J. S. Bach (1685-1750): Sonatas e Partitas para Violino Solo BWV 1001-1006 / Pisendel (1687-1755): Sonata a Violino Solo senza Basso (Beyer)

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas e Partitas para Violino Solo BWV 1001-1006 / Pisendel  (1687-1755): Sonata a Violino Solo senza Basso (Beyer)
Version 1.0.0

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Meu jesuiscristinho, que gravação das Sonatas e Partitas de Bach que faz a francesa Amandine Beyer! Beyer é do time da música com instrumentos originais, mas há uma diferença fundamental sobre a imensa maioria. Ela toca com emoção, verve e ritmo, não é um metrônomo. Cada movimento foi pensado profunda e criativamente, de modo a experimentar novas fluências. E é um registro vibrato-free, quente e claro!!! Talvez esta seja a primeira gravação destas obras onde podemos bater o pezinho e balançar a cabeça. Basta pensar que tudo aqui deriva da música de dança. Chega de funerais! Arte impecável, execução perfeita e belo som.

Esta gravação é considerada uma das interpretações mais originais e impactantes das últimas décadas no universo da música barroca. É marcada por uma fluidez quase vocal. Como disse, ela prioriza a dança. Amandine também foi elogiada pela clareza polifônica (o “diálogo” entre vozes no violino solo é excepcionalmente claro). Ela desconstrói a grandiosidade monumental das Sonatas e Partitas, transformando-as em uma experiência íntima e humana. Não é uma versão “fácil” ou imediatamente cativante, mas que recompensa o ouvinte com camadas de significado e beleza singular. Amandine Beyer enfatiza a voz interior de Bach em vez do virtuosismo exterior. Sua gravação é um marco que dialoga com a história, sem ser museológica. Para muitos, tornou-se uma versão de referência do século XXI. Para quem busca uma interpretação que una intelecto, coração e autenticidade histórica, esta é uma bela escolha.

Como um bônus, ela inclui um trabalho solo fascinante, onde Pisendel homenageia Bach. E mais não digo porque amo Amandine, mas sou casado com outra violinista.

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas e Partitas para Violino Solo BWV 1001-1006 / Pisendel (1687-1755): Sonata a Violino Solo senza Basso (Beyer)

CD1 #01 – Partita, BWV 1002: I. Allemanda
CD1 #02 – Partita, BWV 1002: II. Double
CD1 #03 – Partita, BWV 1002: III. Corrente
CD1 #04 – Partita, BWV 1002: IV. Double, Presto
CD1 #05 – Partita, BWV 1002: V. Sarabande
CD1 #06 – Partita, BWV 1002: VI. Double
CD1 #07 – Partita, BWV 1002: VII. Tempo di borea
CD1 #08 – Partita, BWV 1002: VIII. Double

CD1 #09 – Sonata BWV 1003: I. Grave
CD1 #10 – Sonata BWV 1003: II. Fuga
CD1 #11 – Sonata BWV 1003: III. Andante
CD1 #12 – Sonata BWV 1003: IV. Allegro

CD1 #13 – Partita, BWV 1004: I. Allemanda
CD1 #14 – Partita, BWV 1004: II. Corrente
CD1 #15 – Partita, BWV 1004: III. Sarabanda
CD1 #16 – Partita, BWV 1004: IV. Giga
CD1 #17 – Partita, BWV 1004: V. Ciaccona

CD2 #01 – Sonata BWV 1005: I. Adagio
CD2 #02 – Sonata BWV 1005: II. Fuga
CD2 #03 – Sonata BWV 1005: III. Largo
CD2 #04 – Sonata BWV 1005: IV. Allegro assai

CD2 #05 – Sonata BWV 1001: I. Adagio
CD2 #06 – Sonata BWV 1001: II. Fuga, Allegro
CD2 #07 – Sonata BWV 1001: III. Siciliana
CD2 #08 – Sonata BWV 1001: IV. Presto

CD2 #09 – Partita, BWV 1006: I. Preludio
CD2 #10 – Partita, BWV 1006: II. Loure
CD2 #11 – Partita, BWV 1006: III. Gavotte en rondeaux
CD2 #12 – Partita, BWV 1006: IV. Menuet I – Menuet II
CD2 #13 – Partita, BWV 1006: V. Bourée
CD2 #14 – Partita, BWV 1006: VI. Gigue

Johann Georg Pisendel: Sonata a Violino Solo senza Basso
CD2 #15 – Sonata a violino solo senza basso: I.
CD2 #16 – Sonata a violino solo senza basso: II. Allegro
CD2 #17 – Sonata a violino solo senza basso: III. Giga
CD2 #18 – Sonata a violino solo senza basso: IV. Variatione

Amandine Beyer, violino

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

csacac
Pode rir à vontade, Amandine.

PQP

JS Bach (1685 – 1750): Magnificat BWV 243 e Cantata ‘Unser Mund sei voll Lachens’, BWV 110 – The Netherlands Bach Society – Jos van Veldehoven ֎

JS Bach (1685 – 1750): Magnificat BWV 243 e Cantata ‘Unser Mund sei voll Lachens’, BWV 110 – The Netherlands Bach Society – Jos van Veldehoven ֎

Então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de cântico

Salmo 126:2

Feliz Natal!

A Cantata Unser Mund sei voll Lachens  teve sua estreia no Serviço Matinal (às 7 da manhã) da Igreja de São Tomás, em Leipzig, no Dia de Natal do ano 1725, há exatos 300 anos! Sua música foi adaptada da Suíte Orquestral No. 4. O festivo primeiro movimento saúda o recém-nascido e a parte rápida da abertura está cheia de bocas sorridentes.

Três anos antes Bach preparara a música para seu primeiro Natal como cantor da Igreja de São Tomás e para tanto compusera uma primeira versão do Magnificat. Dessa composição, ele também ‘emprestou’ um trechinho de música, adaptando o Virga Jesse floruit (de Jessé nasceu a vara, de Jessé nasceu a vara, da vara o Salvador…) para o coro Ehre sei Gott in der Höhe (Louvado seja Deus, nas alturas), o cara era mesmo fera!

Jos feliz com a afinação dos meninos sopranos do PQP Bach Choir

No disco desta natalícia postagem o Magnificat é a versão posterior preparada por Bach em 1733, com nova orquestração e apenas com os trechos cantados em latim. Na primeira versão, identificada por BWV 243a, Bach interpola os textos em latim por ‘interlúdios’, que foram suprimidos na nova versão. Como explica Jos van Veldehoven no livreto do disco: ‘Essas interpolações já eram conhecidas no século XVI. Compositores acrescentaram canções de Natal alemãs e latinas entre os versos do Magnificat, tornando o texto deste último inseparável do Natal’.

A peça adaptada para a cantata, o Virga Jesse floruit é o quarto destes interlúdios, que na cantata tornou-se o coral Ehre sei Gott in der Höhe. Nesta gravação do Magnificat, o regente, que é holandês, usa música de três compositores holandeses (Dirck Janszoon Sweelinck, Jan Baptist Verrijt e Johann Hermann Schein) e um parente de João Sebastião (Johann Michael Bach) para seguir a tradição e usar ‘interlúdios’ na apresentação do Magnificat.

Aproveito a postagem para desejar a todos um feliz Natal e que muito se deliciem ao som dos holandeses… tocando Bach.

Johann Sebastian Bach (1685-1750)

Unser Mund sei voll Lachens (BWV 110)

  1. Unser Mund sei voll Lachens
  2. Ihr Gedanken und ihr Sinnen
  3. Dir, Herr, ist niemand gleich
  4. Ach Herr, was ist ein Menschenkind
  5. Ehre sei Gott in der Höhe
  6. Wacht auf, ihr Adern und ihr Glieder
  7. Alleluja! Gelobt sei Gott

Magnificat in D major (BWV 243)

  1. Magnificat anima mea Dominum
  2. Et exsultavit spiritus meus
  3. Hoe schoon lichtet de morghen ster (1)
  4. Quia respexit humilitatem
  5. Omnes generationes
  6. Quia fecit mihi magna
  7. Currite, pastores (2)
  8. Et misericordia
  9. Fecit potentiam
  10. O Jesulein, mein Jesulein (3)
  11. Deposuit potentes
  12. Esurientes implevit bonis
  13. Ehre sei Gott in der Höhe (4)
  14. Suscepit Israel
  15. Sicut locotus est
  16. Gloria Patri

‘Einlagen’ in Magnificat:

(1) Dirck Janszoon Sweelinck (1591-1652)

(2) Jan Baptist Verrijt (1600-1650)

(3) Johann Hermann Schein (1586-1630)

(4) Johann Michael Bach (1648-1694)

The Netherlands Bach Society

Jos van Veldhoven conductor

Dorothee Mields soprano 1

Johannette Zomer soprano 2 (Magnificat)

William Towers alto

Charles Daniels tenor

Stephan MacLeod bass

Faixa Bonus

Magnificat in E-flat major, BWV 243a

  1. Virga Jesse floruit

Choir of Christchurch Cathedral Oxford

The Academy of Ancient Music

Simon Preston

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 157 MB

Como é Natal, você ganha o presente: The Netherlands Bach Society’s recording of Bach Cantata 110 (“Unser Mund sei voll Lachens”) and the Magnificat, led by Jos van Veldhoven, is universally acclaimed for its vibrant, joyful, and pristine sound, featuring fresh-sounding, first-rate soloists and choir, demonstrating both majesty and intimacy, with critics praising its technical brilliance and authentic spirit, often highlighting the captivating instrumental work and welcome inclusion of 17th-century Dutch motets within the Magnificat. 

E viva o Jesulein, o Menino Jesus!

Aproveite!

René Denon

Olivier Messiaen (1908-1992): Organ works – Landmark interpretations – Marie-Claire Alain, Naji Hakim

Olivier Messiaen (1908-1992): Organ works – Landmark interpretations – Marie-Claire Alain, Naji Hakim
“E isso aí não é pênalti, professor?”

Cést Noël!

Estamos em tempo de Natal, o que significa tender com abacaxi, farofa de uva passa, arroz com creme de milho, conversas pitorescas com parentes que fazem oração para pneus, Roberto Carlos de branco e azul na tv, caixinhas à mancheia, espumantes de gosto duvidoso y muchas otras cositas mas.

É, sobretudo, uma época de tradições, as grandes e pequenas. Eu, cá comigo, tenho uma pequenina: ouvir muitas cantatas e muito órgão. Pois aqui vai um precioso disquinho com um belíssimo repertório religioso-natalino-messiaenico. Vai muito bem com uma ou três fatias generosas de um ótimo panetone e um vinho do porto geladinho. Prefiro um tawny, mas pode ser o que você quiser. Como dizia o saudoso Mr. Catra, “deixa as pessoas”.

Aliás, acho que essa é a minha mensagem pra 2026: não sejamos chatos. Deixe as pessoas serem felizes. Quer botar gelo na cerveja? Bota. Quer colocar ketchup na pizza, cortar o macarrão, colocar o feijão por baixo do arroz, ouvir transcrições de sinfonias de Bruckner para gaita solo? Manda brasa! Cada um no seu quadrado, respeitando o quadrado do amiguinho, tá tudo certo.

Se cada um fizesse a sua parte nisso, evitando ser chato, a coisa melhoraria tanto…

Feliz Natal e que venha um ano bom, queridos leitores!

Marie-Claire Alain: a tranquilidade antes de ESMERILHAR os teclados

Olivier Messiaen (1908-1992)
Organ works

  1. Apparition de l’Église éternelle (1932)
  2. Le Banquet célest (1928)
    La Nativité du Seigneur (1935)
  3. I. La Vierge et l’Enfant
  4. II. Les Bergers
  5. III. Desseins éternels
  6. IV. Le Verbe
  7. V. Les Enfants de Dieu
  8. VI. Les Anges
  9. VII. Jésus accepte la souffrance
  10. VIII. Les Mages
  11. IX. Dieu Parmi nous
    Le Livre du Saint-Sacrement (1984)
  12. XVI. Prière après la Communion

Marie-Claire Alain at the organ of the Hofkirche, Lucerne (1-11)
Naji Hakim at the Cavaillé-Coll organ, Église de la Sainte-Trinité, Paris (12)

BAIXE AQUI / DOWNLOAD HERE

“Hmmm… needs more cowbell”

Karlheinz

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas de Natal (Herreweghe, Mields, Collegium Vocale Gent)

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas de Natal (Herreweghe, Mields, Collegium Vocale Gent)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Mais um excelente disco de música sacra vindo do ateu Herreweghe. Não se enganem, este não é o Oratório de Natal formado por 6 Cantatas, são outras Cantatas Também natalinas. O ponto alto é, sem dúvida, o Magnificat que fecha o CD duplo. É uma interpretação emocionante. Uma combinação matadora de solistas de primeira linha, canto coral incomparável e trabalho impecável da orquestra de instrumentos de época. O disco foi Editor`s Choice da revista Gramophone. Não é para menos.

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas de Natal (Herreweghe, Mields, Collegium Vocale Gent)

CD 1
1. Cantata No. 91, ‘Gelobet seist su, Jesu Christ,’ BWV 91 (BC A9): Choral
2. BWV 91 (BC A9): Recitativo: Der Glanz der höchsten Herrlichkeit
3. BWV 91 (BC A9): Aria: Gott, dem der Erden Kreis zu klein
4. BWV 91 (BC A9): Recitativo: O Christenheit!
5. BWV 91 (BC A9): Aria: Die Armut, so Gott auf sich nimmt
6. BWV 91 (BC A9): Choral: Das hat er alles uns getan

7. Cantata No. 121, ‘Christum wir sollen loben schon,’ BWV 121 (BC A13): Choral
8. BWV 121 (BC A13): Aria: O du von Gott erhöhte Kreatur
9. BWV 121 (BC A13): Recitativo: Der Gnade unermeßlichs Wesen
10. BWV 121 (BC A13): Aria: Johannis freudenvolles Springen
11. BWV 121 (BC A13): Recitativo: Doch wie erblickt es dich in deiner Krippen
12. BWV 121 (BC A13): Choral: Lob, Ehr und Dank sei dir gesagt

13. Cantata No. 133, ‘Ich freue mich in dir,’ BWV 133 (BC A16): Choral
14. BWV 133 (BC A16): Aria: Getrost! es faßt ein heileiger Leib
15. BWV 133 (BC A16): Recitativo: Ein Adam mag sich voller Schrecken
16. BWV 133 (BC A16): Aria: Wie lieblich klingt es in den Ohren
17. BWV 133 (BC A16): Recitativo: Wohlan! Des Todes Furcht und Schmerz
18. BWV 133 (BC A16): Choral: Wohlan, so will ich

CD 2
1. Cantata No. 63, ‘Christen, ätzet diesen Tag,’ BWV 63 (BC A8): Choral
2. BWV 63 (BC A8): Recitativo: O selger Tag! O ungermeines Heute
3. BWV 63 (BC A8): Aria: Gott, du hast es wohl gefüget
4. BWV 63 (BC A8): Recitativo: So kehret sich nun heut
5. BWV 63 (BC A8): Aria: Ruft und fleht den Himmel an
6. BWV 63 (BC A8): Recitativo: Verdoppelt euch demnach
7. BWV 63 (BC A8): Choral: Höchster, schau in Gnaden an

8. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Magnificat anima mea
9. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Et exultavit spiritus meus
10. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Vom Himmel
11. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Quia respexit humilitatem
12. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Omnes generationes
13. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Quia fecit mihi magna
14. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Freut euch und jubiliert
15. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Et misericordia
16. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Fecit potentiam
17. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Gloria in excelsis Deo
18. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Deposuit potentes
19. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Esurientes implevit bonis
20. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Virga Jesse floruit
21. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Suscepit Israel
22. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Sicut locutus est
23. Magnificat, BWV 243a (BC E14): Gloria Patri

Dorothee Blotzky-Mields: soprano
Carolyn Sampson: soprano
Ingeborg Danz: alto
Mark Padmore: tenor
Peter Kooy: bass
Sebastian Noack: bass

Philippe Herreweghe (cond.)
Collegium Vocale Gent

Total playing time: 117:09
Recorded 2001-2002 | Released 2003

Recording:
December 2001, Salle Philharmonique de Liège, Belgium (CD1)
December 2002, Arsenal de Metz, France (CD2)

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Não, Philippe, a Cantata do Café a gente posta outro dia, tá?
Não, Philippe, a Cantata do Café a gente posta outro dia, tá?

PQP

Felix Mendelssohn Bartholdy (1809-1847): Concerto para Violino e Orq., Op. 64 / Octeto

Felix Mendelssohn Bartholdy (1809-1847): Concerto para Violino e Orq., Op. 64 / Octeto

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Esta gravação foi “Editor`s Choice” da Gramophone em 2011, “Gravação recomendada” pela ClassicFM e depois, em 2016, foi considerada a melhor gravação do Concerto de Mendelssohn, novamente pela Gramophone. Tá bom?

Aclamado como “o Jascha Heifetz dos nossos dias”, o violinista James Ehnes é considerado um dos artistas mais perfeitos e musicais da música erudita. Talvez seja o melhor violinista em atividade atualmente. Ele já se apresentou em mais de 30 países, atuando e gravando com as melhores orquestras e regentes. A extensa discografia de Ehnes inclui desde sonatas para violino de Bach a Road Movies, de John Adams. Desde que Vladimir Ashkenazy ganhou destaque no cenário mundial na Competição Chopin de 1955 em Varsóvia, ele construiu uma carreira extraordinária de pianista. A regência tomou a maior parte de suas atividades nas últimas duas décadas, e ele mantém um relacionamento de longa data com a Philharmonia Orchestra, da qual foi nomeado regente em 2000.

O Concerto para Violino, Op. 64, de Mendelssohn passou a ser visto como um degrau inescapável na carreira de todo violinista que almejasse o sucesso, multiplicando-se seus recitais e gravações. Hoje é considerado uma das principais composições de Mendelssohn e um dos mais importantes exemplos de seu gênero, continuando a desfrutar de grande popularidade.

Felix Mendelssohn Bartholdy (1809-1847): Concerto para Violino e Orq., Op. 64 / Octeto

Violin Concerto In E Minor Op.64 (26:37)
1 I Allegro Molto Appassionato 12:45
2 II Andante 8:16
3 III Allegretto Non Troppo – Allegro Molto Vivace 5:35

Octet In E Flat Op.20 (30:44)
4 I Allegro Moderato Ma Con Fuoco 13:49
5 II Andante 6:31
6 III Scherzo 4:29
7 IV Presto 5:53

Cello – Edward Arron (tracks: 4 to 7), Robert deMaine (tracks: 4 to 7)
Conductor – Vladimir Ashkenazy (tracks: 1 to 3)
Orchestra – Philharmonia Orchestra (tracks: 1 to 3)
Viola – Cynthia Phelps* (tracks: 4 to 7), Richard O’Neill (tracks: 4 to 7)
Violin – Andrew Wan (tracks: 4 to 7), Augustin Hadelich (tracks: 4 to 7), Erin Keefe (tracks: 4 to 7), James Ehnes

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Ehnes, genial.

PQP

.: interlúdio :. Kenny Drew Trio: Season’s Greetings – Kenny Drew (piano), Niels-Henning Ørsted Pedersen (bass) & Ed Thigpen (drums) ֎

.: interlúdio :. Kenny Drew Trio: Season’s Greetings – Kenny Drew (piano), Niels-Henning Ørsted Pedersen (bass) & Ed Thigpen (drums) ֎

Feliz Natal!

Escrevo estas mal traçadas ainda em novembro, mas com dezembro já quase virando a esquina. Contrariando todas as mais acuradas previsões climáticas, nem mesmo o INPE conseguiu prever essa, já há árvores cuneiformes com seus galhos cheios de neve nas mais diversas partes de Niterói. O clima de Jingle Bells está no ar…

Uma das coisas que eu mais gosto nesta época do ano é a motivação para ouvir velhas canções natalinas em suas diferentes formas, sempre com uma nota de saudosismo, mas também uma de esperança. Eu já andei postando alguns álbuns com essa temática, como você poderá desencavar aqui, aqui ou ainda aqui.

Para este ano, seguindo minha nova tendência de ouvir jazz e coisas afins, escolhi o álbum de um pianista estadunidense que se mudou de mala, bagagens e piano para a Europa, ficando o resto da vida na Dinamarca.

The Kenny Drew Trio – Season’s Greetings

  1. Blue Christmas
  2. Jingle Bells
  3. White Christmas
  4. Quiet Cathedral
  5. The Christmas Song
  6. Silent Night
  7. Greensleeves
  8. Away In A Manger
  9. Quiet Cathedral (Solo Piano Version)

Kenny Drew, piano

Niels-Henning Ørsted Pedersen, bass

Ed Thigpen, drums

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 116 MB

A talented bop-based pianist, Kenny Drew was somewhat underrated due to his decision to permanently move to Copenhagen in 1964. He recorded with Howard McGhee in 1949 and in the 1950s was featured on sessions with a who’s who of jazz, including Charlie Parker, Coleman Hawkins, Lester Young, Milt Jackson, Buddy DeFranco, Dinah Washington, and Buddy Rich. […] He also appeared as a sideman on classic Blue Note albums including John Coltrane Blue Train, Dexter Gordon Dexter Calling, Grant Green Sunday Mornin’, and Jackie McLean Bluesnik. […] Drew recorded many dates for SteepleChase in the 1970s and remained active up until his death.

Aproveite!

René Denon

Kenny Drew

William Bolcom (1938): The Complete Rags (Hamelin)

William Bolcom (1938): The Complete Rags (Hamelin)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este é um maravilhoso CD duplo onde o pianista canadense Marc-André Hamelin brilha notavelmente. Hamelin é conhecido por sua habilidade demoníaca, mas eu o defendo com convicção — ele também tem muita sensibilidade e creio que eu, na minha idade e com minha vivência de ouvinte, saiba reconhecer um virtuose vazio quando ele dobra lá longe na esquina. Hamelin não é nada vazio, dá cara própria a cada uma das peças de Bolcom e estas são pra lá de boas!

Nas generosas notas do CD, o próprio compositor estadunidense apresenta o repertório, explicando como sua descoberta da música de Scott Joplin — que havia caído na obscuridade após a morte do compositor — levou-o a explorar o gênero no final dos anos 1960, justo em um momento em que a ópera Treemonisha ressurgia e o ragtime em geral, estava sendo revivido. Os elementos do ragtime tradicional de Joplin são evidentes nos rags de Bolcom – o DNA musical de síncope e swing que Hamelin captura perfeitamente – mas Bolcom se permite desviar para territórios mais incomuns, como, por exemplo, em Rag-Tango, que alterna a sensualidade do tango argentino, com suas harmonias picantes, e elementos de rags tradicionais. Eu desconhecia Bolcom e acho que este disco deve ser um bom ponto de partida. É uma audição maravilhosa, reveladora e, acima de tudo, muito agradável do início ao fim.

William Bolcom (1938): The Complete Rags (Hamelin)

1-1 Eubie’s Luckey Day 5:00
1-2 Epithalamium 4:57
1-3 Tabby Cat Walk 5:41
1-4 Knockout ‘A Rag’ 3:57
1-5 Rat-Tango 8:43
The Garden Of Eden (18:38)
1-6 Old Adam 2:18
1-7 The Eternal Feminine 5:47
1-8 The Serpent’s Kiss 5:32
1-9 Through Eden’s Gates 4:57
1-10 California Porcupine Rag 3:27
1-11 The Gardenia 5:07
1-12 The Brooklyn Dodge 4:47
1-13 Contentment 7:38
Three Ghost Rags (15:34)
2-1 Gracefull Ghost Rag 4:35
2-2 The Poltergeist 3:31
2-3 Dream Shadows 7:26
2-4 Raggin’ Rudi 3:54
2-5 Epitaph For Louis Chauvin 5:07
2-6 Seabiscuits Rag 3:44
2-7 Estella ‘Rag Latino’ 5:12
2-8 Fields Of Flowers 5:47
2-9 Incineratorag 3:11
2-10 Knight Hubert 3:57
2-11 Lost Lady Rag 6:32
2-12 Glad Rag 3:40
2-13 Last Rag 4:58
2-14 Brass Knuckles
Written-By [Written In Collaboration With] – William Albright
3:25

Piano [M Steinert & Sons] – Marc-André Hamelin

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

William Bolcom dando aula de ragtime

PQP

Johann Adolf Hasse (1699-1783): Messe in d / Johann David Heinichen (1683-1729): Requiem

Vai se aproximando o Natal, então deixo como contribuição duas obras corais compostas no século XVIII para a mui católica corte de Dresden. Eu considero este CD um tanto desigual, porque enquanto a Missa de Hasse (1751) é cheia de momentos expressivos emocionantes, o Requiem de Heinichen (1726) passou pelos meus ouvidos como passa barulho de trânsito: dois minutos depois eu não saberia descrever nada de interessante.

J.A. Hasse nasceu perto de Hamburgo e viveu uma vida longa e cheis de sucessos, principalmente na ópera e na música sacra. Muitos dos seus anos foram em Dresden e Viena, com períodos anteriores na Itália (década de 1720 em Nápoles e os últimos dez anos de vida em Veneza). Consta que ele aprendeu muito com o napolitano Alessandro Scarlatti. Representante da geração posterior à de J.S. Bach e Händel, Hasse já não é barroco, sendo um dos mais importantes compositores do período que hoje em dia é pouco lembrado, aquele entre 1750 e 1770. Eu, pessoalmente, diria que além dele também Antonio Soler e C.P.E. Bach são autores de música interessantíssima, mas é inegável que eles são menos tocados e menos estudados hoje do que Haydn e Mozart.

O regente alemão Hermann Max não chega a ser tão famoso quanto o belga Philippe Herreweghe ou o austríaco Nikolaus Harnoncourt, mas ele tem uma longa estrada com os grupos Rheinische Kantorei (Os Cantores do Reno) / Das Kleine Konzert (O Pequeno Concerto), que ele fundou em 1977. Pela gravadora Capriccio, Max e seus dois grupos gravaram muita coisa de Bach (Paixões, Cantatas) e de Telemann, incluindo um Oratório de Natal que FDP Bach postou ano passado (aqui).

1-16. Johann Adolf Hasse (1699-1783): Messe in d (Missa em ré menor)

17-36. Johann David Heinichen (1683-1729): Requiem em mi bemol maior

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Giovanni Adolfo Hasse, é o nome que consta no desenho de Hasse por Lorenzo Zucchi (circa 1755)

Pleyel

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 2 e 12 (Éder Quartet)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 2 e 12 (Éder Quartet)

O Éder dispensa apresentações. Já postamos vários quartetos com os caras e eles são espetaculares. Vamos às obras?

Os Quartetos Nº 2 e 12 de Shostakovich parecem nascer em extremos opostos — mas ambos revelam o compositor em momentos de rara intensidade. O Quarteto Nº 2 (1944) é uma ferida aberta. Escrito em plena guerra, mistura um lirismo tenso com explosões de desespero. Seu grande arco narrativo — sim, narrativo: da simplicidade inicial ao final devastado — soa como se Shostakovich tentasse organizar o caos do mundo apenas para perceber que a dor sempre retorna mais profunda. Já o Quarteto Nº 12 (1968) abre outra porta: mais austero, mais introspectivo, com harmonias que parecem deslizar para regiões sombrias e abstratas. Aqui, Shostakovich escreve como quem conversa consigo mesmo — um diálogo carregado de verdade. Se o primeiro é um grito, o segundo é um murmúrio. Se um olha o mundo em chamas, o outro olha para dentro. Juntos, mostram duas faces do mesmo artista — sempre dividido entre coragem e medo, entre resistência e esgotamento, entre a necessidade de falar e o risco de ser ouvido (ou censurado).

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quartetos Nº 2 e 12 (Éder Quartet)

String Quartet No. 2 In A Major, Op. 68
1 Overture: Moderato Con Moto 8:18
2 Recitativo And Romance: Adagio 8:58
3 Valse: Allegro 5:43
4 Theme With Variations: Adagio – Moderato Con Moto 11:02

String Quartet No. 12 In D Flat Major, Op. 133
5 Moderato – Allegretto 6:37
6 Allegretto 19:43

Éder Quartet:
Cello – György Éder
Viola – Sándor Papp
Violin – György Selmeczi, Péter Szüts

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Porque às vezes só resta abraçar o sofá.

PQP

Johann Christian Bach (1735-1782) / Johann Christoph Friedrich Bach (1732-1795) / Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784): Sinfonias (Chiarappa, Accademia Bizantina)

Johann Christian Bach (1735-1782) / Johann Christoph Friedrich Bach (1732-1795) / Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784): Sinfonias (Chiarappa, Accademia Bizantina)

Nhé, não é um grande CD, longe disso, mas, pô, é da família! Vale pela sinfonia de mano mais velho W.F., que era mesmo muito bom, meio deprimido e salva o CD. Como sabemos, o mano J.C. tem o mérito de ter inventado o estilo de Mozart, é o perfeito Mozart-sem-talento e sua música chega a ser agradável se não prestarmos muita atenção a ela. O J.C.F. não merecia a atenção que papai lhe deu. Era tão sem inspiração quanto eu. A Accademia Bizantina é apenas OK e leva as obras até seus finais sem grandes surpresas. Se você baixar este CD, a família agradece sem entusiasmo. Ah, já que o iPod já foi quase todo postado, vou copiar para ele o Réquiem de Verdi para depois postar, OK? Mas ainda falta um Villa-Lobos, um Nono e uma coisinha de jazz.

Johann Christian Bach (1735-1782) / Johann Christoph Friedrich Bach (1732-1795) / Wilhelm Friedemann Bach (1710-1784): Sinfonias (Chiarappa, Accademia Bizantina)

J. C. Bach – Londoner Sinfonietta N°1 in A-dur
1. Allegro
2. Rondò Grazioso

J. C. Bach – Londoner Sinfonietta N°2 in D-dur
3. Andante
4. Minueto

J. C. Bach – Londoner Sinfonietta N°3 in C-dur
5. Allegro
6. Rondò Grazioso

J. C. F. Bach – Symphonie in d-moll
7. Allegro
8. Andante Amoroso
9. Allegro Assai

W. F. Bach – Symphonie in F-dur
10. Vivace
11. Adagio
12. Allegro
13. Andante <—- Uma joia
14. Allegro
15. Minueto 1
16. Minueto 2

Accademia Bizantina
Carlo Chiarappa

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

O macharedo da Família Bach

PQP

Henryk Górecki (1933-2010): Os Três Quartetos de Cordas (Royal String Quartet)

Henryk Górecki (1933-2010): Os Três Quartetos de Cordas (Royal String Quartet)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Grande CD duplo com os três quartetos do polonês Górecki. Eu prefiro os dois primeiros, mas jamais jogaria fora o terceiro. O Kronos Quartet encomendou as obras e as estreou. O que talvez jamais imaginasse é que, poucos anos depois, viria um Royal String Quartet, da Polônia — bem, o fato de serem poloneses não chega a ser surpreendente — e faria gravações bem melhores das obras. Bem, acontece, a gente bota as coisas no mundo e perde o controle sobre elas. A música de Górecki é algo extraordinário neste CD que recebi com o maior entusiasmo. Parabéns à Hyperion inglesa por nos trazer tais obras-primas. O Arioso do Quarteto Nº 2 é de chorar de tão lindo!

Henryk Górecki (1933-2010): Os Três Quartetos de Cordas (Royal String Quartet)

Disc: 1
1-1 Already It Is Dusk (String Quartet No 1) Op 62 (15:43)

Quasi Una Fantasia (String Quartet No 2) Op 64 (33:02)
1-2 Largo Sostenuto – Mesto 7:49
1-3 Deciso – Energico Marcatissimo Sempre 6:57
1-4 Arioso: Adagio Cantabile Ma Molto Espressivo E Molto Appassionato 8:00
1-5 Allegro Sempre Con Grande Passione E Molto Marcato 10:16

Disc: 2
… Songs Are Sung (String Quartet No 3) Op 67 (55:54)

2-1 Adagio – Molto Andante – Cantabile 11:11
2-2 Largo Cantabile 12:55
2-3 Allegro Sempre Ben Marcato 4:51
2-4 Deciso – Espressivo Ma Ben Tenuto 12:24
2-5 Largo – Tranquillo 14:31

Royal String Quartet

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Górecki feliz, pelo visto
Górecki feliz, pelo visto

PQP

Henryk Górecki (1933-2010): Quartetos de Cordas Nros. 1 e 2 (Kronos)

Henryk Górecki (1933-2010): Quartetos de Cordas Nros. 1 e 2 (Kronos)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Já que temos duas excelentes gravações dos quartetos de Bartók e também dos últimos de Beethoven, nada como dialogar com mano CDF postando os dois primeiros quartetos do polonês Górecki: o primeiro plenamente bartokiano, o segundo indiscutivelmente beethoveniano.

Não creio que as grandes influências recebidas por Górecki desconsiderar o polaco. Burrice seria pensar que um quarteto de cordas pode ser escrito sem a referência destes gigantes. O primeiro quarteto é eslavo até a raiz dos cabelos, com lentos corais e danças furiosas de sabor mais bartokiano do que shostakovichiano. O segundo quarteto, principalmente no Arioso: Adagio Cantabile faz referências aos últimos quartetos de Beethoven, com a utilização de um tema curto levado ao paroxismo. Neste “Quasi una Fantasia” também há muito do minimalismo. Um bom disco!

Sobre o Kronos… Bem, não vou repetir o que os mais antigos no blog já sabem: acho-os o máximo!

Górecki (1933-2010): Quartetos de Cordas Nros. 1 e 2

1. Already It Is Dusk String Quartet No. 1, Op. 62

2. Quasi Una Fantasia String Quartet No. 2, Op. 64: Largo Sostenuto – Mesto
3. Quasi Una Fantasia String Quartet No. 2, Op. 64: Deciso – Energico; Furioso, Tranquillo – Mesto
4. Quasi Una Fantasia String Quartet No. 2, Op. 64: Arioso: Adagio Cantabile
5. Quasi Una Fantasia String Quartet No. 2, Op. 64: Allegro – Sempre Con Grande Passion E Molto Marcato; Lento – Tranquillissimo

Kronos Quartet

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

PQP

.: interlúdio :. Victor Biglione e Marcos Ariel: Duo #1

.: interlúdio :. Victor Biglione e Marcos Ariel: Duo #1

O CD Victor Biglione e Marcos Ariel, Duo #1 é uma joia da música instrumental brasileira que merece ser celebrado. Lançado em 1994, captura um diálogo íntimo entre violão e piano em arranjos sofisticados. Victor Biglione (violão de 7 cordas) e Marcos Ariel (piano) são mestres em unir musicalidade e leveza, criando um som ao mesmo tempo acessível. Biglione traz harmonias ricas e baixos marcantes enquanto Ariel responde com linhas melódicas fluidas no piano e improvisos cheios de classe. Bom disco para fãs de Ralph Towner e Egberto Gismonti (universalidade acústica), de Tom Jobim (sofisticação harmônica) e Yamandu Costa (raiz e virtuosismo). Para tardes chuvosas, jantares elegantes ou quando a alma pede beleza sem pressa. O disco foi gravado quase ao vivo (poucos overdubs), capturando a cumplicidade rara do duo. Biglione e Ariel já colaboravam há anos em trilhas sonoras e shows – a sintonia é orgânica.

.: interlúdio :. Victor Biglione e Marcos Ariel: Duo #1

1 Viola Enluarada
2 Bala Com Bala
3 Invitation
4 Lua Branca
5 Elegia Aos Pássaros II (Sanhaço)
6 Easy Living
7A Concerto De Aranjuez
7B Canto de Ossanha
8 Inútil Paisagem
9 São Jorge
10 Baleia Azul
11 Poema Brasileiro
12 Chuva Em Ipanema

Victor Biglione, violão
Marcos Ariel, piano

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Jovem, saiba que todos nós envelhecemos.

PQP

BTHVN255 – Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Ostatnie Sonaty Fortepianowe/Últimas Sonatas para Piano – Marcin Masecki (2015)

Ao renano genial em seu 255º aniversário

As derradeiras sonatas de Beethoven, tocadas num humilde piano vertical por um músico artificialmente surdo: sob quaisquer outras mãos, essa empreitada poderia desandar numa micagem tosca, mas Marcin Masecki não é um músico qualquer. Ao abordar, aos trinta e poucos anos, a trinca de obras-primas que tantos grandes pianistas de concerto guardam nas casacas até se lhes crerem maduros o bastante, o versátil, vasto Masecki abriu mão do trato sacrossanto que seus colegas costumam dar a elas e as recriou num “pianino” de seis oitavas (“raramente afinado”, segundo ele), que emula os instrumentos em frangalhos que serviram o compositor em seus últimos anos de vida. E foi além: usando tampões nos ouvidos e fones redutores de ruído, tocou-as na surdez mais completa possível a alguém que escuta. Em vez de ícones intangíveis burilados à perfeição, ele parte da perspectiva da precariedade em que as sonatas foram escritas – no apartamento mais caótico de Viena, com seus pianos mais torturados, e por um homem arrasado, capaz de ouvir tão só seus pensamentos – e nos oferece uma leitura calorosa e reverente, imbuída da estética lo-fi que explodiria nos anos de pandemia, em que havia tantos artistas a gravarem imperfeitamente em suas casas quanto ouvidos dispostos a escutá-los mundo afora.

A quem estiver em busca duma gravação definitiva, sem manchas e gravada em mármore, fica a cordial sugestão de procurá-la alhures – e aos ouvidos aventureiros dispostos a guardar os tomates, desejo bom proveito do frescor com que Masecki nos conta que a Arte, felizmente, sempre será aberta.


Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Sonata para piano no. 30 em Mi maior, Op. 109
Composta em 1820
Publicada em 1821
Dedicada a Maximiliane Brentano

1 – Vivace ma non troppo – Adagio espressivo
2 – Prestissimo
3 – Gesangvoll, mit innigster Empfindung – Andante molto cantabile ed espressivo – Variazione I: Molto espressivo – Variazione II: Leggermente – Variazione III: Allegro vivace – Variazione IV: Un poco meno andante – Variazione V: Allegro ma non troppo – Variazione VI: Tempo I del tema

Sonata para piano no. 31 em Lá bemol maior, Op. 110
Composta em 1821
Publicada em 1822

4 – Moderato cantabile – Molto espressivo
5 – Allegro molto
6 – Adagio, ma non troppo – Arioso – Fuga: Allegro ma non troppo – L’istesso tempo di arioso – L’istesso tempo della Fuga poi a poi di nuovo vivente

Sonata para piano no. 32 em Dó menor, Op. 111
Composta em 1821-22
Publicada em 1823
Dedicada ao arquiduque Rudolph da Áustra

7 – Maestoso – Allegro con brio ed appassionato
8 – Arietta – Adagio molto semplice e cantabile

Marcin Masecki, pianino Kemble de seis oitavas

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE



Masecki em ação na sala da Filarmônica Nacional de Varsóvia, palco do Concurso Internacional Chopin.

 

Vassily

Claudio Monteverdi (1567-1643): Ballo delle ingrate / Combattimento di Tancredi e Clorinda (Vartolo)

Claudio Monteverdi (1567-1643): Ballo delle ingrate / Combattimento di Tancredi e Clorinda (Vartolo)

O Ballo delle Ingrate (Dança das Ingratas) é uma obra-prima de Claudio Monteverdi, composta em 1608 para as núpcias do duque Francesco Gonzaga com Margarida de Saboia, em Mantova. Pertence ao gênero do balletto dramático, uma forma que mistura canto, dança, teatro e música instrumental, típica das esplêndidas festas da corte no início do Barroco. Com libreto de Ottavio Rinuccini, a obra apresenta uma alegoria moralizante. Vênus e Cupido descem ao Inferno para confrontar Plutão, queixando-se de que as mulheres de Mântua se tornaram “ingratas” ao amor, rejeitando os ardores dos seus pretendentes. Plutão, então, liberta temporariamente as almas das “ingratas” (condenadas por sua frigidez em vida) para que dancem num balé solene e trágico, servindo de aviso às mulheres presentes na plateia sobre as consequências de rejeitar o amor. É algo altamente erótico…

O Combattimento di Tancredi e Clorinda (1624) é uma obra revolucionária e um marco absoluto na história da música ocidental. Mais do que uma simples peça, é uma “ação dramático-musical” que redefine os limites da expressão e inaugura recursos que ecoariam por séculos. O libreto é do próprio Monteverdi e baseia-se num célebre episódio do poema épico Gerusalemme Liberata (1575), de Torquato Tasso. Durante as Cruzadas, o cavaleiro cristão Tancredi enfrenta um guerreiro muçulmano em combate noturno. Após feri-lo mortalmente, descobre, ao descer o elmo, que seu oponente é Clorinda, a mulher que ele secretamente ama. Clorinda, antes de morrer, pede o batismo, e Tancredi, dilacerado, lhe concede a água, que seria da pia batismal ou algo do gênero com seu próprio elmo.

Claudio Monteverdi foi um vanguardista, alguém efetivamente revolucionário. A gente ouve isso e acha muito antigo, só que tudo o que ele fazia era pela primeira vez. Ele não foi o inventor técnico da ópera, mas foi, sem dúvida, o pai fundador da ópera como a conhecemos — aquele que lhe deu profundidade dramática, força emocional e uma linguagem musical perene. Claudinho merece o nosso respeito.

Claudio Monteverdi (1567-1643): Ballo Delle Ingrate / Combattimento di Tancredi e Clorinda (Vartolo)

Ballo delle ingrate
1 Ballo delle ingrate 49:23
Vaccari, Patrizia (soprano)
Banditelli, Gloria (mezzo-soprano)
Abete, Antonio (bass)
Pederzoli, Maura (soprano)
Scabini, M. Ernesta (alto)
Goethem, Michel van (tenor)
Carmignani, Alessandro (tenor)
Abbondanza, Roberto (baritone)
San Petronio Cappella Musicale Orchestra (Orchestra)
Vartolo, Sergio (Conductor)

Combattimento di Tancredi e Clorinda
2 Combattimento di Tancredi e Clorinda 25:48
Abbondanza, Roberto (baritone)
Banditelli, Gloria (mezzo-soprano)
Carmignani, Alessandro (tenor)
San Petronio Cappella Musicale Orchestra (Orchestra)
Vartolo, Sergio (Conductor)

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Nada de frigidez, senhoras!

PQP

.: interlúdio :. Teddy Wilson meets Eiji Kitamura ֎

.: interlúdio :. Teddy Wilson meets Eiji Kitamura ֎

One of America’s piano greats meets one of Japan’s most traditional reedmen — in a setting that would prove to be a real highlight for both musicians at the time!

Esse disco é uma ‘postagem pronta’! Pensei em usar o subtítulo ‘Ocidente se encontra com Oriente’, no estilo ‘West meets East’, mas achei apelativo, sem contar que poderia levantar falsas expectativas. Sem contar que poderiam achar que estou falando de Istambul.

O disco reúne dois expoentes do jazz, em excelente forma, o pianista Teddy Wilson e o clarinetista Eiji Kitamura. É quase um detalhe geográfico que Teddy era estadunidense, Eiji é japonês e o disco foi gravado em Tokyo, no dia 5 de outubro de 1970. Nada surpreendente para o atual panorama globalizado, mas naqueles dias, a situação era outra. Os dois geniais músicos estavam acompanhados por Buffalo Bill Robinson na bateria, Masanaga Harada no baixo e Ichiro Masuda no vibrafone.

O programa é de clássicos do jazz como a magnífica ‘Stars fell on Alabama (last night)’, ‘On the sunny side of the street’, ‘Dream a little dream of me’, ‘Body and Soul’ e mais algumas, num total de 10 faixas para se deleitar.

Teddy Wilson foi um pianista magistral (um de seus álbuns ganhou o título ‘The Impeccable Mr. Wilson’). Há dois álbuns de Lester Young (outro mestre do swing jazz), nos quais o acompanhamento de piano é de Teddy Wilson em um e no outro Oscar Peterson. Vale a pena conferir.

Mas, o instrumento melódico deste disco é o clarinete de Eiji Kitamura, que desde sua primeira aparição no disco, no lado ensolarado da rua, vai te transportar para um clube de jazz em algum lugar como New Orleans, tal a pureza e beleza do som.

Há também o vibrafone de Ichiro Masuda que dá um colorido sonoro bem especial ao disco. O grupo parece ter tocado a metade da vida juntos (bem, a outra metade passaram fazendo outras coisas…), de tão integrados que são.

O disco todo respira uma certa inocência remetendo a um tempo mesmo anterior aos anos 1970, quando foi gravado. Teddy Wilson não mudou seu estilo ao longo de toda a sua carreira e, no caso dele, creio que podemos tomar como um elogio.

  1. On The Sunny Side Of The Street
  2. Time On My Hands
  3. I Can’t Get Started
  4. I’ve Found A New Baby
  5. Stars Fell On Alabama
  6. Whispering
  7. Dream A Little Dream Of Me
  8. Body And Soul
  9. After You’ve Gone
  10. Someday Sweetheart

Bass – Masanaga Harada

Clarinet – Eiji Kitamura

Drums – Buffalo Bill Robinson

Piano – Teddy Wilson

Vibraphone – Ichiro Masuda

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 88 MB

___.\o\0\0O0/0/o/.___

Kitamura devoted himself to clarinet playing while still an undergraduate at Keio University in Tokyo. He first came to prominence in the U.S. at the 20th Anniversary Jam Session of the Monterey Jazz Festival in 1977. His following in Japan was built previous to this on his regular television program.

He prefers to interpret traditional swing jazz rather than modern jazz and according to Allmusic is most strongly influenced by Benny Goodman and Woody Herman.

 

Teddy Wilson was one of the swing era’s finest pianists, a follower of Earl Hines’ distinctive “trumpetstyle” piano playing. Wilson forged his own unique approach from Hines’ influence, as well as from the styles of Art Tatum and Fats Waller. He was a truly orchestral pianist who engaged the complete range of his instrument, and he did it all in a slightly restrained, wholly dignified manner at the keyboard.

During his time with Benny Goodman, Wilson made some of his first recordings as a leader. These records featured such greats as Lester Young, Billie Holiday, Lena Horne, and Ella Fitzgerald. Wilson’s arrangements with Holiday in particular constitute some of the singer’s finest work, mostly due to Wilson’s ability to find the right sound to complement Holiday’s voice and singing style.

Aproveitem!

René Denon

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Cantatas BWV 21 & 42 (Philippe Herreweghe, La Chapelle Royale and Collegium Vocale Gent)

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Cantatas BWV 21 & 42 (Philippe Herreweghe, La Chapelle Royale and Collegium Vocale Gent)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Uma joia! Belas Cantatas levadas com toda a delicadeza e musicalidade que merecem. Bem, este CD reúne duas cantatas comparativamente tardias de Bach: a dramática e intensa Ich hatte viel Bekümmernis, BWV 21 e a serena e luminosa Am Abend aber desselbigen Sabbats, BWV 42. Juntas, oferecem um contraste sutil entre o desalento existencial e a esperança pacificadora — uma espécie de arco emocional que demonstra a profundidade espiritual e artística de Bach. Herreweghe faz uma abordagem de velocidade contida, equilíbrio entre as vozes, orquestração de câmara e uma sonoridade que respeita a clareza. A interpretação da BWV 21 é especialmente tocante — a dor, a angústia, a súplica ganham corpo com seriedade, sem histrionismos, mas com grande poder expressivo. Na BWV 42, Herreweghe enfatiza a serenidade reflexiva, a doçura da esperança pós–Páscoa. A orquestração e os solistas trazem a paz prometida pelo texto, com suavidade e elegância. O som limpo, com bom uso da instrumentação e a interpretação vocal refinada evita excessos e privilegia a clareza do contraponto, o que torna o discurso de Bach acessível,  humano e, por assim dizer, confiável. Este CD é não somente uma gravação de “cantatas quaisquer”, mas como uma pequena obra-prima de Bach sob a comando de Herreweghe.

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Cantatas BWV 21 & 42 (Philippe Herreweghe, La Chapelle Royale and Collegium Vocale Gent)

Ich Hatte Viel Bekümmernis BWV 21
1 Sinfonia 2:54
2 Chorus: Ich Hatte Viel Bekümmernis 3:55
3 Aria (S): Seufzer, Tränen 4:16
4 Recitativo (T): Wie Hast Du Dich, Mein Gott 1:36
5 Aria (T): Bäche Von Gesalznen Zähren 6:24
6 Chorus: Was Betrübst Du Dich, Meine Seele 3:29
7 Recitativo (S, B): Ach Jesu, Meine Ruh 1:28
8 Aria. Duetto (S, B): Komm, Mein Jesu 3:55
9 Chorus: Sei Nun Wieder Zufrieden, Meine Seele 4:22
10 Aria (T): Erfreue Dich, Seele 2:57
11 Chorus: Das Lamm, Das Erwürget Ist 3:02

Am Abend Aber Desselbigen Sabbats BWV 42
12 Sinfonia 6:43
13 Recitativo (T): Am Abend Aber Desselbigen Sabbats 0:33
14 Aria (A): Wo Zwei Und Drei Versammlet Sind 10:12
15 Choral. Duetto (S, T): Verzage Nicht, O Häuflein Klein 2:19
16 Recitativo (B): Mann Kann Hiervon Ein Schön Exempel Sehen 0:46
17 Aria (B): Jesus Ist Ein Schild Der Seinen 3:23
18 Choral: Verleih Uns Frieden Gnädiglich 2:09

Alto Vocals – Gérard Lesne
Alto Vocals [Choir] – Betty Van Den Berghe, Martin Van Der Zeijst, Rik Jacobs, Steve Dugardin
Bass Vocals – Peter Harvey (tracks: 1 to 11), Peter Kooy* (tracks: 12 to 18)
Bass Vocals [Choir] – Frits Vanhulle, Jan Depuydt, Paul Van Den Berghe, Pieter Coene, Vincent Bouchot
Bassoon – Kate Van Orden (2)
Bassoon [Continuo] – Kate Van Orden (2)
Cello – Ageet Zweistra, Harmen Jan Schwitters*
Cello [Continuo] – Ageet Zweistra
Choir – Collegium Vocale
Conductor – Philippe Herreweghe
Double Bass – Jonathan Cable
Double Bass [Continuo] – Jonathan Cable
Ensemble – La Chapelle Royale
Oboe – Marcel Ponseele, Michel Henry (tracks: 12 to 18)
Positive Organ – Jan Willem Jansen
Positive Organ [Continuo] – Jan Willem Jansen
Soprano Vocals – Barbara Schlick
Soprano Vocals [Choir] – Anne Mopin, Annelies Coene, Brigitte Verkinderen, Caroline Pelon, Delphine Collot, Dominique Verkinderen, Gundula Anders
Tenor Vocals – Howard Crook
Tenor Vocals [Choir] – Joël Suhubiette, Philippe Van Isacker, Raphaël Boulay, Ulrik Loens
Timbales – Jean Chamboux (tracks: 1 to 11)
Trumpet – Jonathan Impett (tracks: 1 to 11), Léon Petré (tracks: 1 to 11), Stephen Keavy (tracks: 1 to 11)
Viola – Christine Angot (2), Galina Zinchenko
Violin – Adrian Chamorro, Martha Moore (2), Myriam Gevers, Nicolette Moonen, Peter Van Boxelaere, Roy Goodman, Ryo Terakado

BAIXE AQUI– DOWNLOAD HERE

PQP

.: interlúdio :. Hermeto Pascoal: Eu e Eles

.: interlúdio :. Hermeto Pascoal: Eu e Eles

Eu amo Hermeto. Certa vez, soube que ele se apresentaria em Pelotas (RS) e dei um jeito para que meu chefe me mandasse pra lá na data. Visitei algumas pessoas, fiz contatos, justifiquei minha ida e fui fazer o que precisava realmente fazer. Também jamais perdi um show dele na decadente Porto Alegre, hoje bolsonarista. Eu e Eles é um disco em que o músico transforma o mundo inteiro em parceiro de criação. Cada faixa soa como uma conversa diferente — ora com o jazz, ora com o forró, ora com a pura invenção que só Hermeto dominava. Aqui, ele desmonta fronteiras musicais com alegria e ousadia, misturando sopros, teclas, ruídos e silêncios em um laboratório sonoro que parece, ao mesmo tempo, festa e poesia. É um álbum que celebra a liberdade total: “eu” é Hermeto em sua imaginação sem limite, “eles” somos todos nós, tocados por essa música que brinca, provoca e reinventa o que achávamos que já conhecíamos.

.: interlúdio :. Hermeto Pascoal: Eu e Eles

Chorinho MEC 3:51
Viva Jackson Do Pandeiro 2:22
Caminho Do Sol 1:20
A Sua Benção Brasil 3:39
Fauna Universal 3:33
Vai Um Chimarrão, Tchê (para Borghettinho) 4:14
Miscelânia Vanguardiosa 5:09
Linguagens & Costumes 3:29
Mercosom 4:26
Boiada 3:57
Capelinha & Lembranças 5:36
Parquinho Do Passado, Presente E Futuro 3:01

All instruments played by Hermeto Pascoal.

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

PQP

Antonio Vivaldi (1678-1741): Sinfonias dos Dramas para Música (Sardelli)

Antonio Vivaldi (1678-1741): Sinfonias dos Dramas para Música (Sardelli)

Este é um disco bem mexido e alegre de Vivaldi. Os temas talvez fossem larga e merecidamente utilizados em cenas teatrais abertas. Mas este é outro Vivaldi, um praticamente sem movimentos lentos, só com coisas francamente felizes, às vezes marciais. Sardelli respeita fielmente os andamentos e as instruções do compositor e isto é muito bem-vindo e desejável. Para alcançar seus bons resultados, Sardelli encontra um suporte orquestral altamente competente no Modo Antiquo, que se funde com ele em um brilhante exercício de compreensão, proporcionando um som pleno, colorido e retumbante. Sim, outro Vivaldi está sendo servido. Provem-no, senhores.

Antonio Vivaldi (1678-1741): Sinfonias dos Dramas para Música (Sardelli)

La Fida ninfa, opera in 3 acts, RV 714
1 Allegro molto – Presto 01:16

Arsilda, regina di Ponto, opera in 3 acts, RV 700
2 Allegro 01:47
3 Andante – Allegro 03:24

Giustino, opera in 3 acts, RV717
4 [Allegro] 02:33
5 [Andante] – Allegro 03:36

Bajazet (Il Tamerlano), pasticcio opera (“tragedia per musica”) in 3 acts, RV703
6 Allegro 02:20
7 Andante molto – Allegro 04:05

L’ Olimpiade, opera in 3 acts, RV 725
8 Allegro 02:12
9 Andante – Allegro 03:37

La Senna festeggiante, serenata à tre for chorus & continuo, RV 693
10 Allegro 02:22
11 Andante molto – Allegro molto 04:15
12 Adagio – Presto – [Adagio] 02:40
13 Allegro molto 01:05

Griselda, opera in 3 acts, RV 718
14 Allegro 01:57
15 Andante – Allegro 04:06

Teuzzone, pasticcio opera in 3 acts, RV 736
16 Allegro 01:52
17 Andante – Allegro 03:38

Ottone in Villa, opera in 3 acts, RV 729
18 Allegro 02:45
19 Larghetto – [Allegro] 01:55

Farnace, opera in 3 acts, RV 711
20 [Allegro] 01:53
21 Andante – [Presto] 03:12

L’ Incoronazione di Dario, opera, RV 719
22 Allegro 02:21
23 [Andante] – Presto 02:48

Armida al camp d’Egitto, opera in 3 acts (act 2 lost), RV 699 A/D
24 Allegro 01:43
25 [Andante] – Allegro 03:10

Dorilla in Tempe (I), opera (“melodramma erioco-pastorale”) in 3 acts, RV 709
26 3. Allegro 00:35

Modo Antiquo
Federico Maria Sardelli

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Grande Sardell!!!i

PQP

.: interlúdio :. Diana Krall: Live in Paris

Conheci Diana Krall por meio do DVD da qual foram tiradas as faixas deste CD, um registro ao vivo em Paris lá nos inícios do novo século. E foi um choque, lhes garanto. Depois disso virei fã de carteirinha dela.

Minha vida era um tanto quanto conturbada ali nos inícios dos anos 2000. Por motivo de estudo e de trabalho, vivia longe de minha esposa, então minha rotina era trabalho – universidade – casa, e no sábado após o trabalho, embarcava para a cidade onde minha esposa residia, também por motivos de trabalho e também por estar na época cuidando de seus pais, já idosos. Enfim, era uma rotina cansativa, desgastante, mas que ajudou a solidificar a relação. E foi também nesta época que comecei a colecionar mp3. E então foi nesta época que este disco da canadense me caiu em mãos por meio de um amigo, também fã de Jazz, que disse que era para ouvir. De posse então de meu velho discmann da Panasonic, inseri o disco e o ouvi em uma destas viagens. Foi um choque, pois ela reunia o que eu procurava: um talento nato, uma voz de veludo, tocava piano com muita propriedade, e neste disco abordava um repertório pelo qual eu já era apaixonado, o das velhas canções norte americanas, de Irvin Berlin a Cole Porter, passando por Gershwin, Burt Bacharach e concluindo com Billy Joel.

As canções interpretadas com muita qualidade, e com uma banda absolutamente perfeita, liderada pela dupla John Clayton e Jeff Hamilton, baixista e baterista respectivamente, e acompanhada em certos momentos por uma orquestra. Aquilo me pareceu de um nível altíssimo de sofisticação e elegância. Ela era muito discreta, mas podíamos sentir que tocava com alma. Comprei então em seguida o DVD do show, que traz outras canções, e o mais importante, pude vê-la e aos seus músicos, e entender que aquilo que senti ao ouvir era real, e que a discrição e uma certa timidez eram a cereja do bolo daquele disco.

Diana Krall continua sendo muito discreta, ainda mais depois que se casou com o cantor Elvis Costello, suas apresentações se tornaram mais esporádicas, assim como seus discos. Já veio ao Brasil algumas vezes, onde gravou um DVD, encarando ‘Garota de Ipanema’, entre outros clássicos da Bossa Nova, mas isso é assunto para outra postagem.

Considero ‘Look of Love”, “Devil May Care”, “Fly Me to the Moon” e “Just the Way Yoy Are” os grandes momentos do CD, mas ele é muito bem conduzido e produzido. O que ouvimos aqui é gente que leva muito a sério o que faz, e o que talvez seja mais importante, que se respeita muito e a própria música que faz em altíssimo nível, faço questão de salientar novamente. Nada de estrelismos, pelo menos enquanto estão tocando.

Espero que apreciem. Estou ouvindo este CD agora creio que pela milésima vez, e continuo tendo as mesmas sensações, mesmo após vinte e poucos anos. Também colocarei abaixo o link para o Show Completo no Youtube.

1 I Love Being Here With You
2 Let’s Fall In Love
3 ‘Deed I Do
4 The Look Of Love
5 East Of The Sun (And West Of The Moon)
6 I’ve Got You Under My Skin
7 Devil May Care
8 Maybe You’ll Be There
9 ‘S Wonderful
10 Fly Me To The Moon
11 A Case Of You
12 Just The Way You Are

Diana Krall – Piano e Voz
John Clayton – Contrabaixo
Jeff Hamilton – Bateria
Anthony Wilson – Guitarra
Paulinho da Costa – Percussão
Orchestre Symphonique Europeen
Alan Broudband – Condutor

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

.: interlúdio :. Inspirations – Romain Leleu (trompete) & Ensemble Convergences ֎

.: interlúdio :. Inspirations – Romain Leleu (trompete) & Ensemble Convergences ֎

This is a musical letter from my heart: my Inspirations.

Um ótimo disco para ouvir na tarde de domingo, depois daquele almoço de família, quando todo o mundo busca algum cantinho para relaxar e esperar o futebol. A vovó e a acompanhante se atracam num desses filmes de terror que as fazem dar gritinhos e dizerem ah… a todo momento. A vovó aqui é adepta da TV por streaming e só vê a novela se for de época. O tiozão prefere o sofá em frente da outra TV onde verá o jogo de Palmeiras contra o Mirassol, o Brasileirão está na reta final e pegando fogo. A patroa prefere um soninho na cama mesmo e eu vou de Romain Leleu com sua corneta.

Cheguei aos discos dele quase por acaso, primeiro um com Concertos clássicos para trompete, Haydn, Hummel e Neruda. Depois outro com concertos mais recentes, um composto por Jolivet e outro que foi composto para ele, o cara é bom.

O foco de hoje é em um disco de 2016 no qual ele é acompanhado por um Quinteto de Cordas.

Eu adorei o disco, ouvi logo duas vezes, deu tempo certinho antes do começo do jogo. O disco faz uma mistura de canções arranjadas para trompete e cordas, realmente do arco da velha. A batidíssima ‘Ária na Corda Sol’ me soou muito bem e o que dizer do virtuosismo da Fantasia Carmen? Só ouvindo… E tem o tema de Cinema Paradiso, pois é, diversidade.

Deixe de ser preconceituoso, relaxe na poltrona e deixe-se envolver por essas ondas de som, a combinação das cordas com o trompete está ótima. Gostei também das três canções brasileiras, como são bonitas! Águas de Março e Chega de Saudade, de Tom Jobim, e Manhã de Carnaval, de Luiz Bonfá, que fecha o disco.

Eu certamente vou me divertir durante o jogo, os rubro-negros aqui de casa certamente estarão com um secador de cabelo em cada mão….

  1. Joseph Kosma (txt. Jacques Prévert), Les Feuilles mortes (4’24)
  2. Grigoraş Dinicu, Hora Staccato (2’01)
  3. Astor Piazzolla (txt. Horacio Ferrer), Fuga y misterio (5’34)
  4. Ennio & Andrea Morricone, Cinema Paradiso (5’23)
  5. Gabriel Fauré (txt. Romain Bussine), Après un rêve (3’05)
  6. Georges Bizet & Manuel Doutrelant, Fantaisie sur Carmen (11’29)
  7. Reynaldo Hahn (txt. Paul Verlaine), L’Heure exquise (2’39)
  8. Louis-Claude Daquin, Le Coucou (1’48)
  9. Antônio Carlos Jobim, Águas de Março (3’44)
  10. Antônio Carlos Jobim (txt. Vinícius de Moraes), Chega de saudade (3’58)
  11. Vincent Peirani, Random Obsession (creation) (8’21)
  12. Johann Sebastian Bach, Aria (extrait de / from BWV 1068) (2’53)
  13. Pablo de Sarasate, Zapateado (3’47)
  14. Kurt Weill (txt. Roger Fernay), Youkali (extrait de / from Marie Galante) (3’42)
  15. Luiz Bonfá (txt. Maria Antonio), Manhã de Carnaval (5’18)Romain Leleu (soloist)

Romain Leleu, trompete

Ensemble Convergences, quintette à cordes

Guillaume Antonini et Manuel Doutrelant, violons

Claudine Legras, alto

Gregorio Robino, violoncelle

Mathieu Petit, contrebasse

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 160 MB

Leleu e Convergences

“The man who is restoring the trumpet’s prestige” is how Télérama described Romain Leleu, both a worthy representative of the purest tradition of the French trumpet school and a musician-adventurer, always ready to explore new universes.

Veja o recado dele, Romain Leleu:

My chosen palette was rich in warm and primary colours, a sonority that was at once both brilliant and lyrical, even sensual. Day in, day out, we, as an ensemble, tried out new work, commissioned new arrangements and played them before live audiences to get their response.

This new album represents the results of my search for that purest and richest of sounds.

This is a musical letter from my heart, a soundscape that is both personal and mythic: my Inspirations.

Thanks to everyone who encouraged me to share this music with you.

Aproveite!

René Denon

.: interlúdio .: Charles Mingus – Charles Mingus’s Finest Hour

.: interlúdio .: Charles Mingus – Charles Mingus’s Finest Hour

Difícil de comentar. O CD “Charles Mingus’s Finest Hour” é uma compilação da série Finest Hour da gravadora Verve Records, que selecionaria o que há de “mais essencial” na carreira de artistas lendários. Neste caso, não chegou nem perto de uma boa amostragem. Há coisas maravilhosas e outras que francamente… Não servem nem como uma porta de entrada para conhecer Mingus: é uma mistureca de registros antigos e mais novos. A presença de obras-primas junto a gravações bem comuns baixam o nível de tudo. OK, pode ser ótimo para entender a força musical de Mingus como baixista, compositor e líder de banda, pela larga temporalidade variada das peças selecionadas. Enfim, é uma compilação de diferentes fases de Mingus — que não demonstra a enorme força de seu lirismo, fúria e complexidade.

Charles Mingus – Charles Mingus’s Finest Hour

1 Charles Mingus– Jump Monk
Written-By – Charles Mingus
2:49
2 Lionel Hampton and his Orchestra– Mingus Fingers
Written-By – Charles Mingus
3:06
3 Charles Mingus– Theme For Lester Young (aka Goodbye Pork Pie Hat)
Written-By – Charles Mingus
5:50
4 Charlie Parker and his Orchestra– If I Love Again
Written-By – Ben Oakland, Jack Murray*
2:25
5 Charles Mingus– Bemoanable Baby
Written-By – Charles Mingus
4:23
6 Charles Mingus– Weird Nightmare
Written-By – Charles Mingus
3:37
7 Charles Mingus– Zoo-Baba-Da-Oo-Ee
Written-By – Charles Mingus
2:35
8 Mingus*– Old Portrait
Written-By – Charles Mingus
3:45
9 Charles Mingus– Prayer For Passive Resistance
Written-By – Charles Mingus
3:50
10 Charles Mingus– Consider Me
Written-By – Charles Mingus
3:19
11 Charles Mingus– Freedom
Written-By – Charles Mingus
5:10
12 Quincy Jones and his Orchestra– A Sleepin’ Bee
Written-By – Harold Arlen, Truman Capote
4:39
13 Charles Mingus– Group Dancers
Written-By – Charles Mingus
7:20
14 Charles Mingus– Better Get Hit In Yo’ Soul
Written-By – Charles Mingus
6:28

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

PQP

Stefano Landi (1587-1639): Homo fugit velut umbra… (L’Arpeggiata)

Um belo disco de música antiga, modernizada pelo excelente L`Arpeggiata. Às vezes, parece música popular bem mais recente. É tudo muito lindo. Vamos falar sério: a improvisação sempre foi uma parte significativa da música dos séculos XVI e XVII. Então, por que nossa época deveria preocupar-se em fazer interpretações exatinhas e matemáticas? Curtam,  é um baita CD.

O poema da primeira faixa é este:

O come t’inganni
Se pensi che gli anni
non hann’da finire,
bisogna morire.

E’ un sogno la vita
Che par si gradita,
è breve il gioire
bisogna morire.
Non val medicina
Non giova la China,
non si può guarire,
bisogna morire.

Non vaglion sberate,
minarie, bravate
che caglia l’ardire,
bisogna morire.
Dottrina che giova,
parola non trova
che plachi l’ardire,
bisogna morire.

Non si trova modo
di scioglier’sto nodo,
non val il fuggire,
bisogna morire.
Commun’è il statuto,
non vale l’astuto
‘sto colpo schermire,
bisogna morire.

Si more cantando,
si more sonando
la Cetra, o Sampogna,
morire bisogna.
Si more danzando,
bevendo, mangiando;
con quella carogna
morire bisogna.

La Morte crudele
a tutti è infedele,
ogn’uno svergogna,
morire bisogna.
E’ pur ò pazzia
o gran frenesia,
par dirsi menzogna,
morire bisogna.

I Giovani, i Putti
e gl’Huomini tutti
s’hann’a incenerire,
bisogna morire.
I sani, gl’infermi,
i bravi, gl’inermi,
tutt’hann’a finire
bisogna morire.

E quando che meno
ti pensi, nel seno
ti vien’a finire,
bisogna morire.
Se tu non vi pensi
Hai persi li sensi,
sei morto e puoi dire:
bisogna morire.

E sua tradução pelo Google:

Oh, como você se engana!
Se pensa que os anos
nunca acabam,
você deve morrer.

A vida é um sonho
Que parece tão agradável,
A alegria é breve,
você deve morrer.

Nenhum remédio
da China serve para nada,
você não pode se curar,
você deve morrer.

Nenhum tiro,
palavras ameaçadoras, bravatas
que azedam sua coragem,
você deve morrer.

Doutrina não serve para nada,
palavras não encontram
que acalmem sua coragem,
você deve morrer.

Não há como
desatar este nó,
é inútil fugir,
você deve morrer.

O estatuto é o mesmo,
este golpe astuto
de defesa não serve para nada,
você deve morrer.

Morre-se cantando,
morre-se tocando
cítara ou sampogna,
morre-se.

Morre-se dançando,
bebendo, comendo;
Com essa carniça,
morre-se.

A Morte Cruel
é infiel a todos,
desgraça a todos,
um deve morrer.

É loucura
ou grande frenesi,
fingir que se conta uma mentira,
um deve morrer.

Jovens, crianças
e todos os homens
devem ser incinerados,
um deve morrer.

Os saudáveis, os doentes,
os corajosos, os indefesos,
todos devem acabar,
um deve morrer.

E quando você menos
pensa nisso, chega ao fim em seu coração,
um deve morrer.

Se você não pensa nisso,
você perdeu a consciência,
você está morto e pode dizer:
um deve morrer.

Stefano Landi (1587-1639): Homo fugit velut umbra… (L’Arpeggiata)

1. Passacalli della vita (‘Homo fugit velut umbra’)
2. Augelin
3. Sinfonia à 3
4. Invan lusinghi
5. Altri amor fugga
6. Canzona detta La Pozza, for lute, theorbo & harp
7. T’amai gran tempo
8. A che più l’arco tendere
9. Alla guerra d’amor
10. Balletto delle Virtù
11. Canta la cicaleta
12. Dirindin
13. Quando Rinaldo
14. Quest’Acqua
15. Amarillide, deh vieni

Christina Pluhar
Johannette Zomer
Stephan Van Dyck
Alain Buet
Marco Beasley
L`Arpeggiata

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Esta parece ser a única imagem disponível de Landi
Esta parece ser a única imagem disponível de Landi

PQP

Tickmayer / Franck / Kancheli: Hymns And Prayers (Kremer)

Tickmayer / Franck / Kancheli: Hymns And Prayers (Kremer)

IM-PER-DÍ-VEL !!! (em razão do Kancheli)

Juntar o sérvio Tickmayer, o belga Franck e o georgiano Kancheli é fácil, o problema é aguentar Franck no meio deles. OK, o segundo movimento de seu Quinteto para Piano é bonito, mas o resto é complicado.

Tickmayer começou a escrever seus Eight Hymns em dezembro de 1986, ao saber da morte de seu cineasta favorito, Andrei Tarkovsky e tocou a obra em formato solo em seus concertos por vários anos. Ele o revisou em 2003, depois de trabalhar com os músicos da Kremerata — “os mensageiros ideais”, devido às suas origens no Leste Europeu — nesse luto musical. Tickmayer é eclético, estudou com Kurtág desde meados dos anos 90 e também colaborou com músicos de rock, como Chris Cutler, Fred Frith e Peter Kowald.

Gidon Kremer e Giya Kancheli têm uma longa associação que já resultou em várias gravações, incluindo o soberbo Music of Mourning in Memory of Luigi Nono (gravado em 1998) e Time… and Again (1999) e ainda na peça V & V (2000) do álbum In l’istesso tempo. Silent Prayer foi composta por ocasião do 80º aniversário de Mstislav Rostropovich e do 60º aniversário de Gidon Kremer em 2007. É dedicada a estes dois grandes músicos, ambos amigos próximos de Kancheli. Depois que Rostropovich morreu, o compositor intitulou a obra recém-terminada como Silent Prayer (Oração Silenciosa). A estreia mundial teve lugar a 7 de Outubro de 2007 no Festival de Violoncelo de Kronberg, que foi dedicado à memória do Rostrô, interpretado por Gidon Kremer e a Kremerata Baltica. Esse georgianos…. QUE MÚSICA, MEUS AMIGOS! É como uma névoa de lentidão infinita. Kremer cria linhas finas flutuando das alturas, como se fosse um guia para uma paisagem etérea. Kancheli foi um gênio, não se enganem, trata-se de um notável compositor, do porte de Pärt.

E dentro deste luto todo, aparece o muy coqueto Franck. Os amantes do belga podem achar esta obra um monumento, mas eu acho uma grande chateação romântica.

Tickmayer / Frank / Kancheli: Hymns And Prayers

Stevan Kovacs Tickmayer (1963)– Eight Hymns In Memoriam of Andrei Tarkovsky
Composed By – Stevan Kovacs Tickmayer
Conductor – Roman Kofman
Ensemble – Kremerata Baltica
Piano – Khatia Buniatishvili
Vibraphone – Andrei Pushkarev
(11:47)
1.1 – Calmo
1.2 – Tranquillo
1.3 – Pesante
1.4 – Sereno
1.5 – Molto Tranquillo
1.6 – Pregando
1.7 – Dolce
1.8 – Molto Semplice

César Franck (1822-1890) — Piano Quintet In f Minor
Composed By – César Franck
Piano – Khatia Buniatishvili
Viola – Maxim Rysanov
Violin – Marija Nemanytė*
Violoncello – Giedrė Dirvanauskaitė*
(36:20)
2 – Molto Moderato Quasi Lento. Allegro 15:55
3 – Lento, Con Molto Sentimento 10:45
4 – Allegro Non Troppo, Ma Con Fuoco 8:40

5 Giya Kancheli (1935-2019) — Silent Prayer
Composed By – Giya Kancheli
Ensemble – Kremerata Baltica
Vibraphone – Andrei Pushkarev
Violin – Gidon Kremer
Violoncello – Giedrė Dirvanauskaitė*
Voice [Voice On Tape] – Sofia Altunashvili
(26:40)

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

A cara de Kancheli quando soube da companhia. Franck? Pelamor…

PQP

Shostakovich Edition (CDs 25, 26 e 27 de 27)

Shostakovich Edition (CDs 25, 26 e 27 de 27)

IM-PER-DÍ-VEL !!! SÉRIE IM-PER-DÍ-VEL !!! E MAIS UMA SÉRIE FINALIZADA !!!

CD 25

Os quartetos de números 9, 10 e 11 são semelhantes em estrutura e espírito. São os três muito bons e têm em comum o fato de manter por todo o tempo a alternância entre movimentos rápidos e lentos, sendo tais contrastes ampliados pelo fato de o nono e o décimo primeiro serem compostos por movimentos executados sem interrupções. O décimo ainda separa os primeiros movimentos, porém o Alegretto final surge de dentro de um o Adágio. A postura de fazer com que surjam movimentos antagônicos um de dentro do outro é uma particularidade que torna estes quartetos ainda mais interessantes, sendo que o décimo primeiro é um quarteto de 17 minutos com sete movimentos; isto é, Shostakovich brinca com a apresentação de temas que fazem surgir de si outros muito diversos em estilo, como se o compositor estivesse sofrendo de uma incontrolável superfetação (*). É, no mínimo, desafiador ao ouvinte. Melodicamente, são muito ricos, e exploram com insistência incomum os ostinatos, os quais são sempre belíssimos e curiosos. Merecem inteiramente o lugar que modernamente obtiveram no repertório dos quartetos de cordas. É curioso como é fácil confundi-los. Estou ouvindo-os enquanto escrevo e noto quando o CD passa de um para outro, pois têm personalidades muito próprias, mas nunca sei se o que estou ouvindo é o nono ou o décimo. Pode ser uma limitação minha! Já no décimo primeiro, o paroxismo da criação de melodias chega a tal ponto, seus ostinatos são tão alucinados, que é mais fácil reconhecê-lo.

Aliás, o décimo primeiro apresenta aqueles finais tranquilos que constituíram-se uma das assinaturas do Shostakovich final. Esqueçam o gran finale. Sem fazer grande pesquisa, sei que eles podem ser encontrados na 13ª, 14ª e 15ª sinfonias, neste quarteto e no sensacional Concerto para Violoncelo que será comentado a seguir.

(*) Palavra pouco utilizada, não? Significa a concepção que ocorre quando, no mesmo útero, já há um feto em desenvolvimento.

String Quartet No. 5 in B flat major Op. 92 (1952)
1. Allegro non troppo  10:44
2. Andante  10:41
3. Moderato  10:25

String Quartet No. 11 in F minor Op. 122 (1966)
4. Introduction (andantino)  2:15
5. Scherzo (allegretto)  2:57
6. Recitativo (adagio)  1:18
7. Etude (allegro)  1:19
8. Humoresque (allegro)  1:08
9. Elegy (adagio)  4:15
10. Conclusion (moderato)  3:41

String Quartet No. 12 in D flat major Op. 133 (1968)
11. Moderato  6:41
12. Allegretto  20:29

Total:  76:15

Rubio Quartet
Dirk van de Velde, violin I
Dirk van den Hauwe, violin II
Marc Sonnaert, viola
Peter Devos, cello

CD 26

Talvez apenas aficionados possam gostar do esquisito Quarteto Nº 6. Ele tem quatro movimentos, dos quais três são decepcionantes ou descuidados. O intrigante nesta música é o extraordinário terceiro movimento Lento, uma passacaglia barroca que é anunciada solitariamente pelo violoncelo. É de se pensar na insistência que alguns grandes compositores, em seus anos maduros, adotam formas bachianas. Os últimos quartetos e sonatas para piano de Beethoven incluem fugas, Brahms compôs motetos no final de sua vida e Shostakovich não se livrou desta tendência de voltar ao passado comum de todos. Enfim, este quarteto vale por seu terceiro movimento e, com certa boa vontade, pelo Lento – Allegretto final.

String Quartet No. 4 in D major Op. 83 (1949)
1. Allegretto  4:27
2. Andantino  6:35
3. Allegretto  4:07
4. Allegretto  10:28

String Quartet No. 6 in G major Op. 101 (1956)
5. Allegretto  6:42
6. Moderato con motto  4:56
7. Lento  5:57
8. Lento-allegretto  7:44

String Quartet No. 10 in A flat major Op. 118 (1964)
9. Andante  4:32
10. Allegretto furioso  4:16
11. Adagio  6:13
12. Allegretto  9:08

Total:  75:18

Rubio Quartet
Dirk van de Velde, violin I
Dirk van den Hauwe, violin II
Marc Sonnaert, viola
Peter Devos, cello

CD 27

Quarteto de Cordas Nº 14, Op. 142 (1972-73)

Este é quase um quarteto para violoncelo solo e trio de cordas, tal é a proeminência dada àquele instrumento. É um quarteto inspiradíssimo, escrito em três movimentos (Allegretto – Adagio – Allegretto), e que tem seu centro dramático num dilacerante adagio de 9 minutos. Não consigo imaginar uma audição deste quarteto sem a audição em sequência do Nº 15. Eles, que costumam aparecer juntos, seja em vinil ou em CD, formam, em minha imaginação, uma obra só.

Quarteto de Cordas Nº 15, Op. 144 (1974)

Este trabalho, assim como a sonata a seguir, são tidas como obras-primas e seriam os dois principais “réquiens privados” de Shostakovich. Concordo com esta opinião.

O que dizer de um obra escrita em seis movimentos, em que quatro deles são adagio e os outros dois deles são adagio molto, sendo que, destes dois últimos, um é uma marcha funeral e outro um epílogo…? Ora, no mínimo que é lenta. Porém, como estamos falando do Shostakovich final, estamos falando de uma obra que tem como fundo a morte. Há três movimentos realmente notáveis nesta música: a Serenata: Adagio, a Marcha Fúnebre – Adagio Molto e o musicalmente espetacular Epílogo – Adagio Molto. O Epílogo recebeu vários arranjos sinfônicos e costuma aparecer – separadamente ou não do resto do quarteto – em gravações orquestrais.

String Quartet No.1 in C major Op. 49 (1935)
1. Modearto  3:57
2. Moderato  4:43
3. Allegro molto  2:12
4. Allegro  3:03

String Quartet No.14 in f sharp major Op.142 (1973)
5. Allegretto  8:22
6. Adagio  10:57
7. Allegretto  8:44

String Quartet No.15 in E flat minor Op. 144 (1974)
8. Elegy (adagio)  12:23
9. Serenade (adagio)  5:15
10. Intermezzo (adagio)  1:49
11. Nocturne (adagio)  4:54
12. Funeral March (adagio molto)  4:38
13. Epilogue (adagio)  6:40

Total:  78:00

Rubio Quartet
Dirk van de Velde, violin I
Dirk van de Hauwe, violin II
Marc Sonnaert, viola
Peter Devos, cello

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Shostakovich felicita seu filho Maxim após a apresentação do “Concertino” para dois pianos, op. 94, na Sala Maly da Filarmônica de Leningrado, em 15 de janeiro de 1955.

PQP