Bach (1685-1750): Peças para Alaúde – Sean Shibe, violão ֎

Bach (1685-1750): Peças para Alaúde – Sean Shibe, violão ֎

Bach

Peças para Alaúde

BWV 996, 997 & 998

Sean Shibe, violão

 

Os vizinhos gostaram muito da música que emanou da casa do Cantor da Igreja de Santo Tomás naquela noite. Houve boas risadas e a conversa animada até bem mais tarde foi confirmada pelas garrafas de vinho que sobraram vazias no outro dia.

Todos já estavam acostumados com eventuais saraus na casa do João Sebastião Ribeiro, mas naquela noite, no ano de 1739, a visita do amigo Sílvio Leopoldo Branco, alaudista da corte de Dresden, acompanhado de um de seus alunos, de sobrenome Kropffgans, animou bem a festa, como se lembrou depois João Elias, primo do grande João Sebastião.

E tocaram muitas suítes, algumas delas até no estilo do conhecido saxão que se mudara para Londres, e outras mais curtas, no estilo das sonatas para igreja. E maravilhosos prelúdios seguidos de fugas não faltaram.

A visita encheu João Sebastião de alegria e depois o instigou a revisar umas de suas suítes compostas nos idos 1720 e algumas de antes ainda – para o alaúde, que ele gostava e volta e meia empregava em suas composições, mesmo as mais sérias. Chegou inclusive a compor algumas peças novas, de tanto que gostou de ouvir o ótimo Sílvio Leopoldo. A vista já andava cansada, mas a cabeça continuava ótima para compor. Algumas cópias das novas obras ficaram a cargo de seu aluno, João Tobias Krebs, o de apelido ‘Caranguejo’, que fora mesmo um achado.

E foi assim, por essas e outros maravilhosos encontros e visitas, as quais certamente resultaram em tardes e noites animadas, que nos chegaram algumas obras que continuam a encantar até mesmo os mais duros de coração.

Ouça este ótimo disquinho de uns 46 minutos pelos quais o jovem violonista Sean Shibe desfila habilidade, musicalidade e técnica impecáveis. Shibe merece cada um dos muitos prêmios que tem angariado. Aproveite que o disco é curto e ouça duas vezes a peça que gostar mais. Depois me conte!

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Suíte para Alaúde No. 1 em mi menor, BWV996
  1. Praeludio
  2. Allemande
  3. Courante
  4. Sarabande
  5. Bourrée
  6. Gigue
Suíte para Alaúde No. 2 em dó menor, BWV997
  1. Preludio
  2. Fuga
  3. Sarabande
  4. Gigue
  5. Double
Prelúdio, Fuga e Allegro para Alaúde em mi bemol maior, BWV998
  1. Prelude
  2. Fuga & Allegro

Sean Shibe, arranjos e violão

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Gramophone, June 2020

Shibe applies the musical and interpretative qualities that characterise its predecessors – energy, reflection, eclecticism, integration and emotional candour – to remind us that Bach might have been singular but he contained multitudes…Has the Prelude, Fugue and Allegro [of BWV997] ever sounded so contemporary in its nostalgic sweetness and, in the final movement, sheer unabashed joy?

The Guardian, 7th June 2020

Shibe reminds us of the sheer intelligence and eloquence of his musicianship. Pliancy, shape, nimble attention to ornaments, clarity in the lines of counterpoint: all make this essential listening.

The Times, 29th May 2020

This astonishing and adventurous guitarist…plays with such depth of tone, colour and intricacies of touch that it is as though he’s at a harpsichord, not strumming or plucking fretted strings…Shibe’s music-making is masterful, beautiful and convincing in every way…Above all, Shibe awes us with the exquisite tone balance across the whole range.

Sean Shibe às margens do Guaíba, nem acreditando na história de um certo mágico radinho de pilhas …

Bach (1685-1750): Suítes Inglesas, BWV 806 – 811 – Gustav Leonhardt, cravo ֎

Bach (1685-1750): Suítes Inglesas, BWV 806 – 811 – Gustav Leonhardt, cravo ֎

Bach

Suítes Inglesas

Gustav Leonhardt

 

 

Da cozinha vem o reconfortante cheiro do arroz sendo refogado ao som do martelinho amaciando os bifes… Ah, trabalhar em casa pode ser uma fonte de pequenos prazeres. Bem, o distante ruído de alguém aparando a grama não chega a incomodar, mas faz um contraponto de alerta, lembrando-me que nem tudo é sossego. Mas, a hora do almoço sempre reserva um intervalo de paz.

Gustav Leonhardt

Da vitrola vem o som do cravo neste disco espetacular. Ao se dar conta, você está batendo o pé, acompanhando o ritmo, muito bom, do começo ao fim. E o som é ótimo. Eu confesso não ser um fanático pelo som do cravo. Talvez seja trauma por ter conhecido o som deste  instrumento pelos velhos LPs da Wanda Landowska, mas assim que vejo ‘cravo’ na capa do disco, fico logo com um pé atrás. Mas em mais uma tentativa de quebrar essas rabugices, decidi revisitar as principais obras de João Sebastião interpretadas ao cravo. Comecei por estas Suítes Inglesas, na interpretação do Gustavo Coração de Leão e me dei muito bem. São gravações antológicas e figuram em muitas listas de mais-mais das obras de Bach. Elas foram objeto de uma postagem feita pelo PQP Bach em priscas eras. Dizem as lendas que naqueles dias os arquivos eram upados pela madrugada, quando o fluxo na internet permitia uma maior velocidade ao processo. Aqui está o texto original que foi ao ar em 21 de julho de 2010.

Confesso a vocês não ser um apaixonado pelas Suítes Inglesas de Bach. Meu pai, ao dar o nome a elas, foi presciente. Ele sabia do deserto de almas compositoras que sobreviria na Inglaterra entre os nomes de Henry Purcell e Benjamin Britten. Foram quase 300 anos de música de terceira linha. Então, reservou para os britânicos suas melodias mais previsíveis. Não obstante minha opinião, conheço pessoas que roubariam e matariam por elas, principalmente quando tocadas por Gustav Leonhardt, um verdadeiro viagra musical, capaz de erguer até um Cou… perin. Erguer Bach é muito mais fácil, não?

Assim, esta postagem conta para a série das PQP Originals!

Os ingleses, felizes com as suas suítes!

Apesar das provocações perpetradas aos ingleses pelo nosso blogueiro-mor, Bach não tinha qualquer intenção de oferecer algum conjunto de suítes aos ingleses, assim como não escreveu suítes para os franceses. Tampouco escreveu algum concerto especificamente para os italianos. Apesar do nome bem estabelecido, não foi João Sebastião quem assim alcunhou estas peças. As possibilidades mais plausíveis para este nome – Suítes Inglesas – são para as diferenciar do outro conjunto conhecido por Suítes Francesas ou ainda o fato de o primeiro biógrafo de Bach, Johann Nicolaus Forkel, ter afirmado que as suítes foram ‘fait pour les Anglois’. O certo é que o nome Suítes Inglesas aparece no final do século XVIII em uma de suas cópias que pertencia a Johann Christian Bach, o Bach de Londres.

João Sebastião as chamou ‘Suites avec leurs Préludes’ e isto precisamente as diferencia das chamadas Suítes Francesas. As suítes das duas séries são formadas basicamente por quatro danças – allemande, courante, sarabande e gigue -, sendo que algumas outras danças de estilo francês são inseridas entre a sarabanda e a gigue. Mas no caso das Suítes Inglesas, a sequência recebe um prelúdio. Vamos a um exemplo comparativo. Veja os nomes dos movimentos de duas Suítes:

Suíte Inglesa No. 4                                       Suíte Francesa No. 5

Prélude

Allemande                                                       Allemande

Courante                                                         Courante

Sarabande                                                       Sarabande

Minueto I – Minueto II – Minueto I         Gavotte – Bourrée – Loure

Gigue                                                               Gigue

Agora que você já sabe isto tudo, aproveite estas lindíssimas peças na interpretação de um dos melhores músicos de que temos notícia. Leonhardt além de cravista e regente, teve papel fundamental na formação de muitos outros excelentes músicos. Seu legado é inestimável.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

CD1

Suíte Inglesa No. 1 em lá maior, BWV 806

  1. Prélude
  2. Allemande
  3. Courante I – Courante II avec deux Doubles
  4. Sarabande
  5. Bourrée I – Bourrée II – Bourrée I
  6. Gigue

Suíte Inglesa No. 2 em lá menor, BWV 807

  1. Prélude
  2. Allemande
  3. Courante
  4. Sarabande – Les agréments de la même Sarabande
  5. Bourrée I altenativement – Bourrée II – Bourrée I
  6. Gigue

Suíte Inglesa No. 3 em sol menor, BWV 808

  1. Prélude
  2. Allemande
  3. Courante
  4. Sarabande – Les agréments de la même Sarabande
  5. Gavotte I alternativement – Gavotte II ou la Musette – Gavote I
  6. Gigue

CD2

Suíte Inglesa No. 4 em fá maior, BWV 809

  1. Prélude (vitement)
  2. Allemande
  3. Courante
  4. Sarabande
  5. Menuet I – Menuet II – Menuet I
  6. Gigue

Suíte Inglesa No. 5 em mi menor, BWV 810

  1. Prélude
  2. Allemande
  3. Courante
  4. Sarabande
  5. Passepied I em Rondeau – Passepied II – Passepied I
  6. Gigue

Suíte Inglesa No. 6 em ré menor, BWV 811

  1. Prélude
  2. Allemande
  3. Courante
  4. Sarabande – Double
  5. Gavotte I – Gavotte II – Gavotte I
  6. Gigue

Gustav Leonhardt, cravo

Produção de Gerd Berg

Gravado na Holanda em 1984

O cravo usado nesta gravação foi construído por Nicholas Lefebvre em 1755 e foi restaurado por Martin Skrowonneck em 1984. Vale a pena uma visita a uma página que fala do trabalho de Skrowonneck. Caso você esteja interessado, basta clicar aqui.

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The Penguin Guide to Recorded Classical Music, editado por Ivan March e CIA, diz: Leonhardt’s playing here has a flair and vitality that one does not always associate with him.

Ah, esqueci de contar, a sobremesa aqui foi uma tasca de goiabada!

Aproveite!

RD

PQP Bach-Quiz!

Nesta foto, Gus está:

a) Rindo a bandeiras despregadas

b) Rindo

c) Sorrindo

d) Tentando entender a piada

e) Todas as alternativas anteriores…

Bach (1685-1750): O Cravo Bem Temperado – Uma Seleção do Livro 2 – Piotr Anderszewski, piano ֎

Bach (1685-1750): O Cravo Bem Temperado – Uma Seleção do Livro 2 – Piotr Anderszewski, piano ֎

Bach

12 Prelúdios e Fugas do

Cravo Bem Temperado, Livro 2

Piotr Anderszewski

 

IN-CON-TOUR-NA-BLE

O calvo senhor seguia a mesma rotina matinal: uma caminhada pelos arredores para admirar a natureza e, ao voltar para a casa, sentava-se ao piano e tocava dois prelúdios e fugas de Bach. Depois, café da manhã, algumas escalas agora no violoncelo e então uma das suítes.

O senhor da historinha era Pablo Casals, uma lenda da música. Quem contava esta rotina era sua esposa Marta, que acrescentava: segunda-feira ele tocava a Suíte No. 1, terça-feira a No. 2 e assim por diante. Sábado e domingo ele tocava a Suíte No. 6, que é a mais difícil…

Eu adoro a ideia de alguém sentar-se ao piano e escolher dois ou três dos prelúdios e fugas do Cravo Bem Temperado e tocar, só para começar o dia. Temos notícias de alguns músicos famosos que faziam isto e muitos hoje devem continuar a fazer. Stravinsky, Angela Hewitt e o ator-pianista Duddley Moore são exemplos disso, começar o dia com Bach. Bach e café, uma combinação para lá de estimulante, que vão bem, juntos.

Lembrei-me destas coisas ao dar-me com o disco desta postagem, lançamento recente, com uma coleção de Prelúdios e Fugas escolhidos do Livro 2 do Cravo Bem Temperado do temperamental João Sebastião.

Há muitas gravações do Cravo Bem Temperado e várias são excelentes, mas em sua grande maioria, trazem os livros completos, 24 pares de prelúdios e fugas no primeiro, mais 24 pares no segundo, perfazendo o famoso ‘48’! É como se os intérpretes não ousassem perturbar a arquitetura de um monumento – apresentando sempre o conjunto completo.

A primeira exceção a essa regra não escrita que me lembre é uma gravação do vetusto Wilhelm Kempff, que gravou (ou a gravadora lançou) um LP com alguns prelúdios e fugas de cada um dos livros. Outro exemplo mais recente, de um disco que muito me agradou, foi o da pianista Edna Stern, que você poderá verificar clicando aqui.

Bach (1685-1750): Prelúdios, Fugas e Corais – Edna Stern, piano

Piotr Anderszewski já mostrou em sua discografia ser um grande intérprete de Bach, mas em suas gravações também optou por escolher algumas obras dos conjuntos sem gravar ‘ciclos completos’. Em seu disco de estreia, pela harmonia mundi, na série Les Nouveaux Interpretes, reuniu a Suíte Francesa No. 5 com a Suíte (Abertura) Francesa. Depois gravou dois discos de recitais com uma peça de Bach em cada um. Aí vieram dois discos com repertório dedicado a Bach, um com três Partitas e um com três Suítes Inglesas. Agora, esta maravilha… IRREMPLAÇABLE!

Em uma entrevista para Jedd Distler, da Gramophone, ele contou que na adolescência interessou-se por Bach via Glenn Gould, mas que a abordagem seca da interpretação adotada por ele não lhe satisfez nas suas abordagens. Encontrou uma maior afinidade com a interpretação do veterano Edwin Fischer, de qual disse: ‘I found it free, so poetic and really touching’. Segundo ele, outra inspiração vem das interpretações das grandes obras corais feitas por John Eliot Gardiner: ‘I love Jonh Eliot Gardiner’s interpretations for clarity of their textures’.

Piotr ainda observou que, enquanto o livro 1 foi todo composto em um menor período de tempo, dois ou três anos, seus prelúdios e fugas seguem uns aos outros de maneira mais justa. Já o livro 2 teria sido formado por peças antigas e novas e assim, mais próprio à sua abordagem de escolha. Mencionou também sua opinião de que as fugas deste livro guardam uma maior proximidade com as danças. ‘It’s probably because I’ve played so many of the Partitas and Suites that I notice this. For me, the last one, the B minor Fugue is a passepied. The F major Fugue is absolutely a gigue, and the F minor one is a bourrée’.

Ele ainda disse que essas escolhas foram amadurecendo ao longo de três anos e que havia diferentes possibilidades de alinhavar o programa, que só se definiu assim quase no final. Ele manteve o emparelhamento de Prelúdios e Fugas e começou e arrematou o programa exatamente com o primeiro e com o último par da coleção.

Eu gostei do disco como um lindo recital de música de Bach, e espero que você também o aprove!

 

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Cravo Bem Temperado, Livro 2, Prelúdio e Fuga No. 1 em dó maior, BWV 870
  1. Prelúdio
  2. Fuga
Cravo Bem Temperado, Livro 2, Prelúdio e Fuga No. 12 em fá menor, BWV 881
  1. Prelúdio
  2. Fuga
Cravo Bem Temperado, Livro 2, Prelúdio e Fuga No. 17 em lá bemol maior, BWV 886
  1. Prelúdio
  2. Fuga
Cravo Bem Temperado, Livro 2, Prelúdio e Fuga No. 8 ré bemol menor, BWV 877
  1. Prelúdio
  2. Fuga
Cravo Bem Temperado, Livro 2, Prelúdio e Fuga No. 11 em fá maior, BWV 880
  1. Prelúdio
  2. Fuga
Cravo Bem Temperado, Livro 2, Prelúdio e Fuga No. 22 em si bemol menor, BWV 891
  1. Prelúdio
  2. Fuga
Cravo Bem Temperado, Livro 2, Prelúdio e Fuga No. 7 em mi bemol maior, BWV 876
  1. Prelúdio
  2. Fuga
Cravo Bem Temperado, Livro 2, Prelúdio e Fuga No. 16 em sol menor, BWV 885
  1. Prelúdio
  2. Fuga
Cravo Bem Temperado, Livro 2, Prelúdio e Fuga No. 9 em mi maior, BWV 878
  1. Prelúdio
  2. Fuga
Cravo Bem Temperado, Livro 2, Prelúdio e Fuga No. 18 em sol sustenido menor, BWV 887
  1. Prelúdio
  2. Fuga
Cravo Bem Temperado, Livro 2, Prelúdio e Fuga No. 23 em si maior, BWV 892
  1. Prelúdio
  2. Fuga
Cravo Bem Temperado, Livro 2, Prelúdio e Fuga No. 24 em si menor, BWV 893
  1. Prelúdio
  2. Fuga

Piotr Anderszewski, piano

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Piotr Anderszewski takes a characteristically creative approach to Bach’s Das Wohltemperierte Klavier (The Well-tempered Clavier). Rather than recording all 48 of its prelude-and-fugue pairings, he has focused on 12 pairings from Book Two. “I decided to put the pieces together in a sequence of my own subjective choosing, based sometimes on key relationships, at other times on contrasts. The idea behind this specific order is to create a sense of drama that suggests a cycle: 12 characters conversing with one another, mirroring each other.” Anderszewski’s last Erato album of Bach prompted BBC Music MaIgazine to write: “For anyone who loves Bach (or the piano) … this life-enhancing disc is required listening.

Dizem que João Sebastião adorava terminar o dia de trabalho com uma reconfortante fatia de torta de maçã acompanhada de uma revigorante xícara de café. Aí, antes de dormir, uma boa dedilhada no cravo, experimentando uns prelúdios e fugas… Depois, cama! Bom, quanto ao número de filhos, bem…

Aproveite!

René Denon

J. S. Bach (1685-1750): Clavierfantasien (Staier)

J. S. Bach (1685-1750): Clavierfantasien (Staier)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Sem muito medo de errar, posso dizer que um dos principais campos de experimentação de meu pai eram suas composições para órgão e as Fantasias. Se vocês querem ouvir um Bach diferente, é aí que ele está. Aliás, o nome “fantasia” diz tudo, não? O termo foi aplicado pela primeira vez em música durante o século XVI, para se referir a uma ideia musical imaginativa e não a um gênero de composição específico. Desde o início, a fantasia teve o sentido de “invenção”, particularmente em composições para alaúde. Algumas composições do barroco trazem esse nome e reafirmam a ideia do gênero como uma obra livre, sem laços estreitos com as formas estabelecidas, como Fantasia Cromática e Fuga BWV 903 para cravo, aqui presente (faixa 8), Fantasia e Fuga em Sol menor BWV 542 e a Fantasia e Fuga em Dó menor BWV 537 para órgão. Este disco é uma joia. Staier está tão à vontade quando na foto abaixo. Um disco sensacional.

J. S. Bach (1685-1750): Clavierfantasien (Staier)

1 Fantasia In A Minor BWV 922 6:38
2 Fantasia And Fugue In A Minor BWV 904 8:56
3 Fantasia In C Minor BWV 921 3:10
4 Fantasia In C Minor BWV 919 1:28
5 Prelude And Fugue In A Minor BWV 894 9:37
6 Prelude And Fughetta In G BWV 902 9:20
7 Prelude Anf Fugue In F BWV 901 2:20
8 Chromatic Fantasia And Fugue In D Minor BWV 903 11:58
9 Fantasia “Duobus Subiectis” in G Minor BWV 917 2:12
10 Fantasia And Unfinished Fugue In C Minor BWV 906 7:02

Andreas Staier, cravo

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O sorriso de Staier ao adentrar o Museu Histórico Instrumental J.S. Bach da PQP Bach Corp.

PQP

J. S. Bach: As Seis Suítes para Violoncelo Solo + As Três Sonatas para Viola da Gamba e Cravo (W. Kuijken/ P. Kuijken)

J. S. Bach: As Seis Suítes para Violoncelo Solo + As Três Sonatas para Viola da Gamba e Cravo (W. Kuijken/ P. Kuijken)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Difícil imaginar uma versão das Suítes para Violoncelo melhor do que esta. O Olimpo é completado por Bruno Cocset e Paolo Pandolfo. Dia desses, liguei a TV e lá estava Yo-Yo Ma tocando as Suítes de Bach. Meu deus, que coisa mais sem graça! Não dá para comparar a interpretação de grandes celistas românticos e modernos — mas que são meros diletantes em Bach, como também era Rostropovich –, com a de caras que vivem e comem diariamente o barroco. Estes têm uma abordagem muito mais profunda, compreendem muito melhor o que pretendia Bach. Kuijken, nesta reedição da gravação feita em 2001-02, faz uma interpretação muito pessoal, relaxada e reflexiva dessas obras. Allemandes e sarabandes são especialmente calmas, embora os courantes e outros movimentos subsequentes mantenham seu espírito de dança.  Uma joia que merece ser ouvida.

J. S. Bach: As Seis Suítes para Violoncelo Solo + As Três Sonatas para Viola da Gamba e Cravo (W. Kuijken/ P. Kuijken)

CD1:
Suite No. 1 in G major, BWV 1007
1. 1. Prelude
2. 2. Allemande
3. 3. Courante
4. 4. Sarabande
5. 5. Menuet 1re – Menuet 2re
6. 6. Gigue

Suite No. 2 in D minor, BWV 1008
7. 1. Prelude
8. 2. Allemande
9. 3. Courante
10. 4. Sarabande
11. 5. Menuet 1re – Menuet 2re
12. 6. Gigue

Suite No. 3 in C major, BWV 1009
13. 1. Prelude
14. 2. Allemande
15. 3. Courante
16. 4. Sarabande
17. 5. Bouree 1re – Bouree 2de
18. 6. Gigue

CD2:
Suite No. 4 in E flat major, BWV 1010
1. 1. Preludium
2. 2. Allemande
3. 3. Courante
4. 4. Sarabande
5. 5. Bouree 1re – Bouree 2de
6. 6. Gigue

Suite No. 6 in D major, BWV 1012
7. 1. Prelude
8. 2. Allemande
9. 3. Courante
10. 4. Sarabande
11. 5. Gavotte 1re – Gavotte 2re
12. 6. Gigue

CD3:
Suite No. 5 in C minor “Discordable accord”, BWV 1011
1. 1. Prelude
2. 2. Allemande
3. 3. Courante
4. 4. Sarabande
5. 5. Gavotte 1re – Gavotte 2re
6. 6. Gigue

Sonata No. 1 in G major, BWV 1027
7. 1. Adagio
8. 2. Allegro ma non tanto
9. 3. Andante
10. 4. Allegro moderato

Sonata No. 2 in D major, BWV 1028
11. 1. Adagio
12. 2. Allegro
13. 3. Andante
14. 4. Allegro

Sonata No. 3 in G minor, BWV 1029
15. 1. Vivace
16. 2. Adagio
17. 3. Allegro

Wieland Kuijken, violoncelo, viola da gamba
Piet Kuijken, cravo

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Wieland Kuijken após bebedeira com PQP Bach, ou Bar.

PQP

J. S. Bach (1685-1750): Concertos para Oboé (Hommel / Cologne)

J. S. Bach (1685-1750): Concertos para Oboé (Hommel / Cologne)

Um bom disco de concertos originais, transcritos ou reconstruídos de Bach para oboé e orquestra. Bach certamente amava o som do oboé. São inúmeras as árias de Cantatas e outras obras vocais cujos temas são introduzidos pelo instrumento. Não chega a ser um abuso transcrever alguns de seus concertos para o instrumento. Christian Hommel não nega suas origens. Ele estudou oboé em Freiburg com Heinz Holliger e este parece ser mesmo seu modelo. Tem pedigree, portanto. Helmut Muller-Bruhl rege de uma maneira muito direta todos os cinco concertos. Ele fica na mesma linha Gardiner e Herreweghe: é genuinamente barroco do começo ao fim. O som claro e distinto, a execução boa e cheia de espírito bachiano me causaram uma boa dose de felicidade em meio a esta pandemia — a qual é tão apreciada por nosso governo.

J. S. Bach (1685-1750): Concertos para Oboé (Hommel/Cologne)

Concerto In A Major, BWV 1055, For Oboe D’amore, Strings And Basso Continuo (Reconstruction) (14:00)
1 Allegro 4:22
2 Larghetto 5:14
3 Allegro Ma Non Tanto 4:24

Concerto In G Minor, BWV 1056, For Oboe, Strings And Basso Continuo (Reconstruction) (9:26)
4 Allegro 3:10
5 Largo 2:48
6 Presto 3:29

Concerto In D Minor, BWV 1059, For Oboe, Strings And Basso Continuo (Reconstruction) (13:20)
7 Allegro 5:52
8 Adagio 4:10
9 Presto 3:18

Concerto In D Major, BWV 1053, For Oboe D’amore, Strings And Basso Continuo (Reconstruction) (18:34)
10 Allegro 7:54
11 Siciliano 4:15
12 Allegro 6:25

Concerto In C Minor, BWV 1060, For Oboe, Violin, Strings And Basso Continuo (Reconstructed) (12:52)
13 Allegro 4:40
14 Adagio 4:52
15 Allegro 3:20

Conductor – Helmut Müller-Brühl
Oboe, Oboe d’Amore – Christian Hommel
Orchestra – Cologne Chamber Orchestra*
Violin – Lisa Stewart

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Christian Hommel praticando na sala de espera da PQP Bach Corp. de Niterói (RJ). Após duas horas, ele conseguiu seu objetivo: o de beber uma cerveja com René Denon.

PQP

J. S. Bach (1685-1750): Partitas Nos. 1, 5 & 6 (Murray Perahia)

J. S. Bach (1685-1750): Partitas Nos. 1, 5 & 6 (Murray Perahia)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Um grande disco! Com seu estilo cerebral e discreto, Murray Perahia dá um banho de alta categoria musical. A notável qualidade do repertório o ajuda, é claro. Exatamente como outros dois outros grupos de suítes prévias, as Francesas e Inglesas, as Partitas seguem o esquema básico da suíte: “Allemande-Courante-Sarabanda-Giga”. Neste esqueleto — cada Partita é diferente da outra –, Bach introduz um movimento de abertura distinto que determina a caráter de cada uma. Ele também acrescenta algumas danças diferentes ao modelo básico. As 6 Partitas, BWV 825–830 foram publicadas entre 1726 e 1730, em Leipzig.

J. S. Bach (1685-1750): Partitas Nos. 1, 5 & 6 (Murray Perahia)

Partita No. 1 In B Flat Major, BWV 825
1 I. Praeludium 1:59
2 II. Allemande 3:07
3 III. Corrente 2:52
4 IV. Sarabande 5:02
5 V. Menuet I & II 3:17
6 VI. Gigue 2:08

Partita No. 5 In G Major, BWV 829
7 I. Praeambulum 2:15
8 II. Allemande 4:30
9 III. Corrente 1:43
10 IV. Sarabande 4:20
11 V. Tempo Di Minuetto 2:01
12 VI. Passepied 1:44
13 VII. Gigue 3:55

Partita No. 6 In E Minor, BWV 830
14 I. Toccata 8:07
15 II. Allemande 3:10
16 III. Corrente 4:24
17 IV. Air 1:32
18 V. Sarabande 5:33
19 VI. Tempo Di Gavotta 1:56
20 VII. Gigue 5:51

Murray Perahia, piano

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Murray Perahia na assim chamada “Stairway to Heaven” da sede novaiorquina da PQP Bach Corp.

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J.S. Bach (1685-1750): The Toccatas (Hewitt)

J.S. Bach (1685-1750): The Toccatas (Hewitt)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Nosso amigo FDP Bach me enviou um belo presente. Um pen drive. Dentro dele, apenas maravilhas. Está é a primeira delas. Nossa!, tenho especialíssima predileção pelas Toccatas de Bach e aqui as temos notavelmente interpretadas por Angela Hewitt, agora não mais em registro pirata mas em gloriosa gravação da Hyperion. Hewitt regravou tudo o que tinha feito de Bach. Antes utilizara um Steinway e agora usa um Fazioli. Muito melhor, segundo ela. Não discutiria depois de ouvir isto.

J.S. Bach (1685-1750): The Toccatas

1. Toccata for keyboard in C minor, BWV 911 (BC L142) (12:12)
2. Toccata for keyboard in G major, BWV 916 (BC L147) (7:27)
3. Toccata for keyboard in F sharp minor, BWV 910 (BC L146) (10:22)
4. Toccata for keyboard in E minor, BWV 914 (BC L145, 163) (6:49)
5. Toccata for keyboard in D minor, BWV 913 (BC L144) (11:41)
6. Toccata for keyboard in G minor, BWV 915 (BC L148) (9:00)
7. Toccata for keyboard in D major, BWV 912 (BC L143) (11:22)

Angela Hewitt, piano

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Daí, ó, eu gravo tudo de novo no piano Fazioli
Daí, ó, eu gravo tudo de novo no piano Fazioli

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Bach (1685–1750) – Variações Goldberg – Pavel Kolesnikov ֍

Bach (1685–1750) – Variações Goldberg – Pavel Kolesnikov ֍

 

BACH

VARIAÇÕES GOLDBERG

PAVEL KOLESNIKOV

 

 

Em março de 2012 o pianista Jeremy Denk escreveu um artigo intitulado ‘Porque Eu Odeio As Variações Goldberg’ – ‘Why I Hate The Goldberg Variations’.

Ele inicia o artigo dizendo que a melhor razão para odiar as Variações Goldberg – além da óbvia razão de todo o mundo perguntar o tempo todo qual das duas gravações do Glenn Gould você prefere – é que todo o mundo ama as variações. Eu muito me simpatizei com o Jeremy. Eu também tenho assim uma certa tendência a evitar, a enfastiar daquilo que todo o mundo ama, especialmente em música. Até hoje não vi ‘A Casa de Papel’…

E como ele observou, não há uma semana que passe sem que uma nova gravação das tais variações surja seguida de comentários e críticas. O próprio Jeremy Denk se rendeu e gravou a obra e naquele período produziu alguns conteúdos para a NPR – National Public Radio, o serviço público de rádio americano. No artigo de Denk, que você pode ler aqui, ele explica as razões pelas quais claramente a série de variações sobre a tal ária estão fadadas ao fracasso: 80 minutos de música essencialmente em sol maior! Teria sido este o desafio para o mestre maior da composição, fazer com que amemos algo impensável?

Eu mesmo já postei uma gravação feita pela Zhu Xiao-Mei, que fez outra gravação posteriormente. Angela Hewitt também gravou duas vezes as VG para a Hyperion, o mesmo selo da gravação desta postagem. Um famosíssimo pianista asiático (excelente pianista, mas talvez um pouco midiático) acaba de lançar uma… na verdade, duas gravações das Goldberg – uma feita em estúdio e outra feita ao vivo.

Assim, quando um pianista se senta para gravar mais uma interpretação destas multivariadas peças, precisa estar certo de ter algo a dizer, mas sem cair em truques de ser diferente apenas. E se o artista é jovem, o desafio é ainda maior.

Na minha opinião (e na de alguns críticos que consegui ler), Pavel Kolesnikov venceu todas as armadilhas e apresentou uma gravação que prima pela simplicidade, mas também com bastante personalidade.

O que me chamou a atenção de imediato foi o som do disco. O piano é moderno (ele escolheu um piano da Yamaha, está lá no livreto) mas produz um som macio, aveludado, que empresta uma boa dose de intimidade à música que, afinal, foi composta para embalar as horas insones de um conde. Basta dizer que a excelente produção estava a cargo de Andrew Keener, um bamba dos estúdios.

Outro fator que acredito tenha contribuído para o sucesso desta beleza de disco está na maneira como Pavel incorporou a peça a seu repertório. Ele teria se esquivado da música de Bach até ser convidado a colaborar com a coreógrafa e dançarina Anne Theresa De Keersmaeker num projeto que usa as Variações Goldberg. O resultado desta colaboração (de 2018) resultou em uma série de espetáculos nos quais Anne Theresa dançava enquanto Pavel tocava ao vivo as Goldberg. Creio que esta aproximação com a dança certamente acrescentou uma outra dimensão à preparação deste disco e sugiro a você imediata investigação. Ouça a Variação 26, logo depois da Pérola Negra. Veja como o intérprete inicia sutilmente e como as duas vozes, a mais alta primeiro e logo depois a mais grave se perseguem e se buscam até o final. Eu gostei muito. Ouça e depois diga lá se o meu entusiasmo todo se justifica. Não deixe de ouvir também as Variações 11, 14, 16 e 23….

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Variações Goldberg

Pavel Kolesnikov, piano

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FLAC | 274 MB

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MP3 | 320 KBPS | 134 MB

 

Alguns recortes das críticas do disco:

Kolesnikov’s Goldbergs are softly spoken, but they are also extraordinarily eloquent.

Produced by Andrew Keener, I regard this Hyperion issue as significant—with a strong claim equally on the dedicated Goldberg collector and the listener feeling his/her way through this monumental masterpiece.

… but my new favourite arrived this week from pianist Pavel Kolesnikov … in some ways I think it’s the antithesis of Lang Lang’s Goldbergs—a different kind of introspection, a natural rather than forced intimacy, ornamentation that’s delicately applied and feels organic, and a hushed, gentle pianism that draws you effortlessly inside the music and Bach’s imagination …

Aproveite!
René Denon

Veja também:

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Variações Goldberg

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Cantatas BWV 82 – 49 – 58 (Kuijken / La Petite Bande)

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Cantatas BWV 82 – 49 – 58 (Kuijken / La Petite Bande)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Três notáveis Cantatas de Bach extraordinariamente bem interpretadas por Sigiswald Kuijken, seu grupo La Petite Bande e um time de cantores lotado de supercraques. Não tinha como dar errado e não deu. Claro que a Cantata BWV 82 é superior às outras duas — alguns diriam que ela é superior a todas às outras, opinião da qual discordo –, mas a 82 é uma indiscutível obra-prima que foi um pouco mais esmiuçada aqui.

Com base nos resultados das pesquisas de Joshua Rifkin e Andrew Parrott sobre a execução autêntica das Missas, Cantatas e Paixões de Bach, Sigiswald Kuijken limita a parte vocal a um quarteto vocal solo — que o próprio Bach às vezes estendia a oito cantores — em vez de um coro. Ele também reduziu o número de instrumentistas executando cada cantata. Sigiswald Kuijken adotou essa abordagem em suas gravações para a Accent Records (este é um CD desta coleção) em uma série de 19 CDs intitulada Cantatas of J. S.  Bach, que foi gravada entre 2004 e 2012.

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Cantatas BWV  82 – 49 – 58 (Kuijken / La Petite Bande)

Kantate BWV 82 “Ich Habe Genug”
1 Aria: “Ich Habe Genug” 7:42
2 Recitativo: “Ich Habe Genug” 1:12
3 Aria: “Schlummert Ein, Ihr Matten Augen” 9:31
4 Recitative: “Meine Gott” 0:51
5 Aria: “Ich Freue Mich Auf Meinem Gott” 3:38

Kantate BWV 49 “Ich Geh’ Und Suche Mit Verlangen”
6 Sinfonia 6:42
7 Aria: “Ich Geh’ Und Suche Mit Verlangen” 4:58
8 Recitativo: “Mein Mahl Ist Zubereitet” 2:08
9 Aria: “Ich Bin Herrlich, Ich Bin Schön” 5:18
10 Recitativo: “Mein Glaube Hat Mich Selbst..” 1:29
11 Duetto: “Dich Hab Ich Je Und Je Geliebet” 5:02

Kantate BWV 58 “Ach Gott, Wie Manches Herzeleid”
12 “Ach Gott Wie Manches Herzelied” 3:44
13 Recitativo: “Verfolgt Dich Gleich Die Arge Welt” 1:23
14 Aria: “Ich Bin Wergnügt In Meinem Leiden” 4:19
15 Recitativo: “Kann Es Die Welt Nicht Lassen” 1:24
16 Aria: “Nur Getrost, Getrost Ihr Herzen” 2:18

Bass Vocals – Klaus Mertens
Soprano Vocals – Nancy Argenta
Cello, Violoncello Piccolo – Hidemi Suzuki
Oboe,  Oboe d’Amore – Marcel Ponseele
Organ – Pierre Hantaï
Ensemble – La Petite Bande
Violin – Sigiswald Kuijken
Regência – Sigiswald Kuijken

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J. S. Bach / Hoyoul / Hellingk / Lechner / Sweelinck / Selle / Schein / Schütz / Bernhardt / Förtsch / Graupner / Stölzel: Deutsche Barock Kantaten (VIII) (Ricercar Consort) [2CD]

J. S. Bach / Hoyoul / Hellingk / Lechner / Sweelinck / Selle / Schein / Schütz / Bernhardt / Förtsch / Graupner / Stölzel: Deutsche Barock Kantaten (VIII) (Ricercar Consort) [2CD]

Um bonito CD duplo de Cantatas barrocas belamente interpretadas por excelentes cantores e orquestra historicamente informada. É claro que tudo sobe muito de nível quando passamos por Bach — que abre e fecha a função –, e também por Sweelinck e Schütz. É natural. Mas aqui ninguém decepciona. A coisa satisfaz plenamente quem ama o barroco, caso deste que vos escreve.

Gênero foi muito explorado  no período barroco, a Cantata (do italiano “cantata”, do verbo “cantare”) é um tipo de composição vocal, para uma ou mais vozes, com acompanhamento instrumental, às vezes com coro, de inspiração religiosa ou profana, contendo normalmente mais de um movimento e cujo texto descreve um fato dramático ou uma situação psicológica. Na Alemanha, a Kantate era basicamente um gênero sacro. Foi a mistura de textos bíblicos e poéticos o que caracterizou o formato da cantata alemã. As de Bach são atípicas em qualidade e diversidade. Depois e mesmo na época do mestre, nas mãos de compositores menores, o gênero foi se tornando cada vez mais padronizado, deixando as Cantatas fora de moda e fossilizadas.

J. S. Bach / Hoyoul / Hellingk / Lechner / Sweelinck / Selle / Schein / Schütz / Bernhardt / Förtsch / Graupner / Stölzel: Deutsche Barock Kantaten (VIII) (Ricercar Consort) [2CD]

CD1
Aus Tiefer Not Schrei Ich Zu Dir (BWV 38)
Composed By – Johann Sebastian Bach
(16:27)
1-1 Coro: “Aus Tiefer Not…” 4:23
1-2 Recitativo: “In Jesu Gnade…” 0:47
1-3 Aria: “Ich Höre Mitten In Dem Leiden…” 7:47
1-4 Recitativo: “Ach, Dass Mein Glaube…” 1:30
1-5 Aria (Terzetto): “Wenn Mein Trübsal…” 3:36
1-6 Choral: “Ob Bei Uns Ist Der Sünden…” 1:24

1-7 Aus Tiefer Not
Composed By – Balduin Hoyoul
2:18

1-8 Aus Tiefer Not
Composed By – Lupus Hellingk*
1:52

1-9 Aus Tiefer Not
Composed By – Leonhard Lechner
2:30

1-10 De Profundis
Composed By – Jan Pieterszoon Sweelinck
5:25

1-11 Aus Der Tiefe
Composed By – Thomas Selle
5:12
1-12 Aus Der Tiefe
Composed By – Thomas Selle
3:04

1-13 Ich Ruf Zu Dir
Composed By – Johann-Hermann Schein*
2:56
1-14 Aus Tiefer Not
Composed By – Johann-Hermann Schein*
2:50

1-15 Aus Tiefer Not
Composed By – Heinrich Schütz
2:39
1-16 Ich Ruf Zu Dir
Composed By – Heinrich Schütz
2:55
1-17 Aus Der Tiefe Ruch Ich
Composed By – Heinrich Schütz
3:59

1-18 Aus Der Tiefe
Composed By – Christoph Bernhardt*
7:19

1-19 Aus Der Tiefe
Composed By – Johann Philipp Förtsch
8:05

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CD2
Aus Der Tiefe Rufen Wir
Composed By – Christoph Graupner
(13:51)
2-1 Coro: “Aus Der Tiefe…” 4:40
2-2 Recitativo Accompagnato: “Wenn Aber Kommt Einmal…” 4:32
2-3 Coro: “Brunnquell Der Gnaden…” 4:39

Aus Der Tiefe Rufe Ich
Composed By – Gottfried Heinrich Stölzel
(15:00)
2-4 Aria: “Aus Der Tiefe…” 3:04
2-5 Recitativo: “Aus Tiefer Not…” 1:53
2-6 Aria: “Meine Hände Ringen Sich…” 4:34
2-7 Recitativo: “Jedennoch Bleib Ich…” 1:09
2-8 Aria Da Capo: “Aus Der Tiefe…” 4:20

Aus Der Tiefe Rufe Ich (BWV 131) (22:32)
Composed By – Johann Sebastian Bach
2-9 Coro: “Aus Der Tiefe Rufe Ich, Herr, Zu Dir…” 4:42
2-10 Aria & Choral: “So Du Willst Herr…” “Erbarm Dich Mein…” 4:41
2-11 Coro: “Ich Harre Des Herrn” 3:49
2-12 Aria & Choral: “Meine Seele Wartet…” “Und Weil Ich Denn…” 5:18
2-13 Coro: “Israel Hoffe Auf Den Herrn…” 4:02

BAIXE O CD2 AQUI — DOWNLOAD CD2 HERE

Greta De Reyghere, Katelijne van Laethem, Marie-Noelle de Callatay, sopranos
James Bowman, countertenor
Guy De Mey, tenor
Max van Egmond, bass

Capella Sancti Michaelis
Ricercar Consort

Disputa do Sacramento (Rafael, 1509-19)

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J. S. Bach (1685 – 1750): Suítes Orquestrais para um Jovem Príncipe – Ensemble Sonnerie & Monica Huggett ∞

J. S. Bach (1685 – 1750): Suítes Orquestrais para um Jovem Príncipe – Ensemble Sonnerie & Monica Huggett ∞

Bach

Suítes Orquestrais

Gonzalo X. Ruiz, oboé

Ensemble Sonnerie

Monica Huggett

A música de Bach sempre é bem-vinda aqui, mas esta gravação das Suítes Orquestrais com o apelativo título ‘Suítes Orquestrais para um Jovem Príncipe’ nos oferece algumas novidades.

Temos as conhecidas quatro suítes que Bach compôs quando estava a serviço do Príncipe Leopold of Anhalt-Köthen, o tal jovem príncipe do título, mas três delas em suas versões ‘originais’ – as suítes de Nos. 2, 3 e 4.

Essas reconstruções buscam apresentar o que teria sido as primeiras versões destas peças. Não se preocupe muito, a música está toda aí e com a interpretação excelente da Monica Huggett e o Ensemble Sonnerie, com toda a sua grandeza preservada, especialmente se levarmos em conta a excelente produção da Avie.

Na Segunda Suíte, sai a flauta e entra um oboé. Inicialmente acreditava-se que o instrumento original (que não seria uma flauta) tenha sido um violino. No entanto, o oboísta Gonzalo X. Ruiz argumentou teoricamente e depois mostrou na prática que o oboé é o tal instrumento com destaque na primeira versão.

Nas duas últimas suítes as principais mudanças são a eliminação dos tímpanos e dos trompetes cujas partes foram acrescentadas posteriormente por Carl Philippe Emanuel na Terceira e por Johann Sebastian, para uso na Cantata BWV 110, na Quarta Suíte. Essas modificações não roubaram da música seu caráter festivo pois que foram aqui substituídas por instrumentos de cordas e oboés.

Temos assim uma reconstrução das Suítes como o Príncipe as deve ter ouvido. Se você baixar os arquivos e não se der conta de que é uma ‘reconstrução’ das Suítes, poderá se sentir como o alemão que comprou o disco da Amazon e se disse enganado, uma vez que a música não se apresenta conforme a intenção do Herr Bach. Cadê a flauta e os tímpanos e os trompetes que estavam aqui??? Mas se você gosta de música e tem a mente um pouco mais arejada, vai gostar muito, especialmente porque a Monica e a Sua Turma farão as Suítes dançarem para você!

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Suíte No 1 em dó maior, BWV1066

  1. Ouverture
  2. Courante
  3. Gavottes I & II
  4. Forlane
  5. Menuettes I & II
  6. Bourrées I & II & Passepieds I & II

Suíte No 2 em si menor, BWV1067

  1. Ouverture
  2. Rondeau
  3. Sarabande
  4. Bourrées I & II
  5. Polonaise
  6. Menuet & Badinerie

Suíte No 3 em ré maior, BWV1068

  1. Ouverture
  2. Air
  3. Gavotte
  4. Bourrée & Gigue

Suíte No 4 em ré maior, BWV1069

  1. Ouverture
  2. Bourrées I & II
  3. Gavotte
  4. Menuette I & II
  5. Réjouissance

Gonzalo X. Ruiz, oboé solo na Segunda Suíte

Ensemble Sonnerie

Monica Huggett

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FLAC | 427 MB

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MP3 | 320 KBPS | 171 MB

Como disse outro ilustre crítico amador: The Ensemble Sonnerie, under Ms Huggett seems to play a much livelier set of suites than I have been used to. So far, it seems to be the way it should be played. and I actually love their performance.

Me too! Especialmente a Quarta Suíte!

Aproveite!

René Denon

Depois que a música termina, eles sempre deixam tudo na maior bagunça!!

Não deixe de ouvir também:

J. S. Bach (1685-1750) – Suítes Orquestrais – Concerto Italiano & Rinaldo Alessandrini

J. S. Bach (1685-1750): As Quatro Suítes Orquestrais

C P E Bach (1714 – 1788) • J S Bach (1685 – 1750) • G P Telemann (1681 – 1767) – Concertos para Oboé ∾ Ramón Ortega Quero & Kammerakademie Potsdam ∞

C P E Bach (1714 – 1788) • J S Bach (1685 – 1750) • G P Telemann (1681 – 1767) – Concertos para Oboé ∾ Ramón Ortega Quero & Kammerakademie Potsdam  ∞

C P E & J S Bach

G P Telemann

Concertos para Oboé

Ramón Ortega Quero

Kammerakademie Potsdam

 

Alguns filhos de famosos relutam seguir a carreira dos pais por diversas razões e certamente o peso da comparação está entre elas. No caso de Carl Philippe Emanuel, além do pai, também o padrinho era famoso. Talvez até mais famoso. No entanto, Emanuel era um Bach e naqueles dias, Bach e músico era quase a mesma coisa.

O florescimento da carreira de Emanuel ocorreu quando o ambiente cultural em que eles viviam fazia assim uma revisão do gosto musical, com o estilo barroco que se desenvolvera por gerações chegando a um ápice e com sua arte extremamente requintada da qual seu pai e seu padrinho eram assim dois grandes representantes começava a dar lugar a uma música menos estudada e mais leve, o estilo galante que abriria caminho para o classicismo. A contribuição de Emanuel para este estilo foi enorme e quando Mozart reverenciava um certo Bach em sua famosa frase, era a Emanuel a quem ele se referia.

Neste disco onde a Kammerakademie Potsdam tem importante papel, tendo como solista o oboísta Ramón Ortega Quero, temos quatro concertos dos três compositores – pai, filho e padrinho.

Mesmo que alguns deles não tenham sido compostos originalmente para o oboé, as adaptações fazem jus à maravilhosa música dessa época e é bem representativa da arte destes geniais compositores, que assim conviveram num período de transição artística.

O disco abre com o concerto do mais jovem compositor, escrito originalmente para flauta e arranjado para oboé pelo excelente solista. Aliás, Ramón tem desempenhado o papel de principal oboé de várias importantes orquestras, sendo mais recentemente indicado para assumir está posição na Symphonieorchester des Bayerischen Rundfunks. Veja uma entrevista sua aqui.

Em seguida, o Concerto em lá menor, BWV 1041, de Johann Sebastian Bach, aqui tendo o oboé no lugar do violino.

O Concerto de Telemann é o único em quatro movimentos e inicia com um lindo movimento mais lento – Siciliano.

Para terminar, o Concerto em sol menor, BWV 1056 de Bach, que tem o movimento lento mais lindo de todos. Confira!

Carl Philipp Emanuel Bach (1714 – 1788)

Concerto para flauta em ré menor, Wq. 22, H. 425 (arranjo para Oboé, cordas e cravo por R. O. Quero)

  1. [Allegro]
  2. [Andante]
  3. Allegro assai

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Concerto para violino em lá menor, BWV1041

  1. [Allegro moderato]
  2. Andante
  3. Allegro assai

Georg Philipp Telemann (1681 – 1767)

Concerto em lá maior para oboé d’amore, cordas e baixo contínuo, TWV 51:A2

  1. Siciliano
  2. Allegro
  3. Largo
  4. Vivace

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Concerto para oboé em sol menor, BWV1056

  1. [Allegro]
  2. Largo
  3. Presto

Ramón Ortega Quero (oboe)

Kammerakademie Potsdam

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FLAC | 292 MB

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MP3 | 320 KBPS | 134 MB

This is Ramón Ortega Quero’s debut Genuin CD and is part of the Movimentos edition. He won the ARD Music Competition and is solo oboist in the BR-Symphonieorchester.

Well supported here by the highly versatile Kammerakademie Potsdam.

Aproveite!

René Denon

Mais concertos para oboé aqui:

Albinoni (1671-1751) & Telemann (1681-1767): Oboe Concertos – Han de Vries

 

Bach (1685 – 1750) ∾ Invenções e Sinfonias ∾ Zhu Xiao-Mei ֍

Bach (1685 – 1750) ∾ Invenções e Sinfonias ∾ Zhu Xiao-Mei ֍

Bach

Inveções e Sinfonias

Zhu Xiao-Mei, piano

朱 晓玫

 

Digamos que você tenha acordado com uma insaciável vontade de ouvir Bach – música para teclado – piano em geral é o meu caso. Você corre os olhos pela prateleira onde normalmente coloca os CDs com esse tipo de música ou dá aquela blitz pela pasta de arquivos digitais com o nome Bach-Klavier e só encontra coleções enormes: O Cravo Bem Temperado, as Partitas, as Suítes Francesas e Inglesas. Até aquela gravação de A Arte da Fuga tão almejada e que você ainda não encontrou tempo para ouvir.

Mas, acalme-se, trago aqui a solução para o problema. Uma coleção de peças para teclado do Bach Maior, mas que não lhe tomará o dia todo para ouvir: as Invenções (Sinfonias a Duas Vozes) e as Sinfonias (a Três Vozes).

E vos digo mais, gravadas por uma maravilhosa pianista – Zhu Xiao-Mei. As peças foram escritas por Bach para servirem de exercícios para o aprendizado do teclado, mas reúnem tanta beleza dentro de sua simplicidade que se tornaram obras primas.

Zhu Xiao-Mei é realmente uma pessoa muito especial. Suas enormes experiências de vida, algumas verdadeiramente difíceis, certamente contribuíram, assim como seu enorme talento, a forjar uma pianista muito especial e que tem pela música de Bach uma grande afinidade. Assim, é com muito prazer que faço esta postagem e espero que os leitores-seguidores do blog tenha a oportunidade de apreciar suas interpretações tanto quanto eu.

Não resisto a traduzir um pedacinho da abertura do livro autobiográfico que Xiao-Mei relutantemente escreveu, o qual já tenho lido uma parte. Ela inicia contando como sua avó contava uma história sobre o dia de seu nascimento. ‘Na tarde em que você nasceu, eu olhei para o céu sobre Xangai. O sol ia se pondo por entre as nuvens. Eu jamais havia visto tão lindo por do sol. Eu me lembro de ter pensado que a sua vida seria como uma grande e resplandecente tapeçaria, assim como aquela paleta de tons vermelhos. Eu tinha certeza disso’. Não é maravilhoso poder ouvir uma história como esta?

Portanto, sem mais delongas, baixe o disco e deleite-se! Este é verdadeiramente ‘papa-fina’.

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Invenções a Duas Partes Nos. 1-15, BWV772-786

  1. Invenção No. 1 em dó maior, BWV 772
  2. Invenção No. 2 em dó menor, BWV 773
  3. Invenção No. 3 em ré maior, BWV 774
  4. Invenção No. 4 em ré menor, BWV 775
  5. Invenção No. 5 em mi bemol maior, BWV 776
  6. Invenção No. 6 em mi maior, BWV 777
  7. Invenção No. 7 em mi menor, BWV 778
  8. Invenção No. 8 em fá maior, BWV 779
  9. Invenção No. 9 em fá menor, BWV 780
  10. Invenção No. 10 em sol maior, BWV 781
  11. Invenção No. 11 em sol menor, BWV 782
  12. Invenção No. 12 em lá maior, BWV 783
  13. Invenção No. 13 em lá menor, BWV 784
  14. Invenção No. 14 em si bemol maior, BWV 785
  15. Invenção No. 15 em si menor, BWV 786

Invenções a Três Partes (Sinfonias) Nos. 1-15, BWV787-801

  1. Sinfonia No. 1 em dó maior, BWV 787
  2. Sinfonia No. 2 em dó menor, BWV 788
  3. Sinfonia No. 3 em ré maior, BWV 789
  4. Sinfonia No. 4 em ré menor, BWV 790
  5. Sinfonia No. 5 em mi bemol maior, BWV 791
  6. Sinfonia No. 6 em mi maior, BWV 792
  7. Sinfonia No. 7 em mi menor, BWV 793
  8. Sinfonia No. 8 em fá maior, BWV 794
  9. Sinfonia No. 9 em fá menor, BWV 795
  10. Sinfonia No. 10 em sol maior, BWV 796
  11. Sinfonia No. 11 em sol menor, BWV 797
  12. Sinfonia No. 12 em lá maior, BWV 798
  13. Sinfonia No. 13 em lá menor, BWV 799
  14. Sinfonia No. 14 em si bemol maior, BWV 800
  15. Sinfonia No. 15 em si menor, BWV 801

Zhu Xiao-Mei, piano

Recorded: July 2015

Recording Venue: Mendelssohn-Saal, Gewandhaus, Leipzig, Germany

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FLAC | 185 MB

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MP3 | 320 KBPS | 111 MB

Momento Babel:

Zhu Xiao-Mei sings the sinfonias with her finger tips. When I want to have peaceful blissful moment in the evening, this fills the bill.

Alberic Lagier of Musikzen (01/2016) has the following interesting comment about Zhu Xiao-Mei’s interpretation of the Inventions and Sinfonias of Bach: « It is not music to be taken on a desert island, it is rather the music that will take you there ».

si vous avez aimé les variations Goldberg, vous allez adorer ces inventions, la même fluidité, ce même refus du cliquant ou de l’ épate, juste de la musique par une merveilleuse artiste qui, loin des “effets” et pourtant sans austérité aucune, nous offre un pur moment de plaisir.

“Johann Sebastian Bach’s Inventions and Sinfonias become real musical pearls in Zhu Xiao Meis incomparably refined playing, peppered by a totally respectful imagination and creativity. Enchanting!”  Pizzicato

She follows Bach’s instructions to perform in a “cantabile” style, the melodic lines always emerging with crystalline clarity over the counterpoint. — New York Times

“Zhu Xiao-Mei turns her attention to these smaller-scale pieces, finding the drama in each miniature and rendering the set with myriad nuances.” Arts Beat, The New York Times

この曲集こそ「ミクロコスモス」、まさに小宇宙であることを気付かせてくれました。

各曲・各声部が、その歌を自然に歌っています。鍵盤楽器の技術教本ではなく、歌の宝石箱。(Essa coleção de músicas me fez perceber que “Microcosmos” é realmente um microcosmo. Cada música e cada voz canta a música naturalmente. Uma caixa de joias para canções, não um livro técnico para instrumentos de teclado.)

Nas muitas críticas feitas por amadores e profissionais sobre este álbum, recorrentemente ouvimos palavras como fluidez, ‘cantabile’, e também, prazer, encantamento, que bem descrevem as interpretações. Mas a citação que eu mais gostei foi a que listei por último, escrita em japonês. Uma excelente maneira de explicar o disco.

Aproveite!
René Denon

Bach (1685-1750): Variações Goldberg – Zhu Xiao-Mei

Beethoven (1770-1827) & Schubert (1797-1828) – Últimas Sonatas para Piano – Zhu Xiao-Mei #BTHVN250

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Invenções / Sinfonias / Suíte Francesa Nº 5 – Till Fellner, piano

J. S. Bach (1685-1750): A Paixão Segundo Mateus, BWV 244 (Jacobs / AAM)

J. S. Bach (1685-1750): A Paixão Segundo Mateus, BWV 244 (Jacobs / AAM)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

A Paixão Segundo Mateus, de Bach, vai como uma Cantatona da mais alta qualidade até a ária Erbarme dich, quando a coisa se torna cósmica, inatingível, original, profunda. É como se a Erbarme fosse um portal para uma dimensão pisciana, em que estivéssemos submersos, ocupados não somente com o que acontece em nosso plano, mas também com o que há acima e embaixo. Isto pra quem crê que estamos no meio.

Então, esqueça o comércio, mande às favas os parentes e os presentes. Muito melhor do que sair fazendo compras neste dia 23 é ouvir esta estupenda versão da Paixão Segundo Mateus a cargo de um supertime: René Jacobs mais a Akademie für Alte Musik Berlin e solistas.

A Paixão Segundo Mateus BWV 244 (em latim: Passio Domini nostri Jesu Christi secundum Evangelistam Matthaeum; em alemão: Matthäus-Passion), mais conhecida em países católicos como A Paixão segundo Mateus, é um oratório de Johann Sebastian Bach, que representa o sofrimento e a morte de Cristo segundo o Evangelho de Mateus, com libreto de Picander (Christian Friedrich Henrici). Com uma duração de mais de duas horas e meia (em algumas interpretações, mais de três horas) é a obra mais extensa do compositor. Trata-se, sem dúvida alguma, de uma das obras mais importantes de Bach e uma das obras-primas da música ocidental. Esta e A Paixão segundo João são as únicas Paixões autênticas do compositor conservadas em sua totalidade. A Paixão Segundo Mateus consta de duas grandes partes constituídas de 68 números, em que se alternam coros, corais, recitativos, ariosos e árias.

A obra foi escrita, provavelmente, em 1727 e foi apresentada pela primeira vez na Sexta-feira da Paixão de 1727 ou na Sexta-feira da Paixão de 1729 na Thomaskirche (Igreja de São Tomás) em Leipzig, onde Bach era o Kantor. Ele a revisou em 1736, apresentando-a novamente em março desse mesmo ano, incluindo dessa vez dois órgãos na instrumentação.

Paixão Segundo Mateus não foi ouvida fora de Leipzig até 1829, quando Felix Mendelssohn apresentou uma versão abreviada em Berlim e foi vivamente aclamado. A redescoberta da Paixão Segundo Mateus através de Mendelssohn expôs a música de Bach — principalmente suas grandes obras — a uma atenção pública que persiste até hoje.

OK, há as duas versões de Gardiner (aqui e aqui), mas este registro está ali juntinho de ambas em qualidade. São as campeãs. Fantástico! Grande Jacobs!

J. S. Bach (1685-1750): A Paixão Segundo Mateus, BWV 244

Disk: 1
1. Chor: Kommt, Ihr Töchter, Helft Mir Klagen (1. Teil)
2. Rezitativ: Da Jesus Diese Rede Vollendet Hatte
3. Choral: Herzliebster Jesu, Was Hast Du Verbrochen
4. Rezitativ: Da Versammelten Sich Die Hohepriester – Chor: Ja Nicht Auf Das Fest – Rezitativ: Da Nun Jesus
5. Rezitativ: Du Lieber Heiland Du
6. Arie: Buß’ Und Reu’
7. Rezitativ: Da Ging Hin Der Zwölfen Einer
8. Arie: Blute Nur, Du Liebes Herz
9. Rezitativ: Aber Am Ersten Tage Der Süßen Brot – Chor: Wo Willst Du, Daß Wir Dir Bereiten Das Osterlamm Zu Essen?
10. Choral: Ich Bins, Ich Sollte Büßen
11. Rezitativ: Er Antwortete Und Sprach
12. Rezitativ: Wiewohl Mein Herz In Tränen Schwimmt
13. Arie: Ich Will Dir Mein Herze Schenken
14. Rezitativ: Und Da Sie Den Lobgesang Gesprochen Hatten
15. Choral: Erkenne Mich, Mein Hüter
16. Rezitativ: Petrus Aber Antwortete Und Sprach Zu Ihm
17. Choral: Ich Will Hier Bei Dir Stehen
18. Rezitativ: Da Kam Jesus Mit Ihnen Zu Einem Hofe
19. Rezitativ: O Schmerz! Hier Zittert Das Gequälte Herz
20. Arie: Ich Will Bei Meinem Jesu Wachen
21. Rezitativ: Und Ging Hin Ein Wenig
22. Rezitativ: Der Heiland Fällt Vor Seinem Vater Nieder
23. Arie: Gerne Will Ich Mich Bequemen
24. Rezitativ: Und Er Kam Zu Seinen Jüngern
25. Choral: Was Mein Gott Will, Das G’scheh’ Allzeit
26. Rezitativ: Und Er Kam Und Fand Sie Aber Schlafend
27. Arie: So Ist Mein Jesus Nun Gefangen – Chor: Sind Blitze Und Donner In Wolken Verschwunden
28. Rezitativ: Und Siehe, Einer Aus Denen
29. Choral: O Mensch, Bewein’ Dein’ Sünde Groß
30. Arie: Ach, Nun Ist Mein Jesus Hin! (2. Teil)
31. Rezitativ: Die Aber Jesum Gegriffen Hatten
32. Choral: Mit Hat Die Welt Trüglich Gericht’t
33. Rezitativ: Und Wiewohl Viel Falsche Zeugen Herzutraten
34. Rezitativ: Mein Jesus Schweigt Zu Falschen Lügen Stille
35. Arie: Geduld! Wenn Mich Falsche Zungen Stechen
36. Rezitativ: Und Der Hohepriester Antwortete – Chor: Er Ist Des Todes Schuldig
37. Choral: Wer Hat Dich So Geschlagen

Disk: 2
1. Rezitativ: Petrus Aber Saß Draußen Im Palast
2. Chor: Wahrlich, Du Bist Auch Einer Von Denen
3. Arie: Erbarme Dich, Mein Gott
4. Choral: Bin Ich Gleich Von Dir Gewichen
5. Rezitativ: Des Morgens Aber Hielten Alle Hohepriester – Chor: Was Gehet Uns Das An
6. Rezitativ: Sie Hielten Aber Einen Rat
7. Choral: Befiehl Du Deine Wege
8. Auf Das Fest Aber Hatte Der Landpfleger Gewohnheit – Chor: Laß Ihn Kreuzigen
9. Choral: Wie Wunderbarlich Ist Doch Diese Strafe!
10. Rezitativ: Der Landpfleger Sagte
11. Rezitativ: Er Hat Uns Allen Wohlgetan
12. Arie: Aus Liebe Will Mein Heiland Sterben!
13. Rezitativ: Sie Schrieen Aber Noch Mehr – Chor: Laß Ihn Kreuzigen – Rezitativ: Da Aber Pilatus Sahe
14. Rezitativ: Erbarm’ Es Gott!
15. Arie: Können Tränen Meiner Wangen
16. Rezitativ: Da Nahmen Die Kriegsknechte – Chor: Gegrüßet Seist Du, Judenkönig – Rezitativ: Und Speieten Ihn An
17. Choral: O Haupt Voll Blut Und Wunden
18. Rezitativ: Und Da Sie Ihn Verspottet Hatten
19. Rezitativ: Ja! Freilich Will In Uns Das Fleisch Und Blut
20. Arie: Komm, Süßes Kreuz, So Will Ich Sagen
21. Rezitativ: Und Da Sie An Die Stätte Kamen – Chor: Der Du Den Tempel Gottes Zerbrichst – Rezitativ: Desgleichen Auch Die
22. Rezitativ: Ach Golgatha
23. Arie: Sehet, Jesus Hat Die Hand
24. Und Von Der Sechsten Stunde An – Chor: Der Rufet Den Elias – Und Bald Lief Einer Unter Ihnen – Chor: Halt! Laß Sehen
25. Choral: Wenn Ich Einmal Soll Scheiden
26. Rezitativ: Und Siehe Da, Der Vorhang Im Tempel Zerriß
27. Rezitativ: Am Abend, Da Es Kühle War
28. Arie: Mache Dich, Mein Herze, Rein
29. Rezitativ: Und Joseph Nahm Den Leib – Chor: Herr, Wir Haben Gedacht – Rezitativ: Pilatus Sprach Zu Ihnen
30. Rezitativ: Nun Ist Der Herr Zur Ruh’ Gebracht
31. Chor 1 Und 2: Wir Setzen Uns Mit Tränen Nieder

Extra:
32. Rezitativ: Ja! Freilich Will In Uns
33. Arie: Komm, Süßes Kreuz

Sunhae Im
Bernarda Fink
Werner Güra
Topi Lehtipuu
Johannes Weisser
Konstantin Wolff

RIAS Kammerchor
Akademie für Alte Musik Berlin
René Jacobs

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O belga René Jacobs: sai de baixo!
O belga René Jacobs.

PQP

Bach (1685 – 1750) · ∞ · A Arte da Fuga (Arranjo para Orquestra de Fritz Stiedry) · ∞ · Radio-Symphonie-Orchester Berlin · ֎ · Hans Zender · ֍ ·

Bach (1685 – 1750) · ∞ · A Arte da Fuga (Arranjo para Orquestra de Fritz Stiedry) · ∞ · Radio-Symphonie-Orchester Berlin · ֎ · Hans Zender · ֍ ·

Bach – Stiedry

A Arte da Fuga

Radio-Symphonie-Orchester Berlin

Hans Zender

 

Esta é a primeira de pelo menos duas postagens que farei envolvendo o nome Hans Zender. Se chover reclamações, farei ainda mais…  Johannes “Hans” Wolfgang Zender foi um compositor e maestro alemão que morreu em 22 de outubro de 2019. No momento em que escrevo a postagem falta dez dias para completar um ano de sua morte. Como em nossas quase seis mil e quinhentas postagens o nome Hans Zender aparece só uma vez, como regente em um disco com músicas de Morton Feldman, em 2008 – postagem esta cujos links e arquivos se encontram already no grande oblivium, espero assim poder chamar a atenção de nossos leitores-seguidores para ele, trazendo outros de seus trabalhos.

Hans Zender

Hans Zender subiu a ladeira dos empregos musicais na Alemanha, passando por casas de óperas e trabalhando muito com as orquestras das rádios, um pouco assim como Michael Gielen. Com orquestras como SWR Sinfonieorchester Baden-Baden und Freiburg, Rundfunk-Sinfonieorchester Saarbrucken e Radio-Symphonie-Orchester Berlin, deixou registros de obras de compositores seus contemporâneos, como Boulez, Rhim, Morton Feldman, e compositores anteriores como Mozart, Schubert e Mahler.

Aqui temos uma gravação que pode parecer um pouco antiquada, mas merece ser ouvida. Do ano de 1985, mostra como foi cuidadoso e reverente o trabalho de Zander. A peça é uma obra máxima, Die Kunst der Fuge – A Arte da Fuga – de Bach, um ótimo desafio para os intérpretes, já que Bach não deixou muitas instruções de como a obra deveria ser executada. Aqui temos um arranjo, uma distribuição do material musical para os diferentes instrumentos da orquestra, feito por Fritz Stiedry, que também foi ótimo regente além de arranjador, mas de uma geração anterior a de Hans Zender.

 

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

Die Kunst der Fuge, BWV 1080.
(Arranjo para grande orquestra, por Fritz Stiedry)

  1. I Allegro Moderato, BWV 1080, 1
  2. II Allegro con moto, BWV 1080, 2
  3. Canon I Allegro assai, BWV 1080, 17
  4. III Allegro moderato, BWV 1080, 3
  5. IV Allegro molto, BWV 1080, 6
  6. Canon II Allegro tranquillo, BWV 1080, 16
  7. V Allegro vivace, BWV 1080, 5
  8. VI Andante, BWV 1080, 6
  9. VII Andantino, BWV 1080, 7
  10. VII Allegrissimo, BWV 1080, 9
  11. IX Allegrissimo, BWV 1080, 10
  12. Canon III Presto non troppo, BWV 1080, 15
  13. X Allegro, BWV 1080, 8
  14. XI Allegro non troppo, BWV 1080, 11
  15. Canon IV Molto moderato, BWV 1080, 14
  16. XII Allegro con moto, BWV 1080, 12-I
  17. XIII Allegro con moto, BWV 1080, 12-II
  18. XIV Vivace ma non troppo, BWV 1080, 13-I
  19. XV Vivace ma non troppo, BWV 1080, 13-II
  20. XVI Allegro moderato, BWV 1080, 19

Klaus Hellwig e Thomas Weber, piano

Radio-Symphonie-Orchester Berlin

Hans Zender

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FLAC | 227 MB

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MP3 | 320 KBPS | 188 MB

Quem não fica assim, regendo a genial música de Bach?

Momento ‘The Book is on the Table’:

Probably no single work by Johann Sebastian Bach is surrounded with such an aura of mystery and secrecy as The Art of Fugue.

Aproveite!

René Denon

Detalhe de uma capa de outra gravação da Arte… Poucas obras inspiraram tanto os artistas que produzem as capas!

PS: Se você gostou desta postagem, não deixe de conferir estas gravações, bem diferentes, mas ótimas!

J S Bach – Die Kunst der Fuge (The Art of Fugue), BWV 1080 – Le Consort de violes des Voix humaines

J. S. Bach (1685-1750): A Arte da Fuga (Podger / Brecon)

Bach (1685–1750) · ∞ · Partitas BWV 825 – 830 · ∞ · Igor Levit ֍

Bach (1685–1750) · ∞ · Partitas BWV 825 – 830 · ∞ · Igor Levit   ֍

Bach

Partitas

Igor Levit

 

Um dos grandes prazeres naqueles dias era o de fazer a ronda – ir às lojas de CDs, ver as novidades. Como essas lojas também tinham seus barflies, sempre encontrava algum conhecido ou mesmo, com sorte, um amigo. Sabíamos os gostos (e desgostos) uns dos outros e parte da diversão consistia em correr na frente para provocar quem ficava para trás – sobrou só uns Tchaikoviskys aí para você… era o bordão.

Depois íamos tomar café e exibir os resultados das compras. Não sou saudosista, os tempos são outros, mas o prazer de ir passando os discos e se deparar com um álbum com a combinação – compositor – repertório – intérprete reunidos é algo difícil de esquecer.

Uma dessas últimas emoções, desses prazeres do passado, foi encontrar este álbum da postagem e me ocorreu na Arlequim, uma linda loja que havia no Paço Imperial, no Centro do Rio de Janeiro.

O álbum duplo com as Partitas de Bach, interpretadas pelo então desconhecido Igor Levit foi a prenda do dia! I snaped it up, sem vacilar! E valeu cada centavo investido.

Revivo isto tudo e os faço saber pois que Igor Levit ganhou não um, mas dois prestigiosos prêmios da edição deste terrível ano de 2020 da Gramophone Awards, a premiação da prestigiosa revista de música inglesa.

O prêmio na categoria Instrumental, pela gravação das Sonatas para Piano de Beethoven, disponível já há um bom tempo no seu distribuidor PQP Bach Ars Blog mais próximo, já seria para monumentais comemorações. Mas Igor levou outro premio ainda, talvez de maior prestígio. Ele ganhou também na categoria Artista do Ano. Certamente suas aptidões artísticas o levaram a tanto, como você poderá verificar ouvindo o álbum desta postagem, mas a razão pela qual Levit segue ganhando prêmios de diversos segmentos vem de sua atitude e seus posicionamentos firmes e exemplares frente a tantas questões que nos afligem nestes tempos deveras conturbados que vivemos. Ele ganhou também o Beethoven Prize por suas claras e fortes posições externadas nas mídias, como você poderá ver aqui.

Mas hoje é dia de Bach e Levit nos levará pelo mundo maravilhoso das Partitas. Bach já havia produzido duas coleções de suítes para o teclado quando a Primeira das Partitas foi impressa em 1726 – com a promessa de mais outras que a seguiriam. A coleção ficou completa em 1731 e foi designada Clavier-Übung (Exercícios para Teclado), terminologia que já havia sido adotada por Johann Kuhnau, o predecessor de Bach como Kantor de Santo Tomás, em Leipzig.

A impressão desta coleção – Opus 1 de Bach – pode ter sido uma tentativa de aumentar a renda e criar uma nova frente de atividade, uma vez que o interesse pela música religiosa vinha declinando devido a várias dificuldades. Inclusive, esta seria a motivação para a criação de mais um novo ciclo de suítes, pois que os pretensos compradores da coleção eram os muitos estudantes de Bach e outros músicos profissionais, que já tinham certamente suas cópias das lindas Suítes Inglesas e Francesas. E melhor ainda para nós, que ganhamos mais uma coleção primorosa de Suítes de Bach, um verdadeiro compendio de estilos musicais – aberturas francesas, tocatas, fugas e fantasias, assim como uma miríade de danças. E tudo isto entregue a você pelas mãos do artista do ano: Igor Levit!

Johann Sebastian Bach (1685 – 1750)

CD1

Partita No. 1 em si bemol maior, BWV 825

Partita No. 2 em dó menor, BWV 826

Partita No. 4 em ré maior, BWV 828

CD 2

Partita No. 3 em lá menor, BWV 827

Partita No. 5 em sol maior, BWV 829

Partita No. 6 em sol menor, BWV 830

Igor Levit, piano

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FLAC | 457 MB

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MP3 | 320 KBPS | 349 MB

Quando Igor Levit deu seu primeiro recital nos Estados Unidos da América, em 2014, Alex Poots, que era o diretor artístico do Park Avenue Armory em 2014, ficou encantado com sua musicalidade e sua consideração. Ele teve então a ideia de apresentá-lo a Marina Abramović.

Foram então todos ao Chiltern Firehouse, um hotel chique em Londres, com um bar lotado e barulhento depois da meia-noite, quando Marina Abramović  pediu ao Levit que tocasse alguma coisa ao piano.

Levit lembra-se de ter dito “Marina, eu não posso tocar o piano aqui, todo o mundo está dançando”. Mas o dono do local silenciou o D.J. e Levit tocou o último movimento da Sonata Hammerklavier.

Mr. Poots disse que o salão ficou em silêncio: “Em um bar barulhento, cheio de festa e de vida, podia-se ouvir um alfinete cair ao chão”.

Believe it or not, Mr. Levit!

Aproveite o Bach!

René Denon

Se você gostou desta postagem, poderá se interessar por estas aqui:

Ludwig van Beethoven (1770-1827): Sonatas para Piano – Igor Levit – 1 de 9 – BTHVN250

J. S. Bach (1685-1750): Partitas BWV 825 a 830 – Angela Hewitt, piano (2ª Gravação – 2019)

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Complete Partitas – Richard Egarr

 

J. S. Bach, Biber, Montanari, Pisendel & Tartini: Guardian Angel (Rachel Podger)

J. S. Bach, Biber, Montanari, Pisendel & Tartini: Guardian Angel (Rachel Podger)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Chega o dia em que o grande violinista — no caso a grande violinista — acha que tem que roubar repertório de outros instrumentos. E o faz bem, roubando (ou transcrevendo) a belíssima Partita para Flauta Solo, BWV 1013, de Bach. O restante do repertório deste Guardian Angel é original, mas tudo fica opaco perto da Partita de Bach e da Passacaglia de Biber. Eu amo a Passacaglia, uma daquelas peças que não requerem virtuosismo e sim sensibilidade. Em mãos mais duras, ela cai na vala das obras descartáveis, mas quando cai nas mãos de uma Podger, rende loucamente. Um CD aparentemente despretensioso que é uma joia. Confiram!

J. S. Bach, Biber, Montanari, Pisendel & Tartini: Guardian Angel (Rachel Podger)

Johann Sebastian Bach (1685 -1750)
Partita for flute in A minor, BWV 1013:
01. I. Allemande (04:07)
02. II. Corrente (03:41)
03. III. Sarabande (05:26)
04. IV. Bouree Anglaise (02:40)

Nicola Matteis (d. after 1713)
From: Other Ayrs, Preludes, Allmands, Sarabands etc. – The 2nd Part:
05. Passagio rotto (02:34)
06. Fantasia (01:51)
07. Movimento incognito (02:49)

Giuseppe Tartini (1692-1770)
Sonata in A minor, B: a3:
08. I. Cantabile (01:40)
09. II. Allegro (02:15)
10. III. Allegro (03:41)
11. IV. Giga (01:21)
12. V. Theme and variations (12:12)
Sonata in B minor, No.13, B: h1:
13. I. Andante (04:45)
14. II. Allegro assai (02:48)
15. III. Giga. Allegro affettuoso (02:48)

Johann Georg Pisendel (1687-1755)
Sonata per violino solo senza basso:
16. I. (02:45)
17. II. Allegro (05:16)
18. III. Giga (02:49)
19. IV. Varoatione (04:00)

Heinrich Ignaz Franz von Biber (1644-1704)
20. From: Mystery Sonatas: Passacaglia in G minor for solo violin (08:52)

Antonio Montanari (1676-1737)
21. Sonata Camera (Giga) — Bonus Track (02:27)

Rachel Podger, violino

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Quem não ama Rachel Podger?

PQP

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas para Soprano (BWV 82a, 199, 51, 84, 209 & 202) – Nancy Argenta

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas para Soprano (BWV 82a, 199, 51, 84, 209 & 202) – Nancy Argenta

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Eu amo as Cantatas para soprano solo de Johann Sebastian Bach. Especialmente a BWV 82 e a 202, mas também as outras. E o que dizer delas na voz translúcida de Nancy Argenta? Bem, abaixo coloco um texto de Mark Swed, publicado no L.A. Times em julho deste ano. Swed faz uma curiosa e linda relação entre a Cantata BWV 82 e nossos tempos covideanos. Excluí os dois parágrafos finais pois eles diziam respeito a outra interpretação que não a da canadense Argenta, porém, é claro, o artigo está em sua versão completa no link acima e traduzido aqui.

Bach escreveu a Cantata BWV 82 para transcender a tragédia. É uma canção de ninar para os nossos tempos

Por Mark Swed

Ich habe genug, Cantata BWV 82 de Bach, é comumente traduzida como Estou contente. No centro da cantata, há uma canção de ninar de doçura consoladora e benção sonolenta, cuja melodia é incomparável. Quem está atualmente contente? Quem não está dormindo muito ou pouco, com noites pesadas e angustiadas?

Na verdade, a Cantata 82 fornece um manual de como morrer tranquilamente, mapeando o caminho para o paraíso. E, aparentemente, essa é a última coisa que alguém quer ouvir durante as circunstâncias terríveis que vivemos.

Eu tentei um experimento. Por alguns dias, a Cantata foi a última música que eu escutei antes de ir para a cama e a primeira que eu ouvi de manhã. Não me aliviou a apreensão noturna nem se mostrou eficaz para melhorar o humor diurno. Eu não fiquei mais contente, mas o curioso era que eu esperava ansiosamente aqueles momentos de escuta. Claro, a BWV 82, para usar o sistema de numeração convencional que usamos para Bach, não se tornou sem motivo uma dos mais amadas das cerca de 200 cantatas existentes de Bach. Ela é linda.

As cantatas de Bach são uma conquista da humanidade. Acredita-se que ele tenha composto pelo menos 300 (um terço ou mais foram perdidas). Aos 38 anos, em 1723, ele era o encarregado da música das quatro principais igrejas luteranas de Leipzig, na Alemanha, e era obrigado a fornecer 59 cantatas por ano, uma para o culto de cada domingo e outras para os feriados. A maioria das cantatas era composta por 3 árias, 3 movimentos corais e recitativos. E era interpretada por um ou dois cantores solo, coral e um conjunto instrumental no qual os membros também podiam ter partes solo, o que significava agendamentos frenéticos de ensaios.

As cantatas acabaram se tornando um álbum de respostas emocionais a seu tempo e lugar, às estações do ano, às alegrias e tristezas da vida de Leipzig no século XVIII. Elas eram meditações profundas sobre o significado de tudo, discursos pessoais de sons.

A Cantata (que significa apenas cantada) era, por si só, um gênero vago. Embora principalmente sacras, as elas também poderiam ser seculares, destinadas a casamentos e outras celebrações, funerais ou mesmo, como Bach nos demonstrou deliciosamente, a um café.

Como disse, elas normalmente continham árias para um ou dois cantores, um coro e um pequeno conjunto com solos para instrumentistas virtuosos. Para aborrecimento dos padres, a música de Bach costumava ser a principal atração para os cultos que começavam às 7 da manhã e podiam durar quatro horas. Sabe-se que a congregação da sociedade de Leipzig chegava tarde à missa e saía mais cedo, ou seja, iam mais para assistir Bach do que o sermão.

O BWV 82 foi escrito em 1727 para a Festa da Purificação da Virgem Maria, que aconteceu em 2 de fevereiro. É para um cantor solo e prescinde do coro. Seu libreto anônimo concentra-se em Simeão, que, depois de ver o menino Jesus no templo, não precisa mais da vida terrena.

Em seu brilhante estudo de Bach, Música no Castelo do Céu, o maestro John Eliot Gardiner diz que a teologia da época encarava o mundo como “um hospício povoado por almas doentes cujos pecados apodrecem como furúnculos supurantes e excrementos amarelos”. Mas, no BWV 82, Bach radicalmente nos permite aspirar a sermos anjos. A morte não é transformação ou punição, é missão cumprida, é uma boa noite de sono e uma alegre viagem para casa.

Anjos não somos, mas por 25 minutos sentimos que somos. Os sons das palavras do texto anônimo são transformados em melodias luxuosas, que demonstram um talento operístico indiscutível. Mas a realização mais significativa é a de que a melodia e a instrumentação transcenderem o texto completamente.

O formato da cantata é simples: um cantor — Bach criou versões para soprano, mezzo-soprano e baixo-barítono — e três árias conectadas por dois recitativos curtos. Um pequeno conjunto de cordas o acompanha. Um oboé solo (ou flauta na versão soprano) gira melodias acrobáticas fazendo um sofisticado contraponto à linha vocal. Sobre as cordas suaves, a ária de abertura começa com o oboé ou flauta, introduzindo a frase melódica de cinco notas que carregará as palavras “Ich habe genug”.

Bach não está nos dizendo isso por palavras. Ele não está explicitando nada. Nem está, por mais que pareça, revelando as emoções carregadas no texto. Ele está nos levando pela mão a algum lugar.

A suposta tarefa da ária de canção de ninar “Schlummert ein” era representar a morte como sono. Em vez disso, Bach produz um milagre musical. Para que ele não nos leve a dormir, Bach produz um estado de reverência. O sono, então, torna-se não a morte, mas uma visão fugaz da morte, da qual acordamos revigorados. É por isso que a ária final curta e alegre pode estar escandalosamente viva.

Ich habe genug veio logo depois que Bach se cansou de cantatas para funerais. Aliás, a morte foi sua companheira constante. Seus pais morreram quando ele era menino. Sua primeira esposa morreu jovem. Ele sofreu a morte de seis de seus 20 filhos, incluindo a de um filho de seis meses antes de escrever o BVW 82. A essa altura, Bach havia deixado a tarefa hercúlea de escrever cantatas sem parar, para produzi-las apenas ocasionalmente. Mas o BWV 82 parece ser uma questão pessoal e Bach produziu um total de seis versões, a última em 1748, dois anos antes de sua própria morte.

J. S. Bach (1685-1750): Cantatas para Soprano (BWV 82a, 199, 51, 84, 209 & 202)

CD 1 (64:47)
1-5 Ich habe genug BWV 82a 21:51
6-13 Mein Herze schwimmt in Blut BWV 199 22:16
14-17 Jauchzet Gott in allen Landen BWV 51 17:30

CD 2 (54:15)
1-5 Ich bin vergnugt mit meinem Glucke BWV 84 13:34
6-10 Non sa che sia dolore BWV 209–Italian Cantata 20:37
11-19 Weichet nur, betrubte Schatten BWV 202–Wedding Cantata 19:46

Soprano Vocals – Nancy Argenta (tracks: CD 1 & CD 2)
Directed By – Monica Huggett (tracks: CD 1 & CD 2)
Ensemble – Sonnerie (tracks: CD 1 & CD 2)
Flute – Lisa Beznosiuk (tracks: BWV 82a & 209 (CD 1: 1-5; CD 2: 6-10))
Oboe – Paul Goodwin (2) (tracks: BWV 84, 199 & 202 (CD 1: 6-13; CD 2: 1-5, 11-19))
Trumpet – Crispian Steele-Perkins (tracks: BWV 51 (CD 1: 14-17))

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A extraordinária soprano canadense Nancy Argenta

PQP

Johann Sebastian Bach (1685-1750): As Sonatas para Violino e Cravo (Holloway / Moroney / Sheppard)

Johann Sebastian Bach (1685-1750): As Sonatas para Violino e Cravo (Holloway / Moroney / Sheppard)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Mais um belo disco deste monstro do violino barroco que é John Holloway. As 6 Sonatas para violino e cravo obbligato, BWV 1014-1019, de Johann Sebastian Bach, foram provavelmente compostas durante os últimos anos de Bach em Köthen entre 1720 e 1723, antes de se mudar para Leipzig. Em Leipzig, ele continuou a fazer alterações nelas. Ela são, na sua maioria, escritas em 4 movimentos, lento-rápido-lento-rápido e foram desenvolvidas como trios, ou seja, há três partes independentes que consistem de duas vozes superiores combinados com uma linha de baixo. Em vez de fazer o papel de um instrumento contínuo, preenchendo as harmonias de um baixo cifrado, o cravo tomou uma das linhas melódicas superiores em igualdade de condições com a violino. Ao mesmo tempo, ele proporciona a linha de baixo (a qual pode ser reforçada ou não por uma viola da gamba, por exemplo). Holloway é toda uma paleta de cores. Seu violino soa às vezes tão grave que parece uma viola. Em outros pontos, como no final do Adagio da Sonata Nº 5, ele parece uma orquestra. Um disco realmente muito bom, que nos dá outra visão de obras fundamentais de Bach.

Johann Sebastian Bach (1685-1750): Sonatas para Violino e Cravo (Holloway / Moroney / Sheppard)

Tracklist:

CD1:

01. Sonata in G major BWV 1021 – I. Adagio (03:58)
02. Sonata in G major BWV 1021 – II. Vivace (01:07)
03. Sonata in G major BWV 1021 – III. Largo (02:13)
04. Sonata in G major BWV 1021 – IV. Presto (01:24)

05. Sonata in E minor BWV 1023 – [Prelude] – Adagio ma non tanto (04:18)
06. Sonata in E minor BWV 1023 – II. Allemanda (03:45)
07. Sonata in E minor BWV 1023 – III. Gigue (02:58)

08. Sonata No.1 in B minor BWV 1014 – I. Adagio (03:49)
09. Sonata No.1 in B minor BWV 1014 – II. Allegro (03:07)
10. Sonata No.1 in B minor BWV 1014 – III. Andante (03:22)
11. Sonata No.1 in B minor BWV 1014 – IV. Allegro (03:33)

12. Sonata No.2 in A major BWV 1015 – I. Dolce (03:05)
13. Sonata No.2 in A major BWV 1015 – II. Allegro assai (03:25)
14. Sonata No.2 in A major BWV 1015 – III. Andante un poco (02:54)
15. Sonata No.2 in A major BWV 1015 – IV. Presto (04:37)

16. Sonata No.3 in E major BWV 1016 – I. Adagio (03:51)
17. Sonata No.3 in E major BWV 1016 – II. Allegro (03:10)
18. Sonata No.3 in E major BWV 1016 – III. Adagio ma non tanto (04:48)
19. Sonata No.3 in E major BWV 1016 – IV. Allegro (04:01)

CD2:

01. Sonata No.4 in C minor BWV 1017 – I. Largo (03:58)
02. Sonata No.4 in C minor BWV 1017 – II. Allegro (04:43)
03. Sonata No.4 in C minor BWV 1017 – III. Adagio (03:12)
04. Sonata No.4 in C minor BWV 1017 – IV. Allegro (05:01)

05. Sonata No.5 in F minor BWV 1018 – I. Lamento (07:30)
06. Sonata No.5 in F minor BWV 1018 – II. Allegro (04:38)
07. Sonata No.5 in F minor BWV 1018 – III. Adagio (03:03)
08. Sonata No.5 in F minor BWV 1018 – IV. Vivace (02:40)

09. Sonata No.6 in G major BWV 1019 – I. Allegro (03:53)
10. Sonata No.6 in G major BWV 1019 – II. Largo (01:30)
11. Sonata No.6 in G major BWV 1019 – III. Allegro (harpsichord solo) (04:53)
12. Sonata No.6 in G major BWV 1019 – IV. Adagio (02:32)
13. Sonata No.6 in G major BWV 1019 – V. Allegro (03:33)

14. Sonata No.6 (appendix) – I. Adagio (01:38)
15. Sonata No.6 (appendix) – II. Cantabile, ma un poco adagio (06:38)
16. Sonata No.6 (appendix) – III. (harpsichord solo) (05:35)
17. Sonata No.6 (appendix) – IV. Violino solo e basso (02:25)

John Holloway, violin
Davitt Moroney, harpsichord, chamber organ
Susan Sheppard, cello

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Anônimo do século XVII

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J. S. Bach (1685-1750): Cantata BWV 202 e BWV 209 — Coleção Collegium Aureum Vol. 5 de 10

J. S. Bach (1685-1750): Cantata BWV 202 e BWV 209 — Coleção Collegium Aureum Vol. 5 de 10

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este é um resumo bastante incompleto do que foi a carreira do extraordinário Collegium Aureum, grupo que teve sua origem na Harmonia Mundi e que foi um dos principais pioneiros das interpretações historicamente informadas. 

A Cantata secular BWV 202 é uma das lindas compostas por Bach. É a famosa “Cantata do Casamento”, umas das preferidas deste filho de Bach.. Provavelmente foi composta para um casamento. Porém, os estudiosos discordam sobre a data, que pode ser do período de Bach em Weimar , por volta de 1714, embora tenha sido tradicionalmente ligada ao seu casamento com Anna Magdalena em 3 de dezembro de 1721 em Köthen. É uma das cantatas mais gravadas de Bach. As árias “Weichet nur, betrübte Schatten” e “Sich üben im Lieben” são frequentemente executadas como peças de concerto. A cantata sobreviveu apenas em uma cópia da década de 1730, que apresenta um estilo usado por Bach apenas até por volta de 1714. O libretista não é conhecido, mas Harald Streck suspeita de Salomon Franck, o poeta da corte de Weimar. Mais tradicionalmente, a composição estava ligada ao tempo de Bach em Köthen em 1718 e à ocasião de um casamento, possivelmente o do próprio Bach com Anna Magdalena em dezembro de 1721. O texto relaciona o amor inicial com a chegada da primavera após o inverno, mencionando flores brotando nos dois primeiros movimentos, o sol subindo mais alto no terceiro movimento, Cupido em busca de uma “presa” nos dois movimentos seguintes, e finalmente um casal de noivos e bons votos para eles. O tom é bem humorado e brincalhão.

“Non sa che sia dolore”, BWV 209, é uma cantata secular composta por Johann Sebastian Bach, apresentada pela primeira vez em Leipzig em 1747. Juntamente com “Amore Traditore”, é uma das duas cantatas em que Bach trabalha com texto em italiano. Bach provavelmente compôs esta cantata como uma despedida de Lorenz Albrecht Beck (1723-1768). O libretista da obra é desconhecido.

J. S. Bach (1685-1750): Cantata BWV 202 e BWV 209 — Coleção Collegium Aureum Vol. 5 de 10

CD05: J.S. Bach – Hochzeits-kantate, Non sà che sia dolore (48:16)
Hochzeits-kantate, BMV 202
01. I. Aria: Weichet nur, betrübte Schatten
02. II. Recitativo: Drum sucht auch Amor sein Vergnügen
03. III. Recitativo: Die Welt wird wieder neu
04. IV. Aria: Phöbus eilt mit schnellen Pfeilen
05. V. Aria: Wenn die Frühlingslüfte streichen
06. VI. Recitativo: Und dieses ist das Glücke
07. VII. Aria: Sich üben im Lieben
08. VIII. Recitativo: So sei das Band der keuschen Liebe
09. IX. Aria: Sehet in Zufriedenheit

Non sà che sia dolore, BWV 209
10. I. Sinfonia
11. II. Recitativo: Non sà che sia dolore
12. III. Aria: Parti pur col dolore
13. IV. Recitativo: Tuo saver al tempo e l’età
14. V. Aria: Recitti gramezza e pavento

Elly Ameling, soprano
Gerald English, tenor
Siegmund Nimsgern, bass
Collegium Aureum

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J. S. Bach (1685-1750): Cantata do Café BWV 211 e Cantata dos Camponeses BWV 212 — Coleção Collegium Aureum Vol. 4 de 10

J. S. Bach (1685-1750): Cantata do Café BWV 211 e Cantata dos Camponeses BWV 212 — Coleção Collegium Aureum Vol. 4 de 10

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este é um resumo bastante incompleto do que foi a carreira do extraordinário Collegium Aureum, grupo que teve sua origem na Harmonia Mundi e que foi um dos principais pioneiros das interpretações historicamente informadas. 

Essas Cantatas de Bach costumavam vir juntas em LPs e CDs. Hoje mudou muito e a elas foram agregadas outras Cantatas seculares.

Só que a Cantata do Café é muito superior à dos Camponeses. Na do Café, Schlendrian é um pai grosseiro e está preocupadíssimo porque sua filha Lieschen entregou-se à nova mania de tomar café. Todas as promessas e ameaças para desviá-la de tão detestável hábito foram infrutíferas até que, para dissuadi-la, ofereceu-lhe um marido. Lieschen aceita a idéia com entusiasmo e o pai parte apressadamente para conseguir-lhe um. Esta é a idéia principal da Cantata do Café, obra cômica de J. S. Bach, uma mini-ópera, que foi apresentada entre 1732 e 1735 na Kaffeehaus de Zimmermann, em Leipzig. A primeira Kaffeehaus da cidade foi aberta em 1694 — o café chegara à Alemanha em 1670 — e em 1735 a burguesia podia escolher entre oito privilegiadas casas.

Kaffeekantate, BWV 211, foi encomendada a Bach por Zimmermann e é, em parte, uma ode ao produto (sim, puro merchandising) e, de outra parte, uma punhalada no movimento existente na Alemanha para impedir seu consumo pelas mulheres. Acreditava-se que o “negro veneno” pudesse causar descontrole e esterilidade ao sexo frágil, mas Bach, em troca do pagamento de Zimmermann, ignorou estes terríveis perigos. Senão, talvez não musicasse uma ária que diz: “Ah, como é doce o seu sabor. / Delicioso como milhares de beijos, / mais doce que um moscatel. / Eu preciso de café”; e nem nos brindaria com estas delicadezas…: “Paizinho, não sejas tão mau. / Se eu não beber meu café / as minhas curvas vão secar / as minhas pernas vão murchar / ninguém comigo irá casar”.

Na dos Camponeses. o texto descreve como um fazendeiro não identificado ri com a esposa do fazendeiro Mieke sobre as maquinações do coletor de impostos, enquanto elogia a economia de sua esposa. De acordo com a natureza do texto, Bach criou uma composição relativamente simples com árias curtas. Ele recorreu a formas de dança popular, melodias folclóricas e populares (como La Folia, por exemplo) e trechos de suas próprias peças (BWV 11 e BWV 201).

J. S. Bach (1685-1750): Cantata do Café BWV 211 e Cantata dos Camponeses BWV 212 — Coleção Collegium Aureum Vol. 4 de 10

CD04: J.S. Bach – Kaffee-kantate, Bauern-kantate (58:11)
Johann Sebastian Bach (1685-1750)
Kaffee-kantate, BWV 211
01. I. Recitativo (Erzähler): Schweigt stille, plaudert nicht
02. II. Aria (Schlendrian): Hat man nicht mit seinen Kindern
03. III. Recitativo (Schlendrian): Du böses Kind, du loses Mädchen
04. IV. Aria (Lieschen): Ei, wie schmeckt der Coffee süße
05. V. Recitativo (Schlendrian): Wenn du mir nicht den Coffee lässt
06. VI. Aria (Schlendrian): Mädchen, die von harten Sinnen
07. VII. Recitativo (Schlendrian): Nun folge, was dein Vater spricht
08. VIII. Aria (Lieschen): Heute noch, heute noch
09. IX. Recitativo (Erzähler): Nun geht und sucht der alte Schlendrian
10. X. Coro: Die Katze lässt das Mausen nicht

Bauern-kantate, BWV 212
11. I. Sinfonia
12. II. Duetto: Mer han en neue Oberkeet
13. III. Recitativo (bass): Nu, Miecke, gib dein Guschel immer her
14. IV. Aria (soprano): Ach es schmeckt doch gar zu gut
15. V. Recitativo (bass): Der Herr ist gut
16. VI. Aria (bass): Ach, Herr Schösser, geht nicht gar zu schlimm
17. VII. Recitativo (soprano): Es bleibt dabei, dass unser Herr der beste sei
18. VIII. Aria (soprano): Unser trefflicher lieber Kammerherr
19. IX. Recitativo (bass): Er hilft uns allein, alt und jung
20. X. Aria (soprano): Das ist galant
21. XI. Recitativo (bass): Und unsre gnädige Frau ist nicht ein prinkel stolz
22. XII. Aria (bass): Fünfzig Taler bares Geld
23. XIII. Recitativo (soprano): Im Ernst ein Wort!
24. XIV. Aria (soprano): Kein Zschocher müsse so zart und süße
25. XV. Recitativo (bass): Das ist zu klug vor dich
26. XVI. Aria (bass): Es nehme zehntausend Ducaten
27. XVII. Recitativo (soprano): Das klingt zu liederlich
28. XVIII. Aria (soprano): Gib, Schöne, viel Söhne von artger Gestalt
29. XIX. Recitativo (bass): Du hast wohl recht
30. XX. Aria (bass): Dein Wachstum sei feste und lache vor Lust
31. XXI. Recitativo (soprano): Und damit sei es auch genug
32. XXII. Aria (soprano): Und dass ihr’s alle wisst
33. XXIII. Recitativo (bass): Mein Schatz, erraten!
34. XXIV. Coro: Wir gehn nun, wo der Tudelsack

Elly Ameling, soprano
Gerald English, tenor
Siegmund Nimsgern, bass
Collegium Aureum

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J. S. Bach (1685-1750): Variações Goldberg (transcrição para acordeão)

J. S. Bach (1685-1750): Variações Goldberg (transcrição para acordeão)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

Este espetacular CD foi indicado ao blog por um ou dois comentaristas que poderiam deixar seus nomes aí nos comentários. Sou agradecido a eles. Talvez esta seja minha quinquagésima Goldberg. E é das mais especiais. A expressividade da Ária (depois que nos refazemos da surpresa) e a boa interpretação demonstra o enorme respeito do músico para com a obra e a resistência da mesma ao maiores abusos. Abusos? Por que chamar de abuso? As notas estão todas aí e os bons músicos devem ter liberdade para dar à obra suas interpretações, é claro. Bem, procuremos caminhos menos polêmicos.

Wolfgang Dimetrik (nascido em 6 de janeiro de 1974) é um acordeonista austríaco. Aos seis anos de idade recebeu sua primeira aulas no instrumento. Tendo completado os seus estudos de acordeão na Escola de Música de Graz (1992-2001), Dimetrik hoje apresenta-se com diversos grupos de câmara na Europa, como o Musikfabrik Nordrhein-Westfalen, Neues Ensemble Hannover, o Ensemble Recherche e a Ensemble Modern.

Além disso, o músico participou em várias produções de ópera contemporânea, incluindo Die Wände, de Adriana Holszky, e a estreia da ópera de Arnold Schoenberg Die Hand glückliche, conduzida por Peter Hirsch.

Sua abordagem das Goldberg é muito interessante e esta é a pequena homenagem que faço a meu pai no dia de seu 325º aniversário.

Bach: Variações Goldberg (transcrição para acordeão)

01. Aria
02. Variation 1
03. Variation 2
04. Variation 3: Canona all’unisono
05. Variation 4
06. Variation 5
07. Variation 6: Canone alla seconda
08. Variation 7
09. Variation 8
10. Variation 9: Canone alla terza
11. Variation 10: Fughetta
12. Variation 11
13. Variation 12: Canona alla quarta
14. Variation 13
15. Variation 14
16. Variation 15: Canona alla quinta
17. Variation 16: Ouvertüre
18. Variation 17
19. Variation 18: Canona alla sesta
20. Variation 19
21. Variation 20
22. Variation 21: Canona alla settima
23. Variation 22: Alle breve
24. Variation 23
25. Variation 24: Canona all’ottava
26. Variation 25
27. Variation 26
28. Variation 27: Canona alla nona
29. Variation 28
30. Variation 29
31. Variation 30: Quodlibet
32. Aria

Wolfgang Dimetrik, acordeão

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J. S. Bach (1685-1750): Partitas Nos. 2, 3 & 4 (Murray Perahia)

J. S. Bach (1685-1750): Partitas Nos. 2, 3 & 4 (Murray Perahia)

IM-PER-DÍ-VEL !!!

As gravações de Bach de Murray Perahia são discretas, na linha sugerida pela modéstia de Bach nas palavras Clavier-Übung, prática de teclado. Não há nada da excentricidade de Glenn Gould e nem da dura monumentalidade de András Schiff. Perahia se contenta em ser franco e simples, escolhendo dar ênfases com cuidado e parcimônia. No início, sua forma de tocar, como o título de Bach, parece muito modesta, mas logo você percebe que, pela clareza absoluta em texturas polifônicas, ele é excelente entre os pianistas que enfrentam as Partitas. Sim, deixemos os cravistas de fora. Eles, os cravistas são mesmos melhores para este repertório.

As três partitas apresentadas neste programa podem parecer um trio improvável, mas elas formam um todo convincente. Incorporam o afastamento progressivo das estruturas convencionais do conjunto de danças de estilo francês que forneceram o projeto básico de Bach. Ouça o tratamento de Perahia na excitação crescente da Courante da Partita No. 3, BWV 827, faixa 9, ainda mais eficaz porque é controlada com extrema segurança. Perahia faz com que a grande Allemande da Partita No. 4, BWV 828, de nove minutos, desapareça no tempo. Ele canta. O estilo de Perahia não vai agradar a todos, mas, para quem gosta de coisas transparentes, é um raro acepipe.

A engenharia alemã da Sony deve ser especialmente saudada: as ressonâncias das notas graves do piano de Perahia, tão cuidadosamente esculpidas pela artista, emergem com suas cores perfeitamente reproduzidas.

J. S. Bach (1685-1750): Partitas Nos. 2, 3 & 4 (Murray Perahia)

Partita Nr. 2 c-moll, BWV 826 – 21:07
1. I. Sinfonia – 4:43
2. II. Allemande – 4:52
3. III. Courante – 2:14
4. IV. Sarabande – 3:58
5. V. Rondeau – 1:32
6. VI. Capriccio – 3:47

Partita Nr. 3 a-moll, BWV 827 – 19:08
7. I. Fantasia – 2:03
8. II. Allemande – 3:11
9. III. Courante – 3:01
10. IV. Sarabande – 4:09
11. V. Burlesca – 2:10
12. VI. Scherzo – 1:05
13. VII. Gigue – 3:29

Partita Nr. 4 D-dur, BWV 828 – 32:04
14. I. Ouverture – 6:16
15. II. Allemande – 9:21
16. III. Courante – 3:32
17. IV. Aria – 2:16
18. V. Sarabande – 5:10
19. VI. Menuet – 1:39
20. VII. Gigue – 3:50

Murray Perahia, piano

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Depois de mais de 40 anos na Sony, Perahia assinou com a DG e ficou com esta cara.

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BTHVN250 – A Obra Completa de Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Sonata para violino e piano em Sol maior, Op. 96 – Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Sonata para violino e teclado em Dó menor, BWV 1017 – Arnold Schönberg (1874-1951) – Fantasia para violino e piano, Op. 47 – Menuhin – Gould

A histórica esnobada de Rodolphe Kreutzer não criou em Beethoven urticárias para com violinistas franceses. Muito pelo contrário: admirador de Pierre Rode (1774-1830), violinista titular da corte de Napoleão, aproveitou uma visita do colega a Viena em 1812 para compor-lhe uma sonata para o instrumento. Rode, que fora um dos mais renomados violinistas da Europa, estava em declínio técnico por condições de saúde. Seu modus gallicus não era exatamente afeito nem ao temperamento, nem ao estilo de Ludwig. No entanto, aceitou a oferta, bancada pelo dedicatário da obra, o arquiduque Rudolph, que foi o pianista da estreia.

A obra composta para Rode marcou o retorno de Beethoven à sonata para violino, dez anos após sua composição anterior no gênero, para uma última experiência que praticamente arremata seu chamado período intermediário. Aquele ano de 1812 viu surgirem poucas composições, talvez pela dor de cotovelo trazida pela desilusão final com Antonie Brentano – aquela que foi, salvo melhor juízo, a “Amada Imortal” da  famosa carta que nunca chegou à destinatária. Foi o ano, também, em que escreveria em seu diário:


Tudo que se chama vida deve ser sacrificado ao sublime e tornar-se santuário da Arte”


Seria a limitada produção daquele 1812 um retiro de um sacerdote da Música a oferecer sacrifícios antes da fase mais ascética e visionária de sua vida? É bem possível. Assim como em obras do mesmo período – o quarteto Op. 95 e a sonata para piano, Op. 90, já apresentados em nossa série – Beethoven lança mão na Op. 96 de formas mais concisas para, de modo mui concentrado, expressar suas ideias. O contraste com a antecessora, a sonata que todos chamam de “Kreutzer”, mas deveriam chamar “Bridgetower”, não poderia ser maior. Em lugar do virtuosismo e da verve da “Bridgetower”, que abre com aqueles vigorosos acordes do violino solo e logo liberta a fúria concertística que permeará seu primeiro e último movimentos, a sonata que Beethoven escreveu a Rode é plácida, muito equilibrada, de caráter meio etéreo, meio pastoral. Ela inicia com extrema simplicidade: o primeiro movimento tem um tema principal que começa de maneira incomum, com um trinado, e perpassa todo o movimento com diálogos entre violino e piano, que repetem entre si, com poucos compassos de diferença, todo material temático que vai surgindo. No movimento lento, o piano tem um tema ao estilo de um hino religioso, ao qual o violino responde com um outra, mais cantável, que leva a um scherzo temperamental, com um sossegado trio. O finale foi escrito especificamente para o estilo de Rode, como Beethoven confessou ao arquiduque: “Não me apressei indevidamente para compor o movimento final, pois, em vista da execução de Rode, eu tive que mudar meus planos para esse movimento. Em nossos finales gostamos de passagens ruidosas, mas R não as aprecia – e por isso me senti um pouco tolhido”. Assim, ele escolheu abrir o movimento com um tema desconcertantemente despojado – ele sempre me lembra alguém a assobiar – sobre o qual desenvolvem-se variações cada vez mais rápidas, até que Beethoven parece abandonar os planos e mergulhar num prolongado Adagio, só para retomar o tema e encaminhar o movimento para um final rápido e efetivo.

Já lhes alcancei essa sonata numa interpretação excelente, pelo magnífico Kavakos. Achei, no entanto, que não poderia perder a oportunidade de oferecer-lhes este histórico encontro entre dois importantes músicos que nada tinham em comum, exceto o respeito um pelo outro: o pianista Glenn Gould (1933-1982) e o violinista Yehudi Menuhin (1916-1999). O precioso registro foi feito a partir do áudio de um especial de TV que foi ao ar em 1965, o qual alcançarei a vocês ao final da postagem, com obras de J. S. Bach, Beethoven e Schönberg que abarcam três séculos da tradição da música para violino e teclado. Melhores que as interpretações, talvez, sejam os diálogos que Gould e Menuhin travam acerca das obras antes de executá-las. Infelizmente, não encontrei uma versão legendada em português, nem uma transcrição dos textos. No entanto, acho que o contraste entre as posturas do fleumático Menuhin, com seu sotaque afiado pelos já tantos anos radicado no Reino Unido, e o palavroso Gould é tão interessante que dispensará tradutores. Os resultados que conseguem com seu duo, embora longe de serem interpretações de referência, não desagradarão mesmo aos numerosos detratores destes artistas incomuns, graças, a meu ver e ouvir, à imensa capacidade que Menuhin tinha de compreender e assimilar o estilo de seus colegas e responder-lhes com muito respeito, que lhe permitiria parcerias memoráveis e muito convincentes com músicos como Ravi Shankar e Stéphane Grappelli.

Johann Sebastian BACH (1685-1750)

Sonata para violino e teclado em Sol menor, BWV 1017

1 – Siciliano. Largo
2 – Allegro
3 – Adagio
4 – Allegro

Ludwig van BEETHOVEN (1770-1827)

Sonata para violino e piano em Sol maior, Op. 96
Composta em 1812
Publicada em 1816
Dedicada ao arquiduque Rudolph da Áustria

5 – Allegro moderato
6 – Adagio espressivo
7 – Scherzo: Allegro – Trio
8 – Poco allegretto

Arnold SCHÖNBERG (1874-1951)

Fantasia para violino com acompanhamento de piano, Op. 47

9 – Grave – Più mosso – Meno mosso – Lento – Grazioso – Tempo I – Più mosso
10 – Scherzando – Poco tranquillo – Scherzando – Meno mosso – Tempo I

Yehudi Menuhin, violino
Glenn Gould, piano

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J. S. Bach: Sonata, BWV 1017


Beethoven: Sonata, Op. 96


Schönberg: Fantasia, Op. 47

#BTHVN250, por René Denon

Vassily