.: interlúdio :. Chet Baker & Paul Bley: Diane

.: interlúdio :. Chet Baker & Paul Bley: Diane
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Tudo o que se poderia dizer de Chet Baker já foi dito. De bom e de ruim. De ruim o seu ‘biófago’ James Gavin no livro “No Fundo de um Sonho – a Longa Noite de Chet Baker”, tratou de consumar. Um livro instigante, contudo, especialmente para os fãs do genialíssimo cantor trompetista – ou vice-versa. Gavin, um desprezível réptil, apesar de ter passado com vontade o pente fino na vida do artista – expondo tudo por baixo dos tapetes –  não logrou primar no melhor: nas considerações musicais, o que o aponta como um escritor oportunista, montado na fama do biografado e nos seus revezes para lucrar o máximo possível. Deixemo-lo aos abutres e falemos de música. Não é invencionice que Charlie Parker escolheu a Baker para acompanha-lo nas suas apresentações quando de sua passagem pelo Oklahoma – terra natal de Chet. A primeira gravação de Chesney Henry (nome real de Baker, nascido em 1929) foi ao lado do grande Bird, ao vivo. Bird devasta, Chet faz o que pode, verde, porém promissor. Ao chegar a NY Bird diria a Gillespie e Miles que um carinha branco do Oklahoma iria devora-los. Bem, não era da natureza de Chet, aparentemente, devorar ninguém neste sentido, embora Bird tivesse uma visão clara das coisas no tocante à música. Baker sempre guardou a mais profunda admiração e reverência pelos reais donos daquele idioma musical, o Jazz. As vezes nas quais procurou dialogar com Miles foi rechaçado com insultos. Davis guardava muita mágoa, pois quando despontou na carreira, também acolhido por Bird, sofreu muitas críticas. Já Baker, como é usual especialmente na música Norte Americana, foi exaltado como a grande ‘estrela branca’; nesse caso, do Jazz. Os empresários da música Norte Americana e também muitos artistas brancos sempre tentaram usurpar as coroas dos artistas negros; foi essa uma das origens dos Beatles, importados da Inglaterra porque em território americano não havia quem peitasse o sucesso do Rythm and Blues negro. Inventaram Elvis – que aprendeu a dançar com Forrest Gump, se bem lembram. Mas falando de Baker, recentemente foi filmada uma película biográfica, “Born to the blues”, com Ethan Hawk no papel de Baker. Claro, não convence, como poderia? O filme beira uma pegada Rock Balboa; concentra-se no episódio no qual Baker perde mais alguns dentes numa briga. Baker sempre fora banguela mas tocava como o diabo, só que dessa vez a coisa ficou crítica. Ainda tentando falar de sua música, Baker é um dos mais originais artistas da história, especialmente dentro do Jazz, com uma concepção sonora e melódica que são pessoalíssimas e… irresistíveis.

chet baker

Dizia o saudoso Paulo Francis, que ouvia Baker por horas a fio. Acredito. Baker é hipnótico, nos captura com uma só nota e nos ‘injeta’ (acho o termo apropriado) algo que nos rouba a alma. Chet Baker é altamente ‘viciante’, seus discos deveriam vir com uma tarja informativa sobre isso. Sua abordagem ao trompete vai totalmente de encontro à natureza tradicional do instrumento: heráldica, brio, marcialidade. Também contrariando a maior influência trompetística do Jazz, Louis Armstrong, divindade suprema do gênero, cuja influência marcou e continua a marcar todos os trompetistas. O trompete de Baker em seu intimismo poderia ser remetido ao estilo do ancestral Bix Beiderbecke. Este, poderíamos dizer, um profeta do Cool Jazz, com seus melódicos e delicados solos entre as massas dançantes da orquestra de Paul Whitman. Também poderíamos tecer um paralelo entre o estilo de Baker e a abordagem suave e melódica do grande Lester Young, embora saxofonista. Que Baker era apaixonado declaradamente por Miles Davis é sabido e inquestionável, mesmo sendo por ele cumulado de diatribes. Miles é outro cujo estilo é altamente contagioso. Baker é um supremo criador de melodias. Sendo eu trompetista e tendo transcrito inúmeros solos seus, posso asseverar sua supremacia nesta área. Seus últimos anos, mesmo limitado tecnicamente pela prótese que colava às vezes com um chiclete ou porque estava ‘descompensado quimicamente’ – se me entendem – não lhe tirou os efeitos do gênio. Ainda assim, em certas gravações, ele prima em virtuosismo, a exemplo de sua grande apresentação em Tokyo, um ano antes de morrer em Amsterdam (um dos episódios mais misteriosos e comentados da história do Jazz). Mesmo em 1988, meses antes de ter caído pela janela do hotel na citada localidade, ele brilha em seu último concerto com a Radio Orchestra Hannover; NDR Big Band, dois CDs magníficos. O disco Diane é de 1985, gravado na Dinamarca. A faixa que intitula o presente disco se remete à namorada de Chet na época, Diane Vavra. Alguns consideram este o melhor disco de Baker, talvez seja, é muito difícil dizer isso de um artista que produziu tanto e com tal qualidade. A formação em dueto neste disco, com o pianista Paul Bley, acentua mais ainda o intimismo. Chet que em seus últimos anos gravou muito em trio, sem bateria. Lembrando seus brilhantes registros junto a Gerry Mulligan, no quarteto sem piano, apenas com o contrabaixo e uma percussão suave. Segundo o pianista Bley, Diane seria um álbum perfeito para se ouvir no carro, à noite, percorrendo as ruas de alguma cidade desconhecida. Chet nos captura em seu elemento, uma intraduzível atmosfera de melancolia e beleza; uma hipnótica aura sonora que nos inebria e emociona e que nos aponta – sabendo o que sabemos sobre Chet – para o grande enigma da arte. Sempre haverá algo a se dizer sobre Chet Baker, enfim.

Chet Baker & Paul Bley – Diane

  1. “If I Should Lose You” (Ralph Rainger, Leo Robin) – 7:16
  2. “You Go to My Head” ( Fred Coots, Haven Gillespie) – 7:03
  3. “How Deep Is the Ocean?” (Irving Berlin) – 5:17
  4. “Pent-Up House” (Sonny Rollins) – 3:55
  5. “Ev’ry Time We Say Goodbye” (Cole Porter) – 7:52
  6. “Diane” (Lew Pollack, Ernö Rapée) – 5:31
  7. “Skidadidlin'” (Chet Baker) – 4:16
  8. “Little Girl Blue” (Lorenz Hart, Richard Rodgers) – 5:27

Chet Baker – Trompete e vocal na faixa 2
Paul Bley – Piano

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O hipnótico Chet Baker.
O hipnótico Chet Baker.

Wellbach

.: interlúdio :. Diane Schuur: I Remember You: With Love To Stan And Frank (2014)

.: interlúdio :. Diane Schuur: I Remember You: With Love To Stan And Frank (2014)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um tremendo disco desta tremenda cantora cega que vê muito mais do que a esmagadora maioria de nós. Enquanto alguns vocalistas escolhem entre o lucro e o jazz, Schuur leva ambas as carreiras com competência. Ela está constantemente entre as salas de concertos e os pequenos clubes. Seu estilo incorpora tanto a interpretação do jazz sutil quanto o rhythm and blues. Neste recente CD, Diane Schuur dá um banho ao homenagear Mr. Getz (clonado pelo saxofonista Joel Frahm) e o um certo crooner de sobrenome Sinatra. Sua voz parece estar cada vez mais linda. As novas roupagens da músicas são do caraglio, e o bicho pega, principalmente quando Schuur se solta e improvisa.

Diane Schuur: I Remember You: With Love To Stan And Frank (2014)

01. S’ Wonderful (3:32)
02. Nice N Easy (4:11)
03. Watch What Happens (5:09)
04. I’ve Got You Under My Skin (5:21)
05. How Insensitive (5:09)
06. Here’s That Rainy Day (6:42)
07. Didn’t We (5:52)
08. I Remember You (3:02)
09. I Get Along Without You – Don’t Worry ‘Bout Me (5:01)
10. The Second Time Around (4:58)
11. For Once In My Life (2:56)

Diane Schuur: vocals;
Alan Broadbent: arrangements, piano;
Roni Ben-Hur and Romero Lubambo: guitars,
Joel Frahm: saxophone,
Ben Wolfe: bass;
Ulysses Owens Jr.: drums.

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Diane Schuur:
Diane Schuur: que voz!

PQP

.: interlúdio :. Dreyfus Night in Paris – Miller, Petrucciani, Garrett, Lagrene & White

61oa6qTvBIL._SS500_SS280Se neste CD tivesse apenas a versão deste super quinteto para o clássico “Tutu” do Miles Davis já valeria a pena sua aquisição. O que estes caras fazem não está no gibi, como dizia meu querido e saudoso pai.
Em primeiro lugar vamos conferir quem faz parte deste super grupo:

Kenny Garrett – Sax – tocou com Miles
Marcus Miller – Baixo – tocou com Miles
Birele Lagrene – Guitarrista – Tocava com o Jaco Pastorius
Lenny White – Baterista – Tocou com todo mundo, inclusive com o Miles
Michel Petrucciani – Pianista. Tocou com… Petrucciani, dentre outros, mas não lembro de ter gravado com o Miles.

A gravação deste petardo ocorreu em uma determinada noite de 1994 em Paris, só com músicos da gravadora Dreyfus. E o Cd só tem três faixas, que totalizam 50 minutos de puro prazer e virtuosismo absurdo. Cada um destes músicos tem ou teve uma sólida carreira solo e são reconhecidos pelo seu talento, versatilidade e virtuosismo. Mas eu já tinha usado este adjetivo antes. Então vamos ao que viemos

01 – Tutu
02 – The King Is Gone
03 – Looking Up

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.: interlúdios :. Dois Kennies, o Werner e o Wheeler, e uma confusão

.: interlúdios :. Dois Kennies, o Werner e o Wheeler, e uma confusão

Pois eu peguei dois CDs de Kenny Wheeler e botei para tocar no carro. Achei estranho. O primeiro não parecia ser de Wheeler. Ele estaria tocando uma música dos The Animals, House Of The Rising Sun? Mais do que estranho, mas mesmo assim era bom, muito bom até. Um sonzaço de big band. Aí fui ver e era de Kenny WERNER, de uma big band de Bruxelas. Fui ver o segundo e era mesmo de Wheeler. Os dois Kennies estão aí para vocês os compararem. Menos mal que não era o Kenny G.

Duas excelentes big bands para esta terça-feira.

Kenny Werner & Brussels Jazz Orchestra – Institute of Higher Learning (2011)

1. Cantabile 1st 10:46
2. Cantabile 2nd 10:53
3. Cantabile 3rd 6:28
4. Second Love Song 7:46
5. House Of The Rising Sun 10:11
6. Compensation 13:00
7. Institute Of Higher Learning 10:24

Personnel:
Kenny Werner: piano; Peter Hertmans: guitar; Jos Machtel: double bass; Martijn Vink: drums; Frank Vaganee: artistic director, lead alto and soprano saxphones; Dieter Limbourg: alto and soprano saxophones, clarinet, flute; Kurt Van Herck: tenor saxophone, flute; Bart Defoort: tenor saxophone, clarinet; Bo Van der Werf: baritone saxophone, bass clarinet; Serge Plume: lead trumpet, flugelhorn; Nico Schepers: trumpet, flugelhorn; Pierre Drevet: trumpet, flugelhorn; Joeroen Van Malderen: trumpet, flugelhorn; Marc Godfried: lead trombone; Lode Mertens: trombone; Ben Fleerakkers: trombone; Laurent Hendrick: bass trombone.

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Kenny Wheeler Big Band – The Long Waiting (2012)

1. Canter N.6 [04:18]
2. Four, Five, Six [09:50]
3. The Long Waiting [07:27]
4. Seven, Eight, Nine [05:33]
5. Enowena [11:23]
6. Comba N.3 [07:58]
7. Canter N.1 / Old Ballad [14:11]
8. Upwards [07:47]

Personnel:

John Parricelli – Guitar
Julian Arguelles – Soprano & Tenor Sax
Martin France – Drums
John Taylor – Piano
Kenny Wheeler – Trumpet, Flugelhorn
Pete Churchill – Conductor
Diana Torto – vocals
Ray Warleigh – Alto Sax
Duncan Lamont – Alto Sax
Stan Sulzmann – Tenor Sax
Julian Siegel – Tenor Sax
Henry Lowther – Trumpet
Derek Watkins – Trumpet
Tony Fisher – Trumpet
Nick Smart – Trumpet
Mark Nightingale – Trombone
Barnaby Dickinson – Trombone
Dave Horler – Trombone
Dave Stewart – Bass Trombone
Chris Laurence – Bass

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Werner
Werner
Wheeler
Wheeler

PQP

.: interlúdio :. Herbie Hancock – Maiden Voyage

coverDentro da imensa discografia do pianista Herbie Hancock este com certeza é um de seus melhores discos. Gravado quando tinha apenas vinte e cinco anos de idade, traz um timaço de músicos, em uma das melhores formações de quinteto da história do Jazz. Freedie Hubbard, George Coleman , Ron Carter & Tony Williams já estavam se consolidando como grandes músicos que eram, naquele longinquo 1965, ano em que este que vos escreve nasceu. A faixa título, ‘Maiden Voyage’, se tornou um clássico do jazz.
Em outras palavras, cinco excepcionais jovens músicos fazendo seus nomes serem inscritos na história. Para se ouvir a exaustão, sem medo de ser feliz.

01 Maiden Voyage
02 The Eye Of The Hurricane
03 Little One
04 Survival of the Fitest
05 Dolphin Dance

Herbie Hancock – Piano
George Coleman – Tenor Sax
Freddie Hubbard – Trumpet
Ron Carter – Bass
Tony Williams – Drums

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.: intermezzo :. Besame Mucho: Dominick Farinacci

.: intermezzo :. Besame Mucho: Dominick Farinacci

Nos ecos do trompete de Al Hirt, trazido, para meu enaltecimento e honraria pelo compadre mestre Avicena, trago um maravilhoso trompetista menos conhecido em nossas paragens. O formidável Dominick Farinacci, americano de Cleveland – Ohio; nascido em 3 de março de 1983, ou seja, na ponta do ramo de uma nova e brilhante geração de trompetistas. Também compositor e band-leader, Dominick foi um dentre apenas 18 classificados em todo mundo pela Julliard School num programa especial de bolsas para quatro anos de formação. Teve sua carreira impulsionada por Wynton Marsalis, seguindo-se então uma sucessão de êxitos e prêmios. Segundo nos conta Dominick, sua preferência de menino teria sido tornar-se baterista. Para nossa sorte ele não demonstrou talento nesse instrumento e o maestro de sua escola declarou que precisavam na verdade de trompetistas. Os êxitos de Dominick não turvaram sua modéstia. Digo isso por razões que explicarei a seguir. Particularmente falando, posso me orgulhar, como trompetista, de partilhar com ele duas coisas em comum: o trompete e o fato de termos sido inspirados por Louis Armstrong – como aconteceu com inúmeros outros músicos ligados ao Jazz no decurso do século XX. Explico o meu caso. Quem se lembra das velhas TVs Telefunken, aquelas em preto e branco, valvuladas, que passávamos os parcos canais naqueles botões para direita e para esquerda, trock-trock… pois é. Foi numa delas, na casa da minha avó em Caruaru – Pe, que em 1971 vi notícias sobre o falecimento de Satchmo, ou Pops, ou ainda Papa Louis. Aqueles sons e aquela figura incrível, com sua voz indescritível, me tomaram para sempre. Somente anos depois, devido a certa carência de informações no meu contexto, pude conhecer mais sobre ele, todavia, o gosto pelo instrumento permaneceu e acabei virando trompetista. Com Dominick, segundo ele mesmo, se deu algo similar. Suas inspirações foram Louis Armstrong e Harry James. Sei que em 1983, quando a cegonha o trouxe ao mundo, eu estava mergulhado no disco Hello Dolly e nos fascículos da ótima e misericordiosa série Gigantes do Jazz da Editora Abril. Especialmente no primeiro disco, de Louis, que ouvi até o vinil ficar branco. Não vem ao caso mas… vou contar que é divertido: Fascinado pelo jazz de New Orleans, em minha fantasia de moleque de 13, 14 anos, a cidade em que eu então vivia – no interior de Sergipe – era a própria New Orleans. Reuni uns colegas, clarineta, trombone, percussão, tuba; mostrava as gravações pra eles e tentávamos macaquear o que ouvíamos com resultados desastrosos mas empolgantes. Assim foi fundada a “Jass Band Itabaiana City” (SSs propositais, conforme as primeiras bandas do gênero). Todos tinham nomes de guerra: Lord Cotonete (eu), Kid Sacabuxa (o trombonista Roberto Millet), Zero (o clarinetista Aroldo Santos), Touro Sentado à bateria (meu pai Uéliton Mendes RIP) e por fim Salário Mínimo (meu irmão mais novo Saulo Mendes ao cavaquinho). Então fazíamos funerais de New Orleans pelas ruas, com uma grande caixa de papelão como um caixão de defuntos, que a molecada ajudava a carregar. Era um espanto. As pessoas não tinham ideia do que diabo era aquilo, espantávamos os cavalos na feira, choviam batatas sobre nós… é isso, contei. Adiante.

Falando então do que pontuei acima, a modéstia do artista. É encantador quando a um grande talento se soma a virtude da humildade. A música é muito reveladora, em diversos aspectos. Particularmente falando, abomino virtuosismo gratuito. Ou a habilidade serve à música, como no caso de Liszt, ou que o sujeito vá tocar suas mil notas por segundo numa corda bamba, com uma melancia na cabeça e um macaco hidrófobo dentro das calças. Francamente. Um trompetista renomado que me causa certa aversão é o magnífico cubano Arturo Sandoval, especialmente quando não está em seu habitat musical natural: os estilos de sua ilha natal. Ao jazz Arturo se empenha obsessivamente em demonstrar que é o pisto mais rápido do Oeste e que toca para além das estratosferas agudas como nenhum outro – sempre perderá para Jon Faddis e Maynard Ferguson. É algo deveras irritante. Faço essa extrema comparação para pontuar a sobriedade do estilo de Dominick. Fraseador formidável, mais afeito ao gênio de Chet Baker a ao comedimento cool de Miles Davis, sem ser glacial. Um maravilhoso melodista, que busca em suas improvisações o discurso eloquente, porém expressivo. Já realizou bom número de álbuns e continua a todo vapor em sua carreira, todavia não precisa expor nos seus encartes os dotes físicos, como andou fazendo o Chris Botti – possivelmente imitando as antológicas fotos de Chet Baker por William Claxton; mas também um bom trompetista.

Outro dom fundamental de Dominick é o bom gosto na escolha do seu repertório. Neste disco, a faixa título é um tema icônico das antigas, todos conhecem ‘Besame Mucho’, da pianista e compositora mexicana Consuelo Velásquez (1916-2005), peça de 1940; que já tive o prazer de tocar em mil e uma noites nas serestas de meus anos passados pelos interiores, sempre com prazer. De música bonita a gente não cansa. Consuelo disse que se inspirou em uma ária de ópera de Henrique Granados (fica o desafio pra quem quiser nos dizer qual é). Poucos sabem que até os Beatles gravaram Besame Mucho, numa fracassada sessão de gravações em 1961, porém, a faixa viria à tona em uma antologia futura. João Gilberto também gravou o tema, muito depois do suicídio do seu gato. O disco abre com ‘Ghost of A Chance’, baladíssima usual no repertório de inúmeros jazzistas, embora a suprema gravação seja de Clifford Brown em um dos zênites do jazz. A segunda faixa foi um ‘desconcerto’ quando ouvi pela primeira vez. Em que esquina de NY Dominick teria se batido com Herivelto Martins?! A antológica canção brasileira ‘Caminhemos’. Belíssimo tema aqui tratado com belo arranjo e maravilhosa interpretação. A quinta faixa também é do fundo do baú e também do repertório do Al Hirt no filme Candelabro Italiano – ‘Al Di La’. Em seguida, Piazzolla, o intenso ‘Libertango’. Na faixa 8 um clássico do repertório Bebop, o melódico tema Nostalgia, do soberbo trompetista Fats Navarro. Na décima faixa outra baladíssima, a sinatriana ‘You go to my head’.

Não sei se Dominick reclamaria disso, mas o disco tinha apenas 11 faixas e acrescentei mais três. O fiz, a princípio, porque são temas que ele interpreta maravilhosamente; também porque havia pensado em somente duas faixas e isso daria um número azarento, assim acrescentei mais uma e ficaram 14 faixas. Não são quaisquer temas. Na faixa 12, eu diria que Dominick dá um ‘ciao’ – seu sobrenome Farinacci (que se ele não fosse um cara modesto poderia ter mudado), evidencia sua origem italiana. O tema de Nino Rota ‘Speak Softly Love’ do poderoso Chefão, que todos conhecem… Olha lá, não quero dizer que o Dominick seja afilhado de nenhum Dom Corleone (mas também nada contra, quem me dera!); seja como for, olhando para ele podemos considerar que ficaria ótimo como um talentoso e simpático ragazzo trompetista na trilogia de Coppola. A outra faixa acrescentada é o bonito tema Estate, de Bruno Martino e por fim um lindo tema imortalizado no jazz por John Coltrane: Say It.

Após estas considerações nas quais figuraram apreciações, confidências e diatribes, vamos à música, com o talentoso Dominick Farinacci.

Besame Mucho: Dominick Farinacci

1 Ghost of A Chance
2 Caminhemos
3 It’s all right with me
4 Besame Mucho
5 Al Di La
6 Libertango
7 Shmoove
8 Nostalgia
9 Jimmy two times
10 You go to my head
11 Down to the wire
12 Speak Softly Love
13 Estate
14 Say It

Dominick Farinacci, (trumpet)
Adam Birnbaum (piano)
Peter Washington (bass)
Carmen Intorre,jr. (drums)
Recorded: NYC, April 17-18,2004

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trompetista

Wellbach

.: interlúdio :. moreorlessjazz CD 2 – Vários

coverMais um volume desta ótima coletânea, intitulada More Or Less Jazz com ótimos momentos, inclusive conseguiram fazer com que a canção de James Cullum se encaixasse muito bem entre as diversas escolhas. Como falei na postagem do primeiro CD, não gosto de coletâneas, mas tenho de tirar o chapéu para elogiar o bom gosto dos produtores.
Ideal para encontros de velhos amigos, para jogar conversa fora, ou então, para ouvir no carro, ajuda a passar o tempo nos intermináveis congestionamentos de nossas cidades.
Espero que apreciem.

01. Silje Nergaard – Let There Be You
02. Lisa Ekdahl – The Color Of You
03. Jamie Cullum – These Are The Days
04. Steve Tyrell – The Very Thought Of You
05. Rick Braun – What Are You Doing The Rest Of Your Life
06. Ella Fitzgerald & Joe Pass – That Old Feeling
07. Gretchen Parlato – Flor De Lis
08. Stan Getz & Charlie Byrd – Samba Triste
09. Chris Botti – La Belle Dame Sans Regrets
10. rejazz feat. Lisa Bassenge – All I Need
11. Slow Train Soul – Twisted Cupid
12. Gordon Haskell – Tell Me All About It
13. Michael Keashammer – Comes Love
14. Jacqui Naylor – My Funny Valentine

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Friedrich Gulda (1930-2000): Jazz Works – com J.J.Johnson, Freddie Hubbard, Sahib Shihab e Eurojazz Orchestra

IMG_20160602_080123bNão se enganem: isto não é uma “curiosidade” que “talvez valha a pena baixar”… É Música com M Maiúsculo.

Não se costuma pensar em Gulda como compositor e sim como pianista – e muitas vezes como um pianista questionável por suas ousadias heterodoxas, mesmo tendo sido professor de gente como Marta Argerich e Claudio Abbado – mas aqui Gulda comparece não só como pianista, mas também como band leader e autor das três composições, cuja proposta vamos deixar que ele mesmo explique:

    Music for Four Solists and Band No. 1 é uma nova obra em uma série de composições em que venho tentando abrir para o jazz as formas clássicas maiores (sonata, sinfonia, concerto etc.). Creio que até agora o jazz se confinou em formas muito estritas e esquemáticas – quase só a da canção ou balada de 32 compassos e do blues de 12 compassos. Hoje muitos músicos jovens vêm se dando conta da limitação dessas formas, e tentam libertar-se delas de golpe, abrindo mão de toda e qualquer forma e jogando fora tudo o que foi legado pela tradição (free jazz).

    Eu acredito que há outra saída: não é apenas explodindo as formas que o jazz teve até agora que seus limites podem ser dilatados, mas também mediante o seu enriquecimento através das grandes formas clássicas. Europeu que sou, este último caminho me parece o mais frutífero. Tenho a sensação de que simplesmente ainda não foram percebidas as possibilidades que nossa grande tradição musical oferece ao jazz. Longe de esgotadas, essas possibilidades são novas e vigorosas. Os jazzistas europeus se miram em New Orleans, Harlem ou no South Side de Chicago, mas nem assim conseguem assimilar a tradição do negro americano em sua plenitude. Nunca entendi por que não recorrem mais intensamente à sua própria tradição!

    A Music for Four Solists and Band é uma obra para quatro solistas – trompete, trombone, sax barítono alternado com flauta, e piano – na forma clássica de concerto em três movimentos: 1º: Forma-de-sonata com uma introdução lenta, exposição, desenvolvimento, reexposição e coda. – 2º: Balada com um e meio “choruses” (variações), com introdução e cadência do piano. – 3º: Rondó. […]  (Traduzido por Ranulfus)

Ou seja: a cooperação entre tradição clássica e jazz que Gulda propõe e realiza não é um maneirismo: uma descaracterização de composições clássicas interpretando-as à maneira de jazz, nem uma descaracterização do jazz interpretando-o à maneira clássica (p.ex. em arranjos para orquestra sinfônica): trata-se de “jazz de verdade” – em suas características harmônicas, melódicas, rítmicas, tímbricas, prosódicas, etc. – que apenas faz uso complementar de técnicas composicionais originárias da tradição europeia. E a isso este monge só pode voltar o entusiasmo devido a uma realização intelectual do mais alto nível!

Nas duas outras peças do disco vemos um caminho misto: o “Minueto” não se restringe a um uso de forma: este mescla, sim, materiais melódicos, rítmicos, harmônicos, bem como estilos de interpretação, de origem europeia e jazzística. Que cada um avalie como lhe aprouver; da minha parte, não deixo de achar uma peça encantadora.

Já no “Prelúdio e Fuga”, peça para piano solo que conclui o disco, temos um prelúdio (forma livre) em que predomina a vertente europeia, e uma fuga (forma fortemente regrada) onde predomina o jazz: bem o contrário do que seria de esperar, no que talvez possamos ver mais um exemplo da verve intelectual do Sr Friedrich. (Vale ainda notar que mais tarde esta Fuga foi gravada mais de uma vez pelo recém-falecido Keith Emerson – inclusive no álbum ao vivo Welcome back, my friends, to the show that never ends, postado aqui recentemente pelo colega FDP, onde mesmo um fã de E.L.& P., como eu, tem que reconhecer que Keith não se saiu muito bem).

Digno de nota, ainda, que colaborem com Gulda neste seu projeto cinco dos maiores jazzistas estadunidenses da segunda metade do século XX – quatro deles negros: além dos solistas nomeados logo abaixo, Ron Carter foi o baixista e Mel Lewis o baterista da “Eurojazz Band”, ao lado de nove jazzistas nascidos de fato na Europa.

Finalmente: esta postagem marca a volta do “monge Ranulfus” à arte da digitalização do vinil, que aprendeu em 2010 com o colega Avicenna e chegou a praticar até outubro daquele ano, tendo aí que deixá-la de lado devido a contingências da vida. Restabelecidas agora as condições mínimas, Ranulfus ainda não sabe com que frequência conseguirá praticá-la, mas mesmo assim informa que tem cerca de 50 LPs (ou vinis) à espera. Por essa e por muitas outras razões esta postagem vai carinhosamente dedicada ao “decano do PQP”, nosso querido Avicenna!

Friedrich Gulda:
M
USIC FOR 4 SOLOISTS AND BAND No.1   [M4SB1] 
01 Primeiro movimento  9’38”
02 Segundo movimento  8’25”
03 Terceiro movimento  6’44”

04 MINUET (da suíte Les Hommages) 6’47”

05 PRELUDE AND FUGUE 4’11”

Freddie Hubbard (1938-2008), trompete
J. J. Johnson (1924-2001), trombone
Sahib Shihab (Edmond Gregory) (1925-1989), sax barítono e flauta
Friedrich Gulda (1930-2000): piano, composição e direção
Eurojazz Orchestra
Gravado na Áustria em 1965
Digitalizado em 2016 por Ranulfus, com assistência de Daniel S.,
a partir do LP remasterizado em estéreo lançado na Alemanha nos anos 70.

.  .  .  .  .  .  .  BAIXE AQUI – download here – FLAC: 210 MB

.  .  .  .  .  .  .  BAIXE AQUI – download here – MP3 320 kbps: 80 MB

Ranulfus

.: interlúdio :. Pat Metheny – The Unity Sessions. Cuong Vu Trio Meets Pat Metheny

Pacotaço duplo com dois petardos recém lançados pelo Pat Metheny. PQPBach me intimou a postar estes cds depois que fiz propaganda deles no Facebook, tipo menino faceiro porque ganhou um sorvete.
No primeiro, Metheny retorna com sua Unity Band, um quarteto sem piano mas com sax. No segundo, ele se reúne ao trompetista Cuong Vu, velho conhecido dos que acompanham a carreira do guitarrista há mais tempo. Basta lembrar do excelente “Speaking of Now”, de 2002, onde Vu nos é apresentado com todo o seu talento e virtuosismo.
Nos dois cds, não podemos dizer que apenas Metheny se destaca, pois o talento dos músicos com quem toca é indiscutível. Mas é ele quem norteia, é ele quem dá o rumo. A inconfundível timbragem de sua guitarra se destaca no meio dos experimentalismos do trompete de Vu.
Aviso: os que não estão familiarizados com o jazz moderno que essa galera vem tocando podem estranhar um pouco a sonoridade, mas basta ouvirem algumas vezes que garanto que irão gostar e muito,principalmente o cd que conta com a participação do trio de Cuong Vu.

00-pat_metheny-the_unity_sessions-web-2016Pat Metheny – The Unity Sessions

1. Adagia
2. Sign of the Season
3. This Belongs to You
4. Roof Dogs
5. Cherokee
6. Genealogy
7. On Day One
8. Medley Phase DanceMinuanoMidwestern NightsThe Sun in MontrealOmaha CelebrationAntoniaLast Train Home
9. Come and See
10. Police People
11. Two Folk Songs
12. Born
13. Kin (–)
14. Rise Up
15. Go Get It

Pat Metheny – Guitars
Chris Potter – Clarinet (Bass), Flute, Guitar, Sax (Soprano), Sax (Tenor)
Antonio Sanchez – Drums
Ben Williams – Bass

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frontCuong Vu & Pat Metheny – Cuong Vu Trio Meets Pat Metheny (2016)

1. Acid Kiss
2. Not Crazy (Just Giddy Upping)
3. Seeds of Doubt
4. Tiny Little Pieces
5. Telescope
6. Let’s Get Back
7. Tune Blues

Pat Metheny Guitars
Ted Poor Drums
Stomu Takeishi Bass
Cuong Vu Trumpet

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.: interlúdio :. Carla Bley & Her Remarkable Big Band – Appearing Nightly (2006)

.: interlúdio :. Carla Bley & Her Remarkable Big Band – Appearing Nightly (2006)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

80 anos de Carla Bley !!!

O jazz atacou severamente aqui em casa ontem à noite. Enquanto os céus caíam sobre Porto Alegre, deixando desabrigados no interior, nós — um grupo de umas dez pessoas aqui em casa — discutíamos se havia ou não uma flauta e um órgão na Big Band de Carla Bley. Havia ambos, prova de que eu estava bêbado mas permanecia com os ouvidos em pleno funcionamento, ao contrario da maioria. Quando ficamos com a eletricidade em apenas uma fase, tivemos a sorte de que o aparelho de som permaneceu funcionando, assim como os vinhos.

E aqui está o registro principal da noite, o mais explorado, o Appearing Nightly da maravilhosa compositora, arranjadora e pianista Carla Bley.

Divirtam-se.

.: interlúdio :. Carla Bley & Her Remarkable Big Band – Appearing Nightly (2006)

1 Greasy Gravy
2 Awful Coffee
3 Appearing Nightly At The Black Orchid
4 Someone To Watch
5 I Hadn’t Anyone ‘Till You

Lew Soloff, Earl Gardner – trumpet
Steve Swallow – upright bass
Billy Drummond – drums
Christophe Panzani – tenor saxophone
Carla Bley – piano
Andy Sheppard – tenor saxophone
Gary Valente – trombone
Karen Mantler – organ
Julian Arguelles -baritone saxophone
Wolfgang Pusching – flute, alto saxophone
Richard Henry trombone
Beppe Calamosca – trombone
Florian Esch – trumpet
Gigi Grata – trombone
Roger Jannotta – flute, soprano saxophone, alto saxophone

Recorded August 2006

ECM

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Carla Bley e sua Big Band mandando bala
Carla Bley e sua Big Band mandando bala. O rapaz ali é um de seus pupilos, Charlie Haden

PQP

.: interlúdio :. Bela Fleck & Edgar Meyer – Music for Two

albumcover 1No final do ano passado nosso sumido colega Vassily Grienrikovich trouxe um outro cd deste genial músico chamado Béla Fleck com este outro excepcional músico chamado Edgar Meyer. Resolvi então fuçar meu acervo até encontrar e trazer outro grande cd com esta mesma dupla, mostrando o que o Banjo e o Contrabaixo podem fazer juntos. Detalhe: esta gravação é ao vivo. Usando uma velha gíria posso afirmar categoricamente que os dois pintam e bordam, explorando todas as possibilidades dos instrumentos. Detalhe: além de contrabaixista, Edgar Meyer é um ótimo pianista, e por este mesmo motivo as possibilidades triplicam.
Discaço … ideal para aqueles que querem descobrir novas sonoridades.

01 – Bug Tussle (Bela Fleck)
02 – Invention No. 10 BWV 796 (J.S.Bach)
03 – Pile-up (Fleck, Meyer)
04 – Prelude No. 24 BWV 869 From The Well-Tempered Clavier, Book I (J.S.Bach)
05 – Solar (Miles Davis)
06 – Blue Spruce (Fleck)
07 – Canon (Meyer)
08 – The One I Left Behind (Fleck)
09 – Menuett I-II From Partia No.1  BWV 825 (J.S.Bach)
10 – Prelude No.2 BWV 847 From The Well-Tempered Clavier, Book I (J.S.Bach)
11 – Palmyra (Fleck, Meyer)
12 – The Lake Effect (Fleck)
13 – Largo From Sonata (Henry Eccles)
14 – Allegro Vivace From Sonata (Henry Eccles)
15 – Wrong Number (Fleck, Meyer)
16 – Woolly Mammoth (Fleck, Meyer)
17 – Wishful Thinking (Meyer)

Béla Fleck – Guitar, Banjo
Edgar Meyer – Double Bass, Piano

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.: interlúdio :. Kenny Wheeler — A Long Time Ago

.: interlúdio :. Kenny Wheeler — A Long Time Ago

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Poucos artistas tiveram, como Kenny Wheeler, a felicidade e a infelicidade de serem ao mesmo tempo reverenciados e ignorados. Se a gente conversa com um músico de jazz, notamos que o nome do canadense Wheeler recebe todos os Ohhhs e Ahhhs regulamentares, ou seja, a mais alta estima. Mas esta entidade estranha chamada grande público não tem ideia do quão valioso foi este trompetista falecido em 2014 aos 84 anos. Seus projetos na ECM foram absolutos sucessos de crítica, mas… Bem, vocês já sabem que não venderam.

Nesta gravação, Wheeler aparece com uma espécie de big band de câmara. São oito metais mais o pianista John Taylor e o guitarrista John Parricelli. O disco é uma joia de sonoridade e musicalidade. Para os pequepianos mais radicais em seu amor aos eruditos, há uma fuga chamada Going for Barroco que é uma loucura.

O cerne do disco é The Long Time Ago Suite, uma peça de mais de 30 minutos que é de babar. Partindo de alguns motivos simples, Wheeler desenvolve a música através de trocas múltiplas de naipes e andamentos. O próprio Wheeler dá um banho com seu flugelhorn durante toda a meia hora. Outra faixa maravilhosa é a outra Suíte, Gnu.

Kenny Wheeler — A Long Time Ago

1 The Long Time Ago Suite
2 One Plus Three (Version 1)
3 Ballad for a Dead Child
4 Eight Plus Three / Alice My Dear
5 Going for Baroque
6 Gnu Suite
7 One Plus Three (Version 2)

Kenny Wheeler flugelhorn
John Taylor piano
John Parricelli guitar
Derek Watkins trumpet
John Barclay trumpet
Henry Lowther trumpet
Ian Hamer trumpet
Pete Beachill trombone
Richard Edwards trombone
Mark Nightingale trombone
Sarah Williams bass trombone
David Stewart bass trombone
Tony Faulkner conductor

Recorded September 1997 and January 1998

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Kenny Wheeler em 2013
Kenny Wheeler em 2013

PQP

.: interlúdio :. moreorlessjazz – Vários

coverNão sou muito afeito a coletâneas mas tive de dar o braço a torcer para esta coleção. Coloquei alguns dos cds (são nove ao todo) em um pen drive e deixei tocando no carro, enquanto estava no trajeto trabalho – serviço e vice versa. E gostei da sensação. São canções bem leves, adequadas a combater o stress, e quem encara o dia a dia no trânsito sabe do que estou falando.

Conheço poucos dos artistas selecionados, mas satisfez o meu gosto. Não cai na monotonia, nem na obviedade de alguns destes músicos especializados em música para elevador. Não vou citar nomes para não criar polêmica. Curiosamente, a canção que abre este primeiro CD é da Madeleine Peyroux, que apareceu recentemente aqui no PQPBAch, pelas mãos de nosso guru e mentor.

Espero que gostem. Dependendo do número de downloads posso trazer mais alguns volumes da série.

01. Madeleine Peyroux – Don’t wait too long
02. Peter Cincotti – Some kind of wonderful
03. Renee Olstead – A love that will last
04. Nils Landgren – Fragile
05. Terry Callier – Paris Blues
06. Kevyn Lettau – Message in a bottle
07. Fessler – If you never come to me
08. Andy Ezrin – Stompin’ at the savoy
09. Michael Franks – Monk’s new tune
10. Stacey Kent – Under a blanket of blue
11. Slim Man – Sweet little angel
12. David Sanborn – Daydreaming
13. Stephan Oberhoff – Amistad
14. Z Start – Lonely
15. Peter Eldridge – Someone to lighten up my life
16. Freddie Ravel – In a sentimental mood

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.:interlúdio :. John McLaughlin & The 4º Dimension – The Boston Records

FrontIM-PER-DÍ-VEL !!!

Uma prova de que o jazz sempre está se reinventando pode ser encontrado neste absurdo CD do genial McLaughlin. Cercado mais uma vez de um grupo de músicos excepcionais, o guitarrista britânico dá um show de competência técnica, virtuosismo. Como um amigo comentou dia destes, ao sair de um show deles em Curitiba, estes caras não são seres humanos normais. Eles já ultrapassaram este limite. São sobre-humanos.
Ouço este estilo de jazz já há uns quarenta anos, então sou suspeito para falar dele. McLaughlin faz parte daquele seleto time de músicos que ultrapassaram barreiras, quebraram paradigmas, se reinventaram, enfim, nunca temeram se expor.
É difícil dizer qual o melhor momento do CD. Talvez a primeira faixa, Raju, já dê uma amostra do que vem pela frente.
Para ser apreciado sem moderação. É para se ouvir duzentas vezes seguidas, sem medo de ser feliz.

01 – Raju
02 – Little Miss Valley
03 – Abbaji
04 – Echos From Then
05 – Senor C. S.
07 – Maharina
08 – Hijacked
09 – You Know You Know

John McLaughlin – Guitar
Etienne M´Bappe – Bass
Ranjit Barot – Drums
Gary Husband – Keyboards & Drums

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.: interlúdio :. Madeleine Peyroux: Bare Bones

.: interlúdio :. Madeleine Peyroux: Bare Bones

Como este CD de Peyroux parece ter tocado profundamente o coração dos pequepianos, postamos outro da cantora norte-americana de voz tão parecida com a de Billie Holiday, interpretando suas canções. Peyroux nasceu no sul dos Estados Unidos. Seu pai era um eterno aspirante a ator que ouvia música a toda a hora, sua mãe era professora de francês. Peyroux diz que eram, na verdade, dois hippies e “educadores excêntricos”. Ela conta que a música era a forma de juntar a família num local “especial e escondido” da casa. Bare Bones é todo composto por originais, nada de entremear clássicos às próprias composições e às de seus músicos.

Madeleine Peyroux: Bare Bones

1 Instead 5:12
Percussion, Organ [Estey] – Larry Klein
Written-By – J. Coryell*, M. Peyroux*
2 Bare Bones 3:26
Written-By – L. Klein*, M. Peyroux*, W. Becker*
3 Damn The Circumstances 4:36
Written-By – D. Batteau*, L. Klein*, M. Peyroux*
4 River Of Tears 5:20
Written-By – L. Klein*, M. Peyroux*
5 You Can’t Do Me 5:03
Backing Vocals – Luciana Souza, Rebecca Pidgeon
Written-By – L. Klein*, M. Peyroux*, W. Becker*
6 Love And Treachery 4:19
Written-By – J. Henry*, L. Klein*, M. Peyroux*
7 Our Lady Of Pigalle 4:19
Trumpet, Fiddle [Nyckelharpa] – Carla Kihlstedt
Written-By – D. Batteau*, L. Klein*, M. Peyroux*
8 Homeless Happiness 3:58
Written-By – J. Coryell*, M. Peyroux*
9 To Love You All Over Again 3:58
Written-By – D. Batteau*, M. Peyroux*
10 I Must Be Saved 4:44
Written-By – M. Peyroux*
11 Somethin’ Grand 3:44
Written-By – L. Klein*, M. Peyroux*, S. Wayland*

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Madeleine Peyroux
Madeleine Peyroux

PQP

.: interlúdio :. In Montreal – Egberto Gismonti & Charlie Haden

front GISMONTIIM-PER-DÍ-VEL !!!

Juntar dois excepcionais músicos do calibre de Egberto Gismont e Charlie Haden só poderia gerar um belíssimo CD, daqueles que nos emocionam e que não cansamos de ouvir.

Essa gravação ao vivo foi realizada em 1989 e o CD só foi lançado em 2001, e devo ter adquirido esse CD lá por 2009, algo assim. Estava guardado no meio de minha bagunça, e ao abrir determinada gaveta, deparei-me com ele. Fazia algum tempo que não o ouvia. E lamento muito não ter prestado mais atenção nele quando o adquiri.

01. Salvador
02. Maracatu
03. First Song
04. Palhaco
05. Silence
06. Em Familia
07. Loro
08. Frevo
09. Don Quixote

Charlie Haden _ Double Bass
Egberto Gismonti – Guitar, Piano

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.: interlúdio :. Wes Montgomery – The Montgomery Sessions

81XXbK0+M8L._SL1425_Eis uma trilha sonora ideal para um começo de manhã… jazz de primeiríssima qualidade, com músicos excepcionais liderados pelo grande Wes Montgomery. As coisas funcionam tão bem neste cd duplo que a gente fica se perguntando como podem surgir excrecências como o que temos ouvido nos rádios e na televisão ultimamente …???

Trata-se de um disco gravado em família, onde Wes junta-se aos seus irmãos Monk e Buddy, além, é claro, de outros músicos convidados, Para a audição deste CD duplo sugiro que os senhores sentem-se em suas melhores poltronas, abram uma garrafa de um bom vinho, e prestem atenção a cada detalhe e nuance. Nenhum dos irmãos tinham educação musical, aprenderam a tocar de ouvido, como dizemos. E Wes se transformou em um dos maiores guitarristas da história do jazz, inovando a técnica de tocar, sem a utilização de palhetas, e usando o polegar para solar. Leiam o texto do booklet para entenderem o que estou dizendo.

CD 1

01 – Finger Pickin’
02 – Sound Carrier
03 – Lois Ann
04 – Bud’s Beaux Arts
05 – Bock To Bock
06 – All The Things You Are
07 – Billie’s Bounce
08 – Far Wes
09 – Leila
10 – Old Folks
11 – Wes’ Tune
12 – Hymn To Carl
13 – Montgomeryland Funk
14 – Stompin’ At The Savoy
15 – Love For Sale

CD 2

01 – Summertime
02 – Monk’s Shop
03 – Falling In Love With Love
04 – Renie
05 – Ouverture
06 – And This Is My Beloved
07 – Fate
08 – Stranger In Paradise
09 – Baubles, Bangles And Beads
10 – Not Since Nineveh
11 – A Good Git Together
12 – Feed Me
13 – Music In The Air
14 – Pretty Strange
15 – The Shouter
16 – Social Call
17 – Out Of The Past

Wes Montgomery – Guitars
Freddy Hubbard – Trumpet
Wayman Atkinson, Alonso Johnson – Tenor Saxophone
Buddy Montgomery – Vibraphone
Joey Bradley – Piano
Monk Montgomery – Bass
Paul Parker – Drums
Et all … (verificar listagem completa dos músicos no booklet em anexo, riquíssimo em informações)

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BOOKLET – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

booklet_07
Wes Montgomery – Um Grande Guitarrista !!!

.: interlúdio :. Pat Metheny – Last Train Home

folderNão sou muito fã de coletâneas mas até que gostei desta do Pat Metheny, principalmente por trazer músicas de uma fase que gosto muito dele, quando ainda tocava com a trinca Lyle Mays, Steve Rodby e Paul Wertico e outros músicos convidados. Canções como “Last Train Home”, “Have Your Heard”, “Minuano (Six Eight)”  se tornaram clássicas para mim, pois em determinado momento de minha vida estive em uma ponte rodoviária semanal, indo e voltando, na estrada o tempo todo, e estas músicas foram minhas companheiras de solidão nestas longas horas. Me afeiçoei a elas de tal forma que posso dizer que foram a trilha sonora de minha vida naqueles dez anos que passei na estrada. Por este motivo, sempre que ouço estas canções parece que estou transitando em uma longa estrada, que leva ao infinito.
Reminiscências a parte, não temo em dizer que sou fã deste músico fenomenal, excepcional guitarrista, arranjador e compositor. E sei que muita gente também gosta, por isso estou trazendo este CD.

01. Last Train Home
02. Have You Heard
03. Minuano (Six Eight)
04. Third Wind
05. Here to Stay
06. As It Is
07. Better Days Ahead
08. Follow Me
09. Stranger in Town
10. Letter from Home
11. The First Circle (live)
12. The Road to You (live)

Pat Metheny Goup

Pat Metheny – Guitar
Lyle Mays – Keyboards
Steve Rodby – Bass
Paul Wertico – Drums
David Blamires – Vocals, Percussions
Mark Ledford – Fluglelhorn, French Horn, Trumpet, Vocals, etc.

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.:interlúdio:. Sinatra – Nothing But the Best – Frank Sinatra

51dIJECHBMLNão há nenhuma dúvida de que Frank Sinatra virou uma instituição, não apenas nos Estados Unidos, mas em todo o mundo. Seu nome e voz são reverenciados até hoje, mesmo já passados vários anos de sua morte.
Esta coletânea que ora vos trago mostra um pouco do talento da lenda. Adoro os arranjos, o swing, o estilo único com que canta. Não canso de ouvir este CD e acho que os senhores também irão gostar bastante. E não se inibam se sentirem vontade de sairem dançando pela sala. A boa música tem esse poder sobre nós.

CD 1
01- Come Fly With me
02- The best is yet to come
03- The way you look tonight
04- Luck be a  lady
05- Bewitched
06- The good life
07- The girl from Ipanema
08- Fly me to the moon (in other words)
09- Summer wind
10- Strangers in the night
11- Call me irresponsible
12- Somethin stupid with nancy sinatra
13- My kind of town
14- It was a very good year
15- Thats life
16- Moonlight serenade
17 Nothing but the best
18 Drinking again
19- All my tomorrows
20- My way
21- Theme from new york new york_(bonus_track)
22- Body and soul (previously_unissued)

CD 2

201- White christmas
202-Its christmas time again
203-Go tell it on the mountain
204-An old fashioned christmas
205-when angels sang of peace
206-The little drummer boy
207-I heard the bells on christmas day
208- Do you hear what i hear
209- The secret of christmas
210-The twelve days of christmas
211-christmas candles
212-We wish you the merriest

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.:interlúdio:. Thomas Quasthoff – The Jazz Album – Watch What Happens

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NOVO LINK DO PQPSHARE ATUALIZADO (de novo) !!!

Um dos maiores barítonos da atualidade, o alemão Thomas Quasthoff. me surpreendeu com este excelente CD, cantando standards do jazz. Nem preciso dizer como esse cd é bom. Começando pela voz de Quasthoff, de uma pureza e limpidez únicas. E o repertório foi escolhido a dedo para se adequar à sua voz. Começando pelo Gershwin inicial, Steve Wonder, Duke Ellington, Charles Chaplin, entre outros.
É daqueles cds para ser ouvir acompanhado de amigos, tomando um bom vinho, numa tarde de domingo chuvosa e fria…

01. There’s A Boat That’s Leavin’ Soon For New York
02. Watch What Happens
03. Secret Love
04. You And I
05. Ac-Cent-Tchu-Ate The Positive
06. I’ve Grown Accustomed To Her Face
07. Can’t We Be Friends
08. Smile
09. They All Laughed
10. My Funny Valentine
11. What Are You Doing The Rest Of Your Life
12. In My Solitude
13. Eins und eins, das macht zwei

Thomas Quasthoff – Baritone
Alan Broadbent, Chuck Loeb, Karl Schloz, Dieter Ilg, Peter Erskine, Axel Schlosser, Ruud Breuls, Fiete Felsch, Andreas Maile, Marcus Bartelt, Günter Bollmann, Uli Plettendorf

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FDPBach

Link reabilitado por René Denon em 6 de agosto de 2025

.: interlúdio :. Joe Henderson – Porgy & Bess

coverSeguinte, vou apenas passar a relação dos músicos que participam dessa gravação. Creio ser desnecessário fazer mais algum comentário:

Joe Henderson – Tenor Saxophone
Conrad Herwig – Trombone
John Scofield – Electric & Acoustic Guitars
Stefon Harris – Vibraphone
Tommy Flanagan – Piano
Dave Holland – Bass
Jack DeJohnette – Drums

Chaka Khan – Vocal on Track 2
Sting – Vocal on Track 7

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.: interlúdio :. Joe Henderson Quartets – Tetragon

coverOntem ouvi a conversa de dois amigos e um deles me qualificou como puritano. Não sei o que eles quiseram dizer com isso (na verdade sei, mas deixa pra lá), nem em qual contexto estava usando essa expressão (sim, eu sei, mas deixa pra lá) ouvi assim tipo “en passant”, De qualquer maneira, não concordo mas respeito estes dois amigos. Eles são muito mais abertos a experiências musicais do que eu, que neste sentido posso ser qualificado de ‘conservador’. Mas aí vem a dúvida: um conservador ouviria um CD como esse do Joe Henderson? Como ele descreveria o tal do hard-bop, ou post-bop, ou sei lá que categoria inserir esse CD ou o próprio Joe Henderson (lembrando que este disco foi gravado em 1968)?

Sei que irei descrever esse disco como IM-PER-DÍ-VEL !!! pelo simples fato que considerá-lo sensacional, enquanto outros irão se preocupar com categorias ou adjetivismos. E enquanto os outros discutem isso, irei continuar ouvindo essa belezura  com meus ouvidos ‘puritanos’ ou ‘conservadores’, ou sei lá como queira me classificar.

01. Invitation
02. R.J.
03. The Bead Game
04. Tetragon
05. Waltz For Zweetie
06. First Trip
07. I’ve Got You Under My Skin

Joe Henderson – Saxophones
Don Friedman – Piano
Kenny Barron – Piano
Jack DeJohnette – Drums
Louis Hayes – Drums
Ron Carter – Bass

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.: intermezzo :. Eric Dolphy (com Booker Little): Far Cry (1960)

.: intermezzo :. Eric Dolphy (com Booker Little): Far Cry (1960)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este disco é mais uma daquelas coisas maravilhosas saídas deste gênio morto aos 36 anos da forma mais estúpida que se possa imaginar. Na tarde de 18 de Junho de 1964, Eric Dolphy caiu nas ruas de Berlim e foi levado a um hospital. Os enfermeiros, que não sabiam que ele era diabético, pensaram que ele (como acontecia a muitos jazzistas) era presa de uma overdose. Deixaram-no, então, num leito até que passasse o efeito das “drogas”. E Dolphy morreu após o coma diabético. Bastava-lhe uma injeção.

Far Cry tem uma história notável. No mesmo dia, pela manhã, Dolphy gravou com o grupo de free jazz de Ornette Coleman. Depois, foi gravar Far Cry com Booker Little e um grupo onde estava o estreante Ron Carter. E eles gravaram todo o álbum naquele dia. Todo. Ah, Booker Little morreria ainda antes de Dolphy. Morreu no ano seguinte (1961), aos 23 anos… De uremia. Nada de drogas, amigos.

Eric Dolphy (com Booker Little): Far Cry (1960)

1. Mrs. Parker Of K.C. (Bird’s Mother) 8:01
2. Ode To Charlie Parker 8:42
3. Far Cry 3:53
4. Miss Ann 4:15
5. Left Alone 6:39
6. Tenderly 4:18
7. It’s Magic 5:39
8. Serene 6:37

Eric Dolphy – bass clarinet on “Mrs. Parker of K.C.,” “It’s Magic,” and “Serene”; flute on “Ode to Charlie Parker” and “Left Alone”; alto sax all other tracks
Booker Little – trumpet
Jaki Byard – piano
Ron Carter – bass
Roy Haynes – drums

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Eric Dolphy e Booker Little, dois gênios mortos precocemente.
Eric Dolphy e Booker Little, dois gênios mortos precocemente.

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.: interlúdio :. Meredith Monk (1942): Dolmen Music

.: interlúdio :. Meredith Monk (1942): Dolmen Music

IM-PER-DÍ-VEL !!!

No início dos anos 80, era impossível a sobrevivência intelectual sem conhecer a gravadora ECM. A música disco e o mau gosto grassavam e todos os que tinham ouvidos de boa qualidade corriam para o refúgio de Manfred Eicher. E quase todos os que se interessavam por música tinham o vinil de Dolmen Music, de Meredith Monk, da ECM, claro. Ouvindo-o novamente no dia de hoje, curti muito, muito mais do que imaginava minha memória. Meredith Jane Monk (nascida em 20 de novembro de 1942 em Nova Iorque) é uma compositora, performer, diretora, vocalista, cineasta e coreógrafa norte-americana. Desde os anos sessenta, Monk tem criado trabalhos multidisciplinares que combinam música, teatro e dança, gravando sempre para a ECM Records.

Meredith Monk é principalmente conhecida por suas inovações vocais, incluindo uma vasta gama de técnicas estendidas, as quais ela desenvolveu pela primeira vez em suas performances solo antes de formar seu próprio grupo. Em dezembro de 1961, ela apareceu na “Actor’s Playhouse” no Greenwich Village (Nova Iorque) como dançarina solo em uma adatação de teatro musical para crianças de “A Christmas Carol”, de Charles Dickens na Off Broadway intitulada “Scrooge” (música e letra de Norman Curtis; dirigido e coreografado por Patricia Taylor Curtis). Em 1964, Monk formou-se no Sarah Lawrence College depois de estudar com Beverly Schmidt Blossom, e em 1968 ela fundou The House, uma companhia dedicada a uma abordagem multidisciplinar da performance.

Meredith Monk na Casa Branca
Meredith Monk na Casa Branca

As performances de Monk têm influenciado muitos artistas, incluindo Bruce Nauman, o qual ela conheceu em San Francisco em 1968. Em 1978 Monk formou o Meredith Monk and Vocal Ensemble (modelado segundo grupos similares de seus colegas de música como Steve Reich and Philip Glass), para explorar novas e mais amplas formas e texturas vocais, as quais eram frequentemente contrastadas com texturas instrumentais minimalistas. Monk iniciou um relacionamento duradouro com o Walker Art Center de Minneapolis, o qual continua a divulgar seu trabalho até hoje. Peças dessa época incluem Dolmen Music (1979), que foi também gravada em seu primeiro álbum, lançado pelo selo ECM de Manfred Eicher em 1981.

Nos anos oitenta, Monk roteirizou e dirigiu dois filmes, Ellis Island (1981) e Book of Days (1988), os quais se desenvolveram de uma única ideia: “Um dia, durante o verão de 1984, quando eu estava varrendo o chão de minha casa no campo, a imagem de uma jovem (em preto e branco) e uma rua medieval em uma comunidade judaica (também em preto e branco) veio à minha mente.” Monk conta essa história nas notas de encarte da gravação da ECM. Duas versões musicais existem desta peça, uma para salas de concerto e a outra um álbum, produzido por Meredith Monk e Manfred Eicher, que é “um filme para os ouvidos”.

No início dos anos 1990 Monk compôs a ópera Atlas, que estreou em Houston, Texas em 1991. Ela também escreveu peças para grupos instrumentais e orquestras sinfônicas. Seu primeiro trabalho sinfônico foi Possible Sky (2003). A ele se seguiu Stringsongs (2004) para quarteto de cordas, que foi encomendado pelo Kronos Quartet. Em 2005, realizaram-se eventos em todo o mundo para celebrar o quadragésimo aniversário de sua carreira, incluindo um concerto no Carnegie Hall com participação de Björk, Terry Riley, DJ Spooky (que sampleou Monk em seu álbum Drums of Death), Ursula Oppens, Bruce Brubaker, John Zorn, e os novos grupos musicais Alarm Will Sound e Bang on a Can All-Stars, em conjunto com o Pacific Mozart Ensemble.

Meredith Monk (1942): Dolmen Music

1. Fear And Loathing In Gotham – Gotham Lullaby 4:17
2. Education Of The Girlchild – Travelling 6:19
3. Education Of The Girlchild – The Tale 2:49
4. Education Of The Girlchild – Biography 9:28
5. Dolmen Music 23:47

Meredith Monk
Colin Walcott
Steve Lockwood
Andrea Goodman
Julius Eastman
Monica Solem
Paul Langland
Robert Een

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Meredith Monk
Meredith Monk

PQP

.: interlúdio :. Ella Fitzgerald – The George & Ira Gershwin Songbook

81oIz5eQanL._SX522_Um dos grandes sonhos e desejos de minha vida era conseguir os songbooks da Ella Fitzgerald. Comecei há alguns anos atrás, uns vinte e cinco, mais ou menos, quando ganhei de um grande amigo uma fita cassete com o Songbook do Cole Porter, talvez o mais conhecido. Foi paixão a primeira audição. Viciei tanto naquela velha fita cassete que ela até arrebentou de tanto que ouvi. Era, e é divina. Já trouxe este CD uma vez, e foi um sucesso, como não poderia deixar de ser. Junte-se à divina voz de Ella Fitzgerald os arranjos da Orquestra de Nelson Ridlle e o resultado não poderia deixar de ser outro: em minha modesta opinião um dos melhores discos de jazz de todos os tempos.
Mas aqui o negócio é outro. Ainda temos a divina Ella e a orquestra de Nelson Riddle mas os compositores são os irmãos Gershwin, outra fascinação minha. Quem não ama e adora suas canções, que não é doido por “Porgy & Bess”, ” ‘S Wonderful’ “, ” The Man I Love”, ainda mais na voz de Ella?
Então preparem-se. São três CDs absolutamente imperdíveis, obrigatórios. Dependendo da demanda, trago outros songbooks.

CD 1

01. Ambulatory Suite
02. The Preludes
03. Sam and Delilah
04. But Not for Me
05. My One and Only
06. Let’s Call the Whole Thing Off
07. (I’ve Got) Beginner’s Luck
08. Oh, Lady Be Good
09. Nice Work if You Can Get It
10. Things Are Looking Up
11. Just Another Rhumba
12. How Long Has This Been Going On
13. ‘S Wonderful
14. The Man I Love
15. That Certain Feeling
16. By Strauss
17. Someone to Watch over Me
18. The Real American Folk Song
19. Who Cares

CD 2

01. Looking for a Boy
02. They All Laughed
03. My Cousin in Milwaukee
04. Somebody from Somewhere
05. A Foggy Day
06. Clap Yo’ Hands
07. For You, for Me, for Evermore
08. Stiff Upper Lip
09. Boy Wanted
10. Strike Up the Band
11. Soon
12. I’ve Got a Crush on You
13. Bidin’ My Time
14. Aren’t You Kind of Glad We Did
15. Of Thee I Sing (Baby)
16. ”The Half of It, Dearie” Blues
17. I Was Doing All Right
18. He Loves and She Loves

CD 3

01. Love Is Sweeping the Country
02. Treat Me Rough
03. Love Is Here to Stay
04. Slap That Bass
05. Isn’t It a Pity
06. Shall We Dance
07. Love Walked In
08. You’ve Got What Gets Me
09. They Can’t Take That Away from Me
10. Embraceable You
11. I Can’t Be Bothered Now
12. Boy! What Love Has Done to Me!
13. Fascinating Rhythm
14. Funny Face
15. Lorelei
16. Oh, So Nice
17. Let’s Kiss and Make Up
18. I Got Rhythm
19. Somebody Loves Me
20. Cheerful Little Earful
21. Oh, Lady Be Good (alternate take)
22. But Not for Me

Ella Fitzgerald – Vocals
The Nelson Riddle Orchestra

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