Antonio Carlos Gomes (1836-1896): Óperas – (1) A Noite do Castelo [link atualizado 2017]

175 anos do nascimento de Antônio Carlos Gomes


Antes de mais nada, essa é IM-PER-Dí-VEL !!!

Bom, desejo a todos os nossos honrados usuários/frequentadores um maravilhoso 2012 e, para começar bem este Ano Novo, nada melhor que disponibilizarmos para vocês as óperas de Antônio Carlos Gomes.
E como é interessante manter uma ordem cronológica, pois se torna possível ver a evolução do compositor, vamos começar com a primeira ópera do mestre: A Noite do Castelo.
Aguardem: cada quinta-feira postaremos uma ópera de Nhô Tonico.

Carlos Gomes não compôs muitas óperas, não foi desses que faziam mais de uma peça dessa envergadura por ano. Em trinta anos, compôs apenas doze peças do gênero: oito óperas, três operetas (Se sa minga, Nella Luna e Telégrafo Elétrico) e um oratório (Colombo, que aqui incluiremos na categoria das óperas), ou seja, uma peça a cada 3 anos (tristemente, suas operetas e sua segunda ópera, Joanna de Flandres, nunca foram gravadas – me corrijam se eu estiver errado). Disso se depreende que Gomes levava tempo na composição, burilava as árias, as melodias, escolhia bons libretos.

A Noite do Castelo foi composta quando Carlos Gomes ainda era aluno do Conservatório da Academia de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Como já mostrava talento, a pequena Campinas não conseguiu segurá-lo e o rapaz já alçava voos mais altos, já estava na capital do país. Pelo que historiadores afirmam, Tonico era um aluno brilhante e se destacava dos demais.
Ele vinha buscando há algum tempo um texto que o possibilitasse escrever uma boa ópera. Quando tomou contato com o poema de Antônio Feliciano de Castilho, logo procurou um libreto para a composição, encontrando o de Antônio José Fernandes dos Reis. E, quando começou a escrever a peça, enviou uma carta para seu pai, confiante: “Meu bom pai. Escrevo esta só para não demorar uma boa notícia. Afinal tenho um libreto. Foi extraído do poema de Castillo – A Noite do Castelo. Hoje mesmo começo a trabalhar na composição da ópera, prepare-se portanto, para vir ao Rio de Janeiro em 1861. Saudades muitas às manas e aos manos, principalmente ao Juca, abençoe-me como a seu filho muito grato. Carlos.” Realmente, a ópera nacional, com texto em português, estrearia no ano previsto e teria um enorme êxito. Carlos Gomes estava tão convicto da qualidade de sua música e do sucesso que dedicou a peça ao Imperador Pedro II (S.M.I = Sua Majestade Imperial). Com essa ópera e a seguinte, Joanna de Flandres, encenda dois anos depois, foi laureado com a bolsa de estudos que o levou a Milão, o centro do mundo operístico de então.

Sobre a música, não tive a petulância de escrever, pois há um excelente texto do crítico Lauro Machado Coelho, sobre a ópera, que transcrevo abaixo:
A Noite do Castelo (…) estreou em 4 de setembro de 1861, no Teatro Lírico Fluminense. A história de Leonor – dividida entre a paixão por Fernando e a promessa de fidelidade a seu noivo, Henrique, que partiu para as Cruzadas e ela crê morto há tempos – foi cantada por Luiza Amat, Andrea Marchetti e Luigi Marina, sob a regência de Júlio José Nunes. A música é muito influenciada por Donizetti, Bellini e, principalmente, Verdi. É Marcello Conati quem observa:
“Era inevitável que, diante da sua primeira experiência teatral, antes mesmo de proceder à busca de uma linguagem pessoal, Carlos Gomes se baseasse em estruturas já consolidadas e no âmbito de um gosto amplamente compartilhado pela público brasileiro daquela época. Dessas estruturas e desse gosto, a ópera verdiana representava a fase estilística mais avançada; era, portanto, perfeitamente natural que Gomes se voltasse principalmente para Verdi e, a partir de seu estilo, tencionasse medir as possibilidades expressivas da língua brasileira.”
Luiz Guimarães Jr. menciona, no Perfil Biográfico que redigiu de Carlos Gomes em 1870, o entusiasmo com que, aos quinze anos, o rapaz descobriu a partitura do Trovatore. Ora, é justamente dessa ópera a influência mais forte que Conati identifica na Noite do Castello, mostrando como a imprecação de Leonor, no último ato, “oferece evidentes analogias com o início do trio do ato I do Trovatore”. Mas adverte:
“O que importa realmente destacar, para além de eventuais analogias temáticas, é a particular predisposição de Gomes, que permanecerá constante no decurso de sua atividade como operista, a dinamizar o discurso musical, conforme as exigências da ação cênica; o sentido de seu tributo a Verdi deve ser, pois, considerado nesses termos, de funcionalidade dramática, que quer prevalecer sobre toda e qualquer pesquisa de caráter estilístico ou, mais simplesmente, lingüístico.”
Já existe, portanto, em embrião, um talento teatral seguro, embora, de uma maneira geral, sejam pouco originais os resultados artísticos obtidos, mesmo porque os estudos de escrita vocal, feitos no Conservatório do Rio de Janeiro, a partir de 1860, com seu professor de Composição, o italiano Gioacchino Giannini, fazem com que Carlos Gomes seja desajeitado ao musicar um texto em português.

Carlos Gomes estava aprendendo: era sua primeira ópera e muito mais viria nos anos que se seguiram. Veja! Conheça-o!

Antonio Carlos Gomes (Campinas, 1836-Belém, 1896)
A Noite do Castelo (1861)
Libreto: Antônio José Fernandes dos Reis
Baseado no poema narrativo de Antônio Feliciano de Castilho

CD1
Ato I – 01 Abertura CD1
Ato I – 02 Viva Fernando
Ato I – 03 Era Alta Noite
Ato I – 04 Nestes Sítios que viram minha Infância
Ato I – 05 Em Sono Plácido
Ato I – 06 Exulta Orlando
Ato I – 07 Desde Crianças se Amaram Ternos
Ato I – 08 Ímpios os Laços
Ato II – 09 Prelúdio
Ato II – 10 Oh, Sim! Sofri Cruéis Saudades
CD2
Ato II – 11 Onde Iria o Fantasma Ocultar-se
Ato II – 12 Quem eu sou
Ato II – 13 Onde Iria o Fantasma Ocultar-se
Ato II – 14 Pois se Tu eras Finado
Ato III – 15 Prelúdio
Ato III – 16 Já do Fundo do Abismo
Ato III – 17 Sobre os Restos de Fernando
Ato III – 18 Tu Fernando que adorei por filho
Ato III – 19 Henrique, Henrique
Ato III – 20 Basta, Mulher
Ato III – 21 Tu que a mim desde criança

Leonor – Niza de Castro Tank, soprano
Conde Orlando, pai de Leonor – José Dainese, barítono
Henrique, marido de Leonor – Luis Tenaglia, tenor
Fernando – Alcides Acosta, tenor
Ignez – Lucia Pessagno, mezzo soprano
Raymundo, servo – José A. Marson, barítono
Pajem – Fernando J. C. Duarte, baixo
Roberto – Personagem mudo

Orquestra Sinfônica de Campinas
Coral da UNICAMP
Coral da USP
Benito Juarez, regente
Campinas, 14 de Setembro de 1978

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Ouça! Deleite-se!

Bisnaga

Jan Sibelius (1865-1957): Obras para Piano

Sibelius era um romântico tardio. Um romântico tardio bem esquisito do qual gosto muito. Meu primeiro contato com suas obras para piano foi um belo e pesado disco de vinil. O pianista era Glenn Gould. Somando-se esquisitice com esquisitice o resultado era excelente. Heinonen, o pianista deste CD, mantém o clima preferido do finlandês: uma sintaxe à princípio pouco convidativa, fria, mas gentil e cheia de surpresas. Eu gosto. Não são obras para serem ouvidas apenas uma vez, elas custam a convencer, mas convencem. Sibelius foi um cara fundamental para a independência da Finlândia, que ficava ora em mãos russas, ora em suecas. Sua música teve importante papel na formação da identidade nacional finlandesa. Tudo aqui é nacionalismo, cada nota, apesar do jeitão intimista do moço.

A seleção inclui a Sonata Op. 12, importante obra do Siba, e um arranjo para piano de Finlândia, a música mais famosa daquela parte fria e escura do mundo. E o que dizer da língua maluca que eles falam?

Jan Sibelius (1865-1957): Obras para Piano

1. Five Characteristic Impressions, Op. 103 – 1. The Village Church Eero Heinonen (piano) 3:31
2. Five Characteristic Impressions, Op. 103 – 2. The Fiddler Eero Heinonen (piano) 2:28
3. Five Characteristic Impressions, Op. 103 – 3. The Oarsman Eero Heinonen (piano) 2:26
4. Five Characteristic Impressions, Op. 103 – 4. The Storm Eero Heinonen (piano) 1:42
5. Five Characteristic Impressions, Op. 103 – 5. In Mournful Mood Eero Heinonen (piano) 2:04

6. Kyllikki (Drei lyrische Stücke für Pianoforte), Op. 41 – 1. Largamente Eero Heinonen (piano) 3:10
7. Kyllikki (Drei lyrische Stücke für Pianoforte), Op. 41 – 2. Andantino Eero Heinonen (piano) 4:47
8. Kyllikki (Drei lyrische Stücke für Pianoforte), Op. 41 – 3. Commodo Eero Heinonen (piano) 3:18

9. Viisi luonnosta (Five Esquisses), Op. 114 – 1. Maisema (Landscape) Eero Heinonen (piano) 2:58
10. Viisi luonnosta (Five Esquisses), Op. 114 – 2. Talvikuvia (Winter Scene) Eero Heinonen (piano) 2:09
11. Viisi luonnosta (Five Esquisses), Op. 114 – 3. Metsälampi (Forest Lake) Eero Heinonen (piano) 1:36
12. Viisi luonnosta (Five Esquisses), Op. 114 – 4. Metsälaulu (Song in the Forest) Eero Heinonen (piano) 2:27
13. Viisi luonnosta (Five Esquisses), Op. 114 – 5. Kevätnäky (Spring in Vision) Eero Heinonen (piano) 1:34

14. Sonata in F major, Op. 12 – I Allegro molto Eero Heinonen (piano) 6:41
15. Sonata in F major, Op. 12 – II Andantino Eero Heinonen (piano) 7:01
16. Sonata in F major, Op. 12 – III Allegro pochettino moderato Eero Heinonen (piano) 4:23

17. Five pieces, Op. 85 (The Flowers) – 1. Bellis Eero Heinonen (piano) 1:42
18. Five pieces, Op. 85 (The Flowers) – 2. Œillet Eero Heinonen (piano) 2:00
19. Five pieces, Op. 85 (The Flowers) – 3. Iris Eero Heinonen (piano) 3:08
20. Five pieces, Op. 85 (The Flowers) – 4. Aquileja Eero Heinonen (piano) 2:14
21. Five pieces, Op. 85 (The Flowers) – 5. Campanula Eero Heinonen (piano) 2:13

22. Zwei Rondinos (Two Rondinos), Op. 68 – Rondino Nr. 1 in G sharp minor (gis-moll) Eero Heinonen (piano) 3:52
23. Zwei Rondinos (Two Rondinos), Op. 68 – Rondino Nr. 2 in C sharp minor (cis-moll) Eero Heinonen (piano) 1:56

24. Finlandia, Op. 26/7 (transcription by the composer) 8:56

Eero Heinonen, piano

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PQP

Pergolesi: Messa Romana; Allesandro Scarlatti: Messa per il Santissimo Natale

Sim, voltei. Agora cheio de energia.

Essa postagem era para ir ao ar no natal do ano passado, eu tinha preparado um texto muito bom, mas o perdi, então aí vai um mix do que eu li na capa do CD com as impressões que tive.

Pergolesi: Messa Romana:

O Kyrie Eleison, que era para ser em um tom de introspecção, vem festivo, quase em um Rondó. O coro canta as primeira sílaba ( Ky ) fazendo intervalos que quinta e oitava, normais e invertidas, o que aumenta o tom de ansiosidade e perspectiva. Trompetes, trompas e Violinos tocam movimentos rítmicos ascendentes, ligeiros, terminando a faixa de forma abrupta, fazendo um paralelo para a condução do Christe Eleison, que vem em modo menor, trazendo o tom de introspecção esperado para o 1º movimento. Percebe-se que em certa parte da faixa o coro canta apenas ”ELEISON” ou seja ”PIEDADE”, reforçando ainda mais o tom sombrio. A faixa termina de forma muito mais abrupta, com o coro cantado novamente ”ELEISON”, com tom raivoso. O resto da Missa Romana vem sempre obedecendo essa regra. Em uns movimentos muito rápidos, ligeiros, alegres, dançantes, e em outros, o tom depressivo, triste.
É necessário disciplina para ouvir essa missa, não ouvir por ouvir, mas para que não cair na mesmice de um New Age, ou de coisa qualquer.

Allesandro Scarlatti: Messa per il Santissimo Natale

Missa de Natal Scarlatti foi tal composição, escrita para coros totalmente independentes mais violinos I e II em obbligato que embelezam a polifonia de forma independente de qualquer coro. O humor dessa massa é serenamente comemorativo – música, como o coral de anjos poderia ter cantado. Mesmo o Agnus Dei é menor fundamento por misericórdia do que uma canção de carinho para o Menino Jesus. Tratamento de Scarlatti do espaço acústico entre os dois coros é espetacular!”

Pergolesi: Messa Romana; Allesandro Scarlatti: Messa per il Santissimo Natale

Mass (Kyrie & Gloria), for soloists, chorus & orchestra in F major (4 versions)~Kyrie eleison (1:41)
Mass (Kyrie & Gloria), for soloists, chorus & orchestra in F major (4 versions)~Christe eleison (3:41)
Mass (Kyrie & Gloria), for soloists, chorus & orchestra in F major (4 versions)~Kyrie eleison (1:58)
Mass (Kyrie & Gloria), for soloists, chorus & orchestra in F major (4 versions)~Gloria in excelsis Deo (3:35)
Mass (Kyrie & Gloria), for soloists, chorus & orchestra in F major (4 versions)~Laudamus te (2:00)
Mass (Kyrie & Gloria), for soloists, chorus & orchestra in F major (4 versions)~Gratias agimus tibi (4:55)
Mass (Kyrie & Gloria), for soloists, chorus & orchestra in F major (4 versions)~Dominus Deus (4:70)
Mass (Kyrie & Gloria), for soloists, chorus & orchestra in F major (4 versions)~Qui tollis peccata mundi (3:30)
Mass (Kyrie & Gloria), for soloists, chorus & orchestra in F major (4 versions)~Qui tollis peccata mundi (4:46)
Mass (Kyrie & Gloria), for soloists, chorus & orchestra in F major (4 versions)~Qui sedes ad dexteram patris (2:28)
Mass (Kyrie & Gloria), for soloists, chorus & orchestra in F major (4 versions)~Quoniam tu solus sanctus (2:59)
Mass (Kyrie & Gloria), for soloists, chorus & orchestra in F major (4 versions)~Cum Cancto Spiritu (3:33)

Messa per il Santissime Natale, for double chorus, 2 violins & continuo in A major~Kyrie (4:80)
Messa per il Santissime Natale, for double chorus, 2 violins & continuo in A major~Gloria (11:30)
Messa per il Santissime Natale, for double chorus, 2 violins & continuo in A major~Credo (8:38)
Messa per il Santissime Natale, for double chorus, 2 violins & continuo in A major~Sanctus (1:10)
Messa per il Santissime Natale, for double chorus, 2 violins & continuo in A major~Agnus Dei (4:28)

Concerto Italiano
Regente: Rinaldo Alessandrini

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Gabriel Clarinet

.: interlúdio :. Thelonious Monk – Underground

Vamos começar pelo que interessa:

IM-PER-DÍ-VEL !!!!

Thelonious Monk entrou no estúdio no fim de 1967 / início de 1968 com seu longevo quarteto — Charlie Rouse (sax tenor), Larry Gales (baixo) e Ben Riley (bateria) — para gravar um novo álbum, um álbum cheio de novidades. Nada menos que quatro composições novas foram estreadas por Monk neste disco, o último pela Columbia. Seu período na gravadora foi marcado pela baixa produção. Lá, lançou vários discos ao vivo, todos eles somente com músicas antigas, nenhuma inédita. A Columbia, em resposta, não renovou seu contrato. O quarteto desfez-se.

Acessível, belo, muito desigual em termos rítmicos — contando inclusive com a valsa Ugly Beauty. Underground, com sua incrível capa que nos dá saudades dos vinis, vai desde o blues melancólico de Easy Street, até a alegria de Green Chimneys, desde a simplicidade de Thelonious às complexidades de Boo Boo’s Birthday. Quando passamos a régua, o que sobra é um trabalho primoroso.

Thelonious Monk – Underground

1. Thelonious 3:19
2. Ugly Beauty 10:45
3. Raise Four 7:01
4. Boo Boo’s Birthday (Take 11) 5:57
5. Easy Street 7:52
6. Green Chimneys 13:11
7. In Walked Bud 6:50
8. Ugly Beauty (Take 4) 7:38
9. Boo Boo’s Birthday (Take 2) 5:36
10. Thelonious (Take 3) 3:12

Monk, piano
Larry Gales, bass
Charlie Rouse, tenor sax
Ben Riley on drums

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PQP

Lutosławski – 20 Canções Natalinas Polonesas

Para ser bem honesto, como não me dou lá muito bem com canto lírico e, ainda que seja fã de carteirinha de Lutosławski, não aceito muito as coisas cantadas dele (salvo peças para coro), mas entrando em clima natalino, aqui seguem as 20 canções natalinas polonesas dele, escritas logo depois da Guerra, para voz e piano, e rearranjadas no fim da vida para voz, coro e orquestra.  Não é o Lutosławski moderníssimo das décadas de 60 e 70, mas, quando a soprano está fora da parada, a música é uma delícia (o arranjo é bem bonito e de extremo bom gosto, como costuma ser o caso ao ser falar em Lutosławski). Tristemente a soprano não costuma estar fora da parada, claro (mas creio que, se não tiverem problemas com canto lírico, será muito boa a fruição).

De lambuja, acompanham a Lacrimosa (peça de 1937) e as muito mais arrojadas Cinco Canções, escritas em 1957.

Boa diversão!

Witold Lutosławski (1913-1994)

1-20 Vinte Canções Natalinas Polonesas, para soprano, coro feminino e orquestra

21 Lacrimosa, para soprano, coro e orquestra

22-26 Cinco Canções, para voz feminina e 30 instrumentos solo

Olga Pasichnyk, Soprano (faixas 1-21)
Jadwiga Rappé, Alto (faixa 22-26)
Polish Radio Chorus, Kraców (faixas 1-21) (Włodzimierz Siedlik, Chorus Master)
Polish National Radio Symphony Orchestra (Katowice)
Antoni Wit

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itadakimasu

Achile-Claude Debussy (1862-1918) – Complete Works for Piano Vol 5 – Khama (Lègende dansèe), Jeux (Poème dansée), La Boite à joujoux (Ballet pour enfants) – Jean-Efflam Bavouzet

Se os senhores fuçarem postagens antigas de Debussy verão que já postei os outro quatro volumes desta fantástica coleção da Chandos com este excepcional pianista, Jean-Efflam Bavouzet, minha nova referência quando quero ouvir a obra pianística de Debussy. O editor da amazon chama esta coleção de jóia da coroa da gravadora Chandos. E não há como discordar.
O ponto em comum destas obras é que todas elas foram compostas como música para balé e para serem tocadas por uma orquestra, e posteriormente foram transcritas para piano. Um primor de CD.
O segundo CD que vos trago é outro tesouro da Chandos, pois novamente traz Jean-Efflam Bavouzet, desta vez interpretando novamente Ravel, Debussy e um surpreendente Massenet. Começa com a infelizmente pouco interpretada “Fantasia para Piano e Orquestra” de Debussy, uma obra da juventude do compositor, belíssima, que mostra um compositor ainda tentando encontrar sua linguagem, seu caminho. Intercala momentos de grande beleza com alguns outros de tentativas de inovação técnica e melódica.
Em seguida, vem duas peças conhecidíssimas de Ravel, seu Concerto para Piano em Sol Maior, já postado inúmeras vezes aqui mesmo no PQPBach, talvez sua obra mais executada, e o genial Concerto para a Mão Esquerda, um tour de force para o intérprete, tamanha a criatividade e engenhosidade da obra.
O CD termina com algumas surpreendentes peças para piano de Massenet, um compositor mais afeito e conhecido pelas suas óperas do que pelas obras para piano. Destaque para a incrível Valse Folle.
Jean-Efflam Bavouzet vem cada vez mais se solidificando como um dos grandes nomes do instrumento da atualidade. A BBC Symphony Orchestra também dispensa comentários, e seu regente, Yan Pascal Tortelier já é nosso conhecido, principalmente por aqueles que tiveram oportunidade de vê-lo à frente da Sinfônica de São Paulo.
Baixe sem culpa e ouça com toda atenção. Depois é só correr para a galera…
Antes que esqueça, dois CDs IM-PER-DÍ-VEIS !!!

P.S. Dedico esta postagem para o nosso colega Ranulfus, que enfrenta no momento problemas de ordem pessoal, isolado que está na bela cidade de Vitória, e a quem prometi este quinto cd da coleção já há algum tempo. Força, meu caro colega.

Achile-Claude Debussy – Complete Works for Piano Vol 5 – Khama (Lègende dansèe), Jeux (Poème dansée), La Boite à joujoux (Ballet pour enfants) – Jean-Efflam Bavouzet

1 Khamma (Légende dansée)_  Prelude
2 Khamma (Légende dansée)_  Scene 1. The Inner Temple of the Great God Amon-Ra
3 Khamma (Légende dansée)_  Scene 2
4 Khamma (Légende dansée)_  First Dance
5 Khamma (Légende dansée)_  Second Dance
6  Khamma (Légende dansée)_  Third Dance
7 Khamma (Légende dansée)_  Suddenly, Khamma notices
8 Khamma (Légende dansée)_  Scene 3
9 Jeux_ Prelude. The curtain rises
10 Jeux_ Two timid, curious girls
11 Jeux_ One of the girls dances
12  Jeux_ The young man can be seen
13 They dance together. He asks
14 Jeux_ The young man follows
15 Jeux_ Wrapped up in their dance
16 Jeux_ However, the young man
17  Jeux_ Now all three of them
18 Jeux_ A tennis ball falls at
19  La Boite à joujoux_ Prelude. The Box Sleeps. First Tableau. The Toy Shop
20 La Boite à joujoux_ Second Tableau. The Battlefield
21 La Boite à joujoux_ Third Tableau. Sheepfold for Sale
22 Jean-Efflam Bavouzet – La Boite à joujoux_ Fourth Tableau. After the Fortune Is Made. Epilogue

Jean-Efflam Bavouzet – Piano

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Debussy, Ravel, Massenet –  Piano and Orchestral Works – Jean-Efflam Bavouzet

1 Debussy – Fantaisie (1890) – I. Andante ma non troppo
2 Debussy – Fantaisie (1890) – II. Lent – tres expressif
3 Debussy – Fantaisie (1890) – III. Allegro molto
4 Ravel – Concerto en sol (1929–1931) – I. Allegramente
5 Ravel – Concerto en sol (1929–1931) – II. Adagio assai
6 Ravel – Concerto en sol (1929–1931) – III. Presto
7 Ravel – Concerto pour la main gauche (1932)
8 Massenet – Deux Impromptus (1896) – I. Eau Dormante
9 Massenet – Deux Impromptus (1896) – II. Eau Courante
10 Massenet – Toccata
11 Deux Pièces pour piano (1907) – I. Papillons Noirs
12 Massenet – Deux Pièces pour piano (1907) – II. Papillons Blancs
13 Massenet – Valse Folle (1898)

Jean-Efflam Bavouzet – Piano
BBC Symphony Orchestra
Yan Pascal Tortelier – Conductor

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FDPBach

Edvard Grieg (1843-1907) – Sonata in F major, Op.8,Sonata in G major, Op.13 e Sonata in C minor, Op.45

De passagem apenas para postar esse baita CD. Fiquei impressionado a com a leveza e a singeleza das sonatas de Grieg – ainda não as conhecia. Outro aspecto positivo a se ressaltar é a extraordinária parceria Maria João Pires e Augustin Dumay. A dupla tem produzido CDs fantásticos. E o registro que ora posto tem essa característica. A música de Grieg possui uma fragrância diferente; uma sensibilidade que não se encontra em qualquer lugar. É como se em seu mundo encontrássemos o sussurro dos bosques, dos ventos; intervalos mágicos enormes se abrissem à nossa frente. A natureza da sua Noruega estava presente em tudo o que o compositor fazia. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação.

Edvard Grieg (1843-1907) – Sonata in F major, Op.8,Sonata in G major, Op.13 e Sonata in C minor, Op.45

Sonata in F major, Op.8
01. I. Allegro con brio
02. II. Alleggreto quasi Andatino – Più vivo – Tempo I
03. III. Allegro molto vivace

Sonata in G major, Op.13
04. I. Lento doloroso – Poco allegro – Allegro vivace
05. II. Allegretto tranquillo
06. III. Allegro animato

Sonata in C minor, Op.45
07. I. Allegro molto ed appassionato
08. II. Allegretto espressivo alla Romanza – Allegretto molto – Tempo I
09. III. Allegro animato

Augustin Dumay, violino
Maria João Pires, piano

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Carlinus

Antonio Carlos Gomes (1836-1896) – A Música e o Pará (box 4 CDs) [link atualizado 2017]

175 anos do nascimento de Antonio Carlos Gomes

Este é o primeiro post deste que vos fala (espero que tudo saia correto, até eu aprender a usar as ferramentas direito…) e, lendo os valorosos comentários sobre a Missa de Nossa Senhora da Conceição, vimos (toda a equipe do pqpbach se reuniu e confabulou) que seria injusto privá-los da coleção completa de A Música e o Pará. Assim, continuamos nossas comemorações pelos 175 anos de Carlos Gomes (até julho do ano que vem ainda dá pra festejar sem sair do número cabalístico) com um pouco mais deste graaaaande compositor.

Esta é uma pequena caixa de 4 CDs.
O 1º CD, sobre as obras da juventude, mostra que Carlos Gomes (chamado lá nas terras campineiras de Nhô Tonico, assim íntimo, quase como um parente próximo para seus habitantes) já se destacava desde moçoilo. Suas obras iniciais não podem ser consideradas simples: percebe-se nas aberturas e prelúdios deste álbum um compositor completo, antenado com movimentos do exterior, especialmente da música italiana (que, como se pode ver nas peças de outros compositores brasileiros da Colônia, sofria-se certa influência do Lácio). Enquanto muitos ainda estavam ligados ao classicismo, Carlos Gomes arriscava elementos do romantismo, com uma orquestração mais limpa e dramática. A belíssima missa, composta aos 23 anos, também guarda seus traços românticos e operísticos.

O 2º CD, dedicado às canções, perpassa toda a existência de Tonico, mostrando várias fases do compositor. Carlos Gomes compôs cavatinas e modinhas durante toda a sua vida, com um pé na música erudita e outro em músicas mais populares de seu tempo, o mesmo que ocorreu a vários compositores posteriores a ele e contemporâneos seus, como Radamés Gnattali (que compunha choros e peças orquestrais ao mesmo tempo) e Schubert… Eram músicas de salão, geralmente executadas em festas da alta sociedade, mas, diferentemente da forma simples das modinhas daquele tempo, as de Carlos Gomes apresentam estruturas um pouco mais complexas e coloraturas mais difíceis para o intérprete, saindo do lugar-comum e aproximando-as de árias operísticas. Além disso, o rapaz era poliglota: há peças em português, italiano e francês.

o 3º CD da coleção “A Música e o Pará” busca fazer um panorama dos vários tipos de peças que o compositor produziu para piano. Cabe aqui uma reflexão: os longos anos de execução radialística diária da abertura d’O Guarani em “A Voz do Brasil” solidificaram no imaginário brasileiro (que a ouve todo santo dia às 19 horas desde 1934) uma ideia errônea e simplista de que Carlos Gomes é daqueles compositores de uma só obra ou, no máximo, o autor de apenas uma ópera importante que fez sucesso no exterior. A massificação da Protofania difundiu, com certeza, seu nome pelos grotões do país mas, por outro lado, associou-o tão unicamente àquela obra que acabou por prejudicar a imagem de Gomes como compositor completo que era. E ele foi muito mais que um compositor de óperas: teve expressiva produção de canções, modinhas, polcas, hinos, cantatas, missas e peças instrumentais para banda, cordas e piano. As obras pianísticas são, depois das canções, as que ele compôs em maior número. Aqui se poderáouvir marchas, hinos, polcas, valsas, etc. Carlos Gomes não foi, como se poderá ver, nenhum Chopin: não elaborou estudos nem explorou as técnicas e possibilidades do instrumento ao seu extremo, pois nem era esse seu intuito. Suas obras de piano são mais leves e menos engajadas na exploração do intrumento em si como expressão. Nove das 14 peças aqui selecionadas se prestavam a apresentações em festas e recepções da alta sociedade, mais intimistas, da mesma forma as canções do CD 2 desta coleção. Foram compostas para momentos de confraternização e congraçamento. Há ainda 5 marchas e hinos-marchas, mais sérias e ligadas a eventos maiores. Se vê, aí, que o mesmo Carlos Gomes que fazia música para pequenos acontecimentos e festas de amigos estava também presente com seu trabalho em grandes obras (óperas), acontecimentos públicos e missas, denotando sua habilidade e versatilidade compossitiva.

Já o 4º CD, e último volume deste box A Música e o Pará (tá certo, não é um box, mas é mais elegante dizer que é), finalmente traz excertos de peças que tornaram o compositor campineiro célebre: as óperas. Como vimos tentando deixar bem explícito, Nhô Tonico não foi apenas um compositor operístico, foi muito mais que isso, mas, admitamos, nessa categoria que ele mais se destacou. No fim, todos os quatro CDs do conjunto foram muito bem organizados, abarcando as vertentes nas quais ele mais se dedicou (peças orquestrais, religiosas, canções, peças para piano e… óperas) e dão um panorama bastante justo do que Carlos Gomes produziu de música durante sua vida e este CD, o derradeiro, vai, como não se poderia deixar de mostrar do compositor, apresentar várias árias (e um coro) que abrangem toda sua produção operística. Das nove óperas que compôs (se considerarmos o oratório Colombo dentro dessa categoria), seis estão aqui representadas. É, então, possível ver como Gomes era bom melodista: suas árias são muito bonitas: o belíssimo dueto de Ceci e Peri, Sinto uma força indômita, fica ecoando na mente por dias, e não são menos tocantes as belas Foram os anos de infância, ou Oh, come splendido e Pavera il primo fior, além do dramático coro em Morte.
As peças apresentadas não estão com acompanhamento orquestral, mas com o piano se desdobrando em muitos instrumentos e, claro, solistas de alta categoria nas melodias.

É importante que se tenha em conta que a captação de som não é das melhores, ainda mais em se tratando de apresentações ao vivo (pode-se perceber gente tossindo em alguns trechos), mas o time de intérpretes é muito bom e garante a fiel qualidade de execução das obras. E ainda, dada a dificuldade de encontrarmos gravações de Carlos Gomes, esta se torna ainda mais valorosa.

Bom, chega de bla-bla-blá! Conheçamos mais um pouco do Nhô Tonico!

A Música e o Pará
Antonio Carlos Gomes (Campinas, 1836-Belém, 1896)

CD 1 – Peças da Juventude
01. Prelúdio original da ópera Il Guarany
02. Abertura da ópera A noite do castelo
03. Intermezzo da ópera Joanna de Flandres
04. Prelúdio da opereta Se sa minga
05. Missa de Nossa Senhora da Conceição – 1. Kyrie
06. Missa de Nossa Senhora da Conceição – 2. Gloria
07. Missa de Nossa Senhora da Conceição – 3. Laudamus
08. Missa de Nossa Senhora da Conceição – 4. Domine Deus
09. Missa de Nossa Senhora da Conceição – 5. Qui tollis peccata mundi
10. Missa de Nossa Senhora da Conceição – 6. Qui sedes ad dexteram Patris
11. Missa de Nossa Senhora da Conceição – 7. Cum Sancto Spiritu
12. Missa de Nossa Senhora da Conceição – 8. Gloria

Leila Guimarães, soprano
Alpha de Oliveira, soprano
Jean-Paul Franceschi, tenor
Piero Marin, barítono
Orquestra do Festival do Centenário de Carlos Gomes
Andi Pereira, regente
Teatro da Paz, Belém, setembro de 1996.

CD 2 – Canções
01. Lo Sigaretto
02. Giulietta mia
03. Tu m’ami
04. Io ti vidi
05. Lontana
06. Fra cari genitori
07. Rondinella
08. Realtà
09. Addio
10. Canta ancor
11. La preghiera dell’orfano
12. Qui pro quo
13. Dolce Rimprovero
14. La regata
15. Suspiro d’alma
16. Bela ninfa de minh’alma
17. Quem sabe?
18. Mon bonheur
19. Foi meu amor um sonho (da ópera Joanna de Flandres)

Reginaldo Pinheiro, tenor
Paulo José Campos de Melo, piano
Teatro da Paz, Belém, setembro de 1996.

CD 3 – Peças raras para Piano
01. Llalayü (polka caratteristica) – Piano: Eliana Cutrim
02. Storiella Marinaresca – Piano: Lenora Menezes de Brito
03. Hymn for the first Centennial of the American Independence – Piano: Lenora Menezes de Brito, Flauta: Harley Rayol Rodrigues
04. Angelica (Schottisch) – Piano: Lenora Menezes de Brito
05. Bilboquet – Piano: Eliana Cutrim
06. L’orioulo (galope) – Piano: Eliana Cutrim, Sinos: Maria José Moraes
07. Piccola Polka – Piano: Lenora Menezes de Brito
08. La Stella brasiliana (valtz brillante) – Piano: Lenora Menezes de Brito
09. Spagnoletta – Piano: Eliana Cutrim, Castanholas : Vanildo Monteiro
10. Natalizio (Marcia Festosa) – Piano: Eliana Cutrim
11. Inno Marcia – Piano: Eliana Cutrim, Lenora Menezes de Brito
12. Marcha Nupcial – Piano: Eliana Cutrim, Lenora Menezes de Brito
13. Marcha Militar – Piano: Eliana Cutrim, Lenora Menezes de Brito
14. Hino Triunfal a Camões – Piano: Eliana Cutrim, Lenora Menezes de Brito

Eliana Cutrin, piano
Lenora Menezes de Brito, Piano
Teatro da Paz, Belém, setembro de 1996.

CD 4 – Trechos Líricos
01. Fosca – A miei disegni +Tu La vedrai negli impeti
02. Lo Schiavo – Sospettano di me + Sogni d’amore
03. Lo Schiavo – Alba dorata + O ciel di Parahyba
04. Colombo – Era um tramonto d’oro + Pavera Il primo fior
05. Salvator Rosa – Di stupore ho l’alma ripiena + L’accento Dell amor inebria
06. Joanna de Flandres – Foram-me os anos de infância
07. Lo Schiavo – Oh, come splendido + Come serenamente
08. Fosca – Orfana e Sola
09. Il Guarany – Sinto uma Força Indômita (transcr. para português)
10. Il Guarany – Morte

Leila Guimarães, soprano
Alpha de Oliveira, soprano
Adriana Queiroz, Soprano
Jean-Paul Franceschi, tenor
Piero Marin, barítono
Paulo José Campos de Melo, piano
Coro do Centenário
Teatro da Paz, Belém, setembro de 1996.

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (349Mb – 4CD)

Boa audição.

Bisnaga.

.: interlúdio – Nikolai Kapustin :.

Este post começa com uma pausa — para agradecimentos. Obrigado a todos os leitores do PQP Bach, em especial estes que embarcam nas peripécias jazzísticas (frequentemente experimentais) deste seu Blue Dog. Fico sinceramente feliz com o espaço e a companhia dos colegas autores e leitores. (E meus amigos também agradecem, porque assim diminuo a torrente de e-mails com indicações, espasmos e suspiros musicais variados. (Sou daqueles apaixonados chatos, que não conseguem calar a boca quando o assunto é o preferido.)) E embora eu não responda a todos os comentários deixados nos posts, saibam que não passo nenhuma dica; às vezes demora pra eu ouvir, noutras não é bem o idioma que ando escutando, mas eu sempre vou atrás. Foi o que aconteceu dessa vez, inclusive; está lá num post do ano passado sobre Mouse on the Keys, o César quem disse: “Interessante, a Toccatina do Sezession é o próprio estudo do Concert Etudes Op.40, do Kapustin. Esse compositor seria uma boa pedida para este blog, Blue Dog.”

Mais de um ano depois, fui conferir meio desconfiado. A Toccatina do Mouse on the Keys, excelente, um quase blues-funk, então é uma versão? De um compositor de nome russo, com nome da obra meio em francês, e ainda por cima um opus na referência? Naquele milissegundo do julgamento primário, me bateu muito mal; isso vai ser lento, e chato, certamente.

E foi aí que o cachorro tropeçou nas próprias patas.

A Toccatina original é trocentas vezes melhor. Rápida, energética, até feroz. Jazz? Sem dúvida, há todo aquele swing marcante. Mas há algo na estrutura; o fluxo das notas não parece nenhuma outra improvisação a que estejamos acostumados. A biografia explica: Nikolai Kapustin (nascido na Ucrânia em 1937) estudou música clássica durante anos a anos a fio, e então descobriu e apaixonou-se pelo jazz. Ele conta numa entrevista que viu seu sonho mudar; de um virtuose erudito, passou a desejar ser um compositor clássico para o jazz. A mesma proposta que a Third Stream queria produzir, mas com uma diferença: foco. Kapustin consegue fazer a fusão entre os dois mundos de maneira complexa e altamente satisfatória, sem divagar, e sem “unir duas partes”. Sua música traduz em si mesma o conceito que o autor desenhou, sem jamais soar como um Frankenstein.

Kapustin começou escrevendo para orquestra, e nos anos 1980, focou mais nas composições solo para piano. Suas gravações ganharam pequenas edições na Alemanha e no Japão; mas afora um pequeno círculo, era um desconhecido até mesmo do público russo até 2000, quando Steve Osborne e Marc-André Hamelin registraram, em disco e turnês, suas interpretações para Kapustin. Foi um pequeno foco de luz em seu trabalho, e algum reconhecimento; ainda assim, me parece demais escondida, a música deste senhor. A escassez de informações na internet é um sinal de que, apesar dos calorosos comentaristas do youtube, Kapustin ainda é uma excentricidade musical. Não me parece que sua música seja impopular; e se ele mesmo admite que não gosta de tocar ao vivo, e quase nunca se apresenta — o que certamente ajuda a mantê-lo obscuro — , disseminemos a informação, ora, por favor, e obrigado de novo pela valiosa dica, César. Aliás, se alguém souber como conseguir gravações dos anos 1960, quando Kapustin tocava na big band de Oleg Lundstrom, por favor, me avise. A discografia possível, brilhante e vigorosa que seja, não registra nada parecido com esta raridade, de 1964:

[youtube width=”500″ height=”375″]http://www.youtube.com/watch?v=agr38i9X0sA[/youtube]

E aqui temos ele tocando em 2007 – uma composição mais próxima aos discos do post. Não é fabuloso?

[youtube width=”500″ height=”375″]http://www.youtube.com/watch?v=vDWeGp4UE6M[/youtube]

A ficha de composições é imensa; esta lista é a melhor que encontrei, e ela para em 2009, no Opus 141. Não achei uma discografia decente, mas pude apurar que, afora pequenos registros já perdidos no tempo, seus primeiros discos foram uma série “Kapustin plays Kapustin” que saíram pela Melodiya russa, com uma curta tiragem internacional pela Bohéme. Mais tarde, nos anos 2000, com a atenção provocada por Osborne e Hamelin, a japonesa Triton relançou todos os seus discos, com nomes diferentes; e bancou mais alguns álbuns originais. Coloquei abaixo tudo que encontrei em boa qualidade, e é quase tudo que há disponível, parece; mas fiquei apenas nos que traz Kapustin como intérprete. Tenho escutado todos, mas volto com mais frequência ao Jazz Pieces for Piano e ao Jazz Portrait. (Aliás, a tristeza dele naquela foto da capa é de cortar o coração. Lembra até um certo meme da internet.) O disco em que ele toca com um quinteto é agradabilíssimo, principalmente as peças com duas flautas. Mantive as capas e datas originais, quando possível, mas as gravações são todas das reedições da Triton.

*update 02/01/13: link para torrent contendo todos os discos.


Nikolai Kapustin – Jazz Pieces for Piano /1985 [V0]
http://thepiratebay.se/torrent/7980318
01-08 Eight Concert Etude Op.40
09-12 Piano Sonata No.1 “Sonata Fantasy” Op.39
13 Suite in Old Style for Piano Op.28
14 Variations for Piano Op.41


Nikolai Kapustin – 24 Preludes in Jazz Style Op. 53 /1987 [320]
http://thepiratebay.se/torrent/7980318
01-24 24 Preludes in Jazz Style, Op. 53
25 Sunrise for Piano Op. 26
26 Toccatina for Piano Op.36
27 Meditation (Contemplation) for Piano Op.47
28 Sounds of Big Band for Piano Op.46
29 Moving Force for Piano Op.45


Nikolai Kapustin – Jazz Portrait /1991 [V0]
http://thepiratebay.se/torrent/7980318
01 Andante for Piano, Op.58
02-04 Sonata for Piano No.4, Op.60
05-14 Ten Bagatelles for Piano, Op.59
15-17 Sonata for Piano No.5, Op.61
18-20 Sonata for Piano No.6, Op.62


Nikolai Kapustin – Piano Sonatas Nos. 2 & 3 /1991 [320]
http://thepiratebay.se/torrent/7980318
01-04 Sonata for Piano No.2 Op.54
05 Sonata for Piano No.3 Op.55
06 Andante for Piano Op.58
07-08 Introduction and Scherzino for Violoncello Solo Op.93
09-11 Duo for Alto Saxophone and Violoncello Op.99


Nikolai Kapustin – Kapustin Piano Quintet etc /2001 [320]
http://thepiratebay.se/torrent/7980318
Nikolai Kapustin, piano; Alexander Korneev, Mariana Rubinstein, flute; Alexander Zagorinsky, cello; Alexander Chernov, Vladimir Spektor, violin; Svetlana Stepchenko, viola
01-03 Trio for Flute, Cello and Piano Op.86
04-07 Quartet for Two Violins, Viola and Cello Op.88
08-11 Quintet for Two Violins, Viola, Cello and Piano Op.89
12-14 Divertisment for Two Flutes, Cello and Piano Op.91


Nikolai Kapustin – 24 Preludes and Fugues for Piano Op.82 Violin Sonata etc /2001 [256]
http://thepiratebay.se/torrent/7980318
CD1: 01-34 24 Preludes and Fugues Op.82 – 1 a 17
CD2: 01-14 24 Preludes and Fugues Op.82 – 18 a 24
15 Elegy for Cello and Piano Op.96
16 Buriesque for Cello and Piano Op.97
17 Nearly Waltz for Cello and Piano Op.98
18-20 Sonata for Violin Op.70


Nikolai Kapustin – Last Recording /2004 [320]
http://thepiratebay.se/torrent/7980318
01-04 Sonata for Piano No.7 Op.64
05 Berceuse for Piano Op.65
06-08 Three Impromptu for Piano Op.66
09-11 Three Etudes for Piano Op.67
12 Impromptu for Piano Op.83
13 Paraphrase on a Theme by P. Dvoyrin Op.108
14-15 Sonata for Piano No.12 Op.102


Nikolai Kapustin – Kapustin Returns! /2008 [V2]
http://thepiratebay.se/torrent/7980318
01 Paraphrase on Aquarela do Brasil by Ary Barroso for piano Op.118
02-03 Two Etude-like Trinkets for Piano Op.122
04 End of the Rainbow Op.112
05 Humoresque Op.75
06 Fantasia Op.115
07 Gingerbread Man Op.111
08 Vanity of Vanities Op.121
09 Spice Island Op.117
10 Paraphrase on Blue Bossa by Kenny Dorham Op.123
11 Countermove Op.130
12-14 Sonata for Piano No.16 Op.131

Boa audição!
Blue Dog

Montserrat Figueras (Barcelona, 15 March 1942 – 23 November 2011)- Homenagem Póstuma – La Barcha d’Amore – Montserrat Figueras, Jordi Savall & Le Concert des Nations

Nós do PQPBach lamentamos profundamente a morte da soprano catalã Montserrat Figueras, uma das maiores intérpretes da Música Antiga e Medieval, talvez a maior delas.
Nossa antiga colaboradora, Clara Schumann, portuguesa da cidade do Porto, comentou certa vez que teve a oportunidade de assistir uma apresentação do Hespérion XXI e ficou maravilhada pela qualidade da apresentação do grupo, principalmente com a voz de Montserrat Figueras, e sua cumplicidade com o marido, Jordi Savall, tornaram o espetáculo tão magnifíco que sentia lágrimas nos olhos constantemente.
Me apropriando das bem escolhidas palavras do blog “Musikalische Opfer” podemos ter perdido uma das maiores sopranos do século XX, mas Deus ganhou mais uma bela voz para o seu coral.
Nossa singela homenagem a esta excepcional soprano é este maravilhoso CD da Alia Vox, “La Barcha d’Amore”, resultado de um trabalho incansável de pesquisa histórica e arqueológica musical que o grupo de Savall e Figueras realiza já há décadas.

01 – de Gorzanis – La Barcha del mio amore
02 – Caccini – Amor ch’attendi
03 – Caccini – Alme luci beate
04 – Caccini – Non ha’l ciel
06 – Monteverdi – Lamento della Ninfa – Non havea febo ancora
07 – Monteverdi – Lamento della Ninfa – Lamento della ninfa
08 – Monteverdi – Lamento della Ninfa – Si tra sdegnosi pianti
09 – Scheidt – Paduan Dolorosa a 4 Voc. Cantus V
10 – Allemagne – Samuel Scheidt – Courant Dolorosa a 4 Voc. Cantus IX
11 – Espagne – Senastian Duron – Sosiegen descansen
12 – del Vado – No te embarques
13 – Hidalgo – Ay que me rio de Amor
14 – Anonyme – Desperada
15 – Anonyme – Lullaby My little sweet darling
16 – Anonyme – Greensleves to a ground
17 – Anonyme-Jordi Savall – Une jeune fillette
18 – Lully – Rondeau du Mariage force
19 – du Bailly – La folia Yo soy la loucura
20 – Lully – Chaconne L’amour medecin

Montserrat Figueras – Soprano
Maria Cristina Kiehr – Soprano
Lambert Climent, Francese Garrigosa – Ténors
Daniele Carnovich – Basse
Hopkinson Smith – Luth
Rolf Lislevand – Theórbe
Ton Koopman – Clavecin
Andrew Lawrence-King – Harpe
Hespérion XXI
Le Concert des Nations
Jordi Savall – Viole de gambe et Direction

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FDPBach

Sergey Prokofiev (1891-1953) – Piano Concertos nº 2 in G Minor, op. 16, Piano Concerto nº3, in C Major, op. 26 – Gutiérrez, Järvi, RCO

Pois bem, senhores, concluindo esta caixa, aqui estão os dois Concertos para piano mais famosos de Prokofiev, o Segundo e o Terceiro. É difícil dizer qual deles é o meu preferido, creio que na verdade gosto dos cinco, mas esta introdução melódica do Segundo é de partir os corações mais duros.
Horácio Gutiérrez me era desconhecido até então, mas o rapaz é um assombro. É um virtuose de mão cheia que conhece muito bem seu instrumento, e não se deixa pegar nas armadilhas que Sergey colocou, e não são poucas. Os clientes da amazon foram quase unânimes em dar cinco estrelas à esta gravação, e com razão.

E porque hoje é sábado, usando uma frase muito usada no blog do nosso amigo Milton Ribeiro, vou deixá-los por aqui, e sair para aproveitar o dia.

Boa audição.

Sergey Prokofiev  – Piano Concertos nº 2 in G Minor, op. 16, Piano Concerto nº3, in C Major, op. 26

01 – Piano Concerto No. 2 in G minor Op. 16 – I. Andantino – Allegro
02 – II. Scherzo. Vivace
03 – III. Intermezzo. Allegro moderato
04 – IV. Finale. Allegro tempestuoso
05 – Piano Concerto No. 3 in C major Op. 26 – I. Andante – Allegro
06 – II. Tema. Andantino – Variations 1-5 – Tema. L’istesso tempo
07 – III. Alegro ma non troppo

Horácio Gutiérrez – Piano
Royal Concertgebow Orchestra
Neeme Järvi – Conductor

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
FDPBach

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Concerto for Piano, Cello & Orchestra, op. 56. Johannes Brahms (1837-1897) – Concerto for Violin, Cello & Orchestra, op. 102 – Trio Poseidon, Järvi, GSO

Não tenho bem certeza, mas acho que estas obras não aparecem há um bom tempo aqui no PQP, por isso resolvi trazer esta gravação recente, realizada em 2010,. São duas obras que dispensam apresentações, de dois dos compositores favoritos dos membros do blog, e creio que de todos os nossos leitores-ouvintes.
Estes concertos que ora trago tem suas peculiaridades, começando por sua proposta: Primeiramente, temos um piano, um violino e um violoncelo atuando como solistas, e isso por si só já mostra o tamanho da dificuldade de conciliá-los, afinal trata-se de um Trio com Piano, e o próprio Ludwig compôs peças imortais para esta formação. E juntar com uma orquestra completa, isso não é tarefa para qualquer um. Creio que a dificuldade de sua execução seja exatamente conciliar estes três instrumentos tão diferentes, encontrar o balanço ideal, sem deixar nenhum deles de fora. Alguns consideram uma obra menor de Beethoven, mas não concordo. Pode-se dizer que não está no mesmo nível do Concerto para Violino ou de algum dos concertos para piano. Mas daí à considerar uma obra menor existe uma grande diferença.
O Concerto Duplo para Violino, Cello e Orquestra é de uma grandiosidade tal que até hoje me sufoca. Sempre me vem à lembrança a gravação de David Oistrackh e Rostropovich,  que não foi superada até hoje. A dupla de solistas aqui é muito boa, claro que não dá para botarmos no mesmo nível desta outra que citei, mas são eficientes.
Não conhecia este Trio Poseidon até conseguir este CD. Trata-se de um excelente conjunto de jovens músicos, e acompanhados do renomado Neeme Järvi, um dos grandes nomes da regência da atualidade, com a excelente orquestra sueca de Gothenburg, realizaram um ótimo trabalho. Um disco para ser apreciado sem moderação, à vontade, podem se exceder que não terá maiores consequências, a não ser uma grande satisfação para suas almas.

Ludwig van Beethoven – Concerto for Piano, Cello & Orchestra, op. 56. Johannes Brahms – Concerto for Violin, Cello & Orchestra, op. 102

01. Beethoven – Concerto for Piano, Violin, Cello and Orchestra, Op.56 – I. Allegro – Più allegro
02. II. Largo –
03. III. Rondo alla Polacca – Allegro – Tempo I
04. Brahms – Concerto for Violin, Cello and Orchestra, Op.102 – I. Allegro
05. II. Andante
06. III. Vivace non troppo – Poco meno allegro – Tempo I

Trio Poseidon:
Sara Tröback Hessenlink – Violin
Claes Gunnarsson – Cello
Per Lundberg – Piano

Gothenburg Symphony Orchestra
Neeme Järvi – Conductor

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
FDPBach

L. V. Beethoven (1770-1827) The Consecration of the House, Op. 124, Concerto para violino in D, Op. 61 e Abertura Leonora No. 3, Op. 72a (LINK REVALIDADO)

Como hoje o dia está nublado e indeciso, reverberando efeitos impressionáveis em minha alma, resolvi postar algo do meu compositor predileto – Beethoven. Tomei o intento de postar o concerto para violino em ré, opus 61. Ao meu modo de ver, este é um dos concertos para violino mais belos que já foram escritos. O opus 64 de Mendelssohn é belíssimo também; semelhante é o opus 35 de Tchaikovsky. Semelhantemente, o opus 61 de Beethoven é um espetáculo. Possui momentos de profundo lirismo, algo que é comum em Beethoven. Distigue-se dos concertos de Mendelssohn e Tchaikovsky pelo pessimismo, mas o final é um triunfo. Escolhi dois magos para interpretar esta maravilha: Menuhin ao violino e Klemperer na regência. É simplesmente uma das melhores gravações que já ouvi para este concerto. Aparecem ainda neste registro a The Consecration of the House e Abertura Leonora No. 3. Bom deleite!

Ludwig van Beethoven (1770-1827) The Consecration of the House, Op. 124, Concerto para violino in D, Op. 61 e Abertura Leonora No. 3, Op. 72a

The Consecration of the House, Overture, Op. 124
1. The Consecration of the House [8:06]

Concerto para violino em D, Op. 61*
2. Allegro ma non troppo [24:24]
3. Larghetto [10:23]
4. Rondo (allegro) [10:07]

Yehudi Menuhin, violino

Leonore No. 3, Overture, Op. 72a
5. Leonore No. 3, Overture [14:35]

Total: 67′ 59”

Philharmonia Orchestra
*New Philharmonia Orchestra
Otto Klemperer, regente

BAIXAR AQUI

Carlinus

Maurice Ravel (1875-1937): Sonatas & Trio

Costumo ter cuidado com a música francesa. Evito 100% o uso da popular, trata-se de uma coisa horrível que deixa sequelas em quaisquer sensibilidades! E tenho muita parcimônia com os eruditos. Rameau, Couperin, Saint-Säens, Messiaen, Ravel… e o resto tem de ser muito bem escolhido. Este CD vem de dentro da zona de conforto. É um Ravel muito bom e muito bem interpretado pelos jovens Capuçons e pelo não menos Braley. Jamais imaginaria que as Sonatas e o Trio coubessem num só CD, mas Ravel era assim: compunha pouco e certo. Uma vez, dando uma olhada na relação de suas obras, descobri que conhecia a grande maioria. E é difícil encontrar algum equívoco do compositor andando por aí, né? O homem era mesmo talentoso e devia ter uma feroz autocrítica; apesar de francês, não lhe passava nada. Um CD consistente, muito bom.

Ravel: Sonatas & Trio

1. Piano Trio: I. Modéré 9:09
2. Piano Trio: II. Pantoum: Assez Vif 4:25
3. Piano Trio: III. Passacaille: Très Large 8:41
4. Piano Trio: IV. Finale: Animé 5:18
Renaud Capuçon/Gautier Capuçon/Frank Braley

5. Sonata For Violin And Piano: I. Allegretto 7:56
6. Sonata For Violin And Piano: II. Blues: Moderato 4:58
7. Sonata For Violin And Piano: III. Perpetuum Mobile 3:37
Renaud Capuçon/Frank Braley

8. Sonata For Violin And Cello (1920-22): I. Allegro 5:03
9. Sonata For Violin And Cello (1920-22): II. Très Vif 3:20
10. Sonata For Violin And Cello (1920-22): III. Lent 7:13
11. Sonata For Violin And Cello (1920-22): IV. Vif, Avec Entrain 5:58
Renaud Capuçon/Gautier Capuçon

12. Sonata Posthume For Violin And Piano 11:10
Renaud Capuçon/Frank Braley

Renaud Capuçon, violino
Gautier Capuçon, violoncelo
Frank Braley, piano

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PQP

.: interlúdio – Shakti :.

Tendo experimentado fama repentina e autodestruição em pouco mais de cinco anos, a Mahavishnu Orchestra marcou e mudou profundamente a cena do jazz dos anos 70 e em diante. Nesse curto período o grupo solidificou o fusion, deu cria à rebentos dos mais diversos, e ainda apresentou uma conexão indiana jamais ouvida no jazz. John McLaughlin, entre mudanças de formação e críticas públicas ao seu estilo de liderança, caminhava sobre os mortos e feridos; já estabelecido como uma grande força criativa, continuou gozando de excepecional reputação — tanto que a CBS topou, sem pestanejar, lançar os álbuns de seu novo grupo, Shakti. (Certamente assegurando-se os direitos completos sobre a arte das capas, como perceberemos nas imagens abaixo.)

E o que McLaughlin apresentou foi um aprofundamento no caminho da música indiana; sob olhares boquiabertos, largou a guitarra, puxou o violão e sentou no tapetinho — em meio a uma quase-orquestra indiana de facto. Acústico, mas não sem o vigor de antes, senão ao contrário; com o Shakti, McLaughlin toca mais rápido do que nunca — muitas vezes, seguindo nota a nota a marcação da tabla. Que era um virtuose, se sabia; que era apaixonado pela cultura indiana (com guru pessoal e tudo, como bem em voga na época), também; a surpresa ficou por conta do desassombro com que os músicos desenvolveram temas que vão do energético ao espiritual, do meditativo ao furioso, numa linguagem totalmente nova.

Ou ainda: bicho, é de cair o queixo.

O primeiro disco, autointitulado, é de 1976; um registro ao vivo, e por isso mesmo, o mais improvisado deles — incluindo uma quase-raga de meia hora como lado B. O segundo, do mesmo ano, gravado em Londres, demonstra uma proposta melhor consolidada, e provavelmente as melhores composições do grupo (Lady L pra mim, a qualquer hora do dia ou da noite.) O terceiro e último já vem num suspiro; Shakti não vendeu quase nada à época, e esse disco, de temas mais curtos e menos agressivos, foi a última (e fracassada) tentativa da gravadora em fazer alguns tostões, que, aliás, não viriam. Era outra vez a índole do inquieto McLaughlin, com seus projetos-relâmpago: já em 1977 o Shakti havia dito o que queria dizer, e ficava pra trás. (Ao menos até ganhar uma reunião na virada dos anos 2000, chamada Remember Shakti, e que até hoje faz turnês irregulares). E esse projeto, como tudo (ou quase tudo) que ele fez, transformou-se em objeto de culto e reverência.


Shakti – Shakti (live) /1976 [V0]
John McLaughlin, guitar; L. Shankar, violin; R. Raghavan, mridangam; T. H. Vinayakaram, ghatam, mridangam; Zakir Hussain, tabla
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01 Joy (McLaughlin/Shankar) 18’13
02 Lotus Feet (McLaughlin) 4’44
03 What Need Have I for This/What Need Have I for That/I Am Dancing at the Feet of My Lord/All Is Bliss/All Is Bliss (McLaughlin/Shankar) 29’03


Shakti – A Handful of Beauty /1976 [320]
John McLaughlin, guitar; L. Shankar, violin, vocals; T. H. Vinayakram, percussion, vocals; Zakir Hussain, percussion, tabla
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01 La Danse Du Bonheur (McLaughlin/Shankar) 4’48
02 Lady L (Shankar) 7’23
03 India (McLaughlin/Shankar) 12’31
04 Kriti (trad.) 2’58
05 Isis (McLaughlin/Shankar) 15’11
06 Two Sisters (McLaughlin) 4’41


Shakti – Natural Elements /1977 [320]
John McLaughlin, guitar; L. Shankar, violin; Zakir Hussain, percussion, tabla; T. H. Vinayakaram, ghatam
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01 Mind Ecology (McLaughlin) 5’48
02 Face to Face (Shankar) 5’58
03 Come On Baby (Shankar) Dance with Me 1’59
04 The Daffodil and the Eagle (McLaughlin) 7’03
05 Happiness is Being Together (McLaughlin) 4’29
06 Bridge of Sighs (McLaughlin) 3’52
07 Get Down and Sruti (McLaughlin) 7’03
08 Peace of Mind (McLaughlin) 3’21

Boa audição!
Blue Dog

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Partitas – Robert Wooley

Devido às insistências, resolvi trazer este cd que já faz parte de meu acervo há algum tempo, com as Partitas bachianas interpretadas ao cravo pelo cravista inglês Robert Wooley, fundador do Purcell Quartet, grupo inglês especializado no repertório barroco.

Não sou tão radical assim como alguns de nossos leitores que não admitem estas obras interpretadas ao piano. Confesso que já fui mais radical, mas depois de ouvir algumas gravações, como a de Andras Schiff e da nossa nova musa bachiana, Angela Hewitt, tive de reconhecer que podemos sim ouvir estas obras interpretadas ao piano. Basta acostumarmos nossos ouvidos. A beleza e a genialidade de Bach estão ali presentes, mudando apenas a sonoridade.

Mas enfim, eis uma bela interpetração das Partitas ao cravo, apesar de não concordar com algumas escolhas de Wooley, mas quem sou eu para criticar um músico deste calibre? Gosto é gosto, como já discutimos algumas vezes.

O CD traz um bom encarte com um ótimo texto analisando as obras. Vale a pena dar uma olhada.

CD 1

01 Partita No1 BWV 825 – I – Praeludium
02 II Allemande
03 III Corrente
04 IV Sarabande
05 V Menuet I And II
06 VI Giga
07 Partita No2 BWV 826 – I – Sinfonia
08 II Allemande
09 III Courante
10 IV Sarabande
11 V Rondeux
12 VI Capriccio
13 Partita No 6 BWV 830 – I Tocatta
14 II Allemande
15 III Corrente
16 IV Sarabande
17 V Air
18 VI Tempo Di Gavotta
19 VII Gigue

CD 2

01 Partita No 3 BWV 827 – I Fantasia
02 Ii Allemande
03 Iii Courante
04 Iv Sarabande
05 V Burlesca
06 Vi Scherzo
07 Vii Gigue
08 Partita No 4 BWV 828 – I Overture
09 Ii Allemande
10 Iii Courante
11 Iv Sarabande
12 V Aria
13 Vi Menuet
14 Vii Gigue
15 Partita No 5 BWV 829 – I Praembulum
16 Ii Allemande
17 Iii Courante
18 Iv Sarabande
19 V Tempo Di Minuetta
20 Vi Passepied
21 Vii Gigue

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FDPBach

J. S. Bach (1685-1750) – 6 Partitas (Piano) – Vladimir Ashkenazy

O Grande Pai surge para embelezar e divinizar a nossa manhã de feriado – aqui, na Capital Federal, a chuva cai preguiçosa. Andei dando uma olhada e verifiquei que o PQP já postou estas mesmas Partitas do seu pai com Schiff, Nikolayeva e Angela Hewitt. PQP adora fazer laudatórios sobre o pai dele. Mas eu também faria caso tivesse um pai daquele. A seguir, uma sucinta explicação histórica a cerca dessas partitas tão especiais: “Em 1723, Bach já tinha estabelecido sua reputação de virtuoso tecladista quando ele foi apontado kantor da Igreja de São Tomás e diretor de música em Lípsia. Ele também era, igualmente, um compositor bem sucedido e muito hábil ao improvisar no órgão. Ele também já tinha provado que podia compor para vários estilos, de altamente complexas fugas à peças galantes como as suítes. Neste novo emprego, Bach pode ter querido impressionar os seus patrões, na ocasião, e mostrar que ele era mais do que capaz de manter a posição para qual fora chamado a assumir, pois para a comissão dos jurados na sua admissão ele apresentou uma série de trabalhos recentes que ele mesmo tinha preparado, noutrora, para alunos. Entre estes trabalhos, incluíam-se: “Invenções e Sinfonias” (1723), e “O Cravo Bem Temperado” (1722). O ocupante da cadeira que Bach iria assumir, até o último ano, era um compositor da mais alta reputação musical, Johann Kuhnau (1660-1722), este que tinha estabelecido as fundações da escola musical do cravo, na Alemanha. Bach já tinha também trabalhado com Kuhnau, em Halle, em 1716, examinando um órgão. Alem disto, o sobrinho de Kuhnau, Johann Andreas Kuhnau, era o copista das partes musicais das cantatas de Bach. Logo, era meio indicativo que Bach tinha que dar uma boa impressão aos seus novos empregadores e este legado da amizade entre os dois serviu para incentivar Bach a escrever as Seis Partitas. Era o outono de 1726, quando Bach finalmente publicou a primeira partita. Esta se seguiu com as: nº 2 e 3, em 1727, nº 4 em 1728, nº 5 e 6, em 1730. Em 1731 Bach juntou as seis e publicou mais uma vez como uma coletânea, pelo título de “Opus I”. Ele poderia capitalizar mais ainda em trabalhos já preparados e publicados anteriormente e com o dinheiro dos ganhos durante as primeiras publicações investir em futuras produções.

Daqui

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – 6 Partitas (Piano) – Vladimir Ashkenazy

DISCO 01

Partita No. 1 in B flat major. BWV 825
01. I. Praeludium
02. II. Allemande
03. III. Corrente
04. IV. Sarabande
05. V. Menuet I
06. V. Menuet II
07. VI. Giga

Partita No. 2 in C minor, BWV 826
08. I. sinfonia Garev adagio – Andante – Allegro
09. II. allemande
10. III. Courante
11. IV. Sarabende
12. V. Rondeaux
13. VI. Capriccio

Partita No. 3 in A minor. BWV 827
14. I. Fantasia
15. II. Allemande
16. III. Corrente
17. IV. Sarabande
18. V. Burlesca
19. VI. Scherzo
20. VII. Gigue

DISCO 02

Partita No. 4 in D major, BWV 828
01. I. Ouverture
02. II. Allemande
03. III. Courante
04. IV. Aria
05. V. Sarabande
06. VI. Menuet
07. VII. Gigue

Partita No. 5 in G major, BWB 829
08. I. Preambulum
09. II. Allemande
10. III. Corrente
11. IV. Sarabande
12. V. Tempo di Minuetto
13. VI. Passepied
14. VII. Gigue

Partita No. 6 in E minor, BWV 830
15. I. Toccata
16. II. Alemande
17. III. Corrente
18. IV. Air
19. V. Sarabanda
20. VI. Tempo di Gavotta
21. VII. Gigue

Vladimir Ashkenazy, piano

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Carlinus

Antonin Dvorak – Violin Concerto in A Minor, op. 53, Pablo de Sarasate – Zigeunerweisen, Op.20, Carmen Fantasy, Op.25, Mazurek, Op.49

Curto e grosso: este CD é IM-PER-DÍ-VEL. Um baita CD.
Akiko Suwanai venceu simplesmente o Concurso Tchaikovsky e nos tem brindado com gravações sensacionais, vide os concertos de Bach com ela, postados aqui no PQP há um tempo atrás e que encantou a todos.
O repertório deste CD mescla estes dois elementos:  virtuosismo e técnica, mas também paixão e um sentimentalismo exacerbado, pero no mucho. O editor da amazon acertou em cheio em sua análise:
Akiko Suwanai, the youngest winner of the Tchaikovsky Competition, is a stunning virtuoso with a sensitive musical heart. Her tone is gorgeous: radiant on the high strings, dark and warm on the low ones, pure at all times. Her technique is brilliant, her intonation flawless. She executes the most hair-raising violinistic feats–runs at top speed, double and triple stops, harmonics–with effortless ease and a beautiful sound. Her program here seems to be arranged backward, with the dessert preceding the main course, perhaps to show that you need enough technique for bravura pieces to do justice to real music.
Sarasate’s “Zigeunerweisen” and “Carmen Fantasy” are played with virtuosic flair and idiomatic feeling. The former’s gypsy abandon and melancholy sometimes verge on sentimentality, but the latter’s passion, fire, and seductive charm almost make it sound like music. Dvorák’s “Mazurek” provides the link between the two composers: it is dedicated to Sarasate. It, too, is basically a virtuoso piece, but a lovely, pensive melody intermittently relieves the fireworks. In the Concerto, the first movement is most convincing. The treacherous opening is not only technically perfect, but highly dramatic and rhetorical; the rhythm is rock-steady, yet flexible, and Suwanai brings out its ardent romanticism with great warmth and inward expressiveness. The other two movements feel driven, as if time were running out. The slow one is restless, the Finale downright hectic, though she tries to make the most of the lyrical moments. The orchestra supports her splendidly throughout. The booklet contains much information about the music, but not a word about the violinist.
–Edith Eisler
Cubrindo a falha apontada pela editora no final do texto, Akiko Suwanai é nascida em 1972, ou seja, às vésperas de fazer 40 anos de idade, e foi vencedora do Concurso Tchaikovsky de 1990, com apenas 18 anos de idade. Detalhe: foi a mais jovem ganhadora deste importantíssimo prêmio.
Muita calma nesta hora: relaxem, sentem em suas melhores poltronas, aumentem o volume do aparelho de som para poderem apreciar a qualidade da interpretação e da música. Não, não precisam se ajoelhar. Basta fecharem os olhos e admirarem a capacidade humana de superar desafios e nos proporcionar momentos únicos como este. Afinal de contas, temos direito a momentos como este.

Antonin Dvorak – Violin Concerto in A Minor, op. 53, Pablo de Sarasate – Zigeunerweisen, Op.20, Carmen Fantasy, Op.25, Mazurek, Op.49

01 Zigeunerweisen, op. 20

02 Carmen Fantasy, op. 25

03 Mazurek, op. 49

04 Violin Concerto in A Minor, op. 53

05 Violin Concerto in A Minor, op. 53

06 Violin Concerto in A Minor, op. 53

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FDPBach

Gustav Mahler (1860-1911) – Sinfonia No. 4 em Sol e Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Exsultate, Jubilate, K. 165

Costumo afirmar que a Quarta Sinfonia é uma “porta dimensional” para o mundo de Gustav Mahler. Ela é, didaticamente, uma janela que se abre para que enxerguemos as planícies infinitas da música do compositor astríaco e nos assustemos com isso. A música de Mahler é grande, imensa. Ouvi-la é ser convidado para experimentar o conflito, a libertação e o êxtase. Escutar Mahler é abrir uma janela, prafraseando Mario Quintana. O poeta gáucho costumava dizer que quem “escreve um poema, abre uma janela”. Ou seja, a música de Mahler provoca em nós aquela sensação de liberdade, alívio e esperança, que são experimentados quando abrimos uma janela e recebemos um borrifo de vento. Didaticamente, poderia sugerir ao ouvinte pouco afeito à textura provocante e filósofica e que busca ingressar pelos portões do mistério e caminhar nas trilhas largas da música do compositor, que deva começar a sua caminhada pela Quarta Sinfonia e depois a Primeira, a Quinta, a Sexta, a Terceira, a Segunda, A Oitava, a Sétima e a Nona. Essa seria um trilha segura, sem sobressaltos e sustos. Quando quero perceber uma certa gradação, uma escadaria poética, geralmente disponho as sifonias do austríaco dessa forma. Esse CD que posto é uma joia. Já ouvi umas cinco vezes essa semana. Ainda temos Mozart com a sua deliciosa Exsultate, Jubilate. Verdadeiramente uma baita CD! Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Gustav Mahler (1860-1911) – Sinfonia No. 4 em Sol

01. I. Bedächtig. Nicht eilen
02. II. In gemächlicher Bewegung. Ohne Hast
03. III. Ruhevoll
04. IV. Das himmlische Leben. Sehr behaglich

Rafael Druian, violino solo
Judith Raskin, soprano

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Exsultate, Jubilate, K. 165
I. Allegro
II. Andante
III. Allegro

Judith Raskin, soprano

Cleveland Orchestra
George Szell, regente

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Carlinus

Fórum das Letras!

O nosso ouvinte Jorge Tadeu, de Ouro Preto, informa:

A semana promete aqui em Ouro Preto. É o Fórum das Letras! Visitem o site:

http://www.forumdasletras.ufop.br/agenda.php

e no sábado, dia 12 de novembro:

21:00 – Via-Sacra Poética
Orquestra Ouro Preto
Matinas de Sábado Santo – Lobo de Mesquita
Regência: Maestro Rodrigo Toffolo
Local: Igreja de Nossa Senhora do Carmo (Rua Brigadeiro Musqueira S/N – Centro)

Avicenna

.: tevê interlúdio – Duofel :.

Uma hora de Duofel no Studio n° 7, iniciativa de uma marca de uísque e que ganhou uma perna aqui no Brasil pela Trama. O show foi transmitido ao vivo pela internet em junho passado. Dizer que é sensacional é pouco. Assista e anote mentalmente: jamais perder um show quando o Duofel passar pela cidade.

Quem quiser baixar o vídeo (ou ripar em mp3) pode acessar o clipconverter e usar a url original do vídeo no youtube. No entanto, esteja avisado: trouxe aqui uma versão editada, porque a marca de uísque colocou 65’32 minutos de seu logotipo em loop antes do show em si. Quer dizer — nós disponibilizamos a apresentação completa de graça, mas em troca vamos irritar você até que a coisa toda perca a graça um pouquinho. Marketing clássico. No clipconverter há opção de especificar o início do vídeo; use o tempo acima. Corte nos 170’42, antes que comecem videoclipes spam sem qualquer relação com o show. (Ah, e tem um intervalo no meio, incluindo um documentário sobre o patrocinador.)

Este show é focado no trabalho mais recente da dupla, que é uma releitura dos Beatles. Eu sinceramente prefiro qualquer trabalho original a outra releitura dos Beatles, mas posso fazer uma concessão, e que eles ganhem um pouco mais de reconhecimento internacional, merecido, quem sabe, tomara. Ainda assim, os arranjos são qualquer coisa menos que apuradíssimos, e pra quem aprecia os violões, é daquela técnica de derrubar queixos. E por favor, revisite logo aqui dois discos fantásticos dessa dupla. Atualizei este antigo post, lá de 2007, com rips mais adequados, em 320 — e incluí o álbum ao vivo que comemorou os 20 anos da dupla, em 2000.

Desnecessário dizer, são desses artistas que vale a pena comprar o disquinho. E sim, eles estão lá, na mirrada estante de jazz deste cão.

Boa audição!
Blue Dog

É um espanto a Maria João Pires ou o espanto de Maria João Pires

Maria João tinha ensaiado um concerto de Mozart. Foi quando viu Riccardo Chailly fazer, junto com a Orquestra do Concertgebouw de Amsterdam, a introdução de outro concerto de Mozart. Totalmente perturbada, ela diz para Chailly que ia tocar o que desse ou o que lembrava. O resultado é que ela tocou todo o concerto até o final sem cometer nenhum erro. Bem, é a Maria João, mas mesmo assim é espantoso. Como lembra FM, era um concerto de meio-dia, ou seja, ensaio aberto, basta ver pelos trajes. Mas a angústia dela e a resposta artística são de arrepiar.