Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As Sonatas para Fortepiano – Paul Badura-Skoda (7/9) #BTHVN250

 

 

 

 

Um sanduíche de sonatas parrudas com recheio leve: as sonatinas Op. 49, que mal conseguem dar o ar de sua muita graça após o portento da “Waldstein”, e a pobre Op. 54, que já nasceu eclipsada pelas gigantes que aqui também a antecedem e a sucedem, embora seja uma ótima e primorosamente concisa composição. Dou-me conta de que faltou eu lhes sugerir aquilo que o patrão PQP sempre faz, que é começar a audição de uma série de sonatas justamente pela “Waldstein”, para saber se o resto vale a pena. Eu acho que PBS se sai muito bem, assim como o piano Broadwood de 1815 – que, se comparado ao instrumento de 1796 do mesmo fabricante que quase rompeu as costuras com a Sonata Op. 7, atesta a notável evolução que houve nos recursos do pianoforte concomitantemente à carreira de Beethoven.

Ludwig van Beethoven (1770-1827)

Sonata para piano em Dó maior, Op. 53, “Waldstein”

1 – Allegro con brio

2 – Introduzione. Adagio molto

3 – Rondo. Allegretto moderato. Prestissimo.

Duas sonatas para piano, Op. 49

No. 1 em Sol menor

4 – Andante

5 – Rondo. Allegro

No. 2 em Sol maior

6 – Allegro ma non troppo

7 – Tempo di menuetto

Sonata para piano em Fá maior, Op. 54

8 – In tempo d’un menuetto

9 – Allegretto. Più allegro

Sonata para piano em Fá menor, Op. 57, “Appassionata”

10 – Allegro assai

11 – Andante con moto

12 – Allegro ma non troppo – Presto

Paul Badura-Skoda, piano (John Broadwood, Londres, ca. 1815)

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Vassily

J. S. Bach (1685-1750): Suítes Francesas – Yuan Sheng

J. S. Bach (1685-1750): Suítes Francesas – Yuan Sheng

Bach

Suítes Francesas

Yuan Sheng

 

Na constelação de estrelas do piano brilham muitos nomes orientais, como Lang Lang, Mitsuko Uchida e Yuja Wang. Mais recentemente ouvimos Yundi Li e Seon-Jin Cho. Eu ouço Kun-Woo Paik há muito tempo. Além destes mais conhecidos, podemos buscar outros nomes, pois a arte desconhece fronteiras e as diferentes culturas acrescentam outras perspectivas artísticas às obras musicais que tanto pensamos conhecer.

Eu também uso esse tipo de óculos quando quero ir a algum lugar sem ser reconhecido…

Há pouco fiz uma postagem com a especialíssima pianista chinesa Zhu Xiao-Mei. Agora tenho a grande expectativa de encantar os amantes da música de Bach interpretada ao piano com esta postagem das Suítes Francesas interpretadas por Yuan Sheng, um nome para guardar.

Eu me encantei com este álbum e achei interessante postá-lo no meio deste afã de (Viva!) #BTHVN 2020, que tem sido muito divertido, especialmente para termos um contraponto.

Nunca havia ouvido de Yuan Sheng antes destas gravações, mas os primeiros acordes da Allemande que inicia a Suíte No. 1 de nosso sumo compositor, João Sebastião Ribeiro, colocaram-me imediatamente em alerta. Assim seguimos para a Courante e quando chegamos na Sarabande, eu já havia me tornado fã. Gente, ouçam esta sarabanda! Há nobreza, elegância, mas há também uma certa simplicidade que é resultado de muita sabedoria. Em uma palavra, espetacular!

Yuan Sheng

Pois este excelente pianista nasceu em Beijing, em uma família de artistas. Começou seus estudos aos cinco anos com sua mãe e depois estudou no Conservatório Central de Beijing, com os professores Qifang Li, Huili Li e Guangren Zhou. De 1991 até 1997 ele estudou na Escola de Música de Manhattan, em Nova Iorque. Seu grande interesse pela música de Bach o levou a estudar intensamente com Rosalyn Tureck. Yuan Sheng é agora professor do Conservatório Central de Beijing.

O que dizer do repertório? Que é espetacular, adoro todas as Suítes, mas tenho uma grama de predileção pela No. 5, que conheci antes das outras, e depois, pela No. 1. Além das Suítes Francesas, o álbum tem duas outras peças: Suíte em lá menor, BWV 818 e Suíte em mi bemol maior, BWV 819. Estas suítes estão, de alguma forma, ligadas às Suítes Francesas ‘oficiais’, por aparecem entre elas em alguns dos manuscritos que chegaram até nós. Tenho certeza que ninguém vai reclamar das peças a mais…

Antes de deixá-lo correr para o link e baixar a música, se é que você ainda não fez isto, uma palavra sobre os caracteres chineses. Tenho um enorme interesse pela cultura chinesa e sempre que posso tento aprender algo mais sobre ela. Por conta das poesias de Li Bai, que acabaram em algumas letras do Das Lied von der Erde, de Mahler, andei estudando um pouco os caracteres chineses. Não é fácil, especialmente para que tem uma memória RAM mínima, como eu, mas é excelente passatempo. Uma enorme ajuda veio de um (na minha opinião) excelente tradutor online, do qual faço propaganda e você pode conhecer se clicar aqui.

Os dois caracteres que coloquei no início da postagem formam precisamente o nome do pianista, Yuan Sheng, mas estão na ordem invertida, pois na China se diz primeiro o nome da família ( Sheng) e depois o nome do indivíduo ( Yuan).

Minha caligrafia pode melhorar…

O tradutor que indiquei dá muitas informações sobre cada caractere, inclusive você pode aprender a ordem de cada pincelada (ou de cada traço) para escrevê-lo (ou desenhá-lo).

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Suíte Francesa No. 1 em ré menor, BWV 812
  1. Allemande; 2. Courante; 3. Sarabande; 4. Menuet I e II; 5. Gigue
Suíte Francesa No. 2 em dó menor, BWV 813
  1. Allemande; 2. Courante; 3. Sarabande; 4. Air; 5. Menuet I e II; 6. Gigue
Suíte Francesa No. 3 em si menor, BWV 814
  1. Allemande; 2. Courante; 3. Sarabande; 4. Angloise; 5. Menuet e Trio; 6. Gigue
Suíte Francesa No. 4 em mi bemol maior, BWV 815
  1. Allemande; 2. Courante; 3. Sarabande; 4. Gavotte; 5. Menuet; 6. Air; 7. Gigue
Suíte Francesa No. 5 em sol maior, BWV 816
  1. Allemande; 2. Courante; 3. Sarabande; 4. Gavotte; 5. Bourée; 6. Loure; 7. Gigue
Suíte Francesa No. 6 em mi maior, BWV 817
  1. Allemande; 2. Courante; 3. Sarabande; 4. Gavotte; 5. Polonaise; 6. Menuet; 7. Bourée; 8. Gigue
Suíte em lá menor, BWV 818
  1. Allemande; 2. Courante; 3. Sarabande simple; 4. Sarabande double; 5. Gigue
Suíte em mi bemol maior, BWV 819
  1. Allemande; 2. Courante; 3. Sarabande; 4. Bourée; 5. Menuet I e II

Yuan Sheng, piano

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盛原

Yuan quer dizer fonte, origem, começo. Sheng é abundante, próspero, pujante. Assim, você pode perceber que o nome do pianista da postagem é muito significativo.

Resumindo, este álbum é ‘papa-fina’! Aproveite!!

René Denon

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As Sonatas para Fortepiano – Paul Badura-Skoda (6/9) #BTHVN250

Ontem, um piano boêmio. Hoje, o piano do morávio Georg Hasska. Tem cinco oitavas e meia, em vez das meras cinco a que Beethoven se acostumara desde que foi apresentado a um pianoforte, e nelas Ludwig se esbalda em algumas de suas obras mais originais. Embora haja no disco sonatas mais votadas – como aquelas alcunhadas “A Caça” e “Les Adieux” -, meu xodó será sempre a Op. 78, aquela de menos votada alcunha, “À Thérèse”, um primor de concisão e criatividade suprassumamente beethovenianas.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Três sonatas para piano, Op. 31

No. 3 em Mi bemol maior

1 – Allegro

2 – Scherzo. Allegretto vivace

3 – Menuetto. Moderato e grazioso

4 – Presto con fuoco

Sonata para piano em Fá sustenido maior, Op. 78, “À Thérèse”

5 – Adagio cantabile — Allegro ma non troppo

6 – Allegro vivace

Sonata para piano em Sol maior, Op. 79

7 – Presto alla tedesca

8 – Andante

9 – Vivace

Sonata para piano em Mi bemol maior, Op. 81a (“Lebewohl”/”Les adieux”

10 – Das Lebewohl: Adagio – Allegro

11 – Abwesenheit: Andante espressivo (In gehender Bewegung, doch mit viel Ausdruck)

12 – Das Wiedersehen: Vivacissimamente (Im lebhaftesten Zeitmaße)

Sonata para piano em Mi menor, Op. 90

13 – Mit Lebhaftigkeit und durchaus mit Empfindung und Ausdruck

14 – Nicht zu geschwind und sehr singbar vorgetragen

Paul Badura-Skoda, piano (Georg Hasska, Viena, ca. 1815)

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Vassily

Smetana (1824-1884) & Janaček (1854-1928): Quartetos de Cordas – Jerusalem Quartet

Smetana (1824-1884) & Janaček (1854-1928): Quartetos de Cordas – Jerusalem Quartet

Bedřich Smetanta

Leoš Janáček

Quartetos de Cordas

Jerusalem Quartet

 

Seguindo na tentativa de cumprir minhas ‘decisões de Ano Novo’, avancei um pouco mais no processo de expansão de repertório. Usando a tática de avanço gradual, mas seguro, decidi explorar os quartetos de cordas de Leoš Janáček. E não é que me dei bem? O disco que ouvi é o desta postagem, que traz também o Quarteto ‘Da Minha Vida’, de Smetana. Esta peça de Smetana tem em comum com o segundo quarteto de Janaček o fato de ambos terem sido inspirados em fatos das vidas dos compositores.

O quarteto de Smetana foi composto pouco depois de ele ter ficado surdo e ainda tinha esperança de voltar a ouvir. Particularmente tocante é ouvir o quarto movimento do quarteto, no qual os zumbidos que Bedřich ouvia enquanto sua audição se deteriorava é mencionado.

Kamilla…

O Segundo Quarteto de Janáček é denominado ‘Cartas Íntimas’ e faz referência às muitas cartas que trocou com Kamila Stösslová, uma paixão impossível, uma vez que ela era casada e bem mais jovem do que ele. Você poderá descobrir um pouco mais sobre este caso lendo a postagem do sumo PQP Bach e ainda ouvir a Missa Glagolítica do Leoš Janáček.

O Primeiro Quarteto do Janáček é intitulado ‘Sonata Kreutzer’ (Viva BTHVN 2020!), mas a referência é um conto de Liev Tolstói, que tem este título. Portanto, o quarteto foi nomeado ‘por tabela’.

Posso dizer que gostei do disco, caso contrário no o estaria postando. O Jerusalem Quartet é muito bom, já ouvi outros discos gravados por eles. Assim, espero que você, caso seja tentado por esta postagem, mande-me um bilhete com suas próprias impressões. Pode usar nosso ultrassensível dispositivo de interlocução, que fica no alto da página, no cabeçalho da postagem, escondido pelo quase invisível ‘LEAVE A COMMENT’.

Bedřich Smetanta (1824 – 1884)

Quarteto de Cordas No. 1 em mi menor – ‘Da Minha Vida’

  1. Allegro vivo appassionato
  2. Allegro moderato a la Polka
  3. Largo sostenuto
  4. Vivace

Leoš Janáček (1854 – 1923)

Quarteto de Cordas No. 1 – ‘Sonata Kreutzer’

  1. Con moto
  2. Con moto
  3. Con moto. Vivo. Andante
  4. Con moto (Adagio). Più mosso

Quarteto de Cordas No. 2 – ‘Cartas Íntimas’

  1. Con moto. Allegro
  2. Vivace
  3. Andante. Adagio
  4. Andante. Adagio

Jerusalem Quartet

Alexander Pavlovsky, violino

Sergei Bresler, violino

Ori Kam, viola

Kyril Zlotnikov, violoncelo

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Jerusalem Quartet – sempre há um que é ‘do contra’…

As outras postagens do nosso blog com os dois quartetos de Janáček estão como seus links inativos. Há uma postagem com o Segundo Quarteto que é muito boa! Veja aqui. Tentaremos restaurar os outros links. Portanto, aproveite e vá de Jerusalem Quartet! Aproveite!

René Denon

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As Sonatas para Fortepiano – Paul Badura-Skoda (5/9) #BTHVN250

Nem bem falamos ontem da parruda sequência de sonatas Opp. 26-28, e eis que “Pastoral” nos aparece para fechá-la. Este piano boêmio (porque de Praga, capital da Boêmia, e não porque da boemia), feito no ateliê de Caspar Schmidt, era muito popular pela riqueza de timbres e por algumas armas secretas, como os “efeitos turcos” – entre os quais chocalhos, pratos e tambores – acionados por um de seus seis pedais. Este espécime que ouviremos, que também pertencia a PBS, soluça em alguns registros, mas nada que não tire o deleite de ouvir a beleza da “Pastoral” e das duas primeiras sonatas do Op. 31 por seus martelinhos – seus efeitos de pedal, em especial o “una corda”, que nos podem soar de antemão estranhos, acabam por ser fascinantes, especialmente no movimento lento da Op. 31 no. 1 e na “Tempestade”.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Sonata para piano em Ré maior, Op. 28, “Pastoral”

01 – Allegro
02 – Andante
03 – Scherzo: Allegro vivace
04 – Rondo: Allegro ma non troppo

Três sonatas para piano, Op. 31

No. 1 em Sol maior

05 – Allegro vivace
06 – Adagio grazioso
07 – Rondo: Allegretto

No. 2 em Ré menor, “Tempestade”

08 – Largo – Allegro
09 – Adagio
10 – Allegretto

Paul Badura-Skoda, hammerflügel (Caspar Schmidt, Praga, ca. 1810)

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PBS noutro gorrinho maroto

Vassily

Ludwig van Beethoven (1770-1827): As Três Últimas Sonatas para Piano (2020) #BTHVN250

Ludwig van Beethoven (1770-1827): As Três Últimas Sonatas para Piano (2020) #BTHVN250

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Os melhores pianistas vivos em nosso planeta são Maurizio Pollini, Martha Argerich, Grigory Sokolov e Angela Hewitt. Dito assim como se fosse uma lei — e para mim é –, escrevamos um pouco sobre o último CD deste semideus. É que Pollini acaba de regravar as 3 últimas sonatas para piano de Beethoven. Ele gravara as 5 últimas em 3 lendários discos de vinil nos anos 70, após transformados em um CD duplo. Estas foram gravações ultrapremiadas — campeoníssimas mesmo! — que se tornaram referência absoluta.

De qualquer modo, a DG tinha uma dívida no ciclo Beethoven de Maurizio Pollini, lançado em 2014 e que continha gravações que vinham desde o final da década de 1970 até a de 2010. As últimas sonatas para piano, nº 28-32, eram as únicas que estavam em gravação analógica, enquanto que algumas das outras sonatas tinham sido regravadas em formato digital antes do lançamento do ciclo completo. É que havia o consenso geral — se isso é possível no mundo das críticas da música clássica –, de que simplesmente não havia necessidade de regravar algumas das performances mais destacadas de Beethoven no catálogo, especialmente o “Hammerklavier” e o Op. 111, tal a perfeição do que Pollini fez nos anos 70. Seria impossível superar aquilo. Mas o evento dos 250 anos de Beethoven falou mais alto, e aqui temos novas performances ao vivo e digitais das três últimas sonatas para piano.

Aqui, nesta gravação ao vivo de 2020, Pollini está soltíssimo e, inclusive, canta à bocca chiusa consigo mesmo algumas vezes. E volta a prestar um ótimo serviço apresentando as sonatas da maneira mais precisa e limpa possível, sem efeitos grandiosos. Suas performances são lúcidas e fluidas, especialmente nas muitas passagens contrapontísticas que aparecem regularmente como características dessas obras. Antigamente, alguns acusavam Pollini de ser cerebral demais, mas quaisquer dúvidas sobre seu envolvimento emocional podem ser descartadas quando se ouve os movimentos lentos dos Op. 109 e 111. São performances sublimes.

E o que ele faz novamente na Arietta? Meu deus é Pollini!

Ludwig van Beethoven (1770-1827): As Três Últimas Sonatas para Piano

Piano Sonata No. 30 in E Major, Op. 109
1.1 1. Vivace, ma non troppo – Adagio espressivo 3:20
1.2 2. Prestissimo 2:15
1.3 3a. Gesangvoll, mit innigster Empfindung (Andante molto cantabile ed espressivo) 1:50
1.4 3b. Variation I: Molto espressivo 1:35
1.5 3c. Variation II: Leggiermente 1:27
1.6 3d. Variation III: Allegro vivace 0:25
1.7 3e. Variation IV: Etwas langsamer als das Thema 2:08
1.8 3f. Variation V: Allegro, ma non troppo 0:50
1.9 3g. Variation VI: Tempo I del tema 2:55

Piano Sonata No. 31 in A-Flat Major, Op. 110
1.10 1. Moderato cantabile molto espressivo 5:28
1.11 2. Allegro molto 1:53
1.12 3a. Adagio ma non troppo 3:11
1.13 3b. Fuga (Allegro ma non troppo) 6:05

Piano Sonata No. 32 in C Minor, Op. 111
1.14 1. Maestoso – Allegro con brio ed appassionato 7:40
1.15 2a. Arietta. Adagio molto semplice e cantabile 2:14
1.16 2b. Variation I 1:49
1.17 2c. Variation II 1:48
1.18 2d. Variation III 1:50
1.19 2e. Variation IV 4:17
1.20 2f. Variation V 3:10

Total Playing Time 56:10

Maurizio Pollini, Piano

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Pollini, Martha e aquele metido.

PQP

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As Sonatas para Fortepiano – Paul Badura-Skoda (4/9) #BTHVN250

Para o quarto volume de sua beethoveniana em instrumentos antigos, PBS empresta de sua própria coleção um poderoso piano Walter, o preferido de Mozart, que se presta muito bem aos contrastes dinâmicos e ao cantabile da sonata “Patética”, bem como à miríade de necessidades das três sonatas que completam a gravação, frutos – juntamente com a Op. 28, “Pastoral” – daquele impressionante 1801 em que o procrastinador compulsivo da Renânia, e já locatário do apartamento mais caótico de Viena, completou e publicou quatro importantes sonatas para piano em sucessão, feito que jamais repetiria.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Sonata para piano em Dó menor, Op. 13, “Patética”

1 – Grave – Allegro di molto e con brio
2 – Adagio cantabile
3 – Rondo: Allegro

Sonata para piano em Lá bemol maior, Op. 26, “Marcha Fúnebre”
4 –  Andante con variazioni
5 – Scherzo. Molto allegro
6 – Marcia funebre sulla morte d’un eroe
7 –  Allegro

Duas sonatas para piano, Op. 27

No. 1 em  em Mi bemol maior, “Quasi una Fantasia”
8 – Andante
9 – Allegro molto e vivace
10 – Adagio con espressione
11 – Allegro vivace

No. 2 em Dó sustenido menor, “Quasi una Fantasia”, “Luar”
12 – Adagio sostenuto
13 – Allegretto
14 – Presto

Paul Badura-Skoda, hammerflügel (Anton Walter, Viena, ca. 1790)

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Professor PBS, colecionador de pianos, e de diplomas oficiais e honoríficos

Vassily

Prokofiev (1891-1953): Sonatas para Piano Nos. 3, 7 & 8 – Andrei Gavrilov

Prokofiev (1891-1953): Sonatas para Piano Nos. 3, 7 & 8 – Andrei Gavrilov

Prokofiev

Прокофьев

Sonatas para Piano Nos. 3, 7 & 8

Andrei Gavrilov

Андрей Гаврилов

 

Assim que vi este disco e logo que o ouvi pela primeira vez, atentei para sua atemporalidade e para a imensa energia, o vigor que ele emana quando é reproduzido. Parece-me um disco que foi gravado ontem, apesar de ter sido produzido em 1991 ou 1992. A capa combina com a modernidade de sua música e o som é excelente.

Falando da interpretação da sonata que abre o disco, um crítico da famosa Gramophone afirma: The Third Sonata […] gets off to a blistering start indeed. De tão intensa, chega a dar bolhas…

Das outras duas sonatas, Nos. 7 e 8, que ao lado da Sexta Sonata formam as chamadas Sonatas do Tempo da Guerra, pois foram compostas por Prokofiev entre 1939 e 1944, compara estas interpretações às interpretações de Maurizio Pollini e de Sviatoslav Richter. Altas comparações, indeed!

O Penguin Guide to CDs, em uma de suas quase infinitas edições, fala da gravação da Sétima como excitante e arrebatadora e diz que a interpretação da Oitava ‘se sustenta entre as mais exaltadas comparações’. E olhem que os ingleses costumam ser comedidos em seus comentários. É verdade que ao falar da Terceira o texto emprega a (deliciosa) expressão: he rushes his fences… apesar de mencionar o pretty dazzling virtuosismo. Pois Andrei Gavrilov é capaz disso, virtuosismo deslumbrante, estonteante.

Nascido em Moscou, de uma família de artistas, era protegido de ninguém menos do que o já citado Sviatoslav Richter e teve um início de carreira fulgurante. No entanto, em uma de suas turnês teve problemas com o sistema e amargou de volta para casa meia década de silêncio. Em 1984 conseguiu permissão para viajar para fora do país novamente com a ajuda de um tremendo pistolão – Mikhail Gorbachev. Foi artista da EMI e do selo amarelo, gravando alguns ótimos discos, como este da postagem.

Serge Prokofiev (1891 – 1953)

Sonata para piano em lá menor No 3, Op. 28

  1. Allegretto Tempestoso – Moderato – Allegro Tempestoso- Moderato – Più Lento – Più Animato – Tempo I – Poco Più Mosso

Sonata para piano em si bemol maior, Op. 83

  1. Allegro Inquieto – Andantino – Allegro Inquieto – Andantino – Allegro Inquieto
  2. Andante Caloroso – Poco Più Animato – Più Largamente – Un Poco Agitato – Tempo I
  3. Precipitato

Sonata para piano em si bemol maior, Op. 84

  1. Andante Dolce – Poco Più Animato – Andante I – Allegro Moderato – Andante – Andante Dolce, Come Prima – L’istesso Tempo – Allegro
  2. Andante Sognando
  3. Vivace – Allegro Ben Marcato – Andantino – Vivace

Andrei Gavrilov, piano

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FLAC |164 MB

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MP3 | 320 KBPS | 124 MB

Este incrível artista novamente teve problemas e sua carreira se abateu com isso. No entanto, para entender um pouco este difícil processo é preciso mais do que o espaço desta postagem e você pode começar com esta reportagem-entrevista aqui.

Apesar disto, você pode ouvir este ótimo disco e crer que Gavrilov, de alguma maneira, superou consideravelmente suas dificuldades. Veja aqui a sua página e aqui seu próprio blog.

Aproveite!

René Denon

Georg Philipp Telemann (1681-1767) – Overture & Concerti – Holland Baroque Society, Alexis Kossenko

O excepcional conjunto Holland Baroque Society junta forças com o flautista Alexis Kossenko e nos traz um dos melhores registros da música de Telemann que já tive a oportunidade de ouvir.
Dentro da tradição de outras orquestras, este Conjunto não tem um regente fixo, apenas convidados, em sua maioria instrumentistas que atuam também como diretores musicais. No caso deste CD específico, o excelente flautista Kossenko, que já apareceu por aqui em outras ocasiões, nos brinda com muito talento, competência e uma técnica apuradissima.Achei curiosa a maneira que eles nos são apresentados no booklet do CD:

“Holland Baroque Society follows three principles.First,the ensemble plays without a conductor and appoints a new artistic leader for each project.After all,this was common practice during the Baroque era too.It helps sharpen the hearing and intensifies musical perception.The second principle is that each programme idea is based on a fascination with any kind of phenomenon.What did a castrato sound like? What is the link between Telemann and the Balkans? And thirdly:in each quest,Holland Baroque Society is guided by a specialist – a temporary artistic leader who introduces exciting visions and almost forgotten practices,or who is simply an extraordinary performer.”

O nome de Telemann sempre nos remete a outro flautista excepcional, e também maestro, o holandês Frans Brüggen, um dos principais nomes do instrumento do século XX,  que revolucionou a maneira de se tocar música barroca, e que também como flautista, foi um dos principais intérpretes e divulgadores do compositor.

01. Ouverture in E Minor, TWV 55 I. Untitled
02. Ouverture in E Minor, TWV 55 II. Les Cyclopes
03. Ouverture in E Minor, TWV 55 III. Menuet & Trio
04. Ouverture in E Minor, TWV 55 IV. Galimatias en rondeau
05. Ouverture in E Minor, TWV 55 V. Hornpipe
06. Concerto in D Major for 2 Traversos, Violin and Cello, TWV 53 I. Vivace
07. Concerto in D Major for 2 Traversos, Violin and Cello, TWV 53 II. Siciliana
08. Concerto in D Major for 2 Traversos, Violin and Cello, TWV 53 III. Allegro
09. Concerto in D Major for 2 Traversos, Violin and Cello, TWV 53 IV. Gavotte
10. Concerto in F Major for Recorder and Bassoon, TWV 52 I. Largo
11. Concerto in F Major for Recorder and Bassoon, TWV 52 II. Allegro
12. Concerto in F Major for Recorder and Bassoon, TWV 52 III. Grave
13. Concerto in F Major for Recorder and Bassoon, TWV 52 IV. Allegro
14. Concerto in B-Flat Major for 2 Traversos, Oboe and Violin, TWV 53 I. Largo
15. Concerto in B-Flat Major for 2 Traversos, Oboe and Violin, TWV 53 II. Allegro
16. Concerto in B-Flat Major for 2 Traversos, Oboe and Violin, TWV 53 III. Dolce
17. Concerto in B-Flat Major for 2 Traversos, Oboe and Violin, TWV 53 IV. Allegro
18. Concerto in G Major for 2 Traversos and Bassoon, TWV 54 I. Untitled
19. Concerto in G Major for 2 Traversos and Bassoon, TWV 54 II. Allegro
20. Concerto in G Major for 2 Traversos and Bassoon, TWV 54 III. Largo
21. Concerto in G Major for 2 Traversos and Bassoon, TWV 54 IV. Presto

Holland Baroque Society
Alexis Kossenko traverso,recorder,musical leader

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Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As Sonatas para Fortepiano – Paul Badura-Skoda (3/9) #BTHVN250

Para nossa alegria, e possivelmente também a de PBS, o pianoforte Schantz em que tocou as sonatas Op. 2 volta para este terceiro volume, que inclui a primeira obra-prima de Beethoven no gênero, a magistral terceira sonata do Op. 10, com seu movimento lento belamente realizado no fortepiano que, pelo que consta no livreto, pertencia ao próprio PBS. Encerrando o volume, um tanto quanto anticlimaticamente, está a sonata remanescente do Op. 14, que raramente ouvimos apartada de seu singelo par.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Três Sonatas para piano, Op. 10

No. 1 em Dó menor

1 – Allegro molto e con brio
2 – Adagio molto
3 – Finale. Prestissimo

No. 2 em Fá maior
4 – Allegro
5 – Allegretto
6 – Presto

No. 3 em Ré maior
7 – Presto
8 – Largo e mesto
9 – Menuetto. Allegro
10 – Rondo. Allegro

Duas sonatas para piano, Op. 14
No. 2 em Sol maior
11 – Allegro
12 – Andante
13 – Scherzo. Allegro assai

Paul Badura-Skoda, fortepiano (Johann Schantz, Viena, ca. 1790)

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Assim como seu conterrâneo e contemporâneo Gulda, PBS se amarrava num gorrinho maneiro

Vassily

Marlui Miranda (1949): IHU: Todos os Sons (1995) [a descoberta musical do Brasil no século XX]

Marlui Miranda (1949): IHU: Todos os Sons (1995) [a descoberta musical do Brasil no século XX]

Em agosto de 2009 o colega Marcelo Stravinsky postou aqui o CD “IHU 2”, ou “Kewere”, a missa com coro e orquestra, baseado em cantos e em textos indígenas, que Marlui Miranda lançou em 1997.

Há algumas semanas o Monge Ranulfus teve a oportunidade de apreciar ao vivo uma realização dessa missa com a própria Marlui e o coro e orquestra da Camerata Antiqua de Curitiba. Isso trouxe novamente à tona seu entusiasmo, jamais arrefecido, pelo trabalho de pesquisa e de criação dessa cearense. Quer lhe parecer que tal trabalho é o primeiro que se defronta com o material musical ameríndio não como matéria prima para uma criação musical ocidental, mas, ao contrário, coloca as técnicas ocidentais de épocas e estilos os mais diversos a serviço da própria expressão ameríndia – como quem apenas lhe realçasse os traços e evidenciasse possibilidades, sem jamais afastá-lo de sua natureza-de-alma mais própria.

Tratar-se-ia, portanto, de um ato de imensa significação histórica, pois nunca antes, em 500 anos, o olhar, ouvido e alma europeus teriam alcançado um nível de respeito e abertura tão elevados diante da expressão indígena – resultando não em mais um produto ocidental feito com matéria-prima expropriada, e sim, pelo contrário, em um sutilíssimo ato de penitência pelos imensos crimes de lesa-humanidade com que a expansão europeia se efetivou.

Enfim: brotou desse momento a vontade de compartilhar aqui o primeiro disco da série Ihu, dois anos anterior à missa, o qual não recorre ao coro e orquestra “eruditos” mas também alcança um nível extraordinário de realização musical (veja-se pelas entusiásticas resenhas deixadas no site da Amazon que foram incluídas na postagem em arquivo de texto).

E, para lhe fazer companhia, por que não repostar também a missa? Tenho tanta certeza de que o Strava não se oporá que deixei para pedir licença aqui, em pleno ar…

Uma última coisa: Marlui Miranda disse uma vez que pretendia realizar uma série de seis discos com material indígena, cada um explorando um diferente campo de linguagem. Não sei que dificuldades terá encontrado, pois parece parou nestes dois. Ainda assim que ninguém se atreveria a dizer que a realização foi pouca, não é mesmo?

Marlui Miranda (1949)
Ihu : Todos os Sons (1995)

1. Tchori Tchori (Índios Jaboti de Rondônia)
2. Pamé Daworo (Índios Jaboti de Rondônia)
3. Tche Nane (Índios Jaboti de Rondônia)
4. Ñaumu (Índios Yanomami de Roraima)
5. Awina – Ijain Je E’ (Índios Pakaa Nova de Rondônia)
6. Araruna (Índios Parakanã do Pará)
7. Mena Barsáa (Índios Tukano do Amazonas)
8. Bep (Índios Kayapó do Pará)
9. Festa Da Flauta (Índios Nambikwara do Guaporé – MT)
10. Yny Maj Hyrynh (Índios Karitiana de Rondônia / José Pereira Karitiana)
11. Hirigo (Índios Tupari de Rondônia)
12. Wine Merewá (Índios Suruí de Rondônia)
13. Mekô Merewá (Índios Suruí de Rondônia)
14. Ju Parana (Índios Juruna do Mato Grosso do Norte)
15. Kworo Kango (Índios Kayapó do Pará)
16. Mito (narração) – Mitumji Iarén (Índios Suyá do Mato Grosso do Norte)
17. Quinze Variações de Hai Nai Hai (Índios Nambikwara do Guaporé – MT)

NOVO LINK COM ARQUIVO MELHORADO
. . . . . . . BAIXE AQUI – download here

LINK ALTERNATIVO

Marlui Miranda: pesquisa de tradições musicais dos povos da Amazônia

Ranulfus

Georges Bizet (1838-1875) – Carmen

Mais uma parceria da dupla FDPBach / Ammiratore.

Sevilha, Espanha início do séc XIX. Carmen é uma cigana que trabalha numa fábrica de cigarros. Sua beleza quente seduz os homens chegando a causar obsessão amorosa no soldado Don José e que, por esse amor, perde a farda e torna-se o amante. Por este amor obsessivo o ex-soldado chega a fazer parte de um bando de contrabandistas, amigos da sedutora cigana. Pela liberdade da vida, Carmen acaba deixando o pobre amante, incapaz de compreender a personalidade livre da cigana, para ficar com um famoso toureador. Don José obcecado e enfeitiçado então é tomado por um acesso de ira e ciúme levando a relação às vias de fato.

Hoje, dia 8 de março, compartilhamos com os amigos do blog a gigantesca ópera “Carmen” de Georges Bizet (1838-1875), considerada como a primeira ópera feminista da história e que foi recontada um sem-número de vezes em filmes e livros.

Prosper Mérimée

Esta ópera assinala um marco na história da música lírica, pois se tornou uma das obras mais executadas, encenadas e faladas no mundo, além da personagem central transformar-se em mito de alcance universal. Baseada na novela homônima de Prosper Mérimée (1803-1870), ela foi composta entre 1873 e 1874, representa uma série de situações envolvendo raça, classe e gênero que eram os assuntos palpitantes da França do século XIX, simplificada em ópera o tema principal é o amor que desperta a ação criminosa em Don José, homem ciumento que, sendo rejeitado pela mulher que ama, confere-lhe a morte como destino inexorável.

Carmen é um personagem absolutamente inédito no universo operístico, e vai influenciar muito todo o teatro lírico. Nada tem em comum com a heroína tradicional, pura, sofredora, um joguete nas mãos dos homens e do destino. É amoral, complexa, combina em si traços tanto de heroína quanto de vilã, mas de uma forma que a coloca acima dos julgamentos da moral corrente. Carmen faz parte daquela galeria de personagens que não se sentem culpadas por terem um comportamento que os padrões morais vigentes consideram “irregular”. Sim e isso era demais para o público de 1875… A cigana é uma fascinante mistura de sensualidade, alegria de viver, destemor, fatalismo, mas também de uma grande capacidade de ternura. Alguns autores consideram “Carmen” como a primeira ópera feminista da história por seu caráter transgressor em um mundo governado por homens. Não é à toa, assim, que a obra foi alvo de severas críticas em sua estreia.

Ao morrer em 2 de junho de 1875, no auge dos seus 36 anos, poucos meses após a estreia, o compositor francês Bizet não teria sobrevivido o bastante para saber que sua ópera “Carmen” tornar-se-ia uma das mais queridas obras musicais jamais escritas e a mais amada de todo o repertório francês. Bizet tinha a certeza de estar fazendo algo inteiramente novo: “Os críticos afirmam que sou obscuro, complicado e tedioso, mais preocupado com a habilidade técnica do que iluminado pela inspiração. Pois bem, desta vez escrevi uma obra que é toda feita de clareza e vivacidade, que está cheia de cor e melodia”, afirmou ele. Essa confiança em sua criação, porém, não impediu “Carmen” de ser um fracasso ao estrear, em 3 de março de 1875, no Théâtre de l’Opéra Comique, em Paris. Boa parte da crítica da época definiu a composição como sendo uma “música francesa querendo se passar por espanhola”. Bizet ficou fortemente abatido e abalado com as negativas (especula-se que talvez foi até a razão para seu enfarte meses depois). Houve, porém, apoio: “Bizet quer pintar homens e mulheres de verdade, alucinados, atormentados pelas paixões, pela loucura. Assim, a orquestra conta suas angústias, seus ciúmes, suas cóleras e a insensatez geral”, foi a avaliação publicada no Le National, de Paris à época da estreia.

Grande parte do público se sentiu desconfortável, para não dizer escandalizado, com a modernidade de Carmen: uma mulher segura de si, confiante e que ama a liberdade acima de tudo, a ponto preferir a morte a ceder aos desejos de um homem. Umas das primeiras interpretações simplórias da crítica especializada da época era que essa personagem deveria ser apenas uma mulher sedutora, devoradora de homens, fatal, ou uma prostituta de baixo valor moral. No final do século XIX, críticos expressaram indignação com a sexualidade de Carmen, e somente a partir da década de 1970 (!), que a figura desta personagem é apresentada sob um ponto de vista menos estereotipado, justamente e dignamente feminista.

Carmen – Prosper Mérimée

Vou fazer um pequeno “aparte” e tentar mostrar as diferenças entre a Carmen da ópera e a Carmen do conto, Paris iria estremecer ao pensar que a ópera apresentasse a história do conto inalterada. As críticas e indignações pudicas a respeito da ópera de Bizet parecem um pouco exageradas, visto que a primeira encarnação de Carmen, como um conto de Prosper Mérimée, recebeu cordialmente as críticas literárias. A Carmen de Mérimée definitivamente não é uma garota legal. Ela tem uma sucessão desconcertante de amantes, a quem ela assume e descarta com total imparcialidade (um “Don Juan” do sexo feminino), no conto ela também é uma ladra que tem um marido, um canalha chamado Garcia, cujo retorno das galés, o levaria aos braços de Carmen e Don José para impedir o marido a voltar para sua mulher o mata em uma briga. O sedutor toureador da ópera, Escamillo, é um simples picador no conto, um jovem chamado Lucas, de quem Don José tem ciúmes. José agora é seu marido e convida Carmen para juntos fugirem para a América. Carmen recusa e já está cansada da ciumeira de Don José. Ela novamente se apaixona e a bola da vez é o jovem Lucas. Porém José insiste que poderiam mudar de vida na América levando uma vida honrada. A cigana mostra-se irredutível, sugere a José que este siga seu caminho sem ela. Indignado, já nada mais tendo a perder, José a convida para passear e a apunhala num lugar no meio das montanhas onde se escondiam, e lá mesmo a enterra, indo depois se entregar a polícia. Quando a história termina, ele está em sua cela, esperando para ser enforcado.

Henri Meilhac e Ludovic Halévy

Os Libretistas Henri Meilhac(1831-1897) e Ludovic Halévy (1834-1908) fizeram um trabalho maravilhosamente hábil de suavizar a fogosa e não tão legal Carmencita, ela é um pouco selvagem, mas não muito selvagem, ela é uma mulher extremamente humana e verdadeira. Além disso, ela não é uma ladra. O insignificante Lucas se torna o matador, Escamillo. Os libretistas ainda criaram a personagem Micaela (inexistente na narrativa de Mérimée), por meio da qual tentam substanciar o ambiente simples e sem complicações de José, antes de ele ser envolvido por Carmen. É a moça tímida do interior, recatada e fiel, através de quem se torna palpável o mundo incorruptível de José. Em uma leitura apressada, Micaela e Carmen organizavam a feminilidade em torno de dois polos opostos: um normal, ordenado e tranquilizador, o outro desviante e perturbador da ordem moral e dos costumes patriarcais. Todas as figuras criadas e adaptadas pelos libretistas são figuras necessárias neste alucinante mostruário de tipos ibéricos, cuja atmosfera sonora foi criada por um francês que nenhum espanhol poderia superar. A propósito, afirma-se que Bizet recorreu a numerosos álbuns de música espanhola, enquanto concebia a ópera. É bem possível que tenha aproveitado trechos de canções anônimas originárias da Espanha para não fugir à ambientação melódica do seu trabalho.

Bizet

O grande talento de Bizet foi imaginar a música para cada elemento do enredo com igual seriedade: os personagens triviais, ornamentais, o trágico soldado proletário, os contrabandistas a cantar em estrita harmonia, o exibicionista fanfarrão, os papeis de apoio genéricos; ele dá minuciosa atenção a todos e a cada um deles. Como era usual por volta da década de 1870, toda ópera que tinha temas musicais recorrentes – em “Carmen” há alguns – era por esta razão foi rotulada como wagneriana. Mas em termos de formato não há nada de radical. É uma obra criada a partir de um tecido convencional, com árias bem-comportadas, duetos e conjuntos devidamente separados por trechos de diálogo falados (o que a classifica formalmente como “opéra comique”). A ópera está cheia de canções, danças, fanfarras militares, coros ao ar livre e desfiles. Bizet permitiu fazer experimentos com sons exóticos, e como a história se passa na Espanha, entre ciganos, muitos desses sons se referem a ritmos e modos espanhóis e mouros. Do ponto de vista da evolução musical, cada situação em “Carmen” é expressa com uma invenção melódica estupenda, que torna cada um de seus temas inesquecível; e com uma absoluta concisão e senso de timing. Carmen insere-se na moda do espanholismo, introduzida na França pela imperatriz Eugênia de Montijo, mulher de Napoleão III. De seu país ela trouxe ritmos de dança, tipos de roupa e costumes culinários que a corte se apressou em adotar.

O filósofo filosofando

O Bigodudo F. Nietzsche

Friedrich Nietzsche, um apaixonado discípulo de Wagner que se voltou contra seu ídolo depois da década de 1870, terminou sua vida louvando “Carmen”: “Ontem ouvi a obra-prima de Bizet, pela vigésima vez […]. Essa música me parece ser perfeita. A música é funesta, sutilmente fatalista: ao mesmo tempo ela continua popular – sua sutileza pertence à raça, não ao indivíduo. É rica. É precisa. Alguma vez ouviram num palco acentos mais dolorosos, mais trágicos?” Seu primeiro contato com esta ópera foi em Nice, em 1887. Escrevendo a um amigo, o filosofo conta que havia tomado o segundo conhaque do ano quando começou a música de Carmen: a partir desse momento ele submergiu durante meia hora em lágrimas e palpitações. “ “Carmen” é a melhor ópera que existe, a ópera das óperas, em três meses alcançou vinte representações com público máximo, a parte se apodera do todo, a frase da melodia, o momento de percorrer do tempo (também do tempo), o pathos se apropria do ethos (do caráter, do estilo, ou como se queira chamar –), em conclusão também a habilidade (espírito) se apodera do sentido…. Finalmente o amor, o amor retraduzido em natureza! Não o amor de uma “virgem sublime”! Nenhum sentimentalismo de Senta! Mas o amor como fado, como fatalidade, cínico, inocente, cruel – e precisamente nisso, natureza! O amor que em seus meios é a guerra, e no fundo o ódio mortal do desprezo! – Não sei de caso em que a ironia trágica que constitui a essência do amor seja expressa de maneira tão rigorosa, numa fórmula tão terrível, como no último grito de Don José, que conclui a obra. Sem dúvida “Carmen” é possessiva até a crueldade, nenhum homem soube responder a esse desafio que é simplesmente o desafio do amor, e por isso nenhum durou “mais de seis meses”. Mas no fundo de sua crueldade pulsa a justiça, ou melhor, desse fundo bélico brotará a justiça, como amor, somente no caso de ser correspondida da mesma maneira. Como não poderia ser diferente…”

Alexandre César Léopold Bizet (para os íntimos Georges Bizet): Carmen
Ilustrações de Sheilah Beckett

Ato 1
A ação se passa na luminosa e colorida Sevilha e arredores por volta de 1830. Ruas e praças fervilham de gente de todos os tipos, criando um ambiente de mercado oriental. É numa dessas praças que o cabo José e a cigana Carmen se conhecem. O cenário nos mostra uma praça, de um lado o quartel dos dragões do regimento de Almanza e do outro uma fábrica de cigarros, que emprega numerosas operárias.

A porta do quartel está o cabo Morales, e é dele que se aproxima uma linda camponesa, Micaela, que pergunta pelo cabo José. Ele pertence a outro pelotão, é a resposta; deverá chegar em breve para a rendição da guarda. Micaela pede para avisá-lo que voltará mais tarde, recusando timidamente o convite para esperar no quartel. Logo depois, ao som de fanfarras, realiza-se a cerimônia da rendição, e José é avisado da visita de Micaela.

Refrão dos garotos de rua– “Ao lado da guarda, nós chegamos, e aqui estamos! Vá embora, trompete ensurdecedor! Taratata, taratata! Nós marchamos com a cabeça erguida como pequenos soldados!”

Os novos guardas são comandados pelo tenente Zuniga, que, novo no regimento, pede a José informações sobre as mulheres que trabalham na fábrica de cigarros: o cabo, mais interessado em Micaela, pouco sabe sobre elas. Mas o tenente é logo satisfeito em sua curiosidade: a praça é invadida pelas operárias, de volta da interrupção do meio-dia; com seu ar malicioso, as moças atraem sobre si a atenção de todos os homens, que abrem alas para fazê-las passar. Entre elas destaca-se Carmen, cigana bela e provocadora, que traz uma flor no canto da boca. Estimulada pelos presentes, canta uma “habanera”, na qual resume seu conceito de vida: o amor é uma ave rebelde que ninguém pode prender; é inútil chamá-lo, se ele não deseja vir; tal como um cigano, não conhece lei.

Carmen– “Amor é um pássaro rebelde que ninguém pode aprisionar e é inútil chamá-lo se lhe convém recusar. Nada o move, nem ameaça nem fundamento, um homem fala livremente, o outro permanece mudo e é o outro que eu prefiro: Ele não diz nada, mas gosto dele. Amor! ….. O pássaro que você pensou ter pego desprevenido bate suas asas, voou – o amor está distante, e você pode esperar por ele: você não espera mais- e é isto. Em sua volta, rapidamente, rapidamente, ele vem, ele vai e ele retorna- Você pensa que pode segurá-lo, ele te ilude, você pensa que ele te ilude, ele segura você rápido. Amor!”

Apenas José não se mostra empolgado com os encantos da cigana. Ao notá-lo. Carmen dirige-se a ele e, com ar de desafio, joga-lhe a flor no rosto. Depois, reúne-se as colegas e vai para a fábrica.

A praça esvazia-se e José vê chegar Micaela. Rapidamente, esconde a flor sob a túnica e recebe a moça. A jovem é portadora de uma soma em dinheiro e de uma carta, enviadas pela mãe de José juntamente com um beijo, que lhe é dado, com ternura, por Micaela. O militar relembra, então, sua aldeia e sua gente com profunda saudade, ao mesmo tempo que percebe o efeito salvador da carta: por um pouco afastou de sua mente a imagem de Carmen que, com seu gesto, o perturbou profundamente. Micaela deixa-o, pretextando outro compromisso, e José lê a carta da mãe: pede-lhe que volte para casa, ao mesmo tempo que sugere seu casamento com Micaela. No íntimo, José promete obedecer à mãe.

Micaela– Sim, eu lhe direi: o que foi dado à mim eu darei a você. Sua mãe e eu estávamos saindo da capela quando ela me deu um beijo e me disse: ” Você irá a cidade. Não é longe, uma vez em Seville você irá procurar o meu filho e irá contar a ele que sua mãe pensa dia e noite sobre sua ausência, que ela chora e tem esperanças, que ela perdoa e espera. Tudo isto, pequena, você irá contar para mim, você não vai; e este beijo que estou te dando, você irá dá-lo para mim.”
José– Nunca tema, mãe o seu filho irá lhe obedecer e fazer como você mandou; eu amo Micaela e ela irá se tornar minha esposa. Para suas flores, bruxa imunda!

José está imerso nesses pensamentos, quando se ouve uma gritaria procedente da fábrica. Zuniga ordena a José que, com dois soldados, vá investigar o ocorrido. O cabo volta logo depois com Carmen, acusada de ter esfaqueado uma colega. Enquanto o oficial se senta para escrever a ordem de prisão contra a cigana, esta procura fascinar José. Sugere-lhe as delícias de uma tarde na taberna de Lillas Pastia (fora de Sevilha), onde promete encontrá-lo. Quando percebe ter dominado totalmente o cabo, pede-lhe para facilitar sua fuga.

Carmen– No muro de Sevilha, no meu amigo Lilas Pastia, eu estou indo dançar Seguidilla e beber manzanilla. Eu estou indo para meu amigo Lilas Pastia! Sim, mas sozinha fico entediada, e os prazeres reais são com dois. Então, para me manter com companhia, eu irei levar o meu amado! Meu amado……. Meu pobre coração, tão consolável- meu coração é tão livre quanto o ar. Eu tenho muitos noivos. Mas eles não são do meu gosto. Aqui estamos para o final de semana; quem quer me amar? Eu irei amá-lo. Quem quer o meu coração? Está aqui para quem quiser pegá-lo! Você veio no melhor momento! Dificilmente eu tenho tempo para esperar, para junto de meu novo amor… Pelos muros de Sevilha.
José– Pare! Eu falei para você não falar comigo!
Carmen– Eu não estou falando com você, eu estou cantando para mim mesma; e estou pensando…Não é proibido pensar! Eu estou pensando sobre um certo oficial que me ama e em meu retorno eu irei amá-lo de verdade!
José– Carmen!
Carmen– Meu oficial não é um capitão, nem mesmo um tenente, ele é somente um guarda; mas é o suficiente para uma garota cigana e eu irei me contentar com ele!

É o que acontece: de posse da ordem de prisão, José afasta-se do quartel com Carmen e a escolta de dois soldados; de repente, a cigana o empurra e ele simula um escorregão, permitindo-lhe a fuga.


Ato 2

Cêrca de um mês depois, Carmen e outras duas ciganas – Frasquita e Mercedes – estão na taberna de Lillas Pastia, acompanhando alguns oficiais, entre os quais Zuniga. Na hora de fechar, o tenente tenta convencer as ciganas a saírem com ele.

As mesmas recusam-se e a cena é interrompida pela chegada de Escamillo, o glorioso toureador que empolga a cidade. Todos se unem num brinde ao herói do momento. Agora, é a vez de Escamillo: ele tenta conquistar Carmen e, perante a recusa, afirma que esperará por uma oportunidade.

Escamilo– Eu posso voltar para sua tourada, senhor, para os soldados – Sim- os toureiros entendem um ao outro; lutar é o seu jogo! A arena está lotada, é feriado, a arena está cheia. Os espectadores, perdendo seus juízos, grite um com o outro com bastante força! Exclamações, choros e alvoroço levado pelo tom da fúria! Esta é a festa da coragem, esta é a festa do valente! Vamos lá! Em guarda! Ah! Toureiro, em guarda! E lembre, sim, lembre enquanto você luta, dois olhos negros estarão te olhando, que o amor espera por você!…….. De repente todos caem em silêncio; Ah- O que está acontecendo? Não tem mais grito, este é o momento! O touro vem batendo no touril! Ele prepara, aproxima e acerta! O cavalo cai, derrubando o picador! “Ah! bravo touro” grita a multidão; o touro dá a volta e retorna e acerta de novo! Balançado suas bandeirolas, louco de raiva, ele corre! A arena está coberta sangue! Homem salta claramente, pelando as barreiras. É sua vez agora! Vamos lá! Em guarda! Ah! Toureiro, em guarda!…… Uma palavra, bela mulher: Do que te chamam? Em meu pior perigo eu quero pronunciar seu nome.
Carmen– Carmen! Carmencita! Dá na mesma coisa.
Escamillo– Se alguém contasse a você que ele te ama?…
Carmen– Eu responderia que não preciso de amor.
Escamillo– Esta não é uma resposta amigável; eu irei me contentar com a espera e a esperança.
Carmen– Esperar é permitido, ter esperanças é doce.

Com a saída dos soldados e do toureador, chegam à taberna Dancaire e Remendado, chefes de um bando de contrabandistas. Eles planejam novo golpe, no qual as mulheres terão papel importante, distraindo os guardas da fronteira. Mas Carmen a todos surpreende, recusando- se a participar: é que soube da soltura de José – rebaixado a soldado e preso por tê-la deixado fugir – e tem certeza de que ele virá à ,taberna: está apaixonada.

Carmen- Meus amigos, eu ficaria muito feliz em ir com vocês esta noite; mas neste momento – não fiquem incomodados – o amor deve vir antes do dever.

De fato, José aparece e a cigana o recebe com alegria, dançando e cantando para ele. Após um desentendimento pelo fato de José interromper a dança de Carmen dizendo que deveria voltar ao quartel pois ouvira o toque de recolher, ele confessa seu amor e mostra-lhe a flor que ela lhe jogara no rosto no dia em que se conheceram.

Carmen– Delicadamente, senhor, delicadamente. Eu irei dançar pela sua honra, e você verá, meu senhor, como eu sou capaz de acompanhar minha dança! Sente ali, Don José. Eu estarei lhe vendo ! …….
José– Sim, você irá me ouvir! Eu insisto, Carmen! Você irá me escutar! A flor que você me jogou ficou comigo em minha cela cuidei e guardei, a flor sempre manteve um perfume doce e por horas eu com os meus olhos fechados, eu me embebedei com o seu cheiro e à noite eu usei-a para te ver! Eu te amaldiçoei, te detestando, perguntando para mim mesmo porque o destino teve que te jogar em meu caminho? Então me acusei de blasfêmia e senti comigo mesmo, eu senti somente um desejo, um desejo, uma esperança, ver você de novo, Carmen, de ver você de novo! Você tinha que aparecer, somente para jogar um olhar no meu caminho, para me possuir de todo o meu ser, O minha Carmen, e eu fui objeto! Carmen, eu amo você!

Mas ouve-se o toque de recolher novamente e José resiste ao apelo de Carmen para ignorá-lo: vai voltar ao quartel.

Carmen– Indo até as montanhas e me seguido você iria se me amasse! Lá você não seria dependente de ninguém; você não teria um oficial que teria que obedecer, e não toque de recolher ressoando para contar ao um amor que é hora de ir! O céu aberto, a vida pensando, o mundo todo que você domina, para a lei sua liberdade será, acima de tudo, uma coisa intoxicante; Liberdade! Liberdade!

Deixando Carmen e ao sair, defronta-se com Zuniga, que voltou a taberna disposto a conquistar Carmen pela força. Furioso, José agride o oficial, mas é impedido de matá-lo pela intervenção dos dois contrabandistas: Zuniga é aprisionado por estes e forçado a seguir o bando para evitar que os persiga. José, diante da situação, é forçado a unir-se a eles, para alegria de Carmen, que lhe elogia as belezas da nova vida de liberdade e independência. Num belíssimo conjunto que encerra o segundo ato!

Carmen– Ah! Isto não foi colocado galantemente, mas não importa, vá, irá levar isto até lá quando você ver o quão é bom é a vida errante; você domina o mundo todo, sua própria liberdade será sua lei, e sobre todas as coisas intoxicantes: Liberdade! Liberdade!
Todos– Viaje pelo país conosco, venha conosco até as montanhas, venha conosco e você vai levar para lá quando você vê, até lá, o quanto é bom a vida errante; todo o mundo é seu domínio, sua própria liberdade será sua lei! E sobre todas estas coisas intoxicantes: Liberdade! Liberdade!

Ato 3
O tempo passa e a volúvel Carmen já deseja trocar José por um novo amor. Cansou do entediante e ciumento José. É noite nas montanhas, onde se escondem os contrabandistas. Frasquita e Mercedes, zombeteiramente, procuram o futuro nas cartas. Carmen, supersticiosa, também tenta.

Carmen– “Ouros! Espadas! A mor- te! Eu vi. . . eu primeiro. . . ele depois. . . para ambos a morte!”

José está de guarda, magoado e cheio de ciúmes. Não percebe a aproximação de Micaela, ainda disposta a conquistar seu amor.

Micaela– Eu digo que nada me amedronta, eu digo, ai de mim, que eu tenho somente a mim para depender; mas eu tenho tentado em vão ser corajosa, em meu coração estou morrendo de medo! Sozinha neste lugar selvagem, totalmente sozinha, eu estou com medo, mas eu me engano em ter medo; você me dará coragem, você irá de proteger, Senhor. Eu irei dar uma olhada mais de perto nesta mulher que é uma cilada do mal terminou por fazer um criminoso do homem que eu amei uma vez: ela é perigosa, ele é bonita, mas eu não irei ter medo. Eu falarei na frente dela. Ah! Senhor, você irá me proteger! Ah! Eu digo que nada vai me amedrontar. …me proteja, ó Senhor! Proteja-me, Senhor!

Don José não percebe Micaela mas vislumbra uma sombra e atira contra ela: é Escamillo, o toureador, que se identifica e diz ter vindo a procura de Carmen, agora que sabe ter ela deixado o amante. José, furioso, desafia Escamillo a um duelo de faca: o encontro é interrompido pelos demais contrabandistas e por Carmen, que ameaça matar José se este não se afastar do toureador. Enquanto isso, Dancaire descobre Micaela e a conduz ao reduto: a moça implora a José que volte para ela e para a velha mãe, que está morrendo. Sua exortação é apoiada por todos os contrabandistas: eles também acham que o ex-soldado deve mudar de vida. José, aturdido pela iminência da morte da mãe, resolve partir; mas avisa Carmen, ameaçador, que voltará a vê-la.

Micaela- Eu vim procurando por você. Lá é a casa do campo, onde, rezando incessantemente, uma mãe, sua mãe, chora, ai, por seu filho. Ela chora e chama por você, ela chora e mantêm os braços abertos para você; você terá a cova dela, José. Ah José, você virá comigo!
Carmen– Vá! vá! Você faz bem em ir embora; nossos negócios não significam nada para você!
José– Você está dizendo para eu ir com ela?

Carmen– Sim, você deve ir!
José– Você está me dizendo para eu ir com ela para você correr em direção ao seu novo amor! Não! Não é provável! Pensei que isto custaria minha vida, não, Carmen, eu não irei embora, e o vínculo que nos une irá nos unir até a morte! Pensar que isto custará a minha vida!
Micaela– Me escute, eu lhe imploro, sua mãe está com os braços abertos para você, o vínculo que os une, José, você irá quebrá-lo!
Frasquita, Mercedes, Le Remendado, Le Dancaire e o Coro– Isto irá custar a sua vida, José, se você não for, o vínculo que une você irá ser quebrado pela sua morte.
José– Me deixe!
Micaela– Ai de mim, José!
José- Porque eu estou amaldiçoado!
Frasquita, Mercedes, Le Remendado, Le Dancaire e o Coro- José tome cuidado!
José– Ah! Eu tenho você, garota amaldiçoada, eu tenho você e eu irei obrigar você curvar-se ao destino que liga o seu destino com o meu! Pensar que isto custará a minha vida, não, não, não, eu não irei embora!
Coro– Ah! Tome cuidado, tome cuidado, Don José!
Micaela– Mais uma palavra, esta será a última. Ai de mim! José, sua mãe está morrendo e ela não quer morrer sem antes te perdoar.
José– Minha mãe! Ela está morrendo?
Micaela– Sim, Don José.
José– Vamos, ah, vamos! Fique satisfeita! Eu estou indo, mas nós nos encontraremos de novo!

Ato 4
É novamente Sevilha e, na praça dos touros, Escamillo prepara-se para uma nova vitória.

Coro– Aqui estão eles! Aqui está a quadrilha! A quadrilha dos toureiros! O sol reflete em suas lanças! No ar com suas capas e chapéus! Aqui estão eles! Aqui está a quadrilha, a quadrilha dos toureiros! Aqui, vindo até a praça, primeiro de tudo, marchando, são os policiais com suas faces feias! Sai fora! Sai fora! E agora que eles vão passando vamos torcer pelo herói, bravo! Hurrah! Glória a coragem! Agora vem o touro ! Olhe para os bandeireiros! Veja que fanfarrões! Olhe eles! Olhes eles! Que visão e quanto são brilhantes os ornamentos brilhantes em suas vestimentas de luta! Aqui estão os bandeireiros! Outra quadrilha está vindo! Olhe para os picadores! O quanto são bonitos! Quanto eles atormentam os touros com os flancos na ponta de suas lanças! O Matador! Escamillo! É o Matador, o habilidoso espadachim, ele que vem para terminar tudo e atinge o último golpe! Vida longa à Escamillo! Ah bravo! Aqui estão! Aqui está a quadrilha!

Carmen, embora avisada da presença de José, não se furta ao encontro com o ex-amante e procura convencê-lo da inutilidade de sua insistência: já não o ama e, mesmo que ele a queira matar, não deixará seu novo amor, Escamillo.

Carmen– É você!
José– Sim, sou eu!
Carmen– Eu fui avisada que você estava aqui, que você viria aqui; eu fui avisada para temer por minha vida, mas eu não sou covarde e eu tinha intenção de sair correndo.
José– Não estou ameaçando, estou implorando, suplicando; nosso passado, Carmen – Que esqueça isto! Sim, juntos nós vamos começar outra vida, longe daqui, embaixo de novos céus!
Carmen- Você pede o impossível, Carmen nunca mentiu: sua mente está feita. Entre ela e você está tudo acabado. Eu nunca menti; está tudo acabado entre nós.
José- Carmen, ainda está em tempo, sim, ainda há tempo. O minha Carmen, me deixe salvá-la, eu te adoro, e salvar a mim mesmo com você!
Carmen– Não, eu estou ciente de que a hora chegou, eu sei que você vai me matar; mas seja para morrer ou viver, não, não, eu não irei me entregar a você!
José– Carmen, ainda há tempo, o minha Carmen, deixe-me salvá-la, eu, quem te adora; Ah! Deixe-me salvá-la e salvar a mim mesmo com você! O minha Carmen, ainda há tempo.
Carmen- Por que ainda está preocupado com um coração que não é mais seu? Não, este coração não pertence mais a você! Em vão você diz “eu adoro você” você não terá nada, não, nada, de mim, Ah! Isto é inútil, você não terá nada, nada, de mim!
José– Então você não me ama mais? Então você não me ama mais?
Carmen– Não, eu não o amo mais.

Ao ouvir o clamor do público, anunciando o fim da tourada, Carmen faz menção de se afastar em direção a arena, para celebrar com o toureador a vitória. José impede-lhe a passagem, e Carmen, num desafio extremo, pede que a deixe passar, ou a mate. É o clímax: José, desesperado, afunda o punhal no peito de Carmen, que cai morta, enquanto se ouvem cantos ao longe exaltando Escamillo. Perante a multidão que sai da arena, José joga-se sobre o corpo da bela cigana, soluçando: “Carmen! Minha adorada Carmen!”

José– Mas eu, Carmen, eu amo você ainda; Carmen, ai de mim! Eu te adoro!
Carmen– O que há de bom nisto? Que desperdício de palavras!
José– Carmen, eu amo você, eu te adoro! Tudo bem, se eu devo, para agradar você, eu serei um bandido, qualquer coisa que você quiser- tudo, você me escutou? Tudo! Mas não me abandone, o minha Carmen, Ah! Lembre-se do passado! Nós nos amamos um dia! Ah! Não me deixe, Carmen, Ah não me deixe!
Carmen– Carmen eu nunca irei gritar! Livre ela nasceu, livre ela irá morrer!
Coro– Hurrah! hurrah! Uma grande luta! Hurrah! Através da areia ensangüentada, o touro prepara! Olhe! Olhe! Olhe! O touro atormentado vem delimitando o ataque, olhe! Golpeado verdadeiramente, diretamente no coração, olhe! Olhe! Olhe! Vitória!
José– Aonde você está indo?
Carmen– Me deixe sozinha!
José– Este homem que estão torcendo é o seu novo amor!
Carmen– Me deixe em paz! Me deixe em paz!
José– Pela minha alma, você não irá passar, Carmen, você virá comigo!
Carmen- Meu deixe ir embora, Don José, eu não vou com você!
José– Você está indo até ele. Me conte…você o ama?
Carmen- Eu o amo! Eu o amo e na própria face da morte eu continuarei dizendo que o amo!
Coro– Hurrah! Uma grande luta!
José– Então eu estou perdendo a salvação do meu coração para você sair correndo para ele criatura infame, para rir de mim em seus braços! Não, pelo meu sangue, você não irá! Carmen, você virá comigo!
Carmen– Não, não, nunca!
José– Eu estou cansando de te ameaçar você!
Carmen– Tudo bem, então me apunhale, ou me deixe passar!
Coro– Vitória!

José– Pela última vez, seu demônio, você virá comigo?
Carmen– Não! Não! O anel que você me deu um dia- aqui, tome!
José- Tudo bem, maldição!
Coro– Toureiro, em guarda! E lembre-se, sim, lembre-se que enquanto você luta dois olhos negros estarão te assistindo, e que o amor espera por você!
José– Você pode me prender. Eu a matei! Ah! Carmen! Minha adorada Carmen!

Cai o pano.

Bizet não testemunhou a extraordinária repercussão que sua ópera conquistaria. Elogios vieram de ilustres como Camille Saint-Saëns-Saëns, Piotr Tchaikovsky, e Claude Debussy, que reconheceram sem dúvida alguma a grandeza daquele músico revolucionário e foram proféticos ao acreditarem que a ópera se tornaria a mais popular de todo mundo.

Nos dez anos seguintes, Carmen seria apresentada cerca de mil vezes, em diferentes montagens, por toda a Europa. Depois de arrebatar as plateias em sua versão lírica, também seria celebrada no século XX com várias versões cinematográficas.

Quase um século antes da liberação feminina, Carmen já era uma fonte de inspiração. A cigana de Bizet já se antecipava à mudança de comportamento feminino, com frases e atos contundentes como:
“O amor é um pássaro rebelde que ninguém pode aprisionar…”
“[o amor] não adianta chamá-lo, pois ele só vem quando quer.”
“… e quando pensa tê-lo aprisionado ele se vai.”
“Tu crês prendê-lo; ele te evita. Crês evitá-lo; ele te prende.”
“Se não me amares, eu te amarei. Mas… se eu te amar, cuidado!”
“O meu coração é livre como um pássaro!”
“Quem quer a minha alma? Ela está livre!”
“Não tenho medo de nada. Carmen nunca cederá! Nasceu livre e livre morrerá!”
E os conselhos que Carmen dá a Don José:
“Você viverá a nossa vida errante, por pais terá o Universo, por lei a tua vontade e, sobretudo, a coisa inebriante, a liberdade.”

O fato desta mulher expressar uma exuberância vital através de seu próprio corpo, utilizando de sua “sensualidade ibérica”, uma explosão de afetos e de atitudes impetuosas, desafiando então, todos os limites, códigos ou valores morais que venham a se opor aos caminhos que a paixão e a vontade lhe apontam. A conduta de Carmen expressa uma espécie de afetividade que enaltece a alegria e a embriaguez, expressão de um tipo de mundo repleto de andarilhos, ciganos e contrabandistas, desprovidos de remorsos, ressentimentos ou crises morais de consciência diante das transgressões das rígidas normais sociais. Carmen afirma a liberdade de acolher e cumprir o seu próprio destino, de acordo com o fluxo de seus desejos, o que a faz viver conforme o livre jogo interativo dos seus afetos. É uma das poucas óperas que não nos pedem para fechar os olhos e os ouvidos para a realidade. É por isso que Carmen sempre será uma ópera moderna.

Esta versão que ora compartilhamos com os amigos do blog é a minha gravação favorita de Carmen e traz de volta memórias bonitas dos anos 80. Gravada em 17 de novembro de 1983, esta performance tem um ótimo equilíbrio entre a ópera e as partes do diálogo, não são os cantores mas atores franceses que fazem a parte dos diálogos. No geral os atores estão bem – eles estão inseridos no drama, mas estão em um espaço auditivo diferente dos cantores e as vozes não parecem muito com os cantores. O canto e a música são nítidos, dinâmicos e fascinantes. O diálogo é jovial, sincero e cruel às vezes. Muito comovente.

O pessoal ensaiando nas dependências do l’PQP Ópera Comique

Agnes Baltsa esta magnífica em sua performance. Sua perfeição vocal e brio são notáveis. Depois de ouvir seu sedutor “Pres de ramparts de Seville”, não é de admirar que Don José seja irresistivelmente atraído por ela. Até eu tenho a mesma reação a ela cantando como Don José. Por alguma razão desconhecida, enquanto estou ouvindo a frase “Mon officier n’est pas un capitaine”, não consigo parar de respirar fundo de “contentamento” (você sabe, da maneira que faria se alguém declarasse seu amor eterno por você …) e isso é algo que nunca deixa de acontecer sempre que ouço essa ária. O estranho é que você ouvirá Don José fazendo exatamente a mesma coisa, exatamente ao mesmo tempo. A primeira vez que ouvi este CD foi quase inacreditável. Ouça essa ária e você provavelmente entenderá do que estou falando. Michaela, da Ricciarelli, é a mais doce que eu já ouvi. Se eu fosse Don José, teria muita dificuldade em decidir qual das mulheres escolher. Os duetos entre Michaela e Don José são tão doces e carinhosos o oposto dos duetos entre Carmen e Don José, cheios de sensualidade e tensão. O Don José na voz de Carreras, do meu humilde ponto de vista, beira a perfeição. Ele pode parecer o jovem soldado ingênuo e tímido que se apaixona loucamente pela primeira vez e também como o ciumento e descontrolado Don José no ato final. E falando do ato final desta ópera vale o download … incrível a dinâmica. É de arrepiar quando Don José está chorando

Herbert e Agnes desfrutando momentos de descontação no suntuoso jardim do l’PQP Ópera Comique

“Ma Carmen, adorée”. Seu canto é notável. Adoro os duetos com Ricciarelli e Baltsa, além da famosa e maravilhosa versão de “La fleur que tu m’avais jetée”. Essa ária acaba como a canção de amor mais gentil e suave… A condução de Herbert von Karajan é simplesmente excelente! A música nesta gravação flui tão naturalmente que atrai imediatamente! O som e a produção da gravação são absolutamente perfeitos. O restante do elenco também é muito bom; Van Dam está excelente como Escamillo percebe-se uma fluência em francês que realmente faz a diferença. Frasquita e Mercédès são interpretados pelas belas vozes de Christine Barbaux e Jane Berbié.

Pessoal, sobem as cortinas e deliciem-se com a sedutora Carmen e apenas mais uma observação: obrigado, Agnes, Carreras e Karajan por esse momento!

Personagens e intérpretes
Carmen – Agnes Baltsa
Don José – José Carreras
Escamillo – José van Dam
Micaela – Katia Ricciarelli
Frasquita – Christine Barbaux
Mercedes – Jane Barbié
Zuniga – Alexander Malta
Morales – Mikael Melbye
Le Dancaire – Gino Quilico
Le Remendado – Heiz Zednik

Choeur de l’Ópera de Paris
Berliner Philharmoniker
Regente – Herbert von Karajan
1983

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FDPBach / Ammiratore

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As Sonatas para Fortepiano – Paul Badura-Skoda (2/9) #BTHVN250

O segundo volume da aventura fortepianística beethoveniana de Paul Badura-Skoda (que, prometêramos, seria doravante mencionado como PBS) traz algumas obras menos votadas do famoso rol das trinta-e-duas. O som deste piano Broadwood de 1796, mesmo fabricante que décadas depois presentearia Beethoven com o, bem, “piano de Beethoven” que já foi tantas vezes ouvido em gravações, não é tão fácil de escutar quanto o do volume passado. Ele quase estoura na “Grande Sonata”, op. 7, o que nos faz imaginar o que não seria de seus pobres martelinhos se PBS atacasse a brutal “Hammerklavier” com ele. O Broadwood tem melhor sorte com a relativamente pouco ouvida sonata Op. 22, uma das preferidas do compositor, e com a levinha Op. 14 no. 1, que ele próprio transcreveu para quarteto de cordas.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Grande Sonata para piano em Mi bemol maior, Op. 7
1 – Allegro molto e con brio
2 – Largo, con gran espressione
3 – Allegro
4 – Rondo: Poco allegretto e grazioso

Sonata para piano em Si bemol maior, Op. 22
5 – Allegro con brio
6 – Adagio con molta espressione
7 – Menuetto
8 – Rondo: Allegretto

Duas sonatas para piano, Op. 14
No. 1 em Mi maior
9 – Allegro
10 – Allegretto – Trio
11 – Rondo. Allegro comodo

Paul Badura-Skoda, fortepiano (John Broadwood, Londres, ca. 1796)

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Um Beethoven dândi, quem diria

Vassily

 

Schubert (1797-1828): 8 Impromptus, D. 899 & 935 – Krystian Zimerman

Schubert (1797-1828): 8 Impromptus, D. 899 & 935 – Krystian Zimerman

Franz Schubert

Impromptus

Krystian Zimerman

 

Como uma música tão sublime, tão poderosa e obviamente magistral pode passar desapercebida, esquecida ou subestimada?

A música de Schubert é tão pessoal e cheia de sentimentos, com menos demanda técnica do que a maioria dos outros compositores que acaba propondo aos intérpretes dificuldades de outras ordens. Na minha perspectiva, sua música demanda um enorme equilíbrio para evitar a frivolidade, mas também não derrapar na pieguice. No caso dos Impromptus que temos neste álbum, que foram compostos já no fim da vida do compositor, no período em que ele se ocupava do ciclo de Lieder Winterreise, esse equilíbrio é ainda mais necessário, pois estamos num período de transição entre o classicismo e o romantismo.

Há várias gravações destas peças que são standards da discografia de Schubert, como as gravações de Perahia, Brendel (analógica) e Lupu, mas esta gravação de Krystian Zimerman merece ocupar a mesma prateleira. Zimerman é um pianista que frequenta pouco os estúdios de gravação, mas quando o faz nos oferece álbuns para apreciar e se deliciar.

Veja como começa a crítica deste álbum em uma importante revista de música: ‘Os Impromptus representam a música de Schubert por excelência, por que eles falam em um tom de intimidade e são mais adequados às pequenas salas de convivência do que às salas de concertos’. Este aspecto mais introvertido das peças pode dar margem a uma interpretação com melodias açucaradas e olhos lacrimejantes. Não é isto o que temos neste disco. O que temos é uma apresentação de uma música sofisticada, cheia de variedades e muita dinâmica.

Os segundo impromptu do primeiro conjunto é o que eu chamo ‘música líquida’ – um fluxo de sons absolutamente irresistível. Se você não sorrir de puro prazer ao ouvir esta peça, esqueça, música não é para você. Ou pelo menos este tipo de música.

Em várias destas peças, como na primeira delas, você percebe que os pianistas são seres excepcionais – conseguem fazer o que para mim é impossível – duas ou mais coisas ao mesmo tempo. Eu consigo assobiar um recorte da música, acompanhando uma melodia, mas me dou conta que há muitas outras coisas acontecendo independentemente, que eu não consigo assobiar ao mesmo tempo. É, mas eu não sou pianista…

Franz Schubert (1797 – 1828)

Impromptus D. 899 (Op. 90)

  1. 1 em dó menor
  2. 2 em mi bemol maior
  3. 3 em sol bemol maior
  4. 4 em lá bemol maior

Impromptus D. 935 (Op. 142)

  1. 1 em fá menor
  2. 2 em lá bemol maior
  3. 3 em mi bemol maior
  4. 4 em fá menor

Krystian Zimerman, piano

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FLAC | 199 MB

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MP3 | 320 KBPS | 150 MB

Krystian durante a entrevista com a equipe do PQP

Impromptu é um gênero que se praticava na época de Schubert e ele teve modelos, especialmente do compositor boêmio Jan Václav Voříšek (alô, Vassily!). De qualquer forma, as oito peças que ele produziu, assim como os Moments Musicaux, são exemplos de peças independentes e muito usadas para completar um recital. Apesar de que, especialmente o segundo conjunto, pode ser visto como uma obra só, uma sonata disfarçada de ‘impromptus’.

Não demore, baixe o disco e deleite-se com estas lindas miniaturas.

Approveite!

René Denon

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – As Sonatas para Fortepiano – Paul Badura-Skoda (1/9) #BTHVN250

Daremos um tempo na nossa integral de Lud Van para postarmos… bem, uma integral de Lud Van.

Nem chegamos, enfim, aos idos de março, e não desejamos que nossa tarefa de postar a obra completa do rabugento renano se conclua muito antes da data máxima dos beethovenitas, em dezembro. Ainda que sua obra seja consideravelmente extensa, Beethoven não foi um Telemann – e ainda bem, pois a integral deste sim tomar-me-ia algumas décadas de postagens, quiçá até chegar minha aposentadoria, se minha triste carcaça durar até lá.

Antes tivesse eu levado a sério o piano, e chegado aos pés da aspiração de tocar como um Paul Badura-Skoda, outro que não chegou a saber o que é aposentadoria, por ter mantido a carreira de recitalista até meses antes de falecer no ano passado, dias antes de completar generosos noventa e dois anos. O grande mestre vienense foi o único pianista a legar-nos registros integrais das sonatas de Mozart, Beethoven e Schubert tanto em pianos modernos quanto em instrumentos históricos. Sua Beethoveniana em pianos contemporâneos ao compositor, gravada entre os anos 70 e 80 e lançada pelo interessante selo Astrée na década de 90, será nosso escopo nos próximos dias.

Começaremos, claro, pelo começo – pelo menos o começo que não leva em conta as diminutas sonatas dedicadas ao Eleitor de Colônia por um Ludwig menino, e sim a respeitável trinca publicada como Op. 2 e dedicada a seu professor, Joseph Haydn. Estas obras sempre me pareceram exigir o pianoforte, e Badura-Skoda (doravante referido como PBS) defende-as com muito brio no teclado de um instrumento vienense construído por Johann Schantz na década de 1790. Aos muitos entre vós outros que têm ranços quanto ao som às vezes inconsistente dos instrumentos antigos, eu peço um voto de confiança, e que me digam se este pianoforte bicentenário não está mesmo batendo um bolão.

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Três Sonatas para piano, Op. 2

No. 1 em Fá menor

1 – Allegro
2 – Adagio
3 – Menuetto and Trio (Allegretto)
4 – Prestissimo

No. 2 em Lá maior
5 – Allegro vivace
6 – Largo appassionato
7 – Scherzo: Allegretto
8 – Rondo: Grazioso

No. 3 em Dó maior
9 – Allegro con brio
10 – Adagio
11 – Scherzo: Allegro
12 – Allegro assai

Paul Badura-Skoda, fortepiano (Johann Schantz, Viena, ca. 1790)

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PBS em ação, lá pelo primeiro terço de seus 80 anos de carreira

Vassily

 

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas para violino e cravo obbligato, BWV 1014-1019 – Chiara Banchini & Jörg-Andreas Bötticher

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas para violino e cravo obbligato, BWV 1014-1019 – Chiara Banchini & Jörg-Andreas Bötticher

J.S. Bach

Sonatas para violino

Chiara Banchini

Jörg-Andreas Bötticher

 

Sonatas para violino é um gênero no qual as gerações de compositores antes de Bach produziram em profusão e ele certamente conhecia muitos exemplos, particularmente estudioso que era da obra de outros compositores.

Basta considerar como exemplo as ‘invenções’ escritas por Antonio Bonporti, que são excelentes e você pode ouvi-las se acessar esta postagem aqui.

Bach, do alto de sua genialidade, não só estudava estas obras, ela incorporava suas características em sua própria linguagem e produzia resultados que acabavam estabelecendo novos padrões de qualidade e também de originalidade.

Manuscrito do primeiro movimento da terceira versão da Sonata No. 6, BWV 1019, na cópia de Johann Christoph Altnickol

As sonatas desta postagem são exemplos típicos. No título ele usa a expressão obbligato harpsichord, indicando o novo papel do cravo, não só fornecendo o baixo contínuo, mas também uma nova voz, que ao lado do violino tem papel de protagonista. Neste sentido, estas sonatas estão próximas das triosonatas, onde duas vozes são acompanhadas do baixo contínuo.

Eu ouço estas peças há muito tempo e a mudança de estilo nas interpretações tem sido constante, especialmente com o movimento HIP, das interpretações historicamente informadas. As gravações mais romantizadas, digamos assim, como a maioria das mais antigas, com a parte do violino cheia de vibrato, me parecem hoje anacrônicas.

Quando vi esta gravação decidi imediatamente ouvi-la com atenção, pela excelente violinista que é a Chiara Banchini. Pois gostei tanto que resolvi dividi-la com vocês.

Chamo a atenção de vocês para mais um detalhe, a respeito deste conjunto magnífico de peças que temos o privilégio de poder ouvir. O conjunto não tem uma única sonata mais fraca, menos interessante. Ou seja, a força destas obras também está na individualidade de cada peça, que adiciona e abrilhanta por demais o conjunto. Lembrando também, estas peças são sonatas, no modelo das sonatas da chiesa, com quatro movimentos, cujas indicações de tempo são como alegro, adagio, diferentes das suítes, com andamentos de danças.

O que dizer do primeiro movimento da primeira sonata, que inicia aos cuidados do cravo, pensativamente, ao qual aos poucos vai sendo adicionada a voz do violino? Este movimento é seguido por outro, que inicia com uma explosão de energia… E o terceiro movimento da segunda sonata, um Andante um poco… Ao ouvir este movimento veio-me a decisão de postar o álbum.

Jorge André testando o cravo que o PQP encomendou

Uma última observação. Nesta gravação, feita na Suiça em julho de 2011, o excelente cravista Jörg-Andreas Bötticher usa um instrumento construído em 2006 por Matthias Kramer, de Hamburgo, tendo como modelo um robusto cravo alemão do tipo que o próprio Bach tinha. Mais detalhes técnicos sobre este assunto você poderá ver no excelente livreto que acompanha os arquivos de música.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Sonatas para cravo obbligato e violino, BWV 1014 – 1019

CD1

Sonata No. 1 em si menor, BWV 1014

  1. Adagio; 2. Allegro; 3. Andante; 4. Allegro

Sonata No. 2 em lá maior, BWV 1015

  1. Dolce; 2. Allegro; 3. Andante um poco; 4. Allegro

Sonata No. 3 em mi maior, BWV 1016

  1. Adagio; 2. Allegro; 3. Adagio ma non tanto; 4. Allegro

CD2

Sonata No. 4 em dó menor, BWV 1017

  1. Largo; 2. Allegro; 3. Adagio; 4. Allegro

Sonata No. 5 em fá menor, BWV 1018

  1. Largo; 2. Allegro; 3. Adagio; 4. Vivace

Sonata No. 6 em sol maior, BWV 1019

  1. Allegro; 2. Largo; 3. Allegro; 4. Adagio; 5. Allegro
Cantabile, BWV 1019a

Chiara Banchini, violino

Jörg-Andreas Bötticher, cravo

Produção de Franck Jaffrès para o interessantíssimo selo Zig-Zag Territoires

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FLAC | 601 MB

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MP3 | 320 KBPS | 231 MB

Não deixe de ouvir o conjunto todo, vale muito a pena. Se encontrares um movimento no qual a violinista não participa, fica apenas admirando a arte de seu acompanhante, é por que você chegou à magnífica sexta sonata. Volte e ouça de novo a quinta e, se tiver ainda tempo, ouça tudo de novo. É o que eu acabo fazendo.

Para uma foto mais recente da Chiara, acesse aqui.

Aproveite!

René Denon

Johannes Brahms (1833-1896): Fantasias, Op.116, Intermezzos, Op.117, Piano Pieces, Op.118, Piano Pieces, Op.119, 2 Rhapsodies, Op.79, , 16 Waltzes, Op.39, Variations and Fugue on a Theme by Handel, Op.24 – CD 3 e 4 de 4 – Kovacevich

Scan01Vamos então encerrar o ciclo de obras para piano de Brahms com a interpretação segura e precisa de Stephen Kovacevich, o croata californiano, o cara que produz pouco, mas tudo o que produz é de primeiríssima qualidade.

Como comentei anteriormente, a obra pianística de Brahms nem é tão grande assim, apesar de ele ter sido um dos grandes pianistas de sua época. Esse terceiro cd da caixa traz das Fantasias, op. 116, os Intermezzos, op. 117, além do op. 118, que são conhecidas como “Peças para Piano”. São obras mais delicadas, e curtas, que tem uma estrutura melódica mais complexa, mostrando a versatilidade de Brahms enquanto compositor para piano. Reparem no número do opus, e vejam que são obras de um compositor maduro, já estabelecido como um dos grandes nomes da música alemã,

O quarto CD traz as conhecidas “Rapsódias”, talvez as obras para piano mais conhecidas de Brahms, mais até que suas sonatas, e as não tão conhecidas “Valsas”. Mas encerra com chave de outro, com as “Variações e Fuga sobre um Tema de Haendel”, op. 24.

Enfim, essa coleção da Phillips é uma ótima porta de entrada para se conhecer a obra pianística de Brahms, nas mãos de um de seus melhores intérpretes das últimas décadas. Espero que a apreciem.

CD 3

01 – Fantasias, Op.116 – I. Capriccio! Presto energico D minor
02 – Fantasias, Op.116 – II. Intermezzo! Andante A minor
03 – Fantasias, Op.116 – III. Capriccio! Allegro passionato G minor
04 – Fantasias, Op.116 – IV. Intermezzo, E major
05 – Fantasias, Op.116 – V. Intermezzo! Andante con grazia ed intimissimo sentimen
06 – Fantasias, Op.116 – VI. Intermezzo! Andantino teneramente E major
07 – Fantasias, Op.116 – VII. Capriccio Allegro agitato D minor
08 – Intermezzos, Op.117 – I. Andante moderato E flat major
09 – Intermezzos, Op.117 – II. Andante non troppo e con molto espressione B flat m
10 – Intermezzos, Op.117 – III. Andante con moto C sharp minor
11 – Piano Pieces, Op.118 – I. Intermezzo! Allegro non assai, ma molto appassionat
12 – Piano Pieces, Op.118 – II. Intermezzo! Andante teneramente A major
13 – Piano Pieces, Op.118 – III. Ballade! Allegro energico G minor
14 – Piano Pieces, Op.118 – IV. Intermezzo! Allegretto un poco agitato F minor
15 – Piano Pieces, Op.118 – V. Romanze! Andante F major
16 – Piano Pieces, Op.118 – VI. Intermezzo! Andante, largo e mesto E flat minor
17 – Piano Pieces, Op.119 – I. Intermezzo! Adagio B minor
18 – Piano Pieces, Op.119 – II. Intermezzo! Andantino un poco agitato – Andantino
19 – Piano Pieces, Op.119 – III. Intermezzo! Grazioso e giocoso C major
20 – Piano Pieces, Op.119 – IV. Rhapsody! Allegro risoluto E flat major

CD 4

01. 01 – 2 Rhapsodies, Op.79 – I. Agitato B minor
02. 02 – 2 Rhapsodies, Op.79 – II. Molto passionato, ma non troppo allegro G minor
03. 03 – 16 Waltzes, Op.39 – I. B major
04. 04 – 16 Waltzes, Op.39 – II. E major
05. 05 – 16 Waltzes, Op.39 – III. G sharp minor
06. 06 – 16 Waltzes, Op.39 – IV. E minor
07. 07 – 16 Waltzes, Op.39 – V. E major
08. 08 – 16 Waltzes, Op.39 – VI. C sharp major
09. 09 – 16 Waltzes, Op.39 – VII. C sharp minor
10. 10 – 16 Waltzes, Op.39 – VIII. B flat major
11. 11 – 16 Waltzes, Op.39 – IX. D minor
12. 12 – 16 Waltzes, Op.39 – X. G major
13. 13 – 16 Waltzes, Op.39 – XI. B minor
14. 14 – 16 Waltzes, Op.39 – XII. E major
15. 15 – 16 Waltzes, Op.39 – XIII. B major
16. 16 – 16 Waltzes, Op.39 – XIV. G sharp minor
17. 17 – 16 Waltzes, Op.39 – XV. A flat major
18. 18 – 16 Waltzes, Op.39 – XVI. C sharp minor
19. 19 – Variations and Fugue on a Theme by Handel, Op.24

Stephen Kovacevich – Piano

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REPOSTAGEM COM SOM MELHORADO: In memoriam Aldo Parisot (1918-2018) – Johann Sebastian Bach (1685-1750): As Suítes para Violoncelo Solo

REPOSTAGEM COM SOM MELHORADO: In memoriam Aldo Parisot (1918-2018) – Johann Sebastian Bach (1685-1750): As Suítes para Violoncelo Solo

PUBLICADO ORIGINALMENTE EM 29/12/2019, REPOSTADO COM SOM MUITÍSSIMO MELHOR EM 6/3/2020

Algumas vezes nossos apelos são ouvidos, e recebemos em nossa caixa de comentários algo mais do que resmungos ou clamores pidões. Nosso leitor-ouvinte Luiz Euripedes alcançou-nos uma gravação de qualidade incomparavelmente melhor do que a que tínhamos, precariamente preservada em fita. Ficamos muito contentes com que a distinta versão de Parisot seja ouvida com a clareza que merece. Grato pela gentileza, Luiz!

O legendário violoncelista potiguar Aldo Parisot completou 100 anos em setembro de 2018, sessenta dos quais como professor na Escola de Música de Yale, posição da qual se afastara meros dois meses antes, sob aclamação e festividades. Nosso prolongado ostracismo no Hades impediu-nos de homenageá-lo tanto pelo natalício quanto por ocasião de seu desaparecimento, na antevéspera do Ano Novo. No primeiro aniversário de sua morte, entretanto, estamos de volta à ribalta blogueira para lembrar este grande concertista e pedagogo com a divulgação de sua gravação histórica das Suítes para violoncelo solo de J. S. Bach – que, salvo melhor juízo, foi a primeira feita por um brasileiro.
Os leitores-ouvintes certamente hão de perdoar a qualidade um tanto precária do som, que é uma cópia em fita de LPs lançados em 1977 que nunca tive em mãos, pelo privilégio de escutar Parisot em ação [atualização: nada mais precisarão perdoar, graças ao leitor-ouvinte Luiz Euripedes!]. Ainda que estes mais de quarenta anos tenham visto inúmeras gravações chegarem ao mercado, muitas das quais historicamente informadas, e que eu hoje já me tenha acostumado a ouvir estas suítes em cordas de tripa e com todos gostosos, como diz o PQP, “ruídos de marcenaria” inerentes à mecânica desses instrumentos, eu adorei a interpretação destemida e cheia de verve de Parisot. Espero que ela também lhes seja do agrado, enquanto espero, através dos comentários, que alguém nos alcance alguma fonte com melhor som [atualização: o que realmente aconteceu, e pelo que somos novamente gratos ao Luiz Euripedes].

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Seis Suítes para violoncelo solo, BWV 1007-12

Aldo Parisot, violoncelo

SUÍTE NO. 1 EM SOL MAIOR, BWV 1007

01 – Prélude
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Menuet I & II
06 – Gigue

SUÍTE NO. 2 EM RÉ MENOR, BWV 1008

07 – Prélude
08 – Allemande
09 – Courante
10 – Sarabande
11 – Menuet I & II
12 – Gigue

SUÍTE NO. 3 EM DÓ MAIOR, BWV 1009

13 – Prélude
14 – Allemande
15 – Courante
16 – Sarabande
17 – Bourrée I & II
18 – Gigue

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SUÍTE NO. 4 EM MI BEMOL MAIOR, BWV 1010

01 – Prélude
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Bourrée I & II
06 – Gigue

SUÍTE NO. 5 EM DÓ MENOR, BWV 1011

07 – Prélude
08 – Allemande
09 – Courante
10 – Sarabande
11 – Gavotte I & II
12 – Gigue

SUÍTE NO.6 EM RÉ MAIOR, BWV 1012

13 – Prélude
14 – Allemande
15 – Courante
16 – Sarabande
17 – Gavotte I & II
18 – Gigue

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Ôxe! ♡?

Vassily

.: interlúdio :. Duke Ellington: Paris, March 1964

.: interlúdio :. Duke Ellington: Paris, March 1964

A(s) big band(s) formadas por Duke Ellington são inacreditáveis. Todos parecem ser grandes solistas e ninguém erra. E a banda se transmuta de grande em pequena, quando quer, atuando em perfeitos subconjuntos. O som deste CD não é  o melhor, mas na terceira faixa já esquecemos disso, tal a qualidade da música e dos músicos. Ellington foi grande compositor e arranjador. Nada parece ser ocioso ou fora do lugar.

Depois de uma longa excursão pela Ásia, incluindo o Sri Lanka, e depois de duas semanas no Reino Unido, de 15 de fevereiro a 1 de março, a orquestra desembarcou no continente no dia 2, em Stuttgart, viajando por várias cidades até o dia 23, data do último concerto em Limoges. Acrescente a essa agenda estonteante o fato de que a banda costumava dar dois shows por dia e que alguns músicos às vezes realizavam sessões de gravação à tarde… Entre outras maravilhas, temos aqui cinco extratos (faixas 2 a 5 e 13) do que se tornaria em 1966 a Far East Suite, que ouvimos aqui pela primeira vez.

Duke Ellington: Paris, March 1964

1 Take The ”A” Train
2 Amad
3 Agra
4 Bluebird Of Delhi (Minah)
5 Depk
6 The Opener
7 Happy Reunion
8 Blow By Blow
9 Harmony In Harlem
10 Stompy Jones
11 Caravan
12 Tutti For Cootie (Fade Up)
13 Isfahan
14 Things Ain’t What They Use To Be
15 Banquet
16 Skillipoop (Jungle Triangle)
17 Satin Doll

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Ellington na banheira da Suíte Ducal do Palácio PQP Bach

PQP

Johannes Brahms (1833-1897) – The Piano Concertos, 4 Ballads, op. 10, Waltz, op. 39, Piano Pieces, opp. 116-119 – CD 2 de 4 Kovacevich, Davis, LSO,

Scan01Se Stephen Kovacevich tivesse realizado apenas essa gravação do Concerto nº 2 para Piano e Orquestra de Brahms, junto com Colin Davis e a Sinfônica de Londres, lá nos idos dos anos 70, já poderia ser colocado no Hall of Fame dos grandes pianistas do século XX. Já comentei anteriormente que tenho uma relação muito pessoal com essa gravação, desde que a comprei, lá em 1987 ou 88. Brahms para mim ainda era um compositor um tanto quanto obscuro. Sua obra ainda era uma incógnita para mim. Ainda era o tempo do LP. Lembro que comprei em uma promoção, dois pelo preço de um, junto dele veio um LP com as Danças Eslavas de Dvorák, na versão de Antal Dorati, outro primor da indústria fonográfica. Bendita a hora em que o gerente daquela loja de discos no centro de Florianópolis resolveu dar uma geral no setor de clássicos, e tirar aqueles álbuns encalhados, que não vendiam.

Já colocamos em discussão por aqui diversas vezes, e não canso de afirmar que considero este Concerto nº 2 para Piano e Orquestra de Brahms o melhor Concerto já escrito pelo ser humano, uma obra que faz parte do cânone cultural ocidental. Um diamante lapidado com cuidado e esmero por este gigante alemão, Johannes Brahms.
E o californiano Stephan Kovacevich, filho de pai croata e mãe norte-americana, junto com Colin Davis e a Sinfônica de Londres, naqueles inspiradores anos 70, conseguiram extrair a essência da obra, aquilo que ela tem de mais profundo. Impossível ouvir essa gravação e ficar imune à sua beleza.

Deliciem-se, então, mortais.

01 – Piano Concerto No. 2 in B flat major, Op. 83_ 1. Allegro non troppo
02 – Piano Concerto No. 2 in B flat major, Op. 83_ 2. Allegro appassionato
03 – Piano Concerto No. 2 in B flat major, Op. 83_ 3. Andante – Piu adagio
04 – Piano Concerto No. 2 in B flat major, Op. 83_ Allegretto grazioso – Un poco p
05 – Klavierstucke, Op. 76_ 1. Capriccio in F sharp minor
06 – Klavierstucke, Op. 76_ 2. Capriccio in B minor
07 – Klavierstucke, Op. 76_ 3. Intermezzo in A flat major
08 – Klavierstucke, Op. 76_ 4. Intermezzo in B flat major
09 – Klavierstucke, Op. 76_ 5. Capriccio in C sharp minor
10 – Klavierstucke, Op. 76_ 6. Intermezzo in A major
11 – Klavierstucke, Op. 76_ 7. Intermezzo in A minor
12 – Klavierstucke, Op. 76_ 8. Capriccio in C major

Stephen Kovacevich – Piano
London Symphony Orchestra
Colin Davis

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FDP

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Partitas, BWV 825-830 – Jean Louis Steuerman

Conheci esta gravação do carioca Jean Louis Steuerman através duma fita cassete – – por si só um atestado de vetustos martelos, bigornas e estribos – antes mesmo do célebre registro de Glenn Gould, e sempre a tive em alta estima. Depois de muito tempo sem ouvi-la, e um pouco receoso de constatar que ela não tivesse resistido à passagem do tempo, ou qualquer outro nome que se dê ao fenômeno de se ficar cada vez menos impressionável quanto mais velho se fica, bem, eu a reencontrei e fiquei muito contente com o que ouvi. O toque preciso de Steuerman continuava lá, articulando com verve e graça os movimentos rápidos, e com economia nos ornamentos nos lentos. Não percebera, em meus imberbes tempos, o quão pouco afeito ele era a aderir às repetições sugeridas por Bach, mas o que ouvi agora, com maduros ouvidos, ainda me agradou demais. Lembro, sem muitas saudades, daqueles tempos em que ganhava mesada em cruzados novos, mas tinha sonhos precificados em dólar, e dos habitués daquele templo ar-condicionado da (minha) cobiça, quase todos velhotes que, pelo jeito, ganhavam em dólar, discutindo se esta grande música realmente se prestava a ser tocada com cravo, e entrincheirando-se entre aqueles que consideravam a versão de Gould insuperável, e o pequeno pelotão daqueles que preferiam Schiff, Martins ou Steuerman. De lá para cá, surgiram tantas gravações maravilhosas (lembro-me das de Angela Hewitt e de Murray Perahia, sem nem entrar no mérito das tantas por excelentes cravistas) que este embate perdeu totalmente o sentido – mas, já que me tornei um próprio um velhote, embora ainda não ganhe em dólar, vou à forra e lhes digo, sem que me tenham perguntado isso, que prefiro as partitas ao piano, que adoro a versão de Gould, que a de Martins não envelheceu bem, e que a de Steuerman segue firme em meu desimportante conceito.

BACH – JEAN LOUIS STEUERMAN – THE 6 PARTITAS BWV 825-830

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Partita no. 1 em Si bemol maior, BWV 825
1 – Praeludium
2 – Allemande
3 – Courante
4 – Sarabande
5- Menuet I
6 – Menuet II
7 – Gigue


Partita no. 2 em Dó menor, BWV 826
8 – Sinfonia
9 – Allemande
10 – Courante
11 – Sarabande
12 – Rondeau
13 – Capriccio


Partita no. 3 em Lá menor, BWV 827
14 – Fantasia
15 – Allemande
16 – Corrente
17 – Sarabande
18 – Burlesca
19 – Scherzo
20 – Gigue


Partita no. 4 em Ré maior, BWV 828
21 – Overture
22 – Allemande
23 – Courante
24 – Aria
25 – Sarabande
26 – Menuet
27 – Gigue


Partita no. 5 em Sol maior, BWV 829
28 – Praeambulum
29 – Allemande
30 – Corrente
31 – Sarabande
32 – Tempo di Minuetto
33 – Passepied
34 – Gigue


Partita no. 6 em Mi menor, BWV 830
35 – Toccata
36 – Allemande
37 – Corrente
38 – Air
39 – Sarabande
40 – Tempo di Gavotta
41 – Gigue


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LINK ALTERNATIVO

Jean Louis Steuerman
, piano

J-L Steuerman, pelo jeito, gosta de nos mostrar seu lado direito

Vassily

Alban Berg (1885-1935): Quarteto Op. 3 & Suíte Lírica – Quatuor Arditti

Alban Berg (1885-1935): Quarteto Op. 3 & Suíte Lírica – Quatuor Arditti

Alban Berg

Quarteto Op. 3

Suíte Lírica

 

Eu sou basicamente um conservador. Bem, eu quero dizer conservador quando se trata de gosto musical. Expandir meu, digamos assim, repertório, sempre exigiu um certo esforço, mas as recompensas sempre vieram e em abundância. Adoro essa palavra…

Custei muito a incluir as peças de Debussy e Bartók em minha dieta musical, mas hoje não vivo sem elas.

Atualmente tenho tentado navegar por águas um tanto geladas, mapeando os mares shostakovichianos, mas não fui muito além do famosíssimo quinteto para piano e cordas e dos concertos para piano, desde que interpretados pela belíssima Anna Vinnitskaya.

Pois assim, como parte das resoluções de fim de ano, decidi me aventurar mais por águas ainda não navegadas. Porém, antes de grandes arroubos, resolvi visitar algumas das minhas tentativas juvenis que haviam restado indecisas e ataquei de Alban Berg. Como tenho uma queda por quartetos de cordas, busquei na prateleira de baixo, aquela que precisamos abaixar e está mais empoeirada do que as outras, meu disco de Quartetos de Alban Berg.

Então, um álbum com música atonal. Sim, aquela que é impossível assobiar um pedaço depois de ouvi-la. Temeridades à parte, do triunvirato da Segunda Escola de Viena, acho Berg o mais acessível. E olha que o Quarteto Op. 3, obra que abre o disco, é a peça de maior fôlego, criado nesta forma de compor, produzida neste período. Veja o que Schoenberg disse desta peça: ‘Este quarteto surpreendeu-me de maneira mais incrível pela riqueza de sua linguagem e pala ausência de restrições, pelo ímpeto e segurança do discurso, pela sua cuidadosa elaboração e significante originalidade’. A apresentação deste quarteto em Salzburgo em 2 de agosto de 1923, durante um concerto realizado pela Sociedade Internacional de Música Contemporânea foi o primeiro grande sucesso de público de Alban Berg.

A Suíte Lírica é uma peça impressionante. Aqui a temos em sua forma original. O nome foi inspirado pelo nome de uma peça de Alexander Zemlinsky, a Sinfonia Lírica, de 1923. Apesar de atonal, a peça tem suas raízes nas tradições vienenses de quartetos de cordas, especialmente os últimos quartetos de Beethoven e na estrutura do Das Lied von der Erde, de Mahler, obra extremamente significativa do início do século XX. Veja que a peça é composta de seis movimentos.

A obra inicia com um Allegretto gioviale, mas se encaminha para um fim trágico, passando por um Presto delirando e desaguando em um Largo desolato. Pois é, acho que o pouquinho de romantismo que restou em Berg o faz assim, mais acessível aos ouvintes acostumados à música tonal. Vide seu deslumbrante Concerto para Violino. Mas, isto fica para outra ocasião! Quanto a você, fique com o convite de navegar estas águas menos percorridas, se é o seu caso. As recompensas podem ser surpreendentes.

Alban Berg (1885 – 1935)

Quarteto Op. 3

  1. Primeiro movimento
  2. Segundo movimento

Suíte Lírica

  1. Allegro gioviale
  2. Andante amoroso
  3. Allegro misterioso
  4. Adagio appassionato
  5. Presto delirando
  6. Largo desolato

Quatuor Arditti

Irvine Arditti, violino
David Albermann, violino
Levine Andrade, viola
Rohan de Saram, violoncelo

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FLAC | 199 MB

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MP3 | 320 KBPS | 111 MB

O Quatuor Arditti ou Arditti Quartet já não tem esta mesma formação. Aqui está um update dos membros que participaram desta gravação, mas não mais fazem parte do grupo. Página do segundo violino, agora com a grafia David Alberman pode ser acessada aqui.

Levine Andrade, que tocava a viola, faleceu em 2018. Você poderá ler um obituário aqui.

O violoncelista Rohan de Saram continua ativo e você poderá acessar sua página aqui.

A página do Arditti Quartet atual é esta aqui.

Usei Quatuor Arditti no lugar de Arditti Quartet porque o selo do disco da postagem é francês. Você poderá ler aqui uma entrevista com Irvine Arditti e David Alberman, feita por Bruce Duffie.

Há muitas explicações sobre as motivações para a composição da Suíte Lírica, que envolvem uma paixão impossível, motivos musicais construídos por letras dos nomes dos enamorados e um bocado de teoria musical. Você pode saber mais sobre isto aqui, o programa da peça segundo outro excelente conjunto musical. Mas hoje, as honras são para o ousado Quatuor Arditti.

Aproveite!
René Denon

Johannes Brahms (1833-1897) – The Piano Concertos, 4 Ballads, op. 10, Waltz, op. 39, Piano Pieces, opp. 116-119 – CD 1 de 4 Kovacevich, Davis, LSO,

Scan01Repostagem, lá dos primórdios do blog … 

A obra pianística de Brahms apareceu com pouca frequência aqui no PQPBach. Lembro de um cd de Kristian Zimerman, cujo link já desapareceu há muito tempo, e só. Claro que falo das obras para piano solo, não de seus monumentais concertos para piano.
Resolvi então trazer esta caixa com quatro cds da Phillips, com meu pianista favorito para esse repertório, Stephen Kovacevich, gravações estas realizadas entre o final dos anos 60 e início dos anos 80.
Tenho uma relação muito particular com este pianista, foi ele quem me apresentou o Concerto nº2, e sua leitura me cativou imediatamente, e desde então cultivo um carinho muito especial por esta gravação. Infelizmente Kovacevich meio que sumiu dos palcos durante alguns anos, se não me engano por problemas de saúde, mas pelas últimas notícias que li, ele está novamente ativo, realizando performances pelos palcos do mundo inteiro.
O primeiro cd dessa caixa traz o monumental Concerto nº1, em uma versão mais “light”, eu diria, não tão soturna, mais romântica do que e as que estamos acostumados a ouvir. É deslumbrante acompanhar o embate entre piano e orquestra, em um duelo sem vencedores.
Stephen Kovacevich, Colin Davis e a Sinfônica de Londres estão impecáveis, no apogeu de suas carreiras.

01. 01 – Piano Concerto No. 1 in D minor Op. 15_ 1. Maestoso – Poco piu moderato
02. 02 – Piano Concerto No. 1 in D minor Op. 15_ 2. Adagio
03. 03 – Piano Concerto No. 1 in D minor Op. 15_ 3. Rondo. Allegro non troppo
04. Scherzo in E flat minor, Op. 4
05. 4 Ballades, Op. 10_ No. 1 in D minor
06. 4 Ballades, Op. 10_ No. 2 in D major
07. 4 Ballades, Op. 10_ No. 3 in B minor
08. 4 Ballades, Op. 10_ No. 4 in B major

Stephen Kovacevich – Piano
London Symphony Orchestra
Colin Davis – Conductor

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Stephen-Kovacevich_wide
O californiano Stephen Kovacevich é um dos maiores intérpretes da obra de Brahms de sua geração, disso não tenho dúvidas

 

 

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Concertos para piano nos. 17, 23 e 24 – Rubinstein

Não lhes faço mais delongas: apenas completo a série, conforme ontem lhes prometi. Mesmo com a vasta discografia para estes concertos, com solistas e orquestras de todas estirpes, estas gravações de Rubinstein sempre estarão entre as minhas favoritas. Deleitem-se!

Wolfgang Amadeus MOZART (1756-1791)

Concerto para piano no. 17 em Dó maior, K. 453
Cadências: Wolfgang Amadeus Mozart
1 – Allegro
2 – Andante
3 – Allegretto

Concerto para piano no. 23  em Dó maior, K. 488
Cadências: Wolfgang Amadeus Mozart
4 – Allegro
5 – Adagio
6 – Allegro assai

Concerto para piano no. 24 em Dó menor, K. 491*
Cadências: Johann Nepomuk Hummel (1778-1837)
7 – Allegro
8 – Larghetto
9 – Allegretto

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Arthur Rubinstein, piano
RCA Victor Symphony Orchestra
Alfred Wallenstein,
regência
*Josef Krips,
regência

Mural de Rubinstein em sua Łódź natal, por Eduardo Kobra.

Vassily

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Igor Levit – 9 de 9 – BTHVN250

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Igor Levit – 9 de 9 – BTHVN250

 

BTHVN

Op. 109 ◦ Op. 110 ◦ Op. 111

 

 

Após a composição das duas sonatas anteriores, ditas para Hammerklavier, ambas com quatro movimentos, sendo que a segunda delas alcançou todos os limites da forma sonata, estabelecendo novos patamares, o que fazer mais? Como prosseguir daqui? Pois a resposta genial veio com a composição de um conjunto de três sonatas que guardam cada uma delas enorme individualidade. Em um sentido, uma volta à proporções menores, mas com uma renovada liberdade. A palavra que me ocorre sempre que penso nestas três sonatas é transcendência. Nelas Beethoven exercita uma enorme flexibilidade e demonstra ainda uma concentrada dose de criatividade. Resumindo: sublimes.

Duas destas sonatas terminam em variações e uma delas em uma fuga. O lirismo também está presente. Não foram as últimas composições para piano do genial Ludovico, mas com elas ele definitivamente terminou o ciclo de sonatas.

Considero essas três peças indispensáveis e já as ouvi inúmeras vezes, com muitos intérpretes. Mas nunca me canso delas. Gosto muitíssimo das gravações do Kovacevich (Philips e EMI), gosto mais da última gravação (creio que ao vivo) do Brendel para a Philips, da gravação menos conhecida da pianista Inger Södergren, no selo Calliope. As Sonatas Nos. 30 e 31 foram gravadas pelo Emil Gilels na Deutsche Grammophon. Alas, ele não chegou a gravar a última sonata, transcendeu. Mas hoje, o dia é de Igor Levit e espero que você, caso tenha chegado até aqui, desfrute também desta gravação e lembre-se da enorme evolução alcançada por um dos maiores compositores de que temos notícia.

Vivat, vivat Beethoven!!

Desenho feito por August von Klöber

Ludwig van Beethoven (1770-1827)

Sonata para piano No. 30 em mi maior, Op. 109

  1. Vivace ma non troppo
  2. Prestissimo
  3. Gesangvoll, mit innigster Empfindung. Andante molto cantabile ed expressivo

Sonata para piano No. 31 em lá sustenido maior, Op. 110

  1. Moderato cantabile molto expressivo
  2. Allegro molto
  3. Adagio ma non troppo – Fuga. Allegro ma non troppo

Sonata para piano No. 32 em dó menor, Op.111

  1. Maestoso – Allegro com brio ed apassionato
  2. Arietta – Adagio molto semplice e cantabile

Igor Levit, piano

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FLAC | 173 MB

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MP3 | 320 KBPS | 151 MB

Igor adorando os jardins do PQP Bach!

Esta jornada teria sido impossível sem a condução impecável deste notável pianista e cidadão, Igor Levit! Você poderá ler uma curta entrevista com ele aqui.

Aproveite!

René Denon