Richard Wagner (1813-1883): O Anel dos Nibelungos – O Ouro do Reno – Karajan

Das Rheingold 01Quando me proponho a um projeto deste porte, ou seja, postar algumas óperas de Wagner, fico sempre temeroso de não conseguir conclui-lo, devido a diversos fatores, muitos dos quais os senhores estão “carecas” de saber, como falta de tempo, problemas de ordem técnica devido à instabilidade de minha conexão de internet, entre outros fatores, e a preguiça está entre eles, com certeza. Por isso invejo o mano PQP Bach quando ele prepara suas postagens em meros cinco minutos. Bem, talvez devido ao fato de que sua profissão é escrever, e a facilidade para botar as palavras “no papel” são maiores. Demoro mais tempo para postar, confesso e assino embaixo. Aqueles motivos são apenas desculpas, pois muitas vezes a preguiça se sobrepõe. No momento em que estou escrevendo este texto, por exemplo, estou sem sinal de internet, e usando o modem 3G para subir estes arquivos. Se fosse outro dia, já teria desistido de tudo e saído para resolver questões pendentes na cidade, já que estou de férias.
Bem, meus planos iniciais para esta homenagem aos 200 anos de nascimento de Wagner foram repensados, e ainda estão sendo repensados, como comentei na postagem do “Holandês Voador” não fiz nenhum planejamento detalhado, nem farei. Quando puder, estarei botando no ar as óperas que tenho, e não são muitas, devo dizer, comparada com as coleções que wagnerianos “profissionais” tem.
E trago novamente a versão de Karajan, gravada entre 1966-1970, se não me engano. Já a tinha postado há alguns anos atrás, e mesmo com diversas solicitações para ativar os links, não haviam condições para subir estes 14 cds. Ainda não há, mas farei o meu melhor.
Por motivos que desconheço, Karajan não se utilizou dos mesmos cantores no decorrer da gravação. George Solti, que um pouco antes concluíra a gravação do ciclo teve à sua disposição cantores wagnerianos consagrados, como Birgitt Nielsson e Wolfgang Windgassen. Mas o time que Karajan montou também não é fraco. Aqui no “Ouro do Reno”, temos o magistral Dietrich Fischer-Dieskau no papel de Wotan. Os outros nomes. Encontrei neste site uma interessante análise do elenco. E claro, na Wikipedia, os senhores poderão encontrar as mais diversas informações sobre o ciclo, principais gravações, etc.

CD 1

01 Vorspiel
02 “Weia! Waga! Woge du Welle!”
03 He! He! Ihr Nicker! (Alberich, Woglinde, Flosshilde, Wellgunde)
04 “Garstig glatter glitschriger Glimmer!”
05 “Lugt, Schwestern! Die Weckerin lacht in den Grund”
06 Nur wer der Minne Macht entsagt
07 “Der Welt Erbe Gewänn’ ich zu eigen durch dich”
08 Haltet den Räuber! (Flosshilde, Wellgunde, Woglinde)
09 Einleitung 2. Szene
10 “Wotan! Gemahl! Erwache!”
11 So schirme sie jetzt (Fricka, Freia, Wotan)
12 “Sanft schloß Schlaf dein Aug’”
13 Was sagst du Ha, sinnst du Verrat (Fasolt, Fafner, Wotan)
14 Du da, folge uns!
15 “Endlich, Loge!”
16 “Immer ist Undank Loges Lohn!”
17 Ein Runenzauber zwingt das Gold zum Reif
18 “Hör’, Wotan, der Harrenden Wort!”
19 Schwester! Brüder! Rettet! Helft!
20 Wotan, Gemahl, unsel’ger Mann!
21 Verwandlungsmusik
22 “Hehe! hehe! hieher! hieher! Tückischer Zwerg!”
23 Nibelheim hier (Loge, Mime, Mime, Wotan)

CD 2

01. Zittre und zage, gezähmtes Heer
02. Die in linder Lüfte Wehn da oben ihr lebt
03. Ohe! Ohe! Schreckliche Schlange… (Loge, Wotan, Alberich)
04. Dort die Kröte! Greife sie rasch! (Loge, Alberich)
05. “Da, Vetter, sitze du fest!”
06. “Wohlan, die Nibelungen rief ich mir nah”
07. “Gezahlt hab’ ich”
08. Ist er gelöst (Loge, Wotan, Alberich)
09. “Lauschtest du seinem Liebesgruß”
10. Lieblichste Schwester, süßeste Lust! (Fricka, Fasolt, Wotan)
11. Gepflanzt sind die Pfähle nach Pfandes Maß
12. “Weiche, Wotan, weiche!”
13. Soll ich sorgen und fürchten
14. Halt, du Gieriger! Gönne mir auch was! (Fasolt, Fafner, Loge)
15. Nun blinzle nach Freias Blick
16. He da! He da! He do! Zu mir, du Gedüft! (Donner)
17. “Zur Burg führt die Brücke”
18. Abendlich strahlt der Sonne Auge (Wotan)
19. So grüß’ ich die Burg (Wotan, Fricka, Loge)
20. “Rheingold! Rheingold! Reines Gold!”

Wotan Dietrich Fischer-Dieskau
Donner Robert Kerns
Froh Donald Grobe
Loge Gerhard Stolze
Alberich Zoltán Kelemen
Mime Erwin Wohlfahrt
Fasolt Martti Talvela
Fafner Karl Ridderbusch
Fricka Josephine Veasey
Freia Simone Mangelsdorff
Erda Oralia Dominguez
Woglinde Helen Donath
Wellgunde Edda Moser
Floßhilde Anna Reynolds

Berliner Philharmoniker
Chor der Deutschen Oper Berlin
Herbert von Karajan – Conductor

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FDP Bach

Johann Gottlieb Graun (1703–1771): Concertos

Esse é um daqueles CDs a respeito do qual eu não esperava nada e que me surpreendeu positivamente, muito positivamente. Graun é uma espécie de Carl Phillip Emanuel sem zumbido na cabeça (o que torna CPE genial, bem entendido). Então, de forma um pouco mais convencional, Graun nos entusiasma com sua grande inventividade. Agora, vai entender porque está tão fora do repertório… Atenção, orquestras de câmara, confiram!

Johann Gottlieb Graun (1703–1771): Concertos

1. Sinfonia Grosso in D major: I. Allegro maestoso 3:31
2. Sinfonia Grosso in D major: II. Arietta: Grazioso 2:59
3. Sinfonia Grosso in D major: III. Allegro scherzando 3:37

4. Violin Concerto in D minor: I. Allegro 5:37
5. Violin Concerto in D minor: II. Adagio 5:30
6. Violin Concerto in D minor: III. Allegro assai 6:00

7. Violin Concerto in A major: I. Allegretto 6:28
8. Violin Concerto in A major: II. Largo 6:17
9. Violin Concerto in A major: III. Allegro assai 5:50

10. Viola da Gamba Concerto in A major: I. Allegretto 9:13
11. Viola da Gamba Concerto in A major: II. Adagio 8:02
12. Viola da Gamba Concerto in A major: III. Allegro 5:32

Wiener Akademie
Martin Haselböck

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Mazááááá... Graun tem perfil no Facebook! Tão pensando o quê?
Mazááá… Graun tem perfil no Facebook! Tão pensando o quê?

PQP

Jean Sibelius (1865-1957): Sinfonias Nº 4 e 7 / Valsa Triste

Antes de qualquer coisa, vou esclarecendo que admiro muitíssimo a obra do finlandês Jean (Johan Julius Christian) Sibelius. Suas sinfonias, poemas sinfônicos, suítes, aquele fantástico concerto para violino, assim como suas obras de câmara — sonatas (tão bem interpretadas por Glenn Gould) e quartetos — sempre estiveram próximos de meu CD Player. Já foi um autor popularíssimo, hoje não é mais. A obra que me parece ser seu ponto mais alto, o poema sinfônico Tapiola, recebe poucas gravações. Não entendo.

Aqui o temos com Karajan e a Filarmônica de Berlim, o que não é garantia de nada. Karajan gravava tanto que era impossível acertar sempre. Se ele acerta no ângulo ao dar à Sinfonia Nº 4 todas as soturnas trevas que ela merece — com seu belo solo inicial de violoncelo, aqui maravilhosamente tocado — , erra na Nº 7 e volta a fazer um golaço na Valsa Triste. Depois que Mravinski, em fevereiro de 1965, gravou a sétima, tudo deveria ter mudado. Mravinski (e também Sibelius!) fez com o trombone levasse à frente toda a música, dando-lhe enorme destaque. Karajan permaneceu numa concepção antiquada da obra, mesmo tendo-a registrado três anos depois do russo. O trombone está no mesmo nível dos outros instrumentos e, quando ouvimos a Filarmônica de Berlim, parece que alguma coisa no aparelho de som não está funcionando. Cadê o solo? O Alex Ross deve ter detestado essa gravação da sétima.

Na Valsa Triste não há como errar. Belíssima peça de concerto, foi, ao lado do Bolero de Ravel e do Pássaro de Fogo de Stravinski, o carro-chefe do filme de Bruno Bozzetto Música e Fantasia (Allegro Non Troppo, 1976).

http://youtu.be/P8Oc_J1Lu-o

Jean Sibelius: Sinfonien 4 & 7 / Valse Triste

Sinfonie Nr. 4 Op. 63
1. Tempo molto moderato, quasi adagio
2. Allegro molto vivace
3. Il tempo largo
4. Allegro

Sinfonie Nr. 7 Op. 105
5. Adagio
6. Meno adagio
7. Poco rallentando al Adagio
8. Presto – Poco a poco rallentando al Adagio

9. Valse Triste Op. 44

Berliner Philharmoniker
Herbert Von Karajan

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Sibelius
Sibelius: bom disco, mesmo com algum sofrimento sob as mãos pesadas de Karajan

PQP

Sergei Prokofiev (1891-1953): The Complete Symphonies – Neeme Jarvi – CD 1 (link revalidado)

Nós aqui do PQP Bach somos fãs confessos de Prokofiev, mas não entendi até agora o porque de nunca termos postado uma integral de suas sinfonias. Lembro de ter postado seus concertos para piano, para violino, mas nunca uma integral de suas sinfonias.

Lacuna preenchida, portanto. Minha primeira opção para esta integral era a gravação do Valery Gergiev, porém um dos cds está com problemas, e até conseguir resolver o problema, iremos de Neeme Járvi, um dos grandes nomes da regência destes últimos trinta anos, durante o período em que ele dirigiu a excelente Scottish National Orchestra. Sim, eu sei que existem outras gravações avulsas destas sinfonias, melhores inclusive, mas creio que no conjunto todo, esta aqui se sobressai, junto é claro, com a do Gergiev.

Então vamos ao que viemos. Neste primeiro CD temos as Sinfonias de N°1, chamada de “Clássica” e a de n°4. A de n° 1 foi iniciada em 1916, e concluída em 1917. Prokofiev pretendia com esta obra fazer uma homenagem a Haydn, mestre absoluto na composição de sinfonias, e obedece ao padrão clássico haydniano, seguindo um estilo que ficou conhecido como neo-clássico. Eis a descrição da wikipedia:

“The symphony can be considered one of the first neo-classical compositions. Prokofiev composed the symphony in an attempt to emulate Joseph Haydn’s composing style; however, he still changed some of the structure of the symphony to reflect changing practices in composition. The idea was partly inspired by Prokofiev’s conducting studies at the Saint Petersburg Conservatory‎, in which the instructor, Nikolai Tcherepnin, prepared his students to conduct Haydn. No actual quotations of Haydn are found in the work.

Prokofiev wrote the symphony on holiday in the country, and he used this piece as an exercise in composing away from the piano. (As an accomplished pianist, it was understandable that he had developed a habit of composing at the keyboard.)

Prokofiev gave the symphony the title Classical because of its neoclassical character, after Haydn. The symphony has become one of Prokofiev’s most popular and accessible works, and several themes have been used as television background music.”

A Sinfonia de n°4 tem uma história curiosa, pois na verdade, são duas sinfonias. Uma foi escrita entre 1927 e 1929, e tem o op. 47. Alguns anos mais tarde, o próprio Prokofiev a reescreveu, dando-lhe o op. 112. A versão deste primeiro CD é a de op. 112. Quando chegar o momento, falaremos sobre a segunda versão.

Recorrendo novamente à wikipedia, encontramos o seguinte:

Symphony No. 4, Op. 47/112 is actually two works by Sergei Prokofiev. The first, Op. 47, was written in 1929 and premiered in 1930. The second, Op. 112, is a large-scale revision from 1947. Both of the works share significant musical material with Prokofiev’s ballet L’enfant Prodigue or The Prodigal Son.

The two works are stylistically different, because their respective compositional contexts were different. They are formally different as well, and the instrumentation and scope of the revision is much larger.

Maiores e mais detalhadas informações sobre esta sinfonia podem ser encontradas aqui.

Sergei Prokofiev – Symphony n° 1, in D Major, op. 25,
Symphony n°4, op.112

01 Prokofiev – Symphony no.1 in D major, Classical, op. 25 – Allegro
02 Prokofiev – Symphony no.1 in D major, Classical, op. 25 – Larghetto
03 Prokofiev – Symphony no.1 in D major, Classical, op. 25 – Gavotte
04 Prokofiev – Symphony no.1 in D major, Classical, op. 25 – Finale

05 Prokofiev – Symphony no.4, op.112 (revised 1947 version) – Andante-Allegro eroico
06 Prokofiev – Symphony no.4, op.112 (revised 1947 version) – Andante tranquillo
07 Prokofiev – Symphony no.4, op.112 (revised 1947 version) – Moderato
08 Prokofiev – Symphony no.4, op.112 (revised 1947 version) – Allegro risoluto

Scottish National Orchestra
Neeme Järvi – Conductor

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FDP Bach

Richard Wagner (1813- 1883) – Der Fliegende Holländer – Sotin, Studer, Domingo, Seiffert, Weikl, Sinopoli

1Para comemorar os 200 anos de nascimento de Richard Wagner, que se comemoram no próximo dia 22 de maio, estou iniciando uma série de postagens de algumas óperas suas. Ainda não montei um cronograma, nem sei se estas postagens obedecerão um cronograma, estou apenas seguindo uma indicação de PQPBach, que me alertou sobre a data. Mesmo não sendo o alemão uma unanimidade aqui mesmo dentro do blog, não poderíamos deixar a data passar em brancas nuvens. Portanto, inicio oficialmente as comemorações da data.
E começo trazendo uma obra emblemática, em diversos sentidos. Antes mesmo de conhecer a música de Wagner, ainda criança, me chegou em mãos “O Holandês Voador”, um gibi que trazia a história em quadrinhos. Fiquei fascinado pela temática, e logo aquela história se tornou uma de minhas favoritas. Alguns anos depois comprei um álbum duplo, da DECCA, com a regência de George Solti, regendo a Orquestra e o Coro da Sinfônica de Chicago. O elenco trazia Norman Bailey, no papel do Holandês e Janis Martin, no papel de Senta, além de René Kollo, um tenor especialista no repertório wagneriano. Fiquei fascinado logo de cara, não apenas pela temática, mas também pela incrível força dramática da música. Na época, as gravadoras ainda se preocupavam com a qualidade das edições, então o LP duplo trazia um belo libreto interno, não apenas contendo o libreto em si da obra, mas também um perfil histórico-biográfico da obra, no contexto da vida de Richard Wagner.
Bem, a gravação que ora vos trago não é aquela do Solti, mas outra, da DG, gravada pelo Giuseppe Sinopoli, um excelente regente italiano, especializadíssimo em reger óperas, principalmente as alemãs, e que morreu precocemente, aos 55 anos de idade, de um ataque cardíaco,enquanto regia uma montagem da Aída, de Verdi.

Cd 1
01 – Overtüre
02 – Act One – No.1 – Introduction – Hojohe! Halloho!
03 – Mit Gewitter und Sturm aus fernem Meer
04 – No.2 – Die Frist ist um
05 – Wie oft in Meeres tiefsten Schlund
06 – No.3 He! Holla! Steuermann!
07 – Durch Sturm und bösen Wind verschlagen
08 – Wie hört’ ich recht Meine Tochter sein Weib
09 – Südwind! Südwind!
10 – Mit Gewitter und Sturm – Orchesterzwischenspiel
11 – No.4 – Summ und brumm, du gutes Rädchen
12 – Du böses Kind

Cd 2

01- Johohoe! Traft ihr das Schiff im Meere an
02 – Senta! Senta! Willst du mich verderben
03 – No.5 – Bleib, Senta! Bleib nur einen Augenblick!
04 – Auf hohem Felsen lag ich träumend
05 – No.6 – Mein Kind, du siehst mich auf der Schwelle
07 – Wie aus der Ferne längst vergang’ner Zeiten
08 – Wirst du des Vaters Wahl nicht schelten
09 – Verzeiht! Mein Volk hält draußen sich nicht mehr
10 – Orchesterzwischenspiel
11 – Act Three – No.7 – Steuermann, laß die Wacht!
12 – Johohohe! Johohohoe! Hoe! Hoe!
13 – No.8 – Was mußt’ ich hören
14 – Willst jenes Tags du nicht dich mehr entsinnen
15 – Verloren! Ach, verloren!
16 – Erfahre das Geschick, vor dem ich dich bewahr’!

Bernd Weickl, Cheryl Studer, Placido Domingo, Hans Sotin, Peter Seifert
Chor und Orchester der Deutschen Oper Berlin
Giuseppe Sinopoli

CD 1 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
CD 2 – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FDPBach

wagner jovem
Wagner faz 200 anos !!

Clóvis Pereira (1932): Grande Missa Nordestina [Acervo PQPBach] [link atualizado 2017]

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Clóvis Pereira, [hoje um respeitável e ilustre octogenário] iniciou seus estudos de música (teoria e solfejo) com seu pai, clarinetista da Banda Musical Nova Euterpe na sua cidade natal, Caruaru, PE. Em 1950 transferiu-se para o Recife onde estudou piano com o Prof. Manoel Augusto dos Santos no Conservatório Pernambucano de Música, ao mesmo tempo estudando harmonia, composição e orquestração com o maestro Guerra-Peixe. Com o Padre Jayme Diniz também realizou estudos de contraponto e harmonia pura, o que proporcionou a oportunidade de lecionar harmonia no III Curso Nacional de Música Sacra, promovido pela Universidade Federal de Pernambuco. Em 1967, a convite do Prof. Ariano Suassura, compôs sob encomenda as primeiras obras representativas do Movimento Armonial. O seu poema sinfônico “Lamento Brasileiro” tem lido executado por importantes orquestras sinfônicas do País, como Orquestra Sinfônica da Rádio MEC, Sinfônica de Porto Alegre e Orquestra Sinfônica do Recife.
Pesquisador de música brasileira popular e folclórica, por várias vezes citado em programas radiofônicos da Rádio MEC, sua pesquisa musical sobre a Banda de Pífanos foi publicada na Revista Brasileira de Folclore. Na música popular atuou como Diretor do Rádio e Televisão pernambucanos durante aproximadamente duas décadas. Suas obras da fase Armorial estão gravadas em discos comerciais e distribuídas em todo o País.
Clóvis Pereira é membro da Sociedade Brasileira de Música Contemporânea (SBMC) com sede no Distrito Federal, onde participou, do I Encontro Nacional de Compositores de Música Erudita, tendo ainda o seu nome registrado na oitava edição da Enciclopédia Britânica “Who’s who in Music”.

A OBRA
A composição de uma Missa Nordestina surgiu da necessidade de valorizar elementos próprios da nossa música regional. A pesquisa incessante, aliada a uma vivência real e objetiva com a cultura do Nordeste, permitiram que esta obra retratasse o mais fielmente possível aquelas “Constâncias Brasileiras” a que se referia o grande Mario de Andrade.

KYRIE
O Kyrie tem uma estrutura melódica baseada nas escalas nordestinas usadas pelos violeiros e sua rítmica apoiada na “Dança dos Caboclinhos”.

GLÓRIA
O Glória explora a influência musical da península ibérica, importada nos tempos coloniais e que ainda hoje permanece na zona da mata sem sofrer influências da música urbana litorânea. Aqui em certos trechos os violinos são tratados na orquestração a maneira de tocar dos nossos rabequeiros.

CREDO
O Credo, logo na sua exposição, retrata a ambientação própria de uma “Cantiga de Cego”. São explorações nesta parte da obra vários elementos musicais comuns ao “Baião de Viola” e às “Bandas de Pífanos”.

SANCTUS
O Sanctus toma emprestado ao Kyrie a sua essência melódica e a transfigura harmônica e ritmicamente para manter a ambientação própria do momento litúrgico.

AGNUS DEI
O aboio dos vaqueiros nordestinos serviu de motivação para estruturar o Agnus Dei, onde o compositor emprega uma harmonia típica do Nordeste, tentando afastar propositadamente os modelos harmônicos estranhos à nossa cultura.

Sob os enfoques especificados acima, podemos dizer que a Missa Nordestina, possuindo todos os seus temas originais, é uma afirmação dos nossos propósitos para encontrar os caminhos de uma verdadeira música brasileira.
(texto extraído do encarte)

Ouça, ouça! Deleite-se!

Clóvis Pereira (1932)
Grande Missa Nordestina

1. Kyrie
2. Gloria
3. Credo
4. Sanctus/Benedictus
5. Agnus Dei

Carmela Mattoso, soprano
Alírio Melo, tenor
Orquestra e Coro da Universidade Federal da Paraíba
Clóvis Pereira, regente
Recife, 1979

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC (186Mb) encartes a 5.0 Mpixel
MP3 (97Mb) encartes a 5.0 Mpixel

Partituras e outros que tais? Clique aqui

 

Maestro Clóvis Pereira, nossas reverências!

Bisnaga

Valentin Silvestrov (1937): Silent Songs

PQP,
é uma obra prima se não conhece.
abs
dr cravinhos.


O e-mail que o Dr. Cravinhos enviou não passava disso. E nem precisava. Como sempre faço, levei meses para ouvir o CD. Vou contar pra vocês, ele tem toda a razão. Silvestrov é um compositor erudito ucraniano. A maioria de seus trabalhos podem ser considerados neoclássicos. São tonais, delicados e melodiosos. São mais, são de alta densidade emocional, qualidade que Silvestrov considera sacrificada em grande parte da música contemporânea. “Eu não escrevo nova música. Minha música é uma resposta a um eco que existe em mim”. Em Silent Songs, Silvestrov pediu que “os intérpretes demonstrassem uma expressão de quem se rende a alguém ou a uma situação, uma expressão vencida, subjugada, mas sem psicologia”. A simplicidade de Martinov é fiel à intenção do compositor. É uma interpretação privada, ultracamarística, espantosamente bela e triste. Pena não termos os poemas cantados em russo. A nominata dos poetas revela bom gosto literário.

Estamos frente a uma das maiores coleções de lieder compostas no século XX. Ah, você duvida? Então baixe e ouça, tolinho.

IMPERDÍVEL!!!

Valentin Silvestrov (1937): Silent Songs (twenty-four songs), a vocal cycle in four sections on poems by classical poets for soprano or baritone and piano (1974-1977)

I. Five Songs on texts by: Evgeni Boratynski, John Keats, Alexander Pushkin and Taras Shevtschenko
1. Poetry heals the ailing spirit (Boratynski)
2. There where storms and bad weather (Boratynski)
3. La Belle Dame sans merci (Keats, russian by B. Levik)
4. Melancholy time! Enchantment for the eyes!) (Pushkin)
5. Farewell, o world! Farewell, o Earth) (Shevtschenko)

II. Eleven Songs on texts after Pushkin, Mikhail Lermontov, Fiodor Tjutshev, Percy Bysshe Shelley and Sergei Jessenin
1. What is my name to you? (Pushkin)
2. I will tell you with complete directness (Mandelstam)
3. I drink to the health of Mary’s health (Pushkin)
4. Through waving mists (Pushkin)
5. A solitary sail shines white (Lermontov)
6. I met you … (Tiutshev)
7. The isle (Shelley)
8. Indescribable blue, tender (Jessenin)
9. Autumn song (Jessenin)
10. Swamps and marshes (Jessenin)
11. Winter evening (Pushkin)

III. Three Songs after Lermontov
1. When the yellowing cornfield stirs
2. I go out alone on to the road
3. The mountain summits

IV. Five Songs on texts after Pushkin, Tiutshev, Ossip Mandelstam and Vassili Shukovski
1. Elegy (Verses composed at night, during insomnia) (Pushkin)
2. Chorale (God has taken all away from me in punishment) (Tiutshev)
3. Meditation (It is time, my friend) (Pushkin)
4. Ode (And Schubert on water) (Mandelstam)
5. Postludium (Don’t talk with sorrow about the dear companions) (Shukovski)

Megadisc MDC 7840/41 (2000)

Alexei Martynov, Barítono
Aleksei Lubimov, Piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Silvestrov
Silvestrov: belíssima coleção de canções

PQP

Edgard Varèse (1883-1963): The Complete Orchestral Works – Link revalidado pois…

… PQP Bach ama este CD. Com a palavra, CDF Bach.

Observação: este post recebeu uma substancial “reforma” no dia de hoje. O comentarista Karyttus nos enviou este CD duplo em 320 kbps — a versão anterior trazia links de arquivos de 192 kbps. Sugerimos aos nossos fiéis e infiéis visitantes que baixem novamente este extraordinário trabalho.

Quem foi o pai da música moderna? Schoenberg, Stravinsky ou Varèse? Alguns dizem que Schoenberg estava muito preso ao romantismo, por isso não mereceria esse título (haja vista o famoso e polêmico artigo de Boulez, “Schoenberg morreu”), e que Stravinsky abandonou o posto, logo cedo, para vagar no neo-classicismo. Já Varese sim, esse foi aquele cuja música nunca chegou perto dos séculos anteriores. “Moderno” até as raízes. Bem, eu não acho que seja assim. Quem ouviu os dois últimos quartetos de Schoenberg sabe que aquela música não tem nada de romântica, assim como outros exemplos que devo colocar nesse site. E quem acha que Stravinsky recuou, tá muito enganado. O homem olhava para o passado para escrever música nova. Vários compositores importantes foram influenciados pelo neo-classicismo de Stravinsky. Nas suas últimas fases de composição Stravinsky escrevia música atonal à la Webern, até abandonar e escrever outra coisa. Então pela a influência que os três compositores tiveram no século XX, eu diria que a música moderna é filha de três pais, sobrinha de Webern e neta de Debussy. Mas não há dúvida que os traços dessa “moça” são mais parecidos com Varèse.

Vejam um exemplo: Amériques. Composição para grande orquestra feita no início da década de 1920. Só a seção de percussão tem 10 músicos tocando 21 instrumentos. É uma versão extrapolada da sagração da primavera de Stravinsky. Veremos que essa busca por novas sonoridades é o que caracteriza a personalidade do compositor. Por isso, depois de ter escrito obras fantásticas para orquestra, como a mais famosa Arcana ou apenas para um grupo de 13 percussionistas chamada de Ionisation (1931), Varèse passou um longo período parado. Esperava algo que o motivasse, uma sonoridade nova.

Com o aparecimento das fitas magnéticas para gravação e os equipamentos eletrônicos que iam surgindo (Varèse sempre teve bons amigos cientistas) novos timbres foram criados. Nascia a música eletrônica. A mais fascinante obra desse período é Deserts para orquestra e fita cassete. Lembra muito o filme Terminator 2, nas cenas que se passam no futuro. É assombroso. Já Poème èlectronique (1958) precisa de uma pessoa para apertar o botão e rodar a fita.

Muitos dizem que a música eletrônica é fria. Não penso assim, quem ficou dias e dias construindo aquele som foi um ser-humano criativo em busca de novas possibilidades. O processo é similar ao desenvolvimento de instrumentos clássicos, como no caso do aperfeiçoamento do piano. Enfim apenas um meio para criação.

A gravação do Chailly é célebre e premiada, mas imperfeita. Deserts neste disco, por exemplo, é sofrível e nem merece ser ouvido. A melhor versão dessa obra é aquela da gravadora Naxos (talvez eu coloque aqui). O que há de melhor neste cd são as grandes obras orquestrais com a Royal Concertgebouw a todo vapor, com especial atenção a Amériques e Arcana.

As obras anteriores à Amèrique foram queimadas, sobrevivendo uma singela canção esquecível – Un grand sommeil noir.

Edgard Varèse (1883-1963): The Complete Orchestral Works

Disco 1:

1. Tuning up
2. Amériques
3. Poème Electronique
4. Arcana
5. Nocturnal
6. Un grand sommeil noir

Disco 2:

1. Un grand sommeil noir – Version for voice & piano
2-3. Offrandes
4. Hyperprism
5-7. Octandre
8. Intégrales
9. Ecuatorial
10. Ionisation
11. Density 21.5
12-18. Déserts
19. Dance for Burgess

Performed by Royal Concertgebouw Orchestra
Conducted by Riccardo Chailly

BAIXE O CD1 AQUI — DOWNLOAD CD1 HERE

BAIXE O CD2 AQUI — DOWNLOAD CD2 HERE

safsad
Edgard Varèse: pensaram que iam se livrar de mim?

CDF Bach

Serguei Prokofiev (1891-1953): Dois CDs gêmeos — Piano Concertos Nos. 2 & 3

IMPERDÍVEL !!!

Kissin / Ashkenazy 0 x 1 Gutiérrez / Järvi

Duas obras esplêndidas de Prokofiev, gravadas por dois extraordinários grupos de pianistas, regentes e orquestras. Ambos os CDs são notáveis e devem ser baixados, mas o time capitaneado por Gutiérrez e Järvi venceu com um gol de pênalti duvidoso nos descontos. A atuação de Järvi foi decisiva para  resultado da partida. Um CD tem sete faixas, o outro, seis. Foram opções diferentes de divisão, mas as obras são rigorosamente as mesmas. Esses concertos sempre me deixam muito feliz, espero que aconteça o mesmo com vocês. PQP opina que o ideal é ouvi-los um após o outro, assim de enfiada. O efeito é garantido.

Estas obras, de 1913 e 1917, exigem extremo virtuosismo por parte do pianista. Mas nada têm a ver com o virtuosismo kitsch dos congêneres de Rachmaninov. Prokofiev não é vazio ou meramente ornamental, tudo o que faz vê-se refletido na própria música, tem sentido. Grandes obras, grandes discos, meus amigos.

Serguei Prokofiev (1891-1953): Dois CDs gêmeos — Piano Concertos Nos. 2 & 3


1. Prokofiev: Piano Concerto No.2 in G Minor, Op.16 – Andantino
2. Prokofiev: Piano Concerto No.2 in G Minor, Op.16 – Scherzo
3. Prokofiev: Piano Concerto No.2 in G Minor, Op.16 – Intermezzo
4. Prokofiev: Piano Concerto No.2 in G Minor, Op.16 – Finale

5. Piano Concerto No.3 in C Major, Op.26 – Allegro, ma non troppo
6. Piano Concerto No.3 in C Major, Op.26 – Tema & Variation

Evgeny Kissin, piano
Philharmonia Orchestra
Vladimir Ashkenazy, regência

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1. Piano Concerto No. 2 in G minor, Op. 16: I. Andantino – Allegretto 10:59
2. Piano Concerto No. 2 in G minor, Op. 16: II. Scherzo: Vivace 2:29
3. Piano Concerto No. 2 in G minor, Op. 16: III. Intermezzo: Allegro moderato 6:42
4. Piano Concerto No. 2 in G minor, Op. 16: IV. Finale: Allegro tempestoso 10:59

5. Piano Concerto No. 3 in C major, Op. 26: I. Andante – Allegro 9:01
6. Piano Concerto No. 3 in C major, Op. 26: II. Tema con variazioni 8:57
7. Piano Concerto No. 3 in C major, Op. 26: III. Allegro ma non troppo 9:20

Horacio Gutiérrez, piano
Royal Concertgebouw Orchestra
Neeme Järvi, regente

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Gol ao apagar das luzes garantiu a vitória de Gutiérrez
Gol ao apagar das luzes garantiu a vitória de Gutiérrez/Järvi

PQP

PQP apoia esta vaquinha para o Gabriel Polycarpo

Gabriel Polycarpo
Gabriel Polycarpo

Gabriel Polycarpo é um jovem violista de Porto Alegre. Apesar de idade, já é spalla das violas da Orquestra de Câmara do Theatro São Pedro. Vi o Gabriel atuar como um dos vencedores do Concurso Jovens Solistas da Ospa. O rapaz é extremamente talentoso. Precisa somar R$ 50 mil a fim de fazer o Mestrado para o qual foi ouvido e aprovado com distinção. A Indiana University Jacobs School of Music deu-lhe duas premiações, a de ‘Artistic Excellence Award’ e de ‘Barbara and David Jacobs Fellowship Award’. Isto é raro na instituição.

Conto com quem se interessar para disseminar e colaborar com o crowdfunding (ou vaquinha virtual).

Pode puxar o Cartão de Crédito tranquilo. O guri vale o investimento.

http://www.vakinha.com.br/VaquinhaP.aspx?e=196565

PQP

Franz Joseph Haydn – Cello Concertos, Piano Concertos – Isserlis, Brautigam, COE, CC, Norrington, Mortensen [link atualizado 2017]

No embalo das últimas postagens do mano PQPBach, resolvi também trazer mais uma excelente gravação dos Concertos para Violoncelo de Haydn. Amo estes concertos para cello e Steven Isserlis manda muito bem neste cd em que é acompanhado por Sir Roger Norrington, e a Chamber Orchestra of Europe.

front01. Cello Concerto in C-Dur, Hob.VIIB1 – I. Moderato
02. Cello Concerto in C-Dur, Hob.VIIB1 – II. Adagio
03. Cello Concerto in C-Dur, Hob.VIIB1 – III. Finale Allegro molto
04. Adagio Cantabile in G-Dur (from Symphony No.13 – II)
05. Cello Concerto in D-Dur, Hob.VIIB2 – I. Allegro moderato
06. Cello Concerto in D-Dur, Hob.VIIB2 – II. Adagio
07. Cello Concerto in D-Dur, Hob.VIIB2 – III. Allegro
08. Sinfonia Concertante in B-Dur – I. Allegro
09. Sinfonia Concertante in B-Dur – II. Andante
10. Sinfonia Concertante in B-Dur – III. Allegro con spirito

Steven Isserlis – Cello
Marieke Blankestijn – Violin
Douglas Boyd – Oboe
Mathew Wilkie – Basson
Chamber Orchestra of Europe
Sir Roger Norrington – Conductor

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FDPBach
Repostado por Bisnaga

Igor Stravinsky (1882-1971) – The Rite of Spring – Alexander Scriabin (1872-1915) – The Poem of Ectasy – Gergiev, Kirov Orchestra

frontDepois de um período meio sumido, devido a problemas técnicos com meu computador, que ainda não estão sanados, diga-se de passagem, vou tentar novamente postar este excepcional CD deste excepcional condutor, um dos melhores da atualidade, com certeza, Valery Gergiev. Na verdade, este cd deveria ter sido postado há uns dez dias atrás, quando o mano PQPBach postou a versão da Sagração da Primavera para um Piano Jazz Trio. Mas, enfim, o que vale é a intenção, ainda.
A versão que ora vos trago é alucinante, com uma Orquestra do Kirov redondinha, como sempre, sorte do povo russo, especialmente os moradores de St Petersburg, que tem uma orquestra deste nível. E claro, tem Valery Gergiev. Só isso já seria sinônimo de qualidade, mesmo tendo esta gravação já mais de dez anos. O Scriabin que conclui o cd também é igualmente impactante. Nem preciso dizer que se trata de um CD absolutamente IM-PER-Dí-VEL !!! O último a baixar é a mulher do padre…

01. Stravinsky – The Rite of Spring Part I The Adoration of the Earth – Introduction
02. Augurs of spring – Dances of the young girls
03. Ritual of Abduction
04. Spring Rounds
05. Ritual of the Rival Tribes
06. Procession of the Sage
07. The Sage
08. Dance of the Earth
09. Part II The Sacrifice – Introduction 2
10. Mystic Circles of the Young Girls
11. Glorification of the Chosen One
12. Evocation of the Ancestors
13. Ritual Action of the Ancestors
14. Sacrificial Dance (The Chosen One)
15. Alexander Scriabin – The Poem of Ecstasy, op. 54

Kirov Orchestra, Mariinski Theatre, St. Petersburg
Valery Gergiev – Conductor

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FDPBach

Hector Berlioz (1803-1869) – Symphonie Fantastique, op. 14 – Sir Colin Davis (1927-2013), RCO, LSO

berlioz - frontPor algum motivo, resolvi postar esta gravação da Sinfonia Fantástica de Berlioz, realizada em 1968, para homenagear este que foi com certeza o maior regente inglês do século XX, Sir Colin Davis, me perdoem os fãs de Sir John Barbirolli.
Resolvi postar Berlioz porque para mim Berlioz/Davis eram uma dupla infalível. Davis gravou incansavelmente a obra do francês, a Philips inclusive lançou duas coleções, uma com 9 cds, com a obra orquestral, e a outra com 6 cds, que trazia a obra Sacra do francês, que em minha ignorância nunca acreditei ser tão grande. Mas enfim, Berlioz encontrou no inglês seu mais aguerrido defensor. E até o final de sua vida Davis continuou a apresentar e gravar sua obra.
Norman Lebrecht, o famoso crítico musical, publicou ontem em sua coluna uma curta e sincera nota, com o título de “Sad loss: The foremost English conductor of his time”. Sim, uma triste e lamentável perda. Se não me engano, o mano PQPBach teve a oportunidade de assistir a uma de suas apresentações frente à Sinfônica de Londres, ou neste ano ou no ano passado. Melhor que ninguém, ele pode dar sua opinião sobre este excepcional regente, Sir Colin Davis, que morreu no último dia 13, sábado, aos 85 anos de idade.

01 Symphonie Fantastique – 01 Reveries, Passions
02 Un bal
03 Scene aux champs
04 Marche au supplice
05 Songe d’une nuit du Sabbat

Royal Concertgebow Orchestra
Sir Colin Davis – Conductor

6 – Romeo and Juliet – 06 Scene d’amour
7 – 07 La reine Mab, ou la fee des songes

London Symphony Orchestra
Sir Colin Davis – Conductor

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Sir Colin Davis (1927-2013)

Reich (1936): Variations for Winds, Strings & Keyboards / Adams (1947): Shaker Loops

Queridíssimo e extraordinário disco que comprei em vinil em 1986. Foi o disco onde conheci o grande John Adams. Anos atrás, fiquei refeliz ao ver que a Deutsche Grammophon o tinha relançado em CD, dentro da coleção de The Originals, espécie de repositório do melhor que a gravadora produziu ao longo de sua prolífica vida. A extraordinária composição “modular” Shaker Loops aparece aqui para me deixar rerefeliz. E… Steve Reich dispensa apresentações, certo?

Reich (1936): Variations for Winds, Strings & Keyboards /
Adams (1947): Shaker Loops

1. Variations for Winds, Strings, and Keyboards 21:42

2. Shaker loops – 1. Shaking and trembling 8:52
3. Shaker loops – 2. Hymning slews 6:29
4. Shaker loops – 3. Loops and verses 7:23
5. Shaker loops – 4. A final shaking 3:36

San Francisco Symphony Orchestra
Edo de Waart

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Steve Reich
Steve Reich: gênio

PQP

Antonio Lucio Vivaldi (1678-1741) – Le Quattro Stagioni, com Il Giardino Armonico [link atualizado 2017]

ES-TU-PEN-DO !!!

Prezado ouvinte, como esses caras d’Il Giardino Armonico são bons! PQP!

Ah, para muitos essa é a a versão preferida d’As Quatro Estações de Vivaldi! Creio que também o seja para mim. E, para melhorar, há ainda mais o Concerto para Oboé RV 454 e o Concerto para Violino RV 332 de lambuja, para alegrar ainda mais o dia!

A primeira grande sacada, para começar, foi lembrar que, num concerto para orquestra e baixo contínuo o tal baixo contínuo não é especificado, ou seja: pra que fazer a base da música sempre apenas com um cravo? No barroco, pouco importava para o compositor que instrumento fazia o fundo, pois a função do baixo contínuo é, principalmente, ajudar a manter a cadência e a tonalidade da música. Então por que não usar como contínuo a teorba, “aquela alaúde enorme” e instrumento bastante utilizado na Itália no período vivaldiano? Por ser um instrumento de cordas dedilhadas, a base se torna muito mais dinâmica, pois as notas longas tornam-se repetições de uma mesma nota curta.

A segunda grande sacada foi lembrar que no barroco ainda se dava uma liberdade muito maior do que hoje aos músicos de interpretarem a música de decidirem entre si a intensidade dos fortes e pianos a variação do andamento. Depois, no classicismo e, principalmente, no romantismo, com o crescimento das orquestras, cresceu a importância do regente e o compositor chegou a sandices tais de marcar um pianíssimo com 5 pês (ppppp), para que os músicos interpretassem exatamente como ele tinha concebido. Não, não! Pra que isso? O conjunto milanês retoma a liberdade interpretativa barroca com muita vontade! Assim, sua execução é a mais vivaldiana possível: é quente, é sensual, é poética, é viva, é vibrante!

Enquanto encontramos tantas execuções de concertos por aí em que a partitura, como texto, é apenas lida, os rapazes d’Il Giardino Armonico a declamam! Há, de forma muito pungente, paixão e lirismo na sua calorosa interpretação, quase um grande manifesto contra as convencionais leituras em tons pastéis da partitura, em favor das vivas cores desses sons de Antonio Vivaldi! Eles não querem ser comportados, querem é a ebriedade dessa música, e nos brindam com ela!

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto espediente protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas.

Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
(…)

Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare.

– Não quero saber do lirismo que não é libertação.

(“Poética”, Manuel Bandeira)

Ouça, ouça! Depois repita o CD todo! Depois ouça uma terceira vez! Deleite-se sem a menor moderação!

Antonio Lucio Vivaldi (1678-1741)
Le Quattro Stagioni, Concerto para Oboé e Concerto para Violino

Concerto para Violino em Mi maior RV 269, “Primavera”
01. Allegro
02. Largo
03. Allegro Pastorale
Concerto para Violino em Sol menor RV 315, “L’estate”
04. Allegro non molto
05. Largo – presto
06. Presto (tempo impetuoso d’estate)
Concerto para Violino em Fá maior RV 293, “L’autunno”
07. Allegro
08. Adagio molto
09. Allegro
Concerto para Violino em Fá menor RV 297, “L’inverno”
10. Allegro non molto
11. Largo
12. Allegro
Concerto para Oboé em Ré menor RV 454
13. Allegro
14. Largo
15 Allegro
Concerto para Violino em Sol menor RV 332
16. Allegro
17. Largo
18. Allegro

Enrico Onofri, violino
Paolo Grazzi, oboé
Il Giardino Armonico: Enrico Onofri, Stefano Barneschi, Marco Bianchi, violinos; Francesco Lattuada, viola; Paolo Beschi, violoncelo; Luca Pianca, teorba; Francesco Cera, cravo
Giovanni Antonini, regente

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Os doidões d’Il Giardino Armonico papeando:
“C’era qualcosa di heavy metal in Vivaldi, non è vero?”

Bisnaga

William Primrose – obras para Viola de Henri Casadesus (1879–1947), William Walton (1902–1983), Hector Berlioz (1803–1869) e Niccolò Paganini (1782-1840) [link atualizado 2017]

UM BAITA VIOLISTA !!!

Postado originalmente em 10 de março de 2012.

Damos prosseguimento à nossa sequência de peças para viola, este instrumento tão belo e injustiçado (agora falou alto o meu lado amargo de violista com remorso) e finalmente pousam aqui no P.Q.P.Bach algumas das exímias execuções de William Primrose (1904-1982). O escocês foi um dos maiores violistas que se tem registro, dono de técnica e precisão que deixariam qualquer dos melhores violinistas que já passaram por aí com, no mínimo, uma pontinha de inveja. Seu virtuosismo o levou a ser protagonista de uma quantidade bastante expressiva de gravações, num período em que ainda só existiam os LPs.

Neste LP transformado em CD o violista mostra sua versatilidade em três peças dedicadas ao instrumento.

pseudo-barroco Concerto par Viola que Henri Casadesus compôs e atribuiu a Händel (hoje editado com o nome de “no estilo de Händel) está com o andamento coisa de uns 40% mais rápido que o original, o que faz com que se exacerbe o virtuosismo de Primrose, mas que dificulta a percepção da linha melódica de extrema beleza da música de Casadesus (futuramente encontrarei um CD no qual esse concerto esteja em seu andamento original, mais lento, e o postarei aqui). São escolhas: o virtuosismo em detrimento da melodia… Ainda assim, a peça é extremamente bela, no mesmo nível do Concerto que Casadesus atribuiu a J.C.Bach, não menos apaixonante, que postamos anteriormente aqui. Em seguida nos é apresentado o belo, melodioso e delicado Concerto para Viola de William Walton, com todas as características das composições do século XX (e que você pode comparar com a versão gravada pelo poderoso violista Lawrence Power aqui). Nesta versão, a de Primrose, a regência está sob a batuta de nada menos que o próprio Walton, seu contemporâneo, e talvez por isso esteja mais próxima da concepção de seu autor. Não menos interessante é a terceira peça, do período romântico: a vibrante Haroldo na Itália, do francês Hector Berlioz. É a mais animada para fechar o CD, embora o papel do solo da viola seja o menos destacado das peças do álbum, ainda que os solos sejam muito bonitos. Há ainda uma quarta peça, o assustadoramente eloquente Capricho nº 5 de Niccolò Paganini, em transcrição feita para viola, que coloquei pra vocês como uma faixa-bônus, brindado-os com uma saideira do virtuosismo de William Primrose.

Ouça-o: tudo o que você achava sobre os violistas pode mudar depois desse álbum. Não perca!

Palhinha 1: Primrose executando o Capricho nº5 de Paganini

Palhinha 2: Primrose executando o Capricho nº24 de Paganini

Henri Casadesus (1879–1947)
Concerto para Viola em Si Menor no Estilo de Händel (A)
01. I. Allegro moderato
02. II. Andante ma non troppo
03. III. Allegro molto energico

William Walton (1902–1983)
Concerto para Viola (B)
04. I. Andante comodo
05. II. Vivo, con molto preciso
06. III. Allegro moderato

Hector Berlioz (1803–1869)
Harold in Italy (C)
07. I. Harold nas montanhas
08. II. Marcha dos peregrinos
09. III. Serenata
10. IV. Festa dos bandidos

Niccolò Paganini (1782-1840)
11. (faixa-bônus) Capricho nº 5

William Primrose, viola
A. RCA Victor Orchestra
Frieder Weissmann, regente
B. Philharmonia Orchestra
William Walton, regente
C. Boston Symphony Orchestra
Serge Koussevitsky, regente

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Ouça! Deleite-se! … 

Bisnaga

George Friedrich Handel (1685-1759) – Handel in Italy – Solo Cantatas – Kirkby – London Baroque

61NtcRhH6bLEmma Kirkby sempre foi uma das sopranos favoritas do blog, com sua voz angelical e emocionante. Mas por algum motivo incompreensível, já faz algum tempo que não postamos nada dela. Lamentável, eu diria.
Para suprir essa falta, trago um cd sensacional do selo BIS com Emma Kirkby cantando Handel, com certeza uma de suas especialidades. São cantatas compostas em italiano, da época em que Handel viveu na Italia, ainda tentando se firmar como o grande compositor que já era. Escreveu muitas obras sob encomenda, entre elas estas quatro belíssimas cantatas em italiano.
Um excelente e muito instrutivo libreto acompanha esta postagem, com toda a história destas obras, e que também dá um histórico deste período tão importante da vida de Handel.
Nem preciso dizer que este CD é IM-PER-DÍ-VEL! E que Emma KIrkby reina suprema neste repertório acompanhada pelo excelente conjunto “London Baroque” .
Para se ouvir de joelhos agradecendo por existirem músicos tão extraordinários e que nos proporcionam momentos tão especiais em nossas vidas quanto estes.

01-04 – Notte Placida E Cheta, Hwv 142
05-07 – Un’ Alma Innamorata, Hwv 173
08-11 – Concerto A Quattro In D Major
12-14 – Figlio D’alte Speranze, Hwv 113
15-24 – Agrippina Condotta A Morire, Hwv 110

Emma Kirkby – Soprano
London Baroque

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Sergei Rachmaninoff (1873-1943) / César Franck (1822-1890): Sonatas para Violoncelo

O CD vai mais ou menos chatinho nas seis primeiras faixas, mas torna-se luminoso partir da sétima, quando abandonamos definitivamente Rachmaninov e abraçamos um porto mais seguro: Cesar Franck. Quis a Hyperion marcar bem a passagem com a belíssima canção Le sylphe. Depois temos a Sonata para Cello e Piano de Frank esmagando Rach com qualidade. A humilhação é finalizada com outra canção que fecha o caixão, demonstrando bem o tamanho de cada um dos envolvidos.

Um CD absolutamente desigual e IM-PER-DÍ-VEL pela segunda metade.

P.S.: Isserlis é um MONSTRO.

Sergei Rachmaninoff (1873-1943) / César Franck (1822-1890):
Sonatas para Violoncelo

Rachmaninoff:

1. Pieces (2) for cello & piano, Op. 2: Prelude
2. Pieces (2) for cello & piano, Op. 2: Oriental Dance

3. Sonata for cello & piano in G minor, Op. 19: Lento. Allegro moderato
4. Sonata for cello & piano in G minor, Op. 19: Allegro scherzando
5. Sonata for cello & piano in G minor, Op. 19: Andante
6. Sonata for cello & piano in G minor, Op. 19: Allegro mosso

Franck:

7. Le sylphe, song for voice & piano, M. 73

8. Sonata for violin & piano in A major, M. 8: Allegretto ben moderato
9. Sonata for violin & piano in A major, M. 8: Allegro
10. Sonata for violin & piano in A major, M. 8: Recitativo. Fantasia. Ben moderato. Molto lento
11. Sonata for violin & piano in A major, M. 8: Allegretto poco mosso

12. Panis angelicus for tenor, organ, harp, cello & bass

Steven Isserlis, cello
Stephen Hough, piano
Rebecca Evans, soprano

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Cesar Frank: humilhando Rachmaninov... Pra que misturar, né?
Cesar Frank: humilhando Rachmaninov… Pra que misturar? São compositores não miscíveis em termos qualitativos.

PQP

Ariel Ramírez (1921-2010): Misa Criolla (com José Carreras); Guido Haazen (1921-2004): Missa Luba; Anônimo: Misa Flamenca + Guido Haazen (1921-2004): Missa Luba e Canções Congolesas [link atualizado 2017]

SEN-SA-CIO-NAIS!!!
As missas que ora apresentamos são obras emblemáticas e históricas! As três, belíssimas, marcam a abertura da Igreja Católica após o Concílio Vaticano 2º (1962-1965), quando, entre outras tantas mudanças, o rito romano deixou de ser em latim e passou a se celebrar nas línguas locais.
Cronologicamente, a primeira das três peças é a Missa Luba, composta pelo missionário belga Guido Haazen (nome de batismo Mauritz Jan Lodewyjk Haazen) em 1958, quando ele estava em missão no Congo. Haazen adaptou os cânticos tradicionais da missa católica, ainda em latim, aos ritmos e instrumentos locais, o que em si, em época ainda anterior ao Concílio, era bastante arrojado e provavelmente não seria aceito pela Igreja se já não se estivessem indicando sinais de mudanças. A sua missa alterna entre comoventes momentos de placidez e de lamento, com uma formação extremamente singela: um coro e 4 instrumentos de percussão (para que mais que isso, se ele consegue efeito tão belo?).
Seguindo a linha do tempo, a talvez primeira missa completa composta na língua do país tenha sido a Misa Criolla, de Ariel Ramírez, um dos grandes compositores da Argentina. foi terminada ainda em 1964, antes do fim do Concílio. Ramírez mescla à formação e impostação clássica de coro os instrumentos andinos de sua terra, de forte ligação com os povos indígenas de lá, tomando ainda o cuidado para que cada cântico tivesse as características de um ritmo tradicional platino diferente. Disso resulta uma obra riquíssima, ainda mais valorizada com a presença da potente e precisa voz de José Carreras, na gravação que ora lhes oferecemos, e na qual o compositor está presente no piano e na harpa! Detalhe: a Misa Criolla é a peça argentina mais gravada e conhecida mundialmente. Há uma outra versão aqui no PQPBach, ainda mais arrebatadora que a de Carreras, com Mercedes Sosa, mas eu recomendo que vocês conheçam as duas gravações.
Por fim, a mais recente de todas, mas organizada apenas dois anos depois do dito concílio, a Misa Flamenca, é um arranjo de Ricardo Fernandez de Latorre, José Torregrosa e José María Moreno de músicas da missa para o ritmo tão característico da Andaluzia, resultando em sonoridades extremamente ricas e inusitadas, dado que o flamenco é geralmente cantado em solo e, em geral, não admite coros, que nesta peça harmonizaram-se perfeitamente com a forma tradicional. É interessante perceber o tanto que os volteios e meirismos característicos do ritmo guardam das canções árabes: a influência musical dos mouros muçulmanos, que por séculos dominaram a Península Ibérica, transparece até mesmo na música católica! É uma dessas belas misturas que o mundo nos proporciona!
Há uma outra versão, de sonoridade bastante distinta, da Missa Luba, regida pelo próprio padre Guido Haazen. Quando o missionário chegou ao Congo, formou, unindo 45 crianças de 9 a 14 anos e 15 professores da escola de Kamina, um coro que recebeu o nome de Les Troubadours du Roi Baudouin (Os Trovadores do Rei Baudouin). Esse grupo acabou por apresentar-se por seis meses na Europa, levando a música da África para terras distantes e não acostumadas àquela sonoridade. Nessa gravação, diferentemente do som encorpado e redondo que predomina nas técnicas tradicionais da música de concerto, aparecem as vozes rasgadas, típicas dos cantos africanos, distanciando a percepção da música do padrão erudito e acercando-a da forma tradicional dos povos negros. Há ainda, uma reunião de sete músicas cerimoniais congolesas, que mantém, após a audição da missa, a ligação com o divino.
Confira as sonoridades que esses autores proporcionaram à humanidade! Ouça!

Misa Criolla (1964)
Ariel Ramirez (Santa Fé, 1921 – Buenos Aires, 2010)
01. Misa Criolla – Kyrie (vidala-baguala)
02. Misa Criolla – Gloria (carnavalito-yaraví)
03. Misa Criolla – Credo (chacareira trunca)
04. Misa Criolla – Sanctus (carnaval cochabambino)
05. Misa Criolla – Agnus Dei (estilo pampeano)

Missa Luba (sobre temas tradicionais do Congo) (1958)
Padre Guido Haazen (Antuérpia, 1921 – Bonheiden, 2004)
06. Missa Luba – Kyrie
07. Missa Luba – Gloria
08. Missa Luba – Credo
09. Missa Luba – Sanctus
10. Missa Luba – Agnus Dei

Missa Flamenca (1967)
Anônimo
Arr. Ricardo Fernandez de Latorre, José Torregrosa, José María Moreno
11. Misa Flamenca – Kyrie (La Caña)
12. Misa Flamenca – Gloria (Cantes de Málaga)
13. Misa Flamenca – Credo (Cantes Gitanos)
14. Misa Flamenca – Sanctus (Cantes del Campo)
15. Misa Flamenca – Agnus Dei (Cantes de Cádiz)

Misa Criolla
José Carreras, tenor
Grupo Huancara, instrumentos latinos (Ariel Ramírez, piano e harpa; Domingo Gura, Jorge Padín, percussão; Arsenio Zambrano, charango; Lalo Gutierrez, violão; Raúl Barboza, acordeom)
Coral Salvé Laredo
José Luís Ocejo, regente
Sociedade Coral Bilbao
Gorka Sierre, regente
José Luís Ocejo, regente

Missa Luba
Muungano Nacional Choir (Quênia)
(acompanhado de percussão com djembe, conga, ngoma e guiro)
Boniface Mganga, regente

Misa Flamenca
Andalusian Instrumental Ensemble (Rafael Romero, Pericón de Cádiz, Chocolate, Pepe “El Culata”, Los Serranos, vocais; Victor Monje “Serranito”, Ramón Algeciras, violões)
Coro Maitea
Coro Easo
José Torregrosa, regente

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Mas deixe um comentariozinho…

Missa Luba e Canções Tradicionais do Congo
Padre Guido Haazen (Antuérpia, 1921 – Bonheiden, 2004)
01. Missa Luba – Kyrie
02. Missa Luba – Gloria
03. Missa Luba – Credo
04. Missa Luba – Sanctus
05. Missa Luba – Benedictus
06. Missa Luba – Agnus Dei
07. Dibwe Diambula Kabanda (canção de matrimônio)
08. Lutuku Y a Bene Kanyoka (canto de tristeza/luto)
09. Ebu Bwale Kemai (dança de casamento)
10. Katumbo (Dança)
11. Seya Wa Mama Ndalumba (celebração conjugal)
12. Banana (canção de guerreiros)
13. Twai Tshinaminai (canto de trabalho)

Les Troubadours du Roi Baudouin
Guido Haazen, regente

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Ouça! Deleite-se!

Bisnaga

Rachmaninov / Shostakovich / Lutoslawski: Rapsódia sobre um tema de Paganini / Concerto para Piano N° 1 / Paganini Variations

Um CD estranho, ao menos para mim. Não gosto desta obra de Rachmaninov, a coisa melhora muito no Shostakovich, mas volta a cair no Lutoslawski, espécie de resposta ou complemento a Rach. Mas, ouvindo o CD por inteiro, é indiscutível reconhecer a boa sacada do repertório ultra coerente, tendo Paganini como eminência parda que faz de Rach e Lutos pequenas marionetes prontas para serem depostas.

Se eu fosse você ouviria com atenção. Afinal, não pretendo ser o dono da verdade.

Rachmaninov / Shostakovich / Lutoslawski:
Rapsódia sobre um tema de Paganini / Concerto para Piano N° 1 / Paganini Variations

1. Rhapsody On A Theme Of Paganini, Op.43 23:07

2. Piano Concerto No.1 For Piano, Trumpet & Strings, Op.35 – 1. Allegretto 5:58
3. Piano Concerto No.1 For Piano, Trumpet & Strings, Op.35 – 2. Lento 8:27
4. Piano Concerto No.1 For Piano, Trumpet & Strings, Op.35 – 3. & 4. – Moderato – Allegro Con Brio 8:18

5. Paganini Variations, For Piano & Orchestra 8:42

Peter Jablonski, piano
Royal Philharmonic Orchestra
Vladimir Ashkenazy

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Jablonski
Não adianta, os anos engordam a gente, Jablonski.

PQP

Philippe Jaroussky canta Antonio Caldara (1670-1736) – Caldara in Vienna [link atualizado 2017]

ES-TU-PEN-DO !!!

Não é muito comum aparecer por aqui um CD somente de árias para contratenor. Para muitos pode parecer um tanto estranho um cara cantando fininho (a não ser para os fãs de rock melódico, cujos vocalistas fazem questão de dar longos e tremendos agudos) e confesso que não me agrada ver qualquer marmanjo empinando notas agudas.
Acontece que Philippe Jaroussky não é, de forma nenhuma, qualquer um. É preciso muita técnica para cantar as árias do período barroco. Os vibratos, trinados, trêmolos e, especialmente o seguimento da partitura sempre duro, com marcatos muito expressivos, faz com que poucos consigam uma execução fiel das músicas vocais do seiscentos/setecentos. E sua técnica é surpreendente, a ponto de convencer até os céticos (como eu)!
O cantor francês tem se dedicado a recuperar as melodias para contratenores e castrati dos compositores barrocos, período áureo para esse tipo de voz incomum. Já gravou divinamente, entre outros, Bach e Vivaldi e aqui, neste álbum, canta as obras de Antonio Caldara com uma perfeição nos agudos de deixar muitas mezzo-sopranos morrendo de inveja (claro que não é o caso de Cecilia Bartoli, que reina absoluta). Jaroussky alterna momentos vibrantes e plácidos com uma facilidade incrível, sem escorregar um fio na fidelidade da execução e no peso da interpretação. Uma joia!

Muitos dizem que ele tem a voz de um anjo. Estou inclinado a concordar…
Ouça-o! O rapaz é foda!

Philippe Jaroussky
Antonio Caldara (1670-1736)
Caldara in Vienna – Forgotten Castrato Arias

01. L’Olimpiade – Aria- Lo seguitai felice
02. Demofoonte – Aria- Misero pargoletto
03. La clemenza di Tito – Recitativo- Numi assistenza
04. La clemenza di Tito – Aria- Opprimete i contumaci
05. L’Olimpiade – Aria- Mentre dormi amor fomenti (Licida)
06. Temistocle – Aria- Non tremar vassallo indegno
07. La clemenza di Tito – Aria- Se mai senti spirarti sul volto
08. Scipione nelle Spagne – Aria- Se mai senti spirarti sul volto
09. Ifigenia in Aulide – Aria- Tutto fa nocchiero
10. Adriano in Siria – Aria- Tutti nemici e rei
11. Lucio Papirio dittatore – Recitativo- Son io Fabio
12. Lucio Papirio dittatore – Aria- Troppo è insoffribile fiero martir
13. Temistocle – Aria- Contrasto assai più degno
14. Enone – Aria- Vado, o sposa
15. Achille in Sciro – Se un core annodi

Philippe Jaroussky, contratenor
Concerto Köln
Emmanuelle Haïm, cravo e regência

Palhinha: Jaroussky canta a faixa 06 aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=y_HPPakFCeM

Palhinha: Aqui ele está mais descontraído, até canta descalço na gravação da faixa 01

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (140Mb)
Ouça! Deleite-se! … Mas, antes ou depois disso, deixe um comentário…

Bisnaga

Andrew Lloyd Webber (1948) – Requiem [link atualizado 2017]


SURPREENDENTE!!!

Você deve estar se perguntando: mas é o Andrew Lloyd Webber mesmo? Aquele compositor de musicais, autor de Cats, Jesus Cristo Superstar e O Fantasma da Ópera?

Siiiim, é ele mesmo!

Há trinta anos atrás falecia o pai de Webber. O resultado dessa perda foi a obra mais intimista, mais dolorosa e, por que não dizer, mais visceral do compositor inglês radicado nos Estados Unidos: ele desceu do salto do populismo dos musicais e empenhou-se em uma peça mais elaborada, sem a preocupação de agradar ou não ao grande público. Era a derradeira homenagem que poderia prestar ao seu genitor, também compositor.
Aliás, Andrew Lloyd Webber vem de uma família de musicistas e compositores e conhece muito bem o repertório erudito. Assim, ele lança mão em seu Requiem das melhores formas contemporâneas de composição e de ótimas e instigantes sonoridades, alternando trechos pesadíssimos (Offertorium e Dies Irae) a cantos elevados e angelicais (como o famoso e belissimo Pie Jesu) e alguns lampejos nada discretos de ânimo (Hosanna).
Este Requiem mostra um compositor muito diferente do Lloyd Webber dos musicais, como dito logo de início, surpreendente: surpreendentemente elaborado e interessante. Não é de hoje que Requiens são repositórios de algumas partes das mais belas escritas pelo homem: podemos citar alguns estupendos, todos representados neste blog, como as peças fúnebres de Mozart, Nunes Garcia, FaurèNeukommVerdi Eli-Eri Moura.
Os Requiens são grandes monumentos à dor, à perda, à angústia, por um lado, mas também a um sentimento muito mais elevado: a saudade, palavra tão bela e tão nobre e que nem existe no idioma de nosso compositor anglo-americano: a melhor forma que ele encontrou para exprimi-la foi em música, e grande música! Nessa gravação, com os pesos-pesados Plácido Domingo e Sarah Brightman (antes de ser pop, embora eu ache seu timbre um tanto estridente) e o pouco conhecido, mas corretíssimo, Paul Miles-Kingston, um anjo cantando…
Ah, Ouça!

Andrew Lloyd Webber (1948)
Requiem

01. Requiem – Kyrie
02. Dies irae – Rex tremendae
03. Recordare
04. Ingemisco – Lacrymosa
05. Offertorium
06. Hosanna
07. Pie Jesu
08. Lux aeterna – Libera me

Placido Domingo, tenor
Sarah Brightman, soprano
Paul Miles-Kingston, soprano infantil
Winchestrer Cathedral Choir
Martin Nery, regente do coro
English Chamber Orchestra
James Lancelot, órgão
Lorin Maazel, regente

Palhinha: Pie Jesu (a música é maravilhosa, ouça-a de olhos fechados, pois o visual do vídeo é meio brega: anos 80, sabe…)

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (82Mb)
Ouça! Deleite-se! … Mas antes, deixe um comentário para este postante.

Bisnaga

Oficinas de Música e Movimento

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Neste ciclo de Oficinas de Música e Movimento, as pessoas terão a oportunidade de se expressar através da linguagem musical, sonora e corporal. A partir de aquecimentos corporais e vocais, jogos musicais e teatrais e outras dinâmicas de grupo, criaremos com nossos sons e movimentos. A ideia é que esse seja um espaço de criação e expressão artística de um grupo formado por pessoas diferentes, ou seja, não há pré-requisito nenhum para a inscrição! Todos e todas podem se inscrever! Para isso, é só enviar um e-mail com nome e idade para [email protected] até o dia 10 de abril. Este ciclo de oficinas faz parte da pesquisa de Iniciação Científica de Cecilia Bortoli, no Instituto de Artes da Unesp e no NOMADH – Núcleo de Musicologia e Desenvolvimento Humano, orientada por Paulo Castagna, com bolsa da Reitoria da UNESP.

Não percam!!!

Avicenna

Arvo Pärt (1935) – Kanon Pokajanen; De Profundis; Passio [links mai.2017]

Álbuns originalmente postados em 24 de dezembro de 2011

A música de Arvo Pärt, para mim, não é coisa que se goste na primeira audição. É preciso um pouco mais de tempo (e de tentativas) para deglutí-la.
O compositor estoniano optou por fazer uma música muito mais timbrística que melódica, daí, por muitas vezes, me parecer que ela é estática demais e falta um tanto de movimento. Mas é inegável que os acordes são de uma beleza extrema, há inícios impactantes, meios transcendentes e finais geniais, embora o disco todo talvez se torne um pouco monótono (sei que os fãs incondicionais de Pärt, que são muitos, irão me crucificar…).
Apesar de qualquer coisa, de qualquer senão que eu tenha colocado, não posso deixar de dizer que suas composições são, inegavelmente, de extrema profundidade e, na sua lentidão característica, pedem e necessitam de silêncio, mais que isso, indicam o silêncio ao ouvinte. Talvez o problema resida em nós, que vivemos num mundo tão agitado que não conseguimos mais compreender obras silentes como a dele.

Ali também poder-se-á perceber a fé que o compositor professa: suas músicas são muito ligadas aos ritos da Igreja Ortodoxa, pela forma, andamento e combinação dos acordes, e pelo uso extremado de baixos profundos.
Novamente, como na postagem anterior deste que vos fala, não são músicas natalinas, mas peço que, ao ouví-las, tente se pôr no silêncio, dê-se um tempo longe da agitação do dia-a-dia e permita-se sentir dentro de uma daquelas maravilhosas catedrais ortodoxas, amplas, com uma leve névoa filtrando os raios solares que adentram pelos vitrais. Os cânticos de Pärt, então, te levarão a uma outra dimensão, sublime, mais próxima do céu.


Arvo Pärt (Estônia, 1935)
Kanon

01. Ode I
02. Ode III
03. Ode IV
04. Ode V
05. Ode VI
06. Kondakion
07. Ikos
08. Ode VII
09. Ode VIII
10. Ode IX
11. Prayer after the canon

Tõnu Kaljuste, regente
Estonian Philharmonic Chamber Choir, 1998

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (127Mb)
… Mas o Luke de Chevalier, esse minino-bão, já postou esta obra com uma qualidade melhor. Ela está AQUI Clique aqui.


Arvo Pärt (Estônia, 1935)
De Profundis
01. De Profundis (Salmo 129)
02. Missa Sillabica: 1. Kyrie
03. Missa Sillabica: 1. Gloria
04. Missa Sillabica: 1. Credo
05. Missa Sillabica: 1. Sanctus
06. Missa Sillabica: 1. Agnus Dei
07. Missa Sillabica: 1. Ite missa est
08. Solfeggio
09. And one of the Pharisees
10. Cantate Domino (Salmo 95)
11. Summa (Credo)
12. Seven Magnificent Antiphons: 1. O Weisheit
13. Seven Magnificent Antiphons: 2. O Adonai
14. Seven Magnificent Antiphons: 3. O Spross
15. Seven Magnificent Antiphons: 4. O Schlüssel
16. Seven Magnificent Antiphons: 5. O Morgenstern
17. Seven Magnificent Antiphons: 6. O König
18. Seven Magnificent Antiphons: 7. O Immanuel
19. The Beatitudes
20. Magnificat

Paul Hiller, regente
Theatre of Voices Ensamble, 1996

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (103Mb)


Arvo Pärt (Estônia, 1935)
Passio Domini Nostri Jesu Christi Sedundum Joannen,

01. Passio Domini Nostri Jesu Christi Sedundum Joannen

Paul Hiller, regente
The Hilliard Ensemble, 1994

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (64Mb)

Boa audição.
Bisnaga.