J. S. Bach (1685-1750): A Oferenda Musical (Lifschitz)

J. S. Bach (1685-1750): A Oferenda Musical (Lifschitz)

Bach

A Oferenda Musical

Prelúdio e Fuga ‘Santa Ana’

Três Peças de Frescobaldi

Konstantin Lifschitz, piano

O primeiro disco de Konstantin Lifschitz que ouvi foi seu álbum de estreia, que trazia uma coleção de obras. Começando com a maravilhosa Abertura Francesa de Bach, prosseguia até peças de Scriabin e Medtner, passando por Papillons, de Schumann. O disco do selo Denon de 1994 foi seguido por um outro, gravado em junho de 1994 no Conservatório de Moscou com as Variações Goldberg, firmando assim as credenciais do jovem pianista como grande intérprete de Bach. Depois, silêncio… Não mais ouvi do Konstantin.

O primeiro CD há muito desapareceu de minhas prateleiras (ah, os amigos…), mas o outro, com as Variações do velho Bach, vez e outra frequenta minha vitrola.

Pois eis que chegou pela mala direta do PQP Bach recentemente uma penca de discos do Lifschitz tocando Bach. Ele então está aí, bem ativo. Inclusive, percebi que há uma integral das sonatas para piano do grande Ludovico, gravada ao vivo por ele. Mas isso vou deixar guardado, pois que tempo é largo, mas é finito.

Como queria logo dividir com os caros e insaciáveis seguidores do blog alguma coisa deste excelente pianista, escolhi da penca este que me pareceu muito apetitoso. E gostei tanto que tenho ouvido o mesmo, inteiro quando tempo permite, aos trechinhos quando o tempo escasseia. E é que mesmo com a quarentena e o enfurnamento, há coisas a serem feitas.

O que temos aqui? Um arranjo feito para piano da Oferenda Musical, que todo o mundo sabe (quem não sabe pode começar clicando aqui…) é resultado de uma longa e cansativa viagem que o velho Bach fez até Sanssouci, Potsdam, para pagar uma visita a Frederico, o Grande, e também ver seu filho Carl Philipp Emanuel. O monarca, que era cheio de truques e adorava colocar seus visitantes em uma saia justa (se bem que, no caso de Bach, seria uma peruca justa), desafiou Johann Sebastian a compor uma peça que nem o cão chupando manga conseguiria. Mas vai mexer com quem está quieto. Ouça o Ricercar a 6, na faixa 11 deste disco e começarás a entender o tamanho dos poderes do ‘maior de todos’.

Konstantin Lifschitz ainda acrescenta ao disco o Prelúdio e Fuga em mi bemol maior, BWV 552, apelidado ‘Santa Ana’, escrito originalmente para órgão. Os minutos finais, da fuga, são de tirar o folego. E assim, para baixar a adrenalina e lançar um olhar ao que aconteceu antes de Bach, ele completa o recital com três lindas tocatas de Frescobaldi. Ouçam e me contem vocês!

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Oferenda Musical, BWV 1079 (arranjada para piano por K Lifschitz)
  1. Ricercar a 3
  2. Canon perpetuus super Thema Regium
  3. Canon 1. a 2_ Canon cancrizans
  4. Canon 2. a 2 Violini in uníssono
  5. Canon 3. a 2 per Motum contrarium
  6. Canon 4. a 2 per Augmentationem, contrario Motu
  7. Canon 5. a 2_ Canon circularis per Tonos
  8. Fuga canonica in Epidiapente
  9. Canon a 2 Querendo invenietis
  10. Canon perpetuus
  11. Ricercar a 6
  12. Canon a 4
  13. Triosonate_ Largo
  14. Triosonate_ Allegro
  15. Triosonarte_ Andante
  16. Triosonarte_ Allegro
Prelúdio e Fuga em mi bemol maior, BWV 552 ‘Santa Ana’
  1. Prelúdio
  2. Fuga

Girolamo Frescobaldi (1583 – 1643)

  1. Toccata prima do ‘Primo libro d’Intavolatura di toccate di címbalo et organo’
  2. Toccata quinta do ‘Secondo libro de toccate, canzone… di cembalo et organo’
  3. Toccata seconda do ‘Secondo libro de toccate, canzone… di cembalo et organo’

Konstantin Lifschitz, piano

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Konstantin testando o piano do Salão Nobre da sede do PQP Bach Corp.

Se Konstantin Lifschitz foi ousado ao arranjar a OM para piano, sua interpretação justifica a ousadia. As peças complementares são também excelentes!

Aproveite!

René Denon

Johann Sebastian Bach – Harpsichord Concertos – Fabio Bonizzoni & La Risonanza

Recentemente, nosso querido PQPBach nos brindou novamente com a magnífica série das Cantatas Italianas de Haendel gravadas por Fabio Bonizzoni & La Risonanza e claro que também contando com a cumplicidade da magnífica Roberta Invernizzi , uma coleção absolutamente estonteante,  que já passou aqui pelo blog umas umas duas ou três vezes.

Desta vez trago para os senhores um outro lado dessa turma, o lado solista de Fabio Bonizzoni, que além de excelente maestro, também é um grande cravista, e aqui, em dois CDs, eles tocam os Concertos de Bach para Teclados.

O texto abaixo foi tirado do site da gravadora:

Com seu Quinto Concerto de Brandenburgo de 1719, Bach criou o primeiro concerto de cravo. A partir de 1729, em Leipzig, surgiu a oportunidade de continuar esse experimento: todas as semanas no Café Zimmermann, ele conduzia seu Collegium Musicum em concertos orquestrais que duravam cerca de duas horas. No verão de 1733, ele recebeu "um novo cravo, algo que nunca foi ouvido antes por aqui". Este instrumento magnífico, que apareceu nos concertos de Zimmermann, pedia urgentemente que os concertos fossem tocados por ele como solista, e mais ainda por seus filhos e alunos. Não apenas na Saxônia, mas também muito além, Bach era considerado a autoridade absoluta em todas as coisas, cravo e órgão; assim, ele teve que dar sua própria contribuição ao gênero emergente do “concerto de cravo”. O manuscrito de seus seis concertos de cravo BWV1052 a 1057 deve, portanto, ser entendido como uma coleção de repertórios para seu Collegium musicum e como um manifesto composicional.

Não sei quantas vezes já ouvi essas obras, ou com quantos solistas diferentes. Claro que nomes como Karl Richter, Trevor Pinnock e o recentemente falecido Kenneth Gilbert sempre nos vem à cabeça, com seus registros já considerados históricos. Mas sempre é bom ouvir o que a nova geração tem a nos dizer. E isso Fabio Bonizzoni e sua turma do excelente La Rezonanza fazem com uma tremenda competência, nos mostrando que, mesmo já há quase de duzentos e setenta anos da morte de seu compositor, essas obras continuam atuais e sim, ainda tem muito a nos dizer.

CD 1

1 Harpsichord Concerto No. 1 in D Minor, BWV 1052: I. Allegro
2 Harpsichord Concerto No. 1 in D Minor, BWV 1052: II. Adagio
3 Harpsichord Concerto No. 1 in D Minor, BWV 1052: III. Allegro
4 Harpsichord Concerto No. 2 in E Major, BWV 1053: I. [no tempo marking]
5 Harpsichord Concerto No. 2 in E Major, BWV 1053: II. Siciliano
6 Harpsichord Concerto No. 2 in E Major, BWV 1053: III. Allegro
7 Harpsichord Concerto No. 4 in A Major, BWV 1055: I. Allegro
8 Harpsichord Concerto No. 4 in A Major, BWV 1055: II. Larghetto
9 Harpsichord Concerto No. 4 in A Major, BWV 1055: III. Allegro ma non tanto
10 Harpsichord Concerto No. 5 in F Minor, BWV 1056: I. [no tempo marking]
11 Harpsichord Concerto No. 5 in F Minor, BWV 1056: II. Largo
12 Harpsichord Concerto No. 5 in F Minor, BWV 1056: III. Presto

CD 2

1 Brandenburg Concerto No. 5 in D Major, BWV 1050: I. Allegro
2 Brandenburg Concerto No. 5 in D Major, BWV 1050: II. Adagio
3 Brandenburg Concerto No. 5 in D Major, BWV 1050: III. Allegro
4 Harpsichord Concerto No. 6 in F Major, BWV 1057: I.
5 Harpsichord Concerto No. 6 in F Major, BWV 1057: II. Andante
6 Harpsichord Concerto No. 6 in F Major, BWV 1057: III. Allegro assai
7 Harpsichord Concerto No. 3 in D Major, BWV 1054: I.
8 Harpsichord Concerto No. 3 in D Major, BWV 1054: II. Adagio e piano sempre
9 Harpsichord Concerto No. 3 in D Major, BWV 1054: III. Allegro
10 Concerto for Flute, Violin and Harpsichord in A Minor, BWV 1044: I. Allegro
11 Concerto for Flute, Violin and Harpsichord in A Minor, BWV 1044: II. Adagio ma non tanto e dolce
Concerto for Flute, Violin and Harpsichord in A Minor, BWV 1044: III. Alla breve

Ulrike Slowik – Violin
Marco Brolli – Flute
Fabio Bonizzoni – Harpsichord & Conductor

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Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Six Suites for Viola Solo – Kim Kashkashian

Vou começar o mês de maio trazendo Bach para os senhores. Deixemos Beethoven um pouco de lado, e vamos nos deliciar com este CD absolutamente estonteante da violista armênia Kim Kashkashian.
Este CD foi lançado em outubro de 2018, e o baixei praticamente na mesma época, e ficou guardado em um HD externo, aguardando ser ouvido, porém com o passar do tempo, acabei esquecendo dele. Estive nos dois últimos meses envolvido na recuperação desse HD externo, que apresentava problemas na leitura. Felizmente consegui recuperar praticamente 90% de seu conteúdo.
Kim Kashkashian não é nenhuma novata, ao contrário, sua discografia fala por si só. Sempre envolvida com o repertório mais atual, ela é contratada já há décadas do selo ECM, e seus CDs sempre são muito bem produzidos e gravados, característica dessa gravadora.
Aproveitem que hoje é feriado para degustar esse show de virtuosismo e técnica dessa que é uma das maiores violistas de todos os tempos. Dependendo dos comentários, trago outro CD imperdível dela.
Por algum motivo, a forma com que o CD foi gravado não foi na sequência natural das obras. Não sei a razão, mas é apenas um pequeno detalhe que de forma alguma atrapalha o conjunto da obra.

1. Cello Suite No. 2 in D Minor, BWV 1008 – Transcr. for Viola : 1. Prélude
2. Cello Suite No. 2 in D Minor, BWV 1008 – Transcr. for Viola : 2. Allemande
3. Cello Suite No. 2 in D Minor, BWV 1008 – Transcr. for Viola : 3. Courante
4. Cello Suite No. 2 in D Minor, BWV 1008 – Transcr. for Viola : 4. Sarabande
5. Cello Suite No. 2 in D Minor, BWV 1008 – Transcr. for Viola : 5. Menuet I-II
6. Cello Suite No. 2 in D Minor, BWV 1008 – Transcr. for Viola : 6. Gigue
7. Cello Suite No. 1 in G Major, BWV 1007 – Transcr. for Viola : 1. Prélude
8. Cello Suite No. 1 in G Major, BWV 1007 – Transcr. for Viola : 2. Allemande
9. Cello Suite No. 1 in G Major, BWV 1007 – Transcr. for Viola : 3. Courante
10. Cello Suite No. 1 in G Major, BWV 1007 – Transcr. for Viola : 4. Sarabande
11. Cello Suite No. 1 in G Major, BWV 1007 – Transcr. for Viola : 5. Menuet I-II
12. Cello Suite No. 1 in G Major, BWV 1007 – Transcr. for Viola : 6. Gigue
13. Cello Suite No. 5 in C Minor, BWV 1011 – Transcr. for Viola : 1. Prélude
14. Cello Suite No. 5 in C Minor, BWV 1011 – Transcr. for Viola : 2. Allemande
15. Cello Suite No. 5 in C Minor, BWV 1011 – Transcr. for Viola : 3. Courante
16. Cello Suite No. 5 in C Minor, BWV 1011 – Transcr. for Viola : 4. Sarabande
17. Cello Suite No. 5 in C Minor, BWV 1011 – Transcr. for Viola : 5. Gavotte I-II
18. Cello Suite No. 5 in C Minor, BWV 1011 – Transcr. for Viola : 6. Gigue
19. Cello Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 1010 – Transcr. for Viola : 1. Prélude
20. Cello Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 1010 – Transcr. for Viola : 2. Allemande
21. Cello Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 1010 – Transcr. for Viola : 3. Courante
22. Cello Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 1010 – Transcr. for Viola : 4. Sarabande
23. Cello Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 1010 – Transcr. for Viola : 5. Bourrée I-II
24. Cello Suite No. 4 in E-Flat Major, BWV 1010 – Transcr. for Viola : 6. Gigue
25. Cello Suite No. 3 in C Major, BWV 1009 – Transcr. for Viola : 1. Prélude
26. Cello Suite No. 3 in C Major, BWV 1009 – Transcr. for Viola : 2. Allemande
27. Cello Suite No. 3 in C Major, BWV 1009 – Transcr. for Viola : 3. Courante
28. Cello Suite No. 3 in C Major, BWV 1009 – Transcr. for Viola : 4. Sarabande
29. Cello Suite No. 3 in C Major, BWV 1009 – Transcr. for Viola : 5. Bourrée I-II
30. Cello Suite No. 3 in C Major, BWV 1009 – Transcr. for Viola : 6. Gigue
31. Cello Suite No. 6 in D Major, BWV 1012 – Transcr. for Viola : 1. Prélude
32. Cello Suite No. 6 in D Major, BWV 1012 – Transcr. for Viola : 2. Allemande
33. Cello Suite No. 6 in D Major, BWV 1012 – Transcr. for Viola : 3. Courante
34. Cello Suite No. 6 in D Major, BWV 1012 – Transcr. for Viola : 4. Sarabande
35. Cello Suite No. 6 in D Major, BWV 1012 – Transcr. for Viola : 5. Gavotte I-II
36. Cello Suite No. 6 in D Major, BWV 1012 – Transcr. for Viola : 6. Gigue

Kim Kashkashian – Viola

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Kim Kashkashian dá uma palhinha no salão principal da sede do PQPBach

The Art of Anne Sofie von Otter – 2013


The Art of
Anne Sofie von Otter

Anne Sofie von Otter é uma das principais mezzo-soprano da atualidade, conhecida por sua versatilidade em papéis de óperas, suas interessantes opções de recitais e sua disposição em assumir riscos vocais. Seu pai era um diplomata sueco cuja carreira levou a família a Bonn, Londres, e de volta a Estocolmo enquanto Anne Sofie estava crescendo. Como resultado, ela ganhou fluência em idiomas. Estudou música na Guildhall School of Music and Drama, em Londres. Sua principal professora de voz era Vera Rozsa, enquanto Erik Werba e Geoffrey Parsons a treinavam na interpretação de lieder.

Ela ganhou um contrato com a Basle Opera em 1983 e permaneceu na empresa até 1985, estreando como Alcina no Orlando Paladino de Franz Joseph Haydn. Ela também assumiu vários papéis masculinos escritos para mezzo-sopranos femininos, incluindo Cherubino no casamento de Mozart com Figaro, Hänsel no Hänsel und Gretel de Humperdinck e Orpheus no Orfée et Eurydice de Gluck. Em 1984, estreou no Festival de Aix-en-Provence como Ramiro em La Finta Giardiniera, de Mozart. Outras interpretações incluem Otaviano em Rosenkavalier de Strauss, o Compositor em Ariadne auf Naxos de Strauss e o papel-título de Tancredi de Rossini, entre outros.

Uma mulher alta e escultural, ela sente-se em casa em inúmeras séries de óperas do século XVIII, nas quais vozes altas costumavam interpretar os heróis. Ela cantou em Covent Garden, La Scala, Berlim, Munique, Roma e outras grandes casas de ópera.

Outra razão para a alta proporção de óperas da era barroca e clássica em seu repertório é uma importante relação de trabalho com o maestro John Eliot Gardiner, maestro britânico que começou como especialista em barroco. Ela fez o primeiro teste para ele em 1985, mas não conseguiu impressionar. Foi apenas com uma chance subseqüente para ele ouvi-la que ele começou a trabalhar com ela. Ela se juntou a ele em gravações da Nona Sinfonia de Beethoven; Clemenza di Tito de Mozart, Idomeneo e Requiem; Favola d’Orfeo de Monteverdi e L’Incoronazione di Poppea; Agripina e Jefté, de Handel; Orfée et Eurydice, de Gluck; e Oratório de Natal de Bach e St. Matthew Passion. Ele também conduziu a gravação de Seven Deadly Sins, de Weill, por von Otter, e selecionou músicas de teatro. Gravações significativas desde 2000 incluem Terezin / Theresienstadt, música do campo de concentração, e Boldemann, Gefors, Hillborg, canções orquestrais suecas contemporâneas.

Seu outro grande parceiro artístico é o pianista sueco Bengt Forsberg, seu parceiro de recital. Como Forsberg é um dos principais estudiosos no campo da literatura musical, von Otter conta com ele para sugerir músicas e organizar os programas de seus recitais. Com ele, ela se especializou em lieder desde os períodos do início e do final do período romântico, incluindo gravações bem recebidas de músicas de Schubert, Schumann, Brahms, Zemlinsky, Korngold e Mahler, além dos compositores românticos nórdicos, Alfvén, Rangstrom, Stenhammer e Sibelius.

Ela aprecia cantar músicas nas tonalidades especificadas originalmente pelos compositores. Quando ela veio gravar Seven Deadly Sins de Kurt Weill, ela usou a versão original para soprano alto, uma gama que ela possui, em vez da versão mezzo-soprano tradicional que foi feita para Lotte Lenya no final da carreira do cantor. Von Otter também gravou Seven Early Songs de Alban Berg, também música que é uma tensão para muitos sopranos. Além disso, ela não é avessa a esticar a voz para obter um efeito dramático. “Eu acredito em efeitos de choque”, ela disse uma vez em uma entrevista. No entanto, após os 40 anos de idade, ela teve algumas experiências particularmente ruins como resultado dessas duas tendências e, ela admite, magoou a voz. Como resultado, ela decidiu ser “sensata” e transpor para baixo. (extraído da internet)

Jacques Offenbach, nascido Jakob Eberst (Colônia, 1819 – Paris 1880)
1. Les Contes d’Hoffmann – Act – 1. Entr’acte (Barcarolle)
Anne Sofie von Otter, Stéphanie d’Oustrac & Les Musiciens du Louvre, Marc Minkowski & Chorus Of Les Musiciens Du Louvre

Franz Schubert (Austria, 1797 – 1828)
2. “Ellens Gesang III”, D839
Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg

Gioachino Antonio Rossini (Pésaro, Italy, 1792-Passy, Paris, 1868)
3. La Cenerentola, Act 2 “Nacqui all’affanno e al pianto”
Anne Sofie von Otter, Orchestra Of The Frankfurt Opera, James Levine

Edvard Grieg (Noruega, 1843 – 1907)
4. Haugtussa – Song Cycle, Op.67, Killingdans
Anne Sofie von Otter & Bengt Forsberg (piano)

Franz Schubert (Austria, 1797 – 1828)
5. Im Abendrot, D.799
Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg

Kurt Weill (1900 – 1950)
One Touch of Venus
6. I’m A Stranger Here Myself
Anne Sofie von Otter, NDR-Sinfonieorchester, John Eliot Gardiner

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)
St. Matthew Passion, BWV 244 – Part Two
7. No.47 Aria (Alto): “Erbarme dich, mein Gott”
Anne Sofie von Otter, Fredrik From, Baroque Concerto Copenhagen, Lars Ulrik Mortensen

Pyotr Ilyich Tchaikovsky (1840 – 1893)
Eugene Onegin, Op.24, TH. – Act 1
8. Scene and Aria. “Kak ya lyublyu pod zvuki pesen etikh” – “Uzh kak po mostu, mostochku”
Mirella Freni, Anne Sofie von Otter, Staatskapelle Dresden, James Levine

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)
Requiem in D Minor, K. 626, compl. by Franz Xaver Süssmayer
9. 6. Benedictus

Anne Sofie von Otter, Barbara Bonney, Hans Peter Blochwitz, Willard White, English Baroque Soloists, John Eliot Gardiner

Edvard Grieg (1843 – 1907)
Haugtussa – Song Cycle, Op.67
10. Ved gjaetle – bekken
Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)
La clemenza di Tito, K. 621, Act 1
11. “Parto, ma tu ben mio”
12. “Oh Dei, che smania è questa”
Anne Sofie von Otter, English Baroque Soloists, John Eliot Gardiner

Kurt Weill (1900 – 1950)
One Touch of Venus
13. Speak Low
Anne Sofie von Otter, NDR-Sinfonieorchester, John Eliot Gardiner

George Frideric Handel (1685 – 1759)
Il pianto di Maria: “Giunta l’ora fatal” HWV 234
14. Cavatina: “Se d’un Dio fui fatta Madre”
Anne Sofie von Otter, Musica Antiqua Köln, Reinhard Goebel

Gustav Mahler (1860 – 1911)
Rückert-Lieder, Op. 44
15. 2. Liebst du um Schönheit
Anne Sofie von Otter, NDR-Sinfonieorchester, John Eliot Gardiner
16. Serenade (from: “Don Juan”)
Anne Sofie von Otter, Ralf Gothoni

George Frideric Handel (1685 – 1759)
Ariodante, HWV 33Act 2
17. “Tu preparati a morire”
Anne Sofie von Otter, Les Musiciens du Louvre, Marc Minkowski

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)
Idomeneo, re di Creta, K.366Act 1
18. “Il padre adorato”
Anne Sofie von Otter, English Baroque Soloists, John Eliot Gardiner

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)
Mass in B Minor, BWV 232
Kyrie: No.1 Kyrie eleison
19. Agnus Dei
Widerstehe doch der Sünde, Cantata BWV 54
20. 1. “Widerstehe doch der Sünde”
Anne Sofie von Otter, Baroque Concerto Copenhagen, Lars Ulrik Mortensen

Edvard Grieg (1843 – 1907)
Haugtussa – Song Cycle, Op.67
21. Elsk
Kurt Weill (1900 – 1950)
22. Berlin im Licht – Song
Franz Schubert (1797 – 1828)
23. Der Wanderer an den Mond, D.870, op.80, no.1
Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg

Christoph Willibald von Gluck (1714 – 1787)
Paride ed Elena, Wq 39Act 1
24. “O del mio dolce ardor”
Anne Sofie von Otter, Paul Goodwin, The English Concert, Trevor Pinnock

George Frideric Handel (1685 – 1759)
Hercules, HWV 60Act 2
25. Aria: “When beauty sorrow’s liv’ry wears”
Anne Sofie von Otter, Les Musiciens du Louvre, Marc Minkowski

Edvard Grieg (1843 – 1907)
Haugtussa – Song Cycle, Op.67
26. Det syng
27. Med en Vandilje, Op.25, No.4
Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg

Claudio Monteverdi (1567 – 1643)
L’incoronazione di Poppea, SV 308Act 2
28. Adagiati, Poppea – Oblivion soave (Arnalta)
Anne Sofie von Otter, Jakob Lindberg, Jory Vinikour

Johannes Brahms (1833 – 1897)
Fünf Lieder, Op.47
29. 3. Sonntag “So hab ich doch”
Franz Schubert (1797 – 1828)
30. Im Walde D 708
Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg

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Palhinha: ouça: 14. Cavatina: “Se d’un Dio fui fatta Madre”

Por gentileza, quando tiver problemas para descompactar arquivos com mais de 256 caracteres, para Windows, tente o 7-ZIP, em https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ e para Mac, tente o Keka, em http://www.kekaosx.com/pt/, para descompactar, ambos gratuitos.

If you have trouble unzipping files longer than 256 characters, for Windows, please try 7-ZIP, at https://sourceforge.net/projects/sevenzip/ and for Mac, try Keka, at http://www.kekaosx.com/, to unzip, both at no cost.

Boa audição!

Avicenna

J. S. Bach (1685-1750): Capriccio BWV 992, Präludium & Fuge BWV 894, Aria variata BWV 989, Toccaten BWV 910, 911, 912 (Kenneth Gilbert, cravo)

Kenneth Gilbert, morto em abril de 2020, foi um dos cravistas mais importantes do século XX. Provavelmente está entre os intérpretes favoritos de PQP e FDP para a música do pai deles… Então o que explica a ausência de discos dele entre os mais de 600 discos do Pai de Todos já postados por aqui? A maioria dos CDs de Bach por Gilbert foi gravada nos anos 1980 e 90, foram muito ouvidos, apreciados, respeitados… mas (aqui já é divagação minha!) talvez por serem todos tão bem gravados em instrumentos belíssimos, tão bem tocados, sem defeitos mas também sem grandes surpresas, não voltam todo dia à memória.

Além de ter realizado gravações de referência de F. Couperin (obras completas em 10 CDs) e de Bach, ele também foi professor de muita gente famosa, como Scott Ross, que fez sucesso com sua barba cheia e jaquetas de couro, e Jos van Immerseel, pioneiro no uso de pianos de época e também maestro… Talvez a figura não tão midiática e fotogênica de Kenneth Gilbert tenha contribuído para o seu relativo esquecimento.

E a música? As gravações de Gilbert, como vocês já viram com as Suítes de Haendel, são de um bom gosto impecável. Alguns poderão desejar uns ornamentos mais excêntricos, uns andamentos diferentões, pausas dramáticas para reflexão e tal. Não é o caso aqui: é tudo estritamente fiel às partituras. O cravista se apaga para jogar os holofotes sobre o compositor.

No caso do CD de hoje, são obras de juventude de J.S.Bach, provavelmente compostas entre 1703 e 1717, embora seja difícil dizer as datas exatas. Elas mostram o quanto Bach admirava a música italiana feita poucos anos antes, especialmente a de Vivaldi. Uma curiosidade: após a Aria variata alla maniera italiana, Bach ficaria mais de 30 anos sem compor obras para cravo no formato de Tema e Variações. Esse jejum (no qual ele compôs variações para órgão, mas não para o cravo) seria quebrado, é claro, em 1741 com as Variações Goldberg.

Escrito quando seu irmão Johann Jacob Bach deixou a família para se tornar oboísta na corte de Carlos XII da Suécia, o Capriccio sopra la lontananza del suo fratello dilettissimo (Capricho para a partida de seu amado irmão) é o único exemplo de música instrumental programática de J.S. Bach. O título de cada movimento evoca acontecimentos e sensações, de início com os amigos tentando dissuadi-lo da viagem e, no final, com a imitação da corneta que ele tocará na corte do rei. Não só essas descrições poéticas dos movimentos, traduzidas em português logo abaixo, como também o andamento do movimento central, Adagiosissimo (palavra que Bach nunca mais usaria), são muito mais típicos do romantismo de um Schumann do que do mestre supremo da música protestante que Johann Sebastian se tornaria.

Johann Sebastian Bach (1685-1750)
Capriccio BWV 992 · Präludium & Fuge BWV 894 · Aria BWV 989 · Toccaten BWV 910 · 911 · 912
1-2. Prelude and fugue in A minor, BWV 894
3-6. Toccata in G minor, BWV 915
7-10. Toccata in C minor, BWV 911
11-15. Toccata in F sharp minor, BWV 910
16-26. Aria variata alla maniera italiana, in A minor, BWV 989
27-32.Capriccio sopra la lontananza del suo fratello dilettissimo, in B flat major, BWV 992
I. Arioso : Adagio (É uma brincadeira de seus amigos para dissuadi-lo de partir)
II. [sem andamento registrado] (Ilustração de vários perigos que podem lhe acontecer no país estrangeiro)
III. Adagiosissimo (Um lamento de todos os seus amigos)
IV. [sem andamento registrado] (Aqui, os amigos se despedem, vendo que ele não mudará de ideia)
V. Aria di postiglione. Allegro poco, (Ária imitando uma corneta)
VI. Fuga all’imitazione della cornetta di postiglione, (Fuga imitando uma corneta)

Kenneth Gilbert – harpsichord/cravo/clavecin by Jean Couchet (Antwerp, 1671), restored and enlarged by Blanchet (Paris, 1759) and Taskin (Paris, 1778). Two manuals. Pitch: A = 415 Hz.
Recording: Chartres, Musée de Cloître Notre Dame, Salle Italienne, 2/1992.
Cover illustration: detail of the harpsichord

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Kenneth Gilbert (1931-2020): careca, terno bem cortado, um rosto um tanto comum, mas a música não é nada trivial

Pleyel

Grigory Sokolov, 70 anos [Johann Sebastian Bach (1685-1750): Variações Goldberg – Ludwig van Beethoven (1770-1827): Variações Diabelli] #BTHVN250


O mais legendário dos pianistas vivos completou setenta anos no sábado passado, e nós aqui, tsc, nem para lhes darmos os parabéns! Queremos crer que eles, que chegam atrasados, provavelmente não fizeram falta a Grigory Sokolov, que deve ter passado seu natalício em sua casa a contemplar um lago italiano, possivelmente alheio ao fordunço que virou o mundo do avesso, e quiçá mesmo a engordar seu já imenso repertório com alguma outra peça que, assim queremos, em muito breve apresentará para assombro do mundo que o idolatra.

Sokolov aos 17 anos

Avesso a publicidade e notoriamente recluso, Sokolov abre pouquíssimas janelas para seus idólatras. Quase não dá entrevistas, não gosta de tocar com orquestras, odeia a rotina dos estúdios. Assim, só deixa aos fãs a opção de ouvi-lo nos palcos – ao vivo ou em gravações, a maior parte das quais não autorizadas, muitas de qualidade sofrível, e invariavelmente disputadas a tapa no imenso escambo que delas há mundo afora (eu próprio tenho umas quantas, algumas ainda em fita cassete). Suas apresentações, entremeadas por temporadas sabáticas dedicadas à leitura e aos estudos, são cada vez mais restritas: não toca nas Américas há décadas, e há algum tempo deixou de incluir o Reino Unido em suas turnês, revoltado com a burocracia envolvida na obtenção de vistos. Não há hype nem ansiedade antecipatória bastantes para seus recitais, com ingressos normalmente esgotados com toda antecedência possível, sempre com dezenas de cadeiras extras no palco, e abarrotados de gente que vem de longe disposta a pendurar-se nos lustres para vê-lo tocar. Quando ele entra em cena, ouvem-se aplausos muitas vezes contidos, como se houvesse dúvidas sobre a capacidade daquele tipo atarracado e barrigudo, de cabeleira lisztiana, praticamente uma caricatura dum pianista de concerto, honrar tantas expectativas.

Seus fãs, claro, não têm a menor dúvida: é só ele atacar o teclado, e o estupor começa. “Gênio”, sussurram. “Monstro”. “Lenda”.

Sim, Sokolov é tudo isso, e muito mais que se possa descrever. “Sobre-humano”, já ouvi dizerem  – e sim, talvez seja um bom ponto de partida. Nunca deixo de me impressionar com a grandeza da concepção, com o controle absoluto do todo e de tudo, e com a naturalidade com que ele entrega ao mundo suas leituras inconfundivelmente pessoais, e ainda assim reverentes às intenções dos compositores. O culto a Grisha – sim, os sokolovmaníacos chamam-no pelo apelido – não se atém somente ao primor técnico do mestre, que é óbvio, e às proezas prestidigitadoras, como as que podem testemunhar no vídeo abaixo. A Grande Fraternidade Sokolóvica venera, acima de tudo, seu poder de recriar as obras com imensa singularidade a cada revisita e, com seu arsenal inesgotável de recursos, fazê-lo duma maneira tão convincente que não pareça possível concebê-las de outra maneira.

Ainda que seja um mago que tudo consegue, costuma escolher andamentos mais comedidos que a praxe, de maneira a poder melhor expor suas ideias. Sua postura hipercurva ao teclado, como se quisesse atirar-se sobre ele, a recusa a gestos histriônicos de bravado, denotam uma profunda concentração, como se não desejasse despender qualquer energia com supérfluos. Nenhuma de suas extraordinárias interpretações é semelhante a qualquer outra, inclusive às suas próprias de outrora. E assim eu poderia seguir, tecendo minha guirlanda de superlativos, sem que eu lhes conseguisse dar a ideia mais tíbia do que Sokolov é capaz de fazer.

Sokolov com Emil Gilels e Misha Dichter no Concurso Internacional Tchaikovsky em Moscou, vencido por Sokolov aos 17 anos, quando ainda era aluno do Conservatório de sua Leningrado natal.

Por isso, ainda bem, temos a Música. E é com grande música que saúdo os setenta anos desse gênio do teclado, oferecendo aos leitores-ouvintes duas gravações feitas ainda na Rússia, com as maiores obras em variações de todos os tempos: as “Goldberg” do demiurgo Bach, e as “Diabelli” de seu profeta Beethoven. No começo, provavelmente, estranharão a lentidão dos andamentos tanto quanto desejarão mandar pastilhas para as tussígenas plateias russas. Tenho certeza, também, de que acharão bizarra a maneira com que Sokolov aborda a tola valsinha de Diabelli, até que o desenrolar das variações mostre que ele não a poderia ter tocado de outra maneira. Ao final dessas horas a escutar o maior dos pianistas, só haverá em vós outros, creio eu, pasmo e energia para um singelo “amém” – mas, se lhes sobrar para algo mais, não deixem de dar ao mestre seus merecidos parabéns.

ooOoo

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

 CD1

Ária e trinta variações para teclado, BWV 988, “Variações Goldberg”

1 – Aria
2 – Variatio 1. a 1 Clav.
3 – Variatio 2. s 1 Clav.
4 – Variatio 3. Canone All’Unisuono a 1 Clav.
5 – Variatio 4. a 1 Clav.
6 – Variatio 5. a 1 Ovvero 2 Clav.
7 – Variatio 6. Canone alla Seconda a 1 Clav.
8 – Variatio 7. a 1 Ovvero 2 Clav.
9 – Variatio 8. a 2 Clav.
10 – Variatio 9. Canone alla Terza. a 1 Clav.
11 – Variatio 10. Fughetta a 1 Clav.
12 – Variatio 11. a 2 Clav.
13 – Variatio 12. Canone alla Quarta
14 – Variatio 13. a 2 Clav.
15 – Variatio 14. a 2 Clav.
16 – Variatio 15. Canone alla Quinta a 1 Clav. Andante
17 – Variatio 16. Ouverture a 1 Clav.
18 – Variatio 17. a 2 Clav.
19 – Variatio 18. Canone alla Sexta a 1 Clav.
20 – Variatio 19. a 1 Clav.
21 – Variatio 20. a 2 Clav.
22 – Variatio 21. Canone alla Settima a 1 Clav.
23 – Variatio 22. a 1 Clav. Alla Breve
24 – Variatio 23. a 2 Clav.
25 – Variatio 24. Canone all’Ottava a 1 Clav.

 

CD2

1 – Variatio 25. a 2 Clav.
2 – Variatio 26. a 2 Clav.
3 – Variatio 27. Canone alla Nona a 2 Clav.
4 – Variatio 28. a 2 Clav.
5 – Variatio 29. A 1 Ovvero 2 Clav.
6 – Variatio 30. Quodlibet a 1 Clav.
7 – Aria Da Capo
Partita no. 2 em Dó menor, BWV 826
8 – Sinfonia
9 – Allemande
10 – Courante
11 – Sarabande
12 – Rondeau
13 – Capriccio
Suíte Inglesa no. 2 em Lá menor, BWV 807
14 – Prelude
15 – Allemande
16 – Courante
17 – Sarabande
18 – Bourrée I
19 – Bourrée II – Bourrée I da capo
20 – Gigue

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CD3

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Trinta e três variações para piano sobre uma valsa de Anton Diabelli, em Dó maior, Op. 120

1 – Thema: Vivace
2 – Variation 1: Alla marcia maestoso
3 – Variation 2: Poco allegro
4 – Variation 3: L’istesso tempo
5 – Variation 4: Un poco più vivace
6 – Variation 5: Allegro vivace
7 – Variation 6: Allegro ma non troppo e serioso
8 – Variation 7: Un poco più allegro
9 – Variation 8: Poco vivace
10 – Variation 9: Allegro pesante e risoluto
11 – Variation 10: Presto
12 – Variation 11: Allegretto
13 – Variation 12: Un poco più moto
14 – Variation 13: Vivace
15 – Variation 14: Grave e maestoso
16 – Variation 15: Presto scherzando
17 – Variation 16: Allegro
18 – Variation 17: Allegro
19 – Variation 18: Poco moderato
20 – Variation 19: Presto
21 – Variation 20: Andante
22 – Variation 21: Allegro con brio – Meno allegro – Tempo primo
23 – Variation 22: Allegro molto, alla « Notte e giorno faticar » di Mozart
24 – Variation 23: Allegro assai
25 – Variation 24: Fughetta (Andante)
26 – Variation 25: Allegro
27 – Variation 26: (Piacevole)
28 – Variation 27: Vivace
29 – Variation 28: Allegro
30 – Variation 29: Adagio ma non troppo
31 – Variation 30: Andante, sempre cantabile
32 – Variation 31: Largo, molto espressivo
33 – Variation 32: Fuga: Allegro
34 – Variation 33: Tempo di Menuetto moderato

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Grigory Sokolov, piano

– Caramba, DE NOVO o platinado?

Vassily

 

 

 

 

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Partitas & Sonatas for Violin Solo – Jaap Schröder

ATUALIZANDO LINK DESSE CDZAÇO. IMPERDÍVEL !!! Jaap Schroeder não quis saber o que vinha pela frente neste ano de 2020. Faleceu exatamente no primeiro dia do ano. Uma grande perda na História da Música. 

Graças ao selo Naxos tive acesso a esta histórica gravação do grande violinista barroco holandês Jaap Schröder, um dos maiores especialistas na técnica barroca de interpretação violinística em instrumentos chamados autênticos. Tem uma longa carreira, e uma longa discografia que o qualificam como um dos principais divulgadores da música do período barroco ao clássico em instrumentos de cordas historicamente autênticos.

Mesmo já tendo passado trinta e poucos anos de sua gravação, realizada dentro de uma Igreja em Basel, Suiça, estas leituras mostram toda a técnica e versatilidade deste grande músico, que já tocou no mundo todo, com todos os tipos de orquestras, conjuntos de câmara, e que com certeza influenciou todos os grandes violinistas da atualidade, principalmente nossas atuais musas do Barroco, Amandine Beyer e Rachel Podger.

Claro que se trata de um CD para se ouvir com calma e tranquilidade, de preferência com um bom fone de ouvido. Facilmente colocamos nele o selo de qualidade do PQPBach de IM-PER-DI-VEL !!!

CD 1

1- 4 Sonata nº 1, in G Minor, BWV 1001
5 – 12 Partita nº 1, in B Minor, BWV 1002
13 – 16 Sonata nº 2, in A minor, BWV 1003

CD 2

1 – 5 Partita nº2, in D Minor, BWV 1004
6 – 9 Sonata nº 3, in C Major, BWV 1005
10 – 15 Partita nº 3, in E Minor, BWV 1006

Jaap Schröder – Baroque Violin

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Jaap Schröder e Christopher Hogwood trocando figurinhas

 

J. S. Bach (1685-1750): O Cravo Bem Temperado – Livro I – Trevor Pinnock, cravo

J. S. Bach (1685-1750): O Cravo Bem Temperado – Livro I – Trevor Pinnock, cravo

Bach

O Cravo Bem Temperado

Livro I

Trevor Pinnock

 

O que poderia ser apenas um tratado sobre as tonalidades, um caderno de exercícios, se viesse de uma mente menos genial, revela-se, nas mãos de um intérprete talentoso, uma genuína obra de arte.

O Cravo Bem Temperado é mais um monumento criado por Bach, que reunia preocupação com educação musical, talento criativo, profundo conhecimento musical e, sobretudo, uma genialidade artística grandiosa.

A primeira vez que ouvi alguns destes Prelúdios e Fugas foi em um velho LP com gravações de Wanda Landowska. O nome da obra me sugeria doce de abóbora, temperado com cravo. Pois é, minhas escolhas musicais já foram guiadas pelo estomago….

Depois ouvi András Schiff, Gulda e Gould, estes ao piano. Também a clássica gravação ao cravo de Kenneth Gilbert, com a famosa ilustração do Homem Vitruviano.

Mas hoje, as honras são para este músico completo, pioneiro dos instrumentos de época, Trevor Pinnock. Há pouco tempo fiz uma postagem de um antigo disco dele, na qual mencionava sua disposição de gravar o Cravo Bem Temperado. Pois aqui está o primeiro livro.

Uma palhinha, aqui.

Veja como ele se refere a esta música:

A minha jornada com o Cravo Bem Temperado tem sido de uma vida toda. O meu primeiro encontro com esta obra foi quando tinha uns 12 anos, quando alguém me deu um volume dourado e rosa, uma velha edição feita por Czerny, que agora sabemos ser notoriamente não confiável. Isto deu-me horas de descobertas. Alguns anos depois eu ouvi todos os prelúdios e fugas, interpretados ao piano, pelo rádio, e fui fisgado. Quando tinha uns vinte anos, gravei alguns prelúdios e fugas para uma transmissão de rádio e eu soube que algum dia eu tocaria todos eles. No entanto, a montanha parecia impossível de ser escalada e Bach, um duro e formidável mestre ao propor tarefas. Como eu poderia aprofundar-me na densidade de algumas destas fugas, sem mesmo considerar entende-las?
Assim, apesar de posteriormente tocar vários outros prelúdios e fugas, um plano de gravar todos os prelúdios e fugas foi repetidamente sendo adiado ao longo de dez anos, até recentemente, quando decidi que não mais poderia adiar. Agora eles serão uma parte central de mim pelo resto da minha vida.

O texto original em inglês pode ser encontrado aqui. Você poderá ouvir o próprio Trevor. Confira aqui.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

O Cravo Bem Temperado – Livro I

Trevor Pinnock, cravo

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FLAC | 692 MB

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MP3 | 320 KBPS | 285 MB

Assim, baixe logo o arquivo, recoste-se na confortável poltrona e aproveite!

Como diria um certo grande mestre: IM-PER-DÍ-VEL!!!!

René Denon

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Johannes Passion – René Jacobs, RIAS Kammerchor, Akademie für Alte Musik Berlin

Não vou me extender em maiores considerações sobre essa obra, já temos postagens dela bem descritivas, inclusive a recém postada pelo colega René Denon. Pretendo apenas dar a minha colaboração para com a ocasião da Páscoa. Não sou cristão praticante, de vez em quando acompanho minha esposa nos cultos da Igreja Luterana, comunidade da qual ela faz parte. Mas a música de Bach ultrapassa essas barreiras, ela é atemporal.
Estou trazendo para os senhores uma belíssima gravação de René Jacobs, gravada recentemente. É tudo tão magnífico, belo, perfeito, que me faltam adjetivos para classificá-la. Ouçam com atenção, leiam o texto do booklet, imprescindível para quem quer se aprofundar mais na obra, e assistam ao vídeo do ensaio que disponibilizo junto aos links dos CDs. René Jacobs gravou essa obra anteriormente, como contratenor, e conhece muito bem a obra.
IM-PER-DÍ-VEL !!! Assim como outras gravações desta obra que já disponibilizamos aqui.

CD 1

01. JOHANNES-PASSION, BWV 245 – ERSTER TEIL. Nr. 1. Exordium “Herr, unser Herrscher”
02. Nr. 2a. Evangelist, Jesus “Jesus ging mit seinen Jüngern über den Bach Kidron” – Nr. 2b. Turba “Jesum von Nazareth!” – Nr. 2c. Evangelist, Jesus – Nr. 2d. Turba – Nr. 2e. Evangelist, Jesus
03. Nr. 3. Choral “O große Lieb, o Lieb ohn’ alle Maße”
04. Nr. 4. Evangelist, Jesus “Auf daß das Wort erfüllet würde”
05. Nr. 5. Choral “Dein Will gescheh, Herr Gott, zugleich”
06. Nr. 6. Evangelist “Die Schar aber und der Oberhauptmann”
07. Nr. 7. Arie (Alt) “Von den Stricken meiner Sünden”
08. Nr. 8. Evangelist “Simon Petrus aber folgete Jesu nach”
09. Nr. 9. Arie (Sopran) “Ich folge dir gleichfalls mit freudigen Schritten”
10. Nr. 10. Evangelist, Ancilla, Petrus, Jesus, Servus “Derselbige Jünger”
11. Nr. 11. Choral “Wer hat dich so geschlagen”
12. Nr. 12a. Evangelist “Und Hannas standte ihn gebunden” – Nr. 12b. Turba “Bist du nicht seiner Jünger einer” – Nr. 12c. Evangelist, Petrus, Servus
13. Nr. 13. Arie (Tenor) “Ach, mein Sinn, wo willst du endlich hin”
14. Nr. 14. Choral “Petrus, der nicht denkt zurück”
15. ZWEITER TEIL. Nr. 15. Choral “Christus, der uns selig macht”
16. Nr. 16a. Evangelist, Pilatus “Da führeten sie Jesum von Kaiphas vor das Richthaus” – Nr. 16b. Chorus – Nr. 16c. Evangelist, Pilatus – Nr. 16d. Turba – Nr. 16e. Evangelist, Pilatus, Jesus
17. Nr. 17. Choral “Ach großer König, groß zu allen Zeiten”
18. Nr. 18a. Evangelist, Pilatus, Jesus “Da sprach Pilatus zu ihm” – Nr. 18b. Turba “Nicht diesen, sondern Barrabam!” – Nr. 18c. Evangelist
19. Nr. 19. Arioso (Baß) “Betrachte, meine Seel, mit ängstlichem Vergnügen”
20. Nr. 20. Arie (Tenor) “Erwäge, wie sein blutgefärbter Rücken”
21. Nr. 21a. Evangelist “Und die Kriegsknechte flochten eine Krone von Dornen” – Nr. 21b. Turba – Nr. 21c. Evangelist, Pilatus – Nr. 21d. Turba “Kreuzige, kreuzige!” – Nr. 21e. Evangelist, Pilatus – Nr. 21f. Turba – Nr. 21g. Evangelist, Pilatus, Jesus
22. Nr. 22. Choral “Durch dein Gefängnis, Gottes Sohn”
23. Nr. 23a. Evangelist “Die Jüden aber schrieen und sprachen” – Nr. 23b. Turba – Nr. 23c. Evangelist, Pilatus – Nr. 23d. Turba – Nr. 23e. Evangelist – Nr. 23f. Turba – Nr. 23g. Evangelist
24. Nr. 24. Arie (Baß) – Chor “Eilt ihr angefochtnen Seelen – Wohin”

CD 2

01. Nr. 25a. Evangelist “Allda kreuzigten sie ihn” – Nr. 25b. Turba “Schreibe nicht der Jüden König” – Nr 25c. Evangelist, Pilatus
02. Nr. 26. Choral “In meines Herzens Grunde”
03. Nr. 27a. Evangelist “Die Kriegsknechte aber, da sie Jesum gekreuziget hatten” – Nr. 27b. Turba – Nr. 27c. Evangelist
04. Nr. 28. Choral “Er nahm alles wohl in acht”
05. Nr. 29. Evangelista, Jesus “Und von Stund an nahm sie der Jünger zu sich”
06. Nr. 30. Arie (Alt) “Es ist vollbracht!”
07. Nr. 31. Evangelist “Und neiget das Haupt und verschied”
08. Nr. 32. Arie (Baß) “Mein teurer Heiland, laß dich fragen” – Choral “Jesu, der du warest tot”
09. Nr. 33. Evangelist “Und siehe da, der Vorhang im Tempel zerriß”
10. Nr. 34. Arioso (Tenor) “Mein Herz, indem die ganze Welt”
11. Nr. 35. Arie (Sopran) “Zerfließe, mein Herze”
12. Nr. 36. Evangelist “Die Jüden aber, dieweil es der Rüsttag war”
13. Nr. 37. Choral “O hilf, Christe, Gottes Sohn”
14. Nr. 38. Evangelist “Darnach bat Pilatum Joseph von Arimathia”
15. Nr. 39. Conclusio “Ruht wohl, ihr heiligen Gebeine”
16. Nr. 40. Schlußchoral “Ach Herr, laß dein lieb Engelein”
17. APPENDIX (Zusätze der Fassung von 1725) I. Exordium “O Mensch, bewein dein Sünde groß” (Choralfantasie) (replaced Exordium from 1724 “Herr, unser Herscher” [nr. 1])
18. APPENDIX (Zusätze der Fassung von 1725) II. Arie (Baß) “Himmel reiße, Welt erbebe” – Choral “Jesu, deine Passion” (additionally inserted between nos. 11 & 12)
19. APPENDIX (Zusätze der Fassung von 1725) III. Arie (Tenor) “Zerschmettert mich, ihr Felsen und ihr Hügel” (replaced Arie from 1724 “Ach, mein Sinn” [nr. 13])
20. APPENDIX (Zusätze der Fassung von 1725) IV. Arie (Tenor) “Ach windet euch nicht so, geplagte Seelen” (replaced nr. 19 Arioso (Baß) nr. 20 Arie (Tenor) from 1724)
21. APPENDIX (Zusätze der Fassung von 1725) V. Schlußchoral “Christe, du Lamm Gottes” (replaced Schlußchoral from 1724 [nr. 40])

Sunhae Im – Soprano
Werner Güra – Tenor
Sebastian Kohlhepp – Contratenor
Johannes Weisser – Bass
RIAS Kammerchor
Akademie für Alte Musik Berlin
René Jacobs – Conductor

CD 1 BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
CD 2 BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
VÍDEO COM ENSAIO – BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

Johann Sebastian Bach (1685-1750): A Paixão Segundo São João, BWV 244 (Herreweghe, 2020) ֍

Johann Sebastian Bach (1685-1750): A Paixão Segundo São João, BWV 244 (Herreweghe, 2020) ֍

 Bach 

Johannes-Passion

Collegium Vocale Gent

Philippe Herreweghe

 

Em 1724 Johann Sebastian Bach estava em seu segundo ano como o Cantor da Igreja de São Nicolau, em Leipzig, e apresentou na Sexta-Feira Santa sua Passio secundum Johannem. Os acordes iniciais do coro de abertura devem ter realmente provocado grande impacto na congregação, não necessariamente positivo, uma vez que na reapresentação da obra no ano seguinte, o número foi substituído por um coral mais ‘ameno’. É possível que Bach tenha iniciado a composição desta obra magistral nos anos anteriores, em Weimar, e ele prosseguiu fazendo adaptações e mudanças nas quatro apresentações posteriores à estreia.

Esta é a terceira gravação desta Paixão feita por Herreweghe, sendo que na segunda delas ele usou a versão de 1725 e Herr, unser Herrscher… não foi gravado. Ainda bem que ele desta vez tenha escolhida a versão estabelecida que todos os outros maestros geralmente escolhem.

Em um artigo escrito para The New Yorker, Alex Ross dedica muita atenção a este número de abertura da obra e vale a pena a leitura, que pode ser feita aqui.

Ele trata da verdadeira obsessão que Bach tinha em copiar e estudar as partituras dos outros compositores e por isso, apesar de ter vivido toda a sua vida em uma área relativamente pequena, conhecia a música dos mais importantes compositores da Europa, e não apenas os seus contemporâneos.

Quando chegou a vez de compor sua Paixão, ele certamente conhecia obras de outros mestres, alguns do passado, como o pioneiro Johann Walther e posteriormente Heinrich Schutz, mas também de seus contemporâneos. Handel compôs música para uma Paixão segundo São João, com texto de J. G. Postel, quando tinha ainda 19 anos.

São João, Evangelista, pelo pintor francês Jean Bourdichon (1457-1521)

Segundo Geiringer, a parte principal do texto é bíblica, neste caso extraída de São João 18-19 (com curtas inserções de São Mateus). A narração é feita na forma recitativa por um tenor, o Evangelista. Personagens individuais, incluindo o Cristo, são cantados por solistas, as falas de grupos de pessoas e multidões pelo coro. Ariosos e árias inseridas entre as partes da narração expressam a reação do indivíduo aos eventos descritos, os corais as de toda a congregação. Afinal, esta música foi composta para fazer parte integrante do serviço daquele importantíssimo dia. Bach foi responsável pela seleção de corais e deve também ter providenciado o texto das árias. Ele seguiu o modelo do texto de autoria de Barthold Heinrich Brockes, de Hamburgo, Der für die Sünden dieser Welt gemarterte und sterbende Jesus (Jesus torturado e morto pelos pecados deste mundo), mas nunca literalmente. Interessante notar que os corais são relativamente simples. Eles oferecem uma oportunidade para a comunidade participar da execução da obra. Portanto, não se faça de rogado e cante junto estas partes…

Há várias maneiras para se ouvir esta maravilhosa música. Você pode simplesmente colocar a música para ouvir pelo prazer estético e deliciar-se com a beleza das árias, com a versatilidade, força e dinâmica dos coros, com a dramaticidade da narração e com a singeleza dos corais. E pronto…

Mas, se quiser, Bach oferece mais que isto. A obra tem uma construção extremamente bem planejada, buscando um equilíbrio e uma perfeita distribuição das diferentes intervenções, do narrador, dos personagens e das multidões. Também há equilíbrio na escolha dos tipos de solistas: tenor, soprano, contralto e baixo.

Ou seja, se sua abordagem é de busca de prazer pela estética da obra, poderá buscar mais do que só ouvir este ou aquele número (nada de errado com isso), mas procurar uma visão de todo o conjunto da obra.

Finalmente, não é por nada que Bach é chamado de o quinto evangelista. Ele nos convida a uma reflexão, um passo mais ousado na direção do que, na falta de palavra mais apropriada, chamaremos de espiritualidade. A obra expõe um dos aspectos talvez mais perturbadores da fé, que é a do sacrifício. E aqui, o sacrifício do Filho de Deus é apresentado em cores vivas. É este aspecto que fica evidente logo na abertura da obra e é por isso que ela é tão importante para o conjunto. Estamos diante de uma abertura que diz claramente que o que está por vir não é para os fracos de coração.

E está tudo lá: a traição com a captura do Senhor, com direito a Pedro decepando uma orelha do pobre Malchus. A atitude de Jesus se oferecendo para a captura, intervindo pela liberdade de seus discípulos.

A Negação de Pedro, de Theodoor Rombouts

Temos a negação de Pedro, que era muito humano, como nós o somos. Todos os meandros e delicadezas do interrogatório do acusado, com Pilatos tentando safar-se da enrascada de condenar um inocente. Os detalhes para que as palavras da antiga profecia fossem satisfeitas, como os soldados jogando dados para decidir com quem ficaria a túnica do Senhor. A escolha entre o nazareno e Barrabás é impressionante, assim como os gritos demandando a crucificação. Pilatos ainda diz duas impressionantes falas: o Ecce homo – Sehet, welch ein Mensch! – e o sutilíssimo Was ich geschrieben habe, das habe ich geschrieben. O que eu escrevi, eu escrevi! E é claro, o sacrifício precisa ser cumprido. Mas antes, aquele discípulo que ele amou ao lado de sua mãe e as outras Marias, recebe a incumbência de zelar por ela.

Ecce Homo, Caravaggio

Todas estas passagens são entremeadas pelas mais lindas árias, que cumprem o papel de refletir sobre os significativos momentos. Por exemplo, ao cumprir-se o calvário, com a morte do Senhor, e morte de cruz, ouvimos uma ária lancinante, cantada por um contralto: Es ist vollbracht! Esta é a primeira frase da ária, que repete a última fala de Jesus, ao entregar seu espírito. O sacrifício está completo, cumpriu-se. Para fazer contraponto a está atual interpretação da famosa ária, apresentada nesta postagem, você poderá ver, clicando aqui, como esta música tem atravessado os tempos sempre encantado e tocando os corações das pessoas. A gravação que está no Youtube apresenta a contralto inglesa Kathleen Ferrier, cantando em inglês.

Deposição da Cruz, van der Weyden

Temos ainda uma etapa, a deposição da cruz e o sepultamento. Palavras terríveis. E assim termina a Paixão, com Jesus sepultado. Afinal, só no Domingo de Páscoa ele ressurgirá, mas aí é outro Oratório, que você poderá ouvir se clicar aqui.

Como acontece nas grandes obras de arte, quanto mais nos aproximamos delas, mais minúcias e detalhes impressionantes descobrimos. No caso das obras musicais dependemos dos intérpretes e nos nossos dias, também das equipes de gravações que nos levam para mais perto destas maravilhas. Mas para não desperdiçarmos tamanhos tesouros, precisamos aplicar um certo esforço.

Apesar de já ter ouvido esta obra diversas vezes, a cada vez descubro algum novo detalhe que me impressiona ou que me inspira. Nesta gravação gostei muito do conjunto todo, mas chamo a atenção para o coro de abertura, tremendo, e para a ária de tenor que transmuta o sangue do dorso de Jesus nas cores de um arco-íris que do céu nos abençoa.

Independentemente da maneira que você escolha para ouvir esta maravilhosa gravação, que ela lhe toque o coração, de alguma maneira.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Johannes Passion

Parte 1

[1-7] Traição e Prisão
[8-14] Negação

Parte 2

[1-6] Interrogatório e Flagelação
[7-12] Condenação e Crucificação
[13-18] A Morte de Jesus
[19-26] Deposição e Sepultamento

Maximilian Schmitt, Evangelista

Krešimir Stražanac, Jesus

Dorothee Mields, soprano

Damien Guillon, contratenor

Robin Tritschler, tenor

Peter Kooij, baixo

Collegium Vocale Gent

Philippe Herreweghe, regente

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FLAC | 425 MB

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MP3 | 320 KBPS | 245 MB

Collegium Vocale Gent

Veja o que a Gramophone disse sobre esta gravação:

Contributing to the discerning unity of vision and character of this performance is how the instruments sit embedded at the heart of the vocal sound…This is indeed one of the most thoughtful, affecting and powerful St John Passions in recent years. It reveals the mature mastery of Herreweghe at his most perspicacious and consistent, with Collegium Vocale Gent paving the way with gold.

Então, tá esperando o que? Aproveite!

René Denon

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – J. S. Bach – Julian Bream

Um gigante do violão é o adjetivo mínimo que conseguir encontrar para descrever Julian Bream. E este CD aqui é ainda mais obrigatório, é uma verdadeira aula de como tocar Bach neste instrumento tão peculiar e único. Lembro de ouvir o nome de Bream por um conhecido, que tinha o incrível dom de tirar estas músicas de ouvido, era autodidata, não sabia ler partitura. Ouvia os discos com muita atenção, e depois se dedicava durante horas, ou até mesmo dias, a repetir aquelas músicas. Aliás, este conhecido faleceu já há muito tempo, muito jovem, por sinal, começo dos anos 90, mas nunca esqueço de sua dedicação e paixão pela música.

Enfim, falar sobre Julian Bream é chover no molhado, portanto, sugiro que para quem não o conhece, procure informações na internet. Vale a pena.

01. Prelude Fugue and Allegro BWV 998 – I. Prelude
02. Prelude Fugue and Allegro BWV 998 – II. Fugue
03. Prelude Fugue and Allegro BWV 998 – III. Allegro
04. Suite BWV 996 – I. Prelude
05. Suite BWV 996 – II. Allemande
06. Suite BWV 996 – III. Courante
07. Suite BWV 996 – IV. Sarabande
08. Suite BWV 996 – V. Bourree
09. Suite BWV 996 – VI. Gigue
10. Parita No.2 BWV 1004 – Chaconne
11. Partita No.3 BWV 1006a – I. Prelude
12. Partita No.3 BWV 1006a – II. Loure
13. Partita No.3 BWV 1006a – III. Gavotte en Rondeau
14. Partita No.3 BWV 1006a – IV. Menuett I – Menuett II – Menuett I
15. Partita No.3 BWV 1006a – V. Bourree
16. Partita No.3 BWV 1006a – VI. Gigue

Julian Bream – Violão

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Johann Sebastian Bach (1685-1750): A Paixão Segundo Mateus, BWV 244 (Herreweghe, 1985)

Johann Sebastian Bach (1685-1750): A Paixão Segundo Mateus, BWV 244 (Herreweghe, 1985)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Esta foi a primeira gravação da Paixão Segundo Mateus que Herreweghe realizou. É de 1985, dos tempos do vinil. A segunda está neste link. Afirmo que a segunda gravação — do link recém colocado em negrito — é melhor, mas aqui temos um maior sabor de juventude e René Jacobs barbarizando.

A Paixão Segundo Mateus BWV 244 (em latim: Passio Domini nostri Jesu Christi secundum Evangelistam Matthaeum; em alemão: Matthäus-Passion), mais conhecida em países católicos como A Paixão Segundo Mateus, é um oratório de Johann Sebastian Bach, que representa o sofrimento e a morte de Cristo a partir do Evangelho de Mateus, com libreto de Picander (Christian Friedrich Henrici). Com uma duração de mais de duas horas e meia (em algumas interpretações, mais de três horas) é a obra mais extensa do compositor. Trata-se, sem dúvida alguma, de uma das obras mais importantes de Bach e uma das obras-primas da música ocidental. Esta e A Paixão Segundo João são as únicas Paixões autênticas do compositor conservadas em sua totalidade. A Paixão Segundo Mateus consta de duas grandes partes constituídas de 68 números, em que se alternam coros, corais, recitativos, ariosos e árias.

A obra foi escrita, provavelmente, em 1727. Apenas duas das quatro (ou cinco) composições sobre a Paixão de Cristo, que Bach escreveu, subsistiram integralmente; a outra é A Paixão Segundo João, como dissemos. A peça completa foi apresentada pela primeira vez na Sexta-feira da Paixão de 1727 ou na Sexta-feira da Paixão de 1729 na Thomaskirche (Igreja de São Tomás) em Leipzig, onde Bach era o Kantor. Ele a revisou em 1736, apresentando-a novamente em março desse mesmo ano, incluindo dessa vez dois órgãos na instrumentação.

A Paixão Segundo Mateus não foi ouvida fora de Leipzig até 1829, quando Felix Mendelssohn apresentou uma versão abreviada em Berlim e foi vivamente aclamado. A redescoberta da obra através de Mendelssohn expôs a música de Bach — principalmente suas grandes obras — à atenção pública e acadêmica que persiste até os dias atuais.

Johann Sebastian Bach (1685-1750): A Paixão Segundo Mateus (Herreweghe, 1985)

Erster Teil
1-1 Chorus : Kommt, Ihr Töchter, Helft Mir Klagen
1-2 (Evangelista, Jesus) : Da Jesus Diese Rede Vollendet Hatte
1-3 Choral : Herzliebster Jesu, Was Hast Du Verbrochen
1-4a (Evangelista) : Da Versammleten Sich Die Hohenpriester
1-4b (Chori) : Ja Nicht Auf Das Fest
1-4c (Evangelista) : Da Nun Jesus War Zu Bethanien
1-4d (Chorus) : Wozu Dienet Dieser Unrat
1-4e (Evangelista, Jesus) : Da Das Jesus Merkete
1-5 Recitativo : Du Lieber Heiland Du
1-6 Aria (Alto) : Buß Und Reu
1-7 (Evangelista, Judas) : Da Ging Hin Der Zwölfen Einer,
1-8 Aria (Soprano) : Blute Nur, Du Liebes Herz
1-9a (Evangelista) : Aber Am Ersten Tage Der Süßen Brot
1-9b (Chorus) : Wo Willst Du, Daß Wir Dir Bereiten
1-9c (Evangelista, Jesus) : Er Sprach : Gehet Hin In Die Stadt
1-9d (Evangelista) : Und Sie Wurden Sehr Betrübt
1-9e (Chorus) : Herr, Bin Ich’s
1-10 Choral : Ich Bin’s, Ich Sollte Büßen
1-11 (Evangelista, Jesus) : Er Antwortete Und Sprach
1-12 Recitativo : Wiewohl Mein Herz In Tränen Schwimmt
1-13 Aria (Soprano) : Ich Will Dir Mein Herze Schenken
1-14 (Evangelista, Jesus) : Und Da Sie Den Lobgesang Gesprochen Hatte
1-15 Choral : Erkenne Mich, Mein Hütter
1-16 (Evangelista, Jesus, Petrus) : Petrus Aber Antwortete Und Sprach Zu Him
1-17 Choral : Ich Will Hier Bei Dir Stehen
1-18 (Evangelista, Jesus) : Da Kam Jesus Mit Ihnen Zu Einem Hofe
1-19 Recitativo : O Schmerz ! Hier Zittert Das Gequälte Herz
1-20 Aria (Tenore) : Ich Will Bei Meinem Jesu Wachen
1-21 (Evangelista, Jesus) : Und Ging Hin Ein Wenig
1-22 22 Recitativo : Der Heiland Fällt Vor Seinem Vater Nieder
1-23 Aria (Basso) : Gerne Will Ich Mich Bequemen
2-1 24 (Evangelista, Jesus) : Und Er Kam Zu Seinem Jüngern
2-2 25 Choral : Was Mein Gott Will, Das Gscheh Allzeit
2-3 26 (Evangelista, Jesus, Judas) : Und Er Kam Und Fand Sie Aber Schlafend
2-4a 27a Aria (Soprano, Alto E Choro): So Ist Mein Jesus Nun Gefangen
2-4b 27b (Chori) : Sind Blitze, Sind Donner In Wolken Verschwunden
2-5 28 (Evangelista, Jesus) : Und Siehe, Einer Aus Denen
2-6 29 Choral : O Mensch, Bewein Dein Sünde Groß

Zweiter Teil
2-7 30 Aria (Alto E Coro) : Ach, Nun Ist Mein Jesus Hin
2-8 31 (Evangelista) : Die Aber Jesum Gegriffen Hatten
2-9 32 Choral : Mir Hat Die Welt Trüblich Gericht’
2-10 33 (Evangelista, Pontifex, Testis I, II) : Un Wiewohl Viel Falsche Zeugen Herzutraten
2-11 34 Recitativo : Mein Jesus Schweigt Zu Falschen Lügen Stille
2-12 35 Aria (Tenore) : Geduld
2-13a 36a (Evangelista, Pontifex, Jesus) : Und Der Hohepriester Antwortete Und Sprach Zu Him
2-13b 36b (Chori) : Er Ist Des Todes Schuldig
2-13c 36c (Evangelista) : Da Speieten Sie Aus
2-13d 36d (Due Chori) : Weissage Uns, Christe
2-14 37 Choral : Wer Hat Dich So Geschlagen
2-15a 38a (Evangelista, Ancilla I, II, Petrus) : Petrus Aber Saß Draußen Im Palast
2-15b 38b (Chorus) : Wahrlich, Du Bist Auch Einer Von Denen
2-16 39 Aria (Alto) : Erbarme Dich
2-17 40 Choral : Bin Ich Gleich Von Dir Gewichen
2-18a 41a (Evangelista, Judas) : Des Morgens Aber Hielten Alle Hohepriester
2-18b 41b (Chori) : Was Gehet Uns Das An
2-18c 41c (Evangelista, Pontifex I, II) : Und Er Warf Die Silbberlinge In Den Tempel
2-19 42 Aria : Gebt Mir Meinem Jesum
2-20 43 (Evangelista, Pilatus, Jesus) : Sie Hielten Aber Einen Rat
2-21 44 Choral : Befiehl Du Deine Wege
2-22a 45a (Evangelista, Pilatus, Uxor Pilati, Chori) : Auf Das Fest Aber Hatte Der Landpfleger Gewohnheit
2-22b 45b (Due Chori) : Laß Ihn Kreuzigen
2-23 46 Choral : Wie Wunderbarlich Ist Doch Diese Strafe
2-24 47 (Evangelista, Pilatus) : Der Landpfleger Sagte
3-1 48 Recitativo : Er Hat Uns Allen Wohlgetan
3-2 49 Aria : Aus Liebe Will Mein Heiland Sterben
3-3a 50a (Evangelista) : Sie Schrieen Aber Noch Mehr
3-3b 50b (Due Chori) : Laß Ihn Kreuzigen
3-3c 50c (Evangelista, Pilatus) : Da Aber Pilatus Sahe
3-3d 50d (Chori) : Sein Blut Komme Über Uns
3-3e 50e (Evangelista) : Da Gab Er Ihnen Barrabam Los
3-4 51 Recitativo : Erbarm Es Gott
3-5 52 Aria : Können Tränen Meiner Wangen
3-6a 53a (Evangelista) : Da Nahmen Die Kriegsknechte
3-6b 53b (Chori) : Getrüßet Seist Du, Jüdenkönig
3-6c 53c (Evangelista) : Und Speieten Ihn An
3-7 54 Choral : O Haupt Voll Blut Und Wunden
3-8 55 (Evangelista) : Und Da Sie Ihn Verspottet Hatten
3-9 56 Recitativo :Ja Freilich Will In Uns Das Fleisch Und Blut
3-10 57 Aria Komm, Süßes Kreuz, So Will Ich Sagen
3-11a 58a (Evangelista) : Und Da Sie An Die Stätte Kamen
3-11b 58b (Chori) : Der Du Den Tempel Gottes Zerbrichst
3-11c 58c (Evangelista) : Desgleichen Auch Die Hohenpriester
3-11d 58d (Chori) : Andern Hat Er Geholfen
3-11e 58e (Evangelista) : Desgleichen Schmäheten Ihn Auch Die Mörder
3-12 59 Recitativo : Ach Golgatha
3-13 60 Aria : Sehet, Jesus Hat Die Hand
3-14a 61a (Evangelista, Jesus) : Und Von Der Schsten Stunde An
3-14b 61b (Chorus) : Der Rufet Dem Elias
3-14c 61c (Evangelista) : Und Bald Lief Einer Unter Ihnen
3-14d 61d (Chorus) : Halt ! Laß Sehen
3-14e 61e (Evangelista) : Aber Jesus Schriee Abermal
3-15 62 Choral : Wenn Ich Einmal Soll Scheiden
3-16a 63a (Evangelista) : Und Siehe Da, Der Vorhang Im Tempel Zerriß
3-16b 63b (Due Chori In Unisono) : Wahrlich, Dieser Ist Gottes Sohn Gewesen
3-16c 63c (Evangelista) : Und Es Waren Viel Weiber Da
3-17 64 Recitativo : Am Abend, Da Es Kühle War
3-18 65 Aria : Mache Dich, Mein Herze, Rein
3-19a 66a (Evangelista) : Und Joseph Nahm Den Leib
3-19b 66b (Due Chori) : Herr, Wir Haben Gedacht
3-19c 66c (Evangelista, Pilatus) : Pilatus Sprach Zu Ihnen
3-20 67 Recitativo : Nun Ist Der Herr Zur Ruh Gebracht
3-21 68 Chorus : Wir Setzen Uns Mit Tränen Nieder

Alto Vocals [Alto Solo, Testis 1] – René Jacobs
Baritone Vocals [Judas] – Renaud Machart
Baritone Vocals [Petrus, Pontifex 1] – Marc Meersman
Bass Vocals [Bass Solo, Pilatus, Pontifex 2] – Peter Kooy
Bass Vocals [Jesus] – Ulrik Cold
Choir – Chœur D’Enfants «In Dulci Jubilo»
Choir [Chorus 1] – Ensemble Vocal Européen De La Chapelle Royale
Choir [Chorus 2] – Collegium Vocale
Soprano Vocals [Ancilla 2] – Catherine Bignalet
Soprano Vocals [Soprano Solo, Ancilla 1, Uxor Pilati] – Barbara Schlick
Tenor Vocals [Evangelista] – Howard Crook
Tenor Vocals [Tenor Solo, Testis 2] – Hans Peter Blochwitz
Orchestra – La Chapelle Royale
Conductor – Philippe Herreweghe

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Rogier van der Weyden, A Descida da Cruz, c. 1435, Museu do Prado, Madrid

PQP

Bach (1685-1750): Música para Alaúde – Stephan Schmidt

Bach (1685-1750): Música para Alaúde – Stephan Schmidt

J. S. Bach

Música para Alaúde

Stephan Schmidt

 

Confesso nunca ter tido muito entusiasmo com a ‘música para alaúde’ de Bach. Esta é uma área um pouco difusa, quero dizer no que concerne ao uso do instrumento adequado para o qual a música foi composta. Mais uma vez, transcrições e adaptações. O fato é que as gravações que ouvi destas peças nunca realmente me entusiasmaram. Mesmo nas mãos dos mais eminentes instrumentistas, tais como Julian Bream ou John Williams. O que chegou mais perto foi Eduardo Fernandez e ouvi muito falar de Paul Galbraith, mas alas, nossos caminhos ainda não se cruzaram. Você deve estar estranhando, pois tenho falado em música para alaúde, mas o pessoal que estou mencionando toca o que nestas mal traçadas vamos chamar de guitarra. É verdade que o Bream também toca alaúde. Nem estou pensando na turma mais ‘vegana’, que toca alaúde mesmo, como os afamados Hopkinson Smith, Jakob Lindberg, Paul O’Dette e Nigel North. Estes só visito quando o assunto é Dowland.

Nossas imagens são apenas ilustrativas…

Pois então, a relutância toda foi embora assim que deitei ouvidos neste álbum espetacular. Stephan Schmidt toca aqui o conjunto de peças aglomeradas sob o rótulo ‘Música para Alaúde’, usando uma guitarra de dez (10!) cordas. O ponto de exclamação é só ponto de exclamação. Se fosse fatorial não haveria dedos neste mundo para tocar tantas cordas…

O crítico da revista Gramaphone que assinou a resenha deste álbum explica: ‘A típica guitarra de seis cordas (normalmente usada para este repertório) é um instrumento barítono, mas seu registro mais baixo não tem extensão suficiente para evitar a necessidade de ajustes. Guitarras com maior número de cordas (acrescentadas na região do baixo) têm sido usadas ultimamente. Agora Schmidt usando uma guitarra de dez cordas estabelece uma nova referência com este magnífico álbum’. Realmente, é necessário ouvir para crer.

S. L. Weiss

O repertório que se considera música para alaúde de Bach se agrupa sob a classificação de BWV 995 até BWV 1000, mais a Suíte BWV 1006a e a maioria destas obras estão relacionadas com a música escrita para violino ou violoncelo solo. O fato é que Bach conheceu e conviveu com grandes alaudistas, apesar de que em seus dias, o instrumento já estava caindo em desuso. O mais famoso e prolífico deles foi Silvius Leopold Weiss, praticamente de mesma idade de Bach. Eles teriam se conhecido através de Wilhelm Friedmann, o filho mais velho de Bach. Outros dois compositores e alaudistas desta época são Johann Kropfgang e Ernest Gottlieb Baron. Além destes compositores, Bach teve dois alunos que dominavam o alaúde (e tudo indica que o próprio Bach sabia como fazer soar a tal coisa, desde que esta estivesse afinada). Estes alunos eram Rudolf Straube e Johann Ludwig Krebs. Bach tinha Krebs em alta estima. Como era chegado a um trocadilho, Bach dizia que Johann era o único caranguejo (Krebs) em seu ribeirão (Bach). Eu sei que é difícil acreditar, mas todo mundo naquela época morria de rir sempre que ele dizia isto. Vocês sabem, humor depende da época e da cultura…

Krebs achando o máximo as brincadeiras com seu sobrenome…

O que temos aqui? Bom, muita música excelente. O disco começa com a Suíte em mi maior, BWV 1006a, que como a numeração já indica, é uma adaptação da Partita para Violino em mi maior, BWV 1006. Esta foi fácil. Depois a Suíte em dó menor, BWV 997 e a Suíte em mi bemol maior, BWV 998 – que tem apenas três movimentos: prelúdio, fuga e allegro.

Chegamos então ao que eu considero a parte mais bonita do álbum, a Suíte em sol menor, BWV 995 – a peça que mais se beneficia das extras cordas da guitarra, pois esta é uma adaptação da Suíte para Violoncelo em dó menor, BWV 1011.

Ah, ia quase me esquecendo, tem mais uma Suíte em mi menor, BWV 996. A principal fonte desta peça é uma cópia feita por Johann Gottfried Walther e que foi encontrada em uma coleção de manuscritos pertencente a Johann Ludwig Krebs, depois de sua morte. Walther era um primo de Bach e a sua letra deixa dúvida sobre o instrumento para o qual a peça foi escrita. No título lê-se o que poderia ser aufs Lauten Werck ou Lautenwerck.

Para arrematar, fechando o cortejo, temos duas peças avulsas, uma fuga e um prelúdio.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Suíte para alaúde em mi maior, BWV 1006a

  1. Preludio
  2. Loure
  3. Gavotte em rondeau
  4. Menuet I – II
  5. Bourre
  6. Gigue

Partita para alaúde em dó menor, BWV 997

  1. Preludio
  2. Fugue
  3. Sarabande
  4. Gigue
  5. Double

Prelúdio, Fuga e Allegro para alaúde em mi bemol maior, BWV 998

  1. Preludio
  2. Fugue
  3. Allegro

Suíte para alaúde em sol menor, BWV 995

  1. Preludio
  2. Allemande
  3. Courante
  4. Sarabande
  5. Gavotte I – II – Rondeau
  6. Gigue

Suíte para alaúde em mi menor, BWV 996

  1. Preludio
  2. Allemande
  3. Courante
  4. Sarabande
  5. Bourree
  6. Gigue

Fuga para alaúde em sol meno, BWV 996

  1. Fugue

Prelúdio para alaúde em sol menor, BWV 1000

  1. Preludio

Stephan Schmidt, guitarra de dez cordas

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FLAC | 393 MB

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MP3 | 320 KBPS | 235 MB

Stephan Schmidt e sua viola de dez cordas…

Se você não tiver muito tempo, ouça pelo menos a suíte em sol menor, BWV 995. Mas, se tiver menos tempo ainda, pode avaliar o todo pelas duas lindas peças que fecham o álbum – uma Fuga em sol menor, BWV 1000 e o lindíssimo Prelúdio em dó menor, BWV 999. Se seu coração não se derreter, então…

René Denon

Ferramentas em uma luteria…

J. S. Bach (1685-1750): Violin & Voice

J. S. Bach (1685-1750): Violin & Voice

Este é um CD apenas OK, nada mais. A ideia foi boa, mas a escolha das árias parece ter passado por cima do conceito de beleza para abraçar outros critérios. O critério comercial? Sei lá. Como filho de Bach, tenho coleções de árias na minha cabeça e acho que este CD apenas acertou em 50% das tentativas. Ah, o disco é uma seleção de árias de Cantatas e Paixões que incluem voz e violino, certo? Pois é como ia dizendo, há dezenas delas, mas a escolha foi assim assim. Quem rouba o disco é o sensacional Matthias Goerne, que é um barítono alemão realmente maravilhoso. Já Christine Schafer é apenas aceitável. Não curti muito a cantora. Acho que foi isso. Paciência.

O disco costuma ser muito elogiado. Vai ver estou errado…

J. S. Bach (1685-1750): Violin & Voice

1. St. Matthew Passion, BWV 244 / Part Two – No.51 Aria (Bass): ”Gebt Mir Meinen Jesum Wieder” 2:59
2. Wachet Auf, Ruft Uns Die Stimme Cantata, BWV 140 – Arie (Duett): ”Wann Kommst Du, Mein Heil?” 5:44
3. Cantata, BWV 204 ”Ich Bin Vergnügt” – Aria ”Die Schätzbarkeit Der Weiten Erde” 4:13
4. Liebster Jesu, Mein Verlangen Cantata, BWV 32 – 3. Aria: Hier, In Meines Vaters Stätte 7:09
5. Zerreißet, Zersprenget, Zertrümmert Die Gruft Dramma Per Musica, BWV 205 – 9. Aria Soprano: ”Angenehmer Zephyrus” 3:29
6. Mass In B Minor, BWV 232/Gloria – Laudamus Te 3:50
7. Ich Lasse Dich Nicht, Du Segnest Mich Denn (Cantata BWV 157) – Ja, Ja Ich Halte Meinen Jesum Fest 6:18
8. Cantata ”Wer Mich Liebet, Der Wird Mein Wort Halten” BWV 59 – 4. Aria: ”Die Welt Mit Allen Königreichen” 3:06
9. Cantata, BWV 58 ”Ach Gott, Wie Manches Herzeleid” – Aria ”Ich Bin Vergnügt In Meinem Leiden” (Soprano) 3:44
10. Cantata, BWV117 – 6. Wenn Trost Und Hülf’ Ermangeln Muß 4:03
11. Der Friede Sei Mit Dir: Cantata, BWV 158 – 2. Aria & Choral: Welt, Ade, Ich Bin Dein Müde 5:49
12. St. Matthew Passion, BWV 244 / Part Two – No.39 Aria (Alto): ”Erbarme Dich” 6:29

Hilary Hahn
Matthias Goerne
Christine Schafer

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PQP gosta
Não funcionou, Hahn

PQP

J. S. Bach (1685-1750): Suítes Francesas – Yuan Sheng

J. S. Bach (1685-1750): Suítes Francesas – Yuan Sheng

Bach

Suítes Francesas

Yuan Sheng

 

Na constelação de estrelas do piano brilham muitos nomes orientais, como Lang Lang, Mitsuko Uchida e Yuja Wang. Mais recentemente ouvimos Yundi Li e Seon-Jin Cho. Eu ouço Kun-Woo Paik há muito tempo. Além destes mais conhecidos, podemos buscar outros nomes, pois a arte desconhece fronteiras e as diferentes culturas acrescentam outras perspectivas artísticas às obras musicais que tanto pensamos conhecer.

Eu também uso esse tipo de óculos quando quero ir a algum lugar sem ser reconhecido…

Há pouco fiz uma postagem com a especialíssima pianista chinesa Zhu Xiao-Mei. Agora tenho a grande expectativa de encantar os amantes da música de Bach interpretada ao piano com esta postagem das Suítes Francesas interpretadas por Yuan Sheng, um nome para guardar.

Eu me encantei com este álbum e achei interessante postá-lo no meio deste afã de (Viva!) #BTHVN 2020, que tem sido muito divertido, especialmente para termos um contraponto.

Nunca havia ouvido de Yuan Sheng antes destas gravações, mas os primeiros acordes da Allemande que inicia a Suíte No. 1 de nosso sumo compositor, João Sebastião Ribeiro, colocaram-me imediatamente em alerta. Assim seguimos para a Courante e quando chegamos na Sarabande, eu já havia me tornado fã. Gente, ouçam esta sarabanda! Há nobreza, elegância, mas há também uma certa simplicidade que é resultado de muita sabedoria. Em uma palavra, espetacular!

Yuan Sheng

Pois este excelente pianista nasceu em Beijing, em uma família de artistas. Começou seus estudos aos cinco anos com sua mãe e depois estudou no Conservatório Central de Beijing, com os professores Qifang Li, Huili Li e Guangren Zhou. De 1991 até 1997 ele estudou na Escola de Música de Manhattan, em Nova Iorque. Seu grande interesse pela música de Bach o levou a estudar intensamente com Rosalyn Tureck. Yuan Sheng é agora professor do Conservatório Central de Beijing.

O que dizer do repertório? Que é espetacular, adoro todas as Suítes, mas tenho uma grama de predileção pela No. 5, que conheci antes das outras, e depois, pela No. 1. Além das Suítes Francesas, o álbum tem duas outras peças: Suíte em lá menor, BWV 818 e Suíte em mi bemol maior, BWV 819. Estas suítes estão, de alguma forma, ligadas às Suítes Francesas ‘oficiais’, por aparecem entre elas em alguns dos manuscritos que chegaram até nós. Tenho certeza que ninguém vai reclamar das peças a mais…

Antes de deixá-lo correr para o link e baixar a música, se é que você ainda não fez isto, uma palavra sobre os caracteres chineses. Tenho um enorme interesse pela cultura chinesa e sempre que posso tento aprender algo mais sobre ela. Por conta das poesias de Li Bai, que acabaram em algumas letras do Das Lied von der Erde, de Mahler, andei estudando um pouco os caracteres chineses. Não é fácil, especialmente para que tem uma memória RAM mínima, como eu, mas é excelente passatempo. Uma enorme ajuda veio de um (na minha opinião) excelente tradutor online, do qual faço propaganda e você pode conhecer se clicar aqui.

Os dois caracteres que coloquei no início da postagem formam precisamente o nome do pianista, Yuan Sheng, mas estão na ordem invertida, pois na China se diz primeiro o nome da família ( Sheng) e depois o nome do indivíduo ( Yuan).

Minha caligrafia pode melhorar…

O tradutor que indiquei dá muitas informações sobre cada caractere, inclusive você pode aprender a ordem de cada pincelada (ou de cada traço) para escrevê-lo (ou desenhá-lo).

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Suíte Francesa No. 1 em ré menor, BWV 812
  1. Allemande; 2. Courante; 3. Sarabande; 4. Menuet I e II; 5. Gigue
Suíte Francesa No. 2 em dó menor, BWV 813
  1. Allemande; 2. Courante; 3. Sarabande; 4. Air; 5. Menuet I e II; 6. Gigue
Suíte Francesa No. 3 em si menor, BWV 814
  1. Allemande; 2. Courante; 3. Sarabande; 4. Angloise; 5. Menuet e Trio; 6. Gigue
Suíte Francesa No. 4 em mi bemol maior, BWV 815
  1. Allemande; 2. Courante; 3. Sarabande; 4. Gavotte; 5. Menuet; 6. Air; 7. Gigue
Suíte Francesa No. 5 em sol maior, BWV 816
  1. Allemande; 2. Courante; 3. Sarabande; 4. Gavotte; 5. Bourée; 6. Loure; 7. Gigue
Suíte Francesa No. 6 em mi maior, BWV 817
  1. Allemande; 2. Courante; 3. Sarabande; 4. Gavotte; 5. Polonaise; 6. Menuet; 7. Bourée; 8. Gigue
Suíte em lá menor, BWV 818
  1. Allemande; 2. Courante; 3. Sarabande simple; 4. Sarabande double; 5. Gigue
Suíte em mi bemol maior, BWV 819
  1. Allemande; 2. Courante; 3. Sarabande; 4. Bourée; 5. Menuet I e II

Yuan Sheng, piano

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FLAC | 467 MB

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MP3 | 320 KBPS | 300 MB

盛原

Yuan quer dizer fonte, origem, começo. Sheng é abundante, próspero, pujante. Assim, você pode perceber que o nome do pianista da postagem é muito significativo.

Resumindo, este álbum é ‘papa-fina’! Aproveite!!

René Denon

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas para violino e cravo obbligato, BWV 1014-1019 – Chiara Banchini & Jörg-Andreas Bötticher

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas para violino e cravo obbligato, BWV 1014-1019 – Chiara Banchini & Jörg-Andreas Bötticher

J.S. Bach

Sonatas para violino

Chiara Banchini

Jörg-Andreas Bötticher

 

Sonatas para violino é um gênero no qual as gerações de compositores antes de Bach produziram em profusão e ele certamente conhecia muitos exemplos, particularmente estudioso que era da obra de outros compositores.

Basta considerar como exemplo as ‘invenções’ escritas por Antonio Bonporti, que são excelentes e você pode ouvi-las se acessar esta postagem aqui.

Bach, do alto de sua genialidade, não só estudava estas obras, ela incorporava suas características em sua própria linguagem e produzia resultados que acabavam estabelecendo novos padrões de qualidade e também de originalidade.

Manuscrito do primeiro movimento da terceira versão da Sonata No. 6, BWV 1019, na cópia de Johann Christoph Altnickol

As sonatas desta postagem são exemplos típicos. No título ele usa a expressão obbligato harpsichord, indicando o novo papel do cravo, não só fornecendo o baixo contínuo, mas também uma nova voz, que ao lado do violino tem papel de protagonista. Neste sentido, estas sonatas estão próximas das triosonatas, onde duas vozes são acompanhadas do baixo contínuo.

Eu ouço estas peças há muito tempo e a mudança de estilo nas interpretações tem sido constante, especialmente com o movimento HIP, das interpretações historicamente informadas. As gravações mais romantizadas, digamos assim, como a maioria das mais antigas, com a parte do violino cheia de vibrato, me parecem hoje anacrônicas.

Quando vi esta gravação decidi imediatamente ouvi-la com atenção, pela excelente violinista que é a Chiara Banchini. Pois gostei tanto que resolvi dividi-la com vocês.

Chamo a atenção de vocês para mais um detalhe, a respeito deste conjunto magnífico de peças que temos o privilégio de poder ouvir. O conjunto não tem uma única sonata mais fraca, menos interessante. Ou seja, a força destas obras também está na individualidade de cada peça, que adiciona e abrilhanta por demais o conjunto. Lembrando também, estas peças são sonatas, no modelo das sonatas da chiesa, com quatro movimentos, cujas indicações de tempo são como alegro, adagio, diferentes das suítes, com andamentos de danças.

O que dizer do primeiro movimento da primeira sonata, que inicia aos cuidados do cravo, pensativamente, ao qual aos poucos vai sendo adicionada a voz do violino? Este movimento é seguido por outro, que inicia com uma explosão de energia… E o terceiro movimento da segunda sonata, um Andante um poco… Ao ouvir este movimento veio-me a decisão de postar o álbum.

Jorge André testando o cravo que o PQP encomendou

Uma última observação. Nesta gravação, feita na Suiça em julho de 2011, o excelente cravista Jörg-Andreas Bötticher usa um instrumento construído em 2006 por Matthias Kramer, de Hamburgo, tendo como modelo um robusto cravo alemão do tipo que o próprio Bach tinha. Mais detalhes técnicos sobre este assunto você poderá ver no excelente livreto que acompanha os arquivos de música.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Sonatas para cravo obbligato e violino, BWV 1014 – 1019

CD1

Sonata No. 1 em si menor, BWV 1014

  1. Adagio; 2. Allegro; 3. Andante; 4. Allegro

Sonata No. 2 em lá maior, BWV 1015

  1. Dolce; 2. Allegro; 3. Andante um poco; 4. Allegro

Sonata No. 3 em mi maior, BWV 1016

  1. Adagio; 2. Allegro; 3. Adagio ma non tanto; 4. Allegro

CD2

Sonata No. 4 em dó menor, BWV 1017

  1. Largo; 2. Allegro; 3. Adagio; 4. Allegro

Sonata No. 5 em fá menor, BWV 1018

  1. Largo; 2. Allegro; 3. Adagio; 4. Vivace

Sonata No. 6 em sol maior, BWV 1019

  1. Allegro; 2. Largo; 3. Allegro; 4. Adagio; 5. Allegro
Cantabile, BWV 1019a

Chiara Banchini, violino

Jörg-Andreas Bötticher, cravo

Produção de Franck Jaffrès para o interessantíssimo selo Zig-Zag Territoires

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 601 MB

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MP3 | 320 KBPS | 231 MB

Não deixe de ouvir o conjunto todo, vale muito a pena. Se encontrares um movimento no qual a violinista não participa, fica apenas admirando a arte de seu acompanhante, é por que você chegou à magnífica sexta sonata. Volte e ouça de novo a quinta e, se tiver ainda tempo, ouça tudo de novo. É o que eu acabo fazendo.

Para uma foto mais recente da Chiara, acesse aqui.

Aproveite!

René Denon

REPOSTAGEM COM SOM MELHORADO: In memoriam Aldo Parisot (1918-2018) – Johann Sebastian Bach (1685-1750): As Suítes para Violoncelo Solo

REPOSTAGEM COM SOM MELHORADO: In memoriam Aldo Parisot (1918-2018) – Johann Sebastian Bach (1685-1750): As Suítes para Violoncelo Solo

PUBLICADO ORIGINALMENTE EM 29/12/2019, REPOSTADO COM SOM MUITÍSSIMO MELHOR EM 6/3/2020

Algumas vezes nossos apelos são ouvidos, e recebemos em nossa caixa de comentários algo mais do que resmungos ou clamores pidões. Nosso leitor-ouvinte Luiz Euripedes alcançou-nos uma gravação de qualidade incomparavelmente melhor do que a que tínhamos, precariamente preservada em fita. Ficamos muito contentes com que a distinta versão de Parisot seja ouvida com a clareza que merece. Grato pela gentileza, Luiz!

O legendário violoncelista potiguar Aldo Parisot completou 100 anos em setembro de 2018, sessenta dos quais como professor na Escola de Música de Yale, posição da qual se afastara meros dois meses antes, sob aclamação e festividades. Nosso prolongado ostracismo no Hades impediu-nos de homenageá-lo tanto pelo natalício quanto por ocasião de seu desaparecimento, na antevéspera do Ano Novo. No primeiro aniversário de sua morte, entretanto, estamos de volta à ribalta blogueira para lembrar este grande concertista e pedagogo com a divulgação de sua gravação histórica das Suítes para violoncelo solo de J. S. Bach – que, salvo melhor juízo, foi a primeira feita por um brasileiro.
Os leitores-ouvintes certamente hão de perdoar a qualidade um tanto precária do som, que é uma cópia em fita de LPs lançados em 1977 que nunca tive em mãos, pelo privilégio de escutar Parisot em ação [atualização: nada mais precisarão perdoar, graças ao leitor-ouvinte Luiz Euripedes!]. Ainda que estes mais de quarenta anos tenham visto inúmeras gravações chegarem ao mercado, muitas das quais historicamente informadas, e que eu hoje já me tenha acostumado a ouvir estas suítes em cordas de tripa e com todos gostosos, como diz o PQP, “ruídos de marcenaria” inerentes à mecânica desses instrumentos, eu adorei a interpretação destemida e cheia de verve de Parisot. Espero que ela também lhes seja do agrado, enquanto espero, através dos comentários, que alguém nos alcance alguma fonte com melhor som [atualização: o que realmente aconteceu, e pelo que somos novamente gratos ao Luiz Euripedes].

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Seis Suítes para violoncelo solo, BWV 1007-12

Aldo Parisot, violoncelo

SUÍTE NO. 1 EM SOL MAIOR, BWV 1007

01 – Prélude
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Menuet I & II
06 – Gigue

SUÍTE NO. 2 EM RÉ MENOR, BWV 1008

07 – Prélude
08 – Allemande
09 – Courante
10 – Sarabande
11 – Menuet I & II
12 – Gigue

SUÍTE NO. 3 EM DÓ MAIOR, BWV 1009

13 – Prélude
14 – Allemande
15 – Courante
16 – Sarabande
17 – Bourrée I & II
18 – Gigue

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SUÍTE NO. 4 EM MI BEMOL MAIOR, BWV 1010

01 – Prélude
02 – Allemande
03 – Courante
04 – Sarabande
05 – Bourrée I & II
06 – Gigue

SUÍTE NO. 5 EM DÓ MENOR, BWV 1011

07 – Prélude
08 – Allemande
09 – Courante
10 – Sarabande
11 – Gavotte I & II
12 – Gigue

SUÍTE NO.6 EM RÉ MAIOR, BWV 1012

13 – Prélude
14 – Allemande
15 – Courante
16 – Sarabande
17 – Gavotte I & II
18 – Gigue

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Ôxe! ♡?

Vassily

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Partitas, BWV 825-830 – Jean Louis Steuerman

Conheci esta gravação do carioca Jean Louis Steuerman através duma fita cassete – – por si só um atestado de vetustos martelos, bigornas e estribos – antes mesmo do célebre registro de Glenn Gould, e sempre a tive em alta estima. Depois de muito tempo sem ouvi-la, e um pouco receoso de constatar que ela não tivesse resistido à passagem do tempo, ou qualquer outro nome que se dê ao fenômeno de se ficar cada vez menos impressionável quanto mais velho se fica, bem, eu a reencontrei e fiquei muito contente com o que ouvi. O toque preciso de Steuerman continuava lá, articulando com verve e graça os movimentos rápidos, e com economia nos ornamentos nos lentos. Não percebera, em meus imberbes tempos, o quão pouco afeito ele era a aderir às repetições sugeridas por Bach, mas o que ouvi agora, com maduros ouvidos, ainda me agradou demais. Lembro, sem muitas saudades, daqueles tempos em que ganhava mesada em cruzados novos, mas tinha sonhos precificados em dólar, e dos habitués daquele templo ar-condicionado da (minha) cobiça, quase todos velhotes que, pelo jeito, ganhavam em dólar, discutindo se esta grande música realmente se prestava a ser tocada com cravo, e entrincheirando-se entre aqueles que consideravam a versão de Gould insuperável, e o pequeno pelotão daqueles que preferiam Schiff, Martins ou Steuerman. De lá para cá, surgiram tantas gravações maravilhosas (lembro-me das de Angela Hewitt e de Murray Perahia, sem nem entrar no mérito das tantas por excelentes cravistas) que este embate perdeu totalmente o sentido – mas, já que me tornei um próprio um velhote, embora ainda não ganhe em dólar, vou à forra e lhes digo, sem que me tenham perguntado isso, que prefiro as partitas ao piano, que adoro a versão de Gould, que a de Martins não envelheceu bem, e que a de Steuerman segue firme em meu desimportante conceito.

BACH – JEAN LOUIS STEUERMAN – THE 6 PARTITAS BWV 825-830

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Partita no. 1 em Si bemol maior, BWV 825
1 – Praeludium
2 – Allemande
3 – Courante
4 – Sarabande
5- Menuet I
6 – Menuet II
7 – Gigue


Partita no. 2 em Dó menor, BWV 826
8 – Sinfonia
9 – Allemande
10 – Courante
11 – Sarabande
12 – Rondeau
13 – Capriccio


Partita no. 3 em Lá menor, BWV 827
14 – Fantasia
15 – Allemande
16 – Corrente
17 – Sarabande
18 – Burlesca
19 – Scherzo
20 – Gigue


Partita no. 4 em Ré maior, BWV 828
21 – Overture
22 – Allemande
23 – Courante
24 – Aria
25 – Sarabande
26 – Menuet
27 – Gigue


Partita no. 5 em Sol maior, BWV 829
28 – Praeambulum
29 – Allemande
30 – Corrente
31 – Sarabande
32 – Tempo di Minuetto
33 – Passepied
34 – Gigue


Partita no. 6 em Mi menor, BWV 830
35 – Toccata
36 – Allemande
37 – Corrente
38 – Air
39 – Sarabande
40 – Tempo di Gavotta
41 – Gigue


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LINK ALTERNATIVO

Jean Louis Steuerman
, piano

J-L Steuerman, pelo jeito, gosta de nos mostrar seu lado direito

Vassily

J. S. Bach (1685-1750) & C.P.E. Bach (1714-1788): Magnificat

J. S. Bach (1685-1750) & C.P.E. Bach (1714-1788): Magnificat

IM-PER-DÍ-VEL !!!

O repertório deste disco é extraordinário. Johann Sebastian foi um barroco tardio e maior gênio musical de todos os tempos. Já seu filho mais talentoso, Carl Philipp Emanuel, tinha ares muito mais modernos, beethovenianos. Nestas duas obras sacras de primeiríssima linha, isso fica muito claramente demonstrado.

Bem, mudando de assunto — até porque há vasta bibliografia sobre os Magnificats do CD –, se há um grupo há décadas extinto e que ainda amo apaixonadamente, este é o Collegium Aureum de Franzjosef Maier (1925-2014). Eles foram um dos pioneiros da música historicamente informada. Mas recusavam a coisa matemática dos primeiros grupos e faziam REALMENTE MÚSICA num tempo em que o pessoal dos instrumentos originais fazia apenas coisas insossas e prevaleciam verdadeiros monstrengos como Karl Richter e a sua Orquestra Bach de Munique, movida a romantismo e instrumentos modernos. Grande Franzjosef Maier!, cujos discos pela Harmonia Mundo alemã eram caçados — com sucesso — por mim na periférica e provinciana Porto Alegre. Esta gravação, de 1995, já não tem Maier na regência — ele estava se aposentando –, mas ele ainda era diretor do Collegium Aureum. Pouco tempo depois, ainda nos anos 90, o conjunto dissolveu-se. Sabem quem tocou na orquestra? Bob van Asperen, Gustav Leonhardt, Hans-Martin Linde, Barthold Kuijken, Helmut Hucke, Reinhard Goebel…

Franzjosef Maier aprendeu piano, violino e viola em tenra idade. Desde 1938, frequentava o Conservatório de Augsburg, depois a Academia de Munique e, finalmente, de 1940 a 44, frequentou a escola musical de Frankfurt com Wilhelm Isselmann (1902-1987) e Kurt Thomas. Imediatamente após a guerra e a prisão, ele estudou, de 1946 a 1948, na Universidade de Música de Colônia, incluindo composição com Philipp Jarnach. Em 1948, ele co-fundou o Collegium Musicum de Música Antiga da Rádio do Noroeste da Alemanha. Ao mesmo tempo, tocou em vários conjuntos de câmara. Foi 2º violinista do Quarteto Schäffer, com o qual gravou todos os quartetos de Mozart e Beethoven.

De 1949 a 1959, lecionou no Conservatório Robert Schumann, em Düsseldorf. De 1959 a 1992, Maier foi professor de violino na Universidade de Música de Colônia. Em 1964, ele montou um estúdio para música antiga lá, autodidata que era no violino barroco .

Maier desempenhou um papel significativo no desenvolvimento da cena musical de Colônia desde a metade dos anos 50. Seus alunos foram violinistas barrocos conhecidos como Reinhard Goebel (Musica Antiqua Köln), Werner Ehrhardt, (Concerto Köln, L’arte del mondo), Manfredo Kraemer (Le concert des Nations e The Rare Fruits Council), Gustavo Zarba (Orchestra of the Eighteenth Century), etc.

Em 1964, como Konzertmeister, ele assumiu a direção do Collegium Aureum, fundado pela gravadora Deutsche Harmonia Mundi, que fazia gravações inovadoras para a prática histórica da performance na época. Maier optou pelo uso de instrumentos barrocos originais e um estilo de interpretação apropriado à época respectiva.

Franzjosef Maier morreu em 16 de outubro de 2014 em Bergisch Gladbach.

É alguém para não ser esquecido.

J. S. Bach (1685-1750), C.P.E. Bach (1714-1788) : Magnificat

Magnificat In D Major, BWV 243
1 Magnificat Anima Mea 3:14
2 Et Exsultavit Spiritus Meus 2:35
3 Quia Respexit Humilitatem 2:23
4 Omnes Generationes 1:23
5 Quia Fecit Mihi Magna 2:12
6 Et Misericordia 3:58
7 Fecit Potentiam 1:47
8 Deposuit Potentes 2:26
9 Esurientes Implevit Bonis 3:14
10 Suscepit Israel 1:57
11 Sicut Locutus Est 1:31
12 Gloria Patri 1:56

Magnificat Wq. 215
13 Magnificat Anima Mea 3:03
14 Quia Respexit Humilitatem 6:15
15 Quia Fecit Mihi Magna 4:27
16 Et Misericordia 5:24
17 Fecit Potentiam 4:25
18 Deposuit Potentes 6:38
19 Suscepit Israel 4:18
20 Gloria Patri 1:58
21 Sicut Erat 6:17

Alto Vocals – Andreas Stein (2) (tracks: 1 to 12)
Bass Vocals – Roland Hermann (tracks: 13 to 21)
Bass Vocals, Baritone Vocals – Siegmund Nimsgern (tracks: 1 to 12)
Choir – Tölzer Knabenchor
Conductor of the Choir- Gerhard Schmidt-Gaden
Conductor – Kurt Thomas
Contralto Vocals – Maureen Lehane (tracks: 13 to 21)
Director – Franjosef Maier
Ensemble – Collegium Aureum
Soprano Vocals – Elly Ameling (tracks: 13 to 21), Peter Hinterreiter (tracks: 1 to 12), Walter Gampert (tracks: 1 to 12)
Tenor Vocals – Theo Altmeyer

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O grande e genial Franzjosef Maier (1925-2014)

PQP

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas para Flauta e Cravo – Dorothee Oberlinger & Christian Rieger

J. S. Bach (1685-1750): Sonatas para Flauta e Cravo – Dorothee Oberlinger & Christian Rieger

J.S. Bach

Sonatas para Flauta e Cravo

Dorothee Oberlinger

Christian Rieger

 

Um dos muitos prazeres que você pode derivar deste disco é o de ouvi-lo, digamos assim, às cegas, como num blind date. Ouça e tente identificar as peças. Não há dúvida, o disco é puro Bach, mas com algumas poucas intervenções, por assim dizer. Duas das sonatas foram escritas originalmente para flauta e cravo, mas as outras peças que o compõem não foram escritas para esta combinação. Temos também uma sonata para flauta solo e uma peça escrita originalmente para alaúde, aqui interpretada ao cravo.

Usamos o termo flauta, mas aqui são usadas flautas doce contralto e uma flauta doce contralto ligeiramente maior, uma flauta de voz, para se adaptar a peça.

Isto não deve causar grande comoção, pois a música do período barroco é assim, muito flexível e sujeita a adaptações, de um instrumento para outro ou mesmo de um grupo de instrumentos para outro. O próprio Bach praticou estas adaptações e arranjos.

O grande destaque do disco é mesmo a flautista Dorothee Oberlinger, que na companhia do cravista Christian Rieger fizeram as escolhas e adaptações e permitem que vejamos estas lindas peças sob uma diferente perspectiva. Um crítico chegou a usar a palavra prisma.

Assim, vejamos de mais perto. (Se você quer seguir minha sugestão inicial, está na hora de pular esta parte e ir direto ao download, voltando aqui depois.) A primeira sonata é uma adaptação de uma Trio Sonata para órgão, a segunda de uma Sonata para Violino e Cravo. Depois temos a Partita para flauta solo, uma Sonata escrita para flauta (transversa) e contínuo e a peça escrita originalmente para alaúde. Completando o disco, uma Sonata para flauta (transversa) e cravo.

A Partita para Flauta Solo provavelmente foi concebida por Bach tendo o flautista Pierre Gabriel Buffardin em mente. A amizade de Bach com Silvius Leopold Weiss, excelente alaudista e compositor, deve ter estimulado a composição de peças para este instrumento. O Prelúdio, Fuga e Allegro, apresentado aqui ao cravo, é uma peça maravilhosa.

O disco foi muitíssimo bem gravado, o que é fundamental para apreciarmos adequadamente a maravilhosa arte destes dois grandes músicos. Eu coloquei este disco para tocar e não consegui fazer qualquer outra coisa até que ele terminasse. Espero que você também desfrute dele da mesma forma.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Sonata em sol maior para flauta de voz e cravo, BWV 525, originalmente Trio Sonata para órgão No. 1 em mi bemol maior
  1. Alla breve
  2. Adagio
  3. Allegro
Sonata em dó menor para flauta doce contralto e cravo, BWV 1017, originalmente para violino e cravo
  1. Largo
  2. Allegro
  3. Adagio
  4. Allegro
Partita em dó menor para flauta doce contralto, BWV 1013, originalmente em para flauta transversa em lá menor
  1. Allemande
  2. Corrente
  3. Sarabande
  4. Bourrée Anglaise
Sonata em mi maior para flauta doce contralto e contínuo, BWV 1035, originalmente para flauta transversa e contínuo
  1. Adagio ma non tanto
  2. Allegro
  3. Siciliana
  4. Allegro assai
Prelúdio, Fuga e Allegro em mi bemol maior para cravo, BWV 998
  1. Präludium
  2. Fuge
  3. Allegro
Sonata em si menor para flauta doce contralto e cravo, BWV 1030, originalmente para flauta transversa e cravo
  1. Andante
  2. Largo e Dolce
  3. Presto

Dorothee Oberlinger, flautas

Christian Rieger, cravo

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FLAC | 160 MB

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MP3 | 320 KBPS | 108 MB

Doroteia busted for adapting Bach’s sonatas… But she got away with it!

Qual seria a música que Bach comporia para uma guitarra moderna? Enquanto você não pensa nesta pergunta, aproveite o álbum da postagem!

René Denon

J. S. Bach (1685-1750): Partitas BWV 825 a 830 – Angela Hewitt, piano (2ª Gravação – 2019)

J. S. Bach (1685-1750): Partitas BWV 825 a 830 – Angela Hewitt, piano (2ª Gravação – 2019)

J.S. Bach

Partitas BWV 825 – 830

Angela Hewitt

 

 

 

Meu primeiro contato com estas joias musicais que são as Partitas de Bach foi pela gravação de Stanislav Heller, cravista checo, gravado em 1965 pela Christophorus e divulgado nas nossas paradas em LP duplo pela Paulus, a editora das Irmãs Paulinas. Então, faz tempo que ouço estas peças, mas nunca me canso. Há um tsunami de gravações destas obras e você pode escolher se prefere ouvi-las tocadas ao cravo ou ao piano. Eu ainda não decidi e sigo tentando. Ao piano, gosto das interpretações de Perahia, Richard Goode, Igor Levit. Isso sem contar uns discos com apenas três das seis partitas. Ao cravo, gosto imenso do Christopher Rousset e da segunda gravação do Trevor Pinnock, para o selo Hänssler. Não que a primeira, para a Archiv Produktion, seja ruim. Talvez um pouco reverberante, mas o cara queria ser gravado no banheiro…

Isso nos traz à segunda gravação da mesma obra pelo intérprete. Bom, como dizia um dos meus cínicos amigos, basta viver o suficiente, aparecer uma nova tecnologia, e eles gravam tudo de novo. Vimos muito disto, mas não creio que seja o caso desta segunda gravação das Partitas pela famosa pianista Angela Hewitt. Pois é, eu não mencionei o nome dela anteriormente, mas a sua primeira gravação, feita em 1996/7, está na minha prateleira, ao lado das outras três (gravações com piano) mencionadas. Mas eu sou assim, compulsivo quando se trata de certas obras. Portanto, quando vi esta segunda gravação da Hewitt destas Partitas, tratei de colocar na playlist.

Decididamente, a mais bonita capa de álbuns com as Partitas

Ela explica no livreto as razões que a levaram a gravar a mesma obra uma segunda vez. Claro, todo mundo sabe, Angela Hewitt iniciou suas gravações com um ótimo disco de música de Bach para a Deutsche Grammophon. Mas o destino não quis e ela mudou para a Hyperion, onde se estabeleceu e gravou praticamente toda a obra de Bach para teclado. Depois deste envolvimento por tanto tempo com este compositor, passou a gravar também música de outros mestres, como um excelente disco com peças de Debussy e também a integral das peças de Ravel. Pois estava assim a moça levando a vida quando, em 2004, John Gilhooly, diretor do Wigmore Hall, lhe propôs um mega projeto: tocar toda a obra para teclado de Bach em 12 recitais. Hewitt negaceou mas acabou embarcando no projeto que iniciou em 2016 e terminará em 2020 (que chegará amanhã, é claro, estou escrevendo estas mal traçadas linhas no último dia de 2019 e é melhor parar de experimentar estes espumantes aqui, esta louça nunca que acaba…). Com isto, a artista percorreu o mundo novamente tocando as Partitas e decidiu gravá-las de novo. A gravação foi feita no Kulturzentrum Gustav Mahler em Toblach/Dobbiaco, desta vez ela usou seu próprio piano Fazoli, e tudo com produção de Ludger Böckenhoff, que foi o engenheiro de som na primeira gravação, feita vinte anos antes! Ela disse, não necessariamente nesta ordem: ‘Não espere diferenças de proporções Gouldianas’. ‘Uma allemande ainda é uma allemande, uma courant ainda não deve ser corrida e uma gigue deve ser dançável’. ‘Quanto mais envelhecemos, mais a música significa para nós, e me dá grande alegria compartilhar estas partitas com vocês mais uma vez’. O que dizer? A alegria é toda nossa!

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

CD1

[1-6] Partita No. 1 em si bemol maior, BWV 825
[7-12] Partita No. 2 em dó menor, BWV 826
[13-19] Partita No. 4 em ré maior, BWV 828

CD2

[1-7] Partita No. 3 em lá menor, BWV 827
[8-14] Partita No. 5 em sol maior, BWV 829
[15-21] Partita No. 6 em mi menor, BWV 830

Angela Hewitt, piano

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FLAC | 499 MB

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MP3 | 320 KBPS | 353 MB

Angela adorando o fim de semana na Ilha do PQP…

Um dos críticos da Amazon sobre este álbum: ‘clean-cut, undiosyncratic, straight-up and honest’. Realmente,  eu acrescentaria, excelente música, apresentada com amor por uma espetacular artista!

Aproveite!

René Denon

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Sonatas e Partitas para violino solo, BWV 1001-1006 – James Ehnes

Parem tudo o que estão fazendo e ouçam isso. Não exagero: eu parei minha série de postagens da obra completa de Beethoven em pleno Ano Beethoven, e acho que Ludovico não se chatearia com a reverência ao demiurgo João Sebastião, recriado pelo talento do mais fascinante dos violinistas em atividade, o canadense James Ehnes. Atentem para os andamentos mais lentos que o habitual, que permitem à linda entonação de Ehnes destacar as diversas vozes com clareza, particularmente nas fugas. Percebam seu uso comedido do vibrato, tão em desuso nessa era de preferências historicamente informadas, que nem de longe descamba para romantismo ou, menos ainda, sacarose sentimental. Maravilhem-se com momentos como o prelúdio da terceira partita, que cintila e efervesce. E – nem sei o que lhes dizer – SINTAM nessa Chacona, também mais lenta que o costumeiro, o domínio absoluto que Ehnes tem sobre tudo, e sobretudo ao pulso do tempo, enquanto desenrolam-se as engenhosas variações na criação instrumental suprema de Bach. Eu fui fisgado logo no primeiro acorde da primeira sonata, e só parei de ouvir muito depois da última partita terminar, para então colocar novamente a Chacona para conseguir acreditar no que meus sentidos me diziam: que aquela era a mais bela versão das sonatas e partitas que conheci na última década, e certamente uma das melhores que jamais existirão.

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

J. S. BACH – THE SIX SONATAS & PARTITAS FOR SOLO VIOLIN – JAMES EHNES

DISCO 1

Sonata no.1 em Sol menor para violino solo, BWV 1001
1 – Adagio
2 – Fuga
3 – Siciliana
4 – Presto

Partita no.1 in Si menor para violino solo, BWV 1002
5 – Allemanda
6 – Double
7 – Corrente
8 – Double
9 – Sarabande
10 – Double
11 – Tempo di Borea
12 – Double

Sonata no.2 in Lá menor para violino solo, BWV 1003
13 – Grave
14 – Fuga
15 – Andante
16 – Allegro

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DISCO 2

Partita no. 2 em Ré menor para violino solo, BWV 1004
1 – Allemanda
2 – Corrente
3 – Sarabanda
4 – Giga
5 – Ciaccona

Sonata no.3 em Dó maior para violino solo, BWV 1005
6 – Adagio
7 – Fuga
8 – Largo
9 – Allegro assai

Partita no.3 em Mi maior para violino solo, BWV 1006
10 – Preludio
11 – Loure
12 – Gavotte en Rondeau
13 – Menuet I
14 – Menuet II
15 – Bourrée
16 – Gigue

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James Ehnes, violino

Ehnes e seu Stradivarius, preparando-se para enfeitiçar vocês

Vassily

Bach (1685-1750): Variações Goldberg – Zhu Xiao-Mei

Bach (1685-1750): Variações Goldberg – Zhu Xiao-Mei

J.S. Bach

Variações Goldberg

Zhu Xiao-Mei, piano

朱 晓 玫

 

Parem tudo o que estiverem fazendo. Deixem as compotas de figo descansarem um pouco mais em seus vidros. Esperem as mangas amadurecerem um pouco mais antes de colhê-las. As flores esperarão uma hora e meia mais antes de serem regradas, elas não se importarão. Simplesmente sente-se no batente da porta que dá para o quintal, aumente e aumente o som: Zhu Xiao-Mei vai tocar as Variações do Grande Bach.

Ouça, não se preocupe, o tempo passará sem que você se dê conta! Você poderá então retomar as coisas que tinha para fazer.

Eu não sei quantas versões destas variações já ouvi, algumas talvez melhores do que esta e ainda muitas outras virão. Mas, hoje, neste momento, esta interpretação soa-me como a mais urgente, mais intensa.

Ainda postarei outras gravações desta obra e então falarei das belezas de uma ou outra das variações, como aquela chamada ‘Pérola Negra’, e de como este nome me faz pensar nelas como em um colar, onde a ária no início e, de novo, no final, no derradeiro de todo o universo que passou, fazem o papel das duas metades do fecho.

Nestas outras postagens que farei falarei da variação de número 16, chamada ‘Ouverture’, como se o caprichoso mago compositor nos dissesse – ‘como isto é um círculo, o começo pode estar em qualquer parte…’

Hoje apenas vos peço que ouçam as Variações Goldberg, da Xiao-Mei (ouso chamá-la pelo primeiro nome), sem pensar nas outras que você conhece. Apenas deixe que ela conte como naqueles dias ela as interpretava. Será uma maravilhosa maneira de usar bem seu tempo.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Variações Goldberg

Zhu Xiao-Mei, piano

Gravado em 1990

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FLAC | 217 MB

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MP3 | 320 KBPS | 141 MB

Aproveite bem de uma hora e meia de sua vida: ouça Zhu Xiao-Mei tocando as Variações Goldberg!

René Denon

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Complete Cantatas – Cd 22 de 22 – Sandrine Piau; Johannette Zomer, James Gilchrist, etc., Amsterdam Baroque Orchestra, Ton Koopman

Finalmente consigo terminar essa fantástica coleção, que traz todas as Cantatas compostas por nosso compositor maior, Johann Sebastian, o Bach. Espero que tenham gostado, deu muito trabalho. Espero que estes links permaneçam ativos por bastante tempo, pois provavelmente nunca mais serão repostos .

COMPACT DISC I
Ein feste Burg ist unser Gott BWV 80
Festo Reformationis
1  Chorus: “Ein feste Burg ist unser Gott”
2  Aria (Soprano, Bass): “Alles, was von Gott geboren/Mit unser Macht”
3  Recitative (Bass): “Erwäge doch, Kind Gottes”
4  Aria (Soprano): “Komm in mein Herzenshaus”
5  Chorale: “Und wenn die Welt voll Teufel wär”
6  Recitative (Tenor): “So stehe dann bei Christi blutgefärbten Fahne”  7  Aria (Duet: Alt, Tenor): “Wie selig sind doch die, die Gott im Munde tragen”
8  Chorale: “Das Wort, sie sollen lassen stahn”

Missa in G, BWV 236 

9 Kyrie  Chorus
10 Gloria Chorus
11  Gratias  Bass
12  Domine Deus  Soprano, Alto
13  Quoniam Te nor
14  Cum Sancto Spiritu  Chorus

Freue dich, erlöste Schar BWV 30
Festo S. Joannis Baptistae
17  Aria (Bass): “Globet sei Gott, gelobet sein Namen”
18  Recitative (Alto): “Der Herold kömmte und meldt den König an”
19  Aria (Alto): “Kommt, ihr angefochtnen Sünder”
20  Chorale: “Eine Stimme läßt sich hören”

Secunda pars
21  Recitative (Bass): “So bist du denn, mein Heil, bedacht”
22  Aria (Bass): “Ich will nun hassen und alles lassen”
23  Recitative (Soprano): “Und ob wohl sonst der Unbestand”
24  Aria (Soprano): “Eilt, ihr Stunden, kommt herbei”
25  Recitative (Tenor): “Geduld”
26  Chorus: “Freue dich, geheilgte Schar”

COMPACT DISC 2  62:43
Missa in F, BWV 233 

1 Kyrie  Chor us
2 Gloria Chorus
3  Domine Deus  Bass
4  Qui tollis  Soprano
5  Quoniam Alto
6  Cum Sancto Spiritu  Chorus

Missa in A, BWV 234 

7 Kyrie  Chor us
8 Gloria Chorus
9  Domine Deus  Bass
10  Qui tollis  Soprano
11  Quoniam Alto
12  Cum Sancto Spiritu  Chor us

Appendix:
Wilhelm Friedemann Bach: Gaudete omnes populi, F103
(Latin version of BWV 80)

13  Chorus: Gaudete omnes populi
14  Chorus: Manebit verbum Domini

COMPACT DISC 3
Angenehmes Wiederau, freue dich in deinen Auen BWV 30a
Dramma per musica zur Huldigung Johann Christian von Hennickes

1  Chorus: “Angenehmes Wiederau, freue dich in deinen Auen”
2  Recitative (Bass): “So ziehen wir in diesem Hause”
3  Aria (Bass): “Willkommen im Heil, willkommen in Freuden”  4:39  4  Recitative (Alto): “Da heute dir, gepriesner Hennikke”  0:35  5  Aria (Alto): “Was die Seele kann ergötzen”
6  Recitative (Bass): “Und wie ich jederzeit bedacht”
7  Aria (Bass): “Ich will dich halten und mit dir walten”
8  Recitative (Soprano): “Und obwohl sonst der Unbestand”
9  Aria (Soprano): “Eilt, ihr Stunden, wie ihr wollt”
10  Recitative (Tenor): “So recht! Ihr seid mir werte Gäste”
11  Aria (Tenor): “So wie ich die Tropfen zolle”
12  Recitative (S, A, T, B): “Drum, angenehmes Wiederau”
13  Chorus: “Angenehmes Wiederau, prange nun in deinen Auen!”

Missa in g, BWV 235 

14 Kyrie  Chorus
15 Gloria Chorus
16  Gratias  Ba ss
17  Domine Fili Alto
18  Qui tollis  Tenor
19  Cum Sancto Spiritu

Sandrine Piau (BWV 30, 30a, 80), Johannette Zomer (BWV 233, 234)  soprano
Bogna Bartosz, Nathalie Stutzmann (BWV 80)  al o
Jörg Dürmüller (BWV 233­6), James Gilchrist (BWV 30, 80)  Christoph Prégardien (BWV 30a)  tenor
Klaus Mertens  bass

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Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Complete Cantatas – Cd 21 de 22 – Sandrine Piau; Johannette Zomer, James Gilchrist, etc., Amsterdam Baroque Orchestra, Ton Koopman

COMPACT DISC 1
Was Gott tut, das ist wohlgetan (III) BWV 100
Unspecified occasion
1 Chorale [Versus 1]: “Was Gott tut, das ist wohlgetan, es bleibt grerecht sein Wille”
2 Aria (Duet: A, T) [Versus 2]: “Was Gott tut, das ist wohlgetan, er wird mich nicht betrüben”
3 Aria (S) [Versus 3]: “Was Gott tut, das ist wohlgetan, er wird mich wohl bedenken”
4 Aria (B) [Versus 4]: “Was Gott tut, das ist wohlgetan, er ist mein Licht, mein Leben”
5 Aria (A) [Versus 5]: “Was Gott tut, das ist wohlgetan, muß ich den Kelch gleich schmecken”
6 Chorale [Versus ultimus]: “Was Gott tut, das ist wohlgetan, darbei will ich verbleiben”

Bekennen will ich seinen Namen BWV 200
Aria, probably from a cantata Unspecified occasion
7 Aria (Alto): “Bekennen will ich seinen Namen”

Ich ruf zu dir, Herr Jesu Christ BWV177
Dominica 4 post trinitatis
4. Sonntag nach Trinitatis –
8 Chorus [Versus 1]: “Ich ruf zu dir, Herr Jesu Christ”
9 Aria (Alto) [Versus 2J: “Ich bitt noch mehr, o Herre Gott”
10 Aria (Soprano) [Versus 3]: “Verleih, daß ich aus Herzensgrund”
11 Aria (Tenor) [Versus 4]: “Laß mich kein Lust noch Furcht von dir”
12 Chorale [Versus 5]: “Ich lieg im Streit und widerstreb”

Dem Gerechten muß das Licht BWV 195
Wedding Cantata –
13 Chorus: “Dem Gerechten muß das Licht”
14 Recitative (Bass): “Dem Freudenlicht gerechter Frommen”
15 Aria (Bass): “Rühmet Gottes Gut und Treu”
16 Recitative (Soprano): “Wohlan, so knüpfet denn ein Band”
17 Chorus (Soli S, A, T, B and Choir): “Wir kommen, deine Heiligkeit”
18 Chorale: “Nun danket all und bringet Ehr”

COMPACT DISC 2
Wachet auf, ruft uns die Stimme BWV 140
Dominica 27 post trinitatis

1 Chorale: “Wachet auf, ruft uns die Stimme”
2 Recitative (Tenor): “Er kommt, er kommt”
3 Aria (Duet: Soprano, Bass): “Wenn kömmst du, mein Heil”
4 Chorale (Tenors): “Zion hört die Wächter singen”
5 Recitative (Bass): “So geh herein zu mir”
6 Aria (Duet: Soprano, Bass): “Mein Freund ist mein”
7 Chorale: “Gloria sei dir gesungen”

O ewiges Feuer, o Ursprung der Liebe BWV 34
Feria 1 Pentecostes

8 Chorus: “O ewiges Feuer, o Ursprung der Liebe”
9 Recitative (Tenor): “Herr, unsre Herzen halten dir”
10 Aria (Alto): “Wohl euch, ihr auserwählten Seelen”
11 Recitative (Bass): “Erwählt sich Gott die heiigen Hütten
12 Chorus: “Friede über Israel”

Lobe den Herrn, meine Seele BWV 143
Festo Circumcisionis Christi For the Feast of the Circumcision
13 Chorus: “Lobe den Herrn, meine Seele”
14 Chorale (Sopranos): “Du Friedefürst, Herr Jesu Christ”
15 Recitative (Tenor): “Wohl dem, des Hülfe der Gott Jakob ist”
16 Aria (Tenor): “Tausendfaches Unglück”
17 Aria (Bass): “Der Herr ist König”
18 Aria (Tenor): “Jesu, Retter deiner Herde”
19 Chorus with Chorale: “Halleluja. Gedenk, Herr, jetzund an dein Amt”

Der Friede sei mit dir BWV 158
Feria 3 Paschatos
20 Recitative (Bass): “Der Friede sei mit dir”
21 Aria (Bass) and Chorale (Sopranos): “Welt, ade, ich bin dein Müde”
22 Recitative (Bass): “Nun Herr, regiere meinen Sinn”
23 Chorale: “Hier ist das rechte Osterlamm”

COMPACT DISC 3
Gott ist unsre Zuversicht BWV 197
Wedding Cantata 4
1 Chorus: “Gott ist unsre Zuversicht”
2 Recitative (Bass): “Gott ist und bleibt der beste Sorger”
Aria (Alto): “Schläfert allen Sorgenkummer”
4 Recitative (Bass): “Drum folget Gott und seinem Triebe”
5 Chorale: “Du süße Lieb, schenk uns deine Gunst”
6 Aria (Bass): “O du angenehmes Paar”
7 Recitative (Soprano): “So wie es Gott mit dir”
8 Aria (Soprano): “Vergnügen und Lust, Gedeihen und Heil”
9 Recitative (Bass): “Und dieser frohe Lebenslauf”
10 Chorale: “So wandelt froh auf Gottes Wegen”

In allen meinen Taten BWV 97
Unspecified occasion –
11 Chorus [Versus 1]: “In allen meinen Taten”
12 Aria (Bass) [Versus 2]: “Nichts ist es spat und frühe”
13 Recitative (Tenor) [Versus 3]: “Es kann mir nichts geschehen”
14 Aria (Tenor) [Versus 4]: “Ich traue seiner Gnaden”
15 Recitative (Alto) [Versus 5]: “Er wolle meiner Sünden”
16 Aria (Alto) [Versus 6]: “Leg ich mich späte nieder”
17 Aria (Duet: Soprano, Bass) [Versus 7]: “Hat er es denn beschlossen”
18 Aria (Soprano) [Versus 8]: “Ihm hab ich mich ergeben”
19 Chorale [Versus ultimus]: “So sei nun, Seele, deine”

O Jesu Christ, meins Lebens Licht BWV 118

Motette (“Trauermusik”)
20 Chorus: “O Jesu Christ, meins Lebens Licht”

Gloria in excelsis Deo BWV 191
Festo Nativitatis Christi

21 Chorus: “Gloria in excelsis Deo”
22 Aria (Duet: Soprano, Tenor): “Gloria Patri et Filio”
23 Chorus: “Sicut erat in principio”

Sandrine Piau; Johannette Zomer (BWV 195); Caroline Stam (BWV 191)  soprano
Bogna Bartosz; Annette Markert (BWV 195)  alto
James Gilchrist (BWV 100, 195, 140, 97); Paul Agnew (BWV 34, 191)  Christoph Prégardien (BWV 177); Jörg Dürmüller (BWV 143) tenor
Klaus Mertens  bass

THE AMSTERDAM BAROQUE ORCHESTRA & CHOIR
TON KOOPMAN

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