Antonio Vivaldi (1678-1741): Juditha Triumphans

A música sacra barroca está muito bem representada nesta obra prima de Vivaldi, o oratório “Juditha Trimphans”, curiosamente o único oratório de Vivaldi que chegou até nós, os restantes teriam sido perdidos. Belíssimos corais, solistas inspiradíssimos, principalmente Ann Murray, e Robert King e seu King´s Consort perfeitos, o resultado só poderia ser uma excelente gravação, nos proporcionando momentos mais que prazerosos.  Também tenho a versão da Kozèna, musa de meu irmão PQP Bach, mas sinto esta gravação do King´s Consort mais leve e solta.

Este cd faz parte de uma coleção de 10 cds da gravadora inglesa Hyperion chamada “Antonio VIvaldi Sacred Music”, e pretendo postar outros volumes desta série até o Natal.

Este oratório é baseado na história bíblica de Judite. Juntamente com o cd 2 estará seguindo o texto explicativo que acompanha esta edição da Hyperion. Eis o comentário do editor da amazon.com:

Vivaldi is best known for his instrumental music–concertos and concerti grossi–but perhaps his most-performed work, the Gloria, is for chorus and vocal soloists. This rarely recorded oratorio, “Juditha Triumphans,” combines all of Vivaldi’s favorite compositional mediums–solo instrumental, orchestral, solo vocal, and choral–in a work of impressive scope brimming with wonderful melodies and irresistible rhythms. Telling the story of the Jewish heroine Judith, who single-handedly saves her people from certain destruction by Nebuchadnezzar’s army, Vivaldi’s oratorio offers plenty of virtuoso music for soloists, which these performers, especially soprano Maria Cristina Kiehr, handle brilliantly. The action is fast-paced, the period instruments sound wonderful. And if the idea of an oratorio by Vivaldi scares you a little, have no fear; instead, prepare to be pleasantly surprised, amazed, and hooked. –David Vernier

Antonio Vivaldi (1678-1741) – Juditha Triumphans

CD 1

1. Overture. Allegro
2. Overture. Largo
3. Part 1. Coro. Arma, caedes, vindictae, furores
4. Part 1. Recitativo. Felix en fausta dies
5. Part 1. Aria. Nil arma, nil bella
6. Part 1. Recitativo. Mi Dux, Domine mi
7. Part 1. Aria. Matrona inimica
8. Part 1. Recitativo. Huc accedat Matrona
9. Part 1. Aria. Quo cum Patriae me ducit amore
10. Part 1. Recitativo. Ne timeas non
11. Part 1. Aria. Vultus tui vago splendori
12. Part 1. Recitativo. Vide, humilis prostrata
13. Part 1. Coro. O quam vaga, venusta, o quam decora
14. Part 1. Recitativo. Quem vides prope, aspectu
15. Part 1. Aria. Quamvis ferro et ense gravis
16. Part 1. Recitativo. Quid certno! Oculi mei
17. Part 1. Aria. Quanto magis generosa
18. Part 1. Recitativo. Magna, o foemina, petis
19. Part 1. Aria. Sede, o cara
20. Part 1. Recitativo. Tu Judex es, tu Dominus, tu potens
21. Part 1. Aria. Agitata infido flatu
22. Part 1. Recitativo. In tentorio supernae
23. Part 1. Aria con Coro. O servi, volate
24. Part 1. Recitativo. Tu quoque hebraica ancilla
25. Part 1. Aria. Veni, veni, me sequere fida
26. Part 1. Recitativo. Venio, Juditha, venio: animo fave
27. Part 1. Aria. Fulgeat sol frontis decorae
28. Part 1. Recitativo. In Urbe interim pia
29. Part 1. Coro. Mundi Rector de Caelo micanti

CD 2

1. Part 2. Recitativo. Summi Regis in mente
2. Part 2. Aria. O Sydera, o stellae
3. Part 2. Recitativo. Jam saevientis in hostem
4. Part 2. Recitativo. Nox in umbra dum surgit
5. Part 2. Aria. Nox obscura tenebrosa
6. Part 2. Recitativo. Belligerae meane sorti
7. Part 2. Aria. Transit aetas
8. Part 2. Recitativo. Haec in crastinum serva: Ah, nimis vere
9. Part 2. Aria. Noli, o cara, te adorantis
10. Part 2. Coro. Plena nectare non mero
11. Part 2. Recitativo. Tormenta mentis tuae fugiant a corde
12. Part 2. Aria. Vivat in pace, et pax regnet sincera
13. Part 2. Recitativo. Sic in pace inter hostes
14. Part 2. Aria. Umbrae carae, aurae adoratae
15. Part 2. Recitativo. Quae fortunata es tu vaga Matrona
16. Part 2. Aria. Non ita reducem
17. Part 2. Recitativo. Jam pergo, postes claudo
18. Part 2. Accompagnato. Summe Astrorum Creator
19. Part 2. Accompagnato. Impii, indigni Tiranni
20. Part 2. Recitativo. Abra, abra, accipe munus
21. Part 2. Aria. Si fulgida per te propitia caeli fax
22. Part 2. Recitativo. Jam non produl ab axe
23. Part 2. Aria. Armatae face, et anguibus
24. Part 2. Recitativo. Quam insolita luce
25. Part 2. Aria. Gaude felix
26. Part 2. Accompagnato. Ita decreto aeterno
27. Part 2. Coro. Salve, invicta Juditha, formosa

Ann Murray – Mezzo Soprano
Maria Cristina Kiehr – Soprano
Susan Bickley – Mezzo-Soprano
Sarah COnnoly – Mezzo-Soprano
Jean Rigby – Mezzo-Soprano

The Chor of The King´s Consort
The King´s Consort
Robert King – Conductor

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FDP

Paul Hindemith (1895-1963) – Obras para Violoncelo e Piano (Link Restaurado)

Postado originalmente em 15 de fevereiro de 2008.

É interessante como Hindemith colocou-se frente à música de sua época. Depois de uma infância de menino superdotado e de um início de carreira com agudo senso de provocação – revolucionário mesmo -, o compositor sentiu necessidade de ordem e, ao mesmo tempo que Stravinski mergulhava em partituras de Pergolesi, ele fazia sua virada estilística estudando J.S. Bach e Händel. As duas primeiras obras deste CD são do primeiro período e a terceira é de depois da virada. Este “passo atrás” foi acompanhado de um coro de críticas ao seu “neobarroquismo”, porém suas Kammermusik fizeram indesmentível sucesso (já postamos algumas em nosso PQP) e… são concertos de câmara para diversos instrumentos solistas dentro da estrutura dos Concertos de Brandenburgo. O enfant terrible do passado institucionalizou-se. Ao final de sua vida, Hindemith escreveu um Ludus Tonalis, espécie de Cravo bem temperado moderno. De certo modo, seu retorno a Bach foi sem volta… Mas é justamente sua polifonia e barroquismo que me agradam.

Este CD não chega a ser uma obra-prima, mas também não é decepcionante.

Paul Hindemith – Obras para Violoncelo e Piano

Three Pieces for Cello and Piano, Op. 8 (1917)
1. Capriccio In A Major
2. Phantasiestuck
3. Scherzo

Sonata for Cello and Piano, Op. 11 no 3 (1919)
4. 1st Movement
5. 2nd Movement

Sonata for Cello and Piano (1948)
6. I. Pastorale
7. II. Moderately Fast
8. III. Passacaglia

Emil Klein (Cello)
Wolfgang Manz (Piano)


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Postado pelo PQP. Restaurado pelo Carlinus

Antonio Carlos Gomes (1836-1896) – Sonata em Ré (movimentos I e IV – transcrições para camerata de violões) [link atualizado 2017]

IM-PER-DÍ-VEL !!!

 

MEUS QUERIDOS, ISSO É APENAS PARA ATIÇAR VOSSAS VONTADES: SEMANA QUE VEM, QUANDO O P.Q.P.BACH COMPLENTARÁ 6 ANINHOS DE EXISTÊNCIA, POSTAREI ESTA MESMA SONATA, NO ORIGINAL, COM O ESTUPENDO QUARTETO BESSLER-REIS

No momento, fiquem com essa genial transcrição da peça para violões:

Vi as transcrições para piano de obras do Vivaldi postadas recentemente pelo PQP e não me contive (será que estou com inveja? Preciso consultar meu analista…): achei que seria muito importante disponibilizar essas duas modestas transcrições para violão (modestas pela quantidade, de forma alguma pela qualidade), com o 1º e o 4º movimentos da Sonata em Ré, na qual encontramos o conhecido Burrico de Pau.
A Sonata em Ré foi composta por Carlos Gomes em 1894, dois anos antes de sua morte. Já era ele um compositor maduro e, em seus últimos trabalhos, percebe-se uma elaboração maior com as cordas e um destaque maior para elas (pela formação de banda de Gomes, os sopros sempre tiveram um papel mais destacado do que em outros compositores de mesmo gênero e período). É uma peça dificílima, com arpejos, pizzicatos, espicatos, saltos muito destacados da primeira para a quarta corda, enfim, de técnica apuradíssima, que só intérpretes muito bons conseguem dar conta de executá-la fielmente.
E imaginar que o Burrico de Pau foi composto quando Carlos Gomes viu a sobrinha brincando com um daqueles cavalinhos com cabo de vassoura…
Nessas duas transcrições, muito bem executadas, a Camerata Octopus faz parecer que a peça foi feita para violão, e não para orquestra de cordas, tal são a beleza e agilidade das músicas e a precisão dos intérpretes.
Ouça, que estas levam o selo de IM-PER-DÍ-VEIS !

Antonio Carlos Gomes (Campinas, 1836 – Belém, 1896)
Sonata em Ré: Transcrições para Violão

01. Sonata em Ré – I. Allegro moderato
02. Sonata em Ré – IV. Vivace: O Burrico de Pau

Camerata de Violões Octopus (Conservatório de Tatuí, SP), 2004.
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Bisnaga

.: interlúdio :. Terje Rypdal: Odyssey In Studio & In Concert

Não morri de amores por este elogiadíssimo e ressuscitado Odyssey, onde temos um resumo da carreira de Rypdal desde os anos 70. Bem melhor é o terceiro CD, gravado ao vivo em 2009. Nem todos os CDs dos anos 70 e 80 da ECM eram atemporais e, para utilizar uma expressão antiquada, diria que o Odyssey original era bem datado. Mas, vejam bem, esta é apenas a minha opinião e tem valor bem limitado. Vale baixar pelo terceiro CD, que achei interessante.

Terje Rypdal: Odyssey: In Studio & In Concert

ODYSSEY – CD1 (ex ECM 1067)
01. Darkness Falls
02. Midnite
03. Adagio
04. Better Off Without You

ODYSSEY – CD2 (ex ECM 1067)
01. Over Birkerot
02. Fare Well
03. Ballade
04. Rolling Stone

Unfinished Highballs (previously unreleased) – CD3
01. Unfinished Highballs
02. The Golden Eye
03. Scarlet Mistress
04. Dawn
05. Dine and Dance to the Music of the Waves
06. Talking Back
07. Bright Lights – Big City

Personnel:

Terje Rypdal – electric guitar, synthesizer, soprano saxophone
Torbjørn Sunde – trombone
Brynjulf Blix – organ
Sveinung Hovensjø – bass guitar
Svein Christiansen – drums

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Terje Rypdal

PQP

Compositores Paraenses dos Séculos XIX e XX: Henrique Eulálio Gurjão (1834-1885), Wilson Fonseca (1912-2002), Clemente Ferreira Júnior (1864-1917), Octavio Meneleu Campos (1872-1927), Altino Pimenta (1921-2003) Waldemar Henrique (1905-1995), Araújo Pinheiro (1917-1998) [link atualizado 2017]

Compositores Paraenses dos Séculos XIX e XX é daqueles CDs despretensiosos. O intuito do álbum, pelo que se pode notar facilmente, é o resgate e o registro de músicas dos compositores daquelas quentes e pluviosas terras… Nem muito além disso.

Mas é aí que talvez resida a grande graça deste CD: não se propor ser grande. Com isso, as músicas todas soam com o mesmo espírito do álbum, despretensiosas e, por tal motivo, leves, cândidas, sem quererem impressionar, mas com uma graça agreste e sencilha.

As duas Ave-Marias que abrem o setlist, compostas para coro, do  General Henrique Gurjão e de Wilson Fonseca são plácidas e muito belas. Já as quatro faixas seguintes, gravadas pela primeira vez neste volume, de Clemente Júnior, não são tão cativantes, chegando a ser mesmo até simplórias (sim, o nível cai um pouco…).

O álbum recupera o fôlego com o belo Trendment de Meneleu Campos e cresce com as quatro peças para canto lírico dos compositores mais famosos, Altino Pimenta e Waldemar Henrique, encerrando-se nas duas composições mais inspiradas, para piano, violoncelo e violino, de Araújo Pinheiro e, novamente, Wilson Fonseca. A última peça, a Valsinha em Si Menor, realmente, é a mais cativante de todo o CD, e daquelas que se guarda entre as preferidas. Coisa linda!

CD simples, sem apoteoses escalafobéticas, sem pirotecnias musicais, e… muito bom! Assim, só! Ouça, ouça!

Fonogramas gentilmente cedidos por Raphael Soares, entusiasta da música erudita paraense.

Compositores Paraenses dos Séculos XIX e XX 
.

General Henrique Eulálio Gurjão (Belém, PA, 1834-1885)
01. Ave Maria.
Wilson Fonseca (Santarém, PA, 1912 – Belém, PA, 2002)
02. Ave Maria.
Clemente Ferreira Júnior (Belém, PA, 1864-1917)
03. Cunha-poranga
04. Gavotte Republicaine
05. Sons que passam
06. Remembranza
Octavio Meneleu Campos (Belém, PA, 1872 – Rio de Janeiro, RJ, 1927)
07. Trendment
Altino Pimenta (Belém, PA, 1921-2003)
08. Apresentação
09. Chora Coração
Waldemar Henrique (Belém, PA, 1905-1995)
10. Uma Canção de Amor
11. Primavera
Raymundo de Araújo Pinheiro (Igarapé-Miri, PA, 1917 – Belém, PA,1998)
12. Lamento Negro
Wilson Fonseca (Santarém, PA, 1912 – Belém, PA, 2002)
13. Valsinha em Si Menor

Madrigal da UEPA
Alexandre Contente, órgão
Milton Monte, regente
Leonardo Coelho de Souza, Piano (faixas 03, 08, 09, 10 e 11)
Dione Colares, soprano (faixas 08, 09, 10 e 11)
Lia Braga, piano (faixa 04)
Valdecíria Lamêgo Paulino, piano (faixa 05)
Lúcia Azevedo Lisboa, piano (faixa 06)
Eliana Cutrim, Piano (faixas 07, 12 e 13)
Paulo Keuffer, violino (faixa 13)
Arthur Alves, violoncelo (faixa 11, 12 e 13)

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (49Mb)
…Mas comente… Não me responda apenas com o vazio do silêncio…

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Bisnaga

G. F. Handel (1685-1759): O Messias

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Esta gravação é lá dos primórdios da Naxos, quando ela era uma estranha empresa que produzia discos bons e baratos. Com este Messias descobriu-se que a Naxos poderia fazer discos FANTÁSTICOS e baratos. Lembro que, com este registro da obra-prima de Handel, todas as revistas e o público finalmente abriram as pernas para a gravadora de Klaus Heymann, fundada em 1987.

Agora, meu amigo(a), chegou a hora de você abrir as pernas.

G. F. Handel (1685-1759): O Messias

Disc 1
1. Part I: Sinfonia 00:03:12
2. Part I: Recitative: Comfort ye my people (Tenor) 00:03:08
3. Part I: Aria: Every valley shall be exalted (Tenor) 00:03:35
4. Part I: And the glory of the Lord shall be revealed (Chorus) 00:02:37
5. Part I: Recitative: Thus saith the Lord (Bass) 00:01:24
6. Part I: Aria: But who may abide the day of His coming (Counter – tenor) 00:03:06
7. Part I: And He shall purify the sons of Levi (Chorus) 00:02:29
8. Part I: Recitative: Behold, a virgin shall conceive (Alto) 00:00:25
9. Part I: Aria: O thou that tellest good tidings to Zion (Alto) 00:05:33
10. Part I: Recitative: For behold, darkness shall cover the earth (Bass) 00:02:42
11. Part I: Aria: The people that walked in darkness have seen a great light (Bass) 00:04:25
12. Part I: For unto a child is born (Chorus) 00:04:03
13. Part I: Pifa 00:00:56
14. Part I: Recitative: There were shepherds abiding in the field (Soprano) 00:01:22
15. Part I: Glory to God in the highest (Chorus) 00:01:54
16. Part I: Aria: Rejoice greatly, O daughter of Zion (Soprano) 00:04:04
17. Part I: Recitative: Then shall the eyes of the blind be opened (Alto) 00:00:20
18. Part I: Aria: He shall feed His flock like a shepherd (Alto) 00:05:13
19. Part I: His yoke is easy, His burthen is light (Chorus) 00:02:22
20. Part II: Behold the Lamb of God (Chorus) 00:02:52
21. Part II: Aria: He was despised and rejected of men (Alto) 00:11:11
22. Part II: Surely, He hath borne our griefs and carried our sorrows (Chorus) 00:02:05
23. Part II: And with His stripes we are healed (Chorus) 00:01:54
24. Part II: All we like sheep have gone astray (Chorus) 00:03:55

Disc 2
1. Part II: Recitative: All they that see Him Laugh Him to scorn (Tenor) 00:00:44
2. Part II: He trusted in God that He would deliver Him (Chorus) 00:02:23
3. Part II: Recitative: Thy rebuke hath broken His heart (Tenor) 00:01:48
4. Part II: Arioso: Behold, and see if there be any sorrow like unto His sorrow! (Tenor) 00:01:34
5. Part II: Recitative: He was cut off out of the land of the living (Tenor) 00:00:19
6. Part II: Aria: But thou didst not leave His soul in Hell (Tenor) 00:02:42
7. Part II: Lift up your heads (Chorus) 00:03:04
8. Part II: Recitative: Unto which of the angels said He at any time (Tenor) 00:00:14
9. Part II: Let all the angels of God worship Him (Chorus) 00:01:28
10. Part II: Aria: Thou art gone up high (Counter – tenor) 00:03:17
11. Part II: The Lord gave the word (Chorus) 00:01:10
12. Part II: Duet: How beautiful are the feet of Him that bringeth glad tidings of salvation (Soprano, Counter – tenor) 00:03:22
13. Part II: Aria: Why do the nations so furiosly rage together (Bass) 00:03:08
14. Part II: Let us break their bonds asunder (Chorus) 00:01:50
15. Part II: Recitative: He that dwelleth in heaven shall laugh them to scorn (Tenor) 00:00:12
16. Part II: Aria: Thou shalt break them with a rod of iron (Tenor) 00:02:10
17. Part II: Hallelujah! (Chorus) 00:03:44
18. Part III: Aria: I know that my Redeemer liveth (Soprano) 00:06:07
19. Part III: Since by man came death (Chorus) 00:01:52
20. Part III: Recitative: Behold, I tell you a mystery (Bass) 00:00:32
21. Part III: Aria: The trumpet shall sound (Bass) 00:09:06
22. Part III: Recitative: Then shall be brought to pass the saying that is written (Counter – tenor) 00:00:17
23. Part III: Duet: O Death, where is thy sting (Counter – tenor, Tenor) 00:03:24
24. Part III: Aria: If God be for us, who can be against us (Soprano) 00:04:57
25. Part III: Worthy is the Lamb that was slain (Chorus) 00:07:19

Angus Davidson
Helen Parker
Kym Amps
John Bowen
Robin Doveton
Scholars Baroque Ensemble

Total Playing Time: 02:21:30

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Handel apressa o pintor. Porra, anda com essa merda!

PQP

Leopoldo Hekel Tavares (1896-1969) – Concerto para Piano e Orquestra em Formas Brasileiras nº 2, André de Leão e o Demônio de Cabelo Encarnado (1º disco da OSESP) [link atualizado 2017]

ES-TU-PEN-DO !!!

(postagem especial para o colega pequepiano Itadakimatsu, que desejou ardentemente este disco e não lhe dei… Agora o terá digitalizado)

Este disco é simplesmente fantástico: álbum antológico, histórico e com músicas arrebatadoras! De cair o queixo!

Pra começar, temos Eleazar de Carvalho (1912-1996), um dos grandes nomes da regência brasileira no século XX, comandando a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – OSESP – em sua fase heróica, pré-Neshling, no afã de se tentar, com todas as dificuldades que o mundo e o sistema político e de finaciamento impunham, formar uma orquestra de nível internacional.

Temos, para melhorar, duas peças primorosas de Leopoldo Hekel Tavares, mais um daqueles compositores negligenciados que a gente escuta e fica se indagando “como esse cara não ficou famoso?”.

Pois é… Hekel Tavares era mais um da geração de compositores brasileiros que buscava nas formas populares de estruturação musical fazer uma música erudita genuinamente brasileira, ao lado de caras como José Siqueira, Francisco Mignone, Guerra Peixe e, claro, um pouco antes, Villa-Lobos. Há, inclusive, muitas de suas canções que foram gravadas por cantores da MPB (até Fagner já gravou coisas dele…).

Aqui temos, então, o portentoso Concerto para Piano e Orquestra em Formas Brasileiras nº 2, com esse nome comprido que parece a bíblia, mas que tenta exprimir, já no título, toda a intenção nacionalista do compositor alagoano. é, acredito, também a peça de concerto mais executada e gravada dele e, antes de mais nada: é MARAVILHOSO !!! (com três exclamações!). A primeira vez que eu o ouvi, não consegui parar. Acho que escutei o concerto seguido, todo, umas cinco vezes. Não espere uma peça muito de vanguarda: a forma e a melodia se parecem mais com composições do alto romantismo, e não do modernismo, mas é de um vigor e de uma beleza arrebatadores! Digo aqui sem pestanejar: é o meu concerto para piano predileto. Há até um livro de 1996 de Fernando de Bortoli, intitulado Hekel Tavares – O mais lindo concerto para piano e orquestra, Daí dá para se ter uma ideia da inspiração do compositor. Há uma versão ainda melhor com o Arnaldo Cohen ao piano no Música Brasileira de Concerto (aqui).

André de Leão e o Demônio de Cabelo Encarnado é um poema sinfônico em seis quadros de grande inspiração. Hekel Tavares se baseou no texto de Cassiano Ricardo (1895-1974) que narra a saga do encontro do personagem André de Leão com o Curupira. Tavares fez um movimento para cada estrofe da história de Cassiano Ricardo, procurando passar todas as sensações das situações que ocorrem (o encarte que está no arquivo tem o poema na íntegra). Uma espécie de Pedro e o Lobo, mas só que de brasileiríssimo texto e brasileira música, ainda que, como a anterior, mais calcada em moldes do romantismo. Do mesmo modo, muito bela, coisa de primeiríssima categoria.

Por fim, um puta disco! Estupendo! Não deixe de ouvir: seria um pecado mortal!

Leopoldo Hekel Tavares (Satuba, AL, 1896 – Rio de Janeiro, 1969)
Concerto para Piano e Orquestra em Formas Brasileiras nº 2
André de Leão e o Demônio de Cabelo Encarnado

Concerto pra Piano e Orquestra em Formas Brasileira nº2
01. I. Modinha
02. II. Ponteio
03. III. Maracatu
André de Leão e o Demônio de Cabelo Encarnado
04. 1º quadro (Andante con motto)
05. 2º quadro (tempo di marcia)
06. 3º quadro (Scherzo)
07. 4º quadro (andante ma non troppo)
08. 5º quadro (andante sostenuto)
09. 6º quadro (finale in modo di romanza)

Pietro Maranca, piano
Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Eleazar de Carvalho, regente
São Paulo, 1982

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (147Mb)
…Mas comente… O álbum é do @#%%@, merece umas palavrinhas…

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Bisnaga

Acervo PQPBach: Memória da Música Colonial e Imperial Brasileira (MCIB)

Ao longo dos últimos 3 anos fizemos aproximadamente 150 postagens sobre Música Colonial e Imperial Brasileira (MCIB). Inúmeros LPs foram digitalizados, porém grande parte dessas postagens vieram de CDs, nacionais ou não.

Ao longo dos últimos 3 anos montamos um acervo incrível de MCIB: ouvintes que atenderam o nosso apelo e cederam seus LPs, verdadeiros tesouros, (Wottan, Alisson Roberto Ferreira de Freitas, Antonio Alves da Silva, Sergio Luiz Gaio, Fernando Berçot, Kivia Kelen Ramos, Mateus Rosada); maestros e musicólogos que me receberam de braços abertos e emprestaram seus acervos (Marcelo Antunes Martins, Harry Crowl, Rafael Arantes, Paulo Castagna), além de muitos companheiros do PQPBach que enviaram suas colaborações.

Tudo isso, mais o meu acervo, acabou se transformando quiçá no maior acervo existente sobre Música Colonial e Imperial Brasileira (MCIB).

O número de downloads triplicou durante este ano e tenho sido instado a postar em qualidade superior.

Assim sendo, levando-se em consideração os fatos acima, estamos constituindo o Acervo PQPBach que pretende ser a Memória da Música Colonial e Imperial Brasileira (MCIB).

Iremos repostar tudo de novo, adicionando um link para arquivo FLAC com os respectivos encartes e capas em alta resolução. Essas postagens estarão também na nova categoria “Acervo PQPBach de MCIB” além de trazerem estampadas o selo de qualidade acima.

Contamos com todos vocês para difundir o Acervo PQPBach de MCIB !!!

Bom proveito. É para vocês que fazemos isto!!!

Avicenna

.: interlúdio :. Concert Jazz Orchestra Vienna and Wolfgang Muthspiel: Continental Call

Na Amazon —-> Continental Call (Concerto for Guitar and Jazz Orchestra)

Declaración del productor: “No es una Big Band – es una Orquesta de Jazz!

La respuesta a tres preguntas cruciales:

Por qué?
Como en una orquesta sinfónica estos son los colores que forman el centro de la música. Un juego completo de instrumentos de viento de madera en vez de saxofones, instrumentistas de cobre, cambian colores entre la trompeta, flugelhorn, trombón y bombardino. No sólo está en la pared de sonido, está también en el fino pincel en la pintura. Los músicos no solamente actúan, ellos actúan recíprocamente enturbiando las fronteras de sus instrumentos respectivos. Así la Concert Jazz Orchestra Vienna representa a la tradicional Big Band americana -pensando en Gil Evans, George Gruntz y María Schneider- con el espíritu de música moderna europea.

En la música de jazz una Big Band es un anacronismo vivo. Demasiados músicos fueron forzados a vivir con demasiado poco dinero, la enorme logística, pocos clubs que podrían permitirse o al menos acomodar una Big Band sobre su escenario, y festivales que más bien gastan el dinero en un solista que es la moda de hoy. Por eso:

Por qué una Big Band?
Primero nadie puede evitar la seducción de semejante cantidad. El tamaño realmente importa, y un enorme sonido puede ser la magia pura. Y por otra parte una Big Band reune dos cualidades fundamentales de la música: Composición e Improvisación.

Por qué “Concert Jazz Orchestra Vienna?
La última pregunta nos retrotrae al principio y lleva la respuesta directamente dentro de sí: Una composición de una hora principalmente, que destaca a un solista que concede el espacio para la libertad improvisacional, así como la integración perfecta del sonido del instrumento en la orquesta. Y una Orquesta de Jazz que -lejos de todo cliché de una Big Band- apoya y desafía a este solista al mismo tiempo.

La Concert Jazz Orchestra Vienna. Sonido de hoy en Big Band Jazz. Wolfgang Muthspiel. Un guitarrista excepcional. Una composición que combina la ejecución excepcional de Wolfgang con una gran formación. Continental Call. Sesenta minutos de música para escuchar, para escuchar otra vez, descubrir y redescubrir. Pero principalmente: sesenta minutos de música pura.

Declaración del artista

“De todos los compositores en este planeta soy probablemente la peor opción para escribir una pieza a gran escala para guitarra, para ser franco, odio el instrumento y a la mayoría de la gente que lo toca. Es mi problema y mi sentido de la envidia. La guitarra es fácil para aprender – cualquiera puede rasguear algunas canciones tradicionales o convertirse en una estrella de rock. Todo lo que tienes que hacer es levantar el pedal de volumen para alcanzar la dinámica que revienta los tímpanos. La habilidad técnica es también bastante fácil de lograr -y los guitarristas consiguen a todas las muchachas! Como ejecutante de bronces bajos que ha practicado durante más de 20 años y todavía le tiene miedo a las octavas, quien nunca consigue tocar la melodía, cuyos labios sangran cuando toca demasiado fuerte y quien nunca ha tenido una grupi, esto es obviamente un tema doloroso. Dejando mi problema personal aparte, también he tocado con bastantes guitarristas malos para haber sucumbido a los estereotipos negativos: ellos no pueden leer música y en la mayoría de los casos son inconscientes que la perilla de volumen puede -sólo en circunstancias horribles, desde luego- también ser girada a la izquierda…

Wolfgang Muthspiel es uno del pequeño puñado de guitarristas que no perpetúa estos estereotipos. Él escucha, piensa, es un acompañante sensible, así como un solista musical; él lee (no solamente música, sino también libros), ha viajado mucho y bien, cultivado y bien vestido -debe ser porque su hermano es un trombonista. Él todavía consigue a las muchachas, pero pienso que puedo perdonarlo por esto.

Generalmente concentro mi escritura en la sección de vientos, dejando la sección de ritmo a sus propios dispositivos. Colocar la guitarra en el centro conservando el equilibrio de la orquesta de jazz fue un problema que podría haber tenido el resultado trágico de 60 minutos de solo de guitarra y 18 acompañantes muy aburridos en la banda. Para integrar, sin perder el foco sobre Wolfgang, presentándolo como un miembro de la banda, el compañero de dúo, el acompañante y el puente entre los movimientos, la fundación rítmica y el refuerzo acústico (esto va a once!) fue mi desafío.

El encuentro de puntos en común fue la preocupación principal. Wolfgang y yo venimos de dos mundos musicalmente diferentes. Esto es lo que hace este proyecto interesante. Nosotros encontrándonos al medio -también nuestros viajes respectivos: Wolfgang de Europa a los EE.UU. y el mío a la dirección de enfrente. Por eso Continental Call cuenta la historia de todos estos viajes por estos mundos diferentes.”

Obs.: Do falecido blog http://musicaquecuelga.blogspot.com.br/. RIP.

Continental Call (Concerto for Guitar and Jazz Orchestra)

1. Movement I: Dirge (6:06)
2. Movement II: Seventh Of Nine (18:22)
3. Movement III: Dream Waltz (13:41)
4. Movement IV: Getting Started (21:49)

Composer, arranger, conductor : Ed Partyka
Guitar : Wolfgang Muthspiel

Soprano / alto / tenor sax, flute: Stefan Öllerer
Soprano / alto sax, flute, clarinet, soprano sax solos: Michael Erian
Soprano/tenor sax, flute: Harry Sokal
Tenor/baritone sax, bass clarinet: Herwig Gradischnig
Trumpet, flugelhorn: Thorsten Benkenstein, Aneel Soomary, Martin Ohrwalder, Walter Fend, Thomas Gansch (trumpet solos)
French horn: Thomas Bieber
Trombone, euphonium: Dominik Stöger, Robert Dodge, Robert Bachner (euphonium solos)
Bass trombone, euphonium: Erik Hainzl
Piano: Oliver Kent
Bass: Uli Langthaler
Drums: Christian Salfellner

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PQP

Os Cameristas (1980) – Brenno Blauth (1931-1993), José Siqueira (1907-1985) e Nelson de Macêdo (1931) [link atualizado 2017]

UM BAITA DISCÃO !!!

Ah, como é bom garimpar e encontrar raridades e compositores pouco conhecidos nesses velhos LPs. Dá-me um prazer fora do normal!

Além do José Siqueira, compositor que tanto já elogiei (e tanto já elogiaram nos comentários), com seu belo e inteligentíssimo Concertino para Oboé e Cordas (e de quem esta é a última e 16ª postagem que fazemos aqui, até um dia possuirmos mais material dele), temos hoje o debut pequepiano de dois compositores surpreendentes. Temos estreando aqui Brenno Blauth*, compositor gaúcho de grande habilidade com a partitura, um baita melodista, e responsável por este extasiante Divertimento, cujo segundo movimento, a Cantiga, é, a meu ver, a faixa mais bela deste álbum (corra para escutá-la antes: seu dia já terá valido a pena), e o sagaz Nelson de Macêdo, pernambucano, que traz para o seu Otum Obá toda a carga de influências nordestinas, com um jogo de variações rítmicas e melódicas de fazer bonito pra qualquer um que entenda do riscado.

Só gente foda, só cara bom! Veja um pouquinho mais no comentário do encarte do discão:

Divertimento – Nos primórdios da música nacionalista brasileira, um dos seus mais ilustres fundadores, o paulista Alexandre Levy, escreveu para piano uma serie de 13 Variantes sobre um tema popular brasileiro, que outro não é senão o Vem cá, Bitu, ou Cai, cai, balão. Dizia Levy que “para escrever música brasileira era preciso estudar a música popular de todo o Pais, sobretudo do Norte do Brasil”. Neste disco, um outro talentoso compositor brasileiro, Brenno Blauth, gaúcho, da atual geração, escreve, sobre o mesmo tema, uma atraente partitura para orquestra de cordas, cujos movimentos são: I. Animado, 2. Cantiga, 3. Toada, 4. Dança Gaúcha. É que o tema em questão pertence ao universo musical popular brasileiro, sem os lindes do regionalismo. Essa obra, com motivos curtos e singelos que, com o contraste de fortíssimo e pianíssimo lhe dão início, é muito habilmente escrita, na sua polifonia clara. Aquele tema popular surge, depois do que se pode chamar de introdução, em terças, nos violinos. No tempo lento cantam uníssonos os violinos uma linha languidamente seresteira. A Toada é também muito interessante, com seu ritmo de acordes sincopados, e sua insinuante linha melódica. Já no Final se afirma o gauchismo do autor, em uma Dança característica, onde se reafirma o tema fundamental da obra, que surge transfigurado, ate que na coda se precipita, rápido, brilhante e piano, um desenho descendente imitativo.

O Concertino para Oboé e Orquestra de José Siqueira se divide em três partes: 1. Andante – Allegro ma non troppo, 2. Lento. 3. Allegretto. Composto há dez anos, o Concertino vem mais uma vez confirmar a invariável significação nacionalista da música do autor que, precedendo o Andante inicial, confia ao oboé a linha melódica do Pregão, de origem folclórica. Inicia-se o Andante pelas cordas, com surdina, em contraponto a quatro vozes, escrito com a mestria habitual do compositor, até que se dá a exposição do primeiro tema pelo oboé, suportado pelas cordas. Mas então se deflagra o Allegro ma non troppo, com um novo tema do instrumento solista, que é retomado em cânone nos violinos. Há desenvolvimento e, por fim, uma contra-exposição em que o primeiro tema surge por último, depois do segundo tema. O Lento vem formado por três variações, feitas sobre o tema folclórico do Pregão, exposto pelo oboé. As duas primeiras variações são ornamentais e ampliadoras, e a terceira é ornamental e contraída. O terceiro movimento, Allegretto, é uma Fuga a seis vozes, cujo sujeito vem exposto pelos primeiros violinos.

Otum Obá, de Nelson de Macêdo, é um Divertimento para flauta, oboé e cordas, cujo afro-brasileirismo estilizado se evidencia no cunho incisivo da invenção rítmica, da partitura cujos três movimentos se sucedem sem solução de continuidade: I. Allegro moderato. II. Interlúdio. III Allegro. Prevalência rítmica de forte impulso coreográfico, temperado pela dolência, a languidez, a expansão lírica, em largos saltos intervalares, do Interlúdio lento, que também tem força rítmica na sua lentidão, mas onde prepondera, sob forma de recitativo, o surto melódico da flauta e do oboé, sendo que a flauta procede também por cristalinos trilos, sabre os desenhos ondulantes do oboé, com o qual logo se entrelaça. Esses recitativos se originam da introdução ao primeiro tempo, quando o violoncelo declama, com larga variedade dinâmica. E o próprio violoncelo solista inicia o primeiro movimento, para estabelecer com os demais instrumentos uma correnteza contrapontística, de súbito interrompida por uma fermata, para uma rápida rememoração do recitativo inicial. A tempo I, nutrido trabalho polifônico, de sentido veemente, se restabelece, mas cede lugar a certa altura a um tema tratado por imitação, que do oboé passa a flauta, e depois ao violino, e que soa como um apelo. Toda a trama, agilmente, recomeça no celo, ate que entra o Interlúdio. Por fim, o Allegro culmina a composição com brilhantismo virtuosístico em que se empenha toda a orquestra e ao qual não falta sutileza de acentos.
(Eurico Nogueira França, extraído do encarte).

* Atenção gremistas: o Brenno Blauth foi o compositor do segundo hino do Grêmio, substituído depois pelo atual, de Lamartine Babo.

Repetindo: um baita discão! Ouça! É coisa de primeira categoria!

Os Cameristas
Os Cameristas (1980)

Brenno Blauth (Porto Alegre, RS, 1931 – São Paulo, SP, 1993)
01. Divertimento – 1. Animado
02. Divertimento – 2. Cantiga
03. Divertimento – 3. Toada
04. Divertimento – 4. Dança Gaúcha
José Siqueira (Conceição, PB, 1907 – Rio de Janeiro, RJ, 1985)
05. Concertino para Oboé e Orquestra de Câmara – 1. Andante – Allegro ma non troppo
06. Concertino para Oboé e Orquestra de Câmara – 2. Lento
07. Concertino para Oboé e Orquestra de Câmara – 3.Allegretto
Nelson de Macêdo (Orobó, PE, 1931)
08. Otum Obá, Divertimento para flauta, oboé e cordas – 1. Recitativo – Allegro
09. Otum Obá, Divertimento para flauta, oboé e cordas – 2. Moderato – Lento
10. Otum Obá, Divertimento para flauta, oboé e cordas – 3. Allegro

Orquestra “Os Cameristas”
Kleber Veiga, oboé
Carlos Rato, flauta
Nelson de Macêdo, regente
1980

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…Mas comente… O álbum é tão bom, merece umas palavrinhas…

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Bisnaga

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – The Musikalisches Opfer, BWV 1079

Este CD estava separado já há alguns dias. Traz uma música espessa e ao mesmo tempo espiritualmente delicada. É a segunda vez que escuto esse disco e fico com uma sensação de que saí de uma sala de sensações turbulentas e que me conduziu a pensar em coisas sérias. Estamos falando de Johann Sebastiam Bach. E quando isso acontece, a certeza que temos é a de que estamos diante de vozes celestiais. É como se o tempo parasse e o momento presente fosse o único espaço. Nem o ontem nem o hoje. Apenas o presente com sua voz aveludada. Passageiros de uma nau que nos leva pelos espaços cósmicos. A natureza deixa de ser um espaço de beligerâncias e se torna um espaço holístico onde tudo se integra. Ora o cravo se une com a flauta; a flauta se une com o violoncelo e o cravo; ora o violino se une com a flauta e com o violino e formam uma espetáculo emudecedor. Novamente: estamos falando da música de Johann Sebastian Bach. O mestre Jordi Savall faz um trabalho notável. Não deixe de ouvir.Uma boa apreciação!

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – The Musikalisches Opfer, BWV 1079

01 – Thema Regium – Traverso Solo
02 – Ricercar A 3 – Clavecin
03 – Canon Perpetuus Super Thema Regium
04 – Canon 1 A 2 (Cancrizans) – Clavecin
05 – Canon 2 A 2 Violini In Unisono
06 – Canon 3 A 2 Per Motum Contrarium
07 – Canon 4 (A) Per Augmentationem, Contrario Motu
08 – Ricercar A 6 – Clavecin
09 – Sonata Sopr’ll Soggetto Reale_ Largo
10 – Sonata Sopr’ll Soggetto Reale_ Allegro
11 – Sonata Sopr’ll Soggetto Reale_ Andante
12 – Sonata Sopr’ll Soggetto Reale_ Allegro
13 – Canon A 2 Quarendo Invenietis (9A) – Clavecin
14 – Canon A 2 Quarendo Invenietis (9B) – Clavecin
15 – Canon 5 A 2 Per Tonos ‘Ascendenteque Modulatione Ascendat Gloria Regis’
16 – Fuga Canonica In Epidiapente (6)
17 – Canon4 (B) Per Augmentationem, Contrario Motu
18 – Canon Perpetuus (Per Justi Intervali) (8)
19 – Canon A 4 (10)
20 – Ricercar A 6 – Ensemble

Les Concerts des Nations
Jordi Savall, direção

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OK, OK, enquanto o Carlinus não retorna usem este link. Baixei o arquivo logo após a publicação do post. Assinado: PQP, o filho do homi.

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Carlinus

Fryderyk Chopin (1810-1849) – Nocturnes (LINK REVALIDADO)

Blog com muita história. Postado há cinco anos atrás – 19/09/2007

A magistral dupla Chopin / Rubinstein está de volta. Desta vez, teremos os noturnos. FDP reconhece que demorou a decidir qual a versão que postaria, mas acabou optando pelo gênio de Rubinstein, em sua especialidade. Creio existirem poucos pianistas que foram tão especializados em um compositor. E Rubinstein nunca deixou de afirmar qual era seu compositor favorito. Esses noturnos em suas mãos tornam-se obras únicas, extremamente introspectivas, que conseguem captar a alma do gênio chopiniano. Enfim, trata-se de gravação indispensável em qualquer cdteca. Arrau, Baremboim, Ashkenazy, Pollini, entre outros, deram suas contribuições para perpetuar essas obras tão pessoais, mas foi Rubinstein quem conseguiu atingir o seu ápice.

Frideryk Chopin – Nocturnes

DISCO 01

01. nocturne no. 1, op. 9 in b-flat
02. nocturne no. 2, op. 9 in e-flat
03. nocturne no. 3, op. 9 in b
04. nocturne no. 1, op. 15 in f
05. nocturne no. 2, op. 15 in f-sharp
06. nocturne no. 3, op. 15 in g
07. nocturne no. 1, op. 27 in c-sharp
08. nocturne no. 2, op. 27 in d-flat
09. nocturne no. 1, op. 32 in b
10. nocturne no. 2, op. 32 in a-flat

DISCO 02

01. nocturne no. 1, op. 37 in g minor
02. nocturne no. 2, op. 37 in g major
03. nocturne no. 1, op. 48 in c minor
04. nocturne no. 2, op. 48 in f-sharp minor
05. nocturne no. 1, op. 55 in f minor
06. nocturne no. 2, op. 55 in f-flat major
07. nocturne no. 1, op. 62 in b major
08. nocturne no. 2, op. 62 in e major
09. nocturne no. 1, op. 72 in e minor

Arthur Rubinstein, piano

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Link revalidado pelo Carlinus

Os Cameristas (1976) – José Siqueira (1907-1985) e Radamés Gnattali (1906-1988) [link atualizado 2017]

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Hoje estou orgulhoso! José Siqueira, compositor brasuca simplesmente estupendo e esquecido da história, apagado deliberadamente pela perseguição que sofreu no regime militar, atinge hoje, aqui no P.Q.P.Bach, a marca de QUINZE postagens. Não é um número absurdo (os entes da Santíssima Trindade – Bach, Beethoven e Mozart – tem todos mais de cem posts), não deve ser nem o vigésimo mais postado aqui, mas já é o sexto brasileiro mais presente no blog. Ultrapassou André da Silva Gomes, Castro Lobo e Sigismund Neukomm e igualou-se, ante os estrangeiros, a Shoenberg. Eu, sinceramente, conhecia pouco dele até o começo deste ano e, tomando contato com mais obras, pude ver como o cara é bom. Tomei suas dores, publicando tudo o que dele dispusesse e dele encontrasse. Com o material que temos e com as contribuições preciosíssimas de Harry Crow, o P.Q.P.Bach cumpre o papel ao qual se propõe desde o início: o de divulgar a música, de polinizar a beleza pela blogosfera. Acredito que ajudamos a tirar um pouco da sombra que teima em obscurecer o nome desse grande brasileiro, José Siqueira, hoje, com um complexo, difícil e fodástico Divertimento para Oboé e Cordas.

Temos outro compositor não menos genial na postagem de hoje, Radamés Gnattali, que soube como poucos não só unir o erudito ao popular, mas alternar entre esses dois campos. Gnattali passeava de um lado a outro, de um gênero a outro da música, como se fosse necessário só apertar a tecla SAP. Coisa incrível! Além de sua música de concerto (seu concerto para harpa e cordas, por exemplo, é uma das coisas com mais enlevo que já ouvi), é vasta a sua produção de choros, sempre de altíssima qualidade. Não à toa, sua produção, sempre influenciada pelos ritmos do Brasil, também recebeu as cores dos sons do Nordeste, como é o caso do belo (e agudíssimo) Concerto para Violino.

Aproveitei para transcrever parte do encarte que fala com muita propriedade da qualidade desses dois compositores de hoje e do conjunto executante:

(…) Além de compositor de larga projeção não só no Brasil como no exterior, José Siqueira (1907) é sem dúvida um dos espíritos mais empreendedores de nosso cenário musical, quiçá o mais arrojado de todos. Homem de visão, amando acima de tudo o manancial sonoro de seu país, bem merece um preito de gratidão pelo muito que fez em prol do desenvolvimento cultural de nosso povo. Aos 33 anos, em 1940, criou a Orquestra Sinfônica Brasileira, hoje um conjunto de renome internacional. Em 1948 fundava a Sinfônica do Rio de Janeiro e, anos mais tarde, a Orquestra de Câmara do Brasil. Em 1960 consegue ver realizado o seu mais ambicionado sonho: a criação da Ordem dos Músicos do Brasil. Mestre de sua arte, dono de um “metier” invejável, sua obra é vastíssima, abrangendo todos os gêneros — da ópera à música de câmara, da canção à sinfonia. A produção do músico paraibano pode ser dividida em três períodos distintos: o pri­meiro universalista e que vai até 1943; o segundo, nacionalista no sentido genérico, indo de 1943 a 1950 e o terceiro, que poderíamos definir como “nordestino” pelo emprego regular do sistema por ele denominado de tri-modal. Essa teoria consiste no aproveitamento sistemático das três escalas encontradas no rico folclore nordestino. Siqueira é dentro da corrente nativista talvez o mais “intimamente nordestino” de nossos músicos.
Seu Divertimento Nº5 para cordas data de 1974 e contém três movimentos: Allegro, Larghetto e Allegro
Pianista nato de rara intuição, regente, orquestrador habilíssimo e compositor dos mais versáteis, Radamés Gnattali (1906) que este ano comemora seu 70º aniversário de nascimento continua em perene criatividade. O lugar de excepcional destaque que ele conseguiu no panorama da música brasileira de nossos dias, deve-se a vários fatores, entre esses, o de ter militado longos anos nas lides radiofônicas, onde alcançou notoriedade, quer como arranjador popular, quer como músico erudito. Após haver estudado plano em seu estado natal o Rio Grande do Sul, veio para o Rio em 1931, onde frequentou o Instituto Nacional de Música até 1938. Todavia, no domínio da composição, pode-se de sã consciência afirmar-se que foi um autodidata. A princípio deixou-se influenciar pelo “jazz”, mas pouco a pouco foi assumindo um nacionalismo consciente calcado menos nas constantes rítmico-melódicas populares do sul do país a exemplo de seu conterrâneo Luiz Cosme e mais voltado para a temática nordestina, fonte de sua inspiração, como também soou acontecer com Camargo Guarnieri e tantos outros. Como Guerra Peixe, o compositor gaúcho faz questão de estabelecer um paralelo entre os dois setores da sua produção — o popular e o erudito.
O Concerto para violino e cordas inserido no presente disco é o segundo que concebeu para o instrumento, e foi dedicado a Giancarlo Pareschi, que é o autor das cadenzas. Divide-se em três seções: Alegro — Canção e Chôro.
O conjunto “Os Cameristas” foi fundado em 1964 pelo M. Nelson de Macêdo, formado por uma seleção dos melhores instrumentistas de cordas do Rio de Janeiro. Fez sua estréia sob o patrocínio de O Globo no auditório daquele vespertino. Noel Devos (Fagote), Giancarlo Pareschi (Violino) e Nelson de Macêdo (Regente) são nomes que dispensam maiores apresentações, por serem de nossos mais conhecidos e apreciados intérpretes com uma larga folha de relevantes serviços prestados à música brasileira. Nelson de Macêdo, além de violista e regente, vem se firmando como um compositor de inegáveis merecimentos
Sérgio Nepomuceno (Extraído do encarte)

Semana que vem teremos mais um álbum d’Os Cameristas com obra de José Siqueira. Será a 16ª e última postagem dele. Mas acredito que no futuro consigamos mais material do paraibano arretado para postar aqui. É esperar pra ver…

Por fim, UM BAITA DISCÃO! Ouça e torne seu dia mais feliz!

Os Cameristas
Os Cameristas (1976)

José Siqueira (Conceição, PB, 1907 – Rio de Janeiro, RJ, 1985)
01. Divertimento nº5 – 1. Allegro
02. Divertimento nº5 – 2. Larghetto
03. Divertimento nº5 – 3. allegro ma non troppo
Radamés Gnattali (Porto Alegre, RS, 1906 – Rio de Janeiro, RJ, 1988)
04. Concerto para violino nº2 – 1. Allegro moderato – marcato
05. Concerto para violino nº2 – 2. Canção
06. Concerto para violino nº2 – 3. Choro

Orquestra “Os Cameristas”
Noel Devos, oboé
Giancarlo Pareschi, violino
Nelson de Macêdo, regente
1976

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (128Mb)

…Ah, por favor, comente, escreva umas palavrinhas e me tire da solidão…

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Não, não são Os Cameristas, mas a foto é tão legal…

Bisnaga

Eu sinto claramente e costumo falar nisso, mas não tinha lido ainda:

“Los públicos de la música clásica se han multiplicado en todo el mundo. El crecimiento en Asia y América del Sur es un ejemplo”.

Obs.: Reportagem do El País de Madrid. Quando eles falam em El ruido eterno, referem-se ao livro OBRIGATÓRIO O resto é ruído, lançado no Brasil pela Cia. das Letras. Boa leitura.

Alex Ross - crítico de The New Yorker. FOTO - SOFÍA MORO

Más allá de las partituras

Destrozó ideas preconcebidas sobre la música en ‘El ruido eterno’. Ahora, el crítico Alex Ross vuelve a ofrecernos su particular visión de un arte cosmopolita y mestizo en ‘Escucha esto’, su nuevo libro, donde tumba prejuicios y amplía barreras para el siglo XXI

Encontrar y ahondar en las jerarquías sociales, montar desajustes económicos, quebrar sistemas con desigualdades configura nuestra mente de una manera un tanto pérfida y viciada. ¿Y si con la música hacemos un esfuerzo y no caemos en determinados vicios? Imaginen, como diría John Lennon, que no existe el paraíso. Resulta fácil si nos ponemos a ello. Ni tampoco el infierno… Que no hay simas, que no hay diferencias, que todo, en lo que se refiere a ese arte, viene de una imbricada y sutil conexión entre el alma, el sentido, el sentimiento y el intelecto…

Así trata de explicar la música Alex Ross, limpiando las fronteras. El crítico de The New Yorker consiguió en El ruido eterno raptar nuestra atención para la lectura y mostrarnos fuera de santidades, elitismos y clichés, alejado de los prejuicios y pegado escrupulosamente a la singularidad de los contextos, lo que aconteció creativamente entre los compositores del aparentemente arduo e indescifrable siglo XX. Y lo hizo con un rigor encomiable, con una altura de miras ambiciosa, pero con una capacidad de comunicación muy efectiva que convirtió el libro en superventas.

En su anterior ensayo, Alex Ross trazaba un recorrido fascinante por ese mundo desde que Richard Strauss estrenara su impactante Saloméhasta nuestros días. Ahora, en Escucha esto (Seix Barral), el escritor va más allá de las barreras impuestas y los géneros. Ahonda en la finísima línea que fluye y conecta de manera fascinante los cinco siglos que aparentemente separan a Monteverdi de Björk o a Bach de Led Zeppelin y a Vivaldi de Radiohead. ¿Alguien lo duda? Pues lo prueba.

Sin límites, sin exclusividades, derribando la premisa de que existen músicas superiores o más complejas que otras. No hay clases. Históricamente. Entre el barroco y el rock, entre el Renacimiento y el pop, entre los alardes románticos de Schubert y Beethoven, y el jazz o elblues, todos somos más o menos iguales.

“Vivimos un cambio profundo. Con todo
lo que guardamos
en nuestros aparatos, podemos trasladarnos
de un género a otro
con un clic”

Al fin y al cabo, venimos de la chacona. Es decir, de un baile popular elevado a los escenarios y santificado ahora por los atentos silencios de los públicos más exclusivos cuando suena desde la caja de un chelo en una suitede Bach. Pero por mucho que algunos paguen a 120 euros la entrada por disfrutar de una chacona y sea el colmo del refinamiento, esa música tiene un origen bastardo. Bach adaptó un estilo que en su día, allá por 1598, el soldado Mateo Rosas de Oquendo, después de haber pasado una década en Perú, incluyó en una lista que agrupaba dentro de las cosas con nombres que el demonio había designado. Eso fue en sus orígenes la perversa y pecaminosa chacona.

Desde esa raíz hasta nuestros días, esa danza ha efectuado un viaje interestelar a través del tiempo hasta poder apreciarse en conciertos de rock o melodías de Broadway. En un solo de guitarra de Ritchie Blackmore o de Jimmy Page, príncipes del hard rock con Deep Purple o Led Zeppelin, a las diabluras con la flauta de Ian Anderson, líder de Jethro Tull. O del jazz, también, en su carácter improvisatorio, pero sobre todo en los grupos de música antigua que la someten a intensas y emocionantes variaciones, como es el caso de Jordi Savall con su viola de gamba.

Pero existe otra conexión más íntima, más pegada a los sentidos y a los silencios del alma que la música termina por exorcizar. Y es lo que Alex Ross califica como el gusto por el lamento: “Puede que para muchos no resulte sorprendente, pero las similitudes que unen a un gran número de culturas con el lamento son impactantes. Se percibe una línea que conecta el Renacimiento, el barroco, el romanticismo, el flamenco o elblues con tantos otros. Parece como si se tratara de emular a través de la música los sonidos que el hombre emite cuando se encuentra sereno, en paz”.

Se entabla un inmenso diálogo sin fin, un eco eterno de sonidos en busca de sentimiento, de estados de ánimo que relativizan el tiempo, porque son los mismos que han configurado nuestra sensibilidad desde las cavernas. “Es un proceso fascinante y misterioso, que nunca sabremos por qué se produce así ni a qué razones se debe”.

“Me encantaría que el término música clásica desapareciera de nuestro vocabulario y fuéramos capaces de encontrar otro”

Por eso, Alex Ross se adentra en las profundidades de los orígenes. Aunque la música popular está en la raíz de muchas cosas, las procedencias son incontables, enormes, inabarcables. “No creo que la música proceda de una única raíz común, aunque es cierto que nuestros orígenes como especie no se diferencian tanto. Pero desde ahí hasta ahora se han desarrollado multitud de lenguajes distintos dependiendo de los sistemas, las creencias, las religiones. Me gusta adentrarme en esas diferencias sobre todo cuando alejan al individuo de su reducto más seguro, más local, más familiar. Creo que en música deberíamos ser todos auténticamente cosmopolitas”.

Heterogéneos, eclécticos, imprevisibles, instintivos y menos racionales, impulsivos y poco reflexivos… Libres, desinhibidos, poco acomplejados, abiertos al sentimiento y no al entendimiento, que llegará —o no— después. Para eso, quizás las tecnologías nos ayuden, o nos estén educando los mecanismos neuronales para apreciar la música de modo diferente de como la hemos venido percibiendo.

Pero no hay que temer los cambios en ese sentido. Siempre ha sido igual. Cada época ha tenido y se ha adaptado a su propia manera de escuchar la música. De las fiestas populares y las iglesias a los salones del XIX, y de la intimidad del cuarto de estar con el gramófono al ensimismamiento con los auriculares y el dejarse llevar por nuestros iPods cuando conectamos el sistema aleatorio hay un mundo. “Ahora vivimos un cambio profundo en ese sentido”, avisa Alex Ross. Tiene que ver con la acumulación, con la avaricia musical. “Con todo lo que guardamos en nuestros aparatos, ya sean MP3, teléfonos u ordenadores, podemos trasladarnos de un género a otro con un clic, fácilmente. Eso hace que prestemos menor atención, que nos concentremos menos en lo que escuchamos. Y resulta un cambio profundo, pero por el momento no afecta a la actitud que el público muestra en las salas de conciertos. Allí, según aprecio, siguen prestando mucha atención incluso a las piezas de larga duración”.

Quizás los teatros, los rituales para la música en directo sean esos lugares donde no admitimos aún la profanación de las prisas, el altercado constante de la aceleración. Pero a quienes sí afecta es a los creadores. Activamente, buscando la manera de adaptarse a los nuevos soportes. Renovarse o morir. “Utilizan esos soportes incluso para componer. Pero eso no es nuevo, no hay más que recordar que los compositores, a lo largo de la historia, siempre se han mostrado líderes respecto a la tecnología, en los sistemas de sonido, en el uso de ordenadores, en las posibilidades que les ha brindado Internet. Es el resto del mundo quien ha tenido que seguirles en muchos casos”.

Leonard Bernstein dirigiendo 'Resurrección', de Mahler, interpretada por la Boston Symphony en Tanglewood (Massachusetts) en 1970. / FOTO: BETTMANN / CORBIS

La lucha por la originalidad ha movido millones de partituras. La búsqueda de la diferencia ha distinguido a los grandes de los pequeños. Luego, la historia juzga. Y muchas veces en contra de las intenciones de los creadores. Muchas veces incluso injustamente, caprichosamente. En esta época de confusa catarsis general quizás resulte complicado adivinar quiénes serán nuestros grandes clásicos. Cada disciplina, cada modo y cada género tendrán los suyos. No debería imponerse un pensamiento único, un canon inapelable, se diversificarán los futuros clásicos y la música tendrá varios en cada una de sus expresiones. Lo mismo pasará a la historia la virulencia del silencio iconoclasta que propone John Cage como el afán revolucionario popular de The Beatles. “Todos ellos y más. Las diferenciaciones han quedado obsoletas. También debemos ser conscientes de que en el siglo XIX, Beethoven era considerado serio, y Rossini, popular. Ahora, ambos son clásicos”.

Pero entre las ventajas que nos brinda la posmodernidad, hay que decir que los grandes no se dan la espalda. Se buscan, se excitan creativamente, se inspiran. ¿Qué tiene que ver Karlheinz Stockhausen con Björk o con Lennon y McCartney? Que les inspira una evidente veneración. “Les une la curiosidad y la voluntad de explorar nuevos caminos. Ninguno de los tres se queda parado, ninguno ha repetido machaconamente una idea, una fórmula que les haya funcionado y se haya convertido en algo popular. Lo profundamente artístico se busca sin descanso. Son lo contrario a aquello que marca una corriente mayoritaria y se deja convertir en una marca”. Alergia al encasillamiento es lo que define a unos y a otros. Por eso se han buscado.

“Los públicos de la música clásica se han multiplicado en todo el mundo. El crecimiento en Asia y América del Sur es un ejemplo”

Ejemplos de esa rabia diferencial son lo que Ross propone en su libro. Lo que él llama la violenta elegancia de Mozart, el éxtasis de la tristeza que nos brinda Schubert, las canciones de un folk abstracto e imaginario que busca Björk, la excesiva sabiduría que encontramos en Dylan… A todos ellos les une una obsesión particular del autor. “Los creadores sobre los que he escrito están en el libro porque hacia cada uno de ellos he sentido la necesidad de ahondar, de saber más. Tanto sobre su arte como sobre sus personalidades, sin importar que estuvieran vivos o muertos”, asegura el crítico.

Entre esas obsesiones, existen rasgos comunes que le mueven a ahondar sobre ellos: “Me atrapan quienes van más allá de la esencia del género que han escogido, o quienes han roto con los cánones de manera traumática, personajes como John Luther Adams, que se retiró a Alaska para crear su vasto universo, en ejemplos como el suyo hallamos otra integridad, la de esa gente fundamental y singular que huye de todo conformismo”.

Pero esas singularidades no deben apartarnos de las corrientes que hoy, desde lugares alejados del centro de Occidente, van adueñándose de territorios supuestamente lejanos para ellos. Fenómenos que vienen de Asia o América Latina y que han conquistado la globalidad de la música más eterna con sus interpretaciones más frescas, más espontáneas, distintas. “Los públicos de la música clásica se han multiplicado en todo el mundo. Son mucho más numerosos hoy que hace cien años. El crecimiento en Asia y América del Sur es un ejemplo. Casos como el pianista chino Lang Lang o el director venezolano Gustavo Dudamel prueban que la gran tradición de la música europea puede echar raíces en distintas culturas y producir talentos extraordinarios. Me gustaría ahora conocer a los compositores de esos lugares, no solo a los intérpretes”.

“Ciertos rituales en las salas de conciertos deberían cambiar. Muchas convenciones se impusieron hacia 1900 y no han evolucionado”

Un nuevo tiempo para nuevos aires donde se trasladan los centros de gravedad. Y quizás sea el momento adecuado también para redefinir conceptos. ¿Por qué reducir la música a simples categorías y paradigmas anticuados cuando lo que nos atrapa es la mezcla, el mestizaje? “Me encantaría que el término música clásica desapareciera de nuestro vocabulario y fuéramos capaces de encontrar otro. Pero aún no he logrado hallar algún término que me convenza. A lo mejor nos hemos encallado en él. El problema más grave es que se refiere a música del pasado, a música que huele a muerto. Existen muchos creadores en activo que exploran esas tradiciones y que se convierten en invisibles porque el término clásico no puede englobarles a ellos”.

Como tampoco estaría mal que desterráramos ciertas convenciones en las salas de conciertos. Ciertas rigideces que nos alejan de la música y nos la convierten en algo antipático. Cuándo, o no, se debe aplaudir en una sala nos lleva a reflexiones de carácter histórico que quitan la razón a los públicos más frígidos, según Alex Ross. “Creo que ciertos rituales en las salas de conciertos deberían cambiar. Muchas convenciones se impusieron hacia 1900 y no han evolucionado. La prohibición de los aplausos resulta artificial y no tiene sentido en piezas como el primer concierto de piano de Chaikovski o el Emperador de Beethoven. En estas obras resulta raro y va contra su naturaleza que no se aplauda al final del primer movimiento. Deberíamos fijarnos en la música y dejarnos llevar por nuestro sentimiento más que ceñirnos a normas abstractas”.

Como abstracción también es contar la música. Algo en lo que Alex Ross viene a ser de los pocos que consiguen la excepción de una comunicación sugerente, visceral, fascinante, divertida, jugosa. “Nunca vamos a lograr traducir la música a palabras, como tampoco se puede en otras artes. Aunque el lenguaje nos resulte insuficiente, nos urge compartir la experiencia y los periodistas representamos un papel fundamental en ese aspecto. Nuestra obligación es plantear una especie de conversación pública sobre los hechos que atestiguamos”.

Aunque ciertos géneros periodísticos anden en crisis hoy. La crítica, por ejemplo. “No está en su mejor momento, ni se la considera como en el pasado. Los periódicos ya no apuestan por ella y es un error. Se han convertido en meros espacios para el cotilleo en Internet y así se van condenando con mucha más rapidez de la que ellos mismos temen. Es hora de que ofrezcan a los lectores lo que les resulta difícil encontrar, una crítica reflexiva y extensa que les diferencie de los demás”.

Franz Joseph Haydn (1732-1809): Cello Concertos – Sinfonia Concertante – Steven Isserlis, Chamber Orchestra of Europe, Sir Roger Norrington


Link revalidado por PQP. Disco absurdamente bom!

Um post de peso. Mais uma vez trago Steven Isserlis para vocês. Pessoal, o cara é bom mesmo, fazer o que? Bom pra nós. Creio que a Chamber Orchestra of Europe dispense apresentações não é verdade? Os dois concertos de Haydn para violoncelo são simplesmente magníficos. A genialidade do compositor, a sensibilidade, a inteligência na condução dos movimentos é fantástica. Adoro esses concertos, lindos do início ao fim. A Sinfonia Concertante e o Adagio cantabile da Sinfonia No. 13 vem de brinde. O mestre Haydn é um dos meus compositores favoritos. A música de Haydn é tão poderosa e encantadora que muitas vezes não sabemos se o cello e a orquestra estão conduzindo a música ou se a música está conduzindo o cello e a orquestra. É uma fusão perfeita. Tudo é belo. Tanto as passagens solo do cello, quanto as partes da orquestra. Música. Pura, absoluta, linda, encantadora. Simples e inteligente. Nada profético ou apocalíptico. Apenas a música, de corpo e alma. É o que torna Haydn tão especial. É o que encontramos neste cd.

Franz Joseph Haydn(1732-1809) – Cello Concertos – Sinfonia Concertante – Steven Isserlis, Chamber Orchestra of Europe, Sir Roger Norrington

1. Cello Concerto in C/C-dur/ut majeur H. VIIb:1/Moderato 10:01
2. Cello Concerto in C/C-dur/ut majeur H. VIIb:1/Allegro molto 7:21
3. Cello Concerto in C/C-dur/ut majeur H. VIIb:1/Adagio 7:04

4. Symphony No. 13 in D Major/Adagio cantabile II. 6:40

5. Cello Concerto in D/D-dur/ré majeur H.VIIb:2/Allegro moderato 14:11
6. Cello Concerto in D/D-dur/ré majeur H.VIIb:2/Adagio 4:39
7. Cello Concerto in D/D-dur/ré majeur H.VIIb:2/Allegro 4:40

8. Sinfonia Concertante in B-Flat/B-dur/si bémol majeur for Violin, Cello, Oboe, Bassoon/Allegro 9:32
9. Sinfonia Concertante in B-Flat/B-dur/si bémol majeur for Violin, Cello, Oboe, Bassoon/Andante 4:28
10. Sinfonia Concertante in B-Flat/B-dur/si bémol majeur for Violin, Cello, Oboe, Bassoon/Allegro con spirito 6:42

Steven Isserlis; cello
Chamber Orchestra of Europe
Sir Roger Norrington; conductor

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Raphael Cello

Sopros do Brasil: o Sexteto do Rio – obras de José Siqueira (1907-1985), Radamés Gnattali (1903-1988), Francisco Mignone (1897-1986), Ludwig van Beethoven (1770-1827), Darius Milhaud (1892-1974), Francis Poulenc (1899-1963) e Gordon Jacob (1895-1984) [link atualizado 2017]

Nas minhas navegações – e derivas – em meio ao oceano da internet, em busca de mais algum halo, uma luzinha no horizonte que me apontasse para mais uma obra de José Siqueira, me deparei com este belo conjunto de peças executado pelo Sexteto do Rio. José Siqueira tem lá uma faixinha em meio a outras vinte e duas, mas não custa ver tudo…

E o álbum é bem legal, além da siqueirana Brincadeira a Cinco, uma das que mais me agradou, há obras muito boas para sexteto de sopros (aqui por vezes acompanhado pelo piano de Heitor Alimonda): La cheminée du Roi René, de Milhaud, e a Sonatina a Seis, de Gnattali, são especialmente jocosas, divertidas, muito agradáveis. O conjunto todo é bem descontraído e tem um aspecto de diversão, de brincadeira, de descontração. Os músicos do Sexteto do Rio estão, mais do que executando música, divertindo-se, compartilhando bons momentos. e essa descontração é transmitida ao ouvinte e é cativante! Conjunto leve, gostoso de ouvir.

Booooom, muito bom! Ouça, ouça!

Sexteto do Rio
.

Ludwig van Beethoven (1770-1827)
01. Trio para Flauta, fagote e piano – I. Allegro
02. Trio para Flauta, fagote e piano – II. Adagio
Darius Milhaud (1892-1974)
03. La cheminée du Roi René – I. Cortège
04. La cheminée du Roi René – II. Aubade
05. La cheminée du Roi René – III. Jongleurs
06. La cheminée du Roi René – IV. Maosinglade
07. La cheminée du Roi René – V. Chasse au Valabre
08. La cheminée du Roi René – VI. Madrigal Nocturne
09. Sonata para flauta, oboé, clarineta e piano – I. Tranquille
10. Sonata para flauta, oboé, clarineta e piano – II. Joyeux
11. Sonata para flauta, oboé, clarineta e piano – III. Emporté
12. Sonata para flauta, oboé, clarineta e piano – IV. Douloureux
Francis Poulenc (1899-1963)
13. Sextuor – I. Allegro Vivace
14. Sextuor – II. Allegro Vivace
15. Sextuor – III. Finale
Francisco Mignone (1897-1986)
16. Sexteto 1970
Gordon Jacob (1895-1984)
17. Elegiac e Scherzo – I. Elegiac
18. Elegiac e Scherzo – II. Scherzo
José Siqueira (1907-1985)
19. Brincadeira a Cinco
Radamés Gnattali (1903-1988)
21. Sonatina a seis – I. Allegro
22. Sonatina a seis – II. Saudoso
23. Sonatina a seis – III. Ritmado

Sexteto do Rio
Celso Woltzenlogel,flauta
Paolo Nardi, oboé
Kleber Veiga, oboé
José Cardoso Botelho, clarineta
Noel Devos, fagote
Zdenek Svab, trompa
Heitor Alimonda, piano

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…Mas comente… escreva-me umas linhas amigas…

Bisnaga

Alfred Schnittke (1934-1998) – The Pianos Concertos nos. 1 – 3

Um CD fenomenal para quem gosta de música contemporânea. Alfred Schnittke é daquelas grandes personalidades da música. Quem o escuta, pode, lá no fundo, ouvir ressonâncias da música de Shostakovich. Seu poli-estilismo pode levar para qualquer parte. Conhecer a sua personalidade é presenciar refletida a imagem do compositor que era das mais complexas. Sua música possui matizes curiosos, o que não nos permite colocá-lo em determinada escola. Schnittke é múltiplo. Este CD é excelente. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Alfred Schnittke (1934-1998) –  The Pianos Concertos nos. 1 – 3

Piano Concerto
01. I. Allegro
02. II. Andante
03. III. Allegro

Concerto for Piano and String Orchestra

04. Concerto for Piano and String Orchestra

Concerto for Piano 4-hands and Chamber Orchestra
05. Concerto for Piano 4-hands and Chamber Orchestra

Rundfunk-Sinfonieorchester
Frank Strobel, regente
Ewa Kupiec, piano
Maria Lettberg, piano

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Carlinus

.: interlúdio :. Bardet-Valentini-Vollenweider: Poesie und Musik (1977) – uma abordagem 'kabarettiana' à poesia de Heinrich Heine (1797-1856) – REVALIDADO

http://i50.tinypic.com/242ubgy.jpgNos comentários à recente postagem do Carlinus da Ópera dos três vinténs de Weill/Brecht, mencionei o gênero artístico conhecido como Kabarett em alemão: “não tem nada a ver com o que nós chamamos de cabaré, e está realmente mais próximo da origem da palavra, o italiano camaretto – ‘quartinho’ ou ‘salãozinho’, porém aqui mais no sentido de ‘um pequeno espetáculo de câmara’. Geralmente se trata de um pianista e um cantor/ator ou cantora/atriz desenvolvendo num pequeno palco um espetáculo de texto cantado e/ou falado com tom fortemente político”.

Essa conversa me deu vontade de compartilhar aqui este trabalho dos anos 70 que me parece a junção de palavra falada e música instrumental mais bem resolvida que já vi (vocês sabem: é uma combinação que com muita facilidade fica brega. Aqui ficou qualquer coisa menos isso).

Não se trata literalmente de Kabarett, no sentido de se valer de um piano: são três multi-instrumentistas que compuseram todo o conjunto de 1974 a 77 em trabalho coletivo (fato a que dão destaque na capa, por evidente motivação política): Andreas Vollenweider (harpista que depois ficaria famoso com trabalhos bem menos críticos puxando para o ‘new age’), Orlando Valentini, e René Bardet – suíço que, além de tocar, dá voz a diversos poemas do romântico alemão Heinrich Heine, numa interpretação falada tão expressiva que não deixa de tocar mesmo quem não entende uma palavra de alemão.

Só não se deixem enganar pela palavra ‘romântico’, pois do mesmo modo que ‘cabaré’ isso pode significar uma coisa bem diferente no espaço cultural germânico: trata-se de poesia fortemente crítica sobre a exploração econômica, a religião e a política a serviço dessa exploração, a convencionalidade social burguesa inclusive quanto a sexo (‘a flor não pergunta à borboleta: você já não andou borboleteando em torno de outra ?’), variando da sátira impiedosa à indignação candente – porém também com uma profunda devoção pela vida, a que Bardet, com sua voz tantas vezes áspera, consegue dar expressão com contida porém infinita ternura: liebes Leben, ‘minha cara vida…’

Fiquei muitos anos sem ouvir isso depois que o meu velho cassete ‘furou’, mas recentemente encontrei ripado do vinil em dois arquivos: lado A e lado B. Não cabe detalhar as faixas aqui: vocês encontram isso no encarte (totalmente home made em tempos pré-informatização, vocês vão ver; ao que parece até mimeografado). E quem quiser os textos completos pode garimpá-los neste site ligado à Universidade de Trier: Heinrich Heine Portal.

Espero que apreciem!

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Ranulfus
postagem original em 26.06.2010

Música de Câmara do Brasil (1981) – José Siqueira, Guerra Peixe, Camargo Guarnieri, Francisco Mignone, Henrique de Curitiba, Mauro Rocha e Heitor Alimonda [link atualizado 2017]

BOM, MUITO BOM !!!

Música de Câmara do Brasil é um álbum todo ele moderno, de vanguarda, como bem representa a sua capa com um d’Os Bichos, obra-mestra da artista plástica neoconcretista Lygia Clark (1920-1988). As peças são todas de compositores brasileiros de primeiríssimo time também contemporâneos e que estavam, no ano dessa gravação (1981), em plena atividade, executadas pelo Trio Morozowicz, Botelho, Devos com grande qualidade e sagacidade.

Eu poderia falar uma pouco mais do discão, mas o texto da contracapa é muito mais detalhista (e capaz) que o que eu poderia escrever neste espaço:

Bela montagem, a deste disco, in­tercalando, entre obras executadas pelo trio de sopros, peças solistas para cada um dos instrumentistas que, individual­mente, confirmam a alta qualidade de suas interpretações conjuntas. Norton Morozowicz, Jose Botelho e Noel Devos são três de nossos mais destacados músicos, com uma larga folha de serviços prestados a divulgação do repertório in­ternacional e do brasileiro. Os três ins­trumentos – flauta, clarineta, fagote — tem amplos recursos expressivos, que compensam largamente a relativa estreiteza de seu âmbito dinâmico. Da alqui­mia de suas vozes resulta harmonioso conjunto, onde as peculiaridades indi­viduais se fundam num todo maior.
O primeiro lado [faixas 01 a 09] reúne quatro dos expoentes da corrente nacionalista. Dois deles (Camargo Guarnieri e Francisco Mignone) foram diretamente influencia­dos pela pregação de Mario de Andrade, a quem os ligou amizade e reconheci­mento que os anos passados não desva­necem. A influência de Mario marcou também fundo a obra de Guerra-Peixe, embora não ligado pessoalmente ao autor de Macunaíma. Nos quatro músicos, um caminhar inicial análogo na formação musical, passando pela escola pra­tica dos conjuntos populares. O ideal nacionalista, antes mesmo de sua sistematização por Mario, fora posto em pratica por Villa-Lobos com vigor muito major que o de seus predecessores. Bem relacionado, espirito irrequieto, amigo das viagens, voltado para o mundo e para o mercado externo. Villa-Lobos funcionou como grande desbravador, polarizando a celeuma sobre a música brasileira em torno de sou nom. Quan­do aqueles quatro músicos começaram a produzir, encontraram o caminho por assim dizer aberto, e ficaram, de certo modo, com o ônus de serem vistos co­mo continuadores — o que foi recentemente observado por Maria Abreu, em programa de televisão, com relação a Camargo Guarnieri. Todos eles são, porém, personalidades originais, que vi­venciam diferentemente a problemática envolvida pela estética nacionalista através de suas próprias experiências e sensibilidades.
O segundo lado deste disco [faixas 10 a 16] reúne compositores mais recentes, menos ligados a problemática nacionalista. Mau­ro Rocha foi uma esperança: morto no inicio de 1980 em acidente automobilístico, aos 30 anos, destacou-se como violonista e arranjador ligado a música popular, com seu excelente conjunto de choro Galo o Preto. Abandonando a medi­cina para dedicar-se inteiramente a música, estudou com Esther Scliar, e fez cursos com Marlos Nobre, Koellreutter, Widmer, Rufo Herrera. É curioso, con­siderada sua ligacao com música popu­lar, observar que sua biografia não in­dica, a meu conhecimento, nenhum pro­fessor ligado ao nacionalismo. Já Henrique de Curitiba passou do ensino de Bento Mossurunga para o de Koellreut­ter, aperfeiçoando-se depois em Varsóvia, e divide atualmente seu tempo entre a composição e o ensino. Heitor Ali­monda, doze anos mais velho que o precedente, é, sobretudo, o pianista e o didata: boa parte de sua obra resulta de suas preocupações como professor de piano, muito embora ele também crie outras com preocupação apenas artística.
O Trio de Guerra-Peixe é breve, in­cisivo, vivaz em seus movimentos de dança. A maior extensão do terceiro movimento justifica-se polo andamento moderato, lírico e envolvente, onde a vivacidade rítmica continua presente, porém, em particular nos suspiros inter­rompidos do fagote; José Siqueira prefere chamar sua obra de Três invenções — de um espirito diferente daquele do autor das Bachia­nas. As 5 Peças breves de Heitor Ali­monda retomam a clássica independência do texto musical com relação aos instrumentos que o executarão. Outro poderia ser o conjunto, inclusive o trio de cordas; mas as diferenças tímbricas desse trio de sopros ajudam a realçar os movimentos de cada frase musical.
Henrique de Curitiba é mais ambi­cioso — e se me estendo mais sobre sua obra, é em função de observações acrescentadas pelo autor da partitura. Seu Estudo é aberto em vários níveis. Ele quer que os intérpretes abandonem a tradicional posição sentada; com a fina­lidade de “explorar o efeito estereofôni­co que se possa conseguir com ativação variada das três fontes sonoras. A movimentação dos músicos (…) deve pro­porcionar uma nova experiência de comunicação corporal com o público (…) além dos aspectos interpretativos pura­mente musicais”. Na realidade, o disco tem contribuído para acentuar a ideia de “música pura” — e, o que é pior, “sem erros”, pois, em principio, a gravação não toleraria as falhas dificilmente evitáveis em concerto. Mesmo na música para “instrumentistas sentados” e “inteiramente escritas”, é, porem, flagrante a diferença de comunicação dos músicos com o ouvinte, se este está em sua pol­trona tomando seu uísque ou numa sa­la de concertos vivendo com outros ou­vintes as emoções que só o momento de recriação do interprete pode suscitar. Não se pode esperar de um pianista que passeie de um lado para outro com seu Steinway, tocando uma sonata de Beethoven; mas, certamente, as diferentes posições relativas dos executantes, consideradas as acústicas das diferentes salas, podem trazer novas dimensões para a execução ao vivo, em obras que le­vem em conta aqueles fatores.
Henrique de Curitiba solicita também de seus intérpretes “a improvisação livre à maneira da música popular” em alguns dos trechos desse Estudo. E, en­fim, outra observação de grande interes­se: “o compositor experimenta ainda com a grafia musical convencional, ten­tando uma grafia rítmica das figurações musicais da música brasileira, adotando o conceito de tempos de duração desi­gual dentro de um mesmo compasso, evitando assim uma escrita do tipo sin­copado, com metro regular, a qual não traduz bem o balanço da música brasi­leira”. O Pe. Jose Geraldo de Souza já tinha observado, em obra sobre as características de nossa música folclórica, o caráter bem mais fluido do sincopado popular que o que pode ser dado pela “sincope característica” sistematizada, um tanto abusivamente, pela forma: semicolcheia, colcheia, semicolcheia; colcheia, colcheia; é de se salientar que nesse erro, não incidiram nossos melho­res autores, que buscaram outras for­mas de grafar a sincopado popular.
As diferenças que marcam os qua­tro trios encontram-se, também, em pelo menos duas das obras solistas. Mignone passeia livremente, liricamen­te, em sua valsa sem caráter, pelo espaço melódico do fagote. O caráter geral descendente da melodia mantem-se nas três partes dessa obra, a última das quais abre-se para um esplendoroso modo maior, bem dentro da tradição, e acaba com um irônico abaixamento de tom na repetição de um motivo. Já Camargo Guarnieri tem uma preocupação ascen­dente, tensionante, como se quisesse romper com os limites sonoros da flau­ta, fazendo-nos ouvir notas além, mais para o agudo, daquelas que o instrumen­to pode dar. O espaço sonoro é aberto, tanto através de grandes saltos, como por meio de sua ampliação sucessiva a partir de um tom, e os momentos de li­rismo ficam, em geral, com os registros médio e grave do instrumento. Em Mau­ro Rocha, está também presente uma certa tensão, obtida, porem, sobretudo pelo uso de material sonoro ainda não assimilado pela audição corrente. (Flavio Silva)

Um disco de música inteligente, difícil, complexa e brasileiríssima. Vale muito a pena conhecer!

Trio Morozowicz, Botelho, Devos
Música de Câmara do Brasil

César Guerra Peixe (1914-1993)
01. Trio nº2 – I. Allegretto (polca)
02. Trio nº2 – II. Allegro Vivace (dança dos caboclinhos)
03. Trio nº2 – III. Moderato (canção)
04. Trio nº2 – IV. Allegro (frevo)
Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993)
05. Improviso nº3 para flauta solo
José Siqueira (1907-1985)
06. Três Invenções, para flauta, clarinete e fagote – I. Allegro
07. Três Invenções, para flauta, clarinete e fagote – II. Andante
08. Três Invenções, para flauta, clarinete e fagote – III. Moderato
Francisco Mignone (1897-1986)
09. Macunaíma, valsa sem caráter
Henrique de Curitiba (1934-2008)
10. Estudo Aberto, para flauta clarinete e fagote
Mauro Rocha (1950-1980)
11. Variações para clarinete solo
Heitor Alimonda (1922-2002)
12. Cinco Peças Breves para Três Instrumentos Melódicos – I. Andante Cantabile
13. Cinco Peças Breves para Três Instrumentos Melódicos – II. Allegro molto
14. Cinco Peças Breves para Três Instrumentos Melódicos – III. Andante movido, porém monótono
15. Cinco Peças Breves para Três Instrumentos Melódicos – IV. Molto allegro
16. Cinco Peças Breves para Três Instrumentos Melódicos – V. Lento – Andante

Norton Morozowicz, flauta
José Botelho, clarinete
Noel Devos, fagote
Rio de Janeiro, 1981

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…Mas comente… O álbum é tão bom, merece umas palavrinhas…

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Bisnaga

Obrigado, Shostakovich

Publicado hoje no blog de Al Reiffer, O Fim, um notável texto de alguém que efetivamente compreende Shosta.


Em 25 de setembro de 1906, nascia, em São Petersburgo, Rússia, o genial compositor Dmitri Shostakovich (1906-1975). O texto a seguir não conta a história de Shostakovich, não trata de sua vida, não é uma análise, não é uma dissertação. É um agradecimento em forma de uma humilde homenagem a um dos meus compositores favoritos. Portanto, é um texto altamente subjetivo, é uma forma de expressar a minha visão da obra daquele que considero como o maior compositor nascido no século XX.

Obrigado, Shostakovich, por mostrar ao homem do século XX o que o homem do século XX era. E ainda é. Porque o agora é o fruto do século XX. Obrigado por colocar a humanidade em seu devido lugar. Obrigado por não sonhar, mas ter pesadelos. Por dizer à tua época, à nossa época, a todas as épocas aquilo que cada uma das épocas não gostaria de ouvir. Obrigado pela verdade quase palpável da tua música. Pela expressão do teu mundo que indicou o caminho que a humanidade seguiria nos anos presentes e subsequentes.  

Obrigado, Shostakovich, por não ter piedade ou sentimentalismos. Obrigado, por desnudar o ser humano sem misericórdia, por retirar o ranço de todas as suas máscaras, das suas falsidades, hipocrisias e mentiras. Obrigado por devastar nossos ouvidos com a imensidão da miséria humana. E por debochar, ridicularizar, fazer escárnio, escracho de toda a vergonha desses ideais falhos que ainda insistem em apregoar que nos levarão a algum lugar, que atingirão algum substancial objetivo. Obrigado pela força apocalíptica do teu pessimismo. Pelo teu cuspe na cara do homem. Do homem da riqueza e da empresa. Do homem da guerra e da política. Do homem do nada e da desgraça.

Obrigado, Shostakovich, pela gravidade tensa e ao mesmo tempo sarcástica da forma como nos revelaste. Obrigado pelo teu pesar rítmico sem freios e sem meio-termos. Pela tua obsessão nervosa em expressar o caos e a loucura, a desesperança e a fatalidade. Aquilo que persistem em negar. Em esconder. Em esquecer. Obrigado pela coragem da tua obra. Pela fúria dos teus compassos.  Pela sombra das tuas notas densas. Pelo áspero tom de nunca que atravessa as ondas do teu tempestuoso mar.

Obrigado, Shostakovich, pelo teu mistério. Pela névoa aflita das tuas florestas noturnas. Pela morte que paira em cada canto das tuas funerárias partituras que nunca cedem. Pelo agouro de entre céus nublados. Pelo desconhecido que falou através de ti. Talvez sem mesmo tu conheceres. Pelo grito insano entre risos e ânsias que preenche a treva dos tempos. Obrigado pela tua angústia frente à existência.

E obrigado por venceres. Por te ergueres assustador e invencível diante do vazio humano. E, obrigado, com tua sombria vitória, por teres desvendado nossa essência. E o nosso ego. Eu te agradeço, amigo, pela companhia, pela catarse, pela compreensão. Obrigado, Shostakovich.

Saint Preux (Christian Langlade, 1950) – Concerto para uma Voz [link atualizado 2017]

Continuo nas terças naquela vibe bockbuster e dessa vez creio que estou postando o álbum mais pop desde que comecei a fazer parte desta seleta equipe do P.Q.P.Bach…

Hoje temos nada mais, nada menos que o belíssimo Concerto para uma Voz de Saint Preux.

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A peça título é famosíssima! Quem viveu nos anos 70 com certeza já a ouviu à exaustão (e nem é meu caso, nasci tempos depois), tal foi o grau de popularidade que alcançou. E ela foi composta quando Christian Langlade (olha ele aí ao lado, numa foto recente), que adotou o pseudônimo de Saint Preux (Santo Valente, numa tradução livre), contava com apenas 19 anos…

Acredito que essa peça dispense maiores comentários e, por isso essa postagem acabará curtinha. É também, o Concerto para Uma Voz, a razão de existir deste CD, que é todo gracioso: as outras faixas, todas composições de Saint Preux, são também muito bonitas (especialmente o Divertissement e o Concerto pour Elle) e bastante simples, palatáveis até para os os que não estão tão familiarizados com música erudita/instrumental. As obras de Langlade são, em geral, sencilhas, sem grandes problemas para o cérebro resolver, sem grandes complicações, e também muito leves. São daquelas coisas para se ouvir de manhã, junto a um bom café, num dia preguiçoso de luz farta e plácida, suave…

Ouça, ouça!

Saint Preux (1950)
Concerto para Uma Voz (1969)

01. Concerto pour une Voix
02. Prélude pour Piano
03. Allégresse
04. Le Theme du Garçon
05. L’Archipell du souvenir
06. Toccatta
07. Divertissement
08. La Recontre
09. La Reve
10. La Départ
11. La Fête Triste
12. Concerto pour Piano
13. Impromptu
14. Adagio pour Violin
15. Concerto pour Elle
16. Impressions

Laurence Janot, soprano (faixa 01)
Danielle Licari, soprano (faixa 15)
Orquestra não identificada
Saint Preux, regência
1991 (CD)

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Bisnaga

Alice Ribeiro – Oito Canções Populares Brasileiras – José Siqueira (1907-1985) e Hekel Tavares (1896-1969) [link atualizado 2017]

A bela Alice Ribeiro nos brinda mais uma vez com sua límpida voz, agora pela sétima vez no P.Q.P.Bach (tem as outras seis postagens aqui, ó). Gente competente volta sempre, e como ela gravou uma boa quantidade de LPs, vira e mexe podemos disponibilizar algo para nossos seletíssimos usuários-ouvintes.

Sabe aqueles álbuns que são todo-bonitinhos? É bem a característica deste aqui, com Oito Canções Populares Brasileiras. Tem um ar bucólico, com canções realmente populares, que mostram muito da cultura do Brasil, dos cânticos mais introjetados em nossas tradições, de seu formato, vocabulário e fraseado tão característicos. Belo. folclórico, até.

Alice Ribeiro, acompanhada por Murillo Santos ao piano, dota o disco desse ar simples, agreste. Abaixo colei uma pequena biografia da soprano:

Alice Ribeiro (1920-1988) nasceu no Rio de Janeiro. Começou seus estudos de teoria musical e de piano com José Siqueira. Já o estudo de canto foi com Stella Guerra Duval e Murillo de Carvalho. Durante sua longa permanência na Europa frequentou o curso de alta interpretação da música francesa e alemã, com Pierre Bernac; a classe de Mise-en-scène, com Paul Cabanel, no Conservatório de Paris. Estudou repertório de música espanhola com Salvador Bacarisse.
Venceu concurso nacional de canto em 1936, com apenas 16 anos, realizando, desde então, inúmeras turnês nacionais e internacionais, particularmente nos Estados Unidos, França e nos países do leste europeu, notadamente na União Soviética. No Brasil, atuou como solista das Orquestras Sinfônicas do Recife, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Distrito Federal, sob regência de Eugen Szenkar, Eric Kleiber, Hacha Horeinstein, Edoardo de Guarnieri, José Siqueira e outros (retirado de encarte do LP Alice Ribeiro na canção do Brasil).
Foi sucessora de Luis Cosme na cadeira nº 8 da Academia Brasileira de Música.

Ah, agradecimentos re-reiterados e mais que especiais ao maestro Harry Crowl, que nos cedeu essa pérola!

O disco é lindo! Ouça, ouça, ouça!

Alice Ribeiro (1920-1989)
Oito Canções Populares Brasileiras

Leopoldo Hekel Tavares (1896-1969), arr. José Siqueira (1907-1985)
01. Benedito Pretinho
José Siqueira (1907-1985)
02. Vadeia, Cabocolinho
03. Loanda
04. Maracatu
Domínio popular, arr. José Siqueira (1907-1985)
05. Foi numa noite calmosa
06. Nesta rua
07. Dança do sapo
08. Natiô

Alice Ribeiro, soprano
Murillo Santos, piano
1958

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Bisnaga

Carl Orff (1895-1982) – Carmina Burana (Ozawa) [link atualizado 2017]

MUITO BOM !!!

Dando continuidade à minha fase blockbuster, disponibilizo esta vibrante edição da Carmina Burana de Carl Orff. Coisa adorável.

E Orff tem um aspecto que me é encantador: ele tinha uma capacidade sobre-humana de produzir músicas cativantes e imponentes usando-se de uma estrutura melódica extremamente simples e por muitas vezes até repetitiva (aliás, seu método de ensino de música baseava-se na repetição dos sons). Por exemplo, quando usa seis vozes no coro, faz com que as melodias sejam iguais para pares de naipes (sopranos e tenores, mezzo-sopranos e barítonos, contraltos e baixos), transformando-a, na prática, numa música a três vozes, porém, o efeito das vozes pareadas em oitavas vizinhas dota a melodia de grande profundidade e peso. Outra característica muito comum são os temas musicais repetidos várias vezes de forma igual e depois apenas alterando-se a tonalidade, subindo dois ou quatro tons ou uma oitava no trecho subsequente.

No entanto, ao mesmo tempo em que ele trabalha com fórmulas e composições simples, consegue efeitos orquestrais arrebatadores. Não à toa a faixa que inicia e arremata a peça, “O Fortuna”, é uma das músicas de concerto mais conhecidas em todo o globo, tal é seu impacto sobre nossos preciosos ouvidos. Carl Orff é daquelas provas cabais que não é preciso fazer música complicada para se produzir algo realmente fenomenal (deixo claro aqui que isso não exclui que eu goste demais de Bach, Mozart, Villa-Lobos e todos esses que faziam coisas complexas e desafiadoras para a mente): com toda a sua limpeza melódica, produziu esta grande e afortunada obra! Grande Orff!

Achei interessante e bastante explicativo o texto do encarte e o colei aqui:

“Minha coletânea de minhas obras começa com Carmina Burana”. Com estas palavras, Carl Orff caracterizou a posição da primeira obra inquestionavelmente de sua lavra, em seu desenvolvimento estilístico. Carmina Burana estreou em Frankfurt, em 1937, sob a regência de Oskar Waelterlin. Orff contava então 42 anos — um compositor de desenvolvimento tardio, que só logrou alcançar um estilo próprio, claro como uma gema, após várias incursões pelo Romantismo, Impressionismo, e o estudo imitativo das primeiras óperas barrocas de Monteverdi. Carmina Burana significa Canções de Benediktbeuern. Em meio à secularização de 1803, um rolo de pergaminho com cerca de duzentos poemas e canções medievais, foi encontrado na biblioteca da antiga Abadia de Benediktbeuern, na Alta Baviera. Havia poemas dos monges e dos eruditos viajantes em latim medieval; versos no vernáculo do alemão da Alta Idade Média, e pinceladas de frâncico. O erudito de dialetos da Baviera, Johann Andreas Schmeller, editou a coleção em 1847, sob o título de Carmina Burana. Carl Orff, filho de uma antiga família de eruditos e militares de Munique, ainda muito novo familiarizou-se com esse códice de poesia medieval. Ele arranjou alguns dos poemas em um “happening” — as “Cantiones profanae cantoribus et choris cantandae comitantibus instrumentis atque imaginibus magicis” — de canções seculares para solistas e coros, acompanhados por instrumentos de imagens mágicas. A obra aqui já é vista no sentido do teatro musical de Orff, como um lugar de magia, da busca de cultos e de símbolos. Esta cantata cênica é emoldurada por um símbolo de antiguidade — o conceito da roda-da-fortuna, em m3vimento perpétuo, trazendo alternadamente sorte e azar. Ela é uma parábola da vida humana, exposta a constantes transformações. Assim sendo, a dedicatória coral à Deusa da Fortuna (“O Fortuna, velut luna”), tanto introduz como conclui as canções seculares. Esse “happening” simbólico, sombreado por uma Sorte obscura, divide-se em três seções: o encontro do Homem com a Natureza, particularmente com o despertar da Natureza na primavera (“Vens leta facies”), seu encontro com os dons da Natureza, culminando com o do vinho (“In taberna”); e seu encontro com o Amor (“Amor volat undique”), como espelhado em “Cour d’amours” na velha tradição francesa ou burgúndia — uma forma de serviço cavalheiresco às damas e ao amor. A invocação da Natureza — o objeto da primeira seção — desemboca em campos verdes onde raparigas estão dançando e as pessoas cantando em vernáculo. As cenas festivas de libação desenrolam-se entre desinibidos monges, para quem um cisne assado parece ser um antegozo do Shangri-La, e entre barulhentos eruditos viajantes que louvam o sentido impetuoso da vida na juventude. Após muitos anos de experiência e deliberação, os Carmina Burana resultaram na primeira testemunha válida do estilo de Orff. Eles caracterizam-se por seu ritmo fortemente penetrante, comprimido em grandes ostinatos pelo som mágico da inovadora orquestração, e pela brilhante claridade da harmonia diatônica. Os recursos estilísticos utilizados são de espantosa simplicidade. A forma básica é a canção estrófica com uma melodia diatônica, como é hábito na música popular. Ao invés da harmonia extensivamente cromática do romantismo tardio, temos melodias claramente definidas, que levaram algumas vezes a uma errônea acusação de primitivismo. As canções estróficas reportam-se a formas medievais como a litania, baseada em uma série mais ou menos variada de curvas melódicas, cada uma correspondendo a uma linha de verso, e à forma sequencial, caracterizada por uma repetição progressiva de várias sequências de melodias. Os melodismos, particularmente nos recitativos, são reminiscências do cantochão gregoriano. Onde temos passagens líricas, fortemente emocionais, como por exemplo nos dois solos para soprano sobre textos latinos, e melodias mais anosas, no sentido operístico. A escritura coral é predominantemente declamatória. Os grupos instrumentais individuais são comprimidos em amplas massas tratadas na forma coral; somente as peculiares madeiras são ouvidas em solo, particularmente nas duas danças em que antigos ritmos e árias alemães são tratados no estilo peculiar de Orff. A percussão, reforçada por pianos, acentua o élan da partitura. A gama expressiva de Carmina Burana estende-se da terna poesia do amor e da natureza, e da elegância burgúndia de uma “Cour d’amours”, ao entusiasmo agressivo (“ln taberna”), efervescente joie de vivre (o solo de barítono “Estuans interius”), e à força devastadora do coro da Fortuna cercando o todo. O latim medieval da canção dos viajantes eruditos é penetrado pela antiga concepção de que a vida humana está submetida aos caprichos da roda-da-fortuna, e que a Natureza, o Amor, a Beleza, o Vinho e a exuberância da vida estão à mercê da eterna lei da mutabilidade. O homem é visto sob uma luz dura, não sentimental; como o joguete de forças impenetráveis e misteriosas. Esse ponto-de-vista é plenamente característico da atitude anti-romântica da obra.

Esta gravação é uma que muito me agradou (e outra daquelas que existem aos milhares e que eu não conheço tantas assim): orquestra e coro estão muito equilibrados (explico: é muito comum orquestra encobrir o coro nessa peça ou vice-versa: aqui isso não acontece), os solistas são de primeira linha (ainda que alguns glissandos que a Edita Gruberova produz me incomodem de leve), grandes estrelas, mesmo e, por fim, a regência de Seiji Osawa é peituda: a música sai com força, peso, volúpia! É mesmo arrebatadora, encantadora, eloquente!

Bom, que dizer mais depois disso? SEN-SA-CIO-NAL. Ouça! Ouça!

CARL ORFF (1895-1982)
Carmina Burana – Cantiones profanae

Fortuna Imperatrix Mundi
…01. O Fortuna
…02. Fortune plango vulnera
I. Primo vere
…03. Veris leta facies
…04. Omnia Sol temperat
…05. Ecce gratum
Uf dem Anger
…06. Dança
…07. Floret silva nobilis
…08. Chramer, gip die varwe mir
…09. Swaz hie gat umbe – Chume, chum geselle min
…10. Were diu werlt alle min
II. ln Taberna
…11. Estuans interius
…12. Olim lacus colueram
…13. Ego sum abbas
…14. In taberna quando sumus
Ill. Cour d’amours
…15. Amor volat undique
…16. Dies, nox et omnia
…17. Stetit puella
…18. Circa mea pectora
…19. Si puer cum puellula
…20. Veni, veni, venias
…21. In trutina
…22. Tempus est iocundum
…23. Dulcissime
Blanziflor et Helena
…24. Ave formosissima
Fortuna Imperatrix Mundi
…25. O Fortuna

Edita Gruberova, soprano
John Aler, tenor
Thomas Hampson, barítono
Coro Shinyukai
Shin Sekiya, regente do coro
Knabenchor des Staats – Und Domchores Berlin
Christian Grube, regente do coro
Filarmônica de Berlim
Seiji Ozawa, regente
Berlim, junho de 1988

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (225Mb)
…Mas comente… O álbum é tão bom, merece umas belas palavrinhas…

Bisnaga

J.S. Bach (1685-1750): Fantasia and Fugue in A minor; Aria Variata; Sonata in D major; Suite in F minor

Tudo o que é bom um dia acaba. Este é o último CD que FDP Bach me enviou naquele lendário pen drive. Há mais umas coisinhas, mas estas não são Hewitt + Bach. Acho que vale a pena ouvir, reouvir e guardar toda a coleção. Tenho profundo amor por aquele Adagio avulso e que leva o BWV 968. A interpretação de Hewitt é surpreendentemente diferente de todas as que tinha ouviado até hoje. Gosto muito também da Aria Variata. Divirtam-se.

J.S. Bach (1685-1750): Fantasia and Fugue in A minor; Aria Variata; Sonata in D major; Suite in F minor

1. Fantasia and Fugue, for keyboard in A minor, BWV 904 (BC L136): Fantasia
2. Fantasia and Fugue, for keyboard in A minor, BWV 904 (BC L136): Fugue
3. Aria variata, for keyboard in A minor (‘In the Italian Style’), BWV 989 (BC L179): Aria
4. Aria variata, for keyboard in A minor (‘In the Italian Style’), BWV 989 (BC L179): Variation I
5. Aria variata, for keyboard in A minor (‘In the Italian Style’), BWV 989 (BC L179): Variation II
6. Aria variata, for keyboard in A minor (‘In the Italian Style’), BWV 989 (BC L179): Variation III
7. Aria variata, for keyboard in A minor (‘In the Italian Style’), BWV 989 (BC L179): Variation IV
8. Aria variata, for keyboard in A minor (‘In the Italian Style’), BWV 989 (BC L179): Variation V
9. Aria variata, for keyboard in A minor (‘In the Italian Style’), BWV 989 (BC L179): Variation VI
10. Aria variata, for keyboard in A minor (‘In the Italian Style’), BWV 989 (BC L179): Variation VII
11. Aria variata, for keyboard in A minor (‘In the Italian Style’), BWV 989 (BC L179): Variation VIII
12. Aria variata, for keyboard in A minor (‘In the Italian Style’), BWV 989 (BC L179): Variation IX
13. Aria variata, for keyboard in A minor (‘In the Italian Style’), BWV 989 (BC L179): Variation X
14. Sonata for keyboard in D major, BWV 963 (BC L182): First Movement
15. Sonata for keyboard in D major, BWV 963 (BC L182): Second Movement
16. Sonata for keyboard in D major, BWV 963 (BC L182): Fugue
17. Sonata for keyboard in D major, BWV 963 (BC L182): Adagio
18. Sonata for keyboard in D major, BWV 963 (BC L182): Thema all’ imitatio Gallina Cuccu
19. Suite for keyboard in A major, BWV 832 (BC L174): Allemande
20. Suite for keyboard in A major, BWV 832 (BC L174): Air pour les trompettes
21. Suite for keyboard in A major, BWV 832 (BC L174): Sarabande
22. Suite for keyboard in A major, BWV 832 (BC L174): Gigue
23. Suite for keyboard in F minor (fragment), BWV 823 (BC L167): Sarabande en Rondeau
24. Suite for keyboard in F minor (fragment), BWV 823 (BC L167): Gigue
25. Adagio, for keyboard in G major, BWV 968 (BC L185)
26. Fantasia and Fugue, for keyboard in A minor, BWV 944 (BC L135): Fantasia
27. Fantasia and Fugue, for keyboard in A minor, BWV 944 (BC L135): Fugue

Angela Hewitt, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

PQP

Níver e Doodle de Clara Schumann hoje!

Hoje homenageio Clara Schumann (1819-1896), pianista e compositora alemã do período romântico que faz aniversário hoje e é o Doodle do dia.

Seu pai, Friedrich Wieck, era professor de piano e foi com ele que a Clara começou seu aprendizado do instrumento. Era uma família de pianistas: a mãe, Marianne, era famosa concertista. Quando Clara tinha 4 anos, seus pais se divorciaram. Friedrich recebeu a custódia da filha e, um ano depois, começou a ensinar-lhe o instrumento. A partir dos 13 anos, ela já apresentava-se em concertos por toda a Europa. Destacava-se por suas interpretações de outros românticos da época, como Chopin e Weber. Ainda adolescente, compôs o Concerto para piano em lá menor, estreado por ela sob a regência de Felix Mendelssohn. Um merecido sucesso.

Foi neste período que conheceu Robert Schumann, nove anos mais velho, na época aluno de seu pai. Apaixonou-se por ele. Ao tomar conhecimento da ligação da filha com Robert, o velho Wieck ficou furioso, pois Schumann tinha problemas com bebida, fumo e era suscetível a crises depressivas. Assim sendo, foi contra o pai que Clara travou sua primeira batalha. Por fim, obteve autorização judicial para casar-se com quem quisesse, mas só após completar 21 anos.

Depois do casamento, Clara e Robert iniciaram longa colaboração, ele compondo e ela interpretando e divulgando a obra do marido. Clara seguia compondo, mas a vida em comum tornava pouco a pouco inviável tal atividade, pois, apesar de Schumann aparentemente encorajar sua criação musical, cada vez mais insistia para que ela interpretasse suas obras, o que a obrigava a deixar de lado sua carreira de compositora. Ademais, houve oito gestações com pequenos intervalos. A situação era agravada por outras diferenças: Clara adorava turnês, Robert as odiava; mais: ele precisava de silêncio e tranqüilidade para trabalhar em sua obra “maior e mais importante”, o que levava Clara novamente a um segundo plano, pois somente após as horas e horas de estudos do marido ela poderia ter as suas.

Outro problema eram as constantes crises nervosas do marido, que lentamemte fizeram Clara assumir o sustento familiar. Quando Schumann entrou em crise depressiva crônica, a família viu-se obrigada a interná-lo num manicômio, onde ficou até a morte, dois anos depois. Após 14 anos de casamento, Clara ficou sozinha com os filhos, tendo que dar aulas e apresentações para garantir o necessário à família.

Compreensivelmente, a partir daí, Clara ficou livre para compor, dar concertos e sua carreira reacendeu-se. A amizade com Johannes Brahms – quatorze anos mais moço – foi o principal sustentáculo nesse período, o que deu margem a suposições de que os dois teriam um romance. Para aumentar os boatos, Brahms dizia ser celibatário, mas a visitava muito. Ela revisava as obras dele e dava-lhe sugestões. Ele fazia o mesmo com as obras de Clara. Foram anos de colaboração mútua, ainda mais que os dois artistas eram defensores de uma estética romântica ligada a padrões mais formais, em oposição a Wagner, Bruckner e Liszt, românticos mais escabelados. (À exceção do careca Bruckner, é claro.)

Era uma mulher considerada muito bonita por seus contemporâneos. Não se sabe de nenhum outro caso amoroso posterior ao casamento com Schumann, além do suposto com Brahms. A amizade entre eles durou até o final da vida de Clara. Seus anos de maturidade foram marcados por uma brilhante carreira como professora e pelo reconhecimento como concertista.

Foi uma mulher extremamente digna, talentosa e de bela carreira num campo à sua época inteiramente masculino, que lembro neste dia.

Principais Obras:

Para piano:
Quatro polonesas, Op. 1 (1828-30)
Etudes (década de 1830)
Valses romantiques, Op. 4 (1833-35)
Quatro peças características, Op. 5 (1835-6)
Soirées musicales, Op. 6 (1835-6)
Scherzo em Dó menor, Op. 14 (1845)
Quatre pièces fugitives, Op. 15 (1845)

Para orquestra:
Concerto para piano em lá menor, Op. 7 (1835-6)
Scherzo para orquestra (1830-31,perdido)

Obras de câmara:
Piano Trio em Sol menor, Op. 17 (1846)

Lieder:
Volkslied (1840)
Die gute Nacht, die ich dir sage(1841)
Gedichte aus Rückert’s Liebesfrühling Op. 12 (1841)
Lorelei -poema musicado de Heine-(1843)
Oh weh des Scheidens, das er tat(1843)
Mein Stern (1846)
Das Veilchen –sobre poema de Goethe-(1853)

Fontes: Nem vou detalhar, pois se trata de uma série de textos decididamente ruins que encontrei na rede e que me obrigaram a reformas radicais e a todo cruzamento de informações. Era tanta coisa errada que nem pude dar a muita atenção ao que estava escrevendo. Meus amados livros de música? Esqueça, estão fora de ordem e não encontro nada.

PQP