.: interlúdio :. Silvia Telles: Amor em Hi-fi

.: interlúdio :. Silvia Telles: Amor em Hi-fi

Há discos que funcionam como cápsulas do tempo, capturando não apenas um som, mas o próprio ar que se respirava em um dado momento. Amor em Hi-Fi, de Sylvinha Telles, é um desses raros artefatos: lançado em 1960, no exato instante em que a bossa nova deixava de ser uma promessa de estúdio para se tornar um fenômeno, o álbum registra o gesto elegante e um pouco incerto de uma cantora que já era moderna antes mesmo de a modernidade ganhar nome. Sylvia Telles (1934–1966) pertence a essa linhagem de artistas que a história meio que desprezou. Não apenas por sua morte precoce, aos 32 anos, em um acidente automobilístico, mas porque sua obra ficou por décadas fora de catálogo, aguardando que o interesse pelo período pré-bossa a resgatasse do esquecimento. Cantora de voz frágil, sim — como quase todos os intérpretes da bossa —, mas dotada de um frescor e uma naturalidade que poucas de sua geração alcançaram, Sylvia foi figura central na cena que fermentava nos apartamentos de Copacabana no final dos anos 1950. Namorou João Gilberto, gravou Jobim antes de Jobim ser Tom Jobim, e trouxe para o disco uma leveza que parecia desafiar o peso das orquestras e a empostação da era do rádio.

Amor em Hi-Fi é, em muitos sentidos, o retrato dessa transição. O título já diz muito: “amor em alta fidelidade” — a promessa tecnológica do som estéreo, a nitidez da gravação, a captação próxima da voz que os microfones modernos permitiam. É um disco consciente do meio em que se insere, e essa consciência técnica se traduz em uma produção elegante, com arranjos de cordas, flautas, vibrafone e coros suaves que ora aproximam o som do jazz de câmara, ora o puxam de volta para as convenções orquestrais do passado. Como disse, é um trabalho incerto, de transição. O repertório é dividido entre aquele que seria o cânone bossa-novista e um punhado de standards norte-americanos. No primeiro grupo, ela entrega leituras adoráveis de “Samba Tôrto”, “Corcovado” e “Samba de Uma Nota Só” — canções que ainda estavam quentes do forno de Tom Jobim e João Gilberto. A versão de “Dindi”, em particular, é uma das mais melancólicas — e lindas!!! — já gravadas, condizente com a fama de que Sylvia teria dado a definição da canção. No segundo grupo — uma das faixas mais comentadas do disco — ela enfrenta um medley com “All The Way”, “The Boy Next Door” e “They Can’t Take That Away From Me”, canções de Sammy Cahn e Gershwin que ela canta com clareza de dicção e boa intenção, mas com uma evidente falta daquela ginga que a língua inglesa, cantada por uma brasileira, ainda não havia aprendido. É como se sua voz, tão à vontade na melancolia tropical, subitamente ganhasse um peso escolar: correta, afinada, mas sem o balanço.

Essa dualidade — o encanto e a hesitação — é, talvez, a maior marca do disco. A crítica da época já notava que Sylvia, embora fosse musa e heroína do movimento bossa-novista, por vezes caía nas armadilhas dos produtores de estúdio, mais afeitos às fórmulas dançantes do que à inovação rítmica que João Gilberto estava impondo. Em “Oba-lá-lá”, por exemplo, ela quase parodia a alegria saltitante que João imprimiu à canção. O resultado é um álbum que oscila entre momentos de cristalina perfeição (“Samba Tôrto”, “Dindi”) e outros em que o arranjo parece datado, preso a uma certa “lustrosa” sonoridade de fim de década. Ainda assim, vale repetir: a voz de Sylvia Telles está entre as mais belas que o Brasil já produziu. Não pela potência, mas pela intimidade. Ela canta como quem confidencia, e essa qualidade — raríssima — sustenta o disco mesmo em seus momentos menos inspirados. Ouvir Amor em Hi-Fi hoje é, portanto, um exercício de escuta generosa. Não se busca nele a revolução rítmica e harmônica de Chega de Saudade (lançado um ano antes, em 1959), mas o eco de um instante em que tudo ainda estava em aberto: o jazz e o samba, o estúdio e a sala de estar, a cantora de rádio e a musa da bossa. É o retrato de alguém que viveu na fronteira entre dois mundos — e que, por pouco, não se tornou a maior ponte entre eles.

Ouvir, fechar os olhos, imaginar o Rio do fim dos anos 1950. E agradecer a Sylvia por ter deixado esse registro, mesmo que imperfeito, mesmo que datado. Como ela mesma canta no encerramento do disco, em “Não Gosto Mais de Mim”: há uma tristeza que não se explica, mas que, cantada assim, de leve, quase nos reconcilia com a vida.

Silvia Telles: Amor em Hi-fi

A1 Samba Tôrto
Written-By – Aloysio De Oliveira, Antonio Carlos Jobim

A2.1 All The Way
Written-By – S. Cahn – J.V. Heusen*

A2.2 The Boy Next Door
Written-By – H. Martin*, R. Blane*

A2.3 They Can’t Take That Away From Me
Written-By – G. Gershwin-I. Gershwin*

A3 Corcovado
Written-By – Antonio Carlos Jobim

A4 Têtê
Written-By – Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli*

A5 Se É Tarde Me Perdoa
Written-By – Carlos Lyra, Ronaldo Bôscoli*

B1 Chora Tua Tristeza
Written-By – Luvercy Fiorini, Oscar Castro Neves*

B2 Dindi
Written-By – Aloysio De Oliveira, Antonio Carlos Jobim

B3 Oba-Lá-Lá
Written-By – Aloysio De Oliveira, João Gilberto

B4 Samba De Uma Nota Só
Written-By – Antonio Carlos Jobim, Newton Mendonça

B5 Por Causa De Você (Gardez Moi Pour Toujours)
Lyrics By [Versão De] – Serge Rodhe
Written-By – Antonio Carlos Jobim, Dolores Duram*

B6 Não Gosto Mais De Mim
Written-By – Sérgio Ricardo

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

PQP

 

Josquin Desprez (1440-1521): Missa Hercules dux Ferrariae (A Sei Voci)

Josquin Desprez (1440-1521): Missa Hercules dux Ferrariae (A Sei Voci)

Confesso ter me apaixonado por este disco mais devido ao trabalho impecável do time de músicos que participam da gravação do que pelas obras interpretadas. Desprez é um precursor da música francesa e, como tal, acerta de forma espetacular assim como erra bisonhamente, mas sempre mantendo um ar blasé. Talvez eu esteja sendo injusto com Desprez, porém aqui há falta de unidade. Há movimentos belíssimos ao lado de coisas para cumprir carnê. A missa é um carnê, não? Bom, vou parar por aqui. Tenho receio de que Clara Schumann fique muito indignada comigo. Ah, CD de som espetacular. Aumente o volume! E, ah!, o nome dele, em francês, é bem deprê.

Josquin Desprez (1440-1521) – Missa Hercules dux Ferrariae (A Sei Voci)

A Sei Voci – Maitrise Notre-Dame de Paris – Les Saqueboutiers de Toulouse –
Ensemble Labyrinthes

Year: 1996
Style: Sacred music
Country: France

TrackList:

01 – Josquin Desprez – Deus, In Nomine tuo salvum me fac
02 – Johannes Martini – Perfunde coeli rore

Josquin Desprez: Missa Hercules Dux Ferrariae:
03 – Josquin Desprez – Introit
04 – Josquin Desprez – Kyrie, Christe, Kyrie
05 – Josquin Desprez – Gloria
06 – Josquin Desprez – Credo
07 – Josquin Desprez – Sanctus, Benedictus
08 – Josquin Desprez – Agnus Dei

09 – Josquin Desprez – Inviolata, integra, et casta es, Maria
10 – Josquin Desprez – Miserere mei, Deus
11 – Eneas Dupre – Chi a martello dio gl’il toglia

A Sei Voci:
Raoul Le Chenadec – countertenor
Thierry Brehu – tenor
Eric Gruchet – tenor
James Gowings – baritone
Didier Bolay – bass

Maitrise Notre-Dame de Paris:
William Anger, Ambroise Audoin-Rouseau, Raphael Audoin-Rouseau,
Benjamin Limonet, Raphael Mas, Francois-Xavier Casadavant – treble
Aino Lund, Marie-Pierre Wattiez, Valerie Rio, Cyprile Meier,
Mathilde Ambrois – soprano
Andres Rojas Urrego, Cecile Pilorger, Helene Bordes – alto
Pascal Lefebvre, Christophe Poncet, Marc Manodritta, Nicolas Maire – tenor
Eric Lavoipierre, Robert Labrosse, Emmanuel Bouquey, Emmanuel Vistorky,
Serge Schoonbroodt – bass

Les Saqueboutiers de Toulouse:
Jean-Pierre Canihac – cornett
Daniel Lassalle, Stefan Legee – sackbut
Thierry Durant – bass sackbut
Gisele David – percussions

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Retrato do compositor Josquin Desprez, por Charles G. Housez

PQP

Johann Gottlieb Graun (1703–1771): Concertos (Wiener Akademie, Martin Haselböck)

Johann Gottlieb Graun (1703–1771): Concertos (Wiener Akademie, Martin Haselböck)

Esse é um daqueles CDs a respeito do qual eu não esperava nada e que me surpreendeu positivamente, muito positivamente. Graun é uma espécie de Carl Phillip Emanuel sem zumbido na cabeça (o que torna CPE genial, bem entendido). Então, de forma um pouco mais convencional, Graun nos entusiasma com sua grande inventividade. Agora, vai entender porque está tão fora do repertório… Atenção, orquestras de câmara, confiram!

Johann Gottlieb Graun (1703–1771): Concertos (Wiener Akademie, Martin Haselböck)

1. Sinfonia Grosso in D major: I. Allegro maestoso 3:31
2. Sinfonia Grosso in D major: II. Arietta: Grazioso 2:59
3. Sinfonia Grosso in D major: III. Allegro scherzando 3:37

4. Violin Concerto in D minor: I. Allegro 5:37
5. Violin Concerto in D minor: II. Adagio 5:30
6. Violin Concerto in D minor: III. Allegro assai 6:00

7. Violin Concerto in A major: I. Allegretto 6:28
8. Violin Concerto in A major: II. Largo 6:17
9. Violin Concerto in A major: III. Allegro assai 5:50

10. Viola da Gamba Concerto in A major: I. Allegretto 9:13
11. Viola da Gamba Concerto in A major: II. Adagio 8:02
12. Viola da Gamba Concerto in A major: III. Allegro 5:32

Wiener Akademie
Martin Haselböck

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Mazááááá... Graun tem perfil no Facebook! Tão pensando o quê?
Mazááá… Graun tem perfil no Facebook! Tão pensando o quê?

PQP

.: interlúdio :. John Surman Quartet: Stranger Than Fiction

.: interlúdio :. John Surman Quartet: Stranger Than Fiction

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Alguém aí já deve ter notado que eu adoro John Surman. E é grande o número de downloads a cada postagem. O homem é mesmo espantoso. Este trabalho é muito mais jazzístico do que os últimos que postei. Não obstante, Surman segue interessado na música folclórica e religiosa da Inglaterra, mas desta vez dá-lhe outra feição. A banda é toda inglesa. O disco começa calma e livremente, com Canticle with response, de clara influência religiosa, e A distant spring. Fecha da mesma forma, com a totalmente improvisada Triptych, quase 15 minutos de interação altamente inteligente e empática entre os quatro músicos. No meio do disco há música vigorosa, incluindo Tess — Surman é um grande leitor, fã de Thomas Hardy — e Across the Bridge. Surman é sempre lírico e apaixonado. Muito estimulante. Dá-lhe.

John Surman Quartet: Stranger Than Fiction

1. Canticle With Response 6:09
2. A Distant Spring 7:42
3. Tess 6:39
4. Promising Horizons * 5:30
5. Across The Bridge 7:52
6. Moonshine Dancer 6:42
7. Running Sands 9:07
8. Triptych * 14:43

composed by Surman except * by Surman/Taylor/Laurence/Marshall

recorded December 1993, Rainbow Studio, Oslo

John Surman, baritone and soprano saxophones, alto and bass clarinets;
John Taylor, piano;
Chris Laurence, bass;
John Marshall, drums

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Surman esteve recentemente em Porto Alegre. E poderia ter dito sobre o início do show: “Entro sozinho e hipnotizo todo mundo” | Foto: Eduardo Quadro
Surman esteve recentemente em Porto Alegre. E ele poderia ter dito: “Entro sozinho e hipnotizo todo mundo” | Foto: Eduardo Quadros

PQP

Franz Joseph Haydn (1732-1809): Cello Concertos / Sinfonia concertante (Suzuki, La Petite Bande, Kuijken)

Franz Joseph Haydn (1732-1809): Cello Concertos / Sinfonia concertante (Suzuki, La Petite Bande, Kuijken)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Difícil encontrar melhores gravações destes concertos. Hidemi Suzuki e Sigiswald Kuijken fazem misérias nos belíssimos concertos de Haydn e na Concertante. Não é nada surpreendente o fato deste CD ter aparecido em todas as listas de melhores do ano quando de seu lançamento. Equilíbrio, musicalidade, senso de estilo, tudo parece ter sido minuciosamente pensado e executado.

Franz Josef Haydn (1732-1809):
Cello Concertos / Sinfonia concertante

1. Cello Concerto No. 1 in C major, H. 7b/1: 1. Moderato
2. Cello Concerto No. 1 in C major, H. 7b/1: 2. Adagio
3. Cello Concerto No. 1 in C major, H. 7b/1: 3. Allegro molto

5. Cello Concerto No. 2 in D major, H. 7b/2 (Op. 101): 1. Allegro moderato
6. Cello Concerto No. 2 in D major, H. 7b/2 (Op. 101): 2. Adagio
7. Cello Concerto No. 2 in D major, H. 7b/2 (Op. 101): 3. Rondo. Allegro

8. Sinfonia Concertante for violin, cello, oboe, bassoon & orchestra, H. 1/105: 1. Allegro
9. Sinfonia Concertante for violin, cello, oboe, bassoon & orchestra, H. 1/105: 2. Andante
10. Sinfonia Concertante for violin, cello, oboe, bassoon & orchestra, H. 1/105: 3. Allegro con spirito

Hidemi Suzuki, violoncelo
La Petite Bande
Sigiswald Kuijken

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Grande Suzuki !!!

PQP

Joseph Haydn (1732-1809): Complete Violin Concertos (Kussmaul, Hill)

Joseph Haydn (1732-1809): Complete Violin Concertos (Kussmaul, Hill)

Gents, este CD vale a pena pela raridade do repertório. Os concertos para violino de Haydn são fortemente mais ou menos. Não os achei muito apaixonantes. Como fiz anteontem e ontem com Vivaldi, primeiro um disco médio, depois um arrasa-quarteirão. Então, preparem-se porque programei um SENSACIONAL disco de Haydn para amanhã às 9h.  Um puro mamilo: grande, desfrutável, irrecusável, abordável, indubitável, confortável, inseparável, saudável, violável, estável, palpável, inesgotável, abocanhável, acessível, disponível e leviano. Tudo para você!

Joseph Haydn (1732-1809): Complete Violin Concertos

Concerto for violin and orchestra in A major, ‘melk’, Ohb. VIIa:3
1. Con for vn & orch in A, Melk, Hob. Vlla: 3: I. Allegro moderato
2. Con for vn & orch in A, Melk, Hob. Vlla: 3: II. Adagio
3. Con for vn & orch in A, Melk, Hob. Vlla: 3: III. Allegro

Concerto for violin and orchestra in C major, Hob. VIIa:1
4. Con for vn & orch in C, Hob. Vlla: 1: I. Allegro moderato
5. Con for vn & orch in C, Hob. Vlla: 1: II. Adagio
6. Con for vn & orch in C, Hob. Vlla: 1: III. Presto

Concerto for violin, harpsichord and orchestra in F major, Hob. XVIII:6
7. Con for vn, harpsichord & orch in F, Hob. XVIII: 6: I. Allegro moderato
8. Con for vn, harpsichord & orch in F, Hob. XVIII: 6: II. Largo
9. Con for vn, harpsichord & orch in F, Hob. XVIII: 6: III. Presto

Concerto for violin and orchestra in G major, Hob. VIIa:4
10. Con for vn & orch in G, Hob. Vlla: 4: I. Allegro moderato
11. Con for vn & orch in G, Hob. Vlla: 4: II. Adagio
12. Con for vn & orch in G, Hob. Vlla: 4: III. Allegro

Rainer Kussmaul, violin, conductor
Robert Hill, harpsichord
Amsterdam Bach Soloists

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Toda a animação de Kussmaul para vocês

PQP

Eleni Karaindrou (1941): Trilha Sonora de “A Eternidade e um Dia”

Eleni Karaindrou (1941): Trilha Sonora de “A Eternidade e um Dia”

As definições e fronteiras estão cada vez mais bobas, não? Acho que esta trilha sonora não é música erudita, apesar de a grega Eleni Karaindrou ser considerada uma compositora deste gênero. É que hoje revi o belo filme de Theo Angelopoulos e me deu vontade de postar a trilha sonora aqui. Talvez devesse ser um “.:interlúdio:.”, sei lá. Trata-se quase só de variações sobre um certo tema chamado por Karaindrou / Angelopoulos de Eternidade. Talvez a postagem não faça sentido sem o filme, muito alegórico e no qual presente e passado misturam-se todo o tempo.

Tinha uma anotação sobre Eleni em meu micro, certamente copiada de algum brumoso site português: Eleni Karaindrou, compositora grega, com formação em etnomusicologia, para além de história e arqueologia, compõe principalmente para cinema e teatro. A sua música é simples, harmoniosa, romântica, serena, mas ao mesmo tempo trágica, nostálgica… Lembra-nos paisagens ensombradas de neblina, com uma réstia de sol ao fundo. Lembra cores sombrias que se transformam em arco-íris brilhantes. Todos os adjectivos que possa encontrar para descrever a sua música parecerão pobres depois de se ouvir.

Eleni Karaindrou – Trilha Sonora de “A Eternidade e um Dia”

1. Hearing The Time
2. By The Sea
3. Eternity Theme
4. Parting
5. Depart And Eternity Theme
6. Borders
7. Wedding Dance
8. Parting B
9. To A Dead Friend
10. Eternity Theme
11. Depart And Eternity Theme
12. Bus
13. Depart And Eternity Theme
14. Bus
15. Trio And Eternity Theme
16. Poet
17. Depart And Eternity Theme
18. Depart

Músicos: Eleni Karaindrou, Isabelle Renauld, Fabrizio Bentivoglio, Achileas Skevis, Alexandra Ladikou, Despina Bebedelli, Helene Gerasimidou, Iris Chatziantoniou, Nikos Kouros, Alekos Oudinotis, Nikos Kolovos, Efthimis Pappas, Vassilis Seimenis, Pemi Zouni, Michael Yannatos, Leonidas Vardaros, Petros Fyssoun, Yannis Mohlas, Andreas Chekouras, Petros Markaris.

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Eleni Karaindrou

PQP

Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788): Sinfonias de Berlim a Hamburgo (AKAMUS)

Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788): Sinfonias de Berlim a Hamburgo (AKAMUS)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Que compositor e que orquestra! Cada sinfonia tendo personalidade própria sendo respeitada pela AKAMUS. Este disco tem momentos realmente surpreendentes. A Sinfonia Wq. 177 é talvez a mais impactante à primeira escuta. Tem um caráter dramático muito forte, com contrastes abruptos, nervosos — típico do espírito Sturm und Drang. O primeiro movimento já cria uma tensão inquieta, e a obra inteira soa como algo à beira de explodir. A Sinfonia Wq. 182/1 é outra joia. O que chama atenção aqui é a liberdade formal e a energia: o Presto final é vibrante, quase imprevisível, enquanto o movimento lento tem uma beleza suspensa, cheia de nuances. Já a Sinfonia Wq. 182/5 tem um clima mais sombrio e introspectivo. O contraste entre o Larghetto (muito expressivo, quase melancólico) e o Presto final cria um efeito dramático bem marcante. Ah, também vale a pena destacar a Sinfonia Wq. 182/4, especialmente pelo movimento lento (Largo ed innocentemente), que é de uma delicadeza quase mozartiana — mas com aquela estranheza harmônica típica de C.P.E. Bach. Essa música parece apenas elegante na superfície, mas por dentro está cheia de surpresas — como se o século XVIII estivesse começando a perder o equilíbrio.

Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788): Sinfonias de Berlim a Hamburgo (AKAMUS)

Symphony in C major, Wq. 174 (H. 649)
1 Allegro assai
2 Andante
3 Allegro

Symphony in D major, Wq. 176 (H. 651)
4 Allegro assai
5 Andante
6 Presto

Symphony in E minor, Wq. 177 (H. 652)
7 Allegro assai
8 Andante moderato
9 Allegro

Symphony in G major, Wq. 182/1 (H. 657)
10 Allegro di molto
11 Poco adagio
12 Presto

Symphony in C major, Wq. 182/3 (H. 659)
13 Allegro assai
14 Adagio
15 Allegretto

Symphony in A major, Wq. 182/4 (H. 660)
16 Allegro ma non troppo
17 Largo ed innocentemente
18 Allegro assai

Symphony in B minor, Wq. 182/5 (H. 661)
19 Allegretto
20 Larghetto
21 Presto

Akademie für Alte Musik Berlin (AKAMUS)

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

A Akamus pro 6.

PQP

Poulenc / Franck / Dutilleux: Sonatas para Violoncelo e Piano (Petrov, Misirlioğlu)

Poulenc / Franck / Dutilleux: Sonatas para Violoncelo e Piano (Petrov, Misirlioğlu)

Ótimo disco, muito agradável e de enorme musicalidade. E francês, o que às vezes é um mau sinal, mas não hoje! As três obras que compõem o programa abrangem um século: a Sonata de Franck, na sua transcrição oficialmente aceita para violoncelo, foi retirada da sua popular sonata para violino de 1886. Foi composta como presente de casamento para o violinista Ysaÿe. A interpretação da dupla deste CD é efetivamente fora da curva.  Trois Strophes Sur Le Nom De Sacher de Dutilleux foi composta para o aniversário de Paul Sacher e estreada por Rostropovich com o compositor ao piano. A composição estendeu-se ao longo de uma década, tendo começado em 1976. A Sonata para Violoncelo de Poulenc foi dedicada a Pierre Fournier e concluída em 1948. É uma obra fascinante, embora nada famosa. Trata-se de uma peça de maturidade, cheia da graça, da melancolia e das mudanças de humor súbitas que caracterizam Poulenc. Merece ser descoberta.

Poulenc / Franck / Dutilleux: Sonatas para Violoncelo e Piano (Petrov, Misirlioğlu)

Poulenc: Cello Sonata, Op. 143 (23:45)
I. Allegro tempo di Marcia (6:04)
II. Cavatina (7:03)
III. Ballabile (3:43)
IV. Finale (6:55)

Dutilleux: Trois strophes sur le nom de Sacher (11:03)
I. Un poco indeciso (4:30)
II. Andante sostenuto (3:23)
III. Vivace (3:10)

Franck, C: Cello Sonata in A major (29:54)
I. Allegro ben moderato (6:01)
II. Allegro molto (8:36)
III. Recitativo. Fantasia – Ben moderato (8:48)
IV. Allegretto poco mosso (6:29)

Michael Petrov (cello)
Erdem Misirlioğlu (piano)

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Misirlioğlu e Petrov pro 6.

PQP

Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788): Sonatas para Violino e Teclado (Podger, Bezuidenhout)

Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788): Sonatas para Violino e Teclado (Podger, Bezuidenhout)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Belíssimo CD com a grande Rachel Podger muito bem acompanhada pelo menino Bezuidenhout. Repertório de primeira, sonoridade que nem vou falar, tudo ótimo. As sonatas para violino e teclado de Carl Philipp Emanuel Bach distribuem-se ao longo de quase toda a sua trajetória criativa.  Nos primeiros trabalhos, como a Sonata H.542.5 (antigamente atribuída a seu pai, J.S. Bach), ainda se percebe a herança do contraponto barroco e a densidade textural do aprendizado em Leipzig. No entanto, já nessas obras juvenis, é possível detectar uma voz que anuncia o caminho original que tomaria. O salto decisivo ocorre por volta de 1763, quando compôs três sonatas (e mais tarde uma quarta) para a corte de Frederico, o Grande, em Berlim . É nesse conjunto que a linguagem de CPE consolida-se plenamente, abandonando a polifonia densa em favor de uma textura mais leve e transparente, onde violino e teclado dialogam como verdadeiros parceiros, trocando argumentos com uma liberdade retórica que parecia, aos ouvidos da época, quase improvisada. Essas sonatas maduras, como a belíssima Sonata Wq. 78, conquistaram admiradores ilustres, incluindo Johannes Brahms, que não apenas as tocou em público como também publicou edições delas, maravilhado com sua “grande beleza”. O que encantava Brahms era provavelmente a mesma coisa que desconcertava os contemporâneos: a imprevisibilidade. As sonatas de C.P.E. Bach são feitas de contrastes súbitos de dinâmica, pausas eloquentes, melodias que parecem “suplicar” ou “hesitar”, e uma expressividade direta que afasta-se do barroco tardio.

Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788): Sonatas para Violino e Teclado (Podger, Bezuidenhout)

Sonata In G Minor H.542.5 (Harpsichord And Violin)
1 I. Untitled 3:46
2 II. Adagio 2:40
3 III. Allegro 4:51

Sonata In C Minor WQ. 78 (Fortepiano And Violin)
4 I. Allegro Moderato 8:06
5 II. Adagio Ma Non Troppo 6:30
6 III. Presto 5:26
7 Arioso Con Variazioni Per Il Cembalo E Violino In A Major WQ. 89

Sonata In B Minor WQ. 76
8 I. Allegro Moderato 7:15
9 II. Poco Andante 5:13
10 III. Allegretto Siciliano 5:37

Sonata In D Major WQ. 71 (Harpsichord And Violin)
11 I. Poco Adagio 3:21
12 II. Allegro 2:16
13 III. Adagio 2:58
14 IV. Menuet I, II 2:53

Harpsichord, Fortepiano – Kristian Bezuidenhout
Violin – Rachel Podger

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

A duplinha do CD

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concertos para Violino Nº 1 e 2 (Pochekin, Russian National Orchestra, Uryupin)

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concertos para Violino Nº 1 e 2 (Pochekin, Russian National Orchestra, Uryupin)

Eu sou exagerado, então, acho o Concerto Nº 1 uma obra-prima e o segundo bem ruinzinho, mas vou tentar me acalmar.

Calma, PQP.

Os dois Concertos para Violino de Shostakovich parecem obras de mundos diferentes. O Nº 1, Op. 77, é sombrio, tenso, de grande força trágica — sobretudo na Passacaglia e na cadência, que parecem escavar até o fundo da experiência humana. Já o Nº 2, Op. 129, é seco e enigmático, de menos impacto imediato. Gostaram? Afinal, chamá-lo de “ruinzinho” talvez seja um pouco injusto — o segundo concerto não busca o mesmo efeito monumental do primeiro. Ele é mais tardio, mais contido, quase uma música de câmara ampliada, cheia de ironias discretas… Soa menos arrebatador, oferecendo, em vez de drama aberto, uma reflexão mais rarefeita, quase crepuscular, quase burra… O CD vale pelo PRIMEIRO CONCERTO!

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concertos para Violino Nº 1 e 2 (Pochekin, Russian National Orchestra, Uryupin)

Violin Concerto No. 1 In A Minor Op. 77
1 I Nocturne (Moderato – Meno Mosso – Tempo I) 11:35
2 II Scherzo (Allegro – Poco Più Mosso – Allegro – Poco Più Mosso) 6:37
3 III Passacaglia (Andante) – Cadenza 13:54
4 IV Burlesque (Allegro Con Brio – Presto) 5:02

Violin Concerto No. 2 In C Sharp Minor Op. 129
5 I Moderato 13:13
6 II Adagio 10:46
7 III. Adagio. Allegro 9:29

Conductor – Valentin Uryupin
Orchestra – Russian National Orchestra
Violin – Ivan Pochekin

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Pochekin, em seus tempos de KGB.

PQP

C.P.E. Bach (1714-1788) / J.S. Bach (1685-1750): Fantasias (Häkkinen)

C.P.E. Bach (1714-1788) / J.S. Bach (1685-1750): Fantasias (Häkkinen)

Um lindo disco! Poderia ouvir mil vezes sem cansar.

Carl Philipp Emanuel Bach escreve fantasias como monólogos de um romântico antes do romantismo: fraturas súbitas de andamento, pausas eloquentes, silêncios que dizem mais do que as notas e uma impetuosidade que parecia, para os contemporâneos, quase de mau gosto. Onde o pai construía catedrais, o filho improvisava poemas em prosa. As Fantasias de C.P.E. Bach são feitas de gestos bruscos e confidentes: acordes que suspendem o tempo, recitativos ao piano, quedas para o nada, retomadas furiosas.

Na Fantasia e Fuga Cromática, o velho Bach antecipa o futuro sem saber: as cadências ousadas e os cromatismos febris que abrem a fantasia parecem romper não apenas as regras do contraponto, mas o próprio tecido barroco. A fuga que se segue é um prodígio de disciplina, mas de uma disciplina trêmula. Ele foge, hesita, suspira. A obra toda respira aquele paradoxo bachiano: a máxima liberdade expressiva contida pela arquitetura mais rigorosa.

A diferença entre a Fantasia e Fuga Cromática de Johann Sebastian e as Fantasias de Carl Philipp Emanuel é a diferença entre um visionário que ainda acredita na ordem e um herdeiro que só acredita na crise. O pai solta a razão no limite do abismo e a reconduz para casa com uma fuga. O filho empurra o abismo para dentro da sala e recusa a mobília da época. J.S. Bach faz uma fantasia que parece improvisada, mas é arquitetura pura. C.P.E. Bach faz fantasias que parecem arquitetura, mas são improviso puro. Ambos estão à beira do colapso.

C.P.E. Bach (1714-1788) / J.S. Bach (1685-1750): Fantasias (Häkkinen)

Sonata In F Minor, Wq. 63/6 (H. 75)
1 I. Allegro Di Molto
2 II. Adagio Affettuoso
3 III. Fantasia

Fantasia And Fugue In C Minor, Wq.119/7 (H.75.5)
4 I. Fantasia
5 II. Fugue
6 Fantasia In D Major, Wq.117/14 (H.160)
7 Fantasia in G Minor, Wq.117/13 (H.225)
8 Fantasia in E-Flat Major, Wq. Deest (H.348)

Fantasia in D Minor, Wq. Deest (H.349)
9 I. Fantasia
10 II. Fugue

Chromatic Fantasia And Fugue In D Minor, VWC 903
Composed By – Johann Sebastian Bach
11 I. Fantasia
12 II. Fugue
13 Rondo In E Minor, Abschied von Meinem Silbermannischen Claviere, Wq.66 (H.272)
14 Fantasia In F-Sharp Minor, C.P.E. Bachs Empfindungen, Wq.67 (H.300)

Cravo, Pianoforte – Aapo Häkkinen

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

PQP

Johannes Brahms (1833-1897): Concerto para Piano Nº 2 (Pollini, Abbado)

Johannes Brahms (1833-1897): Concerto para Piano Nº 2 (Pollini, Abbado)

Brahms + Pollini + Abbado + Filarmônica de Berlim, querem mais? Difícil. O Concerto para Piano Nº 2 de Brahms é, talvez, a mais monumental síntese entre o piano e a orquestra em todo o romantismo. Escrito em quatro movimentos — e não três como de costume —, ele não se esquiva da herança sinfônica: caindo em lugar comum, digo que o piano dialoga com a orquestra de igual para igual, sem jamais cair no virtuosismo oco. O primeiro movimento é uma paulada bem forte, onde o piano constrói acordes maciços e melodias que parecem pesar sobre os ombros do mundo. O segundo movimento, um scherzo feroz e cortante, revela um Brahms nervoso, dramático, poucas vezes tão agressivo. No terceiro, porém, tudo se aquieta: é um Andante de beleza melancólica, com um violoncelo solista que canta uma canção de amor serena e contida, como uma memória que se despede sem pressa. E o finale, saltitante e “húngaro”, encerra a obra com uma alegria cuidadosa, que não esquece as sombras anteriores mas escolhe dançar sobre elas. Ouvindo esse concerto, percebe-se que Brahms não escreveu uma peça de concerto no sentido usual — ele escreveu uma sinfonia com piano obbligato, uma sinfonia privada que exige do solista não apenas dedos, mas uma alma inteira.

Johannes Brahms (1833-1897): Concerto para Piano Nº 2 (Pollini, Abbado)

Konzert Für Klavier Und Orchester Nr. 2 B-dur Op. 83
1. Allegro Non Troppo
2. Allegro Appassionato
3. Andante
4. Allegretto Grazioso

Maurizio Pollini, piano
Berliner Philharmoniker
Claudo Abbado

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Claudio Abbado e Maurizio Pollini foram grandes e verdadeiros amigos. Esta foto é de 1991.

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): String Quartets, Op. 74 & 130 (Chiaroscuro Quartet)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): String Quartets, Op. 74 & 130 (Chiaroscuro Quartet)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

O Quarteto Op. 74, conhecido como “das Harpas”, foi composto em 1809, durante os anos em que Napoleão sitiou Viena. A alcunha vem do primeiro movimento: Beethoven cria um efeito de harpa através de pizzicatos que se espalham pelos quatro instrumentos, uma textura leve e mágica que ilumina todo o quarteto. É uma obra de surpreendente serenidade para um período tão conturbado. O movimento lento, um adágio de beleza contida, desenha longas linhas melódicas que parecem flutuar acima da agitação de Donald Trumpo. O Scherzo irrompe com violência rítmica, quase brutal, mas é o finale que impressiona: uma variação com contratempos e síncopes que desafiam o ouvinte a encontrar o tempo, num jogo de desorientação deliciosa. O Op. 74 é Beethoven no meio de sua vida: maduro, contido, mas ainda capaz de explosões de humor e invenção.

Já o Op. 130, composto entre 1825 e 1826, pertence ao território do último Beethoven, onde as regras já foram “flexibilizadas”… A obra tem seis movimentos, uma estrutura inédita, e o primeiro movimento alterna momentos de dança quase ingênua com interjeições violentas. O segundo movimento é um Presto curto e frenético, uma corrida alucinada de dois minutos. O terceiro, um “Andante con moto ma non troppo”, desenha uma melodia simples que vai sendo quebrada e reconstruída a cada repetição. O quarto movimento é uma dança alemã, a Danza tedesca, de uma leveza que parece vir de outro século. Mas é o quinto movimento, a “Cavatina”, que rasga a coração: Beethoven escreveu-a em prantos, segundo testemunhas, e ela é uma página de tal desnudamento emocional que parece parar o tempo. E então vem o finale original, a “Grande Fuga”, um monstro sagrado de contraponto e dissonância que os editores da época pediram que Beethoven deixasse separado. Hoje sabemos que a Fuga é uma das portas para o século XX. Beethoven então escreveu um novo finale, mais leve e dançante, e o Op. 130 ganhou dois finais possíveis – um que encerra em paz, outro que explode o quarteto em mil pedaços. É o próprio Beethoven: a um passo do abismo, dançando sobre o vazio. Aqui, encerramos em paz.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): String Quartets, Op. 74 & 130 (Chiaroscuro Quartet)

String Quartet No.10 In E Flat Major, ‘Harp’, Op. 74 (29:29)
1 I. Poco Adagio — Allegro 9:28
2 II. Adagio Ma Non Troppo 8:59
3 III. Presto — Più Presto Quasi Prestissimo — Tempo I 4:56
4 IV. Allegretto Con Variazioni 5:51

String Quartet No.13 In B Flat Major, Op.130 (41:10)
5 I. Adagio Ma Non Troppo — Allegro 13:23
6 II. Presto 2:08
7 III. Andante Con Moto Ma Non Troppo. Poco Scherzoso 6:47
8 IV. Alla Danza Tedesca. Allegro Assai 3:09
9 V. Cavatina. Adagio Molto Espressivo 5:54
10 VI. Finale. Allegro 9:22

Cello [Chiaroscuro Quartet] – Claire Thirion
Viola [Chiaroscuro Quartet] – Emilie Hornlund*
Violin [Chiaroscuro Quartet] – Alina Ibragimova, Pablo Hernán Benedí

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

O pessoal do Chiaroscuro passeando pelo relvado da Livraria Bamboletras em Porto Alegre

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): String Quartets, Op. 18 Nos. 4-6 (Chiaroscuro Quartet)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): String Quartets, Op. 18 Nos. 4-6 (Chiaroscuro Quartet)

Uma gravação muito, mas muito boa! Os últimos três Quartetos do Op. 18, escritos entre 1798 e 1800, mostram Beethoven se despedindo do classicismo de Haydn e Mozart para ensaiar seus primeiros gestos de, digamos, rebeldia. O Quarteto Nº 4  é o mais tempestuoso do conjunto. Ele pulsa com a urgência dramática e os contrastes bruscos que antecipam o Beethoven maduro. O segundo movimento, um scherzo nervoso e sincopado, parece menos uma dança e mais um tique nervoso… Já o Nº 5 funciona como uma pausa luminosa. Seu primeiro movimento é gracioso e arioso, quase mozartiano — o tema do minueto já carrega um sotaque campestre e a voz tipicamente beethoveniana. O destaque vem do movimento lento, um conjunto de variações sobre uma melodia melancólica que ganha contornos de ária trágica, intercalada por súbitos lampejos de furor. Por fim, o Nº 6 fecha o opus com um enigma. O quarteto é conhecido pelo final, intitulado “La Malinconia” (A Melancolia). Beethoven introduz um adagio lento e arrastado, cheio de pausas e harmonias dissonantes que parecem suspensas no ar, e então, sem aviso, irrompe em uma alegre dança vienense. É como se a melancolia fosse a sombra inevitável da leveza. Com esses quartetos, Beethoven prova que já dominava a forma herdada dos mestres, mas seu temperamento inquieto — e uma certa tristeza — já começava a rachar a moldura clássica por dentro.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): String Quartets, Op. 18 Nos. 4-6 (Chiaroscuro Quartet)

String Quartet N°4 In C Minor Op.18 N°4 (23:28)
1 I. Allegro Ma Non Tanto 8:31
2 II. Andante Scherzoso Quasi Allegretto 6:28
3 III. Menuetto 3:48
4 IV. Allegro – Prestissimo 4:53

String Quartet N°5 In A Major Op.18 N°5 (30:13)
5 I. Allegro 9:19
6 II. Menuetto 4:15
7 III. Andante Cantabile 9:45
8 IV. Allegro 7:08

String Quartet N°6 In B Flat Major Op.18 N°6 (25:11)
9 I. Allegro Con Brio 8:33
10 II. Adagio Ma Non Troppo 6:27
11 III. Scherzo 2:57
12 IV. La Malinconia 7:45

Cello [Chiaroscuro Quartet] – Claire Thirion
Viola [Chiaroscuro Quartet] – Emilie Hornlund*
Violin [Chiaroscuro Quartet] – Alina Ibragimova, Pablo Hernán Benedí

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

O pessoal do ótimo Chiaroscuro na fase clara.

PQP

Johannes Brahms (1833-1897): Integral das Sinfonias / Variações sobre um tema de Haydn / Abertura Trágica / Abertura do Festival Acadêmico (Manze)

Johannes Brahms (1833-1897): Integral das Sinfonias / Variações sobre um tema de Haydn / Abertura Trágica / Abertura do Festival Acadêmico (Manze)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Andrew Manze é um violinista barroco, um tremendo violinista barroco, desses que tocam em instrumentos originais. É natural que uma orquestra sinfônica regida por ele tivesse seu principal destaque nas cordas. E, com efeito, a Orquestra Sinfônica de de Helsingborg (Suécia) demonstra aqui que seu forte é a espantosa qualidade de suas cordas. Os andamentos escolhidos por Manze e sua orquestra de instrumentos modernos é quase sempre mais veloz que o habitual e me agradaram muito. É o tipo de gravação que o ouvinte mais tradicional talvez custe a engolir, mas duvido que ele não sinta o frescor que vem das águas da pequena e belíssima cidade portuária de Helsingborg, de menos de 150 mil habitantes e com uma orquestra portentosa como essa.

Johannes Brahms (1833-1897): Integral das Sinfonias / Variações sobre um tema de Haydn / Abertura Trágica / Abertura do Festival Acadêmico

DISCO 01
01. Symphony No.1 in C minor, Op.68 – I. Un poco sostenuto – Allegro – Meno Allegro
02. Symphony No.1 in C minor, Op.68 – II. Andante sostenuto
03. Symphony No.1 in C minor, Op.68 – III. Un poco Allegretto e grazioso
04. Symphony No.1 in C minor, Op.68 – IV. Adagio – Piu andante – Allegro non troppo, ma con brio

05. Variations on a theme of Joseph Haydn, Op.56a – Thema. Chorale St. Antoni
06. Variations on a theme of Joseph Haydn, Op.56a – Variation 1 Poco piu animato
07. Variations on a theme of Joseph Haydn, Op.56a – Variation 2 Piu vivace
08. Variations on a theme of Joseph Haydn, Op.56a – Variation 3 Con moto
09. Variations on a theme of Joseph Haydn, Op.56a – Variation 4 Andante con moto
10. Variations on a theme of Joseph Haydn, Op.56a – Variation 5 Vivace
11. Variations on a theme of Joseph Haydn, Op.56a – Variation 6 Vivace
12. Variations on a theme of Joseph Haydn, Op.56a – Variation 7 Grazioso
13. Variations on a theme of Joseph Haydn, Op.56a – Variation 8 Presto non troppo
14. Variations on a theme of Joseph Haydn, Op.56a – Finale Andante

DISCO 02
01. Symphony No.2 in D major, Op.73 – I. Allegro non troppo
02. Symphony No.2 in D major, Op.73 – II. Adagio non troppo
03. Symphony No.2 in D major, Op.73 – III. Allegretto grazioso (Quasi andantino)
04. Symphony No.2 in D major, Op.73 – IV. Allegro con spirito

05. Tragic Overture, Op.81
06. Academic Festival Overture, Op.80

DISCO 03
01. Symphony No.3 in F major, Op.90 – I. Allegro con brio
02. Symphony No.3 in F major, Op.90 – II. Andante
03. Symphony No.3 in F major, Op.90 – III. Poco Allegretto
04. Symphony No.3 in F major, Op.90 – IV. Allegro – Un poco sostenuto

05. Symphony No.4 in E minor, Op.98 – I. Allegro non troppo
06. Symphony No.4 in E minor, Op.98 – II. Andante moderato
07. Symphony No.4 in E minor, Op.98 – III. Allegro giocoso – Poco meno presto
08. Symphony No.4 in E minor, Op.98 – IV. Allegro energico e passionato

Helsingborg Symphony Orchestra
Andrew Manze, regente

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Andrew Manze: eu curti
Andrew Manze: eu curti

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): String Quartets, Op. 18 Nos. 1-3 (Chiaroscuro Quartet)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): String Quartets, Op. 18 Nos. 1-3 (Chiaroscuro Quartet)

Os seis quartetos de cordas do Op. 18 representam a primeira grande abordagem de Beethoven a uma forma que Haydn e Mozart haviam levado à perfeição. Publicados em 1801 mas compostos ao longo de vários anos, esses quartetos ainda respiram o ar do classicismo vienense, porém com uma tensão muscular e um ímpeto dramático que já anunciam o homem de Bonn. Os três primeiros quartetos, numerados de 1 a 3, são particularmente fascinantes por revelarem um compositor praticando as regras enquanto testa suas fronteiras. O Quarteto número 1, talvez o mais direto do conjunto, abre com uma elegância quase haydniana, mas logo exibe surpresas rítmicas e ousadias harmônicas que nenhum mestre do período teria se permitido. O segundo é um compêndio de contrastes: o primeiro movimento dança com graça, enquanto o Adagio cantabile e sonhador parece antecipar a languidez de Chopin. Já o terceiro quarteto, guarda no seu coração um movimento lento de beleza comovente e sombria, quase operística, como se Beethoven já ensaiasse as lágrimas que mais tarde vertaria nos quartetos finais. O que une os três é a clareza da escrita e o respeito pela conversa entre os quatro instrumentos – vozes que se interrompem, se imitam, se abraçam. Não há ainda o Beethoven fraturado dos quartetos tardios, mas há um jovem mestre que, ao herdar uma forma, já a empurra para o abismo. Essas obras respiram a liberdade recém-conquistada do compositor que se despede do século dezoito. E ao ouvi-las, imaginamos um Beethoven que sorri enquanto dobra a meta.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): String Quartets, Op. 18 Nos. 1-3 (Chiaroscuro Quartet)

String Quartet No. 1 In F Major, Op. 18
I. Allegro Con Brio 8:59
II. Adagio Affetoso Ed Appassionato 9:42
III. Scherzo. Allegro Molto 3:17
IV. Allegro 6:52

String Quartet No. 2 In G Major, Op. 18
I. Allegro 7:42
II. Adagio Cantabile 5:19
III. Scherzo. Allegro 4:12
IV. Allegro Molto, Quasi Presto 5:46

String Quartet No. 3 In D Major, Op. 18
I. Allegro 7:58
II. Andante Con Moto 7:08
III. Allegro 3:03
IV. Presto 6:25

Cello [Chiaroscuro Quartet] – Claire Thirion
Viola [Chiaroscuro Quartet] – Emilie Hornlund*
Violin [Chiaroscuro Quartet] – Alina Ibragimova, Pablo Hernán Benedí

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Enfim, o Chiaroscuro em foto.

PQP

Beethoven (1770-1827): Sonatas para Violino de 1 a 3 (Op. 12) – Variações sobre ‘Se vuol’ballare’ (Ehnes, Armstrong)

Beethoven (1770-1827): Sonatas para Violino de 1 a 3 (Op. 12) – Variações sobre ‘Se vuol’ballare’ (Ehnes, Armstrong)

O 250º aniversário de Beethoven está chegando em 2020, mas os maiores craques, orquestras e gravadoras estão comemorando antes. Pela DG, Andris Nelsons já lançou uma extraordinária integral das sinfonias e Ehnes vem a passos largos gravando as Sonatas. Talvez isso acabe esvaziando a data de 17 de dezembro de 2020. Nós, por exemplo, postaremos a integral de Nelsons em 17 de dezembro de 2019… Este disco é excelente, apesar dessas primeiras Sonatas não serem tudo aquilo. Mas gosto muito da alegria da Sonata Nº 2 e das 12 Variações sobre um tema de Mozart. Tudo muito lindinho.

Beethoven (1770-1827): Sonatas para Violino de 1 a 3 (Op. 12) – Variações sobre ‘Se vuol’ballare’

Beethoven: Violin Sonata No. 1 in D major, Op. 12 No. 1 20:19
I. Allegro con brio 8:47
II. Tema con Variazioni 6:42
III. Rondo – Allegro 4:50

Beethoven: Violin Sonata No. 2 in A major, Op. 12 No. 2 16:57
I. Allegro vivace 6:45
II. Andante, piu tosto Allegretto 5:00
III. Allegro piacevole 5:12

Beethoven: Violin Sonata No. 3 in E flat major, Op. 12 No. 3 18:19
I. Allegro con spirito 8:21
II. Adagio con molt’ espressione 5:37
III. Rondo – Allegro molto 4:21

Beethoven: Variations (12) for piano & violin in F major on Mozart’s ‘Se vuol’ballare’, WoO 40 10:41

James Ehnes, violino
Andrew Armstrong, piano

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Ehnes e Armstrong, uma dupla que tem tudo para se tornar uma lenda

PQP

BTHVN250 — Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Violino Nos. 7 & 10 (Ehnes / Armstrong)

BTHVN250 — Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Violino Nos. 7 & 10 (Ehnes / Armstrong)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este é um lançamento recentíssimo que me apresso a postar antes da data máxima. Ouvi-o rapidamente e fiquei muito feliz com ele. Duas excelentes Sonatas executadas pela incrível competência e elegância de Ehnes, acompanhado por seu fiel escudeiro Armstrong. Este disco, que finaliza a integral das Sonatas de Beethoven da dupla, confirma as qualidades especiais dos lançamentos anteriores: conjunto imaculado, equilíbrio, uma sensação da estrutura da música estar se desdobrando perfeitamente e com espontaneidade, criando a impressão de que os músicos vão descobrindo as qualidades especiais da música como se fosse a primeira vez. Ehnes não é um bobão, faz música sem o menor indício de ser um “solista em ação”. Alguns podem achar que a personalidade criativa de Beethoven é um pouco subprojetada aqui. No entanto, a perfeição de Ehnes — cada nota possui especial brilho — é uma fonte constante de admiração. O mesmo ocorre com a habilidade fantástica de Armstrong de fazer parceria com o violino de uma forma que sutilmente disfarça a disparidade entre o potencial de sonoro dos dois instrumentos (da qual Beethoven estava bem ciente).

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Violino Nos. 7 & 10 (Ehnes / Armstrong)

01. Violin Sonata No. 7 in C Minor, Op. 30 No. 2: I. Allegro con brio
02. Violin Sonata No. 7 in C Minor, Op. 30 No. 2: II. Adagio cantabile
03. Violin Sonata No. 7 in C Minor, Op. 30 No. 2: III. Scherzo (Allegro)
04. Violin Sonata No. 7 in C Minor, Op. 30 No. 2: IV. Finale (Allegro)

05. Violin Sonata No. 10 in G Major, Op. 96: I. Allegro moderato
06. Violin Sonata No. 10 in G Major, Op. 96: II. Adagio espressivo
07. Violin Sonata No. 10 in G Major, Op. 96: III. Scherzo (Allegro)
08. Violin Sonata No. 10 in G Major, Op. 96: IV. Poco allegretto

James Ehnes, violino
Andrew Armstrong, piano

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Violino Nos. 4, 5, 8 Rondó & Seis Danças Germânicas (Ehnes / Armstrong) #BTHVN250

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Violino Nos. 4, 5, 8 Rondó & Seis Danças Germânicas (Ehnes / Armstrong) #BTHVN250

IM-PER-DÍ-VEL !!!

James Ehnes é o violinista dos violinistas. Deu para sentir isso em fevereiro deste ano, quando o vimos em ação ao vivo no Wigmore Hall. Bem, as duas primeiras sonatas deste CD são extraordinárias. A célebre Primavera nem se fala, mas não conhecia a fundo o lindo Op. 23. Este é o terceiro CD das sonatas de violino de Beethoven com James Ehnes e Andrew Armstrong e era aguardado com muita expectativa pelo mundo erudito. Os álbuns anteriores — Nº.9 ‘Kreutzer’ e 6 e Nº.1-3, Variações WoO40 — receberam críticas excelentes. A Gramophone escreveu sobre este lançamento: “Com alguns discos, você pode dizer antecipadamente que tudo vai dar certo”. E aqui, a popular sonata Primavera é emoldurada pela estranha e sedutora quarta sonata e a modesta oitava — apesar do irresistível último movimento (Allegro vivace). Um antigo Rondó e um conjunto de danças alemãs completam o generoso programa.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Violino Nos. 4, 5, 8 Rondó & Seis Danças Germânicas (Ehnes / Armstrong)

01. Violin Sonata No. 4 in A Minor, Op. 23: I. Presto
02. Violin Sonata No. 4 in A Minor, Op. 23: II. Andante scherzoso piu Allegretto
03. Violin Sonata No. 4 in A Minor, Op. 23: III. Allegro molto

04. Violin Sonata No. 5 in F Major, Op. 24 “Spring”: I. Allegro
05. Violin Sonata No. 5 in F Major, Op. 24 “Spring”: II. Adagio molto espressivo
06. Violin Sonata No. 5 in F Major, Op. 24 “Spring”: III. Scherzo. Allegro molto
07. Violin Sonata No. 5 in F Major, Op. 24 “Spring”: IV. Rondo. Allegro ma non troppo

08. Six German Dances, WoO 42

09. Rondo for violin & piano in G Major, WoO 41

10. Violin Sonata No. 8 in G Major, Op. 30/3: I. Allegro assai
11. Violin Sonata No. 8 in G Major, Op. 30/3: II. Tempo di Minuetto, ma molto moderato e grazioso
12. Violin Sonata No. 8 in G Major, Op. 30/3: III. Allegro vivace

James Ehnes, violino
Andrew Armstrong, piano

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Ehnes e Armstrong ensaiando no Wigmore Hall

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Violin Sonatas Nos.6 & 9 ‘Kreutzer’ (Ehnes, Armstrong)

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Violin Sonatas Nos.6 & 9 ‘Kreutzer’ (Ehnes, Armstrong)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Muito me surpreenderei se James Ehnes não for um interessado em literatura, artes plásticas ou outro gênero de arte. É muito cultura envolvida, muito conhecimento e fineza de estilo, isso não vem apenas da música. Esta é a opinião de minha mulher, também uma violinista. Ehnes e o pianista Andrew Armstrong tocam juntos como só velhos parceiros de crime conseguem. Ambos fizeram notáveis gravações de Franck, Bartók, Strauss, Debussy e Elgar; agora eles se voltam para Beethoven com a mesma combinação de toque leve e clareza de ideias. Eles nunca precisam exagerar — tome a frase inicial da Kreutzer, a maneira impecavelmente eloquente com que o acorde de abertura toma-se de esplendor.

Este é o primeiro disco de sonatas de Beethoven gravado por James Ehnes e eu espero que ele e Armstrong sigam até gravar todas. O acoplamento da Kreutzer com a Op. 30/1 também é astuto, pois — poucos sabem disso — o Presto da Kreutzer era, originalmente, o movimento final do Op. 30/1.

Eles iniciam pela Kreutzer e seu movimento de abertura é incrivelmente bem tocado. Os silêncios são bem utilizados e os pizzicatos na casa dos 3min, a 6min31  e na casa dos 11 min estão suficientemente presentes. Os momentos finais são levados com extrema classe, reduzindo a dinâmica e o ritmo antes da explosão final.

Eles são um pouco mais lentos no Andante do que, por exemplo, Dumay e Pires ou Faust e Melnikov, mas assim que as variações começam, a coisa decola lindamente. Ibragimova e Tiberghien formam um dupla capaz de enfrentar Ehnes e seu parceiro, mas estes são muito mais atraentes no finale, mesmo sem deixar de lado a delicadeza.

A Op 30 nº 1 vem de um outro mundo. A abertura se desenrola muito bem. Faust e Melnikov parecem melhores, mas… Ehnes e Armstrong são arrebatadores no movimento lento, verdadeiramente molto espressivo, enquanto uma sensação de diversão fica latente, colocando o selo de IMPERDÍVEL à já notável discografia de Ehnes e Armstrong.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Violin Sonatas Nos.6 & 9 ‘Kreutzer’

Violin Sonata No.9 in A op.47 ‘Kreutzer’
1 Adagio sostenuto 13min43
2 Andante con variazioni 16min07
3 Finale: Presto 8min23

Violin Sonata No.6 in A op.30/1
4 Allegro 7min54
5 Adagio molto espressivo 7min23
6 Allegretto con variazioni 8min16

James Ehnes, violino
Andrew Armstrong, piano

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

James Ehnes e Andrew Armstrong ensaiando na Sala de Transcendência e Imanência da sede campestre do PQP Bach

PQP

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas para Violino, Vol. 2 (Ehnes, Beauséjour)

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas para Violino, Vol. 2 (Ehnes, Beauséjour)

Excelente CD de Ehnes tocando as Sonatas de Bach para Violino e Cravo. Ehnes é quase sempre brilhante, quando não é, é corretíssimo. Toca demais. As Sonatas para Violino e Cravo de Bach ocupam um lugar singular na música de câmara do período barroco. Em vez de seguir o modelo tradicional da sonata com baixo contínuo, Bach concebe aqui uma escrita a três vozes plenamente realizada, em que o cravo deixa de ser mero acompanhante e passa a dialogar de igual para igual com o violino. A mão direita do cravista assume uma linha melódica independente, enquanto a esquerda sustenta o baixo. É quase um trio. O resultado é uma música de equilíbrio raro, em que cada voz tem autonomia e função expressiva. Bach explora uma ampla variedade de formas: movimentos lentos de intensa introspecção alternam-se com andamentos rápidos de grande vitalidade rítmica. Há momentos de lirismo quase vocal, outros de energia dançante, sempre sustentados por uma clareza estrutural admirável. Mais do que peças de virtuosismo, essas sonatas propõem uma escuta atenta, quase conversacional — uma música em que o sentido nasce do encontro entre as vozes. São, em suma, uma das realizações mais sofisticadas de Bach no campo da música de câmara.

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas para Violino, Vol. 2 (Ehnes, Beauséjour)

Sonata for violin & keyboard No. 5 in F minor, BWV 1018
1 Adagio 06:31
2 Allegro 04:27
3 Adagio 03:40
4 Vivace 02:26

Sonata for violin & keyboard No. 6 in G major, BWV 1019
5 Allegro 03:44
6 Largo 01:33
7 Allegro 04:43
8 Adagio 02:59
9 Allegro 03:41

Sonata for violin & keyboard No. 6 in G major (variant), BWV 1019a
10 Cantabile, ma un poco Adagio 06:44
11 Cembalo solo 05:20
12 Adagio 02:07
13 Violino solo e Basso l’accompagnato 02:10

Sonata for violin & continuo in G major, BWV 1021
14 Adagio 03:37
15 Vivace 00:58
16 Largo 02:23
17 Presto 01:22

Sonata for violin & continuo in E minor, BWV 1023
18 Allegro 01:04
19 Adagio ma non troppo 03:18
20 Allemanda 03:58
21 Gigue 02:43

James Ehnes, violin
Luc Beauséjour, Harpsichord

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Ehnes em 2025

PQP

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas para Violino, Vol. 1 (Ehnes, Beauséjour)

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas para Violino, Vol. 1 (Ehnes, Beauséjour)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

É uma gravação muito boa, corretíssima. A melhor que ouvi em violino moderno. As quatro primeiras Sonatas para Violino e Cravo de Johann Sebastian Bach — BWV 1014 a 1017 — formam um belo conjunto, onde o compositor rompe com o modelo tradicional de acompanhamento e cria um verdadeiro diálogo entre os instrumentos. No lugar do cravo apenas sustentando o baixo contínuo, temos uma escrita a três vozes plenamente desenvolvida: a mão direita do cravo conversa com o violino, enquanto a esquerda mantém a base. O resultado é música de câmara de altíssimo refinamento, onde equilíbrio e invenção caminham juntos.

A Sonata para Violino e Cravo Nº 1, BWV 1014, é talvez a mais introspectiva: já no primeiro movimento, um Adagio de grande profundidade, percebe-se uma densidade quase meditativa, que se desdobra em contrastes elegantes nos movimentos seguintes.

Na Sonata para Violino e Cravo Nº 2, BWV 1015, o clima se torna mais luminoso e fluido. Destaca-se o andamento lento, de uma beleza cantável, quase vocal, onde o violino parece “cantar” sobre um tecido harmônico delicado.

A Sonata para Violino e Cravo Nº 3, BWV 1016, traz um caráter mais expansivo e virtuoso. Há maior brilho, especialmente nos movimentos rápidos, mas sempre sustentado por um rigor estrutural admirável.

Por fim, a Sonata para Violino e Cravo Nº 4, BWV 1017, retoma um tom mais sério e dramático. O primeiro movimento é particularmente intenso, com linhas entrelaçadas que criam uma tensão expressiva muito rica.

Em conjunto, essas quatro sonatas mostram um Bach profundamente inovador na música de câmara: não há hierarquia entre os instrumentos, mas uma conversa contínua — equilibrada, inteligente e cheia de vida.

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas para Violino, Vol. 1 (Ehnes, Beauséjour)

1 Sonata No. 1 in B Minor, BWV 1014: I. Adagio 03:57
2 Sonata No. 1 in B Minor, BWV 1014: II. Allegro 02:49
3 Sonata No. 1 in B Minor, BWV 1014: III. Andante 03:16
4 Sonata No. 1 in B Minor, BWV 1014: IV. Allegro 03:29

5 Sonata No. 2 in A Major, BWV 1015: I. Dolce 03:12
6 Sonata No. 2 in A Major, BWV 1015: II. Allegro 03:21
7 Sonata No. 2 in A Major, BWV 1015: III. Andante Un Poco 02:58
8 Sonata No. 2 in A Major, BWV 1015: IV. Presto 04:05

9 Sonata No. 3 in E Major, BWV 1016: I. Adagio 04:44
10 Sonata No. 3 in E Major, BWV 1016: II. Allegro 03:00
11 Sonata No. 3 in E Major, BWV 1016: III. Adagio ma non tanto 05:06
12 Sonata No. 3 in E Major, BWV 1016: IV. Allegro 03:48

13 Sonata No. 4 in C Minor, BWV 1017: I. Largo 03:54
14 Sonata No. 4 in C Minor, BWV 1017: II. Allegro 04:23
15 Sonata No. 4 in C Minor, BWV 1017: III. Adagio 02:58
16 Sonata No. 4 in C Minor, BWV 1017: IV. Allegro 04:20

James Ehnes, violin
Luc Beauséjour, Harpsichord

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Ehnes pensando se come um chocolate ou compra um caminhão.

PQP

J. S. Bach (1685-1750): Bach 2000 – Caixa 6, CDs 1, 2, 3 e 4

J. S. Bach (1685-1750): Bach 2000 – Caixa 6, CDs 1, 2, 3 e 4

Clique aqui para todo o Bach 2000.

E finalmente chegamos à Missa em Si Menor, BWV 232, tida por muitos como a maior obra de Bach e quiçá de todos os tempos. A gravação de Harnoncourt é realmente muito boa, assim como a das Missas Breves dos CDs 3 e 4 desta caixa. As faixas estão indicadas de forma miraculosamente correta, coisa anormal nesta coleção algo confusa.

—————————————————
Bach 2000 – Caixa 6, CD 1
—————————————————
BWV0232 Mass in B minor 01 Kyrie eleison
BWV0232 Mass in B minor 02 Christe eleison
BWV0232 Mass in B minor 03 Kyrie eleison
BWV0232 Mass in B minor 04 Gloria in excelsis Deo
BWV0232 Mass in B minor 05 Laudamus te
BWV0232 Mass in B minor 06 Gratias agimus tibi
BWV0232 Mass in B minor 07 Domine Deus
BWV0232 Mass in B minor 08 Qui tollis
BWV0232 Mass in B minor 09 Qui sedes
BWV0232 Mass in B minor 10 Quoniam tu solus
BWV0232 Mass in B minor 11 Cum Sancto Spiritu

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

—————————————————
Bach 2000 – Caixa 6, CD 2
—————————————————
BWV0232 Mass in B minor 12 Credo in unum Deum
BWV0232 Mass in B minor 13 Patrem omnipotentem
BWV0232 Mass in B minor 14 Et in unum Dominum
BWV0232 Mass in B minor 15 Et incarnatus est
BWV0232 Mass in B minor 16 Crucifixus
BWV0232 Mass in B minor 17 Et resurrexit
BWV0232 Mass in B minor 18 Et in Spiritum
BWV0232 Mass in B minor 19 Confiteor
BWV0232 Mass in B minor 20 Et expecto
BWV0232 Mass in B minor 21 Sanctus
BWV0232 Mass in B minor 22 Osanna
BWV0232 Mass in B minor 23 Benedictus
BWV0232 Mass in B minor 24 Osanna
BWV0232 Mass in B minor 25 Agnus Dei
BWV0232 Mass in B minor 26 Dona nobis pacem

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

—————————————————
Bach 2000 – Caixa 6, CD 3
—————————————————
BWV0233 Mass in F major 1 Kyrie
BWV0233 Mass in F major 2 Gloria
BWV0233 Mass in F major 3 Domine Deus
BWV0233 Mass in F major 4 Qui tollis
BWV0233 Mass in F major 5 Quoniam
BWV0233 Mass in F major 6 Cum Sancto Spiritu
BWV0234 Mass in A major 1 Kyrie
BWV0234 Mass in A major 2 Gloria
BWV0234 Mass in A major 3 Domine Deus
BWV0234 Mass in A major 4 Qui tollis
BWV0234 Mass in A major 5 Quoniam
BWV0234 Mass in A major 6 Cum Sancto Spiritu
BWV0239 Sanctus in D minor
BWV0240 Sanctus in G major
BWV0241 Sanctus in D major

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

—————————————————
Bach 2000 – Caixa 6, CD 4
—————————————————
BWV0236 Mass in G major 1 Kyrie
BWV0236 Mass in G major 2 Gloria
BWV0236 Mass in G major 3 Gratias agimus tibi
BWV0236 Mass in G major 4 Domine Deus
BWV0236 Mass in G major 5 Quoniam
BWV0236 Mass in G major 6 Cum Sancto Spiritu
BWV0235 Mass in G minor 1 Kyrie
BWV0235 Mass in G minor 2 Gloria
BWV0235 Mass in G minor 3 Gratias agimus tibi
BWV0235 Mass in G minor 4 Domine Fili
BWV0235 Mass in G minor 5 Qui tollis
BWV0235 Mass in G minor 6 Cum Sancto Spiritu
BWV0237 Sanctus in C major
BWV0238 Sanctus in D minor
BWV0242 Christe eleison in G minor

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Manuscrito da Missa em Si Menor de Bach
Manuscrito da Missa em Si Menor de Bach

PQP

.: interlúdio :. Canções, versões de Carlos Rennó de músicas de Cole Porter & George Gershwin

.: interlúdio :. Canções, versões de Carlos Rennó de músicas de Cole Porter & George Gershwin

Um bom e curioso CD. Cole Porter, George Gershwin – Canções, Versões é um projeto do letrista Carlos Rennó, reunindo pela primeira vez em disco um conjunto de seus trabalhos como autor de versões. Tudo é muito bom e as soluções encontrdas por Rennó são sempre brilhantes. Ele apresenta uma seleção de catorze canções — soberbamente interpretadas — dos dois grandes compositores da era clássica da canção americana – sete de cada. O repertório reúne canções dos anos 20 aos 40 que Cole Porter (1891 – 1962) e George (1898 – 1937) e Ira Gershwin (1896 – 1983) compuseram para musicais da Broadway ou Hollywood. A lista de cantores ao lado já dá o tom da qualidade dos caras.

Canções, versões de Carlos Rennó de músicas de Cole Porter & George Gershwin

01. EU SÓ ME LIGO EM VOCÊ
Intérprete: Zélia Duncan
Autoria: Cole Porter

02. QUE DE-LINDO
Intérprete: Caetano Veloso
Autoria: Cole Porter

03. FAÇAMOS (VAMOS AMAR)
Intérprete: Chico Buarque e Elza Soares
Autoria: Cole Porter

04. UM DIA DE GAROA
Intérprete: Gilberto Gil
Autoria: George & Ira Gershwin

05. BLABLABLÁ
Intérprete: Rita Lee
Autoria: George & Ira Gershwin

06. VOCÊ É O MEL
Intérprete: Tom Zé
Autoria: Cole Porter

07. TODA A VEZ QUE EU DIGO ADEUS
Intérprete: Cássia Eller
Autoria: Cole Porter

08. ABRAÇÁVEL VOCÊ
Intérprete: Jane Duboc
Autoria: George & Ira Gershwin

09. FASCINANTE RITMO
Intérprete: Ed Motta
Autoria: George & Ira Gershwin

10. OH, DAMA, TEM DÓ
Intérprete: Carlos Fernando
Autoria: George & Ira Gershwin

11. ENFIM AMOR
Intérprete: Sandra de Sá
Autoria: Cole Porter

12. QUEM TOME CONTA DE MIM
Intérprete: Paula Toller
Autoria: George & Ira Gershwin

13. A LORELAI
Intérprete: Mônica Salmaso
Autoria: George & Ira Gershwin

14. A MOÇA MAIS VAGAL DA CIDADE
Intérprete: Jussara Silveira
Autoria: Cole Porter

BAIXE AQUI — DOWNALOAD HERE

Cole Porter em atividade febril

PQP