O gaúcho Radamés Gnattali foi um arranjador, compositor e pianista brasileiro. Filho primogênito de uma pianista descendente de italianos, Adélia Fossati, e de um imigrante italiano radicado em Porto Alegre, Alessandro Gnattali, professor de música e maestro. Radamés foi iniciado na música aos seis anos, tendo as primeiras lições de piano com a mãe e de violino com a prima Olga Fossati. Formou-se em piano em 1924 no Instituto de Belas Artes de Porto Alegre, orientado por Guilherme Fontainha. Neste ano apresentou-se no Instituto Nacional de Música do Rio de Janeiro, recebendo elogios do Jornal do Brasil, e em 1925 foi convidado por Mário de Andrade para dar um recital no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Voltando a Porto Alegre, começou sua carreira profissional dando aulas de piano e tocando piano em cinemas e bailes. Também era hábil no cavaquinho e violão, participando de serestas e blocos carnavalescos. Em 1925 trocou o violino pela viola, integrando-se ao Quarteto Henrique Oswald, onde permaneceu quatro anos. Em 1929 foi convidado pelo professor Fontainha a se apresentar no Theatro Municipal do Rio de Janeiro como solista do Concerto Nº 1 de Tchaikovski, recebendo grandes elogios da crítica carioca. Mudou-se então para o Rio, ganhando a vida como músico de teatros e hotéis. Convidado por uma companhia russa como assistente do maestro, excursionou pela Argentina.
Em 1932 deu um concerto como pianista solista no Theatro Municipal do Rio, sob a regência de Francisco Braga, e começou a se aproximar da música popular, trabalhando nas rádios como pianista, arranjador e maestro, além de atuar como maestro e compositor de música ligeira para o teatro. Colaborou com as orquestras de Romeu Silva e Simon Bountman em bailes de carnaval, rádios e operetas, e atuou como pianista das orquestras Típica Victor, Diabos do Céu e Guarda Velha. Gravou suas valsas Vibrações D`dalma e Saudosa pela Orquestra Típica Victor em 1933. Em 1934 seu choro Serenata do Joá e sua valsa Vilma foram gravadas por Luís Americano na Odeon. Nesse ano passou a ser o orquestrador da gravadora Victor e dois anos depois participou da inauguração da Rádio Nacional.
Em 1936 foi contratado como maestro e arranjador da Rádio Nacional, onde permaneceria por cerca de 30 anos. Ali fundou o Trio Carioca com o violoncelista Iberê Gomes Grosso e o violonista Romeu Ghipsman, gravando várias composições. O grupo evolui para a Orquestra Carioca, e em 1943 se transformou na Orquestra Brasileira de Radamés Gnattali, que tocava sucessos internacionais em novos arranjos no programa “Um Milhão de Melodias”, chamando a atenção pela originalidade de suas soluções instrumentais, permanecendo treze anos no ar, além de ser o primeiro a prestar homenagens a compositores como Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga e Zequinha de Abreu.[5] Alinhou-se às propostas do governo de Getúlio Vargas para a criação de uma música nacionalista e de fundo educativo, mas permanecia influenciado pelo jazz. A partir de 1945 se distanciou do nacionalismo, dando às suas composições uma voz mais original. Sua experiência no rádio seria determinante na consolidação do seu estilo pessoal, principalmente em termos de orquestração.
Foi o autor da parte orquestral de gravações célebres como a do cantor Orlando Silva para a música Carinhoso, de Pixinguinha e João de Barro, ou ainda da famosa gravação original de Aquarela do Brasil (Ary Barroso) ou de Copacabana (João de Barro e Alberto Ribeiro) – esta última imortalizada na voz de Dick Farney. Na década de 1950 colaborou com o cineasta Nelson Pereira dos Santos e com o sambista Zé Keti em filmes importantes como Rio, Zona Norte (1957) e Rio 40 Graus (1955).
No ano de 1960 embarcou para Europa, integrando a II Caravana Oficial da Música Popular Brasileira, apresentando-se em Portugal, França, Alemanha, Itália e Inglaterra com o Sexteto Continental, que incluía acordeão, guitarra, bateria e contrabaixo, e que resultou num disco. Em 1963 partiu outra vez para a Europa para apresentar-se em duo de piano e violoncelo com Iberê Gomes Grosso, passando por Berlim e Roma e, posteriormente, Jerusalém e Tel-Aviv, em Israel.
Na década de 1960 deixou o rádio para ser arranjador e maestro da TV Excelsior e na TV Globo. Radamés teve influência na composição de choros, incentivando jovens instrumentistas como Raphael Rabello, Joel Nascimento e Mauricio Carrilho, e para a formação de grupos de choro como o Camerata Carioca.
Foi parceiro de Tom Jobim. No seu círculo de amizades estavam Cartola, Heitor Villa-Lobos, Pixinguinha, Donga, João da Baiana, Francisco Mignone, Lorenzo Fernandez e Camargo Guarnieri. É autor do hino do Estado de Mato Grosso do Sul — a peça foi escolhida em concurso público nacional.
Em maio de 1983, numa série de eventos em homenagem a Pixinguinha, Radamés e Elizeth Cardoso apresentaram o recital Uma Rosa para Pixinguinha e, em parceria com a Camerata Carioca, gravou o disco Vivaldi e Pixinguinha.
A sua saúde começou a fraquejar em 1986, quando Radamés sofreu um derrame que o deixou com o lado direito do corpo paralisado. Em 1988, em decorrência de problemas circulatórios, sofreu outro derrame, falecendo no dia 13 de fevereiro de 1988 na cidade do Rio de Janeiro.
Sim, o fragmento acima foi trazido da Wikipedia.
Os dois CDs abaixo fazem parte da caixa comemorativa pelos 100 anos de nascimento do maestro Radamése cuja capa está no início do post.

Radamés interpreta Radamés
1 . Papo De Anjo – Radamés Gnattali
2 . Puxa-Puxa – Radamés Gnattali
3 . Bolacha Queimada – Radamés Gnattali
4 . Pé De Moleque – Radamés Gnattali
5 . Zanzando Em Copacabana – Radamés Gnattali
6 . Gatinhos No Piano – Radamés Gnattali
7 . Amargura – Radamés Gnattali , Alberto Ribeiro
8 . Vou Andar Por Aí – Radamés Gnattali
9 . Cheio De Malícia – Radamés Gnattali
10 . Escrevendo Pra Você – Radamés Gnattali
11 . De Amor Em Amor – Radamés Gnattali , Silva Costa
12 . Seu Ataulfo – Radamés Gnattali
Radamés Gnattali (piano)
José Menezes (cavaquinho e violão)
Luciano Perrone (bateria)
Heitor dos Prazeres (afoxé e reco-reco)
Pedro Vidal Ramos (contrabaixo)

Brasiliana Nº 7 e 8 — Radamés, Aida e Sandoval
Brasiliana Nº 7 para saxofone tenor e piano
1 Variações Sobre Um Tema de Viola
2 Samba-Canção
3 Choro
Brasiliana Nº 8 para dois pianos
4 Schottish
5 Valsa
6 Choro (Tocata)
Sandoval Dias (saxofone tenor)
Radamés Gnattali (piano)
Aida Gnattali (piano em Brasiliana Nº 8)

PQP





Eu adoro a barroca Bergamasque, mas normalmente acho um porre a música para piano de Debussy. Ela é ideal para dormir. Tem tantos admiradores, mas tantos, que certamente é mais um de meus problemas. (Tenho muitos, mas não sou bolsonarista). Sabem?, acho perfeitamente legítimo e até comum ter uma relação complexa com a música para piano de Debussy. Ela exige um tipo de escuta específica e foge de muitas expectativas. Das minhas, principalmente. Gosto dos vanguardistas, só que Debby faz a anti-sonata. Sua revolução é a de dissolver a narrativa em sensações (uhhh, ohhh) e resulta, para mim, numa sensação de ausência de destino, de andamento sem chegada e isto que eu corro 5 Km duas vezes por semana dando voltas numa pista. Admiro sua importância histórica – ele libertou o som, mas, pessoalmente, muitas de suas peças me soam como impressionismo de salão: atmosféricas demais, emocionalmente esquivas. Apesar de tudo isto, Weissenberg (1929-2012) é um mestre e realmente não entedia a gente, só faz dormir bem.

IM-PER-DÍ-VEL !!!
IM-PER-DÍ-VEL !!!
Estes quartetos costumam ser companheiros de CDs e vinis. Quando aparece um, vem o outro grudado. Mas dá para entender. São dois dos melhores compositores franceses, ambos escreveram somente um quarteto de cordas, e apenas 10 anos anos os separam. O Claude Debussy é de 1893 e p de Maurice Ravel é de 1902-03). Ambos os quartetos são pilares do repertório moderno e mostram dois caminhos para renovar a tradição. Enquanto Debussy dissolve as fronteiras formais em sensação, Ravel as reinventa com cuidado. O de Debussy faz uma revolução silenciosa no gênero, rompendo com a tradição germânica (Beethoven, Brahms) e abrindo caminho para o modernismo francês. O de Ravel foi muito combatido, porém, para nossa sorte, Ravel recusou-se a reescrevê-lo, dizendo: “Não toquem numa nota; está perfeito como está.” Hoje, é um modelo de modelo de concisão e elegância no repertório camarístico. Excelente CD!
Georg Philipp Telemann (1681-1767): Suite em A menor, Concerto em F maior, Concerto em C maior e Sinfonia em F maior
Telemann: Bläserkonzerte (Wind Concertos)


Excelente CD dedicado à música de Telemann, um contemporâneo de Bach que, na época em que viviam, era muito mais popular e considerado maior. Claro que era mesmo um monstro, mas não era Bach, nem de longe. Ele compôs em todas as formas e estilos existentes em sua época. Sua música tem um caráter inconfundível, sendo clara, agradável e fluida. Gosto bastante. Telemann deixou mais de 3.000 obras, incluindo cantatas, oratórios, concertos e música de câmara, na qual era um craque. Ele aprendeu música quase sozinho, contra a vontade da família, que queria que fosse advogado. Família é uma merda, né?
IM-PER-DÍ-VEL !!!
Nocturnes
Prélude À L’Après-midi D’un Faune
Os CDs da gravadora brasileira Imagem eram espécimes muito curiosos. Qual é a relação entre o belíssimo Concerto para Piano de Khachaturian e uma das maiores obras já compostas, o Quinteto para Clarinete de Brahms? (Vocês sabiam que a autobiografia de Erico Verissimo, Solo de Clarineta, tem este nome em homenagem ao quinteto de Brahms? Pois é, vivendo e aprendendo…)




IM-PER-DÍ-VEL !!!




Boa gravação. O Ghost foi composto em 1808, no mesmo período da Sinfonia No. 5 e da Sinfonia No. 6 colocando-o firmemente no período médio de Beethoven. Por que “Ghost” (Fantasma)? O apelido não foi dado pelo compositor, mas surgiu devido ao caráter único e sobrenatural do segundo movimento (Largo assai ed espressivo). O apelido está intimamente ligado a um projeto de ópera que Beethoven tinha em mente, baseado em “Macbeth”, de Shakespeare. Ele estava esboçando música para a cena em que as três bruxas aparecem para Macbeth. Essa música era sombria, misteriosa e cheia de um suspense fantasmagórico. Beethoven, insatisfeito e abandonando o projeto da ópera, reaproveitou o material musical e o clima dessa cena para compor o segundo movimento deste trio. O aluno, factótum e amigo Carl Czerny, foi quem confirmou essa conexão. Então, quando você ouve o segundo movimento, está essencialmente ouvindo a música que Beethoven imaginou para uma assembleia de bruxas sobrenaturais – daí a sensação de “fantasma”. Uhhhhh… O segundo Trio também é ótimo viram?
Mais um IM-PER-DÍ-VEL !!! 

Talvez o principal segredo de Manfred Eicher tenha sido o de viabilizar gravações àquele pessoal talentoso que fica atrás no palco. Eberhard Weber é um exemplo disso. Nascido em 1940, Weber fez seu disco de estréia em 1974, com este bom The Colours of Chloë. Músico de jazz e erudito, Weber era músico de apoio de Joe Pass, Stephane Grappelli, Baden Powell e outros quando fez sua proposta a Eicher. Sua vida mudou e ele pode até montar um grupo próprio de jazz, além de ter se tornado um contumaz baixista de outras grandes estrelas da gravadora como Pat Metheny, Gary Burton, Jan Garbarek e Ralph Towner, representantes mais importantes do som ECM. The Colours of Chloë não é nenhuma maravilha, mas acho curiosa e agradável de ouvir a tentativa de Weber de fazer um som jazzístico próximo àquele que faziam alguns grupos de rock em 1974, como Yes, Pink Floyd, Gentle Giant, etc. É estranho, mas, por alguma razão, é um CD irresistível para quem completou 17 anos no distante 1974. É uma música feita de climas e ostinatos, é também melancólica e muito mais organizada do que o bom jazz deve ser. Parece de vanguarda, mas é aquela coisa que, apesar de bonita, não possui rumo e pula de estilo em estilo. Bom, aí está.
João Gilberto: Ao Vivo – Eu Sei Que Vou Te Amar não é apenas um grande álbum ao vivo. É mais uma das provas — todas definitivas — de que a arte de JG não era um produto de estúdio, mas um estado de ser, reproduzível e vivo diante de testemunhas. As 18 faixas são 18 capítulos de uma oração secular à melodia, ao ritmo interior e à beleza contida. Para o fã, é mais uma relíquia. Para o estudioso de música, é um tratado. Para qualquer ouvinte, é a sensação rara de estar na presença de um gênio, onde o silêncio entre as notas e a voz contam mais do que qualquer acorde. Este registro ganha um peso emocional adicional por ser um dos últimos testemunhos públicos de João antes de seu longo retiro da vida pública. Ouvir este disco é, portanto, ouvir o último grande concerto de uma era. É a bossa nova em sua fonte originária, não como uma moda, mas como uma filosofia musical acabada.



IM-PER-DÍ-VEL !!!

