Bach (1685 – 1750) · ∞ · A Arte da Fuga (Arranjo para Orquestra de Fritz Stiedry) · ∞ · Radio-Symphonie-Orchester Berlin · ֎ · Hans Zender · ֍ ·

Bach (1685 – 1750) · ∞ · A Arte da Fuga (Arranjo para Orquestra de Fritz Stiedry) · ∞ · Radio-Symphonie-Orchester Berlin · ֎ · Hans Zender · ֍ ·

Bach – Stiedry

A Arte da Fuga

Radio-Symphonie-Orchester Berlin

Hans Zender

 

Esta é a primeira de pelo menos duas postagens que farei envolvendo o nome Hans Zender. Se chover reclamações, farei ainda mais…  Johannes “Hans” Wolfgang Zender foi um compositor e maestro alemão que morreu em 22 de outubro de 2019. No momento em que escrevo a postagem falta dez dias para completar um ano de sua morte. Como em nossas quase seis mil e quinhentas postagens o nome Hans Zender aparece só uma vez, como regente em um disco com músicas de Morton Feldman, em 2008 – postagem esta cujos links e arquivos se encontram already no grande oblivium, espero assim poder chamar a atenção de nossos leitores-seguidores para ele, trazendo outros de seus trabalhos.

Hans Zender

Hans Zender subiu a ladeira dos empregos musicais na Alemanha, passando por casas de óperas e trabalhando muito com as orquestras das rádios, um pouco assim como Michael Gielen. Com orquestras como SWR Sinfonieorchester Baden-Baden und Freiburg, Rundfunk-Sinfonieorchester Saarbrucken e Radio-Symphonie-Orchester Berlin, deixou registros de obras de compositores seus contemporâneos, como Boulez, Rhim, Morton Feldman, e compositores anteriores como Mozart, Schubert e Mahler.

Aqui temos uma gravação que pode parecer um pouco antiquada, mas merece ser ouvida. Do ano de 1985, mostra como foi cuidadoso e reverente o trabalho de Zander. A peça é uma obra máxima, Die Kunst der Fuge – A Arte da Fuga – de Bach, um ótimo desafio para os intérpretes, já que Bach não deixou muitas instruções de como a obra deveria ser executada. Aqui temos um arranjo, uma distribuição do material musical para os diferentes instrumentos da orquestra, feito por Fritz Stiedry, que também foi ótimo regente além de arranjador, mas de uma geração anterior a de Hans Zender.

 

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Die Kunst der Fuge, BWV 1080.
(Arranjo para grande orquestra, por Fritz Stiedry)

  1. I Allegro Moderato, BWV 1080, 1
  2. II Allegro con moto, BWV 1080, 2
  3. Canon I Allegro assai, BWV 1080, 17
  4. III Allegro moderato, BWV 1080, 3
  5. IV Allegro molto, BWV 1080, 6
  6. Canon II Allegro tranquillo, BWV 1080, 16
  7. V Allegro vivace, BWV 1080, 5
  8. VI Andante, BWV 1080, 6
  9. VII Andantino, BWV 1080, 7
  10. VII Allegrissimo, BWV 1080, 9
  11. IX Allegrissimo, BWV 1080, 10
  12. Canon III Presto non troppo, BWV 1080, 15
  13. X Allegro, BWV 1080, 8
  14. XI Allegro non troppo, BWV 1080, 11
  15. Canon IV Molto moderato, BWV 1080, 14
  16. XII Allegro con moto, BWV 1080, 12-I
  17. XIII Allegro con moto, BWV 1080, 12-II
  18. XIV Vivace ma non troppo, BWV 1080, 13-I
  19. XV Vivace ma non troppo, BWV 1080, 13-II
  20. XVI Allegro moderato, BWV 1080, 19

Klaus Hellwig e Thomas Weber, piano

Radio-Symphonie-Orchester Berlin

Hans Zender

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 227 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 188 MB

Quem não fica assim, regendo a genial música de Bach?

Momento ‘The Book is on the Table’:

Probably no single work by Johann Sebastian Bach is surrounded with such an aura of mystery and secrecy as The Art of Fugue.

Aproveite!

René Denon

Detalhe de uma capa de outra gravação da Arte… Poucas obras inspiraram tanto os artistas que produzem as capas!

PS: Se você gostou desta postagem, não deixe de conferir estas gravações, bem diferentes, mas ótimas!

J S Bach – Die Kunst der Fuge (The Art of Fugue), BWV 1080 – Le Consort de violes des Voix humaines

J. S. Bach (1685-1750): A Arte da Fuga (Podger / Brecon)

Bach (1685–1750) · ∞ · Partitas BWV 825 – 830 · ∞ · Igor Levit ֍

Bach (1685–1750) · ∞ · Partitas BWV 825 – 830 · ∞ · Igor Levit   ֍

Bach

Partitas

Igor Levit

 

Um dos grandes prazeres naqueles dias era o de fazer a ronda – ir às lojas de CDs, ver as novidades. Como essas lojas também tinham seus barflies, sempre encontrava algum conhecido ou mesmo, com sorte, um amigo. Sabíamos os gostos (e desgostos) uns dos outros e parte da diversão consistia em correr na frente para provocar quem ficava para trás – sobrou só uns Tchaikoviskys aí para você… era o bordão.

Depois íamos tomar café e exibir os resultados das compras. Não sou saudosista, os tempos são outros, mas o prazer de ir passando os discos e se deparar com um álbum com a combinação – compositor – repertório – intérprete reunidos é algo difícil de esquecer.

Uma dessas últimas emoções, desses prazeres do passado, foi encontrar este álbum da postagem e me ocorreu na Arlequim, uma linda loja que havia no Paço Imperial, no Centro do Rio de Janeiro.

O álbum duplo com as Partitas de Bach, interpretadas pelo então desconhecido Igor Levit foi a prenda do dia! I snaped it up, sem vacilar! E valeu cada centavo investido.

Revivo isto tudo e os faço saber pois que Igor Levit ganhou não um, mas dois prestigiosos prêmios da edição deste terrível ano de 2020 da Gramophone Awards, a premiação da prestigiosa revista de música inglesa.

O prêmio na categoria Instrumental, pela gravação das Sonatas para Piano de Beethoven, disponível já há um bom tempo no seu distribuidor PQP Bach Ars Blog mais próximo, já seria para monumentais comemorações. Mas Igor levou outro premio ainda, talvez de maior prestígio. Ele ganhou também na categoria Artista do Ano. Certamente suas aptidões artísticas o levaram a tanto, como você poderá verificar ouvindo o álbum desta postagem, mas a razão pela qual Levit segue ganhando prêmios de diversos segmentos vem de sua atitude e seus posicionamentos firmes e exemplares frente a tantas questões que nos afligem nestes tempos deveras conturbados que vivemos. Ele ganhou também o Beethoven Prize por suas claras e fortes posições externadas nas mídias, como você poderá ver aqui.

Mas hoje é dia de Bach e Levit nos levará pelo mundo maravilhoso das Partitas. Bach já havia produzido duas coleções de suítes para o teclado quando a Primeira das Partitas foi impressa em 1726 – com a promessa de mais outras que a seguiriam. A coleção ficou completa em 1731 e foi designada Clavier-Übung (Exercícios para Teclado), terminologia que já havia sido adotada por Johann Kuhnau, o predecessor de Bach como Kantor de Santo Tomás, em Leipzig.

A impressão desta coleção – Opus 1 de Bach – pode ter sido uma tentativa de aumentar a renda e criar uma nova frente de atividade, uma vez que o interesse pela música religiosa vinha declinando devido a várias dificuldades. Inclusive, esta seria a motivação para a criação de mais um novo ciclo de suítes, pois que os pretensos compradores da coleção eram os muitos estudantes de Bach e outros músicos profissionais, que já tinham certamente suas cópias das lindas Suítes Inglesas e Francesas. E melhor ainda para nós, que ganhamos mais uma coleção primorosa de Suítes de Bach, um verdadeiro compendio de estilos musicais – aberturas francesas, tocatas, fugas e fantasias, assim como uma miríade de danças. E tudo isto entregue a você pelas mãos do artista do ano: Igor Levit!

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

CD1

Partita No. 1 em si bemol maior, BWV 825

Partita No. 2 em dó menor, BWV 826

Partita No. 4 em ré maior, BWV 828

CD 2

Partita No. 3 em lá menor, BWV 827

Partita No. 5 em sol maior, BWV 829

Partita No. 6 em sol menor, BWV 830

Igor Levit, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 457 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 349 MB

Quando Igor Levit deu seu primeiro recital nos Estados Unidos da América, em 2014, Alex Poots, que era o diretor artístico do Park Avenue Armory em 2014, ficou encantado com sua musicalidade e sua consideração. Ele teve então a ideia de apresentá-lo a Marina Abramović.

Foram então todos ao Chiltern Firehouse, um hotel chique em Londres, com um bar lotado e barulhento depois da meia-noite, quando Marina Abramović  pediu ao Levit que tocasse alguma coisa ao piano.

Levit lembra-se de ter dito “Marina, eu não posso tocar o piano aqui, todo o mundo está dançando”. Mas o dono do local silenciou o D.J. e Levit tocou o último movimento da Sonata Hammerklavier.

Mr. Poots disse que o salão ficou em silêncio: “Em um bar barulhento, cheio de festa e de vida, podia-se ouvir um alfinete cair ao chão”.

Believe it or not, Mr. Levit!

Aproveite o Bach!

René Denon

Se você gostou desta postagem, poderá se interessar por estas aqui:

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Igor Levit – 1 de 9 – BTHVN250

J. S. Bach (1685-1750): Partitas BWV 825 a 830 – Angela Hewitt, piano (2ª Gravação – 2019)

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Complete Partitas – Richard Egarr

 

J. S. Bach, Biber, Montanari, Pisendel & Tartini: Guardian Angel (Rachel Podger)

J. S. Bach, Biber, Montanari, Pisendel & Tartini: Guardian Angel (Rachel Podger)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Chega o dia em que o grande violinista — no caso a grande violinista — acha que tem que roubar repertório de outros instrumentos. E o faz bem, roubando (ou transcrevendo) a belíssima Partita para Flauta Solo, BWV 1013, de Bach. O restante do repertório deste Guardian Angel é original, mas tudo fica opaco perto da Partita de Bach e da Passacaglia de Biber. Eu amo a Passacaglia, uma daquelas peças que não requerem virtuosismo e sim sensibilidade. Em mãos mais duras, ela cai na vala das obras descartáveis, mas quando cai nas mãos de uma Podger, rende loucamente. Um CD aparentemente despretensioso que é uma joia. Confiram!

J. S. Bach, Biber, Montanari, Pisendel & Tartini: Guardian Angel (Rachel Podger)

Johann Sebastian Bach (1685 -1750)
Partita for flute in A minor, BWV 1013:
01. I. Allemande (04:07)
02. II. Corrente (03:41)
03. III. Sarabande (05:26)
04. IV. Bouree Anglaise (02:40)

Nicola Matteis (d. after 1713)
From: Other Ayrs, Preludes, Allmands, Sarabands etc. – The 2nd Part:
05. Passagio rotto (02:34)
06. Fantasia (01:51)
07. Movimento incognito (02:49)

Giuseppe Tartini (1692-1770)
Sonata in A minor, B: a3:
08. I. Cantabile (01:40)
09. II. Allegro (02:15)
10. III. Allegro (03:41)
11. IV. Giga (01:21)
12. V. Theme and variations (12:12)
Sonata in B minor, No.13, B: h1:
13. I. Andante (04:45)
14. II. Allegro assai (02:48)
15. III. Giga. Allegro affettuoso (02:48)

Johann Georg Pisendel (1687-1755)
Sonata per violino solo senza basso:
16. I. (02:45)
17. II. Allegro (05:16)
18. III. Giga (02:49)
19. IV. Varoatione (04:00)

Heinrich Ignaz Franz von Biber (1644-1704)
20. From: Mystery Sonatas: Passacaglia in G minor for solo violin (08:52)

Antonio Montanari (1676-1737)
21. Sonata Camera (Giga) — Bonus Track (02:27)

Rachel Podger, violino

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Quem não ama Rachel Podger?

PQP

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas para Soprano (BWV 82a, 199, 51, 84, 209 & 202) – Nancy Argenta

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas para Soprano (BWV 82a, 199, 51, 84, 209 & 202) – Nancy Argenta

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Eu amo as Cantatas para soprano solo de Johann Sebastian Bach. Especialmente a BWV 82 e a 202, mas também as outras. E o que dizer delas na voz translúcida de Nancy Argenta? Bem, abaixo coloco um texto de Mark Swed, publicado no L.A. Times em julho deste ano. Swed faz uma curiosa e linda relação entre a Cantata BWV 82 e nossos tempos covideanos. Excluí os dois parágrafos finais pois eles diziam respeito a outra interpretação que não a da canadense Argenta, porém, é claro, o artigo está em sua versão completa no link acima e traduzido aqui.

Bach escreveu a Cantata BWV 82 para transcender a tragédia. É uma canção de ninar para os nossos tempos

Por Mark Swed

Ich habe genug, Cantata BWV 82 de Bach, é comumente traduzida como Estou contente. No centro da cantata, há uma canção de ninar de doçura consoladora e benção sonolenta, cuja melodia é incomparável. Quem está atualmente contente? Quem não está dormindo muito ou pouco, com noites pesadas e angustiadas?

Na verdade, a Cantata 82 fornece um manual de como morrer tranquilamente, mapeando o caminho para o paraíso. E, aparentemente, essa é a última coisa que alguém quer ouvir durante as circunstâncias terríveis que vivemos.

Eu tentei um experimento. Por alguns dias, a Cantata foi a última música que eu escutei antes de ir para a cama e a primeira que eu ouvi de manhã. Não me aliviou a apreensão noturna nem se mostrou eficaz para melhorar o humor diurno. Eu não fiquei mais contente, mas o curioso era que eu esperava ansiosamente aqueles momentos de escuta. Claro, a BWV 82, para usar o sistema de numeração convencional que usamos para Bach, não se tornou sem motivo uma dos mais amadas das cerca de 200 cantatas existentes de Bach. Ela é linda.

As cantatas de Bach são uma conquista da humanidade. Acredita-se que ele tenha composto pelo menos 300 (um terço ou mais foram perdidas). Aos 38 anos, em 1723, ele era o encarregado da música das quatro principais igrejas luteranas de Leipzig, na Alemanha, e era obrigado a fornecer 59 cantatas por ano, uma para o culto de cada domingo e outras para os feriados. A maioria das cantatas era composta por 3 árias, 3 movimentos corais e recitativos. E era interpretada por um ou dois cantores solo, coral e um conjunto instrumental no qual os membros também podiam ter partes solo, o que significava agendamentos frenéticos de ensaios.

As cantatas acabaram se tornando um álbum de respostas emocionais a seu tempo e lugar, às estações do ano, às alegrias e tristezas da vida de Leipzig no século XVIII. Elas eram meditações profundas sobre o significado de tudo, discursos pessoais de sons.

A Cantata (que significa apenas cantada) era, por si só, um gênero vago. Embora principalmente sacras, as elas também poderiam ser seculares, destinadas a casamentos e outras celebrações, funerais ou mesmo, como Bach nos demonstrou deliciosamente, a um café.

Como disse, elas normalmente continham árias para um ou dois cantores, um coro e um pequeno conjunto com solos para instrumentistas virtuosos. Para aborrecimento dos padres, a música de Bach costumava ser a principal atração para os cultos que começavam às 7 da manhã e podiam durar quatro horas. Sabe-se que a congregação da sociedade de Leipzig chegava tarde à missa e saía mais cedo, ou seja, iam mais para assistir Bach do que o sermão.

O BWV 82 foi escrito em 1727 para a Festa da Purificação da Virgem Maria, que aconteceu em 2 de fevereiro. É para um cantor solo e prescinde do coro. Seu libreto anônimo concentra-se em Simeão, que, depois de ver o menino Jesus no templo, não precisa mais da vida terrena.

Em seu brilhante estudo de Bach, Música no Castelo do Céu, o maestro John Eliot Gardiner diz que a teologia da época encarava o mundo como “um hospício povoado por almas doentes cujos pecados apodrecem como furúnculos supurantes e excrementos amarelos”. Mas, no BWV 82, Bach radicalmente nos permite aspirar a sermos anjos. A morte não é transformação ou punição, é missão cumprida, é uma boa noite de sono e uma alegre viagem para casa.

Anjos não somos, mas por 25 minutos sentimos que somos. Os sons das palavras do texto anônimo são transformados em melodias luxuosas, que demonstram um talento operístico indiscutível. Mas a realização mais significativa é a de que a melodia e a instrumentação transcenderem o texto completamente.

O formato da cantata é simples: um cantor — Bach criou versões para soprano, mezzo-soprano e baixo-barítono — e três árias conectadas por dois recitativos curtos. Um pequeno conjunto de cordas o acompanha. Um oboé solo (ou flauta na versão soprano) gira melodias acrobáticas fazendo um sofisticado contraponto à linha vocal. Sobre as cordas suaves, a ária de abertura começa com o oboé ou flauta, introduzindo a frase melódica de cinco notas que carregará as palavras “Ich habe genug”.

Bach não está nos dizendo isso por palavras. Ele não está explicitando nada. Nem está, por mais que pareça, revelando as emoções carregadas no texto. Ele está nos levando pela mão a algum lugar.

A suposta tarefa da ária de canção de ninar “Schlummert ein” era representar a morte como sono. Em vez disso, Bach produz um milagre musical. Para que ele não nos leve a dormir, Bach produz um estado de reverência. O sono, então, torna-se não a morte, mas uma visão fugaz da morte, da qual acordamos revigorados. É por isso que a ária final curta e alegre pode estar escandalosamente viva.

Ich habe genug veio logo depois que Bach se cansou de cantatas para funerais. Aliás, a morte foi sua companheira constante. Seus pais morreram quando ele era menino. Sua primeira esposa morreu jovem. Ele sofreu a morte de seis de seus 20 filhos, incluindo a de um filho de seis meses antes de escrever o BVW 82. A essa altura, Bach havia deixado a tarefa hercúlea de escrever cantatas sem parar, para produzi-las apenas ocasionalmente. Mas o BWV 82 parece ser uma questão pessoal e Bach produziu um total de seis versões, a última em 1748, dois anos antes de sua própria morte.

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas para Soprano (BWV 82a, 199, 51, 84, 209 & 202)

CD 1 (64:47)
1-5 Ich habe genug BWV 82a 21:51
6-13 Mein Herze schwimmt in Blut BWV 199 22:16
14-17 Jauchzet Gott in allen Landen BWV 51 17:30

CD 2 (54:15)
1-5 Ich bin vergnugt mit meinem Glucke BWV 84 13:34
6-10 Non sa che sia dolore BWV 209–Italian Cantata 20:37
11-19 Weichet nur, betrubte Schatten BWV 202–Wedding Cantata 19:46

Soprano Vocals – Nancy Argenta (tracks: CD 1 & CD 2)
Directed By – Monica Huggett (tracks: CD 1 & CD 2)
Ensemble – Sonnerie (tracks: CD 1 & CD 2)
Flute – Lisa Beznosiuk (tracks: BWV 82a & 209 (CD 1: 1-5; CD 2: 6-10))
Oboe – Paul Goodwin (2) (tracks: BWV 84, 199 & 202 (CD 1: 6-13; CD 2: 1-5, 11-19))
Trumpet – Crispian Steele-Perkins (tracks: BWV 51 (CD 1: 14-17))

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

A extraordinária soprano canadense Nancy Argenta

PQP

Johann Sebastian Bach (1685-1750): As Sonatas para Violino e Cravo (Holloway / Moroney / Sheppard)

Johann Sebastian Bach (1685-1750): As Sonatas para Violino e Cravo (Holloway / Moroney / Sheppard)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Mais um belo disco deste monstro do violino barroco que é John Holloway. As 6 Sonatas para violino e cravo obbligato, BWV 1014-1019, de Johann Sebastian Bach, foram provavelmente compostas durante os últimos anos de Bach em Köthen entre 1720 e 1723, antes de se mudar para Leipzig. Em Leipzig, ele continuou a fazer alterações nelas. Ela são, na sua maioria, escritas em 4 movimentos, lento-rápido-lento-rápido e foram desenvolvidas como trios, ou seja, há três partes independentes que consistem de duas vozes superiores combinados com uma linha de baixo. Em vez de fazer o papel de um instrumento contínuo, preenchendo as harmonias de um baixo cifrado, o cravo tomou uma das linhas melódicas superiores em igualdade de condições com a violino. Ao mesmo tempo, ele proporciona a linha de baixo (a qual pode ser reforçada ou não por uma viola da gamba, por exemplo). Holloway é toda uma paleta de cores. Seu violino soa às vezes tão grave que parece uma viola. Em outros pontos, como no final do Adagio da Sonata Nº 5, ele parece uma orquestra. Um disco realmente muito bom, que nos dá outra visão de obras fundamentais de Bach.

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Sonatas para Violino e Cravo (Holloway / Moroney / Sheppard)

Tracklist:

CD1:

01. Sonata in G major BWV 1021 – I. Adagio (03:58)
02. Sonata in G major BWV 1021 – II. Vivace (01:07)
03. Sonata in G major BWV 1021 – III. Largo (02:13)
04. Sonata in G major BWV 1021 – IV. Presto (01:24)

05. Sonata in E minor BWV 1023 – [Prelude] – Adagio ma non tanto (04:18)
06. Sonata in E minor BWV 1023 – II. Allemanda (03:45)
07. Sonata in E minor BWV 1023 – III. Gigue (02:58)

08. Sonata No.1 in B minor BWV 1014 – I. Adagio (03:49)
09. Sonata No.1 in B minor BWV 1014 – II. Allegro (03:07)
10. Sonata No.1 in B minor BWV 1014 – III. Andante (03:22)
11. Sonata No.1 in B minor BWV 1014 – IV. Allegro (03:33)

12. Sonata No.2 in A major BWV 1015 – I. Dolce (03:05)
13. Sonata No.2 in A major BWV 1015 – II. Allegro assai (03:25)
14. Sonata No.2 in A major BWV 1015 – III. Andante un poco (02:54)
15. Sonata No.2 in A major BWV 1015 – IV. Presto (04:37)

16. Sonata No.3 in E major BWV 1016 – I. Adagio (03:51)
17. Sonata No.3 in E major BWV 1016 – II. Allegro (03:10)
18. Sonata No.3 in E major BWV 1016 – III. Adagio ma non tanto (04:48)
19. Sonata No.3 in E major BWV 1016 – IV. Allegro (04:01)

CD2:

01. Sonata No.4 in C minor BWV 1017 – I. Largo (03:58)
02. Sonata No.4 in C minor BWV 1017 – II. Allegro (04:43)
03. Sonata No.4 in C minor BWV 1017 – III. Adagio (03:12)
04. Sonata No.4 in C minor BWV 1017 – IV. Allegro (05:01)

05. Sonata No.5 in F minor BWV 1018 – I. Lamento (07:30)
06. Sonata No.5 in F minor BWV 1018 – II. Allegro (04:38)
07. Sonata No.5 in F minor BWV 1018 – III. Adagio (03:03)
08. Sonata No.5 in F minor BWV 1018 – IV. Vivace (02:40)

09. Sonata No.6 in G major BWV 1019 – I. Allegro (03:53)
10. Sonata No.6 in G major BWV 1019 – II. Largo (01:30)
11. Sonata No.6 in G major BWV 1019 – III. Allegro (harpsichord solo) (04:53)
12. Sonata No.6 in G major BWV 1019 – IV. Adagio (02:32)
13. Sonata No.6 in G major BWV 1019 – V. Allegro (03:33)

14. Sonata No.6 (appendix) – I. Adagio (01:38)
15. Sonata No.6 (appendix) – II. Cantabile, ma un poco adagio (06:38)
16. Sonata No.6 (appendix) – III. (harpsichord solo) (05:35)
17. Sonata No.6 (appendix) – IV. Violino solo e basso (02:25)

John Holloway, violin
Davitt Moroney, harpsichord, chamber organ
Susan Sheppard, cello

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Anônimo do século XVII

PQP

J. S. Bach (1685-1750): Cantata BWV 202 e BWV 209 — Coleção Collegium Aureum Vol. 5 de 10

J. S. Bach (1685-1750): Cantata BWV 202 e BWV 209 — Coleção Collegium Aureum Vol. 5 de 10

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este é um resumo bastante incompleto do que foi a carreira do extraordinário Collegium Aureum, grupo que teve sua origem na Harmonia Mundi e que foi um dos principais pioneiros das interpretações historicamente informadas. 

A Cantata secular BWV 202 é uma das lindas compostas por Bach. É a famosa “Cantata do Casamento”, umas das preferidas deste filho de Bach.. Provavelmente foi composta para um casamento. Porém, os estudiosos discordam sobre a data, que pode ser do período de Bach em Weimar , por volta de 1714, embora tenha sido tradicionalmente ligada ao seu casamento com Anna Magdalena em 3 de dezembro de 1721 em Köthen. É uma das cantatas mais gravadas de Bach. As árias “Weichet nur, betrübte Schatten” e “Sich üben im Lieben” são frequentemente executadas como peças de concerto. A cantata sobreviveu apenas em uma cópia da década de 1730, que apresenta um estilo usado por Bach apenas até por volta de 1714. O libretista não é conhecido, mas Harald Streck suspeita de Salomon Franck, o poeta da corte de Weimar. Mais tradicionalmente, a composição estava ligada ao tempo de Bach em Köthen em 1718 e à ocasião de um casamento, possivelmente o do próprio Bach com Anna Magdalena em dezembro de 1721. O texto relaciona o amor inicial com a chegada da primavera após o inverno, mencionando flores brotando nos dois primeiros movimentos, o sol subindo mais alto no terceiro movimento, Cupido em busca de uma “presa” nos dois movimentos seguintes, e finalmente um casal de noivos e bons votos para eles. O tom é bem humorado e brincalhão.

“Non sa che sia dolore”, BWV 209, é uma cantata secular composta por Johann Sebastian Bach, apresentada pela primeira vez em Leipzig em 1747. Juntamente com “Amore Traditore”, é uma das duas cantatas em que Bach trabalha com texto em italiano. Bach provavelmente compôs esta cantata como uma despedida de Lorenz Albrecht Beck (1723-1768). O libretista da obra é desconhecido.

J. S. Bach (1685-1750): Cantata BWV 202 e BWV 209 — Coleção Collegium Aureum Vol. 5 de 10

CD05: J.S. Bach – Hochzeits-kantate, Non sà che sia dolore (48:16)
Hochzeits-kantate, BMV 202
01. I. Aria: Weichet nur, betrübte Schatten
02. II. Recitativo: Drum sucht auch Amor sein Vergnügen
03. III. Recitativo: Die Welt wird wieder neu
04. IV. Aria: Phöbus eilt mit schnellen Pfeilen
05. V. Aria: Wenn die Frühlingslüfte streichen
06. VI. Recitativo: Und dieses ist das Glücke
07. VII. Aria: Sich üben im Lieben
08. VIII. Recitativo: So sei das Band der keuschen Liebe
09. IX. Aria: Sehet in Zufriedenheit

Non sà che sia dolore, BWV 209
10. I. Sinfonia
11. II. Recitativo: Non sà che sia dolore
12. III. Aria: Parti pur col dolore
13. IV. Recitativo: Tuo saver al tempo e l’età
14. V. Aria: Recitti gramezza e pavento

Elly Ameling, soprano
Gerald English, tenor
Siegmund Nimsgern, bass
Collegium Aureum

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

PQP

J. S. Bach (1685-1750): Cantata do Café BWV 211 e Cantata dos Camponeses BWV 212 — Coleção Collegium Aureum Vol. 4 de 10

J. S. Bach (1685-1750): Cantata do Café BWV 211 e Cantata dos Camponeses BWV 212 — Coleção Collegium Aureum Vol. 4 de 10

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este é um resumo bastante incompleto do que foi a carreira do extraordinário Collegium Aureum, grupo que teve sua origem na Harmonia Mundi e que foi um dos principais pioneiros das interpretações historicamente informadas. 

Essas Cantatas de Bach costumavam vir juntas em LPs e CDs. Hoje mudou muito e a elas foram agregadas outras Cantatas seculares.

Só que a Cantata do Café é muito superior à dos Camponeses. Na do Café, Schlendrian é um pai grosseiro e está preocupadíssimo porque sua filha Lieschen entregou-se à nova mania de tomar café. Todas as promessas e ameaças para desviá-la de tão detestável hábito foram infrutíferas até que, para dissuadi-la, ofereceu-lhe um marido. Lieschen aceita a idéia com entusiasmo e o pai parte apressadamente para conseguir-lhe um. Esta é a idéia principal da Cantata do Café, obra cômica de J. S. Bach, uma mini-ópera, que foi apresentada entre 1732 e 1735 na Kaffeehaus de Zimmermann, em Leipzig. A primeira Kaffeehaus da cidade foi aberta em 1694 — o café chegara à Alemanha em 1670 — e em 1735 a burguesia podia escolher entre oito privilegiadas casas.

Kaffeekantate, BWV 211, foi encomendada a Bach por Zimmermann e é, em parte, uma ode ao produto (sim, puro merchandising) e, de outra parte, uma punhalada no movimento existente na Alemanha para impedir seu consumo pelas mulheres. Acreditava-se que o “negro veneno” pudesse causar descontrole e esterilidade ao sexo frágil, mas Bach, em troca do pagamento de Zimmermann, ignorou estes terríveis perigos. Senão, talvez não musicasse uma ária que diz: “Ah, como é doce o seu sabor. / Delicioso como milhares de beijos, / mais doce que um moscatel. / Eu preciso de café”; e nem nos brindaria com estas delicadezas…: “Paizinho, não sejas tão mau. / Se eu não beber meu café / as minhas curvas vão secar / as minhas pernas vão murchar / ninguém comigo irá casar”.

Na dos Camponeses. o texto descreve como um fazendeiro não identificado ri com a esposa do fazendeiro Mieke sobre as maquinações do coletor de impostos, enquanto elogia a economia de sua esposa. De acordo com a natureza do texto, Bach criou uma composição relativamente simples com árias curtas. Ele recorreu a formas de dança popular, melodias folclóricas e populares (como La Folia, por exemplo) e trechos de suas próprias peças (BWV 11 e BWV 201).

J. S. Bach (1685-1750): Cantata do Café BWV 211 e Cantata dos Camponeses BWV 212 — Coleção Collegium Aureum Vol. 4 de 10

CD04: J.S. Bach – Kaffee-kantate, Bauern-kantate (58:11)
Johann Sebastian Bach (1685-1750)
Kaffee-kantate, BWV 211
01. I. Recitativo (Erzähler): Schweigt stille, plaudert nicht
02. II. Aria (Schlendrian): Hat man nicht mit seinen Kindern
03. III. Recitativo (Schlendrian): Du böses Kind, du loses Mädchen
04. IV. Aria (Lieschen): Ei, wie schmeckt der Coffee süße
05. V. Recitativo (Schlendrian): Wenn du mir nicht den Coffee lässt
06. VI. Aria (Schlendrian): Mädchen, die von harten Sinnen
07. VII. Recitativo (Schlendrian): Nun folge, was dein Vater spricht
08. VIII. Aria (Lieschen): Heute noch, heute noch
09. IX. Recitativo (Erzähler): Nun geht und sucht der alte Schlendrian
10. X. Coro: Die Katze lässt das Mausen nicht

Bauern-kantate, BWV 212
11. I. Sinfonia
12. II. Duetto: Mer han en neue Oberkeet
13. III. Recitativo (bass): Nu, Miecke, gib dein Guschel immer her
14. IV. Aria (soprano): Ach es schmeckt doch gar zu gut
15. V. Recitativo (bass): Der Herr ist gut
16. VI. Aria (bass): Ach, Herr Schösser, geht nicht gar zu schlimm
17. VII. Recitativo (soprano): Es bleibt dabei, dass unser Herr der beste sei
18. VIII. Aria (soprano): Unser trefflicher lieber Kammerherr
19. IX. Recitativo (bass): Er hilft uns allein, alt und jung
20. X. Aria (soprano): Das ist galant
21. XI. Recitativo (bass): Und unsre gnädige Frau ist nicht ein prinkel stolz
22. XII. Aria (bass): Fünfzig Taler bares Geld
23. XIII. Recitativo (soprano): Im Ernst ein Wort!
24. XIV. Aria (soprano): Kein Zschocher müsse so zart und süße
25. XV. Recitativo (bass): Das ist zu klug vor dich
26. XVI. Aria (bass): Es nehme zehntausend Ducaten
27. XVII. Recitativo (soprano): Das klingt zu liederlich
28. XVIII. Aria (soprano): Gib, Schöne, viel Söhne von artger Gestalt
29. XIX. Recitativo (bass): Du hast wohl recht
30. XX. Aria (bass): Dein Wachstum sei feste und lache vor Lust
31. XXI. Recitativo (soprano): Und damit sei es auch genug
32. XXII. Aria (soprano): Und dass ihr’s alle wisst
33. XXIII. Recitativo (bass): Mein Schatz, erraten!
34. XXIV. Coro: Wir gehn nun, wo der Tudelsack

Elly Ameling, soprano
Gerald English, tenor
Siegmund Nimsgern, bass
Collegium Aureum

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

PQP

J. S. Bach (1685-1750): Variações Goldberg (transcrição para acordeão)

J. S. Bach (1685-1750): Variações Goldberg (transcrição para acordeão)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este espetacular CD foi indicado ao blog por um ou dois comentaristas que poderiam deixar seus nomes aí nos comentários. Sou agradecido a eles. Talvez esta seja minha quinquagésima Goldberg. E é das mais especiais. A expressividade da Ária (depois que nos refazemos da surpresa) e a boa interpretação demonstra o enorme respeito do músico para com a obra e a resistência da mesma ao maiores abusos. Abusos? Por que chamar de abuso? As notas estão todas aí e os bons músicos devem ter liberdade para dar à obra suas interpretações, é claro. Bem, procuremos caminhos menos polêmicos.

Wolfgang Dimetrik (nascido em 6 de janeiro de 1974) é um acordeonista austríaco. Aos seis anos de idade recebeu sua primeira aulas no instrumento. Tendo completado os seus estudos de acordeão na Escola de Música de Graz (1992-2001), Dimetrik hoje apresenta-se com diversos grupos de câmara na Europa, como o Musikfabrik Nordrhein-Westfalen, Neues Ensemble Hannover, o Ensemble Recherche e a Ensemble Modern.

Além disso, o músico participou em várias produções de ópera contemporânea, incluindo Die Wände, de Adriana Holszky, e a estreia da ópera de Arnold Schoenberg Die Hand glückliche, conduzida por Peter Hirsch.

Sua abordagem das Goldberg é muito interessante e esta é a pequena homenagem que faço a meu pai no dia de seu 325º aniversário.

Bach: Variações Goldberg (transcrição para acordeão)

01. Aria
02. Variation 1
03. Variation 2
04. Variation 3: Canona all’unisono
05. Variation 4
06. Variation 5
07. Variation 6: Canone alla seconda
08. Variation 7
09. Variation 8
10. Variation 9: Canone alla terza
11. Variation 10: Fughetta
12. Variation 11
13. Variation 12: Canona alla quarta
14. Variation 13
15. Variation 14
16. Variation 15: Canona alla quinta
17. Variation 16: Ouvertüre
18. Variation 17
19. Variation 18: Canona alla sesta
20. Variation 19
21. Variation 20
22. Variation 21: Canona alla settima
23. Variation 22: Alle breve
24. Variation 23
25. Variation 24: Canona all’ottava
26. Variation 25
27. Variation 26
28. Variation 27: Canona alla nona
29. Variation 28
30. Variation 29
31. Variation 30: Quodlibet
32. Aria

Wolfgang Dimetrik, acordeão

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

PQP

J. S. Bach (1685-1750): Partitas Nos. 2, 3 & 4 (Murray Perahia)

J. S. Bach (1685-1750): Partitas Nos. 2, 3 & 4 (Murray Perahia)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

As gravações de Bach de Murray Perahia são discretas, na linha sugerida pela modéstia de Bach nas palavras Clavier-Übung, prática de teclado. Não há nada da excentricidade de Glenn Gould e nem da dura monumentalidade de András Schiff. Perahia se contenta em ser franco e simples, escolhendo dar ênfases com cuidado e parcimônia. No início, sua forma de tocar, como o título de Bach, parece muito modesta, mas logo você percebe que, pela clareza absoluta em texturas polifônicas, ele é excelente entre os pianistas que enfrentam as Partitas. Sim, deixemos os cravistas de fora. Eles, os cravistas são mesmos melhores para este repertório.

As três partitas apresentadas neste programa podem parecer um trio improvável, mas elas formam um todo convincente. Incorporam o afastamento progressivo das estruturas convencionais do conjunto de danças de estilo francês que forneceram o projeto básico de Bach. Ouça o tratamento de Perahia na excitação crescente da Courante da Partita No. 3, BWV 827, faixa 9, ainda mais eficaz porque é controlada com extrema segurança. Perahia faz com que a grande Allemande da Partita No. 4, BWV 828, de nove minutos, desapareça no tempo. Ele canta. O estilo de Perahia não vai agradar a todos, mas, para quem gosta de coisas transparentes, é um raro acepipe.

A engenharia alemã da Sony deve ser especialmente saudada: as ressonâncias das notas graves do piano de Perahia, tão cuidadosamente esculpidas pela artista, emergem com suas cores perfeitamente reproduzidas.

J. S. Bach (1685-1750): Partitas Nos. 2, 3 & 4 (Murray Perahia)

Partita Nr. 2 c-moll, BWV 826 – 21:07
1. I. Sinfonia – 4:43
2. II. Allemande – 4:52
3. III. Courante – 2:14
4. IV. Sarabande – 3:58
5. V. Rondeau – 1:32
6. VI. Capriccio – 3:47

Partita Nr. 3 a-moll, BWV 827 – 19:08
7. I. Fantasia – 2:03
8. II. Allemande – 3:11
9. III. Courante – 3:01
10. IV. Sarabande – 4:09
11. V. Burlesca – 2:10
12. VI. Scherzo – 1:05
13. VII. Gigue – 3:29

Partita Nr. 4 D-dur, BWV 828 – 32:04
14. I. Ouverture – 6:16
15. II. Allemande – 9:21
16. III. Courante – 3:32
17. IV. Aria – 2:16
18. V. Sarabande – 5:10
19. VI. Menuet – 1:39
20. VII. Gigue – 3:50

Murray Perahia, piano

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Depois de mais de 40 anos na Sony, Perahia assinou com a DG e ficou com esta cara.

PQP

BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sonata para violino e piano em Sol maior, Op. 96 – Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Sonata para violino e teclado em Dó menor, BWV 1017 – Arnold Schönberg (1874-1951) – Fantasia para violino e piano, Op. 47 – Menuhin – Gould

A histórica esnobada de Rodolphe Kreutzer não criou em Beethoven urticárias para com violinistas franceses. Muito pelo contrário: admirador de Pierre Rode (1774-1830), violinista titular da corte de Napoleão, aproveitou uma visita do colega a Viena em 1812 para compor-lhe uma sonata para o instrumento. Rode, que fora um dos mais renomados violinistas da Europa, estava em declínio técnico por condições de saúde. Seu modus gallicus não era exatamente afeito nem ao temperamento, nem ao estilo de Ludwig. No entanto, aceitou a oferta, bancada pelo dedicatário da obra, o arquiduque Rudolph, que foi o pianista da estreia.

A obra composta para Rode marcou o retorno de Beethoven à sonata para violino, dez anos após sua composição anterior no gênero, para uma última experiência que praticamente arremata seu chamado período intermediário. Aquele ano de 1812 viu surgirem poucas composições, talvez pela dor de cotovelo trazida pela desilusão final com Antonie Brentano – aquela que foi, salvo melhor juízo, a “Amada Imortal” da  famosa carta que nunca chegou à destinatária. Foi o ano, também, em que escreveria em seu diário:


Tudo que se chama vida deve ser sacrificado ao sublime e tornar-se santuário da Arte”


Seria a limitada produção daquele 1812 um retiro de um sacerdote da Música a oferecer sacrifícios antes da fase mais ascética e visionária de sua vida? É bem possível. Assim como em obras do mesmo período – o quarteto Op. 95 e a sonata para piano, Op. 90, já apresentados em nossa série – Beethoven lança mão na Op. 96 de formas mais concisas para, de modo mui concentrado, expressar suas ideias. O contraste com a antecessora, a sonata que todos chamam de “Kreutzer”, mas deveriam chamar “Bridgetower”, não poderia ser maior. Em lugar do virtuosismo e da verve da “Bridgetower”, que abre com aqueles vigorosos acordes do violino solo e logo liberta a fúria concertística que permeará seu primeiro e último movimentos, a sonata que Beethoven escreveu a Rode é plácida, muito equilibrada, de caráter meio etéreo, meio pastoral. Ela inicia com extrema simplicidade: o primeiro movimento tem um tema principal que começa de maneira incomum, com um trinado, e perpassa todo o movimento com diálogos entre violino e piano, que repetem entre si, com poucos compassos de diferença, todo material temático que vai surgindo. No movimento lento, o piano tem um tema ao estilo de um hino religioso, ao qual o violino responde com um outra, mais cantável, que leva a um scherzo temperamental, com um sossegado trio. O finale foi escrito especificamente para o estilo de Rode, como Beethoven confessou ao arquiduque: “Não me apressei indevidamente para compor o movimento final, pois, em vista da execução de Rode, eu tive que mudar meus planos para esse movimento. Em nossos finales gostamos de passagens ruidosas, mas R não as aprecia – e por isso me senti um pouco tolhido”. Assim, ele escolheu abrir o movimento com um tema desconcertantemente despojado – ele sempre me lembra alguém a assobiar – sobre o qual desenvolvem-se variações cada vez mais rápidas, até que Beethoven parece abandonar os planos e mergulhar num prolongado Adagio, só para retomar o tema e encaminhar o movimento para um final rápido e efetivo.

Já lhes alcancei essa sonata numa interpretação excelente, pelo magnífico Kavakos. Achei, no entanto, que não poderia perder a oportunidade de oferecer-lhes este histórico encontro entre dois importantes músicos que nada tinham em comum, exceto o respeito um pelo outro: o pianista Glenn Gould (1933-1982) e o violinista Yehudi Menuhin (1916-1999). O precioso registro foi feito a partir do áudio de um especial de TV que foi ao ar em 1965, o qual alcançarei a vocês ao final da postagem, com obras de J. S. Bach, Beethoven e Schönberg que abarcam três séculos da tradição da música para violino e teclado. Melhores que as interpretações, talvez, sejam os diálogos que Gould e Menuhin travam acerca das obras antes de executá-las. Infelizmente, não encontrei uma versão legendada em português, nem uma transcrição dos textos. No entanto, acho que o contraste entre as posturas do fleumático Menuhin, com seu sotaque afiado pelos já tantos anos radicado no Reino Unido, e o palavroso Gould é tão interessante que dispensará tradutores. Os resultados que conseguem com seu duo, embora longe de serem interpretações de referência, não desagradarão mesmo aos numerosos detratores destes artistas incomuns, graças, a meu ver e ouvir, à imensa capacidade que Menuhin tinha de compreender e assimilar o estilo de seus colegas e responder-lhes com muito respeito, que lhe permitiria parcerias memoráveis e muito convincentes com músicos como Ravi Shankar e Stéphane Grappelli.

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Sonata para violino e teclado em Sol menor, BWV 1017

1 – Siciliano. Largo
2 – Allegro
3 – Adagio
4 – Allegro

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Sonata para violino e piano em Sol maior, Op. 96
Composta em 1812
Publicada em 1816
Dedicada ao arquiduque Rudolph da Áustria

5 – Allegro moderato
6 – Adagio espressivo
7 – Scherzo: Allegro – Trio
8 – Poco allegretto

Arnold SCHÖNBERG (1874-1951)

Fantasia para violino com acompanhamento de piano, Op. 47

9 – Grave – Più mosso – Meno mosso – Lento – Grazioso – Tempo I – Più mosso
10 – Scherzando – Poco tranquillo – Scherzando – Meno mosso – Tempo I

Yehudi Menuhin, violino
Glenn Gould, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE


J. S. Bach: Sonata, BWV 1017


Beethoven: Sonata, Op. 96


Schönberg: Fantasia, Op. 47

#BTHVN250, por René Denon

Vassily

J. S. Bach (1685-1750) & H.I.F. Biber (1644-1704): Sonatas para Violino – Evgeny Sviridov

J. S. Bach (1685-1750) & H.I.F. Biber (1644-1704): Sonatas para Violino – Evgeny Sviridov

Bach & Biber

Sonatas para Violino

Evgeny Sviridov, violino

Zita Mikijanska, cravo

 

Até o momento em que começo a escrever esta postagem não consegui verificar se Bach e Biber encontraram-se alguma vez, mas eu creio que não. Heinrich Ignaz Franz (von) Biber nasceu em 1644, 41 anos antes de Bach, e quando morreu, Bach era um jovem de 19 anos. Mas acredito que Bach conhecia alguma música de Biber, especialmente por este ter sido um grande violinista e suas composições, como as sonatas deste disco, além das famosíssimas Sonatas do Rosário (Die Rosenkranz Sonaten) expandiram as técnicas de tocar o violino.

Foto do artista quando muito jovem…

De qualquer forma, a combinação das peças de Bach com as do músico mais antigo, dão um toque interessante ao programa. Ouça de olhos fechados, ou pegue uma faixa qualquer aleatoriamente. Acredito que você conseguirá adivinhar logo qual dos dois é o compositor. As sonoridades de Biber são um tanto mais técnicas enquanto a música de Bach me parece mais melodiosa (uso esta por não me ocorrer alguma palavra mais apropriada). As tais scordaturas dão um toque especial às peças de Biber, assim como sua inventividade. Por exemplo, o último movimento de uma de suas sonatas tem uma ária com variações.

Mas as peças foram escolhidas para mostras as habilidades do jovem violinista. Evgeny Sviridov nasceu em São Petersburgo e iniciou seus estudos no conservatório da cidade. Enquanto ainda estudava participou de competições como Menuhin Competition em Cardiff e Paganini Competition em Gênova, em 2008. Mas foi em 2010 que ocorreu algo realmente especial. Aparentemente inspirado pelas interpretações de música em instrumentos de época, como as de Reinhard Goebel, inscreveu-se no International Bach Competition e ganhou o primeiro prêmio. Este disco de 2011 é uma consequência disto. Isto catapultou sua carreira e ele aprofundou seus estudos nesta área. Hoje, Sviridov tem uma carreira completamente estabelecida e suas atividades como artista e como professor são impressionantes, como você poderá descobrir lendo seu perfil nesta página aqui.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Sonata para violino e cravo No. 3 em mi maior, BWV 1016

  1. Adagio
  2. Allegro
  3. Adagio ma non tanto
  4. Allegro

Heirich Ignaz Franz Biber (1644 – 1704)

Sonata para violino No. 4 em ré maior, c. 141

  1. Presto
  2. Gigue – Adagio
  3. Adagio – Adagio
  4. Aria – Variatio 1 – 2 – 3 – 4 – Finale – Presto

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Sonata para violino em sol maior, BWV 1021

  1. Adagio
  2. Vivace
  3. Largo
  4. Presto

Heirich Ignaz Franz Biber (1644 – 1704)

Sonata para violino No. 8 em lá maior, c. 145

  1. Sonata – Allegro
  2. Aria
  3. Sarabanda
  4. Allegro – Allegro

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Partita para violino solo No. 3 em mi maior, BWV 1006

  1. Preludio
  2. Loure
  3. Gavotte em rondeau
  4. Menuet I – II
  5. Bourre
  6. Gigue

Evgeny Sviridov, violino

Zita Mikijanska, cravo

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 378 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 152 MB

Retrato mais atual do artista

Para nosso espaço Babel, selecionei alguns trechos de críticas dos trabalhos do Evgeny..

“Seine Interpretation ist ein Ereignis. Da ist nicht ein Bogenstrich unkontrolliert oder unreflektiert. Jeder Akzent, jede Klangfarbe erweist sich als wohlüberlegt und präzise gesetzt.”

“If you think the Baroque violin sounds wiry and thin, Sviridov’s silky, silvery tones will make you think again. Fingerwork and bowings are supple, light-weight and agile, producing effects by turns balletic, poetic, rhetorical and lyrical.”

“Ce très grand interprète donne ici une splendide illustration de ce qu’on peut faire de mieux avec des œuvres majeures même dès le jeune âge. Il est troublant de ressentir à l’écoute d’œuvres connues, maintes fois entendues, une nouvelle émotion. C’est simplement magnifique !”

 

Resumindo: ‘É simplesmente magnífico!’

Aproveite!

René Denon

J. S. Bach (1685-1750): A Arte da Fuga (Podger / Brecon)

J. S. Bach (1685-1750): A Arte da Fuga (Podger / Brecon)

Uma bela versão desta dificílima obra da qual já foi dita ser mais para a leitura de especialistas do que para ser tocada. Bach não atribuiu instrumentação à peça, o que dá gloriosa liberdade e variações às gravações. A Arte da Fuga (Die Kunst der Fuge, BWV 1079), é uma peça inacabada — praticamente finalizada, na verdade — de Johann Sebastian Bach. A composição da obra provavelmente se iniciou em 1742. A primeira versão 12 fugas e dois cânones e foi copiada em 1745. A segunda versão da obra foi publicada após sua morte em 1750, contendo 14 fugas e quatro cânones. A obra demonstra o completo domínio de Bach da mais complexa forma de expressão dentro da música erudita, o contraponto. A obra é composta de combinações engenhosas e particularmente elaboradas de temas relativamente simples, que são desenvolvidos com a mais alta musicalidade. A Arte da Fuga se situa entre os pontos mais altos a que chegou a música europeia devido à complexidade única de sua forma e estrutura.

J. S. Bach (1685-1750): A Arte da Fuga (Podger / Brecon)

Simple Fugues
1 Contrapunctus 1 2:47
2 Contrapunctus 3 2:27
3 Contrapunctus 2 2:58
4 Contrapunctus 4 3:38
5 Canon Alla Ottava 2:15
Double Fugues
6 Contrapunctus 9 ‘Alla Duodecima’ 2:26
7 Contrapunctus 10 ‘Alla Decima’ 3:47
Counter Fugues
8 Contrapunctus 5 2:51
9 Contrapunctus 6 ‘In Stylo Francese’ 3:49
10 Contrapunctus 7 ‘Per Augmentationem Alla Terza’ 3:30
Triple Fugue
11 Contrapunctus 8, A 3 5:50
Triple/Quadruple Fugue
12 Contrapunctus 11, A 4 5:40
13 Canon Alla Duodecima 3:43
14 Contrapunctus 12, A 4 3:48
15 Canon Alla Decima 4:27
16 Contrapunctus 13, A 3 4:35
17 Canon Per Augmentationem In Contrario Motu 3:22
18 Contrapunctus 14 8:23

Cello – Alison McGillivray
Harpsichord – Marcin Świątkiewicz
Viola – Jane Rogers (2)
Violin – Rachel Podger
Violin, Viola – Johannes Pramsohler
Ensemble – Brecon Baroque

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

PQP

Rameau (1683-1764) – Fux (1660-1741) – J.S. Bach (1685-1750): Suítes Orquestrais – European Union Barocke Orchestra (EUBO) – Lars Ulrik Mortensen

Rameau (1683-1764) – Fux (1660-1741) – J.S. Bach (1685-1750): Suítes Orquestrais – European Union Barocke Orchestra (EUBO) – Lars Ulrik Mortensen

Rameau – Fux – Bach

Suítes Orquestrais

EUBO

Lars Ulrik Mortensen

 

O nome Lars Ulrik Mortensen cruzou meu caminho pela primeira vez quando ouvi os concertos para vários cravos de Bach, na gravação da Archiv Produktion, o ramo da Deutsche Grammophon especializada em música antiga. Os principais cravistas do set são Trevor Pinnock e Kenneth Gilbert, seguidos dos nomes de Lars e Nicholas Kraemer. Estes dois últimos – excelentes músicos – eu desconhecia na época da gravação deste disco. Lars tinha sido aluno de Trevor Pinnock, que além de reger é um espetacular cravista.

Estava assim na expectativa de postar um disco para apresentar Lars como protagonista, mas também com um certo aplomb,  para nossos leitores e seguidores. Como cravista ele tem ótimos discos como os que trazem a música de Buxtehude ou de Frescobaldi. Mas acabei optando por este, no qual ele atua como regente da ótima orquestra EUBO. Isso também nos dá a oportunidade de apresentar um álbum atraente para os amantes da música barroca e para os que querem descobrir ou expandir um pouco mais seu repertório neste tipo de música.

O disco tem três suítes orquestrais e traça um breve panorama deste delicioso gênero musical. A primeira delas é uma suíte obtida reunindo dez números musicais da ópera Zoroastre de Jean-Philippe Rameau, que foi quase contemporâneo de Bach, Handel e Scarlatti. Inicialmente ele produziu muita música para cravo e ficou famoso por publicações em teoria musical. Ao chegar aos cinquenta anos, como se dizia lá em terras de minha meninice, garrou a compor óperas e nunca mais parou. E foi tão bem nesta toada que em Paris chegou-se a estabelecer uma regra – não mais do que duas óperas de Rameau por ano.

Se você se lembra disto, é melhor levar distanciamento social a sério!

Zoroastre foi levada aos palcos pela primeira vez em 1749 e passou por grandes remodelações para outra apresentação em 1756 (ano do nascimento do zauber Mozart). Foi um enorme sucesso. Tinha de tudo, magia, efeitos especiais que demandavam um grande orçamento e muita boa música. As óperas apresentadas em Paris naqueles dias tinha entremeados em sua ação, números de balé e os dez movimentos que compões a suíte eram estes trechos de música para dançar. Isso é então uma típica suíte – uma sequência de danças encabeçada pela abertura (ouverture). Outros exemplos de Suítes de Rameau são as das óperas Les Boréades, Dardanus, Castor et Polux, Naïs. Comece com este Zoroastre, regido pelo Lars Ulrik Mortensen.

Pois as suítes orquestrais francesas fizeram tanto sucesso que ganharam vida própria fora da ópera, começaram a ser apresentadas em outros países. Os pragmáticos compositores germânicos perceberam e começaram a produzir suítes como um gênero independente da ópera. As duas outras peças do disco são exemplos disto.

Johann Joseph Fux foi longevo, nasceu antes de Bach em 1660 e viveu 81 anos – um feito notável para aqueles dias. Fux passou sua vida em Viena e chegou a servir três imperadores da dinastia Habsburgo e a julgar pelo quadro que temos dele era bastante rígido e formal. Foi mais famoso como teórico musical do que como compositor. Seus escritos sobre contraponto foram lidos por Bach, Haydn, Mozart e Beethoven. Que feito!! Mas, a julgar pela Suíte a 7 que nos encanta aqui, com sua abertura e mais cinco movimentos de dança, deixa-nos com gostinho de quero mais.

Assim como Fux, Bach não escreveu ópera, mas quatro lindas suítes orquestrais e a primeira delas completa o álbum.

Jean-Philippe Rameau (1683 – 1764)

Suíte de Zoroastre

  1. Entreé des Mages
  2. Contredance
  3. Loure
  4. Gavotte em rondeau
  5. Rigaudons
  6. Sarabande
  7. Air des Espirits infernaux
  8. 2e Air des Espirits infernaux
  9. Air en rondeau
  10. Ballet figuré

Johann Joseph Fux (1660 – 1741)

Abertura a 7, em ré menor

  1. Ouverture
  2. Menuet
  3. Adagio
  4. Presto
  5. Gigue
  6. Aria

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Suíte Orquestral No. 1 em dó maior, BWV 1066

  1. Ouverture
  2. Courante
  3. Gavotte I / II
  4. Forlane
  5. Menuet I / II
  6. Bourée I / II
  7. Passepied I / II

European Union Baroque Orchestra

Lars Ulrik Mortensen

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 297 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 136 MB

Lars Ulrik Mortensen

Momento ‘The Book is on the Table’: The orchestral suite was written to entertain, and these three great examples do not disappoint, from the fluid orchestral sound of Rameau to the clean and crisp approach of his German contemporary, Johann Fux. And to round things off, one of Johann Sebastian Bach’s very finest orchestral works: a tour de force of rhythm and melody.

Uma das melhores suítes de Bach!

EUBO

Se você gostou deste disco, poderá tentar também estes aqui:

Suítes Orquestrais de Bach: https://pqpbach.ars.blog.br/2019/12/18/j-s-bach-1685-1750-suites-orquestrais-concerto-italiano-rinaldo-alessandrini/

Suíte de Les Indes Galantes, de Rameau: https://pqpbach.ars.blog.br/2020/04/19/rameau-1683-1764-les-indes-galantes-frans-bruggen-philippe-herreweghe-kenneth-gilbert-pierre-hantai-skip-sempe/

A melhor gravação das Suítes de Bach, segundo o PQP Bach: https://pqpbach.ars.blog.br/2019/08/08/j-s-bach-1685-1750-as-quatro-suites-orquestrais/

Aberturas de Telemann: https://pqpbach.ars.blog.br/2019/08/26/g-p-telemann-1681-1767-water-music-alster-overture/

Lully, outro francês: https://pqpbach.ars.blog.br/2020/01/19/jean-baptiste-lully-1632-1687-symphonies-ouvertures-airs-a-jouer/

Aproveite!

René Denon

PS: Gostei particularmente da capa deste álbum: Doces de Vidro de Murano!!

In memoriam Leon Fleisher (1928-2020): Two Hands

O terceiro ato da incrível trajetória de Leon Fleisher começou na década de 90, quando, após mais de trinta anos sem tocar com as duas mãos, a misteriosa condição que levou seus dedos da direita a desobedecerem-no ganhou um nome.

A distonia focal, de causas ainda não bem compreendidas e sem cura definitiva, leva os músculos a contraírem-se involuntariamente. Fleisher, que nunca desistira de voltar a tocar com as duas mãos, submeteu-se a tratamentos experimentais com toxina botulínica e recuperou o controle sobre os dedos amotinados. Depois de alguns recitais pouco divulgados, anunciou, para assombro do mundo, que voltaria aos palcos com um repertório convencional.

Enquanto deixava claro que não estava curado, pois as injeções de Botox precisavam ser repetidas a cada poucos meses, Fleisher pegou novamente a estrada e voltou a ser aclamado, também, por sua mão direita. Embora sem dúvidas tenha sido cuidadoso com as dificuldades propostas pelo repertório – o que, enfim, qualquer pianista a caminho dos oitenta anos faria de qualquer maneira -, jogou-se com muito apetite à carreira bimanual. Sem abandonar suas atividades pedagógicas, passou a apresentar em concertos e recitais não só o repertório para uma e duas mãos, com também regeu concertos do teclado e peças orquestrais do pódio (o trabalho de regente, brincava ele, dava-lhe a sensação da “bunda crescer dez vezes, depois de tantos anos escondendo-a da plateia”). Tocou muito jazz, também, instigado pelo filho Julian, compositor e cantor do gênero que, por ser o primeiro filho do segundo casamento de Fleisher, era por ele bem-humoradamente chamado de “Op. 2, no. 1”.

Em 2004, depois de quarenta anos sem gravar com as duas mãos, ele lançou um álbum chamado… “Duas Mãos”. O repertório combina um pot pourri de peças curtas, pelas quais Fleisher tinha carinho especial – a peça de Bach/Petri lhe soava como um “antônimo ao 11 de setembro”, e o noturno de Chopin era a peça favorita de sua mãe – com a monumental, derradeira sonata de Schubert, uma das peças favoritas do pianista. e que ele já gravara no vigor de seus trinta e poucos anos. Mesmo que desmerecêssemos a obstinada, belíssima trajetória de superação que tornou possível esta gravação, não precisamos olhá-la com admiração ou piedade para apreciar seus imensos méritos artísticos. Talvez os dedos do jovem virtuoso que conseguiu a proeza de tocar George Szell sem levar um sabão sequer do tirano fossem capazes de mais prestigitação melhor, mas quem compara a gravação da D. 960 com aquela que Fleisher fez da mesma obra aos trinta e poucos anos encontra na versão de 2004 um maravilhoso controle do andamento e uma sabedoria, especialmente no expressivo uso dos silêncios, que escancaram sua superioridade.

A sonata de Schubert é daquelas obras, como a Op. 111 de Beethoven, à qual só se pode seguir silêncio. Com ela, pois, encerramos nossa homenagem ao grande homem que nos deixou há exatos trinta dias, depois de tanto dar ao mundo em oito décadas de carreira.

Descanse em paz, Leon – e grato por tudo.

LEON FLEISHER – TWO HANDS

Johann Sebastian BACH (1685-1750)
Transcrição de Myra Hess (1890-1965)

1 – Jesu, Joy of Man’s Desiring (transcrição para piano do coral “Jesus bleibet meine Freude”, da cantata “Herz und Mund und Tat und Leben”, BWV 147)

Johann Sebastian BACH (1685-1750)
Transcrição de Egon Petri (1881-1962)

2 – Sheep May Safely Graze (transcrição para piano da ária “Schafe können sicher weiden”, da cantata “Was mir behagt, ist nur die muntre Jagd”, BWV 208)

Giuseppe Domenico SCARLATTI (1685-1757)

3 – Sonata em Mi maior, K. 380 (L. 23)

Fryderik Franciszek CHOPIN (1810-1849)

4 – Mazurka em Dó sustenido menor, Op. 50 no. 3
5 – Noturno em Ré bemol maior, Op. 27 no. 2

Claude-Achille DEBUSSY (1862-1918)

6 – Suite Bergamasque: Clair de Lune

Franz Peter SCHUBERT (1797-1828)

Sonata em Si bemol maior, D. 960, Opus Póstumo

7 – Molto moderato
8 – Andante sostenuto
9 – Allegro vivace con delicatezza
10 – Allegro ma non troppo

BAIXE AQUI  – DOWNLOAD HERE

Leon Fleisher – Two Hands from Thomas Duperre on Vimeo.
A incrível trajetória de Leon Fleisher e seu comovente retorno ao repertório para as duas mãos inundam de emoção os vinte minutos de “Two Hands – The Leon Fleisher Story”, documentário realizado por Nathaniel Kahn em 2006.

Vassily

J S Bach (1685-1750): Toccatas – Stepan Simonian, piano

J S Bach (1685-1750): Toccatas – Stepan Simonian, piano

Bach

Toccatas BWV 910 – 916

Stepan Simonian, piano

 

 

Se levarmos em conta apenas a imagem estabelecida pelos retratos de Johann Sebastian Bach chegamos a acreditar que ele já nasceu enrugado, com peruca e cara de quem está sofrendo de gota. Uma espécie assim de Benjamin Button da música.

Stepan Simonian

Mas como todos os outros mortais, Bach passou todas as fases da vida, incluindo uma adolescência sob os cuidados dos irmãos mais velhos. Na juventude foi impetuoso e cabeçudo. No libreto as palavras em inglês usadas para explicar essa fase incluem hothead, brawl e rows (with the employers). Houve até uns dias em uma cadeia.

A música deste álbum é deste tempo de juventude.

O termo toccata é do italiano toccare, assim como o nosso tocar. Tocar qualquer tipo de instrumento de teclado.  Estas peças são obras que foram compostas por Johann Sebastian antes 1708, período de formação e afirmação de sua linguagem pessoal. Assim como os prelúdios e fantasias, as toccatas são peças que emergiram da prática de improvisação, comuns para os músicos especialistas em instrumentos de tecla, como o cravo ou o órgão.

 

Estas sete peças de Bach diferem das outras quatro toccatas escritas para órgão no sentido de terem sido compostas para instrumento de tecla sem pedais. Nas partituras das obras para órgão há uma extra pauta para os pedais. Mesmo assim estas sete toccatas também visavam o treinamento de candidatos a organistas, que não tinham a sua disposição muitos instrumentos para isso. Mesmo os cravos não eram assim abundantes e clavicórdios também eram comumente usados. Para saber mais sobre a diferença entre estes instrumentos você pode acessar este link aqui.

Aqui temos uma gravação feita usando o piano moderno por um artista de origem e formação russa. Ele estudou com Pavel Nersessian e Evgeni Koroliov. A gravação feita pelo selo Genuin é de ótima qualidade técnica e a interpretação do Stepan esbanja beleza e virtuosismo. No entanto é preciso dizer que o setor de artes visuais e capas ainda está em desenvolvimento. Se você tem arroubos puristas e quer comparar com uma gravação feita ao cravo, pode gostar desta postagem aqui. Uma outra gravação interessante, feita por uma pianista muito bem estabelecida nas interpretações das obras de Bach ao piano, pode ser ouvida acessando esta postagem aqui.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Toccatas

  1. Toccata em fá sustenido menor, BWV 910
  2. Toccata em dó menor, BWV 911
  3. Toccata em ré maior, BWV 912
  4. Toccata em ré menor, BWV 913
  5. Toccata em mi menor, BWV 914
  6. Toccata em sol menor, BWV 915
  7. Toccata em sol maior, BWV 916

Stepan Simonian, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 220 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 149 MB

Stepan contando as cordas do Grand Piano do lounge do PQP Bach Corp.

Para uma reflexão sobre o tema de qual tipo de instrumento usar na interpretação da música do passado, temos aqui um link para um texto curto, mas excelente, escrito por Rosalyn Tureck.

Para terminar, nosso momento Babel (sem merchandising…).

Crítica escrita por José E. Pérez Díaz, atribuindo 5 estrelas para o disco da postagem.

★ ★ ★ ★ ★

Bach al piano. una versión estupenda.

Reviewed in Spain on 27 November 2018

Un muy buen sonido y un pianista que toca con dominio absoluto. Las obras suenan como lo que son: luminosos y profundos alardes de maestría y musicalidad. Parece que cada vez más pianistas se deciden a acercarse a Bach sin complejos ni fundamentalismos. No es un Bach “romántico”, sino maravillosamente bien tocado.

Aproveite!

René Denon

J.S. Bach (1685-1750): Concertos para Cravo Vol. 1 (Suzuki)

J.S. Bach (1685-1750): Concertos para Cravo Vol. 1 (Suzuki)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Uma gravação de altíssimo nível artístico de Suzuki e do Bach Collegium Japan. Fazia tempo que não ouvia algo com tanto senso de estilo e sensibilidade ao barroco quanto isto. Os concertos existentes de Johann Sebastian Bach para um cravo e cordas foram todos compostos antes de 1738, o que os torna alguns dos primeiros, se não os primeiros, concertos para teclado (o Primeiro não seria o Concerto Nº 5 de Brandenburgo?) — um gênero destinado a se tornar um dos mais populares na música clássica. Com toda a probabilidade, Bach os escreveu para seu próprio uso (ou o de seus filhos talentosos, tais como eu) – provavelmente para ser apresentado no Collegium Musicum de Leipzig, do qual ele assumiu o cargo de diretor em 1729. O persona exuberante que se encontra nos concertos parece refletir o quanto Bach aproveitou a oportunidade de se envolver com seus colegas músicos. Mas grande parte da música em si não era nova, muitos dos concertos de cravo de Bach são quase certamente transcrições de trabalhos anteriores escritos para outros instrumentos.

J.S. Bach (1685-1750): Concertos para Cravo Vol. 1

Harpsichord Concerto No. 1 in D Minor, BWV 1052 21’40
01 I. Allegro 7’23
02 II. Adagio 6’20
03 III. Allegro 7’57

Harpsichord Concerto No. 5 in F minor, BWV 1056 9’25
04 I. Allegro 3’11
05 II. Adagio 2’33
06 III. Presto 3’41

Harpsichord Concerto No. 8 in D minor, BWV 1059 R (reconstruction by M. Suzuki) 15’54
07 I. Allegro 6’17
08 II. (Siciliano) 6’05
09 III. Presto 3’32

Harpsichord Concerto No. 2 in E Major, BWV 1053 19’29
10 I. (Allegro) 8’04
11 II. Siciliano 4’31
12 III. Allegro 6’54

Masato Suzuki, cravo
Bach Collegium Japan
Masato Suzuki, regência

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Um trompete?

PQP

J. S. Bach (1685-1750): Concertos para dois cravos (Suzuki)

J. S. Bach (1685-1750): Concertos para dois cravos (Suzuki)

Já dizia o grande J. Jota de Moraes que os concertos de Bach eram “atléticos”. E são mesmo. São movimentados, com pulso constante e rápido. Há urgência mesmo nos movimentos lentos. E também são joias que, se bem trabalhadas, rendem muita música. Este disco tem uma curiosidade: a transcrição da Suíte (ou Abertura) Orquestral Nº 1 para dois cravos. Fujo deste tipo de coisa, mas fiquei alegremente surpreso com o lindo trabalho. O resultado me convenceu totalmente, assim como os outros 3 concertos do CD. Um disco absolutamente feliz para nos ajudar a enfrentar os dias de que correm. Precisamos disso. O trabalho dos Suzuki e do Bach Collegium Japan é maravilhoso. Vale muito a audição.

J. S. Bach (1685-1750): Concertos para dois cravos

Concerto in C minor, BWV1062 13’48
01 I. 3’32
02 II. Andante e piano 5’54
03 III. Allegro assai 4’22

Concerto in C major, BWV1061 18’15
04 I. 7’21
05 II. Adagio ovvero Largo 4’55
06 III. Fuga. Vivace 5’59

Orchestral Suite No.1 in C major, BWV1066 24’06
07 I. Ouverture 9’59
08 II. Courante 2’24
09 III. Gavotte I/II 2’44
10 IV. Forlane 1’17
11 V. Menuet I/II 2’42
12 VI. Bourrée I/II 2’14
13 VII. Passepied I/II 2’46

Concerto in C minor, BWV1060 13’18
14 I. Allegro 4’47
15 II. Largo ovvero Adagio 5’02
16 III. Allegro 3’29

Masaaki Suzuki, cravo
Masato Suzuki, cravo
Bach Collegium Japan

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Cansados de tanto produzir carros e motos, os Suzuki passaram aos cravos.e à regência de orquestra barroca

PQP

Classical Music For Dummies – The essentials – vol. 5/50 – The Baroque (c.1600 to 1750)


“Música Clássica para Leigos” (“Classical Music For Dummies”) é uma série de lançamentos projetados pela Deutsche Grammophon para oferecer aos  leigos recém-chegados uma introdução perfeita ao mundo da música clássica.

A série é composta por 50 CDs de música clássica dedicados a diferentes compositores, maestros, pianistas, violinistas e cantores, a maioria contratados ou ex-contratados pela gravadora.

Baroque – The Essencials

Música barroca é toda música ocidental correlacionada com a época cultural homônima na Europa, que vai desde o surgimento da ópera por Claudio Monteverdi no século XVII, até a morte de Johann Sebastian Bach, em 1750.

Trata-se de uma das épocas musicais de maior extensão, fecunda, revolucionária e importante da música ocidental, e provavelmente também a mais influente. As características mais importantes são o uso do baixo contínuo, do desejo e da harmonia tonal, em oposição aos modos gregorianos até então vigente. Na realidade, trata-se do aproveitamento de dois modos: o modo jônico (modo “maior”) e o modo eólio (modo “menor”). Essa era seguiu a era da música renascentista e foi seguida, por sua vez, pela era clássica. A música barroca constitui uma parte importante do cânone “clássico”, e agora é amplamente estudada, executada e ouvida. 

Do Período Barroco na música surgiu o desenvolvimento tonal, como os tons dissonantes por dentro das escalas diatônicas como fundação para as modulações dentro de uma mesma peça musical; enquanto em períodos anteriores, usava-se um único modo para uma composição inteira causando um fluir incidentalmente consonante e homogêneo da polifonia.

Durante a música barroca, os compositores e intérpretes usaram ornamentação musical mais elaboradas e ao máximo, nunca usada tanto antes ou mais tarde noutros períodos, para elaborar suas ideias; fizeram mudanças indispensáveis na notação musical, e desenvolveram técnicas novas instrumentais, assim como novos instrumentos. A música, no Barroco, expandiu em tamanho, variedade e complexidade de performance instrumental da época, além de também estabelecer inúmeras formas musicais novas. Inúmeros termos e conceitos deste Período ainda são usados até hoje.

Os principais compositores da era barroca incluem Johann Sebastian Bach, Antonio Vivaldi, George Frideric Handel, Monteverdi, Scarlatti, Alessandro Scarlatti, Purcell, Georg Philipp Telemann, Jean-Baptiste Lully, Jean-Philippe Rameau, Jean-Baptiste Lully, Tomaso Albinoni, François Couperin, Giuseppe Tartini, Heinrich Schutz, Giovanni Battista Pergolesi, Buxtehude e Johann Pachelbel.

Baroque – Essentials

Georg Friedrich Händel (Alemanha, 1685 – Inglaterra, 1759)
01. Solomon, HWV 67-Arrival Of The Queen Of Sheba
Antonio Lucio Vivaldi (Veneza, 1678-Viena, 1741)
02. Concerto For Violin And Strings In E Major, Op.8, No.1, RV 269 “La Primavera”-1. Allegro
Johann Sebastian Bach (Alemanha, 1685-1750)
03. Brandenburg Concerto No.3 In G Major, BWV 1048-1. (Allegro)
Johann Pachelbel (Alemanha, 1653-1706)
04. Canon in D, P.37
Johann Sebastian Bach (Alemanha, 1685-1750)
05. Suite No.2 in B minor, BWV 1067-7. Badinerie
Georg Friedrich Händel (Alemanha, 1685 – Inglaterra, 1759)
06. Serse / Act 1 HWV40-“Ombra mai fu”
Claudio Giovanni Antonio Monteverdi (Cremona, 1567- Veneza, 1643)
07. Vespro della Beata Vergine, SV 206-1. Domine ad adiuvandum a 6
Louis-Claude Daquin (França, 1694-1772)
08. Premier livre de pieces de clavecin / Troisième Suite-16. Le coucou
Henry Purcell (Inglaterra, 1659-1695)
09. Come, Ye Sons Of Art Away, Z. 323-3. Sound The Trumpet, Sound
Antonio Lucio Vivaldi (Veneza, 1678-Viena, 1741)
10. Gloria In D Major, RV 589-1. Gloria in excelsis Deo
Tomaso Albinoni (Itália, 1671 – 1750)
11. Adagio For Strings And Organ In G minor
Georg Friedrich Händel (Alemanha, 1685 – Inglaterra, 1759)
12. Messiah, HWV 56 / Pt. 2-“Hallelujah”
Johann Sebastian Bach (Alemanha, 1685-1750)
13. Suite No.3 in D, BWV 1068-2. Air
Antonio Lucio Vivaldi (Veneza, 1678-Viena, 1741)
14. Concerto For Violin And Strings In F Minor, Op.8, No.4, RV 297 “L’inverno”-1. Allegro non molto
Georg Friedrich Händel (Alemanha, 1685 – Inglaterra, 1759)
15. Music For The Royal Fireworks: Suite HWV 351-4. La Réjouissance
Georg Philipp Telemann (Alemanha, 1681-1767)
16. Tafelmusik-Banquet Music In 3 Parts / Production 1-1. Ouverture-Suite In E Minor-6. Air. Un peu vivement
Johann Sebastian Bach (Alemanha, 1685-1750)
17. Herz und Mund und Tat und Leben, Cantata BWV 147-Arr. Guillermo Figueroa-10. Jesu, Joy Of Man’s Desiring
Jean-Philippe Rameau (França, 1683-1764)
18. 6 Concerts transcrits en sextuor / 6e concert-1. La poule (Live)
Giovanni Battista Pergolesi (Iesi, 1710-Pozzuoli, 1736)
19. Stabat Mater, P. 77-1. Stabat Mater
Jean-Philippe Rameau (França, 1683-1764)
20. Hippolyte et Aricie-Overture
Domenico Scarlatti (Nápolis, 1685 – Espanha, 1757)
21. Sonata In E, K.380
Georg Friedrich Händel (Alemanha, 1685 – Inglaterra, 1759)
22. Zadok The Priest, HWV 258
Johann Sebastian Bach (Alemanha, 1685-1750)
23. Christmas Oratorio, BWV 248 / Part Two-For The Second Day Of Christmas-No.10 Sinfonia
Arcangelo Corelli (Italia, 1653-1713)
24. Concerto grosso In G Minor, Op.6, No.8, MC 6.8 “Fatto per la Notte di Natale”-3. Adagio-Allegro-Adagio
Gregorio Allegri (Itália, 1582-1652)
25. Miserere

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
XLD RIP | FLAC | 503 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
MP3 | 320 KBPS | 215 MB

powered by iTunes 12.8.2 | 1 h 43 min

Palhinha – 06. Serse / Act 1 HWV40-“Ombra mai fu”, com Andreas Scholl.

🇧🇷 Você baixou um arquivo .rar. Para descompactá-lo, use o Archive Online, um descompactador online e gratuito, para plataformas Mac e Win = https://extract.me/pt/

🇬🇧 You have downloaded a .rar file. To extract it, use the Archive Online, an online and free tool that can extract over 70 types of compressed files,  on a Mac or a Win platforms = https://extract.me/

Boa audição!

 

 

 

 

Avicenna

Classical Music For Dummies – The essentials – vol. 4/50 – Johann Sebastian Bach (Alemanha, 1685-1750)

“Música Clássica para Leigos” (“Classical Music For Dummies”) é uma série de lançamentos projetados pela Deutsche Grammophon para oferecer aos  leigos recém-chegados uma introdução perfeita ao mundo da música clássica.

A série é composta por 50 CDs de música clássica dedicados a diferentes compositores, maestros, pianistas, violinistas e cantores, a maioria contratados ou ex-contratados pela gravadora.

Johann Sebastian Bach – The Essentials

Johann Sebastian Bach (Eisenach, 21 de março de 1685 – Leipzig, 28 de julho de 1750) foi um compositor, cravista, Kapellmeister, regente, organista, professor, violinista e violista oriundo do Sacro Império Romano-Germânico, atual Alemanha.

Nascido numa família de longa tradição musical, cedo mostrou possuir talento e logo tornou-se um músico completo. Estudante incansável, adquiriu um vasto conhecimento da música europeia de sua época e das gerações anteriores. Desempenhou vários cargos em cortes e igrejas alemãs, mas suas funções mais destacadas foram a de Kantor da Igreja de São Tomás e Diretor Musical da cidade de Leipzig, onde desenvolveu a parte final e mais importante de sua carreira.

Absorvendo inicialmente o grande repertório de música contrapontística germânica como base principal de seu estilo, recebeu mais tarde a influência italiana e francesa, através das quais sua obra se enriqueceu e transformou, realizando uma síntese original de uma multiplicidade de tendências. Praticou quase todos os gêneros musicais conhecidos em seu tempo, com a notável exceção da ópera, embora suas cantatas maduras revelem bastante influência desta que foi uma das formas mais populares do período Barroco.

Sua habilidade ao órgão e ao cravo foi amplamente reconhecida enquanto viveu e se tornou lendária, sendo considerado o maior virtuoso de sua geração e um especialista na construção de órgãos. Também tinha grandes qualidades como maestro, cantor, professor e violinista, mas como compositor seu mérito só recebeu aprovação limitada e nunca foi exatamente popular, ainda que vários críticos que o conheceram o louvassem como grande. A maior parte de sua música caiu no esquecimento após sua morte, mas sua recuperação iniciou no século XIX, através do compositor Felix Mendelssohn (1809-1847) e desde então seu prestígio não cessou de crescer. Na apreciação contemporânea Bach é tido como o maior nome da música barroca, e muitos o vêem como o maior compositor de todos os tempos, ganhando também o título de “Pai da Música”, elogiado e estudado por grandes compositores como Mozart e Beethoven, deixando muitas obras que constituem a consumação de seu gênero.

Entre suas peças mais conhecidas e importantes estão os Concertos de Brandenburgo, o Cravo Bem-Temperado, as Sonatas e Partitas para violino solo, a Missa em Si Menor, a Tocata e Fuga em Ré Menor, a Paixão segundo São Mateus, a Oferenda Musical, a Arte da Fuga e várias de suas cantatas. (ex-Wikipedia)

Bach: The Essentials
01. The English Concert – Brandenburg Concerto No.3 In G Major, BWV 1048 : 1. (Allegro)
02. Orpheus Chamber Orchestra – Orchestral Suite No. 3 in D Major, BWV 1068 : 2. Air
03. Hélène Grimaud – Das Wohltemperierte Klavier: Book 1, BWV 846-869 : Prelude and Fugue No.1 in C Major, BWV 846
04. Musica Antiqua Köln – Orchestral Suite No.2 In B Minor, BWV 1067 : 8. Badinerie
05. Shlomo Mintz – Partita For Violin Solo No.3 In E Major, BWV 1006 : 1. Preludio 
06. Münchener Bach-Orchester – Wachet auf, ruft uns die Stimme, Cantata BWV 140 : 1. “Wachet  auf, ruft uns die Stimme” 
07. Andrei Gavrilov – Aria mit 30 Veränderungen, BWV 988 “Goldberg Variationen” : Aria 
08. David Oistrakh – Double Concerto for 2 Violins, Strings, and Continuo in D Minor, BWV 1043 : 2. Largo ma non tanto
09. Pierre Fournier – Cello Suite No.1 In G Major, BWV 1007 : 1. Prélude 
10. Maria João Pires – Partita No. 1 in B-Flat Major, BWV 825 : I. Praeludium 
11. English Baroque Soloists – Mass In B Minor, BWV 232 : 3. Sanctus
12. English Baroque Soloists – Matthäus-Passion, BWV 244 / Erster Teil : 1. “Kommt, ihr Töchter, helft mir klagen”
13. Helmut Walcha – Wachet auf, ruft uns die Stimme, BWV 645
14. English Baroque Soloists – Herz und Mund und Tat und Leben, BWV 147 : 10. Choral: “Jesus bleibet meine Freude” 
15. English Baroque Soloists – Matthäus-Passion, BWV 244 / Zweiter Teil : 39. “Erbarme dich” 
16. English Baroque Soloists – Matthäus-Passion, BWV 244 / Zweiter Teil : 54. “O Haupt voll Blut und Wunden” 
17. English Baroque Soloists – Matthäus-Passion, BWV 244 / Zweiter Teil : 68. “Wir setzen uns mit Tränen nieder”
18. Nancy Argenta – Gottes Zeit ist die allerbeste Zeit, BWV 106 “Actus Tragicus” : No.2 a-d “Gottes Zeit ist die allerbeste Zeit” … “Es ist der alte Bund”
19. Helmut Walcha – Toccata And Fugue In D Minor, BWV 565 : 1.Toccata
20. Helmut Walcha – Toccata And Fugue In D Minor, BWV 565 : 2.Fugue
21. Musica Antiqua Köln – Brandenburg Concerto No.4 In G Major, BWV 1049 : 3. Presto
22. Nathan Milstein – Partita For Violin Solo No.2 In D Minor, BWV 1004 : 5. Ciaccona
23. Martha Argerich – Partita No.2 In C Minor, BWV 826 : 6. Capriccio
24. Ton Koopman – Sonata No.1 In E-Flat Major, BWV 525 : 1. 
25. Musica Antiqua Köln – Brandenburg Concerto No.2 In F Major, BWV 1047 : 3. Allegro assai 

Sumário das músicas:
Bach, J S: Brandenburg Concerto No. 2 in F Major, BWV1047
Bach, J S: Brandenburg Concerto No. 3 in G Major, BWV1048
Bach, J S: Brandenburg Concerto No. 4 in G major, BWV1049
Bach, J S: Cantata BWV106 ‘Gottes Zeit ist die allerbeste Zeit’ (Actus tragicus)
Bach, J S: Cantata BWV140 ‘Wachet auf, ruft uns die Stimme’
Bach, J S: Cantata BWV147 ‘Herz und Mund und Tat und Leben’
Bach, J S: Cello Suite No. 1 in G major, BWV1007
Bach, J S: Chorale Prelude BWV645 ‘Wachet auf, ruft uns die Stimme’
Bach, J S: Concerto for Two Violins in D minor, BWV1043
Bach, J S: Goldberg Variations, BWV988
Bach, J S: Mass in B minor, BWV232
Bach, J S: Orchestral Suite No. 2 in B minor, BWV1067
Bach, J S: Orchestral Suite No. 3 in D major, BWV1068
Bach, J S: Partita for solo violin No. 2 in D minor, BWV1004
Bach, J S: Partita for solo violin No. 3 in E major, BWV1006
Bach, J S: Partita No. 1 in B flat major, BWV825
Bach, J S: Partita No. 2 in C minor, BWV826
Bach, J S: The Well-Tempered Clavier, Book 1
Bach, J S: Toccata & Fugue in D minor, BWV565
Bach, J S: Trio Sonata No. 1 in E flat major, BWV525

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
XLD RIP | FLAC | 579 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE
MP3 | 320 KBPS | 257 MB

powered by iTunes 12.8.2 | 2 h 04 min

Palhinha – 19 & 20  – Toccata And Fugue In D Minor, BWV 565 : 1.Toccata & 2.Fuge – Helmut Walcha

🇧🇷 Você baixou um arquivo .rar. Para descompactá-lo, use o Archive Online, um descompactador online e gratuito, para plataformas Mac e Win = https://extract.me/pt/

🇬🇧 You have downloaded a .rar file. To extract it, use the Archive Online, an online and free tool that can extract over 70 types of compressed files,  on a Mac or a Win platforms = https://extract.me/

Boa audição!

 

 

 

 

Avicenna

The Journey ∞ Leon Fleisher, piano ∞

The Journey ∞ Leon Fleisher, piano ∞

Bach · Mozart

Beethoven · Chopin

Stravinsky

Leon Fleisher

(1928 – 2020)

 

Imagine ser um pianista famoso, com concertos marcados nas grandes salas ao redor do mundo, ter seus discos no topo das paradas de sucesso sempre acompanhados das melhores críticas – uma vida de sucesso – e perder tudo, de repente. Isto ocorreu com Leon Fleisher, um dos mais renomados pianistas que, no meio da década de 1960 teve que redirecionar toda a sua carreira profissional por machucar a sua mão direita a ponto de não poder mais usá-la. Ele passou a sofrer de distonia focal.

Ele morreu neste primeiro domingo de agosto, aos 92 anos.

Apesar de ter a carreira de concertista interrompida, Leon Fleisher continuou a fazer e viver a música, tocando o repertório para a mão esquerda, regendo e dando aulas, até que em 1995, após 30 anos de inatividade, recuperou satisfatoriamente os movimentos da mão e voltou a tocar piano com duas mãos. Isto foi possível graças a uma combinação de uma técnica de massagem profunda e injeções de Botox.

Esta história sempre me encantou. Tenho e ouço seus discos do período áureo, mas de uma certa forma, aprecio ainda mais aqueles que ele gravou posteriormente. Em 2003 ele gravou um disco com o expressivo nome Two Hands, que tem uma gravação muito especial da última grande sonata de Schubert. Em 2006 ele gravou o disco desta postagem – The Journey.

Este título tanto se aplica ao repertório, que vai de Bach até Stravinsky, passando por Mozart, Beethoven e Chopin, quanto à sua própria vida.

Além da música, o álbum contém um disco com uma entrevista dada a Bob Edwards, na qual Leon Fleisher fala de sua jornada.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Capricho em si bemol maior, BWV 992

  1. Arioso: Adagio
  2. Fughetta
  3. Adagissimo
  4. Andante
  5. Aria (do postilhão): Allegro poco
  6. Fuga

Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791)

Sonata em mi bemol maior, K 282

  1. Adagio
  2. Menuetto I – II
  3. Allegro

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Fantasia e Fuga Cromática em ré menor, BWV 903

  1. Fantasia
  2. Fuga

Frédéric Chopin (1810 – 1849)

Berceuse em ré bemol maior, Op. 57

  1. Berceuse

Igor Stravinsky (1882 – 1971)

Serenata em lá maior

  1. Hymne
  2. Romanza
  3. Rondoletto
  4. Cadenza finala

Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

Bagatela em lá menor, WoO. 59 “Für Elise”

  1. Bagatela

Leon Fleisher, piano

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 127 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 120 MB

Que a persistência e a atitude resiliente de Leon Fleisher nos inspire a enfrentar as nossas limitações e dificuldades e que possamos também percorrer uma boa jornada.

Aproveite!

René Denon

Classical Music For Dummies – The essentials – vol. 2/50 – Vladimir Horowitz (1903-1989)

“Música Clássica para Leigos” (“Classical Music For Dummies”) é uma série de lançamentos projetados pela Deutsche Grammophon para oferecer aos  leigos recém-chegados uma introdução perfeita ao mundo da música clássica.

A série é composta por 50 CDs de música clássica dedicados a diferentes compositores, maestros, pianistas, violinistas e cantores, a maioria contratados ou ex-contratados pela gravadora.

Vladimir Horowitz – The Essentials

Vladimir Samoylovych Horowitz, Kiev, 1 de outubro de 1903Nova Iorque, 5 de novembro de 1989) foi um pianista russo-americano. É considerado como um dos mais brilhantes pianistas de todos os tempos, devido à sua excepcional técnica aliada às suas performances contagiantes. (1) Destacou-se pelo seu toucher sem igual, pelo controle dinâmico excepcional e pela sua mecânica única. As suas interpretações mais conhecidas e tidas como inigualáveis se referem às obras que variam do barroco Domenico Scarlatti, passando pelos românticos Chopin, Schumann, Liszt e chegando ao moderno Prokofiev. É considerado por muitos o indiscutível mestre em Scriabin e Rachmaninoff.

J. S. Bach (1685-1750) & J. G. Müthel (1728-1788): Concertos – Akademie für Alte Musik Berlin

J. S. Bach (1685-1750) & J. G. Müthel (1728-1788): Concertos – Akademie für Alte Musik Berlin

 

Bach & Müthel

Concertos

AAM Berlin

 

 

Uma troca de mensagens aqui no blog trouxe à baila o uso do pianoforte na interpretação das obras (tardias) de Bach. Parece haver uma regra não escrita de que Bach ‘autêntico’ deve ser interpretado ao cravo.

Certamente o cravo, assim como o clavicórdio, eram os instrumentos de teclado mais comuns nos fins do século 17 e início do século 18, mas o interesse de Bach pelos instrumentos musicais era enorme, em particular os instrumentos com teclado (e com muitos teclados). Ele costumava viajar para testar e opinar sobre órgãos e estas ocasiões eram sempre prazerosas.

Mas o tema é pianoforte e já divago. Lembrando, o antecessor do piano foi ‘inventado’ por Bartolomeo Cristofori por volta de 1700. Ele construiu um ‘cembalo che fa il piano e il forte’.

Pianoforte Silbermann

O construtor de cravos e órgãos Gottfried Silbermann soube da invenção de Cristofori por um artigo e construiu sua versão do instrumento. Há um relato de Johann Friedrich Agricola de que em 1736 Johann Sebastian testou um protótipo destes pianofortes de Silbermann. Segundo o relato, Bach teria gostado do instrumento, elogiando seu tom, mas observou uma certa fragilidade no seu registro alto e disse que o instrumento era difícil de tocar. Silbermann era aparentemente bastante suscetível a críticas e teria ficado de mal com Johann Sebastian. Mas depois, com a zanga passada, introduziu mudanças no instrumento, levando em conta as observações feitas por Bach. Estas mudanças devem ter funcionado, pois há registro de que Frederico, o Grande, comprou 15 destes instrumentos. Certamente um deles foi testado por Johann Sebastian em sua visita a Potsdam, onde atuava seu filho Carl Philipp Emanuel. Desta visita resultou a Oferenda Musical, origem dos comentários aludidos no início da postagem.

A propósito disto tudo, revisitei o disco que acabei escolhendo para esta postagem. O mesmo contém dois (maravilhosos) concertos de Johann Sebastian e mais um, de Johann Gottfried Müthel, que representa a música que surgia então, o estilo galante, transição do Barroco para o período Clássico.

Os concertos de Bach são resultado de sua ligação com o Collegium musicum de Leipzig, que foi fundado por Telemann, e cuja direção ele assumiu em 1729. A necessidade de obras para as semanais apresentações do grupo formado principalmente de estudantes, no Café Zimmermann, deu impulso a criatividade e ao poder de arranjador de Johann Sebastian, que meteu algumas de suas antigas obras, como concertos para violino, em novas roupas. Os experimentos feitos no Concerto de Brandemburgo No. 5, no qual um cravo se desgarra do concertino e alça um solo, são agora levados mais adiante e temos os concertos para cravo.

No disco encontramos um representante destas obra, o Concerto para Cravo em ré menor, BWV 1052. Na sequência, o Concerto Triplo, para flauta, violino e cravo, em lá menor, BWV 1044. Nesta gravação o instrumento usado para este concerto de Bach é um pianoforte, modelado em um dos instrumentos de Silbermann. Particularmente tocante é o movimento lento, um Adagio ma non tanto e dolce, que é apresentado como uma peça de câmera pelos instrumentos solistas. Este movimento é uma literal adaptação do movimento lento da Triosonata para Órgão No. 3 em ré menor, BWV 527. Incluímos nos arquivos uma faixa bônus com a interpretação deste movimento pelo organista Christoper Herrick. Para o álbum completo destas Triosonatas, fique atento ao seu distribuidor das postagens PQP-Bachianas mais próximo.

A última peça do disco é um concerto de Johann Gottfried Müthel, que era um jovem músico a serviço do Duque Christian Ludwig II de Meckelenburg-Schwerin. Em 1750, Johann Gottfried ganhou uma licença para estudar composição com Johann Sebastian, que tinha apenas mais alguns meses de vida. As suas composições eram já vistas como peças acadêmicas e antiquadas em relação ao novo estilo galante, típico das obras que seus filhos estavam compondo. De qualquer forma, a insistência de Müthel de estudar com Johann Sebastian o torna uma figura interessante. Ouçam o seu concerto, que aqui é interpretado ao pianoforte, e depois me digam.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Concerto para cravo em ré menor, BWV 1052

  1. Allegro
  2. Adagio
  3. Allegro

Concerto para flauta, violino e cravo em lá menor, BWV 1044 – ‘Concerto Triplo’

  1. Allegro
  2. Adagio ma non tanto e dolce
  3. Tempo di Allabreve

Johann Gottfried Müthel (1728 – 1788)

Concerto para pianoforte em si bemol maior

  1. Allegro
  2. Poco adagio
  3. Allegro

Raphael Alpermann, cravo (1-3)

Christoph Huntgeburth, flauta (4-6)

Georg Kallweit, violino (4-6)

Zvi Meniker, pianoforte (4-6)

Christine Schornsheim, pianoforte (4-6)

Akademie für Alte Musik Berlin

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 312 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 156 MB

Christine Schornsheim, solista na peça de Müthl

Você poderá ler um pouco mais sobre o uso do pianoforte para as obras de Bach aqui.

Aproveite!

René Denon

J. S. Bach (1685-1750): Concertos – Akademie für Alte Musik Berlin

J. S. Bach (1685-1750): Concertos – Akademie für Alte Musik Berlin

J. S. Bach

Concerto para Violino

Concertos Duplos

Akademie für Alte Musik

Berlin

Na contracapa do disco desta postagem há um breve texto explicando a ideia geral da escolha do repertório. O texto é apresentado em três idiomas – francês, inglês e alemão. No início de cada versão do texto há uma inscrição em destaque que revela de maneira sutil aspectos do perfil de cada uma destas culturas. A versão em francês começa com a sugestiva frase: Secrets de cuisine (Segredos de cozinha), enquanto a versão em inglês abre com o destaque: Trade secrets (segredos de negócios) e o texto em alemão tem no seu início uma só palavra: Berufsgeheimnisse (Segredos profissionais). A cultura de cada povo revela a sua prioridade…

Além destas mundanas observações antropológicas, o texto nos diz que o repertório do disco consiste de quatro concertos. Dois deles são transcrições feitas por Bach de obras mais antigas (uma transcrição do Quarto Concerto de Brandemburgo e outra do Concerto para dois violinos) e outras duas reconstruções ‘bastante convincentes’ de concertos que conhecemos apenas nas transcrições feitas por Johann Sebastian. Ou seja, dois para lá, dois para cá!

O primeiro concerto no disco é uma reconstrução de um concerto para violino que teria sido a versão original do que conhecemos como o Concerto para cravo em ré menor, BWV 1052. Certamente um dos mais brilhantes da coleção, brilho que é mantido nesta gravação.

Em seguida vem o Concerto para dois cravos em dó menor, BWV 1062, uma transcrição feita por Bach do conhecido Concerto para dois violinos, BWV 1043. A fama do concerto original e da transcrição se deve em grande parte ao maravilhoso movimento lento, espetacular em qualquer das versões que você preferir.

Segue uma outra transcrição feita por Bach, agora o original é o Concerto de Brandemburgo No. 4. A transcrição é principalmente do solo de violino para cravo, ficando mantidas as duas flautas doces, que dão uma sonoridade muito especial e diferenciada a este concerto.

Para encerrar temos uma reconstrução feita a partir do Concerto para dois cravos, BWV 1060, para solo de violino e oboé. Acredita-se que este concerto perdido, e aqui reconstruído, tenha sido na verdade composto em período bem próximo da época das famosas transcrições feitas por Bach, enquanto que os outros concertos originais foram compostos bem antes, quando Bach estava em Cöthen.

Os solistas desta gravação, assim como a Akademie für Alte Musik Berlin, são excelentes. Como a também alemã Freiburger Barockorchester, ela oferece uma boa opção para ouvir música deste período, ao lado das conhecidas orquestras inglesas e francesas. Podemos dizer que elas dão um toque profissional às suas atuações.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Concerto para violino, cordas e contínuo em ré menor, BWV 1052 (Reconstrução da parte de violino original por Midori Seiler)
  1. [Allegro]
  2. Adagio
  3. Allegro
Concerto para dois cravos, cordas e contínuo em dó menor, BWV 1062 (Transcrição do Concerto para dois violinos em ré menor, BWV 1043)
  1. [Allegro]
  2. Andante e piano
  3. Allegro assai
Concerto para cravo, duas flautas doce, cordas e contínuo em fá maior, BWV 1057 (Transcrição do Concerto de Brandemburgo No. 4, em sol maior, BWV 1049)
  1. [Allegro]
  2. Andante
  3. Allegro assai
Concerto para violino, oboé, cordas e contínuo em dó menor, BWV 1060 (de um concerto para dois cravos em ré menor)
  1. Allegro
  2. Adagio
  3. Allegro
Stephan Mai, violino e direção
Christoph Huntgeburth, flauta doce
Xenia Löffer, oboé e flauta doce
Raphael Alpermann, cravo
Jörg Andreas Bötticher, cravo

Akademie für Alte Musik Berlin

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

FLAC | 361 MB

BAIXE AQUI – DOWNLOAD HERE

MP3 | 320 KBPS | 146 MB

A Akademie também joga para o alto…

Momento ‘My dear teatcher’: Harmonia Mundi’s Violin Concerto, BWV 1052, is about everything one could want from a disc of reconstructed concerti played by a period ensemble — the sound is great and the performances are of such a high standard that it even puts the famous Neville Marriner recordings of similar Bach reconstructions on the defensive.

Aproveite!

René Denon

H. Bach, J. Christoph Bach, J. L. Bach, J. S. Bach, Cyriacus Wilche: Bachiana ~ Música na Família Bach (Goebel-MAK)

H. Bach, J. Christoph Bach, J. L. Bach, J. S. Bach, Cyriacus Wilche: Bachiana ~ Música na Família Bach (Goebel-MAK)

Não chega a ser um disco que se aprofunde muito na música da imensa família Bach, mas é bom de ouvir. A gente conclui o óbvio: vai tudo mais ou menos agradável até que aparece Johann Sebastian, quando a coisa fica espetacular. O homem era mesmo demais e a comparação de meu pai com seus parentes… Fica mais equilibrado quando a comparação inclui os filhos. Bem, eu sou o bastardo, como sabem. O Musica Antiqua Köln leva tudo com muita classe e elegância. É sempre uma alegria reouvir o pessoal de Goebel. Um bom disco, sem dúvida. A faixa 12, por exemplo, é sensacional! Mas o ponto alto é, obviamente, o JSB no final. Os dois maravilhosos movimentos instrumentais do Oratório da Páscoa foram transformados em concerto, sendo o coral de abertura reorquestrado apenas para instrumentos. Não há absolutamente nenhuma evidência de que este seja um movimento “perdido”, mas o resultado é bastante eficaz e as trompetes e a percussão dão uma esplêndida contribuição.

H. Bach, J. C. F. Bach, J. L. Bach, J. M. Bach, J. S. Bach, Cyriacus Wilche: Bachiana ~ Música na Família Bach (Goebel-MAK)

 Johann Ludwig Bach (1677-1731)

01 J.L. Bach: Suite in G – Ouverture 6:13
02 J.L. Bach: Suite in G – Air I 1:58
03 J.L. Bach: Suite in G – Menuet 2:18
04 J.L. Bach: Suite in G – Gavotte 1:24
05 J.L. Bach: Suite in G – Air II 2:27
06 J.L. Bach: Suite in G – Bourrée 1:05

Heinrich Bach (1615-1692)

07 H. Bach: Sonata “a cinque” in C 5:25

08 H. Bach: Sonata “a cinque” in F 4:18

Johann Ludwig Bach (1677-1731)

09 J.L. Bach: Concerto in D – 1. Allegro 3:52
10 J.L. Bach: Concerto in D – 2. Adagio 2:02
11 J.L. Bach: Concerto in D – 3. Allegro 1:28

Johann Christoph Bach (1642-1703)

12 J. Christoph Bach: Aria Eberliniana pro dormente Camillo 16:26

Cyriacus Wilche (? – 1667)

13 Cyriacus: Wilche Battaglia – anno 1659 composta 7:16

Signr. (Singer/Signore) Pagh  (before 1672)

14 Sonata & Fantaisie in G minor 7:40

Johann Sebastian Bach  (1685-1750)

15 J.S. Bach: Kommt, eilet und laufet (Easter Oratorio), BWV 249 – “Concerto” in D after BWV 249 – 1. Sinfonia 3:55
16 J.S. Bach: Kommt, eilet und laufet (Easter Oratorio), BWV 249 – “Concerto” in D after BWV 249 – 2. Adagio 3:00
17 J.S. Bach: Kommt, eilet und laufet (Easter Oratorio), BWV 249 – “Concerto” in D after BWV 249 – 3. Allegro 4:46

Musica Antiqua Köln directed by Reinhard Goebel
Solo Harpsichord – Léon Berben

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

Johann Sebastian Bach e família durante a prática musical matinal
Johann Sebastian Bach e família durante a prática musical matinal

PQP

C.P.E. Bach / J.C.F. Bach / W.F. Bach / J.S. Bach: Cantatas of the Bach Family (Goebel / Berliner Barock Solisten)

C.P.E. Bach / J.C.F. Bach / W.F. Bach / J.S. Bach: Cantatas of the Bach Family (Goebel / Berliner Barock Solisten)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Reinhard Goebel é o máximo. Ex-aluno de Franzjosef Maier, foi o fundador — em 1973 — e principal violinista do esplêndido Musica Antiqua Köln, conjunto de música barroca historicamente informada que foi dissolvido pelo próprio fundador em 2007. Ele é outro adicto em Bach. Seu eu sou obcecado por Johann Sebastian e seus filhos Wilhelm Friedemann e Carl Philipp Emanuel Bach, ele é por toda a família. E não para de gravar discos dedicados à obra de todos os Bach. Este aqui é o quarto CD capitaneado por Goebel que conheço e que tem esta ideia. Fica claro que nenhum familiar chega próximo das alturas de J. S., que W.F. e C.P.E, foram geniais, mas não eram Deus como o pai e que o resto da família nem seria conhecida se não fosse Johann Sebastian. Mas Goebel ama todo mundo e não para. Ainda bem. Goebel, por favor, não pare de tentar nos convencer do contrário, OK?

C.P.E. Bach / J.C.F. Bach / W.F. Bach / J.S. Bach: Cantatas of the Bach Family (Goebel / Berliner Barock Solisten)

Carl Philipp Emanuel Bach
01. – Ich bin vergnügt mit meinem Stande, Wq. deest: No. 1, Ich bin vergnügt mit meinem Stande
02. – Ich bin vergnügt mit meinem Stande, Wq. deest: No. 2, Im Schweiße meines Angesichts
03. – Ich bin vergnügt mit meinem Stande, Wq. deest: No. 3, Lieber Gott, es ist das Deine

Carl Philipp Emanuel Bach
04. – Symphony in F Major, Wq. deest: I. Allegro
05. – Symphony in F Major, Wq. deest: II. Adagio
06. – Symphony in F Major, Wq. deest: III. Allegro assai

Johann Christoph Friedrich Bach
07. – Pygmalion, Wf XVIII:5: No. 1, Abgöttin meiner Seele!
08. – Pygmalion, Wf XVIII:5: No. 2, Ihr Götter welche Phantaseyn!
09. – Pygmalion, Wf XVIII:5: No. 3, Nicht taub, nicht fühllos, nein
10. – Pygmalion, Wf XVIII:5: No. 4, Ach, dass mein irdisch Ohr nicht fähig ist
11. – Pygmalion, Wf XVIII:5: No. 5, Ach, es muss ein Teil der Gottheit
12. – Pygmalion, Wf XVIII:5: No. 6, O Venus! Saturnia! Bracht ich nur dir
13. – Pygmalion, Wf XVIII:5: No. 7, O Himmel! Der Boden wankt
14. – Pygmalion, Wf XVIII:5: No. 8, Nun senkt sie Haupt und Hand herab
15. – Pygmalion, Wf XVIII:5: No. 9, Bald sollen diese Lippen mich
16. – Pygmalion, Wf XVIII:5: No. 10, Ja, diese leichte Mühe, dies selige Geschäft
17. – Pygmalion, Wf XVIII:5: No. 11, Allgütige! Wofern dich hier noch

Wilhelm Friedemann Bach
18. – Symphony in B-Flat Major, F 71: I. Allegro
19. – Symphony in B-Flat Major, F 71: II. Andante
20. – Symphony in B-Flat Major, F 71: III. Presto

Johann Sebastian Bach
21. – Ich habe genug, BWV 82 (1747 Version): No. 1, Ich habe genug
22. – Ich habe genug, BWV 82 (1747 Version): No. 2, Ich habe genug
23. – Ich habe genug, BWV 82 (1747 Version): No. 3, Schlummert ein, ihr matten Augen
24. – Ich habe genug, BWV 82 (1747 Version): No. 4, Mein Gott! Wann kömmt das schöne
25. – Ich habe genug, BWV 82 (1747 Version): No. 5, Ich freue mich auf meinen Tod

Benjamin Appl – Baritone
Berliner Barock Solisten
Reinhard Goebel – Conductor

BAIXE AQUI — DOWNLOAD HERE

O tempo passa pra todo mundo, né, seu Goebel?

PQP