.: interlúdio :. Ralph Towner – Open Letter

Pois é, é um paradoxo. Os críticos babam para este CD, eu acho só legalzinho, competente. E olha que eu gosto muito de Towner e do Oregon. Não sei, talvez eu estivesse mal humorado. Perguntei para minha mulher sua opinião logo que o CD chegou e ela me fez um sinal de indiferença. Bom, mas os críticos acham uma obra prima e costumo concordar quando vem uma avalanche de elogios. Deixem minha opinião sub judice, OK?

Ralph Towner – Open Letter – ECM – 1991-92

1 The Sigh
2 Wistful Thinking
3 Adrift
4 Infection
5 Alar
6 Short’n Stout
7 Waltz For Debby
8 I Fall In Love Too Easily
9 Magic Pouch
10 Magniola Island
11 Nightfall

Ralph Towner classical and 12-string guitars, synthesizer
Peter Erskine drums

Recorded July 1991 and February 1992
ECM 1462

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PQP

.: interlúdio :. John Surman – Road to Saint Ives

É incrível o sucesso das postagens envolvendo o espetacular saxofonista e compositor John Surman. Eu gosto muito e fico feliz vendo o contador de downloads lá em cima; ou seja, vocês também gostam. Este é um mais um notável trabalho individual de Surman. Ele deve ser a alegria de qualquer produtor. Fecha-se no estúdio sozinho, toca todos os instrumentos e sai de lá com um CD maravilhoso desses. É um excelente disco para um domingo quente como o de hoje. Se Surman tivesse nascido há algumas décadas, hoje seria uma lenda, mas como está vivinho por aí, poucos dão bola pra ele.

Imperdível!

John Surman – Road to Saint Ives (1990)

1 Polperro
2 Tintagel
3 Trethevy Quoit
4 Rame Head
5 Mevagissey
6 Lostwithiel
7 Perranporth
8 Bodmin Moor
9 Kelly Bray
10 Piperspool
11 Marazion
12 Bedruthan Steps

John Surman bass clarinet, soprano and baritone saxophones, keyboards, percussion

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PQP

Giuseppe Verdi (1813-1901): Requiem e Quattro Pezzi Sacri

Houve tempo que achava este requiem por demais operístico. Era uma opinião autenticamente estúpida e preconceituosa. Não sou um grande conhecedor de óperas e minha ignorância só aumenta por ser casado com uma especialista na área. Deveria convidá-la para escrever sobre o arrebatador Requiem de Verdi, mas ela considera o PQP uma invenção minha e de alguns amigos para difundir e conhecer música e ela não está acostumada a produzir textos rápidos. Quando disse-lhe que escreveria em cinco minutos uma apresentação da obra, ela me chamou, com toda a razão, de “embusteiro”. Como veem, não preciso sair de casa para receber críticas…

Tenho uma relação de amor e ódio com esta grande obra. Há muitas, mas muitas boas gravações, porém não há nenhuma que me contente inteiramente. Se nesta os sopranos são esplêndidos, o tenor é uma droga; se naquela o tenor é maravilhoso, vem um mezzo (ou contralto) esculhambar tudo. Acho que esta gravação de 1997 da Naxos tem uma qualidade que faz com que eu a considere mais do que as outras: é equilibrada. A outra característica encantadora dela é seu baixo preço. E outra é a interpretação absolutamente perfeita dos duetos, em minha opinião.

Faz anos que este pedido permanece em nosso SAC. O pessoal daquele departamento ouvia os pedidos e dava gargalhadas. Rá, rá, rá, pediram o Réquiem de Verdi novamente! Chegaram a enquadrar e pendurar na porta de entrada o primeiro pedido, como símbolo de nossa total e irrestrita desconsideração. Hoje, talvez queiram me bater pelo atendimento. Melhor me despedir logo.

ABSOLUTAMENTE IMPERDÍVEL!!!

Disc 1

Verdi: Requiem

1. I Requiem and Kyrie 00:09:12
2. II Dies irae 00:02:19
3. II Tuba mirum 00:01:52
4. II Mors stupebit 00:01:39
5. II Liber sciptus 00:05:12
6. II Quid sum miser 00:03:58
7. II Rex tremendae 00:03:49
8. II Recordare 00:04:17
9. II Ingemisco 00:03:34
10. II Confutatis 00:05:46
11. II Lacrymosa 00:05:46
12. III Offertorio: Domine Jesu 00:04:37
13. III Offertorio: Hostias et preces tibi 00:06:15
14. IV Sanctus 00:02:37
15. V Agnus Dei 00:05:22

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Disc 2

1. VI Lux aeterna 00:06:28
2. VII Libera me 00:02:16
3. VII Dies irae 00:02:29
4. VII Requiem aeternam 00:02:59
5. VII Libera me 00:05:58

Colombara, Carlo, bass
Filipova, Elena, soprano
Hernandez, Cesar, tenor
Scalchi, Gloria, mezzo-soprano

Hungarian State Opera Chorus
Hungarian State Opera Orchestra
Morandi, Pier Giorgio, Conductor

Verdi: Quattro Pezzi Sacri

6. Ave Maria 00:05:32
7. Stabat mater 00:13:01
8. Laudi alla vergine Maria 00:05:36
9. Te Deum 00:15:44

Filipova, Elena, soprano
Scalchi, Gloria, mezzo-soprano
Hernandez, Cesar, tenor
Colombara, Carlo, bass

Hungarian State Opera Chorus
Hungarian State Opera Orchestra
Morandi, Pier Giorgio, Conductor

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Total Playing Time: 02:06:18

PQP

Girolamo Frescobaldi (1583 – 1643): Toccatas

Estava saudoso destas peças que tenho somente num glorioso vinil de Gustav Leonhardt. Não é Bach e nem sei porque tais Toccatas formam um álbum duplo cujo outro CD é são Variações Goldberg que publiquei ontem… São peças muito mais antigas, é claro. No antigo disco de Leonhardt havia também algumas peças para órgão. Muito boas. Uma pena que Scott Ross não as tenha trazido, mas o que sobra dá um bom panorama de Frescobaldi, um dos maiores compositores para cravo do século XVII. São famosos os seus livros de tocatas publicados entre 1615 e 1627.

Frescobaldi: Toccatas

1 – 4 from Il Primo Libro Di Toccate
5 – 18 Partite Sopra L’Aria Della Romanesca
19-30 from Il Secondo Libro Di Toccate
31 – 38 Aria Di Balletto

Total Time: 70:53

Scott Ross, cravo

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PQP

J. S. Bach (1685-1750): Variações Goldberg, BWV 988

Nada demais o Sr. Scott Ross. Um bom registro, mas que não chega a tocar nem de leve o de Pierre Hantaï. Ignoro quando foi gravado. Chutaria que a concepção da engenharia sonora — um tanto abrutalhada para captar o cravo — é dos anos 70 ou 80. Impossível ser mais recente.

É?

Fiquem com Hantaï.

Bach: Variações Goldberg, BWV 988

1. Aria
2. Variation 1
3. Variation 2
4. Variation 3
5. Variation 4
6. Variation 5
7. Variation 6
8. Variation 7
9. Variation 8
10. Variation 9
11. Variation 10
12. Variation 11
13. Variation 12
14. Variation 13
15. Variation 14
16. Variation 15
17. Variation 16
18. Variation 17
19. Variation 18
20. Variation 19
21. Variation 20
22. Variation 21
23. Variation 22
24. Variation 23
25. Variation 24
26. Variation 25
27. Variation 26
28. Variation 27
29. Variation 28
30. Variation 29
31. Variation 30
32. Aria da capo

Total Time: 75min44

Scott Ross, cravo

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PQP

Johann Friedrich Fasch (1688 – 1758): Abertura e Concertos

Mais um grande disco deste obscuro Johann Friedrich Fasch. Não sei o que o barroco alemão ainda guarda escondido. Já publiquei Heinichen? Sim? Mas um só? Céus! Quando publicamos Fasch pela primeira vez no PQP, soubemos que um de nossos leitores-ouvintes… Bem, deixemos que ele fale por si:

Fasch é extraordinário. Eu uso o Andante de seu Concerto em Ré bemol na abertura de meu documentário “Dresden, glória, morte e ressurreição”, cujo protagonista, na verdade, é o Crucifixus da Missa em Si menor.

Belo CD da cpo com destaque para os extraordinários solistas e para o material que o acompanha, cheio de informações acerca das obras e do compositor que, pasmem, nunca foi publicado em vida. Destaque também para as fotos da lata de Sergio Azzolini, a mais perfeita tradução do NERD BICHO-GRILO. Sim, ele existe. Tá esperando o que pra baixar?

IMPERDÍVEL!

Johann Friedrich Fasch: Concertos

Overture (Suite) for orchestra in G major
1. Ouverture
2. Air 1
3. Gavotte
4. Air 2
5. Bourrée
6. Menuet alternativement

Bassoon Concerto in C major
7. Allegro
8. Largo e staccato
9. Allegro

Concerto for 2 oboes, bassoon, strings & continuo in C minor
10. Allegro
11. Largo e sforzato
12. Allegro

Violin Concerto in A Major
13. [without indication]
14. Adagio
15. Alegro

# Concerto in D minor
16. [without indication]
17. Largo
18. Allegro

19. Concerto in E flat major (attrib.): Allegro

Sergio Azzolini, fagote
Veronika Skuplik, violino
La Stravaganza Köln

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PQP

J. S. Bach (1685-1750): Várias obras para teclado com… ahhhh

Sabem de uma coisa? A gente tem exigências sobrehumanas para com os músicos que gravam. Primeiro, porque estamos viciados na edição. Segundo, porque em nossa casa a gente pode ter o melhor. É justo. Porém, se eu ouvisse esta interpretação de Hélène Grimaud ao vivo, sairia muito feliz do concerto, mesmo que ela tenha concepções estranhas acerca de papai. Mas aí a gente põe a bunda na cadeira de nossa casa, liga o som e espera que venha um Pollini ou uma Argerich ou, no caso de Bach ao piano, um Gould ou um Schiff. A gente tem pouco tempo e não quer saber de nada de segunda linha. E aí, ouvindo este CD, cadê a pianista? Eu nada tenho contra mulheres bonitas — MUITO PELO CONTRÁRIO –, aliás, nada tenho contra mulheres em geral, mas o fato da Deutsche Grammophon apostar apenas na beleza é um escândalo inaceitável que tem se repetido. Há um verdadeiro harém na gravadora. Há meninos bonitos também: alguns agradam às mulheres, outros são tão jovens que devem estar mais ao gosto clerical.

Grimaud é ótima pianista, mas não era para ser uma estrela da DG. Este disco é agradável, apesar de Hélène acentuar as vozes sem lei de formação e sem nos dar aquela gloriosa sensação de descoberta que nos dão os enormes pianistas. O cara bisonho que escreve na Dicta & Contradicta sobre música deve gostar, mas para o PQP não serve. Mas eu comia. A pianista, bem entendido, não o crítico.

Não sou amante das transcrições, mas gostei da Chaconne. Ignoro a autoria. A transcrição de Liszt para o BWV 543 é, como sempre, meio descabelada e me diverti com ela por esta razão. Na verdade, dei risadas, mas ouvi muitas vezes, deliciado com a loucura.

Bach: Obras para teclado com… ahhhh

Das Wohltemperierte Klavier: Book 1, BWV 846-869
1. Prelude in C minor BWV 847
2. Fugue in C minor BWV 847

3. Prelude in C sharp minor BWV 849
4. Fugue in C sharp minor BWV 849

Concerto for Harpsichord, Strings, and Continuo No.1 in D minor, BWV 1052
5. I. Allegro
6. II. Adagio
7. III. Allegro

Das Wohltemperierte Klavier: Book 2, BWV 870-893
8. Prelude in D minor BWV 875
9. Fugue in D minor BWV 875

Partita for Violin Solo No.2 in D minor, BWV 1004 – Atualização posterior: Transcrição de FERRUCCIO BUSONI (1866–1924)
10. Chaconne in D minor

Das Wohltemperierte Klavier: Book 2, BWV 870-893
11. Prelude in A minor BWV 889
12. Fugue in A minor BWV 889

Prelude and Fugue in A minor, BWV 543
13. Prelude and Fugue (transcribed for piano by Franz Liszt)

Das Wohltemperierte Klavier: Book 2, BWV 870-893
14. Prelude in E major BWV 878
15. Fugue in E major BWV 878

Partita for Violin Solo No.3 in E, BWV 1006 (arr. for piano by Rachmaninov)
16. I. Preludio

Hélène Grimaud, piano

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PQP

Felix Mendelssohn Bartholdy (1809-1847) – Viola Sonata

Gostaria de contribuir nesta homenagem também. Mendelssohn é um dos meus compositores preferidos e sua fase de meninice é um deleite. As dozes sinfonias para cordas, escritas quando Mendelssohn ainda fazia xixi na cama, deixariam o menino Mozart envergonhado. Não ficam para trás os dois concertos para dois pianos, o concerto para piano e violino, os quartetos de cordas, o primoroso octeto para cordas (já comentado por aqui). Que adolescência produtiva e promissora! Infelizmente o mestre não teve o mesmo pique e entusiasmo quando chegou à fase adulta. Mas mesmo assim, nos deixou pérolas inesquecíveis também nessa fase (quartetos, trios para piano, oratórios Elias e Paulus, sinfonias, concertos,…).

Trago aqui uma pequena jóia escrita por um garoto de 15 anos de idade: a quase desconhecida sonata para viola e piano (1824).

CDF

Faixas:

01 – Adagio-allegro
02 – Menuetto (allegro molto)
03 – Andante con variazioni

Ulrich Koch (Viola)
Roland Keller (piano)

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Felix Mendelssohn Bartholdy (1809-1847) – Concertos para Piano

Essa postagem vai sair meio que a toque de caixa, e agradeço ao VIllalobiano a lembrança do aniversário de nascimento de Mendelssohn. E trago os Concertos para Piano na interpretação correta de Jean-Yves Thibaudet. Ando tão sem tempo que resolvi copiar o comentário do site da amazon a respeito desta gravação:

Many of Jean-Yves Thibaudet’s recent recordings – not only his pale Rachmaninov, but even his dimly characterized Debussy – have represented him as a technically fluent but interpretatively self-effacing pianist, one who prefers to skate across the music than take a position on what lies beneath the surface. One might have expected the polished veneer of Mendelssohn to encourage more of this faceless graciousness; but in the event, these turn out to be impressively firm, even tough-minded, performances. Not that they’re brutal, as Katsaris’s unyielding readings of the concertos are: whether in the fluid transition into the second theme of the first movement of the First Concerto, the supple shading of the cantilena in the following Andante or the artful weighting of the cadences in the Variations, Thibaudet offers urgency without sacrificing poise. Nor, for all his attention to the music’s larger design, does he disdain the concertos’ glitter, as Kalichstein does in his daringly dark and probing readings. Still, it’s fair to say that Thibaudet’s performances are more desperate than dapper, more thrilling than tender, more spiky than succulent. Note, for instance, how his slightly craggy articulation in the Second Concerto’s Adagio keeps the music’s sentiment at bay, or how his jabs at the left-hand octave interruptions (for example, at 1’15”) inject a sense of threat to the normally placid Andante that introduces the Rondo capriccioso. Those who dip into Mendelssohn for his charm may find it all too stern – but those open to Thibaudet’s tart perspective may well rank this among the most persuasive recordings that he has given us. Blomstedt and his orchestra are at one with the pianist and the engineers have captured them with power and immediacy. Jeremy Siepmann’s notes only add to the pleasures of the disc. Warmly recommended. Peter J. Rabinowitz

No final de semana postarei outras obras deste compositor.

Felix Mendelssohn Bartholdy (1809-1847) – Concertos para Piano

1. Piano Concerto No.1 in G minor, Op.25 – 1. Molto allegro con fuoco
2. Piano Concerto No.1 in G minor, Op.25 – 2. Andante
3. Piano Concerto No.1 in G minor, Op.25 – 3. Presto
4. Variations sérieuses, Op.54
5. Rondo capriccioso, Op.14
6. Piano Concerto No.2 in D minor, Op.40 – 1. Allegro appassionato
7. Piano Concerto No.2 in D minor, Op.40 – 2. Adagio. Molto sostenuto
8. Piano Concerto No.2 in D minor, Op.40 – 3. Finale. Presto scherzando

Jean-Yves Thibaudet – Piano
Leipzig Gewandhaus Orchestra
Herbert Bloomstedt

Baixe Aqui – Donwload Here

FDP Bach

Jakob Ludwig Felix MENDELSSOHN Bartholdy (1809 – 1847) – 200 anos – Sinfonia Italiana, Concerto para Violino, Op. 64, Marcha Nupcial

Pois eu tenho trabalhado muito e nem me dei conta. Ainda bem que o Villalobiano nos alertou. Hoje é o dia dos 200 anos de nascimento de Felix Mendelssohn. Eu não tinha nada preparado para postar, mas encontrei esta antiga e simpática gravação em meu micro e ela vai ter que nos salvar do fiasco de deixar passar em branco os 200 anos do grande Mendelssohn. Pena que eu não tenha uma outra gravação da já postada e por mim amada Sinfonia “A Reforma”.

Um brinde ao grande Mendelssohn!

(Cadê o FDP, hein? Este post era para ele!)

Felix Mendelssohn – 200 anos

Sinfonia nº 4 em lá maior, Op. 90, “Italiana”

01 Allegro Vivace
02 Andante con moto
03 Con moto moderato
04 Saltarello (Presto)

London Symphony Orchestra
Alfred Scholz

Concerto para Violino e Orquestra, Op. 64

05 Allegro molto appassionato
06 Andante
07 Allegretto non troppo – Allegro molto vivace

Jela Spitkova
New Philharmonic Orchestra
Milan Pohronec

08 A Midsummer Night’s Dream – Marcha Nupcial

London Symphony Orchestra
Alfred Scholz

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PQP

W. A. Mozart (1756-1791): Requiem and Church Sonatas

É claro que tenho em altíssima conta o Réquiem de Mozart. O que não entendo é o motivo que me leva a ter poucas gravações dele. Sempre foi assim. Fiquei feliz ao encontrar esta versão de Malgoire para o grande Réquiem. As outras gravações que possuo de Malgoire e de La Grande Ecurie et la Chambre du Roy — obras de Handel, Lully e Rameau — são entusiasmantes. E meu entusiasmo repetiu-se ao ouvir sua versão para a obra final de Mozart. Não tenho uma lista de melhores registros para o Réquiem, mas timidamente gostaria de inscrever CD como forte candidato a campeão. É antigo e foi reeditado muitas vezes com capas diferentes, uma mais feia que a outra — à exceção talvez da última… –, e o fato de ter tantas reedições (3 ou 4) já depõe a favor de sua qualidade.

Malgoire é um cara meio escandaloso: sua versão para a Música Aquática e Música para Fogos de Artifício incluem grande orquestra, segundo ele a orquestra prevista por Handel. São músicas festivas e o regente faz delas efetivamente uma festa. Porém, aqui, está contido como deve e, apesar de ter ouvido sempre minha pré-antiga gravação de Karl Böhm, sua abordagem me pareceu muito “compreensiva” para com a obra.

Imperdível.

Mozart: Requiem K. 626

1. I. Introitus: Requiem
2. II. Kyrie
3. III. Sequenz: No. 1 Dies irae
4. III. Sequenz: No. 2 Tuba mirum
5. Sequenz: No. 3 Rex tremendae
6. Sequenz: No. 4 Recordare
7. Sequenz: No. 5 Confutatis
8. Sequenz: No. 6 Lacrimosa
9. IV. Offertorium: No. 1 Domine Jesu
10. IV. Offertorium: No. 2 Hostias
11. V. Sanctus
12. VI. Benedictus
13. VII. Agnus Die
14. VIII. Communio: Lux Aeterna

Mozart: Church Sonatas

15. Church Sonata K. 278
16. Church Sonata K. 336
17. Church Sonata K. 329

Colette Alliot-Lugaz
Dominique Visse
Martyn Hill
Gregory Reinhart

Odille Bailleux, órgão

Nord Pas De Calais Regional Choir
La Grande Ecurie et la Chambre du Roy
dir. Jean-Claude Malgoire

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Cecilia Bartoli – Arie Antiche (Peças Italianas do Século XVIII)

Os CDs de cantores não são um gênero muito apreciado neste blog, só que este é o terceiro ou quarto que publicamos de Cecilia Bartoli, a maravilhosa romana nascida em 1966 e que antes dos 20 anos já era uma celebridade cacarejante. Adoro Bartoli! Mais: adoro seu repertório sempre raro e surpreendente. Arie Antiche é uma gravação de 1992, quando Cecilia tinha 26 anos, e concordo com este post que transcrevo aqui:

Nascida em Roma, Cecilia Bartoli estudou canto no Conservatório de Santa Cecília, na capital italiana, enquanto, ao mesmo tempo, era ensinada e acompanhada pelos seus pais, Silvana Bazzoni e Angelo Bartoli, ambos cantores profissionais.

Particularmente famosa por sua voz de mezzo-soprano coloratura e suas interpretações de Rossini e Mozart, destaques da sua espetacular carreira incluem o papel de Rosina (Il Barbiere di Siviglia), o papel título de La Cenerentola, Zerlina (Don Giovanni), Despina e Dorabella (Così fan tutte), Cherubino (Le nozze di Figaro) e L’anima del filosofo, de Haydn.

Nesta trilha, entretanto, ela canta uma ária de seu disco de 1990, Arie Antiche, onde interpreta, como o nome diz, árias antigas dos séculos XVII e XVIII. Caro mio ben, de Giuseppe Giordani (1751-1798) é uma ária que encanta pela delicadeza de interpretação, mostrando que Cecilia Bartoli não sabe fazer só coloratura.

Sim, eu sou seu fã desvairado.

É, eu também.

Cecilia Bartoli – Arie Antiche: Se tu m’ami – Peças italianas do Século XVIII

1 L’honestà negli amori, opera Già il sole dal Gange
Composed by Alessandro Scarlatti

2 La donna ancora è fedele, opera (with intermezzo “Filandra e Selvino”) Son tutto duolo
Composed by Alessandro Scarlatti

3 La donna ancora è fedele, opera (with intermezzo “Filandra e Selvino”) Se Florindo è fedele
Composed by Alessandro Scarlatti

4 Il Pompeo, opera O cessate di piagarmi
Composed by Alessandro Scarlatti

5 Work(s) Aria: Spesso vibra per suo gioco
Composed by Alessandro Scarlatti

6 Caro Mio Ben for voice & piano (or orchestra)
Composed by Giuseppe Giordani

7 Arminio, opera Pur dicesti, o bocca bella
Composed by Antonio Lotti

8 Intorno all’idol mio (soprano aria from opera “Orontea”)
Composed by Antonio Cesti

9 La Molinara, opera Nel cor più non mi sento
Composed by Giovanni Paisiello

10 Nina, o sia La pazza per amore, opera Il mio ben quando ve
Composed by Giovanni Paisiello

11 O Leggiadri Occhi Belli
Composed by Anonymous

12 Il mio bel foco (Quella Fiamma che m’accende), for cantata for soprano, 2 violins, 2 oboes & continuo, SF. 142 (spurious)
Composed by Benedetto Marcello

13 Selve amiche
Composed by Antonio Caldara

14 La Costanza in amor, opera Sebben, crudele
Composed by Antonio Caldara

15 Tu ch’ hai le penne, amore, for voice & continuo
Composed by Giulio Caccini

16 Se tu m’ ami
Composed by Alessandro Parisotti

17 Zingari in Fiera, opera Act 1, Chi vuol la zingarella
Composed by Giovanni Paisiello

18 Le Nouve Musiche, 1602 for voice & continuo
Composed by Giulio Caccini

19 Delizie Contente
Composed by Pietro Francesco Cavalli

20 Ottone in Villa, opera in 3 acts, RV 729 Sposa son disprezzata, aria
Composed by Antonio Vivaldi

21 Vittoria, mio core (Amante sciolto d’amore), cantata for soprano & continuo
Composed by Giacomo Carissimi

Cecilia Bartoli, soprano ou mezzo-soprano de coloratura
György Fischer, piano

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PQP

Christoph Willibald Gluck (1714 – 1787): Le Cinesi

Este é um Gluck bastante raro. As três cantoras, entre elas Anne Sofie von Otter, fazem papel de chinesas. O irmão de Lisinga volta da Europa e as meninas tratam de diverti-lo com árias de estilos contrastantes. Pouco sei sobre a obra, mas ela me agradou muito. É leve, tranquila e engraçada, porém como toda ópera, não prescinde da visualização. Gostaria de ver Anne Sofie como chinesa num DVD… É menos ópera e mais a “Ação Teatral” que algumas versões anunciam. Bom divertimento para uma noite que se anuncia como chuvosa. (Explico: Porto Alegre precisa urgentemente de chuva).

Gluck: Le Cinesi, action théâtrale en un acte

1 Sinfonia pour orchestre
2 E ben: stupide e mute… Recitativo (Lisinga-Sivene-Tangia-Silango)
3 Prenditi il figlio!… Aria (Lisinga)
4 Ah, non finir sì presto… Recitativo (Silango-Lisinga-Tangia-Sivene)
5 Son lungi e non mi brami… Aria (Silango)
6 Che vi par della scena?… Recitativo (Tangia-Silango-Lisinga-Sivene)
7 Non sperar, non lusingarti… Aria (Sivene)
8 Che amabilil pastoralla!… Recitativo (Silango-Lisinga-Sivene-Tangia)
9 Ad un riso, ad un’occhiata… Aria (Tangia)
10 Che ti sembra, Silango… Recitativo (Tangia-Silango-Lisinga-Sivene)
11 Voli il piede in lieti giri… Quartetto (Lisinga-Sivene-Silango-Tangia)libretto by Pietro Metastasio

first performed for the Royal family at
the Vienna Schlosshof on September 24, 1754

Isabelle Pouleard (Sibene)
Anne Sofie von Otter (Lisinga)
Gloria Banditelli (Tangia)
Guy De Mey (Silango)

Schola Cantorum Basiliensis
dir. René Jacobs

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Johannes Brahms (1833-1896) – Piano Concerto nº2 – Kovacevich – Davis

Existem certas obras que ficam em nossas cabeças, e nunca saem. Elas se estabelecem como verdadeiros cânones, e obviamente, servem de parâmetro para outras. Sem querer entrar no mérito da escolha pessoal, afinal já se diz tudo quando se fala em escolha pessoal. Uma das obras que fazem parte deste meu cânone pessoal é o Concerto para Piano nº 2, de Brahms. O considero um dos pilares da música ocidental, ao lado das obras de meu pai espiritual, Johann Sebastian. Não temo em colocá-lo ao lado dos Concertos de Brandemburgo, ou até mesmo das Variações Goldberg.

Abaixo reproduzo o belo texto produzido por Malcolm McDonald sobre este concerto:

“(…) o caráter da obra é muito mais como uma espécie de “Überkammermusik”, uma intimidade de discurso da música de câmera composta livremente dentro do veículo orquestral. O Concerto parece estender o campo das obras de Brahms para corda e piano, especialmente os quartetos com piano: há paralelos claros entre o movimento lento e o do op. 60, e alguns, prováveis, entre o scherzo e finale e aqueles do op. 26. Acima de tudo, o papel do solista é fluido, não fixado a uma simples postura retórica: ele ou ela deve, na verdade, imperar com o máximo poder em certas articulações, mas outros momentos pedem extrema delicadeza e limpidez de toque, a reticência e a discrição do acompanhador ideal. O finale exige um indecoroso – mas jamais deselegante – senso de diversão. E o próprio início da obra requer a habilidade de ser um parceiro de precisa equivalência na criação de uma das mais românticas de todas as aberturas de concerto, em que a tranquilidade da montanha e da floresta ressoa até as notas da trompa de Oberon.

Esta ventilação preliminar do primeiro tema origina uma ardente cadência do piano na veia mais vigorosa e muscular de Brahms, em si apenas preparação de um tutti orquestral abrasador e audacioso. A estratégia lembra o Concerto em mi bemol de Beethoven (em que provavelmente se inspirou), que, na verdade, é o progenitor da obra de Brahms, mas o efeito, aqui, é completamente diferente. O movimento excepcionalmente amplo de Brahms é com toda certeza um projeto de sonata, mas sua prodigiosa quantidade de material temático, na maior parte de admirável beleza, parece crescer, organicamente, de maneira radical, ramificando-se em vasta rede tonal de idéias interligadas. O piano realmente não apenas repete ou comenta os temas do tutti, mas se empenha num diálogo de enorme extensão, pela contínua variação deles. Como na similarmente “descansada” Segunda SInfonia, a escuridão e a paixão têm seu lugar, a primeira representada por repentinos lampejos de distantes áreas tonais, (…) e a última pelos mais coléricos e poderosos dos eloquentes momentos do piano.

O scherzo em si menor que se segue é onde o concerto chega mais perto da expressão trágica, sendo uma forma sonata extremamente concisa, em contraste com a do movimento de abertura, mais expansiva. Seu primeiro motivo, principalmente no piano e nas cordas graves) é nervoso e duramente impulsionado, de estreita relação com o espectral scherzo da primeira serenata em ré maior, mas embebido agora, de um fervor impetuoso. O segundo (alto nas cordas, piano acompanhando) uma pequena e obsessiva melodia repleta de patos resignado. Estes contrastes são fixados mais firmemente por uma repetição da capo da exposição, sendo depois decompostos num irado desenvolvimento. Este se mostra à altura de um novo arremesso de tensão, com a “pequena melodia” do segundo se demonstrando tão cheia de espírito de luta quanto a primeira. A salvação está perto, na forma de um repicante e handeliano tema em ré menor que irrompe no auge da tempestade e transforma a atmosfera em outra de robusta e vigorosa hilaridade, se expandindo para criar um trio central e muito inortodoxo para o movimento. A lógica da sonata exige, no entanto, que a trabalhada música do scherzo retorne: ela o faz em uma recapitulação que continua essencialmente os processos de desenvolvimento, sendo muito da contribuição original do piano cedido à orquestra, enquanto o solista reforça a tessitura com oitavas ressoantes. Premente e volátil até o fim, mas justamente habilitado pelo trio, a evitar a tragédia verdadeira, o movimento se precipita para um término de emocionante concisão.

Brahms nunca compôs um concerto para violoncelo, embora dissesse duas vezes que o exemplo de um outro compositor (primeiro o de Volkmann, depois o de Dvorák) lhe havia mostrado como podia ser feito. O andante do op. 83 começa com um solo de violoncelo confortador e cantante que mostra como ele não precisava de instruções e nos faz lamentar que de fato não tenha efetuado a experiência. (…) O piano nunca toma esta melodia. Em vez disso, ele a rodeia e medita sobre seu fundo de cena harmônico, em figuração filigranada e de máxima plasticidade, cuidadosamente planejada para dar a impressão de improviso improspectivo, enquanto leva de fato o desenvolvimento dos motivos até o ponto de dissolução. Piano e orquestra se empenham num diálogo mais agitado, mostrando que as tensões do scherzo não se dissiparam completamente. Então o piano apresenta num episódio de extraordinária ternura em fá sustenido maior e o solo de violoncelo volta com seu tema naquela tonalidade, antes de descer delicadamente para o si bemol tônico, a fim de anunciar a repetição da forma ternária, rematando o movimento na mesma atmosfera de calma analéptica com que o começou.

O finale em allegretto grazioso é uma mistura complexa de rondó e sonata que usa sua complexidade com jocosa despreocupação. Brahms jamais compôs um movimento que fosse de recreação mais genuína, nem mais felino no estado de espírito. As proporções permanecem régias, mas o leão agora se move com uma leveza de gatinho e uma graça precisa, inconsciente, de gato. O piano espalha temas cadenciados e instantaneamente memorizáveis, com uma profusão que parece inocente diante dos nossos ouvidos: mas a grande arte se acha em toda parte, na extraordinária quantidade de sutis contrastes rítmicos, no langor “cigano” da principal melodia do primeiro episódio (ou segundo motivo), que reproduz o registro e a tonalidade da oitava Dança Húngara, no espírito e no objetivo positivamente mozartianos dos epigramas atirados entre o piano e os solistas orquestrais favorecidos, na descansada mestria da orquestra, que permite a Brahms compor tuttis excelentes e audaciosos sem uma vez requerer trompetes ou tambores. A coda em poco piú presto é uma mescla inacreditável e inteiramente convincente de volubilidade e grandeza, apondo o selo final na realização de um concerto incomparável em projeto, inteligência e sensibilidade. “Civilização” pode ser um conceito ambivalente. Em seu melhor sentido ele designa algo como o Concerto para Piano em si bemol de Brahms.”  (MCDONALD, 248-251)

A interpretação é a mesma que procurei incansavelmente nos últimos vinte anos, até o dia em que uma bela alma a postou no avaxhome: Stephen Kovacevich ao piano e Colin Davis regendo a London Symphony. Repito as palavras de pqpbach, tem de se ouvir de joelhos, e agradecer aos céus pela possibilidade de apreciá-la. Trata-se de cd fora de catálogo, nem consta no site da amazon.

Johannes Brahms – Piano Concerto nº 2, in B Flat, op. 83

1 – Allegro non troppo
2 – Allegro apassionato
3 – Andante piú adagio
4 – Allegretto grazioso – un poco piú presto

Stephen Bishop Kovacevich – Piano
London Symphony Orchestra
Colin Davis – Conductor

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FDP Bach

.: interlúdio :. Miles Davis: Someday my Prince will come (1961)

Jazz waltzes were still fairly rare back in 1961, and Paul Chambers’ pedal point intro keeps the meter a mystery during the opening seconds. Cobb is part of the conspiracy, and refuses to signal the downbeat, while Wynton Kelly floats over their throbbing pulse. These opening feints — forty seconds of sweetness and light — are worth the price of admission alone . . . but then Miles enters and shows how he can put his stamp on a song just by playing the melody. His solo is a minimalist canvas, perfectly matched by Kelly’s crisp comping. The swing gets stronger with Mobley’s tenor and during Kelly’s solo, but when Coltrane enters with his “sheets of sound” the temperature in the studio rises at least ten degrees. The handsome prince has arrived on a Harley, ready to burn rubber. But Chambers rushes back like a protective dueña, instilling decorum with his pedal point, and this magical performance makes a complete circle back to its starting point. What a ride! (jazz.com)

Este é um disco que, talvez injustamente, ficou marcado pela faixa-título – onde, como se não bastasse o arranjo brilhante, ainda se ouve dois solos grandiosos de Coltrane. Someday My Prince Will Come é também um período de trasição para Miles: gravado em três sessões, entre 7 e 21 de março de 1961, marcava a saída de Kind of Blue para um período de diversidade de estilos, até fixar-se nas bandas do fusion ao final daquela década. Se, por um lado, foi brilhante revendo uma valsa, as composições de Miles são, na verdade, o melhor neste álbum. Há cool jazz uptempo em “Pfrancing”, há (um adequadíssimo) blues em “Drad Dog”, e outra show de Trane em “Teo”, homenagem ao produtor e amigo. Exige do ouvinte, apenas, paciência com Hank Mobley; essas faixas seriam as últimas que Coltrane gravaria com Davis, e o “peso-médio” Mobley (nas palavras do All About Jazz), se não compromete, é prejudicado pelo desnível imediato que a assinatura sonora de Coltrane traz quando entra em campo.

Não se pode culpar Mobley, claro.

Quanto à moça da capa, uma curiosidade pessoal antiga, não encontrei nenhuma informação – a não ser que Miles condicionou o lançamento do álbum à obrigatoriedade de sua foto na fronte. Fico imaginando Miles atrás do fotógrafo, talvez um meio sorriso, amarrando com um pouco de autobiografia outro de seus grandes trabalhos.

Miles Davis – Someday My Prince Will Come (320)
01 Someday My Prince Will Come (Churchill, Morey) 9’04
02 Old Folks (Robison, Hill) 5’14
03 Pfrancing (Davis) 8’31
04 Drad Dog (Davis) 4’29
05 Teo (Davis) 9’34
06 I Thought About You (Van Heusen, Mercer) 4’53
07 Blues No. 2 (Davis) 7’08
08 Someday My Prince Will Come [alt take] 5’34

Miles Davis: trumpete
Hank Mobley: sax tenor (exceto faixa 5)
John Coltrane: sax tenor (faixas 1 e 5)
Wynton Kelly: piano
Paul Chambers: baixo
Jimmy Cobb: bateria (exceto faixa 7)
Philly Joe Jones: bateria (faixa 7)
Gravado em março de 1961 – New York City, USA
Produzido por Teo Macero para a Columbia

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (mp3 320 kbps)

Boa audição!
Blue Dog

J.S. Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo com Pablo Casals

Meu amigo CVL me enviou esta gravação para que eu a postasse e comentasse. Não que eu vá fazer um grande comentário, mas, enfim, ele quis me dar esta honra! São os registros históricos que Pablo Casals (1876-1973) (em catalão Pau Casals) realizou com a Marlboro Festival Orchestra dos Concertos de Brandenburgo no ano de 1964.

Pablo Casals foi uma figura importantíssima do século passado. Violoncelista catalão e republicano, tornou-se o maior adversário de Franco fora da Espanha, recusando-se a voltar ao país antes do fim da ditadura franquista. Faleceu alguns anos antes do ditador. Era tanto uma figura pública — uma espécie de reserva moral viva, ilibada e talentosa da humanidade — quanto grande músico. Foi também o primeiro divulgador das Suítes para Violoncelo de Bach, num tempo em que estas eram consideradas apenas “obras de estudo”. Revelou-as ao mundo em gravações feitas entre os anos de 1936 e 1939. Meu pai as tinha em discos de 78 rotações, mas elas sumiram após sua morte. Lembro de ouvi-las no início dos anos 70, acompanhado de meu pai, que era a única pessoa na casa que conseguia fazer funcionar a geringonça do toca-discos. O som do cello, bastante amplificado, rivalizava com os chiados. Casals errava aqui e ali, o que tornava aquele registro quase ao vivo, interpretado em seu violoncelo veneziano de 1700 (algo fantástico na época), ainda mais emocionante (eu simplesmente amo gravações ao vivo, sem muita edição, sujas, e aquela era obviamente assim). No final de sua longa carreira, Casals passou a reger e é nesta condição que ele aparece aqui.

Apesar da orquestra inchada e do timbre inteiramente fora de moda nos dias de hoje, é um excelente registro. Casals não se dobra ao estilo romantizado de muitos de seus contemporâneos e faz uma abordagem decidida e estimulante. O som é muito bom e esta foi a versão crucial que ouvi lá pelos meus nove anos: estava dormindo em meu quarto quando alguém ligou bem alto a “eletrola” e a orquestra atacou o terceiro concerto. Aquilo me deixou de tal forma arrepiado, a emoção foi tão intensa que, de certa forma, ainda está presente em mim. Com um pouco de vontade de chorar, levantei rapidamente para descobrir que disco era “aquilo”.

Inteiramente sem querer, CVL me causou esta surpresa. Fui conferir no disco pesadão — mas já no formato LP — e era verdade. É a gravação de minha infância.

Bach (1685-1750): Concertos de Brandenburgo

1. Brandenburg Concerto No.1 In F Major,BWV 1046: 1. (Allegro)
2. Brandenburg Concerto No.1 In F Major,BWV 1046: II. Adagio – III. Allegro
3. Brandenburg Concerto No.1 In F Major,BWV 1046: IV. Menutto -Trio I – Polacca – Trio II

4. Brandenburg Concerto No.2 In F Major, BWV 1047: I. (Allegro)
5. Brandenburg Concerto No.2 In F Major, BWV 1047: II. Andante
6. Brandenburg Concerto No.2 In F Major, BWV 1047: III. Allegro assai

7. Brandenburg Concerto No.3 In G Major, BWV 1048: I. (Allegro)
8. Brandenburg Concerto No.3 In G Major, BWV 1048: 1a. Adagio
9. Brandenburg Concerto No.3 In G Major, BWV 1048: II. Allegro

10. Concerto No. 4, BWV 1049/I. Allegro (Instrumental) Alexander Schneider;Marlboro Festival Orchestra;Pablo Casals 6:57
11. Concerto No. 4, BWV 1049/II. Andante (Instrumental) Alexander Schneider;Marlboro Festival Orchestra;Pablo Casals 3:21
12. Concerto No. 4, BWV 1049/III. Presto (Instrumental) Alexander Schneider;Marlboro Festival Orchestra;Pablo Casals 4:33

13. Brandenburg Concerto No. 5 in D Major, BWV 1050/I. Allegro Rudolf Serkin 10:56
14. Brandenburg Concerto No. 5 in D Major, BWV 1050/II. Affettuoso Rudolf Serkin 5:38
15. Brandenburg Concerto No. 5 in D Major, BWV 1050/III. Allegro Rudolf Serkin 5:31

16. Concerto No. 6, BWV 1051/I. Allegro Pablo Casals;Peter Serkin 6:29
17. Concerto No. 6, BWV 1051/II. Adagio ma non tanto Pablo Casals;Peter Serkin 5:03
18. Concerto No. 6, BWV 1051/III. Allegro Pablo Casals;Peter Serkin 3:02

Donald MacCourt ,
Joyce Kelley,
Ornulf Gulbransen,
A. Robert Johnson,
Myron Bloom,
John Mack,
Joseph Turner,
Peter Christ,
Ronald Richards
Robert Nagel
Alexander Schneider [violin]
Barbara Wilson,
Julius Levine,
Joyce Kelley,
Bonnie Hampton
David Soyer
Hermann Busch
Ko Iwasaki
Madeline Foley
Mischa Schneider
Peter Schenkman
Robert Sylvester
Nancy Dalley
Ornulf Gulbransen
Peter Serkin
John Mack
Joseph Turner
Patricia Grignet
Rudolf Serkin

Pablo Casals (Conductor)
Marlboro Festival Orchestra (Orchestra)

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PQP

Johannes Brahms (1833-1896) – 3 Sonaten, Scherzo, 4 Balladen – Krystian Zimerman

Senhores, devido a compromissos profissionais, durante aproximadamente uns três meses minha contribuição para com o blog diminuirá consideravelmente. Alguns projetos terão de ser adiados, algumas idéias malucas serão deixadas de lado, e até mesmo o simples ato de responder a algum comentário será em alguns momentos impossível de realizar. Portanto, deixo avisado antecipadamente, para que não seja interpretado como falta de educação.

Brahms sempre foi um de meus compositores favoritos, e sua obra para piano estava desprezada aqui no blog, com exceção de seus concertos. Resolvi, portanto, trazer sua obra pianística deste gênio com Kristian Zimerman, um dos melhores de sua geração. Trata-se de um cd duplo, infelizmente fora de catálogo, mas que traz um solista no apogeu de sua forma, tratando Brahms como deve ser tratado: respeito e dedicação. Espero que apreciem, trata-se de um de meus cds favoritos.

Johannes Brahms (1833-1896) – 3 Sonaten, Scherzo, 4 Balladen – Krystian Zimerman

CD 1

01 – Sonata No. 1 en do mayor Op. 1 – 1. Allegro
02 – Sonata No. 1 en do mayor Op. 1 – 2. Andante – attacca-
03 – Sonata No. 1 en do mayor Op. 1 – 3. Scherzo. Allegro molto e con fuoco
04 – Sonata No. 1 en do mayor Op. 1 – 4. Finale. Allegro con fuoco
05 – Sonata No. 2 en fa sost. menor Op. 2 – 1. Allegro non troppo, ma energico
06 – Sonata No. 2 en fa sost. menor Op. 2 – 2. Andante con espressione – attacca-
07 – Sonata No. 2 en fa sost. menor Op. 2 – 3. Scherzo. Allegro
08 – Sonata No. 2 en fa sost. menor Op. 2 – 4. Finale. Introduzione. Sostenuto – Allegro non trop
09 – Scherzo para piano en mi bemol menor, Op. 4

CD 2

01 – Sonata No. 3 para piano en fa menor, Op. 5 – 1. Allegro maestoso
02 – Sonata No. 3 para piano en fa menor, Op. 5 – 2. Andante. Andante espressivo – Poco piu lento
03 – Sonata No. 3 para piano en fa menor, Op. 5 – 3. Scherzo. Allegro energico
04 – Sonata No. 3 para piano en fa menor, Op. 5 – 4. Intermezzo. Andante molto
05 – Sonata No. 3 para piano en fa menor, Op. 5 – 5. Finale. Allegro moderato ma rubato – Piu mos
06 – Balladas Op 10 – 1. Andante (sobre la balada escocesa ‘Edward’)
07 – Balladas Op 10 – 2. Andante
08 – Balladas Op 10 – 3. Intermezzo. Allegro
09 – Balladas Op 10 – 4. Andante con moto

Kristian Zimerman – Piano

CD 1 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
CD 2 – BAIXE AQUI ´DOWNLOAD HERE

FDP Bach

Sergei Prokofiev (1891-1953): Ivan, o Terrível & Alexander Nevsky (Rostropovich)

Naturalmente, não tenho só gravações de música clássica brasileira e de compositores das três Américas, mas fora desse domínio tenho pouca coisa digna de me fazer pedir licença aos demais manos do blog para trazer a vocês preciosidades que são da alçada deles. Este álbum é um desses dignos e magnos registros de minha discoteca e me inquietava não tê-lo postado ainda.

Os compositores russos têm uma veia sem igual para compor o que chamo de música bélica. Vide a Marcha Eslava e a Abertura 1812 de Tchaikovsky e as Sinfonias 7, 8, 11 e 13 de Shostakovitch. As duas obras de Prokofiev aqui apresentadas também o fazem habitar o tabernáculo da música coral-sinfônica militaresca russa (por favor, é irrelevante lembrar que Sergei era ucraniano).

As duas obras nasceram de trilhas sonoras de filmes de outro Sergei, o Eisenstein. Alexander Nevsky surgiu primeiro, na segunda metade da década de 30, e virou uma cantata a posteriori. Ivan, o Terrível (o filme) não chegou a ser concluído, mas a música foi preparada antes. Há cerca de 20 anos, o maestro Michael Lankester criou uma parte para locutor, a fim de manter, nessa presente versão para sala de concerto, a coesão que seria oferecida pelas cenas da película.

Longe de essa narração ser superficial como a de Um retrato de Lincoln, de Copland; ela acabou se tornando quase tão essencial quanto a de Pedro e o Lobo, do próprio Prokofiev. No mais, é uma ocasião para vocês ouvirem Mstislav Rostropovitch regendo (primeira vez aqui no blog) – brilhantemente – a Sinfônica de Londres. As faixas que considero as melhores, nas duas obras, vão marcadas abaixo em negrito, para eu não me estender nos comentários.

Há uma outra versão de Alexander Nevsky aqui no blog. Seria uma boa vocês fazerem comentários sobre ambas, mas prefiro mil vezes esta.

***

Ivan, o Terrível

CD1

1. Beginning
2. Overture and Chorus (Moderato – Allegro)
3. March of Young Ivan (Moderato)
4. Ocean – Sea (Andante)
5. I will be Tsar! (Moderato)
6. (Uspenski’s Cathedral) Laud the Lord! (Allegro)
7. Long Life! 1 (Allegro moderato)
8. Long Life! 2
9. The Swan 1 (Allegro fastoso)
10. Celebration Song (Andante)
11. The Swan 2
12. The innocent
13. Ocean – Sea (Andante)
14. On the Bones of the Enemy (Andante mosso)
15. The Tartars (Allegro moderato)
16. The Gunners (Moderato energico)
17. To Kazan! (Moderato pesante – Andante – Allegro)
18. Hymn to the celebration of the icon “Vladimir” of the Saint Virgin
19. Ivan’s Appeal to the Boyars (Adagio – Andante sostenuto)

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CD2

1. Closed mouth choir (murmuring)
2. Song about the Beaver (Andante assai)
3. Yesfrosinia and Anastasia (Moderato)
4. Ivan at Anastasia’s Bier (Andante)Chorus of the Oprichniki (Andante risoluto)
5. Choir of the Oprichniki
6. The Oprichniki Oath of Loyalty (Moderato energico)
7. Feodor Basmanov’s Song and the Oprichniki (Allegro moderato)
8. Dance of the Oprichniki (Allegro ben ritmato)
9. Finale (Moderato – Moderato fastoso)
10. Finale

Alexander Nevsky

11. Russia Under the Mongolian Yoke
12. Song About Alexander Nevsky
13. The Crusaders in Pskov
14. Arise, Ye Russian People
15. The Battle On the Ice
16. The Field of the Dead
17. Alexander’s Entry into Pskov

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Autor da narração: Michael Lankester
Narrador: Christopher Plummer
Orquestra Sinfônica de Londres e coral, regidos por Mstislav Rostropovitch

Em Ivan, o Terrível
– Contralto: Tamara Sinyavskaya
– Barítono: Sergei Leiferkus
– Coral infantil New London

Em Alexander Nevsky
– Meio-soprano: Dolora Zajick

CVL

Datas

Todo o início de ano há rituais a cumprir. Um deles: percorrer cronologias e biografias à procura de compositores com datas redondas que permitam homenageá-los. Celebram-se nascimentos. Relembram-se mortes. Uma breve pesquisa e logo se vai preenchendo uma relação, às vezes mínima, às vezes exagerada, de possíveis homenageáveis num ano que começa. Com eles se recheia o programa de concertos como se se recheasse empadas ou pastéis – alguns compositores serão o recheio principal, outros haverão de cumprir o papel da proverbial azeitona. Uns serão o gosto permanente da empada musical. Outros serão o sabor delicioso que logo se vai. Essa é a hora, então, de colocar em marcha o ritual. Sem muita procura, a música europeia logo nos entrega quatro candidatos: Henry Purcell e os seus 350 anos de nascimento, os 250 anos da morte de Händel, os 200 da morte de Haydn, os dois séculos que nos separam do nascimento de Mendelssohn.

Quarteto fantástico, esse! Seus integrantes estão prontos a atender as demandas dos programas das orquestras que hoje, à custa de repertórios cada vez mais petrificados na tradição, caminham na direção firme da obsolescência. Purcell, diz a BBC, marca o nascimento da música britânica – embora uns 300 anos antes tenha existido John Dunstaple e um pouco depois Thomas Tallis tenha feito a glória musical dos Tudors. A música de Händel recém foi ouvida, pois é ele o compositor do coro de aleluia que encerra a parte relativa ao nascimento de Cristo no seu oratório Messias e que por isso é cantado a plenos pulmões em dezembro por coros e comerciais de TV. Mendelssohn, já em pleno romantismo da primeira metade do século 19, foi compositor mediano mas com ocasionais lampejos de genialidade que o tornam bastante agradável, para ouvir sem esforço. Quanto a Haydn – bem, este é o caso clássico de compositor que possibilitou a existência musical de outros dois, neste caso Mozart e Beethoven, que a ele renderam homenagens mas que, ultrapassando-o, o jogaram num esquecimento que nem efemérides evitam.

Que importância têm esses compositores para nós, ao sul do Equador? Provavelmente nenhuma, embora vamos encontrá-los durante o ano todo num e noutro concerto ou recital. Talvez seja o caso de não procurar longe o que está perto: a nossa música brasileira, o que apresenta de compositores e suas datas redondas? Há, sim, o que assinalar. Há os 80 anos de Ernest Mahle, o compositor de Piracicaba que é uma espécie de Hindemith brasileiro, no seu neoclassicismo funcional e na sua música espraiada pelos mais diversos instrumentos. Há os 70 anos de Lindembergue Cardoso que, falecido em 1989, foi um dos fundadores do Grupo de Compositores da Bahia, essencial para a renovação da música brasileira de concerto dos anos 1960 e 1970. Há também os 70 anos de Ricardo Tacuchian, músico carioca que revitalizou a Academia Brasileira de Música e que compõe com mão segura. Deve haver ainda outros, mas esses a memória ainda não alcança.

Para lembrar há, antes de mais nada, os 50 anos da morte de Heitor Villa-Lobos. Lembro do dia em que morreu, embora àquela altura ainda não tivesse ouvido uma nota sequer da sua música. A trajetória de Villa-Lobos nestes 50 anos tem sido acidentada pois só os que têm muita coragem ainda desbravam a sua música, aqui e lá fora. Orquestras, então, nem se fala! Publicadas por editora francesa, as suas partituras ainda tem direitos autorais de preços elevados e nem sempre os orçamentos permitem aventuras fora do repertório de domínio público. Mais: como me dizia certa vez o musicólogo Régis Duprat, na música de Villa-Lobos todos tocam tudo ao mesmo tempo, o que requer paciência e competência, coisas que às vezes rareiam. Assim, Villa-Lobos tem sido menos ouvidos do que deveria e ainda é incerto o destino das suas Bachianas Brasileiras, dos seus Choros.

Se há um aniversário, no entanto, que a música brasileira deve comemorar sem ressalvas é o do amazonense Cláudio Santoro, que estaria comemorando os seus 90 anos, não tivesse falecido em 1989 em meio a crises musicais e institucionais. São duas datas redondas e aí está: Santoro é o compositor do ano. A sua trajetória ideológica é interessantíssima, foi central a sua posição na música em Brasília que viu o seu expurgo e acolheu o seu retorno. A música segue os mesmos caminhos do compositor. Iniciando como integrante ativo do Grupo Música Viva que nos anos 1930 trouxe o modernismo para a música brasileira, Santoro construiu uma obra que vai da miniatura à sinfonia, da música de câmara ao pioneirismo da música eletroacústica, do abstrato ao engajamento explícito. Tivesse a música de concerto uma posição menos periférica na cultura brasileira, este seria o momento de celebrar Santoro. Pois não há dúvida que o Brasil deve mais a ele do que a Purcell, Mendelssohn, Haydn ou Händel.

CELSO LOUREIRO CHAVES, músico.
Publicado em Zero Hora no dia de ontem.

PQP

Two days and two nights of new music 2001

Só estou postando este CD – da edição de 2001 do maior festival anual de música contemporânea da Ucrânia (abreviado 2D2N) – por causa das Sonâncias III de Marlos Nobre. Vocês podem até chegar a gostar de outras peças do álbum, principalmente as últimas, mas considerem-se então no lucro.

***

Two days and two nights of new music 2001

1. Marlos Nobre Sonancias III for percussion and 2 pianos 9:51
Performed by: FREIBURG PERCUSSION ENSEMBLE :
Ricardo Marini percussion | Guillaume Chastel percussion | Tetyana Kravchenko piano | Oleksandr Perepelytsya-junior piano | Conductor: Bernhard Wulff

2. Rashid Kalimullin Music for clarinet and violin (world premiere) 9:48
Performed by: Natalia Lytvynova violin | Volodymyr Tomashchuk clarinet

3.Sergiy Pilyutykov Sonata for cello and piano 11:33
Performed by: Hans Jörg Fink piano | Luzius Gartmann cello

4. Karmella Tsepkolenko Wenn die Kette zerrisse, fände sie bestimmt nicht alle Perlen wieder for tenor saxophone, accordion, double bass and percussion 9:12
Performed by: ENSEMBLE WIENER COLLAGE:
Peter Rohrsdorfer saxophone, tenor saxophone | Alfred Melichar accordion | Peter Vasicek percussion | Michael Seifried double bass

5. Hanna Havrylets In B for clarinet solo 4:36
Performed by: Rok-Hyun Kwon clarinet (TRIO HAAN)

6. Julia Gomelskaya Behind the Shadow of Sound for accordion and violin 10:55
Performed by: Duo CADENCE: IVAN YERGIYEV accordion | OLENA YERGIYEVA violin

7. Iryna Kyrylina Chamber cantata for soprano, clarinet, violin and piano 8:32
Performed by: ENSEMBLE CONTINUUM NEW YORK :
Wonjung Kim soprano | Benjamin Fingland clarinet | Renй Jolles violin | Cheryl Seltzer piano, co-director | Joel Sachs conductor, co-director

BAIXE AQUI

CVL

.: interlúdio :.

Confesso que sei muito pouco sobre Wayne Shorter. Sei que nasceu nos anos 30 e ainda está vivo, o que é sempre bom; que tocou naquele quinteto mágico de Miles Davis, no final da década de 50; que é um excelente compositor, além de um grande saxofonista. Este “Night Dreamer”, de 1964, é apontado pelos críticos como um momento de transição entre o bop direto que fazia e sua ascensão como compositor. Descobri o disco recentemente e compartilho-o ainda fresco nos ouvidos. É grandioso e relaxante. Aproveitem.

Wayne Shorter – Night Dreamer (256)
Wayne Shorter: tenor saxophone, compositions
Lee Morgan: trumpet
McCoy Tyner, piano
Reggie Workman: bass
Elvin Jones: drums
Produzido por Alfred Lion para a Blue Note

download – 88MB
01 Night Dreamer 7’15
02 Oriental Folk Song 6’51
03 Virgo 7’07
04 Black Nile 6’28
05 Charcoal Blues 6’54
06 Armageddon 6’23
07 Virgo [alt. take] 7’03

Boa audição!
Blue Dog

.: interlúdio :. The Dowland Project: Romaria

Não é um CD de música erudita. Ou é. É música antiga, mas não há Dowland aqui, apesar de que nos dois CDs anteriores do The Dowland Project havia. Vou tentar explicar: são arranjos para tenor, saxes (muitos), violino e algo como o alaúde. Trata-se de uma coleção de canções muito bonitas, interpretadas com extrema sensibilidade, delicadeza e respeito. Não são arranjos comuns, daqueles que trazem um compositor antigo para uma linguagem atual ou para a linguagem dos músicos, até porque aqui não há de modo algum uma linguagem comum — ou seja, não é aquele horror habilidosinho francês ao estilo de Jacques Loussier –, são antes recriações de músicos muito diferentes entre si sobre compositoções antigas, buscando uma terceira expressão, através de um outro grupo de instrumentos e culturas. Talvez o The Dowland Project faça alguns puristas mais xiítas se morderem de ódio. Porém, ficarei autenticamente desconfiado de sua qualificação como ouvintes… Sério.

Este é mais um grupo que tem como participante o genial saxofonista e claronista inglês John Surman.

Encontrei um texto anônimo circulando na rede. Muito bom.

This is a disc of whispered conversations: among musicians, cultures and periods – past, present and future. Anonymous composers from the Franus Codex and the Carmina Burana manuscript break bread with Josquin and Lassus, while ancient instruments freely consort with modern.

With a revised line-up, John Potter’s Dowland Project expands its repertoire on its third album, freely exploring love songs, chants and motets from the 12th century to the present by Oswald von Wolkenstein, Orlando di Lasso, Josquin Desprez and others including the anonymous composers of the Carmina Burana manuscript. New to the Project is Miloš Valent, the vibrant violinist and violist from Slovakia who is equally at home in early music and in the gypsy and folk musics of eastern Europe. Like English reedman John Surman and American lutenist Stephen Stubbs he is also able to improvise beyond the traditions: these richly atmospheric pieces are reborn in the interaction of the players.

Imperdível!

The Dowland Project: Romaria ECM 1970 [CD]

1. Got schepfer aller dingen (‘Der Kanzler’) 4:34
2. Veris dulcis (Carmina Burana manuscript) 5:14
3. Pulcherrima rosa (Franus Codex) 5:31
4. Ora pro nobis (anonymous) 4:13
5. La lume (traditional Iberian) 4:22
6. Dulce solum (Carmina Burana manuscript) 6:53
7. Der oben swebt (Oswald von Wolkenstein) 4:59
8. O beata infantia (Gregorian) 3:35
9. O Rosa (traditional Iberian) 4:48
10. Saudade (Valent/Surman/Stubbs) 6:18
11. In flagellis (Josquin Desprez) 3:52
12. Kyrie Jesus autem transiens (Firminus Caron) 3:30
13. O beata infantia (Gregorian) 3:53
14. Credo Laudate dominum (Orlando di Lasso) 3:57
15. Ein gut Preambel (Hans Neusidler) 0:57
16. Sanctus Tu solus qui facis (Josquin Desprez) 4:30
17. Ein iberisch Postambel (Valent/Surman/Stubbs) 5:48

recorded January 2006, Propstei St. Gerold

John Potter, tenor voice;
John Surman, soprano saxophone, bass clarinet, tenor and bass recorders;
Milos Valent, violin, viola;
Stephen Stubbs, baroque guitar, vihuela

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PQP