Anton Arensky (1861-1906): Trio para Piano, Violino e Cello, Op. 32 / Rimsky-Korsakov (1844-1908): Quinteto para Piano, Flauta, Clarinete, Trompa e Fagote (1876)

Anton Arensky (1861-1906): Trio para Piano, Violino e Cello, Op. 32 / Rimsky-Korsakov (1844-1908): Quinteto para Piano, Flauta, Clarinete, Trompa e Fagote (1876)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Certa vez, um comentarista do PQP Bach escreveu:

— O PQP Bach fez sua primeira postagem no dia 15 de novembro de 2006 com Korsakov e Arensky? Hahahahaha, que absurdo!

Ah, é? Então façam o seguinte: ouçam agora o primeiro CD postado no blog e depois falem comigo. Tá bom?

Anton Arensky: Trio para Piano, Violino e Cello, Op. 32

1 Allegro moderato 12:16
2 Scherzo – Allegro molto 6:01
3 Elegia – Adagio 7:17
4 Finale – Allegro non troppo 5:57

Rimsky-Korsakov: Quinteto para Piano, Flauta, Clarinete, Trompa e Fagote (1876)

1 Allegro con brio 10:40
2 Andante – Fughetta – Andante 10:17
3 Rondo – Allegretto 8:54

Nash Ensemble of London

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Rimsky-Korsakov: vocês queriam um russo do século XIX sem barba?
Rimsky-Korsakov: vocês queriam um russo do século XIX sem barba?

PQP

Alban Berg (1885-1935) e Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concertos para Violino

Alban Berg (1885-1935) e Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concertos para Violino

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Muito bom CD. São dois lindíssimos concertos, interpretados magnificamente por Arabella Steinbacher. O de Berg é uma homenagem póstuma a Manon Gropius, filha de Alma Mahler e Walter Gropius, morta na adolescência (não conferi), e recebeu a alcunha de “À Memória de um Anjo”. O de Beethoven é uma das referências do gênero, talvez a maior delas. A junção é estranha, mas compreensível. O critério foi a qualidade e o bom gosto de alguém, provavelmente de Arabella. Ela e a orquestra de Colônia fazem um esplêndido trabalho que todo pequepiano deve conferir. Com interpretações de rara sensibilidade, Arabella dá um show no Larghetto do Concerto de Beethoven.

Alban Berg (1885-1935) e Ludwig van Beethoven (1770-1827): Concertos para Violino

Berg
1.1 Violin Concerto: Andante – Allegretto
1.2. Violin Concerto: Allegro – Adagio

Beethoven
3.1. Violin Concerto in D major, Op. 61: Allegro ma non troppo
4.2.Violin Concerto in D major, Op. 61: Larghetto
5.3 Violin Concerto in D major, Op. 61: Rondo: Allegro

Arabella Steinbacher, violino
WDR Symphony Orchestra, Colonia
Andris Nelsons

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Arabella Steinbacher
Arabella Steinbacher

PQP

Arcangelo Corelli (1653-1713): The Complete Concerto Grossi Op.6 (I Musici)

Arcangelo Corelli (1653-1713): The Complete Concerto Grossi Op.6 (I Musici)

Este é o tipo de gravação histórica que faz a alegria de F.D.P. Bach. Este registro do I Musici data de 1966. Os 12 Concerti Grossi, Op.6, são uma coleção concertos escritos por Arcangelo Corelli, organizados para publicação em 1708. Aqui estão alguns dos melhores exemplos do estilo barroco. Os Concerti Grossi são Concertos para um grupo concertino de dois violinos e violoncelo e um grupo ripieno de 2 violinos, violoncelo e contínuo. Os primeiros oito são da chiesa enquanto que os quatro últimos são da camera.

Arcangelo Corelli (1653-1713): The Complete Concerto Grossi Op.6 (I Musici)

01. No.1 in D – Largo – Allegro (2:51)
02. No.1 in D – Largo Allegro (3:33)
03. No.1 in D – Largo (3:44)
04. No.1 in D – Allegro (1:51)
05. No.1 in D – Allegro (2:17)
06. No.2 in F – Vivace – Allegro – Adagio – Vivace – Allegro – Largo andante (4:31)
07. No.2 in F – Allegro (1:54)
08. No.2 in F – Grave – Andante largo (1:58)
09. No.2 in F – Allegro (2:20)
10. No.3 in C minor – Largo (2:16)
11. No.3 in C minor – Allegro (2:25)
12. No.3 in C minor – Grave (2:07)
13. No.3 in C minor – Vivace (2:25)
14. No.3 in C minor – Allegro (2:43)
15. No.4 in D – Adagio – Allegro (3:35)
16. No.4 in D – Adagio (2:11)
17. No.4 in D – Vivace (1:09)
18. No.4 in D – Allegro (2:44)
19. No.4 in D – Allegro (0:49)
20. No.5 in B flat – Adagio – Allegro (3:32)
21. No.5 in B flat – Adagio (2:05)
22. No.5 in B flat – Allegro (2:09)
23. No.5 in B flat – Largo (1:08)
24. No.5 in B flat – Allegro (2:36)
25. No.6 in F – Adagio (1:59)
26. No.6 in F – Allegro (2:04)
27. No.6 in F – Largo (4:24)
28. No.6 in F – Vivace (2:19)
29. No.6 in F – Allegro (3:23)

01. No.7 in D – Vivace – Allegro – Adagio (2:52)
02. No.7 in D – Allegro (2:01)
03. No.7 in D – Andante largo (3:22)
04. No.7 in D – Allegro (1:15)
05. No.7 in D – Vivace (1:23)
06. No.8 in G minor – Vivace – Grave (1:58)
07. No.8 in G minor – Allegro (2:35)
08. No.8 in G minor – Adagio – Allegro – Adagio (3:35)
09. No.8 in G minor – Vivace (1:21)
10. No.8 in G minor – Allegro (2:31)
11. No.8 in G minor – Pastorale – Largo (4:32)
12. No.9 in F – Preludio. Largo (1:41)
13. No.9 in F – Allemanda. Allegro (2:57)
14. No.9 in F – Corrente. Vivace (1:53)
15. No.9 in F – Gavotta. Allegro (1:05)
16. No.9 in F – Adagio (1:04)
17. No.9 in F – Minuetto. Vivace (2:03)
18. No.10 in C – Preludio. Andante largo (2:37)
19. No.10 in C – Allemanda. Allegro (3:00)
20. No.10 in C – Adagio (1:16)
21. No.10 in C – Corrente. Vivace (2:54)
22. No.10 in C – Allegro (3:08)
23. No.10 in C – Minuetto. Vivace (1:55)
24. No.11 in B flat – Preludio. Andante largo (2:37)
25. No.11 in B flat – Allemanda. Allegro (2:54)
26. No.11 in B flat – Adagio – Andante largo (2:22)
27. No.11 in B flat – Sarabanda. Largo (1:35)
28. No.11 in B flat – Giga. Vivace (1:27)
29. No.12 in F – Preludio. Adagio (2:31)
30. No.12 in F – Allegro (2:40)
31. No.12 in F – Adagio (2:25)
32. No.12 in F – Sarabanda. Vivace (1:09)
33. No.12 in F – Giga. Allegro (3:08)

Felix Ayo & Arnaldo apostoli: violins
Enzo Altobelli: violoncello
Maria Teresa Garatti: harsipchord
I Musici

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Corelli: super-talento barroco
Corelli: super-talento barroco

PQP

Montserrat Figueras, Jordi Savall: Cançons de la Catalunya miŀlenària

Montserrat Figueras, Jordi Savall: Cançons de la Catalunya miŀlenària

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Tudo o que Jordi Savall toca vira ouro. O catalão é um gênio e nunca ouvi algo dele que fosse esquecível. Invariavelmente marcante, ele volta e volta sempre com gravações de altíssima qualidade. Esta reedição na Série Heritage — o álbum original foi lançado em 1988 — permite-nos ouvir a voz única de Montserrat Figueras cantando um repertório que ela encarna como ninguém: as canções tradicionais da Catalunha. O CD é a continuação natural de sua exploração das grandes obras ligadas à região como, por exemplo, a canção do Sybille ou o Livro Vermelho de Montserrat (manuscrito gregoriano). Naquela costa do Mar Mediterrâneo, o tradicional e o repertório “clássicos” estão conectados de uma forma muito íntima. Este álbum é um marco na carreira de Montserrat Figueras: seu estilo inovador de interpretação, caracterizado por uma grande fidelidade às fontes históricas combinadas com enorme expressividade, deve ser ouvida pelo pequepiano. Montserrat Figueras, falecida em 2011, foi mulher de Jordi Savall e referência na interpretação de um amplo repertório vocal das épocas medieval, renascentista e barroca. Não faça a bobagem de não ouvir esta joia.

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Montserrat Figueras, Jordi Savall: Cançons de la Catalunya miŀlenària

01. El Cant dels Aucells
02. La filadora
03. El fill del rei
04. El mestre
05. El comte Arnau
06. Mariagneta
07. Cançó del lladre
08. El testament d’Amèlia
09. Cançó de Bressol : Mareta no’m faces plorar
10. Cançó de Bressol : La mare de Déu
11. Els segadors (Romance Historique)
12. Els segadors (Himne Nacional de Catalogne)

Musicians:
Montserrat Figueras: chant

Francese Garrigosa: ténor
Arianna Savall: soprano & arpa doppia
Ferran Savall: chant

La Capella Reial de Catalunya
Maite Arruabarrena, Carme Marqués: sopranos
Maria Dolors Cortès: alto; Joseph Maria Gregori: contreténor
Lambert Climent, Francesc Garrigosa: ténors
Jordi Ricart: baryton; Lluís Ramon Sales: basse

Hespèrion XX & XXI
Jordi Savall: dessus & basse de viole
Sergi Casademunt, Eunice Brandão, Paolo Pandolfo, Imke David, Philippe Pierlot: violes de gambe
Lorenz Duftschmid: violone

Marc Hantaï: flûte traversière; Pedro Memelsdorff: flûtes

Jean Pierre Canihac: cornetto; Alfredo Bernardini: chalemie
Daniel Lassalle: saqqueboute ténor; Bernard Fourtet: sacqueboute basse

Rolf Lislevand: guitare & théorbe; Andrew Lawrence-King: harpe
Xavier Díaz-Latorre: guitare baroque

Rinaldo Alessandrini: clavecin
Pedro Estevan: percussions; Dimitri Psonis: cloches

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Nos últimos dias, o PQP só quer saber de amor.
Nos últimos dias, o PQP só quer saber de amor.

PQP

Rimsky-Korsakov / Tchaikovsky / Dvorák / Richard Strauss: In the still of night (Canções Russas)

Rimsky-Korsakov / Tchaikovsky  / Dvorák  / Richard Strauss: In the still of night (Canções Russas)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Em março de 2009, um crítico da grande, excelente e normalmente irônica e contida revista londrina Gramophone parece ter enlouquecido:

… quando ouço Anna Netrebko cantar, viver , eu não quero que ela pare… Lembro-me das ovações arrebatadoras , quando as pessoas estavam realmente enlouquecendo pelo som de uma voz. Esse é o tipo de voz Netrebko tem… Ela também é um animal do palco… Ela é alimentada por puro talento e instinto… Eu prefiro Netrebko acima de qualquer outra pessoa, a qualquer hora.

Bem, OK, não preciso dizer mais nada. Ou talvez deva reforçar que a dupla Netrebko e Barenboim é mesmo espetacular?

Rimsky-Korsakov / Tchaikovsky  / Dvorák  / Richard Strauss: In the still of night  (Canções Russas)

Nicolai Rimsky-Korsakov (1844 – 1908)
Four Songs, Op.40
1) No.3 O chem v tishi nochey [2:28]
Four Songs, Op.27
2) No.4 Prosti! Ne pomni dney naden’ya [1:29]
Vesnoy, Op.43
3) No.2 Ne veter, veya s vïsotï [2:14]
4 No.1 Zvonche zhavoronka pen’ye [1:16]
Four Songs, Op.3
5) No.4 Na kholmakh Gruzii [2:31]
Six Songs, Op.8
6) No.5 V tsarstvo rozï i vina [2:46]
Four Songs, Op.6
7) No.4 Pesnya Zyuleyki [1:56]
Four Songs, Op.2
8) No.2 Plenivshis’ rozoy, solovey [3:09]
Four Songs, Op.42
9) No.3 Redeyet obklakov letuchaya gryada [3:26]
Two Songs, Op.56
10) No.1 Nimfa [3:25]
11) No.2 Son v letnyuyu noch’ [5:25]

Peter Ilyich Tchaikovsky (1840 – 1893)
Shest’ romansov (Six Romances), Op.57
12) No.1 Skazhi, o chom v teni vetvey [3:44]
13) Zabït tak skoro (1870) [2:56]
Dvenadtsat’ romansov (Twelve Romances), Op.60
14) No.6 Nochy bezumnïye [2:52]
Shest’ romansov (Six Romances), Op.6
15) No.5 Otchevo? [3:09]
Shest’ romansov (Six Romances), Op.63
16) No.6 Serenada [3:42]
Shest’ romansov (Six Romances), Op.16
17) No.1 Kolïbel’naya pesnaya [4:26]
Sem’ romansov (Seven Romances), Op.47
18) No.7 Ya li v pole da ne travushka bïla [6:05]
Shest’ romansov (Six Romances), Op. 73
19) No.5 Sred mrachnïkh dnei [1:51]
Sem’ romansov (Seven Romances), Op.47
20) No.6 Den li tsarit? [3:49]

Antonín Dvorák (1841 – 1904)
Ciganské melodie (Gypsy Melodies), Op.55
21) 4. Als die alte Mutter [3:46]

Richard Strauss (1864 – 1949)
Vier Lieder, Op.27
22) 2. Cäcilie [2:31]

Anna Netrebko, soprano
Daniel Barenboim, piano

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Anna Netrebko e Daniel Barenboim: já é uma dupla, né?
Anna Netrebko e Daniel Barenboim: já é uma dupla, né?

PQP

Jacob Arcadelt (1507-1568): Madrigais

Jacob Arcadelt (1507-1568): Madrigais

Jacques Arcadelt (também Jacob ou Jacobus Arcadelt) foi um compositor franco-flamengo do Renascimento que trabalhou na Itália e na França. Foi conhecido principalmente como compositor de música vocal secular. Embora também tenha escrito música vocal sacra, ele foi um dos mais famosos dos primeiros compositores de madrigais. Seu primeiro livro de madrigais — foco deste CD — tornou-se célebre. Além de seu trabalho como madrigalista, foi igualmente prolífico em canções, particularmente no final de sua carreira, quando viveu em Paris.

Arcadelt era o membro mais influente da fase inicial dos madrigais, a fase “clássica”. Foi através de publicações de Arcadelt, mais do que os de qualquer outro compositor, que o madrigal tornou-se conhecido fora da Itália. Compositores posteriores aprenderam sua arte, que também foi utilizada para o ensino, com reimpressões aparecendo mais de um século depois de sua publicação original.

Jacobus Arcadelt (1507-1568): Madrigais

1 Motet: O sacrum convivium
2 Il bianco e dolce cigno
3 Giovenetta regal
4 Deh dimm’ Amor
5 Deh se lo sdegn’ altiero
6 In un boschetto adorno
7 Ver’infern’ e’l mio petto
8 Quant’ e madonna mia
9 Voi, voi la mia vita siete
10 O felic’ occhi miei
11 Quando col dolce suono
12 Occhi miei lassi
13 Chi potra dir quanta
14 Madonna mia gentile
15 Iniustissim’amore
16 Ancidetemi pur
17 Il ciel che rado virtu
18 Io mi pensai
19 Chiare, fresch’e dolci acque
20 S’egli e pur mio
21 Tempo verr’ ancor
22 Da bei rami scendea
23 Quanta volte diss’io

The Consort of Musicke
Anthony Rooley

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O alaudista, de Caravaggio. Olha ali a partitura: é de Arcadelt!
O alaudista, de Caravaggio. Olha ali a partitura: é de Arcadelt!

PQP

Georges Ivanovitch Gurdjieff (1877-1949) & Hinos Bizantinos arranjados por Vassilis Tsabropoulos: Chants, Hymns and Dances (2004)

Georges Ivanovitch Gurdjieff (1877-1949) & Hinos Bizantinos arranjados por Vassilis Tsabropoulos: Chants, Hymns and Dances (2004)

IM-PER-Dí-VEL !!!

Belo e fascinante projeto da violoncelista alemã Anja Lechner e do pianista grego Vassilis Tsabropoulos. Segundo a Gramophone, Chants, Hymns and Dances poderia receber o título de Music from the Crossroads of the World. É um projeto que fica entre composição, arranjo e improvisação, entre a música contemporânea e a étnica e tradicional.

De atraente simplicidade e pureza, a música de Lechner e Tsabropoulos falará de perto a ouvintes de Erik Satie. No centro do CD, estão as composições de Tsabropoulos, que tomam como ponto de partida antigos hinos de inspiração bizantina. E, antes e depois, há a música e do compositor e filósofo armênio Georges Ivanovitch Gurdjieff (c.1877-1949) que se baseia em melodias e ritmos, tanto sacros como seculares, do Cáucaso, Oriente Médio e Ásia Central.

Na ECM, a música de Gurdjieff encontrou bom público a partir da década de 1980, quando Keith Jarrett utilizou os Hinos de G.I. Gurdjieff num CD. Os hinos bizantinos que Vassilis Tsabropoulos arranjou para o duo — alguns deles de 2000 anos — são obras igualmente muito boas.

Anja Lechner & Vassilis Tsabropoulos – Chants, Hymns and Dances (2004)

1. Chant From A Holy Book
2. Bayaty
3. Prayer
4. Duduki
5. Interlude I
6. Trois Morceaux Apres Hymnes Byzantins I
7. Trois Morceaux Apres Hymnes Byzantins II
8. Trois Morceaux Apres Hymnes Byzantins III
9. Dance
10. Chant
11. Interlude II
12. Assyrian Women Mourners
13. Aremenian Song
14. (No. 11)
15. Woman’s Prayer
16. Chant From A Holy Book, Var. 1

Faixas de 7 a 10 – compostas por Vassilis Tsabropoulos tendo por base hinos bizantinos
As outras são de Georges Ivanovitch Gurdjieff

Anja Lechner, violoncelo
Vassilis Tsabropoulos, piano

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Anja Lechner e Vassilis Tsabropoulos: Grande disco!
Anja Lechner e Vassilis Tsabropoulos: Grande disco!

PQP

Antonio Vivaldi (1678-1741): Stabat Mater / Nisi Dominus / Concerto in G Minor

Antonio Vivaldi (1678-1741): Stabat Mater / Nisi Dominus / Concerto in G Minor

Aqui temos James Bowman em suas lendárias interpretações do Stabat Mater e do Nisi Dominus de Vivaldi. Total clareza, facilidade para cantar e fidelidade ao compositor. Hogwood e sua turma são belos parceiros. A gravação é dos anos 70, assim como a foto de Bowman que colocamos abaixo. Ainda é o gold standard destas obras. Na época de Vivaldi, provavelmente o Stabat Mater era cantado por uma mulher. Afinal, o texto é uma descrição da crucificação de Cristo através do ponto de vista da Virgem Maria. Então devia ser um contralto a cantar. De fato, há mais versões desta peça com contraltos do que com contratenores. Esta é uma das músicas mais pungentes de Vivaldi. Tudo está desaparecendo, exceto a própria música.

Antonio Vivaldi (1678-1741): Stabat Mater / Nisi Dominus / Concerto in G Minor

1. Stabat Mater, R.621 – 1. Stabat Mater 2. Cuius Animan 3. O Quam Tristis 6:36
2. Stabat Mater, R.621 – 4.Quis Est Homo 5. Quis Non Posset 6. Pro Peccatis 6:26
3. Stabat Mater, R.621 – 7. Eja Mater 8. Fac Ut Ardeat 9. Amen  5:54

4. Concerto In G Minor For Strings And Continuo, R.153 6:17

5. Nisi Dominus (Psalm 126), R.608 – 1. ”Nisi Dominus” (Allegro) 2:55
6. Nisi Dominus (Psalm 126), R.608 – 2.Vanum Est Vobis. 3.Surgite Postquam Sederitis 2:54
7. Nisi Dominus (Psalm 126), R.608 – 4. ”Cum Dederit” (Andante) 4:09
8. Nisi Dominus (Psalm 126), R.608 – 5. ”Sicut Sagittae” (Allegro) 1:51
9. Nisi Dominus (Psalm 126), R.608 – 6. ”Beatus Vir” (Andante) 1:19
10. Nisi Dominus (Psalm 126), R.608 – 7. Gloria Patris. 8. Sicut Erat In Principio 9. Amen 7:43

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James Bowman, contratenor
Academy of Ancient Music
Christopher Hogwood

James Bowman: show nestes Vivaldis
James Bowman: show nestes Vivaldis

PQP

C. P. E. Bach, John Cage, Tigran Mansurian, Franz Liszt, Michail Glinka, Frédéric Chopin, Valentin Silvestrov, Claude Debussy e Béla Bartók: Alexei Lubimov — Der Bote — Elegias para Piano

C. P. E. Bach, John Cage, Tigran Mansurian, Franz Liszt, Michail Glinka, Frédéric Chopin, Valentin Silvestrov, Claude Debussy e Béla Bartók: Alexei Lubimov — Der Bote — Elegias para Piano

61fyfAw73OL._SS500IM-PER-Dí-VEL !!!

Maravilhoso disco formado por dez peças menores de compositores que apenas se unem por terem sido vanguardistas em seu tempo. Num recital que abarca 3 séculos, o pianista Lubimov dá uma aula sobre como montar um repertório erudito. Inicia com uma daquelas estranhas Fantasias do mano CPE que, para falar com a inteligência de Maitê Proença, é tudo di bom. Numa demonstração de parentesco inteiramente provocativa, mas pertinente, Lubimov dá seguimento ao recital com In a landscape, de John Cage. É notável como ambas combinam. E depois ele segue adiante com uma série de peças meditabundas. O mosaico fica lindo. O CD é da ECM. Com efeito, Manfred Eicher veio ao mundo para viabilizar as idéias mais doidas dos artistas. E para nos mostrar fatos nunca dantes pressentidos.

Alexei Lubimov – Der Bote

1 Carl Philipp Emanuel Bach: Fantasie für Klavier f-Moll
2 John Cage: In a landscape
3 Tigran Mansurian: Nostalgia
4 Franz Liszt: Abschied
5 Michail Glinka: Nocturne f-Moll “”La séparation””
6 Frédéric Chopin: Prélude c-Moll op. 45
7 Valentin Silvestrov: Elegie
8 Claude Debussy: Elégie
9 Béla Bartók: Vier Klagelieder op. 9a, Nr. 1
10 Valentin Silvestrov: Der Bote

Alexei Lubimov, Piano

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Grande Lubimov!
Grande Lubimov!

PQP

Tchaikovsky (1840-1893) e Sibelius (1865-1957): Concertos para Violino

Tchaikovsky (1840-1893) e Sibelius (1865-1957): Concertos para Violino

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Poderíamos fazer um enorme mural com os CDs de todas as gravações que estes concertos receberam na história fonográfica mundial, mas deveríamos deixar um local especial para este aqui, talvez bem próximo das gravações de Heifetz. É uma gravação de 2016 e não exagero, a georgiana Lisa Batiashvili, Daniel Barenboim e a Staatskapelle Berlin dão um banho neste repertório. Não sei se a leitura compreensiva das obras parte do experiente maestro de 74 anos ou da jovem violinista com metade da sua idade (37 anos): o que sei é que o resultado deve ser conhecido pelo pequeno povo pequepiano. Um baita CD.

Tchaikovsky (1840-1893) e Sibelius (1865-1957): Concertos para Violino

01. Tchaikovsky: Concerto For Violin And Orchestra In D Major, Op. 35, TH 59 : 1. Allegro moderato
02. Tchaikovsky: Concerto For Violin And Orchestra In D Major, Op. 35, TH 59 : 2. Canzonetta. Andante
03. Tchaikovsky: Concerto For Violin And Orchestra In D Major, Op. 35, TH 59 : 3. Finale. Allegro vivacissimo

04. Sibelius: Concerto For Violin And Orchestra In D Minor, Op. 47 : 1. Allegro moderato – Molto moderato e tranquillo – Allegro molto – Moderato assai – Lisa Batiashvili
05. Sibelius: Concerto For Violin And Orchestra In D Minor, Op. 47 : 2. Adagio di molto
06. Sibelius: Concerto For Violin And Orchestra In D Minor, Op. 47 : 3. Allegro ma non tanto

Lisa Batiashvili
Staatskapelle Berlin
Daniel Barenboim

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Batiashvili: musa competente
Batiashvili: musa competente

PQP

Alfred Schnittke (1934-1998): Life with an idiot (Rostropovich)

Alfred Schnittke (1934-1998): Life with an idiot (Rostropovich)

O libreto e o romance A vida com um Idiota, do compositor russo Alfred Schnittke, é de Viktor Erofeyev. A ópera foi apresentada pela primeira vez em Amsterdam, no ano de 1992. É uma alegoria da opressão soviética. Resumo resumidíssimo:

Primeiro ato: como castigo por não trabalhar duro o suficiente, “Eu” é forçado pelas autoridades a conviver com um idiota. Ele fica com Vova no manicômio. Vova só é capaz de falar uma única palavra: “Ech”.

Segundo ato: se no primeiro ato Vova se comportava razoavelmente bem, logo começa a comportar-se mal, inclusive rasgando as obras de Marcel Proust, pertencentes à mulher de “Eu”. “Eu” e sua esposa vão viver em um outro quarto e Vova acalma-se. A mullher de “Eu” acaba se apaixonando por Vova e fica grávida dele. Então Vova a mata e “Eu” torna-se um idiota.

Não, não é ele o idiota, ele é apenas Mstivlav Rostropovich
Não, não é ele o idiota, ele é Rostropovich

Alfred Schnittke (1934-1998): Life with an idiot (Rostropovich)

1. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act One: Prologue, “Life with an idiot is full of surprises”
2. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 1: Scene 1, “My friends congratulated me on my idiot’
3. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 1: Scene 1, “I had been full of doubts and anxieties that winter’
4. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 1: Scene 1, “Everybody laughed”
5. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 1: Scene 1, “I pictured to myself a crafty and staid wise old man”
6. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 1: Scene 1, “Well look what’s happened – I’ve belched”
7. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 1: Scene 1, “Sometimes I mix up my dead wives”
8. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 1: Scene 1, “I’ve swapped a birdie for a pizza!”
9. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 1: Scene 1, Tango (Intermezzo)
10. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 1: Scene 2, “I said later that if I had gone”
11. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 1: Scene 2, “Look: my former fellow students”
12. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 1: Scene 2, “I got down to searching for the holy simpleton”
13. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 1: Scene 2, “Ekh!”
14. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 1: Scene 2, Intermezzo

1. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 1, “In the beginning Vova was very reserved”
2. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 1, “In the evenings, to prevent Vova suffering from insomnia”
3. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 1, “Once, on returning home, I chanced upon the following scene”
4. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 1, “A few days later Vova started tearing up the books”
5. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 1, “Suddenly, one fine day, he dumped a whole pile in the middle of the room”
6. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 1, “Ekh!”
7. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 1, Intermezzo
8. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 2, “Vova has cleaned up his act a lot”
9. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 2, “Don’t offend him. Don’t traumatise Vova”
10. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 2, “Life with an idiot is full of surprises!”
11. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 2, “I was intrigued as to which proclivities of Vova my wife bent over backwards to
12. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 2, “Ekh!”
13. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 2, “Well, and now, cock-sucking reader, whoever you are”
14. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 2, “They made their home in the second room”
15. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 2, “We beat her up, beat her up!”
16. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 2, “Suddenly, the wife declares: ‘Vova! Either him…'”
17. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 2, “I love you. Love!”
18. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 2, “I am Renoir”
19. Life With an Idiot, opera in 2 acts: Act 2: Scene 2, “The guard treated me like I was one of the family”

Leonid Zimnenko, baixo
Dale Duesing, barítono
Howard Haskin, tenor
Robin Leggate, barítono (Marcel Proust)
Romain Bischof, barítono
Teresa Ringholz, soprano
Vocal Ensamble (Vocal coaching: Winfried Maczewbski)
Rotterdam Philharmonic Orchestra
Mstislav Rostropovich, Cellist, Pianist, Conductor

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Cena de uma montagem da ópera "Life with an idiot"
Cena de uma montagem da ópera “Life with an idiot”

PQP

Paul Hindemith (1895-1963): Kammermusik 1-7 + Kleine Kammermusik (Chailly – Concertgebouw)

Paul Hindemith (1895-1963): Kammermusik 1-7 + Kleine Kammermusik (Chailly – Concertgebouw)

IM-PER-DÍ-VEL !!!!

As Kammermusik (Música de Câmara), escritas principalmente durante a década de 1920, são belos exemplos da música do início do século que não aderiu ao atonal nem ao dodecafonismo. É música de primeiríssima qualidade, cheia de brilho melódico, invenções harmônicas e variações de formação orquestral. Há muitas obras levadas pelos sopros, trazendo associações com o jazz e a música popular americana da época. Tudo também é contrapontístico e o declarado amor de Hindemith a Bach fica claro. JÁ NOTARAM QUE AMO ESTAS OBRAS, NÃO? Como disse, a linguagem é tonal, mas Hindemith estende alguns laços dissonantes que se aproximam do expressionismo da escola vienense, mas sem histeria nem angústia. Cada um dos concertos é marcado por um instrumento solo e guarda uma enorme dívida formal para com os Concertos de Brandenburgo de Bach e as bandas norte-americanas. É curioso. E bom, muito bom.

Esta gravação inclui todos os concertos mais a Kleine Kammermusik, uma suíte para Quinteto de Sopros. Chailly é magnífico neste repertório, permeando tudo com uma alegria e um calor que não é geralmente associada com Hindemith. E o Concertgebouw… fala sério. Não há orquestra melhor.

Altamente recomendado como uma introdução a este compositor e o que faz dele verdadeiramente especial. IM-PER-DÍ-VEL !!!!, repito.

Paul Hindemith (1895-1963): Kammermusik 1-7

1 Kammermusik No.1, Op.24 No.1: I. Sehr Schnell Und Wild
2 Kammermusik No.1, Op.24 No.1: II. Massig Schnell Halbe
3 Kammermusik No.1, Op.24 No.1: III. Qt: Sehr Langsam Und Mit Ausdruck
4 Kammermusik No.1, Op.24 No.1: IV. Finale 1921: Lebhaft
5 Kleine Kammermusik, Op.24 No.2: I. Lustig. Massig Schnell Viertel
6 Kleine Kammermusik, Op.24 No.2: II. Walzer. Durchweg Sehr Leise
7 Kleine Kammermusik, Op.24 No.2: III. Ruhig Und Einfach
8 Kleine Kammermusik, Op.24 No.2: IV. Schnelle Viertel
9 Kleine Kammermusik, Op.24 No.2: V. Sehr Lebhaft
10 Kammermusik No.2, Op.36 No.1: I. Sehr Lebhafte Achtel
11 Kammermusik No.2, Op.36 No.1: II. Sehr Langsame Achtel
12 Kammermusik No.2, Op.36 No.1: III. Kleines Potpourri: Sehr Lebhafte Viertel
13 Kammermusik No.2, Op.36 No.1: IV. Finale. Schnelle Viertel
14 Kammermusik No.3, Op.36 No.2: I. Majestatisch Und Stark. Massig Schnelle Achtel
15 Kammermusik No.3, Op.36 No.2: II. Lebhaft Und Lustig
16 Kammermusik No.3, Op.36 No.2: III. Sehr Ruhige Und Gemessen Schreitende Viertel
17 Kammermusik No.3, Op.36 No.2: IV. Massig Bewegte Halbe. Munter, Aber Immer Gemachlich

Disc 2
1 Kammermusik No.4, Op.36 No.3: I. Signal: Breite, Majestatische Halbe
2 Kammermusik No.4, Op.36 No.3: II. Sehr Lebhaft
3 Kammermusik No.4, Op.36 No.3: III. Nachtstuck: Massig Schnelle Achtel
4 Kammermusik No.4, Op.36 No.3: IV. Lebhafte Viertel
5 Kammermusik No.4, Op.36 No.3: V. So Schnell Wie Moglich
6 Kammermuski No.5, Op.36 No.4: I. Schnelle Halbe
7 Kammermuski No.5, Op.36 No.4: II. Langsam
8 Kammermuski No.5, Op.36 No.4: III. Massig Schnell
9 Kammermuski No.5, Op.36 No.4: IV. Var Eines Militarmarsches
10 Kammermusik No.6, Op.46 No.1: Massig Schnell, Majestatisch
11 Kammermusik No.6, Op.46 No.1: Langsam
12 Kammermusik No.6, Op.46 No.1: Vars
13 Kammermusik No.6, Op.46 No.1: Lebhaft, Wie Fruher
14 Kammermusik No.7, Op.46 No.2: I. Nicht Zu Schnell
15 Kammermusik No.7, Op.46 No.2: II. Sehr Langsam Und Ganz Ruhig
16 Kammermusik No.7, Op.46 No.2: III. (Achtel Bis 184)

Brautigam
Harrell
Kulka
Kashkashian
Blume
Van Doeselaar
Royal Concertgebouw Orchestra
Riccardo Chailly

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Riccardo Chailly recebendo o bafo da orquestra
Riccardo Chailly recebendo o bafo da orquestra

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W. A. Mozart (1756-1791): Piano Concerto No.25 K.503 & Piano Concerto No.20 K.466

W. A. Mozart (1756-1791): Piano Concerto No.25 K.503 & Piano Concerto No.20 K.466

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Uma despedida maravilhosa de um gênio da regência orquestral! Abbado deu este concerto ao vivo em 7 de dezembro de 2013 e veio a falecer em 20 de janeiro de 2014, pouco mais de um mês depois. Aqui não se pode falar em decadência, mas sim em auge. A sensibilidade demonstrada por Abbado, Martha Argerich e pela orquestra fundada pelo maestro poucos anos antes é estupenda. É um registro ao vivo que deve ser ouvido, aprendido e guardado.

W. A. Mozart (1756-1791): Piano Concerto No.25 K.503 & Piano Concerto No.20 K.466

1. Mozart: Piano Concerto No.25 In C, K.503 – 1. Allegro maestoso 14:18
2. Mozart: Piano Concerto No.25 In C, K.503 – 2. Andante 7:01
3. Mozart: Piano Concerto No.25 In C, K.503 – 3. Allegretto 9:22

4. Mozart: Piano Concerto No.20 In D Minor, K.466 – 1. Allegro 14:04
5. Mozart: Piano Concerto No.20 In D Minor, K.466 – 2. Romance 9:01
6. Mozart: Piano Concerto No.20 In D Minor, K.466 – 3. Rondo (Allegro assai) 7:50

(Live From KKL, Lucerne / 2013)

Martha Argerich, piano
Orchestra Mozart
Claudio Abbado

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Claudio Abbado e Martha Argerich quando jovens: perfeição, virtuosismo e calor até o final
Claudio Abbado e Martha Argerich quando jovens: perfeição, virtuosismo e calor
E o último encontro em 7 de dezembro de 2013. Abbado faleceria em 20 de janeiro de 2014.
E o último encontro em 7 de dezembro de 2013. Abbado faleceria em 20 de janeiro de 2014, aos 80 anos.

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Andor Foldes: Wizard of the Keyboard

Andor Foldes: Wizard of the Keyboard

Andor Foldes (1913-1992) pertenceu a uma geração impressionante de músicos húngaros. Como ele, Geza Anda, Gyorgy Sandor, Edith Farnadi, Irene Malik, Annie Fischer — sem levar em conta a elite de regentes famosos (Fricsay, Dorati, Reiner) ou solistas (Szigetti) Dentre eles, Foldes ocupava um lugar de destaque no universo pianístico. Este disco é um tesouro de incrível repertório: Bach, De Falla, Poulenc, Bartok, Beethoven, Liszt, Copland, Barber, Debussy e Chopin .

Foldes foi um músico consumado, inteiramente dedicado a extrair e fazer-nos sentir o espírito de cada peça que ele tocava. Seu nível de musicalidade corre inversamente proporcional à sua fama. Negligenciado e esquecido por muitos, ele representa a estatura de músicos forjados na primeira metade do século XX, como Bartók e Kodály.

Andor Foldes: Wizard of the Keyboard

CD 1:
Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)
Chromatic Fantasia and Fugue in D minor, BWV 903
1) Fantasia [6:44]
2) Fuga [4:35]
Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)
Piano Sonata No.6 in F, Op.10 No.2
3) 1. Allegro [4:18]
4) 2. Allegretto [3:46]
5) 3. Presto [2:36]
Johannes Brahms (1833 – 1897)
16 Waltzes, Op.39
6) 1. in B [0:48]
7) 2. in E [1:09]
8. 3. in G sharp minor [0:46]
9) 15. in A flat [1:34]
Manuel de Falla (1876 – 1946)
El amor brujo
10) Ritual Fire Dance [3:31]
Francis Poulenc (1899 – 1963)
Nocturnes Nos.1-8
11) No.4 in C minor [1:26]
Claude Debussy (1862 – 1918)
Préludes – Book 1
12) 8. La fille aux cheveux de lin [2:41]
Frédéric Chopin (1810 – 1849)
4 Mazurkas, op.41
13) 2. Mazurka in E minor: Andantino [2:05]
14) Nocturne No.13 in C minor, Op.48 No.1 [5:52]
Franz Liszt (1811 – 1886)
15) Mephisto Waltz No.1, S.514 [10:38]
Béla Bartók (1881 – 1945)
Suite, BB 70, Sz. 62 (Op.14)
16) 1. Allegretto [1:55]
17) 2. Scherzo [1:43]
18) 3. Allegro molto [2:05]
19) 4. Sostenuto [2:53]
Sonata for Piano, Sz. 80 (BB 88)
20) 1. Allegro moderato [4:06]
21) 2. Sostenuto e pesante [5:00]
22) 3. Allegro molto [3:29]
23) Allegro barbaro, BB 63, Sz. 49 [2:29]

CD 2:
Igor Stravinsky (1882 – 1971)
Piano Sonata (1924)
1) 1. Viertel = 112 [3:07]
2) 2. Adagietto [5:05]
3) 3. Viertel = 112 [2:42]
Samuel Barber (1910 – 1981)
Excursions, Op.20
4) 1. Un poco allegro [2:43]
5) 2. In slow blues tempo [3:32]
6) 3. Allegretto [2:28]
7) 4. Allegro molto [2:10]
Aaron Copland (1900 – 1990)
Piano Sonata (1941)
8. 1. Molto moderato [8:21]
9) 2. Vivace [4:38]
10) 3. Andante sostenuto [9:28]
Zoltán Kodály (1882 – 1967)
11) Marosszéki táncok (Dances of Marosszèk) [12:30]
7 Piano Pieces, Op.11
12) 1. Lento [1:40]
13) 2. Székely keserves. Rubato, parlando [2:20]
14) 3. “il pleut dans mon coeur…”. Allegretto malinconico [1:30]
15) 5. Tranquillo [2:04]
16) 6. Székely nóta. Poco rubato [3:08]
Igor Stravinsky (1882 – 1971)
17) Circus Polka for a Young Elephant [3:55]
Virgil Thomson (1896 – 1989)
18) Ragtime Bass in C sharp [1:41]
Isaac Albéniz (1860 – 1909)
19) Tango, Op.165, No.2 [2:46]

Andor Foldes, piano

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Andor Foldes, esse tocava!
Andor Foldes, esse tocava!

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Isaac Albéniz (1860-1909): Iberia Suite / Piano Concerto “Concierto Fantástico” / Navarra / Catalonia

Isaac Albéniz (1860-1909): Iberia Suite / Piano Concerto “Concierto Fantástico” / Navarra / Catalonia


Mais um bonito CD de Albéniz, este centrado na Suíte Ibéria. Iberia é um dos maiores ciclos de obras já escritas para o piano e é difícil imaginar que estas peças tão pianísticas possam funcionar igualmente em arranjos orquestrais. Mas foi o próprio Albéniz que iniciou o processo, tendo seu amigo Enrique Arbós terminado as seis peças transpostas. A atmosfera é outra, talvez piorada, mas ainda assim muito atraente. O resto do CD também á boníssimo e o regente Enrique Bátiz — que também andou gravando bastante Villa-Lobos — é de primeiríssima linha.

Isaac Albéniz (1860-1909): Iberia Suite /
Piano Concerto “Concierto Fantástico” / Navarra / Catalonia

1. Iberia Suite: Evocación 5:37
2. Iberia Suite: El corpus en Sevilla 8:45
3. Iberia Suite: Triana 4:35
4. Iberia Suite: El puerto 4:26
5. Iberia Suite: El albaicin 6:46
Enrique Bátiz
London Symphony Orchestra

6. Navarra: completed de Severac 4:24
Enrique Bátiz
London Symphony Orchestra

7. Piano Concerto No. 1, Op. 78: I. Allegro ma non troppo 11:40
8. Piano Concerto No. 1, Op. 78: II. Andante – Presto 6:32
9. Piano Concerto No. 1, Op. 78: III. Allegro 6:21
Aldo Ciccolini, piano
Royal Philharmonic Orchestra
Enrique Bátiz

10. Suite Populaire: Catalonia 5:23
Mexico City Philharmonic Orchestra
Enrique Bátiz

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Enrique Bátiz; excelente regente
Enrique Bátiz; excelente regente

PQP

Steve Reich (1936) — 80 anos: Phases: A Nonesuch Retrospective (5 CDs)

Steve Reich (1936) — 80 anos: Phases: A Nonesuch Retrospective (5 CDs)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Steve Reich completou 80 anos no último dia 3 de outubro. Ele é o mais embasbacante e interessante dos minimalistas. É música para ser ouvida com grande atenção, pois as aparentes repetições contém variações que ocorrem a cada momento, criando climas inesperados. Com a cabeça quase sempre tapada por um boné e agora com oito décadas de vida, Reich vai montando uma obra que dialoga com o popular (Tehillim, por exemplo) e com a política (Different Trains).

Eu, PQP, amo sua música.

Steve Reich nasceu em Nova Iorque, a 3 de Outubro de 1936. Diplomou-se primeiro em Filosofia na Cornell University em 1957. Depois, foi estudar composição na Juilliard School of Music e trabalhou com Luciano Berio e Darius Milhaud.

Tornou-se na década de 60 uma das mais proeminentes figuras do Minimalismo. No final dos anos sessenta e início dos setenta aplicou técnicas de música gravada à composição acústica. Nos anos 70, uma viagem a África abriu-lhe novos horizontes na área da percussão. A peça Drumming deu origem ao seu grupo Steve Reich and Musicians. Em 1974 escreveu a obra-prima Music for 18 Musicians, considerada uma revolução na música. Aquele vinil da ECM do início dos anos 80 jamais será esquecido!

Nos anos 80, a obra de Reich tomou novas direções ao procurar temas políticos e religiosos. A década seguinte trouxe obras de grande envergadura sobre as origens das religiões cristã, judaica e islâmica, bem como sobre outros problemas e conflitos das sociedades modernas. Nesse período foi nomeado membro da Academia Americana das Artes e Letras e da Academia de Belas Artes da Baviera, e recebeu a Comenda da Ordem das Artes e Letras de França.

Em 2000 recebeu o Prémio Schuman da Columbia University, Montgomery Fellowship do Dartmouth College, Regent’s Lectureship na University of California at Berkeley, um doutoramento honorário do California Institute of the Arts e foi nomeado Compositor do Ano pela revista Musical America. Em 2007 recebeu o Polar Prize da Academia Real Sueca de Música, e em 2009 o Prémio Pulitzer em Música pela composição Double Sextet. 

Music For 18 Musicians
1-1 Pulses 5:26
1-2 Section I 3:58
1-3 Section II 5:13
1-4 Section IIIA 3:55
1-5 Section IIIB 3:46
1-6 Section IV 6:37
1-7 Section V 6:49
1-8 Section VI 4:54
1-9 Section VII 4:19
1-10 Section VIII 3:35
1-11 Section IX 5:24
1-12 Section X 1:51
1-13 Section XI 5:44
1-14 Pulses 6:11

Different Trains
2-1 America – Before The War 8:59
2-2 Europe – During The War 7:31
2-3 After The War 10:21

Tehillim
2-4 Part I: Fast 11:45
2-5 Part II: Fast 5:54
2-6 Part III: Slow 6:19
2-7 Part IV: Fast 6:24

2-8 Eight Lines 17:29

You Are (Variations)
3-1 You Are Wherever Your Thoughts Are 13:14
3-2 Shiviti Hashem L’negdi (I Place The Eternal Before Me) 4:15
3-3 Explanations Come To An End Somewhere 5:24
3-4 Ehmor M’aht, V’ahsay Harbay (Say Little And Do Much) 4:04

New York Counterpoint
3-5 Fast 5:03
3-6 Slow 2:44
3-7 Fast 3:32

3-8 Cello Counterpoint 11:36

Electric Counterpoint
3-9 Fast 6:51
3-10 Slow 3:22
3-11 Fast 4:30

Triple Quartet
3-12 First Movement 7:10
3-13 Second Movement 4:05
3-14 Third Movement 3:28

4-1 Come Out 12:48

4-2 Proverb 14:04

The Desert Music
4-3 First Movement (Fast) 7:54
4-4 Second Movement (Moderate) 6:59
4-5 Third Movement, Part One (Slow) 7:00
4-6 Third Movement, Part Two (Moderate) 5:54
4-7 Third Movement, Part Three (Slow) 5:55
4-8 Fourth Movement (Moderate) 3:35
4-9 Fifth Movement (Fast) 10:48

5-1 Music For Mallet Instruments, Voices, And Organ 16:50

Drumming
5-2 Part I 17:30
5-3 Part II 18:11
5-4 Part III 11:13
5-5 Part IV 9:50

Eu tô quase sempre de boné
Eu tô quase sempre de boné

Credits
Alto Vocals – Alice Murray (tracks: 3-1 to 3-4), Amy Fogerson (tracks: 3-1 to 3-4), Jay Clayton (tracks: 1-1 to 1-14, 5-1 to 5-5), Kim Switzer (tracks: 3-1 to 3-4), Nancy Sulahian (tracks: 3-1 to 3-4), Sarona Farrell (tracks: 3-1 to 3-4), Tracy Van Fleet (tracks: 3-1 to 3-4)
Bass – Donald Palma (tracks: 4-3 to 4-9), Oscar Hildago* (tracks: 3-1 to 3-4)
Cello – Delores Bing (tracks: 3-1 to 3-4), Greg Passelink* (tracks: 2-8), Jeanne LeBlanc (tracks: 1-1 to 1-14), Jennifer Culp (tracks: 3-12 to 3-14), Joan Jeanrenaud (tracks: 2-1 to 2-3), Mark Stewart (4) (tracks: 2-8), Maurice Grant* (tracks: 3-1 to 3-4), Maya Beiser (tracks: 3-8), Roger LeBow (tracks: 3-1 to 3-4), Sharon Prater (tracks: 4-3 to 4-9)
Clarinet – Evan Ziporyn (tracks: 1-1 to 1-14, 2-8, 3-5 to 3-7), Helen Goode-Castro (tracks: 3-1 to 3-4), James Faschia (tracks: 3-1 to 3-4), Larry Hughes (tracks: 3-1 to 3-4), Leslie Scott (tracks: 1-1 to 1-14), Michael Lowenstern (tracks: 2-8)
Flute – Geri Ratella* (tracks: 3-1 to 3-4), Sara Weisz (tracks: 3-1 to 3-4)
Guitar – Pat Metheny (tracks: 3-9 to 3-11)
Maracas, Marimba, Glockenspiel – Thad Wheeler (tracks: 1-1 to 1-14, 5-1 to 5-5)
Maracas, Piano – Philip Bush (tracks: 1-1 to 1-14)
Marimba – John Magnussen (tracks: 3-1 to 3-4), Mike Englander (tracks: 3-1 to 3-4), Tom Raney (2) (tracks: 3-1 to 3-4), Wade Culbreath (tracks: 3-1 to 3-4)
Marimba, Glockenspiel – Ben Harms (tracks: 5-2 to 5-5), Gary Schall (tracks: 5-2 to 5-5), Glen Velez (tracks: 5-2 to 5-5)
Marimba, Piano, Xylophone, Glockenspiel – Garry Kvistad (tracks: 1-1 to 1-14, 5-1)
Marimba, Xylophone, Vibraphone – Russell Hartenberger* (tracks: 1-1 to 1-14, 4-2, 5-1 to 5-5)
Mezzo-soprano Vocals – Ananda Goud (tracks: 2-4 to 2-7), Yvonne Benschop (tracks: 2-4 to 2-7)
Oboe – Joan Elardo (tracks: 3-1 to 3-4), Joel Timm (tracks: 3-1 to 3-4)
Piano – Brian Pezzone* (tracks: 3-1 to 3-4), Gloria Cheng (tracks: 3-1 to 3-4), Jay Clayton (tracks: 1-1 to 1-14), Lisa Edwards (2) (tracks: 3-1 to 3-4), Vicki Ray (tracks: 3-1 to 3-4)
Piano, Marimba – Steve Reich (tracks: 1-1 to 1-14, 5-1 to 5-5)
Piano, Organ [Electric] – Edmund Niemann (tracks: 1-1 to 1-14, 2-8, 4-2), Nurit Tilles (tracks: 1-1 to 1-14, 2-8, 4-2, 5-1)
Piccolo Flute – Mort Silver (tracks: 5-2 to 5-5)
Piccolo Flute, Flute – David Fedele (tracks: 2-8), Patti Monson (tracks: 2-8)
Soprano Vocals – Allison Zelles (tracks: 4-2), Andrea Fullington (tracks: 4-2), Barbara Borden (tracks: 2-4 to 2-7), Cheryl Bensman Rowe (tracks: 1-1 to 1-14, 4-3 to 4-9), Claire Fedoruk (tracks: 3-1 to 3-4), Emily Lin (tracks: 3-1 to 3-4), Marie Hodgson (tracks: 3-1 to 3-4), Marion Beckenstein (tracks: 1-1 to 1-14), Phoebe Alexander (tracks: 3-1 to 3-4), Rachelle Fox (tracks: 3-1 to 3-4), Rebecca Armstrong (tracks: 1-1 to 1-14, 5-1), Sonja Rasmussen (tracks: 4-2), Tania Batson (tracks: 3-1 to 3-4), Tannie Willemstijn (tracks: 2-4 to 2-7)
Tenor Vocals – Alan Bennett (3) (tracks: 4-2), Fletcher Sheridan (tracks: 3-1 to 3-4), Joseph Golightly* (tracks: 3-1 to 3-4), Kevin St.Clair (tracks: 3-1 to 3-4), Pablo Cora (tracks: 3-1 to 3-4), Paul Elliott (tracks: 4-2), Sean McDermott (tracks: 3-1 to 3-4), Shawn Kirchner (tracks: 3-1 to 3-4)
Viola – Darren McCann* (tracks: 3-1 to 3-4), Francesca Martin (tracks: 4-3 to 4-9), Hank Dutt (tracks: 2-1 to 2-3, 3-12 to 3-14), Catherine Reddish* (tracks: 3-1 to 3-4), Martha Mook* (tracks: 2-8), Ron Lawrence (tracks: 2-8), Victoria Miskolcsky* (tracks: 3-1 to 3-4)
Violin – David Harrington (tracks: 2-1 to 2-3, 3-12 to 3-14), Deborah Redding (tracks: 4-3 to 4-9), Elizabeth Knowles (tracks: 2-8), Elizabeth Lim (tracks: 1-1 to 1-14), Gregor Kitzis (tracks: 2-8), Jacqueline Carrasco (tracks: 2-8), John Sherba (tracks: 2-1 to 2-3, 3-12 to 3-14), Julie Rogers (2) (tracks: 3-1 to 3-4), Ralph Morrison (tracks: 3-1 to 3-4), Samuel Fischer (tracks: 3-1 to 3-4), Steve Scharf (tracks: 3-1 to 3-4), Susan Reddish (tracks: 3-1 to 3-4), Tamara Hatwan (tracks: 3-1 to 3-4), Todd Reynolds (tracks: 2-8)
Voice [Long Tones] – Pamela Wood Ambush (tracks: 5-1 to 5-5)
Xylophone, Marimba – Tim Ferchen* (tracks: 1-1 to 1-14, 5-1)
Xylophone, Marimba, Vibraphone – Bob Becker (tracks: 1-1 to 1-14, 4-2, 5-1 to 5-5)
Xylophone, Piano, Vibraphone – James Preiss (tracks: 1-1 to 1-14, 5-1 to 5-5)

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Eu bato em tudo o que vejo
E bato em tudo o que vejo

PQP

John Adams (1947): Harmonielehre / The Chairman Dances / Tromba Lontana / Short Ride in a Fast Machine (Rattle)

John Adams (1947): Harmonielehre / The Chairman Dances / Tromba Lontana / Short Ride in a Fast Machine (Rattle)


IM-PER-DÍ-VEL !!!

Em termos de qualidade, creio que a trindade do minimalismo estadunidense seja formada por Reich, Riley e Adams. John Adams é daqueles caras que os críticos ouviram e logo disseram que ia desaparecer assim como chegou. Nada disso, muito pelo contrário. Adams já é figurinha comum no repertório das orquestras e, por exemplo, sua ópera Nixon in China tem sido repetidamente montada. Este disco — com luxuosa regência de Simon Rattle — mostra um repertório exuberante e dá ideia do tamanho de Adams.

(É claro que vocês sabem que Rattle pediu demissão da Filarmônica de Berlim, não? Fez bem. A liberdade de repertório que ele tinha na CBSO era o ar de que se alimentava. Esperamos que Rattle volte com outra orquestra e com tudo, novamente!).

John Adams (1947): Harmonielehre / The Chairman Dances
/ Tromba Lontana / Short Ride in a Fast Machine

1. Harmonielehre: Part I 17:29
2. Harmonielehre: Part II – The Anfortas Wound 12:26
3. Harmonielehre: Part III – Meister Eckhardt and Quackie 10:34

4. The Chairman Dances – Foxtrot for orchestra 12:47

Two Fanfares:

5. Tromba lontana 4:07

6. Short Ride in a Fast Machine – Fanfare for orchestra 4:24

City Of Birmingham Symphony Orchestra
Sir Simon Rattle

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Adams: um dia vocês vão ouvir falar MUITO nele
Adams: um dia vocês vão ouvir falar MUITO nele

PQP

A música do tempo dos “Castrati”

A música do tempo dos “Castrati”

amyikes1_loisinorUma bela coletânea de árias originalmente escritas para castrati. As gravações não são muito novas e envolvem vários contratenores e orquestras. Se há alguém vindo de Marte frequentando nosso blog, explicamos: Castrato (plural castrati) é um cantor masculino cuja extensão vocal corresponde a das vozes femininas, seja de soprano, mezzo-soprano, ou contralto. Esta faculdade numa voz masculina só é verificável na sequência de uma operação de corte dos canais provenientes dos testículos, ou então por um problema endocrinológico que impeça a maturidade sexual. Consequentemente, a chamada “mudança de voz” não ocorre. A castração antes da puberdade (ou na sua fase inicial) impede então a libertação para a corrente sanguínea das hormônios sexuais produzidas pelos testículos, as quais provocariam o crescimento normal da laringe masculina (para o dobro do comprimento) entre outras características sexuais secundárias, como o crescimento da barba. Quando o jovem castrato chega à idade adulta, o seu corpo desenvolve-se em termos de capacidade pulmonar e força muscular, mas a sua laringe não. A sua voz adquire assim uma tessitura única, com um poder e uma flexibilidade muito diferentes, tanto da voz da mulher adulta, como da voz mais aguda do homem não castrado (contratenor). Por outro lado, a maturidade e a crescente experiência musical do castrato tornavam a sua voz marcadamente diferente da de um jovem. O termo castrato designa não só o cantor mas também o próprio registro da sua voz.

A música do tempo dos “Castrati”

Christoph Willibald Gluck
Orfeo ed Euridice (Italian version), opera in 3 acts, Wq. 30
1 Act 2. Scene 2. “Les Champs-Elysées (symphonie descriptive-danse-arioso) 6:21

Antonio Vivaldi
Montezuma, opera in 3 acts, RV 723
2 Act 3. Scene 10. Aria. “Dov’è la figlia” 6:02

Gregorio Allegri
3 De ore prudentis, motet for 3 voices & continuo 1:54

Antonio Vivaldi
4 Dixit Dominus (Psalm 109), for 4 voices, double chorus, 2 trumpets, 2 oboes, solo strings, strings & continuo D major, RV 594 2:17

Marc-Antoine Charpentier
5 Salve Regina à trois voix pareilles, motet for 3 voices & continuo, H. 23 8:16

Christoph Willibald Gluck
Orfeo ed Euridice (Italian version), opera in 3 acts, Wq. 30
6 Act 3. Scene 1. “Che faró senza Euridice?” 3:28

Antonio Vivaldi
Montezuma, opera in 3 acts, RV 723
7 Act 1. Scene 2. Aria. “Gl’oltraggidella sorte” 3:30

Gregorio Allegri
8 Repleti sunt omnes, motet for 3 voices & continuo 1:41

Antonio Vivaldi
Nisi Dominus (Psalm 126), for 3 voices, viola d’amore, chalumeau, violin, strings & continuo in A major, RV 803
9 Sicut erat-Amen 2:47

Riccardo Broschi
10 Son Qual Nave ch’agitata 8:09

James Bowman
Ewa Malas-Godlewska
Derek Lee Ragin
Gerard Lesne
John Elves
Josep Cabre
Dominique Visse
La Grande Ecurie et la Chambre du Roy
Ensemble a Sei Voci
Le Concert des Nations
Les Talens Lyriques
Jean-Claude Malgoire
Bernard Fabre-Garrus
Christophe Rousset

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James Bowman: "Nenhum cantor sofreu maus tratos durante as gravações".
James Bowman e PQP Bach asseveram que “Nenhum cantor sofreu maus tratos durante as gravações”.

PQP

Louis Marchand (1669-1732), Jacques Duphly (1715-1789), Armand-Louis Couperin (1727-1789), Claude-Bénigne Balbastre (1727-1799), Michel Corrette (1709-1795), Joseph Nicolas Pancrace Royer (1705-1755): A French Collection

Louis Marchand (1669-1732), Jacques Duphly (1715-1789), Armand-Louis Couperin (1727-1789), Claude-Bénigne Balbastre (1727-1799), Michel Corrette (1709-1795), Joseph Nicolas Pancrace Royer (1705-1755): A French Collection

IM-PER-DÍ-VEL !!!!

Eu recomendo fortemente este grande CD de Skip Sempé. É complicado pedir coesão numa coletânea, a gente apenas pede que as músicas sejam boas e que combinem entre si, sem chocar, por exemplo, meus ouvidos que hoje foram apresentados a Lady Gaga e que por isso estão em estado de choque. O inesperado aqui é a notável qualidade das peças. Sempre uso de indulgência para com os franceses, mas na época barroca esta não é necessária. Caramba, os caras faziam grande música! Como todo bom recital, Sempé — o espetacular Sempé — finaliza o disco com uma obra capaz de fazer o mais sonolento dos ouvintes acordar e, ao final, saltar da cadeira como se tivesse uma mola na bunda para aplaudir em pé.

Skip Sempé: A French Collection

1. Louis Marchand : Prélude 2:37
2. Jacques Duphly : La de Belombre (Vivement) 2:33
3. Jacques Duphly : Les Grâces (Tendrement) 5:05
4. Jacques Duphly : La Félix (Noblement) 3:06
5. Jacques Duphly : Rondeau (Tendre) 2:31
6. Louis Marchand : Chaconne 3:53
7. Armand-Louis Couperin : L’Intrépide, Rondeau (Marqué) 2:17
8. Jacques Duphly : La Forqueray, Rondeau 5:15
9. Claude-Bénigne Balbastre : La Lugéac, Giga (Allegro) 1:54
10. Jacques Duphly : Chaconne 6:26
11. Michel Corrette : Les Etoiles (Légèrement et Modérément) 2:24
12. Claude-Bénigne Balbastre : La Suzanne (Noblement et Animé / Gracieusement) 3:37
13. Joseph Nicolas Pancrace Royer : Allemande 3:37
14. Claude-Bénigne Balbastre : La d’Héricourt (Noblement, sans lenteur) 3:01
15. Claude-Bénigne Balbastre : La de Caze, Ouverture (Fièrement et Marqué) 3:26
16. Jacques Duphly : La Pothoüin, Rondeau (Modérément) 4:44
17. Joseph Nicolas Pancrace Royer : La Marche des Scythes (Fièrement) 5:37

Skip Sempé, cravo
(after 18th century French models by Bruce Kennedy [1985])

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Skip Sempé preparando-se para estudar
Skip Sempé preparando-se para estudar.

PQP

G. F. Handel (1685-1759): O Messias (Pinnock)

G. F. Handel (1685-1759): O Messias (Pinnock)

IM-PER-DÍ-VEL !!! (Mas esta versão aqui é ainda melhor).

Depois de muito ouvir e pensar cheguei à conclusão de que esta gravação de Pinnock é DO CARALHO. Solistas, coro, orquestra, não há do que reclamar. E parece que todos estão felizes, é simplesmente maravilhoso. E o pior é que um de vocês, meus amigos, foi quem mandou esta jóia para meu e-mail. E, bem, EU NÃO LEMBRO QUEM FOI! Mas agradeço muito. Vocês todos também agradecerão depois de baixá-lo.

O que estão esperando?

O Messias é o oratório mais popular de Handel. É grande número dos corais que atacam, confiantes e sorridentes, o coral Hallelujah. Eles estão certos, não serei eu que irei criticá-los. Só que esta peça está longe de figurar entre o que há de melhor neste oratório cheio de lirismo e de um melodismo raro, riquíssimo. É difícil de se encontrar árias mais inspiradas do que He shall feed His flock, Ev`ry valley shall be exalted, Why do the nations?, corais como For unto us a child is born, And the glory of the Lord, And He shall purify, além da ária-coral O thou thet tellest good tidings to Zion. Handel era genial e aqui tem seu ponto mais alto. A popularidade de O Messias é merecida.

O Messias normalmente ouvido por nós, principalmente no célebre Hallelujah, está bem longe daquilo que foi planejado originalmente por Handel. Pode parecer surpreendente a muitos o fato de que Handel, enquanto compunha o Oratório, lutava contra problemas administrativos que o levaram a utilizar um grupo pequeno de músicos, pela simples razão de que não os havia na Dublin de 1742 e de que era oneroso buscá-los em outras cidades. Handel dispunha apenas de 16 cantores-solistas e uma orquestra mínima e a estréia foi assim mesmo. No curso destes mais de 260 anos, o popular Messias foi executado de todas as formas imagináveis. Nas antigas gravações da obra e até hoje, são ouvidos enormes corais, oboés dobrando as vozes – não há oboés na versão original -, fagotes no baixo contínuo – fagotes, que fagotes? – etc., etc.

Nos anos 70, quando ouvi esta obra prima pela primeira vez, foi na mastodôntica versão de Karl Richter. Achei uma maravilha o que hoje acho estranho. Richter usou enorme coral e um potente conjunto instrumental, tudo muito pouco barroco. Só que a gravação era linda, avassaladora. Ouvia-se ali o precursor do Beethoven da 9ª Sinfonia. Só que os anos seguintes nos trouxeram as gravações em instrumentos originais, com as obras sendo executadas dentro da exata formação prescrita pelo compositor e muitas obras foram definhando em potência sonora para ganhar outros coloridos. A partir da década de 80, fomos nos acostumando a deixar o volume sonoro para compositores mais modernos e a fruir da delicadeza barroca. Não, não é proibido ouvir as velhas gravações que utilizam exércitos fortemente armados na interpretação deste oratório – e nem as novas que ainda fazem o mesmo! -, mas alguém com tendências puristas como eu, teve de acostumar-se ao uso de forças menores na interpretação do powerful Messiah. Hoje, parece a mim uma desonestidade ouvir uma obra interpretada dentro de uma concepção tão longínqua das intenções do compositor, ou seja, tão longe daquilo que Handel ouvia. Sei que estou em terreno perigoso e que há fóruns que estão discutindo isto há anos. Tudo começa com alguém perguntando “Mas, e se Handel dispusesse de um coral de 96 elementos e pudesse quadruplicar a orquestra, a música seria diferente?”. Tenho posições nestas questões, porém aqui a intenção é a de modestamente descrever e louvar um pouco de O Messias, esta delicada e poderosa obra de câmara…

É lendária velocidade com que Handel escrevia suas obras. Imaginem que os mais de 140 minutos deste oratório foram escritos em apenas 21 dias. É lendária a velocidade com que a obra tinha sido escrita, mas ao consultar meus alfarrábios descobri que ele sempre produzia assim. Porém, seus doze concerti grossi, opus 6, foram escritos em 24 dias, quando há pessoas que não conseguiriam sequer copiá-los neste período! Quando inspirado, o homem era rápido mesmo.

Mais curiosidades? Quando houve a elogiada e aplaudidíssima estréia em Dublin (em 13 de abril de 1742), Londres recebeu a obra com calculado distanciamento pela simples razão de que os londrinos não podiam ouvi-la. Ocorria que era proibido falar de coisas sagradas nos teatros e não se podia trazer profissionais dos teatros para cantarem numa igreja. Então o oratório, tal qual uma alma penada, caiu no limbo espírita. Só com alguns de atraso e bem velho, Handel pode ver seu oratório triunfar na capital.

Handel – O Messias

Disc: 1
1. Part 1. 1. Sinfony (Grave – Allegro moderato)
2. Part 1. 2. Accompagnato. Comfort ye my people
3. Part 1. 3. Air. Ev’ry valley shall be exalted
4. Part 1. 4. Chorus. And the glory of the Lord shall be revealed
5. Part 1. 5. Accompagnato. Thus saith the Lord of Hosts
6. Part 1. 6. Air. But who may abide the day of his coming
7. Part 1. 7. Chorus. And he shall purify
8. Part 1. 8. Recitative. Behold, a virgin shall conceive
9. Part 1. 9. Air. O thou that tellest good tidings
10. Part 1. 10. Accompagnato. For behold, darkness shall cover
11. Part 1. 11. Air. The people that walked in darkness
12. Part 1. 12. Chorus. For unto us a Child is born
13. Part 1. 13. Pifa (Pastoral Symphony)
14. Part 1. 14. Recitative. There were shepherds abiding in the field / Accompagnato. And lo, the angel
15. Part 1. 17. Chorus. Glory to God in the highest
16. Part 1. 18. Air. Rejoice greatly, O daughter of Zion
17. Part 1. 19. Recitative. Then shall the eyes of the blind
18. Part 1. 20. Air. He shall feed his flock
19. Part 1. 21. Chorus. His yoke is easy, his burthen is light
20. Part 2. 22. Chorus. Behold the Lamb of God
21. Part 2. 23. Air. He was despised

Disc: 2
1. Part 2. 24. Chorus. Surely he hath borne our griefs
2. Part 2. 25. Chorus. And with his stripes we are healed
3. Part 2. 26. Chorus. All we like sheep have gone astray
4. Part 2. 27. Accompagnato. All they that see him
5. Part 2. 28. Chorus. He trusted in God
6. Part 2. 29. Accompagnato. Thy rebuke hath broken his heart
7. Part 2. 30. Arioso. Behold, and see if there be any sorrow
8. Part 2. 31. Accompagnato. He was cut off out of the land
9. Part 2. 32. Air. But thou didst not leave his soul
10. Part 2. 33. Chorus. Lift up your heads, O ye gates
11. Part 2. 34. Recitative. Unto which of the angels
12. Part 2. 35. Chorus. Let all the angels of God worship him
13. Part 2. 36. Air. Thou art gone up on high
14. Part 2. 37. Chorus. The Lord gave the word
15. Part 2. 38. Air. How beautiful are the feet
16. Part 2. 39. Chorus. Their sound is gone out
17. Part 2. 40. Air. Why do the nations so furiously rage
18. Part 2. 42. Recitative. He that dwelleth in heaven
19. Part 2. 43. Air. Thou shalt break them
20. Part 2. 44. Chorus. Hallelujah
21. Part 3. 45. Air. I know that my Redeemer liveth
22. Part 3. 46. Chorus. Since by man came death
23. Part 3. 47. Recitative. Behold, I tell you a mystery
24. Part 3. 48. Air. The trumpet shall sound
25. Part 3. 49. Recitative. Then shall be brought to pass
26. Part 3. 50. Duet. O death, where is thy sting?
27. Part 3. 52. Air. If God be for us
28. Part 3. 53. Chorus. Worthy is the Lamb that was slain – Amen

Arleen Auger
Anne Sofie von Otter
Michael Chance
Howard Crook
John Tomlinson

Trevor Pinnock
The English Concert & Choir

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Na categoria e no grito.
Na categoria e no grito.

PQP

Serguei Prokofiev (1891-1953): Sinfonias Completas (Gergiev)

Serguei Prokofiev (1891-1953): Sinfonias Completas (Gergiev)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Gergiev está no seu elemento nas sinfonias de Prokofiev. Aqui temos uma grande versão das sinfonias do homem que morreu no mesmo dia em que Stalin deixou este mundo. Não sobraram flores para Prokofiev e nem se deram conta de que algo muito mais humano tinha falecido naquela dia de 1953. Bem, o russo Gergiev sempre teve um talento especial para a emoção visceral da música de seu país, cheia de momentos extremos, líricos, leves e sofisticados, grotescos, sarcásticos e violentos. Gergiev pegou um pouco pesado na Sinfonia Nº 1, “Clássica”, homenagem de Prokofiev a Haydn e Mozart. Mas o que ele faz nas quatro sinfonias de aço de idade adulta é esplêndido. A 5ª está maravilhosa, inesquecível. As negligenciadas 4ª e 6ª aparecem como a grandíssima música que são. Porém, o mais surpreendente é a 7ª de Gergiev. Um peça melodiosíssima — por vezes zombeteira — a qual é dada uma interpretação natural e fluida, a melhor interpretção que já ouvi dela. A Orquestra Sinfônica de Londres é grande parte do sucesso do conjunto. É uma das grandes orquestras do mundo. Ah, as gravações foram registradas ao vivo. É mole?

CD1

01. Sergei Prokofiev – Symphony No. 1 in D major, op. 25 ‘Classical’ – I. Allegro
02. Sergei Prokofiev – Symphony No. 1 in D major, op. 25 ‘Classical’ – II. Larghetto
03. Sergei Prokofiev – Symphony No. 1 in D major, op. 25 ‘Classical’ – III. Gavotta, Non troppo allegro
04. Sergei Prokofiev – Symphony No. 1 in D major, op. 25 ‘Classical’ – IV. Finale, Molto vivace

05. Sergei Prokofiev – Symphony No.4 in C major, op. 112, 1947 revised – I. Andante, Allegro eroico
06. Sergei Prokofiev – Symphony No.4 in C major, op. 112, 1947 revised – II. Andante tranquillo
07. Sergei Prokofiev – Symphony No.4 in C major, op. 112, 1947 revised – III. Moderato, quasi allegretto
08. Sergei Prokofiev – Symphony No.4 in C major, op. 112, 1947 revised – IV. Allegro risoluto

CD2

09. Sergei Prokofiev – Symphony No. 2 in D minor, op. 40 – I. Allegro ben articolato
10. Sergei Prokofiev – Symphony No. 2 in D minor, op. 40 – II. Theme and variations

11. Sergei Prokofiev – Symphony No. 3 in C minor, op. 44 – I. Moderato
12. Sergei Prokofiev – Symphony No. 3 in C minor, op. 44 – II. Andante
13. Sergei Prokofiev – Symphony No. 3 in C minor, op. 44 – III. Allegro agitato
14. Sergei Prokofiev – Symphony No. 3 in C minor, op. 44 – IV. Andante mosso, Allegro agitato

CD3

15. Sergei Prokofiev – Symphony No. 4 in C major, op. 47, 1930 original – I. Andante assai, Allegro eroico
16. Sergei Prokofiev – Symphony No. 4 in C major, op. 47, 1930 original – II. Andante tranquillo
17. Sergei Prokofiev – Symphony No. 4 in C major, op. 47, 1930 original – III. Modertato, quasi allegretto
18. Sergei Prokofiev – Symphony No. 4 in C major, op. 47, 1930 original – IV. Allegro risoluto

19. Sergei Prokofiev – Symphony No. 5 in B flat major, op. 100 – I. Andante
20. Sergei Prokofiev – Symphony No. 5 in B flat major, op. 100 – II. Allegro marcato
21. Sergei Prokofiev – Symphony No. 5 in B flat major, op. 100 – III. Adagio
22. Sergei Prokofiev – Symphony No. 5 in B flat major, op. 100 – IV. Allegro giocoso

CD4

23. Sergei Prokofiev – Symphony No. 6 in E flat minor, Op. 111: 1. Allegro moderato
24. Sergei Prokofiev – Symphony No. 6 in E flat minor, Op. 111: 2. Largo
25. Sergei Prokofiev – Symphony No. 6 in E flat minor, Op. 111: 3. Vivace

26. Sergei Prokofiev – Symphony No. 7 in C sharp minor, Op. 131: 1. Moderato
27. Sergei Prokofiev – Symphony No. 7 in C sharp minor, Op. 131: 2. Allegretto
28. Sergei Prokofiev – Symphony No. 7 in C sharp minor, Op. 131: 3. Andante espressivo
29. Sergei Prokofiev – Symphony No. 7 in C sharp minor, Op. 131: 4. Vivace

London Symphony Orchestra
Valery Gergiev

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Prokofiev posando para a Caras soviética
Prokofiev posando para a Caras soviética

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J. S. Bach (1685-1750): 6 Partitas, BWV 825-830 (Pinnock – Hänssler)

J. S. Bach (1685-1750): 6 Partitas, BWV 825-830 (Pinnock – Hänssler)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Eu sei que Trevor Pinnock tem grandes trabalhos como regente — seu Messiah é difícil de bater — , mas foi aqui, com as Partitas para teclado de Bach, que ele foi imbatível. A música é extraordinária, da lavra do melhor e mais inspirado Bach, e a resposta de Pinnock foi na mesma altura. E não ignoro que há adversários imensos, como Staier e Perahia. Este é um CD que todos deveriam ter. Ah, o álbum duplo original tem as Partitas em outra ordem. Aqui, eu as coloquei na ordem de 1 a 6. Fica melhor, né?

Ninguém vai se arrepender de ouvir.

J. S. Bach (1685-1750): 6 Partitas, BWV 825-830

1. Partita No. 1 in B flat major, BWV 825 : I. Prelude 2:08
2. Partita No. 1 in B flat major, BWV 825 : II. Allemande 4:06
3. Partita No. 1 in B flat major, BWV 825 : III. Corrente 2:59
4. Partita No. 1 in B flat major, BWV 825 : IV. Sarabande 5:28
5. Partita No. 1 in B flat major, BWV 825 : V. Menuet 1 and 2 2:40
6. Partita No. 1 in B flat major, BWV 825 : VI. Gigue 2:26

7. Partita No. 2 in C minor, BWV 826 : I. Sinfonia 4:49
8. Partita No. 2 in C minor, BWV 826 : II. Allemande 5:06
9. Partita No. 2 in C minor, BWV 826 : III. Courante 2:09
10. Partita No. 2 in C minor, BWV 826 : IV. Sarabande 3:37
11. Partita No. 2 in C minor, BWV 826 : V. Rondo 1:32
12. Partita No. 2 in C minor, BWV 826 : VI. Capriccio 3:48

1. Partita No. 3 in A minor, BWV 827 : I. Fantasia 2:14
2. Partita No. 3 in A minor, BWV 827 : II. Allemande 3:24
3. Partita No. 3 in A minor, BWV 827 : III. Corrente 2:53
4. Partita No. 3 in A minor, BWV 827 : IV. Sarabande 4:28
5. Partita No. 3 in A minor, BWV 827 : V. Burlesca 2:05
6. Partita No. 3 in A minor, BWV 827 : VI. Scherzo 1:15
7. Partita No. 3 in A minor, BWV 827 : VII. Gigue 3:43

8. Partita No. 4 in D major, BWV 828 : I. Overture 6:36
9. Partita No. 4 in D major, BWV 828 : II. Allemande 10:14
10. Partita No. 4 in D major, BWV 828 : III. Courante 3:28
11. Partita No. 4 in D major, BWV 828 : IV. Aria 2:18
12. Partita No. 4 in D major, BWV 828 : V. Sarabande 5:57
13. Partita No. 4 in D major, BWV 828 : VI. Menuet 1:25
14. Partita No. 4 in D major, BWV 828 : VII. Gigue 4:05

15. Partita No. 5 in G major, BWV 829 : I. Prelude 2:50
16. Partita No. 5 in G major, BWV 829 : II. Allemande 5:26
17. Partita No. 5 in G major, BWV 829 : III. Corrente 1:57
18. Partita No. 5 in G major, BWV 829 : IV. Sarabande 5:24
19. Partita No. 5 in G major, BWV 829 : V. Tempo di Minuetta 1:51
20. Partita No. 5 in G major, BWV 829 : VI. Passepied 1:34
21. Partita No. 5 in G major, BWV 829 : VII. Gigue 4:13

13. Partita No. 6 in E minor, BWV 830 : I. Toccata 7:20
14. Partita No. 6 in E minor, BWV 830 : II. Allemande 3:44
15. Partita No. 6 in E minor, BWV 830 : III. Corrente 4:28
16. Partita No. 6 in E minor, BWV 830 : IV. Air 1:40
17. Partita No. 6 in E minor, BWV 830 : V. Sarabande 5:48
18. Partita No. 6 in E minor, BWV 830 : VI. Tempo di Gavotta 2:08
19. Partita No. 6 in E minor, BWV 830 : VII. Gigue 6:23

Trevor Pinnock, cravo

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Trevor Pinnock: o maior trabalho de sua vida
Trevor Pinnock: o maior trabalho de sua vida

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Paul Hindemith (1895-1963): Konzertmusik, Mathis der Maler e Symphonic Metamorphosis

Paul Hindemith (1895-1963): Konzertmusik, Mathis der Maler e Symphonic Metamorphosis

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Sensacional álbum que contém as obras mais populares de Hindemith para orquestra, incluindo as Metamorfoses Sinfônicas coreografadas por Balanchine e a Sinfonia “Matias, o Pintor”, interpretadas com precisão lapidar e grande empatia pela Orquestra Escocesa da BBC sob a batuta de Martyn Brabbins, intérpretes consumados deste compositor que só faz crescer na discografia erudita. Cresce porque é bom demais. Hindemith escreve para sopros como ninguém. Não confirmando sua velha reputação de um compositor por demais complexo, este Hindemith genuinamente agradável, ao mesmo tempo inteligível e intelectual, tão divertido quanto finamente trabalhado.

Konzertmusik for brass and strings Op 50 [17’45]
1 Mässig schnell, mit Kraft – Sehr breit, aber stets fliessend [8’59]
2 Lebhaft – Langsam – In ersten Zeitmass [8’46]

Symphony ‘Mathis der Maler’ [26’55]
3 Engelkonzert [9’06]
4 Grablegung [4’11]
5 Versuchung des heiligen Antonius [13’38]

Symphonic Metamorphosis after themes by Carl Maria von Weber [21’18]
6 Allegro [4’17]
7 Scherzo: Turandot [7’53]
8 Andantino [4’19]
9 Marsch [4’49]

BBC Scottish Symphony Orchestra
Martyn Brabbins

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Hindemith: vá ser contrapontístico assim na pqp!
Hindemith: vá ser contrapontístico assim na pqp!

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Steve Reich (1936): Tehillim, The Desert Music

Steve Reich (1936): Tehillim, The Desert Music

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Temos que celebrar os 80 anos do grande Steve Reich, ocorridos em 3 de outubro. Logo publicarei uma coleção de 5 CDs com seus maiores trabalhos gravados pela Nonesuch Records. A monumental gravação de hoje é da nova-iorquina Cantaloupe Music.

Tehillim e The Desert Music estão entre as peças mais grandiosas de Reich. Os dois grupos, Ossia e Alarm Will Sound, beneficiaram-se das ligações muito estreitas que têm com o compositor. Além disso, Alan Pierson, o regente, preparou tudo fazendo constantes consultas a Reich. São peças ágeis, típicas da fase dos anos 80 de Reich. São brilhantes, cheias de luz e precisão. Vozes e cordas sempre foram um problema dentro das texturas percussivas de Reich, mas aqui os cantores e cordas mantém uma vitalidade rítmica impressionante. Pura energia e clareza, fazendo com que o gênio de Reich surja a cada momento.

Tehillim (1981)
01. I. Psalm 19: 2-5 [11:13]
02. II. Psalm 34: 13-15 [5:52]
03. III. Psalm 18: 26-27 [7:47]
04. IV. Psalm 150: 4-6 [5:59]

The Desert Music (1984, revised chamber version 2001)
Text by William Carlos Williams
05. I. (Fast) [7:09]
06. II. (Moderate) [5:51]
07. III. Part I (Slow) [6:55]
08. III. Part II (Moderate) [5:12]
09. III. Part III (Slow) [5:59]
10. IV. (Moderate) [3:03]
11. V. (Fast) [9:38]

‘Tehillim’ Performers:
Ossia
Conductor: Alan Pierson
High soprano: Elizabeth Phillips
Lyric sopranos: Akiko Fujimoto, Carolyn Dorey
Alto: Kirsten Sollek-Avella
Percussion: Clay Greenberg, Payton Macdonald, Karen Minzer, Ian Quinn, Jason Treuting, Lawson White
Flute: Jessica Johnson
Piccolo: Ann Choomack
Oboe: Michael Miller
English horn: Jeffrey L. Paul Ii
Clarinets: Elisabeth Stimpert, Andrea Levine
Organs: John Orfe, Rob Haskins
Violins: Susanna Cortesio (Principal), Terra Peach, Caleb Burhans, David Wish
Violas: Kara Poorbaugh, John Pickford Richards
Cellos: Stefan Freund, Luke Pomorski
Bass: Sara Lukjanovs
Assistant conductor: Clay Greenberg

‘The Desert Music’ Performers:
Alarm Will Sound and Ossia
Conductor: Alan Pierson
Female voices: Martha Cluver, Akiko Fujimoto, Heather Gardner,
Pam Igelsrud, Beth Meyers, Kirsten Sollek-Avella
Male voices: Caleb Burhans, Clay Greenberg, Will Jennings, Daniel Toven
Flutes/Piccolos: Jessica Johnson, Justin Berrie, Meg Sippey, Rachel Roberts
Horns: Matt Marks, Kate Sheeran
Trumpets: Lisa Edelman, Leah Schumann
Trombones: James Hirschfeld, David Beauchesne, Mike Dowden
Keyboards: Clay Greenberg, Solungga Fang-Tzu Liu, Tom Rosenkranz, Ian Quinn, Jen Snyder
Percussion: Dennis Desantis, Clay Greenberg, Beth Meyers, Payton Macdonald, Alex Postelnek,
Mike Tetreault, Jason Treuting, Lawson White, Pete Zlotnick
Violins: Courtney Orlando (Principal), Andrew Fouts, David Wish,
Yuki Numata, Autumn Inglin Shepherd, Michael Jorgensen
Violas: John Pickford Richards, Justin Caulley, Kara Poorbaugh
Cellos: Susie Kelly, Stefan Freund, Norbert Lewandowski
Basses: Ike Sturm, Brent Bulmann
Assistant conductor: Ian Quinn

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Gênio.
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The Dmitri Shostakovich Edition (CDs 8 e 9 de 27)

The Dmitri Shostakovich Edition (CDs 8 e 9 de 27)


IM-PER-DÍ-VEL!!!

Toda a série está aqui, ó.

CD 8
A Sinfonia Nº 12… Bem, é fraca…

SYMPHONY No.12 in D Minor, Op.112, “1917”
5. Revolutionary “Petrograd”: Moderato, Allegro
6. Allegro
7. Aurora: Allegro
8. Down of Humanity: Allegro, Allegretto

WDR Sinfonieorchester,
Rudolf Barshai

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CD 9
Sinfonia Nº 13 (Babi Yar), Op. 113 (1962)

Após o equívoco da Sinfonia Nº 12 – lembrem que até Beethoven escreveu uma medonha Vitória de Wellington, curiosamente estreada na mesma noite da sublime 7ª Sinfonia, mas este é outro assunto… -, Shostakovich inauguraria sua última fase como compositor começando pela Sinfonia Nº 13, Babi Yar. Iniciava-se aqui a produção de uma seqüência de obras-primas que só terminaria com sua morte, em 1975. Esta sinfonia tem seus pés firmemente apoiados na história da União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial. É uma sinfonia cantada, quase uma cantata em seu formato, que conta com a nada desprezível colaboração do grande poeta russo Evgeny Evtuchenko (conforme alguns, como a Ed. Brasilinense, porém pode-se encontrar a grafia Ievtuchenko, Yevtuchenko ou Yevtushenko, enfim!)

O que é, afinal, Babi Yar? Babi Yar é o nome de uma pequena localidade situada perto de Kiev, na atual Ucrânia, cuja tradução poderia ser Barranco das Vovós. Ali, em 29 e 30 de setembro de 1941, teve lugar o assassinato de 34 mil judeus pelos nazistas. Eles foram mortos com tiros na cabeça e a participação comprovada de colaboradores ucranianos no massacre permanece até hoje tema de doloroso debate público naquele país. Nos dois anos seguintes, o número de mortos em Babi Yar subiu para 200 mil, em sua maioria judeus. Perto do fim da guerra, os nazistas ordenaram que os corpos fossem desenterrados e queimados, mas não conseguiram destruir todos os indícios. Ievtuchenko criticou a maneira que o governo soviético tratara o local. O monumento em homenagem aos mortos referia-se às vítimas como ucranianas e russas, o que também eram, apesar de saber-se que o fato determinante de suas mortes era o de serem judeus. O motivo? Ora, Babi Yar deveria parecer mais uma prova do heroísmo e sofrimento do povo soviético e não de uma fatia dele, logo dele, que seria uma sociedade sem classes nem religiões… O jovem poeta Ievtuhenko considerou isso uma hipocrisia e escreveu o poema em homenagem aos judeus mortos. O que parece ser uma crítica de importância relativa para nós, era digna de censura, na época. O poema fui publicado na revista Literatournaia Gazetta e causou problemas a seu autor e depois, também a Shostakovich, ao qual foram pedidas alterações que nunca foram feitas na sinfonia. No Ocidente, Babi Yar foi considerado prova da violência anti-semita na União Soviética, mas o próprio Ievtuchenko declara candidamente em sua Autobiografia Precoce (Ed. Brasiliense, 1987) que a tentativa de censura ao poema não teve nada a ver com este gênero de discussão e que, das trinta mil cartas que recebeu falando em Babi Yar, menos de trinta provinham de anti-semitas…

O massacre de Babi Yar é tão lembrado que não serviu apenas a Ievtuchenko e a Shostakovich, tornando-se também tema de filmes e documentários recentes, assim como do romance Babi Yar de Anatoly Kuznetsov. Não é assunto morto, ainda.

O tratamento que Shostakovich dá ao poema é perfeito. Como se fosse uma cantata em cinco movimentos, os versos de Ievtuchenko são levados por um baixo solista, acompanhado de coral masculino e orquestra. É música de impressionante gravidade e luto; a belíssima linha melódica ora assemelha-se a um serviço religioso, ora ao grande modelo de Shostakovich, Mussorgski; mesmo assim, fiel a seu estilo, Shostakovich encontra espaço para seu habitual sarcasmo.

A seguir, aproveitarei a excelente descrição que Clovis Marques fez para o concerto que incuía a Sinfonia Nº 13, Babi Yar, realizado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro em 27 de julho de 2006:

Chostakovich, ‘for ever’ – Clovis Marques – Opinião & Noticia
30/07/2006

O contato em condições ideais com uma obra-prima do século XX é raro na vida musical de um mortal carioca. Na última quinta-feira, a Sinfonia nº 13 de Chostakovich passou pelo Teatro Municipal com uma carga tão densa de significado e beleza que quase não surpreendeu que a interpretação e o acabamento, a cargo da Petrobrás Sinfônica, estivessem também em esferas muito altas.

“Babi Yar” é como ficou conhecida esta sinfonia-cantata para coro masculino, baixo e orquestra composta e estreada em 1962 em Moscou. O título vem do poema de Ievgueni Evtuchenko que causara rebuliço ao ser publicado no ano anterior na “Literaturnaia Gazeta”, tocando na chaga do anti-semitismo a propósito do massacre cometido pelos nazistas, durante a Segunda Guerra Mundial, no local conhecido como “ravina das mulheres”, perto de Kiev.

A partir desse texto de dura indignação, e apesar dos problemas que uma tal inspiração de “protesto” ainda geraria na União Soviética pós-stalinista, Chostakovich construiu um painel de extraordinária força em torno de duas ou três mazelas trágicas do seu tempo: o medo e a opressão, o conformismo e o carreirismo, o massacre quotidiano num Estado policial e a possibilidade de superação pelo humor e a intransigência.

Em linguagem quase descritiva, contrastando a severidade da orquestra com a impostação épica das vozes, “Babi Yar” tem um poder de evocação propriamente cinematográfico: raramente se ouviu música tão plástica e de poder de invenção tão sustentado, com um grau de concentração expressiva que sublima a revolta, o negrume e a angústia como poucas vezes na música pós-romântica.
O realismo e a concisão imagética dos poemas são admiravelmente esposados pelo estilo alternadamente sombrio e irruptivo da música de Chostakovich, que apesar da forma atípica, para uma sinfonia, dota a obra de continuidade estrutural e organicidade musical mesmerizantes – para não falar da invenção melódica tão sua, que associamos indelevelmente à Rússia soviética. Não obstante o grande efetivo orquestral e a tensão dos clímaxes, as texturas são parcimoniosas e o coro, declamando ou murmurando, canta quase sempre em uníssono ou em oitavas – mais um elemento dessa pungência feita de desolação e sobreexcitação nervosa.

O primeiro movimento alterna estrofes que exploram o horror e a culpa de Babi Yar com relatos de dois outros episódios, sobre Anne Frank e um menino massacrado em Bielostok. No segundo movimento, os tambores em ritmo marcado, a maior animação da música e o tom enfático das vozes falam da resistência que o “Humor” jamais deixará de oferecer à tirania. “Na loja”, o Adagio que se segue, descreve pictoricamente as filas de humilhadas donas-de-casa em uma linha sinuosa nas cordas graves, entrelaçada a outra que, no registro médio, evoca a maneira como elas se insinuam cautelosas até o balcão. “Elas nos honram e nos julgam”, diz o poema, enquanto blocos e castanholas fazem as vezes de panelas e garrafas se entrechocando. A reserva da estupefação moral explode na última estrofe: “Nada está fora do alcance da força delas”.

A subjugada linha sinuosa torna-se reta, com permanente vibração surda na percussão, ao prosseguir sem interrupção no episódio seguinte, em ameaçador ‘sostenuto’ das cordas graves sob solo da tuba: é o “Medo”, componente constante da vida soviética. Frente ao negrume até aqui prevalecente, a sinfonia conclui em uma satírica meditação sobre o que é seguir “Carreira”. Em orquestração e harmonização reminiscentes da música do tcheco Martinu (1890-1959), no emprego de flautas e oboés oscilantes em ritmo de valsa lenta, ficamos sabendo que a verdadeira carreira não é a dos que se submetem, mas a de Galileu, Shakespeare ou Pasteur, Newton ou Tolstoi: “Seguirei minha carreira de tal forma que não a esteja seguindo”, conclui o baixo, com o eco do sino que abrira pesadamente a sinfonia, agora aliviado pela sonoridade onírica da celesta.

A Orquestra Petrobrás Sinfônica esteve esplêndida, tocando como gente grande em cada naipe e coletivamente, sob a batuta do jovem maestro chileno Rodolfo Fisher. O barítono americano David Pittman-Jennings, embora não tenha aquele baixo profundo que impressiona nas interpretações russas, ostentou o metal nobre, a projeção plena e a capacidade de nuançar que permitiram total imersão nessa escorchante fantasia pânica. O Coro Sinfônico do Rio de Janeiro, dirigido por Julio Moretzsohn, esteve mais coeso e homogêneo que nunca, em sua formação exclusivamente masculina.

Faltou apenas a reprodução/tradução dos poemas.

MAS AO P.Q.P. BACH NÃO FALTA:

Babi Yar

Tenho medo.
Tenho hoje tantos anos
quanto o próprio povo judeu.

Parece que agora sou um judeu.
Perambulo no Egito antigo.
E eis-me na cruz, morrendo.
E ainda trago em mim a marca dos pregos.
Parece que Dreyfus sou eu.
Os filisteus são os que me denunciam e são o meu juiz.
Estou atrás das grades.
Estou cercado,
perseguido, cuspido, caluniado.
E as mocinhas, com suas rendas de Bruxelas,
rindo, me enfiam a sombrinha na cara.

(…)

Eu, chutado por uma bota, sem forças,
em vão peço piedade aos pogromistas.

(…)

Que a Internacional ressoe
quando enterrarem para sempre
o último anti-semita da terra.
Não há sangue judeu no meu sangue,
mas sou odiado com todas as forças
por todos os anti-semitas, como se judeu fosse.
E é por isso que sou um verdadeiro russo.

Humor

Czares, reis, imperadores
soberanos do mundo inteiro,
comandaram as paradas
mas ao humor não puderam controlar.

Ó euzinho aqui!
De repente me desembaraço de meu casaco,
faço um gesto com a mão e “Tchau!”.

Na loja

Dar-lhes o troco errado é uma vergonha,
enganá-las no troco é um pecado.

(…)

E, enquanto enfio no bolso as minhas massas,
olho, solene e pensativo,
cansadas de carregar seus sacos de compras,
as suas nobres mãos.
Elas nos honram e nos julgam,
nada está fora do alcance de suas forças.

Medos

Lembro do tempo em que ele era todo-poderoso,
na corte da mentira triunfante.
O medo se esgueirava por toda parte, como uma sombra,
infriltava-se em cada andar.
Agora é estranho lembrarmo-nos disso,
o medo secreto que alguém nos delate,
o medo secreto de que venham bater à nossa porta.
E depois, o medo de falar com um estrangeiro…
com um estrangeiro? até mesmo com sua mulher!
E o medo inexplicável de, depois de uma marcha,
ficar sozinho com o silêncio.

Não tínhamos medo de construir em meio à tormenta,
nem de marchar para o combate sob o bombardeio,
mas tínhamos às vezes um medo mortal,
de falar, nem que fosse com nós mesmos.

Uma Carreira

Os padres diziam que Galileu era mau e doido.
Que Galileu era doido.
Mas, como o tempo o demonstrou,
o doido era o mais sábio.
Um cientista da época de Galileu,
não era menos sábio que Galileu.
Ele sabia que a Terra girava,
mas tinha uma família
e, ao subir com sua mulher na carruagem,
achava que tinha feito sua carreira,
quando, na realidade, a tinha destruído.

Para compreender nosso planeta,
Galileu correu riscos.
É isso — eu penso — que é uma carreira.
Por isso, viva sua carreira,
quando é uma carreira como
a de Shakespeare e Pasteur,
Newton e Tolstói.
Liev?
Liev!
Por que eles foram caluniados?
Talento é talento,
digam o que disserem.
Os que insultaram estão esquecidos,
mas nós lembramos dos que foram insultados.

SYMPHONY No.13 in B flat minor, Op.113
For Bass Solo, Bass Choir and Orchestra in B Flat Minor, Op.113, “Babi Yar”
1. Babi Yar (Adagio)
2. Yumor – Humour (Allegretto)
3. V Magazine – In the Store (Adagio)
4. Strachi – Fears (Largo)
5. Kariera – A Career (Allegretto)

Sergei Aleksashkin, Bass
The Choral Academy Moscow
WDR Sinfonieorchester,
Rudolf Barshai

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O grande Yevgeny Yevtushenko
O grande Yevgeny Yevtushenko

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