Berio (1925-2003): Sinfonia – Berio & Mahler (1860-1911): Frühe Lieder

Berio (1925-2003): Sinfonia – Berio & Mahler (1860-1911): Frühe Lieder

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Olha, nem sei bem do que se trata essas 10 canções (lieder) de Mahler arranjadas pelo grande compositor italiano Luciano Berio. Conhecia algumas, outras não.

Claro, pois o que interessa neste CD é mais um raro registro da célebre Sinfonia de Berio. A Sinfonia foi uma encomenda da Filarmônica de Nova York para seu 125º aniversário. Composta em 1968-69 para orquestra e oito vozes amplificadas, é um inovador trabalho pós-serial, com vários vocalistas comentando sobre tópicos musicais, literários e políticos numa viagem aparentemente alucinada de citações e passagens dissonantes. As oito vozes não são usadas de maneira habitual. Frequentemente não cantam, mas falam, sussurram e gritam palavras de Claude Lévi-Strauss, cujo O Cru e o Cozido fornece boa parte do texto. Há também trechos do romance de Samuel Beckett O Inominável, instruções da partitura de Gustav Mahler para o 3º movimento da Sinfonia Nº 2, A Ressurreição — utilizada loucamente no terceiro movimento de Berio — , e grafites parisienses de maio de 1968. A estreia foi regida por Leonard Bernstein que escreveu que a Sinfonia era representante da nova direção que a música clássica estava tomando após a década pessimista dos anos sessenta. Foi, efetivemente, uma quebra naquela pasmaceira derivada da Segunda Escola de Viena.

Berio disse mais ou menos isso: “Tentar definir a música é quase como tentar definir a poesia, ou seja: trata-se de uma operação felizmente impossível, considerando a futilidade de querer estabelecer uma fronteira entre o que é música e o que não é, entre poesia e não-poesia. Talvez a música seja justamente isto: a procura de uma fronteira constantemente deslocada.”

A famosa Sinfonia de Berio está por toda a rede. São centenas de artigos que analisam uma das principais obras musicais do vanguardismo musical do século XX. Ela foi dedicada à Leonard Bernstein, que a estreou, mas na verdade homenageia toda a história da música, principalmente em seu terceiro movimento em que ouve-se claramente Mahler, Mahler, Mahler mas também Debussy, Bach e Schoenberg.

Ao ouvinte com pouca vivência em música moderna, sugiro começar a audição pelo terceiro movimento. Ali está o cerne da Sinfonia. Na segunda parte da Sinfonia há um tributo à memória de Martin Luther King. As oito vozes remetem-nos aos sons que constituem o nome do mártir negro até a enunciação completa e inteligível do seu nome.

Berio (1925-2003): Sinfonia – Berio & Mahler (1860-1911): Frühe Lieder

1 Lieder und Gesänge, Book 3: XI. Ablösung im Sommer 1:37
2 Lieder und Gesänge, Book 3: X. Zu Straβburg auf der Schanz 3:49
3 Lieder Und Gesänge, Book 3: XIII. Nicht Wiedersehen! 4:32
4 Lieder und Gesänge, Book 2: VI. Um schlimme Kinder artig zu machen 1:49
5 Lieder und Gesänge, Book 1: II. Erinnerung 2:47
6 Lieder und Gesänge, Book 1: III. Hans und Grete 2:03
7 Lieder und Gesänge, Book 2: VII. Ich ging mit Lust 4:26
8 Lieder und Gesänge, Book 1: I. Frühlingsmorgen 1:59
9 Lieder und Gesänge, Book 1: V. Phantasie aus “Don Juan” 2:24
10 Lieder und Gesänge, Book 3: XII. Scheiden und Meiden 2:38

Matthias Goerne
BBC Symphony Orchestra
Josep Pons

11 Sinfonia: I. 5:56
12 Sinfonia: II. O King 4:34
13 Sinfonia: III. In ruhig fliessender Bewegung 12:23
14 Sinfonia: IV. 3:14
15 Sinfonia: V. 7:11

The Synergy Vocals
BBC Symphony Orchestra
Josep Pons

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Luciano Berio ensina um violista a como segurar seu instrumento.
Luciano Berio ensina um violista a como segurar seu instrumento.

PQP

Johannes Brahms (1833-1897): Trio para Violino, Trompa e Piano / Trio para Clarinete, Violoncelo e Piano (Borodin Trio, Thompson, Campbell)

Johannes Brahms (1833-1897): Trio para Violino, Trompa e Piano / Trio para Clarinete, Violoncelo e Piano (Borodin Trio, Thompson, Campbell)
Version 1.0.0

Se você ama Brahms, já deve ter visto algum CD ou vinil com este repertório. Eles costumam andar juntos. Esta não é a gravação que eu levaria para a ilha deserta — alguns andamentos do Horn Trio estão muito lentos para meu gosto –, mas é de respeito. Este Op. 40 é uma elegia dedicada à memória da mãe de Brahms — que também recebeu a dedicatória de Um Réquiem Alemão — e reúne uma combinação incomum de piano, violino e trompa. É de calma beleza. O Trio para clarinete , violoncelo e piano, Op. 114, foi uma das quatro notáveis obras de câmara para clarinete compostas de enfiada por Johannes Brahms já no final de sua vida. É uma música onde parece que todos os instrumentos e toda a humanidade está apaixonada. A obra, assim como todas as que compôs para clarinete na época, foi dedicada ao clarinetista Richard Mühlfeld. Em novembro de 1891, Mühlfeld estreou a peça com Robert Hausmann ao violoncelo e o próprio Brahms ao piano.

Johannes Brahms (1833-1897): Horn Trio / Clarinet Trio

1. Trio for Violin, Horn and Piano in E-Flat Major, Op. 40: I. Andante – Poco piu animato 9:09
2. Trio for Violin, Horn and Piano in E-Flat Major, Op. 40: II. Scherzo: Allegro – Molto meno allegro – Allegro 8:13
3. Trio for Violin, Horn and Piano in E-Flat Major, Op. 40: III. Adagio mesto 8:27
4. Trio for Violin, Horn and Piano in E-Flat Major, Op. 40: IV. Finale: Allegro con brio 6:47

5. Clarinet Trio in A Minor, Op. 114: I. Allegro 8:48
6. Clarinet Trio in A Minor, Op. 114: II. Adagio 8:22
7. Clarinet Trio in A Minor, Op. 114: III. Andantino grazioso 5:08
8. Clarinet Trio in A Minor, Op. 114: IV. Allegro 4:55

The Borodin Trio:
Luba Edlina, piano
Rostilav Dubinsky, violino
Yuli Turovsky, cello
Michael Thompson, horn
James Campbell, clarinete

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O Trio Borodin
O Trio Borodin

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Eugène Ysaÿe (1858-1931): Obras para Violino (Graffin, Devoyon)

Eugène Ysaÿe (1858-1931): Obras para Violino (Graffin, Devoyon)

Eugène Ysaÿe foi o extravagante sucessor de Wieniawski na tradição francesa de virtuosismo violinístico. No entanto, ele se elevou a um novo patamar – o de bom compositor — com suas seis sonatas para violino solo de 1924. Cada sonata é dedicada a uma das estrelas em ascensão da nova geração de virtuosos e o trabalho seria uma resposta do século XX para o Seis Sonatas e Partitas para violino solo de Bach… As duas obras para violino e piano nesta gravação estão numa vertente menos virtuosa e datam de cerca de trinta anos antes. Rêve d’enfant é uma canção de ninar e combina curto concurso no espírito de Fauré, enquanto o Élégiaque Poème nos dá uma curiosa mistura de Fauré com Wagner.

Eugène Ysaÿe (1858-1931): Obras para Violino (Graffin, Devoyon)

1. Sonata No.1 in G minor – I. Grave. Lento assai
2. Sonata No.1 in G minor – II. Fugato. Molto moderato
3. Sonata No.1 in G minor – III. Allegretto poco scherzoso. Amabile
4. Sonata No.1 in G minor – IV. Finale con brio. Allegro fermo

5. Sonata No.2 in A minor – I. Obsession Prelude. Poco vivace
6. Sonata No.2 in A minor – II. Malinconia. Poco lento
7. Sonata No.2 in A minor – III. Danse des ombres sarabande. Lento
8. Sonata No.2 in A minor – IV. Les furies allegro furioso

9. Sonata No.3 ‘Ballade’ in D minor

10. Sonata No.4 in E minor – I. Allemanda. Lento maestoso
11. Sonata No.4 in E minor – II. Sarabande. Quasi lento
12. Sonata No.4 in E minor – III. Finale. Presto ma non troppo

13. Sonata No.5 in G major – I. L’ Aurore lento assai
14. Sonata No.5 in G major – II. Danse rustique allegro giocoso molto moderato
15. Sonata No.5 in G major – III. Moderato amabile – Tempo I – Poco piu mosso

16. Sonata No.6 in E major

17. Poeme elegiaque in D minor, Op.12

18. Reve d’ enfant, Op.14

Philippe Graffin: violin
Pascal Devoyon: piano

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Ysaye concetrado na morte da bezerra

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Tchaikovsky / Stravinsky: Sinfonia Nº 6, Op. 74 “Patética” / Cenas De Ballet (New York Philharmonic, Israel Philharmonic Orchestra, Leonard Bernstein)

Tchaikovsky / Stravinsky: Sinfonia Nº 6, Op. 74 “Patética” / Cenas De Ballet (New York Philharmonic, Israel Philharmonic Orchestra, Leonard Bernstein)

Este CD reúne duas faces do talento de Leonard Bernstein como regente: o Tchaikovsky mais pungente com a New York Philharmonic e o Stravinsky mais vibrante com a Israel Philharmonic Orchestra. É uma combinação que demonstra seu estilo apaixonado e teatral, ainda que com resultados distintos, para o bem e, eventualmente, para o mal. A Sinfonia Nº 6 “Patética”, foi gravada ao vivo em 1986, esta é uma interpretação que prioriza o drama. Bernstein oferece uma leitura intensa e profundamente pessoal, explorando a angústia e o desespero da obra. Fãs de interpretações mais contidas podem achar exagerada, mas para quem busca uma “Patética” visceral, é uma escuta, digamos, poderosa. Em contraste, as Scènes de ballet de Stravinsky, gravadas em 1982 com a Filarmônica de Israel, mostram um Bernstein que domina a linguagem do compositor. Esta é uma obra mais leve e neoclássica e Bernstein se diverte. A energia da execução ao vivo confere um brilho especial à gravação. Em resumo, o CD é um excelente retrato de… o Bernstein. A “Patética” não é uma gravação de referência, mas é uma declaração artística fascinante. Já as Scènes de ballet são um deleite, apresentando o lado mais sofisticado e dançante de Stravinsky sob a batuta de um maestro que entendia profundamente o teatro musical.

Tchaikovsky / Stravinsky: Sinfonia Nº 6, Op. 74 “Patética” / Escenas De Ballet (New York Philharmonic, Israel Philharmonic Orchestra, Leonard Bernstein)

Pyotr Ilyich Tchaikovsky, New York Philharmonic, Leonard Bernstein Symphony Nº 6 In B Minor, Op. 74 “Pathétique”
1 – Adagio – Allegro Non Troppo – Andante – Moderato Mosso – Andante – Moderato Assai – Allegro Vivo 22:43
2 – Allegro Con Grazia 8:06
3 – Allegro Molto Vivace 9:59
4 – Finale: Adagio Lamentoso – Andante 7:11

Igor Stravinsky, Israel Philharmonic Orchestra, Leonard Bernstein Scènes De Ballet
5 – Introduction 0:59
6 – Danses (Corps De Ballet) 3:37
7 – Variation (Ballerine) 1:07
8 – Pantomime 2:20
9 – Pas De Deux 3:02
10 – Pantomime 0:43
11 – Variation (Danseur) 1:24
12 – Variation (Ballerine) 1:15
13 – Pantomime 0:33
14 – Danses (Corps De Ballet) 1:12
15 – Apothéose 2:19

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Lenny

PQP

György Ligeti (1923-2006): Requiem, Aventures e Nouvelles Aventures (Maderna)

György Ligeti (1923-2006): Requiem, Aventures e Nouvelles Aventures (Maderna)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

E mais um Ligeti para o povo pequepiano. A complexidade dos contrapontos do Requiem — música da fase timbrística de Ligeti e composta um ano antes de Lux Aeterna — é uma coisa que beira o absurdo, ao menos para um ouvinte como eu. É uma coisa linda e metafísica. É a melhor peça deste maravilhoso CD, mas amo também as divertidas Aventures e as Nouvelles Aventures, escritas pouco antes do Requiem. Aqui há também uma polifonia furiosa, porém parece-me que a utilização de grunhidos e, fundamentalmente, do riso e de algumas momices, torna essas duas obras mais simpáticas do que o belo e difícil Requiem. Nas Aventuras, a impressão geral é a de que estamos de volta ao ambiente e à vida descrita pelo excelente filme Themroc (1973), de Claude Faraldo… Esta gravação é de 1965 e bastante rara, apesar da Amazon tê-la disponível.

Enjoy porque vale a pena…

György Ligeti (1923-2006) – Requiem, Aventures e Nouvelles Aventures

1 Requiem
Choir – Chor Des Bayerischen Rundfunks
Chorus Master – Wolfgang Schubert
Conductor [Orchester] – Michael Gielen
Mezzo-soprano Vocals – Barbro Ericson
Orchestra – Sinfonie-Orchester Des Hessischen Rundfunks Frankfurt
Soprano Vocals – Liliana Poli

2 Aventures

3 Nouvelles Aventures

Alto Vocals – Marie-Thérèse Cahn
Baritone Vocals – William Pearson
Conductor – Bruno Maderna
Orchestra – Internationales Kammerensemble Darmstadt
Soprano Vocals – Gertie Charlent

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Ele tenta se esconder, mas a gente sempre reencontra Ligeti
Ele tenta se esconder, mas a gente sempre encontra Ligeti

PQP

György Ligeti (1923-2006): Études Pour Piano

György Ligeti (1923-2006): Études Pour Piano

Eu não sei que CD é este. Só sei que ele está no stigma rest room (label “Contemporary”) daquele espanhol maluco que posta música “unusual” e reclama da ex- mulher. Ah, dentro do “.rar” tinha uma capa de um DVD russo sem maiores informações. Parecia de um filme nada a ver. Mas a gravação é bem boa.

György Ligeti – Études Pour Piano

Premier livre
01 – Étude no. 1 D‚sordre
02 – Étude no. 2 Cordes à vide
03 – Étude no. 3 Touches bloquées
04 – Étude no. 4 Fanfares
05 – Étude no. 5 Arc-en-ciel
06 – Étude no. 6 Automne à Varsovie

Deuxième livre
07 – Étude no. 7 Galamb borong
08 – Étude no. 8 FÉm
09 – Étude no. 9 Vertige
10 – Étude no. 10 Der Zauberlehrling
11 – Étude no. 11 En suspens
12 – Étude no. 12 Entrelacs
13 – Étude no. 13 L’escalier du Diable
14 – Étude no. 14 Coloana infinita

Troisieme livre
15 – Étude no. 15 White on white
16 – Étude no. 16 Pour Irina
17 – Étude no. 17 A bout de souffle

Sim, são os estudos para piano. A gravação é boa. Quem será o pianista? Ah, dentro do PQP há esta joia.

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PQP

Dvořák: Violin Concerto, Romance, Op. 11/ Bartók: 2 Rhapsodies (Chung, Muti, Philadelphia Orch / Rattle, CBSO)

Dvořák: Violin Concerto, Romance, Op. 11/ Bartók: 2 Rhapsodies (Chung, Muti, Philadelphia Orch / Rattle, CBSO)

Este CD reúne gravações da violinista sul-coreana Kyung-Wha Chung em dois momentos distintos de sua parceria com grandes orquestras e regentes. (A carreira de Chung infelizmente foi interrompida em 2005 por uma lesão no dedo indicador esquerdo). De um lado, Dvořák sob Riccardo Muti com a Philadelphia Orchestra (1988); de outro, as Rapsódias de Bartók dirigidas por Sir Simon Rattle com a City of Birmingham Symphony Orchestra (1992). O resultado é um disco que exibe o virtuosismo e a sensibilidade de Chung, mas que é duvidoso quanto à sintonia entre solista e regentes. Não vou falar do Dvořák, que detestei (pareceu-me que Muti e Chung se odiaram), mas sim das obras de Bartók, que são mais a minha praia: Rattle costuma compreender e obedecer aos solistas, mas, novamente, aqui há uma disparidade de estilos. Enquanto Chung traz a cor e a energia do grande húngaro, Rattle e a orquestra vêm com “a angústia e a ansiedade de Schoenberg”. Vai ver que a Chung é uma baita chata.

Dvořák: Violin Concerto, Romance, Op. 11/ Bartók: 2 Rhapsodies (Chung, Muti, Philadelphia Orch / Rattle, CBSO)

Antonín Dvořák
Concerto For Violin And Orchestra In A Minor, Op. 53
1 I. Allegro Ma Non Troppo 11:51
2 II. Adagio Ma Non Troppo 10:53
3 III. Finale. Allegro Giocoso, Ma Non Troppo 10:40
4 Romance In F Minor, Op. 11 12:59

Béla Bartók
Rhapsody For Violin And Orchestra No. 1 BB 94
5 Lassú. Moderato 4:53
6 Friss. Allegretto Moderato 5:16
Rhapsody For Violin And Orchestra No. 2 BB 96
7 Lassú. Moderato 4:58
8 Friss. Allegretto Moderato 6:03

Conductor – Riccardo Muti (tracks: 1 to 4), Sir Simon Rattle (tracks: 5 to 8)
Orchestra – City Of Birmingham Symphony Orchestra (tracks: 5 to 8), The Philadelphia Orchestra (tracks: 1 to 4)
Violin – Kyung-Wha Chung

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Kyung-wha Chung: vai ver algum regente torceu o dedo dela.

PQP

.: interlúdio :. Joni Mitchell: Blue

.: interlúdio :. Joni Mitchell: Blue

IM-PER-DÍ-VEL !!! TALVEZ O MELHOR ÁLBUM INDIVIDUAL DE UM ARTISTA DE MÚSICA POPULAR.

Ontem, 23 de junho de 2021, muita gente estava comemorando os 50 anos do álbum Blue, de Joni Mitchell. São 36min15 perfeitos. Um amigo até me mandou um link do Guardian onde uma série de artistas que foram inspirados pelo trabalho de Joni escolhiam sua canção preferida do disco. Nove delas foram citadas. Blue tem 10. Eu fiz questão de reouvir o disco para escolher a minha. Fiquei entre a comovente River e as harmonias de A Case of You. Eu não posso escolher só uma delas. Conheci Blue lá por 1975 e acho que o ouço a cada dois ou três anos — o que é muito pra mim — e ele só melhora. Sou meio desligado da música popular, mas há coisas que vêm e ficam. Joni é uma grande compositora, letrista e contadora de histórias.

Aliás, que ano foi 1971! Construção (Chico), London London (Caetano), Who`s Next (The Who), Led Zeppelin IV, Fa-Tal (Gal), Ela (Elis Regina), Tapestry (Carole King), Ram (Paul McCartney), Imagine (John Lennon), Aqualung (Jethro Tull), All things must pass (George Harrison), o que mais?

.: interlúdio :. Joni Mitchell: Blue

1 All I Want 3:32
2 My Old Man 3:33
3 Little Green 3:25
4 Carey 3:00
5 Blue 3:00
6 California 3:48
7 This Flight Tonight 2:50
8 River 4:00
9 A Case Of You 4:20
10 The Last Time I Saw Richard 4:13

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Blue, uma das obras-primas de Joni

PQP

Domenico Zipoli (1688-1726): Musica Sacra de las Misiones (Segade, Cantoría de la Basilica Nuestra Señora del Socorro)

Domenico Zipoli (1688-1726): Musica Sacra de las Misiones (Segade, Cantoría de la Basilica Nuestra Señora del Socorro)

zipoliUm grande CD apenas encontrável apenas a preço proibitivo. Música de primeira linha, extremamente bem gravada e com bons solistas. Imperdível!

A seguir, um artigo publicado pelo diario ÚLTIMA HORA (El Correo Semanal), 1-2 de enero de 2000 (Asunción,Paraguay).

Por muchas razones la figura de Doménico Zípoli (1688-1726) está ligada al patrimonio musical que legaron las Reducciones Jesuíticas. Nacido en Prato (Italia) y dueño de una sólida formación musical con maestros de la talla de Alessandro Scarlati y reconocido por su talento como compositor, su vida cambió de manera radical cuando, motivado por la vocación sacerdotal, viajó a Sevilla (España), donde ingresó a la Compañia de Jesús. En 1717 partió una expedición, organizada por los jesuitas, rumbo al Río de la Plata. Tenían como misión trabajar en las ya célebres Reducciones Jesuíticas del Paraguay. La enorme provincia virreynal abarcaba incluso el Convento de los Jesuitas en Córdoba, lugar donde se estableció.

En los ocho años y cinco meses de actividad en las Reducciones, Zípoli compuso una gran cantidad de música que luego se enviaba, por medio de emisarios, a los treinta pueblos que formaban parte de las Reducciones. Cuando España ordenó la expulsión de los jesuitas, en 1767, la mayor parte de sus composiciones fueron destruidas.

Fue recién en 1959 que el musicólogo estadounidense Robert Stevenson halló en Sucre (Bolivia) copias de su Misa en Fa, copiada en Potosí a pedido del Virrey de Lima. En 1972; en la Reducción de Chiquitos (Bolivia), se encuentran más de diez mil manuscritos, un hallazgo considerado como trascendental para el conocimiento de la musicología hispanoamericana. Entre esos manuscritos se pudieron rescatar obras de Zípoli, como Misas, Motetes, Himnos y piezas de órganos.

Pero todo ese material esta sin clasificar. Fue el maestro Luiz Szarán, en Paraguay, quien inició la recopilación, construcción, publicación e interpretación de las composiciones de Zípoli a través de un centenar de conciertos llevados a cabo en el país y en el exterior, como Argentina, Uruguay y Brasil; en la Exposición Universal de Sevilla, de 1992; en el Auditorio Nacional de España, en 1995, se verificó el estreno mundial del conjunto de Vísperas Solemnes.

En nuestro país podemos apreciar la labor de Luis Szarán en un compacto titulado ”Música de las Reducciones Jesuíticas”. Así pudimos acercarnos a un patrimonio invalorable, que habla del legado musical de un hombre que, de no ser por los estudiosos, podría haber quedado en el olvido.

Zípoli murió en Santa Catalina (a 50 kilómetros de Córdoba) a los 38 años de edad, de teberculosis. A quienes deseen ahondar en la vida de este músico recomendamos consultar el Diccionario de la Música en el Paraguay, de autoría de Luis Szarán.

Composer: Domenico Zipoli (1688 – 1726)
Performers: Mario Videla (Organo y clave), Haydee Francia (Violin solista), Claudio Baraviera (Cello), Margarita Zimermann (Contralto) et al.
Orchestra/Ensemble: Cantoría de la Basilica Nuestra Señora del Socorro
Conductor: Monseñor Jesús Gabriel Segade

Domenico Zipoli (1688 – 1726)
01. Misa en Fa Mayor para coro, solistas, cuerdas y bajo continuo – I. Kyrie
02. Misa en Fa Mayor para coro, solistas, cuerdas y bajo continuo – II. Gloria
03. Misa en Fa Mayor para coro, solistas, cuerdas y bajo continuo – III. Credo
04. Misa en Fa Mayor para coro, solistas, cuerdas y bajo continuo – IV. Sanctus
05. Sonata en La Mayor para violín y bajo continuo
06. Cantata para solistas y bajo continuo – Dell’ofesse a vendicarmi

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Zipoli: se não foi santo, esteve perto
Zipoli: se não foi santo, esteve perto

PQP / Avicenna

G. F. Handel (1685-1757): Messiah (Dublin Version, 1742, Dunedin, Butt)

G. F. Handel (1685-1757): Messiah (Dublin Version, 1742, Dunedin, Butt)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

O Dunedin e Butt novamente! Sensacional!

O Messias é o oratório mais popular de Handel. É grande número dos corais que atacam, confiantes e sorridentes, o coral Hallelujah. Eles estão certos, não serei eu que irei criticá-los. Só que esta peça está longe de figurar entre o que há de melhor neste oratório cheio de lirismo e de um melodismo raro, riquíssimo. É difícil de se encontrar árias mais inspiradas do que He shall feed His flock, Ev`ry valley shall be exalted, Why do the nations?, corais como For unto us a child is born, And the glory of the Lord, And He shall purify, além da ária-coral O thou thet tellest good tidings to Zion. Handel era genial e aqui tem seu ponto mais alto. A popularidade de O Messias é merecida.

O Messias normalmente ouvido por nós, principalmente no célebre Hallelujah, está bem longe daquilo que foi planejado originalmente por Handel. Pode parecer surpreendente a muitos o fato de que Handel, enquanto compunha o Oratório, lutava contra problemas administrativos que o levaram a utilizar um grupo pequeno de músicos, pela simples razão de que não os havia na Dublin de 1742 e de que era oneroso buscá-los em outras cidades. Handel dispunha apenas de 16 cantores-solistas e uma orquestra mínima e a estreia foi assim mesmo como Butt faz aqui. No curso destes mais de 270 anos, o popular Messias foi executado de todas as formas imagináveis. Nas antigas gravações da obra e até hoje, são ouvidos enormes corais, oboés dobrando as vozes – não há oboés na versão original -, fagotes no baixo contínuo – fagotes, que fagotes? – etc.

Nos anos 70, quando ouvi esta obra prima pela primeira vez, foi na mastodôntica versão de Karl Richter. Achei uma maravilha o que hoje acho estranho. Richter usou enorme coral e um potente conjunto instrumental, tudo muito pouco barroco. Só que os anos seguintes nos trouxeram as gravações em instrumentos originais, com as obras sendo executadas dentro de formações mais próximas do prescrito pelos compositores e muitas obras foram definhando em potência sonora para ganhar outros coloridos. A partir da década de 80, fomos nos acostumando a deixar o volume sonoro para compositores mais modernos e a fruir da delicadeza barroca. Não, não é proibido ouvir as velhas gravações que utilizam exércitos fortemente armados na interpretação deste oratório – e nem as novas que ainda fazem o mesmo! -, mas alguém com tendências puristas como eu, teve de acostumar-se ao uso de forças menores na interpretação do powerful Messiah. Hoje, parece a mim uma desonestidade ouvir uma obra interpretada dentro de uma concepção tão longínqua das intenções do compositor, ou seja, tão longe daquilo que Handel ouvia. Sei que estou em terreno perigoso e que há fóruns que estão discutindo isto há anos. Tudo começa com alguém perguntando “Mas, e se Handel dispusesse de um coral de 96 elementos e pudesse quadruplicar a orquestra, a música seria diferente?”. Tenho posições nestas questões, porém aqui a intenção é a de modestamente descrever e louvar um pouco de O Messias, esta delicada e poderosa obra de câmara…

É lendária velocidade com que Handel escrevia suas obras. Imaginem que os mais de 140 minutos deste oratório foram escritos em apenas 21 dias. Seus doze concerti grossi, opus 6, foram escritos em 24 dias, quando há pessoas que não conseguiriam sequer copiá-los neste período! Quando inspirado, o homem era rápido mesmo.

Mais curiosidades? Quando houve a elogiada e aplaudidíssima estréia em Dublin (em 13 de abril de 1742), Londres recebeu a obra com calculado distanciamento pela simples razão de que os londrinos não podiam ouvi-la. Ocorria que era proibido falar de coisas sagradas nos teatros e não se podia trazer profissionais dos teatros para cantarem numa igreja. Então o oratório, tal qual uma alma penada, caiu no limbo espírita. Mas Handel, velhinho, ainda teve tempo de ver seu oratório triunfar na capital.

O nome de Handel também aparece como Händel ou Haendel. Este alemão que produziu parte de sua obra na Inglaterra teve seu nome grafado nas três formas citadas. Seu nome original é Georg Friedrich Händel, mas ele tornou-se George e Handel na Inglaterra. Como sempre, o PQP usa todas as formas, dependendo da estação.

John Butt, regente desta gravação. Simplesmente arrebatador
John Butt, regente desta gravação. Simplesmente arrebatador

G. F. Handel (1685-1757): Messiah (Dublin Version, 1742)

1 Messiah, HWV 56: Part I: Grave – Allegro moderato 3:05
2 Messiah, HWV 56: Part I: Comfort ye my people (Tenor) 3:16
3 Messiah, HWV 56: Part I: Ev’ry valley shall be exalted (Tenor) 3:10
4 Messiah, HWV 56: Part I: And the glory of the Lord shall be revealed (Chorus) 2:56
5 Messiah, HWV 56: Part I: Thus saith the Lord of Hosts (Bass) 1:17
6 Messiah, HWV 56: Part I: But who may abide the day of His coming (Bass) 3:13
7 Messiah, HWV 56: Part I: And He shall purify (Chorus) 2:27
8 Messiah, HWV 56: Part I: Behold, a virgin shall conceive (Alto) 0:19
9 Messiah, HWV 56: Part I: O thou that tellest good tidings to Zion (Alto) 3:38
10 Messiah, HWV 56: Part I: O thou that tellest (Chorus) 1:32
11 Messiah, HWV 56: Part I: For behold, darkness shall cover the earth (Bass) 2:03
12 Messiah, HWV 56: Part I: The people that walked in darkness (Bass) 3:27
13 Messiah, HWV 56: Part I: For unto us a child is born (Chorus) 3:48
14 Messiah, HWV 56: Part I: Pifa (Pastoral Symphony) 2:46
15 Messiah, HWV 56: Part I: There were shepherds (Soprano) 0:12
16 Messiah, HWV 56: Part I: And lo, the Angel of the Lord (Soprano) 0:16
17 Messiah, HWV 56: Part I: And the angel said unto them (Soprano) 0:28
18 Messiah, HWV 56: Part I: And suddenly there was with the angel (Soprano) 0:16
19 Messiah, HWV 56: Part I: Glory to God in the highest (Chorus) 1:54
20 Messiah, HWV 56: Part I: Rejoice greatly, O daughter of Zion (Soprano) 6:19
21 Messiah, HWV 56: Part I: Then shall the eyes of the blind be open’d (Soprano) 0:23
22 Messiah, HWV 56: Part I: He shall feed His flock like a shepherd (Soprano) 5:07
23 Messiah, HWV 56: Part I: His yoke is easy, his burthen is light (Chorus) 2:18
24 Messiah, HWV 56: Part II: Behold, The Lamb of God (Chorus) 3:09
25 Messiah, HWV 56: Part II: He was despised (Alto) 11:30
26 Messiah, HWV 56: Part II: Surely, He hath borne our griefs (Chorus) 1:46
27 Messiah, HWV 56: Part II: And with His stripes we are healed (Chorus) 1:41
28 Messiah, HWV 56: Part II: All we like sheep have gone astray (Chorus) 3:42
29 Messiah, HWV 56: Part II: But who may abide 0:27

Disc 2
1 Messiah, HWV 56: Part II: Recitative: All they that see Him (Tenor) 0:42
2 Messiah, HWV 56: Part II: He trusted in God that He would deliver Him (Chorus) 2:14
3 Messiah, HWV 56: Part II: Thy rebuke hath broken His heart (Soprano) 1:51
4 Messiah, HWV 56: Part II: Behold, and see if there be any sorrow (Soprano) 1:22
5 Messiah, HWV 56: Part II: He was cut off out of the land of the living (Soprano) 0:16
6 Messiah, HWV 56: Part II: But Thou didst not leave His soul in hell (Soprano) 2:12
7 Messiah, HWV 56: Part II: Lift up your heads, O ye gates (Chorus) 3:06
8 Messiah, HWV 56: Part II: Unto which of the Angels (Tenor) 0:17
9 Messiah, HWV 56: Part II: Let all the angels of God worship Him (Chorus) 1:26
10 Messiah, HWV 56: Part II: Thou art gone up on high (Bass) 3:00
11 Messiah, HWV 56: Part II: The Lord gave the word (Chorus) 1:07
12 Messiah, HWV 56: Part II: How beautiful are the feet (Soprano, Alto) 3:35
13 Messiah, HWV 56: Part II: Why do the nations so furiously rage together (Bass) 1:27
14 Messiah, HWV 56: Part II: Let us break their bonds asunder (Chorus) 1:48
15 Messiah, HWV 56: Part II: He that dwelleth in heaven (Tenor) 0:21
16 Messiah, HWV 56: Part II: Hallelujah (Chorus) 4:02
17 Messiah, HWV 56: Part III: I know that my redeemer liveth (Soprano) 5:11
18 Messiah, HWV 56: Part III: Since by man came death (Chorus) 2:03
19 Messiah, HWV 56: Part III: Behold, I tell you a mystery (Bass) 0:36
20 Messiah, HWV 56: Part III: The trumpet shall sound (Bass) 8:28
21 Messiah, HWV 56: Part III: Then shall be brought to pass the saying (Alto) 0:12
22 Messiah, HWV 56: Part III: O death, where is thy sting (Alto, Tenor) 0:59
23 Messiah, HWV 56: Part III: But thanks be to God (Chorus) 2:08
24 Messiah, HWV 56: Part III: If God be for us (Soprano) 4:29
25 Messiah, HWV 56: Part III: Worthy is the Lamb that was slain (Chorus) 3:18
26 Messiah, HWV 56: Part III: Amen (Chorus) 4:50
27 Messiah, HWV 56: Part II: He that dwelleth in heaven shall laugh them to scorn 0:11
28 Messiah, HWV 56: Part II: Thou shalt break them with a rod of iron 2:03

Susan Hamilton
Annie Gill
Clare Wilkinson
Nicholas Mulroy
Matthew Brook
Dunedin Consort
Dunedin Players
John Butt

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Handel Messiah

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Andrea Zani (1696–1757): Concerti da Chiesa, Op. 11 / Concerti Op. 4 (Ciccolini & Compagnia De Musici / Columbro & Cappella Palatina)

Andrea Zani (1696–1757): Concerti da Chiesa, Op. 11 / Concerti Op. 4 (Ciccolini & Compagnia De Musici / Columbro & Cappella Palatina)

Os intérpretes deste dois CDs não chegam a ser brastemps, ou seja, talvez não façam jus à fragrância vivaldiana do raríssimo Zani, mas servem para demonstrar a tremenda qualidade da música violinística italiana — não enche o saco, eu sei que a Itália nem existia — daquele período. Zani é consistente, vale tranquilamente a audição, mas acho que principalmente o segundo CD mereceria melhores instrumentistas. Estes são mais dois discos enviados ao PQP Bach por nosso leitor-ouvinte S. Leal. Obrigado!

Andrea Zani (1696–1757): Concerti da Chiesa, Op. 11 / Concerti Op. 4 (Ciccolini & Compagnia De Musici / Columbro & Cappella Palatina)

Concerti da Chiesa, Op. 2 (1729)

1. Concerto da chiesa in A minor, Op. 2/1: Vivace
2. Concerto da chiesa in A minor, Op. 2/1: Largo
3. Concerto da chiesa in A minor, Op. 2/1: Spiritoso

4. Concerto da chiesa in E minor, Op. 2/2: Allegro
5. Concerto da chiesa in E minor, Op. 2/2: Largo
6. Concerto da chiesa in E minor, Op. 2/2: Allegro, ma non tanto

7. Concerto da chiesa in G major, Op. 2/3: Allegro
8. Concerto da chiesa in G major, Op. 2/3: Largo assai
9. Concerto da chiesa in G major, Op. 2/3: Allegro

10. Concerto da chiesa in G minor, Op. 2/4: Allegro
11. Concerto da chiesa in G minor, Op. 2/4: Largo assai
12. Concerto da chiesa in G minor, Op. 2/4: Allegro

13. Concerto da chiesa in D major, Op. 2/5: Allegro
14. Concerto da chiesa in D major, Op. 2/5: Adagio
15. Concerto da chiesa in D major, Op. 2/5: Allegro

Alessandro Ciccolini, violino
Compagnia De Musici

Concerti Op. 4

1. Concerto in F major, Op.4/6: Allegro
2. Concerto in F major, Op.4/6: Largo
3. Concerto in F major, Op.4/6: Allegro

4. Concerto in G major, Op.4/5: Allegro
5. Concerto in G major, Op.4/5: Adagio
6. Concerto in G major, Op.4/5: Allegro

7. Concerto in D major, Op.4/1: Allegro
8. Concerto in D major, Op.4/1: Andante
9. Concerto in D major, Op.4/1: Allegro spiritoso

10. Concerto in E minor, Op.4/4: Vivace
11. Concerto in E minor, Op.4/4: Adagio
12. Concerto in E minor, Op.4/4: Allegro

13. Concerto in B flat major, Op.4/7: Andante spiccato
14. Concerto in B flat major, Op.4/7: Allegro
15. Concerto in B flat major, Op.4/7: Andante
16. Concerto in B flat major, Op.4/7: Allegro

Giovanni Battista Columbro, regente
Cappella Palatina

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Que condicionador será que ele usava?
Que condicionador será que ele usava?

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.: interlúdio :. Thelonious Monk: Blue Monk

.: interlúdio :. Thelonious Monk: Blue Monk

Este CD da coleção Jazz Hour, lançado no Brasil pela Movieplay, é uma compilação que reúne seis faixas do lendário pianista Thelonious Monk, gravadas ao vivo em 1964 durante uma turnê pela Europa. Para os fãs de jazz, é uma oportunidade de ouvir o quarteto de Monk em grande forma, com destaque para a participação do saxofonista Charlie Rouse, que na época já tinha uma parceria consolidada com o pianista. A seleção de músicas é primorosa e representa bem o universo de Monk. A faixa-título, “Blue Monk”, um dos seus blues mais famosos, ganha uma interpretação estendida de quase 12 minutos, cheia de belos solos e daquele espaço característico que Monk dava aos músicos. Outras composições suas, como “Hackensack”, “Light Blue” e “Evidence”, mostram sua genialidade como compositor, com melodias tortas e ritmos que desafiam o ouvinte. A inclusão de “Jackie-Ing” e “Ruby My Dear” completa o panorama, mostrando tanto a vertente mais aventureira quanto a mais lírica do pianista. Comop sempre, a edição da Movieplay Brasil é direta. A qualidade do som é até boa, capturando a energia de uma apresentação ao vivo. Embora não seja uma edição com extras ou remasterizações especiais, ela cumpre muito bem seu papel: oferecer um ótimo registro de Monk em um momento inspirado, a um preço que era acessível na época. É um disco essencial para quem quer conhecer a obra de um dos maiores gênios do jazz.

.: interlúdio :. Thelonious Monk: Blue Monk

1 Hackensack 11:05
2 Light Blue 10:58
3 Evidence 11:41
4 Blue Monk 11:46
5 Jackie-Ing 10:09
6 Ruby My Dear 8:45

Bass – Larry Gales
Drums – Ben Riley
Piano – Thelonious Monk
Tenor Saxophone – Charlie Rouse

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Johannes Brahms (1833-1897): Quinteto para Piano / Quarteto Nº 2 (Virzaladze, Borodin)

Johannes Brahms (1833-1897): Quinteto para Piano / Quarteto Nº 2 (Virzaladze, Borodin)

A música de câmara de Brahms frequentemente respira de forma sinfônica e poucas obras exemplificam isso tão bem quanto seu Quinteto para Piano, Op. 34. Composta originalmente como uma sonata para dois pianos e depois como um quinteto de cordas, a obra encontrou sua forma definitiva ao unir o piano a um quarteto, criando uma textura de densidade e paixão orquestrais. Nesta gravação histórica, o lendário Quarteto Borodin e a pianista georgiana Eliso Virsaladze enfrentam este desafio com uma combinação de considerável poder e elegância. A performance do Quinteto é marcada por uma urgência que se impõe desde os acordes uníssonos e ameaçadores da abertura. O Borodin, conhecido por seu som encorpado, traz uma leitura limpa e de textura clara. Virsaladze se revela uma pianista que se iguala em estatura à força do quarteto. Sua performance dominante, especialmente nos momentos de clímax, como no Scherzo, onde a energia beira o feroz. Esta abordagem confere à obra uma dramaticidade impressionante, destacando a luta e a paixão intrínsecas à partitura. O Quarteto de Cordas No. 2, que completa o disco, recebe uma interpretação igualmente excelente. Os membros do Borodin, com mais de duas décadas de parceria na época da gravação, exibem um toque polido que confere à obra uma leitura “aristocrática”. A performance é bela, com o movimento lento transmitindo uma doçura melancólica e o finale se mostrando perfeito, na minha opinião.

Johannes Brahms (1833-1897): Quinteto para Piano / Quarteto Nº 2 (Virzaladze, Borodin)

Piano Quintet In F Minor, Op. 34
1 Allegro Non Troppo 15:13
2 Andante, Un Poco Adagio 9:03
3 Scherzo: Allegro ∙ Trio 7:33
4 Finale: Poco Sostenuto ∙ Allegro Non Troppo 10:30

String Quartet No. 2 In A Minor, Op. 51,2
5 Allegro Non Troppo 13:21
6 Andante Moderato 9:34
7 Quasi Minuetto, Moderato 4:56
8 Allegretto Vivace 7:06

Ensemble – Borodin Quartet*
Viola [Borodin Quartet] – Dmitri Shebalin
Violin [1 Violin Borodin Quartet] – Mikhail Kopelman
Violin [2 Violin Borodin Quartet] – Andrei Abramenkov
Violoncello [Borodin Quartet] – Valentin Berlinsky
Piano – Elizo Virzaladze

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Brahms antes de ficar barbudo e gordo.

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Franz Schubert (1797-1828): “Trout” Quintet / “Wanderer” Fantasy (Borodin Quartet, Sviatoslav Richter)

Franz Schubert (1797-1828): “Trout” Quintet / “Wanderer” Fantasy (Borodin Quartet, Sviatoslav Richter)

Um documento histórico de interpretação musical. Lançado originalmente pela EMI e posteriormente relançado em diversas edições, este disco coloca frente a frente duas obras-primas do compositor vienense sob a ótica de um dos maiores pianistas e quartetos de cordas do século XX.

O Quinteto “A Truta”, gravado ao vivo em junho de 1980 no Castelo de Hohenems, na Áustria, é apresentado sob uma perspectiva notavelmente pessoal e, para muitos, surpreendente. A interpretação de Richter, em colaboração com os violinistas Mikhail Kopelman e Dmitri Shebalin, o violoncelista Valentin Berlinsky e o contrabaixista Georg Hörtnagel, é marcada por andamentos que se contam entre os mais lentos já registrados, uma escolha que confere à obra uma dimensão de intensidade hipnótica e lirismo profundo, afastando-se do jovial e despreocupado que muitas vezes se associa à peça. Longe de ser um defeito, essa abordagem mais ponderada e “richteriana” revela uma faceta menos explorada do quinteto, mergulhando em suas estruturas e na beleza melódica com uma seriedade que beira o contemplativo, como se pode notar especialmente no andamento Andante, que ganha uma duração excepcional e atmosfera onírica. Embora o Scherzo possa parecer um tanto duro para alguns, perdendo parte da leveza habitual, a troca é compensada por uma riqueza de detalhes e uma união de propósitos entre os músicos, que se equilibram com notável sensibilidade, valorizando os momentos em que as cordas devem brilhar, como na cantilena para viola e violoncelo no segundo movimento.

Porém, na minha nada abalizada opinião, o grande atrativo do disco, é a Fantasia “Wanderer” (D. 760), registrada em estúdio em 1963, em Paris, que serve como um complemento de peso e revela o outro lado da personalidade artística de Richter. Aqui, o pianista se entrega à obra com a fúria e a majestade de um titã, enfrentando as imensas dificuldades técnicas com uma desenvoltura que beira o sobre-humano e transformando a peça num monumento de poder e virtuosismo, contrastando com a introspecção do quinteto. Conhecido por sua aversão a gravações em estúdio com edições, Richter imprime uma fluidez impressionante, onde a fúria do Allegro con fuoco e a energia do Presto dão lugar a um Adagio de uma beleza transcendental e toques de uma delicadeza surpreendente. A inclusão desta gravação, que por muito tempo foi difícil de encontrar, transforma o CD em uma peça de colecionador, especialmente para os admiradores do pianista.

Franz Schubert (1797-1828): “Trout” Quintet / “Wanderer” Fantasy ( Borodin Quartet, Sviatoslav Richter)

Quintet For Piano, Violin, Viola, Cello And Double Bass In A Major, D 667 “The Trout”
I. Allegro Vivace 13:32
II. Andante 8:28
III. Scherzo. Presto – Trio 4:28
IV. Thema. Andantino – Var.I-IV 7:38
V. Allegro Giusto 9:57

Fantasy For Piano In C Major, D 760 “Wanderer”
VI. Allegro Con Fuoco Ma Non Troppo 5:54
VII. Adagio 6:51
VIII. Presto 4:33
IX. Allegro 3:34

Sviatoslav Richter (piano)
Mikhail Kopelman (violino)
Dmitri Shebalin (viola)
Valentin Berlinsky (violoncelo)
Georg Hörtnagel (contrabaixo)

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Sviatoslav Richter pensando na morte da bezerra.

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Prokofiev: Sinfonia Nº 3 / Varèse: Arcana / Mosolov: Zavod – Fundição de Ferro (Concertgebouw, Chailly)

Prokofiev: Sinfonia Nº 3 / Varèse: Arcana / Mosolov: Zavod – Fundição de Ferro (Concertgebouw, Chailly)

Este CD reúne a Sinfonia nº 3 de Serguei Prokofiev (1891-1953), Arcana de Edgard Varèse (1883-1965) e Zavod (Iron Foundry) de Alexander Mosolov (1900-1973), é bom um retrato da modernidade musical do início do século XX. Chailly explora as afinidades entre três obras que, cada uma à sua maneira, celebram a energia, a violência e a transformação de um mundo novo. A Sinfonia Nº 3 de Prokofiev impressiona por sua força dramática e por seu caráter quase expressionista, herdado da ópera O Anjo de Fogo. Em Arcana, Varèse cria uma paisagem sonora monumental, feita de massas orquestrais em constante ebulição. É incrpivel! Já Zavod (Fundição de Ferro) continua sendo uma das mais melhores representações musicais da máquina industrial já compostas. A Orquestra do Concertgebouw responde com virtuosismo extraordinário às exigências dessas partituras. O resultado é uma gravação eletrizante, que combina precisão técnica, impacto sonoro e clareza estrutural. Mais do que uma reunião de obras modernas, este disco revela um momento em que a música procurava reinventar sua linguagem para expressar a velocidade, a inquietação e as promessas de um novo século.

Prokofiev: Sinfonia Nº 3 / Varèse: Arcana / Mosolov: Zavod – Fundição de Ferro (Concertgebouw, Chailly)

Mosolov
Zavod = Iron Foundry (Fundição de Ferro) 3:36

Prokofiev
Symphony No.3, Op.44
I Moderato 13:19
II Andante 7:04
III Allegro Agitato 7:42
IV Andante Mosso – Allegro Moderato 6:34

Varèse
Arcana 18:30

Conductor – Riccardo Chailly
Orchestra – Royal Concertgebouw Orchestra

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Zavod

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J. S. Bach (1685-1750) / C.P.E. Bach (1714-1788) / W. A. Mozart (1756-1791): The Imaginary Music Book Of J. S. Bach (Café Zimmermann)

J. S. Bach (1685-1750) / C.P.E. Bach (1714-1788) / W. A. Mozart (1756-1791): The Imaginary Music Book Of J. S. Bach (Café Zimmermann)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

O CD The Imaginary Music Book of J. S. Bach, gravado pelos franceses do Café Zimmermann, apresenta-se como um exercício de especulação histórica e criatividade musical que vai muito além de uma simples antologia. O programa parte de uma premissa fascinante: e se Johann Sebastian Bach tivesse compilado um caderno de música para seu próprio uso, um diário musical íntimo que refletisse seus gostos e influências, em vez dos cadernos didáticos que dedicou à família? Partindo dessa ideia, o grupo, liderado pelo violinista argentino Pablo Valetti e pela cravista Céline Frisch, constrói um recital de câmara de rara elegância e perspicácia, que é menos uma antologia e mais um diálogo imaginado com o compositor.

A espinha dorsal do disco é uma sequência engenhosa que contextualiza a música de Bach. A abertura com a Sinfonia da Cantata BWV 29, executada com uma vivacidade que dispensa a instrumentação original, já anuncia a abordagem do grupo: arranjos e transcrições são feitos com tanta naturalidade que soam como versões definitivas. O ponto central do programa é a grandiosa Sonata Trio da Oferenda Musical (BWV 1079), que é habilmente emoldurada pela Sonata Trio em Si bemol (Wq. 161/2) de seu filho, Carl Philipp Emanuel Bach. Esta justaposição é um golpe de mestre, pois permite ao ouvinte perceber com clareza a transição estilística entre a linguagem contrapontística de Johann Sebastian e o estilo galante e mais livre de C.P.E. Bach, que já anuncia o classicismo. O filho, longe de ser uma mera curiosidade, atua como um comentarista musical que impede a audição de se tornar um ato de devoção monolítica.

A seleção do restante do repertório é astuta, mesclando árias de cantatas, arranjadas para flauta, violino e contínuo, com arranjos atribuídos a ninguém menos que Wolfgang Amadeus Mozart. A inclusão do Adagio e Fuga, KV 404a, baseado em obras de Bach, não apenas sublinha a influência do compositor sobre as gerações futuras, como também insere uma reflexão sobre o “caderno imaginário”, transformando-o num documento que ultrapassa a própria vida de Bach. O programa se encerra com o coral Vor deinen Thron tret ich hiermit (BWV 668), uma peça envolta na lenda apócrifa de ter sido ditada pelo compositor em seu leito de morte.

Em sua formação reduzida para este projeto, o Café Zimmermann soa claro, preciso e polido. O fraseado é ágil e a interação entre os músicos – Karel Valter na flauta traversa, Petr Skalka no violoncelo, além de Valetti e Frisch – é de uma cumplicidade que cativa o ouvinte, que se vê transportado para a atmosfera do lendário café Zimmermann em Leipzig, onde Bach e seu Collegium Musicum entreteriam o público com sua alegria de tocar . Ainda que o conceito do “caderno imaginário” possa parecer um tanto vago e o programa uma colcha de retalhos para alguns, o resultado musical é de uma beleza tão suave e convincente que a busca por uma lógica programática se torna supérflua, pelamor. Este disco é um convite para folhear as páginas de um livro que nunca existiu, mas que soa como se sempre tivesse feito parte do nosso imaginário musical.

J. S. Bach (1685-1750) / C.P.E. Bach (1714-1788) / W. A. Mozart (1756-1791): The Imaginary Music Book Of J. S. Bach (Café Zimmermann)

Wir Danken Dir, Gott, BWV 29
1 Sinfonia In D major 3:26

Trio Sonata In B Flat Major, Wq. 161/2
Composed By – Carl Philipp Emanuel Bach
2 I. Allegro 6:11
3 II. Adagio Ma Non Troppo 4:45
4 III. Allegretto 6:58

Adagio And Fugue KV 404a
5 Adagio E Dolce (After Sonata N° 3 In D Minor, BWV 527 by Johann Sebastian Bach) 3:27
6 Fugue – Allegro (After The Art Of Fugue, BWV 1080 by Johann Sebastian Bach) 7:00
Composed By – Johann Sebastian Bach, Wolfgang Amadeus Mozart

Wir Danken Dir, Gott, BWV 29
7 Aria Hallelluja, Stärk’ Und Macht 4:42

Himmelskönig, Sei Wilkommen, BWV 182
8 Sinfonia In G Major 1:52

Gott Soll Allein Mein Herze Habe, BWV 169
9 Aria Gott Soll Allein Mein Herze Haben 5:25

Schwingt Freudig Euch Empor, BWV 36
10 Aria Auch Mit Gedämpften, schwachen Stimmen 6:17

Ein Ungefärbt Gemüthe, BWV 24
11 Aria Ein Ungefärbt Gemüthe 3:06

Sonate Sopr’il Soggetto Reale, BWV 1079
12 I. Largo 5:15
13 II. Allegro 5:50
14 III. Andante 2:44
15 IV. Allegro 3:09

16 Vor Deinen Thron Tret Ich Hiermit, BWV 668 4:17

Ensemble – Café Zimmermann
Flute – Karel Valter
Harpsichord – Céline Frisch
Violin – Pablo Valetti
Violoncello – Petr Skalka

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O Café Zimmermann (o conjunto)

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Sofia Gubaidulina (1931-2025) / Osvaldo Golijov (1960): Passions (Rilling, Guinand)

Sofia Gubaidulina (1931-2025) / Osvaldo Golijov (1960): Passions (Rilling, Guinand)

Sofia Gubaidulina e Osvaldo Golijov compuseram obras monumentais para o projeto Passion 2000 da Bachakademie Stuttgart. Ambas as composições redefinem a tradição clássica da Paixão com abordagens modernas, linguagens multiculturais e reflexões místicas profundas.

A monumental Johannes-Passion de Gubaidulina impressiona pela intensidade mística, pela riqueza tímbrica e por uma linguagem que une tradição religiosa e modernidade radical. A compositora russa baseou-se nos textos do Evangelho de São João e do Livro do Apocalipse, criando a primeira “Paixão” escrita em língua russa. A obra tem um caráter estritamente litúrgico, profundo e místico. Marcada por uma predominância de vozes graves e metais, a música evoca a ressonância de eras antigas, contrapondo os eventos sombrios da crucificação com a esperança da ressurreição, expandida na sequência St John Easter.

Já La Pasión según San Marcos, de Golijov, apresenta uma visão vibrante e multicultural, em que ritmos latino-americanos, elementos populares e força dramática convivem numa celebração de extraordinária energia. O compositor argentino une a música folclórica sul-americana, ritmos cubanos, influências judaicas e o canto litúrgico, trazendo o relato bíblico para um contexto contemporâneo e universal. A obra destaca-se pela alta dramaticidade e vitalidade rítmica, usando a percussão e o canto visceral para retratar Jesus não como o estereótipo europeu, mas como um homem latino-americano e de cor.

O contraste entre os dois compositores é fascinante: Gubaidulina busca a transcendência pelo recolhimento e pela contemplação; Golijov, pela exuberância e pelo movimento. O resultado é um disco que convida à reflexão sobre a diversidade das linguagens musicais contemporâneas e sobre a permanência de temas espirituais num mundo aparentemente secularizado. Uma audição exigente, mas profundamente recompensadora, que revela duas maneiras muito diferentes — e igualmente poderosas — de transformar fé, sofrimento e esperança em música.

Sofia Gubaidulina (1931-2025) / Osvaldo Golijov (1960): Passions (Rilling, Guinand)

St. John Passion = Johannes-Passion
Composed By – Sofia Gubaidulina
1-1 Das Wort = The word 1:20
1-2 Fußwaschung = The Washing Of Feet 10:34
1-3 Das Gebot Des Glaubens = The Commandment Of Faith 1:58
1-4 Das Gebot Der Liebe = The Commandment Of Love 2:51
1-5 Hoffnung = Hope 1:58
1-6 Liturgie Im Himmel = Liturgy In Heaven 13:25
1-7 Verrat, Verleugnung, Geißelung, Verurteilung = Betrayal, Denial, Flagellation, Condemnation 13:38
1-8 Gang Nach Golgotha = The Way To Golgotha 14:29
1-9 Eine Frau, Mit Der Sonne Bekleidet = A Woman Clothed With The Sun 1:37
1-10 Grablegung = Entombment 5:11
1-11 Die Sieben Schalen Des Zorns = The Seven Bowls Of Wrath 6:30

Nicholas Isherwood, Corby Welch, Julia Sukmanova, Bernd Valentin
Kammerchor der Musikhochschule Trossingen, Gächinger Kantorei, Radio-Sinfonieorchester Stuttgart des SWR
Helmuth Rilling

St. John Easter = Johannes-Ostern
Composed By – Sofia Gubaidulina
2-1 Ostermorgen = Easter Morning 2:42
2-2 Maria Magdalena = Mary Magdalene 3:08
2-3 Erste Erscheinunge Des Auferstandenen Christus Vor Den Jüngern „Empfanget Den Heiligen Geist“ = Christ’s First… 2:43
2-4 “Ich Glaube Nicht” = I Will Not Believe 4:06
2-5 Der Reiter Auf Dem Weißen Pferd = The Rider On A White Horse 5:31
2-6 Zweite Erscheinung Des Auferstandenen Christus Vor Den Jüngern „Und Sei Nicht Ungläubig“ = Christ’s Second Appearance… 1:14
2-7 Intermedium = Interlude 2:45
2-8 „Ich Bin Das Lebendige Brot“ = I Am The Living Bread“ 1:50
2-9 Die Finsternis Vergeht = The Darkness Is Passing Away 1:14
2-10 Dritte Erscheinunge Des Auferstandenen Christus Vor Den Jüngern „Abschied“ = Christ’s Third Appearance To His… 13:25
2-11 Das Gericht = The Judgement 2:53
2-12 „Und Ich Sah Einen Neuen Himmel Und Eine Neue Erde“ = „I Saw A New Heaven And A New Earth“ 6:27

Julia Sukmanova, Nicholas Isherwood, Corby Welch, Bernd Valentin
Radio-Sinfonieorchester Stuttgart des SWR, Kammerchor der Musikhochschule Trossingen, Gächinger Kantorei
Helmuth Rilling

La Pasión Según San Marcos = St. Mark Passion
Composed By – Osvaldo Golijov
Parte 1
3-1 Visión: Bautismo En la Cruz = Vision: Baptism On The Cross (1. Part) 1:02
3-2 Danza Del Pescador Pescado = Dance Of The Ensnared Fisherman 0:51
3-3 Primer Anuncio = First Announcement 3:42
3-4 Segundo Anuncio = Second Announcement 2:15
3-5 Tercero Anuncio: En Fiesta No = Third Announcement: Not On The Feast Day 1:02
3-6 Dos Dias = Two Days 1:37
3-7 Unción En Betania = The Anointment In Bethany 1:30
3-8 ¿Por Qué? = Why? 3:56
3-9 Oración Lucumí (Aria Con Grillos) = Lukumi Prayer (Aria With Crickets)) 2:02
3-10 El Primer Día = The First Day 1:34
3-11 Judas. El Cordero Pascual = The Paschal Lamb 4:29
3-12 Quisiera Yo Renegar (Aria de Judas) = I Wish To Forswear (Aria Of Judas) 2:43
3-13 Eucaristía = The Eucharist 3:18
3-14 Demos Gracias Al Señor = We Give Thanks To The Lord 5:00
3-15 En El Monte de Los Olivos = On The Mount Of Olives 1:08
3-16 Cara A Cara = Face To Face 1:10
3-17 En Getsemaní = In Gethsemane 1:41
3-18 Agonía (Aria de Jesús) = Agony (Aria Of Jesus) 7:52
3-19 Arresto = The Arrest 2:34
3-20 Danza de la Sábana Blanca = Dance Of The White Sheet 1:30
3-21 Ante Caifás = Before Caiaphas 1:44

Reynaldo González-Fernandez, Luciana Souza, Samia Ibrahim
Orquesta La Pasion, Schola Cantorum de Caracas, Cantoria Alberto Grau
Maria Guinand

Parte 2
4-1 Soy Yo (Confesión) = I Am (Confession)) 2:27
4-2 Escarnio y Negación = Scorn And Denial 1:52
4-3 Desgarro de la Túnica = Tearing Of The Garment 1:23
4-4 Lúa Descolorida (Aria de Las Lágrimas de Pedro) = Colorless Moon (Aria Of Peter’s Tears) 5:51
4-5 Amanecer: Ante Pilato = Morning: Before Pilate 3:46
4-6 Silencio = Silence 1:46
4-7 Sentencia = Sentence 1:56
4-8 Comparsa Al Gólgotha = Parade: To Golgotha 3:24
4-9 Danza de la Sábana Púrpura – Manto Sagrado = Dance Of The Holy Purple Robe 0:36
4-10 Crucifixión = Crucifixion 2:03
4-11 Muerte = Death 1:03
4-12 Kaddish 6:31

Samia Ibrahim, Luciana Souza
Orquesta La Pasion, Schola Cantorum de Caracas, Cantoria Alberto Grau
Maria Guinand

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O feliz platense Osvaldo Golijov

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Shostakovich: Symphony No. 13 ‘Babi Yar’ / Arvo Pärt: De Profundis (Albert Dohmen, Estonian National Male Choir, BBC Philharmonic, John Storgårds)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Lançado em maio de 2024 pelo selo Chandos, este álbum que reúne a Sinfonia nº 13 de Dmitri Shostakovich e o De profundis de Arvo Pärt, sob a direção de John Storgårds, é mais do que um simples registo de duas obras do repertório do século XX, o disco propõe um diálogo sombrio e contemplativo entre a memória da tragédia e a esperança. A escolha de Storgårds por abrir o programa com a breve peça de Arvo Pärt revela-se, desde o primeiro instante, uma declaração de intenções. Composto em 1980 e aqui apresentado na versão de 2008 para coro masculino e orquestra de câmara, De profundis é uma meditação sobre o Salmo 130, construída na característica linguagem “tintinnabuli” do compositor . Sob a batuta de Storgårds, e com o Estonian National Male Choir a revelar uma precisão e uma profundidade textual notáveis, a peça soa como um lento cortejo fúnebre, uma descida às profundezas da alma onde a dor se encontra com a possibilidade da redenção. A atmosfera é de uma serenidade gelada, e o toque final do sino, que se extingue no silêncio, prepara de forma magistral o terreno para o turbilhão de angústia que se seguirá.

É esse turbilhão que ocupa o centro do disco: a Sinfonia nº 13, op. 113, “Babi Yar”. Escrita por Shostakovich em 1962 sobre poemas de Yevgeny Yevtushenko, esta é uma obra de uma coragem e uma subversão raras, que denuncia o antissemitismo e a opressão na União Soviética, começando pelo massacre de 33.771 judeus na ravina de Babi Yar, na Ucrânia. É aqui que a interpretação de John Storgårds se diferencia mais radicalmente das abordagens tradicionais. O seu “estilo britânico” afasta-se do expressionismo visceral e da fúria contida que caracterizam as leituras de maestros russos como Kirill Kondrashin. Em vez disso, Storgårds opta por uma leitura contida, de uma clareza quase analítica, onde a tragédia é sugerida mais pela tensão acumulada e pelo relevo dado ao texto do que por gestos ostensivos. Este enfoque é corroborado pela escolha do solista, o baixo-barítono alemão Albert Dohmen. A sua voz, mais conhecida pelos papéis wagnerianos de Wotan e Gurnemanz, não possui o peso agreste e a cor negra de um baixo russo “à Boris Godunov”. Dohmen canta com uma sobriedade e uma elegância que, à primeira escuta, podem parecer deslocadas na ferocidade poética de Yevtushenko. No entanto, esta abordagem permite que a ironia corrosiva de Shostakovich se imponham por si mesmas, sem o véu de um pathos demasiado evidente. A sua interpretação é particularmente eficaz nos momentos de reflexão e no sarcasmo do movimento final, “Career”, onde a sua linha vocal mais introspetiva se ajusta perfeitamente à crítica irónica aos burocratas e à defesa dos verdadeiros criadores.

A resposta da BBC Philharmonic e do Estonian National Male Choir é de uma excelência inquestionável. O coro é impecável, com uma projeção clara e um sentido dramático apurado, que vai do sussurro ao ataque incisivo no movimento satírico “Humour”. A orquestra, por seu lado, tira de letra a complexa e multifacetada partitura de Shosta. As madeiras são ácidas e zombeteiras, os metais soam rudes e ameaçadores, e as cordas criam camadas de textura de uma frieza gélida, especialmente nos movimentos “In the Store” e “Fears”, onde o clima de paranoia e desolação é magistralmente construído. A qualidade da gravação capta com impressionante clareza o peso do tímpano, o toque lúgubre do sino e os mais recatados pianíssimos do coro.

Este não é um álbum para quem procura uma catarse imediata ou uma recriação visceral da estreia russa da obra. A proposta de John Storgårds é deliberadamente mais intelectual, mais fria e, curiosamente por isso, profundamente melancólica. Ao colocar o grito de revolta de Shostakovich ao lado do recolhimento religioso de Pärt, o maestro finlandês convida-nos a uma escuta que transcende o protesto político e se aproxima de uma meditação sobre o sofrimento humano. Para alguns críticos, esta abordagem soou comedida, para outros representou uma visão poderosamente alternativa, que encontra a sua força não na tempestade, mas na profundidade silenciosa do seu olhar. É um registo que não se impõe facilmente, mas que, uma vez compreendido, revela grande integridade artística e coerência.

Shostakovich: Symphony No. 13 ‘Babi Yar’ / Arvo Pärt: De Profundis (Albert Dohmen, Estonian National Male Choir, BBC Philharmonic, John Storgårds)

Arvo Pärt– De Profundis (2008) 6:50

Dmitri Shostakovich Symphony No. 13 In B Flat Minor, Op. 113 ‘Babiy Yar’ (1962)
Bass-Baritone Vocals – Albert Dohmen
(1:02:35)
2 – 1. Babiy Yar. Adagio ‒ Più Mosso ‒ Adagio ‒ Più Mosso ‒ Allegro ‒ Adagio ‒ Poco Più Mosso ‒ Adagio ‒ Più Mosso 16:07
3 – 2. Humour. Allegretto 8:31
4 – 3. In The Store. Adagio ‒ Meno Mosso. Sostenuto ‒ Adagio ‒ Meno Mosso ‒ [Più Mosso] ‒ Meno Mosso ‒ Largo ‒ Adagio ‒ 12:00
5 – 4. Fears. Largo ‒ Sostenuto ‒ Più Mosso ‒ Moderato ‒ Largo ‒ Poco Più Mosso ‒ Sostenuto ‒ Allegretto ‒ Largo ‒ 12:00
6 – 5. Career. Allegretto ‒ Pesante ‒ Meno Mosso ‒ Allegretto ‒ Adagio ‒ Allegretto ‒ Adagio ‒ Allegretto ‒ Meno Mosso 13:49

Choir – Estonian National Male Choir
Conductor – John Storgårds
Leader – Zoë Beyers
Orchestra – BBC Philharmonic
Vocal Coach [Language Coach] – Alexandre Naoumenko

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John Storgårds: mais tranquilo, menos indignado e político, talvez mais profundo.

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Gustav Mahler (1860-1909): Sinfonia Nº 3 (Neumann, Orquestra Filarmônica Tcheca)

Gustav Mahler (1860-1909): Sinfonia Nº 3 (Neumann, Orquestra Filarmônica Tcheca)

Eu adoro esta Sinfonia Nº 3 de Mahler. Para mim, é a melhor. É uma das obras mais monumentais do repertório sinfônico, ultrapassando muitas vezes os 100 minutos de duração. Mahler a descreveu como “a coisa mais louca que já escrevi”, tamanha sua ambição e complexidade. Neumann e seus tchecos são realmente muito bons! A obra está dividida em seis movimentos que traçam uma jornada filosófica ascendente desde a natureza primitiva até o amor divino:

1. Pã Desperta: o Verão Marcha: um enorme movimento de abertura enorme (cerca de 40 min) que emerge de uma textura densa e “primitiva”.
2. O que as Flores do Campo me Contam.
3. O que os Animais da Floresta me Contam: inclui um famoso solo de trompa, que cria uma atmosfera nostálgica e distante.
4. O que o Homem me Conta: um movimento para contralto solo, dá-lhe Christa!
5. O que os Anjos me Contam: envolve coro feminino e infantil, celebrando a alegria celestial.
6. O que o Amor me Conta: um adágio final muito bonito e comovente, onde as cordas e metais criam uma sensação de redenção.

Para Mahler, “uma sinfonia deve ser como o mundo. Deve conter tudo”. Assim, a obra transita entre o assustador e o sublime, combinando momentos de pura exuberância e profunda melancolia .

Gustav Mahler (1860-1909): Sinfonia Nº 3 (Neumann, Orquestra Filarmônica Tcheca)

I. Kräftig. Entschieden (Beg.) 26:28
I. Kräftig. Entschieden (Concl.) 4:33
II. Tempo Di Menuetto. Sehr Mässig 8:42
III. Comodo. Scherzando. Ohne Hast 16:27
IV. Sehr Langsam. Misterioso 9:50
V. Lustig Im Tempo Und Keck Im Ausdruck 4:36
VI. Langsam. Ruhevoll. Empfunden 19:58

Chorus – Kühnův Dětský Sbor (tracks: D1), Pražský Filharmonický Sbor*
Chorus Master – Jiří Chvála (tracks: D1), Josef Veselka
Conductor – Václav Neumann
Contralto Vocals – Christa Ludwig
Orchestra – Česká Filharmonie*

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Václav Neumann (1920-1995)

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F. J. Haydn (1732-1809): Sinfonias Nº 85, 62 e 50 (Kammerorchester Basel, Antonini)

F. J. Haydn (1732-1809): Sinfonias Nº 85, 62 e 50 (Kammerorchester Basel, Antonini)

Este é o volume 15 da maravilhosa série capitaneada por Giovanni Antonini e a Orquestra de Câmara de Basel, assim como Il Giardino Armonico. A ideia da série é a de gravar todas as sinfonias até 2032, quando Haydn completará 300 de vida, pois está vivo até hoje. Diferentemente de uma abordagem cronológica tradicional, Antonini opta por agrupar as sinfonias por temas ou conceitos. O fio condutor do volume 15 são as figuras reais, fazendo referência direta à Sinfonia nº 85, apelidada de “La Reine”. A lenda conta que esta era a sinfonia favorita da Rainha Maria Antonieta da França. As outras obras do disco também possuem conexões reais, ainda que menos diretas: a Sinfonia nº 50 foi apresentada durante uma visita da Imperatriz Maria Teresa da Áustria, e a Sinfonia nº 62 foi composta no ano da morte da mesma imperatriz. A regência de Antonini recebe elogios quase unânimes da crítica especializada. O estilo é descrito como uma combinação feliz de vigor rítmico e sensibilidade lírica, sem recorrer a exageros ou efeitos que possam cansar em audições repetidas. Este Volume 15 – “La Reine” é um triunfo. Ele captura a essência do que torna a música de Haydn tão especial: a capacidade de ser ao mesmo tempo previsível e surpreendente, elegante e robusta, cheia de humor e profunda emoção. Com uma combinação inteligente de obras conhecidas e injustamente negligenciadas, com performances que respiram vitalidade e inteligência musical, este disco é um presente para os amantes de Haydn e um testemunho da importância de se ter um projeto de integrais bem planejado e executado.

F. J. Haydn (1732-1809): Sinfonias Nº 85, 62 e 50 (Kammerorchester Basel, Antonini)

Symphony No.85 In B Flat Major, Hob. I:85 ‘La Reine’
1 I. Adagio – Vivace 10:51
2 II. Romance. Allegretto 6:55
3 III. Menuet. Allegretto – Trio 3:18
4 IV. Finale. Presto 3:18

Symphony No.62 In D Major, Hob. I:62
5 I. Allegro 7:39
6 II. Allegretto 5:41
7 III. Menuet. Allegretto – Trio 2:19
8 IV. Finale. Allegro 7:57

Symphony No.50 In C Major, Hob. I:50
9 I. Adagio E Maestoso – Allegro Di Molto 4:42
10 II. Andante Moderato 4:38
11 III. Menuet – Trio 3:40
12 IV. Finale. Presto 5:23

Conductor – Giovanni Antonini
Orchestra – Kammerorchester Basel

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Iannis Xenákis (1922-2001): Phlegra / Jalons / Keren / Nomos / Alpha / Thalleïn (Pierre Boulez, Michel Tabachnik)

Não é um CD para todos. É de 1992 e eu acho lindo! Este álbum com o Ensemble InterContemporain sob a direção de Pierre Boulez e Michel Tabachnik, é uma das portas de entrada para o universo de Iannis Xenákis. Reunindo obras compostas entre 1965 e 1986, o disco apresenta um compositor que pensa a música como arquitetura sonora: massas de som em movimento, explosões de energia e texturas de uma força quase física. Esta gravação continua sendo indispensável para quem ouve a música quase contemporânea… Mais do que desafiar o ouvinte, Xenákis o coloca dentro de uma experiência sonora radical, em que a percepção é constantemente testada e renovada. Nestas interpretações precisas e intensamente comprometidas, Boulez e Tabachnik revelam não apenas a violência e a complexidade dessa música, mas também sua surpreendente beleza. Convém evitar os dois extremos: o entusiasmo vazio (“Uau, música revolucionária!”) e o tecnicismo excessivo. Ela sugere algo essencial sobre sua obra: por trás da matemática, da arquitetura e da violência sonora, há uma busca genuína pela beleza — uma beleza diferente da de Debussy ou Mahler, mas nem por isso menos intensa.

Iannis Xenákis (1922-2001): Phlegra / Jalons / Keren / Nomos / Alpha / Thalleïn (Pierre Boulez, Michel Tabachnik)

1 Phlegra 13:15
2 Jalons 14:30
3 Keren
Trombone – Benny Sluchin
6:33
4 Nomos Alpha
Cello – Pierre Strauch
12:31
5 Thalleïn 17:22

Bass Clarinet – Guy Arnaud (tracks: 1 to 2)
Bassoon – Pascal Gallois (tracks: 1, 2, 5)
Cello – Pierre Strauch (tracks: 1, 2, 5)
Clarinet – Alain Damiens (tracks: 1), André Trouttet (tracks: 2, 5)
Composed By, Recording Supervisor – Iannis Xenákis
Conductor – Michel Tabachnik (tracks: 1, 5), Pierre Boulez (tracks: 2)
Double Bass – Axel Bouchaux (tracks: 1, 2, 5), Frédéric Stochl (tracks: 1, 2, 5)
Ensemble – Ensemble Intercontemporain (tracks: 1, 2, 5)
Flute – Emmanuelle Ophèle (tracks: 1), Laszlo Hadady (tracks: 1, 5), Sophie Cherrier (tracks: 2, 5)
Harp – Marie-Claire Jamet (tracks: 2)
Horn – Jacques Deleplancque (tracks: 1 to 2), Jens McManama (tracks: 5)
Oboe – Didier Pateau (tracks: 2)
Percussion – Daniel Ciampolini (tracks: 5), Vincent Bauer (tracks: 5)
Piano – Alain Neveux (tracks: 5)
Trombone – Benny Sluchin (tracks: 1, 2, 5), Jérôme Naulais (tracks: 1, 2, 5)
Trumpet – Antoine Cure (tracks: 1), Jean-Jacques Gaudon (tracks: 2, 5)
Tuba – Gérard Buquet (tracks: 2)
Viola – Garth Knox (tracks: 2, 5), Jean Sulem (tracks: 1)
Violin – Jacques Ghestem (tracks: 2, 5), Jeanne Marie Conquer (tracks: 1), Maryvonne Le Dizes (tracks: 2, 5)

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Em janeiro de 1945, Xenákis foi atingido por um obus, perdendo um olho.

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Corrette / La Garde / Marais / De Grandval / Courbois: Dom Quichotte – Cantates & Concertos Comiques (Visse, Café Zimmermann)

Este CD do Café Zimmermann com o contratenor Dominique Visse, é uma deliciosa incursão por um lado menos conhecido do barroco francês: o da sátira, da paródia e do humor musical. O programa reúne cantatas e concertos cômicos de compositores hoje pouco frequentados, mas que revelam um século XVIII espirituoso e surpreendentemente irreverente. o barroco também sabia rir de si mesmo. Não é um imperdível, mas eu me diverti com ele. O Marais é maravilhoso, assim como o La Garde. O Café Zimmermann, liderado pelo argentino Pablo Valetti é um grupo muito foda.

Corrette / La Garde / De Grandval / Marais / Courbois: Dom Quichotte – Cantates & concertos comiques (Visse, Café Zimmermann)

Concerto Comique V ‘La Femme Est Un Grand Embarras’
Composed By – Michel Corrette
1 Allegro 2:09
2 Adagio 1:57
3 Allegro 1:48

Cantate ‘La Sonate’
Composed By – Pierre de La Garde
4 – 5:03
5 N’Admirés Vous Pas Ce Tableau… 2:44
6 Ainsi Par Des Sons Tout S’Exprime… 3:21

7 La Sonnerie De Ste Geneviève Du Mont De Paris
Composed By – Marin Marais
7:10

Cantate ‘La Matrone D’Ephèse’
Composed By – Nicolas Racot De Grandval
8 – 3:24
9 Un Autre Mort En Grand Silence… 6:03
10 Vous Êtes Mon Vainqueur… 4:58
11 Qu’Entends-je !… 3:51

Concerto Comique XXIV ‘La Marche Du Huron’
Composed By – Michel Corrette
12 Allegro 3:09
13 Amorozo 2:08
14 Allegro 1:56

Cantate ‘Dom Quichotte’
Composed By – Philippe Courbois
15 – 3:08
16 Air : Loin Des Yeux Qui M’Ont Fait Captif 3:41
17 Signalons Sur Ces Monts 5:43
18 Le Fameux Chevalier À La Triste Figure 3:43

Countertenor Vocals – Dominique Visse (tracks: 4 to 11, 15 to 18)
Ensemble – Café Zimmermann
Flute – Diana Baroni
Harpsichord, Organ – Céline Frisch
Lute, Guitar [Baroque Guitar] – Eric Bellocq
Other [Thank You] – Reiko Arai
Viola da Gamba – Guido Balestracci
Violin – David Plantier
Violin, Concertmaster – Pablo Valetti
Violoncello – Petr Skalka

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Felix Mendelssohn (1809-1847): Concerto para Piano e Cordas em lá menor / Concerto para Violino, Piano e Cordas em ré menor (Staier, Kussmaul, Concerto Köln)

Felix Mendelssohn (1809-1847): Concerto para Piano e Cordas em lá menor / Concerto para Violino, Piano e Cordas em ré menor (Staier, Kussmaul, Concerto Köln)

Felix Mendelssohn foi um dos mais espantosos prodígios da história da música. Se Mozart impressionava aos cinco anos, Mendelssohn, aos 13, já compunha obras de uma complexidade e frescor que desmentiam sua idade. Este CD, com o trio Andreas Staier (fortepiano), Rainer Kussmaul (violino) e o Concerto Köln, oferece um mergulho fascinante nesse universo, capturando a energia bruta e a elegância em formação do compositor. A grande sacada deste disco é o uso de instrumentos de época e uma orquestra de câmara reduzida. Afinal, estas obras foram concebidas para serem ouvidas nos salões da família Mendelssohn, não em grandes salas de concerto. O Concerto Köln respeita essa origem intimista, utilizando, em certos momentos, apenas um instrumento por parte. Acho a abordagem do Concerto Köln ácida até mesmo para os padrões de instrumentos de época, tornando os tutti orquestrais (especialmente nos movimentos lentos) uma experiência um tanto estranha. Em vez de um tapete aveludado, o acompanhamento é pontiagudo — uma escolha que prioriza a clareza rítmica e a energia juvenil sobre a doçura. Se a orquestra é agressiva, os solistas são a alma poética do disco. Andreas Staier, craque na arte da performance historicamente informada, toca um fortepiano Fritz de 1825. O som do instrumento é muito diferente do piano de concerto moderno: tem menor projeção e ataque mais seco. Isso explica por que Mendelssohn escreveu tantas passagens em arpejos e escalas — era a forma de fazer o som aparecer. Staier navega com virtuosismo por essas águas, mas é no Concerto Duplo que a dinâmica fica mais interessante. O grande destaque, contudo, é o violinista Rainer Kussmaul. Ele toca com uma rara pureza, usando o vibrato de forma contida. Enquanto o piano de Staier muitas vezes se perde em meio à escrita juvenil (cheia de notas, mas nem sempre melódica), o violino de Kussmaul canta com uma doçura lírica que prende a atenção. Há um diálogo interessante no Concerto Duplo: Kussmaul puxa a emoção, enquanto Staier (que também rege a orquestra a partir do teclado) sustenta a estrutura. Este CD não é para quem busca uma audição relaxante ou uma entrada fácil no mundo de Mendelssohn. A abordagem do Concerto Köln é ríspida e vibrante, o que pode incomodar tanto quanto impressiona. No entanto, para os aficionados por música de época e para quem se interessa pelo processo criativo dos grandes compositores, este é um documento precioso. Andreas Staier e Rainer Kussmaul são guias excepcionais, mostrando como estas obras “menores” já continham as sementes do gigante romântico. A experiência é a de olhar um esboço de Leonardo da Vinci: não é a Mona Lisa, mas a genialidade do traço é inconfundível.

Felix Mendelssohn (1809-1847): Concerto para Piano e Cordas em lá menor / Concerto para Violino, Piano e Cordas em ré menor (Staier, Kussmaul, Concerto Köln)

Concerto For Piano And Strings In A Minor
1 Allegro 15:13
2 Adagio 9:11
3 Finale: Allegro Ma Non Troppo 10:16

Concerto For Violin, Piano And Strings In D Minor
4 Allegro 17:59
5 Adagio 10:03
6 Allegro Molto 8:40

Fortepiano – Andreas Staier
Violin – Rainer Kussmaul
Ensemble – Concerto Köln

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Mendelssohn sem pente.

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Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 5 (Nelsons, Orquestra Filarmônica de Viena)

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 5 (Nelsons, Orquestra Filarmônica de Viena)

A versão de Andris Nelsons que inaugura seu ciclo das gravações das Sinfonias de Mahler com a Filarmônica de Viena é muito digna de nota. É uma abordagem recomendada para ouvintes que valorizam interpretações ousadas, intelectualmente elaboradas e tecnicamente impecáveis — mesmo que isso venha às custas de um certo calor visceral. Não é recomendada para puristas que desejam uma Quinta Sinfonia tradicional, com um Adagietto romântico e uma narrativa dramática mais linear. Mahler linear? Ficaram loucos? A Quinta Sinfonia de Mahler é uma das obras mais monumentais e difíceis do repertório sinfônico — uma jornada de quase 80 minutos que parte da escuridão de uma marcha fúnebre e avança, através de tormentas e danças, rumo a um finale radiante. O problema é que Mahler não facilita: cada intérprete precisa decidir como contar essa história.

A sinfonia abre com a famosa fanfarra do trompete solo — um chamado que anuncia a Trauermarsch (marcha fúnebre). Nelsons conduz este movimento insistindo na solenidade do ritual fúnebre, sem pressa. O segundo movimento é uma explosão de fúria que contrasta com a marcha inicial. Aqui, Nelsons demonstra domínio da orquestração mahleriana — os metais soam poderosos e o diálogo entre seções é cuidadosamente esculpido. Uma joia. O terceiro movimento, um Scherzo vienense gigantesco para orquestra (com destaque para as trompas), é frequentemente um ponto polêmico. Mahler exige uma Viena dançante e vertiginosa — mas também um senso de estrutura para sustentar mais de quinze minutos de música. Nelsons inicia com leveza e alegria de viver, mas acho que essa energia se dissipa ao longo do movimento. Ou não? O famoso Adagietto para cordas e harpa é, para muitos, a alma da sinfonia — uma declaração de amor a Alma Mahler. Nelsons, porém, recusa uma leitura romântica. Ele o apresenta não como uma canção de amor, porém mais como uma tranquila meditação. Seu tempo é lento (cerca de dez minutos) e o tom é profundo e comovente, realçando a fragilidade e a introspecção. O Rondo-Finale é uma explosão de energia, com citações de temas anteriores que precisam soar como uma espécie de vitória. Nelsons conduz este movimento com “alegria e vivacidade”, e os últimos acordes são retumbantes.

Como considero Mahler um romântico tardio, herdeiro da tradição germânica, expressão extrema e obsessão pelos temas da morte e da transcendência, talvez Nelsons seja meio traidor, mas acho que não muito. Está tudo lá, só que sem derramamentos desnecessários.

P.S. — Para mim, esta sinfonia está muito associada ao covid. Em fevereiro de 2020, em nossa última viagem internacional, eu e minha mulher estávamos em Roma e vimos o último concerto na Academia Nacional de Santa Cecília antes de fechar em razão da pandemia. O grande Daniele Gatti foi o regente. As primeiras máscaras já apareciam. Quando chegamos em Porto Alegre, ninguém usava ainda.

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 5 (Nelsons, Orquestra Filarmônica de Viena)

1 I. Trauermarsch: A. In Gemessenem Schritt 1:15
2 I. Trauermarsch: B. Etwas Gehaltener 2:02
3 I. Trauermarsch: C. Wieder Etwas Gehaltener 2:44
4 I. Trauermarsch: D. Plötzlich Schneller 0:48
5 I. Trauermarsch: E. A Tempo. F. Tempo I. 1:49
6 I. Trauermarsch: G. Schwer (15). H. Klagend 5:47

7 II. Stürmisch Bewegt, Mit Grösster Vehemenz: A. Sturmisch Bewegt 1:28
8 II. Stürmisch Bewegt, Mit Grösster Vehemenz: B. Bedeutend Langsamer 2:29
9 II. Stürmisch Bewegt, Mit Grösster Vehemenz: C. Tempo I Subito 0:53
10 II. Stürmisch Bewegt, Mit Grösster Vehemenz: D. Langsam Aber Immer 1:19
11 II. Stürmisch Bewegt, Mit Grösster Vehemenz: E. Tempo Moderato 1:36
12 II. Stürmisch Bewegt, Mit Grösster Vehemenz: F. Plötzlich Wieder Bedeutend Langsamer 1:36
13 II. Stürmisch Bewegt, Mit Grösster Vehemenz: G-J. Tempo I Subito. Etwas Langsamer. Nicht Eilen. Wuchtig 3:55
14 II. Stürmisch Bewegt, Mit Grösster Vehemenz: K. Pesante 1:29
15 II. Stürmisch Bewegt, Mit Grösster Vehemenz: L. Tempo I Subito 1:50

16 III. Scherzo. Kräftig, Nicht Zu Schnell: A-B. Kräftig, Nicht Zu Schnell 2:33
17 III. Scherzo. Kräftig, Nicht Zu Schnell: C. Etwas Ruhiger 1:05
18 III. Scherzo. Kräftig, Nicht Zu Schnell: D-E. Tempo I. Lansamer 1:50
19 III. Scherzo. Kräftig, Nicht Zu Schnell: F. Etwas Zurückhaltend 1:31
20 III. Scherzo. Kräftig, Nicht Zu Schnell: G-H. Molto Moderato. Nicht Eilen 3:28
21 III. Scherzo. Kräftig, Nicht Zu Schnell: I. A Tempo Molto Moderato 1:14
22 III. Scherzo. Kräftig, Nicht Zu Schnell: J-L. Poco Rit. A Tempo I. Nicht Eilen – Vorwärts Drängen 4:13
23 III. Scherzo. Kräftig, Nicht Zu Schnell: M-N. Tempo I. A Tempo Moderato 1:56
24 III. Scherzo. Kräftig, Nicht Zu Schnell: O. Tempo I Subito 0:59

25 IV. Adagietto. Sehr Langsam: A-B. Sehr Langsam. Wieder äußerst Langsam 4:47
26 IV. Adagietto. Sehr Langsam: C. Fliessender 1:57
27 IV. Adagietto. Sehr Langsam: D. Fliessend 0:52
28 IV. Adagietto. Sehr Langsam: E. Zurückhaltend 2:21
29 IV. Adagietto. Sehr Langsam: F. Zögernd 2:28

30 V. Rondo-Finale. Allegro: A-B. Allegro. Allegro Giocoso 1:19
31 V. Rondo-Finale. Allegro: C-D. Sempre L’Istesso Tempo. Grazioso 1:34
32 V. Rondo-Finale. Allegro: E. A Tempo I 0:35
33 V. Rondo-Finale. Allegro: F. Sempre L’Istesso Tempo 1:19
34 V. Rondo-Finale. Allegro: G. A Tempo 1:21
35 V. Rondo-Finale. Allegro: H-I. Sempre L’Istesso Tempo. Nicht Eilen 2:15
36 V. Rondo-Finale. Allegro: J. Nicht Eilen. A Tempo 1:31
37 V. Rondo-Finale. Allegro: K-L. Plötzlich Wieder Wie Zu Anfang. Unmerklich Etwas Einhaltend 2:36
38 V. Rondo-Finale. Allegro: M. Grazioso 2:08
39 V. Rondo-Finale. Allegro: N. Sehr Drängend 1:45

Wiener Philharmoniker
Andris Nelsons

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Nelsons: preocupadíssimo por ter sido retirado de Boston

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Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia Nº 5 (Haitink, Orquestra Sinfônica da Rádio Bávara)

Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia Nº 5 (Haitink, Orquestra Sinfônica da Rádio Bávara)

Esta gravação da Sinfonia Nº 5, de Bruckner, por Bernard Haitink à frente da Orquestra Sinfônica da Rádio Bávara é uma interpretação que privilegia a arquitetura da obra acima do efeito imediato. Haitink não procura monumentalidade teatral nem êxtases exagerados. Sua abordagem é de uma lucidez clássica, permitindo que a gigantesca construção de Bruckner apareça claramente ao ouvinte. A grande virtude desta leitura está no equilíbrio. Os tempos são raramente pesados e a extraordinária polifonia do último movimento emerge com clareza exemplar. A Orquestra da Rádio Bávara responde com sonoridade magnífica, especialmente nos metais, ricos e profundos. O resultado é uma Quinta menos dramática do que as de Furtwängler ou Jochum, mas mais transparente. Haitink conduz a música com paciência e inteligência, confiando que a força da partitura basta por si mesma. Para alguns críticos, essa objetividade chega a parecer excessivamente contida — para outros, trata-se justamente de uma das grandes realizações do catálogo moderno. É uma gravação para quem prefere contemplar a catedral em toda a sua grandiosidade estrutural, em vez de se deixar deslumbrar apenas pelos vitrais. Haitink nos mostra Bruckner como um mestre da forma — e, ao fazê-lo, alcança uma beleza serena e duradoura.

Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia Nº 5 (Haitink, Orquestra Sinfônica da Rádio Bávara)

I. Adagio – Allegro 20:38
II. Adagio 16:10
III. Scherzo: Molto vivace 13:40
IV. Finale: Adagio – Allegro moderato 25:14

Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks
Bernard Haitink

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Bruckner, o revolucionário piedoso

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