Claude Debussy – La Mer, Images – Orchestre National de France, Emmanuel Krivine

Sempre é bom voltar a Debussy, não acham? É um compositor que sempre me tranquiliza, ajuda a controlar minha ansiedade e a encarar o estresse diário. Lembro que quando comprei o meu primeiro disco com suas obras, exatamente ‘La Mer’, na já histórica versão de Pierre Boulez com a Philharmonia Orchestra, ouvi várias vezes seguidas sozinho em casa, imaginando sempre uma praia com suas ondas e arrebentações. Foi muito intenso, confesso. Morava sozinho na cidade grande, quase não tinha amigos se não aqueles do trabalho, então essa música me ajudou a combater a solidão, e a aquietar minha mente.

A bela versão que ora vos trago é a do experiente Emmanuel Krivine, lançada em 2018, que aqui dirige a excelente ‘Orchestre National de France’, ou seja, uma gravação com forte sotaque francês, afinal temos um compositor, um regente e uma orquestra franceses. Vale e muito a pena conferir esse registro. Como já comentei em outras postagens, a versão de Boulez continuará sendo a minha preferida, por diversos motivos, um deles citado acima, foi um disco fundamental em determinada fase de minha vida, o ouvi muito. Mas obviamente estou, e sempre estarei aberto a novas possibilidades e alternativas.

Espero que apreciem. É música para ser degustada preferencialmente sentados em uma confortável poltrona, de olhos fechados, ouvindo cada nota e imaginando o mar. Ou então, sentados a beira mar, observando as ondas.

La Mer (Revised 1909 Version)
1 I. De L’Aube À Midi Sur La Mer : Très Lent
2 II. Jeux De Vagues : Allegro
3 III. Dialogue Du Vent Et De La Mer : Animé Et Tumultueux

Images
4 I. Gigues
5.II. Iberia a. Par Les Rues Et Par Les Chemins
6 II. Iberia b. Les Parfums De La Nuit
7 II. Iberia c. Le Matin D’Un Jour De Fête
8 III. Rondes De Printemps

La Mer (Original 1905 Version)
9 III. Dialogue Du Vent Et De La Mer (Excerpt With Fanfare)

Orchestre National de France
Emmanuel Krivine – Conductor

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.: interlúdio :. The Moscow Male Jewish Capella – This Year in Jerusalem

Resolvi dedicar o meu primeiro post da seção “interlúdio” a um disco que comprei em uma velha noite fria na capital alemã. Um dia que ficou marcado em minha memória com alguma nitidez, já que foi a única vez em que, como gentio, tive permissão para entrar na sinagoga da Rykestraße, ao pé da Wasserturm, no coração do bairro de Prenzlauer Berg. A razão que me levou até ali, para além de uma grande curiosidade que eu tinha de conhecer o prédio, desde que morei ali pertinho, foi uma apresentação do The Moscow Male Jewish Cappella, como parte dos Jüdische Kulturtage em Berlim.

Fiquei muito tocado com o concerto, por muitos motivo. A beleza daquelas vozes em harmonia, a força ancestral daquelas canções, o próprio ato simbólico de assistir a um coral judeu russo em uma antiga sinagoga na capital alemã, uma das poucas a sobreviver à selvageria nazista da Noite dos Cristais, em novembro de 1938, por um puro capricho arquitetônico: uma vez que o prédio da sinagoga é geminado com os vizinhos, era impossível incendiá-lo sem que as chamas tomassem conta dos prédios que dividem parede com ele.

A sinagoga da Rykestraße, no bairro de Prenzlauer Berg, em Berlim

Outra lembrança marcante daquela noite foi a presença de metralhadoras, uma visão bem rara no cotidiano berlinense. A segurança daquela noite foi feita por agentes policiais fortemente armados, que caminhavam de um lado para o outro ao lado de fora da sinagoga. A luz que atravessava os vitrais formava enormes sombras desses silenciosos policiais, lembranças espectrais de que o mundo é um lugar perigoso e cheio de ódio e intolerância.

Memórias à parte, o disco que trago nesse post é um pequeno cartão de visitas do coro, fundado em 1989. Com um repertório um tanto eclético – com música tradicional judaica, jazz, Besame Mucho e um par de canções napolitanas – e arranjos que de vez em quando resvalam em divertida cafonice, ele certamente vale a audição e comprova a versatilidade do conjunto. Para quem gosta de música coral é uma pequena janela para a fortíssima tradição russa no ramo. A regência fica por conta de Alexander Tsaliuk, diretor artístico do grupo.

Nesses tempos de guerra, em que a humanidade mostra a sua pior face, é ainda mais importante que nos voltemos para as coisas belas que essa mesma humanidade cria.

Karlheinz

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1. Rachem
2. Avinu Shebashamaim
3. Liben’ke
4. Abisl Glik
5. Ierushalaim Shel Zagav
6. Ochi Cherniye
7. Jamaica
8. Puttin’ on the Ritz
9. V’Al Kulam
10. Besame Mucho
11. Ave Maria
12. Tum Balalayka
13. Moshiah
14. Shalandy
15. 7/40
16. Funiculi Funicula
17. Jerusalem
18. Statue of Liberty
19. Hava Nagila
20. Bei Mir Bist Du Schön
21. Od Yishama
22. Lekhaim
23. Papirossen
24. Avinz Malkeynu

The Moscow Male Jewish Cappella
Alexander Tsaliuk, regência

.: interlúdio :. Chick Corea & Béla Fleck: The Enchantment

.: interlúdio :. Chick Corea & Béla Fleck: The Enchantment

Acostumar-se à música digital, sem o suporte físico do toque, tem dessas: ganhei este disco de presente há algumas semanas, e simplesmente acabava não lembrando de escutá-lo. O mp3 não requer manuseio e as operações vão ficando obsoletas. Até poderia tê-lo baixado da internet e mantido o cd na estante, com plástico e tudo; cada vez mais, a mídia física vira, pura e simplesmente, item de colecionador.

Mas a verdade é que quando o coloquei para rodar, me arrependi instantaneamente de não ter ouvido antes. Colaboração contemporânea de um jazz refinadíssimo, este The Enchantment, gravado no ano passado — este post é de 2008 — por Chick Corea, é um duo com Béla Fleck — um músico do qual eu jamais havia ouvido falar. Seu instrumento? O banjo.

Coçando a cabeça com a pata traseira. Banjo não é coisa de música country?

Se o amigo leitor levantou a sobrancelha como eu fiz ao descobrir a informação no encarte do cd, saiba que está proibido de ter qualquer tipo de preconceito. Escrevo ouvindo o que se repete nos meus ouvidos várias vezes por dia desde então: a faixa 3, Joban Dna Nopia. Corea, de quem não conhecia gravações mais recentes, pelos céus! — está cada vez melhor, mais sábio e mais cativante. Suas frases são carregadas de um brilho muito particular, como se estivesse sorrindo, feliz, relaxado, divertindo-se, derramando-se generosamente para o público. Enquanto isso, Béla – que é americano, mas veja seu nome completo: Béla Anton Leoš Fleck (adicione Bártok, Dvořák e Janáček para descobrir o destino que seus pais lhe desejaram no nascimento) – desenvolve com muita personalidade e domínio técnico a sonoridade curta e metálica do banjo. Seja fazendo fundo para os solos de Corea ou o inverso, o casamento entre os timbres é fascinante e hipnótico. Também por inusitado, mantém a atenção do ouvinte o tempo todo, já que são variações pouquíssimo exploradas por nossa audição. Que é tratada com muito carinho durante todo este álbum.

Belo, por vezes lúdico, revigorante e atrator de bons augúrios; espero que esta seja uma valiosa surpresa para vocês, também.

The Enchantment – Chick Corea and Béla Fleck (224)
Chick Corea: piano
Béla Fleck: banjo

Produzido por Chick Corea e Béla Fleck para a Concord

01 Señorita (Corea) 5’20
02 Spectacle (Fleck) 4’40
03 Joban Dna Nopia (Corea) 6’28
04 Mountain (Fleck) 3’53
05 Children’s Song #6 (Corea) 4’02
06 A Strange Romance (Fleck) 4’46
07 Menagerie (Fleck) 5’53
08 Waltse for Abby (Fleck) 3’02
09 Brazil (Barroso, Russell) 5’58
10 The Enchantment (Corea) 5’39
11 Sunset Road (Fleck) 4’36

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bluedog

Verdi (1813-1901): Requiem – Messa Da Requiem (Bernstein / Arroyo / Veasey / Domingo / Raimondi / London Symphony Orchestra & Chorus)

Verdi (1813-1901): Requiem – Messa Da Requiem (Bernstein / Arroyo / Veasey / Domingo / Raimondi / London Symphony Orchestra & Chorus)

Esta gravação de 1970, feita no Royal Albert Hall de Londres, é bastante histriônica. O início é arrastadíssimo, os tímpanos no Dies Irae são ensurdecedores, o sotto voce no Quantus tremor é exagerado, o Andante do Libera me é um Adagio bem lento. Do lado positivo, Bernstein observa muitos pontos que outros ignoram — por exemplo, as trompas Tuba mirum, o maravilhosamente vivo e preciso Sanctus, a leveza do Pleni sunt coeli. A acústica do Albert Hall ajuda a dar à performance um ambiente real (incluindo um pouco de eco), embora às vezes o som seja desconfortável. A LSO e seu Coro atendem a todas as exigências rigorosas de Bernstein. Veasey faz um mezzo profundamente eloquente. Domingo, lá no início de sua carreira internacional (substituindo um doente Corelli), canta com espontaneidade agradável. Raimondi canta com requinte, mas num estilo bem antiquadão. Arroyo é uma decepção. Seu vibrato é parkinsoniano. Mas prefiro essa leitura àquela menos comprometida e mais rotineira de Solti na Decca, mas não à interpretação muito mais refinada e igualmente dramática de Giulini. Porém a versão superaquecida de Bernstein não deve ser ignorada.

Verdi (1813-1901): Requiem – Messa Da Requiem (Bernstein / Arroyo / Veasey / Domingo / Raimondi / London Symphony Orchestra & Chorus)

1-1 I – Requiem & Kyrie 10:42
1-2 II – Dies Irae, Dies Illa 2:11
1-3 Tuba Mirum Spargens Sonum 3:05
1-4 Liber Scriptus Proferetur 5:09
1-5 Quid Sum Miser 4:00
1-6 Rex Tremendae Majestatis 4:05
1-7 Recordare, Jesu Pie 4:37
1-8 Ingemisco Tamquam Reus 4:03
1-9 Confutatis Maledictis 5:20
1-10 Lacrimosa Dies Illa 7:07
2-1 III – Offertorio 11:44
2-2 IV – Sanctus 2:31
2-3 V – Agnus Dei 5:55
2-4 VI – Lux Aeterna 6:35
2-5 VII – Libera Me 13:40

Bass Vocals – Ruggero Raimondi
Chorus – London Symphony Chorus
Chorus Master – Arthur Oldham
Composed By – Giuseppe Verdi
Conductor – Leonard Bernstein
Mezzo-soprano Vocals – Josephine Veasey
Orchestra – Londoner Sinfonie-Orchester*
Soprano Vocals – Martina Arroyo
Tenor Vocals – Placido Domingo

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Bernstein limpando a cozinha de seu flat no PQP Bach Hotel for Composers de Londres.

PQP

Prokofiev: Concerto Nº 2 para Violino e Orq. / Rachmaninov: Danças Sinfônicas (Laurenceau / Sokhiev / Toulouse)

Prokofiev: Concerto Nº 2 para Violino e Orq. / Rachmaninov: Danças Sinfônicas (Laurenceau / Sokhiev / Toulouse)

Este é um daqueles discos tão bem interpretados — orquestra, solistas, regente — que nos convence de qualquer coisa. O trabalho de Sokhiev e seus pupilos é esplêndido, a captação do som é notável e até Rach fica parecendo muito bom. Falo sério!

O Concerto Nº 2 para Violino de Prokofiev é muito bonito — é uma de minhas músicas preferidas neste mundo –, dois belos movimentos rápidos circundam um sublime e apaixonado movimento central. Pouco antes de seu regresso definitivo à Rússia, em 1935, na mesma época em que trabalhava no balé Romeu e Julieta, Prokofiev compôs este maravilhoso Concerto. Trata-se de sua última obra composta no Ocidente.

Já a composição das Danças — pero no mucho — Sinfônicas permitiu a Serguei Rachmaninov um mergulho nas lembranças de sua antiga Rússia. Última de suas obras, as Danças são como um resumo de sua vida de compositor. De grande variedade rítmica e lirismo, a obra é plena de reminiscências dos cantos da Igreja Ortodoxa Russa e de citações de obras do próprio Rachmaninov, além de Rimsky-Korsakov, Stravinsky e outros.

Serguei Prokofiev — Violin Concerto No.2 In G Minor, Op. 63
Violin – Geneviève Laurenceau
1 – Allegro Moderato
2 – Andante Assai
3 – Allegro, Ben Marcato

Serguei Rachmaninov — Symphonic Dances, Op. 45
4 – Non Allegro
5 – Andante Con Moto (Tempo Di Valse)
6 – Lento Assai – Allegro Vivace – Lento Assai. Come Prima – Allegro Vivace

Geneviève Laurenceau, violin
Orchestre National Du Capitole De Toulouse
Tugan Sokhiev

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Geneviève Laurenceau posando para nosso blog na Cathédrale Athée du Son Moderne de Toulouse (propriedade da PQP Bach Corp.)

PQP

Rachmaninov (1873 – 1943): Études-Tableaux – Nikolai Lugansky, piano ֍

Rachmaninov (1873 – 1943): Études-Tableaux – Nikolai Lugansky, piano ֍

Rachmaninov

Études-Tableaux

Nikolai Lugansky

[2023]

 

Homenagem pelos 150 anos de nascimento de Rachmaninov

Enormous hands

The composer had possibly the largest hands in classical music, which is why some of his pieces are fiendishly difficult for less well-endowed performers. He could span 12 piano keys from the tip of his little finger to the tip of his thumb.

Essa condição de compositor e pianista resultou em muitas obras com piano – quatro concertos, a Rapsódia sobre um tema de Paganini e inúmeras obras para piano solo. Entre estas, várias coleções de peças curtas, como estudos e prelúdios. Aliás, o Prelúdio em dó sustenido menor, Op. 3, 2 foi um dos primeiros grandes sucessos de Rachmaninov.

Nesta postagem comemorativa temos uma gravação recente dos Études-Tableaux (reunidos em duas coleções: Op. 33 e Op. 39). São estudos, mas cada um alude a alguma imagem, cada um tem uma inspiração visual, porém não explicita. Algumas pistas, no entanto, foram deixadas quando Serge Koussevitzky pediu que Rachmaninov selecionasse algumas dessas peças para serem orquestradas por Ottorini Respighi. As peças orquestradas seriam publicadas por Koussevitzky que as estrearia regendo a Boston Symphony Orchestra. Rachmaninov escolheu cinco dos estudos e Respighi os orquestrou, rearranjando a ordem e seguindo fielmente as intenções de Rachmaninov, inclusive mantendo os nomes.

São eles: La foire (A feira), Op. 39 6(7); La mer et les mouettes (O mar e as gaivotas), Op. 39, 2; La chaperon rouge et le loup (Chapeuzinho vermelho e o lobo), Op. 39, 6; Marche funèbre, Op. 39, 7; Marche, Op. 39, 9.

Sergei Rachmaninov (1873 – 1943)

Études-Tableaux, Op. 33

  1. No. 1 in F Minor (Allegro non troppo)
  2. No. 2 in C Major (Allegro)
  3. No. 3 in C Minor (Grave)
  4. No. 4 in D Minor (Moderato)
  5. No. 5 in E-Flat Minor (Non allegro – Presto)
  6. No. 6 in E-Flat Major (Allegro con fuoco)
  7. No. 7 in G Minor (Moderato)
  8. No. 8 in C-Sharp Minor (Grave)

Etudes-Tableaux, Op. 39

  1. No. 1 in C Minor (Allegro agitato)
  2. No. 2 in A Minor (Lento assai)
  3. No. 3 in F-Sharp Minor (Allegro molto)
  4. No. 4 in B Minor (Allegro assai)
  5. No. 5 in E-Flat Minor (Appassionato)
  6. No. 6 in A Minor (Allegro)
  7. No. 7 in C Minor (Lento lugubre)
  8. No. 8 in D Minor (Allegro moderato)
  9. No. 9 in D Major (Allegro moderato. Tempo di marcia)

3 Pieces

  1. No. 1, Fragments
  2. No. 2, Oriental Sketch
  3. No. 3, Prelude in D Minor

Nikolai Lugansky (piano)

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FLAC | 199 MB

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MP3 | 320 KBPS | 170 MB

Nikolai pronto para autografar seu disco

A crítica ao disco feita pela Gramophone observa que essas coleções não foram criadas para serem tocadas como um ciclo e menciona excelentes interpretações de algumas dessas peças dispersas em recitais por grandes pianistas, como Sviatoslav Richter e Mikhail Pletnev entre tantos. No entanto, tê-los reunidos em uma só gravação por um expoente virtuoso como Nikolai Lugansky (esta é a segunda gravação dele destas peças) tem suas vantagens.

Aproveite!

René Denon

.:interlúdio:. Mingus Big Band Live at Jazz Standard

.:interlúdio:. Mingus Big Band Live at Jazz Standard

Quem se acostumou ao barato da droga de Charlie Mingus sabe: ela causa dependência para toda vida. Não, não há ex-viciados. Sorte nossa é que há muitos e bons músicos drogaditos sempre prontos a não deixarem que padeçamos de síndrome de abstinência. Mesmo 32 anos após a morte do grande baixista, ainda há carradas de gente devotadas à obra deste notável compositor de música erudita… que gostava de jazz. Este disco de 2009 não é o melhor da Big Band formada para cultuar Mingus, mas é um álbum ao vivo absolutamente estimulante para quem gosta do jazz visceral e raivoso praticado pelo homem que era 3.

Destaque para uma das muitas homenagens feitas à Charlie Parker, Gunslinging Birds, mas também para Cryin’ Blues, Open Letter To Duke, Moanin’ e Goodbye Pork Pie Hat. A obra de Mingus parece ter mais facetas do que mostra qualquer LSD.

Divirtam-se. Embriaguem-se. Droguem-se. Quem gostar não vai poder mais viver sem.

Mingus Big Band Live at Jazz Standard

1. Gunslinging Birds
2. New Now Know How
3. Self-Portrait In Three Colors
4. Birdcalls
5. E’s Flat Ah’s Flat Too
6. Cryin’ Blues
7. Open Letter To Duke
8. Moanin’
9. Goodbye Pork Pie Hat
10. Song With Orange

Mingus Big Band

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O cara era bom mesmo. Canta a menina enquanto carrega seu pequeno instrumento.
O cara era bom mesmo. Canta a menina enquanto carrega seu pequeno instrumento.

PQP

Astor Piazzolla (1921-1992): As Quatro Estações Portenhas / 2 Tangos para Orq de Cordas e outras peças (Les Violons du Roy)

Astor Piazzolla (1921-1992): As Quatro Estações Portenhas / 2 Tangos para Orq de Cordas e outras peças (Les Violons du Roy)

Pois é. O melhor intérprete de Piazzolla é o próprio Piazzolla. Seus discos tem uma aspereza que, talvez por pudor, talvez por respeito, ninguém repete. Piazzolla parecia ser alguém dotado daquele mau humor, daquela arrogância sofisticada buenairense. Mas isso não tira o mérito de Jean-Marie Zeitouni e seus violinos do rei. Eles tentaram e se saíram bastante bem. Se Piazzolla por Piazzolla é um dançarino sensual, arriscado e de cara amarrada — um verdadeiro tanguero, os quebequianos ficam mais para o emocionante e o divertido. A arte do violinista Pascale Giguère, membro de longa data do grupo, brilha muito. Seu verão, por exemplo, é alternadamente fluido, fantasioso ou ardente, no que é acompanhado por seus cúmplices da orquestra. Há muito mais para saborear aqui, variando de tangos lentos e sedutores até, vejamos…, tangos rápidos e sedutores. Confiram.

Astor Piazzolla (1921-1992): As Quatro Estações Portenhas / 2 Tangos para Orq de Cordas e outras peças (Les Violons du Roy)

Les Quatre Saisons de Buenos Aires
Soloist, Violin – Pascale Giguère
(28:49)
1 Été 6:28
2 Automne 7:50
3 Hiver 7:58
4 Printemps 6:33

Deux Tangos Pour Orchestre À Cordes (7:31)
5 Coral 4:03
6 Canyengue 3:28

7 Fuga y Misterio 4:07

8 Graciela Y Buenos Aires
Soloist, Cello – Benoît Loiselle
7:30

9 Milonga Del Ángel 6:57
10 La Muerte Del Ángel 3:08

Arranged By – J. Bragato* (tracks: 7, 9, 10), Leonid Desyatnikov* (tracks: 1 to 4)
Cello – Benoît Loiselle, Carla Antoun, Laurence Leclerc, Sylvain Murray
Composed By – Astor Piazzolla (tracks: 1 to 7, 9, 10), José Bragato (tracks: 8)
Conductor – Jean-Marie Zeitouni
Double Bass – Raphaël McNabney, Étienne Lépine-Lafrance
Ensemble – Les Violons du Roy
Piano, Harpsichord – François Zeitouni
Viola – Annie Morrier, Eric Paetkau, Gregory Hay, Jean-Louis Blouin
Violin [II] – Nicole Trotier, Noëlla Bouchard, Renaud Lapierre, Sophia Gentile
Violin [I] – Angélique Duguay, Maud Langlois, Michelle Seto, Pascale Gagnon, Pascale Giguère

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Esforço monumental: Piazzolla tenta um sorriso

PQP

Antonio Vivaldi (1678-1741) – Gloria, RV 589, Magnificat RV 610A (Concert Spirituel, Niquet)

Quando ouço a música sacra de Vivaldi, sempre me interesso pela sua semelhança com a música composta por Bach a 900 ou 1.000 km de distância. No Gloria, especialmente, as construções harmônicas e de orquestração lembram muitas vezes aquelas que o mestre de Weimar e Leipzig utilizaria em suas obras de igreja. Já o Magnificat de Vivaldi é mais curto que o de Bach: alguns trechos, como “magnificat anima mea Dominum” (minha alma magnifica o Senhor) são cantados só uma ou duas vezes, sem muitas repetições ou floreios. Já outros são repetidos, mas menos do que na versão do compositor alemão. Talvez o trecho com mais repetições seja o “et misericordia”, mais do que no Magnificat de Bach, o que parece apontar para uma prioridade desse aspecto da misericórdia no horizonte da igreja onde vivia Vivaldi. Em seguida o “exaltavit humiles” (exaltação dos humildes) tem floreios de exaltação extremamente parecidos com os que Bach utiliza no mesmo trecho.

Em nenhum momento os dois viveram em cidades próximas e, para além de um certo estilo vocal polifônico-orquestral que pairava no ar daquela época, a influência direta certamente foi de Vivaldi sobre Bach e não o contrário. Os concertos de Vivaldi, como os do opus 3, L’Estro Armonico, publicado em 1711 em Amsterdam, circularam bastante pela Europa do norte. Bach escreveu versões para órgão solo de diversos desses concertos dos venezianos Vivaldi e Albinoni. Além disso, há uma diferença cronológica, para além dos sete anos de diferença entre os dois (Bach era mais novo). Vivaldi compôs o Gloria em 1714-15 e a primeira versão do Magnificat – que é esta gravada aqui – data provavelmente da mesma década. Já as obras corais de maior fôlego de Bach são posteriores: o Magnificat e as Paixões de São Mateus e São João foram todos compostos na década de 1720, o Oratório de Natal na de 1730 e a Missa em Si Menor em 1749. Já Vivaldi, nos seus últimos anos, parece ter se dedicado mais a compor óperas do que música religiosa.

Igrejas de Veneza

Em todo caso, o disco de hoje é do Vivaldi compositor de música sacra e mais especificamente aquela composta para ser tocada dentro do Ospedale della Pietà, onde Vivaldi começara a trabalhar em 1703 como professor de violino. Em 1712, na segunda edição dos concertos do opus 3, ele era descrito como Musico di Violino e Maestro de Concerti del Pio Ospidale della Pietà di Venezia.

O coro que canta nesta gravação é composto por dez sopranos e dez mezzo-sopranos. A orquestra tem apenas cordas (violinos I e II, violas, violoncelos, baixos), com mais theorbo e órgão no contínuo. Essa versão só com cordas e vozes femininas provavelmente foi a primeira composta por Vivaldi, para uso interno no orfanato Ospedale della Pietà, que abrigava apenas garotas. Depois ele reorquestraria a obra adicionando dois oboés e vozes masculinas. Uma terceira versão incluiria árias para solistas, ao contrário dessa primeira na qual tudo é cantado em conjunto pelo coro. O resultado da orquestra e coro de Niquet é uma música mais religiosa do que a de outras gravações mais operísticas. E aqui é possível novamente a comparação com o “discípulo à distância” de Vivaldi: todos os apreciadores de música barroca conhecem os arrepios que os momentos mais densos da música coral de Bach podem gerar tanto naquelas gravações de regentes e coros que creem como nas outras dos que não creem, ou ainda as dos que estão em algum lugar no meio.

Antonio Vivaldi (1678-1741):
1-12. Gloria, RV 589
I. Gloria in excelsis Deo II. Et in terra pax hominibus III. Laudamus te IV. Gratias agimus tibi V. Propter magnam gloriam VI. Domine Deus VII. Domine, fili unigenite VIII. Domine Deus, Agnus Dei IX. Qui tollis peccata mundi X. Qui sedes ad dexteram patris XI. Quoniam tu solus sanctus XII. Cum sancto spiritu
13. Laetatus sum, RV 607
14-22. Magnificat, RV 610A
I. Magnificat II. Et exultavit III. Et misericordia IV. Fecit potentiam V. Deposuit potentes VI. Esurientes VII. Suscepit Israel VIII. Sicut locutus IX. Gloria
23. Lauda Jerusalem, RV 609
Le Concert Spirituel; Hervé Niquet
Recorded: église Notre Dame du Liban, Paris, 2015

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Detalhe do teto da Chiesa della Pietà, igreja ao lado do Ospedale della Pietà (por Giambattista Tiepolo, 1754, poucos anos após a morte de Vivaldi)

Pleyel

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Concerto para Clarinete & Sinfonia Concertante K. 275b

Por algum motivo o Concerto para Clarinete de Mozart é uma de minhas obras favoritas do compositor, ao lado dos Concertos para Piano de nº 21 e da Sinfonia nº40, para citar apenas algumas. A expressividade deste instrumento tão único é aqui neste CD muito bem explorada pela excepcional Sabine Meyer, musicista de incrível talento, que por algum tempo tocou na Filarmônica de Berlim, de onde saiu por divergências com outros colegas da orquestra, mesmo tendo o apoio de Kaiser Karajan. A talentosa instrumentista não se abalou e seguiu em frente com uma carreira exitosa enquanto solista.

Neste belo CD, gravado lá em 1990, temos o citado Concerto para Clarinete  e belíssima Sinfonia Concertante,  K. 257b, que reúne quatro (???) instrumentos solistas, o clarinete, o oboe, o fagote e a trompa, obra única, com certeza, mas de uma beleza e originalidade tipicamente mozartianas. Os acompanhando, temos a Staatskapelle Dresden, que é a mais antiga orquestra da atualidade, tendo sido fundada em 1548.

Um belo CD, com certeza, sensível, delicado e muito agradável de se ouvir.

Peço desculpas por minhas postagens estarem sendo tão espaçadas, problemas alheios a minha vontade tem impedido de me dedicar com mais atenção ao blog. E também tenho de reconhecer que a perda de três membros do grupo me abalaram bastante (os saudosos Ammiratore, Avicenna e o queridíssimo Monge Ranulfus).

Faço desta postagem a minha homenagem a estes três amigos (mesmo nunca os tendo encontrado pessoalmente, assim os considerava), com certeza iriam  gostar muito deste CD, amantes que eram da bela arte.

Klarinettenkonzert A-dur, KV 622
1. Allegro
2, Adagio
3. Rondo (Allegro)
Sinfonia Concertante, KV 297b (Anh. 1,9)
4. Allegro
5. Adagio
6 Andantino Con Variaziono

Sabine Meyer – Clarinete
Sergio Azzolini – Fagote
Bruno-Schneider – Trompa
Diethelm-Jonas – Oboe
Staatskapelle Dresden
Hans Vonk – Conductor

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Bach (1685 – 1750): Matthäus Passion – Ensemble Pygmalion & Raphaël Pichon ֎

Bach (1685 – 1750): Matthäus Passion – Ensemble Pygmalion & Raphaël Pichon ֎

BACH

Paixão Segundo Mateus

Julian Prégardien

Matrîse de Radio France

Ensemble Pygmalion

Raphaël Pichon – Regente

 

Soli Deo Glori – era isso o que Bach escrevia ao fim de cada uma de suas partituras, fosse a música sacra ou não. Fé e religiosidade permeia toda a sua obra e isso transparece para nós todos, mesmo aqueles entre nós que não professam alguma tipo de crença.

Nesses dias que antecedem a Semana Santa temos uma oportunidade de experimentar algum tipo de exercício de espiritualidade, de nos aproximarmos um pouco deste lado mais misterioso da vida, pois que nem só de pão vive o homem.

Julian Prégardien, o evangelista

Eu gosto desse período e faço isso de algumas formas e ouvir esse tipo de música me leva a isso, a acreditar que podemos ainda nos elevar. Este ano estou um pouco mais animado e sinto tanto no trabalho como em minhas outras realizações algumas boas razões para agradecer ao Bom Deus, mesmo que sempre haja pelo que implorar.

O mistério da Paixão de Cristo é grande, mas a música de Bach nos ajuda a alguns vislumbres. A mensagem hoje é de esperança, pois que depois do sacrifício há a ressurreição. Ainda mais sendo a música assim tão boa, como a da gravação.

O grupo francês Pygmalion e seu jovem regente Raphaël Pichon tem mostrado como ainda há o que dizer sobre estas obras usando o estilo de instrumentos e práticas de época, como mostram seus inúmeros prêmios e excelentes críticas. Tudo é excelente, como no caso de Evangelista Julian Prégardien, filho de outro Prégardien, que cantou em tantas outras memoráveis gravações. Sinal de renovação e que você também tenha a oportunidade de ouvir tantas belezas e refletir sobre o que é menos óbvio na vida.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Paixão Segundo Mateus

Julian Prégardien, Evangelista

Stéphane Degout, baixo (Jesus)

Sabine Devieilhe, soprano

Lucile Richardot, contralto

Reinoud Van Mechelen, tenor

Hana Blažiková, soprano

Maîtrise de Radio France

Ensemble Pygmalion

Raphaël Pichon

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Raphaël Pichon

The breath of the spiritʼ Bach and Pygmalion: the story of a passion, linking the genius of the Thomaskantor to a reflection on inner drama and constantly renewed vocality. This Matthäus Passion marks a major stage in this fifteen-year companionship and testifies to the culmination of their work on Bach, characterised by its precision and humility. Read through the prism of a tragedy in five acts, at once intimate and theatrical, human and metaphysical, the Passion is revealed here in a new light: as a deeply moving and universal epic. Harmonia Mundi

With its glowing inner vitality and penetrating observations, this is a Passion that makes a very definite statement about what this work can communicate in our times. Gramophone, abril de 2022

Traduzi um pedaço de uma resposta dada por Raphaël Pichon em uma entrevista que consta no libreto: A história da Paixão de Cristo se apresenta até hoje como um drama vivo e um dilema moral de relevância universal, no qual — qualquer que seja nossa espiritualidade ou cultura — todos nós somos confrontados com a nossa própria mortalidade, nossa própria busca por respostas. Todos nós compartilhamos sua humanidade. A imensa genialidade de Bach foi sair completamente da liturgia formal, colocando-nos bem dentro do drama: nos tornamos atores, fazemos parte da ação, a sentimos tanto em nossa sensibilidade quanto fisicamente.  Nós atravessamos um drama que é acima de tudo humano: injustiça, traição, amor, sacrifício, perdão, remorso, compaixão, pena… De maneira sem precedentes, Bach comunica e nos faz sentir a fragilidade e as falhas da humanidade e descreve um mundo cheio de erros, onde amor e fé são as únicas respostas. Na busca de desafiar e consolar a consciência humana, ele nos oferece um genuíno ‘bálsamo para a alma”, unversal e atemporal.

Reflita e aproveite!
René Denon

Carlo Crivelli (c. 1487)

Krzysztof Penderecki (1933-2020): Paixão Segundo São Lucas (Wit)

Krzysztof Penderecki (1933-2020): Paixão Segundo São Lucas (Wit)

– Postagem original de 2009 –

Descobri esta obra na discoteca do Instituto Goethe lá pelos anos 80, quando este ainda localizava-se no centro de Porto Alegre e sua blibioteca-discoteca tinha a mão de Herbert Caro. A obra insere-se na fase radical de Penderecki, nada tendo a ver com sua atual fase melódica, da qual também gosto. Costuma-se afirmar que esta versão de Antoni Wit é superior àquela que ouvia lá no Goethe, que era do próprio compositor. Estou de acordo.

Um leitor da Amazon escreveu a seguinte resenha a respeito:

By Shota Hanai (Torrance, CA):

Krzystof Penderecki has become one of my favorite composers ever since I listened to some of his most radical works, including the “Threnody to the Victims of Hiroshima”, the two “De Natura de Sonoris”, and the “St. Luke Passion”, his musical depiction of the last hours of Christ.

This is one of the most graphic, most intense pieces of music the world has to witness. The work is divided in two parts. In Part I, The ominous introduction, with the chorus singing “Hail the Cross”, already invites doom. Christ’s prayer on Mt. Olives begins somberly, but leads to a teffifying climax as the chorus sings “I am crying”, before dying down to near silence. In the capture scene, once can vision the approaching Roman legion, with a series of nasty brass sounds and stampede of percussion. The mocking of Jesus is equally violent, as the entire orchestra and chorus seems to laugh at Him. Sinister monophonic notes rip the air as the chorus shouts “Crucify Him!”

Part II begins with Christ’s carrying of the cross. The cruficixion scene features one of the most excrutiating tone clusters the chorus ever produced, as overwhelming as the pain Jesus witnessed with pins hammered to His hands and feet. In the “Stabat Mater”, when the Virgin Mary watches her dying Son, the music becomes relatively calm, but the avant-garde sound is still prevalent. The music becomes violent again when Christ utter his last words, before the music dies away, along with Christ’s spirit. The concluding call for redemption begins dark, but ends in a glorious major chord, unachieved within the previous 75 minutes.

Penderecki’s rendition of Christ’s last hours is as shocking, disturbing, and powerful as the controversial Mel Gibson movie. A music like this should have a “Parental Advisory” label (and I am being a little sarcastic).

PENDERECKI: St. Luke Passion

1. Part I: O Crux ave (Hymn ‘Vexilla Regis prodeunt’) 00:05:06
2. Part I: Et egressus (St. Luke) 00:01:49
3. Part I: Deus meus (Psalm 21) 00:03:52
4. Part I: Domine, quis habitabit (Psalms 14, 4 & 15) 00:04:28
5. Part I: Adhuc eo loquente (St. Luke) 00:02:08
6. Part I: Ierusalem (Lamentation of Jeremiah) 00:01:25
7. Part I: Ut quid, Domine (Psalm 9) 00:01:17
8. Part I: Comprehendentes autem eum (St. Luke) 00:01:57
9. Part I: Iudica me, Deus (Psalm 42) 00:01:10
10. Part I: Et viri, qui tenebant illum (St. Luke) 00:02:11
11. Part I: Ierusalem (Lamentation of Jeremiah) 00:01:22
12. Part I: Miserere mei, Deus (Psalm 55) 00:04:04
13. Part I: Et surgens omnis (St. Luke) 00:04:19
14. Part II: Et in pulverem (Psalm 21) 00:00:45
15. Part II: Et baiulans sibi crucem (St. Luke) 00:00:13
16. Part II: Popule meus (Improperia) 00:07:46
17. Part II: Ibi crucifixerunt eum (St. Luke) 00:01:47
18. Part II: Crux fidelis (Antiphons from ‘Pange lingua’) 00:05:00
19. Part II: Dividentes vero (St. Luke) 00:01:12
20. Part II: … in pulverem mortis (Psalm 21) 00:05:39
21. Part II: Et stabat populus (St. Luke) 00:01:31
22. Part II: Unus autem (St. Luke) 00:02:03
23. Part II: Stabant autem iuxta crucem (St. John) 00:01:01
24. Part II: Stabat Mater (Sequence) 00:07:38
25. Part II: Erat autem fere hora sexta (St. Luke, St. John) 00:01:26
26. Part II: Alla breve 00:01:05
27. Part II: In pulverem mortis… / In te, Domine, speravi (Psalm 30) 00:04:08

Klosinska, Izabela, soprano
Kolberger, Krzysztof, reader
Kruszewski, Adam, baritone
Tesarowicz, Romuald, bass
Warsaw Boys Choir
Warsaw Philharmonic Choir
Warsaw National Philharmonic Orchestra
Wit, Antoni, Conductor

Total Playing Time: 01:16:22

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LINK ALTERNATIVO

Deus está te vendo, Krzysz.

PQP (Pleyel repostou e infelizmente adicionou a data de morte do compositor, que era vivo na época da postagem original)

In memoriam Cussy de Almeida: Orquestra Armorial, 1975

Nossa homenagem ao saudoso Ranulfus continuará, também, através da republicação de suas preciosas contribuições ao nosso blog – como esta, que veio à luz em 10/3/2011.

Em homenagem a mais este significativo músico brasileiro que se vai, dentro de alguns dias pretendo postar uma digitalização do vinil que o leitor Fausto Silva sufgeriu: “LATINO AMÉRICA PARA DUAS GUITARRAS”, de 1977, o qual traz o Concerto para 2 Violões, Oboé e Orquestra de Cordas de Radamés Gnattali com Sérgio e Odair Assad (violões), Moacir de Freitas (oboé) e a Orquestra Armorial regida por Cussy.

Enquanto a digitalização não fica pronta, adianto este que – pelo que sei – teria sido o primeiro disco da Orquestra Armorial – ainda antes que ela se aventurasse por peças e formas mais longas.

Esta digitalização foi caçada na net, com uma qualidade bastante deficiente. Tentei dar uma melhorada de equalização, etc., mas milagre ainda não sei fazer… Espero que assim mesmo seja possível apreciar!

Orquestra Armorial (1975)
Regência: Cussy de Almeida

01 Abertura – Cussy de Almeida
02 Galope – Guerra Peixe
03 Ciranda Armorial – José Tavares de Amorim
04 Nordestinados – Cussy de Almeida
05 Repentes – Antonio José Madureira
06 Terno de Pífanos – Clovis Pereira
07 Aboio – Cussy de Almeida
08 Mourão – Guerra Peixe
09 Pífanos em Dobrado – José Tavares de Amorim
10 Sem Lei nem Rei (1.º movimento) – Capiba
11 Kyrie – Cussy de Almeida
12 Abertura (bis) – Cussy de Almeida


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Ranulfus

[restaurado com saudades por Vassily em 3/4/2023]

Egon Petri (1881-1962) – His Recordings 1929-42, vol. 3– Chopin, Busoni, Franck, Schubert, Bach, Gluck (2 CDs)

Egon Petri (1881-1962) – His Recordings 1929-42, vol. 3– Chopin, Busoni, Franck, Schubert, Bach, Gluck (2 CDs)

Egon Petri (1881-1962) foi um pianista de cidadania holandesa nascido na Alemanha. Dono de uma técnica refinada, é alguém ainda por ser propriamente redescoberto pelos ouvintes do século XXI. Seu nome não é lembrado e louvado com a atenção que merece, talvez justamente por encarnar uma espécie de forma de tocar que tem algo de arcaica, com raízes profundas no século XIX.

Petri foi um dos discípulos mais dedicados do lendário pianista, compositor e professor italiano Ferruccio Busoni (1866-1924), e um ardoroso defensor de sua música, por toda a vida. Petri acompanhou Busoni à Suíça durante a Primeira Guerra Mundial e posteriormente seguiu o mestre para Berlim, onde também deu aulas. Entre seus alunos estavam Vitya Vronsky (do duo Vronsky & Babin), Gunnar Johansen e o comediante e pianista dinamarquês Victor Borge.

Em 1927 ele se estabeleceu em Zakopane, na Polônia, dedicando-se ao ensino e a gravações. Ele viveu lá até 1939, quando escapou às pressas literalmente na véspera da invasão alemã, em setembro daquele ano. Petri então passou a dar aulas na Cornell University, em Ithaca, e mais tarde no Mills College, em Oakland. Ele se naturalizaria americano nos anos 50, e teve entre seus pupilos em solo americano o brilhante pianista inglês John Ogdon (1937-89), aquele que dividiu o primeiro lugar do Concurso Tchaikovsky com Vladimir Ashkenazy em 1962 (as finais deste concurso foram lançadas em disco e logo mais vão pintar aqui no PQP).

As gravações presentes neste disco duplo são deste trágico período, em que Petri teve que cruzar um oceano para sobreviver, realizadas entre 1938 e 1942. São testemunhos sonoros de uma época e de uma filosofia musical e pianística.

Duas curiosidades desimportantes sobre Busoni. A primeira é que o nome completo dele é, no mínimo, pomposo: Dante Michelangelo Benvenuto Ferruccio Busoni. A segunda é que ele está enterrado no Friedhof Schöneberg III, também conhecido como Friedhof Stubenrauchstraße, mesmo endereço em que também desfrutam o repouso eterno a atriz Marlene Dietrich e o fotógrafo Helmut Newton.

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CD 1

1 – SCHUBERT-TAUSIG: Andante & Variations
2 a 25 – CHOPIN: Preludes, op. 28
26 a 28 – FRANCK: Prélude, choral et fugue

CD 2

1 – GLUCK-SGAMBATI: Mélodie
2 – J. S. BACH-PETRI: Menuet
3 – J. S. BACH-BUSONI: Ich ruf’ zu dir, Herr Jesu Christ
4 – J. S. BACH-BUSONI: In dir ist Freude
5 – J. S. BACH-BUSONI: Wachet auf, ruft uns die Stimme
6 – J. S. BACH-BUSONI: Nun freut euch, lieben Christen gemein
7 – BUSONI: Fantasia after J. S. Bach
8 – BUSONI: Serenade (Mozart, Don Giovanni)
9 – BUSONI: An die Jugend, no. 3
10 – BUSONI: Sonatina no. 3
11 – BUSONI: Sonatina no. 6
12 – BUSONI: Indianisches Tagebuch
13 – BUSONI: Albumblatt no. 3
14 – BUSONI: Elegie no. 2

Karlheinz

W. A. Mozart (1756-1791): Concertos para 2 Pianos Nº 10, K. 365, para Flauta e Harpa K. 299 e para Trompa, K. 447 (Jos van Immerseel, Anima Eterna)

W. A. Mozart (1756-1791): Concertos para 2 Pianos Nº 10, K. 365, para Flauta e Harpa K. 299 e para Trompa, K. 447 (Jos van Immerseel, Anima Eterna)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este é um CD matador de Jos van Immerseel e turma. Traz 3 Concertos extraordinários de Mozart: o lindo Concerto para 2 Pianos Nº 10, o belíssimo para Flauta e Harpa K. 299 e o não menos para Trompa K. 447, tudo com instrumentos de época. Talvez isto aqui não seja o ‘The best of the best’ dentro dos Concertos do compositor, mas está bem próximo. O que interessa é que são grandes concertos interpretados com muito tesão, para usar o termo técnico. O tempo das gravações historicamente informadas serem sem sal passou definitivamente. Cada vez mais, acho interessante ouvir uma representação mais próxima do que o compositor pretendia. Não estou dizendo que as apresentações de época sejam o único caminho a seguir, claro, mas são, atualmente, a via mais importante para a música pré-Beethoven. Recomendo fortemente este CD para qualquer amante de Mozart. Tem um som incrível e há muita, muita vida nas interpretações.

W. A. Mozart (1756-1791): Concertos para 2 Pianos Nº 10, K. 365, para Flauta e Harpa K. 299 e para Trompa, K. 447 (Jos van Immerseel, Anima Eterna)

Concerto No. 10 for 2 Pianos in E flat major, K365
01. Allegro
02. Andante
03. Rondeau

Concerto for Flute and Harp in C major, K299
04. Allegro
05. Andantino
06. Rondeau

Horn Concerto No. 3 in E flat major, K447
07. Allegro
08. Romance – Larghetto
09. Allegro

Jos van Immerseel, piano
Yoko Kaneko, piano
Frank Theuns, flute
Marjan de Haer, harp
Ulrich Hübner, horn
Anima Eterna

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Jos Van Immerseel: um supercraque em Mozart

PQP

C.P.E. Bach (1714-1789) e Alessandro Marcello (1673-1747): Concertos para Oboé (Kiss)

C.P.E. Bach (1714-1789) e Alessandro Marcello (1673-1747): Concertos para Oboé (Kiss)

Um bom disco daquele que foi meu irmão mais talentoso. Wilhelm Friedemann era um beberrão, Johann Christian desconsiderava nosso pai, eu era apenas um bastardo e papai ficava mesmo satisfeito com Carl Philipp Emanuel, que tinha inteligência suficiente para ver que nosso pai era o monumento ao qual todos reverenciam hoje, tanto que o convidava para se apresentar nas Cortes onde trabalhava. Estes concertos são bastante bons. Diria que o Wq. 165 é uma obra-prima bem típica de mano CPE. O tema curto e repetitivo de alguns primeiros movimentos de CPE encasquetaram e marcaram o cidadão Beethoven. Espantosa também é a Sonata para oboé solo. Uma joia. O concerto de Marcello que fecha o disco se faz presente por motivos óbvios: é bom, popular e foi a única coisa talentosa que o italiano escreveu. Então, é melhor deixá-lo em boa companhia e não com os outros rebentos do compositor, um bando de delinquentes inúteis

C.P.E. Bach (1714-1789) e Alessandro Marcello (1673-1747): Concertos para Oboé

Bach, Carl Philipp Emanuel
Oboe Concerto in B-Flat Major, Wq. 164, H. 466
1. I. Allegretto 00:08:16
2. II. Largo e mesto 00:07:08
3. III. Allegro moderato 00:05:54

Oboe Concerto in E-Flat Major, Wq. 165, H. 468
4. I. Allegro 00:06:40
5. II. Adagio ma non troppo 00:07:02
6. III. Allegro ma non troppo 00:06:03

Oboe Sonata Solo in A Minor, Wq. 132, H. 562
7. I. Poco adagio 00:04:27
8. II. Allegro 00:05:24
9. III. Allegro 00:04:45

Marcello, Alessandro
Oboe Concerto in D Minor
10. I. Andante e spiccato 00:03:15
11. II. Adagio 00:04:19
12. III. Presto 00:04:05

Jozsef Kiss, oboé
Budapest Ferenc Erkel Chamber Orchestra

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Alessandro Marcello: já tivemos homens mais belos em nosso grande blog.
Alessandro Marcello: já tivemos homens mais belos em nosso blog.

PQP

Anatoly Liadov, Nikolai Tcherepnin, Nikolai Rimsky-Korsakov: The Enchanted Kingdom (Russian National Orchestra, Mikhail Pletnev)

Anatoly Liadov, Nikolai Tcherepnin, Nikolai Rimsky-Korsakov: The Enchanted Kingdom (Russian National Orchestra, Mikhail Pletnev)

Um belo e tranquilo disco voltado ao romantismo sinfônico russo, tudo conduzido com notável competência e musicalidade por Mikhail Pletnev. Encontrar um programa com Liadov e Tcherepnin não é fácil, e os poucos concertos que os incluem são menos do que satisfatórios. Liadov é uma curiosidade e o mesmo pode ser dito de Tcherepnin, que provavelmente é o mais conhecido aluno de composição de Rimsky-Korsakov. Ainda assim, essas obras se qualificam como uma espécie de “Rimsky-lite”. Orquestradas de forma colorida e com detalhes vívidos, elas pretendem contar histórisa usando a orquestra. Enquanto a Baba Yaga de Liadov é menos interessante que a de Mussorgsky, The Enchanted Lake é uma peça adorável. Kikimora é nova para mim e trata-se de um poema atraente e leve. Tcherepnin roubou de seu professor a exploração das várias nuances durante a execução orquestral, e os solos de cada instrumento são bem trabalhados. La Princesse Lointaine é melancólica e delicada. Já Royaume Enchante parece demorar um pouco demais. Mas os fãs da música romântica russa tardia ficarão emocionados do mesmo jeito. O último trabalho é um pouco mais bem-sucedido, usando percussão e cores tonais variadas para criar uma sensação real de fantasia caprichosa. O Rimsky-Korsakov é obviamente mais conhecido, Sua Le Coq D’or é extraordinária. Bem, como forma de unir três compositores que realmente se influenciaram, este torna-se um delicioso disco.

Anatoly Liadov, Nikolai Tcherepnin, Nikolai Rimsky-Korsakov: The Enchanted Kingdom (Russian National Orchestra, Mikhail Pletnev)

Anatoly Liadov (1855-1914)
1 Baba-Yaga, Op. 56 3:35
2 The Enchanted Lake, Op. 62 7:04
3 Kikimora, Op. 63 7:11

Nikolai Tcherepnin (1873-1945)
4 La Princesse Lointaine, Op. 4 9:17
5 La Royaume Enchante, Op. 39 13:34

Nikolai Rimsky-Korsakov (1844-1908)
Le Coq D’or – Suite
6 Introduction And Dodon’s Sleep 8:48
7 King Dodon On The Battlefield 4:33
8 Queen Of Shemakha’s Dance – King Dodon’s Dance 6:46
9 Wedding Procession – Death Of King Dodon – Finale 6:37

Russian National Orchestra
Mikhail Pletnev

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Mikhail Pletnev: um trabalho extraordinário

PQP

Rachmaninov (1873 – 1943): Peças para Piano – Andrei Gavrilov, piano ֎

Rachmaninov (1873 – 1943): Peças para Piano – Andrei Gavrilov, piano ֎

Rachmaninov

Peças para Piano

Ravel

Gaspard de la nuit

Andrei Gavrilov

 

Sergei Rachmaninov (1873 – 1943)

150 anos de nascimento

Este ano de 2023 é particularmente pródigo em efemérides para o compositor, pianista e regente Sergei Rachmaninov. Em 28 de março são 80 anos desde a sua morte, em 1943. Em 1º. de abril são 150 anos desde o seu nascimento, em 1873.

Eu prefiro celebrar o nascimento de Sergei Rachmaninov fazendo algumas postagens de suas músicas com os intérpretes que eu gosto de ouvir. Começaremos com uma coleção de peças curtas – prelúdios, estudos, coisas assim. Para apresentar essas maravilhas da literatura para piano, escolhi um intérprete espetacular.

Capa do lp com o Gaspard de la nuit

Quais são os critérios para reconhecer um grande artista, digamos, um grande pianista? Precocidade? Demonstrar habilidades desde a mais tenra infância? Bem, Andrei Gavrilov começou a estudar piano com sua mãe (dele, lá) aos dois anos (!?!!).

Ser aceito nas instituições reconhecidas? Pois Gavrilov foi aceito na Escola Central de Música de Moscou aos 6 anos e posteriormente completou seus estudos no Conservatório de Moscou.

Ganhar prêmios importantes? Veja que ele ganhou o Concurso Internacional de Piano Tchaikovsky aos 18 anos! Foi aclamado neste mesmo ano no Festival de Salzburgo, substituindo ninguém menos do que Sviatoslav Richter.

Ter o reconhecimento de seus pares? O enorme, imenso Sviatoslav Richter foi um destes. As gravações das Suítes de Handel feitas por eles – alternadamente – são famosíssimas.

Andrei Gavrilov

Sim, Andrei Gavrilov é um pianista espetacular, mas também um bocado de drama e suspense fazem parte. Em 1979 ele era esperado para gravações em Berlim com o kaiser Karajan, mas não apareceu nem para os ensaios. De volta em Moscou caíra em desgraça, tivera o passaporte cancelado e estava praticamente em prisão domiciliar com agentes vigiando as portas. Essa situação perdurou até 1984, quando a intervenção de Mikhail Gorbachev ocorreu. Finalmente Gavrilov poderia se mover pelo mundo gravando e dando concertos. Gravou ótimos discos para a EMI e, posteriormente, também para o selo amarelo.

Lamentavelmente, em 1993 ele interrompeu sua carreira de apresentações e gravações. Assim como ocorre eventualmente com alguns artistas, a intensidade das atividades pesou demasiadamente. Este disco (a parte do Rachmaninov) foi gravado pela EMI em Moscou, em associação com a gravadora russa Melodia e foi lançado em 1984. As faixas bônus (o adendo Gaspard de la nuit, de Ravel) fez parte originalmente de um álbum de 1978.

Sergei Rachmaninov (1873 – 1943)

  1. Prelúdio em si bemol maior, Op. 23, 2
  2. Prelúdio em fá sustenido menor, Op. 23, 1
  3. Étude-tableau em fá sustenido menor, Op. 39, 3
  4. Prelúdio em mi bemol maior, Op. 23, 6
  5. Prelúdio em sol sustenido menor, Op. 32, 12
  6. Prelúdio em sol menor, Op. 23, 5
  7. Élégie em mi bemol menor, Op. 3, 1
  8. Moment musical em si menor, Op. 16, 3
  9. Moment musical em mi menor, Op. 16, 4
  10. Moment musical em ré bemol maior, Op. 16, 5
  11. Moment musical em dó maior, Op. 16, 6
  12. Étude-tableau, Op. 39, 5

Maurice Ravel (1875 – 1937)

Gaspard de la nuit
  1. Ondine. Lent
  2. Le Gibet. Très lent
  3. Scarbo. Modéré

Andrei Gavrilov, piano

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O sorriso de Sergei

Apesar de seu enorme sucesso, inclusive financeiro, Rachmaninov raramente sorria ao ser fotografado. Muito alto e sempre sisudo, foi certa vez chamado por Stravinsky de ‘dois metros de melancolia russa’ ou algo assim. Sempre se perde um pouco na tradução, vocês sabem…

Apesar disso, ele morava em uma mansão em Beverly Hills e era apaixonado por carros e barcos de corrida. Foi o primeiro do bairro a comprar um automóvel.

Aproveite!

René Denon

 

Osvaldo Golijov (1960): Paixão segundo São Marcos (Guinand)

Osvaldo Golijov (1960): Paixão segundo São Marcos (Guinand)

INSTIGANTE!!!

Ah, nada como a Páscoa para se disponibilizar uma das tantas peças que a humanidade produziu sobre a Paixão de Cristo…

E essa postagem é uma prova de como os comentários que  fazem vocês, usuários/ouvintes, são importantes para nós. Eu nunca tinha ouvido sequer menção ao nome do arrojado Osvaldo Golijov, até vê-lo citado aqui no P.Q.P.Bach, em um pedido para que postássemos esta instigante Pasión según San Marcos. Como me interesso especialmente por música coral e sacra, procurei, achei, ouvi e… Gostei, gostei muito!

Aos mais puristas (nem direi sobre aos mais puritanos) já aviso que talvez essa obra não os agrade: Golijov utiliza-se de vários ritmos latinos e alguns judeus para criar ambientações musicais para as situações que cercam os acontecimentos que vão desde a Última Ceia até o caminho para o Gólgota. Podem se assustar com o narrador cantando um ritmo caribenho para contar a traição de Judas por 30 moedas ou, mais ainda, se estarrecerem com o povo pedindo a Pilatos a crucifixão de Jesus sob uma percussão de samba. Inusitado é o mínimo que se pode achar!

Interessante é perceber que a peça toda se desenrola especialmente com narração ou com a fala do povo e que os principais personagens – Jesus, Judas, Pedro, Caifás – tem falas bem pequenas. Mais para o fim, no caminho do Calvário e na crucifixão, Jesus, personagem principal, emite apenas uma frase: o povo, que quer sua morte, sufoca qualquer outra expressão. Por fim, depois de tantos trechos tensos, quando Cristo entrega seu espírito, soa o Kaddish. De melodia triste, mas leve, o Kaddish eleva o espírito do Salvador aos céus e transmite paz e serenidade, quase enunciando a meditação e o resguardo para os dias antes da ressurreição.

Para esclarecer mais sobre o autor e o contexto em que a obra foi concebida, transcrevo o texto do encarte:

Osvaldo Golijov é um jovem compositor argentino que nasceu em 1960. Estudou música em seu país e na Europa, com mestres como George Crumb e Oliver Knussen. Vive atualmente nos EUA e é compositor da Orquestra Sinfônica de Chicago. Entre suas obras está uma ópera baseada em poema de Federico Garcia Lorca, intitulada Aindamar.
O trabalho apresentado hoje é fruto de uma requisição da Bachakademie Internationale Stuttgart (Academia Bachiana Internacional de Stuttgart), em 2000, a quatro compositores para homenagear Johann Sebastian Bach em seu aniversário de 250 anos de falecimento. A soviética Sofia Gubaidulina (1931) escreveu uma Paixão segundo São João, Wolfgang Rihm (1952) baseou-se no Evangelho de Lucas para o seu trabalho, Tan Dun (1957), de origem vietnamita, apresentou em sua Paixão uma combinação de visões ocidentais e orientais da mítica história, enquanto o argentino Osvaldo Golijov escreveu A Paixão Segundo São Marcos que ora oferecemos.
A Paixão Segundo São Marcos de Golijov me chamou a atenção porque é um trabalho cantado em espanhol (a paixão que eu conheço em nossa língua), mas não exclui textos em outras línguas, porque incluem evangelho, Kadish, um poema Rosalia de Castro e extratos da Bíblia, especialmente o Evangelho de Marcos.
Além disso, o compositor mistura ritmos latinos, africanos, judeus e sul-americanos para tratar um assunto bastante solene. Trata-se de um arranjo de instrumentos folclóricos e vocais que lembram as celebrações da Sexta Feira Santa nas pueblos argentinos. A narrativa da obra não se faz de forma literal, mas o compositor prefere, em algumas passagens, inserir, ao texto bíblico, poemas e orações de diferentes culturas e colocar a voz de narradores diversos, que podem ser vozes masculinas ou femininas. O resultado é um trabalho muito interessante, que marca a entrada triunfal de música sacra contemporânea latino-americana no cenário mundial.
A peça estreou em 2000 na Beethovenhalle de Stuttgart, na Alemanha, com um sucesso impressionante. Tem duas gravações, e esta que nós oferecemos é dirigida por Maria Guinand, com a participação da Schola Cantorum de Caracas.

La pasión según san Marcos
Osvaldo Golijov (1960)

01. Visión: Bautismo en la Cruz
02. Danza del Pescador Pescado
03. Primer Anuncio
04. Segundo Anuncio
05. Tercer Anuncio En Fiesta No
06. Dos Días
07. Unción con Betania
08. ¿Por Qué?
09. Oración Lucumí (Aria con Grillos)
10. El Primer Dia
11. Judas XII. El Cordero Pascual
12. Quisiera Yo Renegar
13. Eucaristía
14. Demos Gracias
15. En el Monte de los Olivos
16. Cara a Cara
17. En Getsemaní
18. Agonía
19. Arresto
20. Danza de la Sábana Blanca
21. Ante Caifás
22. Soy Yo (Confesión)
23. Escarnio y Negación
24. Desgarro de la Túnica
25. Lúa Descolorida
26. Amanecer: Ante Pilato
27. Silencio
28. Sentencía
29. Comparsa
30. Danza de la Sábana Porpura-Manto Sagrado
31. Crucifixión
32. Muerte
33. Kaddish

Luciana Souza, voz
Reynaldo González-Fernández, balé e voz
Schola Cantorum de Caracas
Orquesta La Pasión
Cantoría Alberto Grau
Maria Guinand, regente

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Ouça! Deleite-se!
… E, depois, deixe um comentário para este postante.

Bisnaga

.: interlúdio :. Steve Kuhn / Steve Swallow / Joey Baron: Wisteria

.: interlúdio :. Steve Kuhn / Steve Swallow / Joey Baron: Wisteria

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um CD maravilhoso! Sabedoria e melancolia estão entrelaçadas em Wisteria, cuja faixa-título, escrita por Art Farmer, leva os ouvintes de volta ao início dos anos 1960, onde o pianista Steve Kuhn e o baixista Steve Swallow cantam suavemente o blues na banda do trompetista-flugelhornista. A dupla se conhece muito bem: desenvolvem suas ideias de improvisação juntos e compartilham o mesmo amor pela melodia. Este álbum dá uma nova visão a  peças ouvidas antes na coleção orquestral Promises Kept de Kuhn. Ao lado das baladas tristes há também um pouco de hard bop (A Likely Story), algo de Swallow (Dark Glasses), um gospel de Carla Bley (Permanent Wave) e a brasileira Romance de Dori Caymmi. Ao todo, são temas variados onde o trio parece navegar sem esforço. São músicos já além da necessidade de provar qualquer coisa, criando a agradável ilusão de que essa música exigente está tocando sozinha.

Steve Kuhn / Steve Swallow / Joey Baron: Wisteria

01. Chalet
02. Adagio
03. Morning Dew
04. Romance
05. Permanent Wave
06. A Likely Story
07. Pastorale
08. Wisteria
09. Dark Glasses
10. Promises Kept
11. Good Lookin’ Rookie

Personnel:

Steve Kuhn (piano)
Steve Swallow (bass)
Joey Baron (drums)

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Kuhn, Baron e Swallow na porta da sede do PQP Bach de Oslo.

PQP

Sergei Rachmaninoff (1873-1943): Sonata para Piano nº 2, Prelúdios, Etudes-Tableaux (Kocsis)

–150 anos de Rachmaninoff–

Sem alcançar a mesma quantidade de fãs de Martha Argerich ou Maurizio Pollini, o pianista húngaro Zoltán Kocsis foi respeitado por colegas e especialistas como um dos grandes intérpretes do repertório da virada do século XIX para o XX: foram muitas gravações de Debussy, Ravel, Rach, Bartók e Liszt pela Philips nas décadas de 1980 e 90. A partir de 1997 se dedicou mais à regência, fazendo gravações orquestrais também elogiadas até a sua morte precoce em 2016.

Nesse álbum dedicado ao piano solo de Rachmaninoff, Kocsis faz um recital com obras de vários tipos, ao contrário de outras gravações que contemplam, por exemplo, o conjunto dos Etudes-Tableaux (estudos-quadros, em francês, nome que aponta ao mesmo tempo para Chopin e para os chamados impressionistas). Com uma intensidade que lembra a de Horowitz, Kocsis leva a sério indicações como allegro assai (muito alegre, no Etude-Tableau Op. 39 nº 4) e allegro agitato (alegre agitado, no 1º movimento da Sonata).

Há outras interpretações possíveis: por exemplo as gravações de Rach pelo pianista inglês Steven Osborne – Etudes-Tableaux em 2017, Sonata nº 1 em 2020 – são mais calmas, suaves e contemplativas. Um dia elas ainda aparecerão por aqui. Mas o prato de hoje é o Rach de Kocsis, servido bem quente e com pimenta.

Estreada em 1913, a 2ª sonata de Rach foi depois revisada pelo compositor, que cortou algumas passagens, reduzindo a duração em alguns minutos e simplificando certas passagens difíceis. Mas Kocsis toca aqui a versão original, com todos os exageros desse compositor romântico tardio.

Sergei Rachmaninoff (1873-1943):
1. Prelude for piano No.20 in A major, Op. 32/9
2. Prelude for piano No.2 in F sharp minor, Op. 23/1
3. Etudes-Tableaux, for piano, Op. 39: No. 4 in B minor
4. Morceaux de fantaisie (5), for piano, Op. 3: 3. Mélodie
5. Prelude for piano No.21 in B minor, Op. 32/10
6. Prelude for piano No.8 in C minor, Op. 23/7
7. Prelude for piano No.17 in F minor, Op. 32/6
8. Etudes-Tableaux, for piano, Op. 33: No. 1 in F minor
9. Etudes-Tableaux, for piano, Op. 39: No. 7 in C minor
10. Prelude for piano No.13 in B flat major, Op. 32/2
11. Morceaux de fantaisie (5), for piano, Op. 3: 5. Sérénade
12. Piano Sonata No. 2 in B flat minor, Op. 36: I. Allegro agitato
13. Piano Sonata No. 2 in B flat minor, Op. 36: II. Non allegro – Lento
14. Piano Sonata No. 2 in B flat minor, Op. 36: III. Allegro molto

Zoltán Kocsis – piano
Recorded: 1994

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O Sergei…

Pleyel

Carlo Gesualdo (1566-1613): The Complete Madrigals – Delitiæ Musicæ, Longhini (7 cds)

Carlo Gesualdo (1566-1613): The Complete Madrigals – Delitiæ Musicæ, Longhini (7 cds)

É sempre uma tarefa complicada escrever sobre Carlo Gesualdo da Venosa (1566-1613) por conta de certos dados de sua biografia, um tanto quanto peculiares, que terminam por ser de alguma forma incontornáveis. O escriba então se vê frente ao dilema entre a omissão de fatos de grande magnitude, por um lado, e do risco perene de que esses temas contaminem de forma indevida a apreciação geral de sua obra, cuja excepcional qualidade por si só transcende e muito as discussões mais, digamos, folhetinescas de sua biografia.

O fato é que na noite de 16 de outubro de 1590 Gesualdo flagrou sua esposa, Maria D’Avalos, em flamejante adultério com Fabrizio Carafa, terceiro Duque de Andria e sétimo Conde de Ruovo. Os amantes foram assassinados a sangue frio no ato, no palazzo San Severo, em Nápoles. Após uma breve investigação, Gesualdo foi declarado inocente, já que teria apenas agido em legítima defesa da honra.

Seu segundo casamento, com Leonora D’Este, tampouco foi feliz. Ela o acusou diversas vezes de uma série de abusos, passando grande tempo longe. O passar dos anos fez com que Gesualdo mergulhasse no isolamento e na depressão e em acusações de envolvimento com ocultismo e bruxaria. Gesualdo morreu eu seu castelo em Avellino, na Campânia, em 8 de setembro de 1613.

Há um filme muito interessante sobre ele feito pelo brilhante cineasta alemão Werner Herzog. Gesualdo: Morte para Cinco Vozes (“Tod für fünf Stimmen”), de 1995, faz um entrelace interessantíssimo entre música e vida, biografia e encenação, documentário e ficção. Percursos por seu castelo e locais importantes de sua vida são entrecortados por performances de alguns de seus madrigais. Os madrigais, aliás, são o coração espiritual e estético de sua obra, que também compreende dois ciclos de canções sacras e uma coletânea de música destinada à Semana Santa.

Para comemorar o aniversário de Carlo Gesualdo da Venosa, neste dia 30 de março (e que, por uma singela coincidência, também é o aniversário deste que escreve estas linhas), o post traz a integral dos madrigais, com seis livros compostos entre 1594 e 1611. Esta integral foi reunida em uma caixa pelo selo Naxos, com interpretação do conjunto vocal Delitiaæ Musicæ sob regência de Marco Longhini.

 

Francesco Mancini, retrato de Carlo Gesualdo, séc XVIII

Os madrigais de Gesualdo são algumas das peças mais belas e extraordinárias já escritas para grupos vocais. São intrincadas construções harmônicas e cromáticas, complexos contrapontos que resultam em obras profundamente expressivas e sentimentais. São verdadeiros feitos da experiência humana neste planetinha azul que vaga cego pelo espaço, pequenas catedrais musicais em miniatura.

Ainda que sejam essencialmente seculares, os madrigais têm um efeito que acessa outros planos para além da pura experiência acústica e física. Em outras palavras, são composições tão poderosas que parecem ter a capacidade de fazer o ouvinte mergulhar em alguma espécie de oração durante o ato da escuta. É fácil perder-se no tempo e no espaço se escutamos esses discos com a atenção que eles, suavemente, exigem de nós.

São obras que carregam consigo uma beleza terrivelmente trágica, algo que cala fundo na alma e que é muito complicado de ser traduzido em palavras. Agradeço, desde já, aos que porventura quiserem dividir, nos comentários, um pouco das impressões e emoções causadas por essa poderosa obra.

Sempre penso nesses ciclos de madrigais de Gesualdo e de Claudio Monteverdi (1567-1643) como veementes exemplos do poder que a música tem sobre nós. Que grandeza o ser humano pode atingir com apenas cinco vozes! Quanta beleza, quanta paixão, quanta vida (e quanta morte) cabem em cada um desses madrigais. É música de uma grandeza infinita…

 

***

O castelo de Gesualdo, em Avelino, a leste de Nápoles

“ (…) Quase uma mania, Gesualdo. Pois eles o amavam, claro, e cantar seus às vezes quase incantáveis madrigais demandava um esforço que se prolongava no estudo dos textos, procurando a melhor forma de aliar os poemas à melodia, como o príncipe de Venosa fez, à sua maneira obscura e genial. Cada voz, cada tom devia encontrar aquele centro esquivo do qual surgiria a realidade do madrigal, e não uma das tantas versões mecânicas que às vezes escutavam em discos para comparar, para aprender, para ser um pouco Gesualdo, príncipe assassino, senhor da música. (…)

Este é um trecho do conto “Clone”, do livro Amamos tanto a Glenda, de Julio Cortázar, publicado em 1980 (aqui em tradução de Josely Vianna Baptista, Cia. das Letras, 2021). Os madrigais de Gesualdo são um protagonista desse interessante conto. Um pequeno indício material de como a vida e a obra do príncipe de Venosa influenciaram diversos artistas ao longo dos últimos séculos.

Para evitar um post gigantesco com uma lista imensa de faixas dos álbuns, elas serão reunidas em um arquivo de texto que integra o download. Grosso modo, os discos estão divididos da seguinte forma:

CD 1: Primeiro Livro de Madrigais
CD 2: Segundo Livro de Madrigais
CD 3: Terceiro Livro de Madrigais
CD 4: Quarto Livro de Madrigais
CD 5: Quinto Livro de Madrigais (parte um)
CD 6: Quinto Livro de Madrigais (parte dois) & Sexto Livro de Madrigais (parte um)
CD 7: Sexto Livro de Madrigais (parte dois)

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Karlheinz

.: interlúdio :. Os quatro grandes discos (1969-73) de uma ex-grande dama da canção estadunidense: Roberta Flack

Nossa homenagem ao saudoso Ranulfus continuará, também, através da republicação de suas preciosas contribuições ao nosso blog – como esta, que veio à luz em 12/9/2012.

.oOo.

Se existe algo de sagrado pra você, é em nome disso que eu peço: por favor, nem uma palavra pra dizer que você gostava ou gosta de Killing me softly. Praticamente todo mundo gosta, até eu não acho ruim quando está tocando, mas se já é unanimidade, pra que comentar? Que tal falar de alguma das outras 31 faixas desta postagem?

Tá, desculpem a cena dramática… mas é que tenho uma razão muito forte para odiar o sucesso que Killing me softly não para de fazer há 39 anos: foi esse sucesso que atiçou a sanha mefistofélica da indústria do disco, que então acabou precocemente a carreira da talvez última grande dama negra da canção estadunidense, e lançou a primeira gralha da pseudo-black music ultracomercial: a “rainha da discotheque” – ai!

Cantora-pianista, arranjadora, por vezes compositora, Roberta dividiu seus três primeiros discos entre o que se pode chamar “música de dor-de-cotovelo americana”, e peças de protesto e ativismo político (Compared to what e Trying times no disco 1, Go up moses no disco 3, mas sobretudo o arrepiante grito contra a guerra do Vietnã que é Business goes as usual no disco 2) –

… e ainda explorações variadas do universo cultural da comunidade negra estadunidense, indo do protesto contra a dominação cultural disfarçado de spiritual que é I told Jesus (disco 1) e da tocante crônica Sunday and sister Jones (disco 3) ao escrachado humor erótico de Reverend Lee (disco 2).

No quarto disco, sintomaticamente, a vertente política desaparece – mas não por isso deixo de considerá-lo magistral (à parte aquela canção que não vou nomear de novo).

Enfim: esta Roberta que estou partilhando foi para mim uma paixão de adolescente ávido de descobrir tudo o que música podia ser, uma revelação de mundos sonoros e poéticos tão diferentes de tudo o que eu já conhecia… Criou um departamento para si dentro de mim; até hoje suas frases me habitam. Acho que poderia falar horas sobre este ou aquele detalhe desta ou aquela canção – mas prefiro apenas nomear (mais) algumas que aprecio de modo especial.

Do primeiro disco (que aconselho não julgar pela primeira faixa), repito a menção à estupenda I Told Jesus; no segundo acho curioso comparar a abordagem de Roberta a The impossible dream com a entre nós tão conhecida versão de Maria Bethania – além da faixa de protesto já citada.

Do terceiro, repito Sunday and sister Jones e acrescento Will you still love me tomorrow? e Sweet bitter love – mas como não falar também da leitura personalíssima de Bridge over troubled water? Do quarto, digo que contém a faixa de dor de cotovelo mais rastejante que já ouvi em qualquer língua: Jesse – mas minhas preferidas são I’m the girl, When you smile, e finalmente Suzanne, de Leonard Cohen, na qual a grande cantora se despede para sempre com scats que pairam sobre um inquietante efeito de cordas que sugerem sirenes… escrito, talvez ironicamente, por um dos arranjadores mais caros dos EUA: o brasileiro Eumir Deodato.

E agora é com vocês!

ROBERTA FLACK – discos 1 a 4

1 FIRST TAKE (1969)
101 “Compared to What” (Gene McDaniels) – 5:16
102 “Angelitos Negros” (Andres Eloy Blanco, Manuel Alvarez Maciste) – 6:56
103 “Our Ages or Our Hearts” (Robert Ayers, Donny Hathaway) – 6:09
104 “I Told Jesus” (Traditional) – 6:09
105 “Hey, That’s No Way to Say Goodbye” (Leonard Cohen) – 4:08
106 “The First Time Ever I Saw Your Face” (Ewan MacColl) – 5:22
107 “Tryin’ Times” (Donny Hathaway, Leroy Hutson) – 5:08
108 “Ballad of the Sad Young Men” (Fran Landesman, Tommy Wolf) – 7:00

2 CHAPTER TWO (1970)
201 “Reverend Lee” (Gene McDaniels) 4:31
202 “Do What You Gotta Do” (Jimmy Webb) 4:09
203 “Just Like a Woman” (Bob Dylan) 6:14
204 “Let It Be Me” (Gilbert Becaud, Mann Curtis, Pierre Delanoë) 5:00
205 “Gone Away” (Donny Hathaway, Leroy Hutson, Curtis Mayfield) 5:16
206 “Until It’s Time for You to Go” (Buffy Sainte-Marie) 4:57
207 “The Impossible Dream” (Joe Darion, Mitch Leigh) 4:42
208 “Business Goes on as Usual” (Fred Hellerman, Fran Minkoff) 3:30

3 QUIET FIRE (1971)
301 “Go Up Moses” (Flack, Jesse Jackson, Joel Dorn)
302 “Bridge over Troubled Water” (Paul Simon)
303 “Sunday and Sister Jones” (Gene McDaniels)
304 “See You Then” (Jimmy Webb)
305 “Will You Still Love Me Tomorrow” (Carole King, Gerry Goffin)
306 “To Love Somebody” (Barry Gibb, Maurice Gibb, Sharon Robinson)
307 “Let Them Talk” (Sonny Thompson)
308 “Sweet Bitter Love” (Van McCoy)

4 KILLING ME SOFTLY (1973)
401 “Killing Me Softly with His Song” (Charles Fox, Norman Gimbel)
402 “Jesse” (Janis Ian)
403 “No Tears (In the End)” (Ralph MacDonald, William Salter)
404 “I’m the Girl” (James Alan Shelton)
405 “River” (Gene McDaniels)
406 “Conversation Love” (Terry Plumeri, Bill Seighman)
407 “When You Smile” (Ralph MacDonald, William Salter)
408 “Suzanne” (Leonard Cohen)

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Ranulfus

[restaurado por seu amigo Vassily, com saudades do mestre, em 29/3/2023 – e ainda em alusão ao Dia Internacional da Mulher, no 8 último]

York Bowen (1884-1961), Cecil Forsyth (1870-1941): Concertos para Viola (Power / Brabbins)

UM SENHOR CD !!!

Desta vez apresentamos a vocês o inoxidável Lawrence Power, violista elogiado até pelo afiadíssimo ouvido de PQPBach, filho de Bach e pai deste Blog, que disse, sobre o rapaz: “Power é power mesmo, é genialaqui, nessa postagem do concerto para viola de Walton.

Aqui o inglês Power (1977-) se dedica aos concertos dos seus conterrâneos Edwin York Bowen e Cecil Forsith. E não é pouca coisa, não, coisa de só homenagear os compositores de seu país. Bowen e Forsith, apesar de não serem muito conhecidos por estas plagas, nos brindam com obras de altíssima categoria, com todas aquelas tensões mal resolvidas (e instigantes e, por que não dizer, contagiantes) dos compositores do modernismo da primeira metade do século XX. Suas orquestrações são muito vibrantes e, no caso deste álbum, há um brilho extra: o polimento que Lawrence Power dá às peças, com tenacidade, expressão e precisão.

Nem vou falar muito mais! Apenas dê-se ao prazer de ouví-lo! É muito, mas muito bom!

Edwin York Bowen (1884-1961)
Concerto para Viola em Dó Menor
01. I. Allegro Assai
02. II. Andante Cantabile
03. III. Allegro Scherzando

Cecil Forsyth (1870-1941)
Concerto para Viola em Sol Menor
01. I. Appassionato – Moderato
02. II. Andante un poco sostenuto
03. III. Allegro con fuoco

Lawrence Power, viola
BBC Scottish Symphony Orchestra
Martin Brabbins, regente

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Bisnaga

Henry Purcell (1659-1695): Dido and Aeneas (MusicAeterna, Teodor Currentzis)

Henry Purcell (1659-1695): Dido and Aeneas (MusicAeterna, Teodor Currentzis)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Você não deve confundir Dido e Enéias com Dildo e Enéias. Dildo é outra coisa. Dido é filha de Mattan I, rei de Tiro, e irmã de Pigmalião, que mandou matar seu primeiro marido, Sicheus, de quem cobiçava a riqueza.

Dido consegue fugir com alguns amigos e partidários, levando consigo as riquezas do marido. Chegam ao local onde Dido resolve ficar e formar sua nova pátria, e pedem que os nativos cedam um pedaço de terra cercado por couro de boi. O pedido é aceito e Dido logo manda cortar o couro de um boi em estreitas tiras e cerca uma extensão onde constrói uma cidade com o nome de Birsa (couro). Em torno dessa cidade começa a se formar outra, Cartago, que logo se torna próspera.

Enéias chega a Cartago com seus troianos depois de um naufrágio. Dido recebe-os muito bem, mostra-se muito hospitaleira já que ela mesma passara por um sofrimento parecido. Dido acaba se apaixonando por Enéias, que se mostra feliz ao ter a oportunidade de parar de uma vez por todas com suas aventurosas peregrinações, recebendo um reino e uma esposa. Passam-se meses e os dois vivem apaixonados. Enéias parece esquecido da Itália e do Império que estava destinado a fundar em suas terras. Quando Júpiter vê essa situação, manda o mensageiro Mercúrio lembrá-lo de sua missão e ordenar que parta imediatamente. Dido, numa tentativa frustrada de convencê-lo a ficar, acaba se apunhalando e se jogando numa pira funerária.

A ópera de Purcell é uma pequena joia, uma das maiores — talvez a maior — músicas compostas por um inglês. O Lamento de Dido e as participações das bruxas são momentos absolutamente notáveis.

Baita disco!

Henry Purcell (1659-1695): Dido and Aeneas (MusicAeterna, Teodor Currentzis)

1. Dido & Aeneas, Ouverture        2:08
2. Dido & Aeneas, Act I: Shake The Cloud        1:08
3. Dido & Aeneas, Act I: Ah! Belinda        4:48
4. Dido & Aeneas, Act I: Grief Increases        0:38
5. Dido & Aeneas, Act I (Chorus): When Monarch Unites        0:13
6. Dido & Aeneas, Act I: Whence Could So Much Virtue        2:08
7. Dido & Aeneas, Act I (Chorus): Fear No Danger        2:20
8. Dido & Aeneas, Act I: See, See        0:54
9. Dido & Aeneas, Act I (Chorus): Cupid Only Throws        0:35
10. Dido & Aeneas, Act I: If Not For Mine        0:24
11. Dido & Aeneas, Act I: Pursue Thy Conquest        0:45
12. Dido & Aeneas, Act I (Chorus): To The Hills        2:32
13. Dido & Aeneas, Act II: Prelude For The Witches        2:31
14. Dido & Aeneas, Act II (Chorus): Harm’s Our Delight        0:15
15. Dido & Aeneas, Act II: The Queen Of Carthage        0:30
16. Dido & Aeneas, Act II: Ho, Ho, Ho        0:10
17. Dido & Aeneas, Act II: Ruin’d Ere The Set Of Sun        0:56
18. Dido & Aeneas, Act II: Ho, Ho, Ho        0:10
19. Dido & Aeneas, Act II: But Ere We This Perform        1:06
20. Dido & Aeneas, Act II (Chorus): In Our Deep Vaulted Cell        2:03
21. Dido & Aeneas, Act II: Echo Dance Of Furies        0:57
22. Dido & Aeneas, Act II: Ritornelle        0:38
23. Dido & Aeneas, Act II: Thanks To These Lonsesome Vales        2:55
24. Dido & Aeneas, Act II: Guitar Chacone        2:32
25. Dido & Aeneas, Act II: Oft She Visits        1:54
26. Dido & Aeneas, Act II: Behold, Upon My Bending Spear        0:37
27. Dido & Aeneas, Act II: Haste, Haste To Town        0:45
28. Dido & Aeneas, Act II: Stay Prince        2:44
29. Dido & Aeneas, Act III: Prelude        1:15
30. Dido & Aeneas, Act III: The Sailor’s Dance        0:51
31. Dido & Aeneas, Act III: See, See The Flags        0:59
32. Dido & Aeneas, Act III: Our Next Motion        0:39
33. Dido & Aeneas, Act III (Chorus): Detruction’s Our Delight        0:29
34. Dido & Aeneas, Act III: The Witches’ Dance        2:09
35. Dido & Aeneas, Act III: Your Counsel        6:07
36. Dido & Aeneas, Act III (Chorus): Great Minds        1:02
37. Dido & Aeneas, Act III: Thy Hand, Belinda        1:03
38. Dido & Aeneas, Act III: Dido’s Lament        4:02
39. Dido & Aeneas, Act III (Chorus): With Drooping Wings        5:32

Recorded At – Novosibirsk Philharmonic Hall
Recorded By – Musica Numeris
Alto Vocals [Choir] – Anna Penkina, Anna Shvedova, Elena Rogoleva, Ludmilla Tukhaeva*, Marina Sokirkina, Marina Tenitilova
Baritone Vocals [Aeneas, Trojan Prince], Soloist – Dimitris Tiliakos
Bass Vocals [Choir] – Alexandre Nazemtsev, Evgeny Ikatov, Gennady Vasiliev, Pavel Palastrov, Sergey Mezentsev, Sergey Tenitilov, Vitaly Polonsky
Choir – The New Siberian Singers*
Chorus Master – Vyacheslav Podyelsky
Composed By [Opera Music] – Henry Purcell
Conductor – Teodor Currentzis
Contrabass – Dilyaver Menametov, Dmitry Rais
Ensemble, Orchestra – MusicAeterna*
Harpsichord [Fred Bettenhausen, 2000, after Rückers-Taskin] – Elena Popovskaya
Lute – Vassily Antipov
Percussion – Dauren Orynbaev, Teodor Currentzis
Soprano Vocals [Belinda, Confidant Of Dido], Soloist – Deborah York
Soprano Vocals [Choir] – Alla Lebedeva, Arina Mirsaetova, Elena Kondratova, Irina Angaskieva, Linda Yarkova, Margarita Mezentseva, Valeria Safonova, Yulia Shats, Yulia Trubina
Soprano Vocals [Dido, Queen Of Carthago], Soloist – Simone Kermes
Tenor Vocals [Choir] – Alexandre Zverev, Dmitry Veselovsky, Sergey Kovalev (3), Stanislav Lukin, Vladimir Sapozhnikov
Theorbo, Guitar [Baroque Guitar] – Arkady Burkhanov
Viola – Dmitry Parkhomenko, Evgeniya Maximova (2), Oleg Zubovich
Viola [Echo] – Nail Bakiev
Viola da Gamba, Soloist – Alexander Prozorov
Violin [1] – Alfiya Bakieva, Inna Prokopeva, Nadezhda Antipova, Natalia Zhuk
Violin [1] [Echo] – Elena Rais
Violin [2] – Elena Yaroslavtseva, Olga Galkina, Yulia Gaikolova
Violin [2] [Echo] – Yulia Gaikolova
Violoncello – Alexander Prozorov, Ekaterina Kuzminykh, Marina Sergeeva
Violoncello [Echo] – Alexander Prozorov
Violoncello [Récits = Stories] – Ekaterina Kuzminykh
Vocals [Enchantress], Soloist – Elena Kondratova, Yana Mamonova
Vocals [Sailor], Soloist – Alexandre Zverev
Vocals [Sorceress], Soloist – Oleg Ryabets
Vocals [Spirit], Soloist – Valeria Safonova
Vocals [Two Women], Soloist – Margarita Mezentseva, Sofia Fomina
Words By [Opera] – Mr. Nahum Tate*

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

PQP