Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para Violino, Sonata a Kreutzer – Nemanja Radulović, Double Sens

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para Violino, Sonata a Kreutzer –  Nemanja Radulović, Double Sens

Confesso que não vinha acompanhando muito a carreira de Nemanja Radulović até me chegar em mãos esse extraordinário CD da Warner, lançamento de final de ano pela gravadora, onde toca o Concerto para Violino, e uma incrível versão orquestral da Sonata a Kreutzer, que vai deixar os mais puristas de cabelo em pé. O rapaz é acompanhando pela própria orquestra, originalmente um Conjunto de Câmara, mas para esta empreitada, deu uma aumentada no número de músicos, afinal, é o Concerto de Beethoven, né?

Mas enfim, vamos ao CD. Como não poderia deixar de ser, o talento, a versatilidade e o incrível domínio do instrumento prevalecem. Nemanja Radulović é um violinista de mão cheia, cheio de recursos técnicos e ousado em algumas escolhas. E a cumplicidade da ótima orquestra ajuda muito, estão sempre em perfeita sintonia.

Talvez alguns puristas estranhem o arranjo para Violino e Orquestra da “Sonata a Kreutzer”. Mas de acordo com o biógrafo de Beethoven, Maynard Solomon, o próprio compositor considerava essa obra quase uma Sinfonia Concertante, quando anotou na Primeira Edição da Sonata: “Escrita num estilo muito concertante, como o de um concerto”, e Solomon conclui: “assinalando assim a sua intenção de introduzir elementos de conflito dinâmico num dos principais gêneros de salão do período clássico” (SOLOMON, p. 259).

O Concerto para Violino de Beethoven é provavelmente o maior dos Concertos para Violino já compostos e é um prazer ouvir Nemanja Radulović tocando ele. É uma lufada de ar novo, uma nova roupagem, uma nova abordagem, como várias outras que temos acompanhado, que mostram o quanto este Concerto é atemporal. Espero que apreciem, eu gostei muito.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para Violino, Sonata a Kreutzer – Nemanja Radulović, Double Sens

01. Beethoven_ Violin Concerto in D Major, Op. 61_ I. Allegro ma non troppo
02. Beethoven_ Violin Concerto in D Major, Op. 61_ II. Larghetto
03. Beethoven_ Violin Concerto in D Major, Op. 61_ III. Rondo. Allegro
04. Beethoven _ Arr. Radulović_ Sonata No. 9 in A Major, Op. 47 _Kreutzer_
05. Beethoven _ Arr. Radulović_ Sonata No. 9 in A Major, Op. 47 _Kreutzer__ II. Andante con variazioni
06. Beethoven _ Arr. Radulović_ Sonata No. 9 in A Major, Op. 47 _Kreutzer__ III. Finale. Presto

Nemanja Radulović – Violino
Double Sens

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FDP

J. S. Bach (1685-1750): Schübler Chorales BWV 645-650 / Dorian Toccata e Fugue BWV 538 e outras peças (Rübsam)

J. S. Bach (1685-1750): Schübler Chorales BWV 645-650 / Dorian Toccata e Fugue BWV 538 e outras peças (Rübsam)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Neste belo disco, os 6 Schübler Chorales estão metidos entre outras peças, como Fantasias, Toccatas e Prelúdios. Uma bela escolha da Naxos. Gostei da opção. Fazia tempo que não nos dedicávamos ao órgão de meu pai. Dizem que era o instrumento preferido dele. É um belo aparato, ele efetivamente tinha um poderoso órgão. Foram 21 filhos, 20 “legítimos” e um fora dos dois casamentos. Era uma máquina de beber cerveja, fazer filhos e de criar beleza. E W. Rübsam é um representante autêntico desses estranhos seres que tocam mais de um teclado com as mãos e ainda o fazem com os pés, tudo ao mesmo tempo, como se fossem aranhas. Um discaço!

J. S. Bach (1685-1750): Schübler Chorales BWV 645-650 / Dorian Toccata e Fugue BWV 538 e outras peças (Rübsam)

1 Wachet auf, ruft uns die Stimme, BWV 645 04:54
2 Fantasia e Fuga em Dó Menor, BWV 537 09:49
3 Wo soll ich fliehen hin, BWV 646 02:17
4 Wer nur den lieben Gott last walten, BWV 647 03:39
5 Tocata e Fuga em Ré Menor, BWV 538 14:46
6 Meine Seele erhebt den Herrn, BWV 648 02:44
7 Peça d’Orgue em Sol Maior, BWV 572, “Fantasia em Sol Maior” 10h30
8 Ach, bleib bei uns, Herr Jesus Cristo, BWV 649 02:39
9 Kommst du nun, Jesus, vom Himmel herunter, BWV 650 03:48
10 Prelúdio e Fuga em Dó Maior, BWV 545 12:53

Tempo total: 01:07:59

Wolfgang Rübsam, órgão

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Eu tenho medo de organistas, Wolfgang, Fique longe de mim.

PQP

Música dos sumérios, egípcios e gregos antigos (Ensemble De Organographia)

Música dos sumérios, egípcios e gregos antigos (Ensemble De Organographia)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Se alguém reclamasse que temos postado pouca música antiga, eu teria que aceitar a crítica. Então, pago parcialmente a dívida com um disco muito especial. Dizem que se trata de uma das melhores recriações da música antiga. Ou da pré-antiga… Porque estamos falando em até 1000 anos antes de Cristo. A avaliação dos musicólogos sobre este trabalho é a mais favorável possível. Trata-se de um disco absolutamente notável do ponto de vista histórico. Os historiadores da arte vão chorar ouvindo. Preparem os lenços para eles.

Music of the Ancient Sumerians, Egyptians & Greeks

Music from c. 1950 B.C. to 300 A.D.
A.D. é Anno Domini ou depois de Cristo
(Including the world’s oldest notated music)
performed on voice, lyres, kithara, pandoura, double reed pipes,
flutes & other ancient instruments.

1. Musical Excerpts….Anon. (2nd c. AD)
2. Lament…Anon. (2nd or 3rd c. AD)
3. Fragment 1…Anon. (2nd c. AD)
4. Paean…Anon. (3rd or 4th c. AD)
5. Trochaic fragment….Anon. (3rd c. AD)
6. Four settings of a line from “Epitrepontes” by Menander…Anon.(3rd c.AD)
7. Excerpts mentioning Eros and Aphrodite…Anon. (2nd or 3rd c. AD)
8. Musical excerpt…Anon. (3rd c. AD)
9. Hypolydian excerpt…Anon. (2nd or 3rd c. AD)
10. Fragment 3…Anon. (3rd c. AD)
11. A zaluzi to the gods…Anon. (c. 1225 BC)
12. Hurrian Hymns 19 and 23…Anon. (c.1225 BC)
13. Hurrian Hymns 13 and 12…Urhiya/Anon. (c. 1225 BC)
14. Hurrian Hymn 2…Anon. (c. 1225 BC)
15. Hurrian Hymn 8…Urhiya (c. 1225 BC)
16. Hurrian Hymn 5…Puhiya(na) (c. 1225 BC)
17. Hurrian Hymns 4, 21 and 22… Anon. (c. 1225 BC)
18. Hurrian Hymns 7 and 10…Anon. (c. 1225 BC)
19. Hurrian Hymns 16 and 30…Anon. (c.1225 BC)
20. Musical Instructions for “Lipit-Ishtar, King of Justice” (c. 1950 BC)
21. Trumpet call…Anon./Plutarch
22. Isis sistrum rhythm…Anon./Apuleius
23. Theban banquet scene…Anon. (14th c. BC)
24./25. Harp pieces (A) (B)…Anon. (7th or 6th c. BC)

Gayle Stuwe Neumann (strings, voice, percussion)
Philip Neuman (winds, strings, percussion, voice)
Ensemble De Organographia

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Um músico sumério toca uma lira 11 cordas
Um músico sumério toca uma lira 11 cordas

PQP

Camille Saint-Saëns (1835-1921): Sonatas para Violino e Piano – Cecilia Zilliacus (violino) – Christian Ihle Hadland (piano) ֍

Camille Saint-Saëns (1835-1921): Sonatas para Violino e Piano – Cecilia Zilliacus (violino) – Christian Ihle Hadland (piano) ֍

Camille Saint-Saëns

Sonatas para Violino

Fantasia & Berceuse

Cecilia Zilliacus, violino

Christian Ihle Hadland, piano

Stephen Fitzpatrick, harpa

Neste disco temos as duas sonatas para ‘piano e violino’ de Camille Saint- Saëns, além de duas outras peças menores, interpretadas ao violino e harpa.

As duas sonatas não poderiam ser mais diferentes. A primeira é virtuosística, especialmente o hipnotizante último movimento, enquanto na segunda o equilíbrio entre os instrumentos é fundamental, com a escrita para piano ganhando uma direção diferente daquela usada por Camille em obras anteriores. Como podemos ver no livreto que acompanha os arquivos musicais, Saint-Saëns tinha bastante orgulho da primeira sonata, sobre a qual escreveu ao seu editor: ‘uma sonata semelhante a um cometa que devastará o universo semeando terror e resina em seu caminho’. Sobre a segunda sonata seu comentário foi: ‘ela só será compreendida depois da oitava audição’. Eu já estou quase chegando lá…

Cecilia Zilliacus

A interpretação neste disco é maravilhosa. A dupla Zilliacus e Ihle Hadland apresenta excelente entrosamento.  Eles são instrumentistas espetaculares. A introdução da resenha do disco feita na Gramaphone diz: […] as obras para violino, piano ou harpa oferecidas aqui são tocadas com fogo e comprometimento, e muitas vezes levadas ao limite.

A primeira sonata foi composta em 1885 e apresentada em um concerto da Société Nationale de Musique, pelo próprio Saint-Saëns e Martin-Pierre Marsick ao violino. O violino de Marsick era um Stradivarius de 1705 que foi também o instrumento de David Oistrakh entre 1966 e 1974. Essa sonata é contemporânea da Sinfonia com Órgão e tem quatro movimentos, que são tocados dois a dois em seguida.

Entre uma composição e outra, Camille explorava os arredores…

A segunda sonata foi composta em 1896 na cidade de Luxor, no Egito, enquanto Camille passava por lá suas férias, fugindo do frio inverno de Paris. A sonata foi composta logo após a composição do Concerto para Piano No. 5, ‘Egípcio’.

Saint-Saëns teve uma vida longa e ímpar. Demorou bastante para casar-se, mas não ficou muito tempo casado. O infortúnio da perda dos filhos certamente não ajudou a manter o casamento levando a separação. A partir daí ele essencialmente passou a fazer parte da família de Fauré, cujos filhos o viam como um tio solteirão. Daí em diante Camille passou a viajar muito. Fez bem mais do que cem viagens ao exterior da França, visitando quase trinta países. Mas o Egito, a Tunísia e a Argélia eram seus preferidos, onde passava os invernos do hemisfério norte. Como ele dizia: ‘Você embarca em um lindo navio em Marselha e 24 horas depois desembarca em Argel; e é sol, verde, flores, vida!’. Sua última viagem foi para Argélia, onde morreu em 1921. ‘No final de 1921, Saint-Saëns, de 86 anos, deu um recital bem recebido em Paris e depois partiu, como de costume, para a sua “hivernale” anual de inverno na Argélia. Mas no dia 16 de Dezembro desse ano, pouco depois de chegar ao seu querido Norte de África, sofreu um ataque cardíaco inesperado e morreu em Argel’.

Camille Saint-Saëns (1835 – 1921)

Violin Sonata No. 1 in D minor, Op. 75

  1. Allegro agitato
  2. Adagio
  3. Allegretto moderato
  4. Allegro molto

Violin Sonata No. 2 in E flat major, Op. 102

  1. Poco allegro, più tosto moderato
  2. Scherzo
  3. Andante
  4. Allegro grazioso. Non presto

Fantaisie for violin & harp, Op. 124

  1. Fantasie

Berceuse in B flat major Op. 38 (Arr. S. Fitzpatrick for Violin & Harp)

  1. Berceuse

Cecilia Zilliacus, violino

Christian Ihle Hadland, piano

Stephen Fitzpatrick, harpa

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MP3 | 320 KBPS | 219 MB

Christian gostou tanto de reaparecer no PQP Bach que sapecou um selfie…

Não deixe de visitar:

The Lark – Recital para Piano – Christian Ihle Hadland

Cecilia Zilliacus

Na seção ‘The Book is on the Table’: Here Cecilia Zilliacus offers us a violin tone that is vibrant and guttural at the same time. Her warm and sometimes wonderfully husky portamentos are such a beautiful complement to this music. But this isn’t just one kind of fearlessness – there is fire and there is ice. Pianist Christian Ihle Hadland offers the ice, the crystalline precision and sparkle: the lilting arpeggiations, the flashing passagework and the glittering cascades.

A combinação Zilliacus e Hadland é espetacular…

Aproveite!

René Denon

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Concertos para Piano K. 242, K. 365 e K. 315f – AAM, Robert Levin, Ya-Fei Chuang

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Concertos para Piano K. 242, K. 365 e K. 315f – AAM, Robert Levin,  Ya-Fei Chuang

Para os fãs das interpretações historicamente informadas, o nome de Robert Levin é bem conhecido. Trata-se de um exímio pianista, e musicólogo e desde 1993, professor em Harvard, que realizou diversas gravações com a Academy of Ancient Music, em seus áureos tempos com Christopher Hogwood como diretor, pelo saudoso selo L´Oiseau-Lyre, cujos lançamentos aguardávamos ansiosos ali em meados da década de 1980, principalmente suas gravações dos Concertos para Piano de Mozart.

A sonoridade dos instrumentos utilizados nas gravações em um primeiro momento nos deixou boquiabertos, não conhecíamos nada parecido. O som ao qual estávamos acostumados era o dos pianos Steinway, Bossenfelder ou Yamaha, e aquilo ali parecia muito seco, sem nenhuma amplitude sonora. E de Orquestras como Filarmônica de Berlim, de Viena, dentre outros grandes conjuntos europeus e norte americanos.   Eram outros tempos, não tínhamos Internet, nossa opção e talvez única forma de obter maiores informações era ler as matérias assinadas por ‘especialistas’ nos jornais e revistas da época. Então, quando estes LPs começaram a chegar aqui no Brasil, meio que virou uma febre. Aliados à qualidade das interpretações, outro detalhe a se destacar eram as capas.

Capa original do LP do selo LÓiseau-Lyre de gravação da dupla Levin/Hogwood.

Bem, e assim se passaram algumas décadas, e até mesmo aquele estilo de interpretação conhecido como historicamente informado evoluiu, muito devido a pesquisas de musicólogos como o próprio Robert Levin. Os instrumentos utilizados nesta gravação foram construídos baseados em um modelo de pianoforte que o próprio Mozart utilizava.

Ao lado de sua esposa, a também pianista Ya-Fei Chuang, Levin nos brinda com um belo CD para se ouvir o bom e velho Mozart como deveria soar lá no século XVIII. Quem nunca ouviu vai estranhar a sonoridade, não apenas do pianoforte, mas também da própria orquestra, criada há cinquenta anos por Christopher Hogwood exatamente para interpretações historicamente informadas. Atualmente ela é dirigida por Lawrence Cummings, e também já tem seu próprio selo.

Além dos conhecidos Concertos K. 242 (de nº 7) e do K. 365 (nº10), temos também uma rara gravação de uma obra que Mozart nunca concluiu, o K.Anh.56 (K315f), do qual se conheciam apenas fragmentos. A versão aqui apresentada foi reconstruída e concluida pelo próprio Robert Levin, mas com apenas um movimento. Trata-se de um Concerto para Piano e Violino, e aqui temos como solista o Spalla da AAM, Bojan Čičić. O colega René Denon já postou um CD desta mesma turma há alguns meses, que traz o imenso e poderoso Concerto de nº 21, o meu favorito e o de muita gente que conheço.

Ouvir Mozart sempre é um prazer para os ouvidos. E Robert Levin e sua turma aumenta ainda mais este prazer, nos proporcionando um Mozart leve, solto, divertido. Discaço, que vale e muito sua audição.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791): Concertos para Piano K. 242, K. 365 e K. 315f – AAM, Robert Levin, Ya-Fei Chuang

Concerto No. 7 For Two Pianos And Orchestra In F Major K242
1 I Allegro
2 II Adagio 7:57
3 III Rondo. Tempo Di Minuetto 5:47

4 Concerto Movement For Piano, Violin, And Orchestra In D Major KAnh56 (315f)
Composed By [Completed By] – Robert Levin

Concerto No. 10 In E-flat Major For Two Pianos And Orchestra K365 (316a)
5 I Allegro
6 II Andante
7 III Rondo. Allegro

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Florence Foster Jenkins – The Glory (???) of Human Voice

Florence Foster Jenkins – The Glory (???) of Human Voice

Obs. de PQP: Neste ano de 2016, o mundo falará muito em Florence Foster Jenkins. Afinal, Stephen Frears acaba de finalizar a cinebiografia desta absurda, patética e desafinadíssima cantora com Meryl Streep no papel principal. Ela é simplesmente hilariante. As plateias desenvolveram uma curiosa convenção. Quando ela chegava em momentos particularmente horríveis em que  eles tinham que rir, eles explodiam em aplausos e assobios para poderem rir livremente, sem machucar tanto a auto-estima — na verdade uma inabalável fortaleza — da pobre cantora. Ouçam o que ela consegue fazer nesta que é sua melhor gravação (não estou ironizando). Ouvir ‘A Faust Travesty’ é algo só para os fortes, mas ‘A Rainha da Noite’, ‘Biassy’ e ‘Like a Bird’ também quase me mataram. Mas deixemos a palavra para Das Chucruten.

Hoje vou postar uma pérola da indústria fonográfica do século XX, que de vez em quando deixa escapar suas máculas de maneira muito divertida. Esta é o que podemos chamar de raridade humorística da música.

Florence Foster Jenkins foi uma moça da alta sociedade americana, nascida ainda no final do séc.XIX, casada durante pouco tempo com um médico, e depois com um ator que virou seu empresário. Ao que parece sua família era muito rica e lhe permitiu manter-se de forma extravagante mesmo depois de uma separação. Consta que ela sempre quis ser cantora, mas nem seus pais nem seu marido deram bola, então ela resolveu seguir por conta própria. O resultado é que ela se autopromoveu e começou a organizar apresentações de canto às próprias custas.

Chamou a atenção dos críticos porque era totalmente desprovida de qualquer musicalidade mínima: não entendia a pulsação rítmica, era incapaz de manter-se no ritmo; não conseguia afinar-se minimamente e tinha uma pronúncia de língua estrangeira que beirava o ridículo. Não obstante, suas apresentações se tornaram “cult”, e, mesmo sabendo que o público ia assisti-la para o escárnio, dizia que os risos eram “inveja profissional”.

Pouco antes de morrer, em 1944, conseguiu apresentar-se no Carnegie Hall e gravou seu único disco de 78 rotações (aos 70 anos de idade!), que é a pérola que aqui vos apresento. O mérito do pianista acompanhador é grande, um verdadeiro malabarista que consegue, com maestria, seguir um motorista bêbado. O CD ainda tem umas faixas bônus com uma sátira ao Fausto de Gounod, cantado de forma invertida, e muito propriamente, chamado “A Faust Travesty”. Agradeço à minha amiga Ana Lucia pela introdução desta Diva na minha discografia

Abraços.

Meryl Streep como Florence em filme de Stephen Frears que será lançado este ano
Meryl Streep como Florence em filme de Stephen Frears que será lançado este ano

FLORENCE FOSTER JENKINS – THE GLORY (???) OF HUMAN VOICE / A FAUST TRAVESTY

01 Mozart: Die Zauberflöte, K 620 – Queen Of The Night Aria
02 Lyadov: Die Musikdose, Op. 32
03 Cosme McMoon: Like A Bird
04 Delibes: Lakme – Ou Va La Jeune Hindoue_
05 Cosme McMoon: Serenata Mexicano
06 David: La Perle Du Bresil – Charmant Oiseau
07 Bach,J.S. / Pavlov:  Biassy
08 Strauss, Jr.: Die Fledermaus – La Chauve-Souris_ Adele’s Laughing Son – Air D’adele – ‘mein Herr Marquis’
09 Gounod: A Faust Travesty: Valentine’s Aria (Ere I Leave My Native Land)
10 Gounod: A Faust Travesty: Jewel Song (O Heavenly Jewels)
11 Gounod: A Faust Travesty: Salut, Demeure Chaste Et Pure (Emotions Strange)
12 Gounod: A Faust Travesty: Final Trio (My Heart Is Overcome With Terror)

Florence Foster Jenkins, Soprano
Cosme McMoon, pianist
Jenny Williams – Thomas Burns, singing the Faust parody

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LINK ALTERNATIVO

Ela, a Diva
Ela, a Diva

Chucruten
Repostado por PQP
Trepostado por Bisnaga
Quadripostado por PQP

.: interlúdio :. Elza Soares & Wilson das Neves (1968)

Dois anos sem Elza Soares

Elza Soares: uma cantora que iniciou sua carreira no auge da bossa nova, mas não era nada bossa-nova. Foi o que falei na postagem em sua homenagem, há dois anos. Este disco de 1968 refutaria essa ideia? Afinal, mais ou menos metade das canções aqui reunidas fizeram sucesso em gravações de João Gilberto, Astrud Gilberto, Sergio Mendes e outros expoentes da bossa nova… Mas não, isso só mostra a personalidade de Elza ao pegar música que já era famosa e mudar tudo, principalmente tirando aquele certo doce balanço, aquela calma do violão bossa-nova, aquele Balanço Zona Sul – nome da primeira faixa do álbum – e subverter tudo com sua voz mais potente do que intimista, a bateria também barulhenta de Wilson das Neves e arranjos de metais meio jazzísticos. Aliás, o autor dos arranjos de metais é Nelsinho (1927-1996) e os nomes dos outros músicos não constam nos créditos do LP e se perderam na noite dos tempos.

Para constatar que Elza não é bossa nova, basta comparar, na canção O Pato, o scat singing de Elza, comparável ao das grandes musas do jazz, com a suave versão de João Gilberto, perfeita para se ouvir, digamos, deitado na rede. Os dois são geniais, não se trata aqui de uma disputa entre dois times de futebol, é claro. “O Pato”, aliás, é uma canção de Jaime Silva e Neuza Teixeira, composta no fim da década de 1940, mas se tornou mais conhecida após a gravação de João Gilberto para o seu segundo álbum, O Amor, o Sorriso e a Flor, de 1960.

A participação do baterista Wilson das Neves (1936-2017) abrilhanta o disco, a tal ponto que ele figurou na capa, um tanto embranquecido com truques de maquiagem e iluminação, assim como Elza. Wilson foi um nome da maior importância no samba e na bossa nova, tanto pelos inúmeros grupos em que tocou, como também por suas próprias composições. Não tão conhecido do grande público, Wilson era adorado por gente como Chico Buarque, que tinha o ritmo do baterista em todas as suas turnês de 1982 a 2012.

No meio de outros clássicos que nem preciso apresentar aqui – Garota de Ipanema, Deixa isso pra lá, lançada por Jair Rodrigues em 1964… – gostaria de dedicar mais algumas palavras a Mulata assanhada, samba de Ataulfo Alves (1909-1969). Autor também de Ai meu Deus que saudades da Amélia (este último, com Mario Lago), Ataulfo teve o azar de ter seus dois maiores sucessos “cancelados” em décadas mais recentes. A Amélia, por ter virado sinônimo de mulher submissa, obediente, nada a ver com Elza Soares e outras mulheres que admiramos hoje em dia. E sobre a “mulata assanhada”, o fato de que essas palavras vêm caindo em desuso é o menor dos senões: a letra toda pode causar vertigens em públicos acostumados com um repertório mais pasteurizado, entretenimento que não incomoda ninguém, com emoções limitadas e frias como uma sala de hospital. E Elza Soares, repito, é tão distante de um repertório morno como da obediência de uma Amélia.

Ataulfo Alves: quando jovem e quando velho

Elza Soares / Baterista: Wilson Das Neves (1968)
1 Balanço Zona Sul (Tito Madi)
2 Deixa isso pra lá (Alberto Paz, Edson Menezes)
3 Garota de Ipanema (Antonio Carlos Jobim, Vinicius De Moraes)
4 Edmundo – In the mood (Joe Garland/Andy Razaf/ versão Aloysio de Oliveira)
5 O Pato (Jayme Silva, Neuza Teixeira)
6 Copacabana (Alberto Ribeiro, João de Barro)
7 Teleco Teco nº 2 (Nelsinho/Oldemar Magalhães)
8 Saudade da Bahia (Dorival Caymmi)
9 Samba de verão (Marcos Valle/Paulo Sérgio Valle)
10 Se acaso você chegasse (Lupicínio Rodrigues/Felisberto Martins)
11 Mulata assanhada (Ataulfo Alves)
12 Palhaçada (Luiz Reis/Haroldo Barbosa)

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Chico Buarque e Wilson das Neves, 1994

Pleyel

FRÉDÉRIC CHOPIN (1810-1849) – PIANO CONCERTOS NOS. 1 & 2 – Ekaterina Litvintseva

Já fazia algum tempo que eu não trazia uma gravação dos Concertos para Piano de Chopin, nossos tão amados e queridos concertos. E hoje trago a nova geração, com todo respeito aos nossos ídolos do passado, principalmente Arthur Rubinstein, que continua a figurar no Olimpo dos grandes intérpretes destes Concertos, e mais atual, a maravilhosa Yuliana Avdeva.

Ekaterina Litvintseva nasceu a beira do Estreito de Behring, observando a neve de sua janela, afinal a moça cresceu quase no Pólo Norte. Aquela paisagem de gelo quase eterno, entremeada pela tundra no Verão influenciou a menina, que logo cedo começou a estudar piano, e aos 15 anos mudou-se para Moscou, onde foi estudar na Colégio Estatal de Música Frederic Chopin, e dali foi estudar na Alemanha. ” she acquired a new, analytical perspective on playing piano and drew on her experiences in Russia to develop her highly distinctive pianistic style (texto extraido, traduzido e adaptado do livreto e do site da pianista).

A verdade é que sou apaixonado por estes concertos, principalmente pelo primeiro. e foi exatamente este estilo mais analítico e de alguma forma, profundamente internalizado da artista o que mais me cativou nestas gravações. Entendido que não me refiro ao lado emotivo da interpretação, mas sim, ao lado seu lado mais racional e cerebral. Acostumado que estou a Rubinstein, por exemplo, ouvir uma interpretação mais ‘racional’ de uma obra tão escancaradamente romântica me deixa feliz. É quase como ouvir outra obra.

Posso estar exagerando? Talvez, meu lado mais emotivo está um tanto quanto resguardado neste final de ano (escrevo este texto exatamente no dia 31 de dezembro de 2023), talvez seja a idade, sei lá. Só sei que a música de Chopin me deixa assim, poucos compositores foram tão a fundo na compreensão da alma humana, e o mais incrível, o rapaz viveu apenas 39 anos.

01. Piano Concerto No. 1 in E Minor, Op. 11 I. Allegro Maestoso
02. Piano Concerto No. 1 in E Minor, Op. 11 II. Larghetto
03. Piano Concerto No. 1 in E Minor, Op. 11 III. Rondo. Vivace
04. Piano Concerto No. 2 in F Minor, Op. 21 I. Maestoso
05. Piano Concerto No. 2 in F Minor, Op. 21 II. Larghetto
06. Piano Concerto No. 2 in F Minor, Op. 21 III. Allegro Vivace

Ekaterina Litvintseva piano
Czech Chamber Philharmonic Orchestra Pardubice
Vahan Mardirossian conductor

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Prokofiev (1891-1953): Concertos para piano Nº 1 & 3 / Bartók (1881-1945): Concerto para piano Nº 3 (Argerich / Dutoit)

Prokofiev (1891-1953): Concertos para piano Nº 1 & 3 / Bartók (1881-1945): Concerto para piano Nº 3 (Argerich / Dutoit)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Talvez, quem sabe?, este seja um dos melhores CDs que já postei aqui. Na minha opinião é, sem dúvida. Como dois parênteses, dois extraordinários Concertos para Piano de Prokofiev cercam o Concerto Nº 3 do maior compositor do século XX (provocação gratuita do bem, mesmo que expresse minha opinião real, àqueles que votam em Stravinsky, outro gênio indiscutível). Ao piano, Marthita em sua melhor forma. Na última vez em que veio à Porto Alegre, pedi-lhe dois autógrafos, um num antigo vinil onde interpretava peças para dois pianos junto com Nelson Freire — ela olhou para a capa e gritou “Nossa, eu um dia fui jovem, eu era um pouco mais bonita do que a bruxa de hoje, não?”, ao que assenti com entusiasmo… — e este que posto hoje — “Nossa, neste aqui eu tocava muito bem!”, e caiu na gargalhada, completando: “Gravamos tudo rapidamente. Foi perfeito. Gastamos mais tempo conversando e tirando as fotos em preto e branco para o CD”.

Tinha razão, foi tudo perfeito. O que Martha Argerich faz nestes três concertos em termos de virtuosismo e temperatura emocional é efetivamente espantoso, apenas repetível sob outra forma, tão pessoal é sua abordagem.

Não é um CD normal este que você vai baixar hoje.

Prokofiev (1891-1953): Concertos para piano Nº 1 & 3 / Bartók (1881-1945): Concerto para piano Nº 3 (Argerich / Dutoit)

Prokofiev – Piano Concerto No. 1 in D flat Op. 10
1. First movement: Allegro brioso 6:57
2. Second movement: Andante assai 4:34
3. Third movement: Allegro scherzando 4:31

Bartók – Concerto for Piano and Orchestra No. 3 Sz119
4. First movement: Allegretto 7:22
5. Second movement: Adagio religioso -[poco più mosso] – tempo I 10:45
6. Third movement: Allegro vivace – [presto] 6:50

Prokofiev – Piano Concerto No. 3 in C Op. 26
7. First movement: Andante – Allegro 9:43
8. Second movement: Tema (Andatino) and Variations 9:39
9. Third movement: Allegro ma non troppo – meno mosso – Allegro 9:51

Martha Argerich, piano
Orchestre Symphonique De Montréal
Charles Dutoit

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PQP

Robert Schumann (1809-1856): Pollini plays Schumann — Davidsbündlertänze / Concert sans orchestre / Kreisleriana / Allegro Op. 8 / Gesänge der Frühe

Robert Schumann (1809-1856): Pollini plays Schumann — Davidsbündlertänze / Concert sans orchestre / Kreisleriana / Allegro Op. 8 / Gesänge der Frühe

Decidi, hoje à noite, ouvir uma melodia doce, em quadros minúsculos. Os universos sinfônicos são extensos demais para esta noite. Quero retratos pequenos. Devaneios. Por isso, desejei apreciar a música de Robert Schumann, com o mago do piano Maurizio Pollini. Adjetivos são dispensáveis para algo assim. Sempre penso que existe um intervalo de silêncio na música de Schumann. As melodias são inexplicáveis. Schumann era um grande melodista. Essa desconfiança se confirma em Chopin, mas Schumann possui peças em que essa percepção se adensa — Kresleriana, Cenas Infantis, Cenas da Floresta, Carnaval etc. Penso que ele, Mozart, Chopin e Tchaikovsky tenham sido os maiores melodistas que surgiram.  Schumann possui uma linguagem carregada de sentimento e reflexão. Mas como estou bastante cansado esta noite, dispensarei os colóquios flácidos. Trabalhei o dia todo e quase não consegui escrever estas palavras. Mas, ouçamos este baita CD com o Pollini. Uma boa apreciação!

Robert Schumann (1809-1856): Pollini plays Schumann — Davidsbündlertänze / Concert sans orchestre / Kreisleriana / Allegro Op. 8 / Gesänge der Frühe

DISCO 01

Davidsbündlertänze Op.6
01. I- Lebhaft
02. II- Innig
03. III- Etwas hahnbüchen
04. IV- Ungeduldig
05. V- Einfach
06. VI- Sehr rasch und sich hinein
07. VII- Nicht schnell und mit äußerst starker Empfindung
08. VIII- Frisch
09. IX- Crotchet = 126
10. X- Balladenmässig, sehr rasch
11. XI- Einfach
12. XII- Mit Humor
13. XIII- Wild und lustig
14. XIV- Zart und singend
15. XV- Frisch
16. XVI- Mit gutem Humor
17. XVII- Wie aus der Ferne
18. XVIII- Nicht schnell

Concert sans orchestre Op.14
19. I- Allegro brillante
20. II- Quasi Variazioni. Andantino de Clara Wieck
21. III- Prestissimo possible

DISCO 02

Allegro in B minor Op.8 (1831)
01. Allegro in B minor Op.8 (1831)

Kreisleriana Op.16
02. I- Äusserst bewegt
03. II- Sehr innig
04. III- Sehr aufgeregt
05. IV- Sehr langsam
06. V- Sehr lebhaft
07. VI- Sehr langsam
08. VII- Sehr rasch
09. VIII- Schnell und spielend

Gesänge der Frühe Op.133
11. I- Im ruhigen Tempo
12. II- Belebt, nicht zu rasch
13. III- Lebhaft
14. IV- Bewegt
15. V- Im anfange ruhges, im Verlauf beweg

Maurizio Pollini, piano

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Maurizio Pollini (1942)

Carlinus

Robert Schumann (1810-1856): Liederkreis, Dichterliebe – P. Schreier, tenor; A. Schiff, piano

Música de câmara boa é aquela marcada por um certo clima de intimidade: menos carregado, menos intenso ou sério do que um grandioso concerto de Tchaikovsky ou sinfonia de Bruckner. O tenor alemão Peter Schreier, já então um senhor de mais de sessenta anos com uma carreira cheia de sucessos em óperas de Wagner e Mozart e paixões de Bach, reuniu-se em 2002 com András Schiff – que tinha menos de 50 – para esse recital inteiro dedicado a Lieder de Schumann. Em português: canções. Outras notáveis vozes como o barítono D. Fischer-Dieskau e a soprano Jessye Norman provavelmente fizeram gravações dessas obras com mais virtuosismo vocal, mais precisão nas subidas e descidas, mas também com certos exageros e arroubos que soam melhor em árias de ópera… Aqui nesta gravação, a voz de Schreier soa humana, muito humana, ou seja: limitada, imperfeita, o que é um diferencial em nossos tempos de gravações perfeitíssimas tanto nos clássicos quanto na música pop de autotune e shows com playback. (Breve parêntesis pra falar de outro grande cantor maduro: nos shows no Maracanã em dezembro de 2023 aos 81 anos, Paul McCartney também mostrou uma voz bastante humana e bem cuidada, mas em uns 10% das canções havia algum playback? Ou não?)

Schreier e Schiff às vezes se rendem brevemente ao estrelismo característico de intérpretes famosos mas logo depois, como aquelas flores que se fecham à noite, se seguram nos vários momentos suaves com dinâmica marcada piano. Aliás, boa parte das temáticas das canções de Schumann são romanticamente noturnas com títulos como “Noite de luar”, “Diálogo na floresta” e “Noite de Primavera”.

E uma característica comum em todos os ciclos de Lieder de Schumann é a escrita para piano sempre interessante: o pianista não está apenas acompanhando o cantor, sempre tem seus momentos de brilho com alguns ritmos, manias, trejeitos bem típicos do Schumann das obras para piano solo como o Carnaval, as Sonatas ou a Kreisleriana.

Com seu jeito de tocar pontuando as frases musicais com um certo humor húngaro discreto mas quase constante, András Schiff tem uma afinidade especial com certos compositores: Bartók, claro, mas também os barrocos Bach e Scarlatti e os centro-europeus Haydn e Schumann. O mais comum é que Schiff faça mesmo os momentos mais carregados em termos intelectuais (no Bach) ou em termos emocionais (no Schumann) com uma pitada do mesmo sarcasmo que aparece no Bartók. Respeitando os estilos de cada compositor, claro, apenas adicionando um leve tempero exótico.

Robert Schumann (1810-1856):
1-9. Liederkreis, Op. 24 (poemas de Heinrich Heine)
10-21. Liederkreis, Op. 39 (poemas de Joseph von Eichendorff)
22-37. Dichterliebe, Op. 48 (poemas de Heinrich Heine)

Peter Schreier (1935 – 2019) – tenor
András Schiff (n. 1953) – piano
Recorded: Lukaskirche, Dresden, 2002

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Pleyel

Francis Poulenc (1899-1963): Concerto para Órgão / Concerto Campestre / Suíte Francesa (Lefebvre, Chojnacka, Orch. Lille, Casadesus)

Francis Poulenc (1899-1963): Concerto para Órgão / Concerto Campestre / Suíte Francesa (Lefebvre, Chojnacka, Orch. Lille, Casadesus)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Aposto que vocês pensavam que Poulenc fosse propriedade privada de René Denon, né? Mas não é! E este é um estupendo CD gravado por uns franceses que demonstram conhecer DEMAES um de seus mais importantes compositores NACIONAES. O Concerto para Órgão (1938) é uma joia, o para Cravo (Campestre, de 1928) nem se fala, a Suíte, de 1935, também é ótima. A música de Poulenc — viva, eclética e ao mesmo tempo muito pessoal — é melodiosa e embelezada por dissonâncias do século XX. O cara tem talento, elegância, profundidade de sentimento e um doce-amargo derivado da sua personalidade ao mesmo tempo alegre e melancólica. Poulenc repleto de sons novos e aqui está transbordante de bom humor. Aproveitem!

Francis Poulenc (1899-1963): Concerto para Órgão / Concerto Campestre / Suíte Francesa (Lefebvre, Chojnacka, Orch. Lille, Casadesus)

Concerto para Órgão em Sol Menor, FP 93
1 Andante- 03:10
2 Allegro giocoso – 02:14
3 Subito andante moderado – 07:19
4 Tempo allegro, muito agitado – 02:49
5 Très calme: Lent – 02:20
6 Tempo de allegro initial – 02:09
7 Introdução do tempo: Largo 03:03

Concerto Campestre, FP 49
8 I. Allegro molto. Adágio. Allegro muito 10:16
9 II. Andante: Movimento da Sicília 05:27
10 III. Finale: Presto 07:59

Suite Francesa de Apres Claude Gervaise
11 I. Bransle de Borgonha 01:24
12 II. Pavane 02:34
13 III. Pequena marcha militar 01:09
14 IV. Complainte 01:40
15 V. Bransle de Champagne 01:55
16 VI. Siciliana 01:48
17 VII. Carrilhão 01:36

Tempo total: 58:52

Órgão: Lefebvre, Philippe
Cravo: Chojnacka, Elisabeth
Orquestra(s): Orquestra Nacional de Lille
Regente: Casadesus, Jean-Claude

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Poulenc com o megacravo Pleyel de Wandoka Landowska

PQP

Camille Saint-Saëns (1835-1921): Piano Concertos – Gabriel Tacchino, Orchestra of Radio Luxembourg, Louis de Froment

Camille Saint-Saëns (1835-1921): Piano Concertos – Gabriel Tacchino, Orchestra of Radio Luxembourg, Louis de Froment

Temos aqui um pacotaço com os 5 Concertos para Piano de Saint-Saëns, esse compositor tão interessante, e que aparece tão pouco cá pelas bandas do PQPBach, o que realmente é uma pena. Suas obras são belíssimas, inovadoras, conforme Franz Liszt observou, após o fracasso da primeira apresentação de seu segundo concerto:

‘I’d like to thank you again for your Second Concerto, of which I warmly approve. The form is new, and very successful; it becomes increasingly interesting as its three movement proceed, and you take due account of the effect that can be achieved by the pianist without sacrificing any of the composer’s ideas – an essential rule in this kind of work.’

Em outras palavras, Liszt enxergou o ‘revolucionário’ da obra, a partir do momento em que o compositor deixou de lado a forma tradicional e inovou em sua composição. Seguiram-se a este segundo mais três concertos, somando cinco no total.

E é com esta integral que inauguro minhas participações no PQPBach em 2024, ano em que estaremos completando a maioridade. Adoro essa virada dos séculos XIX e XX, exatamente por estas inovações que ocorriam na História da Música, principalmente na França. Debussy, Franck, Poulenc, Fauré, Saint-Saëns, entre outros (mesmo que esse fosse de uma geração anterior, mas foi um compositor que não se rendeu a estilos ‘amarrados’, ao contrário, inovou, e muito).

Os Concertos são bem diferentes entre si. O pianista francês Gabriel Tecchino nasceu em 1934 e foi aluno de ninguém mais, ninguém menos do que François Poulenc, se tornando um dos principais intérpretes do século XX, se especializando no repertório francês, mas não se limitando a ele. Gravou Beethoven, Liszt, Chopin, Mozart, sempre deixando sua marca nestas gravações.

O lendário maestro francês Louis de Froment o acompanha nesta empreitada, realizada no final dos anos 70 e restaurado pelo selo Brilliant Classics.

Camille Saint-Saëns (1835-1921) – Piano Concertos – Gabriel Tacchino, Orchestra of Radio Luxembourg, Louis de Froment

01. Piano Concerto No. 1 in D major, Op. 17 I. Andante – Allegro assai
02. Piano Concerto No. 1 in D major, Op. 17 II. Andante sostenuto quasi adagio
03. Piano Concerto No. 1 in D major, Op. 17 III. Allegro con fuoco

04. Piano Concerto No. 2 in G minor, Op. 22 I. Andante sostenuto
05. Piano Concerto No. 2 in G minor, Op. 22 II. Allegro scherzando
06. Piano Concerto No. 2 in G minor, Op. 22 III. Presto

07. Piano Concerto No. 4 in C minor, Op. 44 I. Allegro moderato
08. Piano Concerto No. 4 in C minor, Op. 44 II. Allegro vivace

09. Piano Concerto No. 3 in E-Flat Major, Op. 29 I. Moderato assai
10. Piano Concerto No. 3 in E-Flat Major, Op. 29 II. Andante – III. Allegro non troppo

11. Piano Concerto No. 5 in F Major, Op. 103 Egyptian I. Allegro animato
12. Piano Concerto No. 5 in F Major, Op. 103 Egyptian II. Andante
13. Piano Concerto No. 5 in F Major, Op. 103 Egyptian III. Molto allegro
14. Piano Concerto No. 5 in F Major, Op. 103 Egyptian Fantasy for Piano and Orchestra, Op. 89 Africa

Gabriel Tacchino – Piano
Orchestra of Radio Luxembourg
Louis de Froment – Conductor

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FDP

Shostakovich: Concerto para Violoncelo e Orq. Nº 2 / Prokofiev: Sinfonia Concertante para Violoncelo e Orq. (Harrell, Schwarz, Royal Liverpool Phil Orch)

Shostakovich: Concerto para Violoncelo e Orq. Nº 2 / Prokofiev: Sinfonia Concertante para Violoncelo e Orq. (Harrell, Schwarz, Royal Liverpool Phil Orch)

Um disquinho bem mais ou menos. Um Shostakovich molenga e um Prokofiev mais ou menos. Harrell e Schwarz ficam a léguas de Rostropovich e Ozawa e a quilômetros disto aqui (Gabetta e Mäkelä). Acho que não é música pra eles, porque, por exemplo, eu me desmilinguo ouvindo Harrell tocando as Sonatas de Brahms para Violoncelo e Piano e aqui não acontece nada. Fui ler outras críticas para ver se estava muito errado e a Gramophone me tranquilizou ao chamar o Shosta de molenga e o Prokofiev de… Nem lembro mais. Harrell é um mestre, mas talvez se saia melhor entre os românticos.

Shostakovich: Concerto para Violoncelo e Orq. Nº 2 / Prokofiev: Sinfonia Concertante para Violoncelo e Orq. (Harrell, Schwarz, Royal Liverpool Phil Orch)

Cello Concerto No. 2 In G Major Op. 126
Composed By – Dmitri Shostakovich
(34:20)
1 I. Largo 13:42
2 II. Allegretto — 4:40
3 III. Allegretto 15:58

Symphony-Concerto For Cello And Orchestra In E Minor Op. 125
Composed By – Sergei Prokofiev
(38:03)
4 I. Andante 10:14
5 II. Allegro Giusto 17:26
6 III. Andante Con Moto — Allegretto — Allegro Marcato 10:23

Violoncelo – Lynn Harrell
Orchestra – Royal Liverpool Philharmonic Orchestra
Conductor – Gerard Schwarz

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Saudades da Sol Gabetta

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W. A. Mozart (1756-1791): Divertimentos K. 287 e 131 (Capella Istropolitana / Nerat)

W. A. Mozart (1756-1791): Divertimentos K. 287 e 131 (Capella Istropolitana / Nerat)

Dois dos melhores Divertimentos de Mozart. O Divertimento K. 287 é formado por seis movimentos tranquilos e gentis, sendo que seu Adágio (4º mov.) tem uma melodia sublime, do melhor Mozart. Não me canso de ouvi-lo. Diga-se de passagem que o K. 131 também apresenta seis movimentos… A performance da Capella Istropolitana é, como sempre, de alto nível. Hoje, eles foram rebatizados como Orquestra de Câmara da Cidade de Bratislava. Aquela região sabe o que é um bom Mozart. Aliás, sabem que Bratislava já foi chamada de Istrópolis? Bem, o Divertimento é uma forma musical que se caracteriza pela leveza. Pode ser composto para um ou vários instrumentos e consta em geral de uma série de movimentos alternados e livres. O termo indica, sobretudo na França, um intermezzo com dança, que no século XVII e XVIII se inseria nas óperas e comédias-balés.

W. A. Mozart (1756-1791): Divertimentos K. 287 e 131 (Capella Ostropolitana / Nerat)

Divertimento No. 15 in B flat major, K. 287, “Lodron Night Music No. 2”
Performed by: Capella Istropolitana
Conducted by: Harald Nerat
1. I. Allegro 09:42
2. II. Andante grazioso con variazioni 08:35
3. III. Menuetto 03:41
4. IV. Adagio 08:35
5. V. Menuetto 04:12
6. VI. Andante – Allegro molto 08:05

Divertimento in D major, K. 131
Performed by: Capella Istropolitana
Conducted by: Harald Nerat
7. I. Allegro 05:19
8. II. Adagio 06:10
9. III. Menuetto 05:35
10. IV. Allegretto 03:06
11. V. Menuetto 04:09
12. VI. Adagio – Allegro molto – Allegro assai 06:12

Total Playing Time: 01:13:21

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Bratislava, meu amigo

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Maurice Ravel (1875–1937): Música para Piano Solo (completa) (Gordon Fergus-Thompson)

Maurice Ravel (1875–1937): Música para Piano Solo (completa) (Gordon Fergus-Thompson)

Bio curtinha, retirada da Wikipedia:

Joseph-Maurice Ravel (Ciboure, 7 de março de 1875 – Paris, 28 de dezembro de 1937) foi um compositor e pianista francês, conhecido sobretudo pela sutileza, das suas melodias instrumentais e orquestrais, entre elas, o Bolero, que considerava trivial e descreveu-o como “uma peça para orquestra sem música”.

Começou a manifestar interesse pela música aos 7 anos. Desde então dedicou-se ao estudo do piano, mas só começou a frequentar o Conservatório de Paris aos 14. Posteriormente, em 1895, passou a estudar só e retornou ao Conservatório em 1898, quando estudou composição com Gabriel Fauré. Concorreu no Prix de Rome, mas não foi bem sucedido.

Foi influenciado significativamente por Debussy, mas também por compositores anteriores, como Mozart, Liszt e Strauss, mas logo encontrou seu próprio estilo, que ficou, porém, marcado pelo Impressionismo.

É mundialmente conhecido pelo seu Bolero, ainda hoje a obra musical francesa mais tocada no mundo. A composição foi encomendada pela bailarina Ida Rubistein e estreou na Ópera de Paris em 1928.

Faleceu das conseqüências de um acidente de táxi ocorrido em 1932. Durante o período que precedeu a sua morte, havia perdido parte da sua capacidade de compor devido às lesões cerebrais causadas pelo acidente. A sua inteligência sempre se manteve intacta mas o seu corpo já não respondia adequadamente tendo sofrido de graves problemas motores.

Eu gosto muito da música orquestral de Ravel, mas não sou exatamente tarado por sua obra pianística. O Ravel que me interessa e que considero imortal é o notável orquestrador e compositor, não o de obras de câmara. FDP Bach já postou estas mesmas composições num CD duplo de Bavouzet. Eu acho que esta aqui é uma second choice. A postagem do FDP é superior. Mas a gente gosta de ouvir muita música e de variedade, não é assim?

Enjoy!

Maurice Ravel (1875–1937): Música para Piano Solo (completa) (Gordon Fergus-Thompson)

CD 1

1. Modere – Tres Franc (Valses Nobles Et Sentimentales)
2. Assez Lent (Valses Nobles Et Sentimentales)
3. Modere (Valses Nobles Et Sentimentales)
4. Assez Anime (Valses Nobles Et Sentimentales)
5. Presque Lent (Valses Nobles Et Sentimentales)
6. Vif (Valses Nobles Et Sentimentales)
7. Moins Vif (Valses Nobles Et Sentimentales)
8. Epilogue – Lent (Valses Nobles Et Sentimentales)
9. Ondine (Gaspard De La Nuit)
10. Le Gibet (Gaspard De La Nuit)
11. Scarbo (Gaspard De La Nuit)
12. Jeux D’eau
13. Prelude (Le Tombeau De Couperin)
14. Fugue (Le Tombeau De Couperin)
15. Forlane (Le Tombeau De Couperin)
16. Rigaudon (Le Tombeau De Couperin)
17. Menuet (Le Tombeau De Couperin)
18. Toccata (Le Tombeau De Couperin)

CD 2

1. Prelude Miroirs
2. Noctuelles
3. Oiseaux Tristes
4. Une Barque Sur L’ocean
5. Alborada De! Sracioso
6. La Vallee Des Cloches
7. Menuet Sur Le Nom De Haydn
8. Menuet Antique
9. Serenade Grotesque Sonatine
10. Modere
11. Mouvement De Menuet
12. Anime
13. Borodine (A La Maniere De…)
14. Emmanuel Chabrier (A La Maniere De…)
15. Pavane Pour Une Infante Defunte

Gordon Fergus-Thompson, piano

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A perfeita naturalidade de uma foto posada

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The Island Of St. Hylarion – Music of Cyprus (1413-1422) (Ensemble Project Ars Nova — PAN)

The Island Of St. Hylarion – Music of Cyprus (1413-1422) (Ensemble Project Ars Nova — PAN)

Belíssimo e delicado disco da música antiga da ilha de Chipre. As sonoridades do Chipre dos inícios do século XV, recuperadas a partir de um manuscrito anônimo encontrado em uma biblioteca de Turim são absolutamente incríveis. A ilha foi invadida por Ricardo Coração de Leão em 1198 e, então, houve também a introdução da música polifônica na ilha. São impressionantes a pureza dos sons das vielas de roda, dos alaúdes, dos trompetes e dos três gêneros de vozes do CD – contratenor, tenor e mezzo-soprano. A variedade e qualidade da música cipriota – sob seus invasores ocidentais… – é surpreendente. Obrigatório para quem gosta de música antiga.

The Island Of St. Hylarion – Music of Cyprus (1413-1422)

1. Rondeau: Contre dolour (voice, harp)
2. Canonic rondeau: Tousjours (lute, harp, 2 vielles, corno muto)
3. Ballade: Aspre fortune (2 voices, vielle)
4. Ballade: Qui de fortune (2 vielles, lute)
5. Virelai: Je prens d’amour (voice, 2 vielles)
6. Bonne e belle (lute)
7. Rondeau: Qui n’a le cuer (2 voices)
8. Ballade: J’ai mon cuer (2 vielles)
9. Ballade: J’ai maintes fois (lute, harp)
10. Ballade: Moult fort me plaist (voice, 2 vielles, lute)
11. Danse d’Abroz (vielle, lute)
12. Ballade: Pymalion qui moult subtilz estoit (voice, lute, harp)
13. Motet: De magne Pater
Ballade: Si doucement (lute, harp, 2 vielles)
14. Antiphon: Anna parens matris (voices)
Motet: Alma parens natal / O Maria stella maris (3 voices, slide trumpet)
15. Antiphon: O Virgo virginum
Motet: O sacra virgo virginum / Tu nati nata suscipe (voices)
16. Antiphon: Hodie Christus natus est
Motet: Hodi peur nascitur / Homo mortalis firmiter (voices)

(1-13 Anonymous, from a Cyprus Manuscript
14-16 from the famous cycle of Cypriot “O” antiphons. )

Performers:
Michael Collver (countertenor, corno muto)
John Fleagle (tenor, harp)
Shira Kammen (vielle)
Laurie Monahan (mezzosoprano)
Crawford Young (lute)
Peter Becker (tenor)
Karen Clark-Young (mezzosoprano)
Randall Cook (vielle)
Steven Lundahl (slide trumpet)
Margaret Raines (mezzosoprano)

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La Serenissima no Chipre: ops! (1474/89)

PQP

.: interlúdio :. Pat Metheny Group: Offramp (1981)

.: interlúdio :. Pat Metheny Group: Offramp (1981)

IM-PER-DÍ-VEL !!!!

Por incrível que pareça, nunca tínhamos postado este álbum antes. É um dos discos de jazz de que mais gosto. Na verdade, gosto dele desde a capa com um sugestivo, imenso e nada casual Turn Left. Se seus pontos altos são Au Lait e James, não podemos esquecer a merecida popularidade da sensacional bossanovista Are you Going with Me?, um dos poucos casos modernos onde a qualidade acompanhou as grandes vendas.

A guitarra sintetizada, marca registrada do Metheny dos primeiros anos está em todo o disco desde Barcarola e é decisiva em Are you Going with Me?. O pianista Lyle Mays dá tons aveludados a Au Lait, que traz Nana Vasconcelos percutindo, apitando e falando “Você é linda” e “Eu te amo tanto, tanto, tanto”, além de outras coisas. Poucos sabem que James é uma homenagem ao cantor e compositor James Taylor. Tema lindo, perfeito, relaxante, com novo show de Mays. Offramp é altamente melódico, mas, mesmo assim, nota-se aqui e ali a presença de um guitarrista que tem como mestres Ornette Coleman e o free jazz.

CD da ECM. Eu me entrego: Manfred Eicher, ich liebe dich.

Pat Metheny Group – Offramp

1. Barcarole [3:15]
(Metheny/Mays/Vasconcelos)
2. Are You Going With Me? [8:47]
(Metheny/Mays)
3. Au Lait [8:28]
(Metheny/Mays)
4. Eighteen [5:05]
(Metheny/Mays/Vasconcelos)
5. Offramp* [5:55]
(Metheny/Mays)
6. James [6:41]
(Metheny/Mays)
7. The Bat Part 2 [3:50]
(Metheny/Mays)

Pat Metheny – guitar synthesizer, guitar, synclavier guitar
Lyle Mays – piano, synthesizer, autoharp, organ, synclavier
Steve Rodby – acoustic & electric bass
Dan Gottlieb – drums
Nana Vansconcelos – percussion, voice, berimbau

Recorded October 1981 at Power Station, New York
Engineers: Jan Erik Kongshaug, *Gragg Lunsford
Assistant Engineer: Barry Bongiovi
Mixed at Talent Studio, Oslo
Mixing Engineer: Jan Erik Kongshaug
Produced by Manfred Eicher

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A turma de Offramp

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Dmitri Shostakovich (1906–1975): Sinfonias 2, 3, 12 & 13 “Babi Yar” (Andris Nelsons & Boston Symphony Orchestra)

Dmitri Shostakovich (1906–1975): Sinfonias 2, 3, 12 & 13 “Babi Yar” (Andris Nelsons & Boston Symphony Orchestra)

Estava escrito que o último álbum da integral de Nelsons e da Boston seria “estranho”, pois juntaria as três piores sinfonias de Shosta com uma indiscutível obra-prima.  Pois a Nº 2 e a 3 são irrevelantes, a 12 é um escorregão — nada contra um compositor escrever uma Sinfonia chamada O Ano de 1917 e dedicá-la À Memória de Lênin, até pelo contrário, o problema é que a música é ruim mesmo! — e então sim, chega a sob todos os aspectos notável Sinfonia Nº 13, Babi Yar. A gravação de Nelsons para a 13ª trai um enorme trabalho. Ele se esmerou mesmo! É difícil bater esta versão.

A Sinfonia Nº 13, Op. 113, para baixo solista, coro de baixos e grande orquestra foi composto por Dmitri Shostakovich em 1962. Consiste em cinco movimentos, cada um deles um cenário de um poema de Yevgeny Yevtushenko que descreve aspectos da história e da vida soviética. Embora a sinfonia seja comumente referida pelo apelido de Babi Yar, tal subtítulo não é utilizado na partitura manuscrita de Shostakovich. A Sinfonia foi concluída em 20 de julho de 1962 e apresentada pela primeira vez em Moscou em 18 de dezembro daquele ano. Kirill Kondrashin conduziu a estreia depois que Yevgeny Mravinsky amarelou.

A sinfonia consiste em cinco movimentos e é uma das mais perturbadoras, profundas e originais das muitas obras para orquestra de Dmitri Shostakovich. Ela lembra e lamenta um ato hediondo de assassinato em massa. Entre 1941 e 1943, durante a ocupação nazi da Ucrânia soviética, estima-se que mais de 100 mil pessoas, a maioria delas judeus, foram mortas por soldados nazistas, com a ajuda de membros da população local, numa ravina nos arredores de a capital ucraniana de Kiev, conhecida como “Babi yar” em russo e “Babyn yar” em ucraniano. Nos dois dias de 29 e 30 de setembro de 1941, cerca de 34 mil judeus foram massacrados. Desde que os fatos horríveis do massacre se tornaram conhecidos, o nome da ravina tornou-se sinónimo de anti-semitismo e racismo de todos os tipos.

Em “Babi Yar”, um poema de apenas noventa e dois versos, Yevtushenko transforma uma visita que fez ao local – que na altura não tinha sequer um monumento – numa denúncia eloquente e emocional do anti-semitismo na Rússia e noutros lugares. Adotando seu ponto de vista preferido na primeira pessoa, o poeta compara-se às vítimas de Babi Yar e a outros mártires judeus, incluindo Alfred Dreyfus e Anne Frank. “Estou tão velho hoje / Como todo o povo judeu. Agora pareço ser judeu.” Mas o que mais surpreendeu os leitores de Yevtushenko foi a acusação do poema de que os russos, e mesmo os cidadãos da URSS teoricamente socialista, anti-racista e igualitária, eram eles próprios culpados, até certo ponto, do virulento anti-semitismo praticado pelos nazis.

Oh você, meu querido povo russo!
Você é um povo internacional que conheço profundamente.
Mas muitas vezes aqueles com mãos sujas
mancharam ruidosamente o seu nome virtuoso.

Embora a maioria dos intelectuais russos conhecesse demasiado bem a longa e feia história do anti-semitismo nos impérios russo e soviético, poucos se atreveram a abordar este tema explosivo por escrito. Assim que leu o poema de Yevtushenko, Shostakovich decidiu musicá-lo. Embora o compositor, tal como o poeta, não fosse judeu, há muito que simpatizava com a difícil situação dos judeus na Rússia. Ele tinha experimentado em primeira mão o intenso anti-semitismo do regime soviético, especialmente durante os anos de Stalin, quando alguns dos seus amigos mais próximos foram vítimas de violenta perseguição e prisão devido à sua identidade judaica. No início de 1948, Solomon Mikhoels, renomada estrela do teatro iídiche soviético, principal figura cultural judaica do país e sogro do amigo íntimo de Shostakovich, o compositor Mieczyslaw Weinberg, foi assassinado por ordem de Stalin, o que foi feito de forma a parecer como um acidente de trânsito.

Naquele mesmo ano, Shostakovich musicou vários poemas folclóricos judaicos no comovente ciclo Da Poesia Folclórica Judaica , mas julgou o material tão politicamente sensível que a estreia foi feita apenas em 1955, após a morte de Stalin. Outras composições que incorporam referências à música e temas judaicos são o Concerto para violino nº 1 e o Quarteto de cordas nº 4, ambos compostos no final da década de 1940 e também impedidos de serem executados até depois da morte de Stalin. Para Shostakovich, os judeus tornaram-se um símbolo poderoso do seu próprio estatuto como artista/outsider tentando permanecer fiel a si mesmo enquanto vivia numa sociedade intolerante e repressiva.

No início, Shostakovich pretendia musicar apenas Babi Yar”. No final de abril de 1962, ele completou um “poema sinfônico” para baixo solo, baixo coro e orquestra baseado no poema. Mas Shostakovich ficou tão satisfeito com o resultado, e tão apaixonado pelo projeto, que acabou decidindo expandir a obra para uma sinfonia de cinco movimentos, cada movimento baseado em um poema de Yevtushenko. Numa carta ao seu amigo íntimo Isaak Glikman, professor do Conservatório de Leningrado, Shostakovich escreveu: “O que me atrai na poesia [de Yevtushenko] é a sua humanidade inegável. Toda a conversa sobre como ele é “descolado”, “um poeta boudoir”, é causada principalmente pela inveja. Ele é consideravelmente mais talentoso do que muitos de seus colegas que ocupam posições respeitáveis.”

Quatro dos poemas de Yevtushenko (“Babi Yar”, “Humor”, “Na Loja” e “Uma Carreira”) já haviam sido publicados. Para o quarto movimento, Yevtushenko concordou com o pedido de Shostakovich para um novo poema e produziu “Medos”. Embora “Babi Yar” seja o único dos poemas que aborda o anti-semitismo, os outros tratam claramente de outros problemas da URSS: a sua incapacidade de tolerar críticas (“Humor”), os fardos suportados por mulheres numa economia de escassez (“Na Loja”), o legado do terror stalinista (“Medos”) e a hipocrisia dos burocratas (“Uma Carreira”).

Como recordou numa entrevista de 1992, Yevtushenko ficou lisonjeado e surpreendido com a atenção do mais famoso compositor soviético, então no auge da sua fama e influência. “Não nos conhecíamos naquela época. Ele me telefonou e pediu, como ele disse, minha ‘gentil permissão’ para escrever música para ‘Babi Yar’. Fiquei surpreso com sua ligação e respondi: ‘Mas é claro, por favor.’ Ele respondeu alegremente: ‘Maravilhoso. A música já está escrita. Venha e ouça.’”

A Décima Terceira Sinfonia de Shostakovich não emprega a forma sinfônica convencional. Na verdade, se a obra pode realmente ser chamada de sinfonia é uma questão que críticos e musicólogos têm debatido há muito tempo, especialmente porque não faz uso da forma sonata em nenhum dos seus cinco movimentos. Como a musicóloga russa Marina Sabinina mostrou em seu excelente livro sobre as sinfonias de Shostakovich, a forma rondó domina a maior parte da estrutura musical. Esta peça altamente dramática – e até cinematográfica – aproxima-se, na sua forma, de um oratório ou cantata e demonstra a longa experiência do compositor na escrita para vozes, para palco e cinema. Talvez surpreendentemente, Shostakovich não faz uso de um motivo melódico unificador ligando as seções. O uso de vozes exclusivamente masculinas (solo e coral) em um estilo principalmente declamatório-recitativo liga a Décima Terceira Sinfonia às tradições da música folclórica, litúrgica e operística russa, e especialmente ao exemplo do herói pessoal de Shostakovich, Modest Mussorgsky, em tais obras como Canções e Danças da Morte e Boris Godunov. O resultado é uma textura musical e emocional de escuridão, profundidade, realismo e intensidade aterrorizantes.

Enormes e imponentes, carregados de pressentimentos e tristezas, os compassos de abertura soam como um vento frio soprando em um cemitério, mergulhando-nos imediatamente em um mundo de terrível sofrimento e injustiça. O uso frequente de sinos (ouvidos no primeiro e no último compassos) cria uma atmosfera quase religiosa, de réquiem. E, no entanto, há numerosos momentos alegres e sarcásticos, especialmente em “Humor” e “A Career”, que lembram o estilo fortemente irônico de “riso através das lágrimas” da ópera Lady Macbeth do distrito de Mtsensk . Como também é o caso de muitos dos quartetos de cordas posteriores de Shostakovich, a Sinfonia termina suave e liricamente, num espírito etéreo de arrependimento e perdão.

A estreia amplamente divulgada da Décima Terceira Sinfonia em Moscou, em 18 de dezembro de 1962, foi um evento seminal na história da cultura soviética. Durante os meses anteriores à estreia, Yevtushenko foi sujeito a duras críticas oficiais; até o líder soviético Nikita Khrushchev denunciou “Babi Yar” pelos seus sentimentos anti-soviéticos. Shostakovich foi convocado para uma reunião por funcionários do Partido descontentes com o tom perigosamente crítico dos textos e instados a cancelar a próxima apresentação. Mas desta vez, o compositor, por vezes maleável, recusou-se a ceder e Khrushchev permitiu que a estreia prosseguisse, em grande parte porque temia críticas vindas do estrangeiro, uma vez que muitos correspondentes e diplomatas estrangeiros estariam presentes. “Se depois da apresentação da Sinfonia o público vaiar e cuspir em mim, não tente me defender. Vou suportar tudo”, disse Shostakovich a Isaak Glikman de antemão.

Kirill Kondrashin, que dirigiu, mais tarde chamou a estreia de “um triunfo que quase causou uma manifestação política. No final do primeiro movimento o público começou a aplaudir e gritar histericamente. A atmosfera já estava tensa o suficiente e eu acenei para eles se acalmarem. Começamos a tocar o segundo movimento imediatamente, para não colocar Shostakovich em uma posição incômoda.” Embora tenha havido uma longa e estrondosa ovação de pé no salão no final da apresentação, a imprensa moscovita não publicou uma única palavra sobre a estreia, tendo sido ordenada pelo regime a permanecer em silêncio.

A polêmica também não terminou aí. Várias semanas após a estreia, Yevtushenko finalmente cedeu à intensa pressão oficial ao publicar uma versão alterada do texto de “Babi Yar” – aparentemente sem consultar primeiro Shostakovich. A nova versão suavizou o foco original mais acentuado nas vítimas do anti-semitismo, adicionando 40 novas linhas. A versão revisada substitui a identificação do poeta com velhos e crianças assassinados pelo patriotismo soviético convencional e pelo orgulho pela vitória sobre o fascismo. Como parecia certo que futuras apresentações e publicação da Sinfonia Nº 13 seriam proibidas, a menos que fossem feitas alterações correspondentes no texto das partes vocais, na partitura Shostakovich substituiu relutantemente oito versos da versão original de “Babi Yar” por oito do revisado. A mudança mais significativa ocorreu no início do texto. Os versos originais, cantados pelo solista do baixo (“Aqui pereço crucificado, na cruz, / e até hoje carrego as cicatrizes dos pregos”) foram substituídos por “Aqui jazem russos e ucranianos / Juntos na mesma terra”.

Esta versão foi apresentada em 10 e 11 de fevereiro de 1963 e publicada pela Muzyka State Publishers em 1984 no volume nove das Obras Coletadas Soviéticas oficiais de Shostakovich, embora a prática atual de publicação, gravação e performance restaure as linhas originais.

Dmitri Shostakovich (1906–1975): Sinfonias 2, 3, 12 & 13 (Andris Nelsons & Boston Symphony Orchestra)

CD1
Symphony No. 2 in B major op. 14 “To October”
Largo – Allegro molto – [12:07]
Chorus: My shli, my prosily raboty i khlyeba [07:18]
Tanglewood Festival Chorus
Chorus Master: James Burton

Symphony No. 3 in E flat major op. 20 “1st of May”
Allegretto – Più mosso – Allegro [10:49]
Andante [06:07] IG 1
Allegro – Andante – Largo – [12:24]
Moderato: V pervoye Pervoye maya [05:43]
Tanglewood Festival Chorus
Chorus Master: James Burton

CD2
Symphony No. 12 in D minor op. 112 “The Year 1917”
1. Revolutionary Petrograd: Moderato – Allegro – [15:08]
2. Razliv: Allegro – L’istesso tempo – Adagio – [14:03]
3. Aurora: L’istesso tempo – Allegro – [04:44]
4. The Dawn of Humanity: L’istesso tempo – Allegretto – Moderato [11:09]

CD3
Symphony No. 13 in B flat minor op. 113 “Babi Yar”
1. Babiy Yar (Babi Yar): Adagio [16:28]
2. Yumor (Humour): Allegretto [08:48] IG 2
3. V magazine (In the Store): Adagio – [14:02]
4. Strakhi (Fears): Largo [14:21]
5. Kar’year (Career): Allegretto [14:09]

Matthias Goerne, bass-baritone
Tenors and Basses of the
Tanglewood Festival Chorus
Chorus Master: James Burton
New England Conservatory Symphonic Choir
Chorus Master: Erica J. Washburn

Boston Symphony Orchestra
Andris Nelsons

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Foto do massacre de Babi Yar

PQP

Schubert (1797 – 1828): Lieder – Uma Antologia – Dietrich Fischer-Dieskau & Gerald Moore ֎

Schubert (1797 – 1828): Lieder – Uma Antologia – Dietrich Fischer-Dieskau & Gerald Moore ֎

Franz Schubert

Coleção de Canções

Dietrich Fischer-Dieskau, barítono

Gerald Moore, piano

 

No dia 12 de maio de 1955 três pessoas se reuniram no Sala 3 da Abbey Road Studios (naqueles dias era EMI Studio 3), o menor dos espaços do famosíssimo estúdio de gravações londrino, ideal para música de câmera e recitais. Eles gravaram sete canções (Lieder) naquele dia, algumas delas estão na antologia dessa postagem. O cantor Dietrich Fischer-Dieskau estava no seu primor, aos 30 anos; o pianista Gerald Moore já era referência na arte de acompanhamento (sua autobiografia intitula-se ‘Am I too loud?’); o terceiro personagem era o produtor musical Walter Legge, que amava música e especialmente Lieder. Essa dedicação a este gênero musical me encanta e espero que chegue também a tocar você.

DFD e Gerald Moore formam uma dupla espetacular quando o repertório é Lieder e eles gravaram uma imensidade, algumas coisas mais do que uma vez. Em 1955 gravaram canções e o ciclo Winterreise, de Schubert, para a EMI, que depois gravariam novamente para a Deutsche Grammophon.

Esta antologia reúne 30 canções que estão espalhadas em três LPs de quatro gravados para a EMI entre 1955 e 1959. Selecionei essas canções dos LPs nos quais DFD é acompanhado por Gerald Moore. No disco de número três o acompanhante é o menos conhecido, mas muito competente Karl Engel e o repertório formado de algumas canções mais longas.

As canções que escolhi são exemplares da arte de Schubert, muito representativas. O som não é espetacular, mas a beleza da voz e o entrosamento do cantor e seu acompanhante de longe compensam qualquer restrição que você possa fazer.

Se você tem alguma familiaridade com esse repertório, reconhecerá cada uma das canções. Caso contrário você terá um porto seguro para iniciar suas futuras navegações. Espero que a postagem motive maiores explorações nesse repertório e você verá que essas figurinhas carimbadas reaparecerão muitas vezes nos discos e nos programas dos artistas desse gênero.

Quanto a música, deixe-me dizer que não falo alemão, mas isso nunca foi um impedimento para apreciar os Lieder e como ouço essas canções há bastante tempo, mesmo eu acabei aprendendo algumas coisas. Ou seja, aprecio a musicalidade que elas exalam, a maneira como a voz expressa os sentimentos e como se combina com o som do piano, criando um argumento musical, um universo sonoro que narra as histórias, mesmo que você não as perceba literalmente. De qualquer forma, aqui vão algumas dicas…

Heimkehr vom Feld im Abendrot, Ignaz Raffalt

Alguns temas são recorrentes, como vaguear (Wanderer), água (Wasser, Meer), noite (Nacht), primavera (Frühling). Há um bocado de sofrência (dois ciclos são impregnados disso) e algumas imagens perpassam muitas canções. A noite é sempre profunda (tiefer Nacht), o protagonista está sempre em busca de paz (ruh) ou felicidade (Glück). O céu tem a Lua (Mond) e estrelas (Sterne).

Há canções onde a letra é formada por estrofes e a música vai se repetindo de novo e de novo e formam uma boa parte delas. Veja alguns nomes: Der Wanderer na den Mond, Der Wanderer, Der Einsame (O Solitário), Fruhlingssehnsucht, Fruhlingsglaube, Im Frühling, Im Abendrot, Die Sterne.

Wanderer do David

Há na coleção duas canções com nomes de mulheres: An Sylvia e Alinde. ‘Para Silvia’ tem por letra uma tradução para o alemão de um texto de Shakespeare, Who is Sylvia, da peça Dois Cavalheiros de Verona.

Muitas canções da antologia foram compostas no fim da (curta) vida de Schubert, como indicam os altos números do catálogo D (Deutsch), mas ele era um mestre completo na arte da canção mesmo quando muito novo, como nos atestam o inquieto Rastlose Liebe D. 138 e Nahe des Geliebten D. 162, ambos com poesia de Goethe.

Temos também oito canções do Schwanengesang, um conjunto de canções que foi publicado como um ciclo logo após a morte de Schubert, com canções sobre letras de diferentes poetas. Entre elas as belíssimas Die Taubenpost, Standchen e Abschied, que resolvi deixar no fim da fila.

Há duas baladas – canções cuja letra narra uma história ou um fragmento de história, com estilo folclórico, fantasmagórica ou com tema medieval. São elas Der Zwerg e Erlkönig, que tem letra de Goethe. Essas canções são verdadeiras provas de fogo para os intérpretes, que têm pouco tempo para dar o recado, inclusive fazendo diversos personages – o narrador, o anão, a rainha, o cavaleiro, a criança e o Rei dos Elfos… Não menos dramáticas são Der Kreuzzug, Kriegers Ahnung e Heimweh. Deixo com você a tarefa de decifrá-las.

E tem ainda a música, a maravilhosa música que era amadrinhada com Schubert e que a arte de pessoas como Dietrich Fischer-Dieskau (100 anos em 2025) e Gerald Moore nos revelam, em uma linda cançãozinha, An die Musik, uma ode à música…

Franz Schubert (1797 – 1828)

  1. Der Wanderer an den Mond D870 (Johann Gabriel Seidl)
  2. Der Einsame, D800 (Karl Lappe)
  3. Nachtviolen, D752 (Johann Mayrhofer)
  4. Frühlingssehnsucht – Schwanengesang, D. 957: No. 3 (Ludwig Rellstab)
  5. Geheimes, D. 719 (Johann Wolfgang von Goethe)
  6. Rastlose Liebe, D138 (Johann Wolfgang von Goethe)
  7. Liebesbotschaft – Schwanengesang, D. 957: No. 1 (Ludwig Rellstab)
  8. Im Abendrot, D799 (Joseph von Eichendorff)
  9. Die Sterne, D939 (Karl Gottfried von Leitner)
  10. An die Musik D547 (Franz von Schober)
  11. Wehmut, D. 772 (Matthäus Casimir von Collin)
  12. Kriegers Ahnung – Schwanengesang, D. 957: No. 2 (Ludwig Rellstab)
  13. Der Kreuzzug, D932 (Karl Gottfried von Leitner)
  14. Totengräbers Heimweh, D842 (Jacob Nicolaus Craigher de Jachelutta)
  15. Der Zwerg, D. 771 (Matthäus Casimir von Collin)
  16. Der Wanderer, D. 489 (Georg Lübeck)
  17. Frühlingsglaube, D. 686 (Johann Ludwig Uhland)
  18. Die Taubenpost – Schwanengesang, D. 957: No. 14 (Johann Gabriel Seidl)
  19. An Sylvia, D. 891 (Eduard von Bauernfeld, de William Shakespeare)
  20. Im Frühling, D. 882 (Ernst Schulze)
  21. Auf der Bruck, D853 (Ernst Schulze)
  22. Ständchen ‘Leise flehen meine Lieder’ – Schwanengesang, D957: No. 4 (Ludwig Rellstab)
  23. Alinde, D.904 (Johann Friedrich Rochlitz)
  24. Nähe des Geliebten, D162 (Johann Wolfgang von Goethe)
  25. Normans Gesang, D846 (Adam Storck, de Sir Walter Scott)
  26. In Der Ferne – Schwanengesang, D957: 6 (Ludwig Rellstab)
  27. Aufenthalt – Schwanengesang, D957: No. 5 (Ludwig Rellstab)
  28. Erlkönig, D328 (Johann Wolfgang von Goethe)
  29. Nachtstück, D.672 (Johann Mayrhofer)
  30. Abschied – Schwanengesang, D. 957: No. 7 (Ludwig Rellstab)

Dietrich Fischer-Dieskau, barítono

Gerald Moore, piano

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MP3 | 320 KBPS | 219 MB

A primeira canção, que conta a história do Wanderer e da Lua é linda, remete à poesia chinesa do Li Po. Na terceira, a voz do DFD é reduzida a quase um fiapo, mas vai em frente… siga a deixa e ouça as outras.

Aproveite!

René Denon

DFD & Gerald Moore na Liedgrosssaal do PQP Bach Corporation em Niterói

Não deixe de visitar também essas postagens:

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Zbigniew Preisner (1955): Requiem for my friend (Preisner)

Faço coro aqui ao patrão PQP: a primeira obra de Preisner composta especificamente para as salas de concerto resulta num CD médio. A primeira parte é mais interessante, com seu conjunto instrumental e vocal enxuto e um sabor quase folclórico, particularmente no Lux Aeterna, meu movimento favorito. A segunda parte, “Life”, que dá a sensação de ter sido composta apenas para completar o CD, usa recursos maiores e também me pareceu  uma trilha sonora sem filme [Vassily]

É um CD médio. Não me impressionou muito. Parece uma trilha sonora sem filme.

Requiem for My Friend, for solo voices, string quartet, double bass, organ & percussion

1. Officium
2. Kyrie Eleison
3. Dies Irae
4. Offertorium
5. Sanctus
6. Agnus Dei
7. Lux Aeterna
8. Lacrimosaa
9. Epitaphium
10. The Beginning: Meeting
11. Discovering The World
12. Love
13. Destiny: Kai Kairos
14. Apocalypse: Ascende Huc
15. Veni Et Vidi
16. Qui Erat Et Qui Est
17. Lacrimosa-Day Of Tears
18. Postscriptum: Prayer

Piotr Janosik
Jacek Kaspszyk
Leszek Mozdzer
Elzbieta Towarnicka
Piotr Kusiewicz
Lukasz Syrnicki
Arkadiusz Kubica
Marek Mós
Roman Rewakowicz
Jacek Kaspszyk
Elzbieta Towarnicka

Warsaw Chamber Choir
Sinfonia Varsovia
Zbigniew Preisner

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PQP

Krzysztof Penderecki (1933-2020): Violin Concertos Nos. 1 and 2 (Kulka / Chee-Yun / Wit)

Krzysztof Penderecki (1933-2020): Violin Concertos Nos. 1 and 2 (Kulka / Chee-Yun / Wit)

Dois concertos parrudos em um movimento do grande Penderecki! Nem todos os concertos para violino soam de forma semelhante. Você tem aqueles que expressam o lirismo romântico (Tchaikovsky, Brahms), aqueles que têm um toque de estranheza (Sibelius), as clássicos (Mozart), os barrocos (Vivaldi, Bach) e aqueles que apresentam harmonias modernas e selvagens (Bartók, Stravinsky). Basicamente, todos eles têm sons e atmosferas distintas. Os concertos para violino de Penderecki também possuem qualidades únicas. Estreados em 1977 (Nº 1) e 1995 (Nº 2, “Metamorphosen”). Ambos com duração de cerca de quarenta minutos, eles têm um único movimento em vez dos habituais três. Aqui, eles são tocados por Konstanty Kulka (n.º 1) e Chee-Yunn (n.º 2) com a PNRSO (Katowice), conduzida por Antoni Wit. Pendê é um dos mais importantes compositores dos últimos tempos, uma figura musical de efetivamente internacional. Suas obras estão gradualmente sendo ouvidas em todo o mundo graças a gravações como esta, que é excelente. Os Concertos são modernos e — tal como a música de Pendê se tornou a partir de 1980 — melódicos, embora com um caráter expressionista. Esta versão é intensa, sombriamente romântica e bastante bela, com sons que realçam os lindos cenários orquestrais e as falas dos solistas.

Krzysztof Penderecki (1933-2020): Violin Concertos Nos. 1 and 2 (Kulka / Chee-Yun / Wit)

Penderecki, Krzysztof
Concerto for Violin and Orchestra No. 1
1 Concerto for Violin and Orchestra No. 1 39:16
Concerto for Violin and Orchestra No. 2, “Metamorphosen”
2 Concerto for Violin and Orchestra No. 2, “Metamorphosen’ 38:16

Total Playing Time: 01:17:32

Composer(s): Krzysztof Penderecki
Conductor(s): Antoni Wit
Orchestra(s): Polish National Radio Symphony Orchestra
Artist(s): Chee-Yun; Konstanty Andrzej Kulka

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Quem nunca teve um celular da Nokia?

PQP

W. A. Mozart (1756-1791) – Concertos para Piano Nº 5 a 14 (Brendel/Marriner/St Martin in the Fields)

Alfred Brendel (nasc. 5 jan. 1931) hoje completa 93 anos e vamos aproveitar a data para completar uma série de postagens que vinha lá de 2007, primórdios deste blog e época em que o veterano pianista dava seus últimos concertos e recitais antes de se aposentar. Depois eu, Pleyel, reativei os links em 2019 (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) adicionando algumas opiniões e imagens.

E depois de todo esse tempo, finalmente adicionamos esse lote com quase metade dos concertos do gênio de Salzburgo (aqui estamos excluindo da conta os concertos nº 1 a 4, exercícios infantis nos quais Mozart fez arranjos de música de outros autores). Provavelmente, pensarão vocês, se esses concertos demoraram tanto para aparecer é porque não importam tanto assim. E é verdade que a maior parte das apresentações ao vivo e discos se dedicam à metade final dos concertos para piano de Mozart. Mas no meio de alguns concertos um tanto burocráticos (para o meu gosto, do 5º ao 8º e o 13º), há algumas pérolas aqui. A tarefa de identificar as pérolas depende um pouco do gosto do freguês, mas há uma certa unanimidade sobre o fato de que o concerto divisor de águas, o “nada será como antes” desse grupo é o Concerto nº 9, de apelido “Jeunehomme” (que é mais ou menos o equivalente masculino de “mademoiselle” – senhorita -, ou seja, a forma educada de se chamar com um homem jovem em francês). Esse apelido foi usado por séculos, e é apropriado pois Mozart tinha apenas 21 anos quando o compôs! Mas recentemente descobriram que o concerto provavelmente se referia a Victoire Jenamy, jovem e admirada pianista da época, filha de um amigo de Mozart. Mais um caso de silenciamento do papel de mulheres na História.

Além do nº 9, meu coração bate mais forte pelo 10º, para dois pianos, pelo 11º, pelo 12º e pelo 14º, por motivos bem diferentes referentes a cada um deles. O 10º tem melodias e ritmos que lembram a Marselhesa, hino da França composto poucos anos depois. Os de nº 11 a 13 são os primeiros após a chegada de Mozart em Viena, onde ele teve contato com novas orquestras, com novos amigos e com antigas partituras de mestres como J.S. Bach, de modo que esses três concertos têm uma discreta inclinação para o contraponto bachiano.

Neste blog, além das integrais já postadas com Mitsuko Uchida e com Lili Kraus, destaco ainda as grandes gravações do 12º com Maurizio Pollini e a do 14º com Maria João Pires, que vocês conseguem encontrar pelo mecanismo de busca no alto da tela. Mas o austríaco Brendel e os ingleses da Academy of Saint Martin in the Fields não fazem feio frente a essa concorrência não, pelo contrário, são leituras que apontam para vários detalhes nessas obras que às vezes as outras gravações não apontaram, ou ao menos não do mesmo jeito. A suavidade, os detalhes e a leveza do toque de Brendel, nunca pesado ou sério, nem sempre me agrada quando ele toca Beethoven ou Schubert, mas com Mozart, se a memória não me falha, é sempre excelente.

W. A. Mozart (1756-1791):
Concertos para Piano e Orquestra Nº 5 a 14
Rondós para Piano e Orquestra KV 382 e 386

Alfred Brendel- piano
Neville Marriner – conductor
Academy of Saint Martin in the Fields

Recorded in London, 1970-1984

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (mp3 320 kbps)

Pleyel

Camargo Guarnieri, Guerra-Peixe, Jobim, Krieger, Levy, Lorenzo Fernandez, Mignone, Nepomuceno, Pereira, Villa-Lobos: Danças Brasileiras (Minczuk)

Camargo Guarnieri, Guerra-Peixe, Jobim, Krieger, Levy, Lorenzo Fernandez, Mignone, Nepomuceno, Pereira, Villa-Lobos: Danças Brasileiras (Minczuk)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Disco imperdível não apenas por ser brasileiro, mas pelo excelente repertório, pela qualidade da Osesp e pelo trabalho extraordinário do maestro Roberto Minczuk. Este panorama de Danças Brasileiras encontra seu ponto alto em Batuque, de Nepomuceno, na Congada de Mignone, no Batuque de Lorenzo Fernández, na bartokiana Passacalha de Edino Krieger, n`A Chegada Dos Candangos de Tom Jobim e em Mourão, de Clóvis Pereira e Guerra Peixe. Mas o restante não é esquecível. Gravado em 2003, este álbum é muito divertido, oferecendo músicas que são tocadas ocasionalmente, mas que raramente são reunidas para produzir uma hora de ritmos.  Algumas peças são desconhecidas. Por exemplo, A Chegada dos Candangos é um trecho da Sinfonia da Alvorada, uma das obras orquestrais negligenciadas de Tom Jobim.

Camargo Guarnieri, Guerra-Peixe, Jobim, Krieger, Levy, Lorenzo Fernandez, Mignone, Nepomuceno, Pereira, Villa-Lobos: Danças Brasileiras (Minczuk)

1 Garatuja – Prelúdio
Composed By – Alberto Nepomuceno
8:55
2 Batuque
Composed By – Alberto Nepomuceno
3:39
3 Samba
Composed By – Alexandre Levy (2)
7:03
4 Dança Frenética
Composed By – Heitor Villa-Lobos
5:34
5 Congada
Composed By – Francisco Mignone
5:49
6 Batuque
Composed By – Oscar Lorenzo Fernández
3:54
Três Danças Para Orquestra
Composed By – Mozart Camargo Guarnieri
(8:48)
7 Dança Selvagem (Savage Dance) [No. 2] 1:43
8 Dança Negra (Negro Dance) [No. 3] 4:42
9 Dança Brasileira (Brazilian Dance) [No. 1] 2:13
10 Passacalha para o Novo Milênio
Composed By – Edino Krieger
7:07
11 A Chegada Dos Candangos
Composed By – Antonio Carlos Jobim
4:01
12 Mourão
Composed By – Clóvis Pereira, César Guerra Peixe
3:03

Conductor – Roberto Minczuk
Orchestra – Osesp — São Paulo Symphony Orchestra

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PQP

Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840-1893): String Quartets Nos. 1 – 3 / Souvenir de Florence (Borodin Quartet, Yuri Yurov, Mikhail Milman)

Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840-1893): String Quartets Nos. 1 – 3 / Souvenir de Florence (Borodin Quartet, Yuri Yurov, Mikhail Milman)

Esta bela coleção demonstra que Tchaikovsky foi um compositor essencialmente sinfônico, o que não chega a ser uma grande descoberta. As obras são boas e interessantes, mas em alguns momentos elas gritam por massa orquestral, não obstante todo o esforço e a (altíssima) qualidade do Borodin. E há uma falha grave neste CD: os engenheiros da Teldec concentraram-se nos violinos e esqueceram que um quarteto é um conjunto equilibrado e, portanto, viola e violoncelo não são apenas acompanhamento. Tal preconceito prejudica o resultado final e suprime a rica interação pela qual Borodin é conhecido. Por exemplo, na fuga do segundo quarteto, último movimento, o violoncelo é quase inaudível, pois os microfones só querem saber dos violinos. O resultado disso tem seu preço quando a acústica reverberante satura os microfones em alguns disparos poderosos. Ah, o sexteto Souvenir De Florence, tocado por russos, é outra história. Muito melhor.

Piotr Ilitch Tchaikovski (1840-1893): String Quartets Nos. 1 – 3 / Souvenir de Florence (Borodin Quartet, Yuri Yurov, Mikhail Milman)

String Quartet No. 1 In D Major, Op. 11 (28:52)
1-1 Moderato E Semplice 10:45
1-2 Andante Cantabile 7:21
1-3 Scherzo: Allegro Non Tanto E Con Fuoco 3:59
1-4 Finale: Allegro Giusto 6:47

String Quartet In B Flat Major (13:22)
1-5 Adagio Misterioso – Allegro Con Moto – Adagio Misterioso 13:22

Souvenir De Florence, String Sextet In D Minor, Op. 70 (34:26)
1-6 Allegro Con Spirito 10:37
1-7 Adagio Cantabile E Con Moto 10:46
1-8 Allegretto Moderato 6:03
1-9 Allegro Vivace 7:00

String Quartet No. 2 In F Major, Op. 22 (35:31)
2-1 Adagio – Moderato Assai 11:42
2-2 Scherzo: Allegro Giusto 5:14
2-3 Andante Ma Non Tanto 12:44
2-4 Finale: Allegro Con Moto 5:52

String Quartet No. 3 In E Flar Minor, Op. 30 (38:16)
2-5 Andante Sostenuto 17:07
2-6 Allegretto Vivo E Scherzando 3:44
2-7 Andante Funebre E Dolorosa, Ma Con Moto 11:37
2-8 Finale: Allegro Non Troppo E Risoluto 5:48

Viola – Dmitri Shebalin, Yuri Yurov (faixas: 1-6 a 1-9)
Violin – Andrei Abramenkov, Mikhail Kopelman
Violoncelo – Mikhail Milman (faixas: 1-6 a 1-9), Valentin Berlinsky

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Tchai, o sinfônico.

PQP