William Primrose – obras para Viola de Henri Casadesus (1879–1947), William Walton (1902–1983), Hector Berlioz (1803–1869) e Niccolò Paganini (1782-1840) [link atualizado 2017]

UM BAITA VIOLISTA !!!

Postado originalmente em 10 de março de 2012.

Damos prosseguimento à nossa sequência de peças para viola, este instrumento tão belo e injustiçado (agora falou alto o meu lado amargo de violista com remorso) e finalmente pousam aqui no P.Q.P.Bach algumas das exímias execuções de William Primrose (1904-1982). O escocês foi um dos maiores violistas que se tem registro, dono de técnica e precisão que deixariam qualquer dos melhores violinistas que já passaram por aí com, no mínimo, uma pontinha de inveja. Seu virtuosismo o levou a ser protagonista de uma quantidade bastante expressiva de gravações, num período em que ainda só existiam os LPs.

Neste LP transformado em CD o violista mostra sua versatilidade em três peças dedicadas ao instrumento.

pseudo-barroco Concerto par Viola que Henri Casadesus compôs e atribuiu a Händel (hoje editado com o nome de “no estilo de Händel) está com o andamento coisa de uns 40% mais rápido que o original, o que faz com que se exacerbe o virtuosismo de Primrose, mas que dificulta a percepção da linha melódica de extrema beleza da música de Casadesus (futuramente encontrarei um CD no qual esse concerto esteja em seu andamento original, mais lento, e o postarei aqui). São escolhas: o virtuosismo em detrimento da melodia… Ainda assim, a peça é extremamente bela, no mesmo nível do Concerto que Casadesus atribuiu a J.C.Bach, não menos apaixonante, que postamos anteriormente aqui. Em seguida nos é apresentado o belo, melodioso e delicado Concerto para Viola de William Walton, com todas as características das composições do século XX (e que você pode comparar com a versão gravada pelo poderoso violista Lawrence Power aqui). Nesta versão, a de Primrose, a regência está sob a batuta de nada menos que o próprio Walton, seu contemporâneo, e talvez por isso esteja mais próxima da concepção de seu autor. Não menos interessante é a terceira peça, do período romântico: a vibrante Haroldo na Itália, do francês Hector Berlioz. É a mais animada para fechar o CD, embora o papel do solo da viola seja o menos destacado das peças do álbum, ainda que os solos sejam muito bonitos. Há ainda uma quarta peça, o assustadoramente eloquente Capricho nº 5 de Niccolò Paganini, em transcrição feita para viola, que coloquei pra vocês como uma faixa-bônus, brindado-os com uma saideira do virtuosismo de William Primrose.

Ouça-o: tudo o que você achava sobre os violistas pode mudar depois desse álbum. Não perca!

Palhinha 1: Primrose executando o Capricho nº5 de Paganini

Palhinha 2: Primrose executando o Capricho nº24 de Paganini

Henri Casadesus (1879–1947)
Concerto para Viola em Si Menor no Estilo de Händel (A)
01. I. Allegro moderato
02. II. Andante ma non troppo
03. III. Allegro molto energico

William Walton (1902–1983)
Concerto para Viola (B)
04. I. Andante comodo
05. II. Vivo, con molto preciso
06. III. Allegro moderato

Hector Berlioz (1803–1869)
Harold in Italy (C)
07. I. Harold nas montanhas
08. II. Marcha dos peregrinos
09. III. Serenata
10. IV. Festa dos bandidos

Niccolò Paganini (1782-1840)
11. (faixa-bônus) Capricho nº 5

William Primrose, viola
A. RCA Victor Orchestra
Frieder Weissmann, regente
B. Philharmonia Orchestra
William Walton, regente
C. Boston Symphony Orchestra
Serge Koussevitsky, regente

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE (112Mb)
Ouça! Deleite-se! … 

Bisnaga

14 comments / Add your comment below

  1. Eita porra. São 7:51 e meu dia começou bem.
    Não ouvi ainda, mas vou baixar AGORA.
    Daqui a pouco volto pra comentar.
    Promessa cumprida, Bisnaga.
    Valeu.

  2. Agora sim que todo mundo vai saber o que é uma viola clássica, ou viola de arco. Se por acaso alguém perguntar: “O que é uma viola de arco?”, é só dizer: “Procura lá no PQP Bach que você vai achar”.
    Esse William Primrose é realmente “primoroso” em seu trabalho, como o próprio nome já diz. (rs)

  3. Eu não conhecia nenhuma das obras. Adorei todas. Impressionante a execução do capricho nº 5. No “Harold in Italy”, de fato, o protagonismo da viola é bem sutil, mas as aparições da viola são belíssimas. Eu tenho cá meus problemas com a arte do século XX, mas gostei do concerto de Walton. Vou até ouvir de novo os cds dele que estão esquecidos em algum lugar do HD. E Casadesus me surpreendeu mais uma vez. Quando for possível, alguém,por favor, poste um cd com as composições dele. Estou curiosíssimo.
    Essas gravações parecem ser bastante raras, pois parecem ter sido gravadas a muito tempo. ?Alguém mais teve essa impressão?
    Por fim, só uma observação: os encartes não estavam no arquivo. Vieram só as faixas e a capa pequenininha.
    Mas foi um ótimo post, Bisnaga.
    Valeu mermo.

    1. Ah, Duda. é dificílimo encontrar gravações das músicas do Casadesus. É desses esquecidos inglórios…
      Do Henri é difícil, do seu irmão, Marius, ainda mais. É mais fácil encontrar as gravações de um sobrinho deles, Robert Casadesus, que foi um grande pianista.

  4. Muito BOM seu site ou blog nao sei, so sei que eh maravilhoso, parabéns pela iniciativa e a forma clara com que escreve os textos, desmistifica aquele olhar rude com que a maioria classifica a música clássica. Muito bom mesmo, PARABÉNS!

  5. Essas lágrimas do violinista me comovem. Graças dou ao Todo Poderoso por ter amgos que nos amam, dando-nos o que de melhor de si éxiste para nossa felicidade.

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