Rameau / Couperin / D’Agincour / Dandrieu / Daquin / Dornel / Duphly / Février: ‘Le Rappel des Oiseaux’ e outras peças (Luc Beauséjour)

Rameau / Couperin / D’Agincour / Dandrieu / Daquin / Dornel / Duphly / Février: ‘Le Rappel des Oiseaux’ e outras peças (Luc Beauséjour)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um bonito disco de peças francesas do século XVIII para cravo. Luc Beauséjour é um músico muito elogiado não apenas por seu virtuosismo e pela sutileza de sua execução, mas porque nunca deixa de ter ideias quando se trata de oferecer programas cheios de originalidade. Para este álbum, Le rappel des oiseaux, o cravista propõe uma seleção de obras de compositores barrocos franceses, incluindo Rameau, Couperin, d’Agincourt e Daquin, inspiradas em pássaros. Muito mais do que exercícios técnicos para imitar o cantar de algumas belas criaturas emplumadas, o programa apresenta peças que oferecem tanto lindas melodias quanto sofisticados comentários musicais. Esses curtos retratos de aves — cucos, rouxinóis, galinhas, etc. — escritos por compositores franceses da primeira metade da década de 1700, são pequenas joias.

Rameau e vários outros compositores franceses: ‘Le Rappel des Oiseaux’ e outras peças (Luc Beauséjour)

1 Jean-Philippe Rameau – Le Rappel des Oiseaux
2 François D’Agincour – Les Tourterelles
3 Louis-Claude Daquin – Le Coucou
4 François Couperin – Le Rossignol-en-amour
5 François Couperin – La Linote-éfarouchée
6 François Couperin – Les Fauvétes Plaintives
7 François Couperin – Le Rossignol-Vainqueur
8 Antoine Dornel – Les Tourterelles
9 Louis-Claude Daquin – L’Hirondelle
10 Jacques Duphly – Les Colombes
11 François D’Agincour – La Fauvette
12 François Couperin – Les Coucous Bénévoles
13 Antoine Dornel – Le Chant de l’Alloüette
14 Antoine Dornel – Le Petit Ramage
15 Jean-François Dandrieu – Le Concert des Oiseaux
16 François Couperin – Le Gazoüillement
17 Pierre Février – Les Tendres Tourterelles
18 Jean-Philippe Rameau – La Poule

Luc Beauséjour, cravo

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Alexandre-François Desportes (1661-1743) : Duas tulipas e um pássaro

PQP

 

.: interlúdio :. Tommy Flanagan, John Coltrane, Kenny Burrell e Idrees Sulieman: The Cats

.: interlúdio :. Tommy Flanagan, John Coltrane, Kenny Burrell e Idrees Sulieman: The Cats

A questão aqui é saber se o álbum é bom ou é  irrelevante. The Cats é um disco de hard bop creditado ao saxofonista tenor John Coltrane e ao pianista Tommy Flanagan. Com eles, estão Idrees Sulieman no trompete e Kenny Burrell na guitarra, mais Louis Hayes na bateria e Doug Watkins no baixo. Os quatro primeiros fazem solos em todas as faixas, com a exceção de “How Long Has This Been Going On?” que apresenta Tommy Flanagan em um trio de piano com Doug Watkins e Louis Hayes. Os solos são certamente obras de profissionais, mas comparado a outros álbuns, esse em particular não tem muitos momentos memoráveis. Um disco apenas médio de uma época do jazz — 1957 — onde nasciam quase só obra-primas memoráveis. Seria bom mencionar que o susto que Flanagan nós dá em Solacium, onde ele cita o início da Fantaisie Impromptu de Chopin. Ou seja, os gatos deste CD são meio vagabundos.

Tommy Flanagan, John Coltrane, Kenny Burrell e Idrees Sulieman: The Cats

1 “Minor Mishap” – 7:26
2 “How Long Has This Been Going On?” (George and Ira Gershwin) – 5:58
3 “Eclypso” – 7:57
4 “Solacium” – 9:10
5 “Tommy’s Tune” – 11:58

Personnel
Idrees Sulieman – trumpet
John Coltrane – tenor saxophone
Tommy Flanagan – piano – trio track 2
Kenny Burrell – guitar
Doug Watkins – bass
Louis Hayes – drums
On “How Long Has This Been Going On” Sulieman, Coltrane and Burrell do not play.

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Tommy Flanagan bebe uma cerveja na Sala Jazz em P & B do PQP Bach

PQP

J. S. Bach (1685-1750): Concertos para dois cravos (Suzuki)

J. S. Bach (1685-1750): Concertos para dois cravos (Suzuki)

Já dizia o grande J. Jota de Moraes que os concertos de Bach eram “atléticos”. E são mesmo. São movimentados, com pulso constante e rápido. Há urgência mesmo nos movimentos lentos. E também são joias que, se bem trabalhadas, rendem muita música. Este disco tem uma curiosidade: a transcrição da Suíte (ou Abertura) Orquestral Nº 1 para dois cravos. Fujo deste tipo de coisa, mas fiquei alegremente surpreso com o lindo trabalho. O resultado me convenceu totalmente, assim como os outros 3 concertos do CD. Um disco absolutamente feliz para nos ajudar a enfrentar os dias de que correm. Precisamos disso. O trabalho dos Suzuki e do Bach Collegium Japan é maravilhoso. Vale muito a audição.

J. S. Bach (1685-1750): Concertos para dois cravos

Concerto in C minor, BWV1062 13’48
01 I. 3’32
02 II. Andante e piano 5’54
03 III. Allegro assai 4’22

Concerto in C major, BWV1061 18’15
04 I. 7’21
05 II. Adagio ovvero Largo 4’55
06 III. Fuga. Vivace 5’59

Orchestral Suite No.1 in C major, BWV1066 24’06
07 I. Ouverture 9’59
08 II. Courante 2’24
09 III. Gavotte I/II 2’44
10 IV. Forlane 1’17
11 V. Menuet I/II 2’42
12 VI. Bourrée I/II 2’14
13 VII. Passepied I/II 2’46

Concerto in C minor, BWV1060 13’18
14 I. Allegro 4’47
15 II. Largo ovvero Adagio 5’02
16 III. Allegro 3’29

Masaaki Suzuki, cravo
Masato Suzuki, cravo
Bach Collegium Japan

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Cansados de tanto produzir carros e motos, os Suzuki passaram aos cravos.e à regência de orquestra barroca

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 12 de 12 (Sinfs 9 e 15, Scans, Ashkenazy)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 12 de 12 (Sinfs 9 e 15, Scans, Ashkenazy)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Sinfonia Nº 9, Op. 70 (1945)

Desde Schubert, com sua Sinfonia Nº 9 “A Grande”, passando pela Nona de Beethoven e pelas nonas de Bruckner e Mahler, espera-se muito das sinfonias Nº 9. Há até uma maldição que fala que o compositor morre após a nona, o que, casualmente ou não, ocorreu com todos os citados, menos Shostakovitch. Esta sinfonia — por ser a “Nona” — foi muito aguardada e, bem, digamos que não seria Shostakovitch se ele não tivesse feito algo inesperado. Stálin ficou muito decepcionado com ela.

Leonard Bernstein lia esta partitura dando gargalhadas desta piada músical, cujas muitas citações formam um todo no mínimo sarcástico. O compositor declarou que faria uma música que expressaria “a luta contra a barbárie e a grandeza dos combatentes soviéticos”, mas os severos críticos soviéticos, adeptos do realismo socialista, foram mais exatos e apontaram que a obra seria debochada, irônica e de influência stravinskiana. Bingo! Na verdade é uma das composições mais agradáveis que conheço. O material temático pode ser bizarro e bem humorado (primeiro e terceiro movimentos), mas é também terno e melancólico (segundo e largo introdutório do quarto), terminando por explodir numa engraçadíssima coda.

Apesar dos cinco movimentos, é uma sinfonia curta, muito parecida em espírito com a primeira sinfonia “Clássica” de Prokofiev e com a Sinfonia “Renana” de Schumann, também em cinco movimentos.

Deixando de lado a geopolítica soviética e detendo-se na obra, podemos dizer que esta Nona é uma consciente destilação de experiências e, talvez uma reação, muito cuidadosamente considerada, contra as enormidades musicais oriundas da guerra das duas sinfonias anteriores.

Cá entre nós, é puro divertimento.

Sinfonia Nº 15, Op. 141 (1971)

Sem dúvida, a Sinfonia Nº 15 é uma de minhas preferidas no gênero. É difícil estabelecer um conteúdo programático para ela. Trata-se de uma música muito viva, com colorido orquestral atraente, temas facilmente assimiláveis e nada triviais, clímax e pausas meditativas que empolgam e mantém o ouvinte permanentemente atento. E com os contrastes inesperados característicos de Shostakovich. Parece um roteiro de Shakespeare passado à música, trazendo o trágico ao festivo, empurrando a reflexão para junto da zombaria. Bom, já viram que sou um apaixonado desta sinfonia. O primeiro movimento (Allegretto) é uma curiosidade por manter sempre ativo o motivo da cavalgada da abertura Guilherme Tell, de Rossini, e pela participação incessante da percussão. O segundo movimento (Adagio) é circunspecto. Os metais trazem uma melodia sombria, para depois o violoncelo completá-la com um solo dilacerante, a cujas cores será acrescida, mais adiante, a ressonância do contrabaixo. Um novo Alegretto surge repentinamente do Adagio, retomando o clima do primeiro movimento, mas desta vez somos levados pelos solos do fagote, violino, clarinete e flautim. O movimento final, outro adagio, é enigmático. A simbologia está presente com a apresentação de imediato do Prenúncio da Morte, composto por Wagner para a Tetralogia do Anel. O ouvinte wagneriano fica desconcertado ao escutar de imediato esta música conhecida, parece tratar-se de um equívoco, de um erro de partitura. Ao pesado motivo de Wagner são contrapostos temas executados por setores “mais leves” da orquestra, porém, a todo instante, o sinistro aviso retorna e, mais adiante, os metais refletirão muita angústia… A sinfonia esvai-se em delicados sons de percussão, deixando um ponto de interrogação no ar. É desconcertante. O significado do Prenúncio da Morte é óbvio, porém, o que significam a percussão, a orquestração e as melodias jocosas que o cercam? Uma simples experiência sinfônica? Impossível. O desejo de felicidade de alguém cuja vida se encerra? Ou, voltando a Shakespeare, que a vida é uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, que nada significa (*)? Porém, a significação, a intenção exata de uma obra instrumental é tão importante? Ou seria mais inteligente fazer como fez Shostakovich, levando-nos bem próximo ao irrespondível para lá nos abandonar?

(*) Macbeth, William Shakespeare.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 12 de 12 (Sinfs 9 e 15, Scans, Ashkenazy)

Symphony No. 9 In E Flat Major, Op. 70
12-1 Allegro
12-2 Moderato
12-3 Presto
12-4 Largo
12-5 Allegretto

Symphony No.15, Op.141
12-6 Allegretto
12-7 Adagio – Largo – Adagio – Largo
12-8 Allegretto
12-9 Adagio – Allegretto – Adagio – Allegretto

The Royal Philharmonic Orchestra
Vladimir Ashkenazy

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LINK PARA O LIBRETO DOS CDS DA COLEÇÃO

Duas raras fotos de Shostakovich feliz:
… ambas em jogos de futebol em que vibrava com seu Zenit.

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 11 de 12 (Sinf 14, Ashkenazy)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 11 de 12 (Sinf 14, Ashkenazy)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

A BELÍSSIMA, sublime e literária Sinfonia Nº 14 — espécie de ciclo de canções — foi dedicada a Britten, que a estreou em 1970 na Inglaterra. É a menos casual das dedicatórias. Seu formato e sonoridade é semelhante à Serenata para Tenor, Trompa e Cordas, Op. 31, e à Les Illuminations para tenor e orquestra de cordas, Op. 18, ambas do compositor inglês. Os dois eram amigos pessoais; conheceram-se em Londres em 1960, e Britten, depois disto, fez várias visitas à URSS. Se o formato musical vem de Britten, o espírito da música é inteiramente de Shostakovich, que se utiliza de poemas de Lorca, Brentano, Apollinaire, Küchelbecker e Rilke, sempre sobre o mesmo assunto: a morte. O ciclo, escrito para soprano, baixo, percussão e cordas, não deixa a margem à consolação, é música de tristeza sem esperança. Cada canção tem personalidade própria, indo do sombrio e elegíaco em V Turme Santé, O Delvig, Delvig! e Smert Poeta, ao macabro na sensacional Malagueña, ao amargo em  Na Cheku, ao grotesco em Otvet Zaporozhskikh Kazakov Konstantinopolskomu Sultanu e à evocação dramática de Loreleya. É uma música que trabalha para a poesia, chegando, por vezes, a casar-se com ela sílaba por sílaba para torná-la mais expressiva. Há uma versão da sinfonia no idioma original de cada poema, mas sempre a ouvi em russo. Então, já que não entendo esta língua, tenho que ouvi-la ao mesmo tempo em que leio uma tradução dos poemas. Posso dizer que a sinfonia torna-se apenas triste se estiver desacompanhada da compreensão dos poemas – pecado que cometi por anos! Ela perde sentido se não temos consciência de seu conteúdo autenticamente fúnebre. Além do mais, os poemas são notáveis. Me entusiasmam especialmente a Malagueña, feita sobre poema de Lorca, Samoubiytsa, Na Cheku e a estranha Conclusão (Zaklyucheniye) de Rilke, que é brevíssima, sardônica e — puxa vida — muito, mas muito final.

No próximo e último post da série, colocarei os scans do libreto que acompanha a coleção original.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 11 de 12 (Sinf 14, Ashkenazy)

Symphony No.14, Op.135 / Russian Text
11-1 De Profundis
11-2 Malagueña
11-3 Loreleya
11-4 Samoubiytsa
11-5 Na Cheku
11-6 Madam, Posmotrite!
11-7 V Turme Santé
11-8 Otvet Zaporozhskikh Kazakov Konstantinopolskomu Sultanu
11-9 O Delvig, Delvig!
11-10 Smert Poeta
11-11 Zaklyucheniye

NHK Symphony Orchestra
Vladimir Ashkenazy

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Shostakovich fumando à espera da partida de um trem

PQP

 

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 10 de 12 (Sinf 13 “Babi Yar”, Ashkenazy)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 10 de 12 (Sinf 13 “Babi Yar”, Ashkenazy)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Aqui, uma história fantástica sobre o nascedouro desta obra-prima.

Após o equívoco da Sinfonia Nº 12 – lembrem que até Beethoven escreveu uma medonha Vitória de Wellington, curiosamente estreada na mesma noite da sublime 7ª Sinfonia, mas este é outro assunto… -, Shostakovich inauguraria sua última fase como compositor com a Sinfonia Nº 13, Babi Yar. Iniciava-se aqui a produção de uma notável sequência de obras-primas que só terminaria com sua morte, em 1975. Esta sinfonia tem seus pés firmemente apoiados na história da União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial. É uma sinfonia cantada, quase uma cantata em seu formato, que conta com texto do grande poeta russo Evgeny Evtuchenko (conforme alguns, como a Ed. Brasiliense, porém pode-se encontrar a grafia Ievtuchenko, Yevtuchenko ou Yevtushenko, enfim!).

O que é, afinal, Babi Yar? Babi Yar é o nome de uma pequena localidade situada perto de Kiev, na atual Ucrânia, cuja tradução poderia ser Barranco das Vovós. Ali, em 1941, teve lugar o assassinato de 34 mil judeus pelos nazistas. Eles foram mortos com tiros na cabeça e a participação comprovada de colaboradores ucranianos no massacre permanece até hoje tema de doloroso debate público naquele país. Nos dois anos seguintes, o número de mortos em Babi Yar subiu para 200 mil, em sua maioria judeus. Perto do fim da guerra, os nazistas ordenaram que os corpos fossem desenterrados e queimados, mas não conseguiram destruir todos os indícios. Ievtuchenko criticou a maneira como o governo soviético tratara o local. Ensinava-se que as vítimas tinham sido ucranianas e russas, o que também eram, apesar de se saber que o fato determinante de suas mortes era o de serem judeus. O motivo? Ora, Babi Yar deveria parecer mais uma prova do heroísmo e sofrimento do povo soviético e não de uma fatia dele. E ainda havia a certeza do colaboracionismo russo no massacre. Com razão, o jovem poeta Ievtushenko considerou isso uma hipocrisia e escreveu o poema em homenagem aos judeus mortos. O poema — o qual tem extraordinários méritos literários — foi publicado na revista Literatournaia Gazetta e causou problemas a seu autor e depois, também a Shostakovich, ao qual foram pedidas alterações que nunca foram feitas na sinfonia.

O massacre de Babi Yar é tão lembrado que não serviu apenas a Ievtuchenko e a Shostakovich, tornando-se também tema de filmes e documentários recentes, assim como do romance Babi Yar de Anatoly Kuznetsov. Não é assunto morto, ainda.

O tratamento que Shostakovich dá ao poema é fortemente catalisador. Como se fosse uma cantata em cinco movimentos, os versos de Ievtuchenko são levados por um baixo solista, acompanhado de coral masculino (formado apenas por baixos) e orquestra. É música de impressionante gravidade e luto. A belíssima linha melódica ora assemelha-se a um serviço religioso, ora a um dos grandes modelos de Shostakovich, Mussorgski. Mesmo assim, fiel a seu estilo, Shostakovich encontra espaço para seu habitual sarcasmo.

Tranquila crueldade: soldados alemães examinam as roupas dos mortos em Babi Yar.

Babi Yar é como ficou conhecida a sinfonia para coro masculino, baixo e orquestra.  A partir do texto de dura indignação de Ievgueni Evtuchenko e apesar dos problemas que ele geraria na União Soviética pós-stalinista, Shostakovich construiu um painel de extraordinária força em torno de mazelas típicas de seu tempo: o medo e a opressão, o conformismo e o carreirismo, o massacre cotidiano num Estado policial e a possibilidade de superação através do humor e da intransigência.

Em linguagem quase descritiva, combinando a severidade da orquestra com a impostação épica das vozes, Babi Yar tem um poder de evocação cinematográfico: raramente se ouviu música tão plástica. O realismo e a imagens dos poemas são admiravelmente apoiados pelo estilo alternadamente sombrio e agressivo da música de Shostakovich. Não obstante o grande efetivo orquestral e a tensão dos clímax, as texturas são rarefeitas e o coro, declamando ou murmurando, canta quase sempre em uníssono ou em oitavas — mais um elemento dessa estrutura preparada para expressar a desolação e o nervosismo.

O primeiro movimento alterna estrofes que exploram o horror e a culpa de Babi Yar com relatos de dois outros episódios — o de Anne Frank e o de um menino massacrado em Bielostok. No segundo movimento, ritmado de forma tipicamente shostakovichiana, o tom enfático das vozes falam da resistência que o “Humor” jamais deixará de oferecer à tirania. “Na loja”, o Adagio que se segue, descreve quase fisicamente as filas das humilhadas donas-de-casa numa linha sinuosa à espera de um pouco de comida. Quando chegam ao balcão, o poema diz: “Elas nos honram e nos julgam”, enquanto percussão e castanholas simulam panelas e garrafas se entrechocando. É em clima que estupefação que o movimento se encerra: “Nada está fora de seu alcance”.

A linha sinuosa torna-se reta ao prosseguir sem interrupção para o episódio seguinte, um ameaçador ‘sostenuto’ das cordas graves sob solo da tuba: é o “Medo”, componente constante da vida soviética. Contrapondo-se às sombras que até aqui dominam a sinfonia, Shostakovich a conclui com uma satírica reflexão sobre o que é seguir uma “Carreira”. Em ritmo de valsa lenta, ficamos sabendo que a verdadeira carreira não é a dos que se submetem, mas a de Galileu, Shakespeare ou Pasteur, Newton ou Tolstói: “Seguirei minha carreira de tal forma que não a esteja seguindo”, conclui o baixo, com o eco do sino que abrira pesadamente a sinfonia, agora aliviado pela celesta.

Shostakovich (esquerda), com o poeta Evgeni Ievtuchenko (direita)e o regente Kiril Kondrashin na estréia da 13ª Sinfonia.

A história da primeira execução de Babi Yar foi terrível. Houve protestos e ameaças por parte das autoridades soviéticas. Se até 1962, Shostakovich dava preferência a estrear suas obras sinfônicas com Evgeny Mravinsky (1903-1988), Babi Yar causou um surdo rompimento na parceria entre ambos. O lendário regente da Sinfônica de Leningrado amedrontou-se (teve razões para tanto) e desistiu da obra pouco antes de começarem os ensaios. Porém, como na União Soviética e a Rússia os talentos brotam por todo lado, Mravinsky foi substituído por Kiril Kondrashin (1914-1981) que teve uma performance inacreditável e cujo registro em disco é das coisas mais espetaculares que se possa ouvir.

P.S.- Por uma dessas coisas inexplicáveis, encontrei o disco soviético com o registro da estreia num sebo de Porto Alegre em 1975. Comprei, claro.

Obs.: A descrição da música foi adaptada de um texto que Clovis Marques escreveu para um concerto no Municipal do Rio de Janeiro.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 10 de 12 (Sinf 13 “Babi Yar”, Ashkenazy)

Symphony No.13, Op.113″Babi Yar”
10-1 Adagio – “Babi Yar”
10-2 Allegretto – “Humour”
10-3 Adagio – “In The Store”
10-4 Largo – “Fears”
10-5 Allegretto – “A Career”

NHK Symphony Orchestra
Vladimir Ashkenazy

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Yevtushenko e Shostakovich no dia da estreia da Sinfonia Babi Yar

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 9 de 12 (Sinf 11 “O Ano de 1905”, Ashkenazy)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 9 de 12 (Sinf 11 “O Ano de 1905”, Ashkenazy)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

A Sinfonia Nº 11 de Shostakovich é música programática da melhor qualidade. No primeiro movimento é mostrada a caminhada dos trabalhadores até o Palácio de Inverno do czar. É uma música tranquila, mas com ameaçadoras percussões e toques de clarins. O segundo é o massacre propriamente dito. O terceiro é o luto. Este movimento é baseado numa canção que Lênin e companheiros cantaram em Zurique ao saber da mortandade. O quarto movimento é o aviso claro de quem seria o vencedor. Mas cabem explicações, não?

No domingo de 9 de janeiro de 1905, após a missa, na cidade de São Petersburgo, manifestantes marcharam pacificamente até o Palácio de Inverno para apresentar uma petição ao czar, mas foram recebidos com tiros e baleados pela Guarda Imperial. A marcha foi organizada pelo padre George Gapon, que colaborou com Sergei Zubatov, da Okhrana, a polícia secreta czarista, para destruir organizações de trabalhadores. Os grupos envolvidos nesse conflito foram a população em geral, partidos políticos e os movimentos revolucionários, que tiveram enorme crescimento após esse domingo sangrento. O fato é considerado o estopim da Revolução Russa de 1905.

Então, naquele domingo, trabalhadores em greve e suas famílias se reuniram em seis pontos da cidade. Eles eram organizados e liderados pelo padre ortodoxo russo George Gapon. Segurando ícones religiosos e cantando hinos e canções patrióticas (particularmente Deus Salve o Czar), uma multidão de mais de três mil pessoas prosseguiu sem interferência da polícia em direção ao Palácio de Inverno, residência oficial do czar. A multidão não sabia que o czar não estava no palácio. Os soldados do exército perto do palácio lançaram tiros de advertência e, em seguida, dispararam diretamente contra a multidão. Gapon foi alvo de tiros perto do Arco do Triunfo de Narva. Cerca de quarenta pessoas ao redor dele foram mortas, no entanto, ele não ficou ferido. Embora o czar não estivesse no Palácio de Inverno ou mesmo na cidade e não tivesse dado a ordem para as tropas abrirem fogo, recebeu toda a culpa pelas mortes, resultando em uma onda de oposição e amargura do povo russo contra o czar e seu regime autocrático.

O número de mortos é incerto, mas as autoridades da época assumiram 930 mortos e 333 feridos. Fontes anti-czaristas afirmaram que os tiros mataram mais de quatro mil pessoas. Estimativas moderadas estipulam uma média de cerca de mil mortos e feridos, tanto pelos tiros quanto pisoteados pela população durante o pânico. Há relatos que no dia até a neve ficou vermelha. O czar Nicolau II descreveu o dia como “doloroso e triste”. Após o incidente, a desordem civil e os saques explodiram por toda a cidade. A marcha de Gapon foi aniquilada e ele rapidamente deixou a Rússia. Ao voltar para a Rússia em abril, Gapon foi assassinado por ordem da Organização de Combate do Partido Social-Revolucionário após ter revelado ao seu amigo Pinhas Rutenberg que estava trabalhando para a Okhrana, a polícia secreta.

Este evento foi classificado pelo embaixador britânico na época como um paradoxal impulso para as atividades revolucionárias na Rússia e contribuiu para a Revolução de 1905. O escritor Leo Tolstoy também escreveu sobre os assassinatos.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 9 de 12 (Sinf 11 “O Ano de 1905”, Ashkenazy)

Symphony No. 11 In G Minor, Op. 103 “A Ano de 1905”

1 I Palace Square: Adagio 14:34
2 II 9 January: Allegro 17:44
3 III In Memoriam: Adagio 9:41
4 IV Tocsin: Allegro Non Troppo 13:24

St Petersburg Philharmonic Orchestra
Vladimir Ashkenazy

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Shosta comentando o jornal com sua filha

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 8 de 12 (Sinf de Câmara Op. 110a, Sinf 10, Ashkenazy)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 8 de 12 (Sinf de Câmara Op. 110a, Sinf 10, Ashkenazy)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Sobre a Sinfonia de Câmara: Na minha opinião, o melhor quarteto de cordas de Shostakovich. Não surpreende que tenha recebido versões orquestrais. Trata-se de uma obra bastante longa para os padrões shostakovichianos de quarteto; tem cinco movimentos, com a duração total ficando entre os 20 minutos (na versão para quarteto de cordas) e 26 (na versão orquestral). O quarteto abre com um comovente Largo de intenso lirismo, o qual é seguido por um agitado Allegro molto, de inspiração folclórica e que fica muito mais seco na versão para quarteto. O terceiro movimento (Allegretto) é uma surpreendente valsinha sinistra a qual é respondida por outra valsa, muito mais lenta e com um acompanhamento curiosamente desmaiado. O quarteto é finalizado por dois belos temas ; o primeiro sendo pontuado por agressivamente por um motivo curto de três notas e o segundo formado por mais uma fuga a quatro vozes utilizando temas dos movimentos anteriores.

Sobre a Sinfonia Nº 10: Este monumento da arte contemporânea mistura música absoluta, intensidade trágica, humor, ódio mortal, tranquilidade bucólica e paródia. Tem, ademais, uma história bastante particular. Em março de 1953, quando da morte de Stalin, Shostakovich estava proibido de estrear novas obras e a execução das já publicadas estava sob censura, necessitando autorizações especiais para serem apresentadas. Tais autorizações eram, normalmente, negadas. Foi o período em que Shostakovich dedicou-se à música de câmara e a maior prova disto é a distância de oito anos que separa a nona sinfonia desta décima. Esta sinfonia, provavelmente escrita durante o período de censura, além de seus méritos musicais indiscutíveis, é considerada uma vingança contra Stálin. Primeiramente, ela parece inteiramente desligada de quaisquer dogmas estabelecidos pelo realismo socialista da época. Para afastar-se ainda mais, seu segundo movimento – um estranho no ninho, em completo contraste com o restante da obra – contém exatamente as ousadias sinfônicas que deixaram Shostakovich mal com o regime stalinista. Não são poucos os comentaristas consideram ser este movimento uma descrição musical de Stálin: breve, é absolutamente violento e brutal, enfurecido mesmo, e sua oposição ao restante da obra faz-nos pensar em alguma segunda intenção do compositor. Para completar o estranhamento, o movimento seguinte é pastoral e tranquilo, contendo o maior enigma musical do mestre: a orquestra para, dando espaço para a trompa executar o famoso tema baseado nas notas DSCH (ré, mi bemol, dó e si, em notação alemã) que é assinatura musical de Dmitri SCHostakovich, em grafia alemã. Para identificá-la, ouça o tema executado a capela pela trompa. Ele é repetido quatro vezes. Ouvindo a sinfonia, chega-nos sempre a certeza de que Shostakovich está dizendo insistentemente: Stalin está morto, Shostakovich, não. O mais notável da décima é o tratamento magistral em torno de temas que se transfiguram constantemente. E PQP Bach adverte: não ouça o segundo movimento previamente irritado. Você e sua companhia poderão se machucar.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 8 de 12 (Sinf de Câmara Op. 110a, Sinf 10, Ashkenazy)

Chamber Symphony, Op.110a
8-1 Largo
8-2 Allegro Molto
8-3 Allegretto
8-4 Largo
8-5 Largo

Symphony No.10 In E Minor, Op.93
8-6 Moderato
8-7 Allegro
8-8 Allegretto
8-9 Andante – Allegro

Royal Philharmonic Orchestra
Vladimir Ashkenazy

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Shostakovich e Irina em um passeio aprazível da mais pura felicidade

PQP

 

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 7 de 12 (Sinf 8, Funeral & Triumphal Prelude, Novorossiisk Chimes, Ashkenazy)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 7 de 12 (Sinf 8, Funeral & Triumphal Prelude, Novorossiisk Chimes, Ashkenazy)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Música (de Anna Akhmátova)

Dedicado a Dmitri Shostakovich

Algo de miraculoso arde nela,
e fronteiras ela molda aos nossos olhos.
É a única que continua a me falar,
depois que todos os outros ficaram com medo de se aproximar.
Depois que o último amigo tiver desviado o olhar,
ela ainda estará comigo no meu túmulo,
como se fosse o canto do primeiro trovão,
ou como se todas as flores tivessem começado a falar.

A Sinfonia Nº 8, Op. 65, de Dmitri Shostakovich, foi escrita no verão de 1943 e apresentada pela primeira vez em 4 de novembro daquele ano pela Orquestra Sinfônica da URSS sob Yevgeny Mravinsky , a quem o trabalho é dedicado. Foi nomeada “Sinfonia de Stalingrado”, mas este nome não pegou. Inexplicavelmente, a sinfonia não aparece nos programas de concerto com muita frequência, pois é uma das melhores partituras de Shosta. Embora alguns tenham argumentado que o trabalho se enquadra na tradição de outras sinfonias de “tragédia-triunfo”, como a 5ª de Beethoven, a 1ª de Brahms , a 8ª Bruckner e a 2ª de Mahler, há consideráveis diferenças. O nível de otimismo presente no final é quase ausente, sendo substituído pelo sarcasmo ou bom humor. O amigo de Shostakovich, Isaak Glikman, chamou essa sinfonia de “sua obra mais trágica”… O trabalho, como muitas de suas sinfonias, quebra algumas das convenções padrão de forma e estrutura sinfônicas. Shostakovich faz referência clara a temas, ritmos e harmonias de suas sinfonias anteriores, principalmente a Sinfonia Nº 5 e a Sinfonia Nº 7. Gosto muito da beleza austera do quarto movimento, uma verdadeira obra-prima em 12 variações – uma passacaglia – e também dos dois primeiros, com destaque para o divertido diálogo entre o piccolo, o clarinete e o fagote do scherzo. E o terceiro movimento é sensacional, muito russo e “mexido”. O finale é o primeiro que Shostakovich faz de forma sussurrante. Uma joia!

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 7 de 12 (Sinf 8, Funeral & Triumphal Prelude, Novorossiisk Chimes, Ashkenazy)

7-1 Funeral & Triumphal Prelude, Op.130 (In Memory Of The Heroes Of The Battle Of Stalingrad)

Symphony No.8 In C Minor, Op.65
7-2 Adagio
7-3 Allegretto
7-4 Allegro Non Troppo
7-5 Largo
7-6 Allegretto

7-7 Novorossiisk Chimes

Royal Philharmonic Orchestra
Vladimir Ashkenazy

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Shostakovich foi um grande admirador do futebol de Paulo Roberto Falcão

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 6 de 12 (Sinf 7, Ashkenazy)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 6 de 12 (Sinf 7, Ashkenazy)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

De história riquíssima, a Sinfonia Nº 7 – dedicada à resistência da cidade de Leningrado cercada pelos nazistas – deve parte de sua celebridade a uma transmissão de rádio feita desde Leningrado para a cidade devastada e sitiada. Aliás, ouçam o pequeno discurso da primeira faixa deste CD. É a gravação original da locução de apresentação da estreia da 7ª no rádio, feita em 9 de agosto de 1942. A sinfonia auxiliou as autoridades soviéticas a elevar o moral em Leningrado durante o cerco nazista e no país. Várias outras performances foram programadas com intenções patrióticas na União Soviética e na Europa. É música de primeira linha, mas é muito mais eficiente como musica programática de conteúdo histórico. O primeiro movimento, que descreve a marcha nazista, é esplêndido. Também é importante salientar o equívoco do grande público que vê resistência e patriotismo numa obra sobre a devastação e a morte. Mas, como diria Lênin, o que fazer?

Mais? Mais! Imaginem uma cidade cercada por alemães há 18 meses, uma orquestra improvisada vestida com suéteres e jaquetas de couro, todos magérrimos pela fome, a rádio transmitindo o concerto, várias cidades soviéticas estreando a obra ao mesmo tempo, Arturo Toscanini — anti-fascista de cabo a rabo — pedindo a partitura nos Estados Unidos (ela foi levada de avião até Teerã, de carro ao Cairo, de avião à Londres, de onde um outro avião da RAF levou a música ao maestro), Shostakovich na capa da Time. Ou seja, a 7ª é importante. Nos EUA, em poucos meses, foi interpretada por Kussevítski, Stokovski, Rodzinski, Mitropoulos, Ormandy, Monteaux, etc. Um espanto.

Numa das maiores homenagens recebidas por uma obra musical, Anna Akhmátova escreveu o seguinte poema ao ser posta à salvo das bombas alemãs pelas autoridades soviéticas:

Todos vocês teriam gostado de me admirar quando,
no ventre do peixe voador,
escapei da perseguição do mal e,
sobre as florestas cheias de inimigos,
voei como se possuída pelo demônio,
como aquela outra que,
no meio da noite,
voou para Brocken.
E atrás de mim,
brilhando com seu segredo,
vinha a que chama a si mesma de Sétima,
correndo para um festim sem precedentes.
Assumindo a forma de um caderno cheio de notas,
ela estava voltando para o éter onde nascera.

Pois é. Mas falemos a sério: não é a maior sinfonia de Shosta, só que é a famosésima.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 6 de 12 (Sinf 7, Ashkenazy)

6-1 Shostakovich Broadcasts From Besieged Leningrad In 1941

Symphony No.7, Op.60 – “Leningrad”
6-2 Allegretto
6-3 Moderato (Poco Allegretto)
6-4 Adagio
6-5 Allegro Non Troppo

St Petersburg Philharmonic Orchestra
Vladimir Ashkenazy

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Shostakovich: bombeiro durante a guerra

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 5 de 12 (Sinf 5, 5 Fragmentos, Ashkenazy)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 5 de 12 (Sinf 5, 5 Fragmentos, Ashkenazy)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Esta é a obra mais popular de Dmitri Shostakovich. Recebeu incontáveis gravações e não é para menos. O público costuma torcer o nariz para obras mais modernas e aqui o compositor retorna no tempo para compor uma grande sinfonia ao estilo do século XIX. Sim, é em ré menor e possui quatro movimentos, tendo bem no meio, um scherzo composto por um Haydn mais parrudo. Mesmo para os aficcionados, é uma obra apetitosa, por transformar a linguagem do compositor em algo mais sonhador do que o habitual. Foi a primeira sinfonia de Shostakovich que ouvi. Meu pai, um romântico, apresentou-me a sinfonia dizendo que era muito melhor que as de Prokofiev, exceção feita à Nº 1, Clássica, que ele amava. Alguns consideram esta obra uma grande paródia; eu a vejo como uma homenagem ao glorioso passado sinfônico do século anterior. A abertura e a coda do último movimento (Allegro non troppo) costuma aparecer, com boa frequência, em programas de rádio que se querem sérios e influentes… Apesar de não ser típica, é absoluta e totalmente a sintaxe, o discurso e o sotaque do compositor. É a música ideal para o primeiro contato com Shostakovich.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 5 de 12 (Sinf 5, Ashkenazy)

Symphony No.5 In D Minor, Op.47
5-1 Moderato
5-2 Allegretto
5-3 Largo
5-4 Allegro Non Troppo

Five Fragments, Op.42
5-5 Moderato
5-6 Andante
5-7 Largo
5-8 Moderato
5-9 Allegretto

Royal Philharmonic Orchestra
Vladimir Ashkenazy

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Shostakovich e um porquinho, vocês estão vendo

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 4 de 12 (Sinf 4, Ashkenazy)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 4 de 12 (Sinf 4, Ashkenazy)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Escrita em 1936, esta é uma sinfonia decididamente mahleriana. Shostakovich estudara Mahler por vários anos e aqui estão ecos monumentais destes estudos. Sim, monumentais. Uma orquestra imensa, uma música com grandes contrastes e um tratamento de câmara em muitos episódios rarefeitos: Mahler. O maior mérito desta sinfonia é seu poderoso primeiro movimento, que é transformação constante de dois temas principais em que o compositor austríaco é trazido para as marchas de outubro, porém, minhas preferências vão para o também mahleriano scherzo central e para o esplêndido último movimento. Ali, Shostakovich realiza uma curiosa mistura entre o tema introdutório da quinta sinfonia de Beethoven e o desenvolve como se fosse a sinfonia “Ressurreição”, Nº 2, de Mahler. Uma alegria para quem gosta de apontar estes diálogos. E o quarto movimento, que começa como o Frère Jacques do 3º movimento da Sinfonia Nº 1 de Mahler? O final é um “sanduíche”. O bizarro tema ritmado central é envolvido por dois scherzi algo agressivos e ainda por uma música de réquiem. As explicações são muitas e aqui o referencial político parece ser mesmo o mais correto para quem, como Shostakovich, considerava que a URSS viera das mortes da revolução de outubro e estava se dirigindo para as mortes da próxima guerra.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 4 de 12 (Sinf 4, Ashkenazy)

4-1 Allegretto Poco Moderato
4-2 Presto
4-3 Moderato Con Moto
4-4 Largo
4-5 Allegro

Royal Philharmonic Orchestra
Vladimir Ashkenazy

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Como todo ser humano inteligente, Shostakovich amava o futebol. Era torcedor do Zenit, de Leningrado, atual São Petersburgo

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 3 de 12 (Sinfs 12 e 3, Ashkenazy)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 3 de 12 (Sinfs 12 e 3, Ashkenazy)

Na minha opinião, a Sinfonia Nº 12 é das piores peças orquestrais de Shostakovich. Consegue ser ao mesmo tempo heroica e musicalmente vazia. E o incrível é que está inserida entre outras duas sinfonias que são obras-primas e também muito políticas.

Dmitri Shostakovich compôs a Sinfonia Nº 12, Op. 112, com o subtítulo O ano de 1917, em 1961, dedicando-o à memória de Vladimir Lênin, como fez com a Sinfonia Nº 2. A 12ª foi estreada pela Orquestra Filarmônica de Leningrado sob a regência de Yevgeny Mravinsky. Esta foi a última sinfonia de Shostakovich que Mravinsky estreou. Os dois romperam quando Mravinsky, amedrontado com o maravilhoso texto de Ievtuchenko e por pressões, recusou-se a estrear a 13ª.

A Sinfonia Nº 3. Op. 20, também conhecida como Ao Primeiro de Maio foi tocada pela primeira vez pela Orquestra Filarmônica de São Petersburgo e pelo Coro Académico Capella, sob a regência de Aleksandr Gauk, em 21 de janeiro de 1930. Tal como a Sinfonia Nº 2, é uma sinfonia coral em quatro movimentos contínuos. Como a 2ª, a 3ª é pequena, durando de 25 a 30 minutos. O final apresenta um texto de Kirsanov relacionado ao Dia do Trabalhador e à Revolução. A interpretação é problemática: numa carta a Boleslav Yavorsky, Shostakovich disse que a obra “expressa o espírito da reconstrução pacífica”. Por outro lado, a maior parte do trabalho que precede o final é elaborado num tom sombrio e incluía originalmente uma parte para metralhadora.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 3 de 12 (Sinfs 12 e 3, Ashkenazy)

Symphony No.12 In D Minor, Op.112 “The Year 1917”
3-1 Revolutionary Petrograd (Moderato – Allegro – Più Mosso – Allegro)
3-2 Razliv (Allegro. L’istesso Tempo – Adagio)
3-3 Aurora (L’istesso Tempo – Allegro)
3-4 Dawn Of Humanity (L’istesso Tempo – Allegretto – Allegro – Moderato)

Symphony No.3, Op.20 – “1st Of May”
3-5 Allegretto – Allegro
3-6 Andante
3-7 Allegro – Largo
3-8 Moderato: V Pervoye Pervoye Maya

The Bach Choir
Royal Philharmonic Orchestra
Vladimir Ashkenazy

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Shostakovich jamais conseguiu acertar os ponteiros com os políticos

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 2 de 12 (Sinf 2, Outubro, A Canção da Floresta, Abertura Festiva, Ashkenazy)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 2 de 12 (Sinf 2, Outubro, A Canção da Floresta, Abertura Festiva, Ashkenazy)

Shostakovich jamais deu seu melhor para as músicas heroicas e de circunstância que o regine solicitava. Atualmente, a peça mais interpretada deste disco é a boa Abertura Festiva que dá início a este CD. As outras são interessantes, apesar de serem muito menores do que aquilo que o compositor escrevia com tesão, por assim dizer. A Sinfonia Nª 2 é apenas passável. Melhor é A Canção da Floresta, que tem bons momentos. Mas, como o foco aqui são as sinfonias, vamos lá.

A Sinfonia Nº. 2, Op. 14, é também conhecida como Para Outubro, e foi escrita para comemorar o décimo aniversário da Revolução de Outubro. Sua primeira performance ocorreu com a Orquestra Filarmônica de Leningrado e o Coral Capella da Academia, sob Nikolai Malko, no dia 5 de novembro de 1927. Shostakovich revisitou posteriormente os eventos da Revolução de Outubro na igualmente desinteressante Sinfonia Nº 12, chamada de O Ano de 1917.

Importante salientar que Shostakovich, em seus anos jovens, provavelmente era um sincero comunista que foi pouco a pouco se decepcionando, se irritando e usando de sarcasmo para com as exigências e a violência de Stálin e de quem veio depois. Porém, depois do sarcasmo e de certa forma peitar o regime, Shosta foi obrigado a dobrar-se e deprimiu-se muito. Sofreu demais, principalmente sob Stálin e após o episódio com Stravinski, que o perdoou. Sofreu demais, de certa forma cansou e é uma pessoa quase ininterpretável hoje. Apesar dos chutes dos biógrafos, ninguém sabe bem qual era o pensamento político de Shostakovich. Já o músico foi brilhante, muito produtivo, alegre, sarcástico e doloridíssimo, muitas vezes tudo ao mesmo tempo.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 2 de 12 (Ashkenazy)

2-1 Festive Overture, Op.96

2-2 October – Symphonic Poem, Op.131

2-3 Symphony No.2 In B Major, Op.14 – “To October”

Song Of The Forests – Oratorio, Op.81
2-4 When The War Was Over
2-5 The Call Rings Through The Land
2-6 Memory Of The Past
2-7 The Pioneers Plant The Forest
2-8 The Young Communists Forge Onwards
2-9 Walk Into The Future
2-10 Glory

Royal Philharmonic Orchestra
Vladimir Ashkenazy

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A animação de Shostakovich e Britten nesta foto é contagiante.

PQP

Guia de Gravações Comparadas PQP – Schubert: Symphony Nº 9 in C major D.944 ‘The Great’

Certa vez ouvi de um grande amigo, músico dos mais competentes e talentosos que conheço, que considerava a última sinfonia de Schubert a mais perfeita obra do gênero já escrita. Claro que, sendo um julgamento subjetivo, podemos sempre confrontá-lo, mas no frigir dos ovos, temos que concordar que estamos diante de um grandioso monumento de forma, verve rítmica, abundância melódica e imaginação temática. Majestosa, é justamente a forma arquitetônica expandida que desafia sua interpretação: uma leitura completa, com todos os ritornellos, ultrapassa a uma hora de execução. Muitos maestros costumam ponderar quais partes repetem e quais seguem em frente – muitas vezes necessitando entrar em acordo com os músicos da orquestra – , para tentar equilibrar sua imponente estrutura. Há resultados positivos em todos os casos, e a Sinfonia, dita ‘A Grande’, se mantém incólume no repertório básico de qualquer corpo orquestral.

O subtítulo não foi, entretanto, dado apenas por suas dimensões incomuns, mas sim para a diferenciar da 6a. Sinfonia, também em Dó maior, esta conhecida como ‘A Pequena’. Controvérsias sobre sua estréia suscitam inclusive dúvidas sobre a qual delas se referem documentos que datam do início de 1829, e só temos certeza de sua verdadeira primeira apresentação pública em 1839, regida por Mendelssohn, dez anos depois da morte de Schubert. Escrita entre 1825 e 26, até a década de 1930 era chamada de Sinfonia no.7, mas teve sua numeração revogada em função de imprecisões de catálogo, principalmente por conta do esboço para uma Sinfonia em Mi Maior (D729) ter sido completado por Felix Weingartner em 1934 e por Brian Newbould em 1980, e musicólogos tiveram que reivindicar o 7 na ordem da composição. Por isso, depois que Weingartner fez a primeira execução completa da Sinfonia em Mi Maior, esta passou a ser a 7a., e a ‘Grande’ foi promovida a 9a., apesar de não ter sido uma decisão unânime. Mais recentemente, no final da década de 90, essa ordem também foi re-revogada, colocando essa Sinfonia em Mi em outra base catalográfica, e na confusão dos críticos e musicólogos algumas gravações da ‘Grande’ aparecem como 8a. (e a ‘Inacabada’ como 7a… olha o imbróglio). No fim das contas, o público não entendeu nada e as gravadoras, por conta própria, resolveram acabar com a confusão, e a ‘Grande’ ficou como 9a. e ponto final.

Eis alguma leituras essenciais dessa obra:

1.Wilhelm Furtwängler, Berliner Philharmoniker, DG 1952

Essa versão já clássica remonta a uma escola de regência há muito esquecida, na qual o maestro é quase uma espécie de co-autor. A interpretação não tem pudores e não faz nenhuma questão de parecer a mais autêntica ou mais próxima das marcas da partitura. Ele muda os andamentos a seu bel-prazer e cria uma dinâmica própria, fazendo dela uma leitura bastante avançada. A questão é: para o regente se dar ao luxo de tais liberdades, precisa ter um senso estético extraordinário, o que, felizmente, é o caso. Apesar do som mono, é uma gravação incrivelmente bem feita, e merece ser apreciada sem restrições. Vem de brinde a 88 de Haydn, um mimo.

FLAC 248Mb
MP3 320Kbps 153Mb

2. Wolfgang Sawallisch, Staatskapelle Dresden, PHILIPS 1967

Conheci essa gravação através da Enciclopédia Salvat dos Grandes Temas da Música, lá pela década de 90, e confesso que não esperava muito. Ledo engano: fiquei impressionado com o equilíbrio de timbres e de forma na condução de Sawallisch. É uma das leituras mais convincentes e fluídas que já ouvi. Sawallisch corta as repetições nas medidas certas, e dá certa ênfase nas madeiras, que se destacam sobremaneira nos contornos melódicos,  como poucas gravações fazem, dando sobrevida a acordes fundamentais que não aparecem em outras leituras. É também digno de nota que os andamentos são marcados por uma coerência espontânea e segura, fazendo desta uma das minhas interpretações preferidas, e que, curiosamente, teve várias edições esparsas e nunca foi considerada pela indústria fonográfica uma gravação de destaque. Pena. Não foi lançada em CD avulso, apenas em coletâneas, e essa que ora apresento é justamente uma, meio obscura da série PHILIPS DUO. Mas reitero: uma das versões mais determinadas e convincentes que conheço. E ainda vem no pacote a 5a., 6a. e 8a. Sinfonias. Fica a dica.

FLAC 693Mb
MP3 320Kbps 320Mb

3.Herbert von Karajan, Berliner Philharmoniker, EMI 1977

Devo dizer que sempre tenho receios com Karajan, daquelas leituras assépticas e previsíveis, mas, surpreendentemente, Karajan, ao contrário das expectativas, trata essa obra com singularidade incomum. Não que seja isenta de críticas, mas tem uma grande virtude: é uma leitura altamente diferenciada, que privilegia mais a dramaticidade romântica que o bucolismo clássico. Karajan faz dela uma sinfonia quase wagneriana, enfatizando os trombones como nenhuma outra gravação. Ao final da sua escuta, fico pensando: nossa, Schubert gostava de trombones, eu nunca tinha reparado! Com certeza é a interpretação que melhor destaca o espírito épico da sinfonia. Bom ou ruim, não sei, mas que empolga, empolga. Ademais, tenho a teoria que o melhor Karajan foi para a EMI, e que a DG era só a esposa de fachada.

FLAC 347Mb
MP3 320Kbps 166Mb

4. Carlo Maria Giulini, Chicago Symphony Orchestra, DG 1977

Essa versão de Giulini me estranhou à primeira vista, por conta do contorno legato com que ele conduz o tema principal do Allegro no primeiro movimento. E outro aspecto que me chamou a atenção é a passagem do Andante para o Allegro inicial. Uma pulsação muito diferente, surpreendente, diria, quase invertendo o tempo. Nunca tinha ouvido dessa forma, pareceu até outro tema! Foi uma nova experiência e uma escuta que, confesso, precisei me acostumar, mas acabou por tornar-se prazeirosa, muito propícia para renovar os ares desta obra tão querida. Giulini é um maestro de sensibilidade fora do comum, e consegue sustentar essas licenças sem ter que pedir desculpas nem parecer excêntrico. Em termos de balanceamento de timbres, é a versão mais equilibrada que conheço, fica patente o espírito romântico, à espreita na forma clássica. Também surpreende o fato de que essa gravação foi lançada em LP e não tem correspondente original em CD, que só foi relançada muito tempo depois, em coleções modernas. Os selos não sabem os tesouros que escondem.

FLAC 251Mb
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5. Georg Solti, Wiener Philharmoniker, DECCA 1981

Solti é um maestro que admiro profundamente, versátil e contundente, mas é notório que quando falamos de românticos, pós-românticos e modernos ele está totalmente à vontade em seu elemento, mas nos clássicos… bem, não sei se ele consegue o mesmo grau de profundidade. A interpretação é boa, Solti enfatiza a verve rítmica, mas parece que estamos ouvindo Richard Strauss. Percebam o uso de metais, que, diferentemente da abordagem romântica de Karajan, não enfatiza um ou outro, mas seu conjunto. Torna certos momentos dignos de sinfonistas pós-românticos. O problema é equilibrar intenções tão distintas. Só Solti mesmo. No frigir dos ovos diria que ficou bom, mas por vezes me pergunto se funciona para todos os gostos. Também vale a escuta.

FLAC 232Mb
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6. Neville Marriner, Academy of St.Martin-in-the Fields, PHILIPS 1984

Essa é a gravação mais ‘correta’, no sentido de procurar um denominador comum genérico, de apresentar um clássico ‘puro’. Não que seja uma interpretação histórica, mas é notório que Marriner prima pela obediência férrea à partitura, e, juntamente com a versão de Abbado, são as únicas que fazem TODOS os ritornellos sem exceção. Os tempos e a dinâmica são clássicos, um purismo que Marriner manteve na gravação do ciclo completo (que inclui a 7a. e a 10a. pela versão de Newbould), da qual esta gravação avulsa faz parte. Apesar dos instrumentos utilizados não serem propriamente ‘de época’, a execução é a que atinge a atmosfera mais clássica e autêntica, se é que podemos falar nesses termos. No final, fica um pouco a sensação de fast-food, mas isso é um problema meu com Marriner. Essa é a recomendada para puristas de estilo.

FLAC 285Mb
MP3 320Kbps 145Mb

7. Claudio Abbado, The Chamber Orchestra of Europe, DG 1987

Essa versão de Abbado é sem dúvida uma das mais aclamadas pela crítica, e merecida, uma vez que foi a primeira gravação que usou o manuscrito original, autógrafo de Schubert, como referência, e não a versão revista pelos editores posteriormente (que são todas as outras gravações aqui colocadas). Apesar disso, a leitura de Abbado não me parece – verifiquem por favor – tão purista quanto a de Marriner, apesar de também primar por todos os ritornellos. Acaba ficando mais livre e espontânea, uma obediência flexível, antes romântica que clássica, à partitura. Abbado tem muita afinidade com Schubert, e sua leitura puxa um pouco para a inerente tendência ao romantismo, e fica uma linha tênue, enrustida, sutil, mas patente. Essa sutileza torna essa uma das leituras mais interessantes que conheço. É curiosa a impressão que estamos ouvindo um Schubert visto por Mendelssohn, e por vezes ambos se misturam. E acrescenta-se ainda o divertido exercício de notar as diferenças da partitura original com a versão do editor. Dica: reparem no Segundo Movimento, o Andante con moto.

A escolha do Chucruten para essa sinfonia recai, portanto, entre essa e a de Sawallisch.

Boa audição a todos.

FLAC 295Mb
MP3 320Kbps 158Mb

CHUCRUTEN

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 1 de 12 (Sinfs 1 e 6, Ashkenazy)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 1 de 12 (Sinfs 1 e 6, Ashkenazy)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Sinfonia Nº 1, Op. 10 (1924-1925)

Shostakovich começou a escrever esta sinfonia quando tinha dezessete anos. Antes disso, tinha composto alguns scherzi que só interessaram à musicólogos. Sua estreia foi mesmo com esta Nº 1, terminada antes do autor completar vinte anos. Ela tornou aquele estudante de música, mais conhecido por ser pianista-improvisador de três cinemas mudos de Petrogrado, internacionalmente célebre. Tal fama pode ser atribuída por Shostakovich ser o primeiro rebento musical do comunismo, mas ouvindo a sinfonia hoje, não nos decepcionamos de modo algum. É música de um futuro mestre.

Ela começa com um toque de trompete ao qual, se acrescentarmos um crescendo, tornar-se-á um tema de Petrouchka, de Igor Stravinsky. Alguns regentes russos fazem esta introdução exatamente igual à Petroushka. É algo curioso que o jovem Dmitri tenha feito esta homenagem, quando dizia que seus modelos — e isto foi comprovadíssimo logo adiante — eram Mahler, Bach, Beethoven e Mussorgski. Mas há mesmo algo de “boneca triste” no primeiro movimento desta sinfonia. O segundo movimento possui um curioso tema árabe, que é a primeira grande paródia encontrada em sua obra. Um achado.

O movimento lento, muito triste, é daqueles que os anticomunistas mais truculentos considerariam uma comprovação do sofrimento do compositor sob o comunismo e de uma postura fatalista do tipo isto-não-vai-dar-nada-certo, porém acreditamos que a morte de seu pai, ocorrida alguns meses antes e a internação de Dmitri num sanatório da Crimeia (ele contraíra tuberculose) tenha mais a ver. Há um belíssimo solo funéreo de oboé nele.

Sinfonia Nº 6, Op. 54 (1939)

Uma perfeição esta sinfonia cujo dramático, concentrado e lírico primeiro movimento (um enorme Largo) é seguido por dois allegros, sendo o último pra lá de burlesco e circense (Presto). A estrutura estranha e inexplicável tem o efeito, ao menos em mim, de uma compulsão por ouvi-la e reouvi-la. Acho que volto sempre a ela com a finalidade de conferir se o primeiro movimento é mesmo tão perfeito e profundo e para buscar uma explicação para a galinhagem final — isto aqui não é uma tese acadêmica, daí a palavra “galinhagem” ser permitida… Nossa sorte é que existe aquele segundo Allegro central para tornar a passagem menos chocante. Esta belíssima obra talvez faça a alegria de qualquer maníaco-depressivo. É uma trilha sonora perfeita para quem sai das trevas para um humor primaveril em trinta minutos — ou menos. Começa estática e intelectual para terminar num circo. Simplesmente amo esta música! É um pacote completo de desespero, sorrisos e gargalhadas.

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Integral das Sinfonias e mais — CD 1 de 12 (Ashkenazy)

Symphony No.1, Op.10
1-1 Allegretto – Allegro Non Troppo
1-2 Allegro
1-3 Lento
1-4 Lento – Allegro Molto

Symphony No.6 In B Minor, Op.54
1-5 Largo
1-6 Allegro
1-7 Presto

Royal Philharmonic Orchestra
Vladimir Ashkenazy

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Shostakovich jogando xadrez na sede de lazer do PQP Bach Corp. em Petrogrado

PQP

Camille Saint-Saëns (1835-1921): Música para Violoncelo e Piano

Camille Saint-Saëns (1835-1921): Música para Violoncelo e Piano

Mesmo sem ser um grande admirador dos românticos e menos ainda dos franceses, eu gosto muito dos trabalhos de Camille Saint-Saëns. Estranho… Sempre o ouço meio de nariz torcido e ele sempre me dobra. O mesmo ocorreu aqui. Suas duas sonatas para violoncelo são ótimas. Não as conhecia e fiquei muito feliz ao fazê-lo. É música nobre e muito bem escrita. A interpretação da dupla Poltéra / Stott acrescenta muito charme a elas.

Quando jovem, Saint-Saëns era cheio de entusiasmo em relação às músicas mais modernas da sua época. Sentia isso particularmente com Robert Schumann, Franz Liszt e Richard Wagner, porém suas composições geralmente ficavam mais dentro das convenções clássicas tradicionais. Foi um acadêmico e permaneceu comprometido com as estruturas estabelecidas por compositores franceses anteriores. Como viveu muito — o que é ótimo — isto fez com que entrasse em conflito no final de sua vida com compositores das escolas impressionista e dodecafonista, apesar de existirem elementos neoclássicos em sua música. Ele foi frequentemente considerado um reacionário nas últimas décadas antes de sua morte.

Camille Saint-Saëns (1835-1921): Música para Violoncelo e Piano

Sonata No 1 in C min, Op 32
01. I. Allegro
02. II. Andante tranquillo sostenuto
03. III. Allegro moderato

Sonata No 2 in F maj, Op 123
04. I. Maestoso, largamente
05. II. Scherzo con variazioni
06. III. Romanza
07. IV. Allegro ma non troppo, grazioso

Priere Op 158 in G major – arranged for cello and piano by the composer
08 I. Andante

The Swan – ‘Le Cygne’ from Le Carnaval des animaux
09. I. Andante grazioso

Romance Op 36 in F major – for horn or cello and piano
1o. I. Moderato

Christian Poltéra, cello
Kathryn Stott, piano

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Saint-Saënsão dando um rolê pela sua tela.

PQP

C. P. E. Bach / J. C. Bach / J. C. F. Bach / W. F. Bach: Bachiana – Double Concertos (Goebel / MAK)

C. P. E. Bach / J. C. Bach / J. C. F. Bach / W. F. Bach: Bachiana – Double Concertos (Goebel / MAK)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este outro Bachiana de Goebel e grupo é uma excelente coleção de concertos dos filhos de Bach, meus irmãos. O trabalho mais substancial, neste disco bem preenchido de música, é o Concerto de C.P.E. Bach para Cravo e Pianoforte de 1788, ano de sua morte. Os dois instrumentos são tratados como iguais, e a orquestra também desempenha um papel significativo. O primeiro movimento oferece uma combinação única de drama — especialmente nas violentas interjeições da orquestra — e de inteligência picante, características marcantes e que se mostram novamente no presto. Esses movimentos cercam um larghetto grave, de beleza austera. É um trabalho profundamente pessoal. Mas o Concerto para Viola e Pianoforte de Johann Christoph Friedrich Bach não fica atrás. As outras duas peças também têm bastante apelo. OK, A Sinfonia Concertante de J.C. Bach é fraquinha, mas o Concerto para Flauta de Wilhelm Friedemann Bach é ótimo. Ele abre com um primeiro movimento de texturas complexas e passa para um largo gentil e depois para um delicioso final vivace.

Sinfonia Concertante For Violin, Violoncello, 2 Oboes, Strings And Basso Continuo In A Major WC 34 (T284/4)
Cadenza – Stephan Schardt
Composed By – Johann Christian Bach
Violin – Stephan Schardt
Violoncello – Joachim Fiedler
(13:10)
1 1. Andante di molto 8:00
2 2. Rondeau: Allegro assai 5:10

Concerto For Flute, Strings And Basso Continuo In D Major BR WFB C 15
Composed By – Wilhelm Friedemann Bach
Flute – Verena Fischer
(20:36)
3 1. Un poco Allegro 6:59
4 2. Largo 8:52
5 3. Vivace 4:45

Concerto For Fortepiano And Viola, 2 Horns, 2 Oboes, Strings And Basso Continuo In E Flat Major BR JCFB C 44
Composed By – Johann Christoph Friedrich Bach
Fortepiano – Robert Hill (9)
Viola – Reinhard Goebel
(25:50)
6 1. Allegro con brio 12:39
7 2. Larghetto cantabile 5:24
8 3. Allegretto 7:47

Concerto For Harpsichord And Fortepiano, 2 Flutes, 2 Horns, Strings And Basso Continuo In E Flat Major H 479 (Wq. 47 )
Composed By – Carl Philipp Emanuel Bach
Fortepiano – Robert Hill (9)
Harpsichord – Léon Berben
(17:24)
9 1. Allegro molto 6:43
10 2. Larghetto 6:28
11 3. Presto 4:09

Musica Antiqua Köln
Reinhard Goebel, conductor, viola
Stephan Schardt, violin
Joachim Fiedler, violoncello
Verena Fischer, transverse flute
Robert Hill, fortepiano
Léon Berben, harpsichord

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O MAK em seus últimos anos.

PQP

.: interlúdio :. Pat Metheny: 80/81

.: interlúdio :. Pat Metheny: 80/81

Traduzido mal e porcamente por PQP Bach. Achei aqui, ó.

Em 26 de maio de 1980, cinco músicos de jazz reuniram-se no Talent Studio em Oslo, Noruega. Eles estavam atrasados ​​após os respectivos voos, estavam de olhos vermelhos e tinham um dia inteiro de gravação pela frente. A sessão foi idealizada pelo mais jovem, um guitarrista de 26 anos que sonhava em trazer alguns de seus músicos preferidos para tocarem juntos pela primeira vez. O que se seguiu foi uma das sessões de gravação mais produtivas e inspiradoras do jazz moderno. Após pouco mais de um dia de gravação, a sessão rendeu um álbum duplo em LP que completou 40 anos de admiração e sucesso no último mês de maio. Vamos um pouco da história desta reunião de gênios promovida por Pat Metheny para a gravadora ECM.

Metheny não era novo no local de gravação e nem no selo da ECM com seu gerente Manfred Eicher. Em 1974, quando fazia parte da banda de Gary Burton, ele conheceu Eicher ao gravar o álbum Ring. No ano seguinte, gravou o álbum Dreams So Real com Gary Burton e seu primeiro álbum solo, Bright Size Life. Sua primeira vez no Talent Studio com o engenheiro Jan Erik Kongshaug foi em 1976 para a gravação de Passengers, do quinteto de Gary Burton, para a qual ele também escreveu parte do material. Os dois primeiros discos do Pat Metheny Group e o fantástico solo New Chautauqua vieram logo depois, também gravados pela lendária dupla de produtores / engenheiros Eicher / Kongshaug. O bom gosto que eles aplicaram no estúdio agora faz parte do lendário som ECM e funcionou perfeitamente para o estilo que Metheny estava criando no final dos anos 70. Então, após uma louca turnê, incluindo Shadows and Light, de Joni Mitchell, ele estava pronto para o próximo projeto.

Em uma entrevista de 1978 para a revista Downbeat, Pat Metheny expressou suas reservas sobre as restrições impostas a ele por Manfred Eicher: “Se Manfred conseguir o que quer, todo álbum que fizer terá seis baladas e uma bossa nova. Existem alguns problemas pra mim na ECM, mas ainda assim é 50 vezes melhor do que qualquer outra coisa.” Seu último álbum dos anos 70, American Garage, era de fato uma raridade no catálogo da ECM por ser produzido pelo próprio Metheny com a ajuda de Richard Niles. Metheny tinha o maior respeito por Eicher, mas este dissera certa vez que Metheny era “muito comercial…”, frase normalmente ausente no vocabulário de um produtor musical. Em cordial resposta, Pat disse: “Para mim, a única falha real é que Manfred tende a escolher artistas que não sabem dançar”. No entanto, no início de 1980, Metheny era uma estrela na cena do jazz e sua nova posição no mundo permitia-lhe escolher quem convidar para uma sessão de gravação. De fato, naquela sessão de maio de 1980, todos os quatro músicos balançavam como pouquíssimos.

Manfred Eicher e Jan Erik Kongshaug

Metheny não pediu apenas que quatro notáveis músicos viessem para as sessões de 80/81. Ele tinha uma visão clara de como eles soariam juntos e escreveu novas músicas com o som e a personalidade deles em mente. Curiosamente, também reunira músicos que nunca tinham tocado ou gravado antes. Por incrível que pareça, o baixista Charlie Haden e o baterista Jack DeJohnette, que entre tocaram com quase todo mundo no jazz que vale a pena ouvir nos quinze anos que antecederam a sessão 80/81, não tinham gravado nada juntos até aquele momento. Os dois saxofonistas tenor, Dewey Redman e Mike Brecker, também estrearam juntos. Metheny decidiu excluir do álbum sua colaboração com Ornette Coleman na música Song X, que foi lançada depois.

Metheny lembra: “Pela primeira vez trabalhei com sopros e tive de considerar o elemento da respiração. Um dia, notei que todos os instrumentos com os quais eu havia trabalhado nas gravações de Gary e meus eram instrumentos do grupo rítmico: piano, baixo, guitarra, vibrafone, bateria, percussão e sintetizador. Nunca tive a oportunidade de escrever para este elemento Humano, o sopro, e realmente me arrependi de não tê-lo feito antes.”

Os dois saxofones tenor são apresentados juntos em três temas do álbum. Dois deles são enérgicos e permitem que Redman e Brecker se esbaldem. Open, um veículo de improvisação para todos os solistas, e  Pretty Scattered, com um tema que se assemelha a algumas das melodias distorcidas de Ornette Coleman. A terceira é a mais tranquila The Bat, que teve uma apresentação diferente e memorável no álbum seguinte de Metheny, Offiramp. 

O quão bem Redman e Brecker se conectaram é melhor contado por Metheny. Em um podcast que dedicou ao making of 80/81, ele contou uma história que aconteceu durante a curta turnê europeia que o grupo tocou no verão de 1981: “Algo que aconteceu com Mike e Dewey nessa turnê que é uma das as coisas mais incríveis que já experimentei. Eles eram tipos diferentes de instrumentistas, eles não se sobrepunham de forma alguma. No início, tivemos um show em um festival de jazz em Portugal e David Oakes, na época um técnico de som relativamente novo, disse: “OK, deixe-me ouvir um pouco dos sax tenores. Mike, toque”. Mike subiu no palco e tocou. Então, “Dewey, toque alguma coisa”. E Dewey subiu no microfone e tocou qualquer coisa. Então ele completou seu teste: “Agora vocês dois tocam algo ao mesmo tempo”. Jack DeJonette e eu estávamos sentados atrás deles, e vimos ambos caminharem até o microfone e tocarem uma  longa frase improvisada, total e completamente em uníssono, como um só saxofone. E eles, Jack, eu e David Oakes paramos e nos encaramos por cerca de dez segundos. Como? O que aconteceu? Se você tivesse escrito uma cadência e dissesse “toquem isso”, eles a praticariam por alguns dias até tocarem daquela forma.

A trupe on tour

A música 80/81 foi escrita para Dewey Redman, que Metheny conheceu durante uma turnê com a banda de Gary Burton no início dos anos 70. Redman também tocava no quarteto americano de Keith Jarrett. Esse quarteto, incluindo Charlie Haden no baixo e Paul Motian na bateria, foi uma das melhores combinações de jazz dos anos 70 e deixou uma profunda impressão em Metheny, que lembrou os métodos peculiares de Redman: “Keith escrevia temas para Dewey que eram muito difíceis e ele descobria uma forma de tocá-las que não seriam o que você esperaria. Quando dei a música a Dewey, ele a levou ao banheiro por cerca de duas horas e praticou arpejos. Então, saiu e disse: OK, vamos gravar. E não tocou nada parecido em seu brilhante solo.”

Depois de tocar todas as composições que Pat Metheny preparou para a sessão, a banda percebeu que  tinha material para mais de um álbum. Manfred Eicher sugeriu que continuassem gravando para preencher um registro duplo. Pat Metheny ficou sem material, mas Charlie Haden trouxe alguns arranjos de Ornette Coleman. Um deles foi Turnaround, lançado pela primeira vez no segundo álbum de Ornette, Tomorrow Is the Question!, de 1959. Metheny, mesmo bem versado na música de Coleman, não conhecia essa música e a aprendeu no estúdio. Já Haden e DeJohnette estavam se divertindo muito, e Charlie Haden pode ser ouvido no final da gravação, todo empolgado com a interpretação de Jack DeJohnette.

Jack DeJohnette em 1981

Um dos destaques do 80/81 é uma música que Metheny escreveu para Mike Brecker, Every Day (I Thank You). Ela foi escrita em um quarto de hotel em Bremen, Alemanha, tarde da noite, depois de um show. No rico catálogo de melodias bem elaboradas de Metheny, essa é uma das mais memoráveis ​​e especiais, devido ao toque emocionante de Brecker. Como composição, é certamente a mais interessante e complexa do álbum, e se encaixou perfeitamente no repertório do Pat Metheny Group: “Eu tive muito trabalho para criar uma música com diferentes seções e tempos, mas tudo isso não é nada comparado à profundidade emocional com que Mike tocou a melodia.” Para Mike Brecker, que estava no processo de abandonar as drogas na época, toda a sessão foi um evento que mudou sua vida, e essa música em particular o afetou profundamente. Metheny: “Quando eu estava escrevendo a música, imaginava como Mike tocaria isso, e a música está fortemente associada a ele. Ele estava passando por um momento difícil, no meio de um processo complicado. Estava sofrendo muito. Nas notas para a série ECM Selected Recordings dedicada à sua música, Metheny escreveu: “Mike Brecker sempre falou sobre como esse disco foi um ponto de virada para ele e o que ele fez ali afetou tudo o que fez depois. “

O 80/81 foi lançado como código de catálogo ECM 1180/81, pois a ECM possui um número único para cada LP, incluindo LPs duplos e conjuntos de caixas. A banda gravou e lançou o álbum em 1980 e o apresentou ao vivo durante sua turnê em 1981. Número de shows à parte, o álbum foi bem-sucedido para a ECM e Metheny, alcançando de cara o número quatro nas paradas de jazz da Billboard. Uma rápida olhada no resto da parada daquela semana mostra o sombrio estado do jazz norte-americano da época, com álbuns pouco inspiradores. 80/81 ganhou o prêmio de registro de jazz do ano.

Minha música favorita no álbum é a abertura Two Folk Songs. Ainda me lembro da primeira vez que ouvi o álbum e a pura emoção que senti imediatamente após a agulha cair no lado um do primeiro LP. Este deve ser uma das melhores primeiras músicas de álbuns de todos os tempos. O violento e bonito toque de violão marca você e, antes que você tenha tempo de se recuperar da surpresa, o resto da banda se une com uma energia implacável que continua por mais de 20 minutos da música. Metheny introduziu esse estilo de dedilhar no New Chautauqua do ano anterior, mas Two Folk Songs ainda não tinham sido usadas no contexto de um quarteto de jazz. Metheny: “Até onde eu sei, foi a primeira vez que houve esse tipo de dedilhar de guitarra integrado estilisticamente com a abordagem ultramoderna de Jack DeJohnette tocar bateria. Além disso, a conexão que Charlie e eu tínhamos com Missouri fez com que o Two Folk Songs tivesse um pulso mais autêntico.”

Mike Brecker, Pat Metheny, Dewey Redman e Charlie Haden

Todos os músicos estavam em sua melhor forma em Two Folk Songs. Brecker toca como se eu nunca o tivesse ouvido em nenhum outro lugar. Metheny percebeu isso no estúdio durante a gravação: “O jeito que Brecker tocava nessa faixa era meio assustador na época. Era, cara, o que é isso? Era algo que tem todo o vocabulário pós Coltrane. Em uma ocasião separada, Metheny disse: “A posição mais traiçoeira no jazz era a de ser o cara que precisa fazer um solo logo após Mike Brecker”.

Cerca de 13 minutos e meio da música, enquanto a banda encerra a primeira música folclórica, Charlie Haden inicia a segunda tocando uma versão lenta e com alma do Old Joe Clark, uma antiga música folclórica americana geralmente tocada com banjo ou rabeca. E em alta velocidade. Ele tocara essa música vinte anos antes no álbum Change Of The Century do quarteto de Ornette Coleman. A vivência de Metheny e Haden no meio-oeste norte-americano podem ter começado aqui e culminado no álbum Beyond The Missouri Sky: “Charlie realmente experimentou essa coisa do meio-oeste. Quando ele era criança, estava em turnê com a banda da família, tocando em programas de rádio e tocando com a mãe Maybelle Carter. Ele tem isso de uma maneira muito mais profunda do que eu, mesmo que eu sempre tenha me sentido muito próximo do tipo de música que sai de lá ”.

Pat Metheny: 80/81

Disc 1
1. Two Folk Songs 20:46
2. 80/81 7:27
3. The Bat 5:58
4. Turnaround 7:05

Disc 2
1. Open 14:26
2. Pretty Scattered 6:56
3. Every Day (I Thank You) 13:16
4. Goin’ Ahead 3:51

Pat Metheny – guitar
Charlie Haden – bass
Jack DeJohnette – drums
Michael Brecker – tenor saxophone
Dewey Redman – tenor saxophone

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Vamos fazer de conta que temos a mesma altura que o nanico do Metheny?

PQP Bach

Johann Michael Bach (1648-1694) / Georg Christoph Bach (1642-1697) / Johann Christoph Bach (1642-1703) / Heinrich Bach (1615-1692): Cantatas compostas por membros da família Bach (Goebel-MAK)

Johann Michael Bach (1648-1694) / Georg Christoph Bach (1642-1697) / Johann Christoph Bach (1642-1703) / Heinrich Bach (1615-1692): Cantatas compostas por membros da família Bach (Goebel-MAK)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Motivo do upgrade: o CD que tinha postado em 16/03/2008 tinha problemas, conforme vocês podem saber lendo a história abaixo. Agora, recebi o CD original comprado e o reposto. Agora, tudo está perfeito. Deixo a história abaixo só como memória.

Vou ter de primeiro contar a incrível história deste CD aqui em casa. Vi este CD para baixar em um site e o fiz em 17 de agosto de 2007. Na semana passada, chegou a vez de ouvi-lo. (Vejam como estou atrasado, ouço tudo na ordem em que baixo…) Gravei em CD porque preciso desesperadamente de espaço em disco e o pus para ouvir. Fiquei maravilhado… Não, estou sendo por demais discreto; fiquei foi pasmo, entusiasmadíssimo, gritava e cantava pela sala.

Só que, ao chegar na última faixa do CD 1, havia uma falha. Lá pelo nono minuto apareciam uns barulhos como shhhhhh, puft, caploft e pifffff. Segui ouvindo porque logo a coisa parava. No segundo CD, faixa 5, nova falha curta: uns tic, tic, tic. Tudo bem. Peguei o CD e joguei no lixo seco. Procurei o arquivo para baixar novamente e o achei em outro site, desta vez no Branle de Champagne. Liguei o notebook no aparelho de som e, merdas das merdas, ouvi as mesmas falhas. Simples: resolvi comprar o CD. Fui na bosta da Amazon… em todas as lojas de CDs e… nada! O CD só existia em catálogos antigos. Fiquei sabendo que fora gravado em 1986 e que havia ganho vários prêmios de melhor disco de 1987, incluindo o Grand Prix du Disque, categoria geral.

O CD desapareceu. Quem tem não vende, pois ele não aparece nos usados de nenhum acervo e novo nem pensar. Resultado: voltei ao lixo seco e peguei-o como relíquia. Mesmo com pequenas falhas na faixas citadas. Então, posto-lhes esta maravilha vinda diretamente de minha lixeira.

Lixeira de PQP_BachSim, a lixeira bonitinha ao lado é a do lixo seco aqui de casa. Parece a do Manda Chuva. Tirei a foto com meu celular pra lá de ruim. Bem, o CD entra na categoria de Recital recém criada por este blog. É absolutamente obrigatório, espetacular, formidável e sensacional – mostrando que genética funciona e que de onde mais se espera é dali mesmo que sairá alguma coisa… E não contrário. Há muita coisa boa e nunca dantes ouvida por vossos ouvidos, tenho certeza. Ah, se alguém conseguir o CD sem falhas, que se apresente.

(Mas, enfim, comprei a coisa e tudo isso teve um final feliz).

Johann Michael Bach (1648-1694) / Georg Christoph Bach (1642-1697) / Johann Christoph Bach (1642-1703) / Heinrich Bach (1615-1692): Cantatas compostas por membros da família Bach (Goebel-MAK)

CD1

1 Ach bleib bei uns, Herr Jesu Christ – Bach, Johann Michael
2 Auf, laßt uns den Herren loben – Bach, Johann Michael <—- Linda!
3 Es ist ein großer Gewinn – Bach, Johann Michael
4 Liebster Jesu, hör mein Flehen – Bach, Johann Michael
5 Ach, wie sehnlich wart’ ich der Zeit – Bach, Johann Michael
6 Siehe, wie fein und lieblich – Bach, Georg Christoph
7 Meine Freundin, du bist schön – Bach, Johann Christoph

CD 2

1 Es erhu sich ein Streit – Bach, Johann Christoph
2 Ach, daß ich Wassers g’nug hätte – Bach, Johann Christoph <—- Linda!
3 Herr, wende dich und sei mir gnädig – Bach, Johann Christoph
4 Wie bist du denn, o Gott, im Zorn auf mich entbrannt – Bach, Johann Christoph
5 Die Furcht des Herrn – Bach, Johann Christoph
6 Ich danke dir, Gott – Bach, Heinrich

Reinhardt Goebel,
Musica Antiqua Köln, MAK

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Esta era a Família Bach da qual PQP foi escorraçado.
Esta era a Família Bach da qual PQP foi escorraçado.

PQP

.: interlúdio :. Carla Bley: Life goes on

.: interlúdio :. Carla Bley: Life goes on

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um impressionante álbum de músicas novas da pianista / compositora / band leader Carla Bley (84), cujo trio com Andy Sheppard (63) e Steve Swallow (80) está agora em seu 25º ano. Mas a associação é ainda mais antiga: o baixista Swallow — marido de Bley há décadas — gravou pela primeira vez uma música dela em 1961. Então, quando Bley diz Life Goes On, fala de muita vida. Após dois outros álbuns do trio para a ECM, Trios (2013) e Andando el Tiempo (2016), esta gravação, realizada no Auditorio Stelio Molo Studio em Lugano, em maio de 2019, com a produção de Manfred Eicher, assume a forma de três suítes de danças calmas e de musicalidade perfeitas. A peça-título é como um blues estoico, primeiro melancólico e depois esperançoso. Beautiful Telefones, inspirado pela primeira observação de um presidente dos EUA ao entrar no Salão Oval, tem muito do humor e da inteligência sombria de Bley. E Copycat explora como os improvisadores seguem (e imitam) os pensamentos um do outro. O piano de Carla, com suas notas de Monk e Satie, é belamente enquadrado pelo eloquente e elegante baixo de Swallow e pelos sax de Sheppard. Esse trio tem um som coletivo único, refletindo um raro domínio musical. Eu amo Carla Bley e ponto.

.: interlúdio :. Carla Bley (Life goes on)

1. Life Goes On: Life Goes On (6:00)
2. Life Goes On: On (4:47)
3. Life Goes On: And On (4:10)
4. Life Goes On: And Then One Day (9:03)
5. Beautiful Telephones (Pt. 1) (4:36)
6. Beautiful Telephones (Pt. 2) (6:14)
7. Beautiful Telephones (Pt. 3) (6:16)
8. Copycat: After You (5:29)
9. Copycat: Follow The Leader (0:17)
10. Copycat: Copycat (9:52)

Carla Bley: piano
Andy Sheppard: saxofones tenor e soprano
Steve Swallow: baixo

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Bley – Swallow – Sheppard: competência e sensibilidade absurdas.

PQP

H. Bach, J. Christoph Bach, J. L. Bach, J. S. Bach, Cyriacus Wilche: Bachiana ~ Música na Família Bach (Goebel-MAK)

H. Bach, J. Christoph Bach, J. L. Bach, J. S. Bach, Cyriacus Wilche: Bachiana ~ Música na Família Bach (Goebel-MAK)

Não chega a ser um disco que se aprofunde muito na música da imensa família Bach, mas é bom de ouvir. A gente conclui o óbvio: vai tudo mais ou menos agradável até que aparece Johann Sebastian, quando a coisa fica espetacular. O homem era mesmo demais e a comparação de meu pai com seus parentes… Fica mais equilibrado quando a comparação inclui os filhos. Bem, eu sou o bastardo, como sabem. O Musica Antiqua Köln leva tudo com muita classe e elegância. É sempre uma alegria reouvir o pessoal de Goebel. Um bom disco, sem dúvida. A faixa 12, por exemplo, é sensacional! Mas o ponto alto é, obviamente, o JSB no final. Os dois maravilhosos movimentos instrumentais do Oratório da Páscoa foram transformados em concerto, sendo o coral de abertura reorquestrado apenas para instrumentos. Não há absolutamente nenhuma evidência de que este seja um movimento “perdido”, mas o resultado é bastante eficaz e as trompetes e a percussão dão uma esplêndida contribuição.

H. Bach, J. C. F. Bach, J. L. Bach, J. M. Bach, J. S. Bach, Cyriacus Wilche: Bachiana ~ Música na Família Bach (Goebel-MAK)

 Johann Ludwig Bach (1677-1731)

01 J.L. Bach: Suite in G – Ouverture 6:13
02 J.L. Bach: Suite in G – Air I 1:58
03 J.L. Bach: Suite in G – Menuet 2:18
04 J.L. Bach: Suite in G – Gavotte 1:24
05 J.L. Bach: Suite in G – Air II 2:27
06 J.L. Bach: Suite in G – Bourrée 1:05

Heinrich Bach (1615-1692)

07 H. Bach: Sonata “a cinque” in C 5:25

08 H. Bach: Sonata “a cinque” in F 4:18

Johann Ludwig Bach (1677-1731)

09 J.L. Bach: Concerto in D – 1. Allegro 3:52
10 J.L. Bach: Concerto in D – 2. Adagio 2:02
11 J.L. Bach: Concerto in D – 3. Allegro 1:28

Johann Christoph Bach (1642-1703)

12 J. Christoph Bach: Aria Eberliniana pro dormente Camillo 16:26

Cyriacus Wilche (? – 1667)

13 Cyriacus: Wilche Battaglia – anno 1659 composta 7:16

Signr. (Singer/Signore) Pagh  (before 1672)

14 Sonata & Fantaisie in G minor 7:40

Johann Sebastian Bach  (1685-1750)

15 J.S. Bach: Kommt, eilet und laufet (Easter Oratorio), BWV 249 – “Concerto” in D after BWV 249 – 1. Sinfonia 3:55
16 J.S. Bach: Kommt, eilet und laufet (Easter Oratorio), BWV 249 – “Concerto” in D after BWV 249 – 2. Adagio 3:00
17 J.S. Bach: Kommt, eilet und laufet (Easter Oratorio), BWV 249 – “Concerto” in D after BWV 249 – 3. Allegro 4:46

Musica Antiqua Köln directed by Reinhard Goebel
Solo Harpsichord – Léon Berben

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Johann Sebastian Bach e família durante a prática musical matinal
Johann Sebastian Bach e família durante a prática musical matinal

PQP

C.P.E. Bach / J.C.F. Bach / W.F. Bach / J.S. Bach: Cantatas of the Bach Family (Goebel / Berliner Barock Solisten)

C.P.E. Bach / J.C.F. Bach / W.F. Bach / J.S. Bach: Cantatas of the Bach Family (Goebel / Berliner Barock Solisten)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Reinhard Goebel é o máximo. Ex-aluno de Franzjosef Maier, foi o fundador — em 1973 — e principal violinista do esplêndido Musica Antiqua Köln, conjunto de música barroca historicamente informada que foi dissolvido pelo próprio fundador em 2007. Ele é outro adicto em Bach. Seu eu sou obcecado por Johann Sebastian e seus filhos Wilhelm Friedemann e Carl Philipp Emanuel Bach, ele é por toda a família. E não para de gravar discos dedicados à obra de todos os Bach. Este aqui é o quarto CD capitaneado por Goebel que conheço e que tem esta ideia. Fica claro que nenhum familiar chega próximo das alturas de J. S., que W.F. e C.P.E, foram geniais, mas não eram Deus como o pai e que o resto da família nem seria conhecida se não fosse Johann Sebastian. Mas Goebel ama todo mundo e não para. Ainda bem. Goebel, por favor, não pare de tentar nos convencer do contrário, OK?

C.P.E. Bach / J.C.F. Bach / W.F. Bach / J.S. Bach: Cantatas of the Bach Family (Goebel / Berliner Barock Solisten)

Carl Philipp Emanuel Bach
01. – Ich bin vergnügt mit meinem Stande, Wq. deest: No. 1, Ich bin vergnügt mit meinem Stande
02. – Ich bin vergnügt mit meinem Stande, Wq. deest: No. 2, Im Schweiße meines Angesichts
03. – Ich bin vergnügt mit meinem Stande, Wq. deest: No. 3, Lieber Gott, es ist das Deine

Carl Philipp Emanuel Bach
04. – Symphony in F Major, Wq. deest: I. Allegro
05. – Symphony in F Major, Wq. deest: II. Adagio
06. – Symphony in F Major, Wq. deest: III. Allegro assai

Johann Christoph Friedrich Bach
07. – Pygmalion, Wf XVIII:5: No. 1, Abgöttin meiner Seele!
08. – Pygmalion, Wf XVIII:5: No. 2, Ihr Götter welche Phantaseyn!
09. – Pygmalion, Wf XVIII:5: No. 3, Nicht taub, nicht fühllos, nein
10. – Pygmalion, Wf XVIII:5: No. 4, Ach, dass mein irdisch Ohr nicht fähig ist
11. – Pygmalion, Wf XVIII:5: No. 5, Ach, es muss ein Teil der Gottheit
12. – Pygmalion, Wf XVIII:5: No. 6, O Venus! Saturnia! Bracht ich nur dir
13. – Pygmalion, Wf XVIII:5: No. 7, O Himmel! Der Boden wankt
14. – Pygmalion, Wf XVIII:5: No. 8, Nun senkt sie Haupt und Hand herab
15. – Pygmalion, Wf XVIII:5: No. 9, Bald sollen diese Lippen mich
16. – Pygmalion, Wf XVIII:5: No. 10, Ja, diese leichte Mühe, dies selige Geschäft
17. – Pygmalion, Wf XVIII:5: No. 11, Allgütige! Wofern dich hier noch

Wilhelm Friedemann Bach
18. – Symphony in B-Flat Major, F 71: I. Allegro
19. – Symphony in B-Flat Major, F 71: II. Andante
20. – Symphony in B-Flat Major, F 71: III. Presto

Johann Sebastian Bach
21. – Ich habe genug, BWV 82 (1747 Version): No. 1, Ich habe genug
22. – Ich habe genug, BWV 82 (1747 Version): No. 2, Ich habe genug
23. – Ich habe genug, BWV 82 (1747 Version): No. 3, Schlummert ein, ihr matten Augen
24. – Ich habe genug, BWV 82 (1747 Version): No. 4, Mein Gott! Wann kömmt das schöne
25. – Ich habe genug, BWV 82 (1747 Version): No. 5, Ich freue mich auf meinen Tod

Benjamin Appl – Baritone
Berliner Barock Solisten
Reinhard Goebel – Conductor

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O tempo passa pra todo mundo, né, seu Goebel?

PQP

Johann Nepomuk Hummel (1778-1837): Concertos para Bandolim e Trompete / Das Zauberglöckchen / Freudenfest Overture

Johann Nepomuk Hummel (1778-1837): Concertos para Bandolim e Trompete / Das Zauberglöckchen / Freudenfest Overture

Um bom disco com uma capa horrível, né, Dona Chandos? Hummel teria sido um cara famosíssimo, se sua música não tivesse sido tão parecida com a de Mozart e Haydn e, bem, se não houvesse Mozart e Haydn. Ah, e se ele não fosse tão contemporâneo de Beethoven. Seus concertos para bamdolim e trompete são excelentes — certamente estão entre suas melhores obras — e Howard Shelley é um tremendo especialista em Hummel. Shelley gravou quase tudo do austríaco com raro brilho e competência. Pode-se dizer que é o Mensageiro de Hummel no mundo. O compositor nasceu em Preßburg (hoje Bratislava, Eslováquia), filho de um importante músico. Foi criança prodígio, tendo sido discípulo de Mozart, Muzio Clementi, Haydn e Salieri. Foi também amigo de Beethoven e de Schubert, além de mestre de capela em Weimar a partir de 1819. Brilhante concertista, contribuiu para o desenvolvimento da técnica pianística. Compôs obras para piano, óperas, bailados, peças orquestrais etc.

Sua obra mais tocada é Concerto para Trompete que está esplendidamente interpretado por Urban Agnas neste CD.

Johann Nepomuk Hummel (1778-1837): Concertos para Bandolim e Trompete / Das Zauberglöckchen / Freudenfest Overture

1. Freudenfest Overture, S148 6:23

Mandolin Concerto in G major, S28* 17:34
2. I Allegro moderato 7:54
3. II Andante con variazioni: 4:34
4. III Rondo: Allegro 5:04

Trumpet Concerto in E major, S49/W1† 19:03
5. I Allegro con spirito 9:17
6. II Andante (versione prima) – 5:41
7. III Rondò – Minore – Maggiore 4:04

Ballet Music for ‘Das Zauberglöckchen’, S206/W31 16:30
8. 1 Ensemble: Allegro energico 2:10
9. 2 Pas de deux: Un poco lento – Allegretto grazioso 4:14
10. 3 Pas seul, et pas de trois à la fin: Grave – Tempo di polacca – Poco più mosso 3:29
11. 4 Groteschi: Allegro non troppo – 4:02
12. 5 Ballo generale: Allegro molto vivace 2:32

Alison Stephens, bandolin
Urban Agnas, trompete
London Mozart Players
Howard Shelley

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Hummel engomado

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G. P. Telemann (1681-1767): Ouverture Comique

G. P. Telemann (1681-1767): Ouverture Comique

Bom disco, mas nada tão comique assim, na minha opinião. O próprio Telemann fez coisas muito mais comiques — o que dizer da Suíte Alster, por exemplo? — assim como seus antecessores Lully e Biber. Telemann foi aquele compositor talentosíssimo que escreveu demais, muitas vezes de forma descuidada. Uma boa seleção sua pode ser arrasadora, mas não chega a tocar a qualidade de um Bach, claro. Foi o compositor mais famoso da Alemanha, compôs em todas as formas e estilos existentes em sua época. Em qualquer estilo, sua música tem um caráter inconfundível, sendo clara e fluindo com leveza. Apesar de de ser apenas quatro anos mais velho do que seus contemporâneos Bach e Haendel, utilizou um estilo muito mais avançado e pode ser considerado um precursor do estilo clássico.

G. P. Telemann (1681-1767): Ouverture Comique

Concerto in E minor for recorder, flute and strings* 13:07
in e-Moll – mi mineur
1. I Largo 3:37
2. II Allegro 4:02
3. III Largo 3:01
4. IV Presto 2:26

Violin Concerto in B flat major† 11:00
in B-Dur – si bémol majeur
5. I Largo 3:27
6. II Vivace 3:27
7. III [Andante] 2:33
8. IV Allegro 1:32

Ouverture in F sharp minor 17:28
in fis-Moll – fa dièse mineur
9. I Ouverture 5:24
10. II Les Plaisirs 2:25
11. III Angloise (Vivement) 1:28
12. IV La Badinerie italienne (Viste) 1:20
13. V Loure 1:42
14. VI Menuet I – Menuet II (Doucement) 2:28
15. VII Courante 1:51
16. VIII Le Batelage 0:44

Concerto in A major for two oboes d’amore‡ 9:49
in A-Dur – la majeur
17. I Andante 2:02
18. II Vivace 1:41
19. III Siciliana 3:48
20. IV Allegro 2:16

Ouverture in D major 15:49
in D-Dur – ré majeur
21. I[Ouverture.] Lentement – Vite – Lentement 5:17
22. II Le Podagre. Loure 2:42
23. III Remède expérimenté: La Poste et la danse. Menuet en rondeau 0:51
24. IV L’Hypocondre. Sarabande – Gigue – Sarabande – Bourrée – Sarabande – Hornpipe – Sarabande – La Suave 2:45
25.V Remède: Souffrance héroïque. Marche 1:10
26. VI Le Petit-maître. Rondeau 2:00
27. VII Remède: Petite-maison. Furies 1:01

Solo: Peter Holtslag treble recorder*
Solo: Rachel Brown flute*
Solo: Anthony Robson oboe d’amore‡
Solo: James Eastaway oboe d’amore‡
Orchestra: Collegium Musicum 90
Conductor: Simon Standage violin†/director

TT: 67:28

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A assinatura de Telemann, um talento perdido pela medicina

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