Johannes Brahms (1833-1897): Sonatas para Violino e Piano (Mullova)

Johannes Brahms (1833-1897): Sonatas para Violino e Piano (Mullova)

Havia um velho post de FDP Bach onde ele perguntava aos pequepianos: quem toca melhor estas Sonatas, Mullova ou Mutter? E disponibilizava ambas as gravações. Eu sei lá onde foi parar este post, mas eu, que não sou bobo, fiquei com os arquivos cá comigo. Na minha opinião, Mullova vence a disputa, apesar da outra ser apenas a Mutter. Acho que o trabalho de Mullova é exato, mágico, brilhante, e Mutter ficaria abaixo, em minha DESCONSIDERÁVEL opinião. Só que estamos falando do Olimpo das interpretações. Você ouve a que quiser. Amanhã teremos Mutter. E, depois de amanhã, vou meter Ibragimova na disputa. Aguardem.

Johannes Brahms (1833-1897): Sonatas para Violino e Piano (Mullova)

01. Brahms Sonata No.1 in G, Op.78 – 1. Vivace ma non troppo
02. Brahms Sonata No.1 in G, Op.78 – 2. Adagio
03. Brahms Sonata No.1 in G, Op.78 – 3. Allegro molto moderato

04. Brahms Sonata No.2 in A, Op.100 – 1. Allegro amabile
05. Brahms Sonata No.2 in A, Op.100 – 2. Andante tranquillo – Vivace – Andante –
06. Brahms Sonata No.2 in A, Op.100 – 3. Allegretto grazioso (quasi Andante)

07. Brahms Sonata No.3 in D minor, Op.108 – 1. Allegro
08. Brahms Sonata No.3 in D minor, Op.108 – 2. Adagio
09. Brahms Sonata No.3 in D minor, Op.108 – 3. Un poco presto e con sentimento
10. Brahms Sonata No.3 in D minor, Op.108 – 4. Presto agitato

Viktoria Mullova – Violin
Piotr Anderszewsky – Piano

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Mullova, né?

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Gabriel Fauré (1845-1924): Quartetos para Piano Nros 1 e 2

Gabriel Fauré (1845-1924): Quartetos para Piano Nros 1 e 2

Gosto muito da música de Gabriel Fauré. Ela soa como um Brahms francês, um Brahms menos denso, mas cheio de elegância e belas melodias. Fico feliz ao ouvi-lo. A música de Fauré também tem sido descrita como uma ligação entre o romantismo e o modernismo, no primeiro quarto do século XX. Quando nasceu, Chopin ainda compunha e, quando morreu, começava-se a ouvir o jazz e a música atonal da Segunda Escola de Viena. O Grove Dictionary of Music and Musicians, que o descreve como o compositor mais avançado da sua geração em França, salienta que as suas inovações harmônicas e melódicas influenciaram a música de muitas gerações. Estes quartetos são belíssimos e a interpretação do Wanderer é digna deles.

Gabriel Fauré: Quartetos para Piano Nros 1 e 2

Piano Quartet No.1 Op.15
1 Allegro Molto Moderato 9:30
2 Scherzo. Allegro Vivo 5:26
3 Adagio 7:10
4 Finale. Allegro Molto 7:43

Piano Quartet No.2 Op.55 In G Minor
5 Allegro Molto Moderato 11:05
6 Scherzo. Allegro Molto 3:29
7 Adagio Non Troppo 9:50
8 Finale. Allegro Molto 8:07

Trio Wanderer:
Cello – Raphaël Pidoux
Piano – Vincent Coq
Violin – Jean-Marc Phillips-Varjabédian
+ Viola – Antoine Tamestit

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Georges Seurat (1859-1891): Uma Tarde de Domingo na Ilha de Grande Jatte (estudo)

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J. S. Bach (1685-1750): Variações Goldberg, BWV 988 (Staier)

J. S. Bach (1685-1750): Variações Goldberg, BWV 988 (Staier)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Hoje é o dia do aniversário de Drummond, então vamos a uma postagem fora do normal. Na minha opinião, Pierre Hantaï e Andreas Staier são os maiores intérpretes das Variações Goldberg. E aqui vai um texto que escrevi ha alguns anos sobre esta obra:

Eu nunca tive insônia. Talvez, em razão de alguma dor ou febre, não tenha dormido repousadamente apenas uns cinco dias em minha vida. Não é exagero. Quando me deprimo, durmo mais ainda e acordar é ruim, péssimo. O sono é meu refúgio natural. Mas há pessoas que reclamam (muito) da insônia. Saul Bellow escreveu que ela o teria deixado culto, mas que preferiria ser inculto e ter dormido todas as noites — discordo do grande Bellow, acho que ele deveria ter ficado sempre acordado, escrevendo, vivendo e escrevendo para nós. Também poucos viram Marlene Dietrich na posição horizontal, adormecida. Kafka era outro, qualquer barulho impedia seu descanso, devia pensar no pai e passava suas noites acordado, amanhecendo daquele jeito após sonhos agitados… Groucho Marx, imaginem, era insone, assim como Alexandre Dumas e Mark Twain. Marilyn Monroe sofria muito e Van Gogh acabou daquele jeito não só por ser daltônico, característica que apenas gera inteligência e genitália avantajadas.

O Conde Keyserling sofria de insônia e desejava tornar suas noites mais agradáveis. Ele encomendou a Bach, Johann Sebastian Bach, algumas peças que o divertissem durante a noite. Como sempre, Bach fez seu melhor. Pensando que o Conde se apaziguaria com uma obra tranquila e de base harmônica invariável, escreveu uma longa peça formada de uma ária inicial, seguida de trinta variações e finalizada pela repetição da ária. Quod erat demonstrandum. A recuperação do Conde foi espantosa, tanto que ele chamava a obra de “minhas variações” e, depois de pagar o combinado a Bach, deu-lhe um presente adicional: um cálice de ouro contendo mais cem luíses, também de ouro. Era algo que só receberia um príncipe candidato à mão de uma filha encalhada.

A história da criação das variações foi tirada da biografia de Bach escrita por Johann Nikolaus Forkel:

(Quanto a essas variações), devemos agradecer ao pedido do ex-embaixador russo na corte eleitoral da Saxônia, o conde Hermann Karl von Keyserling, que frequentemente passava por Leipzig e que trouxe consigo o cravista Goldberg para receber orientações musicais de Bach. O conde tinha frequentes acometimentos de doenças e ficava noites sem dormir. Em tais ocasiões, Goldberg, que vivia em sua casa, tinha que passar a noite na antecâmara para tocar para ele durante sua insônia… Tudo porque certa vez, o conde mencionou, na presença de Bach, que ele gostaria de ter algumas obras para teclado para Goldberg executar, que deveriam ser de caráter “suave e algo vigoroso” de modo que ele pudesse ser um pouco consolado por elas em suas noites sem dormir. Bach imaginou que a melhor maneira de atender a esse desejo seria por meio de variações, cuja escrita ele considerava, até àquela data, uma tarefa ingrata devido ao fundamento harmônico repetidamente semelhante. Mesmo assim, ele produziu um único trabalho desta espécie. Daí em diante, o conde sempre as chamava de “as suas” variações. Ele nunca se cansou delas e, por um longo período, noites sem dormir significavam: ‘Caro Goldberg toque minhas variações.  para mim’. Provavelmente Bach nunca foi tão bem recompensado por um trabalho quanto foi neste. O conde o presenteou com um cálice de ouro com 100 luíses de ouro. Não obstante, mesmo que o presente tivesse sido mil vezes maior, seu valor artístico nunca teria sido pago.

O Conde tinha a seu serviço um menino de quinze anos chamado Johann Gottlieb Goldberg. Goldberg era o melhor aluno de Bach. Foi descrito como “um rapaz esquisito, melancólico e obstinado” que, ao tocar, “escolhia de propósito as peças mais difíceis”. Perfeito! Play it again, Johann Gottlieb. Goldberg era enorme e suas mãos tinham grande abertura. O menino era uma lenda como intérprete e o esperto Conde logo o contratou para acompanhá-lo não somente em sua residência em Dresden como em suas viagens a São Petersburgo, Varsóvia e Postdam. (Esqueci de dizer que o Conde Keyserling era diplomata). Bach, sabendo o intérprete que teria, não facilitou em nada. As Variações Goldberg, apesar de nada agitadas, são, para gáudio do homenageado, dificílimas. Nelas, as dificuldades técnicas e a erudição estão curiosamente associadas ao lúdico, mas podemos inverter de várias formas a frase. Dará no mesmo.

O nome da obra — Variações Goldberg, BWV 988 — é estranho, pois pela primeira vez o homenageado não é quem encomendou a obra, mas seu primeiro intérprete.

O princípio de quase toda obra de variações consiste em apresentar um tema e variá-lo. (Lembram que Elgar fez uma obra de variações sem apresentar o tema, chamando-a de Variações Enigma?). Assim, o ouvinte tem a impressão de estar ouvindo sempre algo que lhe é familiar e, ao mesmo tempo, novo. A escolha de Bach por esta forma mostrou-se adequada às pretensões do Conde. E a realização não poderia ser melhor, é uma das maiores obras disponibilizadas pela e para a humanidade pelo mais equipado dos seres humanos que habitou este planeta, J. S. Bach. O jogo criado pelo compositor irradia livre imaginação e enorme tranquilidade. A Teoria Geral das Belas-Artes, espécie de Bíblia artística goethiana de 1794, diz o seguinte sobre as Goldberg: “em cada variação, o elemento conhecido está associado, quase sem exceção, a um canto belo e fluido”. E está correto. Só esqueceu de dizer que tudo isso tinha propósito terapêutico.

As Variações Goldberg eram tidas no passado como um exercício técnico árido e aborrecido. Mas já faz quase um século que o conteúdo e a abrangência emocional da obra foi reconhecido e se tornou a peça favorita de muitos ouvintes de música erudita. As Variações são largamente executadas e gravadas.

É muito provável que o enfermo Conde concordasse com a Theorie para descrever seu prazer de ouvir aquela música, mas diria mais. Seus efeitos fizeram que Goldberg a tocasse centenas de vezes para ele. O cálice repleto de ouro significava gratidão pela diversão emocional e intelectual. Dormimos por estarmos calmos e felizes, talvez.

Não posso distribuir cálices de ouro por aí, mas talvez devesse dar alguma coisa a Andreas Staier e Pierre Hantaï, os maiores intérpretes da obra. (Por favor, neste momento não me venham com Gould; afinal, o som do cravo é fundamental e só aceito fazer a final contra o grande Gustav Leonhardt. Gould ficou lá pelas quartas-de-final).

J. S. Bach (1685-1750): Variações Goldberg, BWV 988 (Staier)

1 Aria 4:06
2 Variatio 1. A 1 Clav. 1:58
3 Variatio 2. A 1 Clav. 1:42
4 Variatio 3. Canone All’Unisuono. A 1 Clav. 2:32
5 Variatio 4. A 1 Clav. 0:59
6 Variatio 5. A 1 O Vero 2 Clav. 1:32
7 Variatio 6. Canone Alla Seconda. A 1 Clav. 1:10
8 Variatio 7. A 1 O Vero 2 Clav. Al Tempo di Giga 1:48
9 Variatio 8. A 2 Clav. 2:16
10 Variatio 9. Canone Alla Terza. A 1 Clav. 2:35
11 Variatio 10. Fugetta. A 1 Clav. 1:34
12 Variatio 11. A 2 Clav. 2:16
13 Variatio 12. Canone Alla Quarta. A 1 Clav. 2:27
14 Variatio 13. A 2 Clav. 4:19
15 Variatio 14. A 2 Clav. 2:27
16 Variatio 15. Canone Alla Quinta. A 1 Clav. Andante 4:37
17 Variatio 16. Ouverture. A 1 Clav. 2:43
18 Variatio 17. A 2 Clav. 1:42
19 Variatio 18. Canone Alla Sexta. A 1 Clav. 1:31
20 Variatio 19. A 1 Clav. 1:12
21 Variatio 20. A 2 Clav. 2:28
22 Variatio 21. Canone Alla Settima. A 1 Clav. 2:57
23 Variatio 22. A 1 Clav. Alla Breve 1:31
24 Variatio 23. A 2 Clav. 2:17
25 Variatio 24. Canone All’ Ottava. A 1 Clav. 2:32
26 Variatio 25. A 2 Clav. Adagio 8:05
27 Variatio 26. A 2 Clav. 2:02
28 Variatio 27. Canone Alla Nona. A 2 Clav. 1:42
29 Variatio 28. A 2 Clav. 2:16
30 Variatio 29. A 1 O Vero 2 Clav. 2:24
31 Variatio 30. Quodlibet. A 1 Clav. 2:13
32 Aria Da Capo E Fine 4:38

Andreas Staier, cravo

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Figura su fondo celeste – Felice Casorati

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F. J. Haydn (1732-1809): Sinfonias Nros 94, 100 & 104 (versões de câmara de Johann Peter Salomon)

F. J. Haydn (1732-1809): Sinfonias Nros 94, 100 & 104 (versões de câmara de Johann Peter Salomon)

Bom disco, apesar de às vezes faltar colorido e potência, é claro.

Johann Peter Salomon (1745-1815) foi um violinista, compositor, maestro alemão e empresário. Ele foi o cara que levou Haydn a Londres, onde ele escreveu suas últimas sinfonias sob contrato. Haydn esteve em Londres em 1791-1792 e 1794-1795 e dividiu com Salomon a condução das primeiras performances de muitos dos trabalhos que Haydn compôs enquanto estava na Inglaterra. Haydn escreveu suas sinfonias números 93 a 104 para essas viagens, que às vezes são conhecidas como sinfonias Salomon (elas são mais conhecidas como sinfonias de Londres). A estima de Haydn por seu empresário e líder orquestral pode ser ouvida nas sinfonias: por exemplo, a cadência no movimento lento da Sinfonia Nº 96 tem a anotação Salomon: solo ma piano. A Sinfonia Concertante em Mi bemol maior foi composta para Salomon, que a solou, os seis quartetos de cordas Op. 71 e 74 , foram escritos para as apresentações públicas que o quarteto de Salomon fez em Londres. Ele foi um dos membros fundadores da Philharmonic Society e liderou a orquestra em seu primeiro concerto em 8 de março de 1813. Salomon também deu o apelido de Júpiter à Sinfonia Nº 41 de Mozart. Ele morreu em Londres em 1815, de ferimentos sofridos quando foi jogado de um cavalo. Ele está enterrado na Abadia de Westminster.

E, bem, foi Salomon quem escreveu os maravilhosos arranjos deste disco. É um time de seis pessoas que tocam essas 3 Sinfonias de Haydn. É um quarteto de cordas, piano e flauta.

F. J. Haydn (1732-1809): Sinfonias Nros 94, 100 & 104 (versões de câmara de Johann Peter Salomon)

Symphony No.94 In G Major ‘Surprise’ “Mit Dem Paukenschlag”
1 Adagio Cantabile – Vivace Assai 8:15
2 Andante 7:09
3 Menuetto. Allegro Molto 3:41
4 Finale. Allegro Molto 3:48

Symphony No.100 In G Major ‘Military’
5 Adagio – Allegro 7:24
6 Allegretto 6:13
7 Menuetto. Moderato 5:31
8 Finale. Presto 5:06

Symphony No.104 In D Major ‘London’
9 Adagio – Allegro 8:14
10 Andante 8:01
11 Menuetto. Allegro 4:42
12 Allegro Spiritoso 6:40

Cello – Anthony Pleeth (tracks: 1 to 4), Jennifer Ward Clarke (tracks: 5 to 12)
Flute – Lisa Beznosiuk (tracks: 5 to 12), Stephen Preston (tracks: 1 to 4)
Fortepiano – Christopher Hogwood
Viola – Jan Schlapp (tracks: 1 to 4), Trevor Jones (tracks: 5 to 12)
Violin – Micaela Comberti (tracks: 5 to 12), Monica Huggett (tracks: 1 to 4), Simon Standage

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A Londres do Século XVIII

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J. S. Bach (1685-1750): Cantatas BWV 16, 98 & 139

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas BWV 16, 98 & 139

Um excelente disco, magnificamente interpretado por Gardiner e sua turma de usual suspects. As cantatas constituem importante parte da produção de Bach, mas apenas nas últimas décadas sua importância vem sendo reconhecida. Esquecidas quase por completo no século XIX, até meados do século XX somente um pequeno número delas havia sido estudado em detalhe, situação que vem mudando diante do rápido crescimento dos estudos bachianos. A maior parte delas é sacra, compostas em Weimar e principalmente Leipzig, mas ele cultivou o gênero ao longo de quase toda a sua carreira. Muitas foram perdidas por descuido do filho Wilhelm; de acordo com o obituário de Carl Philipp ele compôs cinco ciclos completos para o ano eclesiástico, fora as cantatas profanas, o que representaria mais de 350 obras, mas ainda sobrevivem 194 composições neste gênero (sacro), somando um total de mais de 1.200 movimentos individuais. As de sua fase inicial são compostas segundo o modelo alemão do século XVII, sem recitativos ou árias da capo, elementos de origem operística italiana que só aparecem em suas obras maduras. Mais tarde se consolidou um formato italianizado, com uma abertura mais elaborada com coro, seguida de uma alternância de cinco ou seis árias da capo e recitativos para voz solo, encerrando com uma harmonização coral simples homofônica a quatro vozes, quando a congregação possivelmente se unia ao coro, mas mesmo aqui são encontradas muitas outras soluções técnicas e formais, incluindo fugas, cânones, variações sobre um ostinato, formas concertantes, influência da abertura francesa e do antigo moteto, além de se valerem de uma ampla gama de forças instrumentais. Nas palavras de Buelow,

“Nada é mais difícil de definir ou explicar que o estilo vocal de Bach. É claro, contudo, que o cerne de seu estilo reside no seu compromisso de ilustrar expressivamente os textos, as palavras individuais desses textos, e os afetos que veiculam. Suas linhas vocais raramente são apenas líricas, e não guardam a menor semelhança com o estilo cantabile dos italianos. Quase sempre são altamente dramáticas e amiúde cheias de complexos motivos rítmicos, com um desenho anguloso de saltos amplos. Passagens melismáticas, algumas de enorme extensão, ocorrem às vezes para emprestar mais ênfase retórica ou para simbolizar determinada palavra, mas noutras ocasiões são parte integral do desenvolvimento melódico”.

As cantatas sacras são peças de ocasião, e por regra eram ouvidas apenas uma única vez. Obras muito elaboradas artisticamente, o que o ouvinte não conseguia entender em termos estéticos, como disse Chafe, era compensado por seu conhecimento de uma rede de intenções que ligavam a experiência religiosa de cada um ao seu contexto cultural e religioso maior. A principal dentre essas intenções era apresentar o caráter dinâmico da experiência religiosa num programa didático sequencial de afetos e formas com que o ouvinte comum pudesse se identificar, criando uma ponte entre as Escrituras e a fé, à luz, naturalmente, da tradição hermenêutica fundada por Lutero. Para conseguir esse objetivo, além do conteúdo explícito dos textos, Bach recorria a um rico repertório de elementos puramente musicais para ilustrar e enfatizar o texto, elementos que por sua vez estavam associados a uma série de convenções simbólicas e alegóricas então de domínio público, um procedimento típico do Barroco em geral, no caso aplicado aos propósitos do Protestantismo.

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas BWV 16, 98 & 139

“Was Gott Tut, Das Ist Wohlgetan” (BWV 98), Cantata For The 21st Sunday After Trinity
1 1. Chorus: Was Gott Tut, Das Ist Wohlgetan 3:56
2 2. Recitative (Tenor): Ach Gott! Wann Wirst Du Mich Einmal 0:53
3 3. Aria (Soprano): Hört, Ihr Augen, Auf Zu Weinen 3:18
4 4. Recitative (Countertenor): Gott Hat Ein Herz 0:55
5 5. Aria (Bass): Meinen Jesum Lass Ich Nicht 3:51
“Wohl Dem, Der Sich Auf Seinen Gott” (BWV 139), Cantata For The 23rd Sunday After Trinity
6 1. Chorus: Wohl Dem, Der Sich Auf Seinen Gott 4:58
7 2. Aria (Tenor): Gott Ist Mein Freund; Was Hilft Das Toben 5:03
8 3. Recitative (Countertenor): Der Heiland Sendet Ja Die Seinen 0:35
9 4. Aria (Bass): Das Unglück Schlägt Auf Allen Seiten 4:37
10 5. Recitative (Soprano): Ja, Trag Ich Gleich Den Grössten Feind In Mir 0:40
11 6. Chorale: Dahero Trotz Der Höllen Heer 0:47
“Herr Gott, Dich Loben Wir” (BWV 16), Cantata For New Year’s Day (Feast Of The Circumcision)
12 1. Chorus: Herr Gott, Dich Loben Wir 1:37
13 2. Recitative (Bass): So Stimmen Wir Bei Dieser Frohen Zeit 1:08
14 3. Aria (Chorus, Bass): Lasst Uns Jauchzen, Lasst Uns Freuen / Krönt Und Segnet Seine Hand 3:30
15 4. Recitative (Countertenor): Ach, Treuer Hort, Beschütz Auch Fernerhin Dein Wertes Wort 1:17
16 5. Aria (Tenor): Geliebter Jesu, Nur Du Allein 7:24
17 6. Chorale: All Solch Dein Güt Wir Preisen 1:01

Alto Vocals [Choir] – Angus Davidson (2), Charles Humphries, Richard Wyn Roberts*
Bass Vocals [Choir] – Julian Clarkson, Robert Macdonald, Simon Oberst
Bass Vocals [Soloist] – Gotthold Schwarz
Bassoon – Alastair Mitchell
Cello – Catherine Rimer, Ruth Alford
Choir – The Monteverdi Choir
Conductor – John Eliot Gardiner
Cornett – Michael Harrison (4)
Countertenor Vocals [Soloist] – Derek Lee Ragin
Double Bass – Judith Evans
Harpsichord – Gary Cooper (2)
Horn [Corno Da Caccia] – Mark Bennett (2)
Oboe – James Eastaway, Michael Niesemann
Oboe [Da Caccia] – Katharina Arfken
Orchestra – The English Baroque Soloists
Organ – Alastair Ross
Soprano Vocals [Choir] – Constanze Backes, Donna Deam, Nicola Jenkin, Suzanne Flowers
Soprano Vocals [Soloist] – Katharine Fuge
Tenor Vocals [Choir] – Gerard O’Beirne, Paul Tindall, Simon Davies (3)
Tenor Vocals [Soloist] – Julian Podger
Viola – Lisa Cochrane, Rosemary Nalden
Violin [1st] – Anne Schumann, Peter Lissauer, Sarah Bealby-Wright
Violin [2nd] – Adrian Butterfield, Henrietta Wayne, Kati Debretzeni
Violin, Concertmistress – Maya Homburger

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Jan Steen (1626-1679):

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J. S. Bach (1685-1750): Suítes para Violoncelo Solo

J. S. Bach (1685-1750): Suítes para Violoncelo Solo

Esta versão das Suítes para Violoncelo Solo de Bach, por Roel Dieltiens, não chega ao nível altíssimo das gravações de Cocset, Pandolfo ou Bylsma, mas é muito boa e consistente. As Suítes foram provavelmente compostas durante o período de 1717-1723, quando Bach serviu como Kapellmeister em Köthen. Devido às dificuldades técnicas das obras, elas foram pouco conhecidas e raramente executadas até serem revividas e gravadas por Pablo Casals no início do século 20. Hoje são consideradas dentre as maiores realizações de Bach. Diferentemente das sonatas para violino solo de Bach, nenhum manuscrito autógrafo sobreviveu. Os estudiosos acreditam que Bach pretendia que as obras fossem consideradas um ciclo e não uma série arbitrária de peças. Comparadas às outras coleções de suítes de Bach, as suítes para violoncelo são as mais rigorosas na ordem de seus movimentos. Além disso, para obter uma arquitetura simétrica, Bach inseriu movimentos intermezzi aos pares entre as sarabandas e as gigas.

J. S. Bach (1685-1750): Suítes para Violoncelo Solo

Suite Nº 2 In D-Minor (BWV 1008)
1-1 Prélude 2:28
1-2 Allemande 3:16
1-3 Courante 1:50
1-4 Sarabande 4:55
1-5 Menuet I 1:41
1-6 Menuet II 1:17
1-7 Menuet I 0:40
1-8 Gigue 2:36

Suite Nº 3 In C-Major (BWV 1009)
1-9 Prélude 2:32
1-10 Allemande 3:54
1-11 Courante 3:50
1-12 Sarabande 4:13
1-13 Bourrée I 1:41
1-14 Bourrée II 1:44
1-15 Bourrée I 0:52
1-16 Gigue 3:33

Suite Nº 6 In D-Major (BWV 1012)
1-17 Prélude 4:23
1-18 Allemande 6:51
1-19 Courante 3:34
1-20 Sarabande 4:34
1-21 Gavotte I 1:44
1-22 Gavotte II 1:43
1-23 Gavotte I 0:56
1-24 Gigue 4:05

Suite Nº 4 In E Flat Major (BWV 1010)
2-1 Prélude 4:19
2-2 Allemande 4:39
2-3 Courante 3:39
2-4 Sarabande 4:12
2-5 Bourrée I 2:34
2-6 Bourrée II 0:42
2-7 Bourrée I 1:19
2-8 Gigue 2:36

Suite Nº 1 In G-Major (BWV 1007)
2-9 Prélude 1:53
2-10 Allemande 5:01
2-11 Courante 2:38
2-12 Sarabande 2:47
2-13 Menuet I 1:24
2-14 Menuet II 1:24
2-15 Menuet I 0:45
2-16 Gigue 1:47

Suite Nº 5 In C Minor (BWV 1011)
2-17 Prélude 5:18
2-18 Allemande 6:27
2-19 Courante 2:20
2-20 Sarabande 4:25
2-21 Gavotte I 2:32
2-22 Gavotte II 1:29
2-23 Gavotte I 1:19
2-24 Gigue 2:37

Cello – Roel Dieltiens

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Violoncelo sobre cadeira rosa | Pintura de Ricard J. Tovar

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Franz Schubert (1797-1828): Lieder com orquestra (Otter, Quasthoff, Abbado, Chamber Orchestra of Europe))

Franz Schubert (1797-1828): Lieder com orquestra (Otter, Quasthoff, Abbado, Chamber Orchestra of Europe))

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Postamos este Schubert SOLAR E ABSOLUTAMENTE MARAVILHOSO. Imaginem só. Uma seleção de lieder de Schubert feita por Claudio Abbado, Anne Sofie von Otter e Thomas Quasthoff. Os arranjos para orquestra são, em sua maioria, de gente como Brahms, Reger, Webern, Britten… Isto pode dar errado? Não, não pode. O CD é fantástico, delicado, lírico, lindo, emocionante, fascinante, é tudo o que a gente espera de um grande disco. É uma experiência — proposta por Abbado? — de resultado entusiasmante. Von Otter e Quasthoff matam a pau. Ambos estão perfeitos neste grande disco da DG.

Schubert: Lieder com orquestra

1 Rosamunde, Fürstin von Cypern, incidental music, D. 797 (Op. 26) No. 3. Romanze
with Anne Sofie von Otter
2 Die Forelle (“In einem Bächlein helle”), song for voice & piano, D. 550 (Op. 32)
with Anne Sofie von Otter (Britten)
3 Ellens Gesang II (“Jäger, ruhe von der Jagd”), song for voice & piano, D. 838 (Op. 52/2)
with Anne Sofie von Otter
4 Gretchen am Spinnrade (“Meine Ruh’…”), song for voice & piano, D. 118 (Op. 2)
with Anne Sofie von Otter
5 Gesang (“Was ist Sylvia,…”), song for voice & piano, (“An Sylvia”), D. 891 (Op. 106/4)
with Anne Sofie von Otter
6 Im Abendrot (“O, wie schön ist deine Welt”), song for voice & piano, D. 799
with Anne Sofie von Otter (Reger)
7 Nacht und Träume (Heil’ge Nacht, du sinkest nieder!”), song for voice & piano, D. 827 (Op. 43/2)
with Anne Sofie von Otter (Reger)
8 Gruppe aus dem Tartarus II (“Horch, wie Murmeln”), song for voice & piano, D. 583 (Op. 24/1)
with Anne Sofie von Otter
9 Erlkönig (“Wer reitet so spät”), song for voice & piano, D. 328 (Op. 1)
with Anne Sofie von Otter (Berlioz)
10 Die junge Nonne (“Wie braust durch die Wipfel”), song for voice & piano, D. 828 (Op. 43/1)
with Anne Sofie von Otter (Liszt)
11 Die schöne Müllerin, song cycle, for voice & piano, D. 795 (Op. 25) No. 10. Tränenregen
with Thomas Quasthoff (Webern)
12 Winterreise, song cycle for voice & piano, D. 911 (Op. 89) No. 20. Der Wegweiser
with Thomas Quasthoff (Webern)
13 Du bist die Ruh, song for voice & piano, D. 776 (Op. 59/3)
with Thomas Quasthoff (Webern)
14 Ihr Bild (“Ich stand in dunkeln Träumen”), song for voice & piano (Schwanengesang), D. 957/9
with Thomas Quasthoff (Webern)
15 Prometheus (“Bedecke deinen Himmel”), song for voice & piano, D. 674
with Thomas Quasthoff (Reger)
16 Memnon (“Den Tag hindurch nur einmal”), song for voice & piano, D. 541 (Op. 6/1)
with Thomas Quasthoff (Brahms)
17 An Schwager Kronos (“Spu’te dich, Kronos”), song for voice & piano, D369 (Op. 19/1)
with Thomas Quasthoff
18 An die Musik (“Du holde Kunst…”), song for voice & piano, D. 547 (Op. 88/4)
with Thomas Quasthoff (Reger)
19 Erlkönig (“Wer reitet so spät”), song for voice & piano, D. 328 (Op. 1)
with Thomas Quasthoff (Reger)
20 Geheimes (“Über meines Liebchens Äugeln”), song for voice & piano, D. 719 (Op. 14/2)
with Anne Sofie von Otter (Brahms)
21 Ständchen (“Leise flehen meine Lieder”), song for voice & piano (Schwanengesang), D. 957/4
with Thomas Quasthoff (Offenbach)

Anne Sofie von Otter
Thomas Quasthoff
Chamber Orchestra Europe
Claudio Abbado

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Anne Sophie von Otter, com Thomas Quasthoff e Abbado, um disco espetacular

PQP

Franz Schubert (1797-1828): Winterreise (Bostridge / Adès)

Franz Schubert (1797-1828): Winterreise (Bostridge / Adès)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Ainda fico com Fischer-Dieskau, mas esta gravação é muito boa, excelente mesmo. Aliás, não é a primeira incursão gravada de Bostridge da Winterreise.

Winterreise (Viagem de Inverno) é um ciclo de 24 lieder composto em 1827 por Franz Schubert sobre poemas de Wilhelm Müller. Foi o segundo dos três ciclos de canções escritos pelo compositor (sendo o primeiro Die schöne Müllerin e o terceiro Schwanengesang). Segundo o próprio Schubert, tratava-se do seu preferido. Foi escrito originalmente para tenor, mas é frequentemente transposto para outras vozes. Os 24 lieder do ciclo constituem uma série de reflexões feitas por um viajante no Inverno sobre temas predominantemente sombrios e tristes, características essas realçadas por um uso sistemático de tonalidades menores. De fato, dos 24 lieder que compõem o ciclo, apenas 8 se encontram em tonalidades maiores: o 5.º (“Der Lindenbaum”), o 11.º (“Frülingstraum”), o 13.º (“Die Post”), o 16.º (“Letzte Hoffnung”), o 17.º (“Im Dorfe”), o 19.º (“Täuschung”) e o 23.º (“Die Nebensonnen”). A própria natureza retratada nos poemas reflete o estado de espírito amargurado do sujeito (como era comum no Romantismo), uma vez que são frequentemente descritas paisagens sombrias e geladas.

Franz Schubert (1797-1828): Winterreise

1 Gute Nacht 5:31
2 Die Wetterfahne 1:44
3 Gefror’ne Tränen 2:15
4 Erstarrung 2:54
5 Der Lindenbaum 4:59
6 Wasserflut 3:48
7 Auf Dem Flusse 3:28
8 Rückblick 1:50
9 Irrlicht 2:24
10 Rast 3:25
11 Frühlingstraum 4:24
12 Einsamkeit 3:12
13 Die Post 1:59
14 Der Greise Kopf 2:48
15 Die Krähe 1:59
16 Letzte Hoffnung 1:48
17 Im Dorfe 3:11
18 Der Stürmische Morgen 0:48
19 Täuschung 1:04
20 Der Wegweiser 4:08
21 Das Wirtshaus 4:17
22 Mut 1:22
23 Die Nebensonnen 2:41
24 Der Leiermann 3:30

Ian Bostridge, tenor
Thomas Adès, piano

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Pieter Bruegel, o Velho (1526/1530–1569) – Caçadores na Neve (1565)

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Wynton Marsalis (1961): Violin Concerto / Fiddle Dance Suite

Wynton Marsalis (1961): Violin Concerto / Fiddle Dance Suite

Pedir uma peça a um jazzista é algo inteligente, sem dúvida. De origem italiana e nascida na Escócia, a violinista Nicola Benedetti é uma jovem e talentosa violinista apaixonada pela educação musical, com sua própria fundação e seu canal no YouTube. Mas também dá concertos pelo mundo, claro. Seu último álbum, com gravações de obras escritas para ela por Wynton Marsalis, é realmente muito bom.

Na verdade, parece uma fantasia sonhada por um executivo de gravadora: um concerto escrito pelo mundialmente famoso trompetista de jazz e band leader Wynton Marsalis, feito especialmente para uma carismática e competente violinista. Mas não é uma fantasia: Benedetti tem tocado o vibrante Concerto para Violino de Marsalis por todo o mundo desde sua estréia em 2015. Melhor ainda, os dois artistas são amigos há anos e o concerto reflete sua amizade e admiração mútua.

Isso não quer dizer que não houve problemas ao longo do caminho. Notem, por exemplo, a primeira reação de Benedetti ao ler a partitura. “Minha resposta inicial foi a de que não era desafiador o suficiente para o violinista e que ele precisava reescrever boa parte do concerto. Expliquei a ele que estou acostumada a tocar peças que literalmente me levam semanas antes que eu possa tentar tocá-las.”

Outros compositores poderiam ter se ofendido, mas Marsalis permaneceu deboas. “Afinal, foi ela quem pediu as peças. Ao longo dos anos, falei com Nicola de vez em quando e conversávamos sobre todo tipo de coisas”, disse Marsalis. “Ela é interessada em muitos tipos diferentes de música.”

Então, como surgiu o concerto? Benedetti explica que ficou tocada ao ouvir uma apresentação de A Fiddler’s Tale, de Marsalis, em Londres. Ela se perguntou como algo podia ser tão complexo e inteligente, com tanta profundidade e todo mundo ainda sair sorrindo do concerto. Quero isso pra mim! Benedetti e seu agente foram aos bastidores conversar com Marsalis e “começaram o processo de implorar para ele escrevesse algo para violino”, disse ela. Demorou dois anos. Parecia que seria uma peça para violino solo, mas depois veio um concerto. Aliás, ela conseguiu tudo, basta ouvir a Fiddle Dance Suite, para violino solo, também no novo CD. Mas, por um tempo, não ficou claro se Nicole veria a peça à luz do dia.

Wynton Marsalis (1961): Violin Concerto / Fiddle Dance Suite

Violin Concerto in D Major (43:25)
1 I Rhapsody 12:38
2 II Rondo Burlesque 10:10
3 III Blues 10:18
4 IV Hootenanny 10:19

Fiddle Dance Suite (23:38)
5 I Sidestep Reel 3:59
6 II As The Wind Goes 4:07
7 III Jones’ Jig 4:05
8 IV Nicola’s Strathspey 4:27
9 V Bye-Bye Breakdown 7:00

Violin – Nicola Benedetti
Orchestra – The Philadelphia Orchestra
Conductor – Cristian Măcelaru

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Final feliz.

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Bach, Brahms, Chopin, Debussy, Dvořák, Grieg, Kancheli, Kempff, Ligeti, Liszt, Mendelssohn, Pärt, Ravel, Scarlatti, Scriabin, Tchaikovsky: Motherland (com Khatia Buniatishvili)

Bach, Brahms, Chopin, Debussy, Dvořák, Grieg, Kancheli, Kempff, Ligeti, Liszt, Mendelssohn, Pärt, Ravel, Scarlatti, Scriabin, Tchaikovsky: Motherland (com Khatia Buniatishvili)

Lembram daquela série interminável de discos da Philips — lançados nos anos 70 e 80 — que eram seleções malucas de clássicos e que tinham gatinhos na capa? Ali, o Aleluia de Händel podia vir antes de um trecho de Rhapsody in Blue, o qual era seguido pela Abertura 1812 e pela chamada Ária na Corda Sol (mentira, corda sol coisa nenhuma) de Bach, por exemplo. Salada semelhante é servida por Khatia Buniatishvili neste CD. Mas o importante é faturar enquanto a beleza não abandona a pianista. Ela tem alguns anos de sucesso ainda. Como habitualmente, neste disco ela é muita emoção e languidez — principalmente a última –, acompanhada de um talento que não precisaria ter registros gravados. Temos tanta gente melhor! Depois deste disco altamente suspeito, ela sucumbe aqui. Só a aparência não basta. Afinal, ouvimos o CD. Vocês sabem que eu amo as belas musicistas, mas tudo tem limite.

O volume 1 da numerosa série

Bach, Brahms, Chopin, Debussy, Dvořák, Grieg, Kancheli, Kempff, Ligeti, Liszt, Mendelssohn, Pärt, Ravel, Scarlatti, Scriabin, Tchaikovsky: Motherland (com Khatia Buniatishvili)

1 Johann Sebastian Bach: Was mir behagt, ist nur die muntre Jagd, BWV 208: IX. Schafe können sicher weiden (Arr. for Piano)
2 Pyotr Ilyich Tchaikovsky: The Seasons, Op. 37b: X. October (Autumn Song)
3 Felix Mendelssohn-Bartholdy: Lied ohne Worte in F-Sharp Minor, Op. 67/2
4 Claude Debussy: Suite Bergamasque, L. 75: III. Clair de lune
5 Giya Kancheli: Tune from the Film by Lana Gogoberidze: When Almonds Blossomed
6 György Ligeti: Musica ricercata No. 7 in B-Flat Major
7 Johannes Brahms: Intermezzo in B-Flat Minor, Op. 117/2
8 Franz Liszt: Wiegenlied, S. 198
9 Antonín Dvorák: Slavonic Dance for Four Hands in E Minor, Op. 72/2: Dumka (Allegretto grazioso)
10 Maurice Ravel: Pavane pour une infante défunte in G Major, M. 19
11 Frédéric Chopin: Etude in C-Sharp Minor, Op. 25/7
12 Alexander Scriabin: Etude in C-Sharp Minor, Op. 2/1
13 Domenico Scarlatti: Sonata in E Major, K. 380
14 Edvard Grieg: Lyric Piece in E Minor, Op. 57/6: Homesickness
15 Traditional: Vagiorko mai / Don’t You Love Me?
16 Wilhelm Kempff: Suite in B-Flat Major, HWV 434: IV. Menuet
17 Arvo Pärt: Für Alina in B Minor

Khatia Buniatishvili, piano

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Desculpe, Khatia, não rolou.

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Anthony Hopkins (1937): Anthony Hopkins Composer

Seu personagem mais famoso, o notório Dr. Hannibal Lecter, gostava tanto de ópera quanto de carne humana. Mas quem pensaria que o próprio Sir Anthony Hopkins provaria ter aptidão para escrever música erudita? Certamente não o ator vencedor do Oscar, cuja confiança em sua capacidade de compor se limitava a improvisações ao piano em casa, tocando apenas para seu próprio prazer. Sua esposa Stella foi quem o levou a expandir seus horizontes, a explorar mais seu talento, e o resultado final foi um concerto com a City of Birmingham Symphony Orchestra, gravado pela Classic FM.

Por um lado, Hopkins teve muita sorte, pois poucos compositores contemporâneos são estreados direto por uma orquestra tão boa quanto o CBSO. No entanto, por outro lado, a música tinha que ser boa. Ok, é média. Hopkins escreve com considerável talento e confiança. A sensação é a de que ouvimos um homem que adora fazer música e que escreve instintivamente a partir de suas emoções. Com esse instinto, ele demonstra talento para criar obras curtas e cinematográficas, em vez de formas sinfônicas complexas. Ainda assim, dentro destes parâmetros, Hopkins desenvolve seu trabalho com musicalidade e nunca se limita à meras repetições. Ele já escreveu trilhas para filmes e sua música parece perfeita para acompanhar cenas. Hannibal adoraria tê-lo.

Anthony Hopkins (1937): Composer

1 Orpheus 5:02
2 Stella 6:27
3 Evershaw Fair 5:37
4 And The Waltz Goes On 5:44
5 Amerika 6:26
6 Margam 7:08
7 Circus 4:49
8 Bracken Road 4:10
9 The Plaza 3:02

City of Birmingham Symphony Orchestra
Michael Seal

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Hopkins: sem dúvida, um homem multifacetado

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Kimmo Pohjonen (1964) / Samuli Kosminen (1974): Uniko

Kimmo Pohjonen (1964) / Samuli Kosminen (1974): Uniko

Este elogiado disco não me entusiasmou muito. Há partes que parecem rock progressivo. Rock progressivo pior do que o que os caras faziam nos anos 70. Quem salva a coisa é o acordeon de Kimmo Pohjonen e o Kronos, sempre oportuno e com grande musicalidade. Mas, OK. Deixemos os meninos se divertirem. Bem, quem está aqui? Está o sensacional Kronos Quartet juntamente com o duo finlandês formado pelo acordeonista Kimmo Pohjonen e o guru do sampler Samuli Kosminen. Tudo produzido pelo islandês Valgeir Sigurosson, conhecido por sua colaboração com Bjork. Uniko foi encomendado pelo Kronos em 2003 e estreou no Festival de Helsinque em 2004. Em seguida, atraiu plateias lotadas em Moscou, Molde (Noruega) e Nova York. O acordeon de Pohjonen é eletrificado e Kosminen reproduz o acordeon de seu colega finlandês e o Kronos, além de outros sons. Os samplers, juntamente com as cordas e acordeão elétrico, criam efeitos e um mundo sonoro pelo qual não me interessei muito.

Kimmo Pohjonen (1964) / Samuli Kosminen (1974): Uniko

1 I. Utu 6:58
2 II. Plasma 6:16
3 III. Särmä 5:34
4 IV. Kalma 11:01
5 V. Kamala 5:38
6 VI. Emo 10:20
7 VII. Avara 6:01

Accordion, Voice – Kimmo Pohjonen
Arranged By [Strings] – Samuli Kosminen
Cello – Jeffrey Zeigler
Composed By, Arranged By – Kimmo Pohjonen, Samuli Kosminen
Electronics [Strings & Accordion Samples], Programmed By – Samuli Kosminen
Performer – Kronos Quartet
Viola – Hank Dutt
Violin – David Harrington, John Sherba

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Uniko: Kronos Quartet, Kimmo Pohjonen & Samuli Kosminen

PQP

Guia de Gravações Comparadas PQP – Beethoven: Symphony no.6 in F major op.68 ‘Pastorale’

Sim, precisamos falar sobre a Pastoral.

É uma questão importante, urgente, até. Considero esta a mais difícil das sinfonias de Beethoven em termos de categorização histórica. É uma sinfonia clássica com antecipações românticas, mas também é uma sinfonia já romântica em espírito, porém clássica em forma. Seria uma obra atemporal que reivindica independência a uma classificação de estilo? Seja como for, permanece num limiar sutil entre a pura expressão sensível (quase um poema sinfônico) e a forma-sonata expandida. Entre tantas possibilidades, de certa forma algo contraditórias, mantém a Pastoral sua imponente beleza além de qualquer conflito de interpretação. Mas qual delas consegue traduzir de maneira mais plena seu espírito universal? Considero impossível haver um consenso, já que falamos de expressão sensível, mas aponto algumas gravações que entendo como referenciais para esta obra:

1.Bruno Walter, Columbia Symphony Orchestra CBS (1962)

Esta gravação já consagrada é sem dúvida uma das preferidas de público e crítica. É uma leitura sincera e espontânea, que prima pelas harmonias sutis das mudanças de tom, e preserva a orquestração clássica original, quase camerística. Um fato inusitado para a época. Walter capta o estilo bucólico sem preconceitos estilísticos, e essa honestidade de propósitos se configura numa Pastoral de universalidade emocional patente. O último movimento é de uma sutileza comovente.

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FLAC 190Mb

2.Herbert von Karajan, BPO DG (1962)

A contrapartida é a leitura de Karajan do mesmo ano 1962. Insípida e afetada, destoa das demais sinfonias gravadas neste ciclo também já clássico, que (re-)lançou a Filarmônica de Berlim como orquestra de excelência pelo mundo afora, depois do trauma da II Guerra. É uma interpretação bastante forçada, e muito pouco inspirada, trazendo o mesmo Beethoven titânico da V Sinfonia para esta, de caráter absolutamente diverso. Serve para estabelecer um termo de comparação bastante útil entre as leituras clássicas e românticas. A última versão da Pastoral gravada por Karajan em 1984 não é nem digna de estar neste post.

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FLAC 339Mb

3.Nikolaus Harnoncourt, The Chamber Orchestra of Europe TELDEC (1991)

No pioneiro auge das gravações que se pretendiam ‘históricas’ ou ‘de época’, Harnoncourt se mostra surpreendente. Na mesma pegada que outros maestros se aventuraram, notadamente John Eliot Gardiner e Christopher Hogwood, Harnoncourt é o que consegue melhor equilíbrio entre o clássico formal e o bucolismo romântico. Seus ritmos são notadamente clássicos, mas tem uma suavidade ambígua que o coloca num limiar bastante diverso de seus colegas. Gardiner e Hogwood são bem mais carregados de modismos estilísticos que se caracterizam pela leitura histórica, e Harnoncourt opta por deixar a música fluir. A Tempestade nos remete às fúrias de Gluck, e soa com ecos da tempestade e ímpeto que tanto mobilizaram os imediatos antecessores de Beethoven. É a gravação que melhor capta o que talvez teríamos escutado em sua época, combinado com as intenções descritivas pré-românticas do mestre.

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FLAC 278Mb

4.Karl Böhm, VPO DG (1971)

Böhm também pertence à tradição romântica alemã, da qual Karajan é seu representante mais famoso. Mas Böhm tem um diferencial: não foi diretamente afetado pela fama megalomaníaca, e se reserva por isso o direito de fazer uma leitura sincera. É um Beethoven romântico por excelência, mas nem por isso menos interessante. Pelo contrário, a sinceridade de Böhm nos contagia, deixando-nos acreditar que talvez Beethoven pudesse ser, na verdade, um romântico enrustido.

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FLAC 376Mb

5.Liszt Transcription – Cyprien Katsaris TELDEC (1981) 

Para quebrar a hegemonia, uma versão para piano. Esta gravação, feita em 1981 pelo pianista grego-francês Cyprien Katsaris foi, estranhamente, a primeira vez que se lançou a transcrição de Liszt. Não é uma versão qualquer, tem a marca de pelo menos dois gênios. Eu gosto muito porque realça as mudanças harmônicas que na orquestra ficam diluídas nos timbres. Aqui, a tonalidade fica em evidência, e percebe-se o quanto essa tal harmonia era cara a Beethoven. E nos mostra uma outra faceta curiosa: música boa é sempre boa, quer original ou transcrita.

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FLAC 157Mb

6.Kurt Masur, Gewandhausorchester Leipzig PHILIPS (1973)

Essa gravação eu conheci através da Enciclopédia Salvat dos Grandes Compositores, uma publicação espanhola que teve seus dias de glória no Brasil no final da década de 80. No início me parecia muito razoável, mas só depois que ouvi diversas outras versões (Bernstein-NYPhO, Abbado-VPO e as demais aqui descritas) é que me dei conta que é a leitura que melhor capta o clima de espírito pastoral, independente da abordagem de estilo. Andamentos suaves, dinâmica sutil, timbres bem delineados. Uma tempestade épica, um finale glorioso, faz parecer que todo o universo dança.

Ao lado da gravação de Bruno Walter, considero esta a verdadeira Pastoral. A gravação de Masur com a mesma Gewandhaus de Leipzig feita nos anos 90 não chega aos pés dessa. Confiram.

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FLAC 331Mb

 

CHUCRUTEN

Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621): The Keyboard Music (4/4)

Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621): The Keyboard Music (4/4)

(continuação)

Estilisticamente, a música de Sweelinck também reúne a riqueza, complexidade e sentido espacial dos venezianos Andrea e Giovanni Gabrieli, com quem ele estava familiarizado desde sua estada em Veneza, e as formas de ornamentação dos compositores de teclado ingleses. Em algumas de suas obras, Sweelinck aparece como um compositor do estilo barroco, com a exceção de suas canções que mais se assemelham a tradição renascentista francesa. No desenvolvimento formal, especialmente no uso de contra-stretto e órgão ponto (pedal ponto), a sua música relembra Bach (que muito possivelmente era familiarizado com a música de Sweelinck).

Sweelinck era um mestre da improvisação, e adquiriu o título informal de “Orfeu de Amsterdam”, como dissemos. Mais de 70 obras para teclado sobreviveram e muitas delas devem ser semelhantes às improvisações que os moradores de Amsterdam em 1600 eram acostumados a ouvir. No curso de sua vida, Sweelinck envolveu-se com as liturgias musicais de três tipos de igrejas distintas: a Católica Romana, a calvinista e a luterana, todas as quais se refletem em seu trabalho. Mesmo sua música vocal, que é mais conservadora do que a sua escrita para teclado, mostra uma notável complexidade rítmica e uma riqueza incomum de dispositivos de contraponto.

Sweelinck morreu de causas desconhecidas em 16 de outubro de 1621 e foi sepultado na Oude Kerk. Na época, vivia com sua  esposa e cinco de seus seis filhos. O mais velho deles, Dirck Janszoon que o sucedeu como organista da Oude Kerk.

(fim)

Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621): The Keyboard Music IV

1 – Nun freut euch, liebenn Christen gemein
2 – Toccata XVII
3 – Fantasia III
4 – Ons is gheboren een kindekijn (Puer nobis nascitur)
5 – Psalm 36
6 – Fantasia IX
7 – Christe qui lux est et dies
8 – Fantasia VIII
9 – Onse Vader in Hemelrijck
10 – Echo Fantasia XIII
11 – Toccata XX
12 – Wir glauben all an einen Gott

Ton Koopman: virginals, harpsichords, organs

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Vermeer (1632-1675): Moça com Brinco de Pérola

PQP

Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621): The Keyboard Music (3/4)

Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621): The Keyboard Music (3/4)

(continuação)

A influência musical de Sweelinck se espalhou tão longe como na Suécia e Inglaterra, respectivamente por Andreas Düben e por compositores ingleses, como Peter Philips, que provavelmente conheceu Sweelinck em 1593. Sweelinck, e compositores holandeses em geral, tinham ligações evidentes para com a escola de inglesa de composição e a música de Sweelinck aparece no Livro Virginal de Fitzwilliam, que contém principalmente o trabalho de compositores ingleses. Ele escreveu variações sobre a Pavane “Lachrimae” de John Dowland, famoso compositor inglês. John Bull, que provavelmente era um amigo pessoal de Sweelinck, escreveu um conjunto de variações sobre um tema musical de sua autoria, depois da morte do compositor holandês.

A obra de Sweelinck representa o mais alto grau de desenvolvimento da escola de teclado holandês e de fato representou um pináculo na complexidade contrapontística no requinte ao teclado, antes do alemão Johann Sebastian Bach. No entanto, ele também era um compositor hábil para vozes e compôs mais de 250 obras corais, entre elas chansons, madrigais, motetos e Salmos.

Algumas das inovações Sweelinck eram de importância musical profunda, incluindo a fuga, a qual ele foi o primeiro a escrever para órgão. Este estilo inicia apenas com uma linha melódica, acompanhada sucessivamente por outra, acrescentando textura e complexidade até um clímax final, uma ideia que foi aperfeiçoada no fim da era barroca de Bach (por exemplo a conhecida Tocata e Fuga em Ré menor de J.S.Bach). Muitas das obras Sweelinck para o teclado foram concebidos como estudos para seus alunos sendo ele o primeiro a usar o pedal do órgão como uma parte real da fuga.

(continua)

Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621): The Keyboard Music III

1 – Psalm 116
2 – Psalm 140
3 – Echo Fantasia XI
4 – Toccata XXIII
5 – Ricercar VII
6 – Toccata XXII
7 – Fantasia IV
8 – Allein zu dir, Herr Jesu Christ
9 – Echo Fantasia XII
10 – Allein Gott in der Höh’ sei Ehr
11 – Praeludium XXVII

Ton Koopman: virginals, harpsichords, organs

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Vermeer (1632-1675): A Leiteira

PQP

Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621): The Keyboard Music (2/4)

Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621): The Keyboard Music (2/4)

Neste CD, lá pela faixa 7 ou 8, acabam as obras para cravo e virginal e começam as para órgão. O órgão de época utilizado por Koopman é tudo de bom, cheio de som barroco e das marcenarias do instrumento.

(continuação)

De acordo com Cornelis Plemp, um aluno e amigo de Sweelinck, ele começou sua carreira de 44 anos como organista da Oude Kerk em 1577, quando tinha apenas 15 anos. Esta data, porém, é incerta, porque os registros da igreja de 1577-80 foram perdidos e o registro de Sweelinck na Oude Kerk só podem ser encontradas de 1580 em diante, posto este que ocupou para o resto de sua vida. A mãe de Sweelinck morreu em 1585, e Jan Pieterszoon assumiu a responsabilidade sobre seu irmão mais novo e a irmã. Seu salário de 100 florins foi duplicado no ano seguinte, provavelmente para ajudar a família. Além disso, foi oferecido um adicional de 100 florins, após seu casamento, que se deu em 1590 com Claesgen Dircxdochter Puyner, de Medemblik. Também foi oferecido ao mesmo a escolha entre mais 100 florins e acomodações livres em uma casa pertencente à cidade, o último dos quais ele escolheu.

O compositor, muito provavelmente, passou sua vida inteira em Amsterdam, saindo apenas ocasionalmente em visita a outras cidades próximas em conexão com suas atividades profissionais. Foi-lhe pedido para inspecionar órgãos, dar opiniões e conselhos sobre a construção dos mesmos e sua restauração. Essas atividades resultaram em visitas curtas a Delft, Dordrecht (1614), Enkhuizen, Haarlem (1594), Harderwijk (1608), Middelburg (1603), Nijmegen (1605), Roterdão (1610), Rhenen (1616), bem como Deventer (1595, 1616) sua terra natal. A mais longa viagem Sweelinck foi para Antuérpia em 1604, quando ele foi comissionado pelas autoridades de Amsterdam, para comprar um cravo para a cidade. Apesar de não haver provas documentais afirma-se que Sweelinck visitou Veneza — talvez uma confusão com seu irmão, o pintor Gerrit Pietersz Sweelink — e da mesma forma não há nenhuma evidência de que ele alguma vez cruzou o Canal Inglês, embora cópias de sua música apareçam inclusas no Livro de Virginal de Fitzwilliam. Sua popularidade como compositor organista e professor aumentou de forma constante durante toda sua vida. Contemporâneos o apelidaram de “Orfeu de Amsterdam” e até mesmo as autoridades da cidade frequentemente traziam visitantes importantes para ouvir as improvisações de Sweelinck ao órgão. As atividades de Sweelinck em Amsterdam eram apenas de organista. Ao contrário do costume, ele não tocava o carrilhão ou o cravo em ocasiões formais, nem lhe era cobrado produzir composições regularmente. Serviços litúrgicos calvinistas não incluíam tipicamente o órgão tocado, devido à adoção do Princípio Regulador. O Princípio Regulador restringiu os elementos de culto para somente o que foi ordenado no Novo Testamento. No entanto, no Consistório de Dordrecht de 1598, organistas eram instruídos a tocar variações sobre as novas músicas do Saltério genebrino antes e após o serviço, para que as pessoas se familiarizassem com as novas canções. Visto que trabalhou para os magistrados protestantes pelo resto de sua vida, é provável que fosse um adepto do calvinismo. Na década de 1590 três dos seus filhos foram batizados na Oude Kerk. Seu trabalho permitia-lhe ensinar música e compor, o que viria a torná-lo amplamente conhecido. Os alunos Sweelinck compunham o núcleo do qual viria a se formar a escola de órgão do norte da Alemanha, entre os quais: Jacob Praetorius II, Heinrich Scheidemann, Paul Siefert, Melchior Schildt e Samuel e Gottfried Scheidt. Alunos de Sweelinck eram vistos como músicos de referência, contra quem organistas eram avaliados. Sweelinck era conhecido na Alemanha como o “criador de organistas”. Sociável e respeitado, ele tinha grande procura como professor. Seus alunos holandeses foram sem dúvida muitos, mas nenhum deles se tornou compositor de renome. Sweelinck, no entanto, influenciou o desenvolvimento da escola de órgão holandês, como se percebe nas obras de compositores posteriores tais como as de Anthoni van Noordt. Sweelinck, no decorrer de sua carreira, tinha criado música para as liturgias do catolicismo romano, calvinismo e o luteranismo. Era o compositor mais importante da rica “era de ouro” da música holandesa.

Publicou pela primeira vez em 1592-1594 três volumes de canções, o último dos quais é o único volume que resta, publicado em 1594. Por razões incertas o compositor adotou o sobrenome de sua mãe (Sweelinck) que aparece pela primeira vez no título da página da publicação 1594. Sweelinck, em seguida, definia as configurações de publicação de alguns Salmos, com o objetivo futuro de musicar o Saltério completo. Essas obras apareceram em quatro grandes volumes publicados em 1604, 1613, 1614 e 1621. O último volume foi publicado postumamente e, presumivelmente, em formato não revisado.

(continua)

Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621): The Keyboard Music II

1 – Pavana Philippi
2 – Pavana hispanica
3 – Fantasia VI
4 – Toccata XIX
5 – Toccata XVIII
6 – Pavana Lachrimae
7 – Ballo del granduca
8 – Ich ruf zu dir, Herr Jesu Christ
9 – Echo Fantasia XIV
10 – Da pacem Domine in diebus nostris
11 – Erbarm dich mein, o Herre Gott

Ton Koopman: virginals, harpsichords, organs

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Vermeer (1632-1675): O Astrônomo

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Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621): The Keyboard Music (1/4)

Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621): The Keyboard Music (1/4)

Como sempre digo, o barroco é interminável. Isso em todos os sentidos, em repertório, qualidade, instrumentação, variedade, etc. O holandês Sweelinck, por exemplo, é um tremendo compositor. Este álbum quádruplo é uma clara demonstração disto. Neste primeiro CD, Ton Koopman toca virginais e cravo.

Jan Pieterszoon Sweelinck (Deventer, Abril ou Maio de 1562 – 16 de Outubro de 1621) foi um compositor, organista e pedagogo neerlandês.

Seu trabalho remonta ao final da renascença e início da era barroca. Foi um dos compositores de teclado mais importantes da Europa, e o seu trabalho como professor ajudou a criar a tradição de órgãos do norte da Alemanha.

Sweelinck nasceu em Deventer, Holanda, em abril ou maio de 1562. Era o filho mais velho do organista Pedro (Pieter) Swybbertszoon e de Elske Jansdochter Sweeling, filha de um cirurgião. Logo após o nascimento de Sweelinck, a família se mudou para Amsterdam onde, por volta de 1564, Pieter Swybbertszoon atuou como organista da Oude Kerk (o avô paterno de Sweelinck e seu tio também foram organistas). Jan Pieterszoon deve ter recebido as primeiras lições de música de seu pai. Seu pai morreu em 1573 e, em seguida, ele recebeu educação geral de Jacob Buyck, pastor católico da Oude Kerk (estas aulas pararam em 1578 após o advento da Reforma em Amsterdam e subsequente conversão ao calvinismo; neste momento, Buyck optou por deixar a cidade). Pouco se sabe sobre sua educação musical após a morte de seu pai. Entre seus professores de música pode ser incluído Jan Willemszoon, um contratenor pouco conhecido e tecladista em Haarlem, e Cornelis Boskoop, sucessor do pai de Sweelinck na Oude Kerk. Se Sweelinck de fato estudou em Haarlem, foi provavelmente influenciado em algum grau pelos organistas de St. Bavokerk, entre eles Albrechtszoon Claas van Wieringen e Van Floris Adrichem, ambos os quais improvisaram diariamente na Bavokerk.

(continua)

Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621): The Keyboard Music I

1 – More palatino
2 – Fantasia II
3 – Engelsche Fortuyn
4 – Toccata XXI
5 – Mein junges Leben hat ein End
6 – Ick voer al over Rhijn
7 – Toccata XXV
8 – Fantasia Chromatica I
9 – Toccata XXIV
10 – Toccata XV
11 – Onder een linde groen
12 – Est-ce Mars
13 – Hexachord Fantasia V
14 – Toccata XVI

Ton Koopman: virginals, harpsichords, organs

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Vermeer (1632-1675): Alegoria da Pintura

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Obras de Câmara dos Filhos de Bach

Obras de Câmara dos Filhos de Bach

Bom disco!

Bem, meus caros. Como vocês sabem, sou filho de Bach. Um filho bastardo. O 21º. Infelizmente, minha mãe me criou sozinha, na maior dificuldade. Não tive uma educação musical como meus irmãos tiveram. Mas gosto de música. Muito. Afinal carrego a carga genética de meu pai. Este é um CD com músicas de meus irmãos. Não os odeio. Fazer o quê? E eles, apesar de não serem tão competentes como papai, eram compositores até que bons.

Vejam bem, aos 22 anos de idade, papai casou-se com uma prima, Maria Barbara Bach. Deste casamento, ele teve 7 filhos, dos quais sobreviveram quatro:  Catharina Dorotheia, Johann Gottfried Bernhard e os compositores Wilhelm Friedmann e Carl Philipp Emanuel. Maria Barbara morreu em maio de 1720. Depois ele conheceu a soprano Ana Magdalena Wilcken e casou-se pela segunda vez em 1721. Teve 13 filhos com ela, dos quais 7 faleceram ainda bebês. Sua casa, ainda acrescida de diversos alunos residentes, era lotada. Como ele arranjava tempo para compor e ainda ter casos extra-conjugais como o que teve com minha amada genitora?

Obras de Câmara dos Filhos de Bach

Johann Christoph Friedrich Bach (1732-1795)
Quartett Nr. 3 C-Dur Für Flöte, Violine, Viola & B.c. (c.1768) – Quartet No. 3 in C Major For Flute, Violin, Viola & B.c.
Composed By – Johann Christoph Friedrich Bach
1 Allegretto 5:44
2 Scherzo 3:46

Johann Christian Bach (1735-1782)
Quintett F-Dur Op. 11 Nr. 3 Für Flöte, Oboe, Violine, Viola & B.c. (1774) – Quintet In F Major For Flute, Oboe, Violin, Viola & B.c.
Composed By – Johann Christian Bach
3 Andante 5:25
4 Rondo: Allegretto 3:47

Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788)
Sinfonia D-Dur H 585 Für 2 Violinen & B.c. (c.1754) – Sinfonia In D Major For 2 Violins & B.c.
Composed By – Carl Philipp Emanuel Bach
5 Allegro 3:59
6 Andantino 3:06
7 Tempo Di Minuetto 2:14

Carl Philipp Emanuel Bach
Sonate Für Cembalo Und Violine H-Moll H 512 (1763) – Sonata For Harpsichord And Violin In B Minor
Composed By – Carl Philipp Emanuel Bach
8 Allegro Moderato 7:06
9 Poco Andante 5:30
10 Allegretto Siciliano 4:56

Carl Philipp Emanuel Bach
Sonata A-Dur H 570 Für Flöte, Violine & B.c. – Sonata In A Major Fpr Flute, Violin & B.c. (1731 Revidiert / Revised 1747)
Composed By – Carl Philipp Emanuel Bach
11 Allegretto 5:55
12 Andante 3:44
13 Vivace 3:08

Johann Christian Bach
Quintett G-Dur Op. 11 Nr. 2 Für Flöte, Oboe, Violine, Viola & B.c. (1774) – Quintet In Gmajor Fpr Flute, Oboe, Violin, Viola & B.c.
Composed By – Johann Christian Bach
14 Allegro 5:30
15 Allegro Assai 2:48

Les Adieux:
Flute [Traversflöte/Transverse Flute] – Wilbert Hazelzet
Fortepiano [Hammerflügel], Harpsichord [Cembalo] – Andreas Staier
Oboe – Hans Peter Westermann*
Violin – Mary Utiger
Violin, Viola – Hajo Bäss*
Violoncello – Christine Kyprianides

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A casa em que J. S. Bach nasceu em Eisenach.

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Georg Philipp Telemann (1681-1767): Abertura em Ré Maior & Cantata Ino

Georg Philipp Telemann (1681-1767): Abertura em Ré Maior & Cantata Ino

Este é um disco de 1989, ou seja, da época áurea do Musica Antiqua Köln, de Reinhard Goebel. Ambos os trabalhos são obras-primas. A Cantata Dramática Ino foi composta em 1765, pouco antes da morte do compositor, é para solista soprano e orquestra. O episódio que descreve teria sido familiar a plateia de Hamburgo da época, mas agora não é. O libreto é do poeta-filósofo Karl Wilhelm Ramler e deriva de uma seção das Metamorfoses de Ovídio. Ino é ideal para uma jovem soprano imaginativa à procura de um repertório inusitado. É o caso. Um pouco menos interessante é a Abertura em Ré maior, uma suíte francesa que parece, muitas vezes comicamente, romper com a formalidade da tradição a cada passo.

Georg Philipp Telemann (1681-1767): Abertura em Ré Maior & Cantata Ino

Ouvertüre D-dur In D Major 21:13
1 Ouverture. Maestoso – Allegro – Maestoso 6:17
2 Plainte 6:18
3 Réjouissance. Très Vite 1:30
4 Carillon. Gracieusement 1:37
5 Tintamare. Légèrement 1:09
6 Loure 1:43
7 Menuet I & II 2:38

Ino (Dramatische Kantate) 32:20
8 Recitativo: »Wohin, Wo Soll Ich Hin?« 0:49
9 Aria: »Ungöttliche Saturnia« 5:30
10 Recitativo: »O All Ihr Mächte Des Olympus!« 2:15
11 [Arioso:] »Wo Bin Ich? O Himmel!« 6:26
12 Tanz Der Tritonen 2:24
13 Recitativo: »Ungewohnte Symphonien« 1:09
14 Aria: »Mein Ihr Mich, Ihr Nereiden?« 4:36
15 Recitativo: »Und Nun? Ihr Wendet Euch So Schnell Zurück?« 1:43
16 Aria: »Tönt In Meinen Lobgesang« 7:24

Cello – Karen Kaderavek, Phoebe Carrai
Conductor – Reinhard Goebel
Flute – Jed Wentz, Karl Kaiser
Harpsichord – Bibiane La Pointe*, Thierry Maeder
Horn – Andrew Joy, Charles Putnam
Oboe – Alison Gangler, Michael Niesemann
Orchestra – Musica Antiqua Köln
Soprano Vocals – Barbara Schlick (tracks: 8 to 16)
Viola – Claudia Steeb, Florian Deuter, Raimund Nolte
Violin [1st] – Katharina Wolff, Laura Johnson, Reinhard Goebel
Violin [2nd] – Cynthia Romeo, Florian Geldsetzer, Manfred Kraemer*
Violone – Denton Roberts

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O palhaço com o alaúde, de Frans Hals (1580-1666)

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Serguei Prokofiev (1891-1953): Sinfonia Nº 5 & Suíte Cita

Serguei Prokofiev (1891-1953): Sinfonia Nº 5 & Suíte Cita

IM-PER-DÍ-VEL !!!

A Sinfonia Nº 5 de Prokofiev simplesmente não tem pontos fracos. É linda de cabo a rabo. Das sete sinfonias que escreveu, a Primeira e a Quinta são as mais populares em seu país e no estrangeiro. A Quinta, composta em 1944, foi estreada em Moscou a 13 de janeiro de 1945, sob a regência do próprio compositor. O compositor parecia olhar para o passado e para tudo o que acontecera. Prokofiev retornara ao momento anterior do exílio de dezessete anos e revivera seu passado como artista e como homem. Mesmo tolhido artisticamente, viu que era preciso voltar à música de sua Rússia. A Quinta Sinfonia foi escrita quinze anos após a Quarta e dez anos após o reingresso de Prokofiev na URSS. Nesse hiato, o compositor viu seu estilo de composição sofrer uma transformação considerável. Aqui, ele volta a buscar inspiração na força melódica autêntica do seu país: “o ar forasteiro não combina com a minha inspiração, porque eu sou russo e a coisa pior para um homem como eu é viver no exílio. Devo voltar. Devo ouvir ressoar em meus ouvidos a língua russa, devo falar com as pessoas, a fim de que possa restituir-me o que me falta: os seus cantos, os meus cantos.”

Sobre a Quinta Sinfonia, ele disse: “esta música amadureceu dentro de mim, encheu minha alma” […] “não posso dizer que escolhi estes temas, eles nascem em mim e devem se expressar”. A volta ao país natal se desdobrou no retorno às raízes musicais de sua juventude, na qual demonstrara amar profundamente a música de Haydn. A simplicidade e inocência das composições de Haydn eram vistas por Prokofiev como exemplo de clareza e sofisticação. O regresso à natureza neoclássica da Primeira Sinfonia deveu-se mais ao renascimento em si do espírito haydniano que propriamente pela censura impingida à sua música pelo Comitê Central do Partido Comunista. Ao compor nos moldes do “realismo socialista”, Prokofiev inaugurou uma fase chamada por ele de “nova simplicidade”.

Nas palavras do compositor: uma “linguagem musical que possa ser compreendida e amada por meu povo”. Simples, sem ser simplista, ele fez sua música retornar ao predomínio do elemento melódico, à transparência na orquestração e à nitidez da forma, de acordo com as normas clássicas. Se os movimentos lentos I e III – Andante e Adagio – se vestem de uma ternura elegíaca e de introspecção, os allegros II e IV, um scherzo e um finale refletem o puro humor advindo de Haydn. Desse contraste, sem dores nem tristezas, nasceu uma das obras mais célebres da música soviética, definida pelo compositor como o “canto ao homem livre e feliz, à sua força, à sua generosidade e à pureza de sua alma”.

A Suíte Cita fala de Alá e Lolli. Trata-se de uma história do antigo povo cita, popularmente associado, na Rússia da época, à selvageria e à violência. É essa associação que Prokofiev explora musicalmente em seu balé através da acumulação de dissonâncias, do uso insistente de ostinato e do recurso a longas passagens em fortíssimo, intensificadas pela grandiosidade da orquestração.

Fonte: aqui.

Symphony No. 5 in B flat major, Op 100 (1944) (44:24)
1 I. Andante 13:56
2 II. Allegro marcato 8:46
3 III. Adagio 12:44
4 IV. Allegro giocoso 9:08

Scythian Suite from Ala and Lolly, Op. 20 (1916) (22:59)
5 I. Adoration of Veless and Ala. Allegro feroce 7:02
6 II. The Enemy of God and the Dance of the Spirits. Allegro sostenuto 3:14
7 III. Night. Andantino 6:43
8 IV. Lolly’s Departure and the Sun’s Procession. Tempestoso 6:00

Deutsches Symphonie-Orchester Berlin
Tugan Sokhiev

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Prokofiev na cama com o compositor Nicolas Nabokov. Não, nada de sexo, just friends.

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G. F. Händel (1685-1759): Concerti Grossi, Op. 6, Vol. 3

G. F. Händel (1685-1759): Concerti Grossi, Op. 6, Vol. 3

Já postamos estes concertos diversas vezes. Eles são mesmo ótimos e estão presentes nos repertórios dos melhores grupos barrocos, mas não creio que alguém roubaria ou mataria por eles. Os 12 Concerti Grossi, Op. 6, ou Doze Grandes Concertos, HWV 319-330, são concertos escritos por Händel para um trio de concertinos de dois violinos e um violoncelo, orquestra de cordas e cravo contínuo. Foram publicados pela primeira vez em Londres no ano de 1739. Tendo como modelo os antigos concerti da chiesa e concerti da câmera de Arcangelo Corelli, e não os concertos venezianos de três movimentos de Vivaldi, eles foram escritos, pasmem, para serem tocados durante os intervalos das apresentações dos oratórios e odes de Handel. Apesar do modelo convencional, Handel incorporou nos movimentos toda a gama dos seus estilos composicionais, incluindo trio sonatas, árias, aberturas francesas, sinfonias italianas, fugas, temas, variações e uma variedade de danças. Os concertos foram em grande parte compostos de material novo: eles estão entre os melhores exemplos no gênero de concerto grosso barroco.

G. F. Händel (1685-1759): Concerti Grosso, Op. 6, Vol. 3

Concerto Grosso, Op. 6 No. 10
1 Ouverture – Allegro 1:46
2 Allegro 2:09
3 Air: Lentement 3:09
4 Allegro 2:27
5 Allegro 2:53
6 Allegro Moderato 1:42

Concerto Grosso, Op. 6 No. 11
7 Andante Larghetto E Staccato 4:43
8 Allegro 1:47
9 Largo E Staccato 0:32
10 Andante 4:20
11 Allegro 5:54

Concerto Grosso, Op. 6 No. 12
12 Largo 2:02
13 Allegro 2:58
14 Aria: Larghetto E Piano 4:10
15 Largo 0:52
16 Allegro 1:57

Concerto Grosso “Alexander’s Feast”
17 Allegro 3:34
18 Largo 1:48
19 Allegro 3:19
20 Andante, Non Presto 3:53

Collegium Musicum 90
Simon Standage

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Olha o Händel chegando aí, gente!

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J. S. Bach (1685-1750): Concerto para Oboé / Cantata BWV 202 & G. F. Händel (1685-1759): Concerto Nº 1 para Harpa / Cantata Tra Le Fiamme, HWV 170

J. S. Bach (1685-1750): Concerto para Oboé / Cantata BWV 202 & G. F. Händel (1685-1759): Concerto Nº 1 para Harpa / Cantata Tra Le Fiamme, HWV 170

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um grande disco, magnificamente interpretado! O Concerto de Bach para Oboé é maravilhoso, mas logo depois temos a Cantata do Casamento, BWV 202. Esta Cantata é linda. A primeira ária me mói o coração. Tudo, a lentidão inicial, os passos, a seção rápida, o retorno. Que ária! E que lindo trabalho fazem todos aqui.

Esta primeira ária, “Weichet nur, betrübte Schatten” (Dissipai, sombras problemáticas), é acompanhada por todos os instrumentos. As cordas reproduzem um motivo repetitivo ilustrando o desaparecimento do inverno, enquanto o oboé conduz com uma linda melodia até a entrada da voz, depois tocando em dueto com ela. A seção de abertura é marcada como Adagio, enquanto a seção intermediária, sobre os prazeres da primavera, é marcada como Andante. É a mudança da sombra para a luz do sol, do frio do inverno para as flores da primavera.

A BWV 202 sobreviveu através de apenas uma cópia da década de 1730. Ela apresenta um estilo usado por Bach apenas até por volta de 1714. O lento-rápido-lento da primeira ária, por exemplo, foi raramente utilizado por Bach depois de 1714. Também o jogo entre a voz e o oboé obbligato do sétimo movimento é da mesma época. Mas os biógrafos pensam que esta Cantata é do tempo de Köthen e a ocasião a um casamento, possivelmente o próprio casamento de Bach com Anna Magdalena em dezembro de 1721. O libretista não é conhecido.

O texto relaciona o início do amor à chegada da primavera após o inverno. O cupido procura por um casal. Ele os encontra. Há o desejo de sorte. O tom é bem humorado e brincalhão, o que sugere um casamento civil.

O restante do CD também é de primeira linha.

J. S. Bach (1685-1750): Concerto para Oboé / Cantata BWV 202 & G. F. Händel (1685-1759): Concerto Nº 1 para Harpa / Cantata Tra Le Fiamme, HWV 170

1 Concerto en la Majeur, BWV 1005A: I. Allegro 4:26
2 Concerto en la Majeur, BWV 1005A: II. Larghetto 5:10
3 Concerto en la Majeur, BWV 1005A: III. Allegro Ma Non Troppo 4:28
Patrick Beaugiraud
Ricercar Consort
Philippe Pierlot

4 “Weichet Nur, Betrübte Schatten”, BWV 202: Aria – Weichet Nur, Betrübte Schatten 6:18
5 “Weichet Nur, Betrübte Schatten”, BWV 202: Récitatif – Die Welt Wird Wieder Neu 0:27
6 “Weichet Nur, Betrübte Schatten”, BWV 202: Aria – Phoebus Eilt 2:55
7 “Weichet Nur, Betrübte Schatten”, BWV 202: Aria – Drum Sucht Auch Amor 0:41
8 “Weichet Nur, Betrübte Schatten”, BWV 202: Récitatif – Wenn Die Frühlingslüfte Streichen 2:29
9 “Weichet Nur, Betrübte Schatten”, BWV 202: Récitatif – Und Dieses Ist Das Glücke 0:49
10 “Weichet Nur, Betrübte Schatten”, BWV 202: Aria – Sich Üben Im Lieben 4:17
11 “Weichet Nur, Betrübte Schatten”, BWV 202: So Sei Das Brand Der Keuschen Liebe 0:22
12 “Weichet Nur, Betrübte Schatten”, BWV 202: Gavotte – Sehet In Zufriedenheit 1:35
Nuria Rial
Patrick Beaugiraud
Philippe Pierlot
Ricercar Consort

13 Concerto Pour Harpe No. 1 en Si Majeur, Op. 4 No. 6: I. Andante Allegro 6:00
14 Concerto Pour Harpe No. 1 en Si Majeur, Op. 4 No. 6: II. Larghetto 3:48
15 Concerto Pour Harpe No. 1 en Si Majeur, Op. 4 No. 6: III. Allegro Moderato 2:34
Giovanna Pessi
Ricercar Consort
Philippe Pierlot

16 Tra Le Fiamme, HWV 170: Aria – Tra Le Fiamme Tu Scherzi Per Gioco 5:28
17 Tra Le Fiamme, HWV 170: Recitativo – Dedalo Già Le Fortunate Penne 0:49
18 Tra Le Fiamme, HWV 170: Aria – Pien Di Nuovo e Bel Diletto 4:39
19 Tra Le Fiamme, HWV 170: Recitativo – Si, Pur Troppo e Vero 0:14
20 Tra Le Fiamme, HWV 170: Aria – Voli Per L’aria Chi Puo Volare 2:56
21 Tra Le Fiamme, HWV 170: Recitativo – L’uomo Che Macque Per Salire Al Cielo 0:21
22 Tra Le Fiamme, HWV 170: Aria – Tra Le Fiamme Tu Scherzi Per Gioco 2:30
Nuria Rial
Philippe Pierlot
Ricercar Consort

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Handel é muito bom, mas Bach…

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Maurice Ravel, Pablo Sarasate, Georges Enescu, Vittorio Monti, Georges Boulanger: Gypsic

Maurice Ravel, Pablo Sarasate, Georges Enescu, Vittorio Monti, Georges Boulanger: Gypsic

Um belo e surpreendente disco de música cigana com todo aquele ambiente exótico e sem grandes pasteurizações ou tentativas de tornar a coisa mais “elegante” (sim, entre aspas). Então, amigos puristas, por favor, fujam, evitem ouvir este Gypsic da violinista romena-francesa Sarah Nemtanu.

O restante de vocês, no entanto, deve ouvir e, talvez, ficar intrigado. O álbum não é um conjunto convencional de peças orientais e orientadas para o cigano como são tocadas há meio século. Experimente ouvir com atenção, concentrando-se especialmente nas faixas 2, 3 e 8 para que saber bem no que está se metendo. O álbum de Nemtanu também tenta adicionar elementos de transição modernos à forma tradicional do concerto cigano-clássico. Mais tradicional é a sua versão da Sonata para Violino No. 3 em Lá menor, op. 25, “On Popular Romanian Themes”, de Georges Enescu, interpretado por Nemtanu e pelo pianista Romain Descharmes de uma maneira direta que não exagera os elementos ciganos. A Tzigane de Ravel já é meio suja e ESPETACULAR. Então a diversão se acentua… O Sarasate tem uma parte adicionada. O tecladista francês nascido no Canadá, Chilly Gonzales, adiciona elementos de eletrônica às Czárdás de Vittorio Monti… Mais inacreditável ainda é o movimento Blues da Sonata de Ravel para violino e piano de 1927. Esta peça recebe de Gonzales o que Nemtanu chama de “etno-percussão” — a melodia é reformulada como um pedaço do pop etíope. É um risco, pois parece não combinar o resto da música do álbum, só com a versão das Czárdás. Talvez seja uma tentativa de criar um ponto de encontro entre a França e a Romênia. Nemtanu choca com conceitos de como a música clássica e os eletrônicos de sabor internacional podem ser juntados e seus esforços valem a pena serem ouvidos. Enfim, um disco excelente e diferente.

Maurice Ravel, Pablo Sarasate, Georges Enescu, Vittorio Monti, Georges Boulanger: Gypsic

1 Vittorio Monti – Czardas
2 Maurice Ravel – Tzigane
3 Maurice Ravel – Berceuse
4 George Enescu – Sonate premier mouvement
5 George Enescu – Sonate deuxième mouvement
6 George Enescu – Sonate troisième mouvement
7 Pablo de Sarasate – Airs Bohémiens
8 Maurice Ravel – Blues
9 Georges Boulanger – Avant de mourir

Sarah Nemtanu – Violin
Chilli Gonzales – Piano, organ farfisa, Drum, Percussion
Romain Desmarches – Piano
Iurie Morar – Cimbalom

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Frans Hals — A Menina Cigana

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Música en el Quijote (A Música do livro Dom Quixote): Romances, canções e temas instrumentais

Música en el Quijote (A Música do livro Dom Quixote): Romances, canções e temas instrumentais

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Quando ouvi este CD ela primeira vez, o Quixote completava 400 anos. Eu estava perante uma contribuição distinta para a celebração do 4º centenário da obra-prima de Cervantes. Eu ouvia um trabalho que não era a “música nos tempos do…”, nem uma associação de um compositor ao mito com base unicamente na sua coincidência no tempo, nem uma obra inspirada no romance, mas precisamente aquela que todos sentiam falta: uma espécie de “trilha sonora” do Quixote, as próprias referências citadas pelo livro. Ou seja, aquilo que apimenta o grande trabalho de Cervantes e algumas de suas Novelas Exemplares são coletadas e executadas com amor e respeito. Romances e canções alternam-se com danças como chaconnes, folías e jácaras, criando uma paisagem musical bonita e precisa, na qual o bom leitor localizará facilmente as aventuras do nosso herói.

O disco marcava também o reencontro de José Miguel Moreno com seu renovado grupo, o Orphénica Lyra, após alguns anos. Nuria Rial, com uma voz que nos eleva a alturas sublimes de beleza, sensibilidade e agilidade, compartilha a cena com uma surpreendente Raquel Andueza, e ambos os sopranos se juntam à voz de Jordi Domenech. Um absurdo de perfeição. No âmbito instrumental, temos um conjunto que sabe transmitir o sabor da era cervantina: Eligio Quinteiro, Fernando Paz, Fahmi Alqhai e Álvaro Garrido, conduzido da vihuela por um Moreno em pleno comando de seus poderes.

Música en el Quijote: Romances, songs, instrumental pieces

01 Luys Milán: Pavana VI
02 Anónimo: Al alva venid
03 Juan Arañés: Chacona
04 Luys Milán: Romance de Durandarte
05 Alonso Mudarra: Gallarda
06 Francisco Guerrero: Prado verde y florido
07 Anónimo: Qué me queréis, caballero
08 Anónimo: Romance de Don Gayferos
09 Antonio Martín Y Coll: Canarios
10 Anónimo: Madre, la mi madre
11 Anónimo: Ay luna que reluces
12 Anónimo: Jácaras
13 Alonso Mudarra: Fantasía X, sobre la folía
14 Luys Milán: Romance de Valdovinos
15 Antonio Martín Y Coll: Villanos
16 Anónimo: Qué bonito niño chiquito
17 Alonso Mudarra: Beatus ille
18 Antonio de Ribera: Romance de Cardenio
19 Diego Coll: Recercada segunda
20 Gabriel: De la dulce mi enemiga
21 Anónimo: Romance del Marqués de Mantua
22 Diego Pisador: Flérida, para mí dulce
23 Anónimo: Al villano se la dan
24 Luys de Narváez: Romance de Conde Claros
25 Diego Ortiz: Recercada octava
26 Juan Arañés: Chacona: A la vida bona

Intérpretes: Orphénica Lyra : Nuria Rial, soprano; Raquel Andueza, soprano; Jordi Domenech, countertenor; Eligio Quinteiro, Renaissance guitar; Fernando Paz, recorders; Fahmi Alqhai, viola da gamba; Álvaro Garrido, percussion; José Miguel Moreno, vihuela y dir.

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Ilustração de Gustave Doré para o Quixote

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J. S. Bach (1685-1750): As Toccatas (completo)

J. S. Bach (1685-1750): As Toccatas (completo)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este é certamente um dos principais CDs lançados em 2019. Muito se falará dele, ainda mais se considerarmos que são versões EXTREMAMENTE LIVRES E ESPONTÂNEAS das Toccatas para Cravo de Bach. Elas são, ao lado das Goldberg, das Partitas e das Trio Sonatas para Órgão, minhas peças preferidas para teclado solo de papai.

Esfahani está correto. As Toccatas serviam para que os cravistas demonstrassem, além da música, suas habilidades. Nós jamais saberemos exatamente quão livres eram as versões dos cravistas da época, mas podemos ver que Esfahani se esbalda em liberdade. Sua versão é decididamente improvisada, se considerarmos o que temos ouvido. Mas também é alta e decididamente convincente.

As sete Toccatas de Bach são obras da juventude de Bach. O jovem compositor desejava liberdade expressiva, obviamente. Seria necessário um duro trabalho de detetive para tratar de questões de ornamentação e fraseado, cor e clareza, que papai esperaria que variassem de acordo com o gosto do executante. Esfahani, que explica a complexa história das peças em um ensaio detalhado no CD, fez sua própria versão e revela para nós que nessas músicas há mistérios que talvez nunca suspeitássemos. 

Você tem duas opções. Ouvir ou ouvir.

J. S. Bach (1685-1750): As Toccatas (completo)

1 Toccata in F sharp minor BWV910 [11’14]
2 Toccata in C minor BWV911 [12’05]
3 Toccata in D major BWV912 [12’33]
4 Toccata in D minor BWV913 [14’22]
5 Toccata in E minor BWV914 [8’04]
6 Toccata in G minor BWV915 [10’08]
7 Toccata in G major BWV916 [8’28]

Mahan Esfahani (cravo)

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Esfahani dando um rolê bachiano (?) por aí.

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