Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993): Sinfonia n° 2 “Uirapuru” e Alberto Nepomuceno (1864-1920): Sinfonia em Sol Menor (Sinfônica de Campinas, Juarez)

Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993): Sinfonia n° 2 “Uirapuru” e Alberto Nepomuceno (1864-1920): Sinfonia em Sol Menor (Sinfônica de Campinas, Juarez)

As duas obras deste CD estão disponíveis em outras gravações neste blog (a rigor, uma gravação de cada sinfonia), daí que não há o que acrescentar por hora: basta procurar os outros posts via tags. Vale a pena, em particular, conferir como ficou a segunda sinfonia de Guarnieri na versão original (com a Osesp) e na revisada (a deste post) – o segundo movimento tem o dobro da duração na primeira edição. Para mim, trata-se da mais bela — e mais bem feita — sinfonia jamais escrita no Brasil.

Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993): Sinfonia n° 2 “Uirapuru” e Alberto Nepomuceno (1864-1920): Sinfonia em Sol Menor (Sinfônica de Campinas, Juarez)

Alberto Nepomuceno – Sinfonia em Sol Menor
01 Allegro (com entusiasmo)
02 Andante Quasi Adagio
03 Presto
04 Con Fuoco

Camargo Guarnieri – Sinfonia n° 2 “Uirapuru” (dedicada a Heitor Villa-Lobos)
05 Energico
06 Terno
07 Festivo

Orquestra Sinfônica de Campinas, regida por Benito Juarez

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Beto Nepobaby

CVL

Quinteto Armorial: Do Romance ao Galope Nordestino (1974), Aralume (76), Quinteto Armorial (78) e Sete Flechas (80)

Quinteto Armorial: Do Romance ao Galope Nordestino (1974), Aralume (76), Quinteto Armorial (78) e Sete Flechas (80)

IM-PER-DÍ-VEL !!! Um tesouro da cultura brasileira!

Há algum tempo notei, com susto, que não tínhamos aqui no blog um disco que considero entre os “top most” de toda a produção musical brasileira: o primeiro do Quinteto Armorial, “Do Romance ao Galope Nordestino”, de 1974.

Verdade que tínhamos várias peças desse disco na postagem do CVL “Projeto Quadrante – A Pedra do Reino” – mas nesses mixes perde-se um elemento artístico tão importante quanto cada peça em si, que é a concepção de conjunto de cada disco. Por isso, fazia tempo que vinha planejando postar aqui o tal disco de 1974.

Só que de repente me veio ideia melhor: por que postar só o disco de 1974? Porque não logo a discografia completa? E foi isso o que se fez.

Enfim, não vou contar aqui nada da história nem da teoria desse quinteto nem do movimento armorial em geral – isso vocês acham relativamente fácil com a ajuda se São Google. Prefiro reaplicar algumas considerações sobre “o que é clássico” que fiz há uns dois anos, ao postar o “Dança das Cabeças” de Egberto Gismonti. Espia aí, gente:

Afinal, o que é que faz determinada música ser “clássica” ou “erudita”? Evidentemente não pode ser a ausência de melodias cantáveis, a ausência de texto, a ausência ou pouca importância da percussão ou de determinadas instrumentações, e até mesmo ausência de vulgaridade ou banalidade… pois cada uma dessas “ausências” é contradita por abundância de presenças no repertório estabelecido.

Para muitos, “clássico” equivale, mesmo que sem consciência disso, a “em formas, escalas e instrumentações de origem européia”. Donde considerarem clássicas, p.ex., as valsas dos dois Johann Strauss, quando para mim são evidentemente música popular em arranjos para poderosos. (Não estou dizendo que são inferiores por serem populares, nem que não caibam num blog como este. As danças compostas e/ou publicadas pelo Pretorius, do século 16, também são música popular em bons arranjos, e seria uma pena não tê-las aqui!).

Para mim, o “clássico” ou “erudito” se refere ao grau de complexidade da elaboração na dimensão “forma”, e/ou de libertação em relação às duas fontes primárias da música (a dança e a declamação expressiva) na direção de uma música-pela-música. E nesse sentido encontramos “clássico” em muitas tradições totalmente autônomas da européia: chinesa, indiana, mandê (da qual postei aqui o lindo exemplo que é Toumani Diabaté), e também em outras que recebem maior ou menor medida de influxo da tradição européia, mas o incorporam em formas produzidas com total autonomia em relação a essa tradição.

O Brasil talvez seja a maior usina mundial da produção deste último tipo de música – mas não me refiro a nenhum dos nossos compositores normalmente identificados como “clássicos” ou “eruditos”: nem a Villa-Lobos, nem a Camargo Guarnieri, nem a Almeida Prado, ninguém desses: todos eles trabalham fundamentalmente com a herança das matrizes formais européias. Não que isso os desqualifique, não se trata disso! Trata-se, ao contrário, é de reconhecer a qualidade do “clássico” em música que não paga nenhum tributo a essas matrizes formais (“concerto”, “sonata”, “fuga” etc.) e por isso às vezes é tida como de segunda qualidade, quando é de primeiríssima!

E por que transcrevo isso? Porque os dois primeiros discos do Quinteto Armorial me parecem ser a realização mais perfeita desse “clássico autônomo” que o Brasil já produziu (os outros dois também são bons, mas ao tenderem um tanto mais para a documentação de repertórios e estilos populares acabam não correspondendo de modo tão puro ao que quero apontar):

Primeiro, temos aí uma formação instrumental de câmara com sonoridade única, criada aqui: não tenta fazer “músca de câmara brasileira” arranjando melodias populares para quartetos de cordas, p.ex. E é nesse sentido que o Quinteto me toca muito mais fundo que a Orquestra Armorial, por importante que o seu trabalho também seja. Mas é adaptação de uma instrumentação desenvolvida fora, esta é uma instrumentação desenvolvida aqui (reparem que falei “instrumentação”, e não “instrumental”…)

Além disso, temos peças bastante longas e livres sem nenhuma preocupação de aplicarem as tais matrizes formais de que falei – e nesse sentido me interessa mais a vertente da composição própria (basicamente de dois Antônios: o José Madureira e o Nóbrega) que a do registro de peças populares arcaicas ou atuais seja com fins de demonstrar as teorias de Ariano Suassuna ou documentais em geral.

Podemos papear mais sobre isso se vocês quiserem, mas por agora vou deixar vocês com a música! As listas de faixas apareceram milagrosamente de um dia para o outro pela colaboração do colega Bisnaga – valeu, Bisnaga!

QUINTETO ARMORIAL (Pernambuco): discografia completa

• DO ROMANCE AO GALOPE NORDESTINO (1974)
1. Revoada (Antônio José Madureira)
2. Romance da Bela Infanta (Romance ibérico do século XVI, recriado por Antonio José Madureira)
3. Mourão (Guerra Peixe)
4. Toada e Desafio (Capiba)
5. Ponteio Acutilado (Antonio Carlos Nóbrega de Almeida)
6. Repente (Antonio José Madureira)
7. Toré (Antonio José Madureira)
8. Excelência (Tema nordestino de canto fúnebre, recriado por Antonio José Madureira)
9. Bendito (Egildo Vieira)
10. Toada e Dobrado de Cavalhada (Antonio José Madureira)
11. Romance de Minervina (Romance nordestino, provavelmente do século XIX,
recriado por Antonio José Madureira)
12. Rasga (Antonio Carlos Nóbrega de Almeida)

• ARALUME (1976)
1 Lancinante (Antônio José Madureira)
2 Improviso (Antônio José Madureira)
3 O homem da vaca e o poder da fortuna (Antônio José Madureira)
4 Abertura
5 A preguiça
6 A troca dos bichos
7 Ironia ao rico
8 Aralume (Antônio José Madureira)
9 Reisado (Egildo V. do Nascimento)
10 Guerreiro (Antônio José Madureira)
11 Ponteado (Antônio José Madureira)
12 Chamada e marcha caminheira (Egildo V. do Nascimento)

• QUINTETO ARMORIAL (1978)
1 – Batuque de Luanda (Antonio José Madureira)
2 – Romance da Nau Catarineta (Antonio J. Madureira)
3 – Toques dos caboclinhos (D. P.)
4 – Entremeio para rabeca e percussão (Antônio C. Nobrega)
I – Cortejo
II – Baiano
III – Boi
5 – Ária (Cantilena da Bachianas Brasileiras nº 5
de Heitor Villa-Lobos transcrição Antônio J. Madureira)
6 – Toque para marimbau e orquestra (A. J. Madureira)
I – Galope à beira-mar
II – Bendito de romeiros
III – Marcha rural

• SETE FLECHAS (1980)
1-Marcha da folia (Raul Morais)
2-Sete flechas (Antônio José Madureira)
3-Xincuan (Antônio José Madureira)
4-Improviso (Antônio José Madureira)
5-Cocada (Lourival Oliveira)
6-Martelo agalopado (Ariano Suassuna – Antônio Carlos Nóbrega)
7-Cantiga (Antônio José Madureira)
8-Algodão (Luiz Gonzaga – Humberto Teixeira)
9-Zabumba lanceada (Fernando Torres Barbosa)

Antonio José Madureira: viola sertaneja
Edilson Eulálio: violão
Fernando Torres Barbosa: marimbau nordestino
Egildo Vieira: pífano, flauta
Antonio Nóbrega: rabeca, violino
(algumas vezes com músicos adicionais)

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Comente: os comentários dos leitores são o combustível
da nossa loucura compartilhatória!

Ranulfus (publicado originalmente em 09.02.2012)

Claude Debussy (1862-1918): Nocturnes, La Damoiselle élue e Le Martyre de Saint Sébastien (Esa-Pekka Salonen, Los Angeles Philharmonic Orchestra)

Claude Debussy (1862-1918): Nocturnes, La Damoiselle élue e Le Martyre de Saint Sébastien (Esa-Pekka Salonen, Los Angeles Philharmonic Orchestra)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Os Nocturnes já tinham sido aqui postados com a gravação do Boulez. La Damoiselle élue é poema lírico baseado em um poema de Dante Gabriel Rosseti e Le Martyre de Saint-Sébastien são fragmentos sinfônicos, em 4 partes. A Orquestra é a Filarmônica de Los Angeles com a regência do sempre competente Esa-Pekka Salonen. As solistas são Dawn Upshaw – soprano – e Paula Rasmussen – mezzo soprano. O Coral é o Women of the Los Angeles Master Chorale. Belíssimo CD, que mostra toda a sensibilidade e delicadeza da música de Debussy. Abraços e boa semana. F.D.P. Bach.

Claude Debussy (1862-1918): Nocturnes, La Damoiselle élue e Le Martyre de Saint Sébastien (Esa-Pekka Salonen, Los Angeles Philharmonic Orchestra)

1. Nocturnes: I. Nuages (Nuvens)
2. Nocturnes: II. Fêtes (Festas)
3. Nocturnes: III. Sirènes (Sereias)

4. La damoiselle élue: Poème lyrique d’après Dante Gabriel Rossetti

5. Le Martyre de Saint Sébastien: I. La Cour des lys. Prelude
6. Le Martyre de Saint Sébastien: II. Danse extatique et Final du 1er Acte
7. Le Martyre de Saint Sébastien: III. La Passion
8. Le Martyre de Saint Sébastien: IV. Le Bon Pasteur

Conductor: Esa-Pekka Salonen
Performer: Paula Rasmussen, Dawn Upshaw, Women of the Los Angeles Master Chorale
Orchestra: Los Angeles Philharmonic Orchestra

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Quadro de Dante Gabriel Rossetti: bem Debussy….

F.D.P Bach + Pleyel

Fréderic Chopin (1810-1849): 4 Ballades – Barcarolle – Fantaisie – Berceuse (Lubimov)

Fréderic Chopin (1810-1849): 4 Ballades – Barcarolle – Fantaisie – Berceuse (Lubimov)

Vamos a mais uma postagem com conteúdo chopiniano. Selecionei alguns CDs para postar. Entre eles destaco uma box com treze CDs com a música de Chopin, sendo interpretada por Vladimir Ashkenazy. Fiquei a pensar se deveria postar Arrau (box com 7 CDs) ou Biret (box com 17 CDs).  Optei por Ashkenazy, que é um bom pianista. Por isso, esperem uma bombardeio com material do músico polaco. Há ainda um material com compositores avulsos. Vamos a um deles: ficamos agora com o pianista russo Alexei Borisovich Lubimov, que tem uma forte ligação com a música ocidental. Nos tempos da União Soviética chegou até a ser repreendido por causa desse fato. É um extraordinário CD. Não deixe de ouvir o trabalho de Lubimov. Boa degustação!

Fréderic Chopin (1810-1849) – 4 Ballades – Barcarolle – Fantaisie – Berceuse

01. Ballade #1 in g-min, op.23
02. Ballade #2 in F-maj, op.38
03. Ballade #3 in A-flat-maj, op.47
04. Ballade #4 in f-min, op.52
05. Barcarolle in F#-maj, op.60
06. Fantasie in f-min, op.49
07. Berceuse in D-flat-maj, op.57

Alexei Lubimov, piano

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Lubimov: já postamos homens mais belos
Lubimov: já postamos homens mais atraentes

Carlinus (2014)

P.S. de Pleyel ao respostar – existem os especialistas em Chopin, conhecidos por vocês: Artur Rubinstein, Guiomar Novaes, Maurizio Pollini, Dang Thai Son… além dos já citados acima pelo Carlinus. E existem discos um tanto surpreendentes com a música de Chopin gravada por pianistas não tão associados a ele. É o caso deste álbum em que Lubimov demonstra uma profunda sabedoria tanto sobre a música de Chopin como sobre o pianoforte Érard de 1837.

.: interlúdio :. Jaromir Hnilička (*1932): Missa Jazz (1969) – Orchester Gustav Brom

MissaJazz_capaNossa homenagem ao saudoso Ranulfus continuará, também, através da republicação de suas preciosas contribuições ao nosso blog – como esta, que veio à luz em 4/9/2016.

Tem coisa mais improvável que uma peça jazzística composta por um sujeito chamado Jaromir Hnilička?

Tem: que a peça consista basicamente de uma execução instrumental bastante simples dos cantos litúrgicos da missa católica, seja executada por uma banda de jazz tcheca… e o disco tenha feito sucesso em todo o mundo.

Pois aconteceu, senhores: o disco foi lançado na Europa em 1969, e depois teve edições em todo mundo, inclusive aqui no Brasil, onde o Monge Ranulfus o adquiriu em 1975.

Apesar de ainda possuir o vinil, a ripagem postada foi garimpada na internet por Daniel the Prophet, e Ranulfus apenas tratou de reduzir os estalos com emprego das artes mágica do mestre Avicenna.

Não tenho ideia de se vocês vão gostar ou não dessa música bem feita porém não muito complexa. A mim sempre agradou bastante – especialmente a faixa mais longa, inspirada no Kyrie e sequências, com 11 minutos. E mais não digo.

Ah, digo sim: já que é domingo de manhã… boa missa, né?

MISSA JAZZ 
Composta e arranjada por Jaromir Hnilička
Executada pela Gustav Brom Orchestra (1969)

1 – Praeludium (2’43)
2 – Introitus (5’45)
3 – Kyrie (11’00)
4 – Graduale (6’00)
5 – Gloria (4’40)
6 – Credo (3’00)
7 – Sanctus et Postludium

.  .  .  .  .  .  BAIXE AQUI – download here

Ranulfus

Revalidado por Vassily em 3/9/2025, com muitas saudades do amigo.

.: interlúdio? :. Chico Mello (1957): Do lado da voz (2000)

Nossa homenagem ao saudoso Ranulfus continuará, também, através da republicação de suas preciosas contribuições ao nosso blog – como esta, que veio à luz em 2/6/2016.

Chico Mello - Do Lado da Voz (capa)

Começo por advertir: este é um trabalho feito de sutilezas. Se você colocar como fundo pra ir fazer outra coisa ao longe, é possível que não veja nele interesse nenhum.

Chico Mello e o Monge Ranulfus nasceram no mesmo ano e na mesma cidade. Mais: quando adolescentes, estudaram na mesma classe de Solfejo e Ditado Musical de dona Beatriz Schütz, na Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Na ocasião, os dois mostravam interesse em incluir a MPB dentro do horizonte da formação academicista e eurocêntrica ministrada naquela escola, bem como nos experimentos do então nascente minimalismo.

Mas as semelhanças param por aí: logo Ranulfus percebeu que apenas seus nervos sensores tinham paixão e avidez por música, não os motores: por maior apreciador que fosse, jamais se tornaria um realizador efetivo de música, com aquela naturalidade de quem mija, que é a do verdadeiro artista em qualquer área (imagem com que Monteiro Lobato falou a Érico Veríssimo do ato de escrever). Chico tem essa naturalidade.

A vida levou Ranulfus por outros rumos, nunca mais viu Chico pessoalmente, apenas aqui e ali topou com composições suas – o suficiente para notar que suas construções em linguagens contemporâneas não são meramente cerebrais, e sim sempre vivificadas por esse sopro natural, que desde certa altura do século XX parecia haver se refugiado exclusivamente na música chamada “popular”.

Chico estudou composição com Penalva e Koellreuter, mudou-se pra Berlim, fez carreira artística e docente lá e cá. Em 2010 gravou os 3 CDs Vinte Anos entre Janelas, com uma espécie de sinopse dos seus caminhos de 1987 a 2007. O segundo deles, para dar ideia, se chama Mal-entendidos multiculturais, e contém as seguintes duas peças: Todo canto – para soprano, piano, canto indiano e tabla/pakhawa – e Hui Liu ou la vraie musique para músicos chineses e euroamericanos (!) (Mais sobre esses CDs aqui).

Já neste Ao lado da voz, Chico traz seu experimentalismo sonoro para conversar especificamente com uma das suas próprias fontes: a canção dita popular brasileira. Fá-lo com uma voz totalmente cool, como quem quer deixar claro (suponho) que a linha vocal e as palavras não têm primazia, não são “acompanhadas”, e sim parte igualitária no jogo de construções, desconstruções e reconstruções.

Faz pensar em alguma experiência anterior na nossa música? Acho que mais pelo não que pelo sim: no geral soa mais enxuto, mais parcimonioso que o também sutil mas quase-romântico Wisnik. Passa longe das intenções pop de Arrigo Barnabé. Talvez um pouco mais perto do Itamar Assumpção inicial, desde que expurgado do deboche. Minha impressão, enfim, é que ninguém passou tão perto do mesmo espírito quanto Caetano Veloso em Jóia (mas não em Araçá Azul). Minha impressão!

Uma faixa de amostra? Eu diria que a 3, com fragmentos sampleados de Nélson Gonçalves: acho que em nenhuma outra a vanguarda e a tradição se engalfinham tão profundamente. Já das originais do Chico, acho duro o páreo entre a 5 e a 9 – e já falei demais!

FAIXAS
01 Achado (Chico Mello, Carlos Careqa)
02 Cara da barriga (Chico Mello)
03 Pensando em ti (Herivelto Martins, David Nasser)
04 Mentir (Noel Rosa)
05 Chorando em 2001 (Chico Mello, Carlos Careqa)
06 Já cansei de pedir (Noel Rosa)
07 Carolina (Chico Buarque)
08 Eu te amo (Chico Buarque, Tom Jobim)
09 Valsa dourada (Chico Mello)
10 Rosa (Pixinguinha)
11 Paramá (Chico Mello, Walney Costa)

Chico Mello – vocals, guitars, piano, percussion
Ségio M Albach – clarinets
Uli Bartel – violin
Helinho Brandão – bass
Guilherme Castro – electric bass
Ahmed Chouraqui – percussion
Armando Chu – percussion
José Dias de Moraes Neto – clarinets
Wolfgang Galler – synthesizer, bass, percussion
Michael Hauser – bass
Lothar Henzel – bandoneón
Levent – darabuka
Burkhard Schlothauer – violins, bass
Mix: Chico Mello, Burkhard Schlothauer, Thilo Grahman, Ahmed Chouraqui, Gerhard Grell

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Ranulfus (2/1/2016)
Revalidado por Vassily em 1/9/2025, com muitas saudades do amigo.

Felix Mendelssohn (1809-1847): Música para Violoncelo e Piano (Antonio Meneses e Gérard Wyss)

Felix Mendelssohn (1809-1847): Música para Violoncelo e Piano (Antonio Meneses e Gérard Wyss)

Eu poderia tentar escrever vários adjetivos para a música de Mendelssohn. Mas eu sei que jamais faria isto tão bem quanto outro integrante do PQP Bach: o Carlinus. Ele tem uma sensibilidade enorme para a música e principalmente para a música de Mendelssohn. Ele sabe traduzir os pensamentos e sentimentos em palavras. Pega aquelas impressões fantásticas em que nós pensamos e sentimos enquanto ouvimos música e traduz essas emoções em palavras… E eu considero isso algo muito bonito e difícil de conseguir fazer. Sim, eu tenho sentimentos, e ao ouvir música também me deixo “levar”, mas guardo o que sinto para mim. As sonatas para violoncelo e piano de Mendelssohn são muito legais. Adoro ouvir essas belezas. Meu primeiro contato com elas foi aqui no blog, justamente através do Carlinus. Fiz o pedido, ele demorou um tiquinho, depois respondeu e postou. Fiquei semanas ouvindo e feliz da vida porque fui atendido por ele. Hoje estou aqui para tentar retribuir a atenção que me foi dada presenteando vocês e o nosso amigo Carlinus com estas mesmas sonatas outrora postadas pelo mesmo (esse texto ta parecendo B.O. policial…). Esta versão é sublime, e é muito bem interpretada por Antonio Meneses, na companhia de Gérard Wyss. Espero que vocês gostem.

OBS.: Carlinus, brigado por me ajudar a conhecer a música de Mendelssohn!

Felix Mendelssohn (1809-1847): Música para Violoncelo e Piano (Antonio Meneses e Gérard Wyss)
01. Sonata # 1, Op. 45 – I. Allegreo vivace
02. II. Andante
03. III. Allegro assai
04. Sonata # 2 Op. 58 – I. Allegro assai vivace
05. II. Allegretto scherzando
06. III. Adagio
07. IV. Molto allegro e vivace
08. Variations Concertantes Op. 17
09. Lied ohne Worte, Op.19 #1
10. Lied ohne worte, Op.19 #3 Jägerlied
11. Assai tranquillo
12. Lied ohne Worte, Op.109
13. Lied ohne Worte, Op.19 #6 Venetianisches Gondellied

Antonio Meneses, cello
Gérard Wyss, piano

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Neste triste país, às vezes nasce um gênio indiscutível.

Raphael Cello

Antonio Vivaldi (1678-1741): 12 Concerti, Op. 4 “La Stravaganza” (Ayo, I Musici)

Antonio Vivaldi (1678-1741): 12 Concerti, Op. 4 “La Stravaganza” (Ayo, I Musici)

O conjunto de câmara italiano “I Musici” tornou-se mundialmente famoso por suas interpretações do repertório barroco italiano. Suas versões de “As Quatro Estações” de Vivaldi são famosíssimas e muito vendidas. Um de seus principais solistas foi o espanhol Felix Ayo, mas diversos outros passaram por lá. Só que o tempo bateu forte nestas gravações. A verdade é que as interpretações historicamente informadas enterraram o passado recente. Independente disso, as interpretações do grupo são referência fonográfica, com certeza.

FDP Bach estará postando algumas gravações deles da obra de Vivaldi. Começamos por “La Stravaganza”, Trata-se de uma série de 12 concertos para violino e cordas, e catalogados sob o op. 4. Belíssima música, de fácil assimilação, que com certeza encantará a todos àqueles que ainda não a conhecem.. O solista, claro, é Felix Ayo.

Uma pequena observação: quando baixei esta coleção estranhei a forma em que foi “empacotada”: cada concerto é um arquivo. Mas isso não atrapalha em nada a beleza da música e a clareza da interpretação. Além disso, quem fez a conversão optou por seguir outra catalogação das obras de Vivaldi. Para quem se interessar, posso passar um site canadense que relaciona as devidas obras com as respectivas catalogações existentes. São 5 ou 6, não estou bem certo.

Mas vamos ao que interessa:

Antonio Vivaldi (1678-1741): 12 Concerti, Op. 4 “La Stravaganza” (Ayo, I Musici)

CD 1 (426 936-2)
Concerto No. 1 In B Flat, RV 383a
1-1 Allegro 3:07
1-2 Largo, e cantabile 3:10
1-3 Allegro 2:36
Concerto No. 2 In E Minor, RV 279
1-4 Allegro 4:16
1-5 Largo 3:02
1-6 Allegro 3:20
Concerto No. 3 In G, RV 301
1-7 Allegro 3:20
1-8 Largo 3:51
1-9 Allegro assai 2:00
Concerto No. 4 In A Minor, RV 357
1-10 Allegro 3:02
1-11 Grave 3:27
1-12 Allegro 2:52
Concerto No. 5 In A, RV 347
1-13 Allegro 3:42
1-14 Largo 3:14
1-15 Allegro 3:22
Concerto No. 6 In G, RV 316a
1-16 Allegro 2:33
1-17 Largo 3:24
1-18 Allegro 4:01

CD 2 (426 937-2)
Concerto No. 7 In C For 2 Violins and Cello Obbligato, RV 185
2-1 Largo 2:31
2-2 Allegro 2:13
2-3 Largo 2:06
2-4 Allegro 2:12
Concerto No. 8 In D Minor, RV 249
2-5 Allegro – Adagio – Presto 2:47
2-6 Adagio 1:32
2-7 Allegro 3:11
Concerto No. 9 In F, RV 284
2-8 Allegro 2:51
2-9 Largo 2:52
2-10 Allegro 2:39
Concerto No. 10 In C Minor, RV 196
2-11 Spiritoso 2:57
2-12 Adagio 3:06
2-13 Allegro 2:47
Concerto No. 11 In D, RV 204
2-14 Allegro 3:05
2-15 Largo 2:16
2-16 Allegro assai 1:53
Concerto No. 12 In G, RV 298
2-17 Spiritoso, e non presto 2:49
2-18 Largo 4:51
2-19 Allegro 3:42

I Musici
Felix Ayo – violino

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FDP / PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Os 24 Prelúdios e Fugas Op. 87 (Scherbakov)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Os 24 Prelúdios e Fugas Op. 87 (Scherbakov)

PUBLICADO ORIGINALMENTE POR PQP BACH EM 28/5/2007,  RESTAURADO POR RANULFUS EM 4/7/2015 E POR VASSILY EM 12/12/2019 (E NOVAMENTE POR PQP BACH EM 19/08/2025). Uma loucura.

Publicação original: 28.05.2007

Nota de Ranulfus: Esta postagem do nosso grão-mestre PQP foi a primeira de seis postagens dos Prelúdios e Fugas do Shosta que apareceram aqui — e precisamente a que me conquistou. Depois o próprio PQP publicou a de Nikolayeva, tida como a referência nesta obra, em áudio (2009) e em vídeo (2010), a de Keith Jarrett (de que ele gostou e eu não gostei) em 2012, a de Melnikov em 2013. Além disso, o Carlinus publicou a de Ashkenazy em 2010. Pois mal: devido aos acidentes a que o compartilhamento tem estado sujeito, nenhuma delas chegou a 2015 no ar — o que foi trágico, pois avalio esta obra como um clássico maior, ainda insuficientemente conhecido, mas digno de ficar para sempre – e desde já!

Então está aqui de novo a versão de Scherbakov — e quem sabe os colegas se animem a revalidar também alguma(s) das outras!

Um Shostakovich atrás do gato.

Texto de Anderson Paiva (fragmento). Em 1950, comemorava-se o bicentenário da morte de Johann Sebastian Bach, em Leipzig. O festival foi o palco da Competição Internacional Bach de Piano, que requeria a execução de qualquer um dos 48 Prelúdios e Fugas do Cravo Bem-Temperado. Entre os jurados, estava Dmitri Shostakovich.

A vencedora do concurso foi Tatiana Nikolayeva, que tocou não apenas um dos prelúdios e fugas do Cravo Bem-Temperado, conforme requeria a competição, mas executou todos os 48 Prelúdios e Fugas. Ela ganhou a medalha de ouro.

Dmitri Shostakovich, que entregou o prêmio à vencedora de 26 anos (na condição de presidente do júri), ficou impressionado com a interpretação da jovem pianista.

A última atração do evento foi o Concerto em Ré Menor para Três (cravos) Pianos, de J. S. Bach, tendo Maria Youdina, Pavel Serebriakov e Tatiana Nikolayeva como solistas. Incrivelmente, após Youdina machucar o dedo, Shostakovich, sem nenhuma preparação, e de última hora, tomou o seu lugar ao piano.

O mestre russo havia sido convidado para participar do festival de Leipzig em uma época que sua música silenciara na União Soviética, após o Decreto de Zhdanov (1948). Mas em meio ao silêncio, ele prosseguia compondo. E após retornar de Leipzig, contagiado pelo espírito de Bach – num primeiro momento, pretendia escrever apenas exercícios de técnica polifônica –, resolveu compor os seus próprios Prelúdios e Fugas. A partir daí, nasceria uma das maiores obras para piano do século XX: os 24 Prelúdios e Fugas Op. 87.

O trabalho é um verdadeiro monumento à arte de J. S. Bach. Shostakovich admirava-o grandemente, e a música do mestre de Leipzig é um dos pilares de sua obra. Aos 44 anos, e a exemplo de compositores como Mozart, Beethoven e Brahms, que em sua fase outonal voltaram-se para o passado em uma justa reverência ao mestre barroco, aqui Shostakovich aprofunda-se no estudo do contraponto e faz música polifônica da mais alta qualidade.

Por que vinte e quatro? São 24 os Prelúdios e Fugas do CBT I, e são 24 os Prelúdios e Fugas do CBT II, de J. S. Bach – que integram os 48 prelúdios e fugas do Cravo Bem-Temperado. Vinte e quatro são os Prelúdios de Chopin, e são vinte e quatro os Caprichos de Paganini. O número 24 não é por acaso – ele corresponde aos vinte e quatro tons da música ocidental: doze maiores e doze menores.

Na Idade Média e em todo o Renascentismo, não havia música tonal. A música era modal. Predominavam os modos antigos (modos gregos), que eram sete. A partir do sistema tonal, que se consolidou no barroco, passaram a existir somente dois modos: o modo maior e o modo menor. Antes, haviam os complicados sistemas de afinação (temperamento), a fim de fazer os “ajustes das comas”. A coma é a nona parte de um tom inteiro, e é considerado o menor intervalo perceptível ao ouvido humano. Os físicos e músicos divergiam sobre o semitom diatônico e o semitom cromático. Para os músicos, o semitom cromático (de dó para dó sustenido) possuía 5 comas, e o diatônico (de dó sustenido para ré) possuía 4. Os físicos afirmavam o contrário. Durante muito tempo persistiu esse dilema, e os diferentes sistemas de afinação. O cravo precisava ser afinado (temperado) constantemente, de acordo com o modo da música que se estava a tocar. Até que surgiu a idéia de afinar o cravo em doze semitons iguais, com um sistema de afinação fixa, de modo que o intervalo entre cada semitom ficasse ajustado em 4 comas e meia (diferença imperceptível ao ouvido humano), quando o teórico Andreas Werckmeister publicou um documento com essa teoria, em 1691. Desse modo, qualquer peça poderia ser transposta para qualquer tonalidade sem precisar fazer constantes “reajustes” de afinação.

Essa idéia foi recebida com polêmica, mas Johann Sebastian Bach foi um dos primeiros a reconhecer a importância da inovação. Em 1722, publicou sua coleção de 24 Prelúdios e Fugas, para cada uma das doze tonalidades maiores e menores, e a chamou “Cravo Bem-Temperado, ou Prelúdios e Fugas em todos os Tons e Semitons”, provando que era possível tocar e transpor uma música para qualquer tonalidade, com o sistema temperado, sem precisar alterar a afinação. Em 1744, vinte e dois anos depois, publicaria o segundo volume (agora chamado Cravo Bem-Temperado, Livro II). Portanto, cada um dos volumes do CBT foram escritos em épocas distintas de sua vida, e é notável o fato de que a primeira parte foi escrita no mesmo ano em que Jean-Philippe Rameau publicou o seu Tratado de Harmonia (1722), com o mesmo objetivo. Ambos trabalhos foram decisivos para a consolidação do sistema tonal, que revolucionou a Harmonia e as técnicas de composição. O Cravo Bem-Temperado é considerado a “bíblia do pianista”, e permaneceu reconhecido mesmo após a morte de Bach, quando todas as suas outras obras foram esquecidas, de modo que o sistema tonal que prevaleceu até a época de Schöenberg, e que ainda é uma vital referência em nossos dias, é o legado de Johann Sebastian Bach.

A combinação entre o Prelúdio e a Fuga (considerada, mais do que uma forma musical, uma técnica de composição) é um casamento perfeito entre duas “formas” distintas, duas forças, dois opostos. A fuga é provavelmente a técnica de composição mais complexa da música ocidental. Ápice da música polifônica, e com regras que submetem o tratamento dos elementos musicais a padrões extremamente rígidos, reúne arte e ciência.

O Prelúdio é uma “forma” musical de caráter extremamente livre, como a Fantasia e o Noturno, e também de caráter improvisatório, como a Toccata e o Impromptu. Remonta à era da Renascença, desde as composições para alaúde, passando a ser utilizado como introdução das suítes francesas no século XVII. O “prato de entrada”, com a função de Abertura, como as antigas Sinfonias barrocas, e de curta duração, com passagens de difícil execução, sempre fazendo improvisar o virtuose (como a Toccata), com o objetivo de chamar a atenção da platéia, antes da execução da “peça principal”. Johann Pachelbel foi um dos primeiros a combinar Prelúdios e Fugas, e a partir de J. S. Bach, o Prelúdio adquiriu grande importância, sendo utilizado depois mesmo individualmente, por compositores como Beethoven, Chopin, Debussy, Rachmaninoff, Hindemith, Ginastera, etc.

A Fuga é utilizada desde o período medieval, e é uma técnica de composição polifônica que segue o princípio de imitação, como o Canon, porém muito mais complexa do que esse. Toda fuga começa com uma voz sem acompanhamento expondo o tema, que é o sujeito. A seguir, entra a segunda voz repetindo o sujeito na dominante (uma quinta acima ou uma quarta abaixo da tônica), enquanto a primeira voz prossegue, agora dando início a um segundo tema contrastante, que é o contra-sujeito. Os temas devem ser independentes, (como melodias distintas que se combinam), e a distinção entre as vozes, clara. Mas devem “afinar” entre si – e esse é o ponto de desafio que alia a estética da arte à engenharia da ciência. Os temas se contrapõem na direção da música polifônica, que é considerada “horizontal”, ao contrário da música homofônica, em que as partes são dependentes e simultâneas, considerada “vertical”. O contraponto é muito complexo, restrito a muitas regras de consonância e direcionamento de vozes, e, da sua complexidade, a fuga é a expressão máxima. Após todas as vozes exporem o sujeito (a fuga pode ser a duas, três, quatro ou a cinco vozes, etc.) e o contra-sujeito, segue-se um complexo desenvolvimento de temas e
motivos que culminam no ponto alto e de tensão da fuga: o stretto. É onde as vozes se aproximam, cada vez mais – e as vezes ocorrem entradas paralelas –, produzindo a impressão de que uma voz está perseguindo a outra, daí o nome fuga.

Palestrina e outros compositores utilizaram a fuga no Renascentismo. Teve o seu ápice no Barroco, sendo usada por compositores como Sweelinck, Froberger, Corelli, Pachelbel, Buxtehude e Händel. Mas foi através de Bach, com o Cravo Bem-Temperado e A Arte da Fuga, que essa magistral arte e ciência do contraponto atingiu o seu ponto culminante. Depois ela cairia em parcial esquecimento, mas sendo aproveitada por compositores como Haydn, Mozart e Beethoven, no Classicismo; Mendelssohn, Brahms, Schumman, Rmski-Korsakov, Saint-Saëns, Berlioz, Richard Strauss, Rachmaninoff e Glazunov, no Romantismo; e, no século XX, por Max Reger, Kaikhosru Sorabji, Bártok, Weinberger, Barber, Stravinsky, Hindemith, Charles Ives e Dmitri Shostakovich.

Ah! Quão belos e magistrais são os 24 Prelúdios e Fugas Op. 87 de Shostakovich! Elaborados, profundos, sinceros, é arte que desabrocha, ora sutil, ora retumbante, do mais íntimo e abissal silêncio. É música que, uma vez expandida, repreendida e calada, retorna a si, ao íntimo do compositor, e tácita e reflexiva, espera a sua hora, para irromper como um monumento, colosso perpétuo para as gerações futuras que ouvirão, ao seu tempo, os pensamentos calados e as palavras não ditas. Shostakovich, de mão dadas a Bach, como um furacão transcende o momento, atravessa o tempo, e chega como brisa aos nossos ouvidos. Quando ela foi executada pelo pianista soviético Svyatoslav Richter, um crítico que estava presente disse: “Pedras preciosas derramaram-se dos dedos de Richter, refletindo todas as cores do arco-íris”. Essa obra, Shostakovich iniciou após retornar do festival de Leipzig, trabalhando rapidamente, levando apenas três dias em média para escrever cada peça. O trabalho completo foi escrito entre 10 de outubro de 1950 e 25 de fevereiro de 1951. Após concluir a obra, Shostakovich dedicou-a a Tatiana Nikolayeva, a pianista que o inspirou, e que brilhou vencendo a competição do festival do bicentenário de Bach em Leipzig, executando os prelúdios e fugas do Cravo Bem-Temperado. Assim que ele completou o ciclo, ele a chamou ao seu apartamento em Moscou para lhe mostrar o seu trabalho. Shostakovich tocou a obra na União dos Compositores Soviéticos, em maio de 1951, e Nikolayeva estreou-a em Leningrado, à 23 de dezembro de 1952.

Mas os 24 Prelúdios e Fugas não foram bem recebidos pelos críticos soviéticos, a princípio, especialmente na União dos Compositores. Desagradaram-lhes a dissonância de algumas fugas, e eles também a reprovaram por a considerarem “ocidental” e “arcaica”. E essa obra, hoje acessível, permanece ainda, por muitos, desconhecida.

Tatiana Petrovna Nikolayeva, pianista russa, como Shostakovich, e também compositora, foi uma das maiores pianistas soviéticas do século XX. Nasceu em 1924 e começou a aprender piano aos três anos de idade. Depois entrou para o Conservatório de Moscou e estudou com Alexander Goldenweiser e Yevgeny Golubev. Após vencer a Competição Internacional Bach de Piano de Leipzig, acumulou um imenso repertório, abrangendo Beethoven, Bártok e diversos compositores. Foi uma das grandes intérpretes de Bach. Enquanto muitos pianistas escolhiam tocar em instrumentos de época, Nikolayeva preferia tocar Bach no moderno piano Steinway, sempre com grande sucesso. Suas composições incluem um concerto para piano em si maior, executado e gravado em 1951 e publicado em 1958, um trio para piano, flauta e viola, gravado pela BIS Records, prelúdios para piano e um quarteto de cordas. A partir de 1950, ela passaria a ser uma das grandes amizades de Dmitri Shostakovich.

Após Nikolayeva gravar os 24 Prelúdios e Fugas Op. 87, surgiram outras grandes gravações. Vladimir Ashkenazy, pela Decca, Keith Jarret, pela ECM, Konstantin Scherbakov, pela Naxos, e Boris Petrushansky, pela Dynamic, estão entre os poucos discos que disputam no mercado. Keith Jarret, mais conhecido como músico de jazz, afirmou o seu nome na música clássica pela ECM, com o seu toque de impecável técnica. Vladimir, Scherbakov e Petrushansky fizeram gravações notáveis, cada um com a sua interpretação única. E o próprio Shostakovich também gravou os seus 24 Prelúdios e Fugas, pela EMI. Dessas gravações, a que possuo, até o momento, é somente a de Sherbakov, a qual considero uma pérola musical.

Mas é Tatiana Nikolayeva a maior intérprete dessa obra cheia de nuanças, e quem desvenda com toque de perfeição o universo musical de Shostakovich. Ela gravou a obra por três vezes: duas pela BGM-Melodya, em 1962 e 1987, e a terceira pela Hyperion, em 1990. Todas as gravações supracitadas (exceto a primeira de Nikolayeva pela Melodya) encontram-se na internet.

Essa obra completa dura mais de duas horas. Os pianistas costumam executá-la em duas apresentações, tocando metade do ciclo em cada uma.

A ordem dos prelúdios e fugas não é aleatória, nem escolhida por um critério extra-musical qualquer. Partindo de dó maior, percorre um ciclo de progressões harmônicas. Os prelúdios e fugas de Bach, no paralelo maior/menor, seguem a ordem da escala cromática ascendente (dó maior, dó menor, dó sustenido maior, dó sustenido menor, etc.). Mas Shostakovich, a exemplo dos 24 Prelúdios de Chopin, com a relação do par maior/menor, segue o ciclo das quintas (dó maior, lá menor, sol maior, mi menor, ré maior, si menor, etc.). E se a obra é construída em torno das 24 tonalidades, quer dizer que a música é tonal. Sim, Shostakovich faz música tonal em plena era do atonalismo, mas com incursões atonais, abuso de dissonâncias e domínio da técnica com diferentes assimilações que sustentam o seu estilo singular e “poliestilista”. Nos Prelúdios e Fugas de Shostakovich há citações de Bach. Mas a substância dessa obra é a expressão musical única e interior do próprio compositor, Shostakovich, que com grande capacidade eclética e assimilativa, e sendo, ao mesmo tempo, profundamente original, percorre os mais diversos climas e variações de humor, com modulações ora bruscas e desconcertantes, ora tênues e elegantes. Serena, como na fuga n.º. 1 ou na fuga n.º. 13, brincalhona, como na fuga n.º. 3 ou no prelúdio n.º 21, a música de Shostakovich permeia os mais distintos aspectos da expressão musical. Estranhas são as fugas n.º 8 e n.º 19, misteriosas; cômica é a fuga n.º 11, ousada é a fuga n.º 6, luminosa é a fuga n.º 7. Os prelúdios de Shostakovich às vezes combinam-se perfeitamente com as fugas, e eles se atraem; e às vezes se contrastam. As fugas magnificamente elaboradas são emolduradas pelos belos prelúdios que, no entanto, não devem ser considerados obras menores. Cada peça, além de ser parte essencial de um todo, é também uma pequena obra-prima à parte, de modo que o conjunto de 24 Prelúdios e Fugas Op. 87 formam, na verdade, uma coleção de 48 obras agrupadas em torno de um trabalho monumental e único.

Dmitri Shostakovich
24 Preludes and Fugues, Op. 87
Konstantin Scherbakov, piano

CD 1

  1. Prelude No. 1 in C major: Moderato 02:50
  2. Fugue No. 1 in C major: Moderato 04:02
  3. Prelude No. 2 in A minor: Allegro 00:52
  4. Fugue No. 2 in A minor: Allegretto 01:33
  5. Prelude No. 3 in G major: Moderato non troppo 01:51
  6. Fugue No. 3 in G major: Allegro molto 01:56
  7. Prelude No. 4 in E minor: Andante 01:57
  8. Fugue No. 4 in E minor: Adagio 05:35
  9. Prelude No. 5 in D major: Allegretto 01:44
  10. Fugue No. 5 in D major: Allegretto 02:01
  11. Prelude No. 6 in B minor: Allegretto 01:42
  12. Fugue No. 6 in B minor: Allegro poco moderato 04:00
  13. Prelude No. 7 in A major: Allegro poco moderato 01:24
  14. Fugue No. 7 in A major: Allegretto 02:47
  15. Prelude No. 8 in F sharp minor: Allegretto 01:18
  16. Fugue No. 8 in F sharp minor: Andante 07:10
  17. Prelude No. 9 in E major: Moderato non troppo 02:36
  18. Fugue No. 9 in E major: Allegro 01:36
  19. Prelude No. 10 in C sharp minor: Allegro 01:52
  20. Fugue No. 10 in C sharp minor: Moderato 05:43
  21. Prelude No. 11 in B major: Allegro 01:22
  22. Fugue No. 11 in B major: Allegro 02:10
  23. Prelude No. 12 in G sharp minor: Andante 03:13
  24. Fugue No. 12 in G sharp minor: Allegro 03:28

CD 2

  1. Prelude No. 13 in F sharp major: Moderato con moto 01:56
  2. Fugue No. 13 in F sharp major: Adagio 04:55
  3. Prelude No. 14 in E flat minor: Adagio 03:33
  4. Fugue No. 14 in E flat minor: Allegro non troppo 02:17
  5. Prelude No. 15 in D flat major: Moderato non troppo 03:03
  6. Fugue No. 15 in D flat major: Allegretto 01:54
  7. Prelude No. 16 in B flat minor: Allegro molto 02:37
  8. Fugue No. 16 in B flat major: Andante 06:46
  9. Prelude No. 17 in A flat major: Allegretto 01:57
  10. Fugue No. 17 in A flat major: Allegretto 03:51
  11. Prelude No. 18 in F minor: Moderato 02:21
  12. Fugue No. 18 in F minor: Moderato con moto 02:54
  13. Prelude No. 19 in E flat major: Allegretto 02:13
  14. Fugue No. 19 in E flat major: Moderato con moto 02:34
  15. Prelude No. 20 in C minor: Adagio 03:47
  16. Fugue No. 20 in C minor: Moderato 05:08
  17. Prelude No. 21 in B flat major: Allegro 01:16
  18. Fugue No. 21 in B flat major: Allegro non troppo 02:59
  19. Prelude No. 22 in G minor: Moderato non troppo 02:08
  20. Fugue No. 22 in G minor: Moderato 03:15
  21. Prelude No. 23 in F major: Adagio 02:52
  22. Fugue No. 23 in F major: Moderato con moto 03:14
  23. Prelude No. 24 in D minor: Andante 03:44
  24. Fugue No. 24 in D minor: Moderato 07:23

Total Playing Time: 02:23:19

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PQP, 28.05.2007. Revalidado por Ranulfus, 2015, por Vassily, 2019, por PQP, 2025.

Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993): Vinte estudos para piano (Moyer)

Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993): Vinte estudos para piano (Moyer)

Já faz um tempinho que deixei de postar coisas de minha própria discoteca em prol de ótimos CDs sugeridos e solicitados. Este post vai ser a última sugestão alheia durante os próximos meses.

Os vinte estudos guarnierianos para piano podem não ser tão conhecidos quanto os Ponteios, postados meses atrás, mas estão no mesmo patamar de beleza destes e são de um virtuosismo mais acentuado (justamente por serem estudos).

Agora só fica faltando eu postar os concertos para piano n° 4 e 5 – do primeiro ao terceiro vocês já podem baixar aqui no blog (o sexto concerto não foi gravado até hoje).

***

Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993): Vinte estudos para piano (Moyer)

No. 1 (1949) Deciso
No. 2 (1949) Brilhante
No. 3 (1949) Appassionato
No. 4 (1954) Animato
No. 5 (1950) Con moto
No. 6 (1962) Impetuoso, marcatissimo
No. 7 (1962) Sem pressa
No. 8 (1962) Comodo
No. 9 (1962) Furioso
No. 10 (1962) Movido
No. 11 (1968) Brilhante
No. 12 (1968) Dengoso
No. 13 (1969) “Homenagem a Claude Debussy”
No. 14 (1969) Sem pressa
No. 15 (1970) Maneiroso
No. 16 (1984) Caprichoso
No. 17 (1985) Sem pressa
No. 18 (1988) “Ondeante”
No. 19 (1981) (For the left hand alone) – Dramatico e Triste
No. 20 (1982) “Saramba

Piano: Frederick Moyer

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Camargo Guarnieri

CVL

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Os 2 Concertos para Violino (Kaler, Wit)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Os 2 Concertos para Violino (Kaler, Wit)

Achei por bem postar este maravilhoso CD, porquanto desde o momento em que pude ouvi-lo, fiquei absurdamente satisfeito. Traz os dois concertos para violino de um dos meus compositores favoritos – Shostakovich. A música de Shosta sempre foi geradora de um intenso mistério em mim. Existe um profundo senso trágico, de lamento, de dor velada, de angústia represada, talvez fruto de suas emoções incontidas; de seu silêncio aflito. Quiçá eu possua um pouco do compositor soviético em mim. Shosta seria quem foi em qualquer lugar do universo. Li isso uma vez num texto escrito pelo Milton Ribeiro. Verifiquei que ele foi muito feliz nessa assertiva. De fato, em se tratando de Shostakovich, o regime soviético serviu apenas como um aspecto contingente em seu âmago como ser histórico. O compositor se portaria como essa figura introvertida, silenciosa e de alma vulcânica, mesmo em outro país. Gosto muito dessas gravações da Naxos. A Naxos possui um charme curioso. Sinto-me compelido a postar tudo o que consigo dela. Um bom deleite!

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Os 2 Concertos para Violino (Kaler, Wit)

Violin Concerto No. 1 in A minor, Op. 99
01. I. Nocturne
02. II. Scherzo
03. III. Passacaglia
04. IV. Burlesque

Violin Concerto No. 2 in C sharp minor, Op. 129
05. I. Moderato
06. II. Adagio
07. III. Adagio – Allegro

Polish National Radio Symphony Orchestra (Katowice)
Antonio Wit, regente
Ilya Kaler, violino

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Kaler é um Mestre (a letra maiúscula não foi casual)

Carlinus

J. S. Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo (completo) e Suítes Orquestrais (idem) (Pinnock)

J. S. Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo (completo) e Suítes Orquestrais (idem) (Pinnock)

Mais um post do grande pai – dessa vez os deliciosos Concertos de Brandenburgo.  “Os Concertos de Brandeburgo ou Concertos de Brandenburgo (BWV 1046-1051, título original: Six Concerts avec plusieurs instruments, em alemão: Brandenburgische Konzerte) são uma coleção de seis peças musicais composta por Johann Sebastian Bach entre 1718 – 1721, dedicados e apresentados ao margrave de Brandenburg-Schwedt, Christian Ludwig em 1721. São amplamente considerados como expoentes do barroco na música, além de estar entre os clássicos mais populares. Estes trabalhos foram esquecidos na biblioteca do margrave até sua morte em 1734 quando foram vendidos por poucos centavos. Os concertos foram descobertos em arquivos de Brandemburgo no século XIX sendo publicados em 1850″ (wikipédia). Boa apreciação!

J. S. Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo (completo) e Suítes Orquestrais (idem) (Pinnock)

DISCO 1

Brandenburg concerto No. 1 in F major, BWV 1046
01. 1 (Without tempo indication)
02. 2 Adagio
03. 3. Allegro
04. 4. Menuetto – Trio I – Polacca – Trio II

Brandenburg concerto No. 2 in F major, BWV 1047
05. 1. (Without tempo indication)
06. 2. Andante
07. 3. Allegro assai

Brandenburg concerto No. 3 in G major, BWV 1048
08. 1. (Without tempo indication)
09. 2. Adagio
10. 3. Allegro

Brandenburg concerto No. 4 in G major, BWV 1049
11. 1. Allegro
12. 2. Allegro
13. 3. Andante
14. 4. Presto

DISCO 2

Brandenburg concerto No. 5 in D major, BWV 1050
01. 1. Allegro
02. 2. Affetuoso
03. 3. Allegro

Brandenburg concerto No. 6 in B flat major, BWV 1051
04. 1. (Without tempo indication)
05. 2. Adagio ma non tanto
06. 3. Allegro

Orchestral Suite No. 1 in C major, BWV 1066
07. 1. Ouverture
08. 2. Courante
09. 3. Gavotte I-II
10. 4. Forlane
11. 5. Menuet I-II
12. 6. Bourrée I-II
13. 7. Passepied I-II

DISCO 3

Orchestral Suite No. 2 in B minor, BWV 1067
01. 1. Ouverture
02. 2. Rondeau
03. 3. Sarabande
04. 4. Bourrée I-II
05. 5. Polonaise
06. 6. Menuet
07. 7. Badinerie
08. 8. Ouverture

Orchestral Suite No. 3 in D major, BWV 1068
09. 1. Ouverture
10. 2. Air
11. 3. Bourrée
12. 4. Gigue

Orchestral Suite No. 4 in D major, BWV 1069
13. 1. Ouverture
14. 2. Bourrée I-II
15. 3. Gavotte
16. 5. Menuet I-II
17. 6. Réjouissance

The English Concert
Trevor Pinnock, regente

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Bach em pleno turismo tropical
Bach em pleno turismo tropical

Carlinus

J. S. Bach (1685-1750): A Paixão Segundo Mateus, BWV 244 (Oberfrank)

J. S. Bach (1685-1750): A Paixão Segundo Mateus, BWV 244 (Oberfrank)

A Paixão Segundo Mateus (em alemão Matthäuspassion) é uma das grandes peças compostas pelo grande pai, Johann Sebastian Bach. Trata-se de uma das obras mais excelsas que o ser humano já teve a capacidade de criar. A beleza e a monumentalidade da obra é um desafio à nossa inteligência. Ela possui toda a sofisticação que somente alguém como o maior compositor da música ocidental teria condições de imprimir. Bach baseou-se no Evangelho segundo Mateus para retratar paixão de Cristo – o tema do sofrimento e da morte de Jesus. O compositor possivelmente escreveu a obra em 1727. Parece clichê afirmar isso, mas foi somente em 1829 com Mendelssohn, que houve um resgate esplendoroso da obra de Johann Sebastian. Foi assim que pela primeira vez a obra foi apresentada fora de Leipzig e isso mais de um século depois. Foi aclamada pelo público, assim como o restante da obra de Bach. A gravação que ora apresento não é a de um Tom Koopman, de um Klemperer, de um Gardiner, de um Harnoncourt ou de um Herreweghe. Tentei fugir dessa referência e trouxe essa interpretação alternativa com Géza Oberfrank pela imortal Naxos. Apreciemos. Permitamos que ela nos envolva e nos console.

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – A Paixão Segundo Mateus, BWV 244

DISCO 1

01. Nr. 1 Chor mit Choral (Kommt, ihr Töchter, helft mir klagen!) (7:34)
02. Nr. 2 Rezitativ (Da Jesus diese Rede vollendet hatte) (0:33)
03. Nr. 3 Choral (Herzliebster Jesu, was hast du verbrochen) (0:47)
04. Nr. 4 Rezitativ und Chor (Da versammleten sich die Hohenpriester) (2:49)
05. Nr. 5 Rezitativ (Alt) (Du lieber Heiland du) (0:40)
06. Nr. 6 Arie (Alt) (Buß’ und Reu’) (4:14)
07. Nr. 7 Rezitativ (Da ging hin der Zwölfen einer) (0:30)
08. Nr. 8 Arie (Sopran) (Blute nur, du liebes Herz!) (4:47)
09. Nr. 9 Rezitativ und Chor (Aber am ersten Tage der süßen Brot) (1:48)
10. Nr. 10 Choral (Ich bin’s, ich sollte büßen) (0:50)
11. Nr. 11 Rezitativ (Er antwortete und sprach) (2:44)
12. Nr. 12 Rezitativ (Sopran) (Wiewohl mein Herz in Tränen schwimmt) (1:14)
13. Nr. 13 Arie (Sopran) (Ich will dir mein Herze schenken) (3:39)
14. Nr. 14 Rezitativ (Und da sie den Lobgesang gesprochen hatten) (0:56)
15. Nr. 15 Choral (Erkenne mich, mein Hüter) (0:59)
16. Nr. 16 Rezitativ (Petrus aber antwortete und sprach zu ihm) (1:01)
17. Nr. 17 Choral (Ich will hier bei dir stehen) (1:08)
18. Nr. 18 Rezitativ (Da kam Jesus mit ihnen zu einem Hofe) (1:32)
19. Nr. 19 Rezitativ (Tenor) mit Choral (O Schmerz!) (1:35)
20. Nr. 20 Arie (Tenor) mit Chor (Ich will bei meinem Jesu wachen) (5:25)
21. Nr. 21 Rezitativ (Und ging hin ein wenig) (0:42)
22. Nr. 22 Rezitativ (Bass) (Der Heiland fällt vor seinem Vater nieder) (0:47)
23. Nr. 23 Arie (Bass) (Gerne will ich mich bequemen) (4:27)
24. Nr. 24 Rezitativ (Und er kam zu seinen Jüngern) (1:13)
25. Nr. 25 Choral (Was mein Gott will) (1:27)
26. Nr. 26 Rezitativ (Und er kam und fand sie aber schlafend) (2:12)
27. Nr. 27 Arie mit Chor (So ist mein Jesus nun gefangen) (3:50)
28. Nr. 28 Rezitativ (Und siehe, einer aus denen) (2:02)
29. Nr. 29 Choral (O Mensch, bewein dein Sünde groß) (6:04)

DISCO 2

01. Nr. 30 Arie (Alt) mit Chor (Ach, nun ist mein Jesus hin!) (3:32)
02. Nr. 31 Rezitativ (Die aber Jesum gegriffen hatten) (0:52)
03. Nr. 32 Choral (Mir hat die Welt trüglich gericht’) (0:50)
04. Nr. 33 Rezitativ (Und wiewohl viel falsche Zeugen) (1:05)
05. Nr. 34 Rezitativ (Tenor) (Mein Jesus schweight zu falschen Lügen stille) (0:53)
06. Nr. 35 Arie (Tenor) (Geduld! Geduld!) (3:26)
07. Nr. 36 Rezitativ und Chor (Und der Hohepriester antwortete und sprach zu ihm) (2:03)
08. Nr. 37 Choral (Wer hat dich so geschlagen) (0:51)
09. Nr. 38 Rezitativ und Chor (Petrus aber saß draußen im Palast) (2:14)
10. Nr. 39 Arie (Alt) (Erbarme dich, mein Gott!) (7:06)
11. Nr. 40 Choral (Bin ich gleich von dir gewichen) (1:14)
12. Nr. 41 Rezitativ und Chor (Des Morgens aber hielten alle Hohepriester) (1:48)
13. Nr. 42 Arie (Bass) (Gebt mir meinen Jesum wieder!) (3:30)
14. Nr. 43 Rezitativ (Sie hielten aber einen Rat) (1:51)
15. Nr. 44 Choral (Befiehl du deine Wege) (1:12)
16. Nr. 45 Rezitativ und Chor (Auf das Fest aber hatte der Landpfleger Gewohnheit) (2:21)
17. Nr. 46 Choral (Wie wunderbarlich ist doch diese Strafe!) (0:47)
18. Nr. 47 Rezitativ (Der Landpfleger sagte) (0:11)
19. Nr. 48 Rezitativ (Sopran) (Er hat uns allen wohlgetan) (1:00)
20. Nr. 49 Arie (Sopran) (Aus Liebe will mein Heiland sterben!) (4:49)
21. Nr. 50 Rezitativ und Chor (Sie schrieen aber noch mehr und sprachen) (1:52)
22. Nr. 51 Rezitativ (Alt) (Erbarm es Gott!) (0:48)
23. Nr. 52 Arie (Alt) (Können Tränen meiner Wangen Nichts erlangen) (6:26)

DISCO 3

01. Nr. 53 Rezitativ und Chor (Da nahmen die Kriegsknechte des Landpflegers Jesum zu sich in das Richthaus) (1:01)
02. Nr. 54 Choral (O Haupt voll Blut und Wunden) (2:25)
03. Nr. 55 Rezitativ (Und da sie ihn verspottet hatten) (0:44)
04. Nr. 56 Rezitativ (Bass) (Ja! freilich will in uns das Fleisch und Blut) (0:32)
05. Nr. 57 Arie (Bass) (Komm, süßes Kreuz, so will ich sagen) (6:27)
06. Nr. 58 Rezitativ und Chor (Und da sie an die Stätte kamen mit Namen Golgatha) (3:22)
07. Nr. 59 Rezitativ (Alt) (Ach Golgatha, unsel’ges Golgatha!) (1:13)
08. Nr. 60 Arie (Alt) mit Chor (Sehet, Jesus hatdie Hand) (3:13)
09. Nr. 61 Rezitativ und Chor (Und von der sechsten Stunde an war eine Finsternis über das ganze Land) (2:02)
10. Nr. 62 Choral (Wenn ich einmal soll scheiden) (1:27)
11. Nr. 63 Rezitativ und Chor (Und siehe da, der Vorhang im Tempel) (2:14)
12. Nr. 64 Rezitativ (Bass) (Am Abend, da es kühle war) (1:24)
13. Nr. 65 Arie (Bass) (Mache dich, mein Herze rein) (7:44)
14. Nr. 66 Rezitativ und Chor (Und Joseph nahm den Leib) (2:20)
15. Nr. 67 Rezitativ (Solisten und Chor) (Nun ist der Herr zur Ruh gebracht) (1:37)
16. Nr. 68 Chor (Wir setzen uns mit Tränen nieder) (6:27)

József Mukk, evangelist
István Gáti, Jesus
Judit Németh, first Witness
Peter Köves, Judas
Péter Cser, Pilatos
Ferenc Korpás, First High Priest
Rózsa Kiss, Pilate’s Wife
Hungarian State Symphony Orchestra
Hungarian Festival Choir
Children’s Choir Of The Hungarian Radio
János Remémyi, chorus Master
Géza Oberfrank, regente

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

São Mateus, dizem.
São Mateus, dizem.

Carlinus

.: interlúdio :. O Fino da Bossa : show Teatro Paramount, 1964 : noneto Oscar Castro Neves & outros

o-fino-da-bossa-1964 CAPA-LP-1989(Postagem do Ranulfus em 2016, revalidada por Pleyel em 2025 in memoriam ao nosso amigo Ranulfus e também aos 45 anos de morte de Vinicius de Moraes)

Dia desses, garimpeiros que encontraram no blog uma postagem antiga do colega Bluedog reabriram a conversa sobre a extraordinária música instrumental que tomou forma no Brasil na década de 1960 – o que nos motivou a revalidar aqui aquela postagem, do Quarteto Novo.

E a audição do Quarteto Novo me remeteu inevitavelmente a este outro disco, que eu já vinha planejando digitalizar e postar: ele contém um terço do que foi apresentado no histórico show de 25 de maio de 1964 no antigo Teatro Paramount em São Paulo (hoje Teatro Renault), inaugurando o nome “O Fino da Bossa”, que de 1965 a 67 seria aplicado ao programa comandado por Elis Regina e Jair Rodrigues, transmitido ao vivo desse mesmo teatro pela TV Record.

Como (quase) todo mundo sabe, a bossa nova emergiu entre 1957 e 59 (ao mesmo tempo que o rock’n’roll nos EUA, e este que vos escreve naquele faroeste que era então o Paraná) de todo o caldo de cultura dos anos 50, sobretudo por obra de um bruxo chamado João Gilberto, e foi imediatamente amplificada por uma juventude universitária antenada no que rolava “lá fora” mas suficientemente inteligente pra perceber a imensa riqueza e valor da herança cultural brasileira, e ater-se a ela como fundamento da sua criação, por multi-informada que fosse.

O famoso show no Carnegie Hall (NY, 21.11.1962) ficou como marco da explosão internacional da bossa, que se tornou um dos estilos mais ouvidos no mundo pelo resto da década. Complexados que somos, só depois disso a bossa ganhou um grande teatro no Brasil – ainda por meio de uma juventude universitária suficientemente abastada para abrir suas portas de cristal (Faculdade de Direito do Largo São Francisco – quem sabe um pouco sobre São Paulo entende).

O show aconteceu mês e meio depois do golpe de 64. O sucesso estrondoso fez a bossa ganhar espaço privilegiado na tevê pelos anos seguintes, virando trincheira de resistência nacionalista e de esquerda ao mesmo tempo em que tensionava sua base carioca-boa-vida com o influxo nordestino (vide faixa 8) – com surpreendente penetração e ressonância popular até nos interiores distantes (acreditem: eu vi), mesmo com a promoção paralela da Jovem Guarda como estratégia de despolitização da juventude – até que foi varrida da tevê por obra do golpe-dentro-do-golpe (1969), altura em que já tinha se transformado no campo multiforme e complexo que ganhou o rótulo MPB.

Foi no meio disso tudo que ainda floresceu uma espantosa safra de instrumentistas e arranjadores, como os que ouvimos no Quarteto Novo e ouviremos neste disco aqui, dominado por um sujeito chamado Oscar Castro Neves.

Pra mim essa riqueza é descoberta recente: em 1964 eu tinha só 7 anos; passei a adolescência pensando que bossa era música fútil de sala de espera – o que realmente chegou a ser na sua diluição internacional. Até hoje tendo a ver a bossa pura como uma espécie de piso Haydn-Mozart a partir dos qual se ergueria uma ousadia beethoveniana, no caso a da santíssima trindade Caetano-Chico-Mílton e outros deuses em torno… E talvez tenha sido justamente o encontro com os 10 minutos de timbres e texturas que este Oscar Castro Neves arranca com seu noneto de Berimbau, de Baden e Vinícius (faixa 9), o que me fez finalmente entender a declaração solene do próprio Caetano: “o Brasil ainda precisa merecer a Bossa Nova”.

Só que, estranhamente, pouco depois grande parte desses instrumentistas e arranjadores – como o Airto Moreira do Quarteto Novo, Eumir Deodato, Sérgio Mendes, o próprio Oscar Castro Neves – foram parar na Califórnia, onde vieram a fazer parte do clube dos arranjadores mais bem pagos dos EUA – mas aí sua produção musical logo deixou de ser convincente para ouvidos brasileiros. Suas tentativas de referência ao Brasil foram ficando constrangedoramente inautênticas.

O que no meu ver pode colocar em questão a tese do colega Bluedog naquela outra postagem: a de que o “jazz nordestino” poderia ter ganho o mundo: em certa medida ele até ganhou, mas… de repente pareço ouvir uma ressonância irônica e lúgubre da frase dos evangelhos: de que adianta ao homem ganhar o mundo e perder sua alma?

Enfim: o disco que vocês vão ouvir tem meninas que cantavam com charme mas com vozes pequenas e pouco seguras – como muitas que surgiram na última década, me fazendo pensar se isso pode ser característico de momentos de transição estilística… Tem Paulinho Nogueira mostrando impecavelmente que a geração bossa não necessariamente rejeitava a tradição… Tem Jorge Ben(jor) ainda lutando pra cantar com o R de língua, não carioca, que era exigido pelo rádio (!) até começo dos anos 60 (herança do estado Novo?). E tem Rosinha de Valença extraindo tamanha ginga e intensidade de seu violão, que eu tendo a considerar a faixa 5 o ponto alto do disco – mais ainda que os já mencionados dez minutos do Oscar.

E por falar no Oscar (Castro Neves), por mais que tenha procurado, não consegui encontrar os nomes dos integrantes do seu noneto. Será que algum dos leitores pode ajudar a matar a charada?

O FINO DA BOSSA
LP de 1964, contendo cerca de 1/3 da gravação ao vivo do show
“O Fino da Bossa”, promovido pelo Centro Acadêmico XI de Agosto (da faculdade de direito da USP) no Teatro Paramount de São Paulo, na noite de 25 de maio de 1964.

  • 01 Onde Está Você? (Luvercy Fiorini / Oscar Castro Neves)
    Alaíde Costa, voz; Oscar Castro Neves Noneto – 03’51
  • 02 Garota De Ipanema (Tom Jobim / Vinicius de Moraes)
    Zimbo Trio = Amilton Godoy, piano;
    Luiz Chaves, contrabaixo; Rubens Barsotti, bateria – 04’18
  • 03 Pot-pourri:
    – Gosto Que Me Enrosco (Sinhô = José Barbosa da Silva)
    – Agora É Cinza (Bide = Alcebíades Maia Barcellos /
    Marçal = Armando Vieira Marçal)
    – Duas Contas (Garoto = Aníbal Augusto Sardinha)
    – Bossa Na Praia (Geraldo Cunha / Pery Ribeiro)
    Paulinho Nogueira, violão – 04’07
  • 04 Tem Dó (Baden Powell / Vinicius de Moraes)
    Ana Lúcia, voz; Oscar Castro Neves Noneto – 02’57
  • 05 Consolação (Baden Powell / Vinicius de Moraes)
    Rosinha de Valença, violão; Oscar Castro Neves Noneto? – 06’26
  • 06 Chove Chuva (Jorge Ben / Benjor)
    Jorge Ben (Benjor) – 03’39
  • 07 Desafinado (Newton Mendonça / Tom Jobim)
    Wanda Sá, voz; Oscar Castro Neves Noneto – 03’38
  • 08 Maria Moita (Carlos Lyra / Vinicius de Moraes)
    Nara Leão – 01’59
  • 09 Berimbau (Baden Powell / Vinicius de Moraes)
    Oscar Castro Neves Noneto – 10’18

Lançamento original em vinil: 1964.
Digitalizado em 2016 por Ranulfus & Daniel the Prophet
a partir do relançamento de 1989 em vinil,
comemorativo de 30 anos de Bossa Nova

.  .  .  .  .  .  .  BAIXE AQUI – download here – MP3

Alaide Costa (nasc. 1935, faz 90 este ano) e Jorge Ben (nasc. 1945, diz ele, mas a biógrafa diz que foi em 1939), foto de 1964

Ranulfus

Piotr Ilich Tchaikovsky (1840-1893): Symphony nº 1, Op. 13 “Winter Daydreams”, Symphony nº 2, Op. 17 Little Russian, Capricho Italiano (Jansons, Oslo)

Piotr Ilich Tchaikovsky (1840-1893): Symphony nº 1, Op. 13 “Winter Daydreams”, Symphony nº 2, Op. 17 Little Russian, Capricho Italiano (Jansons, Oslo)

Começo a postar as sinfonias de Tchaikovsky, inúmeras vezes solicitadas aqui no blog. Optei por essa versão do jovem Mariss Jansons (lituano, nascido em 1943) devido aos comentários elogiosos lidos em alguns sites especializados. E creio que ninguém irá se decepcionar com a escolha. Quando gravou essa integral, Jansons tinha pouco mais de 40 anos, e já era diretor da Filarmônica de Oslo, após ter estudado no conceituado Conservatório de Leningrado (atual St. Petersburg)e após ter sido assistente de ninguém mais, ninguém menos do que Herr Karajan na Filarmônica de Berlim. Currículo invejável. Mas temos aqui as duas primeiras sinfonias de Tchaikowsky. Obras de juventude, porém que já mostram o espírito e a alma russas devidamente impregnadas, e que também já mostram um compositor preparado para voos maiores. A elas, pois…

Symphony nº 1, in G minor, op. 13, “Winter Daydreams”
1 – Allegro tranquilo
2 – Adagio cantabile ma non tanto
3 – Scherzo. Allegro scherzando giocoso
4 – Finale. Andante lugubre – Allegro maestoso

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Symphony nº 2, in C Minor, op. 17, “Little Russian”
5 – Andante sostenuto – Allegro vivo
6 – Andantino marziale, quasi moderato
7 – Scherzo and Trio – Allegro molto vivace
8 – Finale. Moderato assai – Allegro vivo

9 – Capriccio Italien

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Oslo Philarmonic Orchestra
Mariss Jansons

Mariss Jansons (1943-2019) ainda era vivo quando essas sinfonias foram postadas pela 1ª vez no blog

FDP

W. A. Mozart (1756-1791): Concerto para piano e orquestra Nº 22, K. 482 / L. v. Beethoven (1770-1827): Concerto para piano e orquestra Nº 3, Op. 37

W. A. Mozart (1756-1791): Concerto para piano e orquestra Nº 22, K. 482 / L. v. Beethoven (1770-1827): Concerto para piano e orquestra Nº 3, Op. 37

Novo link, agora funcionando!

Um clássico de capa nova. A anterior era branquinha, lembram? Para um CD como este, penso que as apresentações sejam dispensáveis. Por isso iremos com certa urgência à música. Uma excelente apreciação!

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) –
Concerto para piano e orquestra No. 22 em Mi bemol maior, K. 482
01. Allegro
02. Andante
03. Allegro

Ludwig van Beethoven (1770-1827) –
Concerto para piano e orquestra No. 3 em Dó menor, Op. 37
04. Allegro con brio
05. Largo
06. Rondo (Allegro)

Sviatoslav Richter, piano
Philharmonia Orchestra
Riccardo Muti, regente

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mozaer Beethoven

Carlinus

Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993): Valsas e sonata para piano (Mendonça)

Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993): Valsas e sonata para piano (Mendonça)

Como o CVL anda presenteando todo mundo, achei interessante trazer esse presente para ele e para vocês. As valsas de Carmargo Guarnieri são excelentes, algumas vezes penso que são melhores que as de Chopin. A sonata também é ótima (a única escrita?) e merece reconhecimento. Grande mérito à pianista brasileira Belkiss Sá Carneiro de Mendonça.

Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993) – Valsas e sonata para piano (Mendonça)

Faixas:
1 Valsa n° 1 – Lentamente – dó menor 03:40
2 Valsa n° 2 – Preguiçoso – dó sustenido menor 03:23
3 Valsa n° 3 – Com moleza – lá menor 03:49
4 Valsa n° 4 – Calmo e saudoso – fá sustenido menor 03:23
5 Valsa n° 5 – Calmo – mi menor 02:46
6 Valsa n° 6 – Lento – lá menor 04:44
7 Valsa n° 7 – Saudoso – lá menor 03:12
8 Valsa n° 8 – Calmo – mi menor 03:31
9 Valsa n° 9 – Calmo – do filme Rebelião em Vila Rica – lá menor 02:15
10 Valsa n° 10 – Caloroso – mi bemol menor 04:30
11 Sonata – Tenso 03:24
12 Sonata – Amargurado 06:00
13 Sonata – Triunfante – Enérgico (fuga) – Triunfante 04:10

Belkiss Sá Carneiro de Mendonça, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Quem seria? Julinho da Adelaide?

CDF (2009)

Deu chabu

Aconteceu de novo: devido a questões com o servidor de compartilhamento, muitas de nossas postagens ficaram sem links ativos. Não estamos de falar de algumas, e sim de milhares – incluindo todas as postagens do patrão PQP Bach, que, além de nosso chefinho, é o mais prolífico colaborador do blogue. Se já passamos por isso antes – nossos leitores-ouvintes hão de lembrar das crises pós-implosão do Rapidshare, Megaupload e PQPShare, para ficar só nas mais medonhas -, nunca o golpe foi tão grande. Por ora, pedimos paciência e compreensão se encontrarem links inativos, inclusive em postagens vindouras, enquanto decidimos o que fazer. Segue o jogo.

Yep, it happened again: due to issues with the file hosting providers many of our posts have lost their active links. We’re not talking about a handful, but thousands of  dead links – including all provided by PQP Bach, our founding father and by far the most prolific contributor to this blog. Although we’ve been through this before – some among you may remember the demises of Rapidshare, Megaupload and PQPShare, just to name a few – the blow has never been so great. For now, we ask for your patience and understanding if you find dead links in both past and upcoming posts, while we figure out our next steps. The show goes on.

Johannes Brahms (1833-1897): Piano Concerto Nº 1, Op.15 (Zimerman / Rattle)

Johannes Brahms (1833-1897): Piano Concerto Nº 1, Op.15 (Zimerman / Rattle)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

O Concerto no. 1 de Brahms para piano e orquestra é uma das coisas mais avassaladoras que eu conheço em matéria de música. As notas iniciais são um torrente de drama, desespero e tensão. Mas, aos poucos a paisagem vai serenando, ganhando contornos suaves, mansamente idílica. O que segue até o final não pode ser retratado com as palavras. Este concerto é uma bela metáfora do que é a vida – tensa, dramática, mas cheia de encantos selvagens e, quiçá, paraísos. Toda metáfora é um salto sobre o abismo. É ver o mundo iluminado pela chama de uma vela. Os contornos são tenebrosos, poucos divisáveis, mas enquanto caminhamos vamos construindo intuições. Ouvi este concerto já por três vezes desde ontem à noite e fiquei com a sensação de algo grande. Restou-me apenas o desejo de compartilhá-lo. Afinal, Brahms merece nossas mais veneradas impressões. Um bom deleite!

Johannes Brahms (1833-1897) – Piano Concerto No.1 in D minor Op.15

Piano Concerto No.1 in D minor Op.15
01. 1. Maestoso
02. 2. Adagio
03. 3. Rondo. Allegro non troppo

Berliner Philharmoniker
Simon Rattle, regente
Krystian Zimerman, piano

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Amiguchos

Carlinus (post original de 2011)

Claude Debussy (1862-1918): Prelúdios e outras peças, com Nelson Freire #DEBUSSY160

Claude Debussy (1862-1918): Prelúdios e outras peças, com Nelson Freire #DEBUSSY160

Vi que algumas pessoas pediram este CD, mesmo sujeitas a levar um esporro como resposta. Recebi o disco recentemente e ele estava lacrado até agora – nem quis saber de escutá-lo enquanto o copiava via Windows Media Player porque tinha/tenho/terei realmente mais o que fazer. Muito menos gosto de postar CDs quando estes são recém-lançados porque acho isso o cúmulo do pão-durismo por parte do ouvinte/admirador, mas decidi ser caridoso. Espero que tenha valido a pena meu esforço e que o número de downloads exploda.
CVL (2009)

Lucia Branco, a principal professora de piano de Nelson Freire em sua infância, foi quem lhe apresentou Debussy, e ela lhe alertava sobre o risco de tocar lento demais. Mais tarde, Debussy criaria uma grande proximidade com Guiomar Novaes, grande intérprete de Debussy – aliás o compositor ouviu e elogiou a jovem pianista recém-chegada em Paris. Guiomar também tinha uma relação com a música de Debussy em que os andamentos não pendiam para o lento: às vezes o colorido das escalas de tons inteiros pode estimular uma abordagem mais relaxada e calma, mas ao mesmo tempo é preciso manter o fluxo das coisas andando, ao menos na abordagem de Debussy por Freire e por esses dois pianistas que ele amava apaixonadamente: Guiomar Novaes e Walter Gieseking.

Nelson Freire não era o tipo de músico que grava integrais. (Disse ele para o IPB: “não gosto de fazer sempre a mesma coisa, me aborrece… Por isso acho também que recital de piano deve ser uma coisa variada, se não é muito entediante chegar lá e ouvir o mesmo estilo o tempo todo.”) O livro I de Prelúdios de Debussy, os Noturnos e Prelúdios de Chopin, a Prole do Bebê de Villa-Lobos  estão entre os poucos ciclos que ele abordou por inteiro. Ele tinha um vínculo profundo com essas obras, que o acompanharam por décadas, muitas vezes como bis nos recitais, assim como Poissons d’or, das Imagens. Neste álbum gravado por Nelson aos 63 anos, ele também toca o ciclo de inspiração infantil Children’s Corner, que o René postou recentemente na orquestração de André Caplet, amigo e colaborador de Debussy.
Pleyel (2022, 160 anos de Debussy, repostado em 2025)

Claude Achille Debussy (1862-1918), Música para Piano

1. Préludes – Book 1 – 1. Danseuses de Delphes (Lent et grave)
2. Préludes – Book 1 – 2. Voiles (Modéré)
3. Préludes – Book 1 – 3. Le vent dans la plaine (Animé)
4. Préludes – Book 1 – 4. Les sons et les parfums tournent dans l’air du soir (Modéré)
5. Préludes – Book 1 – 5. Les collines d’Anacapri (Très modéré)
6. Préludes – Book 1 – 6. Des pas sur la neige (Triste et lent)
7. Préludes – Book 1 – 7. Ce qu’a vu le vent d’ouest (Animé et tumultueux)
8. Préludes – Book 1 – 8. La fille aux cheveux de lin (Très calme et doucement expressif)
9. Préludes – Book 1 – 9. La sérénade interrompue (Modérément animé)
10. Préludes – Book 1 – 10. La cathédrale engloutie (Profondément calme)
11. Préludes – Book 1 – 11. La danse de Puck (Capricieux et léger)
12. Préludes – Book 1 – 12. Minstrels (Modéré)
13. D’un cahier d’esquisses
14. Children’s Corner – 1. Doctor Gradus Ad Parnassum
15. Children’s Corner – 2. Jimbo’s Lullaby
16. Children’s Corner – 3. Serenade for the Doll
17. Children’s Corner – 4. The Snow is Dancing
18. Children’s Corner – 5. The Little Shepherd
19. Children’s Corner – 6. Golliwogg’s Cakewalk
20. Suite Bergamasque – 3. Clair de Lune

Nelson Freire, piano
Recording: Hamburg, June 11-15 2008

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Debussy é muito feio, vamos de Freire então.
Mais uma foto de mar ilustrando postagem de Debussy

CVL (2009) e Pleyel (2022)

Johannes Brahms (1833-1897): Lieder & Duette (Kaufmann, Schmiege, Sulzen)

Johannes Brahms (1833-1897): Lieder & Duette (Kaufmann, Schmiege, Sulzen)

Version 1.0.0

Um CD agradabilíssimo e diferente. Sempre relacionamos Brahms à densidade e ao rigor formal, porém aqui não há nada disso. É uma música de sarau, não tão simplesinha assim e boa de se ouvir nas noites em que estamos trabalhando em casa ou conversando com poucos amigos. Saibam que as faixas 1, 26 e algumas outras pararão a conversa ou interromperão nosso trabalho para que digamos ou pensemos: que coisa linda isso!

As cantoras Julie Kaufmann e Marilyn Schmiege possuem perfeito senso de estilo e adaptam-se a cada canção dando a ela personalidade própria. Um maravilhoso CD da Orfeu que merece ser comprado por sua música e pelo excelente encarte com todas as letras. A relação de duetos e lieder é interminável e isto não é uma reclamação, imagine!

Johannes Brahms (1833-1897): Lieder & Duette (Kaufmann, Schmiege, Sulzen)

1. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 61 Track 1 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
2. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 61 Track 2 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
3. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 61 Track 3 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
4. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 61 Track 4 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
5. Ausgewählte Lieder für Sopran und Klavier Track 1 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen
6. Ausgewählte Lieder für Sopran und Klavier Track 2 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen
7. Ausgewählte Lieder für Sopran und Klavier Track 3 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen
8. Ausgewählte Lieder für Sopran und Klavier Track 4 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen
9. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 2 Track 1 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
10. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 2 Track 2 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
11. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 2 Track 3 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
12. Ausgewählte Lieder für Mezzosopran und Klavier Track 1 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
13. Ausgewählte Lieder für Mezzosopran und Klavier Track 2 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
14. Ausgewählte Lieder für Mezzosopran und Klavier Track 3 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
15. Duette aus: Romanzen und Lieder op. 84 Track 1 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
16. Duette aus: Romanzen und Lieder op. 84 Track 2 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
17. Duette aus: Romanzen und Lieder op. 84 Track 3 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
18. Ausgewählte Lieder für Mezzosopran und Klavier Track 1 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
19. Ausgewählte Lieder für Mezzosopran und Klavier Track 2 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
20. Ausgewählte Lieder für Mezzosopran und Klavier Track 3 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
21. Ausgewählte Lieder für Mezzosopran und Klavier Track 4 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
22. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 66 Track 1 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
23. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 66 Track 2 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
24. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 66 Track 3 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
25. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 66 Track 4 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
26. Duette für Sopran und Alt mit Klavier op. 66 Track 5 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
27. Ausgewählte Lieder für Sopran und Klavier Track 1 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen
28. Ausgewählte Lieder für Sopran und Klavier Track 2 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen
29. Ausgewählte Lieder für Sopran und Klavier Track 3 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen
30. Duette aus: Balladen und Romanzen op. 75 Track 1 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege
31. Duette aus: Balladen und Romanzen op. 75 Track 2 Komponiert von Johannes Brahms, Johannes Brahms mit Julie Kaufmann , Donald Sulzen , Marilyn Schmiege

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PQP

Jorge Antunes (1942): ¡No se mata la Justicia!

Jorge Antunes (1942): ¡No se mata la Justicia!

Dom Óscar Arnulfo Romero Galdámez (1917-1980) tornou-se arcebispo de San Salvador, capital de El Salvador, em 1977. Nomeado por Roma por seu perfil conservador, Monsenhor Romero, como ficou conhecido, passou a conviver mais de perto com os fiéis e a observar pela ótica deles os abusos do exército salvadorenho, que temia um golpe de estado por parte de guerrilhas esquerdistas.

Com as incômodas denúncias – em suas homilias, à imprensa e a quem quer que fosse – de violação aos direitos humanos, incluindo assassinatos de clérigos, começou a receber ameaças de morte. Em 24 de março de 1980, “finalmente” (pro conforto dos militares), Monsenhor Romero tomou um tiro mortal no coração, de um milico anônimo, durante uma missa numa capela perto da Catedral de San Salvador, e virou mártir de imediato.

A notícia da morte de Monsenhor Romero atraiu milhares de pessoas a seu velório, para insatisfação do exército salvadorenho. Os militares dispersaram a multidão ao custo de 42 outras mortes. Dali, deflagrou-se oficialmente a Guerra Civil de El Salvador, que durou até 1992. Até hoje, o crime não foi solucionado, graças às oligarquias que ainda comandam o país, mas a peregrinação ao túmulo de Monsenhor Romero desde então tem sido a maior da América Central.

***

Jorge Antunes – carioca radicado em Brasília, ativista de esquerda, autor do hino do PSol e de um Hino Nacional Alternativo, professor da UNB e um dos mais representativos (e polêmicos) expoentes da vanguarda brasileira – ganhou um prêmio da Sociedade de Música Contemporânea Israelense e viajou para a Terra Santa em 1980, onde passou quatro meses (em Jerusalém e num kibutz), desenvolvendo os rascunhos do tributo que estava concebendo ao arcebispo assassinado.

A referência à cor violeta advém da teoria cromofonética de Jorge Antunes, que relaciona uma cor do espectro solar a cada uma das notas diatônicas. De acordo com essa teoria o violeta equivale à nota mi, que predomina também em Ritual Violeta.

A Elegia violeta para Monsenhor Romero é uma das peças mais impactantes da música clássica nacional. Esta gravação péssima, que me parece ser a única, e o coral não tão bem ensaiado não reduzem a força da obra, desde a simulação do peso do tiro mortal em Monsenhor Romero, no acorde inicial do piano, e os gritos de desespero simulado nas cordas, até a última frase que o coral canta (a do título do CD).

“Não se mata a Justiça!” foi a resposta que o arcebispo deu a um repórter da TV Globo que o entrevistou em San Salvador, o qual perguntou-lhe se não tinha medo de morrer devido às denúncias contundentes que fazia.

***

Falo en passant somente da obra mais importante – e, de longe, a mais atrativa – desse CD de Jorge Antunes; para saber sobre as demais, dêem uma olhada no encarte. Muito engenhosa, para se mencionar, é a Cromorfonética, que você pode confundir com uma obra eletroacústica, mas, com uma segunda ouvida, perceberá que é para coro misto.

Estou aqui em Brasília, tentando achar o Café do Rato Preto através do endereço que meu gerente me deu, já que nunca estive na capital federal:

Quadra SHIS Trecho 50 Lote 200

Acontece que o Google Earth acusou “galáxia não localizada” e não sei o que fazer no momento. Acho que daqui mesmo do aeroporto JK vou-me embora pra… Pra não sei onde… Talvez Santa Catarina, talvez Recife, talvez Rio, talvez Buenos Aires…

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Jorge Antunes (1942): ¡No se mata la Justicia!

1. Elegia violeta para Monsenhor Romero (1980), para dois solistas infantis, coro infantil, piano obligato e orquestra de câmara

Coro Infantil do Kibutz Hatzerim e do Conservatório de Música de Beer-Sheva
Solistas: Hagit Shapira e Ruth Halifa
Piano obligato: Mariuga Lisbôa Antunes
The Israel Sinfonietta
Regente: Jorge Antunes

2. Cromorfonética (1969), para coro a capella

Coro Pro-Arte Ensemble Graz
Regente: Karl Emst Hofmann

3. Proudhonia (1972), para coro misto e fita magnética

Coro: Les Douze Solistes des Choeurs de l’ORTF
Regente: Marcel Couraud
Gravação: 16/04/1973, no Festival de La Rochelle 1973 – Rencontres Internationales d’Art Contemporain Salle Oratoire, La Rochelle, France

Rimbaudiannisia MCMXCV (1994), para jovens cantores solistas, coro infanto-juvenil, orquestra de câmara, luzes e máscaras.
4. Rimbaudiannisia MCMXCV – I. Expiation pour Cumiqoh
5. Rimbaudiannisia MCMXCV – II. Voyelles
6. Rimbaudiannisia MCMXCV – III. Ditirambus

Choeur La Maîtrise de Radio France  Orchestre Philharmonique de Radio France  Regente: Arturo Tamayo

7. Ritual violeta (1999), para saxofone tenor e sons eletrônicos

Sax: Daniel Kientzy

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Monsenhor Romero

CVL

Johannes Brahms (1833-1897): Complete Chamber Music (CD 3 de 11) Sonatas para Violino e Piano Nº 1, 2 & 3 (Grumiaux, Sebok)

Johannes Brahms (1833-1897): Complete Chamber Music (CD 3 de 11) Sonatas para Violino e Piano Nº 1, 2 & 3 (Grumiaux, Sebok)

Pois bem, eis então terceiro cd da Obra Integral de Câmara de Johannes Brahms. Demorou, mas veio. Nesse cd, temos as sonatas para violino e piano. E que podemos comentar sobre elas, além de dizer que são maravilhosas, de uma profundidade que atinge nossas almas, mas sem sobressaltos, e sim muita emotividade, paixão e energia, sem porém resvalar em superficialidades?

Tenho 4 versões destas obras: Shlomo Mintz, Anne-Shophie Mutter, Viktoria Mullova, e esta aqui, com Arthur Grumiaux e Gyorgy Sebok. Quatro versões totalmente diferentes umas das outras, mas todas conseguindo capturar a essência das obras. Um andamento de um pode diferir do andamento do outro, mas todas elas são fiéis ao espírito brahmsiano. Excelentes músicos. Daria um pouco mais de destaque para a versão da então jovem Anne Sophie Mutter, acompanhada pelo excelente Alexis Weissenberg. Se alguém quiser, posso postá-la aqui.

Mas darei a preferência à dupla Grumiaux/Sebok por ter sido a escolhida para integrar a série da Philips da obra integral de Câmera de Brahms.

Sugiro que, ao ouvirem estas obras, se preparem espiritualmente. Esqueçam os problemas e as preocupações, sentem em seu melhor sofá, relaxem, e aproveitem. Isso é Brahms em sua mais pura essência.

Johannes Brahms (1833-1897) – Complete Chamber Music (CD 3 de 11) Sonatas para Violino e Piano Nº 1, 2 & 3 (Grumiaux, Sebok)

Sonata No. 1 in G major, Op. 78
I. Vivace ma non troppo
II. Adagio
III. Allegro molto moderato

Sonata No. 2 in A major, Op. 100
I. Allegro amabile
II. Andante tranquillo – Vivace – Andante – Vivace di piu –
III. Allegretto grazioso. Quasi andante

Sonata No. 3 in D minor, Op.108
I. Allegro
II. Adagio
III. Un poco presto e con sentimento
IV. Presto agitato

Arthur Grumiaux – violino
Gyorgy Sebok – piano

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O violinista belga Arthur Grumiaux aguarda para ser chamado a fim de falar com PQP Bach,.

FDP

Claude Debussy (1862-1918): Prélude à l’après-midi d’un Faune / Béla Bartók (1881-1945): Música para Cordas, Percussão e Celesta / Igor Stravinsky (1882-1971): Agon (Mravinsky)

Claude Debussy (1862-1918): Prélude à l’après-midi d’un Faune / Béla Bartók (1881-1945): Música para Cordas, Percussão e Celesta / Igor Stravinsky (1882-1971): Agon (Mravinsky)

Faço aqui a minha primeira postagem e começarei inclemente. Simplesmente, derrubando a porta. O primeiro post é em homenagem ao PQP que muito aprecia Bartók e, sobretudo, Yevgeny Mravinsky. Nas duas últimas semanas, eu escutei, com certa prioridade, peças de Bela Bartók. É como é bom descobri-lo. Bartók é instigante. A princípio amedronta. Com certa gradação e paciência, por fim, conseguimos chegar àquele momento em que ele se torna necessário. Essa é a lógica para aqueles que querem se aventurar no seu mundo. Hoje à tarde ao ouvir este CD, que me falta adjetivos para caracterizá-lo, eu fui imediatamente forçado, coagido, a postá-lo. Reúne um time extraordinário — Debussy, Bartók e Stravinsky e sedimentando, conectando tudo isso, Yevgeny Mravinsky. A “Música para cordas, percussão e celesta” de Bartók é uma das coisas mais fabulosas e assustadoras que já ouvir na minha vida. Não há como não se render ao gênio de Bartók. Mravinsky conduz com a autoridade, ao meu modo de ver, de maior regente do século XX este indescritível CD. Há CDs que direcionamos uma atenção demasiada e esse é um que se encaixa nesse quesito. Não hesite em ouvir. Boa contemplação espantada!

Claude Debussy (1862-1918): Prélude à l’après-midi d’un Faune / Béla Bartók (1881-1945): Música para Cordas, Percussão e Celesta / Igor Stravinsky (1882-1971): Agon (Mravinsky)

Claude Debussy (1862-1918) – Prelude a l’ ‘Apres-midi d’un faune’
01. Prelude a l’ ‘Apres-midi d’un faun’

Béla Bartok (1881-1945) – Music for string instruments, percussion and celesta, Sz. 106
02. I. Andante tranquillo
03. II. Allegro
04. III. Adagio
05. IV. Allegro molto

Igor Stravinsky (1882-1971) – Agon, ballet for twelve dancers
06. Pas de Quatre
07. Double Pas de Quatre (8 female dancers)
08. Triple Pas de Quatre (8 female dancers and 4 male dancers)
09. Prelude
10. Saraband-step (male dance solo)
11. Gaillliarde (2 female dancers)
12. Coda (1 male and 2 female dancers)
13. Interlude
14. Bransle simple (2 male dancers)
15. Bransle Gay (1 female dancer)
16. Bransle Double (2 male and 1female dancers)
17. Interlude
18. Pas de deux (male dancer and female dancer)
19. Coda
20. Four duos (male and female dancers)
21. Four trios (male and 2 female dancers)
22. Coda (all the dancers)

Leningrad Philharmonic Orchestra
Yevgeny Mravinsky, regente

Recorded live at concerts in Great Hall of Moscow Philharmonics, February, 1965 (1-5), in Great Hall of Leningrad Philharmonics, October 30th, 1968, (6-22)

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Mravinsky com aquela maldade comunista de quem vai comer uma criança no jantar.

Carlinus

Alexander Scriabin (1872-1915): The Complete Preludes (Lane)

Alexander Scriabin (1872-1915): The Complete Preludes (Lane)

Bem, interessante esta capa, não? Dá vontade de participar em determinado papel. Os prelúdios para piano de Scriabin podem não está na categoria de suas sonatas para piano (com exceção dos 5 prelúdios Op. 74), mas quase todos são divinamente belos. Ao todo são 95 prelúdios curtíssimos que cabem em apenas dois CDs. Não pretendo falar sobre esses prelúdios que são tão queridos para mim, só peço que ouçam essas pequenas peças da mesma maneira como foram compostas, despretensiosamente. A interpretação é cristalina mas não tão empolgante de Piers Lane.

Alexander Scriabin (1872 – 1915): The Complete Preludes (Lane)

CD1:

2 Preludes for piano in B major, Op. 2
Prelude for piano in C sharp minor (for left hand alone), Op. 9/1
24 Preludes for piano, Op. 11
6 Preludes for piano, Op. 13
5 Preludes for piano, Op. 15
5 Preludes for piano, Op. 16

CD2:

7 Preludes for piano, Op. 17
4 Preludes for piano, Op. 22
2 Preludes for piano, Op. 27
4 Preludes for piano, Op. 31
4 Preludes for piano, Op. 33
3 Preludes for piano, Op. 35
4 Preludes for piano, Op. 37
4 Preludes for piano, Op. 39
3 Prelude for piano in E flat major, Op. 31
4 Preludes for piano, Op. 48
2 Prelude for piano in F major, Op. 49
2 Prelude for piano in A minor, Op. 51
1 Prelude for piano in E flat major, Op. 56/1
2 Prelude for piano, Op. 59/2
2 Preludes for piano, Op. 67
5 Preludes for piano, Op. 74

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Scriabin: cara e música de dândi.

CDF