AH, ÓPERA!
CD do acervo do musicólogo Prof. Dr. Paulo Castagna. É mais um daqueles que não tem preço!!!
Sempre que posto alguma coisa dele, que acabo revisando as postagens sobre ele, dá aquele apertinho no coração de ver como esse nosso compositor é, talvez, (como afirma nosso internauta Jam, da África do Sul), “o mais negligenciado compositor de óperas da história”. Suas composições eram, realmente, acima da média. O desabafo de Lauro Gomes, contido no encarte, não deixa de ser verdade:
Carlos Gomes é o maior compositor de óperas das Américas. Foi o único a fazer sucesso e a brilhar intensamente no maior centro operístico do mundo: Milão. Foi julgado pelos mais importantes críticos, compositores e músicos da sua época. Jamais foi considerado um “selvagem” no meio operístico e sim um inovador, cuja obra é impregnada de originalidade e, por mais estranho que possa parecer a alguns, cheia de brasilidade. Ele sempre buscou inspiração no nosso folclore. Foi o pioneiro em nosso país neste sentido ao usar em sua brasileiríssima obra pianística, repleta de modinhas, polcas, valsas e quadrilhas, a famosa congada “cayumba”. Na canção, suas modinhas são inesquecíveis. É claro que tudo isso se refletiria em sua obra no exterior. Os que tentam denegrir sua arte, infelizmente na sua grande maioria, brasileiros, o fazem por puro preconceito e inveja. Nunca se deram ao trabalho de analisar suas obras como fizeram seus colegas contemporâneos. Esquecem da admiração de músicos do porte de um Mascagni, de Gounod, Verdi, Ponchielli e Liszt, entre outros, pelas óperas do mestre brasileiro. Esquecem da força com que ele cantou “Eu fui no tororó beber água, não achei” num dos momentos culminantes de “O Guarani”, o célebre dueto “Sento una forza indomita”, que encerra o 1º ato da ópera e que também aparece com os dois temas entrelaçados quase ao final da esplêndida protofonia. Quando compunha “O Escravo”, Carlos Gomes passeava pelo centro do Rio de Janeiro, anotando os pregões dos vendedores ambulantes, e andava pelas alamedas arborizadas ouvindo o canto dos nossos pássaros, para usar em sua nova ópera. Um dia encontrei-me, nos corredores da nossa Rádio MEC, com Guerra Peixe e perguntei-lhe: “Mestre, qual é o maior compositor brasileiro?” E ele, sem pestanejar, respondeu: “Carlos Gomes”.
Nosso maior regente de óperas, Santiago Guerra, que conduziu mais de oitenta por cento das obras levadas à cena no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, no período áureo daquela casa de espetáculos, e que conhece praticamente todo o repertório operístico, me disse que Carlos Gomes tinha só um grande defeito: “ser brasileiro”. Se ele fosse norte-americano, a conversa seria outra e sua obra seria conhecida mundialmente.
(texto de Lauro Machado Gomes, extraído do encarte)
E temos aqui gravações antigas, remasterizadas e melhoradas, com nomes que são sumidades no canto lírico, como a divina Idda Micolis ou o poderoso Lourival Braga. Supimpa!
Ouça! Ouça! Deleite-se!
Antonio Carlos Gomes (1836-1896)
Seleção das óperas Fosca e Lo Schiavo
Fosca
01. D’Amore Le Ebbrezz
02. Cara Cittá Natia
03. Soli, Del Mondo Immemori
04. Quale Orribilie Peccato
05. A Qual Sorte Serbata Son Io
06. Orfana E Sola
07. Ah! Se Tu Sei Fra Gli Angeli
Lo Schiavo
08. El Partirá
09. T’Apressa Nula A Temer
10. Conservi Ognor Fedele
11. Quando Nasceti Tu
12. Sob O Céu Do Paraíba
13. Fragile Cor Di Donna
14. Come Serenamente
Paulo Fortes, barítono (faixa 01)
Leda Coelho de Freitas, soprano (faixas 02, 04 e 06)
Armando Assis Pacheco, tenor (faixas 02, 03 e 07)
Aracy Bellas-Campos, soprano (faixas 03, 05 e 06)
Idda Micolis, soprano (faixas 08, 10, 12 e 14)
Alfredo Colosimo, tenor (faixas 09, 10 e 11)
Lourival Braga, barítono (faixas 09 e 13)
Orquestra sinfônica da Rádio do MEC
Nino Stinco, regente
Rio de Janeiro, 1962

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FLAC encartes em 5.0Mpixel (365Mb)
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Bisnaga
MÚSICA DA AMAZÔNIA!







MUITO BOM !
MUITO BOM !

Depois de séculos sem postar, volto com alguma coisa da vanguarda eslovena. Tendo em conta meu conhecimento parco, tenho apenas dois nomes para apresentar neste e nos próximos posts: Primož Ramovš (1921-1999) e Lojze Lebič (1934-). Curiosamente, do primeiro, meio que o pai da vanguarda eslovena, o que mais conheço são peças neoclássicas, do início de carreira. Estava caçando música do compositor (não era, e talvez ainda não seja, fácil de achar), e um esloveno que conheci pela internet me fez o enorme favor de copiar dois cds da biblioteca. Os dois tristemente não indicavam um compositor assim, assim interessante, e acabei abandonando a busca. Muitos anos depois, achei por um preço fantástico dois cds de obras mais avançadas no site da rádio e tv eslovena. O comichão para conhecê-lo já tinha meio que passado, mas por preço de banana achei que compensava dar mais uma checada. E, sim, lá estava um músico bem mais impactante. Pelos idos da década de 50, Ramovš começa a desenvolver uma linguagem mais pessoal, tendo sido o Festival de Outono de Varsóvia, no qual esteve presente em 1960, catalisador de um novo estilo não apenas para ele, mas para boa parte da Europa Oriental.
MUITO BOM !









