Parabéns, PQP Bach! 15 anos!
Aproveito a efeméride para repensar minhas motivações para participar do blog. Com minhas postagens pretendo apresentar o tipo de música que me dá prazer, que aprecio e me move. A postagem precisa trazer alguma centelha, precisa de um motivo, que pode até transformar-se em um leitmotiv.
No caso desta postagem, como estamos comemorando os 15 anos do PQP Bach, vamos de valsa – afinal, até as filhas do velho Bach debutam!
Além do tema, é preciso de um disco (ou mais do que um) para fazer a postagem. Como eu adoro música com piano, ele quase sempre está presente… Assim, chegamos aos intérpretes, estes mediadores imprescindíveis para quem, como eu, não pode fazer a própria música. Eu sou avesso às unanimidades, basta que alguém seja por demais venerado para que eu o coloque na geladeira, por uns tempos. Mas, vamos aos discos!
Chopin & Ravel:
Valsas & Valses nobles et sentimentales
Stephen Kovacevich
Valsas de Chopin e Ravel interpretadas por (pasmem!) Kovacevich! Pois é, o cara é uma destas unanimidades, mas costuma ser ouvido por aqui em outro repertório, Beethoven, Schubert, Brahms…

Este disco comprei com relutância (se fossem as Baladas, eu teria saltado sobre ele). O disco foi comprado no tempo em que a expansão da CDteca se dava a altas expensas e os investimentos eram cuidadosamente medidos e estudados. As Valses nobles et sentimentales do Maurice deram o empurrãozinho que faltava e o investimento rendeu muitas horas de prazer, e ainda rende! Nas primeiras semanas lá em casa, o disco não saia da vitrola…
Ouça de olhos fechados. A sequência das Valsas de Chopin que ele adota não é a convencional e a chegada do Ravel é uma transição deliciosa.
Frédéric Chopin (1810 – 1849)
Valsas
- Valsa No. 13 em ré bemol menor, Op. 70, 3 (Moderato)
- Valsa No. 10 em si menor, Op. 69, 2 (Moderato)
- Valsa No. 14 em mi menor, Op. póstumo (Vivace)
- Valsa No. 1 em mi bemol maior, Op. 18 (Vivo)
- Valsa No. 3 em lá menor, Op. 34, 2 (Lento)
- Valsa No. 11 em sol bemol maior, Op. 70, 1 (Molto vivace)
- Valsa No. 9 em lá bemol maior, Op. 69, 1 (Lento)
- Valsa No. 2 em lá bemol maior, Op. 34, 1 (Vivace)
- Valsa No. 4 em fá maior, Op. 34, 3 (Vivace)
- Valsa No. 5 em lá bemol maior, Op. 42
- Valsa No. 12 em fá menor, Op. 70, 2 (Tempo giusto)
- Valsa No. 7 em dó sustenido menor, Op. 64, 2 (Tempo giusto)
- Valsa No. 6 em ré bemol maior, Op. 64, 1 (Molto vivace)
- Valsa No. 8 em lá bemol maior, Op. 64, 3 (Moderato)
Maurice Ravel (1875 – 1937)
Valses nobles et sentimentales
- I: Modéré très franc
- II: Assez lent – avec une expression intense
- III: Modéré
- IV: Assez animé
- V: Presque lent – dans un sentiment intime
- VI: Vif
- VII: Moins vif
- VIII: Épilogue Lent
Stephen Kovacevich, piano
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Para a próxima entrada, escolhi um disco com música de vários compositores, foco no intérprete!
Yuja Wang: Transformation
Stravinsky, Scarlatti, Brahms e Ravel
Acho fundamental ouvir novos artistas, sem expô-los à malvada comparação com antigos e bem estabelecidos. Manter ouvidos abertos e ter uma perspectiva atual pode render muitas horas agradáveis. É claro que entre os muitíssimos novos intérpretes, multiplicados tanto pelo número de pessoas talentosas que podem se dedicar à música, quanto pelos avanços das tecnologias, que permite que seus trabalhos sejam gravados e mais facilmente divulgados, há vários que fenecem por razões diversas, assim como aqueles que são afetados pela superexposição midiática. Quando as coisas passam do ponto, à lá Lang Lang, eu fico reticente. Mas adoro a Yuja Wang desde criancinha e este disco, um pouco pioneiro nessa onda de marketing de oferecer mais o artista do que o compositor, é ótimo!

As obras de Stravinsky e Brahms são belíssimas e demandam dedos a um tempo tecnicamente virtuosos e sensíveis. Nomes como Alexander Toradze, Maurizio Pollini, Julius Katchen ou Evgeny Kissin vêm à mente. Mas a Yuja Wang é pianista capaz de satisfazer os ouvintes deste time…
As lindas Sonatas de Scarlatti estão aí para revelar todo o talento da moça que também dá um show nos 11 e tantos minutos finais, tocando La Valse de Maurice!
Igor Stravinsky (1882 – 1971)
Petrushka
- Danse russe
- Chez Pétrouchkha
- La Semaine grasse
Domenico Scarlatti (1685 – 1757)
Sonata em mi maior K. 380
- Sonata: Andante comodo
Johannes Brahms (1833 – 1897)
Variações sobre um tema de Paganini em lá menor, Op. 35
- Variações
Domenico Scarlatti (1685 – 1757)
Sonata em fá menor K. 466
- Sonata: Andante moderato
Maurice Ravel (1875 – 1937)
La Valse
- Valse
Domenico Scarlatti (1685 – 1757)
Sonata em sol maior K.455
- Sonata: Allegro
Yuja Wang, piano
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Eu também gosto de músicos que vivem um pouco à margem dos holofotes, menos expostos aos clangores das mídias. O próximo disco traz o excelente pianista sueco, Olof Höjer interpretando música de Satie.
Satie (1866 – 1925):
Peças para Piano
Olof Höjer
Temos aqui as peças mais divulgadas de Erik, as Gymnopédies e as Gnossiennes, que não poderiam estar fora de uma antologia. Isto porque Olof Höjer é estudioso dedicado da obra de Satie e gravou todas as suas peças.
Mas eu fico com este resumo e indico a peça que eu mais gosto e que faz a conexão com a postagem de hoje, a valsa Je te veux. Esta é a motivação para que juntar mais este disco ao ramalhete que hoje ofereço à nossa debutante de 15 anos. Ah, eu não consigo ouvi-la uma só vez e insisto para a Alexa, como diria Humphrey, play it again, Sam (Alexa)!
Erik Satie (1866 – 1925)
- 3 Gymnopédies: I. Lent et douloureux
- 3 Gymnopédies: II. Lent et triste
- 3 Gymnopédies: III. Lent et grave
- Gnossiennes: I. Lent
- Gnossiennes: II. Avec étonnement
- Gnossiennes: III. Lent
- Gnossiennes: IV. Lent
- Gnossiennes: V. Modéré
- Gnossiennes: VI. Avec conviction et avec une tristesse rigoureuse
- Pièces Froides, No. 1. Airs à faire fuir: I. D’une manière très particulière
- Pièces Froides, No. 1. Airs à faire fuir: II. Modestemente
- Pièces Froides, No. 1. Airs à faire fuir: III. S’inviter
- Pièces Froides, No. 2. Danses de travers: I. En y regardant à deux fois
- Pièces Froides, No. 2. Danses de travers: II. Passer
- Pièces Froides, No. 2. Danses de travers: III. Encore
- Prélude de la porte héroïque du ciel
- 3 Sarabandes: No. 3 in D:Flat Major
- 4 Ogives: I. Première Ogive
- Petite ouverture à danser
- Valse:ballet
- Je te veux
- Poudre d’or
Olof Höjer, piano
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Para fechar o cortejo, não poderia faltar um jurássico, pois que sempre que vamos ao museu, visitar os ídolos do passado, encontramos muitos bem caídos e até amarelados, alguns mesmo que ficaram horrendos.
Strauss:
Valsas
Chicago Symphony Orchestra
Fritz Reiner
Mas há alguns que, como naquele juvenil filme de seção da tarde, retornam a vida sempre que o momento oportuno lhes é concedido. Fritz Reiner é um destes. Figura realmente presa ao passado, do ponto de vista da maneira como lidava com os músicos que trabalhavam com ele, com práticas que hoje seriam consideradas no mínimo inapropriadas e ficaram sepultadas no tempo. E o que retorna à vida são alguns de seus discos. Entre eles essa singularidade com Valsas de Joseph e Johann (II) Strauss.

Não subestime estas peças – há mais nelas do que você pode crer. Olhe-as com os olhos do Fritz. Veja o que disse deste disco o arguto Olivier Le Borgne: “Fritz Reiner leva a sério essa assim chamada música leve; como Brahms ou Schoenberg, que admirava o Strauss de Viena, ele sabe que por trás do sincopado três vezes estão sentimentos nobres, até mesmo profundas ansiedades existenciais.”
Lembre-se que Stanley Kubrick, que sabia tudo de cinema e muito de música, usou uma das peças deste disco em um momento especial de seu grande filme, 2001. Veja, já se passaram vinte anos, quinze dos quais com o PQP Bach encantando nossos seguidores…
Johann Strauss II (1825 – 1899)
- Rosen aus dem Süden, Op. 388 (Roses from the South)
- Kaiser-Walzer, Op. 437 (Emperor Waltz)
- Morgenblätter Walzer, Op. 279 (Morning Papers)
- Künstlerleben, Op. 316 (Artists’ Life)
Josef Strauss (1827 – 1870)
- Dorfschwalben aus Österreich – waltz, Op. 164 (Village Swallows from Austria)
Johann Strauss II (1825 – 1899)
- An der schönen, blauen Donau, Op. 314 (On the Beautiful Blue Danube)
- Wiener Blut Waltz, Op. 354 (Vienna Blood)
- Schatz-Walzer, Op. 418 (Treasure Waltz)
Josef Strauss (1827 – 1870)
- Mein Lebenslauf ist Lieb’ und Lust (My Life is Love and Laughter)
Johann Strauss II (1825 – 1899)
- Unter Donner und Blitz, Op. 324 (Thunder and Lightning – Polka)
Chicago Symphony Orchestra
Fritz Reiner
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Sobre o disco do Kovacevich: Only topped by Lipatti & Rubinstein
This is a truly brilliant and splendidly played set of Chopin’s Waltzes, bettered only by those of Lipatti and Rubinstein. However, the sound on this set is much better if that’s your thing. I must admit that until recently the only Kovacevich material I owned was his Beethoven concertos. I have since discovered that he has a wealth of very fine recordings, from Grieg and Schumann’s concertos to the Diabelli Variations (1968) and Beethoven’s sonatas. So, thanks to this disc and the above mentioned, I’ll be checking more into his recordings from the 60’s and 70’s especially. (J. Grant)
Des valses de Chopin ou Ravel qui prennent une dimension grandiose entre les mains de ce pianiste d’exception. A consommer sans modération ! (Megetoile)
Há críticos que discordam… Jed Distler, por exemplo, reclama de certas excentricidades. Bom, é com vocês a decisão. Eu fico com a opinião anterior, pode ser consumido sem qualquer moderação!
Aproveite!
René Denon











O PQP Bach (o blogue, claro, não o
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