Uma joia. John Adams é um verdadeiro mestre e o CD da Chandos que junta Naive and Sentimental Music e Absolute Jest, de John Adams, na interpretação da Royal Scottish National Orchestra sob a regência de Peter Oundjian, oferece um díptico fascinante sobre as facetas criativas do compositor. Naive and Sentimental Music, composta entre 1997 e 1998 e aqui apresentada numa gravação de 2018, é uma obra sinfónica de grande fôlego que busca inspiração no ensaio de Schiller para explorar a tensão entre a expressão musical espontânea e a reflexão artística consciente, num arco de três andamentos que vai da meditação lírica ao moto-perpétuo rítmico. Em contraste, Absolute Jest (2011-2012) é um colossal scherzo de 25 minutos que consiste num jogo virtuosístico e exuberante pela história da música, colhendo fragmentos dos quartetos de cordas e sonatas de Beethoven e submetendo-os a uma mosaico típico de Adams. A gravação conta com a participação do Doric String Quartet e se beneficia da direção compreensiva de Oundjian e da Orquestra Escocesa, resultando numa leitura que privilegia a clareza dos detalhes e o contorno das peças sem perder o entusiasmo e muicalidade, captada com um som “sensualmente luxuoso”.
John Adams (1947): Naive and Sentimental Music & Absolute Jest (Doric String Quartet, Royal Scottish National Orchestra, Peter Oundjian)
Absolute Jest (2011, Revised 2012) (25:15)
1 ♩. =100 – Poco Più Mosso – Tranquillo (lo Stesso Tempo ♩. =100) – Tranquillo ♩ =98 – 10:35
2 Presto ♩. = 130 – Lo Stesso Tempo – 𝅗𝅥 = 97 – ♩. = 127 – Tranquillo ♩. = 116 – 𝅗𝅥 = 87 – ♩. = 116 – 3:36
3 Lo Stesso Tempo (♩. = 116) – 𝅗𝅥 = 87 – ♩ = 87 – 1:08
4 Meno Mosso ♩ = 80 – ♩ = 76 Moderato E Tranquillo – 𝅗𝅥. = 116 – 3:20
5 Vivacissimo (Lo Stesso Tempo Dotted 𝅗𝅥. = 116) – 1:56
6 Prestissimo ♩. = 116 – 𝅗𝅥 = 88 – 𝅗𝅥 = 102 – 𝅗𝅥 = 60 4:40
Naive And Sentimental Music (1997-98) (45:57)
7 I. Naive And Sentimental Music. ♪ = 92 – ♪ = 108 – ♪ = 116 – ♩ = 66 – ♩ = 132 = 𝅗𝅥 = C.98 – ♩ = C.145 – Agitato – ♩ = 152 – ♩ = 132 – ♩ = 144 18:45
8 II Mother Of The Man. Very Calm ♩ = 72 – ♩ = 60 – ♩ = 120 – ♩ = 72 – ♩ = 110 – ♩ = 72 15:45
9 III Chain To The Rhythm. ♩ = 92 – 𝅗𝅥 = 96 – 𝅗𝅥 = 72 – 𝅗𝅥 = 100 11:17
Cello [Doric String Quartet] – John Myerscough (tracks: 1 to 6)
Conductor – Peter Oundjian
Ensemble – Doric String Quartet (tracks: 1 to 6)
Guitar [Steel-String Guitar] – Sean Shibe (tracks: 7 to 9)
Orchestra – Royal Scottish National Orchestra
Viola [Doric String Quartet] – Hélène Clément (tracks: 1 to 6)
Violin [Doric String Quartet] – Alex Redington (tracks: 1 to 6), Jonathan Stone (4) (tracks: 1 to 6)
Faz três anos, veio uma menina georgiana aqui na OSPA e nos deu uma interpretação notável — verdadeiramente sensível e bela — para a o Concerto Nº 1 de Shosta. Após o Concerto, fui cumprimentá-la e ela me disse que fora a primeira vez que o tocara o Concerto em público. Fiquei muito impressionado e disse: “Mas tu tocaste de cor!”. Ela me respondeu que ele tem momentos tão rápidos e intensos que era impossível ler, melhor decorar logo. Seu nome é Elisso Gogibedaschwili e, vi agora, ela é austríaca, mas de origem georgiana, claro.
Elisso Gogibedaschwili
Composto entre 1947 e 1948, o Concerto para Violino Nº 1 em Lá menor, Op. 77 (ou 99), de Dmitri Shostakovich é uma obra profundamente marcada pelo contexto político soviético. Escrito para o violinista David Oistrakh, a quem é dedicado, o concerto teve sua estreia adiada por sete anos devido à campanha contra o “formalismo” na música, que levou o compositor a ser publicamente censurado pelo regime stalinista. Sua estrutura incomum em quatro movimentos (Nocturne, Scherzo, Passacaglia e Burlesca) revela um universo de contrastes: da introspecção sombria do “Nocturne” à fúria demoníaca do “Scherzo”, onde surge a primeira aparição do motivo DSCH (a assinatura musical do compositor) . O coração da obra está na imponente e lindíssima “Passacaglia”, que desemboca em uma cadenza extensa e solitária antes da explosão virtuosística da “Burlesca” final, uma música que Oistrakh descreveu como portadora de um “profundo conteúdo artístico” e um papel “shakespeariano” para o solista.
Em contraste, o Concerto para Violino Nº 2, Op. 61, de Karol Szymanowski, composto em 1932-33, representa uma síntese tardia e mais serena da linguagem do compositor polonês. Escrito em memória do violinista Paweł Kochański, que o estreou meses antes de morrer, a obra afasta-se do cromatismo denso e da atmosfera orientalista do Primeiro Concerto em direção a uma certa luminosidade. Sua arquitetura é concisa, estruturada em um único movimento com duas seções principais separadas por uma cadenza, revisitando um modelo caro ao compositor. Aqui, Szymanowski busca inspiração no folclore das montanhas Tatra, criando uma narrativa musical que alterna passagens líricas e introspectivas com temas rítmicos e saltitantes que evocam as danças tradicionais da região. É uma obra de virtuosismo mais contido e transparente. É também muito bonito.
Shostakovich: Concerto Nº 1 para Violino e Orquestra, Op. 99 / Szymanowski: Concerto Nº 2 para Violino e Orquestra, Op. 61 (Lack, Köhler)
Violin Concerto No.1, Op. 99
Composed By – Dmitri Shostakovich
Conductor – Siegfried Köhler
Violin – Fredell Lack
Orchestra – The Berlin Symphony Orchestra
1 Moderato 11:44
2 Allegro 6:03
3 Andante 13:10
4 Allegro Con Briao 5:15
Violin Concerto No.2, Op. 61
Composed By – Karol Szymanowski
Conductor – Siegfried Köhler
Violin – Fredell Lack
Orchestra – The Berlin Symphony Orchestra
(22:31)
5-1 Moderato
5-2 Andante Sosternuto
5-3 Allegramente Molto Energico
Mais um grande disco do Belcea Quartet, agora com o excelente pianista Piotr Anderszewski no Quinteto para Piano de Shostakovich.
O Quinteto para piano, Op. 57 (1940)
A música perfeita. Trata-se de um irresistível quinteto escrito em cinco movimentos intensamente contrastantes. O prelúdio inicial estabelece três estilos distintos que voltarão a ser explorados adiante: um dramático, outro neo-clássico e o terceiro lírico. Todos os temas que serão ouvidos nos movimentos seguintes apresentam-se no prelúdio em forma embrionária. Depois vem uma rigorosa fuga puxada pelo primeiro violino e demais cordas até chegar ao piano. Sua melodia belíssima e lírica é seguida por um scherzo frenético. É um choque ouvir chegar o intermezzo que traz de volta a seriedade à música. Apesar do título, este intermezzo é o momento mais sombrio do quinteto. O Finale, cujo início parece uma improvisação pura do pianista, fará uma recapitulação condensada do prelúdio inicial. Este Quinteto para Piano recebeu vários prêmios como o Stálin e outros que não vale a pena referir aqui, mas o mais importante para Shostakovich foi a admiração que Béla Bartók dedicou a ele.
O Quarteto N° 3 foi lançado em Moscou pelo quarteto Beethoven, a quem é dedicado, em dezembro de 1946. Ele foi escrito por Shosta logo após ver sua Sinfonia Nº 9 censurada. Ele também tem cinco movimentos:
Allegretto
Moderado com moto
Allegro non troppo
Adagio ( attacca )
Moderato
Para a estreia, certamente para que não fosse acusado de “formalismo” ou “elitismo “, Shostakovich renomeou os movimentos à maneira de uma história de guerra. Deixo aqui o título de cada movimento a fim de que os visitadores do blog possam dar gargalhadas relacionando “tema” e música.
O engano de ignorar o futuro cataclismo
Alguns estrondos de inquietação e antecipação
As forças de guerra são desencadeadas
Em memória dos mortos
A eterna pergunta: por que e para quê?
Um arranjo de sinfonia de câmara (Op. 73a) foi feito a partir deste quarteto por Rudolph Barshai.
Dmitri Shostakovich (1906-1975): Quinteto para Piano / Quarteto de Cordas N° 3
Piano Quintet In G Minor, Op. 57
Piano – Piotr Anderszewski
1 I. Prelude (Lento) 4:46
2 II. Fugue (Adagio) 11:34
3 III. Scherzo (Allegretto) 3:37
4 IV. Intermezzo (Lento) 7:02
5 V. Finale (Allegretto) 7:40
String Quartet No. 3 In F Major, Op. 73
6 I. Allegretto 7:27
7 II. Moderato Con Moto 5:37
8 III. Allegro Non Troppo 4:12
9 IV. Adagio 6:00
10 V. Moderato 11:12
Ensemble – Belcea Quartet
Cello – Antoine Lederlin
Viola – Krzysztof Chorzelski
Violin – Corina Belcea e Axel Schacher
Piano – Piotr Anderszewski
In This House, On This Morning é um álbum duplo de jazz que se estende por quase duas horas de duração — uma jornada musical que ultrapassa o simples repertório de canções para se aproximar de uma suíte programática inspirada numa celebração dominical de uma igreja afro-estadunidense. A obra foi concebida como uma narrativa musical: cada música ou segmento descreve um aspecto diferente de um serviço religioso. Composto para um septeto, o álbum inclui diversos instrumentistas-chave — como o trombonista Wycliffe Gordon, o pianista Eric Reed e o saxofonista Todd Williams –, e até participações vocais, como a poderosa cantora Marion Williams no trecho In This House. Musicalmente, a obra mistura blues e gospel, refletindo profundamente as raízes da música afro-americana; elementos do jazz tradicional e pós-bebop, com referências claras ao legado de figuras como Duke Ellington; além de transições e temas programáticos que exigem atenção do ouvinte, aproximando o álbum de um tipo de “sinfonia em jazz” para septeto. Na época do lançamento, lembro que alguns críticos observaram que a obra era “demasiado intelectual” ou hermética em certos momentos, com passagens que soam mais como transições do que melodias definidas — o que pode exigir paciência do ouvinte menos acostumado a estruturas extensas. Além disso, embora a influência de Ellington e tradições do jazz clássico seja vista como inspiração, alguns críticos foram menos entusiasmados com essa abordagem e a consideraram datada em certas passagens. De qualquer forma, In This House, On This Morning é um marco — uma obra que desafia as fronteiras entre jazz, música programática e narrativa sonora. Não é simplesmente um álbum de canções, mas uma experiência que requer atenção, absorção e reflexão. Para ouvintes que gostam de jazz que explora tradições profundas, histórias culturais e arquiteturas musicais amplas, este é um trabalho inesquecível.
.: interlúdio :. Wynton Marsalis: In this house, on this morning
Part I
Devotional 3:00
Call To Prayer 5:56
Processional 4:35
Representative Offerings 6:46
(a) The Lord’s Prayer 3:48
Part II
Hymn 3:47
Scripture 4:11
Prayer
(a) Introduction To Prayer 2:24
(b) In This House 3:10
(c) Choral Response 5:10
Local Announcements 3:34
Altar Call 1:30
Altar Call (Introspection) 8:41
Part III: In The Sweet Embrace Of Life
Sermon
(a) Father 16:02
(b) Son 4:58
(c) Holy Ghost 6:56
Invitation 5:59
Recessional 10:34
Benediction 3:25
Uptempo Posthude 7:44
Pot Blessed Dinner 2:40
Alto Saxophone – Wessell Anderson
Bass – Reginald Veal
Composed By – Wynton Marsalis
Piano – Eric Reed
Soprano Saxophone, Tenor Saxophone – Todd Williams
Trombone – Wycliffe Gordon
Trumpet – Wynton Marsalis
Vocals – Marion Williams
A gente ouve Weinberg e logo pensa em Shostakovich. Mas num Shosta mais modesto do ponto de vista artístico. A relação entre a música de Mieczysław Weinberg e Dmitri Shostakovich é uma das mais fascinantes e complexas da música do século XX. A conexão começou em 1943, quando Weinberg, então um jovem compositor refugiado da Polônia na União Soviética, enviou sua Primeira Sinfonia a Shostakovich. Impressionado, Shostakovich não só o ajudou a se mudar para Moscou, como se tornou seu amigo mais próximo e mentor. Weinberg declarou: “Embora eu nunca tenha tido aulas com ele, considero-me seu aluno, sua carne e seu sangue”. Esta frase resume a dívida artística que sentia, mas a realidade é que o intercâmbio de ideias era uma via de mão dupla. A influência de Shostakovich na música de Weinberg pode ser percebida em diversos aspectos. Primeiramente pela estética compartilhada: ambos viveram sob a opressão do regime soviético, e essa experiência se traduziu em uma música de grande tensão emocional, ironia amarga, e uma profunda introspecção. Eles compartilhavam uma visão similar sobre o “papel da música” como um testemunho de seu tempo. Depois pela linguagem musical: é possível encontrar paralelos no uso de certos gestos musicais, como melodias líricas e melancólicas, scherzos grotescos e frenéticos, e uma predileção por formas como a passacaglia. E finalmente pela música judaica: Um dos elos mais fortes foi o interesse comum pela música folclórica judaica. Weinberg, filho de um diretor musical de teatro iídiche, trouxe essa herança em sua obra. Acredita-se que ele tenha sido uma fonte crucial para o florescimento do interesse de Shostakovich por esses temas, que resultou em obras-primas como o Segundo Trio com Piano e o ciclo “Da Poesia Popular Judaica”.
Sibelius era um romântico tardio. Um romântico tardio bem esquisito do qual gosto muito. Meu primeiro contato com suas obras para piano foi um belo e pesado disco de vinil. O pianista era Glenn Gould. Somando-se esquisitice com esquisitice o resultado era excelente. Heinonen, o pianista deste CD, mantém o clima preferido do finlandês: uma sintaxe à princípio pouco convidativa, fria, mas gentil e cheia de surpresas. Eu gosto. Não são obras para serem ouvidas apenas uma vez, elas custam a convencer, mas convencem. Sibelius foi um cara fundamental para a independência da Finlândia, que ficava ora em mãos russas, ora em suecas. Sua música teve importante papel na formação da identidade nacional finlandesa. Tudo aqui é nacionalismo, cada nota, apesar do jeitão intimista do moço.
A seleção inclui a Sonata Op. 12, importante obra do Siba, e um arranjo para piano de Finlândia, a música mais famosa daquela parte fria e escura do mundo. E o que dizer da língua maluca que eles falam?
Jan Sibelius (1865-1957): Obras para Piano (Eero Heinonen)
1. Five Characteristic Impressions, Op. 103 – 1. The Village Church Eero Heinonen (piano) 3:31
2. Five Characteristic Impressions, Op. 103 – 2. The Fiddler Eero Heinonen (piano) 2:28
3. Five Characteristic Impressions, Op. 103 – 3. The Oarsman Eero Heinonen (piano) 2:26
4. Five Characteristic Impressions, Op. 103 – 4. The Storm Eero Heinonen (piano) 1:42
5. Five Characteristic Impressions, Op. 103 – 5. In Mournful Mood Eero Heinonen (piano) 2:04
6. Kyllikki (Drei lyrische Stücke für Pianoforte), Op. 41 – 1. Largamente Eero Heinonen (piano) 3:10
7. Kyllikki (Drei lyrische Stücke für Pianoforte), Op. 41 – 2. Andantino Eero Heinonen (piano) 4:47
8. Kyllikki (Drei lyrische Stücke für Pianoforte), Op. 41 – 3. Commodo Eero Heinonen (piano) 3:18
9. Viisi luonnosta (Five Esquisses), Op. 114 – 1. Maisema (Landscape) Eero Heinonen (piano) 2:58
10. Viisi luonnosta (Five Esquisses), Op. 114 – 2. Talvikuvia (Winter Scene) Eero Heinonen (piano) 2:09
11. Viisi luonnosta (Five Esquisses), Op. 114 – 3. Metsälampi (Forest Lake) Eero Heinonen (piano) 1:36
12. Viisi luonnosta (Five Esquisses), Op. 114 – 4. Metsälaulu (Song in the Forest) Eero Heinonen (piano) 2:27
13. Viisi luonnosta (Five Esquisses), Op. 114 – 5. Kevätnäky (Spring in Vision) Eero Heinonen (piano) 1:34
14. Sonata in F major, Op. 12 – I Allegro molto Eero Heinonen (piano) 6:41
15. Sonata in F major, Op. 12 – II Andantino Eero Heinonen (piano) 7:01
16. Sonata in F major, Op. 12 – III Allegro pochettino moderato Eero Heinonen (piano) 4:23
17. Five pieces, Op. 85 (The Flowers) – 1. Bellis Eero Heinonen (piano) 1:42
18. Five pieces, Op. 85 (The Flowers) – 2. Œillet Eero Heinonen (piano) 2:00
19. Five pieces, Op. 85 (The Flowers) – 3. Iris Eero Heinonen (piano) 3:08
20. Five pieces, Op. 85 (The Flowers) – 4. Aquileja Eero Heinonen (piano) 2:14
21. Five pieces, Op. 85 (The Flowers) – 5. Campanula Eero Heinonen (piano) 2:13
22. Zwei Rondinos (Two Rondinos), Op. 68 – Rondino Nr. 1 in G sharp minor (gis-moll) Eero Heinonen (piano) 3:52
23. Zwei Rondinos (Two Rondinos), Op. 68 – Rondino Nr. 2 in C sharp minor (cis-moll) Eero Heinonen (piano) 1:56
24. Finlandia, Op. 26/7 (transcription by the composer) 8:56
POSTAGEM ORIGINAL DE PQP BACH EM 11/9/2013,
LINKS REATIVADOS POR VASSILY EM 19/12/2019,
LINKS REREATIVADOS POR PQP BACH EM 29/03/2026
Nota de Vassily: mais uma interpretação desse monumento da literatura pianística do século XX, desta feita pelo discreto – e EXCELENTE – Alexander Melnikov. De todas as interpretações que conheço, e estamos quase a completar a lista delas aqui no PQP, esta é a que mais cresce em meu gosto cada vez que a revisito.
Falando em lista, olhem ela aqui:
Konstantin Scherbakov
Vladimir Ashkenazy
Tatiana Nikolayeva, em três versões: a primeira (1961), a segunda (1987) e a derradeira (1990)
Keith Jarrett
Peter Donohoe
Alexander Melnikov
BÔNUS: DVD sobre Nikolayeva com uma integral do Op. 87 de Shosta
Quase lá!
Vassily
IM-PER-DÍ-VEL !!!
Creio que esta seja a terceira integral desta grande obra de Shostakovich que publico. A primeira foi a de Scherbakov, depois veio a de Nikolayeva e agora a de Melnikov. Todas são excelentes — talvez a de Nikolayeva vença — , mas o que interessa é que o Op. 87 é uma composição incontornável de nosso amigo Shosta. Abaixo, para dar uma contextualizada, copio o início de um trabalho acadêmico sobre a obra encontrado na internet.
Para compreendermos o contexto o compositor russo Dmitri Shostakovich compôs os 24 Prelúdios e Fugas, Op.87 (1950) devemos voltar alguns anos no tempo. Em 1942, Shostakovich (1906-1975) estreou da sua Sétima Sinfonia, Op. 60, a qual obteve grande sucesso, tendo sido aclamada como um ícone da resistência das tropas russas contra o cerco nazista em Leningrado (FANNING & FAY, 2009). Logo após este sucesso, o compositor viu sua Oitava Sinfonia, Op. 65, ser duramente criticada. Afirmava-se que Shostakovich havia composto uma “sinfonia otimista (a sétima) quando o país estava sob uma terrível ameaça e agora uma pessimista (a oitava) quando a vitória estava à vista.” (FANNING & FAY, 2009, pg. 1). A partir deste episódio, gradativamente as críticas à sua obra foram ficando ainda mais duras. Havia a expectativa de que sua Nona Sinfonia, Op. 70 (1945) fosse uma sinfonia triunfal em comemoração à vitória soviética sobre os alemães. A obra, estreada no pós-guerra, não atendeu às estas expectativas do Estado, o que resultou em um artigo condenatório publicado no jornal Pravda em 1948, que veio a ser um duro golpe na sua carreira. Como consequência, Shostakovich compôs pouco nos cinco anos seguintes (BRYNER, 2004). A pouca produção de composições foi acompanhada da tarefa a ele delegada de representar a União Soviética em congressos internacionais ao redor do mundo (FANNING & FAY, 2009).
Como o compositor russo mais conhecido no exterior, Shostakovich era o espelho da música russa para o Ocidente, mesmo sendo censurado dentro de seu próprio país. Apesar deste paradoxo, estes eventos foram importantes para sua reabilitação artística (BRYNER, 2004).
No ano de 1950, o compositor foi convidado para participar como jurado de um concurso de piano em um evento, na então Alemanha Oriental, em homenagem ao bicentenário da morte de J. S. Bach. O compositor ficou muito impressionado com a pianista russa Tatiana Nikolayeva, que venceu o concurso, e decidiu ele próprio compor um conjunto de prelúdios de fugas em todas as tonalidades (assim como o Cravo Bem Temperado de J. S. Bach), o qual Shostakovich dedicou à pianista (SEO, 2003). Ele compôs esta obra entre outubro de 1950 e fevereiro de 1951.
Dmitri Shostakovich (1906-1975): Prelúdios e Fugas, Op. 87
Disc: 1
1. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 1 in C major. Moderato
2. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 1 in C major. Moderato (4-voice)
3. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 2 in A minor. Allegro
4. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 2 in A minor. Allegretto (3-voice)
5. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 3 in G major. Moderato non troppo
6. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 3 in G major. Allegro molto (3-voice)
7. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 4 in E minor. Andante
8. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 4 in E minor. Adagio (4-voice double fugue)
9. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 5 in D major. Allegretto
10. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 5 in D major. Allegretto (3-voice)
11. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 6 in B minor. Allegretto
12. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 6 in B minor. Moderato (4-voice)
13. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 7 in A major. Allegro poco moderato
14. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 7 in A major. Allegretto (3-voice)
15. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 8 in F sharp minor. Allegretto
16. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 8 in F sharp minor. Andante (3-voice)
17. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 9 in E major. Moderato non troppo
18. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 9 in E major. Allegro (2-voice)
19. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 10 in C sharp minor. Allegro
20. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 10 in C sharp minor. Moderato (4-voice)
21. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 11 in B major. Allegro
22. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 11 in B major. Allegro (3-voice)
23. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 12 in G sharp minor. Andante
24. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 12 in G sharp minor. Allegro (4-voice)
Disc: 2
1. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 13 in F sharp minor. Moderato con moto
2. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 13 in F sharp minor. Adagio (5-voice)
3. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 14 in E flat minor. Adagio
4. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 14 in E flat minor. Allegro non troppo (3-voice)
5. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 15 in D flat major. Allegretto
6. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 15 in D flat major. Allegro molto (4-voice)
7. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 16 in B flat minor. Andante
8. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 16 in B flat minor. Adagio (3-voice)
9. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 17 in A flat major. Allegretto
10. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 17 in A flat major. Allegretto (4-voice)
11. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 18 in F minor. Moderato
12. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 18 in F minor. Moderato con moto (4-voice)
13. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 19 in E flat major. Allegretto
14. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 19 in E flat major. Moderato con moto (3-voice)
15. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 20 in C minor.
16. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 20 in C minor. Moderato (4-voice)
17. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 21 in B flat major. Allegro
18. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 21 in B flat major. Allegro non troppo (3-voice)
19. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 22 in G minor. Moderato non troppo
20. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 22 in G minor. Moderato (4-voice)
21. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 23 in F major. Adagio
22. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 23 in F major. Moderato con moto
23. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Prelude No. 24 in D minor. Andante
24. Preludes & Fugues (24), for piano, Op. 87: Fugue No. 24 in D minor. Moderato (4-voice double fugue)
Um bom CD que vale pale segunda faixa, Elveen, homenagem ao baterista Elvin Jones, que está no grupo nesta faixa e na 5ª. De resto, adoro Marsalis, mas ouvi este disco sem real entusiasmo apesar do incrível apuro técnico e musicalidade do quinteto. As harmonias são lindas, mas nenhum dos temas é particularmente memorável e, embora os solos individuais sejam bons, não acontece muita coisa. No geral, é uma homenagem bastante estranha ao blues. Na verdade, o principal significado deste conjunto é que, aqui o grande trompetista reuniu pela primeira vez o núcleo do seu quinteto. Musicalmente esta trilogia pode ser contornada. ouça as gravações mais recentes de Marsalis. Não obstante, este é um álbum relaxante. Wynton Marsalis é um músico, compositor, líder de banda, aclamado educador e um dos principais defensores da cultura americana. Ele é o primeiro artista de jazz a tocar e compor em todo o espectro do gênero, desde as raízes de Nova Orleans até o bebop e o jazz moderno. Ao criar e executar uma ampla gama de músicas para quartetos e big bands, de conjuntos de música de câmara a orquestras sinfônicas, de sapateado a balé, Wynton expandiu o vocabulário do jazz e criou um corpo vital de trabalho que o coloca entre os mais importantes músicos de nosso tempo.
.: interlúdio :. Wynton Marsalis: Thick in the south
1 Harriet Tubman 7:39
2 Elveen 12:12
3 Thick In The South 10:14
4 So This Is Jazz, Huh 12:25
5 L.C. On The Cut 13:29
Bass – Bob Hurst
Drums – Elvin Jones (tracks: 2, 5), Jeff Watts
Piano – Marcus Roberts
Tenor Saxophone – Joe Henderson
Trumpet – Wynton Marsalis
As obras de Bouchard e Chihara são de primeira linha, mas nada se compara com a profundidade da Sonata para Viola que Shostakovich escreveu em seu leito de morte. Esta Sonata Op. 147, foi composta em 1975, ano da morte do compositor, e é a sua derradeira obra — um testamento musical escrito em poucas semanas e dedicado ao violista Fyodor Druzhinin, que a estreou. Em seus três movimentos, Shostakovich parece despedir-se da vida e da arte com uma serenidade amarga e uma lucidez comovente. O primeiro movimento, de lirismo contido, evoca o cansaço; o segundo, uma scherzo grotesco e sardônico, traz ecos do humor negro que sempre o acompanhou. Mas é no Adagio final que a obra atinge sua dimensão mais sublime: nele, Shostakovich cita longamente a Sonata ao Luar de Beethoven, transformando o tema clássico numa melodia fantasmática e suspensa, como se o compositor russo dialogasse com o passado e com a morte numa só respiração. A viola — instrumento de timbre introspectivo — torna-se aqui a voz de um homem que já não precisa gritar, apenas recordar, perdoar e, por fim, silenciar. É uma obra que não se entrega facilmente: exige escuta silenciosa, e retribui com a mais pura verdade. A interpretação de Kim Kashkashian é muito comovente e deixa as outras na poeira.
Linda Bouchard: Pourtinade / Paul Chihara: Redwood / Dmitri Shostakovich: Sonata Op. 147 (Kim Kashkashian, Robert Levin, Robyn Schulkowsky)
1 Pourtinade 17:02
Composed By – Linda Bouchard
2 Redwood 11:53
Composed By – Paul Chihara
Sonata Op. 147
Composed By – Dmitri Shostakovich
3 Moderato 9:07
4 Allegretto 7:17
5 Adagio 15:08
Percussion – Robyn Schulkowsky (faixas: 1 e 2)
Piano – Robert Levin (Faixas: 3 a 5)
Viola – Kim Kashkashian
Um disco maravilhoso de um baterista. Lembro que emprestei o vinil para um baterista amigo meu e ele devolveu o disco cheio de partituras e anotações sobre os tempos. Claro que ele comprou o disco após enlouquecer desta maneira. Me contou que começou ouviu o disco às 22h e terminou às 7 da manhã. Ah, lembrei: ele ficou com o meu disco. me devolveu um novo porque disse que meu tinha sido muito usado. Bem, o álbum Special Edition, de Jack DeJohnette, marca um momento decisivo na trajetória do baterista como líder. Lançado no início dos anos 1980, o disco apresenta um quarteto poderoso — com David Murray, Arthur Blythe e Peter Warren — que se move com liberdade entre o pós-bop, o free jazz e estruturas mais abertas. Desde as primeiras faixas, percebe-se que não se trata apenas de um grupo de apoio, mas de um organismo coletivo vibrante, em que cada músico contribui com forte identidade, criando uma música tensa, expansiva e profundamente comunicativa. O que distingue Special Edition é justamente essa combinação entre energia bruta e senso de forma. A bateria de DeJohnette não é apenas rítmica, mas arquitetônica — ela conduz, comenta e reorganiza constantemente o fluxo musical. Os sopros alternam momentos de lirismo com explosões quase selvagens, enquanto o conjunto mantém uma coesão impressionante, mesmo nos trechos mais livres. O resultado é um álbum que soa ao mesmo tempo cerebral e visceral, afirmando-se como um dos registros mais marcantes do jazz contemporâneo daquele período — um encontro de forças criativas em estado de alerta permanente. Ouça ou, se for burro, morra!
Jack DeJohnette – Special Edition (1979)
1. One For Eric (DeJohnette)
2. Zoot Suite (DeJohnette)
3. Central Park West (Coltrane)
4. India (Coltrane)
5. Journey To The Twin Planet (DeJohnette)
David Murray – Clarinet (Bass), Sax (Tenor)
Arthur Blythe – Sax (Alto)
Jack DeJohnette – Drums, Synthesizer, Guitar, Piano, Melodica, Main Performer, Producer, Keyboards, Mellophonium
Peter Warren – Bass, Cello
Este disco foi gravado em 2009, para as comemorações dos 100 anos da polonesa Grażyna Bacewicz, uma pioneira dentre as compositoras mulheres. O CD envolve apenas músicos polacos e é muitíssimo bom. Zimerman e seu grupo dá interpretações de altíssima temperatura emocional às obras de sabor neoclássico de Bacewicz.
Uma grande surpresa: um CD de primeira linha dedicado a uma compositora que não tinha obras postadas aqui no PQP! (Postagem original de 2017)
Grażyna Bacewicz (1909-1969): Sonata para Piano Nº 2 e Quintetos para Piano Nº 1 e 2 (Zimerman)
Piano Quintet No.1
1. 1. Moderato molto espressivo [8:19]
2. 2. Presto [4:31]
3. 3. Grave [8:02]
4. 4. Con passione [5:11]
Sonata No. 2 for Piano
5. Maestoso [6:15]
6. Largo [8:56]
7. Toccata [3:36]
Sim, sim, um disco extraordinário. Aqui, há várias lições: (1) John Adams ensina como o minimalismo pode ser mais legal sem vidro, (2) como uma orquestra formada por jovens jazzistas acompanhados por músicos eruditos rendem e exploram adequadamente a irreverência deste espetacular repertório, (3) como meu pai tinha razão ao dizer e repetir que da música do século XX, a mais ampla, ventilada, livre e bela fora o jazz e (4) como estão corretos aqueles músicos que olham para cá e para lá. Boa diversão!
Adams, Antheil, Bernstein, Gershwin, Hindemith, Milhaud, Stravinsky, Raskin: New World Jazz (Tilson Thomas)
1 Lollapalooza
Composed By – John Adams
6:32
2 Rhapsody In Blue
Clarinet – Jerome Simas
Composed By – George Gershwin
Piano – Michael Tilson Thomas
17:16
3 Prelude, Fugue And Riffs
Clarinet – Tad Calcara
Composed By – Leonard Bernstein
8:23
4 La Création Du Monde
Composed By – Darius Milhaud
17:45
5 Ebony Concerto
Clarinet – Jerome Simas
Composed By – Igor Stravinsky
Trumpet – Mark Niehaus
9:24
6 Ragtime
Composed By – Paul Hindemith
3:14
7 A Jazz Symphony
Composed By – George Antheil
Piano – Michael Linville
Trumpet – Mark J. Inouye*
11:45
8 Theme From The Bad And The Beautiful
Composed By – David Raksin
3:39
As três últimas Sonatas para Piano de Franz Schubert, incrivelmente compostas em setembro de 1828, poucas semanas antes de sua morte prematura, constituem um testamento sonoro de rara grandeza e introspecção. Longe de serem meras heranças beethovenianas, elas revelam um Schubert já plenamente visionário: a estrutura clássica é invadida por harmonias inquietantes e uma expressividade que oscila entre o desespero e a transcendência. A D. 958 ecoa a fúria dramática de Beethoven, mas com a melancolia tipicamente schubertiana. A D. 959 expande-se em um Andantino de dor quase expressionista, seguido de um Scherzo fantasmagórico. A D. 960 coroa essa trilogia. Abre com um tema de simplicidade celeste, só para submergir em regiões de silêncio perturbador e nostalgia cósmica. Juntas, formam uma viagem ao abismo e à redenção — não como confissão biográfica, mas como geografia da alma humana, onde a forma clássica se rompe para dar voz ao inefável. São, nas palavras de Alfred Brendel, “a despedida de um poeta que já habitava um mundo além do seu tempo”.
Esta interpretação é “ao pianoforte”. Ou seja, é historicamente informada. Eu, acostumado a ouvir estas Sonatas no piano moderno — Brendel e Pollini –, às vezes me surpreendo pedindo uma sonoridade mais cheia e aumento o volume inutilmente. De qualquer forma, o trabalho do talentosíssimo Staier é primoroso, belíssimo, meticuloso.
Franz Schubert (1797-1828): As Últimas Sonatas para Piano (Staier)
Sonata In C Minor D 958
1-1 Allegro 11:08
1-2 Adagio 8:43
1-3 Menuetto: Allegro · Trio 2:58
1-4 Allegro 9:31
Sonata In A Major D 959
1-5 Allegro 16:19
1-6 Andantino 8:18
1-7 Scherzo: Allegro Vivace · Trio: Un Poco Più Lento 4:32
1-8 Rondo: Allegretto 12:44
Sonata In B Flat Majpr D 960
2-1 Molto Moderato 21:59
2-2 Andante Sostenuto 9:48
2-3 Scherzo: Allegro Vivace · Trio 4:18
2-4 Allegro Ma Non Troppo 8:48
Três obras-primas absolutas de Schubert. A gravação de Sepec / Staier / Dieltiens é excelente e imbatível no âmbito dos instrumentos originais. (Sim, prefiro o Beux Arts, mas este aqui é um registro de alta qualidade). “Um vislumbre dos trios de Schubert e a agitação e a angústia da existência humana desaparecem”, escreveu Robert Schumann em 1836, elogiando o Op. 99. Ele também admirava enormemente o esplêndido Op. 100 do compositor vienense, principalmente o Andante con moto — uma das mais belas peças de todos os tempos, na opinião de PQP Bach –, que lembra uma marcha fúnebre e que foi utilizado por Stanley Kubrick em Barry Lyndon. Staier, Sepec e Dieltiens trazem à tona novas nuances dessas obras fascinantes em instrumentos de época, que incluem uma cópia de um pianoforte vienense de 1827. Sim, há muitas gravações desses trios por aí. Esta é muito especial.
Franz Schubert (1797-1828): Piano Trios Op. 99 & 100 / Noturno (Sepec, Staier, Dieltiens)
Piano Trio No. 1. Op. 99
1-1 Allegro Moderato 14:45
1-2 Andante Un Poco Mosso 11:01
1-3 Scherzo. Allegro 6:46
1-4 Rondo. Allegro Vivace 9:25
Ninguém deve roubar ou matar por este CD. Ele é bom, mas também não é extraordinário. As Cantatas de Alessandro Scarlatti (1660-1725) — em especial suas mais de 600 cantatas para voz solo e baixo contínuo — representam o ápice da cantata profana barroca italiana, moldando um gênero que equilibrava drama, lirismo e intimidade. Não se comparam às Cantatas Italianas de Handel, que humilha AS de cima a baixo. Compostas predominantemente para vozes de castrato ou soprano, essas obras são micro-óperas sem cenário, estruturadas em uma sequência de recitativos expressivos (onde a palavra avança a ação) e árias. Scarlatti refinou a forma do recitativo acompanhado e consolidou a ária com orquestração rica, utilizando o baixo contínuo não apenas como suporte, mas como personagem ativo no diálogo com a voz. Seus temas — quase sempre extraídos da mitologia clássica — ganham vida através de uma escrita vocal que exige tanto agilidade técnica quanto profundidade retórica, enquanto as linhas do baixo prenunciam o Classicismo, mas não se entusiasme muito. Em suas cantatas, Scarlatti lançou as bases para a ópera séria do século XVIII, tornando-se assim um arquiteto fundamental da expressão vocal barroca.
Alessandro Scarlatti (1660-1725): Cantatas para Soprano & Música de Câmara (Rottsolk, Tempesta di Mare)
Bella Dama Di Nome Santa
Arranged By – Richard Stone (4)
(12:57)
1 I. Introduzzione 3:13
2 II. Recitativo. ‘Tu Sei Quella, Che Al Nome Sembre Giusta’ 0:59
3 III. Aria. ‘Dal Nome Tuo Credei’ 3:26
4 IV. Recitativo. ‘Fedeltade Ne Pur Ottien Ricetto’ 1:20
5 Aria. ‘Il Nome Non Vanta Di Santa Colei’ 3:57
Bella, S’io T’amo (11:20)
6 I. Recitativo. ‘Bella, S’io T’amo’ 0:51
7 II. Aria. “Ardo È Ver Per Te D’amore” 5:58
8 III. Recitativo. ‘T’amo Sì, T’amo O Cara’ 1:25
9 IV. Aria. “Quel Vento Che D’intorno” 3:24
Concerto IX In A Minor (9:18)
10 I. Allegro 1:36
11 II. Largo 1:31
12 III. Fuga 2:33
13 IV. Largo 1:32
14 V. Allegro 2:02
Quella Pace Gradita (17:09)
15 I. [Sinfonia] 3:45
16 II. Recitativo. ‘Quella Pace Gradita’ 0:59
17 III. Aria. ‘Crudel Tiranno Amore’ 3:25
18 IV. Recitativo. ‘O Voi Selve Beate’ 0:53
19 V. Aria. ‘Care Selve Soggiorni Di Quiete’ 3:05
20 VI. Recitativo. ‘Lungi, Lungi Da Me Tiranno Amore’ 1:05
21 VII. Aria. ‘Teco O Mesta Tortorella’ 3:52
Cantata Pastorale A Canto Solo Con Violini: ‘Non So Qual Più M’ingonbra’ (16:55)
22 I. Recitativo Accompagnato. ‘Non So Qual Più M’ingonbra’ 2:31
23 II. Aria. “Che Sarà! Chi A Me Lo Dice!’ 5:08
24 III. Recitativo. ‘È Nato, Alfin Mi Dice’ 1:08
25 IV. Aria Pastorale. ‘Nacque Col Gran Messia’ 8:06
As sinfonias que abrem (ou “interrompem”) algumas das Cantatas de J.S. Bach não são “sinfonias” no sentido clássico posterior, mas sim movimentos instrumentais de abertura que funcionam como prelúdios orquestrais. Em geral, Bach utilizava esses movimentos para estabelecer o afeto teológico e musical da cantata, muitas vezes reaproveitando material de seus próprios concertos (como os Concertos de Brandemburgo) ou criando texturas contrapontísticas densas. Essas aberturas, muitas vezes em forma de concerto grosso, revelam não apenas a maestria instrumental do compositor, mas também sua capacidade de fundir o sagrado e o profano: o mesmo material que animava uma dança secular podia, na Cantata, elevar-se como invocação ao divino. Assim, as sinfonias das cantatas são portais sonoros que convidam o ouvinte a adentrar um universo onde a música instrumental e a vocal dialogam em serviço à expressão espiritual. Esta gravação é muito boa e, digamos, atléticas — como lhes é exigido.
J. S. Bach (1685-1750): Sinfonias de Cantatas (Watanabe, Veggetti, Ensemble Cordia)
1 Sinfonia From Cantata BWV188 “Iche Habe Meine Zuversicht” 7:44
2 Sinfonia From Cantata BWV174 “Ich Liebe Den Höchsten von Ganzem Gemüte” 5:32
3 Sinfonia From Cantata BWV169 “Gott Soll Allein Mein Herze Haben” 7:35
4 Sinfonia From Cantata BWV12 “Weinen, Klagen, Sorgen, Zagen” – Adagio Assai 2:44
5 Sinfonia From Cantata BWV49 “Ich Geh Und Suche Mit Verlangen” 6:29
6 Sinfonia From Cantata Bwv146 “Wir Müssen Durch Viel Trübsal” 7:44
7 Sinfonia From Cantata BWV35 “Geist Und Seele Wird Verwirret” – 1st Part 5:24
8 Sinfonia From Cantata BWV35 “Geist Und Seele Wird Verwirrent” – 2nd Part, Presto 3:25
9 Sinfonia From Cantata Bwv156 ““Ich Steh Mit Einem Fuß Im Grabe” – Adagio” 2:30
10 Sinfonia From Cantata BWV52 “Falsche Welt, Dir Trau Ich Nicht” 3:52
Uma Cantata formada exclusivamente de poemas sobre a morte. A Sinfonia Nº 14, op. 135, composta em 1969, marca um ponto extremo na trajetória de Shostakovich, afastando-se definitivamente do modelo sinfônico tradicional para se aproximar de um ciclo de canções orquestrais. Escrita para soprano, baixo, cordas e percussão, a obra reúne poemas de García Lorca, Apollinaire, Küchelbecker e Rilke, todos atravessados pela consciência aguda da finitude, da violência e da injustiça histórica. Aqui não há redenção nem ironia protetora: a música é austera, cortante, muitas vezes esquelética, e trata a morte não como abstração metafísica, mas como realidade política e humana concreta. A Sinfonia Nº 14 soa como um testamento artístico e moral, em que Shostakovich, já gravemente doente, confronta o silêncio final, recusando qualquer consolo fácil e transformando o próprio gênero sinfônico em um espaço de reflexão existencial.
Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 14, Op. 135 (Slovák)
Symphony No. 14 for Soprano, Bass and Chamber Orchestra, Op. 135
1 I. De profundis 04:49
2 II. Malagueña 02:48
3 III. Loreley 08:28
4 IV. The Suicide 06:26
5 V. On the Alert 03:03
6 VI. Look Here, Madame! 01:41
7 VII. At the Sante Jail 09:57
8 VIII. Zaporozhye Cossacks Reply to the Sultan of Constantinople 02:03
9 IX. O Delvig, Delvig! 04:50
10 X. The Poet’s Death 04:52
11 XI. Conclusion 01:07
Uma bela gravação de obras fundamentais do século XX.
A Sinfonia Nº 5, Op. 47, composta em 1937, é considerada como uma obra de ambiguidade radical, escrita sob a pressão direta do regime stalinista após a condenação pública do compositor. Oficialmente apresentada como “a resposta criativa de um artista soviético a críticas justas”, a sinfonia adota uma linguagem mais acessível e uma forma clássica aparente, mas essa superfície de clareza esconde dramas. O primeiro movimento é marcado por uma tensão contínua entre contenção e explosão emocional. O Largo, com sua escrita quase litúrgica para cordas, expõe um lamento coletivo de rara intensidade. O final, embora triunfal em aparência, soa forçado, pesado, quase brutal. Esta duplicidade — entre o que se ouve e o que se sente — faz da Quinta uma das obras mais perturbadoras e discutidas do século XX.
Já a Sinfonia Nº 9, Op. 70, escrita em 1945, desconcertou profundamente as autoridades soviéticas ao frustrar expectativas de uma obra grandiosa que celebrasse a vitória na Segunda Guerra Mundial. Em vez de um monumento heroico à maneira de Beethoven, Shostakovich veio com uma sinfonia breve, irônica e deliberadamente leve, com traços de sarcasmo quase mozartiano. O tom aparentemente despreocupado do primeiro movimento contrasta com passagens sombrias e grotescas, especialmente no movimento lento e no uso expressivo do fagote, que parece comentar a música com humor ácido e melancolia contida. A Nona funciona, assim, como um gesto de resistência estética: ao recusar o retórica triunfal (e oficial), Shostakovich afirma uma liberdade que se manifesta não no grito, mas na ironia.
Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonias Nº 5 e 9 (Rahbari)
Symphony No. 5 in D Minor, Op. 47
1 I. Moderato 16:32
2 II. Allegretto 05:43
3 III. Largo 16:37
4 IV. Allegro non troppo 10:45
Symphony No. 9 in E-Flat Major, Op. 70
5 I. Allegro 05:12
6 II. Moderato 08:54
7 III. Presto 02:47
8 IV. Largo 03:29
9 V. Allegretto 06:13
Belgian Radio and Television Philharmonic Orchestra
Alexander Rahbari
Nada demais por aqui. As tais “Introduttioni teatrali” (op. IV, 1735) são um conjunto de seis peças orquestrais curtas compostas por Pietro Locatelli. O título significa “Introduções Teatrais”, claro. Elas são uma mistura de dois estilos da época. Seguem a estrutura da abertura da ópera napolitana (rápido-lento-rápido) e utilizam a formação do concerto grosso, com um pequeno grupo de solistas (concertino) e a orquestra completa (ripieno). Na prática, funcionam como pequenas cenas instrumentais dramáticas, situando-se na fronteira entre a música puramente instrumental e o mundo da ópera. Eu não achei nada atrativo, mas julgue você mesmo.
Pietro Antonio Locatelli (1695-1764): 6 Introduttioni teatrali (Europa Galante, Biondi)
01. Introduttione I in D-Sharp Major, Op. 4 No. 1: I. Allegro (2:09)
02. Introduttione I in D Major, Op. 4 No. 1: II. Allegro (1:55)
03. Introduttione I in D Major, Op. 4 No. 1: III. Presto (2:22)
04. Introduttione II in F Major, Op. 4 No. 2: I. Allegro (2:21)
05. Introduttione II in F Major, Op. 4 No. 2: II. Andante (2:33)
06. Introduttione II in F Major, Op. 4 No. 2: III. Allegro (2:41)
07. Introduttione III in B-Flat Major, Op. 4 No. 3: I. Allegro (2:57)
08. Introduttione III in B-Flat Major, Op. 4 No. 3: II. Andante (1:46)
09. Introduttione III in B-Flat Major, Op. 4 No. 3: III. Presto (1:19)
10. Introduttione IV in G-Sharp Major, Op. 4 No. 4: I. Allegro (1:48)
11. Introduttione IV in G Major, Op. 4 No. 4: II. Andante (2:00)
12. Introduttione IV in G Major, Op. 4 No. 4: III. Presto (1:14)
13. Introduttione V in D Major, Op. 4 No. 5: I. Allegro (1:57)
14. Introduttione V in D Major, Op. 4 No. 5: II. Andante (2:06)
15. Introduttione V in D Major, Op. 4 No. 5: III. Presto (2:46)
16. Introduttione, VI in C Major, Op. 4 No. 6: I. Vivace (1:58)
17. Introduttione, VI in C Major, Op. 4 No. 6: II. Andante (2:09)
18. Introduttione, VI in C Major, Op. 4 No. 6: III. Presto (2:16)
19. Violin Concerto in A Major, DunL 1.5: I. Vivace (3:01)
20. Violin Concerto in A Major, DunL 1.5: II. Largo (3:13)
21. Violin Concerto in A Major, DunL 1.5: III. Allegro – Andante – Allegro (4:52)
Encontrei três belas Cantatas neste vol. 31 da edição de Rilling das Cantatas Completas de Bach. São muitos CDs, mas sem maiores informações sobre solistas. A Hänssler fez uma edição popular da integral. Comprei-a, só depois vi que as informações são pra lá de parcas. Há duas Cantatas excepcionais neste CD, a 158 e a 42. A 67 vale pela originalidade. Eu sempre fico impressionado com Rilling, um grande maestro da época da “Música não historicamente informada”, porém com perfeito senso do estilo barroco. Por que fico impressionado? Porque sempre acho que ele morreu, mas ele está vivinho da silva. Hoje tem 93 anos e ainda está ATIVO. Que siga! (Pois é, ele faleceu no dia 11 de fevereiro). Ouçam a BWV 42 e a 158. São lindas!
J. S. Bach (1685-1750): Cantatas BWV 158, 67 e 42 (Rilling)
O flautista, maestro, luthier e lenda brasileira Ricardo Kanji (1948-2025) comanda este bom CD com obras de Telemann. Kanji fundou, em 1966, o lendário Musikantiga, com seu irmão Milton Kanji, Dalton de Lucca e Paulo Herculano. Foi um dos pioneiros mundiais na música barroca, foi sucessor de seu mestre Frans Brüggen no Conservatório Real de Haia e membro fundador da Orquestra do século XVIII. “Trabalhei com os melhores músicos da cena de música antiga, na qual me especializei. Na Europa, esse movimento começou há cinquenta anos. Na Holanda, eu e meus professores estudamos muito os tratados, os métodos dos séculos XVII e XVIII. Pesquisamos como a música era feita nessa época para entender o que eles achavam importante em termos de acentuação e de interpretação e conhecer os seus gostos pessoais. Fomos reunindo todas essas informações e desenvolvemos uma forma de tocar baseada nesses conceitos completamente diversa da maneira romântica de se tocar”, contou em 2005. Este disco corrobora o cuidado e a enorme qualidade do trabalho de Kanji. E o repertório é muito bom!
Georg Philipp Telemann (1681-1767): Suítes e Concerto para Flauta (Baroque Orchestra Concerto ’91, Ricardo Kanji)
Ouverture In C Major (Wasser-Ouverture)
1 Ouverture
2 Sarabande: Die Schlafende Thetis
3 Bourrée: Die Erwachende Thetis
4 Loure: Der Verliebte Neptunus
5 Gavotte: Spielende Najaden
6 Harlequinade: Der Scherzende Tritonus
7 Tempête: Der Stürmende Aeolius
8 Menuet: Der Angenehme Zephir
9 Gigue: Ebbe Und Fluth
10 Canarie: Die Lustigen Bots Leute
Concert In A Minor For Recorder And Viola Da Gamba, Strings And Basso Continuo; Hamburg, ±1734
11 Grave
12 Allegro
13 Dolce
14 Allegro
Ouverture Des Nations Anciens Et Modernes, Strings And Basso Continuo; Hamburg, ±1721
15 Ouverture
16 Menuet I
17 Menuet II
18 Les Allemands Anciens
19 Les Allemands Modernes
20 Les Suédos Anciens
21 Les Suédos Modernes
22 Les Danois Anciens
23 Les Danois Modernes
24 Les Vieilles Femmes
Conclusion; From Tafelmusik I, 2 Flutes, Strings And Basso Continuo, Hamburg, ±1733
25 Allegro – Largo – Allegro
Este foi o primeiro CD que comprei lá em janeiro de 1989. Tinha (ainda tenho) esta Sinfonia num vinil russo que é realmente excelente, mas me impressionei com a nova dinâmica sonora do CD e que trazia a extraordinária versão de Haitink. Haitink realmente compreende Shostakovich e sua versão das Sinfonias do russo é uma preciosidade. A Sinfonia Nº 15, Op. 141, composta em 1971, é uma despedida enigmática e autoconsciente — uma obra que mescla ironia, nostalgia e mortalidade sob uma aparente leveza. Estreada quando o compositor já enfrentava graves problemas de saúde, a sinfonia parece dialogar com toda sua trajetória: o primeiro movimento, quase circense, cita a abertura de Guilherme Tell, de Rossini, como um eco grotesco da infância, enquanto passagens de Crepúsculo dos Deuses, de Wagner, e temas de suas próprias obras surgem como fantasmas musicais. A escrita é paradoxalmente transparente e inquietante: o solo do violoncelo no Adagio soa como um lamento solitário, e o final, com seus sinos, celesta e percussão esparsa, evoca um relógio implacável que se desfaz em silêncio — não como resignação, mas como um último e doloroso questionamento sobre a vida e a arte. É a crônica de um homem que, diante do fim, escolheu falar através de símbolos, deixando-nos uma obra que é ao mesmo tempo testamento e mistério.
Dmitri Shostakovich (1906-1975): Sinfonia Nº 15 & Poesias Populares Judaicas (Haitink, London Philharmonic, Concertgebouw)
Symphony No.15 In A Major, Op.141
I Allegretto 8:05
II Adagio – Largo 16:28
III Allegretto 4:12
IV Adagio – Allegretto 16:57 Orchestra – London Philharmonic Orchestra
From Jewish Folk Poetry, Op.79
I Lament For A Dead Infant 2:40
II Fussy Mummy And Auntie 2:50
III Lullaby 3:48
IV Before A Long Separation 2:25
V A Warning 1:18
VI The Deserted Father 2:05
VII A Song Of Poverty 1:24
VIII Winter 3:21
IX The Good Life 1:49
X A Girl’s Song 3:15
XI Happiness 2:39 Contralto Vocals – Ortrun Wenkel Orchestra – Concertgebouw Orchestra* Soprano Vocals – Elisabeth Söderström Tenor Vocals – Ryszard Karczykowski
Onde está você, Cristina Ortiz? Dando master classes em Londres e Nova Iorque? Pois esta baiana faz a maior falta ao Brasil. Ou a Porto Alegre, pois acabo de ler que ela apresentou o Concerto Nº 2 de Brahms em São Paulo, no ano passado. Deveria vir também mais pro sul… Cristina Ortiz (1950) gravou faz tempo este concertos de Shostakovich e até hoje seus registros são importante referência na discografia. Mas me parece que Cristina, ao menos, meio que saiu do circuito das gravadoras. Ignoro as razões. Este CD é mais do que perfeito. São notáveis interpretações de obras importantes de Shostakovich. Se você não ouviu, aproveite para conhecer Cris Ortiz. Será muito proveitoso. Ela dá um show de bola.
Shostakovich (1906-1975): Piano Concerto No. 1 e 2 / Symphony No. 1 / Three Fantastic Dances (Ortiz, Berglund, Kurtz, Bournemouth, Philharmonia)
1. Piano Concerto No.1, Op.35 (1987 Digital Remaster): Allegro moderato – Allegro vivace – Moderato 6:05
2. Piano Concerto No.1, Op.35 (1987 Digital Remaster): Lento 7:12
3. Piano Concerto No.1, Op.35 (1987 Digital Remaster): Moderato 1:58
4. Piano Concerto No.1, Op.35 (1987 Digital Remaster): Allegro con brio – Presto – Allegretto poco moderato – Allegro con brio 6:49
Cristina Ortiz, piano
Bournemouth Symphony Orchestra
Paavo Berglund
5. Piano Concerto No. 2 in F Op. 102 (1975 Digital Remaster): I. Allegro 7:27
6. Piano Concerto No. 2 in F Op. 102 (1975 Digital Remaster): II. Andante 6:48
7. Piano Concerto No. 2 in F Op. 102 (1975 Digital Remaster): III. Allegro 5:47
Cristina Ortiz, piano
Bournemouth Symphony Orchestra
Paavo Berglund
NÃO SEI COMO A SINFONIA Nº 1 DE SHOSTA VEIO PARAR AQUI, MAS ELA VEIO JUNTO…
8. Symphony No. 1 in F minor Op. 10: I. Allegretto – Allegro non troppo 7:48 9. Symphony No. 1 in F minor Op. 10: II. Allegro 4:20 10. Symphony No. 1 in F minor Op. 10: III. Lento – Largo 7:15 11. Symphony No. 1 in F minor Op. 10: IV. Lento – Allegro molto – Adagio – Largo – Presto 8:39 Philharmonia Orchestra Efrem Kurtz
12. Three Fantastic Dances Op. 5 (1987 Digital Remaster): I. Allegretto 1:09
13. Three Fantastic Dances Op. 5 (1987 Digital Remaster): II. Andantino 1:25
14. Three Fantastic Dances Op. 5 (1987 Digital Remaster): III. Allegretto 0:52
Cristina Ortiz, piano
Hoje, 25 de setembro de 2017, 111 anos de nascimento de Shostakovich!
Este é dos discos que considero obrigatórios. Grande música, grandes intérpretes. Inicia com o belo e jocoso primeiro concerto para piano; segue com o raro e simpático concertino para dois pianos e termina com o espetacular e lírico quinteto para piano. Ou seja, duas peças muito famosas de Shosta entremeadas por outra nem tanto. O quinteto é uma obra da minha mais absoluta preferência, com seus movimentos muito contrastantes, oscilando entre o lirismo, a tristeza e a alegria. (Jamais esquecerei a primeira vez que vi este quinteto ao vivo. Quando terminou o Intermezzo, a primeira violinista estava inteiramente lavada em lágrimas).
Shostakovich (1906-1975): Concerto para piano e trompete, Concertino para 2 pianos, Quinteto para piano e cordas (Argerich, Verdernikov, Zilberstein, Capuçon)
Concerto For Piano, Trumpet And Strings In C Minor Op. 35
1. I. Allegro Moderato 5:56
2. II. Lento 7:25
3. III. Moderato 1:28
4. IV. Allegro Con Brio 6:56
Martha Argerich, piano
Sergei Nakariakov, trompete
Orchestra della Svizzera Italiana
Alexander Verdernikov, regência
Concertino For 2 Pianos In A Minor Op.94
5. Adagio – Allegretto – Adagio – Allegro – Adagio – Allegretto 10:05
Martha Argerich, piano
Lilya Zilberstein, piano
Quintet For Piano And Strings In G Minor Op. 57
6. Prelude: Lento 4:25
7. Fugue: Adagio 11:29
8. Scherzo: Allegretto 3:20
9. Intermezzo: Lento 7:34
10. Finale: Allegretto 7:45
Martha Argerich, piano
Renaud Capuçon, violino
Alissa Margulis, violino
Lyda Chen, viola
Mischa Maisky, violoncelo
O Carnaval está aí e nada melhor para celebrar do que a boa música finlandesa. Olha o Sibelius chegando aí, gente!!! Todos sabem que a Finlândia é o país do Carnaval. Muitas loiras, vikings, calor humano, malemolência, vodka, neve e cerveja para acompanhar o salmão fresco defumado, o arenque do Báltico, as ovas de lota, a carne de alce e as frutas de fevereiro da Escandinávia. A terra do Papai Noel fica linda durante o Carnaval. Gansos sobrevoam lagos congelados, ouve-se o grasnar dos grous e escuta-se ecos do choro dos numenius sobre os brancos campos. Sibelius dizia que sua 6ª Sinfonia lhe lembrava “a queda dos primeiros flocos de neve”, mas isso é uma coisa pré-carnavalesca. Paavo Berglund é um grande regente finlandês e, como tal, está extremamente associado ao Carnaval. Morreu faz mais ou menos de 20 dias, em 25 de janeiro (postagem de 2012) e foi um imenso divulgador de Shostakovich em suas passagens por Bournemouth, pela Escócia, pela Orquestra de Câmara da Europa, por Helsinque, etc. Mas seu nome grudou mesmo em Sibelius. Berglund gravou 3 vezes o ciclo completo de sinfonias e poemas sinfônicos do bardo finlandês. Berglund foi um grande carnavalesco, porém não resistiu à depressão contraída após a morte de Joãosinho Trinta. Este álbum duplo é uma joia que você deveria baixar e ouvir neste sábado de Carnaval.
Jean Sibelius (1865-1957): Sinfonias de 5 a 7 / The Oceanides / Finlandia / Tapiola (Berglund, Helsinki)
Disc 1:
1. Symphony No. 5 in E flat major Op. 82: I. Tempo molto moderato – Allegro moderato – Presto 13:40
2. Symphony No. 5 in E flat major Op. 82: II. Andante mosso, quasi allegretto 8:00
3. Symphony No. 5 in E flat major Op. 82: III. Allegro molto – Un pochettino largamente 8:48
4. Symphony No. 6 in D minor Op. 104: I. Allegro molto moderato 8:14
5. Symphony No. 6 in D minor Op. 104: II. Allegretto moderato 5:31
6. Symphony No. 6 in D minor Op. 104: III. Poco vivace 3:55
7. Symphony No. 6 in D minor Op. 104: IV. Allegro molto 11:11
Disc 2:
1. Symphony No. 7 in C Op. 105: Adagio 7:15
2. Symphony No. 7 in C Op. 105: Un pochettino meno adagio 3:01
3. Symphony No. 7 in C Op. 105: Poco rallentando al adagio 6:48
4. Symphony No. 7 in C Op. 105: Presto – Poco a poco rallentando al adagio 4:24