Antonio Carlos Gomes (1836-1896): Óperas – (5) Salvator Rosa (2004-Benini) [link atualizado 2017]

175 anos do nascimento de Antonio Carlos Gomes

Se você entrou no P.Q.P.Bach algumas vezes hoje, vai ver que o post foi mudando, foi crescendo. Ele já havia ido ao ar quando pude acrescentar o texto. Coisas que acontecem depois do carnaval, quando colocamos a vida em ordem…
Sem mais delongas e desculpas em andrajos, apresentamos a vocês nesta semana mais uma versão da ópera Salvator Rosa, de Antonio Carlos Gomes, esta, uma luxuosa montagem ocorrida no Festival del Valle D’Itria em 2004, sob a batuta de Maurizio Benini, contando a história (romanceada) do pintor, ator e poeta italiano (1615-1673). Acredito que seja a gravação mais recente de uma ópera de Gomes.
Uma coisa que me dá uma ponta de ânimo é ver que, mesmo havendo poucas execuções e gravações da obra de Nhô Tonico, elas vêm ocorrendo com uma frequência maior de uns 15 anos pra cá, muito por conta das comemorações do centenário de falecimento do compositor, em 1996, que ajudaram a tirar um pouco a poeira que há tempos vinha cobrindo e obscurecendo sua belíssima obra: tivemos aí as gravações búlgaro-brasileiras d’O Guarani, Maria Tudor, Fosca e duas desta Salvator Rosa, ambas italanas, além da restauração das partituras e montagem da nunca gravada Joanna de Flandres (e, pouco antes, a montagem de Neshling com Plácido Domingo para O Guarani). Ainda é pouco, se compararmos com nomes grandes, como Verdi, Wagner ou Puccini, mas há pequenos avanços e ver que as montagens foram feitas no exterior dá-me o conforto de perceber que o nome de Antonio Carlos Gomes tem recebido um pouco mais do merecido reconhecimento que lhe é devido, afinal, em seu tempo era o segundo operista mais executado e assistido na Itália, atrás somente de Verdi, que reinava absoluto no cenário operístico de então.
Já afirmei na postagem passada que Salvator Rosa foi um tremendo sucesso em sua estreia. Reafirma Marcus Góes:

Tal foi o sucesso do “SALVATOR ROSA” em 1874 em Gênova, que foi com essa ópera que a Scala de Milão abriu sua temporada no mesmo ano. Gomes se tornou figura popular da capital lombarda. Todos falavam de sua vasta cabeleira, apelidaram-no de “testa di leone” (cabeça de leão), os restaurantes ofereciam pratos “à Carlos Gomes” e uma taça de sorvetes “Peri e Cecilia” com sorvetes de chocolae e creme lado a lado. Os humoristas diziam que quem então fazia música em Milão era um índio…

Sobre a peça em si não irei comentar muito, pois tanto já foi dito na postagem anterior. Posso lhes afirmar que esta montagem é muito boa! Boa orquestra, grandes solistas, apenas com aqueles problemas advindos da gravação ao vivo, o que não compromete o todo, ou seja, uma grande ópera de Carlos Gomes numa ótima apresentação, portanto, IM-PER-DÍ-VEL!!!

Salvator Rosa (1874)
Antonio Carlos Gomes (1836-1896)
Libreto: Antonio Ghislanzoni
Baseado na novela Masaniello, de Charles Jean-Baptiste Jacquot

Ato I – 01 Sinfonia
Ato I – 02 Mia Piccirella
Ato I – 03 Vero Figliuol do Napoli
Ato I – 04 All’armi! Addio Io Vuol!
Ato I – 05 Forma sublime, etérea
Ato I – 06 Salvator! Celaveti Figute
Ato I – 07 Via l’arte e l’alegria
Ato I – 08 Delle truppe rispondi
Ato I – 09 Padre, a te il grido innalzasi
Ato I – 10 Quel dolce resguardo m’ha beato il cor!
Ato II – 11 È desso! È proprio desso!
Ato II – 11 È desso! È proprio desso!
Ato II – 13 Di Masanielo il mensagier
Ato II – 14 Sulle rive della Chiaia… L’acento dell’amor
Ato II – 15 Per questa augusta imagin del Dio
Ato II – 16 A festa! A festa!
Ato II – 17 Poichè vi piace udir
Ato II – 18 Largo! Largo a Masanielo
Ato II – 19 Povero Nacqui, e ai perfidi
Ato II – 20 Viva! Viva! Su! Accorriamo!
Ato II – 21 Dov’è l’eroe del popolo
Ato III – 22 Le tazze Colmiamo
Ato III – 23 Strane parole mormorar le intensi
Ato III – 24 Di quelle sale il lezzo uccide
Ato III – 25 Là sù quel fragil legno
Ato III – 26 Si cerchi Masanielo
Ato III – 27 D’aura di luce ho d’uopo
Ato III – 28 Alla infelice suora sol rea d’amor
Ato III – 29 Sola il mio bianco crine
Ato IV – 30 Serenata
Ato IV – 31 Purchè ci sia del vino
Ato IV – 32 Al Ballo alle mense la notte
Ato IV – 33 Salvator! Libero sei!
Ato IV – 34 Ah! Ti trovo, Gennariello!
Ato IV – 35 Padre, in quela chiesa una strage si compie

Salvator Rosa – Mauro Pagano, tenor
Gennariello, jovem servo de Salvator – Sofiya Solovey, mezzo soprano
Duque dos Arcos, vice-rei de Napoli – Francesco Ellero D’Artegna, tenor
Isabella, sua filha – Francesca Scaini, soprano
Masaniello – Gianfranco Cappelluti, barítono
Conde de Bajadoz – Leonardo Gramegna, tenor
Fernandez, comandante das tropas espanholas – Salvatore Cordella, tenor
Bianca, dama espanhola – Annalisa Carbonara, soprano
Irmã Inês – Tiziana Spagnoletta, soprano
Fra Lorenzo, traidor – Emil Zhelev, baixo

Coro da Camera di Bratislava
Pavol Prochazka, regente do coro
Orchestra Internazionale d’Italia
Maurizio Benini, regente
Festival del Valle D’Itria
Palazzo Ducale, Martina Franca, 2004

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (118Mb – 2CD, cartaz, info e resumo da ópera)
Ah, seja legal conosco: não deixe de deixar um comentário.

Ouça! Deleite-se!

Bisnaga

Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840-1893) – The Complete Ballets – Swan Lake, Sleeping Beauty e The Nutcracker – Ansermet (6 CDs)


Tchaikovsky foi o mago das melodias perfeitas. Poucos compositores foram capazes de tão belas catedrais sonoras como as erigidas por ele. E o que dizer dos seus ballets? Certamente um dos momentos mais sublimes de sua obra. Em seus ballets há ritmo, cadência, mistério, força, beleza, evocação e sonho. Três são os seus ballets: O Lago dos Cisnes, A Bela Adormecida e O Quebra Nozes. O desejo de postar essas obras me instigou há alguns dias atrás quando eu tive a oportunidade de assistir ao filme O Cisne Negro, do diretor americano Darren Aronofsky. A película me causou funda impressão. A bela encenação da atriz Natalie Portman me deixou completamente absorvido pelos ballets de Tchaikovsky. Lembrei que dispunha dessa caixa com seis CDs com o gigante Ernest Ansermet, um dos grandes regentes do século XX. Disponho também de uma bela caixa com esses mesmos ballets sob a direção de Karajan. Mas os ballets de Tachaikovski por Karajan perto dos de Ansermet não passam de folclore. As gravações dos ballets por Ansermet foram realizadas na década de 50 do século passado, dispondo de mais de 60 anos. Mas o interessante é que a qualidade é notável. Os timbres dos sopros causam um efeito especial. Ansermet mostra a sua mestria nesses trabalhos que devem ser revisitados sempre que estivermos em busca de fantasia e beleza. Há alguns cortes nos ballets, mas o conjunto é fabuloso! Uma boa apreciação!

Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840-1893) – The Complete Ballets – Swan Lake, Sleeping Beauty e The Nutcracker – Ansermet (6 CDs)

DISCO 01

Swan Lake

01. Introduction – No. 1 Scene (Allegro giusto)
02. No. 2 Waltz
03. No. 4 Pas de trois
04. No. 7 Subject – no. 8: Dance with Goblets
05. No. 10 Scene
06. No. 11 Scene No. 12 Scene No. 13 Scene
07. I. Tempo di Valse
08. V. Pas d’action: Odette et le prince
09. IV. Dans de petis cygnes
10. VI. Danse generale
11. II. Odette solo
12. VII. Coda
13. No. 15 Scene
14. No. 17 Scene: Entrance and Waltz of the Special Guests
15. No. 18 Scene
16. No. 21 Spanish Dance
17. No. 22 Neapolitan Dance
18. No. 23 Mazurka
19. No. 20 Danse Hongroise
20. No. 5 Pas de deux

DISCO 02

01. No. 28 – Scene (Allegro agitato)
02. No. 29 – Finale

Variations on a Rococo-Theme op. 33
03. Variations on a Rococo-Theme op. 33

Symphony No. 6 op. 74
04. I Adagio – Allegro non troppo
05. II Allegro con gracia
06. III Allegro molto vivace
07. IV Finale

DISCO 03

Sleeping Beauty

01. Introduction
02. No. 2 Dance scene
03. Introduction – adagio
04. Variation I – The Fairy of the Crystal Fountain
05. Variation II – The Fairy of the Enchanted Garden
06. Variation III – The Fairy of the Woodland Glades
07. Variation IV – The Fairy of the Songbirds
08. Variation V – The Fairy of the Golden Vine
09. Variation VI – The Lilac Fairy of the
10. Coda
11. No. 4 – Finale
12. No. 5 – Scene
13. No. 6 – Waltz
14. No. 7 – Scene
15. Rose Adagio
16. Dance of the Maids of Honour and the Pages
17. Aurora’s Variation
18. Coda
19. No. 9

DISCO 04

01. No. 10 – Entr’acte and Scene
02. No. 11 – Blind man’s Buff – No. 12 – Scene: Dances of the Courtiers
03. Scene
04. Dance of the Duchesses
05. Dance of the Baronesses
06. Dance of the Countesses
07. Dance of the marchionesses
08. No. 13 – Farandole: Scene – Dance
09. No. 14 – Scene: Prince Florimund and the Lilac Fairy – no. 15 – Pas d’action
10. Pas d’action: Aurora and Florimund
11. Aurora’s Variation
12. Coda
13. No. 16 – Scene
14. No. 17 – Panorama
15. No. 19 – Symphonic Entr’ acte – No. 20 – Finale: The Awakening
16. No. 21 – March
17. No. 22 – Polonaise: Procession of Fairy Tale Characters – no. 23 – Pas de quatre
18. Introduction
19. Variation I – The Golden Fairy
20. Variation II – The Silver Fairy
21. Variation IV – The Diamond Fairy – Coda
22. No. 24 – Pas de caractere: Puss-in-boots and the White Cat – no. 25 – Pas de quatre
23. Introduction
24. Variation I – Cinderella and Prince Charming
25. Variation II – The Bluebird and Princess Florine
26. Coda
27. No. 26 – Pas de caractere: Red Riding Hood and the Wolf
28. No. 27 – Tom Thumb –
29. No. 28 – Cinderella and Prince Fortune
30. Entree
31. Variation I – Florimund
32. Variation II – Aurora
33. Coda
34. No. 29 – Sarabande – no. 30 – Finale and Apotheosis
35. Finale
36. Apotheosis

DISCO 05

The Nutcracker

01. Miniature Overture
02. No. 1 – The Decoration of the Christmas Tree
03. No. 2 – March
04. No. 3 – Children’s Galop and Entry of the Parents
05. No. 4 – Arrival of Drosselmeyer
06. No. 5 – Grandfather’s Dance
07. No. 6 – Scene: Clara and the Nutcracker
08. No. 7 – Scene: The Battle
09. No. 8 – Scene: In the Pine Forest
10. No. 9 – Waltz of the Snowflakes

Act II

11. No. 10 – Scene: The Kingdom of Sweets
12. No. 11 – Clara and the Prince – No. 12 – Divertissement
13. Chocolate: Spanish Dance
14. Coffee: Arabian Dance
15. Tea: Chinese Dance
16. Trepak: Russian Dance
17. Dance of the Reed Pipes
18. Mother Gigogne
19. No. 13 – Waltz of the Flowers

DISCO 06

01. No. 14 Pas de deux
02. Variation I – Tarantella
03. Variation II – Dance of the Sugar Plum Fairy
04. Coda
05. No. 15 Final Waltz and Apotheosis

Suite for Orchestra No. 3 op. 55
06. I Elegie
07. II Valse melancolique
08. III Scherzo
09. IV Theme et variations

Suite for Orchestra No. 4 op. 61
10. I Gigue
11. II Menuet
12. III Preghiera
13. IV Theme et variations

Orchestre de la Suisse Romande
Ernest Ansermet, regente

BAIXAR AQUI CD01 / BAIXAR AQUI CD02
BAIXAR AQUI CD03 / BAIXAR AQUI CD04
BAIXAR AQUI CD05 / BAIXAR AQUI CD06

null

Carlinus

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – String Quartets – CD 3 e 4 de 6 – Amadeus Quartet


O terceiro CD desta coleção traz dois dos famosos “Quartetos Razumovsky”, conjunto de três quartetos que Beethoven compôs por encomenda do embaixador russo em Viena. São peças muito executadas em que o compositor continua explorando as possibilidades de um quarteto de cordas. Não preciso dizer que são obras primas do repertório, obrigatórias em qualquer discoteca e que muitos dos senhores já devem conhecer de cor.
Infelizmente a conexão de minha internet não ajuda, senão postaria mais. Mas é preciso ter uma paciência de Jó para esperar quase uma hora e meia para subir um arquivo de 150 mb para o mediafire, rezando para que a conexão não caia.
Espero que apreciem este CD. Os números dos downloads dos dois primeiros cds foram bem animadores.

CD 3
1 String Quartet No.7 in F, Op.59 No.1 – “Rasumovsky No. 1” 1 1. Allegro
2 2. Allegretto vivace e sempre scherzando
3 3. Adagio molto e mesto
4 4. Thème russe (Allegro)
5 String Quartet No.8 in E minor, Op.59 No.2 -“Rasumovsky No. 2” -5 1. Allegro
6 2. Molto adagio
7 3. Allegretto
8 4. Finale (Presto)

BAIXE AQUI – D0WNLOAD HERE

Amadeus Quartet

FDPBach

Jean Sibelius (1865-1957): Sinfonias de 5 a 7 / The Oceanides / Finlandia / Tapiola


O Carnaval está aí e nada melhor para celebrar do que a boa música finlandesa. Olha o Sibelius chegando aí, gente!!! Todos sabem que a Finlândia é o país do Carnaval. Muitas loiras, vikings, malemolência, vodka e cerveja para acompanhar o salmão fresco defumado, o arenque do Báltico, as ovas de lota, a carne de alce e as frutas de fevereiro da Escandinávia. A terra do Papai Noel fica linda durante o Carnaval. Gansos sobrevoam lagos congelados, ouve-se o grasnar dos grous e escuta-se ecos do choro dos curleus sobre os brancos campos. Sibelius dizia que sua 6ª Sinfonia lhe lembrava “a queda dos primeiros flocos de neve”, mas isso é uma coisa pré-carnavalesca.

Paavo Berglund é um grande regente finlandês e, como tal, está extremamente associado ao Carnaval. Morreu faz mais ou menos de 20 dias, em 25 de janeiro e foi um imenso divulgador de Shostakovich em suas passagens por Bournemouth, pela Escócia, pela Orquestra de Câmara da Europa, por Helsinque, etc. Mas seu nome grudou mesmo em Sibelius. Berglund gravou 3 vezes o ciclo completo de sinfonias e poemas sinfônicos do bardo finlandês. Berglund foi um grande carnavalesco, porém não resistiu à depressão contraída após a morte de Joãosinho Trinta.

Este álbum duplo é uma joia que você deveria baixar e ouvir neste sábado de Carnaval.

Jan Sibelius (1865-1957): Sinfonias de 5 a 7 / The Oceanides / Finlandia / Tapiola

Disc 1:
1. Symphony No. 5 in E flat major Op. 82: I. Tempo molto moderato – Allegro moderato – Presto 13:40
2. Symphony No. 5 in E flat major Op. 82: II. Andante mosso, quasi allegretto 8:00
3. Symphony No. 5 in E flat major Op. 82: III. Allegro molto – Un pochettino largamente 8:48

4. Symphony No. 6 in D minor Op. 104: I. Allegro molto moderato 8:14
5. Symphony No. 6 in D minor Op. 104: II. Allegretto moderato 5:31
6. Symphony No. 6 in D minor Op. 104: III. Poco vivace 3:55
7. Symphony No. 6 in D minor Op. 104: IV. Allegro molto 11:11

Disc 2:
1. Symphony No. 7 in C Op. 105: Adagio 7:15
2. Symphony No. 7 in C Op. 105: Un pochettino meno adagio 3:01
3. Symphony No. 7 in C Op. 105: Poco rallentando al adagio 6:48
4. Symphony No. 7 in C Op. 105: Presto – Poco a poco rallentando al adagio 4:24

5. The Oceanides Op. 73 8:38

6. Finlandia Op. 26 7:26

7. Tapiola Op. 112 14:52

Paavo Berglund
Helsinki Philharmonic Orchestra

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (RapidShare)

PQP

Phillip Glass (1937-) – Itaipu and Three Songs (LINK REVALIDADO)

Este CD maravilhoso estava comigo há mais de um ano, mas foi somente hoje que eu o escutei.  A Cantata Itaipu foi composta por Glass no ano de 1989 em homenagem à hidrelétrica de mesmo nome, construída sobre o Rio Paraná, entre o Brasil e o Paraguai. O trabalho foi encomendado pela Orquestra Sinfônica de Atlanta. Atualmente, o presidente paraguaio Fernando Lugo, quer “um preço de mercado justo” (palavras dele) pela energia que o Paraguai vende ao Brasil. Mas isso é outra história. O texto da cantata de Glass foi composta em guarani, com tradução feita por Daniela Thomas, por informações não oficiais, parece que ela é filha do cartunista Ziraldo. Corrijam-me se estiver errado. Aproveitem!

Phillip Glass (1937-) – Itaipu and Three Songs

01. Mato Grasso [11:54]
02. Itaipu – The Lake (O Lago) [8:23]
03. Itaipu – The Dam (A Represa) [11:17]
04. Itaipu – To the Sea (Ao Mar) [4:52]

Los Angeles Master Chorale
Grant Gershon, regente

05. There are Some Men (Leonard Cohen) [2:52]
06. Quand les Hommes (Raymond Levesque) [2:59]
07. Pierre de Soleil (Octavio Paz) [4:02]

Crouch End Festival Chorus
David Temple, regente

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (RapidShare)

Carlinus (Revalidado por PQP)

Antonio Carlos Gomes (1836-1896): Óperas – (5) Salvator Rosa (1977-Blech) [link atualizado 2017]

175 anos do nascimento de Antonio Carlos Gomes

Depois de conhecer somente sucessos estrondosos com A Noite do Castelo, Joanna de Flandres e Il Guarany, Antônio Carlos Gomes ficou apreensivo com a recepção mediana do público e dura da crítica em Fosca. Já casado e com uma vida de ostentação (morava em um palacete num subúrbio de elite de Milão) que lhe exigia elevados custos para sua manutenção, Gomes se viu necessitado de compor rapidamente uma nova peça para obter renda e manter seu alto padrão de vida. Mais que isso, para “recuperar” sua imagem, que ele via como que manchada ante o público pela recepção não tão boa de Fosca.
Assim, apenas um ano após sua estreia da quarta ópera, Carlos Gomes fazia subir ao palco sua quinta obra do gênero: Salvator Rosa, que traz a história do personagem-título (que existiu realmente: Rosa era pintor, músico, ator e poeta e criou um importante círculo artístico em sua cidade), envolvido numa revolta popular em Nápoles contra os dominadores espanhóis e, cruel coincidência, apaixonado por Isabella, filha do governante hispânico, Duque d’Arcos.
Carlos Gomes desta vez abriu mão de inovações e cedeu ao gosto do público e dos padrões italianos. Abandonou o leitmotiv que havia aparecido em Fosca e buscou, com o prestigioso libretista Ghislanzoni, daquela mesma obra, apresentar uma história com a qual os italianos se identificassem mais. O personagem principal é um pintor e revolucionário muito querido no imaginário da Itália. Somam-se a isso os trechos dos insurgentes, cheios de patriotismo, as cenas de festas, bailes e bons duetos, além da tradicional e recorrente história de amor arrebatador que, levado às últimas consequências, culmina em morte… E depois da densa, escura e dramática Fosca, Gomes fez de Salvator Rosa, mesmo se tratando de tragédia, uma ópera muito mais leve, talvez a mais leve por ele escrita até então, com um fraseado mais simples e claro e com a presença de personagens cômicos, como Gennariello, divertido ajudante adolescente de Salvator interpretado por uma soprano travestida de homem. Sua ária, “Mia Piccirella”, se tornaria muito popular na Itália daquele tempo.
Com tantos elementos favoráveis, Salvator Rosa agradou imensamente ao público e teve uma estreia verdadeiramente estrondosa, a ponto de Carlos Gomes ter que retornar ao palco nada menos de 36 vezes para receber os incessáveis aplausos da plateia!!!

Vejamos um pouco sobre a música em si de Salvator Rosa:

Do ponto de vista da orquestração, Salvator Rosa é tão bem cuidada quanto a Fosca, embora harmonicamente possua texturas mais simples. O emprego freqüente dos tutti instrumentais, o cromatismo de certas passagens impetuosas, a veemência com que Carlos Gomes se expressa em determinados momentos já anunciam, à distância, a ênfase característica dos veristas. Uma página sinfônica especialmente bem escrita é a abertura, construída sobre os temas das árias e duetos principais. No artigo sobre a ópera para o já citado Carlos Gomes: uma Obra em Foco, Leo Laner faz cuidadosa análise dessa abertura, demonstrando – inclusive através de um gráfico que ajuda a visualizar seus três episódios e a ordem em que neles os temas se entrelaçam – o equilíbrio e a harmonia de proporções obtida pelo compositor.
Portanto, embora visando a cativar o favor do público com o retorno a moldes mais acessíveis, o compositor mostra também ter atingido, nessa ópera, um estágio de grande maturidade na utilização de seus recursos expressivos. É pena, portanto, que tantos trechos mais vulgares acabem empanando o brilho de outras páginas mais bem compostas (Lauro Machado Coelho)

Na gravação que disponibilizamos, a primeira integral desta ópera, estão nomes importantíssimos da cena lírica nacional, como Benito Maresca (falecido no ano passado), Ruth Staerke e Paulo Fortes. Só figurões de nossa música!
Em tempo, Salvator Rosa é a ópera mais conhecida de Carlos Gomes na Itália. Então, ouça-a: se o exigente público de lá obrigou Carlos Gomes a voltar tantas vezes ao palco, sob calorosas ovações, a peça só pode ser IM-PER-Dí-VEL!!!

Antonio Carlos Gomes (Campinas, 1836-Belém, 1896)
Salvator Rosa (1874)
Libreto: Antonio Ghislanzoni
Baseado na novela Masaniello, de Charles Jean-Baptiste Jacquot

Ato I – 01 Sinfonia
Ato I – 02 Mia Piccirella
Ato I – 03 Vero Figliuol do Napoli
Ato I – 04 All’armi! Addio Io Vuol!
Ato I – 05 Forma sublime, etérea
Ato I – 06 Salvator! Celaveti Figute
Ato I – 07 Via l’arte e l’alegria
Ato I – 08 Delle truppe rispondi
Ato I – 09 Padre, a te il grido innalzasi
Ato I – 10 Quel dolce resguardo m’ha beato il cor!
Ato II – 11 È desso! È proprio desso!
Ato II – 11 È desso! È proprio desso!
Ato II – 13 Di Masanielo il mensagier
Ato II – 14 Sulle rive della Chiaia… L’acento dell’amor
Ato II – 15 Per questa augusta imagin del Dio
Ato II – 16 A festa! A festa!
Ato II – 17 Poichè vi piace udir
Ato II – 18 Largo! Largo a Masanielo
Ato II – 19 Povero Nacqui, e ai perfidi
Ato II – 20 Viva! Viva! Su! Accorriamo!
Ato II – 21 Dov’è l’eroe del popolo
Ato III – 22 Le tazze Colmiamo
Ato III – 23 Strane parole mormorar le intensi
Ato III – 24 Di quelle sale il lezzo uccide
Ato III – 25 Là sù quel fragil legno
Ato III – 26 Si cerchi Masanielo
Ato III – 27 D’aura di luce ho d’uopo
Ato III – 28 Alla infelice suora sol rea d’amor
Ato III – 29 Sola il mio bianco crine
Ato IV – 30 Serenata
Ato IV – 31 Purchè ci sia del vino
Ato IV – 32 Al Ballo alle mense la notte
Ato IV – 33 Salvator! Libero sei!
Ato IV – 34 Ah! Ti trovo, Gennariello!
Ato IV – 35 Padre, in quela chiesa una strage si compie

Salvator Rosa – Benito Maresca, tenor
Isabella – Nina Carini, soprano
Masaniello – Paulo Fortes, barítono
Gennariello – Ruth Staerke, soprano
Duca d’Arcos – Edilson Costa, baixo
Conde de Badajoz – Aguinaldo Albert, tenor
Fernandez – Ayrton Nobre, tenor
Corcelli – Wilson Carrara, baixo
Bianca – Leyla Taier, soprano
Soror Ines – Leyla Taier, soprano
Fra Lorenzo – Boris Farina, baixo

Orquestra e Coro do Theatro Municipal de São Paulo
Simon Blech, regente
Theatro Municipal de São Paulo, 1977

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (228Mb – 2CD, cartaz, info e resumo da ópera)
Mas comente. É muito importante para nós…

Ouça! Deleite-se!

Bisnaga

Gostou? Compartilhe:

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – String Quartets – CD 2 de 7 – Amadeus Quartet

Antes de mais nada queria agradecer a recepção que o primeiro CD desta coleção teve. Foram 100 downloads em menos de 24 horas. E também quero agradecer a gentileza das pessoas que me mandaram votos de melhoras para a minha saúde. O meu agradecimento vai em forma de postagem do segundo CD desta magnífica coleção. Assim que coloquei para ouvir novamente o CD para preparar o texto já emocionei-me sobremaneira com a sensibilidade e delicadeza dos primeiros acordes do Quarteto n° 4. A cumplicidade dos músicos deste conjunto é algo emocionante. Não sei se os senhores sabem, três deles sairam da Áustria antes da Segunda Guerra Mundial devido à sua origem judia. Ou seja, um tremendo senso de amizade e de cumplicidade os acompanhou durante toda sua longeva carreira.
Este CD traz os três últimos quartetos classicados com o op. 18. O texto abaixo foi retirado da biografia de Beethoven escrita por Maynard Solomom:
“Foi a série de Quartetos de Cordas, op. 18, que Beethoven se dedicou quando quis realizar o mais ambicioso projeto de seus primeiros anos de Viena. Essa coleção foi iniciada em 1798, composta principalmente entre 1799 e 1800 e publicada em 1801 com uma dedicatória para o Príncipe Lobkowitz. O quarteto para cordas era um dos veículos favoritos dos salões vienenses. Viena era o centro mundial da composição dos quartetos para Cordas e Haydn tinha sido o mestre supremo da forma.
(…) Vários foram pacialmente reescritos antes da publicação. Todos eles aceitam essencialmente a usual estrutura em quatro movimentos e todos refletem o estilo clássico vienense, com uma mistura ocasional de melodia italianada – talvez sobre a influência de Salieri (…) (Pg 147)

Citando um outro autor, Solomon coloca: “Beethoven parece ter subitamente posto em dúvida a estrutura clássica. Todas essas peças contém experimentos com diferentes tipos e arranjos de movimentos”. (Pg 147)
Poderia me estender mais na descrição destas obras, mas existem análises mais interessantes na internet. Basta procurá-las. Portanto, vamos ao que interessa… espero que apreciem.

P.S. – Voltei a usar o Mediafire pois mesmo em conta free ele me oferece uma velocidade de upload superior á do Rapidshare.

1 String Quartet No.4 in C minor, Op.18 No.4 1 1. Allegro ma non tanto
2 2. Andante scherzoso, quasi allegretto
3 3. Menuetto (Allegretto)
4 4. Allegro
5 String Quartet No.5 in A, Op.18 No.5 1. Allegro
6 2. Menuetto
7 3. Andante cantabile
8 4. Allegro
9 String Quartet No.6 in B flat, Op.18 No.6 1. Allegro con brio
10 2. Adagio ma non troppo
11 3. Scherzo (Allegro)
12 4. La Malinconia (Adagio – Allegretto quasi allegro – Adagio – Allegretto – Poco adagio – Prestissimo)

Amadeus Quartet

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FDPBach

Paulo Costa Lima (1954) e Wellington Gomes (1960) – Outros ritmos

Um amigo meu que sempre manda CDs para eu postar aqui – isso quando não já tenho a gravação – me perguntou: “Você tem algo contra a Bahia e o Pará? Vejo você postar coisas de compositores do Sul, do Sudeste e de Pernambuco e Paraíba, mas nunca daqueles dois Estados”.

Pois é, faltou mencionar também compositores como o cearense Liduíno Pitombeira (de quem só divulguei uma única peça até hoje no PQP) ou o carioca radicado matogrossense Roberto Victorio, sem falar de um compositor standard [dentre os nacionais] nascido no Amazonas, que foi Claudio Santoro…

Tenho repertório para ficar postando por mais uns três anos, caso eu aparecesse todo dia por aqui [isso para não falar nos vinis que ainda não digitalizei – há coisas raras dos anos 60 e 70 que são espetaculares], mas, pelo contrário, tenho de anunciar hoje meu afastamento deste estimado blog devido a uma nova etapa profissional, que vai me obrigar a deixar o país.

Acabei escolhendo um CD que já estava disponível para download no Música Brasileira de Concerto. Mesmo assim, que é representativo da produção de câmara e orquestral de dois dos mais destacados compositores vivos baianos – alunos dos bambas que integraram a primeira geração do Grupo de Compositores da Bahia há cerca de 50 anos.

Se é verdade que todo grande criador musical brasileiro teve de botar um pé num terreiro, literalmente falando (vide Villa, Guerra, Guarnieri, Siqueira, acho que Mignone também…), em Salvador esse item parece ser estágio obrigatório na Escola de Música da UFBA, pois os baianos – incluindo os compositores mais novos – sabem como ninguém incorporar as matrizes rítmicas africanas a qualquer linguagem instrumental ou estrutural de forma orgânica, fluida.

No presente CD, a faixa que mais sintetiza essa simbiose, desde seu título, é Atotô do l’homme armé, de Paulo Costa Lima. Contudo, prestem atenção na Fantasia para violoncelo e orquestra de câmara, de Wellington Gomes, cuja escrita também é de primeiro nível.

No mais, evito despedidas e espero aparecer fortuitamente por aqui, nem que seja para contribuir com comentários. Quem sabe outro membro do blog ou um futuro novato não pegue meu acervo pra ir dando conta dele. Abraço a todos.

BAIXE AQUI (Não, não baixe aí. O fechamento do Megaupload ferrou tudo. Recorra ao link abaixo mesmo.)

CVL

Vocês também podem baixar o CD no blog parceiro Música Brasileira de Concerto, onde está a lista de faixas e intérpretes.


Antonio Carlos Gomes (1836-1896): Óperas – (4) Fosca (1997-Malheiro) [link atualizado 2017]

175 anos do nascimento de Antonio Carlos Gomes

Estou ficando até sem graça de escrever isso sempre, mas não dá pra deixar de dizer: é IM-PER-DÍ-VEL!!!
Quando se aproximaram os anos para se completar o centenário de morte de Antonio Carlos Gomes (em 1996), ocorreram vários eventos, como o conjunto “A Música e o Pará”, que postamos no ano passado aqui, aqui, e aqui, e as montagens meticulosamente bem acabadas realizadas na Bulgária de Il Guarany, sob a batuta de Julio Medaglia, e de Maria Tudor e Fosca, estas sob a regência do competente Luís Fernando Malheiro.
Por essa época houve, no Brasil, um convênio com a Bulgária para megalômanas montagens aqui na terrinha da ópera Aída, de Verdi, com seus cenários gigantes, trazidos do país do Leste Europeu (foi executada em locais imensos: estádios e pedreiras de Brasília, Fortaleza, Belo Horizonte, São Paulo e Campinas). O intercâmbio rendeu frutos e nos anos que se seguiram, os búlgaros puderam conhecer as óperas de Carlos Gomes, tendo o conterrâneo Plamen Kartaloff como regisseur, músicos e solistas de sua terra e as regências sob a responsabilidade de grandes maestros brasileiros. Essas apresentações foram de enorme êxito e se registraram em CDs, dos quais temos esta Fosca para vos apresentar (mais pra frente teremos também a Maria Tudor de Malheiro)!
O que dizer desta montagem? Inevitavelmente vou compará-la com a de Armando Belardi, realizada por ocasião do centenário da peça, em 1973 (e que você pode conferir aqui). A versão de Belardi, creio que a primeira gravação mundial da ópera, é histórica, heróica e, também de alta qualidade: a orquestra a executa muito bem e foram reunidos alguns dos melhores solistas do país naquele tempo. Porém, eu tendo a gostar mais desta montagem de Malheiro por alguns motivos superficiais, como a melhor captação de som e a sua limpeza, sem os espocados do vinil (podem me tachar de insensível, mas prefiro sem os ruídos do bolachão); e por motivos musicais, mesmo: os solistas são tão bons quanto os da versão brasileira e a orquestra tem melhores cordas, o que não desabona a nacional, apenas constata uma característica dos grupos do Leste Europeu: a perfeição dos naipes de cordas. Se os aqui são bons, os de lá, sou forçado a admitir, são impecáveis.
Em suma, Fosca é uma ópera belíssima, é a melhor de Carlos Gomes e esta é a melhor montagem!
Ah, semana que vem teremos Salvator Rosa, a ópera mais conhecida de Carlos Gomes na Itália.
Confira! Não deixe de ouvir!

Antonio Carlos Gomes (Campinas, 1836-Belém, 1896)
Fosca (1873)
Libreto: Antonio Ghislanzoni,
Baseado em Le Feste delle Marie: Storia Veneta del Secolo X, de Luigi Capranica

Ato I – 01 Sinfonia
Ato I – 02 Coro e Scena – Buon di, compagni
Ato I – 03 Scena – Salute al capitano
Ato I – 04 Preghiera – Fratel, da, un fascino
Ato I – 05 Stretta e Scena – Ah Crudeli
Ato I – 06 Aria – D’amore l’ebbrezze
Ato I – 07 Scena e Duetto – Cara citta natia
Ato I – 08 Finale Primo – Scena e Terzettino – La tua rivale odiata
Ato II – 09 Atto Secondo – Scena d’amore e duettino – Soli, del mondo immemori
Ato II – 10 Dialogo e Canzone – Io vengo dai mondi
Ato II – 11 Terzetto – Mirate questa collana
Ato II – 12 Scena e frase – Bel cavaliero… sposa gentile
Ato II – 13 Duettino – Gia troppo al mio supplizio
Ato II – 14 Aria – Quale orribile peccato
Ato II – 15 Marcia e Coro Nuziale
Ato II – 16 Finale Secondo – Pezzo Concertato – Pazza! Pazza! É ver!
Ato III – 17 Atto Terzo – Scena ed Aria – Ad Ogni Mover Lontan di Fronda
Ato III – 18 Scena e Duetto – Orfana e Sola
Ato III – 19 Coro di Corsari – Dei Due Mente
Ato III – 20 Scena e Duetto – Tu La Vedrai Negli Impeti
Ato IV – 21 Scena del Consiglio e Strofe – Son Capitano
Ato IV – 22 Invettiva – Coro – Di Venezia la Vendetta
Ato IV – 23 Scenetta – Ti Allegra, o Giovane
Ato IV – 24 Romanza – Ah! Se Tu Sei Fra Gli Angeli
Ato IV – 25 Gran Scena – Alfin Tremanti e Supllici
Ato IV – 26 Quartetto – Scena Finale – Non M’Aborrir, Compiangimi

Fosca, pirata da Ístria – Gail Gilmore, soprano
Paolo, capitão veneziano – Roumen Doykov, tenor
Delia – Kassimira Stoyanova, soprano
Cambro, escravo de Gaiolo – Niko Issakov, barítono
Gaiolo, irmão de Fosca – Svetozar Ranguelov, baixo
Doge de Veneza – Stoil Gueorguiev, baixo
Michele Giotta, pai de Paolo – Peter Bakardzhiev, baixo

Sophia National Opera Orchestra
Sophia National Opera Choir
Luís Fernando Malheiro, regente
Plamen Kartaloff, regisseur (diretor)
Sofia, 1997

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (201Mb – 2CD, cartaz, info e resumo da ópera)

… Mas deixe um comentariozinho… Tenha coração…

Ouça! Deleite-se!

Bisnaga

José Alberto Kaplan (1935-2009) – Obras orquestrais

Até onde vão os limites da intertextualidade?

Tente responder a essa pergunta a partir de um exemplo hipotético: se eu escrevo uma peça que usa a mesma orquestração e a mesma estrutura, digamos, de O pássaro de fogo de Stravínski, mas remelodizando-a com escalas modais nordestinas e aplicando a respectiva harmonização, estou cometendo plágio, exercendo intertextualidade ou apenas expondo minha preguiça de começar do zero?

***

Pois bem, após vossa tentativa de resposta deem uma escutada no concerto para piano de Kaplan e vejam como ele se estrutura sobre o segundo concerto de Chostakóvitch, para não falar de como El Salón México de Copland transformou-se numa abertura festiva calcada em temas do folclore paraibano.

Não sei se as outras duas obras do presente CD – uma fantasia para violão, flauta e orquestra de câmara e um concerto para violino (talvez a peça mais interessante dentre as quatro) – têm relação com outras do cânone, porém fico muito desconfiado. Vale de toda forma a oitiva.

BAIXE AQUI (Update: esqueça esse link. O FBI que o diga.)

CVL

Se preferir (quer dizer, agora não tem mais preferência: é a única alternativa), baixe arquivo por arquivo neste link, que contém também o texto do encarte e a lista de faixas.


Ciarán Farrell (1969) – Perfect State [link atualizado 2017]

Enquanto eu estava convalescendo de uma cirurgia recente de hérnia, queria ouvir algum compositor que me fizesse revigorar e sair do tédio pelo qual eu haveria de passar no pós-operatório. Pensei no primeiro movimento da segunda sinfonia de Tippett…

…e em Aralume, com o Quinteto Armorial…

…mas passei a vista na minha relação de discos e acabei achando um meio termo entre o universo britânico e o nordestino. Não que eu procurasse tal meio termo, foi mera coincidência, mas Ciarán Farrell (não confundir com Cyll Farney) calhou em juntar os dois universos musicais em minha cabeça – a bem da verdade, essa impressão se deu por causa dos reflexos do modalismo irlandês, mais característico que o britânico para nós, no repertório do presente CD.

Ouvindo a faixa título, Perfect State, não tive como deixar de me lembrar de Toada e Desafio, de Capiba, particularmente pela estrutura da peça no esquema lento-rápido e pelo desenvolvimento de um único tema no segundo movimento quase que sem modulações. Aí vai um clipe bem pop sobre esse segundo movimento:

Mas não foi só isso que me impressionou: foi também a negação do compositor em querer soar modernoso – nada de clusters, nuvens, técnicas expandidas aqui e acolá etc. Confesso que, simultaneamente, durante a audição das cinco obras deste álbum, tive vez ou outra uma sensação démodé (a última peça, a mais longa, lhe fará pensar que você está assistindo a um filme, em inglês com Irish accent, sem imagens), porém procurei suspender meus julgamentos estéticos mais prementes e “entrei na vibe”.

Pena que é difícil preencher o tempo com obras desse vigor durante um dia inteiro. Não tenho discografia e conhecimento de repertório para isso.

Confiram trechinhos de outras peças no MySpace do compositor e depois…

Ciarán Farrell
Perfect State (2007)

1. “Perfect State”
2. “The Shannon Suite” –Craig Ogden, (guitar); Gerard McChrystal, (soprano saxophone)
3. “Around and About” –Sinead Farrell, (flute); Roger Moffat, (vibraphone)
4. “The Pilgrim’s Return” –Smith Quartet; and Gerard McChrystal, (soprano saxophone)
5. “Hopkins on Skellig Michael” (Poem by Paddy Bushe)

RTÉ Concert Orchestra,
David Brophy, regente
Barry McGovern, narrador

Pluckblow[edit]
BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Já viu nossos mais de 100 endereços para baixar partituras? Clique aqui

CVL

[Restaurado] Argerich Collection – Beethoven, Chopin, Tchaikovsky, Schumann, Liszt, Prokofiev e Ravel

Martha Argerich é com certeza uma das maiores pianistas da história. Exagero? Não. Senso profundo de um discernimento apurado. Suas interpretações geralmente são eivadas de expressividade, energia e paixão. Existe um frescor latente em sua performance. Posso notar, por exemplo, nesse momento enquanto escuto o concerto no. 1 de Beethoven isso que acabei de enunciar. Esse box que ora posto com 4 CDs, traz os principais concertos para piano já escritos. Senti falta de Brahms e Grieg, já que o repertório é em quase sua totalidade romântico. Os quatro CDs nos levam a mais de quatro horas de música da mais alta qualidade, com esta argentina polida e apaixonada. Um bom deleite!

DISCO 01

Ludwig van Beethoven (1770-1827) –

Piano Concerto No.1 in C major, Op.15
01. I.Allegro con brio
02. II.Largo
03. III.Rondo Allegro

Piano Concerto No.2 in B flat major, Op. 19
04. I.Allegro con brio
05. II.Adagio
06. III.Rondo Allegro molto

Philharmonia Orchestra
Giuseppe Sinopoli, regente
Martha Argerich, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

DISCO 02

Frédéric Chopin (1810-1849) –

Piano Concerto No.1 in e minor, Op.11
01. I.Allegro maestoso
02. II.Romance-Larghetto
03. III.Rondo-Vivace

London Symphony Orchestra
Claudio Abbado, regente
Martha Argerich, piano

Piano Concerto No.2 in f minor, Op.21
04. I.Maestoso
05. II.Largetto
06. III.Allegro vivace

National Symphony Orchestra
Mstilav Rostropovich, regente
Martha Argerich, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

DISCO 03

Peter I. Tchaikovsky (1840-1893) –

Piano Concerto No.1 in B flat minor, Op.23
01. I.Allegro non troppo e molto maestoso-Allegro con sp
02. II.Andantino semplice
03. III.Allegro con fuoco

Royal Philharmonic Orchestra
Charles Dutoit, regente
Martha Argerich, piano

Robert Schumann (1810-1856) –

Piano Concerto in a minor Op.54
04. I.Allegro affettuoso
05. II.Intermezzo Andantino-attacca
06. III.Allegro vivace

National Symphony Orchestra
Mstilav Rostropovich, regente
Martha Argerich, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

DISCO 04

Franz Liszt (1811-1886) –

Piano Concerto No.1 in E flat major
01. I.Allegro maestoso
02. II.Quasi Adagio
03. III.Allegretto vivace-Allegro animatto
04. IV.Allegro marziale animato

London Symphony Orchestra
Claudio Abbado, regente
Martha Argerich, regente

Serge Prokofiev (1891-1953) –

Piano Concerto No.3 in C major
05. I.Andante-Allegro
06. II.Thema Andantino
07. III.Allegro ma non troppo

Maurice Ravel (1875-1937) –

Piano Concerto in G major
08. I.Allegramente
09. II.Adagio assai
10. III.Presto

Berliner Philharmoniker
Claudio Abbado, regente
Martha Argerich, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Carlinus

[restaurado por Vassily em 5/6/2021, em homenagem aos oitenta anos da Rainha!]

Kientzy interpreta Doina Rotaru (LINK REVALIDADO)

O presente cd é uma contribuição do Sensemaya, que encarecidamente nos enviou os arquivos e pediu que postássemos alguns comentários dele sobre a obra. Mas, antes de passar a eles, gostaria de fazer também eu alguns comentários.

É particularmente impressionante a quantidade de excelentes compositoras na Romênia. Não sei bem o motivo (e sei que o comentário tende a ser bastante subjetivo e embasado de maneira um tanto torta), mas elas me parecem ser em maior número e de uma qualidade difícil de ver por aí. Enquanto eu costumo achar uma ou duas interessantes por país, na Romênia me cativam vários nomes, entre as quais eu destacaria a aqui presente, Doina Rotaru, o primeiro nome da música contemporânea romena que conheci, Mihaela Stanculescu-Vosganian, Maia Ciobanu, Violeta Dinescu, Irinel Anghel, Myriam Marbé. Aos poucos pretendo postá-las aqui para ver se concordam comigo.

Rotaru trabalha de uma maneira impressionante com diferentes sonoridades, dando sentido e  concatenações lógicas e expressivas inesperadas para sons que costumam aparecer aqui e ali na música de vanguarda com um ar de alheamento. É uma música que carrega um forte peso onírico, mítico, que vai nos envolvendo numa ambiência cheia de referências folclóricas e orientais.

Seguindo agora com a apresentação do Sensemaya:

Doina Rotaru está entre os compositores romenos vivos mais significativos. Nasceu em Bucareste, em 1951, e estudou com Tiberiu Olah [nome central da vanguarda romena dos anos 50/60, junto com Niculescu, Vieru e Stroe] em sua cidade natal e com Theo Loevendie em Amsterdã.

Sua ampla produção é sobretudo de sinfonias, concertos e peças solo com especial preferência pela flauta e pelo saxofone. É considerada representativa de música arquetipalista, isto é, música baseada em símbolos, números e fórmulas musicais folclóricas. Este disco contem obras escritas e interpretadas por Daniel Kientzy.

Masques et Miroires- Concerto nº2 para saxofone e orquestra (2006) é vagamente inspirado pelo conto filosófico de Borges “O espelho e a máscara”. Há variações musicais e emocionais do mesmo material, refletindo conceitos de beleza, sacrifício e pecado.

Colinda (2005) é uma peça curta e simples, baseada em canções de natal romenas.

Matanga (2005) é inspirado por um elefante (matanga em sânscrito). A obra foi escrita para saxofone contrabaixo e seis percussionistas.

Obsessivo (2008), para saxofones e sons eletrônicos, é também baseado em conceitos de variação emocional de um motivo musical circular, repetido durante a obra.

Reina (1995), para saxofone soprano e sons eletrônicos, é baseado em em conceito de doina romena – um canto de saudade. O trabalho é dedicado a Reina Portuondo e seu marido, Daniel Kientzy.

En revant …au saxophone (2003), para voz, saxofone e sons eletrônicos, é baseado em um texto de Malraux. A obra trabalha com a capacidade emocional da música, tornando “calorosa” uma ideia musical fria e plácida.

Seven levels to the sky (1993), Concerto nº1 para saxofone e orquestra
Duas ideias residem na base deste concerto: a ascensão da alma, passando por sete níveis de céu superpostos para que se alcance paz, e a ideia de um único som que ouvimos no início.

Boa audição!


Doina Rotaru (1951- )

01 Masques et miroires (2006), Concerto n° 2 para saxofone(s) e orquestra
Daniel Kientzy, saxofones (sopranino, alto, barítono)
Horia Andreescu, regente
Orchestra Camera Radio

02 Colinda (2005) para saxofone, harpa, celesta, percussão e trio de cordas
Daniel Kientzy, saxofone (barítono)
Ensemble Pentruloc
Bogdan Voda, regente

03 Matanga (2005), para saxofone contrabaixo e 6 percussionistas
Daniel Kientzy, saxofone (contrabaixo)
Ensemble Game
Alexandru Matei, regente

04 Obsessivo (2008), para saxofones e sons eletrônicos
Trio PROmoZICA:
Reina Portuondo, sons eletrônicos
Daniel Kientzy, saxophone (soprano, tenor)
Cornelia Petroiu, viola

05 Reina (1995), para saxofone soprano e sons eletrônicos
Meta Duo:
Reina Portuondo, sons eletrônicos
Daniel Kientzy, saxophone (soprano)

06 En revant …au saxophone (2003), para voz, saxofone e sons eletrônicos – Texto de André Malraux
Meta Trio:
Reina Portuondo, sons eletrônicos
Daniel Kientzy, saxophone (soprano, tenor)
Yumi Nara, voz

07 Seven levels to the sky (1993), Concerto nº1 para saxofone e orquestra
Daniel Kientzy, saxofones (barítono, soprano, alto)
Orchestra Filarmonica de Stat “Transilvania”
Emil Simon, regente

BAIXE AQUI

itadakimasu/Sensemaya

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Complete String Quartets – Amadeus Quartet

Tenho tido problemas de saúde que tem me mantido afastado do blog. E este problema atinge diretamente minhas articulações, atacando joelhos, cotovelos, braços, pulsos, etc. Estive em atestado médico por uma semana, afastado do computador, mas sempre acompanhando o que tem acontecido por aqui. Acompanhei preocupado a caça às bruxas realizada pelo FBI tirando do ar o meu servidor favorito, Megaupload, onde tinha aproximadamente uns 7 ou GB de material guardado, incluindo aí arquivos pessoais, trabalhos de aula de minha esposa, etc. Não tenho condições de reupar tudo aquilo, lamento. Quem conseguiu baixar, que bom. Quem não conseguiu, sinto muito. São três ou quatro anos de conta premium, dinheiro jogado pelo ralo do esgoto.

Já foi escrito tanta coisa sobre estes quartetos que prefiro não falar muito. Aqui mesmo no PQP já devem ter sido postadas umas duas ou três versões. Cada um tem sua versão favorita, e respeito  a opinião de todos, assim com o verdadeiro culto que é feito à estas obras.Alguns consideram o supra sumo das composições para esta formação. Outros consideram uns quartetos melhores que outros, enquanto alguns reconhecem não entender a complexa estrutura que Beethoven criou nos últimos quartetos, enfim, trata-se de obra para ser apreciada durante uma vida, no mínimo, analisando cada opus atentamente. Comparar versões é um exercício interessante e altamente recomendável. A revolução que estas obras causaram na história da música ainda está sendo estudada mas podemos dizer sem medo que existe um antes e um depois bem definidos na linguagem musical após a publicação destas obras.

A versão que trago para os senhores é, em minha humilde opinião, a melhor já gravada. Como falei antes, questão de gosto e opinião. O Quarteto Amadeus é o maior conjunto de cordas do século XX, me perdoem os fãs ardorosos de conjuntos excepcionais como o Melos, Emerson, Juliard Strings, o Quarteto Ittaliano, entre tantos outros. O Amadeus foi o primeiro Quarteto de Cordas que vi e ouvi, nos tempos do saudoso Concertos para a Juventude, que passava nos domingos de manhã, lá nos idos dos anos 70. Imaginem um adolescente de seus 11 ou 12 anos de idade vendo aqueles senhores muito bem vestidos, tocando uma música diferente, que enchia o ambiente com sua beleza. Já comentei que comecei a ouvir música clássica ainda em minha infância, e ela sempre me acompanhou, nunca me deixando na mão nos momentos em que dela precisei. E vai ser minha companhia até o fim de meus dias.

São sete cds, que virão um por um, dentro de minhas possibilidades.

CD 1

01- String Quartet 01, Op.18 No.1 – I. Allegro
02- String Quartet 01, Op.18 No.1 – II. Adagio
03- String Quartet 01, Op.18 No.1 – III. Scherzo
04- String Quartet 01, Op.18 No.1 – IV. Allegro
05- String Quartet 02, Op.18 No.2 – I. Allegro
06- String Quartet 02, Op.18 No.2 – II. Adagio
07- String Quartet 02, Op.18 No.2 – III. Scherzo
08- String Quartet 02, Op.18 No.2 – IV. Allegro
09- String Quartet 03, Op.18 No.3 – I. Allegro
10- String Quartet 03, Op.18 No.3 – II. Andante
11- String Quartet 03, Op.18 No.3 – III. Allegro
12- String Quartet 03, Op.18 No.3 – IV. Presto

Amadeus Quartet:
Norbert Brainin – Violino
Sigmund Nissel – Violino
Peter Schidlof – Viola
Martin Lovett – Cello

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FDPBach

Antonio Carlos Gomes (1836-1896): Óperas – (4) Fosca (1973-Belardi) [link atualizado 2017]

175 anos do nascimento de Antonio Carlos Gomes

Mais uma que é IM-PER-DÍ-VEL: a gravação histórica comemorando o centenário da ópera Fosca, com grandes nomes nacionais do canto lírico.
Chegou a vez de apresentarmos a vocês Fosca, a ópera que sempre foi a queridinha de Antonio Carlos Gomes, a que ele considerava ser sua melhor obra. E grande parte dos estudiosos concordam com isso.
Tudo conspirava a favor: sua primeira grande ópera nas terras europeias tinha sido um enorme sucesso e alguns compositores, como Ponchielli, chegavam a consultá-lo na montagem de suas obras, ele adquiria prestígio e se tornava referência para muitos músicos. Além disso, Gomes tinha ganhado muito dinheiro e, exibicionista, mandara construir um palacete nos arredores de Milão (a Villa Brasilia, ainda existente, hoje um conservatório) e acabava de se casar com uma delicada e jovem pianista, Adelina Peri.
Carlos Gomes estava feliz e se sentia seguro para escrever uma peça já com um enredo italiano. Seu contato com o libretista de renome Antonio Ghislanzoni (que escrevia para nada menos que Verdi) lhe rendeu uma história que ainda tinha uma ponta de exotismo: tendo como pano de fundo um ataque de corsários a Veneza, mostra o dilema da protagonista, Fosca (uau! uma mulher pirata) que, ao perceber que seu amor pelo capitão veneziano Paolo, seu refém na Ístria, não é correspondido, comete suicídio, envenenando-se (ih, contei o final!).
A ópera teve bom público e foi até bem aceita, embora não obtivesse o sucesso estrondoso de Il Guarany. Mas a crítica musical foi muito dura e, puritana e fechada aos padrões italianos, o acusou de wagnerianismo, vendo, na forma de orquestração e no uso mais destacado de leitmotiv da obra, uma espécie de sacrilégio.
Carlos Gomes, embora incompreendido, estava no auge: já compositor de renome, compunha sua obra tecnicamente mais complexa. Aqueles comentários da crítica sobre suas óperas anteriores, de que a qualidade entre as árias era oscilante, aqui já não podem ser aplicados: Fosca é obra redonda, muito bem acabada de uma orquestração bastante superior ao que Gomes tinha feito até então.

Lauro Machado Coelho nos conta um pouco mais da obra e sua qualidade técnica:
O estilo mais elaborado de orquestração e o uso de motivos recorrentes fizeram com que desta vez o compositor fosse acusado de “wagnerismo” (embora não possa haver duas personalidades mais dissemelhantes no mundo da música). A ópera foi também prejudicada pelo fato de Kraus [intérprete de Fosca na estreia da ópera], de tipo físico atarracado e pouca desenvoltura em cena, ser incapaz de projetar uma personagem título forte, selvagem, que não hesita em se destruir na tentativa de obter o que deseja. Mas, principalmente, o Guarany tinha criado uma expectativa que a Fosca não preenchia, justamente por ser mais bem escrita do que a média dos espetáculos da época, e por não fazer concessões ao gosto popular. No Perseveranza, em 18 de fevereiro, Filippo Filippi foi muito elogioso, ressaltando a originalidade da partitura e não hesitando em afirmar que ela era superior ao Guarany “como música, como obra de arte e como drama musical”. E protestava contra “esses senhores que ouvem a música em pé, nos vestíbulos, de costas para o palco, e escutando a música por alto, [e depois] decretam que não há novidade, nem melodia, nem efeito… decretos inapeláveis que não posso admitir.”
A Fosca não chegou a ser um fracasso, como já se quis afirmar. Mas não foi tampouco a repetição do sucesso retumbante do Guarany, que Carlos Gomes desejara. (…) O que é uma pena, pois, musicalmente, Fosca é a ópera mais bem acabada de Carlos Gomes. O libreto de Ghislanzoni não chega a ser grande coisa. Embora forneça ao compositor as situações costumeiras que lhe permitem escrever números eficientes.
Portanto, se há deficiências no libreto, a música as supre amplamente – e este não é o primeiro caso na ópera italiana. A Fosca é a obra de um compositor confiante, animado com o sucesso, que está vivendo uma fase feliz, e sente-se com coragem para experimentar formas incomuns nos teatros italianos. Em trechos como o dueto “Già troppo al mio suplizio”, do ato II, Carlos Gomes entrelaça ousadamente melodias independentes, criando ricos efeitos polifônicos; e escreve cenas de conjunto bastante complexas, a mais imponente das quais é a do final da ópera. O comentário orquestral é muito trabalhado, com o uso de motivos recorrentes. Mas à maneira melódica verdiana, sem o desenvolvimento sinfônico do modelo wagneriano. O estilo de declamação é bastante livre. Quando a protagonista exclama: “Pazza!… pazza!… è ver!… Oh quale orror… son pazza!… Ira… dolore… amore… tutto è folia…”, as indicações para a cantora pedem, de uma palavra para a outra praticamente, mudanças de dinâmica e estilo de canto de uma flexibilidade surpreendente: parlato, interroto, convulso… cantabile grandioso e con forza… parlato piano… agitato forte… dolce piano… ritenuto pianissimo… Essa declamação, que transita constantemente do parlato para o arioso, e dali para o cantabile, contribui para tornar as fronteiras entre os números menos definidas, o que resulta em cenas construídas com blocos mais contínuos. É de Julian Budden o comentário: “Fosca contém, em seu ato II, o concertato final mais complexo antes do ato III do Otello.” E mesmo os números fechados recebem tratamento original, que os distancia da média das árias da época, em que se repetem as receitas de efeito comprovado da tradição. É o caso de “Quale orribile peccato” (Fosca, ato II), “Ad ogni mover lontan di fronda” (Délia, ato III), ou “Ah, se tu sei fra gli angeli” (Paolo, ato IV)
(Lauro Machado Coelho)

Suas obras posteriores manteriam também qualidade que Carlos Gomes atingiu em Fosca. Esta, de sua parte, é mais densa, mais escura e mais pesada que sua predecessora Il Guarany. E melhor, mais elaborada. Temos aqui, sem sombra de dúvida, um grande compositor!
Desligue tudo que há de ruidoso na sua casa, dê-se um tempo e ouça!

Antonio Carlos Gomes (Campinas, 1836-Belém, 1896)
Fosca (1873)
Libreto: Antonio Ghislanzoni,
Baseado em Le Feste delle Marie: Storia Veneta del Secolo X, de Luigi Capranica

Ato I – 01 Sinfonia
Ato I – 02 Coro e Scena – Buon di, compagni
Ato I – 03 Scena – Salute al capitano
Ato I – 04 Preghiera – Fratel, da, un fascino
Ato I – 05 Stretta e Scena – Ah Crudeli
Ato I – 06 Aria – D’amore l’ebbrezze
Ato I – 07 Scena e Duetto – Cara citta natia
Ato I – 08 Finale Primo – Scena e Terzettino – La tua rivale odiata
Ato II – 09 Atto Secondo – Scena d’amore e duettino – Soli, del mondo immemori
Ato II – 10 Dialogo e Canzone – Io vengo dai mondi
Ato II – 11 Terzetto – Mirate questa collana
Ato II – 12 Scena e frase – Bel cavaliero… sposa gentile
Ato II – 13 Duettino – Gia troppo al mio supplizio
Ato II – 14 Aria – Quale orribile peccato
Ato II – 15 Marcia e Coro Nuziale
Ato II – 16 Finale Secondo – Pezzo Concertato – Pazza! Pazza! É ver!
Ato III – 17 Atto Terzo – Scena ed Aria – Ad Ogni Mover Lontan di Fronda
Ato III – 18 Scena e Duetto – Orfana e Sola
Ato III – 19 Coro di Corsari – Dei Due Mente
Ato III – 20 Scena e Duetto – Tu La Vedrai Negli Impeti
Ato IV – 21 Scena del Consiglio e Strofe – Son Capitano
Ato IV – 22 Invettiva – Coro – Di Venezia la Vendetta
Ato IV – 23 Scenetta – Ti Allegra, o Giovane
Ato IV – 24 Romanza – Ah! Se Tu Sei Fra Gli Angeli
Ato IV – 25 Gran Scena – Alfin Tremanti e Supllici
Ato IV – 26 Quartetto – Scena Finale – Non M’Aborrir, Compiangimi

Fosca, pirata da Ístria – Ida Miccolis, soprano
Paolo, capitão veneziano – Zaccaria Marques, tenor
Delia, noiva de Paolo – Agnes Ayres, soprano
Cambro, escravo de Gaiolo – Constanzo Mascitti, barítono
Gaiolo, irmão de Fosca – Mario Rinaudo, baixo
Doge de Veneza – Benedito Silva, baixo
Michele Giotta, pai de Paolo – Sebastião Sabié, baixo

Orquestra e Coro do Teatro Municipal de São Paulo
Armando Belardi, regente
São Paulo, 1973

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – (127Mb – 2CD, cartaz, info e resumo da ópera)
Comente, por favor… Menos de 3% dos ‘baixadores’ comentam… Ô tristeza…

Ouça! Deleite-se!

Bisnaga

Bogusław Schaeffer – Concerto para piano nº3 LINK REVALIDADO

Bogusław Schaeffer é uma figura curiosa nas artes polonesas. Além de compositor e instrumentista, é também teatrólogo e, eu diria, um obcecado pela experimentação. Construiu toda sua obra dentro de um conceito de que cada peça tem sua própria lógica, que mesmo em seu desenvolvimento é cambiante, não aplicando padrões à sua produção. Ainda assim, justamente essa falta de padrões acaba trazendo uma característica e um clima que aproximam todas as suas obras (e, sim, criam um padrão): elas não têm linearidade, não têm unicidade clara, sempre têm um certo ar de vagar que particularmente me cativa. Apesar de toda a experimentação, uma coisa é clara: o compositor não abre mão da expressão. Por todas as vias tortas chegamos ao lirismo, ao êxtase, ao lúdico. O única questão é que tudo isso logo se transforma, muda de clima, ganha constantemente outra expressão.

De um certo ponto de vista, Schaeffer é um <em>enfant terrible</em> da música polonesa. Sua obra ainda é pouco tocada mesmo na Polônia, ganhou poucos prêmios, as gravações são dificílimas de achar. Mas do alto de seus 80 anos, continua a produzir sem cessar e, aparentemente, sem se importar.

Aqui vai a primeira obra que conheci dele, o Concerto nº3 para piano, orquestra e computador, de 1990. Do que sei (e não é muito, já que ele produziu muito, mas é muito pouco tocado mesmo na Polônia), é uma das raras obras com divisão em movimentos, o que torna o passeio não-linear bem mais fácil. O uso do computador é muito interessante e de certa forma discreto, harmonizando bem com a trama orquestral. Um trechinho dessa peça foi usado em um filme do David Lynch, Império dos Sonhos (2006) e, por isso é uma peça mais fácil de ver por aí (ainda que no cd da trilha sonora esteja só marcado como “Piano Concerto”).

Boa diversão.

Bogusław Schaeffer
(1929- )

Concerto para piano, orquestra e computador (1990)

I. Entrata
II. Tumultuoso
III. Drammatico
IV. Nostalgia
V. Gaio
VI. Fuga
VII. Notturno
VIII. Amoroso
IX. Blues
X. Estasi
XI. Finale

Bogusław Schaeffer, piano
Marek Choloniewski, computer
Orquestra da Rádio de Katowice
Bogdan Oledzki, regência

BAIXE AQUI

itadakimasu

Antonio Carlos Gomes (1836-1896): Óperas – (3) Il Guarany (1994-Neshling/Domingo) [link atualizado 2017]

175 anos do nascimento de Antonio Carlos Gomes

Il Guarany é a ópera mais conhecida de Antonio Carlos Gomes e também a mais executada e mais gravada, embora não seja a melhor delas. Isso não significa de forma alguma que ela seja ruim, muito pelo contrário: o sucesso estrondoso que teve na Itália e no Brasil refletem que ali havia um compositor que conseguia trazer algo de novo à fórmula já batida da ópera italiana e que veio dar ares renovados e mais fôlego ao formato.
Interessante é perceber que Carlos Gomes chega à Itália sem os preconceitos musicais que tinham os compositores daquela terra: a insinuação de uma forma de leitmotiv, utilizando-se da abertura para indicar trechos de árias que aparecerão posteriormente para criar uma unidade, é uma característica comum às óperas alemãs, coisa à qual os milaneses tinham uma certa aversão (e que deu certo nesse caso: foi muito bem recebida). O mesmo ocorria com alguns instrumentos de sopro que Gomes inseria na orquestração, também de matriz alemã. Mas o que esperar de um compositor criado dentro da banda marcial do pai em Campinas, cidade já influenciada pela cultura alemã (à época um dos maiores centros atratores de imigrantes teutos para o Brasil, que iam trabalhar nas fazendas de café)?
Em sua ópera seguinte, Fosca, Gomes abusou de inovações, aproximando-se mais da escola alemã. Acabou desagradando público e crítica, mas isso vocês verão na postagem de daqui a sete dias…
Mantenho aqui o belo texto do CVL que postou originalmente essa peça com observações muito sensatas, embora bastante pessoais:

Tenho pouquíssima afinidade por óperas (parece todos os meus manos de consideração também, pois atinei que poucas são disponibilizadas aqui – geralmente, barrocas ou wagnerianas), mas já estava na hora de postar uma nacional. E nada melhor do que começar com o carro-chefe de todas elas. Só que não sei o que dizer: não me vem a menor inspiração para fazer um texto legal, para instigar vocês a baixar O guarani. Também não quero escrever o que vocês vão achar escrito em qualquer outro lugar.
Posso dizer somente que, tirando a Protofonia (muito lenta para o que estamos acostumados), a gravação é “prestável”. O álbum foi muito vendido e é tido como referência (por Sylvio Lago em Arte da regência, p. ex.), embora eu não o ache para tanto. Bom será para os mais iniciantes identificar como os temas da referida Protofonia/Sinfonia, escrita meses depois da estréia, aparecem ao longo do drama – em especial o tema principal, que funciona como um leitmotiv [a tal característica alemã].

Confesso que gosto mais da primeira versão, a antigona, regida por Armando Belardi. Aqui algumas peças estão mais lentas e a soprano que interpreta Ceci, Veronica Villaroel, é muito competente, mas fiquei mal acostumado com a leveza inumana da voz de Niza de Castro Tank e, talvez por isso, não me deslumbre tanto com a solista chilena… Mas há a precisão da batuta de John Neshling, com o som límpido que lhe é característico, e a voz marcante de um dos grandes tenores do século, Plácido Domingo, que valem demais a audição.

Por fim: muito bom! Não deixe de ouvir!
.
.
.

Antonio Carlos Gomes (Campinas, 1836-Belém, 1896)
Il Guarany (1870)
Libreto: Antônio Scalvini
Baseado no romance homônimo de José de Alencar

Ato I – 01 Sinfonia
Ato I – 02 Scorre il Cacciator
Ato I – 03 L’idalgo vien + Gentile di cuore’
Ato I – 04 Cecilia, esulta, Reso ai nostro lari + Salve, possente Vergine
Ato I – 05 Che brami + Sento una forza indômita
Ato II – 06 Son giunto in tempo + Vanto io pur superba cuna
Ato II – 07 Ecco la grotta del convegno + Serpe vil
Ato II – 08 Udiste + L’oro è un ente sì Giocondo
Ato II – 09 Ebben, miei fidi + Senza tetto, senza cuna
Ato II – 10 Oh, come è bello in ciel!+ C’era una volta un príncipe
Ato II – 11 Tutto è silenzio + Donna, tu forse l’única
Ato II – 12 Miei fedeli + Vedi quel volto lívido
Ato III – 13 Aspra, crudel, terribil
Ato III – 14 Canto di guerra + Giovinetta, nello sguardo
Ato III – 15 Qual rumore + Or bene, insano
Ato III – 16 Tu, gentil regina + Il passo estremo omai s’appresta
Ato III – 17 Ebben, che fu + Perché di meste lagrime
Ato III – 18 Morte! + O Dio degli Aimorè
Ato III – 19 Che fia + Sorpresi siamo
Ato IV – 20 Né torna ancora + In quest’ora suprema
Ato IV – 21 No, traditori + Gran Dio, che tutto vedi
Ato IV – 22 Padre! + Con te giurai di vivere

Pery – Placido Domingo, tenor
Cecilia – Veronica Villaroel, soprano
Gonzalez – Carlos Alvarez, barítono
Don Antonio de Mariz – Hao Jiang Tian, baixo
Don Alvaro – Marcus Haddock, tenor
Cacique – Boris Martinovic, baixo
Ruy Bento – Graham Sanders, barítono
Alonso – John-Paul Bogart, tenor
Pedro – Pieris Zarmas, baixo

Chor und Extrachor der Oper der Stadt Bonn,
Orchester der Beethovenhalle Bonn
John Neschling, regente
Bonn, 1994

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (168Mb – 2CD, cartaz, info e resumo da ópera)

Ouça! Deleite-se!

 

CVL
revalidado/recauchutado por Bisnaga

Franz Schubert (1797-1828): obra para Piano a 4 mãos em 7 CDs (Link revalidado)

Eu ainda era menino quando me impressionei com o corpo da sonoridade que brota de um piano quando 20 dedos, e não apenas 10, manipulam as suas 88 teclas. Ou seja: piano a 4 mãos.

Acho que muitos até hoje pensam que se trata de uma forma meramente pedagógica de música, para ser tocada por professor e aluno (e atesto que é ótima nesse sentido!) ou para estimular que aluninhos estudem por podê-lo fazer brincando com amiguinhos, ou qualquer coisa assim.

Muitos também sabem que antes da invenção da gravação de som – quando a aparelhagem de som das casas pequeno ou médio burguesas consistia das filhas da família treinadas para extrair sons dos pianos – cada vez que um compositor consagrado lançava uma ópera ou sinfonia, essa era imediatamente publicada em redução para piano a quatro mãos: era o CD da época.

Mas não sejamos muito maldosos: também os próprios músicos estudavam as óperas e sinfonias uns dos outros através dessas reduções – pois afinal não era bem assim encontrar uma montagem da Nona de Beethoven ali na esquina quando se quisesse, não?

Mas à parte isso tudo, houve compositores que exploraram a formação como veículo de música séria original para ela – e entre eles parece que Schubert tem posição de destaque. Digo “parece” porque não sou nenhum especialista no assunto, mas ouvi essa afirmação quando tinha 12 ou 13 anos, em uma apresentação no interior do Paraná do pianista e compositor Henrique Morozowicz com sua mulher Ulrike Graff, pianista e violista. (Lembro que já postei aqui o piano do Henrique, no caso em duo com seu irmão Norton à flauta, numa ripagem de dois belos e raros LPs).

Por outro lado, acho certa graça de me ver postando Schubert, pois é um compositor com quem tenho duas dificuldades: uma, acho que às vezes ele perde a noção de quando parar de explorar o desenvolvimento de um material temático: se alonga demais como quem quer mostrar todas as possibilidades, e acaba cansando.

Outra, mais grave, é que seus temas tão encantadores muitas vezes parecem reconduzir natural e inevitavelmente ao seu próprio começo, e acabam deflagrando no meu cérebro algum processo no rumo do obsessivo-compulsivo: podem ficar se repetindo mentalmente dia e noite a ponto de me sentir não inspirado e sim obsedado, “encostado” pelo Franz.

É por essas razões que não o ouço muito, apesar de respeitá-lo como compositor e de achar sua música bonita.

Mas tem UMA obra… uma obra dele que está entre minhas mais queridas sei lá por quê. Dentro da literatura pianística acho que só o Prelúdio, Coral e Fuga de César Franck também mora tão dentro do meu coração (se me permitem expressão tão banal…): é a FANTASIA EM FÁ MENOR para piano a 4 mãos, que fecha o primeiro CD desta coleção de sete. Nunca me dediquei a conhecer nenhuma outra de Schubert como me dediquei a essa, inclusive estudando um tanto a parte de baixo ao piano, e por isso deixo algumas palavras sobre ela como depoimento pessoal. (Quanto ao resto do material, irei a partir de agora explorá-lo como tão ou mais novato que vocês).

Olhada como um todo, minha querida Fantasia faz pensar em uma sinfonia com suas quatro partes tradicionais – isso apesar de o 1º movimento (Allegro molto moderato) não ser em “forma de sonata” e sim uma melodia livre, como é o 1º movimento da Ao Luar de Beethoven, e de um lirismo de que creio só encontrar paralelo, no romantismo germânico, no 1º movimento do Concerto para Violino deste mesmo.

Segue-se um Largo de caráter dramático entremeado com uma seção cantante quase leviana (no que talvez se possa ver alguma analogia com a Marcha Fúnebre de Chopin) – o qual conduz a um Allegro vivace que é efetivamente um dinâmico e substancioso scherzo com “trio” no meio (ou seja: um típico 3º movimento de sinfonia).

E como 4º movimento temos a retomada do tema inicial, que leva mais uma vez a uma seção dramática como a abertura do Largo, só que desta vez mais dinâmica, até tempestuosa, e em forma de Fuga – e se alguém ousar chamar Schubert de “compositor menor” taco-lhe na cabeça esta Fuga!

Acontece porém que tão vigorosa Fuga não termina em orgasmo como as fugas do pai do PQP sóem terminar, mas (estamos em tempos românticos) se deixa interromper mais uma vez pela lírica melancolia do tema inicial. Só que faz isso isso com tanta beleza que – coitado do Franz – nós, egoístas, não podemos deixar de aplaudir…

Enfim: sobre o duo de executantes, a net me conta que Yaara Tal (apesar de o primeiro nome parecer brasílico ou tupi) é israelense, e que Andreas Groethuysen (apesar desse sobrenome tão obviamente flamengo ou holandês) é alemão. E a gravação teria sido feita num piano Fazioli aproveitando a acústica do castelo Grafenegg, na Áustria – chiquíssimo, não? (Ah, esses europeus…)

BOM PROVEITO!

Franz Schubert: obra integral para piano a quatro mãos em 7 volumes
Duo Tal-Groethuysen (Yaara Tal, Andreas Groethuysen)
Gravado em 1997

CD1
01 – Overture in F major, D675
02 – 8 Variations on a theme from the opera (Marie) in C major, D908
03 – Rondo in D major, D608
04-06 – Trois Marches Heroiques, D602
07 – Fantasie in F minor, D940

CD2
01 – Variations on an Original Theme in B-flat major, D603
02-04 – Divertissement a lhongroise in G minor, D818
05-10 – Six Polonaises, D824

CD3
01 – Allegro in A minor, D947 (Storms of Life)
02-05 – Four Polonaises, D599
06 – Eight variations on a French song in E minor, D624
07-09 – Divertissement sur des motifs originaux francais, D823

CD4
01-06 – Six Grandes Marches D819
07 – Rondo in A major D951

CD5
01-04 – Sonata in C major, D812 (Grand Duo)
05 – Grand Marche funebre in C minor, D859
06 – Grand Marche heroique in A minor, D885

CD6
01 – Eight Variations on an Original Theme in A-flat major, D813
0204 – Sonata in B-flat major, D617
05-07 – Trois Marches militaires, D733
08 – Deux Marches caracteristiques, D968 B – No.1 in C major
09 – Deux Marches caracteristiques, D968 B – No.2 in C major

CD7
01 – Fantasie in G major, D1
02 – Fantasie in G minor, D9
03 – Fantasie in C minor, D48
04 – Overture in G minor, D668
05 – Deutscher with Two Trios in G major, D618
06 – Deutscher with Two Landler in E major, D618
07 – Four Landler, D814
08 – March in G major (March for Children), D928
09 – Allegro moderato in C major, D968
10 – Andante in A minor, D968
11 – Fugue in E minor, D952

BAIXE AQUI – Download Here – CDs 1+2

BAIXE AQUI – Download Here – CDs 3+4+5+6+7

Ranulfus (Revalidado por PQP, que se meteu a colocar o vídeo também.)

Schubert (1797-1828): Quartetos 'Rosamunde' e 'A Morte e a Donzela' (Link Revalidado)

(Homem de bom coração, PQP estava ouvindo esta maravilha e resolveu fazer algo fora de seus princípios: revalidou o link. Abaixo, o texto original do Ranulfus).

Olha aqui eu postando Schubert de novo, participando deste verdadeiro festival não planejado!

A bem da verdade, a obra para piano a quatro mãos que postei há dois dias não havia sido minha primeira postagem de Schubert: a dos dois LPs do Duo Morozowicz (julho de 2010) culmina com a belíssima série de Variações sobre Ihr Blümlein Alle, op.160, para flauta e piano.

E agora, nos comentários à postagem “4 mãos”, o leitor Ivan Ricardo recomendou apaixonadamente a gravação feita em 2006 pelo Quarteto Takács (se isso for húngaro, a pronúncia será presumivelmente “tákaatch”) do mais famoso quarteto de Schubert: o nº 14, apelidado de “A Morte e a Donzela” – num CD que contém de quebra o quarteto nº 13, apelidado de “Rosamunde”.

Além da enfática recomendação do Ivan, fui verificar e descobri, surpreso, que ainda não tínhamos aqui no blog esse mais famoso dos quartetos schubertianos. Ora, vocês não acham que isso é bom motivo para uma operação de emergência?

Quanto ao porquê desses apelidos… não me perguntem! Desta vez deixo para vocês pesquisarem – e depois compartilharem conosco aqui, hehehe… junto com as suas opiniões!

OBRIGADO AO IVAN RICARDO PELA DICA – E BOA AUDIÇÃO PARA TODOS!

Franz Schubert (1797-1828)
String Quartet No.14 in D minor, D810 “Death and the Maiden”
String Quartet No.13 in A minor, D804 “Rosamunde”
Takács Quartet – Recorded at St. George’s, Brandon Hill, Bristol, 2006-05-22/25.
Total Playing Time: 69min 09sec
Year: 2006

String Quartet No.14 in D minor D810: ‘Death and the Maiden’
01. I. Allegro [0:10:51.73]
02. II. Andante con moto [0:12:22.38]
03. III. Scherzo: Allegro molto [0:03:40.07]
04. IV. Presto [0:09:03.38]

String Quartet No.13 in A minor D804: ‘Rosamunde’
05. I. Allegro ma non troppo [0:12:43.35]
06. II. Andante [0:06:41.58]
07. III. Menuetto: Allegretto [0:06:56.02]
08. IV. Allegro moderato [0:06:48.02]

BAIXE AQUI – Download Here (RAPIDSHARE)

Ranulfus (revalidado por PQP)

Antonio Carlos Gomes (1836-1896): Óperas – (3) Il Guarany (1959-Belardi) [link atualizado 2017]

184 anos do nascimento de Antonio Carlos Gomes

 

Duplamente IM-PER-DÍ-VEL
Nesse dia histórico (marquem aí na agenda: 19 de janeiro de 2012), nós, do P.Q.P.Bach conseguimos disponibilizar para vocês a fantástica, megalômana, inoxidável, esfuziante e histórica primeira gravação mundial de Il Guarany, de nosso grande operista Antônio Carlos Gomes, realizada em 1959, sob a batuta de Armando Belardi. Foi esse o primeiro registro integral de uma ópera de Gomes. Todas, exceto Joanna de Flandres, viriam depois. O Guarani, a mais popular das obras gomianas, seria também a mais registrada. Há coisa de sete gravações (três mais conhecidas: 1959-Armando Belardi, 1996-Julio Medaglia e 1994-John Neshling, com Plácido Domingo, que revalidaremos na semana que virá).
Nhô Tonico, já vivendo em Milão, conseguiu ingressar no concorridíssimo e prestigioso Conservatório da cidade. Por ser aluno de grande talento, não demorou para que passasse a ter aulas particulares com o diretor, o também compositor Lauro Rossi. Naquela cidade, o centro da ópera no mundo, a qual poucas cidades faziam frente, compôs duas operetas, uma em 1866 e outra em 1868, ambas com razoável sucesso.
Tornou-se amigo do libretista Antonio Scalvini, a quem chamou para adaptar a obra de José de Alencar. Era um sonho já antigo de Carlos Gomes, que aspirava transformar em ópera o romance entre o índio Peri e a bela moça europeia Ceci, desde que O Guarani foi publicado em forma de folhetim na imprensa carioca de fevereiro a abril de 1857. Ele já comentara com seu mestre no Rio, Francisco Manoel da Silva (nada mais, nada menos que o autor de nosso Hino Nacional, o maior compositor vivo no Brasil de então, após a morte do padre Nunes Garcia e a ida de Neukomm para Paris) que essa história produziria a grande ópera nacional. Com bolsa do governo na Itália, Il Guarany foi uma forma também de demonstrar retorno ao investimento que fizeram nele, expondo o Brasil lá fora.
Il Guarany começou com tudo: estreou no Alla Scalla, principal teatro de Milão, com um sucesso estrondoso. Não era para menos, pois a ópera unia vários fatores interessantes: um compositor de uma terra exótica, o Brasil, um enredo também exótico sobre indígenas, árias muito bem construídas e bons intérpretes. A curiosidade dos italianos pelo exotismo da peça aliada à facilidade de Gomes de compor belas melodias levou Carlos Gomes ao estrelato. Tonico atingia uma fama tal que nenhum artista das Américas tinha conhecido ainda. Essa onda de exotismo já vinha atingindo a Europa, em uma febre que tinha origem na França e chegava na Itália, com as produções operísticas como as indianas Lakmé (Delibes) e Os Pescadores de Pérolas (Bizet) ou A Africana (Meyerbeer), ou até mesmo a egípcia Aida (Verdi), que estava sendo composta quando Il Guarany estreou.

“Nas mãos de Scalvini e D’Ormeville (libretista francês que auxiliou Scalvini), Il Guarany sofreu diversas modificações em relação a Alencar. Desapareceram algumas personagens: Diogo de Mariz, o irmão de Cecília, e Isabel, a filha bastarda de Dom Antônio. Loredano – na verdade o religioso renegado frei Angelo di Luca – foi transformado no aventureiro espanhol González, decerto para não ferir a susceptibilidade dos italianos, que não gostariam de ver um compatriota como vilão. Surgiu o cacique dos aimorés, que se apaixona por Ceci; e chegou-se a pensar numa filha desse cacique, que se enamoraria de Peri – mas a idéia não foi adiante. Para a estréia, em 19 de março de 1870, no Teatro alla Scala, Carlos Gomes ainda não tinha escrito a abertura. Havia um Prelúdio de construção bem mais simples.
O cenógrafo era Carlo Ferrario e o figurinista, Luigi Zamperoni. As ilustrações da época demonstram que ambos executaram um belíssimo trabalho. Francesco Villani e Maria Sass interpretavam o índio Pery e a portuguesinha Ceci; Enrico Storti fazia o aventureiro González. O Cacique marcou a estréia italiana do futuro criador de Iago e Falstaff: o barítono francês Victor Maurel, na época com apenas 22 anos. Eugenio Terziani era o regente da estréia. (...) Pela ópera, o compositor seria também condecorado, na Itália, em 20 de março, como Cavaleiro da Coroa; e no Brasil, em 30 de novembro, com a Ordem da Coroa.
O novo e o pessoal estão presentes em Il Guarany, e de forma que não é apenas aparente. Se não há motivo, como quer Leo Laner, para que se supervalorize a obra mais conhecida de nosso compositor, é também injusta a afirmação de Wilson Martins, no terceiro volume da História da Inteligência Brasileira, de que ela “é o triunfo enganador de fórmulas musicais esgotadas”. Contestando essa opinião, Marcus Góes pergunta:
“Seriam uma fórmula esgotada na ópera italiana a utilização de melodias modinheiras, os ritmos em síncope, os acordes e escalas de sétima diminuída à moda da música popular brasileira da época, a fuga a modelos de números fechados, as combinações tímbricas das marchas do terceiro ato, os acompanhamentos plangentes em quiálteras alternadas e tudo o que vimos na análise musical acima feita?”
A análise musical a que Góes se refere é o levantamento que ele faz, nas pp. 110-127 de seu estudo, ao qual remeto o leitor, dos “inúmeros exemplos de música de notória origem e inspiração brasileiras, espalhados por toda a partitura, ora de modo facilmente perceptível, ora embutidos nos comentários da orquestra em fugazes citações”. Góes elenca, por exemplo, o “acentuado sabor modinheiro” do trecho “Poi s’averrà un lieto dì risciogliere il voto sugli altar”, cantado por Don Antônio, Alvaro e Ceci; ou do famoso “Sento una forza indomita”, de Peri. Ressalta a origem brasileira de um maneirismo típico de Gomes, as quiálteras no acompanhamento, que dão ao ritmo um aspecto quebradiço, citando o “La natura e Dio t’ispirino un lamento che, gemendo, risponda al mio tormento!” E observa que, “na introdução da balada de Ceci, no ato II, o allegro brillante em 6/8 é de fazer inveja a um violeiro de seresta, preparando o seu ‘pinho’.” Chamando também a atenção para o fato de que os achados de Gomes inspirariam compositores italianos da época, Góes traça paralelos entre trechos do Gauarany e passagens na obra de Ponchielli. E dá especial importância ao fato de que:
“Em O Guarani, CG ‘abre’ o discurso musical em benefício da ação dramática, ou seja, não a bloqueia em números fechados tipo recitativo-ária-cabaletta. O compositor, ávido de demonstrar sua capacidade – uma real capacidade, diga-se – é absolutamente genial na fragmentação do discurso musical, através de melodias curtas e incisivas, de rápidas citações orquestrais, no uso constante de modulações inesperadas, na busca de ritmos em síncope – no que era mestre, inclusive por serem típicos esses ritmos da música popular que se fazia no Brasil –, na exploração constante da variedade tonal. Não era isso que Boito e os intelectuais da época queriam?” (Lauro Machado Coelho)

Depois de tudo isso, que mais posso dizer?
Apenas, que aprecie esta gravação que tem, claro, todas as limitações de um registro de mais de 60 anos atrás, mas feita com capricho. Que conhece outras gravações, perceberá que, talvez para caber no disco, algumas partes de recitativos foram cortadas, mas nada que nos deixe perder o contexto e o clima.
Os solistas são muito bons, mas sou forçado a achar que a soprano Niza de Castro Tank rouba a cena, pois a partitura pede uma soprano lírico-coloratura como ela. Sua voz é tão leve, parece uma flauta… Não vi ainda outra intérprete de Ceci com agudos tão fáceis como os dela…
Ah, faltou dizer: Carlos Gomes já era compositor maduro, mas melhoraria muito mais nas obras seguintes. Com Il Guarany atingiu o auge: era jovem, bem-sucedido, amado, tudo estava dando certo. Depois teria vários problemas, atingiria grandes sucessos, mas nunca mais o mesmo.

Ah, chega de falar! Ouça! Ouça! Ouça! Ouça!

Antonio Carlos Gomes (Campinas, 1836-Belém, 1896)
Il Guarany (1870) (1870)
Libreto: Antônio Scalvini
Baseado no romance homônimo de José de Alencar

Ato I – 01 Sinfonia
Ato I – 02 Scorre il Cacciator
Ato I – 03 Diálogo e entrada de Perí
Ato I – 04 Gentile di Cuore
Ato I – 05 Sento una Forza Indómita
Ato I – 06 Ave Maria
Ato II – 07 Vanto Io Pur – Ária de Perí
Ato II – 08 L’oro è une ente si Giocondo
Ato II – 09 Senza tetto senza cuna
Ato II – 10 C’era una volta un príncipe
Ato II – 11 Tutto é silenzio – Concertato
Ato III – 12 Aspra, Crudel
Ato III – 13 Bailado
Ato III – 14 Canto di Guerra
Ato III – 15 Canto di Guerra
Ato III – 16 Or Bene, Insano
Ato III – 17 Il Passo Estremo
Ato III – 18 Perché di Mestre Lagrime
Ato III – 19 Dio degli Aymoré
Ato IV – 20 In quest’ora suprema – Con te Giurai di vivere – Ferma, Olá!
Ato IV – 21 No, Traditori – Cena do Batismo

Pery – Manrico Patassini, tenor
Cecilia – Niza de Castro Tank, soprano
Gonzalez – Lourival Braga, barítono
Don Antonio de Mariz – José Perrota, baixo
Don Alvaro – Paschoal Raymundo, tenor
Cacique – Juan Carlos Ortiz, baixo
Ruy Bento – Roque Lotti, tenor
Alonso – Waldomiro Furlan, baixo

Orquestra e Coro do Teatro Municipal de São Paulo
Armando Belardi, regente
São Paulo, 1959 – primeira gravação mundial

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE – (153Mb – 2CD, cartaz, info e resumo da ópera)

Ouça! Deleite-se!

 

Bisnaga

Joaquin Rodrigo – Conciertos – Pepe Romero

O Concierto de Aranjuez deve ter sido uma das primeiras músicas que ouvi e compreendi em minha vida, ainda nos meus tenros e singelos 5 ou 6 anos de idade. Digamos que o velho LP com o John Williams e o Eugene Ormandy, LP que ainda tenho, me iniciou musicalmente. A paixão pelo instrumento e pela música não foram suficientes para me tornar um virtuose no violão, ao contrário, posso dizer que fui um violonista medíocre. Digo fui porque já há mais de quinze anos não pego um para tocar.

Mas Joaquin Rodrigo foi o meu mentor espiritual e musical. Amo suas composições, e desde o começo me sensibilizei com sua cegueira, e claro, com sua sensibilidade em explorar um instrumento tão rico harmonicamente falando quanto o violão. Alguns consideram o segundo movimento do Concierto de Aranjuez um tanto piegas, porém não concordo. Trata-se da mais bela declaração de amor já escrita através de notas musicais, no mesmo nível de qualquer obra de Chopin ou Beethoven.

Este CD triplo está fora de catálogo, não consegui encontrá-lo nem na amazon francesa e nem no site da própria Decca Classics. Traz a Familia Romero interpretando as obras de Joaquin Rodrigo, com destaque para o mais famoso deles, Pepe Romero,  que interpreta o Concierto de Aranjuez e a “Fantasia para un Gentilhombre”. A diferença desta caixa que posto para esta cujo link da amazon anexei é que não tenho nesta caixa o Concerto Serenata para Harpa e Orquestra. Mas que se trata de coisa finíssima, ah, os senhores podem estar certos. Tenho certeza de que irão apreciar e muito.

CD 1

01 – Concierto de Aranjuez – I. Allegro con spirito
02 – Concierto de Aranjuez – II. Adagio
03 – Concierto de Aranjuez – III. Allegro gentile
04 – Fantasia para un gentilhombre – I. Villano y Ricercare (Adagietto – Andante moderato)
05 – Fantasia para un gentilhombre – II. Españoleta y Fanfare de la Caballeria de Nápoles (Adagio – Allegretto molto ritmico)
06 – Fantasia para un gentilhombre – III. Danza de las hachas (Allegro con brio)
07 – Fantasia para un gentilhombre – IV. Canario (Allegro ma non troppo)

Pepe Romero – Violão
Academy of St Martin on the Fields
Neville Marrimer – Condutor

CD 2

01 – Concierto Madrigal – Fanfarre (Allegro Marziale)
02 – Concierto Madrigal – Madrigal (Andante nostalgico)
03 – Concierto Madrigal – Entrada (Allegro vivace)
04 – Concierto Madrigal – Pastorcito, tu que viennes, pastorcito, tu que vas (Allegro vivace)
05 – Concierto Madrigal – Girardilla (Presto)
06 – Concierto Madrigal – Pastoral (Allegro)
07 – Concierto Madrigal – Fandango
08 – Concierto Madrigal – Arieta (Andante nostalgico)
09 – Concierto Madrigal – Zapateado (Allegro vivace)
10 – Concierto Madrigal – Caccia a la española (Allegro vivace – Andante nostalgico)
11 – Concierto Andaluz – I. Tiempo de Bolero
12 – Concierto Andaluz – II. Adagio
13 – Concierto Andaluz – III. Allegretto

Los Romeros – Violões
Academy of St Martin on the Fields
Neville Marrimer – Condutor

CD 3

01 – Concierto para una fiesta – I. Allegro deciso
02 – Concierto para una fiesta – II. Andante calmo
03 – Concierto para una fiesta – III. Allegro moderato
04 – En los Trigales
05 – Sonata a la Española – I. Allegro assai
06 – Sonata a la Española – II
07 – Sonata a la Española – III
08 – Tiento antiguo
09 – Junto al Generalife
10 – Fandango
11 – 3 Petites Pièces – 1
12 – 3 Petites Pièces – 2
13 – 3 Petites Pièces – 3
14 – Bajando de la Meseta
15 – Romance de Durandarte

Pepe Y Angel Romero – Violões
Academy of St Martin in the Fields
Neville Merrimer – Condutor

CD 1 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

CD 2 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

CD 3 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FDPBach

Antonio Carlos Gomes (1836-1896): Óperas – (2) Joanna de Flandres (trechos) [link atualizado em 2017]

175 anos do nascimento de Antonio Carlos Gomes


Joanna de Flandres foi a segunda ópera de Antônio Carlos Gomes. Trabalho de fôlego para o rapaz ainda moço, que contava com 27 anos na sua estreia. Depois do grande sucesso da primeira, Carlos Gomes resolveu manter a fórmula (em time que está ganhando não se mexe…): uma nova história que se passa em castelos e no tempo das Cruzadas. Se deu certo na primeira vez, haveria de dar certo novamente. E deu. Um novo e grande sucesso do aluno do Conservatório da Escola de Bellas Artes, que via sua fama aumentar cada vez mais.
Havia aqui e ali alguns deslizes, diziam ser o primeiro ato muito longo (ocupa metade de toda a ópera) e depois a história parecia correr muito rapidamente, havia algumas inconstâncias. Porém, Gomes já estava mais afiado com esse formato que ainda lhe era recente (sua primeira ópera estreara havia dois anos, somente), aprendia sempre e refinava sua composição.

Lauro Machado Coelho, conta-nos um pouco sobre a ópera:

Devido a adiamentos na produção, Joana de Flandres, prevista para estrear em 10 de setembro de 1863, só subiu à cena no dia 15. O libreto original, do jornalista Salvador de Mendonça, também se passa no tempo das Cruzadas e conta a história de Joana, apaixonada pelo libertino trovador Raul de Mauleon. Ela acusa de impostor o próprio pai, o conde Balduíno, que volta da Terra Santa após muitos anos de ausência, pois não quer lhe devolver o trono, no qual pretende instalar o amante. Theresina Bayetti, Giuseppe Mazzi e Acchile Rossi, regidos por Carlo Bossoni, criaram essa segunda ópera.
A marca verdiana ainda é forte: Conati chama a atenção para a analogia entre a cavatina “Foram-me os anos da infância” e a ária de Elvira no ato I do Ernani. Mas Luiz Heitor já vê nesta partitura acentos mais pessoais, identificando traços quase schubertianos nas modulações do “prodigioso melodismo” do jovem compositor. Uma certa flutuação básica, porém, que haveria de marcar toda a obra do compositor, foi percebida, na Joana de Flandres, pelo crítico do Jornal do Commercio que, em 17 de setembro, escrevia:
“Tem ele muita facilidade e espontaneidade na composição; essa mesma facilidade, contudo, o faz às vezes descer da altura em que poderia manter-se e cai, aqui e ali, no trivial”.

Carlos Gomes, ainda assim, atingiu enorme sucesso com sua segunda ópera e, se a primeira peça do gênero não foi suficiente para que ele conseguisse a almejada bolsa de estudos no exterior, foi Joanna de Flandres que provou ser ele um compositor de gabarito, acima do nível dos demais de sua terra e de seu tempo, e que lhe garantiu as bênçãos do Imperador para a concessão da bolsa. Gomes mudava-se para Milão no ano seguinte.

A carreira italiana de Carlos Gomes inicia-se em 1864, quando ele chega a Milão com uma bolsa de 1:800$000 que lhe fora concedida pelo governo brasileiro. Essa escolha era do agrado de D. Pedro II, que admirava seu talento. O imperador deu o seu placet ao nome do campineiro, indicado a Tomás Gomes dos Santos – diretor da Academia de Belas Artes, de que dependia o Conservatório – como o mais talentoso aluno daquela escola, merecedor de “fazer seus estudos em qualquer conservatório da Itália”. Para que se tenha uma idéia do que representava, na época, esse valor, basta lembrar que 800$000 era a renda anual que um cidadão precisava comprovar, se quisesse candidatar-se a senador do Império; e 400$000, caso almejasse a uma cadeira de deputado. Para que lhe fosse concedida bolsa tão liberal, contribuiu o sucesso de suas duas primeiras óperas.

O caminho de sucesso de Carlos Gomes estava se alinhando. Depois das operetas “Nella Luna” e “Se as minga”, já compostas em Milão, estrearia a ópera que o levaria ao estrelato: Il Guarany, mas essa fica para a semana que vem…

Infelizmente, Joanna de Flandres nunca foi gravada na íntegra ou, se há tal gravação, se perdeu em um número pequeno de cópias que não nos alcançou. Algumas partes dela, porém, foram executadas aqui e al, por orquestras e intérpretes variados. Logo, estes arquivos que disponibilizamos não são um CD, mas uma reunião do que já foi gravado dessa ópera, que, após sua esteia, só foi novamente executada em 2005, no Teatro Alpha, porém, sem a gravação do CD que se havia planejado na ocasião.
Do pouco desta peça que aqui temos para mostrar-vos, já se percebe uma grande qualidade na composição de Carlos Gomes, especialmente na abertura da ópera e nas melodiosas árias de Joanna e de Raul.
Sem mais delongas, ouçamos a segunda e última ópera em português de Nhô Tonico!

Antonio Carlos Gomes (Campinas, 1836-Belém, 1896)
Joanna de Flandres (1863) – trechos reunidos
Libreto: Salvador de Mendonça

AtoI – 01 Abertura (A)
AtoI – 02 Cena e Racconto na Conjuração (B)
AtoI – 03 Cena e Cavatina de Joanna (B)
AtoI – 04 Cena e Canto Final Primeiro (B)
AtoI – 05 Quinteto Final (B)
AtoII – 06 Ária de Raul-Foi meu Amor um sonho (B)
AtoIII – 07 Intermezzo (C)
Bônus-AtoI – Cavattina de Joanna (A)
Bonus-AtoII – Ária de Raul-Foi meu Amor um sonho (D)

A
Niza de Castro Tank, soprano
Orquestra Sinfônica de Campinas
Cláudio Cruz, regente
Campinas, 2004

B
Joanna de Flandres – Julianne Daud, soprano
Raul de Mauleón – Fernando Portari, tenor
Humberto de Courtray – Paulo Szot, barítono
Balduíno – Savio Sperandio, baixo
Margarida de Flandres – Marcia Guimarães, soprano
Burg – Sérgio Weintraub, tenor
(Orquestra organizada para esta apresentação)
Regência Fabio Oliveira
Teatro Alfa, São Paulo, 2005

C
Orquestra do Festival do Centenário de Carlos Gomes
Andi Pereira, regente
Theatro da Paz, Belém, 1996

D
Juan Thibault , tenor
Orquestra Nacional da Rádio do MEC
Alceo Bocchino, regente
Campinas, 14 de Setembro de 1978

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (43Mb – faixas, cartaz, info e resumo da ópera)

Ouça! Deleite-se!


caricatura de Carlos Gomes by Stegun

Bisnaga

Antonio Carlos Gomes (1836-1896): Óperas – (1) A Noite do Castelo [link atualizado 2017]

175 anos do nascimento de Antônio Carlos Gomes


Antes de mais nada, essa é IM-PER-Dí-VEL !!!

Bom, desejo a todos os nossos honrados usuários/frequentadores um maravilhoso 2012 e, para começar bem este Ano Novo, nada melhor que disponibilizarmos para vocês as óperas de Antônio Carlos Gomes.
E como é interessante manter uma ordem cronológica, pois se torna possível ver a evolução do compositor, vamos começar com a primeira ópera do mestre: A Noite do Castelo.
Aguardem: cada quinta-feira postaremos uma ópera de Nhô Tonico.

Carlos Gomes não compôs muitas óperas, não foi desses que faziam mais de uma peça dessa envergadura por ano. Em trinta anos, compôs apenas doze peças do gênero: oito óperas, três operetas (Se sa minga, Nella Luna e Telégrafo Elétrico) e um oratório (Colombo, que aqui incluiremos na categoria das óperas), ou seja, uma peça a cada 3 anos (tristemente, suas operetas e sua segunda ópera, Joanna de Flandres, nunca foram gravadas – me corrijam se eu estiver errado). Disso se depreende que Gomes levava tempo na composição, burilava as árias, as melodias, escolhia bons libretos.

A Noite do Castelo foi composta quando Carlos Gomes ainda era aluno do Conservatório da Academia de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Como já mostrava talento, a pequena Campinas não conseguiu segurá-lo e o rapaz já alçava voos mais altos, já estava na capital do país. Pelo que historiadores afirmam, Tonico era um aluno brilhante e se destacava dos demais.
Ele vinha buscando há algum tempo um texto que o possibilitasse escrever uma boa ópera. Quando tomou contato com o poema de Antônio Feliciano de Castilho, logo procurou um libreto para a composição, encontrando o de Antônio José Fernandes dos Reis. E, quando começou a escrever a peça, enviou uma carta para seu pai, confiante: “Meu bom pai. Escrevo esta só para não demorar uma boa notícia. Afinal tenho um libreto. Foi extraído do poema de Castillo – A Noite do Castelo. Hoje mesmo começo a trabalhar na composição da ópera, prepare-se portanto, para vir ao Rio de Janeiro em 1861. Saudades muitas às manas e aos manos, principalmente ao Juca, abençoe-me como a seu filho muito grato. Carlos.” Realmente, a ópera nacional, com texto em português, estrearia no ano previsto e teria um enorme êxito. Carlos Gomes estava tão convicto da qualidade de sua música e do sucesso que dedicou a peça ao Imperador Pedro II (S.M.I = Sua Majestade Imperial). Com essa ópera e a seguinte, Joanna de Flandres, encenda dois anos depois, foi laureado com a bolsa de estudos que o levou a Milão, o centro do mundo operístico de então.

Sobre a música, não tive a petulância de escrever, pois há um excelente texto do crítico Lauro Machado Coelho, sobre a ópera, que transcrevo abaixo:
A Noite do Castelo (…) estreou em 4 de setembro de 1861, no Teatro Lírico Fluminense. A história de Leonor – dividida entre a paixão por Fernando e a promessa de fidelidade a seu noivo, Henrique, que partiu para as Cruzadas e ela crê morto há tempos – foi cantada por Luiza Amat, Andrea Marchetti e Luigi Marina, sob a regência de Júlio José Nunes. A música é muito influenciada por Donizetti, Bellini e, principalmente, Verdi. É Marcello Conati quem observa:
“Era inevitável que, diante da sua primeira experiência teatral, antes mesmo de proceder à busca de uma linguagem pessoal, Carlos Gomes se baseasse em estruturas já consolidadas e no âmbito de um gosto amplamente compartilhado pela público brasileiro daquela época. Dessas estruturas e desse gosto, a ópera verdiana representava a fase estilística mais avançada; era, portanto, perfeitamente natural que Gomes se voltasse principalmente para Verdi e, a partir de seu estilo, tencionasse medir as possibilidades expressivas da língua brasileira.”
Luiz Guimarães Jr. menciona, no Perfil Biográfico que redigiu de Carlos Gomes em 1870, o entusiasmo com que, aos quinze anos, o rapaz descobriu a partitura do Trovatore. Ora, é justamente dessa ópera a influência mais forte que Conati identifica na Noite do Castello, mostrando como a imprecação de Leonor, no último ato, “oferece evidentes analogias com o início do trio do ato I do Trovatore”. Mas adverte:
“O que importa realmente destacar, para além de eventuais analogias temáticas, é a particular predisposição de Gomes, que permanecerá constante no decurso de sua atividade como operista, a dinamizar o discurso musical, conforme as exigências da ação cênica; o sentido de seu tributo a Verdi deve ser, pois, considerado nesses termos, de funcionalidade dramática, que quer prevalecer sobre toda e qualquer pesquisa de caráter estilístico ou, mais simplesmente, lingüístico.”
Já existe, portanto, em embrião, um talento teatral seguro, embora, de uma maneira geral, sejam pouco originais os resultados artísticos obtidos, mesmo porque os estudos de escrita vocal, feitos no Conservatório do Rio de Janeiro, a partir de 1860, com seu professor de Composição, o italiano Gioacchino Giannini, fazem com que Carlos Gomes seja desajeitado ao musicar um texto em português.

Carlos Gomes estava aprendendo: era sua primeira ópera e muito mais viria nos anos que se seguiram. Veja! Conheça-o!

Antonio Carlos Gomes (Campinas, 1836-Belém, 1896)
A Noite do Castelo (1861)
Libreto: Antônio José Fernandes dos Reis
Baseado no poema narrativo de Antônio Feliciano de Castilho

CD1
Ato I – 01 Abertura CD1
Ato I – 02 Viva Fernando
Ato I – 03 Era Alta Noite
Ato I – 04 Nestes Sítios que viram minha Infância
Ato I – 05 Em Sono Plácido
Ato I – 06 Exulta Orlando
Ato I – 07 Desde Crianças se Amaram Ternos
Ato I – 08 Ímpios os Laços
Ato II – 09 Prelúdio
Ato II – 10 Oh, Sim! Sofri Cruéis Saudades
CD2
Ato II – 11 Onde Iria o Fantasma Ocultar-se
Ato II – 12 Quem eu sou
Ato II – 13 Onde Iria o Fantasma Ocultar-se
Ato II – 14 Pois se Tu eras Finado
Ato III – 15 Prelúdio
Ato III – 16 Já do Fundo do Abismo
Ato III – 17 Sobre os Restos de Fernando
Ato III – 18 Tu Fernando que adorei por filho
Ato III – 19 Henrique, Henrique
Ato III – 20 Basta, Mulher
Ato III – 21 Tu que a mim desde criança

Leonor – Niza de Castro Tank, soprano
Conde Orlando, pai de Leonor – José Dainese, barítono
Henrique, marido de Leonor – Luis Tenaglia, tenor
Fernando – Alcides Acosta, tenor
Ignez – Lucia Pessagno, mezzo soprano
Raymundo, servo – José A. Marson, barítono
Pajem – Fernando J. C. Duarte, baixo
Roberto – Personagem mudo

Orquestra Sinfônica de Campinas
Coral da UNICAMP
Coral da USP
Benito Juarez, regente
Campinas, 14 de Setembro de 1978

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (116Mb – 2CD, cartaz, info e resumo da ópera)

Ouça! Deleite-se!

Bisnaga

Jan Sibelius (1865-1957): Obras para Piano

Sibelius era um romântico tardio. Um romântico tardio bem esquisito do qual gosto muito. Meu primeiro contato com suas obras para piano foi um belo e pesado disco de vinil. O pianista era Glenn Gould. Somando-se esquisitice com esquisitice o resultado era excelente. Heinonen, o pianista deste CD, mantém o clima preferido do finlandês: uma sintaxe à princípio pouco convidativa, fria, mas gentil e cheia de surpresas. Eu gosto. Não são obras para serem ouvidas apenas uma vez, elas custam a convencer, mas convencem. Sibelius foi um cara fundamental para a independência da Finlândia, que ficava ora em mãos russas, ora em suecas. Sua música teve importante papel na formação da identidade nacional finlandesa. Tudo aqui é nacionalismo, cada nota, apesar do jeitão intimista do moço.

A seleção inclui a Sonata Op. 12, importante obra do Siba, e um arranjo para piano de Finlândia, a música mais famosa daquela parte fria e escura do mundo. E o que dizer da língua maluca que eles falam?

Jan Sibelius (1865-1957): Obras para Piano

1. Five Characteristic Impressions, Op. 103 – 1. The Village Church Eero Heinonen (piano) 3:31
2. Five Characteristic Impressions, Op. 103 – 2. The Fiddler Eero Heinonen (piano) 2:28
3. Five Characteristic Impressions, Op. 103 – 3. The Oarsman Eero Heinonen (piano) 2:26
4. Five Characteristic Impressions, Op. 103 – 4. The Storm Eero Heinonen (piano) 1:42
5. Five Characteristic Impressions, Op. 103 – 5. In Mournful Mood Eero Heinonen (piano) 2:04

6. Kyllikki (Drei lyrische Stücke für Pianoforte), Op. 41 – 1. Largamente Eero Heinonen (piano) 3:10
7. Kyllikki (Drei lyrische Stücke für Pianoforte), Op. 41 – 2. Andantino Eero Heinonen (piano) 4:47
8. Kyllikki (Drei lyrische Stücke für Pianoforte), Op. 41 – 3. Commodo Eero Heinonen (piano) 3:18

9. Viisi luonnosta (Five Esquisses), Op. 114 – 1. Maisema (Landscape) Eero Heinonen (piano) 2:58
10. Viisi luonnosta (Five Esquisses), Op. 114 – 2. Talvikuvia (Winter Scene) Eero Heinonen (piano) 2:09
11. Viisi luonnosta (Five Esquisses), Op. 114 – 3. Metsälampi (Forest Lake) Eero Heinonen (piano) 1:36
12. Viisi luonnosta (Five Esquisses), Op. 114 – 4. Metsälaulu (Song in the Forest) Eero Heinonen (piano) 2:27
13. Viisi luonnosta (Five Esquisses), Op. 114 – 5. Kevätnäky (Spring in Vision) Eero Heinonen (piano) 1:34

14. Sonata in F major, Op. 12 – I Allegro molto Eero Heinonen (piano) 6:41
15. Sonata in F major, Op. 12 – II Andantino Eero Heinonen (piano) 7:01
16. Sonata in F major, Op. 12 – III Allegro pochettino moderato Eero Heinonen (piano) 4:23

17. Five pieces, Op. 85 (The Flowers) – 1. Bellis Eero Heinonen (piano) 1:42
18. Five pieces, Op. 85 (The Flowers) – 2. Œillet Eero Heinonen (piano) 2:00
19. Five pieces, Op. 85 (The Flowers) – 3. Iris Eero Heinonen (piano) 3:08
20. Five pieces, Op. 85 (The Flowers) – 4. Aquileja Eero Heinonen (piano) 2:14
21. Five pieces, Op. 85 (The Flowers) – 5. Campanula Eero Heinonen (piano) 2:13

22. Zwei Rondinos (Two Rondinos), Op. 68 – Rondino Nr. 1 in G sharp minor (gis-moll) Eero Heinonen (piano) 3:52
23. Zwei Rondinos (Two Rondinos), Op. 68 – Rondino Nr. 2 in C sharp minor (cis-moll) Eero Heinonen (piano) 1:56

24. Finlandia, Op. 26/7 (transcription by the composer) 8:56

Eero Heinonen, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (RapidShare)

PQP

Pergolesi: Messa Romana; Allesandro Scarlatti: Messa per il Santissimo Natale

Sim, voltei. Agora cheio de energia.

Essa postagem era para ir ao ar no natal do ano passado, eu tinha preparado um texto muito bom, mas o perdi, então aí vai um mix do que eu li na capa do CD com as impressões que tive.

Pergolesi: Messa Romana:

O Kyrie Eleison, que era para ser em um tom de introspecção, vem festivo, quase em um Rondó. O coro canta as primeira sílaba ( Ky ) fazendo intervalos que quinta e oitava, normais e invertidas, o que aumenta o tom de ansiosidade e perspectiva. Trompetes, trompas e Violinos tocam movimentos rítmicos ascendentes, ligeiros, terminando a faixa de forma abrupta, fazendo um paralelo para a condução do Christe Eleison, que vem em modo menor, trazendo o tom de introspecção esperado para o 1º movimento. Percebe-se que em certa parte da faixa o coro canta apenas ”ELEISON” ou seja ”PIEDADE”, reforçando ainda mais o tom sombrio. A faixa termina de forma muito mais abrupta, com o coro cantado novamente ”ELEISON”, com tom raivoso. O resto da Missa Romana vem sempre obedecendo essa regra. Em uns movimentos muito rápidos, ligeiros, alegres, dançantes, e em outros, o tom depressivo, triste.
É necessário disciplina para ouvir essa missa, não ouvir por ouvir, mas para que não cair na mesmice de um New Age, ou de coisa qualquer.

Allesandro Scarlatti: Messa per il Santissimo Natale

Missa de Natal Scarlatti foi tal composição, escrita para coros totalmente independentes mais violinos I e II em obbligato que embelezam a polifonia de forma independente de qualquer coro. O humor dessa massa é serenamente comemorativo – música, como o coral de anjos poderia ter cantado. Mesmo o Agnus Dei é menor fundamento por misericórdia do que uma canção de carinho para o Menino Jesus. Tratamento de Scarlatti do espaço acústico entre os dois coros é espetacular!”

Pergolesi: Messa Romana; Allesandro Scarlatti: Messa per il Santissimo Natale

Mass (Kyrie & Gloria), for soloists, chorus & orchestra in F major (4 versions)~Kyrie eleison (1:41)
Mass (Kyrie & Gloria), for soloists, chorus & orchestra in F major (4 versions)~Christe eleison (3:41)
Mass (Kyrie & Gloria), for soloists, chorus & orchestra in F major (4 versions)~Kyrie eleison (1:58)
Mass (Kyrie & Gloria), for soloists, chorus & orchestra in F major (4 versions)~Gloria in excelsis Deo (3:35)
Mass (Kyrie & Gloria), for soloists, chorus & orchestra in F major (4 versions)~Laudamus te (2:00)
Mass (Kyrie & Gloria), for soloists, chorus & orchestra in F major (4 versions)~Gratias agimus tibi (4:55)
Mass (Kyrie & Gloria), for soloists, chorus & orchestra in F major (4 versions)~Dominus Deus (4:70)
Mass (Kyrie & Gloria), for soloists, chorus & orchestra in F major (4 versions)~Qui tollis peccata mundi (3:30)
Mass (Kyrie & Gloria), for soloists, chorus & orchestra in F major (4 versions)~Qui tollis peccata mundi (4:46)
Mass (Kyrie & Gloria), for soloists, chorus & orchestra in F major (4 versions)~Qui sedes ad dexteram patris (2:28)
Mass (Kyrie & Gloria), for soloists, chorus & orchestra in F major (4 versions)~Quoniam tu solus sanctus (2:59)
Mass (Kyrie & Gloria), for soloists, chorus & orchestra in F major (4 versions)~Cum Cancto Spiritu (3:33)

Messa per il Santissime Natale, for double chorus, 2 violins & continuo in A major~Kyrie (4:80)
Messa per il Santissime Natale, for double chorus, 2 violins & continuo in A major~Gloria (11:30)
Messa per il Santissime Natale, for double chorus, 2 violins & continuo in A major~Credo (8:38)
Messa per il Santissime Natale, for double chorus, 2 violins & continuo in A major~Sanctus (1:10)
Messa per il Santissime Natale, for double chorus, 2 violins & continuo in A major~Agnus Dei (4:28)

Concerto Italiano
Regente: Rinaldo Alessandrini

Clique aqui para fazer Download – Megaupload

Apoie os bons artistas, compre suas músicas.
Apesar de raramente respondidos, os comentários dos leitores e ouvintes são apreciadíssimos. São nosso combustível.
Comente a postagem!

Gabriel Clarinet