Anton Bruckner (1824-1896): Symphonies Nos. 1 & 5 / Richard Wagner (1813-1883) : Tristan Und Isolde: Prelude & Liebestod (Nelsons, Gewandhausorchester)

Anton Bruckner (1824-1896): Symphonies Nos. 1 & 5 / Richard Wagner (1813-1883) : Tristan Und Isolde: Prelude & Liebestod (Nelsons, Gewandhausorchester)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Certa vez, na falecida loja de discos clássicos do Marini, aqui em Porto Alegre, ouvi algo com o tom indiscutível da verdade: o Adágio da 5ª Sinfonia de Bruckner seria o mais longo adágio sinfônico já composto. Os frequentadores do Marini eram um bando de pernósticos dos quais hoje sei: eram meros chutadores. Mas comprei lá o CD com a 5ª. Nunca medi, mas penso que não seja o mais longo adágio, é APENAS um dos 5 mais belos que conheço. Por isso, a 5ª mora no meu ventrículo esquerdo. Bem, vamos ao contexto desta extraordinária gravação.

A menos que Andris Nelsons pretenda gravar “Die Nullte” (a sinfonia Nº 0 que Bruckner compôs em 1869 entre a primeira e a segunda obras numeradas), este será o último CD de seu ciclo com a orquestra de Leipzig, que se desenrolou paralelamente à série de Shostakovich do outro lado do Atlântico, com a Orquestra de Boston. Nelsons é maestro titular de ambas as orquestras.  Como nas edições anteriores, as performances da Primeira e da Quinta Sinfonias são tiradas de concertos no Gewandhaus nos últimos três anos e, como as nos CDs anteriores, o conjunto é preenchido com pedaços pungentes arrancados de Wagner, neste caso o Prelúdio e Liebestod (sem o solista soprano) de Tristão e Isolda.

A Primeira Sinfonia foi apresentada pela primeira vez em 1868, mas Bruckner revisou a partitura no início da década de 1890, embora as mudanças tivessem sido relativamente pequenas. É essa versão final que Nelsons conduz, e sua natureza geralmente extrovertida combina bem com Bruckner. Ele é mais convincente nos movimentos externos. Há momentos no movimento lento em que ele parece deixar-se levar pela beleza lírica da música e pela forma como as cordas aveludadas da Gewandhaus a moldam. É nos movimentos externos que ele rende mais.

A Sinfonia Nº 5 é uma das preferências na vida de PQP Bach. Esta versão provavelmente convencerá qualquer agnóstico de Bruckner. Ela tem o toque extraordinariamente calmo e expressivo das cordas na abertura, a robustez encorpada dos metais graves nas passagens corais do primeiro movimento ou o som plangente de solo de oboé e fagote no movimento lento, um dos mais belos que já ouvi em minha existência. Muitas vezes sinto que o perigo na Quinta Sinfonia, sobretudo no último movimento, é que, com a quantidade de material repetido, há o risco do regente perder o foco e deixar as coisas caírem, mas aqui Nelsons consegue cumprir a difícil tarefa de mantendo a música movendo-se em direção ao seu objetivo, sem nunca sacrificar a profundidade dos momentos individuais. A chave para isso parece ser que ele é particularmente bom em executar longos crescendos: isso é muito eficaz não apenas no movimento lento, o tal adágio.

Uma das marcas do ciclo de Nelsons foi complementar as sinfonias de Bruckner com música de Wagner, e este álbum não é exceção, começando com o Prelude e Liebestod de Tristan und Isolde . A flexibilidade que Nelsons demonstrou nas sinfonias de Bruckner continua aqui, especialmente no Prelude, que nunca é rígido. É uma abertura sedutora que contribui para a conclusão satisfatória de uma série esplêndida.

Anton Bruckner (1824-1896): Symphonies Nos. 1 & 5 / Richard Wagner (1813-1883) : Tristan Und Isolde: Prelude & Liebestod (Nelsons, Gewandhausorchester)

Tristan Und Isolde, WWV 90
Composed By – Richard Wagner
1 Prelude To Act I 10:35
2 Mild Und Leise Wie Er Lächeit “Isoldes Liebestod” 6:57

Symphony No. 1 In C Minor, WAB 101 (Vienna Version 1890/91)
Composed By – Anton Bruckner
3 I. Allegro 14:04
4 II. Adagio 14:17
5 III. Scherzo. Lebhaft. Trio. Langsam 8:56
6 IV. Finale. Bewegt, Feurig 17:47

Symphony No. 5 In B-Flat Major, WAB 105
Composed By – Anton Bruckner
7 I. Introduction. Adagio. Allegro 20:45
8 II. Adagio. Sehr Langsam 18:41
9 III. Scherzo. Molto Vivace (Schnell). Trio. Im Gleichen Tempo 13:01
10 IV. Finale. Allegro Moderato 22:10

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Nelsons abraçado ao busto de Bruckner na Bruckner Halle da sede do PQP Bach de Linz.

PQP

Georg Philipp Telemann (1681-1767): Concertos para Violino 1 (Wallfisch)

Georg Philipp Telemann (1681-1767): Concertos para Violino 1 (Wallfisch)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Eu adorei este CD de Telemann. Elizabeth Wallfisch solou e dirigiu a L’Orfeo Barockorchester realizando um trabalho de primeira linha. Bem, quando a CPO lança um disco como este, o ouvinte mais experiente pode ter certeza de que algo maravilhoso está sendo concebido. Neste primeiro disco da série de Concertos para Violino de Telemann (são vinte), temos motivo de regozijo. Essas performances são tão boas, e essa música é tão atraente e elegante, que imediatamente ouvi o disco inteiro pela segunda vez. Dado o número de CDs que cruzam por mim, esse é um elogio. Telemann era um músico com um enorme apetite pelo conhecimento e que assumiu a responsabilidade de dominar praticamente todos os instrumentos de uso comum em seu tempo. Dos cerca de doze instrumentos nos quais se tornou proficiente, foi o violino o seu principal interesse, e ele passou muitas horas aperfeiçoando sua técnica. Felizmente para nós, ele também foi um compositor prolífico e, como o muito difamado Vivaldi, deixou centenas de obras muito diversas e originais. Telemann estava mais preocupado com a melodia e seu lugar em uma composição e, como tal, desaprovava o que considerava ser um virtuosismo de mau gosto o estilo italiano de concertos. Em vez disso, ele favoreceu o estilo francês, com sua construção melódica mais suave e elegante. Vários de seus concertos têm quatro movimentos (lento-rápido-lento-rápido) em oposição ao estilo italiano de três movimentos (rápido-lento-rápido). Mas chega de papo.

Georg Philipp Telemann (1681-1767): Concertos para Violino 1 (Wallfisch)

Violin Concerto In C Major, TWV 51:C2 (10:15)
1 Affetuoso 2:13
2 Allegro 2:10
3 Grave 2:32
4 Allegro 3:20

Violin Concerto In G Major, TWV 51:G8 (6:36)
5 Allegro 2:32
6 Andante 2:03
7 Allegro 2:01

Violin Concerto In E Minor, TWV 51:e3 (7:06)
8 Allegro 2:32
9 Soave 2:14
10 Allegro 2:20

Violin Concerto In D Major, TWV 51:D9 (9:34)
11 Con Contento 1:21
12 Allegro 2:57
13 Largo 2:45
14 Vivace 2:31

Violin Concerto In E Major, TWV 51:E2 (11:28)
15 Affetuoso 3:58
16 Allegro Assai 2:18
17 Cantabile 2:29
18 Allegro 2:43

Violin Concerto In F Major, TWV 51:F2 (8:55)
19 Vivace 3:26
20 Largo 2:30
21 Presto 2:59

Violin Concerto In D Major, TWV 51:D10 (5:15)
22 Adagio. Allegro 2:15
23 Grave 0:41
24 Vivace 2:19

Bassoon – Nikolaus M Broda*
Cello – Katie Stephens, Nils Wieboldt
Double Bass – Jan Krigovsky
Harpsichord – Johannes M. Bogner*
Oboe – Andreas Helm, Carin van Heerden*
Orchestra – L’Orfeo Barockorchester
Psaltery – Margit Übellacker
Viola – Julia Fiegl, Lucas Schurig
Violin – Johanna Weber, Julia Huber, Martin Jopp, Martin Kalista, Michael Gusenbauer, Michi Gaigg, Petr Zemanec
Violin, Directed By – Elizabeth Wallfisch

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Elizabeth Wallfisch enquanto aguardava para ser recebida por PQP Bach em nossa sala da Ópera de Sidney

PQP

Shostakovich: Quarteto Nº 8 / Borodin: Quarteto Nº 2 / Ravel: Quarteto (Borodin)

Shostakovich: Quarteto Nº 8 / Borodin: Quarteto Nº 2 / Ravel: Quarteto (Borodin)

Uma gravação ao vivo e sem retoques do Borodin durante uma excursão realizada em 1962. O som não é bom e a plateia parecia estar agitada. Mas o CD vale por sua enorme qualidade musical e pela interpretação extremamente compreensiva de Shosta e Borodin. Por exemplo, talvez jamais se ouça outro quarteto iniciar o último movimento do segundo quarteto de Borodin imitando com tamanha perfeição o som de um bayan. É uma questão de afinidade cultural. Os russos sabem como fazer porque têm aquilo instalado desde o nascimento. O Shosta idem. O Ravel tem um sotacão russo, mas é o Borodin e eles sempre convencem.

Shostakovich: Quarteto Nº 8 / Borodin: Quarteto Nº 2 / Ravel: Quarteto (Borodin)

String Quartet No. 8 In C Minor, Op. 110
Composed By – Dmitri Shostakovich
1 I. Largo 4:09
2 II. Allegro Molto 2:41
3 III. Allegretto 3:49
4 IV. Largo 4:55
5 V. Largo 3:18

String Quartet No. 2 In D Major
Composed By – Alexander Borodin
6 I. Allegro Moderato 7:56
7 II. Scherzo. Allegro 4:43
8 III. Notturno. Andante 8:10
9 IV. Finale. Andante — Vivace 6:53

String Quartet In F Major
Composed By – Maurice Ravel
10 I. Allegro Moderato. Très Doux 7:39
11 II. Assez Vif. Très Rythmé 5:37
12 III. Très Lent 8:29
13 IV. Vif Et Agité 5:02

Quarteto Borodin
Recordings at Leith Town Hall, Edinburgh Festival: August 31, 1962 (tracks 1-5, 10-13), August 29, 1962 (tracks 6-9).

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O Borodin prestes a adentrar o palco do PQP Bach Classical Communist Chamber Theater de Leningrado

PQP

.: interlúdio :. Oliver Nelson Orchestra: Afro/American Sketches

.: interlúdio :. Oliver Nelson Orchestra: Afro/American Sketches

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Não se enganem. Oliver Nelson foi um gênio. Daqueles. Gênio para ser colocado ao lado de Mingus, Miles, Ellington, Monk. Tudo o que ouvi dele é de primeira linha e este Afro/American Sketches, de 1962, não foge à regra. Oliver Nelson fundiu o ritmo da África e da América Negra com o talento organizacional da Europa. O trabalho muitas é espetacular apresenta a orquestra perfeitamente eufônica mas às vezes gritando e colidindo para depois dar declarações comoventes de amor ou convergindo em um cenário de blues. Nelson combinou o suporte rítmico afro-latino de Ray Barretto com a bateria de jazz de Ed Shaughnessy, também contribuiu com seus próprios solos de sax alto e tenor e conduziu a orquestra. “Finalmente percebi a importância da minha herança africana e negra”, escreve Nelson no encarte, “e através dessa iluminação consegui compor 40 minutos de música original que é uma verdadeira extensão da minha alma”. As composições e arranjos de Nelson espelham as várias etapas da vida negra, desde a pátria ancestral africana até os séculos de escravidão, terror e horror diários, passando pela emancipação, a chamada reconstrução, a migração do século XX para norte, leste e oeste que foi recebida com racismo continuado, aos direitos civis e movimentos nacionalistas negros de meados do século 20 — a dança da liberdade. Oliver Nelson (1932-1975) morreu muito jovem, mas conseguiu deixar uma marca na história. Esta é sua primeira gravação como líder/arranjador de uma big band. Excelente produção e arranjos, eletrizante e vibrante, com verdadeira musicalidade destacada por toda parte. Um trabalho monumental, realmente IMPERDÍVEL!

.: interlúdio :. Oliver Nelson Orchestra: Afro/American Sketches

1 Message
2 Jungleaire
3 Emancipation Blues
4 There’s A Yearning
5 Going Up North
6 Disillusioned
7 Freedom Dance

Written-By, Arranged By, Conductor – Oliver Nelson
Alto Saxophone, Flute – Jerry Dodgion (faixas: A1, A3, B1, B3, B4)
Baritone Saxophone, Clarinet – Arthur “Babe” Clark* (faixas: A3, B3, B4)
Bass – Art Davis
Cello – Charles McCracken (faixas: A1, A3, B1, B3, B4), Peter Makis (faixas: A1, A3, B1, B3, B4)
Congas, Bongos – Ray Barretto
Drums – Ed Shaughnessy
French Horn – Jim Buffington (faixas: A1, B1), Julius Watkins (faixas: A1, B1), Ray Alonge (faixas: A1, B1)
Piano – Patti Bown (faixas: A3, B3, B4)
Tenor Saxophone, Alto Saxophone
Tenor Saxophone, Flute – Eric Dixon (faixas: A2, A3, B2 to B4)
Tenor Saxophone, Flute, Clarinet – Bob Ashton* (faixas: A1, A3, B1, B3, B4)
Trombone – Billy Byers (faixas: A2, B2), Britt Woodman (faixas: A1, A3, B1, B3, B4), Melba Liston (faixas: A2, B2), Paul Faulise (faixas: A1, A3, B1, B3, B4), Urbie Green (faixas: A1, A3, B1, B3, B4)
Trumpet – Clyde Reasinger (faixas: A2, B2), Ernie Royal, Jerry Kail, Joe Newman, Joe Wilder (faixas: A1, A3, B1, B3, B4)
Tuba – Don Butterfield

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Oliver Nelson: um altíssimo grau de musicalidade

PQP

Johannes Brahms (1833-1897): Sinfonia No. 4 (Haitink, LSO)

Johannes Brahms (1833-1897): Sinfonia No. 4 (Haitink, LSO)

Curiosamente, Haitink não parece muito exigente nesta gravação. Mas esta música exige tudo de seu regente, na minha opinião. A viagem da Primeira à Quarta Sinfonia de Brahms é do otimismo ao pessimismo, da possibilidade de remodelar o mundo à resignação. Em 1885, com 50 e poucos anos, já um tanto velho para o século XIX, Brahms chegou com uma obra desesperada, perturbadora e surpreendente. O que é surpreendente sobre a realização de Brahms em sua Quarta Sinfonia é que a ferocidade e concentração de expressão são alcançadas não através de uma retórica emocional descabelada, mas através do foco implacável em detalhes musicais supostamente “antiquados”, pois, no final, há uma Passacaglia que é um dos movimentos mais bem construídos já compostos, com 30 variações e uma coda final que você ouve no início nos metais e sopros. A melodia principal é uma expansão de uma Chacona da Cantata 150 de Bach e o uso de Brahms de um método de construção barroco é sua homenagem a uma era da história musical que esta peça simultaneamente honra e leva a uma conclusão trágica.

Johannes Brahms (1833-1897): Sinfonia No. 4 (Haitink, LSO)

Symphony No.4 In E Minor Op.98
1 Allegro Non Troppo 13:22
2 Andante Moderato 11:28
3 Allegro Giocoso 6:16
4 Allegro Energico E Passionato 10:15

London Symphony Orchestra
Bernard Haitink

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Demonstrando total desprezo por minha opinião, Haitink puxa um “Arerê, o Grêmio vai jogar a Série B” com a LSO.

PQP

.: interlúdio :. Miles Davis: Miles Ahead

.: interlúdio :. Miles Davis: Miles Ahead

OMG! Por que esta capa? Tal como eu e nós, Miles Davis ficou insatisfeito com a capa original do álbum, que apresentava uma fotografia de uma jovem branca e uma criança a bordo de um veleiro. Ele manifestou seu descontentamento ao executivo da Columbia, George Avakian, perguntando: “Why’d you put that white bitch on there?”. Avakian afirmou mais tarde que a pergunta foi feita em tom de brincadeira. Só que… Nos lançamentos posteriores do disco, a foto da capa original foi substituída por uma fotografia de Miles Davis.

Miles Ahead foi lançado em 1957 pela Columbia Records. Foi o primeiro disco em parceria com o arranjador Gil Evans, parceria que se repetiria em trabalhos futuros de Davis, como Birth of the Cool, Porgy and Bess (álbum de Miles Davis) e Sketches of Spain. É considerado um dos mais importantes e famosos discos da carreira de Miles. Gil Evans sugeriu que o álbum fosse gravado como uma suíte única, evitando cortes e pausas, fazendo interrupções apenas no limite de tempo de cada lado do álbum, ou seja: no fim do lado A. Miles foi o único solitário solista do álbum.

Este álbum é muito significativo para o processo que se iniciou — a colaboração entre Gil Evans e Miles Davis que produziria Porgy and Bess e Sketches of Spain, dois dos melhores álbuns de Davis. Dito isto, este álbum é um milagre em si, o resultado de uma grande aposta por parte da Columbia Records, que juntou Evans e Davis, os quais que não trabalhavam juntos desde a gravação do disco admirado pela crítica, mas comercialmente malsucedido Birth of the Cool. A Columbia também permitiu que Evans montar uma banda de 19 músicos para as gravações, numa época em que big bands estavam fora de moda e também em uma época em que as gravações só poderiam ser lançadas dois anos depois em razão das obrigações contratuais de Davis com a Prestige. Havia o medo de que Davis se perdesse em um elenco de músicos de apoio que incluía uma enorme seção de metais. Isso não ocorreu, claro. Os arranjos de Evans são adequados ao formato. Ele e Davis formaram uma parceria profunda e próxima, onde ideias foram trocadas, alimentadas e desenvolvidas muito antes de serem expressas em estúdio.

Miles Davis: Miles Ahead

1 “Springsville” (John Carisi) – 3:27
2 “The Maids of Cadiz” (Léo Delibes) – 3:53
3 “The Duke” (Dave Brubeck) – 3:35
4 “My Ship” (Kurt Weill) – 4:28
5 “Miles Ahead” (Davis, Evans) – 3:29
6 “Blues for Pablo” (Evans) – 5:18
7 “New Rhumba” (Ahmad Jamal) – 4:37
8 Medley Pt. 1: “The Meaning of the Blues” (Bobby Troup, Leah Worth) – 2:48
9 Medley Pt. 2: “Lament” (J. J. Johnson) – 2:14
10 “I Don’t Wanna Be Kissed (By Anyone but You)” (Jack Elliot/Harold Spina) – 3:05

Alto Saxophone – Lee Konitz
Arranged By, Conductor – Gil Evans
Bass – Paul Chambers (3)
Bass Clarinet – Danny Bank
Bass Trombone – Tom, Mitchell* (faixas: A3, A3)
Drums – Art Taylor, Sr.*
Flute, Clarinet – Eddie Caine (faixas: B3 to B5), Romeo Penque, Sid Cooper (faixas: A1 to A5, B1, B2)
Horn – Jimmy Buffington* (faixas: A1, B1, B2), Tony Miranda (faixas: A2 to A5, B3 to B5), Willie Ruff
Piano – Wynton C. Kelly* (faixas: B3 to B5)
Trombone – Frank Rehak, Jimmy Cleveland, Joe Bennett*
Trumpet – Bernie Glow, Ernest Royal*, John Carisi, Louis R. Mucci, James T. Jordan*
Trumpet, Flugelhorn – Miles Davis

Recorded on May 6, 10, 23 and 27, 1957 at the Columbia 30th Street Studios, New York City.
Columbia Jazz Masterpieces Stereo

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Nada de white bitches: Miles Davis por Tom Palumbo, 1955 (Wikimedia Commons)

PQP

Kabalevsky (1904-1987): Cello Concerto No. 2 Op. 77 / Khachaturian (1903-1978): Cello Concerto / Glazunov (1865-1936): Chant du Menestrel Op. 71

Kabalevsky (1904-1987): Cello Concerto No. 2 Op. 77 / Khachaturian (1903-1978): Cello Concerto / Glazunov (1865-1936): Chant du Menestrel Op. 71

kkAí você tem uma raridade. Os concertos de para Violoncelo e Orquestra de Kabalevsky e Khatchaturian são bastante divulgados na Europa oriental, mas aqui raramente — ou nunca — fazem parte do repertório das orquestras. Uma pena, pois trata-se de boa e divertida música. Eu curto muito estas obras — refiro-me às de Kabalevsky e Khachaturian — que daqui alguns dias reaparecerão aqui no PQP com outros intérpretes. O Glazunov apenas serve para completar o disco.

Kabalevsky: Cello Concerto No. 2 Op. 77 /
Khachaturian: Cello Concerto /
Glazunov: Chant du Menestrel Op. 71

Dmitry Kabalesky (1904-1978)
Cello Concerto No.2 Op.77
1. Cello Concerto No. 2, Op. 77: I. Molto sostenuto – Allegro molto e energico
2. Cello Concerto No. 2, Op. 77: II. Presto marcato
3. Cello Concerto No. 2, Op. 77: III. Andante con molto

Alexander Glazunov (1865-1936)
4. Chant du Ménestrel for Cello and Orchestra Op.71

Aram Khachaturian (1903-1987)
Cello Concerto
5. Cello Concerto: I. Allegro moderato
6. Cello Concerto: II. Andante sostenuto
7. Cello Concerto: III. Allegro (a battuta)

Raphael Wallfisch
London Philharmonic Orchestra
Bryden Thompson

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Kabalevsky ensina ao celista Samuel Mayes o que ele deve fazer para ser feliz (foto de 1961)
Kabalevsky ensina ao celista Samuel Mayes o que ele deve fazer para ser feliz (foto de 1961)

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Johannes Brahms (1833-1897): Concerto para Piano Nº 1, Op. 15 (Pollini / Thielemann)

Johannes Brahms (1833-1897): Concerto para Piano Nº 1, Op. 15 (Pollini / Thielemann)

Dias atrás, revalidei o link de um CD postado pelo Carlinus com este mesmo concerto. Não creio que alguém vá se incomodar com a repetição da dose, agora com Pollini — meu pianista preferido — e Thielemann. Este concerto de belíssimo e um tanto fantasmagórico primeiro movimento é das absolutas preferências dos membros do PQP. Ao menos é o que parece. Baixe agora porque vale a pena.

Abaixo copio para vocês um post deste blog:

A tentativa de suicídio do Sr. Pollini

 

Defina arte. Se você puder. O momento exato em que um objeto, um som, uma imagem ou um poema deixam de ser somente um objeto, um som, uma imagem e um poema, para adquirir um status outro. Ou adquirir um significado novo. Mesmo, que você reconheça o objeto, o som, a imagem ou o poema, existe algo que naquele instante modifica esses elementos e traz uma concepção ou um sentimento inesperado.

 

Ontem, por volta das 5 da tarde, em NY, o Sr. Pollini tentou o suicídio na minha frente. Em pleno Carnegie Hall lotado. E acredite, isso foi inesperado. Pollini tem 68 anos de idade, uma carreira internacional consolidada (que começou aos 18 anos, após vencer o Concurso Internacional Chopin, em Varsóvia) e o status de lenda. Um dos últimos grandes pianistas do século passado ainda em atividade. O Sr. Pollini não precisa provar a ninguém o quão grande ele é (apesar de ser baixinho). Mas, intencionalmente, após um recital de quase duas horas de duração – o terceiro e último de uma série que relembrou os 200 anos da morte de Chopin – o Sr. Pollini tentou o suicídio.

 

Críticos do pianista não cansam de anunciá-lo como um intérprete seco, rígido e sem emoção. Enganam-se em suas análises. Toda a contenção em Pollini tem um propósito. Toda a contenção em Pollini direciona-se à verdade da escrita musical. Toda energia contida é liberada no momento certo, na proporção exata e isso é arte. Não é possível negar o lirismo nos Noturnos Op.55 ou na Barcarolla Op.60 (e ele não nega). Mas quem mais, nessa faixa de grandeza, pode apresentar uma Berceuse Op.57 tão límpida e plácida? Pollini toca a Berceuse como se estivesse tocando um dos estudos para piano de Ligeti – total independência rítmica e melódica. De fazer a inveja a qualquer um dos pretensos superpianistas chineses atualmente “disponíveis no mercado”.

 

A última peça do programa foi a última sonata escrita Chopin, Op.58, obra de sua maturidade. Novamente, impressiona a precisão, a clareza e velocidade com que a música flui. Público uivando de felicidade ao fim do concerto, aplaude de pé o pianista. Ele volta ao palco e após três tentativas de escape, engata – como encore – a terceira Balada. Corajoso, diriam muitos. Novamente o público agradece com aplausos e gritos de “bravo”. Parecia já ter terminado, após quase duas horas de música, quando o pianista retorna mais uma vez para agradecer e inspirado, decide se suicidar. Joga-se ao piano sem aviso prévio à audiência, e ataca o temido Estudo Op.10 no.4 – o mais difícil de toda a safra de estudos para piano escrita por Chopin. Poucos o tocam dentro de um programa bem planejado. Ninguém toca algo assim como encore. Só ele. Ao término, sorrindo, agradece à plateia emudecida e o confessa a tentativa de suicídio. É o inesperado que faz a arte. O mundo precisa demais desses loucos pianistas suicidas.

Johannes Brahms (1833-1897): Concerto para Piano Nº 1, Op. 15

1. Piano Concerto No.1 in D minor, Op.15 – 1. Maestoso – Poco più moderato 21:02
2. Piano Concerto No.1 in D minor, Op.15 – 2. Adagio 12:31
3. Piano Concerto No.1 in D minor, Op.15 – 3. Rondo (Allegro non troppo) 11:56

Maurizio Pollini, piano
Staatskapelle-Dresden
Christian Thielemann, conductor

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PQP

J. S. Bach (1685-1750): Obras para órgão (Koopman)

J. S. Bach (1685-1750): Obras para órgão (Koopman)

Tal como este CD postado pelo Ranulfus, o deste post parece uma seleção de Greatest Hits de Bach para órgão. Claro que Koopman é extraordinário, que Bach criou ouro onde pôs sua mão, que a qualidade da gravação da Archiv merece nosso respeito e que vou ouvir estas obras com prazer e com Koopman até morrer, mas que é uma seleção meio sem critérios, é. Ou melhor, o critério principal é o de mostrar o que mais vende. Ah, e ainda há a verdadeira piada que é a contracapa (ver ao final do post), puro resultado do descuido de quem quer vender para pessoas sem muita atenção.

Ton Koopman gravou a obra completa de Bach para o instrumento. Ele é uma das personalidades mais singulares do mundo da música. Holandês com mente matemática e dedos mágicos, foi aluno de outro grande, Gustav Leonhardt. Sua carreira já tem mais de 50 anos. Sua vocação de professor e a sua erudição colocam-no como figura central na performance musical barroca e em particular na escola alemã. Ao longo dos anos, Bach e Buxtehude tornaram-se seus grandes cavalos de batalha e sua capacidade quase obsessiva de estudar e analisar a enorme obra desses mestres fazem dele um de seus intérpretes ideais. Como artista triplo — cravista, organista e maestro –, é grande a compreensão de Koopman dessa música e dos homens que a compuseram. J.S.Bach foi um prodígio como instrumentista, e apesar de dominar o cravo e o violino, foi no órgão que desenvolveu todo o seu potencial como intérprete e, seguramente, como compositor. Já desde a juventude, quando caminhou mais de 300 quilômetros para conhecer seu amado Dietrich Buxtehude, as crônicas contam que ele conseguia brincar com os pés nos pedais com a mesma rapidez que muitos outros faziam com as mãos.

Koopman + Bach é algo para ser ouvido de joelhos, apesar do apelo comercial da Archiv.

J. S. Bach (1685-1750): Obras para órgão (Koopman)

Toccata Und Fuge d-Moll BWV 565 / Toccata And Fugue In D Minor
1 Toccata 2:31
2 Fuge / Fugue 5:34

Toccata Und Fuge “Dorisch” BWV 538 / Toccata And Fugue “Dorian”
3 Toccata 5:16
4 Fuge / Fugue 6:36

5 Passacaglia c-Moll BWV 582 / Passacaglia C Minor 12:54
6 Pastorale F-Dur BWV 590 / Pastorale In F Major 12:05
7 Fantasie G-Dur BWV 572 / Fantasia In G Major 8:09
8 Canzona d-Moll BWV 588 / Canzona In D Minor 6:04
9 Allabreve D-Dur BWV 589 / Allabreve In D Major 4:18
10 Präludium a-Moll BWV 569 / Prelude In A Minor 3:49

Ton Koopman, órgão

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Hum… No CD, Koopman só toca órgão, mas na contracapa, toca cravo… Estranho, né?

PQP

Heinrich Schütz (1585-1672): Kleine Geistliche Concerte (Little Sacred Concertos) (Weser-Renaissance, Manfred Cordes)

Heinrich Schütz (1585-1672): Kleine Geistliche Concerte (Little Sacred Concertos) (Weser-Renaissance, Manfred Cordes)

Heinrich Schütz é ótimo e melhor ainda se atentarmos para sua data de nascimento. É geralmente considerado o mais importante compositor alemão morto antes no surgimento de  Johann Sebastian Bach e também considerado um dos mais importantes compositores do século XVII junto com Claudio Monteverdi.

Iniciou sua carreira musical quando foi selecionado, ainda menino, por sua bela voz, para o coro do Landgrave Maurício de Hesse-Kassel, e ali recebeu seu primeiro treinamento. Mais tarde, seu patrono o matriculou na Universidade de Marburg, e depois o enviou para estudar com Giovanni Gabrieli, na Itália. Ao retornar, em 1613, com os ensinamentos recebidos, introduziu importantes inovações no vocabulário musical da Alemanha.

Passou os quatro anos seguintes exercendo a função de organista em Kassel, e foi liberado deste serviço para assumir a posição de Kapellmeister na corte de Dresden. Ali, casou-se. Em 1629, voltou para a Itália a fim de comprar instrumentos e estudar a música teatral de Monteverdi. Como a Guerra dos Trinta Anos estava devastando Alemanha, Schütz foi obrigado, em seu retorno, a buscar colocação em outro local, e encontrou emprego em Hamburgo, e depois em Copenhagen. Terminada a guerra, reassumiu suas funções em Dresden, onde se aposentou em 1651, retirando-se para sua casa de campo, onde faleceu.

A música de Schütz é predominantemente religiosa, mas grande capacidade de expressão emocional. Dominou a escrita para grandes grupos tão bem quanto para os reduzidos, e suas Paixões, para pequenos conjuntos, talvez estejam entre suas obras mais impressionantes. A influência da arte musical italiana perpassa toda sua obra, embora a tenha adaptado para o caráter nórdico de uma forma pessoal. Foi um mestre no estilo concertato, no contraponto e na oratório musical, com uma maravilhosa capacidade de interpretação expressiva dos textos num ritmo coerente com a prosódia e ao mesmo tempo desenhando as linhas vocais em melodias da mais alta musicalidade.

Heinrich Schütz (1585-1672): Kleine Geistliche Concerte (Little Sacred Concertos) (Weser-Renaissance, Manfred Cordes)

Kleine Geistliche Concerte (Little Sacred Concertos), Part 1, For Voices & Continuo, SWV 282-305 (Op. 8)

1.1 I. Eile Mich, Gott, Zu Erretten
1.2 II. Bringt Her Dem Herren, Ihr Gewaltigen
1.3 III. Ich Danke Dem Herrn Von Ganzem Herzen
1.4 IV. O Süßer, O Freundlicher, O Gütiger Herr Jesu Christe
1.5 V. Der Herr Ist Groß
1.6 VI. O Lieber Herre Gott
1.7 VII. Ihr Heiligen, Lobsinget Dem Herren
1.8 VIII. Erhöre Mich, Wenn Ich Rufe
1.9 IX. Wohl Dem, Der Nicht Wandelt Im Rat Der Gottlosen
1.10 X. Schaffe In Mir, Gott, Ein Reines Herz
1.11 XI. Der Herr Schauet Vom Himmel
1.12 XII. Lobet Den Herren, Der Zu Zion Wohnet
1.13 XIII. Eins Bitte Ich Vom Herren
1.14 XIV. O Hilf, Christe, Gottes Sohn
1.15 XV. Fürchte Dich Nicht
1.16 XVI. O Herr Hilf
1.17 XVII. Das Blut Jesu Christi
1.18 XVIII. Die Gottseligkeit
1.19 XIX. Himmel Und Erde Vergehen
1.20 XX. Nun Komm’ Der Heiden Heiland
1.21 XXI. Ein Kind Ist Uns Geboren
1.22 XXII. Wir Gläuben All An Einen Kind
1.23 XXIII. Siehe, Mein Fürsprecher Ist Im Himmel

2.1 XXIV. Ich Hab Mein Sach Gott Heimgestellt

Kleine Geistliche Concerte (Little Sacred Concertos), Part 2, For Voices & Continuo, SWV 306-337 (Op. 9)

2.2 I. Ich Will Den Herren Loben Allezeit
2.3 II. Was Hast Du Verwirket
2.4 III. O Jesu, Nomen Dulce
2.5 IV. O Misericordissime Jesu
2.6 V. Ich Liege Und Schlafe
2.7 VI. Habe Deine Lust An Dem Herren
2.8 VII. Herr, Ich Hoffe Darauf
2.9 VIII. Bone Jesu, Verbum Patris
2.10 IX. Verbum Caro Factum Est
2.11 X. Hodie Christus Natus Est
2.12 XI.Wann Unsre Augen Schlafen Ein
2.13 XII. Meister, Wir Haben Die Ganze Nacht Gearbeitet
2.14 XIII. Die Furcht Des Herren
2.15 XIV. Ich Beuge Meine Knie
2.16 XV. Ich Bin Jung Gewesen
2.17 XVI. Herr, Wann Ich Nur Dich Habe

3.1 XVII. Rorate Coeli Desuper
3.2 XVIII. Joseph, Du Sohn David
3.3 XIX. Ich Bin Die Auferstehung
3.4 XX. Die Seele Christi Heilige Mich
3.5 XXI. Ich Ruf Zu Dir, Herr Jesu Christ
3.6 XXII. Allein Gott In Der Höh Sei Ehr
3.7 XXIII. Veni, Sancte Spiritus
3.8 XXIV. Ist Gott Für Uns
3.9 XXV. Wer Will Uns Scheiden Von Der Liebe Gottes
3.10 XXVI. Die Stimm Des Herren
3.11 XXVII. Jubilate Deo Omnis Terra
3.12 XXVIII. Sei Gegrüßet, Maria (Dialogus)
3.13 XXIX. Was Betrübst Du Dich
3.14 XXX. Quemadmodum Desiderat Cervus
3.15 XXXI. Aufer Immensam, Deus, Aufer Iram

Choir – Weser-Renaissance
Conductor – Manfred Cordes

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Toda a ardente sensualidade de Heinrich Schütz para você.

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Steve Reich (1936): WTC 9/11 / Mallet Quartet / Dance Patterns (Kronos / Sō Percussion)

Steve Reich (1936): WTC 9/11 / Mallet Quartet / Dance Patterns (Kronos / Sō Percussion)

O WTC 9/11 de Steve Reich marca o 10º aniversário dos ataques ao World Trade Center. Encomendado e gravado pelo Kronos Quartet, o WTC 9/11 é composto para três quartetos de cordas e vozes pré-gravadas. O álbum também inclui o Mallet Quartet, interpretado pela So Percussion, e Dance Patterns.

WTC 9/11 reflete sobre os ataques ao World Trade Center de 11 de setembro de 2001, quando Reich e sua família moravam a apenas quatro quarteirões do local da tragédia. “No dia 11 de setembro estávamos em Vermont, mas nosso filho, neta e nora estavam todos em nosso apartamento. Nossa conexão telefônica permaneceu aberta por seis horas e nossos vizinhos finalmente conseguiram dirigir para o norte, saindo da cidade com a família deles e a nossa. Para nós, o 11 de setembro não foi um evento midiático”, diz o compositor. Além dos três quartetos de cordas — o Kronos gravou todas as três partes para o álbum –, o WTC 9/11 também usa vozes pré-gravadas, as sílabas finais dos falantes alongadas em uma técnica de som que Reich diz ser o “meio de conectar uma pessoa a outra harmonicamente”. Essas vozes e seus textos pertencem aos controladores de tráfego aéreo do NORAD — pois eles alertaram que os aviões estavam fora do curso — além de amigos e vizinhos dos Reich, lembrando aquele dia. Também há pessoas lendo Salmos ou passagens bíblicas. A relação entre Steve Reich e Kronos Quartet se estende por mais de 20 anos. Este é o terceiro quarteto que o compositor escreveu para Kronos.

Mallet Quartet (2009), encomendado e interpretado por So Percussion, é composto para dois vibrafones e duas marimbas de cinco oitavas. O pano de fundo ritmicamente repetitivo pode ser ouvido como minimalista, mas é uma falsa impressão, pois tudo é compensando por melodias inquietas e aventureiras. Os temas são brilhantes e animados.”

Dance Patterns (2002) é a contribuição de Reich para o filme Counter Phrases of Anne Terese de Keersmaeker’s Choreography, de Thierry de Mey, para o qual vários compositores escreveram peças curtas. Enquanto o filme era exibido, a música era tocada ao vivo pelo Ictus Ensemble, que encomendou a música. 

Steve Reich (1936): WTC 9/11 / Mallet Quartet / Dance Patterns

WTC 9/11
1 I. 9/11 3:40
2 II. 2010 7:27
3 III. WTC 4:46

Mallet Quartet
4 I. Fast 6:47
5 II. Slow 3:10
6 III. Fast 4:47

7 Dance Patterns 6:10

Kronos Quartet (faixas: 1 a 3)
Sō Percussion* (faixas: 4 a 6)
Piano – Edmund Niemann, Nurit Tilles
Vibraphone – James Preiss, Thad Wheeler
Xylophone – Frank Cassara, Garry Kvistad

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Steve Reich durante entrevista na falava sobre Wagner: “Wagner era um protonazista. Viva com isso. A ideia de que grandes artistas se tornam seres humanos exemplares é um desejo romântico”.

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.: interlúdio :. John Zorn: At The Gates Of Paradise

.: interlúdio :. John Zorn: At The Gates Of Paradise

A música de John Zorn é incomparavelmente heterogênea. É impossível definir um único fator unificador. Ele compõe e participa de vários grupos. Então… (odeio quando dizem isso…), com seu selo Tzadik, Zorn construiu um pequeno mas milagroso império de gravações de qualidade, tanto em seu próprio nome quanto em álbuns sob a direção de outros artistas. Este é dele. Zorn é grande em temas construídos em torno dos conceitos ou escritos que o inspiraram. Baseado nos escritos do poeta William Blake e nos antigos escritos gnósticos de Nag Hammad, Zorn construiu uma série de composições que são hipnóticas e oníricas, possuindo uma serenidade encontrada nos mais doces romances.

.: interlúdio :. John Zorn: At The Gates Of Paradise

1 The Eternals 5:54
2 Song Of Innocence 6:43
3 A Dream Of Nine Nights 8:31
4 Light Forms 3:21
5 The Æons 5:50
6 Liber XV 6:25
7 Dance Of Albion 6:34
8 Song Of Experience 4:58

John Medeski – piano, organ
Kenny Wollesen – vibes
Trevor Dunn – bass
Joey Baron – drums

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Fauré / Messiaen / Ravel: Plainte Calme (Alexander Lonquich)

Fauré / Messiaen / Ravel: Plainte Calme (Alexander Lonquich)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Neste CD de música francesa da grande ECM, Fauré dá o esqueleto… Ou melhor, voltemos ao começo. Imaginemos um navio. O corpo, ou estrutura, do navio é chamado de casco. Aqui, o casco é Fauré. Já a quilha é como a espinha dorsal do navio: uma viga central que percorre a parte inferior, desde a proa até a popa. Ela o impede de tombar para os lados. Este é Ravel. Enquanto isso, o convés é como o andar de um edifício. Os navios geralmente possuem vários conveses. Os camarotes de passageiros, as salas de motores e de controle e os espaços para cargas costumam ocupar conveses diferentes. Quem nos recebe aqui é Messiaen. Ou seja, ancorados em Fauré-Chopin, equilibrados por Ravel e com Messiaen regendo os pássaros que acompanham a partida da viagem, Alexander Lonquich nos dá um banho de sensibilidade e competência.

Fauré compôs seus 5 improvisos em dois períodos distintos de sua carreira, em 1881-83 e 1906-09. Inspirados no exemplo de Chopin, os brilhantes improvisos iniciais (Op. 25, 31 e 34) assemelham-se a estudos líricos que parecem improvisações, mas são dispostos de forma simétrica com uma coda. Em contraste, o improviso Op. 91 e 102 são concebidos com muito mais ousadia em sua sonoridade, harmonia e virtuosismo.  

Os Préludes pour piano é uma das primeiras obras para piano de Messiaen compostos em 1928-1929, quando o compositor tinha 20 anos. Messiaen considerou ser seu primeiro trabalho de algum valor. A composição é baseada nos traz uma influência decisiva dos prelúdios de Debussy. As peças foram estreadas pelo compositor em uma apresentação privada que ocorreram em 28 de janeiro de 1930. 

Gaspard de La Nuit é uma suíte para piano composta por Maurice Ravel em 1908. Foi inspirada em uma série de poemas em prosa fantásticos do escritor Aloysius Bertrand. No poema, o autor relata uma série de surpreendentes visões e aventuras protagonizadas pelo “Gaspar da Noite”. Trabalhando sob o encanto do texto evocativo de Bertrand, Ravel baseou seu Gaspard em três desses contos. O título do primeiro movimento, Ondine, refere-se a um legendário espírito feminino das águas (já viram o fime?) que tenta seduzir um jovem e arrastá-lo para sua morada no fundo de um lago. O segundo movimento, intitulado Le Gibet (em português, “O patíbulo”), transmite uma atmosfera apropriadamente densa. O terceiro movimento, Scarbo, é o nome de um gnomo que corre quase à velocidade da luz e assume a forma que desejar. Ravel declarou que almejava alcançar com este “Scarbo” uma obra ainda mais difícil de ser executada do que “Islamey”, do compositor russo Mily Balakirev. Não há dúvidas de que Scarbo é uma das peças mais difíceis de que se tem notícia…

Fauré / Messiaen / Ravel: Plainte Calme (Alexander Lonquich)

01. Gabriel Fauré – Impromptu for piano No. 3 in A flat major, Op. 34 5:03

02. Olivier Messiaen – Preludes for piano, 1. La colombe 2:11
03. Olivier Messiaen – Preludes for piano, 2. Chant d’extase dans un paysage triste 6:47
04. Olivier Messiaen – Preludes for piano, 3. Le nombre leger 1:43
05. Olivier Messiaen – Preludes for piano, 4. Instants defunts 4:43
06. Olivier Messiaen – Preludes for piano, 5. Les sons impalpables du reve 3:21
07. Olivier Messiaen – Preludes for piano, 6. Cloches d’angoisse et larmes d’adieu 8:37
08. Olivier Messiaen – Preludes for piano, 7. Plainte calme 3:23
09. Olivier Messiaen – Preludes for piano, 8. Un reflet dans le vent 5:08

10. Gabriel Fauré – Impromptu for piano No. 1 in E flat major, Op. 25 4:04
11. Gabriel Fauré – Impromptu for piano No. 4 in D flat major, Op. 91 4:43
12. Gabriel Fauré – Impromptu for piano No. 2 in F minor, Op. 31 3:54

13. Maurice Ravel – Gaspard de la nuit, for piano 1. Ondine 6:42
14. Maurice Ravel – Gaspard de la nuit, for piano 2. Le Gibet 7:28
15. Maurice Ravel – Gaspard de la nuit, for piano 3. Scarbo 9:37

16. Gabriel Fauré – Impromptu for piano No. 5 in F sharp minor, Op. 102 2:09

Alexander Lonquich – piano

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Alexander Lonquich (1960)

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C. P. E. Bach (1714-1788): Die Israeliten in der Wüste (Christie)

C. P. E. Bach (1714-1788): Die Israeliten in der Wüste (Christie)

CPE, você meu amigo de fé, meu irmão camarada, amigo de tantos caminhos e tantas jornadas. CPE, você é disparado o mais talentoso filho do Homem e demonstra novamente o fato neste CD. Com tratamento de luxo de William Christie, Die Israeliten in der Wüste (Os israelitas no deserto) é um belo oratório de Carl Philipp Emanuel Bach. Embora conhecido principalmente por suas obras em outros gêneros, Carl Philipp Emanuel Bach também compôs oratórios durante sua carreira como compositor. Depois de chegar a Hamburgo em 1768, ele se viu em uma atmosfera muito mais propícia à criatividade musical do que seu cargo anterior em Berlim lhe proporcionara. Com seu novo posto vieram muitas novas responsabilidades e Bach se viu compondo peças nos gêneros mais longos. Uma de suas primeiras composições em seu novo posto de Hamburgo este oratório começado na segunda metade de 1768 e terminado no início de 1769. A peça foi baseada em um libreto do libretista alemão Daniel Schiebeler que, em vez de criar o libreto usando citações diretas das escrituras, usou poesia baseada nas escrituras. Bach escreveu o oratório para a consagração da Lazarettkirche em 1769 e a partitura foi impressa pela primeira vez em 1775. Ele escreveu a peça com a intenção de que fosse executada “não apenas em uma ocasião solene, mas a qualquer momento, dentro ou fora da Igreja”. Essa esperança finalmente se concretizou quando a peça foi executada mais tarde fora das áreas de língua alemã e ganhou reputação como uma peça de concerto em vez de uma peça exclusivamente sacra, um status que manteve no século seguinte. Parte da razão para isso foi que em Hamburgo havia artistas muito melhores, capazes de produzir uma peça tecnicamente tão complicada. O estilo geral de escrever oratório de Bach é claramente influenciado por Handel . Os temas de Bach e os efeitos musicais indicam respeito e uma forte influência dos oratórios de Handel, particularmente, do Messias.

C.P.E.Bach (1714-1788): Die Israeliten in der Wüste

Die Israeliten In Der Wüste, Oratorio For 5 Soloists, Chorus, Orchestra & Continuo, H. 775, Wq. 238

Erster Theil
1 Chœur Des Israélites “Die Zunge Klebt” 4:18
2 Récitatif Et Air Première Femme Israélite “Ist Dieses Abrams Gott” 8:16
3 Récitatif Aaron “Verehrt Des Ewgen Willen” 0:53
4 Air Aaron “Bis Hieher Hat Er Euch Gebracht” 6:24
5 Récitatif Et Air Deuxième Femme Israélite “Warum Verließen Wir” 7:12
6 Récitatif Aaron “Für Euch Fleht Moses” 0:24
7 Symphonie 0:39
8 Récitatif Moïse “Welch Ein Geschrey” 0:11
9 Chœur Des Israélites “Du Bist Der Ursprung Unserer Noth” 1:53
10 Récitatif Moïse “Undankbar Volk” 1:28
11 Duo Femmes Israélites “Umsonst Sind Unsre Zähren” 7:57
12 Récitatif Accompagné Moïse “Gott, Meiner Väter Gott” 2:54
13 Air Moïse “Gott, Sieh Dein Volk” 5:34
14 Chœur Des Israélites “O Wunder” 1:36

Zweyter Theil
15 Récitatif Moïse “Verdienet Habt Ihr Ihn” 1:17
16 Air Moïse “Gott Israels, Empfange” 4:54
17 Récitatif Et Air Première Femme Israélite “Wie Nah War Uns Der Tod” 7:00
18 Récitatif Accompagné Moïse “O Freunde, Kinder” 4:15
19 Récitatif Et Air Deuxième Femme Israélite “Beneidenswert, Die Ihren Sohn” 5:23
20 Récitatif Moïse “Hofft Auf Dem Ewgen” 0:31
21 Chœur “Verheißner Gottes” 2:02
22 Choral “Was Der Alten Väter Schaar” 0:44
23 Récitatif Ténor “O Heil Der Welt” 1:10
24 Chœur “Laß Dein Wort” 1:54

Barbara Schlick
Lena Lootens
Hein Meens
Stephen Varcoe
Corona & Cappella Coloniensis
William Christie

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William Christie, não há tantos norte-americanos na música historicamente informada, estou correto?

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J.S. Bach (1685-1750): Partitas Nos. 1 & 3 · Sonata No.2 (Gringolts)

J.S. Bach (1685-1750): Partitas Nos. 1 & 3 · Sonata No.2 (Gringolts)

Suspeito que o russo Ilya Gringolts será um violinista que regularmente polarizará opiniões. Alguns ficarão emocionados com o aspecto físico e o nervosismo de suas execuções, enquanto outros acharão que isso os deixa nervosos. A vivacidade desta gravação da DG para estas três obras solo de Bach enfatiza essa qualidade ligeiramente agressiva. Há muita musicalidade em exibição em todas as apresentações, mas nenhum fascínio, nada que as torne insinuantes. Alguns poderão classificar sua abordagem dirigida a Bach como exclusivamente “russa” na concepção, o que significa que é alternadamente ousado, grandioso, furioso, exagerado e até excessivo. Ao mesmo tempo, Gringolts toma emprestado da multidão “historicamente informada”, pegando cada repetição e acrescentando consideráveis ​​floreios ornamentais. É tudo muito estranho. Não gostei.

J.S. Bach (1685-1750): Partitas Nos. 1 & 3 · Sonata No.2 (Gringolts)

Partita No. 1 In B Minor For Solo Violin, BWV 1002 (24:58)
1 Allemanda 4:05
2 Double 3:29
3 Corrente 3:02
4 Double: Presto 3:26
5 Sarabande 3:27
6 Double 2:25
7 Tempo Di Borea 2:30
8 Double 2:34

Sonata No. 2 In A Minor For Solo Violin, BWV 1003 (17:40)
9 Grave 3:11
10 Fuga 5:37
11 Andante 4:04
12 Allegro 4:48

Partita No. 3 In E Major For Solo Violin, BWV 1006 (16:06)
13 Preludio 3:22
14 Loure 3:05
15 Gavotte En Rondeau 2:33
16 Menuet I – Menuet II 3:59
17 Bouree 1:18
18 Gigue 1:49

Ilya Gringolts, violino

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Gringolts: russo demais para Bach

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.: interlúdio :. John Zorn: The Satyr’s Play / Cerberus

.: interlúdio :. John Zorn: The Satyr’s Play / Cerberus

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um CD que demonstra a arte superior de John Zorn. É jazz? É música erudita? Não interessa e interessa sim, pois na verdade gostaria de saber o que Zorn pensa disso, a que gênero este disco pertence, na opinião dele. The Satyr’s Play / Cerberus é um álbum composto por John Zorn que foi gravado na cidade de Nova York em janeiro e abril de 2010 e lançado pelo selo Tzadik em abril de 2011. Zorn assinou e numerou as 666 cópias do CD e produziu 66 cópias de uma versão em livro de edição limitada que foram individualizadas e encadernadas à mão em pele preta de cabra. O CD foi chamado de “Um intrigante projeto de Zorn, altamente recomendado para os amantes de sua música”. Ou seja, um álbum feito para mim… Satyr é uma obra de nuances muito sutis e de sexualidade à flor da pele. É uma música mais timbrística do que um repositório de melodias. Há que curtir os sons produzidos pelos incríveis percussionistas Cyro Baptista e Kenny Wollesen, que foram regidos por Zorn. Baptista é brasileiro. Em contraste, Cerberus é um trio extravagante e dinâmico para metais. Uma peça demoníaca para três virtuosos incontestáveis ​​(trompete, trombone e tuba) como os deste disco. A peça salta estilos, humores e gêneros à moda Zorn. Enfim, este disco traz obras de câmara radicais, temperamentais e coloridas. Aproveitem este e outros discos de Zorn; afinal, por décadas ele tem combinado elementos do jazz, de eruditos e do metal em uma série de projetos inovadores que valem a pena serem conhecidos.

The Satyr’s Play (Visions Of Dionysus) (26:33)

1 Ode I 3:48
2 Ode II 3:39
3 Ode III 2:54
4 Ode IV 3:50
5 Ode V 2:35
6 Ode VI 4:33
7 Ode VII 3:36
8 Ode VIII 1:3
Cyro Baptista, Kenny Wollesen – percussion / John Zorn, direction

9 Cerberus
Bass Trombone – David Taylor
Trumpet – Peter Evans
Tuba – Marcus Rojas

Composed By, Arranged By, Conductor – John Zorn

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John Zorn (1953) tocando na entrada da pinacoteca da PQP Bach Modern Art Demonstration de Nova Iorque.

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Ravel: Bolero / Rhapsodie Espagnole / Daphnis Et Chloé, Suite No. 2 / Honegger: Symphony No. 2 (Munch)

Ravel: Bolero / Rhapsodie Espagnole / Daphnis Et Chloé, Suite No. 2 / Honegger: Symphony No. 2 (Munch)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este é um bom jurássico. As gravações são do memorável ano de 1968, com Munch liderando a Orquestra de Paris. Aliás, Charles Munch morreu logo depois que essas obras de Ravel foram gravadas. Morreu durante uma turnê pelos EUA justamente com a Orquestra de Paris. A qualidade do som é sensacional. O Bolero está mais lento, ganhando uns três minutos sobre a maioria das gravações e está lindíssimo. Os solos (os saxofones!) estão especialmente sensuais. A Rapsodie espagnole tem precisão e brilho e a Daphnis Suite No. 2 vem com um belo bacanal e com uma pantomima muito relaxada e livremente fraseada que nunca deixa de cativar nas mãos de Munch. O Honegger também está mais lento — principalmente no primeiro movimento — e o belo som registra com mais impacto a clareza contrapontística do que a maioria das gravações. Munch era especialmente devotado a esta Sinfonia de Honegger e tornou-se uma espécie de mensageiro ou divulgador dela. E ela é muito boa mesmo!

Ravel: Bolero / Rhapsodie Espagnole / Daphnis Et Chloé, Suite No. 2 / Honegger: Symphony No. 2

Ravel
1 Boléro 17:18

Rapsodie Espagnole
2 I. Prélude à la Nuit 5:02
3 II. Malagueña 2:04
4 III. Habanera 2:55
5 IV. Feria 6:34

Daphnis Et Chloé – Suite No. 2
6 Lever Du Jour 5:45
7 Pantomime 7:15
8 Danse Générale 4:49

Honegger
Symphony No. 2
9 I. Molto Moderato – Allegro 10:31
10 II. Adagio Mesto 7:51
11 III. Vivace Non Troppo – Presto 5:09

Charles Munch
Orchestre de Paris

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Charles Munch: não é todo mundo que tem uma foto tirada por Henri Cartier-Bresson

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J.S. Bach (1685-1750): Tombeau De Sa Majesté La Reine De Pologne — Missa BWV 234 / Cantata BWV 198 / Peças para órgão (Kobow, MacLeod, Jacob, Fuge, Mena, Luis Otavio Santos, Ricercar Consort, Philippe Pierlot)

J.S. Bach (1685-1750): Tombeau De Sa Majesté La Reine De Pologne — Missa BWV 234 / Cantata BWV 198 / Peças para órgão (Kobow, MacLeod, Jacob, Fuge, Mena, Luis Otavio Santos, Ricercar Consort, Philippe Pierlot)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um CD sensacional, verdadeiramente imperdível. Aqui, como acontece nos grandes trabalhos, o todo é maior do que a soma das partes. Os solistas e músicos estão perfeitos e Philippe Pierlot extrai o melhor deles com base em sua compreensão técnica e intuitiva do que é essa esplêndida música. Além disso, dificilmente posso citar outro CD que seja melhor projetado para capturar o calor e os detalhes de uma apresentação musical do que este. O repertório é muito bem concebido, e o uso do órgão de Francis Jacob tocando para marcar a divisão entre as principais obras neste disco é apenas um exemplo da consideração que foi dada a cada detalhe na produção. Se não for muito fantasioso, sou tentado a pensar na inserção do Prelúdio BWV 544 entre a Missa e a Cantata 198 serve como como a água que servida junto com café espresso, para limpar e ativar as papilas gustativas. Claro que o Prelúdio têm mérito por si só, mas você se beneficiará com isso, entre outros toques cuidadosos, ao reproduzir o CD completo.  No mais, são obras lindíssimas de Bach, especialmente o Tombeau de Sa Majesté la Reine de Pologne. Ouça e você voltará a essa música muitas vezes.

Destaque para a presença do grande Luis Otavio Santos como spalla da orquestra. Esse mineiro é genial! Nascido em 1972, Luis Otavio Santos é formado em violino barroco pelo Koninlkijk Conservatorium de Haia (Holanda), onde foi discípulo de Sigiswald Kuijken e obteve o Master’s degree em 1996. Desde 1992, desenvolve intensa carreira na Europa como líder e solista de eminentes grupos de música antiga, tais como La Petite Bande (Bélgica), Ricercar Consort (Bélgica) e Le Concert Français (França). Foi professor na Scuola di Musica di Fiesole, em Florença (de 1997 a 2001) e no Conservatoire Royale de Musique de Bruxelles (de 1998 a 2005). Luis Otavio atua como diretor artístico do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga de Juiz de Fora. Também é fundador e coordenador do Núcleo de Música Antiga da EMESP, onde leciona violino barroco. É doutor em música pela UNICAMP.

J.S. Bach (1685-1750): Tombeau De Sa Majesté La Reine De Pologne — Missa BWV 234 / Cantata BWV 198 / Peças para órgão (Kobow, MacLeod, Jacob, Fuge, Mena, Luis Otavio Santos, Ricercar Consort, Philippe Pierlot)

Missa A 4 Voici. 2 Travers. 2 Violini, Viola E Continuo, BWV 234
1 Kyrie 2:43
2 Christe, Lente E Piano 1:44
3 Kyrie, Vivace 1:24
4 Gloria, Vivace – Adagio E Piano E Forte-Adagio E Piano – Vivace E Forte-Adagio E Piano-Vivace E Forte-Adagio 5:28
5 Domine Deus, Andante 5:52
6 Qui Tollis 6:16
7 Quoniam 3:41
8 Cum Sancto Spiritu, Grave-Vivace

9 Praeludium In Organo Pleno, Pedal, BWV 544 6:51

Tombeau De Sa Majesté La Reine De Pologne, BWV 198
10 Chorus: “Lass, Fürstin, Lass Noch Einen Strahl” 5:28
11 Recitativo: “Dein Sachsen, Dein Bestürztes Meissen” 1:18
12 Aria: “Verstummt, Verstummt, Ihr Holden Saiten!” 3:19
13 Recitativo: “Der Glocken Bebendes Getön” 0:58
14 Aria: “Wie Starb Die Heldin So Vergnügt!” 6:56
15 Recitativo: “Ihr Leben Lies Die Kunst Zu Sterben” 1:02
16 Chorus: “An Dir, Du Fürbild Grosser Frauen” 1:56
17 “Herzlich Tut Mich Verlangen” A 2 Claviers Et Pédale, BWV 727 2:33

Tombeau De Sa Majesté La Reine De Pologne, BWV 198
18 Aria: “Der Ewigkeit Saphirnes Haus” 3:56
19 Recitativo: “Was Wunder Ist’s? Du Bist Es Wert” 2:32
20 Chorus Ultimus Post 2am Partem: “Doch Königin Du Stirbest Nicht!” 4:59

21 Fuga, BWV 544 6:07

Alto Vocals [Soloist] – Carlos Mena (2)
Bass Vocals [Soloist] – Stephan MacLeod
Cello – Julie Borsodi, Rainer Zipperling
Contrabass – Frank Coppieters
Directed By – Philippe Pierlot (2)
Ensemble – Ricercar Consort
Flute – Georges Barthel, Marc Hantaï
Harpsichord – François Guerrier
Lute – Eduardo Egüez
Oboe d’Amore – Alessandro Piqué*, Peter Wuttke
Organ – Francis Jacob
Soprano Vocals [Soloist] – Katharine Fuge
Tenor Vocals [Soloist] – Jan Kobow
Viola – Gabriel Grosbard, Stephen Freeman (2)
Viola da Gamba – Kaori Uemura, Philippe Pierlot (2), Sofia Diniz
Violin – Blai Justo, Dmitri Badiarov*, Mika Akiha, Sandrine Dupé, Sophie Gent
Violin, Concertmaster – Luis Otavio Santos

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Luis Otávio Santos

PQP

W. A. Mozart (1756-1791): Piano Concertos Nos. 14, 17 & 21

W. A. Mozart (1756-1791): Piano Concertos Nos. 14, 17 & 21

Este é daqueles discos necessários em qualquer boa discoteca. Quem tem vivência com eruditos até já encheu um pouco o saco; quem não tem tanta rodagem, tem que conhecer. A interpretação de Maria João Pires mais a regência de Claudio Abbado são garantia de qualidade. Ambos são competentíssimos e grandes especialistas em Mozart. Para quem está sendo apresentado às obras, procure ouvir a delicadeza do dedilhado e do som da fantástica portuguesa Maria João. O que você ouvirá é uma das mais perfeitas expressões do mestre de Salzburgo. Aproveite.

W. A. Mozart (1756-1791): Piano Concertos Nos. 14, 17 & 21

1. Mozart: Piano Concerto No.14 In E Flat, K.449 – 1. Allegro vivace 8:34
2. Mozart: Piano Concerto No.14 In E Flat, K.449 – 2. Andantino 6:51
3. Mozart: Piano Concerto No.14 In E Flat, K.449 – 3. Allegro ma non troppo 5:59

4. Mozart: Piano Concerto No.17 in G, K.453 – 1. Allegro (Live At Teatro Comunale, Ferrara 1993) 12:02
5. Mozart: Piano Concerto No.17 in G, K.453 – 2. Andante (Live At Teatro Comunale, Ferrara 1993) 9:52
6. Mozart: Piano Concerto No.17 in G, K.453 – 3. Allegretto (Live At Teatro Comunale, Ferrara 1993) 7:24

7. Mozart: Piano Concerto No.21 in C, K.467 – 1. Allegro 14:03
8. Mozart: Piano Concerto No.21 in C, K.467 – 2. Andante 6:09
9. Mozart: Piano Concerto No.21 in C, K.467 – 3. Allegro vivace assai 6:39

Maria João Pires, piano
Chamber Orchestra of Europe
Vienna Philharmonic Orchestra
Claudio Abbado

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Pires e Abbado combinam: vamos fazer o melhor Mozart que esses caras já ouviram
Pires e Abbado combinam: vamos fazer o melhor Mozart que esses caras já ouviram

PQP

.: interlúdio :. Bossa Nova (vários)

.: interlúdio :. Bossa Nova (vários)

Este é um disco gringo, altamente gringo. É uma bossa nova mais instrumental e jazzística do que a bossa nova realmente foi mas… Achei interessante ouvir a salada de sons de uma época de grande sofisticação harmônica — e notáveis melodias –, mas que eram meio mal gravadas. Sim, sei da “influência do jazz” sobre o samba, mas aqui a tentativa parece ser a de sublinhar o jazz, basta ler a lista dos artistas envolvidos. Sabemos: a bossa nova surgiu no Brasil no final da década de 50, na intimidade dos apartamentos e boates da Zona Sul do Rio de Janeiro — reduto da classe média — estudantes e jovens em geral. É claro que foi mais uma dessas ousadas revoluções que se tornaram clássicas. Em termos musicais, a ela evoluiu no sentido do desenvolvimento da criação melódica, as canções tornaram-se mais difíceis de serem cantadas, pois as complicadas incursões melódicas exigiam um encadeamento harmônico mais evoluído. Além disso a bossa nova trouxe a orquestração econômica, nascidas em apartamentos. Sendo um movimento musical tecnicamente evoluído, a bossa nova não tardou a ultrapassar nossas fronteiras, assimilada rapidamente nos Estados Unidos. Com a vinda ao Brasil de Herbie Mann, Charles Byrd, Stan Getz e Zoot Sims, ela foi logo exportada. Aceita e praticada pelos melhores músicos americanos, entre eles, Frank Sinatra. E aqui temos parte da explicação para esta coletânea de 2006, toda gravada no exterior.

O disco vale por vários registros fantásticos, mas principalmente por Ella Fitzgerald cantando Inútil Paisagem. Aquilo ali é demais prum pobre coração.

.: interlúdio :. Bossa Nova (vários)

1 Tamba Trio– Mas Que Nada
Bass, Vocals – Bebeto Castilho
Drums, Vocals – Helcio Milito*
Piano, Vocals – Luizinho Eca*
Written-By – Jorge Ben
2:45

2 Sergio Mendes Trio*– The Girl From Ipanema (Garota De Ipanema)
Bass – Sebastiao Neto*
Drums – Chico Batera
Flugelhorn – Art Farmer
Guitar, Written-By – Antonio Carlos Jobim
Piano – Sergio Mendes*
Written-By – Vinicius De Moraes
2:49

3 Klaus Doldinger Quartet*– Copacabana
Bass – Helmut Kandlberger
Drums – Klaus Weiss
Guitar – Bert Helsing
Organ – Ingfried Hoffmann
Percussion – Rolf Ahrens
Tenor Saxophone – Klaus Doldinger
Written-By – Alberto Ribeiro Da Vinha*, Joao De Barro*
2:06

4 Sylvia Telles– Discussão
Bass – Sergio Portella Barroso*
Drums – Chico Batera
Percussion – Rosinha De Valenca*, Rubens Bassini
Piano – Salvador Da Silva Filho
Vocals – Sylvia Telles
Written-By – Antonio Carlos Jobim, Newton Mendonca*
1:54

5 Baden Powell– Tristeza
Bass – Sergio*
Drums – Milton Banana
Guitar – Baden Powell
Percussion – Alfredo Bessa, Amauri Coelho
Written-By – Haroldo Lobo, Niltinho
3:19

6 Joe Pass– El Gento
Bass – Eberhard Weber
Drums – Kenny Clare
Guitar – Joe Pass
Written-By – Willi Fruth
4:01

7 Edu Lobo– Upa, Neguinho
Bass – Sergio Portella Barroso*
Drums – Chico Batera
Flute – J. T. Meirelles*
Percussion – Jorge Arena, Rubens Bassini
Piano – Salvador Da Silva Filho
Vocals, Guitar, Written-By – Edu Lobo
Written-By – Gianfrancesco Guarnieri
2:12

8 The Oscar Peterson Trio– Triste
Bass – Sam Jones
Drums – Bob Durham*
Piano – Oscar Peterson
Written-By – Antonio Carlos Jobim
5:23

9 Art Van Damme– Wave
Accordion – Art Van Damme
Bass – Peter Witte
Drums – Charly Antolini
Guitar – Freddie Rundquist
Vibraphone – Heribert Thusek
Written-By – Antonio Carlos Jobim
2:53

10 Ella Fitzgerald– Useless Landscape (Inútil Paisagem)
Bass – Frank De La Rosa
Drums – Ed Thigpen
Piano – Tommy Flanagan
Vocals – Ella Fitzgerald
Written-By – Aloysio De Oliveira, Antonio Carlos Jobim, Ray Gilbert
5:10

11 J. T. Meirelles*– O Barquinho
Bass – Sergio Portella Barroso*
Drums – Chico Batera
Flute – J. T. Meirelles*
Piano – Salvador Da Silva Filho
Written-By – Roberto Menescal, Ronaldo Boscoli
2:11

12 Coleman Hawkins– Desafinado
Arranged By – Manny Albam
Bass – Major Holley
Drums – Eddie Locke
Guitar – Barry Galbraith, Howard Collins
Percussion – Willie Rodriguez
Piano – Tommy Flanagan
Tenor Saxophone – Coleman Hawkins
Written-By – Antonio Carlos Jobim, Newton Mendonca*
5:47

13 Astrud Gilberto– Água De Beber
Arranged By – Marty Paich
Bass – Joe Mondragon
Guitar, Backing Vocals, Written-By – Antonio Carlos Jobim
Percussion – Unknown Artist
Piano – Joao Donato*
Vocals – Astrud Gilberto
Written-By – Vinicius De Moraes
2:18

14 Luiz Bonfa*– Bossa Nova Cha Cha
Arranged By [Strings], Conductor – Lalo Schifrin
Bass – Iko Castro Neves
Drums, Percussion – Roberto Pontes-Dias
Flute – Leo Wright
Guitar, Vocals, Written-By – Luiz Bonfa*
3:21

15 Bob Brookmeyer– A Felicidade
Guitar – Jim Hall, Jimmy Raney
Percussion – Carmen Costa, Jose Paulo*, Willie Bobo
Piano – Bob Brookmeyer
Vibraphone – Gary McFarland
Written-By – Andre Michel Charles Salvet*, Antonio Carlos Jobim, Vinicius De Moraes
3:15

16 Elsie Bianchi– Meditation
Bass – Siro Bianchi
Drums – Charly Antolini
Vocals, Piano – Elsie Bianchi
Written-By – Antonio Carlos Jobim, Newton Mendonca*
3:47

17 Stan Getz & Laurindo Almeida– Once Again (Outra Vez)
Bass – George Duvivier
Drums – Dave Bailey, Edison Machado, Jose Soarez
Guitar – Laurindo Almeida
Percussion – Jose Paulo*, Luiz Parga
Tenor Saxophone – Stan Getz
Written-By – Antonio Carlos Jobim
6:40

18 Antonio Carlos Jobim– Chega De Saudade
Arranged By [Strings], Conductor – Claus Ogerman
Bass – George Duvivier
Flute – Leo Wright
Piano, Guitar, Written-By – Antonio Carlos Jobim
Written-By – Vinicius De Moraes
4:19

Feito por – EDC, Germany – 51673210
Masterizado em – Emil Berliner Studios, Langenhagen

Créditos
Compiled By – Matthias Künnecke
Design – Knut Schötteldreier
Photography By – Boris Schrage

Notas
Original recordings – digitally remastered.
Mastered at Emil Berliner Studios, Langenhagen

Track 1 recorded 1963, Rio de Janeiro.
Track 2 recorded 1964, New York City.
Track 3 recorded December 10, 1962, Hamburg.
Track 4 recorded November 4, 1966, Villingen.
Track 5 recorded June 1 & 2, 1966, Rio de Janeiro.
Track 6 recorded June 1974, Villingen.
Track 7 recorded November 14, 1966, Villingen.
Track 8 recorded 1970, New York City.
Track 9 recorded May 1969, Villingen.
Track 10 recorded October 1968, San Francisco.
Track 11 recorded November 14, 1966, Villingen.
Track 12 recorded September 17, 1962, New Jersey.
Track 13 recorded January 27 & 28, 1965, Los Angeles.
Track 14 recorded December 31, 1962, New York City.
Track 15 recorded August 23, 1962, New York City.
Track 16 recorded November 25, 1965, Villingen.
Track 17 recorded March 1963, New York City.
Track 18 recorded May 9, 1963, New York City.

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PQP

Barbara Strozzi (1619-1677): Diporti di Euterpe (Galli / Beier)

Barbara Strozzi (1619-1677): Diporti di Euterpe (Galli / Beier)

Um bom disco, sem muito entusiasmo. Já ouvi outros bem melhores com composições de Strozzi.

Barbara Strozzi ocupa uma posição importante na história da música europeia como uma das melhores compositoras do barroco italiano. Nasceu na Veneza de Claudio Monteverdi em 1619, seu pai natural foi provavelmente o artista e poeta Giulio Strozzi, sua mãe uma de suas servas. Os talentos musicais de Barbara foram desenvolvidos cedo; na adolescência, ela já era o centro das atenções, atuando no encontro semanal de artistas e literatos venezianos, a Accademia dei Unisoni, que se reunia no palácio de Strozzi. Ela publicou seu primeiro livro de canções em 1644, explicando que é “a primeira obra que eu, como mulher, ousadamente trago à luz do dia”. No prefácio, ela dá crédito a Francesco Cavalli, aluno e colaborador de Monteverdi, como seu professor. As obras gravadas aqui pela soprano Emanuella Galli e Galatea vêm de sua sétima publicação em 1659, intitulada Diporti di Euterpe, ou Os Prazeres de Euterpe. Nesta obra, Strozzi colabora com alguns dos mais importantes poetas do período para criar obras musicalmente ao menos do ponto de vista literário. 

Barbara Strozzi (1619-1677): Diporti di Euterpe (Galli / Beier)

1. Tradimento (Barbara Strozzi) (2:19)
2. Lagrime Mie (Barbara Strozzi) (9:47)
3. Cos non la Voglio (Barbara Strozzi) (3:52)
4. Appresso ai Molli Argenti (Barbara Strozzi) (11:33)
5. Sete pur Fastidioso (Barbara Strozzi) (3:21)
6. Fin Che tu Spiri (Barbara Strozzi) (9:43)
7. Non Occorre (Barbara Strozzi) (4:16)
8. A Pena il Sol (Barbara Strozzi) (4:55)
9. Pensaci Ben mio Core (Barbara Strozzi) (6:41)
10. Mi fa Rider (Barbara Strozzi) (3:29)
11. Sino alla Morte (Barbara Strozzi) (14:15)

Emanuela Galli, soprano
Ensemble Galilei
Paul Beier

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Babi Strozzi na sede veneziana do PQP Bach em 1639

PQP

.: interlúdio :. Charles Mingus: Mingus Mingus Mingus Mingus Mingus (Five Mingus)

.: interlúdio :. Charles Mingus: Mingus Mingus Mingus Mingus Mingus (Five Mingus)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

(Dia 22 de abril, comemoramos os 100 anos de Charlie Mingus)

Este CD absolutamente impressionante foi gravado no ano de 1963 e mostra o compositor e baixista Charles Mingus no auge. Na verdade, ele parecia padecer de um surto de criatividade desde 1956, mas em 63 ele não só deu centenas de concertos como até gravou um álbum solo tocando piano… Mingus pode ser definido como um autor erudito que gostava de jazz. Este disco é mais solto do que a maioria, mas dá para notar claramente seu amor às alterações de ritmo e outras complicações que servem à música, e não apenas para torturar seu grupo. Grupo, aliás, sensacional com Mingus, Dolphy, Byard , Richmond… Bem, ouçam aí.

Charlie Mingus: Mingus Mingus Mingus Mingus Mingus

1. II B.S. (Charles Mingus)
2. I X Love (Charles Mingus)
3. Celia (Charles Mingus)
4. Mood Indigo (Duke Ellington-Irving Mills-Albany Bigard)
5. Better Get Hit in Yo’ Soul (Charles Mingus)
6. Theme for Lester Young (Charles Mingus)
7. Hora Decubitus (Charles Mingus)

Personnel: (2, 3, 5)
Rolf Ericson, Richard Williams (tp)
Britt Woodman (tb)
Don Butterfield (tu)
Jerome Richardson (fl, ss, bars)
Dick Hafer (fl, ts)
Charlie Mariano (as)
Jaki Byard (p)
Jay Barliner (g)
Charles Mingus (b, p)
Dannie Richmond (ds)
NYC, January 20, 1963

(1 ,4, 6, 7)
Eddie Preston, Richard Williams (tp)
Quentin Jackson (tb)
Don Butterfield (tu)
Jerome Richardson (fl, ss, bars)
Dick Hafer (fl, cl, ts)
Eric Dolphy (as, fl)
Booker Ervin (ts)
Jaki Byard (p)
Jay Barliner (g)
Charles Mingus (b, nar)
Walter Perkins (ds)
NYC, September 20, 1963

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Charles Mingus: super talento como compositor, band leader e baixista
Charles Mingus: super talento como compositor, band leader e baixista

PQP

Serguei Prokofiev (1891-1953): Symphonic Suite From War And Peace / Suite From The Duenna / Russian Overture (Järvi)

Serguei Prokofiev (1891-1953): Symphonic Suite From War And Peace / Suite From The Duenna / Russian Overture (Järvi)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um disco muito bom daquele Prokofiev mais agitado do qual tanto gostamos. Lá em 2009, esta performance foi a Gravação do Mês na Gramofone. É a única gravação disponível da Suíte Sinfônica da ópera Guerra e Paz e aqui vem combinada com a bela Abertura Russa e a Suíte de uma Noite de Verão. Järvi e a Filarmônica parecem totalmente familiarizados com essas partituras, e a qualidade de som da Chandos é espetacular. É um Prokofiev típico, apesar de pouco familiar, que fornece um apêndice altamente estimulante para o repertório sinfônico do compositor. Järvi disse uma vez que desconhece compositor mais melódico do que Prokofiev. Aqui está uma comprovação… Sim, nas melodias irregulares e melodiosas dos anos de Prokofiev na URSS. Um excelente disco!

Serguei Prokofiev (1891-1953): Symphonic Suite From War And Peace / Suite From The Duenna / Russian Overture

War And Piece: Symphonic Suite
I. The Ball
1 Fanfare And Polonaise. Maestoso E Brioso 2:59
2 Waltz. Allegro, Man Non Troppo 5:40
3 Mazurka. Animato 2:58
II. Intermezzo – May Night
4 Andante Assai 5:53
III. Finale
5 Snowstorm. Tempestoso 2:11
6 Battle. Allegro 3:56
7 Victory. Allegro Fastoso – Andante Maestoso 3:13

Summer Night: Suite From ‘The Duenna”, Op. 123
8 I. Introduction. Moderato, Ma Con Brio – Piú Animato 2:25
9 II. Serenade. Adagio 6:01
10 III. Minuet. Allegro Ma Non Troppo 2:46
11 IV. Dreams. Andante Tranquilo 8:01
12 V. Dance. Allegretto 3:05

Russian Overture, Op. 72
13 Allegro Con Brio – Moderato – Tempo Primo – Andante Cantabile – Piú Mosso 14:08

Composed By – Sergey Sergeyevich Prokofiev*
Conductor – Neeme Järvi

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Neeme Järvi com a torcida do Inter antes de cantarem o “Arerê, o Grêmio vai jogar a Série B”

PQP

Esaias Reusner (1636-1679): Suítes para Alaúde (Konrad Junghänel)

Esaias Reusner (1636-1679): Suítes para Alaúde (Konrad Junghänel)

Um tranquilo e excelente disco de música solo barroca para alaúde. Pode servir como música para ambientes cultos, mas quando a gente presta atenção, nota o quanto são boas as composições de Reusner. Konrad Junghänel apenas o valoriza com sua extraordinária musicalidade.

Esaias Reusner, o jovem (29 de abril de 1636 – 1 de maio de 1679) — o compositor deste CD — foi um alaudista e compositor alemão. Reusner nasceu em Löwenberg na Silésia , hoje Lwówek Śląski, Polônia. Seu primeiro professor de alaúde foi seu pai, também chamado Esaias. O filho foi uma criança prodígio e junto com seu pai viajou e se apresentou por muitas cidades do que hoje é a Alemanha. Ele escreveu duas coleções de suítes para alaúde – Deliciae testudinis e Neue Lauten-früchte. Nos anos de 1655 a 1672, esteve a serviço do duque da Silésia. Posteriormente, trabalhou por um curto período como professor de flauta e alaúde na Universidade de Leipzig . Finalmente, em 1674, ele foi nomeado advogado da câmara na corte de Frederico Guilherme, eleitor de Brandemburgo em Berlim, Alemanha, onde permaneceu até sua morte, aos 43 anos. Ele é considerado um dos melhores virtuosos do alaúde de seu tempo.

Esaias Reusner (1636-1679): Suítes para Alaúde (Konrad Junghänel)

Suite D-Moll / D Minor
1 Praeludium 2:46
2 Paduan 3:04
3 Allemanda 2:37
4 Couranta 1:57
5 Saraband 2:19
6 Gavotte 1:05
7 Gigue 1:30

Suite C-Moll / C Minor
8 Allemanda 2:43
9 Courant 1:35
10 Sarabanda 1:57
11 Gavotte 0:55
12 Gigue 0:57

Suite D-Dur / D Major
13 Sonatina 3:28
14 Allemanda 2:30
15 Courant 1:14
16 Sarabanda 2:02
17 Gavotte 0:58
18 Gigue 1:34
19 Passacaglia 3:55

Suite G-Moll / G Minor
20 Allemanda 2:29
21 Courant 1:07
22 Sarabanda 2:01
23 Aria I 0:42
24 Aria II 1:12
25 Ballett 0:48
26 Gigue 0:53

Suite C-Moll / C Minor
27 Paduana 3:25
28 Allemanda 3:53
29 Couranta 2:11
30 Sarabanda 1:56
31 Gigue 2:09

Suite E-Moll / E Minor
32 Allemanda 3:35
33 Couranta 1:35
34 Sarabanda 3:21
35 Gigue 2:00

Konrad Junghänel, alaúde

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Em análise da Comissão Estética do PQP Bach, concluímos que já postamos compositores fisicamente mais belos

PQP

O entusiasmo fundamentado (para o 80º aniversário de Maurizio Pollini)

Stefano Russomanno

Quando Maurizio Pollini venceu o Concurso Chopin de Varsóvia em 1960, fê-lo com uma maturidade musical que surpreendeu o júri. “Esse garoto toca melhor do que qualquer um de nós”, comentou Arthur Rubinstein na época. O controle técnico e intelectual que esse jovem pianista de 18 anos exibia em cada canto da partitura revelava uma capacidade de análise muito superior não apenas à média de seus contemporâneos, mas à de muitos talentosos intérpretes. Pollini aprofundou-se na essência do texto musical para revelar a lógica de sua construção, a coerência de sua estrutura e a precisão de seu ditado. Ainda assim, a música não era para ele um terreno governado pelas leis do determinismo impassível. Suas versões transmitiam um vigor na expressão de frases e ritmos que despertavam o entusiasmo do ouvinte.

Há algo de didático no estilo pianístico de Pollini no mais alto sentido da palavra. Interpretar, para o pianista italiano, implica ao mesmo tempo em esclarecer, explicar, fornecer ao público um fio condutor que lhe permite compreender os motivos pelos quais a música flui de uma determinada forma. O componente emocional, sempre essencial, deve vir acompanhado do elemento analítico e racional para alcançar a plenitude da mensagem na consciência auditiva.

Uma das marcas de Pollini é sua maneira de estabelecer seus programas de recitais. Neles, o pianista italiano tem-se caracterizado por misturar frequentemente peças do repertório clássico e romântico com obras do século XX (ou seja, de todo o século XX, não apenas das primeiras décadas). Para Pollini, a criação musical é um continuum que não conhece fraturas, uma forma de pensar os sons e, portanto, é errado isolar certas linguagens como se fossem compartimentos estanques. Seus esforços foram na direção oposta: mostrar o que é clássico nas páginas contemporâneas e o que é contemporâneo no repertório clássico. Assim surgem os chamados “Projetos Pollini”, nos quais o diálogo entre o passado e o presente ocorre da forma mais natural. Pode acontecer, por exemplo, que o público tenha ouvido na mesma noite o Hammerklavier de Beethoven e a Sonata para piano nº 2 de Boulez (uma obra que Pollini tocava de cor em sua época de ouro).

Precisamente o Hammerklavier, gravado em 1976, é uma amostra ideal das abordagens de Pollini. Principalmente a fuga final, que talvez seja o momento culminante de sua versão. Para além do espantoso controle técnico, à disposição de poucos pianistas, Pollini conduz o ouvinte pelos meandros do contraponto e revela toda a modernidade do pensamento beethoveniano, a forma revolucionária como o compositor molda os materiais (sublinhando, por exemplo, o carácter quase estrutural dos trinados) e seu revolucionário conceito sonoro, onde o discurso musical parece às vezes transfigurado em termos de pura energia.