15 anos de PQP Bach: ‘Mestres pelos Mestres’ e o legado das Coleções de Música Clássica de Banca de Jornal

Cresci num mundo analógico, do Super-8, VHS, Fita K7, computadores TK-90 e programação em BASIC, longe da ilusória onipresença da internet e dos dispositivos móveis. E, na busca pelo conhecimento e cultura, só restavam os livros e os discos. Nesse mundo, os LPs de música clássica eram objetos de desejos quase intangíveis, os melhores eram importados e economizava-se meses para poder dispor de algumas pérolas do repertório. Para nós, jovens ávidos pela descoberta de novas sonoridades em cada obra, a rádio era uma realidade cotidiana, mas servia apenas ao espírito aventureiro de desbravar horizontes longínquos, já que a contemplação de uma determinada obra, uma vez apreciada, estava condicionada à sua repetição eventual numa grade de programação bastante eclética.

(A Rádio Cultura FM de S. Paulo teve papel importante nessa formação, e deixo aqui meus sinceros agradecimentos a seus colaboradores – especialmente Alfredo Alves – que me ensinaram até a pronúncia dos compositores tchecos)

Mas quando ouvia uma obra interessante na rádio, e queria saber mais sobre a obra, o compositor, sua história, suas outras obras, conhecer mais, o que fazer? Como achar? Bibliografias distantes em alemão, discos a peso de ouro, caríssimas revistas importadas? Não! Haviam as coleções de bancas de jornal!

A mais antiga que conheço foi iniciativa da então Abril Cultural, um braço da Editora Abril: “Grandes Compositores da Música Universal”, lançado em 1968. Uma capa branca, com o nome do compositor em letras garrafais, foi a primeira e única coleção que tenho notícia cujo primeiro fascículo, o de lançamento, foi dedicado a Tchaikovsky. O Concerto no.1 devia ser realmente muito popular a esta época. Em seguida veio Beethoven, Chopin, e daí em diante uma ordem mais característica. As gravações disponibilizadas eram genéricas, oriundas de catálogos obscuros, com intérpretes antigos e registros monaurais, de sonoridade sofrível. Mas o que chamava muito a atenção era o encarte. Sim, o encarte era uma maravilha! Consultores como Souza Lima, Camargo Guarnieri, Edino Krieger, Isaac Karabtchevsky e Diogo Pacheco fizeram desta uma coleção inesquecível. Para leitura.
Faltava, claro, gravações de maior qualidade. Mas o público tinha sido fisgado, era questão de tempo.

Em seguida, já na década de 80, a mesma Abril Cultural, solitária pioneira no gênero, lançou a mais famosa das coleções: “Mestres da Música”. Com cada fascículo lançado quinzenalmente, ela teve 2 edições seguidas – áureos tempos -, uma primeira em 1979 com uma barra colorida emoldurando a parte superior da capa, e outra em 1983 sem as cores e o nome do compositor em maior destaque, apesar das obras e do restante da diagramação se manter. As capas tinham várias cores e atraíam muito mais atenção. Os textos, mesmo não contando com tantas colaborações ilustres como a coleção anterior, eram feitos segundo consultoria do eminente crítico J.Jota de Moraes, o que trazia uma leitura confortável e esclarecedora.  As gravações eram de melhor qualidade, pelo menos já em estéreo, mas também de catálogos esquecidos nos fundos das gravadoras, mais baratos e bem genéricos. Alguns intérpretes acabaram se tornando maestros e solistas festejados, outros nunca mais se ouviu falar.

Foi a primeira vez que ouvi Claudio Abbado e Alfred Brendel, por exemplo, mas também nunca mais soube de Hanspeter Gmur, Stanislaw Skrowaczewski ou de Rolf Reinhardt – nomes obscuros até hoje. Entretanto, a coleção deve ter sido um estrondoso sucesso, pois a encontrava em casas as mais diversas em termos de gostos musicais, e mesmo pessoas que não tinham nenhum contato com música clássica possuíam pelo menos um ou dois fascículos.

Mas ainda eram gravações, de forma geral, antigas e de catálogo duvidoso. Na verdade isso não importava muito, pois para esse tipo de coleção, o público era leigo e sua principal tarefa seria a de introduzir ao interessado o mundo da música clássica. E isso ela fez muito bem.

Mas conforme eu ia adentrando esse universo, essas gravações pareciam realmente insuficientes, a rádio já mostrava as primeiras gravações em CD (“gravação digital, com leitura por raio laser”, anunciava o locutor com pleno orgulho da novidade), e esse universo passou a ser mais relevante, deixando as coleções apenas com o mérito do texto, novamente.

Nesse ínterim, no intervalo das duas edições do “Mestres da Música”, chegou ao Brasil em 1983 a representação da editora espanhola Salvat, quebrando o monopólio da Abril de coleções de música clássica em bancas de jornal. A “Enciclopédia Salvat dos Grandes Compositores” foi um marco indelével na história das coleções, trazendo um texto denso, profundo – por vezes ininteligível e prolixo – mas também gravações de altíssimo nível. A editora espanhola tinha acordos com a PolyGram, e disponibilizou registros do catálogo da DG, DECCA e PHILIPS, coisa impensável neste lado do atlântico. Herbert von Karajan, Kurt Masur, Claudio Arrau, Wolfgang Sawallisch, Eugen Jochum e Bernard Haitink eram figuras comuns nos volumes, e, finalmente, comprávamos esses fascículos mais pela gravação que pelo próprio texto. Aliás, o texto também era problemático porque era contínuo, ou seja, você precisava fazer TODA a coleção – que não era pequena – para ter o texto completo. Ele começava num fascículo e terminava em outro. Mas finalmente tínhamos uma coleção de banca de jornal – isto é, acessível economicamente – com grandes registros da era de ouro da indústria fonográfica. Algumas dessas gravações são referência para mim até hoje. A cereja do bolo era o fato da coleção ser disponível em LP e K7.

Não sei exatamente se por alguma questão de concorrência invejosa ou simples lógica de mercado, logo depois, quando ainda “Mestres da Música” mal tinha acabado seus últimos fascículos, a Abril contra-atacou a Salvat com seu último trunfo de coleções de bancas: “Mestres pelos Mestres”, de 1984. Era uma coleção que mantinha um texto discreto, confortável e funcional, editado dos originais da coleção anterior, mas investia na qualidade das gravações, trazendo, pela primeira vez, o intérprete em letras garrafais, acima do próprio compositor. E agora, sim, havia um acordo da Abril com a Polygram, EMI e a CBS (para invejar a Salvat mesmo), lançando pérolas de catálogo a preços totalmente acessíveis.

Por motivos que não saberia descrever com propriedade (talvez o próprio excesso de coleções quase simultâneas, saturando o mercado), a coleção mais promissora da Abril naufragou no meio de sua empreitada, e ela nunca foi lançada na sua totalidade em bancas de jornal, tendo sido anunciado o fim da coleção no vigésimo fascículo. Tenho notícias de fontes remotas (e duvidosas) que a coleção completa foi depois disponibilizada por assinatura – apenas para interessados que já eram assinantes de outros veículos – mas não tenho certeza dessa informação.

O fato é que “Mestres pelos Mestres” foi a última das grandes coleções de bancas que consumimos com grande entusiasmo, não só para conhecer os compositores e as obras, mas também para ouvi-las com grandes intérpretes. Depois, a então renovada Nova Cultural lançou uma bem menos convidativa coleção italiana apenas em fita K-7 (“Clássica – a história dos gênios da Música”, de 1988, que eu saiba teve alcance bem mais modesto), e depois foi a vez da era do CD com o catálogo encalhado da DG no DG Collection, da também espanhola editora Altaya (mas que tinha textos incongruentes, para dizer o mínimo). O canto do cisne, me parece, foi quando a Abril ainda cavalgou nos descampados do CD nos idos de 1998-9 com uma pequena coleção chamada “Grandes Compositores”, em parceria com o grupo TIME-LIFE, acompanhando tendências internacionais. Mas aí já não havia nada além do próprio encarte do CD, sem textos mais densos e biografias mais profundas. Essa, com uma capa de design pífio, uma arte medonha e diagramação nula – apesar das excelentes gravações – , foi o desfecho de uma era de ouro das coleções de bancas.

A próxima geração que de certa forma promoveu o revival desta era de ouro no formato CD – de maneira modesta em termos comparativos gerais – foi da parceria com o jornal Folha de S.Paulo, que lançou três importantes coleções: “Coleção Folha de Música Clássica”, que retomava o formato de biografias suscintas com gravações de baixa circulação – na verdade uma reedição da coleção inglesa Royal Philharmonic Collection, mas com capas neutras bem pouco inspiradoras – e depois “Coleção Folha Mestres da Música Clássica”, essa sim que procurava unir bons textos com bons intérpretes novamente. Usando o mesmo catálogo disponível pela TIME-LIFE anteriormente, foi o mais próximo da experiência proporcionada no “Mestres pelos Mestres”, mas numa era em que a música distribuída pela internet começava a despontar, minguando a experiência da novidade. Uma terceira versava especificamente sobre Ópera (“Coleção Folha das Grandes Óperas”, também uma reciclagem em CD de uma tentativa anterior da Abril no LP) e também trazia gravações antigas de catálogo, encalhes das grandes gravadoras, algumas em registro mono – apesar de boas interpretações.

A Abril, através da equipe da Revista BRAVO!, já no fim do campeonato (e da vida) deu seu último suspiro do gênero lançando, em parceria com uma gravadora alemã chamada NAXOS, um revival da sua primeira experiência: “Grandes Compositores da Música Clássica” (a anterior de 1968 era da “música universal”). O problema era a gravação: a NAXOS se notabilizou como fenômeno de vendas num cenário francamente decadente por disponibilizar gravações baratas com intérpretes desconhecidos, alguns surpreendentemente bons, mas outros de gosto notoriamente duvidoso, em suma: uma loteria. Essa coleção tem exatamente essa característica.

Todas essas empreitadas de uma provável “nova era” das coleções foram definitivamente ofuscadas pelo avanço da tecnologia da distribuição de música pela internet, notadamente por streaming, cuja tendência foi largamente confirmada pelas imensas plataformas do Spotify, iTunes music e demais soluções no gênero. A era do CD já nasceu com seus dias contados. (para melhor explicar esse fenômeno, sugiro o ótimo livro de Norman Lebrecht, “Maestros, Obras-primas e Loucura: a vida secreta e morte vergonhosa da indústria da música clássica”)

Nesse cenário, essas coleções foram cultivadas com bem menos entusiasmos pelas novas gerações de ouvintes – a quem elas se destinavam prioritariamente. Apesar disso, sobrevive o texto de todas elas, já que introduz o leigo neste universo. Mas devo confessar: os textos da Abril da era dourada são ainda os que eu mais gosto.

Para os entusiastas e/ou saudosistas que têm a lembrança do impacto do “Mestres pelos Mestres”, compartilho aqui seus fascículos de minha época de descoberta desses clássicos, que tanto me marcaram. Gostaria de postar todos, mas infelizmente, nem todas as gravações foram lançadas em CD, algumas foram apenas em coletâneas comemorativas gigantes de alguns dos intérpretes, outras nunca foram. A Sonata de Liszt por Lazar Berman, por exemplo, nunca foi lançado em CD nem mesmo na caixa das gravações de Berman pela DG. Mas as que eu consegui reunir, aqui deixo disponibilizado para download, os fascículos escaneados e as gravações, em MP3.

Aproveitem!

Coleção Mestres pelos Mestres Abril

vol.01
Beethoven: Sinfonia no.3 em Mi Bemol Maior op.55 ‘Heróica’
Regente: Leonard Bernstein
Orquestra Filarmônica de Viena
Selo: DG (Gravação de 1980)
Download Textos do Fascículo
Download Disco em MP3 320Kbps 122,7Mb

 

Vol.02

Vivaldi: La Stravaganza op.4 (Concertos 1-6)
I Musici
Solista: Felix Ayo
Selo: PHILIPS (Gravação de 1963)
Download Texto do Fascículo
Download Disco em MP3 320Kbps 144Mb

 

 

Vol.03

Mozart: Sinfonias nos.39 (K.543) e 40 (K.550)
Regente: Sir Colin Davis
Orquestra Sinfônica de Londres
Selo: PHILIPS (Gravação de 1961)
Download Textos do Fascículo
Download Disco em MP3 320Kbps 132,1 Mb

 

 

Vol.05

Tchaikovsky: Sinfonia no.5 em Mi Menor op.64
Regente: Herbert von Karajan
Orquestra Filarmônica de Berlim
Selo: DG (Gravação de 1976)
Download Textos do Fascículo
Download Disco MP3 320Kbps 114Mb

 

 

Vol.06

Schubert: Sonata para Piano no.22 D.960, Wandere-Fantasie D.760
Solista: Alfred Brendel
Selo: PHILIPS (Gravação de 1971)
Download CAPAS do Fascículo (no text)
Download Disco MP3 320Kbps 133,8Mb

 

 

Vol.07

Brahms: Concerto para Violino em Ré Maior op.77
Solista: Christian Ferras
Regente: Herbert von Karajan
Orquestra Filarmônica de Berlim
Selo: DG (Gravação de 1964)
Download Textos do Fascículo
Download Disco MP3 320Kbps 96,7Mb

 

Vol.08

Schumann: Kreisleriana, op.16, Allegro op.8, Novelette op.21 no.8 & Romance op.28 no.2
Solista: Alicia de Larrocha
Selo: DECCA (Gravação de 1971)
Download Textos do Fascículo
Download LP em MP3 320Kbps 127Mb

 

 

Vol.09

Bach: Cantatas nos.11 (Oratório da Ascensão) & 44
Solistas: Edith Mathis, Anna Reynolds, Peter Schreier, Dietrich Fischer-Dieskau
Regente: Karl Richter
Coro e Orquestra Bach de Munique
Selo: DG (Gravação de 1975)
Download Textos do Fascículo
Download Disco MP3 320Kbps 122,1Mb

 

Vol.10

Chopin: Estudos op.10 e op.25
Solista: Tamás Vásáry
Selo: DG (Gravação de 1965)
Download Textos do Fascículo
Download Disco MP3 320Kbps 151,9Mb

 

 

Vol.11

Richard Strauss: Assim Falou Zaratustra, op.30
Regente: Karl Böhm
Orquestra Filarmônica de Berlim
Selo: DG (Gravação de 1958)
Download Textos do Fascículo
Download Disco MP3 320Kbps 80,5Mb

 

 

Vol.12

Rachmaninov: Concerto para Piano no.3 em Ré menor op.30
Solista: Vladimir Ashkenazy
Regente: André Previn
Orquestra Sinfônica de Londres
Selo: DECCA (Gravação de 1971)
Download Textos do Fascículo
Download Disco MP3 320Kbps 106,5Mb

 

Vol.13

Mendelssohn: Concertos para Violino op.Posth. & op.64
Solista: Salvatore Accardo
Regente: Charles Dutoit
Orquestra Filarmônica de Londres
Selo: PHILIPS (Gravação de 1976)
Download Textos do Fascículo
Download Disco MP3 320Kbps 138Mb

 

Vol.14

Ravel: Daphnis et Chloé
Regente: Seiji Ozawa
Orquestra Sinfônica de Boston
Coro do Festival de Tanglewood
Selo: DG (Gravação de 1975)
Download Textos do Fascículo
Download Disco MP3 320Kbps 121,2Mb

 

Vol.15

Haydn: Sinfonias nos.96 ‘Milagre’ e 103 ‘Rufar dos Tímpanos’
Regente: Antal Dorati
Philharmonia Hungarica
Selo: DECCA (Gravação de 1972)
Download Textos do Fascículo
Download Disco em MP3 320Kbps 126Mb

 

 

Vol.16

Berlioz: Haroldo na Itália, op.16
Solista: Pinchas Zukerman
Regente: Daniel Barenboim
Orquestra de Paris
Selo: CBS (Gravação de 1976)
Download Textos do Fascículo
Download Disco MP3 320Kbps 104,4Mb

 

Vol.17

Dvorák: Concerto para Violoncelo em Si Menor op.104
Solista: Pierre Fournier
Regente: George Szell
Orquestra Filarmônica de Berlim
Selo: DG (Gravação de 1962)
Download Textos do Fascículo
Download Disco MP3 320Kbps 89,8Mb

 

Vol.18

Mozart (II): Concertos para Piano nos.24 K.491 & 27 K.595
Solista e regente: Géza Anda
Camerata Academica do Mozarteum de Salzburgo
Selo: DG (Gravações de 1963 e 1969)
Download Textos do Fascículo
Download Disco MP3 320Kbps 138,7Mb

 

 

Vol.19

Beethoven (II): Sonatas para Piano “Patética”, “Appassionata”e “Ao Luar”
Solista: Claudio Arrau
Selo: PHILIPS (Gravações de 1962, 1963 e 1965)
Download Textos do Fascículo
Download Disco em MP3 320Kbps 148Mb

 

 

Vol.20

Chopin (II): Concerto para Piano no.1 em Mi Menor op.11
Solista: Maurizio Pollini
Regente: Paul Kletzki
Orquestra Philharmonia
Selo: EMI (Gravação de 1960)
Download CAPAS do Fascículo (no text)
Download Disco LP em MP3 320Kbps 89Mb

 

DAS CHUCRUTEN

Homenagem a Bernard Haitink – Ravel Orchestral Works

Bernard Haitink foi um maestro excepcional, de envergadura ímpar, mas ao mesmo tempo discreto e bem menos festejado que seus pares da mesma geração, como Bernstein e Karajan. Isso o colocava numa posição privilegiada, a de optar por uma escolha distinta de repertório e leituras altamente pessoais, o mais das vezes avesso ao espalhafatoso e ao verborrágico. Como muitos dos meus colegas do PQP, que neste momento se unem para homenagear um mestre comum, Haitink marcou cada um de nós com gravações que consideramos non plus ultra do repertório sinfônico mais destacado. Apesar de suas afamadas preferências por Mahler, Bruckner e Shostakovich, que estabelecem consenso de excelência dentre tanto apreciadores diletantes como críticos especializados, alguns dos melhores momentos de Haitink foram, para mim, com mestres franceses modernos, em especial Debussy e Ravel. Este último em particular ocupa lugar privilegiado na discografia haitinkiana. Ainda na era do LP, sua versão de 1973 da Rapsódia Espanhola é arrebatadora; para mim a que melhor equilibra a verve rítmica com a clareza das ideias na brilhante orquestração de Ravel. Sutilezas na pontuação das dinâmicas e da exuberante instrumentação fazem deste um registro imperdível. Um Menuet Antique, de feições mais modestas, com Haitink ganha ares de uma nobreza insondável. E que Alborada!

Uma manhã luminosa que enfatiza bem seu caráter gracioso e eloquente. Estas gravações foram lançadas na década de 70 em LPs pela PHILIPS e nenhuma foi relançada em CD, até as séries de relançamentos (PHILIPS DUO) dos anos 90. Haitink inclusive gravou novamente essas obras para lançamento exclusivo em CD, mas o brilho destas primeiras incursões é, para mim, insuperável.

Claro, ao falar de obras orquestrais mais conhecidas de Ravel, como o Boléro e Daphnis et Chloé, não podemos deixar de mencionar que temos ótimas versões paralelas. Mas nestas pequenas jóias menos divulgadas (Valses Nobles, Ma Mère l’Oye), Haitink nos revela um mundo novo, de íntima beleza, em que Ravel desponta como um colorista exímio, de sutileza ímpar. La Valse é estonteante. A orquestra do Concertgebouw em plena forma torna a experiência ainda mais única.

Palavra final: Há muitos bons intérpretes de Ravel, e há Haitink.

Ravel: Orchestral Works
Bernard Haitink, Royal Concertgebouw Orchestra

CD1

1.Boléro
2.Alborada del gracioso
3.Rhapsodie espagnole
4.La Valse
5.Pavane pour une infante défunte
6.Valses nobles et sentimentales

CD2

1.Menuet antique
2.Le tombeau de Couperin
3.Ma mère l’Oye
4.Daphins et Chloé: Suite No 2

DOWNLOAD AQUI MP3 320Kbps

CHUCRUTEN