Nos comentários do post sobre Rachel Grimes, o leitor Felipe faz menção aos discos da “banda-mãe” Rachel’s, em especial “Music for Egon Schiele”. Sendo esta uma obra tão — TÃO — bela, e dada a dificuldade em se encontrar Rachel’s em boa qualidade na internet (sem pagar), me parece que não, não fica nem um pouco deslocada a postagem da discografia do grupo aqui.
“Music for Egon Schiele” é provavelmente o disco mais indicado aos amantes de música clássica que já postei nesse blog. (Ou ainda: é o mais próximo da música clássica que já me senti.) Procuro ficar de fora dessa área porque, como é sabido entre os leitores mais antigos, este cão, além de mau ouvinte, não entende lhufas do assunto. Mas o review da Amazon me diz que não arrisco tanto assim:
Originally performed as a live accompaniment for a 1995 theater-dance production about the life of painter Egon Schiele, this is the both the exception to the Rachel’s rule and their defining moment. Though they are normally a three-headed, multiperson new-music and classical ensemble centered around Jason Noble, Christian Frederickson, and Rachel Grimes, this suite was written entirely by Grimes and performed by Grimes (on piano), Frederickson (viola), and cellist Wendy Doyle. As always, the music is spellbinding; the fact that this is classical music by –and for– people who grew up on indie rock in no way diminishes it, nor does it make the music too low-brow for those with a classical background. For a more complete picture of what the entire Rachel’s ensemble is capable of, both Handwriting and The Sea and the Bells are recommended. —Randy Silver
Se a resenha acima une bem os três primeiros discos, já “Selenography” e “Systems/Layers” tem maior dose de experimentalismo (não confundir com psicodelia ou bagunça. Os Rachels são tão sérios quanto sensíveis). Meus preferidos são Music for Egon Schiele e Selenography. É música que pode ocupar meu background e me deixar mais criativo, ou que pode ocupar toda minha atenção e me deixar de queixo caído. Acho que vocês, que ainda não conhecem, deveriam tentar. Não garanto seu dinheiro de volta, mas prometo ir direto pro inferno com minhas boas intenções.

Music for Egon Schiele /1996 (v0)
Rachel Grimes (piano), Christian Frederickson (viola), Wendy Doyle (cello)
01 Family Portrait
02 Egon & Gertie
03 First Self-Portrait Series
04 Mime Van Osen
05 Second Self-Portrait Series
06 Wally, Egon & Models in the Studio
07 Promenade
08 Third Self-Portrait Series
09 Trio Goes to a Movie
10 Egon & Wally Embrace and Say Farewell
11 Egon & Edith
12 Second Family Portrait

Handwriting /1995 (v0)
Rachel Grimes (piano); Christian Frederickson (viola); Richard Barber (contra bass); Nat Barrett (cello); Marnie Christensen (violin); Kevin Coultas (drums); Mark Greenberg (vibraphone); Gregory King (hand drums); Michael Kurth (double bass); Eve Miller (violoncello); Jason Noble (electric bass, guitars, tapes); Jeff Mueller (orator)
01 Southbound to Marion
02 M. Daguerre
03 Saccharin
04 Frida Kahlo
05 Seratonin
06 Full on Night
07 Handwriting

The Sea and the Bells /1996 (v0)
Rachel Grimes (piano, vibes, linen sheet); Christian Frederickson (viola, matchbooks); John Baker (bells); Kevin Coultas (drum set, timpani); Edward Grimes (drum kit); Thomas Hatte (contrabass); Sarah Hong (cello); Ann Kim (violin); Greg King (boatswain); Jim Maciukenas (musical saw); Matthew McBride (viola); Eve Miller (violoncello, breton plotter, notepad)
01 Rhine & Courtesan
02 The Voyage of Camille
03 Tea Merchants
04 Lloyd’s Register
05 With More Air Than Words
06 All Is Calm
07 Cypress Branches
08 The Sirens
09 Night at Sea
10 Letters Home
11 To Rest Near to You
12 The Blue-Skinned Waltz
13 His Eyes

Selenography /1999 (v0)
Rachel Grimes (vocals, piano, harpsichord, keyboards); Jason Noble (guitar, keyboards, bass, percussion); Eve Miller (cello); Christian Frederickson (viola, accordion, keyboards); Dominic Johnson (viola); Edward Grimes (vibraphone, drum kit); Gregory King (percussion); Kyle Crabtree (drum kit); Steve Buttleman (trumpet); Giovanna Cacciola (vocals)
01 A French Galleasse
02 On Demeter
03 The Last Night
04 Kentucky Nocturne
05 Honeysuckle Suite
06 Artemisia
07 Old Road 60
08 An Evening of Long Goodbyes
09 Cuts the Metal Cold
10 The Mysterious Disappearance of Louis LePrince
11 Forgiveness
12 Hearts and Drums

Systems/Layers /2003 (v0)
Rachel Grimes (piano, keyboards); Christian Frederickson (viola, keyboards); Jason Noble (bass, guitar, drums, toolbelt, keyboards); Kyle Crabtree (drum kit); Edward Grimes (drums, keyboards); Eve Miller (cello); Matthew Annin (french horn); Wendy Doyle (cello); Doug Elmore (stand-up bass); Jane Halliday (violin); Sarah Hill (violin); Shannon Wright (vocals); Greg King (films)
01 Moscow Is in the Telephone
02 Water from the Same Source
03 Systems/Layers
04 Expect Delays
05 Arterial
06 Even/Odd
07 Wouldn’t Live Anywhere Else
08 Esperanza
09 Packet Switching
10 Where_Have_All_My_Files_Gone?
11 Reflective Surfaces
12 Unclear Channel
13 Last Things Last
14 Anytime Soon
15 Air Conditioning/A Closed Feeling
16.Singing Bridge
17.And Keep Smiling
18.4 or 5 Trees
19 NY Snow Globe
Boa audição!
Blue Dog

No pacote lincado logo abaixo, estão três gravações das peças da furniture music, encontradas 
Rampal e Mozart, que dupla…! Já me emocionei muito com estas gravações, que apenas consolidaram minha opinião a respeito de Rampal… gênio, mestre absoluto da flauta. Confesso que minha gravação favorita do concerto para flauta e harpa é com o Aurele Nicolet, acompanhado pelo Karl Richter… mas sejamos fiéis à coleção… tenho certeza de que ninguém vai se arrepender. E estou preparando outra postagem com esta dupla Nicolet / Richter… Para quem não conhece a obra, preste atenção no andantino do Concerto para flauta, harpa e orquestra. É um dos mais belos momentos da história da música. A delicadeza do dedilhar da harpa, acompanhada pelo sopro divino que emana dos pulmões de Rampal é de ressuscitar até defunto, de tão emocionante…

Não sei bem de onde catei essa raridade, que ganhou remasterização em nova edição deste ano. Também não posso parar agora pra procurar, ou falar sobre Milt Jackson. Ainda bem que não precisa. Saibam que o disco é lindo e majestoso. E agradeçam ao internauta misterioso pelo rip em 320kbps.

Como Marlos Nobre e Edino Krieger são os dois expoentes mais representativos da música clássica brasileira atual e como Krieger teve duas postagens contra uma de Nobre, esta dividida com Villa-Lobos, faço agora o contrabalanço, com a segunda do compositor pernambucano, mais fácil de ser achado em coletâneas do que em CDs inteiramente dedicados a ele.
IM-PER-DÍ-VEL !!!








IM-PER-DÍ-VEL !!!






Ambos viveram 24 anos. Schunke foi amigo de Schumann e não teve tempo de amadurecer. Reubke tem uma obra importante para órgão, a Sonata sobre o 94º Salmo. E só. Morreram cedo os dois jovens românticos. Este CD não é nenhuma maravilha, mas também não é o horror descrito pelo único comentarista que escreveu a respeito na Amazon. Pode ser sem brilhantismo, mas é simpático. Julguem aí.

Este CD consiste de três Ouvertures e três Trio Sonatas que aparecem aqui pela primeira vez em disco. A coleção foi publicada em 1753, quando o Mercure de France registrou que seu conteúdo era “na verdade superior a todas as grandes coisas que o compositor fez até agora”. As aberturas são do tipo francês. A estas Leclair acrescentou em cada caso um movimento intermediário lento e um final animado. As três sonatas estão em quatro movimentos seguindo o padrão lento-rápido-lento-rápido. Dois deles são arranjos do próprio Leclair de sonatas para violino solo de suas duas primeiras coleções impressas, enquanto o terceiro foi originalmente publicado como um trio em uma publicação de 1728. As aberturas, por outro lado, começaram como peças de teatro; na verdade, uma deles, como o próprio Leclair observou, funcionou como abertura para sua única ópera Scylla et Glaucus (1746), enquanto seus dois movimentos restantes e a música das outras duas aberturas talvez tenham servido como música teatral para o duque de Gramont, que contratou Leclair como líder de orquestra no final da década de 1740.









IM-PER-DÍ-VEL !!!
IM-PER-DÍ-VEL !!!
A peça de Walton é realmente muito boa, devo admitir. Os compositores ingleses não costumam me entusiasmar, mas o Allegro Molto da obra de Walton é de erguer cadáveres. Tive que ouvi-lo muitas vezes para ter certeza se tinha gostado. E gostei, muito. O Albion captura a turbulência, o lirismo melancólico enredado em tensão que é evocado na escrita de Walton. A abertura é cativante, com o tom de Albion ao mesmo tempo açucarado e iluminado, às vezes elétrico. Já o quarteto de Shostakovich é uma obra-prima conhecida. Me dá a impressão de que o Shosta saiu meio “berrado”, mas as diferenças entre cada versão são tão grandes que a gente fica pensando… A versão do Albion denota uma tremenda coragem. De maneira típica, Shostakovich começa com um humor alegre e ensolarado, que não podemos confiar que seja genuíno, como é seu costume. Logo, ele mostra seu lado cínico. Enquanto ele desce para as sombras, os Albion o seguem obedientemente. Os contrastes aqui são retratados de forma excelente e pintados de forma tão nítida que ficamos na ponta da cadeira a maior parte do tempo. Coragem, sim, coragem.

IM-PER-DÍ-VEL !!!
Carla Bley (1936-2023) foi pianista, compositora, arranjadora, além de fases mais ligadas ao fusion, quando tocou órgão hammond, piano elétrico e mais. Uma das poucas instrumentistas mulheres a liderar grupos de jazz – na verdade só consigo lembrar de uma outra, Alice Coltrane, e o fato de ambas terem precisado também do sobrenome dos ex-maridos para se estabelecerem comercialmente diz um pouco sobre a indústria musical… Aliás, um detalhe curioso de sua biografia: tendo estudado piano desde pequena, ela se enturmou junto a outros músicos em Nova York começando em um cargo de pouco prestígio, o de vendedora de cigarros na mítica casa de shows Birdland.

IM-PER-DÍ-VEL !!!
Mesmo assoberbado pelo trabalho – expressão muito original, não? – não poderia deixar de vir aqui fazer uma postagem. Afinal, faz uns três dias que não compareço! Só que o mesmo verdugo – o trabalho – me impedirá de alongar-me muito. Gosto muito desta obra em que Penderecki demonstra um recuo em relação ao modernismo mais furioso que apresentava em “A Paixão Segundo São Lucas”, por exemplo. Seu pós-serialismo é uma manifestação evidente de maturidade e nisto não vai nenhuma crítica às duas horas da música de Webern, nem ao resto da turma da Segunda Escola de Viena. Sua “Lacrimosa” chega a ser cantabile! Gosto dessas pessoas que conseguem renovar-se. É ecológico para a alma saber-se capaz de várias linguagens, mas isso já é outra história e estou sem tempo… Se fosse você, baixava agora. Vale a pena ouvir. A celebridade de Penderecki não é injusta.
Na boa, sabem aquelas músicas que são usadas no cinema para a entrada de reis e rainhas? Pois bem, Delalande é o autor da maioria. É um especialista em babar ovos, ao que parece. Bem, é um emprego. Quantos de nós não poderíamos ser considerados perfeitos baba-ovos? Escuta, você é empregado? Admira seu chefe? Faz tudo o que ele quer só para que ele não fique na sua cola? Bem, este é o caminho. As “Sinfonias para os Sopros do Rei” são um blow job de primeira linha. Música boa para colocar quando da primeira visita do sogro em casa ou quando aquele sujeito com um ego imenso entra no recinto. No mais, Paillard e sua turma estão muito bem.
IM-PER-DÍ-VEL !!!
Imaginem Handel, no anos 1930, escrevendo um concerto para quarteto de cordas e grande orquestra? Schoenberg fez aqui um milagre: vestiu o barroco com uma roupagem moderna numa magnífica transcrição do concerto grosso op.6/n.7 de Handel, onde é possível até perceber traços de Brahms (início do último movimento, por exemplo). Eu acho que até os puristas vão adorar. A gravação é raríssima e excelente.

IM-PER-DÍ-VEL !!!
