Carl Nielsen (1865-1931): As Sinfonias Completas (Blomstedt)

Carl Nielsen (1865-1931): As Sinfonias Completas (Blomstedt)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Depois de uma temporada no Tibet, onde estive apascentando os pensamentos após a última investida dos algozes capitalistas, estamos de volta com esta postagem im-per-dí-vel!!! Curiosamente, eu não conhecia, ainda, com intimidade, as sinfonias de Carl Nielsen. Fiquei impressionado com a qualidade do trabalho do dinamarquês. Tive a oportunidade de escutá-las hoje à tarde enquanto trabalhava. Notei um certo “crescendo”, uma gradação, uma evolução no material sinfônico de Nielsen. As três primeiras estão bem próximas em qualidade e as sinfonias de número 4 e 5 são verdadeiras obras primas. A número 4, por exemplo, é de uma sofisticação orquestral inacreditável. O nível de dramaticidade nos posiciona diante de um dilema. Há cintilações da obra de Sibelius. Trata-se de obras escritas durante a Primeira Grande Guerra. Portanto, representa a crença de Nielsen na vida. É um dos trabalhos mais populares do compositor. Já a Quinta Sinfonia é, no dizer de Augustos dos Anjos, “um monstro de escuridão e rutilância”; um duelo entre as forças da ordem e do caos; o apolíneo e o dionísiaco, em menção nietzscheniana. A percussão que impele uma espécie de marcha, cria uma atmosfera de guerra, como se as forças do caos avançassem titanicamente. A insistência do instrumento de sopro é visceral, mas do outro lado há a percussão com o seu agravo. Tudo cresce e torna-se numa grande tensão. Num mundo sacudido pela Guerra (a Quinta foi composta nos anos de 1921 e 1922), pelas Revoluções, a sinfonia no. 5 parece ser uma metáfora filósofica do mundo. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Pitaco de PQP Bach: A primeira é um belo cartão de visitas. A segunda é fraquinha. A Espansiva é sensacional! A quarta é um horror, apesar do bom último movimento. A quinta é linda e interessante! Acho a sexta muitíssimo boa e zombeteira, muito zombeteira.

Carl Nielsen (1865-1931): As Sinfonias Completas (Blomstedt)

DISCO 01

Symphony No. 1 in G minor
01. I. Allegro Orgoglioso
02. II. Andante
03. III. Allegro Comodo
04. IV. Finale

Symphony No. 6
05. I. Tempo Giusto
06. II. Humoreske – Allegretto
07. III. Proposta Seria – Adagio
08. IV. Tema Con Variazioni – Allegro

DISCO 02

Symphony No. 2 ‘The Four Temperaments’
01. I. Allegro collerico
02. II. Allegro comodo e flemmatico
03. III. Andante malincolico
04. IV. Allegro sanguineo

Symphony No. 3 ‘Espansiva’
05. I. Allegro espansivo
06. II. Andante pastorale
07. III. Allegretto Un Poco
08. IV. Finale – Allegro

DISCO 03

Symphony No. 4 ‘The Inextinguishable’
01. I. Allegro
02. II. Poco Allegretto
03. III. Poco Adagio Quasi Andante
04. IV. Con Anima, Allegro

Symphony No. 5, Op. 50
05. I. Tempo Giusto
06. II. Adagio Non Troppo
07. III. Allegro
08. IV. Presto
09. V. Andante Un Poco Tranquillo
10. VI. Allegro

San Francisco Symphony
Herbert Blomstedt, regente

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Blomstedt (11 de julho de 1927) tem 95 anos aninhos, gente.

Carlinus

Sergei Rachmaninov (1873-1943) – Symphony No. 3 in A minor, Op. 44 e Symphonic Dances, Op. 45

Rachmaninov é daqueles compositores que despertam admiração ou indiferença. Há quem goste de seu romantismo tardio, do seu estilo incomum. Seus concertos para piano, certamente, são sua carta de apresentação. São difíceis. Complexos. Sofisticados. Rach fez fama com eles. Eu, particularmente, gosto de suas composições orquestrais, principalmente das três sinfonias. Sempre que escuto seus trabalhos orquestrais fico com a impressão de que estou caminhando numa noite fria e estrelada. Seus críticos sempre apontaram para esse efeito melancólico, monótono, com melodias artificiais. Do alto de minha simplicidade, não entendo as coisas dessa forma. Prefiro pensar em uma escolha estética por parte do compositor.

Neste disco, acredito que tenhamos uma boa oportunidade para conhecer um pouco do seu mundo singular, plácido, como um lago gelado. Sob a regência de Lorin Maazel ainda no início dos anos 80, temos dois trabalhos de grande importância – a “Sinfonia nº 3” e a famosa e invulgar “Danças Sinfônicas”, um dos seus mais maduros e conscientes trabalhos. A “Sinfonia nº 3” foi escrita nos anos de 1935 e 1936, no período em que o compositor se encontrava feliz, próximo ao lago de Lucerna, na Suíça. Estreou em 1936, sob a regência de Leopold Stokowski. Desde a primeira execução, dividiu opiniões: há quem goste dela (opinião mais corriqueira nos dias de hoje) e houve quem a achasse “uma decepção”. Rachmaninov, por sua vez, possuía um carinho especial por esse trabalho. Talvez, essa impressão fosse resultado do período em que esteve feliz entre lagos cristalinos e as paisagens inefáveis da Suíça. O trabalho revela o estilo empregado pelo compositor na fase final de sua vida. Há uma preocupação com certos timbres e um notável emprego de detalhes do mundo russo, o que torna as suas composições em algo muito peculiar.

“Danças Sinfônicas” é considerada a última obra de Rachmaninov. Talvez, seja obra em que mais ele derramou reminiscências e lirismo. É uma obra cuja sofisticação orquestral está permeada pela saudade. Nota-se a presença intensa de temas russos, ligados à tradição de sua terra. A obra foi escrita em 1940 e, embora vivesse tranquilamente nos Estados Unidos, a Europa estava sendo abalada pela Guerra. Uma das filhas de Rachmaninov se encontrava na França, que estava sob a iminência de invasão pelos alemães. Estes elementos, certamente, influíram nos motivos de composição do trabalho. Rachmaninov atribui grande importância aos metais ao longo da obra. As melodias são evocativas. Ficam a oscilar, fazendo reviver insinuantes tragos nostálgicos. O segundo movimento é, sem sombras de dúvida, raveliano. Nota-se a influência de “La Valse”, do compositor francês. A parte final do trabalho insinua-se de forma poderosa, sofisticada. Os timbres são explorados habilidosamente, criando uma experiência emocional bastante impactante.

Podemos afirmar que é um belíssimo disco, mesmo com todas as críticas ao compositor. É importante conhecer a sua música com fortes pendores emocionais. Sua nostalgia gelada provoca bem-estar em mim. Deve ser, por isso, que sempre volto de forma humilde e reservada para caminhar com as mãos nos bolsos nas noites frias e estreladas da música de Rachmaninov.

Sergei Rachmaninov (1873-1943) –

Symphony No. 3 in A minor, Op. 44
01. I. Lento – Allegro moderato – Allegro
02. II. Adagio ma non troppo – Allegro vivace
03. III. Allegro – Allegro vivace

Symphonic Dances, Op. 45
04. I. Non allegro
05. II. Andante con moto (Tempo di valse)
06. III. Lento assai – Allegro vivace – Lento assai come prima

Berliner Philharmoniker
Lorin Maazel, regente

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Rach preocupado com as contas do mês, mas sem esquecer a partitura

Claude Debussy (1862-1918): Sonata em Sol menor para Violino e Piano, Sonata em Ré Menor para cello e Piano, Syrinx para flauta solo e Sonata para Flauta, Viola e Harpa (Grumiaux, Gendron, Bourdin) #DEBUSSY160

Este é um CD para ninguém botar defeito – até mesmo para o anti-debussyanos. É um daqueles CDs que fazem bem à alma e à mente. Debussy é sempre bem-vindo em todas as ocasiões. Temos 3 sonatas maravilhosas – bem ao estilo debussyano. As três sonatas são um trabalho de um Debussy já maduro. Elas foram compostas entre os anos de 1915 e 1917 – no período da Primeira Guerra. “Também as três sonatas do seu período final foram construídas segundo princípios inteiramente diversos da sonata clássica vienense, mas por outros motivos. Foram compostas no período da guerra, e Debussy, nacionalista intransigente, rejeitou os princípios da sonata clássica vienense para recuperar a forma cíclica da sonata francesa. As três sonatas (1915-1917), parte de um ciclo que ficou incompleto, para instrumentos diversos, das quais a mais importante é a Sonata para piano e violino, são obras avançadas, com asperezas inéditas em sua música anterior”. Aparecem ainda Syrinx, uma composição para flauta escrita em 1913, de uma beleza sóbria, de uma profundidade comovente. Aprecie sem moderação!

Claude Debussy (1862-1918) – Três Sonatas e Syrinx

Arthur Grumiaux (1921-1986)

Sonata em Sol menor para violino e piano
1. I. Allegro Vivo
2. II. Intermède (Fantasque et Léger)
3. III. Finale (Très Animé)

Sonata em Ré menor para cello e piano
4. I. Prologue (Lent)
5. II. Sérénade (Modérément Animé)
6. III. Finale (Animé)

Syrinx, para flauta
7 . Syrinx

Sonata para flauta, viola e harpa
8. I. Pastorale (Lento, Dolce Rubato)
9. II. Interlude (Tempo di Menuetto)
10. III. Finale (Allegro Moderato ma Resoluto)

Cello – Maurice Gendron (tracks: 4 to 6)
Flauta – Roger Bourdin (tracks: 7 to 10)
Harpa – Annie Challan (tracks: 8 to 10)
Piano – István Hajdu (tracks: 1 to 3) , Jean Françaix (tracks: 4 to 6)
Viola – Colette Lequien (tracks: 8 to 10)
Violino – Arthur Grumiaux (tracks: 1 to 3)
Recorded: 1962 (1-3), 1964 (4-6), 1966 (7-10)

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Carlinus (2010)

Breve P.S. de Pleyel (2022): Doente com câncer, Debussy – ao contrário de Ravel – não se alistou como combatente na guerra em 1914. Mas ele também esteve imerso no clima de nacionalismo do momento, aliás já era muito anterior o seu desprezo pela música de Wagner e de Mahler (ele e seus amigos saíram no meio de uma apresentação da 2ª sinfonia de Mahler, dizendo tratar-se de música de anúncio de pneus). Em 1915, Debussy começou a escrever uma sonata para violoncelo e piano, que deveria ser a primeira de uma série de seis sonatas reunindo diferentes instrumentos. Ele escolheu um título que revela muito bem suas intenções: “Seis Sonatas / para diversos instrumentos / Compostas por Claude Debussy / Músico Francês”.

A sonata para flauta, viola e harpa, também de 1915, foi estreada em 1916 em Boston, EUA, por músicos norte-americanos, e pouco depois em uma reunião privada em Paris na casa de Durand, editor de Debussy. Também foi tocada em Londres em 1917. Durante a guerra era inviável juntar os músicos de uma orquestra, mas a música de câmara seguia acontecendo. (A 2ª Sonata para violino de Fauré e a História do Soldado de Stravinsky são do mesmo ano.)

A sonata para violino e piano, composta em 1917, foi estreada com Gaston Poulet no violino e Claude Debussy no piano. Foi a última vez que ele tocou em público. E as outras três sonatas previstas? Não deu tempo. Debussy faleceu em Paris, 25 de março de 1918 e a guerra ainda não tinha acabado.

Debussy e sua filha em 1915

Anton Stepanovich Arensky (1861-1906) – Symphony No. 2 in A major, Op. 22, Suite No. 3 ‘Variations’, Op. 33 e Overture to ‘Un songe sur le Volga’, Op. 16 etc

Anton Arensky é um compositor russo bastante interessante pelas proezas realizadas em sua curta vida, o que o coloca dentro dos principais eventos e cenários da música do seu país. O disco que ora é apresentado não possui nada de especial, mas nos fornece uma boa percepção de sua música. Arensky desde muito jovem estabeleceu contato com a música e com bons professores. Um dos casos mais significativos foram as aulas de orquestração com Rinsky-Korsakov.

Como professor, o compositor teve entre os seus pupilos brilhantes, os nomes de Rachmaninov, Scriabin e Glière. Mais tarde, estabeleceu amizade com Tchaikovsky. Essa amizade rendeu importantes frutos para o compositor, pois Tchaikovsky tomou a decisão de ser o seu mentor.

Arensky foi um indivíduo de alma impulsiva. Após ter saído de sua Novgorod e ter ido para a grandiosa e efervescente São Petersburgo, o compositor assimilou algumas das características dos jovens ricos. Era talentoso. Possuía um potencial inquestionável, mas era conduzido por hábitos irreprimíveis. Viciado em jogos de azar, Arensky não conseguia abandonar o vício em álcool. Após conduzir uma vida de exageros, Arensky acabou morrendo ainda muito jovem – com apenas 46 anos de idade.

Enquanto compositor, conseguiu construir uma estilo em que ficam evidentes sua influência dos compositores europeus, principalmente os nomes dos compositores românticos como Mendelssohn e Chopin. Suas composições são permeadas pela presença de temas russos, todavia padrões de fluência composicional e um aguçado senso estético e rítmico, o que transforma em um compositor bastante sofisticado.

O presente disco apresenta algumas de suas composições, sendo as mais relevantes a Suíte nº 3 e a Sinfonia nº 2. A Sinfonia é um trabalho curto – de apenas 22 minutos – composta no ano de 1889. Seu início marcante denota a confiança, o entusiasmo que, talvez, inundava sua alma que experimentava inúmeras novidades. Revela o lado criativo e inteligente do compositor. O que fica de sua música é o charme melódico, a clareza da linguagem rítmica e das texturas agradáveis. Uma boa apreciação!

Anton Stepanovich Arensky (1861-1906) –

01. Overture to ‘Un songe sur le Volga’, Op. 16
02. Introduction to ‘Nal and Damayanti’, Op. 47

Suite No. 3 ‘Variations’, Op. 33
03. Theme. Andante con moto
04. I. Dialogue. Andante sostenuto
05. II. Valse. Allegro
06. III. Marche triomphale. Maestoso
07. IV. Menuet (XVIIIème siècle)
08. V. Gavotte. Allegro
09. VI. Scherzo. Presto
10. VII. Marche funèbre. Adagio non troppo
11. VIII. Nocturne. Andantino
12. IX. Polonaise. Allegro moderato
13. Intermezzo for Orchestra, Op. 13

Symphony No. 2 in A major, Op. 22
14. I. Allegro giocoso
15. II. Romance. Adagio ma non troppo
16. III. Intermezzo. Allegretto
17. IV. Finale. Allegro giocoso e poi fuga

BBC Philharmonic Orchestra

Vassily Sinaisky, regente

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Arensky numa pose performática para a equipe do PQP Bach

Orlando Gibbons (1583-1625): Choral and Organ Music

Orlando Gibbons (1583-1625): Choral and Organ Music

A cristandade católica celebra o dia de Corpus Christi (Corpo de Cristo). A data sempre acontece numa quinta-feira. A instauração da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo remonta o século XIII. A Igreja sentiu a necessidade de realçar a presença real do “Cristo presente” no pão consagrado na Eucaristia. A Festa foi instituída pelo papa Urbano IV com a Bula “Transiturus” de 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes. “O Papa Urbano IV foi o cônego Tiago Pantaleão de Troyes, arcediago do Cabido Diocesano de Liège na Bélgica, que recebeu o segredo das visões da freira agostiniana, Juliana de Mont Cornillon, que exigiam uma festa da Eucaristia no Ano Litúrgico. Conta a história que um sacerdote chamado Pedro de Praga, de costumes irrepreensíveis, vivia angustiado por dúvidas sobre a presença de Cristo na Eucaristia. Decidiu então ir em peregrinação ao túmulo dos apóstolos Pedro e Paulo em Roma, para pedir o Dom da fé. Ao passar por Bolsena (Itália), enquanto celebrava a Santa Missa, foi novamente acometido da dúvida. Na hora da Consagração veio-lhe a resposta em forma de milagre: a Hóstia branca transformou-se em carne viva, respingando sangue, manchando o corporal, os sangüíneos e as toalhas do altar sem no entanto manchar as mãos do sacerdote, pois, a parte da Hóstia que estava entre seus dedos, conservou as características de pão ázimo. Por solicitação do Papa Urbano IV, que na época governava a igreja, os objetos milagrosos foram para Orviedo em grande procissão, sendo recebidos solenemente por sua santidade e levados para a Catedral de Santa Prisca. Esta foi a primeira procissão do Corporal Eucarístico. A 11 de agosto de 1264, o Papa lançou de Orviedo para o mundo católico através da bula Transiturus do Mundo o preceito de uma festa com extraordinária solenidade em honra do Corpo do Senhor. A festa de Corpus Christi foi decretada em 1264. O decreto de Urbano IV teve pouca repercussão, porque o Papa morreu em seguida. Mas se propagou por algumas igrejas, como na diocese de Colônia na Alemanha, onde Corpus Christi é celebrada desde antes de 1270. A procissão surgiu em Colônia e difundiu-se primeiro na Alemanha, depois na França e na Itália. Em Roma é encontrada desde 1350. A Eucaristia é um dos sete sacramentos e foi instituído na Última Ceia, quando Jesus disse: ‘Este é o meu corpo…isto é o meu sangue… fazei isto em memória de mim’. Porque a Eucaristia foi celebrada pela 1ª vez na Quinta-Feira Santa, Corpus Christi se celebra sempre numa quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade. Corpus Christi é celebrado 60 dias ápos a páscoa”. O aspecto solene e místico da religião é algo que sempre me impressionou. Desagrada-me o dualismo existente na religião, que desemboca consequentemente num enfeiamento da vida. A religião cria uma metafísica do carrasco. Pune tudo aquilo que se aproxime do natural, por fugir em sentido platônico do mundo físico, o mundo das aparências. Estar no mundo é uma tarefa malquista pelo religioso, que ver na na realidade contingente, imperfeição, feiúra e um halo de pecado envolvendo todas as coisas. Não precisamos morrer para viver, pois morre-se muitas vezes enquanto se vive. A arte tira a alma do homem do caos. Sentença nietzschiniana: “Na arte, o ser humano frui a si mesmo enquanto perfeição”. Boa apreciação desse belíssimo CD repleto de mística, poética e sentidos de vida, de Orlando Gibbons.

P.S. O texto é uma mescla de palavras minhas e da Wikipédia. Informações AQUI sobre o compositor.

Orlnando Gibbons (1583-1625) – Choral and Organ Music

01. O clap your hands
02. Great Lord of Lords
03. Hosanna to the son of David
04. Prelude in G Major
05. Out of the deep
06. See, see, the word is incarnate
07. Prelude in D minor
08. Lift up your heads
09. Almighty and everlasting God
10. Magnificat ( 2nd Service)
11. Nunc dimittis (2nd Service)
12. Fantazia of four parts
13. Magnificat (Short Service)
14. Nunc dimittis (Short Service)
15. O God, the king of glory
16. O Lord, in thy wrath

Oxford Camerata
Jeremy Summerly, condutor
Laurence Cummings, órgão

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Não precisamos de legenda na data de hoje
Não precisamos de legenda na data de hoje

Carlinus

Léos Janácek (1854-1928) – Sinfonietta, Lachian Dances & Taras Bulba

Na segunda-feira da semana passada, fui surpreendido pelo fato de que não poderia dar continuidade ao Ser da Música, espaço que eu conduzia com máxima persistência desde os idos de 2009. O espaço tinha um valor sentimental para mim. Recebi ao longo de mais de treze anos, muitas manifestações benfazejas de almas que acompanhavam discretamente as postagens feitas todos os dias. Ao todo foram mais de seis mil. Acredito que muita gente deve ter se abastecido com boas gravações. Era essa a finalidade. Fazia um esforço para ouvir tudo o que postava. Não deixei jamais de fazê-lo. Mas, tudo se foi. Como disse para os colegas do PQP Bach em tom de melancólica ironia: “O ser da música não mais será”.

O que me consola é que está tudo salvo em meu email. Diariamente, o Google enviava o que eu postava no dia anterior. E assim a vida segue. Retorno ao PQP Bach e penso que por aqui ficarei durante bastante tempo. Não tenho a intenção de recomeçar. Nunca deixei de acompanhar as postagens dos distintos colegas do espaço. Já tive uma passagem rápida por esta página nos anos de 2010 e 2011 – se a memória não falha. Quando fui interpelado pelo PQP sobre o que havia acontecido com o blog que eu conduzia e dei a fatídica notícia do seu ocaso, a primeira coisa que recebi foi um generoso convite para retornar. Então, vamos lá!

Esta postagem eu havia feito no dia 12 de maio. É o primeiro disco que aparece por aqui após esse hiato de onze anos. Escolhi-o pela força emblemática das obras. Recordo-me que, quando o escutei ainda no início do mês, fiquei impressionado com a qualidade e o repertório. O disco traz duas obras pelas quais eu tenho grande admiração. A espetacular Sinfonietta, obra cuja escrita iniciou-se em 1925, mas que teve a sua estreia em 1926. É uma das últimas obras escritas pelo compositor tcheco. É uma obra com um forte apelo marcial. Começa com uma marcante fanfarra. A outra obra é a rapsódia para orquestra, denominada Taras Bulba, baseada na novela do escritor russo Nikolai Gogol. A história é bastante curiosa e traz um conjunto de elementos culturais do leste europeu. Trata sobre cossacos, polacos e ucranianos. Janácek escreveu a obra entre os anos de 1915 e 1918. A regência do disco fica a cargo do maestro uruguaio José Serebrier à frente excelente Filarmônica Estatal Tcheca. Boa apreciação!

Léos Janácek (1854-1928) –

01. Sinfonietta, Op. 60: Fanfares
02. Sinfonietta, Op. 60: The Castle
03. Sinfonietta, Op. 60: The Queen’s Monastery
04. Sinfonietta, Op. 60: The Street
05. Sinfonietta, Op. 60: The Town
06. Lachlan Dances: Starodavny I
07. Lachlan Dances: Pozehanny – Jose Serebrier
08. Lachlan Dances: Dymak
09. Lachlan Dances: Starodavny II
10. Lachlan Dances: Celadensky
11. Lachlan Dances: Pilky
12. Taras Bulba, Rhapsody for Orchestra: The Death Of Andri
13. Taras Bulba, Rhapsody for Orchestra: The Death Of Ostap
14. Taras Bulba, Rhapsody for Orchestra: Prophecy And Death Of Taras Bulba

Czech State Philharmonic
José Serebrier, regente

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Janácek dando um tempo na escrita para acompanhar os comentários do PQP Bach
Janácek dando um tempo na escrita para acompanhar os comentários do PQP Bach”

Frank Bridge (1879-1941): The Sea-Suite For Orchestra / Benjamin Britten (1913-1976): Violin Concerto, op. 15 / Witold Lutoslawski (1913-1994): Concerto for Orchestra (Tortelier)

Frank Bridge (1879-1941): The Sea-Suite For Orchestra / Benjamin Britten (1913-1976): Violin Concerto, op. 15 / Witold Lutoslawski (1913-1994): Concerto for Orchestra (Tortelier)

Atentem para a data da postagem original. É de 2011.

O maestro Yan Pascal Tortelier tem um currículo respeitável. Não havia escutado nada ainda sob a sua condução. Sou sabedor de que, após os problemas com John Neschling, em 2009, Tortelier foi contratado para ser o regente titular da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP). Tortelier é francês de nascimento. Mas já teve a oportunidade de conduzir importantes orquestras como a de Londres, São Francisco, Montréal, Paris e São Petersburgo. Vale ressaltar que o seu principal protagonismo foi à frente da orquestra da BBC de Londres. Seu trabalho na BBC lhe rendeu uma láurea (inclusive, as peças regidas neste post estão a cargo da sinfônica inglesa). A primeira impressão foi positiva. As três peças (broadcastings) que surgem nesta postagem, deixaram-me feliz. Conhecia somente o concerto para violino de Britten, compositor que se sempre provoca admiração e surpresa quando o escuto. A suíte de Bridge também provocou uma impressão de contentamento. Fato importante é que Frank Bridge foi professor de Britten, o maior compositor inglês de todos os tempos (em minha humilde opinião). Lutoslawski, por sua vez, com sua linguagem áspera, continua a ser um desafio. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Frank Bridge (1879-1941) – The Sea-Suite For Orchestra
01. 1. Seascape (Allegro ben moderato)
02. 2. Sea-foam (Allegro vivo)
03. 3. Moonlight (Adagio ma non troppo)
04. 4. Storm (Allegro energico)

Benjamin Britten (1913-1976) – Violin concerto, op. 15
05. I. Moderato Con Moto-
06. II. Vivace-Cadenza-
07. III. Passacaglia Andante Lento (Un Poco Meno Mosso)

Dabiel Hope, violin

Witold Lutoslawski (1913-1994) – Concerto for Orchestra
08. I. Intrada: Allegro maestoso
09. II. Capriccio notturno e arioso: Vivace
10. III. Passacaglia, toccata e corale: Andante con moto

Você pode comprar na Amazon AQUI, AQUI e AQUI

BBC Symphony Orchestra
Yan Pascal Tortelier, regente
Daniel Hope, violino

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Britten e Bridge: Lutoslawski chegou atrasado para a foto no Complexo Wimbledon-PQP Bach

Carlinus

Mikhail Glinka (1804-1857): Sonata para Viola e Piano / Nikolai Roslavets (1881-1944): Sonata para viola e piano / Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sonata para viola e piano, Op. 147 (Bashmet)

Mikhail Glinka (1804-1857): Sonata para Viola e Piano / Nikolai Roslavets (1881-1944): Sonata para viola e piano / Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sonata para viola e piano, Op. 147 (Bashmet)

Álbum sensacional!!

Este CD é formidável. Reúne três importantes compositores da música russa – Glinka, Roslavets e Shostakovich. Glinka é considerado como o pai da música russa. Suas composições influenciaram O Grupo dos Cinco, formado por Balakirev, Borodin, Cui, Mussorgsky e Rimsk-Korsakov. Tal grupo procurava uma produção essencialmente russa. Já Roslavets tem em sua produção musical uma importante marca – suas obras revelam um mundo sonoro denso e misterioso, que sugere influências de Debussy e Scriabin, e, até certo ponto, Schoenberg. O último dos três compositores é Shostakovich, uma das minhas paixões. A Sonata para viola e piano, Op. 147 é singular e melancólica. Não deixe de ouvir este registro que revela o âmago da produção russa. Sou apaixonado pela música russa. E eis aqui uma possibilidade de conferir este extraordinário CD com três sonatas fantásticas. Boa apreciação!

Mikhail Glinka (1804-1857): Sonata para Viola e Piano / Nikolai Roslavets (1881-1944): Sonata para viola e piano / Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sonata para viola e piano, Op. 147 (Bashmet)

Mikhail Glinka (1804-1857) – Sonata para Viola e Piano in D menor (18:21)
1. Allegro moderato [9:59]
2. Larghetto ma non troppo [8:14]

Nikolai Roslavets (1881-1944) – Sonata para viola e piano (12:23)
3. Sonata para viola e piano [12:23]

Dmitri Shostakovich (1906-1975) – Sonata para viola e piano, Op. 147 (36:11)
4. Moderato [11:24]
5. Allegretto [6:52]
6. Adagio [17:53]

Yuri Bashmet, viola
Mikhail Muntian, piano

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Glinka: na sua música não transparece o mesmo mau humor da foto.

Carlinus

Samuel Barber (1910-1981): Cello Concerto / Medea Ballet Suite / Adagio for Strings (Alsop)

Samuel Barber (1910-1981): Cello Concerto / Medea Ballet Suite / Adagio for Strings (Alsop)

Surpreendi-me com a alta qualidade deste CD — mais um do compositor americano Samuel Barber. O Concerto para Violoncelo é uma verdadeira joia. As passagens são belíssimas e de bom gosto. Ainda não tivera a oportunidade de conhecer esse compositor. Mas após as duas sinfonias que postei a semana passada e com mais este concerto para cello, Barber entrou positivamente em meu conceito. Vale ressaltar ainda o belo Adagio para cordas, Op.11 encontrado neste CD que ora posto. Duas palavras o traduz: belo e desolador. Parece com uma daquelas velhas melodias sobre os efeitos devastadores da guerra. Não deixe de ouvir. Uma boa apreciação!

Samuel Barber (1910-1981) – Cello Concerto, Op. 22, Medea Ballet Suite, Op. 23 e Adagio for Strings, Op. 11

Cello Concerto, Op. 22
01. Allegro moderato
02. Andante sostenuto
03. Molto allegro e appassionato

Medea Ballet Suite, Op. 23
04. Parodos
05. Choros. Medea and Jason
06. The Young Princess. Jason
07. Chroso
08. Medea
09. Kantikos Agonias
10. Exodos

Adagio for Strings, Op. 11
11. Adagio for Strings, Op. 11

Royal Scottish National Orchestra
Marin Alsop, regente
Wendy Warner, cello

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Barber fumando sob uma árvore do Sítio da PQP Bach Corp da Pensilvânia

Carlinus

Erik Satie (1866-1925): Les Fils des Etoiles

Erik Satie (1866-1925): Les Fils des Etoiles

Erik Satie foi um importante precursor dos movimentos musicais do século passado. Foi um vanguardista. Influenciou Ravel e Debussy com sua música de paisagens estáticas. A música para Satie era uma mobília, um móvel que se adequa ao ambiente. A vida continua em seu fluxo e a música fica lá, parada, sem que a percebamos. Os efeitos psicológicos são notáveis. Por exemplo, enquanto estou aqui em casa lendo, esperando o tempo passar, o compositor é minha companhia. Mas é como eu não estivesse ouvindo nada. As pessoas passam no corredor, próximo ao meu apartamento, os carros buzinam, grades tilintam, chaves penduricalham; crianças gritam. Mas parece que não ouço nada. As miniaturas musicais de Satie são como rios marulhentos. Não percebemos a sua “viagem”. Todavia, às vezes, o seu ronco suave se expressa e aí lhe damos atenção. Satie destinava essa intenção à sua música. Queria que os ouvintes encarassem dessa forma aquilo que escrevia. Enquanto as sinfonias e concertos constituem universos, “teses”, “discursos eloquentes”, as peças de Satie são pequenos quadros, crônicas doces, suaves, “vagabundas”, miniaturas semimortiças. Mas, como é boa essa música!

Erik Satie (1866-1925) – Les Fils des Etoiles

01. Prélude du 1er Acte – La Vocation – Thème décoratif_ La nuit de Kaldée
02 – 1er Acte – La vocation
03 – Prélude du 2e Acte – L’Initiation – Thème decoratif_ La salle basse du Grand
04 – 2e Acte – L’Initiation
05 – Prélude du 3e Acte – L’Incantation – Thème decoratif_ La terasse du palais
06 – 3e Acte – L’Incantation

Steffen Schleiermacher, piano

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Satie preparando uma nova ironia para você.

Carlinus

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sinfonia No. 1, Op. 21 e Sinfonia No. 3, Op. 55 (Eroica) – Mravinsky

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sinfonia No. 1, Op. 21 e Sinfonia No. 3, Op. 55 (Eroica) – Mravinsky

Primeiramente, quero afirmar que há motivos de sobra para que você baixe e saia ouvindo esse CD imediatamente. (1) Temos a presença de Evgeny Mravinsky, um dos maiores e melhores regentes do século XX. Se a obra de Beethoven possui sisudez, seriedade, com Mravinsky essa característica chega a paroxismos. (2) A Sinfonia no. 1 é o trabalho de um Beethoven ainda jovem, mas capaz de proezas. Vemos nela todo rigor e maturidade que seria revelada na Terceira, na Quinta, na Sétima e na Nona, sendo que esta última é a vida transfigurada, a subida ao paraíso. A Sinfonia No. 1 possui belos momentos de reflexão, de seriedade e alegria. (3) Já a Terceira Sinfonia é um tratado moral, um livro cuja metafísica é o próprio mundo interior de Beethoven. A Marcha Fúnebre do segundo movimento sugere seriedade, meditação, crença no homem e toda sorte de idealismos possíveis. Tudo isso sendo construído com paisagens de silêncio. Música medíocre nos leva ao barulho, aos piores instintos; a boa música, por sua vez, nos remete ao silêncio. Convido você a baixar sua cabeça e meditar com Beethoven. Bom deleite!

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sinfonia No. 1, Op. 21 e Sinfonia No. 3, Op. 55 (Eroica) – Mravinsky

Sinfonia No. 1 in C major, Op. 21

01. Adagio molto: Allegro con brio
02. Andante cantabile con moto
03. Menuetto: Allegro molto e vivace
04. Adagio; Allegro molto e vivace

Sinfonia No. 3 em Mi bemol maior, Op. 55 – “Heróica”
05. Allegro con brio
06. Marcia funebre: Adagio assai
07. Scherzo: Allegro vivace
08. Finale: Allegro molto

Leningrad Philharmonic Orchestra
Evgeny Mravinsky, regente

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Mravinsky não tinha o hábito de sorrir. Mesmo nas fotos onde todos se arreganham, ele aparece putaço.

Carlinus

Ludwig van Beethoven (1770-1827): The Early String Quartets (Melos)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): The Early String Quartets (Melos)

Estes quartetos de cordas do mestre Ludwig van Beethoven estavam separados há muito tempo para serem postados. Não sei o porquê de não ter postado há mais tempo. O fato é que fui abandonando o empreendimento e uma certa omissão me tomou por completo. Mas como estou de bom humor no dia de hoje, resolvi-me por postar esta extraordinária caixa com os imortais quartetos do mestre de Bonn, tendo o Melos Quartett como porta-voz. Sobre os quartetos de cordas de Beethoven é importante dizer que estão entre as produções mais brilhantes e geniais do alemão. Sendo assim, comecemos a audição agora mesmo. Uma boa apreciação!

Os Middle, com o Melos, estão AQUI.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): The Early String Quartets

DISCO 01

String Quartet in F, op.18 No.1
01. I. Allegro con brio
02. II. Adagio affettuoso es appassionato
03. III. Scherzo. Allegro molto
04. IV. Allegro

String Quartet in G, op.18 No.2
05. I. Allegro
06. II. Adagio cantabile – Allegro – Tempo I
07. III. Scherzo. Allegro
08. IV. Allegro molto quasi Presto

DISCO 02

String Quartet in D, op.18 no.3
01. I. Allegro
02. II. Andante con moto
03. III. Allegro
04. IV. Presto

String Quartet in c, op.18 no.4
05. I. Allegro ma non tanto
06. II. Scherzo. Andante scherzoso quasi Allegretto
07. III. Menuetto. Allegretto
08. IV. Allegro – Prestissimo

DISCO 03

String Quartet in A, op.18 no.5
01. I Allegro
02. II Menuetto
03. III Andante canabile. Thema – Variationen I…
04. IV Allegro

String Quartet in B flat, op.18 no.6
05. I. Allegro con brio
06. II. Adagio ma non troppo
07. III. Scherzo. Allegro
08. IV. La Malinconia. Adagio – Allegretto …

Melos Quartett
Wilhelm Melcher, 1. violino
Gerhard Voss, 2. violino
Hermann Voss, viola (alto)
Peter Buck, Violoncello

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O Melos em 1965, época do início da construção do império PQP Bach. Neste ano, compramos nosso primeiro iate.

Carlinus

Béla Bártok (1881-1945): Sonatas para Violino e Piano e 3 Canções Populares Húngaras (Oistrakh / Bauer / Kremer / Maisenberg)

Béla Bártok (1881-1945): Sonatas para Violino e Piano e 3 Canções Populares Húngaras (Oistrakh / Bauer / Kremer / Maisenberg)

Duas gravações ao vivo com enorme diferença de qualidade sonora. Claro, Oistrakh (1908-1974) e Kremer (1947) são de gerações bem diferentes, mas o disco foi lançado e está aí, eu é que não vou explicar. As interpretações de ambos são boas.

As duas sonatas para violino de Bartók são vacas sagradas para os entusiastas da música moderna e para aqueles interessados ​​no repertório de violino e piano. Como representantes de maior prestígio de seu gênero no século 20, elas atraíram a atenção de vários artistas, apesar da dificuldade para os ouvintes casuais. Esta versão eslava clássica contribui para a impressionante variedade de opções disponíveis para o ouvinte. As duas Sonatas para Violino e Piano foram escritas em 1921-2, aproximadamente na época de O Mandarim Miraculoso e entre o segundo e terceiro quartetos de cordas. Fiquei especialmente intrigado com a Primeira Sonata desde que lutei para ouvi-la pela primeira vez. É provavelmente a peça mais intransigente de Bartók, meia hora de modernismo dissonante sem tréguas, filtrada pelo prisma do folclore do Leste Europeu. São esses recursos, juntamente com a influência rítmica da música folclórica, que dão à música de Bartók seu som característico, seja no seu mais complexo (como aqui) ou em um disfarce mais familiar — como, por exemplo, no Concerto para Orquestra. A segunda Sonata é irmã gêmea da primeira em intensidade, complexidade e necessidade de precisão. Como os quartetos de cordas tardios ​​de Beethoven, estas obras não mostram seus segredos facilmente.

Béla Bártok (1881-1945): Sonatas para Violino e Piano (Oistrakh / Bauer / Kremer / Maisenberg)

Sonata para violino e piano No. 1, Op. 21
01 – Sonate no. 1, 1. Allegro appassionato
02 – Sonate no. 1, 2. Adagio
03 – Sonate no. 1, 3. Allegro

Canções Populares Húngaras
04 – Chansons populaires hongroises, no. 6 Allegro
05 – Chansons populaires hongroises, no. 13 Andante
06 – Chansons populaires hongroises, no. 18 Andante non molto

David Oistrakh, violino
Frida Bauer, piano

Sonata para Violino e Piano No. 2
07 – Sonate no. 2, 1. Molto moderato
08 – Sonate no. 2, 2. Allegretto

Gidon Kremer, violino
Oleg Maisenberg, piano

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Bartók não parece muito confortável nesta foto com seu (muito amado) filho

Carlinus

Igor Stravinsky (1882-1971): Oedipus Rex e Symphonie de Psaumes

Igor Stravinsky (1882-1971): Oedipus Rex e Symphonie de Psaumes

CVL nos avisou que faz, hoje, quarenta anos da morte de Igor Stravinsky (esta postagem é originalmente de 6 de abril de 2011), uma das maiores personalidades da música do século XX.

Oedipus Rex foi escrito no período neoclássico de Stravinsky. O libreto da peça foi concebido por Jean Cocteau. A obra é baseada na tragédia homônima de Sofócles. Já a Sinfonia dos Salmos foi “composta em 1930, foi o resultado da encomenda que lha havia feito Sergei Koussevitzky para celebrar o 50º aniversario da Orquestra Sinfônica de Boston. Para evitar as conotações ligadas à tradição romântica, utilizou meios alheios ao gênero: coro infantil e masculino a quatro vozes e uma peculiar orquestra que incluía metal, madeira, dois pianos, percussão e uma secção de cordas reduzida, pois eliminou violinos e violas. Uma estranha sonoridade de claros e nítidos perfis onde domina a instrumentação arcaica, acentuada pelos frequentes ostinati que articulam numerosos trechos. No uso do latim, na combinação de modelos ligados à tradição ocidental e ao âmbito cultural russo-ortodoxo, há um desejo de superar a interpretação pessoal-expressiva e de alcançar certa objetividade, projetos que se materializam numa das criações mais importantes da música religiosa de nosso século. O começo é áspero, um seco acorde em Mi menor introduz a prece a Deus, omnipotente e distante. Fagotes e oboés são interrompidos pelo mesmo acorde que reaparecerá ao longo do movimento. O piano e a trompa os substituem e as cordas expõem o tema com que entrará o coro, “Exaudi orationem meam”, sobre o fundo das madeiras (fagotes, oboés, corno inglês). Este tema é retomado pelos contraltos, após uma breve passagem executada pelas flautas e oboés. Reaparece o acorde e entram os tenores e sopranos, com o acompanhamento dos dois pianos. De novo o acorde e , então somente com os instrumentos de sopro, desenvolve-se uma seção que leva ao crescendo e ao qual se une o resto dos instrumentos. Com as repetições de “remite mihi” o final discorre até o Sol. A parte central é um canto de esperança. O prelúdio, na seção de sopro, mostra as inauditas complexidades contrapontísticas que Stravinsky condensa neste movimento, construído como uma dupla fuga vocal e instrumental, em perfeito e denso equilíbrio, onde se combinam os mais estritos desenvolvimentos e inversões com tratamentos canônicos pessoais, registrados na estrutura polifônica. Depois da introdução, o coro, num clima tranqüilo começa sua declamação, “Expectus expectavi dominus”. Após uma passagem a capella e outra instrumental, todos os integrantes se unem fortissimo, para piano sobre “Sperabunt in Domino”. O salmo 150 é a base do canto de louvor final. O Dó menor de “aleluia” é levado, numa rápida modulação, ao Dó maior. As vozes entoam o primeiro versículo, criando, com suas repetições e com a trama instrumental, uma hipnótica sensação. A respeito do trecho seguinte, mais rápido, Stravinsky comentou que lhe fora sugerido “pela visão do carro de Elias subindo ao céu”. Esta vivaz seção, na qual ressalta um potente ostinati instrumental, guarda em seu centro uma passagem mais tranquila, que preludia a coda final, num ritmo de três por dois, e constitui “um hino sublime, quase imóvel, onde o tempo da música se une ao da eternidade”. Fonte.

Igor Stravinsky (1882-1971) Oedipus Rex e Symphonie de Psaumes

Oedipus Rex
01. Prologue. Acte I
02. Acte II. Epilogue

Symphonie de Psaumes
03. I. Exaudi orationem meam, Domine
04. II. Exspectans exspectavi Dominum
05. III. Alleluia, laudate Dominum

Czech Philharmonic Chorus And Orchestra
Karel Ancerl, regente

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Stravinsky fazendo café turco para a turma do PQP. Ficou mais ou menos.

Carlinus (e PQP, que não gostou de Édipo Rei, mas adorou a Sinfonia dos Salmos)

Dmitri Shostakovich (1906-1975) – 24 Prelúdios e Fugas para Piano, Op. 87 – Vladimir Ashkenazy

REVALIDADO POR VASSILY EM JULHO DE 2015 E, OUTRA VEZ, EM DEZEMBRO DE 2019

510Ex03JI5LDia desses mesmo nosso nobre colega Ranulfus revalidou os links para uma preciosa postagem do patrono PQP: a gravação feita pelo monstruoso Konstantin Scherbakov para os Prelúdios e Fugas para piano, Op. 87, de Shostakovich, Na ocasião, o distinto monge apontou que se tratava de uma das nada menos que SEIS versões da obra-prima que já tinham visto as páginas deste blogue e que nenhuma delas resistira à explosão da fábrica de fogos de artifício (i.e., o desmanche do Megaupload e seus congêneres pelo FBI e o rápido upload dos respectivos proprietários para prisões federais estadunidenses). Ao concluir, o preclaro colega conclamava seus pares a recuperarem as demais versões para a blogosfera.

Pois bem, deixo aqui mais uma moedinha e revalido a gravação de Vladimir Ashkenazy, postada pelo saudoso (porque não mais aqui na equipe, mas felizmente bem vivo por aí) Carlinus em 2010.

Quem prossegue?

Para facilitar, tó aqui a lista de compras para a turminha:

Konstantin Scherbakov

Vladimir Ashkenazy

Tatiana Nikolayeva, em três versões: a primeira (1961), a segunda (1987) e  a derradeira (1990)

Keith Jarrett

Peter Donohoe

Aleksander Melnikov

BÔNUS: DVD sobre Nikolayeva com uma integral do Op. 87 de Shosta


Vassily Genrikhovich (não, não gravei Shostakovich: sou só um mero blogueirinho)


POSTAGEM ORIGINAL DE 7/10/2010, por Carlinus

Dmitri Shostakovich é um dos principais compositores dos últimos cem anos. Gosto de sua música. Esta caixa que principio a postar é algo de muito bom gosto. Como estou com certa pressa neste instante, a informação básica é de que começarei com os 24 Prelúdios e Fugas do mestre Shosta. É algo que impõe e exige atenção respeito. Há algum tempo atrás estes mesmos prelúdios apareceram aqui com Tatiana Nikolaevna, numa gravação antológica, postada pelo PQP. A gravação com Ashkenázy também é muito boa. Ashkenazy tem um talento especial para a música russa. Não deixe de ouvir. Boa apreciação!

Dmitri Shostakovich (1906-1975) – 24 Prelúdios e Fugas para Piano, Op. 87

DISCO 1

01. Prelude no.1 in C major
02. Fugue no.1 in C major
03. Prelude no.2 in A minor
04. Fugue no.2 in A minor
05. Prelude no.3 in G major
06. Fugue no.3 in G major
07. Prelude no.4 in E minor
08. Fugue no.4 in E minor
09. Prelude no.5 in D major
10. Fugue no.5 in D major
11. Prelude no.6 in B minor
12. Fugue no.6 in B minor
13. Prelude no.7 in A major
14. Fugue no.7 in A major
15. Prelude no.8 in F sharp minor
16. Fugue no.8 in F sharp minor
17. Prelude no.9 in E major
18. Fugue no.9 in E major
19. Prelude no.10 in C sharp minor
20. Fugue no.10 in C sharp minor
21. Prelude no.11 in B major
22. Fugue no.11 in B major
23. Prelude no.12 in G sharp minor
24. Fugue no.12 in G sharp minor

DISCO 2

01. Prelude no.13 in F sharp major
02. Fugue no.13 in F sharp major
03. Prelude no.14 in E flat minor
04. Fugue no.14 in E flat minor
05. Prelude no.15 in D flat major
06. Fugue no.15 in D flat major
07. Prelude no.16 in B flat minor
08. Fugue no.16 in B flat minor
09. Prelude no.17 in A flat major
10. Fugue no.17 in A flat major
11. Prelude no.18 in F minor
12. Fugue no.18 in F minor
13. Prelude no.19 in E flat major
14. Fugue no.19 in E flat major
15. Prelude no.20 in C minor
16. Fugue no.20 in C minor
17. Prelude no.21 in B flat major
18. Fugue no.21 in B flat major
19. Prelude no.22 in G minor
20. Fugue no.22 in G minor
21. Prelude no.23 in F major
22. Fugue no.23 in F major
23. Prelude no.24 in D minor
24. Fugue no.24 in D minor

Vladimir Ashkenazy, piano

BAIXAR AQUI – DOWNLOAD HERE – CD1
BAIXAR AQUI – DOWNLOAD HERE – CD2

Carlinus

Antonio Salieri (1750-1825): Aberturas

Antonio Salieri (1750-1825): Aberturas

Salieri é um caso de incompreensão. A importância do compositor para a música do século XIX foi considerável.  Mas sua relevância foi minimizada em decorrência de boatos históricos. Sua música, entretanto, foi bastante conhecida à época em que o compositor viveu. Salieri não foi, historicamente, o sujeito invejoso e mesquinho retratado pelo cinema — mais precisamente no filme Amadeus (1984), de Milos Forman. O compositor gozou de um prestígio social considerável. Foi preceptor de Liszt, Mozart, Schubert, Meyerbeer, Beethoven, Hummel, entre outros. Esse quadro pintado por mim é uma pequena amostra do talento de Salieri. Sim, ele não possui o talento de Mozart, Haydn, Beethoven ou mesmo Hummel, mas merece ser conhecido por aquilo que fez. Não deixe de ouvir!

Antonio Salieri (1750-1825): Aberturas

01 – La secchia rapita
02 – Les Danaides
03 – Palmira Regina di Persia
04 – La fiera di Venezia
05 – Axur Re d’Ormus
06 – La Grotta di Trofonio
07 – Ouverture in Re maggiore
08 – Europa Riconosciuta
09 – Variazioni sulla Follia di Spagna

Moldavian National Symphony Orchestra
Silvano Frontalini, regente

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Antonio_Salieri (pintura de Joseph Willibrord Mähler)

Carlinus

Anton Bruckner (1824-1896): Missa Nº 3

Anton Bruckner (1824-1896): Missa Nº 3

IM-PER-DÍ-VEL !!!

A obra de Bruckner é densa, funda; obra para monges; para asceses catárticas. Como no simbolismo místico de Cruz e Sousa a qual afirma na poesia Música Misteriosa:

Tenda de Estrelas níveas, refulgentes,
Que abris a doce luz de alampadários,

As harmonias dos Stradivarius

Erram da Lua nos clarões dormentes…

Pelos raios fluídicos, diluentes
Dos Astros, pelos trêmulos velários,

Cantam Sonhos de místicos templários,

De ermitões e de ascetas reverentes…

Cânticos vagos, infinitos, aéreos
Fluir parecem dos Azuis etéreos,

Dentre os nevoeiros do luar fluindo…

E vai, de Estrela a Estrela, a luz da Lua,
Na láctea claridade que flutua,

A surdina das lágrimas subindo…

Ouçamos Bruckner e diluamos as imoralidades, os sacrilégios, as inverdades. Que o mundo escute Bruckner e seja curado dos seus desmazelos, de suas chagas purulentas; de sua luxúria, de sua glutonaria pelas vaidades e seus repastos insossos. Sim! O último disco traz a maravilhosa Missa em Fá. É para ouvir e sentir-se beatificado. Subamos a montanha da música brukneriana e lá tenhamos um encontro com a prece e com a exaltação. Perdoem-me o afetamento. Mas a solidão e essa música imaculada “botam a gente comovido como o diabo” – Drummond. Boa apreciação!

Anton Bruckner (1824-1896) – Missa No. 3 em Fá menor para solistas, coro e orquestra

01. I – Kyrie. Moderato
02. II – Gloria. Allegro – Andante, mehr Adagio (sehr langsam)
03. III – Allegro – Moderato misterioso – Langsam – Largo –
04. IV – Sanctus. Moderato – Allegro
05. V – Benedictus. Allegro moderato – Allegro
06. VI – Agnus Dei. Andante – Moderato

Philharmonischer Chor München
Sergiu Celibidache, regente
Margaret Price, soprano
Doris Soffel, alto
Peter Straka, tenor
Matthias Hölle, baixo

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Carlinus

Johannes Brahms (1833-1897): As Sonatas para Violoncelo e Piano

Johannes Brahms (1833-1897): As Sonatas para Violoncelo e Piano

Há compositores que possuem uma linguagem singular e que nos toca profundamente. Certamente, Brahms é um desses. É um dos meus compositores favoritos. Gosto incondicionalmente de sua música, de sua sensibilidade. Achei que era um dever postar este CD. Achei-o recentemente. Pensei em não postá-lo. 160 kbps é uma quantia, para mim, pouco apetecível. Gosto de mp3s a partir de 224 kbps. Mas como se trata de uma CD com um conteúdo tão espetacular, decidi postar. Já fazia um certo tempo que eu não postava o bom e velho Brahms. E aqui ele aparece interpretado por Serkin e Rostropovich. Verdadeiramente imperdível! Um bom deleite!

Johannes Brahms (1833-1897): As Sonatas para Violoncelo e Piano

Sonata for Cello and Piano No. 1 in E minor, Op. 38
01. 1. Allegro non troppo
02. 2. Allegretto quasi Menuetto
03. 3. Allegro

Sonata for Cello and Piano No. 2 in F major, Op. 99

04. 1. Allegro vivace
05. 2. Adagio affettuoso
06. 3. Allegro passionato
07. 4. Allegro molto

Mstislav Rostropovich, cello
Rudolf Serkin, piano

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Rostropovich decididamente não sabia se comportar à mesa, mas como tocada um cello! (E piano também!)

Carlinus

Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia No. 7 / Te Deum

Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia No. 7 / Te Deum

PQP, aquele chato, caça a palavra de Carlinus para dizer que, em sua opinião, as gravações da 7ª de Haitink e Wand dão um baile na de Celibidache. Um Baile, um 7 x 1. Só isso. Diz aí, Carlinus!

Seguindo com nosso empreendimento. Desta vez surgem duas obras monumentais — a Sinfonia No. 7 e Te Deum, de singular beleza. A Sinfonia No. 7 em Mi Maior é uma das obras mais conhecidas de Bruckner. Foi composta entre os anos de 1881 e 1883 e foi revista, como Bruckner costumava fazer, no ano de 1885. O trabalho consagrou em definitivo o compositor. A monumentalidade da obra impressiona. A outra obra do post é o Te Deum, que na tradição latina da Igreja é um hino de louvor, cantado geralmente como agradecimento a Deus por uma benção especial. O termo em latim é: Te Deum Laudamus. Ou seja, A Ti, ó Deus, louvamos. Uma boa apreciação!

Anton Bruckner (1824-1896) – Sinfonia No. 7 em Mi Maior
01. Applause
02. I – Allegro moderato
03. II – Adagio. Sehr feierlich und sehr langsam

01. III – Scherzo. Sehr schnell – Trio
02. IV – Finale. Bewegt, doch nicht schnell

Te Deum, para solistas, coral, órgão e orquestra
03. Applause
04. I – Allegro moderato
05. II – Te ergo. Moderato
06. III – Aeterna fac. Allegro moderato. Feierlich, mit Kraft
07. IV – Salvum fac. Mooderato – Allegro moderato
08. V – In te, Domine, speravi. Mäßig bewegt – Allegro moderato

Philharmonischer Chor München
Sergiu Celibidache, regente
Members of the Münchener Bach-Chor
Josef Schmidhuber, chorus master
Margaret Price, soprano
Christel Borchers, contralto
Claes H. Ahnsjö, tenor
Karl Helm, baixo
Elmar Schloter, órgão

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Celibidache, um dos mensageiros de Bruckner, aqui dá uma derrapada

Carlinus

Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia Nº 8

Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia Nº 8

Tentarei finalizar esta caixa com 12 Cds com as sinfonias de Bruckner, sendo conduzidas por Celibidache, o mais rápido possível. Sei. A parcimônia e os intervalos entre uma postagem e outra estão cacete. É que nesses últimos dias estive sem muita vontade de postar. Além do que comecei a trabalhar numa escola, com possibilidade de trabalhar em outra, já que passei num concurso para professor. Em dois empregos, o tempo para postar irá diminuir. Mas, vamos a mais um post dessa fabulosa caixa. Bruckner labutou em sua Oitava Sinfonia de 1884 a 1887. Mas, mesmo assim, o trabalho só foi estrear em 1892 com Hans Richter. Ou seja, o trabalho somente veio para o mundo propriamente 8 anos após a sua concepção. Tal característica era típica de Bruckner, que era dado a profundos e incessantes receios. Sua personalidade o impulsionava a tais atos. Mas, ainda bem, pois temos uma verdadeira obra prima. É um dos trabalhos mais prodigiosos do compositor. A versão que temos nest post é do ano de 1890. Não deixe de ouvir. Boa apreciação!

Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia No. 8

01. Applause
02. Allegro moderato
03. Scherzo. Allegro moderato – Trio. Langsam
04. Adagio. Feierlich langsam; doch nicht schleppend
05. Finale. Feierlich, nicht schnell
06. Applause

Version: 1890
Edition: Leopold Nowak

Münchner Philharmoniker
Sergiu Celibidache, regente

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Celibidache, o genial inimigo de Karajan.

Carlinus

César Franck (1822-1890): String Quartet in D major / Gabriel Fauré (1845-1925): String Quartet in E minor

César Franck (1822-1890): String Quartet in D major / Gabriel Fauré (1845-1925): String Quartet in E minor

Aqui temos dois importantes representantes da música francesa do final do século XIX e início do século XX. Fauré, especificamente, é mais conhecido pelo seu Réquiem, com certeza uma das páginas mais belas da história música, tanto pela pureza, quanto pela simplicidade daquilo que ouvimos. No Réquiem de Fauré, percebemos um senso de equilíbrio, de elegância, clareza, recato poético, o que torna a obra absolutamente arrebatável. Sua música possui uma fragrância inconfundível. César Franck também foi o criador de um estilo bem singular no qual os atributos mais densos podem ser verificados em sua Sinfonia em D menor. Ou seja, nestes dois belos e tristes quartetos de cordas aqui apresentados, temos a oportunidade de descobrirmos um pouco mais do mundo artístico desses dois importantes compositores. Boa apreciação!

César Franck (1822-1890) – String Quartet in D major
01. Poco lento – Allegro
02. Scherzo:Vivace
03. Larghetto
04. Allegro molto

Gabriel Fauré (1845-1925) – String Quartet in E minor
05. Allegro moderato
06. Andante
07. Allegro

Dante Quartet
Krysia Osostowicz, violino
Giles Francis, violino
Judith Busbridge, viola
Bernard Gregor-Smith, violoncelo

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O Dante: não lembro de outro quarteto formado por dois casais
O Dante: não lembro de outro quarteto formado por dois casais

Carlinus

Camille Saint-Säens (1835-1921) – Concerto No. 2 in G minor, Op. 22, César Franck (1822-1890) – Symphonic Variations e Franz Liszt (1811-1886) – etc

Camille Saint-Säens (1835-1921) – Concerto No. 2 in G minor, Op. 22, César Franck (1822-1890) – Symphonic Variations e Franz Liszt (1811-1886) – etc

Lembrei do Rubinstein esses dias… após o Roger Waters (Pink Floyd) se posicionar sobre a grave situação brasileira, se arriscando a levar vaias de parte da classe média paulistana e do nosso digníssimo Ministro da Cultura, que disse: “A gente não consegue mais ir a um show ou ver um filme sem que haja algum tipo de manifestação política.”

Deixo vocês com uma reportagem de 1964 e em seguida com a postagem original do Carlinus sobre um dos grandes pianistas do século XX. Rubinstein, Roger Waters e o ministro de Temer, quem será que está certo?

Músicos protestam contra a exclusão de negros das salas de concerto

O pianista Julius Katchen, que toca frequentemente na Europa e na Ásia, disse que a segregação é “uma fonte profunda de vergonha e constrangimento” para os norte-americanos no exterior.

Com o projeto de lei dos direitos civis agora no Congresso*, ele afirmou, “torna-se o dever de todos os artistas se recusarem a tocar em auditórios onde políticas de segregação são praticadas”.

Apesar de Arthur Rubinstein não ter chegado tão longe a ponto de endossar um boicote organizado, ele disse que os jovens artistas que se manifestaram contra a segregação deram “um passo certo e natural”.

Os perigos para uma sociedade livre, ele disse, são “apatia e complacência” em face da injustiça. Rubinstein disse que, como judeu, ele experimentou pessoalmente as consequências dolorosas do preconceito.

Ele discordou fortemente de uma declaração do pianista alemão Hans Richter Haaser de que os músicos deveriam se distanciar dos problemas raciais e políticos. “Os músicos também são seres humanos”, disse Rubinstein, “e eles têm a mesma responsabilidade moral que todo mundo em relação à sua sociedade.”

(Canadian Jewish Review, May 8, 1964, p.5)

*A Lei dos Direitos Civis (Civil Rights Act, em inglês), que pôs fim aos diversos sistemas de segregação racial, foi promulgada em 2 de julho de 1964

Esta série da RCA é espantosa. Têm gravações absurdas. Coisas realmente atordoantes. E este CD, por exemplo, que ora posto, é maravilhoso. A qualidade do áudio é ímpar.

Acredito que tenha mais de um ano que eu queria postá-lo. O disco possui um conjunto que dispensa comentários. Três compositores que souberam impingir um traço fantástico ao piano – Saint-Saëns, Franck e Liszt. Ou seja, o melhor que se produziu na segunda metade do século XIX. E ao piano, Arthur Rubinstein, um dos maiores pianistas e virtuoses do século XX. Das peças do post, gosto particularmente do Concerto No. 2 de Saint-Saëns. A obra é repleta de passagens belíssimas.  Um bom deleite!

Camille Saint-Säens (1835-1921) – Concerto No. 2 in G minor, Op. 22
01. Andante sostenuto
02. Allegro scherzando
03. Presto

César Franck (1822-1890) – Symphonic Variations
04. Poco allegro
05. Allegro non troppo

Franz Liszt (1811-1886) – Concerto No. 1 in E Flat*
06. Allegro maestoso
07. Quasi adagio
08. Allegretto vivace
09. Allegro marziale animato

Symphony of the Air
*RCA Victor Symphony Orchestra

Alfred Wallenstein, regente
Arthur Rubinstein, piano

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Rubinstein imitando o ministro da “cultura” de Temer

Carlinus
Repostagem por Pleyel

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para Violino e Orq., Op. 61, Romance para Violino e Orq., Op. 40 e Romance para Violino e Orq., Op. 50

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para Violino e Orq., Op. 61, Romance para Violino e Orq., Op. 40 e Romance para Violino e Orq., Op. 50

51dAwfocJGL._SY355_Gosto imensamente do Opus 61 de Beethoven, cheio sensibilidade, leveza e reflexão. Há outras três ou quatro versões aqui no blog. Esta que trarei agora é com um dos meus condutores favoritos, que entende tudo e mais um pouco de regência e música, Nikolaus Harnoncourt. Ao violino temos o grande Gidon Kremer. Separei para os próximos dias uma versão muito boa com uma das minhas violinistas favoritas da atualidade, Anne-Sophie Mutter, que gosto duplamente pelos seguintes motivos: (1) pela técnica apurada e pela maturidade musical que a moça quase cinquentona conquistou; e (2) pela beleza, pela compleição física. Alguns dirão: “Ela não é nada!” Para mim o é. Tenho devaneios com aquela mulher. O Previn é quem se deu bem. Que pena! Por que não nasci na Alemanha? Voltando ao concerto: Beethoven escreveu o Concerto para violino e orquestra, Op. 61 em 1806. A obra não fez sucesso quando da estreia e foi pouco executada nos anos seguintes. Mendelssohn, em 1844, retomou as execuções desse concerto que de lá para cá tornou-se um dos principais concertos para o instrumento, o violino. Não deixe de ouvir. Boa apreciação!

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para Violino e Orq., Op. 61, Romance para Violino e Orq., Op. 40 e Romance para Violino e Orq., Op. 50

Concerto para violino e orquestra em Ré maior, Op. 61
01. Allegro ma non troppo
02. Larghetto
03. Rondo, Allegro

Romance para violino e Orquestra em Sol maior, Op. 40
05. Romance para violino e Orquestra em Sol maior, Op. 40

Romance para violino e Orquestra em Fá maior, Op. 50
06. Romance para violino e Orquestra em Fá maior, Op. 50

The Chamber Orchestra of Europe
Nikolaus Harnoncourt, regente
Gidon Kremer, violino

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Alguém pode me explicar que porra foi aquela que fizeram nas cadenzas do meu belíssimo concerto?

Carlinus

Felix Mendelssohn (1809-1847): Sonho de uma Noite de Verão, Op. 61

Felix Mendelssohn (1809-1847): Sonho de uma Noite de Verão, Op. 61

71Es2DqKGSL._SL1425_IM-PER-DÍ-VEL !!!

Quando penso na música de Mendelssohn sempre me vem à mente uma sensação de alegria juvenil despreocupada, tépida, repleta de sentimentos ensolarados. Talvez a impressão resultante da sinfonia número 4, “Italiana”, tenha se tornado numa influência preponderante em minha percepção. E o que dizer de o Sonho de uma noite de verão? Mendelssohn conseguiu transferir o aspecto emblemático tal qual Shaskepeare o empregou quando escreveu a sua obra homônima. Ou seja, a obra escrita para o teatro se perpetua, em carga dramática e espiritual, na obra musicada. Mendelssohn era um indíviduo culto, dono de uma grande versatilidade artística; conhecedor de tendências e mundos literários. Ele contribuiu singularmente para perpetuar o gênio shakespereano nessa obra. O mais incrível nisso tudo – e devo afirmar que se trata de algo estarrecedor – é que Mendelssohn era uma adolescente quando escreveu esta obra. Tinha apenas 15 anos de idade. Algo verdadeiramente incrível. A obra é ágil, cheia de um colorido alegre; é bela, perfeita, revelando uma alma sonhadora. A obra revela o jovem Mendelssohn. Sonho de uma noite de verão deixa-nos com aquela impressão de que há homens que já perceberam, apreenderam e sentiram o inefável; que já apalparam a beleza. Revela-nos a verdade abismadora proclamada por Nietzsche, ou seja, de que “a arte existe para dar sentido à vida”. Sem a arte o mundo humano já teria se desvanescido. Quando se estiver triste, quando a vida se encher de escuridade; ou naqueles dias em que o mundo parece conspirar, é necessário ouvir esta música que segreda-nos verdades ocultas. A “Abertura” é uma porta que se nos abre, convidando-nos para o mundo das fadas, dos duendes, dos contos imaginosos, de encantamentos, de amores impossíveis ou que se realizam, de fantasia – verdadeira fantasia. Entusiasmo-me quando escuto esta obra. Ficamos elucubrando com aquelas sentimentalizações de que a vida vale a pena. Portanto, não deixe de ouvir este registro imperdível com Otto Klemperer. Aprecie sem moderação, pois quanto mais somos penetrados pela beleza da arte, melhores seres humanos nos tornamos.

Felix Mendelssohn (1809-1847) – Sonho de uma noite de verão – música incidental, Op. 61

01. Overture, Op. 21 [12:51]
02. I. Scherzo [5:29]
03. IIa. March of the Fairies [1:17]
04. III. ‘Ye Spotted Snakes’ [4:39]
05. V. Intermezzo [3:57]
06. VII. Nocturne [7:02]
07. IX. Wedding March [5:00]
08. Xa. Funeral March [1:01]
09. XI. Dance of the Clowns [1:49]
10. Finale. ‘Through the House’ [4:48]

Philharmonia Orchestra
Philharmonia Chorus

Heather Harper, soprano
Janet Baker, contralto
Otto Klemperer, regente

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Klemperer, nome difícil de dizer, cara de louco, mas que baita maestro!
Klemperer, nome difícil de dizer, cara de louco, mas que baita maestro!

Carlinus

João Domingos Bomtempo (1771-1842): Sinfonias Nº 1 e 2

João Domingos Bomtempo (1771-1842): Sinfonias Nº 1 e 2

51QK1uxfeuL._SL500_AA300_O compositor português João Domingos Bomtempo foi uma importante figura musical em seu país. O seu primeiro professor foi o próprio pai, um oboísta italiano. Residiu em Paris dos anos de 1801 a 1810. Viajou em seguida para Londres onde se tornou um célebre pianista. Regressou a Portugal em 1814 e não cessou as visitas a Londres e a Paris. Atuou de forma incansável. Fundou uma sociedade filarmônica com o intuito de divulgar a música clássica em seu país. Mas por causa de um golpe de Estado foi obrigado a fechar o trabalho e viver refugiado no consulado da Rússia. Em 1833, foi nomeado professor de música da rainha Maria II. Em seguida foi nomeado diretor do Conservatório Nacional em 1835, cargo que ocupou até a sua morte. Bomtempo ocupa um lugar de destaque entre os compositores portugueses. Em sua música destaca-se a presença do classicismo vieneense – Haydn, Mozart e Beethoven. Um exemplo claro disse é a Sinfonia No. 1 encontrada neste post. Possui ecos fortíssimos da música de Haydn e Mozart – o classicismo genuíno da Escola de Viena. Já na Sinfonia No. 2 notamos a forte presença de Beethoven. É um trabalho mais extenso que o primeiro. Possui aproximadamente 42 minutos. Bomtempo inseriu uma maior profusão de vozes no trabalho. Notamos uma forte influência da Eróica e da Pastoral de Beethoven. Não podemos dizer que o compositor português seja original naquilo que produziu. Mas a sua música é deliciosa. É límpida. Como os regatos de Alberto Caeiro (“Sejamos simples e calmos como os regatos e as árvores, e Deus amar-nos-á fazendo de nós belos como as árvores e os regatos, e dar-nos-á verdor na sua primavera e um rio aonde ir ter quando acabemos…“). Uma boa apreciação!

João Domingos Bomtempo (1771-1842) – Sinfonia No. 1, Op. 11 e Sinfonia No. 2

Sinfonia No. 1, Op. 11
01. I. Largo – Allegro vivace
02. II. Minuetto
03. III. Andantino sustenuto
04. IV. Presto

Sinfonia No. 2
05. I. Sustenuto – Allegro moderato
06. II. Allegretto
07. III. Minuetto, Allegro
08. IV. Allegro

Algarve Orchestra
Álvaro Cassuto, regente

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João Domingos Bomtempo: quero ser Mozart, porra!
João Domingos Bomtempo: quero ser Mozart, porra!

Carlinus