Ah, a ‘Sonata ao Luar’ … muito romance já se iniciou ao som dessa obra prima, muitos suspiros, muitas emoções. Um amigo me ensinou os primeiros acordes no violão, mas parei por ali. Não tinha a técnica muito apurada para seguir em frente com o desafio. Sempre fui preguiçoso nos estudos.
Provavelmente quem me apresentou a esta obra foi Arthur Rubinstein, naquele antigo programa dominical na Globo chamado ‘Concertos para a Juventude”. Posteriormente adquiri esse LP do Brendel em algum sebo em Curitiba. Não lembro, já se passaram mais de três décadas ou quatro décadas … o tempo passa, o tempo voa. A situação financeira em casa na minha infância não permitia gastos com discos, o dinheiro era contadinho. Eu contava então com a cumplicidade da Rádio local, que tocava música clássica no final da tarde de domingo. Nomes como Wilhelm Kempff, Arthur Rubinstein, Herbert von Karajan, Karl Böhm, o então jovem Maurizio Pollini, Luciano Pavarotti, todos estes nomes estranhos começaram a se tornar familiares graças a estes programas. Creio que muitos de nós devemos muito a estas rádios.
046. Piano Sonata No.12 In A Flat, Op.26-1. Andante Con Variazioni
047. Piano Sonata No.12 In A Flat, Op.26-2. Scherzo (Allegro Molto)
048. Piano Sonata No.12 In A Flat, Op.26-3. Marcia Funebre Sulla Morte D’un Eroe
049. Piano Sonata No.12 In A Flat, Op.26-4. Allegro
050. Piano Sonata No.13 In E Flat, Op.27 No.1-1. Andante-Allegro-Tempo I
051. Piano Sonata No.13 In E Flat, Op.27 No.1-2. Allegro Molto E Vivace
052. Piano Sonata No.13 In E Flat, Op.27 No.1-3. Adagio Con Espressione
053. Piano Sonata No.13 In E Flat, Op.27 No.1-4. Allegro Vivace-Tempo I-Presto
054. Piano Sonata No.14 In C Sharp Minor, Op.27 No.2 -Moonlight-1. Adagio Sostenuto
055. Piano Sonata No.14 In C Sharp Minor, Op.27 No.2 -Moonlight-2. Allegretto
056. Piano Sonata No.14 In C Sharp Minor, Op.27 No.2 -Moonlight-3. Presto
057. Piano Sonata No.19 In G Minor, Op.49 No.1-1. Andante
058. Piano Sonata No.19 In G Minor, Op.49 No.1-2. Rondo (Allegro)
Disso, e de muito mais, chamaram a delicada Op. 60, porque acharam que ela fora menos, e muito menor, do que esperavam duma sinfonia de Beethoven que viesse em seguida do portento da “Eroica”. A posteridade, por já conhecer a sinfonia seguinte, a impetuosa joia em Dó menor, considerou a Quarta uma obra menor, um bombom, uma bagatela entre duas obras de fôlego. A comparação atribuída a Schumann (“uma donzela grega entre dois gigantes nórdicos”) não contribuiu, infelizmente, para lhe melhorar a reputação entre um público a que, pelo jeito, apetecessem mais os colossos. Uma pena: essa sinfonia é um primor de concisão, um exercício radical de economia de meios que não tem tempo para, como sua predecessora, se deter em fugatos, e flui inexoravelmente, com um pulso crescente que se faz sentir inclusive em seu movimento lento, e até o moto perpétuo final. Se lhe tivessem ao menos arranjado um apelido grudento como “Sinfonia Solar” ou “a Radiante”, talvez ela fosse ouvida como merece. No entanto, como nem os editores se impressionaram com essa joia, e o próprio compositor perdeu-se no seu propósito, prometendo-a para um dedicatário, mas estreando-a pela orquestra dum outro, em mais um atrapalhado pregão de produtos beethovenianos, acabou por faltar-lhe uma alcunha à altura. “Pequena Notável”? Chamemo-la assim, e que alguma entre a dúzia de gravações que lhes alcanço a seguir possa fazer os leitores-ouvintes lhe darem o devido valor.
Sinfonia no. 4 em Si bemol maior, Op. 60 Composta em 1806 Publicada em 1812 Dedicada ao conde Franz von Oppersdorff
Aqui, só alegrias. Dois quartetos da época classicista de Beethoven e o último, quando ele já estava transformando o romantismo em algo muito pessoal. O Op. 18, publicado em 1801, são dois livros de três quartetos cada. São os primeiros seis quartetos de cordas de Beethoven. Eles foram compostos entre 1798 e 1800 por encomenda do príncipe Joseph Franz Maximilian Lobkowitz, que era o empregador de um amigo de Beethoven, o violinista Karl Amenda. Pensa-se que demonstrem seu domínio total do quarteto de cordas clássico desenvolvido por Joseph Haydn e Wolfgang Amadeus Mozart. Já o Op. 135 foi escrito em outubro de 1826 e foi o último grande trabalho que ele completou, o último dos últimos quartetos e a última grande obra de Beethoven. O 135 foi estreado pelo quarteto Schuppanzigh em março de 1828, um ano após a morte do compositor. O trabalho é menor em tempo do que os outros quartetos tardios. Sob os acordes lentos introdutórios do último movimento, Beethoven escreveu no manuscrito “Muß es sein?” (Deve ser?) Ao qual ele responde, com o tema principal mais rápido do movimento, “Es muß sein ” (Deve ser!). Todo o movimento é intitulado ” Der schwer gefaßte Entschluß ” (“A decisão difícil”).
Ludwig van Beethoven (1770-1827): Quartetos Nº 4, Op. 18, Nº 5, Op. 18 e Nº 16, Op. 135
Ludwig van Beethoven (1770 – 1827): Beethoven: String Quartet No. 4 in C Minor, Op. 18 No. 4:
1 Beethoven: String Quartet No. 4 in C Minor, Op. 18 No. 4: I. Allegro ma non tanto
2 Beethoven: String Quartet No. 4 in C Minor, Op. 18 No. 4: II. Scherzo (Andante scherzoso quasi allegretto)
3 Beethoven: String Quartet No. 4 in C Minor, Op. 18 No. 4: III. Menuetto (Allegretto)
4 Beethoven: String Quartet No. 4 in C Minor, Op. 18 No. 4: IV. Allegro
Beethoven: String Quartet No. 5 in A Major, Op. 18 No. 5:
5 Beethoven: String Quartet No. 5 in A Major, Op. 18 No. 5: I. Allegro
6 Beethoven: String Quartet No. 5 in A Major, Op. 18 No. 5: II. Menuetto
7 Beethoven: String Quartet No. 5 in A Major, Op. 18 No. 5: III. Andante cantabile
8 Beethoven: String Quartet No. 5 in A Major, Op. 18 No. 5: IV. Allegro
Beethoven: String Quartet No. 16 in F Major, Op. 135:
9 Beethoven: String Quartet No. 16 in F Major, Op. 135: I. Allegretto
10 Beethoven: String Quartet No. 16 in F Major, Op. 135: II. Vivace
11 Beethoven: String Quartet No. 16 in F Major, Op. 135: III. Lento assai, cantate et tranquillo
12 Beethoven: String Quartet No. 16 in F Major, Op. 135: IV. Grave ma non troppo tratto – Allegro
Quatuor Ébène:
Pierre Colombet, violin
Gabriel Le Magadure, violin
Marie Chilemme, viola
Raphaël Merlin, violoncelo
A gente nunca esquece da primeira ‘Patética’, né? Claro que falo da Sonata de Beethoven, mas também poderia estar falando da famosa Sinfonia de Tchaikovsky, com a qual também tenho uma relação muito forte, porém isso é papo para outra ocasião.
BEETHOVEN com letra maiúscula, coisa de gênio essa sonata, não acham? E a cara do Brendel aí na foto diz tudo: o que vocês acharam? Sim, poderia ter sido mais intensa, mas acho que ficou boa.
Divirtam-se, pois vem bem mais por aí.
033. Piano Sonata No.8 In C Minor, Op.13 -Pathétique-1. Grave-Allegro Di Molto E Con Brio
034. Piano Sonata No.8 In C Minor, Op.13 -Pathétique-2. Adagio Cantabile0
035. Piano Sonata No.8 In C Minor, Op.13 -Pathétique-3. Rondo (Allegro)
036. Piano Sonata No. 9 in E Major, Op. 14 No. 1-1. Allegro
037. Piano Sonata No.9 In E, Op.14 No.1-2. Allegretto
038. Piano Sonata No.9 In E, Op.14 No.1-3. Rondo (Allegro Comodo)
039. Piano Sonata No.10 In G, Op.14 No.2-1. Allegro
040. Piano Sonata No.10 In G, Op.14 No.2-2. Andante
041. Piano Sonata No.10 In G, Op.14 No.2-3. Scherzo (Allegro Assai)
042. Piano Sonata No.11 In B Flat, Op.22-1. Allegro Con Brio
043. Piano Sonata No.11 In B Flat, Op.22-2. Adagio Con Molto Espressione
044. Piano Sonata No.11 In B Flat, Op.22-3. Menuetto
045. Piano Sonata No.11 In B Flat, Op.22-4. Rondo (Allegretto)
Acho que é a história natural do melômano: começas pelo que te é mais próximo, e depois expandes teus horizontes (ou não). Eu, que comecei torturando a família com um piano velho em casa, derretia em gozo com a literatura pianística que escutava na rádio e reescutava em fitas cassete (googleiem, garotada!) que da rádio gravava, e com o que conseguia nas esporádicas compras na loja de Shylock Simpson (porque minha adolescência, ahimè!, foi em cruzados). Enquanto isso, calculava a quantidade de encarnações que levaria para coordenar meus incapazes dedos a ponto de tocar aquela segunda Rapsódia Húngara de Liszt como Horowitz, ou desembrutecê-los a ponto fazer o piano cantar em pianíssimo com acompanhamento em pianissíssimo como Rubinstein fazia nos noturnos de Chopin.
Esse inexorável círculo vicioso de incompetência e frustração ao teclado, que foi de modo inapelável sepultado quando fui buscar uma profissão menos frustrante (no que também fracassei), abriu-me ao menos a porteira do conhecimento da música para piano e, posteriormente, para música COM piano – fosse em duos ou em conjuntos de câmara, e daí para a música de câmara e suas diversas combinações de instrumentos. Havia, no entanto, uma fronteira – aquela que não conseguia transpor de JEITO MANEIRA, a dos quartetos de cordas.
Por mais que tentasse, não conseguia escutá-los. Cheguei a pensar que fossem um gosto adquirido, feito chimarrão, dobradinha ou hákarl, mas não adiantava: não os compreendia. Aquelas cordas, que pareciam fanhosas ou estridentes se comparadas aos seus ricos naipes em orquestra, não me pareciam capazes de agradar. E já desistira do caso quando, na rádio, ouvi uma música irresistivelmente ebuliente. Contei suas partes: um violino, dois violinos, um violoncelo e uma viola. Eureka – um quarteto de cordas que me agradou! E não só isso, me deixou embevecido com sua energia maníaca e encerramento furioso – fui conferir, e o locutor me contou que aquele era o finale do Razumovsky no. 3, exatamente na primeira das gravações que lhes apresento agora.
Corri à loja, não à de Shylock Simpson, porque era careiro e cobrava em dólares, e ademais já quase não tinha mais lanches a sacrificar por gravações naquele mês. Meu destino era uma salinha subterrânea onde uma doce senhorinha, com a voz da Marge Simpson (talvez fosse parente de Shylock) e apropriadamente chamada Margarida, recebia-me com afeto e cafezinhos. Para lá me atirei porque lembrava-me de ter visto uma caixa de CDs com o nome de Beethoven e alguns cavalheiros japoneses a brandirem seus instrumentos. Acertei: era o Tokyo String Quartet, eles tocavam os Razumovsky e aquela caixa (saudades, RCA Victor Red Seal!) estava ao alcance de meu famélico orçamento.
Eu, que sempre temi que o feixe de laser do que chamada “toca-discos laser” acabasse por furar o CD, convenci-me do contrário, porque passei horas e dias a ouvir aquele fugato em loop e o CD aqui ainda está, tanto que eu o ripei para compartilhar com vocês. Depois de calejar os tímpanos com aquele movimento, aventurei-me nas outras faixas, enquanto aprendia que aqueles quartetos tinham o nome do embaixador russo, que para o agrado do tal Razumovsky tinham cada qual um tema russo (explícito em títulos de movimentos nos dois primeiros, e supostamente embutido no Andantino do terceiro), e que eram possivelmente os quartetos mais sinfônicos escritos até então – razão, talvez, deles terem me fisgado.
Adorei-os por muito tempo e, mesmo vindo a conhecer outras gravações, sempre guardei a melhor memória possível da leitura do Tokyo String Quartet. Bem mais tarde, quando eu já era um barbudo a pagar meus próprios boletos, veio à luz uma nova gravação dos mesmos quartetos com o mesmo conjunto, parcialmente renovado, e com dois daqueles cavalheiros nipônicos já bastante grisalhos. Um tanto cabreiro, gerei mais um boleto e levei-os para casa. Tudo muito diferente, melhor trabalhado, ataques menos agressivos, vibratos menos pungentes. Gostei tanto que, na dúvida entre qual das gravações eu lhes ofereceria, resolvi oferecer as duas, para que possam compará-las e que me façam saber o que acharam delas.
E o que acho hoje dos Razumovsky? Continuo a apreciá-los, e aquele fugato segue firme em minha lista de movimentos irresistíveis, mas hoje escuto mais os últimos quartetos de Beethoven. Talvez sejam meus próprios grisalhos – ou, então, seja a história natural do melômano.
Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Três quartetos para dois violinos, viola e violoncelo, Op. 59, “Razumovsky” Compostos em 1806 Publicados em 1808 Dedicados ao conde Andrei Kirillovich Razumovsky
No. 1 em Fá maior
1 – Allegro
2 – Allegretto vivace e sempre scherzando
3 – Adagio molto e mesto – attacca
4 – “Thème Russe”: Allegro
No. 2 em Mi menor
5 – Allegro
6 – Molto adagio (si tratta questo pezzo con molto di sentimento)
7 – Allegretto – Maggiore: Thème russe
8 – Finale. Presto
No. 3 em Dó maior
9 – Andante con moto – Allegro vivace
10 – Andante con moto quasi allegretto
11 – Menuetto (Grazioso)
12 – Allegro molto
Mais um ótimo CD desta série, este com quartetos das fases inicial e “middle” de Beethoven. Para este concerto em Melbourne, foram escolhidas três obras bastante contrastantes que permitiram ao quarteto explorar a notável amplitude e profundidade da escrita para cordas de Beethoven. No Op. 18, nº 2, há notável energia em todos os detalhes da música. Os episódios contrastantes do segundo movimento receberam bastante acentuados pelo primeiro violino, Pierre Colombet, enquanto a jocosidade haydniana do final foi perfeitamente realizada, com um toque esplêndido do violoncelista Raphaël Merlin.
O Op. 95, conhecido como “Serioso” tem uma arquitetura incomum. Destaca-se a ferocidade da abertura e a mudança de humor do final e seu fim abrupto foram muito bem trabalhados.
Para finalizar, temos o conhecido e amado Quarteto “Harp”, Op. 74. Numa palavra: o Ébène nos dá uma soberba execução desta linda peça.
Ludwig van Beethoven (1770-1827): Quartetos Nº 2, Op. 18, Nº 2, Nº 11, Op. 95 e Nº 10, Op. 74
Ludwig van Beethoven (1770 – 1827): Beethoven: String Quartet No. 2 in G Major, Op. 18 No. 2:
1 Beethoven: String Quartet No. 2 in G Major, Op. 18 No. 2: I. Allegro
2 Beethoven: String Quartet No. 2 in G Major, Op. 18 No. 2: II. Adagio cantabile – Allegro – Tempo I
3 Beethoven: String Quartet No. 2 in G Major, Op. 18 No. 2: III. Scherzo (Allegro)
4 Beethoven: String Quartet No. 2 in G Major, Op. 18 No. 2: IV. Allegro molto, quasi presto
Beethoven: String Quartet No. 11 in F Minor, Op. 95, “Quartetto serioso”:
5 Beethoven: String Quartet No. 11 in F Minor, Op. 95, “Quartetto serioso”: I. Allegro con brio
6 Beethoven: String Quartet No. 11 in F Minor, Op. 95, “Quartetto serioso”: II. Allegretto ma non troppo
7 Beethoven: String Quartet No. 11 in F Minor, Op. 95, “Quartetto serioso”: III. Allegro assai vivace, ma serioso
8 Beethoven: String Quartet No. 11 in F Minor, Op. 95, “Quartetto serioso”: IV. Larghetto espressivo – Allegretto agitato – Allegro
Beethoven: String Quartet No. 10 in E-Flat Major, Op. 74, “Harp”:
9 Beethoven: String Quartet No. 10 in E-Flat Major, Op. 74, “Harp”: I. Poco adagio – Allegro
10 Beethoven: String Quartet No. 10 in E-Flat Major, Op. 74, “Harp”: II. Adagio ma non troppo
11 Beethoven: String Quartet No. 10 in E-Flat Major, Op. 74, “Harp”: III. Presto
12 Beethoven: String Quartet No. 10 in E-Flat Major, Op. 74, “Harp”: IV. Allegretto con variazioni
Quatuor Ébène:
Pierre Colombet, violin
Gabriel Le Magadure, violin
Marie Chilemme, viola
Raphaël Merlin, violoncelo
“At present this is the only available set of Beethoven’s piano concertos on period instruments, although others are in progress. The lean sound of the small ensemble enables you to clearly hear countless details that are obscured on even the best modern orchestra recordings. Steven Lubin’s performances, and the different instruments he uses, are carefully attuned to the qualities of each individual concerto. His performances are triumphs of insight and expressiveness, and Hogwood makes sure the orchestra stays with him in every detail. My only major complaint about this set is that the wasted space on the third disc, which contains only the Emperor Concerto, should have been used for more Beethoven.” –Leslie Gerber
O comentário acima é do então editor da amazon.com quando do lançamento dessa caixa, que traz os Cinco Concertos de Beethoven interpretados em instrumentos de época. Claro que desde então diversas outras gravações foram lançadas. Talvez pela novidade, seja a que mais gosto. Novidade pelo fato de que foi o meu primeiro contato com estas obras interpretadas desta forma. Era algo totalmente diferente do que tinha ouvido até então: grande orquestra, piano de cauda novinho em folha, a massa orquestral encobrindo os detalhes da obra, como bem salientado acima.
O som baixo do pianoforte pode ser um problema para quem não está acostumado. Claro que é uma questão de educar os ouvidos.
Disc: 1
1. Piano Concerto No.1 in C: I Allegro con brio
2. Piano Concerto No.1 in C: II Largo
3. Piano Concerto No.1 in C: III Rondo: Allegro
4. Piano Concerto No.2 in B flat: I Allegro con brio
5. Piano Concerto No.2 in B flat: II Adagio
6. Piano Concerto No.2 in B flat: III Rondo: Molto allegro
Disc: 2
1. Piano Concerto No.3 in c: I Allegro con brio
2. Piano Concerto No.3 in c: II Largo
3.Piano Concerto No.3 in c: III Rondo: Allegro
4. Piano Concerto No.4 in G: I Allegro moderato
5. Piano Concerto No.4 in G: II Andante con moto
6. Piano Concerto No.4 in G: III Rondo: Vivace
Disc: 3
1. Piano Concerto No.5 in E flat: I Allegro
2. Piano Concerto No.5 in E flat: II Adagio un poco mosso
3. Piano Concerto No.5 in E flat: III Rondo: Allegro
Steven Lubin – Pianoforte
The Academy of Ancient Music
Christopher Hogwood – Conductor
Prometo que é a última postagem com o Op. 58 que eu tanto amo (enquanto também prometo que é minha última declaração de amor a ele), mas eu simplesmente não poderia seguir adiante nesta série sem mencionar as interpretações dessa obra a nós legadas pela inesquecível Guiomar Novaes (1894-1979). Não cogitara publicá-las aqui, pois elas já tinham sido escopo de duas postagens, uma do monge Ranulfus, outra do patrão PQP. Verifiquei, entretanto, que elas já não levavam a qualquer arquivo funcionante, de modo que resolvi restaurá-las e, de lambujem, publicar outras duas versões da genial Narizinho, ambas gravadasvivo em New York, e que vieram a público depois das postagens dos colegas: com a Filarmônica local sob George Szell, e com a American Symphony Orchestra (cria de Leopold Stokowski) sob André Previn. Ranulfus comentou o quão impressionante é que uma mesma pianista consiga dar interpretações tão distintas e consistentemente magníficas de uma obra tão rica, o que reitero, em dobro, depois de ouvir os registros de Guiomar ao vivo, ambos com a mesma precisão e expressividade das gravações vienenses e com uma verve que, sinceramente, não ouvi em qualquer das versões em estúdio. Escutem e ardam em brasas de dor ao perceberem o quanto Guiomar nos faz falta!
Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Concerto para piano e orquestra no. 4 em Sol maior, Op. 58 Composto entre 1804-1807 Publicado em 1808 Dedicado ao arquiduque Rudolph da Áustria
Fazia muito tempo que o PQP Bach não postava algo tão divertido como este Il Fasolo? Houve um tempo em que a EMI lançava a coleção REFLEXE, que tenho em discos de vinil. A REFLEXE consistia em uma sucessão de obras-primas — sublimes ou divertidas. Com o tempo, o pessoal da música antiga foi ficando mais sisudo, obscuro e impopular. Parece que a academia, com seu sem-gracismo, tinha tomado conta do campinho. Agora, a maravilhosa gravadora Alpha tem aparecido com uma série de discos que resgatam a alegria e a espontaneidade das ruas. Este Il Fasolo? é uma espetacular surpresa. Ouçam e comprovem.
Il Fasolo? — Música Italiana de Carnaval no Século XVII
1. La Barchetta passaggiera, bergamasca
2. Lamento di Madama Lucia, con la riposta di Cola
3. Chi non sà come amor, for voice & continuo
4. Son ruinato, appassionato
5. Sguardo lusinghiero, canzonetta
6. O dolorosa sorte, madrigal
7. Aria alla napolitana, jacarà
8. Serenata in lingua lombarda che fa Madonna Gola, à Messir Carnevale: Primo Interlocutore
9. Serenata in lingua lombarda che fa Madonna Gola, à Messir Carnevale: Madonna Gola
10. Serenata in lingua lombarda che fa Madonna Gola, à Messir Carnevale: Baccho
11. Serenata in lingua lombarda che fa Madonna Gola, à Messir Carnevale: Primo Interlocutore
12. Serenata in lingua lombarda che fa Madonna Gola, à Messir Carnevale: Choro: Mentre per bizzaria
13. Serenata in lingua lombarda che fa Madonna Gola, à Messir Carnevale: Ballo di trè Zoppi
14. Serenata in lingua lombarda che fa Madonna Gola, à Messir Carnevale: Sguazzata di Colasone
15. Serenata in lingua lombarda che fa Madonna Gola, à Messir Carnevale: Non pensar Clori crudel
16. Serenata in lingua lombarda che fa Madonna Gola, à Messir Carnevale: Morescha de Schiavi
17. Acceso mio core, ciaccona
Mais um baita disco. Vou ter que procurar sinônimos para meus elogios a fim de não cansar vocês, meus tesouros. O Ébène é sensacional e as obras… O que dizer? O Razumovsky Nº 3 era o quarteto de Beethoven preferido de meu pai. É lindo mesmo. O que são o segundo e quarto movimentos? E o Op. 130, ainda acompanhado pela Grosse fuge da qual jamais deveria ter se separado? Um disco incrível. O Op. 130 foi estreado lançado em março de 1826 pelo Quarteto Schuppanzigh e dedicado a Nikolai Galitzin em sua publicação em 1827, ano da morte de Beethoven.
Ludwig van Beethoven (1770-1827): Quartetos Nros. 9, Op. 59, Nº 3, 13. Op. 130 e Grosse fuge Op. 133
1. Beethoven: String Quartet No. 9 in C Major, Op. 59 No. 3, “Razumovsky”: I. Introduzione (Andante con moto – Allegro vivace) (11:15)
2. Beethoven: String Quartet No. 9 in C Major, Op. 59 No. 3, “Razumovsky”: II. Andante con moto quasi allegretto (9:26)
3. Beethoven: String Quartet No. 9 in C Major, Op. 59 No. 3, “Razumovsky”: III. Minuet. Grazioso – Trio (5:16)
4. Beethoven: String Quartet No. 9 in C Major, Op. 59 No. 3, “Razumovsky”: IV. Allegro molto (5:49)
5. Beethoven: String Quartet No. 13 in B-Flat Major, Op. 130: I. Adagio ma non troppo – Allegro (13:33)
6. Beethoven: String Quartet No. 13 in B-Flat Major, Op. 130: II. Presto (1:53)
7. Beethoven: String Quartet No. 13 in B-Flat Major, Op. 130: III. Andante con moto, ma non troppo. Poco scherzando (7:02)
8. Beethoven: String Quartet No. 13 in B-Flat Major, Op. 130: IV. Alla danza tedesca (Allegro assai) (3:12)
9. Beethoven: String Quartet No. 13 in B-Flat Major, Op. 130: V. Cavatina (Adagio molto espressivo) (8:37)
10. Beethoven: Grosse fuge in B-Flat Major, Op. 133 (16:21)
Quatuor Ébène:
Pierre Colombet, violin
Gabriel Le Magadure, violin
Marie Chilemme, viola
Raphaël Merlin, violoncelo
O primeiro disco de Konstantin Lifschitz que ouvi foi seu álbum de estreia, que trazia uma coleção de obras. Começando com a maravilhosa Abertura Francesa de Bach, prosseguia até peças de Scriabin e Medtner, passando por Papillons, de Schumann. O disco do selo Denon de 1994 foi seguido por um outro, gravado em junho de 1994 no Conservatório de Moscou com as Variações Goldberg, firmando assim as credenciais do jovem pianista como grande intérprete de Bach. Depois, silêncio… Não mais ouvi do Konstantin.
O primeiro CD há muito desapareceu de minhas prateleiras (ah, os amigos…), mas o outro, com as Variações do velho Bach, vez e outra frequenta minha vitrola.
Pois eis que chegou pela mala direta do PQP Bach recentemente uma penca de discos do Lifschitz tocando Bach. Ele então está aí, bem ativo. Inclusive, percebi que há uma integral das sonatas para piano do grande Ludovico, gravada ao vivo por ele. Mas isso vou deixar guardado, pois que tempo é largo, mas é finito.
Como queria logo dividir com os caros e insaciáveis seguidores do blog alguma coisa deste excelente pianista, escolhi da penca este que me pareceu muito apetitoso. E gostei tanto que tenho ouvido o mesmo, inteiro quando tempo permite, aos trechinhos quando o tempo escasseia. E é que mesmo com a quarentena e o enfurnamento, há coisas a serem feitas.
O que temos aqui? Um arranjo feito para piano da Oferenda Musical, que todo o mundo sabe (quem não sabe pode começar clicando aqui…) é resultado de uma longa e cansativa viagem que o velho Bach fez até Sanssouci, Potsdam, para pagar uma visita a Frederico, o Grande, e também ver seu filho Carl Philipp Emanuel. O monarca, que era cheio de truques e adorava colocar seus visitantes em uma saia justa (se bem que, no caso de Bach, seria uma peruca justa), desafiou Johann Sebastian a compor uma peça que nem o cão chupando manga conseguiria. Mas vai mexer com quem está quieto. Ouça o Ricercar a 6, na faixa 11 deste disco e começarás a entender o tamanho dos poderes do ‘maior de todos’.
Konstantin Lifschitz ainda acrescenta ao disco o Prelúdio e Fuga em mi bemol maior, BWV 552, apelidado ‘Santa Ana’, escrito originalmente para órgão. Os minutos finais, da fuga, são de tirar o folego. E assim, para baixar a adrenalina e lançar um olhar ao que aconteceu antes de Bach, ele completa o recital com três lindas tocatas de Frescobaldi. Ouçam e me contem vocês!
Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)
Oferenda Musical, BWV 1079 (arranjada para piano por K Lifschitz)
Ricercar a 3
Canon perpetuus super Thema Regium
Canon 1. a 2_ Canon cancrizans
Canon 2. a 2 Violini in uníssono
Canon 3. a 2 per Motum contrarium
Canon 4. a 2 per Augmentationem, contrario Motu
Canon 5. a 2_ Canon circularis per Tonos
Fuga canonica in Epidiapente
Canon a 2 Querendo invenietis
Canon perpetuus
Ricercar a 6
Canon a 4
Triosonate_ Largo
Triosonate_ Allegro
Triosonarte_ Andante
Triosonarte_ Allegro
Prelúdio e Fuga em mi bemol maior, BWV 552 ‘Santa Ana’
Prelúdio
Fuga
Girolamo Frescobaldi (1583 – 1643)
Toccata prima do ‘Primo libro d’Intavolatura di toccate di címbalo et organo’
Toccata quinta do ‘Secondo libro de toccate, canzone… di cembalo et organo’
Toccata seconda do ‘Secondo libro de toccate, canzone… di cembalo et organo’
Não é todo dia que se ouve uma estreia mundial de algo de Beethoven, nem que seja a reinvenção de algo que bem conhecemos e, como é o meu caso – porque eu ainda não declarei a vocês hoje meu amor a esse concerto! -, que também amamos.
Trata-se dum arranjo para piano e quinteto de cordas do próprio Beethoven para seu concerto Op. 58. A obra foi um imenso sucesso, de modo que era natural que fosse rapidamente adaptado a formações de câmara e publicado para vendas ao público, como era praxe da época para a divulgação de composições bem-sucedidas. O arranjo, no entanto, parece não ter sido destinado às prensas, e sim encomendado pelo príncipe Lobkowitz, mecenas de Ludwig, em cuja residência o concerto tivera sua estreia privada, alguns anos antes. Os originais, em estado deplorável, quase ilegíveis pela caligrafia e desorganização medonhas do compositor, serviram de base para a reconstrução que aqui escutarão. Habilmente realizada pelo musicólogo Hans-Werner Küthen e descrita com detalhes no encarte desta gravação, ela mostra que Beethoven não se limitou somente a dividir as partes da orquestra entre as cordas. Ele foi bastante além, e reescreveu trechos consideráveis da parte do piano, tornando-a mais complexa que a original e dando ao instrumento uma proeminência que não tem no concerto, que é notório pelo admirável equilibrio entre solista e orquestra. Para os que conhecem bem a obra, é divertido perceber as alterações, mais notáveis no primeiro movimento, e muito estimulante ouvir o que Robert Levin, também distinto musicólogo, numa leitura surpreendentemente anabólica do ademais sereno concerto, para o qual escreveu suas próprias cadenze. Completa a gravação o trio para piano, violino e violoncelo baseado na sinfonia no. 2, que vocês já ouviram numa versão bastante camerística, e que sob Levin e seus talentosos comparsas soa tremendamente sinfônica.
Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Concerto para piano e orquestra no. 4 em Sol maior, Op. 58 Arranjo para piano e quinteto de cordas do próprio compositor
Reconstruído por Hans-Werner Küthen Cadenze de Robert Levin
Original composto entre 1804-1807 Publicado em 1808 Dedicado ao arquiduque Rudolph da Áustria
Robert Levin, piano Lucy Howard e Peter Hanson, violinos Anette Isserlis e Alan George, violas David Watkin, violoncelo
Sinfonia no. 2 em Ré maior, Op. 36 (arranjo para piano, violino e violoncelo pelo próprio compositor) Composta entre 1801-02 Arranjo para trio publicado em 1803 Dedicada ao príncipe Karl von Lichnowsky
4 – Adagio molto – Allegro con brio
5 – Larghetto quasi andante
6 – Scherzo: Allegro
7 – Allegro molto
Robert Levin, piano Peter Hanson, violino David Watkin, violoncelo
Mais um maravilhoso CD desta série do Ébène, desta vez advindo de um registro colhido na querida Sala São Paulo. Da ultra sofisticada série de últimos quartetos de Beethoven, o Op. 127 é aquele de que menos gosto. Ele foi concluído em 1825 e é o primeiro dos quartetos tardios. Mas gosto demais do Op. 18, Nº 6, uma peça com o toque de Haydn. O primeiro movimento é poderoso, o Scherzo é surpreendente com suas alterações rítmicas e interrupções (o que ocorre também no movimento inicial). A introdução lenta do quarto movimento, ‘La Malinconia’, é cheia de mudanças ousadas de harmonia e textura. É uma das passagens mais famosas do Beethoven inicial e ele pede que seja tocada com a maior delicadeza. Um discaço! O que dizer o Quarteto Ébène? Olha, são estupendos!
Ludwig van Beethoven (1770-1827): Quartetos Nros. 6, Op. 18 & 12, Op. 127 (Ébène)
1 String Quartet No. 6 in B-Flat Major, Op. 18 No. 6: I. Allegro con brio 6:24
2 String Quartet No. 6 in B-Flat Major, Op. 18 No. 6: II. Adagio ma non troppo 8:16
3 String Quartet No. 6 in B-Flat Major, Op. 18 No. 6: III. Scherzo (Allegro) 3:27
4 String Quartet No. 6 in B-Flat Major, Op. 18 No. 6: IV. La Malinconia 9:16
5 String Quartet No. 12 in E-Flat Major, Op. 127: I. Maestoso – Allegro 7:16
6 String Quartet No. 12 in E-Flat Major, Op. 127: II. Adagio ma non troppo e molto cantabile 17:01
7 String Quartet No. 12 in E-Flat Major, Op. 127: III. Scherzando vivace 8:22
8 String Quartet No. 12 in E-Flat Major, Op. 127: IV. Finale (Allegro) 6:51
Quatuor Ébène:
Pierre Colombet, violin
Gabriel Le Magadure, violin
Marie Chilemme, viola
Raphaël Merlin, violoncello
Assim como azeitonas, alcachofras e, mais essencialmente e problemáticas, anchovas, a voz de Patricia Petibon é um gosto adquirido. Ela é uma coloratura alta (até E-flat), sua técnica é formidável, capaz de ter grande floridez e controle da respiração muito fina, ela canta principalmente sem vibrato, e o tom pode ser tão brilhante como diamante que pode irritar, embora em momentos dramáticos mais escuros, ela pode moderar o brilho. Ela se envolve completamente no que está cantando e, por isso, é muito comovente – a tristeza e o desespero de Jonathan em David et Jonathas, de Charpentier, são impressionantes, assim como a raiva lunática de Armide pela ópera de Lully (o que ela faz com a palavra “hate” é digno de Callas como Medéia). Todos os trechos de Rameau são habilmente manipulados, do silvestre ao bélico e vice-versa.
Ela também se diverte com a frivolidade e virtuosismo da obra quase inteiramente desconhecida de 15 minutos de Grandval (1676-1753), na qual o cantor tenta agradar sua platéia chamando por todos os vários estilos e temas de música de seu tempo: uma queixa de Orfeu, hinos a Baco, canções de amor fofas, árias de vingança, evocações para o inferno, um apelo a Netuno, um grito de guerra e assim por diante, tudo feito com paixão. A peça é um tour-de-force de mudança de humor – quase psicose, de fato – e Petibon me parece ser o único intérprete que eu quero ouvir cantar. Ela pode ser incrivelmente sedutora, lançando notas altas ou arrulhando como uma pomba. Ela deve ser dinamite no palco.
A maioria das músicas deste CD é rara e é quase o suficiente para querer ouvir, principalmente se o barroco francês é a sua xícara de chá. É maravilhosamente tocado por um grupo chamado Les Folies Françoises, liderado por Patrick Cohen-Akenine, com os sopros importantes presentes e tocados de maneira deslumbrante (os oboés amadeirados no primeiro número de Platee, o fagote em uma ária de Les fetes d’Hymen ), o cravo audível e comentando a voz o tempo todo, as cordas atacadas com verve, as trombetas e tambores nos trazendo de pé. Tente isso, você pode gostar. De fato, você pode adorar. – Robert Levine
Patricia Petibon – Airs baroques français Jean-Philippe Rameau (França, 1683-1764) 01. “Platée” (1749) – Air de Clarine: Soleil, fuis de ces lieux” 02. “Les fêtes de l’Hymen et de l’Amour” (1747) – Ariette de l’Amour: “Volez, plaisirs, célébrez ce beau jour 03. “Les fêtes de l’Hymen et de l’Amour” (1747) – “Entrée des Égyptien 04. “Les fêtes de l’Hymen et de l’Amour” (1747) – Ariette de l’Égyptienne: “L’amant que j’adore” 05. “Les fêtes de l’Hymen et de l’Amour” (1747) – Ariette de l’Égyptienne: “Amour, lance tes traits” 06. “Platée” – Air de la Folie: “Formons les plus brillants concerts… Aux langueurs d’Apollon” Marc-Antoine Charpentier (France, 1643-1704) 07. “David et Jonathas” (1688) – Jonathas: “A-t-on jamais souffert une plus rude peine?” Jean-Baptiste Lully (Italy, 1632-France, 1687) 08. Lully, “Armide” (1686) – Prélude. Armide: “Enfin, il est en ma puissance” 09. “Armide” – Armide: “Le perfide Renaud me fuit” Jean-Philippe Rameau (França, 1683-1764) 10. “Les Indes Galantes” (1735) – Air de Phani: “Viens, hymen” 11. “Les Indes Galantes” – Air de Zima: “Régnez, plaisirs et jeux” 12. “Les Indes Galantes” – Chaconne Nicolas Racot de Grandval (França, 1676-1753) 13 Rien du tout (1755), pour soprano, simphonie et basse continue
Por gentileza, quando tiver problemas para descompactar arquivos com mais de 256 caracteres, para Windows, tente o 7-ZIP, em https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ e para Mac, tente o Keka, em http://www.kekaosx.com/pt/, para descompactar, ambos gratuitos.
If you have trouble unzipping files longer than 256 characters, for Windows, please try 7-ZIP, at https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ and for Mac, try Keka, at http://www.kekaosx.com/, to unzip, both at no cost.
Tanto tempo despendi em lhes falar que amo esse concerto – falei de novo! – que acabei sem lhes falar DO concerto em si. Pois ele foi composto com a intenção de, como todos seus pares, servir de veículo para o próprio compositor, que ainda era, com folgas, o melhor pianista de Viena. Ele teve duas estreias, em farta companhia musical: uma privada, na qual também estrearam a abertura “Coriolan” e a sinfonia no. 4, e uma pública, um concerto leviatânico com orquestra, coro e o compositor-pianista, que também incluiu partes da missa em Dó e nada menos que as premières das sinfonias nos. 5 e 6, da ária Ah, perfido! e da Fantasia Coral, o grand finale que reunia todas as forças usadas nas quatro horas de música. A bilheteria reverteria integralmente para o compositor, que foi financiado por seus mecenas para o aluguel do teatro e os cachês dos muitos músicos. Provavelmente lhe rendeu um bom dinheiro, mas a recepção foi morna, tanto porque estava congelantemente frio no teatro, quanto porque algumas peças tinham sido pouco ensaiadas, e também, de acordo com os relatos, a superdose de tão poderosa música tornava difícil apreciá-la criticamente. De qualquer forma, o concerto também marcou a despedida de Beethoven como solista – quando da estreia do concerto no. 5, três anos depois, sua surdez estava tão profunda que a parte de piano teve que ser delegada a outrem.
Sempre que escuto John O’Conor tocando Beethoven de modo tão distinto e convincente, fico a imaginar se o próprio Beethoven não se reconheceria no estilo do irlandês: enérgico e expressivo, cantante sempre que necessário, com certas liberdades agógicas que certamente o compositor também tomava sem ressalvas. Suas gravações dos concertos são tão boas quanto as das suas sonatas, embora padeçam – tanto quanto elas – da engenharia de som um tanto tacanha da Telarc. Completam a gravação, com a regência muito competente do alemão Andreas Delfs, um concerto no. 1 bastante pimpão e uma das minhas versões favoritas do no. 3, cujo Dó menor soa aqui mais radiante do que o costume.
Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Concerto para piano e orquestra em Dó maior, Op. 15 Composto em 1795 Publicado em 1801 Dedicado à princesa Anna Louise Barbara Odescalchi
1 – Allegro con brio
2 – Largo
3 – Rondo. Allegro scherzando
Concerto para piano no. 3 em Dó menor, Op. 37 Composto entre 1800-1803 Publicado em 1804 Dedicado ao príncipe Louis Ferdinand da Prússia
Os 16 quartetos de cordas de Beethoven ocupam um lugar de honra no repertório de câmara e, com suas nove sinfonias e 32 sonatas para piano, traçam a progressão de uma vida criativa. 2020 marca o 250º aniversário do nascimento do compositor, e Quatuor Ébène estava realizando uma extensa turnê, intitulada Beethoven Around the World, que iria desde meados de 2019 a dezembro de 2020. Mas aí veio a pandemia… Durante esse período, o grupo francês faria mais de 120 apresentações num total de 21 países, com foco nos ciclos completos dos quartetos a partir de fevereiro de 2020. Beethoven Around the World abrange gravações ao vivo que constituem um ciclo completo, feito em sete das grandes cidades do mundo: Viena (no Konzerthaus); Filadélfia (Kimmel Center); Tóquio (Suntory Hall); São Paulo (Sala São Paulo); Melbourne (Centro de Recitais de Melbourne); Nairobi e Paris (Philharmonie de Paris). A interpretação do Ébène ficará como referência e o calor das apresentações ao vivo são apreciadíssimas por este que vos escreve. Vida longa ao Ébène! E que só voltem após a pandemia, tá?
Ludwig van Beethoven (1770-1827): Quartetos Nros. 1 & 14 (Ébène)
1 String Quartet No. 1 in F Major, Op. 18 No. 1: I. Allegro con brio 9:32
2 String Quartet No. 1 in F Major, Op. 18 No. 1: II. Adagio affettuoso ed appassionato 11:14
3 String Quartet No. 1 in F Major, Op. 18 No. 1: III. Scherzo. Allegro molto 3:17
4 String Quartet No. 1 in F Major, Op. 18 No. 1: IV. Allegro 6:37
5 String Quartet No. 14 in C-Sharp Minor, Op. 131: I. Adagio ma non troppo e molto espressivo 7:35
6 String Quartet No. 14 in C-Sharp Minor, Op. 131: II. Allegro molto vivace 3:12
7 String Quartet No. 14 in C-Sharp Minor, Op. 131: III. Allegro moderato – Adagio 0:49
8 String Quartet No. 14 in C-Sharp Minor, Op. 131: IV. Andante ma non troppo e molto cantabile – Allegretto 14:35
9 String Quartet No. 14 in C-Sharp Minor, Op. 131: V. Presto 5:13
10 String Quartet No. 14 in C-Sharp Minor, Op. 131: VI. Adagio quasi un poco andante 2:25
11 String Quartet No. 14 in C-Sharp Minor, Op. 131: VII. Allegro 7:05
Quatuor Ébène:
Pierre Colombet, violin
Gabriel Le Magadure, violin
Marie Chilemme, viola
Raphaël Merlin, violoncello
Como um cliente / comentarista da amazon escreveu, mesmo depois de quarenta e cinco anos passados de sua gravação, este histórico registro ao vivo do tecladista Rick Wakeman continua atualizadíssimo. É um divisor de águas, eu diria. Partindo do livro clássico de Julio Verne, Wakeman nos leva a um mundo onírico, enriquecido com paisagens sonoras que nos tiram o fôlego em todos os momentos.
Juntar uma banda de rock com uma orquestra sinfônica não era novidade lá em 1974, vide o Concerto para Banda e Orquestra, do Deep Purple, lançado alguns anos antes. A novidade aqui é a introdução de um coro com dezenas de vozes e os teclados de Wakeman, que são o grande destaque do LP. Ele cria um universo sonoro com infinitas possibilidades, tendo como suporte, além do English Rock Essemble, banda que o acompanhava, “apenas” a Orquestra Sinfônica de Londres e o English Chamber Choir. Ah, sim, o registro da gravação foi feito no Royal Albert Hall, templo da música londrina.
Desde a impactante abertura, os incríveis solos de Wakeman e a fantástica performance de seus vocalistas, Ashley Holt e Garry Pickford-Hopkins, e a narração, que cita passagens do livro de Verne, cada minuto desta aventura sonora é minuciosamente pensada em seus mínimos detalhes, uma produção impecável, mesmo se tratando de um registro ao vivo, direto do Royal Albert Hall.
Por incrível que pareça, Rick Wakeman trouxe esta loucura toda para o Brasil em 1975, em três apresentações memoráveis no Maracanazinho, no Rio, no Estádio da Portuguesa em São Paulo e no Gigantinho em Porto Alegre. Foi acompanhado pela Orquestra Sinfônica Brasileira, nos shows do Rio e de São Paulo, e na capital gaucha, pela Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, sempre sob a regência de Isaac Karabitchewsky.
Wakeman trouxe consigo uma parafernália de equipamentos que somavam dezenove toneladas. Os jornais da época contam que o músico era fã de futebol, e coincidiu que na mesma época do show do Rio, iria ocorrer a final do Campeonato Brasileiro entre o Cruzeiro e o Internacional de Porto Alegre, em pleno Estádio do Maracanã, e ele teria assistido a esta partida, vencida pelo time gaucho: “O espetáculo “acachapante” teve como momento de clímax (para os colorados) a homenagem que Wakeman, grande fã de futebol, fez ao Internacional, que dias antes, ali do lado, no Beira-Rio, tinha conquistado seu primeiro título de campeão brasileiro. No bis, Wakeman e seus músicos voltaram ao palco vestidos com camisetas vermelhas do time. Ele lógico, com a 3, do capitão Figueroa, autor do gol contra o Cruzeiro que garantiu a taça.” (Jornal Zero Hora, 29/10/2014).
Meu irmão mais velho contou certa vez que estava lá no Maracanazinho, e que nunca mais esqueceu o espetáculo que assistiu. Foram duas horas de uma loucura sonora e visual, que impactou todos os que lá estavam.
Dia desses me desafiaram a identificar os dez discos que mais me influenciaram, e este aqui com certeza está na lista. Quem não conhece, espero que goste, e para os saudosistas, como eu, serve para matar saudades.
The Journey / Recollection
The Battle / The Forest
The Band :
Garry Pickford-Hopkins & Ashley Holt – Vocals
Guitar – Mark Egan
Electric Bass – Roger Newell
Drums – Barney James
Music Arranged for the London Symphony Orchestra and The English Chamber Choir by Will Malone & Danny Beckerman
Como mencionei ontem, amo tanto esse concerto que não o consigo mais apreciar criticamente. Abandono-me às suas belezas, seja na interpretação de Gilels – que, assim como minha declaração de amor ao Op. 58, vocês também ouviram ontem -, seja na de Maria João (que recomendo muito, e restaurei para vocês), ou nessas duas do mestre praguense, Ivan Moravec.
Moravec, de quem, num doloroso dever, fizemos o obituário aqui no PQP Bach, era um pianista de toque muito preciso e absolutamente obcecado pela qualidade do som dos pianos que tocava, tanto que viajava com sua maletinha de utilidades e passava quase tanto tempo com os técnicos quanto com os regentes. Apesar de sua merecida fama de perfeccionista – o que não o impedia de dar seus grunhidos ao teclado, que os mais atentos ouvirão -, estava muito mais para um exigente sacerdote do que para um almofadinha cheio de manias, e provocava muita admiração pela capacidade de, tanto nos ensaios quanto nas apresentações, repetir com tanta precisão as passagens que os takes resultantes eram indiferenciáveis, se não fossem numerados, e de não errar uma nota sequer. É claro que as qualidades de Moravec vão bem além de não errar: suas leituras de Beethoven transbordam riqueza timbrística, lirismo e – especialmente no maravilhoso movimento lento – expressividade. A primeira que lhes apresento foi a segunda a ser gravada, ao vivo e em 2003, com a então jovem Prague Philharmonia sob a regência de seu fundador, Jiří Bělohlávek, que depois seria titular da BBC Symphony Orchestra. Ela tem um caráter, diria, mais mozartiano, e é seguida de duas peças que dificilmente poderíamos imaginar pareadas a um concerto de Beethoven, mas que harmonizam muito bem com ele: as Variações Sinfônicas de César Franck (que nasceu no ano em que Ludwig começou a “Ode à Alegria”), na interpretação que me fez enfim gostar da obra, e o maravilhoso concerto de Maurice Ravel (nascido no ano em que Franck, então decano do Conservatório de Paris, completou Les Éolides), tocado duma maneira que Benedetti Michelangeli, que praticamente cooptou Moravec para ser seu aluno, certamente amaria ouvir. As cadenze do Op. 58 são do próprio Beethoven.
A segunda, de 1964, foi gravada em Viena, enquanto Moravec ainda podia viajar com bastante liberdade, sob a regência de Martin Turnovský, um compatriota que se exilaria do lado de lá da Cortina de Ferro depois da Primavera de Praga. É a versão mais idiomaticamente beethoveniana que conheço, tecnicamente impecável, expressão exuberante do controle absoluto do todo e de tudo, e um dos meus modelos de perfeição postos em disco. Deixo-a com vocês numa ripagem de LP, enquanto aguardo sentado que alguém no mercado fonográfico deixe um pouco de lado os decotões da Khatia e resolva fazer para a Humanidade o bem de remasterizá-lo e lançá-lo em mídia digital.
Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Concerto para piano e orquestra no. 4 em Sol maior, Op. 58 Composto entre 1804-1807 Publicado em 1808 Dedicado ao arquiduque Rudolph da Áustria
Liya Petrova venceu o Concurso Internacional de Violino Carl Nielsen em 2016, o que tornou inevitável este disco do único concerto para violino da Nielsen. Há alguns anos, essa peça era tão rara no catálogo gravado que era preciso procurar muito para encontrar algo realmente bom. Hoje, pode-se escolher entre trinta ou quarenta gravações, incluindo algumas das principais celebridades. Sendo assim, Liya Petrova devia justificar a recomendação, né? E justifica. O primeiro ponto a seu favor é o som maravilhoso que ela produz. Esta é realmente uma das interpretações mais belas que se pode encontrar, algo que combina técnica aparentemente ilimitada com musicalidade de primeira. E isto tanto no Nielsen quando no extraordinário Concerto Nº 1 de Prokofiev. A Odense Symphony Orchestra também faz um trabalho espetacular. A búlgara Liya Petrova é uma estrela em ascensão, com a agenda lotada. Merece.
Prokofiev / Nielsen: Concerto para Violino Nº 1 / Concerto para Violino Op. 33
Prokofiev: Violin Concerto No. 1 in D major, Op. 19 23:19
I. Andantino 10:03
II. Scherzo. Vivacissimo 4:02
III. Moderato 9:14
Nielsen: Violin Concerto, Op. 33 (FS61) 38:25
I. Prelude. Largo – Allegro cavalleresco 20:40
IIa. Poco adagio 7:02
IIb. Rondo. Allegretto scherzando 10:43
Liya Petrova (violin)
Odense Symphony Orchestra
Kristiina Poska
Tanto esperei por que chegasse a vez de postar meu concerto para piano favorito que, quando ela enfim chegou, eu mal acho o que lhes escrever. Já escutei tantas vezes o maravilhoso Op. 58 que não consigo mais pensar criticamente em suas qualidades: eu simplesmente as sorvo e com elas me delicio. E tanto o amo, e tão imenso é meu amor por ele, que não conseguirei deixar-lhes somente uma interpretação – serão algumas entre minhas preferidas, ao longo dos próximos dias, porque – bem, eu já lhes disse que é amor?
O início do primeiro movimento – que Beethoven, num gesto sem precedentes, deixa a cargo do solista – costuma dar-me a tônica de cada gravação. Alguns pianistas entram portentosamente, e terminam incongruentes com os comentários da orquestra, que se seguem. Outros acanham-se demais, talvez por medo de serem pervasivos nessa pérola em que solista e conjunto jamais duelam. E há Emil Gilels, que, a despeito de tudo que já se falou da têmpera leonina com que encarava os desafios mais furiosos da literatura para piano, acerta em cheio em timbre e pulso com seus acordes murmurantes. A parceria com Leopold Ludwig, um regente com larga experiência em ópera, e talvez por isso mesmo, funciona à perfeição – o pathos do Andante, um tenso diálogo entre piano e cordas, só poderia vir do mais lírico dos pianistas soviéticos e de um consumado, sensível acompanhador. Os dois oferecem-nos, entre todas as versões que conheço do Op. 58, aquela mais afim à obra-prima seguinte, o concerto para violino que também amo demais, que também se desenrola com serenidade a partir de uma célula rítmica expressa logo no primeiro compasso – aqui, pelo piano, e lá, pelos tímpanos. Atrações adicionais são as cadenze escolhidas por Gilels, que foram fornecidas pelo compositor, mas são muito menos tocadas que aquelas que vocês provavelmente conhecem, as dos longos trinados. Completando o disco, um “Imperador” que poderia ter mais pujança rítmica, ainda que lhe sobre garbo e, no Adagio muito mais lento que o habitual, uma mágica entrada do solista que, sozinha, vale toda a gravação.
Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Concerto para piano e orquestra no. 4 em Sol maior, Op. 58 Composto entre 1804-1807 Publicado em 1808 Dedicado ao arquiduque Rudolph da Áustria
Concerto para piano e orquestra no. 5 em Mi bemol maior, Op. 73, “Imperador” Composto em 1809 Publicado em 1810 Dedicado ao arquiduque Rudolph da Áustria
4 – Allegro
5 – Adagio un poco mosso
6 – Rondo: Allegro
Emil Gilels, piano Philarmonia Orchestra Leopold Ludwig, regência
“Não gostam agora? Gostarão mais tarde. Escrevo para o futuro”. Beethoven, em resposta às críticas às obras de sua última fase.
Maria João Pires, em introdução à live realizada com 10 pianistas da Deusche Grammophon no dia internacional do piano* (28/03/2020):
“Tenho uma pequena mensagem para vocês: acho que devemos encarar essa terrível crise pela qual estamos passando como algo que devemos aceitar de qualquer maneira, e com uma reflexão sobre o que devemos fazer melhor no futuro. Tomar mais cuidado conosco, com o planeta e uns com os outros. Ter mais respeito e compartilhar mais as coisas.
Eu gostaria de interpretar Beethoven hoje, porque acho que há uma forte conexão entre o que está acontecendo conosco e o que temos que aprender com isso. E Beethoven era o homem da luta, da esperança, da luta por justiça, que tinha muita compaixão, era realmente uma alma pura. E acho que a música dele reflete isso, e através dele, podemos aprender muitas coisas importantes para o presente e o futuro.”
Maria João é uma intérprete EXCEPCIONAL das últimas sonatas de Beethoven. Enquanto o disco anterior, com sonatas da fase do meio de Beethoven, é poético e interessante, este aqui é IMPERDÍVEL, por trazer uma concepção única das sonatas opus 109 e 110, compostas quando Beethoven já estava surdo. São sonatas que sempre soarão como música do futuro. A última sonata, opus 111, ela também toca em recitais, mas nunca gravou em LP ou CD, o que mostra o quanto as gravadoras podem ser estúpidas. Pior pras gravadoras! No final desta postagem** estão os links de vídeos da também extraordinária opus 111 de Maria João Pires.
Beethoven (1770-1827) – Sonatas para piano nº 8, 30 e 31
Sonata nº 31, opus 110
I. Molto cantabile, molto espressivo
II. Allegro molto
III. Adagio ma non troppo – Fuga
Sonata nº 8, opus 13, “Patética”
I. Grave – Allegro di molto e con brio
II. Adagio cantabile
III. Rondo
Sonata nº 30, opus 109
I. Vivace ma non troppo
II. Prestissimo
III. Andante molto cantabile ed espressivo
Maria João Pires, piano
Gravado na Igreja Norte-Dame des Roses, Grisy-Suisnes, França, dezembro de 1975
As longas e bem-sucedidas parcerias com Mstislav Rostropovich e, principalmente, com Anne-Sophie Mutter acabaram por eclipsar as outras vertentes da carreira do ótimo filadelfiano Lambert Orkis. Além de muito ter gravado com instrumentos originais (junto ao Castle Trio e em parceria com Anner Bylsma), ele tem uma discografia muito interessante como recitalista, que pretendemos revelar aos poucos por aqui.
Começamos por esta gravação com a grandiloquente “Appassionata” (para variar, mais um nome que Beethoven não agregou a obra sua) interpretada em três pianos diferentes, baseados em modelos vienenses. Não sou muito afeito a copiar textos de encartes, mas achei que o relato do próprio Orkis era informativo o bastante para ser traduzido bem livremente, dentro de seu estilo bastante direto e prosaico e aqui oferecido a vocês:
“Quando Beethoven compôs a ‘Appassionata’ em 1805, ainda não se chegara a um consenso acerca de como um piano deveria soar. De fato, o instrumento padecia das dores de um rápido desenvolvimento. A extensão do teclado expandia-se a partir das cinco oitavas, fabricantes tentavam aumentar o volume do som, e conceitos diversos de construção de teclado e pedais eram implementados.
Como Viena era uma capital musical, também era um centro para o desenho e construção de excelentes pianos. De fato, fabricantes na região de Viena durante o final do século XVIII e o começo do século XIX – tais como Johann Andreas Stein (muito prestigiado por Mozart), Wenzel Schantz (preferido por Haydn), Anton Walter (outro favorito de Mozart, e também de Beethoven), Nannette Streicher (admirada por Beethoven) e Conrad Graf (conhecido tanto por Beethoven quanto por Schubert) encontraram um mercado no público musical vienense.
Com o tempo, conceitos para a construção de pianos mudaram, algumas vezes dramaticamente. Os três instrumentos usados nesta gravação são baseados em modelos vienenses de construção de pianos e representam três instantâneos da evolução do piano em Viena.
Ao trazer para um CD três interpretações da sonata ‘Appassionata’ de Beethoven em três pianos diferentes, eu não estava só a tentar demonstrar as diferenças sonoras entre os instrumentos, mas também mostrar como qualidades tonais diversas e respostas variadas dos teclados afetariam minha maneira de tocar a peça.
As durações das respectivas interpretações diferiram do que eu antecipara. Ainda que os dois pianofortes fossem mais próximos em estilo entre si do que o moderno Bösendorfer, eu esperava uma maior diferença da duração de minha performance entre os dois instrumentos mais antigos. De fato, por causa de sua sonoridade mais profunda, martelos mais robustos, e ação algo mais pesada, esperava que a duração de minha interpretação no pianoforte Regier, que representava o design vienense mais tardio, fosse mais longa. Ainda que as diferenças não sejam grandes, minhas performances dos dois primeiros movimentos no Regier foram na verdade mais curtas que no pianoforte Wolf, de design mais antigo.
Por causa de seu timbre sustentado e cantante, e um conceito de construção planejado para prevalecer sobre as maiores orquestras e penetrar nos recessos mais distantes das maiores salas de concerto, não me surpreendi com que minhas interpretações no Bösendorfer Imperial Concert Grand fossem as mais longas para cada um dos movimentos. No entanto, as diferenças não foram tão grandes quanto esperava.
O efeito dos pianos propriamente ditos nas minhas interpretações foi bastante sutil. Dei-me conta de que foi minha concepção da sonata que foi, por fim, a força motriz em minhas leituras da peça. Em cada caso, ajustei minha abordagem do instrumento de maneira a perceber como eu percebia a obra de acordo com meu gosto.
Devo dizer que dediquei um tempo considerável a aprender esta peça em pianofortes. Uma vez que tive em mente o som da articulação nítida do pianoforte, bem como da flexibilidade rítmica de que precisava para compensar a relativa perda de poder de sustentação nos agudos desses pianos, este som tornou-se parte de minha visão interpretativa que tentei, então, conseguir em cada piano que toquei.
O pianoforte Wolf é o mais próximo em design àqueles que eram contemporâneos no momento em que Beethoven compôs esta peça. Seu som incisivo e ação leve ornam bem com as passagens rodopiantes e temperamento feroz dessa obra. As teclas brancas são mais curtas, e as pretas, mais estreitas que aquelas dum piano moderno. Esse teclado um tanto apertado, somada à ação muito leve torna a execução limpa e acurada um desafio, especialmente nos momentos mais dramáticos. Devo também apontar que eu sou consideravelmente maior que o vienense médio do começo do século XIX…
Não obstante, tocar a ‘Appassionata’ neste instrumento foi um deleite. O que lhe falta em volume é compensado por sua flexibilidade e intimismo. Ainda que sonicamente pequeno, em termos relativos, o drama possível com ele foi de fato bastante grande. No pianoforte Wolf, minha execução da sonata atingiu um alto grau de tensão nervosa. Pode-se quase sentir que Beethoven tentava romper as costuras do instrumento. Em suma, a peça crepita com vitalidade.
Um aspecto interessante deste pianoforte e do Regier é o sistema de pedais. Ambos têm um legítimo pedal ‘una corda’. Este pedal, frequentemente chamado assim nos pianos modernos, move os martelos e as teclas de maneira a que os martelos percutem apenas uma das três cordas [para cada nota]. Com o tempo, esta disposição, ainda que sonicamente interessante, provou-se mecanicamente problemática. Consequentemente, com a chegada da modernidade, esse sistema foi-se modificando de modo a que a maioria dos pianos de cauda de hoje movem os martelos de modo a golpearem duas das três cordas. E ainda, alguns dos instrumentos mais recentes modificaram o ajuste de modo que todas as três cordas são percutidas com uma parte diferente e mais macia do martelo.
Com estes pianofortes, é possível conseguir uma variedade de timbres dependendo de minha escolha de usar uma, duas ou três cordas. Além disso, esses pianos têm um pedal moderador que pianos modernos dificilmente têm. Esse pedal insere uma peça de material macio entre o martelo e a corda que resulta num som bastante peculiar, que combinado com o pedal ‘una corda’ dá-lhe um efeito um tanto fantasmagórico. Escute o começo da ‘Appassionata’ em cada um dos três instrumentos. Perceba o quão distante a introdução soa nos dois pianofortes e o quão comparativamente ‘real’ ela soa no instrumento vienense moderno.
Por causa da ação mais pesada no fortepiano Regier, eu previ mais dificuldades em gravar a obra nesse instrumento do que de fato encontrei. Este piano representa a tecnologia disponível para Beethoven no final de sua vida. Seu som mais profundo e sua sonoridade mais intensa não foram contemporâneas à composição desta peça. Achei o teclado um tanto maior um problema ao lidar com passagens complexas. Meus dedos apreciaram o contato mais firme. O resultado foi que pude tocar menos preocupado, o que provavelmente explica por que minhas gravações foram mais rápidas neste piano. Também foi muito divertido fazer-me ouvir com sua intensidade sônica. Passagens fortes ficaram ótimas. Com este piano senti que estava tocando um instrumento cujo conceito atingira o pináculo de seu desenvolvimento. Implementos adicionais seriam requeridos para conseguir algo diferente com o som do piano.
Essa diferença veio com o metal e o tamanho. Assistir aos carregadores de piano transportarem o Bösendorfer Imperial Concert Grand para o local da gravação durante uma tempestade torrencial foi algo. Sua grandeza fazia seus primos encolherem. Mesmo um Steinway de concerto que dividia a sala com o Bösendorfer parecia delicado, comparado a ele. Ainda que algumas vezes tenha tocado o Bösendorfer em salas de concerto pelo mundo, eu nunca gravara com ele. Nos Estados Unidos, instrumentos Bösendorfer são relativamente raros. Em seu país natal, a Áustria, ele é muito encontradiço. Graças à sequência de gravações – Wolf primeiro, Regier segundo, Bösendorfer por último -, tocar o Bösendorfer foi inicialmente um choque. Ainda que eu tivesse bastante experiência com a ‘Appassionata’ em pianos modernos, as tomadas iniciais nas gravações pareciam pesadas, pachorrentas, borradas, e altas. Havia som demais vindo do instrumento e muita força disponível; eu tinha que achar maneiras de colocar tudo em perspectiva.
No movimento lento, seu belo e sustentado timbre seduziram-me em adotar um andamento mais lento. Eu me flagrei tão só tomando meu tempo para saborear o som. Ainda que a ação deste piano não fosse pesada para os padrões modernos, ela certamente era mais pesada que seus parentes mais velhos. Somando-se a isso, o ataque suave e a qualidade cantante deste instrumento fizeram-me mudar minha técnica ao tocá-lo de modo a capturar algo da nitidez e da diversidade de articulação que sinto serem inerentes à peça.
Senti-me bem em tocar teclas modernas novamente. E quando a paixão do momento pedia por força aparentemente ilimitada, esse piano conseguia realmente dar a resposta. E, apesar da ação mais pesada e avassaladora, sua responsividade era tanta que a duração de minhas performances foi apenas um pouco mais longa que aquelas nos pianofortes.
Ao longo dessas sessões, estava bem ciente da linhagem desses instrumentos. Ainda que soem muito diferentes um dos outros, pode-se sentir a conexão entre eles através dos dedos. É como se eles fossem membros de famílias muito próximas. A diferença entre cada um deles e os membros de outra família podem ou não ser dramáticas, mas são tangíveis, pelo menos àqueles que conhecem bem os indivíduos específicos.
Espero que gostem de escutar esta grande obra através da ‘lente’ de cada um desses instrumentos. Tenham certeza de que eu adorei tocá-los. Eles ensinaram-me muito”
Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)
Sonata para piano em Fá menor, Op. 57, “Appassionata” Composta entre 1804-5 Publicada em 1807 Dedicada ao conde Franz von Brunsvik
I – Allegro assai
II – Andante con moto
III – Allegro ma non troppo
Executada em três pianos de design vienense:
Faixas 01-03: pianoforte de Thomas e Barbara Wolf, baseado em instrumentos de Nannette Streicher (ca. 1814-20)
Faixas 04-06: piano Bösendorfer Imperial Concert Grand
Faixas 07-09: pianoforte de R. J. Regier, baseado em instrumentos vienenses de 1830
Como nos lembra Milton Ribeiro, Beethoven desde cedo tinha uma noção muito curiosa de que não lhe bastava estudar a música de Bach, Händel, Haydn e Mozart: era preciso também conhecer literatura. Com entusiasmo, atirou-se à leitura de Homero, Shakespeare, Goethe e Schiller.
Em carta de 29 de junho de 1800 para um amigo de Bonn, Ludwig escreveu sobre a vontade de rever seus companheiros, sua terra natal e o Reno: “Quando esse dia virá, não posso te dizer com certeza. Mas quero dizer que me encontrarão maior: não falo do artista, mas também do homem, que lhes parecerá melhor; e se o bem-estar não crescer um pouco em nossa pátria, minha arte deverá se dedicar a melhorar a sorte dos mais pobres…”
Maria João Pires tem uma visão de mundo um pouco similar, tão necessária em nossa era de profissionais hiperespecializados que, nas palavras de Millôr Fernandes, sabem cada vez mais sobre cada vez menos, até saberem tudo sobre nada. Maria João, que já passou dos 70 anos de idade, encerrou sua carreira internacional de turnês longas e cansativas. Só toca quando quer, onde quer. O resto do tempo, vive em sua casa em Portugal, bem longe das cidades grandes. Casa essa que é ao mesmo tempo o centro Artistico de Belgais, onde ela ensina alguns jovens em uma verdadeira imersão, onde eles aprendem música mas também aprendem a fazer pão. Pois é, a grande pianista de mãos pequeninas ainda hoje amassa pão na sua casa. Como escreveu o português Julio Resende:
Das suas mãos se trabalham e se enamoram muitos nutrientes, para o corpo e para a alma. Não, esqueçam o que disse agora! Não faz sentido falar aqui da velha distinção corpo-alma, porque a pianista tem demonstrado por todo o mundo que na sua música e nos seus concertos, os dois – alma e corpo – vivem muito bem em união, sem distinção, sem competição, a construir das suas diferenças momentos de comunhão.
Maria João é talvez a única discípula viva do lendário pianista alemão Wilhelm Kempff, outro grande intérprete de Beethoven que, como mostram suas gravações, também parecia transcender a divisão entre corpo e alma, com interpretações que davam novos significados para as frases musicais aparentemente mais banais, sobretudo nas sonatas mais simples e pouco tocadas. Mas vamos deixar a própria Maria João falar, em entrevista que deu na ocasião de sua mais recente vinda ao Brasil, em 2019:
“Kempff não era meu professor, mas eu tocava para ele, eram momentos importantes, foram fundamentais em minha carreira.”
“Beethoven ganhou a importância que teve em minha vida depois da mudança para a Alemanha. E a base do aprendizado foi o conhecimento profundo que Kempff tinha de sua obra. Naqueles encontros, eu comecei de fato a entender, respeitar, saber como decifrar uma partitura do compositor, a sua história”, ela explica.
Em seguida, questionada sobre o que a fascina no compositor, ela faz uma pausa. “É tão difícil colocar em palavras. Beethoven é quem liga a matéria ao espírito. É quem nos mostra que podemos viver uma vida material e, ao mesmo tempo, viver ideais muito fortes. Há nisso uma visão profunda do nosso universo, que não se explica. Mas se sente. É aí que entra o gênio.”
Beethoven (1770-1827) – Sonatas para piano nº 23, 17 e 14
Sonata nº 23, opus 57, “Appassionata”
I. Allegro assai
II. Andante con moto
III. Allegro, ma non troppo
Sonata nº 17, opus 31 no. 2, “Tempestade”
I. Largo – Allegro
II. Adagio
III. Allegretto
Sonata nº 14, opus 27 no. 2, “Ao Luar”
I. Adagio sostenuto
II. Allegretto
III. Presto agitato
Maria João Pires, piano
Gravado na Igreja Norte-Dame des Roses, Grisy-Suisnes, França, dezembro de 1975
“Oratório Messiah, HWV 56, de George Frideric Handel, versão 1754 do Foundling Hospital, que apresenta cinco solistas: dois sopranos (Sandrine Piau, Katherine Watson), contralto (Anthea Pichanick), tenor (Rupert Charlesworth) e baixo-barítono (Andreas Wolf), gravado em 20 a 22 de dezembro de 2016, publicado em 6 de outubro de 2017, com Le Concert Spirituel, choir & orchestra e Hervé Niquet, maestro.
Depoimento de Hervé Niquet: Por que mais um Messiah? Examinei as diferentes partituras existentes e decidi pela versão muito interessante de 1754, que apresenta cinco solistas. Vocês devem se lembrar que, quando Handel chegou a um lugar para realizar seu oratório, ele tinha solistas de diferentes padrões à sua disposição. Então ele rapidamente revisou sua pontuação de acordo …
Tudo isso está diretamente relacionado à realidade da situação de Handel como promotor de concertos. Naqueles dias, para ganhar a vida com sua música, um compositor precisava absolutamente executar suas obras e lucrar à noite. A idéia de não retocar um trabalho para evitar “estragar” ou “distorcer” é muito mais moderna. Deve haver cerca de uma dúzia de versões do Messias (não listarei todas). A versão de 1754 raramente é tocada porque exige cinco solistas: dois sopranos, alto, tenor e baixo … optei aqui por uma interpretação operística, seguindo a sugestão do drama inerente a esse relato da vida de Cristo.
Oratório Messiah, HWV 56 Georg Friedrich Händel (Alemanha, 1685 – Inglaterra, 1759) PARTE I – DISCO 1 1 de 18 Part I – No.1 SINFONIA Grave-Allegro moderato 2 de 18 Part I – No.2 ACCOMPAGNATO “Comfort ye my people” 3 de 18 Part I – No.3 AIR “Every valley shall be exalted” 4 de 18 Part I – No.4 CHORUS “And the glory of the Lord” 5 de 18 Part I – No.5 ACCOMPAGNATO “Thus saith the Lord of hosts” 6 de 18 Part I – No.6 AIR “But who may abide” 7 de 18 Part I – No.7 CHORUS “And he shall purify”, No.8 RECITATIVE “Behold a virgin shall conceive” 8 de 18 Part I – No.9 AIR & CHORUS “O thou that tellest” 9 de 18 Part I – No.10 RECITATIVE “For behold” 10 de 18 Part I – No.11 AIR “The people that walked” 11 de 18 Part I – No.12 CHORUS “For unto us a Child is born” 12 de 18 Part I – No.13 Pifa (Sinfonia Pastorale), No.14 RECITATIVE “There were shepherds” 13 de 18 Part I – No.14B RECITATIVE “And lo, the angel of the Lord”, No.15 RECITATIVE “And the angel said unto them” 14 de 18 Part I – No.16 RECITATIVE & ACCOMPAGNATO “And suddenly” 15 de 18 Part I – No.17 CHORUS “Glory to God in the highest” 16 de 18 Part I – No.18 AIR “Rejoice greatly”, No.19 RECITATIVE “Then shall the eyes of blind” 17 de 18 Part I – No.20 AIR “He shall feed His flock” 18 de 18 Part I – No.21 CHORUS “His yoke is easy”
PARTE II – DISCO 2 1 de 29 Part II – No.22 CHORUS “Behold the lamb of God” 2 de 29 Part II – No.23 AIR “He was despised” 3 de 29 Part II – No.24 CHORUS “Surely He hath borne our griefs” 4 de 29 Part II – No.25 CHORUS “And with His stripes” 5 de 29 Part II – No.26 CHORUS “All we like sheep” 6 de 29 Part II – No.27 RECITATIVE & ACCOMPAGNATO “All they that see Him” 7 de 29 Part II – No.28 CHORUS “He trusted in God” 8 de 29 Part II – No.29 RECITATIVE “Thy rebuke hath broken His heart” 9 de 29 Part II – No.30 AIR “Behold, and see” 10 de 29 Part II – No.31 RECITATIVE “He was cut off out” 11 de 29 Part II – No.32 AIR “But Thou didst not leave His soul in hell” 12 de 29 Part II – No.33 CHORUS “Lift up your heads”, No.34 RECITATIVE “Unto which of the angels” 13 de 29 Part II – No.35 CHORUS “Let all the angels of God” 14 de 29 Part II – No.36 AIR “Thou art gone up on high” 15 de 29 Part II – No.37 CHORUS “The Lord gave the word” 16 de 29 Part II – No.38 AIR “How beautiful are the feet” 17 de 29 Part II – No.39 CHORUS “Their sound is gone out” 18 de 29 Part II – No.40 AIR “Why do the nations” 19 de 29 Part II – No.41 CHORUS “Let us break their bonds asunder”, No.42 RECITATIVE “He that dwelleth in heaven” 20 de 29 Part II – No.43 AIR “Thou shalt break them” 21 de 29 Part II – No.44 CHORUS “Hallelujah”
PART III – DISCO 2 22 de 29 Part III – No.45 AIR “I know that my Redeemer liveth” 23 de 29 Part III – No.46 CHORUS “Since by man came death” 24 de 29 Part III – No.47 RECITATIVE “Behold, I tell you a mystery” 25 de 29 Part III – No.48 AIR “The trumpet shall sound”, No.49 RECITATIVE “Then shall be brought to pass” 26 de 29 Part III – No.50 DUET “O death” 27 de 29 Part III – No.51 CHORUS “But thanks be to God” 28 de 29 Part III – No.52 AIR “If God be for us” 29 de 29 Part III – No.53 CHORUS “Worthy is the Lamb”
Para degustar:
Oratório Messiah, HWV 56, de George Frideric Handel, versão 1754 Le Concert Spirituel, choir & orchestra e Hervé Niquet, maestro – 2016 Sopranos (Sandrine Piau, Katherine Watson)
Contralto (Anthea Pichanick)
Tenor (Rupert Charlesworth)
Baixo-barítono (Andreas Wolf)
Por gentileza, quando tiver problemas para descompactar arquivos com mais de 256 caracteres, para Windows, tente o 7-ZIP, em https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ e para Mac, tente o Keka, em http://www.kekaosx.com/pt/, para descompactar, ambos gratuitos.
If you have trouble unzipping files longer than 256 characters, for Windows, please try 7-ZIP, at https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ and for Mac, try Keka, at http://www.kekaosx.com/, to unzip, both at no cost.
Difícil falar da “Eroica” sem chover molhadissimamente no já encharcado. Que ela foi revolucionária e sem precedentes em termos de escopo, extensão e recursos; que é um marco entre o classicismo e o romantismo; que fora dedicada a Napoleão, e que a dedicatória foi removida com uma furiosa rasura a faca no frontispício da partitura; que seu cerne é uma extraordinária Marcha Fúnebre, instantaneamente admirada; e que o tema do finale é o único que, em sua obra, recorre em mais de uma peça, tendo aparecido antes numa contradança, em variações para piano e em seu balé Prometheus.
Sim: A FACA
O que talvez nem todos saibam é que justamente a extensão e o escopo foram as maiores reclamações daqueles que a ouviram na estreia; que seu papel de marco só foi reconhecido muito mais tarde, e que a “Eroica” não teve em sua época uma divulgação à altura da importância que hoje se lhe reconhece, muito por conta do plantel de músicos requerido, que não foi o pretendido por Beethoven nem em sua estreia, recriada nesta fascinante gravação; que a dedicatória a Napoleão foi retirada antes dos talhos de faca na partitura, mas por motivos do vil metal, oferecido ao sempre necessitado Beethoven pelo novo dedicatário; que a “Sinfonia Grande” foi, mesmo com a mudança na dedicatória, “[in]titolata Bonaparte”, para só ser chamada “Eroica” depois que o emputecimento com Napoleão levasse Ludwig a querer com ela “festeggiare il sovvenire d’un grand’uomo”; que muitas vezes ela foi abreviada, por premências de tempo ou pela incompreensão do público, e tocada só até a Marcha Fúnebre; e que o finale, detestado pelos contemporâneos por pouco portentoso e incongruente com os movimentos pregressos, soa-nos hoje como o mais beethoveniano, pelo emprego genial das técnicas de variação e pelos exemplos precoces de seu interesse na forma da fuga.
Todo regente que se preza encara a “Eroica”, e não há, para mim, alguém que tenha igualado Ferenc Fricsay, que já foi postado aqui. Ainda assim, sempre tento ouvir esse monumento como se fosse a primeira vez, e nunca deixo de lhe descobrir uma nuance nova em meio ao estupor.
Acabo de ouvi-la dezoito vezes, e redescobri-la outras tantas. Conclamo os leitores-ouvintes, agora, ao fazerem o mesmo.
Sinfonia no. 3 em Mi bemol maior, Op. 55, “Eroica” Composta em 1802-04 Publicada em 1806 Dedicada ao príncipe Franz Joseph von Lobkowitz
1 – Allegro con brio
2 – Marcia funebre. Adagio assai
3 – Scherzo. Allegro vivace – Trio
4 – Finale. Allegro molto – Poco Andante – Presto