IM-PER-DÍ-VEL !!!
Vou-lhes contar uma coisa: na minha opinião, esta é a melhor versão dos Concertos de Brandenburgo que já ouvi. Mas tenho de lhes contar outra coisa: este foi, em 1973 0u 74, o primeiro disco de música erudita que comprei. Tinha 16 ou 17 anos. É claro que os fatos devem estar ligados. Quando comprei aquele belíssimo álbum duplo importado de uma tal Deutsche Harmonia Mundi que me custara os olhos da cara, jamais imaginaria que ele me acompanharia por tanto tempo. E é realmente uma gravação extraordinária. Liderado pelo violinista Franzjosef Maier e tendo a seu serviço o cravista Gustav Leonhardt, o Collegium Aureum e a Harmonia Mundi alemã me mostravam um mundo de sonoridade diferente daquela que meu pai (ou padrasto, sei lá, pois não sou filho de Bach?) ouvia em casa. O segredo estava escrito na capa em letras amarelas: auf Originalinstrumenten, com instrumentos originais. Ainda hoje ouço esta gravação e a tenho como a melhor. Já a submeti a vários músicos, que ficaram entre a surpresa e o encanto. Se estou no mesmo caso da propaganda do primeiro sutiã? (A primeira vez a gente nunca esquece…) Talvez, mas ouçam antes. O registro é de 1969.
Uma curiosidade: Franzjosef Maier foi professor e o principal mentor de Reinhard Goebel, o fundador e líder do Musica Antiqua de Köln.
Recomendo fortemente!!! Para ouvir e comprar!!!
J. S. Bach (1685-1750): Os Concertos de Brandenburgo (Collegium Aureum)
CD1:
1. Brandenburg Concertos: Concerto No. I In F Major: Allegro
2. Brandenburg Concertos: Concerto No. I In F Major: Adagio
3. Brandenburg Concertos: Concerto No. I In F Major: Allegro
4. Brandenburg Concertos: Concerto No. I In F Major: Menuetto
5. Brandenburg Concertos: Concerto No. II In F Major: Allegro
6. Brandenburg Concertos: Concerto No. II In F Major: Andante
7. Brandenburg Concertos: Concerto No. II In F Major: Allegro Assai
8. Brandenburg Concertos: Concerto No. III In G Major: Allegro
9. Brandenburg Concertos: Concerto No. III In G Major: Adagio
10. Brandenburg Concertos: Concerto No. III In G Major: Allegro
CD2:
11. Brandenburg Concertos: Concerto No. IV In G Major: Allegro
12. Brandenburg Concertos: Concerto No. IV In G Major: Andante
13. Brandenburg Concertos: Concerto No. IV In G Major: Presto
14. Brandenburg Concertos: Concerto No. V In D Major: Allegro
15. Brandenburg Concertos: Concerto No. V In D Major: Affettuoso
16. Brandenburg Concertos: Concerto No. V In D Major: Allegro
17. Brandenburg Concertos: Concerto No. VI In B Major: Allegro
18. Brandenburg Concertos: Concerto No. VI In B Major: Adagio ma non tanto
19. Brandenburg Concertos: Concerto No. VI In B Major: Allegro
Collegium Aureum
Franzjosef Maier (Violino e regência)
Gustav Leonhardt (Solista no Concerto Nº 5 e baixo contínuo nos outros)

PQP

Gosto muito do movimento central da Sinfonia Nº 3 e do finale da Nº 4, mas, de resto, não são sinfonias que eu ame apaixonadamente. Só que, claro, são Sinfonias de um sinfonista, então são obras fundamentais dele, Jean Sibelius. A Sinfonia Nº 3, Op. 52 (1907) e a Sinfonia Nº 4, Op. 63 (1911) representam polos opostos em sua produção. A Terceira é uma obra de espírito quase neoclássico, culminando num finale grandioso. Em contraste radical, a Quarta é uma das sinfonias mais sombrias e introspectivas já escritas, mergulhando em uma linguagem harmônica austera, atonalidade incipiente e estruturas fragmentadas, refletindo uma crise pessoal do compositor e uma visão de mundo profundamente pessimista. Se a Terceira olha para fora, para a natureza e a epopeia nacional, a Quarta volta-se para os abismos interiores, marcando a transição decisiva de Sibelius do Romantismo Tardio para o Modernismo.
IM-PER-DÍ-VEL !!!
IM-PER-DÍ-VEL !!!




IM-PER-DÍ-VEL !!!!


IM-PER-DÍ-VEL !!!




Atendendo a pedidos, postamos a Sinfonia Nº 2 de Sibelius. Adoro as Sinfonias do Cabeça de Ovo. Dentre as sinfonias do finlandês, minhas preferências são as de Nº 2, 4, 5 e 7, ou seja, quase todas. Para nossa alegria, há um bom CD da Naxos onde a segunda vem acompanhada da maravilhosa sétima, apesar de que a gravação que mora nos ouvidos de PQP é uma ainda mais antiga, a cargo do grande Evgueni Mravinski (1903-1988), junto à Filamônica de Leningrado, na qual o trombonista dá um show de competência. Aliás, acho que nesta gravação o engenheiro de som achatou o trombonista, que executa o principal tema desta vertiginosa sinfonia em um movimento. O registro de Leaper não é nada ruim — longe disso! — e hoje ficaremos com ela.

O álbum Contínua Amizade (2011) de André Mehmari e Hamilton de Holanda é uma joia a música instrumental brasileira contemporânea. É um encontro de metres — são dois dos maiores instrumentistas e compositores da sua geração que uniram em um projeto de diálogo musical. Ambos são conhecidos por sua técnica virtuosística, criatividade e domínio de linguagens que vão do choro e samba ao jazz e à música erudita. Contínua Amizade reflete não apenas a parceria artística, mas a amizade pessoal entre eles, resultando em uma comunicação musical fluida e orgânica. Mehmari traz sua formação erudita e influências jazzísticas, enquanto Hamilton é o grande revolucionário do bandolim, expandindo os limites do bandolim de 10 cordas. Juntos, criam um som que é ao mesmo tempo raiz e vanguarda. O disco é majoritariamente autoral, com composições de ambos, além de algumas releituras significativas.



Uma bela gravação. Bem, como esta Sinfonia é muito conhecida e comentada — deve ter sido postada mil vezes neste blog –, vamos pelas margens. O que é o tal “movimento Blumine”? Este movimento “Das Flores” foi suprimido da Primeira Sinfonia de Gustav Mahler. Ele fazia parte da obra em suas primeiras versões. Sua história é reveladora do quanto Mahler considerava a repercussão de seus trabalhos. A sinfonia foi estreada em 1899 na cidade de Budapeste como um Poema Sinfônico com cinco movimentos, sendo o segundo movimento o “Blumine”. Ele é lírico e pastoral, dominado por uma melodia serena levada pelo trompete solo (ou às vezes no corne inglês), acompanhada por cordas suaves. O “Blumine” representava um momento de inocência e amor juvenil – uma pausa lírica antes do turbilhão do scherzo. Por que Mahler o removeu? Ah, houve críticas… O movimento foi considerado “muito leve” e desconexo do caráter épico e conflituoso do resto da obra. Críticos o chamaram de “supérfluo” ou “kitsch”, coisa que Mahler não suportou… Então Mahler assentiu e resolveu reforçar a unidade dramática da sinfonia. O “Blumine” soaria como um resquício de música incidental, que quebrava o fluxo sinfônico. Em 1893 (Hamburgo) e 1896 (Berlim), Mahler já havia cortado o movimento. Na versão definitiva (1906), a sinfonia consolidou-se em quatro movimentos, no formato clássico. Palavras do compositor: ele disse que o movimento era “muito ingênuo” para o conjunto, e que sua doçura soava como uma “lembrança excessivamente direta” da música de teatro. Eu? Eu achei o Blumine bem chatinho.
A maioria das pessoas geralmente associa uma canção de protesto a uma música rock ou folk que usa a letra para abordar temas como guerra, direitos civis, desigualdade, ganância e outros males sociais. Ao consultar listas das melhores canções de protesto, encontramos pouquíssimos assuntos fora dos Estados Unidos e do mundo ocidental, nenhum jazz e certamente nenhuma música instrumental. Parece que quem compila essas listas não está muito familiarizado com Charlie Haden. Ao longo de quatro décadas, Haden gravou vários álbuns com a Liberation Music Orchestra, um conjunto que liderou com Carla Bley, todos focados na opressão e injustiça em diferentes partes do mundo. Curiosamente, todos foram lançados durante governos republicanos nos EUA.





IM-PER-DÍ-VEL !!!
O gaúcho Radamés Gnattali foi um arranjador, compositor e pianista brasileiro. Filho primogênito de uma pianista descendente de italianos, Adélia Fossati, e de um imigrante italiano radicado em Porto Alegre, Alessandro Gnattali, professor de música e maestro. Radamés foi iniciado na música aos seis anos, tendo as primeiras lições de piano com a mãe e de violino com a prima Olga Fossati. Formou-se em piano em 1924 no Instituto de Belas Artes de Porto Alegre, orientado por Guilherme Fontainha. Neste ano apresentou-se no Instituto Nacional de Música do Rio de Janeiro, recebendo elogios do Jornal do Brasil, e em 1925 foi convidado por Mário de Andrade para dar um recital no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Voltando a Porto Alegre, começou sua carreira profissional dando aulas de piano e tocando piano em cinemas e bailes. Também era hábil no cavaquinho e violão, participando de serestas e blocos carnavalescos. Em 1925 trocou o violino pela viola, integrando-se ao Quarteto Henrique Oswald, onde permaneceu quatro anos. Em 1929 foi convidado pelo professor Fontainha a se apresentar no Theatro Municipal do Rio de Janeiro como solista do Concerto Nº 1 de Tchaikovski, recebendo grandes elogios da crítica carioca. Mudou-se então para o Rio, ganhando a vida como músico de teatros e hotéis. Convidado por uma companhia russa como assistente do maestro, excursionou pela Argentina.






Eu adoro a barroca Bergamasque, mas normalmente acho um porre a música para piano de Debussy. Ela é ideal para dormir. Tem tantos admiradores, mas tantos, que certamente é mais um de meus problemas. (Tenho muitos, mas não sou bolsonarista). Sabem?, acho perfeitamente legítimo e até comum ter uma relação complexa com a música para piano de Debussy. Ela exige um tipo de escuta específica e foge de muitas expectativas. Das minhas, principalmente. Gosto dos vanguardistas, só que Debby faz a anti-sonata. Sua revolução é a de dissolver a narrativa em sensações (uhhh, ohhh) e resulta, para mim, numa sensação de ausência de destino, de andamento sem chegada e isto que eu corro 5 Km duas vezes por semana dando voltas numa pista. Admiro sua importância histórica – ele libertou o som, mas, pessoalmente, muitas de suas peças me soam como impressionismo de salão: atmosféricas demais, emocionalmente esquivas. Apesar de tudo isto, Weissenberg (1929-2012) é um mestre e realmente não entedia a gente, só faz dormir bem.

IM-PER-DÍ-VEL !!!
IM-PER-DÍ-VEL !!!
Estes quartetos costumam ser companheiros de CDs e vinis. Quando aparece um, vem o outro grudado. Mas dá para entender. São dois dos melhores compositores franceses, ambos escreveram somente um quarteto de cordas, e apenas 10 anos anos os separam. O Claude Debussy é de 1893 e p de Maurice Ravel é de 1902-03). Ambos os quartetos são pilares do repertório moderno e mostram dois caminhos para renovar a tradição. Enquanto Debussy dissolve as fronteiras formais em sensação, Ravel as reinventa com cuidado. O de Debussy faz uma revolução silenciosa no gênero, rompendo com a tradição germânica (Beethoven, Brahms) e abrindo caminho para o modernismo francês. O de Ravel foi muito combatido, porém, para nossa sorte, Ravel recusou-se a reescrevê-lo, dizendo: “Não toquem numa nota; está perfeito como está.” Hoje, é um modelo de modelo de concisão e elegância no repertório camarístico. Excelente CD!
Georg Philipp Telemann (1681-1767): Suite em A menor, Concerto em F maior, Concerto em C maior e Sinfonia em F maior
Telemann: Bläserkonzerte (Wind Concertos)
