Richard Wagner (1813-1883): Orchestral Masterpieces – Leopold Stokowski

Vamos continuar neste post, para o deleite dos amigos do blog, com a terceira parte da saga do grande maestro Leopold Stokowski (1882-1977) voltemos ao ano de 1896, tudo começou quando o garoto de treze anos entra para o coro da Igreja St. Marylebone e foi admitido no Royal College of Music. Já em 1898, aos dezesseis anos, foi admitido como membro do Royal College of Organists. Tornou-se organista assistente de Sir Henry Walford Davies (1869-1941) em The Temple Church, Londres. Em 1900, Stokowski formou o coro da Igreja Anglicana Santa Maria, Charing Cross Road, e lá também tocou o órgão. Então, de 1902 a 1905, Stokowski foi organista e mestre de coro na Igreja Anglicana de St. James, em Piccadilly, Londres. A partir desta posição como organista e mestre de coro na Igreja Anglicana, em 1905, Stokowski foi recrutado para se tornar organista na Igreja Episcopal de São Bartolomeu em Nova York, na Madison Avenue e 44th Street. O jovem desenvolveu uma respeitável reputação musical em Nova York e conheceu uma série de personalidades importantes, incluindo sua futura esposa, Olga Samaroff (1882-1948). Stokowski também realizou uma série de transcrições de obras orquestrais das sinfonias de Tchaikovsky, de antigos compositores como Byrd e Palestrina, e de óperas de vários compositores, incluindo Wagner em 1907. Mas Stokowski estava determinado a dirigir uma orquestra sua ou um grupo orquestral. Em 1908, ele renunciou à posição de organista e na primavera daquele ano, ele e sua esposa Olga partiram para a Europa, com Stokowski determinado a encontrar um novo começo.

Stokowski em 1910

O jovem Leopold, apesar da falta de experiência em nunca ter conduzido uma orquestra sinfônica profissional, um ano depois de deixar o posto de organista na Igreja Episcopal de São Bartolomeu em Nova York, nomeado maestro da Orquestra Sinfônica de Cincinnati, foi o começo de sua carreira estelar. Como poderia uma transformação tão notável acontecer? Na biografia do maestro o escritor Chasins afirma que a esposa Olga Samaroff havia se encontrado “por acaso” com Bettie Holmes, presidente da diretoria da Associação da Orquestra Sinfônica de Cincinnati. A orquestra estava procurando um maestro para liderar a sinfônica que eles tinham acabado de restabelecer. Olga Samaroff sugeriu Leopold Stokowski. Isso o levou a ser entrevistado pelo Conselho de Cincinnati em 22 de abril de 1909. Aprovado, Stokowski conduziu seu primeiro concerto com a Cincinnati Symphony Orchestra em 26 de novembro de 1909 no Music Hall. Ele estreou com a abertura de “A Flauta Mágica”, de Mozart, a “Quinta Sinfonia” de Beethoven e “Ride of the Valkyries”, de Wagner. Foi um sucesso imediato, particularmente pelo impacto do seu carisma. Durante o período em Cincinnati de 1909 a 1912, Stokowski trabalhou assiduamente na melhoria de suas habilidades de condução e na construção de um repertório de obras que ele dominava. Embora ele tenha chegado a Cincinnati praticamente sem experiência na condução de uma orquestra sinfônica, seu profundo talento artístico e habilidades de liderança natural levaram a um sucesso rápido.

Primiere Ciccinati

Stokowski também mostrou desde o início uma busca pelo novo e inovador. Mesmo desde os primeiros concertos de Cincinnati, ele programava obras de compositores vivos, e seu mix de programação era estimulante. Ele também procurou expandir continuamente a temporada da orquestra viajando para outras cidades.

Olga foi um ingrediente chave no sucesso inicial da carreira de Stokowski. Durante esse período pré-guerra, Stokowski e Olga Samaroff também passariam os verões na Baviera em sua vila em Munique, imersos nos festivais culturais ativos de verão e na vida social. Munique nos verões naquela época era uma “Meca” musical na Europa. Este foi provavelmente o tempo mais feliz de Olga e Leopold juntos. Enquanto isso, em Cincinnati, Stokowski teve uma mistura de sucessos e rejeições da diretoria da orquestra, procurando expandir as turnês, inclusive para Nova York, e acrescentando músicos. Em março de 1912, depois de aumentar progressivamente os confrontos com a diretoria, Stokowski pediu para ser liberado dos dois anos restantes de seu contrato em Cincinnati. As más línguas da época suspeitaram que ele já estava de olho em outro estado, a Filadélfia. De fato a 13 de junho de 1912 Stokowski assina com a Orquestra da Filadélfia e em 8 de outubro de 1912, Stokowski realizou seu primeiro ensaio com a Orquestra da Filadélfia, seguido rapidamente pelo primeiro concerto em 12 de outubro. Durante o restante da década, Stokowski procurou substituir os músicos antigos da orquestra por jovens de mente aberta. Um aspecto de desempenho que ele parece ter perseguido desde o começo foi um estilo de performance flexível e menos rígido, do qual sua preferência pelos instrumentos de cordas é um diferencial. Estas renovações nos músicos ele aplicou em toda sua carreira e com qualquer orquestra com a qual ele entrou em contato.

Esta gravação de Stokowski conduzindo as obras de Wagner que ora compartilho com os amigos é um bom exemplo de como o maestro reescrevia obras originais, esta prática entre alguns grandes regentes era muito comum e se encaixava no gosto da época, hoje se busca pelo original, com instrumentos originais de época preferencialmente. Esta seleção da Fase 4 reúne cerca de uma hora de trechos orquestrais e populares das óperas de Wagner gravados em estúdio em 1966, quando o regente tinha 84 anos, além de uma faixa de 1972 “Meistersinger Prelude” que é ao vivo. Os resultados são amplos, românticos e emocionantes. O estilo predominante aqui é extrovertido e não sutil. A faixa do “Meistersinger” de 1972, feito quando ele tinha 90 anos, nos traz de volta ao som orquestral original, sem trechos reescritos. Devo dizer que Stokowski está magnifico. A abertura das Valkyries é emocionante e divertida, pelo destaque ao flautim (não sei se propositalmente feito pelo maestro, ou uma falha do engenheiro de som… sei lá, mas que ficou diferente ficou). Mas, à medida que avançamos as faixas, o Wagner de Stokowski se torna cada vez mais extravagante. O arranjo, o som acústico e o ritmo do maestro são perfeitos ao que ele nos propõe, em vez de apenas soar como mais uma “performance”. Muito interessante, assim como no post anterior da sinfonia de Beethoven, o som estéreo da Fase 4 que está em todo o lugar. Stokowski usa e abusa dos efeitos e nos oferece seus deliciosos truques. Acho um erro comparar estas gravações, por exemplo, com Furtwangler, Karajan ou Solti. É uma proposta diferente, original. Stokowski tem o foco em salões cheios e dar espetáculo àqueles que não tem o costume de cultuar a chamada Música Clássica. Os fãs puritanos de Wagner podem dar uma boa risada e levar numa boa, só isso. A qualidade do gênio Stokowski eu admiro muito.

É uma releitura genial e magistral de Wagner, apenas ouça ignorando o puritanismo.

Wagner: Orchestral Masterpieces

1. The Ride of the Valkyries – Die Walkure
2. Dawn and Siegfried’s Rhine Journey – Barry Tuckwell/Gotterdammerung
3. Siegfried’s Death and Funeral Music – Gotterdammerung
4. Entrance of the gods into Valhalla – Das Rheingoldi
5. Forest Murmurs – Siegfried
6. Prelude – Die Meistersinger

London Symphony Orchestra
Leopold Stokowski
Faixas 1-5: Recorded in Kingsway Hall, London, 26 august 1966
Faixa 6: Recorded in the Royal Festival Hall, London, june 1972

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Leopold, dando uma geral no Órgão do Salão de Concertos do PQP.

Ammiratore

Piotr Illyich Tchaikovsky (1840-1893) – Symphonie nº 6 h-moll op. 74 ‘Pathétique’, Konzert für Violine und Orchester D-dur op. 35 – Menuhin, Fricsay, BPO, RIASSOB

Já tenho esse CD há muito tempo, e apesar de ser lá do Período Jurássico, gravado em Mono, é um de meus favoritos. Não apenas pelo repertório, pelos músicos envolvidos, pelas orquestras envolvidas, enfim, ele é um registro histórico de um dos maiores maestros do século XX, uma das poucas unanimidades dentre os membros do PQPBach, Ferenc Fricsay. Vou deixar a palavra com um dos maiores músicos do século XX, que o apresenta no libreto deste CD da série Dokumente, da gravadora Deutsche Grammophon:

“Entre as vantagens oferecidas pela atual mídia audiovisual está a esplêndida oportunidade de manter vivo o legado de todo grande músico. Este é um exercício particularmente valioso e valioso no caso de uma figura tão excepcional como a do grande Ferenc Fricsay. Quando ele conduziu pela primeira vez em Berlim, os iniciados sabiam que estavam na presença de um mestre genuíno, alguém que trouxe consigo idéias totalmente novas de técnica e interpretação orquestral. Um som orquestral pequeno, esguio e transparente como o conseguido por Fricsay agora pode ser visto inteiramente natural, mas o maestro que nos introduziu a esse som e revelou que a paixão total, absoluta e envolvente dentro de tais limitações auto-impostas não deve se desvanecer das mentes e memórias da geração atual de amantes da música. De todo o coração, portanto, devemos acolher o lançamento de uma nova edição destas gravações, uma edição de todos os sucessos. A oposição de Fricsay ao glamour e à superficialidade do período em que atuou como regente permanece totalmente exemplar e até hoje ainda é digno de emulação”.

Dietrich Fischer-Dieskau.

Essa sua gravação da Sinfonia Patética lá em 1953, frente à Filarmônica de Berlim, é uma da mais profundas e emocionantes que já tive a oportunidade de ouvir. Ele entendeu e compreendeu a obra de Tchaikovsky como poucos, se envolvia totalmente, não apenas com o que está na partitura, mas principalmente no que está nas entrelinhas. E isso em 1953, quando o maestro tinha apenas 39 anos de idade, e sem os recursos tecnológicos que temos atualmente. E não sou apenas eu, um mero diletante, e sim toda a imprensa especializada, e músicos do calibre de Dietrich Fischer-Dieskau, que realizou notáveis registros com ele. Já declarei que meu condutor favorito para esta sinfonia foi Karajan, mas Ferenc Fricsay, talvez por sua precocidade e principalmente por sua sensibilidade, e claro, também por ter nos deixado tão cedo, tem o meu carinho especial.

A gravação do Concerto para violino é mais velha ainda, 1949 (também jurássica), quando recém tínhamos saído da Segunda Guerra Mundial, e entrávamos no período que ficou conhecido como Guerra Fria. Yehudi Menuhin já era considerado um gênio do violino. E ele também nos apresenta Ferenc Fricsay como ‘um cometa que apareceu no horizonte, um dos mais brilhantes eventos musicais de seu tempo’.

Um grande CD, facilmente classificável como ‘IM-PER-DÍ-VEL’ !!!

01. Symphony No.6 in B minor, op.74 ‘Pathetique’ – I. Adagio – Allegro non troppo
02. Symphony No.6 in B minor, op.74 ‘Pathetique’ – II. Allegro con grazia
03. Symphony No.6 in B minor, op.74 ‘Pathetique’ – III. Allegro molto vivace
04. Symphony No.6 in B minor, op.74 ‘Pathetique’ – IV. Finale Adagio lamentoso –

Berliner Philharmoniker
Ferenc Fricsay – Conductor

05. Violin Concerto in D major, op.35 (Y. Menuhin on Violin) – I. Allegro moderato
06. Violin Concerto in D major, op.35 (Y. Menuhin on Violin) – II. Canzonetta Andante-attaca
07. Violin Concerto in D major, op.35 (Y. Menuhin on Violin) – III. Finale Allegro vivacissimo

Yehudi Menuhin – Violin
RIAS-Symphonie-Orchester Berlin
Ferenc Fricsay – Conductor

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FDPBach

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas BWV 61, 36, 62 & 132

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas BWV 61, 36, 62 & 132

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Esta extraordinária e iluminadorina mini-série de Cantatas gravadas por Sigiswald Kuijken e sua La Petite Bande chega a seu Vol. 9. A série apresenta uma cantata para cada domingo e dia santo do ano. Nesta coleção, dedicada aos domingos do Advento, surgem alguns problemas. Todas as obras do Advento de Bach são de Weimar (juventude) e Leipzig (maturidade), exceto que em Leipzig a Cantata do Advento foi montada somente no primeiro domingo do mês, sendo os outros domingos normais. Só que sua estada anterior em Weimar era diferente; lá, todos os domingos deviam ter uma Cantata. Mas qual é o problema? É que apenas as Cantatas do segundo e quarto domingos foram preservadas, e as do primeiro e terceiro domingo são conhecidas apenas por seus textos — nenhuma música chegou até nós. Bem, os padrões permanecem altos nesta série muito bem gravada. Apesar de algum dogmatismo, tudo aqui é musicalmente muito bom, boníssimo!

J.S. Bach (1685-1750): Cantatas BWV 61, 36, 62, 132

1. Cantata No. 61, ‘Nun komm, der Heiden Heiland,’ BWV 61 (BC A1): Ouvertüre (Chorus). Nun komm, der Heiden Heiland
2. Cantata No. 61, ‘Nun komm, der Heiden Heiland,’ BWV 61 (BC A1): Recitative. Der Heiland ist gekommen
3. Cantata No. 61, ‘Nun komm, der Heiden Heiland,’ BWV 61 (BC A1): Aria. Komm, Jesu. Komm zu deiner Kirche
4. Cantata No. 61, ‘Nun komm, der Heiden Heiland,’ BWV 61 (BC A1): Recitative. Siehe ich stehe vor der Tür
5. Cantata No. 61, ‘Nun komm, der Heiden Heiland,’ BWV 61 (BC A1): Aria. Öffne dich, mein ganzes Herze
6. Cantata No. 61, ‘Nun komm, der Heiden Heiland,’ BWV 61 (BC A1): Choral. Amen, Amen! Komm du schöne

7. Cantata No. 36, ‘Schwingt freudig euch empor,’ BWV 36 (BC A3): Prima Pars. Chorus. Schwingt freudig euch empor
8. Cantata No. 36, ‘Schwingt freudig euch empor,’ BWV 36 (BC A3): Prima Pars. Chorale. Nun komm, der Heiden
9. Cantata No. 36, ‘Schwingt freudig euch empor,’ BWV 36 (BC A3): Prima Pars. Aria. Die Liebe zieht mit sanften Schritten
10. Cantata No. 36, ‘Schwingt freudig euch empor,’ BWV 36 (BC A3): Prima Pars. Choral. Zwingt die Saiten in Cythara
11. Cantata No. 36, ‘Schwingt freudig euch empor,’ BWV 36 (BC A3): Secunda Pars. Aria. Wilkommen serter Schatz
12. Cantata No. 36, ‘Schwingt freudig euch empor,’ BWV 36 (BC A3): Secunda Pars. Choral. Der du bist dem Vater gleich
13. Cantata No. 36, ‘Schwingt freudig euch empor,’ BWV 36 (BC A3): Secunda Pars. Aria. Auch mit gedämpften, schwachen
14. Cantata No. 36, ‘Schwingt freudig euch empor,’ BWV 36 (BC A3): Secunda Pars. Choral. Lob sei Gott dem Vater, ton

15. Cantata No. 62, ‘Nun komm, der Heiden Heiland,’ BWV 62 (BC A2): Chorus. Nun komm, der Heiden Heiland
16. Cantata No. 62, ‘Nun komm, der Heiden Heiland,’ BWV 62 (BC A2): Aria. Bewundert, o Menschen, dies große
17. Cantata No. 62, ‘Nun komm, der Heiden Heiland,’ BWV 62 (BC A2): Recitative. So geht aus Gottes Herrlichkeit
18. Cantata No. 62, ‘Nun komm, der Heiden Heiland,’ BWV 62 (BC A2): Aria. Streite, siege, starker Held!
19. Cantata No. 62, ‘Nun komm, der Heiden Heiland,’ BWV 62 (BC A2): Recitative. Wir ehren diese Herrlichkeit
20. Cantata No. 62, ‘Nun komm, der Heiden Heiland,’ BWV 62 (BC A2): Choral. Lob sei Gott, dem Vater, ton

21. Cantata No. 132, ‘Bereitet die Wege, bereitet die Bahn,’ BWV 132 (BC A6): Aria. Bereitet die Wege, bereitet die Bahn
22. Cantata No. 132, ‘Bereitet die Wege, bereitet die Bahn,’ BWV 132 (BC A6): Recitative. Willst du dich Gottes Kind
23. Cantata No. 132, ‘Bereitet die Wege, bereitet die Bahn,’ BWV 132 (BC A6): Aria. Wer bist du? Frage dein Gewissen
24. Cantata No. 132, ‘Bereitet die Wege, bereitet die Bahn,’ BWV 132 (BC A6): Recitative. Ich will, mein Gott, dir frei heraus
25. Cantata No. 132, ‘Bereitet die Wege, bereitet die Bahn,’ BWV 132 (BC A6): Aria. Christi Glieder, ach bedenket
26. Cantata No. 132, ‘Bereitet die Wege, bereitet die Bahn,’ BWV 132 (BC A6): Choral. Ertöt uns durch deine Güte

Soprano: Gerlinde Sämann;
Alto: Petra Noskaiova;
Tenor: Christoph Genz;
Bass: Jan Van der Crabben

La Petite Bande
Sigiswald Kuijken

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Kuijken: quantas fotos dele já temos aqui no PQP?

PQP

Luci Horsch – Baroque Journey

Neste seu novo CD, a jovem flautista holandesa Luci Horsch nos convida a fazer uma viagem pelo Barroco. Então vamos de Van Eyck (compositor que abre e fecha o CD) a Bach, passando por Sammartini, Marais, Purcell, Handel, entre outros compositores menos conhecidos.

O imenso talento e virtuosismo de Luci Horsch nos espanta, mas ao mesmo tempo alegra. Tanta energia, sensibilidade e técnica em uma jovem de meros 19 anos de idade … com certeza ainda vamos ouvir muito essa moça. Lembram de seu primeiro CD, que eu mesmo trouxe há algum tempo atrás, todo dedicado a Vivaldi? Não? Então corram atrás dele.
A tradicional Academy of Ancient Music é quem a acompanha nesta viagem. Muito bem acompanhada, por sinal. Então, vamos embarcar nesta viagem? O booklet do CD é bem explicativo.

01 – Van Eyck – Lavolette
02 – Händel – The Arrival of the Queen of Sheba
03 – Bach – Concerto in D minor BWV 1059R – Allegro
04 – Bach – Concerto in D minor BWV 1059R – Adagio
05 – Bach – Concerto in D minor BWV 1059R – Presto
06 – Bach – Erbarme Dich (from St. Matthew Passion)
07 – Badinerie (from Suite No. 2 in B minor No. 2)
08 – Castello – Sonata Seconda
09 – Sammartini – Concerto in F Major – Allegro
10 – Sammartini – Concerto in F Major – Siciliano
11 – Sammartini – Concerto in F Major – Allegro assai
12 – Marais – Couplets des folles
13 – Couperin – Le Rossignol en Amour
14 – Naudot – Concerto in C Major, Op. 17, No. 1 – Gaiement
15 – Naudot – Concerto in C Major, Op. 17, No. 1 – Lentement
16 – Naudot – Concerto in C Major, Op. 17, No. 1 – Légèrement
17 – Tollett – Divisions on a Ground
18 – Purcell – Dido’s Lament (from Dido and Aeneas)
19 – Van Eyck – Engels Nachtegaeltje (The English Nightingale)

Luci Horsch – Recorders
Academy of an Ancient Music

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Franz Schubert (1797-1828): Violin Sonatas (CD 2 de 2)

Franz Schubert (1797-1828): Violin Sonatas (CD 2 de 2)

E como só se fala e praticamente só se posta Schubert por aqui nos últimos dias, resolvi trazer o segundo CD de Julia Fischer tocando as pouco gravadas Sonatas para Violino e Piano e algumas obras para piano, onde Julia revela-se uma excelente pianista, fazendo a segunda parte do piano na Fantasia D. 940, tão amada pelo colega Ranulfus. A música de Schubert para violino e piano, embora certamente não seja insignificante, nunca atraiu grandemente a atenção dos executantes ou ouvintes. E elas são desiguais, variando entre aquilo que é destinado ao mercado doméstico amador e os últimos trabalhos, claramente dirigidos ao virtuoso. Mas sempre é Schubert, ou seja, sempre é bom.

O primeiro disco desta dupla extremamente talentosa tocando as obras de Schubert para violino e piano foi de prazer absoluto, apesar de essa música ser uma parte comparativamente sem importância da produção do compositor. Este segundo disco é ainda mais atraente, de fato irresistível, em parte porque o terceiro item é uma das obras-primas supremas de Schubert, a Fantasia em Fá menor para dueto de piano D. 940. Eles dão uma magnífica versão desta obra inspirada, que começa com uma das melodias mais pungentes de Schubert. É uma peça desafiadora, como se pode ouvir, mas Fischer e Helmchen tiram de letra.

Franz Schubert (1797-1828): Violin Sonatas (CD 2 de 2)

01 Schubert – Violin Sonata In A, Op. 162, D. 574 – Allegro Moderato
02 Scherzo (Presto)
03 Andantino
04 Allegro Vivace

05 Schubert – Fantasy In C, Op. 159, D. 934 – Andante Molto
06 Allegretto
07 Andantino
08 Tempo primo – Allegro, Allegretto, Presto

09 Schubert_ Fantasy In F Minor for Piano Duet, Op. 103, D. 940 – Allegro molto moderato
10 Largo
11 Allegro vivace
12 Tempo I

Julia Fischer – Violin, Piano (D.940)
Martin Helmchen – Piano

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Julia Fischer na Sala de Imanência e Transcendência da Sede de Gala da PQP Bach Corporation.

FDP / PQP

Sigismund von Neukomm (1778-1858) – Requiem à la Mémoire de Louis XVI – Jean-Claude Malgoire, La Grande Écurie et la Chambre du Roy, Choeur de Chambre de Namur

O Selo Alpha continua nos brindando com magníficas gravações. Este CD que ora vos trago foi lançado em 2016, e tem a participação da excelente ‘La Grande Écurie et la Chambre du Roy’,uma das principais Orquestras de interpretação de música barroca historicamente informada e dirigida pelo maestro Jean-Claude Malgoire, uma lenda neste repertório. Para quem não o conhece, Malgoire fundou a ‘La Grande Écurie et la Chambre du Roy’ em 1966, ou seja, são mais de cinquenta anos de dedicação à causa, sempre com muito cuidado, dedicação e empenho.
Mas vamos falar um pouco sobre este cidadão, Sigismund von Neukomm, compositor nascido na Áustria, mas que transitou por três continentes, onde apresentou sua música, inclusive aqui no Brasil, onde frequentou a corte de Dom João Vi entre os anos de 1816 e 1821. Há rumores, inclusive, de que era espião, a mando de um príncipe francês, Talleyrand, Ministro de Luis XVIII. Com certeza, o cara teve uma vida emocionante.
Compôs muito, e fez muito sucesso na sua época, porém com o tempo foi esquecido. Sua obra começou a ser pesquisada novamente a partir da década de 50, do século XX. De acordo com a Wikipedia em português, existem diversas pesquisas realizadas sobre este período que passou aqui no Brasil. Todas estão listadas na Bibliografia do verbete.

01. Marche funebre – Miserere mei Deus
02. Missa di Requiem- I. Introit
03. Missa di Requiem- II. Sequence (Dies irae)
04. Missa di Requiem- III. Offertorium
05. Missa di Requiem- IV. Sanctus
06. Missa di Requiem- V. Benedictus
07. Missa di Requiem- VI. Agnus Dei
08. Missa di Requiem- VII. Libera me

Clémence Tilquin soprano
Yasmina Favre Mezzo-soprano
Robert GetcheLL ténor
Alain Buet baryton
Choeur de Chambre de Namur
La Grande Ecurie et La chambre du Roy
Jean-Claude Malgoire Direction

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W. A. Mozart (1756-1791): Concertos para Piano K. 107 / J. S. Schröter (1752-1788): Concerto para Piano Op 3, 3

W. A. Mozart (1756-1791): Concertos para Piano K. 107  / J. S. Schröter (1752-1788): Concerto para Piano Op 3, 3

Mozart

Piano Concertos K. 107

Schröter

Piano Concerto Op. 3, 3

Este disco foi lançado originalmente na era dos LPs com o código MK 39222. Sorri com meus botões ao lembrar-me de Miles Kendig e pensei nos dizeres do arguto psicólogo: coincidências não existem. Com esta postagem, realmente completamos a saga dos Concertos para Piano de Mozart. Para deveras completá-la, pedimos ajuda a outro exímio pianista, especialista em Mozart: Murray Perahia. Este disco foi lançado quando Perahia era bem jovem e o selo ainda chamava-se CBS Masterworks. Na era dos CDs foi lançado, e de novo, algumas vezes. A última vez na série Sony Classical – Great Performances.

Selim Gidnek, ou melhor, Miles Kendig

Assim como os Concertos Nos. 1 a 4, esses três concertos são arranjos de peças de outros compositores, neste caso, de Johann Christian Bach. Os arranjos aqui são para piano (poderia ser cravo), dois violinos e baixo contínuo. São peças que revelam a impressionante capacidade musical de Mozart, que era ainda criança, assim como ilustram o desenvolvimento e a estruturação do concerto para piano como gênero musical.

Para completar o disco, um lindo Concerto para Piano em dó maior, de Johann Samuel Schröter. Nascido na Polônia, Schröter era um pouco mais velho do que Mozart e dominou a cena musical em Londres, vindo a ocupar o lugar de Johann Christian. Era ótimo compositor e exímio pianista, como confirma este lindo concerto. No entanto, para casar-se com uma mulher de família rica, concordou em aceitar uma grande anuidade do sogro em troca de abandonar a carreira musical. Uma pena…

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)

Concerto para piano em ré maior, K. 107, 1

  1. Allegro
  2. Andante
  3. Tempo di Minuetto

Concerto para piano em sol maior, K. 107, 2

  1. Allegro
  2. Allegretto

Concerto em mi bemol maior, K. 107, 3

  1. Allegro
  2. Allegretto (Rondeaux)

Johann Samuel Schröter (1752-1788)

Concerto para piano em dó maior, Op. 3, 3

  1. Allegro
  2. Larghetto
  3. Allegro

Murray Perahia, piano e regente

English Chamber Orchestra

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FLAC | 161 MB

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MP3 | 320 KBPS | 105 MB

Pode clicar na imagem…

Mozart gostava da música de Schröter e disse dos seus Concertos Op. 3: Eles são lindos! Quem poderia discordar do Wolfie?

René Denon

Terry Riley (1935) – Sunrise of the Planetary Dream Collector – Kronos Quartet

Estou já há alguns meses ensaiando a postagem deste belíssimo CD do Kronos Quartet, espero que agora saia. O texto abaixo foi livremente traduzido do booklet do CD:

“Chovia insistentemente naquele dia em 1980, quando o Kronos Quartet foi até Sierra Foothills para receber o ‘Sunrise of the Planetary Dream Collector’, primeira obra que Terry Riley compusera para o jovem grupo. A viagem de carro de San Francisco até a casa de Terry e Ann Riley no Sri Moonshine Ranch leva apenas algumas horas. A jornada do Kronos até aquele ponto, porém, já estava alguns anos em desenvolvimento. (…)

(…) O pessoal do Kronos Quartet conheceu Riley enquanto eles estavam ensaiando ‘Traveling Music’, uma peça de David Harrington. Acontece que Riley e Benshoof foram estudantes juntos na San Francisco State University, então curioso ele parou para ouvir o ensaio do quarteto. Harrington, que “ouviu quartetos” na música de Riley, estava ansioso para que ele escrevesse algo para eles. Harrington cortejou o compositor implacavelmente. Riley, no entanto, teve muitas dúvidas. Ele havia abandonado a composição escrita mais de uma década antes. Estava insatisfeito com a natureza artificial da notação musical, que lhe parecia fossilizar o pensamento musical. (…) Em vez disso, Riley se dedicou a improvisações. Riley acreditava que suas idéias musicais nunca foram destinadas a alcançar um estado acabado, mas estavam destinadas a evoluir continuamente.”

O texto do booklet é bem mais completo, claro, traduzi livremente apenas alguns parágrafos iniciais, apenas para mostrar aos senhores do que se trata este CD. Não ouço muito a música moderna, e a conheço menos ainda. Mas acompanho, mesmo que de longe, a carreira do Kronos Quartet nas últimas décadas. Nos anos 80 este conjunto causou um frisson no meio musical, e ouvi-lo virou meio que ‘Cult’. Como sempre fui meio que avesso a modismos e modernismos, então de certa forma não prestei muito mais atenção neles.

Mas tenho de reconhecer que este CD é muito interessante, com belíssimos momentos. Riley é um compositor brilhante, para muitos, o maior compositor norte americano vivo.
Para os que não conhecem nem Terry Riley e muito menos o Kronos Quartet, e tem interesse em novas sonoridades e possibilidades, esta é uma bela introdução.

1. Sunrise of the Planetary Dream Collector
2. One Earth, One People, One Love
From Sun Rings
3. Cry of a Lady
with Le Mystère des Voix Bulgares
Dora Hristova, conductor

4. G Song
5. Lacrymosa – Remembering Kevin

Cadenza on the Night Plain
6. Introduction
7. Cadenza: Violin I
8. Where Was Wisdom When We Went West?
9. Cadenza: Viola
10. March of the Old Timers Reefer Division
11. Cadenza: Violin II
12. Tuning to Rolling Thunder
13. The Night Cry of Black Buffalo Woman
14. Cadenza: Cello
15. Gathering of the Spiral Clan
16. Captain Jack Has the Last Word

KRONOS QUARTET David Harrington, VIOLIN
John Sherba, VIOLIN
Hank Dutt, VIOLA
Sunny Yang, CELLO (1–2)
Joan Jeanrenaud, CELLO (3–4, 6–16)
Jennifer Culp, CELLO (5)

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Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia No. 6 – Michel Gielen

Anton Bruckner (1824-1896): Sinfonia No. 6 – Michel Gielen
hänssler, ótima gravadora, mas as capas…

Bruckner 

Sinfonia No. 6

Bach/Schoenberg

Prelúdio e Fuga BWV 552

Anton Bruckner nunca ouviu a sua Sexta Sinfonia em sua totalidade. Ela foi composta entre setembro de 1879 e setembro de 1881, com algumas revisões feitas em 1882. Anton era obcecado por revisões. O segundo e o terceiro movimento da Sexta foram estreados em 11 de fevereiro de 1883 pela Filarmônica de Viena, regida por Wilhelm Jahn. A estreia de toda a sinfonia ocorreu em 26 de fevereiro de 1899, também pela Filarmônica de Viena, agora regida por Gustav Mahler.

Falando em uma entrevista sobre as escolhas das versões das Sinfonias de Bruckner para as suas gravações, Michael Gielen diz que “felizmente, há apenas uma versão da Sexta, assim como da Quinta, portanto não havia escolha a ser feita”.

Bruckner gastou tanto tempo revendo as primeiras sinfonias e compondo as últimas que não teve tempo para revisar estas duas nem para terminar a Nona. Sobre este tema, você poderá ler um pouco mais aqui.

Ainda sobre a Sexta Sinfonia, Gielen afirma: “Eu amo esta peça. (…) Acho simplesmente incrível a maneira como este ritmo dançante no início contrasta com o tema principal, que tem mais um caráter de tipo canção, fazendo a sinfonia começar subitamente com duas ideias”.

Em uma crítica sobre este disco, Victor Carr Jr menciona a meticulosa atenção dada por Gielen à estrutura rítmica e aos detalhes contrapontísticos, resultando em uma performance vibrante, com uma textura excepcionalmente clara. Gielen encurta os românticos ritardandos no fim do primeiro e último movimento, permitindo que os maravilhosos finais abruptos de Bruckner tenha seus devidos impactos. Você poderá ler a crítica completa aqui.

Arnold, achando tudo um grande barato…

Para completar o disco, a transcrição para orquestra do Prelúdio e Fuga em mi bemol maior, BWV 552, de Johann Sebastian Bach, feita por ninguém mais do que Arnold Schoenberg. O cara entendia de orquestração! Realmente, esta parte do disco merece atenção e é mais do que apenas um complemento. O contraste da Sinfonia para esta peça é maravilhoso, assim como ouvir a peça de Bach vestida de modernidade nos lembra da sua atemporalidade.

E a orquestra, hein? Maravilhosa, assim como a gravação.

 

 

Anton Bruckner (1824-1896)

Sinfonia No. 6 em lá maior

  1. Maestoso
  2. Sehr feierlich
  3. Nicht schnell – Trio. Langsam
  4. Bewegt, doch nicht zu schnell

Johann Sebastian Bach (1685-1750)/Arnold Schoenberg (1874-1951)

Prelúdio e Fuga para órgão em mi bemol maior, BWV 552

  1. Prelúdio
  2. Fuga

SWR Sinfonieorchester Baden-Baden und Freiburg

Michael Gielen

Direção artística: Helmut Hanusch

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FLAC | 306 MB

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MP3 | 320 KBPS | 163 MB

Aproveite!

René Denon

Robert Schumann (1810-1856) – Sinfonias – Christian Thielemann, Staatskapelle Dresden

Christian Thielemann vem construindo uma sólida carreira como maestro nas principais orquestras alemãs. E tem gravado bastante, também. Esta integral dedicada a Schumann foi recém lançada, e tem muita qualidade, ainda mais com uma Orquestra do nível desta de Dresden.

Schumann foi um dos maiores expoentes do Romantismo, como todos devem saber, apesar da doença mental que o afetou e o levou a morte. Foi casado com uma das grandes personagens do século XIX, Clara Schumann, e provavelmente foi um dos casais mais apaixonados da história da música ocidental.

Estas suas sinfonias são uma das maiores provas da genialidade de Schumann. Prestem atenção na qualidade da orquestração, na riqueza dos timbres, da harmonia … nas belíssimas melodias que ele criava. Impossível não se inspirar com tal música.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Staatskapelle Dresden
Christian Tielemann – Conductor

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S. Prokofiev (1891-1953): Romeu e Julieta – Sonata para Piano No. 2 – Elena Kuschnerova, piano

S. Prokofiev (1891-1953): Romeu e Julieta – Sonata para Piano No. 2 – Elena Kuschnerova, piano

Um disco quase todo russo!

 

Eu tenho uma enorme predileção por música ao piano. Adoro CDs com piano solo. Quando ouvi rumores de uma pianista russa que migrara para a Alemanha e era tudo menos convencional, saí logo à caça.

O primeiro CD dela que ouvi foi de música de Bach. Disco excepcional, já está escalado para futura postagem. Mas, olhando o rol de minhas postagens, achei que estava faltando um certo tempero russo, algo assim ovas de esturjão e vodcas. Como o pessoal do blog vetou o disco da orquestra de balalaicas, escalei o disco de Prokofiev, música para piano, interpretada pela Elena Kuschnerova. Sergei Prokofiev compôs um dos melhores concertos para piano do Século XX e é um bamba do teclado. Ainda tenho que explorar parte de sua obra, mas adoro três de seus cinco concertos para piano e a tal cantata com música do filme do Eisenstein. A Sinfonia Clássica nem conta, todo mundo gosta. Veja mais informações sobre ele neste site.

Prokofiev

Este disco traz dez peças que Prokofiev transcreveu para piano a partir de movimentos do seu justamente famoso balé Romeu e Julieta.

Este balé, assim como a música para o filme Alexander Nevsky, foram compostos em 1935 e 1938, respectivamente quando a política em vigor na Rússia exigia maior comunicação dos artistas com o público. Prokofiev agiu com atenção a esta orientação sem, no entanto, deixar de produzir obras primas.

Estas dez faixas, na minha opinião, valem o disco. Recriar ao piano o universo sonoro de tão sofisticada orquestra é para poucos. Mas, esqueça a orquestra, mergulhe neste ambiente sonoro de piano e aproveite uma delícia após a outra.

Prokofiev compôs nove sonatas para piano e aqui temos a segunda delas, composta em 1912, antes da Revolução, quando Prokofiev ainda era um talentoso jovem de 21 anos. A sonata tem quatro movimentos, apesar de bastante compacta. Nestes movimentos já se apresentam algumas das linhas básicas criação artística do compositor e são muito contrastantes. Por exemplo, o segundo movimento lembra uma tocata e segue a linha chamada cinética. Para maiores detalhes sobre os demais movimentos da sonata, você pode consultar aqui.

A última faixa do disco funciona assim como um bis, um encore. É uma marcha com menos de dois minutos que originalmente pertence à ópera O Amor das Três Laranjas, composta em 1921 e apresentada pela primeira vez em Chicago, sob a direção do próprio Prokofiev.

Elena Kuschnerova

Sergei Prokofiev (1891 – 1953)

Romeu e Julieta – Dez Peças para Piano, Op. 75 (1937)

  1. Dança folclórica. Allegro giocoso
  2. Allegretto
  3. Assai moderato
  4. A jovem Julieta. Vivace
  5. Máscaras. Andante marciale
  6. Os Montecchios e os Capuletos. Allegro pesante
  7. Frei Lourenço. Andante expressivo
  8. Allegro giocoso
  9. Dança das jovens com lírios. Andante com eleganza
  10. Romeu e Julieta, antes da partida. Lento

Sonata para Piano No. 2 em ré menor, Op. 14 (1912)

  1. Allegro, ma non tropo
  2. Allegro marcato
  3. Andante
  4. Vivace

Da Ópera O Amor das Três Laranjas, Op. 33 (1919)

  1. Marcha (transcrição para piano) (1922)

Elena Kuschnerova, piano

Gravação de 1966

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FLAC | 166 MB

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MP3 | 320 KBPS | 117 MB

Elena

Sobre a pianista Elena Kuschnerova, o crítico de música para o The New York Times, Harold Schonberg disse: A pianist who grabs the imagination.

Ouçam o disco e me digam depois!

René Denon

.: interlúdio :. Oscar Peterson Plays Cole Porter

.: interlúdio :. Oscar Peterson Plays Cole Porter

 

 

Oscar Peterson plays The Cole Porter Song Book

Este disco é um clássico! Oscar Peterson foi um dos maiores pianistas de todos os tempos. Com uma carreira que perdurou por mais de sessenta anos e decolou quando começou a trabalhar com o produtor Norman Granz. Granz havia formado o selo Verve para gravar Ella Fitzgerald e acabou reunindo uma constelação de grandes artistas, entre eles Oscar Peterson. Nesta época, Oscar Peterson era acompanhado por Ray Brown (contrabaixo) e Ed Thigpen (bateria). Essa formação jazzística, um trio, gravou excelentes discos para o selo Verve.

O Oscar Peterson palys the Cole Porter Song Book é um álbum que faz parte de uma série dedicada a grandes nomes da música americana, como George Gershwin e Duke Ellington. As canções, originalmente com letras, escritas para musicais, são apresentadas nesta roupagem jazzística, pelo Oscar Peterson Trio.

Linda e Cole Porter

Cole Porter foi um playboy, no sentido exato da palavra, mas foi também muitas outras coisas. Teve uma vida intensa, mas com muitas, muitas dificuldades também. Nascido em Peru, Indiana, no coração do Midwest (Meio-Oeste americano), não poderia ter vindo de um lugar mais conservador. Logo ele que era, em tudo, diferente. Vale a pena descobrir um pouco mais sobre a vida deste fascinante compositor. Como a literatura acessível é vasta, deixo isso com você. O que importa é que ele foi um compositor como poucos. Criou canções maravilhosas, daquelas que grudam na nossa pele, não saem da nossa cabeça. Suas letras são sobre temas urbanos e são sofisticadas. Mas principalmente, verdadeiros hits!

Oscar e seus parceiros tomam doze delas e as trazem para você. O som do piano, acompanhado pelo baixo, com o ritmo marcado pelos drums, é irresistível. Gosto de todas, mas se me torcerem o braço, digo que Night and Day, I’ve Got You Under My Skin e I Love Paris são as minhas mais queridas.

Oscar, de boas

Oscar Peterson Plays The Cole Porter Song Book

  1. In the Still of The Night
  2. It’s All Right With Me
  3. Love for Sale
  4. Just One of Those Things
  5. I’ve Got You Under My Skin
  6. Every Time We Say Goodbye
  7. Night and Day
  8. Easy to Love
  9. Why Can’t You Behave
  10. I Love Paris
  11. I Concentrate on You
  12. It’s De-Lovely

Oscar Peterson, piano

Ray Brown, contrabaixo

Ed Thigpen, bateria

Produção: Norman Granz

Gravado em 1959

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FLAC | 154 MB

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MP3 | 320 KBPS | 76 MB

Play it again, OP…

A capa deste disco é uma coisa maravilhosa. As capas desta série poderiam ser emolduradas e irem direto para a parede da minha sala. São de Merle Shore e eu não consegui descobrir nada sobre essa pessoa. Se você sabe algo, por favor, diga-me!

René Denon

Antonio Vivaldi (1678-1741) – Gloria, RV 589, Nisi Dominus, RV 608, Nulla in Mundo Pax Sincera, RV 630 – Julia Lezhneva, Franco Fagioli, Diego Fasolis

Eis mais um discaço de Diego Fasolis, frente ao fantástico ‘Coro della Radiotelevisione svizzera ‘, e de sua querida orquestra, I Barocchisti, e novamente em parceria com Julia Lezhneva, turma que recém esteve presente aqui no PQPBach interpretando Pergolesi.

Porém aqui o parceiro de Julia Lezhneva é Franco Fagioli, outro contratenor que vem se destacando nos últimos anos. E todos eles juntos nos apresentam um Vivaldi fresco e atualizado. Sei que já trouxemos diversas versões destas mesmas obras, principalmente da ‘Gloria’, todos elas de excelente qualidade, e esta leitura de 2018 de Fasioli junta-se a elas.

A voz de Lezhneva é suave e delicada, em outros momentos intensa, e nos envolve em uma áurea de mistério e fé. E conta com a cumplicidade de um excepcional coral, com o perdão do excesso de adjetivos. Mas este é um daqueles CDs que nos deixam extasiados, e ao mesmo tempo perplexos com a qualidade e talento destes músicos. E claro, apenas reforça aquilo que temos destacado tanto por aqui: Vivaldi foi uma figura única,  um gênio do Barroco, um dos maiores compositores de todos os tempos, ao lado de Bach e Händel.

Enquant que na ‘Gloria’ Julia Lezhneva se destaca, no ‘Nisi Dominus’, é a incrível voz de Franco Fagioli que domina totalmente. Não teme as dificuldades da peça, e se joga de corpo e alma.

Se possível, novamente peço para os senhores ouvirem este CD em um bom fone de ouvido, assim como o do Pergolesi recém postado, assim não perderão aqueles detalhes que somem em caixas de som. E novamente, deixo-lhes a opção de ouvirem em MP3 ou então em FLAC.

ANTONIO VIVALDI 1678–1741
GLORIA RV 589
1 Gloria in excelsis Deo
2 Et in terra pax
3 Laudamus te
4 Gratias agimus tibi
5 Propter magnam gloriam tuam
6 Domine Deus, Rex caelestis
7 Domine Fili unigenite
8 Domine Deus, Agnus Dei
9 Qui tollis peccata mundi
10 Qui sedes ad dexteram Patris
11 Quoniam tu solus Sanctus
12 Cum Sancto Spiritu

NISI DOMINUS RV 608
13 Nisi Dominus aedificaverit domum
14 Vanum est vobis
15 Surgite postquam sederitis
16 Cum dederit dilectis suis somnum
17 Sicut sagittae in manu potentis
18 Beatus vir qui implevit
19 Gloria Patri, et Filio
20 Sicut erat in principio
21 Amen

NULLA IN MUNDO PAX SINCERA RV 630
22 Aria: Nulla in mundo pax sincera
23 Recitative: Blando colore
24 Aria: Spirat anguis inter flores
25 Alleluia

JULIA LEZHNEVA soprano
FRANCO FAGIOLI countertenor
Coro della Radiotelevisione svizzera
I Barocchisti DIEGO FASOLIS

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F. Mendelssohn (1809-1847) / R. Schumann (1810-1856): Quartetos com Piano

F. Mendelssohn (1809-1847) / R. Schumann (1810-1856): Quartetos com Piano

Felix Mendelssohn

Robert Schumann

Quartetos com Piano

Märchenbilder

Este despretensioso disco reúne tantas coisas que eu gosto que decidi postá-lo. É mais um destes discos vendidos nas bancas junto com a BBC Music Magazine a esconder algumas gemas.

Felix Mendelssohn

O disco inicia com o Quarteto para Piano em si menor, Op. 3, de Mendelssohn, que foi composto quando Felix tinha apenas 16 anos. Nascido em família rica, ele foi criança prodígio e sua música tem muita ligação com a herança clássica de Mozart e Beethoven, mas com traços românticos, como em seu belíssimo Concerto para Violino. Este quarteto com piano é repleto de impetuosidade e brilhantismo.

Robert Schumann

Felix Mendelssohn e Robert Schumann foram amigos e nos primeiros dias do ano 1846, o casal Mendelssohn visitou o casal Schumann, que realizaram uma soirée. Nesta noite, Clara Schumann tocou a parte de piano e Mendelssohn a parte da viola do Quarteto para Piano em mi bemol maior de Robert Schumann. É uma obra de uma fase de intensa produção camerística do compositor, guarda muita beleza no Andante cantabile e imenso frescor nos outros movimentos. Fica um pouco na sombra do magnífico Quinteto com Piano, composto na mesma fase, mas é uma pequena obra prima.

Completam o disco quatro peças escritas por Schumann para viola e piano, os Märchenbilder, Op. 113. Schumann compôs estas peças para Wilhelm Joseph von Wasielewski, o primeiro violinista da Düsseldorf Musikverein, da qual Schumann era o diretor, e que fora roubado da Leipzig Gewandhaus, de Mendelssohn.

Talvez o Quarteto de Schumann seja a peça mais destacada do disco, mas as outras compõem com ele com muita harmonia.

Narek Hakhnazaryan
Juho Pohjonen

O disco, com repertório camerístico, tem por intérpretes músicos relativamente jovens, provenientes dos mais diferentes cantos do mundo. Como um produto típico de nossos dias, está repleto de diversidade. A sua gravação é proveniente da Chamber Music Society – CMS – do Lincoln Center, da cidade de Nova Iorque.

O violoncelista é Narek Hakhnazaryan, da Armênia, que em 2011 ganhou a Golden Medal do International Tchaikovsky Competition. Ao violino, Erin Keefe, a concertmaster da Minnesota Orchestra e detentora do Avery Fisher Carrer Grant de 2006. De uma geração anterior, o violista Paul Neubauer chegou ao posto de primeira viola da New York Philharmonic aos 21 anos, no início da década de 1980. Juho Pohjonen é um jovem pianista finlandês que tem se destacado por participar de muitos festivais de música e se apresentado com as principais orquestras do mundo.

Erin Keefe
Paul Neubauer

No entanto, o nome que me fez chegar ao disco é Da-Hong Seetoo, o produtor. A biografia de Da-Hong é impressionante. Nascido na China, de família musical, estudou violino na infância, mas tudo foi interrompido pela Revolução Cultural Chinesa. A música, os discos e livros, tudo foi banido de uma hora para outra. Nesta adversidade, Da-Hong acabou aprendendo muito sobre gravações. O gravador que ganhou de seu pai, que usava para gravar e regravar os discos que conseguiam emprestar, tudo por baixo dos panos, foi reparado por Da-Hong inúmeras vezes. Estudante do Conservatório de Shangai, foi ouvido em 1979 pelo primeiro violino da Sinfônica de Boston, Joseph Silverstein, que o recomendou para estudar no Curtis Institute of Music. Foi aceito sem mesmo uma audição. Posteriormente fez pós-graduação na Julliard School of Music. Neste período de estudos passou a gravar os discos de seus colegas. Esta experiência o ajudou a optar pela carreira de produtor de discos, na qual tem muito sucesso. Assim, seu nome completa esta constelação de talentos de diferentes países.

Da-Hong preparando-se para gravar a Abertura 1812

Felix Mendelssohn (1809 – 1847)

Quarteto com Piano em si menor, Op. 3

  1. Allegro molto
  2. Andante
  3. Allegro molto
  4. Finale: Allegro vivace

Robert Schumann (1810 – 1856)

Märchenbilder (para viola e piano), Op. 113

  1. Nicht schnell (Não rápido)
  2. Lebhaft (Vivo)
  3. Rasch (Rápido)
  4. Langsam, mit melancholischem Ausdruck (Lento, com expressão melancólica)

Quarteto com Piano em mi bemol maior, Op. 47

  1. Sostenuto assai – Allegro ma non tropo
  2. Scherzo: Molto vivace
  3. Andante cantábile
  4. Finale: Vivace

Juho Pohjonen, piano

Erin Keefe, violino

Paul Neubauer, viola

Narek Hakhnazaryan, violoncelo

Produção: Da-Hong Seetoo

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FLAC | 298 MB

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MP3 | 320 KBPS | 173 MB

Aproveite, nem sempre temos tantas pessoas interessantes juntas vindo tocar para a gente.

René Denon

Giovanni Battista Pergolesi (1710-1736) – Stabat Mater, Laudate Pueri Dominum, Confitebor Tibi Domine – Lezhneva, Jaroussky, Fasolis, I Barocchisti

É sempre um imenso prazer repostar o ‘Stabat Mater’, de Pergolesi. Trata-se de uma das mais belas obras já compostas, é de uma beleza e profundidade únicas, eleva o espírito, apesar de tratar da morte. É obra para meditar, para se esquecer dos problemas mundanos e concentrar-se. Lembro do impacto inicial que senti quando a ouvi pela primeira vez, com a nossa divina Dame Emma Kirkby, que com sua voz nos faz acreditar em anjos. O filósofo francês jean-Jacques Rosseau declarou que a Abertura da obra é o ‘mais perfeito e tocante dueto que já foi escrito pela pena de qualquer compositor’. E tenho de concordar com ele.
A dupla de solistas aqui é de peso pesados: a soprano russa Julia Lezhneva e o magnífico contra-tenor francês Phillipe Jaroussky Ambos estão em perfeita sintonia, suas vozes se complementam,  e tornam a obra ainda mais bela, mas Jarrousky ganha com um corpo de diferença. Para acompanhá-los, temos o excelente conjunto I Barocchisti, dirigido pelo experiente maestro Diego Fasolis, ou seja, só tem fera em Barroco aqui.
Lembro que uma das últimas gravações que o maestro italiano Claudio Abbado realizou foi exatamente destas três obras de Pergolesi, na verdade foram três CDs dedicados ao compositor, que ele admirava muito.
Em anexo aos arquivos de áudio compactados, em FLAC e MP3, também estou disponibilizando o booklet do CD, que tem um texto explicativo das obras, além de suas respectivas letras.
Discaço que certeza leva o selo de IM-PER-DÍ-VEL !!! Para se ouvir sem moderação.
Pergolesi viveu apenas vinte e seis anos, dá para acreditar que alguém em tal idade conseguiu compor obra de tal envergadura ?

01. Stabat Mater – Stabat Mater dolorosa
02. Stabat Mater – Cujus animam gementem
03. Stabat Mater – O quam tristis et afflicta
04. Stabat Mater – Quae moerebat et dolebat
05. Stabat Mater – Quis est homo qui non fleret
06. Stabat Mater – Vivit suum dulcem natum
07. Stabat Mater – Eja Mater, fons amoris
08. Stabat Mater – Fac ut ardeat cor meum
09. Stabat Mater – Sancta Mater, istud agas
10. Stabat Mater – Fac ut porterm Christi mortem
11. Stabat Mater – Inflammatus et accensus
12. Stabat Mater – Quando corpus morietur

Julia Lezhneva – Soprano
Phillipe Jaroussky – Contratenor
I Barrocchisti
Diego Fasolis – Conductor

13. Laudate pueri Dominum – Laudate pueri Dominum
14. Laudate pueri Dominum – A solis ortu usque ad occasum
15. Laudate pueri Dominum – Excelsus super omnes gentes Dominus
16. Laudate pueri Dominum – Quis sicut Dominus Deus noster
17. Laudate pueri Dominum – Suscitans a terra inopem
18. Laudate pueri Dominum – Gloria Patri
19. Laudate pueri Dominum – Sicut erat in principio

Julia Lezhneva – Soprano
Phillipe Jaroussky – Contratenor
I Barrocchisti
Coro della Radiotelevisione Svizzera, Lugano
Diego Fasolis – Conductor

20. Confitebor tibi Domine – Confitebor tibi Domine
21. Confitebor tibi Domine – Confessio et magnificentia opus ejus
22. Confitebor tibi Domine – Fidelia omnia mandata ejus
23. Confitebor tibi Domine – Rademptionem misit populo suo
24. Confitebor tibi Domine – Sanctum et terribile nomen ejus
25. Confitebor tibi Domine – Gloria Patri
26. Confitebor tibi Domine – Sicut erat in principio

Julia Lezhneva – Soprano
Phillipe Jaroussky – Contratenor
I Barrocchisti
Coro della Radiotelevisione Svizzera, Lugano
Diego Fasolis – Conductor

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J. S. Bach (1685-1750): O Cravo Bem Temperado — Livro II

J. S. Bach (1685-1750): O Cravo Bem Temperado — Livro II

Como eu escrevi dias atrás, na postagem do Livro I com Keith Jarrett, o I é muito melodioso, alegre e bem mais curto — em termos de tempo, não de peças — do que o Livro II. Se o primeiro nos alegra, o segundo faz-nos levitar em poesia. OK. O que não entendo é porque Jarrett gravou o Livro I no piano e o II no cravo… Como não li o libreto do CD e não sei a história da gravação, estou boiando a respeito dos motivos que o levaram a fazer isto. Mas a versão é convincente e gostei de ouvi-la.

O Cravo bem Temperado é uma das obras musicais mais importantes da música ocidental, de grande envergadura, profundidade, diversidade musical, estética e psicológica e de grande complexidade. Embora a obra de Bach não fosse a primeira composição pan-tonal (utilizando todas as tonalidades), foi de longe a mais influente. Beethoven foi fortemente influenciado por O Cravo Bem Temperado desde a sua juventude — quando a interpretação em concertos públicos de peças dos dois Livros de Bach, contribuiu para a sua fama e reputação.

J. S. Bach (1685-1750): O Cravo Bem Temperado — Livro II

Das Wohltemperierte Klavier, Buch II
Präludien Und Fugen I–XII

1-1 I. C-dur 4:12
1-2 II. C-moll 4:29
1-3 III. Cis-dur 3:31
1-4 IV. Cis-moll 6:00
1-5 V. D-dur 8:08
1-6 VI. D-moll 3:38
1-7 VII. Es-dur 4:57
1-8 VIII. Dis-moll 7:36
1-9 IX. E-dur 7:53
1-10 X. E-moll 7:15
1-11 XI. F-dur 5:41
1-12 XII. F-moll 5:49

Präludien Und Fugen XIII–XXIV
2-1 XIII. Fis-dur 5:53
2-2 XIV. Fis-moll 7:18
2-3 XV. G-dur 4:11
2-4 XVI. G-moll 6:24
2-5 XVII. As-dur 7:53
2-6 XVIII. Gis-moll 8:45
2-7 XIX. A-dur 3:12
2-8 XX. A-moll 7:14
2-9 XXI. B-dur 10:06
2-10 XXII. B-moll 8:10
2-11 XXIII. H-dur 5:20
2-12 XXIV. H-moll 4:09

Harpsichord, Technician [Temperaments And Tuning] – Keith Jarrett

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Jarrett: na primeira parte o piano, na segunda o cravo

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Concerto para Violino – Daniel Barenboim, Nathan Milstein, Erich Leinsdorf, Philharmonia Orchestra

Depois de um afastamento de algumas semanas do blog, volto fazendo uma brincadeira com os senhores. Trata-se do mesmo Concerto para Violino de Beethoven, op. 61, e já imortalizada por diversos solistas, só que com duas versões bem diferentes (não, não é a versão do Gidon Kremer / Nikolaus Harnoncourt) : o que trago é a versão para Piano do mesmo concerto, que o próprio Beethoven fez, aqui sob responsabilidade do Daniel Barenboim, que atua tanto como regente, quanto como solista, lá nos meados da década de 1970. Provavelmente trata-se de uma das obras mais bizarras do gênio de Bonn. A  outra versão é lá do Período Jurássico, 1961, classicaço, com o grande Nathan Milstein, acompanhado pela Orquestra Philharmonia, dirigida por Erich Leinsdorf.

Nem preciso falar muito. A música fala por si só. Trata-se apenas do maior dos Concertos para Violino já compostos (ou seria o de Brahms?). Reconheço que a versão para piano não me atrai, principalmente na escolha da Cadenza do primeiro movimento, mas quem sou eu para criticar a DG e o Daniel Barenboim?

 

1 Allegro ma non troppo
2 Larghetto
3 Rondo Allegro

Nathan Milstein – Violin
Philharmonia Orchestra
Erich Leinsdorf – Conductor

English Chamber Orchestra
Daniel Barenboim – Piano & Conductor

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BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (Violin Version)

J. S. Bach (1685-1750): O Cravo Bem Temperado — Livro I

J. S. Bach (1685-1750): O Cravo Bem Temperado — Livro I

O Cravo Bem Temperado é uma coleção de peças para cravo solo (ou, modernamente, teclado solo), composta por Johann Sebastian Bach. Ele inicialmente escreveu prelúdios e fugas tendo por base os 24 tons (12 maiores mais 12 menores), surgida em 1722 “para o proveito e uso dos jovens músicos desejosos de aprender e, especialmente, para o entretenimento daqueles já experientes com esse estudo”. Mais tarde, Bach compilou um segundo livro de prelúdios e fugas (seguindo o mesmo esquema de composição tonal do primeiro) aparecido em 1744, desta feita, intitulando-o apenas Vinte e quatro Prelúdios e Fugas. Atualmente, os dois volumes são conhecidos e citados como Livro I e Livro II de O Cravo Bem Temperado.

O Livro I é muito melodioso, alegre e bem mais curto — em termos de tempo, não de peças — do que o II. Se o primeiro nos alegra, o segundo faz-nos levitar em poesia.

A interpretação do gigante, dublê de jazzista e erudito, Keith Jarrett ao piano é das melhores, mas ainda fico com Chorzempa (cravo, clavicórdio e órgão, a melhor gravação que conheço), Hewitt (piano), Moroney (cravo) e Gould (piano).

J. S. Bach (1685-1750): O Cravo Bem Temperado — Livro I
Prelúdios e fugas I-XXIV

CD1
1-1 I C-Dur
1-2 I C-Dur
1-3 II C-Moll
1-4 II C-Moll
1-5 III Cis-Dur
1-6 III Cis-Dur
1-7 IV Cis-Moll
1-8 IV Cis-Moll
1-9 V D-Dur
1-10 V D-Dur
1-11 VI D-Moll
1-12 VI D-Moll
1-13 VII Es-Dur
1-14 VII Es-Dur
1-15 VIII Es-Moll/Dis-Moll
1-16 VIII Es-Moll/Dis-Moll
1-17 IX E-Dur
1-18 IX E-Dur
1-19 X E-Moll
1-20 X E-Moll
1-21 XI F-Dur
1-22 XI F-Dur
1-23 XII F-Moll
1-24 XII F-Moll

CD2
2-1 XIII Fis-Dur
2-2 XIII Fis-Dur
2-3 XIV Fis-Moll
2-4 XIV Fis-Moll
2-5 XV G-Dur
2-6 XV G-Dur
2-7 XVI G-Moll
2-8 XVI G-Moll
2-9 XVII As-Dur
2-10 XVII As-Dur
2-11 XVIII Gis-Moll
2-12 XVIII Gis-Moll
2-13 XIX A-Dur
2-14 XIX A-Dur
2-15 XX A-Moll
2-16 XX A-Moll
2-17 XXI B-Dur
2-18 XXI B-Dur
2-19 XXII B-Moll
2-20 XXII B-Moll
2-21 XXIII H-Dur
2-22 XXIII H-Dur
2-23 XXIV H-Moll
2-24 XXIV H-Moll

Piano – Keith Jarrett

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Jarrett: o jazzista amante de Bach

PQP

Shostakovich / Pärt / Kancheli / Rachmaninov: Echoes of Time

Shostakovich / Pärt / Kancheli / Rachmaninov: Echoes of Time

IM-PER-DÍ-VEL !!! (o disco é ótimo e o repertório… MINHA NOSSA!)

O som de Shostakovich pertence às primeiras memórias de Lisa Batiashvili. Durante sua infância, ela frequentemente ouvia o quarteto de cordas de seu pai ensaiar a música do compositor, e em casa e em concerto, este era o mundo sonoro que moldava seu senso de cultura.

Lisa Batiashvili e sua família deixaram a Georgia quando ela tinha onze anos de idade, mas a música de Shostakovich viajou com eles. Mark Lubotsky, seu professor em Hamburgo, foi aluno de David Oistrakh, para quem Shostakovich escreveu seus concertos de violino e, para a jovem Lisa Batiashvili, isso parecia uma linha direta com a fonte. “Quando minha professora começou a contar histórias sobre o Primeiro Concerto para Violino, eu me apaixonei completamente por essa peça. David Oistrakh havia compartilhado informações muito emocionais e precisas sobre cada movimento. De alguma forma, a peça se tornou simbólica do tempo na União Soviética, que eu também a havia experimentado durante os primeiros dez anos da minha vida. Os artistas, durante os tempos soviéticos, estavam procurando a liberdade que Shostakovich buscava através de sua música. A música era uma fuga e um símbolo de liberdade em um momento difícil. Quando viajei para Moscou com meus pais, encontramos muitas pessoas, e tive a forte impressão de que essa música era um reflexo do que eles estavam passando”.

Esta gravação de Lisa foi sua estreia na DG e traz, claro, o primeiro Concerto para Violino de Shostakovich. Sob o título Echoes of Time, Lisa Batiashvili reuniu uma coleção de obras que iluminam a Rússia soviética. Traz também a Georgia com uma belíssima peça de Kancheli, E a peça de Pärt é ainda melhor.

Com a pianista Hélène Grimaud, Lisa toca para Spiegel im Spiegel de Arvo Pärt e o Vocalise de Rachmaninov. “Estávamos planejando há anos tocar juntas. Ela adora esse tipo de repertório. Eu a admiro muito, não apenas por sua musicalidade, mas também como uma pessoa incrivelmente séria. Enquanto Pärt e Kancheli, como Shostakovich, ambos sentiam o peso da opressão soviética, a música de Rachmaninov expressa um desejo nostálgico por sua pátria. Ah, há também a Valsa Lírica de Shostakovich, escrita para piano e arranjada para violino e orquestra por meu pai, com ecos de outra era”, diz ela.

Alemanha, Finlândia, Geórgia, Moscou, França. Lisa Batiashvili menciona um número surpreendente de lugares que são quase, mas não completamente, sua casa. “Aconteceu com frequência nos últimos quinze anos que eu não tinha certeza de onde eu era. Quando voltei para a Geórgia, descobri que não entendia mais quem eu era ou de onde pertencia. Eu não me integrei totalmente ao estilo de vida alemão, me sentia uma convidada em todos os lugares. Por outro lado, para os músicos, é uma enorme vantagem poder fazer a sua casa onde quer que vá. Agora tenho um marido francês, nossos filhos nasceram na Alemanha e não me sinto mais desconfortável com esse modo de vida. Quando você traz música para o mundo todo, é importante ter uma conexão fácil com todos os tipos de pessoas. E então, no final, você não é mais um estranho em qualquer lugar ”.

Shostakovich / Pärt / Kancheli / Rachmaninov: Echoes of Time

Dmitri Shostakovich (1906 – 1975)
Violin Concerto No.1 in A minor, Op.99 (formerly Op.77)
1) 1. Nocturne (Moderato) [12:23]
2) 2. Scherzo (Allegro) [6:17]
3) 3. Passacaglia (Andante) [14:10]
4) 4. Burlesque (Allegro con brio – Presto) [4:42]

Giya Kancheli (1935 – )
5. V & V [10:51]

Dmitri Shostakovich (1906 – 1975)
Dance of the Dolls
6. Lyric Waltz (orchestrated by Tamas Batiashvili) [3:25]

Lisa Batiashvili
Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks
Esa-Pekka Salonen

Arvo Pärt (1935 – )
7. Spiegel im Spiegel [10:21]

Sergey Vasil’yevich Rachmaninov (1873 – 1943)
8. Vocalise, Op.34 No.14 [5:39]

Lisa Batiashvili
Hélène Grimaud

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Lisa Batiashvili: em casa (e fora dela) em qualquer lugar do mundo

PQP

W. A. Mozart (1756-1791): Concertos para Piano Nros. 20, 17 e 9 / Adágio e Fuga K. 546

W. A. Mozart (1756-1791): Concertos para Piano Nros. 20, 17 e 9 / Adágio e Fuga K. 546

A gente fica velho e bobô, velho e sensível. Ouvindo estes concertos, lembrei de como meu pai os amava — e de como até nos torturava, de tanto que os ouvia. Então, são obras que conheço de cor e salteado. A interpretação de Jarrett é mais seca e contida do que o habitual, mas é muito boa. Os concertos para piano e orquestra de Mozart formam um conjunto de vinte e sete obras desse gênero escritas entre 1767 e 1791. A estrutura de tais concertos é sempre a mesma, apesar de eles diferirem muito entre si. Eles seguem o esquema clássico de três movimentos: um primeiro rápido (costuma ser um ‘allegro’), um segundo lento (costuma ser um adagio ou um andante) e um terceiro rápido (normalmente, allegro). Quanto à forma, os primeiros andamentos são compostos em forma sonata, o segundo, em forma sonata abreviada, enquanto o terceiro costuma ser um rondó. Três de seus concertos para piano (os de números 20, 21 e 23) estão entre as obras mais gravadas e conhecidas da repertório do período clássico.

W. A. Mozart (1756-1791): Concertos para Piano Nros. 20, 17 e 9 / Adágio e Fuga K. 546

Concerto For Piano And Orchestra No. 20 In D Minor K. 466
1-1 Allegro 14:57
1-2 Romance 9:14
1-3 Allegro Assai 8:16

Concerto For Piano And Orchestra No. 17 In G Major K. 453
1-4 Allegro 12:38
1-5 Andante 10:05
1-6 Allegretto – Finale: Presto 7:45

Concerto For Piano And Orchestra No. 9 In E-flat Major K. 271 “Jeunehomme”
2-1 Allegro 10:57
2-2 Andantino 10:31
2-3 Rondeau: Presto 10:54

2-4 Adagio And Fugue In C Minor K. 546 For String Orchestra

Piano – Keith Jarrett
Orchestra – Stuttgarter Kammerorchester
Conductor – Dennis Russell Davies

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Retrato do gênio após aos 70

PQP

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas BWV 91, 121, 40 e 110

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas BWV 91, 121, 40 e 110

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Comentário recebido aqui no PQP Bach. O autor é Sal. Certamente trata-se de um caso severo de hipobachemia, doença grave e incurável.

“Sem exagerar, estou a procura de conselho.

“Eu peguei uma doença. Sério, faz bem quase um ano que 99% do meu tempo de audição é dedicado às Cantatas de Bach (e eu nem ouço música o dia todo), não consigo ouvir outra coisa, parece que mais nada me satisfaz, sempre que tento outra coisa me sinto tentado a voltar ao vasto território das Cantatas.

“Aprender e apreciar essa parte de Bach tem sido uma experiência cultural e humana incansável. E viciante.

“Como me desvencilhar? Até agora não consegui esgotar esse repertório.

“Alguém já teve doença igual? Ou parecida?”

Eu respondi: “Também sofro de hipobachemia. Não consigo passar muito tempo longe Dele. Mas teu caso parece ser mais severo. Nunca vi algo tão centrado nas Cantatas. Tens Unimed?”.

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas BWV 91, 121, 40 e 110

For Christmas Day
Gelobet Seist Du, Jesu Christ BWV 91 (16:02)

1 1. Coro (Choral) Gelobet Seist Du, Jesu Christ 2:46
2 2. Recitativo E Choral: Soprano Der Glanz Der Höchsten Herrlichkeit 1:54
3 3. Aria: Tenor Gott, Dem Der Erden Kreis Zu Klein 2:26
4 4. Recitativo: Bass O Christenheit! 1:16
5 5. Aria (Duetto): Sopran, Alto Die Armut, So Gott Auf Sich Nimmt 6:50
6 6. Choral Das Hat Er Alles Uns Getan 0:48

Christum Wir Sollen Loben Schon BWV 121 (18:04)
7 1. Coro (Choral) Christum Wir Sollen Loben Schon 2:37
8 2. Aria: Tenor O Du Von Gott Erhöhte Kreatur 4:36
9 3. Recitativo: Alt Der Gnade Unermesslich’s Wesen 1:11
10 4. Aria: Bass Johannis Freudenvolles Springen 7:37
11 5. Recitativo: Sopran Doch Wie Erblickt Es Dich In Deiner Krippe? 0:55
12 6. Choral Lob, Ehr Und Dank Sei Dir Gesagt 1:05

For The Second Day Of Christmas
Dazu Ist Erschienen Der Sohn Gottes BWV 40 (14:32)

13 1. Coro Dazu Ist Erschienen Der Sohn Gottes 3:59
14 2. Recitativo: Tenor Das Wort Ward Fleisch Und Wohnet In Der Welt 1:21
15 3. Choral Die Sünd Macht Leid 0:47
16 4. Aria: Bass Höllische Schlange 1:54
17 5. Recitativo: Alt Die Schlange, So Im Paradies 1:09
18 6. Choral Schüttle Deinen Kopf Und Sprich 0:48
19 7. Aria: Tenor Christenkinder, Freuet Euch! 3:26
20 8. Choral Jesu, Nimm Dich Deiner Glieder 1:03

Unser Mund Sei Voll Lachens BWV 110 (22:16)
21 1. Coro Unser Mund Sei Voll Lachens 6:10
22 2. Aria: Tenor Ihr Gedanken Und Ihr Sinnen 3:59
23 3. Recitativo: Bass Dir, Herr, Ist Niemand Gleich 0:31
24 4. Aria: Alt Ach Herr, Was Ist Ein Menschenkind 3:21
25 5. Aria (Duetto): Sopran, Tenor Ehre Sei Gott In Der Höhe 3:43
26 6. Aria: Bass Wacht Auf, Ihr Adern Und Ihr Glieder 3:34
27 7. Choral Halleluja! Halleluja! Gelobt Sei Gott 0:55

Alto Vocals – Robin Tyson (tracks: 1-6, 13-20), William Towers (tracks: 7-12, 21-27)
Bass Vocals – Peter Harvey
Choir – The Monteverdi Choir
Conductor – Gardiner
Orchestra – The English Baroque Soloists
Soprano Vocals – Joanne Lunn (tracks: 21-27), Katharine Fuge (tracks: 1-12)
Tenor Vocals – James Gilchrist

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Vale repetição.

PQP

G. F. Handel (1685-1759): As Cantatas Italianas, Vol. IV – Aminta e Fillide / Clori, mia bella Clori

G. F. Handel (1685-1759): As Cantatas Italianas, Vol. IV – Aminta e Fillide / Clori, mia bella Clori

Mais um lindo disco desta notável empreitada de Bonizzoni e seu excelente conjunto La Risonanza. Entre 1707 e 1709, Haendel fez três viagens à Itália e se tornou um dos mais importantes compositores do estilo do país. Além de óperas, oratórios e música de circunstância de várias naturezas, Handel compôs, nesse período, quase uma centena de cantatas profanas. Scarlatti, o pai, é uma influência dominante. Aqui, o camaleão Handel sofria sua primeira transformação. Apesar de que muitas dessas obras sejam de textura bastante simples, para uma única voz e baixo-contínuo somente, são belas peças. Pelo menos 60% delas incluem instrumentos obbligati e, por vezes, movimentos puramente instrumentais. Esse gênero foi logo abandonado quando nosso camaleão resolveu ser um compositor tipicamente inglês, ou seja, ao estabelecer residência em Londres. Mas suas cantatas da juventude são um magnífico tesouro que têm recebido muito pouca atenção, pois quem levaria à sério a obra italiana de um jovem músico alemão de vinte e poucos anos que viria a preferir viver em Londres? Pois ouça o disco e sinta nos ouvidos o tamanho do engano.

G. F. Handel (1685-1759): As Cantatas Italianas, Vol. IV – Aminta e Fillide / Clori, mia bella Clori

01 – Aminta e Fillide HWV 83 – Sinfonia & Recitativo- Arresta il passo
02 – Aminta e Fillide HWV 83 – Aria- Fermati, non fuggir!
03 – Aminta e Fillide HWV 83 – Recitativo- Questa sol volta almeno
04 – Aminta e Fillide HWV 83 – Aria- Fiamma bella ch’al ciel invita
05 – Aminta e Fillide HWV 83 – Recitativo- Credi a’miei detti, Aminta
06 – Aminta e Fillide HWV 83 – Aria- Forse ch’un giorno
07 – Aminta e Fillide HWV 83 – Recitativo- Invano, invan presumi
08 – Aminta e Fillide HWV 83 – Aria- Fu scherzo, fu gioco
09 – Aminta e Fillide HWV 83 – Recitativo- Libero piè fugga dal laccio
10 – Aminta e Fillide HWV 83 – Aria- Se vago rio
11 – Aminta e Fillide HWV 83 – Recitativo- D’un incognito foco
12 – Aminta e Fillide HWV 83 – Aria- Sento ch’il Dio bambino
13 – Aminta e Fillide HWV 83 – Recitativo- Felicissimo punto, in cui nel seno
14 – Aminta e Fillide HWV 83 – Aria- Al dispetto di sorte crudele
15 – Aminta e Fillide HWV 83 – Recitativo- Vincesti, Aminta, e l’amoroso affanno
16 – Aminta e Fillide HWV 83 – Aria- È un foco quel d’amore
17 – Aminta e Fillide HWV 83 – Recitativo- Gloria bella d’Aminta
18 – Aminta e Fillide HWV 83 – Aria- Chi ben ama non paventi
19 – Aminta e Fillide HWV 83 – Recitativo- E pur, Filli vezzosa
20 – Aminta e Fillide HWV 83 – Aria- Non si può dar un cor
21 – Aminta e Fillide HWV 83 – Recitativo- O felice in amor dolce tormento
22 – Aminta e Fillide HWV 83 – Duetto- Per abbatere il rigore
23 – Clori, mia bella Clori HWV 92 – Recitativo- Clori, mia bella Clori
24 – Clori, mia bella Clori HWV 92 – Aria- Chiari lumi, voi che siete
25 – Clori, mia bella Clori HWV 92 – Recitativo- Temo, ma pure io spero
26 – Clori, mia bella Clori HWV 92 – Aria- Ne’gigli e nelle rose
27 – Clori, mia bella Clori HWV 92 – Recitativo- Non è però che non molesta e grave
28 – Clori, mia bella Clori HWV 92 – Aria- Mie pupille
29 – Clori, mia bella Clori HWV 92 – Recitativo- Tu, nobil alma, intanto
30 – Clori, mia bella Clori HWV 92 – Aria- Di gelosia il timore

Maria Grazia Schiavo – Soprano
Nuria Rial – Soprano
La Risonanza
Fabio Bonizzoni – Harpsichord & direction

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Handel na Itália

FDP / PQP (texto desta repostagem)

Beethoven (1770-1827): Sinfonia Nº 9 Coral – Leopold Stokowski (1882-1977)

Beethoven (1770-1827): Sinfonia Nº 9 Coral – Leopold Stokowski (1882-1977)

Esta é a segunda postagem em homenagem ao maestro Leopold Anthony Stokowski que nasceu em 18 de abril de 1882 em Marylebone, uma área do centro-norte de Londres. Considerado o maestro mais extravagante do século 20. O cara era tão famoso por seus efeitos chamativos quanto por sua produção musical. Embora sempre aclamado tecnicamente como um grande maestro, ele foi, até recentemente, desprezado por intelectuais e críticos “sérios” por ser um maestro que muitas vezes barateava e alterava a música original por aceitação popular. Como era moda entre alguns dos maestros da primeira metade do século XX, ele re-orquestrava grandes obras-primas com frequência, fazendo por exemplo Bach soar como Tchaikovsky, e ele frequentemente cortava partituras e reescrevia seus finais. Hoje há um novo respeito por suas orquestrações e pelo rico som que ele obteve de suas orquestras.

Ele foi, até a época de Leonard Bernstein , um dos mais populares, bem como um dos melhores, maestros do século XX. Seu trabalho na rádio e gravações o tornaram, junto com o maestro Arturo Toscanini , um nome familiar, mesmo entre aqueles que nunca haviam assistido a um concerto clássico.

Nas próximas postagens faremos uma breve biografia , baseado no site oficial do maestro (www.stokowski.org). Porque agora compartilharei e tentarei tecer um despretensioso texto com os amigos do blog sobre “a maior das sinfonias”….

“All Men shall be Brothers…”, “Todos os homens devem ser irmãos …” assim está escrito em letras garrafais na capa original do meu velho e de todos o mais querido LP.

Em 1818, depois de ter completado a Sonata Hammerklavier, Beethoven começou a rascunhar uma sinfonia em Ré menor, conseguindo escrever algum material para o primeiro movimento, acrescentando algumas anotações especulativas para os outros três. O primeiro movimento veio antes; depois os outros cresceram lentamente, na ordem, entre a primavera de 1823 e o final do ano; uma parte do trabalho foi feita durante os retiros de verão de Beethoven em Hetzendorf e Baden, e o restante depois do seu retorno a Viena, em outubro. A elaboração do final em sua forma definitiva exigiu um extenso trabalho antes que a melodia fosse encontrada, e as diferentes versões que Beethoven tentou em seus rascunhos mostram os muitos estágios do trabalho que teve para chegar à melodia principal, que parece ser, em sua forma final, um protótipo de simplicidade melódica. A ideia de Beethoven de musicar o poema de Schiller é mencionada por um conhecido de Bonn já em 1793; cinco anos mais tarde, Beethoven escreveu rapidamente um rascunho para as palavras “Muss ein lieber Vater wohnen” (“Certamente habita um Pai amado”) do primeiro coro da “Ode”. Sua Fantasia coral, de 1808, antecipa o final da Nona combinando o coro e a orquestra num conjunto de variações que culminam numa melodia natural sobre um texto edificante e benigno acerca de” Fried und Frade” (“paz e alegria”). A “Ode a Alegria” de Schiller (1759 – 1805) havia obcecado a mente de Beethoven por trinta anos; encontrou nela a glorificação poética do humanismo e dos ideais progressistas da Revolução Francesa, tão arraigados em seu espírito.

No “Caderno de Conversação” de Beethoven seu amigo Schindler escreveu o sentimento da turbulência que envolvia a política e a moral da época: “… Antes da Revolução Francesa havia grade liberdade de pensamento e liberdade política. A revolução tornou o governo e a nobreza desacreditados perante as pessoas comuns, o que levou à atual repressão…. Os regimes, como são agora constituídos, não estão de acordo com as necessidades da época; consequentemente, eles terão que mudar ou se tornar mais condescendentes, ou seja, tomar-se um pouco diferentes.”

Schiller e Beethoven

É nesse cenário que devemos considerar a decisão de Beethoven, em 1821-24, de retomar sua velha ideia de compor sobre o poema de Schiller a “Ode a alegria” e de apresentá-lo não como uma canção solo para ser ouvida nos salões privados dos amantes da música, mas como um hino que pudesse ser apresentado na sala de concerto, na maior proporção possível, e na maioria dos ambientes públicos, a mais pública das composições. Seu plano posterior, tornar essa melodia o clímax de uma grande sinfonia, lembra remotamente o uso que Haydn fez do seu famoso hino “Gott erhalte Franz den Kaiser”, integrando-o como um movimento lento com variações em seu Quarteto em Dó maior no 3, Opus 76, composto em 1797, apenas alguns meses depois de ter escrito o próprio hino. Nessa nova sinfonia, centralizada na “Ode a alegria” de Schiiler, Beethoven queria deixar um monumento público dos seus sentimentos liberais, para a posteridade. Sua decisão de elaborar uma grande obra para transmitir a visão utópica do poeta sobre a irmandade humana é uma declaração de apoio aos princípios de democracia, numa época em que a ação política direta, em relação a esses princípios, era difícil e perigosa. A seu modo, a sinfonia lhe permitiu realizar o que Shelley queria dizer quando chamou os poetas de “os legisladores não reconhecidos do mundo”.

A Nona, em meu ponto de vista, foi escrita para reviver um idealismo perdido. Ela representava uma forte afirmação política, feita num tempo em que as possibilidades práticas de realizar os ideais de fraternidade universal tinham sido virtualmente extintas pelos regimes pós-napoleônicos. A decisão de Beethoven de completar a obra com o poema de Schiller pretendeu, assim, corrigir o equilíbrio, enviar uma mensagem de esperança para o futuro e proclamar essa mensagem para o mundo. Musicando estrofes selecionadas, Beethoven escolheu textos que iriam enfatizar primeiro a fraternidade humana entrando no reino da santidade em busca da alegria, depois a voz do compositor (como, antes dele, a do poeta), que apaixonadamente abraça as multidões e as incita a olhar para o alto: “irmãos, acima da abóbada estrelada do céu, um Pai amado deve habitar”.

Beethoven a concluiu doze anos depois da “Oitava”. Sua elaboração foi precedida por vários anos de depressão e total desespero. Um período em que quase nada produziu. Em grande parte, a extraordinária visão universal de Beethoven surgiu da tragédia privada. Nas últimas duas décadas, Beethoven tornou-se inteiramente surdo, a pior perda possível para um músico e um que constantemente o mergulhou no desespero. No entanto, apesar de uma maldição pessoal, sua aflição tornou-se um benefício gigantesco para a humanidade, pois o libertou do reino do som real e permitiu que ele ouvisse em um nível que os outros não podiam sequer começar a imaginar.

A grande obra estava pronta para sua apresentação de estreia – um evento muito esperado em Viena – em 9 de maio de 1824, juntamente com a abertura “A consagração da casa”, e os três movimentos da “Missa Solemnis”. Esse foi o famoso concerto no qual um Beethoven surdo precisou ser virado para a plateia, que o ovacionava ruidosamente. A imersão de Beethoven em um mundo próprio foi aparente nesta estreia. Ele ficou tão absorto em si mesmo que continuou a bater os compassos para o maestro muito tempo depois que a peça terminou – somente quando um dos solistas pegou em seu braço e o virou para encarar a plateia ele percebeu o que estava acontecendo. Só assim pode fazer uma respeitosa reverência ao público em agradecimento.

Ela pode ser claramente vista como a mais ampla expressão musical de Beethoven, daquilo que ele disse para a desconhecida Emilie M. numa carta de 1812: que “a arte não tem limites”, que o artista se esforça incessantemente porque “ainda não alcançou o ponto que o seu melhor gênio só ilumina como uma estrela distante”. Ao utilizar a “Ode à alegria” de Schiller para se dirigir diretamente à humanidade como um todo, Beethoven transmite a luta individual e de milhões para abrir seu caminho experimentando desde a tragédia até o idealismo e para preservar a imagem da fraternidade humana como uma defesa contra a escuridão.

Para citar um amargo crítico, “…esta sinfonia sobreviveu a despeito do fato de que “o cânone” se tornou o ossificado objeto de uma genuflexão automática, inteiramente perturbada,…, os avanços técnicos e estilísticos de Beethoven há muito tempo foram absorvidos e amplamente sobrepujados pela linguagem moderna”. Ao que eu poderia responder que o “cânone” pode ter ossificado a mente dos críticos devido à superexposição, mas seus ossos possuem a estranha capacidade de recuperar carne e sangue quando novas gerações têm acesso às suas melhores obras e interpretações e se comovem com a inteligência dos antigos e os valores humanos que elas incorporam.

Sinfonia No.9 em ré menor, op.125 – Coral

O primeiro movimento da última sinfonia de Beethoven inicia-se de forma original e totalmente novo para a época. Maynard Solomon cita o “senso de expectativa, logo a ser cumprido por uma aceleração na vida, … um enigma a ser resolvido no resto da peça”. Nenhuma sinfonia antes desta havia iniciado com pura atmosfera de suspense, em que o compositor obscurece e depois evoca os três elementos básicos da música – tonalidade, ritmo e melodia – que ele deliberadamente deixa em aberto a todas as possibilidades. O mais antigo e misterioso intervalo da música, A (lá) e E (mi), sugere A maior ou menor. A orquestra soa como um tremolo sem ritmo. Esse é apenas o primeiro meio minuto! Todo o primeiro movimento é uma viagem extremamente dramática, mas coesa, através da exposição, desenvolvimento e recapitulação da forma de sonata estabelecida. Beethoven encerra com uma coda apropriada que retorna ao mistério da introdução do tema inicial.

O segundo movimento, um scherzo, combina brilhantemente a tensão nervosa e explosões alegres. Embora muitas vezes ofuscada pelos outros movimentos, ela também começa com uma inovação surpreendente de tímpanos sendo usados não apenas em seu papel habitual de reforço rítmico, mas como um solo melódico. A libertação que Beethoven introduziu para este instrumento anteriormente coadjuvante indubitavelmente inspirou Berlioz (em sua Symphonie Fantastique), Mahler (sua Sexta Sinfonia), Stravinsky (seu Rito da Primavera) e tantos outros, e possivelmente pavimentou o caminho para usos improvisados. Outro grande avanço foi o uso da pausa (silêncio) como elemento musical – dos oito compassos do tema, quatro não contêm notas. O conceito de tratar o som e a calma como componentes musicais iguais é completamente moderno para a época e uma base essencial para o minimalismo e a música aleatória.

O terceiro movimento é o mais formal e convencional dos quatro, um devaneio adorável e melancólico de variações de dois temas complementares que acalma a plateia para a complexidade emocional do movimento final.

O milagre do quarto movimento talvez seja a realização mais significativa do compositor e a mais profunda prova de seu gênio – Beethoven pega uma sacola de ideias aparentemente aleatórias e não-relacionada e consegue integrá-las em uma estrutura que não é apenas totalmente coesa, mas imensamente enriquecida pela diversidade de seus componentes (e assim simbolicamente ilustra seu tema da universalidade da humanidade). De fato, Beethoven não desafia, mas transcende a racionalidade.


Ó, amigos, não esses sons!
Em vez disso, cantemos algo mais
Agradável e alegre

Alegre! Alegre!

Alegria, formosa centelha divina
Filha do Elíseo
Ébrios de fogo entramos
Em teu santuário celeste!
Tua magia volta a unir
O que o costume rigorosamente dividiu
Todos os homens se irmanam
Ali onde teu doce voo se detém

Quem já conseguiu o maior tesouro
De ser o amigo de um amigo
Quem já conquistou uma mulher amável
Rejubile-se conosco!

Sim, e também aquele que chame de sua
Apenas uma só alma no mundo
Mas aquele que falhou nisso
Que fique chorando sozinho!

Alegria bebem todos os seres
No seio da Natureza
Todos os bons, todos os maus
Seguem seu rastro de rosas

Ela nos deu beijos e vinho e
Um amigo leal até a morte
Deu força para a vida aos mais humildes
E ao querubim que se ergue diante de Deus!

Alegremente, como seus sóis voem
Através do esplêndido espaço celeste
Se expressem, irmãos, em seus caminhos
Alegremente como o herói diante da vitória

Abracem-se milhões!
Enviem este beijo para todo o mundo!
Irmãos, além do céu estrelado
Mora um Pai Amado
Milhões, vocês estão ajoelhados diante Dele?
Mundo, você percebe seu Criador?
Procure-o mais acima do Céu estrelado!
Sobre as estrelas onde Ele mora!

Abracem-se milhões!
Enviem este beijo para todo o mundo!
Irmãos, além do céu estrelado
Mora um Pai Amado
Abracem-se milhões!
Enviem este beijo para todo o mundo!
Alegria, formosa centelha divina
Filha do Elíseo
Alegria, formosa centelha divina, centelha divina !

De todas as obras de Beethoven, a Nona sinfonia tem tido o impacto mais amplo, e o espectro mais variado de interpretações. Desde o tempo de Beethoven até os nossos dias, gerações de eruditos, músicos, artistas e críticos deram um passo à frente para dar voz a suas interpretações, muitos deles focalizando somente a “Ode”, em vez de a sinfonia como um todo.

Esta foi a primeira gravação da Sinfonia número 9 de Beethoven que possuí, dada por um querido tio italiano (Paschoal) que adorava samba. Este disco tem a falha horrível de dividir o terceiro movimento entre os lados “A” e “B” . A música, claro, é subjetiva, e muitos fatores podem afetar nossas decisões o fato é que ainda depois de mais de quarenta anos desde a minha primeira audição deste vinil é a performance que mais gosto. Mas isso realmente não importa, cada um de nós tem sua própria nostalgia. Há excelentes gravações desta obra, som digital, orquestras afiadas, regentes modernos e talentosos tantas vezes postados aqui no blog (esta versão AQUI do amigo fdpbach por exemplo). Leopold, no entanto, ainda traz aos meus ouvidos todo o poder, intensidade e amplitude que se poderia desejar, e os últimos momentos da sinfonia – momentos que costumo usar como um desempate quando se trata de julgar uma performance – é para mim a melhor. Eu absolutamente amo do começo ao fim o velho LP.

A interpretação de Stokowski da 9ª sinfonia de Beethoven tem muitos bons momentos e é uma adição valiosa a qualquer coleção de Beethoven. É incrivelmente leve e claro, especialmente para um regente que tinha 85 anos quando o gravou; Stokowski gera nobreza e grandeza sem nunca se arrastar. O coro e os solistas são excelentes: Heather Harper é vibrante e apaixonada. Sempre é um prazer ouvir os tons ricos de Heather Watt, Alexander Young é surpreendentemente incisivo para uma voz tenor e Donald McIntyre uma torre de força.

Aumentem o volume do aparelho e viajem nesta magnífica interpretação de Leopold Stokowski !

Sinfonia No.9 em ré menor, op.125 – Coral
02 – Beethoven – Symphony No.9 in D minor, op.125 ‘Choral’ I. Allegro ma non troppo, un poco maestoso
03 – Beethoven – Symphony No.9 in D minor, op.125 ‘Choral’ II. Molto vivace, Scherzo
04 – Beethoven – Symphony No.9 in D minor, op.125 ‘Choral’ III. Adagio molto e cantabile
05 – Beethoven – Symphony No.9 in D minor, op.125 ‘Choral’ IV. Presto

Leopold Stokowski regendo a Orquestra Sinfonica de Londres e Coro
Coro: John Alldis
Heather Harper, Soprano;
Helen Watts, Contralto;
Alexander Young, Tenor;
Donald McIntre, Baixo.
Recorded at Kingsway Hall, London on 20th-21st September 1967
Disco – 1970, The Decca Record Company Limited, London

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“Todos os homens devem ser irmãos …” Quem sabe Beethoven, quem sabe….

Franz Schubert (1797-1828): Violin Sonatas (CD 1 de 2)

Franz Schubert (1797-1828): Violin Sonatas (CD 1 de 2)

Mutter é a mais exibida. E talvez seja a melhor de todas essas belas violinistas que apareceram nas últimas décadas. Hahn vai na mesma linha, mas tem a característica de ser muito bem humorada e de não se levar muito a sério — o que é uma enorme qualidade. Jansen é a mais sanguínea e gosto muito dela. Mas creio que minha preferência vá para Julia Fischer, a mais discreta, a mais voltada para dentro de si, a mais íntima delas (opinião de PQP em post original de FDP). 

Depois do bombardeio japonês-schubertiano do mano PQP, resolvi contra-atacar com artilharia não tão pesada, mas certamente mortal. Estou para postar esta pérola já há algum tempo, mas sempre aparecia outra coisa para atrapalhar, ou me fazer mudar de ideia.

Julia Fischer é uma das melhores violinistas que surgiram nos últimos anos, ela garota tem um talento indiscutível, e não teme se expor, como fez em suas gravações dos concertos de Papai Bach. E seu colega Martim Helmchem também mostra um talento ímpar. Reparem, por exemplo, no perfeito balanço que conseguem ao tocarem o andante da sonata D. 385. Não sei se rola alguma coisa entre os dois.

Este CD que ora posto é belíssimo, e traz um Schubert que eu até então desconhecia: suas sonatas para violino e piano, claramente inspiradas no gênio beethoveniano. São obras muito inspiradas, e tocadas com grande paixão pelo jovem casal de instrumentistas.

Trata-se de um CD para ser apreciado com calma e tranquilidade, de preferência lendo um bom livro e tomando um bom vinho. Espero que apreciem.

Franz Schubert (1797-1828): Violin Sonatas (CD 1 de 2)

Sonata (Sonatina) For Violin And Piano In D Major / D-Dur, D 384 (Op. 137, No. 1)
1-1 Allegro Molto 4:10
1-2 Andante 4:25
1-3 Allegro Vivace 4:00

Sonata (Sonatina) For Violin And Piano In A Minor / A-Moll, D 385 (Op. 137, No. 2)
1-4 Allegro Moderato 6:48
1-5 Andante 7:29
1-6 Menuetto (Allegro) 2:13
1-7 Allegro 4:36

Sonata (Sonatina) For Violin And Piano In G Minor / G-Moll, D 408 (Op. 137, No. 3)
1-8 Allegro Giusto 4:46
1-9 Andante 4:43
1-10 Menuetto (Allegro Vivace) 2:28
1-11 Allegro Moderato 4:04

Rondo For Violin And Piano In B Minor / H-Moll “Rondo Brillant”, D 895 (Op. 70)
1-12 Andante – Allegro 14:28

Julia Fischer – Violino
Martin Helmchen – Piano

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Bom dia, Julia | Foto: Felix Broede

FDP

Jean-Philippe Rameau (1683-1764): Règne Amour (Árias de amor de diversas óperas)

Jean-Philippe Rameau (1683-1764): Règne Amour (Árias de amor de diversas óperas)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um belíssimo disco maravilhosamente bem interpretado pelo soprano Carolyn Sampson e a Ex Cathedra. O repertório — igualmente muito bem escolhido — são de árias de amor escritas por Rameau para suas óperas. Tudo coisa do melhor nível.

Além de eventualmente tecer bons comentários em nosso blog, Jean-Philippe Rameau foi um dos maiores compositores do período Barroco. Na França, porém, é tido como a maior expressão do Classicismo… Bem, são franceses. Filho de um organista da catedral de Dijon, Rameau seguiu a carreira do pai, na qual distinguiu-se desde cedo, trabalhando em várias catedrais. Não foi apenas um dos compositores franceses mais importantes do século XVIII, como também influenciou a teoria musical. Seu estilo de composição lírica pôs fim ao reinado póstumo de Jean-Baptiste Lully, cujo modelo dominara a França por meio século. Rameau foi grande, grandíssimo.

Jean-Philippe Rameau (1683-1764): Règne Amour (Árias de amor de diversas óperas)

1. Fra le pupille (Les Indes galantes)
2. Rigaudon I & II — Fuyez, vents orageux ! (Les Indes galantes)
3. Tambourin I & II — Partez ! (Les Indes galantes)
4. Régnez, Amour (Les Indes galantes)
5. Tempête : La nuit couvre les cieux ! (Les Indes galantes)
6. C’est trop soupirer (Les Paladins)
7. Soleil, fuis de ces lieux ! (Platée)
8. Règne Amour (Zoroastre)
9. Marche — Par tes bienfaits (Dardanus)
10. Air gracieux — L’Amour, le seul Amour (Dardanus)
11. Menuet en rondeau — Si l’Amour coûte des soupirs (Dardanus)
12. Tambourin I & II (Dardanus)
13. Du pouvoir de l’Amour (Pygmalion)
14. Rossignols amoureux (Hippolyte et Aricie)
15. Musettes, résonnez — Menuet en rondeau (Les Indes galantes)
16. Formons les plus brillants concerts(Platée)
17. Aux langueurs d’Apollon(Platée)
18. Honneur à la Folie — Aimables jeux(Platée)
19. Honneur à la Folie — Je veux finir — Hymen(Platée)

Carolyn Sampson
Ex Cathedra Choir and Baroque Orchestra
Jeffrey Skidmore

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Super Sampson

PQP