A orquestração de Arnold Schoenberg do Quarteto para Piano Nº 1 de Johannes Brahms estreou em 1937. Numa série de palestras de 1947 intituladas “Brahms, o Progressista”, Arnold Schoenberg relata um exemplo de Brahms lidando com um de seus fãs. “Os contemporâneos encontraram várias maneiras de irritá-lo”, escreve Schoenberg sobre Brahms. “Um músico ou um amante da música pode tentar demonstrar sua grande compreensão, bom julgamento musical e conhecimento de Brahms ousando dizer havia observado que a Primeira Sonata para Piano era muito semelhante à Sonata ‘Hammerklavier’ de Beethoven. Não admira que Brahms, com sua maneira direta, tivesse respondido: ‘Todo idiota percebe isso!’”
Você não precisa conhecer nenhum dos compositores ou suas obras para entender por que Brahms ficava irritado com tal comentário. Ele passou grande parte de sua vida tendo seu lugar na história da música alemã ocupado por outros. Sua Primeira Sinfonia foi chamada de “Décima de Beethoven”. Para os detratores de Wagner, Brahms representava tudo o que havia de bom na música alemã e para os fãs de Wagner, tudo o que havia de ruim nela. É fácil apontar os pontos em comum entre Brahms e as gerações que o precederam; Encontrar o que faz dele uma força única na música alemã exige um pouco mais de esforço, e esse foi o objetivo das palestras de Schoenberg e, em certo sentido, da sua orquestração de uma das obras-primas de câmara de Brahms.
O Quarteto de Brahms estreou em Hamburgo em 1861; Schoenberg orquestrou a obra em 1937, e ela foi estreada pela Filarmônica de Los Angeles sob a batuta do então Diretor Musical Otto Klemperer em um dos Concertos de Sábado à Noite da Orquestra. Schoenberg explicou a lógica por trás de sua orquestração em uma carta a Alfred Frankenstein, o crítico musical do San Francisco Chronicle, quase um ano após a estreia:
“1. Gosto da peça;
2. Raramente é tocada;
3. É sempre muito mal tocado, porque quanto melhor o pianista, mais alto ele toca e não se ouve nada nas cordas. Queria uma vez ouvir tudo e consegui.”
Schoenberg gostou da peça como um grande exemplo de “desenvolvimento de variação”, uma inovação de Brahms que ele discutiu em suas palestras sobre “Brahms, o Progressista”. A ideia é realmente muito simples: Brahms submeteria seu material temático a variações e transformações assim que as introduzisse, em vez de esperar até a seção de desenvolvimento de um movimento em forma de sonata. Isso lhe permitiu criar estruturas maiores a partir desses materiais em constante desenvolvimento.
Johannes Brahms (1833-1897): Piano Quartet, Op. 25 (Orch. Schoenberg) / Variations And Fugue On A Theme By Handel, Op. 24 (Orch. Rubbra) (LSO, Neeme Järvi)
Piano Quartet In G Minor Op. 25
Orchestrated By – Arnold Schoenberg
(45:41)
1 I Allegro 15:10
2 II Intermezzo: Allegro Ma Non Troppo 9:11
3 III Andante Con Moto 11:54
4 IV Rondo Alla Zingarese: Presto 9:25
Variations And Fugue On A Theme By Handel Op. 24
Orchestrated By – Edmund Rubbra
(25:35)
5 Aria 0:55
6 Variations I 0:52
7 II Animato 0:45
8 III L’istesso Tempo 0:42
9 IV 0:45
10 V 0:57
11 VI 0:51
12 VII Con Vivacità 0:30
13 VIII 0:33
14 IX Poco Sostenuto 0:50
15 X Energico (Vivace) 0:36
16 XI Con Moto 0:55
17 XII 0:51
18 XIII Largamente, Ma Non Troppo 1:03
19 XIV Impetuoso 0:37
20 XV 0:35
21 XVI 0:30
22 XVII Più Mosso 0:31
23 XVIII 1:04
24 XIX Leggiero Vivace 0:50
25 XX 0:53
26 XXL 1:03
27 XXII 0:45
28 XXIII Vivace 0:37
29 XXIV 0:40
30 XXV 0:46
31 Finale 5:40
Composed By – Johannes Brahms
Conductor – Neeme Järvi
Orchestra – London Symphony Orchestra

PQP

Como eu estava sendo ameaçado fisicamente por não revalidar este link, aqui vai ele. A Sinfonia Nº 1 de Bernstein, baseada no profeta Jeremias, fala, segundo o próprio Bernstein, a respeito da crise de sua fé, simbolizada pela destruição do Templo de Jerusalém. Jeremiah é conhecido pela alcunha de “O Profeta Chorão”. O Concerto para Orquestra foi composto em 1986 e bastante ampliado em 1989. É muito curiosa esta abordagem ao modelo de “Concerto para Orquestra”, criado por Bartók. Como já publicamos antes os Concertos para Orquestra de Bartók e Lutoslawski — duas obras-primas! –, finalizamos por ora a série dedicada aos Concertos para Orquestra. Gostei bastante do disco, tanto que o ouvi 3 vezes de enfiada. Apenas estranhei a Lamentação de Jeremias ser cantada por uma mulher. Mas, enfim, o que interessa é o texto, né? E talvez seja uma mulher falando do Jerê, não examinei o texto…

IM-PER-DÍ-VEL !!!

A capa ao lado quase corresponde ao CD postado…

O americano Elliott Carter é o decano dos compositores. Também é o compositor que mais viveu. Ganhou de Schütz, Haydn, Stravinsky, Sibelius e, penso, de qualquer outro. Ainda estreia várias peças todos os anos e o 11 de dezembro de 2008 será comemorado em várias cidades. Este é o segundo CD de Carter que publico no PQP. Infelizmente, não tenho outros, pois sou um admirador recente deste compositor de absurda complexidade. A estreia desta Sinfonia ocorreu em 17 de fevereiro de 1977 e é a música mais inadequada para um aniversário, mais parecendo uma longa descida ao inferno. Mas… o que fazer? É o que tenho. Imaginem que Carter foi aluno de Nadia Boulanger em Paris, no ano de 1930… Após a fase neoclássica regulamentar, ele passou a escrever música atonal, de notável complexidade rítmica. Compõe música orquestral e de câmara, assim como obras para instrumentos solo e vocal. Ao completar 99 anos, estreou sua única ópera, chamada What Next? (post de 2008, claro).
IM-PER-DÍ-VEL !!!

O Beethoven de Harnoncourt sempre é considerado uma experiência emocionante, polêmica e distinta — e este conjunto de aberturas não é diferente. Isto é pura excitação com uma execução verdadeiramente fora deste mundo, especialmente nas transições da “escuridão para a luz” das aberturas Leonora e do maravilhoso “Egmont”, sempre um dos meus favoritos. “As Criaturas de Prometeus” também é muito interessante porque incorpora algumas músicas do próprio balé, enquanto “Coriolano” está repleto de tanto drama e tensão quanto se poderia esperar do mestre austríaco. Porém, na abertura campeã “Coriolano”, Carlos Kleiber permanece imbatível no pódio. Essas gravações estão disponíveis de uma forma ou de outra há vários anos, então, há várias capas para o mesmo disco.


Fora compositores brasileiros, o único latino-americano que postei até aqui (e já faz um bom tempo) foi Piazzolla. Agora começo a variar e apresento um venezuelano contemporâneo e desconhecido no Brasil: Alfredo Rugeles, filho de diplomata, nascido em Washington DC, e exemplo de como os compositores latino-americanos se deixaram permear em demasia pela vanguarda europeia, esquecendo-se das raízes da música popular e folclórica de seus países. Nesta coletânea de obras sinfônicas e de câmara das décadas de 70 e 80 de Rugeles, há influência de tudo, menos da música venezuelana – pelo menos o compositor é bastante competente… São obras que não me despertaram nada especial (exceto O ocaso do herói, sobre os últimos anos de Simón Bolívar), porque nada há de novo nelas – e se é para ouvir algo já feito, que se vá às fontes originais – mas tais obras podem suscitar algo em vocês.
A Fundação para a Divulgação e Inevitável Imortalização do Guia Genial dos Pianistas Maurizio Pollini fundada por Lais Vogel e P.Q.P. Bach sempre defendeu a tese — que hoje é opinião geral — de que os maiores gênios da humanidade foram William Shakespeare, Johann Sebastian Bach, Ludwig van, Charles Darwin, Karl Marx, Sigmund Freud, James Joyce e Maurizio Pollini. O resto está sob o topo daquilo que de mais alto o ser humano alcançou. Humano?, eu disse humano? Pois quando soube que Pollini lançara o Volume I do CBT, achei que ele estava fazendo o que não precisava. Claro que a gravação é excelente e dá importante contribuição à farta discografia bachiana. E oh, OK, ele está ficando velho e quis meter sua colher em Bach, quis deixar sua visão de uma obra fundamental para a arte pianística? Sem dúvida, eu o compreendo perfeitamente e só o lado técnico da interpretação já justifica tudo, mas o CBT não é o topo de Pollini como pianista, é apenas uma das melhores gravações em piano que ouvi de uma obra que prefiro ouvir no cravo. Pollini novamente não se deixa dominar por sua assombrosa técnica e insiste em fazer música. É uma gravação para rivalizar com Gould, mas nunca de forma hostil. Em alguma fugas, ouve-se não apenas a respiração como alguns gemidos a la Gould. Pollini não é um pianista vaidoso e bobo como tantos, é um intelectual ao qual se poderia atribuir a frase de Newton “Se eu vi mais longe, foi por estar em pé sobre ombros de gigantes”, ou seja, em sua gravação há ênfases de Gould, fraseados de Leonhardt e surpresas típicas de Pollini, como o súbita agressividade demonstrada no Prelúdio BWV 855, tudo dentro do maior equilíbrio e bom gosto. Mas ainda que, apesar de toda a qualidade do pianista e de seu direito de criar uma interpretação do século XXI para a obra (pós-Gould e até pós-Schiff em termos de concepção), acho que a contribuição maior de Pollini está lá adiante, a partir de Beethoven. Não fiquei decepcionado, até pelo contrário, mas prefiro os cravistas e, na verdade, lá no fundo, acho que as incensadas gravações de Bach realizadas por Gould são expressões importantes e ultra-elaboradas de uma “arte menor”, pois ele senta frente a um piano. Um purista? Talvez. Sei que estou sendo polêmico onde talvez não devesse, mas meus ouvidos há anos dizem que Leonhardt e Hantaï, em Bach, dão de dez em Gould e, agora, em Pollini.
IM-PER-DÍ-VEL !!!
Ah, adorável Purcell! King Arthur (ou The British Worthy, Z. 628), é uma ópera em cinco atos com música de Henry Purcell e libreto de John Dryden. Foi apresentada pela primeira vez no Queen’s Theatre, Dorset Garden, Londres, no final de maio ou início de junho de 1691. O enredo é baseado nas batalhas entre os bretões do Rei Arthur e os saxões, e não nas lendas de Camelot (embora Merlin apareça). Também não foi baseado na fundamental obra do Monty Python. Trata-se de uma obra mais sobrenatural, incluindo personagens como Cupido e Vênus, além de referências aos deuses germânicos dos saxões, Woden, Thor e Freya. A história centra-se nos esforços de Arthur para recuperar a sua noiva, a cega princesa Emmeline da Cornualha, que foi raptada pelo seu arquiinimigo, o rei saxão Osvaldo de Kent. Lembrei do Monty Python novamente… Rei Arthur é uma “ópera dramática” ou uma “semi-ópera”: os personagens principais não cantam. Personagens secundários cantam por eles. É uma diegese muito bem escrita — sim, pode ir ao dicionário. Os protagonistas normalmente são atores. Esta era uma prática normal na ópera inglesa do século XVII. Mas, hoje, Arthur é sempre apresentado por cantores. Eu amo especialmente a ária que ficou famosa como The Cold Song.

Um bom CD, principalmente pelo Britten inicial e o Walton final. Não sei se estou certo ao dizer que a “Sonata” de Walton é uma transcrição de um quarteto seu, mas me parece que sim. Tenho quase certeza. O Guildhall é um conjunto estupendo e convincente, com um maravilhoso som. A Sinfonia Simples, Op. 4, de Britten, é uma obra para orquestra ou quarteto de cordas. Foi escrita finalizada quando o compositor tinha 20 anos, em 1933, mas seus temas foram escritos entre 1923 e 1926, quando Britten era criança. Recebeu sua primeira apresentação em 1934 no Stuart Hall em Norwich, com Britten conduzindo uma orquestra amadora. A peça é dedicada a Audrey Alston, professora de viola de infância de Britten. Bem no início, parece um tango; o segundo movimento é um pizzicato lindo; o terceiro é sentimental, mas muito digno; e o que dizer do último movimento lá do Walton?


Mais duas maravilhosas sinfonias de Haydn, desta vez à cargo do grande George Szell à frente da Orquestra de Cleveland. Mais uma dupla incrível, que realizou gravações maravilhosas ainda nos anos 60.





Se houve alguém “inventou” Bach, este foi Buxtehude. Leiam a seguir o texto que a Sociedade Bach do Brasil publicou nesta página. As intervenções entre parênteses são minhas.
Seu nome era Anton mas podia ser Vassili por seu caráter dubitativo (sim, Les Luthiers!). Tinha 39 anos e não sabia ainda se era um sinfonista de verdade ou um estudante. Então, escreveu esta sinfonia que posto hoje e que nunca foi executada durante sua vida. Ele tinha quase certeza que escrevera uma porcaria e, como o neurótico que era, manteve tal quase certeza na quarta, quinta, sétima, oitava e nona, verdadeiras obras-primas do ocaso do século XIX.







Este é aquele cantinho de Sonatas de Bach com alguns patinhos feios. Mas mesmo sendo patinhos feios, é Bach e Bach sempre vale a pena. Tanto que damos de cara com alguns movimentos de fazer cair os butiá do bolso de tão belos e bem escritos. As sonatas para violino e cravo de Johann Sebastian Bach são obras em forma de trio sonata, com as duas partes superiores no cravo e violino sobre uma linha de baixo fornecida pelo cravo e uma viola da gamba opcional. Ao contrário das sonatas barrocas para instrumento solo e contínuo, em que a realização do baixo figurado foi deixada ao critério do intérprete, a parte do teclado nas sonatas foi quase inteiramente especificada por Bach. Provavelmente, a maioria deles foi composta durante os últimos anos de Bach em Köthen entre 1720 e 1723, antes de ele se mudar para Leipzig.



IM-PER-DÍ-VEL !!!
IM-PER-DÍ-VEL !!!
O incrível talento melódico de George Gershwin fica escarrado nestas duas coletâneas gravadas por Oscar Peterson. O notável pianista toca o songbook com extremo respeito e apenas trata de tocar os temas da forma mais bela e simples possível, sem grandes voos de improvisação. Basta ver os tempos de cada canção para se dar conta de que são canções tocadas em trio. Na verdade são dois LPs contidoa em um CD. Iniciamos por um de 1959 e outro de 1952. Ouvi tudo continuamente, mas creio ter gostado mais da versão de 1952 com o guitarrista Barney Kessel no lugar do baterista Ed Thigpen. Vale a pena ouvir este CD, nem que seja para poder dizer com ainda maior certeza que Gershwin foi sensacional.
IM-PER-DÍ-VEL !!!