.: interlúdio :. Julia Kent: Green and Grey

.: interlúdio :. Julia Kent: Green and Grey

A capa do disco parece da ECM. Colocamos o CD para ouvir e, bem, ele segue parecendo um disco da ECM. As músicas de Kent começam com um ostinato interessante, ganham melodias e somem. Não chega a ser uma loucura de disco bom, mas agrada sem jamais incomodar. A ideia é excelente. Green and Grey, verde e cinza, a grama e o concreto, a justaposição entre o mundo natural e o ambiente construído pelo homem que devem coexistir em harmonia, mas na prática com muita frequência em conflito. Nas 11 faixas, a violoncelista canadense Julia Kent, residente em Nova York, tenta construir um poema para explorar as tensões inerentes ao relacionamento da humanidade com o mundo ao nosso redor. Um segundo Koyannisqatsi. Kent toca desacompanhada, usando apenas seu violoncelo sampleado, mergulhado em sons ambientes ao lado de alguns eletrônicos sutis, além de gravações de campo de sons naturais, como água e sons noturnos.

Julia Kent: Green and Grey

1 Pleiades 5:08
2 Ailanthus 4:58
3 The Toll 3:49
4 Acquario 4:16
5 Tithonos 3:00
6 Guarding The Invitations 4:28
7 Overlook 4:59
8 A Spire 3:59
9 Missed 4:38
10 Dear Mr. Twombly 3:05
11 Wake Low 4:53

Cello – Julia Kent, Robert Brewer Young
Electronics – Julia Kent

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Thomas Adès (1972): Peças para Piano Solo (Chen)

Thomas Adès (1972): Peças para Piano Solo (Chen)

Sim, eu sei. Os compositores brasileiros são ótimos — são mesmo! –, mas, assim como na literatura e no cinema, eles não têm as chances de quem nasceu e vive no primeiro mundo. Então, é muito mais fácil ouvir e ver a produção estrangeira antes da nossa. O compositor, maestro e pianista inglês Thomas Adès é muito bom. Sua música dialoga com o popular e faz paródias. Nada diferente da tradição histórica da música. Seu Concert Paraphrase on Powder Her Face reflete o glamour dos temas operísticos da maneira grandiosa de Liszt ou Busoni, enquanto Still Sorrowing e Darknesse Visible exploram os belos trabalhos de alaúde de John Dowland. Ouvida aqui em estreia mundial, Blanca Variations é lírica e fluida em caráter. Adès captura e transforma o estilo polonês em suas Mazurkas e o espírito de Satie e Ravel em Souvenir, tema do filme Colette.

Thomas Adès (1972): Peças para Piano Solo

Concert Paraphrase on Powder Her Face
1. I. — 00:05:32
2. II. — 00:01:26
3. III. — 00:08:33
4. IV. — 00:01:54

Still Sorrowing, Op. 7
5. Still Sorrowing, Op. 7 00:11:00

Darknesse Visible
6. Darknesse Visible 00:08:03

Blanca Variations
7. Blanca Variations 00:05:56

Traced Overhead, Op. 15
8. I. Sursum 00:00:44
9. II. Aetheria 00:02:28
10. III. Chori 00:07:27

3 Mazurkas, Op. 27
11. I. First Mazurka 00:01:53
12. II. Second Mazurka 00:02:20
13. III. Third Mazurka 00:04:33

Souvenir
14. Souvenir 00:07:22

Han Chen, piano

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Esta foi a expressão de Thomas Adès ao ver a imponência moral e patrimonial do PQP Bach.

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Adès / Sibelius: Concertos para Violino (Hadelich / Lintu)

Adès / Sibelius: Concertos para Violino (Hadelich / Lintu)

Não é que o concerto de Adès seja mau, é que a companhia é muito boa. O Concerto de Sibelius faz a gente esquecer até dos 3 Humoresques que fecham o CD. Pois é… O Concerto para Violino de Jean Sibelius é um favorito pós-romântico e parece ter pouco em comum com os Caminhos Concêntricos de Adès, uma peça cerebral escrito quase 100 anos depois pelo britânico Thomas Adès. As conexões, Hadelich afirma nas anotações do álbum, nem sempre são aparentes na superfície: “Os tímpanos profundos e estrondosos e os baixos em Sibelius preenchem a lacuna de Adès, um trabalho que também explora as profundidades mais baixas do som, criando abismos sobre os quais o violinista executa um ato na corda bamba.” Por falar nele, Hadelich é excelente. Ele é ousado e exato. Também tem uma forma aristocrática de acentuar o que deseja que ouçamos. Porém, é feroz no movimento central de Adès, quando temas concêntricos circulam e se transformam em um ápice emocional, depois se libertando repentinamente.

Adès / Sibelius: Concertos para Violino (Hadelich / Lintu)

Violin Concerto ‘Concentric Paths’
Composed By – Thomas Adès
1 Rings 3:58
2 Paths 10:25
3 Rounds 4:55

Violin Concerto Op. 47
Composed By – Jean Sibelius
4 Allegro Moderato 15:36
5 Adagio di Molto 8:49
6 Allegro, Ma di Tanto 7:39

Three Humoresques
7 Humoresque Op. 87 No. 2 In D Major 2:30
Composed By – Jean Sibelius
8 Humoresque Op. 89 No. 2 In G Minor 3:42
Composed By – Jean Sibelius
9 Humoresque Op. 89 No. 3 In E Flat Major 3:31
Composed By – Jean Sibelius

Conductor – Hannu Lintu
Orchestra – Royal Liverpool Philharmonic Orchestra
Performer, Violin – Augustin Hadelich

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Alguém lembra do Cabeça de Ovo do velho Batman (POW! CRACK! STUMPF!) ?

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Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sinfonias Nº 5 e 7 (Manze) #BTHVN250

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sinfonias Nº 5 e 7 (Manze) #BTHVN250

Um belo CD cujo repertório nos faz lembrar Kleiber, não? Aqui temos um Andrew Manze em plena forma e com bala suficiente para enfrentar bem este repertório lindo e batidíssimo. Após um premiado ciclo de gravações das sinfonias de Mendelssohn, a NDR Radiophilharmonie e Manze chegam a Beethoven. Enquanto a 5ª é a sinfonia mais famosa da história da música, a 7ª é uma das peças mais rítmicas da música do século XIX. Uma “apoteose da dança”, para citar Richard Wagner. A Sinfonia Nº 5 em Dó menor Op. 67, foi escrita entre 1804 e 1808. Trata-se da primeira sinfonia do autor composta em tonalidade menor, o que só voltaria a acontecer em 1824 com a Sinfonia Nº 9, em Ré menor op. 125. Os quatro movimentos caracterizam-se pelas alternâncias: o primeiro movimento tem grande tensão, o segundo é solene, trata-se de uma marcha fúnebre que se eleva em sua emoção e beleza; o terceiro andamento é um grito e o quarto movimento expressa triunfo e força. Já a Sinfonia Nº 7 talvez seja a minha preferida de Beethoven. Várias danças incrustadas por um emocionante Allegretto.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sinfonias Nº 5 e 7

Beethoven: Symphony No. 5 in C Minor, Op. 67
1) I. Allegro con brio 7.34
2) II. Andante con moto 9.53
3) III. Scherzo. Allegro 5.07
4) IV. Allegro 11.16

Beethoven: Symphony No. 7 in A Major, Op. 92
5) I. Poco sostenuto – Vivace 14.03
6) II. Allegretto 8.41
7) III. Presto – Assai meno presto 9.01
8) IV. Allegro con brio 8:21

NDR Radiophilharmonie
Andrew Manze

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Vamo lá, meu povo!

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J. S. Bach (1685-1750): Variações Goldberg (Marcin Świątkiewicz)

J. S. Bach (1685-1750): Variações Goldberg (Marcin Świątkiewicz)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Uma gravação de tranquila liberdade — inclusive para improvisar –, esta realizada pelo excelente polonês Marcin Świątkiewicz. Marcin é realmente muito bom! Faz décadas que coleciono Goldbergs. Tenho muitas gravações desta obra, muitas mesmo. Esse ritual — que começou no século XX — resultou em dezenas de interpretações realizadas em vários instrumentos e gravadas em vários selos. Quem é fiel a Bach coleciona gravações desta obra-prima. Há lendas sobre noites sem dormir, sobre a contagem de carneirinhos e sobre a genialidade de um adolescente de Gdansk. Os ortodoxos passam várias horas noturnas buscando o argumento final para o melhor registro desde aquele que veio do Canadá. E já há superiores, há sim.

Quando as variações “Goldberg” foram publicadas em 1741 como livro IV do Clavier-Übung, era simplesmente “uma ária com variações diferentes para cravo com dois manuais”. O virtuoso do teclado e compositor Johann Gottlieb Goldberg (1727-1756) teve seu nome associado à obra em 1802, quando Johann Nikolaus Forkel publicou sua criativa biografia inovadora de Bach.

Segundo Forkel (as traduções variam), “o conde Keyserlingk, ex-embaixador russo na Saxônia, costumava visitar Leipzig. Entre seus servos, havia um jovem talentoso, Johann Gottlieb Goldberg — um cravista que era aluno de Wilhelm Friedemann Bach e mais tarde do próprio Johann Sebastian Bach. O conde sofria de insônia e Goldberg, que também morava lá, teve que ficar no quarto ao lado para aliviar o sofrimento de seu mestre com a música. Tocando cravo. Certa vez, o conde pediu a Bach para compor algumas peças de teclado para Goldberg, alguns pedaços de suavidade e alegria que acalmariam suas noites sem dormir. Bach decidiu escrever um conjunto de variações, uma forma que antes não o interessava muito. No entanto, em suas mãos… O conde ficou muito satisfeito com isso, ele as chamou de ‘minhas variações’. Ele costumava dizer: “Meu querido Goldberg, toque uma das minhas variações’. Bach provavelmente nunca foi tão generosamente recompensado por sua música. O conde deu a ele um cálice de ouro com cem luíses de ouro!

É difícil acreditar que Bach teria publicado um trabalho encomendado sem nenhuma dedicação a Keyserlingk ou a Goldberg, o que torna a história duvidosa, juntamente com o fato de Goldberg ter apenas 14 anos na época. Goldberg, no entanto, era um prodígio de renome, e há ligações entre Bach e Keyserlingk. Bach pode ter dado a Keyserlingk uma cópia da edição impressa e recebido uma recompensa por isso. A ária que é objeto das variações é uma criação original, um sarabanda elegantemente serena que contém tudo o que Bach precisa para um vasto universo de variações. E o que ele faz é espantoso.

J. S. Bach (1685-1750): Variações Goldberg (Marcin Świątkiewicz)

1. Marcin Swiatkiewicz – Goldberg Variations, BWV 988: Aria
2. Marcin Swiatkiewicz – Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 1. a 1 Clav.
3. Marcin Swiatkiewicz – Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 2. a 1 Clav.
4. Marcin Swiatkiewicz – Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 3. Canone all’Unisono. a 1 Clav.
5. Marcin Swiatkiewicz – Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 4. a 1 Clav.
6. Marcin Swiatkiewicz – Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 5. a 1 o vero 2 Clav.
7. Marcin Swiatkiewicz – Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 6. Canone alla Seconda. a 1 Clav.
8. Marcin Swiatkiewicz – Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 7. a 1 o vero 2 Clav. al tempo di Giga
9. Marcin Swiatkiewicz – Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 8. a 2 Clav.
10. Marcin Swiatkiewicz – Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 9. Canone alla Terza. a 1 Clav.
11. Marcin Swiatkiewicz – Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 10. Fughetta. a 1 Clav.
12. Marcin Swiatkiewicz – Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 11. a 2 Clav.
13. Marcin Swiatkiewicz – Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 12. a 1 Clav. Canone alla Quarta in moto contrario
14. Marcin Swiatkiewicz – Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 13. a 2 Clav.
15. Marcin Swiatkiewicz – Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 14. a 2 Clav.
16. Marcin Swiatkiewicz – Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 15. Canone alla Quinta. a 1 Clav. Andante
17. Marcin Swiatkiewicz – Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 16. Ouverture. a 1 Clav.
18. Marcin Swiatkiewicz – Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 17. a 2 Clav.
19. Marcin Swiatkiewicz – Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 18. Canone alla Sesta. a 1 Clav.
20. Marcin Swiatkiewicz – Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 19. a 1 Clav.
21. Marcin Swiatkiewicz – Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 20. a 2 Clav.
22. Marcin Swiatkiewicz – Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 21. Canone alla Settima
23. Marcin Swiatkiewicz – Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 22. a 1 Clav. alla breve
24. Marcin Swiatkiewicz – Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 23. a 2 Clav.
25. Marcin Swiatkiewicz – Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 24. Canone all’Ottava. a 1 Clav.
26. Marcin Swiatkiewicz – Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 25. a 2 Clav. Adagio
27. Marcin Swiatkiewicz – Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 26. a 2 Clav.
28. Marcin Swiatkiewicz – Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 27. Canone alla Nona. a 2 Clav.
29. Marcin Swiatkiewicz – Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 28. a 2 Clav.
30. Marcin Swiatkiewicz – Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 29. a 1 o vero 2 Clav.
31. Marcin Swiatkiewicz – Goldberg Variations, BWV 988: Variatio 30. a 1 Clav. Quodlibet
32. Marcin Swiatkiewicz – Goldberg Variations, BWV 988: Aria da Capo

Marcin Świątkiewicz, cravo

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Esta foto de Marcin Świątkiewicz não faz jus à sua sensibilidade e competência…

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Ludwig van Beethoven (1770-1827): Trios Nº 5 e 6, Op. 70 (Suk Trio)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Trios Nº 5 e 6, Op. 70 (Suk Trio)

Um bonito disco vindo da época socialista da Tchecoslováquia. Ele vem da grande e lendária gravadora Supraphon. O mau gosto das roupas dos caras na capa não pode ser confundida com a extrema sofisticação com que tocam. O Suk Trio é de primeira linha e isso pode ser notado logo nos primeiros compassos.

O Op. 70 é um conjunto de dois trios para piano de Ludwig van Beethoven. Ambos foram compostos durante a estada de Beethoven na propriedade da condessa Marie von Erdödy e ambos são dedicados a ela por sua hospitalidade. Eles foram publicados em 1809. O primeiro, em ré maior, conhecido como Fantasma (‘Ghost’), é um de seus trabalhos mais conhecidos no gênero (rivaliza apenas com o Trio Arquiduque). Ele apresenta temas encontrados no segundo movimento da Sinfonia nº 2 de Beethoven. Por causa de seu movimento lento estranhamente pontuado e assustador, foi apelidado de ‘Ghost’. O nome permanece desde então. A música fantasmagórica pode ter suas raízes nos esboços para uma ópera de Macbeth que Beethoven estava matutando na época”. Segundo Lewis Lockwood, o aluno de Beethoven, Carl Czerny, escreveu em 1842 que o movimento lento o fez lembrar da cena fantasma na abertura de Hamlet, e essa foi a origem do apelido. James Keller também atribui o apelido a Czerny, acrescentando: “Você pode descartar como errônea a alegação frequentemente encontrada de que esse movimento do Ghost Trio é uma reformulação da música que Beethoven originalmente esboçou como Coro das Bruxas para seu Macbeth. Essas peças são representativas do período estilístico “Médio” de Beethoven, que passou de aproximadamente 1803 a 1812 e incluiu muitas de suas obras mais famosas. Beethoven escreveu os dois trios de piano ao mesmo tempo, no mesmo local onde havia finalizado sua Sinfonia Nº 5 no verão anterior. Ele escreveu os dois trios imediatamente após escrever a Sinfonia Pastoral, Nº 6. Esse foi um período de incertezas na vida de Beethoven, em particular porque ele não tinha uma fonte confiável de renda. Embora esses dois trios às vezes sejam numerados como “No. 5” e “No. 6”, a numeração dos doze trios para piano de Beethoven não é padronizada e, em outras fontes, os dois Op. 70 trios podem ser mostrados com números diferentes.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Trios Nº 5 e 6, Op. 70 (Suk Trio)

Trio N°.5 in D Major “Geister” Op.70, N°.1
1 1. Allegro Vivace e Con Brio 6:37
2 2. Largo Assai ed Espressivo 8:37
3 3. Presto 7:56

Trio N°.6 in E Flat Major Op.70, N°.2
4 1. Poco Sostenuto – Allegro ma Non Troppo 10:03
5 2. Allegretto 5:08
6 3. Allegretto ma non Troppo 7:04
7 4. Finale: Allegro 7:53

Cello – Josef Chuchro
Ensemble – Suk Trio
Piano – Jan Panenka
Violin – Josef Suk

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Ai, meu Deus! Um fantasma invade a sede de Bonn do PQP Bach!

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Thomas Adès (1971): Adès Conducts Adès

Thomas Adès (1971): Adès Conducts Adès

IM-PER-DÍ-VEL !!!

O professor, escritor e tradutor Caetano Galindo sugeriu-me ouvir este disco. Ele notara certo parentesco entre o Concerto para Piano de John Adams, Must the Devil Have All the Good Tunes?, recém postado aqui no blog, e este de Thomas Adès. Impossível não concordar. Ambos os concertos são ótimos, guardam interlocução com o popular, têm momentos de muito ritmo e agitação, são para grandes orquestras, as linguagens não ficam nada distantes e foram escritos em três movimentos no velho esquema rápido-lento-rápido. Mas o principal parentesco é de espírito, de humor mesmo.

Adès nasceu em Londres, filho da historiadora de arte Dawn Adès e do poeta Timothy Adès . Estudou piano com Paul Berkowitz e mais tarde composição com Robert Saxton na Guildhall School of Music and Drama, Londres. Ele é professor de composição na Royal Academy of Music.

Em março de 2019, Adès regeu a Orquestra Sinfônica de Boston e Kirill Gerstein fazendo a estreia mundial deste seu Concerto para Piano e Orquestra. Encomendado pelo BSO e por Kirill Gerstein, o trabalho já foi interpretado com sucesso em outros palcos e espera-se que se torne parte do repertório de concertos em todo o mundo. Esta gravação ao vivo recebeu respostas arrebatadoras de público e crítica, ficando no mesmo nível do álbum com o trabalho de Adès em 2013, Totentanz. Aliás, Totentanz também está aqui, reunindo solistas como o barítono Mark Stone e a mezzo-soprano Christianne Stotijn com uma (muito) grande orquestra. É uma música surpreendente, alegremente macabra, com uma procissão muitas vítimas, de Papas à donzelas e crianças.

O Scherzo escreveu sobre este CD:

Parece que fue ayer pero Thomas Adés,  el antiguo niño prodigio, compositor en residencia de la Hallé con 22 años, tiene ya 49. Lleva a sus espaldas una carrera no solo brillante sino mucho más que eso, pues no deja de ser autor de obras para orquesta como Asyla, un clásico de nuestros días, o de una de las mejores óperas de lo que va de siglo: The Tempest. Hay más cosas pero con esas dos se define bien su genio. Un genio que sigue demostrándose también ahora desde ese otro aspecto que siempre debe preocupar al creador: conseguir que aquello quese propone responda a sus propias expectativas. En ese sentido su nuevo Concierto para piano y orquesta (2019), ya triunfante en muchas salas y muy programado para el incierto futuro, es un ejemplo, si se me permite decir, admirable. Admirable más acá de su efecto emocional, eso tan difícil de explicar objetivamente, y admirable porque se trata de una obra de una inteligencia asombrosa. Responde perfectamente a su título, pues es, ni más ni menos que lo que anuncia. Un concierto para piano y orquesta escrito para un virtuoso —en este caso Kirill Gerstein— y que incluye todas las características del género en su sentido más tradicional, desde la necesidad del poderío técnico a la pertinencia de un acompañamiento no menos sólido, brillantísimo, con un tiempo lento de buena ley lírica y unos extremos muy bien musculados. Todo el conjunto plenamente integrado en parte de una tradición que aquí llega diáfana desde las casi citas al aire general: Rachmaninov, Prokofiev, Ravel y Gershwin en primera instancia y un eco a Ligeti algo más lejano. Todo ello deja con la boca abierta pero al fin hay un punto de retórica, casi de espectáculo, que no es que impida ir más allá sino que da la sensación de que, en efecto, no hay más. Pura música, diría alguien y allá cada cual.

No sucede lo mismo en Totentanz, escrita en memoria de Witold Lutoslawski y estrenada en los Proms en 2013. Una obra mayor donde las haya sobre los textos que acompañaban al friso que estuvo en su día en la catedral de Lübeck, referidos a la muerte —el barítono— que finalmente iguala a todos —la mezzo. Cercana por momentos al Mahler más trágico y con rastros del Bartók de El castillo de Barbazul, está también formidablemente escrita, con unos recursos vocales y orquestales propios de un maestro de la categoría del británico que, aquí sí,  demuestra su capacidad para emocionar a su oyente.

Son dos aspectos, pues, de su creación, de sus intenciones y de sus logros. En ambos casos se cumplen de sobra unas y otros pero, en mi opinión, el Adès grande de verdad es el de Totentanz. El del Concierto es el mágico prodigioso a quien, seguro de gustar, y está en su derecho, los fuegos de artificio le salen de maravilla.

Thomas Adès (1972): Adès Conducts Adès

1. Concerto for Piano and Orchestra : 1. – (Live at Symphony Hall, Boston / 2019) (7:35)
2. Concerto for Piano and Orchestra : 2. – (Live at Symphony Hall, Boston / 2019) (7:00)
3. Concerto for Piano and Orchestra : 3. – (Live at Symphony Hall, Boston / 2019) (6:51)

4. Totentanz : Der Prediger (Live at Symphony Hall, Boston / 2016) (1:16)
5. Totentanz : Der Tod (Live at Symphony Hall, Boston / 2016) (1:56)
6. Totentanz : Der Tod zum Papst – Der Papst (Live at Symphony Hall, Boston / 2016) (1:52)
7. Totentanz : Der Tod zum Kaiser – Der Kaiser (Live at Symphony Hall, Boston / 2016) (2:16)
8. Totentanz : Der Tod zum Kardinal – Der Kardinal (Live at Symphony Hall, Boston / 2016) (2:42)
9. Totentanz : Der Tod zum König – Der König (Live at Symphony Hall, Boston / 2016) (1:55)
10. Totentanz : Der Tod zum Mönch – Der Mönch (Live at Symphony Hall, Boston / 2016) (1:41)
11. Totentanz : Der Tod zum Ritter – Der Ritter – Der Tod zum Bürgermeister – Der Bürgermeister (Live at Symphony Hall, Boston / 2016) (1:49)
12. Totentanz : Der Tod zum Arzt – Der Arzt – Der Tod zum Wucherer – Der Wucherer (Live at Symphony Hall, Boston / 2016) (0:45)
13. Totentanz : Der Tod zum Kaufmann – Der Kaufmann (Live at Symphony Hall, Boston / 2016) (2:05)
14. Totentanz : Der Tod zum Küster – Der Küster – Der Tod zum Küster (Live at Symphony Hall, Boston / 2016) (4:01)
15. Totentanz : Der Handwerker – Der Tod zum Handwerker (Live at Symphony Hall, Boston / 2016) (2:20)
16. Totentanz : Der Tod zum Bauer – Der Bauer (Live at Symphony Hall, Boston / 2016) (2:13)
17. Totentanz : Der Tod zum Mädchen – Das Mädchen (Live at Symphony Hall, Boston / 2016) (2:58)
18. Totentanz : Der Tod zum Kind – Das Kind (Live at Symphony Hall, Boston / 2016) (4:43)

Kirill Gerstein, piano
Boston Symphony Orchestra
Thomas Adès

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Thomas Adès

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Camille Saint-Saëns (1835-1921): Música de Câmara para Sopros

Camille Saint-Saëns (1835-1921): Música de Câmara para Sopros

Gosto muito do velho Camille! Camille Saint-Saëns foi um dos músicos mais talentosos de sua época, compositor prolífico, figura de proa da música francesa e um dos maiores pianistas e organistas do século XIX. Ele também era um respeitado escritor e estudioso, além de um talentoso matemático e astrônomo amador. E adorava viajar! No início de sua carreira, na década de 1850, ele foi comemorado como o jovem compositor francês mais brilhante de sua época, ganhando grandes prêmios de composição e atraindo o apoio de alguns dos compositores mais famosos da época, como Rossini e Berlioz. Apesar de toda essa conquista, Saint-Saëns era considerado sem emoção e conservador por alguns de seus contemporâneos. No final de sua vida, no início de 1900, muitos dos principais compositores franceses da época, como Debussy, o consideravam antiquado e reacionário. Suas peças mais conhecidas, como o Carnaval dos Animais e a Sinfonia do Órgão, eram vistas como populistas e inconsequentes, tocando para a multidão ao invés de serem arte séria. Bobagem. E este não é o único problema que viam na música de Saint-Saëns. Ele adorava os compositores alemães, particularmente Bach e Mozart, e foi um dos primeiros músicos a apresentar Wagner ao público francês. No entanto, no auge de sua carreira, nas décadas de 1870 e 1880, ele foi incansável na promoção de nova música francesa e, durante a Primeira Guerra Mundial, argumentou que todas as apresentações de música alemã em Paris deveriam ser proibidas. Sua vida familiar foi uma agitada. Ele abandonou a esposa depois de apenas três anos, nunca mais falando com ela… A própria opinião de Saint-Saëns sobre esses conflitos e contradições era simples: “Eu sou um espírito eclético. Pode ser um defeito, mas não posso mudá-lo: não se pode substituir a personalidade de alguém. “

As cinco peças desta gravação cobrem grande parte da vida eclética de Saint-Saëns. Elas representam algumas de suas músicas mais belas para pequenos grupos de câmara, uma forma que Saint-Saëns frequentemente compôs ao longo de sua vida e são algumas de suas obras mais importantes no gênero.

Camille Saint-Saëns (1835-1921): Música de Câmara para Sopros

Caprice sur des airs danois et russes, Op. 79
1. Caprice sur des airs danois et russes, Op. 79 00:10:45

Clarinet Sonata in E-Flat Major, Op. 167
2. I. Allegretto 00:04:31
3. II. Allegro animato 00:02:04
4. III. Lento 00:04:16
5. IV. Molto allegro 00:05:12

Oboe Sonata in D Major, Op. 166
6. I. Andantino 00:03:28
7. II. Ad libitum – Allegretto 00:04:59
8. III. Molto allegro 00:02:28

Bassoon Sonata in G Major, Op. 168
9. I. Allegretto moderato 00:02:48
10. II. Allegro scherzando 00:03:35
11. III. Adagio – Allegro moderato 00:05:56

Romance in E Major, Op. 67 (arr. for horn and piano)
12. Romance in E Major, Op. 67 (arr. for horn and piano) 00:07:31

Tarantelle, Op. 6
13. Tarantelle, Op. 6 00:06:50

G’froerer, Joanna: Flauta
Hamann, Charles: Oboé
Lemelin, Stéphane: Piano
Millard, Christopher: Fagote
Sykes, Kimball: Clarinete
Vine, Lawrence: Trompa

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Tchaikovsky / Nielsen: Concertos para Violino (Frang)

Tchaikovsky / Nielsen: Concertos para Violino (Frang)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Vilde Frang é muitas vezes comparada com a jovem Anne-Sophie Mutter e elas muitas vezes tocam juntas. É merecido. Surgiram muitas violinistas depois de Mutter e Mullova, mas a única que pode conversar com elas no mesmo degrau é Frang. Fico feliz por tê-la descoberto sem ter lido nada antes a respeito. Cruzei com um CD dela e disse logo de cara: isso não é normal!

Bem, voltemos. Aqui, Vilde Frang interpreta o muito amado Concerto de Tchaikovsky e nos dá sua terceira versão para o Concerto de Nielsen. Note que ela tinha 25 anos quando gravou este CD e já estava na terceira versão (hoje tem 29). No Tchai, Frang demonstra um virtuosismo seguro mas, longe de soltar fogos de artifício vazios, ela usa sua incrível técnica para reduzir um pouco a emoção habitual dos violinistas que costumam enfrentar a peça de forma ardente. A coisa fica mais sofisticada. O resultado final é uma gravação verdadeiramente notável — de cair o queixo — deste cavalo de batalha. Tudo o que se ouve desmente a juventude de Frang. Peça difícil e célebre, é complicado demonstrar novidades nela, só que a menina consegue. Já o Concerto de Nielsen mora em seu coração. Composto por Nielsen na terra natal da solista, a Noruega, foi estreado na Dinamarca. Vilde sempre foi louca por ele. O trabalho é muito escandinavo: melodias simples e sinceras colocadas em locais espaçosos e varridos pelo vento. Ouça com atenção. Frang é a violinista.

E nasceu num 19 de agosto, o que é um selo de alta qualidade.

Em colaboração com mamãe Mutter
Em colaboração com Mutter
E recebendo nosso aplauso
E ambas recebendo nosso aplauso

Tchaikovsky: Violin Concerto in D Major, Op. 35
1 I. Allegro moderato 18:33
2 II. Canzonetta (Andante) 6:27
3 III. Finale (Allegro vivacissimo) 10:10

Nielsen: Concerto for Violin and Orchestra Opus 33
4 I. Part I: Praeludium – Largo 6:47
5 II. Part I: Allegro cavalleresco 13:09
6 III. Part 2: Poco Adagio 6:14
7 IV. Part 2: Rondo: Allegretto scherzando 10:25

Vilde Frang
Danish National Symphony Orchestra
Eivind Gullberg Jensen

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Se eu tivesse o talento dela, jamais pararia de rir.
Se eu tivesse o talento dela, jamais pararia de rir.

PQP

G. P. Telemann (1681-1767): Trios & Quartets

G. P. Telemann (1681-1767): Trios & Quartets

Telemann foi um compositor prolífico que, apesar da longa vida, parece ter alterado pouco seu estilo ao longo dos anos. Foi um barroco muito tardio, quase fora do estilo. Não sou um especialista na obra do compositor, mas é o que me parece. Também sei que foi o compositor mais divulgado e famoso na época de Bach. Fazer o quê? Este CD não foi das melhores coisas que ouvi dele. A maior contribuição do excelente grupo de instrumentos históricos Epoca Barocca é o uso de uma variedade de diferentes duplas para o baixo contínuo, evitando o quase onipresente modelo de cravo e gamba. Isso tem a virtude de demonstrar o que se fazia no século XVIII, onde sem dúvida o que estava disponível era utilizado. O som do CD é um problema — o grupo é gravado muito de perto. Mas não deixa de ser um disco agradável e interessante. Talvez eu esteja de mau humor, sei lá.

G. P. Telemann (1681-1767): Trios & Quartets

1 Quartet No. 1 in D Major, TWV 43:D2: I. Dolce 00:02:40
2 Quartet No. 1 in D Major, TWV 43:D2: II. Allegro 00:01:42
3 Quartet No. 1 in D Major, TWV 43:D2: III. Grave 00:00:43
4 Quartet No. 1 in D Major, TWV 43:D2: IV. Allegro 00:02:59

5 Essercizii musici: Flute Sonata in D Minor, TWV 42:d4: I. Largo 00:01:54
6 Essercizii musici: Flute Sonata in D Minor, TWV 42:d4: II. Allegro 00:02:08
7 Essercizii musici: Flute Sonata in D Minor, TWV 42:d4: III. Affettuoso 00:02:14
8 Essercizii musici: Flute Sonata in D Minor, TWV 42:d4: IV. Presto 00:01:46

9 Trio in F Major, TWV 42:F16: I. Adagio 00:02:12
10 Trio in F Major, TWV 42:F16: II. Presto 00:01:31
11 Trio in F Major, TWV 42:F16: III. Sarabande 00:03:12
12 Trio in F Major, TWV 42:F16: IV. Menuet 00:03:20

13 Quartet No. 3 in A Major, TWV 43:A2: I. Vivace 00:01:53
14 6 Quatuors ou Trios: Quartet No. 3 in A Major, TWV 43:A2: II. Largo 00:02:37
15 6 Quatuors ou Trios: Quartet No. 3 in A Major, TWV 43:A2: III. Allegro 00:02:39

16 Trio Sonata in G Major, TWV 42:G13: I. Adagio 00:01:41
17 Trio Sonata in G Major, TWV 42:G13: II. Allegro 00:01:47
18 Trio Sonata in G Major, TWV 42:G13: III. Largo 00:00:53
19 Trio Sonata in G Major, TWV 42:G13: IV. Allegro 00:02:05

20 Sonata in G Minor for Oboe and Bassoon, TWV 41:g12: I. Affettuoso 00:02:01
21 Sonata in G Minor for Oboe and Bassoon, TWV 41:g12: II. Allegro 00:02:42
22 Sonata in G Minor for Oboe and Bassoon, TWV 41:g12: III. Arioso 00:02:07
23 Sonata in G Minor for Oboe and Bassoon, TWV 41:g12: IV. Gigue 00:02:54

24 Trio Sonata in E Minor, TWV 42:e9: I. Largo 00:01:51
25 Trio Sonata in E Minor, TWV 42:e9: II. Allegro 00:01:45
26 Trio Sonata in E Minor, TWV 42:e9: III. Affettuoso 00:01:26
27 Trio Sonata in E Minor, TWV 42:e9: IV. Vivace 00:01:49

28 Quartet No. 6 in E Major, TWV 43:E1: I. Gratioso 00:02:04
29 Quartet No. 6 in E Major, TWV 43:E1: II. Divertimento I: Allegro 00:03:32
30 Quartet No. 6 in E Major, TWV 43:E1: III. Divertimento II: Tempo giusto 00:02:10
31 Quartet No. 6 in E Major, TWV 43:E1: IV. Divertimento III: Allegro 00:00:43

Epoca Barocca

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Foi prolífico em música, já em beleza vou lhes contar…

PQP

Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788): Sanguineus and Melancholicus Sonatas (+Telemann, Vivaldi, Boismortier e J.B. Bach)

Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788): Sanguineus and Melancholicus Sonatas (+Telemann, Vivaldi, Boismortier e J.B. Bach)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um baita CD deste originalíssimo compositor irmão de PQP Bach por parte de pai. Ouçam as faixas 5 e 6 me digam se aquilo não é um passo para o futuro. E, curiosidade, ainda temos aqui uma jovem Rachel Podger. Com apenas 19 anos, ela fazia parte deste excelente grupo chamado Florilegium como uma de suas fundadoras.

O que me fascina na ainda bastante misteriosa música de câmara de CPE Bach é sua maneira única de combinar uma marca muito digna de seriedade e uma concentração e originalidade muitas vezes perturbadora pelas surpresas nos momentos dramáticos, tudo isso sem perder o foco na simetria e na organização formal. Ele foi um mestre na arte das modulações estranhas. As tonalidades se modificam de uma forma realmente diferente do habitual. E eu adoro isso!

Carl Philipp Emanuel Bach foi o segundo filho de Johann Sebastian Bach e Maria Barbara Bach. Seu talento se manifestou já na infância, recebendo completa e esmerada educação musical de seu pai, mas inicialmente tencionava dedicar-se profissionalmente ao Direito, estudando na Universidade de Leipzig e na Universidade de Frankfurt. Para nossa sorte, seus planos deram errado. Ao terminar o curso em 1738 foi empregado pelo rei Frederico II da Prússia como cravista, para quem trabalharia pelos trinta anos seguintes… Em 1768 sucedeu seu padrinho, Georg Philipp Telemann, na posição de kantor do Johanneum de Hamburgo, uma escola latina, bem como tornou-se diretor de música municipal, responsável pela música das cinco principais igrejas da cidade e pela ornamentação de cerimônias cívicas, onde permaneceria ativo até sua morte em 1788. Foi um grande dinamizador do ambiente musical de Hamburgo, além de ligar-se a importantes figuras da literatura e da filosofia, participando de clubes e sociedades de debates. Deixou obra volumosa, com mais de 750 composições entre peças para teclado solo, concertos, sinfonias, música sacra, música de câmara e lieder.

Obs.: há um problema na faixa 14 (Telemann), mas não tenho como corrigir. Se alguém puder mandar uma versão com o CD completo em mp3 de 320, por favor.

Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788): Sanguineus and Melancholicus Sonatas (+Telemann, Vivaldi, Boismortier e J.B. Bach)

Quartet In D Major Wq 94 (1788)
Composed By – C.P.E. Bach*
1 Allegretto 5:19
2 Sehr Langsam Und Ausgehalten 4:33
3 Allegro Di Molto 4:48

4 Larghetto From Sonata In G Minor Wq 88 (1759)
Composed By – C.P.E. Bach*
6:10

Sonata In C Minor ‘Sanguineus And Melancholicus’ Wq 161 Nr.4 (1749)
Composed By – C.P.E. Bach*
5 Allegretto-Presto 5:02
6 Adagio 4:00
7 Allegro 6:22

Sonata In A Minor Wq 132 (1747)
Composed By – C.P.E. Bach*
8 Poco Adagio 4:09
9 Allegro 3:16
10 Allegro 2:52

Trio Sonata In C Major Wq 147 (1731)
Composed By – C.P.E. Bach*
11 Allegro 3:53
12 Adagio 5:04
13 Allegro 3:00

14 Allegro
Composed By – Telemann*

15 Allegro From Sonata In G Minor Opus 34
Composed By – Boismortier*

16 Allegro From Concerto In G Minor RV 107
Composed By – Vivaldi*

17 La Joye From Ouverture In D Major
Composed By – J.B Bach*

Florilegium:
Cello – Daniel Yeadon
Flute – Ashley Solomon
Harpsichord – Neal Peres Da Costa
Violin – Lucy Russell, Rachel Podger

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Pieter de Jode (1570-1634), depois de Maerten de Vos: Os Quatro Temperamentos (1590-1632)

PQP

Bach / Handel: An Imaginary Meeting (Sonatas para Violino e Cravo)

Bach / Handel: An Imaginary Meeting (Sonatas para Violino e Cravo)

Este (bom) registro seria uma reparação. A história não deixou dois compositores extraordinários — nascidos no mesmo ano e a poucos quilômetros um do outro —  se encontrarem. Pois é, Georg Friedrich Handel e Johann Sebastian Bach vieram ao mundo em 1685, com um mês de diferença. Por duas vezes,  tentaram, mas não conseguiram se encontrar e nunca mais cruzaram seus caminhos na vida. Este álbum é dedicado a esta falha. OK, simpático.

Lina Tur Bonet (nascida em Ibiza, Espanha) e Dani Espasa (La Canonja, Espanha, quase na costa, olhando para Ibiza) oferecem aqui um CD que coloca as sonatas de Bach e Handel frente a frente. (Comparar alguém com Bach é sacanagem, mas OK novamente). A abordagem da dupla é muito livre e convincente. Acho que Lina tem certas excentricidades, mas que não as têm? E Bach proíbe? Não! A coisa realmente funciona ao mostrar a profundidade e a proximidade que ambos os compositores poderiam ter compartilhado.

Bach / Handel: An Imaginary Meeting (Sonatas para Violino e Cravo)

Bach, J S: Sonata for Violin & Harpsichord No. 4 in C minor, BWV1017 17:02
I. Largo 4:22
II. Allegro 4:30
III. Adagio 3:28
IV. Allegro 4:42

Handel: Sonata in D major for violin and continuo, HWV371, Op. 1 No. 13 13:04
I. Affettuoso 3:47
II. Allegro 2:41
III. Larghetto 2:54
IV. Allegro 3:42

Bach, J S: Sonata for Violin & Harpsichord No. 5 in F minor, BWV1018 18:12
I. [Largo] 7:43
II. Allegro 4:37
III. Adagio 3:16
IV. Vivace 2:36

Handel: Sonata in D Minor for violin and continuo, HWV359a, Op. 1 No. 1 8:04
I. Grave 2:25
II. Allegro 1:44
III. Adagio 1:11
IV. Allegro 2:44

Bach, J S: Sonata for Violin & Harpsichord No. 6 in G major, BWV1019 17:16
I. Allegro 3:33
II. Largo 1:40
III. Allegro 4:45
IV. Adagio 3:43
V. Allegro 3:35

Lina Tur Bonet, violino
Dani Espasa, cravo

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Lisa Tur Bonet na antessala da Sala de Espera da Recepção da Sala de Imanência e Transcendência da PQP Bach Corp.

PQP

.: interlúdio :. Wave: The Antonio Carlos Jobim Songbook

.: interlúdio :. Wave: The Antonio Carlos Jobim Songbook

Songbooks costumam ser uma bagunça com diversos intérpretes e gravações de várias épocas. Este aqui é caprichado na loucura, metendo na mistura gravações brasileiras e estadunidenses de Tom, turma da bossa nova, do jazz, etc., de vários períodos. Mais: este é apenas um dos muitos songbooks do glorioso Tom. Há um brasileiro que melhor, acho que este vem do país de Trump, mas foi lançado nos anos 90. Mesmo assim, a música de Tom sobrevive sob excertos de nomes fundamentais. Ella Fitzgerald, Elis Regina, Pat Metheny, Chick Corea, Herbie Hancock, Joe Henderson, João Gilberto, Oliver Nelson, Gil Evans, Oscar Peterson, Sarah Vaughan, Dizzy Gillespie, Toots Thieleman, Astrud Gilberto, etc. Eu gostei de ouvir, mas há que respirar fundo a cada mudança de faixa, porque o contexto sempre será outro.

.: interlúdio :. Wave: The Antonio Carlos Jobim Songbook

1 –Antonio Carlos Jobim Wave
Arranged By, Conductor – Claus Ogerman
Cello – Abe Kessler, Charles McCracken, George Ricci, Harvey Shapiro
Double Bass – Ron Carter
Drums, Percussion – Bobby Rosengarden, Claudio Slón*, Dom Um Romão*
Flute, Piccolo Flute – Jerome Richardson, Ray Beckenstein, Romeo Penque
French Horn – Joseph Singer
Piano, Guitar – Antonio Carlos Jobim
Producer [Original Recording] – Creed Taylor
Trombone – Jimmy Cleveland, Urbie Green
Violin – Bernard Eichen, Emanuel Green, Gene Orloff, Harry Lookofsky, Irving Spice, Joseph Malignaggi, Julius Held, Leo Kruczek, Lewis Eley, Louis Haber, Louis Stone, Paul Gershman, Raoul Poliakin
2:50

2 –Ella Fitzgerald Só Danço Samba (Jazz Samba)
Double Bass – Jim Hughart
Drums – Grady Tate
Lyrics By – Vinicius De Moraes
Piano – Jimmy Jones (3)
Producer [Original Recording] – Norman Granz
Vocals – Ella Fitzgerald
5:48

3 –Joe Henderson with Herbie Hancock Happy Madness
Lyrics By – Vinicius De Moraes
Piano – Herbie Hancock
Producer [Original Recording] – Oscar Castro-Neves, Richard Seidel
Tenor Saxophone – Joe Henderson
3:12

4 –Jobim* and Elis Regina Chovendo Na Roseira (Double Rainbow)
Bass – Luizão Maia
Drums – Paulo Braga*
Guitar – Oscar Castro-Neves
Lyrics By, Piano, Guitar, Whistling – Antonio Carlos Jobim
Piano, Electric Piano, Arranged By – Cesar Camargo Mariano*
Producer [Original Recording] – Aloysio De Oliveira
Vocals – Elis Regina
3:10

5 –Stan Getz and Charlie Byrd Desafinado (Off Key)
Double Bass – Keter Betts
Drums – Buddy Deppenschmidt
Guitar – Charlie Byrd
Guitar, Bass – Gene Byrd
Percussion – Bill Reichenbach
Producer [Original Recording] – Creed Taylor
Tenor Saxophone – Stan Getz
5:50

6 –Astrud Gilberto A Felicidade
Lyrics By – Vinicius De Moraes
Orchestra – Gil Evan’s Orchestra*
Orchestra [Gil Evan’s Orchestra including], Arranged By, Conductor, Piano – Gil Evans
Orchestra [Gil Evan’s Orchestra including], Drums – Grady Tate
Orchestra [Gil Evan’s Orchestra including], Guitar – Kenny Burrell
Orchestra [Gil Evan’s Orchestra including], Percussion – Dom Um Romão*
Orchestra [Gil Evan’s Orchestra including], Trumpet – Johnny Coles
Orchestra [Gil Evan’s Orchestra including], Valve Trombone – Bob Brookmeyer
Producer [Original Recording] – Creed Taylor
Vocals – Astrud Gilberto
2:46

7 –Stan Getz with Chick Corea O Grande Amor
Double Bass – Ron Carter
Drums – Grady Tate
Piano – Chick Corea
Producer [Original Recording] – Creed Taylor
Tenor Saxophone – Stan Getz
4:43

8 –Jobim* and Pat Metheny Insensatez (How Insensitive)
Guitar – Pat Metheny
Lyrics By – Vinicius De Moraes
Lyrics By [English] – Norman Gimbel
Piano, Vocals – Antonio Carlos Jobim
Producer [Original Recording] – Don Sickler, Richard Seidel
4:00

9 –Wes Montgomery Amor Em Paz (Once I Loved)
Arranged By, Conductor – Oliver Nelson
Clarinet – Phil Woods
Congas – Candido Camero*
Double Bass – George Duvivier
Drums [or] – Grady Tate, Sol Gubin
Flugelhorn, Piccolo Flute, Clarinet – Jerry Dodgion
Flute, Alto Flute – Danny Bank
Flute, Clarinet – Bob Ashton*
Flute, Piccolo Flute, Clarinet, Oboe, English Horn – Romeo Penque
Guitar – Wes Montgomery
Lyrics By – Vinicius De Moraes
Lyrics By [English] – Ray Gilbert
Piano [or] – Herbie Hancock, Roger Kellaway
Producer [Original Recording] – Creed Taylor
Trombone – Jimmy Cleveland, Quentin Jackson, Tony Studd, Wayne Andre
Trumpet – Danny Moore, Donald Byrd, Ernie Royal, Joe Newman
4:45

10 –Stan Getz & João Gilberto featuring Antonio Carlos Jobim Corcovado (Quiet Nights Of Quiet Stars)
Double Bass – Tommy Williams (3)
Guitar, Vocals – João Gilberto
Lyrics By – Jobim*
Lyrics By [English] – Gene Lees
Percussion – Milton Banana
Piano – Antonio Carlos Jobim
Producer – Creed Taylor
Tenor Saxophone – Stan Getz
Vocals – Astrud Gilberto
4:14

11 –Oscar Peterson Triste
Double Bass – Sam Jones
Drums – Bobby Durham
Piano – Oscar Peterson
Producer [Original Recording] – Hans Georg Brunner-Schwer
5:17

12 –Sarah Vaughan The Boy From Ipanema
Lyrics By – Vinicius De Moraes
Lyrics By [English] – Norman Gimbel
Orchestra – Frank Foster’s Orchestra
Orchestra [Frank Foster’s Orchestra], Arranged By, Conductor – Frank Foster
Orchestra [Frank Foster’s Orchestra], Double Bass – George Duvivier
Orchestra [Frank Foster’s Orchestra], Drums – Bobby Donaldson
Orchestra [Frank Foster’s Orchestra], Flute – Jerome Richardson
Orchestra [Frank Foster’s Orchestra], Guitar – Barry Galbraith
Orchestra [Frank Foster’s Orchestra], Percussion – Willie Rodriguez
Orchestra [Frank Foster’s Orchestra], Piano – Bob James
Orchestra [Frank Foster’s Orchestra], Trombone – Benny Powell, Billy Byers, Britt Woodman, Richard Hixson, Wayne Andre
Orchestra [Frank Foster’s Orchestra], Violin – Bernard Eichen, Charles Libove, Emanuel Green, Gene Orloff, Harry Lookofsky, Leo Kruczek, Lewis Eley, Tosha Samaroff
Producer [Original Recording] – Quincy Jones
Vocals – Sarah Vaughan
2:29

13 –Dizzy Gillespie Samba De Uma Nota Só (One Note Samba)
Double Bass – Chris White (3)
Drums – Rudy Collins
Flute – Leo Wright
Percussion – Pepito Riestria
Piano – Lalo Schifrin
Producer [Original Recording] – Quincy Jones
Trumpet – Dizzy Gillespie
5:16

14 –Joe Henderson Vivo Sonhando (Dreamer)
Bass – Nico Assumpçao*
Drums – Paulo Braga*
Guitar – Oscar Castro-Neves
Piano – Eliane Elias
Producer [Original Recording] – Oscar Castro-Neves, Richard Seidel
Tenor Saxophone – Joe Henderson
5:25

15 –Toots Thielemans with Elis Regina Wave
Harmonica – Toots Thielemans
Vocals – Elis Regina
3:08

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Ah, Tom, se todos fossem iguais a você…

PQP

Igor Stravinsky (1882-1971): Petrushka / Jeu de Cartes

Igor Stravinsky (1882-1971): Petrushka / Jeu de Cartes

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Aprendam: quando vocês passarem por algo que indique que há Gergiev e música russa disponíveis, se atirem porque a satisfação é garantida. O homem é um craque em todos os campos, mas joga em casa quando a coisa está russa. E que orquestração de Strava!!! A coisa é feérica e eufônica!

Petrushka é um balé burlesco composto de quatro cenas por Igor Stravinsky e coreografado por Michel Fokine. Foi composto entre 1910 e 11 e revisado em 1947. A peça foi montada pela primeira vez pela companhia russa de balé de Serguei Diaguilev em Paris, em 13 de junho de 1911. Vaslav Nijinski encarnou Petrouchka, com Tamara Karsavina como A Bailarina. Alexandre Orlov fazia o Mouro e Enrico Cecchetti o Mago.

A história é sobre um fantoche tradicional russo, Petrushka, que é feito da palha e com um saco de serragem como corpo que acaba por tomar vida com a capacidade de amar, numa história que se assemelha a de Pinocchio. Petruchka conta a história de amor e de inveja de três bonecos. Os três ganham vida graças ao Mago. Petruchka ama a Bailarina, mas ela o rejeita. A Bailarina prefere o Mouro. Petruchka fica furioso e desafia o Mouro. No duelo, o Mouro acaba matando Petruchka, cujo fantasma se levanta sobre o teatro de bonecos quando a noite cai. Ele desafia o Mago, que acaba o matando pela segunda vez. Petruchka traz música, dança e design unidos como um todo. É um dos balés mais populares da Rússia e geralmente é encenado com coreografia e desenhos originais. Grace Robert escreveu em 1949: “Ainda que mais de trinta anos tenham se passado desde sua estreia, sua posição como um dos grandes balés de todos os tempos permanece intocada. Sua perfeita fusão de música, coreografia, decoração e seu tema — a sempre atual tragédia do espírito humano — unem-se para fazer o apelo se tornar universal.”

Jeu de cartes (Jogo de cartas) é um balé em três movimentos, ou jogos, composto por Igor Stravinsky em 1936-37 com libreto do compositor em colaboração com M. Malaieff (um amigo do filho mais velho de Stravinsky, Théodore Stravinsky) e com coreografia de George Balanchine . O ballet foi estreado pelo American Ballet no Metropolitan Opera House , em Nova York, em 27 de abril de 1937, sob a direção do compositor. Mas não é Petrushka…

Igor Stravinsky (1882-1971): Petrushka / Jeu de Cartes

Petrushka (1910–11)
Premier Tableau (First Scene)
1 I. Introduction (À la Foire Du Mardi-Gras) [The Shrovetide Fair (Introduction)] 1:26
2 II. Le Compère de la Foire Amuse la Foule Du Haut de Son Tréteau [The Crowds] 4:07
3 III. Le Tour de Passe-passe [The Conjuring Trick] 1:57
4 IV. Danse Russe [Russian Dance] 2:41

Deuxième tableau (Second Scene)
5 I. Chez Pétrouchka [Petrushka’s Cell] 4:45

Troisième Tableau (Third Scene)
6 I. Chez Le Maure [The Moor’s Cell] 3:03
7 II. Danse de la Ballerine [Dance Of The Ballerina] 0:48
8 III. Valse de la Ballerine Et Du Maure [Waltz (The Ballerina And The Moor)] 3:22

Quatrième Tableau (Fourth Scene)
9 I. La Foire Du Mardi Gras (vers Le Soir) [The Shrovetide Fair (towards Evening)] 1:10
10 II. Danse Des Nounous [Dance Of The Wet-Nurses] 2:17
11 III. Entre Un Paysan Avec Un Ours [A Peasant Enters With A Bear] 1:49
12 IV. Les Tziganes Dansent. Le Marchand Joue de L’accordéon [The Gypsy Girls Dance] 0:56
13 V. Danse Des Cochers Et Des Palefreniers [Dance Of The Coachmen And Grooms] 2:00
14 VI. Les Déguisés [The Mummers] 2:17
15 VII. Mort de Pétrouchka [Petrushka’s Death] 2:55

Jeu de cartes (1936–37)
16 I. Première Donne [First Deal]. Alla Breve – Moderato Assai – Tranquillo 5:41
17 II. Deuxième Donne [Second Deal]. Alla Breve – Marcia – Variazioni 1-5 – Coda – Marcia 9:16
18 III. Troisième Donne [Third Deal]. Alla Breve – Valse – Presto – Tempo Del Principio 7:20

Mariinsky Orchestra
Valery Gergiev

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Imagem de uma montagem de Petrushka

PQP

W. A. Mozart (1756-1791): Le nozze di Figaro (As Bodas de Figaro), K.492 (Melhores lances)

W. A. Mozart (1756-1791): Le nozze di Figaro (As Bodas de Figaro), K.492 (Melhores lances)

Eu, PQP, não sou um apaixonado por óperas, mas gostei de ouvir este sensacional resumo de As Bodas de Figaro, de Mozart. Abaixo, copio um texto da Wikipedia a fim de não lhes incomodar com minha ignorância. Amo Mozart, acho notáveis as árias de Figaro — muitas delas célebres –, mas nunca me aprofundei em nenhuma de suas óperas e nem nas de outros… A versão que posto é festejadíssima. Aqui temos um resumo dela.

Le nozze di Figaro é uma ópera-bufa em quatro atos composta por Wolfgang Amadeus Mozart, sobre libreto de Lorenzo da Ponte, com base na peça homônima de Pierre-Augustin Caron de Beaumarchais (Le Mariage de Figaro). Composta entre 1785 e 1786, foi estreada em Viena, em 1º de maio de 1786. Diz-se que Mozart começou a ter problemas com sua reputação a partir desta ópera, que satirizava certos costumes da nobreza.

A ação desenrola-se no Castelo do Conde de Almaviva, algures perto de Sevilha, no ano de 1785. Fígaro e Susanna, servos do Conde e da Condessa Almaviva, estão noivos e casam em breve. O Conde mantém um longo assédio sexual a Susanna o que a faz duvidar que este venha a cumprir a sua promessa de abolir o tão odiado “direito do senhor”, que estabelecia a prerrogativa de se deitar com a serva antes de a entregar ao futuro marido.

Ato I

Numa sala pouco mobiliada, Fígaro e Susanna fazem os preparativos da sua iminente boda. O criado tira medidas do seu novo quarto para calcular a disposição dos móveis enquanto a donzela prova o chapéu que usará durante a cerimônia. Cheio de satisfação, Fígaro comenta que a proximidade do confortável quarto com os aposentos dos condes facilitará o trabalho do futuro casal. No entanto, Susanna quebra a sua felicidade quando lhe conta o verdadeiro propósito do seu senhor: a localização do quarto permitir-lhe-á estar mais perto da jovem para exercer o seu direito de pernada. Fígaro, consternado, pergunta à sua prometida como é possível que Almaviva queira fazer uso de um direito que ele mesmo aboliu. A jovem responde que o Conde parece ter-se arrependido de tal decisão. Soa uma campainha e Susanna acode à chamada da Condessa. Só em cena, Fígaro comenta que seu amo não conseguirá o que quer: se quiser dançar, terá de ser ao som do seu tocar.

A seguir Fígaro abandona a cena e entram Bartolo e Marcellina, que mostra ao médico um contrato em que Fígaro se compromete a devolver a soma de um empréstimo. A intenção da mulher é exigir o pagamento imediato dessa dívida com a finalidade de impedir a boda do criado, por quem está apaixonada. Bartolo decide apoiá-la, porque deseja vingar-se do criado; há algum tempo, Fígaro ajudou o Conde a raptar a sua amada pupila Rosina, que se transformaria na Condessa de Almaviva. Bartolo sai de cena e entra Susanna com um vestido da sua senhora. Ambas trocam insultos sob uma forçada cortesia.

Assim que Marcellina sai, chega Cherubino. O jovem pagem dos Condes confessa a Susanna que o seu senhor o despediu porque o surpreendeu com Barbarina, filha do jardineiro Antonia, e pede à criada que interceda por ele perante a Condessa, a quem venera. Depois, cheio de ardor adolescente, declara o seu amor por todas as mulheres.

Ouve-se o voz do Conde, que se aproxima à distancia. Cherubino esconde-se rapidamente por detrás de uma poltrona. Uma vez em cena, Almaviva corteja Susanna, mas a repentina chegada do sacerdote Basílio, cuja intenção é convencer a jovem prometida a aceder aos desejos do seu patrão, interrompe os seus propósitos. O Conde decide se esconder também atrás da poltrona, precisamente no momento em que o pagem abandona com muita agilidade o seu esconderijo para se sentar sobre o mesmo assento, que Susanna habilmente cobre com o vestido da Condessa. Basilio, pensando encontrar-se a sós com a criada, faz alusão à atração que Cherubino sente pela Condessa. Almaviva, irado, decide abandonar o seu esconderijo. Susanna finge desmaiar para salvar a situação que, no entanto, se enreda ainda mais quando o seu senhor descobre Cherubino enquanto explica, precisamente, como tinha descoberto o jovem com Barbarina. O aparecimento súbito de Fígaro com um grupo de camponeses quebra a tensão. Os aldeões atiram flores aos pés do Conde para lhe agradecer a abolição ao direito da pernada. Depois, o prometido pede ao seu senhor que coloque um véu branco sobre a cabeça de Susanna como símbolo de pureza. Almaviva compreende de imediato a manobra do seu criado e entra no jogo, mas interiormente promete vingar-se. O par pede perdão de Cherubino, que é exonerado das suas culpas a troco da sua imediata incorporação no regimento de Almaviva. O 1º ato termina com a cômica descrição que Fígaro faz da dura vida militar que aguarda o pagem.

Ato II

Enquanto a Condessa lamenta as infidelidades do seu esposo, chegam Susanna e Fígaro, que a informa ter enviado uma carta anónima ao Conde, fazendo-o crer que existe outro homem na vida dela.

Sai Fígaro e nesse momento entra Cherubino, que canta o seu amor à Condessa. A Condessa e Susanna disfarçam-no de mulher e pedem ao Conde uma conversa com Susanna, à qual assistirá Cherubino. Nesse momento aparece o Conde e Cherubino tem de se esconder numa divisão. A Condessa diz ao Conde que é Susanna quem ali está escondida e ele tenta derrubar a porta.

Entretanto Susanna – também escondida – ajuda Cherubino a sair da divisão e põe-se no seu lugar.

Finalmente a Condessa confessa ao Conde que é Cherubino quem está ali; mas ao abrir a porta surge Susanna e tanto a Condessa como o Conde ficam muito surpreendidos. Então a Condessa, recompondo-se, diz que foi uma artimanha para o Conde ficar com ciúmes. Entra o jardineiro António, queixando-se que alguém partiu as suas floreiras ao saltar de uma janela. Entra Fígaro e diz que foi ele, mas António mostra um envelope que quem saltou pela janela, deixou cair; são, nem mais nem menos, as credenciais de Cherubino. Fígaro diz que Cherubino lho havia dado porque faltava o selo, mas o Conde não fica convencido com a explicação. Nesse mesmo momento, aparecem novamente Bartolo e Marcellina, que reclamam ao Conde o cumprimento da sua demanda, a sua boda com Fígaro.

Ato III

O juiz Don Curzio exige a Fígaro o cumprimento do contrato com Marcellina, pagar-lhe uma grande soma de dinheiro. Mas como este não a tem, obriga-o a casar com ela. Fígaro escusa-se dizendo que ele é de família nobre e que não pode casar-se sem uma autorização dos pais. Como prova dessa nobreza, mostra as fraldas que levava quando o encontraram e um sinal no braço direito.

Então Marcelina diz que Fígaro é o seu filho, que desapareceu pouco depois de nascer, e que Bartolo é o pai; assim já não tem que se casar com ela. Quando chega Susanna e vê Marcellina e Fígaro abraçados, dá-lhe uma bofetada. E Marcelina explica-lhe a nova situação.

A Condessa dita a Susanna uma carta para o Conde, de modo a confundi-lo. Entretanto entra um grupo de camponesas para oferecer flores à Condessa, entre as quais se encontra Cherubino disfarçado de mulher. Mas o jardineiro António e o Conde descobrem-no.

Celebra-se a boda entre Fígaro e Susanna e durante o baile, Susana dá ao Conde a carta que escreveu, a pedido da Condessa, marcando um encontro para essa noite. A agulha, com que está fechada a carta, deve ser devolvida em sinal de recebimento. O plano é que nessa noite não se encontre com Susanna ou com Cherubino, mas sim com ela – Condessa – que trocou a sua roupa com Susanna.

Ato IV

Fígaro surpreende a jovem Barbarina à procura da agulha que selava a carta, que o Conde lhe havia confiado para a entregar a Susanna. Mas ela perdeu-a. Fígaro sabe então que Susanna se vai encontrar com o Conde, mas ignora o plano. Enfadado, convida Bartolo e Basílio a serem testemunhas desse encontro e adverte-os sobre a infidelidade das mulheres.

Chegam a Condessa e Susanna, com as vestes trocadas, e ocasiona-se um encontro complicado.

Cherubino, que tinha ficado com Barbarina, vê a Condessa – que estava disfarçada de Susanna – e tenta beijá-la, mas nesse momento chega o Conde e é ele que recebe o beijo. Este responde-lhe com uma bofetada, mas atinge Fígaro que se tinha acercado para ver o que se passava.

Para se vingar do Conde, Fígaro começa a cortejar Susanna, pensando ser a Condessa, mas quando a reconhece declara-lhe o seu amor e esta enfurece-se cobrindo-o de bofetadas já que não se apercebeu que tinha sido reconhecida pelo marido. Quando dá conta, o par abraça-se e isto ira o Conde, que confunde Susanna com a Condessa. Quando se apercebe da situação, o Conde pede perdão à esposa pelas suspeitas e pela sua má conduta. A Condessa perdoa-o e acaba tudo numa alegre festa.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791) Le nozze di Figaro, K.492 — Original version, Vienna 1786

1. Sinfonia [5:04]

Act 1
2. “Cinque… dieci… venti…” [3:04]
3. “Se vuol ballare, signor Contino” [2:45]
4. “La vendetta, oh, la vendetta” [3:27]
5. “Non so più cosa son, cosa faccio” [3:03]
6. “Non più andrai” [4:11]

Act 2
7. “Porgi amor” [3:26]
8. “Voi che sapete” [3:14]
9. “Venite… inginocchiatevi…” [3:34]
10. “Susanna, or via, sortite” [4:09]

Act 3
11. “Crudel! perchè finora” [3:03]
12. “Hai già vinta la causa” – “Vedrò mentr’io sospiro” [4:42]
13. “E Susanna non vien!” – “Dove sono i bei momenti” [6:53]
14. Cosa mi narri?…Che soave zeffiretto [3:51]
15. Ecco la marcia – Andate amici [6:41]

Act 4
16. “L’ho perduta… me meschina!” [1:51]
17. “Tutto è disposto” – “Aprite un po’ quegli occhi” [4:37]
18. “Giunse alfin il momento” – “Deh vieni non tardar” [4:31]
19. “Gente, gente, all’armi” [5:36]

Bo Skovhus
Ildebrando d’ Arcangelo
Florian Boesch
Patrick Henckens
Eva Liebau
Christine Schäfer
Marie McLaughlin
Anna Netrebko
Dorothea Röschmann
Wiener Philharmoniker
Nikolaus Harnoncourt

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Ildebrando D’Arcangelo und Anna Netrebko.

PQP

Lebègue / Marais / Couperin / Rameau: Folies

Lebègue / Marais / Couperin / Rameau: Folies

Um bonito disco de música francesa para viola da gamba. Ele traz grandes compositores dos séculos XVII e XVIII. Algumas peças são transcrições. A viola da gamba costumava aparecer em conjuntos ou acompanhada por alaúde. É claro que a formação em duo (ou com mais membros) era muito utilizada pelas famílias. A viola da gamba baixo foi muito usada para complementar o cravo no baixo contínuo. Foi o instrumento favorito de Luís XIV e ficou associado à corte e à França (como o violino à Itália). Compositores como Marin Marais e Sainte-Colombe escreveram músicas complexas para virtuosos do instrumento. Entretanto, as violas da gamba foram caindo no desuso à medida que as salas de concerto ficaram maiores e a tonalidade mais alta e mais penetrante dos instrumentos da família do violino se tornou mais popular. Porém, nos últimos cem anos, a viola da gamba e seu repertório foram revividos pelos entusiastas de música barroca e de música renascentista.

E, como eu adoro uma Folia, acho que o destaque do disco é a última faixa. Ao lado é claro, de Le Dodo, a terceira.

Lebègue / Marais / Couperin / Rameau: Folies

1 – Nicolas-Antoine Lebègue – Les cloches

2 – Marin Marais – Les Voix Humaines, for viola da gamba & continuo in D major

3 – François Couperin – Le Dodo, ou L’Amour au berceau, for harpsichord
4 – François Couperin – Muséte de Choisi et Muséte de Taverni

5 – Jean-Philippe Rameau – La Coulicam, for harpsichord, violin & viol
6 – Jean-Philippe Rameau – La Livri, for harpsichord, violin & viol
7 – Jean-Philippe Rameau – Le Vézinet, for harpsichord, violin & viol

8 – François Couperin – Le Trophée, for harpsichord
9 – François Couperin – Airs pour la suite du Trophée
10 – François Couperin – Le Point du jour, Allemande, for harpsichord
11 – François Couperin – L’Anguille, for harpsichord

12 – Marin Marais – La Muzette, for viola da gamba & continuo in G major
13 – Marin Marais – Couplets de folies (Les folies d’Espagne), for viola da gamba & continuo in D minor

Les Voix Humaines:
Susie Napper (viola da gamba)
Margaret Little (viola da gamba)

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‘Uma jovem mulher tocando uma viola da gamba’, pintura de Gerrit van Honthorst (1592-1656)

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J.S. Bach (1685-1750) / Silvius Leopold Weiss (1687-1750): …per la Viola da Gamba (BWV 1011 /995, 1025 & 1029)

J.S. Bach (1685-1750) / Silvius Leopold Weiss (1687-1750): …per la Viola da Gamba (BWV 1011 /995, 1025 & 1029)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

A alemã Hille Perl é uma de minhas preferências na vida. Gosto de todos os seus discos e cada vez mais. Ela decidiu tocar viola da gamba depois de assistir a um concerto de Wieland Kuijken aos cinco anos de idade e ouvi-la não é uma mania apenas minha, pois ela é considerada uma das melhores gambistas da cena barroca, especializada em música solo e ensemble dos séculos XVII e XVIII. Ela tem um interesse particular no repertório barroco francês da viola da gamba de sete cordas. Ela também interpreta repertório espanhol, italiano, alemão e moderno para o instrumento. Esse disco (suspiro) é absolutamente arrebatador.

A produção que chegou até nossos dias de Johann Sebastian Bach para a viola da gamba não é muito extensa, limitando-se apenas às três Sonatas BWV 1027-1029. Elas costumam ser tocadas no parente mais próximo da viola da gamba, o violoncelo. Hille Perl já passou por essas três sonatas de Bach antes, quando gravava para a Hänssler. O que esse novo disco da Deutsche Harmonia Mundi oferece são duas novas obras de Bach para a gamba… Elas podem ser deduzidas das partituras originais. Olha, é difícil que alguém que tenha amor pelo barroco não se apaixone por este CD. Recomendo muito.

J.S. Bach (1685-1750) / Silvius Leopold Weiss (1687-1750): …per la Viola da Gamba (BWV 1011 /995, 1025 & 1029)

Suite Per La Viola Da Gamba Re Mineur, BWV 1011/995
1 Prelude [5:42]
2 Allemande [4:48]
3 Courante [2:33]
4 Sarabande [2:06]
5 Gavotte [5:04]
6 Gigue [2:11]

Trio In A Major, BWV 1025 (after Silvius Leopold Weiss)
7 Fantasia [3:26]
8 Courante [5:27]
9 Rondeau [3:39]
10 Sarabande [6:46]
11 Menuett [4:46]
12 Allegro [3:52]

Sonata In G Minor, BWV 1029
13 Vivace [5:34]
14 Adagio [5:00]
15 Allegro [4:10]

Viola da Gamba – Hille Perl
Harp [Double Harp] – Andrew Lawrence-King (tracks: 13 to 15)
Lute [Baroque Lute] – Lee Santana (tracks: 7 to 15)
Viola da Gamba – Barbara Messmer (tracks: 13 to 15)
Violin – Veronika Skuplik (tracks: 13 to 15)

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Hille Perl é apenas um dos picos da evolução

PQP

Dieterich Buxtehude (1637-1707): Trio Sonatas Op. 1

Dieterich Buxtehude (1637-1707): Trio Sonatas Op. 1

Pois é. Este registro de Buxtehude serve para que notemos a diferença entre muita sensibilidade e talento e, bem, pouca sensibilidade e talento. Temos duas gravações deste repertório aqui no PQP Bach. Ambas trazem exatamente as mesmas músicas e o os nomes de ambos os posts são iguais. Só que esta aqui é uma maravilha, causou-me entusiasmo e recebeu o rótulo de IM-PER-DÍ-VEL, e a que ora posto não me causou nada. Aqui, a polifonia é chata. As vozes que entram não recebem o merecido espaço. Todo mundo toca no mesmo volume, é uma sensibilidade diferente que nos obriga e cavocar com o ouvido e é desconfortável. O CD passou e fui para outro, apenas passou.

Dieterich Buxtehude (1637-1707): As Trio Sonatas Completas

1 Sonata for 2 violins, viola da gamba & harpsichord in F major, Op. 1/1, BuxWV 252 08:35
2 Sonata for 2 violins, viola da gamba & harpsichord in G major, Op. 1/2, BuxWV 253 07:10
3 Sonata for 2 violins, viola da gamba & harpsichord in A minor, Op. 1/3, BuxWV 254 09:47
4 Sonata for 2 violins, viola da gamba & harpsichord in B flat major, Op. 1/4, BuxWV 255 07:47
5 Sonata for 2 violins, viola da gamba & harpsichord in C major, Op. 1/5, BuxWV 256 07:58
6 Sonata for 2 violins, viola da gamba & harpsichord in D minor, Op. 1/6, BuxWV 257 08:03
7 Sonata for 2 violins, viola da gamba & harpsichord, in E minor, Op. 1/7, BuxWV 258 06:50

Boston Museum Trio

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Gerrit van Honthorst (1592-1656), Um alegre grupo atrás de uma balaustrada com violino e alaúde , ca. 1623

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Allegri / J. S. Bach / Corelli / Händel / Stölzel / Telemann: Back to Bach

Allegri / J. S. Bach / Corelli / Händel / Stölzel / Telemann: Back to Bach

Um disco bem sem graça. São arranjos que o maridão Herriott escreveu para sua esposa Harnoy se esbaldar. Explico: é um disco impossível de ser reproduzido ao vivo, pois Harnoy faz solos de violoncelo acompanhada por ela mesma, às vezes numa orquestra de violoncelos, enquanto Herriott cria verdadeiros colchões de trompetes e flugelhorns. Gostei apenas do suingue da Ária da Suíte para Orquestra Nº 3 de Bach. Fiquei estalando os dedos como se ouvisse jazz. Foi usada muita tecnologia neste disco. Na verdade, quem brilha é Herriott e suas habilidades multifuncionais de escrever arranjos que incluem grandes conjuntos de violoncelos executados inteiramente por Harnoy, e corais de trompetes. Harnoy costuma fazer crossovers de Lennon & McCartney, Gershwin e tem seu público. Eu respeito, mas não é para mim.

Allegri / J. S. Bach / Corelli / Händel / Stölzel / Telemann: Back to Bach

Telemann
01. Six Sonates en Duo-Sonate No. 1, TWV 40.118: I. Vivace
02. Six Sonates en Duo-Sonate No. 1, TWV 40.118: II. Adagio
03. Six Sonates en Duo-Sonate No. 1, TWV 40.118: III. Allegro

Bach
04. Toccata, Adagio, and Fugue in C Major, BWV 564: Adagio (Arr. for Cello and Brass)

Handel
05. Sonata for Cello No. 3 in F Major: I. Adagio (Arr. for Cello and Brass)
06. Sonata for Cello No. 3 in F Major: II. Allegro (Arr. for Cello and Brass)
07. Sonata for Cello No. 3 in F Major (Arr. for Cello and Brass): III. Largo
08. Sonata for Cello No. 3 in F Major: IV. Allegro (Arr. for Cello and Brass)

Bach
09. Violin Concerto in E Major, BWV 1042: Adagio (Arr. for Cello and Brass)

Corelli
10. Sonata No. 8 in D Minor, Op. 5: I. Preludio
11. Sonata No. 8 in D Minor, Op. 5: II. Allemanda
12. Sonata No. 8 in D Minor, Op. 5: III. Sarabanda
13. Sonata No. 8 in D Minor, Op. 5: IV. Giga

Stölzel
14. Bist du bei mir

Corelli
15. Sonata No. 5 in B-flat Major, Op. 5: I. Adagio

Allegri
16. Miserere mei, Deus (Arr. for Cello and Brass)

Bach
17. Orchestral Suite No. 3 in D Major, BWV 1068: II. Air (Arr. for Cello and Brass)

Ofra Harnoy, violoncelos
Mike Herriott, trompetes

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A gente aguentou os gatinhos deles

PQP

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas para flauta transversa e cravo obligato (Pontecorvo/Alessandrini)

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas para flauta transversa e cravo obligato (Pontecorvo/Alessandrini)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

O BWV 1030 e o 1032 são originalmente Sonatas para flauta e cravo. Já o 1019 é, originalmente, uma Sonata para violino e cravo. O 526 foi transcrito do órgão para flauta e cravo. O resultado é um CD entusiasmante. A flautista Pontecorvo é esplêndida e Alessandrini é um velho e competente conhecido nosso.

A história das sonatas da flauta não é clara. É provável que a maioria delas tenha sido escrita enquanto Bach estava a serviço do príncipe Leopold de Anhalt-Cothen. Na época, dificilmente se poderia imaginar que a pequena cidade de Cothen, trinta quilômetros ao norte de Halle, seria lembrada na história como um dos centros musicais mais importantes da época. O príncipe Leopold era um jovem que amava música e que gradualmente expandiu a orquestra da corte para dezoito membros. Ele contratou Johann Sebastian Each como Kapellmeister em 1717 e é interessante notar que seu salário era duas vezes maior que o de seu antecessor. O próprio príncipe era um músico talentoso e tocava violino, viola e cravo. Todas as apresentações em Cothen ocorriam na corte, como quisessem ou quando solicitados. Leopold não exigiu música sacra, permitindo a Bach um amplo espaço para o secular. Deste modo, o período em Cothen viu a composição de algumas das composições instrumentais mais importantes da música ocidental, as Invenções em duas e três partes, as Suítes francesas, o primeiro livro do Cravo bem temperado, as Sonatas e Partitas para violino solo, as Suítes para Violoncelo, as Sonatas para cravo e violino, as para viola da gamba, os Concertos de Brandenburgo, algumas das Suítes orquestrais e Sonatas para flauta e cravo ou flauta e continuo.

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas para flauta transversa e cravo obligato (Pontecorvo/Alessandrini)

Sonata for flute and harpsichord in B minor, BWV 1030
01. “I. Andante”
02. “II. Largo e dolce”
03. “III. Presto”

Sonata for flute and harpsichord in G major, BWV 1019
04. “I. Allegro”
05. “II. Largo”
06. “III. Allegro”
07. “IV. Adagio”
08. “V. Allegro”

Sonata for flute and harpsichord in E minor, BWV 526
09. “I. Vivace”
10. “II. Largo”
11. “III. Allegro”

Sonata for flute and harpsichord in A major, BWV 1032
12. “I. Vivace”
13. “II. Largo e dolce”
14. “III. Allegro”

Laura Pontecorvo, flauta transversa
Rinaldo Alessandrini, cravo

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Judith Leyster (1609-1660): Menino tocando flauta (1630)

PQP

J. S. Bach (1685-1750): Suítes Francesas (Thurston Dart)

J. S. Bach (1685-1750): Suítes Francesas (Thurston Dart)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

(OK, aprovo as postagens copiosas de Beethoven e Schumann — não poderia ser diferente! –, mas já estava sofrendo de hipobachemia aguda. Então, resolvi exagerar e postar uma obra-prima da discografia de todos os tempos. Confiram e se curvem ante à qualidade do exposto).

Eu era um adolescente que estava descobrindo Bach quando comprei este disco de Thurston Dart (1921-1971) interpretando as Suítes Francesas de Bach no clavicórdio. Estas Suítes foram escritas para cravo ou clavicórdio, tanto faz.

Eu não sabia, mas Dart não era qualquer um, tanto que foi professor de gente como Michael Nyman, Davitt Moroney, Sir John Eliot Gardiner e Christopher Hogwood. Era um disco estupendo comprado na sorte por um ignorante.

O clavicórdio é um instrumento de teclado onde as cordas são percutidas como as do piano, e não pinçadas como as do cravo. Seu som é o mais leve e intimista dentre os três e as Suítes Francesas de Dart me pareceram a coisa mais próxima a um sussurro que já tinha ouvido. Mas era um sussurro muito belo, engenhoso e astuto.

Na Inglaterra, Dart é o padroeiro dos estudos de interpretação histórica. Toda a geração seguinte reverencia seu nome, e vários livros de interpretação histórica dividem esta área do conhecimento musical entre antes e depois de Thurston Dart. Parece que era uma pessoa realmente inspiradora.

Ouço este LP até hoje com enorme prazer.

J. S. Bach (1685-1750): Suítes Francesas (Thurston Dart)

1 Suíte nº 1, em Ré menor, BWV 812 8:20
Allemande, Courante, Sarabande, Menuet I, Menuet II, Gigue

2 Suíte nº 2 em Dó menor, BWV 813 7:12
Allemande, Courante, Sarabande, Air, Menuet, Gigue (movimentos adicionais na BWV 813a: Menuet – Trio)

3 Suíte nº 3 em Si menor, BWV 814 8:44
Allemande, Courante, Sarabande, Menuet, Trio, Anglaise, Gigue

4 Suíte nº 4 em Mi bemol maior, BWV 815 7:49
Allemande, Courante, Sarabande, Gavotte, Air (additional movements, in BWV 815a: Praeludium. Gavotte I, Gavotte II, Menuet)

5 Suíte nº 5 em Sol maior, BWV 816 10:02
Allemande, Courante, Sarabande, Gavotte, Bourrée, Loure, Gigue

6 Suíte nº 6 em Mi maior, BWV 817 9:16
Allemande, Courante, Sarabande, Gavotte, Polonesa, Bourrée, Menuet, Gigue

Thurston Dart, clavicórdio

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Jack with a beer Bach… Pintura de Will Bullas

PQP

.: interlúdio :. Goran Bregovic – Black Cat White Cat (Soundtrack) (2000)

.: interlúdio :. Goran Bregovic – Black Cat White Cat (Soundtrack) (2000)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

À exceção de West Side Story, não creio que exista uma trilha sonora de qualidade tão alta quanto Black Cat White Cat. Então… Vamos nos divertir de um jeito diferente hoje. A música popular dos Balcãs é uma coisa de louco. E Goran Bregovic é um dos principais artistas da região. Já tocou muitas vezes no Brasil, inclusive fez duas apresentações em Porto Alegre. Compositor, instrumentista, cantor e extraordinário arranjador, seus discos nunca são esquecíveis. Black Cat White Cat é a trilha sonora do filme homônimo de Emir Kusturica. Depois de vários trabalhos juntos a dupla se desentendeu.

Este CD dá uma mostra de quem é Bregovic. Não há economia, nem de alegria ou de criatividade, e muito menos de recursos. Há cantores, flautistas, cordas, organistas, grupos peruanos, de salsa e muita mas, muita música da Bósnia e da Sérvia com seus metais, metais, metais. O que há de tubas, trombones, trompetes e trompas é um absurdo. Além disso, há um grupo de rock que chega a cantar I want to break free em ritmo marcial… E cada um dos 30 temas têm arranjos inteiramente diferentes, cada um com personalidade própria. Há um compositor alucinado e um arranjador do tamanho de George Martin dentro de Bregovic.

Goran ...
Goran …

Goran Bregovic considera-se iugoslavo e os itálicos a seguir copio uma entrevista que ele concedeu ao El País espanhol em 2009, época do espetacular CD Alkohol:

Si tu país desaparece, descubres que no era algo político ni geográfico, sino emocional. No me siento represente de una nación o un Estado. Sólo represento ese territorio emocional que no tiene nada que ver con la política.

O que diz sobre os criminosos de guerra:

Creo que conozco a casi todos los criminales de guerra. Conozco a Radovan Karadzic, que antes de la guerra era poeta. Algunos de mis profesores de la Facultad de Filosofía están en La Haya. Eran políticos pequeños que creyeron interpretar personajes históricos. Los seres humanos están condicionados. Si les dejas la oportunidad de convertirse en animales se convertirán en animales. La cultura no nos protege.

Sobre o poder da arte mudar as pessoas:

A los artistas occidentales les gusta decir grandes cosas, como que la música puede cambiar el mundo. Vengo de un país comunista y sé dónde está el poder. Aunque trabajo con la misma temperatura que los artistas occidentales, sé que hay un largo camino hasta ser iluminado. Las luces pequeñas ayudan, pero en el fondo no cambian nada.

Sobre uma destas pequenas luzes, ele narra um acontecimento quando de seu primeiro concerto em Buenos Aires:

Al llegar al hotel me dieron un sobre que me habían dejado de parte de Ernesto Sábato. Contenía un libro, Sobre héroes y tumbas, y una carta en la que me pedía disculpas por no acudir al concierto. Me explicaba que mi música le había salvado en momentos de depresión. Lo curioso es que cuando hice el servicio militar en Nis, en la época comunista, robé de la biblioteca del cuartel un ejemplar de ese libro. Lo tuve en mi casa de Sarajevo durante años y lo perdí. Con la guerra perdí todo, también mi biblioteca. Puedes empezar dos veces tu vida, pero no puedes empezar dos veces una biblioteca. Todas las cosas grandes que me han pasado están guiadas por cosas pequeñas que se vuelven grandes, como el libro de Sábato.

Ele surpreende ao falar sobre algumas acusações de plágio:

Me llaman compositor porque compongo lo que ya existe. Así ha sido siempre, desde Stravinski, Gershwin, Bono, Lennon… Se trata de un viejo método: tomas algo de tu tradición, robas y dejas atrás cosas para que otros con talento roben también. La cultura es eso, una transformación continua.

E este filho de pai sérvio e mãe croata, casado com uma muçulmana, finaliza:

La guerra no es sólo matar gente, quemar casas, la guerra mata una infraestructura cultural, edificada por los hombres con gran dificultad durante mucho tiempo.

É uma boa entrevista. O que me emocionou foi a referência que ele fez a sua biblioteca perdida:

Com a guerra perdi tudo e também minha biblioteca. Podes começar tua vida duas vezes, mas não podes começar duas vezes uma biblioteca.

... Bregovic
… Bregovic

Eu nunca tinha pensado nisso. Uma biblioteca pessoal é algo que não se recomeça. Ou ela é inteira ou é um amontoado. Uma biblioteca sem as tantas bobagens lidas durante a adolescência, sem as anotações que não consigo deixar de fazer nos livros e sem as anotações dos amigos, deixaria de contar à sua maneira minha história e a de meu tempo. Eu não iria morrer sem esses 3000 ou mais paralelepípedos cheios de pó mal organizados às minhas costas. Mas perderia o meu mais importante meio de recordações, pois só consigo chegar ao PQP de 15 anos quando abro O Lobo da Estepe e constato o quanto amei e manuseei aquele exato livro que hoje leria com enfado. E quando abro Baía dos Tigres sei onde estava e o que pensava enquanto o lia e o mesmo ocorre com quase todos os outros. Sei lá por quê, minha vida tem largos períodos sem fotos e minha memória associa-se sempre aos livros. Não sei se esta é uma sensação comum às pessoas que leem permanentemente. Não sei mesmo. Aliás, antes do dia de hoje nem sabia que uma biblioteca não se recomeçava…

Goran Bregovic – Black Cat White Cat (Soundtrack) (2000)

01. Intro (El Pasa)
02. El Bubamara Pasa
03. Black Cat White Cat
04. Daddy Dance
05. The Szombathely Jiga (Ashik Cygan)
06. Bubamara (Main Version)
07. Daddy’s gone
08. Czardsz (Ashik Cygan)
09. Dejo dance
10. Lies
11. Flor De Venganza
12. Duj Sandale
13. Hunting
14. Bubamara (Spij Kochanie)
15. Spij Kochanie, Spij (Kayah)
16. Vivaldi (Bubamara Version)
17. Jek Di Tharin
18. Long Vehicle
19. Pit bull (Mixed by Pink Evolution)
20. Ja volim te jos – Meine Stadt
21. Bulgarian dance
22. Bubamara (Sunflower)
23. To Nie Ptak (Kayah)
24. Railway Station
25. Jek Di Tharin II (New Version)
26. Daddy, don’t ever die on a friday
27. 100 Lat Mlodej Parze (Kayah)
28. Bubamara (Tree Stump)
29. Prawy Do Lewego (Kayah)
30. Bubamara (Final)

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Bregovic + Kusturica: músicos por todo lado
Bregovic + Kusturica: músicos por todo lado

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Monteverdi, Uccelini, Merula, Marini: Recital com Magdalena Kožená (2016)

Monteverdi, Uccelini, Merula, Marini: Recital com Magdalena Kožená (2016)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este é um CD inteiramente fora do normal. Afinal, a montanha de obras-primas escritas por Claudio Monteverdi (1567-1643) é pouco ouvida e gravada. Como se não bastasse a raridade do excelente repertório, aqui temos a enorme cantora Magdalena Kožená dando uma demonstração de arrebatador virtuosismo. E tal virtuosismo é acontece sem se rasgar ou morrer aos gritos, mas com senso de estilo e argumentos. Acompanha-a no altíssimo nível a La Cetra Barockorchester Basel, chefiada por Andrea Marcon. Um disco espantoso para ouvir, reouvir e nunca esquecer.

(Eu invejo os londrinos em muitas coisas, mas fico quase deprimido ao saber que ela e seu marido Simon Rattle, estão apresentando uma integral dos lieder de Schubert no Wigmore Hall. Espero que gravem tudo!).

Magdalena Kožená: super talento
Magdalena Kožená: super talento

Claudio MONTEVERDI (1567-1643)
01. Zefiro torna, e di soavi accenti (06:59)
02. Lamento della ninfa (08:08)
03. Quel sguardo sdegnosetto (04:00)

Marco UCCELLINI (1610-1680)
04. Aria quinta sopra la Bergamasca (05:04)

Claudio MONTEVERDI
05. Disprezzata Regina (05:10)
06. Con che soavita (05:28)

Tarquinio MERULA (1594/95-1665)
07. Ballo detto Pollicio (02:09)

Claudio MONTEVERDI
08. Addio, Roma! (04:24)
09. Damigella tutta bella (02:55)

Biagio MARINI (1594-1663)
10. Passacalio a quattro (06:12)

Claudio MONTEVERDI
11. Combattimento di Tancredi e Clorinda (21:21)
12. Pur ti miro (05:14)

Magdalena Kožená, mezzo-soprano
Anna Prohaska, soprano ([1], [12])
David Feldman, countertenor ([9])
Jakob Pilgram, tenor ([2])
Michael Feyfar, tenor ([2])
Luca Tittoto, bass ([2], [9])

La Cetra Barockorchester Basel
Andrea Marcon, harpsichord and conductor

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Claudio Monteverdi
Claudio Monteverdi

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Ludwig van Beethoven (1770-1827): Os Últimos Quartetos (Mosaïques) #BTHVN250

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Os Últimos Quartetos (Mosaïques) #BTHVN250

IM-PER-DÍ-VEL !!!

O Mosaïques é um excelente quarteto. Sabem que eles saíram de dentro do Concentus Musicus de Nikolaus Harnoncourt? Formaram o quarteto em 1985, quando ainda estavam na orquestra e seu violoncelista é o grande Christophe Coin. Eles são especializados no classicismo vienense, diga-se Haydn, Mozart e Schubert. E Beethoven. Vale a pena ouvi-los. Tocando com cordas de tripa e nos arcos de design do início do século 19, o Mosaïques trouxe calor e sutilezas a essas obras fascinantes. Hoje em dia, quando os conjuntos historicamente informados abundam, a gente nem deveria falar mais em instrumentos originais, mas aqui não podemos fugir do fato de que o Mosaïques estão fazendo isso há 35 anos! Durante esse período, eles exploraram e gravaram uma ampla gama de repertórios de quartetos, de Haydn a Mendelssohn. Porém, em disco — não em recitais –, eles têm sido muito mais cautelosos com Beethoven. As gravações das obras do Op. 18 apareceram incompletas há mais de uma década, depois vieram alguns quartetos intermediários e só agora é que chegaram ao ciclo completo dos cinco últimos quartetos.

Este é um campo altamente competitivo e, do Busch Quartet ao Takács, passando pelo Kodály, o padrão pode ser estratosférico. As performances dos Mosaïques são — até onde sei — a primeira gravação desses trabalhos em instrumentos de época, o que os distingue muito. Mas há mais: o fraseado parece surpreendentemente moderno, há muita leveza e equilíbrio em muitas passagens que podem se tornar exageradas — há muito mais luzes e sombras nas performance dos Mosaïques da Große Fuge, por exemplo, que eles tocam como o final da Op 130. Eu acho uma coisa sabem? Na maioria das gravações que ouço, retirando desta observação os deuses do repertório, a surpreendente originalidade dos quartetos tardios de Beethoven nos chegam um pouco abafada pelas cordas modernas e pelos estilos de tocar derivados da tradição cantabile romântica. O foco do Mosaïques é outro. Quando começa o Op.127, ouvimos um um timbre mais próximo dos conjuntos de música antiga do que de um quarteto moderno, a coisa vem livre de “expressivos” enjoativos. O desejo de remover camadas interpretativas bobas é realizado com mais força nos Op. 131 e 132, durante os quais o rosto franzido e a alma agonizante são substituídas pela pureza de linhas e suaves vibratos (aleluia!). A famosa Cavatina do Op. 130 possui uma clareza que a aproxima de um intermezzo mendelssohniano, fazendo com que o choque da poderosa Große Fuge seja ainda mais imponente. O Op. 132 é levado com extremo senso de estilo e com a devida profundidade. É sempre difícil escrever sobre uma música que amamos muito e que nos faz lembrar fatos pessoais. A primeira coisa que me vem à mente quando penso no Op. 132 foi aquele momento mágico e levemente fantasmagórico em que eu, sentado na tranquilamente na sala, ouvi iniciar o Allegro Appassionato (último movimento do quarteto) e vi que, logo aos primeiros compassos, minha filha, aos cinco anos de idade, entrava girando na sala, dançando a valsa sozinha, de olhos fechados, por puro prazer de ouvir a música… Foi tão marcante que hoje soa-me hipócrita dizer que o movimento principal deste quarteto é o imenso e perfeito Molto Adagio – Andante (Heiliger Dankgesang eines Genesenen an die Gottheit, in der lydischen Tonart), um agradecimento à divindade pela recuperação que Beethoven obteve após grave enfermidade. Mas é, claro que é. O terceiro movimento, com suas duas explosões de alívio é o centro e razão de ser desta grande e fundamental obra. No terreno neoclássico do Op. 135, o Mosaïques inflama a música com um virtuosismo que talvez revele um novo caminho a seguir. Ele encerra um dos conjuntos mais reveladores e instigantes desses clássicos atemporais em décadas.

Não é uma gravação para ir ao pódio, mas que belisca, belisca.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Os Últimos Quartetos (Mosaïques)

String Quartet No. 12 In E Flat Major, Op. 127
1-1 Maestoso – Allegro 6:59
1-2 Adagio Ma Non Troppo E Molto Cantabile – Andante Con Moto – Adagio Molto Espressivo 12:58
1-3 Scherzando Vivace – Presto 8:57
1-4 Finale. Allegro 6:30

String Quartet No. 14 In C Sharp Minor, Op. 131
1-5 Adagio Ma Non Troppo E Molto Espressivo 6:09
1-6 Allegro Molto Vivace 3:08
1-7 Allegro Moderato – Adagio 0:41
1-8 Andante Ma Non Troppo E Molto Cantabile – Più Mosso – Andante Moderato E Lusinghiero – Adagio – Allegretto – Adagio Ma Non Troppo E Semplice – Allegretto 13:05
1-9 Presto 5:34
1-10 Adagio Quasi Un Poco Andante 1:40
1-11 Allegro 6:51

String Quartet No. 13 In B Flat Major, Op. 130
2-1 Adagio Ma Non Troppo – Allegro 14:32
2-2 Presto 2:03
2-3 Poco Scherzando. Andante Con Moto Ma Non Troppo 7:38
2-4 Alla Danza Tedesca. Allegro Assai 3:05
2-5 Cavatina, Adagio Molto Espressivo 6:09

2-6 String Quartet No. 17 In B Flat Major, Op. 133, ‘Grosse Fuge’: Overtura – Fuga. Allegro – Meno Mosso E Moderato – Allegro Molto E Con Brio 15:56

String Quartet No. 15 In A Minor, Op. 132
3-1 Assai Sostenuto – Allegro 9:47
3-2 Allegro Ma Non Tanto 8:45
3-3 Molto Adagio – Andante 15:07
3-4 Alla Marcia, Assai Vivace – Più Allegro 2:08
3-5 Allegro Appassionato 7:06

String Quartet No. 16 In F Major, Op. 135
3-6 Allegretto 7:04
3-7 Vivace 3:39
3-8 Lento Assai, Cantante E Tranquillo 7:01
3-9 Grave, Ma Non Troppo Tratto – Allegro 6:35

Quarteto Mosaïques:
Erich Höbarth, violino
Andrea Bischof, violino
Anita Mitterer, viola
Christophe Coin, violoncelo

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A foto de divulgação do excelente Mosaïques

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Krzysztof Penderecki (1933-2020): Sinfonia Nº 6 (Canções Chinesas) e Concerto para Clarinete, Cordas, Percussão e Celesta

Krzysztof Penderecki (1933-2020): Sinfonia Nº 6 (Canções Chinesas) e Concerto para Clarinete, Cordas, Percussão e Celesta

Um belo CD!

Penderecki fez várias visitas à China desde o final dos anos 90. Tendo grande interesse pela cultura chinesa, especialmente a poesia, ele criou a Sinfonia nº 6, “Canções (ou Poemas) Chineses”, uma obra inspirada na literatura chinesa — aqui em tradução alemã — de oito poemas da dinastia Tang (618-907 dC) e da Song (960-1279 dC ). Nesta Sinfonia, Penderecki incorporou instrumentos musicais tradicionais chineses, como o erhu, no padrão de sinfonia ocidental. A obra foi estreada em Guangzhou, província de Guangdong, em 2017. O polonês já havia demonstrado carinho pela música folclórica chinesa antes, descrevendo-a como “alegre e positiva”.

A escrita sinfônica de Krzysztof Penderecki é um dos elementos mais importantes de sua produção como compositor, e possivelmente o mais fascinante. O próprio compositor enfatizou frequentemente a identidade autônoma de sua obra sinfônica.

O Concerto para Clarinete — originalmente escrito para viola — tem um movimento único, cuja dicotomia interna nítida é refletida na sequência das seções: Lento – Vivace – Lento – Vivo – Lento. Dois mundos emocionais opostos se manifestam alternadamente. O primeiro tema parece retirado do barroco e é responsável pelo clima sombrio do primeiro Lento. Isto é seguido por uma seção que soa um pouco como uma máquina em movimento perpétuo. O próximo Lento, mais romântico que o primeiro, é sobrenatural e imaterial, levando-nos ao segundo scherzo, precedido por uma cadência. A seção final completa toda a forma narrativa, com o retorno do tema inicial e a ascensão conjunta da orquestra e do solista às alturas. Gostei muito do concerto.

Há uma distância de mais de 30 anos entre a composição do Concerto para o Clarinete e a Sinfonia nº 6. Os  os dois trabalhos evidenciam uma mudança na postura artística de Krzysztof Penderecki — uma mudança do expansivo para uma declaração musical muito íntima.

Krzysztof Penderecki (1933-2020): Sinfonia Nº 6 (Canções Chinesas) e Concerto para Clarinete, Cordas, Percussão e Celesta

1 Symphony No. 6 “Chinese Poems”: I. Die geheimnisvolle Flöte
2 Symphony No. 6 “Chinese Poems”: II. in der Fremde
3 Symphony No. 6 “Chinese Poems”: III. Auf dem Flusse
4 Symphony No. 6 “Chinese Poems”: IV. Die wilden Schwäne
5 Symphony No. 6 “Chinese Poems”: V. Verzweiflung
6 Symphony No. 6 “Chinese Poems”: VI. Mondnacht
7 Symphony No. 6 “Chinese Poems”: VII. Nächtliches Bild
8 Symphony No. 6 “Chinese Poems”: VIII. Das Flötenlied des Herbstes

9 Viola Concerto (Version for Clarinet, Strings, Percussion & Celesta): I. Lento quasi recitativo
10 Viola Concerto (Version for Clarinet, Strings, Percussion & Celesta): II. Vivace
11 Viola Concerto (Version for Clarinet, Strings, Percussion & Celesta): III. Lento
12 Viola Concerto (Version for Clarinet, Strings, Percussion & Celesta): IV. Vivo
13 Viola Concerto (Version for Clarinet, Strings, Percussion & Celesta): V. Lento

– Stephan Genz, barítono
– Joanna Kravchenko, viola
– Andrzej Wojciechowski, clarinete
– Polish Chamber Philharmonic Orchestra Sopot
– Wojciech Rajski, regente

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Penderecki roubando uma muda do vizinho.

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