco de 1979, Codona, o nome do trio é uma junção de Collin, Don e Naná. Este último, o brasileiro Naná Vasconcellos, brilha no berimbau, cuíca e vários outros instrumentos de percussão. Nascido no Recife, Naná batucou desde pequeno em dezenas de instrumentos, gravou com Milton Nascimento (Milagre dos Peixes, entre outros) e, por intermédio de Gato Barbieri e Egberto Gismonti, se aproximou do jazz europeu de artistas que circulavam em volta da gravadora alemã ECM. Don Cherry e Collin Walcott nasceram nos EUA mas fizeram boa parte da carreira na Europa, com interesses musicais bem internacionais: Don se interessando por instrumentos africanos e Collin tendo estudado com Ravi Shankar e outros mestres indianos.

Kawaida (1969)
A1. Baraka
A2. Maulana
B1. Kawaida
B2. Dunia
B3. Kamili

Piano – Herbie Hancock; Trumpet [and flute?] – Don Cherry; Tenor Saxophone, Soprano Saxophone – Jimmie Heath; Albert “Tootie” Heath; Percussion – Ed Blackwell; Congas [and voice?] – James Mtume; Bass – Buster Williams; Flute, Percussion on B1 – Billy Bonner
All tracks composed by Mtume, except B2 by Tootie Heath
Recording date: December 11 1969
Recording place: The Universe

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Capa da reedição de 1975, colocando Hancock e Cherry em letras maiores

Collin, Don e Naná: Codona 1 (1979)
1. Like That of Sky (Walcott)
2 Codona (Cherry, Vasconcelos, Walcott)
3. Colemanwonder: Race Face/Sortie/Sir Duke (Ornette Coleman/Coleman/Stevie Wonder)
4 Mumakata (Walcott)
5. New Light (Walcott)
Recorded at Tonstudio Bauer in Ludwigsburg, West Germany in September 1978

Collin Walcott — sitar, tabla, hammered dulcimer, kalimba, voice
Don Cherry — trumpet, wood flute, doussn’ gouni, voice
Naná Vasconcelos — percussion, cuíca, berimbau, voice

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Don Cherry (circa 1971). Dizem que quanto menor o trompete, maior a… coragem!

Pleyel

Johannes Brahms (1833-1897): Os Concertos para Piano / Variações sobre um tema de Handel e sobre um tema de Haydn (Ashkenazy / Haitink)

Johannes Brahms (1833-1897): Os Concertos para Piano / Variações sobre um tema de Handel e sobre um tema de Haydn (Ashkenazy / Haitink)

Estava desejoso por ouvir a música de Brahms e fui buscar logo este CD com os seus dois concertos para piano, com ninguém menos do que Haitink (regência) e Ashkhenazy (piano). Eu pareço ser repetitivo, mas é que a objetividade da língua não é capaz de captar, traduzir, descrever aquele suspiro mais íntimo da alma. Brahms é mais do que um compositor para mim. É a possibilidade de redenção. Seu romantismo não é piegas. Toca as emoções certas. O Concerto Nº 1 para piano e orquestra é de uma aspereza incomum, mas de um sonho e de uma expectativa redentiva inominável. Foi composto por um Brahms jovem. O alemão possuía apenas 25 anos ao compô-lo, mas a obra possui uma técnica equilibrada, o que levou Brahms a ser chamado de conservador. Reside aí o mistério na música de Brahms. Sua técnica é precisa, pura, honrando a tradição clássica. Num momento histórico em que a música de Liszt e Wagner dominava o mundo, Brahms constituiu-se numa contraparte — e o fez muito bem. O Concerto Nº 2 foi composto mais de vinte anos após o primeiro (1878). É menos áspero do que o primeiro, mas nem por isso menos denso. Nestes CDs, aparecem ainda duas belas variações — uma sobre um tema de Haydn e outra sobre um tema de Handel. Trata-se de um belo e poético post. Não deixe de ouvir.

Johannes Brahms (1833-1897): Os Concertos para Piano / Variações sobre um tema de Handel e sobre um tema de Haydn (Ashkenazy / Haitink)

DISCO 01

Piano Concerto No.1 in D minor Op.15

01. 1. Maestoso
02. 2. Adagio
03. 3. Rondo. Allegro non troppo

Variations and Fugue on a Theme by Handel, Op.24
04. Variations and Fugue on a Theme by Handel, Op.24

DISCO 02

Piano Concerto No.2 in B major Op.83
01. 1. Allegro non tropo
02. 2. Allegro appassionato
03. 3. Andante
04. 4. Allegretto grazioso

Variations on a Theme by Haydn, Op. 56a
05. Variations on a Theme by Haydn, Op. 56a

Vladimir Ashkenazy, piano
Amsterdam Concertgebouw Orchestra
Bernard Haitink, regente

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Haitink e Ashkenazy: passeio no bosque após uma visita ao Distrito da Luz Vermelha em Amsterdam

Carlinus

Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784): Concertos (Freiburger Barockorchester)

Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784): Concertos (Freiburger Barockorchester)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Mais um belo disco de Concertos de W. F. Bach — talvez o melhor deles! Afinal, aqui temos a Freiburger Barockorchester, que é, usando terminologia técnica, um time muito foda. Temos humor e alegria de tocar, um cruzamento deslumbrante entre o Barroco e Beethoven! Esta gravação demonstra como Wilhelm Friedemann Bach é um compositor subestimado. As quatro obras aqui executadas são verdadeiras delícias. Temos a primeira gravação mundial de um belo Concerto para Flauta, bem como a gravação de um Concerto que sempre ouvi cravo — aqui com pianoforte. A Sinfonia (& Fuga) em Ré menor é uma peça notável de expressividade profunda e dramática que vale a pena ouvir. E o Concerto para 2 Cravos é uma verdadeira obra-prima em sua superabundância de idéias originais. Vale a pena ouvir!

Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784): Concertos (Freiburger Barockorchester)

Concerto Per Il Flauto Traverso In D (BR C 15)
1 Un Poco Allegro 7:39
2 Largo 9:21
3 Vivace 5:07

Sinfonia In D (BR C 7)
4 Adagio 3:27
5 Allegro E Forte (Fuga) 4:54

Concerto Per Il Cembalo In E (BR C 12)
6 Allegretto 9:25
7 Adagio 8:39
8 Allegro Assai 5:14

Concerto A Due Cembali In Es (BR C 11)
9 Un Poco Allegro 10:56
10 Cantabile 3:11
11 Vivace 7:11

Cello – Kristin Von Der Goltz, Rebecca Ferri
Double Bass – Ludek Braný*
Flute – Karl Kaiser, Susanne Kaiser
Harpsichord – Michael Behringer (pianoforte nas faixas de 6 a 8), Robert Hill
Horn – Erwin Wieringa, Teunis van der Zwart
Orchestra – Freiburger Barockorchester
Timpani – Gerhard Hundt
Trumpet – Friedemann Immer, Ute Rothkirch
Viola – Christian Goosses, Claire Duquesnois
Violin – Anne Katharina Schreiber, Beatrix Hülsemann, Brigitte Täubl, Christoph Hesse (2), Gerd-Uwe Klein, Petra Müllejans
Violin, Conductor – Gottfried Von Der Goltz
Violin, Viola – Christa Kittel

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A Freiburger Barockorchester. Vocês reconhecem o chefe? É sempre bom conhecer o chefe. Ele está ali, ó.

PQP

Alexandr Borodin (1833-1887): Sinfonias 1 & 2, Nas Estepes da Ásia Central (RPO, Ashkenazy)

Alexandr Borodin (1833-1887): Sinfonias 1 & 2, Nas Estepes da Ásia Central (RPO, Ashkenazy)

Com sua riqueza de temas marcantes, ricamente melódicos e sua estrutura dramática original, a Segunda Sinfonia de Borodin deveria ser uma das sinfonias russas mais populares. Mas não é. Vá entender. As sinfonias de Borodin são criaturas estranhas, pois soam espontâneas e belas mas, ainda assim, não decolam realmente. Em outras palavras, muitas vezes soam como se fossem suítes. Há várias versões excelentes da No.2, como a de Kubelik, só que elas realmente não me convenciam de que esta fosse uma sinfonia de primeira linha. Esta versão de Ashkenazy é uma das poucas que torna essa música ótima.

A primeira sinfonia é apenas OK. O final é uma peça dançante alegre que soa polovistiana e que conquistou a admiração de Liszt.

A segunda, como disse, é muito mais conhecida e Ashkenazy consegue fazer com que pareça nova. O tema de abertura do primeiro movimento é o grande teste para mim. Ashkenazy realmente deixa rolar, dando-lhe naturalidade. Soa rico e portentoso. Cada momento soa bem para meus ouvidos. O delicioso Scherzo está sensacional. Em suma, uma boa interpretação dos dons líricos e sinfônicos de Borodin. Mesmo se você tiver muitas gravações da segunda, adicione esta à pilha – e você esquecerá rapidamente a maioria das outras. Ah – temos aqui uma ótima versão de Nas Estepes da Ásia Central também.

Alexandr Borodin (1833-1887): Symphonies 1 & 2, In The Steppes Of Central Asia (RPO, Ashkenazy)

1 In Central Asia 7:02

Symphony No. 1 In E Flat Major
2 I Adagio – Allegro – Andantino 13:01
3 II Scherzo: Presto – Trio: Allegro 6:56
4 III Andante 8:00
5 IV Allegro Molto Vivo 7:04

Symphony No. 2 In B Minor
6 I Allegro 7:03
7 II Scherzo: Prestissimo – Trio: Allegretto 5:07
8 III Andante 8:48
9 IV Finale: Allegro 5:59

Composed By – Alexander Borodin
Conductor – Vladimir Ashkenazy
Orchestra – The Royal Philharmonic Orchestra

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Sabiam que Borodin era químico?

PQP