Gustav Mahler (1860-1911): Blumine e Sinfonia Nº 1 (CD 1 de 14)

Gustav Mahler (1860-1911): Blumine e Sinfonia Nº 1 (CD 1 de 14)


Ah, meu deus, PQP Bach inventou um quinto movimento para a Sinfonia Nº 1 de Mahler! Não, meus amigos, não inventei nada. Nas primeiras três apresentações da Titã, Blumine ficava entre o primeiro e segundo movimentos. Depois Mahler retirou o movimento, hoje esquecido. Estranhamente, Sir Simon Rattle inicia sua coleção justamente pelo movimento recusado pelo autor.

Sinceramente, não vou apresentar a Primeira Sinfonia de Mahler para vocês. Daria muito trabalho e tenho a mais absoluta certeza que a Sociedade dos Amantes de Mahler tem textos maravilhosos a respeito. Estou aguardando a manifestação da mesma. O espaço a seguir é dela. O mesmo ocorrerá em toda a série, OK? Ah, já informo que os CDs 2 e 3 são da Sinfonia Nº 3 + os 8 Lieder aus Der Knaben Wunderhorn. Se a Sociedade não colaborar, paro a série aqui (ho, ho, ho). Falo sério. O texto pode ser enviado para o e-mail [email protected] e depois será aqui publicado.

Cumpra-se !!!!

E a Sociedade dos Amantes de Mahler cumpriu, como podemos ler abaixo:

Caro PQP,
aqui vão três textos sobre Mahler.
Os dois primeiros são de Michael Kennedy, de uma biografia publicada pela Jorge Zahar.
O primeiro, uma espécie de “introdução” à música do mestre.
O segundo, um comentário sobre a primeira sinfonia.
O terceiro, um texto da coleção Publifolha sobre o último movimento da primeira sinfonia, que considero importante para que vai ouvi-la pela primeira vez. Confesso que apesar de amar Mahler, nunca consegui compreender direito esse último movimento, daí a razão do texto.

Um abraço,
SAM.

Talvez seja conhecida dos leitores a tendência do exame da música de Mahler a resvalar para os domínios da verbosidade filosófica e psicológica. Sua música presta-se facilmente à análise extramusical; na verdade, está entre a música mais autobiográfica até hoje escrita, e alegar que ela existe apenas em termos de procedimentos musicais é ignorar um elemento que Mahler recomendou explicitamente que fosse tomado em consideração. Cada uma de suas sinfonias é uma extensão de sua personalidade, uma exploração do seu próprio eu e, no seu caso, tal como nos de Elgar e Berlioz, não é possível – de fato, é errôneo – separar a música da vida do compositor, como se fosse uma atividade isolada. Ao mesmo tempo, deve-se evitar uma associação excessivamente literal de vida e música, e levar na devida conta a imaginação criativa.

Por causa do curso tragi-romântico da vida de Mahler, em especial a sombra que pairou sobre ela desde 1907 até o seu fim, tem-se atribuído excessiva ênfase à obsessão com a morte e à longa despedida. O retrato de Mahler como homem condenado pelo destino, neuroticamente introspectivo, temperamentalmente desequilibrado, embora não seja uma representação totalmente falsa, constitui uma distorção da realidade. É certo que sua música deriva sua grandeza dos conflitos e contradições da personalidade de Mahler: o homem de ação (que ele era) e o homem que precisava, como disse a Alma, estar “freqüente e intensamente sozinho”; o filósofo e quase cientista e, por outro lado, o filho da natureza de coração puro. A música não corrobora uma interpretação de Mahler como um taciturno negador da vida: ele era positivo, afirmativo. A maioria das sinfonias é alegre e generosa em sua vitalidade, quaisquer que sejam as lutas por elas registradas. Somente a Sexta termina no menor.

Também devemos estar prevenidos contra a moda de relacionar a música de Mahler a determinados conceitos muito vagos mas imponentes, como o de um “microcosmo da decadência da sociedade ocidental”. É tentador exibir uma sabedoria ex post facto e apontar indícios e presságios de dissolução e destruição nessa música, até mesmo uma aplicabilidade espúria a eventos de hoje. Mas não é Gustav Mahler quem está nessas sinfonias em microcosmo, não a sociedade ocidental e sua evolução e revolução política. As esquerdas estão naturalmente ansiosas por reivindicá-lo como um dos seus – um homem do povo, transportando a música do povo para a sua arte. É claro que ele fez isso, os grandes artistas criativos são humanitários. Em 1905, registra Alma, ele cruzou-se com um desfile de trabalhadores no primeiro de maio, no Ring de Viena, e passou a acompanhá-lo a certa distância. “Todos olharam-no de modo tão fraterno – eles eram seus irmãos – e eram o futuro!” Se alguns desses irmãos se apresentassem no dia seguinte no Coro da Ópera de Viena, não tardariam a descobrir até onde iam na prática os instintos fraternos de Mahler. Mas se pode afirmar, na verdade, que ele democratizou a sinfonia, ou melhor, que lhe devolveu sua democracia beethoveniana. ( Também é verdade que ele pertenceu a um grupo socialista-vegetariano em 1880).

O uso em suas sinfonias de valsas, Ländler, marchas e fragmentos de canções era o meio prático de realizar seu credo de que “a sinfonia é o mundo, deve englobar tudo”. Para um homem de sua inclinação filosófica, a sinfonia era o veículo óbvio. Limitado a alguns meses por ano para compor, Mahler não dispunha de tempo para concertos, sonatas ou outras formas; entretanto, mesmo que tivesse, duvido que teria feito outra opção. A sinfonia era o seu Wunderhorn de abundância, e o fertilizou com a grande tradição austro-alemã da canção. Era o seu meio escolhido de auto-expressão, como o drama musical era o de Wagner e a mazurca, o de Chopin.

(…)

Os admiradores da música de Mahler dão três razões principais para o seu entusiasmo: o talento melódico, o domínio da forma e a originalidade do som (em outras palavras, seu brilhantismo como orquestrador). A segunda razão apresentada, o domínio da forma, teve que ser defendida com veemência. As dimensões das sinfonias de Mahler fazem com que, para algumas pessoas, sejam sinônimos de prolixidade. Mas ele necessitava de uma vasta tela sobre a qual elaborar e desenvolver as intrincadas relações de seus temas, porquanto não se pode negar que suas sinfonias são complexas. Seu tamanho está em proporção com seu material. A alegação de que ele era um autor natural de canções que equivocadamente tentou escrever sinfonias mostra uma falta de compreensão comparável às restrições críticas de Bernard Shaw a Schubert por ausência de “trabalho mental”.

O inconfundível “som Mahler” deriva principalmente de seu soberbo domínio orquestral – digo principalmente porque existe um certo formato, um tom de voz, nos próprios contornos de uma melodia de Mahler que proclama sua constante origem no pianoforte. Também sob esse ângulo se descobre, quando se escuta Mahler atentamente, como é equivocada a antiga asserção de que sua música era um hiperbólico e decadente canto de cisne do romantismo wagneriano. As tessituras de Mahler são frequentemente simples e despojadas, apesar da enorme orquestra que usava. Em parte, sua necessidade de tão grandes forças era determinada pelos contrastes dinâmicos necessários nas dimensões gigantescas de seus movimentos sinfônicos. Também em parte, era ditada pela incessante busca de claridade, acima de qualquer outra coisa – o que era igualmente a principal característica de sua regência. A música de Mahler é a uma reação às tessituras plenas do som wagneriano. Suas partituras contêm relativamente poucos tutti – se bem que quando quer criar um fortíssimo pode criar um de tremendas proporções – e estão repletas de solos: para trompa, flauta, oboé, clarineta em mi bemol, trompete – todos os instrumentos com um som muito bem definido. Sua ampliação da seção de madeiras promoveu-a sinfonicamente ao status das cordas e dos metais. Sua escrita para cordas raramente possui a confortável e luxuriante riqueza de Wagner e Bruckner: uma vez mais, é a insistência na escrita exposta e clara das partes

(KENNEDY, , Michael. Mahler. Tradução Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1988, p. 83-86).

Só se pode entender por que a primeira sinfonia foi tão impopular durante a vida de Mahler quando se recorda até que ponto a orquestração deve ter soado insólita e bizarra. O público sentiu-se contrafeito com as pinceladas de grotesquerie no movimento lento e, sob outros aspectos, benignamente lírico, a marcha fúnebre à maneira de Callot do funeral do caçador, acompanhado à sua sepultura pelos animais da floresta que ele outrora perseguia, tudo isso para uma paródia da popular ronda Bruder Martin (ou Frère Jacques). Mas essa pinturesca obra romântica pertence ao mundo de Dvorák e Tchaikovsky. Sua bela abertura, descrevendo uma alvorada primaveril, com o chilrear de pássaros e o canto do cuco, é uma vívida e imaginativa peça de pintura da natureza; o Ländler-scherzo é uma versão mahleriana das formas de dança camponesa austríaca consagradas por Bruckner e Haydn – é o espírito do segundo que predomina. Talvez o clímax triunfante do finale (com a ordem dada aos trompistas para tocarem de pé) seja encenado de molde excessivamente espalhafatoso após a recapitulação da música da aurora do primeiro movimento. (…) Hoje, essa obra-prima revolucionária desfruta de popularidade; entretanto, sua estréia em Viena em 19 de novembro de 1900, terminou em pandemônio. O que mais magoou Mahler foi a Orquestra Filarmônica, “a qual está capacitada para compreender minha obra melhor do que ninguém, abandonar-me no final do concerto. Os músicos rejubilaram-se positivamente com o fiasco e desviaram os rostos para ocultar a malevolência que se espelhava em seus olhos. Assim, uma vez mais, Viena maltratou o gênio.

(KENNEDY, Michael. Mahler. Tradução Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1988, p. 97-99).

O último andamento estala como uma explosão quase infernal. Mas é verdade que o herói triunfou? Quando as exclamações, golpes dos tímpanos, do bombo e dos trompetes se calam, aparece uma “tema piano”, mais doloroso que melancólico, terrivelmente nostálgico, que vai ascendendo não só em volume como numa crescente inquietação, até chegar a um grau máximo de dramaticidade, que, diria eu, é o maior que aparece em toda a sinfonia. Voltam temas de andamentos anteriores, e com eles estala de novo a tempestade, dessa vez sem conseguir acalmar-se por muito que tente, com o surgimento de novos episódios torturantes: as melodias estendem-se, inacabáveis, sem encontrar forma de se resolver. É inútil que os metais repitam fanfarronices e marchas, no final votará sempre a calma que acompanha a verdadeira dor. Outro intervalo interrompe esse grito estridente para refletir temas de chamamentos doces, cantos de pássaros. É como se a natureza nos devolvesse a paz e a tranqüilidade. As cordas graves chama-nos, com um curto motivo, para avisar que nada acabou. Sobre elas levanta-se uma pequena marcha, que, à medida que chega ao final, traz novas tempestades. No final, depois desse estalo de vitória gloriosa, a única coisa que parece ficar é o ânimo – até que ponto indomável? – de não se deixar vencer.

(RINCÓN, Eduardo. Gustav Mahler. São Paulo: Publifolha, 2005).

Symphonie No. 1 – Titan
01 Blumine
02. 1º mvto – Langsam. Schleppend. Wie ein Naturlaut – Im Anfang sehr gemächlich
03. 2º mvto – Kräftig bewegt, doch nicht zu schnell – Trio. Recht gemächlich
04. 3º mvto – Feierlich und gemessen, ohne zu schleppen
05. 4º mvto – Stürmisch bewegt

City of Birmingham Symphony Orchestra
Simon Rattle

Simon Rattle tentando acordar o timpanista
Simon Rattle tentando acordar o timpanista

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PQP

J. S. Bach (1685-1750): O Cravo Bem Temperado (completo)

J. S. Bach (1685-1750): O Cravo Bem Temperado (completo)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Alguém reclamou com razão. Fazia tempo que não postávamos um Cravo Bem Temperado tocado por um cravista. Então, trago este bom e consistente registro que Davitt Moroney gravou para a Harmonia Mundi lá em 1996. São dois downloads e quatro CDs para você se divertir no fim-de-semana. E… Bem, ouvi-lo é realmente mais embasbacante do que ouvir as gravações ao piano que grassam por aí. Não adianta, o instrumento original sempre traz suas vantagens.

J. S. Bach (1685-1750): O Cravo Bem Temperado (completo)

Livro 1

1. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: BWV 846 (1.1) Praeludium I (1.2) Fuga I – C Major
2. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: BWV 847 (2.1) Praeludium II (2.2) Fuga II – C Minor
3. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: BWV 848 (3.1) Praeludium III (3.2) Fuga III – C Sharp Major
4. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: BWV 849 (4.1) Praeludium IV (4.2) Fuga IV – C Sharp Minor
5. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: BWV 850 (5.1) Praeludium V (5.2) Fuga V – D Major
6. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: BWV 851 (6.1) Praeludium VI (6.2) Fuga VI – D Minor
7. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: BWV 852 (7.1) Praeludium VII (7.2) Fuga VII – E Flat Major
8. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: BWV 853 (8.1) Praeludium VIII (8.2) Fuga VIII – E Flat Minor
9. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: BWV 854 (9.1) Praeludium IX (9.2) Fuga IX – E Major
10. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: BWV 855 (10.1) Praeludium X (10.2) Fuga X – E Minor
11. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: BWV 856 (11.1) Praeludium XI (11.2) Fuga XI – F Major
12. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: BWV 857 (12.1) Praeludium XII (12.2) Fuga XII – F Minor

1. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: XIII BWV 858 F Sharp Major
2. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: XIV BWV 859 F Sharp Minor
3. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: XV BWV 860 G Major
4. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: XVI BWV 861 G Minor
5. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: XVII BWV 862 A Flat Major
6. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: XVIII BWV 863 G Sharp Minor
7. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: XIX BWV 864 A Major
8. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: XX BWV 865 A Minor
9. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: XXI BWV 866 B Flat Major
10. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: XXII BWV 867 B Flat Minor
11. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: XXIII BWV 868 B Major
12. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: XXIV BWV 869 B Minor

Livro 2

1. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: Davitt Moroney – I BWV 870 C Major
2. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: Davitt Moroney – II BWV 871 C Minor
3. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: Davitt Moroney – III BWV 872 C Sharp Major
4. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: Davitt Moroney – IV BWV 873 C Sharp Minor
5. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: Davitt Moroney – V BWV 874 D Major
6. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: Davitt Moroney – VI BWV 875 D Minor
7. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: Davitt Moroney – VII BWV 876 E Flat Major
8. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: Davitt Moroney – VIII BWV 877 D Sharp Minor
9. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: Davitt Moroney – IX BWV 878 E Major
10. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: Davitt Moroney – X BWV 879 E Minor
11. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: Davitt Moroney – XI BWV 880 F Major
12. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: Davitt Moroney – XII BWV 881 F Minor

1. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: XIII BWV 882 F Sharp Major
2. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: XIV BWV 883 F Sharp Minor
3. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: XV BWV 884 G Major
4. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: XVI BWV 885 G Minor
5. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: XVII BWV 886 A Flat Major
6. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: XVIII BWV 887 G Sharp Minor
7. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: XIX BWV 888 A Major
8. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: XX BWV 889 A Minor
9. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: XXI BWV 890 B Flat Major
10. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: XXII BWV 891 B Flat Minor
11. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: XXIII BWV 892 B Major
12. Das Wohltemperierte Clavier – BWV 846-893: XXIV BWV 893 B Minor

Davitt Moroney, cravo

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Muito bom este Moroney que toca cravo e rege
Muito bom este Moroney. Desconheço outras gravações do gajo.

PQP

Gustav Mahler (1860-1911): Adágios

Gustav Mahler (1860-1911): Adágios

Tal como os discos dos funerais (ou músicas que sugerimos pera seu velório) que postei na sexta-feira santa, esta é mais uma estranha coletânea. Eu odeio coletâneas desde a época dos LPs de gatinhos. Os tais greatest hits (argh!) costumam ser uma mistureca braba e o fato de serem feitos de “melhores lances” (?) impede a fruição de uma obra completa, normalmente contrastante, como o compositor criou e desejava que fosse ouvida. Falta respeito e espírito concertístico a quem cria esses monstros. Mas sei, claro, que servem de introdução para quem não conhece nada de determinado compositor ou gênero. Então, vá lá. E aqui termina a PARTE ELITISTA desta introdução.

O importante deste novo CD duplo é que a orquestra é basicamente a de Chicago e os regentes são Solti e Chailly. Não são second choices. Tudo de primeira linha, ou seja, quem ainda está tateando na música erudita já começa a aprender como soa uma boa orquestra. A música de Mahler é indizivelmente grandiosa, apesar de ser bem esquisito ouvir uma série de adágios uns atrás dos outros. É a negação do contraste, ainda mais num compositor tão dotado de repentinos ódios e momentos sublimes como Mahler.

Curioso.

Gustav Mahler (1860-1911): Adágios

1. Symphony No.5 In C Sharp Minor – 4. Adagietto (Sehr Langsam) 9:46
Chicago Symphony Orchestra · Sir Georg Solti

2. Symphony No.2 In C Minor – ”Resurrection” – 4. ”O Röschen Rot! Der Mensch Liegt In Grösster Not!” (Sehr Feierlich Aber Schlicht) Text From Des Knaben Wunderhorn: ”Urlicht” 4:58
Mira Zakai (contralto)
Chicago Symphony Orchestra · Sir Georg Solti

3. Symphony No.4 In G – 3. Ruhevoll (Poco Adagio) 20:13
Chicago Symphony Orchestra · Sir Georg Solti

4. Das Lied Von Der Erde – Der Abschied Yvonne Minton 31:52
Yvonne Minton (mezzo-soprano)
Chicago Symphony Orchestra · Sir Georg Solti

5. Rückert-Lieder – Ich Bin Der Welt Abhanden Gekommen 6:19
Brigitte Fassbaender (mezzo-soprano)
Deutsches Symphonie-Orchestre Berlin · Riccardo Chailly

6. Symphony No.6 In A Minor – 3. Andante Moderato 15:34
Chicago Symphony Orchestra · Sir Georg Solti

7. Symphony No.3 In D Minor/Part 2 – 6. Langsam. Ruhevoll. Empfunden 20:49
Chicago Symphony Orchestra · Sir Georg Solti

8. Symphony No.9 In D – 4. Adagio (Sehr Langsam) 24:51
Chicago Symphony Orchestra · Sir Georg Solti

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Solti está por todo lado nesta coletânea.
Solti está por todo lado nesta coletânea.

PQP

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 4 (CD 5 de 16) (Bernstein)

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 4 (CD 5 de 16)  (Bernstein)

A Sinfonia Nº 4 de Gustav Mahler é a INTRODUÇÃO IDEAL a quem queira penetrar neste mundo paradoxal de sofisticação e enormidades musicais, de ciclotimias e longos adágios, de bandinhas tradicionais e alta cultura. Sem as tolices musicais e políticas de alguns de seus ascendentes, Mahler segue a construção de sua obra virando o jogo na quarta sinfonia. É uma música transparente, doce e fluida, muitas vezes de instrumentação rarefeita, delicada. É a sinfonia mais simples e curta da série. Após dois movimentos de arrebatadora e mozartiana musicalidade, temos um arrepiante movimento lento (Ruhevoll) levado pelas cordas, típico do mais puro Mahler, que é finalizado por um movimento que o compositor chama com toda a razão de “muito agradável”, extraído do ciclo de canções Des Knaben Wunderhorn, minha próxima postagem.

Grande e belíssima música, é, repito, a introdução ideal às sinfonias de Mahler.

Sobre a Quarta Sinfonia, FDP Bach escreveu:

Mais uma sinfonia mahleriana, desta vez a de nº 4. Como as outras três já postadas aqui nesta integral, a 4ª também se inclui no chamado ciclo das “Wunderhorn” Symphonies, ou seja, estas sinfonias se baseavam em temas e letras de seu ciclo de canções composto na juventude, “Des Knaben Wunderhorn”. Maiores informações sobre a sinfonia vocês podem encontrar aqui.

Em minha opinião, Bernstein comete uma temeridade nesta interpretação. Ele coloca uma criança para interpretar a canção “Das himmlische Leben”. Mas, mesmo sendo uma temeridade, pelo porte da obra, achei que o jovem Helmut Wittek se saiu muito bem. E Bernstein consegue um balanço mais suave, para que a orquestra não engula o jovem cantor.

No link acima, se encontrará a letra da canção, e sua respectiva tradução para o inglês.

Mais uma magnífica sinfonia, deste grande mestre da orquestração.

CD5

Gustav Mahler – Symphony Nº 4

01. Bedächtig. Nicht eilen
02. In gemächlicher Bewegung. Ohne Hast
03. Ruhevoll
04. Sehr behaglich `Wir geniessen die himmlischen Freuden` (soprano solo)

Helmut Wittek : soprano
Jaap van Zweden : violin solo
Concertgebouw Orchestra
Leonard Bernstein

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Lenny07

PQP

Prokofiev / Crumb / Webern / Respighi: Recital 2000 com Mutter e Orkis

Prokofiev / Crumb / Webern / Respighi: Recital 2000 com Mutter e Orkis

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Excelente CD de obras para violino e piano do século XX. Tudo começa com a bela Sonata de Prokofiev em contraste direto com os Quatro Noturnos de Crumb, uma viagem sonora fragmentada, preenchida com harmonias sutis, o mesmo clima que se ouvirá nas quatro peças de Webern. A coisa cai um pouco no Respighi, como era de se esperar. Mutter e Orkis são a melhor dupla violino e piano em ação. Fazem o que querem. 

(Bem, eu costumo ouvir, em casa, minha mulher tocar esta Sonata de Prokofiev com um amigo pianista. Eles tocam mais lentamente… Então, acho que certa desaceleração faz um bem tremendo àquele sensacional Scherzo).

Prokofiev / Crumb / Webern / Respighi: Recital 2000 com Mutter e Orkis

1 Prokofiev: Sonata for Violin and Piano No.2 in D, Op.94a – 1. Moderato 7:35
2 Prokofiev: Sonata for Violin and Piano No.2 in D, Op.94a – 2. Scherzo (Presto) 4:47
3 Prokofiev: Sonata for Violin and Piano No.2 in D, Op.94a – 3. Andante 3:36
4 Prokofiev: Sonata for Violin and Piano No.2 in D, Op.94a – 4. Allegro con brio 6:56

5 Crumb: Four Nocturnes (Night Music II) – for violin and piano – Notturno I: serenamente 2:51
6 Crumb: Four Nocturnes (Night Music II) – for violin and piano – Notturno II: scorrevole, vivace possibile 1:28
7 Crumb: Four Nocturnes (Night Music II) – for violin and piano – Notturno III: contemplativo 2:11
8 Crumb: Four Nocturnes (Night Music II) – for violin and piano – Notturno IV: con un sentimento di nostalgia 2:38

9 Webern: Four Pieces, Op.7 – for violin and piano – 1. Sehr langsam 1:26
10 Webern: Four Pieces, Op.7 – for violin and piano – 2. Rasch 1:32
11 Webern: Four Pieces, Op.7 – for violin and piano – 3. Sehr langsam 1:31
12 Webern: Four Pieces, Op.7 – for violin and piano – 4. Bewegt 1:09

13 Respighi: Sonata for Violin and Piano in B minor – 1. Moderato 9:28
14 Respighi: Sonata for Violin and Piano in B minor – 2. Andante espressivo 8:04
15 Respighi: Sonata for Violin and Piano in B minor – 3. Passacaglia – Allegro moderato ma energico 7:45

Anne-Sophie Mutter, violino
Lambert Orkis, piano

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Eu hoje acordei assim
Eu hoje acordei assim

PQP

Gustav Mahler (1860-1911) – Des Knaben Wunderhorn (CD 6 de 16) (Bernstein)

Gustav Mahler (1860-1911) – Des Knaben Wunderhorn (CD 6 de 16) (Bernstein)


Des Knaben Wunderhorn significa A trompa mágica do menino, e é uma coleção de textos de canções populares, publicada por Clemens Brentano e Achim von Arnim no começo do século XIX. A coleção contém basicamente canções da Idade Média. Algumas das canções foram musicadas por Gustav Mahler entre 1892 e 1901. Ela são apresentadas em qualquer seqüência, depende dos intérpretes. Há controvérsias sobre o número delas, alguns dizem que são 12; outros, que são 24. Bernstein nos mostra 13… No ciclo há canções extraordinárias, como Wer hat dies Liedlein erdacht (melhor na gravações de von Otter + Abbado), Des Antonius von Padua Fischpredigt, Wo die schönen Trompeten blasen, mas as outras não são piores, não. Questão de gosto.

CD6

Gustav Mahler – Leonard Bernstein – Des Knaben Wunderhorn

01. Der Schildwache Nachtlied
02. Wer hat dies Liedlein erdacht
03. Der Tamboursg’sell
04. Das irdische Leben
05. Verlorne Müh’
06. Des Antonius von Padua Fischpredigt
07. Revelge
08. Rheinlegendchen
09. Lob des hohen Verstandes
10. Wo die schönen Trompeten blasen
11. Lied des Verfolgten im Turm
12. Trost im Unglück
13. Urlicht

Lucia Popp : soprano
Andreas Schmit : baritone
Concertgebouw Orchestra
Leonard Bernstein

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Lenny06

PQP

Astor Piazzolla (1921-1992): Tangos del Ángel y del Diablo

Astor Piazzolla (1921-1992): Tangos del Ángel y del Diablo

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Neste quase Natal, um presente para os pequepianos: uma bela coletânea dos Tangos do Anjo e do Diabo de Astor Piazzolla com o compreensivo e super internacional ChamberJam Europe. Às vezes tenho a impressão de que tenho um anjo sobre meu ombro direito me sussurrando coisas. Como não há sentido em existir um anjo sem seu respectivo diabo, tenho no ombro esquerdo, é claro, o diabo com suas armas e habilidades superiores de persuasão. E aqui, neste CD, o diabo volta, de certa forma, a vencer. O Romance del Diablo é uma maravilha e, do lado do anjo, o melhor que há é La Muerte del Angel. Mas tudo isso é brincadeira.  Ouçam o CD porque vale a pena.

(Há pequenos ruídos em uma ou duas faixas, mas nada que vá matar alguém. Se você tiver o CD sem falhas em mp3, envie-nos as correções que a gente dá um jeito).

Astor Piazzolla (1921-1992): Tangos del Ángel y del Diablo

1 Introduccion al Angel 5:31
2 Milonga del Angel 6:49
3 La Muerte del Angel 3:00
4 Resurreccion del Angel 7:20
5 Tango del Diablo 4:25
6 Romance del Diablo 7:10
7 Vayamos al Diablo 1:47

ChamberJam Europe:
Natacha Kudritskaya, piano
Marcelo Nisinman, bandoneon
Daniel Rowland, violin
Alberto Mesirca, guitar
Zoran Markovic, double-bass

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O pessoa do ChamberJam Europe dando um rolê por aí
O pessoa do ChamberJam Europe dando um rolê por aí

PQP

Prokofiev (1891-1953): Cello Concerto, Op. 58, Music For Children, Op. 65 / Shostakovich (1906-1975): Cello Concerto No. 1, Op. 107

Prokofiev (1891-1953): Cello Concerto, Op. 58, Music For Children, Op. 65 / Shostakovich (1906-1975): Cello Concerto No. 1, Op. 107

Há um CD análogo a este gravado por Rostropovich e Ozawa. Mesmo repertório e, bem, interpretação muito melhor. Isserlis dá um jeito de dobrar as coisas a seu modo e não apenas toma um chocolate de Rostrô como também de outra dupla mais contemporânea presente no PQP Bach, Mørk e Petrenko. (Só que os últimos não tocam Prokofiev, só o 1º Concerto de Shosta). Estas duas gravações pulverizam o leve Isserlis, um cabeludo sonhador — nada contra — meio desconectado dos sentimentos que criaram tal música. Rapaz, esta não é música para cellistas românticos, é para gente grande e implacável.

Prokofiev (1891-1953): Cello Concerto, Op. 58, Music For Children, Op. 65 /
Shostakovich (1906-1975): Cello Concerto No. 1, Op. 107

Serge Prokofiev (1891-1953): Cello Concerto In E Minor, Op. 58
01. 1. Andante
02. 2. Allegro Giusto
03. 3a. Tema- Allegro; Interludio- L’Istesso Tempo
04. 3b. Var. 1- L’Istesso Tempo
05. 3c. Var. 2- Vivace
06. 3d. Var. 3- Andantino Tranquillo; Interludio II- Tempo I
07. 3e. Var. 4- L’Istesso Tempo
08. 3f. Reminiscenza- Meno Mosso
09. 3g. Coda- Poco Più Sostenuto

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Cello Concerto #1 In E Flat, Op. 107
10. 1. Allegretto
11. 2. Moderato
12. 3. Cadenza
13. 4. Allegro Con Moto

Serge Prokofiev (1891-1953): Music For Children, Op. 65
14. #10 March

Steven Isserlis, cello
Frankfurt Radio Symphony Orchestra
Paavo Järvi, regente

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Prokofiev e Shostakovich num daqueles alegres encontros de compositores soviéticos
Prokofiev e Shostakovich num daqueles animados encontros de compositores soviéticos

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Gustav Mahler (1860-1911): Symphony No. 5 (Hermann Scherchen, 1953)

Gustav Mahler (1860-1911): Symphony No. 5 (Hermann Scherchen, 1953)

Eu não sou desses caras malucos por gravações históricas. Esta aqui me interessou mais por envolver Hermann Scherchen (1891-1966) — na minha opinião um grande e originalíssimo regente — do que por Mahler, apesar da imensa admiração que tenho pelo compositor. Os discos de Scherchen com arranjos e regências para A Arte da Fuga e A Oferenda Musical, de Bach, quase furaram na casa de meu pai. Passei grande parte da adolescência ouvindo-os repetidamente e lendo uma frase de Scherchen na contracapa: “A música não precisa ser entendida, ela precisa ser ouvida”. Era exatamente isso que eu fazia.

Bem, o som não é lá essas coisas, mas Scherchen faz um excelente Mahler. Não curti muito o primeiro movimento, mas o resto é indiscutivelmente bom. Em mim, não é automática a lembrança de A Morte em Veneza a cada audição do Adagietto, mas desta vez fiquei tão emocionado que o filme de Visconti me veio logo à memória. Vale a audição!

(Ah, antes que alguém reclame: o selo da Amazon acima é de outra gravação do mesmo Scherchen para a mesma obra, mas outra orquestra, OK?)

Gustav Mahler: Symphony No. 5 (Hermann Scherchen, 1953)

1. Part One, Movement I: Trauermarsch. In gemessenem Schritt.
2. Movement II: Stürmisch bewegt. Mit größter Vehemenz
3. Part Two, Movement III: Scherzo. Kräftig, nicht zu schnell
4. Part Three, Movement IV: Adagietto. Sehr langsam
5. Movement V: Rondo – Finale. Allegro

Hermann Scherchen
Vienna State Opera Orchestra

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Hermann Scherchen, esse foi foda.
Hermann Scherchen, esse foi foda.

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John Adams (1947): The Chairman Dances

John Adams (1947): The Chairman Dances

chairman dances

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este LP de 1986, traz aquilo que seria o warm-up da ópera Nixon in China. O som é perfeitíssimo, nem pense em recuar.

The Chairman Dances não são um trecho nem uma “fantasia sobre temas” — não são como as Danças de West Side Story, de Bernstein, por exemplo –, era um aquecimento para a criação da ópera completa. É música original. Em 1985, Adams tinha recebido um adiantamento da Milwaukee Symphony para uma peça, mas, ao mesmo tempo, estava envolvido com a ópera. O que saiu foi algo baseado na ópera, mas independente. Afinal, na cena final e surreal da ópera, Madame Mao interrompe as formalidades cansativas ​​de um banquete de Estado, quebra o protocolo e convida o Presidente, que está presente apenas como um gigantesco cartaz na parede, “to come down, old man, and dance.”

Adams é um compositor genial. The Chairman Dances vêm aqui acompanhadas de outras peças que comprovam o fato. O discurso minimalista religioso de Christian Zeal And Activity é extraordinário. Common Tones In Simple Time (1979) é a primeira obra orquestral de Adams — veio antes de Shaker Loops –, mas onde já se mostra um compositor pronto.

***

John Adams: The Chairman Dances

1. The Chairman Dances (Foxtrot For Orchestra)
2. Christian Zeal And Activity
3. Two Fanfares For Orchestra: Tromba Lontana
4. Two Fanfares For Orchestra: Short Ride In A Fast Machine
5. Common Tones In Simple Time

San Francisco Symphony Orchestra
Edo de Waart

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Rapaz, esse negócio de compor bem dá um trabalho... | Foto: Margaretta Mitchell
Rapaz, esse negócio de COMPOR BEM dá um trabalho… | Foto: Margaretta Mitchell

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Alberto Ginastera (1916-1983): Popol Vuh e Cantata para a América Mágica

Alberto Ginastera (1916-1983): Popol Vuh e Cantata para a América Mágica


Honestamente, não sei nada sobre essas duas obras de Ginastera, nada mesmo, apenas comprei o CD para conhecê-las e decidi postar porque devem ter sua importância no catálogo do compositor argentino (tem um encarte que fala sobre elas mas preferi não lê-lo). Não achei nada de excepcional, mas percebi que se tratam de duas partituras de tempos em que Ginastera estava consagrado embora elas mostrem um tratamento percussivo já desenvolvido no balé Estância, décadas antes.

***

Ginastera: Popol Vuh, Cantata para América Mágica

Popol Vuh op. 44 (1975–1983) 25:16
La creación del mundo maya · The Creation of the Mayan World
for orchestra

[01] I La noche de los tiempos 06:35
Die Nacht der Zeiten · The Everlasting Night · La nuit des temps

[02] II El nacimiento de la tierra 04:30
Die Geburt der Erde · The Birth of the Earth · La naissance de la terre

[03] III El despertar de la naturaleza 04:55
Das Erwachen der Natur · Nature Wakes · L’éveil de la nature

[04] IV El grito de la creación 00:40
Der Schrei der Schöpfung · The Cry of Creation · Le cri de la création

[05] V La gran lluvia 02:43
Der große Regen · The Grand Rain · La grande pluie

[06] VI La ceremonia mágica del maíz 02:39
Die Magische Maiszeremonie · The Magic Ceremony of Indian Corn · La cérémonie magique du maïs

[07] VII El sol, la luna, las estrellas 03:14
Die Sonne, der Mond, die Sterne · The Sun, the Moon, the Stars · Le soleil, la lune, les étoiles

Cantata para América Mágica op. 27 (1960) 24:18
for dramatic soprano and percussion orchestra
on poems by Mercedes de Toro after ancient pre-Columbian manuscripts

[08] I Preludio y canto a la aurora 04:56
Vorspiel und Gesang an den Sonnenaufgang · Prelude and Song of Dawn · Prélude et chant à l’aurore

[09] II Nocturno y canto de amor 03:59
Nocturne und Liebesgesang · Nocturne and Love Song · Nocturne et chant d’amour

[10] III Canto para la partida de los guerreros 02:08
Gesang zum Aufbruch der Krieger · Song for the Warriors’ Departure · Chant pour le départ des guerriers

[11] IV Interludio fantástico 03:51
Fantastisches Zwischenspiel · Fantastic Interlude · Interlude fantastique

[12] V Canto de agonía y desolación 05:36
Gesang von Agonie und Verzweiflung · Song of Agony and Desolation · Chant d’agonie et de désolation

[13] VI Canto de la profecía 03:49
Prophetischer Gesang · Song of Prophecy · Chant de la prophétie

Rayanne Dupuis (soprano)
Bugallo-Williams Piano Duo
Ensemble_S
Schlagzeugensemble der Musikhochschule Köln
WDR Sinfonieorchester Köln
Stefan Asbury (conductor)

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Ilustração de um exemplar do Popol vuh, do idioma quiché, “livro da comunidade”. É um registro documental da cultura maia, produzido no século XVI, e que tem como tema a concepção de criação do mundo deste povo.
Ilustração de um exemplar do Popol vuh, do idioma quiché, “livro da comunidade”. É um registro documental da cultura maia, produzido no século XVI, e que tem como tema a concepção de criação do mundo deste povo.

CVL

John Antill (1904-1986): Corroboree e An Outback Overture

John Antill (1904-1986): Corroboree e An Outback Overture

Quando li na contracapa deste CD – o qual repousava esquecido numa prateleira da Livraria da Travessa do Shopping Leblon (ou será que foi na Fnac do Barra Shopping?) – que a Abertura Outback* é uma “charmosa peça para início de concertos, reminiscente da energia rítmica de Stravinsky, de melodias britânicas folclóricas, da influência harmônica de Copland e do humor de [Percy] Grainger [o compositor australiano mais proeminente]”, pensei de sobressalto: “Onde vai dar essa bobônica**?”.

Mas o que chamou a atenção foi o nome da obra principal do CD, Corroboree, um ritual aborígene da terra dos cangurus que o compositor teve o privilégio de testemunhar ainda criança. Minha expectativa era de que, influenciado por tanto compositor de fora do país***, Antill tivesse pelo menos bom gosto e maestria caso não tivesse uma personalidade própria.

E valeu a expectativa: a Abertura Outback pode até soar convencional (digo, meio Malcolm Arnold ou Ferde Grofé), mas é uma partitura decente, e o balé Corroboree é belíssimo. Os cinco minutos finais do último movimento surpreendem – até minha netinha de um ano e meio ficou pulando no meu bucho de chope empolgada, tentando marcar o ritmo na minha careca.

Agora, a Austrália entra no mapa de nosso blog.

***

* Qualquer semelhança com a rede de churrascarias australiana é parcial coincidência: não tem nada a ver com a rede, mas tem com o Outback propriamente dito (os rincões do sertão australiano) .

** “Bobônica” é uma palavra que aprendi numa de minhas viagens a trabalho no Recife (ou será que foi em Maceió?). Talvez tenha sido com um pernambucano que tenha estado na minha residência, na praia do Leme, ou em minha casa de praia em Natal.

*** Já que a identidade cultural do Canadá, da Austrália e da Nova Zelândia não tem muitas raízes na própria terra.

***

John Antill (1904-1986): Corroboree e An Outback Overture

1. An Outback Overture: Outback Overture
2. Corroboree: I. Welcome Ceremony
3. Corroboree: II. Dance to the Evening Star
4. Corroboree: III. A Rain Dance
5. Corroboree: IV. Spirit of the Wind
6. Corroboree: V. Rising Sun
7. Corroboree: VI. The Morning Star
8. Corroboree: VII. Procession of the Totems and Closing Ceremony

New Zealand Symphony Orchestra, regida por James Judd

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Vocês pensam que é fácil encontrar fotos de John Antill?
Vocês pensam que é fácil encontrar fotos de John Antill?

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Mzilikazi Khumalo (1932): Five African songs / Peter Louis Van Dijk (1953): San Gloria and San Chronicle / Samuel Akpabot (1931-2000): Three Nigerian Dances

Mzilikazi Khumalo (1932): Five African songs / Peter Louis Van Dijk (1953): San Gloria and San Chronicle / Samuel Akpabot (1931-2000): Three Nigerian Dances

Eu nunca havia escutado obras eruditas de compositores africanos (na verdade eu nem conhecia compositores africanos e o único expoente das artes subsaarianas famoso no Brasil, Bengalelê Motumbo, não estudou música), até que uma boa oportunidade surgiu quando comprei esse CD.

Falando um pouco do repertório do disco: as Cinco canções africanas são canções folclóricas sul-africanas bem conhecidas naquele país e que foram arranjadas para coral por Khumalo, mas aqui elas aparecem no arranjo orquestral criado por Peter Van Dijk (diz-se “Van Déique”). São as duas obras desse holandês radicado na África do Sul que valem o download, principalmente o San Gloria, baseadas na música do povo San.

Agora, África do Sul, Holanda e Nigeria entram para o mapa do blog.

***

Mzilikazi Khumalo (1932): Five African songs / Peter Louis Van Dijk (1953): San Gloria and San Chronicle / Samuel Akpabot (1931-2000): Three Nigerian Dances

Khumalo, Mzilikazi
5 African Songs (orch. Peter Louis Van Dijk)
1. Bantu Be – Afrika Hlanganani 00:03:13
2. Bawo Thixo Somandla 00:03:50
3. Sizongena Laph’emzini 00:04:32
4. Ingoma kaNstikana 00:04:28
5. Akhala Amaqhude Amabile 00:03:58

Van Dijk, Peter Louis
San Gloria
6. Gloria in excelsis Deo 00:02:28
7. Et in terra pax hominibus, bonae voluntatis 00:02:59
8. Laudamus te 00:02:38
9. Domine Deus, Agnus Dei – Quoniam tu solus sanctus 00:06:51

Akpabot, Samuel
3 Nigerian Dances
10. Allegro moderato 00:02:47
11. Andante cantabile 00:03:45
12. Allegretto 00:02:04

Van Dijk, Peter Louis
San Chronicle (for Chamber Orchestra)
13. San Chronicle 00:19:22

South African Broadcasting Corporation National Symphony Orchestra
South African Broadcasting Corporation Chamber Choir
Richard Cock

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James Stephen Mzilikazi Khumalo quando jovem (e barrigudinho)
James Stephen Mzilikazi Khumalo quando jovem (e barrigudinho)

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Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 3

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 3

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Por questões que não me cabe explicar aqui, esta é a Sinfonia de Mahler de que mais gosto. Procuro ouvir todas as versões desde o tempo do vinil… E não poderia deixar passar assim no mais a gravação de Boulez com um supertime. É um registro impecável, maravilhoso, com os solistas e a Wiener Philharmoniker dando um banho de competência. Merece ficar ao lado da versão de Bernstein.

Esta é a mais longa sinfonia de Mahler — tem seis movimentos e quase duas horas de duração. Aqui, o conceito de Mahler que previa a sinfonia como um mundo em si mesmo encontra sua expressão mais clara, em minha opinião. O tema principal do terceiro movimento é a natureza e o lugar do homem nela. A principal inspiração literária foi, como quase sempre, Das Knaben Wunderhorn e Nietzsche. Tal como na Ressurreição, a 3ª é uma sinfonia cantada a partir de determinado momento. O programa original funcionou assim: “The Joyful Knowledge: A Summer Morning’s Dream”. I. Pan Awakes: Summer Marches In; II. What the Meadow Flowers Tell Me; III. What the Creatures of the Forest Tell Me; IV. What Night Tells Me (Mankind); V. What the Bells Morning Tell Me (the Angels); VI. What Love Tells Me; e VII. The Heavenly Life (What the Child Tells Me). Depois, Mahler retirou o sétimo movimento e usou-o como núcleo da Quarta Sinfonia. Aos inexperientes, um conselho: ouçam em volume bem alto para ouvir tudo, OK?

Gustav Mahler: Symphony No.3 in D minor

1) 1. Kräftig. Entscheiden [33:34]
2) 2. Tempo di minuetto. Sehr mäßig [9:27]
3) 3. Comodo. Scherzando. Ohne Hast [16:38]

1) 4. Sehr langsam. Misterioso: “O Mensch! Gib acht!” ‘O Mensch! Gib acht’ [9:17]
2) 5. Lustig im Tempo und keck im Ausdruck: “Bimm Bamm. Es sungen drei Engel” [4:05]
3) 6. Langsam. Ruhevoll. Empfunden [22:22]

Anne Sofie von Otter
Wiener Philharmoniker
Pierre Boulez
Women Chorus of Singverein der Gesellschaft der Musikfreunde
Johannes Prinz
Wiener Sängerknaben
Gerald Wirth

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Boulez arredondando tudo.
Boulez arredondando tudo.

 

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J. Brahms (1833-1897) e B. Bartók (1881-1945): Concertos Nº 1 para Violino

J. Brahms (1833-1897) e B. Bartók (1881-1945): Concertos Nº 1 para Violino

Sem o desejo de ofender nenhum pequepiano apaixonado, parece-me que o Concerto para Violino de Brahms da holandesa Janine Jansen encontra-se um degrau abaixo desta e desta gravações, só para dar dois exemplos modernos de registros feitos por violinistas mulheres. É claro que aqui nos encontramos em nível altíssimo de exigência, é claro que este CD é excelente, mas o que fazer? O Concerto de Brahms é uma das principais peças para o instrumento, é difícil — o grande Hans von Bülow exagerou um pouco ao descrevê-lo como sendo escrito “contra o violino” — e costumamos ouvir verdadeiras lendas interpretá-lo. Já no Concerto de Bartók, a moça dá um show de competência e senso de estilo. Não era para menos: com um pai cravista, uma mãe cantora lírica e um irmão cellista, ela só poderia dar boa mesmo.

J. Brahms (1833-1897) e B. Bartók (1881-1945): Concertos Nº 1

1 Brahms: Violin Concerto in D, Op.77 – 1. Allegro non troppo 22:13
2 Brahms: Violin Concerto in D, Op.77 – 2. Adagio 8:28
3 Brahms: Violin Concerto in D, Op.77 – 3. Allegro giocoso, ma non troppo vivace – Poco più presto 8:02

4 Bartók: Violin Concerto No.1, Sz36 – 1. Andante sostenuto (Op.posth) 8:40
5 Bartók: Violin Concerto No.1, Sz36 – 2. Allegro giocoso (Op.posth) 11:46

Janine Jansen
Orchestra dell’Accademia Nazionale di Santa Cecilia (Brahms)
London Symphony Orchestra (Bartók)
Antonio Pappano

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Janinie Jansen e seu Stradivari "Barrere" de 1727
Janine Jansen e seu Stradivari “Barrere”, de 1727, que usa dentro de um empréstimo de longa duração viabilizado pelo Elise Mathilde Fonds

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Johann Sebastian Bach (1685-1750): Violin Concertos

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Violin Concertos

Para começar, eu adoro Alina Ibragimova. Ela é um brilhante exemplo do jovem solista moderno, tão confortável adotando instrumentos de época, como em estrear novas obras ou descobrir um repertório negligenciado. Sua nova gravação de Concertos para Violino de Bach abre com dois concertos que Bach escreveu realmente para o violino: os BWV 1041 e 1042. Ao lado deles, Ibragimova oferece três concertos que são reconstruções de concertos para teclado, dois dos quais provavelmente tiveram origem em concertos perdidos para violino. Se tudo isso soa um pouco formal e acadêmico, as performances de Ibragimova não são nada disso. Há exuberância, graça e criatividade na forma como ela aponta os ritmos de dança. Nos movimentos lentos, há grande intimidade e calma, como se estivéssemos ouvindo uma conversa entre amigos ou amantes. Seus acompanhantes são os 14 membros da Arcangelo, dirigidos a partir do cravo por Jonathan Cohen.

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Violin Concertos

Violin Concerto in A minor BWV1041[12’17]
1 [Allegro moderato][3’43]
2 Andante[5’16]
3 Allegro assai[3’18]

Violin Concerto in E major BWV1042[14’55]
4 Allegro[7’02]
5 Adagio[5’28]
6 Allegro assai[2’25]

Violin Concerto in A major BWV1055[13’11]
7 Allegro[4’05]
8 Larghetto[5’17]
9 Allegro ma non tanto[3’49]

Violin Concerto in G minor BWV1056[9’01]
10 Allegro[3’06]
11 Adagio[2’33]
12 Presto[3’22]

Violin Concerto in D minor BWV1052[19’27]
13 Allegro[6’55]
14 Adagio[5’32]
15 Allegro[7’00]

Alina Ibragimova (violin)
Arcangelo
Jonathan Cohen (conductor)

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Ibragimova, muito melhor do que Ibrahimovic
Ibragimova, muito melhor do que Ibrahimovic

PQP

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 5 (CD 7 de 16) (Bernstein)

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 5 (CD 7 de 16) (Bernstein)

Mahler compôs dois movimentos da quinta durante o verão de 1901 e a completou no outono de 1902. A primeira apresentação ocorreu em Colônia em 1904. A sinfonia recebeu várias e várias revisões. Os cinco movimentos podem ser divididos em três seções: o centro, representado pelo gigantesco scherzo, cercados por dois movimentos lentos — o segundo nem tanto –, tendo estes outros dois, mais agitados, a os cercarem.

A fanfarra de trompete que abre a sinfonia mais parece uma reminiscência de caserna, coisa familiar à infância do compositor, até que é tomada por uma marcha fúnebre. O segundo movimento fragmenta de forma tumultuada o tema dos trompetes do primeiro movimento. É agressivo e enérgico, mas carrega uma indicação de esperança num tema coral que depois será retomado com alegria no quinto movimento. O espetacular scherzo — maravilhosamente construído — é uma mescla distorcidas de valsas com Ländler. O adagietto para cordas e harpa é a lindíssima canção sem palavras utilizada por Luchino Visconti em seu filme Morte a Venezia (A Morte em Veneza), de 1971, baseado na obra de Thomas Mann. Como parece um longo e pungente hino de amor, ficou perfeito como o tema de Tadzio, oferecido por Aschenbach. O rondó final une a sinfonia inteira, retornando ao tela coral do segundo movimento. Inicia com temas quase infantis e encerra-se em enorme alegria.

Um sinfonia absolutamente espetacular de um compositor equilibrado e seguro. Daqui para a frente nem sempre seria assim, mas isso está longe de indicar decadência.

FDP Bach escreveu (aqui, foi ele o minimalista):

Eis a talvez mais famosa sinfonia mahleriana, aquela que contém o famoso adagieto que tocou no belíssimo filme de Visconti, “Morte em Veneza”, e que em minha cabeça ficou associada para sempre a este filme magnífico.

Para uma análise mais detalhada da obra, sugiro ler aqui. Como sempre, a interpretação estará nas mãos de Leonard Bernstein, mas desta vez novamente à frente da Filarmônica de Viena. Uma grande performance deste que foi um dos grandes especialistas mahlerianos no século XX.

Gustav Mahler – Symphonie No. 5 in C-sharp minor

01. I. Trauermarsch. In gemessenem Schritt. Streng. Wie ein Kondukt
02. II. Stürmisch bewegt. Mit größter Vehemenz
03. III. Scherzo. Kräftig, nicht zu schnell (feat. horn Friedrich Pfeiffer)
04. IV. Adagietto. Sehr langsam
05. V. Rondo-Finale. Allegro – Allegro giocoso. Frisch

Wiener Philharmoniker
Leonard Bernstein

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Mahler era uma figuraça regendo. Mas o resultado era estupendo, dizem.

PQP

.: intermezzo :. Eric Dolphy (com Booker Little): Far Cry (1960)

.: intermezzo :. Eric Dolphy (com Booker Little): Far Cry (1960)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este disco é mais uma daquelas coisas maravilhosas saídas deste gênio morto aos 36 anos da forma mais estúpida que se possa imaginar. Na tarde de 18 de Junho de 1964, Eric Dolphy caiu nas ruas de Berlim e foi levado a um hospital. Os enfermeiros, que não sabiam que ele era diabético, pensaram que ele (como acontecia a muitos jazzistas) era presa de uma overdose. Deixaram-no, então, num leito até que passasse o efeito das “drogas”. E Dolphy morreu após o coma diabético. Bastava-lhe uma injeção.

Far Cry tem uma história notável. No mesmo dia, pela manhã, Dolphy gravou com o grupo de free jazz de Ornette Coleman. Depois, foi gravar Far Cry com Booker Little e um grupo onde estava o estreante Ron Carter. E eles gravaram todo o álbum naquele dia. Todo. Ah, Booker Little morreria ainda antes de Dolphy. Morreu no ano seguinte (1961), aos 23 anos… De uremia. Nada de drogas, amigos.

Eric Dolphy (com Booker Little): Far Cry (1960)

1. Mrs. Parker Of K.C. (Bird’s Mother) 8:01
2. Ode To Charlie Parker 8:42
3. Far Cry 3:53
4. Miss Ann 4:15
5. Left Alone 6:39
6. Tenderly 4:18
7. It’s Magic 5:39
8. Serene 6:37

Eric Dolphy – bass clarinet on “Mrs. Parker of K.C.,” “It’s Magic,” and “Serene”; flute on “Ode to Charlie Parker” and “Left Alone”; alto sax all other tracks
Booker Little – trumpet
Jaki Byard – piano
Ron Carter – bass
Roy Haynes – drums

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Eric Dolphy e Booker Little, dois gênios mortos precocemente.
Eric Dolphy e Booker Little, dois gênios mortos precocemente.

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Harry Crowl (1958) e Zoltan Paulinyi (1977): Imagens

Harry Crowl (1958) e Zoltan Paulinyi (1977): Imagens

Godoy-capaUm excelente e raro CD que é um caso incomum de obras escritas para viola pomposa (um instrumento talvez mais desconhecido que o violoncelo tenor de Dimos Goudaroulis) e mais raro ainda porque é de obras inéditas e nacionais quase todas compostas em nosso século – fruto de uma parceria entre os mineiros Paulinyi e Crowl. Maiores detalhes aqui.

Harry Crowl (1958) e Zoltan Paulinyi (1977): Imagens

Harry Crowl
[ 1 ] Canto (4:43) Violino: Zoltan Paulinyi

Zoltan Paulinyi
[ 2 ] Acalanto n. 1 (2:23) Violino: Zoltan Paulinyi

Harry Crowl
[ 3 ] Solilóquio III (13:43) Violino: Zoltan Paulinyi

Zoltan Paulinyi
[ 4 ] Toada (8:34) Viola pomposa: Zoltan Paulinyi

Harry Crowl
[5-6] Cambiata
• Proposição (4:07)
• Corolário (2:06)
viola pomposa: Zoltan Paulinyi

Zoltan Paulinyi
[ 7 ] Oblação (2:13) viola pomposa: Zoltan Paulinyi

Harry Crowl
[ 8 ] As impuras imagens do dia se desvanecem (13:25) viola pomposa: Zoltan Paulinyi

Zoltan Paulinyi
[ 9 ] Acalanto n. 2 (3:43) Clarinete: Felix Alonso / Violino: Zoltan Paulinyi
[10] Pluma (1:28)
Fagote: Iracema Simon / Violino: Zoltan Paulinyi
[11] Biduo d’ouro (2:51)
• Moderato e allegro
Fagote: Iracema Simon / Violino: Zoltan Paulinyi
[12] Brincadeira de Roda (3:10)
Clarinete: Félix Alonso / Fagote: Flávio Figueiredo
[13] Jesus é pregado na cruz (4:29)
• Cena XI da Via Sacra
Clarinete: Félix Alonso / Violinos: Karla Oliveto e Zoltan Paulinyi

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Zoltan Paulinyi
Zoltan Paulinyi

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Rapsódia Latina – Obras para violoncelo e piano

Rapsódia Latina – Obras para violoncelo e piano

rapsodia latinaUm dos melhores CDs de repertório moderno e contemporâneo para violoncelo e piano já lançados: formidável de cabo a rabo.

O problema é que depois que ouço o inusitadamente romântico Poema III de Marlos Nobre, acho as outras peças sem encanto, mas admito que é uma preferência pessoal: o Poema é daquelas músicas para você fazer um powerpoint com as fotos de sua namorada e mandar pra ela no próximo 12 de junho (fica a dica).

Rapsodia Latina

01 Marlos Nobre (Brasil, 1939): Poema III – op.94 n.º 3 (2001)
Andante con motto

Gabriela Frank (EUA/Peru, 1972): Manhattan Serenades (1995) *
02 I Uptown
03 II Midtown
04 III Downtown

05 Joaquín Silva-Díaz (Venezuela, 1886-1977): Serenata (1935) *
Andantino, quasi allegretto

Esteban Benzecry (Argentina, 1970): Toccata y Misterio (1991) *
06 Allegro enerqico
07 Misterioso
08 Allegro enerqico

09 Esteban Benzecry (Argentina, 1970): Rapsodia Andina (2002)*
Obra dedicada ao Duo Lin/Castro-Balbi

Luis Sandi (México, 1905-1996): Sonatina (1958) *
10 I Largo – Allegro comodo
11 II Adagio non troppo
12 III Allegro vivo

Marlos Nobre (Brasil, 1939): Desafio II, op.31 n.º 2bis (1968)
13 I Cadenza: calmo e rubato
14 II Desafio: vivo – Lento – tempo vívo

15 Manuel M. Ponce (México, 1882-1948) Lejos de tí (arr. Gloria Lin) *

16 William Bolcom (EUA, 1938): Gingando: Brasilian Tango Tempo
(Tombeau d’Ernesto Nazareth)
– from Capriccio (1985)

Duo Lin/Castro-Balbi:
Jesús Castro-Balbi, cello
Gloria Lin, piano

* Primeiras gravações mundias / world premiere recordings

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Marlos Nobre: qual será o segredo de sua cabeleira?
Marlos Nobre: qual será o segredo de sua cabeleira?

CVL

Serguei Prokofiev (1891-1953): Violin Concerto No.2, Solo Violin Sonata, Duo Violin Sonata

Serguei Prokofiev (1891-1953): Violin Concerto No.2, Solo Violin Sonata, Duo Violin Sonata

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Quando este CD foi lançado, poucas semanas atrás, FDP Bach chegou em nosso grupo de discussões — por e-mail — gritando Mullova`s back, Mullova`s back! (Aliás, informo-lhes que FDP tirou umas pequenas férias a fim de reorganizar suas coisas. Nada grave. Já está voltando. E ele ama Mullova como ninguém. Talvez queira me matar por estar postando isso durante sua folga!). E toda a alegria de FDP é plenamente justificada. Este é um CD extraordinário, algo para desafiar a morte. Dedicado inteiramente a Prokofiev, demonstra uma violinista em seu auge fazendo o que mais sabe.

São só 50 minutos, mas são 50 minutos definitivos. O Concerto Nº 2 para Violino recebeu aqui, modernamente, sua melhor interpretação. Este concerto revela mais do estado de espírito de Prokofiev do que qualquer carta que tenha escrito — e ele as escrevia! Ele estava voltando para casa por necessidade criativa e a ansiedade se infiltra na música como mofo através em local úmido. É o trabalho de um homem na encruzilhada. Viktoria Mullova capta essas esperanças e dúvidas com grande intuição. Deixando de lado suas últimas bobagens, ela está de volta aqui no mais alto nível de desempenho. A solidão da música é intensificada por uma excelente orquestra. A Frankfurt Radio Symphony Orchestra, bem controlada por Paavo Järvi, permite que o solista conte a história direitinho, a seu modo.

Mas há mais: como Janine Jansen, Mullova faz com que o concerto seja acompanhado pela Sonata para Dois Violinos, contemporânea do mesmo, e a Sonata para Violino Solo, de 1947. O céu escurece sobre a URSS de Stalin e do compositor fica diante da desgraça que vive seu país. Mas Mullova está lá para nos salvar do desespero. Sua interpretação dança à beira do um abismo que, de alguma forma, acaba em seus pés. 50 minutos inacreditáveis de música.

* Com o auxílio de Norman Lebrecht

Serguei Prokofiev (1891-1953): Violin Concerto No.2, Solo Violin Sonata, Duo Violin Sonata

Concerto For Violin And Orchestra No. 2 In G Minor, Op. 63 (1953) Mullova (25:39)
1 I. Allegro Moderato 10:15
2 II. Andante Assai 9:15
3 III. Allegro, Ben Marcato 6:09

Sonata For Two Violins In C Major, Op. 56 (1932) Mullova e Papavrami (13:50)
4 I. Andante Cantabile 2:27
5 II. Allegro 2:45
6 III. Comodo (Quasi Allegretto) 3:30
7 IV. Allegro Con Brio 5:08

Sonata for Solo Violin In D Major, Op. 115 (1947) Mullova (10:58)
8 I. Moderato 4:33
9 II. Andante Dolce. Tema Con Variazioni 2:37
10 Con Brio 3:48

Viktoria Mullova e Tedi Papavrami, violinos
Radio-Sinfonie-Orchester Frankfurt (tracks: 1-3)
Paavo Järvi

Tudo ao vivo, como a gente gosta: Alte Oper, Frankfurt, 17-18 May 2012 (Concerto); Hessischer Sendesaal, Frankfurt, 7 December (Sonatas)

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FDP, larguei aquelas besteiras e voltei pra onde sou rainha
FDP, larguei aquelas besteiras e voltei para onde sou rainha

PQP

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 3

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 3

Pessoa de movimentos contidos e verdadeira indústria de concertos, amigo de Putin e influente personalidade russa, Valery Gergiev está consolidado como um dos bons regentes de nosso tempo. Sua 3ª de Mahler é algo que merece ser bem ouvido. Talvez por ser uma sinfonia imensa, muitas vezes minha atenção foge nos três movimentos finais. Aqui, garanto-vos, não há como. Acho que não preciso escrever muito sobre esta obra ultra conhecida, certo?

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia Nº 3

1. Kräftig entschieden (forte e decisivo)
2. Tempo di Menuetto (Tempo de minueto)
3. Comodo (Scherzando) (confortável, como um scherzo)
4. Sehr langsam–Misterioso (muito lento, misteriosamente)
5. Lustig im Tempo und keck im Ausdruck (Alegre em tempo e atrevido em expressão)
6. Langsam–Ruhevoll–Empfunden (lento, tranquilo, profundo)

Anna Larsson, alto
Tiffin Boys’s Choir
Ladies of the London Symphony Chorus
London Symphony Orchestra
Valery Gergiev

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Gergiev ofendendo o spalla.
Gergiev ofendendo o spalla.

PQP

Restaurado – J. Brahms (1833-1897): Violin Sonatas op.100 & 108 – Dietrich / Schumann / Brahms: F.A.E. Sonata

Restaurado – J. Brahms (1833-1897): Violin Sonatas op.100 & 108 – Dietrich / Schumann / Brahms: F.A.E. Sonata

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Isabelle Faust e Alexander Melnikov já nos deram uma sensacional versão da primeira Sonata para Violino de Brahms em 2007. Agora, eles completam o ciclo com as outras duas sonatas de 1886 e 1888, e adicionam uma raridade fascinante que data de duas décadas antes: a Sonata FAE, um esforço colaborativo de três compositores em honra do grande violinista Joachim, que teve que adivinhar quem tinha escrito cada movimento. Foi fácil. O segundo Allegro é hiper brahmsiano, assim como o Intermezzo e Finale são “schumannesque”. O som do piano de Melnikov — um Bösendorfer de 1875 — pode soar magro para alguns ouvintes acostumados com aos super pianos atuais, mas, após a audição é impossível não sentir que talvez os dois estejam muito, mas muito certos em sua abordagem.

J. Brahms (1833-1897): Violin Sonatas op.100 & 108 — Dietrich / Schumann / Brahms: F.A.E. Sonata

Johannes Brahms [1833-1897]
Violin Sonata no.3 in D minor op.108 / ré mineur / d-Moll
1 I. Allegro 8’07
2 II. Adagio 4’27
3 III. Un poco presto e con sentimento 2’54
4 IV. Presto agitato 5’39

Robert Schumann [1810-1856]
Three Romances op.94
5 I. Nicht schnell 3’13
6 II. Einfach, innig 3’56
7 III. Nicht schnell 4’09

Johannes Brahms [1833-1897]
Violin Sonata no.2 in A major op.100 / La majeur / A-Dur
8 I. Allegro amabile 7’43
9 II. Andante tranquillo – Vivace 5’49
10 III. Allegretto grazioso (quasi Andante) 5’28

Brahms / Schumann / Dietrich
F.A.E. Sonata [“Frei aber einsam” – Joseph Joachim gewidmet]
11 I. Allegro 11’51
12 II. Intermezzo. Bewegt, doch nicht zu schnell 2’24
13 III. Allegro 4’43
14 IV. Finale. Markiertes, ziemlich lebhaftes Tempo 7’19

Isabelle Faust – Violin
Alexander Melnikov – Piano

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Uma extraordinária dupla de dois: Faust e Malnikov
Uma extraordinária dupla de dois: Faust e Malnikov

PQP [restaurado por Vassily em 28/5/2020 e em 21/1/2024]

 

Giya Kancheli (1935): Vom Winde beweint / Alfred Schnittke (1932-1998): Concerto For Viola And Orchestra

Giya Kancheli (1935): Vom Winde beweint / Alfred Schnittke (1932-1998): Concerto For Viola And Orchestra

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um puta CD! Esta é, na minha opinião, a melhor gravação do Concerto para Viola de Schnittke. A energia da solista e da orquestra dão alma a uma composição de grande emoção. Emoção humana em música moderna e melódica. A obra de Kancheli, um grande compositor georgiano de música para o cinema, é igualmente extraordinária e cheia de paz. Era esperado e aconteceu, a violista norte-americana, filha de armênios, Kim Kashkashian superou Bashmet e Van Keulen.

Giya Kancheli (1935): Vom Winde beweint /
Alfred Schnittke (1932-1998): Concerto For Viola And Orchestra

1. Kancheli: Vom Winde beweint (1990) – 1. Largo molto 9:45
2. Kancheli: Vom Winde beweint (1990) – 2. Allegro moderato 7:59
3. Kancheli: Vom Winde beweint (1990) – 3. Larghetto 8:08
4. Kancheli: Vom Winde beweint (1990) – 4. Andante maestoso 12:02

5. Schnittke: Concerto For Viola And Orchestra (1985) – 1. Largo 3:51
6. Schnittke: Concerto For Viola And Orchestra (1985) – 2. Allegro molto 11:19
7. Schnittke: Concerto For Viola And Orchestra (1985) – 3. Largo 13:55

Kim Kashkashian
Dennis Russell Davies and Kim Kashkashian and Orchester Der Beethovenhalle Bonn (Kancheli)
Rundfunk-Sinfonieorchester Saarbrücken (Scnittke)
Dennis Russell Davies

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Com a fama que os violistas têm, a extraordinária Kim Kashkashian só pode desconfiar de seu instrumento
Com a fama que os violistas têm, a extraordinária Kim Kashkashian só pode desconfiar de seu instrumento

PQP