Após o mega sucesso da Suite para Flauta e Piano Jazz Trio, Claude Bolling recebeu uma encomenda do violinista Pinchas Zukerman para fazer uma Suíte nos mesmos moldes, mas para seu instrumento, o violino. O resultado é este CD que ora vos trago, lançado lá em 1977, quando este que escreve estas linhas era apenas um jovem adolescente crescendo e absorvendo tudo o que ouvia e escutava, e desenvolvendo um gosto peculiar por música.
Mas enfim, Zukermann era um renomado violinista, já com várias gravações em seu currículo, em especial sua versão hoje considerada histórica do Concerto para Violino de Elgar, ao lado de seu amigo, Daniel Barenboim. Mas isso não vem ao caso. O que importa aqui é esse CD. Bolling nunca escrevera uma peça para violino solo, mas encarou o desafio. Quando ouvi este CD pela primeira vez achei o resultado meio irregular, mas em se tratando dos músicos envolvidos, resolvi dar mais uma chance, e que bom que fiz isso. Depois de alguns anos, encontrei o CD em um sebo e o ouvi com mais atenção.
Talvez o melhor momento dele seja a última faixa, ‘Hora’, um tour de force para os instrumentistas, e a ‘fuga’ inicial nos mostra um Zukerman um tanto receoso de exibir toda a sua energia e versatilidade, presentes, por exemplo, em suas gravações dos Concertos para Violino de Mozart. Entendo que como o Jazz não era a sua ‘praia’, ele não quis se expor muito. Como comentei acima, só depois de algumas audições comecei a perceber que Bolling dominava o disco, o violino de Zukerman por vezes soava apenas como um coadjuvante, de luxo, mas ainda um coadjuvante: na verdade, a exuberância do piano de Bolling era a verdadeira estrela do disco. E só depois de entender isso, comecei a admirar mais este disco. Entendi que as gravações com Rampal me criaram uma expectativa tremenda com os outros projetos do incrível pianista, mas que as coisas não eram bem assim. Estou curioso para ouvir o disco com lendário trompetista Maurice André, um projeto futuro de postagem.
Enfim, que os senhores tirem suas próprias conclusões após ouvirem este disco. Deixem sua opinião nos comentários.
01.Romance
02.Caprice
03.Gavotte
04.Tango (with Viola)
05.Slavonic Dance (with A Swing)
06.Ragtime
07.Valse Lente
08.Hora
Claude Bolling – Piano
Pinchas Zukerman – Violino, Viola
Max Hediguer – Contrabaixo Acústico
Marcel Sabiani – Bateria

Formada em 2009, a sensacional banda de rua Tuba Skinny evoluiu de uma coleção avulsa de músicos de rua para um conjunto sólido dedicado a levar o som tradicional de Nova Orleans ao redor do mundo. Com base em uma ampla gama de influências musicais — do spirituals ao blues da era da Depressão, do ragtime ao jazz tradicional — seu som evoca a rica herança musical de sua casa em Nova Orleans. A banda conquistou seguidores por meio de seu som distinto, seu compromisso em reviver canções há muito perdidas e suas performances ao vivo arrasadoras. Se você for ao YouTube, vai se impressionar com a competência do grupo, com destaque para as mulheres. Este é o terceiro CD do Tuba. Este é o tipo de música de Nova Orleans que faz uma pessoa sorrir e bater os pés quando uma música é alegre e gemer com um sorriso cúmplice quando é triste.


















CD 1
CD 2
Do começo ao fim, somos brindados com uma mistura de humores neste primeiro trabalho de Keith Jarrett e seu quarteto escandinavo. Astuto e consistente, Belonging traz cada músico em ótima forma. Todos têm seu momento de destaque. O trabalho de Jarrett é, claro, soberbo do começo ao fim, mas é a energia subjacente à sua execução que realmente parece impulsionar as coisas. O álbum é ziguezagueante, indo habilmente do abandono de balançar a cabeça para a escuridão pesada. As baladas constituem as passagens mais longas de Belonging. Na maior parte, sax e piano são unificados, como se estivessem caminhando em ambos os lados da mesma rua, embora às vezes pareçam olhar em direções opostas, como se estivessem envolvidos em um longo debate, inseguros se a reconciliação pode ser alcançada no meio de tanta conversa.


Certamente, este No End concorre ao prêmio de CD de Jazz Mais Chato de Todos os Tempos ou, pelo menos, ao de Disco Mais Chato de Jarrett. Nele, em gravação de estúdio realizada em 1986, Keith Jarrett toca tudo — guitarra, baixo, percussão, tablas, o diabo — , até piano em alguns poucos momentos. O resultado é algo sem graça e indirecional: não sabe bem de onde ele saiu nem onde quer chegar com suas improvisações quase sem temas, só de climinhas pseudo-exóticos. Há momentos legais em meio à maior diluição, mas a coisa simplesmente não para em pé. Ouçam e me digam o que acharam.


Um absurdo de bom este Hamilton de Holanda. Tudo é bom neste CD ao vivo. As interpretações, as composições — das 8 faixas, 4 são de Hamilton — e, vocês sabem, quando é Milton é bom. Hamilton tem uma longa discografia seja suas próprias composições ou homenagens a alguns de seus ídolos. Ele lançou suas gravações em sua própria gravadora independente, Brasilianos, ou em parceiros mundiais como Universal, ECM, MPS, Adventure Music. Ele entende que a indústria musical precisa de definições de categorias para a música que toca, como por exemplo Jazz, Brazilian Jazz, Brazilian Popular Music; mas para ele a inspiração transcende os rótulos, é algo que cresce livremente sem a necessidade de ser definido. Gosta de se explicar como um explorador musical em busca de beleza e espontaneidade. Dividiu o palco ou gravou com Wynton Marsalis, Chick Corea, The Dave Mathews Band, Paulinho da Costa, Chucho Valdes, Egberto Gismonti, Ivan Lins, Milton Nascimento, Joshua Redman, Hermeto Pascoal, Gilberto Gil, Richard Galliano, John Paul Jones, Bela Fleck, Stefano Bollani entre muitos outros.

Estava com saudades deste disco onde Egberto passa uma régua em suas composições até 1987. Tudo num disco solo, com ar de sarau caseiro e competência de clube de jazz americano ou londrino. Claro que é uma enorme redução e ninguém deve pensar que passa a conhecer o Egberto pré 1987 ouvindo Alma. Aquele foi um período tão criativo que Alma é uma passadinha pelos momentos mais curtos e melódicos do compositor. Por exemplo, como incluir em Alma o notável e irrepetível Dança das Cabeças? E todos as variações que resultaram em memoráveis discos da ECM? Bem, mas para quem quer conhecer um pouco ou lembrar Egberto, Alma é excelente.




















Já estamos quase na sexta-feira e o final de semana se aproxima benfazejo; este cão inicia os trabalhos – no clima e no temperamento, ao menos – jogando alto com a intensidade e a vivacidade do jazz de Wes Montgomery.

Para qualquer fã sério de jazz fusion — não sou um deles –, o lançamento do álbum solo de estreia de Jaco Pastorius não foi nenhuma surpresa. Em grande parte autodidata, aos 22 anos ele já dava aulas de baixo na Universidade de Miami, onde criou uma forte amizade com o guitarrista Pat Metheny, que levaria os dois a gravarem juntos, lançando um LP nada conhecido (simplesmente intitulado Jaco) em 1974. Mas foi só quando ele se tornou um membro do fusion Weather Report que o começou a deixar sua marca. Jaco Pastorius, disco lançado em 1976, é uma vitrine para os talentos incríveis do baixista, sem mencionar sua maturidade como compositor. Junto com no estúdio estavam ninguém menos que alguns dos melhores músicos de jazz da época: Herbie Hancock, Wayne Shorter, Lenny White, David Sanborn, Hubert Laws e Michael Brecker. Até mesmo as lendas do soul / R&B Sam & Dave fazem uma aparição. Acho que este é o disco menos impressionante de Pastorius. Depois ele fez coisa muito melhor, em trabalhos próprios e de outros. Claramente, Jaco Pastorius era um mestre que morreu em circunstâncias trágicas em 1987 aos 35 anos. Jaco permanecerá para sempre um dos baixistas mais proeminentes que o mundo já ouviu. Ele tinha 24 anos quando gravou este disco.