Michael Tilson Thomas e a Sinfônica de São Francisco tocando John Adams. Não tinha como dar errado. Trazemos hoje um disco inteligente e vivo, muito vivo, procês. Tilson Thomas e Adams têm longa colaboração e foi com a SFS a estreia de Harmonielehre em 1985 (com regência de Edo de Waart). Não significa tanto, mas este CD, que também tem Short Ride in a Fast Machine, ganhou vários prêmios, inclusive um Grammy. Essas duas obras de Adams são pedras fundamentais da música norte-americana, duas obras-primas modernas. Short Ride é um portal de entrada. Harmonielehre é uma majestosa sinfonia. Divirtam-se.
John Adams (1947): Harmonielehre; Short Ride in a Fast Machine
1 Harmonielehre: Part I 17:23
2 Harmonielehre: Part II: The Anfortas Wound 12:54
3 Harmonielehre: Part III: Meister Eckhardt and Quackie 11:48
Meus amigos, este disco foi muito famoso durante alguns dias. Acontece que na capa esteve escrito MESSIEAN e não MESSIAEN. Houve uma gritaria geral, os franceses reclamaram de desrespeito à cultura e à língua francesas… E, enfim, a Sony recolheu o todos os exemplares do CD e relançou-o corretamente. Sabem?, não sou um apaixonado por Janine Jansen, mas acho que devo rever meus conceitos. Ela e um extraordinário grupo de músicos nos trazem aquela que talvez seja a melhor versão desta obra de fundamental do século XX. Tudo canta aqui, principalmente os pássaros, onipresentes na obra do compositor francês.
O Quarteto para o Fim dos Tempos foi estreado diante de todos os prisioneiros no pátio gelado do campo de concentração de Stalag VIII A de Görlitz, na fronteira sudoeste da Polônia. Era o dia 15 de janeiro de 1941 e nevava. Há pouco mais de um ano, aproximadamente, a França entrara na Segunda Guerra Mundial. Messiaen fora chamado para servir o exército e, poucos meses depois, em maio de 1940, durante uma ofensiva alemã, foi capturado e levado para o campo de concentração.
O Quarteto foi estreado por Messiaen ao piano, mais Henri Akoka (clarinete), Jean le Boulaire (violino) e Étienne Pasquier (violoncelo). Nenhum dos três era músico profissional. Acontece que o oficial nazista responsável pelo campo de Stalag gostava de música e, quando soube da presença de Messiaen, permitiu que o compositor trabalhasse a fim de realizar um recital com música inédita. Seu nome era Karl-Albert Brüll, um apreciador da música do compositor. Ele proporcionou a Messiaen “condições ‘excepcionais” de trabalho. Deu-lhe lápis, borrachas e papel de música. Também foi-lhe permitido isolar-se num quarto vazio com um guarda de plantão à porta. Tudo a fim de evitar que ele fosse incomodado.
Messiaen escreveu, para os únicos outros instrumentistas que lá estavam presos (um violoncelista, um violinista e um clarinetista), um breve trio que foi posteriormente inserido na obra como quarto movimento. Depois, com a chegada de um piano, Messiaen compôs o resto da obra, assumindo o instrumento.
O católico Messiaen propôs que sua obra fosse uma meditação sobre o Apocalipse de João (10, 1-7). A partitura é encabeçada com o seguinte excerto: “Vi um anjo poderoso descer do céu envolvido numa nuvem; por cima da sua cabeça estava um arco-íris; o seu rosto era como o Sol e as suas pernas como colunas de fogo. Pôs o pé direito sobre o mar e o pé esquerdo sobre a terra e, mantendo-se erguido sobre o mar e a terra levantou a mão direita ao céu e jurou por Aquele que vive pelos séculos dos séculos, dizendo: não haverá mais tempo; mas nos dias em que se ouvir o sétimo anjo, quando ele soar a trombeta, será consumado o mistério de Deus”.
A estruturação do Quarteto em oito movimentos é explicada por Messiaen da seguinte forma: “Sete é o número perfeito, a criação em seis dias santificada pelo sábado divino; o sete deste repouso prolonga-se na eternidade e se converte no oito da luz inextinguível e da paz inalterável”.
Essa música emergiu de horror e teve sua estreia no frio, com guardas e prisioneiros como público. Então, você pode esperar tristeza e brutalidade? Nem tanto. O intensamente religioso Messiaen busca tocae o sublime e o êxtase. E este CD deve ter a melhor versão disso.
Olivier Messiaen (1908-1992): Quatuor pour la fin du Temps
1 I. Liturgie de cristal 02:43
2 II. Vocalise, pour l’Ange qui annonce la fin du Temps 05:01
3 III. Abîme des oiseaux 08:10
4 IV. Intermède 01:42
5 V. Louange à l’éternité de Jésus 08:48
6 VI. Danse de la fureur, pour les sept trompettes 06:04
7 VII. Fouillis d’arcs-en-ciel, pour l’Ange qui annonce la fin du Temps 07:28
8 VIII. Louange à l’immortalité de Jésus 07:23
Personnel:
Martin Fröst, clarinet
Lucas Debargue, piano
Janine Jansen, violin
Torlief Thedeen, cello
Gosto desses CDs mistureca. Haydn, Bartók, Pärt e Takemitsu acabam conseguindo uma boa convivência na pequena área do disquinho. Sem Haydn, não se sabe o que seria do gênero do quarteto de cordas. Elo de ligação entre Johann Sebastian Bach e Wolfgang Amadeus Mozart sua obra é feliz, mas sem a qualidade de um Mozart ou as profundidades filosóficas de um Beethoven. Mas Joseph Haydn foi um grandíssimo gênio. Aqui, está na companhia de compositores nascidos séculos depois. Como combinam bem os revolucionários! Os três irmãos Mark, Erik e Ken Schumann, que cresceram na Renânia e tocavam juntos desde crianças. Em 2012, a violista estoniana Liisa Randalu juntou-se a eles para formar o excelente Schumann Quartett. Olho neles, os caras são bons.
Haydn / Takemitsu / Bartók / Pärt: Landscapes
JOSEPH HAYDN STRING QUARTETT IN B-FLAT MAJOR OP. 76 “SUNRISE”
1 ALLEGRO CON SPIRITO
2 ADAGIO
3 MENUETTO
4 FINALE
5 TORU TAKEMITSU “LANDSCAPE” FOR STRING QUARTET
BÉLA BARTÓK STRING QUARTET NO. 2
6 MODERATO
7 ALLEGRO MOLTO CAPRICCIOSO
8 LENTO
Provavelmente, a música para piano solo do húngaro Bartók jamais estará entre as dez peças favoritas de música erudita de algum apreciador do gênero. Mas todos os artistas que conheci têm um grande respeito pelas pequenas obras de pianísticas de Bartók e logo falam no enorme impacto que tiveram na música do século XX. Porém, para o ouvinte médio, talvez estas peças soem menores. Em defesa do compositor — que considero um dos três maiores do século XX –, digo que seus trabalhos de piano solo representam uma excursão interessantíssima para o ouvinte mais curioso. Embora Bartók com frequência percorra o terreno cigano ou nacionalista, com seu pulso “bárbaro”, há momentos de ingenuidade e inocência, reflexão simples e silenciosa, bem como beleza rara.
Three Burlesques, Sz47 (Op. 8c, BB55) (8:13)
25 Quarrel: Presto 2:20
26 A Bit Drunk: Allegretto 2:53
27 Molto Vivo, Capriccioso 3:00
Mikrokosmos, Sz107 (BB105), Book 6 (29:05)
28 Free Variations: Allegro Molto 1:53
29 Subject And Recollection: Allegro 1:11
30 From The Diary Of A Fly: Allegro 1:32
31 Divided Arpeggios: Andante 2:36
32 Minor Seconds, Major Sevenths: Molto Adagio, Mesto 4:56
33 Chromatic Invention IIIa: Allegro 1:11
34 Chromatic Invention IIIb: Allegro 1:08
35 Chromatic Invention IIIc: Allegro 1:10
36 Ostinato: Vivacssimo 2:18
37 March: Allegro 1:50
38 Six Dances In Bulgarian Rhythm: Eighth Note = 350 2:15
39 Six Dances In Bulgarian Rhythm: Half Note Tied To Dotted Quarter Note = 60 1:08
40 Six Dances In Bulgarian Rhythm: Dotted Quarter Note Tied To Quarter Note = 80 1:16
41 Six Dances In Bulgarian Rhythm: Dotted Quarter Note Tied To Quarter Note Tied To Dotted Quarter Note = 50 1:33
42 Six Dances In Bulgarian Rhythm: Whole Note Tied To Eighth Note = 40 1:10
43 Six Dances In Bulgarian Rhythm: Dotted Quarter Note Tied To Dotted Quarter Note Tied To Quarter Note = 56 1:56
Iniciamos hoje uma série de três discos dedicados à obra para piano de Béla Bartók, por Cédric Tiberghien. As gravações são da Hyperion, o que é garantia de alta qualidade. Esta é a primeira grande abordagem da obra para piano de Bartók desde Kocsis na década de 90. Tiberghien chega com interpretações altamente pessoais, informadas e artísticas para esse incrível repertório. Sou familiarizado com a música para piano do húngaro e suas gravações. Vale a pena ouvir, este CD tem indiscutíveis méritos artísticos. Tiberghien se aproxima de Bartók como compositor de piano, trata-se de um apaixonado, não parece desejar apenas explorar coisas pouco gravadas. É um recital para ser ouvido e apreciado, depois analisado, se me entendem.
Romanian Folk Dances Sz56
1 No 1, Stick Dance: Allegro Moderato 1:14
2 No 2, Sash Dance: Allegro 0:30
3 No 3, In One Spot: Andante 1:04
4 No 4, Horn Dance: Moderato 0:53
5 No 5, Romanian Polka: Allegro 0:32
6 No 6, Fast Dance: Allegro 1:01
Fourteen Bagatelles Sz38
7 Molto Sostenuto 1:29
8 Allegro Giocoso 0:55
9 Andante 0:54
10 Grave 1:31
11 Vivo 1:14
12 Lento 1:46
13 Allegretto Molto Capriccioso 2:26
14 Andante Sostenuto 2:30
15 Allegretto Grazioso 2:05
16 Allegro 2:33
17 Allegretto Molto Rubato 2:18
18 Rubato 5:00
19 Elle Est Morte (Lento Funebre) 2:19
20 Valse: Ma mie quie danse (Presto) 2:09
21 Allegro Barbaro Sz49 3:13
Eight Improvisations On Hungarian Peasant Songs Sz74
22 Molto Moderato 1:26
23 Molto Capriccioso 1:12
24 Lento, Rubato 2:51
25 Allegretto Scherzando 0:54
26 Allegro Molto 1:05
27 Allegro Moderato, Molto Capriccioso 1:51
28 Sostenuto, Rubato 2:34
29 Allegro 2:17
Mikrokosmos Sz107
30 Book 5 No 122, Chords Together And In Opposition: Molto Vivace 1:01
31 Book 5 No 123, Staccato And Legato II: Allegro 1:03
32 Book 5 No 123, Staccato: Allegretto Mosso 1:11
33 Book 5 No 125, Boating: Allegretto 1:38
34 Book 5 No 126, Change Of Time: Allegro Pesante 0:40
35 Book 5 No 127, New Hungarian Folk Song: Ben Ritmato 1:09
36 Book 5 No 128, Stamping Dance: Moderato 1:26
37 Book 5 No 129, Alternating Thirds: Allegro Molto 0:58
38 Book 5 No 130, Village Joke: Moderato 0:55
39 Book 5 No 131, Fourths: Allegro Non Troppo 1:03
40 Book 5 No 132, Major Seconds Broken And Together: Adagio 1:45
41 Book 5 No 133, Syncopation III: Allegro 0:59
42 Book 5, No 134, Three Studies In Double Notes: Allegro 0:54
43 Book 5, No 135, Perpetuum Mobile: Allegro Molto 0:56
44 Book 5, No 136, Whole-tone Scale: Andante 1:37
45 Book 5, No 137, Unison: Moderato 1:59
46 Book 5, No 138, Bagpipe Music: Allegretto 1:22
47 Book 5 No 139, Jack-in-the-box: Con Moto Scherzando 1:15
Às vezes a capa de um CD é muito superior ao conteúdo. É o caso deste recital da checa Kozená. Olha, me deu sono… O porre inicial de Dvorák é ab-so-ta-men-te le-tal. Pior que vodka de R$ 10,00. Que sujeitinho cacete! Ai, que tédio…
Ouvi este CD com meu filho. Eram 9 da manhã de domingo. Ele tem bom gosto, não aguentou e foi fazer café — que porra de compositor é esse, pai? — ; quando voltou, mudei de disco para não espantá-lo. Depois peguei de volta para ter certeza de que era péssimo. É, sem dúvida. Por favor, fujam!
Antonín Dvorák (1841 – 1904) Písne milostné (Love Songs), Op.83
1) 1. O, nasi lásce nekvete (Oh, our love does not bloom) [1:50]
2) 2. V tak mnohém srdci mrtvo jest (Death dwells in so many a heart) [2:18]
3) 3. Kol domu se tedn potácím ( Now I stumble past the house) [1:27]
4) 4. Já vím, ze v sladke nadeji (I know that in sweet hope) [2:04]
5) 5. Nad krajem vévodí lehky spánek (Gentle slumber reigns over the countryside) [1:39]
6) 6. Zde v lese u potoka (Here in the forest by a brook) [1:58]
7) 7. V té sladké moci ocí tvych (In the sweet power of your eyes) [1:42]
8. 8. p duse drahá, jedinká (Oh, dear matchless soul) [1:38]
Bohuslav Martinu (1890 – 1959) Novy Spalícek (New Spalicek / Miniatures)
9) 1. Bohatá milá (The Rich Sweetheart) [1:11]
10) 2. Opusteny mily (The Forsaken Lover) [1:07]
11) 3. Touha (Longing) [0:56]
12) 4. Zwedavé dievca (The Inquisitive Girl) [0:54]
13) 5. Veselé dievca (The Cheerful Girl) [0:27]
14) 6. Smutny mily (The Unhappy Lover) [2:26]
15) 7. Prosba (The Request) [1:26]
16) 8. Vysoká veza (The tall tower) [0:57]
Ctyri písne na texty moravské lidové poezie (Songs for a Friend of My Country)
17) 1. Konícky na ouhore (Ponies on the Fallow Land) [0:52]
18) 2. Ztaceny pantoflícek (The Lost Little Slipper) [0:43]
19) 3. Písen nábozná (A Religious Song) [1:52]
20) 4. Pozvání (An Invitaion) [0:57]
Antonín Dvorák (1841 – 1904) Ctvero písní op.2 (Four Songs) na slova Gust. Pflegra-Moravského op. 2
21) 1. Vy vroucí písne ( You heartfelt songs) [2:20]
22) 2. O byl to krásny zlaty sen (Oh, that was a beautiful, golden dream) [2:07]
23) 3. Mé srdce casto (In pain, my heart often broods) [3:05]
24) 4. Na horách ticho (Silence on the mountains) [1:15]
Bohuslav Martinu (1890 – 1959)
25) Ukolébavka (Lullaby) [4:34]
Pisnicky na jednu stránku (Songs on one page)
26) 1. Rosicka (Dew) [0:58]
27) 2. Otevrení sloveckem (Unlocking with a single word) [0:32]
28) 3. Cesta k milé (Journey to the Beloved) [1:23]
29) 4. Chodnícek (The Footpath) [0:31]
30) 5. U mamenky (At Motherns) [1:12]
31) 6. Sen panny Marie (The Virgin Maryns Dream) [1:33]
32) 7. Rozmaryn (Rosemary) [1:03]
Nové slovenské písne (New Slovak Songs)
33) 2. Povedz ze mi, povedz (So tell me) [2:33]
34) 8. Mala som já rukávce (I had a blouse) [1:15]
Leos Janácek (1854 – 1928) Moravská lidová poesie v písních (Moravian Folk Poetry in Songs)
35) 17. Komu kytka (Who Is the Posy For?) [1:29]
36) 5. Obrázek milého (A Loverns Picture) [0:53]
37) 19. Pérecko (Little Posy) [1:24]
38) 16. Stálost (Constancy) [1:05]
39) Láska (Love) [1:16]
40) 38. Loucení (Parting) [1:25]
41) 18. Konícky milého) [0:57]
Antonín Dvorák (1841 – 1904)
42) Dobrú noc, má mila (Good night, my darling) V náradním tónu (In Folk Tone) [3:38]
Como na capa ao lado, aqui, o jovem e maravilhoso Quarteto Ébène, que já nos brindou este ano com este extraordinário Schubert,encara com seus dezesseis pés e mãos o jazz contemporâneo ao lado de veteranas sumidades como o clarinetista, saxofonista e bandoneonista Michel Portal, o baterista Richard Héry e o pianista, Xavier Tribolet. O resultado é magnífico. Em sua primeira parceria, ocorrida em 2013, Portal e o Ébène tocaram Piazzolla juntos em Paris. O Le Monde falou de “uma lição significativa, um encontro soberbo, uma conversa real”. Recém lançado, Eternal Stories é um dos melhores álbuns que Portal já gravou. Ele poderia muito bem ter pensado em seu amado Charlie Parker, que em 1949 gravou com quarteto de cordas, mas Eternal Stories não é uma tentativa de remake, compreendendo peças totalmente novas e dois arranjos inéditos de trabalhos tardios de Piazzolla, além de contribuições surpreendentes de membros do Ébène.
Michel Portal, Richard Héry, Xavier Tribolet, Quatuor Ebène: Eternal Stories
1 City Birds 7:53
2 L’Abandonite 7:38
3 Judy Garland 4:21
4 Elucubration 4:19
5 Eternal Story 6:21
6 Asleep 4:48
7 Loving 5:23
8 Anxiety 5:22
9 Plus L’Temps 3:12
10 Solitudes 5:15
11 Le Corbillon 5:26
12 It Was Nice Living Here 8:47
Cello – Raphaël Merlin (Ébène)
Clarinet, Sax, Bandoneón – Michel Portal
Drums – Richard Héry
Keyboards – Xavier Tribolet
Viola – Adrien Boisseau (Ébène)
Violin – Gabriel Le Magadure, Pierre Colombet (Ébène)
Não deixo por menos, este é um dos melhores discos de todos os tempos. E nem é pelo Schumann, mas pela extraordinária e imbatível interpretação da Fantasia Wanderer de Schubert. Que diferença faz a incrível interpretação de Pollini! Ele deixa clara a grandeza da peça. Sobre mim, este álbum tem o mesmo efeito das últimas sonatas para piano de Beethoven, gravadas pelo mesmo Pollini. É música de primeira linha tocada exatamente como se deve fazer. Nestas peças, os outros pianistas, quando comparados com ele, parecem bobos, incapazes de qualquer profundidade. Acho que as três palavras-chave são: profundidade, força e unidade. Ouçam AGORA!
Franz Schubert (1797-1828): Fantasia ‘Wanderer’, D. 760, e Sonata para Piano D. 845
Fantasie C-dur D. 760 (Op. 15) “Wanderer-Fantasie”
Allegro Con Fuoco Ma Non Troppo 6:24
Adagio 6:37
Presto 4:49
Allegro 3:42
Klaviersonate a-moll D. 845 (Op. 42)
Moderato 12:07
Andante Poco Moto 12:08
Scherzo: Allegro Vivace – Trio: Un Poco Piu Lento 6:46
Rondo: Allegro Vivace 5:12
Algo finíssimo. Para este álbum duplo, o pianista Alexandre Tharaud convidou uma série espetacular de artistas convidados para homenagear a cantora e compositora Barbara, que morreu há 20 anos, em novembro de 1997. Ela compartilha um lugar de honra na canção francesa com outros dois ‘B’s’, Jacques Brel e Georges Brassens. Entre os artistas em destaque estão três grandes atores Juliette Binoche, Vanessa Paradis e Jane Birkin. Faz 20 anos que Barbara morreu, com 67 anos, em 24 de novembro de 1997. A ideia de Alexandre Tharaud para este álbum remonta ao dia do seu funeral. Ele, como muitos outros fãs, foi ao cemitério de Bagneux, nos arredores de Paris. Depois que as multidões e as câmeras de TV partiram, um grupo de devotos permaneceu torno da tumba e se juntou em uma interpretação improvisada de suas músicas. “Eu percebi então que Barbara viveria através de nossas vozes”, diz Tharaud. “Eu era jovem, mas o estúdio de gravação já era central na minha vida. Naquela manhã, no Cemitério de Bagneux, prometi fazer um álbum dedicado inteiramente à música de Barbara. Eu precisava de tempo e cantores. Os convidados deste álbum não são aqueles anônimos, mas queridos amigos que invoquei para prestar suas próprias vozes únicas a este tributo”. Para Barbara, Tharaud reuniu artistas de várias gerações e diversos contextos artísticos e culturais. Muitos de seus nomes são bem conhecidos em todo o mundo. Entre eles estão: atriz-cantoras como Juliette Binoche — símbolo sexual maior e absoluto de PQP Bach, a pessoa pela qual ele sente mais tesão no mundo (se eu vejo ela na rua ela nem vai saber de que lado eu cheguei) –, Vanessa Paradis e Jane Birkin; o rock star Radio Elvis; cantores e compositores Bénabar, Juliette, Dominique A, Tim Dup, Jean-Louis Aubert e Albin de la Simone; as cantoras Camélia Jordana, Rokia Traoré, Hindi Zahra e Luz Casal; o ator-diretor Guillaume Gallienne; o violinista Renaud Capuçon, o clarinetista Michel Portal e quarteto de cordas Modigliani.O próprio Alexandre Tharaud toca em quase todas as faixas — não apenas piano, mas também órgãos eletrônicos e teclados, celesta e sinos.
Alexandre Tharaud – Barbara
CD1
01. Pierre (Prelude) [Arr. Tharaud for Piano]
02. Cet Enfant-là (Arr. Tharaud for Piano & String Quartet)
03. Septembre (Arr. Tharaud for Piano)
04. Mes hommes (Arr. Tharaud for Piano, Double Bass & Accordion)
05. Du bout des lèvres (Arr. Tharaud for Piano & Keyboards)
06. Vivant poème (Arr. Tharaud for Piano)
07. Pierre (Arr. Tharaud for Piano, Keyboards, Accordion & Cello)
08. A mourir pour mourir (Arr. Radio Elvis & Tharaud for Guitar, Snare drum, Keyboards and Percussion)
09. Y’aura du monde (Arr. Tharaud for Clarinet, Double Bass & Keyboards)
10. Là-bas (Arr. Tharaud & de la Simone for Piano, Percussion, Keyboards, Bass guitar & Cello)
11. C’est trop tard (Arr. Tharaud for Bass, Horn, Keyboards and Piano)
12. Au bois de Saint-Amand (Arr. Tharaud for Piano & Percussion)
13. Vienne (Arr. Tharaud for Violin & Piano)
14. Say, when will you return? (Dis, quand reviendras tu ?) [Arr. Tharaud for Cello & Piano]
15. Les amis de Monsieur (Arr. Tharaud for Piano)
16. Attendez que ma joie revienne (Arr. Tharaud for Guitar, Double Bass, String Quartet & Piano)
17. Pierre (postlude) [Arr. Tharaud for Piano]
CD2
01. Ô mes théâtres (Arr. Tharaud for Narrator)
02. Valse de Frantz (Arr. Tharaud for Piano)
03. Nantes (Arr. Romanelli & Portal for Clarinet & Accordion)
04. Ce Matin-là (Arr. Tharaud for Clarinet, String Quartet & Piano)
05. Le Bel âge (Arr. Tharaud for Accordion & Piano)
06. Plus rien (Arr. Tharaud for Piano)
07. Rémusat (Arr. Romanelli for Accordion)
08. J’ai tué l’amour (Arr. Tharaud for Piano)
09. Ma plus belle histoire d’amour (Arr. Tharaud for Clarinet & Piano)
Lucille e Alessio são casados. Normalmente gravam em duo, mas neste disco o foco ficou em Lucille. O casal só aparece lá no final do disco, na Sonata a 4 Mãos e no Concerto para Dois Pianos. As Improvisations e Novelettes gravadas aqui parecem conjuntos, mas ambos os grupos foram compostos durante longos períodos de tempo. As improvisações abrangem mais de 25 anos. Isso mostra a notável consistência da obra de Poulenc, que mostrou algumas mudanças temáticas (por exemplo, na direção da música religiosa), mas geralmente tendia sempre a aprofundar em vez de mudar de direção. Lucille Chung captura muito bem o espírito leve e ousado de Poulenc. Ela é elegante, suave e sintonizada com inteligência sutil do compositor. Tenho absoluta certeza de que Poulenc teria adorado suas performances.
Francis Poulenc (1899-1963): Works for Piano Solo & Duo
15 Improvisations
1 No. 1 in B minor 1:35
2 No. 2 in A-Flat Major 1:36
3 No. 3 in B minor 1:36
4 No. 4 in A-Flat Major 1:30
5 No. 5 in A Minor 1:44
6 No. 6 in B-Flat Major 1:34
7 No. 7 in C Major 2:44
8 No. 8 in A Minor 1:35
9 No. 9 in D Major 1:29
10 No. 10 in F Major, “Eloge des gammes” 2:11
11 No. 11 in G Minor 0:51
12 No. 12 in E-Flat Major, “Hommage à Schubert” 2:10
13 No. 13 in A Minor 2:23
14 No. 14 in D-Flat Major 1:28
15 No. 15 in C Minor, “Hommage à Edith Piaf” 3:22
3 Novelettes
16 Novelette in C Major 2:42
17 Novelette in B-Flat Minor 2:01
18 Novelette sur un thème de Manuel de Falla 2:40
Sonata for Four Hands
19 I. Prelude 2:01
20 II. Rustique 1:47
21 III. Final 1:57
22 L’embarquement pour Cythère 2:16
Concerto in D Minor for Two Pianos
23 I. Allegro ma non troppo 7:30
24 II. Larghetto 5:23
25 III. Finale 5:55
O Klezmokum é um grupo Klezmer holandês que mistura jazz contemporâneo com música sefardita. É uma mistureca braba. .
O Klezmer (do iídicheכּלי־זמיר , através do hebraico kèléy zemer, כלי זמר, “instrumentos musicais”) é um gênero de música não-litúrgica judaica, desenvolvido a partir do século XV pelos asquenazes.
A princípio a palavra klezmer (plural klezmorim) designava apenas os instrumentos musicais, sendo posteriormente estendida aos próprios músicos – estes vistos com pouco apreço pois em geral não sabiam ler música e portanto, tocavam melodias de ouvido. Somente na segunda metade do século XX klezmer passou a identificar um gênero, antes referido simplesmente como música yiddish .
Apesar de viver em stheitls (guetos judaicos) na Polônia, Romênia, Bulgária, Hungria etc., os klezmorim, quase sempre músicos amadores, absorveram a cultura local, com forte influência cigana, e constituíram a base da cultura musical iídiche. Formavam grupos itinerantes que tocavam em festas judaicas – casamentos e outras celebrações – um repertório basicamente feito para danças em grupo ou entre casais.
Na formação dos primeiros grupos, predominavam os instrumentos de cordas, sobretudo o violino que há séculos tem sido o instrumento protagonista entre os músicos judeus. O lema dos klezmorim era “Shpil, klezmer, biz di strunes plotsn dir” (“Toca Klezmer, até as cordas dos violinos se partirem!”). Era acompanhado por um címbalo, um contrabaixo ou umcello), usando-se eventualmente uma flauta. A partir do século XIX, com o surgimento das bandas militares, foram sendo adicionados instrumentos de sopro (clarinete, saxofone e trompete) e de percussão. No século XX, nos primórdios da indústria fonográfica, era mais difícil gravar instrumentos de cordas do que instrumentos de sopro – o que reforçou o papel destes últimos nas formações de klezmer. Actualmente o clarinete é usado para a melodia e são frequentes os ensembles de metais. O papel do baixo é muitas vezes desempenhado pela tuba ou sousafone e a percussão tem-se tornado cada vez mais importante.
No século XX, quando os judeus deixaram a Europa Oriental e os shtetls, o klezmer difundiu-se no mundo, especialmente nos Estados Unidos, influenciando importantes compositores, como Gershwin, Leonard Bernstein e Aaron Copland. De fato a música Klezmer reinventou-se nos EUA. Ali fundaram-se mesmo escolas voltadas para a aprendizagem da música Klezmer.
A maior parte do repertório é constituída de danças para casamentos e outras celebrações judaicas, como o Bar Mitzvah. A música tinha que se enquadrar no acontecimento solene e ao mesmo tempo incitar os convidados a dançar no fim da cerimónia religiosa. No entanto, apesar de ter a sua origem nas cerimónias de casamento, klezmer nunca foi só para dançar mas também para ouvir durante o banquete.
As gravações mais antigas de que se tem notícia são as quatro Romanian Fantasies executadas pelo violinista Josef Solinski entre 1907 e 1908. Os Klezmatics basearam-se nas mesmas para a composição “Romanian Fantasy” no álbum “Jews with Horns”. Ao longo dos séculos XIX e XX transformou-se, ganhando virtuosismo e sofisticação. Em 1925 foi criado o YIVO – Institute for Jews Research. Mais tarde, Henry Sapoznik criou em Nova Iorque o Archive of Recorded Sound, inserido nesta instituição. Recolheu e catalogou antigas gravações numa série de compilações. 1
Nos anos 1970 houve um ressurgimento protagonizado por artistas como: Giora Feidman, Zev Feldman, Andy Statman, The Klezmorin, The Klezmer Conservatory Band e Henry Sapoznick.
Na década de 1980 deu-se um segundo revival, com artistas como Joel Rubin, Budowitz, Khevrisa, Di Naye Kapelye, Alicia Svigals e The Chicago Klezmer Ensemble.
Klezmokum – ReJew-Venation (1998)
1 Atesh Tanz Traditional 3:42
2 Russian Cher #5/Sherele Traditional 5:50
3 Y’did Nefesh 5:52
4 Doina in G Major/Old Klezmer Dance 8:13
5 Shir Hashomer 6:20
6 El Rey Por Muncha Madruga 4:35
7 Hora Maré Traditional 5:04
8 Shoror Traditional 6:11
9 Adonai Melech/Hodu l’Adonai Traditional 8:21
10 Los Kaminos de Sirkidji Traditional 4:50
11 Desert Dance (Larry Fishkind) 5:29
12 Nevalah (John Zorn) 7:07
Este é um CD recém lançado que traz gravações de Jarrett de 1984 e 1985. É ótimo, mas… Desde a década de 1980, Keith Jarrett alterna jazz com música erudita, sempre no mais alto nível. Tudo funciona maravilhosamente no excelente concerto de Barber. A orquestra mostra-se parruda e lírica, mas o mesmo não pode ser dito sobre esta obra-prima de Bartók. Acontece que, quem tem nos ouvidos a gravação Anda-Fricsay ou a Argerich-Dutoit, não se deixa enganar por uma orquestra japonesa de segunda linha. Como disse, é um bom disco, mas….
Samuel Barber (1910-1981), Bela Bartók (1881-1945): Concerto para piano e orq., Op. 38 / Concerto para piano e orq., Nº 3
01 – Samuel Barber – Piano Concerto op. 38 – I Allegro appassionato
02 – Samuel Barber – Piano Concerto op. 38 – II Canzone, Moderato
03 – Samuel Barber – Piano Concerto op. 38 – III Allegro molto
Rundfunk-Sinfonieorchester Saarbrücken
Dennis Russell Davies: conductor
04 – Bela Bartok – Piano Concerto No. 3 – I Allegretto
05 – Bela Bartok – Piano Concerto No. 3 – II Adagio religioso
06 – Bela Bartok – Piano Concerto No. 3 – III Allegro vivace
New Japan Philharmonic
Kazuyoshi Akiyama: conductor
07 – Keith Jarrett – Tokyo Encore – Nothing But A Dream
Para ouvir e chorar, de tão lindo e dilacerante que é.
Às vezes eu sinto que é bom fazer uma postagem arrasa-quarteirão, enfiar goela adentro de vocês uma baita música e, bem, encarem esta postagem como tal. Um Réquiem Alemão de Brahms já foi postado no PQP, mas em duas gravações que, numa boa, não são tudo aquilo. O que posso fazer se Herreweghe e Gardiner ficam abaixo de Abbado e a Filarmônica de Berlim? Nada, né? É curiosa a relação que a Filarmônica de Berlim tem com o Réquiem. Karajan o gravou 4 vezes, sempre superando-se e, em 1993, Abbado tratou de fazer o mesmo… Questão de costume, talvez.
Dois acontecimentos fizeram Brahms compor o seu Réquiem: o falecimento, em 1856, do amigo e mentor Robert Schumann — então ele compôs o primeiro movimento — e a morte de sua mãe em fevereiro do ano de 1865 — quando completou a obra, estreada em 1868. O Réquiem tem uma letra estranha, pois fala pouco em Deus, mas há nele um indiscutível e profundo sentimento religioso. Sim, sou ateu, porém saibam que é uma tremenda bobagem chamá-lo de Réquiem Ateu. Cito isto porque tal absurdo foi bastante divulgado durante uma época. Basta ler o texto e ouvir a música para que notemos o tamanho da besteira.
Conheci o Réquiem quando adolescente, ao mesmo tempo que ouvia pelas primeiras vezes a Sinfonia Nº 1. Mal sabia que aquele grande compositor “sinfônico” seria amado por mim principalmente por sua música de câmara.
Em seu blog, o colega Milton Ribeiro referiu-se uma vez ao Um Réquiem Alemão.
Johannes Brahms (1833-1897): Um Réquiem Alemão (Abbado, BPO)
1 I. Selig Sind, Die Da Lied Tragen (Chor). Ziemlich Langsam Und Mit Ausdruck 10:26
2 II. Denn Alles Fleisch, Es Ist Wie Gras (Chor). Langsam Marschmäßig – Un Poco Sostenuto (Aber Des Herrn Wort) – Allegro Non Troppo (Die Erlöseten Des Herrn) 15:04
3 III. Herr, Lehre Doch Mich (Bariton Und Chor). Andante Moderato 10:29
4 IV. Wie Lieblich Sind Deine Wohnungen (Chor). Mäßig Bewegt 5:56
5 V. Ihr Habt Nun Traurigkeit (Sopran Und Chor). Langsam 7:38
6 VI. Denn Wir Haben Hie Keine Bleibende Statt (Bariton Und Chor). Andante – Vivace (Denn Es Wird Die Posaune Schallen) – Allegro (Herr, Du Bist Würdig) 12:23
7 VII. Selig Sind Die Toten, Die In Dem Herrn Sterben (Chor). Feierlich 11:41
Baritone Vocals – Andreas Schmidt
Choir – Eric-Ericson-Kammerchor*, Schwedische Rundfunkchor*
Chorus Master – Gustaf Sjökvist
Conductor – Claudio Abbado
Orchestra – Berliner Philharmoniker
Soprano Vocals – Cheryl Studer
O viajandão Gary Peacock tem 82 anos e está há quase 65 por aí, se apresentando e gravando com seu contrabaixo. Já formou grupos com luminares como Albert Ayler, Paul Bley, Bill Evans e Keith Jarrett, ou seja, está na história do jazz. Quando o Standards Trio, de Jarrett, Peacock e o baterista Jack DeJohnette foi dissolvido em 2014, após mais de vinte gravações, Peacock lançou seu próprio trio de piano com o pianista Marc Copland e o baterista Joey Baron. Tangents vem logo após Now This (ECM, 2015).
Ao invés de ficar numa boa, lambendo sua própria história, Peacock está disposto a experimentar formas mais livres. Ele encontrou parceiros empáticos em Baron e Copland, que “têm a mesma experiência e a vontade de sentir a música juntos”. Tangents deve ser considerado um destaque nas carreiras dos três artistas. Para mim, eles muitas vezes são sérios demais e exploram pouco as tais tangentes. Mas há dias em que se precisa de um CD assim calmo, introspectivo e, paradoxalmente, cintilante.
Gary Peacock Trio: Tangents
1 Contact 6:29
2 December Greenwings 4:50
3 Tempei Tempo 4:10
4 Cauldron 2:29
5 Spartacus 5:10
6 Empty Forest 7:11
7 Blue In Green 4:42
8 Rumblin’ 4:07
9 Talkin’ Blues 4:04
10 In And Out 2:53
11 Tangents 6:50
Double Bass – Gary Peacock
Drums – Joey Baron
Piano – Marc Copland
Lembro de Jamal dando uma entrevista após um daqueles lendários Festivais de Jazz de São Paulo. O repórter perguntou o motivo pelo qual ele não utilizava piano elétrico… E ele respondeu rindo:
— Você quer que eu abra mão de meu Steinway? É isso?
O inexperiente jornalista ficou parado, esperando mais. Bobo. “Atravessei quatro gerações em matéria de música. Eu era criança no tempo das big bands; adolescente quando chegaram as revoluções de Dizzy Gillespie e Charlie Parker; vivi o free jazz e continuo vivo na era da eletrônica”. E, aos 86 anos completados em julho, o estadunidense Ahmad Jamal segue fiel a seu piano Steinway. E faz um belo CD em homenagem à cidade que ama: “Marselha é uma cidade única, com pulsação própria. É um porto aberto ao mundo, onde se sente o vento dessa liberdade, o espírito de aventura”. E o CD Marseille é bom demais. A alegria, o uso do ritmo, do silêncio, da luz e da sombra sempre caracterizaram Jamal e sua bela mão esquerda. E eles estão aqui, provas vivíssimas de que a pirotecnia frenética não é necessária para causar impacto. Este álbum extraordinariamente belo demonstra como a idade sozinha não diminui a capacidade musical e a criatividade de um artista. Eu adorei ouvi-lo. Espero ainda mais do compositor, pianista e artista sem fim Ahmad Jamal, tá?
Ahmad Jamal: Marseille
1 Marseille (Instrumental) 8:34
2 Sometimes I Feel Like A Motherless Child 5:47
3 Pots En Verre 8:27
4 Marseille (Vocals – Abd Al Malik) 7:23
5 Autumn Leaves 8:45
6 I Came To See You / You Were Not There 5:54
7 Baalbeck 6:21
8 Marseille (Vocals – Mina Agossi) 8:14
Double Bass – James Cammack
Drums – Herlin Riley
Percussion – Manolo Badrena
Piano – Ahmad Jamal
Vocals – Abd Al Malik, Mina Agossi
Horace Silver era na verdade Horace Ward Martin Tavares Silva (1928-2014), um pianista e compositor de jazz. Ele era filho de um imigrante de Cabo Verde e de uma estadunidense. Ele é o homenageado neste CD pelo baterista de seu extinto quinteto e grande amigo Louis Hayes (1937). É um disco excelente. Não chega a ser uma releitura radical, é antes uma “tranquila lembrança” concebida e liderada por Hayes. Aos 80 anos, sua bateria é tão boa e jovem como sempre foi. O CD reúne um grupo de músicos experientes e dedicados a honrar Silver, sem imitá-lo, mas tocando sua música com grande fidelidade. E a música de Silver é daquele gênero que deixa a gente feliz.
Louis Hayes: Serenade For Horace
1 Ecaroh 4:55
2 Señor Blues 5:22
3 Song for My Father 5:52
4 Hastings Street 4:09
5 Strollin’ 5:16
6 Juicy Lucy 5:57
7 Silver’s Serenade 5:05
8 Lonely Woman 6:46
9 Summer in Central Park 5:03
10 St. Vitus Dance 5:51
11 Room 608 4:55
Personnel:
Louis Hayes: drums and leader;
Abraham Burton: tenor saxophone;
Josh Evans: trumpet;
Steve Nelson: vibraphone;
David Bryant: piano;
Dezron Douglas: bass and
Gregory Porter, vocalist, on Song for My Father.
Eu adoro Isabelle Faust, já classifiquei vários de seus trabalhos — a maioria — como IMPERDÍVEIS, mas aqui ela faz uma gravação apenas correta das Sonatas para Violino e Piano de Beethoven. Pareceu-me inferior a tantas versões do século passado e sem nada da ousadia que Mutter demonstra aqui. E, por estes dias, andei ouvindo muito à maravilhosa Patricia Kopatchinskaja… Então, tudo aqui me pareceu sem ênfase, como se Faust não chegasse aos pés sempre descalços da moldava. De certa forma, me tranquiliza ler que este não é um registro muito bem avaliado pela crítica. Desta forma, não devo estar delirando demais. É tudo muito lindinho, perfeitinho e limpinho, meio sem alma beethoveniana também.
(Mas aí ela chega na Kreutzer e arrasa! Vá entender…).
Sonata No. 1 In D Major Op. 12 No. 1
I. Allegro Con Brio 8:53
II. Andante Con Moto. Tema Con Variazioni 6:28
III. Rondo. Allegro 4:39
Sonata No. 2 In A Major Op. 12 No. 2
I. Allegro Vivace 5:51
II. Andante, Più Tosto Allegretto 4:55
III. Allegro Piacevole 5:01
Sonata No. 3 In E Flat Major Op. 12 No. 3
I. Allegro Con Spirito 7:53
II. Adagio Con Molt’Espressione 6:15
III. Rondo (Allegro Molto) 3:39
Sonata No. 4 In A Minor Op. 23
I. Presto 7:03
II. Andante Scherzoso, Più Allegretto 7:05
III. Allegro Molto 5:07
Sonata No. 5 In F Major Op. 24 “Spring”
I. Allegro 9:50
II. Adagio Molto Espressivo 5:46
III. Allegro Molto 1:09
IV. Rondo. Allegro Ma Non Troppo 6:19
Sonata No. 10 In G Major Op. 96
I. Allegro Moderato 11:28
II. Adagio Espressivo 5:23
III. Scherzo 1:53
IV. Poco Allegretto 8:49
Sonata No. 6 In A Major Op. 30 No. 1
I. Allegro 6:56
II. Adagio Molto Espressivo 6:46
III. Allegretto Con Variazioni 7:55
Sonata No. 7 In C Minor Op. 30 No. 2
I. Allegro Con Brio 7:05
II. Adagio Cantabile 7:28
III. Scherzo. Allegro 3:15
IV. Allegro 4:52
Sonata No. 8 In G Major Op. 30 No. 3
I. Allegro Assai 5:55
II. Tempo Di Minuetto 6:09
III. Allegro Vivace 3:04
Sonata No. 9 In A Major Op. 47 “Kreutzer”
I. Adagio Sostenuto 13:22
II. Andante Con Variazioni 13:41
III. Finale: Presto 8:16
Como disse um amigo, Jane Birkin e Serge Gainsbourg foi o casal das mais belas fotos. E a lindíssima Birkin costuma ainda vestir e despir as obras de Serge, o “poeta lendário”, cujas músicas ela cantou desde o primeiro álbum que ele compôs para ela, Serge Gainsbourg / Jane Birkin, de 1969. É assim até hoje. A morte de Serge não fez diferença: Jane usa as músicas de seu parceiro quando vai por aí. “É um privilégio que um dos maiores autores franceses tenha escrito para mim de meus 20 aos 45 anos. E, de certa forma, ele nunca parou. É uma situação estranha. Eu posso sempre levar as canções comigo. Digo suas palavras.” Sob a direção artística de Philippe Lerichomme, “o homem das sombras”, companheiro de viagem de Serge e Jane desde meados da década de 1970, o grande Nobuyuki Nakajima arranjou vinte e uma músicas. A chanson francesa nunca me interessou, mas é uma instituição romântica do país. Enquanto o rock varria o mundo, os franceses permaneciam cantando delicadas, lentas ou felizes canções românticas. Quando Gainsbourg morreu, em 1991, o presidente François Mitterrand disse: “Ele foi nosso Baudelaire, nosso Apollinaire… Ele elevou a música ao nível de arte”. Bem, já tinham feito isso muito antes, mas deixemos passar… A casa de Serge é um endereço bem conhecido, frequentemente é coberta por grafitis e poemas. O homem é mesmo uma lenda e sua mulher, então, sei lá. Eu gostei do disco, mas, cá entre nós, Jane Birkin está mais para musa — E QUE MUSA — do que para cantora. Ela diz as canções que ele escreveu para ela. E não precisa fazer mais.
Birkin Gainsbourg : le symphonique
1. Lost Song
2. Dépression au-dessus du jardin
3. Baby Alone In Babylone
4. Physique et sans issue
5. Ces petits riens
6. L’aquoiboniste
7. Valse de Melody
8. Fuir le bonheur de peur qu’il ne se sauve
9. Requiem pour un con
10. Une chose entre autres
11. Amour des feintes
12. Exercice en forme de Z
13. Manon
14. La chanson de Prévert
15. Les dessous chics
16. L’amour de moi
17. Pull marine
18. La gadoue
19. Jane B.
20. L’anamour
21. La Javanaise
Um disco arrebatador: música do mais alto nível em notável interpretação! Este disco mais parece um sonho de tão bom. Só encontra rival no campeão deste extraordinário repertório. Era de se prever: os húngaros entendem melhor Bartók do que os outros… Esta é uma gravação em 1996 de András Schiff e da Orquestra do Festival de Budapeste, liderada por Ivan Fischer. O time toca um Bartók elegante e majestoso. Schiff está excelente e o som da orquestra chega cheio e reverberante. E Schiff reclama: “O Segundo Concerto é provavelmente a peça mais difícil que já toquei. Geralmente acabo com o teclado sujo de sangue, machuco os dedos”. E, bem, falar destes três concertos é bobagem. Talvez seja o que de melhor tivemos no século XX. Para ouvir este disco e aquele que está no link acima, basta apertar os cintos e viajar. Você estará num passeio surpreendente e feliz.
Béla Bártok (1881-1945): Os Três Concertos para Piano
Piano Concerto No. 1, Sz 83
01. Allegro moderato. Allegro
02. Andante
03. Allegro. Allegro molto
Piano Concerto No. 2, Sz 95
04. Allegro
05. Adagio. Presto. Adagio
06. Allegro molto
A moscovita Yulianna Avdeeva (1985) ganhou fama internacional ao vencer em 2010 o primeiro prêmio da 16ª edição do Concurso Chopin em Varsóvia. Quem já ganhou este prêmio? Ora, Maurizio Pollini, Martha Argerich, Bella Davidovich, Krystian Zimerman… Curiosamente, às vezes o juri desta competição pensa que ninguém merece o primeiro prêmio e dá os prêmios apenas a partir do segundo lugar. Tudo para que o Concurso Chopin tenha seu prestígio preservado. Ela estudou com Konstantin Scherbakov, mas isto não interessa agora. Interessa é dizer que ela faz seu piano cantar como poucas vezes ouvi. Este disco é excelente. Sua versão da Suíte Inglesa #2 demonstra que Avdeeva tem voz própria e grande personalidade. Ela faz tudo com originalidade. Já a Toccata e a Abertura em Estilo Francês nos chegam como verdadeiras pérolas.
Johann Sebastian Bach (1685-1750): Suíte Inglesa No.2 BWV 807, Toccata BWV 912, Abertura Francesa BWV 831
1 English Suite No. 2 in A Minor, BWV 807: I. Prélude 5:00
2 English Suite No. 2 in A Minor, BWV 807: II. Allemande 3:37
3 English Suite No. 2 in A Minor, BWV 807: III. Courante 1:38
4 English Suite No. 2 in A Minor, BWV 807: IV. Sarabande 3:30
5 English Suite No. 2 in A Minor, BWV 807: V. Bourrée I/II 4:15
6 English Suite No. 2 in A Minor, BWV 807: VI. Gigue 3:33
7 Toccata in D Major, BWV 912 10:30
8 Overture in the French Style in B Minor, BWV 831: I. Ouverture 12:35
9 Overture in the French Style in B Minor, BWV 831: II. Courante 2:14
10 Overture in the French Style in B Minor, BWV 831: III. Gavotte I/II 3:22
11 Overture in the French Style in B Minor, BWV 831: IV. Passepied I/II 2:27
12 Overture in the French Style in B Minor, BWV 831: VI. Sarabande 3:35
13 Overture in the French Style in B Minor, BWV 831: VI. Bourrée I/II 2:29
14 Overture in the French Style in B Minor, BWV 831: VII. Gigue 2:28
15 Overture In The French Style In B Minor, Bwv 831: VIII. Echo 3:01
Querem saber o que tem de melhor este CD? A orquestra e o sotaque autenticamente russo dado pelos músicos e pela regência de Evgeni Svetlanov. Isso é fascinante e faz Arensky brilhar. Arensky foi precoce musicalmente, compondo algumas canções e peças para piano ao nove anos de idade. Mudou-se com os pais para São Petersburgo em 1879, onde estudou composição no Conservatório de São Petersburgo com Nikolai Rimsky-Korsakov. Após sua formatura em 1882, Arensky tornou-se professor no Conservatório de Moscou. Entre seus alunos estiveram Alexander Scriabin, Sergei Rachmaninoff e Alexander Gretchaninov. Em 1895, Arensky retorna à São Petersburgo como diretor co Coro Imperial, posição para a qual havia sido recomendado por Mily Balakirev. Arensky aposentou-se em 1901, passando o resto da vida como pianista, regente, e compositor. Arensky morre de tuberculose em um sanatório em Perkijarvi, Finlândia. Existem boatos que a bebida e o jogo afetaram sua saúde.
Tchaikovsky foi a maior influencia nas composições de Arensky. De fato, Rimsky-Korsakov disse, “na juventude Arensky não escapou de alguma influência minha; mais tarde a influência foi de Tchaikovsky”. A percepção de que não possuía um estilo pessoal forte contribuiu à longa negligência pela qual passou sua música, contudo recentemente grande número de suas composições têm sido gravadas. Especialmente populares são as Variações sobre um tema de Tchaikovsky, para orquestra, baseadas em uma das Canções para crianças, Op. 54 do Tchai. Possivelmente as melhores composições de Arensky sejam as de música de câmara, principalmente os dois Trios para Piano, mui dignamente românticos. Compôs também dois quartetos de cordas e um quinteto para piano.
Neste disco, vocês verão que o cara é um injustiçado, apesar de efetivamente não possuir um estilo pessoal.
Anton Arensky – Suite 1 e 3 para Orquestra e Introdução à Ópera Nal and Damajanti.
01 – Suite Nº 01 – Variations
02 – Suite Nº 01 – Dance
03 – Suite Nº 01 – Scherzo
04 – Suite Nº 01- Basso Ostinato
05 – Suite Nº 01 – March
06 – Suite Nº 03 – Theme
07 – Suite Nº 03 – Dialogue
08 – Suite Nº 03 – Waltz
09 – Suite Nº 03 – March
10 – Suite Nº 03 – Menuet
11 – Suite Nº 03 – Gavote
12 – Suite Nº 03 – Scherzo
13 – Suite Nº 03 – Funeral March
14 – Suite Nº 03 – Nocturne
15 – Suite Nº 03 – Polonaise
Mais um trabalho da Alpha com o Le Poème Harmonique, este apresentando Anthoine Boesset (1587-1643). Não é um CD tão espetacular quanto aquele de Charles Tessier, mas é fortemente indicado para os amantes do barroco inicial. Este CD foi lançado em 2003 e agora retornou em nova e merecida edição. São belas melodias antigas, árias que combinam poesia, canto e acompanhamento — aqui, espetacular — e que foram as delícias dos salões da época. Falemos sério: há música que amamos sem realmente tentar descobrir o motivo: eu morro sem morrer, ou “Je meurs sans mourir”, é um desses.
Anthoine Boesset (1587-1643): Je meurs sans mourir (Le Poème Harmonique)
1 Una Musiqua 4:10
2 Départ Que Le Devoir Me Fait Précipiter 5:32
Ballet Des Fous & Des Estropiés De La Cervelle (7:27)
3 Entrée De L’Embabouinée 2:22
4 Entrée Des Demy-Fous 1:26
5 Entrée Des Fantasques 2:10
6 Ballet Des Vaillans Combattans 1:29
7 Récit De Syrènes : Quel Soleil 2:05
8 Récit D’Amphion & Des Syrènes : Quels Doux Supplices 0:58
9 Récit Du Dieu Des Songes : Quelle Merveilleuse Advanture 2:47
10 Récit De Mnémosyne : Quelles Beautés, Ô Mortels 1:39
11 Récit Du Temps : Bien Que Je Vole Toutes Choses & Aux Voleurs, Au Secours, Accourez Tous 2:16
12 Je Meurs Sans Mourir 2:32
13 A La Fin Cette Bergère 3:55
14 Entrée Des Laquais 1:29
15 Dove Ne Vai, Crudele 4:27
16 Frescos Ayres Del Prado 3:56
17 La Gran Chacona
Composed By – Luis de Briceño 2:55
18 La Pacifique
Composed By – Louis Constantin 3:08
19 Ô Dieu ! 4:23
20 Nos Esprits Libres & Contents
Composed By – Anonyme* 5:28
Le Poème Harmonique Direction Vincent Dumestre
Baritone Vocals [Basse-Contre] – Arnaud Marzorati
Baroque Guitar – Massimo Moscardo, Vincent Dumestre
Countertenor Vocals [Haute-contre] – Bruno Le Levreur
Directed By – Vincent Dumestre
Ensemble – Le Poème Harmonique
Lute – Benjamin Perrot
Lute [Archiluth] – Massimo Moscardo
Percussion – Joël Grare
Soprano Vocals [Dessus] – Claire Lefilliâtre
Tenor Vocals [Taille] – Jean-François Novelli
Theorbo – Benjamin Perrot, Vincent Dumestre
Viol [Basse De Viole] – Anne-Marie Lasla, Florence Bolton (tracks: 18), Sylvia Abramowicz
Viol [Dessus De Viole] – Kaori Uemura, Sylvie Moquet
Violone – Françoise Enock
O gênio da música para viola da gamba Marin Marais com seu maior intérprete Jordi Savall. Não tinha como dar errado. A onipresente e nada dramática melancolia de Marais está toda aqui. Em cada peça, mesmo na que exige maior virtuosismo, há um toque agridoce. Não vou escolher peças porque achei tudo um só deleite. Savall, com sua musicalidade, senso de estilo e, claro, virtuosismo está além de qualquer crítica. Seu time é monstruoso, é um Barcelona: Pierre Hantaï, Rolf Lislevand, Xavier Díaz-Latorre, Philippe Pierlot e, claro, Pedro Estevan, são a melhor companhia possível. A qualidade de som é espantosa. Usaram microfones DPA (como a maioria dos CDs de Savall, Elena!). Ouvimos tudo, os ruídos dos dedos, os giros de páginas, as respirações, gemidos, etc., e isso dá à música uma vibração que você se sente como se estivesse em Saint-Michel en Thiérache, na França, onde as sessões de gravação ocorreram em agosto e setembro 2006.
Marin Marais (Marin Marais (1656-1728): Pieces de Viole du IV Livre, 1717
Dudamel, grande revelação da regência da atualidade e figurinha repetida daqui do blog não? Mas sempre é bom falar mais um pouco sobre ele.
Dudamel já foi abençoado pela santíssima trindade da regência da capital musical do planeta, Berlim. Claudio Abbado, o mítico maestro da Filarmônica entre 1989 e 2002, viajou várias vezes à Venezuela para reger a Orquestra Sinfônica Juvenil Simón Bolívar, com a qual Dudamel tem percorrido o planeta. Sir Simon Rattle, sucessor de Abbado na Filarmônica, chamou o jovem de “o maestro mais dotado que já vi”, e dividiu com ele o pódio da turnê norte-americana da Simón Bolívar. Daniel Barenboim, diretor da Ópera de Berlim, atuou como pianista sob a batuta do jovem prodígio, ao lado da Filarmônica de Viena, e o convidou a reger em seu teatro. Se Dudamel é bom para Abbado, Rattle e Barenboim, é bom também para a gravadora Deutsche Grammophon. Além de um DVD, com um concerto em homenagem ao aniversário do papa Bento XVI, o mais prestigiado selo clássico do planeta já lançou três discos do prodígio venezuelano: um com a Filarmônica de Los Angeles, no Concerto para Orquestra, do húngaro Béla Bartók, e dois regendo a Simón Bolívar em sinfonias de Beethoven e Mahler.
Achei esse CD quase completo, se tirassem Sensemaya , que é um pé no saco o resto é a mais bela das coisas. Neste CD também entram o Danzón Nº 2 também figura repetida do blog mais a desse CD é incrível ! Na música o tema principal é tocado várias vezes em tons diversos e em variações do tema principal. Essa música poderia até ser um pé no saco, mas Dudamel consegue deixar a música orgãnica, ou seja, que seja de compreenção de todos e ainda por cima sem ficar chata. Além disso a música é altamente sincopada, o que realmente te dá uma vontade de dançar. (Será que é por isso que se chama Danzón?)
Fuga con Pajarillo. Na composição musical o tema é repetido por outras vozes que entram sucessivamente e continuam de maneira entrelaçada. Começa com um tema, declarado por uma das vozes isoladamente. Uma segunda voz entra, então, “cantando” o mesmo tema mas noutra tonalidade, enquanto a primeira voz continua desenvolvendo com um acompanhamento contrapontista. As vozes restantes entram, uma a uma, cada uma iniciando com o mesmo tema. O restante da fuga desenvolve o material posterior utilizando todas as vozes e, usualmente, múltiplas declarações do tema. Ouça e entenderás…
Depois entra as quatro danças do balé Estância, do arentino Alberto Ginastera, cuja articulação rítmica impressiona tanto pela percussão quanto pela unicidade das cordas. Composto de 4 faixas :Los Trabajadores Agricolas, Danza del trigo, Los peones de hacienda e Danza Final.
Após esse turbilhão vem o conhecido Mambo, de West Side Story, de Bernstein, é conhecida para caramba.
Eu espero que ninguém venha me perguntar sobre a Sinfonia Nº 37, né? Por muito tempo pensou-se que era de Mozart, mas, em 1907, Lothar Perger, descobriu que a pretensa 37ª de Mozart era, na verdade, a 25ª de Michael Haydn. É inacreditável a confusão entre o simplesinho Michael Haydn (que estava longe de ser parecido com o imenso e imortal Franz Josef Haydn) e Mozart. É difícil de compreender o motivo que levou a edição Koechel a errar, considerando os três pobres movimentos daquela Sinfonia em Sol Maior como a sucessora imediata da Sinfonia Linz…
Mas voltemos ao excelente álbum quádruplo objeto do post: essas gravações das sinfonias maduras de Mozart são muito especiais. Talvez seja o melhor registro dela em instrumentos de época. Há profundidade e grandeza. Trevor Pinnock e o The English Concert parecem apreciar cada nota das sinfonias, tal é a entrega, energia e a vitalidade que há ao longo destes quatro CDs. Eles não têm receio de se derramar nos movimentos lentos, nem de fazer animados os Allegri. Poucas vezes ouvi um CD que combine melhor as abordagens autêntica e romântica em Mozart. Adicione a isso a elegâcia e você terá ideia do que há nesta gravação.
W. A. Mozart (1756-1791): As últimas sinfonias (de 31 a 36 e de 38 a 41)
CD1
Mozart: Symphony #31 In D, K 297, “Paris” – 1. Allegro Assai 7.28
Mozart: Symphony #31 In D, K 297, “Paris” – 2. Andantino 5.53
Mozart: Symphony #31 In D, K 297, “Paris” – 3. Allegro 3.45
Mozart: Symphony #32 In G, K 318 – 1. Allegro Spiritoso 2.54
Mozart: Symphony #32 In G, K 318 – 2. Andante 2.50
Mozart: Symphony #32 In G, K 318 – 3. Allegro Spiritoso 1.57
Mozart: Symphony #33 In B Flat, K 319 – 1. Allegro Assai 6.52
Mozart: Symphony #33 In B Flat, K 319 – 2. Andante Moderato 4.26
Mozart: Symphony #33 In B Flat, K 319 – 3. Menuetto 3.12
Mozart: Symphony #33 In B Flat, K 319 – 4. Finale: Allegro Assai 8.19
Mozart: Symphony #34 In C, K 338 – 1. Allegro Vivace 6.57
Mozart: Symphony #34 In C, K 338 – 2. Andante Di Molto 7.08
Mozart: Symphony #34 In C, K 338 – 3. Allegro Vivace 7.33
CD2
Mozart: Symphony #35 In D, K 385, “Haffner” – 1. Allegro Con Spirito 5.46
Mozart: Symphony #35 In D, K 385, “Haffner” – 2. Andante 6.45
Mozart: Symphony #35 In D, K 385, “Haffner” – 3. Menuet & Trio 3.28
Mozart: Symphony #35 In D, K 385, “Haffner” – 4. Presto 3.54
Mozart: Symphony #36 In C, K 425, “Linz” – 1. Adagio, Allegro Spiritoso 11.04
Mozart: Symphony #36 In C, K 425, “Linz” – 2. Andante 9.21
Mozart: Symphony #36 In C, K 425, “Linz” – 3. Menuet & Trio 3.56
Mozart: Symphony #36 In C, K 425, “Linz” – 4. Presto 7.30
CD3
Mozart: Symphony #38 In D, K 504, “Prague” – 1. Adagio, Allegro 13.07
Mozart: Symphony #38 In D, K 504, “Prague” – 2. Andante 12.10
Mozart: Symphony #38 In D, K 504, “Prague” – 3. Presto 7.36
Mozart: Symphony #39 In E Flat, K 543 – 1. Adagio, Allegro 10.21
Mozart: Symphony #39 In E Flat, K 543 – 2. Andante Con Moto 8.26
Mozart: Symphony #39 In E Flat, K 543 – 3. Menuetto & Trio (Allegretto) 4.23
Mozart: Symphony #39 In E Flat, K 543 – 4. Finale (Allegro) 7.26
CD4
Mozart: Symphony #40 In G Minor, K 550 – 1. Molto Allegro 7.23
Mozart: Symphony #40 In G Minor, K 550 – 2. Andante 11.21
Mozart: Symphony #40 In G Minor, K 550 – 3. Menuet & Trio 4.48
Mozart: Symphony #40 In G Minor, K 550 – 4. Finale: Allegro Assai 9.28
Mozart: Symphony #41 In C, K 551, “Jupiter” – 1. Allegro Vivace 11.16
Mozart: Symphony #41 In C, K 551, “Jupiter” – 2. Andante Cantabile 11.22
Mozart: Symphony #41 In C, K 551, “Jupiter” – 3. Menuet & Trio 5.27
Mozart: Symphony #41 In C, K 551, “Jupiter” – 4. Finale: Molto Allegro 11.27