Samuel Barber (1910 – 1981) – Concerto for Violin & Orchestra, Op.14, Erich Wolfgang Korngold (1897 – 1957) Violin Concerto In D Major, Op.35 – André Previn, Gil Shaham, LSO

Esse CD é tão lindo que dói. Os apreciadores de Samuel Barber e de Erick Korngold irão ficar mais do que satisfeitos com o magnífico trabalho dessa dupla formada pelo então jovem violinista de apenas 23 anos de idade, Gil Shaham, e pelo maestro e também pianista, falecido em fevereiro deste ano, André Previn. Melancólicos, doloridos, estes dois concertos são obras marcantes e quase um retrato do Século XX, e que resumem de certa forma o que foi o século passado: guerras, bombas, tristezas, mas ao mesmo tempo, alegrias pelas grandes conquistas da ciência e do desenvolvimento tecnológico, que nos permitiram ter acesso a estes momentos únicos de lirismo e por que não dizer, romantismo.

Não tenho dúvidas ao aplicar esse CD com o selo de qualidade do PQPBach:  IM-PER-DÍ-VEL !!!

Samuel Barber (1910 – 1981)
Concerto for Violin & Orchestra, Op.14

1.1. Allegro
2.2. Andante
3.3. Presto in moto perpetuo

Erich Wolfgang Korngold (1897 – 1957)
Violin Concerto In D Major, Op.35

4.1. Moderato nobile
5.2. Romance: Andante
6.3. Finale: Allegro assai vivace
Gil Shaham
London Symphony Orchestra
André Previn

Much Ado About Nothing – Incidental Music

7.No. 2 The Maiden in the Bridal Chamber
8.No. 3 Dogberry and Verges
9.No. 4 Intermezzo
10.No. 5 Masquerade

Gil Shaham – Violin
André Previn – Piano

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Shostakovich: DVD dos 24 Prelúdios e Fugas com Tatiana Nikolayeva

MI0001172234POSTADO POR PQP BACH EM 18/10/2010, REVALIDADO POR VASSILY EM 29/8/2015 E 18/12/2019

Que seria de nosso blogue sem os leitores-ouvintes? Como se não bastasse serem a própria razão por que existimos, recebendo a música que polinizamos pela blogosfera e contribuindo com o influxo de comentários, volta e meia ainda nos ajudam a aumentar ou (como é o caso) restaurar o acervo do PQP Bach.

Este excelente DVD com a integral do Op. 87 por Tatiana Nikolayeva já tinha sido disponibilizada pelo leitor Rafael Pascini, mas foi tragada pelo desabamento do Megaupload. Graças a um outro leitor, o Angelo, o DVD volta para a alegria dos fãs desse monumento musical do século XX.

Cadê a lista, aquela?

Konstantin Scherbakov

Vladimir Ashkenazy

Tatiana Nikolayeva, em três versões: a primeira (1961), a segunda (1987) e  a derradeira (1990)

Keith Jarrett

Peter Donohoe

Aleksander Melnikov

BÔNUS: DVD sobre Nikolayeva com uma integral do Op. 87 de Shosta

Uma salva de palmas para o Angelo, gurizada!

Vassily

POSTAGEM ORIGINAL DE PQP BACH EM 18/10/2015

Texto e uploads: Rafael Pascini (deixado nos comentários deste blog).

O ciclo de 24 prelúdios e fugas de Shostakovich sempre ocupou um lugar especial no repertório de Tatiana Nikolayeva. Ela inspirou e estreou a obra em Leningrado em 1952 e também foi a última peça que ela apresentou no palco antes de sua morte prematura em 1993. O longa amizade entre o compositor e a intérprete começou quando, aos 26 anos de idade, Nikolayeva ganhou o primeiro prêmio no Concurso Internacional de Piano Bach em 1950 na cidade de Leipzig, organizada para o bicentenário da morte compositor alemão. Como um membro do júri, Shostakovich ficou imensamente impressionado com sua maneira de tocar. Inspirado pela experiência, ele retornou a Moscou para compor o seu próprio conjunto de Prelúdios e Fugas de 10 de outubro de 1950 a 25 de Fevereiro de 1951. Nikolayeva testemunhou o processo criativo. Tomando apenas um ou dois dias para completar cada prelúdio e fuga novos, Shostakovich pedia-lhe para vir repetidamente ao seu apartamento em Moscou, onde tocava para Nikolayeva as peças que ele tinha acabado de compor.

Classic Archive
Tatiana Nikolayeva Dmitri Shostakovich: 24 Preludes and Fugues, Op. 87 (complete)
Tatiana Nikolayeva, piano
Broadcast 21-30 December 1992, BBC Archives

Bonus:
Documentary: Tatiana Nikolayeva plays Dmitri Shostakovich

Language (bonus): Russian
Subtitle (bonus): English
Running time: 150 minutes (concert) + 14 mins (bonus)

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Parte/Part 2: BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE
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PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827): As 9 Sinfonias — Andris Nelsons #BTHVN250

Ludwig van Beethoven (1770-1827): As 9 Sinfonias — Andris Nelsons #BTHVN250

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Hoje são comemorados os 249 anos de nascimento de Beethoven. No ano que vem… Bom, vocês sabem.

Andris Nelsons (1978) é um jovem maestro letão. Atualmente, ele é o diretor musical da Orquestra Sinfônica de Boston e da Gewandhaus Orchestra de Leipzig. Também já foi chefe da respeitadíssima City of Birmingham Symphony Orchestra (CBSO). É uma estrela em plena ascensão e a Deutsche Grammophon já o contratou para gravar integrais das Sinfonias de Bruckner (Gewandhaus), de Shostakovich (Boston) e de Beethoven (com a Filarmônica de Viena).  As duas primeiras séries ainda estão sendo gravadas, mas a de Beethoven foi lançada neste mês.

E que esplêndido trabalho Nelsons fez com os filarmônicos de Viena! Um Beethoven forte e redondo, escandaloso e alegre, porém jamais, mas jamais mesmo, grosso. Certo pessoal do século XX achava que para tocar Beethoven, em certos trechos mais agitados, era só dar ênfase e berrar que estava bom. Era tudo muito emocional. Isso é ignorar a cultura. Beethoven foi um enorme artista de transição do classicismo para o romantismo. Se este é um dos fatores que o torna tão grande, também nos obriga a abordá-lo com conhecimento.

E Nelsons, com fraseados muito trabalhados, vai pelo outro lado e mata a questão com classe. E a Filarmônica de Viena fala beethoveniano, respira Beethoven. Creio que Nelsons deva ter ouvido muito os músicos da orquestra. Sei que se trata de um homem profundamente sensível e inteligente, conheço músicos que trabalham com ele. Sei das surpresas que apronta e que costuma dialogar com os músicos das orquestras que dirige.

O desenho do primeiro movimento da Eroica é quase erótico com a mágica das passagens da melodia de um instrumento para outro. Isso se repete a cada sinfonia, sublinhando a qualidade da orquestração. Raramente ouvi coisa mais natural, fluida e perfeita. E a sonoridade nem se fala.

Bem, ouvi as 4 primeiras sinfonias de Beethoven com Nelsons de enfiada. E vou completando o texto enquanto ouço tudinho. As duas primeiras — que jamais chamaram minha atenção — cresceram muito. A Eroica está sensacional, apesar de certas alegres liberdades tomadas na Marcha Fúnebre. A 4ª nem se fala. Mas logo voltei à Eroica (3ª), que está anormal de tão boa. Depois fui para uma excelente 5ª, cheia de sinuosidades e plena de tradição no terceiro movimento. Mas parece que Nelsons se dá melhor na delicadeza, pois sua 6ª é um primor, uma campeã.

Não, me enganei, sua sétima — com a sucessão fantástica de danças e o rock pauleira do último movimento — está sensacional!

(Comecei a frequentar os concertos de música erudita com a idade de 4 ou 5 anos. Meu pai me levava. Ele disse que, por uns 5 anos, eu sistematicamente dormia após dez minutos. Ele queria saber quando eu pararia com aquilo, ainda mais porque eu dizia que gostava de ir… Certamente gostava era da companhia dele, claro.

Mas houve um dia em que eu passei a não mais dormir. Foi quando assisti uma 7ª Sinfonia de Beethoven regida por Pablo Kómlos. Aquilo era enlouquecedor. Uma sucessão de agitadas danças com aquele Alegretto (uma Pavana) no meio.

Ouvi hoje a 7ª e, pela enésima vez… Toda aquela primeira impressão permanece viva. Eu sou o mesmo, de certa forma. De certa forma bem distorcida.)

A oitava está menos haydniana do que o costume e mais parruda. A nona se vem dentro do padrão de alta qualidade do restante. Adorei.

A DG rouba sempre a cena quando o assunto é Beethoven, né?

E Nelsons, contrariamente àquela outra grande estrela da DG no século XX, está mais pela música do que pelo negócio. Isto é muito claro.

E, para deixar claro, QUE NOTÁVEL ORQUESTRA É A FILARMÔNICA DE VIENA. Não creio que possa haver algo melhor atualmente!

Ludwig van Beethoven (1770-1827): As 9 Sinfonias — Andris Nelsons

Symphony No. 1 in C Major, Op. 21
1. Adagio molto – Allegro con brio 9:45
2. Andante cantabile con moto 8:46
3. Menuetto (Allegro molto e vivace) 3:24
4. Finale (Adagio – Allegro molto e vivace) 5:55

Symphony No. 2 in D Major, Op. 36
5. Adagio molto – Allegro con brio 12:30
6. Larghetto 12:04
7. Scherzo (Allegro) 3:34
8. 4. Allegro molto 6:18

Symphony No. 3 in E-Flat Major, Op. 55 “Eroica”
9. Allegro con brio 17:40
10. Marcia funèbre (Adagio assai) 16:34
11. Scherzo (Allegro vivace) 5:53
12 Finale (Allegro molto) 12:19

Symphony No. 4 in B-Flat Major, Op. 60
13. Adagio – Allegro vivace 11:30
14. Adagio 10:16
15. Allegro vivace 5:38
16. Allegro ma non troppo 6:54

Symphony No. 5 in C Minor, Op. 67
17. Allegro con brio 7:42
18. Andante con moto 10:35
19. Allegro 5:14
20. Allegro 11:12

Symphony No. 6 in F Major, Op. 68 “Pastoral”
21. Erwachen heiterer Empfindungen bei der Ankunft auf dem Lande (Allegro ma non troppo) 9:45
22. Szene am Bach (Andante molto mosso) 12:20
23. Lustiges Zusammensein der Landleute (Allegro) 5:08
24. Gewitter, Sturm (Allegro) 3:38
25. Hirtengesang. Frohe und dankbare Gefühle nach dem Sturm (Allegretto) 10:05

Symphony No. 7 in A Major, Op. 92
26. Poco sostenuto – Vivace 11:50
27. Allegretto 8:59
28. Presto – Assai meno presto 8:38
29. Allegro con brio 6:49

Symphony No. 8 in F Major, Op. 93
30. Allegro vivace e con brio 9:52
31. Allegretto scherzando 4:25
32. Tempo di menuetto 4:40
33. Allegro vivace 7:32

Symphony No. 9 in D Minor, Op. 125 “Choral”
34. Allegro ma non troppo, un poco maestoso 16:42
35. 2. Molto vivace 11:59
36. Adagio molto e cantabile 16:00
37. Finale. Presto 2:53
38. Allegro assai 3:50
39. Presto – Recitativo “O Freunde, nicht diese Töne!” 3:35
40. Allegro assai vivace (alla Marcia) 3:59
41. Andante maestoso 3:17
42. Allegro energico e sempre ben marcato 2:10
43. Allegro ma non tanto 2:16
44. Poco allegro, stringendo il tempo, sempre più allegro – Presto 1:43

Camilla Nylund
Gerhild Romberger
Klaus Florian Vogt
Johannes Prinz
Georg Zeppenfeld
Wiener Singverein
Wiener Philharmoniker
Andris Nelsons

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Nelsons com alguns filarmônicos de Viena.

PQP

Beethoven (1770-1827): Fidelio, Op. 72 #BTHVN250

Beethoven (1770-1827): Fidelio, Op. 72 #BTHVN250

“Simplesmente Beethoveniana! “Fidelio” a única ópera de Beethoven, é um memorial atemporal de Amor, Vida e Liberdade. Uma celebração dos direitos humanos, da liberdade de expressão, à dissidência, um manifesto político contra a tirania e a opressão, um hino à beleza e santidade do casamento, uma afirmação exaltada da fé em Deus como o último recurso humano” (Leonard Bernstein).

No tempo em que Fidelio foi composta a ópera italiana era a paixão de Viena, a ópera alemã ganhava admiração sobretudo pela “A Flauta Mágica” (postamos recentemente AQUI ) e que Beethoven considerava como a melhor obra de Mozart. Beethoven sempre se manteve a uma distância segura da ópera, conhecia e escolhia melodias operísticas contemporâneas como temas de algumas variações para piano. Na época em que Beethoven começou a pensar em projetos para o palco, por volta de 1803, em Viena, sua surdez já se estabelecera e piorava, o que tornou difícil lidar com o pessoal da ópera – cantores, empresários, diretores de palco, público, escritório de reservas -, em suma, com o mundo atarefado da produção operística. Quando ele estudou a colocação de texto em italiano com Salieri, sem dúvida já estava com projeto de ópera em mente. A grande motivação aconteceu em 1802, quando Emanuel Schikaneder (aquele amigo de Mozart que escreveu o libreto da “A Flauta Mágica”) apresentou a ópera “Lodoïska”, de Cherubini, no recém-inaugurado Theater an der Wien e lhe propôs o desafio de compor para o palco.

Interior of Theater an der Wien, Vienna. Beethoven’s Fidelio premiered here in 1805. Ludwig van Beethoven.

Com essa ópera a nova escola operística francesa entrou em cena: as óperas “de salvamento”. As óperas de salvamento estavam na moda há mais de vinte anos, certamente desde “O rapto do serralho” de Mozart, de 1782, e agora serviam como histórias de aventuras de heróis em reinos exóticos e como evocações fictícias das prisões e das guilhotinas da Revolução Francesa. A evocação de uma cruel realidade política nas óperas convidava à ilusão da verdade, enquanto o final feliz abrandava o medo do público. A prisão política, o heroísmo e a restauração da liberdade pela força do iluminismo liberal constituem o tema central de “Leonore”.

Fidelio. Um oferecimento do extrato de carne da Liebig

O libreto de Leonore, ou L’amour conjugale, tinha sido escrito originalmente no final de 1790 por Jean Nicolas Bouilly, um homem letrado que tinha sido administrador de uma província perto de Tours durante o período de “ O Terror” (…na Revolução Francesa, o Período do Terror, ou O Terror, ou Período dos Jacobinos, foi um período compreendido entre 5 de setembro de 1793 (queda dos girondinos) e 27 de julho de 1794 prisão de Maximilien de Robespierre, ex-líder dos Jacobinos que foi um precursor da ideia de um Terrorismo de Estado. Entre junho de 1793 e julho de 1794, cerca de 16 594 pessoas foram executadas durante o Reinado de Terror na França, sendo 2 639 mortes só em Paris. Apesar disso, há um consenso de que o número é muito maior devido a mortes na prisão – wikipédia). Acreditava-se que, durante o governo de Bouilly, um episódio parecido com a trama da ópera tinha realmente acontecido. Segundo a história, uma mulher disfarçada de homem teria conseguido entrar no cárcere do marido e libertá-lo da prisão injusta. Assim, se a lenda fosse verdade, o próprio Bouilly teria sido o ministro que libertara o prisioneiro e, portanto, o libreto parecia comemorar não somente o verdadeiro heroísmo, mas também a própria benevolência do autor na atmosfera aterrorizante da França naqueles anos.

Ato 1 cena 4

O libreto de 1805 de Leonore foi traduzido para Beethoven por Joseph Sonnleithner, secretário do Court Theater e proeminente advogado e músico vienense, que Beethoven tinha conhecido por meio de seus empreendimentos musicais alguns anos antes. Esse libreto é bem-feito, satisfaz as exigências do melodrama, entremeando pequenas intrigas domésticas entre os personagens secundários (o carcereiro Rocco, sua filha Marzelline e seu pretendente Jacquino) com cenas de poder e de compaixão para com os personagens principais (a disfarçada heroína Leonore, o sofrido prisioneiro Florestan e o cruel governador da prisão Pizarro). Nas cenas domésticas, Beethoven criou um conjunto efetivo de números, com ocasionais toques mozartianos (algumas vezes até mesmo com virtuais citações de Mozart, sem dúvida inconscientes, mas inequívocas), mas as cenas de intensidade mais dramática são inteiramente originais.

Ato 2 cena 8a

A Leonore fracassou em suas primeiras apresentações em novembro de 1805, bem provável porque Viena tinha acabado de ser invadida e ocupada pelos exércitos de Napoleão. De fato, a audiência da primeira apresentação estava repleta de oficiais do exército francês, mas pode ser também que a ópera estivesse bem além da compreensão de muitos ouvintes, acostumados a obras mais leves. Embora se acredite que as alterações feitas por Beethoven resultaram de uma reunião com seus amigos, é mais provável que essa reunião tenha acontecido, se é que realmente aconteceu, em 1807, depois que os planos para uma apresentação em Praga fracassaram. Em todo caso, a versão revisada produzida em março e abril de 1806, com a abertura no 3 da Leonore reescrita, no lugar daquela conhecida como no 2, obteve muito mais sucesso. A história subsequente da Leonore na vida de Beethoven foi marcada por tentativas malogradas de produzir a obra em Berlim e em Praga, embora tenha sido finalmente apresentada em Leipzig e em Dresden em 1815. De longe, o passo mais importante foi a concordância de Beethoven em revisar a obra para uma nova produção em Viena, no início de 1814. A versão final, veio a ser o “Fidelio” como nós a conhecemos. O libreto foi revisto por G. F. Treitschke, um homem experiente em teatro – e Beethoven reescreveu muitas partes da partitura, um trabalho que o ocupou de março a maio de 1814. Ele afirmou que isso lhe custou muito mais trabalho do que se estivesse compondo uma obra nova, mas ficou orgulhoso em oferecer encaixes sutis para as alterações de Treitschke, em reduzir as redundâncias e em fortalecer o conteúdo musical. Também teve que escrever várias partes novas, notavelmente o segmento final da cena de Florestan na masmorra. Tudo isso faz da conversão da “Leonore” de 1805-06 em “Fidélio” – a única vez que Beethoven revisou uma obra do vasto período intermediário, durante a transição para seu estilo final.

Ato 2 cena 8b

A essência de “Fidélio”, implícita no título, é o amor de Leonore por Florestan e sua coragem em arriscar a vida para salvá-lo. A obra tem ressoado através de quase dois séculos como a celebração do heroísmo feminino. A crítica feminista, que protesta contra o sofrimento e a morte das heroínas nas mãos de homens ou por causa de suas maquinações, acha em “Fidélio” uma exceção poderosa, já que a vítima sofredora é o homem, e o agente da salvação, a mulher. O subtítulo da obra é “Die eheliche Liebe”, que traduz literalmente o “L’amour conjugal” de Bouilly.

Que o espírito de Mozart paire como pano de fundo dessa obra não deveria nos surpreender. Mais surpreendente é a capacidade de Beethoven para aprofundar a expressão no lado sério e ético da trama, de modo a fazer com que a obra se tornasse – como de fato se tornou – um dos clássicos da literatura operística, insuperável na transmissão da verdade dramática e emocional. Sua importância não está intrinsecamente relacionada à crença de Beethoven de que a trama deveria transmitir a verdadeira história, não uma fantasia operística. Tem, sim, a ver com sua capacidade para enquadrar as dinâmicas formais à obra, de modo a dar um peso máximo às questões morais subjacentes à ação: o sofrimento físico dos maltrapilhos prisioneiros e o sistema que promove esse sofrimento; o heroísmo de Florestan diante da injustiça; o amor e a coragem de Leonore, esposa apaixonada, disposta a correr qualquer risco.

Beethoven ainda escreveu quatro aberturas que foram compostas na seguinte ordem: Leonore no 2 (1805); Leonore no 3 (1806); Leonore no 1 (1808), para uma produção malograda em Praga; e por fim a abertura Fidélio (1814). As versões destas beethovenianas aberturas que ora compartilho com vocês é a seguinte: “Leonore 1”, Op.138 com o maestro Eugen Jochum. “Leonore 2”, Op 72 com o Claudio Abbado. “Leonore 3”, Op. 72b com o maestro Leonard Bernstein e pôr fim a abertura “Fidelio”, Op.72 com o mestre Nikolaus Harnoncour.

Ato 3 cena 2

Causo: Em 1822, Beethoven desejava dirigir o ensaio geral da sua ópera. Será que ele pretende desprezar a doença ou, mais uma vez, enganar a todos sobre o seu verdadeiro estado? Infelizmente foi um caos completo: palco e orquestra desentenderam-se, e todos ficaram a olhar, temerosos, o mestre que continuava a dirigir. De repente, enxerga a terrível verdade na expressão dos que o cercam. O seu fiel amigo Schindler (que nos pinta a cena) escreveu-lhe estas linhas: “Por favor, não continue; explicar-lhe-ei tudo depois”. Mas a explicação já não é necessária; alquebrado, Beethoven cai sobre uma cadeira e por muitas horas é incapaz de levantar-se …

Resumo – Fidelio

Ato 1
Em uma prisão nos arredores de Sevilha, onde Rocco, pai de Marzelline, trabalha como carcereiro. Marzelline é incomodada pelos flertes de Jacquino, assistente de seu pai. Jacquino tem grandes esperanças de se casar com ela um dia, mas Marzelline tem o coração em Fidelio, o novo garoto que trabalha na prisão. Fidelio trabalha duro e chega à prisão todos os dias com muitas provisões. Quando Fidelio descobre que Marzelline se interessou por ele, ele fica ansioso – especialmente depois que descobre que Rocco deu sua bênção ao possível relacionamento. Acontece que Fidelio não é quem ele diz que é; Fidelio é na verdade uma nobre chamada Leonore, disfarçada de jovem, com o objetivo de encontrar o marido que foi capturado e preso por causa de suas diferenças políticas. Rocco menciona que um homem acorrentado nas profundezas das masmorras está praticamente à beira da morte. Leonore o ouve e acredita que é seu marido, Florestan. Leonore pede que Rocco o acompanhe em suas rondas na prisão, com as quais ele concorda alegremente, mas o governador da prisão, Don Pizarro, apenas permite que Rocco entre nos níveis mais baixos da masmorra.

Ato 3 cena 3

No pátio onde os soldados se reúnem, Don Pizarro recebe notícias de que o ministro de Estado, Don Fernando, está indo para a prisão a fim de inspecioná-la e investigar os rumores de que Don Pizarro é um tirano. Com um senso de urgência, Don Pizarro decide que seria melhor executar Florestan antes da chegada do ministro. Chamando Rocco, Don Pizarro ordena que ele cave uma cova pelo corpo de Florestan. Felizmente, Leonore está por perto e ouve os planos malignos de Don Pizarro. Ela reza por força e depois implora a Rocco que a leve novamente na prisão, mais especificamente a cela do condenado. Ela convence Rocco a deixar os prisioneiros entrarem no pátio para tomar um pouco de ar fresco. Assim que os prisioneiros são levados para o pátio, Don Pizarro ordena que retornem imediatamente às suas celas. Ele então leva Rocco a cavar o túmulo de Florestan. Quando Rocco entra na masmorra, Leonore rapidamente segue atrás dele.

Ato 2
Nas profundezas da masmorra da prisão, um delirante Florestan tem visões de Leonore libertando-o do lugar infernal. Infelizmente, quando ele chega, ele se vê sozinho e cai em desespero. Momentos depois, Rocco e Leonore entram com pás, prontos para cavar a cova. Florestan engasga algumas palavras, sem reconhecer sua esposa, pedindo uma bebida. Rocco mostra compaixão pelo prisioneiro e pega um copo de água para ele. Leonore mal consegue se conter, mas ela permanece composta o suficiente para lhe oferecer um pouco de pão, enquanto lhe diz para permanecer esperançoso. Quando terminam de cavar a cova, Rocco apita para alertar Don Pizarro de que está tudo pronto. Don Pizarro entra na cela de Florestan, mas antes de matá-lo, confessa seus atos de tirania. Assim como Don Pizarro puxa a adaga para o ar e faz o balanço para baixo, Leonore revela sua verdadeira identidade e retira a pistola que ela havia escondido consigo, o que faz com que o movimento de Don Pizarro pare.
Em um instante, as buzinas soam quando Don Fernando pisa nos terrenos da prisão. Rocco acompanha imediatamente Don Pizarro ao pátio para cumprimentá-lo. Enquanto isso, Florestan e Leonore comemoram o reencontro.

Do lado de fora, Don Fernando anuncia a erradicação da tirania. Rocco se aproxima dele com Leonore e Florestan, que por acaso é um velho amigo dele. Rocco pede ajuda e explica como Don Pizarro aprisionou Florestan e seu tratamento cruel com ele, como as ações heroicas de Leonore salvaram seu marido e revela a trama de assassinato de Don Pizarro. Don Fernando imediatamente condena Don Pizarro à prisão e seus homens o escoltam para longe. Leonore recebe as chaves para destrancar as correntes de Florestan, e ela o liberta feliz e apressadamente. Os prisioneiros restantes também são libertados e todos se alegram e comemoram Leonore.

Furtwängler em ação, 1953

Wilhelm Furtwängler gravou quatro vezes a ópera Fidélio, esta que ora compartilho com os amigos é de estúdio realizada em 1953. O brilhante elenco é liderada por Martha Modl, e ainda tem Wolfgang Windgassen, Gottlob Frick, Otto Edelmann. O canto dos comandados pelo incomparável Wilhem e sua orquestra de Viena é possuído e dominado por um verdadeiro “frisson” e energia, belíssima versão e a remasterização está de boa para ótima. Para aqueles que ainda acreditam que a música clássica pode falar com o que há de mais nobre e melhor na humanidade, com mais poder do que meras palavras, esta versão é obrigatória. “Incandescente” é um adjetivo muito suave. A maneira pela qual Furtwängler conduz a orquestra para expressar alguns momentos da fúria reprimida não apenas de Leonore, mas de todos aqueles que queimam com fúria por injustiça em qualquer lugar, é impressionante. Existem muitas versões desta ópera, particularmente esta versão me toca mais, pode ser pelo fato da regência e do canto terem uma tendência proposital para ser “mozartiano”, ai aquele véu de inspiração que mencionamos da admiração de Beethoven se encaixa perfeitamente, no início logo na primeira cena parece mesmo uma parte da “Flauta Mágica” mas com orquestração de Beethoven.

Muito interessante também são os cartazes de patrocínio do extrato de carne da Liebig (atual Fray Bentos) com desenhos de diversas óperas, nesta postagem estão os cartazes referentes à versão da ópera em três atos. Os cartazes são do final do século XIX vale a pena dar uma conferida AQUI, pois é o período em que a indústria dos enlatados começa.

A história “passo a passo” com fotos do encarte original do CD estão junto no arquivo de download com as faixas, o resumo da ópera foi extraído do livro “As mais Famosas Óperas”, Milton Cross (Mestre de Cerimônias do Metropolitan Opera). Editora Tecnoprint Ltda., 1983.

Pessoal, abrem-se as cortinas e deliciem-se com a “Simplesmente Beethoveniana! “Fidélio” !!!

Aberturas

Overture “Leonore 1”, Op.138
Concertgebouw Orchestra of Amsterdam, Eugen Jochum

Overture “Leonore 2”, Op 72
Vienna Philhamonic Orchestra Claudio Abbado

Overture “Leonore 3”, Op. 72b
Bavarian Broadcast Symphony Orchestra Venue, Leonard Bernstein

Ouverture “Fidelio”, Op.72
Orchestre de l-Opéra de Zurich, Nikolaus Harnoncour

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Fidélio, op. 72

01 – BEETHOVEN Fidelio – Act 1 Ouvertüre
02 – BEETHOVEN Fidelio – Act 1 No. 1 Duett – Jetzt, Schätzchen
03 – BEETHOVEN Fidelio – Act 1 No. 2 Arie – O wär ich schon
04 – BEETHOVEN Fidelio – Act 1 No. 3 Quartett – Mir ist so wunderbar
05 – BEETHOVEN Fidelio – Act 1 No. 4 Arie – Hat man nicht
06 – BEETHOVEN Fidelio – Act 1 No. 5 Terzett – Gut, Söhnchen
07 – BEETHOVEN Fidelio – Act 1 No. 6 Marsch
08 – BEETHOVEN Fidelio – Act 1 No. 7 Arie mit Chor
09 – BEETHOVEN Fidelio – Act 1 No. 8 Duett – Jetzt, Alter, hat es Eile!
10 – BEETHOVEN Fidelio – Act 1 No. 9 Rezitativ und Arie – Abscheulicher!
11 – BEETHOVEN Fidelio – Act 1 No. 10 Finale – O welche Lust, in freier Luft
12 – BEETHOVEN Fidelio – Act 1 Nun sprecht, wie ging-s
13 – BEETHOVEN Fidelio – Act 1 Ach! Vater, eilt!
14 – BEETHOVEN Fidelio – Act 2 No. 11 Introduktion
15 – BEETHOVEN Fidelio – Act 2 No. 11 Arie – Gott! Welch Dunkel hier!
16 – BEETHOVEN Fidelio – Act 2 No. 12 Melodram – Wie kalt ist es hier!
17 – BEETHOVEN Fidelio – Act 2 No. 12 Duett – Nur hurtig fort
18 – BEETHOVEN Fidelio – Act 2 No. 13 Terzett – Euch werde Lohn in besser-n Welten
19 – BEETHOVEN Fidelio – Act 2 No. 14 Quartett – Er sterbe! Doch er soll erst wissen
20 – BEETHOVEN Fidelio – Act 2 No. 14 Recitative – Vater Rocco!
21 – BEETHOVEN Fidelio – Act 2 No. 15 Duett – O namenlose Freude!
22 – BEETHOVEN Fidelio – Act 2 Ouvertüre – Leonore III in C, Op. 72a
23 – BEETHOVEN Fidelio – Act 2 No. 16 Finale – Heil sei dem Tag
24 – BEETHOVEN Fidelio – Act 2 No. 16 Finale – Des besten Königs
25 – BEETHOVEN Fidelio – Act 2 No. 16 Finale – Du schlossest auf des Edlen Grab
26 – BEETHOVEN Fidelio – Act 2 No. 16 Finale – Wer ein holdes Weib errungen

Leonore – Martha Mödl
Florestan – Wolfgang Windgassen
Don Pizarro – Otto Edelmann
Rocco – Gottlob Frick

Vienna State Opera Chorus
Vienna Philharmonic Orchestra
Wilhelm Furtwängler

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Ammiratore

Alles gute zum Geburtstag! – Beethoven, 249 anos: Omnibus – Leonard Bernstein on Beethoven #BTHVN250

Fazemos um tributo ao aniversário do genial filho de Bonn, do dono do apartamento mais caótico de Viena, criatura de vida atribulada (muito em função de seu temperamento irascível – e vice-versa) e, principalmente (e é por isso que lembramos dele), um criador meticuloso que empenhava enormes esforços na composição de suas obras, cuja evolução artística – dos Trios Op. 1 ao último Quarteto Op. 135 – é talvez a mais impressionante e bem documentada entre as dos grandes compositores.

O acervo PQPBachiano já inclui inúmeras gravações da obra do “espanhol louco” (como era chamado pelos colegas da orquestra de Bonn, por conta da morenice e do temperamento medonho – e na qual, como se a desgraça já não fosse bastante, era certamente alvo de piadas por tocar viola), então resolvi postar-lhes algo diferente: um dos programas da série “Omnibus”, criada e apresentada por Leonard Bernstein nos anos 50, em que o próprio aborda o processo de criação da Quinta Sinfonia, comparando a versão final com esboços dos cadernos de anotação do compositor e ilustrando, assim, o meticuloso cuidado de Beethoven para dar-nos a impressão, como Leonard Bernstein afirma com muita felicidade, de que cada próxima nota soa como se fosse a única nota possível.

O episódio está em inglês, mas vale a pena a visita, nem que seja para CHORAR DE DOR ao imaginar que, algum dia, a TV aberta foi capaz de veicular coisas desse gabarito – enquanto declaramos abertas as festividades do ducentésimo quinquagésimo aniversário de Ludovico, que culminarão dentro de exatamente uma circunvolução terrestre.

[caso necessário, ativem as legendas em inglês]

O episódio (somente no original em inglês) pode ser baixado aqui: DOWNLOAD HERE

 

Caso você tenha chegado agora de Marte e não tenha visto a homenagem que o Google fez ao aniversário de Beethoven, sugiro fortemente que o faça agora. Há, mesmo, a oportunidade de ajudar o desastrado Ludwig a reorganizar as partituras que ele vai esparramando, entre uma desgraça e outra, pelas ruas de Viena. E, se achar difícil reconstruir a "Pour Elise", agradeça aos céus por Beethoven não ter derrubado a "Grande Fuga" no chão.
Caso você tenha chegado agora de Marte e não tenha visto a homenagem que o Google fez ao aniversário de Beethoven, sugiro fortemente que o faça agora. Há, mesmo, a oportunidade de ajudar o desastrado Ludwig a reorganizar as partituras que ele vai esparramando, entre uma desgraça e outra, pelas ruas de Viena. E, se achar difícil reconstruir a “Pour Elise”, agradeça aos céus por Beethoven não ter derrubado a “Grande Fuga” no chão.

Vassily Genrikhovich

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para violino in D major, Op. 61 / Romances Op. 50 e 61

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para violino in D major, Op. 61 / Romances Op. 50 e 61

Depois da estranha e, digamos, talvez abusiva interpretação de Kremer + Harnoncourt, depois da espetacular nova visita de Tezlaff ao concerto de Beethoven, ainda melhor do que esta, mostramos a excelente versão anterior do violinista para o concerto. Na Amazon, este disco recebeu a nota máxima de dez avaliadores e não é para menos, basta ouvi-lo. Aliás, a nova versão também. Gosto muito do Op. 61 e esta é uma das melhores gravações que conheço. É inteligente, criativa e elegante dentro de um estilo mais clássico do que romântico. Versão alegre, franca e muito bem interpretada por solista e orquestra.

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concerto para violino in D major, Op. 61 / Romances Op. 50 e 61

Concerto para violino em D major, Op. 61
01. I. Allegro ma non troppo
02. II. Larghetto
03. III. Rondo

Romance para violino e orquestra em G major, op. 40
04. I. Adagio – Allegro con brio

Romance para violino e orquestra em F major, op. 50
05. Adagio cantabile

Christian Tetzlaff, violino
Tonhalle Orchestra Zurich
David Zinman, regente

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Agora sim uma gravação decente do meu Concerto para Violino

PQP

Frederic Chopin (1810-1846) – Valses – Nikita Magaloff

Vamos então encerrar esta magnífica caixa de Nikita Magaloff interpretando Chopin trazendo as Valsas, as magníficas Valsas, que também dispensam apresentações. Como muitos que estão lendo isso aqui, tenho lembranças delas ainda em minha infância, ou as ouvindo pelo rádio, ou então em algum programa de TV.

01. Valse No. 1 (1975) , Op. 18
02. Valse No. 2,Op. 341
03. Valse No. 3,Op. 342
04. Valse No.4, op. 343
05. Valse No. 5, op. 42
06. Valse No. 6, op.641
07. Valse No. 7, op.642
08. Valse No. 8, op.643
09. Valse No. 9, op.691
10. Valse No. 10, op.692
11. Valse No. 11, op.701
12. Valse No. 12, op.702
13. Valse No. 13, op.703
14. Valse No. 16 in A flat major, op. posth. (1827)
15. Valse No. 15 in E major, op. posth. (1829)
16. Valse No. 14 in E minor, op. posth
17. Valse No. 19 in A minor, op. posth
18. Valse No. 18 in E flat minor, op. posth. (1840)
19. Valse No. 17 in E flat minor, op. posth. (1827)

Nikita Magaloff – Piano

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Dmitri Shostakovich (1906-1975) – 24 Prelúdios e Fugas para Piano, Op. 87 – Vladimir Ashkenazy

REVALIDADO POR VASSILY EM JULHO DE 2015 E, OUTRA VEZ, EM DEZEMBRO DE 2019

510Ex03JI5LDia desses mesmo nosso nobre colega Ranulfus revalidou os links para uma preciosa postagem do patrono PQP: a gravação feita pelo monstruoso Konstantin Scherbakov para os Prelúdios e Fugas para piano, Op. 87, de Shostakovich, Na ocasião, o distinto monge apontou que se tratava de uma das nada menos que SEIS versões da obra-prima que já tinham visto as páginas deste blogue e que nenhuma delas resistira à explosão da fábrica de fogos de artifício (i.e., o desmanche do Megaupload e seus congêneres pelo FBI e o rápido upload dos respectivos proprietários para prisões federais estadunidenses). Ao concluir, o preclaro colega conclamava seus pares a recuperarem as demais versões para a blogosfera.

Pois bem, deixo aqui mais uma moedinha e revalido a gravação de Vladimir Ashkenazy, postada pelo saudoso (porque não mais aqui na equipe, mas felizmente bem vivo por aí) Carlinus em 2010.

Quem prossegue?

Para facilitar, tó aqui a lista de compras para a turminha:

Konstantin Scherbakov

Vladimir Ashkenazy

Tatiana Nikolayeva, em três versões: a primeira (1961), a segunda (1987) e  a derradeira (1990)

Keith Jarrett

Peter Donohoe

Aleksander Melnikov

BÔNUS: DVD sobre Nikolayeva com uma integral do Op. 87 de Shosta


Vassily Genrikhovich (não, não gravei Shostakovich: sou só um mero blogueirinho)


POSTAGEM ORIGINAL DE 7/10/2010, por Carlinus

Dmitri Shostakovich é um dos principais compositores dos últimos cem anos. Gosto de sua música. Esta caixa que principio a postar é algo de muito bom gosto. Como estou com certa pressa neste instante, a informação básica é de que começarei com os 24 Prelúdios e Fugas do mestre Shosta. É algo que impõe e exige atenção respeito. Há algum tempo atrás estes mesmos prelúdios apareceram aqui com Tatiana Nikolaevna, numa gravação antológica, postada pelo PQP. A gravação com Ashkenázy também é muito boa. Ashkenazy tem um talento especial para a música russa. Não deixe de ouvir. Boa apreciação!

Dmitri Shostakovich (1906-1975) – 24 Prelúdios e Fugas para Piano, Op. 87

DISCO 1

01. Prelude no.1 in C major
02. Fugue no.1 in C major
03. Prelude no.2 in A minor
04. Fugue no.2 in A minor
05. Prelude no.3 in G major
06. Fugue no.3 in G major
07. Prelude no.4 in E minor
08. Fugue no.4 in E minor
09. Prelude no.5 in D major
10. Fugue no.5 in D major
11. Prelude no.6 in B minor
12. Fugue no.6 in B minor
13. Prelude no.7 in A major
14. Fugue no.7 in A major
15. Prelude no.8 in F sharp minor
16. Fugue no.8 in F sharp minor
17. Prelude no.9 in E major
18. Fugue no.9 in E major
19. Prelude no.10 in C sharp minor
20. Fugue no.10 in C sharp minor
21. Prelude no.11 in B major
22. Fugue no.11 in B major
23. Prelude no.12 in G sharp minor
24. Fugue no.12 in G sharp minor

DISCO 2

01. Prelude no.13 in F sharp major
02. Fugue no.13 in F sharp major
03. Prelude no.14 in E flat minor
04. Fugue no.14 in E flat minor
05. Prelude no.15 in D flat major
06. Fugue no.15 in D flat major
07. Prelude no.16 in B flat minor
08. Fugue no.16 in B flat minor
09. Prelude no.17 in A flat major
10. Fugue no.17 in A flat major
11. Prelude no.18 in F minor
12. Fugue no.18 in F minor
13. Prelude no.19 in E flat major
14. Fugue no.19 in E flat major
15. Prelude no.20 in C minor
16. Fugue no.20 in C minor
17. Prelude no.21 in B flat major
18. Fugue no.21 in B flat major
19. Prelude no.22 in G minor
20. Fugue no.22 in G minor
21. Prelude no.23 in F major
22. Fugue no.23 in F major
23. Prelude no.24 in D minor
24. Fugue no.24 in D minor

Vladimir Ashkenazy, piano

BAIXAR AQUI – DOWNLOAD HERE – CD1
BAIXAR AQUI – DOWNLOAD HERE – CD2

Carlinus

Ravel (1875-1937): Miroirs – Le tombeau de Couperin – Anne Queffélec

Ravel (1875-1937): Miroirs – Le tombeau de Couperin – Anne Queffélec
E o pintor é …

Ravel

Miroirs – Le tombeau de Couperin

 

 

Direto do Tunel do Tempo, este disco é bem típico dos anos 70, um compositor, duas obras (uma para cada lado do LP), uma intérprete especialista neste tipo de música. Com pouco mais de 50 minutos de música, demandava uma virada de disco entre uma peça e a outra. Isto incluía levantar-se do sofá ou da poltrona, levantar o braço da vitrola, virar o disco e, com muito cuidado, colocar o braço novamente sobre o disco em movimento.

Este ritual todo, em alguns casos, incluía uma esfregadela da flanela no LP, para garantir o bom desempenho de todo o (agora aparentemente) tosco mecanismo. Também fazia com que mergulhássemos por uns minutinhos em algum silêncio, muito adequados para uma pequena reflexão sobre o que acabávamos de ter ouvido.

Os CDs, e agora as novas mídias, permitem que ouçamos ininterruptamente horas (se aguentarmos, é claro) de música. Isso é uma boa deixa para a reflexão de cada um… Como você ouve música hoje? Como você ouvia música (digamos) há um terço, um quarto de seu tempo de vida já passada?

Mas vamos a música, pois afinal de contas, isso é o que interessa. Temos duas lindas suítes escritas por Maurice Ravel, para piano solo. Ou seja, dois conjuntos de peças com um fio condutor ligando-as. Isso não impede que uma ou outra destas peças apareça em algum outro contexto, desatacada da suíte.

Miroirs é a mais antiga das duas. Foi escrita entre 1904 e 1905 e estreada em 1906 pelo pianista e muito amigo de Ravel, Ricardo Viñes.

Cada movimento desta suíte foi dedicado a algum amigo de Ravel que fazia parte do grupo de artistas autointitulado ‘Les Apaches’, entre eles o próprio Ricardo Viñes, ao qual foi dedicado a linda peça ‘Oiseaux tristes’.

A outra suíte, ‘Le tombeau de Couperin’, foi composta entre 1914 e 1917, período terrível, durante a Primeira Grande Guerra. Nesta, Ravel perdeu vários amigos e cada movimento da suíte é dedicado a algum deles. A ‘Toccata’, o último movimento da suíte, por exemplo, foi dedicado a Joseph Marliave, que foi musicólogo e marido de Marguerite Long.

A suíte é inspirada nas suítes barrocas de danças do século XVII. A palavra ‘tombeau’ no título era usado naquela época para indicar uma homenagem, um memorial a quem for nomeado. No caso, Couperin pode ser considerado uma homenagem aos músicos franceses daquela época, por que além do grande François Couperin, havia muitos músicos nesta família.

Eu gosto particularmente da Forlane, movimento que já foi postado aqui na interpretação de Rubinstein, no seu álbum sobre música francesa.

Anne, de olho no maestro… em outra gravação, é claro!

A intérprete deste típico LP é a pianista Anne Queffélec, que graduou-se com láurea no Conservatório de Paris e especializou-se em Viena com a trinca Paul Badura-Skoda, Jörg Demus e Alfred Brendel. Teve sua carreira definitivamente deslanchada depois de ganhar as competições para piano de Munique (1968) e Leeds (1969). É ativa desde então e tem discos gravados recentemente sendo lançados.

Veja o que ela disse da suíte Miroirs, em uma entrevista dada a propósito de uma apresentação sua em Londres, em 2018: ‘A segunda metade de meu recital é dedicada a Reflets dans l’eau, de Debussy, e Miroirs, de Ravel, pois eu amo estas peças maravilhosas’. Ao programar Reflets e Miroirs juntas sinto estar conectando a esta ideia de ‘reflexos’, mesmo que a própria música na suíte de Ravel, nos títulos individuais das cinco peças, não nos dê a chave para o nome global Miroirs. Isto permanece um mistério. Temos que ser como Alice no País das Maravilhas e concordar em seguir Ravel e passar através dos espelhos a nossa volta’.

 

Maurice Ravel (1875-1937)

Miroirs

  1. Noctuelles
  2. Oiseaux tristes
  3. Um barque sur l’ocen
  4. Alborada del gracioso
  5. La vallée des cloches

Le tombeau de Couperin

  1. Prélude
  2. Fugue
  3. Rigaudon
  4. Menuet
  5. Toccata

Anne Queffélec, piano

Disco de 1977, com gravação de Pierre Lavoix

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 400 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 181 MB

Anne Queffélec

No nosso caso, além dos espelhos, passamos também pelo Túnel do Tempo!!

Aproveite!

René Denon

Autêntico!

Frederic Chopin (1810-1846) – Polonaises – Nikita Magaloff

Toda a exuberância técnica e maturidade artística do imenso Nikita Magaloff estão mais do que nunca presentes nestes registros das Polonaises realizadas em 1976. Lembro de ouvir esse nome no rádio, quando ainda era um pré-adolescente, cheio de dúvidas sobre a vida,  sem saber que caminho seguir. Esses nomes russos sempre me fascinaram. Mais ainda mais do que os nomes, o que mais me fascina é a incrível musicalidade dos músicos russos. A impressão que tenho é de que já nascem tocando um instrumento. Ainda bebês já estão sentados no colo de seus pais, aprendendo a empunhar um violino, ou descobrindo as notas em um imenso piano.
As ‘Polonaises’ de Chopin dispensam apresentações. Estão entre as obras mais executadas pelos pianistas.  Poderia citar meia dúzia dentre eles que tem registros memoráveis, mas todos temos os nossos favoritos. Sempre serei fiel a Rubinstein, PQPBach será sempre fiel a Pollini, Vassily Grienrikovich será sempre fiel a Horowitz, enfim, todos temos os nossos favoritos.
A coleção está chegando em sua reta final.

CD 1

01. Polonaise No. 1 (1976) , Op. 26 no. 1
02. Polonaise No. 2, Op. 26 no. 2
03. Polonaise No. 3, Op. 40 no. 1 ‘Military’
04. Polonaise No. 4, Op. 40 no. 2
05. Polonaise No. 5, Op. 44
06. Polonaise No. 6, Op. 53 ‘Heroic’
07. Polonaise No. 7, Op. 61
08. Polonaise No. 8, Op. 71 no. 1

CD 2

01. Polonaise No. 9 (1976) , Op. 71 no. 2
02. Polonaise No. 10, Op. 71 no. 3
03. Polonaise No. 11 in G minor , op. posth
04. Polonaise No. 12 in B flat, op. posth
05. Polonaise No. 13 in A flat, op. posth
06. Polonaise No. 14 in G sharp minor, op. posth
07. Polonaise No. 15 in B flat minor, op. posth
08. Polonaise No. in G flat, op. posth
09. Allergo de concert in A (1978) , Op. 46
10. Marche fun¨¨bre in C minor, op. 72 no. 2
11. Fugue in A minor
12. Feuille d’album in E, op. posth
13. Largo in E flat, op. posth
14. Cantabile in B flat
15. Ecossaises No. 1 ,Op. 72 no. 3
16. Ecossaises No. 2, Op. 72 no. 4
17. Ecossaises No. 3, Op. 72 no. 5

Nikita Magaloff – Piano

CD 1 BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

CD 2 BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

 

Francesco Durante (1684-1755): Lamentationes Jeremiae Prophetae

Francesco Durante (1684-1755): Lamentationes Jeremiae Prophetae

Um belo disco com obras sacras do napolitano Durante. Embora hoje em dia seu nome não seja tão conhecido como o de outros compositores italianos de seu tempo, Francesco Durante foi considerado, nos séculos XVII e XVIII, uma das figuras mais importantes e representativas da cena musical europeia. Ele estudou em diversos conservatórios europeus e foi aluno de Alessandro Scarlatti, chegando a sucedê-lo no cargo de Primeiro Mestre em Sant’ Onofrio, permanecendo até 1742. Durante também trabalhou como líder no Conservatorio di Santa Maria di Loreto, cargo que antes era ocupado por Nicola Porpora. Francesco Durante era maestro, instrumentista e compositor, mas a sua maior contribuição na música foi como professor, tendo entre seus pupilos grandes nomes da música barroca, como Niccolò Jommelli, Giovanni Battista Pergolesi e Niccolò Piccinni. Praticamente todo o catálogo musical de Francesco Durante é voltado para obras vocais sacras. Ele foi considerado, em sua época, um dos melhores compositores para a Igreja, mas também chegou a escrever importantes obras instrumentais, como a sua série de concertos que, hoje em dia, é amplamente gravada e apreciada.

Francesco Durante (1684-1755): Lamentationes Jeremiae Prophetae

Lectio Prima in Feria Sexta Parasceve for soprano, Flutes, horns, Violins, Viola, and continuo
1 Largo: De lamentatione 03:45
2 Andante: Misericordiae Domini 02:19
3 Tempo giusto: Heth. Novi diluculo 04:12
4 Andante: Teth. Bonus est 03:36
5 Recitativo: Iod. Sedebit solitarius 00:56
6 Largo assai: Iod 00:55
7 Andante: Dabit percutienti 01:57
8 Largo: Jerusalem, convertere 04:46

Lectio Secunda in Feria Sexta Parasceve for soprano, Alto, Violins, Viola and continuo
9 Larghetto: Aleph. Quomodo obscuratum 04:28
10 Allegro Forte: Sed & lamiae 02:56
11 Andante comodo: He. Qui vescebantur 03:09
12 Allegro assai: Et maior effecta est 02:13
13 Largo: Jerusalem, convertere 04:51

Lectio Terza in Feria Sexta Parasceve, for soloists, 4-part chorus, horns, violins, viola & continuo
14 Poco Largo: Incipit oratio 06:41
15 Largo comodo: Pupilli facti sumus 02:44
16 Poco Largo: Recordare Domine 03:10
17 Andante: Patres nostri 03:37
18 Andante: Pellis nostra 02:06
19 Poco Largo: Recordare Domine 03:09
20 Largo: Mulieres in Sion humiliaverunt 02:00
21 Tempo giusto Lamentevole: Jerusalem, convertere 04:10

Mechthild Bach (soprano)
Margarete Joswig (mezzo-soprano)
Monica Frimmer (soprano)
Collegium Cartusianum
Cologne Chamber Choir
Peter Neumann

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

O menino Durante

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975): Os 24 Prelúdios e Fugas, Op. 87 – Tatiana Nikolayeva (gravação de 1987)

51LrEkPfOwL._SX300_POSTADO ORIGINALMENTE POR PQP BACH EM 23/12/2009, REVALIDADO POR VASSILY EM 15/8/2015 E EM 14/12/2019

 Déjà vu? Não: o que postei ontem foi a gravação feita em 1990 pela mesma Nikolayeva para o mesmíssimo Op. 87 de Shostakovich, e lançada pela Hyperion. Esta é uma gravação feita em 1987, lançada pelo selo soviético Melodiya e, na minha opinião, superior à de 1990. Ainda há uma terceira, feita nos anos sessenta, disponível somente em LP e em relançamentos em CD marca-diabo, do naipe daquele que eu comprei em Bucareste. A diferença nos andamentos é marcante: se a jovem Nikolayeva adorava a velocidade, a artista madura privilegia a clareza das partes na polifonia. Para mim, vitória clara para a Tatiana, a Senhora.

Vocês se lembram da “listinha de compras” de revalidação dos links no PQP Bach para esse que é talvez o maior monumento da música pianística no século XX? Pois ela agora está assim:

Konstantin Scherbakov

Vladimir Ashkenazy

Tatiana Nikolayeva, em três versões: a primeira (1961), a segunda (1987) e  a derradeira (1990)

Keith Jarrett

Peter Donohoe

Aleksander Melnikov

BÔNUS: DVD sobre Nikolayeva com uma integral do Op. 87 de Shosta

Além da IM-PER-DÍ-VEL versão de Jarrett, que será a próxima a ser postada, e de novos links para o DVD de Nikolayeva tocando o Op. 87 e falando sobre Shostakovich (gentilmente oferecidos por um zeloso leitor do PQP Bach), prometemos ainda uma sobremesa: uma seleção de prelúdios e fugas tocada, entre uns cigarros e outros, pelo próprio Dmitri Dmitriyevich.

Portanto, comportem-se!

Vassily

POSTAGEM ORIGINAL DE PQP BACH EM 23/12/2009

Basarov pediu, o Ângelo respondeu e eu, PQP, posto a célebre, histórica versão de Tatiana Nikolayeva para os 24 Prelúdios e Fugas de Shostakovich.

Texto de Anderson Paiva (fragmento).

Em 1950, comemorava-se o bicentenário da morte de Johann Sebastian Bach, em Leipzig. O festival foi o palco da Competição Internacional Bach de Piano, que requeria a execução de qualquer um dos 48 Prelúdios e Fugas do Cravo Bem-Temperado. Entre os jurados, estava Dmitri Shostakovich.

A vencedora do concurso foi Tatiana Nikolayeva, que tocou não apenas um dos prelúdios e fugas do Cravo Bem-Temperado, conforme requeria a competição, mas executou todos os 48 Prelúdios e Fugas. Ela ganhou a medalha de ouro.

Dmitri Shostakovich, que entregou o prêmio à vencedora de 26 anos (na condição de presidente do júri), ficou impressionado com a interpretação da jovem pianista.

A última atração do evento foi o Concerto em Ré Menor para Três (cravos) Pianos, de J. S. Bach, tendo Maria Youdina, Pavel Serebriakov e Tatiana Nikolayeva como solistas. Incrivelmente, após Youdina machucar o dedo, Shostakovich, sem nenhuma preparação, e de última hora, tomou o seu lugar ao piano.

O mestre russo havia sido convidado para participar do festival de Leipzig em uma época que sua música silenciara na União Soviética, após o Decreto de Zhdanov (1948). Mas em meio ao silêncio, ele prosseguia compondo. E após retornar de Leipzig, contagiado pelo espírito de Bach – num primeiro momento, pretendia escrever apenas exercícios de técnica polifônica –, resolveu compor os seus próprios Prelúdios e Fugas. A partir daí, nasceria uma das maiores obras para piano do século XX: os 24 Prelúdios e Fugas Op. 87.

O trabalho é um verdadeiro monumento à arte de J. S. Bach. Shostakovich admirava-o grandemente, e a música do mestre de Leipzig é um dos pilares de sua obra. Aos 44 anos, e a exemplo de compositores como Mozart, Beethoven e Brahms, que em sua fase outonal voltaram-se para o passado em uma justa reverência ao mestre barroco, aqui Shostakovich aprofunda-se no estudo do contraponto e faz música polifônica da mais alta qualidade.

Por que vinte e quatro? São 24 os Prelúdios e Fugas do CBT I, e são 24 os Prelúdios e Fugas do CBT II, de J. S. Bach – que integram os 48 prelúdios e fugas do Cravo Bem-Temperado. Vinte e quatro são os Prelúdios de Chopin, e são vinte e quatro os Caprichos de Paganini. O número 24 não é por acaso – ele corresponde aos vinte e quatro tons da música ocidental: doze maiores e doze menores.

Na Idade Mádia e em todo o Renascentismo, não havia música tonal. A música era modal. Predominavam os modos antigos (modos gregos), que eram sete. A partir do sistema tonal, que se consolidou no barroco, passaram a existir somente dois modos: o modo maior e o modo menor. Antes, haviam os complicados sistemas de afinação (temperamento), a fim de fazer os “ajustes das comas”. A coma é a nona parte de um tom inteiro, e é considerado o menor intervalo perceptível ao ouvido humano. Os físicos e músicos divergiam sobre o semitom diatônico e o semitom cromático. Para os músicos, o semitom cromático (de dó para dó sustenido) possuía 5 comas, e o diatônico (de dó sustenido para ré) possuía 4. Os físicos afirmavam o contrário. Durante muito tempo persistiu esse dilema, e os diferentes sistemas de afinação. O cravo precisava ser afinado (temperado) constantemente, de acordo com o modo da música que se estava a tocar. Até que surgiu a idéia de afinar o cravo em doze semitons iguais, com um sistema de afinação fixa, de modo que o intervalo entre cada semitom ficasse ajustado em 4 comas e meia (diferença imperceptível ao ouvido humano), quando o teórico Andreas Werckmeister publicou um documento com essa teoria, em 1691. Desse modo, qualquer peça poderia ser transposta para qualquer tonalidade sem precisar fazer constantes “reajustes” de afinação.

Essa idéia foi recebida com polêmica, mas Johann Sebastian Bach foi um dos primeiros a reconhecer a importância da inovação. Em 1722, publicou sua coleção de 24 Prelúdios e Fugas, para cada uma das doze tonalidades maiores e menores, e a chamou “Cravo Bem-Temperado, ou Prelúdios e Fugas em todos os Tons e Semitons”, provando que era possível tocar e transpor uma música para qualquer tonalidade, com o sistema temperado, sem precisar alterar a afinação. Em 1744, vinte e dois anos depois, publicaria o segundo volume (agora chamado Cravo Bem-Temperado, Livro II). Portanto, cada um dos volumes do CBT foram escritos em épocas distintas de sua vida, e é notável o fato de que a primeira parte foi escrita no mesmo ano em que Jean-Philippe Rameau publicou o seu Tratado de Harmonia (1722), com o mesmo objetivo. Ambos trabalhos foram decisivos para a consolidação do sistema tonal, que revolucionou a Harmonia e as técnicas de composição. O Cravo Bem-Temperado é considerado a “bíblia do pianista”, e permaneceu reconhecido mesmo após a morte de Bach, quando todas as suas outras obras foram esquecidas, de modo que o sistema tonal que prevaleceu até a época de Schöenberg, e que ainda é uma vital referência em nossos dias, é o legado de Johann Sebastian Bach.

A combinação entre o Prelúdio e a Fuga (considerada, mais do que uma forma musical, uma técnica de composição) é um casamento perfeito entre duas “formas” distintas, duas forças, dois opostos. A fuga é provavelmente a técnica de composição mais complexa da música ocidental. Ápice da música polifônica, e com regras que submetem o tratamento dos elementos musicais a padrões extremamente rígidos, reúne arte e ciência.

O Prelúdio é uma “forma” musical de caráter extremamente livre, como a Fantasia e o Noturno, e também de caráter improvisatório, como a Toccata e o Impromptu. Remonta à era da Renascença, desde as composições para alaúde, passando a ser utilizado como introdução das suítes francesas no século XVII. O “prato de entrada”, com a função de Abertura, como as antigas Sinfonias barrocas, e de curta duração, com passagens de difícil execução, sempre fazendo improvisar o virtuose (como a Toccata), com o objetivo de chamar a atenção da platéia, antes da execução da “peça principal”. Johann Pachelbel foi um dos primeiros a combinar Prelúdios e Fugas, e a partir de J. S. Bach, o Prelúdio adquiriu grande importância, sendo utilizado depois mesmo individualmente, por compositores como Beethoven, Chopin, Debussy, Rachmaninoff, Hindemith, Ginastera, etc.

A Fuga é utilizada desde o período medieval, e é uma técnica de composição polifônica que segue o princípio de imitação, como o Canon, porém muito mais complexa do que esse. Toda fuga começa com uma voz sem acompanhamento expondo o tema, que é o sujeito. A seguir, entra a segunda voz repetindo o sujeito na dominante (uma quinta acima ou uma quarta abaixo da tônica), enquanto a primeira voz prossegue, agora dando início a um segundo tema contrastante, que é o contra-sujeito. Os temas devem ser independentes, (como melodias distintas que se combinam), e a distinção entre as vozes, clara. Mas devem “afinar” entre si – e esse é o ponto de desafio que alia a estética da arte à engenharia da ciência. Os temas se contrapõem na direção da música polifônica, que é considerada “horizontal”, ao contrário da música homofônica, em que as partes são dependentes e simultâneas, considerada “vertical”. O contraponto é muito complexo, restrito a muitas regras de consonância e direcionamento de vozes, e, da sua complexidade, a fuga é a expressão máxima. Após todas as vozes exporem o sujeito (a fuga pode ser a duas, três, quatro ou a cinco vozes, etc.) e o contra-sujeito, segue-se um complexo desenvolvimento de temas e
motivos que culminam no ponto alto e de tensão da fuga: o stretto. É onde as vozes se aproximam, cada vez mais – e as vezes ocorrem entradas paralelas –, produzindo a impressão de que uma voz está perseguindo a outra, daí o nome fuga.

Palestrina e outros compositores utilizaram a fuga no Renascentismo. Teve o seu ápice no Barroco, sendo usada por compositores como Sweelinck, Froberger, Corelli, Pachelbel, Buxtehude e Händel. Mas foi através de Bach, com o Cravo Bem-Temperado e A Arte da Fuga, que essa magistral arte e ciência do contraponto atingiu o seu ponto culminante. Depois ela cairia em parcial esquecimento, mas sendo aproveitada por compositores como Haydn, Mozart e Beethoven, no Classicismo; Mendelssohn, Brahms, Schumman, Rmski-Korsakov, Saint-Saëns, Berlioz, Richard Strauss, Rachmaninoff e Glazunov, no Romantismo; e, no século XX, por Max Reger, Kaikhosru Sorabji, Bártok, Weinberger, Barber, Stravinsky, Hindemith, Charles Ives e Dmitri Shostakovich.

Ah! Quão belos e magistrais são os 24 Prelúdios e Fugas Op. 87 de Shostakovich! Elaborados, profundos, sinceros, é arte que desabrocha, ora sutil, ora retumbante, do mais íntimo e abissal silêncio. É música que, uma vez expandida, repreendida e calada, retorna a si, ao íntimo do compositor, e tácita e reflexiva, espera a sua hora, para irromper como um monumento, colosso perpétuo para as gerações futuras que ouvirão, ao seu tempo, os pensamentos calados e as palavras não ditas. Shostakovich, de mão dadas a Bach, como um furacão transcende o momento, atravessa o tempo, e chega como brisa aos nossos ouvidos. Quando ela foi executada pelo pianista soviético Svyatoslav Richter, um crítico que estava presente disse: “Pedras preciosas derramaram-se dos dedos de Richter, refletindo todas as cores do arco-íris”. Essa obra, Shostakovich iniciou após retornar do festival de Leipzig, trabalhando rapidamente, levando apenas três dias em média para escrever cada peça. O trabalho completo foi escrito entre 10 de outubro de 1950 e 25 de fevereiro de 1951. Após concluir a obra, Shostakovich dedicou-a a Tatiana Nikolayeva, a pianista que o inspirou, e que brilhou vencendo a competição do festival do bicentenário de Bach em Leipzig, executando os prelúdios e fugas do Cravo Bem-Temperado. Assim que ele completou o ciclo, ele a chamou ao seu apartamento em Moscou para lhe mostrar o seu trabalho. Shostakovich tocou a obra na União dos Compositores Soviéticos, em maio de 1951, e Nikolayeva estreou-a em Leningrado, à 23 de dezembro de 1952.

Mas os 24 Prelúdios e Fugas não foram bem recebidos pelos críticos soviéticos, a princípio, especialmente na União dos Compositores. Desagradaram-lhes a dissonância de algumas fugas, e eles também a reprovaram por a considerarem “ocidental” e “arcaica”. E essa obra, hoje acessível, permanece ainda, por muitos, desconhecida.

Tatiana Petrovna Nikolayeva, pianista russa, como Shostakovich, e também compositora, foi uma das maiores pianistas soviéticas do século XX. Nasceu em 1924 e começou a aprender piano aos três anos de idade. Depois entrou para o Conservatório de Moscou e estudou com Alexander Goldenweiser e Yevgeny Golubev. Após vencer a Competição Internacional Bach de Piano de Leipzig, acumulou um imenso repertório, abrangendo Beethoven, Bártok e diversos compositores. Foi uma das grandes intérpretes de Bach. Enquanto muitos pianistas escolhiam tocar em instrumentos de época, Nikolayeva preferia tocar Bach no moderno piano Steinway, sempre com grande sucesso. Suas composições incluem um concerto para piano em si maior, executado e gravado em 1951 e publicado em 1958, um trio para piano, flauta e viola, gravado pela BIS Records, prelúdios para piano e um quarteto de cordas. A partir de 1950, ela passaria a ser uma das grandes amizades de Dmitri Shostakovich.

Após Nikolayeva gravar os 24 Prelúdios e Fugas Op. 87, surgiram outras grandes gravações. Vladimir Ashkenazy, pela Decca, Keith Jarret, pela ECM, Konstantin Scherbakov, pela Naxos, e Boris Petrushansky, pela Dynamic, estão entre os poucos discos que disputam no mercado. Keith Jarret, mais conhecido como músico de jazz, afirmou o seu nome na música clássica pela ECM, com o seu toque de impecável técnica. Vladimir, Scherbakov e Petrushansky fizeram gravações notáveis, cada um com a sua interpretação única. E o próprio Shostakovich também gravou os seus 24 Prelúdios e Fugas, pela EMI. Dessas gravações, a que possuo, até o momento, é somente a de Sherbakov, a qual considero uma pérola musical.

Mas é Tatiana Nikolayeva a maior intérprete dessa obra cheia de nuanças, e quem desvenda com toque de perfeição o universo musical de Shostakovich. Ela gravou a obra por três vezes: duas pela BGM-Melodya, em 1962 e 1987, e a terceira pela Hyperion, em 1990. Todas as gravações supracitadas (exceto a primeira de Nikolayeva pela Melodya) encontram-se na internet.

Essa obra completa dura mais de duas horas. Os pianistas costumam executá-la em duas apresentações, tocando metade do ciclo em cada uma.

A ordem dos prelúdios e fugas não é aleatória, nem escolhida por um critério extra-musical qualquer. Partindo de dó maior, percorre um ciclo de progressões harmônicas. Os prelúdios e fugas de Bach, no paralelo maior/menor, seguem a ordem da escala cromática ascendente (dó maior, dó menor, dó sustenido maior, dó sustenido menor, etc.). Mas Shostakovich, a exemplo dos 24 Prelúdios de Chopin, com a relação do par maior/menor, segue o ciclo das quintas (dó maior, lá menor, sol maior, mi menor, ré maior, si menor, etc.). E se a obra é construída em torno das 24 tonalidades, quer dizer que a música é tonal. Sim, Shostakovich faz música tonal em plena era do atonalismo, mas com incursões atonais, abuso de dissonâncias e domínio da técnica com diferentes assimilações que sustentam o seu estilo singular e “poliestilista”. Nos Prelúdios e Fugas de Shostakovich há citações de Bach. Mas a substância dessa obra é a expressão musical única e interior do próprio compositor, Shostakovich, que com grande capacidade eclética e assimilativa, e sendo, ao mesmo tempo, profundamente original, percorre os mais diversos climas e variações de humor, com modulações ora bruscas e desconcertantes, ora tênues e elegantes. Serena, como na fuga n.º. 1 ou na fuga n.º. 13, brincalhona, como na fuga n.º. 3 ou no prelúdio n.º 21, a música de Shostakovich permeia os mais distintos aspectos da expressão musical. Estranhas são as fugas n.º 8 e n.º 19, misteriosas; cômica é a fuga n.º 11, ousada é a fuga n.º 6, luminosa é a fuga n.º 7. Os prelúdios de Shostakovich às vezes combinam-se perfeitamente com as fugas, e eles se atraem; e às vezes se contrastam. As fugas magnificamente elaboradas são emolduradas pelos belos prelúdios que, no entanto, não devem ser considerados obras menores. Cada peça, além de ser parte essencial de um todo, é também uma pequena obra-prima à parte, de modo que o conjunto de 24 Prelúdios e Fugas Op. 87 formam, na verdade, uma coleção de 48 obras agrupadas em torno de um trabalho monumental e único.

DMITRI DMITRIYEVICH SHOSTAKOVICH (1906-1975)

VINTE E QUATRO PRELÚDIOS E FUGAS PARA PIANO, OP. 87

TATIANA NIKOLAYEVA, piano

DISCO 1

01 – Prelúdio e Fuga no. 1 em Dó maior
02 – Prelúdio e Fuga no. 2 em Lá menor
03 – Prelúdio e Fuga no. 3 em Sol maior
04 – Prelúdio e Fuga no. 4 em Mi menor
05 – Prelúdio e Fuga no. 5 em Ré maior
06 – Prelúdio e Fuga no. 6 em Si menor
07 – Prelúdio e Fuga no. 7 em Lá maior
08 – Prelúdio e Fuga no. 8 em Fá sustenido menor
09 – Prelúdio e Fuga no. 9 em Mi maior
10 – Prelúdio e Fuga no. 10 em Dó sustenido menor

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DISCO 2

01 – Prelúdio e Fuga no. 11 em Si maior
02 – Prelúdio e Fuga no. 12 em Sol sustenido menor
03 – Prelúdio e Fuga no. 13 em Fá sustenido maior
04 – Prelúdio e Fuga no. 14 em Mi bemol menor
05 – Prelúdio e Fuga no. 15 em Ré bemol maior
06 – Prelúdio e Fuga no. 16 em Si bemol menor

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DISCO 3

01 – Prelúdio e Fuga no. 17 em Lá bemol maior
02 – Prelúdio e Fuga no. 18 em Fá menor
03 – Prelúdio e Fuga no. 19 em Mi bemol maior
04 – Prelúdio e Fuga no. 20 em Dó menor
05 – Prelúdio e Fuga no. 21 em Si bemol maior
06 – Prelúdio e Fuga no. 22 em Sol menor
07 – Prelúdio e Fuga no. 23 em Fá maior
08 – Prelúdio e Fuga no. 24 em Ré menor

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Apesar de raramente respondidos, os comentários dos leitores e ouvintes são apreciadíssimos. São nosso combustível.
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PQP

Johannes Brahms (1833-1897): Um Réquiem Alemão

Johannes Brahms (1833-1897): Um Réquiem Alemão

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Sempre se esperava algo novo quando Nikolaus Harnoncourt voltava sua atenção para uma importante peça musical. Nos últimos anos, ele vinha dando ao público uma nova visão de algumas das obras-primas da música romântica e da música romântica tardia. Seu Um Réquiem Alemão de Brahms é baseado em um estudo completo das ideias do compositor sobre como ele deve ser realizado. É uma interpretação sensível que adota uma abordagem completamente nova para o trabalho. Tecnicamente e artisticamente, o disco é um registro perfeito do concerto realizado em Viena em dezembro de 2007, que foi recebido com entusiasmo pela imprensa musical e pelo público. Até o fim de sua vida, Nikolaus Harnoncourt não demonstrava nenhum sinal de acomodar sua insaciável curiosidade musical. Ainda bem.

Johannes Brahms (1833-1897): Um Réquiem Alemão

1 Selig Sind, Die Da Leid Tragen 11:46
2 Denn Alles Fleisch, Es Ist Wie Gras 14:28
3 Herr, Lehre Doch Mich 11:39
4 Wie Lieblich Sind Deine Wohnungen 5:36
5 Ihr Habt Nun Traurigkeit 7:23
6 Denn Wir Haben Hier Keine Bleibende Statt 12:21
7 Selig Sind Die Toten 12:12

Baritone Vocals – Thomas Hampson
Soprano Vocals – Genia Kühmeier
Choir – Arnold Schoenberg Chor
Orchestra – Wiener Philharmoniker
Conductor – Nikolaus Harnoncourt

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O grande Nikolaus Harnoncourt

PQP

Dmitri Shostakovich (1906-1975) – 24 Prelúdios e Fugas para piano, Op. 87 – Tatiana Nikolayeva (gravação de 1990)

Dmitri Shostakovich (1906-1975) – 24 Prelúdios e Fugas para piano, Op. 87 – Tatiana Nikolayeva (gravação de 1990)

CoverSegue a recuperação das gravações desta obra-prima do século XX junto ao acervo PQP Bachiano. Para muitos, as interpretações de Tatiana Nikolayeva são as melhores que existem. Meu indeciso coração divide-se entre as dela e a de Keith Jarrett, que recuperarei nas próximas semanas. O que não se discute é que, na condição de inspiradora, consultora e intérprete da première, Nikolayeva foi a maior autoridade imaginável nessa obra monumental.

Estava pronto a restaurar os links da postagem original feita pelo PQP Bach ainda em 2009, quando percebi que esta gravação que ora lhes alcanço é diferente daquela disponibilizada por nosso patrão. Salvo melhor juízo, Nikolayeva fez três gravações completas do ciclo: uma nos anos 60, outra em 1987 (ambas pelo selo soviético Melodiya) e esta aqui, feita em Londres em 1990, lançada pela Hyperion. Considero a gravação de 1987 superior em vários aspectos, mas aprendi a gostar dos andamentos mais lentos e do tom mais reflexivo desta aqui, parte do testamento musical da grande pianista, falecida em 1993 por conta de um acidente vascular encefálico – iniciado, justamente, durante um recital do Op.87 de Shostakovich em San Francisco.

Mesmo que a gravação postada pelo PQP tenha sido provavelmente a de 1987 (que eu tinha, mas foi destruída por cães – vocês duvidam, mas é porque não conhecem meus cães!), eu recomendo fortemente a leitura da ótima postagem original,  com riquíssima descrição da obra, de sua gênese e de sua repercussão.

Nossa listinha de gravações a recuperar, agora, é a seguinte:

Konstantin Scherbakov

Vladimir Ashkenazy

Tatiana Nikolayeva, em três versões: a primeira (1961), a segunda (1987) e  a derradeira (1990)

Keith Jarrett

Peter Donohoe

Aleksander Melnikov

BÔNUS: DVD sobre Nikolayeva com uma integral do Op. 87 de Shosta

 

Dmitri Dmitrievich SHOSTAKOVICH (1906-1975)

VINTE E QUATRO PRELÚDIOS E FUGAS PARA PIANO, OP. 87

TATIANA NIKOLAYEVA, piano

DISCO 1

01 – Prelúdio no. 1 em Dó maior
02 – Fuga no. 1 em Dó maior
03 – Prelúdio no. 2 em Lá menor
04 – Fuga no. 2 em Lá menor
05 – Prelúdio no. 3 em Sol maior
06 – Fuga no. 3 em Sol maior
07 – Prelúdio no. 4 em Mi menor
08 – Fuga no. 4 em Mi menor
09 – Prelúdio no. 5 em Ré maior
10 – Fuga no. 5 em Ré maior
11 – Prelúdio no. 6 em Si menor
12 – Fuga no. 6 em Si menor
13 – Prelúdio no. 7 em Lá maior
14 – Fuga no. 7 em Lá maior
15 – Prelúdio no. 8 em Fá sustenido menor
16 – Fuga no. 8 em Fá sustenido menor
17 – Prelúdio no. 9 em Mi maior
18 – Fuga no. 9 em Mi maior
19 – Prelúdio no. 10 em Dó sustenido menor
20 – Fuga no. 10 em Dó sustenido menor

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DISCO 2

01 – Prelúdio no. 11 em Si maior
02 – Fuga no. 11 em Si maior
03 – Prelúdio no. 12 em Sol sustenido menor
04 – Fuga no. 12 em Sol sustenido menor
05 – Prelúdio no. 13 em Fá sustenido maior
06 – Fuga no. 13 em Fá sustenido maior
07 – Prelúdio no. 14 em Mi bemol menor
08 – Fuga no. 14 em Mi bemol menor
09 – Prelúdio no. 15 em Ré bemol maior
10 – Fuga no. 15 em Ré bemol maior
11 – Prelúdio no. 16 em Si bemol menor
12 – Fuga no. 16 em Si bemol menor
13 – Prelúdio no. 17 em Lá bemol maior
14 – Fuga no. 17 em Lá bemol maior

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DISCO 3

01 – Prelúdio no. 18 em Fá menor
02 – Fuga no. 18 em Fá menor
03 – Prelúdio no. 19 em Mi bemol maior
04 – Fuga no. 19 em Mi bemol maior
05 – Prelúdio no. 20 em Dó menor
06 – Fuga no. 20 em Dó menor
07 – Prelúdio no. 21 em Si bemol maior
08 – Fuga no. 21 em Si bemol maior
09 – Prelúdio no. 22 em Sol menor
10 – Fuga no. 22 em Sol menor
11 – Prelúdio no. 23 em Fá maior
12 – Fuga no. 23 em Fá maior
13 – Prelúdio no. 24 em Ré menor
14 – Fuga no. 24 em Ré menor

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Shostakovich e Nikolayeva: unha e carne na concepção de um monumento musical
Shostakovich (à esquerda) e Nikolayeva: unha e carne na concepção de um monumento musical

 

Vassily Genrikhovich

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Integral das Suítes para Violoncelo

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Integral das Suítes para Violoncelo

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este CD foi um dos premiados pela revista Gramophone em 2019. Ouvi com grande atenção cada respiração de Emmanuelle Bertrand nesta gravação e lhes digo que esta é uma das melhores versões que ouvi destas peças, apesar de ela ser algo diferente do normal. Acontece que Bertrand vem da música moderna e cada nota parece ter valor diferente do normal — para mais e para menos. A violoncelista é a mesma deste maravilhoso CD O Violoncelo do Século XX, no qual ela toca e até canta, acompanhando-se ao violoncelo.

Grande artista, Bertrand é sempre interessante. A gente a ouve com enorme prazer. Fica a impressão de que ela está lembrando a música da memória em vez de lê-la da partitura. 

Acho que esta gravação pode figurar ao lado das melhores como as de Cocset (a melhor, ao lado de…), Pandolfo (a melhor, empatada com Cocset), Queyras e Bylsma. Minha opinião.

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Integral das Suítes para Violoncelo

Cello Suite No. 1 BWV 1007
in G Major / Sol majeur / G-Dur
I. Prélude 2’28
II. Allemande 4’18
III. Courante 2’35
IV. Sarabande 3’04
V. Menuets 1 & 2 2’59
VI. Gigue 1’46

Cello Suite No. 2 BWV 1008
in D Minor / ré mineur / d-Moll
I. Prélude 3’27
II. Allemande 3’13
III. Courante 1’53
IV. Sarabande 5’02
V. Menuets 1 & 2 2’57
VI. Gigue 2’28

Cello Suite No. 3 BWV 1009
in C Major / Ut majeur / C-Dur
I. Prélude 3’28
II. Allemande 3’45
III. Courante 3’06
IV. Sarabande 4’05
V. Bourrées 1 & 2 3’21
VI. Gigue 3’20

Cello Suite No. 4 BWV 1010
in E-Flat Major / Mi bémol majeur / Es-Dur
I. Prélude 4’14
II. Allemande 3’49
III. Courante 3’27
IV. Sarabande 4’02
V. Bourrées 1 & 2 5’01
VI. Gigue 2’43

Cello Suite No. 5 BWV 1011
in C Minor / ut mineur / c-Moll
I. Prélude 5’30
II. Allemande 5’14
III. Courante 2’02
IV. Sarabande 3’52
V. Gavottes 1 & 2 4’46
VI. Gigue 2’25

Cello Suite No. 6 BWV 1012
in D Major / Ré majeur / D-Dur
I. Prélude 4’25
II. Allemande 7’30
III. Courante 3’39
IV. Sarabande 5’37
V. Gavottes 1 & 2 4’17
VI. Gigue

Emmanuelle Bertrand, violoncelo

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Emmanuelle Bertrand, grande versão das Suítes

PQP

Hjalmar Borgstrøm (1864-1925): Concerto para Violino Op. 25 / Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concerto para Violino Nº 1, Op. 77

Hjalmar Borgstrøm (1864-1925): Concerto para Violino Op. 25 / Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concerto para Violino Nº 1, Op. 77

Ela é loira e linda. Mas esconde enormes profundezas, pois só assim poderia enfrentar o Concerto para Violino Nº 1, Op. 77, de Shostakovich. A violinista norueguesa Eldbjørg Hemsing não chega a arranhar Oistrath, Vengerov ou mesmo Khachatryan em sua tentativa, mas toca muito bem e vale a audição.

Este Concerto foi escrito entre 1947 e 1948. Shostakovich ainda estava trabalhando na peça na época do decreto Jdanov e, no período posterior a sua denúncia, o trabalho não pôde ser apresentado. A primeira apresentação só foi ocorrer em 29 de outubro de 1955 e, até esta data, o compositor e David Oistrakh trabalharam em várias revisões. O trabalho foi finalmente apresentado pela Filarmônica de Leningrado sob Yevgeny Mravinsky. A obra foi muito bem recebida. Não era para menos, trata-se de uma OBRA-PRIMA.

O concerto de DSCH vem acompanhado por outro do norueguês Borgstrøm (prazer em conhecer). O concerto é romanticão e bom, mas não basta ser bom para fazer companhia a Shosta.

Hjalmar Borgstrøm (1864-1925): Concerto para Violino Op. 25 / Dmitri Shostakovich (1906-1975): Concerto para Violino Nº 1, Op. 77

Hjalmar Borgström
Violin Concerto in G major, Op. 25 (1914) 36’12
01 I. Allegro moderato 15’59
02 II. Adagio 8’44
03 III. Allegro con spirito 11’29

Dmitri Shostakovich
Violin Concerto No.1 in A minor, Op. 77 (1947–48, rev. 1955) 37’58
04 I. Nocturne. Moderato 12’11
05 II. Scherzo. Allegro 6’41
06 III. Passacaglia. Andante – Cadenza 13’39
07 IV. Burlesque. Allegro con brio – Presto 5’27

Eldbjørg Hemsing, violino
Wiener Symphoniker
Olari Elts

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Eldbjørg Hemsing: parece nórdica, não?

PQP

Johann Sebastian Bach – Suítes nos. 2 e 5 para violoncelo solo – Mstislav Rostropovich (1960)

Lembram quando postei a gravação tcheca das Suítes de Bach com Rostropovich e mencionei que a crítica execrou a versão que ele lançou pela EMI nos anos 90?

Pois é: no encarte da execrada gravação dos anos 90, o próprio mestre execrou sua tentativa anterior com essas venerandas Suítes, feita nos anos 50 – que é a que trago agora para vocês. Nela, Slava limitou-se às Suítes nos. 2 e 5, ambas em tom menor, que ficaram curiosas com o “som Rostropovich”, tão peculiar a quem sentou à mesa com Shostakovich e Prokofiev para burilar suas obras para violoncelo, era professor nos dois mais conceituados conservatórios da União Soviética e ainda tinha tempo para ser um livre-pensador e crítico aberto ao regime, preparando o terreno para seu banimento daquele país em 1974.

Acho que vocês odiarão esta gravação, em que as Suítes estão entremeadas por dois curtos excertos à guisa de bis (digno de nota é o regente da orquestra de cordas inominada que o acompanha na “Ária”, que foi pai de Gennadi Rozhdestvensky). Fiquem à vontade, mas nunca percam de vista que este disco é raro e, até onde me consta, esta é a única fonte em que está disponível na rede – e o bom leitor-ouvinte, mesmo que os deteste, entenderá que o privilégio de escutá-lo talvez valha engavetar os resmungos que tiver guardados.

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Suíte no.  2 para violoncelo solo, BWV 1008
01 – Prélude
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Menuet I-II
06 – Gigue

Da Suíte Orquestral no. 3 em Ré maior, BWV 1068:
07 – Ária (arranjo para violoncelo e orquestra)
Orquestra de cordas sob regência de Nikolai Anosov 

Suíte no. 5 para violoncelo solo, BWV 1011
08 – Prélude
09 – Allemande
10 – Courante
11 – Sarabande
12 – Gavotte I-II
13 – Gigue

Toccata, Adagio e Fuga em Dó maior para órgão, BWV 564
14 – Adagio (arranjo para violoncelo e piano)
Vladimir Yampolsky, piano

Mstistlav Rostropovich, violoncelo

Gravado em Paris, França, em 1956

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slava8Vassily Genrikhovich

Gioachino Rossini (1792-1868): Guilherme Tell (Guillaume Tell) – Ópera em quatro atos

Gioachino Rossini (1792-1868): Guilherme Tell (Guillaume Tell) – Ópera em quatro atos

O italiano Gioachino Antonio Rossini (Pésaro, 29 de fevereiro de 1792 — Passy, Paris, 13 de novembro de 1868) criou 39 óperas e diversos trabalhos para música sacra e música de câmara. Hoje vou apresentar para os amigos do blog a sua última ópera: “Guillaume Tell”. Ela é bem mais do que apenas uma abertura famosa. Uma ópera em quatro atos e libreto de Victor-Joseph Étienne de Jouy e Hippolyte Bis, baseado na peça de Williamrich Tell, de Friedrich Schiller (o mesmo poeta da “Ode a Alegria” da sinfonia de Beethoven) (1759 – 1805), que, por sua vez, se inspirou na lenda de Wilhelm Tell. Como a ópera foi estreada na França e os cartazes de propaganda nominavam a ópera como “Guillaume Tell” irei adotar este título para o texto, ela também é conhecida em Português (Guilherme Tell), Alemão (Wilhelm Tell), Inglês (William Tell) e Italiano (Guglielmo Tell).

Como já mencionei, esta ópera foi a última de Rossini ele estava no auge dos seus 37 anos, e ele viveu até os 76 anos. A história conta que ele se retirou porque estava tendo crises de depressão por causa do excesso de trabalho (ele compunha sempre com muita pressão dos diretores de ópera para cumprir datas e contratos cerca de duas óperas por temporada, ainda tinha que lidar com a vaidade dos cantores e regentes). Ele tinha ótima reputação, um pé de meia legal que lhe garantiu a precoce aposentadoria dos palcos de ópera. Assim Rossini planejou que “Guillaume Tell” seria sua última ópera. Em 10 de julho de 1829, quando os ensaios da nova obra na Ópera de Paris estavam em alta velocidade, o libreto foi finalmente aprovado pelos censores oficiais. A estreia foi planejada para 15 de julho, mas teve que ser adiada por várias razões – entre elas a gravidez da primadonna Laure Cint-Damoreau, bem como algumas diferenças entre Rossini e os que haviam encomendado o trabalho. O compositor foi acusado por ter forçado o atraso e assim ter mais tempo para terminar a partitura.

Opera de Paris Séc. XIX

Tudo resolvido, foi encenada pela primeira vez pela “Opera de Paris”, na Salle Le Peletier, em 3 de agosto de 1829. A música é notável pela sua liberdade relativamente às convenções descobertas e utilizadas por Rossini nas suas obras anteriores, e marca uma fase de transição na história da ópera. “Guillaume Tell” pode não ser a ópera mais famosa de Rossini, mas tem pelo menos duas melodias muito populares. Você não precisa conhecer ou gostar de música clássica/ópera, é quase impossível que não tenha ouvido parte da abertura de “Guillaume Tell”. O famoso finale da abertura, a “Marcha dos Soldados Suíços”, está em filmes, desenhos animados, propagandas, programas de TV… até toque de celular!

Embora seja uma ótima ópera, ela não foi muito representada nos teatros da Europa na época, dizem que questões políticas influenciaram, e também é verdade que a ópera exige muito dos protagonistas e do elenco em geral, os cantores tinham que ser atletas para cantar por quase cinco horas, requer conjuntos imensos e ainda requer um elenco incrível, com um coro grande, dois papéis principais de soprano ( princesa e Jemmy ), um papel de mezzo, um papel de barítono, dois papéis de baixo e um dos papéis de tenor mais difíceis de toda a ópera. O papel de tenor é colocado muito alto na voz, requer um cantor que seja doce e lírico e, um minuto depois, ardente e heroico. Para se ter uma ideia Pavarotti se recusou a fazer sua estreia no papel no La Scala, temendo (provavelmente corretamente) que isso simplesmente estragasse sua voz, e Gedda só a cantou uma vez no palco. Com todas estas exigências titânicas de elenco ainda tem o conteúdo do libreto de Étienne de Jouy e Hippolyte Bis, baseado na peça de Friedrich Schiller, causou muita polêmica. Convenhamos, em qualquer país a glorificação de um herói que luta contra as autoridades no poder não é vista com bons olhos. Temos aqui um Rossini apresentando sua obra mais ambiciosa e politizada, uma verdadeira ode à liberdade. Na Itália, o número de produções foi drasticamente cortado com um número tímido de apresentações. Já em Viena, apesar de certa censura, “Guillaume Tell” foi contemplada com 422 apresentações entre 1830 e 1907.

Para sua ópera final, que foi até elogiada por Wagner(!), Rossini também lançou uma revolução, tanto no tema quanto na maneira de lidar com ele. Pois “Guillaume Tell” deixa para trás os caminhos que o mestre italiano havia tomado – entre a ópera buffa e a séria – e esboça os contornos das óperas que estão por vir. À dimensão política e ideológica dessa ode à liberdade e ao direito das pessoas à autodeterminação, o compositor acrescentou um suspiro de uma estética ambiciosamente espetacular, mas que não esconde profundidade nem pensamento, anunciando assim as grandes obras de Verdi e Wagner. Esta grande e última obra-prima de Rossini foi particularmente importante no desenvolvimento do estilo do canto romântico, ela se tornaria o grito de guerra da Revolução de 1830; a luta constante do homem contra a barbárie.

A Lenda
Wilhelm era conhecido como um especialista no manejo da besta. Na época, os imperadores Habsburgos lutavam pelos domínios de Uri e, para testar a lealdade do povo aos imperadores, Hermann Gessler, um governador austríaco tirano, pendurou num poste um chapéu com as cores da Áustria, numa praça de Altdorf (Suiça). Todos que por lá passassem teriam de fazer uma saudação como prova do seu respeito. O chapéu era guardado por soldados que se certificariam que as ordens do governador fossem cumpridas.

Monumento em Altdorf Suiça

Um dia, Wilhelm e seu filho passaram pela praça e não saudaram o chapéu. Prenderam-no imediatamente e levaram-no à presença do governador que, reconhecendo-o, o fez, como castigo, disparar a besta em uma maçã na cabeça do filho. Tell tentou demover Gessler, sem sucesso; o governador ameaçaria ainda matar ambos, caso não o fizesse.

Tell foi assim trazido para a praça de Altdorf, escoltado por Gessler e os seus soldados. Era o dia 18 de novembro de 1307 e a população amontoava-se na expectativa de assistir ao castigo (e, sobretudo, ao seu culminar). O filho de Wilhelm foi atado a uma árvore, e a maçã foi colocada na sua cabeça. Contaram-se 50 passos. Tell carregou a besta, fez pontaria calmamente e disparou. A seta atravessou a maçã sem tocar no rapaz, o que levaria a população a aplaudir os dotes do corajoso arqueiro.

Não obstante, Wilhelm trazia uma segunda seta. Gessler, ao vê-la, perguntou por que ele a trazia. Tell hesitou. Gessler, apressando a resposta, assegurou-lhe que se dissesse a verdade, a sua vida seria poupada. Wilhelm respondeu: “Seria para atravessar o seu coração, caso a primeira seta matasse o meu filho”.

Indignado, Gessler mandou o rebelde para a prisão alegando que dignaria a sua promessa deixando-o viver — mas preso, no castelo de Küsnacht. Wilhelm foi levado acorrentado de imediato para um barco em Flüelen, onde esperou que Gessler e seus soldados embarcassem. Não muito distante do porto, deu-se uma tempestade. O Föhn, um vento do Sul, causava ondas tão altas que dificultou a viagem, praticamente arremessando o barco contra as rochas. Os que lá viajavam, assustados, gritaram: “Só Wilhelm Tell nos pode salvar!”. Gessler libertou Tell, que conduziu barco em segurança ao sopé da Montanha Axenberg, perto de uma rocha chamada Tellsplatte.

Quando amarrou, Tell tirou uma lança de um soldado, saltou do barco e, empurrando-o com os pés, fugiu pela encosta de Schwyz. Gessler conseguiu sobreviver à tempestade e chegou ao castelo de Küsnacht nessa mesma noite. Tell se escondeu em arbustos num beco que levaria à residência do governador. Assim que Gessler e os seus soldados apareceram, Tell matou-o com uma seta da sua besta, libertando o país da tirania do governador.

Segundo a lenda, este evento marcou o início a revolta que ocorreu a 1º de janeiro de 1308.

Resumo da ópera “Guillaume Tell”
A ação ocorre na Suíça medieval, numa época em que grande parte do país é controlada pela Áustria. Guillaume Tell é um respeitado patriota suíço que se opõe ao domínio austríaco. O ATO UM começa às margens do Lago Lucerna, onde uma festa de casamento triplo está em andamento. As pessoas nesta parte do país estão começando a resistir à ocupação austríaca, e a música de Rossini inclui números de coral e balé que enfatizam a importância da cultura e tradições suíças.

Um reverenciado ancião local chamado Melcthal está presidindo a cerimônia de casamento. Ele se opõe aos austríacos, mas, ironicamente, o próprio filho de Melcthal, Arnold, está apaixonado por uma princesa austríaca, Mathilde. Quando Tell pede a Arnold que defenda a causa suíça, Arnold fica dividido entre amor e patriotismo.

Melcthal abençoa os três casais, e as festividades incluem um torneio de arco e flecha vencido pelo filho de Tell, Jemmy. Mas as coisas ficam sombrias quando um pastor chamado Leuthold entra correndo freneticamente. Ele pegou um soldado austríaco atacando sua filha e matou o homem. Agora os austríacos estão atrás dele, e ele pede ajuda. A única saída é atravessar o lago, mas há uma tempestade se aproximando, tornando as águas traiçoeiras. Fala apenas aos voluntários para manobrar a balsa e remar Leuthold em segurança. Tell não perde tempo com hesitações e trata de agir pois os guardas de Gessler já se aproximam, comandados por Rudolph. Com a ajuda de Tell, o fugitivo consegue escapar

Os austríacos chegam tarde demais para pegar Leuthold. Eles exigem saber quem o ajudou a escapar, mas ninguém fala. Enfurecidos, os austríacos se preparam para saquear a vila, e Rodolphe, o capanga do governador austríaco, toma Melcthal como refém.

O ATO DOIS abre as cortinas e o que temos é uma vista para o Lago Lucerna, é noite. Um coro de caça é ouvido, junto com os moradores cantando uma música folclórica suíça. O filho de Melcthal, Arnold, está sozinho com Mathilde. Os dois estão profundamente apaixonados, e Arnold está determinado a estar com ela. Ele decide que, para ser digno de Mathilde, pode ter que ficar do lado dos austríacos.

Tell e seu amigo Walter Furst, outro patriota suíço, veem os amantes juntos. Em um trio emocionante, um dos melhores números de Rossini, eles tentam convencer Arnold a ficar com seu próprio povo. Eles dão a notícia de que seu pai, Melcthal, foi assassinado pelos austríacos.

Os homens locais começam a se reunir, para jurar lealdade à causa suíça. À medida que o dia começa, há um toque de tambor e o grito repetido: “Para as armas!”

Quando o ATO TRÊS começa, Arnold e Mathilde estão sozinhos em um jardim da capela na cidade suíça de Altdorf. Com o pai morto nas mãos dos austríacos, Arnold sabe que não pode mais ficar com ela, e os dois se despedem.

A cena muda para a praça Altdorf. Gesler, o governador austríaco, ordenou festividades para celebrar 100 anos de domínio austríaco. Os suíços recebem ordens de fazer reverências diante do chapéu de Gessler que está instalado no topo de um mastro. Os aldeões são hostis, e as coisas ficam ainda mais tensas quando Gesler ordena que algumas mulheres suíças dancem com os soldados austríacos.

Tell chega trazendo seu filho Jemmy pela mão e recusa a se inclinar diante do chapéu. Quando alguém o reconhece como o homem que ajudou Leuthold a escapar dos soldados austríacos, Gesler prende Tell. E quando Tell ordena que seu filho Jemmy repasse o sinal para iniciar a rebelião suíça, Gesler também detém Jemmy.

Gesler então inicia o incidente que cimentou a lenda de Guillaume Tell. Ele ordena que Tell pegue sua besta e atire uma flecha através de uma maçã colocada na cabeça de Jemmy. Tell expressa seu desafio em uma das maiores árias de Rossini. Então ele puxa o arco e acerta a maçã. Mas ele também declara que sua segunda flecha foi destinada ao próprio Gesler, e Tell é rapidamente amarrado e levado. Mathilde intervém, exigindo que Jemmy seja libertado sob seus cuidados. Ela também diz que usará sua influência para liberar Tell. Mas Gesler dá ordens para que Tell seja preso nas famosas masmorras de Kussnacht.

Na primeira cena do ATO QUATRO, na casa da família de Melcthal, Arnold planeja vingar a morte de seu pai. Com Tell na prisão, Arnold também sabe que cabe a ele liderar a revolta suíça. Ele se junta a patriotas de todos os estados próximos e leva os rebeldes a um esconderijo de armas escondidas por Tell e seu pai.

A ópera termina em uma costa montanhosa do Lago Lucerna. Mathilde está lá, junto com Jemmy e Hedwige, que está procurando notícias sobre Tell. Jemmy acende a lanterna para sinalizar a revolta. Na margem oposta, Tell está em um barco com seus captores austríacos. Quando eles cortam suas correntes para que ele possa ajudar na travessia, ele os domina e corajosamente atravessa as águas tempestuosas. Quando Tell chega em terra firme, ele rapidamente caça Gesler e o mata. Quando Altdorf é libertado, o exército de patriotas se reúne sob o céu limpo. Arnold canta uma homenagem a seu pai morto, e a ópera termina com um hino à natureza e à liberdade.

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A ópera é longa, mas contém o que há de mais expressivo na música de Rossini que não apenas ajudou a desenvolver a ópera bel canto, mas também a escreveu. “Guillaume Tell”, juntamente com “Semiramide”, são para mim as melhores óperas de Rossini, superando até os imensamente populares “La Cenerentola”, “Il Barbiere di Siviglia”. A música é propriamente heróica e romântica alternadamente, e como sempre, Rossini brilha em conjuntos, só que aqui, as árias solo também são totalmente emocionantes. Acredito que Verdi admirava esta obra, ouvimos muito da sua primeira fase de composições em “Guillaume Tell”, mas é outra história que contaremos aqui no blog, com prazer e em breve!

Felizmente, existem estas duas excelentes gravações da ópera para apreciar em casa que ora compartilho com os amigos. Uma é cantada em italiano, dirigido por Ricardo Chailly, com um elenco estelar incluindo Pavarotti (que disse que era sua melhor performance gravada), Freni e Milnes. A outra, no original em francês, é dirigida pelo mestro Gardelli com Montserrat Caballé, Gabriel Bacquier, Nicolai Gedda.

Esta ópera é boa demais para ser lembrada apenas pela famosa Abertura. Aliás duas curiosidades: para que serviam, originalmente as Aberturas? Hoje nos pareceria risível a sua serventia, porém naqueles tempos a Abertura era o sinal que os ouvintes deveriam se sentar e ficar calados, isso era feito durante a execução das Aberturas. Ao invés do silencio sepulcral com que hoje ouvimos toda a obra desde a Abertura, naqueles tempos era o sinal para que todos se sentassem porque, logo a seguir, o espetáculo seria iniciado. Dá para imaginar a algazarra? Outra curiosidade, o povo, ficava na plateia. A elite, os nobres, os ricos assistiam dos camarotes, daí vem a expressão “assistir de camarote”. Porém nem todos assistiam sentados, os bancos só foram acrescentado em toda a parte reservada à plateia mais tarde. A maioria assistia os concertos de pé. E eram programas muito mais longos dos que hoje são representados. No entanto eram espetáculos populares e franqueados a todos os bolsos. Daí a popularidade das óperas, eram espetáculos para o povo.

Abrem-se as cortinas e ouçam a magnífica música de Rossini. Divirtam-se !!!!

Gioachino Rossini – Guillaume Tell – Gardelli

Soberba performance do maestro Gardelli com Royal Philharmonic Orchestra nesta gravação do original em francês, é uma regência de bom gosto, Gardelli foi um especialista em Verdi que se destaca aqui na obra-prima de Rossini. É estrelado por Montserrat Caballé, Gabriel Bacquier, Nicolai Gedda. Todos os amantes de ópera devem possuir essa gravação no francês original. Gedda é Arnoldo, com uma voz mais leve, que pode soar um pouco fraca nas passagens fortes, mas ele canta em bom estilo “bel canto” e aborda as notas altas no ato final com bravura. Os papéis de soprano são, no entanto, a principal atração vocal, com Caballe em seu auge absoluto, brilhando junto com a fantástica Mady Mesple no papel de Jemmy. Que Caballe é invencível nesse tipo de repertório nem vamos discutir, é evidente de que ela é a melhor intérprete de todos os tempos desse tipo de ‘grandes papéis soprano’ rossinianos. Se Caballe é a coloratura dramática invencível, Mesple é simplesmente a melhor legatura da sua época. Gosto muito de ouvir o trabalho no idioma para o qual foi escrito. Eu acho que funciona melhor. Afinal, Rossini escreveu sua música para encaixar nas palavras existentes, em francês. Esta gravação pertence a todas as coleções, grandes ou pequenas. Nenhum amante de ópera poderia se dar ao luxo de perder esta fantástica gravação.

Mathilde – Montserrat Caballé (soprano);
Jemmy – Mady Mesplé (soprano);
Hedwige – Jocelyne Taillon (mezzo);
Guillaume Tell – Gabriel Bacquier (baritone);
Arnold – Nicolai Gedda (tenor);
Gessler – Louis Hendrix (bass);
Melchthal – Gwynne Howell (bass);
Walter – KoloKovacs (bass);
Fisherman – Charles Burles (tenor);
Rodolphe – Ricardo Cassinelli (tenor);
Leuthold – Nicolas Christou (bass);
Huntsman – Leslie Fyson (tenor)

Ambrosian Opera Chorus
Royal Philharmonic Orchestra
Lamberto Gardelli

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Gioachino Rossini – Guillaume Tell – Chailly

Como disse o libreto original foi escrito em francês, para um público francês. Neste trabalho o texto está em italiano, não em francês. Acho que os sons nítidos de staccato do italiano não combinam muito com a música, o francês é mais suave. Rossini escreveu sua partitura para combinar com as palavras, deixando pouco espaço para improvisação pelos cantores. Porém este elenco está repleto de estrelas no auge da carreira que nos fazem apreciar esta ópera mesmo que em italiano. A interpretação é excelente, a Orquestra Filarmônica Nacional oferece um toque vibrante, vigoroso, animado e colorido sob o Chailly, com muita ternura e atmosfera, além de energia e impulso. Os cantores cumprem suas reputações. Pavarotti estava em excelente forma, com uma performance tão simpaticamente caracterizada quanto magnífica e calorosamente bonita. A grande ária do último ato com o coro e o grito de guerra (CD4 faixa 2) o Pav detona; eu não consigo imaginar nenhum outro tenor vivo que pudesse ter o alcance, a grandeza do timbre e o talento musical dele. Pode-se entender facilmente por que ele apelidou essa de sua melhor performance gravada em estúdio e o motivo de todo barulho em relação a esse grande tenor. Tell, de Sherrill Milnes, seu brilho é estupendo, uma interpretação com muita humanidade e a profundidade. Ghiaurov está igualmente em excelente forma, e seu retrato sinistro de Kessler é muito bom. As personagens femininas não são menos maravilhosamente cantadas. Mirella Freni é esplêndida como sempre, e na maioria dos papéis menores que canta é igualmente ótima. Acrescente a isso uma gravação finamente equilibrada, clara e quente, e o resultado é um conjunto para valorizar. Apesar do texto em italiano é recomendado com todo entusiasmo possível. A faixa 10 do CD 4 é um final alternativo com o motivo final da abertura.

Mathilde – Mirella Freni (soprano);
Jemmy – Della Jones (soprano);
Hedwige – Elizabeth Connel (mezzo);
Guillaume Tell – Sherill Milnes (baritone);
Arnold – Luciano Pavarotti (tenor);
Gessler – Nicolai Ghiaurov (bass);
Melchthal – John Tomlinson (bass);

Ambrosian Opera Chorus
National Philharmonic Orchestra
Riccardo Chailly

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Eu consegui me aposentar aos 37 anos. E vocês vão conseguir se aposentar ?

Ammiratore

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Suítes para violoncelo solo – Mstislav Rostropovich (1955)

SU4044_2_xlSim, Rostropovich foi um dos maiores violoncelistas do século. Sim, sua gravação das Suítes para violoncelo de Bach lançada pela EMI foi detestada pela crítica. Sim, o grande Slava foi sempre reticente – e admite isso com muita franqueza no encarte do álbum – quanto a gravar essas obras, por considerar que, muito além de questões técnicas, sua “infinita riqueza” e “transcendência espiritual” não estavam ao seu alcance para tentar uma sua versão definitiva. E, sim, no mesmo encarte Slava execra sua própria gravação anterior, considerando-a imatura e insensata.

Esta versão que aqui postamos não é nem aquela detestada pela crítica em 1995, nem a execrada pelo próprio Rostropovich, mas sim uma outra, feita ao vivo durante o Festival Primavera de Praga de 1955 e lançada pelo sempre surpreendente selo Supraphon. Sou um fã de Slava e, ao contrário da maioria de meus concidadãos planetários, aprecio suas gravações dessas Suítes que ele tanto amava, e que respeitava ao ponto do temor. Reconheço que o som vigoroso e ultraexpressivo de seu violoncelo (um dos poucos, aliás, que me é inconfundível) dá a essas gravações, talvez, o que numa licença poética chamo de “excesso de músculo” que, muitas vezes, não lhes é adequado. O que esta gravação em Praga tem, e que falta às demais, é a espontaneidade dos registros ao vivo, em contraste franco com a estudada,  constrita gravação de 1995 e a gravação feita na União Soviética pelo selo Melodiya (e que serão oportunamente postadas aqui no PQP Bach).

Esta longa série com as Suítes para violoncelo solo não tem, claro, a intenção de agradar a todos. Entre as noventa e seis gravações que delas tenho, em vários instrumentos, certamente não há só pontos altos. Ao final da epopeia, espero que os leitores-ouvintes tenham escolhido seu quinhão preferido e que,  no processo, saibam dar ao grande Rostropovich uma nova oportunidade de agradá-los.

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Seis Suítes para violoncelo solo, BWV 1007-1012

No. 1 em Sol maior, BWV 1007
01 – Prélude
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Menuet I & II
06 – Gigue

No. 2 em Ré menor, BWV 1008
07 – Prélude
08 – Allemande
09 – Courante
10 – Sarabande
11 – Menuet I & II
12 – Gigue

No. 3 em Dó maior, BWV 1009
13 – Prélude
14 – Allemande
15 – Courante
16 – Sarabande
17 – Bourrée I & II
18 – Gigue

No. 4 em Mi bemol maior, BWV 1010]
19 – Prélude
20 – Allemande
21 – Courante
22 – Sarabande
23 – Bourrée I & II
24 – Gigue

No. 5 em Dó menor, BWV 1011
25 – Prélude
26 – Allemande
27 – Courante
28 – Sarabande
29 – Gavotte I & II
30 – Gigue

No.6 em Ré maior, BWV 1012
31– Prélude
32 – Allemande
33 – Courante
34 – Sarabande
35 – Gavotte I & II
36 – Gigue

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Mstislav Rostropovich, violoncelo
Gravação ao vivo no Festival Primavera de Praga em 1955

Um grande momento: Rostropovich em 1989, tocando ante o Muro de Berlim em demolição. Como corajoso defensor da liberdade de expressão na União Soviética, que o levou a ser banido de lá nos anos 70, essa figura extraordinária não se furtou a correr com seu precioso violoncelo para Berlim tão logo lhe chegaram as boas novas e tocar entre os berlinenses em festa. E o programa, como não poderia deixar de ser, foi Bach.
Um grande momento: Rostropovich em 1989, tocando ante o colapsante Muro de Berlim. Como corajoso defensor da liberdade de expressão na União Soviética, o que o levou a ser banido de lá nos anos 70, essa figura extraordinária não se furtou a correr com seu precioso violoncelo para Berlim tão logo lhe chegaram as boas novas e tocar entre os berlinenses em festa. O programa, como não poderia deixar de ser, foi inteirinho de Bach.

Vassily Genrikhovich

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia 8 “Sinfonia dos Mil” & Sinfonia 2 “Ressurreição” – Leopold Stokowski

Gustav Mahler (1860-1911): Sinfonia 8 “Sinfonia dos Mil” & Sinfonia 2 “Ressurreição” – Leopold Stokowski

Hoje vamos postar duas “Titânicas” sinfonias de Mahler sob a batuta de Leopold Stokowski (1882 – 1977) (ops… ele não usa batuta) : a Sinfonia número 2 “ Ressurreição” e a Sinfonia número 8 “Sinfonia dos Mil”. O pessoal do blog já postou algumas vezes estas obras com os regentes mais importantes, vou arriscar e meter meu bedelho também com o grande Leopold Stokowski.

Vamos começar pela gravação mais antiga. A Oitava Sinfonia de Mahler que é considerada por muitos um cartão de visitas para todas as grandes e boas orquestras. Também é a maior carta de amor da história das sinfonias (“Cada nota é dirigida para você”, Mahler confessou a sua esposa, Alma). A estreia foi considerada como a mais bem-sucedida do compositor (as apresentações de Munique em 1910 sob a regência do próprio Mahler foi seu primeiro sucesso absoluto e ainda teve Stokowski que também trabalhou nestas apresentações). Mais do que qualquer outra peça, a Oitava Sinfonia requer um regente que tenha o controle total dos músicos não apenas em orientar no palco, mas em conectar as ideias e as relações musicais da partitura.

O casal Gustav e Alma

A filosofia da obra é tão vasta quanto seus números. Como Mahler descreveu a um amigo: “Imagine que o universo inteiro explode em música. Já não ouvimos vozes humanas, mas as de planetas e sóis circulando em suas órbitas. ”A sinfonia é formada em duas seções expansivas. O primeiro é baseado no antigo hino do Pentecostes, “Veni creator spiritus” , que começa: “Venha, espírito criador, habite em nossas mentes; enche de graça divina os corações dos teus servos. ”Esse texto, embora de origem religiosa, também pode ser interpretado artisticamente; é impossível ter certeza de qual caminho Mahler pretendia, se é que ambos. No segundo movimento da sinfonia, Mahler se voltou para uma fonte mais recente, embora ainda estivesse mergulhada em espiritualidade. Aqui, Mahler definiu a cena final do épico drama em verso de Goethe, Faust. Esta não é a parte familiar em que Fausto vende sua alma ao diabo em troca de juventude e amor; antes, a Parte Dois ocorre décadas depois, quando as desventuras terrenas de Fausto finalmente chegaram ao fim, e o diabo está tentando tomar posse de seu recruta. Ele falha, perdendo Fausto para os anjos e, na cena final, aquela que tanto empolgou Mahler, os anjos e outros espíritos estão subindo ao céu com a alma redimida de Fausto. Esta sinfonia é inegavelmente uma obra de arte magistral, beneficiando-se dos anos de Mahler maestro, no comando de sinfonias e companhias de ópera, estas experiências abriram horizontes em sua genialidade experimental.

Orquestra posando para a foto antes da estreia americana da oitava de Mahler – 1916

Quando Stoki se tornou diretor musical na Filadélfia em 1912, imediatamente fez planos para introduzir esta enorme sinfonia nos Estados Unidos. Após alguns anos e com dinheiro em caixa Stokowski apostou na gigantesca partitura da Sinfonia número 8. Este foi um triunfo pessoal e artístico, e também um triunfo sobre o Conselho da Orquestra da Filadélfia (um dos muitos). Os custos eram grandes e Stokowski convenceu o Conselho da Orquestra da Filadélfia, no início de 1915, a liberar US $ 17.000 (equivalente a cerca de US $ 360.000 atualmente) para a estreia americana na temporada 1915-1916 da Sinfonia número 8 de Mahler. A habilidade de Stokowski na organização e a publicidade foram os principais contribuintes para o sucesso. O interesse do público tornou-se tão inflamado que os cambistas conseguiram US$ 100,00 no valor do ingresso para a estreia (equivalente a cerca de US $ 2.100 nos valores de hoje). Tão grande foi a demanda para ouvir Mahler que performances adicionais foram programadas. Em 9 de abril de 1916, dois trens particulares levaram 1.200 pessoas da Orquestra da Filadélfia até Nova York para se apresentarem no Metropolitan Opera House. Essas apresentações de Nova York ajudaram a estabelecer a reputação da Orquestra da Filadélfia sob Stokowski, o trabalho despertou aclamações, com a conquista de Stokowski fazendo notícias de primeira página em todo o mundo.

Nesta gravação da “Symphony of a Thousand” (nome dado a contragosto de Mahler) que ora disponibilizo aos amigos do blog é bem mais um arquivo histórico do que qualquer outra coisa. Mas se você puder ouvir além das imperfeições, a gravação oferece um excelente objeto de estudo. Esta foi a primeira gravação completa da Oitava Sinfonia de Gustav Mahler e foi realizada em 9 de abril de 1950, com Leopold Stokowski dirigindo a Filarmônica de Nova York e coros combinados de Nova York. Embora esta gravação histórica seja realmente de interesse limitado para os aficionados de Mahler e dedicados fãs de Stokowski não deve ser considerado uma escolha essencial. Realmente fica difícil entender tudo o que está acontecendo na gravação mono compactada. Os solistas vocais, os corais combinados e a Filarmônica de Nova York atuam com segurança e precisão bem ensaiada. Qualquer um que conheça bem esta sinfonia não terá problemas em distinguir as várias linhas de corais e partes instrumentais, apesar da distorção ocasional quando o microfone está sobrecarregado. No entanto, os ouvintes de primeira viagem podem se sentir desorientados pela densa parede de som do “Veni, Creator Spiritus”, que não dá pistas sobre a colocação dos músicos e atrapalha a separação dos solistas dos coros. O áudio na segunda parte é menos problemático, embora as limitações da tecnologia de gravação da metade do século XX ainda sejam bastante aparentes. Para quem quer uma qualidade de gravação ótima da oitava fica duas dicas (dois links) que o PQP fez aqui no blog, acho que a mais interessante foi a postagem do ano passado da integral com o Leonard Bernstein  a segunda que gostei bastante foi a do Pierre-Boulez.

Mahler – Sinfonia número 8 em mi bemol maior “Sinfonia dos Mil”

1 – Part I Hymnus Veni, creator spiritus
2 – Part II Final Scene from Faust

Frances Yeend soprano
Uta Graf soprano
Camilla Williams soprano
Martha Lipton mezzo-soprano
Louise Bernhardt alto
Eugene Conley tenor
Carlos Alexander baritone
George London bass-baritone
Chorus of the Schola Cantorum, Westminster Choir
Boys Choir of NY Public School number 12
New York Philharmonic Orchestra
Leopold Stokowski
Carnegie Hall, New York City – Live performance 9 April 1950

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Mahler – Sinfonia número 2 “Ressurreição”
Em maio de 1921, Stokowski conduziu a Sinfonia “Ressurreição” pela primeira vez. Esta sinfonia teve um começo bem picotado, foi apresentada em partes; em março de 1895, em Berlim, sob a direção de Richard Strauss, foram estreados os três primeiros movimentos puramente orquestrais, e somente no final do ano o próprio Mahler conduziu a primeira apresentação completa. A música surgiu das ideias concebidas pela Primeira Sinfonia, um trabalho quase autobiográfico cujo “herói” morreu e que no primeiro movimento da Segunda Sinfonia este “herói” está sendo levado para o túmulo. A música assume a forma de uma marcha gigantesca e solene – “uma grande quantidade de caráter trágico”, para citar Bruno Walter. O próprio Mahler deixou vários comentários sobre a música e, sobretudo da importância do primeiro movimento, escreveu: “Estamos de pé ao lado do caixão de um homem amado. Pela última vez, suas lutas, sofrimentos e realizações passam pela mente… Neste momento profundamente emocionante, quando a confusão e as distrações da vida cotidiana são varridas, uma voz de solenidade inspiradora diz: “O que é vida – o que é morte? Vamos viver para sempre na eternidade? É tudo um sonho vazio ou vida e morte têm um significado?” Essa é uma pergunta que devemos responder para continuar vivendo. ” O segundo movimento tem uma sensação schubertiana e é ao mesmo tempo uma lembrança feliz do passado e uma triste lembrança da juventude e inocência perdidas. Os três movimentos restantes, todos orientados na partitura para se seguirem sem pausa, começam com um scherzo, uma espécie de dança fantasmagórica e zombeteira, que apresenta o humor ácido que influenciaria grande parte da música de Shostakovich. Mahler escreveu: “O espírito de descrença e negação tomou posse do herói. Ele olha para a superficialidade da vida e perde junto com sua inocência infantil a força profunda que somente o amor pode trazer. Ele se desespera de si e de Deus, a própria vida começa a parecer irreal, como um pesadelo terrível. O desgosto absoluto por todos os que vivem o atormenta, levando-o a uma explosão de desespero “. O quarto movimento é um cenário solene para mezzo-soprano, um dos poemas folclóricos da antologia “Des Knaben Wunderhorn”, cujos versos Mahler também usou em sua Terceira e Quarta Sinfonias. “As palavras emocionantes da fé simples soam nos ouvidos do herói: ‘Eu venho de Deus e voltarei a Deus!'” O imenso final é lançado imediatamente com um grande grito de angústia e culmina com versos adaptados da ode “Auferstehung” (Ressurreição), de Friedrich Klopstock, para dois solistas e coro. “Estamos novamente confrontados com perguntas aterradoras … Chegou o fim de toda a vida; o Juízo Final está próximo … A terra treme, os túmulos se abrem, os mortos se levantam e marcham em uma procissão sem fim, grandes e humildes desta terra – reis e mendigos, justos e ímpios – todos avançam. O grito de misericórdia e perdão soa terrivelmente em nossos ouvidos … a última trombeta do apocalipse soa, e no silêncio sinistro que se segue a nós ouça um rouxinol distante, como o último eco trêmulo da vida na Terra”. Então, o som suave de um coro de santos e hostes celestes é ouvido: “Levanta-te, sim, você se levantará! Vida eterna Ele dará a quem o chamou”. E eis que não há julgamento – não há pecadores, nem justos, nem grandes. Nem humildes. Não há punição nem recompensa. Um sentimento de amor avassalador brilha sobre nós com entendimento e ilumina nossas almas”.

Em maio de 1921, Stokowski conduziu a Sinfonia “Ressurreição” pela primeira vez. Essa apresentação da Sinfonia “Ressurreição” de Mahler foi a última de várias que Stokowski fez desta obra. Para realizar esta gravação que foi única escolheu a London Symphony Orchestra para gravar na Inglaterra, estava com 92 anos. A revista Times chamou o desempenho de Stokowski: “uma conquista surpreendente … ele a transforma em uma experiência emocionante. Outro marco registrado para esse extraordinário artista”. A roda havia completado o ciclo, Stokowski pôde viver mais de seis décadas desde o momento em que viu o próprio Mahler trabalhando e, no final de sua vida, comprometer-se a gravar uma das melhores sinfonias de corais de todos os tempos.

Mahler – Sinfonia número 2 em dó menor – “Ressurreição”
1. Symphony No. 2 in C minor (‘Resurrection’): I. Allegro maestoso
2. Symphony No. 2 in C minor (‘Resurrection’): II. Andante moderato
3. Symphony No. 2 in C minor (‘Resurrection’): III. [Scherzo] In ruhig fließender Bewegung – attaca:
4. Symphony No. 2 in C minor (‘Resurrection’): IV. ‘Urlicht’. Sehr feierlich, aber schlicht – attaca:
5. Symphony No. 2 in C minor (‘Resurrection’): V. Im Tempo des Scherzo. Wild herausfahrend
6. Symphony No. 2 in C minor (‘Resurrection’): ‘Aufersteh’n, ja aufersteh’n wirst du’
7. Symphony No. 2 in C minor (‘Resurrection’): ‘O glaube, mein Herz, o glaube’

Brigitte Fassbaender mezzo-soprano,
Margaret Price soprano.
Rae Woodland, BBC Chorus & Choral Society, Goldsmith’s Choral Union, Harrow Choral Society
London Symphony Chorus and Orchestra,
Leopold Stokowski

Durante julho e agosto, foram realizadas 9 sessões de gravação: 22, 25, 27 de julho de 1974 e 10, 11, 14 de agosto de 1974. Foi publicado pela RCA em 1974.

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Ammiratore

Claude Debussy – Images L. 122, Printemps, L.61, Prélude à l’après-midi d’un faune

2018 foi o ano Debussy, quando comemoramos o centenário de sua morte. Fizemos algumas postagens em homenagem no começo daquele ano.  Mas não devemos nos esquecer deste genial compositor, que nos proporcionou, ou proporciona momentos inesquecíveis com suas obras. Por isso, sempre que possível, trago alguma coisa dele.
É o que faço hoje, trazendo algumas obras que já passaram por aqui, com outros maestros. Porém estamos quase entrando em uma nova década, 2020 está batendo à nossa porta. Por isso também acho importante mostrar a nova geração que chega, e o que ela tem feito. Esse jovem maestro finlandês, Mikko Franck, nasceu em 1979, e já vem colecionando elogios há algum tempo, seguindo os passos de outro maestro finlandês que se tornou referência em se tratando de Debussy, Esa-Pekka Salonen.
Vamos ao que viemos? Debussy está em ótimas mãos aqui, lhes garanto.

1 – Images, L. 122, No. 1 « Gigues »
2 – Images, L. 122, No. 2 « Iberia »_ I. Par les rues et les chemins
3 – Images, L. 122, No. 2 « Iberia »_ II. Les parfums de la nuit
4 – Images, L. 122, No. 2 « Iberia__ III. Le matin d’un jour de fête
5 – Images, L. 122, No. 3 « Rondes de printemps »
6 – Printemps, L.61 No. 1
7 – Printemps, L.61 No. 2
8 – Prélude à l’après-midi d’un faune

Orchestre Philharmonique de Radio France
Mikko Franck – Conductor

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Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Suítes para violoncelo solo – Anner Bylsma (1979)

FrontBelíssima versão das Suítes para violoncelo de J. S. Bach, esta do holandês Anner Bylsma, lançada pelo saudoso selo Seon em 1979 –  uma das primeiras feitas com técnica e violoncelo barrocos. Serena e equilibrada, sem abusar de contrastes dinâmicos, realça uma das mais distintas qualidades do gênio de Bach: sua capacidade de insinuar, engenhosamente, harmonias e contraponto ao escrever para um instrumento essencialmente melódico como o violoncelo. O mestre holandês, recente falecido, que além de excelente instrumentista era uma tremenda figura humana, gravaria em 1992 uma outra versão pela Sony, que algum dia também surgirá por aqui.

J. S. BACH – DIE CELLOSUITEN – ANNER BYLSMA

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Seis suítes para violoncelo solo, BWV 1007-1012

Suíte no. 1 em Sol maior, BWV 1007

01 – Prélude
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Menuet I & II
06 – Gigue

Suíte no. 2 em Ré menor, BWV 1008

07 – Prélude
08 – Allemande
09 – Courante
10 – Sarabande
11 – Menuet I & II
12 – Gigue

Suíte no. 3 em Dó maior, BWV 1009

13 – Prélude
14 – Allemande
15 – Courante
16 – Sarabande
17 – Bourrée I & II
18 – Gigue

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Suíte no. 4 em Mi bemol maior, BWV 1010

01 – Prélude
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Bourrée I & II
06 – Gigue

Suíte no. 5 em Dó menor, BWV 1011

07 – Prélude
08 – Allemande
09 – Courante
10 – Sarabande
11 – Gavotte I & II
12 – Gigue

Suíte no. 6 em Ré maior, BWV 1012

13 – Prélude
14 – Allemande
15 – Courante
16 – Sarabande
17 – Gavotte I & II
18 – Gigue

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Anner Bylsma, violoncelo

Vassily Genrikhovich

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas BWV 12, 103 & 146

IM-PER-DÍ-VEL !!!

A Cantata BVW 12 é de chorar de tão linda. O coro Weinen, Klagen, Sorgen, Zagen é muito emocionante. É uma obra de juventude, é de 1714 e eu não tinha nascido ainda. JS ainda não conhecia minha mãe na época. A 146 é um daqueles roubos que Bach faz de si mesmo. Seu início é baseado num Concerto para Cravo dele mesmo. E mais de um movimento, tá?

As performances de Gardiner animam e atualizam a música de Bach em quase todos os momentos. O Coral Monteverdi arrasa e eu gostei especialmente da ária a cargo de Julian Clarkson, ‘Ich folge Christo nach’ (BWV 12), e a ‘Kein Arzt’, com William Towers (BWV 103). Um disco espetacular!

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas BWV 12, 103 & 146

For The Third Sunday After Easter (Jubilate)
Weinen, Klagen, Sorgen, Zagen BWV 12
1-1 1. Sinfonia 2:19
1-2 2. Coro Weinen, Klagen, Sorgen, Zagen 7:34
1-3 3. Recitativo: Alt Wir Müssen Durch Viel Trübsal 0:48
1-4 4. Aria: Alt Kreuz Und Krone Sind Verbunden 5:40
1-5 5. Aria: Bass Ich Folge Christo Nach 1:45
1-6 6. Aria Con Choral: Tenor Sei Getreu, Alle Pein 3:37
1-7 7. Choral Was Gott Tut, Das Ist Wohlgetan 0:53

Ihr Werdet Weinen Und Heulen BWV 103
1-8 1. Coro E Arioso: Bass Ihr Werdet Weinen Und Heulen 5:23
1-9 2. Recitativo: Tenor Wer Sollte Nicht In Klagen Untergehn 0:33
1-10 3. Aria: Alt Kein Arzt Ist Außer Dir Zu Finden 4:37
1-11 4. Recitativo: Alt Du Wirst Mich Nach Der Angst 0:34
1-12 5. Aria: Tenor Erholet Euch, Betrübte Sinnen 2:48
1-13 6. Choral Ich Hab Dich Einen Augenblick 1:11

Wir Müssen Durch Viel Trübsal In Das Reich Gottes Eingehen BWV 146
1-14 1. Sinfonia 7:32
1-15 2. Coro Wir Müssen Durch Viel Trübsal 7:45
1-16 3. Aria: Alt Ich Will Nach Dem Himmel Zu 8:59
1-17 4. Recitativo: Sopran Ach! Wer Doch Schon Im Himmel Wär! 1:31
1-18 5. Aria: Sopran Ich Säe Meine Zähren 5:12
1-19 6. Recitativo: Tenor Ich Bin Bereit 1:09
1-20 7. Aria (Duetto): Tenor, Bass Wie Will Ich Mich Freuen 5:24
1-21 8. Choral Denn Wer Selig Dahin Fähret 1:17

Alto Vocals – William Towers (tracks: 1-1 to 1-21)
Bass Vocals – Julian Clarkson (tracks: 1-1 to 1-21)
Choir – The Monteverdi Choir
Conductor – John Eliot Gardiner*
Orchestra – The English Baroque Soloists
Soprano Vocals – Brigitte Geller (tracks: 1-1 to 1-21)
Tenor Vocals – Mark Padmore (tracks: 1-1 to 1-21)

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PQP

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Complete Cantatas vol. 11 – Koopman, Reubens, Markert, Prégardien, Mertens

“The cantatas in the eleventh volume of the complete recording of Bach’s cantatas all come from Johann Sebastian Bach’s second year as Thomaskantor in Leipzig. Most of them were composed in the summer and autumn of 1724, though cantatas BWV 41 and 127 were written in early 1725. While the cantatas of the first Leipzig cycle of 1723-24, full of colour from the formal, textual and musical points of view, cannot be said to constitute a unified whole, the second cycle, which began in June 1724, presents greater overall unity, at least up until Lent of the following year.”

COMPACT DISC 1
“Herr Jesu Christ, wahr’ Mensch und Got” BWV 127
Quinquagesima Sunday

01 Chorus: “Herr Jesu Christ, wahr’ Mensch und Gott”
02 Recitative (Tenor): “Wenn alles sich zur letzten Zeit entsetzet”
03 Aria (Soprano): “Die Seele ruht in Jesu Händen”
04 Recitative and Aria (Bass): “Wenn einstens die Posaunen schallen”
05 Chorale: “Ach Herr, vergib all unsre Schuld”

“Wo soll ich fliehen hin” BWV 5
19th Sunday after Trinity

06 Chorus: “Wo soll ich fliehen hin”
07 Recitative (Bass): “Der Sünden Wust hat mich nicht nur befleckt”
08 Aria (Tenor): “Ergieße dich reichlich”
09 Recitative with Chorale (Alto): “Mein treuer Heiland tröstet mich”
10 Aria (Bass): “Verstumme, Höllenheer”
11 Recitative (Soprano): “Ich bin ja nur das kleinste Teil der Welt”
12 Chorale: “Führ auch mein Herz und Sinn”

“Was frag ich nach der Welt” BWV 94
9th Sunday after Trinity

13 Chorus: “Was frag ich nach der Welt”
14 Aria (Bass): “Die Welt ist wie ein Rauch und Schatten”
15 Chorale and Recitative (Tenor): “Die Welt sucht Ehr und Ruhm”
16 Aria (Alto): “Betörte Welt, betörte Welt!”
17 Chorale and Recitative (Bass): “Die Welt bekümmert sich”
18 Aria (Tenor): “Die Welt kann ihre Lust und Freud”
19 Aria (Soprano): “Es halt es mit der blinden Welt”
20 Chorale: “Was frag ich nach der Welt!”

COMPACT DISC 2

“Jesu, nun sei gepreiset” BWV 41
New Year’s Day

01 Chorus: “Jesu, nun sei gepreiset”
02 Aria (Soprano): “Laß uns, o höchster Gott”
03 Recitative (Alto): “Ach! deine Hand, dein Segen muß allein”
04 Aria (Tenor): “Woferne du den edlen Frieden”
05 Recitative (Bass): “Doch weil der Feind bei Tag und Nacht”
06 Chorale: “Dein ist allein die Ehre”

“Christ unser Herr zum Jordan kam” BWV 7
Feast of St John the Baptist

07 Chorus: “Christ unser Herr zum Jordan kam”
08 Aria (Bass): “Merkt und hört, ihr Menschenkinder”
09 Recitative (Tenor): “Dies hat Gott klar”
10 Aria (Tenor): “Des Vaters Stimme ließ sich hören”
11 Recitative (Bass): “Als Jesus dort nach seinen Leiden”
12 Aria (Alto): “Menschen, glaubt doch dieser Gnade”
13 Chorale: “Das Aug allein das Wasser sieht” 1’19

“Wohl dem, der sich auf seinen Gott” BWV 139
23 th Sunday after Trinity

14 Chorus: “Wohl dem, der sich auf seinen Gott”
15 Aria (Tenor): “Gott ist mein Freund”
16 Recitative (Alto): “ Der Heiland sendet ja die Seinen”
17 Aria (Bass): “Das Unglück schlägt auf allen Seiten”
18 Recitative (Soprano): “Ja trag ich gleich den größten Feind in mir”
19 Chorale: “Dahero Trotz der Höllen Heer!”

COMPACT DISC 3

“Mache dich, mein Geist, bereit”
22th Sunday after Trinity

01 Chorus: “Mache dich, mein Geist, bereit”
02 Aria (Alto): “Ach, schläfrige Seele, wie?”
03 Recitative (Bass): “Gott, so für deine Seele wacht”
04 Aria (Soprano): “Bete aber auch dabei”
05 Recitative (Tenor): “Er sehnet sich nach unserm Schreien”
06 Chorale: “Drum so laßt uns immerdar”

“Herr Jesu Christ, du höchstes Gut” BWV 113
11th Sunday after Trinity

07 Chorus: “Herr Jesu Christ, du höchstes Gut”
08 Chorale (Alto): “Erbarm dich mein in solcher Last”
09 Aria (Bass): “Fürwahr, wenn mir das kommet ein”
10 Chorale and Recitative (Bass): “Jedoch dein heilsam Wort”
11 Aria (Tenor): “Jesus nimmt die Sünder an”
12 Recitative (Tenor): “Der Heiland nimmt die Sünder an”
13 Aria (Soprano, Alto): “Ach Herr mein Gott, vergib mirs doch”
14 Chorale: “Stärk mich mit deinem Freudengeist” 1’01

“Meine Seel erhebt den Herren” BWV 10
Feast of the Visitation

15 Chorus: “Meine Seel erhebt den Herren”
16 Aria (Soprano): “Herr, der du stark und mächtig bist”
17 Recitative (Tenor): “Des Höchsten Güt und Treu”
18 Aria (Bass): “Gewaltige stößt Gott vom Stuhl”
19 Duet (Alto, Tenor) and Chorale: “Er denket der Barmherzigkeit”
20 Recitative (Tenor): “Was Gott den Vätern alter Zeiten”
21 Chorale: “Lob und Preis sei Gott”

Sibylla Rubens soprano
Annette Markert alto
Christoph Prégardien tenor
Klaus Mertens bass
THE AMSTERDAM BAROQUE ORCHESTRA & CHOIR
TON KOOPMAN

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Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Suítes para Violoncelo Solo – Gaspar Cassadó

MI0000976023Aluno de Pau Casals, o também catalão Gaspar Cassadó i Moreu (1897-1966) era tido como o outro grande violoncelista da primeira metade do século XX (título que teria cabido, com sobras, ao maravilhoso Emanuel Feuermann, se não tivesse morrido tão jovem). De estilo sóbrio e som nobre e pouco opulento, não muito afeito a rubatos, Cassadó deixou-nos uma leitura clássica das Suítes para violoncelo de J. S. Bach que, talvez, soará opaca para aqueles que se acostumaram a violoncelos barrocos, cordas de tripa e liberdades agógicas. Ainda que Cassadó já tivesse seus sessenta anos ao entrar no estúdio e apesar da estranheza da escolha de tocar a quarta suíte um tom acima (que talvez algum violoncelista entre nossos leitores-ouvintes possa tentar explicar, quem sabe por ficar mais ressonante nas cordas soltas do violoncelo, normalmente afinado Dó-Sol-Ré-Lá),  acho que sua gravação tem, especialmente nas Suítes em tom menor, um toque melancólico muito atraente.

JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750)

SEIS SUÍTES PARA VIOLONCELO SOLO, BWV 1007-1012

CD 01

SUÍTE NO. 1 EM SOL MAIOR, BWV 1007

01 – Prélude
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Menuet I & II
06 – Gigue

SUÍTE NO. 2 EM RÉ MENOR, BWV 1008

07 – Prélude
08 – Allemande
09 – Courante
10 – Sarabande
11 – Menuet I & II
12 – Gigue

SUÍTE NO. 3 EM DÓ MAIOR, BWV 1009

13 – Prélude
14 – Allemande
15 – Courante
16 – Sarabande
17 – Bourrée I & II
18 – Gigue

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CD 02

SUÍTE NO. 4 EM MI BEMOL MAIOR, BWV 1010 (transposta para Fá maior)

01 – Prélude
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Bourrée I & II
06 – Gigue

SUÍTE NO. 5 EM DÓ MENOR, BWV 1011

07 – Prélude
08 – Allemande
09 – Courante
10 – Sarabande
11 – Gavotte I & II
12 – Gigue

SUÍTE NO.6 EM RÉ MAIOR, BWV 1012

13 – Prélude
14 – Allemande
15 – Courante
16 – Sarabande
17 – Gavotte I & II
18 – Gigue

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Gaspar Cassadó, violoncelo

Três vezes Cassadó
Três vezes Cassadó

Vassily Genrikhovich